Você está na página 1de 100

Copyright © 2005,

Editora Cristã Evangélica

Todos os direitos nacionais e internacionais desta edição reservados.

Nenhuma parte desta edição pode ser utilizada ou reproduzida – em qualquer


meio ou forma, seja mecânico ou eletrônico, fotocópia, gravação, etc. – nem
apropriada ou estocada em sistema de banco de dados, sem a expressa
autorização da Editora Cristã Evangélica (lei nº 9.610 de 19/02/1998), salvo em
breves citações, com indicação da fontes

As citações bíblicas foram extraídas da versão Almeida Revista e Atualizada


(ARA), 2ª edição (Sociedade Bíblica do Brasil), exceto indicações de outras
versões.

Editora filiada à
Associação de Editores Cristãos

Rua Goiânia, 294 – Parque Industrial


12235-625 São José dos Campos-SP
comercial@editoracristaevangelica.com.br
www.editoracristaevangelica.com.br
Telefax: (12) 3202-1700
Num período de decadência espiritual e apostasia da história de Israel,
viveram dois grandes profetas, Elias e Eliseu, que operaram milagres em
nome de Jeová como testemunho de Deus naqueles tempos maus. Eram
homens de ação!

O ministério de Elias foi durante os reinados de Acabe e de Acazias (aprox.


918 a 894 a.C.), e o de Eliseu durante os reinados de Jorão, Jeú, Jeoacaz e
Jeoás (aprox. 894 a 830 a.C.). Eliseu foi servo e sucessor de Elias, como
Josué foi de Moisés, e Timóteo, de Paulo.

As semelhanças entre Elias e Eliseu


Eram profetas no Reino do Norte que dirigiram Escolas de Profetas e ambos
enfrentaram reis apóstatas. Fizeram vários milagres, alguns de julgamento,
mas a maioria de misericórdia. Esses milagres foram usados sempre com
uma finalidade moral e espiritual para revelar a soberania e o poder de Deus,
e se destacaram em épocas de crise espiritual.

Os contrastes entre Elias e Eliseu


Elias era um homem solitário; Eliseu, sociável, amigo de muitos. Elias vivia
no deserto, com vestimenta peculiar, enquanto Eliseu vivia nas cidades, com
roupa comum. No relacionamento com os reis, Elias era um homem severo,
o terror do palácio, enquanto Eliseu era tolerante, amigo e conselheiro de
reis. Não há dúvida de que Elias tinha um ministério mais importante do
que Eliseu, mas cada um fez seu papel, agindo com firmeza contra os males
daquela época.
Não é difícil ver um paralelo entre a época desses dois homens de ação e a
nossa nação hoje. O sincretismo religioso de hoje (Padre Cícero, Umbanda,
Catolicismo, Nova Era, etc. – tudo misturado) e a confusão religiosa no
meio evangélico demonstram uma situação semelhante. Tudo isso, junto
com a situação moral do Brasil, com a ênfase na corrupção, violência, drogas
e sexo, grita por uma intervenção divina. Onde está o Deus de Elias? Está
aqui! Mas onde estão os homens e mulheres como Elias e Eliseu, homens de
ação, que estão prontos a agir e ser verdadeiros profetas do século 21?

Estas lições falam muito para nós nos dias de hoje.


John D. Barnett
Livros recomendados
Elias - um homem nas mãos de Deus, William J. Petersen, Edições Vida Nova.
1 e 2Reis, introdução e comentário. Donald J. Wiseman, Série Cultura Bíblica, Edições Vida
Nova.
– Sumário –

1 Elias, o homem e seu ministério


2 Elias e seu preparo
3 A tragédia que Elias enfrentou
4 Obadias, que temeu muito ao Senhor
5 O desafio no monte Carmelo
6 Elias, um homem poderoso em oração
7 Elias, um crente deprimido
8 A chamada de um líder-servo
9 Controlando os desejos do coração
10 O arrebatamento de Elias e a expectativa da igreja
11 A confirmação de Eliseu como profeta
12 Eliseu, um profeta atencioso
13 Eliseu e a escola de profetas
14 Eliseu e o general
15 A recuperação do machado perdido
16 Um dia de boas-novas
17 Elias, do Antigo ao Novo Testamento
1
Elias, o homem
e seu ministério
texto básico 1Reis 16.28-34; Tiago 5.17
versículo-chave Tiago 5.17

“Elias era homem semelhante a nós, sujeito aos mesmos sentimentos, e orou,
com instância.”

alvo da lição

Mostrar como Deus pode equipar e usar uma pessoa desconhecida, um joão-
ninguém, para cumprir a Sua vontade.

leia a Bíblia diariamente


seg 1Rs 11.1-8
ter 1Rs 11.9-13
qua 1Rs 12.16-24
qui 1Rs 16.8-14
sex 1Rs 16.29-34
sáb 1Rs 17.1-7
dom Tg 5.17-18

Hoje começamos o nosso estudo de Elias. Mas seria bom iniciar


perguntando por que devemos estudar a vida deElias? Quero sugerir três
razões.

1. Há muitas semelhanças entre a época em que Elias viveu e a nossa época.

2. Apesar das dificuldades que enfrentou, ele provou que o poder de Deus é
maior. Aprenderemos que Deus em nós, e por meio de nós é muito mais
poderoso do que qualquer problema que enfrentamos.
3. Elias era uma pessoa bem simples. Aprenderemos o que Deus pode fazer
por intermédio de uma pessoa simples, que ficou desanimada com o
estado espiritual tão baixo do povo ao seu redor.

De fato, Elias é uma pessoa comum a serviço de um Deus extraordinário.


Onde está hoje o Deus de Elias, que pode enviar fogo do céu – que pode
mudar a vida da nação? Ele está aqui em nosso meio! Ele quer trabalhar em
nossa vida e por meio de nós mudar a nossa nação, também. Assim seja,
amém!

I. O mundo que Deus vê


(1Rs 16.29-34)
Com a morte do rei Salomão, Israel foi dividido em duas nações - Judá, o
reino do sul, e Israel, o reino do norte. Quando Deus olhou para Israel, o
reino do norte, não viu nada que Lhe agradasse.

1. Declínio espiritual da nação


O reino do norte, Israel, estava numa situação triste. Já haviam se passado
58 anos desde a morte de Salomão. Nada menos de sete reis reinaram
durante esse período – todos, sem exceção, tinham sido maus reis.
O primeiro rei, Jeroboão, fez dois bezerros de ouro em Betel e Dã (1Rs
12.28-32) para impedir a ida do povo a Jerusalém para adorar a Deus. “E isso
se tornou em pecado”.  Com isso veio a corrupção do sacerdócio, porque
Jeroboão constituiu sacerdotes homens que nunca foram chamados para
esse ministério e, pior ainda, não tinham a capacidade para exercê-lo.
Os outros reis eram assassinos, beberrões como Elá (1Rs 16.9) e
continuaram a irritar “ao Senhor, Deus de Israel, com os seus ídolos” (1Rs 16.13).
No fim chegou Acabe que  “fez ... o que era mau perante o Senhor, mais do que
todos os que foram antes dele” (1Rs 16.30). Acabe casou-se com uma princesa
pagã, Jezabel, do território a Baal, e ela trouxe o culto de Baal para dentro da
nação de Israel. O culto a Baal era feio, cheio de depravação sexual,
prostituição espiritual e idolatria. Em outras palavras, era uma época de
apostasia e de frieza espiritual.
2. Declínio moral da nação
Começou com o reinado de Salomão e suas 700 esposas e 300 concubinas.
O declínio não aconteceu de repente, mas gradualmente, e continuou por
meio do culto depravado a Baal.

Essa era a nação que Deus estava vendo. E parece que a situação em nossos
dias não é muito diferente.

3. Hoje no Brasil

a. O estado espiritual - há muito sincretismo espiritual. No meio


evangélico, há muitas seitas diferentes, com uma mistura de
espiritismo e Nova Era. No meio das nossas igrejas há muita frieza
espiritual.
b. O estado moral - drogas, sexo, AIDS e violência falam tudo a
respeito do estado da nossa nação. Na Revista VEJA houve uma
pesquisa sobre “O Retrato do Jovem Brasileiro”. Essa pesquisa descobriu
que 7 de 10 moças de 17 anos para baixo já experimentaram sexo
antes do casamento. Mas a tragédia é que há muitas jovens crentes
seguindo os costumes do mundo nessa área. Casamentos mistos na
igreja estão causando problemas semelhantes aos do casamento de
Acabe com Jezabel! E há muitos outros sinais da degeneração
espiritual da nossa nação e da igreja brasileira. Há falta de respeito à
autoridade, frieza da igreja, falta de visão missionária, falta de um
conhecimento profundo da palavra de Deus.

II. O homem que Deus chama


(1Rs 17.1-3)
Sabemos muito pouco a respeito de Elias.

1. Era um desconhecido
Não sabemos nada a respeito da sua família. Era um homem rude, do
interior, que evitava a cidade. Era ninguém.

2. Foi criado num lugar difícil


Foi criado no território de Gileade, que era deserto, com terreno rochoso,
cujos vales tinham muitos animais ferozes. Elias era um homem que sabia o
que era sofrer. Não teve uma criação fácil.

3. Tinha uma tarefa difícil


De repente, Elias aparece – da roça ele é enviado para o palácio para se
encontrar com o Rei Acabe e, pior ainda, com a rainha Jezabel! Como é que
a gente enfrenta tarefas difíceis, como Elias?

4. Recebeu um nome interessante


O seu nome fala muito -  “Elias” = Jeová  é Deus. Pelo menos podemos ter
alguma noção de seus pais, pelo nome que lhe foi dado no nascimento.

aplicação

Será que o povo pode identificar Deus em nós?

5. Teve um caráter semelhante ao nosso


“Homem semelhante a nós, sujeito aos mesmos sentimentos”.  Era um homem
complexado, ficou com raiva, exigiu vingança, ficou deprimido, mas era
corajoso e demonstrou autodisciplina. Um homem, de fato, semelhante a
muitos de nós!

6. Homem de oração
(Tg 5.17-18)
Quando ele orava, algo acontecia. Já tivemos essa experiência? Quando
oramos, esperamos que algo aconteça, também?

7. Foi chamado por Deus


Foi um homem que Deus chamou e a ele foi dado poder para fechar os céus
para que não chovesse e poder para pedir que fogo caísse dos céus.

III. A palavra que Deus dá


(1Rs 17.1)
É interessante notar algo a respeito da palavra que o Senhor deu a Elias e
que nos dá, também.

1. Uma palavra viva


“Tão certo como vive o Senhor, Deus de Israel”.

2. Uma palavra de autoridade


“Perante cuja face estou”  – era uma palavra que vinha do Senhor. Será que
quando eu ensino na escola bíblica, ou quando prego, ou dou uma palavra
para os adolescentes, ou jovens ou senhoras, falo com a autoridade que vem
do Senhor? Eu prego ou ensino com autoridade – “Assim diz o Senhor”?

3. Uma palavra solene


Que palavra difícil para transmitir! Vai faltar chuva – “nem orvalho nem chuva
haverá nestes anos, segundo a minha palavra”.  Era, de fato, uma palavra de
julgamento divino sobre os pecados do povo. É bom notar que há dois
aspectos da pregação do evangelho. Devemos enfatizar o amor de Deus, mas
não podemos deixar de falar, também, da ira de Deus sobre o pecado. Há
muita falta disso hoje na pregação do evangelho. Quando foi a última vez
que ouvimos um sermão sobre o inferno?

