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CURSO DE LETRAS: PORTUGUÊS

PRÁTICA COMO COMPONENTE CURRICULAR (PCC) - 4º SEMESTRE

Tema: Práticas pedagógicas relacionadas à escrita

Introdução

Pretende-se aqui discutir e refletir sobre práticas pedagógicas relacionadas à escrita,


buscando assim subsídios para a melhoria do ensino de Língua Portuguesa no tocante
à escrita. Para isso buscou-se elaborar uma pesquisa bibliográfica, a qual
apresentamos, citando Délia Lerner e Ghiuro Passarelli, esta última principalmente.

Na obra ensino e correção na produção de textos escolares, Passarelli discorre que é


preciso romper como o mito que escrever é um dom "pelo contrário, escrever exige
esforço, suor, trabalho" (2012, pág. 45).Muitos alunos relutam em escrever por
desacreditar de sua competência linguística (pág. 35).
Na verdade, na escola espera-se que os estudantes produzam textos em um tempo
muito curto e logo a versão final, sem considerar o processo que envolve a escrita até
chegar finalmente no produto final que é o texto (LERNER, 2002, pág. 33). Raras vezes
esse segredo é contado ao alunos, que "para escrever, as pessoas precisam se dá
conta de que somente com muita reflexão, rascunho, revisão, troca de ideias com
outras pessoas e, às vezes, mais reflexão ainda" (PASSARELLI, 2012, pág. 43). Aqui
cabe uma questão sobre produção textual na escola: Será que o produto é mais
importante do que o processo? Mais importante do que responder a essa pergunta
seria uma mudança de enfoque, enfocando toda o processo que envolve produzir um
texto. O professor requer, do aluno, bons textos, mas não dá valor, na sala de aula, ao
processo que envolve a escrita. "Um primeiro passo seria esclarecer aos alunos sobre
o processo que envolve o ato de escrever, desmitificando a crença de que redigir só é
viável para eleitos que já nasceram como esse dom''(PASSARELLI, 2012, pág. 58).
Um bom planejamento do professor que perpassasse todo o processo de escrita até
chegar ao produto final poderia melhorar a questão da redação de textos. Os
estudantes passariam a entender que um texto já sai pronto e acabado da mente, mas
que para produzir um texto exige muito esforço.
Outro fator que pode fazer com que os estudantes não se sintam incapazes, segundo
Passarelli, é o docente mostrar aos seus aprendizes que também tem suas limitações
quanto ao ato de escrever (2012).
Assim, se o professor se propuser a mostrar a seus alunos que lele também
tem suas limitações quanto ao ato de escrever, pode-se instaurar outro tipo de
cumplicidade com os alunos. refletir sobre as dificuldades inerentes a essa
atividade pode ser um passo significativo que direcione os alunos a não se
sentirem tão incapazes, já que o próprio docente se apresentaria sem a
máscara do sabe-tudo que tantas vezes escuda os nossos limites de seres
humanos (PASSARELLI, 2012, pág. 73

