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UNIDADE 3

3 UNIDADE 3
Introdução à modalidade
de EaD

Prof. Rafael Arlindo Rosa

OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM

Para o estudo desta unidade, você deverá considerar, como objetivos de


aprendizagem:

• explicar o surgimento da educação a distância (EaD) no mundo e no Brasil;

• distinguir os elementos que caracterizam um modelo de EaD;

• identificar as características do aluno da EaD e a importância da organização de


uma rotina de estudos;

• descrever o modelo Ead adotado pela Univali.

INICIANDO O TEMA

Você tem ideia de como surgiu a


Educação a Distância (EaD)?

PEDAGOGIA • UNIVALI 1
EDUCAÇÃO, LINGUAGEM E TECNOLOGIA • UNIDADE 3

A EaD, segundo Nunes (1994), surge como um recurso para atender grandes
quantidades de alunos não servidos adequadamente pelo sistema tradicional de ensino.
Litwin (2001) indica que a EaD serviu para implantação de diversos projetos educacionais
para as mais variadas situações, inicialmente com cursos profissionalizantes, de capacitação
para o trabalho, divulgação científica, campanhas de alfabetização e posteriormente em
estudos formais em todos os níveis de ensino.

Dessa forma, a possibilidade de estudar a distância se caracteriza como uma forma


de acesso democrático à educação, atendendo aqueles que por diversas razões vem
sendo excluídos do processo educacional, como o acesso ao ensino superior, e também
para atender às demandas emergenciais decorrentes das constantes mudanças sociais e
tecnológicas.

Conceituar a EaD exige compreender que ao longo de sua história esta modalidade
de ensino incorpora novos mecanismos e tecnologias que desencadeiam novas estratégias
pedagógicas. Os teóricos da área apresentam diversos conceitos, todos com pontos em
comum. Apresentamos alguns destes conceitos:

Para Moore e Kearsley (2007, p. 2),

[...] a educação a distância [EaD] é o aprendizado planejado que ocorre


normalmente em um lugar diferente do local de ensino, exigindo técnicas
especiais de criação do curso e de instrução, comunicação por meio de
várias tecnologias e disposições organizacionais e administrativas especiais.

Belloni (2008, p. 27) cita o conceito de Peters (1973), como aquele que desenca-
deou calorosas discussões por apontar as particularidades da modalidade e sua relação
com o ensino convencional e o mercado de trabalho.
Educação a distância é um método de transmitir conhecimento,
competências e atitudes que é racionalizado pela aplicação de princípios
organizacionais e de divisão do trabalho, bem como pelo uso intensivo de
meios técnicos, especialmente com o objetivo de reproduzir material de
ensino de alta qualidade, o que torna possível instruir um maior número
de estudantes, ao mesmo tempo, onde quer que eles vivam. É uma forma
industrializada de ensino e aprendizagem.

A legislação brasileira, no âmbito do Ministério da Educação (MEC), apresenta ofi-


cialmente no Decreto Lei n.º 5.622/2005, seu conceito para a EaD

[...] caracteriza-se a educação a distância como modalidade educacional


na qual a mediação didático-pedagógica nos processos de ensino e
aprendizagem ocorre com a utilização de meios e tecnologias de informação
e comunicação, com estudantes e professores desenvolvendo atividades
educativas em lugares ou tempos diversos. (BRASIL, 2005).

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A compreensão do conceito de EaD é influenciada pela compreensão de “distância”,


que neste caso deve ser entendida como separação espacial (geográfica) entre os alunos
e professores. Vale destacar também o emprego do termo “EaD”, que em diversos
contextos pode ser entendido como Educação a Distância ou Ensino a Distância (BELONI,
2008). Para nos auxiliar na compreensão destes termos, recorremos a Landim (1997. p.
10) que estabelece a seguinte diferenciação.

O termo ENSINO está mais ligado às atividades de treinamento,


adestramento, instrução. Já o termo EDUCAÇÃO refere-se à prática
educativa e ao processo ensino-aprendizagem que leva o aluno a aprender a
aprender, a saber pensar, criar, inovar, construir conhecimentos, participar
ativamente de seu próprio conhecimento.

Até aqui você percebeu que existem diferentes conceitos para a EaD, essas diferenças
são reflexos dos momentos históricos em que este conceito foi se construindo. Momentos
estes marcados pela ruptura de paradigmas ligados à educação presencial e à utilização
de diferentes recursos, estratégias e tecnologias para promover a interação e mediação
entre alunos e professores. Acredito que você possa estar curioso(a) para conhecer um
pouco do histórico da EaD, vamos fazer uma retomada e ter uma ideia de sua evolução
no mundo e no Brasil?

Para reforçar os
conhecimentos sobre educação
a distância que vivenciamos
até aqui, leia o pequeno texto
do Professor José Manoel
Moran, “O que é EaD”. Para
isso, leia o QR Code utilizando
seu telefone celular. Lembre-
se que você precisa ter
instalado um aplicativo QR
Corde Reader. Experimente
esta forma diferente de
acessar materiais na internet!

