ANA PAULA DE OLIVEIRA FERREIRA LITERATURA DE CORDEL: UM MÉTODO DE INCENTIVO À LEITURA E ESCRITA Artigo apresentado à Faculdade Atlântico como

requisito para obtenção do título de especialista em Língua Portuguesa, Leitura e Produção de Texto. Orientador: Prof. MSc. Edinaldo Batista dos Santos Cristinápolis/Se 2010 LITERATURA DE CORDEL: UM MÉTODO DE INCENTIVO À LEITURA E ESCRITA ANA PAULA DE OLIVEIRA FERREIRA UNIT RESUMO Este artigo tem como objeto de pesquisa o estudo da Literatura de Cordel desenvolvida em sala de aula como método incentivador da leitura e da escrita, visto que, por se tratar de folhetos impressos, ilustrações atrativas e sua livre expressão, o cordel desperta o interesse na maioria das pessoas que já tiveram ou mantém o contato com esta literatura. Trabalhos realizados anteriormente com os alunos do 9º Ano B, da Escola Dr. Albano Franco, situada no Povoado Cascavel em Tomar do Geru, Sergipe, demonstraram que os mesmos se sentiram motivados a produzirem textos através dessa expressão literária que é o cordel em seu amplo contexto cultural, instigando-os a desenvolverem um trabalho de produção artística popular. Sendo assim, propomos um trabalho com literatura de cordel em sala de aula como forma de despertar a criatividade e a capacidade dos envolvidos na produção de texto, na oralidade, explicitando e exercitando o senso crítico dos mesmos de maneira espontânea, utilizando-se da pesquisa experimental, bibliográfica e documental, além da observação e questionário aberto. Este trabalho poderia ser caracterizado como suporte de estudo aos métodos incentivadores da leitura e da escrita dentro da cultura popular, já que os resultados da pesquisa sobre a Literatura de Cordel em sala de aula aqui apresentados foram satisfatórios e bastante relevantes. Palavras-chave: Literatura de Cordel, Método, Sala de aula, Incentivador. INTRODUÇÃO A Literatura de Cordel surgiu na Europa a partir do século XVI. Nesta época os trovadores iam de feudo em feudo, cantando suas poesias, acompanhados de violas, alaúdes, pandeiros e outros instrumentos musicais. Esses poetas contavam histórias, divertiam o povo, os membros da corte e também seguiam peregrinações a lugares santos. O cordel servia como um meio de comunicação popular onde os trabalhos produzidos eram expostos em barbantes e cordas para serem vendidos em locais públicos. Somente em fins do século XIX, a literatura foi trazida para o Brasil por colonizadores europeus, onde através de folhetos impressos que circulavam principalmente nas zonas rurais o trabalho iria sendo cada vez mais divulgado e apreciado pela população. Ressaltando que os cordéis sobressaíram-se e sua concentração maior foi na Região Nordeste especialmente nos estados de Pernambuco, Bahia, Ceará e Pará, devido ao enfoque no regionalismo que se referiam na maioria das vezes aos feitos dos cangaceiros, sertanejos e os problemas sociais que os cercam.

vidas edificantes. as folhas volantes.. onde se formou o velho Romanceiro peninsular. estudantes da área de Língua Portuguesa. XVI. Essas folhas volantes lusitanas. a segunda faz referência à importância da Literatura de Cordel em sala de aula e a terceira seção nos relata sobre a necessidade de se trabalhar a literatura em seu amplo contexto. demonstraram que se sentiram motivados a produzirem textos através da livre expressão literária do cordel em seu amplo contexto cultural. A princesa Magalona. O trabalho foi desenvolvido através de pesquisa bibliográfica. fatos históricos. Como instrumento de pesquisa utilizou-se a observação e o questionário aberto aplicado aos alunos da referida turma e escola. registravam-se também fatos históricos. tiveram origem no grande caudal da Literatura Oral. Numa experiência realizada na Escola Dr. Neste sentido. Sergipe. recolhidos da tradição e bastante simplificados em sua redação. onde por volta do séc. 2006). a capacidade de observação da realidade e dos problemas sociais que nos cercam em especial na região Nordeste onde o Cordel teve maior repercussão e por ser a nossa terra de origem. anedotas ou novelas tradicionais como A ImperatrizPorcina.. saíram inicialmente as folhas volantes que circularam na Espanha desde fins do séc. Albano Franco. presas a um cordel ou barbante. teve origem em Portugal. para facilitar sua exposição aos interessados. cenas de teatro (como o de Gil Vicente). XVI se popularizaram as folhas volantes (ou folhas soltas) que eram vendidas por cegos nas feiras. na turma 9º Ano. tal como se arraigou na Península Ibérica. tal como é cultivada no Brasil até hoje. esta pesquisa tem como objetivo avaliar a importância da Literatura de Cordel como método de incentivo à leitura e escrita de forma a despertar o senso crítico. Conforme Linhares (2006). este artigo pretende servir de suporte e subsídios a pesquisadores. ruas. praças ou em romarias. Seus textos eram velhos romances.poesia popular impressa em folhetos e vendida em feiras ou praças. Ambas as formas tiveram como antecessora a littérature de colportage. poesia. XVI. cordelistas e professores que se interessem no desenvolvimento desse trabalho em sala de aula e tenham como foco despertar a necessidade de se trabalhar essa temática. pequenos libretos surgidos na França também no início do séc. textos que eram memorizados e cantados por quem os vendiam. Sendo assim. aliada às pesquisas documental e experimental na Escola Dr. No entanto. de impressão rudimentar. em cor cinza ou azul (daí o nome genérico de Biblioteca Azul). cantigas. ainda não foram realizadas pesquisas que comprovassem a influência do cordel enquanto recurso de aprendizagem nesta escola. . com a popularização da imprensa. O trabalho está dividido em três seções: A primeira aborda os métodos incentivadores da produção de textos. situada no povoado Cascavel em Tomar do Geru.Experiência realizada em sala de aula por alguns professores observou-se que devido ao rico conteúdo da literatura de cordel o desenvolvimento da leitura e da escrita fluiu prazerosamente tornando-se um importante método inovador e incentivador das mesmas. os educandos da turma do 9º Ano B. por sua vez. Desta fonte. Eram folhetos impressos em papel de baixa qualidade. histórias de João de Calais e A Donzela Teodora (LINHARES. 1 MÉTODOS INCENTIVADORES DA PRODUÇÃO DE TEXTOS ALiteratura de Cordel . Exemplos conhecidos de Literatura de Cordel são as histórias de Carlos Magno e os Doze Pares de França. Albano Franco.