Conquistando a classe

Passarelli (2012) aponta que há várias pesquisas que indicam a interação como
possibilidade de reversão do quadro de fracassos do ensino de Língua Portuguesa.
Aqui vale as palavras de Geraldi, na obra de Passarelli: "Vivemos, nós professores,
uma profissão cujo sucesso depende crucialmente do nosso outro: os nossos alunos.
Sem a aposta deles, nenhum sucesso será possível em educação" (PASSARELLI,
2012, pág. 18). O que isso significa? Significa que a prática docente só terá sucesso se
os estudantes conseguirem atingir os objetivos propostos. Ora, se a aprendizagem em
relação à escrita não vai bem não é hora do professor rever sua prática e postura em
sala de aula?
Segundo Passarelli, "ele tem que buscar suas origens e deixar aflorar sua verdadeira
identidade para que possa desencadear no aluno uma motivação, instaurando-se
então, o início de um processo interacionista" (2012, pág. 71).
Propiciar os estudantes com situações reais de comunicação, com temas que estejam
ligados às realidades deles seria desempenhar um papel de agente facilitador do
processo de escrita.
O trabalho que é realizado na escola, é segundo Passarelli (2012, pág. 75), "um
sistemático e intencional processo de interação", o qual é viabilizado por meio do
relacionamento humano, desde que os indivíduos envolvidos nesse processo se sintam
engajado. Daí a necessidade do docente conquistar os alunos, ter uma aproximação
maior com estes, pois de nada adiantará propor uma atividade se o aluno não se sente
motivado para isso, se não vê a importância naquilo que o professor pede para fazer a
não ser para aplicar nota.
A Prática interacionista depende essencialmente do professor, considerando que é ele
que escolhe os conteúdos a serem desenvolvidos, pela possível instauração do diálogo
com os alunos e, sem contar, que é ele quem pode motivá-los para a aprendizagem
(PASSARELLI, 2012).
Se é o professor que pode mudar a quadro atual do fracasso do ensino de Língua
Portuguesa, essencialmente sobre escrita de textos, para o positivo, fica evidente que
as relações entre professor e alunos necessitam de um respaldo para que o ensino da
escrita seja mais produtivo, diz Passarelli (2012).
Outro ponto muito importante é mostrar aos estudantes que eles são falantes
competentes, que sua forma de expressão é legítima e, que nas aulas de Língua
Portuguesa, será desenvolvida a competência comunicativa, entendida como
capacidade dos usuários da língua (falante, escritor/ouvinte, leitor) empregarem a
língua de forma adequada nas diversas situações de comunicação, não apenas
aprender a norma culta como única certa e adequada a toda e qualquer situação.
"Talvez um bom começo seja partir dessa perspectiva para propiciar uma espécie de
auto confiança" nos alunos (PASSARELLI, 2012, pág. 83).

Etapas do processo de escrita

Um grande equívoco nas aulas de Língua Portuguesa é "priorizar o produto final em


detrimento da realização das etapas que compõe o processo" (PASSARELLI, 2012,
pág. 147) de escrita de textos.
"Para dar início a uma proposta de ensino diferenciada, deve-se ter em conta a escrita
como uma tarefa que se realiza em etapas, desenvolvida gradativamente, e que exige
muita dedicação. Para um ensino produtivo, é necessário esclarecer ao aluno que o
produto final é obtido por uma série de operações e que para cada etapa constitutiva
do processo de escrever há procedimentos específicos" (PASSARELLI, 2012, pág.
153).

1ª Etapa: Planejamento
Passarelli (2012) ressalta que poucos estudantes se valem dessa fase de uma
produção textual por achar perda de tempo ou ato adiar a escrita. Em geral, começam
a redação logo que recebem o tema, ou deixam o tempo passar, na esperança de
alguma inspiração vinda de algum lugar.
"Nesse momento, cabe, então, um trabalho de organização: alguns elementos
são eliminados, outros acrescentados.
Não importa por qual procedimento se inicie — planejamento escrito ou mental,
planejamento formal ou primeiras ideias, busca de fontes, tentativas de
expressão — esse é o estágio do processo de composição em que
hesitantemente, o autor começa a encontrar o circuito de eu tema. Traceja
algumas, sem comprometimento, dado o cunho provisório dessa fase. Pelo fato
de cada sujeito possuir estilo próprio, alguns escreviam apressados uma página
inteira.[...]. De qualquer forma, caso ocorra alguma ideia, o importante é não
perdê-la e registrá-la de algum modo no papel, pois não podemos correr o
risco" (PASSARELLI, 2012, pág.154).

2ª Etapa: Tradução das ideias no papel


Essa é a etapa em que as ideias se configuram em língua escrita, configura-se aqui o
texto provisório que sofrerá, posteriormente, uma revisão.

