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Língua Brasileira de Sinais

Material Teórico
Mitos e Verdades sobre as Línguas de Sinais e a Pessoa com Surdez

Responsável pelo Conteúdo:


Prof. Ms. Juliana Sanros da Silva

Revisão Textual:
Profa. Esp. Vera Lídia de Sá Cicarone
Mitos e Verdades sobre as Línguas de
Sinais e a Pessoa com Surdez

• Mitos e Verdades sobre as Línguas de Sinais e a Pessoa com Surdez

• Surdo, surdo-mudo ou deficiente auditivo?

• Todos os Surdos realizam leitura labial?

• A Língua de Sinais é universal?

• Língua de Sinais ou Linguagem de Sinais?

• As Línguas de Sinais foram inventadas por ouvintes?

• As línguas de sinais são baseadas nas línguas orais?

• As línguas de sinais têm a mesma capacidade expressiva?

• As crianças aprendem línguas orais e de sinais de forma semelhante?

• Quem é o intérprete de libras?

Iremos esclarecer e discutir algumas questões referentes à pessoa


com surdez e à Língua de Sinais, pois, ao longo da história, muitos
mitos em relação aos surdos povoaram o imaginário coletivo.

Na atividade de aprofundamento de estudos, você encontrará uma entrevista concedida pela surda
Sueli Ramalho, na qual, de forma prática, muitos mitos discutidos na parte teórica da unidade são por
ela ilustrados através de sua história de vida. A partir dessa entrevista, você deverá produzir uma reflexão,
traçando um paralelo entre os conteúdos estudados e a entrevista.
A atividade de sistematização foi produzida de forma lúdica, empregando um recurso interativo
com questões que devem ser classificadas como verdadeiras ou falsas.
Aproveite as indicações de sites, filmes e leituras para a ampliação do conhecimento; eles favorecerão
a compreensão do conteúdo e auxiliarão a realização das atividades propostas.

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Unidade: Mitos e Verdades sobre as Línguas de Sinais e a Pessoa com Surdez

Contextualização

Neste momento você já deve estar se perguntando: comunidade surda? Língua de sinais?
LIBRAS? E mais: por que é que eu tenho que estudar isso?
Talvez esse assunto seja novo para você!
É provável que, ao longo da sua carreira, você se depare com surdos, membros da comunidade
surda, usuários da Língua Brasileira de Sinais.
É importante você saber que, assim como quaisquer outras comunidades, a comunidade
surda brasileira não é homogênea. Nela você vai encontrar surdos que oralizam e leem
lábios bem e outros que não o fazem, ou não o fazem tão bem; surdos que só sinalizam,
surdos que sinalizam e oralizam e, entre estes últimos, aqueles que fazem essas duas coisas
ao mesmo tempo.
Entretanto, apesar de toda essa heterogeneidade, há um importante laço que une a
maioria das pessoas surdas brasileiras e esse laço é a Língua de Sinais, língua através
da qual elas se comunicam, expressam seus pensamentos e sentimentos, contam piadas,
discutem desde as coisas mais banais do dia a dia até assuntos mais sérios e comple¬xos,
como política, por exemplo.
Apesar de o reconhecimento oficial da LIBRAS, através do Lei 10.436/2002, ser uma conquista
extremamente importante para todos os surdos do Brasil, ele é apenas o primeiro passo! Em
outras palavras, não basta reconhecer a LIBRAS como meio de expressão das pessoas surdas e
o direito destas de ter acesso à informação por meio dela. É preciso também preparar (formar)
todos aqueles que vão atuar diretamente com essa população. Além disso, faz-se necessário que
a sociedade como um todo seja conscientizada das lutas e conquistas da comunidade surda.
Nesta unidade, procuramos discutir muitos mitos em relação à pessoa com surdez e à Língua
de Sinais e também esclarecer algumas questões que servirão como ponto de partida para o
pleno entendimento de toda a disciplina.
Indico um belo vídeo de um coral de surdos interpretando, em Língua de Sinais Americana
(ASL), a música “Imagine”. Esse vídeo demonstra, de forma emocionante, essa heterogeneidade
dentro das comunidades surdas e seu elo inextinguível, que é a Língua de Sinais.

• Acesse a interpretação GLEE Imagine (Official Music Video)


http://www.youtube.com/watch?v=cSlGocYJ2Dk

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Mitos e Verdades sobre as Línguas de Sinais e a Pessoa com Surdez

O que é mito? Podemos entender “mitos” como falsas ideias, visões ingênuas e/ou distorcidas
da realidade. Eles estão em toda parte!
Certamente você já deve ter tido a oportunidade de ouvir e/ou ler especialistas em uma
determinada área do conhecimento desfazendo “mitos” nos quais muitas pessoas acreditam,
não é mesmo? Você já deve ter ouvido e/ou lido médicos esclarecendo que determinadas
doenças podem ser contraídas de certa forma, mas não de outras; nutricionistas desmitificando
certas ideias sobre formas de perder peso, entre outras situações.
Nesta parte do material, vamos tratar de alguns mitos relacionados às Línguas de Sinais e aos
surdos que povoam o imaginário da maioria das pessoas.
Antes disso, entretanto, convido você a responder às perguntas abaixo. Para isso, peço que
tente responder a essas questões unicamente com base nos conhecimentos que você já tinha
antes de iniciar a leitura deste material. Caso julgue mais interessante, faça as perguntas abaixo
a uma outra pessoa! Vamos lá?
• Surdo, surdo-mudo ou deficiente auditivo? Qual o termo correto para
nos referirmos a este grupo?
• Todos os surdos realizam leitura labial?
• A Língua de Sinais é universal?
• Língua de Sinais ou Linguagem de Sinais?
• As línguas de sinais foram inventadas por ouvintes?
• As línguas de sinais são baseadas nas línguas orais?
• As línguas de sinais têm a mesma capacidade expressiva que as
línguas orais?
• As crianças aprendem línguas orais e/ou línguas de sinais de forma
semelhante?
• Quem é o intérprete de LIBRAS?

E então? Acredito que você tenha respondido a algumas questões com facilidade e, em
relação a outras, tenha ficado com alguma dúvida. Certo?
Na verdade, era exatamente isso o esperado, já que cada pergunta acima se refere a uma
das muitas falsas ideias que as pessoas normalmente têm a respeito das Línguas de Sinais e,
consequentemente, a respeito da pessoa com surdez.
Nesse sentido, convido você a ler as subseções a seguir, nas quais cada pergunta é respondida
e discutida.

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Unidade: Mitos e Verdades sobre as Línguas de Sinais e a Pessoa com Surdez

Surdo, surdo-mudo ou deficiente auditivo? Qual o termo correto para


nos referirmos a esse grupo?

Ser surdo não é apenas não ouvir ou ouvir pouco; ser surdo vai além da aferição de decibéis
através de um audiograma; ser surdo implica uma questão mais linguística do que apenas patológica.
A esse respeito, o Decreto 5626/2005, em seu artigo 2º, declara:

Considera-se pessoa surda aquela que, por ter perda auditiva, compreende
e interage com o mundo por meio de experiências visuais, manifestando sua
cultura principalmente pelo uso da Língua Brasileira de Sinais - Libras.

Sendo assim, é considerado surdo todo aquele que tem perda


auditiva e utiliza uma Língua de Sinais como forma de comunicação. Oralizar.
Para a comunidade surda, este termo é comum. Na verdade, os Normalmen
te, na
surdos gostam de ser tratados assim. É um equívoco chamá-los área de surd
ez,
usa-se essa
de surdos-mudos, pois surdo-mudo é o indivíduo que possui uma palavra
para referir-
deficiência auditiva e outra no aparelho fonador. Muitos surdos se à
ar ticulação
não são oralizados, ou seja, não falam, porém emitem sons; é da fala
pelo surdo.
considerado mudo, apenas o indivíduo que não emite som algum.
Alguns surdos possuem dificuldade em desenvolver a fala, pois
não escutam, porém seu aparelho fonador é preservado.
Em relação à deficiência auditiva, o Decreto 5626/2005 declara:

Considera-se deficiência auditiva a perda bilateral, parcial ou total, de


quarenta e um decibéis (dB) ou mais, aferida por audiograma nas frequências
de 500Hz, 1.000Hz, 2.000Hz e 3.000Hz.

Sendo assim, deficiente auditivo é o indivíduo que possui uma perda auditiva bilateral, parcial
ou total, porém não pertence à comunidade de surdos. Alguns utilizam a Língua Portuguesa
e outros, infelizmente, não desenvolvem nenhum tipo de comunicação, ficando limitados a
uma restrição auditiva. O indivíduo surdo possui uma cultura e identidade centrada em sua
comunicação espaço visual. Nesse sentido é um grande equivoco chamá-los de surdos-mudos.

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Todos os Surdos realizam leitura labial?

Não. Alguns surdos desenvolvem essa habilidade devido a treinamentos por anos a fio com
fonoaudiólogos; outros surdos que perderam a audição tardiamente também apresentam uma
facilidade para a leitura labial.
De acordo com Audrei Gesser (2009, p. 2009), “A leitura labial e o desenvolvimento
da fala vocalizada são habilidades que precisam de treinos árduos e intensos para serem
desenvolvidas”. O desenvolvimento da oralização não é uma habilidade natural para o surdo,
em especial para os congênitos.

A Língua de Sinais é universal?

