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Capítulo 3

Teoria do Momento Angular


Modern Quantum Mechanics - J.J. Sakurai (Revised Edition)

3.1 Rotações e Relações de Comutação do Momento Angular


Rotações Infinitesimais versus Rotações Finitas
Notação: R x  - rotação de um ângulo  em torno do eixo x.

Física clássica

 Rotações em torno de um mesmo eixo comutam.


Exemplo. R z /6  R x /3  R x /3  R z /6 → R x /2.
 Rotações em torno de eixos diferentes não comutam.
Exemplo. R z /2  R x /2 ≠ R x /2  R z /2.

z z z

Rz(π/2) Rx(π/2)

z z z
x x x

Rx(π/2) Rz(π/2)

x
x x

Observe na figura que os resultados são diferentes.


Por que rotações em torno de eixos diferentes não comutam?
Representação matricial. No espaço euclidiano, as rotações são representadas por matrizes ortogonais. Seja
o vetor V, cujas componentes são V x , V y , V z . Efetuando-se uma rotação neste vetor, suas novas componentes
V ′x , V ′y , V ′z  estão relacionadas com as antigas, através da matriz ortogonal R

V ′x Vx
V ′y  R Vy
V ′z Vz
RR T  R T R  1
onde T significa transposta de uma matriz. Para transformações ortogonais vale a propriedade
V 2x  V 2y  V 2z  V ′2x  V ′2y  V ′2z .

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Convenção: as rotações afetam um sistema físico, mantendo-se os eixos coordenados inalterados.

Rotação em torno do eixo z. Seja R z  uma rotação em torno do eixo z por um ângulo  no sentido positivo
(regra da mão direita).

cos  − sen  0
R z   sen  cos  0 .
0 0 1

Rotações infinitesimais.Seja R z  onde  é um ângulo infinitesimal. Expandindo R z  até segunda ordem e
desprezandos os termos de ordens mais elevadas, encontramos

1− 
2
− 0
2
R z   1− 
2
 0 .
2
0 0 1

De maneira similar:

1 0 0
0 1− 
2
R x   −
2
1− 
2
0 
2
e

1− 
2
0 
2
R y   0 1 0
0 1− 
2
−
2

Relação de comutação entre rotações. Sejam os produtos

1− 
2
0 
2
R x R y   1− 
2
2 −
2
−  1 − 2

1− 
2
2 
2
R y R x   1− 
2
0 −
2
−  1 − 2

Então

Capítulo 3 Teoria do Momento Angular 2


R x R y  − R y R x 

1−  − 1− 
2 2
0 − 2 −
2 2
 1−  − 1− 
2 2
2 − 0 − − −
2 2
− − − − 1 −  2  − 1 −  2 

0 − 2 0
 2 0 0  R z  2  − 1
0 0 0

onde todos os termos de ordem mais elevada que  2 foram ignorados. Por exemplo, o termo em R z do tipo
1 − x para x   2 nos daria 1 −  ≃ 1.
2 4

2 2
Como podemos representar
1  R qq 0
onde R qq 0 significa uma rotação de 0º em torno de qualquer eixo, então
R x R y  − R y R x   R z  2  − R qq 0.

Mecânica Quântica

Rotações infinitesimais. Aplicando uma rotação no sistema físico, espera-se que o estado ket
correspondente ao sistema girado seja diferente em relação ao sistema original.
DR → operador rotação associado a uma rotação R caracterizada por uma matriz ortogonal 3  3. Este
operador depende da dimensionalidade N do espaço ket em questão. Para N  2, DR é representado por
uma matriz 2  2.
Voltando ao argumento inicial, podemos escrever:
| R  DR |

Analogia com translação e evolução temporal. Para ambos os casos, os operadores infinitesimais foram
escritos na forma
U   1 − iG
onde G é um operador hermitiano, G   G. Especificamente
(a) Translação dx ′ na direção x
px
G→ ,  → dx ′ .

(b) Evolução temporal para dt
G → H ,  → dt.

(c) Rotação infinitesimal ?
Na clássica, o momento angular é gerador de rotações.
J k → projeção do momento angular no eixo k.
Rotação infinitesimal em torno do eixo k por um ângulo d será:

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G → Jk ,  → d

Caso geral: rotação em torno de um eixo caracterizado por um vetor unitário n̂ por um ângulo infinitesimal d.

Dn̂ , d  1 − i J  n̂ .

Esta equação define momento angular.
Rotação finita. Uma rotação finita pode ser obtida, compondo-se sucessivamente rotações infinitesimais em
torno do mesmo eixo. Por exemplo, rotação de um ângulo  em torno do eixo z
 N
D z   lim 1 − i Jz
N→  N
−iJ z 
 exp

iJ  J22
 1− z − z 2 
 2
Relações de comutação do momento angular. Vamos supor que DR tenha as mesmas propriedades de
grupo que R

Identidade: R1  R  DR  1  DR


Fechamento: R1R2  R3  DR 1 DR 2   DR 3 
Inversos: RR −1
1  DRD −1 R  1
R −1 R  1  D −1 RDR  1
Associatividade: R 1 R 2 R 3   DR 1 DR 2 DR 3 
 R 1 R 2 R 3  DR 1 DR 2 DR 3 
 R1R2R3  DR 1 DR 2 DR 3 .

 Comutação para R:
R x R y  − R y R x   R z  2  − 1
 Comutação para DR:
D x D y  − D y D x   D z  2  − 1
Mas:
J 2x  2
D x   exp −iJ x  ≃ 1 − iJ x  −
  2 2
−iJ y  iJ y  J 2y  2
D y   exp ≃ 1− −
  2 2
D z  2   exp −iJ z  ≃ 1 − iJ z 
2 2

 

Logo,

D x D y  − D y D x   1 − iJ z  − 1


2


− iJ z
2

Também, podemos reescrever D x D y  − D y D x  em termos de J

Capítulo 3 Teoria do Momento Angular 4


J22 iJ y  J 2y  2
1 − iJ x  − x 2  1 − −
 2  2 2
iJ y  J 2y  2 J22
− 1− −  1 − iJ x  − x 2
 2 2  2
2
iJ y J y 2 iJ x JxJy J2
≃ 1− −  −  − 2  2 − x2  2
 2 2   2
J 2 iJ y JyJx J 2y 2
− 1  iJ x   x2  2    2 2  
 2   2 2
JxJy JyJx
 − 2 2  2 2
 
 −J x J y − J y J x   2
2


Igualando ambos os membros

− J x J y − J y J x   2  − iJ z  2
2

 
encontramos,
J x J y − J y J x  iJ z .
Isto representa o comutador de J x com J y
J x , J y   iJ z .
Repetindo os mesmos argumentos para rotações em torno dos demais eixos, obtém-se
J i , J j   i ijk J k
conhecidas como relações de comutação fundamentais do momento angular.
Resumo dos argumentos usados:
 J k é o gerador de rotações em torno do eixo k.
 Rotações em torno de eixos diferentes não comutam.

3.2 Sistemas de Spin ½ e Rotações Finitas


Já vimos que os S k também satisfazem as relações de comutação do momento angular.
Agora considere uma rotação por um ângulo finito  em torno do eixo z de um sistema de spin 1/2 que, antes
da rotação estava num estado |. Após a rotação,
| R  D z |
com
−iS z 
D z   exp .

Valor esperado de S x após a rotação. Sob uma rotação o valor esperado muda de acordo com
〈S x  → R  | Sx |  R
  | D z  S x D z  | 

Devemos então calcular:


iS z  −iS z 
D z  S x D z   exp S x exp .
 

Método 1 - Forma específica de S x

Usando para S k a representação na base |,


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Sx   |〈−|  |−〈| ,
2
Sy   |〈−| − |−〈| .
2i
Sz   |〈| − |−〈−| .
2
encontramos:
iS z  −iS z 
exp S x exp
 
 iS z  −iS z 
 exp |〈−|  |−〈| exp
2  
  e i/2 |〈−|e i/2   e −i/2 |−〈|e −i/2 
2
  e i |〈−|  e −i |−〈|
2
  |〈−|cos   i sen   |−〈|cos  − i sen 
2
  |〈−|  |−〈| cos   i |〈−| − |−〈| sen 
2
  2 S x cos   i 2i S x sen 
2  
 S x cos  − S x sen 

Método 2 - Relações de comutação

Usando (2.3.47), encontramos


iS z  −iS z 
exp S x exp
 
2
i 1 i
 Sx  S z , S x   S z , S z , S x 
 2!  iS y
iS y
2Sx

3
1 i
 S z , S z , S z , S x 
3! 
2Sx

i 3 S y

As potências pares dão S x enquanto que as ímpares, S y . Colecionando esses termos, encontra-se
iS z  −iS z 
exp S x exp
 
 2
3
 Sx 1−   − Sy  − 
2! 3!
 S x cos  − S y sen .

Voltando à equação do valor esperado, encontra-se


〈S x  R  R  | Sx |  R
  | D z  S x D z  | 
 〈S x  cos  − 〈S y  sen 
onde 〈S k  é o valor esperado no estado ket original.
Da mesma forma, podemos mostrar que:
〈S y  R  〈S y  cos   〈S x  sen 

Capítulo 3 Teoria do Momento Angular 6


Para S z , enconta-se
〈S z  R  〈S z 
Ou seja, o valor esperado de S z não muda, uma vez que este operador comuta com D z .
Observação: Estes resultados mostram que, quando aplicamos o operador rotação D z  no estado ket, o valor
esperado de S sofre uma rotação em torno do eixo z por um ângulo . Em outras palavras, o valor esperado do
operador spin comporta-se como se fosse um vetor clássico sob rotação:
〈S k  R  ∑ R kl 〈S l 
l

Momento angular. Do método 2, fica claro que esta propriedade também vale para o momento angular J. Em
geral
〈J k  R  ∑ R kl 〈J l 
l

Até aqui tudo como esperado. Vamos examinar com mais detalhe o efeito do operador rotação sobre um ket
geral
|  ∑|a ′ 〈a ′ |  |〈|  |−〈−|
a′

Vemos que
−iS z  −iS z  −iS z 
exp |  exp |〈|  exp |−〈−|
  
 e −i/2 |〈|  e i/2 |−〈−|.
A presença do arco metade /2 tem uma consequência extremamente interessante.
Rotação por 2. Neste caso,
| R z 2 → e −i2/2 |〈|  e i2/2 |−〈−|  − |〈|  |−〈−|  −|

Assim, um ket girado de 360º difere do ket original pelo sinal negativo. Precisamos de uma rotação de 720º
(  4) para obtermos o mesmo ket com o sinal positivo.
Valor esperado. Este sinal negativo não aparece no valor esperado de S porque S fica de sanduiche entre |
e 〈|, ambos dos quais mudam de sinal.
Este sinal negativo é sempre observado?

Precessão de Spin Revisitada


Hamiltoniano básico do problema. Vamos analisar novamente este problema de um outro ponto de vista:
H  − mee c S  B  S z

onde
|e|B
 ≡ mec .

Operador evolução temporal. Baseado neste Hamiltoniano, o operador evolução temporal é dado por

Ut, 0  exp −iHt  exp −iS z t .


 
Comparação de Ut, 0 com D z . Comparando Ut, 0 com D z  dado por

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−iS z 
D z   exp

vemos que o operador evolução temporal é precisamente o mesmo que o operador rotação com  substituído
por t.
Por que o spin precessa? Desta maneira vemos imediatamente porque este Hamiltoniano causa precessão
do spin. Usando os resultados da rotação, obtém-se
〈S x  t  〈S x  t0 cos t − 〈S y  t0 sen t
〈S y  t  〈S y  t0 cos t  〈S x  t0 sen t
〈S z  t  〈S z  t0
Depois de t  2/, o spin retorna à sua direção original.
Evolução temporal do estado ket. Vamos olhar para a evolução temporal do próprio estado ket que, em t  0,
é dado por |  |〈|  |−〈−|. Então, após o tempo t teremos
|, t 0  0; t  e −it/2 |〈|  e it/2 |−〈−|
Vemos que, para t  2/,
|, t 0  0; t  2/  e −i2/2 |〈|  e i2/2 |−〈−|
 e −i |〈|  e i |−〈−|
 −|.
Assim, devemos aguardar até t  4/ para obter o estado ket original com o mesmo sinal.
Em resumo o período para o estado ket é duas vezes maior que o período para a precessão de spin

 precessão  2

 estado ket  4

Exp. de Interferometria de Nêutrons para Estudar Rotações


Como detectar o sinal negativo no ket sujeito a uma rotação de 2?

Já sabemos que, se todos os estados kets no universo fossem multiplicados por um sinal negativo, não haveria
nenhuma maneira de detectá-lo. A única maneira de detectar o predito sinal negativo, seria através de uma
comparação entre um estado que sofreu uma rotação e um outro que não foi submetido à rotação.
Como na interferência quântica induzida por gravidade, discutida na Seç. 2.6, contamos com as qualidades da
interferometria de nêutrons para verificar esta extraordinária predição da mecânica quântica.
A experiência. Um feixe de nêutrons termalizados é dividido em duas partes A e B (ver. figura abaixo).

Capítulo 3 Teoria do Momento Angular 8


A A

Região de
B interferência
B

l
B

Trajeto A - o feixe atravessa uma região sem campo magnético.

Trajeto B - o feixe atravessa uma pequena região de comprimento l onde está presente um campo magnético
estático.
Estado ket via trajeto B. O estado ket via trajeto B sofre uma variação de fase e ∓iT/2 , onde T é tempo gasto
para atravessar a região de comprimento l onde existe um campo magnético B ≠ 0 e  é a frequência de
precessão de spin,
g eB
  mn p c , g n ≃ −1, 91

g n e
para o nêutron com momento magnético   .
2m p c
Região de interferência. Quando os trajetos A e B se encontram novamente na região de interferência a
amplitude do nêutron chegar via trajeto B é
c 2  c 2 B  0e ∓iT/2
enquanto que a amplitude do nêutron chegar via A é c 1 , independente de B.
Interferência. Assim, a intensidade observável na região de interferência deve exibir uma variação senoidal

cos ∓T  
2
onde  é a diferença de fase entre c 1 e c 2 B  0.
Ajustes no experimento. Na prática, o tempo T é uma quantidade fixa, mas a frequência  pode ser variada,
de acordo com o valor do campo B. A diferença de fase, em função do campo B, é dada por
eg n Bl

c
onde l é o comprimento da pequena região que contém o campo. Então, o valor de B necessário para uma
precessão de   4 (período completo) é

B  4c
eg n l
Vemos então que é de 4 a rotação necessária para que o ket retorne com o mesmo sinal, como requerido
pelo formalismo.