Conclusão
É bom descobrir o tipo de pessoa que Deus chama e usa. Elias era um
semelhante a nós. E como Deus usou Elias de uma maneira extraordinária,
Ele pode nos usar, também. O que é importante é que estejamos disponíveis
para ser usados por Ele. A época em que Elias vivia não era tão diferente da
nossa época. Como Deus está precisando de homens e de mulheres com um
ministério profético para confrontar os males da nossa nação com a
mensagem viva da palavra de Deus!
2
Elias e seu
preparo
texto básico 1Reis 17.1-16
versículo-chave 1Reis 17.1

“Tão certo como vive o Senhor, Deus de Israel, perante cuja face estou, nem
orvalho nem chuva haverá nestes anos, segundo a minha palavra.”

alvo da lição

Mostrar como Deus prepara a pessoa que Ele quer usar.

leia a Bíblia diariamente


seg Sl 4.1- 8
ter Sl 5.1-12
qua Sl 6.1-10
qui Sl 12.1-8
sex Sl 16.1-11
sáb Sl 147.1-20
dom Lc 4.16-30

“Deus prepara o homem que Ele quer usar.” Essa frase tão verdadeira e
prática não poderia deixar de ser uma realidade na vida de Elias. Pois um
homem que foi chamado para enfrentar enormes desafios de confiança e
fidelidade a seu Deus deveria receber um preparo suficiente que
demonstrasse ao profeta o “tamanho” do seu Senhor.

O propósito desta lição é mostrar o que Deus usou para desenvolver a fé de


Elias e assim prepará-lo para os futuros desafios de seu ministério profético.

I. Elias experimenta a presença, a proteção e a provisão de


Deus
(1Rs 17.1-6)

1. A presença de Deus
(1Rs 17.1)
É sabido que a seca, pelo fato de trazer sede e fome, é uma das grandes
armas que o Senhor usou várias vezes na história para punir e provar Seu
povo. Daí a máxima: “A natureza volta-se contra os homens rebeldes.” Em 1Reis
18.1 concluímos que o período de seca durou três anos, tempo mais que
suficiente para trazer danos, enfermidades e mortes ao povo.
“Tão certo como vive o Senhor, Deus de Israel, perante cuja face estou” (1Rs 17.1)
conta-nos de um homem certo da presença de Deus em sua vida, pois
“perante cuja face” é expressão de proximidade e de intimidade. E como a
certeza da presença de Deus é importantíssima para aquele que pretende
servi-Lo! Veja Êxodo 33.12-15; Salmo 16.11; Mateus 28.20.

2. A proteção de Deus
(1Rs 17.2-3)
“Retira-te daqui, vai para o lado oriental, e esconde-te junto à torrente de Querite,
fronteira ao Jordão” (17.3). A Bíblia Vida Nova nos informa que a torrente de
Querite seria um pequeno córrego que só apresentava correnteza em épocas
de chuva. Devia localizar-se em lugar deserto, para que Acabe não
encontrasse o profeta. E por que se esconder? Porque uma palavra profética
que anuncia ausência de orvalho e de chuva durante três anos a um rei
perverso, traria perseguição e morte ao profeta. E também porque Deus
sempre usa um lugar desértico para preparar Seus servos: Moisés passou
quarenta anos no deserto; Jacó passou catorze anos de frustração em Harã;
Paulo ficou na Arábia durante três anos; e José teve que passar um tempo na
prisão egípcia até que Deus o elevasse ao governo do Egito. Não deve ter
sido fácil para Elias ter que ir a Querite quando, no fundo, desejava ir para o
confronto no monte Carmelo!

3. A provisão de Deus
(1Rs 17.4-6)
Por que Deus escolheria uma ave de rapina para sustentar Seu profeta? Por
que um animal que se alimenta de carniça, que é predatório e repelente? Por
que Deus usaria uma ave considerada imunda segundo a lei (Lv 11), como o
corvo, para alimentar Seu servo?
Esta não é a primeira nem a última vez que o corvo é mencionado como
instrumento de Deus para cumprir Seus propósitos. Noé soltou um corvo da
arca para verificar se as águas diluvianas já haviam minguado da superfície
da terra (Gn 8.6-7); Elias e Eliseu - Homens de Ação é questionado por
Deus: “Quem prepara aos corvos o seu alimento, quando os seus pintainhos gritam a
Deus e andam vagueando, por não terem que comer?” (Elias e Eliseu - Homens de
Ação 38.41); o salmista lembra-nos que o Senhor “dá o alimento aos animais e
aos filhos dos corvos, quando clamam”  (Sl 147.9); e o próprio Senhor Jesus
Cristo lançou mão dos corvos para ilustrar a provisão de Deus. “Observai os
corvos, os quais não semeiam, nem ceifam, não têm despensa nem celeiros; todavia,
Deus os sustenta. Quanto mais valeis do que as aves!” (Lc 12.24).
Certamente Deus queria ensinar a Elias que Ele é Jeová-Jireh (“o Senhor
proverá” - Gn 22.14). E para fazer isso Ele usa quem quer, onde quer, quando
quer e como quer; ou, como escreveu Petersen, “Deus cuidará de você, mas
não seja muito exigente quanto aos garçons que forem usados pelo Senhor”.

II. Elias e a torrente que secou


(1Rs 17.7)
Por que a torrente secou? Você pode ironizar e responder. “Porque a água
acabou!” Porém não estamos pensando no lado lógico do fato, mas no
propósito principal de Deus, ou seja, o que o Senhor está querendo ensinar
ao Seu profeta desta vez? Por isso, três possíveis motivos são sugeridos por
Petersen, e é evidente que concordamos com ele.

1. Elias precisava aprender a relacionar-se com os outros


Ele era um solitário. A sua semelhança com João Batista se deve também a
este fato (cf. Mt 17.12-13). O relacionamento com as pessoas traz tensões e
problemas; por isso, para alguns, a vida isolada é bem mais fácil. Mas o
profeta não foi chamado para pregar aos corvos, e sim aos homens.

aplicação
Qualquer pessoa que deseja servir ao Senhor com frutos que permaneçam precisa
trabalhar e permitir ser trabalhado na área dos relacionamentos interpessoais. Em
outras palavras, ministério eclesiástico é relacionamento.

2. Quando as torrentes secaram, ficou mais atento à voz de


Deus
Mesmo estando em lugar desértico, não era difícil Elias já ter se acostumado
com o suprimento diário. Mas Querite secou, e agora teria que perguntar.
“Para onde, Senhor?”

aplicação

É famoso entre os crentes o pensamento que “quando Deus fecha uma porta, logo
abrirá outra.” Muitas vezes não queremos aceitar certas mudanças de Deus para nós,
daí a necessidade de uma fonte secar, obrigando-nos, por uma questão de
sobrevivência, a mudar de rumo.

3. Foi para ensinar mais sobre Deus


A sabedoria de Deus é multiforme. Alguém já disse que Deus não gosta de
monotonia e que Ele nunca tem um só método de ensino. Por isso, Querite
não poderia revelar tudo a respeito de Deus. É verdade que Elias aprendeu
muito sobre o Deus-Provedor, mas havia muitas outras coisas que o profeta
precisava aprender sobre o Senhor.

aplicação

Há uma frase muito interessante de Martyn Lloyd-Jones sobre a Bíblia e o crente. “Não
há nada que seja mais perigoso para a vida da alma do que sempre ficar lendo as
nossas passagens favoritas, e não somente é um perigo para a alma, é abusar das
Escrituras.” Semelhantes a isso são os crentes e os pregadores que enfatizam sempre
a mesma faceta do caráter de Deus; o que redundará numa espécie de “subnutrição
espiritual”, ou seja, alimentou-se muito de uma coisa, mas esqueceu-se de outra. Faltou
equilíbrio, faltou uma alimentação variada ou balanceada.

III. Elias e a viúva


(1Rs 17.8-16)
“Levanta-te, e vai a Sarepta... eis que eu
ordenei a uma mulher viúva que te sustente.”
(1Reis 17.9)

1. A cidade
Sarepta é comumente identificada com a aldeia moderna de Sarafand, cerca
de 14,5 quilômetros ao sul de Sidom, na costa do mar Mediterrâneo.
Jerônimo diz-nos que o lugar ficava em uma estrada que corria ao longo da
costa marítima, de Tiro e Sidom. E isso colocou Elias em território
estrangeiro, onde ele estaria em segurança (O Antigo Testamento Interpretado,
vol. 2, p.1434). É provável que Elias não conhecesse Sarepta, mas quando
ouviu Sidom, identificou o lugar.

2. A viúva
Uma mulher viúva geralmente não se encontra em boa situação financeira.
Em tempo de fome então é desnecessário comentar! Mas é justamente
alguém assim que Deus escolhe agora para sustentar Seu profeta. Por quê?
Paulo escreveu que “Deus escolheu as coisas loucas do mundo para envergonhar os
sábios e escolheu as coisas fracas do mundo para envergonhar as fortes” (1Co 1.27-
28). Mas, por quê? A resposta é fornecida pelo próprio apóstolo. “A fim de
que ninguém se vanglorie na presença de Deus” (1Co 1.29).

3. Elias
A princípio, Elias parece ter sido extremamente egoísta e desumano com a
viúva. Exigiu que ela trouxesse água para ele, e depois pediu pão. E ainda
mais, pediu que assim que o pão ficasse pronto, o primeiro pedaço fosse
dele. Não é um abuso?
Todavia, devemos olhar para o plano de Deus. Essa viúva não sofreu
nenhum tipo de abuso, pelo contrário, foi uma privilegiada. O próprio
Senhor Jesus se referiu a ela em Lucas 4.25-26 (leia o texto) como uma
escolhida de Deus. Porque além de receber a visita do profeta, ela teve
abundância em tempo de fome, pois  “da panela a farinha não se acabou, e da
botija o azeite não faltou (v.16).
As duas grandes lições desse episódio são.

a. Deus prepara pessoas para ajudar a outras. A viúva já tinha sido


preparada pelo Senhor para receber e atender os pedidos do profeta;
b. A obediência sempre traz recompensa. Mesmo sem entender, ou
quando parecer ilógico, atenda os pedidos do Senhor, pois o fim será
alegria, vitória e paz.

Conclusão
Nosso profeta Elias agora já conhece mais um pouquinho do seu Deus. Ele
usa animais e pessoas para cumprir Seus propósitos. Ele faz uma fonte jorrar
ou secar; usa uma viúva à beira da morte, por causa da fome, para sustentá-
lo. Tudo isso precisava acontecer na vida de Elias, porque grandes desafios
aguardavam pelo profeta.
3
A tragédia que
Elias enfrentou
texto básico 1Reis 17.17-24
versículo-chave 1Reis 17.24

“Então, a mulher disse a Elias: Nisto conheço agora que tu és homem de Deus e
que a palavra do Senhor na tua boca é verdade.”

alvo da lição

  Mostrar que, mesmo no meio de dúvida e dor, o Senhor nunca nos


desampara.

leia a Bíblia diariamente


seg Mt 27.45-54
ter Mc 5.35-43
qua Lc 7.11-17
qui Jo 11.1-27
sex Jo 11.28-46
sáb At 9.36-43
dom At 20.7-12

“Ao anoitecer, pode vir o choro, mas a alegria vem pela manhã” (Sl 30.5). Você
consegue imaginar a alegria de Elias, da viúva e de seu filho, após
a “multiplicação” da farinha e do azeite? (1Rs 17.8-16) Foi um milagre! Após
acontecimentos assim, as pessoas sempre ficam alegres, cantam e saltam de
alegria. Veja Êxodo 14.30-15.2; Salmo 126.1-3; Lucas 19.37; Atos 3.3-7.

