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Contabilidade Comercial Fatos que Alteram as Compras e as Vendas

Capítulo 1 - Operações com Mercadorias


As empresas comerciais têm por finalidade a aquisição de mercadorias para revenda servindo como
intermediárias nas trocas entre fornecedores e clientes. O controle da evolução do patrimônio dessas
empresas é realizado pela Contabilidade Comercial que registra através de lançamentos todas as
operações relacionadas com compras e vendas de mercadorias, despesas acessórias, descontos ou
abatimentos incondicionais, devoluções e incidência de impostos, tais como o Imposto sobre
Circulação de Mercadorias (ICMS).
Consta no artigo 183, inciso II, da Lei n.º 6.404 de 15 de dezembro de 1976, que os estoques de uma
empresa comercial devem ser avaliados pelo custo de aquisição, nele incluídos os gastos com
transportes, seguros, embalagens e os tributos não recuperáveis, tais como IPI, Imposto de
Importação e IOF quando incidente sobre as operações de câmbio. Assim, os tributos não
recuperáveis, suportados pela entidade comercial, são agregados ao valor da mercadoria, ao passo
que os tributos recuperáveis (normalmente o ICMS e para as empresas industriais o IPI) devem ser
expurgados do valor da mercadoria quando dele fizerem parte.
As empresas necessitam controlar seus estoques com diversas finalidades, como, por exemplo,
evitar furtos, reposição e apurar o CMV.
As empresas que adotam a sistemática do inventário permanente possuem controle contábil de seus
estoques, diferentemente das que se utilizam da sistemática do inventário periódico que, a rigor, não
possuem controle contábil sobre seus estoques.
Compra de Mercadorias
As compras de mercadorias podem ser realizadas à vista ou a prazo. Nas compras à vista o
pagamento é realizado no ato, enquanto nas compras a prazo, cria-se uma obrigação de pagamento
futuro.
Ex.: Compra de mercadorias, à vista, no valor de R$ 460,00, conforme nota fiscal nº 0526 de Neves
& Pontes Ltda.
Mercadorias
a Caixa
Compra de mercadorias, conforme nota fiscal nº 0526,
de Neves & Pontes Ltda.......................................................................... 460,00

Venda de Mercadorias
As vendas de mercadorias, assim como as compras, também podem ser realizadas à vista ou a
prazo, constituindo-se na principal fonte de receitas das empresas comerciais.
Ex.: Venda de mercadorias, à vista, conforme nossa nota fiscal nº 325, no valor de R$ 230,00.
Caixa
a Venda de Mercadorias
Conforme nossa nota fiscal nº 325........................................................... 230,00

Resultado com Mercadorias (RCM)


RCM = Vendas – Custo das Mercadorias Vendidas (CMV)

Existem dois sistemas de apuração do CMV:


 Inventário Periódico;
 Inventário Permanente.

Inventário Periódico – quando efetuamos as vendas sem um controle paralelo e concomitante de


nosso estoque e, portanto, sem controlar o Custo das Mercadorias Vendidas. Quando necessitamos
apurar o resultado obtido com a venda das mercadorias (RCM), fazemos um levantamento físico
para avaliação do estoque de mercadorias existente naquela data; e pela diferença entre o total das
mercadorias disponíveis para venda durante o período e esse estoque final (apurado
extracontabilmente), obtemos o Custo das Mercadorias Vendidas (CMV) nesse período, utilizando a
seguinte equação:

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CMV = EI + C – EF

Onde:

CMV = custo das mercadorias vendidas;


EI = estoque das mercadorias no início do período;
C = compras líquidas no período;
EF = estoque de mercadorias no final do período.

O estoque de mercadorias deverá estar livre do ICMS e deverá conter a parcela dos fretes e seguros
relativos às mercadorias estocadas.

Exemplo: A Cia. ABC possuía em 01/01/X1, estoque inicial no valor de R$ 120.000. Durante o mês,
realizou compras no montante de R$ 480.000. O estoque final em 31/01/X1 foi avaliado em
R$ 97.000. As vendas foram de R$ 620.000.
CMV = EI + C – EF
CMV = 120.000 + 480.000 – 97.000
CMV = R$ 503.000
RCM = Vendas – CMV
RCM = 620.000 – 503.000
RCM = R$ 117.000

Inventário Permanente – quando controlamos de forma contínua o Estoque de Mercadorias, dando-


lhe baixa, em cada venda, pelo custo dessas mercadorias vendidas (CMV). Esse controle
permanente é efetuado sobre todas as mercadorias que estiverem à disposição para venda, isto é,
esse controle é efetuado sobre as Mercadorias Vendidas (CMV) e sobre as mercadorias que não
foram vendidas (Estoque Final). Pela soma dos custos de todas as vendas, teremos o Custo das
Mercadorias Vendidas (CMV) total do período.

