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MOBGRAPHIA

Eudete Taissa Souza Martins1


Perpetua Aparecida Albuquerque Dutra2

RESUMO
Compreendendo o contexto histórico da fotografia como uma imagem tradicional de
representação do mundo e do processo de desenvolvimento da máquina e do aparelho para
imagens técnicas, um novo conceito de fotografia explodi, a mobgrafia, a arte de tirar
fotografias com aparelho mobile, ou seja, smartphone. O novo movimento surgiu com o
desenvolvimento das mídias sociais como uma ferramenta de interação nos meios de
comunicações da sociedade contemporânea e pela prática de tirar uma foto em qualquer
lugar com um aparelho móvel. As redes sociais tornam-se um meio muito rápido de
comunicação, permitindo ao usuário uma quantidade ilimitada de fotos, além da divulgação
e compartilhamento envolvendo outras culturas em uma linguagem digital por meio de
imagens e símbolos. A mobgrafia tem movimentado exposições em museus, premiações e
oficinas através de profissionais que ensinam tecnicas da fotografia para celulares utilizando
aplicativos de edição, técnicas de composição e enquadramento. O Instagram uma rede
social de compartilhamento de fotos permite a aplicação de efeitos na imagem além de
integra-la a outra rede, transformando o usuário em consumidor e produtor de imagem, um
funcionário da programação do jogo, convertendo o aparelho em brinquedo para jogar com
as potencialidades inesgotáveis da rede.

Palavras-chave: Fotografia. Mobgrafia. Mídias Sociais

INTRODUÇÃO

A primeira fotografia do mundo foi tirada das janelas da propriedade de Joseph


Nicéphore Niépce em 1826, mas o desenvolvimento de todo processo fotográfico contou com
os estudos de químicos e físicos para ser aprimorada e chegar ao alcance de todos e com o
avanço tecnológico a fotografia tornou-se digital e o imediatismo das redes socias com as
novas mídias permitiu o acesso das fotos em aparelhos móveis, esse avanço digital
possibilitou melhor qualidade nas imagens.

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1 Graduada em Artes Visuais pelo instituto libera limes / Uniasselvi, Pós-graduanda no curso de Arte Educação e Cultura Regional, pela Faculdade Novo Oeste.
E-mail: Taissa.s7@hotmail.com
2 Mestra em Educação pela UCDB, Professora e Orientadora – Faculdade Novo Oeste.

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Sobre fotografia a escritora americana Sontag (2012) fala de modo subjetivo sobre a
foto cotidiana que está presente em nossas vidas como um ritual e ainda a importância do belo
e do feio que influencia na escolha de uma foto isso é bastante claro ao olhar um objeto e
dizer que aquilo daria uma bela foto, as grandes modificações que um lugar ou cidade passa
como prédios, ruas e casas com o passar do tempo se modificará e será irreconhecível mas o
registro das fotografias preservam o que o lugar ou cidade foi um dia já que muitas vezes o
patrimônio não consegue ser preservado, o lugar certamente passará por mudanças e a
fotografia será a única imagem do que já existiu.
Barthes (1984) com o conceito de fotografia fala sobre a dualidade da fotografia o
objetivo e o subjetivo o que revela o olhar do leitor, pois cada um enxergará a fotografia de
uma maneira pessoa e singular assim sendo o observador fala sobre sua opinião pessoal.
Flusser (1920) faz uma crítica sobre a tecnologia que com os grandes avanços não
permite ao homem pensar, pois a máquina imita o pensamento humano e a programação do
aparelho depende de outra programação e não do homem de maneira que empurra o homem
para viver em sua função tornando-se funcionário do programa.
Compreendendo que a tecnologia está cada vez mais ocupando espaço no cotidiano
dos seres humanos o objetivo de representar a realidade por meio da imagem não é mais o que
desperta o olhar de um observador em fotografias, a busca é incansável pela foto mais bela
principalmente o retrato para ser usado em perfil nas redes sociais, por isso todos querem ser
fotógrafos e tirar a melhor foto.
O retrato em pintura tinha como objetivo a representação da imagem, a imagem era
armazenada e bem guardada como uma joia poucos tinham acesso além do longo processo
demorado das poses. a intenção mudou podemos observar que o objetivo da foto retrato é
justamente a divulgação e não o armazenamento.
Ademais o conceito mudou, os álbuns fotográficos de papel com um plástico para
guardar a foto de papel não é tão comercializado como antes, ganharam o nome de foto livro
com um acabamento melhor e na maioria das vezes as pessoas usam uma foto de parede
emoldurada na sala, mas para isso recorrem ao estúdio fotográfico que sempre tem um tema
para compor o cenário da foto como gestação, família e15 anos.
As fotos de estúdio têm um valor e nem todos podem pagar, por isso muitas pessoas
usam a criatividade e fazem sua própria foto, sem falar na facilidade em adquirir um
aplicativo que ajudará na edição da fotografia, alguns fotógrafos profissionais conseguem um
resultado semelhante a fotografia com câmeras profissionais usando um smartphone.
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A mobgrafia surgiu como uma arte da fotografia no celular e o movimento tem


