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UNIVERSIDADE VIRTUAL DO ESTADO DE SÃO PAULO

GERALDA HELENA MIGUEL HERRERA


GILBERTO APARECIDO ALEXANDRINO
GISELI BUENO BERTI
LUCIANA MALAVAZI DESTRO
VERONICA APARECIDA MOURA RODRIGHERO

Projeto Integrador para a Pedagogia VI

Os desafios da gestão escolar e o quadro pandêmico:


aprendizagem em foco

Vídeo do Projeto Integrador

<https://www.youtube.com/watch?v=sjSresmn0u8 >

Agudos - SP
2021
UNIVERSIDADE VIRTUAL DO ESTADO DE SÃO PAULO

Projeto Integrador para a Pedagogia IV

Os desafios da gestão escolar e o quadro pandêmico:


aprendizagem em foco.

Relatório Técnico - Científico apresentado na disciplina de


Projeto Integrador VI para o curso de Licenciatura em
Pedagogia da Fundação Universidade Virtual do Estado
de São Paulo (UNIVESP), Polo Agudos, sob orientação da
professora Thamires Gomes Vieira.

Agudos - SP
2021
HERRERA, Geralda Helena Miguel; ALEXANDRINO, Gilberto Aparecido; BERTI,
Giseli Bueno; DESTRO, Luciana Malavazi; RODRIGHERO, Veronica Aparecida
Moura. Projeto Integrador para a Pedagogia VI: Os desafios da gestão escolar e o
quadro pandêmico: aprendizagem em foco. Pedagogia – Universidade Virtual do
Estado de São Paulo. Tutora: Thamires Gomes Vieira, Polo Agudos, 2021. 22f.

RESUMO

A pandemia causou uma defasagem em relação a aprendizagem dos alunos, em


especial aos que se encontravam em processo de alfabetização. Dessa maneira, a
pergunta de pesquisa busca compreender “Quais estratégias foram encontradas pela
gestão escolar para amenizar esse quadro preocupante em relação a alfabetização
dos alunos”. Investigar as estratégicas traçadas pela gestão escolar para o combate
a defasagem referente a alfabetização dos alunos dos anos iniciais durante a
pandemia. Para a realização desse projeto foi empregada a pesquisa bibliográfica
com a leitura de materiais pertinentes ao assunto. Conclui-se que existe uma grande
defasagem em relação à alfabetização provocado pela pandemia, em especial pelo
despreparo tanto da gestão escolar, quanto de professores, alunos e responsáveis,
visto que os alunos passaram a ter aulas remotas sem ter as mínimas condições tanto
de aparelhos, quanto cognitivas para uma alfabetização e aprendizagem plenas.

PALAVRAS-CHAVE: Ensino híbrido; atividades remotas; alfabetização; tecnologias


assistivas; mídias digitais.
HERRERA, Geralda Helena Miguel; ALEXANDRINO, Gilberto Aparecido; BERTI,
Giseli Bueno; DESTRO, Luciana Malavazi; RODRIGHERO, Veronica Aparecida
Moura. Projeto Integrador para a Pedagogia VI: Os desafios da gestão escolar e o
quadro pandêmico: aprendizagem em foco. Pedagogia – Universidade Virtual do
Estado de São Paulo. Tutora: Thamires Gomes Vieira, Polo Agudos, 2021.22f.

ABSTRACT

The pandemic caused a gap in student learning, especially those in the literacy
process. Thus, the research question seeks to understand “What strategies were found
by school management to alleviate this worrying situation in relation to student
literacy”. To investigate the strategies outlined by school management to combat the
gap in literacy among early-year students during the pandemic. To carry out this
project, bibliographical research was used with the reading of relevant materials on the
subject. It is concluded that there is a large gap in relation to literacy caused by the
pandemic, especially due to the lack of preparation of both the school management
and the teachers, students and guardians, since students started to have remote
classes without having the minimum conditions for both devices. , and cognitive for full
literacy and learning.

