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Diretor

Abimael de Souza

Consultor
John D. Barnett

Editor-Chefe
André de Souza Lima

Editora Assistente
Ana Lídia C. Hohne

Coordenadora da Revista
Ana Lídia C. Hohne

Assistente Editorial
Isabel Cristina D. Costa

Autoras dos Estudos


Aélia S. Cavalcante
Alice Supino
Ana Lúcia C. Costa
Débora Duarte S. Bastos
Girlane Rocha F. Bispo
Lilian Silveira
Meire Cristina S. Paula
Valdenice Pimenta Araújo

Revisora
Isabel Cristina D. Costa

Capa | Projéto Gráfico e Diagramação


Henrique Martins Carvalho

Programação
André de Sousa Borovina
Deus nos chama para enfrentarmos desafios, tentações, lutas todos os dias. Com a
graça do Senhor, podemos encontrar amigas e irmãs em Cristo que estejam
dispostas a abrir o coração sobre as dificuldades que têm enfrentado e a
compartilhar conosco o que têm aprendido no caminhar com Cristo.
Esta série de estudos aborda alguns desses desafios de forma sensível e prática,
convidando mulheres a abrirem o coração a fim de lidar com questões como
vaidade, ansiedade, fofoca, estresse, amargura, perdão, e buscarem na Bíblia as
orientações de Deus para cada uma delas.
Vamos juntas buscar enfrentar as lutas da vida com a sabedoria do nosso amoroso
Pai celeste, a fim de nos tornarmos mulheres virtuosas diante de Deus e dos
homens.

Equipe Editorial
ESTUDO 01      AS LUTAS DE TODA MULHER
ESTUDO 02      VAIDADE FEMININA
ESTUDO 03      MALEDICÊNCIA E FOFOCA
ESTUDO 04      MEDO E ANSIEDADE
ESTUDO 05      ESTRESSE E SOBRECARGA
ESTUDO 06      AMARGURA
ESTUDO 07 PERDÃO
ESTUDO 08      SABEDORIA EM CONFLITOS
Verso-chave: “Muitas mulheres são exemplares, mas você a todas
supera” (Pv 31.29 NVI)

Ser mulher. Temos tantas coisas em comum e somos tão diferentes


umas das outras. Desde os tempos mais antigos, a vida feminina já
nos reservava algumas lutas bastante peculiares. Ao observarmos a
“mulher virtuosa” de Provérbios 31, notamos que ela enfrentava
lutas e desafios comuns a todas nós. As lutas da “mulher virtuosa”
são também as lutas de toda mulher.

1. ENFRENTANDO DIFERENÇAS NOS RELACIONAMENTOS


A mulher cristã precisa lidar com diversos relacionamentos dentro
e fora do seu lar. Ela convive com sua família de origem e com a
família do marido, com amigas, igreja, trabalho. Cada uma dessas
esferas tem seus desafios e suas bênçãos.

1.1 Enfrentando diferenças no casamento


Podemos perceber que a “mulher virtuosa” tinha um
relacionamento especial com o marido. Desconhecemos as
diferenças que enfrentavam no dia a dia, mas, independente delas,
“ela lhe faz bem e não mal, todos os dias da sua vida” (Pv 31.12).
Sabemos que não há relacionamento conjugal perfeito — há
divergências de gostos, de opiniões, de pensamentos, de
prioridades, de necessidades. Marido e mulher são diferentes, e não
dá para negar que, vez ou outra, surjam conflitos que geram o
desejo de punir, de vingar-se, de provar que temos razão, de
chantagear, de forçar o outro a mudar de ideia, enfim, há inúmeras
formas de “fazer o mal” ao marido e não o bem, principalmente
quando nos sentimos ofendidas ou contrariadas. Algumas delas
são:
a. tratar o marido com desprezo — muitas mulheres “fecham a cara”,
usam o silêncio para castigar o marido; deixam de providenciar as
refeições, de cuidar das roupas dele;
b. negar-lhe sexo — esta é uma das maneiras mais usadas para fazer
mal ao marido, quando a mulher dá as costas para ele e ignora
seus desejos e necessidades sexuais;
c. falar dele de forma desrespeitosa — é extremamente danosa a
maneira como algumas mulheres expõem particularidades,
segredos, fragilidades do marido diante de outros, especialmente
em tom de zombaria;
d. usar a aparência para provocá-lo — a forma como a esposa se veste,
se arruma, seu perfume... deve ser do agrado do marido. Há
mulheres que não respeitam os gostos do marido e se arrumam
de maneira a irritá-lo;
e. extrapolar nos gastos — é comum esposas que ignoram o
orçamento doméstico e saem às compras, gastando além da
conta em roupas, sapatos, cosméticos (ou em agrados para os
filhos), deixando o marido angustiado com as faturas dos cartões.
Independente das diferenças entre os cônjuges, nada justifica a
esposa que teme ao Senhor maltratar o marido. Como a mulher
virtuosa, ela deve fazer bem a ele todos os dias, e nunca o mal
(v.12).

DISCUTA

Quais as diferenças mais difíceis de lidar no casamento? Liste algumas.


Reveja as atitudes por meio das quais as mulheres costumam fazer mal aos
maridos (letras a–e) e transforme-as em atitudes que façam bem.

REGISTRE
Faça o registro das principais atitudes que você precisa mudar para fazer sempre bem
a seu marido.

1.2 Enfrentando diferenças em casa


Para as mulheres cristãs solteiras, a dificuldade talvez esteja na
convivência com seus pais e irmãos. Algumas histórias na Bíblia nos
mostram que conflitos são inevitáveis, e mesmo situações
desagradáveis e pecaminosas rondam a vida daquelas que servem
a Deus.
Em Gênesis 34, lemos a história de Diná, que sofreu uma situação
horrível por parte de um jovem apaixonado por ela. Seus irmãos a
defenderam, ainda que usando métodos desaprovados por Deus.
Podemos imaginar as tensões que se deram naquela casa depois
desse episódio.
Olhemos também a casa de Jetro e suas sete filhas. Que pai
amoroso e atencioso elas tinham! Conforme Êxodo 2.18-22, Jetro
notou que elas tinham chegado mais cedo e as ensinou que deviam
ajudar Moisés, em gratidão à defesa que ele tinha feito contra os
pastores maldosos.
DISCUTA

Valorizamos as qualidades de nossos pais e irmãos?


Quando há pecado e a convivência não é tranquila, quais princípios bíblicos
podemos aplicar para resolver a situação?

1.3 Enfrentando outras diferenças


Embora as mulheres enfrentem tensões no trabalho, queremos
abordar um texto que trata de uma tensão na igreja. Os princípios
bíblicos aqui descritos podem também ser aplicados a outras
esferas de convivência social. Paulo escreve aos Filipenses, uma de
suas igrejas mais chegadas e com frutos mais evidentes. Nessa
carta, ele exorta duas irmãs, Evódia e Síntique, a resolverem o
conflito delas (Fp 4.2-3). Algumas lições que devemos aprender com
esse episódio:
a. conflitos relacionais afetam toda a igreja;
b. com frequência, precisamos de ajuda, Paulo fala a um fiel
companheiro de jugo que ajude as irmãs a resolverem o problema;
c. conflitos não desqualificam pessoas, aquelas mulheres se
esforçaram com Paulo na pregação do evangelho. Conflitos
atrapalham pessoas, quebram relacionamentos, mas não
invalidam o que já foram ou podem ser.

REGISTRE
Anote aqui como você pode agir quando perceber que amigas suas estão em conflito
por alguma razão.

2. OS DESAFIOS DA ADMINISTRAÇÃO DO LAR


A mulher é a responsável pelo bom andamento do lar. Cuidar da
casa e da família são funções intrinsecamente ligadas à mulher. Não
é nada fácil administrar uma casa. “A mulher sábia edifica a sua
casa, mas a insensata a derruba com as próprias mãos” (Pv 14.1).

A mulher virtuosa é a que edifica a sua casa e a mantém em pleno


funcionamento, zelando pelo bem-estar de todos, providenciando a
cada um o cuidado de que necessita (Pv 31.15,27). Seu papel não
necessariamente é fazer sozinha todo o serviço doméstico, mas
providenciar que seja realizado, ensinando, delegando e
supervisionando quem for realizar.

Se observarmos bem a descrição da “mulher virtuosa”, veremos


que se ocupa com várias responsabilidades em casa. Todos os
serviços domésticos, sejam prazerosos ou não, devem ser feitos
como culto prestado a Deus, que é o Doador da casa e da família
(1Co 10.31).

