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À Nobre Relatoria da Quinta Turma Recursal do Tribunal de Justiça do

Estado de Pernambuco

Processo nº 0001385-09.2020.8.17.8222

Embargantes: Diogo Pierre Araújo da Silva, Eliane Maria Cruz

Embargado: Mercado Pago Representações Ltda.

Diogo Pierre Araújo Da Silva, já devidamente qualificado nos autos em


epígrafe, vem, por intermédio de seu advogado, requerer perante V.Exa. o
conhecimento e a procedência destes

EMBARGOS DE DECLARAÇÃO

com base no art. 48, da Lei 9.099/95, c/c art. 93, IX, da Constituição Federal,
em face de acórdão id.19600118 proferido nestes autos.

1. Brevíssima Síntese dos Fatos

Em seu voto (id. 19357042), a Relatoria rejeitou pedido do recurso inominado


interposto de disponibilização da gravação de videoconferência de audiência
una de instrução e julgamento realizada em 15 de julho de 2021 com base no
seguinte fundamento:

Inicialmente cumpre registrar que não existem elementos nos


autos a permitir o deferimento do pleito de nulidade processual.

No que pese a ata de audiência está eivada de alguns erros de


digitação/ortográfico, inexiste elementos a possibilitar a nulidade da
mesma.

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A audiência foi reduzida a termo, inexistindo razão para
apresentação de sua gravação. Ademais, não foi consignado em ata
nenhuma irresignação da parte recorrente quanto ao trâmite da
mesma ou cerceamento do direito de defesa.

Valendo ressaltar, que se fosse o caso da Dra. Conciliador


indeferir de consignar em ata qualquer requerimento da parte, a
mesma poderia ter peticionado nos autos informando o ocorrido, o
que não se vislumbra nos autos.

Ocorre que, diferentemente do que afirmado pela Relatoria, houve sim


manifestação nos autos pedindo ao juízo de piso que disponibilizasse gravação
da referida videoconferência, ainda que em sede de embargos de declaração
(id. 18423252).

2. Do Cabimento dos Presentes Embargos de Declaração. Da


Fundamentação Jurídica.

Longe de querer rediscutir o mérito do acórdão embargado, queremos, neste


recurso de via estreita, entender o alcance desta expressão utilizada pela
Relatoria em seu voto, qual seja:

“se fosse o caso da Dra. Conciliador indeferir de consignar em ata


qualquer requerimento da parte, a mesma poderia ter peticionado nos
autos informando o ocorrido”

Ora, Excelências, o juízo de primeira instância não passou desapercebido


dos fatos apresentados em grau recursal. Muito pelo contrário. Tudo o que
aqui, no em grau recursal, foi informado acerca da falta de disponibilização de
gravação de audiência uma, também foi informado ao juízo de piso.

Tanto é assim que, em sede de embargos de declaração à sentença exarada


pelo juízo a quo, consta do seguinte pedido:

3.3. Em caso de recusa para a correção do erro material apontado


nestes embargos declaratórios, disponibilize a gravação da audiência
una realizada por videoconferência no dia 15 de julho de 2021.

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Ora, resta comprovado pedido anterior do embargante de disponibilização
de gravação da audiência una realizada no dia 15 de julho de 2021.

Diante disso, restam cabíveis os presentes embargos de declaração, que, da


leitura do art. 1.022, I e III, do Código de Processo Civil, que estabelece ser
cabível o respectivo recurso quando há necessidade, respectivamente, sanar
obscuridade e de corrigir erro material em quaisquer decisões judiciais

Assim, vê-se a obscuridade na decisão, dado que não se sabe se o


julgador entendeu haver alguma espécie de preclusão consumativa pelo
fato de que deveria o embargante ter, logo após ata de audiência juntada
ao autos, atravessar petição avulsa informando da necessidade de
disponibilização de gravação da audiência una realizada anteriormente.

Ocorre que, o vício processual de natureza absoluta cerceamento de defesa,


rechaçado inclusive pela Constituição Federal ((art. 5º, LV, da Constituição
Federal) poderia ser declarado a qualquer tempo. Desta maneira, não
entendemos as razões de indeferimento de franquear às partes do processo o
que fora registrado em audiência.

Por outro lado, vê-se que o voto da Relatoria incorreu em erro material, vez
que, conforme demonstrado, houve manifestação do ora embargante em etapa
processual anterior pedindo a disponibilização de gravação de audiência uma
realizada no dia 15 de julho de 2021.

Além disso, é dever do magistrado, por força de dispositivo constitucional, o


dever de fundamentação, conforme o art. 93, IX, da Constituição Federal, sob
pena de nulidade.

Assim, ainda que este juízo entenda não haver nulidade processual, o que
não é o caso de rediscussão deste mérito no presente momento, urge aos
julgadores corrigirem obscuridade e erro material apontados neste recuso de
embargos declaratórios.

3. Do Pedido.

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Diante do exposto requer, deste Nobre Órgão Recursal, o conhecimento e
provimento destes Embargos de Declaração, a fim de que o órgão julgador
fundamente de forma clara acerca da não disponibilização de gravação de
audiência una realizada no dia 15 de julho de 2021, dado que, neste presente
momento, está fundamentada em decisão obscura e contraditória, ferindo o art.
93, IX, da Constituição Federal.

Nestes termos,

Pede deferimento.

Recife, 25 de fevereiro de 2022.

ELISON SANTOS

OAB/PE 39.894

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