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Instituto Brasileiro do Concreto

43º Congresso Brasileiro do Concreto


Tema 3- Qualidade da construção em concreto

Incrementos no Método de Dosagem IPT para concretos com amplo


espectro de desempenho
Carlos Eduardo de Siqueira Tango - Dr. Eng., Pesquisador do IPT
tango@ipt.br
Victor Maluf Kyriakos Saad - Engenheiro Civil, Ex-bolsista FAPESP, Ex-estagiário do IPT
jvksaad@uol.com.br

Resumo:

Este trabalho apresenta experimentos realizados especialmente para a verificação da adaptação do


Método de Dosagem IPT a concretos contendo, ou não, sílica ativa e aditivo superfluidificante. A
metodologia estende-se ao uso de outras adições e aditivos, bem como aos concretos que não se
enquadram nas delimitações (ainda algo imprecisas) do chamado concreto de alto desempenho.
Os incrementos ao método visaram uma melhor abordagem dos aspectos econômicos do material
concreto, bem como a antecipação do prazo necessário para uma resposta confiável baseada nos
resultados experimentais, bem como sua adaptação ao uso de planilhas eletrônicas.
Com o método IPT incrementado, mostrou-se a possibilidade de obter uma resposta mais clara, e
com maior rapidez, permitindo intervenções mais precisas ou com menor demora, esperando-se
contribuir para melhoria na qualidade e na economia do processo de produção do concreto.

1. Introdução

O método de dosagem de concreto IPT é bastante simples e versátil, tendo ampla aceitação no
Brasil.
Suas principal características são:
• A ênfase na experimentação expedita, com os materiais disponíveis na obra;
• A possibilidade de adaptação a outros métodos de dosagem, podendo-se optar ou não por adotar
distribuições granulométricas impostas para os agregados;
• O emprego do Diagrama IPT de Dosagem ou de suas equações.
Para muitos produtores de concreto, o Diagrama IPT de Dosagem é uma ferramenta útil não só na
etapa preliminar de dosagem, mas também no controle, onde facilita as intervenções no processo de
produção do concreto.
Neste trabalho, descreve-se brevemente o método, já com as devidas adaptações para uso de adições
e aditivos, apresentando-se exemplos de dosagens feitas com diferentes famílias de concretos.
A análise dos resultados, também apresentada com novas ferramentas matemáticas, permite uma
comparação técnico-econômica útil à escolha dos materiais para a obra.
Adicionalmente, frente ao problema que é o prazo de espera dos ensaios aos 28 dias ou mais de
idade, podem-se tomar decisões antecipadas para o traço do concreto a empregar, com razoável
confiabilidade nas previsões, que o método permite conferir quando da disponibilidade dos
resultados.
2. Descrição atualizada do método

Publicações desde 1974 apresentam o Método de Dosagem IPT com suas características
fundamentais atuais (PRISZKULNIK & KIRILOS, 1974; TANGO, 1977; HELENE & TERZIAN,
1992).
Apresenta-se, a seguir, sucintamente o método, adaptado ao uso de um aplicativo para
microcomputador, do tipo planilha eletrônica (Tango, 2000).

Primeiro Passo: Requisitos, dados, estimativa grosseira do traço:

Nesta etapa, deve-se fornecer a resistência característica, o desvio-padrão esperado para a produção,
o abatimento (slump) do tronco de cone, o diâmetro máximo do agregado, o tipo de cimento a
empregar, os preços dos constituintes do concreto (caso disponíveis), e as indicações da família de
concretos1 que se pretende estudar.
Considera-se como aglomerante o conjunto cimento + adição. As relações adição/aglomerante e
aditivo/aglomerante devem ser constantes em cada família de concreto ou estudo de dosagem, que
se repete ao mudar essas proporções. Em princípio elas devem oscilar em torno das recomendadas
pelos respectivos fabricantes.
A estimativa grosseira do traço é dada pelas equações (TANGO et al., 1994):

