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A INFLUÊNCIA DA LEI ABSTRACT

HEBRAICA NO DIREITO
BRASILEIRO: CASAMENTO E
DIVÓRCIO This article deals with the influence of
Hebrew Law in Brazilian law on
marriage and divorce. From the study of
Comparative law and considering that
THE INFLUENCE OF JEWISH LAW
“Mosaicaraum et romanarum legum
ON BRAZILIAN LAW OF collatio”, a pre-Justinian compilation of
‘leges et iura´ was the first book on
MARRIAGE AND DIVORCE
Comparative Law we have notice, the
article seeks to demonstrate that the
Hebrew law inspired the Roman law and
Sinaida De Gregorio Leão373 Canon Law on marriage and divorce.
Thus, the jewish rules have been up to
the present day, transmitted through
Roman and Canon Law, to Brazilian
Law.
RESUMO

O presente artigo versa sobre a influência KEYWORDS: Jewish Law.


da Lei Hebraica no direito brasileiro, em Comparative Law. Marriage. Divorce.
matéria de casamento e divórcio. A partir Brazilian Law.
da compreensão da importância do
estudo do Direito Comparado e
considerando que a primeira obra de
Direito Comparado de que se tem notícia
é a Mosaicarum et Romanarum legum
collatio, uma compilação pré- INTRODUÇÃO
justinianeia de leges et iura que compara
a lei hebraica e a lei romana, busca-se
demonstrar de que forma a Lei Hebraica O estudo da História do Direito e
inspirou as legislações romana e do Direito Comparado – ramo do Direito
canônica em matéria de casamento e
divórcio, chegando até os dias atuais a que compara as legislações de diferentes
influenciar a legislação brasileira. povos, países ou épocas – consiste em
disciplina de extrema relevância para a
PALAVRAS-CHAVE: Lei Hebraica. compreensão do Direito e das diferentes
Direito Comparado. Casamento.
Divórcio. Direito Brasileiro sociedades, uma vez que retrata a
realidade social e jurídica de uma época

373
Sinaida de Gregorio Leão – Bacharela em Professora do Curso de Especialização em
Direito pela Universidade Federal Fluminense Direito Privado da Universidade Federal
(UFF), Especialista em Direito Privado (UFF) e Fluminense (UFF) no período 2002-2011.
Mestre em Relações Internacionais (UFF).
Autora do livro “A Influência da Lei Hebraica no
Direito Brasileiro – Casamento e Divórcio”.

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e sociedade, demonstrando, assim, a PROBLEMATIZAÇÃO
evolução do Direito.
O estudo do Direito Comparado
No Brasil, a influência da Lei
se iniciou na época renascentista, tendo
Hebraica no Direito Brasileiro é quase
sido posteriormente relegado a segundo
que desconhecida. Os poucos autores
plano. No século XX, seu estudo
que a ela dedicam algumas palavras
renasceu com o Congresso de Paris
abordam-na, em geral, de forma
(1900). Contudo, seu estudo ainda
superficial, desprezando as fontes
permanece restrito a poucas
históricas e sociológicas do Direito, e
universidades brasileiras, que se voltam
transmitindo ao leitor informações
quase que exclusivamente para a
incorretas e preconceituosas.
realidade jurídica atual e as aplicações
A influência de um sistema
práticas da legislação moderna.
jurídico sobre outro consiste em tarefa
Curiosamente, a primeira obra de
árdua, já que devem ser considerados
Direito Comparado de que se tem notícia
fatores históricos e sociológicos na
é a Mosaicarum et romanarum legum
análise. Contudo, deve-se destacar que
collatio (Coleção de leis romanas e
tal pesquisa não se destina a comprovar
mosaicas), uma compilação pré-
a superioridade de um sistema ou povo
justianéia de leges et iura, elaborada no
sobre outro, mas tão somente investigar
período do Baixo Império Romano (453
a origem de muitos institutos jurídicos
E.C.), que compara a Lei Judaica e a Lei
atuais, no intuito de enriquecer o saber
Romana (ALVES, 1983, p. 53-54). Esta
jurídico.
compilação foi adotada no Direito
Romano como fonte de Direito, o que
O DESENVOLVIMENTO DA LEI
comprova a importância alcançada pela HEBRAICA
Lei Judaica em Roma, por meio da qual
se estenderia posteriormente para o
Direito Canônico. Torna-se essencial, como

De fato, a Lei Judaica tem sido, pressuposto à compreensão da influência

até os dias de hoje, transmitida, por da Lei Judaica nos sistemas jurídicos

intermédio do Direito Romano e do atuais, compreender como se

Direito Canônico, aos sistemas jurídicos desenvolveu a Lei Judaica e como se

ocidentais. desenvolveu o sistema judicial que a


aplicava.

