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Lição 1 - Língua Oral e Norma

Culta Escrita

Para muitos, estudar a língua materna é desnecessário, já que, desde crian-


ças, nós a conhecemos e nos comunicamos por meio dela. Essa afirmação é
válida até certo ponto. Entretanto, devemos lembrar que é por meio da lin-
guagem verbal que organizamos o pensamento e interagimos com o mundo,
nas diversas práticas sociais. É pelo domínio da palavra que nos inserimos
na sociedade como membros ativos e nos desenvolvemos como pessoas.

O objetivo desta lição é mostrar que, ao falarmos, podemos optar por uma
linguagem informal ou formal, e essa opção dependerá sempre de um con-
texto, ou seja, para quem estamos nos reportando. Assim, embora haja dife-
renças entre os meios de se expressar, seja falando ou escrevendo, cada um
dos usuários da língua é movido por interesses e intenções.

Portanto, não se trata de “aprender a falar”, mas de adquirir consciência de


que a língua não é usada de uma única maneira e que cabe ao usuário do
sistema de linguagem adequar-se à situação, uma vez que busca se fazer
entender.

Ao término desta lição, você deverá ser capaz de:


a) diferenciar a linguagem formal da informal;
b) optar pela forma de linguagem mais apropriada em diferentes
contextos.

1. Comunicação: Língua e Fala


Para que qualquer comunicação seja estabelecida, são necessários:
• Emissor: aquele que transmite a mensagem (pessoa, empresa, jornal).
• Receptor: aquele que recebe a mensagem (pessoa, grupo de pessoas,
instituição).
• Mensagem: o conjunto de informações transmitidas.
• Código: conjunto de signos (ou símbolos) e regras de combinação desses
signos; a mensagem só será entendida se o receptor conhecer o código (a
língua ou idioma) em que a mensagem é transmitida.
• Canal de comunicação: meio concreto através do qual a mensagem é
transmitida (voz, livro, revista, emissora de TV).
• Referente ou Contexto: conteúdo, tema ou situação a que a mensagem se
refere.

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O código mais importante para a transmissão de uma mensagem é a língua,
que é a parte social da linguagem pertencente a uma comunidade. Porém,
cada indivíduo faz uso da língua conforme sua habilidade e necessidade. Te-
mos, então, a língua falada.

Para que cada pessoa utilize esse código, é preciso conhecer os recursos lin-
guísticos. Se uma pessoa que não consegue se comunicar com clareza porque
tem conhecimento precário da língua portuguesa, acaba por não fazer esco-
lhas e transmite uma informação que talvez nem fosse aquela que desejava,
ou até mesmo não entende o que o outro diz, devido ao conhecimento precá-
rio de sua própria língua. Vejamos a situação a seguir:

Figura 1 – Conflito de gerações

Como podemos observar, mãe e filho se comunicam, isto é, emissor e recep-


tor que conhecem o código (língua) e o contexto em que se dá o diálogo. Po-
rém, possuem ideias diferentes sobre um mesmo assunto.

Na situação seguinte, não há qualquer possibilidade de entendimento entre


emissor e receptor, já que um não conhece o código (a língua) do outro.

Figura 2 – Diferenças de códigos (línguas)

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No próximo exemplo, o entendimento é possível, embora precário. Isso acon-
tece porque, mesmo com dificuldade, o turista brasileiro tenta se expressar
utilizando o código do americano - no caso, a língua inglesa.

Figura 3 – Semelhança de código (mesma língua)

Nesta última situação, emissor e receptor dominam o código e há conheci-


mentos técnicos partilhados pelos participantes; mesmo que algumas infor-
mações não fiquem claras entre ambos.

Todos esses contatos se deram na forma mais comum de comunicação, o diá-


logo. Assim, se conhecemos o código mais importante, a nossa língua, certa-
mente estamos capacitados para transmitir a mensagem desejada. Mas será
que é sempre assim?

Com certeza você dirá que não, pois nem sempre somos capazes de nos fazer
entender da forma que gostaríamos. É por isso que o estudo da linguagem é
tão importante, uma vez que devemos evitar que isto aconteça.

2. Linguagem Formal e Informal


Para organizarmos nosso pensamento e nos comunicarmos de maneira for-
mal, é muito importante conhecer a linguagem formal. O que seria isso?

Por linguagem formal entendemos adequar-se às situações que exigem do


indivíduo um domínio da habilidade linguística, em outros termos, que esteja
gramaticalmente correta, expressando o ideal linguístico do ambiente social
em que vive.

Portanto, quando falamos e quando escrevemos, devemos ter duas preocu-


pações básicas: o que expomos e como expomos. Quanto ao que expomos, é

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importante organizar nosso pensamento com clareza; para o modo como o
fazemos, devemos nos preocupar com a forma de exposição, visto que nem
toda situação requer o mesmo grau de formalidade.

De fato, podemos ser informais, ou pouco formais, quando falamos com nos-
sos familiares ou escrevemos e-mails para amigos, o que não significa que
possa haver falta de clareza. Mas, devemos, numa entrevista ou numa carta a
uma empresa, atentar para a formalidade exigida pela situação.

Geralmente, damos muita importância à linguagem escrita, mas a expressão


oral também merece nossa atenção. Segundo os Parâmetros Curriculares
Nacionais, “a questão não é falar certo ou errado e sim saber que forma de
fala utilizar, considerando as características do contexto da comunicação, ou
seja, saber adequar a mensagem às diferentes situações comunicativas. É sa-
ber coordenar satisfatoriamente o que falar e como fazê-lo, considerando a
quem e por que se diz determinada coisa”.

Para que haja comunicação, os interlocutores precisam ter conhecimentos


que vão além da competência gramatical. Para tomar parte de uma conver-
sação, é necessário que os participantes consigam perceber do que trata a
situação e o que se espera de cada um. No item anterior, vimos que, se um
dos interlocutores não tem interesse em estabelecer a comunicação, ela não
se dá.

Convém lembrar que a fala deve ser sempre espontânea, mesmo em situa-
ções formais. Isso significa dizer que, se soubermos adequar a língua aos dife-
rentes contextos, não precisaremos forçar uma linguagem diferente daquela
a que estamos acostumados.

Assim sendo, cabe-nos tomar cuidado com a correta escolha das palavras,
identificando, por exemplo, as situações em que a gíria não deve ser utilizada.
Falar corretamente pode se tornar um ato bastante natural e em qualquer
circunstância. Outro fator importante é que não devemos esquecer de que a
linguagem regional (sotaques e maneiras diferentes de dizer a mesma coisa
em regiões diferentes do país ou do mundo) deve ser respeitada. Ela enrique-
ce a língua como um todo, bem como a nossa cultura.

3. Tipos de Discurso
Sabemos que todo processo de comunicação tem obrigatoriamente um emis-
sor, uma mensagem e um destinatário. Ao analisar um discurso, precisamos
pensar não somente nas palavras escritas ou faladas, mas no contexto de que
elas fazem parte e a quem elas podem interessar. O contexto de que falamos é
o conjunto de circunstâncias econômicas, sociais, políticas, culturais que cer-
cam o emissor e o receptor.

Assim, diante de alguém falando ou de um texto escrito, devemos sempre nos


perguntar quais são os interesses da pessoa que fala ou escreve; que mensa-

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gens são transmitidas pelas escolhas das palavras, pelos gestos, pelas expres-
sões, pelo vestuário; qual é o contexto da fala ou da escrita; e, por fim, a quem
realmente a mensagem se destina.

Pode acontecer, nessa análise, de percebermos que a mensagem ouvida não


é destinada a nós. Como um e-mail que recebemos por engano ou a conversa
alheia que ouvimos em um ônibus lotado, já que o ar, como canal da conversa,
propaga a mensagem indistintamente dentro do veículo.

Uma segunda hipótese é a de que sejamos nós o próprio canal de distribuição


da mensagem. Quem tem um amigo fofoqueiro sabe muito bem que confi-
denciar-lhe um segredo pode ser a melhor maneira de iniciar um processo
de comunicação de massa.

Uma mensagem poderá ser relatada fazendo-se uso de diferentes formatos


de discurso: direto, indireto ou indireto livre. Vejamos as características de
cada formato.

O discurso direto é aquele em que as falas dos personagens são fielmente


reproduzidas e separadas por indicações gráficas, como vírgulas, aspas ou
travessões. Imaginem o seguinte diálogo entre Simone e sua amiga, Valéria.
Simone quer ir ao bailão porque acredita que Ricardo estará lá.

Figura 4

Esse foi um exemplo de discurso direto. O mesmo texto poderia ser reprodu-
zido pelo discurso indireto. Veja a seguir:

Mafalda encontra seu amigo Miguelito sentado no meio-fio, pensativo e, sentindo-


-se confusa, o questiona se ele continuará ali, sentado, esperando que algo aconteça
na vida dele. Este, por sua vez, responde à amiga de maneira categórica que é isso
mesmo que ele vai fazer: irá continuar sentado ali, esperando a vida dar alguma
coisa a ele. E Mafalda afasta-se do amigo, caminha pensativa e questionando-se se
o mundo não está dessa forma porque está cheio de “Miguelitos”.

Já o discurso indireto livre é aquele em que os pensamentos do narrador e


dos personagens se misturam. A grande vantagem é a de oferecer dinamismo
ao texto. É bastante comum nos textos literários, mas pouco recomendado
para escritas mais formais, principalmente de trabalho, já que pode gerar al-
guma confusão sobre quem pensa o quê. Veja a seguir:

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Mafalda, que praticamente assustou Miguelito, questiona-o sobre continuar sen-
tado ali, no meio-fio, esperando que a vida desse algo a ele sem que se esforçasse
para conquistar. Miguelito, por sua vez, não se intimidou com o questionamento da
amiga e respondeu de imediato, e de maneira até meio rude, que iria ficar ali sim,
esperando que a vida lhe desse algo. Então Mafalda saiu desolada, pensando se o
mundo não estaria tão carente de pessoas com mais iniciativa de melhorar-se e
melhorar o meio em que vive.

4. Fonética e Fonologia – Breve Conceito


Fonética e Fonologia são disciplinas da Linguística que estudam os sons da
fala e como eles são produzidos. A Fonética estuda os sons da fala e a Fonolo-
gia estuda a função desses sons dentro de uma determinada língua. Trocando
em miúdos, a Fonética estuda como é produzido o som “X” e a Fonologia estu-
da que função esse som “X” tem na língua.

5. Morfologia
Em linguística, Morfologia é o estudo da estrutura, da formação e da clas-
sificação das palavras. A peculiaridade da morfologia é estudar as palavras
olhando para elas isoladamente e não dentro da sua participação na frase ou
período. A morfologia está agrupada em dez classes, denominadas classes de
palavras ou classes gramaticais. São elas: substantivo, artigo, adjetivo, nume-
ral, pronome, verbo, advérbio, preposição, conjunção e interjeição.

5.1 Substantivo

Tudo o que existe é “ser” e cada ser tem um “nome”. A palavra que indica o
nome dos seres pertence a uma classe chamada substantivo. O substantivo é
a palavra que dá nome ao ser. Além de objeto, pessoa e fenômeno, o substanti-
vo dá nome a outros seres, como: lugares, sentimentos, qualidades, ações etc.

►►5.1.1 Classificação do substantivo


Comum - é aquele que indica um nome comum a todos os seres da mesma
espécie: menina, cidade, abacaxi, gato.

Coletivos - entre os substantivos comuns encontram-se os coletivos, que,


embora no singular, indicam uma multiplicidade de seres da mesma espécie:
cardume (peixes), alcateia (lobos), banda (músicos), batalhão (soldados).

Próprio - é aquele que particulariza um ser da espécie: Londres, Mariana,


Tietê.

Concreto - é aquele que indica seres reais ou imaginários, de existência inde-


pendente de outros seres: prédio, sol, avó, homem, lagoa.

Abstrato - é aquele que indica seres dependentes de outros seres: felicidade,


beleza, beijo, fome, saudade.

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5.2 Artigo

Na frase, há muitas palavras que se relacionam ao substantivo. Uma delas é


o artigo. Artigo é a palavra que se antepõe (vem antes) ao substantivo para
determiná-lo.

►►5.2.1 Classificação do Artigo


O artigo se classifica de acordo com a ideia que atribui ao ser em relação a
outros da mesma espécie.

Definido - é aquele usado para determinar o substantivo de forma definida:


o, as, os, as.

Indefinido - é aquele usado para determinar o substantivo de forma indefini-


da: um, uma, uns, umas.

5.3 Adjetivo

Outra palavra que, na frase, se relaciona ao substantivo, é o adjetivo. Adjetivo


é a palavra que caracteriza o substantivo.

►►5.3.1 Formação do Adjetivo


Como o substantivo, o adjetivo pode ser:

Primitivo - é aquele que não deriva de outra palavra: bom, feliz, mau, triste.

Derivado - é aquele que deriva de outra palavra (geralmente de substantivos


ou verbos): bondoso, amado, maldoso, felizardo.

Simples - é aquele formado de apenas um radical: claro, escuro.

Composto - é aquele formado com mais de um radical: amarelo-claro,


azul-escuro.

►►5.3.2 Locução Adjetiva


Para caracterizar o substantivo, em lugar de um adjetivo pode aparecer uma
locução adjetiva, ou seja, uma expressão formada com mais de uma palavra e
com valor de adjetivo. Exemplos:
• amor de pai = amor paterno
• comportamento de criança = comportamento infantil
• objetos de decoração = objetos decorativos
• plano de governo = plano governamental

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5.4 Numeral

Entre as palavras que se relacionam, na frase, ao substantivo há também o


numeral. Numeral é a palavra que se refere ao substantivo dando a ideia de
número. O numeral pode indicar:

Quantidade - Choveu durante quatro semanas.

Ordem - O terceiro aluno da fileira era o mais alto.

Multiplicação - O operário pediu o dobro do salário.

Fração - Comeu meia maçã.

►►5.4.1 Classificação do Numeral


Cardinal - Indica uma quantidade determinada de seres.

Ex.: Os quatro últimos ingressos já foram vendidos.

Ordinal - Indica a ordem (posição) que o ser ocupa numa série.

Ex.: Cheguei na centésima página do livro.

Multiplicativo - Expressa a ideia de multiplicação, indicando quantas vezes a


quantidade foi aumentada.

Ex.: Hoje a lua está triplamente mais brilhante.

Fracionário - Expressa a ideia de divisão, indicando em quantas partes a


quantidade foi dividida.

Ex.: Dois terços dos alunos já deixaram a sala de aula.

5.5 Pronome

Além do artigo, adjetivo e numeral, há ainda outra palavra que, na frase, se


relaciona ao substantivo: é o pronome. Pronome é a palavra que substitui ou
acompanha um substantivo, relacionando-o à pessoa do discurso. As pessoas
do discurso são três:

Primeira pessoa - a pessoa que fala: eu/nós.

Segunda pessoa - a pessoa com quem se fala: tu/vós.

Terceira pessoa - a pessoa de quem se fala: ele/ela - eles/elas.

►►5.5.1 Classificação do Pronome


Há seis tipos de pronomes: pessoais, possessivos, demonstrativos, indefini-
dos, interrogativos e relativos.

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Pronomes pessoais: Os pronomes pessoais substituem os substantivos, indi-
cando as pessoas do discurso. São eles: retos, oblíquos e de tratamento.
Tabela 1 – Pronomes Pessoais

Número Pessoa Retos Oblíquos


1ª Eu Me, mim, comigo
Singular 2ª Tu Te, ti, contigo
3ª Ele (a) Se, si, consigo, o, a, lhe
1ª Nós Nos, conosco
Plural 2ª Vós Vos, convosco
3ª Eles (as) Se, si, consigo, os, as, lhe

Pronomes Possessivos: São palavras que, ao indicarem a pessoa gramatical


(possuidor), acrescentam a ela a ideia de posse de algo (coisa possuída).
Tabela 2 – Pronomes Possessivos

Número Pessoa Pronomes Possessivos


1ª meu, minha, meus, minhas
Singular 2ª teu, tua, teus, tuas
3ª seu, sua, seus, suas
1ª nosso, nossa, nossos, nossos
Plural 2ª vosso, vossa, vossos, vossas
3ª seu, sua, seus, suas

Pronomes Demonstrativos: São palavras que indicam, no espaço ou no tem-


po, a posição de um ser em relação às pessoas do discurso.
Tabela 3 – Pronomes Demonstrativos

Pronomes Demonstrativos em Português


Variáveis
Nível de proximidade Masculino Feminino Invariável
Singular Plural Singular Plural
⇒ Perto de quem fala
este estes esta estas isto
⇒ Tempo presente
⇒ Perto de com quem se fala
esse esses essa essas isso
⇒ Passado próximo
⇒ Distante de quem fala e da
pessoa com quem se fala aquele aqueles aquela aquela aquilo
⇒ Passado distante

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Pronomes Indefinidos: Pronomes Indefinidos são palavras que se referem à
Terceira pessoa do discurso, dando-lhe sentido vago ou expressando quan-
tidade indeterminada: algum, alguma, nenhum, nenhuma, todos, todas, al-
guém, ninguém, muitos, poucos, qualquer, tudo, nada.

Pronomes Interrogativos: Pronomes Interrogativos são aqueles usados na


formulação de perguntas diretas ou indiretas. Assim como os indefinidos,
referem-se à terceira pessoa do discurso.

Pronomes Relativos: São pronomes relativos àqueles que representam no-


mes já mencionados anteriormente e com os quais se relacionam: o qual, os
quais, cujo, cuja, onde, quem, que.

5.6 Verbo

Quando se pratica uma ação, a palavra que representa essa ação, indicando
o momento que ela ocorre, é o verbo. Uma ação ocorrida num determinado
tempo também pode constituir-se num fenômeno da natureza expresso por
um verbo. Verbo é a palavra que expressa ação, estado e fenômeno da natu-
reza, situados no tempo.

►►5.6.1 Conjugações do Verbo


Na língua portuguesa, três vogais antecedem o “r” na formação do infinitivo:
a-e-i. Essas vogais caracterizam a conjugação do verbo. Os verbos estão agru-
pados, então, em três conjugações: a primeira conjugação (terminados em ar),
a segunda conjugação (terminados em er) e a terceira conjugação (termina-
dos em ir).

►►5.6.2 Flexão do Verbo


O verbo é constituído, basicamente, de duas partes: radical e terminações. As
terminações do verbo variam para indicar a pessoa, o número, o tempo, o
modo.

Vejamos as flexões verbais separadamente:

Número e Pessoa

O verbo apresenta flexão de número quando indica o singular ou o plural em


sua forma. Aparecem no singular quando se referem a uma única pessoa (eu
ando/ ela anda) e no plural quando é mais de uma pessoa (nós andamos, eles
andam).

Logo, os verbos se flexionam em número (singular ou plural) e pessoa (1ª, 2ª, 3ª).

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►►5.6.3 Tempo e Modo do Verbo
O fato expresso pelo verbo aparece sempre situado nos tempos:

Presente - Ele anuncia o fim da chuva.

Passado - Ele anunciou o fim da chuva.

Futuro - Ele anunciará o fim da chuva.