xest = (logA - j-0,5 . logE - logfcj) / (logB + j-0,5 . logD) (equação 1)

mest = xest / [F + G . log(dmax ) + H . atc] - 1 (equação 2)

onde (ver obs. da Tabela 1):

xest = relação água/aglomerante do traço médio, estimativa grosseira;


j = idade de controle do concreto (usualmente 28 dias);
fcj = resistência desejada na idade de controle j;
mest = teor agregado/aglomerante do traço médio;
dmax = dimensão máxima do agregado;
atc = abatimento do tronco de cone (slump) desejado.

As figuras 1 e 2 mostram partes de uma planilha para anotação dos dados, onde figuram xest e mest
calculados segundo as equações 1 e 2, sendo os parâmetros A, B, D, E, F, G e H estimados em
função de experiências anteriores com materiais semelhantes. Está em preparação uma tabela
desses parâmetros para as combinações de materiais mais comuns no mercado.
INTERESSADO Aula Prática do Curso de Mestrado IPT - Eng. Tango, Técn. Bilesky PREÇOS DOS INSUMOS
cimento CP V ARI do Lab. Concr. agregados A B1 do Lab. POR kg (em R$)
agregados A AML do Lab. graúdos B $ cimento $ adição $ aditivo
miúdos B C 0,19 1,9 0,9
adição: Sílica Reat. Consistência requerida (mm) dimensão máxima do agregado $ água $ agr. m. "A" $ agr. m. "B"
aditivo: Superplast. 100 (+/-10 mm) graúdo (mm) 19 0,005 0,016 0,016
fck 40,0 (Mpa) fcj 49,1 (MPa) $ agr. gr. "A" $ agr. gr. "B" $ agr. gr. "C"
sd 5,5 (MPa) idade controle 28 (dias) 0,02 0,02 0,02
Figura 1: Exemplo de anotação de dados importantes no primeiro passo da Dosagem

1
. Entende-se aqui, por família, um conjunto de concretos com materiais constituintes de mesmas características,
mesma faixa de abatimento e mesma proporção argamassa seca/concreto seco, podendo diferir quanto à resistência
mecânica em decorrência de diferentes consumos de aglomerante e relações água/aglomerante.
PRIMEIRAS ESTIMATIVAS de x e de m logA logB logD logE
2,0281767 0,63551866 1,2968222 0,10019902
água/aglomerante agregado/aglomerante constantes F G H
xest 0,362 mest 4,75 empregadas 0,080291792 -0,01945882 7,4468E-05
Figura 2: Exemplo de estimativas grosseiras da relação água/aglomerante e teor
agregado/aglomerante com as constantes empregadas nas equações 1 e 2.

No caso de não haver essas estimativas, pode-se começar o experimento com os parâmetros da
tabela 1, sabendo-se que isso poderá acarretar ajustes de traço posteriores mais acentuados.

Tabela 1 - Parâmetros para as equações 1 e 2 quando não houver experiências anteriores


Parâmetro logA logB logD logE F G H
Valor 2,089 0,8540 0,4029 0,3536 0,1147 -0,02780 0,0001064
Obs.: unidades a empregar: MPa para fcj; kg/kg para xest e mest ; dias para j; mm para atc e dmax .

Segundo Passo: Traço-piloto para proporção de argamassa e quantificações em geral

Neste passo da dosagem, efetuam-se várias misturas experimentais, todas com o teor
agregado/aglomerante mest , porém variando a relação argamassa seca / concreto seco.
Utiliza-se o artifício de manter na betoneira uma quantidade constante de agregado graúdo,
aumentando-se progressivamente as quantidades de cimento, adição, areia, aditivo e água, esta
última visando a obtenção da trabalhabilidade desejada, conforme mostra a planilha da figura 3.