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No início, na época de Abraão, os violação da Torá correspondia, assim, a
hebreus eram um povo seminômade de uma ofensa a D´s e a uma infração que
pastores, vivendo em tribos e unidos pela poderia ser punida pela sociedade. Como
fé em um único D´s. Nesse tempo, já um código normativo endereçado a todo
havia algumas normas de o povo judeu e aceito por este, individual
comportamento, inspiradas pela religião. e coletivamente, a Torá teve um caráter
Os problemas internos e disputas no seio igualitário e humano sem precedentes
do povo eram resolvidas pelo chefe da entre os povos antigos. Essa
tribo. característica especial foi responsável
Com o êxodo do Egito, o sistema pela construção de uma sociedade
de distribuição da justiça sofreu uma democrática, denominada pelo
mudança. Moisés, por sugestão de seu historiador Paul Johnson de “teocracia
sogro Jetro, escolheu homens capazes e democrática”, tendo inspirado várias
de confiança, colocando-os como legislações antigas (JOHNSON, 1989, p.
“chefes de mil, chefes de cento, chefes 50-51)
de cinquenta e chefes de dez” (Êxodo, A Lei Escrita serviu como base
28:1-27), para solucionarem as questões para o desenvolvimento de uma Lei Oral,
trazidas pelo povo, reservando-se a isto é, interpretações da Lei Escrita
Moisés apenas os problemas mais elaboradas por sábios e rabinos e
complexos. Assim, deu-se início à transmitidas oralmente ao longo de
primeira organização hierárquica de gerações. Essas interpretações
distribuição da justiça de que se tem desenvolveram-se a partir das lacunas da
notícia; uma escala crescente de Lei Escrita, dos pontos que não estavam
competências similar às instâncias dos precisamente contidos na Lei Escrita,
sistemas judiciais atuais. mas que poderiam ser regulados a partir
Com a revelação da Torá (o da sua interpretação. De início, proibiu-
Pentateuco) a Moisés, os hebreus se a compilação por escrito da Lei Oral,
passaram a possuir uma Lei Escrita, por temor que a compilação congelasse o
inspirada na religião, cerne de todo o desenvolvimento da Lei Oral, impedindo
sistema jurídico judaico. Contendo sua evolução.
normas de caráter religioso e secular, a No caminho para a Terra
Torá representou um guia para a fé Prometida, um novo sistema judicial foi
religiosa e as necessidades sociais do estabelecido – um conselho de setenta
povo judeu ao longo do tempo. A anciãos, escolhidos entre os chefes das

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mais importantes famílias para resolver escolhidos pelas partes envolvidas – um
as disputas e problemas internos – com a por cada parte –, e o terceiro escolhido
instalação da Grande Assembleia por ambas as partes de comum acordo.
(Knesset Hagdolá). As decisões eram tomadas por maioria e
Esse sistema judicial foi estes tribunais se localizavam nas portas
modificado no século III-II a.E.C. das cidades e nas estradas mais
quando foi estabelecida uma nova utilizadas, destinando-se a resolver os
hierarquia judicial, tendo como problemas mais simples. Não havia juízo
autoridade superior o Grande Sinédrio singular, pois devido à falibilidade
(Sanhedrin Hagdolá), composto por humana, compreendia-se que apenas D´s
setenta anciãos eleitos por sufrágio poderia ser juiz único.
universal entre os homens mais sábios, Em segunda instância de
moderados e populares das diversas jurisdição havia o Pequeno Conselho de
localidades, sem distinções de ordem Anciãos ou Pequeno Sinédrio
social, econômica e política, presididos (Sanhedrin Kettanah), competente para
por um Sumo Sacerdote. O Grande resolver questões mais complexas e que
Sinédrio era formado por três câmaras de funcionava como uma corte de recurso
23 sábios; se a primeira câmara não fosse das decisões dos Tribunais Ordinários.
capaz de chegar à maioria necessária Era composto por vinte e três juízes e se
para um julgamento, eram estabelecia nas cidades mais populosas.
sucessivamente convocadas as outras Importante destacar que em
câmaras, até que se atingisse a Roma, onde os juízos eram singulares, o
composição plena de 70 juízes – 69 recurso de decisões de primeira instância
sábios e o sumo sacerdote. somente foi introduzido cerca de quatro
O Grande Sinédrio tinha uma séculos depois, no século I E.C., quando
função interpretativa em matéria a jurisdição começou a ser escalonada
religiosa, civil e criminal e plena em hierarquias.
autoridade legislativa e administrativa, Quando o Segundo Templo foi
resolvendo os conflitos entre os tribunais destruído, no século II E.C. e iniciou-se
de instâncias inferiores e algumas a Dispersão dos judeus pelo mundo, os
infrações de sua competência originária. sábios sentiram a necessidade de
Em grau inferior, como primeira organizar e compilar por escrito a Lei
instância, havia os Tribunais Ordinários, Oral, desenvolvida ao longo de séculos
compostos por três juízes, sendo dois de interpretações da Torá.

