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Trabalho de Literatura Brasileira: Narrativa

Resumo de “A revolução de 30 e a cultura” e “A nova narrativa”


Aluno: Lael Eduardo de Oliveira Lima
RA: 84699

Resumo de “A revolução de 20 e a cultura”

A década de 1920 foi responsável por formar as bases das produções dos anos 30, que
naturalizaram muitas estruturas que haviam sido entendidas como transgressoras em sua origem.
Houve também, guardada as devidas proporções, um aumento do número de leitores uma vez que a
sociedade estava engajando cada vez mais pessoas em movimentos sociais, culturais, políticos e
religiosos.
Entre os fatores responsáveis por essa mudança estava a modernização de métodos
pedagógicos e a busca por facilitar o seu acesso. Uma nova forma de educação estava sendo pensada,
uma que visava criar cidadãos críticos e politicamente competentes. Essas mudanças não passaram
despercebidas, uma vez que houveram críticas à Nova Escola vinda de membros mais conservadores
da sociedade, como a Igreja por exemplo.
Essa onda de mudança acompanhada pela busca da democratização do conhecimento fez com
que a 2ª Onda do Modernismo tivesse um caráter altamente experimental quanto à estrutura e a
organização de suas obras, mas buscando manter uma linguagem simplificada, para facilitar seu
entendimento por parte dos leitores. Como essa literatura tinha como alvo qualquer brasileiro, e não
apenas aqueles que viviam nas grandes cidades, um forte regionalismo se tornou presente em várias
obras, que mostravam o quão grande e diverso é o povo brasileiro.
Houve também uma aproximação da literatura com temas políticos e religiosos, gerando muita
polêmica e polarização. De um lado uma direita religiosa cristã que se aproximava de ideias fascistas,
do outro uma esquerda que criticava o caráter absoluto e inquestionável da fé, propagando formas
alternativas de governo, como o comunismo e o socialismo. Foram muitos os escritores
declaradamente de esquerda ou simpatizantes das causas sociais durante esse período.
As discussões sociais eram muito proeminentes e buscavam não apenas criticar o presente,
mas reinterpretar o passado, ressignificando o negro e o índio que até então eram representados de
forma racista, caricaturada ou exótica. Além disso, denunciava as elites rurais e o patriarcado,
responsáveis por criar e manter o status quo da população menos favorecida.
Toda essa preocupação com a produção nacional fez com que começassem a surgir várias
editoras nacionais, que buscavam viabilizar e incentivar a produção interna de romances sociais,
análises políticas e material didático alinhado à Nova Escola. Monteiro Lobato foi muito importante
nesse período, financiando várias iniciativas nacionais, entre elas a produção de livros de autores
majoritariamente brasileiros. Produções caseiras e independentes também fizeram parte desse período,
e algumas delas tiveram grande sucesso e alcançaram um grande público mesmo por vias informais.
O impacto dessa década para a parte mais pobre da população, que é a maioria dos brasileiros,
foi quase nulo. Entretanto, houve um aumento da classe média e uma certa reorganização das elites.
Novas práticas e teorias se tornaram mais acessíveis para essas camadas da sociedade e difundiram
uma mentalidade mais democrática da cultura, que começou a ser entendida como um direito da
sociedade como um todo.
O papel do artista nesse período foi o de um opositor, alguém que ia contra as estruturas
antigas sempre em busca de algo novo e inclusivo. Entretanto, isso se dava de uma forma muitas vezes
paradoxal, não apenas pela origem mais abastada de vários artistas, como através de relações próximas
com o governo que era criticado. Com um foco muito grande nos problemas sociais da época, deixou-
se de lado a preocupação com a forma das produções em detrimento de suas mensagens. Esse desdém
pela estrutura formal possui um caráter negativo, uma vez que a forma da mensagem interfere em
como ela é captada e compreendida pelo público.