QUANTIDADES EM RELAÇÃO
AO AGLOMERANTE ÁGUA/MAT.SECOS
% argamassa areia (a) pedra (p) PORCENTAGEM DE PREVISTA (kg/kg):
44 1,531 3,221 ARGAMASSA 0,063
46 1,646 3,106 ELEITA: ÁGUA/MAT.SECOS
48 1,761 2,991 50 % OBTIDA (kg/kg):
50 1,876 2,876 ÁGUA/AGLOMERANTE 0,092
52 1,991 2,761 OBTIDA (kg/kg):
54 2,106 2,646 0,527
56 2,221 2,531
QUANTIDADES NA BETONEIRA
% argamassa aglom. (kg) aditivo (kg) cimento (kg) adição (kg) MIÚDO (kg) miúdo A (kg) miúdo B (kg)
44 9,313 0,093 8,382 0,931 14,258 14,258 0,000
46 9,658 0,097 8,692 0,966 15,897 15,897 0,000
48 10,030 0,100 9,027 1,003 17,663 17,663 0,000
50 10,431 0,104 9,388 1,043 19,569 19,569 0,000
52 10,866 0,109 9,779 1,087 21,634 21,634 0,000
54 11,338 0,113 10,204 1,134 23,879 23,879 0,000
56 11,853 0,119 10,668 1,185 26,328 26,328 0,000
ACRÉSCIMOS NA BETONEIRA água inicial sugerida (kg): 3,367 OBSERVAÇÕES
% argamassa DELTA CIM DELTA ADIT. DELTA ADIÇ. DELTA M.A DELTA M.B DELTA ÁGUA ÁGUA TOT. ABATIMENTO
44 8,382 0,093 0,931 14,258 0,000 5,00 5,00
46 0,310 0,003 0,034 1,639 0,000 5,00
48 0,334 0,004 0,037 1,765 0,000 0,20 5,20
50 0,361 0,004 0,040 1,907 0,000 0,30 5,50 95 mm
52 0,391 0,004 0,043 2,065 0,000 5,50
54 0,425 0,005 0,047 2,245 0,000 5,50
56 0,464 0,005 0,052 2,449 0,000 5,50
Figura 3. Exemplo de parte de planilha do estabelecimento do traço-piloto, onde se variam as
doses de areia e pedra (a e p) do traço, mantendo o teor de agregados constante mest2

2
. Observe-se que a relação água/aglomerante obtida (por tentativas) é maior que xest , ou que a relação água/materiais
secos obtida é maior que a prevista, o que acontece em vista da necessidade do ajuste de trabalhabilidade. Neste
Terceiro Passo: Traços rico, médio e pobre - ajuste final de trabalhabilidade e moldagem de
corpos-de-prova

Nesta parte do estudo de dosagem pretende-se confeccionar três concretos de mesma consistência
variando o consumo de aglomerante e a relação água/aglomerante, para se moldarem corpos-de-
prova com os quais determinam-se propriedades de interesse nos estados fresco e endurecido.
Costuma-se fazer o traço médio com o teor agregado/aglomerante mest , porém isso não é
obrigatório, podendo-se adotar outro valor, desde que tenha indicações de apresentar-se próximo
daquele que vai fornecer a resistência requerida. Há quem adote o traço médio com este teor
constante igual a 5 para concretos correntes (HELENE & TERZIAN, 1992).
Em geral, o traço pobre pode ter o teor agregado/aglomerante uma unidade maior que o do traço
médio, e o traço rico, este teor com uma unidade a menos. Isso também não é obrigatório,
podendo-se usar, para mais e para menos, 1,5 unidades (HELENE & TERZIAN, 1992) ou mesmo 2
unidades (para concretos de traços muito pobres em aglomerante, de baixa resistência visada).
As quantidades de materiais são calculadas a partir do consumo estimado pela medida da massa
unitária do concreto no passo anterior e do volume necessário aos corpos-de-prova previstos.
No laboratório, confeccionam-se concretos com os traços rico, médio e pobre, ajustando-se a água
para obter a consistência na faixa desejada, medindo-se as respectivas massas unitárias,
opcionalmente os teores de ar, e moldando-se corpos-de-prova para ensaios às idades de interesse,
sendo estas, pelo menos, a idade de controle do concreto e outras duas menores 3 .
A figura 4 apresenta um trecho de planilha com cálculos de quantidades de materiais e anotações
feitas no laboratório.

