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TREINAMENTO POLICIAL BÁSICO

GUIA DE TREINAMENTO

9º BIÊNIO – 2018/2019
BELO HORIZONTE, 2018
Direitos exclusivos da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG) Reprodução proibida – circulação restrita

Comandante Geral da PMMG: Cel PM Helbert Figueiró de Lourdes


Chefe do Estado-Maior: Cel PM André Agostinho Leão de Oliveira
Chefe do Gabinete Militar do Governador: Cel PM Fernando Antônio Arantes
Comandante da Academia de Polícia Militar: Cel PM Robson José de Queiroz
Chefe do Centro de Treinamento Policial: Ten Cel PM Sérgio Alexandre de Moraes

Coordenação e revisão:
Ten Cel PM Sérgio Alexandre de Moraes
Maj PM Rubens Valério de Souza
Maj PM Rommel Trevenzoli de Abreu
Maj PM Rodrigo Saldanha
Cap PM Iran Martins de Oliveira
FC Isabel Cristina Paiva M Nazareth

Conteudistas

Ten Cel PM Luiz Otávio Vieira Cap PM Robson Romie Lopes Pereira 2º Sgt PM Alan Willian Gomes
Maj PM Alisson de Lima Cap PM Ronan Sassada Silva 2º Sgt PM Antonio H. de Faria
Maj PM Carlos Eduardo Ferreira Cap PM Sérgio Leal Dias 2º Sgt PM Cristiano Cangussu
Maj PM Marco Aurélio Zancanela do Carmo 1º Ten PM Adalton Joviano N. Lomba 2º Sgt PM Dalmo de Souza Santos
Maj PM Maria de Fátima Rufino F Lourdes 1º Ten PM Breno Otavio P. C Sales 2º Sgt PM Daniel Cordeiro Rodrigues
Maj PM Neyton Rodrigues 1º Ten PM Carlos Henrique da S. Tonázio 2º Sgt PM Sandro Gonçalves Maia
Maj PM Rubens Valério de Souza 1º Ten PM Claúdio José Virgílio 3º Sgt PM Carlos de Souza Filho
Cap PM Amarildo Rezende Luis 1º Ten PM Joaquim Manoel A. Cardoso 3º Sgt PM Gisele Lopes B. Batista
Cap PM Daniel Costa Prado 1º Ten PM Pablo Sérgio de S. Correa 3º Sgt PM Warley Luiz Silva
Cap PM Gustavo Henrique Pereira Diniz 2º Ten PM Gelvânio Leandro Gonçalves Cb PM Eudes Moreira Sobrinho
Cap PM Iran Martins de Oliveira 2º Ten PM Juliana Raimunda da S. Gama Cb PM Jorge Luis Teixeira Chaves
Cap PM Leandro Augusto de Alves Subten PM Wanderson Damasceno Cb PM Marcelo Henrique T. Silva
Cap PM Philippe Fernandes M. dos Santos 1º Sgt PM Cesar Augusto Vilaça Junior Sd PM Vitor Marcos Luz Monteiro
Cap PM Ricardo Pereira de Araújo Gomes 1º Sgt PM Cleber Araujo de Souza

Colaboradores

Cap PM Cristiano Luiz da Silva Araújo 3º Sgt PM Charleston Willian R. de Souza Cb PM Leonardo Giori de Oliveira
2º Sgt PM Marcelo Otávio F. Oliveira 3º Sgt PM Elias Sabino Soares Cb PM Leonardo Pitta de Araujo
3º Sgt Evânio Alves Silva 3º Sgt PM Rafael Diego Soares Silva Cb PM Maximiano Eduardo Pereira
3º Sgt PM Rogério Antunes Brasil Cb PM Cleidson Daniel Pereira

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M663g MINAS GERAIS. Polícia Militar. Guia de Treinamento Policial Básico. Belo Horizonte: Academia de Polícia Militar,
2018. 272 p. Il.
Ref. ao 9º. Biênio: 2018/2019

1. Avaliação Física-Militar. 2. Defesa Pessoal Policial. 3. Ética, Doutrina e Atualização. 4. Prontossocorrismo. 5. Técnica Policial
Militar. 6. Tiro Policial. I. Academia de Polícia Militar. Centro de Treinamento Policial. II. Moraes, Sergio Alexandre de. (Coord.)
III. Título.

CDU: 355.231 CDD: 355.5


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Ficha catalográfica: Rita Lúcia de Almeida Costa – CRB – 6ª Reg. N.1730

ADMINISTRAÇÃO:
Centro de Treinamento Policial
Rua Diábase, 320 – Prado
Belo Horizonte – MG
CEP 30.410-440
Tel: (31) 2123-9594
e-mail: ctp@pmmg.mg.gov.br

1
2
SUMÁRIO

AVALIAÇÃO FÍSICA MILITAR ................................................................................................................. 12


AVALIAÇÃO FÍSICA MILITAR .................................................................................................................. 13
Apresentação .................................................................................................................................... 14
UNIDADE 1: TREINAMENTO FÍSICO ....................................................................................................... 15
1.1 Introdução ................................................................................................................................... 15
1.2 Cálculo da zona alvo ou zona de treinamento ............................................................................ 15
1.3 Treinamento físico para a corrida de 2400 metros ..................................................................... 17
1.4 Treinamento físico para barra fixa .............................................................................................. 19
1.5 Treinamento físico para flexão abdominal ................................................................................. 20
UNIDADE 2: APLICAÇÃO DOS TESTES FÍSICOS....................................................................................... 21
2.1 Introdução ................................................................................................................................... 21
2.2 Força de resistência abdominal – abdominal tipo remador ....................................................... 21
2.2.1 Objetivo ................................................................................................................................ 21
2.2.2 Procedimentos ..................................................................................................................... 21
2.2.3 Observação ........................................................................................................................... 22
2.3 Avaliações de força de resistência de braço na barra fixa .......................................................... 23
2.3.1 Flexão estática (isométrica) - Feminina................................................................................ 23
2.3.2 Força de resistência de braço na barra fixa - Flexão dinâmica (isotônica) na barra
(Masculino).................................................................................................................................... 24
2.4 Resistência cardiorrespiratória ................................................................................................... 26
2.4.1 Objetivo ................................................................................................................................ 26
2.4.2 Procedimentos ..................................................................................................................... 26
2.4.3 Observações ......................................................................................................................... 27
REFERÊNCIAS ......................................................................................................................................... 31
DEFESA ESSOAL POLICIAL ..................................................................................................................... 32
DEFESA PESSOAL POLICIAL .................................................................................................................... 33
Apresentação .................................................................................................................................... 34
UNIDADE 1: GOLPES TRAUMÁTICOS ..................................................................................................... 35
1.1 Introdução ................................................................................................................................... 35
1.2 Posição de guarda ....................................................................................................................... 35
1.3 Socos ........................................................................................................................................... 36
1.3.1 JAB ou Soco Curto ................................................................................................................ 36
3
1.3.2 Direto ou Soco Longo ........................................................................................................... 37
1.3.3 Cruzado ................................................................................................................................ 37
1.3.4 Gancho ................................................................................................................................. 37
1.4 Chutes.......................................................................................................................................... 37
1.4.1 Chute Frontal........................................................................................................................ 38
1.4.2 Chute Baixo (Low Kicks)........................................................................................................ 38
1.4.3 Chute Semi-Circular .............................................................................................................. 38
1.4.4 Chute Circular ....................................................................................................................... 39
1.5 Conclusão .................................................................................................................................... 39
RESUMO ............................................................................................................................................ 39
UNIDADE 2: PROJEÇÕES ........................................................................................................................ 40
2.1 Introdução ................................................................................................................................... 40
2.2 Projeção pela frente .................................................................................................................... 40
2.3 Projeção pela retaguarda ............................................................................................................ 41
2.4 Conclusão .................................................................................................................................... 42
UNIDADE 3 - DEFESAS ........................................................................................................................... 42
3.1 Introdução ................................................................................................................................... 42
3.2 Esquivas ....................................................................................................................................... 43
3.3 Defesa contra socos com as mãos livres ..................................................................................... 44
3.3.1 Defesa contra Jab e Direto ................................................................................................... 44
3.3.2 Defesa contra soco cruzado ................................................................................................. 44
3.3.3 Defesa contra gancho........................................................................................................... 45
3.3.4 Defesa contra soco Uppercut ............................................................................................... 45
3.4 Defesa contra chutes com as mãos livres ................................................................................... 45
3.4.1 Defesa contra chute frontal ................................................................................................. 45
3.4.2 Defesa contra chute Low Kick .............................................................................................. 45
3.4.3 Defesa contra chute Semi-Circular ....................................................................................... 45
3.4.4 Defesa contra chute Circular ................................................................................................ 45
3.5 Defesa com uso do bastão tonfa................................................................................................. 46
3.5.1 Varreduras ............................................................................................................................ 46
3.5.2 Bloqueio contra golpe traumático vertical........................................................................... 48
3.5.3 Bloqueio contra golpe traumático horizontal ...................................................................... 49
3.6 Conclusão .................................................................................................................................... 51

4
RESUMO ............................................................................................................................................ 52
UNIDADE 4: IMOBILIZAÇÕES ................................................................................................................. 52
4.1 Introdução ................................................................................................................................... 52
4.2 Técnicas de imobilização a mãos livres na posição de pé pela frente ........................................ 53
4.3 Imobilização a mãos livres na posição de pé pela retaguarda .................................................... 53
4.4 Imobilização a mãos livres na posição deitado decúbito dorsal ................................................. 54
4.5 Imobilização com o infrator em decúbito ventral ....................................................................... 55
4.6 Conclusão .................................................................................................................................... 55
RESUMO ............................................................................................................................................ 56
UNIDADE 5: ALGEMAÇÃO ..................................................................................................................... 56
5.1 Introdução ................................................................................................................................... 56
5.2 Posição das mãos ........................................................................................................................ 57
5.3 Algemação na posição de pé ....................................................................................................... 57
5.3.1 Algemação com apoio em anteparo .................................................................................... 58
5.3.2 Algemação sem apoio em anteparo .................................................................................... 58
5.3.3 Algemação na posição de joelhos ........................................................................................ 58
5.3.4 Algemação na posição deitado ............................................................................................ 59
5.4 Conclusão .................................................................................................................................... 60
RESUMO ............................................................................................................................................ 60
UNIDADE 6: CONDUÇÃO ....................................................................................................................... 60
6.1 Introdução ................................................................................................................................... 60
6.2 Método de condução com forçamento de punho ...................................................................... 60
6.3 Método de forçamento de articulações dos dedos .................................................................... 61
6.4 Método de forçamento das algemas .......................................................................................... 62
6.5 Método de forçamento das articulações cotovelo e ombro ...................................................... 62
6.6 Conclusão .................................................................................................................................... 63
RESUMO ............................................................................................................................................ 63
UNIDADE 7: AVALIAÇÃO........................................................................................................................ 63
REFERÊNCIAS ......................................................................................................................................... 69
ÉTICA, DOUTRINA E ATUALIZAÇÃO ...................................................................................................... 70
ATUAÇÃO PREVENTIVA E VISIBILIDADE ................................................................................................ 71
Apresentação .................................................................................................................................... 72
Introdução ......................................................................................................................................... 73

5
Objetivos ........................................................................................................................................... 75
UNIDADE 1: FUNDAMENTOS DE REDE DE PROTEÇÃO .......................................................................... 76
1.1 Rede de Proteção: Polícia Militar e Comunidade........................................................................ 76
1.2 Fatores que impulsionam e justificam a criação de Redes de Proteção ..................................... 77
1.3 A Rede de Proteção Preventiva frente ao Triângulo de Análise do Crime.................................. 78
1.4 Roteiro de ação para a criação de Rede de Proteção Preventiva ............................................... 79
1.4.1 Providências a serem adotadas antes da criação da Rede de Proteção Preventiva ............ 79
1.4.2 Providências a serem adotadas durante criação da Rede de Proteção Preventiva ............. 80
1.4.3 Providências a serem adotadas no funcionamento da Rede de Proteção Preventiva ........ 81
1.4.4 Orientações a serem observadas pelo policial militar para atuação nas Redes de Proteção
Preventiva ..................................................................................................................................... 84
1.5 Conclusão .................................................................................................................................... 86
UNIDADE 2: PROCEDIMENTOS OPERACIONAIS PREVENTIVOS ............................................................. 86
2.1 Presença policial: visibilidade e prevenção ................................................................................. 86
2.2 Conclusão .................................................................................................................................... 90
UNIDADE 3: BOAS PRÁTICAS PREVENTIVAS .......................................................................................... 90
3.1 Contexto ...................................................................................................................................... 90
3.2 Projetos em andamento.............................................................................................................. 91
3.2.1 “Em Prol da Família e da Vida” ............................................................................................. 91
3.2.2 “Emprego do Policiamento em Consórcio entre as Frações” .............................................. 92
3.2.3 “Fiscalização dos Adolescentes em Cumprimento de Medida Judicial Socioeducativa” ..... 93
3.2.4 “Polícia em Ação” ................................................................................................................. 94
3.2.5 “Visita Preventiva” ............................................................................................................... 94
3.2.6 “Operação Soldado de Aço” ................................................................................................. 95
3.2.7 “Juventude em Rede” .......................................................................................................... 95
3.2.8 “Nossa Praça, Nossa Escola” ................................................................................................ 96
3.2.9 “Interligação das Redes de Proteção Preventiva”................................................................ 97
3.2.10 Rede de Fazendas Protegidas............................................................................................. 97
3.3 Conclusão .................................................................................................................................... 98
REFERÊNCIAS ....................................................................................................................................... 100
PROCEDIMENTOS LEGAIS .................................................................................................................... 101
Apresentação .................................................................................................................................. 102
Introdução ....................................................................................................................................... 103
Objetivos ......................................................................................................................................... 103
6
UNIDADE 1: CONDUTAS DE POLICIAIS MILITARES QUE CARACTERIZAM CRIMES .............................. 104
1.1 Abandono de Posto ................................................................................................................... 104
1.2 Violação de Domicílio ................................................................................................................ 105
UNIDADE 2: AS REDES SOCIAIS E A ATUAÇÃO DO POLICIAL MILITAR................................................. 107
2.1 Crimes de Publicação ou Crítica Indevida, Calúnia, Injúria e Difamação .................................. 107
2.1.1 Publicação ou Crítica Indevida – Art. 166 do CPM ............................................................. 107
2.1.3 Difamação. Art. 215 CPM ................................................................................................... 110
2.1.4 Injúria – Art. 216 CPM ........................................................................................................ 110
2.2 A utilização da tecnologia para a filmagem da atuação policial ............................................... 111
2.3 Conclusão .................................................................................................................................. 112
REFERÊNCIAS ....................................................................................................................................... 113
TECNOLOGIAS DE APOIO A ATIVIDADE OPERACIONAL....................................................................... 114
Apresentação .................................................................................................................................. 115
Introdução ....................................................................................................................................... 116
Objetivos ......................................................................................................................................... 116
UNIDADE 1: USO DAS TECNOLOGIAS MÓVEIS DURANTE O SERVIÇO POLICIAL MILITAR ................... 117
1.1 Aplicativos que facilitam o serviço policial................................................................................ 117
1.1.2 QApp................................................................................................................................... 119
1.1.3 WhatsApp Messenger ........................................................................................................ 133
1.2 Cuidados com o uso da tecnologia............................................................................................ 134
1.2.1 Direito de imagem do cidadão ........................................................................................... 134
UNIDADE 2 - SISTEMA HÉLIOS ............................................................................................................. 136
2.1 Hélios ......................................................................................................................................... 136
2.1.1 Como acessar o Hélios? ...................................................................................................... 136
2.1.2 Como funciona? ................................................................................................................. 137
2.1.3 Melhor estratégia para localização de veículos de forma rápida ...................................... 138
2.1.4 Características das câmeras ............................................................................................... 138
2.1.5 Como incluir um novo veículo roubado ou furtado no Hélios ........................................... 139
2.1.6 Como incluir um veículo para monitoramento .................................................................. 140
2.1.7 Inserção de Caractere Coringa ........................................................................................... 141
2.1.8 Como pesquisar histórico de veículos ................................................................................ 142
2.1.9 Como iniciar uma operação policial no Hélios ................................................................... 143
2.1.10 Falso positivo .................................................................................................................... 146

7
2.2 Conclusão .................................................................................................................................. 146
REFERÊNCIAS ....................................................................................................................................... 147
PRONTOSSOCORRISMO POLICIAL ...................................................................................................... 148
AUTOSSOCORRO ................................................................................................................................. 149
Apresentação .................................................................................................................................. 150
UNIDADE 1: HISTÓRICO DO AUTOSSOCORRO E SUA VARIÁVEIS ........................................................ 151
1.1 Introdução ........................................................................................................................... 151
1.2 Origem e Histórico .............................................................................................................. 151
1.3 Variáveis Preponderantes para o suporte a um policial ferido .......................................... 152
1.3.1 Nível de consciência ................................................................................................... 152
1.3.2 Hemorragia.................................................................................................................. 153
1.3.3 Capacidade de combate .............................................................................................. 159
1.3.4 Capacidade de locomoção .......................................................................................... 159
1.3.5 Cenário ........................................................................................................................ 159
RESUMO .......................................................................................................................................... 165
2.4.1 Policial consciente, em condições de responder à ameaça e capaz de se locomover ...... 167
2.4.2 Policial consciente, em condições de responder à ameaça, porém sem condição de se
locomover ................................................................................................................................... 168
2.4.3 Policial consciente, sem condição de responder à ameaça, porém capaz de se
locomover ................................................................................................................................... 169
2.4.4 Policial Consciente, sem condição de responder à ameaça e sem condição de
deslocamento .............................................................................................................................. 169
2.4.5 Policial Inconsciente ........................................................................................................... 170
RESUMO .......................................................................................................................................... 171
REFERÊNCIAS ....................................................................................................................................... 173
TÉCNICA POLICIAL MILITAR ................................................................................................................ 174
ABORDAGEM A VEÍCULOS................................................................................................................... 175
Apresentação .................................................................................................................................. 176
Introdução ....................................................................................................................................... 177
Objetivos ......................................................................................................................................... 178
UNIDADE 1: ASPECTOS LEGAIS ............................................................................................................ 179
1.1 Fundada suspeita ...................................................................................................................... 179
UNIDADE 2: ASPECTOS TÉCNICOS ....................................................................................................... 180
2.1 Conceito .................................................................................................................................... 180

8
2.2 Avaliação de Risco ..................................................................................................................... 180
2.3 Níveis de abordagens ................................................................................................................ 181
2.4 Táticas de abordagem ............................................................................................................... 182
2.5 Funções ..................................................................................................................................... 184
2.6 Áreas de atuação ....................................................................................................................... 184
UNIDADE 3: IDENTIFICAÇÃO VEICULAR .............................................................................................. 185
3.1 Introdução ................................................................................................................................. 185
3.2 Identificadores do veículo ......................................................................................................... 186
3.2.1 Etiqueta de identificação (ETA) .......................................................................................... 186
3.2.2 Plaquetas de identificação ................................................................................................. 187
3.2.3 Número de identificação veicular (N.I.V.) .......................................................................... 188
3.2.4 Chancela de placas ............................................................................................................. 189
3.3 Fraudes ...................................................................................................................................... 191
3.3.1 Fraudes em documento CRLV ............................................................................................ 191
3.3.2 Fraudes em sinais veiculares .............................................................................................. 196
UNIDADE 4: PROCEDIMENTOS POLICIAIS ........................................................................................... 197
4.1 Ordenamento Jurídico............................................................................................................... 197
4.2 “Clonagem” de Veículos ............................................................................................................ 197
4.2.1 Codificação DIAO - G 01.311 .............................................................................................. 197
4.2.2 Codificação DIAO – T 01.311 .............................................................................................. 198
4.3 Falsificação de documentos ...................................................................................................... 198
4.3.1 Codificação DIAO – G 01.297.............................................................................................. 199
4.4 Uso de documento falso ........................................................................................................... 199
4.5 Receptação ................................................................................................................................ 200
4.5.1 Codificação DIAO – C 01.180 .............................................................................................. 200
4.6 Lavratura do Boletim de Ocorrência ......................................................................................... 200
UNIDADE 5: CARTEIRA NACIONAL DE HABILITAÇÃO .......................................................................... 200
5.1 Carteira Nacional de Habilitação ............................................................................................... 201
5.2 CNH eletrônica .......................................................................................................................... 205
REFERÊNCIAS ....................................................................................................................................... 207
ATIVIDADE PRÁTICA INTERDISCIPLINAR ............................................................................................. 208
Apresentação .................................................................................................................................. 209
Introdução ....................................................................................................................................... 210

9
UNIDADE 1: FUNDAMENTAÇÃO E PRINCÍPIOS DA AÇÃO ................................................................... 210
1.1 Ostensividade/Presença policial ............................................................................................... 211
1.2 Pensamento Tático .................................................................................................................... 211
1.2.1 Estados de prontidão ......................................................................................................... 212
1.2.2 Processo mental da agressão e Tomada de decisão. ......................................................... 213
1.3 Uso da Força .............................................................................................................................. 213
1.3.1 Princípios essenciais do uso da força ................................................................................. 214
1.3.2 Uso dissuasivo da arma de fogo ......................................................................................... 214
1.4 Comunicação Operacional ........................................................................................................ 215
1.4.1 Regras básicas para comunicação ...................................................................................... 215
1.4.2 Código Internacional “Q” ................................................................................................... 216
1.4.3 Código Fonético Internacional ........................................................................................... 216
UNIDADE 2: TÉCNICA E TÁTICA ........................................................................................................... 217
2.1 A cena de ação, a abordagem policial e a busca pessoal .................................................... 217
2.2 Conduta de Patrulha ................................................................................................................. 218
2.2.1 Metodologias de Progressão .............................................................................................. 218
2.2.2 Varreduras e ocupação de abrigos ..................................................................................... 219
2.2.3 Critérios específicos para abordagens e busca pessoal ..................................................... 219
2.2.4 Arma de fogo; posturas, posições e a visão binocular ....................................................... 220
2.3 Princípios do autossocorro ................................................................................................. 221
2.4 Medidas de autoproteção ................................................................................................... 221
RESUMO .......................................................................................................................................... 222
REFERÊNCIAS ....................................................................................................................................... 224
MEDIDAS DE AUTOPROTEÇÃO ............................................................................................................ 225
Apresentação .................................................................................................................................. 226
Introdução ....................................................................................................................................... 227
1.2 Pirâmide da segurança pessoal ................................................................................................. 231
1.3 Conclusão .................................................................................................................................. 233
UNIDADE 2: PROCEDIMENTOS DE AUTOPROTEÇÃO .......................................................................... 233
2.1 Orientações preventivas ........................................................................................................... 233
2.1.1 Andando a pé na rua .......................................................................................................... 233
2.1.2 Dentro de estabelecimento (restaurantes, bancos, padarias, correios, bares, farmácias 234
2.1.3 No posto de combustível ................................................................................................... 235

10
2.1.4 Parado no semáforo ........................................................................................................... 235
2.1.5 Dirigindo o seu veículo ....................................................................................................... 236
2.1.6 Chegando ou saindo de casa .............................................................................................. 237
2.2 Reflexões quanto ao uso da arma de fogo por policial militar à paisana ................................. 239
2.3 Conclusão .................................................................................................................................. 240
RESUMO .......................................................................................................................................... 240
REFERÊNCIAS ....................................................................................................................................... 241
TIRO POLICIAL ..................................................................................................................................... 242
TREINAMENTO/ AVALIAÇÃO PRÁTICA COM ARMA DE FOGO ............................................................ 243
Apresentação .................................................................................................................................. 244
Introdução ....................................................................................................................................... 245
Objetivo ........................................................................................................................................... 246
UNIDADE 1: TREINAMENTO COM ARMA DE FOGO ............................................................................ 247
1.1 Armamento ............................................................................................................................... 247
1.2 Revisão de conceito: posições da arma .................................................................................... 247
1.3 Manejo e inspeção da arma e munições................................................................................... 248
1.4 Técnicas para o Tiro Policial ...................................................................................................... 249
1.4.1 Fundamentos aplicados ao “Tiro Policial”.......................................................................... 249
1.4.3 Recargas rápida e tática de pistolas semiautomáticas ...................................................... 258
1.4.4 Verbalização ....................................................................................................................... 260
1.4.5 Solução de panes................................................................................................................ 261
1.5 Quando atirar ............................................................................................................................ 267
1.5.1 Circunstâncias especiais do uso efetivo da arma de fogo .................................................. 268
UNIDADE 2: AVALIAÇÃO PRÁTICA COM ARMA DE FOGO ................................................................... 270
2.1 Apresentação da avaliação prática com arma de fogo – PPCAF ............................................... 270
REFERÊNCIAS ....................................................................................................................................... 272

11
AVALIAÇÃO FÍSICA MILITAR

12
AVALIAÇÃO FÍSICA MILITAR

13
Apresentação

A profissão policial-militar é uma atividade que exige boa


aptidão física, uma vez que, pela peculiaridade do serviço, o policial
caminha, corre, permanece em pé por horas, além de carregar
equipamento pesado distribuído pelo corpo, obrigando-o a utilizar
força física exaustivamente. Dentre as atividades desenvolvidas pela
Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG), há o Treinamento de
Educação Física (TEF). Esta atividade é importante para a melhoria
da sua saúde em geral, pois a prática sistemática de atividade física
traz diversos benefícios para a saúde, evitando doenças
1
hipocinéticas e alterações metabólicas que podem interferir no seu
bem-estar (MATOS e LIBERALI, 2013).
É de interesse da Polícia Militar que você, policial militar,
tenha boa saúde e higidez física porque no desenvolvimento de sua
profissão a capacidade física é um fundamento, mas antes de tudo, é para o seu próprio bem e é de
interesse de seus familiares que você goze de boa saúde. Dessa forma, a manutenção do bom
condicionamento físico deve ser vista como uma obrigação do militar.
Durante o Treinamento Policial Básico (TPB), o militar tem seu condicionamento mensurado e
os resultados compõem a sua ficha de avaliação individual. A disciplina Avaliação Física Militar
apresenta o resultado do seu compromisso com a manutenção de um dos aspectos que promovem a
sua saúde.
Para o TPB, a Avaliação Física Militar (AFM) é composta de Controle Fisiológico (CF) e
Testes de Capacitação Física (TCF). O CF é de responsabilidade da sua Unidade e é realizada
dentro do Programa de Saúde Ocupacional do Policial Militar (PSOPM). Já os TCF são as avaliações
realizadas nas modalidades: flexão abdominal tipo remador, flexão estática e dinâmica na barra fixa e
corrida de 2.400m, que buscam aferir, respectivamente a força de resistência abdominal, força de
resistência dos membros superiores e resistência cardiorrespiratória.
O objetivo da disciplina é mensurar o condicionamento físico dos policiais militares do Estado
de Minas Gerais obtendo diagnóstico que subsidie ações de continuidade do treinamento físico por
parte do policial militar e da Unidade a qual pertence.
Além da descrição da maneira como será aplicado os testes de capacitação física,
apresentados na Unidade 2, essa disciplina apresentará sugestões de treinamento que possibilitam o
alcance das competências físicas esperadas do policial militar.
Não se limitem ao treinamento proposto, vá além. Bons treinos!

Centro de Treinamento Policial


“Tornando o Policial Militar mais forte!”

1
Doenças causadas pela falta de movimento do corpo ou de uma maneira mais simples pela falta de exercícios físicos. As
pessoas que são sedentárias e que não possuem uma rotina de exercícios estão mais propensas a desenvolver esse tipo de
problema de saúde (MATOS E LIBERALI, 2013).
14
UNIDADE 1: TREINAMENTO FÍSICO

1.1 Introdução
As orientações constantes desta Unidade são sugestões de treinamento. Você pode decidir
por empregar ou não essas orientações, ou mesmo procurar um método que melhor lhe convenha.
Apresentaremos nesta Unidade, o conceito de Zona de Treinamento e sugestões programas de
treinamento que podem melhorar o seu desempenho.

1.2 Cálculo da zona alvo ou zona de treinamento


A zona alvo ou zona de treinamento é o intervalo ideal de frequência cardíaca em que você
poderá realizar exercícios físicos dentro de uma condição segura, confortável e controlada, sem
riscos à saúde. Por isso, é importante não deixar de realizar o treinamento dentro da zona alvo. Caso
surjam dúvidas sobre como calcular a zona alvo, você poderá procurar o responsável pela Educação
Física da sua Unidade.

Para calcular a zona alvo ou zona de treinamento é preciso, inicialmente, calcular a


frequência de repouso (Fc repouso) e a frequência cardíaca máxima (Fc Max). A frequência
cardíaca é o principal apontador de fadiga muscular, de exaustão durante o exercício físico e uma
possível indicadora de acidentes cardiovasculares, podendo ser medida por meio do pulso,
2
principalmente, nas artérias carótida e radial , conforme é visto na Figura 1, ou utilizando um monitor
de frequência cardíaca.

Figura 01 – Localizando o pulso

Fonte: Google

Para calcular a frequência de repouso (Fc repouso), basta localizar o batimento de uma das
artérias citadas anteriormente, contar durante 15 segundos e multiplicar por 4. Esta frequência deve
ser calculada antes de qualquer atividade física, com o militar em condição confortável e, de
preferência, logo ao acordar.

2
Artéria Carótida situa-se na face lateral direita e esquerda do pescoço e a Artéria Radial situa-se na parte lateral dos punhos.
15
Exemplo:
Em 15 segundos, uma pessoa conta 20 batimentos. Ao
multiplicar esse valor por 4, tem-se o resultado da frequência
de repouso dessa pessoa como sendo igual a 80 batimentos
por minuto (bpm).

Já a frequência cardíaca máxima (FcMax) é calculada por meio da seguinte fórmula:

Frequência cardíaca máxima (FcMax) = 220 – idade.


Exemplo:
A frequência cardíaca máxima de um Policial militar com 20
anos de idade é igual a 220 – 20 = 200 batimentos por minuto
(bpm).

Após o cálculo da Fc repouso e FCMax, para o cálculo da zona alvo de treinamento, são
necessários utilizar o percentual da frequência cardíaca indicada para cada nível de
condicionamento, conforme tabela abaixo:

Tabela 1 - Intervalo de Zona Alvo de Treinamento


Intervalo da zona alvo a ser Nível de
trabalhado condicionamento
60% a 70% Sedentário
70% a 80% Fisicamente ativo
80% a 90% Atleta
Fonte: MINAS GERAIS, 2012

Utilizando a frequência cardíaca, cada você poderá calcular sua zona alvo de treinamento,
conforme fórmula a seguir:

Zona Alvo de treinamento = (Frequência cardíaca máxima –


Frequência de cardíaca Repouso) X (% da zona alvo a ser
trabalhada) + Frequência cardíaca de repouso.

Exemplo: o cálculo da zona alvo de uma pessoa sedentária, de 25 anos de idade:


Fc Max = 195 bpm (220 – 25 = 195)
Fc Repouso = 75 bpm

16
Calculando o intervalo inferior do nível de condicionamento “sedentário” (60% ou 0,6)
Zona alvo = (195 – 75) x 0,60 + 75
Zona alvo = 120 x 0,6 + 75
Zona alvo (intervalo inferior) = 147 bpm (batimentos por minuto)
Calculando o intervalo superior do nível de condicionamento “sedentário” (70% ou 0,7)
Zona alvo= (195 – 75) x 0,70 + 75
Zona alvo = 120 x 0,70 + 75
Zona alvo (intervalo superior) = 159 bpm

Logo, a zona alvo desta pessoa está entre 147 a 159 bpm. Isso significa que, para garantir a
segurança e controle de seu treinamento, ela poderá se exercitar de forma que seus batimentos
cardíacos fiquem entre 147 a 159 bpm.

1.3 Treinamento físico para a corrida de 2400 metros


Existem vários métodos, dentre os quais se destacam:

a) método contínuo: o treinando deve correr sem interrupção, ou seja, correr determinada
distância em um só ritmo, utilizando um ritmo cadenciado (60 a 80% Fc Max).

b) método contínuo variado: consiste no treinamento com intensidade variada (70 a 85% Fc
Max), sendo que o treinando deve correr variando a velocidade.

c) método fracionado intervalado: consiste em um treinamento que implica em grande


volume e baixa intensidade de trabalho (intervalos incompletos de recuperação); são realizados tiros
de 400 m com até 3 minutos de descanso, e tiros de 800 m e 1200 m com intervalo de até 8 minutos
(80 a 90 % Fc Max).

Para o cálculo do treinamento intervalado por meio de tempo, a distância utilizada em cada
estímulo é de 400 m. A intensidade para cada estímulo de 400 m será determinada somando-se
esses 400 m à distância percorrida (no caso, 2400 metros).

Exemplo: a distância ficará fixa em 2400 m; a este valor soma-se 400 m (2400 + 400 = 2800
m); o ritmo a ser mantido corresponde a 2800 m; em seguida, adota-se o resultado do último TCF
como referência ou faz-se um pré-teste; se o policial militar fez um tempo de 12 minutos (lembrando
que o tempo deverá ser convertido em segundos e, no final, recalculado em minutos), o cálculo do
valor do tempo de cada estímulo é feito por meio da regra de três, conforme destacado a seguir:

Regra de três para cálculo do método intervalado por meio de tempo:


2800 m = 720 seg (12 min x 60 seg)
400 m = t
Logo t = (400 x 720)/2800 = 1 min e 42 seg, onde “t” = tempo necessário para
percorrer cada estímulo de 400 metros.

17
O número de estímulos, ou seja, a quantidade de tiros de 400 m no tempo encontrado após
aplicação da fórmula acima, depende do seu grau de condicionamento.

d) método fracionado repetitivo: os exercícios são realizados com intensidade máxima, ou


próxima da máxima (tiros 400m e 800m com recuperação de 3 a 5 min.); este método melhora o
desempenho na corrida em 2400 metros (90% a 100% Fc Max). Para calcular a intensidade ou o
tempo necessário para cada estímulo (percurso de 400 metros) no treinamento fracionado repetitivo,
soma-se 600 metros à distância percorrida, ou seja, aos 2400 metros.

Exemplo:

- a distância fica fixa em 2400 metros;

- a este valor somam-se 600 m (2400 + 600 = 3000 m); então, o ritmo a ser mantido
corresponde a 3000m;

- como no método anterior, em seguida, utiliza-se o resultado do último TCF do militar ou


submete-o a um pré-teste, para calcular seu tempo de referência;

- no caso do militar ter percorrido a distância em um tempo de 12 minutos, por exemplo, o


cálculo do valor do tempo de cada estímulo é feito por meio da regra de três (lembrando que o tempo
deverá ser convertido em segundos e, no final, deve ser representado em minutos), conforme
destacado a seguir.

Regra de três para cálculo do método intervalado por meio de


tempo:
3000 m = 720 seg (12 min x 60 seg)
400 m = t
Logo t = (400 x 720)/3000 = 1 min e 36 seg, onde “t” = tempo
necessário para percorrer cada estímulo de 400 metros.

e) método Fartlek (“brincar de correr”): neste caso, a intensidade do treinamento é


determinada pelo treinando, variando o ritmo da corrida de acordo com sua percepção, ou seja, correr
subindo e descendo morros.

f) método polimento: a finalidade deste treinamento é a manutenção. Para todo o


treinamento, devem ser realizadas, no mínimo, três sessões por semana.

A tabela 2 apresenta um programa de treinamento para a corrida de 2400 metros:

Tabela 2 - Treinamento para a Prova dos 2400 metros


Primeiro Mês Segundo Mês Terceiro Mês
Dia da
Semana 1ª 2ª 3ª 4ª 5ª 6ª 7ª 8ª 9ª 10ª 11ª 12ª
Segunda A A B B C C D D E E E P
Quarta A A B B C C D D E E E P
Sexta A A B B C C D PT E E E PT
Fonte: Minas Gerais, 2012, p. 223.

18
Legenda:
A = 30 minutos de corrida contínua (60 a 80% FC Max).
B = 30 minutos de corrida contínua variada (70 a 85% FC Max).
C = 30 minutos de Fartlek (70% a 85% FC Max).
D = Treinamento intervalado: 05 séries de 400 m de corrida com 80% a 90% FC Max com 02 minutos
de descanso.
E = Treinamento fracionado repetitivo: 06 séries de 400 m com 90% a 100% FC Max com 03 a 05
minutos de descanso.
P = Polimento: 15 minutos de corrida a 70% a 80% FC Max.
PT = Pré-teste de 2400 m.
Tempo estimado: 30 min.

1.4 Treinamento físico para barra fixa


A técnica mais utilizada para o treinamento físico para barra fixa é a famosa “roubada”, que
consiste em um militar executar o movimento de subida na barra, tendo, neste momento, a ajuda de
uma segunda pessoa, que o auxiliará empurrando-o pelas costas. O militar realizará sozinho o
movimento de descida.

Esta técnica justifica-se pelo fato de que existem fases do movimento para recrutar unidades
motoras:

a) concêntrica:quando o indivíduo faz a força para elevar o queixo acima da barra (com ou
sem ajuda);

b) excêntrica:compreende o movimento de retornar à posição de origem, que é realizada


sozinha, sem ajuda, quando ocorre maior recrutamento de unidades motoras, ou seja, a volta provoca
muito mais estímulos ao músculo;

c) isométrica: consiste no momento de sustentar a força com o queixo acima da barra no


maior tempo possível, quando são recrutadas muitas unidades motoras.

Você também poderá realizar alguns treinamentos de musculação que ajudam a fortalecer a
musculatura utilizada na execução desses movimentos (sendo o grupo muscular principal o das
costas).

Os aparelhos de musculação com ação direta sobre a musculatura alvo do treino são:
Graviton, Remada Baixa, Remada Curvada, Pulley Frente e Pulley Costas, entre outros. Outros
aparelhos que foquem membros superiores de uma maneira geral auxiliam no fortalecimento dos
músculos envolvidos na atividade, como Rosca Direta e Tríceps Corda por exemplo.

A tabela 3 apresenta um programa de treinamento para barra fixa.

19
Tabela 3 - Treinamento para o teste de barra fixa
Primeiro Mês Segundo Mês Terceiro Mês
Dia da
Semana 1ª 2ª 3ª 4ª 5ª 6ª 7ª 8ª 9ª 10ª 11ª 12ª
Segunda F F G G H H H GH GH GH GH GH
Quarta F F G G H H H GH GH GH GH GH
Sexta F F G G H H H PT GH GH GH PT
Fonte: Minas Gerais, 2012, p. 221.
Legenda:
F = Flexão na barra fixa, 3 séries de 3 repetições, com ajuda. Intervalo de descanso de 1 min.
G = Flexão na barra fixa, 3 séries de 3 repetições, sendo a primeira sem ajuda e o restante com
ajuda, com intervalo de descanso de 1 min.
H = Barra sem leve (sem ajuda de outra pessoa): 2 x 4 repetições (2 min. de descanso) e barra com
leve (sem ajuda de outra pessoa): 2 x 6 repetições (2 min. de descanso).
GH = Barra sem leve: 2 x 8 repetições (2 min. de descanso) e barra com leve: 2 x 8 repetições (2 min.
de descanso).
PT= Pré-teste de barra fixa.
Tempo estimado: 10 min.

1.5 Treinamento físico para flexão abdominal


Umas das técnicas indicadas para este treinamento é a chamada “roubada”, executando-se
repetições até chegar à fadiga. O policial militar, na posição de abdominal (deitado com as costas no
chão, quadril e joelhos flexionados) prende o pé em algum anteparo e executa o movimento de
subida segurando na própria coxa e o movimento de descida é executado pelo próprio militar.

Na medida em que o movimento começar a ficar leve deve-se retirar o movimento de


“roubada” (subir com a ajuda das mãos).

Com o desenvolvimento do treinamento pode-se aumentar a dificuldade do movimento


adicionando cargas de 1Kg a 5Kg no peitoral para aumentar a resistência.

Ao terceiro mês de treinamento o movimento de flexão abdominal a ser executado na AFM


deverá ser executado com maior frequência durante os treinamentos.

Desta maneira, será possível uma boa sobrecarga e o aumento da quantidade das unidades
motoras exigidas na execução do exercício. Aumentado a resistência à fadiga, aumenta-se o número
de repetições e, quanto mais lento o movimento for executado, maior será o ganho de força.

A tabela 4 apresenta um programa de treinamento para flexão abdominal.

20
Tabela 4 - Treinamento para o teste de flexão abdominal
Dia da Primeiro Mês Segundo Mês Terceiro Mês
Semana 1ª 2ª 3ª 4ª 5ª 6ª 7ª 8ª 9ª 10ª 11ª 12ª
Segunda I I J J L L K K K M M PT
Quarta I I J J L L K K K M M M
Sexta I I J J L L K PT K M M M
Fonte: Minas Gerais, 2012, p. 221.
Legenda:
I = Abdominal: 03 x 20 repetições, com ajuda (01 min. de descanso).
J = Abdominal reto: 03 x 25 repetições (01 min. de descanso).
L = Abdominal reto: 03 x 30 repetições (01 min. de descanso).
K = Abdominal Máximo número de repetições em 01 minuto: 02 séries x 01 min. de descanso.
M = Abdominal Máx. em 01 minuto: 03 séries x 01 min. de descanso.
PT = Pré-teste de abdominal.

UNIDADE 2: APLICAÇÃO DOS TESTES FÍSICOS

2.1 Introdução
Nessa unidade serão apresentadas as ações para a realização do teste de capacidade física.
A ordem como os testes se apresentam deve ser mantida nas avaliações. Mesmo avaliando
grupos musculares diferentes, essa sequência apresenta a menor taxa de desgaste na execução das
atividades. Lembrem-se todos os três testes serão realizados no espaço de 100 minutos.

2.2 Força de resistência abdominal – abdominal tipo remador


Por ser um grupo muscular responsável por toda a estabilização da postura, a flacidez
abdominal contribui para a perda de força dos membros inferiores e superiores, perda de equilíbrio e
alinhamento do corpo, acometimentos de dores lombares e desvios da coluna vertebral.

2.2.1 Objetivo
Mensurar, indiretamente, a resistência da musculatura abdominal;

2.2.2 Procedimentos
Na flexão abdominal, o avaliado deverá realizar o máximo de repetições no tempo de 60
(sessenta) segundos.

Inicialmente, o avaliado coloca-se deitado em decúbito dorsal com os membros inferiores


estendidos paralelamente e os membros superiores estendidos, também, paralelamente; porém,
acima da cabeça, com o dorso das mãos tocando o solo;
21
Ao comando do aplicador, o avaliado inicia a modalidade, flexionando simultaneamente o
quadril e os joelhos, com as plantas dos pés apoiadas no solo, adotando a posição sentada,
mantendo os braços estendidos paralelos ao solo, de modo que os cotovelos se alinhem com os
joelhos, retornando à posição inicial quando os membros superiores estendidos, ou não, deverão
encostar-se ao solo acima da cabeça, momento em que será contabilizada uma execução;

O afastamento entre os membros inferiores não deve exceder à largura dos quadris do
avaliado, e o afastamento dos membros superiores não deve exceder à largura dos seus ombros;

Ao comando de "Prepara... Vai!", aciona-se o cronômetro e o avaliado inicia os movimentos;

Ao comando de “Pare!”, é finalizada a execução dos movimentos e o cronômetro é travado;

Poderá ser utilizado sinal sonoro por apito no início e fim da contagem, a critério do avaliador,
desde que os avaliados sejam previamente orientados.

O repouso entre os movimentos é permitido na posição inicial, entretanto, o objetivo é realizar


o maior número possível de execuções em sessenta segundos;

Somente serão considerados, para contagem, os movimentos executados completos e


corretamente; não será computada a repetição quando o avaliado utilizar qualquer forma de auxílio
durante o movimento, como abraçar ou apoiar-se nos joelhos e/ou nas pernas ou, ainda, apoiar os
cotovelos no solo;

Os pés deverão tocar o solo durante a execução do movimento tanto na flexão, quanto na
extensão de tronco/quadril;

Deverá ocorrer, simultaneamente, a flexão e extensão do quadril, tronco e joelhos do


avaliado;

Não será permitido o uso de acessórios pelo avaliado para realizar a modalidade.

2.2.3 Observação
Deverá ser utilizado local plano e um material acolchoado para execução do exercício,
sempre que possível. Será permitida apenas uma tentativa. A Figura 02 mostra a avaliação da força
de resistência abdominal para ambos os sexos.

22
Figura 02 – Avaliação da força de resistência abdominal

Posição inicial/final do movimento

Realização do movimento

Fonte: MINAS GERAIS, 2017.

2.3 Avaliações de força de resistência de braço na barra fixa


Na Polícia Militar, a existência de atividades como atirar, transpor obstáculos, imobilizar e
conduzir pessoas demonstra a importância da resistência de força para a eficiência profissional. Para
isso, a flexão de braço na barra fixa será representada como prova de força do policial militar.

2.3.1 Flexão estática (isométrica) - Feminina

2.3.1.1 Objetivo

Mensurar, indiretamente, a força de resistência dos membros superiores.

2.3.1.2 Procedimentos

As mãos, durante a pegada, devem estar com os dorsos voltados para o rosto (posição
pronada) e distantes a uma largura correspondente à dos ombros.

A avaliada poderá ser auxiliada por um apoio (banco, cadeira, dentre outros) para se
posicionar na barra, até que seu queixo ultrapasse o nível da barra, para o início da modalidade e
após estar em posição para iniciar a modalidade, será retirado o apoio, momento em que será
acionado o cronômetro, iniciando-se a avaliação;

Deverá ser utilizado força máxima, objetivando manter-se, pela força dos membros
superiores, suspensa durante o maior tempo possível, com o queixo acima do nível da barra, sem
tocá-la.
23
O cronômetro será travado quando a avaliada sair da posição do queixo acima do nível da
barra ou encostá-lo na barra ou, ainda, encostar os pés nos postes de sustentação.

As pernas da avaliada deverão permanecer na posição flexionada e cruzadas durante toda a


execução da modalidade.

Não será permitido o uso de acessórios pela avaliada para realizar a modalidade;

Será pontuado o tempo em que a avaliada conseguir manter-se com o queixo acima do nível
da barra, desde que também cumpra os demais procedimentos acima descritos

2.3.1.3 Observações

●Não permitir que a avaliada encoste o queixo na barra;

●Não permitir movimentos de quadris ou pernas e extensão da coluna cervical como formas
de auxiliar na execução da modalidade;

●Será permitida apenas uma tentativa.

Figura 03 - Avaliação da força de resistência de braço na barra fixa para policiais femininas
Preparação e execução da avaliação da força de resistência estática na barra fixa – Feminino

Fonte: MINAS GERAIS, 2017.

2.3.2 Força de resistência de braço na barra fixa - Flexão dinâmica (isotônica) na


barra (Masculino)
2.3.2.1 Objetivo

Mensurar, indiretamente, a força de resistência dos membros superiores.

2.3.2.2 Procedimentos

A barra deve ser instalada a uma altura tal que o avaliado, mantendo-se pendurado com os
cotovelos em extensão, não tenha contato dos pés com o solo;

24
As mãos, durante a pegada, devem estar com os dorsos voltados para o rosto (posição
pronada) e distantes a uma largura correspondente a dos ombros do avaliado;

Os membros superiores devem estar completamente estendidos;

Após assumir a posição, o avaliado tentará elevar o corpo até que o queixo ultrapasse o nível
da barra, após o que retornará à posição inicial;

O movimento é repetido tantas vezes quanto possível, sem limite de tempo;

As pernas do avaliado deverão permanecer na posição estendidas e paralelas durante toda a


execução dos movimentos;

Não será permitido o uso de acessórios pelo avaliado para realizar a modalidade;

Será contado o número de movimentos completados, desde que cumpra os demais


procedimentos acima descritos.

2.3.2.3 Observações

●Verificar se os cotovelos estão em extensão total para o início de flexão;

●Será permitido o repouso entre um movimento e outro, com os braços totalmente


estendidos, contudo, o avaliado não poderá apoiar os pés;

●Conferir se o queixo do avaliado ultrapassa o nível da barra durante o movimento de flexão


dos cotovelos (subida);

●Não permitir movimentos de quadris ou pernas e extensão da coluna cervical como formas
de auxiliar na execução da modalidade;

●Não permitir que o avaliado encoste o queixo na barra;

●Os movimentos não executados completamente ou de forma incorreta, não serão


considerados, para efeito de contagem;

●Não será permitido nenhum tipo de apoio ou contato com os pés, após iniciada a
modalidade.

●Será admitida apenas uma tentativa.

25
Figura 04 - Avaliação da força de resistência de braço na barra fixa para policiais masculinos

Posição inicial e movimento para avaliação da força de flexão (isotônica) na barra fixa - Masculino

Fonte: MINAS GERAIS, 2017.

2.4 Resistência cardiorrespiratória


- Corrida 2400 M

O VO2máx é o volume máximo de oxigênio que o corpo consegue “pegar” do ar que está
dentro dos pulmões, levar até os tecidos através do sistema cardiovascular e usar na produção de
energia, numa unidade de tempo. Em outras palavras, quanto melhor o seu VO2max, mais
resistência ao esforço você terá. Exercícios como correr e atividades relacionadas com a profissão
militar como abordagem, incursão, perseguição e defesa pessoal demonstram a importância da
resistência cardiorrespiratória para melhor desempenho da profissão.

2.4.1 Objetivo
Mensurar, indiretamente, a capacidade aeróbica por intermédio da corrida de 2400m.

2.4.2 Procedimentos
Corrida de 2.400m (dois mil e quatrocentos) metros, prova que deverá ser cumprida no menor
tempo possível;

A modalidade será realizada em pista fechada ou em local aberto adequado, devidamente


aferida a distância;

O avaliado deverá trajar vestuário adequado para a modalidade e apresentar-se conforme


normas, não sendo permitido correr descalço;

Não será permitido o uso de acessórios pelo avaliado para realizar a modalidade;

Não será permitido ao avaliado parar ou abandonar o trajeto e/ou local de execução da
modalidade, sendo eliminado (a) caso o faça;

Será permitida apenas uma tentativa.


26
2.4.3 Observações
●Cada avaliado receberá um número e cada vez que passar pela sua banca examinadora
deve expressá-lo em voz alta.

●O relógio pode ser utilizado pelo avaliado, porém a marcação oficial é a da comissão.

27
PONTUAÇÃO DAS MODALIDADES AVALIADAS NA AVALIAÇÃO FÍSICA MILITAR

TABELA 5 – CORRIDA DE 2.400M (MASCULINO)

IDADE / TEMPO
NOTA ATÉ 25 26/30 36/40 41/45 46/50
31/35 ANOS >51 ANOS
ANOS ANOS ANOS ANOS ANOS
10,0 10:30 10:50 11:10 11:30 12:50 13:50 14:50

9,0 10:50 11:10 11:30 11:50 13:10 14:10 15:10

8,0 11:10 11:30 11:50 12:10 13:30 14:30 15:30

7,0 11:30 11:50 12:10 12:30 13:50 14:50 15:50

6,0 11:50 12:10 12:30 13:20 14:50 16:00 16:20

5,0 12:10 12:30 12:50 13:50 15:00 16:10 16:30

4,0 12:30 12:50 13:10 14:00 15:20 16:30 16:50

3,0 12:50 13:10 13:30 14:10 15:30 16:50 17:10

2,0 13:10 13:30 13:50 14:20 15:50 17:10 17:20

1,0 13:30 13:50 14:10 14:30 16:00 17:30 17:40


Fonte: MINAS GERAIS, 2017

TABELA 6 - CORRIDA DE 2.400M (FEMININO)

IDADE / TEMPO
NOTA
ATÉ 25 ANOS 26/30 ANOS 31/35 ANOS 36/40 ANOS 41/45 ANOS >46 ANOS

10,0 12:50 13:10 13:30 14:00 14:50 15:50


9,0 13:10 14:30 14:50 15:10 16:10 16:20
8,0 13:50 15:00 15:10 16:30 16:50 17:10
7,0 14:50 15:30 15:50 17:00 17:30 18:50
6,0 15:40 16:00 17:20 17:50 18:20 19:20
5,0 15:50 16:10 17:30 18:10 18:40 19:40
4,0 16:10 16:30 17:40 18:20 19:10 20:00
3,0 16:30 16:50 18:00 18:40 19:20 20:20
2,0 16:50 17:10 18:10 19:00 19:30 20:50
1,0 17:00 17:30 18:20 19:10 19:50 21:00
Fonte: MINAS GERAIS, 2017

28
TABELA 7 - FLEXÃO NA BARRA (MASCULINO)

IDADE / TEMPO
NOTA
ATÉ 25 ANOS 26/30 ANOS 31/35 ANOS 36/40 ANOS > 41 ANOS
10,0 11 10 7 6 5
9,0 10 8-9 6 5 4
8,0 8-9 6-7 5 4 3
7,0 6-7 5 4 3 2
6,0 5 4 3 2 1
5,0 4 3 2 1 xx
4,0 3 2 1 xx xx
3,0 2 1 xx xx xx
2,0 1 xx xx xx xx
1,0 xx xx xx xx xx
Fonte: MINAS GERAIS, 2017
OBS: O avaliado que não executar nenhuma repetição terá nota zero na modalidade. A pontuação é
válida a partir da 1ª barra.