Resumo de “A nova narrativa”

Ao se falar sobre a Nova Narrativa, é comum se pensar na literatura produzida pelos países da
américa latina, e embora seja um conjunto muito grande de países e culturas, o fato de que todos
tenham sido colônias dos países ibéricos de fato fez com que muitas produções possuem várias
características em comum. Além disso, o presente também é similar em muitos desses países, que
sofrem uma urbanização acelerada e uma grande influência cultural por parte dos Estados Unidos.
Entretanto, é importante salientar que isso é uma generalização, baseada em alguns elementos
compartilhados entre as nações, e que na prática, é muito difícil descrever povos tão múltiplos e
variados com exatidão em uma estrutura tão grande.
No caso do Brasil, inicialmente a figura indígena foi utilizado como forma de se representar
uma identidade nacional. Em seguida, um forte regionalismo tratou de mostrar a diversidade do povo
brasileiro focando nos diferentes aspectos da terra que os cercam. De todo modo, a literatura buscou se
afastar das cidades, uma vez que elas eram muito influenciadas pelos estrangeiros. Entretanto, a
produção de romances em grandes cidades sempre teve força e alcance, gerando um contraste nas
produções entre o caráter específico e geral na representação do nosso país.
A partir de 1930, o romance ganhou um destaque nas produções brasileiras. O regionalismo
desse período fez questão de apresentar diversas partes do Brasil de uma forma mais natural e real, ao
invés do tratamento exótico que recebia anteriormente. Em contra partida, como o movimento
regionalista tinha muitos representantes de esquerda, a direita por sua vez se focou em romances em
grandes cidades, como foco na burguesia e em seus dilemas sociais e religiosos. Marcando assim, na
literatura, a forte polarização presente na época.
A relação entre extremos que ocorreu nos anos 30 vai alcançar um meio termo na década de
1950, em que muito que antes era novidade se tornou comum e as obras pararam de se focar em
extremos rurais ou urbanos, colando mais seus holofotes nas relações entre as personagens e menos
nas descrições e na rotina dos locais. Além disso, por causa da ditadura, não houverem muitas
manifestações políticas e ideológicas nas obras. Todo esse contexto faz com que a literatura desse
momento ser difícil de se definir, não havia polos bem definidos.
Entre os grandes nomes da década de 50, estão Clarice Lispector e Guimarães Rosa, que
trouxeram grandes inovações em relação ao poder criativo da narrativa. Em Clarice, a combinação da
realidade social e pessoal do autor somado a sua linguagem não transmite simplesmente uma história,
mas criam um mundo novo do qual os leitores são capazes de compartilhar. Já Guimarães aceita o
desafio de fazer uma ficção que seja relevante em diversos contextos sem fugir do regionalismo e sem
apelar para o exoticíssimo.
Ao chegarmos da década de 60, tudo começa a piorar. Com o início da ditadura, a repressão e
a censura começaram a se instaurar e a intervir no que poderia ou não ser publicado. Durante esse
período, os contos e as narrativas começaram assumir formas mais experimentais ao se mesclar com
outros gêneros textuais, de fato, essas estruturas híbridas são uma marca bem presente nas décadas de
60 e 70. As mídias audiovisuais também tiveram grande impacto nesse período: os filmes, as novelas e
as músicas atraíram muitos escritores durante o período.
O repudio as normas e a estruturas antigas somados a valorização de novas ideias e do
diferente talvez sejam uma das maiores marcas contra a ditadura da época. Era rejeitado o antigo, a
lógica da narrativa, a forma dos poemas, há uma grande rejeição a formas prontas e qualquer outra
estrutura que fosse limitante ou restritiva. Quando as narrativas eram diretas, eles normalmente tinham
um caráter agressivo e cruel, representando uma realidade opressora e uma vida violenta, marca da
urbanização acelerada somada a crise econômica e a ditadura militar.
Toda a inovação de formas nas narrativas de ficção ganhou grandes proporções e se tornou tão
comum que acabou por perder parte da aceitação do público, que passou a ver narrativas menos
inovadoras e com características mais organizados com obras de ficção melhores de se ler e entender.
Esse afastamento da mistura de gêneros textuais na ficção pode estar apontando para um novo
caminho que a literatura brasileira está seguindo. 

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