Não! Uma evidência disso é a existência de uma língua de sinais chamada gestuno ou língua
de sinais internacional, que emergiu justamente da necessidade de comunicação entre surdos
de diferentes nacionalidades.
Pode-se dizer que, de forma geral, cada país tem a sua própria língua de sinais, havendo
países, no entanto, que têm mais de uma. No Brasil, por exemplo, além da Libras, temos
notícia da existência de uma língua de sinais indígena usada pelos índios urubu-kaapor,
localizados no sul do Maranhão.
Não podemos esquecer que a Língua é cultural, possui intima relação com a história de
seu país e com a comunidade que a utiliza. A exemplo disso, temos o sinal “cumprimentar”,
que é um vocábulo simples e que, porém, não pode ser universalizado, pois diferentes culturas
possuem formas distintas de cumprimentos, como se verifica na maneira de cumprimentar de
um brasileiro e de um japonês.
Para observar isso mais concretamente, veja sinais que significam “homem” em dife¬rentes
Línguas de Sinais e responda: eles são todos iguais, semelhantes ou diferentes? Esses sinais
contribuem ou não para a argumentação de que a Língua de Sinais não é universal?

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Unidade: Mitos e Verdades sobre as Línguas de Sinais e a Pessoa com Surdez

HOMEM
(LIBRAS)

HOMEM
(língua
de sinais

HOMEM
(língua
de sinais

HOMEM
(língua
de sinais
britânica)

10
HOMEM
(língua
de sinais
húngara)

HOMEM
(língua
de sinais
turca)

Língua de Sinais ou Linguagem de Sinais?

O termo correto é Língua de Sinais. Nosso país utiliza a LIBRAS (Língua Brasileira de Sinais),
que hoje é reconhecida como a segunda língua oficial em todo o território nacional de acordo
com a Lei de LIBRAS 10.436/2002:

Art. 1o É reconhecida como meio legal de comunicação e expressão a Língua


Brasileira de Sinais - Libras e outros recursos de expressão a ela associados.
Parágrafo único. Entende-se como Língua Brasileira de Sinais - Libras
a forma de comunicação e expressão, em que o sistema linguístico de
natureza visual-motora, com estrutura gramatical própria, constituem
um sistema linguístico de transmissão de ideias e fatos, oriundos de
comunidades de pessoas surdas do Brasil.

A Língua de Sinais possui regras gramaticais e parâmetros linguísticos como de qualquer


língua oral auditiva. Sendo assim, ela é considerada uma Língua.

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Unidade: Mitos e Verdades sobre as Línguas de Sinais e a Pessoa com Surdez

As Línguas de Sinais foram inventadas por ouvintes?


Não! As Línguas de Sinais, assim como as Línguas Orais, emergiram espontaneamente,
naturalmente, da necessidade de comunicação entre pessoas surdas. Uma evidência dessa
emergência espontânea foi documentada na Nicarágua, onde, até os anos 70, não se tinha
notícia da existência de uma Língua de Sinais. Com a criação da primeira escola pública para
surdos do país, centenas de crianças surdas foram postas em contato e daí emergiu o que hoje
se chama de Língua de Sinais Nicaraguense.

Apesar de as Línguas de Sinais não terem sido criadas por ouvintes e doadas aos surdos, esse
mito deve ter suas origens no fato de serem usados, até hoje, na educação de crianças surdas,
métodos que se pautam em sistemas artificiais de sinais, concebidos (majoritariamente) por
educadores ouvintes para fins de alfabetização dessas crianças. Entre esses métodos pode-se
citar o inglês sinalizado (Signed English), que consiste, basicamente, em uma versão gestual
do inglês falado.

As origens desse mito podem estar associadas também ao fato de os surdos fazerem uso do
alfabeto manual (conjunto de configurações de mão que representam letras do alfabeto que foi
inventado por ouvintes e adaptado por educadores de surdos para fins de sua alfabetização)
e de muitos acharem que as Línguas de Sinais se restringem a ele. Entretanto, apesar de ser
empregado na sinalização corrente, o alfabeto manual é usado, em geral, quando sinalizadores
querem fazer referência a um nome ou a um conceito expresso por uma certa palavra da Língua
Oral, mas para o qual não dispõem ainda de um sinal.

As línguas de sinais são baseadas nas línguas orais?

O fato de as Línguas de Sinais emergirem naturalmente do contato entre pessoas surdas,


como mencionado na seção anterior, já aponta para a sua independência em relação à
Língua Oral.

A Língua de Sinais não é baseada na Língua Oral; as duas são totalmente independentes.
A Língua de Sinais possui um canal visual gestual, ao passo que a Língua Oral possui um
canal oral auditivo; sendo assim, são totalmente diferentes. É um equivoco pensar que
a LIBRAS é a sinalização da Língua Portuguesa; as duas possuem estados linguísticos,
parâmetros e regras distintos.

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As línguas de sinais têm a mesma capacidade expressiva que as
línguas orais?
Sim! As pessoas devem, em geral, pensar que as Línguas de Sinais são menos expressivas
porque não veem essas línguas como línguas, mas como uma forma rudimentar de comunicação.
Não é à toa que, durante muito tempo na história da educação de surdos, predominou
uma corrente denominada oralismo, que tinha como objetivo principal ensinar aos surdos a
articulação da fala e a sua compreensão por meio da leitura labial.
Os educadores que propuseram essa corrente não concebiam as Línguas de Sinais como
línguas naturais e, portanto, defendiam o ensino da fala como forma de dar aos surdos uma
língua, já que, segundo sua visão, eles não tinham nenhuma!
Entre os argumentos dessas pessoas estava, justamente, a falsa crença de que a comunicação
por gestos era presa ao concreto e, como tal, impedia que os surdos atingissem o raciocínio.
Entretanto, não é isso que se observa na prática. As Línguas de Sinais não servem apenas
para falar de coisas concretas, imediatas e simples. Elas podem ser (e são!) usadas para falar de
coisas abstratas e complexas, como política, linguística, filosofia, entre outras.

Explore

Para compreender melhor a capacidade expressiva da LIBRAS, indico que assistam à interpretação
do Poema “Ou isto ou Aquilo”, de Cecília Meireles, e observem como até uma poesia pode ser ex-
pressa sem perder seus elementos constitutivos.
Site: http://www.youtube.com/watch?v=kKBtqTtGivE

As crianças aprendem línguas orais e/ou línguas de sinais


de forma semelhante?
Sim! Você certamente não se lembra de como aprendeu a falar, mas já deve ter observado
outras crianças aprendendo. Depois do segundo aniversário, elas já começam a produzir suas
primeiras palavras, depois frases curtas, frases mais complexas, até dominarem a gramática
da língua adulta. Você deve ter reparado que isso acontece espontaneamente, ou seja, sem
instrução explícita por parte daqueles que interagem com a criança. A criança adquire uma ou
mais línguas simplesmente pela exposição a elas através da interação com outros falantes.

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Unidade: Mitos e Verdades sobre as Línguas de Sinais e a Pessoa com Surdez

A mesma coisa acontece com crianças surdas que, desde muito cedo, têm contato com surdos
adultos e, através da interação com eles, adquirem a Língua de Sinais. Não é preciso que os
sinalizadores que interagem com uma criança surda lhe deem aulas de LIBRAS. Pelo contato,
pelas trocas comunicativas, as crianças surdas, logo depois do seu segundo aniversário, (às
vezes antes) começam a produzir seus primeiros sinais, frases, e assim por diante.
O que particulariza a maioria das crianças surdas é que elas nascem em famílias ouvintes
e, portanto, ficam impossibilitadas de adquirir uma língua, já que não ouvem (logo, não têm
acesso à língua oral) e seus pais não sabem a Língua de Sinais.
A maioria das crianças surdas só adquire uma Língua de Sinais quando entra em uma escola
de surdos, ou seja, não adquire língua no mesmo período em que as crianças ouvintes.

Mãos ao vento, de Silvia Lia Grespan Neves, é o primeiro romance escrito por
uma autora surda no Brasil. Ele conta a história de Paola, uma moça surda, que se
envolve com Raul, um rapaz ouvinte. A autora usa a aproximação afetiva dessas
duas personagens para apresentar, de forma leve, vários aspectos da cultura surda
e várias questões relacionadas à surdez. Sendo assim, o livro é uma grata porta de
entrada para o mundo dos surdos. Por ter sido produzido de forma independente,
a compra desse livro só pode ser feita na FENEIS-SP (Federação Nacional de
Educação e Integração do Surdo).
Mãos ao vento (Silvia Lia Grespan Neves, São Paulo, 2010):
Para mais informações, acessar o site < http://www.feneissp.org.br/index.php>.

Quem é o intérprete de libras?

Intérprete de LIBRAS é o profissional ouvinte fluente em LIBRAS e em Língua Portuguesa que


realiza a tradução/interpretação simultânea LIBRAS/Português e Português/LIBRAS. Atualmente,
a profissão de tradutor/intérprete de LIBRAS é regulamentada e possui um código de ética.
O Ministério da Educação e Cultura, em 2004, publicou dois cadernos com materiais ricos e
norteadores para a implantação do Programa Nacional de Apoio à Educação de Surdos. Nele
encontramos a seguinte declaração:

Além do domínio das línguas envolvidas no processo de tradução e


interpretação, o profissional precisa ter qualificação específica para
atuar como tal. Isso significa ter domínio dos processos, dos modelos,
das estratégias e técnicas de tradução e interpretação. O profissional
intérprete também deve ter formação específica na área de sua atuação
(por exemplo, a área da educação).

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Explore

Para ter acesso ao documento integral do MEC, que versa sobre o tradutor e intérprete de Língua
Brasileira de Sinais e Língua Portuguesa, acesse:
http://portal.mec.gov.br/seesp/arquivos/pdf/tradutorlibras.pdf

Assim, tendo refletido e discutido sobre essas questões, tenho certeza de que seu olhar frente
à comunidade surda terá, a partir de agora, um novo paradigma. Podemos concluir este texto
neste instante, sabendo que algumas questões foram respondidas e mitos desconstruídos,
porém tenho certeza de que você ainda irá se surpreender muito com esse novo mundo de
experiências visuais gestuais.

