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INTRODUÇÃO AO

PROJETO MECÂNICO
2.ª EDIÇÃO

ANTÓNIO COMPLETO FRANCISCO Q. DE MELO


AUTORES
António Completo
Francisco Q. de Melo

TÍTULO
Introdução ao Projeto Mecânico – 2.a Edição

EDIÇÃO
Quântica Editora – Conteúdos Especializados, Lda.
E-mail: geral@quanticaeditora.pt . www.quanticaeditora.pt
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CDU
621 Engenharia Mecânica

ISBN
978-989-892-750-7

Catalogação da publicação
Família: Engenharia Mecânica
Subfamília: Tecnologia/Fabrico
ÍNDICE

1. PROJETO DE ÓRGÃOS MECÂNICOS .......................................................................... 15


1.1. O que é um projeto ....................................................................................................................................................15
1.2. Princípios gerais do projeto ...................................................................................................................................16
1.3. Organização do projeto............................................................................................................................................21
1.4. Desenvolvimento do Conceito .......................................................................................................................... 26
1.4.1. Identificação dos requisitos dos clientes .......................................................................................... 26
1.4.2. Estabelecer as especificações técnicas objetivo ........................................................................ 29
1.4.3. Geração, seleção e teste do conceito ................................................................................................ 35
1.5. Desenho para fabrico no projeto de um órgão mecânico ..............................................................40
1.5.1. Princípios do desenho para fabrico .....................................................................................................40
1.5.2. Estimativa de custos de produção .......................................................................................................41
1.5.3. Redução de custos de fabrico ................................................................................................................ 42

2. NOÇÕES GERAIS PARA PROJETO MECÂNICO ....................................................... 47


2.1.
Movimento circular..................................................................................................................................................... 47
2.1.1. Velocidade angular, Período, Frequência e Rotação.................................................................. 47
2.1.2. Velocidade periférica ou tangencial ................................................................................................... 47
2.1.3. Aceleração centrípeta, força centrípeta e força centrifuga ..................................................48
2.1.4. Relação de transmissão ...............................................................................................................................48
2.1.5. Sistema biela-manivela ............................................................................................................................... 49
2.1.6. Sistema manivela-corrediça...................................................................................................................... 50
2.1.7. Escalonamento das velocidades de rotação .................................................................................. 50
2.1.8. Trens de engrenagens epicicloidais .....................................................................................................51
2.2. Momento, Trabalho-Energia, Potência e Rendimento ........................................................................ 53

ÍNDICE VII
2.2.1. Momento ............................................................................................................................................................. 53
2.2.2. Trabalho-Energia ............................................................................................................................................ 54
2.2.3. Potência ................................................................................................................................................................ 55
2.2.4. Rendimento ....................................................................................................................................................... 56
2.3. Resistência dos materiais ........................................................................................................................................ 57
2.3.1. Relação tensão-deformação .................................................................................................................... 57
2.3.2. Pressão de contacto (Hertz) .................................................................................................................... 59
2.3.3. Tração e Compressão ...................................................................................................................................61
2.3.4. Corte ....................................................................................................................................................................... 62
2.3.5. Flexão .....................................................................................................................................................................64
2.3.6. Torção .................................................................................................................................................................... 67
2.3.7. Cargas combinadas ....................................................................................................................................... 68
2.3.8. Círculo de Mohr e Tensões Principais ................................................................................................ 70
2.3.9. Critérios de resistência ................................................................................................................................. 71
2.3.10. Fadiga .................................................................................................................................................................. 72
2.3.11. Encurvadura ..................................................................................................................................................... 73

3. SISTEMAS DE TRANSMISSÃO DE POTÊNCIA ......................................................77


3.1.
Correias ..................................................................................................................................................................... 77
3.1.1. Introdução .................................................................................................................................................. 77
3.1.2. Correias planas ......................................................................................................................................... 77
3.1.3. Correias trapezoidais ............................................................................................................................ 80
3.2.
Correntes.................................................................................................................................................................. 81
3.2.1. Introdução................................................................................................................................................... 81
3.2.2. Cinemática ................................................................................................................................................ 82
3.2.3. Rendimento da transmissão .......................................................................................................... 83
3.2.4. Exercício ......................................................................................................................................................84
3.3.
Engrenagens ......................................................................................................................................................... 85
3.3.1. Introdução .................................................................................................................................................. 85
3.3.2. Redutores ou multiplicadores ....................................................................................................... 86
3.3.3. Caixas de velocidades......................................................................................................................... 88

4. DIMENSIONAMENTO DE SISTEMAS DE TRANSMISSÃO ................................. 93


4.1. Engrenagens de eixos paralelos ............................................................................................................... 93
4.1.1. Dentado reto ............................................................................................................................................. 93
4.1.1.1. Considerações geométricas e de qualidade ............................................................. 93
4.1.1.2. Dimensionamento dentado reto ..................................................................................... 96
4.1.2. Dentado helicoidal .............................................................................................................................103
4.1.2.1. Considerações geométricas .............................................................................................103
4.1.2.2. Dimensionamento dentado helicoidal .....................................................................104
4.1.3. Exercícios....................................................................................................................................................106
4.1.3.1. Exercício 1......................................................................................................................................106

VIII INTRODUÇÃO AO PROJETO MECÂNICO


4.1.3.2. Exercício 2 .............................................................................................................................................107
4.2. Engrenagens de eixos concorrentes .............................................................................................................109
4.2.1. Considerações geométricas ...................................................................................................................109
4.2.2. Dimensionamento dentado reto ....................................................................................................... 110
4.2.3. Exercício ............................................................................................................................................................. 113
4.3. Engrenagem roda de coroa e parafuso sem-fim .................................................................................. 115
4.3.1. Considerações geométricas ................................................................................................................. 115
4.3.2. Dimensionamento roda parafuso sem-fim ................................................................................. 116
4.3.3. Rendimento e potência dissipada .....................................................................................................121
4.3.4. Exercício .............................................................................................................................................................124
4.4.
Correias ............................................................................................................................................................................126
4.4.1. Considerações gerais ..................................................................................................................................126
4.4.2. Vibração da correia ......................................................................................................................................127
4.4.3. Dimensionamento de correias .............................................................................................................128
4.4.4. Exercícios ...........................................................................................................................................................129
4.4.4.1. Exercício 1 .............................................................................................................................................129
4.4.4.2. Exercício 2 ............................................................................................................................................130
4.5.
Correntes ........................................................................................................................................................................132
4.5.1. Considerações gerais ................................................................................................................................132
4.5.2. Dimensionamento de correntes .......................................................................................................132
4.5.3. Exercício ............................................................................................................................................................132

5. ROLAMENTOS E CHUMACEIRAS............................................................................... 135


5.1.
Rolamentos ...................................................................................................................................................................135
5.1.1. Introdução ..........................................................................................................................................................135
5.1.2. Classificação dos rolamentos ................................................................................................................136
5.1.3. Tipos de rolamentos ...................................................................................................................................136
5.1.3.1. Esferas ......................................................................................................................................................136
5.1.3.2. Rolos .........................................................................................................................................................137
5.1.3.3. Agulhas ...................................................................................................................................................138
5.1.4. Diagramas de instalação de rolamentos ........................................................................................138
5.1.4.1. Instalação fixo-livre ..........................................................................................................................138
5.1.4.2. Instalação de rolamentos de contacto angular com regulação
de pré-carga ........................................................................................................................................................139
5.1.4.3. Aspetos construtivos ....................................................................................................................140
5.1.5. Dimensionamento do rolamento .......................................................................................................141
5.1.5.1. Capacidade de carga estática (Co) ..........................................................................................142
5.1.5.2. Capacidade de carga dinâmica (C) .......................................................................................143
5.1.6. Fatores de carga (X0, Y0, X, Y) ..................................................................................................................145
5.1.7. Vida útil do rolamento ................................................................................................................................146
5.1.8. Dimensões, carga estática e carga dinâmica de rolamentos ............................................148
5.1.9. Exercícios ............................................................................................................................................................ 151

ÍNDICE IX
5.1.9.1. Exercício 1 .............................................................................................................................................. 151
5.1.9.2. Exercício 2 .............................................................................................................................................152
5.2. Chumaceiras .................................................................................................................................................................153
5.2.1. Introdução .........................................................................................................................................................153
5.2.2. Dimensionamento de chumaceiras .................................................................................................155
5.2.3. Potência dissipada e caudal de lubrificante ................................................................................160
5.2.4. Exercícios ...........................................................................................................................................................162
5.2.4.1. Exercício 1............................................................................................................................................. 162
5.2.4.2. Exercício 2 ............................................................................................................................................163

6. ELEMENTOS DE LIGAÇÃO, GUIAMENTO E FORÇA ............................................... 165


6.1. Chavetas e veios estriados ...................................................................................................................................165
6.1.1. Chavetas ..............................................................................................................................................................165
6.1.2. Veios-estriados ...............................................................................................................................................167
6.1.3. Exercícios ..........................................................................................................................................................169
6.1.3.1. Exercício 1 ..............................................................................................................................................169
6.1.3.2. Exercício 2 .............................................................................................................................................170
6.2. Acoplamento por pressão veio-cubo .........................................................................................................171
6.2.1. Introdução .........................................................................................................................................................171
6.2.2. Dimensionamento ......................................................................................................................................172
6.2.3. Exercício .............................................................................................................................................................176
6.3. Guia de corrediça .....................................................................................................................................................177
6.3.1. Introdução .........................................................................................................................................................177
6.3.2. Dimensionamento ......................................................................................................................................177
6.3.3. Exercício .............................................................................................................................................................178
6.4. Embraiagens ................................................................................................................................................................179
6.4.1. Introdução .........................................................................................................................................................179
6.4.2. Dimensionamento ......................................................................................................................................180
6.4.3. Exercício .............................................................................................................................................................182
6.5.
Molas
.............................................................................................................................................................................182
6.5.1. Introdução .........................................................................................................................................................182
6.5.2. Dimensionamento ......................................................................................................................................182
6.5.3. Exercício .............................................................................................................................................................186
6.6. Resistência ao rolamento .....................................................................................................................................187
6.6.1. Introdução .........................................................................................................................................................187
6.6.2. Cálculo da resistência ao rolamento ................................................................................................187
6.6.3. Exercício .............................................................................................................................................................188
6.7.
Ligações aparafusadas ...........................................................................................................................................189
6.7.1. Introdução .........................................................................................................................................................189
6.7.2. Pré-carga e binário de aperto ...............................................................................................................189
6.7.3. Seleção parafuso, segundo norma VDI 2230 ..............................................................................192

X INTRODUÇÃO AO PROJETO MECÂNICO


6.7.4. Método para cálculo do binário de aperto ..................................................................................193
6.7.5. Cálculo da pressão de esmagamento da cabeça .....................................................................194
6.7.6. Exercícios ............................................................................................................................................................196
6.7.6.1. Exercício 1 .............................................................................................................................................196
6.7.6.2. Exercício 2 .............................................................................................................................................196
6.8. Ligação por cabos ....................................................................................................................................................197
6.8.1. Introdução .........................................................................................................................................................197
6.8.2. Resistência e dimensionamento dos cabos ................................................................................199
6.8.3. Exercício .............................................................................................................................................................203
6.9. Acoplamentos .......................................................................................................................................................... 204
6.9.1. Introdução ........................................................................................................................................................ 204
6.9.2. Tipos e seleção de acoplamentos .....................................................................................................205
6.9.3. Exercício .............................................................................................................................................................207

7. VEIOS DE TRANSMISSÃO ...........................................................................................209


7.1. Conceitos gerais ......................................................................................................................................................... 209
7.1.1. Introdução ......................................................................................................................................................... 209
7.1.2. Parâmetros de dimensionamento e verificação ........................................................................210
7.2. Cálculo à cedência ................................................................................................................................................... 211
7.2.1. Introdução ......................................................................................................................................................... 211
7.2.2. Diâmetro mínimo da secção do veio ............................................................................................... 211
7.2.3. Verificação da tensão limite de cedência ......................................................................................212
7.3. Cálculo à rigidez ........................................................................................................................................................213
7.3.1. Introdução .........................................................................................................................................................213
7.3.2. Flecha e rotação ............................................................................................................................................213
7.3.2.1. Veio de secção uniforme .............................................................................................................214
7.3.2.2. Veio encastrado com carga de flexão e momento concentrado .....................216
7.3.2.3. Veio de secção escalonada – 3 diâmetros ....................................................................... 217
7.3.2.4. Flecha e rotação em estado tridimensional de forças ..............................................218
7.3.3. Exercícios ............................................................................................................................................................219
7.3.3.1. Exercício 1 .............................................................................................................................................219
7.3.3.2. Exercício 2 .............................................................................................................................................221
7.3.3.3. Exercício 3 ............................................................................................................................................ 222
7.3.3.4. Exercício 4 .............................................................................................................................................224
7.4. Cálculo à Fadiga ..........................................................................................................................................................227
7.4.1. Introdução .........................................................................................................................................................227
7.4.2. Critério de verificação à fadiga .............................................................................................................228
7.4.3. Tensão limite de fadiga corrigida ........................................................................................................231
7.4.4. Fatores de concentração de tensão ..................................................................................................232
7.4.5. Exercícios ........................................................................................................................................................... 234
7.4.5.1. Exercício 1 ............................................................................................................................................. 234
7.4.5.2. Exercício 2 .............................................................................................................................................235

