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CARACTERÍSTICAS 

GERAIS DO
ORIENTE MÉDIO

UM PANORAMA DO ORIENTE MÉDIO


O Oriente Médio é uma região geograficamente estratégica, pois se situa entre
três continentes: África, Europa e Ásia. As fronteiras da região receberam
novos contornos especialmente após a colonização europeia e o processo de
independência dos Estados da região, consolidado em meados do século XX.

Ao longo do século XX e no início do século XXI, as disputas pelo controle da


produção do petróleo e os acordos políticos e econômicos entre os países do
Ocidente e países como Iêmen, Iraque e Arábia Saudita tiveram destaque no
quadro geopolítico mundial. A exploração de petróleo mobilizou intervenções
militares e, ao mesmo tempo, fortaleceu governos e aumentou a concentração
de renda. Apesar dos ganhos obtidos com esse recurso, a pobreza atinge
grande parte da população, que enfrenta, ainda, problemas como a escassez
de água.
A população dos países que compõem o Oriente Médio é formada
majoritariamente por etnias árabes, à exceção de Israel, formado por população
de maioria judaica, e do Irã, cuja população é de maioria persa. Pela origem
histórica comum a outros países da região, que se formaram após o fim do
Império Otomano, a Turquia também integra o Oriente Médio.
Tuul and Bruno Morandi/Alamy/Fotoarena

As feiras e os mercados são muito comuns nos países do Oriente Médio. Denominadas,
em árabe, bazaar ou souk, são locais em que se comercializam desde produtos
alimentícios a roupas e tapeçarias. Mercado da cidade de Isfahan, Irã. Foto de 2016.
A FORMAÇÃO DOS ESTADOS NACIONAIS E A OCUPAÇÃO
EUROPEIA
Até o século XIX, o Oriente Médio era dividido em diversos pequenos Estados
governados por líderes islâmicos, sob o domínio do Império Otomano, e muitas
etnias se organizavam em tribos.

Após a Primeira Guerra Mundial, com a queda do Império Otomano, as áreas


sob seu domínio foram divididas principalmente entre a França e o
Reino Unido, que estabeleceram uma divisão do território a partir de
fronteiras artificiais, sem respeitar a distribuição das diferentes etnias. Na
divisão desses territórios, vários povos permaneceram sem território, como os
palestinos e os curdos. Os palestinos permaneceram dispersos por toda a
região do Líbano, Jordânia e pelo futuro Estado de Israel. Os curdos ficaram
entre a Turquia, a Síria, o Iraque e o Irã.

A partir da Segunda Guerra Mundial, após a independência dos Estados da


região em relação ao domínio europeu, a presença ocidental (principalmente
a dos Estados Unidos) se expandiu, ocorrendo de maneira indireta, por meio
de acordos diplomáticos e econômicos. No caso dos Estados Unidos, o país
iniciou sua influência no Oriente Médio buscando garantir acesso às reservas
de petróleo e frear possíveis influências da URSS, que já dominava as
repúblicas da Ásia Central.

Destacam-se também nesse período a criação do Estado de Israel, em 1948,


e a formação de vários focos de conflitos motivados por disputas territoriais e
religiosas.
Oriente Médio: Político (2016)

O processo de formação dos


Estados do Oriente Médio foi
fortemente condicionado pelos
colonizadores europeus, que
impuseram critérios arbitrários
de divisão territorial na criação
de novos países. A região é
estratégica para o comércio
mundial, pois se localiza entre o
mar Mediterrâneo, o golfo
Pérsico, o mar Vermelho e o
oceano Índico.
Fontes de pesquisa: Atlas
geográfico escolar. Rio de Janeiro:
IBGE, 2016. p. 49; Dan Smith. O atlas
do Oriente Médio. São Paulo:
Publifolha, 2008. p. 29; CIA. The
World Factbook. Disponível em: <https://www.cia.gov/library/publications/the-world-factbook/geos/
xx.html>. Acesso em: 11 set. 2018.

O ORIENTE É UMA INVENÇÃO DO OCIDENTE


Os termos que definem o Ocidente (oeste) e o Oriente (leste) foram criados
pelo mundo ocidental para diferenciar geograficamente a localização de duas
civilizações que historicamente se desenvolveram separadamente. Assim, a
designação “Oriente Médio” (chamado pelos estadunidenses) ou Oriente
Próximo (chamado pelos europeus) define mais a localização geográfica do
que uma característica étnica ou nacional.

DIVERSIDADE ÉTNICA E RELIGIOSA


Em termos religiosos, há três grandes grupos no Oriente Médio. O mais
numeroso deles é o de islâmicos ou muçulmanos, seguido pelos grupos
de cristãos e de judeus. Mesmo entre a maioria muçulmana há diferenças. No
Iraque, por exemplo, os sunitas e os xiitas são grupos diferentes política e
ideologicamente. Além disso, cerca de 15% a 20% da população do Iraque é
formada por curdos, demonstrando que a complexidade cultural da região
também é grande em termos étnicos.

