Você está na página 1de 4

A DESIGUALDADE SOCIAL BRASILEIRA: Uma questão em

debate

A desigualdade social é marca importante da nossa sociedade, característica


basilar da estrutura social brasileira. (Bock, 2010; Reis, 2000; Scalon, 2005)

Raiz histórica – condição colonial – uso do trabalho escravo, da monocultura da


produção, monopólio da terra.
Tendência dicotômica – como se a desigualdade se restringisse somente as
diferenças na distribuição da renda.
Em 2017, 10% dos brasileiros detinha 43,3% da renda total do pais. Na outra
ponta, os 10% mais pobres detinham apenas0,7% da renda total.

A desigualdade social é uma construção coletiva, consolidada cotidianamente


nas relações estabelecidas pelos sujeitos. Souza (2006) – a desigualdade
social brasileira é naturalizada a tal ponto na vida cotidiana, que está se torna
pouco acessível à percepção, permanecendo “invisível”.

Ideário liberal – na sociedade moderna os a tributos adquiridos que prevalecem


nos processos de ascensão social (Obscurantismo e Meritocracia).
Obscurantismo – situações que normalizam as condições precárias de
existência.
Meritocracia: Entre os brasileiros há uma percepção compartilhada de que
esforço, qualificação/inteligência e educação são decisivos nas chances de
“vencer na vida”.
Necessidade dos estudos dialogarem com a dimensão subjetiva da
desigualdade social, desvendando crenças e comportamentos que corroboram
para sua existência e manutenção. (Bock, 2010)
(Estudos de Medeiros, 2005; Reis, 2000) –os ricos enfatizam questões sociais
quando questionados sobre os problemas do país, mas atribuem ao Estado a
responsabilidade.

Não há um senso de responsabilidade social


No livro: A ralé brasileira: quem é e como vive - Jessé de Souza
Má-fé institucional:
 A justiça,
 A escola e,
 A saúde pública

Na escola: apenas uma parcela da população tem acesso efetivo ao ambiente


escolar.
Processo que se retroalimenta na medida em que essa mesma parcela, é,
ainda mais selecionada, considerando os métodos tradicionais de ensino
avaliação vigentes, altamente segregadores.
Na saúde – estruturação da assistência nos âmbitos públicos e privados.
A debilidade dos serviços públicos em saúde sinaliza como a sociedade
segrega e classifica seus membros de forma a valorizar uns em detrimento dos
outros, o que se desdobra na lógica de operação das instituições, que situam
acessos diferenciados aos serviços a partir dessa hierarquia social valorativa
(Luna, 2009).
Condições estressantes a que estão submetidos os profissionais nas políticas
públicas, considerando a necessidade de jornadas duplas, triplas para compor
uma melhor remuneração. (Luna, 2009).

Na Justiça penal – os conflitos de classe historicamente construídos que


produzirão ausência de alternativas à reprodução de desigualdade social pelo
sistema criminal.
Precariedade da socialização
Habitus (Bordieu, 2007) A dinâmica da produção simbólica na vida dos sujeitos
não ocorre arbitrariamente.
Sistema dominante e legitimador das preferências, formas de ser, pensar e
atuar – processos de dominação e opressão tornam-se legítimos.
Jessé de Souza(2009)
A escravidão persiste no Brasil?
Ela persiste de novas formas. Ela persiste no sentido de que você tem aqui
uma multidão, mais de 50% da população brasileira, exercendo atividade
semiqualificada. É trabalho manual, é trabalho sem grande incorporação de
conhecimento, exatamente como trabalho escravo. Essas classes populares
são odiadas e desprezadas, como os escravos eram. Você pode matar um
pobre no Brasil, que não acontece nada. A polícia mata com requintes de
crueldade e ninguém se comove porque os pobres são percebidos de modo
desumanizado, como os escravos eram. A escravidão perpassa o núcleo da
sociedade brasileira. E boa parte da classe média tem preconceitos de senhor
de escravo e da elite com relação a esse povo. O que eu tento mostrar é como
essa escravidão se torna a base e o centro de tudo que a gente está vivendo
hoje. Nós somos filhos da escravidão, isso nunca foi percebido. É como se
fosse uma coisa que aconteceu há muito tempo e não tenha mais nada a ver
hoje. É o contrário. A escravidão continua. Para mim, essa desigualdade
doente de hoje vem da escravidão.

De acordo com o último censo escolar, as proporções dos que não terminaram
o ensino fundamental (31% de pardos e 28% de pretos) e dos que possuem
ensino médio completo (30% de pardos e 32% de pretos) são muito próximas.
Os brancos, por sua vez, são os que mais frequentemente conseguem obter
um diploma de ensino superior.
A Política Nacional de Saúde Integral da População Negra foi instituída pelo
Ministério da Saúde (MS) em 2009, com a finalidade de promover a saúde
integral da população negra, com vistas à redução das desigualdades étnico
raciais e ao combate ao racismo e à discriminação nas instituições e serviços
do Sistema Único de Saúde (SUS). A Política reconhece o racismo, as
desigualdades étnico-raciais e o racismo institucional como determinantes
sociais das condições de saúde.
Em 2016, os adolescentes de 10 a 19 anos negros apresentaram um risco
67%maior de suicídio do que os adolescentes brancos, isto significa que a
cada 100suicídios em adolescentes brancos ocorreram 167 suicídios em
adolescentes negros.
De acordo com o ministério da saúde, as principais causas associadas ao
suicídio em negros são:
a) o não lugar, b) ausência de sentimento de pertença, c) sentimento de
inferioridade, d) rejeição, e) negligência, f) maus tratos, g) abuso, h) violência, i)
inadequação, j) inadaptação, k) sentimento de incapacidade, l) solidão, m)
isolamento social. Outros fatores relacionados: a) não aceitação da identidade
racial, sexual e afetiva, de gênero e de classe social.

A lei 10.639
Alei nº 10.639, de 9 de janeiro de 2003 altera a Lei nº 9.394, de 20 de
dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional,
para incluir no currículo oficial da Rede de Ensino a obrigatoriedade da
temática "História e Cultura Afro-Brasileira", e dá outras providências. A lei
designa às instituições educacionais uma adequação no rol dos conteúdos
programáticos para a inserção do estudo da África e dos africanos, a luta dos
negros no Brasil, a cultura negra brasileira e o negro na formação da sociedade
nacional, de modo a resgatar sua contribuição na área social, econômica e
política, pertinentes à História do Brasil.

Segundo o Atlas da Violência de 2018, o Brasil alcançou a marca de


62.517homicídios segundo informações do Ministério da Saúde. Enquanto se
observou uma taxa de homicídio para a população negra de 40,2, o mesmo
indicador para o resto da população foi de 16, o que implica dizer que 71,5%
das pessoas que são assassinadas a cada ano no país são pretas ou pardas.

Você também pode gostar