ÍNDICE XI
8. CÁRTER DE MECANISMOS ......................................................................................... 239
8.1. Arquitetura ....................................................................................................................................................................239
8.1.1. Introdução .........................................................................................................................................................239
8.1.2. Tipos de arquitetura ....................................................................................................................................239
8.1.3. Acessibilidade para montagem e manutenção ........................................................................243
8.1.4. Exemplos de estruturas de cárter de mecanismos .................................................................245
8.2. Dimensões ....................................................................................................................................................................249
8.2.1. Introdução .........................................................................................................................................................249
8.2.2. Espessura mínima de parede .............................................................................................................. 250
8.2.3. Dimensões indicativas ..............................................................................................................................251
8.3.
Lubrificação ................................................................................................................................................................. 254
8.3.1. Introdução ........................................................................................................................................................ 254
8.3.2. Lubrificação com massa lubrificante ...............................................................................................255
8.3.3. Lubrificação com óleo ..............................................................................................................................257
8.4.
Vedação ..........................................................................................................................................................................259
8.4.1. Introdução .........................................................................................................................................................259
8.4.2. Vedação dinâmica com folga ...............................................................................................................259
8.4.3. Vedação dinâmica com contacto ..................................................................................................... 260
8.4.4. Vedação estática .......................................................................................................................................... 264
8.4.5. Exemplos de vedação .............................................................................................................................. 268

9. PROCEDIMENTOS PARA PROJETO ......................................................................... 269


9.1. Caixas de velocidades .............................................................................................................................................269
9.1.1. Veículos ................................................................................................................................................................269
9.1.1.1. Potência consumida ........................................................................................................................269
9.1.1.2. Potência disponível, inclinação de estrada e aceleração .........................................271
9.1.1.3. Determinação dos “rapports” ...................................................................................................273
9.1.1.4. Caixas de comando manual .......................................................................................................275
9.1.1.5. Considerações construtivas .......................................................................................................279
9.1.2. Máquinas ferramentas............................................................................................................................... 288
9.1.2.1. Número de velocidades e razão de progressão .......................................................... 288
9.1.2.2. Relações de transmissão nos grupos redutores ...........................................................291
9.1.2.3. Disposição de cadeias cinemáticas ..................................................................................... 296
9.2.
Redutores ...................................................................................................................................................................... 298
9.2.1. Introdução ........................................................................................................................................................ 298
9.2.2. Redutor de eixos paralelos .................................................................................................................... 298
9.2.3. Redutor de eixos concorrentes ............................................................................................................305
9.2.4. Redutor de eixos parafuso sem-fim e roda tangente ............................................................307

10. ANTEPROJETO ...............................................................................................................311


10.1. Introdução ................................................................................................................................................................... 311
10.2. Caderno de encargos do mecanismo ....................................................................................................... 311

XII INTRODUÇÃO AO PROJETO MECÂNICO


10.3. Cálculo do número de dentes ........................................................................................................................ 312
10.3.1. Relações de transmissão ........................................................................................................................ 312
10.3.2. Verificação das velocidades de saída ............................................................................................ 313
10.4. Dimensionamento das rodas .........................................................................................................................314
10.4.1. Determinação do módulo das engrenagens ...........................................................................314
10.4.2. Cálculos para a correção de dentado com variação de entre-eixo ...........................314
10.4.3. Cálculos para a correção de dentado para eliminação de interferência
de corte ........................................................................................................................................................................... 315
10.4.4. Características finais das engrenagens ........................................................................................316
10.5. Dimensionamento dos rolamentos ............................................................................................................316
10.5.1. Nomenclatura ...............................................................................................................................................316
10.5.2. Cálculo das forças nos veios ............................................................................................................... 317
10.5.3. Cálculo das reações nos apoios ........................................................................................................ 319
10.5.4. Cálculo das capacidades de carga dos rolamentos .............................................................320
10.5.5. Seleção dos rolamentos ........................................................................................................................321
10.6. Verificação das chavetas ....................................................................................................................................321
10.7. Verificação à rigidez dos veios ........................................................................................................................322
10.8. Verificação à fadiga dos veios .........................................................................................................................324
10.8.1. Diagramas de momentos fletores ...................................................................................................324
10.8.2. Materiais usados nos veios ..................................................................................................................325
10.8.3. Critério de verificação à fadiga ..........................................................................................................325
10.8.4. Pontos críticos dos veios e coeficientes de segurança ......................................................326
10.9. Lubrificação ................................................................................................................................................................329
10.10. Lista de componentes .......................................................................................................................................330
10.11. Desenho de conjunto ........................................................................................................................................331

11. CASOS DE ESTUDO PROPOSTOS ............................................................................. 335


11.1. Caso de estudo 1 .....................................................................................................................................................335
11.2. Caso de estudo 2 .....................................................................................................................................................335
11.3. Caso de estudo 3 .....................................................................................................................................................335
11.4. Caso de estudo 4 .....................................................................................................................................................336
11.5. Caso de estudo 5 .....................................................................................................................................................336
11.6. Caso de estudo 6 .....................................................................................................................................................336
11.7. Caso de estudo 7 .....................................................................................................................................................337
11.8. Caso de estudo 8 ....................................................................................................................................................337
11.9. Caso de estudo 9 .....................................................................................................................................................337
11.10. Caso de estudo 10 ................................................................................................................................................338
11.11. Caso de estudo 11 .................................................................................................................................................338
11.12. Caso de estudo 12 ................................................................................................................................................338
11.13. Caso de estudo 13 ................................................................................................................................................339
11.14. Caso de estudo 14 ................................................................................................................................................339
11.15. Caso de estudo 15 ................................................................................................................................................339

ÍNDICE XIII
11.16. Caso de estudo 16 ............................................................................................................................................... 340
11.17. Caso de estudo 17 ................................................................................................................................................ 340
11.18. Caso de estudo 18 ................................................................................................................................................341
11.19. Caso de estudo 19 ................................................................................................................................................341
11.20. Caso de estudo 20 ...............................................................................................................................................342

BIBLIOGRAFIA ..................................................................................................................... 343

XIV INTRODUÇÃO AO PROJETO MECÂNICO


CAPÍTULO 1
PROJETO DE ÓRGÃOS MECÂNICOS

1.1. O QUE É UM PROJETO


Um projeto é um conjunto de atividades que tem um ponto inicial e um estado final definidos, per-
segue metas estabelecidas e usa um conjunto de recursos sempre limitados.

Num projeto de produto o objetivo é um produto definível, que é tipicamente especificado em ter-
mos de custo, qualidade e prazo em resultado das atividades do projeto.

Os projetos são sempre complexos, pois implicam numerosas e diversas tarefas com vista a atin-
gir os objetivos do projeto em causa. Quanto mais tarefas envolvidas, mais complexo é o projeto.
Cada indústria ou produto pode apresentar diferentes tarefas, que se desenvolverão em sequência
ou em paralelo e estarão especificamente planeadas e detalhadas em normas para o produto a de-
senvolver. Outra particularidade de um projeto é a sua singularidade, já que haverá, sempre, algum
fator distintivo, mesmo quando esse projeto é repetido. A noção de incerteza está, também, asso-
ciada a qualquer projeto, já que os projetos são planeados antes de serem executados e, portanto,
aportam um conjunto de riscos normalmente associados aos já referidos custo, qualidade e prazo.

Os projetos são sempre delimitados por um início e um fim temporal, exigindo assim uma concen-
tração transitória de recursos humanos e tecnológicos. Apesar de todo toda a preparação e moni-
torização de um projeto, os recursos para a sua execução mudam/alteram-se durante o seu ciclo de
vida e o que exige, assim, uma estrutura organizacional competente, com capacidade de antecipa-
ção das dificuldades para que possam ser solucionadas de forma previsível, sem colocar em causa
os objetivos inicialmente definidos para o projeto.

No âmbito do projeto existem diferentes tipologias:


• Projetos radicais – envolvem significativas modificações relativamente aos produtos ou con-
ceitos existentes, podendo criar uma nova categoria ou família de produto, com recurso a no-
vas tecnologias e materiais. Podem requerer um processo de produção inovador.
• Projetos de próxima geração – representam, normalmente, alterações significativas no pro-
jeto do produto, sem a introdução de novas tecnologias ou materiais, mas representando um
novo sistema de soluções para o cliente, que pode partilhar uma estrutura comum entre diver-
sos modelos ou família de produto.

CAPÍTULO 1. PROJETO DE ÓRGÃOS MECÂNICOS 15


tarefas dependentes. É a sequência de tarefas que, combinadas, requer o tempo mínimo
possível para a execução do projeto. O caminho crítico é representado através de uma linha
mais grossa ao longo das tarefas (linha azul). O planeamento é um roteiro para os esforços a
desenvolver pela equipa de projeto. A planificação é importante para a coordenação das tarefas
em termos temporais e para a previsão dos recursos necessários ao seu desenvolvimento.

05 - mar - 12
12 - mar - 12
19 - mar - 12
26 - mar - 12

07 - mai - 12
14 - mai - 12
21 - mai - 12
28 - mai - 12
Duração (d)

01 - fev - 12

06 - fev - 12
13 - fev - 12
20 - fev - 12
27 - fev - 12

02 - abr - 12
09 - abr - 12
16 - abr - 12
23 - abr - 12
30 - abr - 12

04 - jun - 12
11 - jun - 12
18 - jun - 12
25 - jun - 12

06 - ago - 12
13 - ago - 12
20 - ago - 12
% Completa

23 - jan - 12
30 - jan - 12

02 - jul - 12
09 - jul - 12
16 - jul - 12
23 - jul - 12
30 - jul - 12
Nº Tarefa Lider Inicio Fim

0 Definição de especificações técnicas  02/01/12 20/01/12 6 100%


1 Geração e seleção de conceito  21/01/12 20/02/12 30 100%
2 Desenhar o redutor  22/02/12 10/02/12 19 100%
3 Produção do redutor  10/03/12 18/03/12 37 30%
4 Desenvolvimento do programa de ensaios  22/03/12 18/03/12 17 50%
5 Ensaiar o redutor  18/04/12 18/03/12 17 0%
6 Conceber o sistema de produção do redutor  30/04/12 26/04/12 28 0%
7 Desenhar os moldes para o cárter  26/04/12 13/05/12 28 0%
8 Conceber as ferramentas para a montagem  25/04/12 12/05/12 17 0%
9 Comprar os equipamentos para a montagem  12/05/12 29/05/12 45 0%
10 Fabricar os moldes para o carter  10/06/12 05/07/12 37 0%
11 Certificar o redutor  15/07/12 03/09/12 40 0%
11 Iniciar a produção do redutor  24/08/12 03/09/12 1 0%

Figura 1.4 – Diagrama de Gantt
Figura 1.4 Diagrama de Gantt.
A aferição da planificação pode ser realizada logo nas fases iniciais do desenvolvimento do
produto, noinicial,
planificação entanto, a sua importância
a equipa é significativa
de projeto pode na partedefinal
ser modificada do Desenvolvimento
forma a alterar o tempodede
Conceito, isto é, antes de importantes recursos de desenvolvimento
desenvolvimento, orçamento, ou mesmo objetivos do projeto. Os resultados serem afetados aodaprojeto.
fase de
Após esta planificação
Desenvolvimento inicial,
de Conceito e aaplanificação
equipa de projeto pode
do projeto ser modificada
constituem de forma
os elementos a alterar
de partida oo
para
tempo de
Contrato de desenvolvimento, orçamento,
Projeto Industrial. Este documento ou mesmo objetivos
é utilizado do projeto.
para compilar Os resultados
a informação da fase
do planeamen-
tode Desenvolvimento
com os resultados dadefase
Conceito e a planificaçãode
de Desenvolvimento doConceito.
projeto constituem os elementos
O termo contrato de partida
é utilizado porque
para
este o Contratoé,de
documento Projeto Industrial.
normalmente, Este
utilizado nasdocumento é utilizado
empresas para paraum
formalizar compilar
acordoaentre
informação
a equipa
dedoprojeto
planeamento com
(Chefe de os resultados
Projeto) da fase
e a direção de Desenvolvimento
da empresa em termos dedeobjetivos
Conceito.doOprojeto
termo contrato
e recursos
é utilizadoOs
envolvidos. porque este documento
elementos é, normalmente,
que normalmente fazem parteutilizado nas empresas
deste contrato para formalizar
estão indicados um
na tabela 1.4.

Tabela 1.4 Elementos que habitualmente fazem parte do Contrato de Projeto Industrial. 10

Número de
Item
páginas aproximadas
Missão 1
Lista de necessidades dos clientes 2
Análise competitiva 2
Especificações técnicas do produto 3
Modelos-Desenhos do conceito do produto 3
Relatório dos testes de conceito 3
Estimativa de vendas 5
Análise económica 2
Plano do Projeto 3
Lista de tarefas 2
Organigrama da equipa de projeto 1
Planificação (Gantt) 1
Orçamento 1
Riscos do projeto 1
Indicadores de medida de performance do projeto 1

A equipa de projeto é um grupo de indivíduos que executa as tarefas do projeto. Existem alguns as-
petos ligados à equipa que permitem que um projeto se desenvolva mais rapidamente, tais como:
• Menos de 10 pessoas na equipa;
• Membros na equipa desde o desenvolvimento do conceito até à pré-série;

CAPÍTULO 1. PROJETO DE ÓRGÃOS MECÂNICOS 23


o produto deve incluir, este sistema por si só não é suficiente para definir o valor meta-objetivo
para cada especificação técnica, assim como, para identificar eventuais omissões de
especificações técnicas ou requisitos dos clientes. Logo, para realizar uma análise global da
qualidade do produto, tendo em conta de forma simultânea os Requisitos dos Clientes, as
Especificações Técnicas, o Benchmarking, a Dificuldade técnica para atingir as metas das
sobre os valores dessas
especificações metas,
técnicas é necessário
e tomar utilizar
uma decisão uma
final ferramenta
sobre que
os valores permita
dessas aglutinar
metas, toda a in-
é necessário
formação
utilizareuma
relacioná-la, paraque
ferramenta quepermita
a equipa de projeto
aglutinar toda possa tomar ase corretas
a informação decisões
relacioná-la, para com
que auma
baseequipa de eprojeto
científica técnicapossa tomar identificando
estruturada, as corretas decisões comlimitações
a principais uma basee oportunidades
científica e técnica
de me-
estruturada,
lhoria do produtoidentificando a principais
a desenvolver. A noção limitações e oportunidades
de qualidade de pela
passa, também, melhoria do de
equipa produto
projetoa ser
desenvolver.
capaz A noção
de desenvolver uma de qualidade passa,
compreensão comum também,
sobre aspela equipa
decisões, derazões
suas projeto ser capaz de
e implicações e au-
desenvolver
mentar uma compreensão
a responsabilidade comum
de todos sobre
os seus as decisões,
membros pelassuas razõestomadas.
decisões e implicações e aumentar
a responsabilidade de todos os seus membros pelas decisões tomadas.