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Formalismo de Pauli de Duas Componentes
Manipulações com os kets de estado do spín 1/2 podem ser convenientemente conduzidas, usando-se o
formalismo de spinor introduzido por Pauli (1926). Já sabemos:
Ket. Pode ser representado por uma matriz coluna.
Bra. Pode ser representado por uma matriz linha.
Revendo a Seç. 1.3. Os coeficientes de expansão de um estado arbitrário | em relação a uma base |a ′ 
podem ser escritos na forma matricial. Ou seja,

〈a 1 |
| ̇ 〈a 2 | , 〈|  〈|a 1 , 〈|a 2  

Para |  |a 1 , isto é, quando  for um dos estados de base, encontra-se

〈a 1 |a 1  1
1
|a  ̇ 2
〈a |a 1
  0
 

o mesmo raciocínio valendo para 〈a j |.


Aplicação para os kets spin 1/2. Neste caso, para os kets de base encontra-se

1 0
| ̇ ≡  |− ̇ ≡ −
0 1

〈| ̇ 1, 0 〈−| ̇ 0, 1

Estado arbitrário. Para um estado arbitrário | ou 〈| obtém-se

〈|
|  |〈|  |−〈−| ̇
〈−|

〈|  〈|〈|  〈|−〈−| ̇ 〈|, 〈|−

Capítulo 3 Teoria do Momento Angular 10


〈|
Spinor. Matriz coluna do tipo é chamada de spinor de duas componentes e é escrito como
〈−|

〈| c
 ≡  c  c−−
〈−| c−

onde c  e c − são, em geral, números complexos. Para   tem-se

  〈|, 〈|− ≡ c ∗ , c ∗−  c ∗    c ∗−  − .

Matrizes de Pauli. Os elementos de matriz | S k | e | S k |− , exceto pelo fator /2, são iguais aos
elementos de matriz da matriz  k 2  2, conhecidas como matrizes de Pauli. Ou seja,

| S k | ≡   k  , | S k |− ≡   k  .
2 , 2 ,−

Valor esperado em termos de  e  k . Vamos escrever o valor esperado 〈S k  em termos de  e  k

〈S k   | S k |  ∑∑  | a′ a ′ | S k |a ′′ a ′′ |    †k
2
a′ a ′′

onde usamos a regra usual da multiplicação de matrizes.


Demonstração. Seja

∑∑  | a′ a ′ | S k |a ′′ a ′′ | 
a′ a ′′

 |  | S k | |  |  | S k |− −|
 | − −| S k | |  | − −| S k |− −|
   |   k  ,  |    |   k  ,− − | 
2
  | −  k  −,  |    | −  k  −,− − | 

  ,  ,− 〈|


 〈|, 〈|−
2  −,  −,− 〈−|

   †  k .
2
Matrizes de Pauli. Explicitamente, de (3.2.1) juntamente com (3.2.30), vemos que

0 1 0 −i 1 0
x  , y  , z  .
1 0 i 0 1 −1

Propriedades das matrizes de Pauli. Algumas propriedades das matrizes de Pauli são:

 2i  1
(1)   i ,  j   2 ij 
 i  j   j  i  0, para i ≠ j.

(2)   i ,  j   2i ijk  k .

12  21  0
(3)   1  2  − 2  1  i 3 etc
 1  2 −  2  1  2i 3

(4)   †i   i .

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(5)  det i   −1

(6)  Tr i   0.

a z a x − ia y
(7)   a  . Seja a um vetor tridimensional. Então
a x  ia y −a z

a  ∑ akk
k

0 1 0 −i 1 0
 ax  ay  az
1 0 i 0 1 −1

0 ax 0 −ia y az 0
  
ax 0 ia y 0 1 −a z

a z a x − ia y

a x  ia y −a z

(8)    a   b   a  b  i   a  b . Seja


  a   b   ∑  j a j ∑  k b k  ∑ j  k a j b k
j k jk

 ∑ 1  j ,  k   1  j ,  k  a j b k
2 2
jk

 ∑ jk  i jkl  l a j b k  ∑ a j b j  i ∑  jkl  l a j b k


jk j jk

 a  b  i  a  b 

(9)    a  2  |a | 2 (a é um vetor real). Seja


  a     a   a   a  a  i  a  a   a  a |a | 2 .
2

1, (n par)
(10)    n̂  n  . De fato, como consequência da propriedade anterior,
  n̂ (n ímpar)

1, (n par)
  n̂  n   a   a    a   a  
  n̂ (n ímpar)
|n̂ | 2 1

Rotações no Formalismo de Duas Componentes


Representação matricial 2  2 do operador rotação Dn̂ , . Como

S ̇  
2
encontra-se
−iS  n̂  −i  n̂ 
exp ̇ exp
 2
Usando a propriedade (10), encontra-se

Capítulo 3 Teoria do Momento Angular 12


−i  n̂   i 2   n̂  2  2
exp  1 − i  n̂  − −
2 2 2! 2
  n̂  2  2
  n̂  4  4
 1−  −
2! 2 4! 2
   n̂  3  3
− i   n̂  − 
2 3! 2
 2
 4
 1− 1  1 −
2! 2 4! 2
  3
− i  n̂ − 1 
2 2 3!
 
 1 cos − i  n̂ sen .
2 2
onde

1 0
1 
0 1

−i  n̂ 
 Forma explícita de exp como matriz 2  2. Usando o resultado
2

−n z −in x − n y
− i   n̂ 
−in x  n y n z

encontramos
  
cos − i n z sen −in x − n y  sen
−i  n̂  2 2 2
exp  (3.2.4
2   
−in x  n y  sen cos  i n z sen
2 2 2

que é a forma da matriz de rotação.


−iS  n̂ 
Rotação de spinor. Assim como o operador exp atua sobre o ket |, a matriz 2  2

−i  n̂ 
exp atua sobre o spinor de duas componentes . Sob rotação, o spinor transforma-se da seguinte
2
maneira:
−i  n̂ 
 → exp .
2

  é invariante por rotação. Os  k permanecem inalterados sob rotações.


  não é um vetor. Embora possa parecer,  não é um vetor. Na verdade, é  †  que obedece as
propriedades de transformação de um vetor. Ou seja,
†k → ∑ R kl  †  l 
l

 Demonstração: Seja uma rotação de  1 em torno do eixo z por um ângulo 

Prof. Abraham Moysés Cohen Mecânica Quântica A 13


i z  −i z 
exp  x exp
2 2
 
cos  i sen 0
2 2 0 1
 
  1 0
0 cos − i sen
2 2
 
cos − i sen 0
2 2

 
0 cos  i sen
2 2

0 cos   i sen 

cos  − i sen  0

A matriz

0 cos   i sen 
cos  − i sen  0

pode ser reescrita combinação das seguintes matrizes:

0 cos   i sen  0 1 0 −i
 cos  − sen 
cos  − i sen  0 1 0 i 0
  x cos  −  y sen .
Ou seja,
i z  −i z 
exp  x exp   x cos  −  y sen ,
2 2
que é o análogo matricial de (3.2.6).
Novamente rotação por 2. Usando o formalismo dos kets, vimos que um ket | de spin 1/2, sob rotação de
2, resulta em −|. O análogo 2  2 desta afirmação é:
−i  n̂   
exp  1 cos − i  n̂ sen  −1,
2 2 2 2 2

para qualquer n̂ .

Aplicação da matriz de rotação

Construção de um autospinor. Como aplicação da matriz de rotação, vamos construir um autospinor de   n̂


com autovalor 1, onde n̂ é um vetor unitário numa direção especificada. Seja a equação
  n̂   .
Esta equação é a representação matricial da equação de autovalores para o ket |S  n̂ ;   definida por

S  n̂ |S  n̂ ;     |S  n̂ ;  .
2
De fato, isto pode ser considerado como um problema autovalores, mas aqui apresentamos um método
alternativo baseado na matriz de rotação.
Procedimento. Sejam  e  os ângulos azimutal e polar, respectivamente, que caracterizam n̂ .

Capítulo 3 Teoria do Momento Angular 14


1
 Vamos iniciar com o spinor , que representa o estado de spin para cima.
0

 Em seguida, aplicamos uma rotação por um ângulo  em torno do eixo y.


 Sequencialmente, aplicamos outra rotação por um ângulo  em torno do eixo z.
Dessa forma, o estado de spin desejado é então obtido (ver figura abaixo).

Segunda
rotação

β
Primeira
rotação

Procedimento na linguagem de spinor de Pauli. Na linguagem do spinor, esta sequência de operações é


equivalente a:

1 −i y  1
  → exp →
0 2 0

−i y 
→ exp −i z 
1
exp →
2 2 0

Desta forma,

−i y 
  exp −i z 
1
exp
2 2 0

 exp −i z  
2
 
cos − sen
2 2 1
  0
sen cos
2 2

cos  − i sen  0 cos
2
 2 2
0 cos   i sen  
2 2 sen
2

cos  − i sen  cos
2 2 2


cos   i sen  sen
2 2 2

Ou,

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 −i/2
cos e
2

 i/2
sen e
2

em concordância com o Problema 9 do Capítulo 1. De fato,

 −i/2 1  i/2 0
  cos e  sen e
2 0 2 1
  i
 e −i/2 cos    sen e −
2 2
a diferença ficando por conta de uma fase global sem significado físico.

3.3 SO(3), SU(2) e Rotações de Euler


Conceito de Grupo
Teoria de Grupo. As simetrias são tratadas apropriadamente num ramo da matemática conhecido como
teoria de grupo.
O que é um grupo? Um conjunto de objetos, a, b, c… , forma um grupo se pudermos definir um processo que
nos permita combinar quaisquer dois desses objetos, tais como a e b, para formar um objeto ab, e se as
seguintes condições forem satisfeitas:
(1) Todos os resultados da combinação são membros do grupo.

(2) O grupo contém a identidade ou membro unitário 1, que tem a propriedade a  1  1  a  a, onde a é qualquer
membro do grupo.

(3) Cada membro a tem um inverso a −1 , também no grupo, tal que aa −1  a −1 a  1.

(4) Combinação de grupo é associativa, tal que abc  abc

Observações:
(a) os membros de um grupo são chamados de elementos.
(b) o termo “multiplicação” não significa multiplicação usual.

Grupo Ortogonal
Seja a rotação de um vetor. Os vetores antes e depois da rotação, V e V ′ , respectivamente, são conectados
por uma matriz 3  3 real e ortogonal:
V′  R V

Capítulo 3 Teoria do Momento Angular 16


V´ V

Todas as matrizes de rotação formam um grupo:

1. A combinação (produto) de duas matrizes R 1 e R 2 é uma nova matriz R 1 R 2 .

2. A lei associativa é válida:

R 1 R 2 R 3   R 1 R 2 R 3

3. A matriz identidade 1 – que corresponde fisicamente a nenhuma rotação – definida por

R1  1R  R

é um membro da classe de todas as matrizes ortogonais.

4. A matriz inversa R −1 – que corresponde fisicamente a uma rotação no sentido oposto – definida por

RR −1  R −1 R  1

é também um membro.

Este grupo é denominado SO3, onde as iniciais significam:


S – especial (special, em inglês); O – ortogonal; 3 – três dimensões.

Grupo Unitário Unimodular


Seja a rotação do spin 1/2 discutida anteriormente. Aqui, as matrizes de rotação são 2  2, atuando sobre um
spinor de duas componentes. De (3.2.45) encontramos
  
cos − i n z sen −in x − n y  sen
2 2 2
Eq. (3.2.45) 
  
−in x  n y  sen cos  i n z sen
2 2 2

Esta matriz é unimodular. Isto significa que seu determinante é 1.


Matriz unitária unimodular. De uma maneira geral, uma matriz unimodular pode ser escrita como

a b
Ua, b  (3.3.7
−b ∗ a ∗

onde a e b são números complexos que satisfazem a condição unimodular:

Prof. Abraham Moysés Cohen Mecânica Quântica A 17


|a| 2  |b| 2  1 (3.3.8

Propriedade unitária. Seja

a ∗ −b a b
U † a, bUa, b   |a| 2  |b| 2  1
∗ ∗
b a −b a∗

Comparando (3.2.45) com (3.3.7), identificamos


 
Rea  cos 2
, Ima  −n z sen 2
,
 
Reb  −n y sen 2
, Imb  −n x sen 2
,

de onde obtém-se imediatamente a propriedade unimodular de (3.3.8).


Propriedades de grupo das operações de multiplicação. As operações de multiplicação com matrizes
unitárias unimodulares satisfazem as seguintes propriedades:

1. Fechamento

Ua 1 , b 1 Ua 2 , b 2 
a1 b1 a2 b2 a 1 a 2 − b 1 b ∗2 a 1 b 2  a ∗2 b 1
 
−b ∗1 a ∗1 −b ∗2 a ∗2 −a ∗1 b ∗2 − a 2 b ∗1 a ∗1 a ∗2 − b ∗1 b 2
 U a 1 a 2 − b 1 b ∗2 , a 1 b 2  a ∗2 b 1

onde a condição unimodular para a matriz produto é

|a 1 a 2 − b 1 b ∗2 | 2  |a 1 b 2  a ∗2 b 1 | 2  1.

2. Inversa
−1
a b a ∗ −b
U −1 a, b    Ua ∗ , −b
−b ∗ a ∗ b∗ a

3. Identidade

1 0
U1, 0 
0 1

4. Associativa
−i  n̂ 
Ua, b  exp
2

Este grupo é denominado SU2: Especial, Unitário e Bidimensional.