entre outros motivos para que se verificasse o surgimento de grupos de cantadores como instrumentos do pensamento coletivo e das manifestações de memória popular. Cavalcante Proença. tais formas também foram-se transformando (DIÉGUES JR. Se na Idade Média. entre outros) que. Segundo pesquisas realizadas pela USP (2006). havia à mão os folhetos contando as velhas novelas populares. os artifícies. pseudônimo de José Gomes. vindas de Portugal ou dos centros mais adiantados do próprio Brasil. as secas periódicas provocando desequilíbrios econômicos e sociais. os jograis populares ou palacianos. Na Europa. essa forma popular de literatura. Devido à diversidade de assuntos ou temas cantados pela literatura de cordel. Se eram raras as obras impressas. pelo dia-a-dia do povo. embora em pequenas tiragens (entre 100 e 200 exemplares cada). o surgimento das manifestações messiânicas. o aparecimento de bandos de cangaceiros ou bandidos. a gente do povo. que se fixaria no Nordeste do Brasil. da maneira como se tornou hoje em dia característica da própria fisionomia cultural da região". além de cantarem e imprimirem os textos tradicionais inventam cantorias com temas gerados pelas circunstâncias de seu tempo. foi essa a forma que poesia popular encontrou para se divulgar. sabemos que.000 folhetos. o elemento difundido dos fatos ocorridos. foi transladada para o continente americano pela ação de seus descobridores espanhóis e portugueses. ou denúncia dos mau-feitos em prejuízo de alguém. Patativa do Assaré e outros cada um com sua contribuição sem esgotar o problema. Paulo Nunes Batista. constituíam a comunicação dessa poesia. tornando-se uma das características diferenciadoras dos costumes dessa imensa região em relação às demais regiões brasileiras. casos de rapto de moças. tantas coisas mais. veio naturalmente à tradição do Romanceiro. João Martins de Athayde. segundo os critérios usados pelos folcloristas. ás vezes. estragos da seca. com os lavradores. Pela interpretação do grande pesquisador da cultura popular brasileira que foi Cascudo (1962). Patativa do Assaré. destacam-se as de Ariano Suassuna. Manuel Diégues Júnior. com a transformação do tempo. Em geral essas classificações abrangem duas grandes áreas-matrizes: a da Tradição (passado) e a das Circunstâncias (presente). efeitos das cheias. cantando nas festas e animando o povo. Alguns fatores de formação social contribuíram para este aspecto citado acima: a organização da sociedade patriarcal. mas nenhuma definitiva. "No Nordeste. Leonardo Mota. o Brasil é o maior produtor de literatura de cordel.Difundidos por toda a Europa. Tais classificações diferem bastante entre si. Francklin Machado. servindo de jornal ao por a família ao corrente do que se passava: façanhas de cangaceiros. Câmara Cascudo. deleite do ouvinte ou leitor. Enquanto não se difundiu a tipografia. em todos os países ela tem sido classificada segundo seus "ciclos temáticos". Cuíca de Santo Amaro.1969). Rodolfo Coelho Cavalcante Raimundo Santa Helena. no mundo ocidental: em cem anos publicou cerca de 20. à medida que se instalavam nas terras por eles conquistadas. existem importantes classificações. chamada "de cordel". crimes. como literatura de cordel". No Brasil. as lutas de família deram oportunidade. foi possível o surgimento da literatura de cordel. Foi no Nordeste do Brasil (da Bahia ao Pará) que este tipo de literatura se espalhou e se firmou mais profundamente e continua como forma viva de comunicação. A maioria dos cordéis é ilustrada pela técnica da . Não foi difícil à literatura de cordel introduzir-se neste ambiente. Tornou-se um meio de comunicação. Há cantadores e cordelistas famosos (Leandro Gomes de Barros. por condições sociais e culturais peculiares. Para Cascudo (1973) "Nas naus colonizadoras. e que servem de informação. histórias de santo também.

mas a literatura de cordel resistente mantém-se viva até hoje. que abre oportunidades para as manifestações e experiências culturais. seduzir e despertar os envolvidos para as situações que os rodeiam. . Se nossos colonizadores nos espoliaram por séculos.40). a reconstituição dos modos pelos quais ela é buscada e das vicissitudes em que incorremos em buscá-la é indispensável para compreender nossa criatividade cultural. Com o correr dos tempos e o progresso urbano que. notavelmente são vários os meios de incentivo à aquisição do conhecimento. p. (VANNUCCHI. p. atingiu o Nordeste brasileiro. professores. etc. mercados ou em qualquer lugar em que haja um cantador e sua viola. dando várias possibilidades de se desenvolver belíssimos trabalhos pedagógicos e introduzí-la na sala de aula é uma boa proposta de se trabalhar a interdisciplinaridade. certos dados culturais. e mais denunciando ou zombando do que inventando acontecimentos do novo Brasil e suas circunstâncias. a literatura de cordel através do estudo de língua vernácula.. Assim também o exercício efetivo do diálogo. foi precisamente porque. o resgate de valores. o cinema e a televisão. 2006. Viver o direito à voz é experiência pessoal e intransferível.15). depois estampada à tinta no papel. voluntários e outros interessados. marcas exclusivas do "caráter nacional brasileiro. cada vez com mais evidência. Portanto. de tal sorte que. Só que. e que tem evoluído muito. embora devagar.. de par com as estruturas políticas e econômicas trazidas da Europa. conforme a seguinte afirmação: Embora se possa dizer que cultura de qualquer civilização do passado ou do futuro é também esta busca de autenticidade. De maneira que transpareça a autenticidade da cultura brasileira e a necessidade de buscá-la. diante de tantas manifestações culturais e métodos que incentivam a produção e a criatividade humana é de fundamental importância abordar esses temas e integrá-los à educação como forma de propiciar aos envolvidos mais conhecimento sobre a cultura popular brasileira. p. nos impingiram outras. O tema de estudo deste trabalho abre espaços para uma reflexão sobre a importância de se inovar em sala de aula. 1997. por tradições que sejam. Esses meios de comunicar-se de maneira espontânea e lúdica despertaram em pesquisadores. (VANNUCCHI. em subtilezas técnicas). em especial. muitos costumes antigos desapareceram. da escrita e da produção de textos no diz respeito ao amplo conteúdo das culturas populares e às muitas e criativas possibilidades de trabalhar o cordel como forma de divertir. 2006. para o entretenimento do povo nas praças. informar. escrita.xilografia (gravação em madeira. como a religiosidade popular ou o carnaval. a origem das variadas culturas introduzidas no Brasil.. em vez de respeitar nossas tradições. estão longe de constituir. que permite um oportuno e rico trabalho de Língua Portuguesa. o interesse pelos cordéis antigos vem decrescendo em favor dos novos cordéis que falam muito mais dos dias de hoje. hoje. É importante abrir espaços para que a criança e o adolescente possam manifestar-se. feiras. cantada. voltado para a troca de informações sobre vivências culturais e esclarecimentos acerca de eventuais preconceitos e estereótipos é componente fortalecedor do convívio democrático (PCN'S. de possibilitar métodos incentivadores no âmbito educacional. declamada. ruas.. um imenso mundo literário. mas será abordada neste artigo. concorrendo com a rádio.53). a idéia de se estudar a influência dessa literatura em salas de aulas. partindo de um contexto educacional na perspectiva de tê-lo como método incentivador da leitura. por si sós. A Literatura de Cordel pode apresentar-se de diversas formas: oral.

