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O Caráter das Promessas Bíblicas

Texto Áureo: Is 55.11 – “Assim será a minha palavra, que sair da minha boca; ela não
voltará para mim vazia, antes fará o que me apraz, e prosperará naquilo para que a
enviei.”

Leitura Bíblica em Classe: Is 55.6-13 - “Buscai ao SENHOR enquanto se pode achar,


invocai-o enquanto está perto. Deixe o ímpio o seu caminho, e o homem maligno os
seus pensamentos, e se converta ao SENHOR, que se compadecerá dele; torne para o
nosso Deus, porque grandioso é em perdoar. Porque os meus pensamentos não são os
vossos pensamentos, nem os vossos caminhos os meus caminhos, diz o SENHOR.
Porque assim como os céus são mais altos do que a terra, assim são os meus caminhos
mais altos do que os vossos caminhos, e os meus pensamentos mais altos do que os
vossos pensamentos. Porque, assim como desce a chuva e a neve dos céus, e para lá
não tornam, mas regam a terra, e a fazem produzir, e brotar, e dar semente ao
semeador, e pão ao que come, assim será a minha palavra, que sair da minha boca; ela
não voltará para mim vazia, antes fará o que me apraz, e prosperará naquilo para que
a enviei. Porque com alegria saireis, e em paz sereis guiados; os montes e os outeiros
romperão em cântico diante de vós, e todas as árvores do campo baterão palmas. Em
lugar do espinheiro crescerá a faia, e em lugar da sarça crescerá a murta; o que será
para o SENHOR por nome, e por sinal eterno, que nunca se apagará.”

Esboço da Lição:

Introdução
I. O caráter das promessas de Deus
II. Para quem são as promessas de Deus
III. O propósito das promessas de Deus
Conclusão

Reconhecendo as Promessas de Deus


Autor: Pr. Ron Rhodes, Mestre e Doutor em Teologia pelo Seminário Teológico de
Dallas.

Introdução

Para podermos depositar nossa fé nas promessas de Deus é necessário,


primeiramente, sabermos o que é e o que não é uma promessa de Deus na Bíblia.
Obviamente, se aplicarmos como promessa um versículo que, de fato, não é nenhuma
promessa, então nossa fé estará deslocada e ficaremos desiludidos quando não virmos
os resultados que esperamos. Entretanto, não ficaremos desapontados com a Palavra
de Deus se a interpretarmos corretamente (2 Tm 2.15) e aplicarmos apenas os
versículos que se constituem em promessas para nós nos dias de hoje.

Na estante do meu escritório tenho vários livrinhos em forma de brochura contendo


“promessas” de Deus. O problema é que muitas dessas “promessas” não são
realmente promessas. Por exemplo, uma promessa que aparece em muitos desses
livros é 1 Tessalonicenses 4.9, encontrada sob o título “Amor Fraternal”: “Quanto,
porém, à caridade [amor] fraternal, não necessitais de que vos escreva, visto que vós
mesmos estais instruídos por Deus que vos ameis uns aos outros”. Na verdade, este
versículo só está afirmando que os cristãos de Tessalônica haviam sido instruídos por
Deus a amarem uns aos outros. Não há nada nesse verso que indique que Deus está
prometendo fazer qualquer coisa pelos crentes. Afirmar que esse versículo constitui
uma promessa é, portanto, usar mal a Escritura.

Eu poderia citar centenas de exemplos como este, tirados de vários livros repletos de
promessas bíblicas, mas isto seria algo deselegante e poderia parecer excessivamente
crítico. A única coisa que quero deixar claro é que precisamos identificar nitidamente o
que é e o que não é uma promessa bíblica. Só então poderemos depositar nossa
segurança confiadamente na Palavra de Deus.

Para isso, sugiro alguns princípios básicos para a compreensão do que é e do que não é
uma promessa bíblica. São observações simples baseadas em muitos anos de estudo
da Palavra de Deus.

1. Promessas feitas a indivíduos específicos não foram formuladas com a intenção de


ser válidas para todos os crentes.
Um exemplo disso é Gênesis 12.2: “E far-te-ei uma grande nação, e abençoar-te-ei, e
engrandecerei o teu nome, e tu serás uma bênção”. Essa promessa foi feita apenas a
Abraão, e não aos crentes em geral. Portanto, os crentes de hoje não devem
considerá-la como uma promessa bíblica dirigida a eles. Um outro exemplo é 2 Reis
20.6: “E acrescentarei aos teus dias quinze anos”. Essa promessa foi feita somente a
Ezequias, e não a todos os crentes. Quando encontramos promessas na Bíblia, é bom
fazermos duas perguntas: A quem esta promessa está sendo feita? O contexto indica
que ela é uma promessa que eu posso aplicar pessoalmente, ou ela foi feita apenas a
um indivíduo em particular?

