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EXCELENTÍSSIMO (A) SENHOR (A) DOUTOR (A) JUIZ (A) DE

DIREITO DA VARA ___ CÍVEL DO FORO DA COMARCA DE


ANÁPOLIS/GOIÁS.

CHAIENE STALONNE, brasileira, solteira, estudante, portadora


do RG 681562 SSP/GO, inscrito no CPF sob o nº 123.789.456-90, tendo
como endereço eletrônico chaienegatinha@gmail.com, domiciliada e
residente na rua Era Uma Vez, nº 777, Condomínio Vale do Fogo, Apt. nº
404, Bairro Diamante, CEP 75800-000, na cidade de Anápolis/Go, através
de sua advogada que esta subscreve, com endereço físico listado no
rodapé do petitório, onde recebe intimações, vem, respeitosamente
perante Vossa Excelência, propor

AÇÃO INDENIZATÓRIA POR DANOS MATERIAIS E MORAIS C/C


TUTELA PROVISÓRIA DE URGÊNCIA

Com fundamento nos artigos 319 do CPC e 14 do CDC, em face


de SUPERMERCADO LEVE MAIS, CNPJ nº 65.441.761/0001-60, localizado
na Rua Era Uma Vez, nº 801, Bairro Diamante, CEP 75800-000, na cidade
de Anápolis/GO, representado por seu diretor Jackie Chan, pelos motivos de
fato e de Direito a seguir expostos.

AVENIDA COIMBRA, Nº 1562, EDIFÍCIO EDWARD CULLEN, SALÃO R. PATTINSON


CENTRO, ANÁPOLIS/GO | CEP 75000-000 | EMAIL CARIZZIO@ADV.COM.BR
I DOS FATOS

Aos 27 de Janeiro de 2022, a requerente dirigiu-se ao


SUPERMERCADO LEVE MAIS, com o intuito de realizar sua compra
mensal. A autora seguia realizando suas compras normalmente na seção de
laticínios quando ao retornar para a fila do caixa onde encontrava-se seu
carrinho de compras, escorregou no piso molhado sem sinalização, sofrendo
uma humilhante, dolorosa e violenta queda. No abrupto acidente Chaiene
quebrou 5 dentes ao se chocar fortemente contra o duro chão de mármore.
Certifica-se que o piso do estabelecimento em questão
encontrava-se molhado com um produto líquido transparente, e que no local
não havia nenhuma sinalização alertando, o que impossibilitou a autora de
se previnir do incidente. Ocorre que, alguns minutos antes de se dirigir para
a seção de laticínos o piso estava totalmente seco, o que dificultou ainda
mais que a autora previsse a irresponsável atitude dos funcionários do
referido supermercado.
A autora cita que ficou extremamente constrangida e
envergonhada com a situação vexatória sofrida no estabelecimento que
acontecera o incidente, o qual os funcionários não prestaram qualquer
auxílio, se aglomerarando para observar a curiosa cena juntamente com
alguns clientes do supermercado. Podia-se observar os olhares, uns
preocupados, outros de explicita gozação e desdém.
Após alguns minutos de sofrimento e omissão dos funcionários, a
autora foi, finalmente, socorrida por alguns clientes. Chaiene então, fora
levada para um atendimento médico na rede pública, onde no momento não
havia nenhum médico para atende-la no ambito da odontologia hospitalar.
Em face ao abandono da prestação de serviços públicos, foi
necessário buscar atendimento na rede particular mais próxima, Clínica
Odontológica Hogwarts, onde fora prontamente atendida pela Dr.ª Hermione
Potter, CRO/GO n° 5.678 para o tratamento em decorrência da perda
dentária, onde constatou também a perda de estrutura óssea, com o
orçamento no valor de R$ 15.800,00 (quinze mil e 800 reais) entre exames,
tratamentos e medicação.