Quarto Passo: Ensaios em concreto endurecido

Decorrida a cura até as idades de interesse, ensaiam-se os corpos-de-prova à compressão, devendo-


se tornear os topos sempre que as resistências esperadas forem superiores à do capeamento ( 50
MPa para o Laboratório do IPT). A figura 5 apresenta planilha de anotações de ensaio e cálculo dos
resultados, contendo as datas para ensaio e os números dos corpos-de-prova.

Quinto Passo:, Traços Antecipados, Traço Definitivo, Diagramas de Dosagem e de Custos.

Com os resultados obtidos em concreto fresco e endurecido podem-se inferir as equações do


diagrama de dosagem IPT, pelo método dos mínimos quadrados, podendo-se usar um aplicativo
tipo planilha eletrônica.
Tais equações são as seguintes, já linearizadas (equações 3 a 6):

x = k1j . log fcj + k2j (equação 3)

m = k3 . x + k4 (equação 4)

Cag=1 / (k5 . m + k6 ) (equação 5)

Onde x é a relação água/aglomerante em massa, fcj a resistência a cada idade j, m o teor


agregado/aglomerante em massa, Cag o consumo de aglomerante em massa por volume de concreto,

exemplo, a quantidade de agregado graúdo na betoneira foi sempre de 30 kg, e as proporções adição e
aditivo/aglomerante foram respectivamente 10% e 2%.
3
. Para ser possível a dosagem antecipada pelo método AMEBA (TANGO, 2001), é necessário moldar corpos-de-
prova pelo menos para duas idades de ruptura, devidamente espaçadas, anteriores à idade de controle.
e as constantes k1 a k6 são dependentes dos materiais e condições de estudo, obtidas pelo método
dos mínimos quadrados. Observe-se que a equação 3 é a equação de Abrams linearizada.
Procurou-se incrementar o método oferecendo a opção adicional do emprego de um modelo
matemático (aqui denominado "Modelo Incrementado") generalizando no tempo as curvas de
Abrams tradicionais, cada uma inferida para a respectiva idade de ruptura dos corpos-de-prova.
Essa opção permite calcular o traço do concreto a idades para as quais os resultados de ensaio
necessitem aguardar as datas previstas para ruptura.
O Modelo Incrementado é dado pela equação 7 4 (TANGO, 1990):

fcj = A / Bx . Dx/T . E1/T (equação 7)


(sendo T = jn )

onde A, B, D e E são constantes, também obtidas pelos mínimos quadrados, T é a variável


intermediária transformada do tempo e n é um expoente usualmente igual a 0,5 , podendo variar
para concretos contendo adição apreciável de escória de alto-forno (tipo CP III).
O detalhamento do traço é dado pelas equações 4a e 4b:

a = á . (1+ m) - 1 (equação 4a)

p=m-a (equação 4b)