TABELA 8 - BARRA ESTÁTICA (FEMININO)

IDADE / TEMPO
NOTA
ATÉ 25 ANOS 26/30 ANOS 31/35 ANOS 36/40 ANOS > 41 ANOS
10,0 21”00 19”00 16”00 13”00 09”00
9,0 19”00 16”00 13”00 10”00 08”00
8,0 16”00 13”00 10”00 08”00 07”00
7,0 13”00 10”00 08”00 07”00 06”00
6,0 09”00 08”00 07”00 06”00 05”00
5,0 08”00 07”00 06”00 05”00 04”00
4,0 07”00 06”00 05”00 04”00 03”00
3,0 06”00 05”00 04”00 03”00 02”00
2,0 05”00 04”00 03”00 02”00 01”00
1,0 04”00 03”00 02”00 01”00 00”80
Fonte: MINAS GERAIS, 2017

29
TABELA 9 - FLEXÃO ABDOMINAL (MASCULINO)

IDADE / TEMPO
NOTA ATÉ 25 ANOS 26/30 ANOS 31/35 ANOS 36/40 ANOS > 41 ANOS
10,0 51-55 46-50 41-45 36-40 34-35
9,0 46-50 41-45 36-40 34-35 32-33
8,0 41-45 36-40 34-35 32-33 30-31
7,0 36-40 34-35 32-33 30-31 28-29
6,0 34-35 32-33 30-31 28-29 26-27
5,0 32-33 30-31 28-29 26-27 24-25
4,0 30-31 28-29 26-27 24-25 22-23
3,0 28-29 26-27 24-25 22-23 20-21
2,0 26-27 24-25 22-23 20-21 18-19
1,0 25 22-23 20-21 18-19 16-17
Fonte: MINAS GERAIS, 2017

TABELA 10 - FLEXÃO ABDOMINAL (FEMININO)

IDADE / TEMPO
NOTA ATÉ 25 ANOS 26/30 ANOS 31/35 ANOS 36/40 ANOS > 41 ANOS
10,0 46-50 41-45 36-40 34-35 32-33
9,0 41-45 36-40 34-35 32-33 30-31
8,0 36-40 34-35 32-33 30-31 28-29
7,0 34-35 32-33 30-31 28-29 26-27
6,0 32-33 30-31 28-29 26-27 24-25
5,0 30-31 28-29 26-27 24-25 22-23
4,0 28-29 26-27 24-25 22-23 20-21
3,0 26-27 24-25 22-23 20-21 18-19
2,0 24-25 22-23 20-21 18-19 16-17
1,0 22-23 20-21 18-19 16-17 14-15
Fonte: MINAS GERAIS, 2017

30
REFERÊNCIAS
LIBERALI, R; MATOS, C B. Desempenho de Policiais Militares da Região Metropolitana de Belo
Horizonte no Teste de Aptidão Física do Treinamento Policial Básico durante o biênio
2010/2011. Revista Brasileira de Prescrição e Fisiologia do Exercício. São Paulo, v. 7, n 38, p 139-
146. 2013.

MINAS GERAIS, Polícia Militar. Resolução 4.643, de 28 de dezembro de 2017 - Dispõe sobre
orientações e critérios para a realização da Avaliação Física Militar na disciplina de Educação
Física nos cursos e no Treinamento Policial Básico da Polícia Militar de Minas Gerais e dá
outras providências. Belo Horizonte, 2017.

MINAS GERAIS, Polícia Militar. Instrução de Educação de Polícia Militar 02, de 27 de agosto de
2010 - Revoga a Instrução 01/2010 e estabelece orientações e critérios para realização de
atividades e avaliações de Educação Física nos diversos cursos da PMMG. Belo Horizonte,
2010.

31
DEFESA PESSOAL POLICIAL
32
DEFESA PESSOAL POLICIAL

33
Apresentação
Caro (a) policial militar o conteúdo apresentado tem como objetivo promover a difusão das
técnicas de defesa pessoal policial mais comuns e acessíveis ao não praticante de artes marciais,
mas que, respeitando os parâmetros técnicos, legais e táticos permitam o êxito na atuação policial
diante de infratores resistentes. Além da descrição das técnicas propriamente, você poderá observar
a execução do movimento em vídeos e imagem. Consultem o material sempre que necessário e
pratiquem as técnicas propostas. Acreditamos que o suor derramado no treinamento seca as
lágrimas dos momentos de agruras do serviço policial. Nesse biênio, você também será avaliado no
desempenho dessas técnicas de defesa policial. Dedique-se para obter êxito e mostre no seu dia a
dia desenvoltura no agir policial.

Centro de Treinamento Policial


“Tornando o Policial Militar mais forte”

34
UNIDADE 1: GOLPES TRAUMÁTICOS

1.1 Introdução
Nas intervenções policiais em que se faz necessário o uso da força, não raramente o policial
necessita quebrar a resistência do resistente ativo. Para obter sucesso, você, encarregado de aplicar
a lei, pode se valer de técnicas de socos, chutes e da tonfa. Genericamente, chamaremos essas
técnicas de golpes traumáticos em função das lesões que podem resultar no resistente ativo,
agressor não letal. O emprego dessas condutas, normalmente, precedem a ação de imobilização e
algemação. Salienta-se, contudo, que o emprego de uma técnica de soco, chute ou uso da tonfa, não
precisa ser aplicada como regra para a solução de um conflito com resistentes ativos. Sempre que
possível, adote condutas que sejam menos lesivas ao cidadão, esforce-se para que a própria
presença policial somada à verbalização sejam elementos dissuasivos da ação condenável. As
técnicas de golpes traumáticos podem ser empregadas diretamente no cidadão infrator resistente e,
também se prestam à conclusão de um contragolpe quando conjugado com outra técnica. Nessa
unidade, serão apresentados as posições de guarda, socos, chutes e golpes com uso da tonfa.

1.2 Posição de guarda


A posição de guarda é uma postura policial fundamental para a aplicação de golpes em
desfavor de um ofensor motivado. Além de demonstrar uma atitude segura e confiante do policial,
que serve de elemento dissuasivo da vontade do infrator, propicia melhor condição de ataque ou
defesa. Essa posição corporal é a mesma manifestada no Caderno Doutrinário nº 01 e é entendida
como postura defensiva (MTP 3.01.01/2013). Os golpes traumáticos na posição de pé, iniciam e
terminam com essa postura. Lembre-se que ao finalizar a execução do golpe você deverá retornar à
posição inicial de guarda e manter a sua proteção.

Se você for destro, o seu pé dianteiro será o esquerdo e vice-versa. Os seus pés devem estar
afastados na largura dos seus ombros, com o pé esquerdo à frente do direito, girando a 25º para
dentro, e o direito a 40º por fora e ligeiramente elevado na ponta.

O seu tronco deverá estar ligeiramente inclinado à frente (para que no momento que executar
o golpe permaneça equilibrado) e girado para a direita. As suas mãos deverão estar fechadas, com
os dedos fechados, colados à testa e os cotovelos deverão estar colados no tronco, protegendo as
costelas.

Entre as mãos, que na posição de guarda estarão coladas na testa, você deixará um pequeno
espaço para poder enxergar o ofensor motivado. Essa posição compõe uma boa base para lançar
seus golpes e lhe dará a oportunidade de bloquear a maioria dos golpes desferidos contra você ou
de se esquivar deles.

35
Observe na Figura 05 os detalhes da posição de guarda.

Figura 05 – Posição de Guarda

Fonte: Centro de Treinamento Policial

Ao movimentar-se na posição de guarda, opte por permanecer com os pés em contato com o
solo. Desloque-se por meio do deslizamento dos pés. A execução de saltos na execução de golpes é
desaconselhável, pois assim você perderá o equilíbrio e a intensidade do seu soco ou chute diminuirá
e, soma-se a isso, a promoção de fadiga prematura, o que em última instância pode colocar você em
risco.

1.3 Socos
O soco é um golpe com punho fechado que visa causar uma lesão. Existem diversos tipos de
forma de executar soco e, no Treinamento Policial Básico, 9º biênio, serão estudados 04 (quatro)
golpes de soco.

1.3.1 JAB ou Soco Curto


Golpe frontal com o punho que está à frente da guarda (para o destro, a mão esquerda; e,
para o canhoto, a mão direita). Não é tão potente, mas é muito eficaz e rápido. Também é utilizado
para afastar o oponente, para mediar a distância e para tampar a visão deste para que limite sua
capacidade de defesa do golpe a ser desferido com a mão forte. Para lançar um Jab arremesse seu
punho à frente numa linha reta, girando seu braço para dentro até que ele chegue à extensão
máxima. Imediatamente, recolha seu punho de volta, colando novamente os dedos na testa, na
posição de guarda. Observe o movimento do golpe no vídeo Golpes Traumáticos a partir do link,
http://novo.ead.policiamilitar.mg.gov.br/mod/resource/view.php?id=148 .

36
1.3.2 Direto ou Soco Longo
Golpe frontal com o punho que está atrás na guarda (para o destro, a mão direita; e, para o
canhoto, a mão esquerda). É um golpe muito rápido e forte, pois será desferido por sua “mão forte”. O
poder desse soco vem de uma rotação dos ombros a 90º, enquanto que a posição do punho gira a
180º, trazendo o ombro dianteiro até a guarda. No caso de você ser destro, observe a descrição e
execute os movimentos do direto de direita começando com o seu punho direito encostado na testa, a
posição de guarda fechada e cotovelo perto das costelas. Avance o braço à frente, reto, gire o lado
direito do seu quadril à frente, até que a perna direita fique reta, com a parte da frente do seu pé
direito no chão. Lance o soco e volte à posição de guarda fechada, em um único movimento. Observe
o movimento do golpe no vídeo Golpes Traumáticos a partir do link,
http://novo.ead.policiamilitar.mg.gov.br/mod/resource/view.php?id=148 .

1.3.3 Cruzado
É um golpe de média distância, executado com um rápido movimento de braço da esquerda
para a direita, ou da direita para a esquerda, voltado a atingir a lateral (face/queixo) da cabeça do
ofensor motivado, mas também pode ser desferido na linha de cintura (nas laterais na cintura) e é
chamado de “cruzado ao tronco”. Neste golpe, você deverá girar seu peso e seu ombro para a frente,
para acrescentar potência ao golpe. Para esse soco, impulsione o cotovelo para cima, de maneira
que seu antebraço fique paralelo ao chão e então solte seu soco. Use o corpo fazendo uma rotação
no seu tronco, começando das pernas e indo até os ombros, isso dará potência ao soco cruzado. .
Observe o movimento do golpe no vídeo Golpes Traumáticos a partir do link,
http://novo.ead.policiamilitar.mg.gov.br/mod/resource/view.php?id=148 .

1.3.4 Gancho
Golpe dado na linha de cintura do ofensor resistente ativo, quase frontal, com um pouco de
inclinação de baixo para cima, para gerar mais potência, que visa atingir o abdômen, estômago e
plexo, ou seja, desferido sempre na parte da frente do corpo. Diferente do “cruzado ao tronco”, que é
desferido na parte lateral. . Observe o movimento do golpe no vídeo Golpes Traumáticos a partir do
link, http://novo.ead.policiamilitar.mg.gov.br/mod/resource/view.php?id=148 .

1.4 Chutes
Conforme é visto no Manual Técnico Profissional 3.04.13/2013 – CG, MTP – 13, o chute é um
golpe que desfere maior energia e potência que um soco e são utilizados em diversos tipos de artes
marciais. Para fins de treinamento no 9º biênio, serão abordados 04 (quatro) tipos de chutes, quais
sejam: “Chute Frontal”, “Chute Baixo” (Low Kicks), “Chute Semi Circular” e “Chute Circular”.

37
1.4.1 Chute Frontal
O chute frontal é um golpe desferido no abdômen do ofensor motivado, com o intuito de
mantê-lo distante, bloquear a ação e para quebrar sua resistência, permitindo o uso, na sequência, de
técnicas de imobilização.

Para desferir este chute, você deverá elevar o joelho da perna do chute de modo que a coxa
esteja paralela ao chão, aproximadamente à altura do quadril ou cintura, e esticar a perna, lançando-
a rapidamente para a frente, esticando os dedos do pé para cima e batendo no ofensor motivado com
a base do pé (localizado abaixo dos dedos) e retornando a perna de modo a manter a coxa
novamente paralela ao chão, voltando à posição de base. Observe o movimento do golpe no vídeo
Golpes Traumáticos a partir do link,

http://novo.ead.policiamilitar.mg.gov.br/mod/resource/view.php?id=148 .

1.4.2 Chute Baixo (Low Kicks)


O chute baixo é empregado para quebrar a resistência e também pode ser empregado
conjugadamente com outras ações em desfavor do ofensor motivado. O objetivo desse golpe é
acertar a coxa do suspeito, na parte interna ou externa causando uma lesão temporária e diminuindo
a resistência do ofensor.

Para desferir este chute, você deverá elevar o joelho da perna do chute de modo que a coxa
esteja paralela ao chão, aproximadamente à altura do quadril ou cintura, girando o calcanhar do pé
de apoio 180º, permitindo, ao mesmo tempo, o giro do corpo no sentido do chute, chutando a coxa do
ofensor motivado com a parte da perna localizada logo acima dos pés; girando o tornozelo 180º,
recolhendo a perna de volta à posição de base. Observe o movimento do golpe no vídeo Golpes
Traumáticos a partir do link, http://novo.ead.policiamilitar.mg.gov.br/mod/resource/view.php?id=148 .

1.4.3 Chute Semi-circular


Chutes semi-circulares tem por objetivo atingir a lateral do tronco e comprometer a
capacidade de reagir do suspeito. Órgãos como costelas, fígado, baço ao serem atingidos geram
uma reação de dor no agressor e, como consequência, diminuem a possibilidade de resistir a ação
policial.

O chute semi-circular será desferido na lateral do tronco do agressor. Você deverá elevar o
joelho da perna do chute de modo que a coxa esteja paralela ao chão, aproximadamente à altura do
quadril ou cintura, girando o calcanhar do pé de apoio 180º, permitindo, ao mesmo tempo, o giro do
corpo no sentido do golpe, chutando a lateral do tronco do ofensor motivado com a parte da perna
localizada logo acima dos pés, girando o tornozelo 180º, recolhendo a perna de volta à posição de
base. Observe o movimento do golpe no vídeo Golpes Traumáticos a partir do link,
http://novo.ead.policiamilitar.mg.gov.br/mod/resource/view.php?id=148 .

38
1.4.4 Chute Circular
O objetivo desse golpe é atingir a cabeça do ofensor motivado. Sua aplicação requer
treinamento e bom equilíbrio, que é conseguido, a partir da execução correta do movimento do golpe.

Ao executar o golpe, você deverá elevar o joelho da perna do chute de modo que a coxa
esteja paralela ao chão, aproximadamente à altura do quadril ou cintura, girando o calcanhar do pé
de apoio 180º, permitindo, ao mesmo tempo, o giro do corpo no sentido do chute e lançando o pé na
cabeça do agressor. Você deve atingir o agressor com a parte da perna localizada logo acima dos
pés e deve girar o tornozelo 180º para a posição inicial, recolhendo a perna de volta à posição de
base. Observe o movimento do golpe no vídeo Golpes Traumáticos a partir do link,
http://novo.ead.policiamilitar.mg.gov.br/mod/resource/view.php?id=148 .

1.5 Conclusão
Golpes traumáticos são um importante recurso para quebrar a resistência de suspeitos com
um comportamento de resistência ativa, agressores não letais. O emprego dessas técnicas devem
ser sempre condicionadas aos príncípios do uso da força e balizadas pelo modelo do uso
diferenciado da força adotado institucionalmente.

Os golpes apresentados e as variações e conjugações de ações possibilitam maior


efetividade na administração dessa técnica de controle físico. Mantenha-se em constante
treinamento.

RESUMO
Nessa Unidade, você viu que a posição de guarda é uma postura policial básica que permite
tanto a defesa quanto o ataque e que mostra uma atitude segura do policial diante de um suspeito
resistente.

Também foram apresentados quatro tipos de socos e chutes.

Entre os socos, o jab é considerado um soco curto, com a finalidade de mensurar a distância
do ofensor motivado e mantê-lo afastado. Não é muito potente, mas pode ser executado com rapidez.
O Direto é um soco com muita potência, pois é desferido com a mão forte do policial e concentra a
energia transmitida pelo quadril e tronco do policial. O Cruzado é um golpe com movimento
rotacionado que visa atingir a costela, baço e fígado, quando direcionado à lateral do corpo e o
queixo se desferido na face do agressor ativo. O gancho é um golpe que é feito de baixo para cima e
busca atingir abdomen, estômago e plexo, quebrando a resistência a partir do trauma nos tecidos
moles.

Os chutes são golpes com maior potência e requerem equilíbrio na sua execução. O
movimento correto do corpo, aliado à flexibilidade das pernas permitem resultados mais expressivos.
39
Entre os chutes, foi apresentado o chute frontal, aplicado com a planta do pé num movimento para
frente do corpo. O low-kick que é o chute baixo e é desferido nas coxas do agressor. O chute semi-
circular direcionado às costelas e quadris e o chute circular que visa atingir a cabeça.

Revisem o material sempre que sentirem dúvidas e assistam a execução dos vídeos com a
demonstração do uso da técnica.

UNIDADE 2: PROJEÇÕES

2.1 Introdução
Para imobilizar um suspeito que esteja oferecendo resistência à abordagem policial, a
primeira preocupação deve ser a de levá-lo ao solo, com segurança, para que você, então, tenha
maior controle do agressor.

A projeção é o movimento de arremessar o suspeito ao solo e que permite a aplicação de


outras técnicas.

Uma vez no solo, você deve utilizar das habilidades adequadas para proceder a sua
imobilização, algemação e condução, visando a minimizar os possíveis ferimentos decorrentes do
uso da força.

Visando apresentar técnicas funcionais e simples, nessa Unidade será mostrada duas
projeções de fácil aplicação.

2.2 Projeção pela frente


A Projeção pela frente deve ser utilizada principalmente quando você estiver sendo agredido
por socos, a uma distância curta (um passo). Entende-se que nessa condição você estará em
posição defensiva e o objetivo dessa técnica é permitir uma ação segura que coloque o agressor
numa condição desfavorável, ao mesmo tempo em que propicia condições ao policial aplicar um
contragolpe. Você sairá da linha de ataque dos socos e executará a projeção do agressor. Diante da
necessidade do uso de força, para controlar o suspeito, você militar deve:

● manter-se em posição defensiva;

● avançar uma de suas pernas na direção entre as pernas do suspeito; especial atenção
deve ser dada à posição do seu rosto, que deve estar pela lateral do corpo do infrator, de forma a
evitar que seja atingido por um chute no momento de aplicação da técnica;

40
3
● flexionar seus joelhos e segurar as duas pernas do agressor, aplicando o “Double Leg” por
detrás dos seus joelhos, com as mãos em forma de “concha”;

● dar um passo à frente, apoiando seu ombro na região da cintura do suspeito, e, ao mesmo
tempo, laçar a perna pelo lado externo aplicando uma “varrida” na sua direção, projetando o agressor
vigorosamente ao chão;

● o policial militar deve estar preparado para finalizar o movimento com imobilização do
agressor no solo apoiando seu joelho no abdômen do suspeito;

● após a queda, avançar pela lateral do corpo do infrator, para promover sua imobilização.

DICA
A Posição defensiva consiste em manter a distância tal do agressor que diminua a
energia do impacto de um golpe desferido contra você. Aliado a isso, você deve manter uma
base que lhe permita flexibilidade e a energia para um contragolpe. Para tanto, deve manter as
pernas afastadas lateralmente na largura de seus ombros e a perna forte afastada à
retaguarda, ambas levemente flexionadas, permitindo-lhe um maior equilíbrio. Por fim, para
proteção do rosto e da caixa torácica, cerram-se os punhos, levando-os na altura do rosto, e o
prolongamento do braço protegendo a região das costelas.

Observa-se que, além da questão do posicionamento técnico, você deve manter-se atento,
num estado de prontidão adequado para se defender e realizar o contragolpe com o objetivo final de
imobilizar esse agressor.

DICA

Estado de prontidão alarme: O risco é real e uma resposta é necessária (MTP


3.04.01/2013 - CG, p. 24).

Observe o movimento do golpe no vídeo Projeções a partir do link,

http://novo.ead.policiamilitar.mg.gov.br/mod/resource/view.php?id=182 .

2.3 Projeção pela retaguarda


Entende-se que a técnica de projeção pela retaguarda deve ser aplicada em momentos em
que não é possível a aplicação de uma técnica frontal. É mais segura, em relação à primeira por não
invadir o espaço de proteção pessoal do suspeito. Essa possibilidade é muito comum no trabalho
policial, quer seja por uma estratégia de aproximação na posição 3, ou seja, pela retaguarda do
agressor ou resistente, quer seja por uma resistência apresentada no momento de uma algemação
ou execução de busca pessoal. A técnica consiste no seguinte:

● realizar a aproximação pela Posição 3, pela retaguarda do resistente;

3
Double leg é a ação de abraçar as duas pernas do opositor.
41
● levar a mão à lateral da face do resistente, pressionando-a no sentido contrário ao seu e em
seguida puxar o rosto do abordado à retaguarda trazendo-o ao solo;

● na posição sentado, segurar a mão esquerda do suspeito, esticando-a para trás, enquanto
a mão direita segura debaixo do queixo do resistente, em forma de concha, pressionando-o para o
lado direito;

● Em seguida colocar o resistente em posição de algemação com o braço esquerdo deste


entre suas pernas, com o cotovelo esticado, imobilizando-o.

Observe o movimento do golpe no vídeo Projeções a partir do link,

http://novo.ead.policiamilitar.mg.gov.br/mod/resource/view.php?id=182 .

2.4 Conclusão
As técnicas de projeção são simples e devem ser executadas quando houver uma ação de
resistência em que o policial está sendo agredido com socos ou esteja realizando um procedimento e
o resistente ativo esteja com as costas disponíveis para a ação policial.

UNIDADE 3 - DEFESAS

3.1 Introdução
Você, policial militar, em seu trabalho, muitas vezes se vê em vias de ser atingido por
agressões realizadas sem armas, aquelas que são realizadas por meio de chutes e socos. Este tipo
de agressão pode ser muito danoso, quando aplicada por pessoas que detém conhecimento de artes
marciais. Na atualidade, isso pode acontecer mais facilmente, face à grande massificação das lutas
com MMA e o crescimento dos praticantes dessas artes. Para, além disso, mesmo aplicado por
alguém sem conhecimento técnico, um golpe desta natureza pode, ainda, ser muito gravoso e até
mesmo letal. Igualmente pode ser vitimado por pessoas empregando algum tipo de instrumento. Não
há uma forma de descrever os inúmeros objetos que podem ser empregados por um resistente ativo,
contra um policial.

Nessa unidade, são apresentadas as principais técnicas de defesas contra socos e chutes e
são mostradas as ações de esquivas. Além disso, apresentam-se as técnicas com uso de tonfa. Esse
instrumento policial é muito versátil e pode ser empregado tanto para realizar um contragolpe contra
um suspeito resistente agindo sem armas ou com instrumentos variados, bem como, é essa a
pretensão aqui apresentada possibilidade de realizar vários tipos de defesa.

42
3.2 Esquivas
A esquiva tem por finalidade evitar que você seja atingido pelo agressor. Quando bem
realizada, além de evitar o ataque, facilita a aplicação de uma técnica de contragolpe. A
experiência nos mostra que o uniforme, os armamentos e os equipamentos utilizados por você
limitam significativamente a mobilidade. Por conseguinte, as técnicas básicas de esquiva, aqui
apresentadas, foram selecionadas levando-se em consideração essas particularidades e
características da atuação policial-militar.

As técnicas de esquiva mais simples e eficientes para a atividade policial, serão explicadas
com base na representação gráfica, conforme Figura 06.

O ponto central representa o seu centro de gravidade na postura defensiva; a linha pontilhada
mostra o alcance da esquiva do policial.

Figura 06 – Representação gráfica da esquiva

Fonte: Centro de Treinamento Policial

Partindo do centro de gravidade, o policial militar pode se esquivar de um ataque, conforme a


Figura 07. Avançando ou recuando meio passo em diagonal à direita ou à esquerda, movendo-se à
direita ou à esquerda, afastando-se um passo a retaguarda ou diminuindo a posição de guarda
poderá se desviar de ataques, conforme Observe no vídeo
http://novo.ead.policiamilitar.mg.gov.br/mod/resource/view.php?id=181 a aplicação prática das
técnicas de esquiva.

43
Figura 07: Detalhamento das possibilidades técnicas de esquiva

Fonte: Caderno doutrinário n. 13 PMMG

Fonte: MINAS GERAIS, 2013

3.3 Defesa contra socos com as mãos livres


As defesas de socos são ações que protegem os pontos vitais de um policial, evitando que
fique incapacitado de agir na situação de risco. Diferentemente da esquiva que apresenta uma ação
em que se evita que o golpe desferido pelo suspeito resistente atinja você, a defesa minimizará o
efeito do trauma provocado pela ação do agressor. É importante salientar que a defesa reduz o efeito,
mas ainda assim, resta, em alguma medida, a transferência de energia do golpe. Você não deve
assustar-se ou ficar intranquilo nessa situação. Acesse o vídeo “Defesas” a partir do link:
http://novo.ead.policiamilitar.mg.gov.br/mod/resource/view.php?id=177 .

3.3.1 Defesa contra Jab e Direto


O soco denominado Jab é o golpe frontal com o punho que está à frente na guarda, e o soco
Direto é o golpe frontal com o punho do braço que está atrás na guarda.

Para se defender do soco Jab/Direto, você deverá girar o corpo aproximadamente 30% à
frente, mantendo a guarda alta, permanecendo com um dos braços bloqueando o soco, e um dos
olhos visualizando o cidadão agressor.

3.3.2 Defesa contra soco Cruzado


O soco cruzado é o golpe desferido por parte do agressor, pelo lado, para acertar a lateral do
seu rosto.

Para se defender do soco cruzado, você deverá retirar os dedos da testa e, posicionando a
mão na nuca, manter o cotovelo protegendo o queixo do lado em que o soco for desferido.

44
3.3.3 Defesa contra gancho
O soco gancho é o golpe desferido em movimento curvo do punho, visando atingir o abdômen
do adversário.

Para se defender do soco cruzado você deverá inclinar o tronco lateralmente, do lado em que
for desferido o soco, e bloqueá-lo com o braço, permanecendo com os dedos dobrados na testa, na
posição de guarda alta.

3.3.4 Defesa contra soco Uppercut


O soco Uppercut é o golpe desferido de baixo para cima, visando atingir o queixo do
oponente.

Para se defender do soco Uppercut, você deverá utilizar a mesma defesa do golpe Jab e
Direto, ou seja, girar o corpo 30º à frente, bloqueando o golpe com o braço, permanecendo com os
dedos dobrados na testa, na posição de guarda alta.

3.4 Defesa contra chutes com as mãos livres


As técnicas de defesa contra chute são muito simples e ocorrem de forma quase natural,
assim como as defesas contra socos, é comum que o golpe desferido pelo infrator atinja alguma parte
do seu corpo. O objetivo das defesas contra chutes é minimizar o efeito dos golpes. Acesse o vídeo
“Defesas” a partir do link:

http://novo.ead.policiamilitar.mg.gov.br/mod/resource/view.php?id=177 .

3.4.1 Defesa contra chute frontal


Para se defender do chute frontal, você deverá agachar levemente e girar o cotovelo de um
dos braços em direção ao umbigo, bloqueando o chute com o braço.

3.4.2 Defesa contra chute Low Kick


Para se defender do chute Low Kick, você deverá elevar a perna do lado da agressão e
bloquear o chute com o joelho.

3.4.3 Defesa contra chute Semi-Circular


Para se defender do chute semi-circular, você deverá dobrar levemente o joelho do lado da
agressão, bloqueando o chute com o braço, permanecendo com os dedos dobrados na testa, na
posição de guarda alta.

3.4.4 Defesa contra chute Circular


Para se defender do chute Circular, você deverá dar um passo na diagonal à frente com a
perna do lado oposto ao da agressão, ao mesmo tempo que também deverá levar a mão do lado

45
oposto ao da agressão, bloquear o soco, juntamente com o braço do lado da agressão, que
permanecerá na posição de guarda alta.

3.5 Defesa com uso do bastão tonfa


O Bastão tonfa é um Instrumento de Menor Potencial Ofensivo (IMPO) com inúmeras
possibilidades de utilização. Na defesa de golpes desferidos contra os policiais é muito eficiente,
desde que se dominem as técnicas adequadas.

3.5.1 Varreduras
As varreduras possibilitam que se defenda de um ataque desferido por um suspeito
resistente e serve, ao mesmo tempo, para contundir esse ofensor, minimizando a possibilidade
de continuidade das ações de agressão. Os contra-ataques de varreduras são muito eficientes
para a atividade policial. São de fácil execução e permitem golpes velozes.

Você pode iniciar um golpe de varredura partindo da empunhadura básica ou da


empunhadura ostensiva.

No momento em que atinge o agressor, o bastão tonfa deve estar firme na sua mão. O
giro de pulso é o que faz o bastão se movimentar e ajuda na potência dos golpes. Ver Figuras 08
e 09.

Figura 08 – Empunhadura do bastão Tonfa

Fonte: Manual do bastão Tonfa PMMG

Figura 09 – Giro do punho com bastão Tonfa

Fonte: Manual do bastão Tonfa PMMG

Para o movimento de varredura ter potência, você deve girar o quadril no momento do
contra-ataque e deixar que o ombro amplifique a força à frente. É muito comum acreditarem,

46
erroneamente, que a potência nos movimentos de varredura depende de força nos braços. Na
verdade, é o giro de quadril que dá força ao movimento.

Figura 10 – Giro do quadril

Fonte: Manual do bastão Tonfa PMMG

Recomendamos quatro tipos de golpes de varredura: vertical, horizontal (ou paralela),


diagonal e em “X”.

3.5.1.1 Movimento de varredura vertical

O movimento de varredura vertical tem eficiência não só para contra-atacar agressores,


mas também para desarmá-los (contra armas brancas). Para este movimento, empunhando o
bastão tonfa de forma ostensiva (ou com empunhadura básica) você deve fazer um movimento
de giro descendente. Quando o tonfa está na posição mais baixa (figura 11), a sua postura
permanece ereta, você não abaixa a cabeça, nem inclina a coluna. Isso evita que a sua cabeça
fique vulnerável a ataques.

Figura 11 – Movimento vertical com o Tonfa

Fonte: Manual do bastão Tonfa PMMG

3.5.1.2 Movimento de varredura horizontal

A varredura horizontal pode ser usada para afastar o agressor para longe de você e é
também é um contra-ataque eficiente.

47
Figura 12 – Movimento horizontal com o Tonfa

3.5.1.3 Movimento de varredura diagonal

A varredura diagonal é ideal para golpes rápidos. Deve ser usada, principalmente, para
contra-ataques que atinjam braços, pernas e ombros do agressor. Veja o movimento a partir da
Figura 13.

Figura 13 - Movimento diagonal com o Tonfa

Fonte: Manual do bastão Tonfa PMMG

3.5.2 Bloqueio contra golpe traumático vertical


3.5.2.1 Bloqueio de ataques à cabeça

Para se defender de um ataque contra a cabeça, você deve erguer o bastão tonfa,
mantendo-o firme no alinhamento do antebraço. O tonfa deve ficar na diagonal, para que o braço
não receba todo o impacto do ataque, pois nessa posição, o golpe tende a deslizar pelo bastão.

Figura 14 – Bloqueio com Tonfa acima da cabeça

Fonte: Manual do bastão Tonfa PMMG

48
Quando você é agredido, há uma resposta natural de afastar-se do agressor, recuando um
pouco. Devemos lembrar que, se o agressor desfere um golpe de cima para baixo (com uma
barra de ferro ou pedaço de madeira, por exemplo), quanto mais distante das mãos do indivíduo
abordado, maior será a força da agressão. Logo, para realizar esse tipo de defesa, você deve
controlar esse impulso de se afastar do agressor.

Há outra maneira de defender-se de golpes contra a cabeça. Partindo da empunhadura


ostensiva, você pode erguer o bastão tonfa, neutralizando o ataque, conforme Figura 15.

Figura 15 - Bloqueio com Tonfa acima da cabeça (outra forma)

Fonte: Manual do bastão Tonfa PMMG

Contudo, ao defender-se de golpes direcionados à área da cabeça, utilizando a


empunhadura ostensiva, você deve segurar o tonfa pelo punho e utilizar a outra mão para ajudar
a dar firmeza. A Figura 16 demonstra que não se segura o corpo principal do bastão.
Empunhando-o de forma correta, o tonfa ficará apoiado na palma da mão, que deverá estar
esticada. Desta forma, os seus dedos não serão atingidos pelo ataque.

Figura 16 – Detalhe da empunhadura do Tonfa sobre a cabeça.

Fonte: Manual do bastão Tonfa PMMG

3.5.3 Bloqueio contra golpe traumático horizontal


3.5.3.1 Bloqueios de ataque na altura do tronco

Para este tipo de bloqueio, partindo da empunhadura básica, você deve erguer o tonfa,
bloqueando o ataque e, ao mesmo tempo, girar o tronco, protegendo o corpo atrás do bastão.
49
Para isso, deve adotar uma base flexível, com os joelhos ligeiramente flexionados e as
pernas abertas na largura dos ombros. Você pode distribuir o peso do corpo de forma desigual
nos membros inferiores, para que a posição se torne confortável e, ao mesmo tempo, permita o
rápido contragolpe.

Figura 18 – Bloqueio com Tonfa contra golpe lateral

Fonte: Manual do bastão Tonfa PMMG

Para que você se defenda de golpes vindos de outra direção, basta erguer o Tonfa, com
o punho virado para dentro, e girar o tronco, protegendo o corpo, conforme Figura 19.

Figura 19 - Bloqueio com Tonfa contra golpe lateral

Fonte: Manual do bastão Tonfa PMMG

O corpo principal do tonfa deve ficar no prolongamento do seu antebraço. Para que o
bastão fique firme, basta usar a articulação do punho, conforme é visto na Figura 20.

Figura 20 - Bloqueio com Tonfa contra golpe lateral

Fonte: Manual do bastão Tonfa PMMG

50
3.5.3.2 Bloqueio de ataque ao baixo ventre

Para bloquear ataques contra a região do baixo ventre, você deve utilizar a
empunhadura básica e fazer um movimento descendente com a tonfa. O tronco deve girar
ligeiramente, dando mais força e segurança ao movimento.

A cabeça permanece erguida e o tronco ereto. Um erro muito comum é abaixar a cabeça
no momento de se defender contra- golpes na região do baixo ventre. Apesar de comum, trata-
se de um erro grave, pois deixa a cabeça e o pescoço do policial vulnerável ao agressor.

Figura 21- Bloqueio de golpe no baixo ventre

Fonte: Manual do bastão Tonfa PMMG

Há outra maneira de defender golpes contra a região do baixo ventre. Gire o bastão para a
empunhadura ostensiva e, com ajuda da outra mão, bloqueie o golpe, conforme Figura 22.

Figura 22 - Bloqueio de golpe no baixo ventre (outra forma)

Fonte: Manual do bastão Tonfa PMMG

Você não deve segurar o bastão tonfa com a outra mão. Ela deve ficar espalmada,
evitando que os seus dedos sejam atingidos pelo ataque.

3.6 Conclusão
Agir assertivamente muitas vezes requer uma ação mais comedida. Isso não significa dizer
que o policial deve ser vitimado de qualquer forma, então, ter recursos que possibilitam uma proteção
significativa diante de suspeitos resistentes é algo fundamental para a segurança das ações policiais.
51
As defesas são ações que garantem que golpes traumáticos que poderiam ser muito lesivos à
integridade física dos policiais sejam mitigadas. Saber se defender, mantendo a sua integridade
física, é condição elementar para que o policial possa dar continuidade a qualquer intervenção
policial. Daí a importância de você, policial, observar o estado de prontidão adequado, isso o
capacitará a se antecipar, esquivar e se proteger. A vitimização de um policial por meio de um golpe
traumático pode ter consequências trágicas. Fique atento e treine sempre.

RESUMO
Nesse capítulo, você conheceu técnicas de defesa contragolpes traumáticos que podem ser
desferidos contra o policial durante uma intervenção policial, ou durante o policiamento rotineiro. Para
alcançar a eficiência na sua defesa e consequente preservação da sua integridade física é necessário
observar o estado de prontidão adequado – no mínimo estado de atenção, representado pela cor
amarela - Desta forma, você poderá antecipar uma agressão.

Buscou-se uma aproximação à realidade policial, onde muitas vezes o agressor não sabe o
nome do soco que está desferido contra o policial, tampouco o nome do chute, mas o soco e o chute
são as agressões mais comuns contra os aplicadores da lei, em seguida se vê a utilização de
instrumentos contundentes, como madeira, barra de ferro e similares.

Foram apresentadas defesas com as mãos livres e com uso de tonfa. Foi esclarecido que as
defesas não impedem que os golpes atinjam o policial. Em grande medida, minimizaram
sobremaneira a potência dos ataques desferidos contra você. Todas as técnicas são bastante úteis
se aplicadas no momento adequado. Treine!

UNIDADE 4: IMOBILIZAÇÕES

4.1 Introdução
Para imobilizar um agressor que esteja oferecendo resistência à abordagem policial, a
primeira preocupação deve ser a de levá-lo ao solo, com segurança, para que o policial, então, tenha
maior controle sobre ele.

Uma vez no solo, devem ser utilizadas das habilidades técnicas adequadas para proceder a
imobilização, algemação e condução do agressor, visando minimizar os possíveis ferimentos
decorrentes do uso da força, devendo observar o que determina a lei para esses casos, em especial
o artigo 292 do CPP. Veja as imobilizações no vídeo Imobilizações a partir do link:
http://novo.ead.policiamilitar.mg.gov.br/mod/resource/view.php?id=180 .

52
4.2 Técnicas de imobilização a mãos livres na posição de pé pela frente
Consiste no forçamento da articulação do ombro do conduzido, provocado por uma pressão
na articulação do cotovelo, com o objetivo de manter o seu controle pela resposta ao estímulo de dor.
Será realizada com aproximação pela frente do suspeito, de acordo com os passos a seguir:

● aproxime-se na diagonal, pela frente do suspeito resistente, preferencialmente após a


distração deste, por outro policial;

● com uma das mãos, levar o punho do suspeito em direção às suas costas e,
simultaneamente, com a outra mão, puxar o seu braço na altura do cotovelo, proporcionando o
ângulo para a torção;

● com a mão que direcionou o punho do suspeito resistente, levar o braço à altura do
cotovelo do suspeito resistente, e com a mão estendida, forçar o cotovelo deste para baixo.

● deslizar o braço que não está segurando o cidadão infrator, até conseguir segurar o tríceps
do agressor (no mesmo braço);

● deslocar-se para a retaguarda do suspeito, e, já, com a chave de braço encaixada, fazer o
apoio do ombro do suspeito com sua outra mão livre;

DICA

Você não deve colocar a mão no ombro do cidadão infrator, pois corre o risco do
suspeito resistente luchar ou deslocar o seu braço. Também não pode dar espaço entre o seu
corpo e o braço do cidadão infrator, pois você corre o risco do cidadão infrator realizar uma
volta debaixo de você e derrubar-lhe.

DICA

Para que um policial possa imobilizar um cidadão infrator, é necessário que o outro PM
esteja realizando a segurança do companheiro, caso necessite de auxílio.

4.3 Imobilização a mãos livres na posição de pé pela retaguarda


A imobilização é um meio que o policial tem de prevenir ou cessar uma agressão contra ele
ou terceiros. Ela tem por objetivo final limitar os movimentos do agressor. Secundariamente, o
desestimula a continuar nessa ação delituosa. A imobilização a mãos livres se aplica em resistentes
desarmados. Seguem duas técnicas de imobilização a mãos livres.

Basicamente, esta técnica consiste no forçamento da articulação do ombro do conduzido,


provocado por uma pressão na articulação do cotovelo, com o objetivo de manter o seu controle pela
resposta ao estímulo de dor.

53
Em uma abordagem policial, os policiais empregam a tática de aproximação triangular como
forma de dispersar a percepção do suspeito. Nessa técnica de imobilização a mãos livres na posição
de pé pela retaguarda, um dos policiais se desloca para a retaguarda enquanto o outro realiza a
verbalização objetivando controlar e distrair o suspeito. E segue os passos a seguir:

● O policial que está na retaguarda se aproxima pela diagonal do cidadão infrator (posição
2,5);

● Aproxima uma das mãos na direção do punho e a outra no tríceps oposto do suspeito,
aplicando a “Kimura” partindo da posição 3;

DICA

Ao realizar a técnica, o policial deve trazer o braço do suspeito resistente para trás do
próprio agressor, sendo que a transição das mãos deve ser simultânea e rápida, pois do
contrário, o cidadão infrator poderá se desvencilhar.

● Simultaneamente, com a outra mão, puxa o punho do suspeito e direciona para cima do
seu braço, que está segurando o tríceps dele, formando o ângulo para a torção;

● com a chave de braço encaixada, faz o apoio do ombro do suspeito com sua outra mão
livre e realiza a estabilização do resistente;

● Caso o conduzido esteja muito resistente, a mão que está em apoio, no ombro do suspeito,
desloca-se em direção ao ombro oposto, envolvendo o pescoço do suspeito, fornecendo, assim, de
maneira segura, uma opção de aumentar o nível de imobilização.

4.4 Imobilização a mãos livres na posição deitado decúbito dorsal


Após aplicar uma técnica de projeção onde o cidadão infrator já foi conduzido de costas ao
solo, o policial deve mantê-lo nesta posição, para conseguir realizar a imobilização, projetando o peso
do seu corpo em seu joelho (ou pela canela) que está sobre o abdômen do agressor. Ao mesmo
tempo, segura um dos punhos, e com a outra mão, controla o pescoço ou o ombro oposto do
agressor.

DICA

Quando aplicar esta técnica, não se deve abaixar a cabeça próximo ao peito do cidadão
infrator, pois corre-se o risco de ser dominado. Por isso, deve-se manter a postura ereta.

● Mantenha o equilíbrio afastando sua perna de apoio para longe do agressor, “abrindo o
compasso” (para que este não consiga agarrar sua perna) e, assim, possa projetá-lo para o lado
oposto, invertendo a posição. Aproxime o seu joelho na direção do peito do agressor, sempre que

54
este esboçar maior resistência, de forma que, ao sentir um estímulo de dor momentâneo, não consiga
ter confiança para uma tentativa de inverter a posição;

● preparar para a transição, que irá possibilitar a algemação, simulando um ataque ao


cidadão infrator com um golpe de soco na direção do rosto; ele provavelmente irá tentar se defender
direcionando seus braços para cobrir o rosto;

● Neste momento, dominar um dos braços e efetuar uma chave de braço, terminando na
posição de imobilização deitado.

4.5 Imobilização com o infrator em decúbito ventral


Utiliza-se, preferencialmente, a imobilização com o infrator deitado, quando este resistente
ativo ou quando os policiais julgarem que há perigo iminente para a guarnição policial, devido à
atitude do suspeito e seu histórico. O autor pode ser levado ao chão por meio da verbalização, aliada
ao controle físico ou ao uso dissuasivo da arma de fogo.

O infrator deve ser colocado deitado em decúbito ventral (barriga para baixo), com os braços
abertos no prolongamento dos ombros, como um “crucifixo”. Essa posição pode ser adaptada,
podendo o infrator ser colocado com as mãos por sobre a cabeça. O importante é ter sempre os
pontos quentes monitorados, não devendo, as mãos, estarem escondidas embaixo do corpo;

Em seguida, realizar as seguintes ações:

● aproxime-se do infrator deitado, partindo da proximidade da cabeça do abordado,


preferencialmente, pelo lado contrário ao que o infrator está virado, evitando ficar próximo das
pernas, que é outro ponto quente.

● domine uma das mãos do agente, segurando a maior parte dos seus dedos e o dorso da
mão, torcendo em direção ao tronco e ajoelhando no dorso e na cintura deste.

● com o infrator dominado, o policial, ao manter seu tronco ereto e em equilíbrio, poderá
exercer três formas de forçamento de articulações: no pulso, no cotovelo e no ombro;

● após domínio do braço, sacar a algema com a mão que está livre, aplicar na mão do infrator
que está dominada e, na sequência, algema a outra.

4.6 Conclusão
A imobilização é um meio de limitar as ações agressivas do resistente, bem como evitar fugas
e o consequente agravamento do resultado esperado em uma intervenção policial. Invariavelmente, a
imobilização só é possível quando o resistente estiver desarmado, do contrário a aproximação é
desaconselhada e devem ser utilizados outros meios para realizar o desarmamento do infrator, o que

55
poderá ser feito por meio de verbalização, uso de instrumentos de menor potencial ofensivo, ou uso
dissuasivo da arma de fogo.

Partindo desta premissa, o policial se aproximará, quer seja de frente ou pela retaguarda ao
resistente, de pé ou deitado; em decúbito ventral ou dorsal, fazendo o uso legal da foça previsto no
art. 292 do CPP.

A imobilização é um marco na evolução da intervenção e no uso da força, uma vez


imobilizado e neutralizada a resistência, passasse ao monitoramento do resistente, minguando a
possibilidade de evolução negativa da ocorrência policial.

As técnicas apresentadas condicionam o policial militar a realizar a imobilização do resistente


a mãos livres, sendo esta situação muito comum no trabalho policial.

RESUMO
Neste capítulo, foram apresentadas técnicas variadas de imobilização a mãos livres, podendo
o policial imobilizar a partir das posições mais comuns em que se encontra o resistente, estando ele
de pé ou deitado, a aproximação e a imobilização poderão ser feitas pela frente ou pela retaguarda.
Comumente, imobiliza-se o infrator na posição de pé pela frente ou pela retaguarda, deitado decúbito
ventral ou decúbito dorsal.

É necessário que você seja rápido e técnico para alcançar sucesso nessas imobilizações,
para tanto, é necessário que as ações sejam automatizadas. Treine!

UNIDADE 5: ALGEMAÇÃO

5.1 Introdução
A algema é um Instrumento de Menor Potencial Ofensivo (IMPO) primordial para a atividade
policial. Os aspectos doutrinários de aplicação devem ser baseados na legislação processual vigente
e estão descritos no MTP 02 (Seção 4.3).

Na legislação, você deve observar o que é disposto na Súmula Vinculante n. 11 do STF,


que abarca a utilização lícita das algemas quando há, por parte do suspeito abordado, resistência e
fundado receio de fuga. Utiliza-se, também, quando o resistente traz risco à integridade física própria
ou alheia.

A utilização das algemas por você visa a controlar uma pessoa, diminuindo sua mobilidade,
sendo respeitada a sua integridade física e dignidade da pessoa humana. Veja o vídeo no link:
http://novo.ead.policiamilitar.mg.gov.br/mod/resource/view.php?id=179 .

56
DICA
Súmula vinculante 11: Só é lícito o uso de algemas em casos de resistência e de
fundado receio de fuga ou de perigo à integridade física própria ou alheia, por parte do preso
ou de terceiros, justificada a excepcionalidade por escrito, sob pena de responsabilidade
disciplinar, civil e penal do agente ou da autoridade e de nulidade da prisão ou do ato
processual a que se refere, sem prejuízo da responsabilidade civil do Estado.

5.2 Posição das mãos


Ao algemar o conduzido, as mãos do cidadão deverão ficar para trás. O bloco de trancamento
deve estar em posição voltada para o dorso das mãos, no punho do conduzido. Também é possível
4
colocar a algema acima do punho, acima do osso denominado “cabeça da Ulna ”, pois o
posicionamento das algemas nesse local dificulta que o conduzido tente retirá-las ou mesmo passá-
las para frente do corpo.

Após a algemação, as mãos do conduzido deverão estar com os dorsos voltados um ao


outro. A fechadura deverá estar voltada para os cotovelos e as algemas deverão estar travadas,
conforme figura 23, trata-se de uma questão de segurança, pois dificulta que o infrator algemado
tenha acesso ao sistema de fechadura e travamento do equipamento.

Figura 23: Posição final das mãos

Fonte: Centro de Treinamento Policial

5.3 Algemação na posição de pé


Para algemar um infrator na posição em pé, primeiramente você deve colocá-lo de costas
para você visando a uma maior segurança e aproximar-se pela posição “3”. O algemado pode ser
colocado com as mãos em um anteparo (Figura 24), se houver; caso não haja, você deve ordenar
que o abordado coloque as mãos na testa com os dedos entrelaçados (Figura 25). Você deve sempre
ter o controle sobre os pontos quentes do abordado.

4
Ulna osso comprido, ligeiramente curvado, que, com o rádio, forma o esqueleto do antebraço, configurando-lhe o bordo
interno
57
Figura 24 - Posição de pé com anteparo Figura 25 – Posição de pé sem anteparo

Fonte: Centro de Treinamento Policial

5.3.1 Algemação com apoio em anteparo


Para esta algemação, você deve ordenar que o abordado se vire de costas, coloque as mãos
sobre o anteparo, permaneça com os braços abertos, com os pés afastados, informando-o que será
submetido a uma busca pessoal.

Quando você se sentir seguro para uma aproximação, vá em direção ao abordado pela
posição “3”. Próximo ao abordado, proceda ao contato físico, colocando uma das mãos na linha de
cintura do abordado, posicionando-o contra a parede. Em seguida:

● segure o antebraço do abordado, colocando o cotovelo sobre o braço dominado, com a


outra mão executar a algemação;

● proceda a algemação do outro braço, trocar a base, imobilizar o outro braço, executando
uma chave nos dedos do abordado e executar a algemação.

5.3.2 Algemação sem apoio em anteparo


Para esta algemação, você deve ordenar que o abordado se vire de costas, coloque as mãos
sobre a cabeça e entrelace os dedos, mantenha os pés afastados, informando-o que será submetido
a uma busca pessoal.

● quando você se sentir seguro para uma aproximação, vá em direção ao abordado pela
posição “3”. Próximo ao abordado proceda ao contato físico, aplicando uma chave de dedos no
abordado e conduzindo suas mãos até a testa do suspeito. Mantenha o seu tronco ereto, uma das
pernas entre as pernas do abordado e com o pé da mesma perna ao lado do pé do conduzido.

● em seguida, algeme um dos braços do abordado, executar uma manobra girando o braço
do cidadão para trás, com a outra mão executar chave nos dedos do abordado e proceder a
algemação para trás.