. expressar o descontentamento com as questões sociais. literatura de cordel. Embora nos ensinem a ter um modo de vida refinado. A partir de agora vamos nos aprofundar na próxima seção sobre a importância dessa literatura ser trabalhada em sala de aula despertando o senso crítico do aluno no que diz respeito aos vários contextos em que está inserido. que "o Brasil é um cadinho democrático de raças". pois o povo sabe muito e ninguém pode expressar melhor os problemas sociais e as mazelas da vida do que quem de fato sofre na pele as conseqüências dessa pirâmide tão desigual que é sociedade brasileira. pois a literatura proporciona a leitura. uma criação espontânea vinda das suas experiências de vida e através de uma nova visão de como a cultura popular pode ser trabalhada de forma pedagógica no campo educacional abre-se um leque de possibilidades para que as classes se expressem livremente. sua expressão e sua criação sejam vistas. no apego rígido aos valores tradicionais. a interpretação. opiniões divergentes. 2006. como potencial conscientizador das massas. dos partidos. índios e negros contribuíram com suas características biológicas e culturais para formar a nação brasileira. o método surte efeito notável. p. toda sociedade seja ela analfabeta. por exemplo. não necessariamente de maneira formal. possui uma cultura própria. a ideia de trabalharmos essa temática como um método incentivador em sala de aula. festas. de baixa renda ou reprimida. naturalmente. políticos. a educação informal tem seu valor. nessa perspectiva cabe ao educador inovar e procurar meios que atraiam a atenção dessa categoria. Na contemporaneidade a escola pública pouco oferece para o que venha ser realmente necessário aos alunos. quando trabalhado de forma planejada e objetiva em sala de aula. na escola ou na propaganda da TV. cinema. aceitar a crítica e saber fazê-la. já que convivemos com uma realidade muito desagradável: o brasileiro não tem o hábito da leitura. 2 A IMPORTÂNCIA DA LITERATURA DE CORDEL EM SALA DE AULA Para alguns pesquisadores da Literatura de Cordel. contextos sociais. as variantes culturais nem também deixar de perceber que a cultura popular vem crescendo rapidamente e tomando espaços jamais conquistados antes. mediante a educação informal oferecida pelo teatro. a tendência de instrumentalizar a cultura popular desfolclorizada. com apoio nas raízes do povo. Do enfoque político flui. sem negar as raízes de uma sociedade tão variada quanto a brasileira. 2007. civilizado e eficiente – numa palavra. 104). na sua memória coletiva. músicas. mas que o povo seja ouvido. políticos e veículos comunicativos. reconhecer a sua realidade e perceber a necessidade de mudá-la quando necessário. o pedagógico. Que europeus. visões de mundo diferenciadas. dos sindicatos. suas origens e que apesar de não ser vista com bons olhos por muitos críticos. exposição e muitas outras iniciativas aglutinadoras (VANNUCCHI. também a cultura popular representará uma força de reação e de identidade. 12). possibilitará aos envolvidos inúmeras oportunidades de conhecer a cultura popular do seu país de sua região. Sendo assim. econômicos e culturais variados que precisam ser trabalhados e estimulados no indivíduo. não se pode desprezar a influência estrangeira. O suporte teórico presente neste artigo nos ajudará a entender melhor a importância da cultura popular.A priori. a saber. conforme pontua Vannucchi: Assim como a violência dos que estão por cima provoca o surgimento e a coesão dos movimentos e agrupamentos sociais. expor suas habilidades e emoções a depender do tema abordado. Veja o que afirma Antônio Augusto Arantes: Aprendemos. "culto" – não conseguimos evitar que muitos objetos e práticas que qualificamos de "populares" pontilham o nosso cotidiano (ARANTES. p. não temos como negar que o popular está em nosso dia-a-dia e que o "culto" pode tranquilimente andar ao lado da popularidade.

que atraem o indivíduo e o estimula a produzir cordéis. no entanto. além de propor aos mesmos a fundamentação dessas informações de maneira espontânea. Eram antigamente os pousos. desafios. as informações e o conhecimento dos mais variados tipos de leitura. . 1984. o que impõe à escola algo novo: levar o aluno apropiar-se dos escritos para agir na vida (ROJO. já é visto por parte do aluno como um tema complicado e enfadonho. lutas de cangaceiros. 3 A NECESSIDADE DE SE TRABALHAR A LITERATURA EM SEU AMPLO CONTEXTO A escola nos dias atuais não contempla diretamente a necessidade de um aluno tão carente de conhecimento nos aspectos sociais. políticas. Alguns estudiosos que trabalham o referido tema relatam experiências surpreendentes da prática do cordel em sala de aula.A leitura na escola deve ser uma oportunidade única. os pontos para dormir.. A partir disto. 2006. a estrada dos comboios tornou-se batida e certa e hoje está ponteada de cidades e vilas. os mestres não possuem estímulo para ensinar e os alunos têm preguiça de aprender.35).Observa-se que. eles se sentirão envolvidos produzirão cordel como nas décadas passadas. veja a orientação de Antônio Augusto Arantes a seguir: Em lugar de tomar esses símbolos abstratamente. Lamentavelmente. p. não as relataram cientificamente. para os nossos propósitos. Não podemos deixar de relatar que alguns profissionais da educação também já tiveram essas experiências. criatividade. deve propiciar aos educandos interesse. Propõe-se neste artigo que os textos literários caminhem junto à Literatura de Cordel. Essas questões abrem muitas discussões alusivas a essa temática que envolve uma série de opiniões e conceitos que não serão relatos neste capítulo. o professor não pode deixar de apresentar aos seus alunos uma diversidade de gêneros textuais que condigam com a realidade dos mesmos e de maneira sedutora e que desperte a curiosidade deles. esse tipo de literatura possibilita uma produção menos conservadora no que diz respeito à gramática normativa. a cada dia que passa. conhecimento focado. Sendo assim. pois trabalhar o texto por si só. rapidez de pensamento. Esse tipo de texto abre brechas para expressarmos os problemas sociais que nos rodeiam e ironizar sutilmente a sociedade imperfeita que fazemos parte. ampliando assim. num ambiente propício sairá daquele ambiente muita coisa boa. 2006). discurso persuasivo e adequação de estilo. mesmo porque. essa é uma das virtudes se é que assim pode ser chamada. A livre expressão que a Literatura de Cordel nos proporciona quebra muita das vezes aquele bloqueio que alunos possuem com relação às regras gramaticais. interpretá-los como produtos de homens reais. Romances de amor. incentivador. o mundo atual exige mais agilidade. Se for apresentado aos alunos um trabalho democrático. convém.289). isso tem sido visto como um problema cultural.. guerras. como se eles estivessem vagando no vazio. econômicos e culturais quanto o estudante brasileiro. que articulam. Cascudo (1984) relata um pouquinho daquela época. quando afirma: . O autor de versos de cordel preocupa-se mais com rima do que com as regras. é possível através do contato com a Literatura de Cordel desenvolver no educando habilidades lingüísticas ampliando assim. só que numa época diferente e com situações diferentes. Aí cantadores narravam as histórias passadas. As escolas públicas infelizmente ainda deixam muito a desejar no que diz respeito ao processo de ensino-aprendizagem. pontos de vista a respeito de problemas colocados pela estrutura de sua sociedade (ARANTES. os "descansos". de um modo geral. tudo era evocado (CASCUDO. p. seu conhecimento de mundo. Cabe aos ouvintes fazerem a interpretação nas entrelinhas. em situações particulares.