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Unidade: Mitos e Verdades sobre as Línguas de Sinais e a Pessoa com Surdez

Material Complementar

Neste espaço você encontrará sugestões de material complementar ao conteúdo desenvolvido


na unidade I. Aproveite para aprofundar e sistematizar seu conhecimento referente à pessoa
com surdez e à Língua de Sinais. Tenho certeza de que você vai gostar.
Assista à entrevista da surda Sueli Ramalho no programa do Jô. Ela é surda congênita, filha
de pais surdos e, por meio de sua história de vida, ilustra de forma brilhante o conteúdo teórico
que discutimos.
PARTE 1 - http://www.youtube.com/watch?v=Yk3CSdCwolM
PARTE 2- http://www.youtube.com/watch?v=wG1cuWqWskI

Há um jornal diário apresentado em LIBRAS de segunda à sexta, às 07h50 da manhã, na


TV BRASIL. Acesse:
http://www.youtube.com/watch?v=xzHTnRb_nf4
http://www.youtube.com/watch?v=y4ZlR9xgNJ4

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Referências

GESSER, A. Libras? Que Língua é essa?: crenças e preconceitos em torno da Língua


de Sinais e da realidade surda. São Paulo: Parábola Editorial, 2009.

BRASIL. Lei n º10.436 de 24 de abril de 2002, que dispõe sobre a Língua Brasileira de
Sinais-Libras e o art. 18 da Lei 10.098 de 19 de dezembro de 2000.

________. O tradutor e intérprete de língua brasileira de sinais e língua portuguesa /


Secretaria de Educação Especial; Programa Nacional de Apoio à Educação de Surdos - Brasília
: MEC ; SEESP, 2004.

________. Decreto N º 5.626, de 22 de dezembro de 2005. Regulamenta a Lei n º10.436


de 24 de abril de 2002, que dispõe sobre a Língua Brasileira de Sinais-Libras e o art. 18 da Lei
10.098 de 19 de dezembro de 2000.

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Unidade: Mitos e Verdades sobre as Línguas de Sinais e a Pessoa com Surdez

Anotações

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www.cruzeirodosulvirtual.com.br
Campus Liberdade
Rua Galvão Bueno, 868
CEP 01506-000
São Paulo SP Brasil
Tel: (55 11) 3385-3000
Língua Brasileira de Sinais
Material Teórico
História da pessoa com surdez ao longo dos tempos

Responsável pelo Conteúdo:


Prof. Ms. Juliana Sanros da Silva

Revisão Textual:
Profa. Esp. Vera Lídia de Sá Cicarone
História da pessoa com surdez ao
longo dos tempos

• História da pessoa com surdez ao longo dos tempos

• O Surdo na Antiguidade

• Idade Média

• Idade Moderna

• Idade Contemporânea

• Um pouco da história dos Surdos nos Estados Unidos

• História dos surdos no Brasil

··faremos uma breve visita à história das pessoas com surdez ao


longo dos tempos. Dessa forma poderemos compreender com
mais propriedade o momento atual que vivemos. Ao longo da
disciplina, veremos como essa história tem sido marcada por
uma trajetória de lutas e conquistas.

Atente-se para a evolução dos fatos, que revelam diferentes concepções presentes nessa trajetória.
Dessa forma, você poderá compreender melhor o momento atual em que vivemos e, ainda mais,
você irá valorizá-lo, pois perceberá que muitas de nossas conquistas atuais estão centradas na
superação de muitos homens e mulheres determinados a intervir em uma sociedade excludente,
para torná-la mais humana e inclusiva.
Nesta unidade, a atividade de aprofundamento a ser realizada será um fórum de discussão.
Participe da discussão, colocando seu ponto de vista de maneira clara e objetiva, favorecendo a
interação e contribuindo para a aprendizagem coletiva.
Na atividade de sistematização do conhecimento, tire proveito da autocorreção. Ela será
importante para apreensão dos conteúdos da disciplina.

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Unidade: História da pessoa com surdez ao longo dos tempos

Contextualização

Atualmente a LIBRAS é reconhecida como a segunda língua oficial de nosso país através
da Lei 10.436/02. Os surdos possuem direito a uma educação bilíngue que atenda a suas
especificidades. Porém nem sempre foi assim. Durante séculos de nossa história, os surdos não
tinham direitos como:
• utilizar a língua de sinais;
• frequentar os mesmos locais que os ouvintes;
• casar-se;
• testamento, entre outros.
A história da pessoa com surdez tem sido marcada por grandes lutas e conquistas. Convido
você a assistir um emocionante vídeo que retrata um pouco dessa história e das dificuldades
enfrentadas por muitos surdos.
LINK: http://www.youtube.com/watch?v=XVp6Qh6ZXlo

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História da pessoa com surdez ao longo dos tempos:
um percurso de lutas e conquistas
A partir da oficialização da Lei de LIBRAS 10.436, em 2002, muitos direitos das pessoas
com surdez foram conquistados e consolidados. Hoje os surdos possuem uma língua que é
reconhecida, em todo o território nacional, como a segunda língua oficial de nosso país. O uso
e a difusão da LIBRAS são garantidos legalmente.
Porém não foi sempre assim. Por longos períodos, os surdos foram proibidos de usar a Língua
de Sinais e, em algumas épocas, eram até mesmo mortos; não tinham direito à vida. Para que
você compreenda um pouco dessas lutas e conquistas da comunidade surda, nesta unidade
faremos um breve panorama histórico desse percurso ao longo dos tempos.

O Surdo na Antiguidade
De acordo com Márcia Honora (2009), para os gregos e os
romanos, em linhas gerais, os surdos não eram considerados
humanos, não tinham direito à vida. A surdez era considerada
uma maldição dos deuses e, por isso, muitos surdos eram
lançados em precipícios e outros eram lançados nos rios. Nessa
época, os surdos que não eram mortos viviam miseravelmente
como escravos ou eram abandonados.
Thinkstock.com

Para o filósofo Aristóteles, nesse período, o sentido mais importante para o desenvolvimento
do pensamento era a audição; assim, os nascidos surdos não poderiam jamais desenvolver o
pensamento, estavam reduzidos ao mesmo patamar que os animais.
De acordo com Éden Veloso e Valdeci Maia (2009), na China, os surdos eram lançados ao
mar ou sacrificados a “Teutates”, por ocasião da festa do Agárico. Nesse período, os surdos
eram vistos como miseráveis, doentes, amaldiçoados e incapazes de desenvolver o pensamento.

Idade Média
Neste período, muitos relatos sobre a pessoa com
surdez foram perdidos, pois muitos surdos ainda estavam
sendo banidos da sociedade. A concepção de que os
surdos eram incapazes e limitados prevalecia.

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Unidade: História da pessoa com surdez ao longo dos tempos

Conforme Márcia Honora e Mary Frizanco (2009), na Idade Média, os surdos eram
privados do casamento para não gerarem outros “imperfeitos”. Também não tinham direito à
escolarização, não era permitido que frequentassem os mesmos locais que os ouvintes e, ainda,
não tinham direito ao testamento, pois não possuíam uma língua inteligível. No entanto, nessa
época, os nobres, para não dividirem suas heranças com outras famílias, casavam-se entre si, o
que gerava grande número de surdos entre eles.
Os surdos também não possuíam acesso à religião, pois, por não terem uma língua inteligível
(segundo a sociedade da época), suas almas eram consideradas mortais. A partir da análise desse
contexto, a Igreja iniciou uma tentativa de educar e doutrinar os surdos, conforme o relato a seguir:

Os monges que estavam em clausura e haviam feito o Voto do Silêncio para


não passar os conhecimentos adquiridos pelo contato com os livros sagrados
foram convidados pela Igreja Católica a se tornarem preceptores dos Surdos
(HONORA, 2009, p. 19).

Conforme podemos observar através desse relato, uma das primeiras tentativas de educação
dos surdos foi mediada por monges, porém, muitas vezes, a base dessa educação estava centrada
em interesses econômicos e religiosos. Vale ressaltar, ainda, que, embora os monges utilizassem
uma linguagem gestual, seu foco de trabalho era voltado para oralização dos surdos.