5.3.3 Algemação na posição de joelhos


Utiliza-se preferencialmente a algemação com o infrator ajoelhado, quando este se portar em
resistência ativa ou quando os policiais julgarem que há perigo iminente para a guarnição policial,
58
devido à atitude do suspeito, bem como seu comportamento em ocorrências anteriores. Siga os
passos:

● determine ao infrator que se poste na posição de joelhos e com as mãos na testa com os
dedos das mãos devem estar entrelaçados e as pernas devem estar cruzadas.

● aproxime-se do infrator, por trás, posição “3” e de forma lateral. Com a mão da frente,
segura firme as mãos do infrator, entrelaçadas por sobre a testa. A perna à frente pode ser colocada
por debaixo do cruzamento das pernas do Infrator.

● após colocada no braço do abordado, a algema deve ser ajustada conforme as dimensões
do seu braço, sem que esteja folgada ou demasiadamente apertada.

● com um leve giro da algema juntamente com o braço do abordado, você conduz o braço
algemado para trás. Nesse momento, segure o par de algemas, de forma que firme pelo bloco de
trancamento, e segura a outra mão, realizando uma chave nos dedos do abordado, até colocar a
algema no outro.

5.3.4 Algemação na posição deitado


Utiliza-se preferencialmente a algemação com o infrator deitado, quando este se portar em
resistência ativa ou quando julgarem que há perigo iminente para a guarnição policial.

● o autor pode ser levado ao chão por meio da verbalização, aliada ao controle físico ou ao
uso dissuasivo da arma de fogo;

● o infrator deve ser colocado deitado em decúbito ventral (barriga para baixo), com os
braços abertos no prolongamento dos ombros, como um crucifixo, o abordado não poderá estar
olhando para o policial que faz a imobilização e as palmas das mãos do abordado deverão estar
voltadas para cima. Essa posição pode ser adaptada. O importante é sempre monitorar os pontos
quentes, as mãos não devem estar escondidas embaixo do corpo do abordado;

● em seguida, aproxime-se do infrator deitado, próximo à cabeça, preferencialmente pelo lado


contrário ao que o infrator está virado, evitando ficar próximo das pernas, que é outro ponto quente;

● então, domine uma das mãos do agente, segurando a maior parte dos seus dedos e o
dorso da mão, torcendo em direção ao tronco e ajoelhando no pescoço e na cintura deste. O fato de
dominar os dedos da mão do infrator é uma questão de força. Enquanto, ao segurar nos dedos no
dorso da mão, a força da sua mão é maior que as dos dedos do infrator.

● Após domínio do braço, saque a algema com a mão que está livre, procede a algemação
no braço dominado do abordado.

● Segurando entre os blocos de trancamento das algemas, exerça uma torção leve no pulso
algemado e, com a outra mão, pega a mão do infrator do outro lado do corpo e encaixa na algema
livre. Nesse caso, você pode determinar que o infrator traga a mão para ser algemada.

59
5.4 Conclusão
A algemação pode ser considerada como uma imobilização definitiva, vez que ela limita os
movimentos do resistente ou infrator de maneira tal que a retirada deste instrumento de menor
potencial ofensivo deve ser feito quando o resistente estiver acautelado em local seguro.

A algemação de uma pessoa deve ser criteriosa, sendo observados os critérios estipulados
pela Súmula Vinculante 11, que em suma orienta a utilização apenas nos casos de real necessidade,
o que deve ser relatado por escrito justificando o seu uso.

A algemação apesar de fazer parte do dia-a-dia do policial é algo que muitas vezes apresenta
falhas na sua execução, geralmente por falta de treinamento e automação das técnicas disponíveis.
O material aqui apresentado tem por objetivo apresentar as posições e técnicas de algemação mais
comuns, de forma simples e objetiva, possibilitando ao policial militar acessar o material e extrair
conhecimento para sanar dúvidas do que e como deve ser treinado no que concerne ao uso das
algemas.

RESUMO
Nesse capítulo, você conheceu além dos aspectos legais que envolvem o uso de algemas, as
técnicas mais comuns para executá-la. Aprendeu que há uma posição final ideal das mãos para que
algemação seja eficiente, bem como descobriu a possibilidade de que a algema seja posicionada
acima do osso do punho denominado “cabeça da Ulna”. Também aprendeu as técnicas para algemar
nas posições de pé sem anteparo, de pé com anteparo, posição de joelhos e posição deitado.

UNIDADE 6: CONDUÇÃO

6.1 Introdução
Após imobilização e algemação do indivíduo, você deve conduzir o cidadão no compartimento
fechado da viatura, em seguida à presença da Autoridade Policial para encerrar a ocorrência. Sendo
assim, deve adotar alguns métodos, que serão comentados abaixo. No link
http://novo.ead.policiamilitar.mg.gov.br/mod/resource/view.php?id=178 é possível ver detalhadamente
as técnicas apresentadas em vídeo.

6.2 Método de condução com forçamento de punho


Esse método é utilizado quando o indivíduo que será conduzido estiver algemado e totalmente
dominado, já na posição de pé. Posicione-se de forma que a arma fique do lado contrário ao do
conduzido. A mão forte pega o braço do conduzido na região do cotovelo e a mão fraca pega o dorso

60
da mão do conduzido, onde é feita uma leve pressão para cima. Caso haja reação por parte do
conduzido, você imprime mais pressão com o intuito de que o conduzido cesse a tentativa de fuga.

Figura 26: forçamento de punho

Fonte: Centro de Treinamento Policial


Se ainda for necessário imprimir mais força moderada, traga o braço do conduzido para a sua
axila, segure firme o dorso da mão do indivíduo e faça pressão na chave.

Figura 27: Forçamento do punho com mais pressão

Fonte: Centro de Treinamento Policial

6.3 Método de forçamento de articulações dos dedos


Esse método também é utilizado quando o indivíduo que será conduzido estiver algemado e
totalmente dominado, já na posição de pé. Posicione-se de forma que a arma fique afastada do
conduzido. A mão forte pega o braço do conduzido na região do cotovelo e com a mão fraca você
fecha a mão deixando para fora o indicador e o polegar, o que se assemelha a um “revólver”, introduz
o dedo indicador na articulação de um dos dedos da mão do conduzido, o polegar fica na palma da
mão do conduzido.

61
Figura 28: Forçamento da articulação do dedo

Fonte: Centro de Treinamento Policial

Caso haja necessidade o durante a condução, o militar imprimira força, imprime pressão
moderada com o intuito de que o conduzido cesse a tentativa de fuga.

6.4 Método de forçamento das algemas


Neste método, após a imobilização do indivíduo e algemação, coloca-se o conduzido na
posição de pé. Posicione-se de forma que a arma fique do lado contrário ao do conduzido. A mão
forte pega o braço do conduzido na região do cotovelo e a mão fraca pega o elo das algemas, sendo
que os quatro dedos da sua mão envolvem todos os elos da algema, já o seu dedão fica sobre a
haste da algema

Nesse momento, caso seja necessário ou haja tentativa de fuga do conduzido, exerça uma
força moderada, onde é imprimida uma força no dedão de cima para baixo, esse movimento causa
um desconforto no conduzido. Esse método visa cessar a tentativa de fuga do conduzido.

6.5 Método de forçamento das articulações cotovelo e ombro


Essa técnica é mais realizada quando o indivíduo não está algemado, mas pode ser aplicada
também com o conduzido algemado. Consiste em um forçamento da articulação do ombro do
conduzido, através de um apoio na articulação do cotovelo, com o objetivo de manter o seu controle
pela resposta ao estímulo de dor.

Posicione-se de forma que a arma fique do lado contrário ao do conduzido. Sua mão forte
pega o braço do conduzido na região do cotovelo e a mão fraca entra por trás do braço do conduzido,
na altura do cotovelo, fornecendo o ângulo para a torção, nesse momento deslize seu braço até
conseguir segurar o tríceps do agressor onde são colocados os dedos para que o braço do conduzido
fique preso e não possa sair.

Ao realizar essa condução você estará na retaguarda do conduzido, com a chave de braço
encaixada, fará o apoio do ombro do suspeito com sua outra mão livre. Caso o conduzido reaja ou
tente fuga ou haja necessidade de imprimir força moderada é possível. Uma opção que você poderá

62
utilizar para conduzir o indivíduo agressivo é executar uma “gravata” no pescoço do conduzido,
fornecendo, assim, de maneira segura, uma opção de estrangulamento.

6.6 Conclusão
Uma intervenção policial em que culmina com prisão de alguma pessoa, por força da lei esta
deve ser conduzida à presença da autoridade de polícia judiciária. Não são raros os casos de
pessoas que conseguem empreender fuga mesmo após estarem algemadas.

Para tanto, é necessário que o policial tenha condições de executar técnicas de condução que
mitigam a tentativa de fuga, ou até mesmo uma agressão por parte do conduzido.

Neste capítulo, foram apresentadas técnicas de condução de presos, as quais por meio do
forçamento das articulações proporcionam mais segurança para o policial, com um método simples e
eficaz. O policial pode utilizar uma quantidade considerável de técnicas para condução dessas
pessoas.

RESUMO
Foram, em suma, explicitadas técnicas com baixo de grau de dificuldade de execução,
portanto, o treinamento simples pode habilitar o policial a ser eficiente na ao conduzir pessoas. Foram
apresentadas técnicas de forçamento do punho normal e com mais pressão, forçamento do punho
com as algemas, forçamento dos dedos, forçamento dos ombros e cotovelos.

UNIDADE 7: AVALIAÇÃO
A disciplina Defesa Pessoal Policial, diferente dos biênios anteriores, não terá aulas
ministradas de forma presencial. Está sendo disponibilizado o material didático com demonstração
das técnicas que serão ministradas pelos instrutores nas Unidades Operacionais e Administrativas.
No CTP e nas Unidades executoras do TPB, somente será realizada a avaliação, a qual se dará em
duas horas-aulas, sendo avaliadas técnicas das seis unidades citadas.

Portanto, o discente treinará as técnicas aqui disponibilizadas, em suas Unidades


operacionais ou administrativas, quando deve se preparar para a realização da prova. Não haverá
aulas de Defesa Pessoal Policial durante o Treinamento Policial Básico, somente a avaliação.

A turma deverá aguardar do lado de fora do “dojô”. O aplicador da avaliação chamará 03


discentes para dentro, o primeiro fará a avaliação, enquanto o segundo fará o papel de oponente e o
terceiro o papel de observador. Assim que terminar a avaliação desse primeiro aluno, esse será
liberado.

63
Em seguida serão chamados um a um, sendo que o que havia sido oponente, passa ser o
avaliado, o último será o observador, e a sequência seguirá até que restem os últimos três que
deverão acompanhar o encerramento das avaliações. Durante a avaliação serão seguidos os
seguintes passos:

- O aplicador (professor) irá determinar que o discente execute uma técnica contida nos
seguintes grupos:

a) Golpes traumáticos;

b) Projeções;

c) Defesa;

d) Imobilizações;

e) Algemação;

f) Condução.

Dentro desses grandes grupos existe uma variedade de técnicas que podem ser aplicadas.
Desta forma, o avaliado deve estar em condições de realizar qualquer técnica que o aplicador
determinar. No anexo “C” há um quadro com as técnicas que serão exigidas durante a prova.

Estando o discente no centro do tatame juntamente com o discente figurante, o aplicador vai
determinar claramente a técnica que ele deve aplicar, em seguida irá perguntar VOCÊ ESTA
PRONTO? Se afirmativo, vai apitar para que seja realizada a execução apenas uma vez. Importante
saber que será cobrada a execução de apenas uma técnica contida nos grupos, ou seja, o avaliador
vai solicitar uma técnica de aplicação de golpe traumático, qual técnica específica e variação desta
técnica.

Exemplos:

a. Aplique um soco direto, Aluno pronto? Apito, EXECUÇÃO;

b. Aplique uma projeção pela retaguarda, Aluno pronto? Apito, EXECUÇÃO;

c. Execute uma defesa contra chute baixo, Aluno pronto? Apito, EXECUÇÃO;

d. Execute uma imobilização na posição de pé pela frente Aluno pronto? Apito, EXECUÇÃO;

e. Execute uma algemação na posição de pé sem anteparo Aluno pronto? Apito, EXECUÇÃO;

f. Execute uma condução com forçamento das articulações dos dedos Aluno pronto? Apito,
EXECUÇÃO.

64
O avaliador vai definir aleatoriamente qual variação que irá determinar que seja executada
pelo avaliado, totalizando seis técnicas por avaliado.

Cada técnica executada será avaliada em três critérios, quais sejam:

a.Efetividade: observância do procedimento técnico e alcance do objetivo;

b.Energia: execução da técnica com vigor e confiança;

c.Destreza: execução da técnica sem embaraços e interrupções.

Cada um desses critérios será valorado conforme anexo B dessa disciplina. A cada registro
de falha no critério da técnica demandada, haverá a subtração do valor daquele critério da nota final
do treinando. Assim, o avaliado começa a prova com a pontuação total e durante a execução, serão
observados os erros dentro dos critérios descritos e lhe será debitado o valor por erro.

Portanto, para fins de agilidade, o avaliador somente fará um “X” no quadrinho destinado ao
critério de avaliação em que o avaliado cometeu o erro, ao final fará a subtração, do valor final da
nota máxima que pode ser alcançada na avaliação. Por fim, após atribuir a nota, o aluno assina o
barema, conforme anexo A.

65
ANEXO A – BAREMA DA AVALIAÇÃO DE DEFESA PESSOAL

ACADEMIA DE POLÍCIA MILITAR


CENTRO DE TREINAMENTO POLICIAL
BAREMA DE AVALIAÇÃO PRÁTICA DE DEFESA PESSOAL POLICIAL
Nome do Curso Sigla Local Turma
Treinamento Policial Básico TPB CTP/APM
Nome da Disciplina Carga Horária
Defesa Pessoal Policial 02 Horas/Aula
Nome do Coordenador da Nome do Professor da Disciplina
Disciplina
1º Ten Cláudio José Virgílio
Tipo de Avaliação Valor Total Data da Avaliação
Avaliação final 10 Pontos
DPP 9º BIÊNIO
Golpes
Projeções Defesa Imobilizações Algemação Condução Assinatura
Nr PM P/G Nome traumáticos Nota
discente
EF EN DE EF EN DE EF EN DE EF EN DE EF EN DE EF EN DE

Observações:
1- Serão distribuídos dois pontos na avaliação.
2- Cada técnica será avaliada com base nos critérios, efetividade, energia e a destreza.
2.1 Efetividade: observância do procedimento técnico e alcance do objetivo;
2.2 Energia: execução da técnica com vigor e confiança;
2.3 Destreza: execução da técnica sem embaraços e interrupções.
7- O avaliado inicia a prova com o total de pontos, a cada erro cometido dentro dos critérios de avaliação para cada técnica aplicada (energia, destreza e efetividade) será marcado um sinal com
“X”, assim será subtraído o valor correspondente àquele erro conforme tabela contida no anexo B.

Belo Horizonte ______/______/_________.

________________________________________

AVALIADOR
VISTO DE RECEBIMENTO DA SECRETARIA DE ENSINO
Nº PM Nome Assinatura
ANEXO B – TABELA DE CONVERSÃO DE PONTUAÇÃO DA AVALIAÇÃO DE DPP

Número de erros Nota atribuída


0 2,0
1 1,9
2 1,8
3 1,7
4 1,7
5 1,6
6 1.6
7 1,4
8 1,4
9 1,2
10 1,0
11 1,0
12 0,8
13 0,8
14 0,6
15 0,6
16 0,4
17 0,2
18 0,0
ANEXO “C” - RELAÇÃO DAS TÉCNICAS DE DEFESA PESSOAL DO 9º BIÊNIO – CTP/2018

GRUPO TÉCNICA ESPECÍFICA VARIAÇÃO


1. jab
2. direto
SOCOS
3. cruzado
TÉCNICA DE APLICAÇÃO
4. gancho
DE GOLPES
TRAUMÁTICOS 1. frontal
2. baixo (low kick)
CHUTES
3. semicircular
4. circular
PROJEÇÃO PELA FRENTE -
PROJEÇÕES
PROJEÇÃO PELA RETAGUARDA -
ESQUIVA -
1. defesa contra jab e direto
DEFESA CONTRA SOCOS A MAOS 2. defesa contra soco cruzado
LIVRES 3. defesa contra gancho
4. defesa contra uppercut
1. defesa contra chute frontal
2. defesa contra chute baixo (low
DEFESA CONTRA CHUTES A
kick)
MÃOS LIVRES
3. defesa contra chute semicircular
DEFESAS
4. defesa contra chute circular
1. varredura vertical
VARREDURAS COM TONFA 2. varredura diagonal
3. varredura horizontal
1. bloqueio de ataque à cabeça
2. bloqueio de ataque na altura do
BLOQUEIOS CONTRA GOLPE
tronco
TRAUMÁTICO
3. bloqueio contra ataque ao baixo
ventre
DE PÉ PELA FRENTE -
DE PÉ PELA RETAGUARDA -
IMOBILIZAÇÕES
DECÚBITO DORSAL -
DECÚBITO VENTRAL -
DE PÉ SEM ANTEPARO -
DE PÉ COM ANTEPARO -
ALGEMAÇÃO
DE JOELHOS -
DEITADO -
FORÇAMENTO DO PUNHO -
FORÇAMENTO DA ARTICULAÇÃO
-
CONDUÇÃO DOS DEDOS
FORÇAMENTO DA ALGEMA -
FORÇAMENTO DA ARTICULÇÃO
-
DO OMBRO E COTOVELO
Fonte: Centro de Treinamento Policial
REFERÊNCIAS
MINAS GERAIS. Polícia Militar. Manual de Defesa Pessoal Policial. Centro de Pesquisa e Pós-
Graduação da PMMG, 2010.

MINAS GERAIS. Polícia Militar. Manual Técnico Profissional 3.04.01/2013-CG. Caderno


Doutrinário nº 01. Belo Horizonte, 2013.

MINAS GERAIS. Polícia Militar. Manual Técnico Profissional 3.04.01/2013-CG. Caderno


Doutrinário nº 02. Belo Horizonte, 2013.

69
ÉTICA, DOUTRINA E ATUALIZAÇÃO

70
ATUAÇÃO PREVENTIVA E VISIBILIDADE

71
Apresentação

Caro (a) policial militar esta disciplina trabalhará aspectos referentes ao modelo de atuação
preventiva da PMMG, visando privilegiar conceitos, ações e operações policiais que, baseados na
cientificidade e na proximidade com a comunidade, antecipem o cometimento do delito e promovam
maiores níveis de satisfação e de sensação de segurança pela sociedade tomadora do serviço.

Espera-se ao final desse conteúdo que você a valorize o policiamento preventivo bem
realizado, seja na atividade-fim, pela postura profissional irretocável, pela atitude expectante, pelo
estacionamento da viatura em local de maior visibilidade ou pela manutenção do giroflex ligado
durante o patrulhamento, seja na atividade-meio, ao promover serviços que auxiliam o
desenvolvimento da ação operacional.

Centro de Treinamento Policial


“Tornando o Policial Militar mais forte!”

72
Introdução
Indubitavelmente, a face repressiva das Polícias Militares é de suma importância para o
restabelecimento da ordem na sociedade, visto que, na maioria dos casos, ocorre em sequência à
eclosão de algum delito.

Contudo, esta disciplina tem como fundamento demonstrar que a antecipação do delito tem a
mesma relevância ou, até mesmo, maior relevância do que o emprego da técnica policial repressiva.
A intenção é ratificar que prevenção e repressão não podem ser interpretados como uma dicotomia.
Não se trata de extinguir a repressão! A prevenção e a repressão são conceitos complementares
que devem coexistir no contexto policial e você deve estar preparado e com o espírito desarmado
para atuar da forma como a comunidade e a Instituição demanda no seu local de emprego,
independente de qual guarnição compuser.

Imagine-se no seu horário de folga, assistindo televisão e como mero tomador do serviço de
segurança pública, em dois contextos distintos: no primeiro, é transmitido que estão sendo realizadas
operações policiais e patrulhamentos rotineiros no seu bairro, afirmando que nenhum crime foi
registrado no local por um certo período; no outro contexto, noticia-se que houve um roubo no seu
bairro e que a Polícia Militar logrou êxito na prisão do autor. Honestamente, reflita e responda: qual
notícia você preferiria que fosse na sua vizinhança? Qual notícia te faz sentir mais seguro?

Já no seu cotidiano profissional, quantos policiais militares você conhece que já realizaram ou
pelo menos manifestaram interesse em realizar treinamentos com foco no policiamento preventivo?
Quantos civis ingressam na PMMG e tem como paradigma o policial militar que apresenta postura e
atitude expectante durante um ponto base no horário de maior fluxo de pessoas na área comercial? E
quantos civis ingressam na Corporação com a finalidade de atuarem em ocorrências com emprego
de arma de fogo? Estamos incentivando a valorização do policiamento preventivo desde o início da
carreira ou fomentando apenas práticas repressivas?

Com tais questionamentos, temos a intenção de levar você a uma reflexão e análise crítica
sobre a valorização da prevenção no emprego ordinário do policiamento.

A realidade nos mostra que o foco no policiamento repressivo não tem sido suficiente para
reduzirmos o crime e atender aos anseios da comunidade em muitos cenários. Muito pelo contrário. A
utilização da força policial, em qualquer nível, tem sido cada vez mais explorada pela mídia de forma
sensacionalista, potencializando a difusão dos crimes ocorridos e a sensação do medo, não raras
ocasiões em ambiente em que a estatística criminal apresenta redução em vários meses
subsequentes.

Na verdade, estamos fomentando o ciclo ao invés de rompê-lo, o qual a própria Instituição


acaba sendo uma das principais vítimas, martirizada injustamente por meio de questionamentos e
comentários oportunistas sobre sua eficiência, originados de profissionais com grande audiência e
pouca formação na área, mas que, desprovidos ou não de razão, maculam a imagem institucional.

73
Prova cabal e inequívoca da eficiência da Polícia Militar é vista no nosso cotidiano
operacional sempre que constatamos que um cidadão preso em flagrante por qualquer crime já tem
diversas outras prisões. Por que ele ainda se encontra em liberdade? Falta de eficiência da Polícia
Militar certamente não é a resposta, pois ele já foi conduzido em diversas outras oportunidades.
Então, por que a Instituição é quase sempre eleita como a culpada pela sensação de medo? E o que
está no nosso alcance para mudar isso?

Assim, nosso objetivo é apresentar argumentos da forma mais clara e empírica possível
sobre o tema e, inicialmente, como base sólida, não podemos deixar de mencionar a previsão da
Magna Carta, no parágrafo quinto do art. 144: “Às polícias militares cabem a polícia ostensiva e a
preservação da ordem pública”. Logo, percebe-se que o legislador originário colocou a repressão em
segundo plano e já enfatizou que a atuação das Polícias Militares deveria ser pautada na visibilidade
e na antecipação aos problemas de segurança pública.

Extraindo-se previsões teóricas e passando a analisar o cotidiano operacional, algumas


afirmações e reflexos relevantes sobre a atuação policial militar podem ser mencionados:

- ao agir repressivamente, “perdemos” duas vezes: primeiro porque em algum momento do


ciclo criminal falhamos na prevenção; segundo porque realocamos policiais que estavam focados no
policiamento preventivo para o rastreamento do autor, tornando mais áreas suscetíveis a outros
delitos;

- nas ocasiões em que o tempo para recebimento de ocorrência extrapola o turno de serviço
do policial militar, este não raras vezes passa a fazer jus à compensação, o que reduz o efetivo
empregado nos dias sequentes e prejudica o policiamento preventivo;

- o êxito na atuação repressiva não apaga o crime ocorrido, ou seja, a prisão do autor e a
recuperação de bens podem até surtir efeito positivo no pensamento do cidadão de bem, contudo, o
caso concreto será sempre lembrado;

- o policiamento repressivo aumenta os riscos físicos e psicológicos da própria atividade


policial, submetendo o policial militar a situações iminentes de dano a sua integridade física, seja por
armas seja por acidentes automobilísticos;

- a prevenção reflete positivamente em aspectos finalísticos e logísticos da própria Instituição:


além de reduzir gastos, minimiza os riscos de acidentes de trânsito e os consequentes danos.

No capítulo 1, trataremos dos “Fundamentos de Rede de Proteção”. A partir da edição da


instrução nº 3.03.11/2011-CG, que trata da Rede de Vizinhos Protegidos, a prática evoluiu por
diversos fatores como pela migração do crime e pela introdução de novas tecnologias na vida das
pessoas. Assim, trataremos das questões de base para formação de redes de proteção, para
possibilitar a adaptação em qualquer realidade (urbana, rural, comercial, indústria, escola, etc) e
empoderar todos os policiais militares na iniciativa da implementação, seja praça, seja oficial.

No capítulo 2, trataremos dos “Procedimentos Operacionais Preventivos”, com ênfase na


potencialização da visibilidade. Serão apresentadas as novas diretrizes da Instrução nº 3.03.22/2017-

74
CG, que trata do estacionamento e posicionamento de viaturas e da guarnição policial militar, e
outras previsões como a utilização do giroflex presente na Diretriz Geral de Emprego Operacional.

Por fim, no capítulo 3, apresentaremos as “Boas Práticas Preventivas” implementadas nas


diversas unidades operacionais do Estado de Minas Gerais em 2016 e 2017, de modo a propiciar aos
comandantes nos diversos níveis um maior rol de estratégias de antecipação ao crime e inspirá-los a
implementar ou adaptar a suas realidades.

Objetivos
Ao final do conteúdo, espera-se que você contribua para o aumento da sensação de
segurança da comunidade e que seja capaz de:

- Potencializar a visibilidade durante o serviço Policial Militar;

- Valorizar a gestão participativa, as ações e operações policiais preventivas;

- Adequar boas práticas preventivas a sua realidade.

75
UNIDADE 1: FUNDAMENTOS DE REDE DE PROTEÇÃO

1.1 Rede de Proteção: Polícia Militar e Comunidade


A Rede de Proteção Preventiva (RPP) deve buscar uma proximidade entre você e a
comunidade, passando este a ser uma referência para o público em geral; maior integração com o
Sistema de Defesa Social, propiciando ações benéficas à sociedade; e sensibilização das pessoas
para que adotem mudanças de comportamentos, principalmente com medidas de autoproteção e
atuação em rede, contribuindo para a redução da criminalidade e aumento da sensação de
segurança.

Conceitualmente falando, é conjunto de pessoas organizadas para executarem ações


sistematizadas. Seu objetivo é melhorar as relações entre as pessoas, despertar a consciência
solidária e incentivar a vigilância informal, coibindo a ação de possíveis criminosos e
garantindo a segurança pessoal e patrimonial, por meio de pequenas mudanças de
comportamento e compartilhamento de informações de interesse para a segurança. Possibilita
que o policial militar conheça a comunidade e vice-versa. Ressalta-se que as redes reforçam a
missão primordial da Polícia Militar na contribuição para a paz social, assegurando a liberdade e os
direitos fundamentais e tornando Minas o melhor estado para se viver (MINAS GERAIS, 2016b, p. 15-
16).

Em recente pesquisa realizada por Souza (2016), havia um total estimado de 2.769 Redes de
Proteção Preventivas vinculadas a Unidades de Execução Operacional da PMMG e distribuídas em
130 Municípios do Estado. Somente no ano de 2014, houve um total de 6.057 reuniões comunitárias
e cerca de 7.105 policiais militares atuaram em atividades das RPP.

Para a comunidade, a rede permite uma fluidez nas informações sobre situações de
suspeição, com consequente estímulo de um comportamento permanente de vigilância do espaço
territorial, bem como mudança de atitude para autoproteção e, por conseguinte, evitar vitimização.
Além disso, cria-se uma noção de solidariedade, haja vista as pessoas conhecerem umas as outras e
despertarem senso de preocupação com o próximo.

Para a PMMG, possibilita o uso de informações qualitativas da comunidade para direcionar o


planejamento das ações e operações preventivas e/ou repressivas. Além do que, ao manter contato
diuturno com os participantes, o policial militar reforçará a sensação de segurança subjetiva, além da
confiança no trabalho da Instituição. Outro ponto importante é que a divulgação de dicas de
autoproteção, informações estatísticas e outras conceituais sobre delitos e suas causas, permite à
comunidade a adoção de modelos mentais que possam gerar mudanças de comportamentos.

LEMBRETE

“Cidadão alerta, cidadão participativo.”

76
DICA

O objetivo da Rede de Proteção Preventiva é o de melhorar as relações entre as


pessoas, despertar a consciência solidária e incentivar a vigilância informal, coibindo a ação
de possíveis criminosos e garantindo a segurança pessoal e patrimonial, por meio de
pequenas mudanças de comportamento e compartilhamento de informações de interesse para
a segurança. Possibilita que o policial militar conheça a comunidade e vice-versa.

1.2 Fatores que impulsionam e justificam a criação de Redes de


Proteção
a) Missão da Polícia Militar: considerando que a missão da Polícia Militar é “promover
segurança pública por intermédio da polícia ostensiva, com respeito aos direitos humanos e
participação social em Minas Gerais”, a Rede de Proteção Preventiva é um instrumento que
proporciona a efetiva participação da comunidade na promoção de ambientes mais seguros.

b) Aproximação da comunidade em geral: as pessoas tendem a se isolar cada vez mais, e


desta forma, perdem suas características essenciais. Afinal, se agirem em conjunto, com todos os
participantes, elas terão maiores possibilidades de melhorar seu bairro e torná-lo mais seguro. Se
estiverem sozinhas, suas chances de alcançar as autoridades ou de sensibilizar outros parceiros para
a conquista de programas efetivos de segurança são menores.

c) Mais vigilância, menos crime: se as pessoas não estão mais nas praças e nas ruas, tem-
se menos vigilância natural naquela localidade. Ou seja, aqueles que estiverem pré-dispostos ao
crime, à violência e à desordem terão mais facilidade em agir, porque não precisam mais se
preocupar com eventuais testemunhas. Assim, se as praças e ruas, antes frequentadas pelas
famílias, namorados e crianças, estão agora vazias, elas poderão ser um lugar ideal para o tráfico de
drogas e ação de infratores.

d) Existência de espaços ociosos e perda de oportunidades: imperando o sentimento de


intranquilidade pública em uma determinada comunidade, a consequência lógica é o êxodo dos
participantes daquela localidade para outra região dentro do município ou mesmo para outras
cidades, mesmo que seja apenas por medo do crime. Por decorrência, poderá haver uma grande
oferta de imóveis no local, que poderão servir de palco para prática de delitos.

Ressalta-se que uma localidade mal cuidada, com edificações depredadas, locais públicos
mal conservados, tende a criar um ambiente propício para o vandalismo de maneira cíclica.

e) Vida em comunidade: a incidência da criminalidade leva a uma redução na intensidade da


relação entre as pessoas. Por serem vítimas de delitos, ou conhecerem pessoas que foram vítimas,
estas passam a se relacionar menos umas com as outras, buscando reduzir o risco a que poderiam
estar submetidas, resultando em:

77
− redução na frequência com que os vizinhos se visitam, conversam ou trocam gentilezas;

− redução da capacidade de formação de uma identidade de laço entre os vizinhos;

− redução da vigilância informal dentro das comunidades;

− redução da sensação de segurança das pessoas em relação ao lugar onde residem.

f) Queda na qualidade de vida: a redução na qualidade de vida das pessoas também é um


dos fenômenos resultantes do aumento da violência. As pessoas mudam seus hábitos, na busca de
reduzir o risco a que estariam submetidas. Neste contexto, verifica-se que estas:

− limitam os locais onde transitam;

− deixam de ir a locais que gostam;

− evitam usar transportes coletivos;

− evitam sair de casa em determinados horários;

−gastam altas somas de recursos na proteção individual e de suas residências.

1.3 A Rede de Proteção Preventiva frente ao Triângulo de Análise do


Crime
De acordo com uma das teorias predominantes, os requisitos para o sucesso de um crime
são basicamente os seguintes:

− criminoso motivado;

− local vulnerável, com ausência de polícia/vigilância no momento do delito;

− oportunidade dada pela vítima.

Figura 29 - Triângulo do Crime (Teoria das Oportunidades)

Fonte: geralararangua.blogspot.com.br

78
DICA

Diante da impossibilidade da Polícia Militar estar presente em todos os lugares, ao


mesmo tempo, torna-se fundamental que a Instituição busque estratégias conjuntas e que
propiciem um ambiente mais seguro.

Triângulo de Análise do Crime: ferramenta visual que auxilia os policiais e a comunidade a


visualizarem o problema e a estabelecer mecanismos de segurança preventiva.

a) trocar a oportunidade dada pela vítima por cuidados e ações proativas, com medidas de
autoproteção, visando dificultar a atuação do criminoso;

b) estimular a participação vigilante das pessoas, incutindo o senso de cooperação mútua, a


prática de ações de alerta sonoro e identificação visual como forma estratégia de comunicação. Por
exemplo, pessoas suspeitas, veículos parados com pessoas observando residências, barulhos em
casas onde se sabe que os integrantes estão ausentes, dentre e outros;

c) criar mecanismos para coibir a ação criminosa, tendo por objetivo melhorar a proteção
pessoal e patrimonial e, consequentemente, o aumento da segurança e garantia da paz social.

1.4 Roteiro de ação para a criação de Rede de Proteção Preventiva


1.4.1 Providências a serem adotadas antes da criação da Rede de Proteção
Preventiva
a) Se a iniciativa de criação for sua, você deverá repassar ao Cmt Cia/Pel para avaliarem, em
conjunto, por meio de análise criminal e conhecimentos de Inteligência de Segurança Pública (ISP),
fatores que justifiquem a implantação da rede.

b) Se a demanda partir da sociedade, você deverá repassar ao Cmt Cia/Pel e realizar pré-
cadastro dos interessados, uma vez que serão os corresponsáveis pela implantação da rede e
atuarão como mobilizadores de outros membros da comunidade.

c) Sensibilizar os representantes iniciais da rede em relação ao artigo 144 da Constituição


Federal, bem como a importância da participação ampla e dos resultados positivos que possam
ocorrer a partir do funcionamento da rede.

d) Agendar reunião inicial de aproximação e apresentação dos objetivos, justificativa, rotinas


de funcionamento e demais informações importantes de uma Rede de Proteção Preventiva,
constantes na Instrução nº 3.03.11/16-CG. Para tanto, você realizará uma palestra com esse
conteúdo.

e) Enviar modelo de convite padrão, conforme modelo estabelecido na Instrução 3.03.11/16-


CG.

79
f) Demandar, junto a líderes comunitários locais e representantes iniciais da rede, que
auxiliem na divulgação de convite e convencimento de membro da comunidade para participação da
reunião inicial de aproximação. Para tanto, os meios virtuais, como aplicativos e redes sociais, podem
ser uma ferramenta ideal de disseminação de informações.

1.4.2 Providências a serem adotadas durante criação da Rede de Proteção


Preventiva
a) Preparar o local onde ocorrerá a palestra inicial, preferencialmente na própria comunidade.
Quanto aos recursos materiais para montagem do dispositivo local da reunião, sugere-se 01 (uma
mesa), 01 (um) kit multimídia (computador, projetor de mídia, etc.) e microfone. Deve-se evitar
formação de mesa de honra para autoridades, personalidades ou quaisquer representantes civis,
militares e políticos.

b) Apresentar-se aos participantes, dando a oportunidade também, quando possível, aos


demais presentes. Solicitar que os interessados exponham, de forma rápida e de acordo com as suas
percepções, quais os problemas recorrentes no ambiente a ser abrangida pela rede.

c) Informar aos participantes que as atividades discutidas na primeira reunião serão somente
para implantação, oportunidade em que o gestor da Rede deverá explicar de forma objetiva a
metodologia de funcionamento da rede. Você deverá ser claro e preciso durante a palestra, evitando
uso de “jargões, gírias e manifestações de posicionamentos pessoais”.

d) Sensibilizar as pessoas a adotarem um comportamento mais solidário de forma a estarem


dispostas a compartilharem rotina, buscando potencializar a rede de vigilância mútua. Você deve
explicar detalhadamente aos cidadãos o que se pretende, mostrando a necessidade, importância e
vantagens de naquela localidade criar a rede. É fundamental levar ao conhecimento destas pessoas
os resultados positivos de experiências similares, provando a eficácia desta ação que já ultrapassa o
caráter experimentalista.

LEMBRETE

Um processo de mobilização requer uma dedicação contínua, para que assim produza
resultados no cotidiano das pessoas.

e) Estabelecer qual pessoa será o representante da Rede de Proteção Preventiva a participar


junto com o gestor da Polícia Militar, podendo haver mais de uma pessoa, a fim de atuar como
facilitador da comunicação, promover a integração entre os envolvidos, colocando em prática os
pressupostos e princípios da atividade. Torna-se importante verificar a idoneidade desse
representante, a fim de estabelecer a parceria com pessoas ordeiras.

f) Solicitar aos participantes a mobilizarem o maior número de pessoas para integrarem a


Rede de Proteção Preventiva.

g) Criar as sub-redes de verificação, vigilância mútua e identificação.

80
h) Fomentar a constituição de mídia social, dentre as tecnologias disponíveis, a fim de facilitar
a comunicação entre os envolvidos.

i) Repassar, digital ou fisicamente, o modelo de placa de Rede de Proteção, sugerindo


adequações mínimas no que diz respeito à natureza da rede.

IMPORTANTE

Não recolher valor ou responsabilizar-se pela confecção das placas, nem mesmo indicar
fornecedor, a fim de evitar suposições sobre auferição de vantagem indevida.

j) Recomenda-se que antes de repassar o modelo das placas seja realizada pelo menos duas
reuniões, sendo uma a de instalação, a fim de solidificar e obter o maior número de adeptos para a
rede, se possível, convidando novos participantes.

1.4.3 Providências a serem adotadas no funcionamento da Rede de Proteção


Preventiva
a) Cadastro dos participantes da rede: você coordenará o cadastramento formal de todos
os participantes. Somente poderá encomendar e receber a placa da rede para fixação no imóvel, o
participante constante no cadastro. O acesso ao cadastro geral de todos os participantes será de
responsabilidade do policial militar coordenador da atividade e da liderança legitimamente
reconhecida pela rede. O cadastro geral é de uso restrito no trabalho da Rede de Proteção
Preventiva, para controle da PMMG e dos participantes.

b) Formação dos grupos: são conjuntos de pessoas da mesma localidade, organizadas em


quantidade conforme a natureza de cada segmento. Para maior eficácia, é importante que os
membros de cada grupo tenham os contatos e conheçam os hábitos dos seus integrantes.

c) Solenidade de implantação da Rede de Proteção Preventiva: ao final dos trabalhos


alusivos à implantação da rede, sugere-se realizar uma solenidade para a entrega das placas, como
forma de demonstrar a importância da atividade.

d) Sub-redes de verificação: a partir dos grupos criados, estabelece-se uma cadeia de


contatos, em que os membros padronizam formas de atuação na rede, como os contatos serão
realizados, horários, dentre outros fatores. Assim, a partir de códigos e senhas próprios, os
participantes verificam se na residência existe algum problema naquele momento. As formas de
comunicação geralmente ocorrem por telefone e, atualmente, por grupos criados em aplicativos de
mensagens.

DICA

É importante ressaltar que a senha criada deve ser do conhecimento apenas daqueles que
estão envolvidos diretamente com a rede, ou seja, moradores, comerciantes ou funcionários
que a integram.

81
e) Sub-redes de vigilância mútua: observação das imediações com foco direcionado à
presença de pessoas e veículos em situação de suspeição, de modo a informar à PMMG, de forma
mais célere possível. O membro atua, portanto, como uma “Câmera Viva” e algumas ferramentas
adicionais podem ser utilizadas: aplicativos de mensagens, sinais de apito, campainhas, dentre outros
previamente convencionados.

IMPORTANTE

Uma Rede de Proteção Preventiva pode ser feita por meio de telefone ou outras formas de
comunicação, como a criação de grupos para troca de informações entre os integrantes por
meio de aplicativos de mensagens. Salienta-se a necessidade de se alertar aos participantes
da rede acerca da disciplina na postagem de mensagens, cuidando para que somente
assuntos referentes à segurança pública sejam tratados pelos integrantes.

f) sub-redes de identificação: consiste na identificação do imóvel com placas


personalizadas e padronizadas, a fim de demonstrar, de forma ostensiva, a integração à RPP e à
PMMG (Figura 2). Somente participantes previamente cadastrados poderão afixar a placa no imóvel.
A PMMG não será responsável por fazer encomendas de placas e indicações de locais para
confecção de material destas, tampouco recolherá valores para aquisição. O orçamento das placas,
bem como a encomenda da quantidade necessária e o recolhimento do pagamento de cada
participante, deverá ser feito pela liderança da rede.

Figura 30: Modelo de placa de identificação dos diversos segmentos das Redes de Proteção
Preventivas

Fonte: Minas Gerais, 2016a.

g) responsáveis pelas redes: estes atuarão como facilitadores da comunicação e integração


entre os membros do grupo e entre estes e a PMMG. Além disso, constituem a referência no sentido
de buscar apoio de outras lideranças, bem como se incubem de serem administradores dos grupos
de aplicativos utilizados para troca de informações.

REFLEXÃO

O uso de aplicativos pode ser uma ótima ferramenta para uma resposta rápida a uma
intervenção. Assim, em caso de problemas, um vizinho aciona o outro e, consequentemente, a
PMMG, sempre por meio do telefone 190 e, posteriormente, de outras formas a serem
82
ajustadas. E como deve ser a participação do policial militar no âmbito de uma rede que utiliza
aplicativos, como o WhatsApp?

h) Policial militar gestor das RPP: responsável pelos procedimentos iniciais de criação da
rede; condução das reuniões de implantação, entrega de placas e manutenção da rede; cadastro dos
participantes; visitas e demais demandas que possam surgir e participação nos grupos de aplicativos.

i) Realização de reuniões periódicas: geralmente com periodicidade mensal, na qual são


sugeridos os seguintes assuntos: papel dos participantes em denunciar situações de suspeição à
PMMG; dar conhecimento como ocorrem as abordagens típicas de polícia e sua necessidade;
importância do diálogo e aproximação da comunidade com os policiais do turno de serviço; discutir
bons trabalhos desenvolvidos por outras redes e propor melhorias; alertas sobre cuidados com novas
modalidades criminosas; palestras com dicas de segurança e boas atuações de interesse comum. É
recomendável que se façam atas das reuniões e listas de presença, de forma a documentar as
discussões a serem analisadas e medidas decorrentes, sendo obrigatório por parte do policial militar
envolvido o registro das reuniões Boletim de Ocorrência Simplificado (BOS), conforme o tipo de
reunião realizada.

j) Visitas comunitárias: promover visitas aos cadastrados, a fim de identificar as


vulnerabilidades e sugerir adoção de medidas preventivas. Deve-se proceder ao registro das visitas
em Boletim de Ocorrência Simplificado (BOS), conforme o tipo de visita realizada.

k) Troca de informações e rotinas da rede: A figura 31 apresenta algumas rotinas de


funcionamento específicas dos membros participantes das RPP e dos policiais militares, tanto no
ambiente virtual, via aplicativo, quanto na esfera real, bem como o fluxo de informações decorrente.

Figura 31: Relação entre as rotinas atribuídas aos membros de Redes de Proteção Preventiva
e da PMMG nos ambientes virtual e real.

Fonte: Pereira, 2017.

83
1.4.4 Orientações a serem observadas pelo policial militar para atuação nas Redes
de Proteção Preventiva
Como visto, a criação e o funcionamento de uma Rede de Proteção Preventiva podem ser
atribuídos a qualquer policial militar que atua nos setores de policiamento, independente do Posto ou
Graduação.

Você atuará como referência no suporte de coordenação, a fim de se estabelecer vínculo com
a comunidade e angariar a confiança deles, mediante a aproximação necessária para um bom
desenvolvimento dos trabalhos.

Quadro 1: Atuação presencial do policial militar nas Redes de Proteção Preventiva

SEMPRE NUNCA

Lembrar que, para a comunidade, suas Emitir opiniões ou comentários pessoais sobre
manifestações são consideradas o ocorrências ou qualquer aspecto que envolva a
posicionamento da PMMG prestação de serviço da PMMG

Reforçar que o grupo não substitui o


Prometer mudanças no policiamento ou no
“190”, canal adequado para
emprego de efetivos e de recursos logísticos
acionamentos
Distribuir dicas de segurança de forma banalizada.
Distribuir dicas de segurança
Analise a época.
Divulgar ações e operações que
Criticar a PMMG, o governo ou qualquer outra
ocorreram na área de abrangência da
instituição
RPP
Parabenizar ações individuais de Discutir assuntos políticos, religiosos ou de
integrantes do grupo que sirvam de bons qualquer outra natureza que não seja de
exemplos e contribuam para a segurança segurança pública
Divulgar ocorrências com resultados
positivos que ocorreram na área de Prometer ações que dependam de outros órgãos
abrangência da RPP
Mobilizar ou incentivar a organização de
ACISO na área de abrangência da RPP, Desmotivar iniciativas de ações presenciais,
verificando a possibilidade de principalmente mencionando empecilhos por parte
apresentação da banda e PM Amigo da PMMG
Legal
Planejar com o Cmt Cia / Pel reuniões da Desmotivar iniciativas, principalmente
RPP na fração, de forma a estreitar os mencionando empecilhos pela PMMG, como a
laços da comunidade com a PMMG utilização da fração
Elaborar, junto do Cmt Cia / Pel,
Repassar dados objetivos da fração, como
apresentação de dados e ações na área
quantidade de viaturas e efetivo. É aconselhável
de abrangência da RPP para a
respostas como “o recurso é suficiente”
comunidade
Repassar modelo de placa, sugerindo as
Recolher valor para a aquisição, tomar a iniciativa
mínimas adequações de acordo com a
de adquirir ou indicar fornecedor
natureza da RPP
Incentivar a criação de grupo de Desmotivar iniciativa de criação de grupo de
mensagens, a fim de influenciar mensagens, pois bem utilizado fortalece os laços
positivamente na sensação de e influencia positivamente na sensação de
segurança; neste caso, observe as segurança da comunidade
orientações do quadro “Atuação Virtual”
Fonte: Centro de Treinamento Policial
84
Quadro 2: Atuação virtual do policial militar nas Redes de Proteção Preventiva

SEMPRE NUNCA
Lembrar que, para a comunidade, suas Emitir opiniões ou comentários pessoais
manifestações são consideradas o sobre ocorrências ou qualquer aspecto que
posicionamento da PMMG envolva a prestação de serviço da PMMG
Redigir mensagem de inauguração do grupo,
Utilizar o grupo de mensagens para promoção
esclarecendo finalidade do grupo e enfatizando
pessoal, pois a PMMG que sempre deve ser
que devem ser evitadas postagens que não
destacada
contribuam com a segurança
Empoderar líderes ou representantes mais
Redigir críticas direcionadas no grupo de
ativos na RPP como “Administrador do grupo”
mensagens
de msg
Excluir membros de iniciativa, por entender
Orientar que, antes de incluir os membros,
que participação tem sido inadequada; sugira
deve-se certificar a intenção; ex. se mora ou
ao representante da RPP, “no individual” a
trabalha na área de abrangência da RPP
advertir
Esclarecer que o grupo não substitui o “190”, Prometer mudanças no policiamento ou no
canal adequado para acionamentos emprego de efetivos e de recursos logísticos
Postar dicas de segurança do período Postar dicas de segurança de forma
adequado banalizada
Divulgar ações e operações que ocorreram na Criticar a PMMG, o governo ou qualquer outra
área de abrangência da RPP instituição
Parabenizar ações individuais de integrantes Discutir assuntos políticos, religiosos ou de
do grupo que sirvam de bons exemplos e qualquer outra natureza que não seja de
contribuam para a segurança segurança pública no grupo
Divulgar ocorrências com resultados positivos Prometer ações ou providências que
que ocorreram na área de abrangência da RPP dependam de outros órgãos
Atuar discretamente. O grupo é da comunidade Entrar em embates individuais no grupo
Mobilizar ou incentivar a organização de
Desmotivar iniciativas de ações presenciais,
ACISO na área de abrangência da RPP,
principalmente mencionando empecilhos por
verificando a possível apresentação da banda
parte da PMMG
e Amigo Legal
Mobilizar ou incentivar a organização de
Desmotivar iniciativas de ações presenciais,
reuniões presenciais, a fim de fortalecer laços
principalmente mencionando empecilhos pela
de amizade e consideração entre os
PMMG, como a utilização da fração
integrantes
Nunca identificar casas, residências ou
Postar e comentar, de forma sucinta, fotos de pessoas que possam servir de exemplo
situações que repercutem de forma negativa negativo. Ex. se tirar foto de um portão de
na segurança, sem identificar residência, garagem aberto sem morador por perto, não
veículo ou pessoa deixe aparecer o número da residência ou a
frente dela inteira
Repassar dados objetivos da fração, como
Consultar o Cmt Cia/Pel quando ficar em quantidade de viaturas e efetivo. É
dúvida sobre o que postar ou comentar aconselhável respostas como “o recurso é
suficiente”
Alertar ao Cmt Cia / Pel a necessidade de
Permanecer no grupo, caso movimentado de
incluir representante da PMMG, quando
Cia/Pel
movimentado
Verificar mensagens rotineiramente e Abandonar o grupo de mensagens, o que
responder/manifestar o mais breve possível, pode o tornar banalizado e ser usado para
para dar credibilidade ao grupo de mensagens criticar a PMMG
Repassar modelo de placa de RPP, sugerindo
Recolher valor ou responsabilizar-se pela
as adequações mínimas quanto à natureza da
confecção de placas, nem indicar fornecedor
rede
Fonte: Centro de Treinamento Policial

85
1.5 Conclusão
Uma Rede de Proteção Preventiva bem planejada e articulada é capaz de agregar valor,
visibilidade e legitimidade decorrente da atuação policial nos setores de policiamento.

Assim, a sua participação ao adotar um comportamento ostensivo junto à comunidade, bem


como conhecer o propósito da rede e qual papel desempenhará junto àquela comunidade, mostra-se
como fundamental para o sucesso das Redes de Proteção Preventiva.

UNIDADE 2: PROCEDIMENTOS OPERACIONAIS


PREVENTIVOS

2.1 Presença policial: visibilidade e prevenção


Antes de iniciar a discussão sobre os aspectos da prevenção e visibilidade, convido você a
uma reflexão: “Considere-se no seu horário de folga. Como gostaria de ver uma guarnição policial em
um ponto base? Porque gostaria que a guarnição estivesse dessa maneira?

À Polícia Militar de Minas Gerais compete o policiamento ostensivo de preservação e


manutenção da ordem pública. Para tanto, faz-se necessário dispor de um acervo de conhecimentos
e técnicas que qualifiquem e orientem a atuação policial, permitindo reconhecer e aplicar a medida
adequada de força em cada situação.

O que se pretende é destacar mais básico nível de força, que, se aplicado de forma técnica,
pode evitar a necessidade de usar os demais níveis. A presença policial sob os aspectos da
visibilidade e prevenção, materializada na sua postura respeitosa e profissional durante o serviço, na
aproximação do cidadão, no posicionamento em relação a qualquer situação, nos movimentos
corporais, no tom de voz, bem como na correta utilização de todos os recursos logísticos, como a
viatura policial, é fundamental para garantir uma ação preventiva de excelência.

LEMBRETE

No uso diferenciado da força, a presença policial é a demonstração ostensiva de autoridade. O


efetivo policial corretamente uniformizado, armado, equipado, em postura e atitude e diligente,
geralmente inibe o cometimento de infração ou delito naquele local.

Portanto, não basta estar presente em um determinado local ou setor de atuação. É


fundamental que você esteja visível e acessível à população!

