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UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ

INSTITUTO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE


CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM ENFERMAGEM ONCOLOGICA

FERNANDA SANTA ROSA DE NAZARÉ


HELBENED MIRANDA FERREIRA
IVANA NAZARÉ DA SILVA ROCHA
RAPHAELLA MONIKE TEIXEIRA DE SOUSA
TAINÁ PRISCILA DOS SANTOS BEZERRA

RESENHA DO ARTIGO: ANÁLISE DOS REGISTROS DE PRODUÇÃO DE


CURATIVOS REALIZADOS NO BRASIL, 2017 – 2019.

BELÉM-PARÁ

2022
UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ
INSTITUTO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE
CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM ENFERMAGEM ONCOLOGICA

O artigo em questão aborda sobre a análise dos registros de produção de curativos


realizados no Brasil no período de 2017 a 2019 escrito por Mai S; Micheletti VCD;
Herrmann F; Machado DO, Braz J e publicado na revista Estima – Brazilian Journal of
Enterostomal Therapy, vol. 19, e0821 10págs., se fundamenta por intermédio das bases
de dados dos Sistemas de Informações em Saúde (SIS), e consoante aos registros dos
curativos realizados pela assistência de enfermagem tanto na Unidade de Saúde, quanto
no âmbito hospitalar, sendo um dos artifícios de fornecer os dados para Departamento
de Informática do Sistema Único de Saúde (DATASUS). Ademais, procede de um
estudo descritivo baseado em dados secundários no período de 2017 a 2019, com filtro
dos dados SIS, sendo: Sistema de Gerenciamento da Tabela de Procedimentos
(SIGTAP), Sistema de Informação de Atenção Básica (SISAB), Sistema de Informação
Laboratorial (SAI/SUS) através da plataforma de Tabulação da Internet (TABNET).

Sobretudo, a pesquisa discorre sobre os sistemas disponíveis e suas particularidades


para dar o subsídio necessário no que tange às informações acerca dos procedimentos de
curativos realizados cotidianamente na assistência enfermagem. Aliás, para fins de
dados fidedignos foram utilizadas algumas variáveis para estruturar a pesquisa sendo: a
descrição do procedimento; a modalidade do atendimento; a complexidade do
atendimento; o valor atribuído e a classificação brasileira de ocupação para registro de
determinado procedimento.

Na base de dados SIGTAP os códigos dos curativos são utilizados dependendo do tipo
de curativo a ser realizado, variando em Grau I (com ou sem desbridamento), que se
refere à lesão aberta, que pode ser caracterizada por pequena área de tecido afetado nos
aspectos da extensão, profundidade e exsudato da ferida com a finalidade de promover
limpeza, cicatrização e/ou tratar infecção realizado em serviço de saúde ou
intradomiciliar ou Grau II (com ou sem desbridamento), que é realizado em lesão aberta
em que há grande área de tecido afetado nos aspectos da extensão, profundidade e
exsudato com as mesmas finalidades do curativo Grau I, porém, necessitando de
cuidados mais complexos. Constata-se que para a escolha do melhor método de curativo
a ser utilizado no paciente, é necessário avaliação dos profissionais envolvidos no
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processo da assistência, pois, é a partir do olhar clínico que poderão ser realizadas as
condutas de forma assertiva e qualificada pesando o custo benefício, afim de gerar
qualidade de vida e conforto.

Dentre os resultados durante o período do referido estudo, 74.032.134 curativos simples


(grau I), sendo 46,1% no ano de 2017; 27,1% em 2018 e 26,7% em 2019 e sendo que
Roraima apresentou o menor registro desses curativos (0,07%). Com relação ao curativo
grau II, foram realizados 11.559.664 sendo estes 31,6% em 2017; 32,6% em 2018 e
35,8% em 2019, sendo que Amapá apresentou o menor número de registro (0,01%). Os
técnicos em enfermagem e os enfermeiros foram os que mais registraram os curativos
grau I. Há a importância de se colocar os dados de forma estatística a fim de
comparações entre qual o grau da extensão da ferida e qual o tipo de curativo mais
indicado para o paciente. Foram registrados um quantitativo de 5,7% de curativos grau
II realizados por profissionais não habilitados no SIGTAP para a realização do
procedimento.

Em relação ao SISAB, os dados fornecidos foram do ano de 2019, sendo divididos em


curativos simples e curativos especiais que possuem as mesmas características dos
curativos no SIGTAP (grau I e grau II), totalizando 6.412.398 procedimentos, sendo a
Estratégia Saúde da Família (ESF) concentrando 3.680.716 (57,4%) de curativos
especiais e 3.238,611 curativos simples, sendo a maioria dos curativos simples
realizados pela equipe de saúde bucal.

A partir das informações comtempladas no artigo os autores discorrem sobre curativos


realizados por profissionais não habilitados, tanto nos filtros realizados no SIGTAP,
quanto no SISAB. Logo, convém refletir e ponderar de como o tratamento está sendo
ofertado e quem está assistindo ao cliente, visto que, deve-se prezar por profissionais
pautados em atribuições específicas habilitados por especialização, treinamento e/ou
capacitação, específica para realizar tais procedimentos, não apenas considerando a
experiencia profissional. Cabe salientar que dentre as 27 unidades federativas, 25
registraram no SISAB maior proporção de curativos especiais em relação aos curativos
simples. Além disso, 10 estados (40%) registraram mais de 80% dos procedimentos de
curativos especiais.
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Examinou-se também a redução do procedimento curativo grau I com ou sem
desbridamento no período de 2017 a 2019 que pode ter relação com a Portaria nº 2.148
de 28 de agosto de 2017, do Ministério da Saúde que estabelece que todos os
atendimentos de AB enviados para o SISAB não precisariam ser informados no SIA.

O estudo trouxe à tona alguns CBO de enfermeiros habilitados para fazer o registro na
ficha de procedimento do e-SUS, enfatizando que não há o CBO de enfermeiro
estomaterapeuta, mas os mesmos podem estar atuantes na AB mas sem seus respectivos
registros, recebendo apenas visibilidade na análise dos dados no SIGTAP. Entretanto,
realizando curativos grau I, sendo o mesmo especialista e possuindo competências e
atribuições para realizar curativo mais complexos como os de grau II são desvalorizados
no ponto de vista dos gestores, que visam o custo-benefício.

A pesquisa evidenciou grande relevância contribuindo na identificação dos sistemas


disponíveis direcionando quais curativos são mais utilizados durante a assistência ao
paciente de acordo com suas necessidades, a fim de restabelecer sua saúde e mesmo que
haja conflitos entre os dados fornecidos, foi possível a extração do que havia à
disposição. Infelizmente, os relatos extraídos do texto evidenciam que ainda é comum
profissionais não habilitados na realização de curativos, sendo ainda uma realidade
dentro da rede de Atenção à Saúde, bem como, a ausência de valorização de
enfermeiros habilitados para tal atividade, como os enfermeiros estomaterapeutas ou
dermatologistas.

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