INTERAÇÃO FÁRMACO-NUTRIENTE | 223

REVISÃO | REVIEW

Interação fármaco-nutriente: uma revisão

Drug-nutrient interaction: a review
Mirian Ribeiro Leite MOURA1 Felix Guillermo Reyes REYES2

RESUMO

A dieta influencia todos os estágios do ciclo da vida, fornecendo nutrientes necessários ao sustento do corpo humano. Alterações de ordem funcional e/ou estrutural, provocadas por doenças e infecções agudas ou crônicas, levam à utilização de medicamentos, cujo objetivo é restaurar a saúde. A via preferencial escolhida para a sua administração é a oral, entre outras razões, por sua comodidade e segurança. O fenômeno de interação fármaco-nutriente pode surgir antes ou durante a absorção gastrintestinal, durante a distribuição e armazenamento nos tecidos, no processo de biotransformação ou mesmo durante a excreção. Assim, é de importância fundamental conhecer os fármacos cuja velocidade de absorção e/ou quantidade absorvida podem ser afetadas na presença de alimentos, bem como aqueles que não são afetados. Por outro lado, muitos deles, incluindo antibióticos, antiácidos e laxativos podem causar má absorção de nutrientes. Portanto, o objetivo do presente artigo é apresentar uma revisão dos diversos aspectos envolvidos na interação fármaco-nutriente. Termos de indexação interação alimento-droga, farmacologia clínica, absorção, alimentos, medicamentos. indexação:

ABSTRACT
Diet influences the whole life cycle, supplying nutrients required to maintain the human body. Functional and/ or structural alterations, caused by diseases and acute or chronic infections, lead to the use of drugs in order to restore the health. The oral route is preferred for drug administration, owing to safety and convenience,

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Departamento de Produtos Naturais e Alimentos, Faculdade de Farmácia, Universidade Federal do Rio de Janeiro. E-mail: mmirian@gbl.com.br Departamento de Ciência de Alimentos, Faculdade de Engenharia de Alimentos, Universidade Estadual de Campinas. Caixa Postal 6121, 13083-970, Campinas, SP, Brasil. Correspondência para/Correspondence to: F.G.R.REYES. E-mail: reyesfgr@fea.unicamp.br

Rev. Nutr., Campinas, 15(2):223-238, maio/ago., 2002

Revista de Nutrição

is of fundamental importance. Entretanto. estes profissionais desempenham um papel importante na identificação destas interações. como farmacêuticos e nutricionistas. Quando se administra um fármaco por via oral.. or even during excretion. Yamreudeewong et al. 2002 . can cause malabsorption of nutrients. drugs. including antibiotics. 1992). antacids and laxatives. 15(2):223-238. 1991. os nutrientes são também capazes de interagir com fármacos. the objective of this article is to present a review of the several aspects involved in the drug-nutrient interaction. maio/ago.G. Campinas. a monitorar as interações fármaco-nutriente que ocorrem com pacientes internados. a adoção de terapias mais eficazes. MOURA & F. independentemente da cultura do indivíduo e da época vivida. Thus.224 | M. The drug-nutrient interaction phenomenon can occur before or during gastrointestinal absorption. o presente artigo tem como objetivo apresentar os diversos aspectos envolvidos na interação fármaco-nutriente. apresentam como principal sítio de interação o trato gastrintestinal. clinical pharmacology. Revista de Nutrição Rev. ABSORÇÃO E METABOLISMO DOS F Á R M A C O S/N U T R I E N T E S A maioria dos fármacos administrados oralmente é absorvida por difusão passiva. é um fator essencial e indispensável à manutenção e à ordem da saúde. devido às alterações na relação risco/benefício do uso do medicamento. a number of commonly used drugs. Portanto. Portanto. Os nutrientes podem modificar os efeitos dos fármacos por interferirem em processos farmacocinéticos. em casos de falta de um ou mais nutrientes. bem como orientá-los a este respeito quando eles deixam o hospital (Murray & Healy. de modo que funções específicas como a plástica. um programa de consulta formal (Wix et al. Therefore. INTRODUÇÃO O alimento. Sua importância está associada à sua capacidade de fornecer ao corpo humano nutrientes necessários ao seu sustento. assim. portanto. during distribution and storage in the tissues. Index terms: food-drug interactions.L. No entanto. sua absorção pelo tubo gastrintestinal e. a Joint Commission on Accreditation of Hospitals vem incentivando profissionais. Para o equilíbrio harmônico desta tarefa é fundamental a sua ingestão em quantidade e qualidade adequadas. Por outro lado. bem como na educação de pacientes em programas de aconselhamento (Thomas. a reguladora e a energética sejam satisfeitas. Nutr. REYES among other reasons. Estas interações são facilitadas. 1991. na maioria dos hospitais. com conseqüente deficiência no estado nutricional e necessidade de suplementação (regime dietoterápico). mantendo assim a integridade estrutural e funcional do organismo. pois os medicamentos. em uma ampla pesquisa.R. Lasswell & Loreck. favorecendo. sendo um problema de grande relevância na prática clínica. acarretando prejuízo terapêutico. Desde a década de 80. as well as those that are not affected.R. biotransformação e excreção (Oliveira. absorption. On the other hand. Um maior conhecimento em relação a este processo conduz a um controle mais efetivo da administração do medicamento e da ingestão de alimentos. preferencialmente. 1995)... são administrados por via oral. A absorção dos nutrientes e de alguns fármacos ocorre por mecanismos semelhantes e freqüentemente competitivos e. por mecanismo de transporte ativo. 1992). na equipe de saúde. constatou-se não haver. esta integridade pode ser alterada. food. na sua maioria. in the biotransformation process. como absorção. nos Estados Unidos. to know the drugs whose rate of absorption and/or absorbed amount can be affected in the presence of food. distribuição. enquanto os nutrientes são absorvidos.. 1995).