SAIBA MAIS

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3.1 Histórico da modalidade

Realizando uma retrospectiva histórica, podemos encontrar iniciativas empíricas


(dada pela experiência, sem comprovação científica) de EaD nas epístolas de São Paulo,
ao catequizar os povos de sua época e se corresponder por meio de cartas, transmitindo
ensinamentos da fé cristã. Segundo Landim (1997), o ensino por correspondência foi o
embrião da educação a distância que temos hoje. Com as cartas de São Paulo, temos
início da comunicação educativa, permitindo aos discípulos que não se encontravam
fisicamente terem acesso aos ensinamentos cristãos. De acordo com Peters (2004, p.
29), o apóstolo São Paulo “usou as tecnologias da escrita e dos meios de transporte a fim
de fazer seu trabalho missionário sem ser forçado a viajar. Isso já era claramente uma
substituição da pregação e do ensino face a face [...]”.

ATENÇÃO
Um grande marco para as primeiras iniciativas
em EaD foi a invenção da máquina de impressão
de Gutemberg, que possibilitou a escrita ser
reproduzida em larga escala, juntamente com o
desenvolvimento do sistema postal (correio) na
Europa.

Assim, surgem as primeiras iniciativas de formação por correspondência identificadas


em 1728, nos EUA, com a oferta de um curso de taquigrafia (uma técnica para escrever à
mão de forma rápida, usando códigos e abreviações).

Desde então, diversas iniciativas foram desenvolvidas pelo mundo, sendo algumas
destacadas a seguir (NUNES, 2009; GOUVEA; OLIVEIRA, 2006):

• 1829 – inaugurado na Suécia o Instituto Líber Hermondes, que possibilitou


mais de 150.000 pessoas a realizarem cursos através da EaD;

• 1840 – na Faculdade Sir Isaac Pitman, no Reino Unido, é inaugurada a primeira


escola por correspondência da Europa;

• 1856 – a Sociedade de línguas Modernas, em Berlim, patrocina professores


para ensinarem francês por correspondência;

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• 1880 - o Skerry’s College ofereceu cursos preparatórios para concursos


públicos;

• 1884 - o Foulkes Lynch Correspondence Tuition Service ministrou cursos de


contabilidade.

• 1891 - nos Estados Unidos apareceu a oferta de curso sobre segurança de


minas, organizado por Thomas J. Foster;

• 1892 – no Departamento de Extensão da Universidade de Chicago, nos Estados


Unidos, é criada a divisão de ensino por correspondência visando à preparação
de docentes;

• 1898 – O Instituto Hermond, na Suécia, oferece curso de línguas por


correspondência;

• 1910 - a Universidade de Queensland, na Austrália, inicia programas de ensino


por correspondência.

• 1922 – na União Soviética inicia-se o ensino por correspondência, atingindo


350.000 usuários;

• 1924 - Fritz Reinhardt cria a Escola Alemã por Correspondência de Negócios;

• 1928 - a BBC (British Broadcasting Corporation) começa a promover cursos


para a educação de adultos usando o rádio. Essa tecnologia de comunicação
foi usada em vários países com os mesmos propósitos;

• 1935 – O Japanese National Public Broadcasting Service inicia programas


escolares com o uso do rádio;

• 1938 – o Canadá institui a Fundação do Conselho Internacional para Educação


por Correspondência;

• 1947 – a Faculdade de Letras e Ciências Humanas de Paris, na França, inicia


a transmissão de aulas via rádio Sorbonne;

• 1948 – a Noruega cria a primeira legislação para escolas por correspondência;

• 1951 – na África é criada a Universidade Sudáfrica, dedicada a cursos na


modalidade EaD;

• 1956 - a Chicago TV College, nos Estados Unidos, inicia a transmissão de


programas educativos pela televisão;

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Cabe aqui destacarmos que o grande avanço da EaD se deu a partir dos anos 1960,
quando várias universidades europeias e de outros continentes começaram a atuar na
educação secundária e superior. Vejamos as iniciativas:

• 1960 – na Argentina, nasce a Tele Escola Primária do Ministério da Cultura e


Educação, integrando materiais impressos à televisão;

• 1967 – na Alemanha, fundado o Instituto Alemão para Estudos a Distância;

• 1968 – na Noruega, fundada a Associação Norueguesa de Educação a Distância;

• 1969 – no Reino Unido é fundada a Universidade Aberta, atingindo 200.000


alunos;

• 1971 – a Universidade Aberta Britânica é fundada;

• 1972 – na Espanha, é fundada a Universidade Nacional de Educação a Distância,


atingindo 110.000 alunos;

• 1977 – na Venezuela, é criada a Universidade Nacional Aberta;

• 1978 – na Costa Rica, é criada a Universidade Estadual a Distância;

• 1982 – na Irlanda, implantado o Centro Nacional de Educação a Distância;

• 1984 – na Holanda, é implantada a Universidade Aberta;

• 1985 - criação da Associação Europeia das Escolas por Correspondência;

• 1985 – na Índia, instituída a Universidade Nacional Aberta Indira Ghandi;

• 1987 – divulgada resolução do parlamento europeu sobre Universidades Abertas


na comunidade europeia; criada a Associação Europeia de Universidades de
Ensino a Distância;

• 1988 – em Portugal, é fundada a Universidade Aberta;

• 1990 – implantada a rede Europeia de Educação a Distância, baseada na


declaração de Budapeste;

Estes acontecimentos aliados à evolução tecnológica contribuíram para a consolidação


da EaD e serviram de referência para novas iniciativas, identificadas em mais de 80
países, nos cinco continentes (NUNES, 2009).