alcançado um público conectado um público jovem que está sempre disponível nas redes que
conhece a linguagem digital e busca informação, para divulgar um bom resultado fotográfico
e nesta nova dimensão da fotografia não existe o certo e o errado, um objeto simples torna-se
uma verdadeira arte nas mãos de amadores.
As regras existem para ampliar as possibilidades e orientar assim observamos em uma
oficina de fotografia que o passeio fotográfico além de ser uma aula simples e prática alcança
resultados sensacionais por meio de uma aplicativo instalado no celular, alguns conceitos
básicos são ensinados também como a regra dos terços para enquadramento, a hora dourada
que significa o pôr ou nascer do sol, aplicativos de edição, aplicativos para fotografar e uma
quantidade de programas inesgotáveis.
A mobgrafia tem movimentado o Museu do Mis de São Paulo em exposições e
premiações e não precisa ser profissional para participar o objeto do ensaio e levar a inclusão
social através da arte de fotografar com o celular, nas redes sociais por exemplo pessoas
autodidatas fazem vídeos e mostram a fotografia de rua por meio da mobgrafia e alcançam
resultados surpreendentes para um público de todas as camadas culturais que estão inovando a
fotografia para um novo dispositivo móvel de fácil acesso e prático, pois o celular faz parte do
cotidiano do homem que faz o ser humano tão dependente que é impossível para muitos viver
sem o celular, pois é necessário em quase todas as suas tarefas.
Este trabalho tem como objetivo identificar na sociedade contemporânea novos
conceitos de fotografia assim como todo o contexto de desenvolvimento na comercialização
da máquina e nas mudanças industriais e sociais que transformou com a chegada da
tecnologia de informação o cotidiano das pessoas. O olhar de uma sociedade voltada para a
publicidade estampada visualmente nas novas mídias acelerou um processo de interação
social em um curto espaço de tempo, as informações antes obtidas por meio da leitura de um
livro estão desaparecendo, a cada dia as pessoas utilizam o smartphone para ler mais do que
os livros, entre outros costumes que foram injetados na sociedade por meio da tecnologia
acessível a todas as pessoas, sem restrições.
A cultura visual estuda as imagens da sociedade contemporânea e no cotidiano, as
produções visuais e não só a fotografia como ferramenta destas produções, mas cinema,
dispositivos móveis e mídias sociais para ampliar a visão sobre temas transversais na
sociedade.
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1 IMAGENS TRADICIONAIS E TÉCNICAS

O registro de imagens esteve presente na humanidade desde a pré-história período


em que eram registradas nas paredes das cavernas desenhos rupestres transmitindo assim,
uma mensagem, por meio das imagens que representavam uma organização ou até mesmo
ritual de caça para a sobrevivência do homem.