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Compreendeu-se que a compilação era a na Babilônia, o novo grande centro da
forma mais segura de preservar a cultura judaica.
tradição oral, já que o povo estaria Observa-se, assim, que a
disperso e seria mais difícil lembrar do Mosaicarum et romanarum legum
grande número de interpretações collatio (Coleção de leis romanas e
existentes. mosaicas), fonte de Direito Romano
A primeira compilação da Lei (390-438 E.C.), foi compilada após a
Oral foi a Mishná (Repetição), iniciada edição da Mishná e do Talmud Palestino
pelo Rabi Meir e pelo Rabi Akiva e e ao tempo da elaboração do Talmud
terminada pelo Rabi Yehuda Há-Nassi, Babilônico.
no século II E.C. A Mishná dispunha
acerca da Lei Escrita em tópicos, A INFLUÊNCIA DA LEI HEBRAICA
relacionando-os às interpretações dos NO DIREITO ROMANO E NO
DIREITO CANÔNICO EM MATÉRIA
sábios e rabinos ao longo do tempo.
DE CASAMENTO E DIVÓRCIO
Condensando as diferentes opiniões, de
diferentes rabinos e de diferentes épocas,
inclusive as divergentes entre si, a Desde o século II a.E.C. registra-

Mishná preservou o elemento de se a presença de judeus em Roma. De

continuidade da Lei Oral. Isto permitiu fato, a comunidade judaica de Roma foi

que se realizasse um estudo comparativo a mais antiga de toda a Europa, datando

da legislação nas diferentes épocas. de 161 a.E.C., quando para lá foram

No entanto, após a compilação da enviados Jason Eleazar e Eupolemus

Mishná, os sábios e rabinos continuaram Johanan como enviados de Judá, o

a produzir diversas interpretações da Macabeu. Outras delegações judaicas

Torá e da própria Mishná. Estes novos foram enviadas em 150 e 139 a.E.C.

comentários que foram denominados de pelos Hasmoneus. À esta época remonta

Guemará (Complemento) e reunidos à a emigração de muitos judeus para

Mishná deram origem ao Talmud Roma, atraídos pelo comércio. Aliás, as

(Estudo), sendo o Talmud Palestino, relações comerciais entre judeus e

elaborado pelos sábios de Jerusalém romanos ensejavam a submissão de

(finalizado em 360 E.C.), e ao Talmud muitas controvérsias aos tribunais

Babilônico (finalizado em 505 E.C.), romanos, competentes para solucionar

mais completo, elaborado pelos sábios tais litígios, que para julgar deveriam
analisar as normas da Lei Romana e da

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Lei Hebraica. De acordo com o receber judeus ilustres que visitavam a
historiador latino do início do século I, capital do Império. Esta tolerância
Valério Máximo, em 139 a.E.C. a refletia-se também por parte do povo
comunidade judaica de Roma tinha romano, uma vez que o paganismo
grande atividade, ocorrendo, nesta data, concebia a existência de um deus próprio
a expulsão de propagandistas judeus de cada local ou povo. Os romanos, de
pelos pretores peregrinos, que, segundo religião pagã, cada vez mais se sentiam
eles, difundiam ideias e cultos orientais. atraídos pelo judaísmo e o número de
A partir do ano 63 a.E.C, quando conversões crescia enormemente. O
os romanos invadiram a Judeia, muitos proselitismo judaico se estendeu até
judeus foram levados para Roma como mesmo à aristocracia romana, como nos
prisioneiros de guerra, segundo relata o casos de Helena, rainha de Adiabene, e
historiador Fílon, e a partir do momento seus filhos, de Fúlvia, dama da nobreza
em que eram libertos – pela lei judaica romana, e de Popéia, esposa de Nero.
era uma obrigação religiosa para as Estendendo-se por toda a bacia
comunidades resgatar da escravidão mediterrânea, o proselitismo judaico
outros judeus – passavam a integrar a conseguiu um grande número de
comunidade judaica local. adesões; calcula-se que, da população do
Em 66 E.C., estima-se que Império (cerca de seis a oito milhões de
existiam cerca de cinquenta mil judeus pessoas), uma em cada dez pessoas era
em Roma. Segundo as evidências, havia judia (HADAS-LEBEL, 1991, p. 70-72)
em Roma cerca de doze sinagogas – não Segundo o historiador Flavio
necessariamente existentes na mesma Josefo, as práticas judaicas estavam
época –, o que demonstra o contínuo arraigadas na população, pois muitos
crescimento e desenvolvimento da pagãos se sentiam atraídos pelo
comunidade local. Devido ao elevado judaísmo, mas, devido às exigências
nível cultural dos judeus, para quem o feitas para a conversão, como a dolorosa
estudo da Torá era obrigatório, e à circuncisão e o processo de aprendizado
tolerância romana, manifestada pela dos valores judaicos, conformavam-se
maior parte dos imperadores, os judeus em praticar fielmente os ritos judaicos,
passaram logo a participar da vida como a observância do Shabat (dia santo
política e cultural da cidade, a desfrutar judaico que se inicia no pôr do sol da
de uma considerável autonomia, sexta-feira e termina no pôr do sol do
mantendo cortes rabínicas próprias, e a sábado). Na Diáspora e, sobretudo, em