Frequência de vibração
Peso
Modelo dinâmico Valor ideal
Variação do caudal
da bomba Frequência de SAAB

Preço
Variação de pressão vibração
Desgaste (analítico, CAE, Valor marginal
Rigidez corpo Protótipo, DOE)

NSU

Figura 1.10 – Modelo técnico (esquerdo) e Modelo de custo (direita) (exemplo).


Figura 1.8 Modelo técnico (esquerdo) e Modelo de custo (direita) (exemplo).
A Matriz QFD é uma ferramenta de engenharia que permite um tratamento estruturado e
simultâneo
A Matriz QFD é de
umatoda a informação
ferramenta do projeto,que
de engenharia quer no domínio
permite do cliente,estruturado
um tratamento das especificações
e simultâ-
neotécnicas,
de toda adoinformação
mercado edo
da projeto,
dificuldade
quertécnica (figurado
no domínio 1.11). A matriz
cliente, QFD desenvolve-se
das especificações em do
técnicas,
diferentes
mercado fases, sendo
e da dificuldade que em
técnica cada
(figura fase
1.9). se realiza
A matriz um conjunto de
QFD desenvolve-se emações. Os principais
diferentes fases, sendo
quedesenvolvimentos da matriz
em cada fase se realiza umQFD passam
conjunto depelos seguintes
ações. passos:desenvolvimentos da matriz QFD
Os principais
passam pelos seguintes passos:

19
9º Matriz Benchmarking
Correlações do mercado
1º Grau 4º Avaliação Qualidade
2º Especificações técnicas
Importância Competitiva Planeada
Grau de importância

Plano Qualidade
Interno Empresa

Argumento Venda
Concorrente X

Concorrente Y
Nosso produto

Índice Melhoria
Cliente - Mudge
1º Requisitos

Peso Absoluto
Peso Relativo
(KANO)
Clientes

Geral

3º Matriz de Relações

8º Grau de importância absoluto


8º Grau de importância (%)
Unidades
Nosso produto atual 7º Benchmarking
Concorrente X Técnico
Concorrente Y
6º Valores objetivo - Meta
5º Dificuldade técnica

Figura 1.11 – Matriz QFD


Figura 1.9 Matriz QFD.
Passo 1 - Identificação dos requisitos do cliente - Que necessidades e expectativas de um
utilizador tipo devem ser satisfeitas? Os requisitos são classificados de acordo com a sua
importância relativa e agrupados por afinidades.
Passo 2 - Identificação das especificações técnicas - Como é que INTRODUÇÃO
os requisitos do consumidor
32 AO PROJETO MECÂNICO
vão ser satisfeitos ao nível do projeto? Como vão ser atribuídos, no produto, para avaliação e
controlo do produto final?
Passo 3 - Preencher a matriz das relações - Identificação e classificação do tipo de relações entre
CAPÍTULO 2
NOÇÕES GERAIS PARA PROJETO MECÂNICO

2.1
2.1 – Movimento circular
2.1 –– Movimento
Movimento circular
circular
2.1. MOVIMENTO CIRCULAR
2.1.1
2.1.1 – Velocidade angular (ω), Período (T), Frequência (f) e Rotação (n)
2.1.1 –– Velocidade
Velocidade angular
angular (ω),
(ω), Período
Período (T),
(T), Frequência
Frequência (f) (f) e
e Rotação
Rotação (n)
(n)
2.1.1. Velocidade Um
Um
angular
ponto (ω),
material Período
“P”, ao descrever (T),
uma Frequência
trajetória circular (f)
de e Rotação
raio “r”, apresenta(n)uma variação
Um ponto
ponto material
material “P”,
“P”, ao
ao descrever
descrever umauma trajetória
trajetória circular
circular de
de raio
raio “r”,
“r”, apresenta
apresenta uma
uma variação
variação
Um ponto materialangular
“P”, ao descrever
(Δϕ) num uma trajetóriaintervalo
determinado circular de
detempo
raio “r”,(Δt).
apresenta
A uma
relação variação
entre angu-angular (Δϕ)
aa variação
angular
angular (Δϕ) num determinado intervalo de tempo (Δt). A relação entre a variação angular
(Δϕ) num determinado intervalo de tempo (Δt). A relação entre variação angular (Δϕ)
(Δϕ)
lar (Δϕ) num determinado
ee o intervalo de tempodefine
(Δt). A relação entre a variação angular (Δϕ) e o inter-
eoo intervalo
intervalo de
intervalo de tempo
de tempo (Δt)
tempo (Δt) define aaa velocidade
(Δt) define velocidade angular
velocidade angular do
angular do movimento.
do movimento.
movimento.
valo de tempo (Δt) define a velocidade angular do movimento.
• ω
ω -- velocidade
ω – velocidade ••angular [rad/s]
velocidade angular
angular [rad/s]
[rad/s]
• ω - velocidade angular [rad/s] 
•• Δϕ
Δϕ --[rad]
• Δϕ – variação angular variação
variação angular
angular [rad] ω
ω = 
ω=
[rad] 
• Δϕ - variação angular [rad] = 

• Δt -- variação
Δt – variação de•• tempo
Δt variação
[t] de tempo
de tempo [t]
[t] 
• Δt - variação de tempo [t]

O O Período (T) é o tempo necessário para que um ponto material “P”, em movimento circular
O Período
O Período (T) é o tempo (T)
(T) éé o
necessário
Período o tempo necessário
para que
tempo um ponto
necessário para que
que um
paramaterial ponto
um“P”, em material
ponto movimento
material “P”, em
em movimento
“P”, circular com
movimento circular
circular
comcom raio “r”, complete um ciclo.
raio
raio “r”, complete um raio “r”,
comciclo. “r”, complete
complete um
um ciclo.
ciclo. 
TTT --- período
período [s] T
T = 
T=
• T – período [s] ••• 
período [s]
[s] = 

ω -- velocidade angular [rad/s] 
• ω – velocidade •••angular
ω
ω - velocidade angular
velocidade
[rad/s] angular [rad/s]
[rad/s]

A
A Frequência
Frequência (f)
(f) éé o
o número
número dede ciclos
ciclos que
que um
um ponto
ponto material
material “P”
“P” descreve
descreve num
num segundo,
segundo, no
no
A Frequência (f) é oA número
Frequência (f) é oque
de ciclos número de ciclos
um ponto que um
material “P”ponto material
descreve num “P” descreve
segundo, no num
movi-segundo, no
movimento
movimento circular
circular com
com raio
raio “r”.
“r”.
mento circular commovimento
raio “r”. circular com raio “r”.  
•• ff -- frequência [Hz] ff =  =  
  

• f - frequência
• f – frequência [Hz] frequência [Hz]
[Hz] f==  =
=   

A A Rotação (n) é o número de ciclos que um ponto material “P”, em movimento circular com raio
A Rotação
A Rotação (n) é o número de(n)
Rotação éé o
ciclos
(n) o número
que umde
número ciclos
ponto
de que
que um
ciclosmaterial ponto
um “P”, emmaterial
ponto movimento
material “P”,
“P”, em movimento
circular
em circular
com raio
movimento “r”, com
circular com raio
raio
“r”, “r”, descreve num minuto.
“r”, descreve
descreve num minuto. descreve num
num minuto.
minuto. 
•• n - rotação [rpm] n
n = 60 = 
n== 60
60 =
• n – rotação [rpm] 
• nn -- rotação
rotação [rpm]
[rpm] = 

2.1.2
2.1.2 – Velocidade periférica ou tangencial (v)
2.1.2 –– Velocidade
Velocidade periférica
periférica ou
ou tangencial
tangencial (v)
(v)
2.1.2. Velocidade A
A periférica
A velocidade
velocidade
velocidade
tangencial
tangencial
tangencial ouou
outangencial
ou
periférica
periférica (v)
periférica (v) (v)como
(v) tem
tem
tem como característica
como característica a mudança de
característica aa mudança
mudança de
trajetória aa cada
de trajetória
trajetória a cada
cada
instante,
A velocidade tangencial ou
instante, porém,
periférica
porém, o
o seu
(v)
seu valor
tem como
valor nominal
nominal mantém-se
característica
mantém-sea constante.
mudança de
constante. A relação
trajetória
A relaçãoa entre
cada aa velocidade
ins-
entre velocidade
instante, porém, o seu valor nominal mantém-se constante. A relação entre a velocidade
tante, porém, o seutangencial
tangencial (v)
(v)
valor nominal
tangencial
e a velocidade
(v) ee aamantém-se
velocidade angular
angular (ω)Aéérelação
angular (ω)
velocidade constante.
definidaentre
(ω) é definida
pelo araio
definida pelo
pelo raio
“r”
“r” da peça.
“r” da
da peça.
velocidade
raio tangencial (v)
peça.
e a velocidade angular (ω) é definida pelo raio “r”
|1 da= 
peça.
|2  = 
|3 = 
|4  =   

|1   
|1=
 |2
|2 =
=  |3
|3=
=  |4
|4 =
=  = 
����⃗� � ���
��� ����⃗� � ��� ����⃗� vvv�=
����⃗� � ��� ω. rr
=� ω.
= ω. r
isolando
isolando ω na expressão da rotação,
rotação, obtém-se:
v4 ω
isolando ω
ω na
na expressão
expressão da
da
� rotação,
obtém-se:
� ��  obtém-se:
vv4
4
ω
ω
v3
vv3
3
. o
  ω
ω = . r o
o
ω=
.
CAPÍTULO 2. NOÇÕES GERAIS PARA PROJETO MECÂNICO = 


rr 47
v1
vv1
1
v2
substituindo ω na expressão anterior, obtém-se: vv2
substituindo
substituindo ω
ω na
na expressão
expressão anterior,
anterior, obtém-se:
obtém-se:..
2

v
v = ..
v=
..
= 


O saida
ω trem é 3/0
O =trem
ω multiplicador
ωentrada = eωnão
é=>multiplicador 4/0e =>
inversor
não 
 inversor
    
 

 
ou ou ou
O trem é multiplicador e não inversor ❶ ❶❶
Planetário 1 fixo, ω1/0 = 0. 
   
ωsaida =ω = =>
ω=4/0ω=>
ωω4/0saida ω = 3/0
ω=3/0=>
ω=entrada
ω ω=> =>
     
ousaida =>entrada
entrada
4/0 3/0   

  ❸
  ❶❸
Duas possibilidades: 
❷ ❸
O trem é 4/0
redutor e não inversor  
O trem éOredutor
ωsaida =trem
ω é=>redutor
entradae
eωnão =não
ω 3/0inversor
inversor =>  


 
 
ωsaida = ω3/0 => ωentrada = ω4/0 =>    
❹ ❸
 
O trem é redutor
Planetário e não inversor 

O trem é33
Planetário (Coroa)
Planetário (Coroa) fixo,
3 (Coroa)
multiplicador eω
fixo,
fixo,
nãoω =3/0
0.= 0.
ωinversor
3/0
3/0 =
Planetário 3 (Coroa) fixo, ω3/0 = 0.
Duas
Duasoupossibilidades:
possibilidades: ❷ ❷
Planetário 3 (Coroa) fixo, ω3/0 = 0.
Duas possibilidades: ❶
 
Duas possibilidades:
ωsaida = ω4/0 => ωentrada = ω3/0 =>    ❷
 

 
 ❸❹
❷❹
Duas
ωsaida possibilidades:
= ω=1/0ω=>
ωOsaida 1/0ω
=>entrada = ω=4/0ω=>
ωentrada 4/0 =>
     1 1
trem é redutor e não inversor    
    ❹
ωsaida =ω ω => ω =ω =>não   
  1
1
O saida
trem é 1/0
multiplicador ❹
= e4/0
ωnão inversor 
O1/0=trem
ω é=>
multiplicador
entrada
ωentrada 4/0e => inversor

 
Ooutrem é multiplicador
Planetário e não
3 (Coroa) fixo, ω3/0inversor
= 0.   
❶ ❶
O trem éou
multiplicador
O trem
ou
e não
é multiplicador e nãoinversor
inversor 
Duas ❷
ωsaida = ωpossibilidades:
=> ω ωentrada= ω=1/0ω=>1/0 =>

==   
ou ou ωsaida =4/0ω4/0 =>entrada   


❶ ❸❶
  ❹
Oω=saida
é =4/0
ωé1/0 => ω = ω4/0    1
O saida
trem redutor eentrada
não =>=>= 
inversor 
ω trem
ω =>redutor
ωentradae=não
ω 1/0inversor     ❸
ωsaida = ω4/0 => ωentrada = ω1/0 =>  =    

O trem é multiplicador e não inversor   
Emtrem
O termos
Em termosde construção
é redutor de econstrução deste
não inversor tipotipo
deste de trem existe
de trem umauma
existe relação relativa
relação ao número
relativa de dentes
ao número de dentes
O Otrem
trem ééou
redutor
redutor
a respeitar noseenão
nãoinversor.
inversor
planetários e satélites:

a respeitar nos planetários e satélites:
Em termos
ωsaida = ωde construção deste tipo de
4/0 => ωentrada = ω1/0 =>  =
tremexiste
  uma relação relativa ao número de dentes

