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Universidade Católica de Moçambique

Instituto de Educação à Distância

O Léxico:
Propriedades das Unidades Lexicais;
Relações entre Segmentos.

Ângela Marjane Siripa 708204203


Turma: B, Sala: Dom Hilário da Cruz Massinga

Licenciatura em Ensino de Língua Portuguesa


Linguística de Português I
2º Ano

Nome do docente:
Luís P. P. Rodrigues

Quelimane, Agosto, 2021


Classificação
Categorias Indicadores Padrões Nota
Pontuação
do Subtotal
máxima
tutor
 Índice 0.5
 Introdução 0.5
Aspectos
Estrutura 0.5
organizacionais  Discussão
 Conclusão 0.5
 Bibliografia 0.5
 Contextualização
(Indicação clara do 2.0
problema)
 Descrição dos
Introdução 1.0
objectivos
 Metodologia
adequada ao 2.0
objecto do trabalho
 Articulação e
domínio do
discurso académico
3.0
Conteúdo (expressão escrita
cuidada, coerência /
coesão textual)
Análise e  Revisão
discussão bibliográfica
nacional e
2.0
internacional
relevante na área de
estudo
 Exploração dos
2.5
dados
 Contributos
Conclusão 2.0
teóricos práticos
 Paginação, tipo e
tamanho de letra,
Aspectos
Formatação parágrafo, 1.0
gerais
espaçamento entre
linhas
Normas APA  Rigor e coerência
Referências 6ª edição em das
2.0
Bibliográficas citações e citações/referências
bibliografia bibliográficas
Recomendações de melhoria:
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Índice

1. Introdução............................................................................................................................6

1.1. Objectivo Geral................................................................................................................6

1.1.1. Objectivos Específicos..................................................................................................6

1.2. Metodologias....................................................................................................................6

2. O Léxico..............................................................................................................................7

Propriedades das Unidades Lexicais;......................................................................................7

Relações entre Segmentos.......................................................................................................7

2.1. Conceito Léxico...............................................................................................................7

2.2. Propriedades das unidades lexicais..................................................................................8

1.1. Derivados afixais............................................................................................................10

1.2. Compostos morfológicos................................................................................................10

1.3. Compostos sintagmáticos ou morfossintácticos.............................................................11

1.4. Compostos lexicais [Verbo-leve + nome]......................................................................11

2.3. Relações entre segmentos...............................................................................................11

2.3.1. O léxico com um domínio interface............................................................................13

3. Conclusão..........................................................................................................................14

4. Referências Bibliográficas................................................................................................15
1. Introdução

Os estudos do léxico, tendência observada nos últimos vinte e cinco anos, ampliam o conceito
de unidade lexical, acrescentando à noção de unidade ortográfica a palavra a ideia de grupos
ou combinações de palavras que funcionam como um item lexical único. Agrupamentos de
palavras tradicionalmente conhecidos como expressões idiomáticas (idioms), locuções verbais
(phrasal verbs), provérbios, clichés, unidades fraseológicas, binómios, citações, colocações,
frases lexicais, fórmulas, frases feitas e outros, são, em um ou em outro momento,
considerados como exemplos de um mesmo fenómeno: a existência de unidades lexicais
maiores que a palavra.

1.1. Objectivo Geral

 Conhecer toda componente lexical

1.1.1. Objectivos Específicos

 Definir e delimitar o conceito de unidades lexicais;

 Descrever as relações entre os segmentos.

1.2. Metodologias

Para elaboração deste trabalho recorreu-se ao método bibliográfico que consistiu na consulta
pelo módulo e internet, método descritivo que consistiu na descrição de informações
recolhidas nas diferentes obras onde cada autor está devidamente referenciado no final do
trabalho. Segundo Lakatos e Marconi (1987, p. 66) a pesquisa bibliográfica trata-se do
levantamento, selecção e documentação de toda bibliografia já publicada sobre o assunto que
está sendo pesquisado, em livros, revistas, jornais, boletins, monografias, teses, dissertações,
material cartográfico, com o objectivo de colocar o pesquisador em contacto directo com todo
material já escrito sobre o mesmo.

2. O Léxico

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Propriedades das Unidades Lexicais;

Relações entre Segmentos

2.1. Conceito Léxico

Léxico é o conjunto de palavras existente em um determinado idioma  (língua), que as


pessoas têm à disposição para expressar-se, oralmente ou por escrito em seu contexto. O
sistema léxico é um acervo geolinguístico transmitido entre gerações; traduz a experiência
cultural acumulada por uma sociedade através do tempo; património vocabular de uma
comunidade linguística através de sua geografia.