2. Promessas feitas aos israelitas do Antigo Testamento geralmente não se aplicam a


pessoas de hoje.
Várias promessas do Antigo Testamento foram feitas exclusivamente aos israelitas,
num contexto muito específico, e não se aplicam aos crentes de hoje. No livro de
Deuteronômio, por exemplo, Deus prometeu, através de Moisés, grandes bênçãos se a
nação teocrática (governada por Deus) vivesse em obediência à aliança sinaítica que
Deus havia celebrado com ela. Deus também prometeu que, se a nação
desobedecesse a seus mandamentos, ela sofreria as punições listadas na aliança ––
inclusive o desterro (Dt 28.15-68).

A história do Antigo Testamento está repleta de exemplos da infidelidade de Israel em


relação à aliança. Os dois períodos mais significativos de exílio para o povo judeu
envolveram a conquista de Israel pelos assírios, em 722 a.C., e o colapso de Judá
diante do cerco babilônico, em 597-581 a.C. Como Deus prometera, a desobediência
trouxe o exílio para o próprio povo de Deus.
Uma promessa muito famosa, feita aos israelitas do Antigo Testamento, e que é
muitas vezes aplicada impropriamente nos dias de hoje é 2 Crônicas 7.14: “Se o meu
povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, e orar, e buscar a minha face, e se
converter dos seus maus caminhos, então, eu ouvirei dos céus, e perdoarei os seus
pecados, e sararei a sua terra”. Estas são palavras que Deus falou especificamente a
Salomão em relação aos israelitas (o “meu povo” de Deus do Antigo Testamento).
Porém, vemos freqüentemente pessoas aplicando esse versículo como uma promessa
de Deus para seus países. No entanto, além de ser uma promessa específica para
Israel, também encontramos nesse versículo o princípio geral de que Deus responde à
oração e à humildade trazendo cura. Com base nesse princípio geral, os cidadãos
brasileiros, por exemplo, deveriam se humilhar e orar, pedindo a Deus pela cura de sua
terra –– mas não podemos afirmar que esse versículo é uma firme promessa feita ao
Brasil. Em outras palavras, o princípio geral pode ser aplicado a todas as pessoas e
todas as nações –– e Deus pode muito bem curar uma nação atual que se humilha e
ora –– mas a profecia imutável que foi gravada em pedra e recebeu garantia de seu
cumprimento foi feita somente a Israel.

Lembremo-nos de que fomos instruídos a não distorcer a Bíblia (2 Pe 3.16) e que


somos exortados a manejar corretamente a Palavra da verdade (2 Tm 2.15). Como
muitos versículos do Antigo Testamento lidam especificamente com os israelitas, em
contextos específicos, estaríamos interpretando mal a Bíblia se tomássemos para nós
promessas que Deus fez a eles. Porém, podemos inferir princípios dessas promessas e
aplicá-los a situações que ocorrem conosco. Assim, por exemplo, quando lemos uma
promessa feita à nação israelita dizendo que Deus abençoaria sua obediência (Dt 28.2),
podemos deduzir o princípio geral de que Deus abençoa a obediência e basear nossa
vida nesse princípio.

3. Algumas promessas bíblicas feitas no Antigo Testamento são aplicáveis aos dias de
hoje.
Nessa categoria estão as promessas bíblicas baseadas na natureza de Deus, e não em
circunstâncias específicas concernentes aos israelitas. Um exemplo disso é Isaías 55.11,
que faz referência à eficácia da Palavra de Deus: “Assim será a palavra que sair da
minha boca; ela não voltará para mim vazia; antes, fará o que me apraz e prosperará
naquilo para que a enviei”. Essa promessa está baseada inteiramente na soberania
intrínseca de Deus. Como o versículo está baseado na natureza de Deus (uma natureza
que não muda), ele fala de algo que é verdade em qualquer tempo e em qualquer
lugar.

