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Fundamentos da história da arquitectura - Aula 1 - 2021

Obra de arquitectura
Segundo a de nição dada por Bruno Zevi no seu livro Saber ver a
arquitectura, obra arquitectónica é toda aquela em que ca
explícita a existência de um espaço interno relacionado às
necessidades humanas. O espaço interno, neste caso, torna-
se a principal característica da arquitectura.

Segundo esta classi cação, cam excluídas obras como arcos do


triunfo ou mesmo monumentos como a Torre Ei el. Embora estes
monumentos possuam características arquitectónicas devido à
sua escala, eles são na verdade elementos constituintes (e por
vezes estruturadores) de outro tipo de espaço interior: o espaço
urbano.

Porém, mesmo monumentos como o citado Arco do Triunfo,


poderiam ser considerados como Espaço Interior, se aceitarmos
que ocupam uma Praça, um espaço maior, com o simbolismo que
evoca. Nesse caso, estudar ou admirar um monumento, poderia
ser considerado como uma atividade humana, e portanto,
cumprindo uma função da Arquitetura.

Arquitectura
A Arquitectura (do grego arché - αρχή = primeiro ou principal e
tékton - τέχνη = construção) é a arte ou técnica de projectar e
edi car o ambiente habitado pelo ser humano. Quando se fala
em arquitectura fala-se, entre muitas outras coisas, da
organização do espaço. A arquitectura como actividade humana
existe desde que o homem passou a se abrigar do mau tempo.
Uma de nição mais precisa da arquitectura envolve todo o
design do ambiente construído pelo homem, o que engloba
desde o desenho de mobiliário (desenho industrial) até o desenho
da paisagem (paisagismo) e da cidade (urbanismo), passando
pelo desenho dos edifícios e construções (considerada a
atividade mais comum dos arquitectos). O trabalho do
arquitecto envolve, portanto, toda a escala da vida do
homem, desde a manual até a urbana.

Apesar da apresentação acima ser a mais facilmente encontrada


em dicionários, é possível descrever a arquitectura de acordo
com sua matéria-prima: o espaço. Ou, para ser mais especí co,
o espaço interno. Antes de edi car construções ou prédios, o
arquiteto trabalha essencialmente com a edi cação do espaço.

Arquitectura é música petri cada (Goethe)

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De nição
A Arquitetura manifesta-se de dois modos diferentes: a
actividade (a arte, o campo de trabalho do arquitecto) e o
resultado físico (o conjunto construído de um arquitecto, de um
povo e da humanidade como um todo).

A arquitectura enquanto actividade é um campo multidisciplinar,


incluindo na sua base a matemática, as ciências, as artes, a
tecnologia, as ciências sociais, a política, a história, a loso a,
entre outros. Sendo uma atividade complexa, é difícil conceituá-la
de forma precisa, de forma que a palavra tenha diversas
acepções e a atividade tenha diversos desdobramentos.

Actualmente, o mais antigo tratado arquitectónico de que se tem


notícia e que propõe uma de nição de arquitectura é o do
arquiteto romano Marco Vitrúvio Polião. Em suas palavras:

"A arquitectura é uma ciência, surgindo de muitas outras, e


adornada com muitos e variados ensinamentos: pela ajuda
dos quais um julgamento é formado daqueles trabalhos que
são o resultado das outras artes."

A de nição de Vitrúvio, apesar de inserida em um contexto


próprio, constitui a base para praticamente todo o estudo feito
desta arte e para todas as interpretações até a actualidade. Ainda
que diversos teóricos, principalmente os da modernidade, tenham
conduzido estudos que contrariam diversos aspectos do
pensamento Vitruviano, este ainda pode ser sintetizado e
considerado universal para a arquitectura (principalmente quando
interpretado, de formas diferentes, para cada época), seja a
atividade, seja o património.

Vitrúvio declara que um arquiteto deveria ser bem versado em


campos como a música, a astronomia, etc. A loso a, em
particular, destaca-se: de facto, quando alguém se refere à
" loso a de determinado arquiteto" quer se referir à sua
abordagem do problema arquitectónico. O racionalismo, o
empirismo, o estruturalismo, o pós-estruturalismo e a
fenomenologia são algumas das direções da loso a que
in uenciaram os arquitetos.

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A tríade vitruviana
Na obra de Vitrúvio, de nem-se três elementos fundamentais da
arquitectura: a rmitas (que se refere à estabilidade, ao carácter
construtivo da arquitectura), a utilitas (que originalmente se refere
à comodidade e ao longo da história foi associada à função e ao
utilitarismo) e a venustas (associada à beleza e à apreciação
estética).

Desta forma, e segundo este ponto de vista, uma construção


passa a ser chamada de arquitectura quando, além de ser rme e
bem estruturada ( rmitas), possuir uma função (utilitas) e for,
principalmente, bela (venustas). Há que se notar que Vitrúvio
contextualizava o conceito de beleza segundo os conceitos
clássicos. Portanto, a venustas foi, ao longo da história, um dos
elementos mais polémicos das várias

De nições da arquitectura.
Uma de nição precisa de arquitectura é impossível, como já foi
ressaltado, dada a sua amplitude. Como as demais artes e
ciências, ela passa por mudanças constantes. No entanto, o
excerto a seguir, escrito por Lúcio Costa, costuma gozar de certa
unanimidade quanto à sua abrangência.