Os usuários de um idioma não são capazes de dominar por completo o léxico de seu idioma
materno,  pois sua principal característica é a mutabilidade, devido o idioma ser vivo e as
relações humanas estarem em constante transformação. Algumas palavras se tornam arcaicas,
outras são gestuais, algumas mudam de sentido, e tudo isso ocorre de forma gradual, quase
imperceptível. Este é um processo inerente à língua e não uma ameaça à continuidade. O
léxico de um idioma não é finito.

O léxico se divide em categorias lexicais (onde ficam palavras de classe aberta para gerar
novos termos) e categorias funcionais (engloba palavras com função unicamente gramatical
para indicar relações entre os componentes de um predicado.

A Linguística se interessa por analisar os princípios teóricos do léxico, no qual a técnica de


composição destes se chama Lexicografia. Esta área do conhecimento serve para explicar as
unidades lexicais de uma linguagem. Outra disciplina desta esfera é a Matemática, que se
limita a compilar de forma sistemática as unidades lexicais.

Léxico é o conjunto de palavras de uma língua. O léxico da Língua Portuguesa corresponde


ao conjunto de todas as palavras disponíveis a seus usuários para que interajam verbalmente,
seja por meio da fala ou da escrita.

Existem milhares de línguas no mundo, muitas já extintas, outras em extinção, outras em uso
e em constante processo de aquisição ou ampliação lexicais. Assim como a Língua
Portuguesa, muitas línguas originam-se de outras línguas e cada qual possui um repertório
lexical extenso e diversificado, os quais podem ser ampliados a partir de diversos processos
como a inserção de novas gírias, regionalismos, de neologismos, estrangeirismos.

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Como as línguas vivas têm carácter flexível, é possível que novas palavras sejam
incorporadas a seu léxico. Isso porque a língua, enquanto um património sócio-histórico-
cultural, admite a incorporação de novas palavras a seu léxico quando seu uso é frequente
e/ou essencial a por boa parte da comunidade falante, de seus usuários. Quando isso acontece,
esta nova palavra passa a compor o Dicionário, que é o suporte no qual são escritos e
descritos todo o repertório lexical de uma língua.

2.2. Propriedades das unidades lexicais

Na presença de propriedades lexicais neutras, adultos executam acções correspondentes a


estruturas de adjunto adnominal nos contextos referências competitivos e crianças optam pela
interpretação de adjunto adverbial em todos os casos. Consideramos que a neutralidade lexical
permite a manifestação do Princípio do Suporte Referencial em adultos e, para crianças,
manifesta-se um efeito (ainda a ser definido) em que estruturas de adjunto adverbial são
preferidas. Esses achados se alinham a teorias lexicalistas, como a de Satisfação de
Condições, em que múltiplas informações competem para a geração de uma única estrutura e
prevêem que, no curso do desenvolvimento linguístico, informações estruturais emergem
mais cedo e de forma mais robusta do que outras menos confiáveis como as discursivas
pragmáticas.

No léxico há palavras invariáveis, isto é, de estrutura interna invariável, e palavras variáveis,


cuja configuração morfológica é afectável por variação sintacticamente determinada, há
palavras funcionais, como as preposições, as conjunções e os conectores em geral, e palavras
ou combinatórias de palavras a que, por contraste com as gramaticais ou funcionais, e à falta
de melhor denominação, se convenciona chamar de unidades lexicais.

Trata-se de nomes, de adjectivos, de verbos, mas também de unidades lexicais pluriverbais,


mais ou menos abertas a variações na sua estrutura consoante o grau de (não) fixidez que as
caracteriza.

As unidades lexicais, no seu todo, e em cada um dos seus termos constituintes, são portadoras
de significação lexical e/ou de significação gramatical. A gramática de uma unidade lexical
não é dissociada da sua significação léxico-gramatical, da estrutura conceptual que a suporta,
e do universo referencial para que remete.

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Um exemplo simples mas ilustrativo da interacção léxico-gramática é o que se prende com a
topologia das marcas de concordância e de flexão.

No âmbito das palavras sensíveis a propriedades flexionais e gramaticais, existem as que o


são apenas internamente (1-2), ou seja, em que os seus constituintes autorizam marcas de
flexão de número ou impõem determinadas marcas de género (cf. (1) a. vs (1) b.), por
exemplo, as que são flexionáveis interna e externamente (3-6) e as que apenas são marcáveis
externamente quanto a alguma dessas propriedades (7-9: contraste de número em (7) e (8) e
contraste de género em (4) e (9), sempre na margem direita da palavra). Esta tripla
possibilidade tem a ver com o modo como unidades e seus constituintes são processada/os
semanticamente na sua constituência interna, pelo que a gramática reflecte a semântica e a
semântica reflecte-se na gramática, sendo complementares e interactivas.