Idade Moderna
Neste período, os estudos sobre a pessoa com surdez tornaram-
se mais disponíveis. Muitos estudiosos renomados começaram
a investigar a surdez e traziam diferentes concepções sobre os
surdos. Alguns começaram a apontar a importância da Língua de
Sinais para o desenvolvimento das pessoas com surdez, porém
a maior parte desses estudos ainda trazia a língua oral auditiva
como sendo a única capaz de libertar os surdos de seu isolamento
e possibilitar-lhes uma forma de comunicação. Muitos filósofos,
professores, médicos e pesquisadores da época recomendavam
a imposição da língua oral para a educação e comunicação dos
commons.wikimedia.org
surdos, em detrimento da Língua de Sinais.
De acordo com Moura (2000), a primeira alusão à possibilidade de o surdo aprender por
meio da Língua de Sinais ou da língua oral é encontrada em Bartolo della Marca d’Ancona,
escritor e advogado do século XIV.
Neste período, uma importante declaração foi realizada por Girolamo
Cardano (1501-1576), médico e filosofo que reconheceu que a surdez
não era um impedimento para a razão e a instrução. Afirma que “... a
surdez e mudez não é o impedimento para desenvolver a aprendizagem e
que o meio melhor dos surdos aprenderem é através da escrita... e que era
um crime não instruir um surdo”, conforme cita Éden Veloso (2009). Girolamo Cardano (1501-1576)
commons.wikimedia.org

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O interesse nos estudos direcionados aos surdos,
por parte de Girolamo Cardano, teve início porque seu
primeiro filho nasceu surdo.
Moura (2000) relata que o verdadeiro início da
educação do surdo surgiu com o monge beneditino
Pedro Ponce de León (1520-1584), que se dedicou
a educar e ensinar os sacramentos sagrados a surdos de
famílias nobres. Ele ensinava-os a falar, ler, escrever e
rezar. Alguns aprenderam filosofia natural e astrologia e,
através de suas faculdades intelectuais, demonstravam
que eram capazes de aprender, o que, anteriormente,
Pedro Ponce de León ensinando um aluno
foi negado por Aristóteles. commons.wikimedia.org

León utilizava uma metodologia pautada na escrita, datilologia (alfabeto manual) e oralização.
Inicialmente ensinou dois irmãos surdos de uma importante família aristocrata. Na época, havia
uma grande preocupação em oralizar os surdos, em especial os primogênitos, pois, legalmente,
se estes não aprendessem a falar não teriam direito à herança da família.
Conforme Honora (2009), o padre Juan Pablo Bonet (1579-1623) publicou, em 1620,
em Madrid, o tratado de ensino de surdos chamado: “Redação das Letras e Artes de Ensinar
os Mudos a Falar”. Esse tratado previa a escrita sistematizada do alfabeto como facilitador da
oralização. Bonet acreditava que seria mais fácil para os surdos aprenderem a falar e ler se cada
letra do alfabeto fosse substituída por uma forma visual.

Reducción de las letras y arte para enseñar a hablar a los mudos (Bonet, 1620)

commons.wikimedia.org

Porém há relatos de que já havia sido publicada uma representação do alfabeto manual pelo
monge Melchor de Yebra (1526-1586) aproximadamente trinta anos antes da publicação de
Bonet em 1620. É difícil determinar uma época e um nome preciso para a criação do alfabeto
manual, uma vez que, como vimos anteriormente, os monges em clausura na Idade Média já
utilizam uma forma de linguagem gestual que representava as letras do alfabeto para que não
ficassem totalmente incomunicáveis.
Não obstante uma das formas mais antigas do alfabeto manual de que se tem notícia era
bimanual e utilizava as duas mãos para representá-lo. É utilizado, atualmente pelos surdos
no Reino Unido, Austrália, África do Sul, Nova Zelândia e algumas zonas do Canadá. Veja
ilustração a seguir:

9
Unidade: História da pessoa com surdez ao longo dos tempos

Alfabeto bimanual

commons.wikimedia.org

Essa representação do alfabeto é muito distinta da utilizada


hoje em nosso país. Em LIBRAS, o alfabeto manual é unimanual,
ou seja, é realizado apenas com uma das mãos.
Em Éden Veloso e Valdeci Maia (2009), encontramos o nome do
medico britânico John Bulwer (1614-1684), pouco divulgado
na história das pessoas com surdez. Ele, ao observar dois surdos
conversando, compreendeu a importância da língua gestual para
a educação da pessoa com surdez. Bulwer foi o primeiro inglês
a desenvolver e defender um método de comunicação entre
ouvintes e surdos. John Bulwer (1614-1684)
commons.wikimedia.org

Em 1644, publicou o livro A Língua natural da mão e a arte da retórica manual,


que defendia o uso do alfabeto manual, da língua de sinais e da leitura labial. Jhon Bulwer
acreditava que a Língua de Sinais era capaz de expressar os mesmos conceitos que a língua
oral. Tentou criar uma academia de surdos sem ter sido bem sucedido, pois seus estudos, na
época, não foram bem vistos por seus contemporâneos, que defendiam a oralização e a língua
oral auditiva.

10
De acordo com Moura (2000), outro importante personagem inglês na história dos surdos foi
John Wallis (1616-1703), seguidor do método de Bonet. Ele trabalhava com um pequeno grupo
de surdos na tentativa de ensiná-los a falar, porém declarou que essa fala se deteriorava, pois o
surdo necessitava constantemente de um retorno externo para monitorá-lo. Após abandonar o
ensino da fala para os surdos, passou a utilizar a Língua de Sinais para ensiná-los e considerou
a língua visual gestual fundamental para o ensino da pessoa com surdez. É muito curioso que,
embora Wallis tenha desistido de ensinar os surdos a falar, ele é considerado o fundador do
oralismo na Inglaterra.
Ainda conforme Moura (2000), um século mais tarde, Thomas Braidwood (1715-1806)
leu o trabalho de Wallis e seguiu sua linha de trabalho, defendendo e divulgando a oralização dos
surdos. Infelizmente Braidwood considerou apenas a fase oralista das pesquisas de Wallis, não
atentando para o fato de que o próprio Wallis, no final de sua vida, desistiu de ensinar os surdos
a falarem, rendendo-se à Língua de Sinais e declarando sua importância no desenvolvimento
da pessoa com surdez.
Braidwood fundou uma escola para surdos em Edimburgo, onde trabalhava com surdos
e outras crianças com problema de fala. Suas técnicas incluíam o uso do alfabeto manual,
pronúncia e leitura orofacial. Essa escola tornou-se referência na correção dos distúrbios da fala
na Europa. Muitas outras escolas foram fundadas com base nas técnicas de Braidwood. Todas
elas eram organizadas e dirigidas por membros de sua família, que mantinham suas técnicas em
segredo, não dividiam seus métodos, pois não queriam dividir o monopólio financeiro adquirido
através de suas técnicas.
Moura (2000) conta-nos que Charles Green foi a primeira criança americana a frequentar a
escola e obter sucesso no desenvolvimento orofacial. Seu pai, Francis Green, ficou tão motivado
com o sucesso do filho que decidiu lutar pela abertura de novas escolas para surdos baseadas
nas técnicas de Braidwood. Obviamente não obteve apoio deste, que não desejava divulgar seu
método nem dividir seus lucros.
Apesar do sucesso obtido no desenvolvimento da fala, quando Charles Green voltou para
os Estados Unidos, sua fala regrediu muito e Green passou a defender a Língua de Sinais e a
criticar as técnicas de Braidwood.
No final da Idade Moderna, um grande nome apareceu: Charles Michel L’Epée (1712 –
1789). Muitos atribuem a ele a criação da Língua de Sinais, porém, como vimos anteriormente,
muitos de seus antecessores já acreditavam e divulgavam a Língua de Sinais como sendo uma
forma real de desenvolvimento para os surdos.

Trocando Ideias
É importante ressaltar que não podemos atribuir uma data ou um nome específico para a criação da
Língua de Sinais, pois ela existe deste que existem surdos, ou seja, desde o início da humanidade.

11
Unidade: História da pessoa com surdez ao longo dos tempos

Porém, conforme aponta Moura (2000), um dos grandes diferenciais de L’Epée foi ter a
humildade de aprender a Língua de Sinais com os surdos e de considerar o que eles já traziam,
além de reconhecer os sinais como uma língua que podia, efetivamente, expressar conceitos
concretos e abstratos.
Éden Veloso e Valdeci Maia (2009) contam que L’Epée manteve contato com surdos carentes
que perambulavam pela cidade de Paris (nesse período não era permitido o extermínio dos
surdos como na Antiguidade, porém muitos surdos de origem humilde eram abandonados
por suas famílias), procurando aprender sua forma de comunicação e sistematizar seus estudos
sobre a Língua de Sinais.
Seu método combinava os sinais utilizados por seus alunos com a gramática da língua
francesa e foram denominados “Sinais Metódicos”, e utilizados até1830. Moura, em seu livro
O Surdo: caminhos para uma nova identidade, aponta:

A importância de L’Epée não está somente no fato dele ter desenvolvido


um método novo na educação dos Surdos, mas de ter tido a humildade
de aprender a Língua de Sinais com os Surdos para poder, através desta
língua, montar o seu próprio sistema para educá-los. Ele foi o primeiro a
considerar que os Surdos tinham uma língua, ainda que a considerasse falha
para ser usada como método de ensino. Através desta visão, em que a língua
dos Surdos era reconhecida, ele colocou os Surdos na categoria humana.
(MOURA, 2000, p. 23).

Outra importante e desafiadora descoberta feita por L’Epée foi que:

O treinamento em fala tomava tempo demais dos alunos, tempo este


que deveria ser gasto em educação. Além disto considerava que, mesmo
para aqueles que poderiam aprender a falar, isto teria pouco utilidade,
considerando-se o tempo despendido e a utilidade real desta fala
(MOURA, 2000, p. 24).

L’Epée fundou a primeira escola pública para surdos em Paris


, o Instituto Nacional para Surdos-Mudos, em 1760. Ele fazia
demonstrações, em praça pública, de seus alunos com perguntas e
respostas através da Língua de Sinais e da escrita para provar que
seu método funcionava e que os surdos eram capazes de aprender.
Dessa forma também arrecadava dinheiro para manter seu trabalho.
L’Epée morreu em 1789 quando já havia fundado 21 escolas para
surdos na França e em outras partes da Europa.
Charles Michel L’Epée (1712 – 1789)
commons.wikimedia.org

12
Idade Contemporânea

Você se recorda do Instituto de Surdos-Mudos de Paris fundado por L’Epée? Esse Instituto foi
um marco na história dos surdos e no reconhecimento da Língua de Sinais. Mas, após a morte
de seu fundador L’Epée, o que aconteceu? A Língua de Sinais foi adotada também por outros
professores, médicos e estudiosos? O que você acha? Veremos, agora, o que aconteceu com o
renomado Instituto Nacional de Surdos-Mudos de Paris.