CRITÉRIOS DE AVALIAÇÃO PELO INVENTÁRIO PERMANENTE


Preço Específico - Quando é possível fazer a determinação do preço específico de cada unidade
em estoque, pode-se dar baixa em cada venda, por esse valor; com isto, no estoque final, seu valor
será a soma de todos os custos específicos de cada unidade ainda existente.
Tal tipo de apropriação de custo, entretanto, somente é possível em alguns casos, onde a
quantidade, ou o valor, ou a própria característica da mercadoria o permite (isto é feito, por exemplo,
nesse comércio de carros usados). Na maioria das vezes não é possível ou economicamente
conveniente a identificação do custo específico de cada unidade.

PEPS – Com base nesse critério, daremos baixas no custo da seguinte maneira: o Primeiro que
Entra é o Primeiro que Sai. Assim, à medida que ocorrerem as vendas, vamos dando baixa a partir
das primeiras compras, o que equivaleria ao raciocínio de que vendemos primeiro as primeiras
unidades compradas, permanecendo nos estoques as mercadorias de aquisição mais recentes.
Por este avaliamos os estoques pelo custo das últimas aquisições. Com isso, o Custo das
Mercadorias Vendidas (CMV) fica onerado pelas primeiras compras, daí o nome do método PEPS -
primeiro que entra é o primeiro que sai.
Este método de avaliação dos estoques, quando comparado com os demais métodos, ocasiona as
seguintes situações conforme estamos em economia com preços crescentes, estáveis ou
decrescentes:
 numa economia inflacionária, isto é, com preços crescentes, produz estoque final maior do que
os outros métodos, ocasionando resultado com mercadorias de maior valor;
 numa economia de preços constantes (inflação zero), os métodos se comportam, teoricamente,
de forma semelhante; e numa economia deflacionária, isto é, com preços decrescentes, o
método PEPS produz estoque final menor do que os outros métodos, ocasionando resultado com
mercadorias de menor valor.

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UEPS – a Última a Entrar é a Primeira a Sair. O método UEPS funciona de modo inverso ao PEPS,
isto é, o estoque é avaliado pelos preços de aquisição mais antigos e o custo das mercadorias
vendidas é onerado pelas últimas compras. Daí o nome UEPS, o último que entra é o primeiro que
sai.
Numa economia inflacionária, este método em comparação com os demais, ocasionará no primeiro
ano um Custo das Mercadorias Vendidas maior e em conseqüência um lucro menor.
A legislação fiscal não aceita o UEPS como método de avaliação de estoques, pois tende a diminuir
o lucro, o que ocasionaria diminuição do Imposto Sobre a Renda e da Contribuição Social Sobre o
Lucro. A propósito, os únicos métodos aceitos pela legislação fiscal são o PEPS e MPM, este último
somente se houver controle permanente de estoques, pois se não houver controle permanente de
estoques, é obrigatório o uso do método PEPS.

Média Ponderada Móvel (MPM) – Chama-se Ponderada Móvel, pois o valor médio de cada unidade
em estoque altera-se pela compra de outras unidades por um preço diferente. Assim, ele será
calculado dividindo-se o custo total do estoque pelas unidades existentes.
Este método permite a avaliação dos estoques pelo preço médio ponderado. Ele é chamado de
média ponderada porque a cada unidade comprada com preço diferente do constante do estoque o
custo médio existente sofre alteração em seu valor. Assim, evita-se os extremos que ocorrem ao se
avaliar os estoques pelo método PEPS ou pelo método UEPS, primeiras ou últimas entradas no
estoque, respectivamente.
Por esse critério, os estoques são avaliados pelo custo de aquisição, apurado a cada entrada de
mercadorias, ponderado pelas quantidades adquiridas e pelas anteriormente existentes, isto é, a
cada aquisição se faz a média ponderada dos estoques.