Estes exemplos sinalizam já a consubstancial co-articulação entre as componentes lexical e


gramatical do signo, nomeadamente quando estão em jogo contrastes de número ou de género
gramatical, que se fazem acompanhar de contrastes semânticos entre [singularidade] e
(pluralidade) e entre (ser humano macho) e (ser humano fêmea). Mas para sustentar de forma
mais intensa essa correlação, serão ainda avocadas outras propriedades para além das
atinentes à concordância e à flexão, tais como a determinação, a pluralização, a quantificação,
a adverbialização, a intensificação.

Destina-se esta secção a reflectir, de forma empiricamente sustentada, sobre algumas das
diferentes modalidades de manifestação da interacção léxico-gramática. Partimos do
pressuposto de que as unidades lexicais se caracterizam pela sua maior ou menor
complexidade estrutural, ou seja, por uma morfologia mais e menos complexa, pela sua maior
ou menor extensão, pela sua maior ou menor opacidade interna e/ou externa, seja pela sua
diversa opacidade ou transparência semântica, seja pela sua diversa (não) opacidade
sintáctica.

Objecto empírico de estudo unidades lexicais derivadas, unidades lexicais compostas e


expressões lexicais de vários tipos,  3 a fim de observar em que medida e de que modo nelas
interagem semântica e gramática, quais os graus de correlação e de coesão entre estrutura
gramatical e estrutura lexical.

Mais especificamente, o objectivo consiste em analisar a correlação entre compactação e


opacidade morfológico-sintáctico-semântica, no sentido de averiguar se (maior/menor) fixidez
8
e opacidade semântica e lexical caminham a par, ou não, com (maior/menor) imutabilidade
gramatical.

Para tal, torna-se operacional tomar como objecto de análise unidades lexicais de estrutura
interna marcada por diferentes graus de complexidade, e gizadas no âmbito de mecanismos
genolexicais diversos.

Vão ser consideradas unidades lexicais geradas por:


(i)  processos morfológicos de derivação afixal
(ii)  processos de composição morfológica
(iii)  processos de composição sintagmática ou morfossintáctica
(iv)  processos sintácticos de formação de compostos lexicais em que se combinam verbos
leves e nomes.
1.1. Derivados afixais

A derivação afixal envolve um radical (cf. Quadro 1, coluna B) e ou um tema (cf. Quadro 1,
coluna A) e um afixo.

O constituinte de base não é pois o nome, o adjectivo ou o verbo, marcado pelas suas
propriedades gramaticais de género e de número, ou de tempo-modo e de pessoa, número,
mas um constituinte preso, categorizado como radical ou como tema não autónomos alojados
no interior do produto derivacional, e portanto não sensíveis a propriedades de concordância.
Só o produto final pode ser marcado pelas suas propriedades flexionais de número, de género,
de tempo-modo e de pessoa-número.

Em português, estas marcas (i) de género e de número, e (ii) de tempo-modo e de pessoa-


número estão em adjacência à direita do radical nominal (i) ou do tema verbal (ii),
respectivamente.
1.2. Compostos morfológicos

No âmbito da composição morfológica estão envolvidos dois radicais, sendo pelo menos um
não autónomo (10-15).
(10)  cardio- e -logia, em cardiologia
(11)  taqui- e -cardia, em taquicardia
(12)  tecno- e cracia-, em tecnocracia
(13)  crono-, em cronómetro
9
(14)  hemo-, em hemoglobina
(15)  ibero-, em ibero-americano
1.3. Compostos sintagmáticos ou morfossintácticos

Os casos de composição sintagmática envolvem diferentes padrões de composicionalidade,


tendo por denominador comum a adjunção de duas ou mais palavras autónomas (NN, NA,
AN, VN), eventualmente interligadas por preposição (NPrepN).