  
Em termos de1 construção
a respeitar nos deste
planetários
satélite
1 satélite tipo de
e satélites: 2trem

existe

satélites

2 satélites uma relação relativa3 ao número de dentes
3 satélites
satélites
O trem
Em termos é redutor e não
de construção inversor
deste tipo de trem existe uma relação relativa ao número de dentes a res-
a respeitar nos planetários
❷ ❷ e satélites: ❷ ❷ ❷
peitar nos
Emplanetários
1 satélite
termos e❸satélites:
de construção 2 satélites
❸ deste tipo de trem existe❸
uma relação relativa ao número de❷
3 satélites
dentes
❸ ❸ ❸
❶ ❶planetários e satélites:
a respeitar ❶ ❶ ❶
❷nos
1 satélite ❷ ❶
2 satélites ❷ 3 satélites
❸ ❷ ❷❷ ❷
❷ ❷ ❸ ❸
1 satélite
❶ 2 satélites
❶ 3 satélites

❷ ❷ ❷
 
  ❸     ❷ ❷
  2∙❷
2 ∙   ❸   ❷ ❸

❸     =❷ ❷ ú
= ú     ú

❸
ú
2 2 ❶ ❸ 3 3
❶ ❶ ❶ ❶

     2 ∙    

ú
  ú  
3
  3❷
  = ú   ❷  ❷ ❷
ú
2 ❷❷ 3
    ú     3
     2 ∙         
     2 ∙      = ú
    
 ú
  2 
= ú
 3    ú
   2 ú    

´ 3
3
 
 
    ú
     3

Multiplicação
Multiplicação 
=0 =0
/0 0
 ω 4 ω 4/
Multiplicação ω3/0 ω
= 03/0 = 0 
1 1
=0
/0
ω 40
Redução ω1/0 ω
Multiplicação
Redução = 1/0
0 =0 = 3 3
ω3/0 = 0 0
1 0 /
10 ω 4 1 1 1
Redução ωω1/0
3/0=
=0
1 3
Figura 2.1 2.1
Figura – Evolução da relação
– Evolução da deωtransmissão
relação
Multiplicação de totaltotal
transmissão 0em 1em
função da1relação
função base.
da relação base.
Redução 1/0 = 0
0 1
3
1 /0
=0
4
Figura 2.1 – Evolução da relação de transmissão total em função da ω relação base.
Figura 2.1 – Evolução da relação de transmissão
ω3/0 =0 total em função da relação base.
1
Redução ω1/0 = 0 3
0 1 1 8 8

Figura 2.1 – Evolução da relação de transmissão total em função da relação base.8 8


Figura 2.1 Evolução da relação de transmissão total em função da relação base.

2.2. MOMENTO, TRABALHO-ENERGIA, POTÊNCIA E


RENDIMENTO 8

2.2.1. Momento
O momento de uma força, em relação a um eixo, é a grandeza física que dá uma medida da ten-
dência da força, aplicada a uma determinada distância do eixo (braço), provocar rotação em torno
do eixo. O momento de uma força, em relação a um eixo, também pode ser denominado binário,

CAPÍTULO 2. NOÇÕES GERAIS PARA PROJETO MECÂNICO 53


Tabela 2.9 Expressões de cálculo das tensões, para cada tipologia de solicitação mecânica.

Tração e
Tipo de solicitação Corte Flexão Torção
Compressão

Tensão 𝐹𝐹 𝐹𝐹 𝑀𝑀   ∙ 𝑦𝑦 𝑀𝑀! ∙  𝑟𝑟


σ-τ
𝜎𝜎 =
𝐴𝐴
< 𝜎𝜎!  !"#   𝜏𝜏 =
𝐴𝐴
< 𝜏𝜏!  !"#   𝜎𝜎! =
𝐼𝐼
<   𝜎𝜎!  !"#   𝜏𝜏!" = < 𝜏𝜏!  !"#  
𝐼𝐼!

Uma estrutura ou órgão pode estar sujeito, simultaneamente, a mais do que um tipo de solicitação
mecânica (axial, torção, flexão). Para se realizar uma análise de todos os efeitos dos diferentes modos
de carregamento, em termos das tensões desenvolvidas na estrutura, pode aplicar-se o princípio da
sobreposição de efeitos. Assim, podemos analisar as tensões desenvolvidas numa dada secção da es-
trutura, para cada modo de carregamento, de uma forma individual, procedendo-se de seguida à sua
de tensão final, na secção A-A, resultará da adição das diferentes componentes de tensão de
combinação através da soma ou subtração das tensões normais e das tensões de corte.
cada tipo de solicitação (Figura 2.4).














 


 
  




Distribuição da tensão normal na Distribuição da tensão normal Distribuição da tensão normal, somando
secção, devido à carga de flexão na secção, devido à carga axial ambos os modos de carregamento
Tração (+)
Tração (+)
  max = + 17.1 MPa 
 max − = 11.2    

Compressão (-) Compressão (-) 


 max = -17.1 MPa  max = -5.9 MPa max − = −23    

Distribuição da tensão de corte na Distribuição da tensão de corte Distribuição da tensão de corte, somando
secção, devido à carga de flexão na secção, devido à carga axial ambos os modos de carregamento
 
τ max = 2.9 MPa  τ − = 2.9   τa adm

τ max = 0 MPa

Figura 2.4 - Representação esquemática da sobreposição das tensões normais e de corte, na


Figura 2.4 Representação
secção esquemática
A-A, para os modos da sobreposição
de carregamento das tensões
em flexão normais
e axial na placaeangular.
de corte, na secção A-A,
para os modos de carregamento em flexão e axial na placa angular.

2.3.8 – Círculo de Mohr e Tensões Principais


CAPÍTULO 2. NOÇÕES GERAIS PARA PROJETO MECÂNICO 69
O círculo de Mohr é um método gráfico bidimensional, representativo da lei de transformação
do tensor tensão (Cauchy) e é usado para determinar, graficamente, as componentes de tensão
em relação a um sistema relacionado, isto é, agindo sobre um plano de orientação diferente,
CAPÍTULO 3
SISTEMAS DE TRANSMISSÃO DE POTÊNCIA

3.1. CORREIAS

3.1.1. Introdução
Uma transmissão por correia é composta por um par de polias, uma motriz e outra recetora, mon-
tadas cada uma num veio e ligadas por uma cinta de material flexível, normalmente feita de cama-
das de lonas e borracha vulcanizada, que permite a transmissão do momento torsor entre as polias.
A transmissão por correia é adequada para aplicações mecânicas em que a distância entre os eixos
rotativos é grande. É usualmente mais simples e económica que outras formas alternativas de trans-
missão de potência. A sua flexibilidade é uma assinalável vantagem, contribuindo com elevada ca-
pacidade de amortecimento de choques e, assim, reduzindo a transmissibilidade dinâmica entre o
elemento motor e resistente. A transmissão de potência só é possível quando existe atrito entre as
polias e a correia, sendo necessário efetuar-lhe, também, uma tensão inicial. Quando em funciona-
mento surge um par de forças tangenciais (iguais) equivalentes, formando o binário que transmite
rotação ao conjunto. Este par de forças soma-se algebricamente à força de tensionamento inicial,
dando origem às forças efetivas que se geram na transmissão. A capacidade de transmissão de po-
tência e de momento é limitada pelo coeficiente de atrito e pela pressão de contacto entre a correia
e a polia. Um acionamento por correia bem projetado funciona por muitos anos com o mínimo de
manutenção. As correias são comercialmente disponíveis com diversas secções transversais, donde
se destacam as correias planas, trapezoidais e dentadas.

3.1.2. Correias planas


A transmissão por correia plana é um mecanismo elementar, provavelmente o mais antigo na trans-
missão de potência entre dois eixos com duas polias P1 e P2 (figura 3.1), tendo uma superfície perifé-
rica cilíndrica levemente bombeada. Em bom funcionamento, a correia transmite o movimento por
atrito, sem escorregamento.

CAPÍTULO 3. SISTEMAS DE TRANSMISSÃO DE POTÊNCIA 77


T2 −solução:
Esta equação diferencial tem a seguinte (m ⋅ ω ⋅ r )
2 2
• T1 – tensão do lado de potência [N] T1 − (m ⋅ ω ⋅ r )
2 2
= eµ ⋅α
• T2 – tensão do lado folgado [N] T2 − (m ⋅ ω ⋅ r )
• e – número de Neper (e=2,71828…) [adimensional]
•• Tα1 -–ângulo
tensãodedoabraçamento [rad][N]
lado de potência (o menor ângulo, que é o da polia mais pequena)
•• Tµ2 –- coeficiente
tensão do de atrito
lado [adimensional]
folgado [N]
Temos, assim, que a potência (P) transmitida é dada pela seguinte expressão:
e – número
•Temos, de Neper
assim, que (e=2,71828…)
a potência [adimensional]
(P) transmitida é dada pela seguinte expressão:
• α - ângulo de abraçamento [rad] (o menor ângulo, que é o da polia mais pequena)
• µ - coeficiente de atrito P = (T1 − T2 ) ⋅ v
[adimensional] Ft = (T1 − T2 )
• P – potência
Temos, da atransmissão
assim, que potência (P)[W]
transmitida é dada pela seguinte expressão:
• v – velocidade da correia
• P – potência da transmissão [m/s]
P =[W]
• Ft – força tangencial de potência (T1 −[N]
T2 ) ⋅ v Ft = (T1 − T2 )
• •v –Pvelocidade da correia [m/s]
– potência da transmissão [W]
• F –v força tangencial
– velocidade
•At tensão média (Tda deesticamento
potência
correia
0) de [m/s] [N]
da correia em repouso é dada pela expressão:
• Ft – força tangencial de potência [N]
T + T2
T0 = 1
A tensão média (T0) de esticamento da correia em repouso
2 é dada pela expressão:
A tensão média (T0) de esticamento da correia em repouso é dada pela expressão:
• T0 – tensão de esticamento da correia [N] T1 + T2
T0 =
2
Pelas equações anteriores é possível concluir que uma correia com bom atrito exige baixa força
•de –T0tensão
• T – tensão
dede esticamento
esticamento
esticamento dadacorreia
correia[N]
T , consequentemente [N] transmite mais potência até ao limite do
0 0

escorregamento. Maior frequência de rotação gera maior força centrífuga, reduzindo a


Pelas equações anteriores é possível concluir que uma correia com bom atrito exige baixa força
Pelascapacidade
equaçõesde anteriores é possível
transmissão, concluir
na medida queaquela
em que uma correia
força secom T1 e T2exige
bomaatrito
subtrai . Estasbaixa força de
equações
de esticamento T0, consequentemente transmite mais potência até ao limite do
referem-se
esticamento T0,aconsequentemente
uma transmissão natransmite
iminênciamais
de escorregamento
potência até aocorreia/polia. T1
Se as tensões Maior
limite do escorregamento.
escorregamento. Maior frequência de rotação gera maior força centrífuga, reduzindo a
e T2 forem
frequência tais, quegera
de rotação o 1ºmaior
membroforçadacentrífuga,
expressão reduzindo
anterior seja maior do que
a capacidade deetransmissão,
µα
, então a correia
na medi-
capacidade de transmissão, na medida em que aquela força se subtrai a T1 e T2. Estas equações
patinará.
da em Em síntese,
que aquela força secom as equações
subtrai anteriores
a T1 e T2. Estas equaçõesé possível avaliar
referem-se se, para
a uma uma determinada
transmissão na iminência
referem-se a uma transmissão na iminência de escorregamento correia/polia. Se as tensões T1
potência, existe ou
de escorregamento não risco deSepatinagem
correia/polia. as tensõesda T1 correia sobre
e T2 forem tais,aque
polia.
o 1º membro da expressão ante-
e T2 forem tais, que o 1º membro da expressão anterior seja maior do que eµα, então a correia
rior patinará.
seja maiorEm
dosíntese, , então
que e μαcom as aequações
correia patinará. Emésíntese,
anteriores possívelcom as equações
avaliar anteriores
se, para uma é possível
determinada
avaliar se, paraexiste
potência, umaou determinada
não risco depotência,
patinagemexiste ou nãosobre
da correia risco de patinagem da correia sobre a polia.
a polia.

3.1.3. Correias trapezoidais


3.1.3 –cinemáticas
As relações e as forças, na transmissão entre duas polias no caso de correias planas,5 são
Correias trapezoidais
válidasAspara correias
relações trapezoidais,
cinemáticas alterando
e as forças, a área transversal.
na transmissão entre duasAs forças
polias de contacto
no caso referem-se
de correias planas, a
uma superfície
são válidasdepara
perfilcorreias
em “V”,trapezoidais,
como na figura 3.3. O centro
alterando a área de massa (G)As
transversal. daforças
secçãodedacontacto
correia de-
fine oreferem-se
círculo primitivo
a uma das polias. de perfil em “V”, como na figura 3.3. O centro de massa (G) da
superfície
secção da correia define o círculo primitivo das polias

α C-C

T0
Fcont Fcont G
r
CP2 C C

Fcont=2·T0 / Senθ Fcont=2·T0 / Senθ


T0
P2

Figura 3.3 – Forças e geometria de transmissão por correia trapezoidal.


Figura 3.3 Forças e geometria de transmissão por correia trapezoidal.
A forma em cunha da secção transversal da correia trapezoidal proporciona, para uma mesma
força de esticamento T0, uma força radial Fcont bem maior do que com correias planas, para a
mesma geometria de transmissão. A força tangencial limite (Ftlimite) é dada pela expressão:
80 INTRODUÇÃO AO PROJETO MECÂNICO
Ftlimite = 2 ⋅ µ ⋅ T0 / sin θ

• Ftlimite – força tangencial limite [N]


• T0 – tensão de esticamento da correia [N]
de velocidades, já que permitem elevadas relações de transmissão, com uma capacidade de carga
idêntica a uma engrenagem simples. Estes redutores são bastante utilizados em caixas de veloci-
dades automáticas de automóvel, em cubos de velocidades de bicicletas ou torres eólicas, como
multiplicadores de velocidade, entre muitas outras aplicações. São constituídos, basicamente, por
engrenagens e um trem epicicloidal que comporta, na sua forma mais simples, duas árvores coa-
xiais, sendo designados por planetários. O interior é, normalmente, denominado “sol” e o exterior
“coroa”. Os satélites que engrenam com os dois planetários e rodam em torno de um eixo comum,
o porta satélites, e ainda o caixa ou chassi (figura 3.9). Existem diferentes configurações de reduto-
res epicicloidais, em função do número de planetários e dos satélites possuírem dentado simples
ou duplo (figura 3.10).