KEYWORDS: Hybrid teaching; remote activities; literacy; assistive technologies; digital


media.
SUMÁRIO

1. INTRODUÇÃO ........................................................................................................ 6
2. DESENVOLVIMENTO ........................................................................................... 8
2.1 Objetivos ............................................................................................................ 9
2.2 Justificativa e Delimitação do Problema........................................................... 10
2.3 Fundamentação Teórica .................................................................................. 10
2.3.1 Caracterização da gestão democrática...................................................... 11
2.3.2 A tecnologia aliada da educação ............................................................... 13
2.3.4 A alfabetização na pandemia ..................................................................... 14
2.4 Metodologia ..................................................................................................... 15
3. RESULTADOS...................................................................................................... 16
3.1 Solução Inicial .................................................................................................. 16
3.2 Solução Final ................................................................................................... 17
CONSIDERAÇÕES FINAIS ...................................................................................... 19
REFERÊNCIAS......................................................................................................... 19
6

1. INTRODUÇÃO

Em um ano letivo considerado normal, as aulas nos estabelecimentos de


ensino públicos ou privados da educação básica ocorre de forma presencial, com
alunos e professores nas salas de aula. Entretanto, em virtude da pandemia
relacionada ao novo Coronavírus (COVID-19), em março de 2020, o governo brasileiro
declarou emergência de saúde pública por causa do surto do vírus, o que o
transformou numa pandemia. Umas das medidas tomadas para o controle dos casos
foi a suspensão temporária das aulas presenciais nas escolas de todo o país.
Com essa medida, as aulas foram readequadas para o modo do Ensino
Remoto Emergencial, adotado em situações das quais o meio virtual funciona como
um apoio, e não como um meio principal para a aprendizagem dos alunos (OLIVEIRA
et al., 2020)
Esse advento possibilitou a construção de novas estratégias e recursos em
relação à didática do professor da educação básica como forma de contemplar o
ensino e aprendizagem do aluno. O modo de mediar o conhecimento para o aluno foi
modificado com a pandemia.
Assim, o ensino e aprendizagem a distância, antes contemplada somente em
cursos de Educação Superior passou a fazer parte do cotidiano da vida dos
professores da Educação Básica brasileira, por meio do ERE, exigindo o preparo não
só de a equipe gestora, como também de pais e alunos a essa nova modalidade de
ensino.
Esse tipo de ensino e aprendizagem são considerados como parte do Ensino
Híbrido, isto é, o aprendizado por interatividade, flexibilidade dentro do espaço virtual
e real. De acordo com Santos (2009, p. 6), “a educação online é o conjunto de ações
de ensino-aprendizagem ou atos de currículo mediados por interfaces digitais que
potencializam práticas comunicacionais interativas e hipertextuais”.
Dessa forma, consoante com o tema proposto para o Projeto Integrador VI,
esse trabalho tem como escopo a busca em compreender “quais estratégias foram
estabelecidas pela equipe gestora e pedagógica para amenizar esse quadro
preocupante em relação a alfabetização dos alunos”. Os objetivos específicos buscam
investigar as estratégias planejadas pela gestão escolar para o combate a defasagem
7

referente à alfabetização dos alunos dos anos iniciais durante a pandemia e os


recursos utilizados para amenizar este quadro de analfabetização tão preocupante.
8

2. DESENVOLVIMENTO

O Covid-19 tem afetado a sociedade de forma global, interferindo na educação.


Constata-se que este vírus trouxe uma realidade atípica para os vários setores sociais
do final do ano de 2020 estendendo-se ao longo do ano de 2021.

Um Estudo encomendado ao Datafolha pela Fundação Lemann, o Itaú


Social e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), mostra que
mais da metade (51%) das crianças em processo de alfabetização na
rede pública brasileira ficaram no mesmo estágio de aprendizado, ou
seja, não aprenderam nada de novo durante a pandemia. Entre os
estudantes brancos, 57% teriam aprendido coisas novas, segundo a
percepção dos responsáveis. Entre os estudantes negros, esse índice
cai para 41%. Quem já estava fora da escola ficou cada vez mais longe,
e quem estava na escola, mas sem condições de aprender em casa,
acabou sendo excluído desse direito". Pesquisa divulgada este ano
pelo Unicef mostra que o número de crianças e adolescentes sem
acesso à educação no Brasil saltou de 1,1 milhão em 2019 para 5,1
milhões em 2020. Desses, 41% têm entre 6 e 10 anos, faixa etária em
que ocorre a alfabetização.
(FONTE:https://agenciabrasil.ebc.com.br/educacao/noticia/2021-
06/pandemia-faz-aumentar-numero-de-alunos-que-podem-abandonar-
estudos, Acesso em 30 set 2021).

