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MENDES, Andriele; SILVA, David; SANTOS, Eduardo; JESUS, Gabriel; MIRANDA,

Matheus; DA PAZ, Vitor. Praça Paris e Praça Major Aderbal Costa: Uma analise
comparativa de seus significados para os morados da cidade do Rio de
Janeiro. Artigo de Conclusão do Núcleo 1 da Escola de Engenharia, Centro
Universitário Celso Lisboa, Rio de Janeiro, 2018, 11p.
MENDES, Andriele1
SILVA, David
SANTOS, Eduardo
JESUS, Gabriel
MIRANDA, Matheus
DA PAZ, Vitor
SOUSA, Carlos
MOYSES, Yana

PRAÇA PARIS e PRAÇA MAJOR ADERBAL COSTA: UMA ANALISE


COMPARATIVA DE SEUS SIGNIFICADOS PARA OS MORADORES DA CIDADE
DO RIO DE JANEIRO
RESUMO

Nesse artigo evidenciaremos a importância da praça através do projeto desenvolvido tanto


dentro quanto fora da sala de aula. Após selecionar duas praças de localidades distintas-
Praça Paris e Major Aderbal Costa diagnosticamos diferentes problemáticas, significados e
apropriações destas para os moradores e a Cidade do Rio de Janeiro.

Palavras chaves: Praça Paris, Praça Major Aderbal Costa, significado, apropriação.

PARIS SQUARE and MAJOR ADERBAL COSTA SQUARE: A COMPARATIVE


ANALYSIS OF ITS MEANINGS FOR THE DWELLERS OF THE CITY OF RIO DE
JANEIRO

ABSTRACT

In this article we will highlight the importance of the square through the project developed
both inside and outside the classroom. After selecting two squares of different locations -
Paris Square and Major Aderbal Costa we diagnose different problems, meanings and
appropriations of these for the residents and the City of Rio de Janeiro.

Keywords: Paris Square, Major Aderbal Costa Square, meaning, appropriation.

1. INTRODUÇÃO
1
MENDES, Andriele; SILVA, David; SANTOS, Eduardo; JESUS, Gabriel; MIRANDA, Matheus; DA
PAZ, Vitor graduandos dos Cursos de Engenharia do Centro Universitário Celso Lisboa; SOUSA;
MOYSES, Professores e orientadores dos Cursos de Engenharia do Centro Universitário Celso
Lisboa

1
Esse artigo surgiu a partir do projeto que desempenhamos tanto fora quanto
dentro da sala de aula. Em sala, discutimos sobre possíveis temáticas que envolvam
questões sociais para iniciar o desenvolvimento do projeto, a partir da aula a qual
tivemos que apresentar uma situação de aprendizagem que era representar uma
empresa do ramo de engenharia que desempenha um papel social, manifestou-se a
ideia de buscar a (re)valorização 2 e (re)apropriação3 de espaços públicos após
apresentarem a empresa Retrofit e o ocorrido com o Museu Nacional,
simultaneamente. A partir disso, criamos a agência Paço e um dos nossos projetos é
o Projeto Praça, que é o assunto que abordaremos nesse artigo.
Neste projeto especificamente, analisamos o processo de apropriação, assim
como seus significados para os moradores da Cidade do Rio de Janeiros, de duas
praças: Praça Paris e Praça Major Aderbal Costa.
Nesse sentido, o objetivo deste trabalho é realizar uma análise comparativa
do processo de apropriação e dos significados destas praças - Paris e Major Aderbal
Costa - para os moradores da Cidade do Rio de Janeiro.
Para tanto, foram realizados levantamento bibliográficos sobre a temática e
do processo histórico das duas praças.
Além disso, foram realizadas saídas de campo pelas praças escolhidas, onde
realizamos entrevistas qualitativas semi-estruturadas com a população e
trabalhadores da localidade, observações diretas e fotografias (Figura 1).

Figura 1 - Mapa indicando a distância entre as praças. Fonte: Retirado do Google Maps, 27/11/2018.