Média Ponderada Fixa (MPF) - Saliente-se, inicialmente, que este método de avaliação dos
estoques não é permitido pela legislação do IR e tampouco se amolda aos princípios de
contabilidade.
Ele consiste em se efetuar a média do custo pelo somatório de todas as aquisições do período e
dividi-lo pela quantidade das aquisições do período, obtendo-se, desta forma, o custo unitário médio
mensal. Assim, o método apura o valor médio das compras por períodos de um mês
independentemente da data de aquisição, isto é, verifica-se o custo total das compras mais o custo
do estoque inicial do mês, divide-se a soma, assim obtida, pelas unidades adquiridas no período
mais as unidades existentes no início do período e teremos, então, o custo médio ponderado fixo
mensal.
Ao final do período, mês, toma-se o total das quantidades vendidas no período, independente da
data de saída, e multiplica-se pelo custo médio encontrado na coluna das entradas, obtendo-se desta
forma o custo da mercadoria vendida (CMV).
Exemplo: Uma empresa apresentou a seguinte movimentação:
- 01/01/X1 – estoque inicial de 10 unid, adquiridas por R$ 5 cada;
- 08/01/X1 – compra de 8 unid, adquiridas por R$ 8 cada;
- 31/01/X1 – venda de 12 unid por R$ 11 cada.

Calcular o CMV, o Estoque Final e o RCM utilizando o PEPS, o UEPS e a Média Ponderada Móvel.
Solução pelo PEPS:
CMV = 10 unid. x R$ 5 = R$ 50
2 unid. x R$ 8 = R$ 16
R$ 66

Estoque Final = 6 unid. x R$ 8 = R$ 48

RCM = Vendas – CMV


RCM = (12 unid. x R$ 11) = R$ 66
RCM = R$ 132 – R$ 66
RCM = R$ 66

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Solução pelo UEPS:


CMV = 8 unid. x R$ 8 = R$ 64
4 unid. x R$ 5 = R$ 20
R$ 84

Estoque Final = 6 unid. x R$ 5 = R$ 30

RCM = Vendas – CMV


RCM = (12 unid. x R$ 11) – R$ 84
RCM = R$ 132 – R$ 84
RCM = R$ 48

Solução pela MPM:


Estoque Inicial = 10 unid. x R$ 5 = R$ 50
Compras = 8 unid. x R$ 8 = R$ 64
Custo Médio = 50 + 64 = 114 = R$ 6,33
10 + 8 18
CMV = 12 unid. x R$ 6,33 = R$ 75,96
RCM = R$ 132 – R$ 75,96 = R$ 56,04

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Capítulo 2 - Fatos que Alteram as Compras e as Vendas

FATOS QUE ALTERAM O VALOR DAS COMPRAS


Conforme já comentado anteriormente, a Lei nº 6.404 de 15 de dezembro de 1976, determina em
seu art. 183, inciso II, que as mercadorias devem ser avaliadas pelo custo de aquisição ou produção,
conforme a seguir transcrito:

Critérios de Avaliação do Ativo


Art. 183. No balanço, os elementos do ativo serão avaliados segundo os seguintes critérios:
...
II - os direitos que tiverem por objeto mercadorias e produtos do comércio da companhia, assim
como matérias-primas, produtos em fabricação e bens em almoxarifado, pelo custo de aquisição
ou produção, deduzido de provisão para ajustá-lo ao valor de mercado, quando este for inferior;
(grifo nosso).
Atendendo, também, ao princípio da competência, constata-se que despesas como fretes, seguros,
armazenagens etc., que são atinentes às mercadorias, devem ser consideradas custos de aquisição
ou produção, pois são dispêndios efetuados à obtenção dessas mercadorias ou bens.
Assim, o custo de aquisição das mercadorias será diretamente afetado pelas despesas acessórias
como fretes e seguros pagos ao transportador, impostos recuperáveis destacados nas notas fiscais
de compras, taxas alfandegárias, devoluções de mercadorias adquiridas e descontos promocionais
obtidos do fornecedor e destacados na própria nota fiscal de compra, que são chamados também de
descontos comerciais ou descontos incondicionais.
De uma forma geral, pode-se afirmar que:
Compras brutas
+ Fretes, seguros, armazenagem etc.
- Impostos recuperáveis
- Descontos incondicionais ou comerciais obtidos
- Devoluções e abatimentos
= Compras Líquidas

ATENÇÃO!
Lembre-se de que são levados a estoques os valores das compras líquidas. Os impostos
recuperáveis, os descontos incondicionais ou promocionais ou comerciais destacados em nota fiscal
e as devoluções e abatimentos obtidos devem ser expurgados do valor da aquisição. Por sua vez, os
fretes, seguros, custo de armazenagem, taxas alfandegárias etc, devem ser adicionados ao valor de
aquisição para se obter os custos líquidos da mercadoria, cujo valor será levado a estoque, ou seja,
estes valores serão ativados (vão para o ativo).