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Analisando o contexto atual, observa-se que as tecnologias de informação e


comunicação (TIC), estão cada vez mais incorporadas em todas as atividades cotidianas,
influenciam nossos hábitos e modificam as formas como obtemos informações, aprendemos
e trabalhamos.

As inserções de tecnologias na EaD marcam os processos de ensinar e aprender que


se modificam ao longo de sua trajetória. Nunes (2009, p. 7) corrobora afirmando que as
TIC “em suas aplicações educativas, podem gerar condições para um aprendizado mais
interativo, através de caminhos não-lineares, em que o estudante determina seu ritmo,
sua velocidade, seus percursos”.

Moore e Kearsley (2007) classificam a evolução da EaD em gerações, de acordo com


as tecnologias utilizadas. Vejamos as principais características destas gerações no quadro
a seguir.

Quadro 1: Geração da EaD.

FORMAÇÃO DE RECURSOS INSTRUCIONAIS E


GERAÇÃO TUTORIA
COMUNICAÇÃO TECNOLÓGICOS BÁSICOS

Instrução por
1ª Ensino por correspondência Materiais impressos, livros e apostilas.
correspondência

Transmissão por rádio e Quando possível através de


2ª Rádio, vídeo, TV, fitas cassetes.
televisão telefone

Materiais impressos, TV, rádio, telefone,


3ª Universidade abertas Orientação local/pessoal
fitas cassete.

Contato síncrono (em


Teleconferência interativa com áudio e
4ª Teleconferência tempo real) e assíncrono
vídeo
(em qualquer tempo)

Internet, MP3, ambientes virtuais de


Atendimento regular por
5ª Internet/web aprendizagem (AVA), vídeos, animações,
um tutor
ambientes 3D, redes sociais, fóruns...

Fonte: adaptado de Moore e Kearsley (2007).

As gerações apresentadas nos permitem compreender como as tecnologias foram


incorporadas a EaD e com isso os processos de ensino e aprendizagem foram se modificando,
possibilitando a oferta de cursos em diferentes formatos que variam de acordo com o grau
de presencialidade, interatividade e recursos utilizados. Aliás, você conseguiria apontar
em qual das gerações seu curso está pautado?

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Depois de conhecermos o cenário mundial do histórico da EaD vamos concentrar


nosso olhar para a EaD no Brasil. As iniciativas brasileiras na modalidade são pouco
precisas quanto ao seu início, autores citam como marco o ano de 1904, seguindo o
movimento internacional, com oferta de cursos por correspondência.

Destacamos alguns momentos que marcaram significativamente a história da EaD


em nosso país. (ALVES, 2009; MAIA; MATTAR, 2007).

De acordo com os autores, a EaD no Brasil inicia em 1904 com a implantação


das Escolas Internacionais que oferecem profissionalização por correspondência para
datilógrafo.

Em 1923, a rádio Sociedade do Rio de Janeiro, criada por Henrique Morize e Roquette-
Pinto, oferecia cursos de português, francês, silvicultura, literatura francesa, esperanto,
radiotelegrafia e telefonia, marcando o início da educação via rádio.

Edgar Roquette-Pinto instalou, em 1934, a Rádio-Escola Municipal no Rio. Os


alunos tinham acesso prévio a folhetos e esquemas das aulas, sendo também utilizadas
correspondência para contato com os alunos. Em 1936, a rádio é doada para o Ministério
da Educação e Saúde.

A fundação do Instituto Rádio Técnico Monitor, em 1939, e do Instituo Universal


Brasileiro, 1941, marcam a oferta sistemática de cursos a distância por correspondência.
Juntaram-se e inspiraram-se nestas outras instituições, muitas delas oferecendo cursos a
distância até hoje.

Em 1947, surge a Universidade do Ar patrocinada pelo Serviço Nacional de


Aprendizagem Comercial (SENAC) e pelo Serviço Social do Comércio (SESC) e emissoras
associadas. Os alunos estudavam apostilas e corrigiam exercícios com o auxílio de
monitores. Essa experiência durou até 1961, entretanto o SENAC oferece cursos EaD até
hoje.

Na década de 50, destaca-se a criação do sistema de Rádio Educativo Nacional


(SIRENA) que passa a produzir programas transmitidos por diversas emissoras (1957). Em
1959, a Arquidiocese de Natal no Rio Grande do Norte lançou um sistema de rádio difusão,
cujo sucesso inspirou a criação do Movimento Nacional da Educação Básica (MEB), marco
na EaD não formal.