As aulas remotas ou online que acontecem, muitas vezes, por meio da internet
e por plataformas já eram um recurso utilizado por universidades e cursos de ensino
superior ou técnico, mas não era de domínio de alunos e professores da educação
básica. Diante do exposto, vemos a relação dessas respostas e dos recursos usados
pelos docentes no contexto de pandemia, ao salientarem que:

Essas ferramentas de comunicação promovem a interação e a


colaboração porquanto facilitam a interconexão de uma série de
pessoas com a finalidade de propiciar o fluxo de informação entre elas,
e a realização de trabalhos conjuntos. (HOLANDA; PINHEIRO;
PAGLIUCA, 2013, p. 409).

Novas competências dos profissionais implicarão na disponibilidade e no


interesse da formação em serviço, além da formação inicial diferenciada do educador
para a gestão escolar e gestão da nova sala de aula.
No Brasil, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional n° 9394/96, leva-
se em consideração uma proposta de gestão democrática e participativa incentivando
uma formação profissional diferenciada para uma atuação também diferenciada. Para
Lück (2010), a conquista de uma gestão democrática e participativa perpassa pela
liderança do gestor no processo de trabalho com sua equipe, bem como nas tomadas
9

de decisões. Essas ações contribuem para que todos os integrantes da escola se


sintam partícipes do processo educacional, uma vez que o projeto pedagógico da
escola também é o projeto de todos os integrantes dela.
O gestor, passou a preocupar-se com a transposição das aulas presenciais
para aulas em ambientes virtuais, administrando o despreparo do gestor e dos
docentes para o uso de ferramentas tecnológicas para aulas virtuais, e em muitos
casos, curvando-se para a ausência de recursos tecnológicos dos alunos e de suas
famílias.

2.1 Objetivos

A Gestão Escolar implica ser uma organização de recursos e pessoas com o


objetivo de coordenar, mobilizar, identificar e adquirir meios sociais, materiais e
culturais que valoriza a diversidade da comunidade escolar, assegura suas
necessidades coletivas e individuais, favoreça o desenvolvimento integral do
estudante e que seja igualitária a atenção direcionada às dimensões administrativas
e pedagógicas da instituição.
Todos os níveis de educação sentiram o impacto no cotidiano escolar, visto
que, os alunos que saíram da Pré Escola não puderam vivenciar a estrutura
pedagógica presencial, ficando a cargo dos familiares que além de manter as
necessidades do trabalho, da casa, dos cuidados com a saúde física e mental ainda
tinham que acompanhar os filhos em suas atividades escolares.
Este estudo tem como objetivo geral investigar as estratégias planejadas pela
gestão escolar no combate a defasagem referente à alfabetização dos alunos dos
anos iniciais durante a pandemia. Tomando como ponto de partida a pesquisa
bibliográfica e os objetivos específicos de caráter exploratórios, em busca de
conhecer, levantar e identificar os atuais desafios pedagógicos.
A situação atípica decorrente do vírus Covid-19 enfrentada mundialmente,
tornou histórico o ano de 2020, e desde então, os profissionais de todas as áreas,
assim como os da Gestão Educacional precisaram se reinventar e se adaptar à nova
realidade.
10

2.2 Justificativa e Delimitação do Problema

Não há dúvidas que essa interrupção do processo de escolarização, ocasionará


um efeito negativo na fase de alfabetização. O professor alfabetizador, dificilmente
pode ser substituído por uma pessoa não formada para essa ação educativa.
Portanto, a justificativa para esse trabalho se firma na situação atual que
afastou as crianças de um momento em que a aprendizagem do sistema de escrita
alfabética é dependente da compreensão bem orientada das relações de oralidade-
escrita. Por ora, delimitamos o problema em conhecer as estratégias que a gestão
escolar tem utilizado durante a pandemia, para combater a defasagem de alunos em
processo de alfabetização.
Uma aprendizagem de qualidade, e não só da alfabetização, é uma condição
da qual todos têm direito para avançar e prosseguir na escolarização.