Importante
Não se esqueça de que a concepção de surdez da época era diferente da atual e o termo Surdo-Mu-
do, atualmente, não deve ser utilizado, conforme vimos na unidade anterior.

Moura (2000) relata que, em 1790, Abbé Sicard (1742-1822) assumiu a direção do Instituto
Nacional de Surdos-Mudos no lugar de L’Epée. Sicard publicou dois livros: um de gramática
geral e outro com um relato de como ensinou Jean Massieu (surdo).
Jean Massieu tornou-se um renomado professor surdo da época e, após a morte de Sicard,
foi o nome mais indicado para, naturalmente, assumir a direção do Instituto. Porém isso não
aconteceu. Ele foi afastado por Jean-Marc Itard e Baron Joseph Marie de Gérando, que eram
grandes opositores da Língua de Sinais.
Jean-Marc Itard (1775-1838) tornou-se médico residente do Instituto Nacional de Surdos-
Mudos de Paris; buscava entender qual a causa da surdez e constatou que sua origem não era
visível. Assim, realizava experiências com os surdos buscando erradicar a surdez. Muitos de seus
procedimentos eram desumanos e invasivos e, entre eles, podemos citar:
• uso de sanguessugas para perfurar as membranas timpânicas de alunos surdos;
• uso de descargas elétricas nos ouvidos dos surdos;
• perfuração de membrana timpânica (levando um aluno à morte por esse motivo).

Após anos de trabalho e pesquisa, Itard reconheceu que a melhor forma para o ensino dos
surdos era a Língua de Sinais.

O próprio Itard, após dezesseis anos de tentativas e experiências frustradas


de oralização e remediação da surdez, sem conseguir atingir os objetivos
desejados, rendeu-se ao fato de que o Surdo só pode ser educado através da
Língua de Sinais. Ele continuaria defendendo a tese de que alguns poucos
poderiam se beneficiar do treinamento de fala, mas mesmo para estes ele
passou a considerar que a única forma possível de comunicação e de ensino
deveria ser a Língua de Sinais (MOURA, 2000, p. 27).

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Unidade: História da pessoa com surdez ao longo dos tempos

Um pouco da história dos Surdos nos Estados Unidos

Conforme Moura (2000), Thomas Gallaudet (1787-1851) começou a interessar-se pela


surdez após conhecer Alice Cogswell, uma menina surda que era sua vizinha e com a qual
tentou estabelecer algum tipo de comunicação através de gestos e apontado objetos. Ao longo
do tempo, seu interesse pela surdez só aumentou e ele uniu esforços com outras pessoas para
criar uma escola pública para surdos nos Estados Unidos. Gallaudet não conhecia nada sobre a
surdez e, por isso, foi para à Europa aprender o método utilizado por Braidwood (que utilizava
o método oralista, como vimos anteriormente), porém Braidwood, por interesse financeiro, não
quis revelar seu método.
Por essa razão Gallaudet foi para França para conhecer o método
de L’Epée, que utilizava a Língua de Sinais para o ensino dos surdos,
como já vimos. No Instituto Nacional para Surdos-Mudos, ele
realizou um estágio e começou a aprender a Língua de Sinais e
o sistema de Sinais Metódicos. Seu instrutor foi o Laurent Clerc
(1785-1869), surdo educado no Instituto desde os doze anos de
idade que, posteriormente, se tornou um brilhante e conhecido
Laurent Clerc (1785-1869)
commons.wikimedia.org
professor de surdos.
Para fundar a primeira escola pública para
surdos. Inicialmente eles utilizavam a Língua
de Sinais francesa e, gradativamente, foram
adaptando e formando a Língua de Sinais
Americana. Essa escola recebeu o nome de
Hartford School. Muitos surdos de outros estados
estudavam nessa escola e depois voltavam para
suas cidades de origem. A escola possuía o
regime de internato. Em 1869, já existiam trinta
escolas para surdos nos Estados Unidos.
Em 1864, foi autorizado o funcionamento
da primeira faculdade para surdos, localizada
em Washington (National Deaf-Mute College,
atual Gallaudet University), fundada por
Edward Gallaudet, filho de Thomas Gallaudet.
Atualmente a Gallaudet University, localizada
em Washington, é a única Universidade de
artes liberais para surdos no mundo que utiliza
Gallaudet University
a Língua de Sinais como primeira língua. Andrew Kuchiling - commons.wikimedia.org

Explore
Para conhecer mais sobre a Gallaudet University, indico a visita ao site oficial em:
http://www.gallaudet.edu/

14
Não podemos deixar de comentar que um dos mais conhecidos defensores do oralismo da
época que foi Alexander Graham Bell (1847-1922), cientista e inventor do telefone. Ele
julgava que a Língua de Sinais era inferior à língua oral e que a surdez era um desvio e, ainda, que
o casamento entre surdos era um perigo para a sociedade, embora sua própria mãe fosse surda.
Éden Veloso (2009) conta que, em 1873, Alexander Graham Bell ministrava aulas de
fisiologia da voz para surdos na Universidade de Boston quando conheceu a surda Mabel
Gardiner Hulbard, com quem se casou em 1877. Mabel era oralizada e não gostava de estar na
presença de outros surdos; para ela os surdos deveriam se passar por ouvintes encaixados no
mundo. Graham Bell criou o telefone em 1876, tentando criar um acessório para surdos.
Honora (2009) também relata um importante acontecimento nesse período: o I Congresso
Internacional de Surdos-Mudos no ano de 1878 em Paris. Nesse evento foi definido que o
melhor método para educar os surdos era a oralização e a utilização de gestos nas séries iniciais.
Porém dois anos mais tarde, em 1880, aconteceu, em Milão, o II Congresso Mundial de Surdos-
Mudos, em que foi promovida uma votação para decidir entre a oralização e a Língua de
Sinais. O questionamento em pauta era saber qual seria o melhor método para a educação
dos surdos. Após a votação, a oralização venceu e a recomendação oficializada foi do oralismo
puro, proibindo-se totalmente o uso de sinais. Honora ainda ressalta que apenas um surdo
esteve presente ao congresso, mas não teve o direito a voto, sendo convidado a se retirar da
sala de votação.
Podemos perceber que esse período foi marcado por lutas e conquistas entre surdos e ouvintes.
Muitos dos estudiosos, professores e médicos da época que defendiam a oralização, após anos
de trabalho, compreenderam que apenas através da Língua de Sinais o surdo poderia sair de
seu isolamento e, realmente, estabelecer um processo comunicativo integral.
Infelizmente, na história das pessoas com surdez não foi dado o protagonismo ou a liberdade
de escolha para os próprios surdos. Podemos perceber que, durante muito tempo, não foi dada
“voz” aos surdos, foi lhes negado o direito de escolha, de decidir sobre sua própria vida.
Vimos um pequeno relato do percurso histórico dos surdos ao longo dos tempos em diferentes
países. Mas ... como foi esse cenário de lutas e conquistas em nosso país? Vejamos, agora, um
pouco da história dos surdos no Brasil.

História dos surdos no Brasil

A educação de surdos no Brasil difere da de outros países, pois um


de seus idealizadores foi Hernest Huet, ex-aluno surdo do Instituto de
Paris. Conforme vimos anteriormente, em outros países a maior parte dos
pesquisadores e professores eram ouvintes. Entendemos que ninguém
melhor que um surdo para compreender sua realidade e protagonizar sua
história.
Thinkstock.com

15
Unidade: História da pessoa com surdez ao longo dos tempos

Conforme Honora (2009), Hernest Huet trouxe documentos


importantes referentes à Língua de Sinais Francesa e o alfabeto
manual para o nosso país. Dessa forma, ajudou a sistematizar
nossa Língua de Sinais, que sofreu grande influência da Língua
de Sinais Francesa.
Huet notou que, em nosso país, não havia uma escola pública
para surdos e, então, solicitou ao Imperador Dom Pedro II um
prédio para fundar o Instituto dos Surdos-Mudos do Rio de
Janeiro em 26 de Setembro de 1857, atual Instituto Nacional de
Educação de Surdos. Atualmente, nessa data, é comemorado o
Dia Nacional do Surdo. Instituto Nacional de Educação de Surdos
nes.gov.br

Explore
Para conhecer mais sobre o “Dia Nacional do Surdo”, veja a reportagem realizada pela
NBR Noticias publicada no site a seguir: http://www.youtube.com/watch?v=gW7rIE3OL1s

Dessa forma nossa Língua de Sinais começou a ser sistematizada, Não se esqueça de que,
conforme vimos anteriormente, a Língua de Sinais sempre existiu; Huet apenas auxiliou a
organização dessa língua através de sua experiência e de importantes documentos trazidos de
Paris. Em 1861, Huet deixou a direção do Instituto por problemas pessoais e foi para o México,
onde fundou uma escola para surdos.
Após a saída de Huet, muitos diretores com diferentes concepções passaram pelo Instituto,
conforme Moura (2000) e Honora (2009). Podemos citar alguns, como:

Nome Ano Características


Dr. Manoel de Não era especialista em surdez; realizou apenas um curso de
1862
Magalhães Couto habilitação na França
Regulamentou a educação profissional no Instituto e o ensino da
linguagem articulada e leitura labial. Após sete anos de trabalho, ele
Dr. Tobias Leite 1873
considerou que os alunos não haviam obtido nenhum rendimento
com esse método.
Dr. João Paulo de Deu continuidade ao ensino da linguagem articulada, conforme as
1897
Carvalho determinações do Congresso de Milão.
Adotou como método para o Instituto o oralismo puro em todas as
disciplinas. Após três anos de trabalho percebeu o resultado negativo
Dr. Custódio José apresentado pelos alunos e justificou o insucesso pela a entrada tardia
1911
Ferreira Martins dos alunos no Instituto (alunos entre 9 e 14 anos). Assim, solicitou ao
governo que as crianças fossem admitidas mais cedo, com 6 anos,
porém seu pedido não foi aceito.