biotransformação e excreção. Aspectos relacionados aos fármacos Solubilidade Tamanho da partícula Forma farmacêutica Metabolismo pré-sistêmico pKa do fármaco Liberação imediata ou lenta Circulação entero-hepática Variações individuais Idade Ingestão de fluidos Ingestão de alimentos Microflora intestinal Metabolismo intestinal e hepático pH gastrintestinal administração. redução e hidrólise. 2002 Revista de Nutrição . fazendo variar o tempo de absorção e a quantidade absorvida. processo farmacêutico empregado e formulação são fatores os quais podem influir na biodisponibilidade do princípio ativo. maio/ago. Rev. A primeira inclui reações bioquímicas. 15(2):223-238. Fatores que exercem influência sobre a biodisponibilidade dos fármacos.. sua concentração sangüínea. Campinas.INTERAÇÃO FÁRMACO-NUTRIENTE | 225 conseqüentemente. estado físico. referidas como reações fase I e fase II (Figura 1). incluindo as etapas de liberação e dissolução do princípio ativo. Tabela 1. 1984a).. Efeitos do fluido gastrintestinal Tempo de trânsito intestinal Natureza química (sal ou éster) Patologia gastrintestinal Fase Biofarmacêutica Compreende todos os processos que ocorrem com o medicamento a partir da sua Administração do medicamento Ingestão. como oxidação. farmacocinética e farmacodinâmica (Figura 1). Nutr. distribuição. O trajeto dos fármacos no organismo pode ser representado através de três fases: biofarmacêutica. tamanho e superfície da partícula. Esta fase deixa o fármaco disponível para a absorção. são dependentes de vários fatores (Tabela 1) (Roe. quantidade e tipo dos excipientes utilizados. Entretanto. Fase Farmacocinética Esta fase inclui os processos nos quais o organismo interfere sobre o fármaco. A farmacocinética é o estudo dos processos de absorção. sua natureza química. Esquema generalizado da biodisponibilidade dos fármacos. desintegração e dissolução Absorção Distribuição Interação com proteína no sangue Tecido armazenador Metabolismo (Desativação-ativação) Fase I oxidação redução hidrólise Fase II Conjugação do fármaco com substâncias endógenas Excreção Interação fármaco-receptor no tecido alvo Figura 1. O metabolismo ocorre em dois tipos de reações básicas.

INTERAÇÃO F Á R M A C O-N U T R I E N T E As interações entre nutrientes e fármacos podem alterar a disponibilidade. poluentes ambientais e carcinógenos. dependente do citocromo P450. também podem participar deste processo (Silva.. O resultado desta interação produz o efeito terapêutico. geralmente participam de reações que resultam na modificação química. A segunda corresponde àquelas que conjugam os grupos funcionais dos fármacos a moléculas endógenas. rins. 1985). mas as distribuições metabólicas do fármaco e do nutriente são diferentes (Figura 2). mucosa intestinal. produzindo energia para contrabalançar a entropia ou na forma de co-fator para as reações anabólicas e catabólicas. sendo o fígado o principal local de metabolismo de compostos ativos. Revista de Nutrição Rev. Etapas do processo de utilização de nutrientes. por sua vez. Campinas.L. Anderson. 15(2):223-238. 2001). maio/ago. Nutr. pele e plasma sangüíneo. 1985). além dos farmacocinéticos (Silva. como pulmões. Fase Farmacodinâmica Fase responsável pelo estudo das interações moleculares que regulam o reconhecimento molecular de um fármaco pelo receptor (Barreiro & Fraga. MOURA & F. atua sobre uma ampla gama de substâncias endógenas. 2002 . cuja resposta é variável e depende de diversos fatores individuais. em função de seu amplo sistema microssomal. O sistema de catálise do metabolismo oxidativo.226 | M. Os fármacos. 1982.G. tais como fármacos. O conceito de biodisponibilidade. 1994). (Fonte-Hayes & Borzelleca. Este parâmetro expressa a extensão e a velocidade das fases biofarmacêutica e farmacocinética da substância ativa (Reynolds.. no sentido restrito. bem como sobre substâncias químicas estranhas. é o termo empregado para descrever a fração da dose administrada de um produto farmacêutico capaz de alcançar a circulação sistêmica e exercer ação terapêutica. Modificações na atividade desse sistema pode alterar a resposta metabólica frente a estas substâncias (Anderson et al . a ação ou a Porção do Alimento Ingestão Digestão Absorção Distribuição Metabolismo Produção de energia Anabólico Catabólico Co-fator etc Tecido armazenador Metabólitos Excreção Figura 2. na atividade farmacológica e na sua excreção (Hayes & Borzelleca. 1993). Os nutrientes entram no processo metabólico normal da célula também na forma de substrato para reações bioenergéticas. Estas reações são catalisadas por enzimas ou sistemas enzimáticos. REYES as quais conduzem a modificações nas moléculas dos fármacos. Outros órgãos e tecidos. 1988).. 1994).R. Há similaridades na absorção.R.