Onde a é o teor em massa agregado miúdo / cimento, p é o teor agregado graúdo / cimento e á é a
proporção argamassa seca / concreto seco (obtida no segundo passo).
Na planilha da figura 6, é apresentado um exemplo, onde figura o traço calculado para o concreto
desejado de um conjunto de equações inferidas por regressões lineares entre as características do
concreto e os resultados experimentais. No exemplo, a resistência média requerida era 49,1 MPa a
28 dias, e ainda não se dispunha dos resultados a essa idade, apenas a 3 e 7 dias, daí o emprego do
Modelo Incrementado, que fornece portanto um traço antecipado.
Havendo resultados experimentais para a idade de controle, costuma-se dar preferência ao uso das
curvas de Abrams tradicionais, embora nestas condições, geralmente, sejam pequenas as diferenças
de cálculo empregando ambos os modelos. Tem-se então o traço definitivo.
O diagrama de dosagem é a expressão gráfica das equações 3 a 7 e compõe-se de quatro sistemas
cartesianos cujos eixos coincidentes são colocados lado a lado, do modo exemplificado na figura 7.
Procurou-se ainda fazer outro incremento ao método, sistematizando a forma de obtenção de
gráficos de custo versus desempenho. Sendo o desempenho representado pela resistência à
compressão, o custo total por m3 é calculado, para cada resistência, como a soma dos produtos entre
os consumos dos materiais constituintes pelos respectivos custos por kg (dados fornecidos no
primeiro passo).
A figura 8 mostra, para o exemplo em questão, o gráfico custo versus desempenho, discriminado
por material constituinte e no total.

4
A equação 3 tem a forma original de expressão da equação 1.
adição: Sílica Reat. CONSISTÊNCIA REQUERIDA (mm)
aditivo: Superplast. 100 (+/- 5mm) Volume mínimo (dm3) da
volume de concreto necessário 20,7 (dm3/traço) água/mat.secos prevista (kg/kg): 0,092 betoneira: 30
m do traço piloto 4,752 (kg/kg) % de argamassa do traço piloto: 50% <-valor extraído do piloto
teor aditivo/aglomerante (kg/kg) 0,01
teor adição/aglomerante (kg/kg) 0,1 agregados A 100%
agregados miúdos (porcentagens) A 100% graúdos: B 0%
massa específica do concreto B 0% (porcentagens) C 0%
para efeito de quantificação: 2400 2400 2400 kg/m3
nome do traço rico médio pobre massa específica (recipiente)
traço m 3,752 4,752 5,752 tara (kg) 8,854
em massa a 1,376 1,876 2,376 volume (dm3) 14,28
p 2,376 2,876 3,376
água/aglomerante prevista (kg/kg) 0,436 0,527 0,619
água/aglomerante obtida (kg/kg) 0,454 0,515 0,614
cons. aglomerante previsto (kg/m3) 463 382 326 totais (kg)
agregado graúdo total (kg) 32,98 32,98 32,98 98,93
agregado graúdo A (kg) 32,98 32,98 32,98 98,93
agregado graúdo B (kg) 0,00 0,00 0,00 0,00
agregado graúdo C (kg) 0,00 0,00 0,00 0,00
agregado miúdo total (kg) 19,10 21,51 23,21 63,82
agregado miúdo A (kg) 19,10 21,51 23,21 63,82
agregado miúdo B (kg) 0,00 0,00 0,00 0,00
aglomerante (kg) 13,88 11,47 9,77 35,11
cimento (kg) 12,49 10,32 8,79 31,60
adição (kg) 1,39 1,15 0,98 3,51
água prevista(kg) 6,05 6,05 6,05 18,14
água efetiva (kg) 6,30 5,90 6,00 18,20
aditivo (kg) 0,139 0,115 0,098 0,351 totais incluindo traço piloto (kg)
concreto + tara (kg) 43,1 43 43 agregado graúdo total (kg) 128,931
massa específica (kg/dm3) 2,398 2,391 2,391 agregado graúdo A (kg) 128,931
cons. de aglomerante (kg/m3) 461 382 325 agregado graúdo B (kg) 0,000
cons. de cimento (kg/m3) 415 343 292 agregado graúdo C (kg) 0,000
cons. de adição (kg/m3) 46,1 38,2 32,5 agregado miúdo total (kg) 90,147
cons. de aditivo (kg/m3) 4,61 3,82 3,25 agregado miúdo A (kg) 90,147
cons. de água (kg/m3) 209 196 199 agregado miúdo B (kg) 0,000
cons. de agregado miúdo 634 716 771 aglomerante (kg) 46,966
cons. de agregado miúdo "A" 634 716 771 cimento (kg) 42,270
cons. de agregado miúdo "B" 0 0 0 adição (kg) 4,697
cons. de agregado graúdo 1095 1097 1096 água prevista(kg) -
cons. de agregado graúdo "A" 1095 1097 1096 água efetiva (kg) -
cons. de agregado graúdo "B" 0 0 0 aditivo (kg) 0,470
cons. de agregado graúdo "C" 0 0 0 1a. idade 3
abatimento/slump (mm) 95 100 100 2a. idade 7
ar incorporado (%) número de idades 3a. idade 14
número do 1o. corpo-de-prova 1 13 25 6 4a. idade 28
quant. de c.p. p/ compressão por idade 2 2 2 diâmetro do c.p. (mm) 5a. idade 63
data da moldagem (dd/mm/aa) 14/04/2000 14/04/2000 14/04/2000 100 6a. idade 91
Figura 4. Trecho de planilha com cálculos e anotações de laboratório no terceiro passo da
Dosagem IPT
IDENTIFICAÇÃO 12779-Mestrado
Resultados Obtidos da Ruptura de Corpos-de-Prova
Unidade de Leitura na Prensa (kgf ou N): kgf
Diâmetro nominal dos c.p. (mm) 100
traço rico traço médio traço pobre
idade (dias)
c.p. carga indiv. fc média c.p. carga indiv. fc média c.p. carga indiv. fc média
3 1 32600 41,3 13 29300 36,3 25 23300 29,3
2 33600 17/04/2000 14 28900 17/04/2000 26 23600 17/04/2000