Conforme Flusser (1920) as fotografias arcaicas em paredes de caverna e telas provém


da subordinação de um suporte material o que diferencia da fotografia eletrônica que por sua
vez não são imóveis como a pintura, sendo assim surgem novas técnicas para registrar uma
imagem tradicional do mundo passando uma mensagem de geração em geração.
A pintura permitia registrar uma imagem, sendo mais fiel possível, através do retrato,
com longas poses, o artista representava a imagem de pessoas que pertenciam a uma classe
social chamada burguesia, apenas uma pequena parte da sociedade poderia guardar como algo
muito valioso o retrato de um ente querido como se estivesse eternizando a sua imagem.
Mas para chegar até a imagem fotográfica foi preciso o estudo e a contribuição de
vários estudiosos, entre eles químicos e físicos, iniciando com o filósofo Aristóteles que
observou um eclipse e o reflexo no chão após a luz penetrar as folhas de uma arvore, assim se
dá inicio ao processo conhecido como câmara escura utilizado também por pintores como
Leonardo Da Vinci, a fim de conseguir uma imagem invertida dentro de um sala escura com o
pequeno orifício por onde a luz penetrava, essa sala vai ficando cada vez mais pequena ao
perceber-se que quanto menor a distância entre a luz melhor era o resultado.
Dentre os estudiosos que contribuíram para o desenvolvimento do registro de imagem
está o Químico francês Niépce que por meio da técnica de heliografia conseguiu gravar uma
imagem da janela de sua casa, considerada a primeira fotografia do mundo, mas foi Daguerre
que tinha como objetivo popularizar a fotografia para todas as pessoas, conseguiu a
comercialização, mas com um valor alto que poucos podiam pagar deixando de fora os mais
pobres, dessa forma agora a fotografia através da câmera conhecida como daguerreótipo, era o
início de grandes descobertas assim como as de Fox Talbolt que descobriu o negativo e
positivo conhecido como Calótipo o novo processo de fotografia da época.
Passado este contexto histórico sobre o desenvolvimento da fotografia até chegar no
processo fotográfico da máquina e sua comercialização, revela as emoções e intenções com
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que as pessoas tratavam a imagem, como algo belo a ser comtemplado e por isso fotografado,
com exceção das fotografias de guerra ou jornais, que eram mais um recorte da realidade em
lugares que as pessoas não poderiam estar, dessa forma com a comercialização da máquina o
aparelho passa a se popularizar e a partir desse período propaga-se a seguinte ideia, que para
fotografar era precisa apenas ter uma Kodak em mãos e todo o processo parecia fácil e o
objetivo simples e automático.
Conforme encontramos em Sontag (2012), para a comercialização da primeira Kodak
era garantido ao comprador que ele só precisaria apertar o botão para conseguir uma foto, sem
erro, como em um passe de mágica, pois a princípio para fotografar, além da visão e da
máquina fotográfica era e ainda é necessário, mas com outros conceitos, um alvo para ser
fotografado.
A foto, imagem da imagem, não é imortal, pois com ela pode ser feito o que quiser ela
pode sofrer danos do tempo, pode ser rasgada, recortada e por isso não pode ser imortalizada,
mas tudo o que existe no mundo pode ser fotografado, todos os objetos no mundo.
Para que possa ser comprovada uma viagem de férias por exemplo, logo são mostradas
fotos da viagem, tirar férias parece ser um convite a fotografia, pois, por onde passamos logo
registramos o momento que será visto por todos os que estão a nossa volta ou até mesmo por
meio da tecnologia pessoas que não conhecemos, também terão acesso ás imagens
compartilhadas em redes sociais e que comprovaram que ali estivemos, mas na dúvida sobre o
que fotografar o aparelho fotográfico em mãos já convida a fotografar e seguir em frente.
As possibilidades são infinitas podemos fotografar o que quisermos, no entanto, a
singularidade a identidade ou a vivência do fotografo só podem ser alcançadas através do
olhar fotográfico, isso quer dizer que, antes de tirarmos uma foto a imagem passou pela nossa
imaginação sabemos e conhecemos o que pode ser fotografado, ou podemos simplesmente
olhar algo e pensar isso dará uma bela foto em seguida capturar o momento, que não será
mais repetido da mesma maneira com a mesma intenção, portanto em uma sociedade
contemporânea há pressa para fotografar, para não perder uma boa foto.
Sendo assim mesmo um amador, o fotógrafo tem um conceito de fotografia que
corresponderá com o objeto a ser fotografado, quando alguém mostra uma fotografia a outra
sempre explica onde estava ou de quem é a imagem, isso se tratando de álbum fotográfico de
família, por exemplo ou como um porta retrato em casa ou no local de trabalho, esse tipo de
armazenamento não precisa de uma legenda é interpretado no automático logo que olhamos,
sabemos que se trata de algum familiar mesmo sem sabermos o grau de parentesco porque é