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Entretanto, Excelência, a requerente não pode dispor da quantia
para a reparação dos danos dentários. Frisando que, por inúmeras vezes a
autora buscou pelo gerente do supermercado com o objetivo de solucionar
de forma amigável o conflito causado, e a mesma não obteve nenhum
resultado satistátorio.
Dessa forma, como será demonstrado, a autora tem direito a ser
indenizada pelos danos sofridos

II DO DIREITO

A) DA RELAÇÃO DE CONSUMO E DA FALHA DA PRESTAÇÃO DE


SERVIÇOS

Diante do fato em análise, é importante ressaltar que não restam


dúvidas da relação de consumo entre as partes, pois as mesmas se
enquadram de forma nítida nos conceitos legais de consumidor e
fornecedor, nos termos dos artigos 2º e 3º , do Código de Defesa do
Consumidor, conforme expõe:

Art. 2° Consumidor é toda pessoa física ou jurídica que adquire ou


utiliza produto ou serviço como destinatário final.

Parágrafo único. Equipara-se a consumidor a coletividade de


pessoas, ainda que indetermináveis, que haja intervindo nas relações
de consumo.

Art. 3° Fornecedor é toda pessoa física ou jurídica, pública ou


privada, nacional ou estrangeira, bem como os entes
despersonalizados, que desenvolvem atividade de produção,
montagem, criação, construção, transformação, importação,
exportação, distribuição ou comercialização de produtos ou prestação
de serviços.

Logo, aplicável o CDC ao presente caso, o qual preceitua, em seu


artigo 14, §1º, que menciona, in verbis:

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Art. 14º O fornecedor de serviços responde, independentemente da
existência de culpa, pela reparação dos danos causados aos
consumidores por defeitos relativos à prestação dos serviços, bem
como por informações insuficientes ou inadequadas sobre sua fruição
e riscos.

§ 1° O serviço é defeituoso quando não fornece a segurança que o


consumidor dele pode esperar, levando-se em consideração as
circunstâncias relevantes.

Verificada a existência do dano e nexo causal entre o serviço


prestado e o dano sofrido pela consumidora, a indenização por defeito na
prestação do serviço é devida, independentemente da demonstração de
culpa conforme citado no artigo 14 do CDC.
Constatada a falha, o fornecedor de serviços responde,
independentemente da existência de culpa, pela reparação dos danos
causados aos consumidores por defeitos relativos à prestação dos serviços.
Configurando a responsabilidade objetiva, de forma a
complementar a revisão do dever de reparar os danos, o artigo 6º, VI do
CDC preconiza:

Art. 6º São direitos básicos do consumidor:

[…] VI - a efetiva prevenção e reparação de danos patrimoniais e


morais, individuais, coletivos e difusos;

Os fatos deixam explícitos que o acontecimento gerou danos


materiais e morais à autora, fundamentando-se na Constituição Federal em
seu artigo 5º, V, o qual menciona:

Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer


natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes
no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à
segurança e à propriedade, nos termos seguintes:

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V - é assegurado o direito de resposta, proporcional ao agravo, além
da indenização por dano material, moral ou à imagem;

B) DOS DANOS MATERIAIS

De fato, presentes estão, inquestionavelmente, o ato ilícito e o


nexo de causalidade entre o dano causado e a conduta omissiva e
negligente do supermercado réu, configurada no fato de não alertar os seus
clientes do iminente risco que corriam ao transitar por suas dependências,
principalmente nas áreas que estavam molhadas e escorregadias.

Segue abaixo jurisprudências semelhantes à vertente:

APELAÇÃO. RESPONSABILIDADE CIVIL. DANO MORAL. QUEDA


EM SUPERMERCADO. Comprovação da queda do autor nas
dependências do supermercado réu. Falta de sinalização e
equipamentos de proteção. Procedimento inadequado do réu. Fato
do Serviço. DANOS MORAIS CONFIGURADOS. Indenização
devida. Manutenção do valor indenizatório arbitrado em primeiro
grau. Recursos improvidos." (TJ-SP - APL: 10010770920148260011
SP 1001077- 09.2014.8.26.0011, Relator: Hamid Bdine, Data de
Julgamento: 10/09/2015, 4a Câmara de Direito Privado, Data de
Publicação: 14/09/2015).