7 3 41000 51,3 15 35000 44,1 27 29100 36,5


4 41200 21/04/2000 16 35600 21/04/2000 28 29300 21/04/2000

14 5 #DIV/0! 17 #DIV/0! 29 #DIV/0!


6 28/04/2000 18 28/04/2000 30 28/04/2000

28 7 #DIV/0! 19 #DIV/0! 31 #DIV/0!


8 12/05/2000 20 12/05/2000 32 12/05/2000

63 9 #DIV/0! 21 #DIV/0! 33 #DIV/0!


10 16/06/2000 22 16/06/2000 34 16/06/2000

91 11 #DIV/0! 23 #DIV/0! 35 #DIV/0!


12 14/07/2000 24 14/07/2000 36 14/07/2000

Figura 5. Planilha de anotação e cálculo de resultados de ensaios em concreto endurecido. No


exemplo, mostram-se, propositadamente, apenas os resultados disponíveis até idade de 7 dias.

DOSAGEM IPT - EQUAÇÕES E TRAÇOS CALCULADOS - planilha TRÇ.


EQUAÇÕES INFERIDAS
EQUAÇÃO idade j(dias) k1 k2 R2 MODELO INCREMENTADO
x=k1.logfc+k2 3 -1,07031164 2,18427968 0,99997397 logfc=x.logB+(x/T).logD+(1/T).logE+logA
7 -1,08522409 2,3061666 0,99418471 T = j^n, n= 0,5 (*)
(TRADICIONAIS) 14 #VALOR! #VALOR! #VALOR! logE logD logB logA R2
28 #VALOR! #VALOR! #VALOR! -0,4085422 -0,09114461 -0,88166063 2,27664761 0,99814992
63 #VALOR! #VALOR! #VALOR! Obs: Utilizados os resultados disponíveis até o momento
91 #VALOR! #VALOR! #VALOR! (*) n pode ser ajustado por tentativas;
x=k1.m+k2 todas 0,08016449 0,1466297 0,98060136 sugere-se o valor inicial 0,5
1/C=k1.m+k2 todas 0,00045491 0,0004623 0,99995992 % ARGAMASSA = 50%