Fretes e seguros sobre compras


O valor dos fretes e seguros pagos ao transportador da mercadoria deve ser integrado ao custo das
mercadorias adquiridas, sendo recuperável o ICMS destacado no conhecimento de frete.
Ex.: Compra de mercadorias, à vista, no valor de R$ 840,00, conforme nota fiscal nº 0415 de Silva &
Souza Ltda. As mercadorias foram transportadas por R.J.J. Transportes Ltda., pelo valor de
R$ 36,00, correspondentes a fretes e seguros, conforme nota fiscal de serviços e transportes
nº 03814 e apólice de seguro nº 5638.

Mercadorias
a Caixa
Compra de mercadorias, conforme
nota fiscal nº 0415, de Silva & Souza Ltda. 840,00

Fretes e Seguros
a Caixa
Despesas com transporte sobre compras,
igual a fretes mais seguros, pago à R.J.J.
Transportes Ltda., conforme nota fiscal
nº 03814 e apólice nº 5638. 36,00

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Mercadorias
a Fretes e Seguros
Correspondentes a fretes e seguros pagos na
compra supra que se transferem para integrar
o custo de aquisição. 36,00

Descontos incondicionais sobre compras (obtidos)


Os descontos comerciais ou incondicionais são aqueles concedidos ao comprador, registrados na
própria nota fiscal não dependendo de qualquer evento futuro, deve ser considerado para apuração
do custo que vai a estoque.
Já o desconto financeiro oferecido como prêmio pelo pagamento da fatura antes do vencimento da
obrigação, por ocorrer após a concretização da operação mercantil e depender de evento futuro e
incerto, não deve ser considerado na apuração do custo de aquisição das mercadorias para revenda,
devendo ser contabilizado como receita operacional na empresa compradora e despesa operacional
na vendedora.
De um modo geral, os descontos comerciais não são contabilizados. As compras e as vendas são
registradas pelas empresas, em nota fiscal, pelo seu valor líquido, portanto já sem o valor do
desconto comercial ou incondicional.
Ex.: Compra de mercadorias, à vista, no valor de R$ 760,00, conforme nota fiscal nº 2489, de Neves
& Alves Ltda., com desconto incondicional no valor de R$ 60,00.
Mercadorias
a Diversos
Conforme nota fiscal nº 2489, de Neves & Alves
Ltda., como segue:
a Caixa
Valor da nota fiscal supra 700,00
a Descontos Incondicionais Obtidos
Conforme destaque na nota fiscal supra 60,00 760,00

Devoluções e abatimentos sobre compras


As mercadorias entregues ao comprador que estiverem em desacordo com o pedido inicial por
defeito de fabricação, por estarem fora das especificações técnicas ou por entrega fora do prazo
estipulado, podem ser objeto de devolução total ou parcial, acompanhadas de nota fiscal de
devolução, ou podem ensejar a negociação de um abatimento sobre o preço para evitar a devolução
da mercadoria.
Note-se que na devolução de mercadorias compradas, devemos devolver também os tributos
incidentes sobre as compras com lançamentos inversos aos que se usou para registrar a compra.

Ex.: Devolução de compras correspondente ao valor total da nota fiscal nº 0225 de Mendes & Silva
Ltda.
Caixa
a Devolução de Compras
Devolução de compras conforme nota fiscal
nº 0225 de Mendes & Silva Ltda. 830,00

FATOS QUE ALTERAM O VALOR DAS VENDAS


Da mesma forma como ocorre com os custos, a receita operacional bruta da venda de mercadorias
será diretamente afetada pelos impostos incidentes sobre as vendas e pelos descontos
incondicionais, devoluções e abatimentos ocorridos durante as operações mercantis.
De maneira geral, pode-se dizer que:
Receita Bruta de vendas
(-) Devoluções e Abatimentos s/ Vendas
(-) Descontos Incondicionais s/ Vendas
(-) Impostos Incidentes s/ Vendas
= Receita líquida de Vendas
Assim, a contabilização das operações relacionadas com vendas deverá utilizar as seguintes contas:

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ELENCO DE CONTAS NATUREZA DO SALDO


VENDAS DE MERCADORIAS CREDOR
CONTAS RETIFICADORAS
(-) DEVOLUÇÕES E ABATIMENTOS S/ VENDAS DEVEDOR
(-) DESCONTOS INCONDICIONAIS S/ VENDAS DEVEDOR
(-) IMPOSTOS INCIDENTES S/ VENDAS DEVEDOR
(-) ICMS S/ VENDAS DEVEDOR
(-) PIS S/ VENDAS DEVEDOR
(-) COFINS S/ VENDAS DEVEDOR
Valor bruto das vendas
Em todas as vendas, a conta a ser debitada poderá ser "CAIXA", "BANCOS C/ MOVIMENTO" ou
"DUPLICATAS A RECEBER/CLIENTES", conforme o caso, enquanto que a conta creditada será
sempre "VENDAS DE MERCADORIAS", registrando-se a receita operacional bruta auferida.

Impostos incidentes sobre vendas

Importante frisar, mais uma vez, que as vendas são contabilizadas, sempre, pelo seu valor bruto,
cabendo, dessa forma, ao demonstrativo do resultado discriminar os descontos, impostos etc.

O ICMS sobre vendas


O fato contábil venda ensejará sempre dois lançamentos simultâneos, sendo o primeiro pelo registro
da receita bruta e o segundo pelo ICMS destacado na nota fiscal, em conta retificadora da receita,
uma vez que o ICMS é dito “por dentro do preço", ou seja, faz parte da receita.
Assim, se por exemplo ocorrer uma venda de R$ 100,00, com incidência de ICMS com alíquota de
17%, teremos o seguinte lançamento:
Caixa
a venda 100,00
ICMS sobre vendas OU
a ICMS a Recolher 17,00
Diversos
a Diversos
Caixa 100,00
ICMS sobre Vendas 17,00
a Vendas 100,00
a ICMS a Recolher 17,00

O PIS e a COFINS sobre vendas


A base de cálculo das contribuições será a receita bruta de vendas deduzida dos descontos,
incondicionais, devoluções e abatimentos sobre vendas.

Descontos incondicionais, devoluções e abatimentos sobre vendas

Os descontos, devoluções e abatimentos relativos à mercadoria vendida devem ser registrados em


contas próprias, retificadoras da receita bruta de vendas.
O destaque permite controlar e analisar as providências cabíveis, por exemplo, quando o volume de
devoluções de clientes supera as expectativas, ou quando os descontos e abatimentos ultrapassam
certo limite. No caso das notas fiscais que acompanham as devoluções de vendas, deve ser
estornado o ICMS destacado na nota De um modo geral, os descontos comerciais não são
contabilizados. As compras e as vendas são registradas pelas empresas pelo seu valor líquido,
portanto já deduzida do desconto comercial ou incondicional.
Ex.: Devolução de vendas efetuadas no dia 29.07.2004, correspondente ao valor total de nossa
nota fiscal nº 04106.
Devolução de Vendas
a Caixa
Mercadorias recebidas em devolução, conforme
nota fiscal nº 04256, correspondente a venda
efetuada em 29.07.2002, através de nossa nota
fiscal nº 04106. 540,00

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Capítulo 3 - Operações com Mercadorias - Impostos

IMPOSTOS RECUPERÁVEIS (IPI e ICMS)

A Constituição Federal determina que o ICMS e o IPI sejam não cumulativos.