Não há unanimidade de concepção e de denominação das unidades em apreço, que são fruto
de um processo de composição já não apenas morfológica, porque não estão em jogo
estruturas morfológicas presas, mas de um processo de composição morfossintáctica ou
sintagmática, envolvendo duas ou mais estruturas morfológicas autónomas, que se agrupam
para formar um sintagma semântica e referencialmente uno (cf. limpa-pára-brisas), e
morfologicamente opaco, a não ser a fenómenos de concordância. Estas unidades lexicais
pluriverbais têm também sido chamadas de "lexias complexas", "unidades léxicas
complexas", ou até "unidades fraseológicas complexas", mormente, mas não exclusivamente,
quando está em jogo o esquema NPrepN (moinho de vento, tecnologias da informação,
[produto] chave na mão, rádio-gravador-leitor de CD), ou o de NAA (sistema nervoso
central, sistema nervoso periférico).
1.4. Compostos lexicais [Verbo-leve + nome]

Observemos, por fim, expressões verbais em que se combinam verbos-leves e nomes, que
Basílio (2003) denomina de compostos lexicais, e que concebe como sendo gerados por
processos sintácticos de formação de unidades lexicais.

Neste âmbito co-ocorrem um verbo-leve, como dar, fazer, ter, estar,  no pleno gozo das suas
propriedades de variação flexional, e um nome, muitas das vezes, mas nem sempre, deverbal
e de evento.7 No que ao nome diz respeito, casos há de total opacidade combinatória e
variacional, e casos em que alguma modificação interna e/ou alguma combinatória é possível.

2.3. Relações entre segmentos

Equacionando uma estreita relação entre Léxico, Morfologia e Sintaxe, a autora refere que:

Uma língua como o Português é rica em processos morfológicos, em particular a flexão, a


derivação e a composição.

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Mas a flexão está estreitamente ligada à Sintaxe e mesmo certos processos
morfológicos, como a derivação, situados tradicionalmente na Morfologia, têm
repercussões de tal modo evidentes na construção sintáctica (pense-se na
alteração das estruturas argumentais, da marcação casual e da ordem dos
constituintes) que é possível pensar numa relação mais estreita entre Léxico,
Morfologia e Sintaxe (Brito 2010: 4).

Para Niklas-Salminen (1997: 27), o léxico é uma entidade teórica e uma realidade da língua,
distinto do vocabulário, que se situa no plano discursivo:

O léxico de uma língua deve ser considerado, antes de tudo, como uma
entidade teórica. É o conjunto de palavras que um idioma disponibiliza aos
falantes. O vocabulário é, por sua vez, frequentemente considerado como o
conjunto de palavras usadas por um determinado falante em uma realização
oral ou escrita. Nessa perspectiva, o léxico é uma realidade da linguagem que
só pode ser acessada por meio do conhecimento de vocabulários particulares
que são uma realidade do discurso.

No âmbito da reflexão em torno das concessões de léxico, assume também pertinência o


dicionário enquanto locus de registo sistemático do léxico de uma língua.

Nesse sentido, Krieger (2007: 297) considera que os dicionários, ao registarem, de modo
sistematizado, os itens lexicais de uma língua dão coesão às sociedades e projecção às suas
culturas, porquanto definem a identidade linguística dos povos.

Como sintetiza Vilela (1994: 6)

O léxico é a parte da língua que primeiramente configura a realidade extra linguística e


arquiva o saber linguístico duma comunidade. Avanços e recuos civilizacionais, descobertas e
inventos, encontros entre povos e culturas, mitos e crenças, afinal quase tudo, antes de passar
para a língua e para a cultura dos povos, tem um nome e esse nome faz parte do léxico.

O léxico é o repositório do saber linguístico e é ainda a janela através da qual um povo vê o


mundo.

Os dicionários da actualidade não têm a pretensão de representar todo o léxico de uma língua,
atendendo ao facto de que o léxico é concebido como uma realidade que não oferece a
possibilidade de ser descrita em extensão.

Analisando as mudanças de perspectiva em lexicografia e as consequentes transformações


operadas nos dicionários publicados no século XXI, Correia (2008: 83) considera que os bons
dicionários de hoje são representativos de fatias bem delimitadas do léxico de uma língua, de
11
vocabulários claramente delimitados em função de critérios como a frequência de ocorrência
das palavras e o seu interesse para o público-alvo.

2.3.1. O léxico com um domínio interface

O domínio do léxico reveste-se de primordial importância no modelo de Linguagem


Arquitectura Paralela de Ray Jackendoff, uma vez que é a visão de léxico que sustenta e se
sustenta no modelo em arquitectura paralela. Na concessão jackendoffiana, o item lexical tem
como função servir de interface:

Apresentando e discutindo o modelo de Linguagem Arquitectura Paralela de Ray Jackendoff,


Rodrigues (2012: 70) dá a conhecer uma nova visão do léxico: «o léxico como um domínio de
interface». Segundo o modelo Arquitectura Paralela, um item lexical contém traços das
estruturas fonológicas, semântica e sintáctica.