Também é muito provável que Elias não tenha pensado que mais problemas
pudessem chegar tão cedo. Afinal, havia comida em abundância num tempo
de seca e fome. Ele tinha um quarto particular com vistas para o mar
Mediterrâneo, o que significava não apenas noites de sono bem melhores
que no deserto de Querite, como proteção contra os enviados de Acabe para
prendê-lo. Por tudo isso, a doença e a morte do filho da viúva não estavam
no “programa” do profeta. Mas... aconteceu!

I. O filho da viúva morreu!


(1Rs 17.17-23)

1. A dor e o questionamento da viúva


(1Rs 17.18)
Qualquer pai ou mãe sofrem muito ao lado de um filho doente. Imagine
quando ele morre! Alguém já disse que essa é uma das maiores dores que
pode visitar o coração humano: a perda de um filho. Para essa viúva não
poderia ser diferente. Período de fome, sem marido e agora sem filho.
Quanta calamidade! A perda do filho significava para ela uma vida de muita
solidão e desesperança, pois enquanto o filho vivesse, poderia contar com
alguém para cuidar dela na velhice. Mas agora, tudo acabou.
Suas perguntas a Elias no verso.18 fazem muito sentido. “Que fiz eu, ó homem
de Deus? Vieste a mim para trazeres à memória a minha iniquidade e matares o meu
filho?” As pessoas sempre associam sofrimento ao pecado (veja Lc 13.4-5; Jo
9.1-2). O fato dela chamar Elias de “homem de Deus” quer dizer que pensava
que o propósito maior de Deus ao enviar o profeta à sua casa não era o de
livrá-la da morte por fome, mas sim punir algum pecado particular oculto,
justamente em cima de seu filho. Observe bem estas duas citações.
- “Tão primitiva ideia de Deus, como alguém que esteja procurando pecados
inconscientes ou há muito esquecidos, fervoroso no trato de estritas
penalidades, está longe de ser morta hoje em dia” (Norman H. Snaith).
- “É principalmente em tempos de adversidade que consideramos
devidamente nosso estado moral; as aflições externas com frequência
produzem profunda sondagem no coração” (Adam Clarke).
Sabemos da lei da semeadura e da colheita (Gl 6.7), que é para todos e para
todas as áreas da vida; e sabemos também que Deus disciplina ou corrige
Seus filhos  (Hb 12.4-6). Mas não podemos associar todo sofrimento ou
tragédia ao pecado. Elias e Eliseu - Homens de Ação é um exemplo claro
dessa afirmação. Ele sofreu todas aquelas perdas e danos não por causa de
seu próprio pecado, porque era “homem íntegro e reto, temente a Deus e que se
desviava do mal” (Elias e Eliseu - Homens de Ação 1.1). E os amigos de Elias
e Eliseu - Homens de Ação tentaram, a todo custo, encontrar uma
explicação para o sofrimento dele. Mas no final, Deus disse a um deles. “A
minha ira se acendeu contra ti e contra os teus dois amigos; porque não dissestes de
mim o que era reto, como o meu servo Elias e Eliseu - Homens de Ação”  (Elias e
Eliseu - Homens de Ação 42.7). Resumindo, os amigos de Elias e Eliseu -
Homens de Ação não conseguiram ver no sofrimento algo além do que um
mero castigo de Deus pelo pecado do homem; não podiam ver um
propósito soberano maior que esse, mas Deus não é um déspota ou um
desmancha-prazeres, que não pode ver um de Seus filhos cometer pecado
sem logo vir para a vingança. Tal pensamento não se encaixa com o caráter
do Deus, que é amor (1Jo 4.8) e cheio de misericórdia (Sl 136.1; Is 55.7).

2. A resposta de Elias
(1Rs 17.19)
Por que Jesus Cristo ressuscitou? Dentre tantas respostas verdadeiras a que
queremos ressaltar é esta. Alguém que começou seu ministério anunciando a
vida não poderia terminá-lo tragado pela morte. Da mesma forma, um
profeta que é enviado à casa de uma viúva, sob a direção de Deus, a fim de
por ela ser sustentado, também não poderia deixar um “saldo” de morte e
dor.
Como era de se esperar, Elias não respondeu às perguntas da viúva.
Enquanto ela estava chocada com a morte do filho, o profeta simplesmente
disse.  “Dá-me o teu filho...”  (v.19). Petersen lembra-nos de que é melhor
conhecer a Deus do que saber o porquê. Sendo assim, a resposta de Elias às
perguntas da viúva foi mais uma vez buscar o socorro Daquele que sabe e
pode todas as coisas.

aplicação

Que tipo de pergunta você faz quando enfrenta sofrimento e dor? Que respostas espera
obter de Deus?
3. A oração de Elias
(1Rs 17.20-21)
“Ó Senhor, meu Deus, também até a esta viúva, com quem me hospedo, afligiste,
matando-lhe o filho?” Entendemos que essas palavras de Elias não significam
acusação, mas, com certeza, uma expressão da enorme surpresa do profeta.
Pois quando ele esperava que ela fosse recompensada por tudo que tinha
feito e estava fazendo em prol dele, o pior acontece. Não cremos que Elias
sabia previamente o que iria acontecer ao filho da viúva. Mas o profeta não
sabe tudo? Não, sabe apenas o que Deus quiser lhe revelar. É interessante
destacar a expressão  “matando-lhe o filho”.  Elias está atribuindo a Deus a
autoria ou a responsabilidade direta da morte do filho da viúva. Então é por
isso que ele ora. Por quê? Porque o Deus que tira a vida é o mesmo que a
concede. Daí o pedido  “faças a alma deste menino tornar a entrar nele”.  E a
certeza do profeta de que Deus irá responder tal oração é tamanha, que ele
não teme a contaminação devido ao contato com um cadáver, prevista na
lei 
(Nm 6.6; 9.6; 19.11). O amor está acima da lei. Mas é o amor genuíno ou
divino, quando derramado em nosso coração.

II. A resposta de Deus e o testemunho da viúva


(1Rs 17.22-24)

1. A resposta de Deus
(1Rs 17.22-23)
“Vê, teu filho vive”  (v.23). Podemos criar em nossa mente essa cena. Elias
trazendo o filho vivo e colocando nos mesmos braços da mãe que poucos
instantes antes o havia entregado morto ao profeta! É claro que temos que
lembrar das palavras de Jesus na ressurreição de Seu amigo Lázaro. “Eu sou a
ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá”  (Jo 11.25).
Pouco antes do milagre, tanto Marta quanto Maria disseram ao Senhor
Jesus. “Se estiveras aqui, meu irmão não teria morrido” 
(Jo 11.21,32). Mas Jesus não queria apenas curar a enfermidade de Lázaro,
o propósito de Deus era maior. Do mesmo modo, o propósito de Deus para
a viúva não era só multiplicar farinha e azeite, mas um feito inédito para ela e
para o profeta: um morto tornou a viver.

2. O testemunho da viúva
(1 Rs 17.24)
“Tu és homem de Deus e a palavra do Senhor na tua boca é verdade”. Elias precisava
ouvir isso? O que significava esse testemunho da viúva na vida e no
ministério do profeta? Primeiro de tudo, essas palavras demonstram que a
paz, a alegria e a fé voltaram ao coração dessa mulher tão sofrida. Elias não
poderia ter deixado uma “má imagem” do seu Deus a essa viúva. E os fatos
são sempre mais fortes que qualquer argumento.
E, por fim, Elias saiu fortalecido de tudo isso. Conheceu mais ainda do seu
Senhor. Estava um pouco mais bem preparado para os novos desafios. Na
verdade, os milagres servem para pelo menos duas coisas:
a. exaltar a glória de Deus;
b. aumentar a fé dos homens (Jo 3.2; 6.14).

Conclusão
Precisamos deixar perguntas para reflexão de cada um. “Será que a palavra
do Senhor na minha boca é verdade? As pessoas estão me dizendo isso? Por
que elas me dizem isso?”
4
Obadias, que temeu muito ao
Senhor
texto básico 1Reis 18.1-19
versículo-chave 1Reis 18.3

“Acabe chamou a Obadias, o mordomo. Obadias temia muito ao Senhor.”

alvo da lição

Mostrar o valor de uma vida de fidelidade ao Senhor mesmo enfrentando as


pressões do povo incrédulo ao nosso redor.

leia a Bíblia diariamente


seg Jr 1.1-19
ter Jr 2.1-19
qua Jr 2.20-37
qui Jr 10.1-25
sex Jr 17.1-11
sáb Jr 19.1-15
dom At 17.16-34

Obadias é mais uma escola pela qual Elias precisava passar. Porque a
tendência de Elias era pensar em si como o único homem fiel perante o
Senhor (veja 1Rs 19.10,14). E mais ainda, precisava aprender que alguém
poderia conservar o temor do Senhor mesmo servindo a um rei perverso
como Acabe (veja 1Rs 16.33).
Deus sempre tinha alguém do outro lado da “linha” no ministério de Elias.
Quando o profeta foi para Querite, Deus havia falado aos corvos; quando foi
a Sarepta, o Senhor já havia preparado a viúva. E agora, quando chega a hora
de ele se reencontrar com Acabe, Obadias já estava preparando o terreno
para o retorno do profeta. Isso nos ensina algo, pois pensar que somos os
únicos em qualquer situação é um terrível engano. Um famoso pregador
certa feita disse que Deus lhe havia dito que ele não poderia falhar, porque
se falhasse, Deus não teria outro. Resultado: ele falhou, mas a obra de Deus
continua sendo realizada.

I. O retorno de Elias
(1Rs 18.1-2)
Comparemos 1Reis 17.3, “Retira-te daqui”, com 1Reis 18.1, “Vai, apresenta-te a
Acabe”! Essas duas palavras do Senhor a Elias demonstram claramente duas
situações opostas. Na primeira, Deus ordena ao profeta se distanciar do rei
perverso; na segunda, a ordem é para se aproximar de Acabe. Na primeira, a
grande seca é predita; na segunda, a chuva vai voltar.
Não deve ter sido fácil para o profeta. Afinal, aos olhos de Acabe, só havia
um responsável por toda aquela calamidade que estava acontecendo, Elias.
Na mente de Acabe, o principal responsável pela falta de verde no campo,
de frutos nas árvores, de pastagem para os animais, pelo solo rachado e
improdutivo e por tantas mortes era o  “perturbador de Israel”  (1Rs 18.17).
Quando deveria pensar que a verdadeira causa de tamanha calamidade era a
idolatria.
Portanto, “apresenta-te a Acabe” era um desafio de vida ou morte para Elias.
Todavia, o nosso profeta era obediente:  “Partiu, pois, Elias a apresentar-se a
Acabe” (1Rs 18.2).