Os grupos SU2 e SO3 têm correspondência dois-para-um: Considere uma rotação por 2 e outra por 4.
 Na linguagem SO3, as matrizes representando essas rotações são ambas matrizes identidades 3  3. Mais
geralmente, Ua, b e U−a, −b correspondem a uma única matriz 3  3 nesta linguagem.
 Na linguagem SU2, as matrizes são −1 vezes a matriz identidade 2  2 e a matriz identidade, respectivamente.

Rotações de Euler
Rotação arbitária de um corpo rígido pode ser descrita em três passos, conhecidas como ângulos de Euler.

Capítulo 3 Teoria do Momento Angular 18


Três passos:

1 R z   y → y ′
2 R y ′   z → z ′
3 R z ′   y ′ → y ′′

Em termos de matrizes ortogonais 3  3, o produto dessas três operações pode ser escrito como
R, ,   R z ′ R y ′ R z 

Aqui aparecem dois tipos de rotação: em torno dos eixos do corpo e dos eixos fixos no espaço. Isto é
inconveniente. Vamos expressar as rotações em torno dos eixo do corpo, R y ′  e R z ′ , em termo de rotações
em torno dos eixo fixos no espaço.
R y ′   R z R y R −1
z 

R z ′   R y ′ R z R −1


y ′ 

Assim.
R, ,   R z ′ R y ′ R z 
 R y ′ R z R −1
y ′ R y R z 

 R y ′ R z R z 


 R z R y R −1
z R z R z 

 R z R y R −1
z  R z R z 

comutam

 R z R y R z 


Portanto
R, ,   R z R y R z 
onde todas as matrizes do lado direito referem-se a rotações em torno de eixos fixos.

Aplicação a sistemas de spin ½


O produto de operadores de rotação no espaço ket corresponde ao produto de matrizes ortogonais:
D, ,   D z D y D z 

Prof. Abraham Moysés Cohen Mecânica Quântica A 19


A representação matricial deste produto é
−i y  −i z 
exp −i z  exp exp
2 2 2
e −i/2 0 cos/2 − sen/2 e −i/2 0

i/2 i/2
0 e sen/2 cos/2 0 e

e −i/2 cos/2 −e −i−/2 sen/2



e i−/2 sen/2 e i/2 cos/2

onde usamos (3.2.44). Esta matriz é claramente da forma unimodular unitária. Inversamente, a forma mais
geral da matriz unimodular unitária 2  2 pode ser escrita nesta forma dos ângulos de Euler.

3.4 Operadores de Densidade e Ensembles Puros e Mistos


★ Leia esta seção.

3.5 Autovalores e Autoestados do Momento Angular


Relações de Comutação e Operador Escada
As relações de comutação entre as três componentes de J já foram derivadas
J x , J y   iJ z
J y , J z   iJ x
J z , J x   iJ y
Estas relações podem ser escritas numa forma mais compacta
J  J  iJ

Novo conjunto de operadores. Para estudarmos os autovalores e autovetores do momento angular, vamos
introduzir um novo conjunto de operadores

1 J 2 ≡ J 2x  J 2y  J 2z

2 J  ≡ J x  iJ y

O operador J 2 comuta com todos os J k :


J 2 , J k   0, k  x, y, z

Comutador J 2 , J z   0. Para demonstrar esta relação fazemos


J 2 , J z   J 2x  J 2y  J 2z , J z 
 J x J x , J z   J x , J z J x  J y J y , J z   J y , J z J y
 J x −iJ y   −iJ y J x  J y iJ x   iJ x J y
 −iJ x J y − iJ y J x  iJ y J x  iJ x J y
0

Como J x , J y e J z não comutam entre si, não podemos diagonalizar J x , J y e J z simultaneamente. Porém, podemos
escolher um dos J k para ser diagonalizado simultaneamente com J 2 . Por convenção, a escolha recai sobre J z .
Vamos denotar os autovalores de J 2 e J z por a e b, respectimente:

Capítulo 3 Teoria do Momento Angular 20


J 2 |a, b  a |a, b

J z |a, b  b |a, b
Para determinar os valores de a e b é conveniente trabalhar com os operador escada, J  . As relações de
comutação são
J  , J −   2J z ,

J z , J    J  ,

J 2 , J    0.

Qual o significado físico de J  . Vamos examinar como J z age sobre J  |a, b:
J z J  |a, b  J z , J    J  J z  |a, b
 J  |a, b  J  J z |a, b
 J  |a, b  bJ  |a, b
 b   J  |a, b
Ou seja: O ket J  |a, b é ainda um autoket de J z , exceto que agora o autovalor e aumentado  ou abaixado
− por uma unidade de . Assim, vemos por que J  , que sobe ou desce degrau a degrau a “escada” dos
autovalores de J z , são conhecidos como operadores escadas.
J  e os autovalores de J 2 . Embora J  mudem os autovalores de J z por uma unidade de , eles não mudam
os autovalores de J 2 :
J 2 J  |a, b  J  J 2 |a, b  a J  |a, b

Resumo. Os kets J  |a, b são simultaneamente autokets de J 2 e J z com autovalores a e b  h. Podemos


então escrever
J  |a, b  c  |a, b  
onde as constantes c  serão determinadas mais adiante a partir da condição de normalização dos autokets do
momento angular.

Autovalores de J 2 e J z
Imagine que apliquemos J  n vezes sobre o autoket de J 2 e J z :
J  J  … J  |a, b  |a, b  n
n vezes

Mas existe um limite superior para b. De fato, para um dado a (autovalor de J 2 


a ≥ b2. (3.5.
Demonstração. Vamos escrever J 2 em termos de J  e J z
J 2 − J 2z  1 J  J −  J − J    1 J  J †  J † J  .
2 2
O valor esperado deste operador é
〈a, b| J 2 − J 2z  |a, b  1 〈a, b| J  J † |a, b  1 〈a, b| J † J  |a, b
2 2
Como o bra de J  |a, b são

Prof. Abraham Moysés Cohen Mecânica Quântica A 21


CD CD
J  |a, b  〈a, b| J † , J † |a, b  〈a, b| J 
Ou seja,
CD
J  |a, b  c  |a, b    〈a, b| J †  〈a, b  | c ∗
CD
J † |a, b  c ∗ |a, b ∓   〈a, b| J   〈a, b ∓ | c 
Logo,
〈a, b| J  J † |a, b  〈a, b| J  J † |a, b
 〈a, b − | c  c ∗ |a, b − 
 |c  | 2
≥0
Da mesma forma
〈a, b| J † J  |a, b ≥ 0.
Portanto,
〈a, b| J 2 − J 2z  |a, b ≥ 0

Deve existir um b  b max tal que


J  |a, b max   0
Ou seja: o autovalor de b não pode aumentar além de b max . Disto obtém-se
J − J  |a, b max   0
Mas,
J − J   J 2x  J 2y − iJ y J x − J x J y 
 J 2 − J 2z − J z .

Assim,
J 2 − J 2z − J z  |a, b max   a − b 2max − b max  |a, b max   0
Como |a, b max  não é um ket nulo, conclui-se que
a − b 2max − b max  0
ou
a  b max b max  . (3.5.2

Da mesma forma, deve existir um b min tal que


J − |a, b min   0
Escrevendo
J  J −  J 2 − J 2z  J z
encontramos que
J  J − |a, b min   0
ou
J 2 − J 2z  J z  |a, b min   a − b 2min  b min  |a, b min   0
ou

Capítulo 3 Teoria do Momento Angular 22


a  b min b min −  (3.2.2

Comparando (3.2.25) com (3.2.22), ou seja,


a  b max b max    b min b min − 
conclui-se que
b max  −b min (3.2.2

Com b max  0, podemos inferir que os valores de b estão no intervalo


− b max ≤ b ≤ b max . (3.2.2

Obtenção de |a, b max  a partir de |a, b min . Aplicando-se sucessivamente, um número de vezes finito, o
operador J  ao ket |a, b min , podemos obter o ket |a, b max . Seja por exemplo,
|a, b max   J  J  … J  |a, b min   |a, b min  n
n vezes

Logo,
b max  b min  n, (3.2.2
onde n é um número inteiro. Como resultado, obtém-se
b max  −b max  n
ou

b max  n . (3.2.2
2
Convenção. Por convenção, vamos utilizar j ao invés de b max , da seguinte forma
b max  j
Ou seja,
j  n.
2
Assim, o valor máximo do autovalor de J z é agora j, onde j é qualquer inteiro ou semi-inteiro. A Eq. (3.5.22)
torna-se
a   2 jj  1.
Vamos também definir m tal que
b  m.
Assim,
− j ≤ m ≤ j
ou
− j ≤ m ≤ j.
Ou seja, se j é um inteiro, todos os valores de m serão inteiros; se j for semi-inteiro, todos os valores de m
serão semi-inteiros. Os valores permitidos de m para um dado j são
m −j, − j  1, … , j − 1, j (3.5.3
2j1 estados

Usando esta convenção, fazemos a substituição

Prof. Abraham Moysés Cohen Mecânica Quântica A 23


|a, b  |j, m
para denotar os autokets simultâneos de J 2 e J z . As equações básicas de autovalores, são agora
J 2 |j, m  jj  1 2 |j, m (3.5.3

J z |j, m  m |j, m (3.5.3


onde j é qualquer inteiro ou semi-inteiro, e m é dado por (3.5.33). As Eqs. (3.5.34) representam a quantização
do momento angular. Ela é uma consequência direta das relações de comutação que, por sua vez, segue da
propriedade das rotações juntamente com a definição de J k como gerador de rotação.

Elementos de Matriz dos Operadores Momento Angular


Os autokets |j, m formam uma base de kets normalizados para o operador momento angular:
〈j ′ , m ′ |j, m   j ′ j  m ′ m .

Elementos de matriz de J 2 e J z . Os elementos de matriz do operador J 2 nesta base são


〈j ′ , m ′ | J 2 |j, m  jj  1 2 〈j ′ , m ′ |j, m  jj  1 2  j ′ j  m ′ m
e
〈j ′ , m ′ | J z |j, m  m〈j ′ , m ′ |j, m  m  j ′ j  m ′ m

Elementos de matriz de J  . Para este caso, primeiro vamos considerar os elementos de matriz do operador
J † J  . Este operador pode ser escrito como
J † J   J − J   J 2 − J 2z − J z
Assim,
〈j, m| J † J  |j, m  〈j, m| J 2 − J 2z − J z  |j, m
 jj  1 2 − m 2  2 − m 2
  2 jj  1 − mm  1
Mas
J  |j, m  c jm |j, m  1
então
〈j, m| J † J  |j, m  〈j, m| J  J  |j, m  〈j, m  1| c ∗
jm c jm |j, m  1
2
 |c jm | .
Portanto,
2
|c jm |   2 jj  1 − mm  1   2 j − mj  m  1
A constante c jm é determinada a menos de um fator de fase arbitrário. É costume (convenção) escolher esta
constante como sendo real e positiva:
c jm  j − mj  m  1 
Logo,
J  |j, m  j − mj  m  1  |j, m  1.
De uma maneira similar, podemos obter

Capítulo 3 Teoria do Momento Angular 24


J − |j, m  j − mj − m  1  |j, m − 1
Finalmente, os elementos de matriz de J  são:
〈j ′ , m ′ | J  |j, m  j − mj  m  1   j ′ j  m ′ ,m1 (3.5.4

Elementos de Matriz do Operador Rotação


Para uma rotação R especificada por n̂ e , os elementos de matriz do operador rotação são
−J  n̂ 
D mj′ m R  〈j, m ′ | exp |j, m (3.5.4

Estes elementos de matriz são conhecidos como funções de Wigner. Observe que os elementos de matriz de
DR entre estados com j’s diferentes se anulam: DR |j, m é ainda um autoestado de J 2 com o mesmo
autovalor jj  1 2 . De fato,
J 2 DR|j, m  DRJ 2 |j, m
 jj  1 2 DR|j, m
uma vez que J 2 , DR  0 como consequência de J 2 , J k   0 e, portanto, J 2 , FJ k   0, onde FJ k  significa
qualquer função de J k .
Rotações não mudam o valor j, o que é um resultado absolutamente lógico.
Representação irredutível. Às vezes, a matriz de dimensãoes 2j  1  2j  1 formada pelos elementos
j
D m ′ m R é referida na literatura como representação irredutível 2j  1-dimensional do operador rotação DR.
A matriz que corresponde a um operador rotação arbitrária no espaço ket não necessariamente caracterizado
por um único valor j pode, com uma escolha apropriada da base, ser colocado na forma bloco-diagonal:

(3.5.4

onde cada quadrado sombreado é uma matriz quadrada 2j  1  2j  1 formada pelos elementos D mj′ m R
com qualquer valor definido de j. Além disto, cada matriz quadrada não pode ser quebrada em blocos menores

Prof. Abraham Moysés Cohen Mecânica Quântica A 25


2j+1 k

2j+1-k
2j+1-k
(3.5.4
para qualquer escolha da base.
Grupo das matrizes de rotação. As matrizes de rotação para um dado j formam um grupo:
Identidade. É um elemento do grupo, um vez que a matriz de rotação correspondedo a nenhuma rotação
  0 é a matriz identidade 2j  1  2j  1.
Inversa. Também um elemento do grupo, correspondendo à inversão do ângulo de rotação  → −,
mantendo o eixo de rotação n̂ .
Fechamento. As matrizes possuem esta propriedade, uma vez que o produto de qualquer duas delas é
também um elemento do grupo. Explicitamente, temos

∑ D jm m R 1 D mjm R 2   D jm m R 1 R 2 


′′ ′ ′ ′′ (3.5.4
m′

onde o produto R 1 R 2 representa uma única rotação.


Unitariedade. A matriz de rotação é unitária, uma vez que o correspondente operador é unitário.
Explicitamente, temos
D mj′ m R −1   D j∗
mm ′ R

Significa físico da matriz de rotação


Seja o estado |j, m; sob rotação encontramos
|j, m → DR |j, m.