quando ingeridos com alimentos. associando sua ingestão com uma atividade relativamente fixa. Entretanto. provavelmente por retardarem o esvaziamento gástrico (Souich et al. ! ! fármacos podem afetar o estado nu- tricional. 1995). com fármacos de caráter ácido. 1995.. Basile. principalmente.. Thomas. 1975): ! alguns nutrientes podem influenciar no processo de absorção de fármacos. digestão. biotransformação e clearance renal. Roe. Roe. O retardo na absorção de certos fármacos. A natureza das diferentes interações pode apresentar os seguintes caminhos (Truswell. Kirk. estes motivos são insuficientes para justificar este procedimento de forma generalizada. ! alguns nutrientes podem alterar o processo de biotransformação de algumas substâncias. maio/ago. Assim. Interações físico-químicas são caracterizadas por complexações entre componentes alimentares e os fármacos. e uso como auxiliar no cumprimento da terapia. substâncias que se complexam com nutrientes estão freqüentemente indisponíveis para absorção (Gai.. 2002 Revista de Nutrição . interferindo na latência do efeito. 1992). De acordo com a maioria das pesquisas realizadas. são com freqüência administrados com alimentos. como as principais refeições (Gai. bem como aquelas que não são afetadas pela presença de nutrientes (Toothaker & Welling. 1994. Campinas. No entanto. as anfetaminas. 1995). Analgésicos e antiinflamatórios. redução do efeito irritante de alguns fármacos sobre a mucosa gastrintestinal. 15(2):223-238. O objetivo é diminuir as irritações da mucosa gástrica provocadas. se faz por três razões fundamentais: possibilidade de aumento da sua absorção. verifica-se elevação da excreção. por exemplo. carnes e pães acidificam a urina. 1992). 1980. alterações na excreção de fármacos podem ocorrer por influência de nutrientes. pois a ingestão de alimentos poderá afetar a biodisponibilidade do fármaco através de interações físico-químicas ou químicas (Gai. 1991. ocorrerá alteração da farmacodinâmica e da terapêutica (Thomas. 1995). Lavelle et al. os nutrientes diminuem a velocidade de absorção dos fármacos. Sendo afetada a biodisponibilidade. 1992. O sistema renal constitui uma das principais vias de excreção de fármacos. provavelmente. fisiológicas e patofisiológicas (Roe. A administração de medicamentos com as refeições. por modificação dos processos farmacocinéticos. poderá ser necessário um período maior para se alcançar sua concentração sangüínea máxima. esvaziamento gástrico. 1995). 1996). Por outro lado. Estudos aprofundados com humanos sobre estes mecanismos têm sido realizados. com a finalidade de demonstrar mais precisamente os efeitos dos nutrientes sobre a biodisponibilidade dos fármacos (Radulovic et al. sendo importante no processo de interação.. As fisiológicas incluem as modificações induzidas por medicamentos no apetite. 1985. Mas. segundo aqueles que a recomendam. é de fundamental importância conhecer as substâncias ativas cuja velocidade de absorção e/ou quantidade são alteradas.. acarretando um aumento na reabsorção de fármacos básicos. 1992. O consumo de alimentos com medicamentos pode ter efeito marcante sobre a velocidade e extensão de sua absorção. dietas ricas em vegetais. 1993). como. nem sempre indica redução da quantidade absorvida. leite e derivados elevam o pH urinário. Entretanto. Thomas. por exemplo. As patofisiológicas ocorrem quando os fármacos prejudicam a absorção e/ou inibição do processo metabólico de nutrientes (Toothaker & Welling. 1994).. 1980). Rev.INTERAÇÃO FÁRMACO-NUTRIENTE | 227 toxicidade de uma destas substâncias ou de ambas. Nutr. Assim. ovos. pela administração destes medicamentos por tempo prolongado. tendo como conseqüência o aumento da excreção renal de anfetaminas e outros fármacos básicos (Trovato et al. Elas podem ser físico-químicas. O pH urinário sofre variações conforme a natureza ácida ou alcalina dos alimentos ou de seus metabólitos. como barbitúricos.