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Roma, houve muitos casamentos mistos, social, que reflete o modo de vida e os
entre judeus e não judeus, resultando valores de uma sociedade, não passaria
quase sempre na conversão do cônjuge incólume a toda a influência judaica que
não judeu ao judaísmo. se fez sentir no meio social.
Com a destruição do Templo de De fato, a influência da Lei
Jerusalém em 70 E.C. e a consequente Judaica no Direito Romano do período
dispersão do povo judeu, principalmente pós-clássico (a partir de 305 E.C.) e
após a revolta de Bar Kochba contra a justinianeu já era pressentida por Grosso.
dominação romana (135 E.C.), o Como assevera a maioria dos
proselitismo judaico sofreu um duro especialistas em Direito Romano, o
golpe, pois se propagou a crença, entre Direito Pós-Clássico foi fortemente
os pagãos, de que o deus dos judeus os influenciado pelo Cristianismo, que
havia abandonado. Tal ideia foi utilizada reflete a influência judaica, e pelos
por Paulo e pelos primeiros cristãos que direitos das províncias orientais.
chegaram a Roma, com o objetivo de Segundo Matteo Goldstein:
cativar prosélitos para o Cristianismo
então nascente, modificando En términos generales, los
hebreos admitieron muchos modos
gradativamente todo o quadro social e de adquisición análogos a los de la
Ley romana, com cuya
religioso vigente. As bases judaicas jurisprudência suelen tener
notables concomitâncias e
foram essenciais para a expansão do coincidências. El domínio sobre
Cristianismo, mas aos poucos, na medida las aguas del mar y de los rios; la
ocupación, el régimen de las cosas
em que o Cristianismo foi se sin dueño y los objetos perdidos; el
domínio público y privado; la
consolidando, foram se acentuando as traslación del domínio de lso
bienes raíces; el ejercicio de
diferenças em relação ao judaísmo. ciertas acciones em defensa de los
drechos de propiedad y posesión
Na verdade, a população de de los bienes; el empleo de las
Roma e de grande parte do Império acciones redhibitoria y de evicción
y saneamento; ciertos interdictos,
Romano estava “judaizada”, isto é, etcédtera, aparecen como copia
servil em leyes y senadoconsultos
propensa à conversão ao judaísmo ou romanos, quiens las tomaron
diretamente o a través de algunas
adepta de suas práticas. Os judeus funetes intermedias, de las leyes
mosaicas. La irradiación del
tinham amplo acesso à sociedade Derecho judaico por el mundo
romana, inclusive nas altas classes occidental, a través del romano,
explica que em los pueblos
sociais. Foi exatamente este status quo modernos se advierta rastros de
viejos preceptos y mandamentos
que possibilitou a expansão do
Cristianismo. O Direito, como fenômeno

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de Israel (GOLDSTEIN, [s.d.], p. Muitos juristas brasileiros, como
314)374
Tal influência da Lei Judaica Orlando Gomes (GOMES, 1968,
pode ser claramente percebida na passim), Hélio Borghi (BORGHI, 1992,
disciplina acerca do casamento e do p. 14-15) e José Carlos Moreira Alves
divórcio. O Cristianismo não possuía em (ALVES, 1986, passim) atribuem ao
seus primórdios nenhuma normatização Cristianismo a semente de toda essa
ordenada em matéria matrimonial, o que mudança jurídica e social; no entanto, os
adveio somente com o Concílio de fatores históricos permitem concluir que
Trento no século XVI da E.C. a raiz de todas as mudanças, que
Importante ressaltar que uma inclusive permitiu a propagação do
possível influência das leis gregas na Cristianismo, foi o legado do
legislação romana, em matéria proselitismo judaico.
matrimonial, deve ser rejeitada de plano. Roma, na época imperial, vivia
A crise intelectual revelada entre as um clima de imoralidade doméstica e
novas concepções filosóficas helênicas e social, em que, pela ausência de
as antigas tradições de uma religião formalidade na sua celebração,
doméstica gerou uma conturbação casamentos eram feitos e desfeitos de
social, fruto do desmoronamento de todo forma impensada, ao bel prazer dos
o sistema da Cidade Antiga nubentes. Assim, procuravam-se normas
(COULANGES, s.d., p. 266). Todo o que pudessem restabelecer a moralidade
desgaste do sistema então vigente gerou dos costumes, através de regras que
a necessidade de uma regeneração do conferissem mais estabilidade à
Direito, de uma reformulação que instituição matrimonial. Evidentemente,
pudesse elevar os conceitos do tais costumes não poderiam ser
casamento e da família. incorporados do Direito Helênico, que
passava pelo mesmo problema, mas de
um sistema que elevasse o casamento e a