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(Re)valorização – Atribuiremos ainda mais valor aos espaços públicos que já possui sua
importância.
3
³ (Re)apropriação – Buscaremos apropriar novamente espaços que foram ou são apropriados
valorizando estes com projetos da Engenharia.
2
A partir disto, o trabalho foi divido: (2) Praça e seus significados; (3) Praça
Paris e Major Aderbal Costa: uma análise comparativa.

2. PRAÇA E SEUS SIGNIFICADOS

A praça pode ser definida de forma ampla, como qualquer espaço público
urbano livre de edificações e que propicie convivência e/ou recreação para quem
frequenta.
Na Grécia temos o primeiro espaço público, até então de que se tem notícias,
como precursor que é a Ágora. A Ágora grega era um espaço aberto, normalmente
delimitado por um mercado, no qual se praticava a democracia direta, visto ser este
o local para discussão e debate entre os cidadãos (MACEDO e ROBBA, 2002).
Mesmo existindo há milênios, este espaço nunca perdeu seu significado:
integrar e socializar as pessoas. Como citado por Araújo, Cândido e Leite (2009), o
lazer é um importante componente da qualidade de vida do cidadão, possibilitando a
integração comunitária e o aumento da autoestima, promovendo uma maior
interação social além do desenvolvimento e da descoberta de novas potencialidades
individuais.
A praça é, também, um espaço dotado de símbolos, que carrega o imaginário
e o real, marco arquitetônico e local de ação, palco de transformações históricas e
socioculturais, sendo fundamental para a cidade e seus cidadãos. Constitui-se em
local de convívio social por excelência (DIZERÓ, 2006).
Segundo Queiroga (2001), a possibilidade do contato interpessoal público,
oferecida pela praça, ainda permite o estabelecimento de ações culturais
fundamentais, desde interações sociais do cotidiano até as manifestações cívicas. A
praça, enquanto espaço do ócio e mesmo do comércio, potencializa a razão
comunicativa e uma noção de identidade urbana que dificilmente o lazer na esfera
de vida privada poderia propiciar.
Com base nas opiniões dos autores, é possível entender que a praça ocupa
um espaço importante na vida das pessoas, as quais frequentam estes espaços, e
não só as pessoas, na história e cultura do bairro e da cidade em que as praças
estão situadas também.

3
3. PRAÇAS PARIS E MAJOR ADERBAL COSTA: UMA ANALISE
COMPARATIVA

A agência tem como objetivo identificar e solucionar problemáticas


envolvendo os espaços públicos do Rio de Janeiro com o intuito de (re)valorizar e na
(re)apropriar estes locais, a partir disso surgiu o Projeto Praças, portanto, nesse
núcleo procuramos analisar as diferenças entre a Praça Paris, localizada no bairro
da Glória, Zona Sul do Rio de Janeiro e a Praça Major Aderbal Costa, localizada no
bairro de Pilares, Zona Norte da mesma cidade. As duas praças são muito díspares
uma da outra, apesar de estarem aproximadamente 13 km distantes uma da outra
em linha reta, como foi mostrado no mapa anteriormente (p.4).
3.1. PRAÇA PARIS

A Praça Paris, localizada na Zona Sul da cidade do Rio de Janeiro, mais


especificamente, no bairro da Glória, foi projetada pelo arquiteto e urbanista francês
Alfred Agache no final da década de 1920 (Figura 2). A princípio era para ser
considerado um jardim e foi inspirado no Palácio de Versalhes, na França. Esta
Praça fazia parte do Plano Agache, que nada mais era um projeto para remodelar a
cidade inspirada no modelo europeu, porém não foi efetivamente implementado.
Décadas depois, a Praça teve partes destruídas por conta das obras do metrô,
ocorridas em 1992, por isso fizeram a obra de restauração do local e também foi o
ano em que gradearam o local para promover melhor preservação e segurança
(Figura 3). Em 1995, a Paris tornou-se patrimônio histórico (RIO PREFEITURA,
1995). E por fim, em 2012, ocorreu a intitulada “revitalização” da Praça (Figura 4).