II. Quem era esse Obadias?


(1Rs 18.3-6)
O nome “Obadias” quer dizer “Servo de Deus”. Um nome comum no Antigo
Testamento. Esse Obadias não deve ser confundido com o profeta cujo livro
leva o mesmo nome. Diz-nos o texto que Obadias era  “mordomo”  do rei
Acabe. Isso significa que ele trabalhava diretamente com Acabe. Era o
homem que providenciava alimento, roupas e alojamento para a família real,
assim como para todos os servos e animais do palácio. Podemos dizer que
era homem de confiança do rei. Por isso é que ele entra em cena. Acabe o
chama para que percorram a terra a fim de encontrarem  “erva, para que
salvemos a vida aos cavalos e mulos e não percamos todos os animais” (1Rs 18.5).
Mas temos outra informação sobre Obadias.  “temia muito ao
Senhor”  (1Rs  18.3). A prova disso foi o fato de esconder e alimentar cem
profetas do Senhor, a fim de não serem mortos por Jezabel (1Rs 18.4).
“Com a escassez de pão e água, não seria fácil que Obadias obtivesse o
suficiente para sustentar cem profetas sem ser notado. Mas fez isso, embora
pudesse ser descoberto a qualquer momento” (Petersen).
Você pode perguntar. “Como alguém consegue temer ao Senhor e, ao mesmo tempo,
ser mordomo de um rei idólatra?”  A resposta está na própria história bíblica.
Isto é, da mesma forma como Noé foi homem justo e íntegro entre os seus
contemporâneos, que estavam dominados pela maldade (Gn 6.5,9); como
José serviu a Faraó do Egito e foi reconhecido homem de Deus (Gn 41.37-
45); e também da maneira que Daniel foi fiel ao Senhor no palácio de
Nabucodonosor (Dn 1.8). Também havia cristãos na casa de César (Fp
4.22), a serviço do imperador de Roma, o mesmo que perseguia cristãos.
Onde nossa luz deve brilhar? É claro que deve ser nas trevas. “Para que vos
torneis irrepreensíveis e sinceros, filhos de Deus inculpáveis no meio de uma geração
pervertida e corrupta, na qual resplandeceis como luzeiros no mundo” (Fp 2.15).

aplicação

Você consegue temer ao Senhor no seu trabalho, na sua escola e em seu lar? E com
amigos não crentes?
Mas o que significa temer ao Senhor? A ideia básica é reverência, respeito. É tremer da
Sua palavra
(Is 66.2). É também medo, no sentido de pensar nas consequências de desobedecer a
Deus. Provérbios é um livro que exalta muito o temor do Senhor (veja Pv 15.16; 16.6;
28.14).

III. O encontro de Elias com Obadias


(1Rs 18.7-16)
A primeira atitude de Obadias para com Elias foi de respeito. “Prostrou-se com
o rosto em terra e disse. És tu meu senhor Elias?” (1Rs 18.7). Eles já se conheciam,
mas para Obadias, o profeta Elias já estava morto havia muito tempo (1Rs
18.10). Para Obadias foi uma surpresa encontrar o profeta, mesmo porque
ele estava procurando erva e não um homem.
A palavra de Elias foi um peso para Obadias. “Vai e dize a teu senhor. Eis que aí
está Elias”  (1Rs 18.8). E ele viu nessas palavras o anúncio de sua própria
morte (1Rs 18.9). E de onde vinha esse medo? Obadias achava que o
Espírito do Senhor poderia arrebatar Elias a qualquer momento para outro
lugar (1Rs 18.12). Então, se ele dissesse a Acabe que Elias estava em tal
lugar e, ao verificar, o profeta já não se encontrasse, o rei poderia ver nisso
uma grande mentira; e Obadias pagaria com a própria vida.
“Disse Elias. Tão certo como vive o Senhor dos Exércitos, perante cuja face estou,
deveras, hoje, me apresentarei a ele” (1Rs 18.15). Essa palavra foi uma espécie de
“juramento” por parte do profeta. Ele empenhou sua palavra fazendo uso do
nome do Senhor. Obadias precisava dessa garantia. Mas aqui temos algo
novo. É a primeira vez que Elias se refere a Deus como  “Senhor dos
Exércitos”.  O que há por trás desse nome? No hebraico a expressão Jeová
Sabaoth aparece 247 vezes no Antigo Testamento e apenas duas vezes no
Novo Testamento (Rm 9.29; Tg 5.4), sendo que uma delas é citação direta
de Isaías. Foi um nome muito usado por Isaías, Jeremias, Ageu, Zacarias e
Malaquias, mas não é tão frequente nos primeiros livros do Antigo
Testamento. Qual é a importância de dar destaque a esse nome divino nesta
lição? Ele revela duas facetas importantíssimas do caráter de Deus.

1. Poder
“Exércitos”  se refere principalmente aos exércitos celestiais de anjos que
servem ao Deus Todo-Poderoso. O salmo 24 menciona que Deus é“forte e
poderoso... poderoso nas batalhas” (Sl 24.8,10). As frequentes guerras de Israel
para conquistar Suas promessas e preservar o que foi conquistado fizeram
com que uma verdade fosse revelada: “Um só homem dentre vós perseguirá mil,
pois o Senhor , vosso Deus, é quem peleja por vós, como já vos prometeu” (Js 23.10).
Isso significa que Ele sempre foi o comandante supremo de todo poder
militar em Israel. E mais, Ele entra na batalha, Ele está na batalha.
Você se lembra do que Davi disse a Golias? “Tu vens contra mim com espada, e
com lança, e com escudo; eu, porém, vou contra ti em nome doSenhor dos Exércitos, o
Deus dos exércitos de Israel, a quem tens afrontado”  (1Sm 17.45). Em outras
palavras, o segredo das vitórias de Israel nas batalhas sempre foi este: Seu
Comandante é muito bom! Resumindo, Deus tem um exército, Ele
comanda esse exército para pelejar no céu e na terra, em favor do Seu povo.

2. Santidade
A visão que Isaías teve de Deus no capítulo seis é mais que suficiente para a
nossa segunda afirmativa. “No ano da morte do rei Uzias, eu vi o Senhor assentado
sobre um alto e sublime trono... Serafins estavam por cima dele... E clamavam uns para
os outros, dizendo. Santo, santo, santo é oSenhor dos Exércitos; toda a terra está cheia
da sua glória”  (Is 6.1-3). Alguém já disse que a santidade de Deus é Seu
principal atributo. Por isso, o Deus que nos protege é o mesmo que pede de
nós santidade de vida (1Pe 1.16). É um desafio constante!
Elias, então, estava dizendo a Obadias estas duas verdades acerca do Deus
que ambos serviam. Deus está nos guardando e nos protegendo com Seu
exército; Ele é um Deus santo, por isso não posso mentir na presença Dele,
pois estou “perante Sua face”. Não temas, Obadias, Elias não sumirá.

aplicação

Reflita com sua classe: O seu Deus é o Senhor dos Exércitos? Que implicações isso
tem em sua vida diária? Poder e santidade andam juntos mesmo?

IV. Elias perante Acabe


(1Rs 18.17-19)
“És tu, ó perturbador de Israel?”  (1Rs 18.17) Que maneira mais estranha de
tratar um profeta! Entretanto, como é Acabe, a gente entende! Afinal, o rei
estava perante o homem que havia profetizado três anos de seca e fome. Há
uma nota de rodapé na Bíblia Vida Nova para esse versículo que é
formidável, e não podemos deixar de mencioná-la aqui. “O pecador nunca
reconhece que é ele mesmo quem perturba o seu próprio íntimo, sua própria
saúde, e seu próprio ambiente social. Sempre culpa quem lhe desperta a
consciência. É por isso que a psicologia pagã, vendo as pessoas perturbadas
por um senso de culpa, admite abolir toda a moralidade, julgando que com a
ausência da lei moral o pecado jamais preocuparia, uma vez que o ilícito
passaria a ser lícito. Mas sendo Deus justo e o homem pecador, tal inversão
seria uma aberração moral.”
Entretanto, a resposta de Elias no verso 18 mostra que ele fora preparado
pelo Senhor para este memorável encontro. Porque ao invés de sentir medo
e tremer, ele ousadamente retrucou. “Eu não tenho perturbado a Israel, mas tu e
a casa de teu pai, porque deixastes os mandamentos do Senhor e seguistes os baalins.”

Os baalins
Era o nome coletivo para Baal, que no paganismo de Canaã era considerado
o deus das chuvas e do fogo. Havia santuários construídos para adorar esse
“deus da fertilidade”. Essa adoração incluía os piores abusos sexuais e o
sacrifício de crianças (veja Jr 19.5).
E quem foi a grande incentivadora do culto a Baal? Jezabel, a esposa do
homem que está culpando o profeta pela calamidade em Israel.
A dimensão dessa terrível idolatria era tamanha que Elias, ao lançar o
desafio, que será estudado na próxima lição, mencionou quatrocentos e
cinquenta profetas de Baal (1Rs 18.19). É muita gente! Por aí podemos
perceber a influência do paganismo em Israel e a necessidade de um castigo
divino, e também a necessidade do desafio público e final de Elias
aos “profetas do poste-ídolo que comem da mesa de Jezabel” (1Rs 18.19).

Conclusão
No palácio, Acabe convivia com Obadias, que temia muito ao Senhor, e com
Jezabel, adoradora de Baal. Concluímos que desse rei poderia se dizer que
ele “acendia uma vela para Deus e outra para o diabo”. Mas ninguém pode
servir a dois senhores (Mt 6.24). Deus não quer concorrente; mesmo
porque não existe concorrente. Há um só Deus.

aplicação

Sejamos como Obadias, e colheremos os frutos da fidelidade a Deus, mesmo morando


no meio de uma geração má e idólatra.
5
O desafio no
monte Carmelo
texto básico 1Reis 18.20-40
versículo-chave 1Reis 18.37

“Responde-me, Senhor, responde-me, para que este povo saiba que tu, Senhor,
és Deus e que a ti fizeste retroceder o coração deles."

alvo da lição

Mostrar que o verdadeiro Deus é um Deus que intervém e acode os Seus filhos
quando estes clamam por Ele.

leia a Bíblia diariamente


seg Rm 12.1-21
ter Ef 4.17-24
qua Am 5.21-27
qui Hb 10.19-25
sex Jl 2.12-27
sáb 1Rs 18.1-19
dom 2Cr 29.1-11

Este trecho da palavra de Deus (1Rs 18.20-40) relata um incidente


dramático e impressionante, que poderíamos chamar aqui de “uma prova de
fogo”. Um só homem de Deus enfrenta uma multidão de idólatras, e os
vence completamente.
Fazendo uma leitura cuidadosa do texto, podemos notar a diferença entre a
conduta dos adoradores de Baal (v.26-29) e a do profeta Elias (v.30-37).
• adoradores de Baal  - fanatismo, histeria, esforço físico e descontrole
emocional;
• Elias  - serenidade, confiança, desprezo pelos recursos dos idólatras, ao
mesmo tempo não hesita em tornar ainda mais difíceis as condições em
que o Senhor Deus vai vencer.
Como povo de Deus, buscamos quase sempre o caminho mais fácil e mais
curto para alcançarmos uma graça de Deus, mas não foi assim com Elias: ele
dificultou os meios naturais para alcançar uma bênção sobrenatural.
O que levou Elias a desafiar publicamente os profetas de Baal no monte
Carmelo? Gostaria de destacar pelo menos três preocupações de Elias.