3. ENFRENTANDO AS ADVERSIDADES FINANCEIRAS


As necessidades financeiras são as principais responsáveis por
fazer com que as mulheres tenham que se dividir entre casa,
estudos, família e trabalho. Há muitas mulheres que precisam se
ausentar de casa por horas para exercer um trabalho e poder
participar da renda doméstica. Há também aquelas que, de dentro
de casa, conseguem gerar renda com trabalhos manuais ou
intelectuais, como pequenas empreendedoras ou trabalhando pela
internet.
A “mulher virtuosa” de Provérbios também colaborava
financeiramente com o seu lar: investia em imóveis, trabalhava na
agricultura e na costura (Pv 31.16-18,24). É claro que há bônus e
ônus em exercer múltiplas atividades, mas é real a necessidade que
muitas mulheres têm de trabalhar. Dependemos de Deus para tudo!
E podemos afirmar que Deus tem direcionado muitas de nós para o
trabalho fora de casa a fim de colaborar com a renda da família,
bem como para poder abençoar outros. Deus tem usado
poderosamente mulheres dentro e fora de suas casas para a
expansão do Seu Reino.

DISCUTA

Como a mulher pode colaborar no orçamento da família?


Quais as vantagens e as desvantagens da mulher trabalhar fora de casa?

REGISTRE
Registre sua conclusão sobre as questões discutidas.

4. OS DESAFIOS DA MÃE CRISTÃ


A maternidade é o maior desafio a ser encarado no lar. Os filhos,
diferentes uns dos outros, são as pessoas que mais estão atentas a
nosso viver. Eles não precisam de mães que se esforcem por suprir
apenas suas necessidades físicas, materiais e emocionais.
Precisam mais que casa, comida, escola e brinquedos. Precisam
mais que palavras de repreensão e regras. Eles precisam de uma
mãe que os conduza à fé, especialmente pelo exemplo que dá todos
os dias – “Os filhos a respeitam e dela falam bem” (Pv 31.28 – A
Mensagem).

Não basta que a mãe fale sobre a fé, os filhos precisam enxergá-
la. A maneira como a mãe trata o pai, como lida com os conflitos no
lar, como administra a casa, como instrui no bom viver, como em
tudo ela se percebe servindo a Deus em primeiro lugar. Os filhos
podem ver Cristo na vida dela – por meio de palavras e atitudes de
amor, paciência, graça, bondade, justiça, sabedoria, perdão (Pv
31.26).

REFLITA
Os filhos em tudo nos observam. Você poderia afirmar que seus filhos veem Cristo em
sua vida? O seu jeito de viver tem inspirado neles maior amor e devoção a Deus?

CONCLUSÃO
Lutas e mais lutas. Sim, elas estão presentes todos os dias da
vida, não dá para escapar. A forma como as enfrentamos faz toda a
diferença. Graças ao bom Deus, que nos capacita para encará-las
com coragem, destreza e sabedoria.
a. No que você se assemelha à “mulher virtuosa”? E o que precisa
aprender com ela?
b.Em qual das áreas mencionadas você enfrenta mais dificuldade:
nas diferenças do casamento, na administração do lar, nas
adversidades financeiras ou nos desafios de ser mãe? E o que
planeja fazer diferente após este estudo?
Verso-chave: “...não confie na vaidade, enganando a si mesmo,
porque a vaidade será a sua recompensa.” (Jó 15.31)

Que mulher não é vaidosa? Se pesquisarmos no dicionário o


significado de vaidade, encontraremos: “qualidade do que é vão,
vazio, firmado sobre aparência ilusória”; e também “excesso de
valor atribuído à própria aparência, ou quaisquer outras qualidades
físicas ou intelectuais, caracterizado pela esperança de
reconhecimento e/ou admiração de outras pessoas”. No livro de
Eclesiastes, a expressão “vaidade de vaidades” (Ec 1.2) significa “vã
ilusão” e designa tudo aquilo que é inconsistente e fugaz, como um
sopro.

Mas a vaidade é mais que ilusão. A palavra de Deus nos instrui


dizendo que a vaidade é pecado. Ela entrou no mundo como uma
das consequências da queda do homem (Rm 8.20-21). A partir de
então, “o ser humano é pura vaidade” (Sl 39.11), ama a vaidade e
se satisfaz com ilusões e mentiras (Sl 4.2).
Por outro lado, uma das características do servo de Deus é que ele
ora para ser guardado da vaidade (Sl 119.37). Então, precisamos
repensar as vaidades costumeiras das mulheres, não acha?

1. A ILUSÃO DA VAIDADE COM A APARÊNCIA FÍSICA


Quanto dinheiro, tempo e procedimentos dispensamos em favor da
aparência física?! Sem falar na proporção e intensidade com que
isso ocupa nosso pensamento. A Bíblia, contudo, nos
adverte: “Como joia de ouro em focinho de porco, assim é a mulher
bonita que não tem juízo” (Pv 11.22). Investir tanta energia a fim de
ter o corpo “dos sonhos” ou o cabelo “perfeito” é não ter juízo! Para
se manter certo padrão de beleza, há mulheres dispostas a gastar
quantia significativa do orçamento doméstico, dedicar boa parte do
seu tempo diário (reduzindo, inclusive, seu tempo com Deus) e até
prejudicar a qualidade da atenção que deveria destinar à família –
tudo para investir na aparência. Como diz o apóstolo Pedro, são
mulheres mais preocupadas com a beleza exterior que com a
interior (1Pe 3.3-4).
Claro que é necessário cuidar do nosso corpo, o que inclui estar
devidamente arrumada, pois somos templo do Espírito Santo (1Co
6.19-20). Mas colocar o coração na aparência física pode se tornar,
além de vaidade, idolatria. Por isso, é necessário o exercício diário
de guardar o coração de toda preocupação excessiva com o que é
passageiro, pois é do coração que procedem as fontes da vida (Pv
4.23).

REFLITA

Tenho deixado minha mente refém da eternização da juventude e da


supervalorização da aparência física?
Ou tenho sido relaxada em cuidar da minha aparência, deixando de honrar a
Deus por meio do meu corpo?

DISCUTA

Qual o limite saudável entre cuidar bem da aparência e supervalorizar a


beleza? Como podemos perceber quando estamos passando dos limites?

REGISTRE
Registre suas ponderações e descobertas.

2. A TRAIÇOEIRA VAIDADE DO SUCESSO PROFISSIONAL


Cada vez, mais mulheres têm se lançado em busca de
aprimoramento e sucesso profissional. Isso é de grande valor e,
muitas vezes, necessário, desde os tempos da mulher de
Provérbios 31 até os dias de hoje.
Mas e quando a obsessão pela carreira faz a mulher descuidar do
marido e dos filhos, ou rejeitar a oportunidade de constituir uma
família, de se casar, de desfrutar das alegrias de ser “auxiliadora
idônea” e de criar os filhos, cumprindo assim um dos propósitos
principais para os quais Deus criou as mulheres (Gn 1.26-28; 2.18-
25)?
A opção por ficar solteira, em si mesma, não é errada, pois até
Paulo recomendou isso – a solteirice é boa, especialmente quando
se tem o objetivo de servir melhor ao Senhor (1Co 7). Porém,
quando essa opção é motivada pela vaidade, aí sim é pecado. Já as
casadas devem ter em mente que a prioridade da esposa deve ser
cuidar do marido e dos filhos, mais que galgar títulos acadêmicos ou
profissionais.
Precisamos parar a fim de ouvir a sabedoria do Senhor em relação
às nossas escolhas profissionais, afinal, foi Ele quem inventou o
trabalho e é Senhor dele. Se queremos nos dedicar inteiramente ao
trabalho apenas por realização pessoal, por orgulho, por vanglória –
isso é pura vaidade e pecado.
O livro de Eclesiastes pondera sobre a inutilidade de passar a vida
somente correndo atrás de sucesso profissional (Ec 2.9-11) ou do
dinheiro que o trabalho pode trazer (Ec 2.21-26). Para Salomão, era
uma imensa tolice viver a trabalhar, dia e noite, sem ter uma família
com quem desfrutar a vida e o ganho do trabalho (Ec 4.7-12). No
final, o que vale a pena não são as promoções que ganhamos, mas
as relações que construímos. Como mulheres cristãs, precisamos
ter equilíbrio ao buscar sucesso profissional, sem permitir que isso
boicote o projeto de Deus de nos dedicarmos com alegria a esposo,
filhos, irmãos, sobrinhos e amigos.

DISCUTA

Quais as diferenças entre as mulheres da geração passada e as de hoje em


dia, quanto à época de se casar, ter ou não ter filhos, e à quantidade de filhos?
Que implicações essa mudança de mentalidade pode trazer à expansão do
reino de Deus, e à vida dessas mulheres a curto, médio e longo prazo?
A respeito das mulheres que optam por não se casar hoje em dia, quantas o
fazem para servir melhor ao Senhor?

REGISTRE
Registre sua conclusão sobre as questões discutidas.