374
Tradução livre do autor: “Em termos gerais, certos interditos, etc. aparecem como cópia servil
os hebreus admitiram muitos modos de aquisição em leis e senatusconsultos romanos, os quais as
análogos aos da lei romana, com cuja tomaram, diretamente ou através de algumas
jurisprudência têm notáveis concomitâncias e fontes intermediárias, das leis mosaicas. A
coincidências. O domínio sobre as águas do mar irradiação do Direito judaico pelo mundo
e dos rios; a ocupação; o regime das coisas sem ocidental através do romano explica por que em
dono e dos objetos perdidos; o domínio público e povos modernos se percebem rastros de velhos
privado; a translação de domínio dos bens raízes; preceitos e mandamentos de Israel.”
o exercício de certas ações de defesa dos direitos
de propriedade e posse dos bens; o emprego das
ações redibitória, de evicção e de saneamento;

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família a uma posição privilegiada. representava uma evidência do ato
Como, até o século XVI, o Cristianismo matrimonial, concebido essencialmente
não possuía normas de cunho como um ato civil e privado. Tal contrato
matrimonial e considerando que a foi aperfeiçoado no século II a.E.C. pelo
doutrina cristã se baseava na herança Rabino Simão Ben Shetach, tornando-se
judaica, constata-se que a influência que num complexo documento assecuratório
muitos atribuem ao Cristianismo reflete, dos direitos da mulher, sobretudo em
na verdade, a influência judaica. caso de dissolução do casamento, e que
Até o Direito Romano Pós- tinha como cerne o regime dotal de bens.
Clássico, não era exigida nenhuma Esta minuciosa regulamentação impedia
formalidade para a cerimônia de divórcios impensados, evitando a
casamento, que consistia apenas em um instabilidade familiar no meio social. Na
ato verbal. Do mesmo modo, sendo o verdade, era a redação de um contrato
casamento desprovido de formalidades, matrimonial que diferenciava um
destinado a perdurar enquanto houvesse casamento legítimo de um concubinato,
a affectio maritalis (afeição conjugal) o que não ocorria em Roma, onde o
entre os cônjuges, não havia nenhuma casamento legítimo era presumido pela
formalidade especial para sua simples posse do estado de casados.
dissolução, que, para ocorrer, Na Lei Judaica, o casamento
necessitava apenas da manifestação de consistia em um dever religioso, a partir
vontade das partes. A inexistência de do mandamento divino “crescei e
formalidades, aliada ao desgaste social e multiplicai-vos” (Gênesis, 1:28).
político vigente, levou à instabilidade Embora a poligamia fosse admitida no
matrimonial, com uma alta taxa de início da época bíblica, como era comum
divórcios e uma baixa taxa de em todo o mundo antigo, tal prática foi
natalidade.375 gradativamente sendo abandonada,
Na Lei Judaica, desde o século V desaparecendo desde o século IV da E.C.
a.E.C., já havia a previsão de um De fato, a concepção bíblica do
contrato de casamento escrito, que casamento, essencialmente

375
Segundo o historiador Márcio Curtis mas pelos dos maridos. Elas se divorciavam para
Giordani: “Sêneca (De benef., III, 16,2) anota casar. Casavam-se para divorciar-se: exeant
que ‘nenhuma mulher podia enrubescer por matrimonii causa, nubunt repudii’”.
romper seu casamento, pois que as damas mais (GIORDANI, 1991, p. 160).
ilustres haviam adquirido o costume de contar
seus anos, não mais pelos nomes dos cônsules,

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monogâmico, já pode ser constatada nos estabelecimento do regime dotal por
Livros da Sabedoria (Salmos, Eclesiastes intermédio de um contrato escrito,
e Provérbios). Os autores bíblicos não se somente ocorreu em 458 E.C., seguindo
atêm aos detalhes da cerimônia do as mesmas medidas aplicadas pela Lei
casamento, embora haja referências de Judaica já há séculos. A influência da Lei
que existia alguma celebração especial Judaica sobre o Direito Romano foi
(Gênesis, 29: 21-25; Juízes: 14-12; identificada por San Nicolo e Volterra.
Salmos, 78:63; Isaías, 61:10 e Cânticos, (GIORDANI, 1986, passim). Ademais,
4:1-3). Até o 1º Exílio (586 a.E.C.), o vários elementos essenciais à celebração
casamento consistia em um ato do casamento, estabelecidos pelo Direito
puramente verbal, mas, no livro apócrifo Romano, como os impedimentos
de Tobias (Tobias, 7:14), escrito no matrimoniais, foram inspirados pela Lei
século IV a.E.C., já se menciona Judaica. O estabelecimento das cláusulas
explicitamente a existência de um patrimoniais e de maior formalidade à
contrato de casamento escrito por celebração do casamento no Direito
ocasião da cerimônia. Por meio do Romano foram, portanto, inspirados pela
contrato de casamento, o homem se Lei Judaica, propagada pelos primeiros
obriga a prover manutenção e sustento à cristãos, visando garantir a estabilidade
sua mulher, que, em contrapartida, se matrimonial e a proteção da mulher em
obriga a realizar todos os atos um ambiente nitidamente patriarcal.
necessários à organização da vida No Direito Hebraico, o Divórcio
doméstica, bem como estabelece-se um remonta à época dos patriarcas (cerca de
dever mútuo de coabitação. Ademais, 2000 a.E.C.), inicialmente concebido
são estabelecidas diversas cláusulas como ato de repúdio do homem. Tal
financeiras, visando assegurar a concepção foi gradativamente se
sobrevivência digna da mulher em aperfeiçoando, até que o divórcio como
situações de divórcio e viuvez. O repúdio se tornasse raro. De fato, a
cumprimento de tais cláusulas é primeira regulamentação escrita acerca
assegurado por uma hipoteca legal do divórcio na Lei Hebraica consta do
privilegiada sobre todos as propriedades livro de Deuteronômio (Deuterônomio,
presentes e futuras do homem, 24), que menciona expressamente uma
vinculando inclusive seus herdeiros. carta escrita de divórcio. No entanto, a
Em Roma, a gradativa proteção legislação mosaica não regulamenta
dos direitos da mulher, com o detalhadamente o divórcio, o que será