Além de o fato estar situado no tempo, ele também pode indicar:

Fato certo - Ele partirá amanhã.

Fato duvidoso - Se ele partisse amanhã...

Ordem - Não partas amanhã.

As indicações de certeza, dúvida e ordem são determinadas pelos modos ver-


bais. São, portanto, três modos verbais: Indicativo (fato certo), Subjuntivo (fato
duvidoso), Imperativo (ordem).

►►5.6.4 Vozes do Verbo


Voz é a maneira como se apresenta a ação expressa pelo verbo em relação ao
sujeito. São três as vozes verbais:

Ativa - o sujeito é o agente da ação, ou seja, é ele quem pratica a ação.

Passiva - o sujeito é paciente, isto é, sofre a ação expressa pelo verbo.

Reflexiva - o sujeito é ao mesmo tempo agente e paciente da ação verbal, isto


é, pratica e sofre a ação expressa pelo verbo.

►►5.6.5 Locução Verbal


Uma locução verbal é o conjunto de dois verbos seguidos em uma oração, que
representam apenas uma ação. Por exemplo:

O astronauta irá iniciar o procedimento para caminhada espacial.

5.7 Advérbio

Há palavras que são usadas para indicar as circunstâncias em que ocorre a


ação verbal: são os advérbios. Advérbio é a palavra que indica as circunstân-
cias em que ocorre a ação verbal.

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► 5.7.1 Classificação do advérbio
De acordo com as circunstâncias que exprime, o advérbio pode ser de:
• Tempo (ontem, hoje, logo, antes, depois)
• Lugar (aqui, ali, acolá, atrás, além)
• Modo (bem, mal, depressa, assim, devagar)
• Afirmação (sim, deveras, certamente, realmente)
• Negação (não, absolutamente, tampouco)
• Dúvida (talvez, quiçá, porventura, provavelmente)
• Intensidade (muito, pouco, mais, bastante)
► 5.7.2 Locução Adverbial
É um conjunto de duas ou mais palavras com valor de advérbio. A seguir, al-
guns exemplos de locuções adverbiais:
• às vezes
• às claras
• à esquerda
• à direita
• ao fundo
• à distância
• ao vivo
• a pé
• às pressas
• de repente
• de súbito
• por dentro
• por fora
• por perto
• de propósito
• com calma
• com certeza
• sem dúvida
• lado a lado
• passo a passo
• ao longo

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►►5.7.3 Advérbios Interrogativos
São advérbios interrogativos: quando (de tempo), como (de modo), onde
(de lugar), por que (causa). Podem aparecer tanto nas interrogativas diretas
quanto nas indiretas.

5.8. Preposição

Há palavras que, na frase, são usadas como elementos de ligação: uma delas
é a preposição. Preposição é a palavra invariável que liga dois termos. Nessa
ligação entre os dois termos, cria-se uma relação de subordinação em que o
segundo termo se subordina ao primeiro.

►►5.8.1 Locução Prepositiva


É o conjunto de duas ou mais palavras com valor de uma preposição. Vejamos
alguns exemplos:

Vejamos algumas das locuções prepositivas mais utilizadas:


• Ao lado de
• Antes de
• Além de
• Adiante de
• A respeito de
• Acima de
• Abaixo de
• Depois de
• Em torno de
• A par de
• Apesar de
• Através de
• De acordo com
• Por causa de
• Quanto à/ao
• Junto à/ao
• Em atenção à/ao
• Graças à/ao

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Exemplos de uso:

O moço ia adiante de seu grupo, como um verdadeiro líder.

Mande esta correspondência em atenção à Maria do Carmo.

Junto a nós, estavam os familiares da noiva.

Graças a Deus, tudo deu certo!

5.9 Conjunção

Além da preposição, há outra palavra que, na frase, é usada como elemento


de ligação: a conjunção. Conjunção é a palavra que liga duas orações ou dois
termos semelhantes de uma mesma oração.

►►5.9.1 Classificação das Conjunções


As conjunções podem ser coordenativas e subordinativas.
Tabela 4 – Classificação das Conjunções Coordenativas

Classificação Conjunções Exemplo


e, nem, mas também, como
Aditivas (Adição) também, bem como, não só Eles são educados e gentis.
etc.
mas, porém, todavia, contudo, Sou bom em matemática, mas
Adversativas (oposição)
entretanto, no entanto etc. prefiro português.
Alternativas (opção ou Ou você estuda ou não vai
ou, ora, quer, já, seja etc.
alternância) passar no ENEM.
logo, portanto, por isso, assim, Ele passou no vestibular, por
Conclusivas (resultado) por conseguinte, pois (após o isso ganhou um carro de seus
verbo) etc. pais.
Explicativas que, porque, porquanto, pois Não se atrase, porque não
(esclarecimento) (antes do verbo) etc. gosto de esperar.

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Tabela 5 - Classificação das Conjunções Subordinativas

Classificação Conjunções Exemplo


porque, uma vez que, sendo Como estava muito doente,
Casuais (causa)
que, visto que, como etc. resolvi não ir ao shopping.
assim como, bem como,
como, como se, mais/menos
Comparativas (comparação) Ela é doce como um limão.
do que, melhor/pior do que,
tanto, quanto etc.
mesmo que, por mais que, Embora gostasse dela,
Concessivas (concordância) ainda que, se bem que, resolvi terminar com o
embora etc. namoro.
se, caso, contanto que, a Ficará sem jogar futebol a
Condicionais (condição) menos que, sem que, salvo menos que faça sua lição
que etc. de casa.
Conforme o combinado,
Conformativas (afinidade, conforme, segundo,
jantamos no final de
conformidade) consoante, assim como etc.
semana.
Ele foi tão mal no teste, que
Consecutivas que (precedido de tal, tão,
não conseguiu receber a
(consequência) quanto), de maneira que etc.
certificação.
Estude bastante, a fim de
Finais (finalidade, meta,
a fim de que, para que etc. que possa construir um
objetivo)
bom futuro.
Quanto mais você agir
Proporcionais à medida que, quanto mais/
assim, mais as pessoas irão
(proporcionalidade) menos, proporção que etc.
te ignorar.
quando, enquanto, sempre Quando chegar de viagem,
Temporais (ideia de tempo)
que, logo que, depois que etc. me ligue.

5.10 Interjeição

Há palavras que expressam surpresa, alegria, aplauso, emoções e estas são


chamadas de interjeições. Interjeição é a palavra que procura expressar, de
modo vivo, um sentimento.

►►5.10.1 Classificação das Interjeições


As interjeições classificam-se segundo as emoções ou sentimentos, tais como:

Aclamação: Viva!

Advertência: Atenção!

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Agradecimento: Grato!

Afugentamento: Arreda!

Alegria: Ah!

Animação: Coragem!

Pena: Oh!

►►5.10.2 Locução Interjetiva


São duas ou mais palavras com valor de interjeição. Vejamos algumas:
• Agradecimento: Muito obrigado(a)!
• Alegria: Que bom!
• Alívio: Que alívio!
• Ânimo: Em frente!
• Apelo ou chamamento: Ô de casa!
• Aplauso: É isso aí! Muito bem!
• Lamento: Que pena!
• Desejo: Queira Deus! Quem dera!
• Espanto, surpresa: Nossa mãe!
• Reprovação: De jeito nenhum!
• Satisfação: Que bom!
• Medo: Meu Deus!
6. O que mudou e o que permaneceu depois do Acordo Ortográfico
As mudanças trazidas pelo Novo Acordo Ortográfico visam à unificação da
língua portuguesa. Entretanto, essa reforma não interfere na língua, visto que
nem poderia, pois ela não é passível de alterações por decretos, leis e acordos.
Portanto, o Novo Acordo apenas unifica a ortografia. Assim, a língua perma-
nece a mesma, o que muda é apenas a maneira de grafar algumas delas.

Dentre os objetivos da mudança na ortografia está a intenção de melhorar o


intercâmbio entre os países que falam a língua portuguesa; reduzir os custos
financeiros com a produção e tradução de livros; facilitar a troca bibliográfica
e tecnológica; aproximar os países que falam a língua portuguesa.

Para os brasileiros as mudanças que ocorreram são poucas e atingem algu-


mas regras de acentuação das palavras e de uso do hífen.

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Vejamos alguns exemplos:

ACENTUAÇÃO

a) O TREMA deixa de ser usado: Palavras como “lingüiça”, “cinqüenta” e “tran-


qüilo” passam a ser escritas como “linguiça”, “cinquenta” e “tranquilo”;

b) Não se acentua mais com acento circunflexo as duplas OO e EE: palavras


como “enjôo”, “vôo”, “lêem” e “crêem” passam a serem escritas como
“enjoo”, “voo”, “leem” e “creem”.

c) Os ditongos abertos ÉI e ÓI das palavras paroxítonas deixam de ser


acentuados. Palavras como “idéia”, “platéia”, “paranóico” e “jibóia” passam a
ser escritas como “ideia”, “plateia”, “paranoico” e “jiboia”.

d) Quando precedidos de ditongo, nas palavras paroxítonas, o acento agudo


no I e no U tônico deixam de existir. Palavras como “feiúra” e “baiúca”
passam a ser escritas como “feiura” e “baiuca”.

e) Não se acentua mais as formas verbais do U tônico precedido de G ou Q


e seguido de E ou I. Palavras como “averigúe” e “apazigue” passam a ser
escritas como “averigue” e “apazigue”.

f) O acento agudo ou circunflexo usado para distinguir palavras paroxítonas


que são homógrafas1 deixa de existir, portanto, deixam de se diferenciar
pelo acento:
• para (verbo parar);
• para (preposição);
• pela (substantivo e flexão do verbo pelar);
• pelas;
• polo;
• pelo (flexão de pelar);
• pelo (substantivo);
• pera (substantivo, fruta);
• pera (substantivo arcaico, pedra, e pera, preposição arcaica).
HÍFEN

O hífen é um sinal gráfico mal sistematizado na língua portuguesa e, para


isso, o Novo Acordo tentou organizar seu uso com regras que tornam mais
racional e simples a sua utilização. Nas palavras formadas pelo processo de
prefixação, só se usa o hífen quando:

1. Homógrafas
Palavras com a mesma grafia, mas com significados diferentes.

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• O segundo elemento começa com h: super-homem, sub-humano;
• O prefixo termina em vogal e o segundo elemento começa com a mesma
vogal: micro-ondas, auto-observação;
• O prefixo é pré-, pró-, pós-: pré-fabricado, pós-graduação, pró-reitor;
• O prefixo é circum- ou pan- e o segundo elemento começa com vogal, h, m
ou n: circum-mediterrâneo, pan-helenismo, pan-americano.

Não há hífen quando:


• O segundo elemento começa com s ou r, assim, essas consoantes deverão
ser duplicadas: antirrugas, antissemita, minissaia, microssistema.
• Quando prefixo termina em vogal e o segundo elemento começa com uma
vogal diferente: antiaéreo, hidroelétrica, autoescola, extraescolar.

Saiba Mais
Para mais detalhes sobre a utilização do hífen, consulte o artigo Uso do Hífen
(Novo Acordo Ortográfico).

OS CASOS DAS LETRAS K, W, Y

As letras k, w, y agora estão incluídas em nosso alfabeto, que passa a ter 26


letras. O Acordo apenas estabeleceu a sequência delas na listagem alfabética,
logo, o k vem após o j, o w depois do v e o y após o x.

Saiba Mais
Para mais detalhes sobre como ficou o alfabeto brasileiro após a Reforma
Ortográfica, consulte o artigo “Alfabeto Brasileiro (Novo Acordo Ortográfico).”

Dica de Leitura
O site Ortografa também é uma ferramenta muito interessante para te
ajudar na consulta de palavras a fim de verificar se houve alteração ou não,
após o Acordo Ortográfico.

LETRAS MAIÚSCULAS

O uso obrigatório das letras maiúsculas foi simplificado. Portanto, elas se res-
tringem:
• a nomes próprios de pessoas, lugares, instituições e seres mitológicos;
• a nomes de festas;
• à designação dos pontos cardeais;
• às siglas;
• às letras iniciais de abreviaturas;
• e aos títulos de periódicos (jornais).

24
Agora é facultativo usar a inicial maiúscula em nomes que designam áreas
do saber (português, Português), nos títulos (Doutor, doutor Silva; Santo, santo
Antônio) e nas categorias de logradouros públicos (Rua, Rua do Sorriso), de
templos (Igreja, igreja do Bonfim) e edifícios (Edifício, edifício Paulista).

Exercícios Propostos

1. Leia os textos a seguir e assinale a alternativa correta:

Texto I

Texto II

Nos últimos meses, as prefeituras municipais de todo o Brasil, em especial as da


Região Nordeste e Norte têm sofrido com a queda de suas receitas devido o Governo
Federal ter reduzido a zero um imposto que beneficiou as montadoras de carro, mas
que provocou o chamado “efeito dominó”, afetando os cofres de milhares de municí-
pios pobres ou de renda per capita muito baixa.

Texto III

Tomar Partido

Tomar partido é irmos à raiz


do campo acesso da fraternidade
pois a razão dos pobres não se diz
mas conquista-se a golpes de vontade.

Cantaremos a força dum país


que pode ser a Pátria da verdade
e a palavra mais alta que se diz
é a linda palavra liberdade.

25
Tomar partido é sermos como somos
é tirarmos de tudo quanto fomos
um exemplo um pássaro uma flor

Tomar partido é ter inteligência


é sabermos em alma e consciência
que o Partido que temos é melhor

José Carlos Ary dos Santos


15/Fevereiro/1977

( ) a) Os textos I e III são exemplos do emprego formal da língua.


( ) b) Os textos I e II são exemplos do emprego formal da língua.
( ) c) Os textos II e III são exemplos do emprego formal da língua.
( ) d) Apenas o texto I é um exemplo do emprego formal da língua.
( ) e) Os textos I e III são exemplos do emprego formal da língua.

2. Complete os parênteses com LF (linguagem formal) ou LI (linguagem in-


formal), conforme a modalidade mais apropriada para cada situação de
interação verbal.
( ) em uma redação para concurso público
( ) em um a conversa entre amigos
( ) em um debate nacional sobre biodiversidade
( ) em uma entrevista para emprego
( ) em um bilhete deixado na geladeira para informar que você foi à padaria

3. Leia o poema Relicário, de Oswald de Andrade.

No baile da Corte
Foi o Conde d “Eu quem disse Pra Dona Benvinda
Que farinha de Suruí
Pinga de Parati Fumo de Baependi
É comê bebê pitá e caí.

Em relação à linguagem utilizada no poema de Oswald de Andrade, observa-


mos a presença de:
( ) a) linguagem informal e culta
( ) b) linguagem formal e culta
( ) c) linguagem informal que se caracteriza pela forte presença da oralidade
( ) d) uma linguagem ambivalente com a predominância da língua culta
( ) e) norma culta da língua

26
4. O uso do pronome átono no início das frases é destacado por um poeta e
por um gramático nos textos a seguir, observe e responda qual é a alter-
nativa correta em relação a esse uso linguístico.

Pronominais

Dê-me um cigarro
Diz a gramática
Do professor e do aluno
E do mulato sabido
Mas o bom negro e o bom branco
da Nação Brasileira
Dizem todos os dias
Deixa disso camarada
Me dá um cigarro

ANDRADE, Oswald de. Seleção de textos. São Paulo: Nova Cultural, 1998.

Iniciar a frase com pronome átono só é lícito na conversação familiar, despreocu-


pada, ou na língua escrita quando se deseja reproduzir a fala dos personagens (...)

CEGALLA, D. Paschoal. Novíssima gramática da língua portuguesa. São Paulo: Nacional, 1980.

Comparando a explicação dada pelos autores sobre essa regra, podemos afir-
mar que ambos:
( ) a) condenam essa regra gramatical
( ) b) acreditam que apenas os esclarecidos sabem essa regra
( ) c) criticam a presença de regras na gramática
( ) d) afirmam que não há regras para uso de pronomes
( ) e) relativizam essa regra gramatical

5. Tomemos como exemplo o breve diálogo entre pai e filho para analisar
este ato de fala, e completar a tabela seguinte com os seis elementos que
o compõem.

— Me empresta o carro, pai?


— Onde você vai?
— Dar umas voltas ...
— Sabe quais foram suas notas, moço?
— Sei...
— Então, sem carro.

27
EMISSOR
RECEPTOR
CÓDIGO
CANAL
MENSAGEM
REFERENTE

28
Lição 2 - Leitura de Texto

Depois de fazer uma breve definição do que seja um texto e os elementos


que o compõe, nesta lição vamos abordar algumas considerações sobre o
ato de ler e apresentar as estratégias de leitura que permitem a aproxima-
ção entre o leitor e o texto.

Nosso objetivo é oferecer o máximo de informação em cada texto, além de


estimular o gosto pela leitura e promover a utilização de estratégias para o
melhor aproveitamento e interpretação dos vários tipos de texto.

Ao término desta lição, você deverá ser capaz de:


• Estruturar os passos necessários para uma boa leitura e interpretação de
textos.

1. Noção de Texto
O texto não é um amontoado de frases, mas um todo organizado e com sen-
tido. Como saber quando estamos diante de um texto com essas característi-
cas? Quando há nele coerência, ou seja, quando suas diferentes partes se re-
lacionam formando um todo com lógica, e quando apresenta coesão, ou seja,
quando há ligação entre as palavras e frases que garantam o encadeamento
entre as partes que o compõem.

Por que não pode ser considerado um texto a seguinte afirmação: “Paulo foi
viajar. A prova de matemática estava muito difícil?” Simplesmente porque
não há relação entre as ideias, embora as frases estejam gramaticalmente
corretas.

É necessário saber que todo texto faz parte de um contexto. Uma frase faz
parte de um contexto (um período e ou um parágrafo), um parágrafo faz parte
de um contexto (um texto). Por isso, muitas vezes interpreta-se mal uma frase.
Essa interpretação ocorre, geralmente, pelo fato de um fragmento estar iso-
lado de seu contexto.

Um texto relaciona-se também com outros textos e com os debates que se


realizam na sociedade. Alguns tratam de temas universais e, independen-
temente do período em que foram produzidos, permanecem atuais; outros,
para serem bem compreendidos, devem estar localizados histórica (no tem-
po) e espacialmente (no lugar), pois são o reflexo das preocupações de uma
sociedade em seu tempo e espaço.

29
2. A Leitura
Para o melhor aproveitamento da leitura de um texto, ele deve ser visto como
uma realidade que se constitui de um acúmulo de elementos relacionados
entre si. Contudo, uma vez interpretado, torna-se um objeto coerente. Nesse
processo de ler, revela-se a importante relação entre o leitor e o texto, pois é
dessa interação – leitor e texto – que nascem os sentidos textuais.

2.1 Conhecimento Prévio


A compreensão de um texto é um processo que se caracteriza pela utilização
de conhecimentos prévios, o conhecimento adquirido ao longo da vida. São
três os níveis de conhecimento: o linguístico, o textual e o conhecimento de
mundo que permitem ao leitor atribuir os sentidos aos textos lidos.