Os anos 60 apresentam a criação da Ocidental School (1962), em São Paulo, focada


no campo da eletrônica. Em 1967, o Instituto Brasileiro de Administração Municipal
(IBAM) inicia suas atividades na área de educação pública, utilizando a metodologia de
ensino por correspondência. Neste mesmo ano identificam-se outras duas iniciativas, a
criação do núcleo de EaD pela fundação Padre Landell de Moura, integrando o ensino
por correspondência e via rádio, e o Projeto Saci (Satélite Avançado de Comunicações
Interdisciplinares) que apresentava como objetivo criar um inovador e pioneiro, sistema
nacional de telecomunicações com o uso de satélite.

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Na década de 70 destaca-se o Projeto Minerva (1970), criado através de convênio


entre o Ministério da Educação, a Fundação Landell de Moura e a Fundação Padre Anchieta,
cujo objetivo era utilizar o rádio para a educação e a inclusão social de jovens e adultos.
Em 1977, a Fundação Roberto Marinho inicia cursos supletivos a distância para o primeiro
e segundo graus, hoje denominado Telecurso 2000. A Universidade de Brasília, em 1979,
foi pioneira no uso da EaD no ensino superior, com curso de extensão universitária.

Nos anos 80 é fundado o Centro Internacional de Estudos Regulares (CIER), do Colégio


Anglo-Americano, que oferece ensino fundamental e médio a distância. Seu objetivo
é permitir que crianças, de famílias que mudam temporariamente para o exterior,
continuem a estudar pelo sistema educacional brasileiro.

Na década de 90 há a criação do programa Jornal da Educação - Edição do Professor


(1991), concebido pela fundação Roquette-Pinto. Em 1995, o programa foi incorporado à
TV Escola com o nome de Salto para o futuro, marco para EaD nacional. Este programa
objetiva a formação continuada de professores e alunos do magistério.

ATENÇÃO
Em 1996 a EaD surge oficialmente no Brasil com a Lei
de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei n.º
9.394, de 20 de dezembro de 1996) oficializando-a
como modalidade válida e equivalente para todos os
níveis de ensino. A referida lei reserva o artigo 80 para
o ensino e a educação a distância. Conjuntamente
a essa Lei, existem decretos e portarias com
instruções acerca de sua aplicação, recomendações e
determinações.

Em 2005, especialistas do Ministério da Educação regulamentam o artigo 80 da LDB,


determinando os procedimentos a serem adotados por instituições para o credenciamento
junto ao MEC para oferta de cursos EaD (Decreto 5.622/2005). Outro fato importante no
histórico da EaD foi a implantação do Sistema Universidade Aberta do Brasil, em 2006,
esta parceria entre MEC, estados e municípios visa o desenvolvimento e expansão da EaD
no ensino superior público do país.

O curso que você escolheu para cursar faz parte de uma instituição que desde 1997
apresenta iniciativas de educação a distância, atenta à legislação e às tecnologias para
a modalidade, assim como seu curso que foi idealizado em 2007, implantado em 2008 e
reconhecido pelo Decreto Estadual n.º 899, de 26 de março de 2012.

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Esses tópicos do histórico da EaD no Brasil


registram algumas das muitas iniciativas desta
Para aprofundar seus modalidade de ensino, algumas de sucesso e outras
conhecimentos sobre as
temáticas apresentadas neste descontinuadas, e a implantação de uma base legal que
tópico sugerimos como leitura orienta a modalidade de ensino, criando mecanismos
complementar o livro “Educação para a certificação, autorização e implantação de
a distância: da legislação ao cursos no país.
pedagógico”, das autoras
Rosilâna Aparecida Dias e Lígia
Silva Leite. Nesta obra, além Agora que você pode ter uma ideia da construção
do histórico da EaD no Brasil, histórica da EaD e das tecnologias de informação
você terá acesso a aspectos e comunicação que a ela foram e continuam sendo
pedagógicos, tecnologias e
mídias desta modalidade. Não agregadas, e considerando o crescimento da rede
deixe de buscar esta leitura! internet e o uso de diversos dispositivos móveis
(smartphones, tablets, etc.), você conseguiria se
imaginar realizando um curso profissionalizante via
SAIBA MAIS rádio?

3.2 Modelos de EaD

Ao longo do histórico da modalidade EaD você percebeu que muitas foram as


modificações em sua oferta, reflexo dos avanços sociais, econômicos, culturais e
tecnológicos que vem provocando mudanças nas práticas pedagógicas (BELLONI, 2008;
MORAN 2009). Avanços, principalmente relacionados às TIC, fatores econômicos, de
infraestrutura, políticas educacionais e institucionais, tem favorecido a elaboração de
modelos/sistemas de EaD. (BELLONI, 2008).