Embora a rotação não mude o j, geralmente obtém-se estados com valores m diferentes do valor original.
Amplitude de probabilidade para |j, m ′ . Para determinar a amplitude de probabilidade de encontrar o estado

em |j, m , vamos expandir o estado final como segue:
DR |j, m  ∑ |j, m ′ 〈j, m ′ |DR |j, m
m′

 ∑ |j, m ′ D mjm R


′ (3.5.4
m′

Ângulos de Euler e a matriz D


Como já sabemos, os ângulos de Euler, , , , podem ser usados para caracterizar a rotação mais geral.
Assim, para um j arbitrário

Capítulo 3 Teoria do Momento Angular 26


−J y  −J z 
D mj′ m , ,   〈j, m ′ | exp −J z  exp exp |j, m
  
′ −J y 
 e −im m 〈j, m ′ | exp |j, m

A rotação central, de um ângulo  em torno do eixo y, mistura diferentes valores de m. É conveniente


definirmos uma nova matriz d j  como
−J y 
d mj′ m   〈j, m ′ | exp |j, m (3.5.5

Logo,
D mj′ m , ,   e −im m d mj′ m 

Exemplos
Caso j  1/2. Neste caso, os valores de m são
m  −1,1.
2 2

Escrevendo J y  2
 y e usando (3.2.44)
− y 
exp  cos/2 − i y sen/2
2
A matriz d 1/2  torna-se
− y 
d mj′ m   〈j, m ′ | exp |j, m
2
 〈j, m ′ | 1 cos/2 − i y sen/2 |j, m

 cos/2  m ′ m − i sen/2〈j, m ′ | y |j, m


Como

0 −i
y 
i 0

encontra-se

1 0 0 −i
d j   cos/2 − i sen/2
0 1 i 0

cos/2 0 0 − sen/2
 
0 cos/2 sen/2 0

ou
m 1/2 m  −1/2
 
cos − sen
2 2
d j  
 
sen cos
2 2

Caso j  1. Agora os valores de m são


m  −1, 0, 1
o que deve resultar numa matriz 3  3. Neste caso não contamos mais com as propriedades das matrizes de
Prof. Abraham Moysés Cohen Mecânica Quântica A 27
Pauli. Mas, como

Jy  J − J−
2i
podemos usar (3.5.41), para j  j ′ , ou seja,
〈j, m ′ | J  |j, m  j − mj  m  1   m ′ ,m1
Assim, a matriz J y pode ser obtida a partir da relação

〈j, m ′ | J y |j, m  1 〈j, m ′ | J  |j, m − 1 〈j, m ′ | J − |j, m


2i 2i
Mas,

〈m  1| J  |m  1 − m2  m  〈m − 1| J − |m  1 − m2 − m 


〈1| J  |0  2 , 〈0| J − |1  2
〈0| J  |−1  2 〈−1| J − |0  2

sendo nulos os demais elementos. Logo,

m  1 m  0 m  −1

0 − 2i 0 m′  1
1 J j1   m′  0
2i

2 0 0 − 2i
0 0 0 m ′  −1

m  1 m  0 m  −1

0 0 0 m′  1
− 1 J j1
   2i 0 0 m′  0
2i 2
0 2i 0 m ′  −1

Portanto,

m  1 m  0 m  −1

0 − 2i 0 m′  1
J j1
y   2i 0 − 2i m′  0
2
0 2i 0 m ′  −1

Como já conhecemos a representação matricial de J j1


y , agora podemos obter a expansão de Taylor de
exp−iJ y /. Seja a expressão
−iJ y  Jy Jy 2
Jy 3
exp  1 − i − 1 2  1 i 3 
  2!  3! 
Pode-se mostrar que

Capítulo 3 Teoria do Momento Angular 28


2
Jy
n n  par
Jy
 
 Jy
, n  ímpar

Assim,
−iJ y  Jy Jy 2
Jy 3
exp  1 − i − 1 2  1 i 3 
  2!  3! 

Jy 2
2 Jy 3
 1 −1 1 −  −i − 
 2!  3!
cos 
2
Jy Jy
 1 cos  − 1 − i sen 
 
ou
−iJ y  Jy 2
Jy
exp → 1− 1 − cos  − i sen 
  

Logo,
−J y 
d mj1 ′
′ m   〈j, m | exp |j, m

Jy 2 Jy
 〈j, m ′ | 1 − 1 − cos  − i sen  |j, m
 
2
Jy Jy
  m ′ m − 1 − cos  〈j, m ′ | |j, m − i sen  〈j, m ′ | |j, m
 
Como

0 2 0
iJ j1
 1
y
− 2 0 2
 2
0 − 2 0

e
2

2 0 − 2i 0 1 0 −1
J j1 1 2
 1
y
 2i 0 − 2i 0 2 0
 2 2
0 2i 0 −1 0 1

então

1 0 0 1 0 −1
d 1   0 1 0 − 1 0 2 0 1 − cos 
2
0 0 1 −1 0 1

0 2 0
− 1 − 2 0 2 sen 
2
0 − 2 0

ou
Prof. Abraham Moysés Cohen Mecânica Quântica A 29
1 1 − cos  0 − 1 1 − cos 
1 0 0 2 2
d 1   0 1 0 − 0 1 − cos  0
0 0 1 − 1 1 − cos  0 1 1 − cos 
2 2

0 1 sen  0
2

− − 1 sen  0 1 sen  sen 


2 2

0 − 1 sen  0
2

Finalmente, agrupando os termos obtém-se

1 1  cos  − 1 sen  1 1 − cos 


2 2 2

d 1   1 sen  cos  − 1 sen 


2 2
1 1 − cos  1 sen  1 1  cos 
2 2 2

Evidentemente este método torna-se cada vez mais trabalhoso à medida que o j aumenta. Na Seç. 3.8
estudaremos um método muito mais fácil de obter d mj′ m  para qualquer j.

3.6 Momento Angular Orbital


O momento angular foi definido como sendo o gerador de rotações infinitesimais. Existe uma outra maneira de
estudar o assunto, quando o momento angular de spin é nulo ou pode ser desprezado. O momento angular J
para uma partícula é então o mesmo que o momento angular orbital L, definido como
L  r  p. (3.6.

Momento Angular Orbital como Gerador de Rotações


Como foi definido em (3.6.1), o momento angular L satisfaz as relações de comutação para momento angular:
L i , L j   i ijk L k (3.6.2
em virtude das relações de comutação entre as componentes de r e p. Isto pode ser facilmente demonstrado:
Seja
L x  yp z − zp y
L y  zp x − xp z
então

Capítulo 3 Teoria do Momento Angular 30


L x , L y   yp z − zp y , zp x − xp z 
 yp z , zp x   zp y , xp z 
 yp z zp x − zp x yp z  zp y xp z − xp z zp y
 yp x p z , z  p y xz, p z 
 ixp y − yp x 
 iL z .
e assim por diante.
Agora considere o operador
 
1−i Lz  1 − i xp y − yp x 
 
atuando sobre um autoket arbitrário da posição |x ′ , y ′ , z ′  para examinarmos se ele pode ser interpretado como
o operador de rotações infinitesimais em torno do eixo z por um ângulo . Como o momento linear é um
gerador de translações [v. Eq. (1.6.32)], isto é,
ip  d x ′
Tdx ′   1 −

ou seja,
p
Tdx ′  |x ′   1 − i  dx ′ |x ′   |x ′  dx ′ 

encontra-se
 
1−i L z |x ′ , y ′ , z ′   1−i x ′ p y − y ′ p x  |x ′ , y ′ , z ′ 
 
py p
 1−i x ′   i x y ′  |x ′ , y ′ , z ′ 
 
py p
 1−i x ′  − i x −y ′  |x ′ , y ′ , z ′ 
 
 x ′ − y ′ , y ′  x ′ , z ′

Isto corresponde a uma rotação infinitesimal de um ângulo  em torno do eixo z. De fato, numa rotação em
torno do eixo z, as coordenadas x, y, z transormam-se de acordo com
x ′  x cos − y sen
y ′  x sen  y cos
Para um ângulo infinitesimal , valem as aproximações
cos ≃ 1
sen ≃ 
Assim, para as coordenadas transformadas, obtém-se
x ′  x − y 
y ′  y  x 
z′  z
que é o resultado obtido.
Função de onda. Suponha agora que a função de onda para um estado arbitrário seja dada por 〈x ′ , y ′ , z ′ |.
Após uma rotação por um ângulo  em torno do eixo z, a função de onda do estado transformado será

Prof. Abraham Moysés Cohen Mecânica Quântica A 31



〈x ′ , y ′ , z ′ | 1 − i L z |  〈x ′  y ′ , y ′ − x ′ , z ′ | (3.6.6

Coordenadas esféricas. Mudando a base para coordenadas esféricas, isto é


〈x ′ , y ′ , z ′ | → 〈r, , |
o estado tranformado torna-se, de acordo com (3.6.6)

〈r, , | 1 − i L z |  〈r, ,  − |

 〈r, , | −  ∂ 〈r, , |
∂
Como 〈r, , | é um autoklet arbitrário da posição, podemos identificar

〈x ′ |L z |  −i ∂ 〈x ′ | (3.6.9


∂
que é um resultado bem conhecido da mecânica ondulatória.
Rotação em torno do eixo x. Vamos agora considerar uma rotação em torno do eixo x por um ângulo  x .
Em analogia com (3.6.6) podemos escrever
 x
〈x ′ , y ′ , z ′ | 1 − i L x |  〈x ′ , y ′  z ′  x , z ′ − y ′  x | (3.6.

Expressando x ′ , y ′ e z ′ em coordenadas esféricas, podemos mostrar que

〈x ′ |L x |  −i − sen  ∂ − cotg  cos  ∂ 〈x ′ | (3.6.


∂ ∂

De maneira similar,

〈x ′ |L y |  −i cos  ∂ − cotg  sen  ∂ 〈x ′ | (3.6.


∂ ∂

Usando essas duas relações e as definições de L  , encontramos

〈x ′ |L  |  −ie i i ∂ − cotg  ∂ 〈x ′ | (3.6.


∂ ∂
Finalmente, usando

L 2  L 2z  1 L  L −  L − L   (3.6.
2
juntamente com (3.6.9) e (3.6.13), encontramos

〈x ′ |L 2 |  − 2 1 ∂2  1 ∂ sen  ∂ 〈x ′ | (3.6.


sen  ∂ 2
2 sen  ∂ ∂
Exceto pelo fator 1/r 2 , esta é a expressão para a parte angular do operador Laplaciano em coordenadas
esféricas.
Relação entre L 2 e a parte angular de ∇ 2 . Uma outra maneira de se obter esta relação é trabalhar
diretamente com o operador energia cinética.
Vamos primeiro considerar uma importante identidade de operadores:
L 2  x 2 p 2 − x  p  2  i x  p
onde x 2 ≡ x  x e p 2 ≡ p  p.
Demonstração. O operador L 2 pode ser escrito na forma

Capítulo 3 Teoria do Momento Angular 32


L2  ∑ LkLk
k

Mas
Lk  ∑  ijk x i p j
ij

então

L2  ∑ ∑  ijk x i p j ∑  lmk x l p m
k ij lm

 ∑  ijk x i p j  lmk x l p m
ijlmk

 ∑ x i p j x l p m ∑  ijk  lmk
ijlm k

Como

∑  ijk  lmk   il  jm −  im  jl 
k

encontra-se
L2  ∑ il  jm −  im  jl x i p j x l p m
ijlm

 ∑  il  jm x i p j x l p m −  im  jl x i p j x l p m
ijlm

 ∑  il  jm x i x l p j − i jl p m −  im  jl x i p j p m x l  i lm
ijlm

 ∑  il  jm x i x l p j − i jl p m − ∑  im  jl x i p j p m x l  i lm
ijlm ijlm

Cada termo pode ser reescrito como

Prof. Abraham Moysés Cohen Mecânica Quântica A 33


∑  il  jm x i x l p j − i jl p m
ijlm

 ∑  il  jm x i x l p j p m − i ∑  il  jm  jl x i p m
ijlm ijlm

 ∑  il x i x l ∑  jm p j p m − i ∑ ∑  il  jm  jl xipm
il jm im jl

 ∑ x i x i ∑ p j p j − i ∑ ∑  il  jl  jm x i p m
i j ijm l

 x 2 p 2 − i ∑  ij  jm x i p m
ijm

 x 2 p 2 − i ∑ ∑  ij  jm xipm
im j

 x 2 p 2 − i ∑  im x i p m
im

 x 2 p 2 − i ∑ ∑  im x i pm
m i

 x p − i ∑ x m p m
2 2

 x p − ix  p
2 2

∑  im  jl x i p j p m x l  i lm
ijlm

 ∑  im  jl x i p j p m x l  i ∑  im  jl x i p j  lm
ijlm ijlm

 ∑  im  jl x i p m p j x l  i ∑  im  jl  lm x i p j
ijlm  ijlm

 ∑  im  jl x i p m x l p j − i jl   i ∑  im  jl  lm x i p j
ijlm ijlm

 ∑  im  jl x i p m x l p j − i ∑  im  jl  jl x i p m  i ∑  im  jl  lm x i p j
ijlm ijlm ijlm

 ∑  im x i p m ∑  jl x l p j − i ∑ x i p i ∑  jl  jl  i ∑  lm x m p l
im jl i jl lm

 ∑ x i p i ∑ x j p j − i ∑ x i p i ∑ 1 i ∑ x l p l
i j i j l

3

 x  p  2 − 3ix  p ix  p
 x  p  2 − 2ix  p
Substituindo estes resultados na equação para L 2 , encontra-se
L 2  x 2 p 2 − ix  p −x  p  2  2ix  p
ou
Capítulo 3 Teoria do Momento Angular 34
L 2  x 2 p 2 − x  p   ix  p
2

Elementos de matriz de cada termo de L 2 . Tomando-se os elementos de matriz de cada termo de L 2 ,


encontramos
〈x ′ | x  p |  x ′  −i∇〈x ′ |
 −ir ∂ 〈x ′ |
∂r
Da mesma forma,
〈x ′ | x  p  2 |  〈x ′ | x  p x  p  |
 x ′  −i∇〈x ′ |x  p |
 −ix ′  ∇〈x ′ |x  p |
 −ir ∂ 〈x ′ |x  p |
∂r
 −ir ∂ x ′  −i∇〈x ′ |
∂r
 − 2 r ∂ r ∂ 〈x ′ |
∂r ∂r
 − 2 r 2 ∂ 2 〈x ′ |  r ∂ 〈x ′ |
2

∂r ∂r
Então,
〈x ′ |L 2 |  〈x ′ |x 2 p 2 | − 〈x ′ |x  p  2 |  i〈x ′ |x  p|

Como x 2  x  x  r 2 , obtém-se

〈x ′ |L 2 |  r 2 〈x ′ |p 2 |   2 r 2 ∂ 2 〈x ′ |  r ∂ 〈x ′ |   2 r ∂ 〈x ′ |


2

∂r ∂r ∂r
ou

〈x ′ |p 2 |  − 2 ∂ 2 〈x ′ |  2 ∂ 〈x ′ |  1 〈x ′ |L 2 |


∂r 2 r ∂r r2
Energia Cinética. Em termos da energia cinética p 2 /2m, temos
1 〈x ′ |p 2 |  −  2 ∇ ′2 〈x ′ |
2m 2m

− 2 ∂ 2 〈x ′ |  2 ∂ 〈x ′ | − 1 〈x ′ |L 2 |


2m ∂r 2 r ∂r 2r2
parte radial do Laplaciano parte angular

em concordância com (3.6.15).