Assim, as empresas que forem contribuintes destes impostos deverão registrar esses valores em seu
Ativo como Impostos a Recuperar, não os levando ao estoque em cumprimento do dispositivo
constitucional.
Caso os bens sejam adquiridos para consumo final da entidade, esta não terá, de regra, direito a
recuperar os impostos incidentes sobre as compras, não devendo fazer o registro de impostos a
recuperar, salvo se a legislação estadual permitir o contrário.
É de ressaltar, entretanto, que quando uma entidade comercial faz aquisições de mercadorias sendo
parte delas destinadas ao Ativo Imobilizado e parte ao Estoque e essas mercadorias forem
adquiridas pela mesma nota fiscal, a contabilização deve ocorrer primeiro em Estoque, de onde se
dará baixa ao Ativo Imobilizado e, sendo o caso, nesse momento se anulará o crédito do ICMS e IPI
correspondente às mercadorias incorporadas ao Permanente.
O IPI terá os seguintes tratamentos, conforme a empresa adquirente seja ou não industrial:
• Para empresas industriais, o IPI será recuperável, isto é, irá para o Ativo Circulante - Impostos a
Recuperar.
• Para empresas comerciais, que não sejam equiparadas a industriais, o IPI representa custo, isto
é, o IPI é adicionado ao valor da mercadoria após a subtração do valor do ICMS que está incluído
no preço.

O IPI incide sobre o preço de tabela, portanto não se consideram eventuais descontos recebidos ou
concedidos para apurar a base de cálculo.
O valor do IPI é calculado "por fora", ou seja, aplica-se uma alíquota sobre o preço de compra e o
resultado é adicionado ao este para se obter o valor total da nota.
O ICMS, tanto para as empresas comerciais quanto para as empresas industriais, está incluído no
preço, pois é calculado "por dentro" e será diminuído do valor da mercadoria e/ou serviço, quando
recuperável.
O ICMS, diferentemente do IPI, não incide sobre os descontos concedidos e/ou recebidos.
Conclui-se que o IPI incide sobre o ICMS, mas este não incide sobre o IPI.
O frete e seguro, quando suportados pela adquirente, são ativados ao custo, isto é, são adicionados
ao valor das compras.
Quando a empresa vendedora for industrial ou equiparada a industrial e cobrar frete na mesma nota
fiscal em que são discriminadas as mercadorias, haverá incidência de IPI também sobre o frete, pois
nesse caso o frete será considerado custo de produção.
Cuidado!
O ICMS está incluído no preço anunciado pelo vendedor, ele está dentro do preço. O IPI deve ser
calculado sobre o preço de tabela do produto, não faz parte do preço de venda. O IPI funciona como
o imposto que é pago nos EUA, onde, além do valor da mercadoria, se paga o imposto.
Outro aspecto interessante é que nas vendas o IPI jamais será considerado receita, pois o industrial
é mero arrecadador deste tributo, devendo recolhê-lo aos cofres públicos (federal).

ICMS SOBRE COMPRAS E VENDAS


O que é ICMS?
ICMS: Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de
Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação.
• É um imposto de competência estadual.
• Incide sobre a circulação de mercadorias e sobre prestação de serviços de transportes
interestadual e intermunicipal, comunicações e fornecimento de energia elétrica.
• Nem todas as mercadorias ou operações estão sujeitas ao ICMS: há casos de isenção e de
não-incidência previstos na legislação específica (Regulamento do ICMS de cada Estado
brasileiro).
• É considerado imposto por dentro, o que significa dizer que seu valor está incluso no valor
das mercadorias. Assim, ao adquirir uma determinada mercadoria por R$ 1.000, com ICMS
incidente pela alíquota de 17%, significa que o custo da mercadoria corresponde a R$ 830 e o
ICMS, a R$ 170. Nesse caso, o total da Nota Fiscal será igual a R$ 1.000.

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• É um imposto não cumulativo, isto é, o valor incidente em uma operação (compra) será
compensado do valor incidente em uma operação subseqüente (venda).
• A alíquota (porcentagem) poderá variar em função do tipo da mercadoria, do destino ou
origem, etc.
• Existe uma alíquota básica para a maior parte das mercadorias.

ICMS sobre Compras


O ICMS incidente nas compras representa direito da empresa. Na linguagem contábil, esse direito
representa débito na conta ICMS a Recuperar; na linguagem fiscal, crédito da empresa junto ao
Governo do Estado.

ICMS sobre Vendas


O ICMS incidente nas vendas corresponde à obrigação da empresa. Na linguagem contábil, essa
obrigação representa crédito na conta ICMS a Recuperar ou na conta ICMS a Recolher; na
linguagem fiscal, débito da empresa para com o Governo do Estado.
Portanto, muito cuidado: débito e crédito na linguagem contábil são exatamente o oposto de débito e
crédito na linguagem fiscal.