16
Realizava testes de inteligência nos alunos e relacionava os resultados
com a aptidão para a oralização. Após esses testes, os alunos eram
separados de acordo com a seguinte classificação: surdos-mudos
completos, surdos incompletos, semissurdos propriamente ditos e
Dr. Armando Paiva de
1930 semissurdos. Seu objetivo era que as salas de aulas fossem o mais
Lacerda
homogênea possível para facilitar o trabalho de oralização realizado
pelo professor. Nomeou esse método de Pedagogia Emendativa do
Surdo-Mudo. Ele considerava que o trabalho dos professores com
crianças surdas era difícil e ingrato.
Profª Ana Rímoli de Implantou o Curso Normal de Formação de Professores para Surdos.
1951
Faria Dória A metodologia utilizada era o Oralismo.

Atualmente, o trabalho do INES foi reformulado e sua concepção de surdez é bilíngue,


priorizando o desenvolvimento do surdo por meio da Língua Brasileira de Sinais – LIBRAS. O
INES, hoje, é um centro de referência nacional na área da surdez e atende alunos surdos desde
a Educação Infantil até o Ensino Médio.

Explore

Para conhecer melhor o Instituto Nacional de Educação de Surdos – INES – e o trabalho realizado atu-
almente, acesse esta bela reportagem disponível em: http://www.youtube.com/watch?v=8L0zKJAdRTs

Como você pode perceber, a história das pessoas com surdez foi e ainda continua sendo
marcada por lutas e conquistas. Esta visita à história dos surdos ajuda-nos a entender o momento
atual em que vivemos. Também podemos perceber que muitos mitos associados ao surdo,
que estudamos na unidade anterior, estão alicerçados em sua própria história e também em
concepções equivocadas que, ao longo do tempo, foram construídas.
Durante muitos anos, a educação de surdos foi essencialmente pautada em uma Concepção
Oralista, com foco no treino orofacial e desenvolvimento da fala, proibindo-se o uso de sinais.
O objetivo primordial era a busca da “normalidade” e, infelizmente, muitos professores,
pesquisadores e cientistas acreditaram que apenas a fala poderia conferir o acesso dos surdos à
sociedade. Durante séculos a Língua de Sinais foi considerada inferior à Língua Oral.
Conforme Honora (2009), a concepção oralista em nosso país perdeu força em meados de
1970, com os estudos de Ivete Vasconcelos, educadora surda da Universidade de Gallaudet,
que trouxe para o Brasil a Concepção da Comunicação Total. Nessa abordagem, os sinais,
mímicas, gestos e expressões faciais são permitidos, porém concomitantemente ao uso da
Língua Portuguesa; o objetivo principal ainda era fazer com que o surdo desenvolvesse a fala.
Apenas a partir de 1980, em nosso país, começou a ser pensada uma Concepção Bilíngue de
educação para surdos. Nessa abordagem, a Língua de Sinais passou a ser considerada a língua
materna dos surdos congênitos e seu aprendizado, realizado de forma natural. Saiu de cena o
discurso clínico e o surdo passou a ser visto como diferente. A LIBRAS foi reconhecida como a
segunda língua oficial de nosso país por decreto federal.

17
Unidade: História da pessoa com surdez ao longo dos tempos

Ser surdo não é apenas uma condição audiológica, mas sim condição de pertencimento a uma
cultura diferenciada; é conceber o mundo através de uma língua visual, que hoje é garantida como
meio legal de comunicação e expressão, denotando ao surdo o pertencimento a uma minoria
linguística que deve ser respeitada e considerada. Para finalizarmos esta unidade, gostaria de
compartilhar com você o seguinte pensamento da professora e neurologista Maria Amim:

O próprio Itard, após dezesseis anos de tentativas e experiências frustradas


de oralização e remediação da surdez, sem conseguir atingir os objetivos
desejados, rendeu-se ao fato de que o Surdo só pode ser educado através da
Língua de Sinais. Ele continuaria defendendo a tese de que alguns poucos
poderiam se beneficiar do treinamento de fala, mas mesmo para estes ele
passou a considerar que a única forma possível de comunicação e de ensino
deveria ser a Língua de Sinais (MOURA, 2000, p. 27).

18
Material Complementar

Neste espaço, você encontrará sugestões de material complementar ao conteúdo desenvolvido


na unidade II. Aproveite para aprofundar seu conhecimento sobre a pessoa com surdez e sua
história. Tenho certeza de que você vai gostar.

• Assista à entrevista da Vanessa Vidal, Miss Ceará, surda. Com seu exemplo, ela demonstra
que uma história de superação é construída por cada um de nós, independentemente dos
obstáculos que a vida apresente.
Programa Derrubando Barreiras na rádio Eldorado com Mara Gabrilli:
http://www.youtube.com/watch?v=QBXR6DtvIfI

• Assista, ainda, a este depoimento emocionante de um pai de aluno surdo, reivindicando


uma educação de qualidade para seu filho.
http://www.youtube.com/watch?v=uR8Zu9sB4KA

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Unidade: História da pessoa com surdez ao longo dos tempos

Referências

AMIM, Maria. O que significa ser surdo? Conhecendo um pouco do que significa ser surdo
através da discussão do filme “Seu nome é Jonas”. In: Revista virtual de cultura surda e
diversidade. Ed. 5. Ano, 2009. Disponível em: http://www.editora-azul-arara . araral.com.br/
revista/relato.php. Acesso em 06/12/2011

Honora, M; Frizanco, M. Livro ilustrado de Língua Brasileira de Sinais: desvendando a


comunicação usada pelas pessoas com surdez. São Paulo: Ciranda Cultural, 2009.

MOURA, M. C. O Surdo – caminhos para uma Nova Identidade. Editora Revinter -


FAPESP, 2000.

VELOSO, E; MAIA, V. Aprenda LIBRAS com eficiência e rapidez. Curitiba: Ed. MãoSinais,
2012. 6ª edição.

20
Anotações

21
www.cruzeirodosulvirtual.com.br
Campus Liberdade
Rua Galvão Bueno, 868
CEP 01506-000
São Paulo SP Brasil
Tel: (55 11) 3385-3000
Língua Brasileira de Sinais
Material Teórico
Aspectos gramaticais da Língua Brasileira de Sinais

Responsável pelo Conteúdo:


Profa. Ms. Juliana Sanros da Silva

Revisão Textual:
Profa. Esp. Vera Lídia de Sá Cicarone
Aspectos gramaticais da Língua
Brasileira de Sinais

• Introdução

• Recursos de comunicação e expressão em


LIBRAS

• Aspectos gramaticais da Língua Brasileira


de Sinais

• Tipos de verbos em LIBRAS

• Estrutura frasal

· Nesta unidade, abordaremos os seguintes temas:


· Recursos de Comunicação
· Aspectos gramaticais da Língua Brasileira de Sinais
· Tipos de verbos em LIBRAS
· Estrutura frasal

Esta unidade possui um enfoque teórico e prático, por isso convido você a participar de
forma interativa, sinalizando junto com os vídeos e fotos apresentados; isso irá facilitar seu
aprendizado.
Participe também das atividades propostas e sempre observe as indicações de vídeos e
bibliografias; isso ajudará na contextualização dos seus estudos.

5
Unidade: Aspectos gramaticais da Língua Brasileira de Sinais

Contextualização

Para iniciarmos esta unidade, convido você a refletir acerca do tema: Aspectos gramaticais da
Língua Brasileira de Sinais, assistindo a uma entrevista concedida pelo Prof. Fernando Capovilla,
da USP, à Globo News, sobre LIBRAS e educação de surdos.

http://www.youtube.com/watch?v=uVbzA7fpJWE
Esta entrevista irá contextualizar, de forma dinâmica, muitos tópicos teóricos
que estaremos estudando.

6
Introdução

Vimos, na unidade II, que, por longos períodos, os surdos foram marginalizados culturalmente
e socialmente; sua forma de comunicação não era aceita formalmente.
Atualmente, com a oficialização da Lei de LIBRAS 10.436/2002, temos outro cenário.Hoje
a Língua brasileira de Sinais é oficialmente reconhecida em nosso país e um direito do surdo.
Neste momento, vamos conhecer e discutir um pouco a Lei 10.436/2002.

Art. 1o É reconhecida como meio legal de comunicação e expressão a


Língua Brasileira de Sinais - Libras e outros recursos de expressão a
ela associados.

A partir de 2002, a LIBRAS foi reconhecida como a segunda língua oficial de nosso país, ou
seja, LIBRAS não é uma linguagem, e sim uma língua capaz de expressar conceitos concretos e
abstratos. Hoje, no Brasil, uma pessoa que saiba LIBRAS fluentemente é considerada bilíngue.
É fundamental ressaltar que a LIBRAS é composta não apenas por sinais e uma gramática
sistematizada, mas, como postula a lei, a LIBRAS também é formada por recursos de expressão
e comunicação a ela associados.