3. A VAIDADE COM O SUCESSO FAMILIAR


É muito bom olhar para algo que construímos com apreciação e
satisfação, pois, às vezes, só vemos defeitos e supervalorizamos o
que há de ruim. Mas é preciso cuidado para que essa apreciação
não se torne orgulho e não fiquemos vaidosas pelo que temos de
bom. Um bom casamento e/ou filhos gentis e educados não podem
ser motivo de vaidade. A vaidade gera ostentação, intriga, inveja,
confusão.
O livro de Gênesis retrata uma triste disputa entre duas irmãs, Lia
e Raquel (Gn 29.1-30.24) – mulheres diferentes uma da outra:
Raquel, linda e exuberante, que a todos cativava; Lia, tímida e sem
brilho nos olhos, que não despertava a atenção de ninguém. As
duas disputavam o amor do mesmo marido: Jacó. A Bíblia diz que
Jacó amava mais Raquel do que Lia. Deus viu a dor e a rejeição de
Lia, e a abençoou, dando-lhe filhos, enquanto Raquel teve
dificuldades para engravidar. Raquel envaidecia-se por ser a amada
do marido; Lia envaidecia-se por conseguir gerar filhos dele – como
resultado, colheram conflitos, amargura, frustrações e inimizades.
Essa disputa vaidosa entre as duas foi fonte de grande desunião e
sofrimento na família.
Tudo que diz respeito à família deve ser regido pelo princípio do
amor. E a Bíblia ensina que o verdadeiro amor “não se envaidece,
não é orgulhoso”, não se vangloria, nem é esnobe (1Co 13.4).
Então, não deve ser motivo de orgulho, vaidade ou ostentação estar
bem casada, ter filhos bonitos, inteligentes e bem-sucedidos.
Podemos e devemos nos alegrar por essas bênçãos, sem, contudo,
nos envaidecermos por isso. Dessa forma não semearemos
desavenças nem desagradaremos ao Senhor.

REFLITA

Você tem abrigado no coração algum tipo de vaidade por algo relacionado a
seu casamento, filhos, casa, bens, posição?
Se a sua família não vai bem, você tem cultivado inveja ou amargura ao ver
outras famílias bem-sucedidas?
Se você não é casada, qual é a sua atitude com a sua família? Você nutre
vaidade ou desprezo pela posição social de sua família de origem?
Você é capaz de adorar a Deus pela família que Ele fez você nascer?

CONCLUSÃO
Vamos estar atentas para não ceder às ilusões das vaidades
femininas. É preciso deixar o egocentrismo para viver uma vida
cristocêntrica; deixar o hedonismo a fim de viver para o louvor da
glória de Deus. Para ter o coração que o Senhor deseja, precisamos
combater a vaidade, transformando a nossa mente, a fim de
experimentar a verdadeira vontade de Deus (Rm 12.1-2).

a. Avaliando seu coração, você percebe que há nele algum tipo de


vaidade quanto à aparência física, sucesso profissional ou
familiar? Que atitudes práticas pretende tomar para abandonar
essa vaidade?

b. A Bíblia diz que “a boca fala do que está cheio o coração” (Mt
12.34). Nas rodas de amigas que frequenta, as conversas
demonstram vaidade quanto ao sucesso profissional, familiar ou
quanto à aparência física? Qual será o seu posicionamento de
agora em diante, quando surgirem conversas desse tipo? (Dê
exemplos práticos.)
Verso-chave: “Põe guarda à minha boca, Senhor; vigia a porta dos
meus lábios” (Sl 141.3).

Você já teve curiosidade de procurar no dicionário uma palavra


conhecida só porque queria entender melhor o significado dela?
Maledicência: ato ou aptidão para falar mal dos outros, tendo a
intenção de denegrir; difamação. Fala injuriosa ou maldosa. Falar
mal com a propensão de reprovar.
Fofoca: fala cheia de maldade; disse me disse; mexerico. Aquilo
que se comenta com o intuito de causar intrigas. Conversa sem
fundamento; especulação. Ação ou efeito de bisbilhotar, de divulgar
as intimidades de outras pessoas.
Na própria definição das palavras, já fica clara a intenção e o
resultado dessas ações. A maledicência e a fofoca são pecados que
destroem relacionamentos. A pessoa que cultiva esse costume tem
maldade no coração. O Salmo 50.16 chama de “ímpio” aquele que
usa a boca como meio para destruir outra pessoa, e os versos 19-20
descrevem essa prática.

1. POR QUE FALAR MAL É TÃO BOM?


Dar ouvidos à fofoca é como comer um doce gostoso, que desce
até o interior do nosso ventre, diz o sábio (Pv 18.8). Como bem
constatou Salomão, a verdade é que falar ou ouvir algo a respeito
de outra pessoa nos dá prazer (Pv 18.8). Em nosso coração está a
raiz de todos os males (Mt 15.18-19). Sentimos certa satisfação em
denegrir o outro, em julgá-lo e reprová-lo – especialmente quando
encontramos um cúmplice com quem compartilhar. Ao falar ou ouvir
a respeito do outro, sentimo-nos superiores e, sem a pessoa
presente para se defender, desfrutamos de ampla liberdade para
atacá-la.
Boa parte de nós, mulheres, gosta de interagir e falar sobre as
coisas da vida. Às vezes, compartilhamos informações e
pensamentos bons, que edificam e transmitem graça aos que
ouvem (Ef 4.29). Outras vezes, infelizmente, nos ocupamos em falar
da vida alheia, partilhando opiniões, julgamentos e críticas. Para
piorar, não passamos adiante exatamente o que vimos ou ouvimos,
incluímos nossas interpretações, fazemos acréscimos ou
decréscimos, como Eva fez ao conversar com a serpente (Gn 3.2-
3). Paulo até advertiu Timóteo sobre as mulheres que gostam de
andar de casa em casa falando da vida alheia, semeando intriga e
confusão (2Tm 5.11-14).

REFLITA

Sou curiosa e sinto prazer em conversar sobre a vida dos outros?


Tenho usado da maledicência ou da fofoca para me sentir parte de algum
grupo?
Será que tenho sido cuidadosa o suficiente para evitar a tentação de participar
de rodinhas de fofoca e maledicência?

2. QUAIS OS MALEFÍCIOS DESSES PECADOS?


A maledicência e a fofoca fazem mal para quem fala, para quem
ouve e para aquele que é o assunto da conversa. Na verdade, até a
família dos envolvidos e a igreja frequentemente acabam
prejudicadas. Não há bem algum para ninguém.
a. Provocam discórdia – As palavras maldosas e os comentários
indiscretos da vida alheia geram brigas e confusões (Pv 16.28;
26.20-21).
b. Provocam desconfiança – O maledicente e o fofoqueiro costumam
usar palavras bonitas para ocultar a maldade que está no coração
deles. Ao falar do próximo, dão a impressão que estão
preocupados, interessados pela pessoa, mas o seu íntimo está
cheio de falsidade (Pv 26.23-28). Eles tornam o ambiente
inseguro, pois ninguém mais sabe em quem pode confiar. O
Senhor detesta os que com a língua mentem, enganam, semeiam
maldade e discórdia entre os irmãos (Pv 6.16-19).
c. Provocam diversos outros pecados – A fofoca e a maledicência são
fontes geradoras de pecados como ira, inveja, orgulho, intriga,
confusão, brigas (2Co 12.20). Elas têm o poder de envenenar
sorrateiramente amizades, famílias e igrejas inteiras.

DISCUTA

Apesar de serem pecados tão comuns, dificilmente encontramos cristãos que


reconheçam lutar contra a maledicência e a fofoca. Por que é tão difícil
reconhecer essas práticas em nossa vida?

REGISTRE
Registre a conclusão a que chegou.

3. VAMOS COMPARTILHAR?
A fofoca e a maledicência nem sempre se apresentam claramente
no nosso dia a dia. Muitas vezes elas vêm disfarçadas de “boas
intenções”. No meio cristão, é comum elas se infiltrarem em nossas
conversas em situações como:

momento do compartilhar – “Vocês sabem quanto sou


próxima à irmã Sônia. Gostaria de compartilhar um problema
que ela está enfrentando e que carece da nossa atenção...”;
pedidos de oração – “Precisamos orar pela Regina, ela
está passando por uma fase muito difícil no casamento. Ouvi
dizer que estão até pensando em divórcio e...”;
preocupação – “Estou preocupada com a filha da Adriana.
Parece que ela está namorando um rapaz complicado.
Alguém sabe o que está acontecendo e se podemos
ajudar?”

4. VIGILÂNCIA CONSTANTE
A maledicência e a fofoca são pecados que fazem parte da vida da
gente – ainda que você não seja fofoqueira, sempre terá alguém
fazendo fofoca por perto. Por isso, a Bíblia nos traz diversas
orientações para conseguirmos nos resguardar dessas práticas tão
nocivas e comuns.
a. Evitar a companhia de quem fala demais (Pv 20.19) – Tome cuidado
com as amizades, especialmente se entre suas amigas há alguém
que adora falar da vida dos outros.
b. Admoestar a pessoa maledicente (Tt 3.10-11) – Converse
francamente com a pessoa mostrando o pecado que existe na
fofoca e na maledicência. Seja firme, mas amorosa e, se depois
de adverti-la uma ou duas vezes ela insistir em continuar falando
mal dos outros, afaste-se dela.
c. Não aceitar como normal a maledicência de um irmão em Cristo (1Co
5.11) – Falar mal dos outros; semear intriga, discórdia e confusão
por meio da fofoca, não é atitude de um cristão verdadeiro. Se um
irmão insiste nessa prática, evite conversar e conviver com ele.