Um modelo de ensino estrutura-se na missão e objetivos de uma instituição de


ensino, que apresenta em seu currículo princípios e valores, ligados a filosofia, a ideologia
e ao seu papel social. Behar (2009, p. 24) classifica um modelo pedagógico para a EaD
como um sistema “de premissas teóricas que representa, explica e orienta a forma como
se aborda o currículo e que se concretiza nas práticas pedagógicas e nas interações
professor/aluno/objeto de estudo.”.

ATENÇÃO
Dessa forma, um modelo pedagógico representará
a postura assumida pela instituição na relação com
o conhecimento e nos modos de sua produção, e
os princípios estruturais e regulamentadores desse
processo.

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Autores, como Moore e Kearsley (2007), dividem a história da EaD em gerações,


conforme verificamos na seção anterior, marcadas pelas diferentes ferramentas de
comunicação utilizadas para promover a interação nos cursos, possibilitando assim,
a ocorrência de diferentes modelos de EaD. Esses modelos possibilitaram avanços
significativos, criando caminhos para diversificar as metodologias, contribuindo para
avanços na qualidade do processo de ensino e aprendizagem em EaD.

Dentre os vários autores que discutem modelos para a EaD (GONZALEZ, 2005;
BELLONI, 2008; MAIA; MATTAR, 2007), destacamos Moran (2011), que indica a existência
no Brasil de basicamente dois grandes modelos de EaD, com muitas variáveis. Moran
classifica os modelos em Teleaula e Web.

No modelo teleaula o professor leciona em um determinado local sendo esta aula


transmitida ao vivo via satélite aos alunos em diferentes lugares. Neste modelo as aulas
também são gravadas, possibilitando aos alunos assistirem juntos ou separados. Esse
modelo aproxima-se do ensino presencial considerando que o professor ministra as aulas,
que são transmitidas por meios tecnológicos. De acordo com Moran (2011, p. 48-49),

No modelo Teleaula, os alunos vão a determinadas sala nos polos, em que


assistem a aulas transmitidas por satélites ao vivo, uma ou duas vezes por
semana. Eles enviam perguntas e o professor responde às que considera
mais relevantes. Em geral, depois da teleaula, os alunos se reúnem em
pequenos grupos para realizar as atividades de discussão e aprofundamento
de questões relacionadas com a aula dada, sob a supervisão de um mediador,
chamado de professor-tutor local. Além das aulas, os alunos costumam
receber material impresso e orientações de atividades para fazer durante
a semana, individualmente, com o acompanhamento de um professor-tutor
online ou eletrônico.

Moran (2009) ainda propõe que este modelo pode se apresentar de duas formas,
um com encontros periódicos presenciais e outro online. No modelo com encontros
presenciais, os alunos assistem as aulas (gravadas ou transmitidas ao vivo), acompanhados
de um tutor, que os supervisiona em atividades relacionadas à disciplina, e os auxilia
em dúvidas sob a orientação de um professor responsável. No modelo online, os alunos
assistem as aulas via internet ou recebem CD ou DVD, possibilitando-os acessá-las de
casa ou do trabalho. Encaminham questões/dúvidas, após o estudo do material impresso,
em um ambiente de aprendizagem monitorado por um tutor. Neste modelo, os alunos
somente vão ao polo para realizar avaliação.

No modelo Web os alunos e o professor interagem por meio dos materiais didáticos
e por ferramentas da web. Neste modelo o papel do professor não se configura apenas
em produzir videoaulas, mas sim em uma mediação e acompanhamento focado na
aprendizagem do aluno. Para Moran (2011, p. 50),

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[...] o modelo web foca também no conteúdo disponibilizado pela internet


e por CD ou DVD. Além do material encontrado na web, os alunos costumam
ter material impresso por disciplina ou módulo. Os principais ambientes de
aprendizagem são o Moodle, o Blackboard e o Teleduc. Algumas instituições
tem seu próprio ambiente digital de aprendizagem. Começa-se a utilizar
a webconferência para alguns momentos de interação presencial com os
alunos, visando orientar, solucionar dúvidas e manter vínculos afetivos.

Neste modelo também o autor propõe uma subdivisão, indicando um modelo mais
virtual e outro com encontros presenciais. No modelo virtual, toda a orientação ao aluno
é realizada pelo professor ou tutor, a distância (internet ou telefone). Os encontros
presenciais destinam-se somente às avaliações. Já no modelo com encontros presenciais,
o aluno possui próximo de sua casa polos, onde poderá esclarecer dúvidas com o tutor,
além de participar de atividades e utilizar os laboratórios de informática e os específicos
para o curso.

As ideias de Moran nos ajudam a compreender que os modelos de EaD são variados,
apresentado classificações e características conforme a interação entre o professor
e os alunos. Dessa forma, cada instituição de ensino, apoiada no projeto pedagógico
do curso, desenhará seu modelo de EaD. Esse modelo não segue um padrão, visto que
constantemente as tecnologias vêm se alterando, possibilitando integrar diferenciadas
formas de acesso aos conteúdos e interação com o professor/tutor/alunos.