2.3 Fundamentação Teórica

As ideias e os pensamentos utilizam-se da leitura, da escrita e da comunicação


para gerir e facilitar as práticas sociais.
Nas séries iniciais, o impacto da alfabetização na vivência do aluno é o alicerce
para uma educação básica construtiva. Esse processo é por natureza, desafiador,
tanto para o discente quanto para o docente. De acordo com Freire (1983) a
alfabetização é um ato criador, onde o analfabeto apropria criticamente a necessidade
de aprender a ler e a escrever, preparando-se para ser o agente desta aprendizagem.
Diante da falta de aprendizagem surge o analfabetismo, que a priori, se refere
àquelas pessoas que não sabem ler nem escrever. No entanto, o termo costuma
estender-se para fazer alusão aos indivíduos que carecem de instrução elementar de
alguma especificidade.
Um dos principais problemas em países subdesenvolvidos, é o analfabetismo
relativo à escolaridade, de quem não saber ler e nem escrever. A atual pandemia,
afastou das escolas e das alfabetizadoras as crianças que se encontram na fase
fundamental da escolarização. Estudo do Fundo das Nações Unidas para a Infância,
aponta que em novembro de 2020, mais de 5 milhões de crianças não tiveram acesso
à educação no Brasil, sendo mais de 40% entre 6 e 10 anos de idade.
11

O Ministério da Educação autorizou a substituição das aulas presenciais pelo


modelo remoto. Para alguns professores, tratava-se de uma situação totalmente nova,
manusear as ferramentas necessárias a esse modo de ensino, mas na ocasião, a
única forma disponível para interagir com os alunos. Sendo assim:

É nesse contexto que vem emergindo uma configuração do processo de


ensino-aprendizagem denominada Educação Remota, isto é, práticas
pedagógicas mediadas por plataformas digitais, como aplicativos com os
conteúdos, tarefas, notificações e/ou plataformas síncronas e assíncronas [...]
(ALVES, 2020, p. 352).

Toda a comunidade escolar, precisou rapidamente se adaptar não somente ao


novo estilo de vida, devido a necessidade do distanciamento social, mas também a
ensinar e aprender utilizando um modelo de educação mediado pela tecnologia.
Porém, o mesmo estudo acima citado revelou que a exclusão de aprendizagem atingiu
mais quem vivia em situação vulnerável, como em regiões com acesso limitado ou
mesmo inexistente à internet ou a sinais de TV.
Apesar de ser a única alternativa no cenário pandêmico, o ensino remoto,
impôs limites que não representam a melhor alternativa para a alfabetização, mas tem
a intencionalidade de manter o vínculo das crianças com o contexto escolar.
Sem uma política de formação de professores, eles têm sido convocados a
mudar suas práticas pedagógicas, com novas metodologias e utilização de
instrumentos digitais até então desconhecidos por alguns.
As limitações que a distância física promove, dificultam, mas não impedem o
desafio dos professores alfabetizadores em proporcionar ações de leitura e escrita
que de fato façam sentido para as crianças. Nesse momento a aprendizagem está
envolta em crise, perdas e incertezas, porém não cessa a busca por estratégias
pedagógicas para que a alfabetização aconteça.

2.3.1 Caracterização da gestão democrática

As instituições escolares possuem fortes características interativas que as


diferenciam de empresas convencionais, portanto, utiliza-se o termo organização
institucional, pela maior abrangência. Essa organização é tida como um sistema que
12

agrega pessoas, atentando-se a intencionalidade e as interações sociais que


acontecem entre elas. É uma construção social conduzida por todos os integrantes,
gestores, alunos, professores, pais e membros da comunidade.
A gestão é caracterizada como uma atividade em que ações que envolvem
aspectos gerenciais e técnicos-administrativos, são realizadas para atingir os
objetivos da organização da melhor forma possível.
Nas instituições escolares, a Gestão Escolar rege o planejamento do trabalho
escolar, dirigindo e controlando os serviços necessários à educação, bem como
racionalizar, controlar e coordenar os recursos materiais, financeiros e intelectuais,
implantando-os de maneira significativa na unidade escolar. Conforme Lourenço Filho
(1976):

Organizar é bem dispor elementos (coisas e pessoas), dentro de


condições operativas (modos de fazer), que conduzem a fins
determinados. Administrar é regular tudo isso, demarcando esferas de
responsabilidade e níveis de autoridade nas pessoas congregadas, a
fim de que não se perca a coesão do trabalho e sua eficiência geral.
((LOURENÇO FILHO, 1976, p. 30).

Compreende-se que a forma de gerir direciona os objetivos da escola. A equipe


gestora deve estar profissionalmente preparada e ciente do planejamento, além de
ser manter determinada a proporcionar a qualidade de ensino em benefício da
formação da cidadania que abrange tantos os estudantes como toda a comunidade
escolar.

