Você está na página 1de 6

UNIVERSIDADE CATÓLICA DE MOÇAMBIQUE

CENTRO DE ENSINO À DISTÂNCIA

Ensino de Língua Portuguesa- 2 Ano

EXAME ESCRITO DE FUNDAMENTOS DE TEOLOGIA CATÓLICA

Docente: Chizenga

• Baseando-se na doutrina da Igreja Católica desenvolva resumidamente os seguintes temas,


respeitando as indicações seguintes:

* Introdução e aspectos metodológicos (tudo em apenas uma página);

1.Responsabilidade e Imputabilidade humana (em apenas uma página);

2. Uma visão geral sobre o aborto (em apenas uma página);

3. (Defesa da)Família (em apenas uma página);

* Considerações finais (=conclusão) sobre os temas apresentados (em uma página).

Bom trabalho!
-------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
Nota:a primeira fonte de inspiração é o Manual de FTC. Querendo, apenas os/as chefes/adjuntos
de Turma, podem solicitar outro material para partilhar com os colegas,por Whatsapp
(827944100). Na internet procure-se APENAS fontes da Igreja Católica. Lembre que todo o
trabalho não deve passar de 5 (cinco) páginas. Não fazer plágio e não partilhar trabalho, ok?
-------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
Destinatários:
- Licenciatura em Ensino de Português, 2º Ano, T/A e T/B;
- Licenciatura em Ensino de Biologia, 2º Ano;
- Licenciatura em Ensino de Geografia, 2º Ano;
- Licenciatura em Ensino de História, 2° Ano;
- Licenciatura Matemática, 2º Ano;
- Licenciatura em Gestão Ambiental, 2º Ano.
TUTOR: Chizenga

A partir dessa breve introdução, já somos convidados a refletir sobre a realidade


do aborto, que é “entendido como a interrupção da gravidez quando o feto ainda
não é viável, isto é, não pode subsistir fora do útero materno” (COELHO, 2007,
p. 17). Com isso, a Santa Igreja Católica é clara e direta sobre a defesa da vida
humana: “A vida humana deve ser respeitada e protegida de maneira absoluta a
partir do momento da concepção. Desde o primeiro momento de sua existência,
o ser humano deve ver reconhecidos os seus direitos de pessoa, entre os quais
o direito inviolável de todo ser inocente à vida” (CIC §2270).
:: Há limites para as redes sociais na quarentena?

O aborto e a Doutrina da Igreja Católica


A realidade do aborto pode acontecer de duas formas: o espontâneo e o
provocado. No aborto espontâneo, acontece a interrupção da gravidez por causa
naturais, sem a livre intervenção humana. No aborto provocado, acontece uma
livre intervenção da pessoa humana. Quando se vai tomar a decisão da morte
da criança não nascida, além da mãe, surgem normalmente outras pessoas, que
também são moralmente responsabilizadas (COELHO, 2007).

A Doutrina da Igreja esclarece que quanto ao aborto espontâneo, isto é, aquele


por causas naturais, não existe aí problemas morais, pois não há ato positivo e
livre da pessoa. Contudo, quando há aborto provocado, a Igreja faz alguns
apontamentos com base numa antropologia-teológica, que são (COELHO, 2007,
p. 19):

Desde o momento da concepção, a vida humana é imediatamente criada por


Deus;
 A “alma espiritual” de cada pessoa humana é imediatamente criada por Deus;
Todo o seu ser traz a imagem do Criador; “corpus et anima unus.”
A vida humana é sagrada, porque, desde o início, comporta a ação criadora de
Deus, e é chamada a permanecer para sempre em relação vital com o Criador;
Somente Deus é Senhor da vida, desde seu início até seu fim, por isso,
ninguém, em nenhuma circunstância, pode reivindicar para si o direito de
destruir diretamente um ser humano inocente;

Todo ser humano, inclusive a criança no útero materno, possui o direito à vida
imediatamente de Deus, não dos pais nem de qualquer outra autoridade
humana;
Não existe, portanto, homem algum ou autoridade humana, nem um tipo de
“indicação” (médica, eugênica, social, moral) que possa exibir um título válido
para uma direta e deliberada disposição sobre uma vida humana inocente;

Somente se justifica o assim chamado aborto indireto, onde a ação não é direta
e deliberada sobre o feto. Matar diretamente o feto é sempre proibido e nunca
exequível. Segundo o princípio do duplo efeito, o aborto indireto pode ser
justificado com intervenção médica para salvar a vida da mãe. Não pode ter
ação direta para eliminar o feto;
Em nenhum caso, o aborto deve ser promovido como método de planejamento
familiar.

Alguns apontamentos de documentos da Igreja


O Catecismo da Igreja Católica sempre zelou pela vida humana, e com isso
esclarece que, “Desde o século I, a Igreja afirmou a maldade moral de todo
aborto provocado. Este ensinamento não mudou. Continua invariável. O aborto
direto, quer dizer, querido como um fim ou como um meio, é gravemente
contrário à lei moral” (CIC §2271).

