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Resumo do contrato e licitação da esfera administrativa

Lei 8666/93

A Lei 8666/1993 foi elaborada visando a regulamentação dos contratos e


licitações pela Administração Pública. Desse modo, ela estabelece requisitos
para que as relações formalizadas pela Administração Pública atendam aos
interesses sociais e aos princípios do Direito Administrativo.

A lei de 1993, contudo, é considerada defasada em decorrência das mudanças


ocorridas nos próprios contratos e licitações. Em razão disso, discutia-se um
projeto de uma nova lei, aprovado no final de 2020.

1. O que é a Lei de Licitações e Contratos

A Lei de Licitações e Contratos (antiga Lei 8666/93, atual Lei 14133) é uma
ferramenta importante para a Administração Pública. Ela estabelece normas
gerais sobre licitações e contratos administrativos no âmbito da União, dos
Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Assim, a lei trata sobre licitações
e contratos para a realização de:

1. obras;
2. serviços, inclusive de publicidade;
3. compras;
4. alienações;
5. locações;
6. concessões;
7. permissões.

Adicionalmente, a lei regulamenta o art. 37, inciso XXI da Constituição

Federal de 1988. O dispositivo dispõe, assim, que:

Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da


União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos
princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência
e, também, ao seguinte:

XXI – ressalvados os casos especificados na legislação, as obras, serviços,


compras e alienações serão contratados mediante processo de licitação
pública que assegure igualdade de condições a todos os concorrentes, com
cláusulas que estabeleçam obrigações de pagamento, mantidas as condições
efetivas da proposta, nos termos da lei, o qual somente permitirá as exigências
de qualificação técnica e econômica indispensáveis à garantia do cumprimento
das obrigações.
Portanto, a Lei 8666/93 visa garantir que o agente público cumpra o seu dever,
e assim, que os princípios da Administração Pública sejam efetivos. E dessa
forma, tem como principal objetivo garantir uma resposta adequada na relação
entre as necessidades sociais e os gastos públicos.

. O que é licitação nos termos da Lei 8666/93

Licitação é um tipo de contratação pautado na concorrência e no interesse


público. Assim, potenciais contratantes oferecem diferentes propostas, e o
Poder Público deve escolher aquele cuja proposta seja mais vantajosa,
considerando os princípios do Direito Administrativo e o interesse público.

De acordo com o art. 3º da Lei 8666/93:

Art. 3º  A licitação destina-se a garantir a observância do princípio


constitucional da isonomia, a seleção da proposta mais vantajosa para a
administração e a promoção do desenvolvimento nacional sustentável e será
processada e julgada em estrita conformidade com os princípios básicos da
legalidade, da impessoalidade, da moralidade, da igualdade, da publicidade, da
probidade administrativa, da vinculação ao instrumento convocatório, do
julgamento objetivo e dos que lhes são correlatos. 

Desse modo, serão precedidos de licitação todas as obras e serviços,


contratados com terceiros pela Administração Pública, ressalvadas as
hipóteses previstas no art. 24 da Lei 8666/93.

O que é contrato para os fins da Lei de Contratações e Licitações

Antes de prosseguir na análise da legislação, é preciso conceituar o que seriam


contratos e licitações. Afinal, esses dois conceitos são centrais na Lei de
Licitações e norteiam a ação de todos os entes da Administração Pública.

O conceito de contratos é apresentado no parágrafo único do art. 2º da Lei


8666/93, qual seja:

Art. 2º.  As obras, serviços, inclusive de publicidade, compras, alienações,


concessões, permissões e locações da Administração Pública, quando
contratadas com terceiros, serão necessariamente precedidas de licitação,
ressalvadas as hipóteses previstas nesta Lei.

Parágrafo único. Para os fins desta Lei, considera-se contrato todo e qualquer
ajuste entre órgãos ou entidades da Administração Pública e particulares, em
que haja um acordo de vontades para a formação de vínculo e a estipulação de
obrigações recíprocas, seja qual for a denominação utilizada.
Contrato, dessa forma, é qualquer acordo de vontades que gere vinculação e
obrigações recíprocas entre órgão ou entidades da Administração Pública.

Mesmo que se nomeie um documento de forma diversa, mas comporte esses


sujeitos e essa finalidade, será considerado contrato para fins de aplicação da
Lei de Licitações e Contratos.