[...] o Ensino Remoto de Emergência é, na realidade, um modelo de


ensino temporário devido às circunstâncias desta crise. Envolve o uso
de soluções de ensino totalmente remotas idênticas às práticas dos
ambientes físicos, sendo que o objetivo principal nestas circunstâncias
não é recriar um ecossistema educacional online robusto, mas sim
fornecer acesso temporário e de maneira rápida durante o período de
emergência ou crise. (MOREIRA; SCHLEMMER, 2020, p. 9)

Entretanto, conforme mencionado, gestores e docentes estavam


despreparados para esse quadro que apenas reforçou a questão da tecnologia na
escola e acelerou um processo que já vinha sendo discutido por diversos teóricos.

Estudantes e professores tornam-se desincorporados nas escolas


virtuais. Suas presenças precisam ser recuperadas por meio de novas
linguagens, que os representem e os identifiquem para todos os
demais. Linguagens que harmonizem as propostas disciplinares,
13

reincorporem virtualmente seus autores e criem um clima de


comunicação, sintonia e agregação entre os participantes de um
mesmo curso. (KENSKI, 2004, p. 67)

Em tempos de tantas incertezas e novas informações, o desafio do gestor


educacional, é estar atento, tanto ao uso da tecnologia, quanto ao estímulo
direcionado a sua equipe, no que se refere ao aperfeiçoamento das práticas
pedagógicas e aprendizagem dos avanços tecnológicos adequados às atuais e
futuras demandas da educação.

2.3.2 A tecnologia aliada da educação

A tecnologia tem evoluído vigorosamente e bem antes de sermos forçados pela


pandemia a utilizar plataformas digitais, já se discutia a relação entre tecnologias
educacionais, o papel da escola diante da cultura digital e como essa ferramenta
significa o aprimoramento no processo de ensino-aprendizagem. Contudo, a mudança
um tanto repentina das aulas presencias para aulas online, revelou o descompasso
tecnológico no contexto escolar, onde uma parcela significativa de professores não
via a necessidade de adaptar suas práticas de ensino aos recursos tecnológicos.

A modalidade educacional na qual alunos e professores estão


separados física ou temporalmente e por isso, faz-se necessária a
utilização de meios e tecnologias de informação e comunicação. Essa
modalidade é regulada por uma legislação específica e pode ser
implantada na educação básica e na educação superior. (BRASIL,
2018)

Outro impasse, encontrado principalmente em instituições escolares da rede


municipal e estadual, tem relação direta com os alunos, quanto a privação de acesso
à internet e equipamentos específicos (computador, tablet, smartfone etc.) para
receber e participar da transmissão das aulas. De acordo com Lück (2009) nem o
ensino pode ser democrático, isto é, de qualidade para todos, caso não se assente
sobre padrões de qualidade e competências profissionais básicas que sustentem essa
qualidade.

O aspecto comunicacional das mídias informáticas, materializada pela


Internet, amplia em muito o campo de possibilidades já aberto por
outros aspectos da informática. Ela pode ser um exemplo de como que
a informática muda de característica quando novas interfaces são
acopladas à estrutura já existente. (BORBA; PENTEADO, 2015, p. 71)
14

Observe que uma boa gestão zela pela qualidade, garantindo a todos:
professores, servidores, estudantes, pais e comunidade escolar, uma escola
estruturada para oferecer um ensino que promove o desenvolvimento de
competências que contribuem nos aspectos intelectuais, sociais e profissionais do
indivíduo.

2.3.4 A alfabetização na pandemia

Desde a implantação das aulas remotas ou híbridas, um dos maiores


obstáculos é a alfabetização das crianças. Preocupa-se que, as limitações
tecnológicas e as dificuldades de adaptação do método de ensino não presencial
possam resultar em uma geração semianalfabeta, ou até mesmo, com atrasos graves
na aprendizagem.
A alfabetização é um divisor de águas na vida de todo ser humano, trata-se de
um processo de aquisições que ocorre durante toda a vida. Seja através de
brinquedos ou brincadeiras, quando as crianças começam a entender os sons e a
observar as palavras, elas já estão no caminho da alfabetização. Vygotsky (1988)
afirma que através do brinquedo, a criança atinge uma definição funcional de
conceitos ou de objetos, e as palavras passam a se tornar parte de algo concreto.
No ambiente escolar com exercícios e abordagens adequadas a alfabetização
começa a ser desenvolvida já no 1º ano do ensino fundamental. A criança é submetida
a uma alfabetização sistematizada, inserida em um processo individual que necessita
de incentivo, suporte lúdico, sensorial e uma didática onde as letras e números
começam a ganhar um novo sentido na vida dos pequenos.
A aprendizagem precisa ser significativa, e nesse período que estamos
vivenciando o que pode ser caracterizado como estudo domiciliar, é necessário um
esforço conjunto entre a escola e as famílias. De acordo com Charlot (2002), o saber
é uma forma de relações do sujeito com o mundo, com ele mesmo e com os outros, e
o saber é também uma forma de representação de uma atividade. Para que as
práticas de escrita e/ou leitura se mantenham presente na rotina das crianças, essa
parceria é fundamental para dar continuidade ao processo de ensino-aprendizagem.
Nem sempre é fácil, porém é preciso insistir e resistir em busca de firmar cada vez
mais o compromisso conjunto pelo desenvolvimento do aprendizado.
15