um costume.
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A fotografia que é um recorte do que já passou e do que é real, recorta a realidade por
meio da câmera através do olhar do fotógrafo sobre esta realidade, o que deixará uma
identidade na foto por causa do olhar que foi alcançado com singularidade trazendo uma
percepção maior sobre a leitura da foto e a intenção da imagem.
Algo muito interessante sobre o olhar disse Bathers (1984) Que ninguém conseguia
compreende-lo quando dizia que ao olhar a fotografia do irmão de Napoleão ele via os olhos
que viram o imperador, ou seja ele pensou sobre o olhar que a imagem representava como se
ele olhasse para dentro do olhar da foto e tivesse a percepção do conhecimento daquele olhar.
Com relação ao aparelho fotográfico Flusser (1920) o descreve como um brinquedo
para traduzir o conceito do pensamento em fotografia e segundo o autor o aparelho
fotográfico seria o primeiro de todos os aparelhos do futuro imediato, desde os aparelhos
grandes aos minúsculos que possuem chip, além do aparelho estar programado para dominar
o fotógrafo, o que podemos considerar como uma crítica ao automático, a programação que
está dentro do aparelho o que é chamado de caixa preta pelo autor, não é desvendada ao
funcionário que é aquele que a manipula sem ter o conhecimento da programação dentro da
caixa e é por ela manipulado, pois está sempre em busca de melhorar a imagem e depender do
programa do aparelho.
Mesmo em uma época distante o autor era um visionário e escreveu o futuro, isso
acontece nos dias atuais em uma época dos dispositivos móveis em vez de aparelhos,
atualmente estamos conectados aos smartphones e somos dominados pelo consumo por
produzirmos por meio da comunicação a informação e a imagem, ademais a cada dia aparece
um novo modelo mais avançado com mais tecnologia.
As novas mídias substituem culturalmente o modo de vida das pessoas e tudo ao redor
está conectado a uma imagem as redes sociais identificam a identidade dos sujeitos por meio
de um perfil criado e programado nas redes para compartilhamentos e divulgação da imagem.
A idolatria pela imagem como a adoração pela imagem, podemos perceber que
aparelho celular parece fazer parte do corpo humano tornando-se indispensável necessário e
insubstituível na busca insaciável de imagem, afinal estamos rodeados de publicidade. Para
compreendermos melhor essa afirmação observemos o que diz Flusser (1920, p. 7) sobre a
idolatria:
Tal inversão da função das imagens é idolatria. Para o idólatra – o homem que vive
magicamente -, a realidade reflete imagens. Podemos observar, hoje, de que forma
se processa a magicização da vida: as imagens técnicas, atualmente onipresentes,
ilustram a inversão da função imaginística e remagicizam a vida. Trata-se de
alienação do homem em relação a seus próprios instrumentos.
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Esta inversão da imagem seria o homem viver em função da imagem em vez de usar a
imagem para se servir do mundo e das funções da imagem como representação do mundo,
estão invertidos os valores chegando dessa a forma a ser alienado ao instrumento que é o
aparelho fotográfico sendo incapaz de decifrar as imagens técnicas que não são como as
tradicionais que significam o mundo, mas as imagens técnicas significam textos através das
imagens que imaginam o mundo e muitos textos são eliminados pelas imagens ou por
símbolos.
Vivendo em função da imagem não saberia mais o homem viver sem a imagem que
por meio de programação automática invade seu cotidiano sem ao menos deixa-lo raciocinar,
mas a tecnologia a serviço de toda essa programação raciocina por ele, pois imita o
pensamento e com a globalização aos poucos vem tomando seu espaço, poderia a humanidade
usar a tecnologia ao seu favor sem cair no absurdo da alienação e manipulação de informação.
Chegando a tal ponto de ser eliminado pela sua própria invenção criada para suprir o
interesse do homem, os aparelhos se tornaram tão automáticos que não necessitam do homem
para ser controlado quem controla é a programação a cada dia mais avançada e com mais
autonomia.
Sobre toda a funcionalidade do aparelho que resulta em imagem e que pode acabar
com a liberdade do homem que passa a viver em função do aparelho e o aparelho é pelo
homem sustentado como um ciclo que depende sempre do aparelho e não mais do
pensamento humano o cotidiano passa a ser robotizado e o conhecimento um estereótipo de
imagem.
A imagem cada vez mais editada dependente de aplicativos automáticos que fogem da
realidade e levam o ser humano para um mundo que não representa a imagem do real mas do
ideal de beleza, de relações e comunicações que fisicamente ou que realmente não sejam
alcançadas ou não sejam suficientes para o homem, assim o mesmo sempre necessitará da
programação automática para viver em sociedade e acompanhar os avanços da tecnologia.