Harmônicos Esféricos
Partícula num potencial com simetria esférica. Vamos considerar uma partícula sem spin sujeita a um
potencial com simetria esférica. Sabe-se que a equação de onda em coordenadas esféricas admite separação
de variáveis e as autofunções da energia pode ser escrita como
〈x ′ |n, l, m  R nl rY ml ,  (3.6.2

Um Hamiltoniano esfericamente simétrico comuta com L z e L 2 e seus autoestados são também autoestados de
L 2 e L z . Como L k satisfazem as relações de comutação do momento angular, as equações de autovalores para
L 2 e L z serão:

Prof. Abraham Moysés Cohen Mecânica Quântica A 35


L 2 |n, l, m  ll  1 2 |n, l, m
L z |n, l, m  m |n, l, m
onde
m  −l, −l  1, … , l − 1, l.

Dependência angular. Como a dependência angular é comum para todos os problemas com simetria
esférica, podemos isolá-la e considerar
〈n̂ |l, m  Y ml ,   Y ml n̂  (3.6.2
onde definimos um autoket da direção |n̂ . Deste ponto de vista, Y ml ,  é a amplitude de probabilidade para o
estado caracterizado por l e m ser encontrado na direção n̂ especificada por  e . Assim, partindo da equação
de autovalores para L z ,
L z |l, m  m |l, m
multiplicando pela esquerda pelo bra de |n̂ , encontra-se
〈n̂ |L z |l, m  m 〈n̂ |l, m
e, usando (3.6.9),

〈n̂ |L z |l, m  −i ∂ 〈n̂ |l, m


∂
obtém-se

− i ∂ 〈n̂ |l, m  m 〈n̂ |l, m


∂
Ou,

− i ∂ Y ml ,   m Y ml , 
∂
o que implica que a dependência em  de Y ml ,  comporta-se como e im . Por outro lado, de
L 2 |l, m  ll  1 2 |l, m
encontra-se
〈n̂ | L 2 |l, m  ll  1 2 〈n̂ |l, m

De (3.6.15),

〈n̂ |L 2 |  − 2 1 ∂2  1 ∂ sen  ∂ 〈n̂ |


sen  ∂ 2
2 sen  ∂ ∂
segue-se

− 2 1 ∂2  1 ∂ sen  ∂ 〈n̂ |  ll  1 2 〈n̂ |l, m


sen  ∂ 2
2 sen  ∂ ∂
ou
1 ∂2  1 ∂ sen  ∂  ll  1 Y ml  0. (3.6.2
sen  ∂ 2
2 sen  ∂ ∂
que é a equação diferencial parcial satisfeita por Y ml .
Ortogonalidade. A relação de ortogonalidade,
〈l ′ , m ′ |l, m   l ′ l  m ′ m
fornece
Capítulo 3 Teoria do Momento Angular 36
 d n 〈l ′ , m ′ |n̂ 〈n̂ |l, m   l l  m m
′ ′

ou

 d n̂ Y ml ∗ , Y ml ,    0
2
d  d sen  Y ml ∗ , Y ml , 
′ ′

0

0
2
d  dcos  Y ml ∗ , Y ml , 
1 ′

  l′l  m′m (3.6.3


onde usamos a completeza para os autokets da direção,

 d n̂ |n̂ 〈n̂ |  1 (3.6.3

Cálculo de Y ll . Para obtermos os Y ml vamos partir com o caso m  l. Aplicando o operador levantamento L 
ao ket |l, l devemos obter um ket nulo, ou seja,
L  |l, l  0,
uma vez que a ação de L  sobre o valor de m é aumentar por uma unidade um valor que já é o máximo.
Multiplicando pela esquerda pelo bra de |n̂  e usando o resultado dado em (3.6.13), obtém-se

− ie i i ∂ − cotg  ∂ 〈n̂ | l, l  0


∂ ∂

Lembrando que a dependência em  é dada por e im  e il , e fazendo


〈n̂ | l, l  e il 〈n̂ | l
encontra-se

i ∂ − il cotg  〈n̂ | l  0
∂
ou seja
d 〈n̂ | l  l cotg 〈n̂ | l
d

l  cotg d  c e l 12 ln2−2 cos 2


〈n̂ | l  c l e l  c l 2 − 2 cos 2 l
l l
 c l 2 − 21 − sin 2  − sin 2   c l 4 sin 2 
 c l sen l 
onde o fator 2 foi englobado na constante c l . Logo,
〈n̂ | l, l  Y ll ,   c l e il sen l  (3.6.3
A constante c l é determinada pela condição de normalização (3.6.30), obtendo-se
−1 l 2l  12l!
cl  (3.6.3
2 l l! 4

Cálculo dos demais Y m


l . Partindo de (3.6.34) e aplicando sucessivamente o operador abaixamento L − , podemos
obter todos os Y ml . De uma maneira geral, podemos escrever
〈n̂ | L − |l, m
〈n̂ |l, m − 1 
l  ml − m  1 
uma vez que

Prof. Abraham Moysés Cohen Mecânica Quântica A 37


L − |l, m  l  ml − m  1  |l, m − 1
dado na Eq. (3.5.40). Usando novamente (3.6.13), encontra-se

〈n̂ |l, m − 1  1 −ie −i i ∂ − cotg  ∂ 〈n̂ | l, m


l  ml − m  1  ∂ ∂

 1 e −i ∂  i cotg  ∂ 〈n̂ | l, m (3.6.3


l  ml − m  1 ∂ ∂

−l
Fazendo-se m  l, l − 1, … , obtém-se sucessivamente Y ll , Y l−1
l , … , Y l , … Y l . O resultado geral, para m ≥ 0 é
0

−1 l 2l  1 l  m! im 1 d l−m


Y ml ,   e sen  2l (3.6.3
2 l l! 4 l − m! sen  dcos  l−m
m

e definimos Y −m
l através da relação

Y −m
l ,   −1 Y l , 
m m
(3.6.3

Dependência em . Independente de m ser positivo ou negativo, a dependência em  de Y ml ,  é sen  |m|


vezes um polinômio em cos , com a maior potência valendo l − |m|. Para m  0, obtém-se

Y 0l ,   2l  1 P l cos  (3.6.3


4

★ Podemos mostrar que os valores de l devem ser inteiros. Leia os argumentos no final da seção.

Harmônicos Esféricos como Matrizes de Rotação


HE sob o ponto de vista das MR. Neste contexto, vamos construir o autoket |n̂  a partir de |ẑ , aplicando
operadores de rotação apropriado DR, tal que
|n̂   DR|ẑ  (3.6.4
Isto pode ser obtido, usando-se a mesma técnica para a construção do autospinor de   n̂ na Seç. 3.2 (veja
figura abaixo):
(1) rotação  em torno do eixo y; (2) rotação  em torno do eixo z.

z
Segunda
rotação

|ẑ 
|n̂ 
θ
β
Primeira
rotação
y

α
φ
x

Em termos dos ângulos de Euler, ,  e , temos


D  ,   ,   0.

Capítulo 3 Teoria do Momento Angular 38


A equação |n̂   DR|ẑ  pode ser reescrita como uma expansão em termos de |l, m
|n̂   ∑ ∑ DR |l, m〈l, m|ẑ 
l m

onde |n̂  contém todos os possíveis valores de l. Projetando no estado 〈l ′ , m ′ | apenas um termo na soma l
contribui, isto é,
〈l ′ , m ′ |n̂   ∑ ∑ DR 〈l, m ′ |l, m〈l, m|ẑ 
l m

 ∑ ∑〈l ′ , m ′ | DR |l, m〈l, m|ẑ 


l m

∑ D ml m   ,   ,   0 〈l ′ , m|ẑ 

 ′

uma vez que D só conecta estados com o mesmo valor de l ou j . Ou seja

〈l, m ′ |n̂   ∑ D mlm   ,   ,   0 〈l, m|ẑ 


′ (6.6.4
m

Por definição
〈n̂ |l, m  Y ml , 
então
〈ẑ |l, m  Y ml   0,  indeterminado
e portanto
〈l, m|ẑ   Y m∗
l   0,  indeterminado
é um número. Sabe-se que, para   0, Y ml se anula para m ≠ 0, uma vez que |ẑ  é um autoket de L z com
autovalor zero. Assim,
〈l, m|ẑ   Y m∗
l   0,  indeterminado  m0
2l  1
 P l cos   m0
4
cos 1

2l  1
  m0
4
Voltando à Eq. (3.6.49), obtém-se

Y ml ∗ ,   ∑ D mlm   ,   ,   0 〈l, m|ẑ 

2l  1

4
∑ D mlm   ,   ,   0  m0

2l  1
 D ml′ 0   ,   ,   0
4
ou

D l
m0 , ,   0 
4 Y m∗ ,  (3.6.5
2l  1 l ,

Caso m  0. Para m  0, que é de particular importância, partindo de


D mj′ m , ,   e −im m d mj′ m ,

Prof. Abraham Moysés Cohen Mecânica Quântica A 39


com m  m ′  0, encontramos
D j j
00   ,   ,   0  d 00 

Logo,

d j
00   4 Y 0∗ , 
 2l  1 l

4 2l  1
 P l cos 
2l  1 4

ou seja,
d j
00   P l cos . (3.6.5


3.7 Adição de Momentos Angulares


Aplicações em todas as áreas da física moderna além de oferecer uma excelente oportunidade para ilustrar os
conceitos de mudança de base discutiva no Capítulo 1.

Exemplos Simples de Adição de Momento Angular


Exemplo (1): Adição de momento angular orbital e de spin. Neste exemplo vamos estudar sistemas de spin
1 sem ignorar os outros graus de liberdade, como fizemos até agora. Uma descrição realística de uma
2
partícula com spin deve levar em conta tanto os graus de liberdade espaciais quanto os graus de liberdade
internos.
Base ket para uma partícula de spin 1 . A base ket para uma partícula de spin 1 pode ser visualizada como
2 2
sendo o espaço produto-direto do espaço ket infinito dimensional dos autokets da posição |x ′  e o espaço
bidimensional do spin, | e |−. Explicitamente, para a base ket, temos
|x ′ ,   |x ′  ⊗ | (3.7.
onde qualquer operador no espaço descrito por |x ′  comuta com qualquer operador no espaço descrito por
|.
Operador rotação. Neste espaço, o operador rotação tem ainda a forma exp−iJ  n̂ /, mas J, o gerador de
rotações, agora possui duas partes:
J  LS (3.7.2

Forma mais evidente:


J  L ⊗ 1 S  1 x′ ⊗ S (3.7.3
onde 1 S é o operador indentidade no espaço do spin e 1 x ′ é o operado identidade no espaço de dimensão
infinita dos autokets da posição.
Uma vez que L e S comutam, podemos escrever
DR  D R ⊗ D spin R
orb

−iJ  n̂  −iS  n̂ 
 exp ⊗ exp (3.7.4
 

Função de onda. A função de onda para uma partícula com spin é escrita como
〈x ′ , |    x ′  (3.7.5

Capítulo 3 Teoria do Momento Angular 40


As duas componentes às vezes são dispostas na forma de matriz coluna

  x ′ 
 − x ′ 

onde |  x ′ | 2 representa a densidade de probabilidade de encontrar a partícula na posição x ′ com spin para
cima  e para baixo −.
Base alternativas

Base formada pelos autokets de L 2 , L z , S 2 e S z . Ao invés da base |x ′  para a parte espacial, podemos usar
|n, l, m que são autokets de L 2 e L z , ou seja,
L 2 |n, l, m  ll  1 2 |n, l, m
L z |n, l, m  m |n, l, m
e para a parte de spin |, que são autokets de S 2 e S z , ou seja,

S 2 |  1 1  1  2 |  3  2 |


2 2 4
S z |   1 |.
2
Base formada pelos autokets de J 2 , J z , L 2 e S 2 . Como veremos mais adiante, podemos também usar uma
2 2 2
base formada pelos autokets de J , J z , L e S .
Em outras palavras, podemos expandir um estado ket de uma partícula com spin em termos dos autokets
simultâneos de L 2 , L z , S 2 e S z ou em termos dos autokets simultâneos de J 2 , J z , L 2 e S 2 .
Exemplo (2): Adição de dois momentos angulares de spin. Neste exemplo, vamos estudar duas partículas de
spin 1 – digamos, dois elétrons – com o grau de liberdade orbital ignorado.
2
O operador spin total é geralmente escrito como
S  S1  S2 (3.7.7
que deve ser entendido como
S  S1 ⊗ 12  11 ⊗ S2 (3.7.8
onde 1 1 representa o operador identidade no espaço de spin do elétron 1, e 1 2 , no espaço de spin do elétron 2.
Como sabemos,
S 1x , S 2y   0, … (3.7.9
Dentro do próprio espaço, temos as relações de comutação usuais:
S 1x , S 1y   iS 1z , S 2x , S 2y   iS 2z , … (3.7.

Como consequência das anteriores, as relações de comutação para o operador spin total são
S x , S y   iS z , … (3.7.