4. Sujeitos da Lei 8666/93

É importante ressaltar que o art. 1º da Lei 8666/93 apresenta não apenas o


objeto geral da Lei de Licitações e Contratos, mas também os sujeitos que a
ela se submetem. O parágrafo único do art. 1º da Lei 8666/93, então, dispõe
que se subordinam ao seu regime:

1. os órgãos da administração direta;


2. os fundos especiais;
3. as autarquias;
4. as fundações públicas;
5. as empresas públicas;
6. as sociedades de economia mistas; e
7. as demais entidades controladas direta ou indiretamente pela União,
Estados, Distrito Federal e Municipais.

5. Comentários à Lei 8666/93

Para compreender o conteúdo da Lei 8666/93 e as disposições acerca dos


contratos e licitações, é necessário observar a redação de alguns dos seus
principais artigos.

Art. 24 da Lei 8666/93


O art. 24 da Lei 8666/93 trata dos casos em que a licitação não é essencial.
Assim, há dispensa de licitação nas seguintes hipóteses:

 nos casos de guerra ou grave perturbação da ordem (inciso III);


 nos casos de emergência ou de calamidade pública, quando
caracterizada urgência de atendimento de situação que possa ocasionar
prejuízo ou comprometer a segurança de pessoas, obras, serviços,
equipamentos e outros bens, públicos ou particulares, e somente para
os bens necessários ao atendimento da situação emergencial ou
calamitosa e para as parcelas de obras e serviços que possam ser
concluídas no prazo máximo de 180 (cento e oitenta) dias consecutivos
e ininterruptos, contados da ocorrência da emergência ou calamidade,
vedada a prorrogação dos respectivos contratos (inciso IV);
 quando a União tiver que intervir no domínio econômico para regular
preços ou normalizar o abastecimento (inciso V);
 quando houver possibilidade de comprometimento da segurança
nacional, nos casos estabelecidos em decreto do Presidente da
República, ouvido o Conselho de Defesa Nacional (inciso IX);
 para a construção, a ampliação, a reforma e o aprimoramento de
estabelecimentos penais, desde que configurada situação de grave e
iminente risco à segurança pública (inciso XXXV). 

Art. 25 da Lei 8666/93


Enquanto o art. 24 da Lei 8666/93 trata da dispensa da licitação, o art. 25 da
Lei 8666/93 trata da inexigibilidade da licitação quando houver, então,
inviabilidade de competição. São situações, portanto, em que uma licitação
pode ser inviável:

 da aquisição de materiais, equipamentos ou gêneros que só possam ser


fornecidos por produtor, empresa ou representante comercial exclusivo,
vedada a preferência de marca, devendo a comprovação de
exclusividade ser feita através de atestado fornecido pelo órgão de
registro do comércio do local em que se realizaria a licitação ou a obra
ou o serviço, pelo Sindicato, Federação ou Confederação Patronal, ou,
ainda, pelas entidades equivalentes;
 para a contratação de serviços técnicos enumerados no art. 13 desta
Lei, de natureza singular, com profissionais ou empresas de notória
especialização, vedada a inexigibilidade para serviços de publicidade e
divulgação;
 para contratação de profissional de qualquer setor artístico, diretamente
ou através de empresário exclusivo, desde que consagrado pela crítica
especializada ou pela opinião pública.

Contudo, é importante fazer a ressalva do parágrafo 2º do art. 25 da Lei


8666/93, acerca da responsabilidade do agente público e do fornecedor ou
prestador de serviço. É, então, a redação do dispositivo:

§ 2º Na hipótese deste artigo e em qualquer dos casos de dispensa, se


comprovado superfaturamento, respondem solidariamente pelo dano causado
à Fazenda Pública o fornecedor ou o prestador de serviços e o agente público
responsável, sem prejuízo de outras sanções legais cabíveis.

Como se verá abaixo, a nova legislação deve mudar o dispositivo, embora


mantenha as hipóteses de inexigibilidade.

Art. 57 da Lei 8666/93


O art. 57 da Lei 8666/93 trata da duração dos contratos realizados pela
Administração Pública. Segundo o artigo, a duração dependerá da vigência dos
respectivos créditos conforme o orçamento. Há, entretanto, exceções a essa
previsão:

1. projetos relativos a produtos contemplados nas metas estabelecidas no


Plano Plurianual: poderão ser prorrogados, desde que haja interesse da
Administração Pública e que isto tenha sido previsto no ato
convocatório;
2. prestação de serviços de execução contínua: poderá ser prorrogada por
períodos iguais e sucessivos para obtenção de preços e condições mais
vantajosas à administração, no limite de 60 meses, e, em caráter
excepcional, devidamente justificado, o contrato poderá ser prorrogado
por até mais 12 meses;
3. aluguel de equipamentos e utilização de programas de informática: a
duração pode se estender pelo prazo de até 48 meses após o início da
vigência do contrato;
4. as hipóteses previstas nos incisos IX, XIX, XXVIII e XXXI do art. 24 da
Lei 8666/93: poderão ter vigência por até 120 meses, caso haja
interesse da administração.