1.1 FOTOGRAFIA MOBILE

A mobilidade de poder fotografar tudo com um aparelho celular (smartphone) tornou-


se a grande mudança cultural do momento principalmente na contemporaneidade em que
vivemos de acesso rápido as informações das imagens captadas com qualidade, não tem como
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tirar essa prática do nosso cotidiano e uma imagem interessante nesse meio tecnológico pode
ser uma imagem simples.
E por causa desse mundo rodeado de imagens todos querem ser fotógrafos ou pensam
ser, buscando dessa forma encontrar o melhor aplicativo, o melhor aparelho, o melhor
enquadramento que poderá resultar em uma boa imagem, por causa disso a edição de imagem
está presente em quase todas as redes sociais.
Alguns apps para tirar fotografia mais conhecidos são: Open câmera, câmera FV5 e
câmera MX estão disponíveis nas redes de computadores para serem baixados nos aparelhos
celulares são dois os editores para melhorar a imagem da foto ou simplesmente modifica-la
totalmente são: Snapseed e photoshop.
Estes aplicativos tem como objetivo aproximar o aparelho celular da câmera
fotográfica profissional no resultado da imagem, mas para isso o fotógrafo amador precisa
buscar as informações necessárias como o modo de usar esses apps, pois na realidade o acesso
se torna tão imediato e rápido que testando e treinando já se alcança a informação por meio
das redes, por isso o gosto pela fotografia tem conquistado as pessoas cada vez mais cedo, os
país que não tem em suas redes sociais uma foto do filho ou não faz uma foto estúdio parece
não se importar muito ou não gostar de exposição.
Realidade para poucos, a maioria dos pais expõem seus filhos nas redes sociais e
alguns até divulgam a rotina da criança, que cercada de tanta tecnologia a domina desde cedo
e tem o acesso a muitas informações por meio de celulares ou tablets.
O principal uso do celular era a ligação sucedendo ao telefone fixo, mas atualmente
com tanta conexão poucas pessoas fazem ligações de chamada com o aparelho já que
WhatsApp, Messenger, face book permitem a comunicação on-line em qualquer lugar com o
custo da internet.
Sobre a fotografia e sua utilização nas redes sociais a imagem é definida com o perfil
de identificação e as fotos são compartilhadas podendo alcançar um grande número de
pessoas em um curto espaço de tempo o que pode ser bom ou ruim dependendo da foto, por
isso é preciso ter muito cuidado ao tirar uma foto, por exemplo, observar o local e as pessoas
ao redor.
Uma linguagem que surgiu nas redes sociais são os chamados Memes, emoji e gifs
que são linguagens por meio de imagens ou símbolos que são colocadas tanto no texto quanto
na imagem em uma rede social essa linguagem universal não precisa ser traduzida
independente da língua ou cultura, a ideia é compartilhar a mensagem de bom humor, evitar
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uso de textos em algumas mensagens e dar ênfase para alguma imagem sobre qualquer
assunto muito comentado nas redes.
As imagens publicadas e compartilhadas nas páginas das novas mídias estão ao
alcance de todos que se conectam as redes sociais e são divulgadas por vários símbolos, que
buscam o mesmo conteúdo e assim surge uma interação entre a imagem e o assunto
compartilhado.
A mobgrafia é um movimento novo é a arte da fotografia no celular, e que por meio
desse dispositivo alcançar uma boa composição da imagem, mas é preciso conhecer algumas
regras básicas que ajudam a melhorar os elementos que compõem a imagem com base no
enquadramento, o assunto e a relação dos elementos de forma harmoniosa dos elementos ao
fundo com o plano.
No enquadramento a composição pode ser feita com os dedos ou na imaginação basta
olhar a imagem e recortar na imaginação para treinar o olhar fotográfico em qualquer lugar.
A regra dos terços também é usada no enquadramento dividindo-o em três partes
iguais formando assim uma grade e o assunto principal que será destacado na imagem deve
estar em uma das linhas ou no cruzamento o que define o que será privilegiado na foto, está
regra orienta para um bom resultado de imagem, para treinar o olhar do fotografo sendo
possível fazer uma fotografia profissional smartphones.
Alguns detalhes para melhor qualidade da imagem fazem toda diferença na hora de
fotografar com o smartphone como: a posição do braço, a limpeza da lente, a hora do nascer e
pôr do sol conhecida como a hora dourada, horário favorável e muito rápido, não utilizar o
zoom e aproximar-se da imagem para não perder a qualidade da imagem ou usar uma lente
macro.
O ISO também determina a sensibilidade a luz o que resulta a granulação da imagem
em grande valor de ISO e em menor valor melhor a qualidade, pois menor será a luz
percebida pelo sensor.