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desenvolvido ao longo dos anos pela Lei as regras apostólicas pregadas no início
Oral, atingindo seu ápice com a edição do Cristianismo e nos costumes
da Mishná e o Talmud. A redação de aplicados no Império Romano, que
uma carta de divórcio a ser entregue pelo também sofrera a influência judaica. No
homem à mulher visava disciplinar uma Direito Canônico, a influência da Lei
situação desconstitutiva de modo Judaica pode ser depreendida de várias
definitivo perante terceiros, tornando-a disposições, como da natureza jurídica
pública, a fim de evitar as incertezas do casamento, dos impedimentos
quanto ao estado civil, que, na esfera matrimoniais, dos elementos de validade
matrimonial, geram graves do casamento e das teorias de nulidade e
consequências de ordem pessoal, anulabilidade matrimoniais.
patrimonial, familiar e social.
No caso do divórcio, a Lei A INFLUÊNCIA DA LEI HEBRAICA
Judaica foi a fonte das normas romanas NO DIREITO BRASILEIRO EM
que dotaram de maior formalidade a MATÉRIA DE CASAMENTO E
dissolução do casamento, impedindo sua DIVÓRCIO
proliferação desenfreada no meio social.
O estabelecimento de causas legais O Direito Brasileiro, desde os
justificativas do divórcio e a previsão de seus primórdios, recebeu uma grande
consequências pessoais e patrimoniais influência da legislação da metrópole
do divórcio eram similares às normas portuguesa, cuja legislação matrimonial
judaicas. Considerando que o incorporava as normas de Direito
Cristianismo, desde os seus primórdios, Canônico e do Direito Romano,
não aceitava o divórcio, evidencia-se, de inspiradas, por sua vez, na Lei Judaica.
forma irrefutável, que foi a Lei Judaica a Em 8 de abril de 1569, D.
real fonte do Direito Romano nesta Sebastião, rei de Portugal, ratificou o ato
matéria. expedido em 1564 pelo regente cardeal
Como mencionado D. Henrique, estendendo para todo o solo
anteriormente, da mesma forma, é português os decretos matrimoniais
inegável a influência da Lei Judaica emanados do Concílio de Trento. Até o
sobre o Direito Canônico, que somente advento da República, não havia no
passou a prever normas matrimoniais Brasil uma legislação matrimonial de
com o Concílio de Trento, no século caráter secular, admitindo-se apenas o
XVI. Até então, a Igreja utilizava apenas

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casamento religioso.376 De fato, apenas reconhecimento do casamento como
com o Decreto nº 181 de 24 de janeiro de elemento formador da família legítima, a
1890, em seu artigo 108, foi instituído o concepção do casamento como contrato
casamento civil obrigatório, facultando- privado, a necessidade de manifestação
se aos nubentes observarem, antes ou do consentimento dos nubentes e da
depois do casamento civil, o rito presença de testemunhas; a
religioso respectivo. A Constituição obrigatoriedade da existência de um
brasileira de 1891 alçou a norma à documento escrito, a observância dos
categoria constitucional, reconhecendo impedimentos matrimoniais e das causas
em seu artigo 72, §4º a exclusiva de nulidade e anulabilidade do
validade do casamento civil, cuja casamento, o estabelecimento de
celebração seria gratuita. A partir da consequências patrimoniais destinadas a
Constituição de 1934, foi admitido o regular a situação dos nubentes durante a
casamento religioso, com efeitos civis, constância da sociedade conjugal e nos
desde que se proceda à habilitação, casos de divórcio ou viuvez, e até mesmo
registro e observância das disposições da a teoria do casamento putativo.
lei civil. Importante ressaltar que em inúmeros
A forma e as normas legais que outros aspectos, embora não se possa
regulamentam o casamento civil no comprovar a influência da lei judaica,
Brasil foram inicialmente estatuídas pelo pode-se constatar a coincidência de
Código Civil de 1917, em seus artigos normas, com a previsão, pelo direito
180 e seguintes, vigente até o ano de brasileiro atual, de normas que já eram
2002, e encontram-se atualmente regidas previstas pela lei judaica, demonstrando,
pelo novo Código Civil, editado em 2002 assim, seu caráter inovador na
(Lei 10.406/2002), que trata do Antiguidade e nos dias atuais.
casamento em seus artigos 1.511 e Da mesma forma, em relação ao
seguintes. divórcio, a previsão de consequências
A influência da lei judaica no patrimoniais e pessoais previstas no
direito matrimonial brasileiro pode ser Direito Brasileiro originam-se do Direito
depreendida de inúmeros aspectos: o