I. A idolatria que Acabe promoveu em Israel


(1Rs 18.18-20)
Há vários aspectos que devemos notar.

1. Elias entendeu que Acabe era responsável por aquele


momento de apostasia em que a nação de Israel estava
vivendo.  “Porque deixastes os mandamentos do Senhor e seguistes os
baalins” (1Rs 18.18).

2. O culto a Baal estava em plena ascensão


A família real sustentava aqueles homens (profetas de Baal), que tinham
assim liberdade de atender ao culto a Baal, com suas muitas ramificações e
manifestações locais (1Rs 18.19; Jr 2.8).

3. Acabe estava muito confiante em seu falso culto


Ele tinha abandonado os mandamentos do Deus Eterno e estava adorando
as imagens de Baal (2Cr 28.22-23).

4. Acabe pensava que Jeová era uma fraude e que Baal era o
verdadeiro Senhor
Ele não hesitou em reunir todos os sacerdotes para demonstrar isso na
presença de Elias (1Rs 18.20). Acabe estava ansioso por armar o palco e
estava estupidamente seguro de sua vitória (Jd 10-12).

aplicação

Elias não podia concordar com o que estava acontecendo em seus dias. Ainda hoje,
Deus deseja que homens verdadeiramente cristãos se levantem para denunciar a
idolatria dominante em nosso país. Homens que não se curvem diante de uma falsa
proposta de cristianismo (2Co 2.17).

II. A indecisão do povo de Deus


(1Rs 18.21-29)
O Asno de Buridan é uma pequena parábola que Jean Buridan inventou para
falar da dificuldade de tomar uma decisão quando somos forçados a escolher
entre duas alternativas que parecem igualmente boas. Como escolher entre
duas possibilidades igualmente prováveis?
A parábola nos conta que o pequeno animal foi colocado diante de dois
montes de feno. Eram ambos muito atraentes e de aparência deliciosa. Ele
olhava ora para um, ora para o outro, mas não se decidia. A lição aprendida é
que ele não conseguiu se decidir por nenhum deles e acabou morrendo de
fome. Assim estava o povo de Israel, como o asno de Buridan, “coxeando entre
dois senhores”.  Elias, portanto, convocou o povo a tomar uma decisão (1Rs
18.21).
“Até quando coxeareis entre dois senhores?” A versão inglesa da Bíblia King James
diz. “ficareis estacionados entre duas possibilidades?” Deus já não podia suportar
tamanha indecisão por parte do povo, por isso mandara o profeta Elias para
pôr fim àquela situação incômoda (1Rs 18.24). O povo de Israel estava
aleijado por causa de sua hesitação.
R. N. Champlin, em seu comentário  “O Antigo Testamento
Interpretado”, apresenta lições morais nos versos 21-29.
1. Deus é um Deus de poder e de mudanças súbitas. Ele é um Deus de
intervenção.
2. Nas questões morais, a estrada do meio nem sempre é a correta. Os
homens espirituais devem ser homens de convicções inarredáveis (ver Mt
12.25).

aplicação

Quando olho para o nosso povo, vejo quase que a mesma indecisão. Vejo um povo
desesperado correndo de um lado para outro à procura de novidades (Js 24.14,15). Há
uma urgente necessidade dos cristãos escolherem de que lado vão ficar. Deus ou Baal;
com a Palavra ou com os pregadores de novidades; com o Senhor Jesus ou com o
mundo (Mt 6.24; 1Jo 2.15).
III. A restauração do altar do Senhor
(1Rs 18.30-40)
A necessidade de restabelecer o verdadeiro culto a Deus em Israel talvez
tenha sido a maior preocupação do profeta do Senhor.

1. Elias não podia se conformar com aquela situação


Ver o altar do Senhor derrubado (sem sacrifício, sem holocausto, sem
culto...), outros deuses sendo objetos de adoração em Israel (1Rs 18.26-31).
Quem estamos cultuando em terras brasileiras? A quem estamos oferecendo
o nosso culto?

2. Elias queria que tudo acontecesse dentro da mais perfeita


transparência
O profeta do Senhor preparou o altar com o maior cuidado, à plena vista de
todos, aos quais ele pediu que se aproximassem e observassem (1Rs 18.30-
35).

3. Elias restaurou o altar do Senhor na presença de todos


Não houve fraude, nem truque, nem obra mágica que pudesse fazer alguma
coisa surpreendente (ilusória). Não podemos nos esquecer que no monte
Carmelo havia um altar sagrado que havia sido quebrado pelos pagãos e,
assim, caíra em desuso (Is 30.29).

aplicação

E nós? Estamos testemunhando publicamente a restauração da nossa vida como


templo da habitação de Deus? (1Co 3.16).

4. O milagre aconteceu para que o povo soubesse que Deus é o


Senhor
“Ouve-me, ó Deus! Convence este povo!” Essa foi a petição de Elias. Ele era um
profeta de Deus, em favor do povo. Se o coração deles tivesse de ser atraído
para os antigos caminhos somente o Senhor poderia permiti-lo (1Rs 18.36-
38).
aplicação

Há um contraste entre a oração dos profetas de Baal e a de Elias. Eles mostravam a


estupidez da fé religiosa por meio do absurdo dos seus atos; por outro lado vimos a
oração de Elias tão simples, sem ruído, sem frenesi. Há nisso, por certo, uma lição
preciosa para alguns segmentos da igreja cristã, que dependem tanto de cultos
caracterizados pelo frenesi a fim de chamar a atenção do Espírito Santo.

Conclusão
Deus tinha fortes razões para permitir aquele episódio no monte Carmelo.

1. Precisava ficar claro que Ele não divide a Sua honra com ninguém.
2. Deus não pode usar um povo ou uma nação que ainda não decidiu de que
lado vai ficar. “Escolhei, hoje, a quem sirvais” (Js 24.15).
3. Para se conviver com o Deus Santo é preciso viver uma vida de santidade,
afastando-se de todo tipo de idolatria.
4. Deus precisava mostrar para mim e para você que ousadia, determinação,
coragem, convicção de fé e obediência à sua Palavra são qualidades
indispensáveis a todos aqueles que querem servi-Lo fielmente.
6
Elias, um homem
poderoso na oração
texto básico 1Reis 18.41-46
versículo-chave 1Reis 18.36

“Ó Senhor, Deus de Abraão, de Isaque e de Israel, fique, hoje, sabido que tu és


Deus em Israel, e que eu sou teu servo e que, segundo a tua palavra, fiz todas
estas coisas.”

alvo da lição

Mostrar que a oração é tão importante para os nossos dias como fora para os
dias dos profetas e que é por meio dela que chegamos à presença do Pai.

leia a Bíblia diariamente


seg 2Cr 7.1-22
ter Ne 1.1-11
qua At 4.23-31
qui Dn 9.1-19
sex Mt 7.7-12
sáb Ef 3.14-21
dom Tg 5.12-20

Quais são os motivos que têm levado o nosso povo para os cultos de
oração em nossas igrejas? Com a devida permissão, gostaria de relacionar
alguns pedidos de oração que têm chegado até mim, para interceder por
eles.
• Peço oração pelo (...) que está necessitando de uma cirurgia e também por
mim, para que eu tenha uma vida cada vez mais consagrada ao Senhor. E,
ainda, pelo crescimento espiritual de toda minha família.
• Peço oração especial por minha vida e por minha filha (...), para que
estejamos mais firmes na fé e para que tenhamos forças espirituais. Para
que Deus me dê sabedoria nos atos e palavras, humildade e paciência,
para que eu possa educá-la da melhor maneira possível.
• Peço oração para que o Senhor abençoe a (...), para que ela encontre paz
no seu lar e entre a sua família e para que ela possa encontrar uma nova
casa para mudar até outubro. Quero agradecer a Deus pela bolsa de
estudo que o Senhor concedeu a (...), impedindo-a de trancar a matrícula
na faculdade.
Para compreendermos a amplitude e relevância do tema oração, se faz
necessário responder a algumas questões preliminares.

1. O que é orar?
É falar com Deus. “É declarar lealdade a uma realidade espiritual que está
acima e além do terreno humano, do autoesforço e do controle”.

2. Já aprendemos a orar como convém?


A Bíblia diz que o Espírito Santo intercede por nós (ora por nós), porque
ainda não sabemos orar como convém (Rm 8.26). Nossa primeira oração
precisa simplesmente dizer a Deus. “O, Deus, ajuda-me a orar, porque não
sei orar por mim mesmo”.

3. Toda oração é sincera?


A oração pode ser idólatra, como a adoração de falsos deuses. Por exemplo,
os profetas de Baal. Portanto, quando falamos em oração, precisamos
qualificar o que queremos dizer, ligando-a ao caráter do próprio Deus (1Cr
29.17).
A título de melhor compreensão da vida e ministério de oração do profeta
Elias, destaco quatro aspectos interessantes.

I. Elias manda o rei Acabe comer


(1Rs 18.41)
1. O convite feito a Acabe tinha como motivo celebrar com comida e bebida
o fim daquele período de três anos e meio de seca e fome.
2. A chuva já vinha à distância, rugindo com grande força. A palavra
hebraica usada aqui é a que expressa pesadas chuvas sazonais (Ed 10.9).
3. A chuva que estava para cair foi a prova final de que o Senhor era o Deus
de Israel. Ele tinha respondido à petição de Seu profeta (1Rs 17.24).

II. Elias se retira para orar


(1Rs 18.42)
Dois detalhes nos chamam a atenção na oração do profeta do Senhor.

1. Um lugar estranho
Enquanto o rei Acabe comeu e expressou a sua alegria, Elias subiu para o
topo do monte Carmelo (v.42). Faz-nos lembrar como Moisés tinha o
hábito de falar com Deus no topo do monte Sinai (Êx 31.18 e 32.1) e como
Jesus gostava de subir ao monte das Oliveiras para Seus momentos a sós
com Deus (Jo 8.1 e Mc 1.35).

aplicação

Qual é o seu lugar preferido para oração? A igreja, sua casa ou um lugar deserto onde
você possa abrir o seu coração e derramar a sua alma perante o Senhor?

2. Uma postura estranha


Encurvado para a terra, meteu o rosto entre os joelhos. “Ele se ajoelhou e então
se inclinou com a cabeça em terra, de tal modo que, enquanto seu rosto estava entre os
joelhos, sua testa tocava o solo”  (Adam Clark). Tal postura provava a
intensidade de seu espírito de oração e devoção a Deus (Js 7.6-11; Tg 5.17-
18).

III. Elias enviou seu servo a espiar


(1Rs 18.43)
Depois de orar fervorosamente, Elias esperava ansiosamente pela resposta
de sua oração (uma espécie de indicação de que seria respondida).
Por isso, ele pediu ao seu servo que fosse e olhasse na direção do mar
Mediterrâneo, em busca de algum sinal de chuva. O rapaz foi e nada viu.
Elias o enviou por sete vezes, mas mesmo na sexta vez ele nada viu. “Quão
humana é essa cena. Continuamos buscando e esperando sinais e indicações
que nos digam se as nossas orações foram ouvidas e respondidas” (George
Croly).
A oração de Elias continuava sem resposta. Contudo, ele não desistiu. Ele se
mostrou persistente em sua oração, aceitando plenamente as condições
demonstradas em Tiago 5.16, que diz. “Muito pode, por sua eficácia, a súplica do
justo” e Tiagou 5.17. “E orou, com instância”. As respostas às nossas orações
são dadas no tempo de Deus e não no nosso. A nós, só nos cabe esperar.