1.2 MOBGRAPHIA E A CULTURA DIGITAL NO ENSINO ESCOLAR

A mobgraphia é um novo conceito que esta diretamente ligada ao nosso cotidiano, a


arte de captura, editar e compartilhar imagens fotográficas por meio de plataformas mobile
vem ganhado espaço e exposições em museus, em São Paulo desde 2013 o MIS ( Museu da
Imagem e do Som) reserva uma programação chamada Maio fotografia para o FLAMOB
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(Festival Latino Americano de Mobgrafias) esse projeto de exposição foi feito tanto para
profissionais quanto para amadores.
O Instagram uma rede social que permite ao usuário compartilhar fotos e aplicar
efeitos através do aparelho celular integrado a outras redes sociais possibilitando a divulgação
e o compartilhamento dessas fotos o que permite também ao usuário estar sempre consumindo
e produzindo imagens além de estar disponível, ou seja, conectado na rede social.
A democratização da arte está na facilidade de tirar uma foto a qualquer momento e
poder compartilhar ter acesso rápido a este processo que em qualquer lugar pode ser usado e
ganhar uma divulgação possibilitando a imagem do celular ser tão boa e sensacional quanto a
imagem de uma câmera profissional.
Além das exposições existem oficinas ministradas por profissionais da área sobre esse
novo movimento que ensinam técnicas de composição, enquadramento, regra dos terços entre
outros, ainda treina o olhar amador com o passeio fotográfico, um convite para buscar com as
técnicas aprendidas e o aparelho em mãos capturar e editar as fotos no aparelho.
Na sociedade contemporânea a reprodução de imagem ainda valoriza o retrato do rosto
humano nas divulgações de imagens os filtros de embelezamento modificam como uma
maquiagem as imperfeições estéticas impostas pelos padrões de beleza, o photoshop modifica
não só o rosto, mas também o corpo, uma busca pela perfeição fora do alcance da massa, mas
idealizada por um consumo de imagem.
A mobgrafia ela pode ser usada em qualquer lugar tornando-se muito prática e por
qualquer pessoa e com concursos e premiações nesse contexto de fotografia ganha-se uma
valorização e divulgação de como a fotografia está alcançando um público que está sempre ou
quase sempre conectado porque a grande ideia desse movimento teve inicio nas redes seria
uma renovação na fotografia ou um novo conceito.
As redes sociais espalham e reinventam novas maneiras de fazer fotografia alcançando
culturas diferentes, opiniões diversas e fazem parte do que o usuário está se tornando as
transformações os eventos tudo registrado sem limites todos armados não mais de câmeras
mas de smartphones e buscando inesgotavelmente a fonte da comunicação para espalharem
suas ideias imagens conteúdos fotográficos com o maior número de seguidores possíveis.
O assunto pode ser o mesmo, mas a imagem não será, no inicio quando o retrato era
feito por meio da pintura longas poses eram cansativas por resultar em apenas um retrato,
atualmente com as redes sociais várias poses se repetem incansavelmente por resultar em
várias fotografias.
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A cultura digital consome, produz, compartilha, divulga e informa está inserida no