Parágrafo único. Entende-se como Língua Brasileira de Sinais - Libras


a forma de comunicação e expressão, em que o sistema linguístico de
natureza visual-motora, com estrutura gramatical própria, constituem
um sistema linguístico de transmissão de ideias e fatos, oriundos de
comunidades de pessoas surdas do Brasil. [sic]

Nesse sentido, através da oficialização dessa lei, foi novamente reforçada a diferença de
canais comunicativos entre a língua de sinais e a língua oral. A Língua Portuguesa possui um
canal comunicativo oral-auditivo e a LIBRAS, um canal visual-gestual. Nesse sentido são línguas
totalmente independentes, uma não está apoiada na outra; LIBRAS não é a sinalização da
Língua Portuguesa.

Art. 2o Deve ser garantido, por parte do poder público em geral e empresas
concessionárias de serviços públicos, formas institucionalizadas de apoiar
o uso e difusão da Língua Brasileira de Sinais - Libras como meio de
comunicação objetiva e de utilização corrente das comunidades surdas
do Brasil. [sic]

Através da oficialização da Lei de LIBRAS, é dever do poder público promover ações


articuladas para difusão dessa Língua em nosso país.

7
Unidade: Aspectos gramaticais da Língua Brasileira de Sinais

Art. 4o O sistema educacional federal e os sistemas educacionais estaduais,


municipais e do Distrito Federal devem garantir a inclusão nos cursos de
formação de Educação Especial, de Fonoaudiologia e de Magistério, em
seus níveis médio e superior, do ensino da Língua Brasileira de Sinais
- Libras, como parte integrante dos Parâmetros Curriculares Nacionais -
PCNs, conforme legislação vigente.

A LIBRAS deverá compor a grade curricular de todos os cursos de licenciatura e fonoaudiologia.


Um dos motivos de estarmos juntos, hoje, cursando esta disciplina é o cumprimento a essas
determinações, que são de grande valia para a comunidade surda. A oficialização da Lei
10.436/2002 e do Decreto 5625/2005 é fruto de grandes lutas da comunidade surda.

Explore

Para ler integralmentea Lei 10.436/2002 e o Decreto 5625/2005, acesse:


¿ http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/l10436.htm
¿ http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2005/decreto/d5626.htm

Recursos de Comunicação e Expressão em LIBRAS


Como você pode perceber, a LIBRAS também é formada por recursos de expressão ou
comunicação. Mas o que são recursos de expressão?
Recursos de expressão podem ser entendidos como ferramentas ou técnicas auxiliares
na comunicação visual-gestual. Neste momento, vamos conhecer alguns desses recursos
comunicativos em LIBRAS.

Mímica
Uma das formas de comunicação do homem, reconhecida como a
arte de expressar sentimentos, ações e objetos. Técnica utilizada para
construção de objetos no ar.
Exemplos: Parede – Escada – Caixa

Ronald M. F. - Wikimedia Commons

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Pantomima
Modalidade cênica para construção de cenas no ar, conhecida também
como a arte de narrar com o corpo. A pantomima é reconhecida como
uma das expressões da mímica.

Expressões corporofaciais
São traços não manuais, realizados pela face ou corpo para atribuir
sentimento, vida ao sinal; é impossível a comunicação visual-gestual sem
este recurso de expressão. LIBRAS sem expressão não é LIBRAS.
Pablo Zibes - Wikimedia Commons

Explore
Convido você a assistir a este vídeo que apresenta diversos sinais com expressões
faciais. Assista e tente sinalizar junto com o vídeo. Não se esqueça das expressões.
http://www.youtube.com/watch?v=2LC7EX4Qdws

Onomatopeia
Figura de linguagem que expressa sons através de fonemas ou palavras. Em LIBRAS,
utilizamos onomatopeias para atribuir vida ou emoção a alguns sinais. Exemplo: não podemos
fazer a expressão facial de avião, cobra ou bomba; nesses casos são realizadas as onomatopeias.

Time-Lag
Tempo de escuta para sinalização. A LIBRAS possui um canal comunicativo visual-gestual,
a Língua Portuguesa possui um canal oral-auditivo. Sendo assim, a interpretação dessas duas
línguas é contextual. Nesse sentido, o intérprete necessita de um tempo de escuta da Língua
Portuguesa para realizar a interpretação em LIBRAS. Essa pequena pausa também acontece
quando conversamos com um surdo; é necessário que o receptor deixe o emissor concluir uma
ideia para então interpretá-la corretamente dentro de um contexto.

Classificadores
Conforme Honora (2010), os classificadores são configurações de mãos que, relacionadas à
coisa, pessoa ou animal, funcionam como marcadores de concordância. Tanya A. Felipe reforça
essa ideia quando diz:

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Unidade: Aspectos gramaticais da Língua Brasileira de Sinais

Assim, na Libras, os classificadores são formas que, substituindo o nome


que as precedem, podem ser presas à raiz verbal para classificar o sujeito
ou o objeto que está ligado à ação do verbo. Portanto, os classificadores na
Libras são marcadores de concordância de gênero: PESSOA, ANIMAL,
COISA, VEÍCULO (FELIPE, 2007, p. 172).

Explore

Para conhecer mais sobre esse importante recurso da LIBRAS, assista, agora,a esta brilhante aula
sobre classificadores com dois professores surdos.
• Parte 1: http://www.youtube.com/watch?v=aDCNywOeYE8
• Parte 2: http://www.youtube.com/watch?v=6XCFs4R5fEU

Processo Anafórico
Uso concomitante de dois ou mais personagens. A marcação do processo anafórico é realizada
através de mudança corporal durante a interpretação em Língua de Sinais. Este recurso permite
a interpretação de diferentes personagens de forma clara.
Por exemplo, na historia “Chapeuzinho Vermelho”, um único interprete poderá representarcada
personagem, através da utilização do processo anafórico.

Assista à interpretação do conto“Chapeuzinho Vermelho em LIBRAS”.Neste vídeo


foi utilizado o recurso do processo anafórico e você conseguirá compreender, de
forma prática, este tópico.
LINK: http://www.youtube.com/watch?v=CnzIg1UT2aY

Apresentamos, aqui, apenas alguns recursos de comunicação e expressão. Em LIBRAS


são utilizadas muitas outras técnicas que fazem parte dos elementos constitutivos dessa
língua espaço-visual.

Aspectos gramaticais da Língua Brasileira de Sinais

A LIBRAS possui um canal comunicativo distinto do da Língua Portuguesa. Nesse sentido,


é constituída de elementos ou categorias gramaticais específicas, conforme a Lei 10.436/2002.

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Parágrafo único. Entende-se como Língua Brasileira de Sinais - Libras
a forma de comunicação e expressão, em que o sistema linguístico de
natureza visual-motora, com estrutura gramatical própria, constituem
um sistema linguístico de transmissão de ideias e fatos, oriundos de
comunidades de pessoas surdas do Brasil. [sic]

A LIBRAS possui categorias gramaticais específicas, decorrentes do uso do espaço.


Neste momento, serão considerados os aspectos gramaticais da LIBRAS que possuem
relação espaço-visual.

Sinais icônicos
São sinais que possuem correspondência física e geométrica com o referente; sendo assim,
fazem parte de um repertório natural do ser humano. Os sinais icônicos também podem
ser compreendidos como gestos universais de fácil compreensão. Em sua comunicação
cotidiana, você utiliza muitos sinais icônicos e talvez nem perceba. Veja, abaixo, alguns
exemplos de sinais icônicos:

Veja, ainda, uma lista com outros sinais icônicos:

Não Sim Comer Beber Andar


Pentear o cabelo Escovar os dentes Fumar Tesoura Dirigir/carro
Moto Revolver Tchau Chamar Nadar
Teclado Piano Bateria Flauta Violão
Contrabaixo Cavaquinho Acordeom Vôlei Basquete
Batom Bebe Binóculos Escrever Livro
Depois Relógio Cruz Cortar o cabelo Pintar as unhas

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Unidade: Aspectos gramaticais da Língua Brasileira de Sinais

Sinais Arbitrários
São aqueles que não possuem correspondência física e geométrica com o referente, ou seja,
não são de fácil compreensão. A maior parte dos sinais em LIBRAS faz parte desta categoria.
Nesta categoria, é necessário que alguém ensine ou interprete seu significado, pois os sinais
arbitrários não expressam iconicidade entre significante e referente. Veja alguns exemplos de
sinais arbitrários.

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Sinais Polissêmicos
A polissemia, ou polissemia lexical (do grego poli=”muitos” e sema=”significados”), refere-seao
fato de uma determinada palavra ou expressão adquirir um novo sentido além do seu original.
Em LIBRAS, a polissemia acontece quando temos um sinal com dois ou mais significados.
Vale ressaltar que essa polissemia lexical é visual-gestual, não possuindo correspondência gráfica
entre as palavras como acontece na Língua Portuguesa.
É importante ressaltar, ainda, que a compreensão desses sinais deve sercontextualizada, para
que não haja dúvidas ou erros de interpretação. Veja alguns exemplos de sinais polissêmicos

Veja, ainda, outros exemplos de sinais polissêmicos em LIBRAS

Por favor Com licença


Cor de Laranja Laranja (fruta)
Pera Coxinha

Variações regionais
Em todo o território nacional, é reconhecida a Língua Brasileira de Sinais – LIBRAS
como a segunda língua oficial de nosso país, porém podemos encontrar variações de sinais
conforme a região.
Você conseguirá compreender e conversar com surdos de todo o país, porém alguns
sinais sofrem variações regionais de estado para estado ou de região para região. Isso,
mais uma vez, confere status linguístico à Língua de Sinais, pois sabemos que toda língua
é cultural e possui íntima relação com o meio. No quadro a seguir, foram demonstrados os
diferentes sinais utilizados para representar a cor verde, nos Estados de São Paulo, Santa
Catarina e Rio de Janeiro.