Aquele que tenha competência para celebrar o contrato deve justificar e


autorizar toda prorrogação. Vedam-se, no entanto, contratos de prazo
indeterminado.

O que muda com a Nova Lei de Licitações e Contratos: PL 4253/2020 e Lei


14133/2021

No dia 1º de abril de 2021, publicou-se, então, a Nova Lei de Licitações. A Lei


14133 se origina do PL 4253/2020, e determina, desse modo, mudanças
importantes na regulamentação do regime de contratação com a Administração
Pública no atual ordenamento jurídico.

A partir de sua publicação, inicia-se um processo de revogação da Lei 8666/93,


mas também das Leis 10520/02 (Lei do Pregão) e 12462/11 (Regime
Diferenciado de Contratações).

A proposta é de unificação das leis em um único instrumento. E requer uma


atenção especial dos órgãos da Administração Pública, já que a nova lei não
conta com vacatio legis. Portanto, a Lei 14133 já está em vigor. Apesar disso, o
processo de revogação das leis anteriores durará por até 2 anos, período no
qual ambas produzirão efeitos jurídicos.

De acordo com o texto, o administrador poderá contar com modalidades de


licitação diferentes das atuais. E a inversão de fases passa, então, a ser a
regra: primeiro julga-se a proposta e depois cobram-se os documentos de
habilitação do vencedor.

Das modalidades existentes, o texto mantém o pregão, a concorrência, o


concurso e o leilão. Cria-se, ademais, a modalidade de diálogo competitivo.

Em razão disso, advogados especializados em contratos e licitações devem


ficar atentos às próxima modificações legislativas, já que as novas diretrizes
podem alterar estratégias e orientações aos clientes.

A licitação é um processo oficial que a administração pública brasileira


realiza para oficializar contratos para adquirir produtos
e serviços, realizar execução obras e movimentação de bens. 
Esse procedimento é necessário para que haja uma condição justa e
transparente a todas as empresas que desejam fechar parcerias com
governos e este escolha uma opção vantajosa para seu propósito.  

Até o começo de 2021, a licitação era regida pela Lei


8.666/1993,  que apresentava os princípios desse processo, as modalidades
existentes e suas fases e tinha complementos com a Lei do Pregão (Lei nº
10.520/02 ) e a Lei do Regime Diferenciado de Contratações
(Lei 12.462/11), que serão substituídas total e parcialmente. 

Entrou então em vigor a Lei nº 14.133/2021  que reformulou vários aspectos


pertinentes à Lei de Licitação  e suas complementares. Veremos ao longo do
texto algumas diferenças no texto das leis. 

As modalidades de licitação 
Modalidades de licitação na lei 8666/93 
As modalidades de licitação  são a formas de realização do processo licitatório
determinadas pelo edital. 

Concorrência 
Aberta a participação de qualquer empresa que preste o serviço indicado no
edital. 

Convite 
Empresas que receberam uma carta-convite
participam preferencialmente, mas também podem ingressar companhias que
atendam aos requisitos. 

Tomada de preço 
Sem necessidade de proposta, a empresa é escolhida perante
habilitação prévia feita com cadastro e validação de documentos. 

Concurso e Leilão 
Na modalidade de concurso é garantido um incentivo áreas de artes, ciências
e tecnologias e no leilão a realização de venda de bens como imóveis. 
Pregão 
Podendo ser realizado de forma eletrônica, essa modalidade permite que as
empresas dêem lances e o vencedor é escolhido pelo melhor custo-benefício
de proposta. 

As modalidades de licitação na lei


14.133/21 
Foram mantidas as modalidades de concorrência, concurso, leilão e pregão da
mesma forma que ocorriam até então. 

Não seguiram na nova legislação a tomada de preço e o convite já que


não são mais utilizados o valor e a natureza do objeto para definir a
modalidade. Além disso houve o acréscimo de uma nova: 

Diálogo Competitivo 
Quando a necessidade do setor público é de um produto tecnológico ou
inovador, são feitos diálogos entre empresas capacitadas através de critérios
definidos. 