cotidiano dos educandos que estão quase sempre conectados a está rede, então a necessidade
de as escolas atualizarem o modelo de estudo compartilhando essa mesma cultura com os
alunos é necessária.
A sala de computação muitas vezes é um pesadelo para professores que estão
acostumados com o jeito tradicional de lecionar a disciplina, o próprio nome das matérias não
condiz com a democratização da informação que nos rodeia por meio das tecnologias.
A linguagem social que está cercada de informação pelas novas mídias tem tornada o
conhecimento sobre qualquer fato, acontecimento e método na busca das informações
acessível para todos, mas além dos dispositivos de para o ensino é necessário também a
programação voltada para aprendizagem como aplicativos e softwares que promova uma
mediação entre o professor e o aluno inserindo e incluindo todos um projeto voltado para a
diversidade. A inclusão digital permite a troca de conhecimentos e com o mundo globalizado
devemos fazer esta troca de experiência educacional com apoio de todos assim como de
recursos para fornecer a todos os alunos as mesmas condições de igualdade dentro da sala de
aula em relação aos dispositivos utilizados por eles.
Dentro do ambiente escolar além dos computadores é necessário uma rede de internet
e a capacitação dos professores, pois para incluir ou democratizar o acesso a tecnologia é
preciso ensinar os benefícios que a mesma pode trazer para a comunidade e para o aluno a
inclusão digital precisa ser igualitária pois nem todos tem as condições necessárias para
alcançar o conhecimento no meio de comunicação isso significa que apesar do acesso a
informação por meio das ferramentas tecnológicas é preciso conhecer o assunto que permite o
conhecimento educacional como o nome do site, ou aplicativo.
Não basta saber ligar e desligar o computador a sociedade atual caminha muito além
disso, na busca pelo conhecimento adquirem novas experiências em favor individual ou
coletivo por isso o objetivo da inclusão digital deve ser o de levar as pessoas que ainda não
tem a informação que precisam pois não conhecem a fonte e não sabem fazer a busca porque
não conhecem a linguagem digital e precisam de instrução, dessa maneira as condições de
vida e a qualidade de pessoas que antes não tinham acesso a tecnologia será favorecida por
programas como projeto PROUCA- Projeto um computador por aluno promovido pelo
governo federal.
Essa maneira de articular a linguagem digital e conhecimento trata-se de uma
conversação que oportuniza ao processo de ensino/aprendizagem maiores chances de saldos
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positivos, dando sentido ao que se está aprendendo, afinal tudo na vida tem que haver um por
que, um objetivo e na escola não é diferente.
Atitude é uma norma de procedimento que leva a um determinado comportamento,
atitude é uma disposição subjacente que, com outras influências, contribui para determinar
uma variedade de comportamentos em relação a um objeto ou a uma classe de objetos. Dessa
forma, para que de fato haja a inclusão digital é preciso atitude. Fica notória a importância das
tecnologias de informação e comunicação no âmbito didático, pois isso possibilita trabalhar
melhor a percepção crítica no aluno, instigando-o à pesquisa, à busca de mais explicações,
conceitos, ampliando a visão dele sobre os assuntos estudados, concebendo os de forma
integrada e não isoladamente.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