2.4 Metodologia

A pesquisa foi desenvolvida mediante uma pesquisa bibliográfica que, de


acordo com Fonseca (2002) é realizada

[...] a partir do levantamento de referências teóricas já analisadas, e


publicadas por meios escritos e eletrônicos, como livros, artigos científicos,
páginas de web sites. Qualquer trabalho científico inicia-se com uma
pesquisa bibliográfica, que permite ao pesquisador conhecer o que já se
estudou sobre o assunto. Existem, porém pesquisas científicas que se
baseiam unicamente na pesquisa bibliográfica, procurando referências
teóricas publicadas com o objetivo de recolher informações ou
conhecimentos prévios sobre o problema a respeito do qual se procura a
resposta (FONSECA, 2002, p. 32).

Assim, buscou-se identificar características quanto ao uso de tecnologias em


práticas didáticas na modalidade remota, em período de COVID-19, também fazendo
uso de análise estatísticas acerca dos dados produzidos.
Para responder à questão de pesquisa: “quais estratégias a equipe gestora e
pedagógica planejaram para a aprendizagem dos alunos na pandemia da COVID-19,
Esse levantamento bibliográfico possibilitou a compreensão dos objetivos
elencados para o desenvolvimento desse projeto, analisando a questão da gestão
escolar e o quadro pandêmico instaurado no Brasil.
16

3. RESULTADOS

3.1 Solução Inicial

Foi notável a defasagem na alfabetização provocada pela pandemia. Apesar


dos esforços dos gestores e da criação de políticas públicas que tentassem suprir a
demanda de alunos que estavam com aulas remotas, os maiores prejudicados foram
os alunos dos anos iniciais. Segundo Paulo Freire (1989, p. 72), “Alfabetização é mais
que o simples domínio mecânico de técnicas para escrever e ler. Com efeito, ela é o
domínio dessas técnicas cem termos conscientes. É entender o que se lê e escrever
o que se entende”.
Assim o professor deveria elaborar atividades que contemplassem o ensino de
forma remota por meio de exercícios relacionados à aprendizagem do alfabeto e
iniciar a leitura com seus alunos. Entretanto, vale lembrar que esses alunos também
não possuem capacidade, nem habilidades e competências suficientes para utilizar e
manusear computadores, além de não saberem ler nem escrever, pois estão em fase
de alfabetização.
Conforme afirma Soares (2005),

O termo alfabetização designa o ensino e o aprendizado de uma tecnologia


de representação da linguagem humana, a escrita alfabético-ortográfica. O
domínio dessa tecnologia envolve um conjunto de conhecimentos e
procedimentos relacionados tanto ao funcionamento desse sistema de
representação quanto às capacidades motoras e cognitivas para manipular
os instrumentos e equipamentos de escrita. (SOARES, 2005, p.24)

Nesse sentido, as tecnologias não surtem muito efeito em relação à


aprendizagem efetiva do aluno em sua alfabetização, pois ela necessita de um
docente próximo a ela que interfira de forma pertinente quando necessário. Portanto,
esse é o aspecto mais desafiador do processo de alfabetização.
Uma solução inicial seria a questão de um rodízio de alunos para o professor
conseguir auxiliar esses alunos com maiores dificuldades, cumprindo o
distanciamento social e todos os protocolos de saúde para a preservação,
primeiramente, da vida.
17

Por meio do ensino híbrido, o estudante poderia fazer os exercícios propostos


com o auxílio de um adulto (responsável) em casa e somente iria à escola para uma
maior imersão.