1992).L. conseqüentemente. Paralelamente. 1993. A maioria das interações clinicamente significativas ocorrem no processo de absorção (Toothaker & Welling. ácidas. 1992). Welling.R. O aumento do pH gástrico em função dos alimentos ou líquidos pode reduzir a dissolução de comprimidos de eritromicina ou de tetraciclina (Welling & Tse. (Welling. Refeições sólidas.0. maio/ago. 1992).5 do estômago se eleva para aproximadamente 3. por ação qualitativa e quantitativa dos sucos digestivos. 1984. Nutr. REYES ! o estado nutricional pode interferir sobre o metabolismo de certos fármacos. devido aos sinais de retroalimentação duodenal. diminuindo ou anulando seu potencial terapêutico ou aumentando seu efeito tóxico. medicamentos como a fenitoína ou o dicumarol desintegram-se mais facilmente com a alcalinização do pH gástrico (Welling. esvaziamento gástrico. isto é. fluxo sangüíneo esplâncnico e ligação direta do fármaco com componentes dos alimentos (Welling. segundo os estudos até hoje realizados. assim como na ionização dos fármacos. O trato gastrintestinal representa o principal sítio de interação fármaco-nutriente. O esvaziamento gástrico lento pode aumentar a absorção dos fármacos que se utilizam de mecanismos saturantes. incluindo principalmente o reflexo enterogástrico e a retroalimentação hormonal. Welling. 1992). através da ação do ácido clorídrico e de enzimas específicas (Guyton. 1980). age hidrolisando e degradando ligações químicas específicas. A ingestão de alimentos é capaz de desencadear no trato digestivo a liberação de secreção que. uma vez que o processo de absorção de ambos ocorre por mecanismos semelhantes e podem ser competitivos.. 1984. Campinas. hipertônicas e volumes líquidos acima de 300 mL tendem a induzir um acentuado retardo do esvaziamento gástrico. promovendo uma alteração na velocidade e extensão de absorção (Harrison et al. 1999). aumento do trânsito intestinal. PROCESSO ABSORTIVO A influência dos nutrientes sobre a absorção dos fármacos depende do tipo de alimento.G. 1991). gordurosas. Portanto. Souich et al. 15(2):223-238. 2002 . 1984). 1977. 1984. MOURA & F. Por outro lado. a velocidade do esvaziamento do estômago é limitada pela quantidade de quimo que o intestino delgado pode processar (Guyton. por exemplo no caso da inativação da penicilina e da eritromicina (Welling.. quentes. 1978. Gai.. Fleisher et al. Williams et al.. a composição da dieta influencia o tempo de permanência dos fármacos no trato digestivo e. competição por sítios de absorção. aumenta ou diminui a absorção dos mesmos. facilitando-a difusão através da membrana celular. da formulação farmacêutica.. O pH também interfere na estabilidade. Velocidade do esvaziamento gástrico: A presença de alimentos no estômago contribui para o retardo do esvaziamento gástrico. (Welling. atividade Aumento da atividade peristáltica do intestino: A atividade peristáltica do intestino Revista de Nutrição Rev. Portanto. Esta modificação pode afetar a desintegração das cápsulas. enquanto refeições hiperprotéicas têm efeito menor neste processo (Welling.R. Modificação do pH do conteúdo gastrintestinal: Após a ingestão de alimentos ou líquidos o pH de 1. há um prolongamento do tempo de contato do princípio ativo com a superfície de absorção. 1992). Guyton. substâncias sensíveis a pH baixo podem ser alteradas ou até inativadas pelo ácido gástrico quando ingeridas com alimentos (Toothaker & Welling. 1992).228 | M.. drágeas ou comprimidos e conseqüentemente a absorção do princípio ativo. Assim. 1980). como. do intervalo de tempo entre a refeição e sua administração e do volume de líquido com o qual ele é ingerido. 1982. 1984). Trovato. o nutriente pode influenciar na biodisponibilidade do fármaco através da modificação do pH do conteúdo gastrintestinal.1984.

da griseofulvina. em parte.. assim. o qual é maior para as grandes refeições do que para as pequenas. A levodopa (L-dopa). a velocidade do processo (Toothaker & Welling. incluindo alguns bloqueadores beta-adrenérgicos (Welling. tem ação terapêutica inibida por dieta hiperprotéica. Secreções de ácidos. a biotransformação e a excreção. . Mg2+. Competição pelos sítios de absorção: A presença de nutrientes pode constituir uma competição pelos sítios de absorção. a distribuição. portanto. portanto. Este reflexo eleva o grau geral de excitabilidade do intestino delgado e também aumenta a motilidade e secreção (Guyton. É o caso. à ampliação da disponibilidade sistêmica de um número de fármacos. Basile. quanto na penetração no cérebro (Welling. são capazes de formar quelatos não absorvíveis com as tetraciclinas.. e o grau de modificação depende do tipo e da quantidade da refeição ingerida. por sua vez. Welling. Este. No anexo estão listados os fármacos mais comumente prescritos e suas respectivas interações com nutrientes. 1980. maio/ago. por alterar a absorção. 1980). baço e pâncreas. quanto pode diminuir a sua biodisponibilidade. Campinas. por exemplo. que tem sua absorção aumentada quando ingerida com dietas hiperlipídicas (Kirk. Os ácidos e sais biliares. 1992). 2002 Revista de Nutrição . Ligação direta do fármaco com componentes dos alimentos (complexação): A interação fármaco-nutriente pode ocorrer por mecanismo de complexação. presentes no leite e em outros alimentos. o que acarreta precariedade do estado nutricional. 1995). INTERFERÊNCIA DO ESTADO NUTRICIONAL NA BIODISPONIBILIDADE DOS FÁRMACOS As deficiências nutricionais resultam de quantidades de nutrientes essenciais ingeridas inadequadamente.INTERAÇÃO FÁRMACO-NUTRIENTE | 229 delgado é provocada. 1977. Dietas hiperprotéicas e hiperlipídicas elevam o FSE. Os sais biliares também podem formar complexos não absorvíveis com substâncias como a colestiramina (Toothaker & Welling. ocasionando a excreção fecal dos minerais. dependendo da sua natureza. bem como do fármaco (Welling. pela entrada de quimo no duodeno e pelo fluxo gastroentérico. uma dieta hipoprotéica potencializa e estabiliza este efeito (Duvoisin & Sage. em função da elevação da velocidade do trânsito intestinal. da lipofilicidade ou da formulação do medicamento (Welling. 1989). Fluxo sangüíneo esplâncnico (FSE): A esplâncnico circulação esplâncnica é constituída pelo suprimento sangüíneo do trato gastrintestinal. 15(2):223-238. O aumento do FSE pós-prandial tem sido implicado na diminuição do efeito de primeira passagem. Um regime alimentar com elevado teor de proteína e baixo teor de carboidrato aumenta Rev. Provavelmente. ácida ou básica. 1984). enzimas e sais biliares aumentam na presença de alimentos. pelas suas propriedades tensoativas. O aumento moderado da motilidade tanto pode favorecer a dissolução do medicamento. Hoyumpa & Schenker. 1980. 1996). 1977). 1984). a resposta terapêutica (Krishnaswamy et al. 1982). entretanto. influenciando. facilitando o contato das substâncias ativas com a superfície de absorção e otimizando. De forma geral. Nutr. usada no tratamento da doença de Parkinson. A ingestão de alimentos aumenta o fluxo sangüíneo esplâncnico. levando. pode afetar a ação do fármaco. Esta alteração deve-se ao fato de os aminoácidos competirem com a levodopa tanto na absorção intestinal. as secreções podem ampliar a disponibilidade do fármaco. auxiliam a solubilização e favorecem a absorção de fármacos lipossolúveis (Toothaker & Welling. 1985). resultando na diminuição da sua disponibilidade. 1994). Roe. Fe2+ e Fe3+). bem como as recomendações quanto a sua administração. Os íons di e trivalentes (Ca2+. o fator mais importante do regime alimentar no metabolismo de compostos ativos é a quantidade de proteína na dieta. 1981. cuja conseqüência dependerá de qual componente apresentar maior afinidade com este sítio.