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Unidade: Aspectos gramaticais da Língua Brasileira de Sinais

Variações sociais
As variações sociais acontecem dentro de uma região; um sinal pode sofrer alguma variação
conforme o grupo de surdos. Essas variações acontecem com frequência em grupos sociais
distintos, associações e igrejas. Dependendo do grupo de surdos, o sinal pode sofrer alguma
variação de configuração ou movimento. Veja o exemplo da sinalização do verbo “conversar”,
que pode sofrer alterações conforme o grupo de surdos que utiliza esse sinal.

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Datilologia ou Processo dactilológico
O alfabeto em LIBRAS também é chamado de datilologia ou processo datilológico.Uma
das formas mais antigas da representação do alfabeto manual foi produzida por monges que
estavam em clausura e haviam feito voto do silêncio para não passarem os conhecimentos
adquiridos com o contado com os livros sagrados. Veja, abaixo, algumas características do
alfabeto manual em LIBRAS.

• É considerado um empréstimo linguístico da Língua Portuguesa, pois representa,


visualmente, as formas físicas e geométricas do alfabeto em Português.

• É utilizado para representar substantivos próprios e termos específicos, quando ainda não
existente um sinal em LIBRAS.

• Você pode utilizar para soletrar seu nome, utilizando a mão esquerda ou adireita, porém
não concomitantemente.

• Quando você não conhece um sinal em LIBRAS, pode soletrar a palavra para o surdo e
pedir que ele lhe ensine o sinal correspondente ou, quando o surdo sinalizar algo que você
não compreenda, peça a ele que soletre o sinal para você.

• Atualmente, com a difusão da LIBRAS, muitos vocábulos específicos de determinadas


áreas já possuem sinais; o uso da datilologia durante a conversação deve ser evitado.

Veja, a seguir, uma tabela ilustrativa com o alfabeto manual em LIBRAS

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Unidade: Aspectos gramaticais da Língua Brasileira de Sinais

Incorporação da negação em alguns verbos


Conforme Figueira 2011, em LIBRAS, pode acontecer a incorporação da negação em alguns
verbos que possuem determinado movimento associado a sua raiz lexical, tornando-se, assim,
verbos negativos.
A negação de um verbo pode acontecer através de uma sinalização incorporada ao próprio
sinal ou através da sinalização do advérbio “não” antes ou depois do verbo em sua forma
afirmativa. Veja alguns exemplos de verbos que possuem duas formas de sinalização diferentes
(afirmativa e negativa).
Outros exemplos de verbos que incorporam negação ao movimento

QUERER – NÃO QUERER


TER – NÃO TER
GOSTAR – NÃO GOSTAR
PODER – NÃO PODER

Sinais Compostos
Sinais compostos são aqueles que derivam de outros sinais. Nesta categoria são necessárias
duas ou mais sinalizações para formar uma única palavra.

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Tipos de verbos em LIBRAS

Os verbos da Língua Brasileira de Sinais são divididos em três classes:


• Verbos Simples
• Verbos Direcionais
• Verbos Espaciais
Essas classes verbais estão relacionadas a variações de movimento e direção. Vejamos,
agora, alguns exemplos.
Verbos simples: são verbos que não se flexionam em pessoa ou número, ou seja, eles não
sofrem variação de aspecto ou forma, não importando o contexto no qual estejam inseridos.
Exemplo:

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Unidade: Aspectos gramaticais da Língua Brasileira de Sinais

Verbos direcionais: são verbos que se flexionam em pessoa, número e aspecto; sendo
assim, incorporam uma concordância espacial. Os verbos direcionais apresentam flexão de
aspecto, dependendo do contexto no qual estejam inseridos.

Verbos espaciais: são verbos que têm afixos locativos e são produzidos ao longo do espaço.

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Estrutura frasal

Por ser a LIBRAS uma língua na modalidade visual-espacial, esse canal comunicativo
influencia diretamente sua estrutura frasal. Nesse sentido, observe o texto abaixo extraído do
livro “Orientações curriculares e proposição de expectativas de aprendizagem para Educação
Infantil e Ensino Fundamental da Secretaria Municipal de Educação deSão Paulo 2008”:
Embora pesquisas sobre a ordem dos sinais na Língua Brasileira de Sinais refiram S-V-O
como predominante, a ordem tópico-comentário é muito utilizada, principalmente pelos surdos
menos oralizados, como se pode observar nos exemplos: “banheiro onde?” “Banheiro não
tem.” “Shopping voce vai?”
A estrutura gramatical da LIBRAS possui características distintas da Língua Portuguesa.
Como podemos ver a seguir,
• em LIBRAS não há preposição, artigo definido ou indefinido e conjunções;
• os verbos não são conjugados;
• todos os verbos são usados no infinitivo e no final das sentenças.

Nesse sentido, a LIBRAS possui uma estrutura frasal diferente da estrutura da Língua
Portuguesa. Observe este quadro comparativo:
PORTUGUÊS
SUJEITO – VERBO – OBJETO
Sexta-feira vou ao cinema.
Ontem encontrei minha amiga na faculdade.

LIBRAS
SUJEITO – OBJETO - VERBO
Sexta-feira cinema ir.
Ontem minha amiga faculdade encontrar.

Para que você compreenda ainda mais a estrutura gramatical da LIBRAS, no material
complementar será apresentada a interpretação de frases em LIBRAS. Dessa forma, você terá
um panorama da estrutura frasal dessa língua de forma teórica e também pratica.
Com este panorama apresentado sobre os tópicos gramaticais da LIBRAS, essa língua que
é tão rica, surpreendente e bela, encerramos este tema convidando você a conhecer, cada vez
mais, a comunidade surda e sua Língua de Sinais.

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Unidade: Aspectos gramaticais da Língua Brasileira de Sinais

Material Complementar

Caro aluno!
Você assistirá a uma sequência com 30 frases em LIBRAS que fazem parte de um repertório
para uma comunicação inicial em Língua de Sinais.
Aproveite para sinalizar junto com o vídeo. Caso tenha dificuldade, assista novamente. Não
tenha vergonha de realizar as sinalizações. Fique atento também às expressões faciais de cada
frase.
Você perceberá que a interpretação em LIBRAS não segue a ordem gramatical da legenda em
Português. Conforme apresentado no material teórico, isso acontece porque a LIBRAS possui
uma organização gramatical diferente das línguas orais auditivas.
Este material auxiliará você a compreender ainda mais a especificidade linguística da LIBRAS.
Bons estudos!!!
Nesse material será apresentada a interpretação em LIBRAS das seguintes frases:
1 Oi meu nome é Juliana e meu sinal é este.
2 Qual é o seu nome?
3 Tenho três filhos.
4 Estou aprendendo LIBRAS
5 Estou aprendendo LIBRAS para conversar com os surdos.
6 Tenho 25 anos.
7 Minha mãe faz aniversário no mês de Junho.
8 Moro perto da faculdade.
9 Ontem encontrei meu amigo no shopping.
10 Por favor, você pode me ajudar?
11 Encontro você amanhã na faculdade.
12 Hoje tenho prova e estou preocupada.
13 Minha prova ontem foi difícil.
14 Por favor, você pode me ensinar LIBRAS?
15 Consegui tirar dez na prova de LIBRAS.
16 Você está aprendendo LIBRAS?
17 Ontem comprei um cachorrinho branco lindo.
18 Amanhã não vou trabalhar, preciso ir ao hospital.
19 Minha irmã me ajudou a limpar a casa.
20 Por favor, onde fica o banheiro?
21 Encontro você amanhã no aeroporto.

20
22 Estou feliz, pois estou aprendendo LIBRAS.
23 Estou atrasada para aula de LIBRAS.
24 Meu esposo trabalha em uma loja próxima do supermercado.
25 Por que você faltou ontem na escola?
26 Amanhã preciso conversar com você.
27 Estou brava com minha sobrinha, ela é muito curiosa.
28 No próximo sábado viajo junto com minha irmã.
29 Estou estudando LIBRAS, pois quero ser professora de surdos futuramente.
30 Amo aprender LIBRAS.

Explore
A seguir, acesse o vídeo para visualizar a realização dos movimentos das frases
acima:
http://www.kaltura.com/tiny/hidty

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Unidade: Aspectos gramaticais da Língua Brasileira de Sinais

Referências

BRASIL. Lei n º10.436 de 24 de abril de 2002, que dispõe sobre a Língua Brasileira de Sinais-
Libras e o art. 18 da Lei 10.098 de 19 de dezembro de 2000.

________.Decreto N º 5.626, de 22 de dezembro de 2005. Regulamenta a Lei n º10.436 de


24 de abril de 2002, que dispõe sobre a Língua Brasileira de Sinais-Libras e o art. 18 da Lei
10.098 de 19 de dezembro de 2000.

FELIPE, Tanya A. Libras em Contexto : Curso Básico : Livro do Estudante . Rio de Janeiro:
WalPrint Gráfica e Editora, 2007.

FIGUEIRA, A. S. Material de apoio para o aprendizado de LIBRAS. São Paulo: Phorte,


2011.

HONORA, M; FRIZANCO, M. Livro ilustrado de Língua Brasileira de Sinais: desvendando


a comunicação usada pelas pessoas com surdez. São Paulo: Ciranda Cultural, 2010.

ORIENTAÇÕES curriculares e proposição de expectativas de aprendizagem


paraEducação Infantil e Ensino Fundamental: Libras / Secretaria Municipal de Educação
– São Paulo : SME / DOT, 2008.

22
Anotações

23
www.cruzeirodosulvirtual.com.br
Campus Liberdade
Rua Galvão Bueno, 868
CEP 01506-000
São Paulo SP Brasil
Tel: (55 11) 3385-3000

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