IV. Elias experimenta as bênçãos da chuva


(1Rs 18.44-46)
A oração repetida e o sétimo exame revelaram a existência de uma pequena
nuvem. E a pequena nuvem produziu uma poderosa chuva. Era a graça
interventora de Deus (1Rs 18.44). Deus pode transformar pequenas coisas
em grandes bênçãos.
Um milagre constante. Tão cheio de poder estava Elias, da parte de Deus,
tão aumentadas tinham sido as suas forças físicas, que ele pôde ultrapassar
Acabe até Jezreel. Elias, o homem de Deus, foi capaz de correr mais do que
os cavalos, naquela maratona de 32 quilômetros. Que surpresa para Acabe,
Elias chegou na frente (1Rs 18.46).
Qual o motivo da corrida de Elias para aquela cidade?

1. Elias estava transbordante de alegria. Ele obteve uma grande resposta à


sua oração. Quando obtemos uma grande resposta às nossas orações,
sentimos que podemos saltar até muralhas (Êx 15.1-2).
2. Ele foi até Jezreel para anunciar como o Senhor tinha feito grandes coisas
(Sl 126.1-3). Ele era um mensageiro da alegria.

Conclusão
Uma grande lição que fica para todos nós que amamos ao Senhor e
gostamos de falar com Ele por meio da oração é que “há uma força
divinamente concedida e um suprimento para aqueles que oram. Grandes
vitórias nos são outorgadas, ocasionalmente. E esses são dias gloriosos”.

aplicação
“Ter verdadeira comunicação com Deus envolve mais do que proferir palavras, mesmo
quando são as belas palavras do Livro de Oração. Isso é assim, porque a verdadeira
comunicação envolve dar e receber de ambas as partes, para que elas se sintonizem
uma à outra”.

Elias nos ensina que a oração se tornou um exercício diário para manter uma
vida de transparência diante de Deus, o contrário do que se vê em nossos
dias. Vivemos numa época em que a oração se tornou um exercício
obrigatório de cerimônias vazias e de palavras sem sentido (1Rs 17.21-22 e
24).
7
Elias, um crente
deprimido
texto básico 1Reis 19.1-18
versículo-chave Salmo 4.1

“Na angústia, me tens aliviado; tem misericórdia de mim e ouve a minha oração.”

alvo da lição

Mostrar ao aluno como o Senhor trouxe conforto e ânimo no meio da depressão


e desespero.

leia a Bíblia diariamente


seg 1Rs 18.41-46
ter 1Rs 19.1-8
qua 1Rs 19.9-18
qui Mc 14.32-42
sex 2Tm 4.9-18
sáb Sl 139.1-6
dom Jl 2.23-27

“Elias se assentou debaixo de um zimbro; e pediu para si a morte e disse. Basta” –


“Não aguento mais!”.
“E eis que lhe veio a palavra do Senhor e lhe disse. Que fazes aqui, Elias?”
(1Reis 19.4,9)

Você já ficou desanimado? Pior ainda, você já passou por períodos de


depressão? Como é bom saber que você está em boa companhia! Elias,
também teve seus momentos quando “ficou na fossa” – tão deprimido, que
teve tendências de  “jogar a toalha”  –  “Basta; toma agora, ó Senhor, a minha
alma”. Se você é semelhante a Elias, então esta lição é para você!
O reino do Norte – Israel – estava numa situação triste. Acabe era um rei
mole, fraco espiritualmente, e dominado pela sua esposa, Jezabel, que havia
introduzido o culto ao falso deus Baal.

Elias tinha um ministério de juízo. Sua fé havia sido testada no monte


Carmelo, de onde ele saiu vitorioso. Ele era um gigante em oração. Mas a
rainha Jezabel estava ameaçando a sua vida e mandou-lhe um aviso de
morte. Elias ficou desesperado e fugiu de Israel, atravessou Judá e,
desanimado, foi para Berseba, onde caiu numa grande depressão.

Quem poderia imaginar esta cena? Justamente depois da grande vitória que
Elias conseguiu no monte Carmelo sobre os profetas de Baal (que
estudamos na última lição) e o Nome do Senhor foi vindicado, e o fogo caiu
do céu! Elias pediu chuva, e voltou a chover.

I. Quatro fatores da depressão

1. Elias sentiu-se fracassado


“Basta; toma agora, ó Senhor, a minha alma, pois não sou melhor do que meus pais” 
(1Rs 19.4). Apesar da vitória contra os falsos profetas, apesar da exclamação
do povo – “O Senhor é Deus! O Senhor é Deus” (1Rs 18.39) – Acabe e Jezabel
continuaram como antes – não houve nenhuma mudança de coração. Elias
sentiu um grande fracasso.

2. Elias sentiu solidão


“Eu fiquei só”  (1Rs 19.10,14). Duas vezes ouvimos Elias expressando a sua
solidão. Quantas vezes na obra do Senhor a gente se sente sozinho!
Ninguém está nos apoiando. É exatamente nesse momento que Satanás nos
derruba. Paulo teve a mesma experiência no fim da sua vida.  “Na minha
primeira defesa, ninguém foi a meu favor; antes, todos me abandonaram”  (2Tm
4.16). E essa foi a experiência do próprio Senhor Jesus no Jardim de
Getsêmani, como Isaías profetizara.  “O lagar, eu o pisei sozinho, e dos povos
nenhum homem se achava comigo”  (Is 63.3) – nem os próprios discípulos,
Pedro, João e Tiago.
3. Elias sentiu cansaço
(1Rs 18.46)
Elias enfrentou luta, exaustão, tensão no monte Carmelo; depois, no fim do
dia, correu 25 km adiante Acabe (1Rs 18.46). Podemos imaginar como ele
chegou completamente exausto! Muitas vezes, apesar de ter experimentado
vitória em nosso serviço para o Senhor, quando estamos exaustos
fisicamente Satanás aproveita para nos derrubar.

4. Elias enfrentou perigo físico


(1Rs 19.2)
“... e procuram tirar-me a vida” (1Rs 19.14). Jezabel ameaçou matá-lo. Mas eu
não acredito que ela faria isso – ela não daria um dia de aviso – teria
mandado soldados na hora para prendê-lo, em vez de enviar um mensageiro.
Ela não teria coragem porque o povo agora estava ao lado dele. Entretanto
era uma situação difícil para Elias.
Mas é bom recordar uma declaração do grande pioneiro missionário para a
Índia no século 19, Henry Martyn. “Enquanto Deus tem uma obra para eu
fazer, não posso morrer”. Dificuldades vão nos cercar – muitas vezes vamos
nos achar como Elias – “debaixo de um zimbro”, mas Deus está no controle.

II. Como Deus tratou de Elias

Deus não o abandonou. Veja como o Senhor tratou com Elias, com tanto
amor e compreensão. “Como um pai se compadece de seus filhos, assim o Senhor se
compadece dos que o temem. Pois Ele conhece a nossa estrutura e sabe que somos
pó” (Sl 103.13-14).

1. Uma boa refeição (v.6)


2. Uma boa noite de sono (v.6)
3. Mais uma boa refeição (v.7 e 8)
4. Volta para o lugar de revelação (v.8-15)

Elias superou seu estado depressivo, porque Deus o mandou para o lugar de
revelação no monte Horebe – “o monte de Deus” (v.8). A revelação essa vez
não foi do tipo normal do seu ministério (terremoto e fogo), mas “num cicio
tranquilo e suave”. Apesar de tudo, Deus não o abandonou. Ainda há muito
serviço para fazer para o Senhor.

III. Resultados na vida de Elias

1. Sua visão foi restaurada (v.13)


2. Sua vocação foi renovada (v.15)
3. Ele voltou para o serviço em Israel (v.15-18)
“Vai, volta ao teu caminho” – para a esfera do seu serviço. Nossa peregrinação
espiritual não nos leva para o monte Horebe, mas para um outro monte, o
Calvário – onde a revelação suprema de Deus foi dada. Esse é o lugar onde
podemos compartilhar com Cristo a Sua morte. Nosso problema maior é o
nosso relacionamento com Cristo.
Quando ficamos deprimidos, precisamos de uma nova visão de Cristo.

4. Seu novo colega


(v.16,19-21)
Agora a tarefa é mais fácil – antes Elias tinha um servo, agora tem um colega,
na pessoa de Eliseu.

5. Sua nova confiança no Senhor


(v.18)
Elias descobriu que não estava sozinho – o Senhor deu-lhe uma palavra de
conforto. “Conservei em Israel sete mil, todos os joelhos que não se dobraram a Baal”.

Conclusão
“Vai, volta ao teu caminho” – ainda há muito serviço para fazer para o Senhor.
Apesar das dificuldades, lutas, desânimo e, às vezes, desespero, vamos
voltar, restaurados e com uma nova visão daquilo que o Senhor quer fazer
por meio de nós.

aplicação
Não se esqueça da promessa do Senhor. “Restituir-vos-ei os anos que foram
consumidos pelo gafanhoto migrador” (Jl 2.25).
8
A chamada de
um líder-servo
texto básico 1Reis 19.15-21
versículo-chave 1Reis 19.21

“Voltou Eliseu de seguir a Elias, tomou a junta de bois, e os imolou, e, com os


aparelhos dos bois, cozeu as carnes, e as deu ao povo, e comeram. Então, se
dispôs, e seguiu a Elias, e o servia.”

alvo da lição

Cooperar na compreensão da natureza do chamado ministerial e desafiar o


aluno a atender o chamado de Deus para sua vida pessoal.

leia a Bíblia diariamente


seg 2Co 5.11-17
ter 2Co 5.18-21
qua Rm 1.14-17
qui At 1.6-11
sex Mc 16. 14-18
sáb Jo 4.31-38
dom Rm 10.9-17

Você se lembra do contexto em que a história do chamado de Eliseu


aconteceu? Dois elementos bastante sérios faziam pensar que o Senhor não
estava mais chamando pessoas para a obra do ministério.

1. Os tempos eram bastante difíceis, com extraordinário afastamento de


Deus e influência do mundo dentro da comunidade do povo de Deus.
Pense um pouco sobre a situação no reinado de Acabe e a maneira como
o povo de Israel estava influenciado pelo sistema religioso e secular do
mundo ao redor.
2. O profeta Elias estava cansado, desanimado e deprimido, e isso lhe fazia
crer que estava de fato sozinho, que não haveria mais profetas, que era o
tempo do fim.

O que o Senhor faz é mostrar a Elias que Ele está no controle e que,
soberanamente, continua chamando para Sua obra aqueles a quem Ele
deseja usar, no lugar onde Ele os deseja colocar (veja v.15-18).
Há momentos em que a igreja também parece duvidar que o Senhor
continua chamando “obreiros para a seara”. Parece que chamado vocacional
para ministério pastoral, ministério em educação cristã (especialmente
educação infantil) ou missões é questão de moda – fase. E o mais incrível é
que parece que a fase nunca é agora. A verdade é que o Senhor declara que o
campo está branco para a ceifa (Jo 4.35) e que hoje é o dia de salvação (2Co
6.2).

