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Docente: Elke J. B. N. Cardoso


Disciplina: Microbiologia e biotecnologia do
solo
Prática do dia 13 de Abril de 2011.



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A biomassa microbiana do solo é definida como a parte da matéria
orgânica constituída pelos micro-organismos vivos, englobando Bacteria,
Archeae, Fungi e Protoctista, mas também alguns do Reino Animalia, como os
nematóides. É expressa em microgramas (ȝg) de carbono por grama de solo
seco, sendo avaliada por diversos métodos. Operacionalmente, a BMS atua
como agente de transformação da matéria orgânica, na c iclagem de nutrientes
e no fluxo de energia (WARDLE E GILLER, 1996; MARCHIORI JÚNIOR E
MELO, 1999). A dupla função da BMS, de fonte/dreno de nutrientes e de
catalisador pela execução de processos enzimáticos no solo, é amplamente
aceita (DUXBURY ET AL., 1989; TEMPLER ET AL., 2003). A BMS
compreende uma fonte potencial de N, P, S e outros nutrientes para as plantas,
e os fluxos através do reservatório microbiano podem ser de particular
relevância no solo (DE-POLLI E GUERRA, 1999; KOUNO ET AL., 2002 ).
Através da rápida imobilização de nutrientes, que pode reduzir a
disponibilidade de nutrientes para as plantas, a BMS funciona como dreno
competitivo (DUXBURY ET AL., 1989).
Constituindo a maior parte da fração ativa da matéria orgânica, a BMS
pode ser enquadrad a como o compartimento central do ciclo do carbono,
sendo mais sensível que o resultado quantitativo do C orgânico e do N total
para aferir alterações na matéria orgânica do solo ( GAMA-RODRIGUES, 1999).
A relação Cmicro-organismos : Corgânico total do solo aumenta e diminui rapidamente
conforme ocorram elevação ou redução da matéria orgânica do solo num
sistema ecológico, e a constância dessa relação indica o novo equilíbrio desse
sistema (ANDERSON; DOMSCH, 1989). Como parâmetro ecológico, a
avaliação da BMS permite obter informações rápidas sobre mudanças nas
propriedades orgânicas do solo, detectar mudanças causadas por cultivos ou
por devastação de florestas, medir regeneração dos solos após a remoção da
camada superficial, e avaliar os efeitos dos polue ntes como metais pesados e
pesticidas entre outros (FRIGHETTO, 2000).
Os métodos da microscopia direta, do trifosfato de adenosina, da
respiração induzida pelo substrato, da fumigação -incubação e da fumigação-
extração são os mais utilizados para quantifica ção da BMS, destacando-se os
dois últimos.
Convém mencionar a técnica de análise de PLFAs (phospholipid fatty
acids) totais extraídos para estimar a BMS, que tem gerado valores
proporcionais aos obtidos por outros métodos ( FRITZE ET AL., 2000; BAILEY
ET AL., 2002; FIERER ET AL., 2003 ).
Além das conclusões que se pode tirar a partir dos dados de BMS ,
quando estes dados são utilizados em conjunto com os da respiração
(produção de CO 2 em ȝg CO2. g-1 solo seco. h-1) pode-se calcular o quociente
metabólico CO2, muito utilizado na ecologia microbiana. Este representa a
quantidade de C-CO2 evoluída por unidade de C microbiano (ȝg CO 2. g-1.mg de
C-biomassa. h -1). Diversos trabalhos têm demonstrado este índice pode
contribuir para a avaliação da qualidade dos solos, pois indica o nível de
estresse da biomassa (MOREIRA; SIQUEIRA, 2006).

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O objetivo desta aula prática foi avaliar quanto do carbono presente em


amostras de terra, provenientes de diferentes tipos de manejo, é derivado dos
micro-organismos, sendo assim estimada a biomassa microbiana dos dois
diferentes solos.