MODELO TRADICIONAL.: Traço em massa (agregados secos) para obtenção de fcj requerido m= *
AGLOMERANTE: 1,000 CIMENTO: 0,900 ADIÇÃO: 0,100 ADITIVO: 0,0100
idade fcj (Mpa) agregados miúdos agregados graúdos água/agl. p/
j(dias) requerido "A" "B" miúdo total "A" "B" "C" graúdo total fcj requerido
28 49,075 #VALOR! #VALOR! #VALOR! #VALOR! #VALOR! #VALOR! #VALOR! #VALOR!
* AVISOS fornecer resultados à idade especificada ou usar Modelo Incrementado
------> você especificou idade coincidente com uma empregada nos experimentos
MODELO INCREMENTADO: Traço em massa (agregados secos) para obtenção de fcj requerido m= 5,229
AGLOMERANTE: 1,000 CIMENTO: 0,900 ADIÇÃO: 0,100 ADITIVO: 0,0100
idade fcj (Mpa) agregados miúdos agregados graúdos água/agl. p/
j(dias) requerido "A" "B" miúdo total "A" "B" "C" graúdo total fcj requerido
28 49,075 2,114 0,000 2,114 3,114 0,000 0,000 3,114 0,566
AVISO usar o Modelo Incrementado com cuidado quanto às extrapolações excessivas
Figura 6. Planilha com resultados de cálculos dos parâmetros das equações do diagrama de
dosagem, bem como do traço para obtenção da resistência desejada.
1a. idade 3 2a. idade 7 3a. idade 14 DIAGRAMA DE DOSAGEM IPT
havendo curvas sem pontos experimentais, são as
4a. idade 28 5a. idade 63 6a. idade 91
70,0 70,0 previstas pelo Modelo Incrementado

Resistência à compressão fcj (MPa)


65,0 65,0

60,0 60,0

55,0 55,0

50,0 50,0

45,0 45,0

40,0 40,0

35,0 35,0

30,0 30,0

25,0 25,0
500 450 400 350 300 0,400 0,450 0,500 0,550 0,600 0,650

Consumo de Aglomerante (kg/m3 de Concreto)


Relação água/aglomerante x (kg/kg)
500 450 400 350 300
0,400 0,450 0,500 0,550 0,600 0,650
3,5
3,5
Relação agregado/ aglomerante m

4
4

4,5
4,5
(kg/kg)

5
5

5,5 5,5

6 6

Figura 7. Exemplo de diagrama de dosagem IPT com antecipação das curvas relativas às idades
acima de 7 dias.

Gráfico de Custos para resistências médias de dosagem fcj


obtido do Modelo Incrementado
250 $ cimento

$ adição
Custo (R$/m3 de concreto)

200
$ aditivo

150
$ agr. m. "A"

$ agr. m. "B"
100
$ agr. gr. "A"

$ agr. gr. "B"


50
$ agr. gr. "C"
0 $ água
40,0 45,0 50,0 55,0 60,0 65,0
Resistência à Compressão fcj (MPa) à idade de controle $ total/m3
Figura 8. Exemplo de gráfico de custo versus desempenho para uma família de concretos. O
gráfico refere-se a 28 dias, tendo sido obtido com antecipação de 21 dias, com base nos
resultados de 3 e 7 dias
3. Exemplo de comparação custo versus desempenho

Empregando o método IPT de dosagem incrementado, obtiveram-se os resultados apresentados na


tabela 2.

Tabela 2 Resultados em estudos de dosagem com e sem aditivo e adição.


Família
Teor de Teor de Abatimento Cag
de m (kg/kg) x (kg/kg) fc28 (MPa)
aditivo adição (mm) (kg/m3 )
concretos
3,5 0,540 450 47,4
1 0% 0% 100 + 20 5,0 0,695 337 31,7
6,5 0,944 262 15,3
3,75 0,454 461 63,3
2 1% 10% 100 + 10 4,75 0,515 382 55,2
5,75 0,614 325 46,0
Obs. 1: Utilizados cimento tipo V ARI, brita 1 granítica e areia de rio variando-se as procedências
entre as famílias de concretos.
Obs. 2: m = teor agregado/aglomerante; x = relação água/aglomerante; Cag = consumo de
aglomerante por volume de concreto; fc28 = resistência à compressão aos 28 dias de idade.