Você pode não ser a fofoqueira, mas se anda com uma, você é
cúmplice dela e alimenta esse pecado – não sejamos participantes
de obras das trevas, mas vivamos como filhas da luz, discernindo o
que é bom e agradável ao Senhor (Ef 5.6-12). A maledicência não é
algo fácil de ser cortado da noite para o dia, exige vigilância
constante!

DISCUTA

Troquem ideias sobre maneiras gentis e amorosas de advertir uma irmã que
costuma maldizer e fofocar.
Pensem o que mais podem fazer para ajudar essa irmã a abandonar tais
práticas pecaminosas nas conversas.

REGISTRE
Registre as melhores ideias sugeridas pelo grupo.

CONCLUSÃO
A maledicência e a fofoca, infelizmente, estão por toda parte. Às
vezes, somos as causadoras; outras vezes nos deixamos envolver
por elas. Então, nada melhor que fazer uma autoanálise sincera
para nos preparar a fim de fazer guerra contra esses pecados.
a. Em quais situações (ou com quais pessoas) você sente que é
mais tentada a maldizer alguém ou a fomentar fofocas?
b. O que você precisa fazer para domar a sua língua e se resguardar
da fofoca e da maledicência?
c. Quais atitudes você pretende tomar para admoestar e, se
necessário, evitar uma pessoa que é fofoqueira ou maldizente?
Verso-chave: “Lancem sobre ele todas as suas ansiedades,
porque ele cuida de vocês” (1Pe 5.7)

Todos nós já sentimos medo ou ansiedade diante de algo. O medo


é uma sensação de alerta de extrema importância para a nossa
sobrevivência. É um potencial dado por Deus, designado para nos
proteger de um perigo concreto e específico. É o medo que nos
impede de colocar nossa vida em perigo real, numa situação que de
fato vai causar algum tipo de dano.
Já a ansiedade é uma vivência de temor ante algo vago e
indefinido, derivado de antecipação de perigo; uma grande
insegurança diante de algo desconhecido ou estranho. Esse temor
indefinido é experimentado como expectativa do pior. Ou seja, as
pessoas ansiosas vivem imaginando que algo ruim vai acontecer.

1. O PRIMEIRO CASO DE MEDO


O primeiro caso de medo aparece em Gênesis, quando Adão e
Eva, após pecarem, tiveram medo de Deus (Gn 3.6-13). Antes do
pecado, experimentavam o temor suave diante do seu Criador —
intenso respeito e profunda reverência. Após pecarem, o medo
dominou tudo. O pecado criou um abismo entre eles e o Senhor.
Pela primeira vez tinham algo a temer: o julgamento de Deus.
2. MEDOS COMUNS NAS MULHERES
Alguns medos, em especial, atormentam o coração de muitas
mulheres.

2.1 O medo da solidão


Há mulheres que têm muito medo de ficar sozinhas, de perder o
marido ou da partida dos filhos. Este é um medo relacionado com o
sentimento de desamparo, que faz parte da natureza feminina
desde a Queda.
O desamparo é comum em mulheres que vivem totalmente
centradas no papel de mãe e esposa, e não investiram em outras
áreas da vida. Também ocorre em mulheres que se dedicaram
integralmente à carreira, quando chega o momento da
aposentadoria.
Para uma vida plena e equilibrada, é importante que a gente se
envolva em atividades variadas, desenvolvendo os talentos e dons
que recebemos do Senhor nas várias esferas da vida (Mt 25.14-30).
O que ajuda muito a enfrentar o medo da solidão é investir em
bons relacionamentos e aprofundá-los, especialmente na família e
na igreja. São os verdadeiros amigos e irmãos em Cristo que vão
nos acompanhar quando formos acometidas de solidão (Pv 17.17).

REFLITA

Você tem medo da solidão? Como você lida com o desamparo?


Ore como o salmista nos Salmos 25.16-17 e 139.8-10

2.2 O medo da rejeição


O medo da rejeição começou quando Eva foi convencida de que
Deus estava lhe escondendo algo, e ela perdeu a confiança Nele.
Com isso, a mulher perdeu a certeza de seu valor para Deus e de
que é amada profundamente por Ele. Sem confiança em nosso
valor, ficamos com medo de ser rejeitadas.
Além disso, há vários fatores que agravam a dúvida do valor
pessoal, desde o modo como a pessoa foi criada até o fato de fazer
parte de relações abusivas. Precisamos resgatar a confiança no
inquestionável amor que Deus tem por nós. Nada pode nos separar
do amor de Cristo (Rm 8.31-39)! Lembremos que o perfeito amor
lança fora o medo (1Jo 4.18).

REFLITA

Você desconfia do seu valor pessoal? Teme a opinião dos outros?


Quando os outros só tinham pensamentos maus a seu respeito, o salmista
orava. Ore como ele lendo o Salmo 56.3-5.

3. ANSIEDADES COMUNS NAS MULHERES


Não há quem não sofra com ansiedade. Muitas mulheres lutam
com pensamentos aflitivos de que algo ruim possa acontecer em
alguma área de sua vida.

3.1 Ansiedade com relação à segurança dos filhos


Somos tentadas continuamente a ter medo de que coisas ruins
aconteçam com nossos filhos: imaginamos a possibilidade de serem
assaltados ou raptados, de sofrerem bullying ou até abusos sexuais.
Esses pensamentos chegam a ser tão intensos que levam mães a
impedir os filhos de brincarem na rua com os amigos, de
caminharem sozinhos à padaria da esquina, e/ou irem para a escola
de ônibus. A sensação de que algo de mau possa acontecer se
torna uma ansiedade que domina a vida.
Se confiamos no Deus Todo-Poderoso, não podemos nos deixar
dominar por esse tipo de ansiedade. Podemos parafrasear os
versos 5-8 do Salmo 121: “O Senhor é quem te guarda: ao seu lado
Ele dará proteção. Nada pode fazer mal a você ou a seus filhos... O
Eterno guarda você e seus filhos de todo mal, Ele protege a vida de
vocês. Ele protege você e seus filhos quando saem e quando
voltam. Ele os guarda agora e para sempre”.
Precisamos confiar na providência do Senhor sobre a vida de
nossos filhos e educá-los sobre segurança, oferecendo informações
necessárias para saberem enfrentar as situações corriqueiras da
vida que podem conter algum perigo, como atravessar a rua ou
andar de ônibus sozinhos.
A verdade é que não temos controle sobre a vida de nossos filhos
– só Deus tem! E ninguém melhor que Ele para estar no controle de
tudo. Seja lidando com perigos reais, seja com perigos imaginários,
a mulher cristã sabe que pode confiar que o Senhor dirigirá todos os
passos daqueles que ama.

DISCUTA

Quais as três orientações dadas por Paulo em Filipenses 4.6 para lidarmos com
a ansiedade?
Se seguirmos essas orientações, qual será o resultado? (ver Fp 4.7)
Em vez de encher a nossa mente de preocupações e ansiedades, o que deve
ocupar o nosso pensamento? (ver Fp 4.8-9)

REGISTRE
Registre as respostas encontradas.

3.2 Ansiedade por dar conta de tudo


A vida de muitas mulheres é atribulada por conta de seus múltiplos
afazeres. Conciliar diferentes responsabilidades facilmente se
transforma em motivo de ansiedade. Essa ansiedade faz com que a
gente não consiga aproveitar os poucos momentos de descanso
que aparecem no decorrer do dia, nem desfrutar das pequenas
alegrias da vida.
Em Eclesiastes 3.1, está escrito que “há tempo para todo propósito
debaixo do céu”, e isso inclui o tempo de descansar. Ao criar o
mundo, Deus instituiu um dia só para o descanso, para a
contemplação, para desfrutar do que é belo e bom (Gn 2.1-3).
Precisamos ter momentos para apreciar a vida, bem como para orar
e encontrar a paz, como fez Maria aos pés de Jesus, enquanto
Marta se agitava e se preocupava com muitas coisas (Lc 10.38-42).
Sem dúvida a rotina de afazeres da mulher é desafiadora, mas ela
pode contar com a ajuda do Senhor, desde que priorize tempo para
buscá-Lo e para desfrutar das bênçãos que Ele a todo tempo lhe dá.

DISCUTA

Como diminuir a preocupação e a ansiedade para dar conta de tudo?


O que fazer para relaxar e desfrutar do convívio com aqueles que amamos?

REGISTRE
Registre as melhores sugestões encontradas.

