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Descrição e interpretação da

atividade cognoscitiva
Estrutura do ato de
conhecer
Os problemas do
conhecimento
GNOSIOLOGIA
TEORIA DO
CONHECIMENTO

Estudo do conhecimento – estudo das


relações entre o sujeito e o objeto,
procurando esclarecer e analisar
criticamente os problemas que essas
relações suscitam

Origem, natureza, possibilidade e


limites do conhecimento
ALGUMAS QUESTÕES
GNOSIOLÓGICAS

O que é o conhecimento?
Que tipos de conhecimento existem?
Quais as fontes do conhecimento?
Qual a origem do conhecimento?
Será que o conhecimento é possível?
Qual o fundamento do conhecimento?
CONHECIMENTO

Um SUJEITO apreende um
OBJETO

Aquele que Aquilo que é


conhece conhecido

CORRELAÇÃO: o sujeito só é sujeito em relação a um objeto e


este só é objeto em relação a um sujeito

INTERAÇÃO: o sujeito interage com a realidade, e é


desse processo que o conhecimento emerge

Representar o objeto é também, em certa medida,


construí-lo
ATO DE CONHECIMENTO

É inseparável de um contexto

Existem Existe uma


diferentes tipos pluralidade
de de experiências
conhecimentos

EXPERIÊNCIA: Apreensão, por parte de um sujeito, de uma


realidade, um modo de fazer,
uma maneira de viver, constituindo, em muitos casos, um
modo de conhecer algo imediatamente antes de todo o juízo
que se formula sobre aquilo que se apreende.
TIPOS DE CONHECIMENTO

SABER-FAZER SABER-QUE CONHECIMENTO


(conhecimento (conhecimento POR CONTACTO
por proposicional)
aptidão ou
saber-como)

Conhecimento Conhecimento Conhecimento


prático ou de proposições direto de alguma
conhecimento ou pensamentos realidade
de atividades verdadeiros

Exemplo: saber Exemplo: saber Exemplo:


cozinhar que «2 + 2 = 4» conhecer Paris

O saber-que também se designa por conhecimento factual,


podendo ser expresso com outras locuções: por exemplo,
«sei onde», «sei quando», «sei quem»
SUJEITO INTERAÇÃO OBJETO

Aquele que Conhecimento Aquilo que é


conhece conhecido

Saber-fazer Conhecimento Saber-que


por contacto
O que é o O que é a
conhecimento? realidade?

Ser REALIDADE Seres em


particular geral

• o que é ou existe (o ser, o existente);


• o que se opõe ao aparente ou ilusório;
• o que não é potencial ou apenas possível, mas sim atual;
• o que se opõe ao nada, ao não-ser;
• o que existe independentemente do sujeito que o pensa ou conhece;
• o que nos é dado na experiência em geral;
• o que é (ou pode ser) esclarecido pelo conhecimento científico.
Definição tradicional
de conhecimento
CONHECIMENTO
PROPOSICIONAL (SABER-QUE)
Proposições Proposições
verdadeiras falsas

Relação adequada No conhecimento proposicional verifica-


entre o sujeito
cognoscente e a se uma relação entre um sujeito e um
realidade objeto

SUJEITO CRENÇA OBJETO

Saber é acreditar Atitude de adesão a O verdadeiro e o


naquilo que se sabe uma determinada falso de qualquer
proposição, crença dependem de
tomando-a como algo exterior à
verdadeira própria crença

A crença é uma condição necessária do conhecimento. Mas as crenças podem ser


verdadeiras ou falsas.
DEFINIÇÃO TRADICIONAL DE CONHECIMENTO
CONDIÇÕES DO CONHECIMENTO

CRENÇA VERDADE JUSTIFICAÇÃO

S dispõe de
S acredita que Pé justificação ou
P verdadeira provas para
acreditar que P

S sabe que P se, e


só se:
CONHECIMENTO – DEFINIÇÃO TRIPARTIDA

CRENÇA VERDADEIRA JUSTIFICADA

PLATÃO – DIÁLOGO TEETETO

Todas as três Crença, verdade e


condições são justificação: condições
necessárias para necessárias e suficientes
que haja para que haja
conhecimento. conhecimento
Consideradas
isoladamente,
nenhuma delas é
suficiente
Críticas à Definição
Tradicional de
Conhecimento
EDMUND GETTIER

Contraexemplos à definição de
conhecimento como crença verdadeira
justificada

Pode haver crenças verdadeiras justificadas sem que tais


crenças equivalham a um efetivo conhecimento. É possível que
alguém não possua conhecimento, ainda que sejam realizadas
as três condições: crença, verdade e justificação.