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Figura 2 – Placa informativa exposta na própria praça. Fonte: Arquivo Pessoal, 15/11/12.

Figura 3 - Placa informativa exposta na própria praça. Fonte: Arquivo Pessoal, 15/11/18.

5
Figura 4 - Placa informativa exposta na própria praça. Fonte: Arquivo Pessoal, 15/11/18.
No dia 15 de novembro realizamos uma pesquisa de campo na Praça Paris,
para diagnosticar a problemática do local e o porquê é pouco frequentada.
Entrevistamos duas moradoras do bairro que relataram com ênfase, sobre a falta de
segurança, na visão delas a presença de moradores de rua que circulam pela Praça
é o motivo que as fazem sentirem inseguras.
Além disso, relataram que aos fins de semana e feriados a movimentação de
frequentadores é maior, fora os eventos que ocorrem ali, no entanto, dias de
semana não há quase ninguém e é bastante perigoso pois o risco de sofrer um
assalto nesses dias é maior. Foi dito também que a partir de 2012 é que a
movimentação da Praça cresceu um pouco mais, anteriormente quase não se via
ninguém, elas acreditam que falta policiamento e ação do poder público.
Na entrada da praça, encontramos uma guarita da Guarda Municipal voltada
para o portão principal (Figura 5), com dois agentes dentro dela, e paramos para
conversar com os mesmos. Perguntamos sobre como funciona o policiamento, e
também qual órgão público era responsável pela limpeza e manutenção da praça.
Em relação à segurança, nos disseram que o local era constantemente vigiado pelos
agentes do programa Aterro Presente (um esforço conjunto da Polícia Militar,
Militares da Reserva do Exército, e Guarda Municipal, para aumentar o policiamento
ostensivo em pontos de muita movimentação na cidade do Rio de Janeiro), e que
era comum vê-los dando voltas na praça; e em relação à manutenção, os agentes

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disseram que a Comlurb envia semanalmente uma equipe de limpeza para podar as
árvores, limpar o chafariz e toda a praça.

Figura 5 - Cabine da guarita vista da entrada do portão principal. Fonte: Arquivo Pessoal, 12/12/2018.

3.2. PRAÇA MAJOR ADERBAL COSTA

A Praça Major Aderbal Costa está localizada na Zona Norte do Rio de


Janeiro, precisamente em Pilares, é uma das praças mais tradicionais do bairro,
onde são realizados encontros e ensaios do bloco Pagodão do Beco.
Ela é uma praça composta em duas partes, uma é chamada de Praça do IAPI
(Figura 6) por conta do conjunto habitacional que fica próximo que tem esse mesmo
nome e a outra é chamada de Praça do Veritas (Figura 7) porque o Colégio Veritas
fica em frente ao local. A primeira parte mencionada, é onde ocorre os eventos,
onde tem quiosques para consumir bebidas e comidas, um espaço voltado para o
público adulto, diferentemente da segunda parte da praça, que é onde está
localizada as quadras esportivas e parquinho para criança.

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Figura 6 - Praça do IAPI. Fonte: Arquivo Pessoal, 24/11/2018.

Figura 7 - Praça do Veritas. Fonte: Arquivo Pessoal, 24/11/2018.

Após visitação de campo nesse local, descobrimos que tudo que é realizado
na praça é fruto da união da comunidade local, desde as pequenas manutenções a
eventos, aos arredores do espaço é bastante familiar, todo mundo se ajuda e se
conhece, é um local importante no cotidiano de quem habita ali. É uma praça
bastante apropriada, porém sem apoio/investimento do poder público. Uma
moradora já idosa, relatou seu descontentamento com as condições em que a praça
se encontra; destruída. Outro morador, uma criança, reclamou da falta de
manutenção do gramado do campo de futebol, ele relatou que há muitas pedras por
baixo do gramado e que isso pode machucá-lo e machucar outras pessoas (Figura
8).

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Figura 8 - Campo de futebol com o gramado gasto. Fonte: Arquivo Pessoal, 12/12/2018.