CONCLUSÃO
É importante lembrar que a origem da ansiedade é a descrença na
providência de Deus. Ele é Quem nos concedeu a vida, a família, os
filhos, a casa, o trabalho. E Ele conhece cada uma das nossas
necessidades (Mt 6.25-34). Precisamos confiar no amor e no
cuidado de Deus em tudo.
Quais das atitudes listadas a seguir você mais precisa colocar em
prática? De que maneira pretende fazer isso?
a. Busque a Deus de todo o coração e confie inteiramente na
providência divina (Mt 6.33).
b. Evite os pensamentos ansiosos que imaginam que tudo de mau
pode acontecer (Mt 6.34).
c. Lance sobre Deus toda a sua ansiedade e confie que Ele cuida de
você (1Pe 5.7).
d. Confie no Senhor e reconheça todo o bem que Ele tem feito (Sl
13.5-6).
Verso-chave: “Venham a mim todos vocês que estão cansados e
sobrecarregados, e eu os aliviarei.”(Mt 11.28)

Quantas vezes acabamos o dia estressadas! A impressão que se


tem é que os dias são curtos e que não somos capazes de dar
conta de tudo que temos para fazer. Estamos sempre muito
ocupadas — casa, trabalho, marido, filhos e não temos tempo para
as coisas espirituais. Desenvolver o fruto do Espírito fica muito
difícil, especialmente a paciência, a mansidão e o domínio próprio.
Viver sem ficar preocupada com o que comer ou o que vestir tem
sido um grande desafio para a maioria das mulheres (Mt 6.25). Mais
do que nunca precisamos aprender a desacelerar e descansar o
coração no Senhor.
1. DE ONDE VEM TANTO ESTRESSE?
As preocupações diárias são as principais causas do estresse
feminino. Boa parte das mulheres está concentrada na tentativa de
conciliar a carreira profissional com a vida familiar. O relacionamento
conjugal, a administração da casa, a situação financeira, a solução
de conflitos, o cuidar dos filhos, o cumprimento de horários, além do
medo da violência e a preocupação com o futuro — tudo isso produz
uma espécie de bolha de pressão prestes a estourar a qualquer
momento.
Casadas ou solteiras, a maioria das mulheres enfrenta sobrecarga
de trabalho e afazeres domésticos. Sem contar nossa tendência a
ser perfeccionistas e controladoras. Atitudes como essas são
“gatilhos” em potencial que desencadeiam situações de sobrecarga.
Precisamos ter em mente o amoroso convite de Jesus em Mateus
11.28.

DISCUTA

Quais atitudes são comuns em mulheres muito exigentes, controladoras ou


perfeccionistas?
Que vantagens/benefícios há em ser tão exigente, controladora ou
perfeccionista?
E quais as desvantagens?

REGISTRE
Liste as vantagens e as desvantagens que mais chamaram sua atenção.

2. QUANDO O ESTRESSE CHEGA NO NÍVEL MÁXIMO


Que bom seria se a nossa vida fosse uma constância de boas
notícias! Que bom seria se não tivéssemos nenhum receio de andar
na rua à noite, ou se pudéssemos dormir tranquilas enquanto
nossos filhos saem com os amigos! Que bom seria ter estabilidade
financeira e jamais se preocupar com contas a pagar, desemprego,
falência! Se acidentes nunca acontecessem, nem ninguém ficasse
doente. Se todos os casamentos fossem felizes e durassem
até à morte. Infelizmente a vida não é assim. Os problemas e as
adversidades chegam para todos, ora na forma de um diagnóstico
ruim, ora na forma de luto, de tristeza, de medo, de decepção.
Muitas dessas coisas estão fora do nosso controle. Aí o estresse se
instala.
Quatro mulheres da Bíblia nos dão exemplo de como lidar com
situações de alto nível de estresse.

2.1 Ester
Essa mulher de fibra, de personalidade e caráter nobres mostrou
confiança em Deus diante de uma situação extremamente
estressante e delicada que envolvia a vida de muitas pessoas (Et 4).
O que a levou a demonstrar tamanho equilíbrio emocional numa
situação tão estressante, que exigia sobretudo a racionalidade?
Certamente que a convicção de estar fazendo a vontade de Deus
dominou seu coração e a fortaleceu nesse momento de grande crise
e desafio (Et 4.14-16).

REFLITA

Você consegue manter a serenidade, a fé, o equilíbrio nos momentos de


estresse, de crise?
Ao tomar uma decisão, de qualquer natureza, você consulta a Deus ou age por
si mesma? (Tg 4.13-15)

2.2 Marta
Marta jamais aceitaria receber o Mestre e Sua comitiva de
qualquer jeito (Lc 10.38-42). O estresse dessa moça é típico das
mulheres hospitaleiras, metódicas e controladoras. Que mal há em
querer tudo organizado e no tempo certo? Entretanto, pessoas
assim não sabem o valor de sentar, escutar, aprender, contemplar.
Sempre ocupadas, nunca se permitem descansar, apreciar, usufruir.
Não é à toa que Jesus afirmou ter Maria escolhido a boa parte
(v.42). É claro que não devemos deixar de fazer as coisas de casa.
Mas também devemos aprender a desfrutar das pessoas e das
coisas boas que o Senhor nos dá (Ec 2.21-25). Assim teremos
menos estresse.

REGISTRE
Faça uma lista de suas prioridades diárias e observe em que posição você colocou: a)
o momento de se sentar e desfrutar da companhia de sua família; b) o momento de
desfrutar da companhia de Jesus.

2.3 Noemi e Rute


Definitivamente, a notícia da morte de uma pessoa querida é o
maior estresse que alguém pode experimentar. Essas duas
mulheres perderam as pessoas que mais amavam: Rute perdeu o
marido, e Noemi perdeu o marido e os dois filhos. Apesar de todo
sofrimento, elas nos ensinam sobre esperança e recomeço.
Sozinhas e sem dinheiro, elas se uniram a fim de enfrentar as
adversidades e aproveitar as oportunidades de Deus para
recomeçar (Sl 27.14).

DISCUTA

À luz das experiências de Noemi e de Rute, como encorajar mulheres viúvas ou


que perderam filhos a ter esperança e disposição para continuar a viver a fim
de cumprir o propósito de Deus para a vida delas?

REGISTRE
Registre a conclusão a que chegaram.
3. A DEPENDÊNCIA QUE CURA O ESTRESSE
Na contramão do discurso feminista do nosso tempo de que “eu
não quero depender de ninguém”, o que nós, mulheres cristãs, mais
precisamos na nossa vida é aprender a depender de Deus. Essa
deve ser a nossa meta!
Depender de Deus é muito mais do que depender do carro para ir
ao trabalho ou do remédio para tirar a dor. Depender de Deus é
estabelecer com Ele um nível de relacionamento tão intenso que
você se torna incapaz de agir e de tomar decisões sem a
participação Dele.

a. É confiar plenamente em Deus — Quem depende confia e entrega


tudo ao Senhor (Sl 37.5).
b. É descansar Nele inteiramente — Quem depende confia e descansa
no Senhor (Mt 11.28-29).
c. É firmar o coração Nele — Quem está firme no Senhor não
desmorona diante das más notícias (Sl 112.7).
d. É humilhar-se diante Dele — Quem reconhece o poder e a soberania
do Senhor sabe que Dele tudo vem, e não do nosso próprio
esforço (1Pe 5.6-7).
e. É ter certeza de que Ele supre — Quem tem essa certeza não precisa
controlar tudo, porque sabe que Deus conhece e supre as nossas
necessidades (Fp 4.19).

Para depender de Deus, precisamos desenvolver intimidade com


Ele. O exemplo de Maria, sentada em sua casa paraouvir o
Senhor, deve nos ensinar muito sobre depender de Deus (Lc 10.39).
Se não ouvimos a Sua voz, se não conhecemos a Sua vontade, se
não estudamos a Sua Palavra, se não conversamos com Ele em
oração, jamais conseguiremos aprender a depender Dele.
Irãs, é tempo de desacelerar!

DESAFIE

Ministre a Conclusão, encorajando as mulheres a se ajudarem mutuamente


(Rm 12.10-13) e a procurarem ajuda
quando necessário.

CONCLUSÃO

Ao acordarmos para um novo dia, nosso primeiro pedido de oração


deveria ser: “Senhor, ajude-me a organizar bem meu tempo hoje
tendo o Senhor como o centro da minha vida”.
O que você precisa fazer para depender mais de Deus e estressar-
se menos? Liste algumas atitudes práticas.

Lance sobre Cristo todo o seu estresse, e confie que Ele cuida
muito bem de você (1Pe 5.7).
Verso-chave: “Cuidem para que ninguém fique afastado da graça
de Deus, e que nenhuma raiz de amargura, brotando, cause
perturbação, e, por meio dela, muitos sejam contaminados.” (Hb
12.15)

Quando provamos algo de sabor amargo, não temos prazer algum.


Pelo contrário, o amargor de um alimento pode nos causar repulsa,
mal-estar e até mesmo náuseas. De igual forma, a amargura da
alma também prejudica o nosso viver.