As aulas que ocorriam fora da sala de aula foram consideradas divertidas. a jornada de estudos é intensa e respeitada por parte dos alunos. Patativa do Assaré. a saber. já na nossa realidade os nossos alunos cumprem apenas horário que está em sala e dedica a maior parte de sua vida a brincadeiras. 125).2 UMA REFLEXÃO SOBRE O CORDEL EM SEU AMPLO CONTEXTO E A EXPARIÊNCIA COM OS ALUNOS DA ESCOLA DR. no município de Tomar do Geru. ALBANO FRANCO COM A TURMA DO 9º ANO Nessa perspectiva. Albano Franco. não se preocupam em ler nas horas vagas e não dão a mínima importância para os conteúdos programáticos. Logo depois. pertencentes a uma turma de 9º Ano. a partir da observação dos 39 alunos. Dessa forma. levando em consideração a importância da realização de trabalhos. utilizando-se o cordel em sala de aula. literatura de cordel. desenvolveu-se um trabalho minucioso. eles são conscientizados desde pequeninos que estudar é coisa séria. 3. Observe o que afirma Vannucchi (2006): Do enfoque político flui. Prefeitura Sem Prefeito Nessa vida atroz e dura Tudo pode acontecer . Sergipe onde se percebeu a necessidade de resgatar manifestações populares pouco trabalhadas no cronograma escolar e até festas populares da região. além do estado e da família participar ativamente do processo. O resultado foi interessante e proveitoso. A partir dos resultados notou-se um aumento no nível de aprendizagem da turma e um maior entrosamento dos alunos com o mediador e maior interesse nas aulas de Língua Portuguesa. 104). Inicialmente houve certo impacto. se a cultura popular é tão rica e diversificada a ponto de prender a atenção do aluno seria interessante. explorar ao máximo essa riqueza que é um patrimônio público. mediante a educação informal oferecida pelo teatro. na Escola Dr. músicas. resolveu-se levar mais a diante a experiência e expandí-la para uma exposição cultural no centro da cidade. Albano Franco.1 A EXPERIÊNCIA DO CORDEL COM OS ALUNOS DA ESCOLA DR.Em outras culturas a educação é considerada um bem supremo. festas. porém a ideia causou entusiasmo e alvoroço nos alunos. p. criar a cada dia uma novidade para conseguir chamar a atenção desses alunos e conseguir conscientizá-los de que só a educação mudará a realidade dele e de sua família como também desse país semi-analfabeto. Como primeiro resultado teve-se a produção de textos e expressão oral através de apresentações no pátio da escola. Verdadeiramente é um desafio muito grande para o educador. a implementação da literatura diversificada em seu amplo contexto e a necessidade de mudar de forma atrativa e inovadora a realidade das nossas salas de aula e talvez até para o educador repensar as suas práticas pedagógicas e se valer do que tem. como potencial conscientizador das massas. 3. tendo os alunos se empenhado ao máximo. a tendência de instrumentalizar a cultura popular desfolclorizada. naturalmente. o pedagógico. uma reflexão sobre a educação. retirados de Feitosa (2006. P. cinema. com a turma do 9º Ano. 2006. foi proposta junto aos alunos da Escola Dr. exposições e muitas outras iniciativas aglutinadoras (VANNUCCHI. ALBANO FRANCO Para melhor entender e visualizar os versos de cordel apresenta-se aqui um trecho da obra de um dos maiores cordelistas nordestino do Brasil.

Ainda que alguém me diga Que viu um mudo falando Um elefante dançando No lombo de uma formiga. Ema apanhar de perdiz Um rio fora do leito. Não vou teimar com quem diz Que viu ferro dar azeite. Por ver no meu Assaré Prefeitura sem prefeito. Porque vejo em minha terra Prefeitura sem prefeito. Nunca pude discernir Se poderá existir Prefeito sem prefeitura. Eu conheço do direito E sem lição de ninguém Descobri onde é que tem Prefeitura sem prefeito. mesmo sem leitura. Vejo que alguém me censura E não fica satisfeito Porém.Muito breve há de se ver Prefeito sem prefeitura. Não me causará intriga. Não mentiu este sujeito. Sem esperança e sem fé. Por não ter literatura. Um avestruz dando leite E pedra criar raiz. Porém. . eu ando sem jeito. Escutarei com respeito. Sem nenhum curso ter feito. Muito mais barbaridade É haver numa cidade Prefeitura sem prefeito. Um aleijão sem defeito E um morto declarar guerra.

podemos criticar humoristicamente os problemas que nos aflige. porém iniciar um trabalho . escrito em 2008. É um trabalho realmente desafiador.. 22 Onde só um olhar assim De carcará feiticeiro.. 20 Volto ali pro começo E fico lidando então No tear aonde teço Minha teia de ilusão 21 Ouvindo a voz que me chama Das estrelas sagradas E o grito da sariama Ecoando nas chapadas. Vigia o amplo terreiro. 2 Ali é que tá o reino Duro do meu sertão Onde só caça sem treino O carcará gavião.A seguir observa-se o cordel de Guilherme de Faria. no qual retrata a trajetória do romance do retorno: Romance Do Retorno 1 Vigia doutor Raimundo Muito ao longe aquela serra Que azula fora da terra Deste seu vale fecundo.. Foi esta a proposta apresentada aos alunos da turma trabalhada. 5 O peão que sabe olhar Lê o chão e as entrelinhas Como em livro de contar Estórias de carochinhas. 3 Ali a pedra até chia Sob esse sol inclemente Para o ouvido potente Dos sertanejos que havia... inté gente. Vigia o reino sem fim! Os textos apresentados acima são mais uma prova de que através da livre expressão que essa literatura nos permite.. de explorar a possibilidade de poder colocar no papel o que nos incomoda e saber que alguém apreciará esta obra. 4 Mas basta seguir o voar Do carcará experiente Pra vida ou morte encontrar Nunca menos e.