Assim sendo, um item lexical será protagonista da interface entre as três estruturas
(Jackendoff 2002: 131).

Esta visão tem como consequência o estatuto do léxico como um domínio de interface. Um
item lexical não é, assim, inserido numa estrutura sintáctica; antes opera a interface entre as
três estruturas paralelas (Rodrigues 2012: 70).

Analisando o fundamento neurológico subjacente à conceptualização do léxico como domínio


de interface, a autora prossegue a sua reflexão: Esta concessão do léxico como um domínio de
interface possui fundamento neurológico.

Segundo William Calvin & Bickerton (2000: 22-23), estudos neurológicos demonstram que a
activação na mente de um dado item lexical acciona uma série de subestruturas.

Assim, para se proceder ao acesso lexical de, por exemplo, cão é accionada a
representação visual relacionada no córtex visual; a sua representação
fonológica em substruturas no córtex auditivo; a sua produção fonética em
constituintes motores localizados no lobo frontal, etc. Não existe, pois, um
domínio do cérebro onde esteja armazenado o item cão. Diferentes estruturas
desse item estão localizadas em domínios diversos de acordo com o tipo da sua
computação (Rodrigues 2012: 70).

Neste sentido, Rodrigues (2012: 71) considera que esta concessão do léxico como um
domínio de interface viabiliza a compreensão da existência de itens lexicais que não têm
sintaxe, embora tenham fonologia e semântica.

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3. Conclusão

Findado o presente trabalho percebi que as unidades lexicográficas como entidades que se
caracterizam por: 1) ter um carácter variável; 2) não ser necessariamente composicionais; 3)
não possuir um carácter discreto, mas gradual e contínuo; 4) não ser independentes do co-
texto e do contexto em que ocorrem; 5) não poder ser descritas completamente pelas regras
gerais da gramática.

Ignorar o facto de que as relações sintagmáticas estabelecidas entre as palavras dentro de uma
determinada estrutura fazem parte do significado das mesmas conduzirá a uma concepção do
enunciado como uma combinação de elementos discretos (as palavras, os monemas) e,
consequentemente, a erros na análise lexicográfica como a atribuição a uma palavra de um
sentido que, em rigor, vem dado pela combinação dessa palavra com outras.

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4. Referências Bibliográficas

Basílio, Margarida (1999), (org.),  A delimitação de unidades lexicais, Rio de Janeiro.


Biderman, M. T. C. (2001). As ciências do léxico. In A. M. P. Oliveira, A. N. Isquerdo, &
I.M. Alves (Ed.), As Ciências do Léxico: lexicologia, lexicografia e terminologia (p.13-
22). Campo Grande: Editora UFMS.

Bresnan, J. (1982). Control and complementation. In J. Bresnan (Ed.), The mental


representation of grammatical relations (p.282-390). Cambridge, Mass./London: The
MIT Press.

Brito, A. M. (Ed.) (2010). Gramática: História, Teorias, Aplicações. Fundação Universidade


do Porto: Faculdade de Letras. Chomsky, N., Lasnik, H. (1977). Filters and Control.
Linguistic Inquiry, 8.3, 425-504.

Chomsky, N. (1965). Aspects of the Theory of Syntax. Cambridge: M.I.T. Press. (Traduzido
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teoria da sintaxe. Coimbra: Arménio Amado – Editor, Sucessor, 1978).

Ed. Grypho.
Krieger, M. G. (2007). O Dicionário de Língua como Potencial Instrumento Didáctico. In O.
CARVALHO, M.BAGNO (Org.), As Ciências do Léxico: lexicologia, lexicografia,
terminologia. vol III (295-309). Campo Grande, MS: Ed. UFMS

Rio-Torto, G. M. (2006). O Léxico: semântica e gramática das unidades lexicais. In M.F.


Athayde (Coord.), Estudos sobre léxico e gramática (p.11-34). Coimbra: CIEG/FLUC,
2006.

Rodrigues, A. S. (2004). Condições de formação de nomes postverbais em português. In G.


RIO-TORTO, R.A. Pereira, A. Rodrigues (Ed.), Verbos e nomes em português (p. 129-
185) Coimbra: Livraria Almedina. 2012). Jackendoff e a Arquitectura Paralela
Apresentação e discussão de um modelo de linguagem. Muenchen: Lincom. Vilela, M.
(1979). Estruturas Léxicas do Português. Coimbra: Almedina. (1994). Estudos de
lexicologia do português. Coimbra: Almedina.

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