As fases da licitação 
Fases da licitação na lei 8666/93 
Interna 
Planejamento do órgão público sobre a necessidade do serviço ou produto
e elaboração do edital. 

Externa 
Publicação do edital e divulgação para conhecimento público. 

Habilitação 
Apresentação de envelopes com documentação das empresas interessadas. 
Julgamento 
Empresas que forem habilitadas podem apresentar suas propostas. 

Abjudicação 
Declaração da empresa vencedora pelo órgão público contratante. 

Homologação 
A autoridade ‘bate o martelo’ sobre a decisão feita. 

Execução 
Liberação para início da execução do contrato vitorioso. 

Fases na lei 14.133/21 


As fases seguem as mesmas etapas da legislação anterior, mas, nessa
atualização, a fase de habilitação acontece após o julgamento e só será
realizada com o licitante vencedor. 

Tipos ou critérios de julgamento da


licitação 
Tipos de licitação ou critérios de
julgamento na lei 8666/93 
Menor preço 
Normalmente utilizada para compras diretas, é escolhido o vencedor com
proposta de menor valor. 

Melhor técnica 
Esse critério leva em consideração a empresa com melhor capacidade técnica
principalmente nos editais que são de estudos e projetos mais elaborados. 
Técnica e preço 
Comum nas modalidades tomada de preço e concorrência, nesse critério é
feita uma análise do valor da proposta e da habilidade técnica e o vencedor é
decidido pelo que tiver a maior média dentro desses dois requisitos. 

Maior lance ou oferta 


Normalmente utilizada nas modalidades de leilão e concorrência, é
considerada vencedora a oferta de maior valor econômico para os cofres
públicos. 

Os critérios de julgamento na
lei 14.133/21 
São mantidos os critérios de menor preço e menor técnica e preço. Os demais
sofreram algumas mudanças e acréscimos: 

Melhor técnica ou conteúdo artístico 


A apresentação de melhor conteúdo artístico foi unida a esse critério que
define posteriormente o valor da proposta. A melhor técnica agora passa a ser
utilizada na modalidade de concurso. 

Maior desconto 
Esse critério já aparecia na Lei do Pregão (Lei nº 10.520/02), valorizando a
empresa que garantisse maior desconto de seu produto ou serviço de acordo
com tabela base estipulada no edital. 

Maior retorno econômico 


São escolhidos os contratos que garantem eficiência com maior economia
para o setor público. O pagamento é combinado a partir do percentual de
benefício que for gerado. 

Maior lance 
A seleção do maior valor de lance se torna de uso exclusivo da modalidade
leilão. 
Dispensa de licitação 
Dispensa de licitação 
Dispensa de licitação por menor valor na
lei 8666/93 
Nessa lei, a dispensa aconteceria com propostas de baixo valor em até 10% na
modalidade de convite com limite de: 

 R$33 mil em obras ou trabalho de engenharia; 


 R$17 mil em compras ou outros serviços; 
Em agências executivas e consórcios públicos o valor de limite é o dobro. 

Dispensa de licitação por menor valor na


lei 14.133/21 
É feita a definição de valores fixos de limite com a extinção da modalidade
de convite: 

 R$100 mil em obras, serviços de engenharia e manutenção


de automotores; 
 R$50 mil para compras e demais serviços; 

Dispensa de licitação por emergência na lei


8666/93 
Se houvesse algum caso de emergência ou calamidade pública, o governo
poderia realizar a dispensa da licitação para execução de contratos que
tivessem prazo máximo de 180 dias a partir do início dessa condição. 

Dispensa de licitação por emergência na lei


14.133/21 
Entre as mudanças em casos de urgência, a nova lei apresenta que o contrato
pode ter prazo máximo de um ano sem prorrogação e não pode haver a
recontratação de uma empresa que já esteve nessa condição de prestação de
serviço. 

Além disso, a dispensa pode ser realizada também quando há uma urgência
em dar continuidade a um serviço público, desde que seja apontada qual foi a
causa dessa situação. 

A inexigibilidade de licitação 
A inexigibilidade acontece quando tem algum motivo que inviabiliza a
competição em uma licitação. 

Inexigibilidade na lei 8666/93 


Eram exemplos de casos enquadrados nessa inviabilização: 

 Fornecedor exclusivo (não era possibilitada escolha de marca); 


 Serviços técnicos que tinham natureza singular com profissionais de
alta especialidade; 
 Artista consagrado. 