Com essa experiência percebemos que os alunos produziram espontaneamente. quando relembradas de forma focada e com dinamismo traz certa nostalgia. Era para o casamento. sua origem. Tomar do Geru. e melhor. Mandava-se fazer uma roupa de casimira que durava toda a existência. A literatura é muito rica e diversificada. os alunos gradativamente. A exposição foi rica e inusitada. mas ficam os registros. está no povo. além do contato com as obras de cordelistas famosos. 1984. As questões que envolvem o Nordeste. Tomavam banho ao sábado. no decorrer de outra aula foi apresentado aos alunos o contexto histórico da Literatura de Cordel. está nas ruas. etc.diferente e inovador não é fácil. observe: Conheci e vivi no sertão que era das "eras de setecentos". Albano Franco.. não só textos como apresentações culturais. Calçava-se meia branca quando se tomava purgante de jalapa. a quebra das regras muita das vezes quebra também um bloqueio que o aluno possui. davam a benção com os dedos unidos e quase todos sabiam dez palavras em latim (CASCUDO. se nossos educandos tivessem . Chuva vinha do céu e trovão era castigo. O popular está ao nosso redor diariamente não dá para simplesmente menosprezar como algumas pessoas tentam fazer frequentemente por não ser considerado "culto". Imperavam tabus de alimentação e os cardápios cheiravam a Brasil colonial. É natural que relembremos constantemente os acontecimentos da nossa gente. Os velhos tinham costumes inexplicáveis e venerandos. muitas vezes orais. Os hábitos ficavam os mesmos. Os trabalhos foram de ótima qualidade. pois os poemas além de escritos eram declamados em público desinibindo assim. As mães "deixavam" roupa paras as filhas. uma saudade boa da nossa cultura. passando de geração em geração. o resgate de algumas histórias engraçadas de seus antepassados. Sergipe que respondessem a um questionário contendo 20 questões de sondagem sobre o hábito de leitura dos mesmos e sua preferência pelos mais variados tipos de textos. os alunos produziram em poucos dias textos de um semestre inteiro. do casamento da filha e era-se enterrado com ela.. muito pelo contrário essa herança é uma das maiores riquezas que uma sociedade possui. de para filho. suas raízes. Nome de menino era do "santo do dia". raízes. para as grandes festas. p. E elas usavam. a oralidade e a escrita da turma melhoraram bastante nas aulas de Língua Portuguesa. Mordido de cobra não podia ouvir fala de mulher. para o dia da eleição. precisaremos de muita perseverança e acreditar que algumas barreiras podem ser vencidas O fato dos alunos que participaram experiência serem da zona rural facilitou na escolha de alguns temas que foram trabalhados em sala de aula. entre outros. Foi ressaltada a importância do Cordel aqui no Nordeste e sua expansão nesta região. Câmera Cascudo relata bem isto em sua obra Vaqueiros e Cantadores. Na sequência propomos uma experiência com a produção livre de um texto em forma de cordel com o tema escolhido pelo aluno. O sol se escondia no mar até o outro dia. os costumes da roça. Através da informalidade. vários professores sentem a necessidade de se trabalhar um contexto diferenciado. como os temas sertanejos. é gratuita. Na última etapa encorajamos os alunos da turma do 9º Ano a produzirem os textos para serem expostos na escola em seguida numa feira cultural que aconteceria no centro da cidade. o medo de errar constrange incessantemente. se não alcançamos a época. Menos da metade tinham afinidades com o cordel e a outra parte teve variação nos diferentes gostos literários. No início foi solicitado aos alunos da Escola Dr. Em seguida.16). Observamos que jogo de rimas incentivou os alunos a produzirem com mais empenho e as aulas tornaram-se mais produtivas. os temas foram variados e chamou a atenção de muitos curiosos.

melhor oralidade. Por outro lado. envolvendo várias questões que abrangem a cultura popular. influencia também no processo educativo. CASCUDO. o popular passa a ser tão importante quanto qualquer outro conteúdo programático. mas o resultado com certeza será uma surpresa ainda maior. a ansiedade dos alunos diante das questões propostas. observou-se que a cultura popular juntamente com a literatura de cordel. Neste caso. podem e devem ser ingressadas na proposta curricular e fazer parte do cotidiano escolar dos alunos. O que é cultura popular. Às vezes é preciso deixar a resistência de lado e buscar o novo sem ter medo do que possa a vir descobrir. portanto as experiências comuns vividas por ambos podem muito bem gerar várias vertentes para serem trabalhadas em conjunto na sala de aula e de forma sistematizada. São Paulo: Brasiliense. a partir da Literatura de Cordel foi possível refletir sobre a prática diária dos educadores. mais habilidades linguísticas. abrirá um grande espaço para um trabalho em conjunto. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ARANTES. ressalta-se que a educação é um direito de todos e a escola tem um papel social de através da sistematização do ensino inserir e preparar o educando para as práticas de socialização na sua vida cotidiana. pois a escola é principalmente aluno e professor. São Paulo: Ed. tudo isso levando em consideração que ao planejarmos ou analisarmos o Cordel e a possibilidade de inserí-lo nas aulas. da Universidade de São Paulo. pois é isto que eles vivenciam diariamente. a necessidade de se trabalhar uma temática inovadora. Objetivou-se também é relatar essa experiência interdisciplinar com o uso da Literatura de Cordel em sala de aula. isto devido ao comportamento conservador e às vezes preconceituoso da própria sociedade em excluir de certa forma esse tema. Vaqueiros e cantadores. O fato da sociedade ainda desvalorizar o "popular" e preocupar-se mais com os padrões cultos. da Escola Dr. o cidadão que possui o hábito da leitura é um privilegiado. no entanto não quer dizer que o ensino sistematizado seja somente o que a escola em si propõe. podemos questionar o motivo de algumas manifestações culturais. que por sua vez. inclusive o cordel não serem introduzidas no contexto escolar. Coleção primeiros passos. Albano Franco em Tomar do Geru. Luis da Camara.essa consciência não seria tão difícil introduzir a produção textual frequentemente de maneira agradável nas aulas diárias. Considerando a realidade das nossas escolas que é falta de estímulo para se trabalhar a cultura popular no seu planejamento. Sendo assim. A leitura seja ela qual for tem o poder de expandir os horizontes dos leitores. isto aos que participaram da experiência. a experiência poderá ser impressionante. assim se quebrará alguns "tabus" de medo e preconceitos que dificulta o processo de ensinoaprendizagem. Sergipe. surtiu efeitos positivos no comportamento dos alunos como: maior desenvoltura. 2007. . expressões populares. 1984. pois ter o domínio de informação e o conhecimento necessário à demanda social. no sentido de identificar métodos incentivadores da leitura e da escrita. CONSIDERAÇÕES FINAIS Buscou-se neste artigo apresentar os resultados de uma pesquisa realizada com os alunos da turma do 9º Ano. porém só descobriremos se ousarmos. Antônio Augusto. talvez poderá amenizar as conseqüências de uma realidade tão dura que é a falta de emprego e a de pessoal qualificado no país. tanto professor quanto aluno interagem e desfrutam das mesmas situações que envolvem termo "popular".