O conhecimento linguístico refere-se ao conhecimento implícito, não verba-


lizado, que abrange conhecimento de vocabulário, as regras da língua e o do-
mínio sobre o uso da língua. Já o conhecimento textual diz respeito a noções
e conceitos sobre determinadas estruturas e formatos de composições para
expressar certos tipos de conteúdos.

Ativar a memória buscando os conhecimentos extralinguísticos (que estão


fora do texto) ou dar-se conta do que envolve uma determinada situação
(como ir ao médico, por exemplo) propicia a formulação de esquemas que
garantem a economia e a seletividade da comunicação.

Esses conhecimentos prévios são essenciais à compreensão de um texto, pois


permitem ao leitor fazer as inferências necessárias para relacionar suas dife-
rentes partes, transformando-o num todo coerente.

2.2. Formulação de Hipóteses

A capacidade de formular hipóteses1 é outro objetivo que deve ser alcançado


para que o leitor se torne ativo no processo. Isso se dá pelo reconhecimento
global e instantâneo de palavras e frases relacionadas ao tema ou tópico, bem
como inferências sobre palavras não percebidas. O leitor adulto percebe as
palavras globalmente e supõe outras, guiado por seu conhecimento prévio e
por suas hipóteses de leitura.

Para formular hipóteses, o leitor utiliza tanto seu conhecimento prévio como
os elementos formais mais visíveis e de alto grau de informatividade como
título, subtítulo, datas, fontes, ilustrações. Ao formular hipóteses, o leitor esta-
rá predizendo2 temas, e ao testá-las estará depreendendo3 o tema daquele texto.
1. Hipótese
Suposição, conjectura, pela qual a imaginação antecipa o conhecimento, com o fim de
explicar ou prever a possível realização de um fato e deduzir-lhe as consequências.
2. Predizer
Dizer antecipadamente: prever.
3. Depreender
Entender, perceber, compreender.

30
Para Pesquisar
Há alguns dicionários online muito bons onde você pode fazer consultas rápidas e com
segurança, como o Aurélio (http://www.dicionariodoaurelio.com/), o Priberam (http://
www.priberam.pt/dlpo/) e o Caldas Aulete (http://www.aulete.com.br/).

2.3 Rede de Relações de um Texto


A tarefa de compreender um texto pode ser complicada porque existe uma
rede de relações sintáticas, lexicais, de sentido na frase, no período e no pa-
rágrafo que tornam o texto rico para uma percepção rápida, imediata e total.
A tarefa, contudo, torna-se mais fácil quando se analisa as partes desse texto:
o esforço para compreender o texto escrito mediante análise de suas partes.

Por exemplo, é importante observar que os tempos verbais se alternam ao


longo de uma narrativa, criando, dentre outros efeitos, um jogo de aproxima-
ção e distanciamento entre os elementos do texto. A seleção e a combinação
das palavras e as relações entre elas e a sequenciação das frases, das orações
e dos parágrafos, bem como a pontuação, são outros aspectos significativos
para a construção dos sentidos e interpretação da leitura.

2.4 Coerência e Coesão

No texto escrito, a coerência é a relação lógica entre as ideias do texto. Afir-


mar, num mesmo texto, que um jogador de futebol é craque e depois cha­
má-lo de “perna de pau” é um exemplo de incoerência. Podemos reconhecer
a coerência no texto na manutenção clara e não contraditória da expressão
verbal. Há vários pontos a observar para manter o mecanismo da coerência.

Coerência interna, o mesmo de evitar contradições claras, como é o caso do


funcionário que afirma não buscar outro emprego, mas se aparecer uma
oferta vantajosa. O correto seria dizer que, no caso de aparecer uma oferta
vantajosa, ele pensaria em mudar de emprego.

Coerência com a realidade: transmitir a informação que realmente conta. É


como o caso da pequena empresa que divulga entre seus clientes uma capa-
cidade de produção que ela não está preparada para oferecer e atender aos
seus clientes.

Ligação de ideias: esta é uma recomendação parecida com o tópico sobre cla-
reza. Um texto uniforme e coerente precisa apresentar as ideias e fatos rela-
cionados de modo que facilite ao leitor acompanhar o raciocínio apresentado.

Relevância das informações: tudo que está no texto precisa realmente estar?
As informações estão efetivamente relacionadas com os argumentos, com
a narrativa, com a descrição desenvolvida? Todos os dados relevantes estão
presentes? A resposta a essas perguntas é muito importante para que o autor
escreva com coerência e clareza, evitando que o leitor tenha a impressão de
descuido, desinformação ou má-fé, o que seria pior.

31
Fundamento das conclusões: ao apresentar uma conclusão, em que se basear?
Em dados concretos ou na própria impressão pessoal? Não é coerente for-
mular conclusões baseando-se em ideias não apresentadas ou falsas, e em
informações que o leitor desconhece.

Fatos e opiniões: apresentar um fato é informar sobre algo que realmente


aconteceu, cuja relação esteja coerente com a realidade. Apresentar uma
opinião é interpretar os fatos segundo nossas impressões. Misturar as duas
coisas pode levar o leitor a uma impressão ambígua quanto ao que é fato e ao
que é opinião. Podemos apresentar nossas opiniões sem deixar de apresentar
os fatos. O segredo é informar o leitor qual o fato (acontecimento) e qual a
opinião sobre ele.

A coesão é outro mecanismo linguístico que contribui fortemente para a


construção de um texto coerente, que mesmo se tratando de dois aspectos
distintos, combinam-se para proporcionar a compreensão do texto. Por isso é
fundamental, quando descrevemos um cenário, contamos um fato, expressar
nossa opinião sobre determinado assunto e buscar a coerência.

2.5 Coesão e a Estrutura do Texto

A coesão e a estrutura do texto são aspectos importantes para a significação


das ideias. Quanto à estrutura, dentre outras características, não é difícil notar
que a palavra CACHORRO escrita em letras garrafais informa melhor a res-
peito de um eventual perigo do que um longo texto, em letras miúdas, que se
referisse às grandes características físicas do animal. Da mesma forma, uma
tabuleta onde se lê CAVALOS traz uma mudança significativa, pois o aviso
não indica que deve haver preocupação com a ferocidade do animal.

A coesão diz respeito ao conjunto dos elementos que formam as ligações no


texto; porém, não é por ser coeso que um texto será coerente. Às vezes, um
único elemento formal pode funcionar como elo entre as diferentes partes
do texto.

O princípio geral que garante a concisão, isto é, a economia linguística ba-


seia-se na regra da recorrência, que se dá por mecanismos como: repetições,
substituições, pronominalizações, uso de marcadores textuais e de conecto-
res adequados.

2.6 Relação Autor & Leitor


Durante a leitura de um texto, estabelece-se uma relação entre leitor e autor,
definida como responsabilidade mútua, pois ambos têm a zelar para que os

32
pontos de contato sejam mantidos, apesar das divergências possíveis entre
opiniões e objetivos. Ir ao texto com ideias pré-concebidas, inalteráveis, com
crenças imutáveis, dificulta a compreensão quando elas não correspondem
às que o autor apresenta.

A articulação e a organização do texto refletem o raciocínio do autor, ou seja,


a organização que, escolhida para avançar e organizar seus argumentos e ex-
plicações, pode estar explícita, mediante o uso de operadores e conectivos
lógicos, ou pode estar implícita, sendo o raciocínio dedutível pela natureza e
relacionamento dos argumentos.

Por exemplo, o uso do conectivo adversativo ‘mas’ introduz um argumento


que vai em direção contrária do anterior ou, no caso de não possuir um valor
adversativo, o conectivo ‘mas’ indica um raciocínio em que está implícita a
continuação do argumento da proposição primeira.

Alguns tipos de pistas que o autor deixa no texto para ajudar a reconstruir sua
referência são aquelas expressões que indicam o grau de comprometimento
do autor com a verdade, ou a justiça da informação, a certeza absoluta, ou
para menos, a possibilidade mais remota; são elas: talvez, evidentemente, não
há dúvida etc.

Outro tipo de marca formal da presença do autor é aquele que reflete a ati-
tude dele frente ao fato, à ideia, à opinião, que se concretiza principalmente
através da adjetivação e do uso de nomes abstratos indicativos de qualidades.
Esses recursos ajudam a criar imagens negativas ou positivas da realidade
em questão.

A capacidade de análise das pistas formais para uma síntese posterior que de-
fina uma postura do autor é considerada essencial à compreensão do texto. A
reconstrução de uma intenção argumentativa é considerada ainda como um
pré-requisito para o posicionamento crítico do leitor frente ao texto.

►►2.6.1 Gêneros Textuais


Na reportagem, temos um texto informativo em que o autor informa o local,
a hora, a relevância do acontecimento, colhe depoimentos, tudo de manei-
ra objetiva. O que isso quer dizer, precisamente? Que estamos diante de um
texto que traz muitas informações, mas que não se propõe a analisar os fatos.
Podemos dizer que, por meio de palavras, temos um retrato da destruição de
um casarão no centro histórico de uma cidade, Ouro Preto.

33
Figura 1 – Exemplo de texto jornalístico.

No conto, temos um texto de ficção que remete a lembranças. Nele, o narrador


relata um incêndio numa loja de brinquedos, retratando aspectos do univer-
so infantil.

Figura 2 – Conto “Brinquedos incendiados”, de Cecília Meireles.

34
Na crônica, temos um texto ficcional de caráter crítico; nela, o autor, além de
relatar um fato, faz uma análise dele, destacando dois aspectos: o de que a
televisão nos obriga a ver, de forma passiva, as tragédias, e o fato de que há
pouca preocupação com a vida.

Figura 3 – Crônica “Televisão e Sociedade”, do jornal Diário Popular, de 22/9/1969.

Na música, temos um texto ficcional de caráter narrativo; nela, o autor relata


um episódio envolvendo determinada pessoa, a “Nega Luzia”, num local espe-
cífico, o “morro”, dando indício da causa e de efeitos ligados a ele.

Figura 4 – Letra da música “Nega Luzia”, de Jorge de Castro e Wilson Batista, de 1957.

35
Na propaganda, suas principais características são a linguagem argumentati-
va e expositiva, pois a intenção da propaganda é fazer com que o destinatário
se interesse pelo produto da propaganda. O texto pode conter algum tipo de
descrição e deve ser elaborado de maneira clara e objetiva.

Figura 5 – Propaganda de chocolate.

Exercícios Propostos

1. Analise o texto a seguir e responda à questão proposta:

“Cultivar um estilo de vida saudável é extremamente importante para diminuir o


risco de infarto, mas também de problemas como morte súbita e derrame. Significa
que manter uma alimentação saudável e praticar atividade física regularmente já
reduz, por si só, as chances de desenvolver vários problemas. Além disso, é impor-
tante para o controle da pressão arterial, dos níveis de colesterol e de glicose no
sangue. Também ajuda a diminuir o estresse e aumentar a capacidade física, fatores
que, somados, reduzem as chances de infarto. Exercitar-se, nesses casos, com acom-
panhamento médico e moderação, é altamente recomendável.”

ATALIA, M. Nossa vida. Época. 23 mar. 2009.

As ideias veiculadas no texto se organizam estabelecendo relações que atuam


na construção do sentido. A esse respeito, identifica-se, no fragmento, que:

( ) a) a expressão “além disso” marca uma sequenciação de ideias


( ) b) o conectivo “mas também” inicia oração que exprime ideia de contraste

36
( ) c) o termo “como”, em “como morte súbita e derrame”, introduz uma gene-
ralização
( ) d) o termo “Também” exprime uma justificativa
( ) e) o termo “fatores” retoma coesivamente “níveis de colesterol e de glicose
no sangue”

2. Sobre a coesão textual, estão corretas as seguintes proposições:


I. A coesão textual está relacionada com os componentes da superfície textual, ou
seja, as palavras e frases que compõem um texto. Esses componentes devem estar
conectados entre si em uma sequência linear por meio de dependências de ordem
gramatical.
II. A coesão é imaterial e não está na superfície textual. Compreender aquilo que
está escrito dependerá dos níveis de interação entre o leitor, o autor e o texto. Por
esse motivo, um mesmo texto pode apresentar múltiplas interpretações.
III. Por meio do uso adequado dos conectivos e dos mecanismos de coesão, podemos
evitar erros que prejudicam a sintaxe e a construção de sentidos do texto.
IV. A coesão obedece a três princípios: o princípio da não contradição; princípio da
não tautologia e o princípio da relevância.
V. Entre os mecanismos de coesão estão a referência, a substituição, a elipse, a con-
junção e a coesão lexical.

( ) a) Apenas V está correta


( ) b) II e IV estão corretas
( ) c) I, III e V estão corretas
( ) d) I e III estão corretas
( ) e) II, IV e V estão corretas

3. Analise o texto a seguir e responda à questão abaixo:

Câncer 21/06 a 21/07


O eclipse em seu signo vai desencadear mudanças na sua autoestima e no seu modo
de agir. O corpo indicará onde você falha – se anda engolindo sapos, a área gástri-
ca se ressentirá. O que ficou guardado virá à tona, pois este novo ciclo exige uma
“desintoxicação”. Seja comedida em suas ações, já que precisará de energia para se
recompor. Há preocupação com a família, e a comunicação entre os irmãos trava.
Lembre-se: palavra preciosa é palavra dita na hora certa. Isso ajuda também na
vida amorosa, que será testada. Melhor conter as expectativas e ter calma, ava-
liando as próprias carências de modo maduro. Sentirá vontade de olhar além das
questões materiais – sua confiança virá da intimidade com os assuntos da alma.
Revista Cláudia. Nº 7, ano 48, jul. 2009.
O reconhecimento dos diferentes gêneros textuais, seu contexto de uso, sua fun-
ção específica, seu objetivo comunicativo e seu formato mais comum relacionam-se
com os conhecimentos construídos socioculturalmente.

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A análise dos elementos constitutivos desse texto demonstra que sua função é:
( ) a) vender um produto anunciado
( ) b) informar sobre astronomia
( ) c) ensinar os cuidados com a saúde
( ) d) expor a opinião de leitores em um jornal
( ) e) aconselhar sobre amor, família, saúde, trabalho

4. Leia o texto a seguir para responder à questão:

A outra noite
Outro dia fui a São Paulo e resolvi voltar à noite, uma noite de vento sul e chu-
va, tanto lá como aqui. Quando vinha para casa de táxi, encontrei um amigo
e o trouxe até Copacabana; e contei a ele que lá em cima, além das nuvens,
estava um luar lindo, de lua cheia; e que as nuvens feias que cobriam a cida-
de eram, vistas de cima, enluaradas, colchões de sonho, alvas, uma paisagem
irreal.
Depois que o meu amigo desceu do carro, o chofer aproveitou o sinal fechado
para voltar-se para mim:
- O senhor vai desculpar, eu estava aqui a ouvir sua conversa. Mas, tem mes-
mo luar lá em cima?
Confirmei: sim, acima da nossa noite preta e enlamaçada e torpe havia uma
outra – pura, perfeita e linda.
- Mas, que coisa...
Ele chegou a pôr a cabeça fora do carro para olhar o céu fechado de chuva.
Depois continuou guiando mais lentamente. Não sei se sonhava em ser avia-
dor ou pensava em outra coisa.
- Ora, sim senhor...
E, quando saltei e paguei a corrida, ele me disse um “boa noite” e um “muito
obrigado ao senhor” tão sinceros, tão veementes, como se eu lhe tivesse feito
um presente de rei.
Rubem Braga

Analisando as principais características do texto lido, podemos dizer que seu


gênero predominante é:
( ) a) conto
( ) b) poesia
( ) c) prosa
( ) d) crônica
( ) e) diário

38
5. Partindo do pressuposto de que um texto estrutura-se a partir de carac-
terísticas gerais de um determinado gênero, identifique os gêneros des-
critos a seguir:
I. Tem como principal característica transmitir a opinião de pessoas de destaque
sobre algum assunto de interesse. Algumas revistas têm uma seção dedicada a esse
gênero;
II. Caracteriza-se por apresentar um trabalho voltado para o estudo da linguagem,
fazendo-o de maneira particular, refletindo o momento, a vida dos homens através
de figuras que possibilitam a criação de imagens;
III. Gênero que apresenta uma narrativa informal ligada à vida cotidiana. Apresen-
ta certa dose de lirismo e sua principal característica é a brevidade;
IV. Linguagem linear e curta, envolve poucas personagens, que geralmente se mo-
vimentam em torno de uma única ação, dada em um só espaço, eixo temático e
conflito. Suas ações encaminham-se diretamente para um desfecho;

São, respectivamente:
( ) a) crônica, carta, entrevista e carta argumentativa
( ) b) carta, bula de remédio, narração e prosa
( ) c) entrevista, poesia, crônica e conto
( ) d) entrevista, poesia, conto e crônica
( ) e) crônica, entrevista, carta e carta argumentativa

39
Lição 3 - Produção de Textos

Seja qual for a atividade que você desenvolva, seja qual for o cargo que ocu-
pe em uma empresa, é essencial que saiba comunicar-se eficientemente,
seja oral ou por escrito. É claro que para transmitir suas ideias não basta
simplesmente usar as palavras de qualquer jeito. Elas se organizam e se re-
lacionam de acordo com determinadas regras.

Observe a frase: Couro casaco é de seu bonito. Esta frase não faz sentido,
não é mesmo? Isso acontece porque ela não obedeceu aos princípios de or-
ganização e expressão do pensamento pela língua escrita. Para que a comu-
nicação ocorra, é preciso alterar a ordem dessas palavras, assim: Seu casaco
de couro é bonito.

Ao término dessa lição, você deverá ser capaz de:


a) distinguir os diferentes termos que compõem uma oração (essenciais,
integrantes e acessórios);
b) abordar os conhecimentos indispensáveis para a ordenação do
pensamento e expressão em frases, orações, períodos e parágrafos bem
construídos para produzir textos descritivos, narrativos e dissertativos.

1. Frase, Oração e Período


A frase é a menor unidade de expressão do pensamento. Ela se constitui de
uma palavra ou de um conjunto de palavras com sentido completo, observe:
Quadro 1 – Frases, oração e período

Silêncio! Puxa! Que susto! - frases


Estou com vontade de viajar. - oração
Há males que vêm para o bem. – período

Como observamos nos exemplos, uma frase pode ter apenas uma palavra,
pode não ter verbo, mas deve ter sentido. Se o verbo aparecer, então temos
uma oração. Para compor essas estruturas, basta selecionar e combinar pala-
vras e usar os sinais de pontuação: ponto final, exclamação, interrogação ou
reticências.

O período é a frase formada por uma ou mais orações, e pode ser: simples,
uma só oração, ou composto, formado por duas ou mais orações.

40
Quadro 2 – Exemplos de períodos simples e composto

Eu contarei uma pequena história aos garotos. (um verbo - uma


oração = período simples)
Miriam gosta de ouvir música enquanto aguarda sua condução.
(dois verbos - duas orações = período composto)

Os termos essenciais da estrutura da oração são o sujeito e o predicado. O


sujeito é o ser ou o tema (coisa, pessoa, animal) de que falamos ou sobre o que
escrevemos. O predicado é tudo o que se refere ao sujeito, suas ações e seu
estado.