376
N.A. Em 11 de setembro de 1861, foi dos nubentes, e ampliando a atuação da
promulgada a Lei nº 1.114, ratificada pelo jurisdição civil nas questões matrimoniais.
Decreto de 17 de abril de 1863, reconhecendo o
casamento de acatólicos, segundo o rito religioso

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Romano, também influenciado pela Lei construção de Israel e como parte do
Judaica. ideal sionista. Esta sociedade tinha como
No entanto, há que se destacar o metas preparar as fontes da lei judaica
extremo avanço da legislação judaica, para a sua aplicação na época moderna e
que desde a antiguidade aceitava o fundar, em Jerusalém, um instituto,
divórcio, concebido como um “mal apoiado por uma universidade, para
necessário”. pesquisar e elaborar uma lei preparatória,
Importante refletir sobre a fundamentada na Lei Judaica, para ser
evolução do divórcio no Brasil, com a aplicada no Estado de Israel. No entanto,
recente legislação sobre o divórcio tal legislação não chegou a ser
extrajudicial, aproximando-o mais da implementada, pois muitos a concebiam
natureza jurídica de ato privado entre as como uma tentativa de secularização da
partes, tal como concebido no Direito lei religiosa, tema que é fonte de uma
Hebraico. intensa controvérsia até os dias atuais.
Um primeiro passo no sentido da
A APLICAÇÃO DA LEI JUDAICA integração da lei judaica à lei secular em
EM MATÉRIA DE CASAMENTO E Israel foi dado em 1980, com a
DIVÓRCIO NO ESTADO DE promulgação do Estatuto dos
ISRAEL Fundamentos da Lei, estabelecendo que
nos casos em que uma questão não puder
A legislação israelense inspira-se ser resolvida de acordo com a legislação
nas legislações britânica, francesa, secular vigente, a jurisprudência e a
islâmica, otomana e no sistema inglês da analogia, os tribunais deverão decidir à
“Common Law” (Direito Comum), e luz dos princípios de liberdade, justiça,
não na Lei Judaica. igualdade e paz da herança de Israel.
Na verdade, logo após a No entanto, a Lei Judaica
Declaração Balfour (1917), referente ao casamento e ao divórcio,
manifestando o apoio inglês à formação que inegavelmente inspirou a legislação
de um lar nacional judeu, foi fundada, secular de diversos sistemas jurídicos
em Moscou, a Ha-Mishpat Ha-Ivri ocidentais, é atualmente aplicada no
Society (Sociedade da Lei Judaica), Estado de Israel, por tribunais religiosos
visando o retorno da sociedade judaica à ortodoxos, frise-se, não seculares, aos
lei judaica, como um aspecto do cidadãos judeus.
renascimento nacional judeu paralelo à

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A inexistência, em Israel, do Constata-se, assim, na realidade
casamento civil, paralelamente e de atual, um monopólio do poder religioso
forma independente do casamento em Israel, que impede a celebração do
religioso, como ocorre na maior parte casamento religioso por judeus não
dos países e, particularmente, no Brasil, ortodoxos e, também, o casamento inter-
tem gerado certa inconformidade em religioso, não aceito, geralmente, pelas
setores da população israelense e legislações religiosas, dentre as quais a
importantes discussões doutrinárias judaica. Ademais, o rabinato ortodoxo,
acerca do livre-arbítrio e da preservação no exercício desse monopólio religioso,
das liberdades e direitos individuais, tem cada vez mais exigido o
como revela o jurista israelense Ze´ev cumprimento de exigências difíceis de
Falk (FALK, 1981, p. 58-74). ser atendidas, como comprovação
documental de casamentos e divórcios
“Modern libertarianism, de antepassados, desconsiderando que
recognizing freedom of religion
and conscience, has not yet found muitos documentos foram destruídos em
alternatives protecting the
continuity and existence of meio às sucessivas perseguições sofridas
Judaism. All depends upon the
evaluation of the role of religion
pelos judeus ao longo dos últimos
for the preservation of Israel; if it séculos e do Holocausto.
is positive it makes necessary the
limitation of personal freedom. Tal situação também tem
The establishment of Jewish
religion, the marriage and divorce conduzido à deslegitimação mútua entre
legislation, the Sabbath laws and
the rules regarding religious diet rabinos e linhas religiosas, o que em nada
are the subject of this dicussion.
On the other hand, if the limits of
contribui para o desenvolvimento e a
freedom are too tight, people evolução legal, e tem causado um
might be provoked to opt out of
Judaism altogether, which is no distanciamento da população israelense
less of a danger. We will,
therefore, have to consider the da proteção legal em matéria de
value of conscience within
Judaism” (FALK, 1981, p. 65)377. casamento e divórcio, prenúncio da
necessidade de mudanças.