3.2 Solução Final

Apesar dos recursos utilizados pelos docentes no contexto da pandemia, a


tecnologia pode ser ainda uma aliada neste processo, especialmente se for utilizada
de maneira correta tanto pelo professor, quanto pelo aluno e responsável. De acordo
com Holanda, Pinheiro e Pagliuca (2013),

[...] essas ferramentas de comunicação promovem a interação e a


colaboração porquanto facilitam a interconexão de uma série de pessoas com
a finalidade de propiciar o fluxo de informação entre elas, e também a
realização de trabalhos conjuntos. (HOLANDA; PINHEIRO; PAGLIUCA,
2013, p. 409)

Em relação ao apoio da família nesse período e contexto de pandemia, de


acordo com Ferrari (2020), cabe aos pais auxiliarem nas tarefas domésticas, não
realizando-as para os alunos, mas conectando computadores e/ ou celulares para
transmissões de videoaulas.

[...] a participação dos pais depende, antes de qualquer coisa, da relação que
estes mesmo pais têm com o conhecimento. Pais que valorizam a formação
científica e cultural tendem a influenciar positivamente a relação estabelecida
entre os filhos e o processo de aprendizagem. (FERRARI, 2020, p. 01).

Já a Base Nacional Comum Curricular (2017) reafirma que o letramento digital


e a competência dos professores e alunos devem ser desenvolvidas em suas práticas
cotidianas escolares e sociais.

Compreender, utilizar e criar tecnologias digitais de informação e


comunicação de forma crítica, significativa, reflexiva e ética nas diversas
práticas sociais (incluindo as escolares) para se comunicar, acessar e
disseminar informações, produzir conhecimentos, resolver problemas e
exercer protagonismo e autoria na vida pessoal e coletiva (BRASIL, 2017, p.
09).

Então, como uma proposta de solução para a alfabetização no período em que,


apesar de muitas escolas ainda terem alunos dos quais os responsáveis possuem
receio em envia-los à escola, uma das alternativas seria:
18

No que diz respeito aos anos iniciais do ensino fundamental, fase em


que há dificuldades de acompanhamento de atividades on-line, já que os
alunos estão em etapa de alfabetização, o MEC sugere roteiros práticos
e estruturados para que a família possa acompanhar a resolução de
atividades pelas crianças, além da oferta de cursos on-line para
alfabetizadores, disponibilização, por parte da escola, de aulas gravadas pela
televisão, de lista de exercícios e atividades relacionadas às habilidades e
competências de aprendizagem, seja em formato impresso ou digital, em
conformidade com as condições de acessibilidade (SAMPAIO, 2020, p. 6-7).

Contudo, com retomada das aulas presenciais e o retorno gradual dos alunos
com atestados ou afastamento médico, o professor deve, a princípio, aplicar uma
avaliação diagnóstica que lhe norteará quanto as atividades a serem desenvolvidas
com esses alunos. Além disso, é necessária a capacitação desses profissionais
quanto ao uso da tecnologia como mediação, tendo em vista que muitos docentes
ainda carecem da falta de formação tecnológica para produzir e disponibilizar
conteúdos, na tentativa de conciliar esse aprendizado e alfabetização com a família
em casa (SAMPAIO, 2020).
19

CONSIDERAÇÕES FINAIS

O presente projeto buscou enfatizar a alfabetização nos tempos de pandemia,


e o que a gestão escolar poderia contribuir como forma de suprir, em especial junto à
equipe pedagógica, a defasagem provocada por este período de ensino remoto e,
depois, ensino híbrido.
Algumas sugestões foram feitas embasadas no uso das tecnologias,
entretanto, sabe-se que nem todos os alunos possuem esses aparelhos em casa,
como celulares e notebooks, além de não saberem manusear e fazer uso dessas
ferramentas. Por isso, o apoio da família é fundamental para que o prejuízo não seja
maior.
Outro aspecto observado foi em relação à formação de professores e a
autonomia para o uso das ferramentas tecnológicas. Muitos ainda são resistentes
quanto ao uso das tecnologias e, em virtude da pandemia, elas vieram para ficar e o
professor deverá buscar formação que contemple o saber tecnológico.
É preciso que o professor busque formação tecnológica visto que a partir de
agora será ele quem proverá o desenvolvimento de competências e habilidades não
só para a utilização do aparelho, mas também realização de pesquisas e letramento
digital de seus alunos, para que a aprendizagem torne significativa e atrativa para seu
alunado.

REFERÊNCIAS
20

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