EMENTA: ACIDENTE CULPOSO — LOJA — PISO


ESCORREGADIO — QUEDA - OBRIGAÇÃO INDENIZATÓRIA -
DANOS MORAL E MATERIAL — ARBITRAMENTO —
HONORÁRIOS — SUCUMBÊNCIA - VALOR DA CONDENAÇÃO.
Age com culpa in vigilandum a empresa que não limpa
adequadamente o piso de sua loja, deixando-o escorregadio,
provocando a queda de cliente, que, pelos danos material e moral
sofridos, deve ser indenizado. O valor da indenização, decorrente de
dano moral puro e estético, causado por ato ilícito, está adstrito a
criterioso arbitramento do julgador, levando em consideração
elementos informativos dos autos. (...) (Apelação Cível nº 460.853-7;
Décima Quinta Câmara Cível; rel.: Guilherme Luciano Baeta Nunes;
julgado em 14/10/2004)

Tendo seus prepostos assumido o risco de produzir o acidente


deve-se reconhecer o ato ilícito culposo do réu, deste modo, o
supermercado tem o dever de:
Indenizar a autora no que toca ao prejuízo material conforme dito,
as despesas médicas relacionadas ao seu abrupto acidente na quantia de
15.800,00 (quinze mil e oitocentos reais).

C) DO DANO MORAL

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O dano moral constitui lesão que integra os direitos da
personalidade, como a vida a liberdade, a intimidade, a privacidade, a
honra, a imagem, a identificação pessoal, a integridade física e psíquica, o
bom nome; enfim, a dignidade da pessoa humana, um dos fundamentos da
República Federativa do Brasil, apontado, expressamente na Constituição
Federal (art. 1º, III).
Configura dano moral aquele dano que, fugindo à normalidade,
interfira intensamente no comportamento psicológico do indivíduo,
causando-lhe aflições, angústia, desequilíbrio em seu bem estar, podendo
acarrear ao ofendido, dor, sofrimento, tristeza, vexame e humilhação.
O dano moral deriva de uma dor íntima, uma comoção interna, um
constrangimento gerado naquele que o sofreu e que repercutiria de igual
forma em uma outra pessoa nas mesmas circunstâncias.
Desta forma de se ver, a reparação neste caso, consiste no valor
de R$ 50.000,00 (cinquenta mil reais) em favor da autora, que possibilite ao
supermercado réu uma penalização e consequentemente compense a
angústia e o constrangimento sofrido pela vítima.

III DA TUTELA PROVISÓRIA DE URGÊNCIA ANTECIPADA

No presente caso encontram-se os requisitos necessários para a


antecipação dos efeitos da tutela provisória de urgência, uma vez que o
dano causado deve ser reparado tão logo, pois seus efeitos a longo prazo,
colocariam a saúde da autora em risco.
Mediante ao exposto, a demandante solicita que seja concedida,
liminarmente, a antecipação da tutela provisória de urgência, para a
realização do tratamento odontológico.

IV DOS PEDIDOS

Diante do exposto, requer a Vossa Excelência que atenda aos


seguintes pedidos:

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1) Que inicialmente seja deferida a antecipação dos efeitos da
tutela provisória de urgência, para que a requerente tenha
acesso ao tratamento odontológico necessário.
2) Seja determinada a citação do demandado, na pessoa de seus
representantes legais, sob pena a revelia.
3) Pagar a importância de no valor de R$ 50.000,00 (cinquenta mil
reais) a título de danos morais.
4) A condenação do demandado ao pagamento dos honorários e
custas de sucumbências, em conformidade com o artigo 85 do
Código de Processo Civil de 2015.

A autora provará o alegado por todos os meios de provas


admitidos em direito, por meio de laudos médicos e de testemunhas que
presenciaram o ocorrido.

A autora não possui interesse em autocomposição.

Dar-se-á a presente causa, o valor de R$ 70.000,00 (setenta mil


reais)

Nestes termos,
Pede e espera deferimento.

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