Portanto, podemos ficar seguros de que a Palavra de Deus é tão eficaz hoje quanto era
na época do Antigo Testamento. Algumas promessas feitas no Antigo Testamento se
aplicam hoje por causa das fortes promessas paralelas encontradas no Novo
Testamento. Esses paralelos indicam que Deus faz determinadas promessas gerais aos
que o seguem, não importa se viveram na época do Antigo ou do Novo Testamento, ou
até depois. Um exemplo está em Salmos 34.22: “O Senhor resgata a alma dos seus
servos, e nenhum dos que nele confiam será condenado”. Isto soa bem semelhante a
João 3.18, onde lemos: “Quem crê nele não é condenado”.
Além disso, algumas promessas divinas do Antigo Testamento foram feitas aos que
“confiam no Senhor” ou “buscam refúgio no Senhor” ou “esperam no Senhor”, e,
portanto, se aplicam aos cristãos de hoje que confiam no Senhor, se refugiam nEle e
esperam nEle. Por exemplo, em Isaías 40.31, está escrito: “Mas os que esperam no
Senhor renovarão as suas forças e subirão com asas como águias; correrão e não se
cansarão; caminharão e não se fatigarão”. Em Salmos 31.23, lemos que “o Senhor
guarda os fiéis”. Em Salmos 34.10 lemos que “aqueles que buscam ao Senhor de nada
têm falta”. Essas promessas gerais parecem se aplicar aos crentes de todas as eras.

4. Os “ditos de sabedoria” do livro de Provérbios não foram escritos para serem


considerados como promessas bíblicas.
O livro de Provérbios é um “livro de sabedoria” e contém máximas de sabedoria moral.
As máximas encontradas nesse livro foram criadas para ajudar os jovens da antiga
nação de Israel a adquirir um conhecimento que os levasse a viver a vida com
prudência.

A palavra provérbio significa, literalmente, “ser semelhante” ou “ser comparável a”.


Um provérbio, portanto, é uma forma de comunicar uma verdade usando
comparações ou figuras de linguagem. Os provérbios cristalizam e condensam, de uma
forma fácil de memorizar, as experiências e observações dos escritores a respeito da
vida e apresentam princípios que, geralmente (mas nem sempre), são verdadeiros. A
recompensa por meditar nessas máximas ou “ditos de sabedoria” é, obviamente,
adquirir sabedoria. Mas esses ditos nunca tiveram o propósito de ser promessas
bíblicas.

Um versículo que com freqüência é interpretado erroneamente como uma promessa é


Provérbios 22.6: “Instrui o menino no caminho em que deve andar, e, até quando
envelhecer, não se desviará dele”. Conheço pais que se apropriaram desse versículo
como uma promessa e fizeram tudo o que estava ao seu alcance para criar seus filhos
corretamente e no temor do Senhor. Mas, em alguns casos, os filhos acabaram se
afastando do cristianismo e se perdendo na vida. Os pais desses filhos ficaram
desiludidos e sem saber o que tinham feito de errado. Mas Provérbios 22.6 não foi
escrito com a intenção de ser uma promessa. Assim como outros aforismos do livro de
Provérbios, este versículo contém um princípio geral que normalmente é verdadeiro.

Mas um princípio geral sempre tem exceções à regra. Lembre-se de que Deus é o Pai
mais perfeito que existe, mas seus filhos, Adão e Eva, certamente se desviaram.

A boa notícia é que, se você seguir os princípios gerais expostos no livro de Provérbios,
você, com certeza, verá certos resultados positivos em sua vida, e será muito mais
bem-sucedido! Mas princípios não são o mesmo que promessas.

5. Palavras ditas por seres humanos e registradas na Escritura não são,


necessariamente, promessas bíblicas.
Obviamente, as palavras dos profetas e apóstolos contêm muitas promessas de Deus e
devemos prestar muita atenção a elas. Mas, em outros casos, a Escritura
simplesmente registra alguma coisa dita por um determinado indivíduo (que não era
profeta ou apóstolo), e essas palavras não podem ser tomadas como uma promessa.
Por exemplo, em Jó 4.8 está escrito: “os que lavram iniqüidade e semeiam o mal
segam isso mesmo”. À primeira vista, pode parecer que Deus está prometendo trazer
o mal sobre os que causam o mal. Entretanto, se examinarmos o contexto, veremos
que essas foram palavras que Elifaz, o temanita, disse a Jó durante seu tempo de
sofrimento. Portanto, elas não constituem uma promessa de Deus.