As ruas e calçamentos em seus arredores estão em condições ruins e o rio


que corre ao lado da Praça do Veritas, corre risco de cheia quando chove.

3.3. ANÁLISE CRÍTICA

Para a análise da Praça Paris, identificamos e utilizamos de dados terciários,


além das entrevistas e observações diretas. Por sua vez, a análise da Praça Major
Aderbal Costa se deu basicamente de dados primários, dado a ausência de
trabalhos sobre esta praça.
Enquanto uma praça tem relevância para a história da cidade do Rio de
Janeiro, a outra possui uma relevância grande apenas para os moradores daquele
bairro. E neste sentido, essa análise contribui inclusive para propostas de soluções
que façam as duas praças serem espaços mais utilizados no dia a dia da população
local, as quais devem ser diferentes e inerentes aos significados e às apropriações
destes espaços pela população
Observou-se diferentes significados destas para a população e a Cidade do
Rio de Janeiro. A primeira praça tem uma questão simbólica para a Cidade do Rio
de Janeiro muito maior que local, enquanto que a segunda praça, em termos de
representação para a cidade já não tem tanta significância, mas para os moradores
locais é muito mais viva.

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Após entrevistar as moradoras da Glória, onde fica situada a Praça Paris,
constatamos que os moradores locais acreditam que a responsabilidade pela Praça
é do governo. Diferentemente dos moradores do entorno da Praça Major Aderbal
Costa que tem uma aproximação/identificação muito grande pela Praça, tudo que é
feito ali, é fruto da união da comunidade e/ou por quem tem maior poder.
A apropriação da Paris ocorre aos fins de semana e feriados, enquanto na
Major Aderbal ocorre diariamente.
Mesmo sendo localizado na Zona Sul, com presença da Lapa Presente de um
lado e Aterro Presente do outro, é perigoso frequentar a Praça Paris em certos dias
e horários, diferente da Praça Major Aderbal Costa que fica localizado na Zona
Norte, em Pilares, um bairro mais perigoso se comparado com a Glória e sem
investimento público, é mais segura de se frequentar.

4. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Identificamos características que distinguem a Praça Paris da Praça Major


Aderbal Costa, portanto, ao diagnosticar as problemáticas das praças, entende-se
que as propostas devem ser diferentes para cada uma delas.
Observou-se que as praças desempenham um papel muito importante no
nosso cotidiano. Apesar das problemáticas encontradas serem distintas, elas
possuem o mesmo propósito: integrar a população, promover a qualidade de vida,
conservar a cultura e a história do local, promover a interação social, entre outros
benefícios.
Por isso, acreditamos veemente na importância de projetos de engenharia
com foco nas praças para a sociedade, ainda mais em um mundo altamente
tecnológico, devemos preservar a nossa história e cuidar da nossa saúde física e
mental, coisas que a praça é capaz de nos proporcionar.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

DIZERÓ, Joselle Davanço. Praça do interior paulista: estudos de caso nas cidades
de Ribeirão Preto e Monte Alto/SP. Dissertação (Mestrado em Urbanismo) –
Pontifícia Universidade Católica de Campinas - PUC, Campinas, 2006.

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VIEIRO, C. VERÔNICA; FILHO, C. B. LUIZ. Praças públicas: origem, conceitos e
funções. Jornada de Pesquisa e Extensão, ULBRA/Santa Maria, 2009.

QUEIROGA, Eugênio F. A megalópole e a praça: o espaço entre a razão de


dominação e a ação comunicativa. Tese (Doutorado em Arquitetura e Urbanismo) –
Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, Universidade de São Paulo, São Paulo,
2001.

RIO PREFEITURA. Bens Tombados. Disponível em: <


http://www.rio.rj.gov.br/web/irph/bens-tombados>. Acesso em: 17/12/2018.

RIO PREFEITURA. Praça Paris: joia do urbanismo da “Belle Époque” carioca à


espera da sua visita. Disponível em:
<http://www.rio.rj.gov.br/web/portaldoservidor/exibeconteudo?id=4768685>. Acesso
em: 28/11/2018.

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