Pode haver crenças verdadeiras que são justificadas apenas


acidentalmente, em resultado da sorte, do acaso ou da mera
coincidência.
Fontes de conhecimento
FONTES DE CONHECIMENTO

JUSTIFICAÇÃO DO
CONHECIMENTO

PENSAMENTO Perguntar pela fonte do


SENTIDOS
OU RAZÃO (EXPERIÊNCIA
conhecimento equivale, SENSÍVEL)
a perguntar pela forma
Juízos a priori como é possível Juízos a
conhecer a verdade de posteriori
Exemplo: um determinado juízo
«5 + 5 = 10» ou pela justificação que Exemplo:
apresentamos para «O Sol brilha»
esse conhecimento

Juízos cuja verdade pode ser conhecida Juízos cuja verdade só pode ser conhecida
independentemente de qualquer experiência, através da experiência sensível
tendo, portanto, origem no pensamento ou
razão
Não são estritamente universais (não são
verdadeiros sempre e em toda a parte) e
São universais (são verdadeiros sempre e em são contingentes – são verdadeiros, mas
toda a parte) e necessários (negá-los poderiam ser falsos, e negá-los não implica
implicaria entrar em contradição). entrar em contradição.
MODOS DE CONHECIMENTO

Conhecimento a Conhecimento a
priori posteriori

Baseia-se em juízos a priori, tendo a sua fonte Baseia-se em juízos a posteriori, tendo a sua
ou origem apenas no pensamento ou na origem na experiência. É o conhecimento
razão. É justificado pela razão e não pela empírico, justificado pela experiência.
experiência.

Todos os corpos são O Manuel é alto.


extensos. A chuva molha.
A=A Todos os corpos são
2+2=4 pesados.

Todo o conhecimento começa com a


experiência, mas nem todo deriva da
experiência , segundo Kant.
Análise comparativa de duas
teorias explicativas do
conhecimento
Origem do
conhecimento
ORIGEM DO CONHECIMENTO

RACIONALISMO EMPIRISMO
(Racionalismo do século (Empirismo inglês do século
XVII) XVIII)

Filósofos:
Será que todo o nosso Filósofos:
René Descartes
conhecimento provém John Locke
(1596-1650)
da experiência? (1632-1704)
Bento de Espinosa
Ou será que provém David Hume
(1632-1677)
também da razão? (1711-1776)
Ou procederá de ambas
estas fontes, mas tem
maior importância
quando provém de uma
do que de outra?
RACIONALISMO

Desconfiança
Ideias inatas: dos sentidos:
As ideias Eles são fonte
A razão (entendimento) é a
fundamentais de crenças
fonte principal do
já nascem confusas e,
conhecimento.
connosco muitas vezes,
incertas
A razão é fonte de um
conhecimento totalmente
Intuição e independente da experiência Otimismo
dedução: sensível – a priori, necessário racionalista:
As ideias
e universal. A matemática Há uma
fundamentais correspondênci
descobrem-se constitui o modelo do
conhecimento a entre
por intuição
pensamento e
intelectual. O
conhecimento
realidade. Toda
constrói-se de a realidade
forma dedutiva O sujeito impõe-se ao pode ser
objeto através das noções conhecida
e princípios evidentes
que traz em si
Rejeição do EMPIRISMO
inatismo:
Não existem
ideias, John Locke:
conhecimentos O conhecimento
ou princípios
A experiência é a fonte
encontra-se limitado
inatos. O principal do pela experiência
entendimento conhecimento. (externa ou interna),
assemelha-se a
uma página em
ao nível da sua:
branco Todas as ideias têm uma base
empírica, até as mais
complexas. O conhecimento
do mundo obtém-se através Extensão: o Certeza: as
Significado da de impressões sensoriais. entendiment certezas de
experiência: o é incapaz que
É nela que o de dispomos
conhecimento ultrapassar referem-se
tem o seu os limites apenas
fundamento e impostos àquilo que
os seus limites pela se encontra
experiência dentro dos
O objeto impõe-se ao limites da
sujeito. experiência
Possibilidade do
conhecimento
Possibilidade do
conhecimento

Será que o sujeito apreende efetivamente o


objeto? Será que o conhecimento é possível?