aumentando ou reduzindo a atuação deste importante sistema enzimático (Anderson et al. ainda. pela interferência do fármaco sobre o metabolismo de um nutriente que. A má absorção primária induzida por medicamentos é uma conseqüência dos efeitos diretos dos agentes farmacológicos sobre a mucosa ou sobre o processo intraluminal (Tabela 2).R. Nutr. o metotrexato e a ciclosporina.L. Desta forma. 1978. diurético de alça. caracterizando má absorção secundária (Yamreudeewong et al. laxativos e antibióticos (Tabela 2) podem causar a perda de nutrientes. zinco e cálcio (Roe. No idoso. Insogna et al. 1982). por deficiência de cálcio (Roe. 1984a. REYES a velocidade do metabolismo do fármaco. potássio e algumas vitaminas. maio/ago.. Trovato et al.G. Nestes casos. Grandes doses de óleo mineral interferem na absorção de vitaminas lipossolúveis (A. Micronutrientes (zinco. D. 1984b). lipídeos. 1994). aliada na maioria das vezes ao sedentarismo.. Trovato et al. A alteração causada pelas substâncias ativas na absorção de nutrientes pode ser primária ou secundária. INTERFERÊNCIA DO FÁRMACO NO ESTADO NUTRICIONAL Os fármacos podem modificar o metabolismo de nutrientes. 1978. Roe.. a deficiência de uma destas substâncias poderá conduzir a anormalidades metabólicas. magnésio. . que danificam a mucosa intestinal. Basile. cálcio e fosfatos está inter-relacionado. Roe. 1982. o requerimento nutricional é diferenciado. 1991). enquanto dieta com baixo teor de proteína e alto teor de carboidrato favorece o efeito oposto (Roe. o uso prolongado de medicamentos pode provocar a perda de nutrientes. MOURA & F. 1995). Roe. Substâncias como antiácidos. Aumento na excreção de minerais ocorre com o uso prolongado ou com a ingestão de altas doses de diuréticos. poderá ocasionar a má absorção de outros (Roe. 1984a). K).. A má absorção secundária é causada pelo pobre O PACIENTE IDOSO A ingestão de nutrientes como proteínas. No tratamento de doenças crônicas. sendo imprescindível o controle do uso de substâncias produtoras de efeitos prejudiciais à nutrição. E. como é o caso do zinco. essencial para enzimas específicas associadas às fases I e II no processo de biotransformação. a suplementação dietética é necessária para restabelecer as condições nutricionais normais do paciente. como. 1980). 1984b).. 1987.. diminuindo a absorção de cálcio (Roe. 2002 .. Estas interações normalmente resultam em alteração do estado nutricional (Trovato et al. β-caroteno. 1980. Hoyumpa & Schenker. a meia-vida plasmática de vários fármacos pode ser alterada em função dos nutrientes oferecidos pela dieta. 1984b).. ou seja. magnésio. da diminuição do metabolismo basal. O uso prolongado de laxativos estimulantes como bisacodil induz o aumento da velocidade do trânsito intestinal e conseqüentemente reduz a absorção de glicose. 1991). enquanto o uso excessivo daqueles que contêm fenolftaleína diminui a absorção de vitaminas C e D (Roe. estado fisiológico ou. Revista de Nutrição Rev. A proteína e outros nutrientes podem influenciar a atividade enzimática do citocromo P450 microssomal hepático no homem. sódio. 15(2):223-238. principalmente. proteína. 1991). O uso excessivo de óleo mineral pode provocar raquitismo em crianças e osteomalacia em adultos. ácido ascórbico e riboflavina) apresentam papel de grande relevância na metabolização hepática de fármacos (Insogna et al.. devido à barreira física e/ou diminuição do tempo de trânsito intestinal (Clark et al. em virtude. 1978. por exemplo.230 | M. acarreta perda de potássio. 1984b. por sua deficiência. O metabolismo da vitamina D. cálcio e fosfatos. minerais e vitaminas em quantidade e qualidade adequadas é importante para a manutenção do estado nutricional. Campinas.R. A furosemida.