Se a comunidade não visualiza você, não percebe a presença policial, portanto, não usufruirá
do serviço a que a Polícia Militar pretende servir, ainda que esteja presente naquele ambiente. A

86
ostensividade deve orientar as ações preventivas a todo momento. É preciso que você se posicione
nos locais de grande presença e movimentação de pessoas da forma mais visível possível, assim
como posicionar a viatura e utilizar de todos os meios necessários para que ela seja percebida.

IMPORTANTE

A apresentação pessoal é o cartão de visita do policial militar. Ao acionar você, o cidadão está
acionando a PMMG e você dever estar atento à imagem que transmite. O zelo e o capricho com
as peças do uniforme são uma demonstração de disciplina, do respeito à farda que veste e,
mais do que isso, externam o seu ânimo profissional e o seu entusiasmo com a carreira
militar.

É importante lembrar ainda que a viatura policial também transmite uma mensagem e,
portanto, pelo que você deve se atentar para a limpeza e conservação, bem como o posicionamento
dela em cada situação, por ser mais uma forma de representatividade institucional.

Além disso, no que se refere à visibilidade, destaca-se o dispositivo luminoso conhecido como
giroflex, que potencializa a capacidade de prevenção, não importa o momento do dia, e devendo ser
um instrumento utilizado por você durante o patrulhamento, para o cumprimento de sua missão
constitucional.

IMPORTANTE

De acordo com a DGEOP, o patrulhamento deve ser realizado com velocidade compatível e
giroflex ligado, a partir dos mapas criminais geoprocessados e informações de segurança
pública materializada em cartões programa. Deve ser observado o binômio do patrulhamento
5
motorizado que são: baixa velocidade e atitude expectante .

Vale destacar que, recentemente, a Instrução 3.03.22/2017 regulamentou uma série de


procedimentos que devem ser adotados em relação a estacionamento e posicionamento de viaturas
e guarnição policial militar, os quais merecem ser destacados nesse mister:

- posicionar a viatura em local seguro, ostensivo e estratégico e acessível à população;

-posicionar a viatura com dispositivos luminosos ligados, a frente voltada para o sentido de
circulação da via e, preferencialmente, num ângulo entre 45º; e 90º em relação à guia da calçada ou
do acostamento;

- realizar a manobra para estacionamento contando com apoio de um dos integrantes da


guarnição que desembarcará e auxiliará na visualização de obstáculos;

5
Que espera, ansiosa e atentamente; que está na expectativa ou que a demonstra (olhar expectante).
87
- desembarcar da viatura todos os integrantes da Guarnição, exceto nos casos estritamente
necessários, em que somente um dos policiais militares permanecerá em seu interior, pelo tempo
suficiente para tratar de assuntos de serviço;

- posicionar cada policial militar próximo do lado da viatura, conforme o lugar que ocupa o
veículo, quando estes não estiverem em patrulhamento no perímetro do ponto base;

- trancar a viatura nos casos em que toda Guarnição precisar se afastar do veículo policial
militar, retirando os armamentos e munições de seu interior.

Figura 32: Exemplo de posicionamento de viatura em ações e operações preventivas

Fonte: Minas Gerais, 2017a

DICA

Em vez de apenas estar no ambiente, busque adotar uma posição que contraste com o padrão
visual, para potencializar a ostensividade policial e contribuir para a prevenção criminal. Você
deve aproveitar todas as oportunidades que tiver para melhorar da sensação de segurança da
comunidade.

Em situações específicas, caso careça de um monitoramento diferenciado no local de


atuação, você deve adotar posturas de observação por setorização, também utilizadas em
patrulhamento em eventos, permitido antecipar possíveis ameaças que podem surgir de vários locais.

Figura 33: Postura de observação por setorização por policiais militares

Fonte: Minas Gerais, 2017a.

88
Como visto, tudo que se contrasta com a normalidade do ambiente a atenção e, na atividade
preventiva, deve-se utilizar desse princípio ao máximo, com a finalidade de ser visto por todos no
cenário urbano, na espera de melhorar a sensação de segurança do cidadão de bem e dissuadir a
vontade de delinquir do cidadão infrator.

Em seguida, destacamos algumas outras situações que devem ser observadas na rotina
policial militar:

- o nível primário de abordagem é a demonstração ostensiva de autoridade. Você corretamente


uniformizado, armado, equipado, em postura e atitude diligente, geralmente inibe o cometimento de
infração ou delito naquele local. Não duvide disso!

- uma abordagem policial sempre chama muito a atenção; logo, sempre que você deparar
com uma situação ou indivíduo suspeito, após analisar princípios da técnica policial militar como a
supremacia de força, realize abordagens, pois isso também contribui para tirar a normalidade do
ambiente.

- ao reunir o efetivo em operações, sempre que possível e adequado, deve-se fazer em locais
de grande circulação de pessoas. Isso fará com que a presença policial seja rapidamente percebida e
gere expectativas positivas, o que certamente contribui para sensação de segurança.

- ao atuar em Bases Comunitárias Móveis, permaneça no interior do veículo apenas quando


estritamente necessário; tal princípio também deve ser observado em todas as outras viaturas
policiais, especialmente durante atendimentos e pontos-base.

- mesmo nas situações que você não esteja em efetivo atendimento, como ao realizar o QCL,
estacione a viatura com a parte frontal direcionada para o sentido da via e em local estrategicamente
analisado, onde a viatura possa ser vista pela maior quantidade de pessoas possível e transmita
imagem de efetiva prestação de serviço, de profissionalismo, não apenas de mais um carro
estacionado. Lembre que um policial militar deve manter o contato visual com a viatura.

- lembre que, visando a garantia da ordem pública e o interesse da coletividade, a viatura


poderá ser estacionada em locais com canteiros, praças, rotatórias e passeios, desde que,
previamente, você avalie aspectos de segurança aos pedestres e, preferencialmente, não obstrua
totalmente a área.

- de acordo com cada portifólio ou orientação específica, utilize equipamentos que favoreçam
a visibilidade, como cavaletes, cones e colete refletivo.

89
2.2 Conclusão
A potencialização da presença policial, por meio de condutas pessoais ou aproveitamento de
recursos logísticos gera benefícios em relação aos resultados preventivos e a sensação de
segurança da comunidade. O seu papel é de fundamental importância e, se não houver a
conscientização da adoção de práticas operacionais preventivas durante o serviço, dificilmente um
planejamento com o objetivo de prevenção criminal será eficaz.

UNIDADE 3: BOAS PRÁTICAS PREVENTIVAS

3.1 Contexto
Não há como negar que a sociedade brasileira em geral, mesmo que de maneira
inconsciente, sente fascínio por ações e operações policiais de caráter repressivo. E essa condição é
explorada pelos meios de comunicação, televisivos ou escritos, no dia a dia.

Contudo, embora tais ações e operações sejam fundamentais ao Estado e à sociedade em


contextos específicos, não raras vezes, elas têm resultados apenas imediatistas, além de se
revestirem de alto grau de risco para todas as pessoas envolvidas, comunidade, os policiais
participantes e os cidadãos infratores. Ademais, não se perpetuam na vida da comunidade e não
garantem que o ciclo do crime estará interrompido, ou seja, tem como foco as pessoas envolvidas
com o crime e não a comunidade ordeira.

Assim, visando valorizar boas práticas preventivas que, de alguma maneira, geram reflexos
duradouros na comunidade ordeira e, principalmente, possibilitar a divulgação em âmbito
institucional, de modo a propiciar o conhecimento e a implementação das ideias por frações de todo o
Estado, este capítulo irá apresentar iniciativas que surtiram efeito na sensação de segurança da
comunidade, na imagem institucional ou na relação Polícia - Comunidade, seja por resultados
objetivos, seja de modo subjetivo.

As práticas que serão apresentadas foram selecionadas por uma comissão do Centro de
Treinamento Policial, mediante critérios de inovação, resultados alcançados e viabilidade de
implementação por outras frações, no universo de 107 (cento e sete) iniciativas recebidas de todas
Regiões de Polícia Militar, nos meses de dezembro de 2016 e novembro de 2017.

90
3.2 Projetos em andamento
3.2.1 “Em Prol da Família e da Vida”
O projeto foi implementado pela Instrução nº 01/11-9º BPM e tem como objetivo principal
regular as ações de controle aos crimes violentos ocorridos em ambiente familiar, visando antecipá-
los, por meio de cinco respostas.

Com apoio de diversos órgãos e entidades, uma equipe formada por integrantes da 60ª Cia
PM, supervisionada pela P3 da Unidade, trabalha dentro de cada nível de resposta, que se iniciam
por visitas familiares.

Tabela 5: Níveis de Resposta do Projeto Em Prol da Família e da Vida

Nível de Resposta Descrição


1º Acolhimento diferenciado
2º 1ª Visita familiar
3º Controle à distância
4º Visita à vizinhança
5º Segunda visita familiar e avaliação
Fonte: arquivo da 60ª Cia PM / 9º BPM

Acolhimento diferenciado: A tropa da 60ª Cia PM recebeu treinamento adequado, com vistas
a humanizar o atendimento e quebrar o paradigma do atual “atendimento e registro”, transformando-o
em “Acolhimento da Vítima”, 1º nível de resposta.

Figura 34: Treinamento para a tropa do 9º BPM

Fonte: arquivo 60ª Cia PM/9º BPM

Primeira Visita Familiar: No segundo nível de resposta, é de suma importância que a


guarnição seja diversa daquela responsável pela primeira resposta, mas que conheça e analise o fato
e suas variáveis. Durante a visita, os militares fazem contato com os familiares, envolvidos ou não na

91
ocorrência, comunicando o motivo da visita e entrevistando-os. Além disso, é entregue cartão
personalizado, com o contato telefônico e o nome dos militares responsáveis pela visita.

Controle à Distância: Um policial militar é designado e responsabiliza-se por fazer contatos


telefônicos com as pessoas assistidas. A conversação telefônica abrange a apresentação do policial
militar, da Polícia Militar em Barbacena e cientifica o interlocutor do motivo daquele contato,
enfocando o aspecto preventivo da ação, colocando a PMMG à disposição para qualquer
eventualidade.

Visita à vizinhança: os policiais militares se apresentam aos vizinhos e comunicam o motivo


da visita, com a finalidade de averiguar a percepção local sobre a situação familiar, possível
arrefecimento dos ânimos ou, ao contrário, agravamento da situação, orientando-os a realizar contato
no 190, no caso de necessidade relacionada ao delito objeto da ação de controle.

Segunda Visita Familiar e Avaliação: o Gestor do Projeto decide entre duas linhas de ação:
retorno do evento sob controle à segunda e demais respostas, tendo em vista a manutenção do
conflito com reais possibilidades de agravamento ou fechamento do ciclo, em caso de aparente
solução, remetendo os registros à Delegacia, em complementação ao REDS de referência.

Ressalta-se que o cadastramento e histórico de atendimento são arquivados em pastas na


fração, que são reabertas quando identificada reincidência.

Assim, por trabalhar a prevenção de crimes violentos por meio do controle qualificado de
infrações em ambiente familiar e não estar relacionado à violência de gênero, a boa prática foi
considerada uma inovação.

Para saber mais sobre a iniciativa, entre em contato com a P3/9º BPM.

3.2.2 “Emprego do Policiamento em Consórcio entre as Frações”


Buscando melhorar a qualidade de atendimento ao cidadão, potencializar a visibilidade e
diminuir a vulnerabilidade dos policiais militares nas frações (Passos, São João Batista do Glória, Itaú
de Minas, Pratápolis, Cássia, Capetinga, Ibiraci e Claraval), o 12º BPM tem executado o policiamento
ostensivo em consórcio de efetivo.
O Consórcio é operacionalizado sempre que as frações mais próximas estiverem lançando
policiamento de forma unitária. A guarnição formada alterna o uso de viaturas das frações e atuam
direcionados por cartão programa elaborado em conjunto pelos Comandantes das Frações PM,
realizando as operações policiais, os atendimentos de ocorrências e o radiopatrulhamento em ambos
os municípios.
São relatos os seguintes ganhos com a iniciativa:
- possibilidade de realização de ações e operações policiais militares;
- lançamento de guarnições com, no mínimo, dois policiais diuturnamente;
- mitigação da vulnerabilidade da atuação policial militar unitária;

92
- maior ostensividade do policiamento diurno em frações que priorizaram o lançamento
noturno.
Para a execução do policiamento em consórcio de efetivo, é necessário centralizar o
atendimento do “190” em uma das frações, seja por meio da instalação do sistema “Siga-me”, seja
utilizando funcionários civis cedidos pela prefeitura municipal. Além dessas, outra possibilidade para
acionamento da guarnição é a utilização de telefone celular funcional.
Logo, por trabalhar o emprego do policiamento de maneira inovadora e focar a ação na
sensação de segurança subjetiva e na maior ostensividade, a iniciativa foi selecionada com uma “Boa
Prática Preventiva”.
Para saber mais sobre a iniciativa entre em contato com a P3/12º BPM.

3.2.3 “Fiscalização dos Adolescentes em Cumprimento de Medida Judicial


Socioeducativa”

A iniciativa consiste na disponibilização de uma equipe policial que acompanha a equipe do


CREAS/Conselho Tutelar em fiscalizações nas residências dos adolescentes.

O adolescente em cumprimento de “Liberdade Assistida” tem a obrigatoriedade de se


recolher a sua residência após às 22 horas, além de não poder frequentar bares e praças em nenhum
horário.

Assim, considerando que o horário de maior incidência de roubos na 3ª Cia PM Ind é de 21


horas à zero horas, o principal objetivo da operação é evitar a reincidência, na medida em que 45%
dos roubos praticados em 2015 no município de Iturama foram cometidos por adolescentes, muitas
vezes já submetidos à medida socioeducativa.

Figura 35: Reunião de representantes dos órgãos envolvidos

Fonte: arquivo P3/3ª Cia PM Ind

Após a implementação da prática, observou-se redução da criminalidade violenta no período


de maio de 2016 a outubro de 2016, ao se comparar com os dados do mesmo período de 2015.

93
Considerando apenas a modalidade “roubo consumado”, em um cenário que antes tinha
tendência de aumento da criminalidade, obteve-se a redução de 22 %, de 67 eventos em 2015 para
53 em 2016.

Registra-se que há necessidade de envolvimento da Vara da Infância e da Juventude no


sentido de responsabilização dos adolescentes flagrados em descumprimento da medida
socioeducativa. Do contrário, poderá haver perda da motivação das equipes e o incentivo ao
descumprimento em relação aos adolescentes.

Logo, pelo resultado alcançado e, ainda, por trabalhar a prevenção de crimes violentos de
forma qualificada e com envolvimento de outros órgãos, a iniciativa foi considerada uma “Boa Prática
Preventiva”.

Para saber mais sobre a iniciativa, entre em contato com a P3/3ª Cia PM Ind.

3.2.4 “Polícia em Ação”


Com o apoio de uma emissora de rádio local, um policial militar participa de um programa
com duração de 30 (trinta) minutos, no qual são evidenciadas de forma rápida e abrangente os
resultados alcançados pela PMMG nas diversas operações e atuações rotineiras.

Figura 36: Policial militar durante entrevista na rádio

Fonte: arquivo 42º BPM

A apresentação supre a falta de informação da comunidade em geral das diversas atuações e


trabalhos desenvolvidos na subárea, com o objetivo de aumentar a sensação subjetiva de segurança
com os seguintes temas: prisões, apreensões, operações realizadas, dicas de acordo com a época
do ano, bem como interação ao vivo com os ouvintes.

Assim, por trabalhar a sensação de segurança subjetiva e o fortalecimento da imagem


institucional, a iniciativa foi selecionada dentre as “Boas Práticas Preventivas”.

Para saber mais sobre a iniciativa, entre em contato com a P3/42º BPM.

3.2.5 “Visita Preventiva”


Trata-se de uma ação policial baseada no triângulo do crime, dentro da Teoria das
Oportunidades, com foco no agente motivado.

94
Visando potencializar a prevenção criminal por estratégia diferenciada, principalmente que
não se ancorasse no aumento da demanda de efetivo ou de recursos logísticos, a finalidade da
iniciativa é desmotivar o agente com predisposição a cometer crime, por meio de constantes visitas
das guarnições operacionais.

Ao iniciar cada turno de serviço, os militares procuram se inteirar acerca dos infratores
conhecidos que estão em liberdade e os visitam em suas residências, de modo a conhecerem sua
rotina.

Assim, por trabalhar a prevenção criminal de modo qualificado, racionalizado e sem


demandar maior efetivo ou recursos logísticos, tal iniciativa foi selecionada com uma boa prática
preventiva.

Para saber mais sobre a iniciativa, entre em contato com a P3/62º BPM.

3.2.6 “Operação Soldado de Aço”


Implementado pela Instrução nº 01/17-17ª RPM, com os objetivos de aumentar a sensação
de segurança e maximizar o potencial humano e logístico disponíveis no enfrentamento à
criminalidade, por meio de ênfase na atuação preventiva, a iniciativa se consiste em estacionar
viaturas não utilizadas no policiamento lançado em local estrategicamente estabelecido, sinalizada
com cones, trancada e com giroflex ligado, tornando-se uma extensão da presença policial.

Figura 37: Viatura estacionada em local de maior visibilidade

Fonte: arquivo P3/17ª RPM

Na execução da operação, após o policial militar posicionar a viatura, ele realiza


patrulhamento a pé ou embarca em outra viatura, compondo uma guarnição de patrulhamento
motorizado nas imediações.

Para saber mais sobre a iniciativa entre em contato com a P3/17ª RPM.

3.2.7 “Juventude em Rede”


O objetivo principal do projeto é dar um atendimento mais qualificado dos órgãos públicos aos
adolescentes infratores que estão começando a se envolver no cometimento ou que são reincidentes

95
em atos infracionais mais leves. Esses adolescentes são escolhidos após análise da Juíza da Vara
da Infância e da Juventude de Ponte Nova juntamente com o Comandante do Pelotão PM.

Logo após, uma guarnição da PM realiza visita na casa desse adolescente, analisando as
condições de vida e buscando causas que possam estar contribuindo para que aquele adolescente
cometa os atos infracionais. Na sequência, é confeccionado um BOS e encaminhado ao CREAS que
é responsável por acionar os demais órgãos da Rede.

Graças ao Projeto Juventude em Rede, o CREAS foi equipado com uma sala de informática,
contendo vários computadores e cursos educativos on-line e a PMMG recebeu doação de duas
motocicletas, 300cc, adquiridas com recurso do Poder Judiciário e da Prefeitura Municipal.

Figura 38: Realização de curso virtual por adolescentes assistidos

Fonte: arquivo P3/21ª Cia PM Ind

Para saber mais sobre a iniciativa entre em contato com a P3/21ª Cia Ind.

3.2.8 “Nossa Praça, Nossa Escola”


A iniciativa é baseada na filosofia de Polícia Comunitária e tem como lema “Prevenir, Ocupar
e Proteger”.
Figura 39: Policiais Militares e alunos de escola em partida de futsal

Fonte: arquivo P3/2º BPM

Nos tempos destinados aos treinamentos de educação física do Treinamento Extensivo, a 31ª
Cia PM do 2º BPM promove uma interação com os estabelecimentos de ensino inseridos em sua
subárea de atuação, por meio de partidas de futsal nas quadras das respectivas escolas ou nas
praças dos bairros, entre os policiais militares e os alunos e funcionários dos estabelecimentos de
ensino.

96
O projeto serve como elo para aproximar os policiais militares do ambiente escolar,
estreitando o convívio com alunos, além de desmistificar a incorreta imagem de agentes de repressão
e sim de proteção social.

Por fim, complementa a Rede de Prevenção Ativa da 31ª Cia PM do 2º BPM, por meio da
Rede de Escolas Protegidas, com ações voltadas à prevenção criminal, patrulha escolar, palestras,
distribuição de dicas PM, dentre outras, favorecendo um planejamento mais eficiente, discussões
sobre o tema segurança pública, identificando, analisando e propondo soluções para os problemas
locais, com a ideia essencial de “cidadão alerta, cidadão participativo”.

Para saber mais sobre a iniciativa entre em contato com a P3/2º BPM.

3.2.9 “Interligação das Redes de Proteção Preventiva”


O 20º BPM já há algum tempo vinha investindo na criação de Redes de Proteção
Preventivas. Com o tempo, porém, percebeu-se que a criação de redes de proteção preventivas de
forma isolada contribuía para o desenvolvimento local de uma comunidade, mas que existia um
potencial ainda não explorado: fazer com que todas as redes tivessem uma forma de se comunicar
entre si, potencializando as ações comunitárias e multiplicando de forma exponencial a capacidade
da comunidade resolver os problemas locais com o auxílio, até mesmo, de pessoas fora daquele
círculo de convivência.

Dessa forma, surgiu o projeto de Interligação das Redes de Proteção Preventivas, por
intermédio de um aplicativo de troca de mensagens instantâneas via Internet.

Neste escopo, cada grupo de moradores, comerciantes, produtores rurais, ou outro formado
escolhem 02 representantes que farão parte de outra rede de proteção, que leva o nome do bairro ou
espécie do grupo que a compõe.

Formada a sub-rede de certa localidade ou classe de pessoas, esta recebe as orientações


em uma primeira reunião presencial, na qual é distribuída a ficha cadastral e feita a leitura do
regimento das redes, exposto em anexo. Neste momento, o representante da PMMG responde às
dúvidas dos participantes, explicando sobre os objetivos do projeto. Nesta reunião também há a
oportunidade de fazer a eleição/escolha dos representantes da sub-redes, os quais receberão
orientações específicas e serão inseridos na rede de administradores.

A PMMG participa das redes por intermédio de 03 (três) números de celular, os quais ficam
ligados 24 horas/dia, sendo um aparelho do COPOM, um aparelho na 56ª Companhia de Polícia
Militar e um aparelho na 223ª Companhia de Polícia Militar, mais especificamente na “sargenteação”.

Para saber mais sobre a iniciativa entre em contato com a P3/20º BPM.

3.2.10 Rede de Fazendas Protegidas


A ação iniciou na região de fronteiras interestaduais onde proprietários rurais estavam
inseguros. A Rede de Fazendeiros Protegidos do município de Cabeceira Grande é uma iniciativa do

97
28º BPM, com a finalidade de buscar a redução da criminalidade na Zona Rural daquele município,
que faz divisa com o Estado de Goiás e com o Distrito Federal.

Com o apoio de um proprietário rural e do Sindicado Rural foi contratada uma empresa
especializada que fez o trabalho de georeferenciamento de todas as propriedades rurais do
município, que totalizaram quase 800 (oitocentas) propriedades e posteriormente, o Sindicado Rural
adquiriu 02 (dois) aparelhos de GPS, que receberam o banco de dados do georeferenciamento
realizado.

Figura 40: Reunião com participantes da rede de proteção

Fonte: arquivo P3/28º BPM

Todas as propriedades rurais receberam um código, que em caso de solicitação, é inserido


nos aparelhos de GPS, o que propicia o atendimento com maior agilidade e melhor qualidade, uma
vez que o GPS traçará a rota mais curta e mais rápida. Também foi afixada em todas as propriedades
rurais uma placa de identificação de participação na Rede e foi criado 02 (dois) grupos de WhatsApp,
sendo um de Cabeceira Grande e o outro do Distrito de palmital, que é o principal canal para a troca
de informações entre os componentes da rede e a Polícia Militar, acerca de assuntos como alertas de
veículos e pessoas suspeitas na região, Dicas de Segurança e outros.

Para saber mais sobre a iniciativa entre em contato com a P3/28º BPM.

3.3 Conclusão
As iniciativas apresentadas mostram um panorama da ação Institucional e a possibilidade da
sociedade posicionar-se em processos de decisão e gestão de conflitos relacionados à violência e
criminalidade. Enquanto a realidade da violência se torna cada vez mais banalizada em todos os
âmbitos da sociedade, perceber todas essas dinâmicas de ação relacionadas às boas práticas
preventivas, que tem foco na antecipação do crime, por meio do emprego científico racional do
policiamento, da potencialização da visibilidade e do envolvimento do cidadão na resolução do
problema é uma perspectiva necessária que promove a crença de que existe solução para mitigar a
violência.

Afinal, a polícia não tem o papel de promover segurança pública de forma hermética. Sua
missão inclui a produção de segurança com participação social e respeito aos direitos humanos.
98
Assim, as boas práticas demonstram que a PMMG não deve deixar de exercer seu papel
preventivo para ser apenas repressivo e que as práticas operacionais de antecipação ao crime são
um caminho possível e não utópico para uma vida com melhor qualidade na segurança da
comunidade mineira.

99
REFERÊNCIAS
COSTA, Lucas Willian. Interligação de Redes Comunitárias: uma ferramenta do Estado para a
dinamização das respostas de defesa social e aferimento da percepção da sensação de
segurança subjetiva, na comunidade pouso alegrense. 2016. 88 f. Monografia (Especialização) –
Academia de Polícia Militar de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2016.

MINAS GERAIS, Polícia Militar. 9º Batalhão de Polícia Militar. Instrução n. 01 – Regula a execução
das ações de controle dos delitos interpessoais ocorridos em ambiente familiar, dentro do
projeto Em Prol da Família da Vida. Barbacena, 2011.

______. Polícia Militar. Resolução 4.362/14. Regulamento de Uniformes e Insígnias da Polícia


Militar de Minas Gerais – RUIPM (R-123). Belo Horizonte, 2014. 79 p.

______. Polícia Militar. Diretriz nº 3.03.11/16 – CG. Instrução que regula a implantação da Rede de
Proteção Preventiva nas comunidades do Estado de Minas Gerais. Belo Horizonte, 2016a.

______. Polícia Militar. Diretriz nº 3.01.01/16 – CG. Diretriz Geral de Emprego Operacional. Belo
Horizonte, 2016b. 139 p.

______. Polícia Militar. 12º Batalhão de Polícia Militar. Relatório de Análise de Comissão sobre a
viabilidade da execução de policiamento, em consórcio de efetivo das Frações, nos municípios
da área do 12º BPM. Passos, 2016c.

______. Polícia Militar. 21ª Companhia de Polícia Militar Independente. Projeto Juventude em Rede.
Ponte Nova, 2016d.

______. Polícia Militar. Centro de Treinamento Policial. Pesquisa sobre as boas práticas
preventivas implementadas pelas Unidades Operacionais em todo o Estado de Minas Gerais.
Belo Horizonte, 2016-2017.

______. Polícia Militar. Instrução 3.03.22/2017. Regula procedimentos básicos de


estacionamento e posicionamento de viaturas e de seus policiais militares. Belo Horizonte,
2017a.

______. Polícia Militar. 17ª Região de Polícia Militar. Instrução n. 01 – Estabelece procedimentos
para a execução da operação Soldado de Aço. Pouso Alegre, 2017b.

______. Polícia Militar. 31ª Companhia de Polícia Militar. Ordem de Serviço n. 02 - Estabelece
diretrizes de organização do projeto Nossa Escola, Nossa Praça. Juiz de Fora, 2017c.

PEREIRA, Robson Romie Lopes. Uso do aplicativo WhatsApp no processo de mobilização


social das Redes de Proteção Preventiva na área do 34º BPM. Monografia (Curso de
Especialização em Segurança Pública) – Academia de Polícia Militar, Polícia Militar de Minas Gerais,
Belo Horizonte, 2017.

TROJANOWICZ, Robert e BCQUEROUX, Bonnie. Policiamento Comunitário: como começar.


Trad. Mina Seinfeld de Carakushansky. Rio de Janeiro: Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro

SOUZA, Damon Mateus de. A Rede de Vizinhos Protegidos no Município de Pompeú/MG e seus
reflexos na segurança pública local. Monografia (Curso de Especialização em Segurança Pública).
Academia de Polícia Militar, Polícia Militar de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2013.

100
PROCEDIMENTOS LEGAIS

101
Apresentação
Caro Policial Militar, saudações! Os assuntos abordados na disciplina Procedimentos Legais
estão diretamente ligados a sua rotina situações de serviço e de folga, e visam esclarecer os detalhes
que são importantes para uma atuação segura em serviço, preservando o policial militar e os
princípios basilares da Instituição - a Hierarquia e Disciplina.

A ampliação das discussões em continuidade ao conteúdo já apresentado no biênio anterior é


consequência de ter, o espectro desse debate, se mostrado frutífero na educação policial. Abordar
assuntos que devem ser alvos da sua atenção e que, o acerto ou erro, na sua decisão, pode refletir
na sua carreira é algo desejado pelo Centro de Treinamento Policial, na medida em que nos
propomos a tornar o policial mais forte. Acreditamos que quando você consegue agir assertivamente
sobre assuntos do seu cotidiano policial militar e prevenir condutas incompatíveis está se alcançando
essa meta.

Espera-se que você aproveite, ao máximo, a oportunidade de debater, esclarecer e de


aprimorar-se sobre os dispositivos legais apresentados nessa disciplina. Bons estudos!

Centro de Treinamento Policial


Tornando o Policial Militar mais forte!

102
Introdução
A legislação, os regulamentos e as condutas sociais apresentam possibilidades de
entendimentos. As diferenças são legítimas e necessárias para a evolução social e para a
preservação da democracia.

Entretanto, para uma instituição militar e protetora dos direitos do direitos do cidadão, é
preciso que seus integrantes estejam cônscios dessas contingências, mas que sigam a diretiva do
respeito integral às normas e as orientações de sua corporação. Cada um, individualmente e
coletivamente, deve procurar agir no interesse do bem comum, protegendo a sociedade e seus
cidadãos.

A disciplina apresenta dois capítulos que discutem os crimes e as condutas policiais que são
interpretadas como violações ao ordenamento jurídico. Dessa forma, a partir da reflexão entre a
norma e o dia a dia na sua atividade, pode-se alcançar um entendimento que possibilite um
aprimoramento da conduta operacional do policial militar.

Objetivos
Identificar os elementos principais e essenciais que configuram os crimes decorrentes dos
desvios de conduta mais comuns durante o exercício da atividade policial-militar, bem como as
consequências para seus autores.

Adotar medidas legais para evitar o cometimento dos crimes decorrentes dos desvios de
conduta.

Conscientizar-se sobre a importância do comportamento ético e moral durante a atividade


policial-militar.

Adotar postura e procedimentos capazes de evitar o cometimento dos crimes decorrentes dos
desvios de conduta.

103
UNIDADE 1: CONDUTAS DE POLICIAIS MILITARES QUE
CARACTERIZAM CRIMES

1.1 Abandono de Posto


Este é um crime propriamente militar e está previsto no capítulo III, do abandono de posto e
outros crimes em serviço. A vida militar tem regras próprias e também princípios próprios, que
inclusive foram consagrados no texto constitucional de 1988, e devido a essa especialidade foi que o
Código Penal Militar (CPM) estabeleceu determinados ilícitos que alcançam tantos os integrantes das
Forças Armadas como aqueles que integram as Forças Auxiliares.

Na busca de contribuir com um estudo doutrinário desses ilícitos, seguem os comentários que
se referem aos crimes compreendidos e capitulados nos arts. 195 a 204 do CPM.

Art. 195. Abandonar sem ordem superior, o posto ou lugar de serviço que lhe tenha sido
designado, ou serviço que lhe cumpria, antes de terminá-lo.Pena – Detenção, de três
meses a um ano.

Figura 41: Abandono de Posto

Fonte: Centro de Treinamento Policial

Observe o desenho acima (Figura 41).

Você realmente sabe o significado do termo abandono de posto?

Então, vamos explicar:

No crime de abandono de posto, é importante salientar que para configurar a sua


consumação, basta que o policial militar se afaste do local onde deveria permanecer, sem ordem
superior, gerando um perigo abstrato de dano. Existem alguns aspectos importantes a serem
considerados.

Qual a definição de posto e de lugar de serviço? Segundo Célio Lobão Ferreira, que é citado
por Jorge César de Assis no Livro “Comentários ao Código Penal Militar – Parte Especial:

104
Posto é o local determinado onde o militar deve cumprir missão específica, quase sempre
de vigilância.

Lugar de serviço é um lugar mais ou menos amplo que o posto, onde o militar deve
permanecer no exercício de qualquer função militar.

Considerando situações de turnos de serviço que são estipuladas por escalas com períodos
determinados de início e término (sendo que este horário de término é uma expectativa para
liberação) e assinada por autoridade competente, caso o policial se afaste das funções no horário
previsto na escala, sem autorização do responsável pelo turno, configura-se crime de abandono de
posto.

Ressalta-se que o núcleo do art. 195 do CPM visa a preservar a segurança do local e a
preservação da ordem pública em determinado setor onde há a presença do policiamento. Segundo
Jorge César de Assis (2009), o afastamento do militar de posto ou lugar de serviço, afeta a Força
Armada, a Polícia Militar ou o Corpo de Bombeiros Militares, pelo perigo decorrente, já que o posto ou
serviço abandonado poderá não ser recoberto em tempo útil e, assim, advir um resultado altamente
prejudicial.

No âmbito da Justiça Militar Estadual, existem julgados que levaram a condenação de


policiais militares no que tange ao crime de Abandono de Posto. A seguir, podemos observar uma
ementa de não provimento do Tribunal de Justiça Militar de Minas Gerais relativa a um recurso do
crime de Abandono de Posto.

Importante salientar que este afastamento para a configuração do crime deve ser sem
autorização da autoridade policial militar competente.

Apelação criminal – Abandono de posto (art. 195, CPM) – Delito de mera conduta e de
perigo – militar que deixa o serviço antes de seu término sem prévia autorização de seu
superior – configuração – condenação mantida – recurso improvido.
Apelação n. 0001802-57.2010.9.13.0003;
Relator: Juiz Jadir Silva; Julgamento (unânime): 06/12/2012; DJME: 12/12/2012.

1.2 Violação de Domicílio


Antes de adentrarmos propriamente no crime de violação de domicílio, é importante frisar que
a conduta de violação não é, em todas as situações, condutas tipificadas como crime. Você já
passou por uma situação em que ficou na dúvida se podia adentrar em uma residência em
determinado horário?

105
Existe a previsão legal no inciso XI do art. 5º da Constituição da República Federativa do
Brasil de 1988 das hipóteses em que o domicílio poderá ser adentrado pela autoridade policial:

Art. 5º, inciso XI - A casa é asilo inviolável do indivíduo, ninguém nela podendo penetrar sem
consentimento do morador, salvo em caso de flagrante delito ou desastre, ou para prestar
socorro, ou, durante o dia, por determinação judicial;

Nas situações que não se enquadram nas exceções previstas no citado artigo da CF, o
agente de segurança pública que adentrar um determinado domicílio estará incorrendo em crime.

Para maior esclarecimento deste conceito legal de “casa”, o autor César Roberto Bitencourt,
citado por Rogério Greco no livro Código Penal Comentado pág. 422, diz:

Para configurar “casa”, não é necessário que esteja fixa ou afixada em determinado local;
pode ser móvel, flutuante, “errante, como por exemplo, barco, trailer, motor-home, cabina de um trem
velho, vagão de metrô abandonado, abrigo embaixo de ponte ou viaduto etc., além de abranger,
evidentemente, quarto de pensão, de pensionato etc.

Podemos observar que o conceito de casa é bem amplo, a qual podemos definir, de forma
estrita, como qualquer compartimento fechado.

Figura 42: Violação de Posto

Fonte: Google Imagens

A figura 42 traz a ideia da violação de domicílio, algo que pode ocorrer na ação policial. Sem
dúvidas, é necessário saber mais sobre o assunto. Você já parou para pensar em violação de
domicílio?

Considerando situações da atividade operacional, os policiais militares estarão cometendo


crime de violação de domicílio, quando, na tipificação prevista do artigo 226 do CPM:

Art. 226 – Entrar ou permanecer, clandestina ou astuciosamente, ou contra a vontade


expressa ou tácita ou tácita de quem de direito, em casa alheia ou em suas dependências.
Pena – detenção de até três meses (BRASIL, 1969).

106
A tipificação do crime de violação de domicílio prevista no Código Penal Militar tem como
objetivo a proteção do domicílio, a intimidade.

Neste contexto, é interessante frisar que por se tratar de crime militar impróprio, com previsão
no Código Penal e Código Penal Militar, e ainda existe a previsão desta mesma conduta na Lei
4898/65 – Lei de Abuso de Autoridade – com efeitos de condenação diferentes dos previstos nas leis
anteriormente citadas.

UNIDADE 2: AS REDES SOCIAIS E A ATUAÇÃO DO


POLICIAL MILITAR

2.1 Crimes de Publicação ou Crítica Indevida, Calúnia, Injúria e


Difamação
Atualmente, as mídias sociais vêm exercendo um papel fundamental nas relações das
pessoas, permitindo a comunicação rápida, aproximando as pessoas, possibilitando o envio de
arquivos, textos diversos, imagens, dentre outros.

Para as forças de segurança pública não seria diferente a importância das mídias sociais,
possibilitando que estes recursos tecnológicos possam facilitar as comunicações, permitindo
resultados que traduzem no aumento na sensação de segurança da sociedade.

É importante frisar que o fluxo de informações enviados nas mais diversas mídias não possui
um controle específico, permitindo que as postagens, dependendo do assunto abordado, possam
acarretar em constrangimentos à imagem de pessoas, instituições, devendo ter responsabilidade
daquele que posta.

Para o policial militar é importante observar o nível da informação a ser postada, o grau de
sigilo, haja vista que algumas condutas podem caracterizar crime. E dentre estes crimes que podem
ser cometidos por policiais militares se tratando de postagens em mídias sociais podemos citar os
que se seguem.

2.1.1 Publicação ou Crítica Indevida – Art. 166 do CPM


Para configurar este crime exige-se a condição de militar para sujeito ativo. A redação do
artigo é a seguinte:

Art.166. Publicar o militar ou assemelhado, sem licença, ato ou documento oficial, ou criticar
publicamente, ato de seu superior ou assunto atinente à disciplina militar, ou a qualquer
resolução do governo.
Pena – Detenção, de dois meses a um ano, se o fato constitui crime mais grave.

107
Ressalta-se que o artigo dispõe sobre “publicar” e “criticar”. Quanto ao que é considerado ato
oficial, segundo Célio Lobão Ferreira (1975, p. 107) “não resta a menor dúvida de que os atos oficiais
são aqueles que emanados de autoridades militares no exercício de função”.

A crítica pública de ato de seu superior ou assunto atinente à disciplina militar, ou a qualquer
resolução do governo, é entendida como qualquer forma que venha externar crítica a ato de superior,
podendo ser entendido até mesmo ato da vida pessoal, haja vista que fere, de maneira objetiva, os
princípios basilares da hierarquia e disciplina.

Na era das mídias sociais, a


facilidade de publicação e postagens
permite a exteriorização de diversos
assuntos que podem caracterizar como
críticas a atos da administração pública,
a exemplo do descontentamento com
escalas de serviço ou da crítica a
respeito de documentos emitidos por
comandantes em grupos de aplicativos
de mensagens ou postagens em redes
sociais. A condição de militar, aliada a
postagens que enquadram no núcleo do
artigo, caracteriza-se o cometimento do
crime do art. 166 do CPM. A seguir,
temos uma ementa do Tribunal de
Justiça Militar do Estado de Minas
Gerais – Processo de Competência
Originária de nº 08, atinente ao assunto.

“A censura pública, dirigida por qualquer policial militar, ao Governador e aos chefes Militares
do Estado, é, manifestamente contrária à disciplina e à hierarquia, induzindo no âmago da
Polícia Militar a desordem e a desmoralização. Não deve ser considerada apenas como
transgressão disciplinar, mas sujeita o seu autor à penalidade mais severa, específica dano
Código Penal Militar (Art. 166 do CPM).”

Podemos observar uma ementa relativa à crítica indevida no Tribunal de Justiça do Distrito
Federal.

108
CRIME MILITAR. PUBLICAÇÃO OU CRÍTICA INDEVIDA. AUTORIA E MATERIALIDADE
DEMONSTRADAS. TIPICIDADE DA CONDUTA. CONFIGURAÇÃO. ABSOLVIÇÃO
INCABÍVEL. 1. Incabível falar em absolvição quando as provas nos autos demonstram a
prática do crime de publicação ou crítica indevida. 2. A responsabilidade da atividade
desenvolvida pelo "blog" é de quem o mantém e o edita. Mesmo sendo apenas o
administrador do "blog", há a configuração da responsabilidade do recorrente. 3. Ao publicar
mensagens depreciativas a respeito de seu superior hierárquico em seu "blog", o recorrente
difundiu para um número indeterminado de pessoas críticas indevidas, o que tipifica o crime
previsto no art. 166 do Código Penal Militar. 4. Recurso conhecido e improvido.(TJ-DF
20150110842262 0011000-55.2015.8.07.0016, Relator: CARLOS PIRES SOARES NETO,
Data de Julgamento: 09/03/2017, 1ª TURMA CRIMINAL, Data de Publicação: Publicado no
DJE : 20/03/2017 . Pág.: 263/272)

No próprio artigo 166, quando se estipula a pena, é importante ressaltar que a pena prevista é
condicionada se não existir crime mais grave.

Quando há a publicação de atos sem a devida autorização e a própria crítica indevida pode
acarretar ainda o cometimento de outros crimes dentre eles, os que seguem.

2.1.2 Calúnia

O crime de calúnia é tipificado no CPM e é caracterizado quando o militar imputa, de maneira


falsa, a uma outra pessoa, fato considerado como crime. Esta imputação pode ocorrer de várias
formas, inclusive através de mídias sociais. Interessante frisar a previsão contida no parágrafo 1º do
mesmo artigo quando há previsão de incorrer na mesma pena quem propala ou a divulga.

Art. 214. Caluniar alguém, imputando-lhe falsamente fato definido como crime.
Pena – detenção, de seis meses a dois anos.
Parágrafo 1º- Na mesma pena incorre quem, sabendo da falsa imputação a propala ou a
divulga.

Exemplo: policial militar “A” divulga através de aplicativo de mensagens que policial “B”
cometeu um determinado crime. Policial “C”, mesmo sabedor de que o fato é inverídico, encaminha a
mensagem para outras pessoas. Neste caso, tanto o policial militar “A” que divulgou a mensagem,
como o policial “C” que sabia que não era verídico, mas divulgou para outras pessoas, estão no
cometimento de crime de calúnia.

109
2.1.3 Difamação. Art. 215 CPM

Art. 215. Difamar alguém, imputando-lhe fato ofensivo a sua reputação.


Pena- Detenção de seis meses a um ano.
Parágrafo único. A exceção da verdade somente se admite se a ofensa é relativa ao
exercício da função pública, militar ou civil, do ofendido.

Antes de iniciarmos a análise do crime de difamação é interessante que possamos conhecer


o conceito de reputação. Segundo o dicionário Aurélio Online: “Reputação trata-se de uma opinião
pública, favorável ou desfavorável; dar reputação, um bom nome.”

Diante deste conceito, interessante analisarmos que a disseminação de informações nas


redes sociais, mesmo quando não há a imputação de crimes, algumas postagens podem acarretar
danos à imagem, ao conceito que determinada pessoa goza junto grupos sociais, podendo acarretar
em situações vexatórias como exposição ou comentários indevidos.

2.1.4 Injúria – Art. 216 CPM

Segundo Jorge César de Assis no livro


Comentários ao Código Penal Militar - Parte Especial,
injuriar alguém é humilhar, achincalhar, ofender
ridicularizar, atentar contra a honra, é o crime que se
caracteriza pela ofensa à honra subjetiva da pessoa, que
constitui o sentimento próprio a respeito dos atributos
físicos, morais e intelectuais de cada um.

As “brincadeiras” de cunho pejorativo que visam diminuir


uma pessoa, até mesmo divulgadas em redes sociais
podem caracterizar o crime de injúria. Dependendo da
situação pode, ainda, ser caracterizado o crime de injúria
real.

110
2.2 A utilização da tecnologia para a filmagem da atuação policial
Os aparelhos celulares, câmeras e tablets são comumente utilizados em diversas situações, e
não seria diferente quando se trata de assuntos a respeito da atuação policial.

Por se tratar de um assunto ainda novo, a conduta de filmar a atuação policial-militar,


incomoda bastante os profissionais da Instituição, contudo, é importante ressaltar alguns aspectos a
respeito desta prática.

A Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 traz uma série de garantias e


direitos fundamentais ao cidadão e, dentre eles, está assegurada a inviabilidade da intimidade, a vida
privada, a honra, a imagem, sendo assegurado o direito à indenização pelo dano material ou moral
decorrente da sua violação. Outro ponto importante de observar é que ninguém será obrigado a fazer,
ou deixar de fazer, qualquer coisa, a não ser em virtude de lei.

Nesse contexto, é importante frisar que já é pacífica no campo jurídico a liberdade de


expressão do cidadão, não sendo necessário o registro profissional para exercer a profissão de
jornalista, possibilitando a qualquer cidadão produzir textos, realizar imagens e filmagens de assuntos
dos mais diversos. Diante do exposto, fica evidenciado que o policial militar não poderá impedir
o cidadão de realizar filmagens da atuação da polícia.

Ressalta-se que o impedimento da realização da filmagem, na esfera do direito civil e a


conduta do policial militar em impedir filmagens de ocorrência caracteriza-se como ato ilícito,
conforme previsto no art. 186 do Código Civil:

Art. 186. Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência, violar direito
e causar dano a outrem, ainda que exclusivamente moral, comete ato ilícito.

A destruição de equipamentos e mídias por parte de policiais militares é considerado um ato


ilícito e cometimento de dano. Os autores poderão ser responsabilizados e ter que reparar os danos
causados às vítimas conforme art. 927 do Código Civil de 2002:

111
Art. 927. Aquele que, por ato ilícito (art. 186 e 187), causar dano a outrem, fica obrigado a
repará-lo.

Ressalta-se que a atuação dentro dos parâmetros da legalidade, com segurança, e a


utilização de técnicas com profissionalismo por parte do policial militar, não causarão nenhum tipo de
Parágrafo único. Haverá obrigação de reparar o dano, independentemente de culpa,
embaraço se sua atuação for filmada.
nos casos especificados em lei, ou quando a atividade normalmente desenvolvida pelo
Os dano
autor do policiais militares
implicar, poderão
por realizar filmagens
sua natureza, emosambientes
risco para de outrem.
direitos de atuação, para registro, com
câmeras acopladas ao colete, por exemplo, como forma de administração da justiça ou a manutenção
da ordem pública em conformidade com o art. 20 do Código Civil.

Art. 20. Salvo se autorizadas, ou se necessárias à administração da justiça ou à


manutenção da ordem pública, a divulgação de escritos, a transmissão da palavra, ou a
publicação, a exposição ou a utilização da imagem de uma pessoa poderão ser proibidas, a
seu requerimento e sem prejuízo da indenização que couber, se lhe atingirem a honra, a
boa fama ou a respeitabilidade, ou se se destinarem a fins comerciais.

2.3 Conclusão
A ação policial esperada pela sociedade se personifica em preceitos éticos e morais. Para
efetivamente cumprir essa função, você, policial militar, deverá estar sempre amparado pelos
aspectos legais que o autorizam a assim proceder. Se esse limite legal é violado, você, policial militar,
passa a uma situação de desamparo e responderá pelos excessos que vier a cometer.

112
REFERÊNCIAS
ASSIS, Jorge César de. Comentários ao Código Penal Militar. 7ª ed. Curitiba, 2012.

BRASIL. Código Civil. Lei 14.406, de 10 de janeiro de 2002. Disponível em:


<www.planalto.gov.br>. Acesso em: 09 Abr 18

______. Código Penal Militar. Decreto Lei 1001, de 21 de outubro de 1969. Disponível em:
<www.planalto.gov.br>. Acesso em: 09 Abr 18.

______. Constituição da República Federativa do Brasil, 05 de outubro de 1988. Disponível em:


<www.planalto.gov.br>. Acesso em: 09 Abr 18.

CAPEZ, Fernando. Legislação Penal Especial. 8ª ed. São Paulo: Editora Saraiva. 2012, p.104.

113
TECNOLOGIAS DE APOIO A ATIVIDADE OPERACIONAL

114
Apresentação
Prezado(a) Policial Militar, a tecnologia informacional evoluiu e hoje você em sua atividade
operacional deve lidar com equipamentos diversos que lhe propiciam acesso a dados com muita
celeridade. Saber lidar com essa realidade é fundamental para que possa prestar um serviço de
qualidade e enfrentar a criminalidade de maneira eficiente. A disciplina Tecnologias de Apoio à
Atividade Operacional busca apresentar-lhe as novas tecnologias disponibilizadas pela Instituição e
outros órgãos públicos a partir da utilização do seu celular e outros equipamentos e potencializar o
seu uso como ferramenta catalisadora de redução de custos, aumento da produtividade, eficiência e
eficácia na prestação de serviços de segurança pública em Minas Gerais. Use o material como um
suporte sempre que precisar e mantenha-se atualizado. Bons estudos!

Centro de Treinamento Policial


“Tornando o Policial Militar mais forte”

115
Introdução

Fonte: Google imagens

O uso de dispositivos móveis está cada vez mais comum no dia a dia das pessoas, sobretudo
no ambiente de trabalho. Em nenhum momento da história houve tanta facilidade de comunicação
como nos dias atuais. O acesso a aplicativos de mensagens, redes sociais, dentre outras tecnologias
e serviços, tornou-se hábito e as pessoas têm dedicado boa parte do seu tempo a essas atividades.

Fonte: Google imagens

Diante desse novo cenário, é necessário nos adequarmos às mudanças. Práticas antes
adotadas sem o auxílio da tecnologia devem ser repensadas para otimizarmos nosso tempo e
entregarmos um serviço com cada vez mais qualidade. Além disso, com o advento de novas
possibilidades, surgem também novas necessidades e cuidados que devemos ter em mente.

Nesse material, você verá na Unidade 1 as tecnologias móveis utilizadas pelos policiais
militares durante o serviço e na Unidade 2 conhecerá o Sistema Hélios.

Objetivos
Ao final do conteúdo você será capaz de:

- Empregar com efetividade na sua atividade operacional os dispositivos de tecnologia


informacional disponibilizados pela Polícia Militar de Minas Gerais e outros órgãos públicos;

- Conhecer as funcionalidades de alguns aplicativos que estão disponíveis aos policiais


militares;

116
UNIDADE 1: USO DAS TECNOLOGIAS MÓVEIS DURANTE
O SERVIÇO POLICIAL MILITAR

1.1 Aplicativos que facilitam o serviço policial


Existe atualmente um grande número de aplicativos gratuitos disponíveis para celular, os
quais facilitam as tarefas do nosso dia a dia. Encontramos, por exemplo, aplicativos para avisar o
horário de tomar um remédio até aplicativos para acompanhar um investimento na bolsa de valores.

Na seara da Segurança Pública não é diferente, temos aplicativos voltados para o serviço
policial que facilitam a realização de pesquisas que em outrora eram feitas apenas por meio de um
computador de mesa e após uma comunicação via rede rádio. Dentre eles, podemos destacar:

1.1.1 Sinesp Cidadão

Fonte: Ministério da Justiça

O Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública, SINESP, é um aplicativo que


pode ser utilizado por qualquer cidadão e auxilia a realização de pesquisas necessárias durante o
serviço Policial Militar. Ele foi uma iniciativa do governo federal e concentra dados de todos os
estados brasileiros, porém, pode apresentar informações desatualizadas.

Tela inicial do aplicativo Sinesp Cidadão

Fonte: Centro de Tecnologias e Sistemas/ PMMG

117
Você poderá consultar:

Pessoas desaparecidas

Fonte: Centro de Tecnologias e Sistemas/ PMMG

Veículos furtados e/ou roubados

Fonte: Centro de Tecnologias e Sistemas/ PMMG

118
Pessoas com mandado de prisão

Fonte: Centro de Tecnologias e Sistemas/ PMMG

1.1.2 QApp
O QApp é um aplicativo para celular disponível gratuitamente na Play Store para Android e
6
IOS que visa facilitar a atividade do policial militar, concentrando todas as pesquisas necessárias
para o serviço operacional através de um único acesso. O nome do aplicativo foi inspirado no Código
Q “QAP”, que significa na escuta, prossiga.