Autovalores dos operadores spins. Os autovalores para os vários operadores de spin são listados abaixo

Prof. Abraham Moysés Cohen Mecânica Quântica A 41


Operador Autovalor
S  S 1  S 2  → ss  1 2
2 2

S z  S 1z  S 2z → m
S 1z → m1
S 2z → m2

Expansão de um estado de spin arbitrário. Podemos expandir um estado de spin arbitrário em termos dos
2
autokes de S e S z ou em termos dos autokets de S 1z e S 2z . As duas possibilidades são:

1. A representação m 1 , m 2  baseada nos autoketes de S 1z e S 2z :

|m 1 , m 2   |, , |, − |−,  e |−, −

2. A representação s, m (representação singleto-tripleto) baseada nos autokets de S 2 e S z :

|s, m  |s  1, m  1, |s  1, m  0, |s  1, m  −1,


|s  0, m  0.

onde s  1 s  0 tripleto de spin (singleto de spin).

Observe que em cada conjunto existem quatro kets de base. A relação entre os dois conjuntos é:

|s  1, m  1  |,  a

|s  1, m  0  1 |, −  |−,  b


2
(3.7.
|s  1, m  −1  |−, − c

|s  0, m  0  1 |, − − |−,  d


2

Demonstração. O lado direito de a nos diz que temos ambos os elétrons com spin para cima; esta situação
só pode corresponder a s  1 e m  1. A b pode ser obtida de a, aplicando-se o operador abaixamento
S −  S 1−  S 2−  S 1x − iS 1y   S 2x − iS 2y  (3.7.
a ambos os lados de a. Ou seja,
S − |s  1, m  1  S 1−  S 2−  |,  (3.7.
onde S 1− S 2−  afeta apenas a primeira (segunda) entrada de |, . Lembrando que
J  |j, m  j ∓ mj  m  1  |j, m  1
encontramos para este caso:

1  11 − 1  1  |s  1, m  0  1  1 1 − 1 1  |−, 
2 2 2 2

 1  1 1 − 1  1  |, −
2 2 2 2
ou
2 |s  1, m  0  |−,   |, −

 |s  1, m  0  1 |−,   |, −
2

Capítulo 3 Teoria do Momento Angular 42


Da mesma forma, podemos obter c:

S − |s  1, m  0  1 S 1−  S 2−  |−,   |, −
2
ou

1  01 − 0  1 |s  1, m  −1

 1 S 1− |−,   S 1− |, −  S 2− |−,   S 2− |, −


2

 1 0  S 1− |, −  S 2− |−,   0
2

 1 1  1 1 − 1 1  |−, −
2 2 2 2 2

 1  1 1 − 1 1  |−, −
2 2 2 2

ou
2 |s  1, m  −1  2 |−, −  |s  1, m  −1  |−, −.

Finalmente, a d pode ser obtida, exigindo que este seja ortogonal aos outros três kets, em particular ao b.
Coeficientes de Clebsch-Gordan. Os coeficientes que aparecem do lado direito de (3.7.15) são o exemplo
mais simples dos coeficientes de Clebsch-Gordan, que serão discutidos mais adiante. Eles representam
simplesmente os elementos da matriz de transformação que conecta a base m 1 , m 2  à base s, m.
Outra forma de obter os coeficientes. Uma outra maneira de se obter esses coeficiente é escrever a
representação matricial do operador
S 2  S 1  S 2  2  S 21  S 22  2S 1  S 2
 S 21  S 22  2S 1z S 2z  S 1 S 2−  S 1− S 2 (3.7.
na base m 1 , m 2 . Ou seja

〈m 1 , m 2 | → 〈, | 〈, −| 〈−, | 〈−, −| |m 1 , m 2 


2 0 0 0 |, 
0 2 1 0 |, −
S 2 ̇ 2
0 1 2 0 |−, 
0 0 0 2 |−, −

Como se pode observar, esta matriz quadrada não é diagonal, devido aos operadores S 1 e S 2 que conectam
estados |m 1 , m 2  com |m 1  1, m 2  1. Mas podemos mostrar que esta matriz é diagonalizado por uma matriz
unitária do tipo

Prof. Abraham Moysés Cohen Mecânica Quântica A 43


1 0 0 0
0 1 − 1 0
2 2
U
0 1 1 0
2 2
0 0 0 1

uma vez que

1 0 0 0 1 0 0 0
1 1 2 0 0 0 1
0 0 0 − 1 0
−1 2
2 2 0 2 1 0 2 2
U S U
0 − 1 1 0 0 1 2 0 0 1 1 0
2 2 2 2
0 0 0 2
0 0 0 1 0 0 0 1

2 0 0 0
0 3 0 0

0 0 1 0
0 0 0 2

Os elementos da matriz U que diagonaliza S 2 são os coeficientes de Clebsch-Gordan para este problema.

Teoria Formal da Adição de Momento Angular


Considere dois operadores momentos angulares J 1 e J 2 . Suas componentes satisfazem as relações de
comutação usuais para momento angular:
J 1i , J 1,j   i ijk J 1k (3.7.2
e
J 2i , J 2,j   i ijk J 2k (3.7.2

Porém,
J 1k , J 2j   0 (3.7.2

entre os pares de operadores de diferentes subespaços.


Operador rotação infinitesimal. O operador rotação infinitesimal que afeta ambos os subespaços, 1 e 2, é
escrito como
iJ 1  n̂  iJ 2  n̂  iJ 1 ⊗ 1 2  1 1 ⊗ J 2   n̂ 
1− ⊗ 1−  1− (3.7.2
  

O momento angular total é definido por


J  J1 ⊗ 12  11 ⊗ J2 (3.7.2
que é mais comumente escrito como
J  J1  J2 (3.7.2

Rotação finita. A versão de ângulo finito de (3.7.22) é


iJ 1  n̂  iJ 2  n̂ 
D 1 R ⊗ D 2 R  exp ⊗ exp (3.7.2
 

Capítulo 3 Teoria do Momento Angular 44


Relação de comutação do momento total. Devido a (3.7.20) e (3.7.21), o momento angular total satisafaz as
relações de comutação
J i , J j   i ijk J k (3.7.2

Escolha da base. Temos duas opções para a escolha da base:

Opção A - Base formada pelos autokets simultâneos de J 21 , J 22 , J 1z e J 2z , denotado por |j 1 j 2 ; m 1 m 2 . Esses operadores
comutam entre si. As equações de autovalores para esses operadores são

J 21 |j 1 j 2 ; m 1 m 2   j 1 j 1  1 2 |j 1 j 2 ; m 1 m 2 
J 1z |j 1 j 2 ; m 1 m 2   m 1 |j 1 j 2 ; m 1 m 2 
J 22 |j 1 j 2 ; m 1 m 2   j 2 j 2  1 2 |j 1 j 2 ; m 1 m 2 
J 2z |j 1 j 2 ; m 1 m 2   m 2 |j 1 j 2 ; m 1 m 2 

Opção B - Base formada pelos autokets simultâneos de J 2 , J 21 , J 22 , e J z . Esses operadores comutam entre si. Denotamos
esta base por |j 1 j 2 ; jm. As equações de autovalores para esses operadores são

J 21 |j 1 j 2 ; jm  j 1 j 1  1 2 |j 1 j 2 ; jm


J 22 |j 1 j 2 ; jm  j 2 j 2  1 2 |j 1 j 2 ; jm
J 2 |j 1 j 2 ; jm  jj  1 2 |j 1 j 2 ; jm
J z |j 1 j 2 ; jm  m|j 1 j 2 ; jm

Embora se tenha
J 2 , J z   0, (3.7.3
esta relaçao não vale para as componentes z de J 1 e J 2 , ou seja,
J 2 , J 1z  ≠ 0 e J 2 , J 2z  ≠ 0 (3.7.3
como pode se demonstrado, escrevendo-se
J 2  J 21  J 22  2J 1z J 2z  J 1 J 2−  J 1− J 2 .

Mudança de base. Vamos considerar a transformação unitária que conecta as duas bases:
|j 1 j 2 ; jm  ∑ ∑ |j 1 j 2 ; m 1 m 2 〈j 1 j 2 ; m 1 m 2 |j 1 j 2 ; jm (3.7.3
m1 m2

onde usamos

∑ ∑ |j 1 j 2 ; m 1 m 2 〈j 1 j 2 ; m 1 m 2 |  1 (3.7.3
m1 m2

Os elementos de matriz 〈j 1 j 2 ; m 1 m 2 |j 1 j 2 ; jm desta transformação são os coeficientes de Clebsch-Gordan, C mjm1 m 2 .


Propriedades dos coeficientes de Clebsch-Gordan

1. Os coeficientes C m
jm
1m2
são nulos, exceto para

m  m1  m2.

Demonstração: Seja J z  J 1z  J 2z . Então


J z |j 1 j 2 ; jm  J 1z  J 2z  |j 1 j 2 ; jm → m  m 1  m 2 .

2. Os coeficientes Cm
jm
1m2
são nulos, exceto para

Prof. Abraham Moysés Cohen Mecânica Quântica A 45


|j 1 − j 2 | ≤ j ≤ j 1  j 2 . (3.7.3

Demonstração: Esta é a versão quântica do modelo vetorial da adição de dois momentos angulares, onde
visualisamos J como a soma vetorial de J 1 e J 2 . Porém, é importante verificá-la, mostrando que, se (3.7.38) é
válida, então a dimensionalidade do espaço definido por |j 1 j 2 ; m 1 m 2  é a mesma de |j 1 j 2 ; jm. No primeiro
caso, a dimensão vale
N  2j 1  1  2j 2  1 (3.7.3

Para o segundo caso, considerando j 1 ≥ j 2 , vemos que, para cada valor de j, existem 2j  1 estados e, de
acordo com (3.7.38) j pode variar desde j 1 − j 2 até j 1  j 2 . Assim,
j 1 j 2

N ∑ 2j  1
jj 1 −j 2

2j 1  j 2   1  2j 1 − j 2   12j 2  1


  2j 1  1  2j 2  1
2
Uma vez que ambas as contagem dão o mesmo valor de N, vemos que (3.7.38) é consistente (veja prova no
Apêndice B).
Os coeficientes de Clebsch-Gordan forma uma matriz unitária. Além disso, os elementos de matriz, por
convenção, são tomados como sendo reais. Uma consequência imediata disto, é que
〈j 1 j 2 ; m 1 m 2 |j 1 j 2 ; jm  〈j 1 j 2 ; jm|j 1 j 2 ; m 1 m 2 
ou seja, os inversos são iguais aos próprios coeficientes. Uma matriz unitária real é ortogonal. Assim,

∑〈j 1 j 2 ; m 1 m 2 |j 1 j 2 ; jm〈j 1 j 2 ; m ′1 m ′2 |j 1 j 2 ; jm   m m  m m 1



1 2

2
(3.7.4
jm

ou seja,

∑〈j 1 j 2 ; m 1 m 2 |j 1 j 2 ; jm〈j 1 j 2 ; m ′1 m ′2 |j 1 j 2 ; jm


jm

 ∑〈j 1 j 2 ; m 1 m 2 |j 1 j 2 ; jm〈j 1 j 2 ; jm|j 1 j 2 ; m ′1 m ′2 


jm

 〈j 1 j 2 ; m 1 m 2 |j 1 j 2 ; m ′1 m ′2    m 1 m ′1  m 2 m ′2
devido à ortogonalidade dos estados |j 1 j 2 ; m 1 m 2 , juntamente com a condição de que os coeficientes são reais.
Da mesma forma,

∑ 〈j 1 j 2 ; m 1 m 2 |j 1 j 2 ; jm〈j 1 j 2 ; m 1 m 2 |j 1 j 2 ; j ′ m ′    jj  mm ′ ′ (3.7.4
m 1, m 2

ou seja,

∑ 〈j 1 j 2 ; m 1 m 2 |j 1 j 2 ; jm〈j 1 j 2 ; m 1 m 2 |j 1 j 2 ; j ′ m ′ 
m 1, m 2

 ∑ 〈j 1 j 2 ; jm|j 1 j 2 ; m 1 m 2 〈j 1 j 2 ; m 1 m 2 |j 1 j 2 ; j ′ m ′ 
m 1, m 2

 〈j 1 j 2 ; jm|j 1 j 2 ; j ′ m ′    jj ′  mm ′
onde usamos argumentos similares.
Normalização de |j 1 j 2 ; jm. Como caso especial deste último, façamos j ′  j, m ′  m  m 1  m 2 . Obtém-se

Capítulo 3 Teoria do Momento Angular 46


∑ 〈j 1 j 2 ; m 1 m 2 |j 1 j 2 ; jm〈j 1 j 2 ; m 1 m 2 |j 1 j 2 ; jm
m 1, m 2

 ∑ |〈j 1 j 2 ; m 1 m 2 |j 1 j 2 ; jm| 2  1
m 1, m 2

que é justamente a condição de normalização para |j 1 j 2 ; jm.


Símbolo 3j de Wigner. Os coeficientes de Clebsch-Gordan podem também ser escritos em termos dos
símbolos 3j de Wigner:

j1j2j
〈j 1 j 2 ; m 1 m 2 |j 1 j 2 ; jm  −1 j 1 −j 2 m 2j  1 (3.7.4
m1m2 − m

Relações de Recorrência para os Coeficientes de Clebsch-Gordan


Fixando-se j 1 , j 2 e j, os coeficientes com diferentes valores de m 1 e m 2 estão relacionados entre si através de
relações de recorrência. Partindo com
J  |j 1 j 2 ; jm  J 1  J 2  ∑ ∑ |j 1 j 2 ; m ′1 m ′2 
m ′1 m ′2

e usando (3.5.39) e (3.5.40) obtemos


j ∓ mj  m  1 |j 1 j 2 ; j, m  1
 ∑∑ j 1 ∓ m ′1 j 1  m ′1  1 |j 1 j 2 ; m ′1  1, m ′2 
m ′1 m ′2

 j 2 ∓ m ′2 j 2  m ′2  1 |j 1 j 2 ; m ′ , m ′2  1  〈j 1 j 2 ; m ′1 m ′2 |j 1 j 2 ; jm

Multiplicando agora o resultado por 〈j 1 j 2 ; m 1 m 2 | e usando a ortogonalidade, que significa contribuições não
nulas para o lado direito apenas se

m 1  m ′1  1, m 2  m ′2 , primeiro termo
m 1  m ′1 , m 2  m ′2  1, segundo termo.