Tipo I Tipo III

Tipo II Tipo IV

Figura 3.10 Configurações de redutores epicicloidais: Tipo I, Tipo II, Tipo III e Tipo IV (satélite a vermelho).

3.3.3. Caixas de velocidades


A caixa de velocidades é um sistema mecânico, ou mais geralmente um sistema mecatrónico, que
permite adaptar a relação de transmissão de um movimento entre uma árvore motora, ou de entra-
da, e uma árvore recetora, ou de saída (figura 3.11). Estas são utilizadas em múltiplos contextos, como
máquinas ferramentas, veículos automóveis, etc., mas a utilização mais frequente é na transformação
e transmissão da potência de um motor, aumentado o binário sobre a árvore de saída. Neste caso,
isto resulta do efeito de redução associado às diferentes relações de transmissão, que conduz a uma
rotação mais lenta da árvore de saída relativamente à árvore de entrada, conduzindo à multiplica-
ção do binário à saída da caixa. Possibilitando várias razões de transmissão (redução ou multiplica-
ção), também conhecidos por “rapports”, a caixa de velocidades é, assim, um elemento central que
se adapta de maneira variável, em função de diferentes situações dinâmicas e de carga, para vencer
a resistência ao avanço no arranque ou durante o movimento de um automóvel, ou a da ferramen-
ta de uma máquina. A maioria das caixas de velocidades apresenta relações de transmissão discre-
tas, utilizando engrenagens para assegurar as diferentes desmultiplicações, impondo-se esta como
a solução mais eficaz. Do mesmo modo, as caixas de velocidades integram, juntamente com as en-

88 INTRODUÇÃO AO PROJETO MECÂNICO


CAPÍTULO 4
DIMENSIONAMENTO DE SISTEMAS DE TRANSMISSÃO

4.1. ENGRENAGENS DE EIXOS PARALELOS

4.1.1. Dentado reto

4.1.1.1. Considerações geométricas e de qualidade


Uma engrenagem de eixos paralelos consiste num par de rodas dentadas engrenando num mesmo
plano, tendo os dentes um perfil de evolvente de círculo, como representado na figura 4.1. O estu-
do analítico da geração da evolvente consta num elevado número de publicações sobre engrena-
gens, sendo aqui lembrado resumidamente o seu significado, assim como, algumas definições as-
sociadas a diferentes parâmetros das engrenagens:
• A Evolvente de círculo é o lugar geométrico (linha) dos pontos gerados pelo extremo de um seg-
mento de reta (geratriz) que rola, sem escorregar, sobre um círculo base de raio Rb1 (pinhão) ou
Rb2 (roda). O perfil evolvente assegura o engrenamento de superfícies de contacto com escorre-
gamento mínimo e proporciona melhor orientação da força de contacto (figura 4.1).
• O passo do dentado (p) é o comprimento do arco reunindo dois pontos consecutivos no círculo
primitivo;
• O módulo (m) é parâmetro geométrico calibrando as dimensões dos dentes da engrenagem. É
obtido por p/π;
• O ângulo do dentado (β) medido sobre a linha paralela ao eixo das engrenagens, só não é nulo
em engrenagens helicoidais e influencia o ângulo de pressão α;
• O número de dentes do pinhão e roda Z1 e Z2;
• O Círculo primitivo é o círculo virtual definido, tanto no pinhão (com raio primitivo R1) como na
roda (com raio primitivo R2). Estes dois círculos primitivos são tangentes no ponto de contacto C
e rolam sem escorregar, tendo C como centro instantâneo de contacto.
• O ângulo de pressão (α) que se define entre a normal aos flancos, conjugados dos dentes da en-
grenagem em contacto, e a tangente aos círculos primitivos no ponto de contacto C. Este ân-
gulo só se designa como ângulo de pressão nominal quando C está no círculo primitivo.
• A Linha de engrenamento (Ic1 - Ic2,) é o lugar geométrico de pontos de contacto no movimen-
to de um par de dentes conjugados. Estes entram em contacto a partir de Ic1 onde o círculo de
cabeça da roda intersecta a linha I1I2, terminando o contacto em Ic2, quando o raio de cabeça
do pinhão intersecta a linha I1 - I2. Deve haver mais que um par de dentes engrenados em Ic1Ic2,

CAPÍTULO 4. DIMENSIONAMENTO DE SISTEMAS DE TRANSMISSÃO 93


4.1. O estudo analítico da geração da evolvente consta num elevado número de publicações
sobre engrenagens, sendo aqui lembrado resumidamente o seu significado, assim como,
algumas definições associadas a diferentes parâmetros das engrenagens:

• A Evolvente de círculo é o lugar geométrico (linha) dos pontos gerados pelo extremo de um
segmento de reta (geratriz) que rola, sem escorregar, sobre um círculo base de raio Rb1
muito importante
(pinhão) ou Rb2na cinemática
(roda). O perfildeevolvente
engrenamento,
assegurarepartindo o esforço
o engrenamento por mais do
de superfícies deque um
dente (pode não
contacto com ser um número inteiro).
escorregamento mínimo e proporciona melhor orientação da força de
contacto (figura 4.1).
hc = m
h

p = m·Z

De2 Roda Z2
D2 Dp2

Db2
O2

Evolvente

Geratriz

e C I2
Ic2 α
I1

L Db1 Ic1
I1
D1
Circulo
Db1 O1
aproximando a
Pinhão Z1
evolvente
Dp1 DE1

Figura 4.1 – Principais características geométricas de uma engrenagem de dentado reto.


Figura 4.1 Principais características geométricas de uma engrenagem de dentado reto.
• O passo do dentado (p) é o comprimento do arco reunindo dois pontos consecutivos no
círculo
Tabela 4.1 primitivo; geométricas gerais de engrenagens paralelas.
Características

Parâmetro Símbolo Expressão 3


Unidades
Diâmetro primitivo D D = mn · Z m
Passo p p = mn · π m
Módulo normal mn mn = p/π m
Ângulo de pressão α αn = 20° °
Número dentes Z adimensional
Largura L a ser dimensionado ou adotado m
Diâmetro de base Db Db = D · cos α m
Diâmetro do pé de dente Dp D p = D – 2 · hf m
Diâmetro externo (cabeça) De De = D + 2 · mn m
Altura total do dente hz hz = 2,25 · mn m
Altura cabeça do dente hc hc = mn m
Altura do pé do dente hf hf = 1,25 · mn m
Folga da cabeça s s = 0,25 · mn m
Razão de transmissão u u = Z 2/Z1 = D2/D 1 = n1/n2 adimensional
Entre eixo e e = [(Z 2+Z1)/2] . mn m

• A Razão de condução é a razão entre o número de dentes em engrenamento contínuo, ao longo


da linha de engrenamento, e o passo primitivo p, sendo a expressão analítica longa. Os Cilindros

94 INTRODUÇÃO AO PROJETO MECÂNICO


de atrito aumenta com a velocidade (perdas hidrodinâmicas devido à lubrificação por óleo). Deste
modo, as seguintes regras ajudam à boa prática de projeto/seleção do redutor:
• Máxima redução no parafuso sem-fim/roda tangente: u = 50:1 (i = 1 filete).
• Rotação do sem-fim: quanto maior, menor será a eficiência.
• Elevadas reduções: se a opção for por um redutor de eixos paralelos, a máquina poderá ter muitos
andares de redução e dimensões incomportáveis com a arquitetura do sistema em que se inte-
gre. Boa solução: combinar redutores sem-fim com redutores de eixos paralelos, cuidando natu-
ralmente que, não só a rotação à saída se cumpra, mas também o atravancamento seja razoável.
• Colocar o redutor sem-fim como “rápido” (associado à fonte de potência de alta rotação) e de-
pois ligado a um redutor convencional é errado, pois as perdas mecânicas serão maiores que a
montagem contrária. O sem-fim é mais eficiente com baixa velocidade no fuso.
• O número de entradas no fuso (filetes) deve ser, sempre, maior do que 1 e com limite i = 4. Pelas
expressões anteriores podemos ver que, com o aumento do número de entradas (i), aumenta-
mos o ângulo de hélice (γ), que por sua vez contribui para aumentar o rendimento da engrena-
gem, independentemente do coeficiente de atrito (μ) entre a roda e o parafuso sem-fim. No en-
aumentamos
tanto, o ângulo
isto só é válido devalores
para hélice de
(γ),ângulo
que pordesua vez (γ)
hélice contribui parapois
até os 45°, aumentar
a partirodaí
rendimento
o rendimen-
da engrenagem, independentemente do coeficiente de atrito (μ) entre a roda e o parafuso
tosem-fim.
decresceNo atéentanto,
se poder chegar
isto ao encravamento
só é válido para valores(para elevados
de ângulo ângulos
de hélice (γ) de
atéhélice)
os 45°,opois
que asig-
partirimpossibilidade
nifica daí começa a existir umacomo
mecânica, impossibilidade mecânica,
traduz o gráfico como4.10.
da figura traduz o gráfico da figura
4.10.

1-

0,8-
Rendimento - 

0,6-

0,4-

0,2-

0 |- | | | | |
0 20 ° 40 ° 60° 80 ° 100 °
Ângulo de hélice – γ (°)
Figura 4.10 - Rendimento () da engrenagem de parafuso sem-fim, em função do ângulo de
hélice4.10
Figura (γ) eRendimento
coeficiente(η)
deda
atrito (μ).
engrenagem de parafuso sem-fim, em função do ângulo de hélice (γ) e
coeficiente de atrito (μ).
Qualquer sistema de transmissão de potência está associado a um rendimento inferior a 100%,
já que existem perdas de potência relacionadas, normalmente, com as forças de atrito que se
Qualquer sistemaentre
desenvolvem de transmissão de potência
os diferentes está associado
componentes a um rendimento
em movimento relativo. inferior
No casoa 100%,
das já
que existem perdas
transmissões com de potência
coroa relacionadas,
e parafuso-sem fim,normalmente, comacentuada
essa perda é mais as forças de atrito que
quando se desen-
comparada
volvem
com osentre os diferentes
restantes tipos de componentes em movimento
transmissão. Estimar a potênciarelativo.
perdida,No caso das transmissões
normalmente sobre a forma com
coroa e parafuso
de calor, ajuda osem-fim, essa
projetista perda é maisoacentuada
a dimensionar quando comparada
cárter do mecanismo, comososelementos
assim como, restantes de
tipos
dedissipação
transmissão. Estimar
de calor a potência
associados perdida,
(alhetes normalmente sobre a forma de calor, ajuda o projetis-
ou outros).

122 INTRODUÇÃO AO PROJETO MECÂNICO


Alhetas de refrigeração
CAPÍTULO 5
ROLAMENTOS E CHUMACEIRAS

5.1. ROLAMENTOS

5.1.1. Introdução
Um rolamento é um suporte, ou uma guia, que permite o movimento relativo controlado entre dois,
ou mais componentes de um órgão mecânico. A sua utilização evita a fricção de deslizamento entre
as superfícies em movimento relativo, passando a haver movimento de contacto sem deslizamen-
to entre partes do próprio rolamento. As perdas mecânicas reduzem-se deste modo ao mínimo, fi-
cando dependentes da deformação entre os corpos rolantes na área de contacto. São constituídos
por um anel interno, um anel externo e elementos de revolução como esferas, rolos ou agulhas po-
sicionados entre os dois anéis (Figura 5.1).

As vantagens da utilização de rolamentos são várias:


• Solução permutável e pronta a funcionar sem ajustes.
• Baixa necessidade de lubrificação. Nos rolamentos blindados a lubrificação sólida assegura a vida
útil do rolamento.
• Baixas perdas por fricção em baixa rotação, ligeiro aquecimento.
• Baixos custos de produção devido à produção em massa.

As principais desvantagens são:


• Dimensões radiais relativamente elevadas.
• Redução da rigidez radial e axial com o desalinhamento angular do eixo de rotação.
• Resistência rotacional, ruído e vida curta para elevadas rotações.
• Sensibilidade às cargas de impacto e vibração.

Os rolamentos são o principal tipo de suporte em rotação em máquinas: no automóvel existem mais
de 30 rolamentos, num veículo pesado mais de 120 e num avião mais de 1000.

CAPÍTULO 5. ROLAMENTOS E CHUMACEIRAS 135


rolos, e os 4600 Mpa, para um rolamento de esferas. A deformação residual, no elemento de revolução
e na pista do anel, consequência destes níveis de tensão de contacto, é aproximadamente igual a
0,00001 do diâmetro do elemento de revolução. Considera-se, para termos de dimensionamento da
carga estática (Co), que o rolamento se encontra parado, ou em rotação inferior a 10 rpm. Os valores
de capacidade de carga estática dos rolamentos (Co) são calculados, primeiramente, pelo projetista
e, depois, fornecidos pelos catálogos dos fabricantes de rolamentos. Além da carga estática, os
rolamentos devem ser, também, dimensionados em termos das cargas dinâmicas (C) associadas à
vida útil dos rolamentos, ou seja, ligadas ao processo de ruína, por fadiga, dos elementos rolantes.
A carga dinâmica tem de ser verificada para os casos de aplicações com uma rotação superior a 10
rpm. Este dimensionamento envolve fatores associados à velocidade de rotação, ao tipo de aplicação,
à temperatura de funcionamento, estimativa de vida de funcionamento e probabilidade de falha
(figura 5.8).

σH adm (MPa)

3000 -
Probabilidade de falha
2750 -

2500 -

2250 -
1% 10% 30% 50% 70%

2000 - | | |
6 7
10 10 108
Número de ciclos de carga até à fratura

Figura 5.8 Variação da Tensão de Hertz admissível com o número de ciclos de carga e probabilidade de falha.