Os termos integrantes da oração sempre completam o sentido de outros ter-


mos que por alguma razão semântica, isto é, para produzir o sentido deseja-
do aparecem como: complementos verbais (objeto direto e objeto indireto),
complemento nominal e agente da passiva.

Os termos chamados de acessórios servem para determinar, qualificar ou


definir circunstâncias de tempo, modo, causa, condição entre outros termos.
São eles: o adjunto adnominal (ligados a nomes), o adjunto adverbial (rela-
cionados com verbos ou advérbios) e o aposto (usado para explicar algo).

2. Parágrafo
O parágrafo corresponde à divisão das partes de um texto escrito. Vem indi-
cado pela mudança de linha, cuja função é mostrar que as frases nele conti-
das mantêm maior relação entre si do que com o restante do texto.

Essa definição é a do parágrafo-padrão, sendo não só um modelo, mas tam-


bém a forma mais encontrada. Há parágrafos que fogem ao padrão por opção
estilística do autor. É comum indicar o início do parágrafo com pequeno es-
paço distante da margem esquerda, dizia-se “dois dedinhos”, quando ensiná-
vamos aos pequenos aprendizes; hoje com os recursos da informática, faze-
mos a tabulação dos textos; o formato mais usado é o alinhamento à esquerda
com espaço entre os parágrafos.

Vejamos os dois primeiros parágrafos do conto Tirar Férias, de Drummond.


Eles estão indicados com o símbolo do parágrafo (§) e numerados para acom-
panhamento e compreensão.

§1) A noção de férias está ligada a figuras de viagem, esporte, aplicações intensi-
vas do corpo; quase nada de descanso. As pessoas executam durante esse intervalo
aquilo que não puderam fazer ao longo do ano; fazem “mais” alguma coisa, de sorte
que não há férias, no sentido religioso e romano de suspensão de atividades.

41
§2) Matutando1 nisso, resolvi tirar férias e gozá-las como devem ser gozadas: sem
esforço para torná-las amenas. A ideia de viagem foi expulsa do programa: é das
iniciativas mais comprometedoras e tresloucadas2 que poderia tomar o trabalhador
vacante3. As viagens ou não existem, como é próprio da era do jato, em que somos
transportados em velocidade superior à do nosso poder de percepção e de rumina-
ção4 de impressões, ou existem demais como burocracia de passaporte, filas, falta
de vaga em hotel, atrasos, moeda aviltada5, alfândega, pneu estourado no ermo6,
que mais? [...]

ANDRADE, C. Drummond de. Cadeira de Balanço.

No primeiro parágrafo, podemos identificar qual o assunto do conto: férias.


Também ficamos sabendo com que objetivo o autor escreve sobre férias:
mostrar que esse não é necessariamente um período de descanso. Assim, o
primeiro parágrafo orienta nossa leitura: estamos diante de um texto que
questiona o verdadeiro sentido das férias.

Em relação à estrutura, ao desenvolvimento, ao formato e ao tamanho dos


parágrafos de um texto, devemos pensar que tudo depende do tema a ser
desenvolvido e da intenção de comunicar algo. Além disso, o gênero textual,
ou seja, a forma e o conteúdo do tipo de texto são importantes parâmetros a
seguir.

Vamos abordar, nesta lição, os três tipos de texto que se destacam no cotidia-
no da vida das pessoas, seja no âmbito da vida pessoal ou profissional. São eles
a descrição, a narração e a dissertação.

3. Descrição
Devemos ficar atentos para não confundir definição e descrição. O dicionário
define o objeto; a descrição revela como é o objeto, com suas particularidades.
Vamos observar o seguinte texto:

Peça da mobília que é um assento apoiado sobre pés, quase sempre em número
de quatro, com um encosto e, muitas vezes, braços, com lugar para acomodar, com
algum conforto, uma pessoa.

1. Matutar
Pensar demoradamente sobre algo, meditar, refletir.
2. Tresloucado
Desprovido de razão, falto de juízo; louco, desvairado.
3. Vacante
Que está vago; estar sem ocupação.
4. Ruminação
Ato, efeito ou processo de ruminar, ou seja, de pensar muito em, (fig.); cogitar profundamente;
meditar; refletir.
5. Aviltado
Que perdeu o valor.
6. Ermo
Solitário; diz-se de ou lugar desabitado, deserto.

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Ao ler o trecho, visualizamos rapidamente que se trata de uma cadeira. Não se
trata de uma descrição, mas a sua definição, que é bastante genérica.

Descrever é mais do que isso, é perguntar: qual é a cor da cadeira? De que ma-
terial é feita? Qual é o formato de seus pés? Ao respondermos a essas ques-
tões, estamos diferenciando essa cadeira de muitas outras, indicando suas
características particulares. Quando definimos, estamos tratando de uma
classe, de espécies de forma genérica.

Definição

Pequeno mamífero carnívoro, doméstico, da família dos felídeos, que descende do


gato selvagem encontrado na África e Sudoeste da Ásia (a domesticação se deu por
volta de 4000 anos atrás, no Egito).

Descrição

Seu andar era austero e tinha toda a graça do felino. Quando o sol batia forte, seu
pelo cinza brilhava ainda mais. Não parecia muito amigo aos estranhos, mas em
casa era a melhor companhia. Na janela, olhando o trabalho de meu pai, ele mais
parecia uma estátua, uma obra de arte.

Nos exemplos anteriores, temos a definição e a descrição subjetiva de um


gato. Percebemos claramente a diferença entre elas, na definição, a aborda-
gem é objetiva; na descrição, percebemos a relação afetiva que o autor tem
com o animal, a presença do olhar subjetivo é a marca dessa descrição.

4. Narração
Definição

Narrar é apresentar fatos reais ou fictícios utilizando a linguagem verbal.


Quando se narra, não é suficiente registrar os fatos em qualquer ordem, é
importante que esses fatos estejam em determinada sequência. Um fato vem
depois de outro e tem relação com outros, ou seja, o segundo fato tem relação
com o primeiro; o terceiro fato tem relação com o segundo e assim por diante.

Vejamos a sequência da fábula Socorro, de Millôr Fernandes.

O socorro

Ele foi cavando, cavando, cavando, pois sua profissão - coveiro - era cavar. Mas, de
repente, na distração do ofício que amava, percebeu que cavara demais. Tentou sair
da cova e não conseguiu. Levantou o olhar para cima e viu que, sozinho, não conse-
guiria sair. Gritou. Ninguém atendeu. Gritou mais forte. Ninguém veio. Enrouqueceu
de gritar, cansou de esbravejar, desistiu com a noite. Sentou-se no fundo da cova,
desesperado. A noite chegou, subiu, fez-se o silêncio das horas tardias. Bateu o frio
da madrugada e, na noite escura, não se ouvia um som humano, embora o cemi-
tério estivesse cheio de pupilos e coaxares naturais dos matos. Só pouco depois da

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meia-noite é que lá vieram uns passos. Deitado no fundo da cova o coveiro gritou.
Os passos se aproximaram. Uma cabeça ébria apareceu lá em cima, perguntou o
que havia: ‘O que é que há?’

O coveiro então gritou, desesperado: ‘Tire-me daqui, por favor. Estou com um frio
terrível!’ ‘Mas, coitado!’- condoeu-se o bêbado -‘Tem toda a razão de estar com frio.
Alguém tirou a terra de cima de você, meu pobre mortinho!’ E, pegando a pá, en-
cheu-a de terra e pôs-se a cobri-lo cuidadosamente.”
FERNANDES, Millôr. Fábulas Fabulosas. Rio de Janeiro:
Ed. Nórdica, 1991.

Vemos, por meio dessa história, a necessidade de ordenar os fatos no tempo e


relacionar esses mesmos fatos. Observe que não há nenhuma dificuldade na
leitura, posto que a ordem dos fatos permite sua fluência.

Podemos narrar fatos reais ou fictícios. A narração de fatos reais é o relato de


ações praticadas por pessoas. Ela é comum em livros científicos, de História,
jornais e outros formatos e veículos de informação.

A narração de fatos fictícios, por outro lado, não tem compromisso com a
realidade, pois pode ser totalmente inventada ou até baseada em fatos reais,
porém, enriquecidos pela imaginação de quem relata. A maneira mais co-
mum de narrar é aquela em que a história se desenvolve linearmente, em
uma sequência de começo, meio e fim; é a sequência mais tradicional e a mais
utilizada no nosso dia a dia.

Mas há outras maneiras mais criativas de fazer isso. Às vezes, com uma sim-
ples mudança na ordem da narrativa, conseguem-se efeitos surpreendentes.
Como exemplo, observemos este trecho da escritora Clarice Lispector e, na
sequência, outra forma de construí-lo:

Queixei-me de baratas. Uma senhora ouviu-me a queixa. Deu-me a receita de


como matá-las. Que misturasse em partes iguais açúcar, farinha e gesso. A farinha
e o açúcar as atrairiam, o gesso esturricaria o de dentro delas. Assim fiz. Morreram.

Também, podemos expressar a mesma ideia alterando a ordem das palavras


no período, com sutis modificações envolvendo a “pontuação” e o uso dos “co-
nectivos”; observe:

De baratas, queixei-me. Uma senhora ouviu-me a queixa e deu-me a receita de


como matá-las: misturar açúcar, farinha e gesso em partes iguais. A farinha e o açú-
car as atrairiam, o gesso esturricaria o de dentro delas. Fiz assim; elas morreram.

5. Dissertação
Definição

Dissertação é um texto que se caracteriza pela exposição, defesa de uma ideia


que será analisada e discutida a partir de um ponto de vista. Para tal defesa, o

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autor do texto dissertativo trabalha com argumentos, com fatos, com dados,
os quais utiliza para reforçar ou justificar o desenvolvimento de suas ideias.

Além de ser o tipo de texto mais exigido em provas e concursos a dissertação


também é um dos textos mais simples de se redigir. Começando pela estrutu-
ra dele e finalizando pelo tipo de linguagem empregado, é um texto que pode
ser estudado e familiarizado com estudantes de diversos níveis.

Para se produzir um texto dissertativo são necessárias algumas habilidades,


que estão ao alcance de todos a serem adquiridas:
• Conhecimento do assunto a ser abordado, a fim de aplicar precisão e
certeza àquilo que está sendo escrito.
• Habilidade com a língua escrita, de maneira que se possa fazer boas
construções sintáticas, uso de palavras adequadas e relações coerentes
entre os fatos, argumentos e provas.
• Boa organização semântica do texto, ou seja, organização coerente das
ideias aplicadas à dissertação, para que as mesmas possam facilmente ser
apreendidas pelos leitores.
• Bom embasamento das ideias sugeridas, boa fundamentação dos
argumentos e provas.

Esquema de uma dissertação

Introdução: no primeiro parágrafo você deverá expor o problema e o cami-


nho a ser seguido no texto para expô-lo ou para defender algum ponto de
vista a respeito dele.

Desenvolvimento: aqui se encontram os argumentos, opiniões, estatísticas,


fatos e exemplos. Ao apresentá-los você deve sempre se direcionar para um
lado da questão, um ângulo de visão, uma opinião específica. Essa opinião
deve ser anteriormente pensada e analisada para que se possa fazer uma boa
argumentação ou exposição.

Conclusão: aqui você deixa claro o objetivo da sua dissertação, expõe o ponto
de vista defendido ou a conclusão da sua exposição de forma que se arremate
todos os argumentos utilizados durante a construção do texto.

6. Descrição e Narração – Uma Linha Tênue


São dois tipos de composição altamente explorados, presentes nos mais di-
ferentes gêneros textuais (literários, jornalísticos, publicitários, bulas de re-
médios, charges, piadas, histórias do cotidiano, relatórios etc.); no entanto, o
limite entre eles é tênue: um pode estar a serviço do outro.

No quadro seguinte, temos um esquema comparativo para recuperar as no-


ções básicas de cada tipo de composição: descrição, narração e dissertação.

45
Tabela 1 – Descrição, Narração e Dissertação

Dissertação: ideia/
Descrição: retrato Narração: relato
argumento
Objeto descrito: pessoa, Narrador, personagem(ns)
Ideia/ tese
animal, lugar, coisa. e ação.
Substantivos (traços) Ação (conflito / relato e Posicionamento/ponto de
Adjetivos (atributos) progressão) Diálogo vista, argumentação
Tempo e lugar (espaço/ Problematização, análise,
Frases nominais
ambiente) solução
Verbos de estado no Verbos de ação e de estado no
Verbos de ação no passado.
presente presente
Ponto de vista do
Relato da ação. Exposição/defesa de ideias
narrador-observador.

A unidade textual é dada por 5 “Cs”:


• Coerência (relações entre as partes, em nível interno e externo);

• Coesão (partes amarradas, costuradas por elementos conectores/de


ligação);
• Correção gramatical (padrão adequado ao nível de comunicação

desejado);
• Concisão vocabular (economia e precisão);

• Clareza (estilo e objetividade)


Exercícios Propostos

1. Preencha os parênteses com os números correspondentes. Em seguida,


assinale a alternativa correta:
1. Narrar
2. Argumentar
3. Expor
4. Descrever
5. Prescrever

( 5 ) Ato próprio de textos em que há a presença de conselhos e


indicações de como realizar ações, com emprego abundante de
verbos no modo imperativo.
( 3 ) Ato próprio de textos em que há a apresentação de ideias sobre
determinado assunto, assim como explicações, avaliações e reflexões
. Faz-se uso de linguagem clara, objetiva e impessoal.
( 1) A
to próprio de textos em que se conta um fato, fictício ou não,
acontecido num determinado espaço e tempo, envolvendo
personagens e ações. A temporalidade é fator importante nesse tipo de
texto.

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( 4) Ato próprio de textos em que retrata, de forma objetiva ou subjetiva, um
lugar, uma pessoa, um objeto etc., com abundância do uso de adjetivos.
Não há relação de temporalidade.
( 2) Ato próprio de textos em que há posicionamentos e exposição de ideias,
cuja preocupação é a defesa de um ponto de vista. Sua estrutura básica é
: apresentação de ideia principal, argumentos e conclusão.
( ) a) 3, 5, 1, 2, 4
( X) b) 5, 3, 1, 4, 2
( ) c) 4, 2, 3, 1, 5
( ) d) 5, 3, 4, 1, 2
( ) e) 2, 3, 1, 4, 5

2. O período seguinte foi pontuado de cinco formas diferentes. Leia-o e


selecione a letra que corresponde ao período de pontuação correta,
justificando sua escolha:
( ) a) Prezados colegas deixemos agora a boa conversa, de lado!
( ) b) Prezados colegas deixemos agora, a boa conversa de lado!
( ) c) Prezados, colegas, deixemos agora, a boa conversa de lado!
( ) d) Prezados colegas deixemos agora a boa conversa de lado!
( x) e) Prezados colegas, deixemos agora a boa conversa de lado!

3. Analise as afirmações a seguir e assinale a alternativa correta:


I. A frase é a maior unidade de expressão do pensamento.
II. Uma oração deve ser composta por verbo.
III. O período é a frase formada por uma única oração.
IV. Os termos essências da estrutura da oração são o sujeito e o predicado.
V. O parágrafo é a indicação de mudança de linha.

( ) a) as afirmações I e II estão corretas


( ) b) as afirmações I, II e III estão corretas
( x) c) as afirmações I e III estão incorretas
( ) d) apenas a afirmação I está incorreta
( ) e) as afirmações III, IV e V estão corretas

4. Das frases abaixo relacionadas, indique a que contém oração:


( ) a) Que dia quente!
( ) b) Belas as manhãs sertanejas!
( x) c) Estou em Monteiro há onze anos.
( ) d) Silêncio!
( ) e) Previsão de chuva no Nordeste.

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5. Numere o conjunto de sentenças de acordo com o primeiro, de modo
que cada par forme uma sequência coesa e lógica. Identifique, em
seguida, a letra da sequência numérica correta:

(1) Cumpre, inicialmente, distinguir a higiene do trabalho da segurança do


trabalho.
(2) Na evolução por que passou a teoria do risco profissional, abandonou-se
o trabalho profissional, como ponto de referência para colocar-se, em seu
lugar, a atividade empresarial.
(3) Há que se fazer a distinção entre acidentes do trabalho e doença do
trabalho.
(4) O Direito do Trabalho reconhece a importância da função da mulher no
lar.
(5) Motivos de ordem biológica, moral, social e econômica encontram-se na
base da regulamentação legal do trabalho do menor.

( ) A culminação desse processo evolutivo encontra-se no conceito de risco


social e na ideia correlata de responsabilidade social.


( ) Daí as restrições da jornada normal e ao trabalho noturno.

( ) A necessidade de trabalhar não deve prejudicar o normal


desenvolvimento de seu organismo.


( ) Enquanto esta é inerente a determinados ramos de atividade, os

primeiros são aqueles que ocorrem pelo exercício do trabalho,


provocando lesão corporal.
( ) Constitui
aquela o conjunto de princípios e regras destinados a preservar
a saúde do trabalhador.

A sequência numérica correta é:

( ) a) 1, 3, 4, 5, 2
( ) b) 3, 2, 1, 5, 4
( ) c) 2, 5, 3, 1, 4
( ) d) 5, 1, 4, 3, 2
( x) e) 2, 4, 5, 3, 1

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Lição 4 - Redação Empresarial e Oficial

O mundo contemporâneo possibilita a comunicação rápida entre pessoas


de praticamente todas as partes do mundo. A sociedade tecnológica, prin-
cipalmente na área das telecomunicações, cria recursos que permitem a
transmissão de mensagens em velocidades espantosas. É o caso do e-mail
(eletronic mail, isto é, correio eletrônico), cada vez mais presente em nosso
cotidiano.

Apesar da inegável eficiência desses novos meios de transmissão de mensa-


gens, as formas tradicionais de correspondência, como a carta impressa ou
via e-mail, as mensagens internas, o memorando, o relatório, o requerimen-
to, o ofício e outros formatos de comunicação continuam sendo largamente
utilizados.

Ao término desta lição, você deverá ser capaz de:


• Conhecer as principais características e qualidades relativas à estrutura,
ao estilo e à linguagem das correspondências nas empresas.

1. Carta
A correspondência oficial e comercial, enviada pelos poderes públicos ou por
empresas, caracteriza-se por seguir modelos prontos, em que se alteram ape-
nas alguns dados. Apresentam uma linguagem padronizada e são redigidas
em linguagem formal culta. O emissor é pessoa jurídica que vem representa-
da por um funcionário.

As características que devem prevalecer num texto empresarial são: a clare-


za, a concisão, a adequação vocabular, a propriedade no uso de termos e o tra-
tamento, a ordem direta das frases e a obediência ao padrão culto da língua.

Para tratar de assuntos de interesse comum, a carta é o instrumento mais


utilizado entre empresas ou entre empresas e clientes. A carta deve ser uma
resposta rápida para o assunto nela tratado, mesmo que seja contrária aos
interesses de quem a escreve. Por isso, devem ser evitados os chavões, a pro-
lixidade e a ambiguidade.