Observe-se que a família 2 é a mesma do exemplo apresentado no item 2 anterior, com aditivo
superfluidificante e sílica ativa, enquanto a família 1 é um conjunto de concretos "comuns". O
gráfico da figura 9 apresenta, a superposição das curvas custo versus desempenho para ambas as
famílias de concretos, empregando a metodologia apresentada neste trabalho.

220,00

Cimento ARI apenas

Cimento ARI, Sílica ativa e Superfluidificante


Custo do m3 de Concreto (R$)

170,00

120,00

70,00
15,0 25,0 35,0 45,0 55,0 65,0
Resistência média de dosagem requerida (MPa)
Figura 9. Curvas custo versus desempenho superpostas para concretos com e sem adições e
aditivos. Idade de controle 28 dias.
4. Conclusões

Os incrementos ora propostos no Método de Dosagem IPT ampliam sua utilização das seguintes
formas:
- Permitindo o uso intensivo de microcomputador através da adoção de modelos matemáticos
correlacionando resistência e consistência do concreto a características do mesmo;
- Permitindo um tratamento sistematizado dos concretos contendo adições e aditivos, facilitando
o alargamento do espectro de expectativas de desempenho;
- Permitindo, antecipadamente, a previsão das equações de dosagem e confecção do diagrama de
dosagem, antes do prazo de cura até a idade de controle da resistência do concreto;
- Permitindo análises comparativas de custo versus desempenho com maior precisão e clareza.
As curvas custo versus desempenho de concretos contendo sílica ativa e aditivo superfluidificante
apresentam-se sensivelmente com maior custo quando é possível aos concretos "comuns" equipará-
las em desempenho. O degrau entre os custos dos concretos com e sem aditivos e adições necessita
ser minimizado através da oferta de alternativas de adições e aditivos com custos mais
competitivos, sob pena de restringir o uso destes produtos apenas a concretos de desempenho muito
alto.

5. Referências

HELENE, P.R.L. & TERZIAN, P.R. Manual de dosagem e controle do concreto. Ed. Pini, São
Paulo, 1992.

PRISZKULNIK, S. & KIRILOS, J.P. Considerações sobre a resistência à compressão de


concretos preparados com cimentos portland comum tipos CP-250, CP-320 e CP-400, e a sua
durabilidade. II Encontro Nacional da Construção - ENCO Clube de Engenharia e Câmara
Brasileira da Indústria da Construção - Rio de Janeiro - 8 a 13 de Dezembro de 1974.

TANGO, C.E.S. Dosagem de concreto. Texto de Palestra em 08/11/1977 no Departamento de


Engenharia de Construção Civil e Urbana, Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, São
Paulo, 1977.

TANGO, C.E.S. Um estudo do desenvolvimento da resistência à compressão do concreto de


cimento portland até 50 anos de idade. Tese de doutoramento, Escola Politécnica da Universidade
de São Paulo. São Paulo, 1990.

TANGO, C.E.S.. Dosagem de concreto pelo método IPT - planilhas eletrônicas em aplicativo
Microsoft Excel. Curso de Mestrado Profissional em Habitação, disciplina Alternativas e inovações
tecnológicas do concreto nas construções [Coordenador: Cláudio Sbrighi Neto]. Instituto de
Pesquisas Tecnológicas - IPT. São Paulo, 2000.

TANGO, C.E.S.; MACHADO, J.R.A.; DIONISI, A. & HIGA, C.K. Dosagem de Concreto com
Auxílio de Microcomputador - 36a Reunião Anual do IBRACON - Porto Alegre, 19-23, Setembro,
1994. 14p.