Desta forma, obtém-se as relações de recorrência desejadas:


j ∓ mj  m  1 〈j 1 j 2 ; m 1 m 2 |j 1 j 2 ; j, m  1
 j 1 ∓ m 1 j 1  m 1  1 〈j 1 j 2 ; m 1 ∓ 1, m 2 |j 1 j 2 ; jm
 j 2 ∓ m 2 j 2  m 2  1 〈j 1 j 2 ; m 1 , m 2 ∓ 1|j 1 j 2 ; jm (3.7.4

Suprimindo a j 1 j 2 da notação, isto é,


|j 1 j 2 ; jm → |jm e |j 1 j 2 ; m 1 m 2  → |m 1 m 2 
podemos escrever
j ∓ mj  m  1 〈m 1 m 2 |j, m  1
 j 1 ∓ m 1 j 1  m 1  1 〈m 1 ∓ 1, m 2 |jm
 j 2 ∓ m 2 j 2  m 2  1 〈m 1 , m 2 ∓ 1|jm (3.7.4

Visualização das relações de recorrência. Representando os valores dos m ′ s no plano m 1 m 2 , as relações de


recorrência para J  diz-nos que os coeficientes para m 1 , m 2  estão relacionados aos coeficientes para

Prof. Abraham Moysés Cohen Mecânica Quântica A 47


m 1 − 1, m 2  e m 1 , m 2 − 1. Da mesma forma, para J − , a relação de recorrência relaciona os três coeficientes
cujos valores de m 1 e m 2 são dados na figura da direita.

(m1-1,m2) (m1,m2) (m1,m2+1)


(lado direito) (lado esquerdo) (lado direito)

J+

J-

(m1,m2-1) (m1,m2) (m1+1,m2)


(lado direito) (lado esquerdo) (lado direito)

Os coeficientes de Clebsch-Gordan e as relações de recorrência. Considere o plano m 1 m 2 com j 1 , j 2 e j fixos.


Na parte (a) da figura abaixo, plotamos o contorno da região permitida determinado por
|m 1 | ≤ j 1 , |m 2 | ≤ j 2 , − j ≤ m  m 1  m 2  ≤ j.

m2 = j2

m1 + m2 = j
A A proibido!
D
J+
m1 = - j1 m1 = j1 J-
J-
E B x
J+
m1 + m2 = - j J-
F C
m2 = - j2
(b)
(a)

Partimos com o canto direito superior representado por A.


 Aplicamos a relação de recorrência para J − (sinal inferior) com m 1 , m 2  1 correspondendo a A. Observe que esta
relação só conecta A com B, porque o sítio correspondendo a m 1  1, m 2  é proibido por m 1 ≤ j 1 . Como resultado,
obtemos os coeficientes de C-G de B em termos dos coeficientes de A.
 Em seguida, forma-se o triângulo J  com A, B e D. Isto permite encontrar o coeficientte de D, uma vez que o
coeficiente de A seja especificado.
 Conhecendo-se B e D, podemos obter E.
 Conhecendo-se B e E podemos obter C e assim por diante.

Adição de j 1  l e j 2  s  1
2
Considere o seguinte exemplo de adição do momento angular orbital com o momento angular de spin 1/2:

Capítulo 3 Teoria do Momento Angular 48


j 1  l, inteiro , m 1  m l
(3.7.5
j2  s  1 , m2  ms
2

Valores de j permitidos . Neste caso, os valores de j permitidos são

j  l  1 , l  0.
2 (3.7.5
j , 1 l  0.
2

Assim, para cada l, existem dois valores permitidos para j

j  l 1 e l− 1 .
2 2

Por exemplo, para l  1 (estado p), os valores permitidos de j são: j  3 e 1 . Na notação espectroscópica,
2 2
p 3/2 e p 1/2 onde o subscrito refere-se a j.
Plano m 1 m 2 . O plano m 1 m 2 , ou melhor, o plano m l m s deste problema é particularmente simples: os sítios
permitidos formam apenas duas linhas. A linha superior, para m s  1 , e a inferior, para m s  − 1 .
2 2
Caso j  l  1 . Vamos estudar o caso específico j  l  1 . Uma vez que m s não pode ser maior que 1 ,
2 2 2
podemos usar a recorrência de J − de maneira que sempre estaremos na linha superior m 2  m s  1 ,
2
enquanto que o valor de m l varia por uma unidade, cada vez que consideramos um novo triângulo J − . De
(3.7.49) (sinal inferior), para m 1  m l  m − 1 e m 2  m s  1 , ou seja,
2 2
j  mj − m  1 〈m l m s |j, m − 1
 j 1  m 1 j 1 − m 1  1 〈m l  1, m s |jm
 j 2  m 2 j 2 − m 2  1 〈m l , m s  1|jm
encontramos fazendo m → m  1:

l 1 m1 l  1 − m 〈m − 1 , 1 |l  1 , m
2 2 2 2 2

 lm 1 l−m 1 m  1 , 1 l  1 ,m  1
2 2 2 2 2
Logo,

lm 1 l−m 1
〈m − 1 , 1 |l  1 , m  2 2
2 2 2 l 1 m1 l 1 −m
2 2
 m  1 , 1 l  1 ,m  1
2 2 2
ou

lm 1
m − 1 , 1 l  1 ,m  2  m  1 , 1 l  1 ,m  1
2 2 2 lm 3 2 2 2
2

Fazendo m → m  1, sucessivamente, nesta equação, até que m  l, encontramos

Prof. Abraham Moysés Cohen Mecânica Quântica A 49


lm 3
m  1 , 1 l  1 ,m  1  2 m  3 , 1 l  1 ,m  2
2 2 2 lm 5 2 2 2
2

lm 5
m  3 , 1 l  1 ,m  2  2 m  5 , 1 l  1 ,m  3
2 2 2 lm 7 2 2 2
2

lm 7
m  5 , 1 l  1 ,m  2  2 m  7 , 1 l  1 ,m  4
2 2 2 lm 9 2 2 2
2

l − 1, 1 l  1 , l − 1  1  2l l, 1 l  1 , l  1
2 2 2 2l  1 2 2 2

e, portanto,

m − 1 , 1 l  1 ,m
2 2 2
lm 1 lm 1 lm 3
 2  2  2 
lm 3 lm 3 lm 5
2 2 2

 2l l, 1 l  1 , l  1
2l  1 2 2 2

lm 1
 2 l, 1 l  1 , l  1 . (3.7.5
2l  1 2 2 2

ms x x x

J- J- J-

ml

Configuração de valores máximos: m 1  l e m 2  1 . Neste caso, o valor total m  m 1  m 2 vale m  l  1 ,


2 2
que só será possível para j  l  1 1
e não para j  l − . Assim:
2 2
m l  l, m s  1   j  l  1 , m  l  1
2 2 2
onde  é um fator de fase. Tomando este fator de fase real e positivo, igual à unidade, por convenção,
encontramos

m l  l, m s  1 j  l  1 , m  l  1 ≡ l, 1 l  1 , l  1 1 (3.7.5
2 2 2 2 2 2
Assim, de (3.7.57)

Capítulo 3 Teoria do Momento Angular 50


lm 1
m − 1 , 1 l  1 ,m  2 (3.7.5
2 2 2 2l  1

Estados j  l  1 , m e j  l  1 , m . Como m  m l  m s , os valores de m l e m s podem ser, para ambos os


2 2
estados: a m l  m − 1 e m s  1 e b m l  m  1 e m s  − 1 . Assim, esses estados conectam ambos.
2 2 2 2
Logo,

j  l  1 , m  a ml  m − 1 , ms  1  b ml  m  1 , ms  − 1
2 2 2 2 2
1 1
j  l − , m  c ml  m − , ms  1 1
 d ml  m  , ms  − 1
2 2 2 2 2
lm 1
O parâmetro a pode ser facilmente obtido de (3.7.59), sendo dado por a  2 . Portanto,
2l  1

lm 1
j  l  1 ,m  2ml  m − 1 , ms  1
2 2l  1 2 2
 b ml  m  1 , ms  − 1 .
2 2
j  l − 1 , m  c ml  m − 1 , ms  1
2 2 2
 d ml  m  1 , ms  − 1
2 2
Isto pode ser escrito na forma matricial

j  l  1 ,m a b m− 1, 1
2  2 2
j  l − 1 ,m c d m  ,− 1
1
2 2 2

Devido à ortogonalidade, espera-se que a matriz de transformação seja da forma,

a b cos  sen 

c d − sen  cos 

lm 1
Como cos   a  2 , podemos encontrar
2l  1

lm 1 2l  1 − l − m − 1
sen   b  1 − cos 2   1− 2  2
2l  1 2l  1

l−m 1
 2
2l  1
Portanto, a matriz de transformação será:

lm 1 l−m 1
2 2
2l  1 2l  1
l−m 1 lm 1
− 2 2
2l  1 2l  1

Prof. Abraham Moysés Cohen Mecânica Quântica A 51


3.8 Modelo de Oscilador de Schwinger do Momento Angular
Existe uma conexão entre a álgebra do momento angular e a álgebra de dois osciladores desacoplados.
Vamos considerar dois tipos de oscilador: oscilador tipo mais e oscilador tipo menos. Os operadores de criação
e destruição são denotados por a  e a † . Os operadores números são definidos por
N  ≡ a † a  (3.8.

Relações de comutação. Admitimos que as relações de comutação para a, a † e N são do mesmo tipo que
dos osciladores. Ou seja,

a  , a †   1, a − , a †−   1,
N  , a    −a  , N − , a −   −a − , (3.8.2
N  , a †   a † , N − , a †−   a †− .

Para osciladores diferentes (desacoplados),


a  , a †−   0, … (3.8.3

Como N  e N − comutam, podemos definir autoestados simultâneos desses operadores, |n  , n − , ou seja,


N  |n  , n −   n  |n  , n − , N − |n  , n −   n − |n  , n −  (3.8.4

Ação dos operadores a e a † . Em analogia com o problema do oscilador, segue que

a † |n  , n −   n   1 |n   1, n − , a †− |n  , n −   n −  1 |n  , n −  1,
(3.8.5
a  |n  , n −   n  |n  − 1, n − , a − |n  , n −   n − |n  , n − − 1.

Ket |n  , n −  a partir do vácuo |0, 0. Para obter o ket |n  , n −  basta aplicar sucessivamente a † e a †− ao vácuo
|0, 0. Isto é

a † a †− |0, 0  |1, 1 → |1, 1  a † a †− |0, 0


a † a †− a †  2 a †−  2
a † a †− |1, 1  2 2 |2, 2 → |2, 2  |1, 1  |0, 0
2 2 2 2
a † a †− a †  3 a †−  3
a † a †− |2, 2  3 3 |3, 3 → |3, 3  |2, 2  |0, 0
3 3 32 32

onde
a  |0, 0  0 (3.8.6

De uma maneira geral


a †  n  a †−  n −
|n  , n −   |0, 0 (3.8.7
n! n−!

Agora definimos
J  ≡ a † a − , J − ≡ a †− a  (3.8.8

Jz ≡  a † a  − a † a −    N  − N −  (3.8.8
 −
2 2
Estes operadores satisfazem as relações de comutação de momento angular:

Capítulo 3 Teoria do Momento Angular 52


J z , J    J  , J  , J −   2J z (3.8.9

Definindo o operador número total, N, como


N ≡ N   N −  a † a   a †− a − ,
podemos mostrar que

J 2 ≡ J 2z  1 J  J −  J − J    2 N N 1 .
2 2 2
Demonstração. Como J 2  J 2x  J 2y  J 2z e escrevendo J   J x  iJ y , obtém-se J x  1 J   J −  e
2
J y  1 J  − J − , então
2i
J 2  J 2x  J 2y  J 2z
 J 2z  1 J   J −  2 − 1 J  − J −  2
4 2
1
 J z  J  J   J  J −  J − J   J − J − − J  J   J  J −  J − J  − J − J − 
2
4
 J z  1 2J  J −  2J − J  
2
4
 J z  1 J  J  J − J  
2
2
Como J  ≡ a † a − e J − ≡ a †− a  , a  , a †   1 e a  , a †∓   0 encontramos
J  J −   2 a † a − a †− a    2 a † 1  a †− a − a 
  2 a † a  1  a †− a − 
  2 N  1  N − 
Da mesma forma
J − J    2 a †− a  a † a −   2 a †− 1  a † a  a −
  2 a †− a − 1  a † a  
  2 N − 1  N  
assim como,

J 2z  2 N  − N −  2  2 N 2  N 2− − 2N  N − 
4 4
onde usamos N  , N −   0. Logo,
J 2  J 2z  1 J  J −  J − J  
2
 2 N 2  N 2− − 2N  N −   2 N  1  N −   N − 1  N  
4 2
2 N 2  N 2− − 2N  N −
  N  NN−  N−  N−N
2 2
2 N 2  N 2− − 2N  N −  2N   N −   4N  N −

2 2
 2 N  2N
2

2 2
 2 N N 1
2 2
como foi antecipado. 

