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UEMG - Universidade do Estado de Minas Gerais

Do Recurso Especial

Danilo Aparecido Franco

Ricardo Rodrigues de Paula

Rones Rosa Sivirino

Sidnei Felisberto da Silva

Thayana Moura Almeida

Frutal – MG

Abril/2011

Universidade do Estado de Minas Gerais


Direito – 7° período B

Trabal
ho apresentado como parte das exigências
da disciplina Direito Processual Penal, Do
curso de Direito da Universidade do Estado
de Minas Gerais, ministrado pelo prof.
Antônio Alberto Lemos

Frutal – MG

Abril/2011

1. O Recurso Especial
Quando a Constituição Federal de 1988 entrou em vigor, transformou o
Supremo Tribunal Federal em Corte Constitucional, havendo assim, a necessidade de se
criar um Tribunal para processar e julgar as causas sobre questões de Direito
Infraconstitucional, ou seja, as causas das Justiças dos Estados, do Distrito Federal, dos
Territórios e as da Justiça comum Federal. Foi então que os Constituintes criaram o
Superior tribunal de Justiça.

Em conseqüência dessa reforma, foi criado o “recurso especial”, que é


semelhante ao antigo recurso extraordinário, mas em questões alheias à constituição,
com uma limitação, a matéria será apreciada pelo STJ se decidida, em única ou última
instância, pelos Tribunais dos Estados, Distrito Federal e Territórios e Tribunais
Regionais Federais.

2. O cabimento do Recurso Especial

O Recurso Especial (REsp) é respaldado na nossa Magna Carta, no artigo 105,inc. III,
alíneas a,b e c; é oponível quando “qualquer Tribunal Estadual ( Tribunal de Justiça,
Tribunal de Justiça Militar e ou Tribunal Regional Federal ) em única ou última
instância, proferir decisão que no texto das alíneas supra citadas in verbis: “ a) Contrarie
Tratado ou lei federal, ou, lhe negue vigência; b) Julgue válido ato de governo local
contestado em face de lei federal; c) der a lei federal interpretação divergente da que
haja atribuído outro tribunal.”1

Primeiramente, faz-se necessário realizar alguns apontamentos, nas palavras do excelso


doutrinador Fernando Tourinho Filho, no caso:

“Não é o fato de a sentença ser injusta ou a circunstância de o órgão


jurisdicional haver laborado em erro que autoriza a interposição do Recurso

1 Vade Mecum/obra coletivade autoria da Editora Saraiva com a colaboração de Antônio Luiz de Toledo Paulo, Maria Cristina Vaz dos Santos Windt e Lívia

Céspedes.- 11. ed. Atual. e ampl. – São Paulo : Saraiva, 2010- Artigo 105,inc III, alíneas a,b e c.
Extraordinário ou do Recurso Especial. O que positivamente o autoriza ‘é a
questão de saber se a Constituição da República foi desautorada, se uma lei
federal ou um Tratado é válido e se houve julgamento contra essa
validade.”2

O segundo ponto a ser aclarado é o que diz o texto constitucional; “em única ou última
instância”-Cabe nesse sentido a súmula 281 do STF (análoga); suponhamos, v,g. o
réu,tivesse tido uma decisão contrária por maioria de votos, no Tribunal a quo, e
podendo ser admitido o recurso de embargos ou de nulidade, e, continuando nesta linha
de raciocínio a defesa, não interpondo um dos recursos aceitos, não poderá
posteriormente, interpor o Recurso Especial, eis que a última decisão que seria do órgão
competente ( que vem a ser o Tribunal hierarquicamente inferior) para julgar o recurso
ordinário não ocorreu.

É importante também que haja diferenciação dos termos constantes na alínea ‘a’ do
artigo constitucional supra citado, veja: ao uso do termo “contrariar”, tem-se o
significado e a aplicação da lei ou tratado de forma ‘errônea’, de modo diverso, em
discordância com o texto, ou seja: implicará na sua interpretação.

Seguindo ainda nesta alínea ‘a’ temos: “(...) ou negar lhes vigência”- aqui o problema
apresenta maior seriedade, pois, temos que o interprete desconsidera totalmente o texto,
ignorando sua existência.

Já na alínea ‘b’, trata-se da hipótese de um “Tribunal emprestar maior importância a um


ato de governo local do que a lei federal”. E a alínea ‘c’, nos remete a situação de
Tribunais (diversos) entrarem em contradição sobre a interpretação de uma lei federal,
assim, o cabimento do REsp.

Já que foi incumbido ao STJ, manter a hegemonia das leis federais e, por conseguinte, a
uniformização da jurisprudência e sobre o assunto vejamos o que dispõe o artigo 255 do
Regimento Interno do STJ ( RISTJ) § § 1º e 2º , in verbis:

§1º A comprovação de divergência, nos casos de recursos fundados na


alínea c do inciso III do art. 105 da Constituição Federal, será feita:

2 TOURINHO FILHO, FERNANDO DA COSTA- Pratica de Processo Penal/ Fernando da Costa Tourinho Filho.-32. ed . –São Paulo: Saraiva, 2010.
a) Por certidões ou cópias autenticadas dos acórdãos apontados,
discordantes da interpretação de lei federal adotada pelo recorrido;

b) Pela citação de repositório oficial, autorizado ou credenciado , em


que os mesmos se achem publicados.