elevando o risco de indução da deficiência nutricional (Varma. ↑ aumenta.. precipita sais biliares.. Vitaminas B12. de medidas antropométricas. (1976). podem afetar o estado nutricional do idoso (Varma. Fe. folacina. liga-se com ácidos biliares e nutrientes. Comumente o idoso tem como prática a automedicação. 1985). os minerais. 1994). a instabilidade emocional. Rev. K. D. como. Neuvonen & Turakka (1974) Lipídeos. B12 Provoca perda de apetite. A probabilidade de prescrição medicamentosa para o idoso é maior. ↓ vilosidades intestinais. é preciso monitorar suas necessidades e condições nutricionais. Na. Ca Estimula diretamente a motilidade intestinal. Campinas. vinculados ou não com a idade. Ele pode vir a ingerir de 3 a 10 medicamentos/ dia. 1994). ↓ tempo de permanência. para a preservação da integridade estrutural e funcional de seu organismo. P ↑ pH. a proximidade da família e dos amigos e o abuso de álcool ou de medicamentos (Munro et al. Portanto. o que pode ser feito através de alimentação. as vitaminas. Pellock et al. forma complexos. K. (1985) Lipídeos. D. Schumann. Schumann.. modifica a solubilidade. lipídeos e cálcio ↑ trânsito intestinal. ↑ trânsito intestinal Fenolftaleína Vitaminas A. quando consumidos de forma abusiva. Ca. 1987). 15(2):223-238. Os medicamentos de venda livre ingeridos por ele com freqüência são os laxativos. em virtude do tratamento de doenças crônicas e/ou agudas intercorrentes (Varma. vitaminas A. K. lipídeos Cria barreira física para absorção. ↓ absorção Bisacodil Antibióticos Neomicina Isoniazida Lipídeos. Ca. quando comparada com outras faixas etárias. não sendo adequadamente avaliadas. solubiliza nutrientes. B6 Danifica a mucosa. ↓ tempo de permanência. da avaliação clínica e da análise de fatores socioeconômicos e ambientais. vitaminas A. causam efeitos adversos sobre o apetite e o estado nutricional (Roe. 1994. ↓ absorção no cólon Kirk (1995) Roe (1978) Clark et al. K. Fármacos Antiácidos Hidróxido de alumínio Carbonato de cálcio Bicarbonato de sódio Trisilicato de magnésio Laxativos Óleo mineral Caroteno. ↓ vilosidades intestinais. (1987) Lipídeos. Nutr. de exames bioquímicos. 1994. Problemas de absorção intestinal primária causados por influência de fármacos. ↓ atividade da lipase pancreática Melander et al. Os problemas nutricionais e as reações medicamentosas. 1999). K. 2002 Revista de Nutrição . para alívio dos sintomas relacionados à doença ou a outro problema qualquer de saúde. Cálcio e ferro ↓ absorção por ligações com íons cálcio ou sais de ferro (forma quelatos) Roe (1984b).INTERAÇÃO FÁRMACO-NUTRIENTE | 231 Tabela 2. por exemplo. provoca esteatorréia. maio/ago. os anti-histamínicos. os quais. D. ↓ absorção Roe (1985) Modificações fisiológicas. advêm das alterações próprias do processo de senescência e de fatores diversos (Quadro 2) (Roe. no idoso. E. 1999). os analgésicos e os antiácidos. como as descritas no Quadro 1. Fe. K. Na. colestipol clofibrato Nota: ↓ diminui. ↓ absorção Roe (1985) Perda de nutrientes Mecanismos/efeitos Referências Tetraciclinas Agente Hipocolesterolêmico Colestiramina.

se associados ou não às refeições. além de causar náuseas e vômitos. Medicamentos podem causar um estado nutricional insatisfatório em pacientes idosos por diferentes mecanismos. sendo as mais freqüentes as depleções de vitaminas e de minerais (Flodim. 1984a. (b) confusão mental. Fatores que acarretam problemas nutricionais no idoso. Músculo magro é substituído por gordura (mesmo sem ganho de peso) Ocorrem modificações na atividade enzimática e nos componentes das secreções gástricas Atividade da amilase salivar é freqüentemente reduzida Enzimas de atividade proteolítica podem estar diminuídas Atividades das amilase e lipase pancreáticas podem estar diminuídas Hipocloridria e acloridria são freqüentes Tolerância à glicose tende a diminuir Fluxo sangüíneo renal e velocidade de filtração glomerular estão reduzidas mesmo na ausência de doença renal Quadro 2.G. Fatores que induzem a desnutrição no idoso e alterações decorrentes. possui propriedade anorexígena. Chen et al. Os medicamentos utilizados pelo idoso podem ser mais ou menos absorvidos. Nutr. Na Espanha. Murray & Healy. MOURA & F. 1997). 1985). dependendo das condições de consumo. (d) decisão pessoal. Por outro lado. 23% da população adulta e 21% da população infantil fazem uso da automedicação (Gil Esparza. 1991).. maio/ago. Em contrapartida. (c) diminuição do sensório. Segundo Teresi & Morgan (1994) no ano 2010 metade do total dos medicamentos que a população dos Estados Unidos consumirá não será prescrita diretamente pelo médico. 15(2):223-238.R. REYES Quadro 1.L. Modificações fisiológicas que afetam o estado nutricional do idoso.. bem como do seu estado nutricional (Roe. as quais aumentam as chances da ingestão de vários medicamentos por um longo período de tempo Aplicação errônea de medicamento devido a: (a) falta de informações. as deficiências nutricionais podem ocorrer por indução medicamentosa. ou seja. O uso concomitante com diurético facilita a perda Revista de Nutrição Rev. importante agente terapêutico no tratamento da insuficiência cardíaca congestiva. 1990.232 | M. 2002 . e (f) problemas econômicos Retardo no metabolismo e eliminação de fármacos Uso de medicamentos de venda livre Tomar medicação indicada por terceiros Ingestão de álcool com o medicamento Incompatibilidade alimento-medicamento Interação nutriente-fármaco Necessidade Necessidade Atividade Atividade Hábito Hábito Medicamentos efeitos direto e indireto Absorção alterada Hipo-albuminemia Sistema citocromo P 450 diminuído Doenças Dieta inadequada Desnutrição pH urinário alterado Função imune diminuída Condições socioeconômicas Figura 3.. Cronicidade e multiplicidade das doenças. de acordo com dados do Encontro Nacional de Saúde.R. Campinas. a condição nutricional inadequada pode alterar a ação do fármaco. A digoxina.