377
Tradução livre da autora: “O libertarianismo as leis dietéticas judaicas são o objeto da
moderno, reconhecendo a liberdade de religião e discussão. Por outro lado, se os limites da
consciência, ainda não encontrou alternativas liberdade forem muito estreitos, os indivíduos
para proteger a continuidade e a existência do podem se sentir provocados a abandonar por
Judaísmo. Tudo depende da avaliação do papel completo o judaísmo, o que também é um perigo.
desempenhado pela religião para a preservação Assim sendo, precisamos considerar o valor da
de Israel; se for positiva, torna-se necessária a consciência dentro do Judaísmo.”
limitação da liberdade individual. O
estabelecimento da religião judaica, a legislação
sobre casamento e divórcio, as leis de Shabat, e

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CONCLUSÃO povos, busca-se, no plano social,
contribuir para o combate à intolerância
e ao antissemitismo.
A análise do Direito Hebraico em
sua dimensão histórico-social permitiu a
observação de seu caráter pragmático e REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
avançado para os povos da Antiguidade.
ALVES, José Carlos Moreira. Direito
Comprovada sua influência em matéria Romano. 5ª. ed. rev. e acresc., RJ, Ed.
Forense, vol. 1, 1983.
de casamento e divórcio sobre os
sistemas jurídicos ocidentais, por _____. Direito Romano. 4ª ed. rev. e
acresc., RJ, Ed. Forense, vol. 2, 1986.
intermédio do Direito Romano e do
BÍBLIA HEBRAICA. Tradução por
Direito Canônico, o Direito Hebraico
David Gorodovits e Jairo Fridlin. 1ª
revela-se um interessante e promissor reimpressão revisada, SP, Ed. Sefer,
2007, 877 p.
objeto de pesquisa.
O menosprezo ao Direito BORGHI, Hélio. Casamento. Nulidade
por Adultério e Homicídio. [1ª. ed.],
Hebraico até a primeira metade do século SP, Livraria e Editora Universitária de
XX e o desconhecimento da doutrina Direito, 1992, 191 p.

acerca da influência da Lei Hebraica BRASIL. Constituições do Brasil.


Coleção de Códigos Liber Juris. Org.
sobre os sistemas jurídicos ocidentais e
por Floriano Aguiar Dias. Ed. Liber
sua repercussão até os dias atuais Juris.
poderiam ser atribuídos à _____. Lei nº 3071, de 1º de janeiro de
inaplicabilidade de suas regras por um 1916. Código Civil dos Estados Unidos
do Brasil. Org. por Theotônio Negrão. 7ª
ente estatal, já que o Estado de Israel ed., SP, Ed. Revista dos Tribunais, 1987,
somente foi fundado em 1948. No 773.

entanto, tal situação deve ser atribuída, _____. Lei 10.406, de 10 de janeiro de
2002. Código Civil. Disponível em:
principalmente, à ignorância e ao <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/l
preconceito de muitos estudiosos acerca eis/2002/l10406.htm>. Acesso em:
28/07/2019.
do Direito Hebraico.
Portanto, ao divulgar e incentivar COULANGES, Fustel. A Cidade
Antiga. RJ, Ed. Marques Saraiva, 1990,
o estudo do Direito Hebraico, como 505 p.
temática de Direito Comparado, FALK, Ze´ev. Law and Religion. The
evidenciando sua individualidade como jewish experience. Jerusalem, 1ª ed.,
Publ. Mesharim, 1981, 238 p.
sistema legal e identificando os laços
jurídicos entre o povo judeu e os diversos

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GIORDANI, Mário Curtis. História de
Roma. 11ª. ed., Petrópolis, Ed. Vozes,
1991, 395 p.
_____. Iniciação ao Direito Romano.
RJ, Ed. Liber Juris, 1986, 278 p.
GOLDSTEIN, Matteo. Derecho Hebreo
a través de la Biblia y el Talmud.
Buenos Aires, Ed. Atalaya, s.d., 499 p.
GOMES, Orlando. Direito de Família.
1ª ed., RJ, Ed. Forense, 1968, 375 p.
HADAS-LEBEL, Mireille. Flavio
Josefo, o judeu de Roma. 1ª ed., RJ, Ed.
Imago. 1991, 290 p.
JOHNSON, Paul. História dos Judeus.
1ª ed., RJ, Ed. Imago, 1989, 653 p.

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