A carta deve ser elaborada sempre em papel timbrado e deve conter a seguin-
te estrutura:
• número da expedição (isolado ou acompanhado do setor ou abreviatura da
espécie de documento);

49
• local e data (à esquerda, logo abaixo do tipo e do número);
• destinatário: nome da empresa, do setor (quando necessário, também o
nome de uma pessoa);
• assunto;
• vocativo;
• saudação;
• texto;
• fechamento;
• assinatura do remetente, seguido do cargo ou função.

Figura 1 – Exemplo de Carta

50
2. Memorando
O memorando é um documento interno da empresa, utilizado em comuni-
cações mais rotineiras. Deve ser elaborado em meia folha de papel A4, já im-
pressa com logotipo da empresa, e deve conter:
• identificação do destinatário e do emissor;
• data e número do memorando;
• assunto;
• introdução (não é necessário o vocativo);
• fecho (pode ser descontraído; o mais consagrado é o uso de saudações);
• assinatura do emissor.

Figura 2 – Memorando

51
3. Ofício
O ofício, utilizado por autoridades da administração pública, é o documento
oficial mais comum nos órgãos do governo, e tem como finalidade tratar de
assuntos oficiais.

A linguagem do ofício deve ser formal, mas não precisa ser rebuscada1, já que,
partindo de órgãos públicos, seu conteúdo deve ser compreendido por todos.
O papel em que é redigido deve conter o timbre, o símbolo, ou o carimbo do
órgão público que o expede. A padronização recomendada pela Secretaria de
Administração Federal tem como principais pontos:
• Junto à numeração do Ofício, não colocar o ano (esta informação é
importante porque, antigamente, se colocava o ano).
• A indicação do assunto é facultativa (antigamente não era).
• O vocativo segue a seguinte formalização: Senhor + Cargo (em maiúscula)
do destinatário.
• O primeiro e o último parágrafos não são numerados.
• Quando não empregar o tratamento de Excelência ao destinatário, deve-se
dirigir a ele como Vossa Senhoria.
• O sinal de pontuação após o fecho é necessariamente a vírgula.
Os fechos devem estar centralizados na folha e uniformizados da seguinte
forma:
• Respeitosamente – para autoridades superiores, inclusive o Presidente da
República;
• Atenciosamente – para autoridades da mesma hierarquia ou de hierarquia
inferior.

1. Rebuscada
Apurado, requintado, empolado, pretensioso (estilo).
“rebuscada”, in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, http://
www.priberam.pt/dlpo/rebuscada [consultado em 30-07-2015].

52
Figura 3 – Ofício

4. E-mail

O e-mail é uma comunicação a distância rápida e simples, ele nada mais é


do que uma forma de se enviar/ receber correspondência com a diferença
de que usamos o computador conectado à Internet por cabos telefônicos e
um endereço eletrônico para enviar/receber as mensagens com arquivo(s),
documentos, imagens, músicas etc.

53
O e-mail deve seguir a estrutura de uma carta, exceto no preenchimento do
cabeçalho, o qual se preenche automaticamente em relação ao(s) destina­
tário. Quanto ao assunto (subject), todo o cuidado é pouco para chamar a
atenção do leitor sobre o conteúdo do que será emitido.

A internet é uma rede de comunicação que interliga computadores do mun-


do todo. Qualquer um pode ter um endereço eletrônico. Siga as instruções
para obter um:
• Indique o nome que você vai usar em seu endereço (letras minúsculas).
• O símbolo @ vem logo depois do nome, sem espaço.
• O nome da empresa que oferece serviços e conexão à Internet, conhecido
como “provedor de acesso” é colocado na sequência e seguido de ponto.
• O complemento que diferencia nomes comuns ou comerciais (com)
dos órgãos governamentais (gov), instituições educacionais (edu) e
organizações não-governamentais (org) também seguido de ponto.
• A identificação do país (br = Brasil, fr = França etc)
e-mail: fulano@nomedoprovedor.com.br

Para enviar um e-mail, observe os passos a seguir:


• No campo para, você deve digitar o e-mail do destinatário.
• No campo assunto, deve-se digitar aquilo de que trata a mensagem.
• Para enviar arquivos já gravados em seu computador, você deve clicar em
anexar, tarefa que já vem representada no programa de correio eletrônico
pelo ícone (símbolo) de um “clip”. Dessa forma, o ícone permite que você
anexe arquivos mais extensos a sua mensagem.
• Abaixo desses campos, há um espaço em branco no qual você vai digitar
sua mensagem. A linguagem utilizada deve estar adequada ao assunto e ao
destinatário a quem se remete.
• Pronta a mensagem, basta clicar em enviar que ela chegará rapidamente
ao computador do destinatário.

5. Relatório
O relatório é uma comunicação que narra e descreve atos ou fatos, e nele
devem constar análise e apreciação de quem o produz.

Suas características podem ser muito diversas, e dependem do objetivo do


relatório. Mas o formato desse documento pode ser assim dividido:
• título;
• introdução;
• desenvolvimento;
• conclusão
54
Obs.: quando necessário, deve conter o nome do destinatário e do emissor.

Caro Ricardo,

Em resposta a sua solicitação de reposição de mercadoria como solução


para o problema do estoque recusado existente na Parker, gostaríamos
de comentar o seguinte:

Lamentavelmente, a WWK não pode assumir o compromisso de


reprocessar e repor a mercadoria em questão sem incorrer em custos
para a Parker, uma vez que se trata de produto existente antes do
contrato firmado entre a IFH e a WWK.

A IFH é um co-packer para a WWK desde novembro de XXXX, portanto,


a partir desta data, cabe à IFH, por força de contrato, assegurar à WWK
a qualidade dos produtos fabricados, enquanto a cargo da WWK está
a tarefa de avaliar e garantir a qualidade de tais mercadorias junto ao
cliente.

Sendo assim, a WWK não hesitaria em conduzir um acordo justo que


atendesse às necessidades da Parker caso a comercialização dos
produtos já estivesse sob seu controle; no entanto, na presente situação,
se aceitássemos a devolução dos produtos para posterior reposição,
estaríamos entrando num campo que não é de nossa competência,
dado o período das ocorrências.

Salientamos, por fim, que nossa decisão é baseada nos valores e


princípios ético-comerciais que permeiam o trabalho da WWK em seus
mais de 100 anos de existência. A WWK, como atual fornecedor, tem
o maior interesse em que a Parker consiga chegar a uma decisão
consensual para o problema, e, observando certas normas que um caso
delicado como este requer, coloca-se à disposição para prestar algum
auxílio para a conclusão comercial deste caso.

Cordialmente,

Marco Aurélio
Gerente Desenvolvimento de Negócios
WWK do Brasil Ltda.
Tel: (11) 5555-0011
Cel: (11) 9167-8999

Figura 4 – Relatório

Dica de Leitura
De A a Z, confira os erros de português mais frequentes no universo corporativo, segundo
especialistas consultados por EXAME.com em:
http://exame.abril.com.br/carreira/noticias/100-erros-de-portugues-frequentes-no-
mundo-corporativo/

55
6. Currículo
O currículo é a primeira etapa de um processo de seleção de emprego, e ela-
borá-lo de maneira correta é fundamental para que você consiga chamara
atenção do recrutador, em um primeiro momento, e assim se destacar entre
os demais.

Por ser considerado a primeira (e principal) etapa do início de um processo


de seleção de emprego, é importante fazê-lo de maneira organizada, ou seja,
em tópicos para que fique vem objetivo, pois pode não haver uma segunda
chance.

Um exemplo do que não se deve fazer é se autoelogiar: “responsável,


determinado(a), ativo(a), organizado(a) etc.”, dando destaques apenas a qua-
lidades, esquecendo de detalhar experiências, no caso de currículo para pes-
soas que já possuem um tempo no mercado e encontram-se desempregadas.
No caso de primeiro emprego, dê enfoque a cursos e atividades voluntárias,
de preferência.

A imagem do candidato também pode ser prejudicada pelos excessos na


apresentação do currículo: capas, contracapas, fotos de todos os tipos etc..
Aliás, fotos devem estar em estilo 3x4 sempre, e devem estar presentes no
currículo somente se a vaga exigir, como um trabalho de eventos, que exija
um determinado perfil do candidato.

Para te ajudar na elaboração de seu currículo, criamos um passo a passo de


um currículo ideal, bem organizado:

Aspecto
- Use duas folhas de papel, três no máximo, caso seu currículo seja mais
extenso e assim você precise detalhar as informações;
- Use papel branco. Nada de folhas decoradas, laços, enfeite, cores;
- Não é necessário colocá-lo em pastas para fixá-los, colocar um clip nas
folhas ou grampeá-las para que elas não se percam já está bom.

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Dados pessoais
- Logo no início, no alto, coloque seus dados pessoais: nome, estado civil,
endereço e telefone;
- Não precisa colocar número de documentos;
- Coloque também seu e-mail atual, mas se for algo como “florzinh@” e algo
desse tipo, esqueça. Crie um e-mail que tenha um perfil profissional.

Objetivo
- O seu objetivo deve vir logo abaixo de seus dados e nele deve constar o
cargo ou a área que você está se candidatando.

Formação
- Comece sempre pelo curso mais relevante. Exemplo: pós-graduação, logo
após a graduação. Se você estiver estudando e em busca de um estágio, não
se preocupe, pois seu currículo não deixará de ser importante perante os
demais. Apenas indique a faculdade, o curso e o ano de conclusão. Segue a
mesma regra para cursos técnicos;
- Não se esqueça de citar a instituição em que se formou e a data;
- Aqui também podem ir os cursos de idiomas e os cursos livres.

Qualificação
- Tenha sempre cuidado e prefira não mencionar adjetivos e elogios. O
importante são as suas experiências profissionais ou como estudante;
- Escreva o que você sabe fazer e suas experiências, inclusive se fez
intercâmbio.

Atividades profissionais
- Coloque o nome da empresa onde trabalhou, os cargos que exerceu e as
datas de entrada e saída;
- Se puder, conte um pouco do que realizou enquanto esteve na empresa;
- Seja econômico. Não precisa falar de todas as empresas em que esteve,
conte somente sobre os três últimos empregos ou sobre aqueles que tem a
ver como o cargo ou área pretendidos.

Revisão
- Etapa muito importante: veja se não há erros de português;
- Não enfeite letras, não use muito textos em negrito e não o faça colorido.
Lembre-se sempre da simplicidade.

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Figura 5 – Modelo de currículo

Para Pesquisar
Se você desejar obter mais informações sobre como redigir um documento oficial,
sugerimos o Manual de Redação da Presidência da República, disponível no link:
http://www.biblioteca.presidencia.gov.br/publicacoes-oficiais-1/catalogo/

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Exercícios Propostos

1. Selecione, entre as seguintes informações, a que está adequada à “neti-


queta”, isto é, a etiqueta através do e-mail pela Internet.
( X) a) Texto claro e enxuto.
( ) b) Resposta vaga, imprecisa.
( ) c) Textos do corpo curtos e abreviados.
( ) d) Letras maiúsculas e em negrito são excelentes para passar informações
precisas.
( ) e) Abreviaturas e ícones são formas sintéticas adequadas para a comuni-
cação rápida.

2. Selecione a alternativa que corresponde à informação verdadeira sobre


a estrutura da carta.
( ) a) O vocativo “prezado amigo” é a fórmula ideal para usar na carta de em-
presa e criar aproximação com o cliente.
( ) b) Frases longas em linguagem informal compõem o texto da boa carta.
( ) c) Até na carta é possível persuadir, desde que se faça com cordialidade.
( ) d) Ao iniciar ou fechar a carta, usar os chavões como “escrevo esta para...”,
“sem mais para o momento...”
(X
) e) Data e local devem vir no final da carta.

3. Um texto empresarial competente é aquele organizado e estruturado em


relação às qualidades que constam da alternativa:
( ) a) Objetividade, profissão, prolixidade, concisão e correção.
( ) b) Persuasão, unidade, organização, linguagem informal e coesão.
(X
) c) Organização, hierarquia, elegância, estética e clareza.
( ) d) Adequação de forma e conteúdo, conectividade, correção, persuasão e
objetividade.
( ) e) Correção gramatical, informalidade, ordem, polidez e conexão

4. Assinale a alternativa correta que completa a afirmação: Ao redigir uma


carta comercial:
( ) a) Elaborar a mensagem em linguagem clara, direta e correta.
( ) b) Produzir a mensagem que satisfaça às expectativas do receptor.
( ) c) Expressar a comunicação com tratamento formal culto.
( ) d) Redigir de forma impessoal em linguagem coloquial.
(X
) e) As alternativas A e B se completam.

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5. Um indivíduo só pode dizer-se inteiramente livre, no âmbito da comu-
nicação linguística, quando conhece todas as modalidades da língua e
escolhe aquela que melhor convém ao momento do discurso porque co-
nhecer a norma culta se compara à etiqueta social: não é preciso usá-la
para viver, mas é absolutamente indispensável conhecê-la para conviver.

Sobre essas duas asserções, é correto afirmar que:


(X
) a) as duas asserções são proposições verdadeiras, e a segunda é uma justi-
ficativa correta da primeira.
( ) b) as duas asserções são proposições verdadeiras, e a segunda não é uma
justificativa correta da primeira.
( ) c) a primeira asserção é uma proposição verdadeira, e a segunda, uma
proposição falsa.
( ) d) a primeira asserção é uma proposição falsa, e a segunda uma proposi-
ção verdadeira.
( ) e) tanto a primeira afirmativa quanto a segunda são falsas.

60
Lição 5 - Tópicos Gramaticais

As palavras relacionam-se umas com as outras na elaboração da frase. Para


isso, elas obedecem a alguns princípios: um deles é o da concordância; o
outro é o da regência que envolve o emprego da crase; temos ainda a colo-
cação dos pronomes pessoais oblíquos (me, te, se, o, a, lhe, nos, vos, lhes); a
pontuação e alguns outros aspectos linguísticos relevantes.

Vamos começar pelo estudo da concordância, uma poderosa ferramen-


ta para interpretar e produzir textos conforme os padrões da língua culta.
Uma concordância defeituosa pode levar a interpretações distorcidas. De-
pois, veremos a regência, a crase, a pontuação, a conexão de ideias, o uso de
porquês, o uso do QUE e do SE e outras questões recorrentes. Atenção para
observar que está em jogo não somente a construção do texto, mas também
a credibilidade e a imagem de quem redige a mensagem.

Ao término dessa lição, você deverá ser capaz de:

• Desenvolver textos no padrão da língua culta.


1. Concordância
Dizemos que há concordância entre os termos de uma frase quando há har-
monia entre eles, quando estão perfeitamente adaptados quanto ao gênero,
número, grau, pessoa. O primeiro tópico de estudo permite empregar corre-
tamente as regras de concordância verbal e nominal.

1.1 Concordância Verbal

É a adaptação em número e pessoa que se estabelece entre o verbo e o sujeito.


No geral, não há dúvida em como fazer a concordância dos verbos com seus
sujeitos. Mas, na língua portuguesa, há casos de concordância irregular, isto
é, que se faz de maneira ideológica, afetiva ou atrativa, casos esses que fogem
completamente à regra nominal, exigindo observação e treino.

Verbos HAVER, FAZER e SER

a) verbo haver

Quando tem sentido de “existir” ou de “indicar tempo decorrido”, permanece


no singular. O verbo haver transmite essa impessoalidade aos verbos que com
ele formam locução.

61
Exemplos

Há duas atitudes a tomar.


Havia anos que não se viam.
Pode haver duas atitudes a tomar.

b) verbo fazer

Quando indica tempo decorrido ou fenômeno meteorológico, este verbo per-


manece invariável na terceira pessoa do singular. O verbo fazer transmite
sua impessoalidade aos verbos que com ele formam locução:

Exemplos

Faz vinte anos que ela o deixou.


Faz dias lindíssimos nesta época do ano.
Deve fazer dois anos que o acidente aconteceu.

c) verbo ser

Se o verbo ser indica hora ou distância e não tem sujeito, concorda com a
expressão numérica (isto é, predicativo):

Exemplos

É uma hora.
São dez horas da noite.
Será um quilômetro daqui até o trabalho.
Daqui ao trabalho serão dois quilômetros.

No caso de locução verbal, a concordância será feita pelo verbo auxiliar de


ser:

Exemplos

Devem ser dez horas da noite.


Daqui ao trabalho deverão ser dois quilômetros.

Havendo sujeito na frase, o verbo ou concordará com ele ou com o predica-


tivo:

Exemplos

Pedro era atencioso.


Nem tudo são flores.
Nem tudo é flores.

No caso de o predicativo ser representado por um substantivo comum, o ver-


bo concordará com o elemento que se deseja realçar:

62
Exemplos

Meus quadros são a minha vida.


Minha vida é os quadros.

Nas expressões indicativas que quantidade (medida, peso, preço, valor) o ver-
bo ser é invariável:

Exemplos

Dois quilos é pouco para o bolo.


Mil reais é pouco para a reforma.
Hoje é vinte de outubro (dia vinte de outubro).

►►1.1.1 Casos Especiais de Concordância Verbal


a) Sujeito composto posposto ao verbo: o verbo pode ir ao plural
(concordância gramatical) ou concordar com o elemento mais próximo
(concordância atrativa).

Exemplos

Passarão o céu e a terra.


Passará o céu e a terra.

b) Sujeito composto de pessoas gramaticais diferentes: neste caso, o verbo


concordará com a pessoa que tiver prioridade (a primeira sobre a
segunda, a segunda sobre a terceira etc.).

Exemplos

Ela e eu preparamos o jantar.


Eu, você e ele faremos a proposta ao professor.

c) Sujeito composto de núcleos sinônimos ou de sentido aproximado: faz-se


a concordância com o núcleo mais próximo (no singular) ou com todos
(no plural).

Exemplo

A incerteza e a instabilidade ou confundiram-no.

d) Sujeito composto de núcleos de gradação ascendente ou descendente:


o verbo concorda com o mais próximo (no singular) ou com todos (no
plural).

Exemplo

Um olhar, um aceno, uma palavra bastava (ou bastavam).

63
e) Sujeito formado por expressão partitiva (a maioria de, grande parte de,
a metade de etc.), seguida de um substantivo no plural: o verbo pode
permanecer no singular, concordando com a expressão, ou no plural,
concordando com o substantivo.

Exemplo

A maioria das pessoas concorda com a mudança (ou concordam).

f) Sujeito formado por expressões afirmativas seguidas de elementos


numéricos: o verbo concorda com o numeral.

Exemplo

Cerca de vinte mil estudantes vão fazer vestibular.

g) Sujeito formado pela expressão mais de um: o verbo vai para o plural se
houver ideia de reciprocidade; caso contrário, fica no singular.

Exemplos

Mais de um político se destacaram (uns aos outros).


Mais de um professor foi homenageado.

h) Sujeito formado pela expressão um dos que (ou outra equivalente): o


verbo pode ir para o plural (mais comum) ou ficar no singular (mais raro).

Exemplos

Sou um dos que optaram pelo adiamento da prova.


Ela é uma das candidatas que marcou entrevista para hoje.

i) Sujeito representado pelo pronome demonstrativo que: o verbo concorda


com o termo antecedente.