Clinical Pharmacology and Therapeutics. FRAGA...E. Química medicinal: as bases moleculares da ação dos fármacos. idade.4.157-188.H.. CONNEY. 1994. idosos e aqueles com estado nutricional insatisfatório. Clinical Pharmacokinetics. LIU.C. New York. S.187-193. os quais ocorrem no dia-a-dia. A. em programas hospitalares. envolvendo este assunto. n. KAPPAS. Medicamentos e suas interações. 493-501. BASILE..B. hábitos de alimentação). v. o idoso representa uma população de grande risco quanto à interação fármaco-nutriente..3. A. estado nutricional. maio/ago. No Brasil. v. n.40. ANDERSON. CONSIDERAÇÕES FINAIS Ao final da década de 90. Em mulheres na menopausa a perda de cálcio aumenta o risco de osteoporose (Roe. K. 1985. COOK NEWELL. Rev. funções fisiológicas. verifica-se uma vasta literatura demonstrando como os constituintes dos alimentos podem influenciar a biodisponibilidade de fármacos e vice-versa. cerceia os riscos advindos das interações entre fármacos e alimentos”. Em síntese. C.E. n.97. magnésio e cálcio.. A. n. BASILE. aguda ou ambas) e do medicamento (eficácia. K.M. universitários e não universitários. Fármaco e alimentos.E. Programas de monitorização ajudariam a detectar e prevenir problemas potencialmente sérios de interação fármaco-nutriente. v. A. não existe um programa de educação e acompanhamento do paciente em hospitais. 2001. modo e tempo de utilização) constitui conduta ética que. A. a exemplo dos Estados Unidos. v. In: SEIZI-OGA. A. AULUS.J. os usuários de medicamentos de uso contínuo. A Figura 3 ilustra fatores que levam à desnutrição suas conseqüências.. A idade exerce uma grande influência no processo farmacocinético do fármaco e.INTERAÇÃO FÁRMACO-NUTRIENTE | 233 não somente de sódio..325-346.3.2. Nutr.C. CHEN. 243p. p.E. Survey of drug use by the elderly and possible impact of drugs on nutritional status. então. Auckland. E. p. Folha Médica. 1988. CONNEY. São Paulo : Atheneu. 1982. Basile (1994) comenta com muita propriedade: “O conhecimento prévio das características do paciente (necessidades.).H. K. KAPPAS.. Influences of diets and nutrition on clinical pharmacokinetics. Rio de Janeiro. n.14. são poucos os hospitais que possuem programa de educação e acompanhamento. efeito e utilização do medicamento (Basile. Drug- -Nutrition. carbohydrate.161-171. Nutritional influences on chemical biotransformations in humans. Implicações clínicas das interferências alimento-medicamento-alimento na geriatria. I.6. Entretanto. 15(2):223-238. com certeza. (Ed. Interaction. 1993). portanto. L. os quais ajudariam muito a equipe de saúde e.H. v. mas também de potássio. Muitos dos efeitos adversos observados ao longo da vida de um indivíduo não são documentados ou. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ANDERSON. C. não se considerando o processo de interação fármaco-nutriente. p. margem de segurança.. Campinas.73-86. 1988. Nos países de Primeiro Mundo. portadores de doenças crônicas degenerativas. p.A. depara-se com a falta de informações de ordem prática. M. ANDERSON. principalmente. and protein. Louis MO. com o objetivo de determinar a extensão destes processos. BARNES. St. as quais acarretam modificações na ação. 1979. da doença (crônica. New York. Nutrition Reviews.. BARREIRO. posologia.6. são simplesmente entendidos como conseqüências do medicamento. p.26. 2002 Revista de Nutrição . 1988). K. Nutrition and oxidative drug metabolism in man: relative influence of dietary lipids. Porto Alegre : Artmed.