Foi desenvolvido pela própria PMMG e direcionado a você, policial militar mineiro. Qualquer
pessoa pode instalá-lo, entretanto, para utilizá-lo, é necessário que você digite o seu número de
polícia e a sua senha da IntranetPM.

Tela Inicial do aplicativo

Fonte: Centro de Tecnologias e Sistemas/ PMMG

6
Android e IOS: são sistemas operacionais para mobile concorrentes. O iOS, sistema operacional da empresa Apple, é
responsável por fazer o iPhone e o iPad funcionarem, enquanto o Android, sistema operacional criado pela multinacional
Google, é utilizado por usuários de smartphones.
119
Depois de digitar usuário e senha e pressionar “ENTRAR” serão exibidos as seguintes
funcionalidades

Fonte: Centro de Tecnologias e Sistemas/ PMMG

Pesquisar ENVOLVIDOS:

Fonte: Centro de Tecnologias e Sistemas/ PMMG

120
Exemplos

Fonte: Centro de Tecnologias e Sistemas/ PMMG

Na pesquisa de envolvidos você poderá visualizar mandados de prisão e todo o histórico de


ocorrência do REDS.

Fonte: Centro de Tecnologias e Sistemas/ PMMG

121
Ao clicar sobre resultado da pesquisa cujo envolvido está com suspeita de mandado de
prisão, você terá:

Fonte: Centro de Tecnologias e Sistemas/ PMMG

Arrastando a tela, terá:

Fonte: Centro de Tecnologias e Sistemas/ PMMG

122
Fonte: Centro de Tecnologias e Sistemas/ PMMG

7
Dados completos do Mandado de Prisão no BNMP :

Fonte: Centro de Tecnologias e Sistemas/ PMMG

7
Banco Nacional de Mandados de Prisão
123
Dados detalhados de ocorrências:

Fonte: Centro de Tecnologias e Sistemas/ PMMG

Como você cadastra um envolvido no QApp:

Fonte: Centro de Tecnologias e Sistemas/ PMMG

124
IMPORTANTE!

Prejuízos decorrentes do mal preenchimento do REDS:

Fonte: Centro de Tecnologias e Sistemas/ PMMG

Como adicionar fotografias de envolvidos?

Fonte: Centro de Tecnologias e Sistemas/ PMMG

125
Fonte: Centro de Tecnologias e Sistemas/ PMMG

IMPORTANTE!

Qualquer Policial Militar pode adicionar fotos de envolvidos, porém cabe aos militares da
Seção de Inteligência aprová-las ou reprová-las, conforme o caso. Quando aprovadas, as fotos
são disponibilizadas para todos os usuários do QApp. Quanto mais fotos forem adicionadas,
maior será as possibilidades de pesquisas no App no futuro.

Como você pesquisa veículos?

Fonte: Centro de Tecnologias e Sistemas/ PMMG


126
Fonte: Centro de Tecnologias e Sistemas/ PMMG

Digitando a placa e pressionando “ENVIAR”, será retornado as informações


referentes ao veículo pesquisado.

Exemplos:

Fonte: Centro de Tecnologias e Sistemas/ PMMG


127
Fonte: Centro de Tecnologias e Sistemas/ PMMG

Como você pesquisa celulares?

Fonte: Centro de Tecnologias e Sistemas/ PMMG

128
Fonte: Centro de Tecnologias e Sistemas/ PMMG

IMPORTANTE!

A consulta poderá ser feita através do número do telefone com DDD ou do IMEI do
aparelho. O IMEI é um número de identificação global e único para cada telefone celular. Para
localizá-lo basta digitar *#06# no aparelho telefônico que se deseja consultar ou verificar em
uma etiqueta atrás da bateria.

Exemplos:

Fonte: Centro de Tecnologias e Sistemas/ PMMG


129
IMPORTANTE!

Para que a consulta no QApp retorne com informações do aparelho pesquisado é


necessário que este tenha sido previamente cadastrado no banco de dados do Celular Seguro,
o qual pode ser acessado através do site:

http://ww3.policiamilitar.mg.gov.br/48bpm/CelularSeguro

Você poderá receber mensagens do Comandante Geral da PMMG:

Fonte: Centro de Tecnologias e Sistemas/ PMMG

Estarão disponíveis informações em tempo real sobre:

Fonte: Centro de Tecnologias e Sistemas/ PMMG

130
Exemplos:

Fonte: Centro de Tecnologias e Sistemas/ PMMG

Você poderá pesquisar no codificador:

Fonte: Centro de Tecnologias e Sistemas/ PMMG

131
Exemplos:

Fonte: Centro de Tecnologias e Sistemas/ PMMG

Você poderá acessar o seu PA a partir do QApp:

Fonte: Centro de Tecnologias e Sistemas/ PMMG

132
1.1.3 WhatsApp Messenger
O WhatsAPP é um aplicativo gratuito de troca de mensagens instantâneas utilizado
amplamente no Brasil. Através dele você pode enviar e receber mensagens de texto, imagem, áudio
e vídeo e realizar chamadas de videoconferência.

Por ser bastante popular, você pode usar esse meio de comunicação como uma ferramenta
para integrar conselhos de segurança pública e até mesmo redes de vizinhos ou comerciantes
protegidos, através da criação de grupos temáticos, facilitando a solução de problemas da
comunidade.

Figura 43: Tela do WhatsApp Messenger

Fonte: Disponível em <https://play.google.com/store/apps/details?id=com.whatsapp>. Acesso em 05 de dez. 2017.

Diversos outros aplicativos que podem nos auxiliar estão disponíveis na Play Store (loja de
aplicativos do Android) ou na App Store (loja de aplicativos do iOS). Reserve um momento para
explorá-los e potencializar suas tarefas diárias.

133
1.2 Cuidados com o uso da tecnologia

Fonte: Google imagens

Apesar da grande facilidade que a tecnologia nos traz, o uso indiscriminado de dispositivos
móveis pode comprometer a atividade profissional, trazer risco à segurança do policial e de terceiros,
causar queda no rendimento e ferir requisitos básicos de postura, compostura, ética e disciplina
militar.

Durante o turno de serviço você deve abster-se de utilizar as novas tecnologias para fins
pessoais e se esforçar para que o uso profissional não comprometa a sua segurança e a do cidadão,
primando pela postura e compostura e pela qualidade no atendimento ao público.

Portanto, é importante avaliar a hora e o local adequados para a utilização das ferramentas
advindas com as tecnologias móveis, para que você não seja surpreendido no estado relaxado
durante o serviço.

1.2.1 Direito de imagem do cidadão


A prática de filmagem por policiais militares de suas atuações em ocorrências policiais tem
sido bastante utilizada por meio das modernas tecnologias disponíveis, principalmente nos
smartphones. Sabe-se também que o uso desse artifício pode resguardar a ação policial-militar
quando de infundadas denúncias.

Não há como negar que as redes sociais, são parte de uma espécie de jornalismo moderno.
São fontes de informações rápidas e, em alguns casos, instantâneas, de fatos que não se divulgam
em meios de comunicação tradicionais.

O direito de imagem está protegido:

134
a) na Constituição Federal

Fonte: Google imagens

(...)

TÍTULO II

Dos Direitos e Garantias Fundamentais

CAPÍTULO I

Dos Direitos E Deveres Individuais E Coletivos

Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos
brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à
igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:

V - é assegurado o direito de resposta, proporcional ao agravo, além da indenização por dano


material, moral ou à imagem;

X - são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado
o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação;

XXVIII - são assegurados, nos termos da lei:

a) a proteção às participações individuais em obras coletivas e à reprodução da imagem e


voz humanas, inclusive nas atividades desportivas;

b) no Código Civil

(...)

135
CAPÍTULO II

DOS DIREITOS DA PERSONALIDADE

Art. 20. Salvo se autorizadas, ou se necessárias à administração da justiça ou à manutenção


da ordem pública, a divulgação de escritos, a transmissão da palavra, ou a publicação, a exposição
ou a utilização da imagem de uma pessoa poderão ser proibidas, a seu requerimento e sem prejuízo
da indenização que couber, se lhe atingirem a honra, a boa fama ou a respeitabilidade, ou se
destinarem a fins comerciais.

Assim sendo, você deve manter reserva ao gerenciar arquivos fotográficos, evitando
exposição de terceiros envolvidos em ocorrências. Não fique repassando imagens de eventos de sua
atividade em grupos, especialmente, naqueles em que há presença de pessoas estranhas à
Corporação.

UNIDADE 2 - SISTEMA HÉLIOS

2.1 Hélios

Fonte: Google imagens

É um sistema de identificação automática de placas de veículos utilizando-se de câmeras


distribuídas em pontos estratégicos das vias urbanas, a fim de alertar em tempo real à Polícia Militar
de Minas Gerais de possíveis veículos suspeitos, veículos com mandado ou com licenciamento
vencido.

2.1.1 Como acessar o Hélios?


Para acessar o sistema Hélios você deve, através do seu computador ou dispositivo móvel
(smartphone, Iphone, tablet, notebook, etc), necessariamente, efetuar login no ambiente da IntranetPM.

Na página principal da IntranetPM você deve clicar no ícone “MENU”, localizado no canto
superior direito da página, depois no submenu “Geral”. Será então disponibilizado, na área “Sistemas”, o link

136
“Hélios”. Exemplo:

Fonte: Centro de Tecnologias e Sistemas/ PMMG

2.1.2 Como funciona?

Fonte: Centro de Tecnologias e Sistemas/ PMMG

Após o cadastramento do veículo no Hélios, assim que esse veículo passar por uma das
câmeras do projeto, o sistema emitirá um alarme sonoro e indicará sua localização e sentido de
deslocamento. Assim, o videomonitoramento buscará em que via o veículo está transitando para que
o georreferenciamento, via sistema Mapacad, possa traçar as melhores possibilidades de cerco e
bloqueio.

137
2.1.3 Melhor estratégia para localização de veículos de forma rápida

Fonte: Centro de Tecnologias e Sistemas/ PMMG

O tempo que pode levar até uma ocorrência ser finalizada no REDS e os dados do veículo
ser migrado para o sistema Hélios é de até 24 horas. Para garantir maior rapidez da localização do
veículo pelas câmeras do Hélios, é importante que um integrante do centro de operações faça o
cadastro dos veículos recém roubados/furtados direto no sistema Hélios.

2.1.4 Características das câmeras

Fonte: Centro de Tecnologias e Sistemas/ PMMG

138
As câmeras de monitoramento são capazes de captar a imagem do veículo, marca, modelo,
cor e placa, quando estes forem roubados, com mandado de busca e apreensão ou com
licenciamento vencido. Nos demais casos, apenas a placa, horário, nome da via e direção.

A solução de software de captura tem a capacidade de interpretar a imagem de vídeo em


tempo real executando a extração dos caracteres das placas dos veículos, e assim envia a imagem à
base de dados do servidor remoto do CTS. Todas as câmeras estão cadastradas, permitindo
identificar sua localização, direção do fluxo de trânsito e a sua coordenada geográfica.

2.1.5 Como incluir um novo veículo roubado ou furtado no Hélios


Para incluir um novo veículo que fora furtado/roubado, exclusivamente, o operador do CICOp,

COPOM, SOU ou SOF deverão clicar no ícone , conforme segue:

Posteriormente lançar: placa, modelo, ano, tipo (carro, moto, caminhão) e cor. As opções de
cores serão disponibilizadas quando for selecionado o tipo de veículo.

Fonte: Centro de Tecnologias e Sistemas/ PMMG

139
Independente de quem incluiu os dados no sistema, todos os militares da UEOp em que o
veículo for detectado pelas câmeras receberão alerta de veículo roubado/furtado.

2.1.6 Como incluir um veículo para monitoramento


É possível monitorar o deslocamento de um veículo específico através do cadastramento de
sua placa. Para isso, basta você acessar o menu “Incluir”

Fonte: Centro de Tecnologias e Sistemas/ PMMG

Será exibido

Fonte: Centro de Tecnologias e Sistemas/ PMMG

Você deve preencher os campos: placa, modelo, ano, tipo (carro, moto, caminhão) e cor do
veículo que se deseja monitorar. A partir daí o veículo será monitorado automaticamente conforme os
dados inseridos no sistema.

140
TODOS OS POLICIAIS MILITARES DO ESTADO MINEIRO poderão fazer a inclusão do
monitoramento, entretanto, somente quem fez a inclusão ou a quem a inclusão foi compartilhada
receberá as notificações do veículo cadastrado, sendo as notificações enviadas de QUAISQUER
câmeras do Estado de Minas Gerais.

DICA

Este recurso é de grande valia quando, por exemplo, você está acompanhando um
veículo de um conhecido suspeito de tráfico de entorpecentes, veículo este que NÃO é
roubado e NÃO é furtado, está com o licenciamento em dia, porém é suspeito de transportar
drogas. Uma vez incluído no monitoramento do Hélios, em qualquer lugar do estado em que
esse veículo passar por uma câmera habilitada para o sistema, serão registradas as
informações de data, hora, localização e sentido de deslocamento e enviado alerta ao policial
que incluiu o monitoramento, bem como àquele a qual o monitoramento foi compartilhado.

2.1.7 Inserção de Caractere Coringa


Quando da inserção de dados, o sistema permite também que você use o caractere coringa
“?” para substituir uma letra ou número da placa que poderão eventualmente ser desconhecidos.

Exemplo:

Supondo que um cidadão foi assaltado e não conseguiu identificar/memorizar os dois últimos
números da placa do veículo onde os assaltantes estavam. Informou apenas que se tratava de um
voyage de cor cinza e que conseguiu visualizar PWX-71 na placa.

Você, como integrante do centro de operações, poderá incluir o monitoramento da placa


informada pela vítima e interrogar, “?”, nos dois últimos números, ou seja PWX-71??.

Fonte: Centro de Tecnologias e Sistemas/ PMMG

141
O sistema irá emitir um alerta toda vez que qualquer veículo com as iniciais PWX-71 for
identificado, independente dos demais caracteres.

Clicando na imagem do veículo Monitorado será possível visualizá-lo e também compartilhar


o monitoramento com outros militares. Para o compartilhamento, basta clicar no botão Compartilhar.

Fonte: Centro de Tecnologias e Sistemas/ PMMG

2.1.8 Como pesquisar histórico de veículos


O sistema permite também pesquisar histórico de algum veículo específico, bastando lançar a
placa.

Exemplos:

Você deve clicar em pesquisar:

Fonte: Centro de Tecnologias e Sistemas/ PMMG

142
Depois digite a placa que se deseja consultar e clique em “Filtrar”:

Fonte: Centro de Tecnologias e Sistemas/ PMMG

2.1.9 Como iniciar uma operação policial no Hélios


Atualmente as blitz de trânsito podem ser muito mais eficientes. O HELIOS permite detectar
por área, veículos roubados, com licenciamentos atrasados, com mandado de busca e apreensão,
possibilitando que os policiais militares abordem, especificamente, os veículos detectados pelo
sistema.

Para iniciar uma operação você seguirá três etapas, a saber:

1. Clicar no link "Operação".

Fonte: Centro de Tecnologias e Sistemas/ PMMG

143
2. Selecionar, dentre as opções abaixo, qual o objetivo do monitoramento.

- Veículos roubados (por padrão já selecionado pelo sistema);

- Licenciamento atrasado;

- Mandado de busca e apreensão;

- Monitoramentos pessoais (veículos cadastrados pelo operador).

Exemplo:

Fonte: Centro de Tecnologias e Sistemas/ PMMG

Neste mapa as câmeras disponíveis para monitoramento vão aparecendo gradativamente, na


cor preta. Para a blitz, você deve clicar especificamente na câmera da qual se deseja receber as
notificações, que serão aquelas, preferencialmente, nas imediações do local onde a operação foi
instalada e que favorecem o fluxo de veículos que convergirão para a blitz. Ao selecionar a câmera,
ela ficará verde, indicando que está ativa para a operação selecionada.

144
Exemplo:

Fonte: Centro de Tecnologias e Sistemas/ PMMG

Conforme forem sendo encontrados veículos em situação irregular pelas câmeras


selecionadas, estes serão gradualmente mostrados.

3. Compartilhar a operação com os policiais militares que atuarão na blitz policial por meio da
inserção do número de polícia no campo em destaque.

Exemplo:

Fonte: Centro de Tecnologias e Sistemas/ PMMG

145
Aos policiais militares compartilhados serão enviadas notificações dos veículos detectados
com queixa de furto/roubo; licenciamentos atrasados e com mandado de busca e apreensão. Este
envio ocorrerá por meio do aplicativo QApp*, o qual pode ser acessado via dispositivo móvel
(smartphone ou tablet).

2.1.10 Falso positivo


Em razão do ângulo de visão de captação da imagem e da limitação tecnológica de algumas
câmeras, podem ocorrer algumas leituras equivocadas de algum dos caracteres da placa do veículo,
resultando em informações não condizentes com a imagem retratada pela câmera. Alguns exemplos
comuns são as letras O, Q e D que, por terem grafias parecidas, podem ser lidas pelas câmeras de
forma errada. Estes casos são chamamos de falsos positivos. A utilização de câmeras com
tecnologias mais recentes e com maior resolução de imagens, gradativamente, tendem a sanar esse
problema.

Exemplo:

Fonte: Centro de Tecnologias e Sistemas/ PMMG

2.2 Conclusão
A prevenção e repressão ao crime, em tempo hábil, é potencializada quando policiais
capacitados utilizam com propriedade recursos tecnológicos de forma estratégica. Os recursos
informacionais apresentados promovem a eficiência operacional. É preciso alertar que você pode e
deve empregar o celular na sua atividade policial, mas nunca se descuide do seu compromisso com a
segurança e com o balizamento ético que deve nortear sua conduta na atividade policial. É com este
desígnio que foram apresentados os sistemas e recursos tecnológicos atualmente disponíveis para o
apoio à atividade operacional da Polícia Militar de Minas Gerais. Use-os com sabedoria!

146
REFERÊNCIAS
BRASIL. Código Civil, Lei 10.406, de 10 de janeiro de 2002. 2a edição. Disponível em:
https://www2.senado.leg.br/bdsf/bitstream/handle/id/70327/C%C3%B3 digo%20Civil%202%20ed.pdf.
Acesso em 26Mar18.
BRASIL. Constituição Federal de 1988. Promulgada em 5 de outubro de 1988. Disponível em:
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituição.htm . Acesso em 26Mar18.
MINAS GERAIS. Polícia Militar. APP QAPP. Disponível em
https://play.google.com/store/apps/details?id=br.gov.mg.policiamilitar.qapp&hl=pt_BR . Acesso em
26Mar18.
MINAS GERAIS. Polícia Militar. HÉLIOS. Disponível em https://helios.policiamilitar.mg.gov.br/ .
Acesso em 26Mar18.
SINESP CIDADÃO. http://www.justica.gov.br/sua-seguranca/seguranca-publica/sinesp-1. Acesso em
26Mar18.
WHATSAPP. Disponível em https://www.whatsapp.com/download/ . Acesso em 26Mar18

147
PRONTOSSOCORRISMO POLICIAL

148
AUTOSSOCORRO

149
Apresentação
Caro (a) policial militar, o presente trabalho visa ao aprimoramento policial e se divide em
vertentes que estão permeados pelo trabalho por competências, dentre os quais destaca-se o reforço
de habilidades que o auxiliem em momentos críticos, bem como a conscientização para a importância
do preparo pessoal.

O Prontossocorrismo na ação policial se consubstancia como temática já consagrada. A


abordagem focada em ações voltadas ao próprio socorro, não tem o condão de ressignificar o tema,
mas o de torná-lo mais completo, sob a perspectiva do emprego e da ação policial militar.

Cremos que assim como os demais trabalhos não há a pretensão de esgotar o assunto. O
que se busca é subsidiar a sedimentação do processo de atualização profissional, tornando o nosso
policial militar mais consciente, hábil e convicto da importância do seu papel e da missão institucional.

Centro de Treinamento Policial


“Tornando o Policial Militar mais forte!”

150
UNIDADE 1: HISTÓRICO DO AUTOSSOCORRO E SUA
VARIÁVEIS

1.1 Introdução
O risco sempre permeou a ação policial. Se quisermos avaliar sob uma perspectiva concreta,
atrelar a incidência de maior ou menor risco a fatores como local ou períodos específicos pode ser
um ponto de partida. Contudo, essas variáveis não serão fatores taxativos, em virtude de um
elemento preponderante e fundamental - A IMPREVISIBILIDADE. Essa variável, por si só, já impõe a
necessidade de preparo contínuo e atenção focada a todo e qualquer agente público que exerça a
missão policial.

Buscar preparo técnico para responder de forma direta e objetiva quando a sua própria vida
depender disso é algo que deva ser galgado de forma litúrgica, diária e continua. Ao inserir o
conteúdo acerca das táticas de ação imediata em autossocorro, o que se busca é ampliar as chances
de sucesso naquilo que é fundamental para uma intervenção policial – Preservar vidas. Nesse
momento, em especial, estamos falando em buscar a preservação de uma vida em especial – A VIDA
DO POLICIAL!
8
Falaremos sobre medidas que tendem a se encaixar a circunstancias extremas como os
ferimentos provocados por armas de fogo, por quedas contudentes, traumas pontuais, que pela
natureza ou local, podem “esvaziar-lhes” a consciência em questão de minutos e, por conseguinte,
retirar-lhes a possibilidade de retorno a seus lares, após mais um dia de missão.

1.2 Origem e Histórico


A base histórica moderna do serviço de RESGATE em atividade militar tem como marco a
Guerra do Vietnã nos anos de 1960, quando os noticiários vespertinos mostravam o papel vital
desempenhado pelo pessoal de saúde da linha de frente ajudando a salvar vidas (NAEMT,2004).
Devido à hostilidade do território vietnamita, para o acesso de equipes de saúde por terra,
desenvolveu-se não só o serviço de evacuação aero médica como também, as equipes de emprego
em solo dentro do terreno inimigo.

A partir da necessidade da presença de socorristas no campo de batalha que o conceito de


socorrismo tático surgiu. Nas últimas três décadas, estas ações vêm sendo aprimoradas de forma
constante através da experiência e conhecimentos militares, especialmente, com um contributo
inigualável das forças de operações especiais em seus respectivos campos operacionais de atuação.

8
O enfoque se desmembra em vertentes que ao final da construção tendem a convergir para o mesmo ponto;
Manter-se vivo, enquanto aguarda o socorro (e a extração urgente advinda dele) e aumentar as chances de
sucesso da equipe médica que receberá o policial.
151
Cabe ressaltar, que o socorrismo de combate não foi desenvolvido para substituir as ações
do Oficial Médico, Enfermeiro, Bombeiro, INEM ou outros profissionais de Saúde. Sua razão de ser
se apoia no fato de que não é humanamente possível, tampouco, logisticamente viável ter presente
uma equipe de profissionais de saúde em todos os locais e momentos onde possa ocorrer uma
situação crítica, sendo essencial que o primeiro atendimento seja o mais precoce possível e de
qualidade, melhorando o prognóstico do militar.

Uma boa referência técnica atual é o sistema denominado TC3 (Tactical Combat Casualty
Care) que se compõe de diretrizes criadas pelo exército americano, com foco no treinamento de não
especialistas a fim de lidar com causas evitáveis de morte em ambiente operacional.

Segundo os parâmetros insertos nesta literatura, em 90% dos casos de lesões em combate o
operador vitimado vem a óbito em virtude da gravidade das lesões. Outro fator preponderante é que
uma parcela considerável dos óbitos, poderiam ter sido prevenidos com aplicação de instrumento e
técnicas (s) de contenção de hemorragias tais como compressão direta, bandagem elástica e, se
necessário, torniquete.

1.3 Variáveis Preponderantes para o suporte a um policial ferido


Em uma situação crítica em que uma medida de socorro deva ser adotada, existirão aspectos
que interferirão diretamente nas ações a serem adotadas. Dentre uma série de variáveis, destacam-
se 5 (cinco), que por sua importância prática, merecem ser ressaltadas e entendidas. São elas:

- Nível de Consciência;

- Hemorragia;

- Capacidade de manter-se em combate;

- Capacidade de locomover-se;

- Cenário.

1.3.1 Nível de consciência


Um policial que se encontra com seu nível de consciência comprometido não consegue ou
terá sérias complicações ao implementar medidas tais como:

- Ações de autossocorro (como estancar uma hemorragia);

- Deslocar-se para um ponto ou local em que o nível de proteção o propiciasse menor


propensão às lesões adicionais;

- Comunicar-se via rede rádio solicitando auxílio, informando o local em que se encontra.

As ações descritas acima, dependem diretamente de um certo grau de coordenação. Se


levarmos em conta que lesões cerebrais podem advir em decorrência de traumas diretos (quedas,

152
pancadas e outros) ou até mesmo a partir do quadro instalado de choque hemorrágico, entender qual
o grau de comprometimento do nível de consciência do policial poderá fazer toda a diferença.

Diante disso, conhecer e saber que a avaliação do estado mental envolve a verificação da
lucidez, orientação e noção da realidade pela vítima se fazem necessários.

Em uma situação crítica, utilizaremos um modelo (AVDI) para uma avaliação neurológica
simplificada que permitirá a detecção de alterações precoces:

Figura 43 – Avaliação neurológica simplificada

Reposta Verbal Resposta ao Resposta


Alerta estímulo de dor Inexistente
Presente

A = Alerta

V = Resposta Verbal presente

D = Resposta ao estímulo de Dor


Fonte: Centro de Treinamento Policial
I = Resposta Inexistente

1.3.2Hemorragia
O sistema circulatório é essencial para chegada de oxigênio nas células e tecidos. Uma
alteração, como uma hemorragia importante, pode comprometer a manutenção da vida. No caso de
um policial alvejado em uma ocorrência o esquema abaixo mostra o que é vital:

Figura 44 – Esquema de ações necessárias ao controle de Hemorragia

Dimensionar o volume de
sangue perdido.

Pronta Identificação de
pontos de sangramento

Controlar a perda de
volume sanguíneo.

Fonte: Centro de Treinamento Policial

153
O trauma, que pode levar a uma hemorragia, afeta diretamente o sistema circulatório
provocando dificuldades no fornecimento de oxigênio e na retirada de gás carbônico do organismo,
devido aos danos causados aos vasos sanguíneos (PHTLS, 2017).

Para a realização do autossocorro, é importante saber que os órgãos vitais entram em


falência devido à isquemia (falta de oxigênio), conforme PHTLS, 2017:

Figura 45 – Relação entre tempo de sobrevida e ausência de oxigênio para alguns órgãos

Entre 4 e 6
minutos
Até 90 Min.

Até 6 horas

Coração, cérebro e pulmões.

Rins, Fígado e Trato Gastro Intestinal.

Músculos,Policial
Fonte: Centro de Treinamento peles e ossos.

A identificação precoce dos seus sinais é vital, o PHTLS (2017) classifica o choque
hemorrágico em 4 classes (PHTLS, 2017):

Tabela 11 – Classificação do choque hemorrágico

Classe Perda de sangue Freq. Cardíaca Freq. respiratória Estado mental

Levemente
I 750 ml Alteração mínima Alteração mínima
ansioso

Moderadamente
II 750-1500 ml Aumento Aumento
ansioso

30-40 Ansioso,
III 1500-2000 ml >120 batimento/min
ventilações/min confuso

Confuso,
IV >2000ml >140 batimento/min >35 ventilações/min
letárgico

Fonte: PHTLS, 2017.

Figura 46 – Relação entre perda de sangue e seus sintomas imediatos

154
Fonte: Centro de Treinamento Policial

* Estas manifestações estão ligadas ao volume de sangue perdido e o seu conhecimento


permite ao militar perceber a gravidade do caso.

1.3.2.1 Contenção/Controle de Hemorragia

Entender os efeitos da redução de volume sanguíneo no nosso corpo é importante na medida


em que, você, policial, saiba como proceder na contenção/controle de uma hemorragia.

Relatos de policiais que se envolveram em ocorrências com histórico de agressões letais


contra eles, indicam, que em alguns casos, é possível que em virtude do alto nível de estresse, a
liberação de adrenalina fez com que esses agentes não percebessem que foram feridos.

Ao passar por uma experiência crítica, imediatamente após a neutralização da ameaça, de


forma concomitante ao acionamento de ajuda, deve ser iniciada uma autoavaliação (em nível visual e
tátil) em busca de possíveis pontos de sangramento.

Proceda a sua “autochecagem” seguindo o sentido da cabeça aos pés. Toque e sempre que
possível busque visualizar as regiões do pescoço, axila, tórax, abdômen, coxas e pernas.

Se sua intervenção for em suporte a outro policial militar, realize a checagem, obedecendo a
sequência da cabeça aos pés, contudo o ideal é que essa busca seja realizada de uma diagonal
corporal à outra, conforme se vê na figura abaixo. A esse método considera-se a avaliação em “X”.
Com essa ação você terá percorrido obrigatoriamente a região abdominal e torácica no mínimo duas
vezes em busca de sangramentos ou alterações significativas (como grandes deformações ou
objetos empalados, por exemplo).

Figura 47 – Método de avaliação em X

Procure manter a coluna cervical


o mais estável possível. Veja isso
como uma prioridade importante.

Fonte: Centro de Treinamento Policial

155
Ao localizar pontos de sangramento, proceda imediatamente à contenção da hemorragia.
Inicialmente proceda à compressão direta e sequencialmente, quando for o caso, utilize-se de alguns
equipamentos e ou meios que podem ser fundamentais. Conheça-os:

A – Compressão direta

É sempre a primeira das técnicas a ser empregada em uma contenção de hemorragia


externa.

Saiba como fazer:

- Calçado com luvas de procedimento, efetuar pressão com as mãos diretamente sobre o
ferimento, utilizando-se de gazes estéreis ou tecidos limpos;

- Havendo necessidade de se manter a compressão, não retire a gaze, anterior, encharcada


de sangue;

- Ao perceber que o sangramento fora controlado (avanço do processo de coagulação ou até


mesmo da limitação da perda sanguínea pela compressão), envolva o ferimento, mantendo pressão,
com atadura de crepe, bandagem triangular ou meios disponíveis que cumpram tal finalidade;

- Mantenha atenção ao pulso distal/perfusão capilar, checando-os sempre que possível.

Figura 48 – Método de compressão direta

Fonte: Centro de Treinamento Policial

B – Bandagem Compressiva

Utilizada quando a compressão direta não surte efeito. O Policial deverá ter recursos
adequados (FIG 49, 50, 51) para que ela possa ser realizada. O TC3 reforça que os primeiros
socorros devem ser prestados na “cena de ação” e que ter consigo os materiais necessários, pode
ser um diferencial entre o fracasso e o sucesso no atendimento.

Figura 49 - Bandagem elástica comum Figura 50 - Bandagem israelense

Fonte: Google imagens

156
Figura 51 - Bandagem triangular

Fonte: Google imagens

Saiba como usar a bandagem elástica

 Usar luvas é sempre importante como meio de proteção fisiológica para o operador.

 Colocar gaze, se disponível, sobre a ferida (conforme figura 10).

 Aplicar a pressão equivalente à compressão direta;

 Se houver necessidade, a troca de bandagens ou ataduras deve ocorrer sem remover a


primeira gaze.

Cabe frisar:

 A bandagem elástica é mais resistente e fixa melhor que as ataduras de crepom;

 Elas devem estar em posição de acesso imediato ao policial;

 Se for necessário um militar para realizar o resgate, a prioridade é sair da Zona Quente;

 Se possível, dar cobertura ao Policial que fará o resgate.

C – Torniquete
9
O torniquete será o passo a seguir em caso dos métodos anteriores, apresentados, não
forem o suficiente para conter a hemorragia. Lembre-se que sempre deverá ser feita a graduação dos
métodos de compressão:

Figura 52 – Sequência esquemática de ações para controle hemorrágico

Compressão direta Bandagem elástica Torniquete

Fonte: Centro de Treinamento Policial

A utilização do torniquete é respaldada através de estudos e testes realizados em campo,


principalmente em guerras como a do Iraque, Afeganistão, entre outras. Estudos revelam ainda, que

9
Este método de contenção de hemorragia enfrentou questionamentos no passado, mas atualmente
é fortemente recomendado nos casos em que houver a necessidade de contenção imediata de
hemorragia.
157
o torniquete é seguro em um período de até 150 minutos (2h30m). Em muitos cenários, pode ser o
tempo suficiente para o socorro definitivo.

Saiba como usar:

 Usar uma faixa de tecido largo (aproximadamente sete centímetros) longo o suficiente
para dar 2 (duas) voltas, com pontas para amarração.

 Aplicar o torniquete imediatamente acima da ferida.

 Passar a tira ao redor do membro ferido, duas vezes. e finalize com meio nó (Figura 13).
10

 Colocar uma pequena haste rígida (vareta, ou qualquer objeto semelhante com rigidez
mínima) no meio da amarração e em sequência complete o nó.

Ao girar a haste rígida, você ajustará o torniquete.

 Fixar as varetas com as pontas do pano.

Figura 53 – Tipos de Torniquete

Fonte: Centro de Treinamento Policial

Figura 54 – Emprego de um torniquete tático militar tipo CAT

10
O meio nó citado, se refere à primeira etapa da confecção de um nó direito. Corresponde também a primeira etapa para se
dar um laço nos cadarços do coturno quando de sua amarração.
158
A fixação do torniquete também pode ser feita com o uso de uma outra faixa de tecido amarrada
sobre a haste, em volta do membro ferido (conforme se vê na figura 11).

Figura 55 – Nó direito passo a passo.

Fonte: Google imagens

Cabe frisar:

Não utilize fios de arame, corda, barbante, material fino na técnica do torniquete. Ao sofrer
tensão esses materiais podem acabar promovendo amputação do membro afetado ou aumentando
substancialmente os focos de lesão na vítima.

1.3.3Capacidade de combate
Manter-se ativo em uma circunstância crítica é atuar no sentido da sua própria segurança
e/ou sobrevivência. Isto significa dizer que, manter-se em combate, pode contribuir diretamente para
que lesões adicionais (aquelas subsequentes à lesão primária) não sejam infligidas ao policial já
ferido.

1.3.4 Capacidade de locomoção


Em uma situação de combate essa ação poderá salvar sua vida!

A capacidade de locomoção será avaliada a partir da constatação de que o policial


alvejado/ferido é capaz de deslocar por si só (sem auxílio físico) para um abrigo, ainda que sob
orientação de outro policial.

Perceba que é fundamental entender que o policial militar ferido que possuir capacidade de
deslocamento deva se deslocar, na condição em que se encontre para um abrigo assim que possível.
Essa ação irá evitar que outros policiais da equipe deixem seus pontos de abrigo e corram o risco de
serem feridos.

1.3.5Cenário
O cenário irá se dissociar em conformidade com suas características urbanas ou rurais.
Aspectos como tempo até o atendimento médico de urgência e maior risco de confronto, em que
pesem (na maioria das vezes) estarem polarizados pela natureza do ambiente, podem agregar
dificuldades e se tornar um entrave ao atendimento do policial ferido.

De acordo com o cenário, as ações se processarão sob duas vertentes; A extração e a


evacuação.

159
- A extração é a fase em que serão adotadas medidas para retirar o policial ferido do
epicentro de risco;

- A evacuação seriam as ações adotadas para conduzir esse mesmo policial de uma área
segura para um atendimento médico avançado.

Na evacuação duas questões serão fundamentais

- Qualidade do suporte pré-hospitalar;

- Rapidez na condução para o atendimento médico avançado.

Observe que as ações (na fase de evacuação) estão mais vinculada ao suporte pré-hospitalar
do que propriamente a uma ação de natureza tática policial militar.

Em contrapartida, a natureza das ações de extração, terão uma parcela procedimental mais
predominante sob a perspectiva tática, contudo critérios básicos devem ser adotados para que não
haja complicação no quadro clinico do policial ferido.

Por assim dizer, maximizar a segurança durante a extração, bem como minimizar os riscos de
lesões decorrentes do transporte (improvisado) serão tarefas complexas, porém possíveis a partir do
emprego correto de técnicas para esse fim (arrasto, mochilamento e etc).

Tendo em mente o número de policiais militares disponíveis para auxiliar no processo de


11
transporte , os procedimentos para a extração vão começar a partir da resposta a três questões
basilares:

- Para onde vou?

- Por onde vou?

- Quando vou?

Definidas estas questões, o próximo passo é a comunicação à Rede Rádio, sobre o momento
da retirada do policial militar ferido do local onde se encontra. Observe que tal movimentação só será
válida se de fato:

- Implicar em redução de risco para o ferido (agravamento das lesões e ou lesões adicionais)
e para o grupo.

- Não houver possibilidade de suporte no local onde o ferido se encontra (áreas de difícil
acesso em virtude do relevo ou alto nível de risco para prestação de suporte no local como no caso
de militar ferido no interior de um aglomerado) ou ainda;

- Quando a natureza dos ferimentos implicar em necessidade de remoção imediata.

11
O número de policiais disponíveis para o transporte deve sempre que possível levar em conta o número total disponível
menos um que será encarregado da segurança durante o deslocamento tendo como missão ir à frente do grupo. Se houver
apenas um policial a este caberá (quando for o caso, avaliadas as condições de segurança) transportar e prover a segurança.
Neste caso indicasse-se o transporte do bombeiro como se verá adiante.
160
Realizada a comunicação, o próximo passo é definir qual o processo de transporte deverá ser
adotado:

Lembre-se que os possíveis pontos de sangramento maciços e pontos de fratura deverão ser
imobilizados (antes de se iniciar a movimentação) na medida em que isso for possível.

A – Arrasto

A técnica do arrasto pode ser muito eficaz em uma extração sob fogos quando a redução da
zona corpórea (silhueta), for fator preponderante para a segurança do socorrista e do ferido.

Um detalhe importante é que a aplicação desta técnica (como qualquer outra citada neste
trabalho) não deve redundar em agravamento das lesões já existentes ou até mesmo o surgimento
de outras de ordem grave.

É importante frisar que a técnica de arrasto, guarda relação com a posição em que a vítima
se encontra, no entanto se a mudança da posição do ferido for necessária, os critérios para o não
agravamento da lesão devem ser respeitados.

A técnica consiste em:

- Aproximar-se do ferido no sentido da cabeça aos pés, sempre que possível;

- Manter-se em uma base firme e estável próximo ao chão (avaliar a posição com os dois pés
plantados ou na posição com um dos joelhos em contato com o solo).

- Utilizar pontos firmes, como cinto, alças de colete ou na ausência destes, perpasse os
braços sob as axilas do ferido, finalizando com o fechamento das mãos (unidas) à frente do corpo,
criando ponto de ancoragem para o arrasto;

- Erguer-se a partir da força produzida pelas coxas, mantendo uma posição em que o tórax se
mantenha alinhado e direcionado para frente (essa posição proporcionará maior segurança para a
coluna).

- Realizar o arraste para o local almejado.

Figura 55 – Técnica de arrasto de ferido

Fonte: Centro de Treinamento Policial

161
Há possibilidade também de arrasto com o uso de alças (fitas tubulares em sua forma mais
geral, em função da grande capacidade de tração e sustentação de carga que esses materiais
possuem).

Um ponto a ser ressaltado é que a técnica do arrasto possui limitação quando houver grandes
desníveis no terreno ou quando as distâncias a serem percorridas forem consideráveis. Há que se
ressaltar também que esta técnica limita o uso da arma de fogo de forma instantânea pelo policial
socorrista, tendo em vista ambas as mãos estarem ocupadas.

B – Transporte Suspenso (Deslocamento lateralizado, Mochila e método do bombeiro).

Ao optar pelo transporte suspenso saiba que o nível de consciência do policial militar ferido e
até mesmo uma mínima capacidade de auxílio na locomoção, por parte do policial vitimado, irão
influenciar no método a ser implementado.

Outro fator a ser considerado em qualquer forma de transporte e que merece um destaque
especial no transporte suspenso é o peso da vítima. Tentar equalizar o peso do ferido com o policial
socorrista pode ser o primeiro passo para o sucesso nesta ação.

Havendo possibilidade mínima de deslocamento por parte do ferido, o ideal é que este auxilie
no processo de locomoção. Uma forma de assim o fazer é a partir do transporte com auxílio lateral,
onde o ferido utiliza-se do tronco do socorrista como apoio e se desloca em ritmo compassado
(normalmente ditado pelo ferido).

Figura 56 – Técnica de suporte lateral

Fonte: Centro de Treinamento Policial

Havendo mais de um socorrista, os braços do ferido passam sobre os ombros dos socorristas
que o auxiliam no deslocamento ritmado, sendo possível, inclusive, que as pernas estejam suspensas
se a situação assim o exigir.

162
Figura 57 – Técnica de suporte lateral

Fonte: Centro de Treinamento Policial


Arquivo do CTP.

No caso em que o ferido estiver consciente, porém sem condição de auxiliar no


deslocamento, o processo de transporte na mochila pode ser implementado. A técnica consiste em:

- Aproximar-se do policial ferido, preferencialmente na direção da cabeça aos pés.

- Abaixar-se a fim de facilitar o processo de ascensão às costas do socorrista.

- Ao ascender às costas, os braços do policial ferido devem contornar a região do pescoço,


ao passo que as pernas (quando possível) devem permear seu quadril do socorrista.

- O próximo passo é erguer com a força das pernas (preservando a coluna).

Lembre-se que a redução de silhueta será fundamental nesse caso, portanto avalie o peso da
vítima e busque essa equalização se houver mais policiais presentes.

Figura 58 – Técnica de Mochilamento

Fonte: Centro de Treinamento Policial

Em se tratando de um policial militar que estiver inconsciente, não é possível utilizar-se da


técnica anterior, e ainda não se aconselha o transporte na metodologia de mochila em virtude da

163
incapacidade do ferido de sustentar o próprio tronco. Uma queda poderia provocar sérias lesões em
zonas importantes como cabeça e região cervical e ainda fraturas pelo corpo.

É possível ainda que em situações semelhantes, havendo um número maior de policiais que
as tarefas de transporte e a segurança sejam dividas, conforme se vê a figura abaixo.

Figura 59 – Técnica de Mochilamento - divisão de tarefas.

Fonte: Centro de Treinamento Policial

Assim sendo, a técnica do transporte do bombeiro seria uma alternativa para uma remoção
em que apenas dois policiais militares estão presentes (um socorrista enquanto o outro ficará a cargo
da segurança), estando o ferido inconsciente.

A técnica consiste em:

- Aproximar-se do policial ferido, preferencialmente na direção da cabeça aos pés.

- Ao abaixar-se use como referência a mão “forte” que deverá buscar a mão em sentido
oposto do ferido.

- Em sequência “induzir”, por entre as pernas do ferido, o braço “fraco”, de modo a conduzi-lo
para a região escapular do socorrista;

- Estando o ferido posicionado erga o corpo com auxílio das pernas e uma leve projeção do
quadril.

- Aproveite nesse momento para manter o controle do corpo do policial ferido com apenas a
mão fraca, tendo em mente que a mão “forte”, poderá empunhar sua arma, para a defesa, caso
alguma ameaça surja.

164
Figura 60 – Técnica de Transporte do Bombeiro

Fonte: Centro de Treinamento Policial

Tenha em mente que a redução de silhueta será fundamental nesse caso, portanto
avalie o peso da vítima e busque essa equalização com os demais policiais presentes quando
for o caso.

Se não houver outro policial em suporte, busque ser o mais rápido e atento que puder.

Atingida a zona segura ou após ter deixada uma zona vermelha, imediatamente, a atenção
estará voltada as ações de evacuação do ferido para o atendimento médico de urgência. Sempre que
possível ao se comunicar com o COPOM verifique a possibilidade da USA (Unidade de Suporte
Avançado) já ter sido direcionada para o local de evacuação ou ainda que uma unidade dessa
natureza, intercepte o veículo em que o ferido se encontra a caminho para o hospital.

RESUMO
Na Unidade 1, vimos que:

A qualidade no atendimento, a evolução técnica das ações médicas e de suporte são


indiscutíveis, no entanto, não há como predizer qual o momento em que em um atendimento rotineiro
ou em um turno de serviço um policial poderá necessitar de amparo de suporte básico de vida, o que
nos leva a entender que ter conhecimento acerca de técnicas de autossocorro pode ser um fator
decisivo quando a vida do policial estiver em risco.

Vimos também que: nível de consciência, hemorragia, capacidade de manter-se em combate,


capacidade de locomover-se e o cenário são variáveis que podem promover repercussão direta nas

165
ações a serem adotadas por um policial, bem como em seus resultados. Portanto, entendê-las bem
como, quando possível, dominar procedimentos para controlá-las é fundamental.

Vimos que os órgãos mais sensíveis à isquemia são o coração, cérebro e pulmões (tendo
como limite o período entre 4 e 6 minutos para sua morte).

Vimos que os sintomas de uma perda significativa de sangue podem variar desde uma leve
ansiedade (perda de volume até 750ml) até a confusão e letargia extrema (acima de 2L) e que o não
controle da hemorragia certamente conduzirá a óbito. Nessa mesma razão, observa-se que a perda
sanguínea tem como resultado a instalação de um quadro em que a atividade cardíaca irá se
intensificar.

Aprendemos que a compressão direta, o uso de bandagens compressivas e o uso de


torniquetes são técnicas gradativas para controle de hemorragias.

Nos fora ensinado que evacuação e extração são fases de um plano tático de condução para
o atendimento médico avançado. Na fase de extração, dominar técnicas de transporte como arrasto,
mochilamento, transporte do bombeiro, dentre outras é fundamental.

UNIDADE 2:AS TÁTICAS DE AÇÃO IMEDIATA – TAI


Propiciar linhas de ação quando um plano inicial se torna inviável, esse é o cerne de
uma Tática de Ação Imediata (TAI).

Nesta Unidade, trataremos das ações (verbos) a serem assumidos/implementados de


maneira imediata a partir da constatação de alguma contingência. As variáveis (tratadas na Unidade
II) e as fases das ações serão os elementos balizadores.

As ações serão descritas em fases em conformidade com as atitudes a serem


implementadas. Cabe ressaltar que faremos a distinção entre a extração e evacuação o que nos
levará ao entendimento de que existem 04 (quatro) fases a serem seguidas:

- Os cuidados sob fogo;

- O tratamento tático ao ferido;

- A extração tática da zona de risco;

- A evacuação para suporte avançado.

Assim os fatores a serem considerados em um primeiro momento serão descritos como se vê


a seguir no diagrama.

166
Figura 61 – Linhas de ação a serem adotadas

Consciente Inconsciente

C/ Capacidade S/ Capacidade de
de Resposta Resposta

C/ Capacidade S/ Capacidade de C/ Capacidade S/ Capacidade de


de Locomoção Locomoção de Locomoção Locomoção

Fonte: Centro de Treinamento Policial.


Para cada um dos possíveis caminhos descritos haverá um conjunto de ações a serem
implementadas por parte do grupo policial.

2.4.1 Policial consciente, em condições de responder à ameaça e capaz de se


locomover
Dentre os possíveis quadros apresentados este é o que apresenta melhor condição funcional.
Contudo, não se pode esquecer que se trata de um cenário crítico e ações contingenciais devam ser
implementadas como se segue:

Figura 62 – Tática de ação imediata, conforme item 2.4.1

POLICIAL POLICIAL
FERIDO SOCORRISTA

Mantém-se em combate. Se dirige imediatamente a um Atua em resposta auxiliando o


ponto favorável mais próximo. ferido na ocupação do ponto
favorável o mais rápido.

No ponto favorável iniciar a sua Comunicar imediatamente o fato, Manter-se em pronta resposta e a
“autochecagem” em busca de descrevendo local e situação atenção voltada aos pontos de
(feridos e natureza das lesões).
grandes hemorragias. riscos no ambiente.

Ao identificar um ponto de
sangramento massivo, proceder à
sua imediata contenção.

Preparar-se para a extração e Solicitar repasse de informações Comunicar início da fase de


ao serviço médico ou a extração, assim que receber
cientificar o socorrista quanto à interceptação do comboio se for
possibilidade de locomover-se. o caso. resposta positiva do ferido.

Atuar em apoio à segurança e se Solicitar repasse de informações Conduzir a extração, tendo


possível assumir as ao serviço médico ou a
comunicações quando for interceptação do comboio se for em mente que a segurança
possível. o caso. recaí sobre si.

Fonte: Centro de Treinamento Policial

A extração só será conduzida/implementada pela equipe, desde que haja possibilidade


concreta de ser executada. Se a movimentação (saída) do ponto em que as ações estão ocorrendo

167
aumentar os riscos de lesões adicionais ou do aumento do número de feridos a orientação é para que
12
se mantenham no ponto favorável que fora estabelecido e que aguardem uma operação de resgate
da guarnição, por equipe policial competente para a ação. A manutenção das comunicações será
fundamental para o sucesso da ação.

2.4.2 Policial consciente, em condições de responder à ameaça, porém sem


condição de se locomover

O entendimento de que a capacidade de se locomover pode ser um fator decisivo que


influenciará no processo de tomada de decisão. A permanência por períodos prolongados em zona
exposta pode propiciar o agravamento do quadro em virtude das lesões adicionais. As ações
recomendadas são as seguintes.

Figura 63 – Tática de ação imediata, conforme item 2.4.2

POLICIAL POLICIAL
FERIDO SOCORRISTA

Mantém-se em combate. Se Identifica o ponto de ameaça. Em condições de resposta se


encarrega da contenção, Define o ponto a ser conduzido e aproxima do policial ferido e o
permitindo a aproximação. comunica indicando o avanço. conduz para o ponto favorável.

No ponto favorável iniciar a sua Manter-se em pronta resposta e


“autochecagem” em busca de a atenção voltada aos pontos de
grandes hemorragias. riscos no ambiente.

Ao identificar um ponto de
sangramento massivo, proceder
à sua imediata contenção.

Preparar-se para a extração e Comunicar início da fase de


cientificar o socorrista quanto à extração, assim que receber
possibilidade de locomover-se. resposta positiva do ferido.

Conduzir a extração, tendo em Solicitar repasse de informações ao


mente que a segurança recaí serviço médico ou a interceptação
do comboio se for o caso.
sobre si.

Fonte: Centro de Treinamento Policial.

As recomendações quanto à extração do ferido seguem de acordo com o item anterior.

12
Caracteriza-se como ponto favorável, qualquer local que em virtude de suas características ofereça ou possibilite vantagem
tática ao grupo policial.
168
2.4.3Policial consciente, sem condição de responder à ameaça, porém capaz de se
locomover
Em uma situação crítica, manter-se em combate é fundamental. Um fator essencial e que
deva ser introjetado no comportamento policial é o domínio instintivo de localização e ocupação de
abrigo. Em uma ocasião em que um ferimento fora infligido ao policial, tirando-lhe a capacidade de
resposta, essa postura será um dos fatores decisivos.

Figura 64 – Tática de ação imediata, conforme item 2.4.3

POLICIAL POLICIAL
FERIDO SOCORRISTA

Deslocar-se imediatamente Assumir a responsabilidade Comunicar imediatamente o fato,


para ponto protegido mais pela neutralização da ameaça descrevendo local e situação
próximo. e controle do ambiente. (feridos e natureza das lesões).

No ponto favorável iniciar a sua Manter-se em pronta resposta A partir do abrigo, buscar contato
“autochecagem” em busca de e a atenção voltada aos pontos verbal ou visual com o ferido a fim
grandes hemorragias. de riscos no ambiente. de avaliar sua situação.

Ao identificar um ponto de
sangramento massivo, proceder à
sua imediata contenção.

Preparar-se para a extração e Comunicar início da fase de


cientificar o socorrista quanto à extração, assim que receber
possibilidade de locomover-se. resposta positiva do ferido.

Conduzir a extração, tendo em Solicitar repasse de informações


mente que a segurança recaí sobre ao serviço médico ou a
interceptação do comboio se for o
si. caso.