Exemplo

São fatos que já foram esquecidos.

j) Sujeito representado pelo pronome relativo quem: o verbo fica na terceira


pessoa do singular ou concorda com o termo antecedente.

Exemplos

Fui eu quem pagou a conta.


Fomos nós quem pagou a conta.

k) Sujeito representado por pronome interrogativo ou indefinido no


singular, seguido de nós ou vós: o verbo vai para a terceira pessoa do
singular.

64
Exemplo

Qual de nós falará ao presidente?

l) Sujeito representado por pronome interrogativo ou indefinido no plural,


seguido de nós ou vós: o verbo concordará com os últimos ou ficará na
terceira pessoa do plural.

Exemplos

Quais de nós falaremos ao presidente?


Quais de nós cumprirão o acordo?

m) Sujeito representado por nomes próprios de lugar e títulos de obras: se


precedidos de artigo no plural, o verbo irá para o plural. Se não houver
artigo no plural, o verbo permanecerá no singular.

Exemplos

Estados Unidos enfrenta problemas.


Os Estados Unidos enfrentam problemas.

n) Sujeito representado pelas expressões um ou outro e nem um nem outro:


o verbo, obrigatoriamente, permanecerá no singular.

Exemplos

Um ou outro escreverá a carta.


Nem um nem outro escreverá a carta.

o) Sujeito composto ligado pela conjunção ou: o verbo fica no singular, se


houver ideia de exclusão; caso contrário, vai para o plural.

Exemplos

Uma bênção ou uma maldição cairá sobre ele (há ideia de exclusão).
O chefe ou o diretor gostarão de saber da novidade (não há ideia de exclusão).

1.2 Concordância Nominal

É a adaptação, ou seja, a flexão sofrida pelo nome para se adequar àquele a


que se refere. O artigo, o numeral, o pronome e o adjetivo concordam em
gênero (masculino/feminino) e número (singular/plural) com o substantivo
ao qual se referem. Vejamos alguns casos.

a) Concordância do adjetivo com o substantivo: o adjetivo ou adjunto


adnominal concorda com o substantivo ou pronome a que se refere em
gênero e número.

65
Exemplo

Povo educado, cidade limpa.


b) Concordância do adjetivo com dois ou mais substantivos: quando o
adjetivo se refere a mais de um substantivo, é preciso levar em conta a
sua posição.
- antes dos substantivos: o adjetivo concorda em gênero e número com o
substantivo mais próximo.

Exemplo

Ele não tinha a necessária ousadia e coragem.

Observação: se o adjetivo anteceder a dois ou mais substantivos próprios, ele


vai para o plural.

Exemplo

O país homenageia os corajosos Duque de Caxias e Tiradentes.


• depois dos substantivos: nesse caso, o adjetivo vai para o plural (se os
gêneros dos substantivos forem diferentes, prevalece o masculino) ou
concorda com o substantivo mais próximo.

Exemplos

Estava com o plano e a estratégia definidos.


Estava com o plano e a estratégia definida.

Se dois ou mais adjetivos se referem a substantivo no plural que, por assim


dizer, podem se desdobrar, os adjetivos não permanecem no singular.

Exemplo

As literaturas francesas e americanas.


(desdobrando, teremos literatura francesa e literatura americana).

c) Concordância do adjetivo com o predicativo de sujeito composto:


- se o adjetivo (com função de predicativo de sujeito composto) vem depois
dos substantivos, vai para o plural.

Exemplo

A professora e o aluno são dedicados.


- se o adjetivo vem antes dos substantivos, há duas possibilidades de
concordância: ou vai para o plural, ou concordará com o mais próximo.

66
Exemplos

São dedicados a professora e o aluno.


É dedicada a professora e o aluno.

d) Casos particulares: dentre os inúmeros casos, vale a pena destacar dois:


- quando temos uma palavra composta por um adjetivo e um substantivo,
ambos variam.

Exemplos

alto-relevo / altos-relevos
alto-vácuo / altos-vácuos
alto-mar / altos-mares
baixo-relevo / baixos-relevos
- quando temos uma palavra composta por um advérbio e um adjetivo, só
este varia (lembre-se de que os advérbios são palavras invariáveis).

Exemplos

alto-falante / alto-falantes
bem-comportado / bem-comportados
bem-falante / bem-falantes

e) Casos interessantes:
- acompanhando expressões como é proibido, é necessário, é bom, é preciso,
entre outras, tanto o verbo quanto o adjetivo ficam invariáveis se o sujeito
não vier com artigo.

Exemplos

Refrigerante é bom.
É proibido entrada.
- Entretanto, se o sujeito dessas expressões vier determinado por artigo,
pronome ou adjetivo, tanto o verbo quanto o adjetivo concordarão com
ele.

Exemplos

Este refrigerante é bom.


É proibida a entrada. Obrigada!
- as palavras anexo, obrigado, mesmo e incluso são adjetivos, devendo,
portanto, concordar em gênero e número com o substantivo ao qual se
referem.

67
Exemplos

Obrigado!
Segue anexa a tabela.
Seguem anexos os documentos.

- as palavras alerta e menos são invariáveis.

Exemplos

Permaneçam alerta.
Façam menos força.

As palavras caro, barato, meio, mesmo e bastante são invariáveis quando têm
a função de advérbio. Quando têm a função de adjetivo, numeral ou pronome
concordam com o nome ao qual se referem.

Exemplos

Aquelas frutas custam caro. (advérbio)


Aquelas frutas são caras. (adjetivo)
Aquelas frutas custam barato. (advérbio)
Aquelas frutas estão baratas. (adjetivo)
A laranja estava meio azeda. (advérbio)
Comprou meia dúzia de laranjas. (numeral)
Preciso mesmo de você
Os mesmos recursos foram utilizados para pagar a dívida
Fiquei bastante contente com a nova proposta de emprego.
Suas atitudes foram bastantes para me convencer do seu caráter.

2. Regência Verbal e Nominal


Regência é o mecanismo que regula as ligações entre um verbo ou nome e
os seus complementos. O falante conhece a regência dos verbos e dos nomes
que mais utiliza, mas pode haver diferenças entre o uso popular e o culto.
Para empregar corretamente a regência de cada verbo ou nome, é preciso
consultar um bom dicionário.

Observe com atenção as seguintes frases:


• Os médicos assistiram a um bom filme na TV.
• As médicas de plantão assistiram o garoto acidentado.
Na primeira frase, o verbo assistir significa ver, presenciar, e é transitivo in-
direto, pois está ligado ao complemento por meio de preposição. Na segunda
frase, o verbo significa ajudar, socorrer, e é transitivo direto, pois seu comple-
mento vem ligado diretamente a ele (o rapaz acidentado).

68
A relação do verbo assistir com seu complemento é diferente nas duas frases.
É justamente essa dependência entre as palavras de uma frase que vamos
estudar nesta lição. A essa dependência dá-se o nome de regência.

2.1 Regência Verbal

A relação de dependência entre o verbo e seu complemento se dá o nome de


regência verbal, em que o verbo é o termo regente e o complemento o termo
regido. O estudo da regência verbal dedica-se a entender como se dá essa
relação, se por meio ou não de preposição ou até mesmo de conjunção. Além
disso, como se dão certas variações de sentido que alteram o significado.

Para o estudo da regência verbal, é necessário separar os verbos de acordo


com a sua transitividade, lembrando que isso não é um fato absoluto, tendo
em vista que a regência (ou transitividade) do verbo pode variar, dependendo
do seu sentido. O verbo pode ser intransitivo, transitivo direto ou transitivo
indireto.
a) Verbos Intransitivos: são aqueles que trazem em si a ideia completa da
ação, sem necessitar, portanto, de outro termo para completar o seu
sentido, ou seja, sua ação não transita. O verbo intransitivo poderá,
sozinho, formar o predicado, ou então, aparecer acompanhado de
palavras ou expressões indicativas de lugar, tempo, modo, intensidade etc.

Exemplos

Meu vizinho reclama muito.


Chegamos a São Paulo em 1991.
Fui ao teatro no domingo.
Fui para casa.
Cheguei num carro velho.

b) Verbos Transitivos Diretos: são aqueles que não trazem em si a ideia


completa da ação, necessitando, portanto, de outro termo. Eles são
complementados por objetos diretos, o que quer dizer que não existe
exigência de preposição para que se faça a relação entre o termo regente
e o termo regido.

Exemplo

Detesto pimenta na comida!


(detestar requer complemento = pimenta na comida)

c) Verbos Transitivos Indiretos: são complementados por objetos indiretos


e isso significa que precisam de uma preposição para ligá-los a esses
complementos.

Segundo Evanildo Bechara, grande pesquisador da língua portuguesa, a clas-


sificação do verbo depende da situação em que se acha empregado na oração,
por isso, muitos verbos, de acordo com os vários sentidos que podem assumir,

69
ora entram no grupo dos verbos de ligação, ora são intransitivos, ora são tran-
sitivos diretos ou indiretos. Analise os verbos a seguir:

Ele passou a presidente. (verbo de ligação)


O caçula passou o mais velho. (transitivo direto)
A chuva passou. (intransitivo)
Maria passou as novidades às colegas. (transitivo acompanhado de dois com-
plementos)

Assim não podemos, a rigor, falar em verbos intransitivos ou transitivos, mas


em emprego intransitivo ou transitivo dos mesmos verbos. Para simplificar,
podemos estabelecer que, se o objeto se refere a coisa, é transitivo direto: Já
estamos no dia 12 e a empresa ainda não pagou o salário do mês passado.

Se o objeto se refere a pessoa, é transitivo indireto com a preposição a: A em-


presa ainda não pagou aos funcionários o salário de dezembro.

Se relacionássemos aqui verbos que costumam causar problemas quanto à


regência, haveria uma longa lista deles, por isso o dicionário é o meio para
resolver nossas dúvidas. Vejamos, na prática, como fazer isso.

Se, ao redigirmos um relatório, nos deparamos com o seguinte enunciado: Os


números deste mês não são favoráveis à empresa. Reverter essa situação implica
em diminuir a produção da fábrica do Rio Grande do Sul.

Neste exemplo, o verbo implicar é transitivo direto ou indireto? O emprego


da proposição “em” está correto ou não?

Para resolver a questão, convém consultar um dicionário de regência. Veja-


mos o que diz o Dicionário Houaiss de Língua Portuguesa:

implicar v. 1 bit e pron. envolver (alguém ou a si mesmo) em complicação, emba-


raço; comprometer(-se), envolver(-se) <o depoimento que prestou implicava-o na
fraude> <ao dar ajuda ao assassino, implicou-se no crime> 2 t.d. e pron. causar ou
sentir confusão; tornar(-se) perplexo; confundir, embaraçar, enredar <as objeções
implicaram-lhe o raciocínio> <o espírito do filósofo implicou-se com dúvidas>

Na consulta ao Dicionário Houaiss, identificamos os significados mais ade-


quados nos itens 6 e 8:

t.d. bit. ter como consequência , acarretar; originar <uma decisão que poderia
implicar prejuízos futuros (para a empresa)>

t.d. tornar necessário, imprescindível; requerer <o combate à inflação implica a


adoção de medidas drásticas>

Nesse sentido, o enunciado correto corresponde a: Os números deste mês não


são favoráveis à empresa. Reverter essa situação implica diminuir a produção da
fábrica do Rio Grande do Sul.

70
A seguir, relacionamos os verbos que apresentam maiores problemas de re-
gência:

Abdicar

- usado no sentido de “renunciar voluntariamente”, “desistir de”, pode ser:


- intransitivo:
O imperador D. Pedro abdicou duas vezes.
- transitivo direto:
O imperador D. Pedro abdicou o império.
- transitivo indireto:
O imperador D. Pedro abdicou do império.

Agradar

- transitivo direto (= “fazer carinho”, “acariciar”):


Agradou a esposa com afeto.
- transitivo indireto (“causar agrado a”, “satisfazer a”, “ser agradável a”):
A eleição do novo secretariado não agradou aos participantes.
A eleição do novo secretariado não lhes agradou.

Ansiar

- transitivo direto (=“angustiar, causar mal-estar”):


Ansiava-a a espera do filho.
- transitivo indireto (= “desejar ardentemente, almejar”):
Anseio por tempos melhores.

Aspirar

- transitivo direto (= “sorver, inspirar, inalar”):


Tenho aspirado a poeira desse chão desde que aqui cheguei. Venho aspiran-
do-a desde que aqui cheguei.
- transitivo indireto (= “desejar, almejar, pretender”):

Observação: Trabalho porque aspiro a novas promoções. Há anos venho as-


pirando a elas (não cabe o uso de lhe ou lhes como complemento deste verbo)
porque lhe e lhes somente se referem a pessoas.

Assistir

- intransitivo (= “morar, residir”):


Assisto em São José há trinta anos.
- transitivo direto (= “prestar assistência, socorrer”):
O bombeiro assistiu os acidentados.
- transitivo indireto (= “ver, presenciar”; “favorecer, pertencer”):
Não gosto de assistir a novelas. Este é um direito que lhes assiste.

71
Custar

- intransitivo (= “ter valor de”):


Este carro custou caro.
- transitivo indireto (= “ser custoso, ser difícil”). Neste sentido determina-se o
sujeito da oração respondendo “o que é difícil?” e o objeto indireto é “a quem
custa?”:
Custou-me pegar o táxi. Se o sujeito for uma oração reduzida de infinitivo,
pode vir com a preposição a: Custou-me a pegar o táxi.
- transitivo direto e indireto (= “acarretar”):
O gênio ruim custou-lhe inimizades.

Implicar

- transitivo direto (= “acarretar, envolver”):


As promoções implicam responsabilidades.
- transitivo indireto (= “ter implicância, mostrar má disposição”):
Não é bom implicar com o chefe.
- transitivo direto ou indireto (“comprometer- se, envolver-se”):
Ele implicou-se com negociatas.

Preferir

- transitivo direto e indireto


O correto é preferir uma coisa à outra. Prefiro cinema ao teatro.

Observação: não é correto dizer: “Prefiro mais cinema do que teatro.”

Querer

- transitivo direto (= “desejar”):


Desejo o teu sucesso, meu filho.
- transitivo indireto (= “amar alguém, ter-lhe amizade”):
Quero muito aos meus netos.

Visar

- transitivo direto (=”apontar”, “mirar”; “pôr o visto”):


A artilharia visava depósito bélico. O gerente visou a correspondência.
- transitivo indireto (= “desejar, pretender”):
As novas leis visam ao bem comum.

2.2 Regência Nominal

Da mesma forma que os verbos transitivos necessitam de complementos,


existem nomes de sentido incompleto. Eles podem ser substantivos, adjetivos
e advérbios, e assim como os verbos, precisam de um complemento nominal.
Por exemplo, as palavras paixão, alusivo, longe, por si só não têm sentido: pai-
xão por quem? Faz referência a quê?, longe de quê? longe de onde?

72
As respostas a essas perguntas são sempre termos precedidos por preposi-
ções (algumas vezes um substantivo ou adjetivo podem exigir complementos
regidos por uma, duas, três e até quatro preposições diferentes, sem que isto
lhe altere o sentido).

Vejamos a seguir uma tabela com diversos exemplos de regência nominal:

Tabela 1 – Exemplos de Regência Nominal

Palavra Preposição Exemplos


Acessível a, para A saúde deve ser acessível a todos.
Acesso a Esse trecho é o acesso à cidade.
Ela estava acostumada a certas dificuldades.
Acostumado a, com
Não estava acostumado com a nova escola.
Adaptado a João está adaptado à nova escola.
Ficou aflito com a nota do trabalho.
Aflito com, por’
Estava aflita por receber essa notícia.
Alheio a Permanecia alheio a tudo.
Renato estava alienado das dificuldades que
Alienado de
todos enfrentavam.
Amor à família dignifica o homem.
O amor de Deus.
Amor a, de, para, com, por O amor para os súditos, o amor para os filhos.
O amor de uma rapariga com o leiteiro. O
amor pelas coisas boas da vida.
Análogo a Sua ocupação é análoga à minha.
Ele é assíduo ao treino. Ele é assíduo nos
Assíduo a, em
estudos.
Fique atento a esse problema.
Atento a, em
Estava atenta na preparação da comida.
Avesso a Sou avesso a qualquer tipo de discussão.
Sou ávida de sucesso. Eram ávidos por
Ávido de, por
vingança.
Era capaz de largar tudo.
Capacidade de, para
Temos capacidade para sermos vitoriosos.
Era curioso de descobertas científicas.
Curioso de, por Maria estava curiosa por saber notícias de
sua mãe
Era devota a vários santos.
Devoto a, de
Sou devota de São Benedito.
Escasso de Esta é uma cidade escassa de lazer.
Fanático por Somos fanáticos por pizza.

73
Palavra Preposição Exemplos
Hábil em A deputada é hábil em negociações.
João e Mariano estavam imbuídos de boas
Imbuído de, em intenções.
Dava aulas imbuído nas regras de cidadania.
Ele nunca foi imune ao vício.
Imune a, de Esta comunidade está imune de influências
destrutivas.
Seu comportamento era incompatível com as
Incompatível com
normas da escola.
Liberal com Era demasiado liberal com os filhos.
Longe de Fique longe de mim.
Funcionários lotados em determinado
Lotado em
departamento.
Nocivo a O cigarro é nocivo a saúde.
A paixão dos adolescentes.
A paixão de uma criança para as descobertas.
Paixão de, para, a, por
Paixão à vida.
Paixão pela vida.
Passível de Todo este trabalho é passível de correção.
Perto de O colégio fica perto de sua casa.
Relacionamento com O roubo está relacionado com drogas.
Residente em Residente na República Federativa do Brasil.
Estou satisfeito com os progressos obtidos.
Satisfeito de verdade.
Satisfeito com, de, em, por
Satisfeito por sua curiosidade.
Satisfeito em fazê-la entender.
Seu discurso foi completamente vazio de
Vazio de
conteúdo.
Era zeloso a sua causa.
Zelo de sua casa.
Zelo a, de, para (com), em Tinha zelo para o serviço.
Tinha zelo com os seus funcionários. Era
zeloso em cumprir seu dever.

3. Crase
A crase é um tema que preocupa bastante quem escreve: quando usar crase?
Para resolver de vez essa questão, apresentaremos regras práticas para faci-
litar sua memorização.

74
3.1 Conceito e Dicas Práticas

Chamamos de crase a fusão da preposição a com o artigo a, representada


pelo sinal gráfico chamado de acento grave. Observaremos a seguir algumas
orientações para facilitar o emprego da crase, vejamos alguns exemplos e na
sequência os principais casos de emprego da crase.

Vou à cidade comprar mantimentos.


Elas estão à vontade em seus novos vestidos!
Márcia foi às pressas verificar o que tinha acontecido.

Substitua a palavra que aparece após o a (ou as) por um termo masculino. Se o
a (ou as) se transformar em ao (ou aos) cabe o uso de crase, caso contrário não.

Exemplos

Maria deseja retornar à terra natal. Maria deseja retornar ao país natal.

No caso de nome geográfico ou de lugar, você deve substituir o a ou as por


para. Se o termo adequado for para a, cabe o uso de crase, caso contrário não.