– São Paulo: Contexto. VANNUCCHI. 2006.bibvirt.com Quer publicar um artigo? Clique aqui e crie já o seu perfil! Ana Paula de Oliveira Ferreira Ana Paula de Oliveira Ferreira.2010. Disponível em http//www.com/cordel101. ed.webartigos. Ciclos temáticos da literatura de cordel – In Literatura de Popular em versos.Rio de Janeiro. São Paulo: Loyola. Le. FEITOSA. Rio de janeiro: 1962. Luiz Tadeu. Cultura brasileira: O que é. 1997. Patativa do Assaré a trajetória de um canto. Thelma R. 2007. Fundação Casa de Rui Barbosa/MEC.usp.4.2010.camarabrasileira. Ao usar este artigo. Cordel: O jornal do sertão [online]. MONTENEGRO. como se faz. LINHARES. Disponível em http://www. 2003.1969. na cidade de Cristinápolis. atualmente reside no estado de Sergipe. Aldo. KAWALL.w ebartigo Parte inferior do formulário Pesquisar Comentários Parte superior do formulário 1 36181 1 Avalie este artigo e deixe seu comentário: . na cidade de Salvador/BA . possui formação acadêmica. DIÈGUES JR. mantenha os links e faça referência ao autor: Literatura de Cordel: Um método de incentivo à leitura e escrita publicado 14/04/2010 por Ana Paula de Oliveira Ferreira em http://www. nascida em 22 de janeiro de 1982. São Paulo: Escrituras Editora. A história da literatura de cordel.futuro. sendo sua graduação em Letras/Português com especialização em Língua Portuguesa: Leitura e Produção de Texto. Acesso em 02 mar. duas filhas é professora de Língua Portuguesa e Inglesa do 6º ao 9º ano. casada.br. Antônio Torres. História oral e memória: a cultura popular revisitada. ed. Acesso em 05 mar. Dicionário do folclore brasileiro. PARÂMETROS CURRICULARES NACIONAIS. é portadora de vários certificados de cursos profissionalizantes e formção continuada na área da educação. Luis da Camara. Pluralidade cultural.CASCUDO.htm. S. 6. Manuel. Secretaria de Educação – Brasília: MEC. Ler outros artigos de Ana Paula de Oliveira Ferreira Não encontrou o que procurava? Parte superior do formulário partner-pub-7899 ISO-8859-1 w w w .

b. seguindo-se os sons correspondentes.fricativas) cujo valor se pode proferir e prolongar. n. x. tais como: • Leitura e análise de contos de autores conhecidos. Depois o t. produção e exposição. (constritivas . quando apresenta as dificuldades da língua de uma forma gradual. será trabalhado a produção de diversos gêneros textuais. Nesta metodologia são respeitados os postulados da psicologia. sem as quais não há palavras. um som. Só depois aparecem as consoantes "incertas". Depois aparecem a constritiva lateral 1 e a oclusiva q. um valor. j. g.webartigos. numa progressão pedagógica que constitui um verdadeiro estudo da língua portuguesa. as primeiras letras consoantes " certas" que se ensinam são v. partindo-se sempre do mais simples para o mais complexo. conforme a sua posição na palavra. Posteriormente.Avaliação: * Péssimo Excelente Parte inferior do formulário Fonte: http://www. z.com/articles/36181/1/Literatura-de-Cordel-Um-metodode-incentivo-a-leitura-e-escrita/pagina1. aquelas que têm mais do que um valor. Cada letra consoante é incluída numa lição em que estão reunidos os seus diferentes valores. s. As palavras que a criança lê . Assim. r. m. não tendo por isso. valor proferível. d. e depois de apresentar as vogais. a leitura de palavras e a pronunciação destas como entidades globais com significado próprio. mais do que um som. (oclusivas). são elas: c . activam esquemas da sua memória que a auxiliam na compreensão do seu significado. sendo ensinadas primeiro as que correspondem foneticamente a fricativas "certas". Em resumo. Assim verificamos que desde a primeira lição a criança é convidada e estimulada a ser "analista da linguagem". através do ensino da linguagem. p. isto porque desde a primeira lição a criança tem um papel activo na descoberta de que a posição da letra na palavra determina o seu valor sonoro.html#ixzz1A5PC7D5J O Método João de Deus segue uma via completamente original. salienta as funções da memória. A criança é levada a entrar num jogo. . que resultam de uma obstrução total da saída do ar. Desta forma a criança consegue fazer a integração das palavras lidas em contextos do m METODOLOGIA A linha-mestra da metodologia será a percepção e a construção da linguagem oral e escrita. da atenção e do processamento mental da informação durante a leitura. ou seja aquelas que só tem uma leitura. as letras consoantes são ordenadas em função do seu número de valores. do qual vai aprendendo regras e vai evoluindo de uma forma construtiva. f. este método acentua o aspecto da compreensão. O processo inicia-se com a visão das letras.

Produção de uma carta pessoal. Consultoria PMO Escolha a empresa Líder em Portugal Leia livros online OLivreiro. Home > Educação > Projeto De Leitura Projeto De Leitura Editar Artigo | Publicado em: 01/11/2009 |Comentário: 8 | Acessos: 19. Produção de notícias a partir da realidade da cidade. Troca de bilhetes na sala de aula ou escola. debate e produção de fábulas. undo real. Resenha de filme literário. Trabalhos individuais e em grupos. Entrevistando o professor. Brincadeira em grupo com adivinhas. Dramatização dos textos produzidos. Debates. Confecção e ilustração de livro com os gêneros estudados. Receita tradicional para o encerramento. Produção de paródias e exposição com acompanhamento musical. Produção de histórias em quadrinhos e exposição para outras salas.607 | Share Ads by Google Gestão de Projectos www. Roda de piadas selecionadas. Produção de propagandas e slogans. Varal com literatura de cordel.• • • • • • • • • • • • • • • • • • • Leitura.com. Seminários.pmo-projects. Produção e exposição de poesias (tema meio ambiente).br/Leitura O Livreiro é uma rede social que ajuda no seu acesso a grandes obras PLANO DE CURSO IDENTIFICAÇÃO: Unifacs-Universidade do Salvador .com Certificação PMI.