5.1.5.1. Capacidade de carga estática (Co)


É a carga que provoca, na pista e elemento rolante, uma deformação plástica de 0,001% do diâme-
tro do elemento rolante, ou seja, uma pressão de Hertz de 4GPa (ISO 76). A capacidade de carga es-
tática (C0) é determinada com as expressões:

‫ܥ‬଴ ൌ ݂௦ ή ܲ଴ ܲ଴ ൌ ܺ଴ ή ‫ܨ‬௥ ൅ ܻ଴ ή ‫ܨ‬௔

• C0 – capacidade de carga estática [kN]


• fs – coeficiente de segurança [adimensional]
• P0 – carga estática equivalente [kN]
• X0 – fator radial [adimensional]
• Yo – fator axial [adimensional]

142 INTRODUÇÃO AO PROJETO MECÂNICO


recomendada para o lubrificante. O aspeto gráfico do fator de atrito, em função do número de
Sommerfeld (S), para chumaceiras radiais, apresenta-se na figura 5.13.

f - Coeficiente de atrito lubrificante

(termina com μ ≅ 0,15)


A

Zona de atrito sólido (risco de gripagem)


0,015 -

0,01 -
Lubrificação de camada limite
μ ≅ 0,0015
Lubrificação fluida D
0,005 - B
C
0- S -Número de Sommerfeld

0 0,004 0,008 0,012 0,016 0,020

Figura
Figura5.13 Coeficiente
5.13 de de
– Coeficiente atrito lubrificante
atrito (f),(f),
lubrificante emem
chumaceiras
chumaceirasradiais
radiaisde
dedeslizamento:
deslizamento: válido
válido se
se b/D
 [0,25
b/D ∈a [0,25
0,75]a(b0,75]
– comprimento da chumaceira,
(b – comprimento D – Diâmetro
da chumaceira, da chumaceira).
D- Diâmetro da chumaceira).

Naefetuar
Para figura 5.13 é possível destacar
dimensionamento pormenores importantes:
de chumaceiras de deslizamento é necessário conhecer a pressão
de•contacto AB (praticamente
A curvaadmissível, reta) descreve
em condições normaisatrito sólido; há efetivo(lubrificação
de funcionamento contacto deassegurando
superfícies. atrito
• A curvaou,
lubrificante BCpelo
refere-se
menos,à lubrificação
de camada de camada
limite limite;
em curta o atritoAétabela
duração). muito 5.14
baixo, contudo
indica esta da
os valores
pressãosituação
médiaéainstável.
máxima,Pode ser favorecida
em vários tipos decom o acabamento
máquinas. Importasuperficial,
notar que rugosidade mínima
os valores na tabelae 5.14
material com
são indicativos. capacidade
Com de absorver
o progresso lubrificante
na investigação empor capilaridade;
aditivos pode,pressão
de extrema ainda, ocorrer risco
para lubrifican-
de contacto sólido no arranque sistema.
tes, bem como em materiais com baixo atrito, podem-se conseguir pressões admissíveis maiores do
que curva CDassim
• asA indicadas, indica lubrificação
como, fluida, mecânica
maior eficiência sem contacto sólido (é praticamente reta):
e longevidade.
funcionamento do sistema à velocidade nominal.
Tabela 5.14 Pressão de contacto admissível (p) em chumaceiras rotativas de carga radial.
Para efetuar dimensionamento de chumaceiras de deslizamento é necessário conhecer a
pressão de contactoApoio
Máquina admissível,Pressão
em condições
máxima normais
μ (Pa.s) de funcionamento
c/D (lubrificação
b/D
(Mpa)
assegurando atrito lubrificante ou, pelo menos, de camada limite em curta duração). A tabela
Cambota 6 a 12 +/-0.0005 0,25~0,75
Motores a gasolina
5.14 indica os valores dacabeça
pressão média Devários
0,035 atipos de máquinas. Importa notar
Biela: 10 a máxima, em
a 20 +/-0.0005 0,25~0,75
(auto e avião) 0,038 (60ºC)
Pé (pino)
que os valores na tabela 15 a 25 Com o progresso na investigação
5.14 são indicativos. +/-0.00025 em aditivos
0,25~0,75
de
extrema pressão para
Motores Diesel
lubrificantes, bem
Cambota 3 a 6 como em materiais com
De 0,038 a
baixo (lig)
+/-0.0005 atrito, podem-se
0,25~0,75
Biela: cabeça 8 a 15 +/-0.0005 (lig) 0,25~0,75
conseguir
(todos) pressões admissíveis maiores do que as0,06
Pé (pino) 10 a 20 indicadas,
(60ºC) assim como, maior eficiência
+/-0.001 (psd) 0,25~0,75
mecânica e longevidade.
Turbinas a vapor Principais 0,7 a 2 0,025 (80ºC) +/-0.001 0,75~1,5

Cambota 30 +/-0.001 0,75~1,5


Prensas mecânicas 0,135 (40ºC)
Biela 60 0,75~1,0
23

Outro parâmetro importante no processo de dimensionamento está relacionado com a compa-


tibilidade tribológica das superfícies em deslizamento. Entende-se por compatibilidade tribológi-

158 INTRODUÇÃO AO PROJETO MECÂNICO


CAPÍTULO 6
ELEMENTOS DE LIGAÇÃO, GUIAMENTO E FORÇA

6.1 – Chavetas e veios estriados


6.1. CHAVETAS E VEIOS ESTRIADOS

6.1.1.
6.1.1 –Chavetas
Chavetas
Para a transmissão de binário/momento entre veios e engrenagens, polias, fusos, cubos, acopla-
Para a transmissão de binário/momento entre veios e engrenagens, polias, fusos, cubos,
mentos elásticos, etc., utilizam-se normalmente chavetas paralelas ou de meia-lua. A função das
acoplamentos
chavetas elásticos,
paralelas etc., utilizam-se
fixas (extremidades normalmente
curvas) chavetas
é mais eficiente paralelas
quando ou de meia-lua.
a montagem A
é feita com
função
uma dasinterferência
ligeira chavetas paralelas
entre ofixas
veio(extremidades curvas) é amais
e o cubo, aumentando eficientedoquando
centragem a montagem
cubo no veio, assim
é feita com uma ligeira interferência entre o veio e o cubo, aumentando a centragem
como, evitando a corrosão galvânica. As chavetas paralelas móveis são utilizadas em ligações do cubo
des-
no veio,permitindo
lizantes, assim como,o evitando a corrosão
deslocamento galvânica.
axial do As chavetas paralelas
cubo relativamente móveis
ao veio, em são utilizadas
simultâneo com a
em ligações deslizantes, permitindo o deslocamento axial do cubo relativamente ao
transmissão do momento entre os mesmos (Ex. deslocamento de um pinhão numa caixa de velo-veio, em
simultâneo
cidades). com a transmissão
As chavetas do momento
paralelas têm uma secção entre os mesmos
retangular (Ex. deslocamento
com pequenos chanfrosde
nasum pinhão
faces, por
numa caixa de velocidades). As chavetas paralelas têm uma secção retangular com pequenos
forma a facilitar a sua montagem (figura 6.1), e podem ter furos para fixação por parafuso. São ele-
chanfros
mentos nasdimensões
com faces, por normalizadas,
forma a facilitar a sua
norma montagem
DIN 6885, pelo(figura 6.1),
que são e podem ter
selecionadas furosde
a partir para
ta-
fixação
belas, por parafuso.
dependendo do São elementos
diâmetro com
do veio dimensões
(tabela normalizadas,
6.1), sendo norma aDIN
depois verificada 6885,em
junção pelo que
termos
sãoresistência
de selecionadas a partir de tabelas, dependendo do diâmetro do veio (tabela 6.1), sendo depois
mecânica.
verificada a junção em termos de resistência mecânica.

b lc

cubo
t2
h Ft
t1

veio veio
L

d
Chaveta paralela fixa

Figura 6.1 – Representação de chaveta fixa montada, dimensões e força tangencial sobre esta.
Figura 6.1 Representação de chaveta fixa montada, dimensões e força tangencial sobre esta.
O dimensionamento/verificação das chavetas está relacionado, por um lado com a resistência
ao corte do material da chaveta (τa adm), devido ao esforço gerados pela ação da força tangencial
CAPÍTULO 6. ELEMENTOS DE LIGAÇÃO, GUIAMENTO E FORÇA 165
(Ft) na secção horizontal da chaveta (L x b) e, por outro, com a resistência à compressão-
esmagamento (σd adm) do material, já que esta força tangencial tende a esmagar a chaveta contra
o cubo. As expressões para os respetivos cálculos são as seguintes:
6.2. ACOPLAMENTO POR PRESSÃO VEIO-CUBO

6.2.1. Introdução
O princípio de funcionamento das ligações forçadas veio-cubo baseia-se na pressão de contacto e
atrito presentes nas superfícies de interface veio-cubo, quando estas são montadas com interferên-
cia diametral, permitindo desta forma a transmissão de potência entre o veio e o cubo. Este tipo de
montagem por interferência gera pressões de contacto (pc) nas superfícies de montagem, que ori-
ginam deformações e tensões permanentes no veio e no cubo (figura 6.3), aumentando com a pres-
são de contacto (pc) e, logo, com o valor nominal da interferência (Δ) entre o diâmetro do veio (d) e
o diâmetro do cubo (D). A pressão de contacto (Pc), na interface, é também influenciada pelas forças
de inércia que se geram no cubo, associadas à sua velocidade de rotação (ω).

D
d

cubo Pc L

veio

Figura 6.3 Representação esquemática de ligação por interferência veio-cubo.

Este tipo de ligação é considerada na maior parte das aplicações permanente, o que pressupõe al-
gum limite em termos de desmontagem e remontagem destes conjuntos. A montagem por inter-
ferência prevê a utilização de força relativamente elevada, disponível com cilindros hidráulicos ou
sistema de montagem/desmontagem com parafuso ou alavancas. Para prevenir o arrancamento
de material e diminuir a força de inserção, as superfícies são lubrificadas. Uma forma de diminui-
ção dos esforços de inserção é proceder ao aquecimento do cubo ou/e ao arrefecimento do veio.
No entanto, a temperatura de aquecimento tem de ser inferior à temperatura mínima de têmpe-
ra. Por efeito das flutuações de carga no veio-cubo, a tensão na interface vai variar ciclicamente, o
que se pode associar a um efeito de fadiga na superfície do veio e cubo e, logo, ao efeito de cor-
rosão galvânica na interface, que pode conduzir a uma redução do nível de interferência e, assim,
colocar em risco a ligação. Então, para reduzir o efeito da corrosão galvânica ou a sua influência na
interface, deve-se utilizar um fator de reserva ou segurança (K), que pode assumir diferentes valo-
res em função da aplicação.

CAPÍTULO 6. ELEMENTOS DE LIGAÇÃO, GUIAMENTO E FORÇA 171


CAPÍTULO 7
VEIOS DE TRANSMISSÃO

7.1. CONCEITOS GERAIS

7.1.1. Introdução
Um veio é um elemento mecânico, geralmente com secção circular, que serve para montagem de
elementos rotativos transmissores de potência. Podem ser polias para transmissão mecânica (por
correias ou correntes), engrenagens e volantes de inércia, também capazes de transmitir-receber
potência por variação da energia cinética em rotação. O projeto de um veio é um processo iterativo
que considera como parâmetros iniciais a potência a transmitir e a velocidade de rotação. A geome-
tria resultante é uma consequência desses parâmetros, mas que por si só não são suficientes para
a sua definição, pois a geometria do veio está condicionada pelas soluções construtivas de fixação
e apoio de todos os elementos a que dá suporte, tais como estrias, chavetas, transições de diâme-
tro, etc. A secção escalonada ao longo do eixo do veio facilita a montagem e assegura a estabilida-
de dos elementos mecânicos atrás mencionados (figura 7.1).

a) Árvore primária Árvore secundária

Árvore intermédia

b)
Árvore máquina ferramenta

Figura 7.1 Execuções de desenho técnico a) árvore primária, árvore intermédia e árvore secundária de
caixa de velocidades; b) árvore de máquina ferramenta.

CAPÍTULO 7. VEIOS DE TRANSMISSÃO 209


w34  w x234  w z234 e  34   x234   z234 ; w12  w x212  w z212 e 12   x212   z212

4 Z4 z
x
4 Z4
B
α x
L1 Z3 y
B
Fα
43
L1 3 Z3 y
F43 Z2
3 L2
2
Z1 L2 Z2

1 2
Z1 L3
α
A
1 F12
L3
α
A
F12 

Figura 7.5 Veio de redutor com duas rodas dentadas e engrenamento fora do plano. 

7.3.3. Exercícios

7.3.3.1. Exercício 1
Determinar o diâmetro mínimo para o veio com as dimensões e forças indicadas na figura. O objetivo é
obter o diâmetro mínimo que assegure a flecha admissível na seção de montagem da engrenagem 3.

F2=1500N
F1=1000N
1 4
2 3

50 100 90

a) Momento fletor:

Usamos técnicas de estática de vigas simplesmente apoiadas ou a sobreposição de expressões indica-
das anteriormente para veios de secção constante. Quando houver mais do que uma força temos:
R1 – reação à esquerda: R1 = [1000 × (100 + 90) + 1500 × 90] / (100 + 90 + 50) = 1354,167 N
R4 – reação à direita: R4 = [1500 × (100 + 50) + 1000 × 50] / (100 + 90 + 50) = 1145,833 N

CAPÍTULO 7. VEIOS DE TRANSMISSÃO 219


CAPÍTULO 8
CÁRTER DE MECANISMOS

8.1. ARQUITETURA

8.1.1. Introdução
O cárter é a estrutura que suporta e protege todos os componentes que compõem um mecanis-
mo, possibilitando as condições necessárias ao seu correto funcionamento. Existe um conjunto de
requerimentos associado ao seu projeto, que passam por:
• Absorver e resistir aos esforços gerados durante o funcionamento do mecanismo;
• Garantir a posição correta e estável dos veios/árvores e engrenagens entre si, nos diferentes
modos de funcionamento;
• Assegurar uma boa dissipação térmica;
• Isolar e amortecer os ruídos gerados pelo movimento dos componentes;
• Ser fácil de instalar e de remover;
• Garantir a acessibilidade aos componentes para substituição/manutenção;
• Apresentar uma boa rigidez e boa resistência mecânica combinada com baixo peso;
• Assegurar as necessárias condições de lubrificação aos componentes;
• Assegurar uma boa vedação entre o ambiente interior e exterior.