Nas últimas décadas, o islamismo tem sido a religião monoteísta que mais
cresce no mundo. Seus adeptos podem ser de várias etnias, como os povos
árabes. Mas nem todos os árabes são muçulmanos, a exemplo dos árabes
cristãos no Líbano.

Em Israel, o judaísmo é a religião oficial; no entanto, cerca de 20% da


população é formada por árabes cristãos e árabes muçulmanos.
O Irã é o país mais populoso do Oriente Médio. Sua população é composta
principalmente de persas, que representam 61% da população total. Os demais
habitantes são curdos, azerbaijanos e árabes.

Assim, em toda a região há a presença de muitas etnias, e nela ocorrem


frequentes deslocamentos populacionais entre os países, tornando ainda mais
complexa a composição social do Oriente Médio.

Essa diversidade, embora não seja a principal causa, é um dos fatores


agravantes dos frequentes conflitos nos países da região.
David Weyand/imageBROKER/Glow Images

Vista do centro de Beirute, capital do Líbano. Lado a lado, estão a mesquita de


Mohammed Al-Amin (de cúpula azul) e a igreja cristã ortodoxa de São Jorge (de telhado
laranja). Foto de 2012.
Ivoha/Alamy/Fotoarena

Visitantes em oração no Muro das Lamentações, local sagrado para a religião judaica em
Jerusalém. Foto de 2017.
A EXPANSÃO DO ISLAMISMO
A religião islâmica surgiu no século VII, fundada por Maomé, seu profeta. O
conjunto de ensinamentos do islamismo está no Corão (ou Alcorão), livro
sagrado para os muçulmanos, seguidores dessa religião, assim como a Torá
é para os judeus, e o Novo Testamento, para os cristãos.

Em 2017, o islamismo era a segunda religião com o maior número de adeptos


no mundo (cerca de 1,6 bilhão), atrás apenas do cristianismo (cerca de
2,1 bilhões).

DISPARIDADES SOCIAIS E ECONÔMICAS


Israel, Catar, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Barein e Kuwait são
os países que apresentam as melhores condições de vida do Oriente Médio.
Na maioria deles, isso ocorre, principalmente, graças ao capital acumulado
com o petróleo.

Além disso, a partir da década de 1970, a aproximação econômica com os


Estados Unidos possibilitou a diversificação da economia e a realização de
diversos acordos para investimentos na construção de infraestruturas
modernas de transporte e energia, fornecimento e tratamento de água e
centros comerciais e residenciais. Uma das principais infraestruturas
implantadas foram estações de dessalinização, que permitem o
abastecimento e a irrigação, principalmente com a água do mar Vermelho.
Assim, a maioria das pessoas desses países apresenta bom nível de vida,
com alta renda per capita, baixas taxas de mortalidade infantil e de desnutrição
e bom nível de escolaridade.

Com exceção de Israel, que não possui reservas de petróleo, os demais


países, especialmente aqueles que circundam a região do golfo Pérsico, têm
uma economia muito dependente desse recurso.
Oriente Médio: Mortalidade infantil (2017)
João Miguel A. Moreira/ID/BR

Fonte de pesquisa: UNdata. United Nations Statistics Division. Disponível em:


<http://data.un.org/en/index.html>. Acesso em: 11 set. 2018.
Fonte de pesquisa: Pnud. Human development indices and indicators: 2018 statistical update. Disponível
em: <http://hdr.undp.org/sites/default/files/
2018_human_development_statistical_update.pdf>. Acesso em: 14 set. 2018.

CONFLITOS E POBREZA
Os conflitos constantes, a baixa produção industrial, a grande dependência
das exportações de petróleo e a má distribuição de renda afetam a qualidade
de vida das populações da maior parte do Oriente Médio. O baixo nível de
escolaridade em alguns países também é um dos fatores responsáveis
pelos baixos índices de desenvolvimento.
Nos países que recentemente passaram ou ainda passam por conflitos
armados, grande parte da população vive em extrema pobreza. A destruição
da infraestrutura local (hospitais, escolas, residências, redes de saneamento
básico, estradas, fábricas, etc.) levou à formação de diversos campos de
refugiados e de subúrbios empobrecidos, onde as populações correm riscos de
vida com a proliferação de doenças.

A guerra civil na Síria e os impactos de guerras anteriores em países como o


Iraque comprometem o avanço industrial, econômico e a recuperação da
infraestrutura ao longo dos anos 2010.

Condições de vida
Os Territórios Palestinos, o Iraque, a Síria e o Iêmen apresentavam, em 2017,
as piores condições de vida do Oriente Médio. A Síria entrou em uma guerra civil
após as manifestações da Primavera Árabe, em 2011. As principais cidades
foram alvos de bombardeio, e o conflito causou pobreza e subnutrição infantil,
além de prejudicar a frequência escolar de crianças e de jovens.

A onda de manifestações e revoltas em diversos países do Oriente Médio, em


2011, tinha como reivindicação principal a queda de governos ditatoriais, mas
também exigia melhorias econômicas, como o aumento da oferta de
empregos.