SIM NÃO

DOGMATISMO CETICISMO
DOGMATISMO

QUATRO ACEÇÕES DO TERMO

Posição própria Confiança de Submissão, sem Exercício da


do realismo que a razão exame pessoal, a razão, em
ingénuo – pode atingir a certos princípios domínios
ausência de certeza e a ou à autoridade metafísicos, sem
exame crítico verdade de que provêm uma crítica
das aparências prévia da sua
capacidade

É o dogmatismo O conhecimento Expressando Opõe-se ao


ingénuo. Não é possível. Esta uma ausência de criticismo (Kant)
coloca o perspetiva opõe- espírito crítico,
problema do se ao ceticismo. o termo adquire
conhecimento. aqui um sentido
Não ocorre pejorativo.
propriamente na
filosofia
CETICISMO

Não é possível ao sujeito apreender, de um modo


efetivo ou então de um modo rigoroso, o objeto
Pode haver
apenas um Ceticismo
ceticismo Ceticismo
localizado, que absoluto ou mitigado ou
incide sobre um radical moderado
conhecimento
determinado: por
exemplo, o
conhecimento
metafísico –
ceticismo
metafísico
Pirro de Élis Arcesilau
(c. 365-275 a. C.) (c. 315-241 a. C.)
O Racionalismo de
Descartes
RENÉ DESCARTES
(1596-1650)

Filósofo racionalista

A razão a fonte principal do conhecimento:


fonte do conhecimento universal e necessário

Procurou na razão os fundamentos do


conhecimento

Tentativa de superação dos argumentos dos céticos


radicais
Proposições da matemática

Têm origem exclusivamente racional e a


priori

Método inspirado na matemática

REGRAS DO MÉTODO

Evidência Análise Síntese Enumeração /


revisão

Não aceitar nada como Dividir cada uma Começar pelo Fazer enumerações
verdadeiro se não se das dificuldades mais simples e tão completas e
apresentar à em partes, para fácil de revisões tão gerais,
consciência como claro melhor as compreender e que tivesse a certeza
e distinto, sem resolver subir de nada omitir
qualquer margem para gradualmente
dúvidas para o mais
complexo
REGRAS DO MÉTODO

Permitem guiar a razão (o bom senso), orientando duas


operações fundamentais:

Intuição Dedução

Ato de apreensão Encadeamento de


direta e imediata intuições,
de noções simples, envolvendo um
evidentes e movimento do
indubitáveis pensamento,
desde os princípios
evidentes até às
consequências
necessárias
DÚVIDA
Se alguma
Recusar todas as crenças em que se note a crença resistir à
mínima suspeita de incerteza dúvida, então
ela poderá ser a
base ou o
fundamento
É um instrumento da luz natural ou razão, para as
posto ao serviço da verdade restantes.

RAZÕES QUE JUSTIFICAM A DÚVIDA

Por causa dos Porque os Porque não Porque alguns Porque pode
preconceitos e sentidos são dispomos de um seres humanos se existir um deus
dos juízos muitas vezes critério que nos enganaram nas enganador, ou
precipitados que enganadores: permita discernir demonstrações um génio
formulámos na convém fazer de o sonho da vigília matemáticas maligno, que
infância conta que nos sempre nos
enganam sempre engana

Esta hipótese equivale a admitir que o entendimento


humano é de tal natureza que se engana sempre, mesmo
quando pensa captar a verdade
CARACTERÍSTICAS
DA DÚVIDA

Metódica e provisória Hiperbólica Universal e radical

É um meio para atingir Rejeita como se fosse Incide não só sobre o


a certeza e a verdade, falso tudo aquilo em conhecimento em
não constituindo um que se note a mínima geral, como também
fim em si mesma. suspeita de incerteza. sobre os seus
fundamentos e as suas
raízes.
DÚVIDA

EXERCÍCIO VOLUNTÁRIO SUSPENSÃO DO JUÍZO

FUNÇÃO DA DÚVIDA

Tem uma função catártica, já que liberta o espírito dos erros que o
podem perturbar ao longo do processo de indagação da verdade.