3ª Etapa: Revisão e Reescrita


Nessa fase, o aluno-escritor passa a ser leito dele próprio. É nesse ponto do processo
de escrita que a Gramática normativa tem papel importantíssimo colaborando para que
se evitem mal-entendidos no texto. Lendo e relendo a primeira versão do texto,
ajustando aqui e ali, alternando sua figura: ora escritor, ora leitor.
Assim, quando o aluno começa a revisar é possível que ele mesmo venha notar que
quanto mais o texto é revisado, melhor pode ficar o texto, o produto final
(PASSARELLI, 2012).
Passarelli propõe, caso haja condições, que alunos formem duplas para essa etapa. O
aluno trocaria seus textos provisórios com sua dupla para fazer o papel redator. Outra
proposta interessante seria cada aluno lê seu texto em voz alta na sala de aula para
que todos possam comentar e sugerir ajustes. O próprio aluno ao lê seu texto poderá
perceber lacunas e defeitos em seu texto. Vale ressaltar que essa etapa será mais
proveitosa se maior for o tempo transcorrido entre a primeira versão e a revisão.
(PASSARELLI,2012)

4ª Etapa: Editoração
Essa etapa, segundo Passarelli (2012), é a parte do processo que tem-se de passar a
limpo o rascunho, ou seja, o texto que antes era somente um rascunho, um texto
provisório, agora passa a ganhar sua forma final.
Uma boa estratégia seria conceder à classe um maior intervalo de tempo entre a
revisão e a editoração, assim o escritor pode lançar mão da releitura e ser mais crítico
quando for dar forma final ao texto, diz a autora.
Tem que se considerar, também, que o produto final seja direcionado não somente ao
professor, para fim de aplicação de nota somente. Este deve deixar claro o que se
pretende fazer com produto final.

Avaliação do processo de produção textual


A avaliação é um dos recursos que dá suporte ao docente organizar seu trabalho, para
auxiliá-lo quanto ao processo ensino-aprendizagem, diz Passarelli (2012).
Nesse ponto "requer que o docente encaminhe seus alunos com suficiência e clareza
ao solicitar a feitura de um texto. Como a qualidade da produção textual depende de
uma prática mais constante, ao orientar seus alunos por meios das instruções que
apresentem o contexto da tarefa de escritura, o professor pode explicar que o objetivo
daquela atividade é praticar para melhorar o modo como o aluno escreve"
(PASSARELLI, 2012, pág. 174).

Conclusão

Nas palavras de Geraldi (PASSARELLI, 2012) nenhum sucesso será obtido em


educação sem a aposta dos alunos, aliás, o sucesso do professor, de sua prática
pedagógica, depende essencialmente do sucesso dos estudantes. O trabalho docente,
seja no ensino de Língua Portuguesa ou não, seja de produção textual ou conteúdo,
precisa ter a confiança do aluno naquele trabalho que o professor propõe desenvolver
na sala de aula. Resumindo: O aluno precisa está entusiasmado naquilo que o docente
se propõe a fazer. É ele (o docente) quem atua diretamente com os alunos, (mesmo
fazendo parte de uma instituição escolar, cuja a organização calca-se no sistema
cultural dominante. Assim, é ele quem pode desempenhar seu papel como facilitador
do processo de escrita de textos, para fazer com que os alunos encarem o papel em
branco; é ele quem, pode quebrar uma cultura que se legitimou em nossas escolas,
que é priorizar o produto final em detrimento do processo que o envolve.
E por fim, que o professor, como agente facilitador, defenda um tempo largo para
aprender escrever textos sem a constante ansiedade do pelo produto final., diz Geraldi
(PASSARELLI, 2012).

Referências:
· LERNER, Delia. Ler e escrever na escola: o real, o possível e o necessário.
1.ed. Porto Alegre: Artmed, 2002.
· PASSARELLI, Lílian Ghiuro. Ensino e correção na produção de textos
escolares. 1.ed. São Paulo: Telos, 2012.

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