Alguns dicionários relacionam a palavra amargura a algo


desagradável ou angustiante para a mente. Mas a palavra de Deus
define amargura de maneira mais ampla. O termo grego a relaciona
ao odor de um ovo podre. Revelando a profundidade que pode
alcançar, o autor de Hebreus usa o termo “raiz de amargura” (Hb
12.15) como uma planta parasita que finca as raízes numa árvore e
drena seus nutrientes; ou como um câncer que pouco a pouco vai
tomando conta de todo o corpo. Assim a “raiz de amargura” drena
nosso coração e corrói nossos relacionamentos.

DISCUTA

Você acha que as mulheres têm maior tendência para se tornarem


amarguradas do que os homens? Por quê?

1. DUAS MULHERES AMARGURADAS


A Bíblia relata histórias de mulheres que foram tomadas pela
amargura. Vamos recordar duas delas.

1.1 Ana (1Sm 1.5-10)


A sua esterilidade e as provocações da rival, Penina, fizeram de
Ana uma mulher muito amargurada. A amargura não a deixava
enxergar a bênção de ter um esposo que a amava independente de
sua limitação física. Numa sociedade em que a fertilidade era sinal
da bênção do Senhor, ela se sentia desfavorecida. Por isso, sua
condição de amargura roubou-lhe o apetite e a alegria.

1.2 Noemi (Rt 1.15-21)


A decisão de seu esposo de mudar para uma terra pagã trouxe
consequências desastrosas e irreversíveis. Longe de sua terra natal,
Noemi ainda teve que amargar a dor do luto pela morte do marido e
dos filhos. Sua amargura fez dela uma mulher que preferiu optar
pela solidão, atribuindo a Deus a causa de todo o seu sofrimento.

DISCUTA

Você acha que Ana e Noemi tinham bons motivos para ficarem amarguradas?
Por quê?
No lugar delas, você também ficaria amargurada?

2. A SENSIBILIDADE FEMININA
Esterilidade, luto, doença, desemprego, divórcio, perdas... todas
nós estamos sujeitas a circunstâncias tristes, frustrantes ou
desastrosas. Não há como se tornar imune a más notícias. Desde
que o pecado entrou no mundo, coisas ruins acontecem com todas
as pessoas. Como punição pelo pecado, o mundo se encheu de
sofrimento, maldade e morte (Gn 3-4). Vivemos num mundo mau
(1Jo 5.19). Por isso, todos teremos que enfrentar injustiças,
tragédias e dores nesta vida. A questão é se nos deixaremos
consumir pela tristeza, pela dor e pela frustração.

Pedro, falando aos maridos em 1Pedro 3.7, lembrou-os como as


mulheres são a parte mais sensível. Foi Deus que nos fez assim:
sensíveis, emotivas, afetivas. A sensibilidade da mulher pode ser
uma bênção quando se refere a ajudar o próximo. É nossa
sensibilidade que nos permite cuidar com esmero de um pequeno
bebê indefeso. Foi graças à sensibilidade de algumas mulheres, no
decorrer da história, que grandes movimentos de ação social
abençoaram vidas.
Mas essa mesma sensibilidade pode se tornar uma maldição se a
mulher se deixar consumir pelas adversidades da vida, e encher-se
de ira, frustração e amargura.

REFLITA

Como você tem reagido às más notícias? De que maneira lida com os
sofrimentos e frustrações que surgem?
O Salmo 112.7 afirma que o justo “não se atemoriza de más notícias; o seu
coração é firme, confiante no Senhor”. Quanto seu coração confia no Senhor
diante das fatalidades da vida?
3. CONSEQUÊNCIAS DA AMARGURA
São tantas as consequências da amargura na vida de uma pessoa
que podemos classificá-las em:

3.1 Físicas
As pessoas amarguradas podem sofrer consequências no próprio
corpo. É comum que remoam tanto os pensamentos e sentimentos
amargos, que acabem sofrendo perda de apetite, insônia, dores
musculares, que por sua vez baixam a imunidade do corpo,
deixando-as susceptíveis a outras doenças.

3.2 Emocionais
De um coração amargurado não pode emanar bons sentimentos.
Assim como um abismo chama outro abismo (Sl 42.7), a amargura
traz consigo além da tristeza, mau humor, ansiedade, irritabilidade,
autopiedade.

3.3 Sociais
Os relacionamentos ficam prejudicados. A amargura dá lugar à
agressividade verbal e física. De sua boca saem sempre palavras
negativas e amargas, tornando difícil a convivência. O desejo de
ficar sozinha e isolada acaba funcionando como uma crescente
“bola de neve” que só aumenta a amargura. A pessoa passa a ter
atitudes de vitimismo e a pensar que todos precisam compadecer-se
dela, vivendo frustrada e sentindo-se incompreendida.

3.4 Espirituais
A pessoa amargurada deixa de ser grata a Deus. Há uma
crescente revolta contra as circunstâncias, e se esquece de que o
Senhor está no controle. Sua autocomiseração bloqueia a visão da
graça de Deus em sua vida (Sl 73.21-22). Que terrível condição de
pecado essa pessoa se encontra!

DISCUTA

De que maneira a amargura pode estar relacionada à ingratidão?


E como ela pode estar relacionada à dificuldade de perdoar alguém?

REGISTRE
Registre suas conclusões sobre as questões discutidas.

4. A RECEITA DO SENHOR CONTRA A AMARGURA


Já deu para perceber quanto a amargura é grave, pode corroer a
nossa alma, além de contaminar outras pessoas (Hb 12.15). Apesar
da nossa tendência para guardar amargura no coração, o Senhor,
em Sua infinita misericórdia, proveu-nos uma solução para esse
problema. Vamos analisar a receita do Senhor contra a amargura,
conforme descrita em Sua Palavra.

Entenda que a amargura é pecado e


Passo 1 — Confesse seu pecado.
deve ser confessado ao Senhor (Sl 73.21-22; 1Jo 1.9). Confie na
maravilhosa graça que pode cobrir todo e qualquer pecado. É pela
graça que você pode buscar a solução em Deus para o pecado da
amargura.

Se a origem da sua amargura é alguma


Passo 2 — Busque perdão.
mágoa causada por alguém, disponha-se a perdoar essa pessoa (Ef
4.31-32). E se a sua amargura afetou seus relacionamentos,
levando-a a ser grosseira, mal humorada, desagradavelmente
queixosa de tudo, peça perdão aos que tiveram que conviver com
suas atitudes amarguradas (Mt 5.23).

Passo 3 – Confie na soberania de Deus.Lembre-se de que o Senhor


Deus está no controle de toda e qualquer situação. Se alguém ou
algum fato deixou você amargurada, precisa estar ciente de que o
Senhor estava lá, presente. Deus não está cochilando diante das
circunstâncias que nos assolam (Sl 121.4). Ele tudo vê e sabe de
tudo o que precisamos. Nosso Deus consola no luto (Sl 23.4),
fortalece nas tribulações (Sl 46.1), afofa o leito dos enfermos (Sl
41.3). Em tudo existe um propósito para nos aproximarmos Dele
(Rm 8.28).

O coração
Passo 4 – Desenvolva atitudes de gratidão e contentamento.
agradecido não tem espaço para amargura (1Ts 5.18). O
contentamento é um processo de aprendizagem constante (1Tm
6.6-8). Busque encher-se do Espírito para que o seu coração
transborde de ações de graças (Ef 5.18-20).

DISCUTA

Podem amargura e contentamento jorrar de um mesmo coração? (Tg 3.10-11)


Apesar das lutas da vida, quais motivos temos para cultivar coração agradecido
ao Senhor?

REGISTRE
Liste razões para ser agradecida ao Senhor.
CONCLUSÃO

A amargura é um pecado que tem feito grandes estragos na vida


de muitos. Talvez você já tenha sofrido com coração amargo ou
conheça alguém que sofra. Mas a graça de Deus é libertadora!
Quando derramou o coração diante do Senhor, Ana recebeu Sua
graça. Noemi também experimentou dessa graça ao voltar para a
terra da promessa e buscar cumprir a Lei do Senhor. Busque o
Senhor e confie totalmente na restauração que só Ele pode dar.

a. Você percebe alguma amargura no seu coração? O que pretende


fazer a respeito?
b. Você conhece uma pessoa amargurada? Como pode ajudá-la?
Verso-chave: “Porque, se perdoarem aos outros as ofensas deles,
também o Pai de vocês, que está no céu, perdoará vocês” (Mt
6.14)

Testemunhos sobre momentos de perdão são impressionantes e


emocionantes porque não parecem coisa natural. Realmenteperdoar
não é fácil. É ainda pior se a ofensa, o pecado, for grave e vier de
alguém muito próximo, admirado ou querido, como um parente ou
um irmão da igreja. “Como ‘Fulano’ pôde fazer isso?”, pensamos,
quase sem acreditar!

DISCUTA

Quais os motivos que mais impedem as pessoas de perdoar?