O modelo de EaD que você está cursando, apresenta uma convergência de várias das
possibilidades apresentadas, e outras pensadas no processo de ensino e aprendizagem.
Assumindo sua organização pedagógica, como uma construção subjetiva, prezando pela
autonomia orientada do educando e sua interação com professores e seus pares, no
modelo de Ead da Univali, você terá acesso a tecnologias de informação e comunicação
e o uso de mídias que podem ser utilizadas de forma integrada ou isoladamente, a partir
dos objetivos definidos no curso. Assim, você terá acesso a manuais de orientação,
material didático impresso (MDI), material didático audiovisual (MDA), ambiente virtual
de aprendizagem (AVA), sistema de tutoria, encontros presenciais, sistema de avaliação
e acompanhamento presencial. Você conheceu, com detalhamento, o modelo de EaD
adotado pela universidade na Unidade 2 deste livro didático.

Antes de continuar a leitura do livro didático assista ao vídeo disponível no Ambiente


Virtual de Aprendizagem. Nele retomamos pontos importantes do processo de evolução
da EaD. Depois, continue a leitura a partir deste ponto, certo?

Agora que você conheceu um pouco da história da EaD e compreendeu que ela pode
se apresentar em diferentes modelos, vamos identificar quais são as atitudes esperadas
do aluno que estuda na EaD?

12 PEDAGOGIA • UNIVALI
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3.3. Como estudar a distância

Neste tópico a proposta é refletir sobre as


especificidades da vida acadêmica da modalidade As mudanças de uma
a distância. As mudanças de uma sala de aula física sala de aula física para
para uma sala de aula virtual demandam alterações uma sala de aula virtual
na organização e comportamento do aluno. Agora você demandam alterações
decide a forma e a hora de estudar. Neste sentido, na organização e
apresentamos algumas dicas e sugestões para sua comportamento do aluno.
organização e sucesso nos estudos. Agora você decide a forma
e a hora de estudar.
A educação a distância, conforme legislação
brasileira, “caracteriza-se como modalidade
educacional na qual a mediação didático-pedagógica
dos processos de ensino e aprendizagem ocorre com a utilização de meios tecnológicos
de informação e comunicação, com estudantes e professores desenvolvendo atividades
educativas em lugares e tempos diversos” (BRASIL, 2005).

Concebida desta forma, a educação a distância exige do aluno um perfil específico.


Requer a compreensão de que os processos de ensino e aprendizagem e as relações entre
alunos e professores ocorrem de maneira diferente do ensino presencial. Estas relações,
o ensino e a aprendizagem acontecem em uma sala de aula virtual, denominada ambiente
virtual de aprendizagem. Nele você realiza, recebe e envia as atividades e interage com
os professores e demais colegas de seu curso.

ATENÇÃO
Aprender em um ambiente virtual é bem diferente de
aprender em uma sala de aula tradicional. É preciso
romper barreiras e adquirir novos hábitos, assumindo
uma postura ativa, investigativa e crítica sobre os
conteúdos, procedimentos e atitudes desenvolvidos
neste processo.

Então, você se sente preparado para ser um aluno da EaD?

3.3.1 Características do aluno da EaD

A educação a distância vem se difundindo nos últimos anos. Segundo o censo 2014,
temos a oferta de 1.365 cursos que reúnem um total de 727.738 alunos na modalidade
EaD (INEP, 2016). Os dados apontam que o perfil deste estudante geralmente é jovem em
busca de formação, porém temos a adesão de grupos formados por pessoas com idade
mais avançada e aqueles que por alguma razão são impedidos de frequentar o ensino
presencial.
PEDAGOGIA • UNIVALI 13
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Na EaD, assim como na educação presencial, o objetivo é aprender. No AVA, nossa


sala de aula virtual, as relações com os professores e demais colegas exige uma postura
diferente, considerando que você terá mais autonomia e flexibilidade, devendo controlar
seu ritmo e tempo. Como destaca Litwin (2001), uma característica da modalidade EaD é a
substituição da assistência regular e presencial por uma nova proposta não convencional.
Ou seja, a organização do ensino contemplará recursos técnicos e pedagógicos com
o objetivo de facilitar a construção de conhecimento e possibilitar as mediações e
interações necessárias ao processo educativo. Maia e Mattar (2007, p. 84), indicam que
o aluno da EaD precisa “desenvolver diferentes abordagens para seu aprendizado – de
maneira que ele o torne capaz de “aprender a aprender” com diferentes situações que
enfrentará na vida”, pesquisando e avaliando fontes de informação, transformando-as
em conhecimento.

Lidar com esta organização do ensino, requer habilidades do estudante da EaD,


vamos conhecê-las?

3.3.1.1 Autonomia e autoaprendizagem

O estudar sem a presença física regular de colegas e professores


desafia o cursista a superar suas limitações pessoais e desenvolver
sua capacidade de aprender autonomamente, de aprender a
aprender. (PRETI, 2000, p. 125).