Inexigibilidade na lei 14.133/21 
O fornecedor exclusivo e o artista consagrado se mantêm na inexigibilidade.
Os serviços técnicos de notória especialização possuem uma mudança de
redação detalhando a natureza predominantemente intelectual nesse aspecto. 

Foram acrescentados também: 

 Credenciamento: cadastro do maior número de interessados por


determinado edital sem ter competição entre eles, com determinação de
condições prévias, garantindo mais empresas prestando o serviço; 
 Contratação direta: a compra ou locação de imóveis com
características específicas que se torna necessária à sua escolha. 
Alienação de bens na licitação 
Alienação de bens na lei 8666/93 
As regras mostravam que a alienação de bens móveis ocorria na modalidade
do leilão. Mas se o valor do bem fosse maior que o limite da tomada de
preço, deveria ocorrer como concorrência.   

Já para bens imóveis, realizava-se a modalidade de concorrência. Se o


bem viesse de origem judicial poderia ser utilizada a modalidade de leilão. 

Alienação de bens na lei 14.133/21 


A atualização dessa regra na nova Lei de Licitações apresenta que para
alienação de qualquer tipo de bem que precise de um processo
licitatório, ocorrerá como leilão. 

Objetivos e finalidades da licitação 


Objetivos e finalidades na lei 8666/93  
Apesar de se pautar em vários princípios , as finalidades principais da licitação
se baseavam no texto anterior em três aspectos: 

 Desenvolvimento nacional sustentável; 


 Selecionar proposta mais vantajosa; 
 E assegurar o princípio Constitucional da Isonomia. 

Objetivos e finalidades na lei 14.133/21 


Entre as mudanças, podemos apontar: 

 A proposta escolhida não será a mais vantajosa, mas a que trouxer um


resultado mais vantajoso pra administração pública; 
 Entra em destaque também a preocupação de evitar sobrepreço,
superfaturamento ou proposta inexequível; 
 E promover a inovação em seus produtos ou serviços. 
Resumo II

O que é a Lei 8.666?

A Lei 8.666 regulamenta o art. 37, inciso XXI, da Constituição Federal, institui
normas para licitações e contratos da Administração Pública e dá outras
providências.
Conforme o Art. 1º dos princípios na Constituição Federal, a Lei
estabelece normas gerais sobre licitações e contratos
administrativos pertinentes a obras, serviços, inclusive de publicidade,
compras, alienações e locações no âmbito dos Poderes da União, dos Estados,
do Distrito Federal e dos Municípios.
O que isso tem a ver com os concursos públicos? O art. 1º tem um parágrafo
único que versa sobre o seguinte:

“Subordinam-se ao regime desta Lei, além dos órgãos da administração direta,


os fundos especiais, as autarquias, as fundações públicas, as empresas
públicas, as sociedades de economia mista e demais entidades controladas
direta ou indiretamente pela União, Estados, Distrito Federal e Municípios.”
Desse modo, todos os órgãos citados precisam se atentar às regras da Lei
8.666 ao firmar contratos de serviços, compras, alienações e contratados
principalmente no que diz respeito aos concursos públicos.

Conceito de Licitação

A licitação é um processo administrativo para que seja realizada as


contratações pelo Poder Público, diferente do jeito que uma empresa privada
contrata, de qualquer jeito.
Na Administração Pública existe uma maneira diferente de contrato, a licitação,
está explicito no Art. 3º da CF:

“A licitação destina-se a garantir a observância do princípio constitucional da


isonomia, a seleção da proposta mais vantajosa para a administração e a
promoção do desenvolvimento nacional sustentável e será processada e
julgada em estrita conformidade com os princípios básicos de legalidade, da
impessoalidade, da moralidade, da igualdade, da publicidade, da probidade
administrativa, da vinculação ao instrumento convocatório, do julgamento
objetivo e dos que lhes são correlatos.” Lei 8.666/93
Dessa forma, a Lei institui normas para que as contratações sejam legalizadas,
seguindo os termos do artigo 37 na Constituição Federal.
 Igualdade de condições a todos os concorrentes;
 Claúsulas que estabeleçam obrigações de pagamento, mantidas as
condições da proposta;
 Exigências de qualificação técnica e econômica indispensáveis à
garantia do cumprimento das obrigações.