Abre caminho à possibilidade de reconstruir, com fundamentos sólidos,


o edifício do saber.
Dúvida – ato
livre

Ser que «Penso, logo


Cogito –
pensa e existo.»
verdade
duvida («Cogito,
incontestável
ergo sum.»)

Afirmação da
minha
existência
CARACTERÍSTICAS DO COGITO

É um princípio evidente e indubitável, uma certeza inabalável.

Obtém-se por intuição, de modo inteiramente racional e a priori.

Serve de modelo do conhecimento: fornece o critério de verdade.

É uma crença fundacional relativamente a todo o sistema do saber.

Apresenta a condição da dúvida e impõe uma exceção à sua universalidade.

Revela a natureza ou a essência do sujeito: o pensamento ou alma.

Refere-se a toda a atividade consciente, distinguindo-se do corpo. A alma é conhecida


antes do corpo e de tudo o resto, de forma bastante mais fácil.
CRITÉRIO DE VERDADE

CLAREZA DISTINÇÃO

Separação de uma
ideia relativamente a
EVIDÊNCIA
Presença da ideia ao outras: não lhe estão
espírito. associados elementos
que não lhe
pertençam.

Ainda não afastámos a hipótese do deus enganador. Necessitamos de demonstrar a


existência de um deus que não nos engane.
SER IMPERFEITO: possuir o saber é uma
SUJEITO PENSANTE
perfeição maior do que duvidar.

Dispõe de ideias Tipos de ideias

Adventícias Factícias Inatas

Têm origem na São fabricadas pela São ideias


experiência sensível. imaginação. constitutivas da
própria razão.

Exemplos: ideias de Exemplos: ideias de Exemplos: ideias de


árvore, cebola, sereia, unicórnio, pensamento,
relógio. dragão. existência, ser
perfeito; ideias
matemáticas.
IDEIA DE SER PERFEITO : noção de um ser
omnisciente, omnipotente e sumamente bom.

PROVAS DA EXISTÊNCIA DE DEUS

1.ª prova 2.ª prova 3.ª prova

Argumento Argumento da marca A causa da existência


ontológico: na ideia de impressa: a causa que do ser pensante e
ser perfeito estão faz com que a ideia de imperfeito não é ele
compreendidas todas ser perfeito, que próprio. De contrário,
as perfeições; a representa uma daria a si próprio as
existência é uma substância infinita, se perfeições de que tem
dessas perfeições; encontre em nós não ideia. Além disso,
logo, Deus existe pode ser outro ser como o sujeito finito
necessariamente. O senão Deus, que não possui o poder de
facto de existir é possui todas as se conservar no seu
inerente à essência de perfeições próprio ser, o seu
Deus. representadas nessa criador e conservador
ideia. é Deus (causa sui).
É um ser perfeito e não é É infinito, a fonte do bem e
enganador. da verdade.

É a garantia da verdade É omnipotente, eterno e


objetiva das ideias claras e omnisciente.
distintas.
Embora criador do
É o criador das verdades DEUS Universo, não é autor do
- a sua
eternas, a origem do ser e mal nem responsável pelos
importância
o fundamento da certeza. no sistema
nossos erros.
cartesiano
Garante a adequação entre É o princípio do ser e do
o pensamento evidente e a conhecimento.
realidade.
Permite superar os
Legitima o valor da ciência argumentos dos céticos
e confere objetividade ao radicais e provar a
conhecimento. existência do mundo
exterior.
TEORIA DO ERRO

No erro intervêm:

ENTENDIMENTO VONTADE

Dá ou não o
consentimento aos
Formula juízos. juízos que o
entendimento
formula.