Considerando a afirmativa do autor, vemos que na EaD você se torna sujeito de


sua própria aprendizagem, tendo como suporte componentes materiais e humanos
pensados, planejados, acompanhados e avaliados para que lhe possibilitem construir essa
autonomia. Assim, nesse processo, o professor assume o papel de facilitador, mediador,
sendo corresponsável pelo processo de ensino e aprendizagem.

A autonomia torna o aluno responsável e ativo no processo de educação, convida você


a buscar conhecimento, expandindo os conteúdos recebidos por meio de pesquisas, da
interação com os professores e demais colegas de curso. Convida você a “buscar, encontrar,
selecionar e aplicar, e não apenas receber e memorizar” conteúdos passivamente. (MAIA;
MATTAR, 2007, p. 85).

Concebida desta maneira, a autonomia não deve ser confundida como sinônimo de
autodidatismo, pois este é compreendido pelo fato do aluno estudar por conta própria.
Na EaD o aluno não estará sozinho, através das ferramentas disponíveis no AVA você
estará em constante contato com o professor e seus colegas, estabelecendo relações,
apropriando-se, elaborando e construindo conhecimento.

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3.3.1.2 Interação e comunicação

Compreendendo interação como o processo de comunicação e diálogos que ocorrem


no AVA, precisamos perceber que uma simples participação ou acesso não garante a
interação necessária ao efetivo aprendizado. Interagir ativamente é contribuir com algo
substancial na discussão, atividade ou dúvida, é agir de forma intencional, buscando
corresponder ao que é esperado naquele momento (OLIVEIRA; LIMA, 2011).

No AVA, as interações podem ser síncronas (aquelas em


que todos participam em um mesmo horário) e assíncronas
(aquelas em que os participantes não estão on-line ao
mesmo tempo). Na EaD, as interações assíncronas são mais Estas interações são
usuais, permitindo ao aluno flexibilidade para organizar baseadas principalmente
na escrita, portanto é
seus momentos de estudo/participação. Estas interações
preciso ser claro naquilo
são baseadas principalmente na escrita, portanto é preciso
que pretende expressar,
ser claro naquilo que pretende expressar, para garantir
para garantir que o outro
que o outro entenda perfeitamente o que foi dito. Assim,
entenda perfeitamente o
ressalta-se a importância da escrita da EaD, conforme que foi dito.
aponta Tancredi, Reali e Mizukami (2005, apud CARNEIRO,
2015, p. 151).

[...] a comunicação que se estabelece on-line retoma o paradigma da


escrita, que estava de certa forma abandonado como meio de comunicação
interpessoal dado o advento e a rapidez proporcionados pelo uso do
telefone, por exemplo. Com o uso da internet professores e alunos – assim
como todos os demais usuários - têm a possibilidade de utilizar a escrita
para se comunicar; produzir, expor suas ideias, escrever, reescrever, ler,
reler, atribuir significado [...].

Dessa forma, a qualidade das interações contribuirá para a qualidade da aprendizagem,


pois “a ausência física do professor é compensada por uma comunicação intensa, que
limita a possibilidade do aluno se sentir sozinho, isolado”. (BORBA; MALHEIROS; ZULATTO,
2007, p. 26).

3.3.1.3 Presença e participação no AVA

A presença em um curso a distância será percebida pelas suas interações no AVA.


Cada contribuição nos fóruns e nas atividades dependerá de sua leitura crítica e reflexiva
das mensagens, correspondendo aos objetivos esperados. Dessa forma, sua participação
deve ser clara, objetiva, respeitando à propriedade intelectual e os direitos autorais na
elaboração de seus trabalhos.

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Outro aspecto importante na aprendizagem em EaD serão suas participações em


atividades colaborativas. Nelas você participará de diálogos, compartilhando experiências,
vivências, ampliando sua aprendizagem, criatividade e pensamento crítico. (PALLOF;
PRATT, 2007). Campos et al (2003, p. 26) considera essa aprendizagem como “[...] uma
proposta pedagógica na qual estudantes ajudam-se no processo de aprendizagem, atuando
como parceiros entre si e com o professor, com o objetivo de adquirir conhecimento
sobre um dado objeto.”.

Com as atividades colaborativas, nas trocas estabelecidas com o professor e os demais


colegas, você assume o papel de protagonista no processo de ensino e aprendizagem,
possibilitando compartilhar suas ideias com o grupo e receber feedbacks que auxiliarão
em sua formação. A aprendizagem é mais efetiva quando é possibilitada uma atitude
ativa do aluno, quando ele se posiciona, envia suas impressões, contribuindo com suas
ideias e, nesse processo, construindo uma rede de interações.

3.3.1.4 Organização do tempo e dos materiais

Saber como organizar o tempo é um ponto importante para o aluno da EaD. Para
facilitar sua caminhada no curso e garantir o cumprimento das atividades previstas você
precisa organizar uma rotina de estudos. Assim, é necessária uma avaliação realista de
quanto tempo é preciso para acomodar todas as atividades diárias, como trabalho, tempo
gasto com transporte e tempo para a família (PALLOF; PRATT, 2004).