8.1.2. Tipos de arquitetura


O cárter pode ser concebido com uma arquitetura clássica integral/fechada, com tampas para aces-
sibilidade, ou por meio de partes separáveis. Neste último caso, estas podem ser separadas pelo pla-
no que contém os eixos dos veios do mecanismo, ou pelo plano médio perpendicular aos eixos dos
veios. (tabela 8.1). As uniões entres as partes separáveis é feita através de ligações aparafusadas e re-
correndo, normalmente, a pinos de centragem total e parcial para garantir o correto alinhamento
das partes após desmontagem e montagem. O desenho do cárter deve ser suficientemente robus-
to por forma a garantir a rigidez necessária à cadeia cinemática. Como essa rigidez não pode ser ad-
quirida à custa de muito mais peso, estes são normalmente concebidos com paredes pouco espes-

CAPÍTULO 8. CÁRTER DE MECANISMOS 239


8.2.2. Espessura mínima de parede
Grande parte dos cárteres de mecanismos é obtida por processos de fundição ou construção solda-
da, sendo posteriormente submetidos a diferentes operações de maquinagem, nas zonas funcionais,
por forma a garantir as dimensões e as tolerâncias dimensionais e geométricas que garantem a boa
montabilidade e o funcionamento de todos os componentes. No caso dos cárteres de fundição em
areia, coquilha por gravidade ou injetada, sugerem-se de seguida algumas regras e dimensões indi-
cativas, a ter em consideração durante o projeto do cárter. Chama-se a atenção para o facto de estas
indicações serem genéricas, pelo que o projetista deve ter o sentido crítico necessário para julgar se
a indicação aqui mencionada faz ou não sentido aplicada ao seu caso concreto.

As regras indicativas são as seguintes (Figura 8.16):


• As paredes do cárter devem apresentar uma espessura o mais uniforme possível (a);
• Evitar os ângulos retos na transição de geometria, optando por raios de concordância (b);
• Evitar a ligação em cruz das espessuras das paredes, a fim de eliminar a acumulação de matéria (c);
• Reforçar as paredes longas com nervuras, para evitar as suas deformações;
• Assegurar a rigidez e a resistência do cárter pela aplicação de nervuras em vez do aumento das
espessuras das paredes (d);
• Privilegiar formas em caixão (fechadas), quando se pretende uma boa resistência à torção, e pri-
vilegiar as formas nervuradas quando se pretende boa resistência à compressão;
• Sempre que possível, substituir as bossas (por exemplo para apoio da cabeça dos parafusos) por
maquinações locais (e);
• Ter em consideração, na conceção do cárter, o sentido da desamoldação, a fim de evitar contra
saídas tendo em conta os ângulos de saída;
• Evitar as forma pouco elásticas.

R=E+e A evitar Preferencial


e E
a) Fresagem
e)
e R = (E+e)/2
b) e

e
c)
c)
R = e; e < 10
d) en = 0,8·e
b) R = 0,3·e; e≥10

e
Lmin = 2·e

Figura 8.16 – Representações esquemáticas das regras indicadas (e – espessura).


Figura 8.16 Representações esquemáticas das regras indicadas (e – espessura).

Os principais materiais utilizados na fabricação dos cárteres de mecanismos são: os ferros


fundidos, os aços, o alumínio, as ligas leves e as ligas de zinco e cobre. Muitas vezes, na fase de
250 INTRODUÇÃO AO PROJETO MECÂNICO
projeto do cárter, uma das primeiras decisões a tomar é determinar a espessura (e) das suas
paredes. A menor espessura que uma peça fundida pode ter depende da colabilidade da liga
metálica. Na tabela 8.2 são indicados valores de espessura mínima de parede para diferentes
Tabela 8.6 Óleos indicados para sistemas mecânicos com rolamentos e engrenagens.

Sintético
Óleo Mineral
Ésteres Poliglicais

Utilização Utilização específica Utilização específica


Usual
Engrenagens Engrenagens
Índice em cSt 80 – 100 (SAE 20 –SAE 30) 130 - 180 60 - 130
Viscosidade
Variação com a temperatura Importante Baixa Baixa
Ponto de congelação -40 °C a -15 °C -70 °C a -30 °C -70 °C a -30 °C
Ponto de inflamação < 240 °C 200 a 240 °C Não inflamável
Estabilidade térmica Média Boa Excelente
Compatibilidade com vedantes e juntas Boa A verificar Boa
Índice de preço 1 3- 10 500

Da lubrificação depende muitas vezes a duração de um mecanismo. Assim, é particularmente acon-


selhado que os cárteres de mecanismos estejam devidamente projetados e providos dos elementos
que assegurem a correta manutenção da lubrificação. Entre estes está a dotação, no cárter, do me-
canismo de aberturas que permita o fácil enchimento do óleo, assim como, do orifício que permi-
te visualizar (bujão com vidro/policarbonato) ou controlar o nível do óleo (através de um bojão com
vareta) e também um orifício para drenagem/mudança do óleo. O fundo do cárter deve ser ligeira-
mente inclinado para que o óleo residual, durante a drenagem, se aproxime do orifício de saída. O
se aproxime
bujão do orifício
de drenagem devedesersaída. O bujão
composto porde
umdrenagem
elementodeve ser composto
magnético um elemento
(íman), por forma a captar e
magnético
aprisionar (íman),
todas por forma
as partículas a captar
metálicas queeseaprisionar todas
libertam por as de
efeito partículas
desgastemetálicas que com-
dos diferentes se
libertam por
ponentes. efeitopode
Também de desgaste dos diferentes
ser de interesse componentes.
considerar a utilizaçãoTambém pode ser
de ventiladores nade interesse
parte superior
considerar
do a utilização
cárter. Estas de ventiladores
considerações na parteimportantes
são principalmente superior doem
cárter. Estas considerações
mecanismos sãopor
de transmissão
principalmente
engrenagens importantes
como redutoresem mecanismos
e caixas de transmissão
de velocidades por engrenagens como redutores
(figura 8.23).
e caixas de velocidades (figura 8.23).

Bujão de enchimento
do óleo
Bujão com vareta para
verificação do nível de óleo

Bujão para drenagem do óleo

Figura 8.23 – Elementos para enchimento, nível e drenagem de óleo num cárter de redutor.
Figura 8.23 Elementos para enchimento, nível e drenagem de óleo num cárter de redutor.

258 INTRODUÇÃO AO PROJETO MECÂNICO


das estruturas adjacentes à referida junta. Neste caso, a pressão mínima na junta entre dois
e caixas de velocidades a pressão de contacto situa-se entre os 2 e os 50MPa. Esta pressão
parafusos consecutivos é um critério decisivo para assegurar o correto funcionamento da
deve estar o mais uniformemente distribuída ao longo da junta, o que implica um bom projeto
A pressão
junta. de contacto na junta depende da aplicação em concreto, no entanto, para redutores
das estruturas adjacentes à referida junta. Neste caso, a pressão mínima na junta entre dois
e caixas de velocidades a pressão de contacto situa-se entre os 2 e os 50MPa. Esta pressão
parafusos consecutivos é um critério decisivo para assegurar o correto funcionamento da
deve estar o mais uniformemente distribuída ao longo da junta, o que implica um bom projeto
junta.– Exemplos de vedação
das8.4.5
8.4.5. Exemplos de vedação
estruturas adjacentes à referida junta. Neste caso, a pressão mínima na junta entre dois
Nasparafusos
figuras consecutivos
Nas seguintes
figuras é um
seguintes critério
encontram-se
encontram-se decisivo
representadas para assegurar
representadas
algumas deovedação,
algumas
soluções correto funcionamento
soluções
que de vedação,
combinam daque
dife-
junta.
combinam
rentes tipos
8.4.5de diferentes
vedantes
– Exemplos de tipos deevedantes
decontacto
vedação defeltoresde
decontacto e defeltores
poeiras para proteçãode
dospoeiras para
vedantes proteção dos
e rolamentos.
vedantes e rolamentos.
Nas figuras seguintes encontram-se representadas algumas soluções de vedação, que
combinam
8.4.5 diferentes
– Exemplos tipos de vedantes de contacto
de vedação Junta planae defeltores de poeiras para proteção dos
Rolamento Defletor
vedantes e rolamentos.
Nas figuras seguintes encontram-se representadas algumas soluções de vedação, que
Vedante radial
combinam diferentes tipos de vedantes de contacto
Juntaeplana
defeltores de poeiras para proteção dos
Rolamento Defletor
Defletor
vedantes e rolamentos.
Vedante radial
Junta plana O-ring
Rolamento Defletor
Defletor

Vedante radial

O-ring
Defletor

Figura 8.29 – Exemplo de conceção de sistema de vedação.


Figura 8.29 Exemplo de conceção de sistema de vedação. O-ring O-ring

Labirinto
Figura 8.29 – Exemplo de conceção de sistema de vedação.
Goteira V-ring
O-ring

Labirinto
Figura 8.29 – Exemplo de conceção de sistema de vedação. V-ring
Goteira V-ring
O-ring

Labirinto
V-ring
Goteira V-ring

Golas de retenção
V-ring

Figura 8.30 – Exemplo de conceção de sistema de vedação.


Golas de retenção
V-ring
Folga radial
Figura 8.30 – Exemplo de conceção de sistema de vedação.
Figura 8.30 Exemplo de conceção de sistema de vedação. Golas de retenção

V-ring
Folga radial
Figura 8.30 – Exemplo de conceção de sistema de vedação.

Folga radial V-ring


FolgaVedante
radial radial

31
Folga radial
Vedante radial

31
Folga radial
Vedante radial

31

Figura 8.31 Exemplo de conceção de sistema de vedação vertical..

268 INTRODUÇÃO AO PROJETO MECÂNICO


CAPÍTULO 9
PROCEDIMENTOS PARA PROJETO

9.1 – Caixas de velocidades


9.1. CAIXAS DE VELOCIDADES

9.1.1.
9.1.1 Veículos
– Veículos

9.1.1.1 – Potência consumida


9.1.1.1. Potência consumida
Esquematicamente,
Esquematicamente, um veículoéécomposto
um veículo compostoporpor
umum motor,
motor, uma uma
caixa caixa de velocidades,
de velocidades, rodas e
rodas e carro-
carroçaria, sendo
çaria, sendo este este conjunto
conjunto sujeitosujeito a diferentes
a diferentes forças
forças em em
função função
das das condições
condições da marcha eda
domarcha
per-
e do perfil
fil da dacirculação
via de via de circulação (figura 9.1):
(figura 9.1):
• Forças de propulsão no contacto dos pneus com a estrada;
• Forças de propulsão no contacto dos pneus com a estrada;
• Forças resistentes: aerodinâmicas, de atrito no contacto dos pneus com a estrada, devido à incli-
• nação
Forças resistentes:
da estrada aerodinâmicas,
e à inércia do veículo. de atrito no contacto dos pneus com a estrada,
devido à inclinação da estrada e à inércia do veículo.
Estas forças
Estas forçasintervêm no movimento
intervêm no movimentododoveículo,
veículo, podendo
podendo exprimir-se
exprimir-se cadacada situação
situação dinâmica
dinâmica em
emtermos
termos de potência.
de potência. Assim,Assim, o modelo
o modelo mecânico
mecânico de um
de um veículo veículo é caracterizado
é caracterizado pordeum
por um conjunto
curvas de
conjunto depotência consumida
curvas de potência(figura 9.1). Para
consumida um objetivo
(figura de performance
9.1). Para um objetivo- de
queperformance
é escolhido pelo
- que
marketing –pelo
é escolhido pode-se deduzir–a pode-se
marketing potência mínima
deduzirdo motor do veículo,
a potência mínimatendo em conta
do motor o rendimen-
do veículo, tendo
emtoconta
da cadeia cinemática. Podemos
o rendimento converter
da cadeia a velocidade
cinemática. Podemosdo veículo (Km/h)
converter em velocidade
a velocidade dode ro-
veículo
tação das rodas (rpm) em função do perímetro do pneu (Pp):
(Km/h) em velocidade de rotação das rodas (rpm) em função do perímetro do pneu (Pp):
��(����) ����
��(���) = ���(�)
∙ ��

Se estivéssemos na presença de uma ligação direta do motor às rodas, teríamos a curva de


Se estivéssemos na presença de uma ligação direta do motor às rodas, teríamos a curva de potên-
potência “B” das rodas no motor (figura 9.1). A curva de potência do motor de combustão
cia “B” das rodas no motor (figura 9.1). A curva de potência do motor de combustão interna é a curva
interna
“A”. As éduas
a curva “A”.
curvas A eAs duas
B não se curvas A e Bo não
tocam, logo se tocam,
sistema logo oAssim,
não funciona. sistema não funciona.
torna-se necessárioAssim,
uti-
torna-se necessário
lizar uma utilizar umaque
caixa de velocidades, caixa
nãode velocidades,
é mais do que umque não é mais do quee que
redutor/multiplicador um redutor
se traduzena
que
se expressão
traduz naK=N
expressão
saida
/NentradaK=N
, quesaida /Nentradaa, velocidade
aumenta que aumenta a velocidade
da árvore de entradadadaárvore de entrada
caixa (curva “C”), tor- da
caixa (curva
nando-a “C”), tornando-a
compatível compatível
com a do motor com a do
e, inversamente, motor e,
diminuindo inversamente,
o binário a entregar diminuindo
pelo motor. o
binário a entregar pelo motor.
Pot
CAPÍTULO 9. PROCEDIMENTOS PARA PROJETO 269
Pot
Fr_ar ênci Potência do motor
ênci
a necessária (mínima)
a Es
cons η pa
Fr_α G F_prop α- Potência cons ço
umi B A de
α- 0% mínima
operação seja facilitada em todas as circunstâncias (figura 9.12). Nestas caixas é possível
estimar de uma forma empírica a distância entre as duas árvores (E) através da expressão:

� � � � √������� , onde ϕ é um coeficiente em função do tipo de utilização; ϕ = 11,5 para
viaturas ligeiras, ϕ =18,5 para viaturas pesadas e ϕ =23 para tratores; M é o binário de
entrada. Em veículos ligeiros, dependendo do binário, o entre eixo situa-se entre 60 e 90mm.