Erramos quando se verifica uma precipitação da vontade - quando usamos mal a


liberdade e damos o consentimento a juízos que não são evidentes.
Três tipos de
substâncias e seus
atributos essenciais

Substância pensante Substância extensa Substância divina


(res cogitans) (res extensa) (res divina)

Pensamento Extensão Vários atributos, todos


eles numa perfeição
infinita.

Alma Corpo Qualidades objetivas

Qualidades subjetivas
Ser humano
(não estão presentes nos
corpos)
Fundacionalismo de Descartes

Ideias inatas
– conhecimento claro e distinto

Principais verdades:
- a existência do pensamento (alma), traduzida no cogito;
- a existência de Deus, ser perfeito, com os atributos respetivos;
- a existência de corpos extensos em comprimento, largura e altura.

O fundamento do conhecimento é o cogito, enquanto crença básica ou


fundacional e primeira verdade, e outras ideias claras e distintas da razão.

Todavia, este fundamento do conhecimento depende daquele que é o


princípio de toda a realidade: Deus.

CÍRCULO CARTESIANO: o facto de a ideia que temos de Deus ser clara e


distinta garante-nos que Deus existe; mas é Deus quem garante a verdade e a
objetividade das ideias claras e distintas.
O empirismo de Hume
DAVID HUME
(1711-1776)

Filósofo empirista

O conhecimento deriva fundamentalmente da


experiência.

Todas as crenças e ideias têm uma base empírica, até


as mais complexas.

É na experiência que deve ser procurado o


fundamento do conhecimento.
Elementos do conhecimento

Perceções

Grau de Ideias
Impressões maior força e menor
(pensamentos)
vivacidade

São as representações
das impressões, ou as
São as perceções mais suas imagens
vívidas e fortes, como enfraquecidas.
As ideias derivam das
as sensações, emoções Exemplo: a memória
impressões, são cópias
e paixões. da cor de uma flor.
delas.
Exemplo: a cor de uma (As ideias da memória
flor. são mais fortes e
vívidas que as da
imaginação.)
Não existem ideias
inatas.
Ideias
Impressões
(pensamentos)
Simples

Exemplo: Exemplo:
Não admitem qualquer
sensação visual de um memória de um tom
separação ou divisão.
tom de verde. de verde.

Podem ser divididas em


partes, resultando da Exemplo:
Exemplo:
combinação das pensar numa certa
ver uma certa maçã.
impressões ou das ideias maçã.
simples.

Complexas

Ideias simples derivam de impressões simples, mas muitas ideias complexas não resultam de impressões complexas.

A ideia de Deus, por exemplo, referindo-se a um Ser infinitamente inteligente, sábio e bom, é uma ideia complexa
que tem por base ideias simples que a mente e a vontade compõem, elevando sem limite as qualidades de bondade
e sabedoria. Nenhum objeto da experiência sensível lhe corresponde.
Tipos ou modos de
conhecimento
Não estão A sua
dependentes justificação
RELAÇÕES DE QUESTÕES DE
do confronto encontra-se na
com a IDEIAS FACTO experiência
experiência. sensível.
Conhecimento a Conhecimento a
priori, traduzido posteriori,
em proposições traduzido em
São sempre necessárias. proposições
verdadeiras, em contingentes.
quaisquer
circunstâncias. Verdades Poderiam ter
Verdades
Negá-las implica necessárias. sido falsas.
contingentes.
contradição. Exemplo: Exemplo: «As
Negá-las não
São os «2 + 4 = 6.» implica
estrelas cintilam.»
conhecimentos contradição.
da lógica e da
matemática. Os conhecimentos a priori nada nos dizem de substancial acerca do mundo.

A distinção entre relações de ideias e questões de facto é, de certa maneira,


equivalente à distinção entre juízos analíticos e juízos sintéticos (a posteriori).
Princípios de associação de ideias

Semelhança Contiguidade no Causalidade


tempo e no espaço (causa e efeito)

Exemplo: Exemplo: Exemplo:


uma ave desenhada a recordação de uma o vinho que se bebeu
num papel faz lembrar festa de aniversário em excesso (causa) faz
uma ave que vemos leva à recordação dos pensar nas
voar. amigos que estavam desagradáveis
presentes. consequências que daí
advirão (efeito).
CAUSALIDADE E INDUÇÃO

Factos que esperamos que se


verifiquem no futuro…

…têm por base uma inferência causal.