Exemplos

Os melhores alunos do colégio irão à Itália.


Os melhores alunos do colégio irão para a Itália.
Ele me contou que iria à Fazenda Reconquista.
Ele me contou que iria para a Fazenda Reconquista.

Substitua o a por outras preposições: para a, na, da, pela, com a. Sempre que
essa substituição for possível, cabe o uso de crase, caso contrário, não.

Exemplos

À falta de solução, ficou desanimado.


Na falta de solução, ficou desanimado.
Com a falta de solução, ficou desanimado.
Pediu o automóvel emprestado à amiga.
Pediu o automóvel emprestado para a amiga.

3.2 Quando Usar Crase

Nas formas àquela, àquele, àquelas, àqueles, àquilo.

Exemplos

Alcance o prato àquela moça.


Fomos àquelas praias dos nossos sonhos.
Não devemos dar importância àquilo.

75
Nas indicações de horas, desde que determinadas (inclusive as formas zero
e meia).

Exemplos

O trem chegará às 8 horas.


Acertem seus relógios à zero hora.
O encanto vai se dissipar à meia-noite em ponto.

Nas locuções adverbiais, prepositivas e conjuntivas: às pressas, à esquerda, à


direita, à risca, à noite, às vezes, à moda de, à maneira de, à frente de, à procura
de, à custa de, à medida que, à força de, à espera de.

Exemplos

Minha impaciência aumentava à medida que as horas passavam.


À noite, todos os gatos são pardos.
Estou à espera de boas notícias.
Ele cozinha à moda dele mesmo.

Nas locuções que indicam meio ou instrumento, como: à máquina, à bala, à


faca, à venda, à toa, à vista, à mão. Neste caso não vale a regra de substituir a
por ao.

Exemplos

Pagou à vista a geladeira.


Joaquim foi morto à bala.
Helena colocou sua casa à venda.
Deixe a toalha à mão.

Antes dos pronomes relativos que, qual e quais, quando o a (ou as) puder ser
substituído por ao (ou aos).

Exemplos

Esta é a candidata à qual você emprestou o casaco.


Este é o candidato ao qual você emprestou o casaco.
Vamos enfrentar uma fila semelhante à que você havia encontrado.
Vamos enfrentar um problema semelhante ao que você havia encontrado.

3.3 Nunca Usar Crase

a) Antes de palavras masculinas.

Exemplos

Seguiu a pé pela estrada.


Resolveu pagar o microcomputador a prazo.
Andou muito a cavalo.

76
Exceção: existe a crase quando se subentende uma palavra feminina, como
moda e maneira, ou outra que determine um nome de empresa ou coisa.

Exemplos

Salto à Luís XV.


Salto à moda de Luís XV.
O poema foi escrito à Olavo Bilac.
O poema foi escrito à maneira de Olavo Bilac.
Amanhã irei à Melhoramentos.
Amanhã irei à Editora Melhoramentos.

b) Antes de nome de cidade.

Exemplos

Nair foi a Brasília.


Vamos a Paris?

Exceção: existe a crase quando se atribui uma qualidade à cidade.

Exemplos

Nair foi à Brasília dos políticos.


Vamos à Paris da moda maravilhosa?

c) Antes de verbo.

Exemplos

Já começou a fazer frio.


Janete passou a ver a menina com outros olhos.

d) Antes de substantivos repetidos.

Exemplos

Ele ficará cara a cara com seu adversário.


Agora estamos frente a frente.
Ganhou a maratona de ponta a ponta.

e) Antes de ela, esta e essa e pronomes em geral.

Exemplos

Darei este presente a ela.


Chegaram a esta conclusão.
A música tinha sido dedicada a essa senhora.

77
f) Antes de formas de tratamento.

Exemplos

Solicitamos a Vossa Senhoria que nos remeta o documento.


Uma ofensa dessas não poderia ter sido feita a Vossa Alteza.

g) Antes de palavra feminina com sentido genérico.

Exemplos

Devido a morte em família, não foi ao teatro.


Não me refiro a mulheres, mas a meninas.

h) Antes de substantivos no plural que fazem parte de locuções de modo.

Exemplos

Conseguiram ser aprovados a duras penas.


Agrediram-se a bofetadas.

i) Antes de nomes de mulheres célebres.

Exemplos

Ele a comparou a Joan Crawford.


Martinho preferia Greta Garbo a Ingrid Bergman.

j) Antes de dona e madame.

Exemplos

O pacote foi entregue a dona Selma.

O cachorrinho já se acostumou a madame Estela.

Exceção: existe a crase se essas palavras forem particularizadas.

Exemplos

O pacote foi entregue à dona do apartamento 52.


O cachorrinho já se acostumou à madame do Mercedes branco.

l) Antes de numerais considerados de forma indeterminada.

Exemplos

Os filhotes nasceram a 15 de agosto.


Fiz uma visita a sete empresas, procurando emprego.

78
m) Antes de distância indeterminada.

Exemplos

Estou fazendo um curso a distância.


Os vizinhos ficaram olhando a distância.
Se ficarmos a distância, não seremos atingidos.

Exceção: existe crase se a distância for determinada.

Exemplos

Se ficarmos à distância de 200 metros, não seremos atingidos.

n) Antes de terra, quando significa terra firme.

Exemplos

O barco chegou a terra ontem.


Os marinheiros foram a terra.

o) Antes de casa, considerada o lugar onde se mora.

Exemplos

Cheguei bem cedo a casa.


Tatiana vai a casa.

3.4 Uso Opcional da Crase

O uso da crase é opcional nos seguintes casos:

a) Antes de pronome possessivo.

Exemplos

A carta foi remetida à sua residência.


A carta foi remetida a sua residência.

b) Antes de nome de mulher.

Exemplos

Fez uma declaração à Helena.


Fez uma declaração a Helena.

c) Depois de até.

79
Exemplos

O gato do vizinho seguiu-me ate à porta de casa.


O gato do vizinho seguiu-me até a porta de casa.

4. Colocação Pronominal
Os pronomes oblíquos átonos – me, te, se, lhe, o, a, nos, vos, os, as, lhes – po-
dem ocupar três posições com relação aos verbos: antes, no meio ou depois. É
o que chamamos, respectivamente, de próclise, mesóclise e ênclise.

Exemplos

Próclise: Não me diga que você já me esqueceu!


Mesóclise: Dar-lhe-ei aquilo que merece.
Ênclise: Diga-nos, o que pretende com isso?

Embora não existam regras rígidas de colocação pronominal, algumas nor-


mas herdadas de Portugal ainda estão em uso. Nesta lição você aprenderá a
empregar corretamente esses pronomes nas frases.

Um erro bastante comum é iniciar a frase escrita com um pronome oblíquo


átono. Na língua falada, a construção é usual.

Exemplos

Me olhei no espelho da sala.


Me largue, seu bruto!

Na linguagem coloquial, no dia a dia, é comum iniciar uma frase com um pro-
nome oblíquo. Entretanto, evite cometer esse emprego na escrita formal.

Com verbos no imperativo afirmativo.

Exemplos

Conte-me o que está acontecendo.


Previna-se: a epidemia está se alastrando.

Com verbos no gerúndio.

Exemplos

Brincava calmamente com o gatinho, acariciando-o.


Tratando-se de bordado, os de Maria Lúcia são mais bonitos.

Com gerúndio precedido da preposição em, emprega-se a próclise.

Exemplos

Em se tratando de bordado, os meus são únicos.

80
Com verbos no infinitivo impessoal.

Exemplos

É chegada a hora de dizer-se adeus.

Já é tempo de abrir-se.

5. Pontuação e Outras Dúvidas


Esta lição tratará de algumas dúvidas, como pontuação, uso dos porquês,
além de algumas questões que, não raro, suscitam dúvidas no texto escrito.

5.1 Pontuação

Devemos sempre ter em mente que a função do uso da pontuação é indicar,


na escrita, a entonação e a pausa necessárias à compreensão do que se ex-
pressa na “fala”. Também, precisamos atentar para o fato de que cada sinal
exerce um papel específico.

Os sinais de pontuação são: dois pontos ( : ), ponto de interrogação ( ? ), ponto


de exclamação

( ! ), reticências (...), aspas (“ ”), parênteses ( ), travessão ( – ), ponto final ( . ), vír-


gula ( , ) e ponto e vírgula ( ; ).

Primeiramente, vamos concentrar nosso estudo em um sinal que costuma


ser motivo de muitas dúvidas quando se escreve um texto: a vírgula. Veja o
exemplo a seguir:

Dizem que a czarina russa Maria Fyodorovna, certa vez salvou a vida de um ho-
mem apenas mudando uma vírgula de sua sentença de lugar. Ela não concordava
com a decisão de seu marido, Alexandre II, que tinha enviado o prisioneiro para a
prisão no calabouço da Sibéria.

Na ordem de prisão desse homem, estava escrito: “Perdão impossível, enviar para
Sibéria.”

Maria ordenou que redigissem nova ordem mudando a vírgula de lugar. A sentença
ficou assim:

“Perdão, impossível enviar para Sibéria.” Resultado? O prisioneiro foi libertado.

Com esse exemplo foi possível verificar o fato de que a vírgula, embora tão
pequena, pode ser responsável pela alteração do significado de toda uma fra-
se. Isso mesmo, ela é pequena, mas poderosa. Vamos estudar mais sobre o
emprego dela!

81
5.2 Vírgula

De acordo com as regras da sintaxe, parte da gramática que estuda a disposi-


ção das palavras na frase e das frases no discurso, a vírgula deve ser empre-
gada para separar termos ou orações.

►►5.2.1 Uso da Vírgula entre Palavras


a) Separa termos coordenados:

“... meus olhos haviam retido a casinha branca, a lagoa, o buritizal e bandos
de ariris...”

(Cyro dos Anjos. A Menina do Sobrado, p. 164)

b) Geralmente, não se separam termos unidos pela conjunção e, a não ser


quando a conjunção vem repetida:

“E teus amigos, e nossos versos, e nossos túmulos...”

(Cecília Meireles. Obra Poética, p. 402)

c) Isola o aposto (termo ou expressão que explica ou resume o termo a que


se associa):

Manuel Bandeira, o Bardo, foi um grande poeta modernista.

O aposto pode também ser separado por dois pontos, travessão, parênteses:
Ana ganhou dois presentes: um livro e uma bicicleta.

Dois alunos (Ricardo e Marco) foram expulsos do colégio.

d) Separa expressões de explicação, correção, continuação, conclusão,


concessão:

“Imaginava, aliás, que havia doutores em excesso, e o que minguava eram


braços para a lavoura.” (Cyro dos Anjos. A Menina do Sobrado)

“Seguiria, assim, a tradição santanense.”

“A roça vinha ter com ela, às vezes, em sonhos ou simples devaneios.” (Macha-
do de Assis. Quincas Borba)

e) Separa, nas datas, os nomes do lugar:

Recife, 30 de novembro de 2003.

f) Marca as deslocações, principalmente dos adjuntos adverbiais:

O rapaz ofereceu flores à namorada durante a festa.


Sujeito + Verbo + OD + OI adj. adv.

82
Durante a festa, o rapaz ofereceu flores à namorada. (adj. adv. deslocado)

À namorada, o rapaz ofereceu flores durante a festa. (OI deslocado)

►►5.2.2 Uso da Vírgula entre Orações


a) Separa orações coordenadas:

“Ela ergueu-se finalmente, foi lá fora ao capinzal, pôs-se a andar agitada, fa-
lando sozinha, a gesticular forte.” (Aluízio Azevedo. O Cortiço)

b) Geralmente, não se usa vírgula antes de oração iniciada pela conjunção “e”:

Levantou-se, olhou todos com desdém e saiu sem dizer uma única palavra.

c) Emprega-se vírgula em oração iniciada por conjunção e quando os


sujeitos são diferentes:

Veio a chuva, e as ruas do bairro ficaram todas debaixo d’água.

d) Quando há repetição de orações iniciadas pela conjunção e, a vírgula é


facultativa:

Andou rapidamente, e foi se afastando, e depois desapareceu no horizonte.


Andou rapidamente e foi se afastando e depois desapareceu no horizonte.

e) Separa as orações coordenadas iniciadas por conjunções que não sejam e:

O jardim já não está lá, mas a casa ainda resiste.


Bastante agitado, ora queria deitar, ora queria andar pelo jardim.

f) Separa as orações subordinadas adverbiais de sua principal,


especialmente quando antepostas:

Teria ido à empresa / se eu não o avisasse.


O. Principal O. Sub. Adv.

Se eu não o avisasse / teria ido até a empresa.


O. Sub. Adv. O. Principal

Saiu mais cedo do trabalho porque precisou resolver problemas pessoais.


Porque precisou resolver problemas pessoais, saiu mais cedo do trabalho.

g) Separa as orações que interrompam o discurso direto:

“Vem cá, Eugênia, disse ela, cumprimenta o Dr. Brás Cubas, filho do senhor
Cubas...”

Obs.: essas frases são denominadas parentéticas ou intercaladas; e poderiam


ser substituídas por parênteses.

83
h) Separa as orações adjetivas explicativas:

A primavera, estação das flores, deixa a cidade mais bonita.

NÃO se deve usar Vírgula:

a) Entre sujeito e verbo, mesmo que o sujeito seja bastante extenso ou


venha depois do verbo:

A casa em que eu estava hospedado era a do escrivão Menezes.


sujeito verbo

(Machado de Assis. Missa do Galo)

Vieram visitar as tias duas sobrinhas do interior.


verbo sujeito

b) Num sujeito composto, não se separa o último termo coordenado do


verbo:

Os animais, as plantas, os passarinhos parecem mais felizes depois.

último termo / verbo coordenado

c) Entre o verbo e seus objetos (direto e indireto) não há vírgula:

O trabalho custou sacrifício aos organizadores


verbo + OD + OI

A ordem correta das palavras na oração é: sujeito, verbo, complemento do


verbo, adjunto adverbial:

O professor iniciará sua aula às dez horas.


sujeito verbo OD adj. adv.

Obs.: recomenda-se o uso das frases na ordem direta ao elaborar textos mais
técnicos como cartas, relatórios etc.

5.3 Ponto e Vírgula

Separa períodos longos; separa vários membros de uma enumeração descri-


tiva ou narrativa:

“A senhora não há de viver sempre; os seus negócios andam atrapalhados.”

(Machado de Assis. Quincas Borba)

“Enquanto uma chora, outra ri; é a lei do mundo, meu rico senhor; é a perfei-
ção universal.”

(Machado de Assis. Quincas Borba)

84
5.4 Rompendo as Regras de Pontuação

Existe a possibilidade de romper com as regras propostas pela gramática


normativa no que diz respeito aos sinais de pontuação, mas deixemos essa
liberdade para os literatos... O fragmento a seguir foi reproduzido apenas a
título de curiosidade.

Não Mundinha pra Zona Sul eu não vou já disse que não vou pra lá não Betsy
que não quero me perder e cá no meu subúrbio eu sou Tuquinha Batista T. B.
meu nome me toda parte eu quase choro agradecida T.B. nos muros T.B. no
tronco das árvores no mamoeiro na porta da igreja como largar minha gente
ficar longe das letras do meu nome não Mundinha não me tentes mais estou
quase noiva isto é não estou mas meu noivo vem vindo já apareceu na bola
de cristal a cartomante disse que por enquanto ele aparece só pra ela todo
dourado nadando num fundo azul e que é parecido com Clark Gable mas eu
queria que ele parecesse com aquele que viajou no pingente (...). MACHADO,
Aníbal, A Morte da Porta-Estandarte.

6. Emprego dos Conectivos


Conectivos são as palavras que estabelecem ligação entre dois termos de uma
oração ou entre orações de um mesmo período. O uso correto dos conectivos
é imprescindível para aqueles que desejam produzir um texto com coesão
(relação de sentido que se estabelece entre os enunciados que compõem um
texto) e coerência.

As palavras que assumem a função de conectivos ou elementos de coesão


são:

Preposições: a, de, para, com, por etc. Conjunções que, para que, quando, em-
bora, mas, e, ou etc.

Pronomes: ele, ela, seu, sua, este, esse, aquele, que, o qual etc.

Advérbios: aqui, aí, lá, assim etc.

O uso correto dos conectivos confere unidade ao texto e contribui para ex-
pressar claramente as ideias. Para verificar isso, vejamos alguns enunciados
que têm o sentido comprometido pelo uso inadequado dos conectivos.

No sertão, não chove há mais de cinco meses, apesar de que o governo deve-
ria auxiliar os flagelados.

Para que o enunciado acima faça sentido, é preciso estabelecer uma relação
de implicação: pelo fato de não chover, é preciso que o governo tome provi-
dências. Podemos, então, reescrever:

No sertão, não chove há mais de cinco meses, portanto, o governo deveria


auxiliar os flagelados.

85
Observemos algumas frases retiradas de redações de alunos do Ensino Médio
em que aparecem problemas de conexão:

Exemplo 1

A história diz que o velho lança uma maldição onde àquele que criou o barco
e saiu para navegar.

Não faz sentido o uso do advérbio onde, afinal, a que lugar ele poderia se re-
ferir? O que apenas atrapalha a compreensão do enunciado. Esse fragmento
pode ser facilmente corrigido para:

A história diz que o velho lança uma maldição àquele que criou o barco e saiu
para navegar.

Exemplo 2

No jornal Folha de São Paulo, vimos que o número de favelados em São Paulo
está aumentando; por isso o governo do Estado e a Prefeitura devem tomar
alguma providência.

Há dois problemas: em o jornal... mostra (quem mostra?) e o uso do conectivo


pois (explicativo). A relação entre as duas frases não é de uma simples expli-
cação. Podemos reelaborar de duas formas o exemplo acima:

O jornal Folha de São Paulo mostra que o número de favelados em São Paulo
está aumentando; portanto o governo do Estado e a Prefeitura devem tomar
alguma providência.

ou

No jornal Folha de São Paulo, vimos que o número de favelados em São Paulo
está aumentando; por isso o governo do Estado e a Prefeitura devem tomar
alguma providência.

Exemplo 3

[...] o motivo da tragédia é pelo qual, eles pensarem que eram os melhores; o
fato de serem idolatrados deixava os mais velhos indignados...[...]

No exemplo acima, não há ideias que se articulam, impossibilitando a com-


preensão do enunciado. Vejamos uma possibilidade de leitura:

“O motivo da tragédia foi eles pensarem que eram os melhores; o fato de se-
rem idolatrados deixava os mais velhos indignados.”

86
6.1 Anafóricos e Catafóricos

Para usar corretamente os conectivos é necessário saber o significado dessas


palavras. Vejamos alguns aspectos importantes a serem considerados sobre
esse tema.

Anafórico é um termo ou expressão que serve para retomar uma palavra já


expressa no texto, enquanto o catafórico antecipa palavras que virão depois.
Na produção de um texto, é necessário precisar a que palavra o anafórico ou
o catafórico se refere para não haver ambiguidade.

Ontem visitamos duas fábricas da Empresa Milkmilk: a de Taubaté e a de São


José dos Campos. Esta produz somente os produtos da linha diet e aquela pro-
duz toda a linha de iogurtes.