Vamos estudar na lição de hoje alguns princípios bastante importantes sobre


vocação, chamado específico de Deus para Sua obra, esperando aplicá-los
diretamente a nossa realidade.

I. O chamado de Deus geralmente alcança pessoas ocupadas


(1Rs 19.19)
Quando o assunto é chamado ministerial, a ideia geral parece ser de que
Deus pode chamar os outros, mas não faria isso conosco. De onde vem essa
ideia? Geralmente vem do fato que estamos já ocupados. Quando somos
jovens, estamos ocupados em construir nossos sonhos, estudar, arrumar
bom emprego, fazer o futuro. Quando somos mais maduros, aí então não faz
sentido um chamado pois estamos já no mercado de trabalho, com família
estruturada, com projetos em andamento. Do ponto de vista de Deus, as
coisas não são bem assim. Veja o que aconteceu com Moisés, com Isaías,
com os discípulos do Senhor Jesus!
Eliseu vivia numa fazenda no município de Abel-Meolá (lugar de festa). Ele
devia ser de uma família rica. Suas terras eram férteis (irrigadas pelo
Jordão), e quase não sofreram com a seca mencionada nos capítulos
anteriores à nossa história. Elias o encontrou na companhia de outros onze
homens lavrando a terra - todos estavam trabalhando - e foi entre eles que
Deus chamou um para servir como profeta.
Ainda hoje, as pessoas a quem o Senhor decide usar em Sua obra são
trabalhadores, pessoas que vão abrir mão de seus muitos sonhos - ou da
realidade construída após a fase de sonhos da adolescência. Os
vocacionados podem estar num cursinho pré-vestibular, numa fábrica, numa
universidade, numa fazenda. O projeto que Deus tem para nossa vida é tão
extraordinário que nem faz sentido preocupar-nos com o que estamos
fazendo, ainda que aos nossos olhos e de nossos familiares e amigos pareça
ser tão importante. O que importa não é o que estamos fazendo, mas o que
Deus nos chama para fazer!

II. O chamado de Deus é feito com autoridade e urgência


(1Rs 19.19-20)
Não é fácil saber exatamente o que se passava na mente de Elias quando se
aproximou de Eliseu e lançou sua própria capa sobre ele. Não sabemos se
eles se conheciam, e tudo leva a crer que eram pessoas bastante diferentes,
mas havia uma ordem do Senhor dada a Elias que devia ser obedecida (1Rs
19.16).
Por outro lado, Eliseu sabia bem o que significava o ato praticado por Elias.
Isso é evidente na reação imediata de Eliseu (1Rs 19.20) e nas palavras de
Elias (1Rs  19.20). A um cabia a obediência em ungir, e ao outro cabia o
dever de seguir imediatamente na base do chamado (ordem) que lhe fora
comunicado.
Assim como Eliseu, nós sabemos bem quando Deus está nos incomodando
o coração e chamando para Sua obra. Embora muitos irmãos usem a
desculpa de que é difícil saber a vontade do Senhor, a verdade é que
geralmente sabemos bem o que Ele quer, mas apenas não estamos prontos a
obedecer.
A concessão de Elias que permite a Eliseu  “beijar seu pai e sua mãe” parece
incoerente com o chamado de Jesus aos discípulos (Mt 8.21-22). A verdade,
porém, é que, no caso do candidato a discípulo de Jesus, o que ele dizia é
que Jesus não era sua prioridade – quando seus pais morressem e fossem
sepultados, então ele seguiria a Jesus. O caso é de desculpa e falta de senso
de urgência – algo muito parecido com o que acontece bastante em nosso
meio quando pessoas que sabem que são chamadas por Deus para o
ministério ficam adiando indefinidamente o dia quando finalmente irão
obedecer. Isso é pecado e rebeldia contra o Senhor, e demonstra falta de
compreensão da natureza da obra do ministério.
No caso de Eliseu foi diferente. Tratava-se de alguém que “imediatamente”
deixou os bois, “correu” após Elias, e demonstrou seu carinho e
compromisso com os seus pais, justamente conforme o princípio bíblico: se
alguém não é fiel com os de sua própria casa, não tem autoridade para sair
por aí dizendo-se ministro de Deus. Em ambos os casos trata-se de uma
ordem daquele que pode dar ordens e de imediata obediência ou evidente
rebeldia contra o Senhor.

III. O chamado de Deus é motivo de celebração


(1Rs 19.21)
Ouve-se com bastante frequência em nosso meio alguém lamentando a
chamada de um irmão ou irmã para o ministério. Há casos em que a pessoa
que faz comentários negativos é alguém que teve experiência pessoal difícil
no ministério, ou acompanhou outros que exerciam o ministério em
contexto de muito sofrimento ou murmuração. O problema com essa
atitude é que fica a impressão de que Deus não é amoroso, ou que Sua
vontade não é “boa, perfeita e agradável” (conf. Rm 12.2).
A festa de despedida de Eliseu foi grande e não deixava dúvidas acerca de
suas intenções – ele sacrificava aquilo que representava sua vida anterior ao
chamado (matando mesmo!), celebrava seu chamado, e declarava a todos a
mudança de rumo na sua vida. Não haveria como olhar para trás porque os
bois haviam sido sacrificados, os aparelhos de trabalho haviam sido
queimados, e tudo aquilo era passado – história de um outro momento em
sua vida.
Devemos lamentar que tantos irmãos que já “sentiram o manto de Elias”
sobre os seus ombros continuam divididos, sempre temerosos de sacrificar
“os seus bois”. Ainda mais triste é que a própria igreja e os pastores tão
consistentemente estão aconselhando os jovens a seguirem esse caminho,
justificando a atitude pelo fato de vivermos dias difíceis. Por certo nossos
dias não são mais difíceis ou incertos do que os tempos do chamado de
Eliseu (basta olhar o contexto para ver as evidências disso!), e ainda
hoje “Ninguém que, tendo posto a mão no arado, olha para trás é apto para o reino de
Deus” (Lc 9.62).

IV. O chamado de Deus visa formar servos


(1Rs 19.21 e 2Rs 3.11)
Se o texto terminasse sem a parte final do verso 21, facilmente pensaríamos
que Eliseu havia sido chamado para ser honrado (promovido) – que ir para
o ministério seria coisa fácil. O texto bíblico nos informa, porém, que Eliseu
inicia sua carreira numa atitude de servo (e observe-se que não é
apresentado como o “famoso servo do Senhor”, mas como o servo de Elias).
Elias e Eliseu andaram juntos por 10 anos (um longo período de formação
que parece que as pessoas lutam muito para evitar), instruindo o povo na
adoração ao Deus verdadeiro, confrontando a idolatria e opondo-se à
corrupção moral e social que destruía a nação. Juntos eles abriram a Escola
dos Profetas (um verdadeiro seminário!), ensinando-lhes a Lei do Senhor e
preparando-os para servir ao Senhor na obra do ministério.
Pessoas que sentem o chamado do Senhor devem iniciar seu preparo
aprendendo a se tornarem servos – a autoridade ministerial é constituída na
base de um coração de servo. Não devem precipitar-se na busca de posições
honrosas ou títulos de reconhecimento humano. Depois de dez anos, então,
Eliseu havia aprendido o sentido do ministério e estava pronto para assumir
– e o faz numa atitude muito semelhante à de Josué, sucessor de Moisés,
conforme Deuteronômio 31.1-8. O desejo de ter “porção dobrada do espírito de
Elias”demonstrava que havia admiração e respeito pelo ministério daquele
que era mais velho, e que o caminho que sonhava para sua vida passava
exatamente pelos mesmos caminhos dele.

Conclusão
O solitário (e às vezes melancólico) profeta Elias não apenas é livre da
morte na experiência do monte Horebe. Deus lhe dá um companheiro
“festeiro” (Abel-Meolá significa lugar de festa) e ousado, e juntos acabam
formando um batalhão de profetas prontos para uma mudança profunda na
nação.
Elias não teme investir na pessoa de Eliseu, e este dá sequência a um projeto
maravilhoso que o Senhor havia passado como visão a Elias.
aplicação

Será que nossas igrejas (e nossos pastores) podem entender a importância de investir
em candidatos ao ministério? Quem sabe há pessoas como Eliseu em nossa escola
bíblica, chamadas pelo Senhor, prontas a mudar de vida radicalmente em obediência a
Deus e para a glória Dele!
9
Controlando os
desejos do coração
texto básico 1Reis 21.1-29
versículo-chave Salmo 37.4

“Agrada-te do Senhor, e Ele satisfará os desejos do teu coração.”

alvo da lição

Alertar o aluno para a importância de alegrar-se no Senhor e cuidar para que os


desejos do coração sejam santos e agradáveis a Deus.

leia a Bíblia diariamente


seg 2Sm 12.1-14
ter Hb 11.23-29
qua Hb 10.26-31
qui Gn 4.1-7
sex Êx 20.17
sáb Tg 4.1-7
dom Tg 1.13-15

Há pessoas que passam pela vida e deixam marcas positivas que serão
sempre lembradas – gente como os “heróis da fé” registrados em Hebreus 11,
pessoas que mesmo depois de mortas ainda falam (Hb 11.4). Há outras
pessoas que passam pela vida para sua própria perdição – são pessoas que
quando morrem não deixam de si saudades, à semelhança do rei Jeorão, cuja
história é contada em 2Crônicas 21.1-20.
Acabe e Jezabel formam um casal de história lamentável, tanto pelos
pecados que cometeram como pelo mal que fizeram o povo de Israel
cometer. A história de Acabe e Jezabel toma um considerável espaço na
Bíblia, mas é no capítulo que estudamos na lição de hoje que podemos
conhecer mais claramente a fonte de todo o pecado. Nesse texto
conhecemos o coração de Acabe, e no coração é que são definidas as
atitudes das pessoas.

Aqui somos informados de que nossos desejos controlam nossas ações, e por
isso devemos tomar alguns importantes cuidados com os desejos do nosso
coração.

I. Fonte de pecado e crueldade


(1Rs 21.1-4)
Os desejos de nosso coração podem tornar-se fonte de pecado e crueldade.
Não é pecado ter planos e sonhos – desejos para ser realizados. Na verdade,
os sonhos são evidências de que há vida e há futuro. Quando sonhamos de
modo saudável, estamos na verdade fazendo uma declaração de fé,
acreditando no futuro e esperando no cuidado constante de nosso Deus.
Do outro lado, nossos desejos demonstram exatamente nossa escala de
valores e nossa proximidade ou distância dos desejos do nosso Deus. Por
essa razão, temos de tomar cuidados constantes com o que desejamos,
avaliando e trabalhando para que se aproxime mais e mais da vontade do
nosso Deus. No livro de Tiago, aprendemos que podemos  “pedir mal, para
esbanjar em nossos deleites” e que devemos“sujeitar-nos a Deus” (Tg 4.1-7).
Olhando para o texto base de nossa lição, vemos situações claras em que
nossos desejos ficam em desacordo com o coração de Deus. Devemos
aprender com essas situações para a proteção de nosso coração e de nossa
vida cristã.

1. Quando temos muito, mas não estamos satisfeitos


(1Rs 21.1-2)
Acabe possuía terrenos melhores do que aquele que agora cobiçava, mas seu
coração pecaminoso lhe fazia desejar exatamente o que o outro possuía.