Da mesma forma, em Jó 8.6, lemos: “se fores puro e reto, certamente, logo despertará
por ti e restaurará a morada da tua justiça”. Mais uma vez, à primeira vista, parece que
Deus está fazendo uma promessa aqui. Mas o contexto mostra que essas palavras
foram ditas por Bildade, o suíta. Precisamos sempre ter o cuidado de não tomar como
promessa de Deus algo que uma pessoa disse a outra.

6. Algumas promessas bíblicas são incondicionais, enquanto outras são condicionais.


Este livro contém os dois tipos de promessas. Uma promessa condicional é uma
promessa com um “se” embutido. Este tipo de promessa necessita que certas
obrigações ou condições sejam satisfeitas para que Deus a cumpra. Se o povo de Deus
deixa de satisfazer as condições, Deus não está obrigado, de forma alguma, a cumprir a
promessa. Um exemplo disso é Tiago 1.25: “Aquele, porém, que atenta bem para a lei
perfeita da liberdade e nisso persevera, não sendo ouvinte esquecido, mas fazedor da
obra, este tal será bem-aventurado no seu feito”. A bênção prometida nesse versículo
depende da obediência à Palavra de Deus.

Outro exemplo é João 15.7: “Se vós estiverdes em mim, e as minhas palavras
estiverem em vós, pedireis tudo o que quiserdes, e vos será feito”. Essa promessa
garante o atendimento das orações somente para aqueles que permanecem em Cristo
e em quem as palavras de Cristo permanecem. Se a condição for satisfeita, a promessa
é cumprida. Uma promessa incondicional não depende de tais requisitos para seu
cumprimento. Não há nenhum “se” embutido. O que foi prometido é concedido
soberanamente ao beneficiário da aliança, independentemente de qualquer
merecimento (ou falta de merecimento) por parte deste. Essas promessas são válidas
para todos os que pertencem à família de Deus.

Muitas das promessas relativas à firmeza da posição dos cristãos no Senhor ou às


bênçãos que temos em Cristo são incondicionais. Por exemplo, lemos em Gálatas
4.6,7: “E, porque sois filhos, Deus enviou aos nossos corações o Espírito de seu Filho,
que clama: Aba, Pai. Assim que já não és mais servo, mas filho; e, se és filho, és
também herdeiro de Deus por Cristo”. O fato de sermos filhos e herdeiros na família
de Deus não depende do cumprimento de certas obrigações. Ao contrário, é algo que
vale para todos os cristãos.

7. Ao interpretar as promessas de Deus, tenha sempre em mente o que outras


passagens sobre o mesmo assunto revelam.
A Escritura interpreta a si mesma. Este princípio diz que, se alguém interpreta um
determinado versículo de uma maneira que contradiz claramente outros versículos
bíblicos, então essa interpretação está incorreta. A harmonia escriturística é essencial.

Em vista desse princípio, considere a promessa bíblica em Marcos 11.23,24: “Porque


em verdade vos digo que qualquer que disser a este monte: Ergue-te e lança-te no
mar, e não duvidar em seu coração, mas crer que se fará aquilo que diz, tudo o que
disser lhe será feito. Por isso, vos digo que tudo o que pedirdes, orando, crede que o
recebereis e tê-lo-eis”.

Precisamos interpretar essa promessa à luz do que é revelado por outros versículos da
Bíblia. O contexto mais amplo da Escritura impõe limitações sobre o que Deus nos
dará. Deus não pode nos dar, literalmente, qualquer coisa. Algumas coisas são
realmente impossíveis para Deus nos dar. Por exemplo, Deus não pode atender a
solicitação de uma criatura para ser Deus, nem atender um pedido de aprovação do
nosso pecado. Deus não nos dará uma pedra, se pedirmos um pão, nem uma serpente,
se pedirmos um peixe (Mt 7.9,10). A Bíblia impõe outras condições, além da fé, sobre a
promessa de Deus de atender a oração. Precisamos estar nEle e deixar que a sua
Palavra esteja em nós (Jo 15.7). Não podemos “pedir mal” para satisfazer nosso
egoísmo (Tg 4.3). Além disso, precisamos pedir “segundo a sua vontade” (1 Jo 5.14).
Não podemos nos esquecer que, quando reivindicamos promessas condicionais de
Deus, este “se for da tua vontade” deve sempre ser dito, explícita ou implicitamente.