§2º Em qualquer caso, o recorrente deverá transcrever os trechos dos


acórdãos que configurem o dissídio, mencionando as circunstâncias que
identifiquem ou assemelhem os casos confrontados”.3

Por fim, não podemos esquecer que o STJ, vem reiteradamente exigindo o
prequestionamento para a interposição do Recurso Especial, nos moldes das súmulas
282 e 356 do STF, assim se houver uma decisão recorrida que não foi prequestionada
ou interposto embargos declaratórios a respeito, será inadmissível o Recurso Especial; a
competência para apreciar o REsp, em matéria penal, ou mesmo o ordinário
constitucional ( da alçada do STJ), é a 5ª ou a 6ª Turma que integram a Seção de
Direito Penal do STJ.

3. Finalidade do Recurso Especial

Quando falamos em finalidade de recurso especial, estamos também esponto


sobre recurso extraordinário, pois nestes recursos a finalidade não é corrigir possíveis
injustiças das decisões recorridas, pois não é função do Superior Tribunal de Justiça
muito menos do Supremo Tribunal Federal; examinar através destes recursos matérias
fáticas. Pois analisa direito positivo, constitucional ou infraconstitucional. O recurso
especial, que foi criado pela Constituição Federal de 1988, passou a constituir uma nova
espécie de impugnação, que tem por escopo garantir a uniformidade de interpretação e
de aplicação das normas federais (função anteriormente exercida pelo Supremo Tribunal

3 Vade Mecum/obra coletivade autoria da Editora Saraiva com a colaboração de Antônio Luiz de Toledo Paulo, Maria Cristina Vaz dos Santos Windt e Lívia

Céspedes.- 11. ed. Atual. e ampl. – São Paulo : Saraiva, 2010-(RISTJ)


Federal por meios dos recursos extraordinários). Segundo Buzaid mencionado em obra
de Fernando da Costa Tourinho Filho:

O erro de fato é menos pernicioso que o erro de direito. Com efeito, o erro de
fato, por achar-se circunscrito a determinada causa, não transcende os efeitos,
enquanto o erro de direito contagia os demais Juízes, podendo servir de
antecedentes judiciário.4

Da afirmação de Buzaid, podemos tirar algumas idéias: Por esse motivo o


recurso especial não se destina a reexaminar matéria de fato, nem representa uma
terceira instância de julgamento, sendo o meio a ser utilizado para revisão de decisões
fundadas em lei federal, proferidas pelos tribunais de segundo grau de modo a assegurar
que essas leis sejam interpretadas e aplicadas de forma correta e uniforme em todo o
território nacional; como objetivo principal a preservação da unidade do direito federal,
visando sempre o interesse público, que deve sobrepujar os interesses das partes, no
sentido de que as leis devam ser corretamente interpretadas e a jurisprudência
uniformizada.

Portanto, não se pode negar que, a finalidade do recurso especial, se presta para
corrigir prejuízo sofrido pela parte em razão da errônea interpretação da lei, estando ela
legitimada a recorrer na busca da reparação de um agravo ao seu direito.

4. PROCEDIMENTO

Há um procedimento único para os recursos especial e extraordinário, contido na


Lei n. 8.038, de 28-5-1990.

Assim, o recurso com fundamento no art. 105, III, a, b e c, da Constituição


Federal será interposto no prazo de quinze dias, perante a Presidência do Tribunal
recorrido (Tribunais Estaduais e Tribunais Regionais Federais). Deverá o recorrente
dirigir-se, em petição, ao Presidente do Tribunal recorrido (no Estado de São Paulo, a
petição de interposição deve ser dirigida ao Presidente da Seção Criminal do Tribunal
de Justiça), apontando o fundamento legal do recurso e , em petição anexa, dirigida a ele
e ao Superior Tribunal de Justiça, fazer a exposição do fato e do direito, a demonstração

4 TOURINHO FILHO, FERNANDO DA COSTA- Pratica de Processo Penal/ Fernando da Costa Tourinho Filho.-32. ed . –São Paulo: Saraiva, 2010. pag : 869
do cabimento do recurso interposto, e indicar as razões do pedido de reforma da decisão
recorrida.5

De acordo com o art. 541 do CPC o recurso especial e o extraordinário deverão


conter:

I- a exposição do fato e do direito;


II- a demonstração do cabimento do recurso interposto;
III- as razões do pedido de reforma da decisão recorrida.