Fonte: Centro de Treinamento Policial

As recomendações quanto à extração do ferido seguem de acordo com o item anterior.

2.4.4 Policial Consciente, sem condição de responder à ameaça e sem condição de


deslocamento
O Policial que em virtude de uma ação contra si, tiver sua capacidade de resposta e
capacidade de locomoção comprometidas deverá ser tratado como um paciente inconsciente para
fins práticos, tendo em vista que em virtude do ferimento (natureza) ele não conseguirá realizar sua
autoavaliação, tampouco se dirigirá a uma zona protegida. Esse cenário é crítico e o autocontrole do
policial socorrista será de importância extrema.

169
Figura 65 – Tática de ação imediata, conforme item 2.4.4

POLICIAL POLICIAL
FERIDO SOCORRISTA

Assumir a Comunicar Ao atingir o ponto onde


responsabilidade pela imediatamente o fato, encontra-se o ferido,
neutralização da descrevendo local e conduzi-lo a um ponto
ameaça e controle do situação (feridos e favorável.*
ambiente. natureza das lesões).

À procura de pontos de Ao localizar os pontos Monitorar o nível de


sangramento massivo realizar a imediata consciência e prevenir
faça a avaliação em X contenção da (s) o CHOQUE são
(LÓGICA DO Hemorragia (s). aspectos fundamentais
SUPORTE) para o sucesso.
Se for possível, auxiliar no
controle visual quanto à
aproximação de ameaças. Atualizar o CICOP e a Avaliar quanto à Preparar as ações
rede rádio quanto a extração imediata ou levando em conta a
situação de momento. interceptação do
aguardar auxílio para comboio, se for o caso,
retirar o ferido da zona se for o caso por
de risco. SMA.***

Optando pela extração


imediata, ter em mente
que a segurança recaíra
sobre si.

Fonte: Centro de Treinamento Policial.

* Neste Caso, a condução para o abrigo deverá aliar a rapidez e o máximo possível de
técnica. Deve-se levar em conta o nível de exposição e o risco ao qual ambos os policiais estão
submetidos.

*** SMA é a sigla que denomina o Suporte Médico Avançado.

2.4.5 Policial Inconsciente


Estando o policial inconsciente (Tática de Ação Imediata – TAI), as ações serão
implementadas em compatibilidade com as ações do item 2.3.4, cabendo ao policial socorrista
entender que não haverá possibilidade de auxílio em nenhuma ação necessária.

170
Figura 66 – Tática de ação imediata, conforme item 2.4.5

POLICIAL POLICIAL
FERIDO SOCORRISTA

Assumir a Comunicar Ao atingir o ponto


responsabilidade pela imediatamente o fato, onde encontra-se o
neutralização da descrevendo local e ferido, conduzi-lo a
ameaça e controle do situação (feridos e
ambiente.
um ponto
natureza das lesões).
favorável.*

Á procura de pontos de Ao localizar os pontos Monitorar o nível de


sangramento massivo realizar a imediata consciência e
realizar a análise em contenção da (s)
prevenir o CHOQUE
SEM AÇÕES DISPONÍVEIS X** (LÓGICA DO Hemorragia (s).
SUPORTE) são aspectos
fundamentais para o
sucesso.
Atualizar o CICOP e Avaliar quanto à Preparar as ações
levando em conta a
a rede rádio quanto extração imediata ou interceptação do
a situação de aguardar auxílio comboio, se for o caso,
momento. para retirar o ferido se for o caso por
da zona de risco. SMA.***

Optando pela
extração imediata,
ter em mente que a
segurança recaíra
sobre si.

Fonte: Centro de Treinamento Policial.

As recomendações quanto à extração do ferido seguem de acordo com o item anterior.

RESUMO
Na Unidade 2, vimos que:

As ações a serem desenvolvidas seguem um criterioso planejamento, com foco no socorro e


no não agravamento de lesões. A segmentação das tarefas irá ocorrer em fases como se segue:

- Os cuidados sob fogo;

- O tratamento tático ao ferido;

- A extração tática da zona de risco;

- A evacuação para suporte avançado.

Aprendemos que a conjugação de informações, como nível de consciência, capacidade de


resposta e capacidade de locomoção serão importantes para a construção de linhas de ação, como
se segue no diagrama, abaixo.

171
Linhas de ação a serem adotadas.

Consciente Inconsciente

C/ Capacidade S/ Capacidade de
de Resposta Resposta

C/ Capacidade S/ Capacidade de C/ Capacidade S/ Capacidade de


de Locomoção Locomoção de Locomoção Locomoção

Fonte: Centro de Treinamento Policial.

Entendemos a partir do diagrama, o porquê de um policial ainda que consciente, porém sem
capacidade de resposta e sem capacidade de locomoção deverá ser tratado (para fins de extração)
nos mesmos parâmetros de um policial inconsciente.

Evidenciamos que entender linhas de ação, a fim de coloca-las em prática de forma


instantânea pode ser um fator decisivo para se ter sucesso em um momento crítico. A esse processo,
chamou-se de Táticas de Ação Imediata – TAI.

172
REFERÊNCIAS
ACADO. Associação de Colecionadores e Atiradores do Oeste. Revista Trianual da ACADO. Nº6 –
Setembro de 2014.

BRASIL. Exército. Manual do Estágio Básico de Resgate/Sau. Rio de Janeiro:Destacamento de


Saúde Paraquedista. 2002.

BRASIL. Ministério da Guerra. Manual de Campanha-Instrução Individual para o Combate.1969.

BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Protocolos de Intervenção para o


SAMU 192 - Serviço de Atendimento Móvel de Urgência. Brasília: Ministério da Saúde, 2016.

MINAS GERAIS. Corpo de Bombeiros Militar. Instrução Técnica Operacional Nº 23 - Protocolo de


Atendimento Pré Hospitalar. Belo Horizonte, 2013.

MINAS GERAIS. Polícia Militar. Memorando nº 31.164.2/06 – EMPM. Vítimas de trauma


penetrante. Belo Horizonte, 2006.

NAEMT. Atendimento Pré-Hospitalar ao Traumatizado: Básico e Avançado. Rio de Janeiro:


Elsevier. 2004.

NAEMT. Atendimento Pré-Hospitalar ao Traumatizado Básico e Avançado PHTLS. Trad. 8. ed.


Rio de Janeiro: Elsevier, 2017.

173
TÉCNICA POLICIAL MILITAR

174
ABORDAGEM A VEÍCULOS

175
Apresentação
Caro Policial Militar, o conteúdo apresentado tem como objetivo capacitá-lo a promover
abordagens a ocupantes de veículos, respeitando os parâmetros técnicos, legais e táticos. Para, além
disso, estará sendo-lhe disponibilizado um conteúdo específico para também o capacitar a realizar
vistorias em documentos de porte obrigatório dos condutores, bem como em veículos automotores.
Assim, pretende-se que você, munido destas informações, seja capaz de realizar abordagens a
veículos com maior qualidade, com capacidade elevada em identificar ilícitos quando do exame de
documentos e veículos automotores.

Centro de Treinamento Policial


“Tornando o Policial Militar mais forte”

176
Introdução
As diversas intervenções que se fazem necessárias no dia-a-dia do seu trabalho policial são
cercadas por muitas variáveis, demandando de você um condicionamento técnico diversificado para
cada situação fática. Atuar sem se afastar dos princípios norteadores da sua profissão requer
treinamento constante, pois assim, garantirá a segurança de todos os envolvidos na intervenção
policial, e alcançará legitimidade perante a sociedade.

Intervenção policial é a ação ou a operação que empregam técnicas e táticas


policiais, em eventos de defesa social, tendo como objetivo prioritário a promoção e
a defesa dos direitos fundamentais da pessoa (MTP 3.04.01/2013-CG).
Os carros e motos são empregados na execução de muitos delitos e, muitas vezes, são o
alvo do delito. E, entre os crimes, tem se multiplicado a “clonagem” de veículos. Hoje, esse delito não
é mais cometido de forma grosseira, pelo contrário, notam-se quadrilhas cada vez mais
especializadas realizando adulteração de sinais identificadores de veículos, de forma praticamente
imperceptível e de difícil detecção em uma abordagem policial.

Veículos Furtados/Roubados em Belo Horizonte

Em média são roubados ou furtados 20 carros por dia em Belo Horizonte e muitos municípios
de Minas Gerais há problemas dessa mesma natureza.

Vejam nos gráfico 1 a incidência desses roubos, num comparativo entre 2015 e 2016.

GRÁFICO 1 - Veículos furtados/roubados em Belo Horizonte, 2015 - 2016

Fonte: Hojeemdia.com.br

Veículos Furtados/Roubados Recuperados

Noutro giro, observa-se no Gráfico 2 que o número de veículos furtados/roubados


recuperados fica em torno de 50%. E a “clonagem” de veículos, com troca de placas e demais
processos delituosos nesse sentido é um dos fatores que tem dificultado sobremaneira a atuação
policial.

177
GRÁFICO 2 - Veículos furtados/roubados recuperados em Belo Horizonte, 2015 - 2016

Fonte: Hojeemdia.com.br

Observa-se que dos 10.300 veículos furtados/roubados em Belo Horizonte nos anos de 2015
e 2016, cerca de 5000 podem estar circulando pela cidade ou pelo Estado.

No 9º biênio do Treinamento Policial Básico, a disciplina de abordagem a veículos apresenta


como proposta não somente treinar conceitos básicos da abordagem a veículos, como também
pretende avançar no sentido trazer ao seu conhecimento o que deve ser observado na verificação de
documentos e na inspeção veicular e com isso aumentar a eficiência na identificação de ilícitos
envolvendo os veículos.

Objetivos
Ao final da disciplina, você será capaz de:

Realizar abordagens policiais a veículos e seus ocupantes, com conhecimento técnico e


legal, dentro de parâmetros éticos que promovam a dignidade da pessoa humana;

Identificar ilícitos penais relativos à “clonagem” de veículos e falsificação de documentos;

Verificar se o veículo está com sinais de identificação adulterados, ou “clonados”, bem como
identificar documentos falsos ou adulterados;

Realizar abordagem policial a motocicletas e coletivos com observância às peculiaridades


destes veículos com características especiais;

Realizar o desembarque rápido da viatura após destravamento do cinto de segurança;

178
UNIDADE 1: ASPECTOS LEGAIS

1.1 Fundada suspeita


Toda atividade policial deve ser fundamentada no ordenamento jurídico vigente no país.
Qualquer ação ou operação policial realizada fora deste prisma traz grandes prejuízos ao cidadão, à
Instituição Policial e ao próprio agente da lei.

O artigo 244 do Código de Processo Penal (CPP) determina que a busca pessoal deva ser
precedida de fundada suspeita.

Art. 244. A busca pessoal independerá de mandado, no caso de prisão ou quando houver
fundada suspeita de que a pessoa esteja na posse de arma proibida ou de objetos ou papéis
que constituam corpo de delito, ou quando a medida for determinada no curso de busca
domiciliar.

Observe a decisão do Ministro aposentado do Supremo Tribunal Federal Ilmar Galvão, em


decisão Habeas Corpus, julgado em 13 de novembro de 2011.

A “fundada suspeita”, prevista no art. 244 do CPP, não pode fundar-se em parâmetros
unicamente subjetivos, exigindo elementos concretos que indiquem a necessidade da revista,
em face do constrangimento que causa. Ausência, no caso, de elementos dessa natureza, que
não se pode ter por configurados na alegação de que trajava, o paciente, um “blusão”
suscetível de esconder uma arma, sob risco de referendo a condutas arbitrárias ofensivas a
direitos e garantias individuais e caracterizadoras de abuso de poder. Habeas corpus deferido
para determinar-se o arquivamento do Termo. (Habeas Corpus nº 81.305-4. Relator (a): Min.
ILMAR GALVÃO, Primeira Turma, julgado em 13/11/2001, DJ 22-02-2002).

Em outras palavras, não obstante a abordagem policial ser discricionária e basear-se no


poder de polícia garantido aos policiais, a decisão de realizar a busca pessoal deve realizada a partir
da fundada suspeita e orientar-se por elementos objetivos.

Entende-se como elementos objetivos a definir fundada suspeita como:

Atitude do abordado;

A atitude do abordado é a ação comportamental do cidadão no ambiente ou em face de


presença policial. Ex.: comportamento estranho do suspeito (tensão, nervosismo, aceleração do
passo ou mudança brusca de direção) ao avistar a presença policial;

Informações prévias;

São caracterizadas pelas denúncias, informes e conhecimento advindo do relacionamento


com a comunidade. Ex.: denúncia de pessoa com mandado de prisão em aberto;

Análise criminal;

É o conjunto sistemático de produção de conhecimento orientado por pesquisas nas bases de


dados e geoestatística que orienta sobre os locais de maior incidência e modalidades delitivas e
indica a área de atuação policial. Ex.: pessoa parada em local ermo em área de grande incidência
criminal.

179
UNIDADE 2: ASPECTOS TÉCNICOS

2.1 Conceito
Os aspectos técnicos consistem em procedimentos que devem ser observados por você para
a execução da abordagem em si, possibilitando uma ação exitosa minimizando riscos, preservando
vidas e alcançando o resultado desejado.

Agir tecnicamente é empregar de forma disciplinada um conjunto de ações previamente


estabelecidas que tenha como objetivo, obter um determinado resultado.

Na PMMG, as ações técnicas para realizar abordagens a veículos estão definidas no Manual
Técnico Profissional n. 3.04.04/2013, Caderno Doutrinário 4 – Abordagem a Veículos. Constitui
juntamente com o Caderno Doutrinário 1 – Intervenção Policial, Processo de Comunicação e Uso da
Força, Caderno Doutrinário 2 – Abordagem a Pessoas, Caderno Doutrinário 3 – Blitz Policial e
Caderno Doutrinário 5 - Escoltas e Conduções Diversas, o arcabouço de conhecimentos básicos da
Técnica Policial Militar.

2.2 Avaliação de Risco


Toda e qualquer intervenção policial, seja simples ou complexa, deve ser precedida de
análise criteriosa das informações, de forma que sejam organizadas, trabalhadas e
transformadas em dados, aplicando-se a metodologia de avaliação de risco. É a primeira fase
para a construção do plano de ação. Observe na figura 67 a descrição dessa metodologia:

Figura 67 – Metodologia de avaliação de risco, PMMG, 2018.

AVALIAÇÃO DE RISCOS
Risco nível 1

Identificação de
direitos e garantias Avaliar ameaças Classificação do risco Risco nível 2
sob ameaça
Risco nível 3

Avaliação dos possíveis Análise das vulnerabilidades


resultados

Fonte: Minas Gerais, 2013

180
Identificação dos direitos e garantias ameaçados – consiste na avaliação prévia dos
elementos (pessoas, bens) sujeitos à ação delitiva e sua relação com a dinâmica dos fatos (histórico
da ocorrência);
Avaliar ameaças – é a análise das características dos fatores pessoais e logísticos daquele
que perpetra o delito.
Classificação dos riscos – é o estabelecimento de uma graduação inicial de perigo para o
problema enfrentado. Fundamental para alinhar o estado de prontidão; estabelecer as barreiras de
segurança e as respostas com uso da força durante a ocorrência.
Risco Nível I – é caracterizado pela baixa probabilidade de risco, situação rotineira de
policiamento;
Risco Nível II – é caracterizado pela real possibilidade de ocorrer fato que afete a segurança
dos policiais e/ou terceiros, entretanto, você ainda está se certificando que o risco existe de fato. São
as averiguações preventivas;
Risco Nível III – são as situações em que há necessidade de adotar medidas de caráter
repressivo. O fato delituoso é iminente ou já ocorreu e você deve agir imediatamente;
Análise das vulnerabilidades – é a análise que você faz focada em sua própria capacidade,
ou da guarnição, de reagir ao problema enfrentado.
Avaliação dos possíveis resultados – avaliação dos impactos que ação de resposta ao
problema enfrentado pode gerar como consequência para a vida das pessoas e para a sociedade.

2.3 Níveis de abordagens


Na PMMG, existem três níveis de abordagens a veículos e esses são correlatos aos níveis de
risco avaliados. Para se iniciar uma abordagem policial a veículos, é necessário definir qual o objetivo
daquela ação e verificar preliminarmente qual o nível de risco existente, para que você se prepare
mentalmente para utilizar a melhor tática e a técnica mais apropriada. A Tabela 12, adaptada do
Caderno Doutrinário 4 (2013), apresenta os níveis de abordagens a veículos.

181
Tabela 12 – Níveis de abordagem a veículos, PMMG, 2018.

ESTADO DE PRONTIDÃO
NÍVEIS QUANDO EMPREGAR
ADEQUADO

O estado de prontidão
Será empregada nas ações e operações
será de ATENÇAO,
Nível I policiais de caráter educativo e
representado pela cor
assistencial.
amarela.

Será empregada nas ações e operações


de caráter preventivo, em fatos que
indiquem ameaça à segurança pública.
O estado de prontidão
É o caso das abordagens baseadas em
coerente é o ALERTA,
Nível II histórico de infrações (dados
representado pela cor
georreferenciados) ou situações em que
laranja.
a infração não foi consumada, mas há
indício de preparação para o seu
cometimento.

Será empregada nas ações e operações O estado de prontidão


de caráter repressivo, caracterizado por coerente é ALARME,
Nível III
situações de risco real ou certeza do representado pela cor
cometimento de delito. vermelho.
Fonte: Caderno Doutrinário 4.

2.4 Táticas de abordagem


Referem-se aos posicionamentos a pé ou com uso da viatura que você, juntamente com sua
guarnição, cada um em sua função, adotará durante uma abordagem policial a veículos, decorre do
estabelecimento do Plano de Ação (planejamento da atuação no local da ocorrência. É realizado
com base no diagnóstico inicial da ocorrência, a partir da avaliação de riscos e da leitura do ambiente,
pensamento tático, realizado pela guarnição PM). A PMMG estabelece e aplica os seguintes
posicionamentos para abordagem a veículos.

Tática de aproximação: consiste no deslocamento do policial militar até o veículo parado,


posicionando-se na área de aproximação para verbalização e abordagem.

Figura 68 - Tática de Aproximação

Fonte: Caderno Doutrinário 4

182
Figura 69 - Área de Aproximação

Fonte: Caderno Doutrinário 4

Tática com posicionamento de viatura a 45º: a tática com posicionamento de viatura a 45º
utiliza a própria viatura como formadora de uma área de segurança, permitindo que a abordagem
ocorra mesmo em locais abertos, sem a presença de abrigos físicos, possibilitando aos policiais
militares verbalizarem e abordarem devidamente cobertos e abrigados.

Figura 70 - Viatura a 45º

Fonte: Caderno Doutrinário 4

Tática de cerco e bloqueio: é um conjunto de ações para cessar o deslocamento de


veículos suspeitos e interceptá-los quando estiverem sendo perseguidos.

Figura 71 - Cerco/bloqueio

Cerco Bloqueio

Fonte: Caderno Doutrinário 4

183
2.5 Funções
Ao realizar uma abordagem veicular para alcançar êxito é preciso uma ação conjunta de
todos os policiais que compõem a guarnição. Você adotará uma ou mais funções descritas,
cumulativamente, conforme a composição de sua equipe.

● PM Comandante: é o militar de maior posto ou graduação, e dentre eles, o mais antigo;


responsável pela coordenação e pelo controle da operação;

● PM Verbalizador: é o policial responsável pela comunicação com os ocupantes do


veículo abordado;

● PM Vistoriador: é o policial responsável pela verificação de documentos e vistoria do


veículo;

● PM Revistador: é o responsável pela realização da busca pessoal nos ocupantes do


veículo abordado, durante a intervenção;

● PM Segurança: é o policial responsável pela integridade e segurança dos componentes


da equipe durante toda a intervenção.

2.6 Áreas de atuação


São áreas delimitadas dentro de um espaço geográfico onde se realiza uma intervenção
policial. Observe a Figura 72.

FIGURA 72: Delimitação dos perímetros abordagem com viatura a 45º

Fonte: Caderno Doutrinário 4

● área de contenção: é a área de abrangência da ocorrência, em que os policiais deverão


manter constante monitoramento com objetivo de conter os abordados e isolar o local contra a
intervenção de terceiros;

184
● área de risco: numa abordagem a veículos, compreende-se todo o espaço livre em torno
(360º) do veículo abordado. Nessa área, existem ameaças, reais ou potenciais, que colocam em
risco a segurança dos envolvidos, pelo fato de o policial não deter, ainda, o domínio da situação;

● área de aproximação: é o espaço que corresponde a uma faixa de aproximadamente 75


cm de largura, que se inicia na altura do para-choques traseiro (esquerdo/direito) do veículo abordado
e termina antes do raio de abertura da porta do motorista ou das portas traseiras quando houver
passageiros nos bancos de trás. É o local que oferece menor risco ao policial durante a aproximação;

● área de alcance: é o espaço situado dentro da área de risco em que o policial estará
vulnerável à agressão física por parte de ocupantes do veículo (agressões com socos, com chaves
de fenda, trancas de carro, dentre outros). Essa área compreende um raio de extensão de
aproximadamente um metro, partindo das janelas do veículo;

● setor de busca: é o espaço destinado à realização de busca pessoal e será definido após
análise do local e avaliação de riscos, de forma a garantir segurança tanto para os policiais quanto
para os abordados. (Ver Caderno Doutrinário 2);

● setor de custódia: é o espaço definido pelos policiais, dentro da área de contenção, para
onde os abordados serão encaminhados enquanto aguardam consultas de dados, busca pessoal,
vistorias, entre outros. Recomenda-se que esses locais não possuam pontos de escape que
permitam uma possível evasão dos abordados. (Ver Caderno Doutrinário 2).

UNIDADE 3: IDENTIFICAÇÃO VEICULAR

3.1 Introdução
Um dos maiores problemas para realizar uma vistoria veicular é deter conhecimento
atualizado com relação à adulteração de veículos e documentos. Tais debilidades trazem um prejuízo
ao cidadão do ponto vista do direito ao seu patrimônio, o qual o poder público deve proteger. Neste
tópico, procura-se demonstrar as falsificações mais comuns e as formas de identificá-las, frisando-se
que a vistoria veicular é feita em três níveis, quais sejam: documental (checagem da autenticidade
dos documentos), veicular (verificação dos sinais e padrões de identificação do veículo) e consulta
aos sistemas de identificação veicular (consulta ao CICOP, ISP).

185
3.2 Identificadores do veículo
3.2.1 Etiqueta de identificação (ETA)

Até 1988, um veículo era identificando somente através de sua numeração de chassi e
plaquetas. A partir de outubro de 1988, por força da nova Resolução do CONTRAN de n. 691/88
(publicado no DOU em 13/09/88), esses passaram a receber também obrigatoriamente, gravações
das últimas 8 (oito) posições do chassi da Seção Indicadora do Veículo (VIS) nos vidros e através de
afixação de Etiquetas Autodestrutivas (Figuras 74 e 75), conforme a seguir:

Figura 73 - Seções do NIV

Fonte: SENASP

a) Três Etiquetas Autodestrutivas no salão interno, compartimento do motor e coluna da


porta;

b) de 4 a 6 gravações nos vidros feitas através de processo químico, a saber:

- Vidros laterais (exceto quebra-vento)

- Para-brisas traseiro ou dianteiro (optativo)

c) gravação dos vidros:

- um dos para-brisas (optativo);

- dois vidros laterais (exceto quebra vento);

d) Etiquetas Autodestrutivas (ETA).

- coluna da porta direita;

- compartimento do motor.

186
Figura 74 – Localização de etiquetas

Fonte: Centro de Treinamento Policial

FIGURA 75 - Etiqueta padrão de 8 dígitos

Fonte: Centro de Treinamento Policial

3.2.2 Plaquetas de identificação


As plaquetas de identificação apresentam informações do fabricante, modelo, tara, lotação,
peso etc. Todas são referentes ao veículo em si e não ao seu registro nos órgãos públicos ou
sistemas para pesquisas. Localização: torre do amortecedor dianteiro direito, travessa frontal e capuz
do motor (FIGURA 76). As plaquetas, ao contrário das etiquetas podem ser removidas sem ser
destruídas, mas devido ser moldada em material sensível e de pequena espessura facilita a
constatação de adulteração efetuada.

187
Figura 76 - Plaqueta de identificação Ford

Fonte: Centro de Treinamento Policial

3.2.3 Número de identificação veicular (N.I.V.)


O NIV - Número de Identificação do Veículo é a forma de registro universal dos veículos
automotivos produzidos. Sua combinação de letras e números torna cada veículo único, visando
promover um registro individual, que servirá para diversos fins, dentre eles, codificação de dados
do bem, identificação deste em circunstâncias diversas, como acidente, furto e transações
envolvendo compra e venda. No Brasil, também é conhecido como Número do Chassi.

FIGURA 77 - Entendendo o chassi

Fonte: Revista Quatro Rodas

Os chassis podem ser remarcados quando a identificação original tiver sido adulterada ou
danificada em decorrência de acidentes, furtos ou roubos. Deve ser autorizada por autoridade de
trânsito e realizada em estabelecimento credenciado. Importante ressaltar que a condição de chassi
remoldado deve constar no CRLV, conforme é observado na figura 78.

188
FIGURA 78 - NIV ou CHASSI remarcado

Fonte: Centro de Treinamento Policial

O local de marcação do chassi é definido por cada fabricante e pode variar conforme os
modelos de veículos de cada fabricante. A figura 79 apresenta o local de marcação de chassi de
alguns tipos de veículos. Os locais de marcação apresentados são os mais comuns para a grande
maioria dos veículos fabricados.

FIGURA 79 - Onde localizar o NIV ou chassi

Fonte: http://verificauto.blogspot.com.br, 2011

3.2.4 Chancela de placas


As placas fazem parte do sistema obrigatório de identificação dos veículos e suas cores
representam a categoria do veículo, conforme o artigo 115 da lei 9503/1997, e outras resoluções do
Contran e Denatran (39/98, 88/99,275/08 e 286/08), e é visualizado na Figura 80.

189
FIGURA 80 - Tipos de placas

PARTICULAR ALUGUEL OFICIAL

EXPERIÊNCIA/ REPRESENTAÇÃO
COLEÇAO FABRICANTE DIPLOMÁTICA

Fonte: Centro de Treinamento Policial

A placa de identificação veicular é um documento, portanto, deve conter dispositivos para


dificultar a sua falsificação ou produção clandestina. O mais importante é a chancela do fabricante
(Figura 81), que identifica o ano em que foi produzida e a empresa licenciada que a fabricou, e deve
obrigatoriamente estar marcada nas placas. A falta dessa chancela leva a indícios de clonagem uma
vez que a placa foi fabricada de forma clandestina.

Figura 81 - Chancela de fabricante de placa

Fonte: Centro de Treinamento Policial

3.2.5 Numeração do motor

A localização do número do motor não é algo simples de fazer e, em alguns modelos, a


localização e visualização é mais difícil ainda. O número deve estar gravado em uma superfície lisa
do motor (FIGURA 82). Alguns estados colocam o número do motor no documento.

190
Figura 82 - Numeração de motor

Fonte: Centro de Treinamento Policial

3.3 Fraudes
3.3.1 Fraudes em documento CRLV
As fraudes e adulterações em documentos podem variar da mais aprimorada a mais
grosseira. Portanto, muitas vezes, você verificará erros infantis em documentos, mas se não atentar
para tais detalhes, não terá condições de observar a mais simples fraude documental.

3.3.1.1 O número 2

O número dois tem que ter um desenho próprio como se vê no número do CRLV (FIGURA
83). Qualquer outro formato de número 2 é indício de fraude (FIGURA 84).

FIGURA 83 - Número 2 correto

Fonte: Centro de Treinamento Policial

191
Figura 84 - Número 2 “pontudo” - Forma errada do número

Fonte: Centro de Treinamento Policial

3.3.1.2 O Espelho

Os espelhos são emitidos pelo Ministério das Cidades. Em momento pretérito foram utilizados
espelhos antigos do Ministério da Justiça e, eventualmente, em virtude de aproveitamento de um lote
de espelhos há possibilidade, caso o espelho for do Ministério da Justiça, mesmo o documento sendo
do Detran de Minas Gerais, que o número dois seja reto. Não há fraude se o número dois for reto
nessa situação. Já nos CRLVs do Ministério das Cidades o número dois reto não é possível.

Figura 85 - Espelho do Ministério da Justiça (ACEITO)

Figura 86 - Detalhe

Fonte: Centro de Treinamento Policial

192
3.3.1.3 Os asteriscos

O asterisco também tem uma forma de desenho obrigatório, é uma característica facilmente
detectada. Estão corretos os asteriscos visualizados nas Figuras 87 a 90.

Figura 87 - Asterisco padrão

Fonte: Centro de Treinamento Policial

Figura 88 - Asterisco usado na Região Sul

Fonte: Centro de Treinamento Policial

FIGURA 89 - Asterisco padrão em São Paulo e veículos isentos de IPVA

Fonte: Centro de Treinamento Policial

193
Figura 90 - Veículos isentos somente uma linha de asteriscos

Fonte: Centro de Treinamento Policial

Os asteriscos ilustrados nas Figuras 91 e 92 são usados em fraude. A identificação se dá


basicamente pelo formato de carrapato (Figura 91) e de ursinho (Figura 92).

Figura 91 - Formato “carrapato” Figura 92 - Asterisco “ursinho”


(indício de fraude)
(Indício de fraude)

Fonte: Centro de Treinamento Policial

3.3.1.4 Erros de digitação

Há alguns erros em documentos falsificados que são facilmente identificados. Uma vistoria
atenta ao documento permitirá que você perceba erros grosseiros.

Importante na figura 93 é destacar que erros de digitação verificados no campo observação


não podem ser considerados indícios de fraude isoladamente, uma vez que esse campo é preenchido
pela pessoa do servidor e não pelo programa próprio.

194
Figura 93 – Exemplos de erros em documento

POSUIDOR SUSPEMSAAO ALTOMOVEL

Nesse caso, pode não ser fraude. É preciso


olhar o conjunto, pois o campo observação é
preenchido por servidor público. Os demais
campos são preenchidos por programa.

FORMA CORRETA

FORMA ERRADA

Fonte: Centro de Treinamento Policial

195
3.3.2 Fraudes em sinais veiculares
Serão demonstrados nesse tópico algumas das possíveis fraudes ou irregularidades que
podem ser verificadas durante uma vistoria policial. Tais informações podem auxiliar o agente da lei a
ser mais eficiente em seu papel de fiscalizador.

Figura 94 - ETA raspada Figura 95 - NIV (chassi) subtraído ou adulterado

Fonte: Centro de Treinamento Policial

Figura 96 - Números do NIV desalinhados Figura 97 - Espelhamento do NIV

Fonte: Centro de Treinamento Policial

Figura 98 - Tinta original parte lixada e parte espelhada Figura 99 - Chapa metálica sobre o NIV

Fonte: Centro de Treinamento Policial

196
UNIDADE 4: PROCEDIMENTOS POLICIAIS

4.1 Ordenamento Jurídico


A Polícia Militar, conforme o artigo 144 da Constituição da República Federativa do Brasil de
1988, informa as atribuições de polícia ostensiva e preservação da ordem pública.

Art. 144 A segurança pública, dever do Estado, direito e responsabilidade de todos, é exercida
para a preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio, através
dos seguintes órgãos:

[...]

V - polícias militares e corpos de bombeiros militares.

[...]

§ 5º - às polícias militares cabem a polícia ostensiva e a preservação da ordem pública; (...).

O ordenamento jurídico, por intermédio do poder de polícia, autoriza à Polícia Militar a adoção
de todas as providências legais necessárias à preservação e restabelecimento da ordem público, ao
respeito e cumprimento da lei, a fim de proporcionar ambiente seguro ao cidadão.

Após a abordagem veicular ter sido realizada será necessária a adoção de providências
administrativas e penais, conforme a natureza das infrações cometidas.

4.2 “Clonagem” de Veículos


O artigo 311 do Código Penal Brasileiro prevê o crime de “adulterar ou remarcar número de
chassi ou qualquer sinal identificador de veículo automotor, de seu componente ou equipamento”.

Art. 311 - Adulterar ou remarcar número de chassi ou qualquer sinal identificador de veículo
automotor, de seu componente ou equipamento: (Redação dada pela Lei nº 9.426, de 1996)

Pena - reclusão, de três a seis anos, e multa. (Redação dada pela Lei nº 9.426, de 1996)

§ 1º - Se o agente comete o crime no exercício da função pública ou em razão dela, a pena é


aumentada de um terço. (Incluído pela Lei nº 9.426, de 1996)

§ 2º - Incorre nas mesmas penas o funcionário público que contribui para o licenciamento ou
registro do veículo remarcado ou adulterado, fornecendo indevidamente material ou informação
oficial. (Incluído pela Lei nº 9.426, de 1996)

4.2.1 Codificação DIAO - G 01.311


Neste caso, a adulteração se dá com o objetivo de assemelhar o veículo a um outro de
mesmas características (marca, modelo, cor, etc.). É um Clone. Veja figura 100.

Providências policiais – Apreensão/remoção do veículo;

Apreensão do CRLV;

Prisão do autor.

197
Figura 100 - veículo “clonado”

Fonte: https://noticias.r7.com/minas-gerais/

4.2.2 Codificação DIAO – T 01.311


Neste caso, a adulteração se dá com o objetivo de não vincular o veículo à placa, não
sendo este, portanto, identificado pela placa original. Não é clone.

Providências policiais – Apreensão/remoção do veículo;

Apreensão do CRLV;

Prisão do autor.

Figura 101 – Placa adulterada

Fonte: http://tudosobreseguranca.com.br

4.3 Falsificação de documentos


A infração de trânsito do artigo 234 do CTB contempla tanto a falsificação, quanto á
adulteração dos documentos de habilitação e de identificação do veículo.

- Falsificar consiste na produção de documento totalmente irregular, para se fazer passar por
original, algo que é apenas uma imitação.

198
- Adulterar significa inserir dados enganosos em documento verdadeiro, a fim de se ludibriar
quem tiver contato com a informação.

Cabe ressaltar que, além da infração administrativa sob comento, tanto a “falsificação de
documento público”, quanto o “uso de documento falso” constituem, também, crimes previstos,
respectivamente, nos artigos 297 e 304 do Código Penal, com pena de reclusão, de dois a seis anos.

Art. 234 Falsificar ou adulterar documento de habilitação e de identificação do veículo:

Infração - gravíssima;

Penalidade - multa e apreensão do veículo;

Medida administrativa - remoção do veículo.

4.3.1 Codificação DIAO – G 01.297


Falsificar, no todo ou em parte, documento público, ou alterar documento público verdadeiro.

Providências policiais – Apreensão/remoção do veículo;

Apreensão do documento;

Prisão do autor.

Art. 297 - Falsificar, no todo ou em parte, documento público, ou alterar documento


público verdadeiro:

Pena - reclusão, de dois a seis anos, e multa.

§ 1º - Se o agente é funcionário público, e comete o crime prevalecendo-se do cargo,


aumenta-se a pena de sexta parte.

4.4 Uso de documento falso


As infrações aqui elencadas estão capituladas no Código Penal, nos artigos 297 a 302
(falsificação de documento público, falsificação de documento particular, falsidade ideológica, falso
reconhecimento de firma ou letra, falsidade ideológica de certidão ou atestado, falsidade material
de atestado ou certidão e falsidade de atestado médico).

4.4.1 Codificação DIAO – G 01.304

Fazer o uso de qualquer dos papéis falsificados ou alterados. Ressalta-se que o autor deve
apresentar o documento para configurar o crime de uso de documento falso. Se este for encontrado
apenas durante a busca, no veículo ou na posse dos envolvidos, não caracteriza o uso.

Providências policiais – Apreensão/remoção do veículo;

Apreensão do documento;

Prisão do autor.

199
4.5 Receptação
Adquirir, receber, transportar, conduzir ou ocultar, em proveito próprio ou alheio, coisa que
sabe ser produto de crime, ou influir para que terceiro, de boa-fé, a adquira, receba ou oculte; ter em
depósito, desmontar, montar, remontar, vender, expor à venda, ou de qualquer forma utilizar, em
proveito próprio ou alheio, no exercício de atividade industrial ou comercial, coisa que deve saber que
é produto de crime (§ 3º do artigo 180 do Código Penal Brasileiro).

4.5.1 Codificação DIAO – C 01.180


É a conduta criminosa de quem adquire, recebe, transporta, conduz ou oculta, em proveito
próprio ou alheio, coisa que sabe ser produto de crime, ou influi para que terceiro, de boa-fé, a
adquira, receba ou oculte.

Providências policiais – Apreensão/remoção do veículo;

Apreensão do documento;

Prisão do autor.

Art. 180 - Adquirir, receber, transportar, conduzir ou ocultar, em proveito próprio ou


alheio, coisa que sabe ser produto de crime, ou influir para que terceiro, de boa-fé, a
adquira, receba ou oculte: (Redação dada pela Lei nº 9.426, de 1996)
Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa.

4.6 Lavratura do Boletim de Ocorrência


Quando da confecção do Boletim de Ocorrência, deve-se atentar para alguns detalhes a fim
de que algumas informações importantes não sejam do conhecimento de falsários e outros pretensos
infratores:

a) os aspectos observados nos documentos oficiais que indicam falsificação ou adulteração


não devem ser expressos no BO. O texto sugerido deve ser: “não condiz com o padrão expedido
pelo órgão competente”.

b) dados relativos à localização de radares e/ou mecanismos de fiscalização não devem ser
inseridos no texto para não comprometer a eficiência dos mesmos.

c) não se pode afirmar que o documento é falso, mas sim que apresenta indícios de fraude,
uma vez que não somos peritos para essa afirmação.

UNIDADE 5: CARTEIRA NACIONAL DE HABILITAÇÃO


A Carteira Nacional de Habilitação, expedida em modelo único e de acordo com as
especificações do CONTRAN, atendidos os pré-requisitos estabelecidos neste Código, conterá

200
fotografia, identificação e CPF do condutor, terá fé pública e equivalerá a documento de identidade
em todo o território nacional (art 159, lei 9503).

5.1 Carteira Nacional de Habilitação


A Carteira Nacional de Habilitação, documento emitido pelos órgãos estaduais de trânsito é
documento de porte obrigatório para todos os condutores. É um documento de identificação muito
falsificado.

A identificação de irregularidades nesses documentos não é algo fácil de se detectar, e não


basta apenas uma leitura simples ou uma breve passada de olhos sobre o documento. Assim, o
policial precisa ser detalhista e insistente na busca por indícios de irregularidades.

Desta forma, você passará a conhecer alguns aspectos da CNH que permitirá verificar
possíveis fraudes, que uma vez identificados podem desencadear uma série de providências policiais
de acordo com o que for detectado.

A carteira utilizada atualmente tem suas características estipuladas na Resolução 192/2006.


Ela traz elementos de segurança que permitem ao agente identificar irregularidades e ou fraudes.

RESOLUÇÃO 192/2006 - CONTRAN


[...]Art. 2º. O documento de Habilitação terá 2 (dois) números de identificação
nacional e 1 (um) número de identificação estadual, que são:
I – o primeiro número de identificação nacional – Registro Nacional, será gerado
pelo sistema informatizado da Base Índice Nacional de Condutores – BINCO,
composto de 9 (nove) caracteres mais 2 (dois) dígitos verificadores de segurança,
sendo único para cada condutor e o acompanhará durante toda a sua existência
como condutor, não sendo permitida a sua reutilização para outro condutor.
II – o segundo número de identificação nacional – Número do Espelho da CNH, será
formado por 8 (oito) caracteres mais 1 (um) dígito verificador de segurança,
autorizado e controlado pelo órgão máximo executivo de trânsito da União, e
identificará cada espelho de CNH expedida.
a) O dígito verificador será calculado pela rotina denominada de “módulo 11” e
sempre que o resto da divisão for zero (0) ou um (1), o dígito verificador será zero
(0);
III – o número de identificação estadual será o número do formulário RENACH,
documento de coleta de dados do candidato/condutor gerado a cada serviço,
composto, obrigatoriamente, por 11 (onze) caracteres, sendo as duas primeiras
posições formadas pela sigla da Unidade de Federação expedidora, facultada a
utilização da última posição como dígito verificador de segurança.
a) O número do formulário RENACH identificará a Unidade da Federação onde o
condutor foi habilitado ou realizou alterações de dados no seu prontuário pela última
vez.
b) O Formulário RENACH que dá origem às informações na BINCO e autorização
para a impressão da CNH deverá ficar arquivado em segurança, no órgão ou
entidade executivo de trânsito do Estado ou do Distrito Federal.
Para fins de aplicar dinamismo ao treinamento, iremos tratar de seis características ou sinais
que podem ser identificados pelo policial militar como indícios de fraude ou falsificação.

a) O número do Espelho: O número do espelho da CNH pode ser formado por 8 dígitos
mais um dígito verificador somando 9 dígitos (Resolução 168/2004 - Denatran) ou por 9 dígitos mais
201
um verificador, totalizando 10 dígitos (Resolução 598/2016 - Denatran), ou deve apresentar
características de impressão notáveis como veremos:

Figura 102 - Espelho com 09 dígitos

Fonte: valeindependente.wordpress.com, consulta em 13/112017

Figura 103 - Espelho com 10 dígitos

Fonte: valeindependente.wordpress.com, consulta em 13/112017

- O número um deve ter um formato com 3 ângulos de 90º um na parte superior e dois na
base;

Figura 104 – Formato do número 1

Fonte: https://valeindependente.wordpress.com. Consulta em 13/11/2017

- O número 7 de ter um ângulo de 90º graus na extremidade superior do lado esquerdo


fechando o número;

Figura 105 – Formato do número 7

202
Fonte: https://valeindependente.wordpress.com. Consulta em 13/11/2017

- o número 4 deve ter dois ângulos de 90º na sua base e dois ângulos de 90º na volta
horizontal que corta o número;

Figura 106 - o número 4

Fonte: https://valeindependente.wordpress.com. Consulta em 13/11/2017

- os número 2, 3, 5, 6 e 9 devem ser acabados em suas extremidades com formato


semelhante a pingo. Cale salienta que o número dois deve ter um ângulo de 90º na sua base
também. Fora desse padrão há indício de fraude;

Figura 107 – Formato dos demais números

Fonte: https://valeindependente.wordpress.com. Consulta em 13/11/2017

b) O número de caracteres no campo filiação: Não pode passar de 22 por linha, sendo os
espaços entre os nomes contados também como caracteres. Em Minas Gerais, assim como em
alguns outros estados, o Detran não costuma dividir o último nome se o mesmo passar de 22
caracteres na linha superior, passa-se o último nome completo para a linha abaixo, mas isso não é
regra geral. Fora desse padrão há indício de fraude.

Figura 108 - Campo filiação, número de caracteres possíveis

Fonte: https://valeindependente.wordpress.com. Consulta em 13/11/2017

c) Caracteres do chureamento: Esse é um caractere que deve ter formato de rede


composta por quadriculados em forma de “x”, devendo estar centralizado dentro do campo. Fora
desse padrão é indicativo de fraude.

203
Figura 109 - Campo permissão CNH, chureamento

Fonte: https://valeindependente.wordpress.com. Consulta em 13/11/2017

d) O número do Registro: O número de registro deve ser composto por uma série de 9
números, mais dois números verificadores, somando 11 dígitos.

O dígito verificador será calculado pela rotina denominada de “módulo 11” e sempre que o
resto da divisão for zero (0) ou um (1), o dígito verificador será zero (0).

Figura 110 - Número do registro da CNH

Fonte: https://valeindependente.wordpress.com. Consulta em 13/11/2017

A soma dos dígitos deve ter valor múltiplo de 11, quando haver resto de 1 o dígito verificador
é “0”.

f) Campo local: deve ter o nome da cidade, uma vírgula logo após, um espaço e o nome do
estado. Qualquer outra forma diferente desta é indício de fraude.

Figura 111 - Campo local: Detalhe

Fonte: https://valeindependente.wordpress.com . Consulta em 13/11/2017

g) a borda interna de CNH: deve ter as bordas arredondadas e não quadradas.

204
Figura 112 - Campo local

Fonte: https://valeindependente.wordpress.com. Consulta em 13/11/2017

Figura 113 - Novo modelo de CNH. Resolução 511 Contran, 2014

Fonte: o Globo.com

5.2 CNH eletrônica


Em julho de 2017, o Denatran expediu a resolução 684, alterando a resolução 598/2016,
trazendo agora a possibilidade de o condutor apresentar por meios eletrônicos sua CNH ou
permissão. Tal dispositivo impinge a você policial uma nova forma de verificar a habilitação do
condutor.

Resolução 684/2017

RESOLVE:

Art. 1° Alterar o parágrafo único do art. 1º da Resolução CONTRAN nº 598, de 24 de maio de


2016, para §1º e acrescentar o § 2º, com a seguinte redação:

"Art. 1º

§ 1º O documento de habilitação será expedido em modelo único, conforme especificações


técnicas constantes nos Anexos I, II, III e IV desta Resolução. § 2º O documento de habilitação

205
previsto no §1º poderá ser expedido em meio eletrônico, na forma estabelecida em portaria do
Departamento Nacional de Trânsito (DENATRAN).

As CNHs eletrônicas já estão sendo implantadas a partir de 1º de fevereiro por força de


determinação da citada resolução.

Art. 8-A A Carteira Nacional de Habilitação Eletrônica (CNH-e), deverá ser implantada pelos
órgãos e entidades executivos de trânsito dos Estados e do Distrito Federal, a partir de 1º de
fevereiro de 2018, podendo o condutor optar também pelo documento físico.

A PMMG por meio da Diretoria de Meio Ambiente e Trânsito expediu o Ofício 0.74.2 2018,
esclarecendo aos policiais militares os precedimentos para realizar a conferêcia da CNH eletrônica.
Segue o passo a passo:

1 – O documento será disponibilizado por meio de aplicativo para smarttfhone, permitindo o


acesso offline, sem necessidade de conexção com a internet;

2 – A versão impressa continuará valendo, mas o condutor poderá optar por apresentar
somente a CNH digital, cuja validade é em todo o território nacional;

3 –O condutor dever possuir a CNH no modelo mais recente, o qual tem o QR- CODE,
expedidas a partir de 2017;

4- O condutor deve ter o o seu aparelho em pleno funcionamento, uma vez que este estiver
descarregado ou apresentar qualquer outro problema, você policial deverá consultar os sistemas de
registro, constatando que o cidadão é habilitado, lavrará o auto de infração com base no art. 232 do
CTP, não portar documento de porte obrigatório.

206
REFERÊNCIAS
BRASIL. Constituição Federal. Governo Federal: Promulgada em 05 de outubro de 1988.
Organização do texto: Anne Joyce Angher. 14. ed. São Paulo: Rideel, 2012.

______. Código de Trânsito Brasileiro. Lei 9503/97. Governo Federal: Promulgada em 23 de


setembro de 1997.

______. Curso de Identificação Veicular: Governo Federal. Organizado por Mizaria, Arnaldo
Nandim; Barros Gesionediton Araújo. SENASP, 2008.

______. Decreto Lei 2.848. Código Penal Brasileiro. Promulgada em 03 de outubro de 1940.
Organização do texto: Anne Joyce Angher. 14. ed. São Paulo: Rideel, 2012.

______. Decreto Lei 3689. Código de Processo Penal Brasileiro: promulgado em 3 de outubro de
1941. Organização do texto: Anne Joyce Angher. 14. ed. São Paulo: Rideel, 2012.

______. Regula o uso de placas de experiência: Contran. Resolução n. 493, 1975.

______. Regula o uso de placas de veículos de representação: Contran. Resolução n. 88, 1975.

______. Regula o uso de placas de veículos de representação: Contran. Resolução n. 275, 2008.

______. Regula o uso de placas de veículos de representação: Contran. Resolução n. 192, 2006.

______. Regula o uso de placas de veículos de representação: Contran. Resolução 511, 2014.

______. Regula o uso de placas de veículos para missões diplomáticas: Contran. Resolução n.
286, 2008.

CARDOSO, Hélio da Fonseca. Veículos automotores, identificação inspeção, vistoria, avaliação,


Perícias e recall: São Paulo. Editora universitária de São Paulo, 2012.

CORTES, Elias de Souza. Identificação veicular, veículos roubados e furtados: Mato Grosso do
Sul. Universidade Federal do Mato Grosso do Sul 2012.

MINAS GERAIS. Polícia Militar. Caderno Doutrinário 1. MTP 3.04.01/2013. Intervenção Policial,
Processo de Comunicação e Uso da Força. Belo Horizonte: Academia de Polícia Militar, 2013.

______. Caderno Doutrinário 2. MTP 3.04.02/2013. Tática Policial, Abordagem a Pessoas e


Tratamento às Vítimas. Belo Horizonte: Academia de Polícia Militar, 2013.

______. Caderno Doutrinário 4. MTP 3.04.04/2013. Abordagem a Veículos. Belo Horizonte:


Academia de Polícia Militar, 2013.

______. Credenciamento de fabricantes de placas: Policia Civil de Minas Gerais. Portaria n. 1416,
2009.

207
ATIVIDADE PRÁTICA INTERDISCIPLINAR

208
Apresentação

Caro (a) policial militar, a Atividade Prática Interdisciplinar destina-se em sua essência, ao
desenvolvimento e aprimoramento da Técnica e da Tática Policial a partir dos conceitos doutrinários
vigentes. Apóia-se na transversalidade enquanto característica do seu programa de treinamento e
materializa-se, em seus aspectos práticos, nos objetivos apresentados pelas temáticas dos
conteúdos do TPB.

O trabalho tem por objetivo criar condições para o aprimoramento profissional a partir da
massificação de ações fundamentais para a atividade policial militar.

Avaliada sob o enfoque da aplicação doutrinária, o conteúdo trazido pela Atividade Prática
Interdisciplinar é o principal mecanismo para se interligar as múltiplas facetas existentes no conteúdo
programático do Treinamento Policial Básico e possibilita ao participante o reforço do lastro teórico
adquirido a partir do que é apresentado ao longo de todo o treinamento.

Isto posto, a disciplina é o elo que transcende os métodos de uma disciplina para outra e, por
conseguinte, imerge o policial no conhecimento prático.

Centro de Treinamento Policial


“Tornando o Policial Militar mais forte!”

209
Introdução
Treinar para operar bem, para atender bem e principalmente para sobreviver!

As três premissas se apresentam de forma legítima e seriam causas plausíveis e justificáveis


para se implementar qualquer forma de capacitação. O desafio para a modulação da prática
interdisciplinar é agregar três pilares fundamentais em linhas de ações que se complementam e se
fortalecem na mesma medida.

Um aspecto importante, nesse quesito é a continuidade do processo. Em biênios anteriores


aspectos basilares voltados à abordagem policial, uso de instrumentos de menor potencial ofensivo,
progressões em zonas de risco, varreduras em edificações foram contextualizadas e apresentadas
aos militares em treinamento. No 9º biênio (2018-2019) a proposta é de consolidar os aspectos
anteriores sob uma perspectiva de massificação técnica.

Neste biênio, trabalharemos o enfoque técnico voltado às circunstâncias em que o cenário e a


imprevisibilidade podem ser fatores potencializadores do risco ao qual o policial militar já é submetido
em seu cotidiano.

A partir disso, o objetivo principal é o de criar condicionamento mental e motor voltados à


adoção de comportamentos imediatos que possibilitem a aumentar as chances de sucesso na sua
atividade operacional do nosso principal ativo, que é VOCÊ POLICIAL MILITAR!

UNIDADE 1: FUNDAMENTAÇÃO E PRINCÍPIOS DA AÇÃO


Atuar de forma ostensiva é a base e ponto de partida para as atividades basilares da PMMG.
Agir sob princípios legais, morais e éticos são fundamentos necessários e que impõe ao policial
militar o parâmetro de conduta que baliza a intervenção em sua plenitude.