1. QUE É PERDOAR?
Pecar é como contrair uma dívida: é preciso pagar. O preço do
nosso pecado, por exemplo, é a morte e a separação de Deus (Rm
6.23). Na Bíblia, a palavra grega para “perdoar” quer dizer
literalmente “abrir mão”, “deixar ir embora”, renunciar o pagamento
de uma dívida, não exigir compensação por mágoas ou prejuízos
que tivemos. Perdoar é necessário.
Sabemos que a capacidade de não se irar e de não guardar rancor
é dada a nós por Deus, por meio do Espírito Santo (1Co 13.4-7).
Perdoar, portanto, não é um sentimento, mas uma decisão tomada
com a ajuda de Deus.

2. POR QUE É TÃO DIFÍCIL PERDOAR?


Quando não perdoamos, lembramo-nos constantemente da
ofensa. É como uma ferida que nunca cicatriza.
Vivemosressentidos e até amargurados.
Alguns pensamentos errôneos (e anti-bíblicos) costumam dificultar
a tomada da decisão de perdoar.

“Aquela pessoa não percebe que me magoou?” – O


caminho correto para que a pessoa reconheça o erro é a
repreensão em amor (Lc 17.3-4).
“Aquela pessoa é má, não merece ser perdoada” –
Perdoar não é ignorar a justiça, mas a justiça precisa ser feita
pelo perfeito Juiz, que é Deus, e não por nós (Tg 4.12).
Apresentemos o problema a Deus, e o pecado contra nós
passa a ser um problema entre a outra pessoa e Deus.
“Se eu perdoar, a pessoa vai repetir o que fez e voltar a
me magoar” – Podemos evitar isso se agirmos com
prudência (Pv 22.3; 14.15).
“Não consigo esquecer a ofensa” – Perdoar não é
esquecer uma ofensa ou ignorar o problema. É a decisão de
não cobrar mais o ofensor, mesmo com a lembrança.
“Sinto que perdoar é ignorar o pecado e compactuar com
o erro” – Mas perdoar não é “passar a mão na cabeça”. O
pecado dele continuará a ser errado, e Deus tratará daquela
pessoa (2Sm 12.9-13), mas você não pecará por não perdoar.
“Mas a pessoa não reconheceu o erro mesmo depois de
confrontada!” – Sim, corações endurecidos são cada vez
mais comuns em nossos dias (2Tm 3.1-5). Mas a maturidade
cristã e a prática da obediência a Deus precisam nos levar a
orar por eles (Mt 5.43-48) e abençoá-los (Rm 12.14,17-21).

REFLITA

Você já nutriu algum pensamento semelhante aos mencionados que lhe


dificultou perdoar alguém?
No momento, existe alguém que você precisa perdoar? O que a tem impedido
de fazê-lo?

3. POR QUE PERDOAR É TÃO IMPORTANTE?


Primeiramente, perdoar é uma decisão de obediência a Deus (Cl
3.13). Se não perdoamos, essa desobediência nos impedirá de viver
a vida cristã, pois o pecado dá lugar ao diabo (Ef 4.26-27), traz
separação entre nós e Deus (Is 59.2) e nos torna espiritualmente
frágeis. Se não perdoar, você não será perdoado, estará em
pecado, e não conseguirá ser um cristão maduro (Mt 6.12,14-15).

3.1 Os benefícios do perdão


Ao perdoar, libertamos o ofensor do nosso ódio e também ficamos
libertos dele. Ainda que nos lembremos da ofensa, elanão nos fará
sofrer mais, e podemos tomar a decisão de esquecê-la (Sl 37.1-8).
O perdão é o remédio para o coração amargurado, pois abrir mão
da raiva e do ressentimento aumenta a nossa felicidade, retornando
a saúde emocional e espiritual.
Além disso, temos condições de restabelecer o relacionamento
com o ofensor. O perdão possibilita que o amor se renove e que
voltemos a nos relacionar com quem tinha nos ofendido, como na
parábola do filho pródigo (Lc 15.21-24). Voltamos a ter comunhão
com Deus e com o próximo.

DISCUTA

Quando decidimos perdoar, como fazer para retomar o relacionamento com a


pessoa que nos magoou?

REGISTRE
Registre as atitudes sugeridas.

3.2 Passos bíblicos para a restauração


O perdão não é um ato isolado, ele vem acompanhado de outras
ações. Em toda a Bíblia, vemos a aplicação dos passos de
confronto, arrependimento, perdão e restauração da comunhão,
tanto em relação a nós com Deus, como entre os irmãos.

No contexto da igreja, Jesus nos orienta quanto à forma de tratar


um irmão culpado (Mt 18.15-17):
1º) confronto amoroso, em particular, mostrando o erro; se o ofensor
ouvir, está resolvido (v.15);
2º) se ele não se arrepender, testemunhas são chamadas a fim de
dar uma nova oportunidade (v.16); havendo arrependimento, está
resolvido;
3º) mas se ele recusar a dar ouvidos, o assunto deve ser
levado à liderança da igreja. Se o irmão não reconhecer seu erro
nem se arrepender, a igreja deve cortar os laços de comunhão
com o ofensor (v.17).

REFLITA

Você tem seguido os passos bíblicos para a restauração? Quando um irmão


peca contra você, sua primeira atitude é conversar em particular com ele sobre
o ocorrido?
Cuidado para não cair na tentação de sair contando a outras pessoas, como
desabafo, e acabar pecando por maledicência!

4. COMO PERDOAR NA PRÁTICA


Não há uma “receita de bolo” para a prática do perdão. Cada caso
é um caso. Mas alguns princípios gerais podem ajudar bastante em
qualquer ocasião.

a. Ignore pequenas ofensas –Não se ofenda facilmente (Ec 7.9). No


caso de uma ofensa pequena, podemos simplesmente continuar
“a suportar uns aos outros” (Cl 3.13).

b. Reconheça seus sentimentos e ore – É natural nos sentirmos


zangados, decepcionados, tristes, machucados, quando alguém
peca contra nós. Ore sobre a situação (1Pe 5.7), abra o coração
ao Senhor, pois Ele nos ouve, nos entende e nos guia (Sl 86).

Ser ofendido não nos dá


c. Expresse seus sentimentos com santidade –
uma “licença para pecar”. Os sentimentos nem sempre são o
problema, mas o que fazemos com eles é que pode ser errado
(Ef ٤.٢٦-27).

d. Pratique a empatia – Todos nós somos imperfeitos (Tg 3.2). Esforce-


se para colocar-se no lugar do outro. Compreender as razões de
agir do outro pode nos levar a descobrir atenuantes e a apaziguar
nossos sentimentos e reações (Mt 7.12).

Há coisas erradas que não podemos ignorar.


e. Enfrente o problema –
Você precisa aceitar que há um problema e decidir resolvê-lo à
maneira de Deus (Mt 18.15-17).

f. Não demore – Decida perdoar o mais rápido possível, em vez de


permitir que a raiva tome conta de você (Ef 4.26-27).

Diga a Deus que você perdoa essa pessoa,


g. Verbalize o perdão –
especificando o que está perdoando. Se a pessoa vier pedir
perdão, diga-lhe que a perdoa (Mt 18.21-22).

Quando alguém peca contra nós, é


h. Confesse algum pecado seu –
fácil retrucar pecando também. Se você pecou, confesse seu
pecado e peça perdão a Deus (1Jo 1.9).

Sempre que a lembrança do


i. Pratique a resistência ao ressentimento –
ocorrido voltar, peça a Deus que a ajude a manter a sua decisão
de perdoar (Mt 11.28-30).

Se estiver sendo difícil demais para


j. Considere a ajuda de terceiros –
você, recorra a um irmão maduro na fé para acompanhá-la em
oração e conselhos (Pv 12.25). Tome cuidado, porém, com
conselhos de pessoas muito amigas, mas ainda imaturas (1Rs
12).
DISCUTA

Quais das atitudes bíblicas sugeridas são as mais difíceis de colocar em prática
na hora de perdoar?

CONCLUSÃO
É inútil pensar que somente com determinação e disciplina
conseguiremos perdoar. O verdadeiro perdão ocorrerá quando a
nossa motivação for o amor pelo ofensor (Rm 5.5). O perdão é um
exercício espiritual que só conseguiremos praticar com a ajuda de
Deus, e para receber essa ajuda, precisamos cultivar nossa vida
devocional.
a. No momento, existe alguma pessoa que você precisa perdoar?
De acordo com o que aprendeu neste estudo, o que precisa fazer
para perdoá-la?
b. O que você pretende fazer, a partir de hoje, para ser uma pessoa
mais mansa e perdoadora?
Verso-chave: “... Cada um esteja pronto para ouvir, mas seja tardio
para falar e tardio para ficar irado” (Tg 1.19)

Quem não gostaria de ser mulher sábia! Mas o que é a sabedoria?