A maioria das modernas versões bíblicas tem referências cruzadas listadas numa
coluna. Recomendo que, ao ler uma promessa bíblica, você examine as referências
cruzadas para ter certeza de que está interpretando a promessa corretamente.

8. Ao interpretar as promessas de Deus, deixe o contexto determinar o significado


apropriado das palavras bíblicas.
Vou ilustrar o que quero dizer com 2 Coríntios 8.9: “Porque já sabeis a graça de nosso
Senhor Jesus Cristo, que, sendo rico, por amor de vós se fez pobre, para que, pela sua
pobreza, enriquecêsseis”. Alguns têm reivindicado este versículo como uma promessa
de prosperidade financeira. Entretanto, essa interpretação não se encaixa no contexto.
Observe que, se Paulo tivesse a intenção de dizer que a prosperidade financeira é
providenciada na expiação, ele estaria oferecendo aos coríntios algo que ele mesmo
não possuía naquela época. De fato, em 1 Coríntios 4.11, Paulo informou a esses
mesmos irmãos que ele sofria “fome e sede”, estava nu e não tinha “pousada certa”.
Contextualmente, parece inegável que 2 Coríntios 8.9 está falando de prosperidade
espiritual, e não financeira. Isso se encaixa tanto no contexto imediato de 2 Coríntios
quanto no contexto mais amplo das outras cartas de Paulo.

Outra ilustração pode ser encontrada em Isaías 53.5: “Verdadeiramente ele tomou
sobre si as nossas enfermidades, e as nossas dores levou sobre si; e nós o reputávamos
por aflito, ferido de Deus, e oprimido. Mas ele foi ferido por causa das nossas
transgressões, e moído por causa das nossas iniqüidades; o castigo que nos traz a paz
estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados.”. Alguns reivindicam esse
versículo como uma promessa de cura física, mas o que parece estar sendo tratado
aqui é a cura espiritual do problema do pecado. A palavra hebraica que significa cura
(napha) pode se referir não só à cura física como também à cura espiritual. O contexto
de Isaías 53.4,5 indica uma cura espiritual. Afinal de contas, “transgressões” e
“iniqüidades” estabelecem o contexto do que está sendo “curado”. Além disso, vários
versículos bíblicos corroboram a visão de que a cura física na vida mortal não é
garantida na expiação e de que nem sempre é da vontade de Deus realizar a cura. O
apóstolo Paulo não pôde curar o problema estomacal de Timóteo (1 Tm 5.23) e nem
curar Trófimo em Mileto (2 Tm 4.20) ou Epafrodito (Fp 2.25- 27). Paulo falou que teve
uma “fraqueza da carne” (Gl 4.13-15). Ele também sofria por causa de um “espinho na
carne” que Deus permitia que ele tivesse (2 Co 12.7-9). Deus certamente permitiu que
Jó passasse por um período de sofrimento físico (Jó 1–2). Em nenhum desses casos, os
indivíduos envolvidos agiram como se acreditassem que sua cura estava prometida na
expiação. Eles aceitaram as situações que estavam enfrentando e confiaram na
suficiência da graça de Deus.

Aqui está uma revisão dos princípios que discutimos: Princípios para a Interpretação
das Promessas Bíblicas

1. Promessas feitas a indivíduos específicos não foram formuladas com a intenção de


serem válidas para todos os crentes.
2. Promessas feitas aos israelitas do Antigo Testamento geralmente não se aplicam a
pessoas de hoje.
3. Algumas promessas bíblicas feitas no Antigo Testamento são aplicáveis aos dias de
hoje. Nessa categoria estão as promessas bíblicas baseadas na natureza de Deus,
promessas com paralelos no Novo Testamento e promessas gerais para “os que
confiam no Senhor”.
4. Os “ditos de sabedoria” do livro de Provérbios não foram escritos para serem
considerados como promessas bíblicas.
5. Palavras ditas por seres humanos e registradas na Escritura não são,
necessariamente, promessas bíblicas.
6. Algumas promessas bíblicas são incondicionais, enquanto outras são condicionais.
7. Ao interpretar as promessas de Deus, tenha sempre em mente o que outras
passagens sobre o mesmo assunto revelam.
8. Ao interpretar as promessas de Deus, deixe o contexto determinar o significado
apropriado das palavras bíblicas.

Fonte
Site CPAD - Coordenação Escola Dominical
Publicado em: 05/10/2007

http://www.catedraldafamilia.com.br/imagens_layoutnovo/palavraselecionada.asp?id_palavra=197