O fraco desenvolvimento tecnológico e a falta de recursos financeiros de


diversos países também impedem o desenvolvimento de alternativas para a
produção agrícola em áreas desérticas e com escassez de água. Turquia e
Iraque, no entanto, beneficiam-se da rede hidrográfica dos rios Tigre e
Eufrates, de onde retiram a água para o cultivo agrícola e a produção
industrial.

A precariedade à qual são submetidos expressivos contingentes


populacionais pode ser verificada nos índices de mortalidade infantil
representados no mapa Oriente Médio: Mortalidade infantil (2017) anterior.
Juma Muhammad/ImagesLive/ZUMA Wire/Alamy/Fotoarena

A guerra da Síria destruiu inúmeras infraestruturas básicas de atendimento à população. A


foto mostra um hospital destruído durante bombardeios na Vila de Awaijel, ao norte de
Alepo, em 2016.

AS GUERRAS DO IRAQUE E A PIORA DAS CONDIÇÕES DE VIDA


As condições de vida da população iraquiana tornaram-se muito precárias
após a guerra entre o Iraque e os Estados Unidos, em 1991, e a invasão do
país por tropas estadunidenses em 2003. Até então, os iraquianos tinham um
nível médio de vida, beneficiado pelo comércio do petróleo. Durante e após os
conflitos, as infraestruturas básicas foram praticamente destruídas. Com o fim
da guerra de 1991, foi imposto um embargo econômico pela ONU, que
impediu o país de adquirir boa parte dos materiais necessários a sua
reconstrução e dificultou a compra de alimentos e medicamentos.

O resultado dessa situação foi catastrófico. Milhares de pessoas morreram


por doenças provocadas por água sem tratamento e pela subnutrição.

Em 2017, o Iraque apresentava taxa elevada de mortalidade infantil (30 a


cada mil nascimentos) e baixa expectativa de vida (70 anos).
ATIVIDADES ECONÔMICAS
Os países do golfo Pérsico têm suas economias baseadas em atividades relacionadas
ao petróleo, e alguns, mais recentemente, em atividades turísticas. A agricultura é realizada nas
poucas áreas que não têm clima árido ou nas que foram implantadas sistemas de irrigação. A
maioria da população vive em cidades, nas quais crescem as atividades ligadas ao setor de
serviços, como o turismo, em razão das cidades históricas e dos sítios arqueológicos. Com o risco do
esgotamento das jazidas de petróleo, o Barein e os Emirados Árabes Unidos estão investindo na
construção de luxuosas estruturas de turismo.
Nas áreas próximas ao mar Mediterrâneo, como no Líbano e em Israel, encontram-se condições
mais propícias às atividades ligadas à agropecuária. Israel venceu as barreiras do clima seco e
da aridez do solo de grande parte de seu território com a aplicação de tecnologia em
avançados sistemas de irrigação. Isso permitiu o desenvolvimento de colônias agrícolas com
produção diversificada de alimentos e frutas. Além disso, o país desenvolveu um importante setor
industrial e de tecnologia de ponta.
Na península Arábica também existe uma concentração de reservas de petróleo. O Iêmen é uma
exceção: apresenta poucas jazidas petrolíferas, insuficientes para sustentar a economia. Porém,
é um dos únicos países da região com boas condições naturais à agricultura, mantendo uma
numerosa população rural. O país, desde 2015, passa por uma guerra civil entre xiitas, apoiados
pela Arábia Saudita, e sunitas, apoiados pelo Irã. O conflito é considerado pela ONU como uma
crise humanitária gravíssima e já vitimou cerca de 10 mil pessoas até o início de 2018.

Países como Emirados Árabes, Kuwait e Irã, apesar de serem grandes produtores de petróleo,
apresentam fraca diversificação industrial. Assim, nesses três países, mais de 35% das
importações consistem em bens de consumo, como carros e eletroeletrônicos. Os principais
centros econômicos e financeiros da região localizam-se em Tel Aviv (Israel), Riad (Arábia
Saudita), Dubai (Emirados Árabes), Doha (Catar) e Istambul (Turquia).

Oriente Médio: Participação no PIB


de países selecionados (2017)
Adilson Secco/ID/BR

Fonte de pesquisa: CIA. The World Factbook.


Disponível em:
<https://www.cia.gov/library/publications/the-
world-factbook/geos/xx.html>.
Acesso em: 11 set. 2018.
Oleg Lopatkin/Alamy/Fotoarena

As condições ambientais, em que


predominam climas áridos, solos
arenosos e baixo índice de pluviosidade,
fazem com que a tecnologia de ponta
seja estratégica para a realização das
atividades agrícolas. Em muitos locais
do Oriente Médio, a agricultura é
viabilizada por sofisticados sistemas de irrigação. Vista do monte Gilboa, Israel. Foto de
2016.
Simon Dawson/Bloomberg/Getty Images

O valor do barril de petróleo pode ser acompanhado no mercado financeiro mundial, por
tratar-se de uma importante commodity. Na foto, Bolsa de Valores da Arábia Saudita, em
Riad, 2016.

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