Interpretação Física
1) interpretação 1

Prof. Abraham Moysés Cohen Mecânica Quântica A 53


 spin para cima  uma unidade quântica do oscilador tipo “mais”.
 spin para baixo  uma unidade quântica do oscilador tipo “menos”.
2) interpretação 2
 uma “partícula” de spin 1/2 com spin para cima  cada uma unidade quântica do oscilador tipo “mais”.
 uma “partícula” de spin 1/2 com spin para baixo  cada uma unidade quântica do oscilador tipo “menos”.
Os autovalores n  representam o número de spins para cima  e para baixo −.
 J   a † a − destrói uma unidade de spin para baixo, com componente z do momento angular −/2 e cria uma
unidade de spin para cima, com componente z do momento angular /2: a componente z do momento angular
aumenta uma unidade de .
 J −  a †− a   destrói uma unidade de spin para cima, com componente z do momento angular /2 e cria uma unidade
de spin para baixo, com componente z do momento angular −/2: a componente z do momento angular diminui uma
unidade de .
 J z  N  − N − /2 calcula o produto de /2 pela diferença de n  e n − , exatamente a componente z do momento
angular total.
Ação de J  e J z sobre |n  , n − . Estes operadores atuam sobre |n  , n −  da seguinte maneira:
J  |n  , n −   a † a − |n  , n −    n − n   1 |n   1, n − − 1
 n − n   1  |n   1, n − − 1, (3.8.
J − |n  , n −   a †− a  |n  , n −    n  n −  1 |n  − 1, n −  1
 n  n −  1  |n  − 1, n −  1, (3.8.
J z |n  , n −    N  − N − |n  , n −   1 n  − n −  |n  , n −  (3.8.
2 2
Note que em todas essas operações, a soma n   n − , que corresponde ao número total de de partículas de
spin 1/2, permanece constante.
Essas expressões podem ser reduzidas às formas familiares de momento angular, fazendo-se
n   j  m, n−  j − m (3.8.

Assim,
n − n   1  j − mj  m  1 ,
n  n −  1  j  mj − m  1 , (3.8.

Também, os autovalores de J 2 , definido em (3.8.12) será

J 2 |n  , n −   2 N N  1 |n  , n − 
2 2
 2 n   n −  n   n −  1 |n  , n − 
2 2
Assim, como n   n −  j  m  j − m  2j
2 n   n −  n   n −  1 2 2j
 2j 1   2 jj  1
2 2 2 2

Relação entre os elementos de matriz do oscilador e do momento angular


De (3.8.14), podemos usar

Capítulo 3 Teoria do Momento Angular 54


j ≡ 1 n   n − , m ≡ 1 n  − n − ,
2 2
no lugar de n  e n − , para caracterizar autokets simultâneos de J 2 e J z . Ou seja,
|n  , n −   |j, m.

Ação de J  sobre |j, m. Como vimos, o operador J  atuando sobre |n  , n −  muda n  para n   1 e n − para
n − − 1, ou seja,
J  |n  , n −   n − n   1  |n   1, n − − 1
Usando , isto será

J  |n  , n −   J  j  n   n − , m  n  − n −  j − mj  m  1
2 2
n   1  n − − 1 n   1 − n − − 1
 j′  , m′ 
2 2
 j − mj  m  1  j ′   n  n −
, m′   − n−  1
n
2 2
onde j → j ′  j e m → m ′  m  1:
J  |j, m  j − mj  m  1 |j, m  1.
De forma similar para J − . A Eq. (3.8.7), ou seja,
a †  n  a †−  n −
|n  , n −   |0, 0
n! n−!
pode ser escrita agora para o autoket mais geral de N  , N −
a †  jm a †−  j−m
|j, m  |0 (3.8.
j  m!j − m!

Caso de interesse. Seja m  j, que fisicamente significa que o autovalor de J z é o maior possível para um
dado j. Logo,
a †  2j
|j, j  |0 (3.8.
2j!

Podemos imaginar este estado como sendo o estado de 2j partículas de spin 1/2 com todos os spins
apontando na direção positiva do eixo z.
Observação (1) Em geral, notamos que objetos complicados com valores altos de j podem ser visualizados como sendo
constituídos de partículas de spin 1/2, das quais j  m com spins para cima e j − m com spins para baixo.
Observação (2) Embora nem sempre se possa considerar literalmente um objeto de momento angular j como um
sistema composto de partículas de spin 1/2, é sempre possível afirmar que, enquanto estamos considerando as
propriedades de transformação sob rotações, podemos visualizar qualquer objeto de momento angular j como um sistema
composto de 2j partículas de spin 1/2 formado da maneira indicada pela Eq. (3.8.18).
★ Leia o restante da seção.

Fórmula Explícita para Matrizes de Rotação


O esquema de Schwinger pode ser usado para obter, de uma maneira bastante simples, uma fórmula fechada
para as matrizes de rotação.
Vamos aplicar o operador DR a |j, m. Na notação dos ângulos de Euler, a única rotação não trivial é aquela
em torno do eixo y
Prof. Abraham Moysés Cohen Mecânica Quântica A 55
−iJ y 
DR  D, , | 0  exp

Assim,
a †  jm a †−  j−m
DR |j, m  DR |0
j  m!j − m!
jm j−m
DRa † D −1 R DRa †− D −1 R
 (3.8.2
j  m!j − m!

Como
−iJ y 
DR|0  exp |0

−i −i 2
 1 Jy  1 J 2y   |0
 2! 

e com J y  1 J  − J −    a † a − − a †− a  ,
2i 2i
J y |0   a † a − − a †− a  |0
2i
0
devido a (3.8.6). Assim,
DR|0  |0.
Logo,
−iJ y  iJ y 
DRa † D −1 R  exp a † exp (3.8.2
 

Usando o lema de Baker-Hausdorff com


−J y
A → a † , G→ , →

Calculando os diversos comutadores do tipo G, A, G, G, A, … encontramos
−J y † −1
, a  a † a − − a †− a  , a †
 2i
 −1 a † a − , a † − a †− a  , a †
2i
 −1
2i
 a † a − , a †  a † , a † a − − a †− a  , a † − a †− , a † a 
 −1 a †  0  0  a − − a †− a  , a † − 0  a 
2i
 1 a† a, a†
− 
2i
 1 a†

2i
−J y −J y † −J y −J y †
, , a  , 1 a †−  1 , a−
   2i 2i 
 1 a†

4

Assim

Capítulo 3 Teoria do Momento Angular 56


−iJ y  iJ y 
exp a † exp
 
−J y † i 2 −J y −J y †
 a †  i , a  , , a
 2!  
i 3 −J y −J y −J y †
 , , , a 
3!   
ou
−iJ y  iJ y  1 a†  i 2
1 a†  
exp a † exp  a †  i − −
  2i 2! 4
Finalmente,
−iJ y  iJ y   † i 2
1 a†  
exp a † exp  a †  a −
  2 − 2! 4 

i 2  2

 a † 1 −   a †    a †−
2! 2 2
 
 a † cos  a †− sen .
2 2
ou seja,
−iJ y  iJ y   
exp a † exp  a † cos  a †− sen (3.8.2
  2 2

Da mesma forma
−iJ y  iJ y   
exp a †− exp  a †− cos − a † sen (3.8.2
  2 2

Substituindo estas duas últimas expressões em (3.8.21), encontra-se


DR |j, m
jm j−m
DRa † D −1 R DRa †− D −1 R
 |0
j  m!j − m!
  jm
  j−m
a † cos  a †− sen a †− cos − a † sen
2 2 2 2
 |0
j  m!j − m!
Recorrenco ao teorema binomial,
x  y N  ∑ N!
N − k! k!
x N−k y k (3.8.2
k

encontramos
  jm
a † cos  a †− sen
2 2
j  m!  jm−k
 k
 ∑ j  m − k! k!
a † cos
2
a †− sen
2
k

e
  j−m
a †− cos − a † sen
2 2
j − m!  j−m−l
 l
 ∑ j − m − l! l!
−a † sen
2
a †− cos
2
.
l

Prof. Abraham Moysés Cohen Mecânica Quântica A 57


Logo,
D  0, ,   0 |j, m
j  m!  jm−k
 k
 1 ∑∑ j  m − k! k!
a † cos
2
a †− sen
2
j  m!j − m! k l

j − m!  j−m−l
 l
 −a † sen a †− cos |0
j − m − l! l! 2 2

Ou,
D  0, ,   0 |j, m
j  m!j − m!
 ∑∑ j  m − k! k!j − m − l! l!
k l

 jm−kl
 jk−l−m
 −1 j−l−m a †  2j−k−l a †−  kl cos sen |0 (3.8.2
2 2
Outra maneira de expressar este resultado é usar (3.5.49), (3.5.5.1) e (3.8.18) , isto é,
D  0, ,   0 |j, m  ∑ |j, m ′ d jmm  ′

m′
′ ′
a †  jm a †−  j−m
 ∑ d j
mm ′  |0 (3.8.3
m′ j  m ′ !j − m ′ !

Comparando as duas expressões, podemos obter uma forma explícita para d j
mm ′ , através da igualdade dos
coeficientes das potências de a † . Especificamente,

a †  2j−k−l  a †  jm
o que nos fornece
2j − k − l  j  m ′  l  j − k − m ′ (3.8.3
Para m ′ constante, esta relação nos diz que as somas em k e l não são independentes. Eliminando l de acordo
com (3.8.31),

a †−  kl  a †−  j−m
fica automaticamente satisfeita. Os expoentes do sen/2, cos/2 e −1 ficam, com esta substiuição
jm−kj−k−m ′ 2j−2km−m ′
 jm−kl
 
cos  cos  cos
2 2 2
jk−jkm ′ −m 2k−mm ′
 jk−l−m
 
sen  sen  sen
2 2 2

−1 j−l−m  −1 k−mm
Portanto, (3.8.29’), após eliminarmos a soma em l, torna-se
D  0, ,   0 |j, m

a †  jm a †−  j−m

j  m!j − m! j  m ′ !j − m ′ !
 ∑ j  m − k! k!j − m − l! l!
k j  m ′ !j − m ′ !
2j−2km−m ′ 2k−mm ′
′  
 −1 k−mm cos sen |0
2 2
Comparando com (3.8.30) para um m ′ fixo, encontramos

Capítulo 3 Teoria do Momento Angular 58


j  m!j − m! j  m ′ !j − m ′ !
∑−1 k−mm

d mj′ m  
k j  m − k! k!j − m − l! l!
2j−2km−m ′ 2k−mm ′
 
 cos sen (3.8.3
2 2

que é a fórmula de Wigner para d mj′ m .

3.9 Medida de Correlação de Spin e Desigualdade de Bell


Correlações em Estados Singletos de Spin
Sistema de dois elétrons num estado singleto. Considere dois elétrons com spin total zero. O estado ket pode
ser escrito como

singleto  1 |ẑ ; ẑ − − |ẑ −; ẑ  (3.91


2

Medida da componente de spin de um dos elétrons. Existe uma chance de 50% de se obter (numa medida)
qualquer uma das componentes do spin para cada um dos elétrons, uma vez que o sistema composto pode
estar em |ẑ ; ẑ − ou |ẑ −; ẑ  com igual probabilidade.
Conhecendo a componente do spin de um dos elétrons. Suponha que um dos elétrons esteja, com certeza,
no estado de spin para cima, o outro elétron está necessariamente no estado de spin para baixo.
Medida. Quando a componente do spin do elétron 1 está para cima, o aparelho de medida seleciona o
primeiro termo, |ẑ ; ẑ −, de (3.9.1); uma medida subseqüente da componente do spin do elétron 2 deve
confirmar que o estado ket do sistema composto é dado por |ẑ ; ẑ −.
Correlação. Este tipo de correção pode persistir mesmo quando as duas partículas estão muito separadas e
já interagem uma com a outra. A exigência é que à medidas que elas se afastem não exista nenhuma
mudança em seus estados de spin.
Visualização. Considere a figura que representa um sistema de duas partículas de spins ½, movendo-se em
direções opostas.

Partícula 2
B A
Partícula 1

Observadores. O observador A mede S z da partícula 1 (indo para a direita), enquanto que o observador
mede o S z da partícula 2 (esquerda).
O observador A realiza medida. Se A encontrar S z , então mesmo antes de B realizar sua medida, A pode
predizer com certeza que o resultado de B será S z − para a partícula 2.
O observador A não realiza medida. Sem realizar sua medida, A pode apenas afirmar que o resultado de B
tem 50% de chance para encontrar S z  ou S z −.
Este resultado parece não ser tão estranho. Podemos dizer: “é parecido com o caso de uma caixa que
contém uma bola preta e uma branca. Quando, sem olhar, retiramos uma delas, existe uma chance de 50% de
tirarmos a bola preta ou a branca. Mas se a primeira for a bola preta, então podemos dizer com certeza que a
segunda bola será a branca.”

Prof. Abraham Moysés Cohen Mecânica Quântica A 59


A situação quântica é mais complexa. De fato, os observadores podem querer medir S x ao invés de S z . Em
termos da analogia com a caixa, é como se o mesmo par de “bolas quânticas” pudesse ser analizado em
termos de preto e branco ou em termos de azul e vermelho.
S x em termos de S z . Para um único spin, sabemos que

|x̂ ,   1 |ẑ   |ẑ − → |ẑ ,   1 |x̂   |x̂ − (3.9.3


2 2

Logo, para nosso sistema composto,

singleto  1 |x̂ −; x̂  − |x̂ ; x̂ − (3.9.4


2

Observador A. Pode medir tanto S z como S x da partícula 1, bastando apenas mudar a orientação do
analizador de spin.
Observador B. Só pode medir S x para a partícula 2.
O observador A realiza uma medida de S z . Se A obtém S z  para a partícula 1, a medida de B pode resultar
numa das duas S x  ou S x −, com igual chance. Mesmo conhecendo-se o S z da partícula 2, sua componente S x
é completamente indeterminada.
O observador A realiza uma medida de S x . Se A também obtém S x  para a partícula 1, então com certeza o
observador encontrar S x − para a partícula 2.
O observador A não realiza medida. Neste caso, B terá uma chance de 50% para obter S x  ou S x −.
Resumo:

1. Se A mede S z e B mede S x , existe uma correlação completamente aleatória entre as duas medidas.

2. Se A e B medem S x , existe 100% de correlação de sinais opostos entre as duas medidas.

3. Se A não realiza medida, as medidas de B apresentam resultados aleatórios.

Os observadores A e B podem medir S x ou S z . Neste caso, todos os resultados possíveis dessas medidas de
correlação de spin são mostradas na tabela abaixo:

Medida de A Resultado de A Medida de B Resultado de B


z  z −
z − x 
x − z −
x − z 
z  x −
x  x −
z  x 
x − x 
z − z 
z − x −
x  z 
x  z −

Capítulo 3 Teoria do Momento Angular 60


★ Leia o restante da seção.

3.10 Operadores Tensoriais


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Prof. Abraham Moysés Cohen Mecânica Quântica A 61