As imagens fotográficas passaram por um grande período de descobertas e


modificações até chegar no novo movimento que conhecemos como fotografia mobile que é
capturado através do dispositivo celular, essa descoberta passa pela câmera escura, processos
químicos, máquinas e aparelhos pelo manual e automático até chegar no móvel.
Podemos considerar que esse movimento inclui todas as camadas sociais em um único
objetivo que está conectado em redes ao compartilhar e divulgar imagens fotográficas de
retratos ou de todas os objetos que resultem em uma técnica para alcançar resultados de uma
fotografia profissional, são também divulgadas oficinas, exposições e premiações em museus.
As redes sociais fazem o usuário consumir e produzir informações e quase sempre
estar disponível e conectado nas redes compartilhando a vida, as experiências e o cotidiano o
usuário está sempre em exposição o que atrai outros seguidores e outras fotos, como no
Instagram uma rede social criada para o compartilhamento de fotos.
A cultura Visual surgiu como um estudo das produções visuais e utilizam também
dispositivos para se propagar ela amplia o poder da arte em nossa sociedade contemporânea e
está ligada a arte e tecnologia. A mobgrafia é um renascimento da fotografia e a única
diferença entre elas é o avanço tecnológico que permite captar, editar e compartilhar a
imagem em um curto espaço de tempo com um dispositivo o smartphone.
Uma maneira democrática de incluir todas as pessoas interessadas em fotografar com
celular já que por meio dele as pessoas estão se relacionando e se comunicando o tempo todo,
o que possibilita a divulgação imediata de todos os acontecimentos ao nosso redor, é a história
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sendo contada no momento em que ela acontece por todos que captam os momentos mais
sublimes dos acontecimentos em tempo real.
A cultura mobile tem como desafio o ambiente escolar que segue os padrões
tradicionais como lousa, livros, carteiras em fileiras e o professor a frente como detentor de
todo conhecimento, a algumas tendências como a renovada por exemplo que constrói o
aprendizado em autoaprendizagem e da mais autonomia ao aluno, mas meu objetivo não é
debater as tendências pedagógicas e sim enfatizar a necessidade de um novo modelo escolar
de inovação e de inserir a tecnologia de informação e comunicação (TICs) no contexto
escolar.
A formação continuada do docente é necessária para ampliar o conhecimento e
atualizar os conteúdos, mas em um mundo de pessoas informatizadas o tempo todo é
prescindível trabalhar com a tecnologia nas salas de aula em tempo real em vez de lousa por
exemplo, muitos professores utilizam por conta própria aulas com projetor de imagens para
passar o conteúdo através de vídeo.
Ademais os estudantes estão inseridos no mundo da tecnologia e a escola precisa ser
incorporada a esse mundo para favorecer o processo de aprendizagem e ensino por meio da
tecnologia em sala de aula.
Deixando claro, que a participação ativa do professor no processo desse tipo de
ensino/aprendizagem é de extrema necessidade que implicará numa transformação no
comportamento do aluno que incentivado estará mais concentrado no estudo.
Destaca-se também no recurso da cultura visual relevância da Disciplina Artes na
escola, uma vez que com essa didática o educando enxergará a importância significativa desse
currículo em outras áreas de aprendizagem.
Portanto, a mobgrafia e a cultura visual deve ser usada como um recurso para maior
participação dos alunos nas aulas, tornando-a tão importante quanto necessária como um novo
método de fotografia e de interação na sociedade contemporânea.
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REFERÊNCIAS

BARTHES, R. A câmara clara: Nota sobre fotografia. Rio de Janeiro:


Editora Nova Fronteira, 1984. 185p

FLUSSER, V. Filosofia da caixa preta. São Paulo: Hucitec, 1985. 92 p

FISHIMEM, G. E. Reflexões sobre imagens, Cultura Visual e Pesquisa Educacional In Maria


Ciavatta. Educação e Imagens, São Paulo, p 129-127, 2004.

SONTAG, S. Ensaios sobre fotografia. São Paulo: Quetzal Editores, 2012. 208p.

BORTONE, M. G. R. Um recorte sobre como as novas mídias transformaram o modo de


produção: compartilhamento e consumo da cultura. Da fotografia a mobgrafia, São Paulo, p
11-25, junho/2017.
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