Uma agenda poderá ajudá-lo nesta tarefa. Primeiro


você deverá estabelecer quais são os seus objetivos e metas
e o tempo que você possui para desenvolvê-las. Lembre-
se de que estudar na modalidade a distância não significa
VÍDEO apenas estar conectado no AVA. Você precisar estabelecer
Para complementar tempo para pesquisas, leituras, reflexões e a realização
as orientações das atividades. O plano de ensino das disciplinas pode ser
do livro didático uma referência para organizar sua agenda.
preparamos um
vídeo com algumas
orientações e dicas Assim como organizar o tempo, os materiais de
para organizar seus estudo também merecem sua atenção. Já imaginou perder
estudos. Assista ao o prazo para postar uma atividade por não localizar um
vídeo disponível no texto? Para não correr este risco organize uma pasta
AVA e pratique as
dicas. em seu computador, pendrive ou nuvem, nela guarde os
arquivos digitais disponíveis em seu curso, assim como os
outros materiais que pesquisar, desta forma você poderá
criar sua biblioteca digital e poderá consultá-la sempre
que precisar.

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Para os materiais físicos, organize um espaço em sua


casa, pode ser um cantinho no seu quarto, nele organize VÍDEO
um acervo bibliográfico para consultas ou tenha sempre
à vista os livros que você possui e que são importantes Para auxiliar sua
rotina de estudos
para seus estudos. Organizados assim, contribuirão para e a organização de
seu rendimento nos estudos, possibilitando se concentrar seus arquivos digitais
mais nas atividades. selecionamos vídeos
tutoriais que vão lhe
dar uma força nestas
Seu sucesso como aluno da EaD depende de tarefas. Assista-os no
sua participação ativa, das interações significativas, Ambiente Virtual de
comunicação adequada com seus colegas e professores, e Aprendizagem.
sua postura colaborativa no AVA.

Portanto, para um bom desempenho na educação a distância você precisa:

• ter clareza da organização dessa nova sala de aula;

• conhecer as ferramentas disponíveis no AVA;

• buscar informação sempre que for necessário;

• interagir com clareza utilizando as ferramentas de comunicação do AVA;

• participar ativamente das discussões;

• planejar e cumprir uma agenda de estudos;

• manter os materiais organizados e sempre a seu alcance.

Nossa expectativa com a leitura desta unidade é fazer você refletir sobre a
constituição da modalidade EaD e as atitudes esperadas do aluno na busca de sucesso em
sua caminhada de formação acadêmica.

Para aprofundar seus conhecimentos sobre as temáticas


apresentadas neste tópico sugerimos como leitura
complementar o livro “O estudo em ambiente virtual
de aprendizagem: um guia prático”, do autor Antônio
Siemsen Munhoz. Nele você encontrará aspectos e
visões diferenciadas sobre as atitudes que devem ser
desenvolvidas pelos participantes de estudos mediados por
ambientes virtuais de aprendizagem. Esta leitura possibilita
superar sua ansiedade no uso do AVA, compreendendo as
mediações possíveis e o uso de tecnologias em prol de sua
aprendizagem. Boa leitura!

SAIBA MAIS

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CONSIDERAÇÕES FINAIS

Chegamos ao final desta disciplina. Nosso objetivo era introduzi-lo no contexto


da EaD, para isso apresentamos reflexões sobre como se constituiu esta modalidade
de ensino, revisitando aspectos históricos e indicando as principais iniciativas da
modalidade no Brasil e no mundo. Esse processo permitiu identificar a influência das
tecnologias de comunicação e informação inseridas nesta modalidade e das mudanças
que proporcionaram no processo de ensino e aprendizagem. Percebemos a mudança de
uma educação calcada na transmissão de conteúdos para um modelo que valoriza a sua
participação e a construção coletiva do conhecimento.

Vimos que o processo de ensino e aprendizagem na EaD ocorre de forma diferenciada,


por sua natureza e ferramentas que utiliza, exigindo dos atores deste processo uma nova
postura e novos papéis. Essa afirmação apoia-se em Kenski (2005, p. 2) que alerta que
para um mesmo assunto, a sua exploração didática precisa sofrer alterações para usufruir
dos diversos suportes tecnológicos disponíveis.

Conhecemos o modelo de EaD que você escolheu para cursar, apresentando sua
metodologia, sistema de avaliação e tutoria, buscando compreender que a interação e a
colaboração serão significativas na construção do conhecimento.

Por fim, nossa intenção foi prever algumas de suas necessidades neste modelo de
educação, indicando alguns caminhos através das reflexões, provocações e leituras,
visando sua autonomia e uma experiência crítica de formação em EaD.

Lembre-se que você nunca estará sozinho. Procure as ferramentas de comunicação


que conhecemos para sanar suas dúvidas.

Bom estudo e sucesso em sua caminhada.

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portal.mec.gov.br/seed/arquivos/pdf/dec_5622.pdf>. Acesso em: 19 fev. 2017.

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