No enunciado anterior, os pronomes demonstrativos são termos anafóricos


que retomam o termo fábrica (elíptico): esta se refere à de São José dos Cam-
pos e aquela se refere à de Taubaté.

O que você me contou não pode ser verdade. Isso seria uma vergonha! Aqui
o pronome demonstrativo isso é um anafórico que se refere àquilo que foi
contado.

Já no exemplo seguinte, temos um pronome demonstrativo que antecipa, isto


é, apresenta a quem/que se refere à ação.

Ele estaria sobre minha mesa logo após o almoço; aquele projeto tinha de ser
revisado até o dia seguinte.

O pronome pessoal ele é um catafórico e se refere à palavra projeto.

7. Uso dos Porquês


a) PORQUE

PORQUE (junto e sem acento) é conjunção causal ou explicativa, ou seja, deve


ser usa- da quando introduz um motivo ou uma explicação.

Ela geralmente equivale a “pois”, “uma vez que”, “portanto”.

b) PORQUÊ

PORQUÊ (junto e com acento) é substantivo. Nesse caso, ele será precedido de
artigo ou palavra determinante e é sinônimo de motivo, razão.

c) POR QUE

POR QUE (separado e sem acento) deve ser usado quando se trata de dois
vocabulários: preposição por + pronome que. Seu uso equivale a “pelo qual”,

87
“pelos quais”, “pelas quais” ou “para que”, ou sempre que acompanhar as pala-
vras “motivo” ou “razão”, sendo que estas podem estar subentendidas.

d) POR QUE

Também se emprega por que no início de frases interrogativas:

e) POR QUÊ

POR QUÊ (separado e com acento) deve ser no final da frase interrogativa
equivalendo a “por que motivo”. Nesse caso o que deve receber o acento grá-
fico, pois se torna tônico.

8. Dúvidas Recorrentes
Vamos conhecer alguns casos que envolvem dúvidas de gramática e que, sen-
do resolvidas, podem auxiliar para que se redija bons textos.

►►8.1 Ao se Empregar Porcentagem: o Verbo fica no Singular ou no


Plural?

Numa frase em que o percentual apareça desacompanhado, o verbo concor-


da obrigatoriamente com o numeral expresso nele: “1% aprova, 99% desapro-
vam’’.

Mas a concordância pode ser facultativa quando o sujeito estiver acompa-


nhado por outros elementos. Nesse caso, permite-se que seja feita tanto com
o numeral ou com a palavra que está mais próxima do verbo.

Assim, podemos dizer que “1% (singular) dos brasileiros (plural) aprova /
aprovam’’, e que “99% (plural) da população (singular) aprovam/aprova’’. Para
quem prefere memorizar uma regra única, vale esta: o verbo estará sempre
certo se concordar com o numeral.

8.2 Uso do Etc.

Etc. é abreviação da locução latina et coetera, que quer dizer “e outras coisas”.
Segundo Napoleão Mendes de Almeida, se antes da conjunção e, quando liga
dois termos contíguos, não se usa vírgula, também não devemos usar vírgula
antes de etc.

No entanto, é muito comum encontrarmos o uso da vírgula antes desse ter-


mo. Portanto, usar ou não vírgula antes de etc. é uma questão de estilo e não
se deve tratar a questão como erro ou acerto. É preciso, no entanto, sistemati-
zar: num texto, usamos a vírgula em todos os casos ou a excluímos em todos.

88
Agora, por se tratar de uma abreviação, é obrigatório o uso de ponto após o
“etc.”.

8.3 Ex (prefixo)

Ex é usado com hífen quando anteposto a um substantivo que designa um


cargo, uma profissão, um estado que a pessoa já não tem mais: ex-presidente,
ex-prefeito, ex-proprietário, ex-viciado. Nos outros casos, liga-se sem hífen:
extrapolar, expropriar, expectativa.

8.4 Para mim / Para eu

Não houve discussão entre mim e minha chefe. Afinal, o que seria dela sem
mim, que organizo toda sua agenda.

Você acha que esse relatório é para mim?

Observe que, nas frases anteriores, as preposições entre, sem, para introdu-
zem o pronome mim (forma oblíqua).

A seguir, a preposição introduz o verbo no infinitivo, e o pronome é emprega-


do na forma do caso reto (eu), pois é sujeito do verbo analisar.

Você acha que esse relatório é para eu analisar?

8.5 Abreviações

Tabela 2 – Abreviações

Abreviação Por extenso


Av. Avenida
R. Rua
Ap. Apartamento
Dec. Decreto
Sr. Senhor
2h 2 horas
30 kg 30 quilos

Obs.: note que não se coloca ponto ( . ) após as medidas abreviadas para indi-
car h, l e kg, tampouco, se coloca “s” (marca de plural), ainda que indiquem 2
ou 30. Isso porque indicam convenções internacionais e nem toda língua faz
o plural com acréscimo do “s”.

89
8.6 Símbolos das Unidades de Medida

►►8.6.1 Medidas de Tempo


Tabela 3 – Medidas de tempo

Abreviação Por extenso


s Segundo
min Minuto
h Hora
d Dia

►►8.6.2 Medidas de Comprimento


Tabela 4 – Medidas de Comprimento

Abreviação Por extenso


mm Milímetro
cm Centímetro
m Metro
km Quilômetro

►►8.6.3 Medidas de Área


Tabela 5 – Medidas de área

Abreviação Por extenso


m Metro
m² Metro quadrado
ha Hectare

►►8.6.4 Medidas de Volume


Tabela 6 – Medidas de volume

Abreviação Por extenso


l Litro
cm3 Centímetro cúbico

90
►►8.6.5 Medidas de Massa
Tabela 7 – Medidas de Massa

Abreviação Por extenso


m3 Metro cúbico
g Grama
kg Quilograma
t Tonelada

►►8.6.6 Outras Medidas


Tabela 8 – Outras medidas

Frequência Hz (Hertz)
Velocidade m/s (metro por segundo)
W Watt
cv Cavalo Vapor
Força N (Newton)
Temperatura ° (Celsius)
Energia J (Joule)
Quantidade de eletricidade C (Coulomb)
Tensão elétrica V (Volt)
Intensidade de corrente A (Ampère)
Nível de potência B (bel)

9. Problemas Comuns em Textos Empresariais


A seguir, alguns dos principais problemas encontrados em textos empresa-
riais:

a) Ambiguidade é a duplicidade de sentido:

Exemplo: O comerciante mesquinho vendeu a vista.

b) Cacofonia – duas palavras se unem formando um mesmo som:

Ex: Ela tinha chegado atrasada à reunião (É latinha)

c) Redundância – insistir demais sobre o mesmo assunto:

Ex: Júlio Verne escreveu o livro “100 mil Léguas Submarinas”. É uma obra
onde Júlio Verne retrata uma harmonia perfeita do homem com a natureza.

91
Júlio Verne é considerado um dos maiores escritores do mundo. Em seu livro,
Júlio Verne relata uma aventura…

d) Arcaísmo – palavras fora de uso:

Ex.: “Certas carolas taciturnas, ficam com suas atitudes indubitavelmente pu-
dicas, inserindo este contexto no correr de suas vidas, condenando qualquer
ato como libidinoso.”

e) Má colocação das palavras:

Ex.: Precisa-se, para empresa de grande porte, que fale francês fluentemente,
de um assistente.

f) Prolixidade – linguagem exótica, de difícil compreensão, que não comuni-


ca nada:

Ex.: A transformação otimizada dos valores empresariais resulta dos paradig-


mas emergentes para o terceiro milênio.

g) Pleonasmo – repetição desnecessária de algo:

Ex.: Entrar para dentro; Enxergar com os olhos; Sair para fora.

h) Acúmulo de pormenores:

Ex.: Queremos convidá-lo para a exposição dos fatos históricos de nossa cida-
de, organizada por um dos homens mais inteligentes da terra, que teve esta
idéia após uma viagem a Londres, onde conheceu um historiador de artes
que posteriormente nos fez uma visita…

i) Clichês – emprego de frases comuns, pré-fabricadas:

Ex.: “A vida é um circulo que se repete”, ou a “recepção é o cartão de visitas da


empresa”.

j) Modismo – palavras que entram em moda e são repetidas sem pensar:

Ex.: Agilizar, espaço (local, ambiente, universo), atual conjuntura.

9.1 Pronomes de Tratamento

É praxe utilizar os pronomes de tratamento de maneira cerimoniosa nas cor-


respondências oficiais. Assim, o pronome de tratamento pode ser precedido
de Vossa ou Sua: Vossa para a pessoa com quem se fala e Sua para a pessoa de
quem se fala.

92
Tabela 9 – Abreviação de pronomes de tratamento

Abreviações Pronome Usado para


V. A. Vossa Alteza Duques, príncipes
V. Ema Vossa Eminência Cardeais
Altas autoridades civis e militares:
V. Exa Vossa Excelência
ministros, prefeitos, generais, bispos etc.
V.M. Vossa Majestade Reis, rainhas, imperadores
V. Maga Vossa Magnificência Reitores de Universidades
V. Revma Vossa Reverendíssima Sacerdotes em geral
V. S. Vossa Santidade Papa
Tratamento cerimonioso e formal a
V. Sa Vossa Senhoria
pessoas graduadas em geral

Também, há a situação em que a pessoa não está presente, aliás, essa situação
é a mais comum.

Tabela 10 – Outras abreviações de pronomes de tratamento

Abreviações Pronome Usado para


Tratamento cerimonioso e formal a
Ilmo. Sr. Ilustríssimo Senhor
pessoas graduadas em geral.
Exmo. Sr. Excelentíssimo Senhor Altas autoridades civis e militares.
Ministros, prefeitos, generais, bispos etc.
Sr. Senhor
Tratamento cerimonioso e formal.

9.2 A nível de

A nível de é uma expressão que deve ser evitada até na linguagem oral, porque
não é uma expressão aceitável. O que existe é a expressão ao nível de, que
significa “à altura”, em frases como:

Ele foi ao nível mais baixo, e gritou nomes que aqui não podem ser reprodu-
zidos.
Nós não estamos ao nível do mar.
Muitos profissionais abusam do uso dessa expressão em frases como:
A nível de profissão, prefiro não entrar em detalhes sobre a minha.
Ainda temos muitos problemas a nível de Mercosul.

Veja como essas frases devem ser escritas:

Quanto à profissão, prefiro não entrar em detalhes sobre a minha.


Ainda temos muitos problemas no Mercosul.

93
Ou

Ainda temos muitos problemas relativos ao Mercosul.

9.3 Acerca de

Acerca de significa sobre, veja o exemplo: Estávamos discutindo acerca da in-


flação. Acerca de não pode ser confundido com as expressões: “há cerca de” e
“a cerca de”. Seguem exemplos:

Há cerca de duas horas ele esteve aqui. (tempo aproximado)


O condomínio fica a cerca de uma hora daqui. (aproximadamente)

9.4 Através de/por meio de

Nós passamos através de um jardim (de um lado para o outro, dentro do jar-
dim), jamais através de um documento. Ao se referir a um documento, deve-
mos escrever: Solicitamos mais informações sobre o produto.

9.5 Mais Esclarecimentos

Geralmente, pedimos maiores esclarecimentos, mas não podemos ter escla-


recimentos maiores já que esse comparativo é usado para se referir a tama-
nho ou volume. Cabe-nos solicitar: melhores esclarecimentos ou mais escla-
recimentos.

9.6 Gerúndio

O uso do verbo no gerúndio está na moda. Pena que ele veio para substituir
todos os tempos verbais. É comum ouvirmos, isso mesmo ouvirmos nas cha-
madas de telemarketing, principalmente, o leva à conclusão de que o emissor
está adiando a ação em vez de prontidão.

Observe os exemplos:

Estarei enviando seu relatório logo após o almoço.


Vou estar fazendo essa pesquisa amanhã.
Agora mesmo vou estar mandando esse fax.

Por que não simplificar e elaborar os textos de forma correta?


Enviarei seu relatório logo após o almoço.
Vou enviar seu relatório logo após o almoço.
Vou fazer essa pesquisa amanhã.
Agora mesmo vou mandar esse fax.

Desse modo, há economia de verbos e o conteúdo assume o sentido objetivo


e preciso desejado.

94
9.7 Uso do QUE e do SE

A palavra que em português pode ser:

Interjeição: exprime espanto, admiração, surpresa.

Nesse caso, será acentuada e seguida de ponto de exclamação. Usa-se tam-


bém a variação o quê! A palavra que não exerce função sintática quando fun-
ciona como interjeição.

Quê! Você ainda não está pronto?

O quê! Quem sumiu?

Substantivo: equivale a alguma coisa.

Nesse caso, virá sempre antecedida de artigo ou outro determinante, e re-


ceberá acento por ser monossílabo tônico terminado em e. Como substan-
tivo, designa também a 16ª letra de nosso alfabeto. Quando a palavra que for
substantivo, exercerá as funções sintáticas próprias dessa classe de palavra
(sujeito, objeto direto, objeto indireto, predicativo etc.)

Ele tem certo quê misterioso. (substantivo na função de núcleo do objeto di-
reto)

Preposição: liga dois verbos de uma locução verbal em que o auxiliar é o ver-
bo ter.

Equivale a de. Quando é preposição, a palavra que não exerce função sintá-
tica.

Tenho que sair agora.


Ele tem que dar o dinheiro hoje.

Partícula de realce: pode ser retirada da frase, sem prejuízo algum para o
sentido.

Nesse caso, a palavra que não exerce função sintática; como o próprio nome
indica, é usada apenas para dar realce. Como partícula expletiva, aparece
também na expressão é que.

Quase que não consigo chegar a tempo.

Elas é que conseguiram chegar.

Advérbio: modifica um adjetivo ou um advérbio. Equivale a quão. Quando


funciona como advérbio, a palavra que exerce a função sintática de adjunto
adverbial; no caso, de intensidade.

95
Que lindas flores!
Que barato!

Pronome: como pronome, a palavra que pode ser:

Pronome relativo: retoma um termo da oração antecedente, projetando-o na


oração consequente.

Equivale a o qual e flexões.

Não encontramos as pessoas que saíram.

Pronome indefinido: nesse caso, pode funcionar como pronome substantivo


ou pronome adjetivo.

Pronome substantivo: equivale a que coisa. Quando for pronome substanti-


vo, a palavra que exercerá as funções próprias do substantivo (sujeito, objeto
direto, objeto indireto etc.)

Que aconteceu com você?

Pronome adjetivo: determina um substantivo. Nesse caso, exerce a função


sintática de adjunto adnominal.

Que vida é essa?

Conjunção: relaciona entre si duas orações. Nesse caso, não exerce função
sintática. Como conjunção, a palavra que pode relacionar tanto orações coor-
denadas quanto subordinadas, daí classificar-se como conjunção coordena-
tiva ou conjunção subordinativa. Quando funciona como conjunção coorde-
nativa ou subordinativa, a palavra que recebe o nome da oração que introduz.
Por exemplo:

Venha logo, que é tarde. (conjunção coordenativa explicativa)

Falou tanto que ficou rouco. (conjunção subordinativa consecutiva)

Quando inicia uma oração subordinada substantiva, a palavra que recebe o


nome de conjunção subordinativa integrante.

Desejo que você venha logo.

A palavra se, em português, pode ser:

Conjunção: relaciona entre si duas orações. Nesse caso, não exerce função
sintática. Como conjunção, a palavra se pode ser:

Conjunção subordinativa integrante: inicia uma oração subordinada subs-


tantiva.

Perguntei se ele estava feliz.

96
Conjunção subordinativa condicional: inicia uma oração adverbial condi-
cional (equivale a caso).

Se todos tivessem estudado, as notas seriam boas.

Partícula expletiva ou de realce: pode ser retirada da frase sem prejuízo


algum para o sentido. Nesse caso, a palavra se não exerce função sintática.
Como o próprio nome indica, é usada apenas para dar realce.

Passavam-se os dias e nada acontecia.

Parte integrante do verbo: faz parte integrante dos verbos pronominais. Nes-
se caso, o se não exerce função sintática.

Ele arrependeu-se do que fez.

Partícula apassivadora: ligada a verbo que pede objeto direto, caracteriza as


orações que estão na voz passiva sintética. É também chamada de pronome
apassivador. Nesse caso, não exerce função sintática, seu papel é apenas apas-
sivar o verbo.

Vendem-se casas.

Aluga-se carro.

Compram-se joias.

Índice de indeterminação do sujeito: vem ligando a um verbo que não é


transitivo direto, tornando o sujeito indeterminado. Não exerce propriamen-
te uma função sintática, seu papel é o de indeterminar o sujeito. Lembre-se de
que, nesse caso, o verbo deverá estar na terceira pessoa do singular.

Trabalha-se de dia.

Precisa-se de vendedores.

Pronome reflexivo: quando a palavra se é pronome pessoal, ela deverá estar


sempre na mesma pessoa do sujeito da oração de que faz parte. Por isso o
pronome oblíquo se sempre será reflexivo (equivalendo a “a si mesmo”), po-
dendo assumir as seguintes funções sintáticas:

Objeto direto

Ele cortou-se com o facão.

Objeto indireto

Ele se atribui muito valor.

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Sujeito de um infinitivo

“Sofia deixou-se estar à janela.”

Exercícios Propostos

1. Assinale a frase em que se deve usar porque.


( ) a) O encontro porque ele tanto ansiava ocorreu ontem.


( X ) b) Pegou o casaco porque fazia frio.


( ) c) Perdeu o contrato porque tanto se esforçou.
( ) d) Você está tremendo porque?
( ) e) Porque você não veio?

2. Complete as frases seguintes e anote a alternativa que responde de forma


correta.
Fiz tudo ___porque___________ não lhe faltasse incentivo.

Fale baixo, ___porque_______________ vai acordar o neném.
Ignoro _____porque_____________ solicitaram revisão.

( ) a) Por que, por que, por que.


( X ) b) Porque, porque, porque.
( ) c) Por que, porque, por que.
( ) d) Porque, porque, por que.
( ) e) Por quê, por que, porque.

3. Assinale a frase que contraria a norma culta quanto à concordância ver-


bal.
( ) a) Sou eu que pergunto.
( ) b) Sou eu quem pergunta.
( X ) c) Fazem cinco anos que não o vejo.
( ) d) Há inúmeros problemas aqui.
( ) e) Tudo são flores.

4. Assinale a alternativa em que a palavra bastante(s) está empregada corre-


tamente, de acordo com a norma culta da Língua.
( ) a) Os rapazes eram bastantes fortes e carregaram a caixa.
( ) b) Há provas bastante para condenar o réu.
( X ) c) Havia alunos bastantes para completar duas salas.
( ) d) Temos tido bastante motivos para confiar no chefe.
( ) e) Todos os professores estavam bastantes confiantes.

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5. Assinale a alternativa correta.
( X) a) Segue anexo o documento.
( ) b) Sinto-me meia atrapalhada.
( ) c) Fiquem alerta.
( ) d) Aqueles casacos custam caros.
( ) e) Seguem anexo os documentos.

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