ICMS a Recolher ou a Compensar


A contabilização do ICMS torna-se muito simples a partir do momento em que você passa a
conhecer o mecanismo que envolve a sua incidência sobre as operações de compras e de vendas
de mercadorias. Veja, então:
A atividade principal de uma empresa comercial concentra-se em duas operações: compra e venda.
Quando a empresa compra mercadorias, paga ao fornecedor, juntamente com o custo dessas
mercadorias, uma parcela correspondente ao ICMS; quando a empresa vende mercadorias, recebe
do cliente, juntamente com o valor da venda, uma parcela correspondente ao ICMS, que terá de ser
repassada ao Governo do Estado. Note, no entanto, que antes de repassar ao Governo do Estado a
parcela do ICMS recebida do cliente (constante da Nota Fiscal de Venda), a empresa poderá
compensar, desse total, o valor do ICMS que pagou ao fornecedor (constante da Nota Fiscal de
Compra), por ocasião da compra da mercadoria que está sendo vendida. Exemplo:
Vamos supor que a empresa tenha adquirido um determinado lote de mercadorias de um fornecedor,
pagando R$ 100, com ICMS incluso no valor de R$ 17. Seu fornecedor, ao receber os R$ 100,
deverá repassar R$ 17 ao Governo do Estado. Dessa forma, você pagou ao fornecedor R$ 83 pelo
lote de mercadorias e R$ 17 de imposto. Suponhamos, agora, que você tenha vendido o mesmo lote
de mercadorias a um cliente por R$ 200, com ICMS incluso no valor de R$ 34. Dos R$ 200 que você
recebeu (Receita Bruta de Vendas), R$ 166 correspondem à Receita Líquida de Vendas e R$ 34, ao
ICMS que você deveria recolher ao Governo do Estado. Deveria recolher pois, sendo o ICMS um
imposto não cumulativo, você poderá compensar (abater), desses R$ 34 devidos em função da
venda do lote de mercadorias, os R$ 17 que pagou pelo mesmo lote quando o comprou de seu
fornecedor. Assim, você recolherá ao governo apenas R$ 17, ou seja, R$ 34 – R$ 17.

Outro Exemplo: A Cia. ABC comprou mercadorias no valor de R$ 2.000 a vista, incluindo R$ 360 de
ICMS. Vendeu todas por R$ 3.300, a vista, com ICMS de R$ 594. Contabilize as operações:

Registro da compra de mercadorias:


Diversos
a Caixa
Mercadorias 1.640
ICMS a Recuperar 360 2.000

Registro da venda de mercadorias:


Caixa
a Vendas 3.300

Registro do ICMS sobre as vendas:


ICMS sobre Vendas
a ICMS a Recuperar 594

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Registro da baixa no estoque:


CMV
a Mercadorias 1.640

Registro da apuração do ICMS:


ICMS a Recuperar
a ICMS a Recolher 234

Diante do exposto, podemos concluir:

• O valor do ICMS que você paga ao fornecedor por ocasião da compra representa direito para
sua empresa junto ao Governo do Estado;
• O valor do ICMS que você recebe do seu cliente por ocasião da venda representa obrigação da
sua empresa junto ao Governo do Estado.
• As operações com ICMS envolvendo direitos e obrigações junto ao Governo do Estado podem
ser apuradas mensalmente da seguinte maneira:
o no final do mês, somam-se os valores do ICMS incidentes em todas as Compras
efetuadas durante o referido mês (direitos da empresa);
o da mesma forma, somam-se os valores do ICMS incidentes em todas as Vendas
efetuadas no mesmo mês (obrigações da empresa), ainda que essas mercadorias
vendidas não correspondam àquelas compradas no mesmo mês;
o se o total do ICMS incidente nas compras for superior ao total do ICMS incidente nas
vendas, a diferença representará direito da empresa junto ao governo estadual em
relação às operações realizadas naquele mês. Se, por outro lado, o valor do ICMS
incidente nas vendas for superior ao valor do ICMS incidente nas compras, a diferença
representará obrigação da empresa, devendo ser recolhida ao Estado no mês seguinte.

CONTRIBUIÇÕES SOBRE A RECEITA OU FATURAMENTO


As contribuições devidas à seguridade social incidentes sobre o faturamento ou receita são a
COFINS (Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social) e as contribuições para o
PIS/PASEP.