Inferências de carácter indutivo


(indução como previsão).

Exemplo:
Até hoje, sempre o calor dilatou os corpos. Logo, isso irá
igualmente verificar-se amanhã.
CONEXÃO NECESSÁRIA?

RELAÇÃO DE CAUSA E EFEITO

É geralmente entendida como uma conexão necessária.

Mas não dispomos de qualquer


impressão relativa à ideia de conexão
necessária entre fenómenos.

As certezas relativas
A única coisa que percecionamos é que aos factos futuros
entre dois fenómenos se verifica uma têm só um
conjunção constante. fundamento
psicológico: o hábito
ou costume.
Conhecimento O conhecimento acerca dos factos futuros
a posteriori e é apenas suposição ou probabilidade,
não a priori. assentando na expectativa.

O hábito é um guia imprescindível da vida prática,


mas não constitui um princípio racional.
Apenas se pode aceitar quando é
Inferência causal
estabelecida entre impressões.

Algo de que nunca tenhamos tido qualquer impressão.

MUNDO (REALIDADE
EU DEUS
EXTERIOR)

A crença na Não temos O que concebemos


identidade, na experiência ou como existente
unidade e na impressão de uma também o podemos
permanência do eu é realidade exterior e conceber como não
apenas um produto da independente das existente. Por outro
imaginação, não nossas impressões. Só lado, Deus não é
sendo possível afirmar a coerência e a objeto de qualquer
que existe o eu como constância de certas impressão. Os
substância distinta em perceções é que nos argumentos
relação às impressões levam a acreditar tradicionais deixam de
e às ideias. nessa realidade ter sentido.
externa.
Relativo às teorias
metafísicas: elas
Fundacionalismo de Hume procuram
ultrapassar
o âmbito da
Empirismo experiência e da
observação, o que
Hume considera
Ceticismo inaceitável.
Fenomenismo

Mitigado ou
moderado: Hume
Só conhecemos as A crença na reconhece as
perceções, pelo que a existência de algo para limitações
realidade acaba por se lá dos fenómenos das nossas
reduzir aos carece de capacidades
fenómenos. fundamento. A cognitivas e a
capacidade cognitiva nossa propensão
do entendimento para o erro.
humano limita-se ao
âmbito do provável.
Crenças básicas para um empirista: crenças de que se está Baseiam-se nas
a ter estas ou aquelas experiências. impressões dos sentidos.
Contraposição
Descartes e Hume
ANÁLISE COMPARATIVA DAS TEORIAS DE DESCARTES E HUME
DESCARTES HUME
A experiência é a fonte principal do conhecimento e
A razão é a fonte principal do conhecimento – Origem do todas as ideias têm uma origem empírica –
racionalismo. conhecimento empirismo.

Há ideias factícias, adventícias e inatas. A partir das Não há ideias inatas. As ideias associam-se por
Operações da semelhança, contiguidade no tempo e no espaço e
ideias inatas, obtém-se o conhecimento (por
intuição e dedução).
mente e ideias causalidade. Sublinha-se o papel do raciocínio
indutivo.

Descartes adotou um ceticismo metódico. Mas, A capacidade cognitiva do entendimento humano


Possibilidade do limita-se ao âmbito do provável (ceticismo mitigado).
porque depositava inteira confiança na razão,
conhecimento Nada podemos conhecer para lá do âmbito da
poderá ser enquadrado no âmbito do dogmatismo.
experiência (ceticismo metafísico).

Não encontramos qualquer princípio que confira


Podemos ter ideias claras e distintas dos atributos Perspetivas unidade e conexão às perceções. Não temos
essenciais de três tipos de substâncias: pensante,
metafísicas impressões do eu pensante, de uma realidade
extensa e divina.
exterior, de Deus.

O fundamento do conhecimento encontra-se na O fundamento do conhecimento encontra-se nas


razão: é o cogito e outras ideias claras e distintas. Fundamentação impressões dos sentidos. É a crença básica de que se
Mas tal fundamento depende do princípio de toda a do conhecimento está a ter determinada experiência que justifica as
realidade: Deus. crenças obtidas através dela.

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