     , onde ϕ é um coeficiente em função do tipo de utilização; ϕ = 11,5 para
Posição de ponto-morto Posição de 2ª velocidade
Árvore primária
viaturas ligeiras, ϕ =18,5 para viaturas pesadas e ϕ =23 para tratores; M é o binário de entrada.
❺ ❷
❹ ❸❷
M-AT dependendo
Em veículos ligeiros, do binário,
❶ o entre eixo situa-se entre 60 e 90mm.
Diferencial

Posição de ponto-morto Posição de 2ª velocidade


Árvore primária
❺ ❹ ❷
M-AT ❸❷ ❶
Diferencial

Árvore
secundária

Dentes de topo (rodas livres) Mangas de acoplamento


Posição de 3ª velocidade
Árvore Posição de 1ª velocidade
❶ ❸
secundária

Dentes de topo (rodas livres) Mangas de acoplamento


Posição de 3ª velocidade
Posição de 1ª velocidade
❶ ❸

Figura 9.6 – Cinemática da caixa de velocidades de 2 árvores com 5 velocidades e marcha


Figura 9.6 Cinemática da caixa de velocidades de 2 árvores com 5 velocidades e marcha atrás.
atrás.

Uma forma
Uma forma mais precisa
mais precisa de determinar
de determinar o entreo eixo
entre eixo é em
é tendo tendo emaconta
conta a solução
solução construtiva
construtiva para a
Figura
para9.6a –marcha
Cinemática da A
atrás. caixa de velocidades
forma mais comum de 2é árvores
instalarcom
a 5 velocidades
marcha atrás e marcha
sobre a atrás. de
manga
marcha atrás. A forma mais comum é instalar a marcha atrás sobre a manga de acoplamento da 1ª
acoplamento da 1ª velocidade (figura 9.7).eixo
O deslizamento do pinhão
Uma forma
velocidade mais 9.7).
(figura precisa de determinar
O deslizamento doo entre
pinhão é tendo em
intermédio daconta atrásintermédio
a solução
marcha da para
iráconstrutiva
estabelecer marcha
o en-
atrás irá
a marcha atrás.estabelecer o engrenamento entre a zona dentada da manga de acoplamento eo
grenamento entreAaforma mais comum
zona dentada é instalar
da manga de aacoplamento
marcha atrásesobre a manga
o pinhão de acoplamento
de marcha atrás fixo ao
pinhão
da secundáriode marcha
1ª velocidade atrás fixo ao veio secundário (figura 9.7).
(figura
veio (figura 9.7). 9.7). O deslizamento do pinhão intermédio da marcha atrás irá
estabelecer o engrenamento entre a zona dentada da manga de acoplamentoDistância e o pinhão de
entre eixo
Pinhão intermédio de
marcha atrás
marcha atrásfixo ao veio secundário (figura
Árvore9.7).
primária Movimento de
engrenamento
Pinhão de Distância entre eixo
Pinhão intermédio de
marcha atrás
Árvore primária
marcha atrás Movimento de
engrenamento
Pinhão de
marcha atrás
10

Árvore secundária

Árvore secundária

Manga de acoplamento

Figura 9.7 – Cinemática de engrenamento da marcha atrás, através da manga de acoplamento.


Figura 9.7 Cinemática de engrenamento da marcha atrás, através da manga de acoplamento.

10

CAPÍTULO 9. PROCEDIMENTOS PARA PROJETO 277


CAPÍTULO 10
ANTEPROJETO

10.1. INTRODUÇÃO
Um anteprojeto tem como objetivo a apresentação de todos os cálculos envolvido no dimensiona-
mento e verificação de um mecanismo de transmissão de potência, assim como, explicar o proces-
so utilizado para os efetuar, até à definição final do mecanismo, expresso através do seu desenho
de conjunto e lista de componentes. Procura-se, também, discutir alguns aspetos ligados ao proje-
to e certas opções técnicas. Todos os cálculos apresentados foram realizados em folhas de cálculo,
pelo que em cada item serão apresentadas as principais expressões e parâmetros envolvidos nes-
se mesmo cálculo.

10.2. CADERNO DE ENCARGOS DO MECANISMO


• Caixa de velocidade de uso geral;
• Acionamento por engrenagens paralelas em aço;
• Cárter totalmente fechado;
• Lubrificação por óleo tipo, conveniente por chapinhagem;
• Seleção de velocidade por um único manípulo;
• Potência de entrada – 7.5 kW;
• Velocidade de entrada – 3000 rpm;
• Velocidade mínima de saída – 200 rpm;
• Velocidade máxima de saída – 1600 rpm;
• Número de velocidades – 4;
• Estrutura grupos redutores 2 x 2.

CAPÍTULO 10. ANTEPROJETO 311


RdirZ

Z yy
FdZ

FeZ RdirX

FdX
ResqZ
FeX 95

ResqX
X

20°
Z
Fdr 90°
Z Fe
Veio 2
Fdt 9°

60 Fer Veio 3
X

Fet
X

20° Veio 1
Fe
Z

Figura 10.2 Representação esquemática das forças de engrenamento nos veios e respetivos sistemas
de eixos.

10.5.2. Cálculo das forças nos veios

Veio 1
1º Par (12/48) (esquerda)
���� ������� �� ������
• Força tangecial − Ft = ������� = ��������������� = �������� �� = ��� � = ��� ��
= ����� ��

2º Par (30/30) (direita)


���� ������� �� �����
• Força tangecial − Ft = ������� = ��������������� = ������� �� = ��� � = ��� �� = ���� ��

Veio 2
1º Par + 3º Par
���� �������
• ��� = ��� = �� = ������� = ��������������� = ������ ���
• ۴‫ ܆܍‬ൌ  ” ൌ – ή –‰ʹͲι ൌ ͳͻͺͻǡͶ ή Ͳǡ͵͸͵ͻ͹ ൌ ૠ૛૝ǡ ૚ࡺǢ
(����∙����)∙�� (����∙����)∙��
• ��� = (��t� ∙ sin 9°) + (��� ∙ cos 9°) = (
���∙�∙������∙��
∙ sin 9°) + ((
���∙�∙������∙��
) ∙ tan 20°) ∙ cos 9° =
2�9��� ∙ sin 9° + �2�9��� ∙ tan 20° ∙ cos 9° = ����� �� �
(����∙����)∙�� (����∙����)∙��
• ��� = �(��t� ∙ cos 9°) + (��� ∙ sin 9°) = �(
���∙�∙������∙��
∙ cos 9°) + ((
���∙�∙������∙��
) ∙ tan 20°) ∙ sin 9° =
�2�9��� ∙ cos 9° + �2�9��� ∙ tan 20° ∙ sin 9° = ������ �

CAPÍTULO 10. ANTEPROJETO 317


CAPÍTULO 11
CASOS DE ESTUDO PROPOSTOS

CASO DE ESTUDO 1
Redutor de velocidade de uso geral.
Engrenagens de eixos paralelos com o 1º andar com par concorrente.
Características essenciais:
• Motor de 5 KW/1500 rpm
• Saída a 50 rpm
• Engrenagens helicoidais
• Caixa em fundição, permitindo fácil acesso interno p/ manutenção

CASO DE ESTUDO 2
Redutor de velocidade de uso geral.
Redutor com 1º andar de engrenagens de eixos paralelos e 2º andar de parafuso sem-fim
Características essenciais:
• Motor de 5 KW/1500 rpm
• Saída a 10 rpm
• Caixa em fundição, permitindo fácil acesso interno p/ manutenção

CASO DE ESTUDO 3
Redutor para aplicação específica.
Redutor de parafuso sem-fim para motorizar uma válvula de
guilhotina ou gaveta a aplicar no controle do escoamento de
fuelóleo em instalação petrolífera
Características essenciais:
• Motor de 1.5 KW/1500 rpm
• Saída a 10 rpm
• Caixa em fundição, permitindo fácil acesso interno p/
manutenção

CAPÍTULO 11. CASOS DE ESTUDO PROPOSTOS 335


CASO DE ESTUDO 16
Caixa de velocidades para veículo adaptado.
Características essenciais:
• A caixa tem 5 velocidades + M.A. e recebe acionamento de um motor diesel 4 cilindros.
• Potência do motor: 80 KW a 3000 rpm
• Binário máximo 115 Nm a 1700 rpm
• Relações de transmissão da caixa de velocidades:
1ª – 3,769:1
• Binário máximo
2ª – 1,955:1; 115 Nm a 1700 rpm

• Relações
3ª – 1,281:de
1; transmissão da caixa de velocidades:
4ª – 0,927:11ª
; - 3,769:1
5ª – 0,74:1; 2ª - 1,955:1;
3ª1- 1,281:1;
M.A. – 3,182:
4ª – 0,927:1;
5ª - 0,74:1;
M.A. – 3,182:1
CASO DE ESTUDO 17
Redutor para girar uma grua de lança móvel. Operação em manutenção portuária marítima. A grua
Caso de estudo 17
deve girar sobre uma roda com uma engrenagem de pinhão/ roda. O redutor deve ter eixos verti-
Redutor para girar uma grua de lança móvel. Operação em manutenção portuária marítima. A
cais como se exemplifica.
grua deve girar sobre uma roda com uma engrenagem de pinhão/ roda. O redutor deve ter eixos
Características essenciais:
verticais como se exemplifica.
• Carga a movimentar: 50Ton (momento de inércia dinâmico estimado em 250Ton.m2)
Características essenciais:
• Tempo de aceleração/travagem de 8s durante as rotações
2
• • Carga tangencial
Velocidade a movimentar: 50Ton(a(momento
da lança de inércia
6m do centro): dinâmico estimado em 250Ton.m )
1.5m/s
• • Tempo
Relação de aceleração/travagem
de transmissão de 8se durante
entre o pinhão as rotações
a roda de rotação 10:1 (o pinhão tem 20 dentes e a
roda Velocidade
• 200, com um tangencial
diâmetrodaaproximado
lança (a 6m do
de centro):
1600 mm) 1.5m/s
• Potência do motor:
• Relação a determinar
de transmissão entre o pinhão e a roda de rotação 10:1 (o pinhão tem 20 dentes e
a roda 200, com um diâmetro aproximado de 1600mm)
• Potência do motor: a determinar

Redutor para
rotação da
cabine/lança

6m

Caso de estudo 18
Redutor para girar uma amassadeira de mistura farinha/água na indústria de panificação.

Características essenciais:
340 INTRODUÇÃO AO PROJETO MECÂNICO
• Potência do motor: 0.8KW/1000rpm

8
INTRODUÇÃO AO
PROJETO MECÂNICO
2.ª EDIÇÃO
ANTÓNIO COMPLETO
FRANCISCO Q. DE MELO

Sobre a obra
Este livro destina-se àqueles que desenvolvem estudos ou formação em projeto
mecânico e servirá como referência para engenheiros mecânicos no exercício da
profissão. Supõe-se que os leitores tenham tido cursos básicos de Mecânica ou área afins.
No entanto, os primeiros capítulos servem para rever e estender esses conceitos básicos.
Os restantes tratam da aplicação desses conceitos fundamentais ao projeto mecânico,
com enfâse nos sistemas de transmissão de potência. Aí incluem-se itens como a
organização e metodologia no projeto de um órgão mecânico; o dimensionamento e
verificação de componentes de sistemas de transmissão de potência; a definição da
arquitetura dos mecanismos e procedimentos práticos e de bom senso para o projeto
mecânico, que são complementados por tabelas técnicas que dão suporte aos exercícios
proposto e resolvidos detalhadamente. Apresenta-se o anteprojeto de um sistema de
transmissão de potência, desde o caderno de encargos funcional até à solução final,
apresentada sob a forma de desenho técnico. Para muitos alunos, os conteúdos deste
livro irão permitir uma primeira experiência na abordagem de problemas de engenharia
de nível profissional. Complementarmente são apresentadas propostas didáticas de
casos de estudo para o projeto de mecanismos de transmissão de potência.

Sobre os autores
António Completo
Professor Auxiliar com Agregação da Universidade de Aveiro, lecionando nas áreas
do Projeto Mecânico, Desenho Técnico, Comando Numérico Computorizado e
Biomecânica. É Investigador no Centro de Tecnologia Mecânica e Automação (TEMA)
da Universidade de Aveiro, tendo coordenado como Investigador Responsável vários
projetos de investigação e de cooperação. Desempenhou funções de Chefe de Projeto
e Chefe de Serviço na Direção de Engenharia da Renault Cacia S.A.

Francisco Q. de Melo
Professor Associado da Universidade de Aveiro (2002-presente) e (antigo docente do
Dep. de Engenharia Mecânica da FEUP desde 1976 até 2002. Experiência profissional
na área do projeto mecânico na ADIRA S.A. (Porto) – Máquinas Ferramenta para a
indústria de conformação de chapa (1976-1979), como colaborador da FEUP, e na FASE,
Estudos e Projetos S.A. (Porto) na área do projeto mecânico e estru­tu­ral entre 1979 a
1983, tendo depois ficado em dedicação exclusiva na FEUP até 2002.

Apoio à Edição

ISBN: 978-989-892-750-7

www.engebook.pt

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