Objetivos da Licitação na Lei 8.666

A licitação alimenta por pressuposto a competição, por ter regras bastante


específicas para que seja realizado o procedimento da licitação.
Nem sempre a proposta mais vantajosa é de menor preço, o interesse público
nesses casos vem na frente, respeitando o princípio de isonomia.
Na leitura da Lei 8.666/93 isso fica bem claro nos incisos I e II do §1º assim:
” §1º é vedado aos agentes públicos:
I – admitir, prever, incluir ou tolerar, nos atos de convocação, cláusulas ou
condições que comprometam, restrinjam ou frustrem o seu caráter competitivo,
inclusive nos casos de sociedades cooperativas, e estabeleçam preferências
ou distinções em razão da naturalidade, da sede ou domicílio dos licitantes ou
de qualquer outra circunstância impertinente ou irrelevante para o específico
objeto de contrato, ressalvado o disposto nos §§5º_a 12 deste artigo e no art.
3º da Lei nº 8.248, de 23 de outubro de 1991.
II – estabelecer tratamento diferenciado de natureza comercial, legal,
trabalhista, previdenciária, ou qualquer outra, entre empresas brasileiras e
estrangeiras, inclusive no que se refere a moeda, modalidade e local de
pagamentos, mesmo quando envolvidos financiamentos de agências
internacionais, ressalvado o disposto no art. 3º da Lei 8.248, de 23 de outubro
de 1991.”

Princípios da Licitação Pública

A Lei 8.666 também fala sobre os princípios a serem seguidos para atingir os
objetivos e finalidades das licitações. Além dos princípios previstos da
Administração Pública no art. 37 que são: legalidade, impessoalidade,
moralidade, publicidade e eficiência. Existem outros tipos a serem seguidos,
veja abaixo:
Princípio da Igualdade entre os licitantes

Esse princípio é o que chamamos de isonomia. Ele garante que todos os


interessados em contratar com a Administração devem competir em iguais
condições.
Princípio da Probidade da Lei 8.666
Isto é, princípio da moralidade, que norteia a Administração Pública, no
procedimento licitatório. Os agentes devem atuar com ética.
O julgamento do objetivo na proposta, está definido no artº 45 da Lei
8.666/93 conforme:
“O julgamento das propostas será objetivo, devendo a Comissão de licitação
ou o responsável pelo convite realizá-lo em conformidade com os tipos de
licitação, os critérios previamente estabelecidos no ato convocatório e de
acordo com os fatores exclusivamente nele referidos, de maneira a possibilitar
sua aferição pelos licitantes e pelos órgãos de controle.”
Desse modo, também no artigo 41 da Lei das Licitações, diz que a
Administração não pode descumprir as normas e condições do edital, ao qual
está estritamente vinculada.
Exceções da Licitação

Para todos os efeitos, a licitação é obrigatória quando se trata de processos


administrativos. Porém, segundo a Lei 8.666 existem algumas exceções. São
elas:
Licitação Dispensada

Prevista no artº 17 na Constituição Federal, a própria Lei determina que não
deve ser realizada a licitação.
Isso porque envolve a transferência de bens públicos. Segundo o artigo 17 da
Lei 8.666:
“A alienação de bens da Administração Pública, subordinada À existência de
interesse público devidamente justificado, será precedida de avaliação e
obedecerá às seguintes normas”.
Nesse sentido, em relação aos bens imóveis, são de acordo: Autorização
legislativa para órgãos da Administração direta e entidades autárquicas e
fundacionais; Licitação na modalidade de concorrência.
A licitação não precisará ser realizada pelo inciso I no art. 17 por exemplo,
quando existe dação em pagamento, doação para outro órgão ou entidade
pública, permuta, investidura.
Se tratando de bens móveis, a transferência depende de: Avaliação Prévia;
Licitação.

Porém, é dispensada quando envolve doação, permuta, venda de ações e


venda de títulos. Essa exceção está no artigo 17 da Lei 8666/93.
Licitação Dispensável

A licitação dispensável trata do exercício de uma competência discricionária,


de tal maneira que o Poder Público pode optar entre realizar a licitação ou
dispensá-la, celebrando a avença diretamente.
As hipóteses da licitação dispensável se encontram no artigo 24 da Lei 8666,
veja algumas delas:

 I – para obras e serviços de engenharia de valor até 10% do limite


previsto para a modalidade convite (que corresponde a R$ 150.000,00),
desde que não se refiram a parcelas de uma mesma obra ou serviço ou
ainda para obras e serviços da mesma natureza e no mesmo local que
possam ser realizadas conjunta e concomitantemente. O valor é de R$
15.000,00;
 II – Nos caoss de guerra ou grave perturbação da ordem;
 III – Nos casos de emergência ou calamidade pública, quando
caracterizada urgência de atendimento de situação que possa ocasionar
prejuízo ou comprometer a segurança de pessoas, obras, serviços,
equipamentos e outros bens, públicos ou particulares, e somente para
os bens necessários ao atendimento da situação emergencial;
 IV – Quando não acudirem interessados à licitação anterior e esta,
justificadamente, não puder ser repetida sem prejuízo para a
Administração, mantidas, neste caso, todas as condições
preestabelecidas;
 V – Quando a União tiver que intervir no domínio econômico para
regular preços ou normalizar o abastecimento.
Licitação Inexigível

A Lei 8.666/93 exemplifica, no artigo 25, as hipóteses para a impossibilidade


jurídica de licitação:
 I – Para aquisição de materiais, equipamentos, ou gêneros que só
possam ser fornecidos por produtor, empresa, ou representante
comercial exclusivo, vedada a preferência de marca, devendo a
comprovação de exclusividade ser feita através de atestado fornecido
pelo órgão de registro do comércio do local em que se realizaria a
licitação ou a obra ou o serviço, pelo Sindicato, Federação ou
Confederação Patronal, ou, ainda, pelas entidades equivalentes;
 II – Para a contratação de serviços técnicos enumerados no art. 13
desta Lei, de natureza singular, com profissionais ou empresas de
notória especialização, vedada a inexigibilidade para serviços de
publicidde e divulgação;
 III – Para contratação de profissional de qualquer setor artístico,
diretamente ou através de empresário exclusivo, desde que consagrado
pela crítica especializada ou pela opinião pública.

Modalidades da Licitação

São 5 modalidades previstas na Lei de nº 9.666 de 1993. Sendo elas:


Concorrência

Segundo o §1 artigo 22 na Constituição Federal,


“Concorrência é a modalidade de licitação entre quaisquer interessados que,
na fase inciial de habilitação preliminar, comprovem possuir os requisitos
mínimos de qualificação exigidos no edital para execução de seu objeto.”
Portanto, é a modalidade é marcada pela universalidade, qualquer interessado
pode participar desde que habilitado.
A concorrência é obrigatória nas contratações de: obras e serviços que
ultrapassem R$ 1.500.000,00; compras e serviços que ultrapassem R$
650.000,00; alienação ou aquisição de bens imóveis; direito real de uso;
concessão de serviços públicos.
Tomada de Preços

De acordo com o §2 do artigo 22 na CF,


“Tomada de preços é a modalidade de licitação entre interessados
devidamente cadastrados ou que atenderem a todas as condições exigidas
para cadastramento até o terceiro dia anterior à data do recebimento das
propostas, observada a necessária qualificação.”
O objeto da tomada de preços pode ser:
 Obras e serviços de engenharia que o valor não ultrapasse R$
1.500.000,00;
 Compras e serviços que o valor não ultrapasse R$ 650.000,00
 Respeite os limites de valor do objeto do contrato
 O órgão ou entidade disponha de cadastro internacional d fornecedores.
Convite

O inciso §3 do artigo 22 versa sobre:


“Convite é a modalidade de licitação entre interessados do ramo pertinente ao
seu objeto, cadastrados ou não, escolhidos e convidados em número mínimo
de 3 pela unidade administrativa, a qual afixará, em local apropriado, cópia do
instrumento convocatório e o estenderá aos demais cadastrados na
correspondente especialidade que manifestarem seu interesse com
antecedência de até 24 horas da apresentação das propostas”.
A modalidade é utilizada para contratações de baixo valor, na qual a
Administração pode escolher e convidar, no mínimo 3 interessados para
apresentarem suas propostas.
O convite pode ser utilizado para:
 Obras e serviços que não ultrapasse R$ 150.000,00;
 Compras e serviços que não ultrapassem R$ 80.000,00;
 Respeite os limites de valor do objeto do contrato;
 Não haja fornecedor do bem ou serviço no Brasil.
Concurso

O §4 do artigo 22, da Lei 8.666 na CF diz:


“Concurso é a modalidade de licitação entre quaisquer interessados para
escolha de trabalho técnico, científico ou artístico, mediante instituição de
prêmios ou remuneração aos vencedores, conforme critérios constantes de
edital publicado na imprensa oficial com antecedência mínima de 45 dias.”
Ainda sobre a Lei, os concursos dispõe do §1 do artigo 13 da Lei de licitações:
“Ressalvados os casos de inexigibilidade de licitação, os contratos para a
prestação de serviços técnicos profissionais especializados deverão,
preferencialmente, ser celebrados mediante a realização de concurso, com
estipulação prévia de prêmio ou remuneração”.
Leilão

O §5 do artigo 22 nos traz a última modalidade da Lei 8.666 que dispõe:
“Leilão é a modalidade de licitação entre quaisquer interessados para a venda
de bens móveis inservíveis para a administração ou de produtos legalmente
apreendidos ou penhorados, ou para a alienação de bens imóveis prevista no
art. 19, a quem oferecer o maior lance, igual ou superior ao valor da avaliação.”
O objeto de Leilão são os itens:

 Móveis inservíveis para a Administração;


 Produtos Legalmente apreendidos ou penhorados;
 Bens imóveis alienados, cuja aquisição tenha derivado de
procedimentos judiciais ou de dação de pagamento.

Contratos da Lei 8.666/93

Quando falamos de contratos administrativos, precisamos olhar seu conceito


pela forma que está no Código Civil da lei 10.406/2002.
Nesse sentido, os contratos são acordos de vontades, manifestações
bilaterais de vontades que formam vínculo jurídico entre as partes, estipulando
obrigações recíprocas para o atingimento de objetivo comum.
Contratos Administrativos

Segundo o parágrafo único, do artigo 2º da CF sobre a Lei 8.666/93:


“Considera-se contrato todo e qualquer ajuste entre órgãos ou entidades da
Administração Pública e particulares, em que haja um acordo de vontades para
a formação de vínculo e a estipulação de obrigações recíprocas, seja qual for a
denominação utilizada”.
Características do Contrato Administrativo

As características do contrato são: bilateralidade, presença da Administração


Pública como Poder Público, finalidade pública, comutativo, oneroso,
formalidades estabelecidas em lei, prazo determinado e presença de claúsulas
exorbitantes.
Ademais, alguns contratos previstos no artigo 60 da Lei 8.666/93 podem ser
verbais, no caso de pequenas compras que não excedam R$ 4.000,00. Nos
demais casos, o contrato precisa ser celebrado por escrito.
O artigo 55 da Lei das Licitações, fala das cláusulas gerais necessárias em
todo contrato:
 I – Objeto e seus elementos característicos.
 II- Regime a execução ou a forma de fornecimento.
 III – Preço, critérios, garantias, direitos e as responsabilidades das
partes.
Cláusulas Exorbitantes

Além das cláusulas gerais do artigo 55, existem as cláusulas exorbitantes


no artigo 58 da Lei 8.666/93. São elas, segundo o regime jurídico da
Administração:
 I – modificá-los, unilateralmente, para melhor adequação às finalidades
de interesse público, respeitados os direitos do contratado.
 II – rescindi-los unilateralmente, nos casos especificados no inciso I do
art. 79 desta lei.
 III – fiscalizar-lhes a execução.
 IV – aplicar sanções motivadas pela inexecução total ou parcial do
ajuste.
 V – nos casos essenciais, ocupar provisoriamente bens móveis, imóveis,
pessoal e serviços vinculados ao objeto do contrato, na hipótese da
necessidade de acautelar apuração administrativa de faltas contratuais
pelo contratado, bem como na hipótese de rescisão do contrato
administrativo.

Execução do Contrato na Lei 8.666/93

Para finalizar, a execução do contrato, previsto nos termos do artigo 66 da


Lei 8.666/93 que diz assim:
“O contrato deverá ser executado fielmente pelas partes, de acordo com as
cláusulas avençadas e as normas desta Lei, respondendo cada uma pelas
consequências de sua inexecução total ou parcial.”
Terminada a execução do contrato, essa deve ser atestada pela
Administração Pública, de que foi fielmente executado.
O recebimento ocorre por provisória ou definitivamente, nos termos do artigo
71 da Lei 8.666/93.
Extinção do Contrato

O artigo 59 da Lei de Licitações, dispõe sobre a nulidade do contrato nos


seguintes termos:
“A declaração de nulidade do contrato administrativo opera retroativamente
impedindo os efeitos jurídicos que ele, ordinariamente, deveria reproduzir, além
de desconstituir os já produzidos”.

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