Também o Código de Direito Canônico, quando trata sobre a temática do aborto,


faz as seguintes afirmações: “Os fetos abortivos, se tiverem vivos, sejam
batizados, enquanto possível” (Cân. 871). O Código continua ainda: “Quem
provocar aborto, seguindo-se o efeito, incorre em excomunhão “latae
sententiae’” (Cân. 1398).

O documento do Papa Paulo VI, Gaudium et Spes, na parte sobre o respeito da


pessoa humana, apresenta o seguinte: “tudo quanto se opõe à vida, como seja
toda a espécie de homicídio, genocídio, aborto, eutanásia e suicídio voluntário
[…]” (GS 27) vão contra a dignidade da pessoa humana e ofendem gravemente
a Deus. Continua ainda: Deus, que é o autor da vida, confiou aos homens o
encargo de preservá-la, com isso, “o aborto e o infanticídio são crimes
abomináveis” (GS 51).

ontes:
BÍBLIA. Português. Tradução da Jerusalém. São Paulo: Paulus, 2002. 2206p.
CATECISMO da Igreja Católica. São Paulo: Loyola, 2000.
CÓDIGO de Direito Canônico. Trad. CNBB. São Paulo: Loyola, 2001.
COELHO, Mário. O que a Igreja ensina sobre. São Paulo: Canção Nova, 2007.
CONSTITUIÇÃO PASTORAL GAUDIUM ET SPES. Documentos do Concílio
Ecumênico Vaticano II. São Paulo: Paulus, 1997.
IRENEU. Contra as Heresias. Coleção Patrística. v. IV. 2 ed. São Paulo: Paulus,
1995.

A Família na Doutrina Social da Igreja é compreendida como sendo célula vital da sociedade,
primeira sociedade natural, fundada no matrimônio (um vínculo perpétuo entre um homem e uma
mulher), santuário da vida, a quem é atribuída uma tarefa educativa que é direito dos filhos, é
protagonista da vida social e deve ter a sociedade a seu serviço.
A família é importante para a pessoa e para a sociedade, é no âmbito da família que o homem
recebe as primeiras noções do bem e da verdade, aprende a amar e ser amado e o significado de
ser pessoa. De outro tanto, sem famílias fortes na comunhão e estáveis no seu compromisso, os
povos se debilitam e é no seu âmbito que se dá a aprendizagem das responsabilidade sociais e da
solidariedade. (Catecismo, 2224).
Também é afirmada a prioridade e precedência da família em relação à sociedade e ao Estado. Na
sua função procriadora a família é mesmo condição de existência da própria sociedade. A
legitimação da família está fundada na própria natureza humana e não no reconhecimento da lei
civil. Ela antecede ao próprio Estado, por isto ela não existe em função do Estado, antes o contrário
a sociedade e o Estado é que existem para a família. Nas suas relações com a família o Estado tem
o dever de ater-se ao Princípio da Subsidiariedade, não lhe subtraindo as tarefas que pode realizar
sozinha ou associada a outras famílias e tem o dever de apoiá-la garantindo-lhe os auxílios
necessários para que possa bem cumprir as suas responsabilidades. (Familiaris Consortio, 472)
O matrimônio é entendido como o fundamento da família. Não decorre de uma convenção humana
e se fundamenta na natureza própria do ser humano. É dotado de características próprias e
permanentes e exige um compromisso público e irrevogável do qual decorre direitos e deveres
recíprocos entre os cônjuges. Tem como características a totalidade da doação recíproca definitiva,
a indissolubilidade e a fidelidade e abertura à fecundidade. Rejeita, portanto, o divórcio,
o casamento entre pessoas do mesmo sexo, a poligamia e o adultério. Está ordenado à ajuda
mútua e à procriação e educação dos filhos, o que constitui um bem para toda a sociedade, e não
tem diminuído o seu valor se eles não chegam a vir, embora muito desejados. Foi elevado à
condição de Sacramento e deve a sua estabilidade à lei divina positiva. (Catecismo, 2379)

Sagrada Família, de Raffaello Sanzio, 1506. Os cristãos consideram a Sagrada Família um modelo a ser
imitado.

Família e Sociedade
A família, neste contexto, é compreendida como sendo a primeira escola de sociabilidade da
pessoa humana, no seu âmbito os anciãos são vistos como escola de vida e transmissores de
valores e tradições e têem direito de ser tratados com amor, sobretudo quando se encontram em
situação de dependência.
Segundo a Doutrina Social da Igreja o divórcio é verdadeira praga social, o adultério, a poligamia e
a união livre representam graves ofensas à dignidade do casamento (Catecismo, 2385 - 2400
e Familiaris Consortio, 84).
De outro tanto, …"a Igreja não abandona a si próprio aqueles que se divorciaram, esforçar-se-á
infatigavelmente por oferecer-lhes os meios de salvação. São exortados a perseverar na vida
eclesial e a incrementar as obras de caridade e as iniciativas da comunidade em favor da justiça"
…"que não se considerem separados da Igreja"… "A Igreja reza por eles." (Familiaris Consortio, 84)
"A Sagrada Família é um exemplo preclaro de "vida familiar". Que Nazaré nos ensine o que é a
família, a sua comunhão de amor, a sua beleza austera e simples, o seu caráter sagrado e
inviolável; aprendamos de Nazaré como é preciosa e insubstituível a educação familiar e como é
fundamental e incomparável a sua função no plano social. Enfim aprendamos uma lição de
trabalho." (Paulo VI, Discurso em Nazaré, 5 de janeiro de 1964).