"Arquitectura é antes de mais nada construção, mas,


construção concebida com o propósito primordial de ordenar
e organizar o espaço para determinada nalidade e visando a
determinada intenção. E nesse processo fundamental de
ordenar e expressar-se ela se revela igualmente arte plástica,
porquanto nos inumeráveis problemas com que se defronta o
arquitecto desde a germinação do projecto até a conclusão
efetiva da obra, há sempre, para cada caso especí co, certa
margem nal de opção entre os limites - máximo e mínimo -
determinados pelo cálculo, preconizados pela técnica,
condicionados pelo meio, reclamados pela função ou
impostos pelo programa, - cabendo então ao sentimento
individual do arquitecto, no que ele tem de artista, portanto,
escolher na escala dos valores contidos entre dois valores
extremos, a forma plástica apropriada a cada pormenor em
função da unidade última da obra idealizada."


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"A intenção plástica que semelhante escolha subentende é
precisamente o que distingue a arquitectura da simples
construção.”

COSTA, Lúcio (1902-1998). Considerações sobre arte contemporânea (1940). In: Lúcio Costa, Registro de uma
vivência. São Paulo: Empresa das Artes, 1995. 608p.il.

Esta de nição é entendida como um consenso pois ela resume


praticamente toda uma metade de século de pensamento
arquitectónico: a visão de Lúcio Costa sintetiza as várias teorias
propostas por arquitetos pertencentes à Arquitectura moderna.
Dado que o moderno se procurou colocar não como mais um
entre vários estilos, mas como efetivamente a arquitectura, e a
sua visão de mundo tornou-se predominante, ela tornou-se por
m um consenso. A teorização proposta pela Arquitetura
Moderna engloba, no entanto, também toda a arquitectura
produzida antes dela, já que ela manifesta claramente que a
arquitectura surge de um programa, incorporando as variáveis
sociais, culturais, económicas e artísticas do momento histórico.
Na medida em que os momentos históricos são heterogéneos, a
de nição moderna da arquitectura não ilegítima nenhuma outra
manifestação histórica, mas ativamente combate a cópia de
outros momentos históricos no momento contemporâneo.

A questão do estilo
Quando se pensa em algum tipo classi cação dos diferentes
produtos arquitectónicos observados no tempo e no espaço, é
muito comum, especialmente por parte da população
considerada mais "leiga", de diferenciar os edifícios e sítios
através da ideia de que eles possuem um estilo diverso um do
outro.

Tradicionalmente, a noção de estilo envolve a apreensão de um


certo conjunto de fatores e características formais dos edifícios:
ou seja, a de nição mais primordial de estilo é aquela que o
associa à forma da arquitectura, e principalmente seus
detalhes estético-construtivos. A partir desta noção, parte-se
então, naturalmente, para a ideia de que diferentes estilos
possuem diferentes regras. E, portanto, estas regras poderiam ser
usadas em casos especí cos. A arquitectura, enquanto pro ssão,

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segundo este ponto de vista, estaria reduzida a uma simples


reunião de regras compositivas e sua sistematização.

Esta é uma ideia que, após os vários movimentos modernos da


Arquitectura (e mesmo os pós-modernos, que voltaram a debater
o estilo) tornou-se ultrapassada e apaixonadamente combatida. A
arquitectura, pelo menos no plano teórico e académico, passou a
ser entendida através daquilo que efetivamente a de ne: o
trabalho com o espaço habitável. Aquilo que era considerado
estilo passou a ser chamado simplesmente de momento histórico
ou de escola. Apesar de ser uma ruptura aparentemente banal,
ela se mostra extremamente profunda na medida em que coloca
uma nova variável: se não valem mais as de nições historicistas e
estilísticas da Arquitetura, o estilo deixa de ser um modelo
amplamente copiado e passa a ser a expressão das
interpretações individuais de cada arquitecto (ou grupo de
arquitectos), daquilo que ele considera como Arquitectura.

Portanto, se é possível falar em um estilo histórico (barroco,


clássico, gótico, etc), também se torna possível falar em um estilo
individual (arquitectura Wrightiana, Corbuseana, etc).

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História da Arquitetura
A História da Arquitetura é uma subdivisão da História da Arte
responsável pelo estudo da evolução histórica da arquitectura,
seus princípios, ideias e realizações. Esta disciplina, assim como
qualquer outra forma de conhecimento histórico, está sujeita às
limitações e potencialidades da história enquanto ciência:
existiram diversas perspectivas em relação ao estudo da
arquitectura, a maior parte das quais ocidentais.

Na maioria dos casos (mas nem sempre), os períodos estudados


pela História da Arquitetura correm paralelos aos da História da
Arte, embora existam momentos em que as estéticas se
sobreponham ou se confundam. Não raro, uma estética que é
considerada vanguarda nas artes plásticas ainda não encontrou
sua representação na arquitectura, e vice-versa.

Cronologia
As primeiras grandes obras de arquitectura remontam à
Antiguidade, mas é possível traçar as origens do pensamento
arquitectónico em períodos pré-históricos, quando foram erigidas
as primeiras construções humanas.

Durante a pré-História surgem os primeiros monumentos e o


homem começa a dominar a técnica de trabalhar a pedra.

O surgimento da Arquitetura está associado à ideia de abrigo.


O abrigo, como sendo a construção predominante nas
sociedades primitivas, será o elemento principal da organização
espacial de diversos povos. Este tipo de construção ainda pode
ser observado em sociedades não totalmente integradas na
civilização ocidental, como os povos ameríndios, africanos,
aborígenes, entre outros. A presença do abrigo no inconsciente
coletivo destes povos é tão forte que ela marcará a cultura de
diversas sociedades posteriores: vários teóricos da Arquitetura,
em momentos diversos da história (Vitrúvio, na Antiguidade,
Alberti na Renascença, Joseph Rykwert, mais recentemente)
evocarão o mito da cabana primitiva. Este mito, variando de
acordo com a fonte, prega que o ser humano recebeu dos deuses
a Sabedoria para a construção de seu abrigo, con gurado como
uma construção de madeira composta por quatro paredes e um
telhado de duas águas.

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