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bloqueia a biotransformação enzimática no trato GI. Mg. (1978) Cardiovasculares/diuréticos Digoxina Refeição regular Altera o tempo de trânsito gastrintestinal e a motilidade. ↑ absorção Tetraciclina Refeição regular Administrar 2h antes ou 3h após as refeições Administrar com as refeições Administrar com estômago vazio. (1999) Griseofulvina Isoniazida Retarda o esvaziamento gástrico. ↑ absorção Administrar 2h ou 3h após as refeições Melander et al. 15(2):223-238. vômitos) Administrar 2h ou 3h após as refeições Administrar fora das refeições ↓ incidência dos efeitos colaterais Welling (1977) Johnson et al. Propranolol Dieta hiperprotéica ↓ fase I da biotransformação hepática. Altera a motilidade e o tempo de trânsito no trato GI. Nutr. (1985) Qato & Mohammed (1998) Captopril Nifedipina Refeição regular Dieta hiperlipídica terapêutico ↑ a velocidade e a extensão da absorção. iogurte. ↓ absorção Retarda o esvaziamento gástrico. tonteira. ↓ absorção Retarda o esvaziamento gástrico. Ca complexação com cátions divalentes Dieta hiperlipídica Refeição regular ↑ excreção de sais biliares. alimentos ↓ absorção por ricos em Fe. a liberação e a dissolução. Zn. ↓ a solubilidade e a absorção. dieta hiperlipídica Ampicilina Ciprofloxacina Refeição regular Leite. (1991) Roe (1984) Eritromicina -base e estearato Refeição regular. ↓ absorção Leite.. ↑ solubilidade. alimentos ↓ absorção por ricos em Fe. 2002 Revista de Nutrição .INTERAÇÃO FÁRMACO-NUTRIENTE | 237 AANEXOO NEX INFLUÊNCIA DOS ALIMENTOS/NUTRIENTES NO PROCESSO DE ABSORÇÃO E DE BIOTRANSFORMAÇÃO DE FÁRMACOS Fármacos Antimicrobianos Rifampicina Alimentos/Nutrientes Mecanismos/Efeitos Recomendações Referências Refeição regular Retarda o esvaziamento gástrico. iogurte. se tolerado Welling (1977. (1989) Kirk (1995) Welling (1984) Neuvonen et al. cria barreira física. maio/ago. Campinas. ↓ velocidade de absorção ↓ absorção. etc. Mg. (1978) Ohman et al. (1985) Rev.). a liberação e a dissolução. ↑ absorção Hidralazina Refeição regular ↓ 1 passo do o Administrar 2h ou 3h após as refeições Liedholm et al. (1977) Melander et al. ↑ pH gástrico. (1990) metabolismo. reduzindo e retardando o nível sérico do antibiótico Cefalosporinas Refeição regular Administrar 2h antes ou 3h após as refeições McCraken et al. Ca complexação com cátions divalentes Retarda o esvaziamento gástrico. ↓ absorção Administrar 2h antes ou 3h após as refeições Administrar 2h antes ou 3h após as refeições ou usar preparações que não são afetadas pelos alimentos Administrar 1h antes ou 2h após as refeições Administrar 2h antes ou 3h após as refeições Administrar 2h antes ou 3h após as refeições Zent & Smith (1995) Welling (1984) Randinitis et al. 1984) Kirk (1995) Thomas (1995) Self et al. ↑ incidência de efeitos colaterais (dor de cabeça. ↑ fluxo sangüineo esplâncnico. ↓ efeito Administrar 2h antes ou 3h após as refeições ↓ os efeitos colaterais (náuseas. a liberação e a dissolução..

Monitorar a resposta clínica Kempster & e evitar dietas Wahlqvist (1994) hiperprotéicas se oportuno Antipiréticos. Campinas.G. 15(2):223-238. ocorrendo saturação enzimática e prejudicando etapas de biotransformação e eliminação Ingestão moderada de cafeína Sato et al. acetilsalicílico Refeição regular. MOURA & F. ↓ a velocidade e a extensão da absorção Retarda a absorção. Revista de Nutrição Rev. outras bebidas contendo cafeína Parte da cafeína é convertida em teofilina com ↑ da sua concentração. a recomendação (1992) clínica é de administrar com alimentos para ↓ irritação gástrica Administrar com alimentos para ↓irritação gástrica Administrar 2h antes ou 3h após as refeições Halsas et al.L. ↓ a liberação e a dissolução.R. REYES Fármacos Broncodilatadores Teofilina Alimentos/Nutrientes Mecanismos/Efeitos Recomendações Referências Dietas hiperprotéicas e hipoglicídicas ↑ atividade do citocromo P450. ↓ a velocidade e a extensão da absorção Apesar da diminuição da Harrison et al. analgésicos e antianti -inflamatórios Ac. vegetais Modifica pH gástrico. leite. (1995) Nota: Nota ↓ diminui.R.. 2002 . Administrar com estômago vazio Dupuis et al. absorção. ↑ produção de bile. Nutr. chá.. (1992) Ibuprofeno Paracetamol Refeição regular Dietas hiperlipídicas Anticonvulsivantes Fenitoína Refeição regular e dieta hiperlipídica Retarda o esvaziamento gástrico. (1993) Imunossupressores Metotrexato (MTX) Desjejum ↓ a velocidade e a extensão da absorção. favorecendo a dissolução. ↓ meia-vida plasmática do medicamento.238 | M. ↑ aumenta. ↓solubilidade. ↓ tempo de efeito Ingerir dieta equilibrada Anderson et al. (1993) Antiparkinsonianos Levodopa Dieta hiperprotéica Há competição entre o fármaco e aminoácidos pela absorção através da mucosa intestinal e do cérebro. maio/ago. (1979) Teofilina Café. (1999) Wessel et al. e ↑absorção Administrar com as refeições ou com leite para prevenir irritação gastrintestinal Hamaguchi et al.

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