Observa-se a cada dia o quão é preciso reconstruir o papel da escola perante sua clientela e perante a comunidade na qual está inserida. ainda é cedo para saber. no sentido de qualificá-los para acessar. porque só os sonhos podem nos levar aos melhores dias. Mas para que a escola se transforme em sua totalidade. como sabê-lo? Será iniciado em 08 de maio de 2006. se tornará no futuro a árvore do bem. O projeto abrange diferentes faixas etárias. o interesse pelo gosto de ler. Edelzuite e Eunice será realizado no turno oposto ao das aulas letivas (vespertino). Sonhar é acreditar na vida. ao salientar o projeto "Piquenique da leitura” podemos compará-lo tal como uma semente minúscula. após um processo de inscrição dos alunos nas escolas a que pertencem e esclarecimento acerca do projeto para os mesmos. Essa relação deve ser bastante intima. Sair-se-ão muitos deste projeto. O projeto criado pelas professoras Ivânia. Essa premissa serviu também para nós implantarmos um projeto que faça a ponte entre livros. fazendo relação texto e contexto. do uso de determinados lugares públicos e convite à participação deles também. alunos e comunidade: quem forma leitores. Por isso. para a SEC municipal e prefeito com o objetivo de informar acerca do projeto. etc. com presteza e dedicação. que os textos sejam uma presença tão constante que seja impossível ignorá-los. e frutificará os preciosos frutos da sabedoria. leitura de vida e de mundo. meio ambiente. crianças e famílias. Como idealizadoras desse projeto. A construção desse nosso ideal é um processo longo que requer perseverança. Precisamos ser utópicos. resgatando e revalorizando a identidade étnica. e que a leitura escolarizada está muito longe de esgotar todas as possibilidades do ato leitor. comunidade. basta que o cerquemos de textos de todos os gêneros. É importante enfatizar que outra faceta do projeto é a estruturação da auto-estima. a diversidade cultural de seus leitores. com vistas à disseminação da leitura nos lugares públicos. cria cidadãos. é essencial que a reflexão sobre seu papel seja feito coletivamente. Será enviado também um ofício para as diretoras das escolas. o mesmo será realizado com o objetivo de disseminação da leitura para sensibilizar e despertar nos educadores.INTRODUÇÃO As relações escola-família-comunidade sempre foram marcadas pela frieza e pelo distanciamento. Mas se não fazê-lo. que plantada agora. pois a sociedade. cultural e local. para sobreviver e se transformar necessita da escola e dos indivíduos. identidade pessoal. . sempre se pensando na leitura por lazer. Pensando nisso. e se cuidada desde os primeiros instantes da semeadura. Por isso. com o intuito de que os alunos e a comunidade possam ter acesso a mais ampla variedade de texto possível.Professoras participantes do projeto: IvXXXXXX EdXXXXX EuXXXXXX. às vezes perdida ou fragilizada nas pessoas oriundas de segmentos sociais economicamente menos favorecidos. Acreditamos também que para criar leitores. acreditar na utopia. diferentes níveis de escolaridade. A comunidade não se envolve muito na vida da escola e vice-versa. com competência e autonomia. tornando-se educadores-leitores. O projeto realizar-se-á através de oficinas itinerantes que têm o objetivo de envolver a comunidade e fomentar a leitura em comunidades diferentes (urbanas e rurais). bem como trará . inseparável. o projeto Piquenique da Leitura foi idealizado com o objetivo de incentivar as escolas para que cada uma delas seja espaço de convivência participada e inclusiva. as diferentes linguagens em variados suportes textuais. atingindo a uma gama maior e mais diversificada de público. estimulando o debate de temas como cidadania. entendemos que a escola é só um dos espaços nos quais ocorre o encontro com os livros.

não costumam fazer produções em sala na escola ou fora dela. adultos. e que a leitura escolarizada está muito longe de esgotar todas as possibilidades do ato leitor. que sofrem com o preconceito e exclusão na nossa sociedade moderna. visto que o mesmo trata-se de um projeto com oficinas itinerantes. etc. 3. outros jovens. familiares de alunos ou não. mas não adquiriram o hábito e/ou prazer pela leitura) dos colégios XXXX e YYYYY. 2. outra faceta do projeto é a estruturação da auto-estima. nunca participaram de algum Projeto de Leitura anteriormente. e a partir dos conhecimentos dos seus valores saberão valorizar a si e ao próximo. Além disso.significativa melhora no ensino e em todos os sentidos. que já desenvolveram a competência leitora.2. entendendo-se aí toda a prática cotidiana do aluno. que não têm ou não tiveram acesso ao mundo da leitura.Objetivo Geral Apesar de a escola possuir um papel importante na formação de leitores e escritores. nos quais os alunos e a comunidade possam ter uma relação mais livre e pessoal com as mais diversas modalidades textuais que circulam socialmente. geralmente das classes mais baixas. possuem família com histórico de baixo índice de leitura. alunos cujas escolas apenas a disciplina Português tem assumido o trabalho (razoável) com a leitura/produção textual. lêem na escola textos que estão distantes do seu dia-a-dia. pessoas que não tiveram a oportunidade da conclusão do segundo grau. mas não atribuem sentido ao que lêem. sentem vergonha de ler em voz alta na sala de aula. de estar no mundo. Estimular a leitura por prazer. o universo mágico e encantador do livro e.1. 3.Objetivos Específicos Formar alunos-multiplicadores de leituras nas escolas públicas. Por isso. dominam o código. Estender a prática de Brincar de Biblioteca em casa e na comunidade. Desenvolver estratégias de leitura/produção de textos e hipertextos. Além desse público (alunos). não podemos esquecer que é só um dos espaços nos quais ocorre o encontro com os livros. Segundo a observação dos questionários e a ficha de inscrição. conseqüentemente. Ele atenderá além dos 52(cinqüenta) alunos inscritos. que não lêem muito. a "darem um mergulho" em si mesmos.OBJETIVOS 3. o projeto objetiva atingir pessoas moradoras das comunidades urbana e rural. tornando-se "peças fundamentais" na transformação do mundo que os cerca. É imprescindível enxergar com novos olhos o verdadeiro. às vezes perdida ou fragilizada nas pessoas oriundas de segmentos sociais economicamente menos favorecidos. mas que podem encontrar na leitura momentos de prazer. . pode-se dizer que o perfil principal do público alvo que esse projeto atingirá são alunos de ensino fundamental e médio. este projeto tem como objetivo principal criar condições para a leitura em contextos diferentes dos da escola. de inclusão social que nada mais é do que o seu direito como cidadão reflexivo e crítico dos problemas sociais. e pessoas pertencentes às comunidades urbana e rural. por meio de atividades lúdicas.PÚBLICO ALVO O Projeto visa atender a alunos (que não dominam o código. que possuem baixa renda. não podem desfrutar do ato da leitura como hábito. convidando o aluno e a comunidade sapeaçuense. e formarem-se como leitores e escritores autônomos no exercício de sua cidadania.