Cabe dizer que o desenvolvimento da técnica obedece a lógica estabelecida pelos princípios,
na mesma medida em que a tática é influenciada pelo pressuposto da ostensividade e auto
identificação em quase a totalidade das ações policiais.

Outro ponto que mereceu destaque é o processo de comunicação. O fato de que houve o
aprimoramento do nosso código fonético, atrelado à assertiva de que a eficiência na transmissão de
uma mensagem, por mais simples e objetiva que seja, pode representar o ponto chave entre o
sucesso o e insucesso de uma intervenção policial. Se levarmos em conta, ainda, que o insucesso do
qual falamos anteriormente, pode na maioria das vezes “custar” a segurança ou até mesmo a vida
dos envolvidos, essa temática merece ser destacada e desenvolvida.

Tais visões nortearão o desenvolvimento da atividade prática interdisciplinar para este biênio,
e você policial militar, será conduzido a pensar e a intervir de modo a otimizar suas ações e a
influenciar os resultados advindos delas.

210
1.1 Ostensividade/Presença policial
Um aspecto marcante da intervenção policial militar é o parâmetro visual que se traduz por
intermédio da OSTENSIVIDADE.
13
O fato de operarmos fardados , agrega quesitos táticos que são relevantes. É natural
acreditarmos que a presença de um policial em um determinado ponto da cidade, tende a inibir a
ocorrência de um ilícito naquele espaço. Aspectos visuais objetivos, como o fardamento, o
equipamento visível, a viatura policial bem posicionada, a postura vigilante, concorrem para tornar
essa constatação quase unânime.
Tais aspectos se alinhados à alguns parâmetros, relativamente, subjetivos como a crença na
capacidade operativa do policial, o impacto psicológico oriundo da impostação física, dentre outras
questões podem funcionar como barreira mental por parte de um infrator, reduzindo ainda mais as
chances de ocorrer um evento contrário ao ordenamento.
14
Andre Beaufre no clássico, Disuasión y Estratégia , reforça que o efeito dissuasivo
desencadeado pela presença (em sentido amplo) tende a impedir que uma força adversa atue ou
reaja frente a um conjunto de medidas adotadas que por sua natureza representem uma ameaça
suficiente e sobretudo disponível. Portanto, o que se busca com esta ação/ameaça é um resultado
psicológico.

Para Raymond Aron (2002), a explicação da validade do parâmetro dissuasivo se pauta em


três vertentes, sendo dois deles de natureza psicossociais (psicológica e política) e um de natureza
instrumental ao qual ele chama de Técnica (Grifo nosso). Ainda segundo o autor o fator psicológico,
denota que quem dissuade, convence o agressor potencial de que sua capacidade de ação/reação é
séria, possível e disponível, já o fator técnico decorre das ações a serem implementadas caso a
ameaça (ilegítima) se concretize.

1.2 Pensamento Tático


Sob o enfoque da doutrina policial militar vigente em Minas Gerais, o pensamento tático se
consubstancia em quatro aspectos importantes que retratam os cuidados a serem adotados e os
riscos trazidos a partir da perspectiva de área (risco e segurança) e ponto (Foco e Quente).
Importante entender nesse contexto que uma área de risco, será considerada como tal, até o
momento em que houver controle/domínio sobre ela. Mitigado ou controlados os aspectos de riscos,
aquele local passará a se configurar em uma área de segurança.

ENTENDA QUE UMA ÁREA DE SEGURANÇA DEPENDE, BASICAMENTE DO


COMPORTAMENTO POLICIAL

13
As ações desenvolvidas neste tópico tratam das ações ordinárias.
14
Traduzido sob o título Introdução à estratégia.
211
Em que pese uma série de fatores agregarem maior ou menor nível de segurança ou risco a
uma determinada área, o aspecto mais fundamental por assim dizer, está afeto ao comportamento
humano que na ótica policial se traduz pelo seu procedimento operacional.

A manutenção da postura vigilante, do foco nas ações e principalmente pela capacidade de


se antecipar a determinadas a eventuais ameaças serão fundamentais para a sua segurança. Os
elementos complementares do pensamento tático são o Ponto de Foco e Ponto Quente.

Ponto de foco será representado por um ponto ou zona de onde se deriva o risco e a
potencialidade que o define. Ao policial cabe lidar com o ponto de foco a partir do seu
monitoramento.

Oriundo do ponto de foco estarão os pontos quentes, que serão os pontos (propriamente
ditos) em que o risco se materializa. Ao policial militar, cabe lidar com os pontos quentes a partir de
seu controle.

PERCEBA que o ponto quente se associa à ação direta contra o policial ao passo que o foco
se associa à potencialidade lesiva.

Por uma regra lógica de emprego, o ideal é que as ações policiais se processem em zonas de
segurança. Por esse motivo é aconselhado que ao realizar uma abordagem que o suspeito seja
retirado (ou trazido) da área de risco para a área de segurança. Observe que essa será uma regra
definida por questões práticas. Quando não for possível, o ideal é a adoção de procedimentos táticos
que minimizem os riscos, como adoção de escudos balísticos ou métodos de progressão como serão
discutidos à frente na temática da conduta de patrulha.

1.2.1 Estados de prontidão


Se o pensamento tático faz uma referência às questões que circundam o policial, os estados
de prontidão buscam conduzi-lo a uma experiência mais interna.

O alinhamento entre o padrão de foco, atenção e sua capacidade de resposta será


fundamental para o sucesso. LEMBRE-SE de que sua capacidade em agir/reagir de forma adequada
será tão melhor quanto mais apropriado estiver sua condição mental às circunstâncias que se
apresentam.

O esquema abaixo evidencia que para o bem da atividade policial estar entre os extremos
comportamentais é algo potencialmente danoso. As melhores relações comportamentais estarão
entre a linha que remete a certo grau de letargia (Branco) e o máximo grau do descontrole (Pânico).

Figura 114 – Estados de Prontidão

RELAXADO ATENÇÃO ALERTA ALARME PÂNICO

Fonte: Caderno Doutrinário 01

212
1.2.2 Processo mental da agressão e Tomada de decisão.
Entender para se antecipar!

Essa é o foco principal de se entender a lógica do pensamento de um agressor que visa


atentar contra um policial.

Figura 115 – Processo mental da agressão na perspectiva do agressor

Identificar Decidir Agir

Fonte: Caderno Doutrinário 01

Segundo o Caderno Doutrinário 01 – três ações são necessárias para que um agressor haja
contra um policial. Observe que o diagrama apresenta entre identificar e agir as ações podem ocorrer
de forma quase que instantânea, sem necessariamente haver compromisso algum com o resultado
ou com as ações decorrentes dele.

A você policial sugere-se que haja um parâmetro de confirmação do evento ou de


circunstâncias cruciais presentes nele.

Figura 116 – Processo mental da agressão na perspectiva do policial

Identificar Certificar Decidir Agir

Fonte: Caderno Doutrinário 01

Perceba que sua decisão é permeada por uma etapa de certificação. É fundamental
entender que ao assumir essa postura você não, necessariamente, estará protelando sua ação, ao
contrário; estará tornando-a mais precisa!

A maneira de superar essa desvantagem intuitiva, estará pautada no aprimoramento do seu


15
desempenho técnico, da capacidade de operar de forma furtiva (quando a situação assim o exigir) e
principalmente na sua capacidade de ser tão preciso e pontual quanto a situação o exigir.

1.3 Uso da Força


As forças policiais detêm, de maneira subsidiária a responsabilidade pelo uso da força em
benefício da coletividade. Weber (1919), em sua obra intitulada A Política Como Vocação, nos diz
16
que ao Estado competirá o monopólio exclusivo do uso da força , cabendo a este definir a sua
parametrização de emprego.

15
A capacidade de desempenhar uma tarefa sob rígidos padrões de disciplina quanto ao emprego de luzes e ruídos, bem
como trabalhar o parâmetro da surpresa e, discrição e rapidez.
16
Inclusive letal quando for o caso.
213
No âmbito da Polícia Militar de Minas Gerais, adotou-se um modelo representativo e
sistêmico para parametrizar o emprego de força. O modelo denominado Uso Diferenciado da Força
evidencia o paralelo entre o comportamento dirigido ao policial e sua postura/resposta condizente.

Figura 117 – Uso diferenciado da força

RESISTENTE ATIVO DISPARO DE ARMA DE FOGO


(AGRESSÃO LETAL) GOLPES DE DEFESA PESSOAL
EM REGIÕES VITAIS

VERBALIZAÇÃO
PRESENÇA POLICIAL
USO DISSUASIVO DA ARMA DE FOGO
RESISTENTE ATIVO
CONTROLE COM I.M.P.O.
(AGRESSÃO NÃO LETAL)

CONTROLE FÍSICO

RESISTENTE PASSIVO
CONTROLE DE CONTATO

VERBALIZAÇÃO
COOPERATIVO
PRESENÇA POLICIAL
VERBALIZAÇÃO

ABORDADO POLICIAL MILITAR

1.3.1 Princípios essenciais do uso da força


a)Legalidade – Remete à necessidade de que as ações sejam pautadas em parâmetros
normativos e diplomas legais. Segundo o Caderno Doutrinário 01, o parâmetro da legalidade
constitui-se na utilização de força para a consecução de um objetivo legal e nos estritos limites do
ordenamento jurídico.
b)Proporcionalidade – Deve haver equalização entre o nível de força empregado, padrão
agressivo dirigido contra a força policial e objetivo legal a ser alcançado.
c)Necessidade – O emprego de força e o objetivo a ser alcançado com a intervenção policial
devem guardar relação direta com a impossibilidade de se alcançar o propósito almejado a partir de
outros meios. Observe que não a relação de progressividade e sim de correlação imediata.

1.3.2 Uso dissuasivo da arma de fogo


Um dos tópicos mais recentes agregados ao quadro esquemático do uso diferenciado da
força, a adoção da lógica dissuasiva da arma de fogo, remete aos momentos que antecedem ao
eventual uso da força letal é se configura em um aspecto psicológico importante.

Dissuadir implica em fazer com que alguém abandone um propósito, conforme Ferreira
(2012) descreve. Trazendo o conceito para o ambiente prático, podemos entender que a arma de
fogo do policial (instrumento de trabalho) associada a aspectos psicológicos (como aqueles descritos
nos princípios da abordagem), podem atuar diretamente sobre alguém, descontruindo neste o
propósito de uma agressão. Portanto, atuar no sentido da demonstração de força é algo real,
necessário e que deve ser estimulado não como um mecanismo que substituirá o uso da força letal,
mas como uma etapa que integrará o processo decisório do policial.

214
Nessa ótica, ter uma portátil de arma de alta energia ou ainda outra arma de fogo que remeta
ao conceito de supremacia de força à frente do grupo será benéfica sob a perspectiva dissuasória.
Contudo, lembre-se que o princípio da dissuasão perpassa pela ideia de uma força real e
disponível que poderá ser usada a qualquer momento. Portanto, ter uma arma com munição de
elastômero (por exemplo) não será doutrinariamente viável para uma incursão, em virtude das
limitações trazidas pela munição que se destinam a outro fim diverso de operação em questão.

1.4 Comunicação Operacional


A comunicação deve ser entendida como parte vital dos processos que envolvem a missão
institucional. Em uma infinidade de segmentos falhas de comunicação podem gerar prejuízos e danos
incalculáveis.

Dentro do nosso “negócio”, esse parâmetro não será muito diferente. Variáveis como clareza
naquilo que se transmite, velocidade e precisão são fundamentais e podem custar a vida de um
policial (em caso de falhas), se levarmos em conta que o envio de cobertura para locais onde se
processam ações de risco depende das variantes que foram citadas.

Aspectos como atenção à rede rádio, a utilização correta dos sistemas de padronização e
transmissão de mensagens (Código Q e alfabeto fonético internacional) devem ser massificados, face
à sua importância.

Pense policial, que entre o seu pedido de apoio/suporte, o envio de reforço e a chegada
propriamente dita está a sua destreza e perspicácia em passar dados que possibilitem a
materialização do apoio.

Portando saber se comunicar e o fazer de forma objetiva, clara e rápida será um item de
sobrevivência dependendo da situação em que você se encontrar.

Lembrem-se que nos policiais militares temos uma tendência natural a fazermos, em
momentos críticos, aquilo que automatizamos a partir da concentração e prática continuada.

1.4.1 Regras básicas para comunicação


Um diagrama de comunicação contempla elementos que exercem na medida de sua
importância funções específicas.

A comunicação operacional é uma questão que apresenta repercussão nas questões práticas
da instituição. O tempo entre a ocorrência de um fato e a transmissão de uma informação,
influenciam diretamente no tempo de resposta e principalmente na alocação de recurso para fazer
frente à demanda apresentada.

215
1.4.2 Código Internacional “Q”
Surgido no início do século XX para facilitar o processo de comunicação entre embarcações
britânicas, o código Q passou a ser um importante instrumento de comunicação radiofônica em todo o
mundo.

Em casos como o nosso, onde a rede é utilizada e ocupada durante todo o tempo por um
enorme fluxo de mensagens, quaisquer sistemas que permitam a transmissão, o entendimento e
principalmente a redução do tempo necessário para o envio de uma informação é fundamental.

Dominar completamente o Código Q é algo complexo em função da extensa quantidade de


codificações existentes, mas aquelas mais usadas por nossos policiais é sem dúvida alguma
extremamente importante.

Tabela 12 – Código Internacional “Q”

QAP – NA ESCUTA! QTC – MENSAGEM PARA A REDE!

QLO – CHEGADA AO LOCAL! QSL – ENTENDIDO!

QRX – AGUARDE! QRA – NOME DO OPERADOR!

QTH – LOCALIZAÇÃO ATUAL! QTX – ATENÇÃO A REDE!

QSA – RECEPÇÃO (INTENSIDADE E


QSM – RETRANSMITA!
CLAREZA)
Fonte: Minas Gerais.

1.4.3 Código Fonético Internacional


O código fonético internacional tem o objetivo de tornar mais precisas, uniformes e mais
céleres as transmissões das mensagens em canais específicos, a partir da soletração das letras que
integram palavras contidas em certas mensagens.

A PMMG, a partir do ano de 2017, passou a adotar o código fonético internacional, devendo
as comunicações e o padrão de soletração de mensagens seguir os padrões estabelecidos na tabela
02.

Tabela 13 – Código Fonético Internacional

A- ALPHA H - HOTEL O - OSCAR V - VICTOR


B- BRAVO I - INDIA P - PAPA W - WHISKIE
C- CHARLIE J - JULIET Q - QUEBEC X - X-RAY
- DELTA K - KILO R - ROMEU Y - YANKEE
- ECO L - LIMA S - SIERRA Z - ZULU
- FOXTROT M - MIKE T - TANGO ***************
- GOLF N - NOVEMBER U - UNIFORM ***************
Fonte: Minas Gerais.

216
UNIDADE 2: TÉCNICA E TÁTICA
A construção técnica e tática da atividade prática interdisciplinar perpassa por duas vertentes.
Primeiro - o desenvolvimento técnico individual, a partir de linhas de ação definidas por tarefas
pessoais. Segundo - a constituição/consolidação do comportamento tático sob a perspectiva coletiva
17
(conjunto de ações a serem desenvolvidas ).

2.1 A cena de ação, a abordagem policial e a busca pessoal


Definida como uma das principais formas de contato do policial militar para com o cidadão, a
abordagem policial se constitui em um procedimento em que há um risco a ser considerado, sendo
necessários alguns padrões comportamentais para o seu desenvolvimento.

Um elemento importante a ser avaliado é que em linhas gerais, uma abordagem policial irá
implicar na maioria das vezes em uma ação de contato, onde o (s) policial (s), pautado (s) em uma
fundada suspeita executará (ão) um procedimento técnico - a busca pessoal.

Conforme dito a abordagem policial já se traduz em um procedimento de risco. Por esse


18
motivo existem critérios que influenciarão na escolha do momento, do local , a maneira correta para
proceder a aproximação ao suspeito dentre outras questões relevantes. A realização da busca
pessoal, como passo consequente à abordagem será considerada fator agregador de RISCO
ADICIONAL ao processo.

Tenha em mente que na busca pessoal, a escolha e organização da cena serão definidas
previamente como uma ação decorrente do planejamento mental. Um fator que merece
consideração diz respeito ao parâmetro coletivo. Em que pese o planejamento mental ser um ato
19
próprio e singular, a formatação da consciência coletiva , deverá conduzir a um entendimento
comum e, por conseguinte a adoção de procedimentos uniformes. Pensar assim evidencia a
necessidade de se treinar de forma coletiva com foco na busca da definição de papéis e
tarefas dentro de um grupo policial (uma guarnição, por exemplo).

Um exemplo circunstancial se refere a uma abordagem policial em zona urbana realizada por
uma guarnição composta por três policiais a um indivíduo, cujas características se assemelham
àquelas transmitidas por mensagem na rede rádio.

Ao avistar o indivíduo, o policial que o identifica informa aos demais, indicando um ponto de
referência onde o alvo eventual, se encontra. Em questão de frações de segundo, três processos
mentais se desencadeiam:

17
O legado deixado pelos biênios anteriores é fundamental por se constituir como fonte de apresentação e reforço do
comportamento técnico.
18
Aspectos como aglomeração de pessoas, posições geográficas favoráveis, fluxo da via urbana serão levados em conta e
sempre que possível serão pontos a serem considerados nesta escolha.
19
Entender o contexto, dominar a técnica, falar a mesma linguagem, conhecer a equipe de trabalho (tanto em nível de suas
deficiências quanto potencialidades, concorrem para a construção da consciência coletiva.
217
- O motorista passa a adotar ações que contemplam; o deslocamento em direção ao ponto
de abordagem, a velocidade de aproximação, o melhor local e a posição em que deve parar a viatura
e as demais ações no momento em que abordagem ocorrer.

- O comandante da guarnição, ciente de suas atribuições, tendo identificado o alvo, se


prepara para iniciar os procedimentos de verbalização, reaviva mentalmente os procedimentos para
retirada do cinto de segurança, avalia o espaço, localiza e escolhe abrigos eventuais, tudo isso
mantendo o foco no suspeito e na cena de ação.
20
- O patrulheiro, comunica à rede rádio , faz as mesmas análises que o comandante da
guarnição e aquelas adicionais que recairão sobre si no momento em que prestar suporte ao
processo de abordagem e consequente busca pessoal se for o caso.

Com base no exemplo, há dois apontamentos importantes:

- Conheça o seu papel tanto sob a ótica individual quanto sob a lógica coletiva. Esse
conhecimento dará a você maiores chances de se antecipar a um problema e ter as ferramentas
psicomotoras inerentes a uma resposta condizente.

- O segundo é que todas essas ações (narradas no exemplo) serão tão mais efetivas e
sincronizadas, quanto maior for o grau de compatibilidade tática da equipe. Adiantamos a você
policial: “Esse nível de desenvoltura só é possível a partir do treinamento e reforço
psicomotor CONTÍNUO.”

2.2 Conduta de Patrulha


2.2.1 Metodologias de Progressão
Conforme as circunstâncias se apresentem o policial militar (atuando de maneira conjunta)
adotará comportamento compatível com o nível de risco momentâneo. É natural aceitarmos a ideia
de que sob fogo ou na iminência de uma ação hostil contra uma guarnição policial militar a adoção de
uma metodologia de progressão por lanços realizada de abrigo a abrigos é mais adequada. Em
contrapartida, haverá situações em que em virtude do tipo de atividade/missão que se irá cumprir no
interior de uma zona de alto risco, sistemas ou técnicas que garantam maior fluidez e maior poder de
fogo à frente serão mais eficazes.

O que se faz necessário esclarecer é que a conduta da patrulha varia em conformidade com
o que se apresenta ao grupo ou ainda de acordo com a missão ou tarefa a ser cumprida.

20
A comunicação junto à rede rádio em situações específicas (pedido de prioridade no uso da rede, por exemplo) deve ser
alinhada, sob uma perspectiva mais tática do que funcional. Em uma infinidade de situações a posição ocupada pelo
comandante da guarnição dará a ele a responsabilidade pelo enquadramento do alvo e por respostas imediatas, que podem
começar enquanto a equipe encontra-se ainda dentro da própria viatura. Delegar a comunicação a um dos patrulheiros que
possuir boa capacidade para tarefa e campo visual favorável para conseguir descrever o fato é uma boa alternativa.
218
Deslocamentos pautados na regra de ponto a ponto ou nas regras do deslocamento tipo
serpente são modalidades usadas no Estado de Minas Gerais e serão implementados conforme a
situação exigir.

2.2.2 Varreduras e ocupação de abrigos


Área de risco e área de segurança são dois aspectos que permeiam a intervenção policial em
zonas de risco.

A fim de tornar áreas de risco em áreas seguras, a adoção de métodos de varreduras podem
ser uma solução. Critérios como não exposição antecipada e capacidade de resposta a uma
agressão eventual serão fundamentais para o sucesso no emprego de uma das três técnicas
existentes atualmente na nossa doutrina; A olhada rápida, o uso de espelho e o fatiamento.

A olhada rápida, o uso do espelho e a técnica do fatiamento, tem em comum o fato de que
permitem a localização de pessoas no interior de zonas, ainda, não dominadas. Um detalhe a ser
enfatizado é que dentre as três o fatiamento é a mais indicada para o acesso instantâneo à
percepção do ambiente, pois em sua metodologia de emprego o policial estará em condição de
pronta resposta e terá o domínio do espaço “varrido” a todo momento.

Um detalhe importante na técnica do fatiamento é que quando conjugada com a variação


(aumento) do campo visual, ela permite enxergar uma parte corporal do suspeito sem que este tenha
visualizado o policial, garantido certo nível de vantagem se conjugada com a ocupação de abrigo.

A regra do fatiamento consiste em visualizar o ambiente por segmentos de ângulo. ou seja, o


policial irá alterar o seu ângulo de visão a cada movimento lateral produzido pelo seu corpo. O
sucesso e a segurança na aplicação desta técnica consistem em conjugar essa mudança angular
com o aumento do campo visual. Explorar o maior campo visual possível, dentro de uma determinada
posição que usa como referência o abrigo (ou a parcela dele) à frente.

Os abrigos representam pontos fundamentais para qualquer ação policial. Doutrinariamente,


abrigo é um anteparo capaz de suportar os efeitos produzidos por um projétil, sem permitir que haja
repercussão contra quem o ocupa.

Ter capacidade estrutural de limitar/ frear o deslocamento de um projétil, embora seja uma
característica fundamental será tão importante quanto a posição em que se anteparo se encontra,
uma vez que para que algo seja considerado um abrigo deverá estar sempre ENTRE A AMEAÇA E
O POLICIAL.

2.2.3 Critérios específicos para abordagens e busca pessoal


Se uma abordagem representa um procedimento de risco em função da imprevisibilidade, as
buscas pessoais terão na ação de contato o fator crítico.

Todos nos sabemos e ouvimos de forma recorrente dos mais experientes que nenhuma
abordagem é igual a outra. Isso é uma verdade!!!

Nos cercar de cuidados é primordial e a esse “cuidado” vamos chamar de critério.


219
Em zona de risco, vamos adotar critérios próprios para o desenvolvimento da missão
policial militar.

Na medida em que um grupo progride, áreas de segurança (ainda que relativas) serão
criadas se os critérios técnicos forem obedecidos. As abordagens serão desenvolvidas naturalmente
e os critérios alusivos aos pontos de foco e pontos quentes ainda prevalecerão. O que se faz
necessário entender é que haverá um sentido quase sempre recorrente para a realização da busca
pessoal, que terá como destino o espaço ocupado pelo grupo policial. Significa dizer que um suspeito
abordado, será submetido à busca no espaço compreendido entre os pontas e os retaguardas, ou
seja, na área de relativa segurança criada, transitoriamente, pelo grupo. Outro ponto importante é que
esse suspeito virá até o grupo e não o contrário (haverá casos em que um procedimento inverso
poderá ser adotado, mas se constitui em uma pequena exceção à regra).

Critérios:

1 - As buscas devem ser criteriosas e céleres na mesma medida;

2 - O militar responsável pela realização da busca pessoal deverá ter ciência de que essa
tarefa será sua antes mesmo do início da progressão.

3 - Normalmente, recairá sobre algum policial militar que se encontrar na parte central do
grupo, em regra.

4 - O ponta de vanguarda será responsável pelo enquadramento, comando para


movimentação e assim que a célula de busca assumir o controle sobre a tarefa seu foco será
exclusivo para o controle de ameaças à frente.

5 – Finalizados os procedimentos (deverão ser realizados com a maior celeridade possível,


sem perder em critérios de segurança), o grupo volta a se deslocar conforme metodologia
empregada.

IMPORTANTE

Correr é diferente de ser rápido.

Correr = negligenciar pontos de risco.

Ser rápido = Ter destreza a ponto de tomar medidas de forma rápida e instantânea.

PENSE NISSO!

2.2.4 Arma de fogo; posturas, posições e a visão binocular


Os aspectos doutrinários em relação ao uso da arma de fogo serão disciplinados pela seção
correspondente deste guia de treinamento.

Conhecer as posições de uso da arma de fogo, disciplinadas pelo Caderno Doutrinário 1 é


fundamental, principalmente tendo alguns aspectos como ponto de partida.

220
Ao realizar uma varredura, adotando-se a técnica da tomada de ângulo, o policial militar
deverá partir da posição de pronta-resposta, da mesma forma que um policial ao realizar uma busca
pessoal não deverá realizá-la com sua arma em punho estando posição 1, 2, 3 ou 4 e sim com sua
arma de fogo no coldre. Cabendo ao policial encarregado da segurança, ter sua arma na posição
compatível (guarda baixa ou localizada).

Outro ponto importantíssimo diz respeito ao controle do ambiente e de áreas que estejam fora
do eixo que define o ponto de foco. A visão periférica permite ao ser humano enxergar aspectos que
estejam tanto na zona central do seu campo visual quanto ao redor dele. Ainda que a nitidez dos
objetos seja exclusiva das áreas centrais, a simples indicação de movimento ou surgimento de um
objeto de maneira repentina, indicam ao policial a necessidade de adoção de uma postura, o que
tende a aumentar a sua capacidade de se antecipar a uma ameaça eventual.

Por esse motivo, você deve buscar trabalhar com os dois olhos abertos, principalmente
quando houver a necessidade de implementação de varreduras ou acesso a áreas não dominadas
previamente.

2.3 Princípios do autossocorro


Como visto na seção correspondente ao autossocorro, grande parte dos óbitos resultantes de
combate/confronto poderiam ser evitados com a adoção de medidas direcionadas ao controle de
hemorragias e de medidas que evitassem o surgimento de lesões adicionais.

Portanto, manter-se em combate quando possível, conhecer métodos de autoavaliação e o


uso de instrumentos que objetivam o controle de pontos de sangramento massivo podem ser o
diferencial entre voltar para casa ou ter a sua vida interrompida. Pense nisso, POLICIAL MILITAR,
saber para ajudar o outro é IMPORTANTE, saber o que fazer quando SUA VIDA depender disso
é fundamental.

2.4 Medidas de autoproteção


Conforme visto na seção correspondente, a postura do policial, sua atenção e
principalmente, aquilo que está massificado em suas linhas comportamentais serão essenciais ao
sucesso de uma intervenção quando você policial for exigido a intervir fora da sua jornada de trabalho
regular.

Lembre-se, abrigos devam ser ocupados e escolhas deverão ser feitas de maneira
simultânea. Sua intervenção terminará quando chegar seu suporte e no tempo entre a resposta
compatível com a ameaça a você dirigida, realize sua autoavaliação procurando pontos de
sangramento e ferimentos que tenham eventualmente sido ocasionados contra você.’

Não entre em pânico e busque suporte imediatamente!

221
RESUMO
Na Unidade 1, vimos que:

A presença policial, por si só, representa uma poderosa ferramenta e agrega um grande
percentual para se inibir a ocorrência de delitos. Se conjugada à postura condizente e ao
posicionamento correto (visibilidade) representará considerável parcela da missão institucional que é
a preservação da Ordem Pública.

Estar preparado para intervir de forma objetiva, segura e em tempo hábil requer do policial
militar a sistematização de comportamentos e ações que começam em um momento pregresso. A
partir do conhecimento do local de atuação, surgirá a escolha dos melhores trajetos ou pontos de
permanência que lhe darão vantagem tática no momento de uma eventual intervenção.

Outro aspecto importante gira em torna da compatibilidade entre as circunstanciais e estado


de prontidão correspondente, assim como deve haver compatibilidade entre o nível de força
empregado e o grau de ameaça ou agressão dirigida contra o policial.

Vimos ainda, na Unidade 1 que o processo mental de uma agressão dirigida contra um
policial é mais direto que o processo que um policial utiliza-se para tomar sua decisão e reagir. Ao
servidor caberá após identificar uma ameaça, certificar-se de que de fato está sob risco, adotando
sequencialmente ações compatíveis com o grau de perigo ao qual se encontrar. O planejamento
mental e o pensamento tático são ferramentas que auxiliarão o policial a reduzir os respectivos
tempos de resposta, conduzindo-o a escolhas mais coerentes no cotidiano policial.

Na Unidade 2, vimos que:

O uso da força obedece a critérios que são delimitados por princípios; Legalidade,
Necessidade e a proporcionalidade. Esses princípios têm por objetivo delinear a ação policial a partir
do estabelecimento de regras que disciplinam o aspecto mais importante que é o uso da força.

Vimos também que a arma de fogo pode ser usada sob uma perspectiva dissuasiva que se
pauta na real possibilidade da desconstrução de um propósito. Observamos que esse parâmetro se
pauta na real condição de emprego de força disponível contra um alvo potencial e, portanto, deve se
pautar em possibilidades concretas de emprego.

Vimos que as comunicações são fundamentais para a nossa atividade cotidiana.

A polícia militar aproximou-se muito do cidadão e aprimorou o seu portfólio de atendimento a


partir da inclusão da lógica estabelecida do rádiopatrulhamento. Diante disso, a padronização das
comunicações tem por objetivo melhorar tanto a qualidade na transmissão das mensagens bem como
sua precisão. Importante ressaltar que a partir do ano de 2017, a Instituição adotou o alfabeto
fonético internacional em substituição ao modelo nacional utilizado até então.

222
Discutimos sobre o patrulhamento em locais de alto risco e suas nuances. Observamos que o
regime de progressão varia conforme o nível de risco, missão e objetivos buscados com as
diligências a serem implementadas.

Vimos que o conceito de área de risco e área de segurança são fundamentais para todo o
processo de progressão e que no interior de zonas de alto risco, as abordagens devem obedecer a
critérios próprios quase sempre no sentido de trazer o suspeito para meu campo de domínio. Agrega-
se a isto o fato de que a divisão de funções é fundamental e que a responsabilidade pelo acesso a
pontos não dominados recairá aos pontas de vanguarda, assim como a segurança e a limitação do
acesso por pontos onde o grupo não esteja voltado recairá sobre os policiais da retaguarda.

Vimos, ainda, que existem três tipos de varreduras: olhada rápida, uso do espelho e o
fatiamento, sendo que este último está diretamente ligado à variação do ângulo de acesso. Observou-
se que se houver a ampliação do campo visual é possível enxergar partes de um suspeito sem que
este visualize o policial, possibilitando a antecipação e, por conseguinte, uma abordagem mais
segura ao suspeito, bem como o acesso ao ponto pretendido.

223
REFERÊNCIAS
ARON, Raymond. Paz e guerra entre as nações. São Paulo: Imprensa Oficial, 2002.

BEAUFFRE, André. Introdução à Estratégia. Lisboa: Edições Sílabo, 1ª edição, 2004.

BORGES, Alberto Nunes. Apostila de Armamento Convencional – Carabina 5,56 Imbel MD97 LM.
Belo Horizonte, 2007.

BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Protocolos de Intervenção para o


SAMU 192 - Serviço de Atendimento Móvel de Urgência. Brasília: Ministério da Saúde, 2016

______. Ministério da Guerra. Manual de Campanha-Instrução Individual para o Combate.


Brasília, 1969.

______. Manual do Estágio Básico de Resgate/Sau. Rio de Janeiro: Destacamento de Saúde


Paraquedista, 2002.

MINAS GERAIS. Corpo de Bombeiros Militar. Instrução Técnica Operacional nº 23 - Protocolo de


Atendimento Pré Hospitalar. Belo Horizonte, 2013.

MINAS GERAIS. Polícia Militar. Caderno Doutrinário nº 1: Intervenção Policial, Processo de


Comunicação e Uso de Força. Belo Horizonte, 2013.

______. Memorando nº 31.164.2/06 – EMPM. Vítimas de trauma penetrante. Belo Horizonte,


2006.

______. Armamento Convencional. Belo Horizonte, 2007 (Mimeo).

______. Caderno Doutrinário nº 2: Tática Policial, Abordagem a Pessoas e Tratamento às


Vítimas. Belo Horizonte, 2013.

______. Caderno Doutrinário nº 4: Abordagem a Veículos. Belo Horizonte, 2013.

NAEMT. Atendimento Pré-Hospitalar ao Traumatizado: Básico e Avançado. Rio de Janeiro.


Elsevier. 2004.

ACADO. Associação de Colecionadores e Atiradores do Oeste. Revista Trianual. nº 6. Setembro de


2014

OLIVEIRA, João Alexandre et al.Tiro de Combate Policial: uma abordagem técnica. Erechim: São
Cristóvão, 2001.

GRAU. Grupo de Resgate e Atenção às Urgências e Emergências. Pré-hospitalar. 2 ed. Barueri, SP,
Manole, 2015.

SÃO PAULO. Polícia Militar. M-19-PM, Tiro Defensivo na Preservação da Vida – Método Giraldi.
São Paulo, 2000.

224
MEDIDAS DE AUTOPROTEÇÃO

225
Apresentação
Caro (a) policial militar, o ditado popular “o seguro morreu de velho” exprime uma lição muito
importante para todos nós que lidamos cotidianamente com situações de risco. Esteja sempre
preparado e seja prevenido. Num momento em que se percebe o aumento da violência cotidiana,
tornam-se imperiosas ações que reforcem a segurança pessoal e familiar e minimizem a exposição
ao perigo. A disciplina “Medidas de Autoproteção”, abordará aspectos referentes a situações diárias
que vão além do momento de sua atuação no serviço policial. Espera-se que o conteúdo dessa
matéria possa servir como um gatilho para que cada um possa agir de forma mais precavida e
alcance um status de proteção maior no seu dia a dia.

Centro de Treinamento Policial


“Tornando o Policial Militar mais forte”

226
Introdução
O preparo mental consiste em visualizar e ensaiar mentalmente suas ações de
modo a planejar reações em função das ações dos criminosos. Se você está
armado e vivencia uma situação de risco, há três coisas que não podem falhar:
você, a arma e a munição. Se você falhar, sua arma poderá ser usada contra
você e sua família. Se a arma ou a munição falhar, você estará em apuros já
que talvez não tenha tempo ou frieza para sanar o problema, principalmente
num conflito de vida ou morte.

Humberto Wendling

O Manual Técnico-Profissional 3.04.01/2013 considera o “preparo mental” como o processo


de pré-visualizar os prováveis problemas a serem encontrados em cada tipo de intervenção policial-
militar e ensaiar mentalmente as possibilidades de respostas.

QUAL PROBLEMA POSSO QUAL RISCO TENHO EM MEU


ENFRENTAR HOJE NO SERVIÇO? HORÁRIO DE DESCANSO?

Se você deixar de fazer um preparo mental durante uma intervenção, o seu desempenho será
prejudicado, levando a um aumento de seu tempo de resposta à agressão. Assim, o uso de força
poderá ser inadequado, excessivo ou aquém do necessário para contê-la.

A atuação em situações que envolvam policiais militares estando de folga e à paisana


necessita de bastante atenção por parte de todos nós policiais militares. A nossa intervenção,
estando à paisana, quando vítimas de crimes como tentativa de roubo, tentativa de homicídio ou
lesão corporal, pressupõem treinamentos específicos e ações não rotineiras, a fim de nos preparar
para solucionar a ocorrência da melhor forma.

Você, policial militar fardado (ostensivo), com sua arma de porte, equipado com colete
balístico, com instrumentos de menor potencial ofensivo, em supremacia de força qualitativa e
quantitativamente, deve treinar exaustivamente e aplicar as técnicas, conforme cada caso já
positivado, das diversas doutrinas da Polícia Militar de Minas Gerais.
227
Por outro lado, atuar em uma ocorrência estando à paisana (de folga), armado e sozinho,
muda bastante a situação. Você pode ser confundido com o infrator ao realizar uma abordagem em
via pública ou pode sofrer uma busca pessoal pelo infrator e ser vitimado por sua condição de militar
ou mesmo ser atingido por sua própria arma.

Há também a situação onde você pode estar com sua família em um momento de lazer e se
torna vítima de um roubo. Devo estar ou não armado nos meus momentos de folga? Usar ou não
a arma de fogo? Qual o melhor local para portá-la?

Essas e outras questões serão discutidas nesta Unidade, não como um assunto pronto e
acabado, mas com a finalidade de se refletir sobre a temática e treinar, minimizando a probabilidade
de uma fatalidade por sua parte.

A inserção da disciplina “Medidas de Autoproteção”' justifica-se pela necessidade de


conscientizar cada policial militar da possibilidade de sermos vítimas de crimes violentos, e permitir
que sejam adotadas respostas de maneira técnica, com mitigação dos riscos.

O modelo proposto de estudo almeja permitir que cada um possa vivenciar, refletir e adotar
ações preventivas, por meio de simulados em diversos cenários, situações bastante próximas à
realidade. Conforme o Manual Técnico-Profissional, MTP 3.04.01/2013:

O treinamento policial militar baseado em situações práticas que se aproximam do


cotidiano profissional, somado à análise crítica de erros e acertos vivenciados na
experiência real, contribuem para o desenvolvimento da habilidade do policial militar
pensar sobre como ele agiria nas diversas situações, visualizando mentalmente
suas respostas e definindo previamente o seu procedimento básico. Dessa forma,
ele criará rotinas seguras para sua atuação. (MINAS GERAIS, 2013)
Assim, a Unidade I desse conteúdo tratará da Pirâmide da Segurança Pessoal e na Unidade
II serão apresentadas orientações que levem o policial a adoção de medidas de autoproteção.

Objetivos
A disciplina tem, além de outros objetivos:

oportunizar a compreensão de que a prevenção é a melhor medida de autoproteção;

apresentar as estratégias preventivas e de respostas frente a possíveis intentos de infratores


contra os policiais militares à paisana;

oportunizar o desenvolvimento das técnicas e táticas, com respeito aos Direitos Humanos;

capacitar os policiais a agirem de forma mais segura ao portar armas de fogo à paisana;

oportunizar aos policiais o desenvolvimento dos preceitos táticos preventivos e repressivos,


por meio de ocorrências simuladas onde os discentes vivenciarão situações muito próximas à
realidade, quando de folga e à paisana e, eventualmente, vítimas de algum intento delitivo;

228
desenvolver os atributos da área afetiva necessários em intervenções estando de folga e à
paisana, a saber: auto-aperfeiçoamento, adaptabilidade, autoconfiança, autocrítica, coerência,
combatividade, comunicabilidade, coragem, criatividade, decisão, dinamismo, disciplina, discrição,
equilíbrio emocional, flexibilidade, iniciativa, organização, persistência, perspicácia, responsabilidade,
resistência, sensibilidade, tato.

UNIDADE 1: PIRÂMIDE DA SEGURANÇA PESSOAL

“Hoje pode ser mais um dia normal na sua vida, ou pode ser o dia em que
você será testado sobre tudo o que aprendeu física, emocional, espiritual e
legalmente”.

Humberto Wendling

1.1 A prevenção como medida de autoproteção


A violência por parte dos infratores no cometimento de delitos está cada vez mais presente na
vida das pessoas. Seja ao dirigirmos o nosso veículo, ao pararmos em sinais semafóricos ou no
posto de gasolina para abastecer o veículo, ao andarmos pelas ruas, ao sairmos e entrarmos em
casa, ao entrarmos, permanecermos ou sairmos de estabelecimentos, até dentro de nossa
residência. Isso ocorre por diversos fatores como: fácil acesso às armas de fogo, posse de veículos
para cobertura e fuga, comparsas, ambiente favorável ao cometimento do crime e, logicamente, pela
existência e capacidade do agente para o propósito, que é roubar, matar, furtar, entre outros.

Figura 118 – Triângulo do crime

Fonte: geralararangua.blogspot.com.br

Fazendo a análise do triângulo do crime, observa-se que a vítima, que é controladora do


objeto desejado pelo infrator, considerando qualquer pessoa transitando pelas ruas ou dirigindo os
seus veículos, e o criminoso, que é aquele motivado e preparado para cometer atos de violência,
sempre existirá. Agora, a oportunidade, que se refere à falta de cuidados, para concluir esse
triângulo, depende da própria vítima. Por exemplo, ao andar desatento com o que ocorre à sua volta
229
ou falando no celular, deixar notebooks dentro de carros às vistas dos criminosos ou não adotar
mecanismos de proteção domiciliar, contribuem para a consumação do crime.

A prevenção, como medida de autoproteção, é essencial uma vez que reduz as


circunstâncias que favorecem o criminoso. O comportamento do policial militar, estando à
paisana, é sobremaneira diferente de um civil; primeiro porque não deixa de ser policial militar, tendo
como obrigação legal atuar, de acordo com as condições; segundo porque muitos andam armados e,
por isso precisam se preocupar mais. Os estados de prontidão, conforme são conceituados no
Caderno Doutrinário 01, são definidos como um conjunto de alterações fisiológicas e das funções
mentais que influenciam na capacidade de reagir às situações de perigo. Ex: policial militar de folga
almoçando com sua família pode se encontrar no estado relaxado.

Figura 119 – Estados de Prontidão

Estado relaxado Estado de atenção Estado de alerta Estado de alarme


O policial militar O policial militar está O policial militar É importante focalizar a Estado de pânico
encontra-se ciente de que uma detecta um problema e ameaça (atenção Situação em que ocorre
despreparado para um agressão seria possível. está ciente de que um concentrada no falhas na percepção da
eventual confronto e, Percebe e avalia confronto é provável. problema) e ter em situação,
caso uma intervenção constantemente o Manter-se no estado de mente a ação adequada comprometendo sua
seja necessária, ambiente, atento a alerta diminui os riscos para controlá-la, capacidade de reagir
aumentará qualquer sinal que do policial militar ser podendo ser com adequadamente à
consideravelmente os possa indicar uma surpreendido, esforço verbal, ameaça enfrentada.
riscos e comprometerá ameaça em potencial.. propiciando a adoção distanciamento ou
a sua segurança de ações de resposta, mesmo, autodefesa
individual. conforme a situação física, conforme as
exigir. circunstâncias exigirem.

ESTADOS DE PRONTIDÃO

Fonte: MTP 3.04.01/2013

Cabe frisar que o policial militar se coloca no estado relaxado em determinadas


circunstâncias que o faz crer na ausência de perigo. Embora estar nessa condição seja algo
desejável ao policial que está de folga, é preciso observar que estar armado já o coloca na
situação de crer na existência deste perigo, não cabendo mais o estado relaxado, mas sim no
estado de atenção (cor amarela). Portar uma arma de fogo estando à paisana e folga, mas
desatento, pode ser um desastre, pois ela pode ser tomada após uma revista pelo criminoso e ser
utilizada contra a vida do próprio militar. Além disso, devemos considerar que a arma pode apresentar
alguma pane ou por mau uso não conseguir disparar, não havendo, neste caso, outro policial fardado
ao seu lado para cobertura rápida. Até mesmo sacar a sua arma estando à paisana já o coloca em
uma situação de risco, pelo fato poder ser confundido com o criminoso.

Portar uma arma de fogo estando à paisana e de folga faz


o militar se colocar, pelo menos, no estado de atenção.
230
1.2 Pirâmide da segurança pessoal
Ações preventivas devem ser priorizadas pelo policial militar, a fim de não ser
escolhido pelo criminoso como vítima. Para isso, devem ser criadas dificuldades para que ele não
consiga chegar até você, fazer com que a presença do agente seja percebida (olhar para ele). Estas
ações devem ser rotineiramente aplicadas na rua, em casa, no carro, no comércio, mesmo que, a
princípio, não haja risco.

Você não pode impedir um criminoso de ser o que ele é,


mas pode impedir que ele o escolha como vítima.

Quando as ações preventivas falharem, as ações repressivas OLIVEIRA (2015)


entram em cena. Estas últimas
vão desde a verbalização, distanciamento (abrigo), fuga, acatamento das ordens do infrator, até o
disparo de sua arma de fogo e neutralização do criminoso.

Veja a Pirâmide da Segurança Pessoal. Clique nas definições e veja seu conceito.

Figura 120 – Pirâmide da Segurança Pessoal

AUTO DEFESA FÍSICA

ESFORÇO VERBAL
DE DISTANCIAMENTO
COMPROMENTIMENTO
E DISTÂNCIA DE SEGURANÇA

MANOBRA DE POSICIONAMENTO

ESTADOS DE PRONTIDÃO

HÁBITOS

BARREIRAS

CONHECIMENTO E ENTENDIMENTO

Fonte: *adaptado de OLIVEIRA, 2015, p. 84.

Conhecimento e Entendimento: é saber como os criminosos agem. Para isso é importante


assistir a vídeos e relatos de ocorrências dessa natureza, se colocando no lugar daquele policial, a
fim de treinar mentalmente a ação que você julga mais aceitável.

Barreiras: são os obstáculos físicos que atrasam ou impedem a ação do infrator. Podem ser
cercas elétricas, alarmes, dentre outros.

231
Hábitos: são as ações repetidas que devem ser aplicadas pelo policial diariamente em sua
rotina, até o ponto de automatizá-las. As ações preventivas não devem ser transitórias, mas sim
continuadas, mesmo na ausência de um perigo real. Ex: ao chegar em casa com seu veículo, ter o
hábito de visualizar ao redor à procura algum suspeito, ou mesmo olhar à sua volta a fim de ver se
alguém está se comportando de forma incompatível com o local enquanto você entra em um
estabelecimento, um posto de gasolina ou em um estacionamento.

Estado de Prontidão*: é importante destacar que os estados de prontidão dependem,


também, de fatores subjetivos, tais como experiências anteriores, domínio técnico e relacionamento
com a equipe de trabalho, que influenciam no modo como cada policial militar percebe e responde a
uma estímulo. O policial militar deve ter a capacidade de ler as pessoas e as situações que podem
ser um risco, e não simplesmente olhar para qualquer lugar/pessoa sem saber o que está
procurando.

Manobra e Posicionamento: os locais de onde um infrator pode surgir e realizar o seu


intento devem ser monitorados de forma a impedir que o alcance. Para Oliveira (2015), o
posicionamento é questão de estratégia que serve para antecipar uma possível agressão. Quanto
mais cedo se detecta e reconhece uma ameaça, mais opções se têm de responder. Devemos sempre
considerar a existência de outros infratores além daquele que esteja sendo visto ou que esteja
executando a ação delituosa.

Comprometimento pessoal e a distância de segurança: é a importância que você dá para


si mesmo a fim de avaliar a relação custo-benefício de reagir, ou não, a uma tentativa criminosa por
parte do agente. Sua vida em primeiro lugar! Deve-se avaliar o que está em jogo, se é um celular,
uma bolsa com dinheiro ou vidas (sua ou de terceiros). Além disso, deve ser observada a distância de
segurança frente a pessoas e lugares desconhecidos, evitando que sejam presas fáceis.

Esforço verbal de distanciamento: é a verbalização com um possível infrator, antecedendo


a reação física. É a comunicação verbal e/ou por gestos para que o suspeito não se aproxime,
fazendo-o indiretamente desistir ou dificultá-lo naquele propósito.

Autodefesa física: não necessariamente a autodefesa física quer dizer disparar sua arma de
fogo contra o infrator. Sua defesa imediata pode ser acionar a guarnição policial via "190", gritar,
correr, acatar suas ordens e entregar seus pertences ou bens móveis ou servi-lo de refém. Como
último nível de força deve se abrigar, sacar e disparar sua arma de fogo contra o criminoso até que
cesse a injusta agressão. Deve-se fazer a leitura do ambiente, conhecendo previamente o modus
operandi do criminoso para aquele local e tipo de crime, avaliar os riscos e os possíveis resultados.

É importante observar que em algumas situações haverá pessoas que podem ficar em
situação de risco a partir de uma ação de defesa. O Guia de Treinamento Policial Básico do 5º biênio
– 2014/2015, ao tratar do porte de arma do policial à paisana informa que você, policial militar, deve
estar consciente de que sua decisão de agir precisa se fundamentar, ainda, na segurança de
terceiros, já que a repressão a um delito, nesses casos, não pode comprometer a vida de pessoas
que no momento dos fatos não tem como se proteger.

232
Para proteger a sociedade e para a autoproteção, o porte e o uso de arma de fogo por
policiais militares são permitidos por lei, mesmo fora do serviço e à paisana. Contudo, a
conduta para atuação do policial militar, além de ser balizada pelos princípios básicos do uso da força
e da arma de fogo, deve atentar para alguns detalhes específicos da atuação em situações em que
estiver de folga e à paisana, tais como o local e a maneira de portar sua arma, a forma e o momento
de sacá-la. Esse assunto será explorado na próxima unidade.

O policial de folga e à paisana, estando armado, não deve


deixar sua arma dentro de veículos. Leve-a consigo, seja
discreto ao portá-la e atente-se para o momento de realizar o
saque.

1.3 Conclusão
A palavra “prevenção” não é somente uma palavra que exprime a ação almejada pela Polícia
Militar enquanto Instituição bissecular. Mas um hábito que cada policial e cidadão deve cultivar no seu
dia a dia. O espírito de combate é algo fundamental ao policial militar e, sempre que requerido, não
se furte a ação. Entretanto, procure adotar boas práticas que lhe permitam não estar exposto e para
tal observe as orientações e conceitos da pirâmide de segurança pessoal.

UNIDADE 2: PROCEDIMENTOS DE AUTOPROTEÇÃO


Os esforços de autoproteção refletem a decisão de confiar em nossas habilidades e
capacidade de conduzir a vida de forma segura e também proteger familiares, amigos e a própria
sociedade e, com isso, evitar os riscos e incertezas provocados pelas ações de terceiros. Não ser
vítima é uma escolha que o policial deve fazer todos os dias. Nessa unidade apresentam-se algumas
dicas e orientações que lhe permitirão aumentar sua proteção cotidianamente, especialmente quando
estiver à paisana e de folga.

2.1 Orientações preventivas

2.1.1 Andando a pé na rua


2.1.1 Andando a pé na rua

 mantenha-se sempre atento. Este é um grande fator de proteção, pois assaltantes evitam se

233
aproximar de pessoas atentas;

 mantenha sempre sua atenção na rua, no metrô, no ônibus, em centros comerciais, etc;

 tenha especial atenção às pessoas a sua volta. Lembre-se: os assaltantes valem-se


principalmente do fator surpresa e da desatenção para atacarem suas vítimas;

 evite passar por locais desertos e/ou pouco iluminados;

 não pare para atender pedidos que lhe despertem desconfiança – Confie em seus instintos;

 evite locais com aglomerações de pessoas, pois estes locais facilitam a ação de “batedores de
carteira” e oportunistas;

 ao pressentir a aproximação de estranhos em atitude suspeita entre no primeiro local habitado


que encontrar e peça ajuda – ligue para o 190 ou colegas que lhe possam prestar auxílio
imediato;

 não deixe a Carteira Especial de Polícia com fácil visualização dentro da carteira;

 não use locais isolados para encontros amorosos, pois este é um comportamento de risco;

 desconfie de estranhos com conversa envolvente que tentem aproximação;

 evite retirar sua carteira em público;

 procure caminhar no centro da calçada e contra o sentido do trânsito. É mais fácil perceber a
aproximação de algum veículo suspeito. Se algum motorista o incomodar mude de direção e
ande em sentido contrário ao fluxo;

 cuidado ao atender seu celular nas ruas e grandes centros comerciais. Verifique antes se não há
ninguém ao seu lado;

 os criminosos preferem alvos fáceis e atrativos. Então acredite: sua forma de caminhar, postura,
velocidade e coordenação influenciam subconscientemente na escolha de ser ou não uma
vítima. Ande firme, sabendo onde quer ir, confiante e atento às pessoas e lugares.