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O carbono da biomassa microbiana foi determinado utilizando -se o


método de fumigação e extração (VANCE; BROOKES; JENKINSON, 1987).
Foram pesadas e colocadas em frascos de vidro duas sub-amostras de 10 g de
terra úmida. Uma das sub-amostras sofreu fumigação com clorofórmio (CHCl 3 )
livre de etanol por um período de 24 horas e a outra sub -amostra não sofreu
fumigação (controle). Ambas subamostras sofreram extração do carbono com
40 mL de K 2SO4 (0,5 mol L-1) sob agitação a 200 rpm por 30 minutos. As
suspensões foram filtradas com papel de filtro. O carbono orgânico contido no
filtrado foi determinado por oxidação com dicromato de potássio 66,7 mmol L-1
(K2Cr2O7) em meio fortemente ácido e titulação com sulfato ferroso amoniacal
padronizado, na presença do indicador difenilamina sulfanato de bário (1%). O
cálculo do carbono da biomassa microbiana foi efetuado por meio da fórmula:
C-biomassa = (Cf-Cnf)/kc, sendo Cf (C da subamostra fumigada, em mg kg-1),
Cnf (C da subamostra não fumigada, em mg kg -1) e kc (fator de correção, 0,4)
(ROSCOE et al., 2006).

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Verificou-se que a biomassa microbiana foi superior em amostras de


solo de área nativa (floresta nativa) do que agrícola (tabela 1; figura 1). Nas
áreas sob vegetação nativa, dentre os fatores responsáveis por condições mais
favoráveis à biomassa microbiana, destacam-se: ausência de preparo do solo
(não há revolvimento do solo) e maior diversidade florística (Bandick & Dick,
1999). Além de favorecer a preservação das hifas fúngicas e o acúmulo da
serapilheira na superfície do solo (propiciando a ocorrência de menor variação
e de níveis mais adequados de temperatura e umidade), a ausência de
revolvimento do solo também resulta em maior presença de raízes, as quais
aumentam a entrada de substratos carbonados no sistema, via exudatos
radiculares (Bopaiah & Shetti, 1991). A diversidade florística das áreas nativas
e a presença de vegetação durante todo o ano influenciam a produção
(quantidade) e a qualidade da serapilheira. O somatório desses fatores
contribui para a ocorrência de maiores níveis de biomassa nessas áreas,
comparativamente às áreas sob cultivo.

Tabela 1. Quantidade de carbono presente na biomassa microbiana em solos de área nativa e agrícola
(ȝg C. g-1 solo seco).

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1 Área nativ a
Área agríc ola








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Figura 1. Quantidade de carbono presente na biomassa microbiana em solos de área nativa e agrícola
(ȝg C. g-1 solo seco).

Como já visto, os teores de carbono da biomassa microbiana foram


menores em áreas de cultivo agrícola, pois se sabe que nestas áreas há menor
diversidade florística, o que desfavorece o desenvolvimento de uma maior
diversidade microbiana. Além disto, em solos agrícolas são utilizados métodos
de cultivos, como por exemplo, o preparo do solo que é efetuado com aração e
gradagem (preparo convencional) resultando na incorporação dos restos
culturais no perfil. Esta movimentação do sistema edáfico faz com que o
resíduo (de uma ou poucas fontes vegetais) seja mais rapidamente
decomposto pela maior oxigenação do solo e por organismos que tem o
crescimento rápido de população na presença de materiais orgânicos lábeis,
prejudicando os grupos que crescem mais lentamente, porém tem extrema
importância para o sistema . Essa movimentação do solo faz com que as
propriedades físicas do sistema sejam alteradas, destruindo agregados e
micro-agregados e, inclusive, arrebentando hifas fúngicas que estabilizam
estes agregados.
Assim, microbiota do solo, que representa a parte viva e mais ativa da
matéria orgânica do solo, possui grupos que são bastante sensíveis à essas
perturbações nos sistemas, por isto as comunidades mircrobianas destes
solos, em seu equilíbrio, têm menor biomassa microbiana do que em solos de
áreas nativas.

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Houve maior quantidade de carbono na biomassa microbiana em solos


de área nativa do que em solos de área agrícola.

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