fantasias e imaginação. Incentivar os educandos a participar dos concursos de leitura e redação promovidos pelas entidades educativas. marcas do autor e do leitor. em comunidades que estão distanciadas da cultura escrita e falada. através das várias oportunidades de leitura. Estimular o gosto pela leitura vivenciando emoções. e alunos leitores e produtores de textos nas diversas áreas do conhecimento. Propor situações de práticas leitoras com os diferentes tipos e gêneros textuais. relação autor/leitor/texto. análise lingüística. individual). em grupo. aspectos lingüísticos e estruturais. o ponto de vista de quem escreve fazendo uma leitura crítica. usos e funcionalidade. . implementando práticas leitoras ricas e diversificadas em todas as áreas do conhecimento. Oportunizar aos sujeitos leitores. Propiciar a formação de educadores. . em educadores e alunos. Levar outras escolas também a adotarem práticas pedagógicas com sucesso. compreensão e interpretação: O texto: leitura e reflexão. leitura e Literatura Popular. Conceito de texto. ampliando o repertório dos que lêem e constroem a sua própria história cidadã. difundir e favorecer a leitura nos espaços pedagógicos e comunitários. compreendendo que escreve-se para que alguém leia. ampliando sua visão de mundo. Tipos e Gêneros textuais-definição. Compreender a intenção.Oferecer tempos e espaços de leitura diferentes aos da escola para os jovens e as famílias. incentivando a publicação e divulgação das mesmas. leitura e meios de comunicação de massa. Leitura e Literatura. permitindo que a linguagem seja um fator interativo. A correspondência e suas linguagens. 4. Tornar a relação escola-comunidade mais íntima. a possibilidade de repensar o real. pela compreensão mais aprofundada dos aspectos que o compõem. as práticas da leitura em sua diversidade textual: atividades sócio-comunicativas. os gêneros e as rotinas sociais da contemporaneidade. a concepção interativa da leitura. Valorizar as produções textuais dos alunos. leitura. Fomentar o gosto pela leitura. Sensibilizar. reconstruindo o sentido segundo suas vivências. ler e escrever. formas. Desenvolver as capacidades das habilidades lingüísticas: falar. escutar.PRINCIPAIS TÓPICOS ABORDADOS a) Exposição teóricas: EMENTA: A importância da leitura e a produção de texto.Conteúdo Programático: Estratégias de Leitura (leitura silenciosa.

Vários outros trechos extraídos de jornais. revistas e de sites sobre a corrupção no país. criação de um requerimento (com linguagem não literária) pedindo algo que eles estão reivindicando . Produção: Torto. advogados de defesa. O texto descritivo-a descrição e o ponto de vista. Como produção um júri simulado com juiz. 5. Como produção. políticos corruptos. um requerimento em forma de poesia: Petição ao prefeito (Manuel Bandeira) e discussão do texto. jurado todos bem caracterizados e com as argumentações necessárias escritas ou de forma oral. etc. v Leitura de fotos. v Texto: Analfabeto político e. coerência e coesão textual. o apelo das indústrias farmacêuticas. v Texto. v Fechamento do projeto com exposição dos trabalhos feitos pelos alunos. sem emissão de sons de modo que os outros grupos descubram de qual animal se trata.METODOLOGIA . discussão do texto. tendo como produção a confecção de textos coletivos com a descrição de animais. v Texto: Exclusão digital. Caça-palavras (fazendo referência ao que foi lido e discutido). v Texto: várias anedotas lidas e discutidas. apresentação de um e-mail e como produção de texto os alunos criarão um e-mail em papel formatado para e-mail. os marcadores de tempo. mensalão e pizza. Discussão sobre o texto. etiqueta. a imagem e o autor. apresentação das fotos. quadros. júri simulado. Depois os alunos (individual ou em grupo) escolherão uma anedota para dramatizar: v Texto. apresentação de um Chat impresso aos alunos e depois como produção a simulação de uma passeata na chegada do presidente Lula a cidade com frases de protesto a respeito da exclusão digital. v Texto: Antena Ligada. considerando características físicas e psicológicas (fotos dadas aos grupos) com o uso de palavras (a maioria das palavras devem ser adjetivos). Gêneros e Tipos textuais-características básicas dos tipos textuais. v Texto: O e-mail e discussão do texto. a discussão de palavras vistas na mídia atualmente como: valerioduto. v Texto: Eu.Estudo dos aspectos lingüísticos do texto: ortografia. A produção de textos orais e escritos (dramatizações. etc. discussão sobre o texto. as ilustrações: o texto. o parágrafo argumentativo. discussão sobre propaganda e criação de peças publicitárias em grupo. Textos Literários e não literários. leitura de bula de remédio vitamínico com texto sobre o excesso do uso de vitaminas de forma desnecessária. pontuação. imagens (descrição detalhada). O texto argumentativo-as seqüências argumentativas. convite a toda comunidade sapeaçuense para um mini coquetel de finalização do projeto no Ginásio de esportes. a persuasão. b) Oficinas v Palestra sobre a importância do ato de ler e escrever em nossas vidas. O texto narrativo-as seqüências narrativas. v Leitura de receitas culinárias com produção de texto: “uma receita para ser feliz”. frases de protesto). promotor. discussão e transformação do texto em HQ.

esse projeto utilizará oficinas. debates. exposição. . no âmbito das relações humanas. Compreendendo que a aprendizagem do indivíduo é algo que deve ser construído socialmente (sociointeracionismo). a leitura constitui um dos instrumentos de extrema importância e necessário para o individuo compreender o mundo. ao mesmo tempo. de analisar situações e buscar soluções. trabalhos artísticos. etc de modo que a leitura seja colocada como instrumento de participação. confronto. Por isso. para a ética. palestra. mudança e renovação sócio-cultural. com o intuito de contribuir na formação de pessoas criativas e inventivas. aulas expositivas. realização. Neste processo. de ouvir o outro. compartilhar das experiências diversas e reelaborar suas próprias experiências. uma vez que. de descobrir. de respeitar o diferente. para a valorização da diversidade cultural e para busca da identidade é que nós desenvolvemos esse projeto.Percebendo a necessidade de fazer acontecer uma Educação voltada para autonomia. êxito. lugar de experimentação. trabalho em grupo. busca a recuperação ou o renascimento qualitativo da leitura e. dramatizações. Acreditamos que a reflexão acima justifica a intenção deste projeto. com o objetivo de desenvolver atividades voltadas para uma concepção Humanística. repensa e altera as funções do espaço pedagógico. pretendemos a partir desse projeto fazer com que as oficinas de encontro tornem-se espaços significativos de aprendizagem. capazes de refletir. como um todo.

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