Paternidade responsável
A família é o santuário da vida, as leis e as instituições do Estado não devem de forma alguma lesar
o direito à vida desde a sua concepção até a ocorrência da morte natural, antes devem defendê-lo e
o promover. A paternidade é exercida de modo responsável, o que não significa ter filhos de modo
desordenado e nem limitar-lhes o nascimento por motivos egoísticos e de comodidade pura. "Em
relação às condições físicas, econômicas, psicológicas e sociais, a paternidade responsável exerce-
se tanto com a deliberação ponderada e generosa de fazer crescer uma família numerosa, como
com a decisão, tomada por motivos graves e com respeito pela lei moral, de evitar
temporariamente, ou mesmo por tempo indeterminado, um novo nascimento." (Humanae vitae, 10
e Gaudium et spes, 50 - 51)
Aos esposos cabe, com exclusividade, o juízo de valor acerca do intervalo entre os nascimentos e
não é lícito ao Estado interferir de forma direta ou indireta nesta decisão. São considerados
inaceitáveis e moralmente condenáveis os programas de ajuda econômica destinados a financiar
campanhas de esterilização e de contracepção ou que estejam condicionados a aceitação de tais
campanhas.

O Papa João Paulo II teve especial solicitude pelos valores cristãos da família.

O recurso a meios contraceptivos artificiais para espaçar os nascimentos é ilícito, entretanto, são
lícitos os recurso à abstinência periódica nos períodos de fertilidade feminina. (Humanae vitae)
Não são aceitas todas as técnicas reprodutivas: doação de esperma ou de ovócitos, maternidade
de substituição e a fecundação artificial e formas de procriação assistida, por dissociarem o ato
procriador do ato unitivo ou por considerar que é lesado o direito do filho de ter na mesma pessoa o
pai biológico e o pai jurídico, ofendendo assim a dignidade integral da pessoa. Diversamente são
admitidos os meios que se configuram como auxílio ou ajuda ao ato conjugal ou à consecução dos
seus efeitos. (Instrução Donum vitae, da Congregação para a Doutrina da Fé)
Não é considerado, do ponto de vista ético, não apresenta problemas em princípio a simples
replicação de células normais ou de porções do DNA, entretanto a clonagem propriamente dita é
rejeitada por se realizar em ausência total do ato de amor pessoal entre os esposos, é igualmente
grave a clonagem com fins de reprodução de embriões para deles retirar células com fins
terapêuticos por implicar na morte do embrião. (João Paulo II, Discurso à Pontifícia Academia para
a Vida, L'Osservatore Romano, ed. port., 28. fev. 2004, p. 6)
A maternidade e a paternidade são vistas pela Doutrina Social da Igreja como uma tarefa que
transcende ao aspecto simplesmente físico mas que tem também uma dimensão espiritual. A
família tem direito à assistência da sociedade, as famílias numerosas têm direito a uma ajuda
adequada e não devem ser discriminadas. A vida nascente deve ser protegida desde a sua
concepção até o seu fim natural.

Educação dos filhos


O primeiro direito da criança é de nascer numa verdadeira família. A família tem um papel
insubstituível na educação dos filhos por direito natural originário e primário, os pais são os
primeiros e principais educadores dos filhos. As autoridades públicas têm o dever de assegurar e
proteger este direito. Os pais têm o direito e a obrigação de verificar o modo como se realiza a
educação sexual nas instituições educacionais que estão a seu serviço, de modo a garantir que a
abordagem deste tema se faça de modo adequado e de conformidade com as suas convicções
morais.
Família e trabalho
O trabalho doméstico, em especial o da mãe de família, deve ser valorizado e deve merecer do
Estado e da sociedade uma remuneração pelo menos igual à dos outros, com os auxílios e
benefícios sociais e previdenciários respectivos, devem ser eliminados os obstáculos que
constrangem a mulher a não realizar plenamente as suas funções maternas.
A família tem direito a um salário para que possa viver dignamente. "Tal salário deve permitir a
realização de uma poupança que favoreça a aquisição de uma certa propriedade, como garantia da
liberdade: o direito à propriedade é estreitamente ligado à existência das famílias, que se põem ao
abrigo da necessidade também graças à poupança e à constituição de uma propriedade familiar.
(Rerum novarum)

Você também pode gostar