COFINS - Contribuição para a Seguridade Social


Tendo sido criada pelo governo originalmente (1982) com a finalidade de custear investimento de
caráter assistencial em alimentação, habitação popular, saúde, educação e amparo ao pequeno
agricultor, a partir de 1990 a COFINS teve por objetivo financiar a seguridade social.
De uma forma geral, estão sujeitas ao pagamento da COFINS todas as empresas que vendem
mercadorias ou serviços, sendo essa contribuição calculada com base em 7,6% (a partir 2005) sobre
o faturamento, assim entendido como o somatório das receitas que compõem o Resultado Líquido do
Período, sendo irrelevantes o tipo de atividade exercido pela pessoa jurídica e a classificação
contábil das receitas, no caso, falando genericamente, de empresa com fins lucrativos (aqui pode
haver algumas deduções, conforme estipulado pela legislação tributária).

O tratamento contábil da COFINS


Supondo-se uma receita bruta de vendas de $ 20.000, a COFINS (7,6% sobre $ 20.000) seria
contabilizado de forma indicada a seguir:
- Pela apuração da receita bruta de vendas do mês e cálculo da COFINS
Despesa com COFINS
a COFINS a recolher 1.520

- Pelo pagamento da contribuição


COFINS a recolher
a Bancos c/ movimento 1.520

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Contabilidade Comercial Fatos que Alteram as Compras e as Vendas

PIS - PROGRAMA DE INTEGRAÇÃO SOCIAL


O PIS foi criado em 1970 e tinha por finalidade formar um Fundo de Participação destinado a integrar
os empregados no desenvolvimento das empresas, mediante a distribuição de quotas de
participação (em dinheiro) desse fundo.
A Constituição de 1988, porém, alterou o objetivo dessa contribuição, que passou a financiar o
programa de seguro-desemprego e o abono de um salário mínimo por ano aos empregados que
recebem mensalmente até dois salários-mínimos.
O PIS incide, genericamente, de duas formas:
a) sobre o faturamento, assim entendido como o somatório das receitas que compõem o Resultado
Líquido do Período, sendo irrelevantes o tipo de atividade exercido pela pessoa jurídica e a
classificação contábil das receitas, no caso, falando genericamente, de empresa com fins lucrativos
(aqui pode haver algumas deduções, conforme estipulado pela legislação tributária);
b) sobre a folha de pagamento, no caso de entidades que não realizam habitualmente venda de
bens e serviços, inclusive as fundações (sem fins lucrativos).
O Tratamento contábil do PIS
A contabilização do PIS (em qualquer das formas de contribuição) é a seguinte, considerando uma
empresa com receita operacional mensal de $ 10.000 (PIS = $ 165):
- Pela apuração da receita
PIS s/ Faturamento
a PIS a recolher 165
- Pelo pagamento da contribuição
PIS a recolher
a Bancos c/ movimento 165

ISS - IMPOSTO SOBRE SERVIÇOS


Sem entrar em maiores considerações, o ISS é basicamente um imposto municipal incidente sobre
serviços prestados a terceiros, calculado e acrescido à nota fiscal de prestação de serviços.
Consoante à legislação, o ISS é considerado um imposto incidente sobre a venda de serviços e,
como tal, integra o valor da receita bruta a ser contabilizada.
O Tratamento Contábil do ISS
Suponhamos uma empresa que cobre $ 10.000 por serviço prestado, preço ao que é adicionado o
ISS ao montante de $ 500.
O lançamento contábil é simples:
1. Pela prestação de serviços (a cobrar)
Duplicatas a receber
a Vendas (ou receitas de serviços) 10.500
2. Pelo registro do imposto
ISS faturado (despesa)
a ISS a recolher 500

Se, ao contrário, uma empresa paga a outra pela prestação de serviços, o custo destes será
integralmente registrado como despesa, inclusivo o ISS contido na nota fiscal.
Obs.: O ISS é acrescido à nota fiscal de prestação de serviços quando for pago pelo cliente. Quando
isso não ocorrer, a própria empresa prestadora de serviço terá esse encargo, calculando o ISS, e
creditado de "bancos - c/ movimento" ou ISS a Recolher. A diferença entre os tratamentos é que, no
primeiro caso, o ISS é um imposto faturado, sendo apresentado como uma dedução das vendas. No
segundo caso, as despesas com impostos são operacionais, não sendo apresentada no grupo de
impostos incidentes sobre vendas.

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