De acordo com as Escrituras, sabedoria é temer a Deus e
reconhecer que Dele vem toda a sabedoria (Pv 1.7; 2.6); é
empenhar-se em obedecer ao Senhor (Pv 3.5-7); é refletir sobre as
consequências de suas escolhas (Pv 2.7-11; Gl 6.7-8); é moldar a
mente conforme Cristo e não seguindo os padrões do mundo (Rm
12.1-2; 1Jo 2.15-17). Sábio é crer em Deus, ler a Bíblia e meditar
nela, além de orar pedindo a Deus mais da Sua sabedoria (Tg 1.5).

Para desenvolver sabedoria, vale a pena “cavar” a palavra de Deus


como quem cava minas e se fatiga buscando ouro ou prata! (Pv 2.4-
6) Tesouros ocultos são revelados pelo Espírito Santo quando a
gente se empenha em compreender e obedecerà Palavra. É a
receita da paz e da felicidade – haja o que houver neste mundo.

1. CONFLITOS E MAIS CONFLITOS


Não há como fugir dos conflitos. Vivemos num mundo que jaz no
Maligno (1Jo 5.19), recheado de pecadores por todos os lados
— não há nem um justo sequer! (Rm 3.10-12) Que poderia resultar
disso?

1.1 Conflitos no casamento


Nós, mulheres, precisamos aceitar que não há casamentos
perfeitos, nem homens perfeitos, nem nós somos perfeitas. Somos
todos pecadores salvos pela graça (Rm 3.23).

Pense bem: qual pessoa vai “pisar na bola” comigo “setenta vezes
sete”? Quem mora comigo! (Mt 18.21-22) Quando duas pessoas tão
diferentes assumem o compromisso de viverem juntas, claro que
haverá conflitos. O homem é diferente da mulher: pensa, fala, age e
reage de modo diferente. Logo, em inúmeras ocasiões, a intensão
do marido não é ofender ou magoar a esposa – ele diz “aquilo” ou
age “daquela maneira” simplesmente porque é o jeito masculino de
ser. A mulher, mais delicada, costuma magoar-se com facilidade.
Deus planejou seres complementares, que somem as diferenças
para viver melhor, e não para multiplicar problemas (Ec 4.9-12). A
mulher deve buscar em Deus sabedoria, orientação, cura para as
mágoas, capacidade para perdoar, respeitar e amar seu marido
(1Pe 3.1-6).

DISCUTA

Quais situações do dia a dia do casamento costumam gerar conflitos?

1.2 Conflitos com os filhos


Se já há conflitos entre dois adultos que se amam, imagine quando
são somados um, dois, três novos seres vivos, de diferentes idades
e com diferentes temperamentos — e todos igualmente pecadores!
Não é de surpreender que tenhamos que enfrentar tantos conflitos
no lar, todos os dias.
Precisamos levar em conta que os filhos têm personalidade e
desejos próprios, e nunca perder de vista que são seres pecadores
(Pv 22.15). Por mais que os amemos e eduquemos, eles não
deixarão de ser pecadores. Onde houver pecado, haverá conflitos.
Deus quer nos usar para ensinar nossos filhos a sabedoria bíblica
(Pv 6.20-23).

DISCUTA

Quais os conflitos mais comuns que você costuma ter que enfrentar com seus
filhos?

1.3 Conflitos no trabalho


Naturalmente, quando se juntam pessoas com princípios e valores
tão distintos num único ambiente surgirão conflitos. A forma de
organizar as coisas, a limpeza (ou a falta dela), o jeito de falar, a
maneira de executar o trabalho (ou de enrolar no trabalho), e as
manias... ai, as manias dos outros, como nos enlouquecem! Sem
contar a pressão por prazos e resultados, a competitividade,
desonestidade, inveja, calúnias, difamações... Infelizmente o
ambiente de trabalho às vezes é doentio e quase intolerável. Mas é
exatamente nesse lugar que Deus nos chamou para ser luz no meio
das trevas (Mt 5.14-16) — e a mulher sábia mantém seu foco de
manifestar o evangelho de Cristo por meio de um trabalho feito com
excelência, responsabilidade, compaixão e zelo, em todo tempo,
com todos os colegas — até os mais difíceis (Tt 2.9-10; Ef 6.5-9).
REFLITA

Existe uma ou mais pessoas com quem você tem enfrentado conflitos no
trabalho? Pense um instante nela(s). Agora leia Mateus 5.43-47 e reflita: você
está preparada para amar essa pessoa, mesmo que ela continue a atormentar
você? É tempo de colocar em prática as orientações de Paulo em Romanos
12.17-21!

2. O EXEMPLO DE ABIGAIL (1Sm 25)


Abigail era linda, inteligente, sensata – casada com Nabal, homem
duro e maligno, orgulhoso e insensível, avarento e alcoólatra. Que
pesadelo ser casada com um homem assim! Com temperamento
desses, Nabal era um grande provocador de conflitos e acabou se
envolvendo num com ninguém menos que Davi. De repente, Abigail
se viu em meio a um conflito que acabaria numa matança! Vejamos
como ela lidou com sabedoria para enfrentar tal conflito.

2.1 Foi proativa e ofereceu um agrado pacificador


Não perdeu tempo se lamentando: providenciou bastante comida
para agradar e amansar Davi e seus homens. Nada como um bolo,
um café ou uma boa refeição para semear a paz.

2.2 Buscou a hora certa para falar


Não discutiu com o marido bêbado, o que só despertaria sua ira e
não resolveria o problema. Só lhe falou quando ele acordou sóbrio.
Conversar com as pessoas quando estão fora de si, cheias de raiva,
nunca acabará bem. A mulher sábia é paciente e espera a hora
certa para falar (Ec 3.1,7; Pv 15.23,28; 17.27).

2.3 Falou palavras brandas


Foi humilde ao falar com Davi, fez elogios sinceros e lhe disse
palavras abençoadoras. Sabedoria não consiste apenas em estar
certa ou com a razão numa situação, mas também em saber falar
de maneira branda, gentil e abençoadora, transmitindo graça a
quem escuta (Ef 4.29; Pv 15.1; 31.26).
2.4 Pediu perdão por um pecado que não era seu
Somente uma pessoa muito mansa e pacificadora consegue agir
assim. Note que são virtudes do fruto do Espírito (Gl 5.22-23) —
todas nós podemos (e devemos!) desenvolver.

2.5 Deu conselho de temor a Deus


Abigail teve coragem para aconselhar o futuro rei de Israel a não
pecar contra o Senhor, matando por vingança os servos inocentes.
A mulher temente a Deus é ousada e gentil para, na hora do
conflito, dar conselhos que afastam as pessoas do pecado e as
aproximam de fazer o que é certo e bom para o Senhor (Pv
15.2,33).

Para lidar com o conflito, Abigail teve sabedoria a fim de


escolher quando falar, o que falar e como falar. Exerceu o poder de
dominar suas emoções e sua língua. Abigail é para nós exemplo de
mulher sábia e pacificadora.

DISCUTA

Leiam juntas Tiago 3.13-18 e troquem ideias a respeito das atitudes que geram
conflitos mencionadas no texto, e das qualidades da sabedoria que vêm do
Senhor.

3. NA HORA DO CONFLITO...
O marido implicou com a comida? Jogou a toalha molhada no
chão? O filho se recusa a arrumar o quarto? Não tira o olho do
celular para nada? O chefe não larga do seu pé? Pegaram suas
coisas sem pedir? O colega de trabalho mentiu a seu respeito?

Respire fundo. Não reaja por impulso. É hora de agir com


sabedoria. Reflita:

Vale a pena responder ou reagir agora, ou é melhor esperar


um momento mais adequado?
Vou dizer palavras brandas e abençoadoras, ou vou gritar e
“explodir” cheia de ira?
Há algo que posso fazer para acalmar a pessoa e torná-la
mais disposta a resolver bem a situação?
Será afável iniciar a conversa pedindo perdão por alguma
coisa?
Tenho em mente o desejo de fazer o que é certo e bom do
ponto de vista de Deus, bem como ajudar o outro a fazer
também?

Lembre-se de Abigail: tenha sabedoria para


escolher quando falar, o que falar e como falar!

PENSE NISTO

É importante observar a veracidade da advertência de Gálatas 5.15: “se vocês


ficam mordendo e devorando uns aos outros, tenham cuidado para que não
sejam mutuamente destruídos”. Num conflito, cada parte envolvida acredita que
está certa. Se ambos insistirem que o outro está errado, e ninguém agir para
que haja conciliação, o relacionamento certamente sofrerá danos. A tendência
é que os conflitos se tornem cada vez mais frequentes, até que amigos se
afastem, colegas se desprezem, e mesmo cônjuges se separem.
CONCLUSÃO
Como é importante que a mulher seja sábia para lidar com
conflitos. Para isso, humildade, bondade, mansidão, domínio próprio
e espírito pacificador são essenciais — e o Senhor é a fonte de
todos eles! Em tudo, Cristo pode nos capacitar para sermos
transformadas em sábias mulheres de Deus. Aleluia!

O que me falta para ser capaz de lidar com sabedoria na


hora dos conflitos? Quais das atitudes ensinadas na palavra
de Deus mais necessito desenvolver?

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