2.1.2 Dentro de estabelecimento (restaurantes, bancos, padarias, correios, bares,


farmácias)

 Antes de entrar verifique se não há nenhuma movimentação ou atitude suspeita das pessoas
que estejam no interior do local. Observe aquele que foge dos padrões de vestimenta e
comportamento do local que está;

 tenha muita atenção às pessoas estranhas que se aproximam;

234
 em restaurantes e bares, escolha uma mesa bem localizada, que lhe permita observar as outras
pessoas, as portas de acesso, de emergência (se houver) e que fique próximo de algum abrigo;

 não dê as costas para o fluxo de pessoas ou entrada do estabelecimento;

 evite abrir a carteira na frente de outras pessoas;

 tenha em mente um plano de ação caso o estabelecimento seja assaltado. Estude os possíveis
abrigos, fugas, necessidade e conveniências de usar sua arma de fogo em razão do número de
pessoas no interior e tipo de crime que está ocorrendo. Se o criminoso estiver disparando na
direção das vítimas, o emprego da sua arma de fogo será inevitável. Lembre-se de não deixar
sua carteira funcional tampouco sua arma de fácil localização, principalmente caso for revistado
pelo agente;

 não deixe sua arma exposta ou com volume exagerado! Isso pode constranger as pessoas,
causando-as insegurança e, principalmente, chamando atenção de um possível infrator;

 não frequente bares e similares que seja local de constante encontro de marginais.

2.1.3 No posto de combustível


 Observe, antes de entrar, se há movimentação suspeita no local como funcionários agrupados,
parados, nervosos, etc. Caso perceba algo estranho, não pare;

 verifique se há alguma movimentação ou atitude suspeita das pessoas que estejam no posto de
combustível, principalmente pessoas em motos. Observe aqueles que fogem dos padrões de
vestimenta e comportamento do local em que está. Ex: pessoas com o capacete na cabeça para
não ser identificado;

 durante o abastecimento avalie se é mais viável aguardar dentro do carro com as portas
trancadas, vidros fechados e atento ou ficar fora do veículo, mas próximo de um abrigo,
observando a movimentação das pessoas. Lembre-se que o local é inflamável.

2.1.4 Parado no semáforo

 Nos semáforos, fique alerta à aproximação de estranhos, mesmo que não lhe pareçam
suspeitos. Utilize sempre os retrovisores, visando perceber a aproximação de pessoas suspeitas
atrás do veículo;

 no período noturno, ajuste a velocidade de seu veículo nas áreas de cruzamentos, reduzindo a
velocidade de forma que você não precise parar no cruzamento e também não cometa infração

235
de trânsito passando no sinal vermelho;

 evite a primeira fila de veículos e as faixas das extremidades, especialmente da esquerda.


Preferencialmente, pare nas faixas centrais. Isso dificulta a fuga do criminoso caso tente roubar o
veículo. Caso tenha que parar nas extremidades, não deixe espaço para que motos passem ao
seu lado (esquerdo);

 mantenha distância mínima do veículo da frente para possibilitar sua saída em casos de
emergência;

 procure não deixar espaços para passagem ou circulação do lado esquerdo do seu veículo;

 chegue ao cruzamento com atenção, identificando pessoas suspeitas e demonstrando estar


atento;

 verifique constantemente a presença de suspeitos ao redor de seu veículo, inclusive


motociclistas;

 evite a distração com celulares, rádios, entre outros;

 mantenha portas e vidros travados;

 não deixe objetos (bolsas, celulares) em locais visíveis do veículo.

2.1.5 Dirigindo o seu veículo

 Habitue-se a dirigir com os vidros fechados e portas travadas, principalmente durante as


paradas;

 não pare para auxiliar outros motoristas em locais isolados, mal iluminados, em horas avançadas
da noite e situações que lhe pareçam estranhas;

 evite colocar em seu veículo adesivos e outros símbolos que possam o identificar como policial
militar;

 ao passar por lombadas, verifique, antes de reduzir a marcha, se há aproximação de pessoas


suspeitas e deixe distância suficiente do veículo à sua frente para poder desviar, caso ele pare,
tentando bloquear seu caminho;

 evite permanecer no interior de um carro estacionado na via pública. Esta é uma ótima
oportunidade para você ser surpreendido. Se isso for necessário, faça-o em local que permita
sua ampla visão para todos os lados e esteja alerta à aproximação de estranhos;

236
 se for obrigado a estacionar na via pública, procure fazê-lo em locais movimentados e
bem iluminados. Não deixe objetos à vista. Não deixe sua arma dentro do carro;

 cultive o hábito de “olhar” ao redor, antes de aproximar-se de seu carro estacionado ou mesmo
antes de estacionar;

 ao estacionar, bem ao retornar para apanhar o carro, esteja atento para a presença de
indivíduos suspeitos nas proximidades. Na dúvida, pare em outro local ou dê uma volta antes de
entrar em seu carro. Essa é uma das formas mais frequentes de abordá-lo;

 verifique o interior do carro antes de entrar. Um infrator pode estar atrás dos bancos;

 não abra os vidros para vendedores ambulantes, que muitas vezes podem ser assaltantes
disfarçados;

 não permaneça em veículo estacionado;

 se visualizar um roubo acontecendo, avalie se irá intervir diretamente ou ligar para o "190"
repassando as características/rota de fuga. Lembre-se que é muito comum que o roubo ou furto
seja feito com pessoas realizando a “cobertura”, em locais estratégicos, de quem anuncia o
assalto (eles quase nunca estão sozinhos).

2.1.6 Chegando ou saindo de casa

 Antes de entrar ou sair de casa, verifique a presença de pessoas estranhas. Se houver, não se
abstenha de ligar "190";

 tenha a chave de sua casa à mão antes de chegar à porta;

 caso sua casa apresente um aspecto de arrombamento não entre. Ligue "190";

 cuidado no momento de abrir portões automáticos. Verifique se não existe ninguém suspeito
próximo de sua casa ou prédio;

 cuidado ao parar em frente à sua residência, especialmente quando for abrir o portão ou
descarregar seu veículo. Certifique-se ANTES de não haver ninguém suspeito próximo;

 ao chegar com seu veículo, espere o portão da garagem abrir completamente para posicionar o
carro em frente à garagem. Acelere-o até o final na garagem a fim de aumentar o tempo de
resposta caso algum infrator entre. Outra opção é, antes de abrir o portão da garagem, dê uma
ré de forma a posicionar o veículo com a frente para a rua e a traseira para o portão. Após a
abertura do portão você entra de ré. Assim você visualizará tudo à sua volta e possibilitará uma
237
saída rápida se necessário.

238
2.2 Reflexões quanto ao uso da arma de fogo por policial militar à
paisana
Esse conteúdo já foi explorado no Guia de Treinamento Policial Básico do 5º biênio –
2014/2015, contudo, mantêm-se atual e convém ressaltá-lo por representar importantes orientações:

1. sua arma não lhe dá poderes sobre-humanos, ou seja, estar de sua posse, não o torna
invencível;

2. o fato de estar armado em trajes civis, muda sua forma de saque, o posicionamento de
sua arma e, também, o condicionamento natural de acesso rápido ao seu armamento, ou seja, treine
e esteja consciente desses três pontos;

3. se usar coldres dentro de bolsas, de tórax ou perna, treine os saques também com esses
acessórios. Seus movimentos “finos”, para abrir a bolsa, por exemplo, estarão prejudicados pelo
estresse e pela carga de adrenalina que seu organismo recebeu;

4. faça frequentemente uma auto inspeção, a fim de verificar se sua arma não está exposta
ou com volume muito grande;

5. sua boa intenção não é suficiente para identificá-lo como policial militar. Assim, sempre
que possível, verbalize e demonstre o que lhe caracteriza como tal;

6. aumente a frequência de manutenção de sua arma. Armas semiautomáticas somente


funcionam perfeitamente se bem manutenidas. Além disso, o suor do próprio corpo pode gerar
oxidação nas armas;

7. em casos de risco à vida, não procure fazer disparos em regiões periféricas, tais como
braços, pernas e cabeça. Vise o tórax. Isso aumentará sua possível sobrevivência e a proteção de
outras vítimas;

Houve a necessidade de intervenção e precisou neutralizar a ameaça? Faça o seguinte:

cheque à sua volta a possibilidade de haver outros infratores. Ato contínuo, de forma visual
e tátil, veja se você está ferido – primeiro, pescoço, região torácica, depois abdominal, pélvica e parte
interior das coxas (pontos onde hemorragias seriam mais graves); depois, parte interior dos braços e
lateral do corpo, já que é comum que você, por questões psicofisiológicas, não sinta ou perceba
alguns ferimentos e nem faça uma checagem periférica para ver se há outras ameaças;

potencialize sua possibilidade de sobrevivência tendo a certeza de que você tem chances
de se ferir e que vai ter que resistir à dor. Negar ou ter medo desse fator é um sinal de que você está
pouco preparado para neutralizar uma ação com o uso da força letal;

peça reforços imediatamente. Ligue para o “190” para comunicar o fato e para se identificar,
descrevendo o local, pessoas feridas (inclusive você, se for o caso) e como você está vestido; caso
alguém se aproxime, mantenha-se alerta e não descuide da manutenção de sua proteção pessoal,
pois hoje são raros os casos de agressores que atuam sozinhos;

239
Importa destacar que o porte de arma por policial militar fardado, guarda diversas diferenças
do porte de arma por policial militar à paisana. Tais especificidades dizem respeito a alocação da
arma, as técnicas de saque, a conduta, aos tipos de coldres e de vestimentas, dentre outros aspectos
que podem levar ao sucesso ou insucesso de uma ação tomada por um policial militar que esteja em
trajes civis;

Ao porte de arma de fogo por policial militar à paisana devem ser aplicadas as técnicas que
tornem o seu uso efetivo e eficiente. Isto porque, de nada vale o porte de uma arma que não possa
ser empregada de maneira eficiente na preservação da vida do policial militar e de terceiros e na
imposição da lei.

Quando você está acompanhado de sua esposa/marido, filhos, amigos, etc, e se torna vítima
de uma ação do agente infrator, a proteção deixa de ser de si próprio apenas, mas de todos que o
acompanham. Neste caso você não se limita à sua autoproteção. Oriente-os de alguns
procedimentos preventivos e reativos.

2.3 Conclusão
A melhor condição para o policial é estar numa situação onde a presença do risco seja
mínima e possa gozar de tranquilidade no seu momento de lazer. A adoção de alguns
comportamentos simples pode aumentar a segurança pessoal e familiar do policial. O porte e o uso
de arma de fogo por policial militar à paisana devem destinar-se, primordialmente, à preservação da
vida do próprio policial e de terceiros, bem como para fazer cumprir a lei. Para tanto, o policial deve
estar treinado, sendo capaz de empregar as técnicas necessárias ao uso efetivo da arma de fogo e,
principalmente, ser capaz de pensar taticamente, a fim de tirar proveito das circunstâncias existentes
no ambiente para que tenha sucesso em sua ação, tendo como fundamento a antecipação e a
oportunidade. Todavia, vale ressaltar que, em uma ação do criminoso, sua vida está jogo e, por isso,
reagir com pequenas possibilidades de sucesso, pode levá-lo à morte. Avalie bem os riscos, aprenda
com os erros dos outros e desenvolva hábitos de medidas de autoproteção.

RESUMO
Você estudou na Unidade I a pirâmide da segurança pessoal, com destaque para as ações
preventivas como medidas mais eficazes para mitigar as possibilidades de risco pessoal e familiar
quando de folga e à paisana.

Na Unidade II foram destacadas orientações que promovem uma ação consciente de


manutenção da segurança individual. Também foi orientado sobre como responder a uma ofensa a
sua integridade pessoal, em que a sua vida ou de terceiros esteja em risco.

240
REFERÊNCIAS
MINAS GERAIS. Policia Militar. Guia de Treinamento: Biênio 2014/2015. Belo Horizonte: Academia
de Polícia Militar, 2015.

MINAS GERAIS. Policia Militar. Manual Técnico Profissional n. 3.04.01: intervenção policial,
processo de comunicação e uso de força. Belo Horizonte: Academia de Policia Militar, 2013.

OLIVEIRA, Humberto Wendling Simões de. Autodefesa contra o crime e a violência: um guia para
civis e policiais. 2. ed. São Paulo, 2015.

SÃO PAULO. Polícia Militar. Manual de autoproteção do cidadão. São Paulo, 2010.

Segurança pessoal: férias sem frustrações. Disponível em:


https://www.google.com.br/search?biw=1366&bih=637&tbm=isch&sa=1&ei=dktRWv6_NYeZwATQ1oi
wAQ&q=triangulo+do+crime+&oq=triangulo+do+crime+&gs_l=psyab.3..0j0i30k1j0i24k1l2.1185743.11
86750.0.1187216.8.8.0.0.0.0.144.922.1j7.8.0....0...1c.1.64.psy-
ab..1.7.814....0.OOvUlew_4r8#imgrc=FlNFOQ-_iTHU5M:. Acesso em 04/01/2018.

241
TIRO POLICIAL

242
TREINAMENTO/ AVALIAÇÃO PRÁTICA COM ARMA DE
FOGO

243
Apresentação
O uso de força potencialmente letal durante confrontos no cotidiano operacional policial-militar
tem se tornado uma constante a cada ano. Em 2016, foi feito levantamento, realizado pelo Centro de
Treinamento Policial – CTP, junto à tropa em todo o Estado de Minas Gerais, aflorando a
necessidade de um treinamento de tiro com melhor aplicação à realidade operacional. Em resposta a
essa situação, foi desenvolvido o conceito de avaliação por efetividade presumida. No 9º biênio, em
continuidade ao treinamento desenvolvido no biênio 2016/2017, o tiro policial será desenvolvido
aplicando a mesma lógica de avaliação por efetividade presumida. Dessa forma, consolidando o
ganho já obtido e, ao mesmo tempo, busca-se agregar novas técnicas e desafios. Com isso, se
mantém a proximidade com os confrontos reais mais comuns e melhorias são alcançadas. Espera-se
que ao final do treinamento você alcance um bom nível de preparo e um aprimorado domínio técnico.

Centro de Treinamento Policial


“Tornando o Policial Militar mais forte”

244
Introdução
O tiro em situações de confronto armado possui variáveis específicas, dentre elas: distâncias
curtas, cadência acelerada, uso parcial da pontaria (tiro semivisado) ou, até mesmo, a realização do
tiro sem o uso do aparelho de pontaria, além de stress físico e mental, dentre outras. Entretanto,
mesmo sob essas variáveis, é premente a necessidade de atingimento eficaz do alvo, sob pena de
perda de vidas. Assim, faz-se necessário exaurir aos conceitos de fundamentos de tiro e das técnicas
básicas de manejo, enfatizando detalhes do saque, recargas rápidas e táticas, solução de panes e,
ainda, o processo de decisão: quando e em quais situações o policial militar deve atirar? Essa é a
21
essência do conceito “Tiro Policial” . Decidindo por atirar, você deve saber, também, que não há
padrão que defina a quantidade de disparos necessários para cessar uma ação agressora contra a
vida. Para que haja uma coerência a esta realidade, torna-se indispensável ao treinamento, a
existência de um sistema de avaliação igualmente diferenciado.

Neste contexto, passa a ser aplicada a Avaliação por Efetividade Presumida (AEP), anulando a
ideia da necessidade de atingimento de pontuações mínimas dispostas nos alvos e trazendo a ideia
de quantidades de tiros que seriam necessários, presumidamente, nas diversas zonas de impactos
existentes no corpo humano (simbolizada pelo alvo) para neutralização de um oponente.

Além disso, o novo sistema de avaliação também é capaz de levar você a refletir sobre as possíveis
consequências de tiros imprecisos ou efetuados desnecessariamente, já que define o seu nível de
aproveitamento com base nos tiros que não atingem os alvos.

Destaca-se que não há estudo específico capaz de demonstrar a quantidade necessária de tiros
para atingir determinada parte do corpo humano que garanta neutralização, visto que o conceito de
22
“Relative Stopping Power” – Poder de Parada Relativo é permeado por infinitas variáveis, algumas
delas imensuráveis, tornando impossível a definição de tais critérios com base em dados precisos.

Desta maneira, os parâmetros que serão praticados durante o 9º Biênio de Treinamento,


fundamentada na opinião individual e vivência operacional dos policiais militares do Estado de Minas
Gerais, progride com a realidade vivencial dos policiais e a forma de avaliação do tiro policial e o
treinamento de tiro caminha na direção do aprimoramento, cujo objetivo é a aproximação da
realidade, com ênfase na preservação da vida.

21
“Tiro policial: também conhecido como tiro de defesa, de combate ou de enfrentamento, e é voltado para a essência da
concepção das armas de fogo e do tiro propriamente dito. A principal variável é a necessidade de defesa, que se resume na
PRESERVAÇÃO DE VIDAS, quando estas forem ameaçadas injustamente, por um agressor armado. (MINAS GERAIS, 2013).

22
O manual de armamento convencional da PMMG explica nos itens 6.5.1.2 e 6.5.2.3 que, mesmo após publicação de
diversas pesquisas em todo o mundo, até o momento não há maneira de mensurar quantidades de disparos necessários à
neutralização imediata de uma pessoa, pois diversas variáveis influenciariam nesse processo, tais como, compleição física,
resistência à dor, substâncias presentes no sangue, calibre da arma, tipo de projéteis, dentro outros. “Com base nessas
conclusões, o policial deve confiar em sua arma, mas ter sempre em mente que, na maioria dos casos, apenas um disparo não
será capaz de derrubar seu oponente. Quando estritamente necessário, deve atirar até que este não apresente risco a sua vida
ou a de terceiros, ou manter-se devidamente abrigado. Devera visar a região com melhores possibilidades conjuntas de acerto
e incapacitação: o torso (MINAS GERAIS, 2011).

245
Objetivo
Oportunizar ao policial militar a consolidação dos conhecimentos, habilidades e atitudes
necessárias ao uso efetivo das pistolas semiautomáticas disponibilizadas pela PMMG, com foco na
aproximação à realidade operacional e ênfase no tiro policial de preservação da vida.

246
UNIDADE 1: TREINAMENTO COM ARMA DE FOGO

1.1 Armamento
Por se tratar de Treinamento Policial Básico, o Treinamento com Arma de Fogo – TCAF
executado no 9º Biênio terá foco na arma mais comumente utilizada pelo efetivo da PMMG: a pistola
IMBEL, de calibre .40 S&W e suas variações de modelo.

Figura 121 – Pistola IMBEL .40 S&W

Fonte: Minas Gerais, 2013b.

Para os policiais militares integrantes das tropas especializadas, o treinamento poderá ser
adaptado para o uso das demais pistolas semiautomáticas no calibre 9mm e outras disponíveis na
Instituição, sem prejuízo dos princípios basilares deste Treinamento.

1.2 Revisão de conceito: posições da arma23


Você adotará as posições de uso da arma de fogo institucionalmente convencionadas (figura 2):

Figura 2 – Policial Militar de pé adotando as posições 1, 2, 3 e 4, respectivamente.


a) b) c) d)

Fonte: MINAS GERAIS, 2013.

23
Adaptado do Manual de Treinamento com Arma de Fogo. MINAS GERAIS, 2013.
247
Notas: a) Posição 1 – arma localizada; b) Posição 2 - arma em guarda baixa; c) Posição 3 – arma em guarda
alta; d) Posição 4 – arma em pronta resposta;

As posições 2 e 3 são denominadas posturas de retenção, cujo objetivo principal é


potencializar a segurança do policial militar e de terceiros.

Arma no coldre: sempre travada!

Arma fora do coldre: sempre destravada!

Arma em pronta resposta: destravada, pronta para o tiro!

1.3 Manejo e inspeção da arma e munições


Antes de cada empenho, a arma deve passar por inspeção preliminar, seguindo os passos
demonstrados no quadro 3.

Quadro 3 - Ações de manejo e inspeção básica da pistola IMBEL .40.

AÇÕES PARA A INSPEÇÃO BÁSICA DA ARMA


ITEM DESCRIÇÃO

Aspectos gerais da Verificar visualmente a arma, observando a existência


1
arma de peças soltas, deformidades e irregularidades gerais;

Funcionamento do Acionar manualmente o percussor e sua trava,


2
Percussor verificando sua existência e integridade;
Movimento do Golpear o ferrolho verificando seu curso; verificar a
3
Ferrolho existência de deslizamento anormal;
Travar a arma, levando o cão à frente, sem acionar o
4 Travamento da arma
gatilho, fazendo uma “pinça” com a “mão fraca”;
Teste da trava do Com a arma trava, acionar o gatilho algumas vezes,
5
gatilho apertando fortemente;
Destravamento da Acionar o registro de segurança para baixo, destravando
6
arma a arma e verificando a ação de armar o cão;
Realizar um “tiro em seco” (apontando para a caixa de
7 Mecanismo de Disparo
areia), verificando o correto desengatilhamento da arma;
Teste de Com o polegar da mão inversa, puxar o cão para trás,
8
Engatilhamento engatilhando a arma;
Acionar a tecla do gatilho sem acionar a tecla de
Tecla de segurança do
9 segurança do punho; o cão não pode acionar o
punho
percussor;
Verificação do Verificar sua integridade, pressão da mola e o
10
Carregador funcionamento do seu retém.
Fonte: Centro de Treinamento Policial, 2015.

248
Antes de cada turno, sempre que possível, a arma deve ser
desmontada e lubrificada.

Ainda, é imprescindível uma boa inspeção da munição. Uma munição defeituosa pode
comprometer, sobremaneira, o funcionamento de uma arma semiautomática. Sabendo disso, é
fundamental que você, policial militar, faça a inspeção em todos os cartuchos, verificando quanto à
presença dos seguintes defeitos.

Quadro 4 - Itens a serem verificados na inspeção de munições.

ITENS DEFEITOS

Estojo Amassado, rachado ou deformado

Projétil Ensacado (afundamento no estojo), solto ou deformado

Espoleta Deformada, solta ou percutida

Munição Calibres diferentes do previsto


Fonte: Centro de Treinamento Policial, 2015.

1.4 Técnicas para o Tiro Policial


O conceito de “Tiro Policial” exaure o simples treinamento de tiro em estande, sendo sua
principal variável a preservação da vida. Nesse caso, a aplicação dos fundamentos de tiro é
diferenciada. Em algumas situações de confronto, nem mesmo se usa o aparelho de pontaria no
momento do disparo, mas, ainda assim, o disparo deve atingir o alvo, efetivamente, o que traz a
premente necessidade de enfatizar a aplicação de outros fundamentos de tiro como forma de
suplementar uma pontaria “deficiente”. Além disso, integrado ao treinamento diferenciado dos
fundamentos de tiro, serão tratados o saque rápido, as recargas rápidas e tática e a solução de
panes.

1.4.1 Fundamentos aplicados ao “Tiro Policial”


1.4.1.1 Postura

a) De pé

Pés: paralelos, afastados lateralmente, aproximadamente na largura dos ombros, com as


pontas voltadas para frente; ou, um dos pés poderá estar em posição um pouco mais avançada.

Joelhos: ligeiramente flexionados (postura de antecipação à ação ou reação).

Torso: totalmente voltado para frente e com inclinação da parte superior.

Braços: deverão manter ligeira flexão de cotovelos, os quais deverão ser projetados para

249
baixo e para dentro.

Figura 122 – Posição de pé para o “Tiro Policial” com arma de porte, com rotação dos
cotovelos

a) b)

Fonte: MINAS GERAIS, 2013


Notas: a) Posição de Tiro Policial; b) Detalhe da rotação dos cotovelos para o centro corporal;

b) De joelhos

É aconselhável que apenas um dos joelhos seja apoiado no solo, formando a “posição
24
torre” . A colocação dos dois joelhos no chão minimiza a amplitude e a velocidade dos gestos,
dificultando a tomada de barricadas, mudanças de posição, direção ou início de deslocamento rápido.

Figura 123 – Postura de joelhos para o “Tiro Policial” com arma de porte

a) b)

Notas: a) posição torre; b) posição torre embarricado

Fonte: Centro de Treinamento Policial, 2015.

Essência da postura:

Estabilidade, Equilíbrio e Conforto Muscular.

24
Caderno Doutrinário 2. MINAS GERAIS, 2013. p.58
250
1.4.1.2 Empunhadura correta com pistola semiautomática

Em se tratando de tiros rápidos, a empunhadura da arma passa a ser um dos fundamentos


de maior importância, devendo estar firme e composta de maneira técnica, seguindo as orientações
do Quadro 5

Quadro 5 - Resumo das orientações para uma correta empunhadura.

ILUSTRAÇÃO DESCRIÇÃO

Mão que aciona o gatilho encaixada


na porção mais alta da tecla de
segurança do punho

Mão de apoio faz leve rotação à frente


e o polegar aponta na direção do alvo.

Mão que aciona o gatilho permanece


mais relaxada.

Mão de apoio faz maior parte da força,


segurando, de fato, a arma.

Fonte: Minas Gerais, 2013.

Quando a tomada de ângulo se der pelo lado direito, a mão que empunhará a arma e
acionará o gatilho será a mão direita. Quando a tomada se der pelo lado esquerdo, a arma será
passada para a mão esquerda.

Figura 124 - Postura de joelhos para o “Tiro Policial” com policial militar embarricado
a) b)

251
Notas: (a)Tiro embarricado à direita; (b) Tiro embarricado à esquerda.

Fonte: Centro de Treinamento Policial, 2015.

Para a inversão, basta inverter o papel das mãos e seguir os mesmos princípios já
apresentados, mantendo a atenção para não cometer alguns erros comuns, conforme Figura 125.

Figura 125 – Erros mais comuns de empunhadura com “mão fraca”

a) b)

Notas: (a) Polegares separados; (b) Polegar no curso do ferrolho

Fonte: Centro de Treinamento Policial, 2015.

É importante lembrar: Independentemente da mão que é utilizada como “mão forte”, ambos
os dedos sempre ficarão um sobre o outro (Figura 126).

Figura 126 - Empunhadura com mão fraca e com mão forte

a) b)

Notas: (a) Mão fraca para o destro; (b) Mão forte para o destro

Fonte: Centro de Treinamento Policial, 2015.

1.4.1.3 Pontaria

Alguns especialistas citam como mais efetiva a pontaria feita com os dois olhos abertos, com
foco visual no objetivo. Outros citam a pontaria monocular, com utilização do aparelho de pontaria e
foco na massa de mira. Entende-se que as duas formas são efetivas, dependendo do tipo de
treinamento de tiro praticado e desde que treinadas à exaustão.

Figura 127 - Tipos de pontaria

252
Notas: (a) visada binocular; (b) visada monocular

Fonte: Minas Gerais, 2013b

Para o tiro de precisão, a visada deve ser feita com foco na massa de mira, mantendo o alvo
“embaçado” (Figura 128).

Figura 128 - Resumo de visada para tiro de precisão.

Fonte: http://www.turmadobigua.com.br/forum/topic/36576-tiro-esportivo/

Contudo, para o treinamento de tiro neste biênio, busca-se condicionar o policial militar a
fazer tiros rápidos, “semivisados”, e, portanto, com foco visual no objetivo, mantendo os dois olhos
abertos, buscando-se maior fidelidade à realidade enfrentada nos confrontos armados.
25
Essas são as características do Tiro Instintivo , aplicadas ao Tiro Policial. Nesse caso, não
haverá um perfeito enquadramento visual, já que os dois olhos deverão estar abertos e o foco visual
estará no alvo, contudo não se trata de tiro de precisão, mas sim de tiro de sobrevivência. Para
empregar tais técnicas o foco será no alvo, mas será possível visualizar, ainda que de maneira
desfocada, a imagem “transparente” das cristas da alça e da massa de mira e da parte superior da
arma, que deve estar no centro do objetivo (Figura 129 e 130).

Figura 130 - Pontaria com foco no alvo.

25
Oliveira, Gomes e Flores, 2000, p.277
253
Fonte: https://www.youtube.com /watch? v=u06w7P01U7Y

Figura 130 – Detalhes da pontaria desfocada no alvo nítido.

Fonte: Centro de Treinamento Policial, 2015.

Caso a opção seja o uso dos pontos de inserção (“inserts”) de cor branca, o mesmo princípio
deve ser utilizado, mantendo os “vultos” dos pontos brancos alinhados, contudo sem focá-los.

Figura 131 – Tipos diferentes de visada com foco visual no objetivo

Notas: (a) Visada com cristas de alça e massa (b) visada com “inserts”

Fonte: Centro de Treinamento Policial, 2015.

Esse enquadramento binocular (com os dois olhos abertos) deve ser treinado
exaustivamente. Uma maneira eficiente de fazer o treinamento é apontar a arma na direção do alvo
e ficar alternando entre a visada monocular (apenas um olho aberto) e a visada binocular, até que,
com o passar do tempo, a visada binocular seja tomada de imediato, sem necessidade de fechar um
dos olhos antes.

Olhe para o alvo, com os dois olhos abertos; “decore” a


imagem “transparente” da porção superior da arma e a coloque,
mesmo que desfocada, no centro do objetivo. 254
Além da visualização da imagem desfocada da arma sobre o alvo, ao olhar para o alvo, com
os dois olhos abertos e colocar a arma à frente dos olhos, apontada na direção do alvo, algumas
imagens poderão ser percebidas pelo atirador e tais imagens podem ser aproveitadas de maneira
técnica para direcionar melhor os disparos:

a) percepção de duplicidade da arma (imagens desfocadas de duas armas) em


planos horizontais diferentes: ao olhar para o alvo, o policial militar poderá ter a percepção de estar
vendo, em segundo plano, duas armas a sua frente, sendo uma ao lado da outra em posição mais
alta do que a outra, ou uma mais nítida do que a outra: (Figura 132).

Figura 132 - Imagens desfocadas da visão binocular

Fonte: Centro de Treinamento Policial, 2015.

Dica: Use como referência:

- a imagem que está em posição mais elevada, ou;

- a imagem mais nítida, ou;

- a imagem que já está centralizada no alvo;

1.4.1.4 Acionamento do gatilho

A posição do dedo no gatilho é individual, pois há inúmeras características que podem


influenciar na posição final a ser adotada, tais como o tamanho e a forma da mão, dedos mais ou
menos alongados, formato e tamanho da arma, formato de tecla do gatilho, dentre outros.

É inviável, portanto, definir uma posição ideal a ser adotada em todos os casos, pois, quem
tem a mão muito pequena, por exemplo, fatalmente colocará a ponta do dedo no gatilho. Em
contrapartida, aquele que tem uma mão muito grande, precisará inserir maior porção do dedo no
gatilho, posicionando a tecla do gatilho mais próximo da divisão das falanges.

Porém, há um padrão comum para a maioria das pessoas, no qual a tecla do gatilho toca o
dedo indicador no espaço compreendido entre a ponta do dedo até a divisão das falanges. Nessas
situações mais comuns, para a maioria dos atiradores, posicionamentos diferentes podem gerar
agrupamentos de tiro diferentes (Figura 133).
255
Figura 133 - Agrupamento de tiros influenciado pela posição do dedo no gatilho

Fonte: Centro de Treinamento Policial, 2015.

De qualquer forma, além da maneira de se acionar o gatilho, um outro aspecto é ainda mais
importante: o policial militar não pode determinar o momento do tiro. Na verdade, o atirador não
deve nem mesmo conhecer o exato momento em que a arma disparará, devendo, portanto, aguardar
que o tiro aconteça, naturalmente, e não comandá-lo.

Para ter precisão:

Acione o gatilho de forma CONSTANTE!

Ignore o momento exato em que o tiro vai acontecer!

1.4.1.5 Respiração

Para o tiro policial, não se deve vincular a respiração às demais ações. O policial militar deve
manter a respiração em seu ritmo natural exigido pelo organismo, conforme as circunstâncias,
inspirando pelo nariz e expirando pela boca.

Nos momentos menos críticos, o policial militar deve buscar retomar a sua respiração aos
níveis normais, suprindo o débito de oxigênio.

256
Para estabilizar a respiração:
Inspire pelo nariz, contando mentalmente até 4.
Expire pela boca, pausadamente.
Repita essa ação por aproximadamente 10 vezes.

1.4.1.6 Concentração

Ainda, há que se considerar os efeitos positivos de uma boa concentração. Ela permite que
os fundamentos sejam aplicados devidamente, porém, em uma situação de enfrentamento, a
concentração fica prejudicada e para evitar prejuízos o treinamento deve intensificado com foco no
automatismo das ações.

Concentração NÃO é um dos fundamentos de tiro, mas é


primordial para que o policial militar tenha condições de utilizar,
de forma efetiva, todos os fundamentos do tiro.

1.4.2 Saque rápido

O policial militar poderá sacar a arma para tomar as posições 2 (guarda baixa), 3 (guarda
alta) ou 4 (pronta resposta), dependendo do nível de ameaça apresentado ou das circunstâncias
existentes.

Antes do saque, em qualquer abordagem, mesmo que o nível de ameaça seja mínimo, o
policial militar deverá adotar a posição de arma localizada, preparando-se para um possível saque
rápido, cuja técnica se inicia com as ações descritas no quadro 6.

Quadro 6 - Preparação para o saque rápido

Fonte: Centro de Treinamento Policial, 2015.

257
Diante da surpresa de um confronto armado, o saque deve ser dinâmico, ágil e exato,
observando a sequência de fases técnicas: (Figura 134)

Figura 134 - Passos para o saque rápido

SEQ. ILUSTRAÇÃO DESCRIÇÃO


Retirar a arma do coldre:
-Retirar a arma do coldre em
2 movimento ascendente,
destravando-a a aproximadamente
30º em relação ao corpo do militar;
Compor a empunhadura:
- Trazer a arma à frente do tronco, já
3 apontada para o alvo;
-Encaixar devidamente a
empunhadura da mão de apoio;

Levar a arma para a posição 4:


4 - “Estocar” a arma à frente, tomando
a posição de pronta resposta;

Fonte: Centro de Treinamento Policial, 2015.


Para coldrear a arma, o policial militar deverá:

a) Conduzir a arma para a posição de retenção, guarda baixa;

b) Travar a arma;

c) Conduzir a arma com a mão forte até o coldre, fazendo o movimento póstero anterior (de trás pra
frente), para não embaraçar na presilha;

d) Abotoar o coldre quando a situação normalizar.

IMPORTANTE:

Mantenha o foco na ameaça!


Use apenas a mão forte para sacar e coldrear!
LEMBRE-SE: o dedo somente irá ao gatilho diante de uma real
necessidade de disparar sua arma!

1.4.3 Recargas rápida e tática de pistolas semiautomáticas


1.4.3.1 Recarga rápida

É utilizada quando a munição na arma se esgota durante o confronto. Estando o policial


militar abrigado, se possível, para fazer a recarga rápida deverá seguir os passos apresentados na
figura 135.

258
Figura 135 - Sequência de uma recarga rápida com pistola semiautomática

1 2 3 4

Nota: Adaptado do Guia do TPB 7º Biênio

Fonte: MINAS GERAIS, 2013.

a) Descrição da sequência de recarga rápida:

1) Trazer a arma para próximo do corpo, na altura do rosto, e inclinar levemente para a direita (se for
destro) e para a esquerda (se for canhoto) com o objetivo de facilitar a inserção do carregador;

2) acionar o retém do carregador para liberá-lo por ação da gravidade, ao mesmo tempo em que
retirar o outro carregador do porta-carregador do cinto de guarnição com a mão fraca;

3) trazer o novo carregador ao seu receptáculo no punho da arma, mantendo o dedo indicador
estendido ao longo do carregador com objetivo de direcionar;

4) fechar a arma, deixando-a em condições de novos disparos.

LEMBRE-SE:

A posição do carregador no cinto e o movimento de retirada


devem ser “decorados” pelo policial militar para que a recarga
seja feita sem a necessidade de premeditar os movimentos.

1.4.3.2 Recarga tática

É realizada quando, após ter sido disparada algumas vezes, a arma ainda está carregada, mas
não possui a totalidade de cartuchos disponíveis no carregador, mas ainda existe a possibilidade de
novo enfrentamento, sendo necessária, portanto a realimentação com um carregador cheio, para
maior segurança. Sendo necessária a recarga tática, o policial militar deve se abrigar, se possível, e
proceder a recarga conforme a sequência técnica descrita na Figura 136.

259
Figura 136 - Sequência da recarga tática

1 2 3 4

5 6 7
Fonte: Centro de Treinamento Policial, 2015.

a) Descrição da sequência de recarga tática:

1) retirar o carregador cheio do seu compartimento, no cinto de guarnição;

2) manter o carregador cheio, pelos dedos, abaixo do punho da arma;

3) acionar o retém do carregador, liberando o carregador vazio e segurando-o pela palma da mão;

4) dar um pequeno giro alinhando o novo carregador;

5) iniciar a inserção do carregador cheio;

6) inserir o carregador cheio, sem soltar o outro;

7) guardar o carregador retirado da arma em local diverso do cinto de guarnição, para que não seja
eventualmente confundido com um carregador cheio.

1.4.4 Verbalização
1.4.4.1 Resposta rápida

A série de tiro a cinco metros de distância simula aquelas abordagens em que o risco é
desconhecido, estando o policial militar desabrigado, na qual o abordado evolui, abruptamente, de um
nível cooperativo para uma agressão potencialmente letal. O policial verbalizará e, em seguida,
disparará em defesa de sua vida ou de terceiros.

Na resposta rápida, a verbalização padrão será:

“POLÍCIA, MÃOS NA CABEÇA”!

260
1.4.4.2 Resposta Tática

Simula a necessidade de reação do policial militar, abrigado, diante de um agressor já visivelmente


armado e na iminência de atentar contra a vida dele ou de terceiros.

Nesta situação, o risco é real e iminente ou já concretizou o dano. A intervenção deverá ser
repressiva, sendo a intervenção policial de nível 3, conforme modelo de abordagens descrito no
Caderno Doutrinário 2 26

O policial militar, abrigado, verbalizará e, em seguida, disparará em defesa de sua vida ou de


terceiros.

Na resposta tática, a verbalização será:

“POLÍCIA! LARGUE A ARMA”!

1.4.5 Solução de panes


Do vernáculo, o significado da palavra pane é: “Interrupção acidental de funcionamento;
avaria” (PORTO, 2015.). Em um confronto, arma de fogo pode sofrer panes, causadas por fatores
diversos, podendo redundar em perda de vidas, se não sanadas devidamente.

LEMBRE-SE:
Em um confronto armado, a vida do policial militar pode
depender da sua habilidade e da rapidez em solucionar panes.

Ao se deparar com uma pane na arma, o policial militar deve estar condicionado mentalmente
a tomar as providências imediatas, que são:

ABRIGAR, IDENTIFICAR, SOLUCIONAR

1.4.5.1 Panes mais comuns e suas soluções

26
Neste caso, a avaliação de riscos indica a iminência de algum tipo de delito (risco nível III). Os policiais militares deverão
estar prontos para se defenderem, sempre com segurança, observados os princípios básicos do uso de força (legalidade,
necessidade, proporcionalidade) (MINAS GERAIS, 2013).
261
Figura 137 - Panes mais comuns e suas soluções – Ausência de deflagração e pane seca

AUSÊNCIA DE DEFLAGRAÇÃO
PANE SECA
(NEGA)

Ocorre por falha da munição, Ocorre quando não há munição na


A quando não há detonação ou câmara (arma não foi carregada). O
P queima da carga propelente. carregador está mal inserido
R
E
S
E
N
T
A
Ç
O cão bate “em seco”, não ocorrendo o disparo.
Ã
O
(É a mesma para ambas as panes)

S
O
L
U
Ç
Ã
O

Fazer o manejo do ferrolho,


Dar um tapa por baixo do energicamente, colocando outra
carregador munição na câmara, pronta para o
disparo.

Fonte: Centro de Treinamento Policial, 2015.

262
Figura 138 - Panes mais comuns e suas soluções – Falha de ejeção

FALHA DE EJEÇÃO

“Charuto” e “Chaminé”

A Ocorre quando há falha na ejeção do estojo, o qual não é lançado


P completamente pela janela, ficando engastado entre a abertura do
R ferrolho e o cano.
E
S
E
N
T
A
Ç
Ã
O Estojo vazio preso na janela de ejeção.

S
O
L
U
Ç
Ã
O
Girar a arma no mínimo 90 graus à direita, fazendo o manejo
enérgico do ferrolho e se desvencilhando do estojo.

Fonte: Centro de Treinamento Policial, 2015.

263
Figura 139 - Panes mais comuns e suas soluções – Falha de trancamento

FALHA DE TRANCAMENTO
“SEMICARREGAMENTO”

Ocorre quando o ferrolho, durante seu avanço, não completa o seu curso
A
e não conclui o trancamento.
P
R
E
S
E
N
T
A
Ç
Ã
O
O cão não vai à frente e a arma permanece semiaberta.

S
O
L
U
Ç
Ã
O
Apenas dê um golpe enérgico no ferrolho, extraindo a munição
causadora da pane e colocando outra em condições de disparo na
câmara.

Fonte: Centro de Treinamento Policial, 2015.

264
Figura 140 - Panes mais comuns e suas soluções – Duplo carregamento

“DUPLO CARREGAMENTO”

A Ocorre quando há falha na extração do estojo e tentativa de novo


P carregamento.
R
E
S
E
N
T
A
A arma permanece aberta, apresentando um cartucho após o outro
Ç
(em fila).
Ã
O

1º 2º 3º

S
Baixe o carregador,
O Abra a arma, agindo
agindo no seu retém, Feche a arma.
L no retém do ferrolho.
sem retirá-lo totalmente.
U
Ç
4º 5º 6º
Ã
O

Insira novamente o Dê um golpe enérgico A arma está pronta


carregador. no ferrolho. para novo disparo.
Fonte: Centro de Treinamento Policial, 2015.

265
Figura 141 - Panes mais comuns e suas soluções – Estojo “inchado” na câmara

ESTOJO “INCHADO” NA CÂMARA

A
Ocorre quando, após o disparo, o estojo se dilata excessivamente,
P
impedindo a abertura da arma e, consequentemente, a extração e
R
ciclagem.
E
S
E
N
T
A
Ç
Após o tiro, a arma permanece fechada, o cão permanece à frente e
Ã
o gatilho inoperante e, ao tentar fazer o manejo, o ferrolho não
O
recua.

S
O
L
U
Ç
Ã
O

Segure o ferrolho firmemente por cima e bata, rápida e repetidamente, na


porção mais alta da tecla de segurança do punho até a extração e ejeção
do cartucho.

Fonte: Centro de Treinamento Policial, 2015.

266
1.5 Quando atirar
O uso de arma de fogo é a medida mais extrema dentro da doutrina do uso diferenciado de
27
força . Por ser a medida mais gravosa, é muito comum que o policial militar tenha dúvida quanto à
decisão de atirar ou não em determinadas circunstâncias. Tal dúvida pode gerar em uso
desnecessário da arma de fogo ou em uma omissão. Muitas vezes o policial militar não atira por
possuir, intrinsecamente, medo das consequências que um tiro poderia trazer ou por não confiar na
precisão dos próprios tiros.

Fato é que, tanto o excesso de tiros (tiros desnecessários) quanto a omissão, por
insegurança, medo ou por quaisquer outros motivos, podem trazer consequências desastrosas.

Então, quando o policial militar deverá fazer disparos com sua arma de fogo? De uma
maneira geral, o policial militar somente poderá atirar contra alguém nos casos elencados como
28
excludentes de ilicitude , devendo observar, ainda, os Princípios Básicos do Uso da Força e da
Arma de Fogo – PBUFAF.

Porém, em frações de segundos o policial militar deverá decidir o que fazer. Assim, o Quadro
7 poderá auxiliar o policial militar nesse difícil processo de decisão, naquelas situações mais comuns
do cotidiano operacional que envolvem arma de fogo e que vão além da compreensão das
29
excludentes de ilicitude e os dos PBUFAF .

27
Item 7.1.3 do Caderno Doutrinário 1.

28 Estado de necessidade; legítima defesa; estrito cumprimento do dever legal; exercício regular de direito. Art. 42 do Código
Penal Militar. BRASIL, 2015.

29 Princípios Básicos do Uso da Força e da Arma de Fogo: Legalidade, necessidade e proporcionalidade. Caderno Doutrinário
1. MINAS GERAIS

267
Quadro 7 - Processo de decisão do uso efetivo da arma de fogo

SITUAÇÃO CONDIÇÃO AÇÃO

a) Qualquer pessoa, desabrigada, está Defenda!


sendo alvo de tiros;
b) Qualquer pessoa, desabrigada, está DEVE Não deixe que

na iminência de ser atingida por tiros ATIRAR! o infrator atinja


(Ex.: infrator levantando uma arma para qualquer
atirar); pessoa.

a) Qualquer pessoa, abrigada, estiver Verbalize...


sendo alvo de tiros;
Se não for
b) Qualquer pessoa, abrigada, estiver na obedecido,
PODE
iminência de ser alvejada por tiros.
ATIRAR você está

c) Pessoa está em fuga, armada, na amparado


iminência de atentar contra a vida de defender as
alguém; vidas em risco!

a) Tiros de advertência (intimidativos);

b) Veículo está desrespeitando bloqueio


policial e/ou evadindo em via pública, Não atire!
NÃO DEVE /
não representando risco objetivo e
NÃO PODE
imediato à vida de alguém; Escolha outra
ATIRAR
alternativa!
c) Pessoa está em fuga, mesmo que
esteja armada, mas não representando
risco imediato de morte a alguém;

Fonte: Centro de Treinamento Policial, 2015.

1.5.1 Circunstâncias especiais do uso efetivo da arma de fogo30


Existem outras situações típicas do serviço operacional em que há a possibilidade do policial
militar disparar sua arma de fogo, após criteriosa análise das circunstâncias:

a) Disparos contra veículo que atente objetivamente contra a vida do policial militar ou
de terceiro (veículo utilizado como arma): nesses casos, o motorista tem o objetivo de atentar
diretamente contra a vida utilizando-se do veículo como arma, mediante atropelamentos. O policial
poderá ser compelido a atirar em virtude de não haver outro meio eficiente disponível para deter o
veículo ou a ação do motorista. Nesse contexto, os tiros efetuados pelo policial militar devem buscar

30 Adaptado do item 7.2.7 do Caderno Doutrinário 1. Minas Gerais, 2013.

268
a neutralização do motorista e não do veículo. Para isso, o policial militar deverá estar desembarcado,
como forma se ter precisão nos disparos.

Atirar contra partes do veículo tais como pneus, motor, por exemplo, carecem de análise
prévia quanto à real eficácia em fazer parar o veículo e quanto ao risco de atingir alvos indesejados
tais como pessoas no interior do veículo ou possíveis vítimas no porta-malas.

CUIDADO!

Se alguém usa o veículo como arma, intentando objetivamente


contra vida, não atire no veículo. Desembarcado, neutralize o
motorista!

b) Disparos táticos: são realizados pelo policial militar para obter uma vantagem tática,
quais sejam:

- para romper fechaduras e outros obstáculos, quando não houver outro meio de fazê-lo;

- para diminuir a luminosidade de um ambiente, alvejando pontos de iluminação, quando não


houver outro meio de fazê-lo;

- tiros de contenção - para dar cobertura para movimentação de tropa ou socorro imediato de
feridos, em situações de confrontos armados iminentes, em andamento ou logo após tais confrontos,
quando o risco de perda de vidas é ainda maior do que a situação já instalada.
31
c) Disparo contra animais: poderá ocorrer em situação de Estado de Necessidade ou
32
quando indicar a eutanásia , após serem tentados comprovadamente, sem sucesso, outros meios de
contenção.

Nos casos de agressividade do animal, cabe sugerir o uso das


Pistolas de Emissão de Impulsos Elétricos, minimizando
sobremaneira, a possibilidade de acertos involuntários em
qualquer pessoa, resultantes do uso da arma de fogo, reduzindo
ainda a possibilidade da morte do animal.

d) Disparos com munições de menor potencial ofensivo (impacto controlado): em que


pese se tratar de disparo de uma arma de fogo, nesse caso, o disparo é regido por normas próprias
de emprego de instrumentos de menor potencial ofensivo, devendo, portanto, seguir as orientações
do Caderno Doutrinário 12.

31 Estado de Necessidade: excludente de ilicitude, prevista no Direito Penal Brasileiro.

32 A eutanásia é “a indução da cessação da vida animal, por meio de método tecnicamente aceitável e cientificamente
comprovado.

269
UNIDADE 2: AVALIAÇÃO PRÁTICA COM ARMA DE FOGO

2.1 Apresentação da avaliação prática com arma de fogo – PPCAF


A avaliação será executada em duas fases consecutivas: Resposta Rápida e Resposta
33
Tática, mediante Avaliação Por Efetividade Presumida – AEP . Haverá três tiros de ensaio antes de
iniciar a série avaliativa.

2.1.1 Resposta rápida

Quadro 8 - Resumo da fase 1: Resposta Rápida.

ARMA DISTÂNCIA SÉRIE / PROCEDIMENTO

Posição de pé.

Saque, 2 disparos em 3 segundos.

Mantém-se em pronta resposta.


No coldre,
carregada com Outro apito.
5m
cinco cartuchos
e travada Em pronta resposta, 3 disparos.
Sendo 2 disparos na grande massa e
1 com alteração de nível, em 3
segundos

Serão realizadas 2 séries.

Fonte: Centro de Treinamento Policial, 2018.

Notas: Pretende simular a abordagem aproximada, sem abrigo, com reação repentina do
abordado contra a vida, com alteração de níveis de disparos.

A modificação dos níveis do disparo pretende simular uma situação em que o policial não
observando a efetividade dos disparos direcionados à “grande massa”, em virtude de o suspeito
estar, por exemplo, trajando roupa protetora (colete balístico) modifica o disparo para os membros e
cabeça, com intuito de eliminar a ameaça representada pelo cidadão infrator.

33
Conforme exposto na apresentação da disciplina.
270
2.1.2 Resposta tática

Quadro 9 - Resumo da fase 2: Resposta Tática

ARMA DISTÂNCIA SÉRIE / PROCEDIMENTO

- Posição de pé, a 5 metros da


barricada
- Desloca até a barricada com a arma
No coldre,
localizada
carregada e
- Saca a arma, destrava, mantém em
travada
10 m pronta resposta e verbaliza “Polícia,
+
largue a arma”;
carregador
- Faz 02 tiros, recarrega com um dos
reserva
joelhos tocando o chão e faz outros
02 tiros;
- Tempo total 15 segundos (soluciona
panes, se preciso)

No coldre,
- Posição de joelhos;
carregada e
10 m - Faz 03 tiros PELA DIREITA;
travada
- Tempo total 15 segundos (soluciona
panes, se preciso)

No coldre,
- Posição de joelhos;
carregada e
10 m - Faz 03 tiros PELA ESQUERDA;
travada
- Tempo total 15 segundos (soluciona
panes, se preciso)
Fonte: Centro de Treinamento Policial, 2018.
Notas: Simula defesa de agressão por arma de fogo, com tática individual.

Verbalização: “Polícia! Largue a arma!”

271
REFERÊNCIAS
BRASIL. Código Penal Militar. Decreto-Lei nº 1001/69. Disponível em: http://www. jusbrasil.
com.br/topicos/ 10614 921 / artigo -42-do-decreto -lei-n- 1001-de-21 –de -outubro- de- 1969. Acesso
em: 17 Jun. 2015.

BRASIL. Lei nº 13.060 de 22 de dezembro de 2014. Disciplina o uso dos instrumentos de menor
potencial ofensivo pelos agentes de segurança pública, em todo o território nacional. Disponível em:
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