Caso o recurso tenha se fundado com base em divergência entre a interpretação


da lei federal adotada pelo julgado recorrido e a que lhe haja dado outro Tribunal, o
recorrente deverá fazer a prova de divergência através de certidão, ou indicação do
número e da página do jornal oficial, ou do repertório autorizado de jurisprudência que
o houver publicado, ou juntar cópia do acórdão paradigma, fazendo-se um confronto
analítico entre o acórdão modelo e o hostilizado, assim como cobra o § 2° do art. 255 do
Regimento Interno do STJ, “... transcrever os trechos dos acórdãos que configurem o
dissídio, mencionando as circunstâncias que identifiquem ou assemelhem os casos
confrontados”.

Traz o parágrafo único do art. 541 do CPC, que: “Quando o recurso fundar-se
em dissídio jurisprudencial, o recorrente fará a prova da divergência mediante certidão,
cópia autenticada ou pela citação do repositório de jurisprudência, oficial ou
credenciado, inclusive em mídia eletrônica, em que tiver sido publicada a decisão
divergente, ou ainda pela reprodução de julgado disponível na Internet, com indicação
da respectiva fonte, mencionando, em qualquer caso, as circunstâncias que identifiquem
ou assemelhem os casos confrontados”. (Redação dada pela Lei nº 11.341, de 2006).

A entrada do recurso deverá ser feita na Secretaria do Tribunal recorrido, onde


será devidamente protocolado, logo após será intimado o recorrido, abrindo-se-lhe vista,
para apresentar contrarrazões no prazo de quinze dias. Findo esse prazo, os autos serão
conclusos à Presidência do Tribunal a quo para, no prazo de cinco dias admitir ou não
recurso. “A decisão que admite, ou não, o recurso especial, deve ser fundamentada, com
o exame dos seus pressupostos gerais e constitucionais”. (STJ Súmula n° 123 –
02/12/1994 – DJ 09.12.1994)
Admitido o recurso, este subirá ao STJ e, ali, uma vez distribuído, o Relator,
após vista ao Ministério Público, se necessário, pelo prazo de vinte dias, pedirá dia para
julgamento.
De acordo com o parágrafo único do art. 34 do Regimento Interno do STJ, nada
impede que o Relator negue seguimento a recurso manifestamente intempestivo,
incabível, incompetente ou quando este contrariar Súmula do Tribunal.
No caso do recurso ir a julgamento, verificar-se-á se o recurso é cabível.
Decidida a preliminar pela negativa, a Turma não conhecerá do recurso; se pela
afirmativa, julgará a causa, aplicando o direito à espécie (cf. arts. 255 a 257 do RISTJ).

5 TOURINHO FILHO, FERNANDO DA COSTA- Pratica de Processo Penal/ Fernando da Costa Tourinho Filho.-32. ed . –São Paulo: Saraiva, 2010. pag : 870
5. DENEGAÇÃO. RECURSO OPONÍVEL

Hoje com a alteração trazida pela lei 12.322/2010, se o recurso for denegado,
caberá agravo e não mais o agravo de instrumento, interponível no prazo de dez dias e
não no prazo de cinco dias como era antes. Assim, havendo denegação de recurso
especial, como de qualquer outro que deva subir as cortes superiores, o recurso oponível
é o agravo nos próprios autos. O novo regime mantém o recurso, mas alterou o
procedimento. A exigência da formação de instrumento (composto pelas peças
facultativas e obrigatórias arroladas no art. 544, §1º) cede lugar à simples interposição
da impugnação nos autos.

Assim, ao invés de subir o agravo em autos apartados, formado a partir de


inúmeras cópias dos autos principais, o recurso será encaminhado no próprio processo.

“Não admitido o recurso extraordinário ou o recurso especial, caberá agravo nos


próprios autos, no prazo de dez dias”. (Art.544 do CPC)

“O agravante deverá interpor um agravo para cada recurso não admitido”.


(Art.544, §1º do CPC)

“A petição de agravo será dirigida à presidência do tribunal de origem, não


dependendo do pagamento de custas e despesas postais. O agravado será intimado, de
imediato, para no prazo de dez dias oferecer resposta, podendo instruí-la com cópias das
peças que entender conveniente. Em seguida, subirá o agravo ao tribunal superior, onde
será processado na forma regimental.” (Art. 544, § 2° do CPC)

Por fim, é importante esclarecer que embora a nova lei haja alterado apenas o
Código de Processo Civil, estabeleceu o STF, mediante a resolução n.º 451, de 3 de
dezembro de 2010, que a nova matéria deverá ser observada também nos recursos em
matéria penal e processual penal.“Art. 1º A alteração promovida pela Lei nº 12.322, de
9 de setembro de 2010, também se aplica aos recursos extraordinários e agravos que
versem sobre matéria penal e processual penal.”“Art. 2° Esta Resolução entra em vigor
na data de sua publicação.”
Bibliografia
Vade Mecum/obra coletivade autoria da Editora Saraiva com a colaboração de Antônio Luiz de Toledo Paulo, Maria Cristina
Vaz dos Santos Windt e Lívia Céspedes.- 11. ed. Atual. e ampl. – São Paulo : Saraiva, 2010

TOURINHO FILHO, FERNANDO DA COSTA- Pratica de Processo Penal/ Fernando da Costa Tourinho Filho.-32. ed . –São
Paulo: Saraiva, 2010.