Para reflexão em sala  – Vale a pena lembrar a história desastrada de


Davi com Bate-Seba (2Sm 11 e 12) e o mandamento bíblico.  “Não
cobiçarás” (Êx 20.17).
2. Quando nossos desejos são maiores do que princípios
importantes
(1Rs 21.3)
Exatamente para evitar um sistema em que os ricos ficariam cada vez mais
ricos e os pobres cada vez mais pobres foi que o Senhor estabeleceu
princípios na Lei de Moisés para evitar que uma herança passasse de uma
família para outra (veja 
Nm 36.7-9). Entre esses princípios estava uma grande reforma agrária que
devia acontecer de tempos em tempos (estudos adicionais sobre o ano do
jubileu em Lv 25). Nabote se lembra desses princípios e decide não “tirar
vantagem” da oportunidade e zelar pela herança de seus pais. Acabe já não
mais tinha escrúpulos e colocava seus desejos acima de princípios.

Para reflexão em sala – Vale a pena lembrar quais são os princípios de


que abrimos mão quando nossos sonhos de consumo se tornam grandes
dentro de nós.

3. Quando nossos desejos nos dominam de modo absoluto


(1Rs 21.4)
Acabe ficou literalmente “doente de vontade” de possuir aquilo que
pertencia a outro. Veja como o desejo foi mais forte que o homem, e Acabe
se entregou ao desejo de seu coração. A palavra do Senhor a Caim cabe bem
nesse momento. “Se, todavia, procederes mal, eis que o pecado jaz à porta; o seu
desejo será contra ti, mas a ti cumpre dominá-lo” (Gn 4.7). Aqui “o seu desejo”
refere-se ao desejo dominador do pecado, que “jaz à porta”.
Nossos desastres espirituais geralmente acontecem em momentos como
esses. Sobre tudo o que se deve guardar, devemos guardar o nosso coração,
para que não pequemos contra o Senhor. A lição desse texto precisa fazer
parte de nossa vida como cristãos.

II. Usado pelo inimigo


(1Rs 21.5-16)
Os desejos de nosso coração podem ser usados pelo inimigo de forma
perniciosa e maligna. Veja alguns passos tão comuns que são dados na
direção do pecado.

1. “Caindo na conversa” do inimigo


(1Rs 21.5-7)
Por favor, leia Tiago 1.13-15. Nele observamos que a cobiça do coração
humano é ninho confortável para a geração do pecado e da morte. A
concupiscência dos olhos, inimiga perigosa do crente, produz a cobiça e
abre caminho para o inimigo. Foi assim com Acabe – assim é também
conosco tantas vezes! No caso de Acabe, sua esposa, uma mulher maligna e
perigosa, foi o instrumento usado para convencê-lo da viabilidade de
realização dos desejos pecaminosos. Ainda que o instrumento possa ser
variado, certamente Satanás encontrará alternativas para tentar nos
“enredar” e nos envolver em alguma prática pecaminosa.

2. Permitindo que o inimigo decida e atue em nosso lugar


(1Rs 21.8-14)
O que acontece a Acabe a partir desse momento (1Rs 21.7) é realmente
lamentável! Geralmente damos a esse fato o nome de “alienação” – um
louco é “alienado mental”. Acabe deixa de ter o controle de sua vida e a
entrega a Jezabel – e ela usa esse controle sem qualquer escrúpulo! Sua ação
tem aparência de legalidade (1Rs 21.8-10), cheira religiosidade(1Rs 21.10-
12), tem apoio do povo (1Rs 21.13), e inclui mentira, maquinação e engano
de toda sorte.
Quantas vezes você e eu já fizemos uma análise de algum de nossos erros e
fizemos essa pergunta. “Como eu pude fazer isso?” Sabemos que nossa
atitude foi estranha - maligna mesmo, mas somos responsáveis pelo
ocorrido! Ainda que quiséssemos culpar “a serpente que me enganou”. O
fato é que é nosso dever viver uma vida santa, não dando lugar ao inimigo.
Na linguagem bíblica. “Resisti ao diabo, e ele fugirá de vós” (Tg 4.7).

3. Usufruindo dos prazeres resultantes do pecado


(1Rs 21.15-16)
A face mais lamentável de todo o processo de queda de Acabe é que, talvez
por sua formação religiosa, ele não tenha tido coragem de “fazer certas
coisas”, mas se deleitava com seus resultados. A ideia é conhecida. “eu não
faria isso jamais, mas se você fizer eu vou achar muito bom!” Novamente na
linguagem bíblica, Moisés preferiu ser maltratado junto ao povo de Deus, “a
usufruir prazeres transitórios do pecado”(Hb 11.25).
Não adianta culpar Satanás, se na verdade estamos nos deliciando com os
resultados do pecado. As perguntas que ficam para mim e para você são:
Quantas vezes nos deleitamos em coisas sabidamente mundanas? De que
maneira podemos nos proteger dessa prática tão perigosa? Será que
podemos juntos, o grupo de estudo em escola bíblica, encontrar atitudes
bíblicas que nos ajudem a prevenir esses pecados?

III. Conhecidos e julgados por Deus


(1Rs 21.17-29)
Os desejos de nosso coração são conhecidos e julgados por Deus, que não
tolera o pecado, ainda que ame o pecador.

1. Ele sabe todas as coisas


(1Rs 21.17-18)
Diversos versículos desse texto são iniciados com a palavra
“então”(1Rs  21.4,7,8,14,17), sempre anunciando uma nova ação. No
versículo 17, o texto é especialmente interessante porque anuncia uma ação
de Deus. Deus resolve intervir e atua no meio daquela situação. O fato de o
Senhor permitir que certas coisas ruins aconteçam não significa que Ele está
fora do processo. Ele sabe de todas as coisas e atua segundo Sua soberania
no tempo por Ele mesmo determinado.
O Senhor sabe quando somos injustiçados, à semelhança de Nabote. O
Senhor sabe também quais são os desejos do nosso coração, e de que
maneira lidamos com esses desejos mais profundos. No Seu tempo, Ele vai
agir!

2. Ele não tolera o pecado


(1Rs 21.19-26)
A dura profecia anunciada por Elias apresenta um retrato da maneira como
Deus encara o pecado. Para Acabe, parecia que as coisas já estavam
decididas, mas Deus não via do mesmo modo. Ele é o Deus santo que não
tolera a injustiça. Ele é quem defende os fracos e os oprimidos, o órfão e a
viúva. Ele é o vingador contra toda forma de pecado. A Bíblia não deixa
sombra de dúvida. “horrível coisa é cair nas mãos do Deus vivo”(Hb 10.31).

3. Ele se interessa por nossa restauração e mudança de atitude


(1Rs 21.27-29)
Os versos finais do nosso texto são surpreendentes, primeiro pelo
arrependimento de Acabe, depois pela benevolência de Deus. Sempre
devemos lembrar que o Espírito Santo de Deus nos convence do pecado
visando arrependimento e restauração. O problema não está em quão
pecador alguém possa ser, mas se de fato há uma 
experiência de arrependimento.
Podemos lembrar-nos do incidente entre Jonas e os ninivitas (Jn 4) quando
vemos a reação de Deus diante do arrependimento de Acabe. Deus usa de
misericórdia! Devemos conhecer a natureza de Deus – Ele é longânimo e
pronto para perdoar aqueles que se humilham diante de Seu julgamento.
Quando estamos em pecado, é muito bom saber que o caminho continua o
mesmo: confessar o pecado, arrepender-se de verdade, e mudar de vida.

Conclusão
Conhecemos hoje um pouco mais acerca de Acabe. O que chama a atenção
nesse estudo é que a história dele se parece muito com certos momentos em
nossa vida. Todos devemos nos cuidar nessa difícil área de controlar nossos
desejos pecaminosos e procurar uma vida de santidade na presença de Deus.
Além de estudar a história de Acabe, devemos louvar a Deus por Sua
retidão, justiça e amor – qualidades de Deus tão presentes no texto da
palavra de Deus.
10
O arrebatamento
de Elias e a igreja
texto básico 2Reis 2.1-14
versículo-chave 2 Reis 2.11

“Indo eles andando e falando, eis que um carro de fogo, com cavalos de fogo, os
separou um do outro; e Elias subiu ao céu num redemoinho.”

alvo da lição

Despertar os alunos para o grande encontro com Cristo que se dará com o
arrebatamento da igreja, quando todos os santos se unirão com Ele para a vida
eterna.

leia a Bíblia diariamente


seg 1Rs 19.1-8
ter 1Rs 19.9-14
qua 1Rs 19.15-18
qui 2Rs 2.1-8
sex 2Rs 2.9-14
sáb 1Ts 4.13-18
dom 1Ts 3.11-13

Como seriam os noticiários no mundo se porventura o arrebatamento da


igreja acontecesse hoje? Do ponto de vista da ciência talvez uma
desintegração em massa de seres humanos por um vírus desconhecido a ser
pesquisado. Para os ufologistas, um rapto por invasores extraterrestres. Mas,
sem dúvida, no meio dos conflitos em busca de respostas, os que
conhecerem a Palavra e que ficarem saberão a verdade. ”Eles foram e nós
ficamos” (Mt 22.14).
I. A trasladação de Elias
A trasladação de Elias deve ser uma mensagem atual para a igreja (2Rs 2.11-
12).
Como a criação do homem foi uma ideia de Deus, assim Ele também é
soberano para escolher como tomar os que Lhe pertencem. No caso de
Moisés Ele mesmo o sepultou. Já Enoque e Elias foram exceções a óbitos e
funerais, apontando para o dia da grande colheita (Ap 5.11; 7.13-14). O
arrebatamento de Elias pode servir como advertência para os pregadores
que acham que falar do arrebatamento da igreja hoje é pregar ficção. “Sabes
que o Senhor, hoje, tomará o teu senhor, elevando-o por sobre a tua cabeça? Respondeu
ele. Também eu o sei; calai-vos” (2Rs 2.3,5). Verifique estas referências bíblicas:
1Ts 2.19; 3.13; 4.15; 5.23, 2Tm 4.8.

aplicação

Quantas vezes você ouviu ou falou sobre essa mensagem?

II. A tomada de Elias


A tomada de Elias poderá exemplificar o arrebatamento da igreja na volta de
Cristo.(2Rs 2.1-6; Jo 14.1-3,18)
Por que Elias ousou se despedir na expectativa de subir?

1. Porque sabia que tinha uma reunião na agenda de Deus


(Ef 5.16)
Apesar de não sabermos o dia e a hora (Mt 25.13), nossa reunião já está
marcada com Ele e ocorrerá por meio do arrebatamento, ocasião na qual
receberemos corpos transformados (1Co 15.51-52). É bom lembrar que
todos os santos que morreram estão com o Senhor em espírito (2Co 5.8),
mas quando formos arrebatados com eles, tanto eles como nós receberemos
corpos glorificados para esta reunião que será no céu (2Ts 2.1;
1Ts 4.16,17; 1Co 15.35-44).

2. Porque tinha convicção da promessa a qual revelava


“Pede-me o que queres que eu te faça, antes que seja tomado de ti” (2Rs 2.9). Faz-
nos lembrar daquilo que Pedro disse.  “Não retarda o Senhor a sua promessa,
como alguns a julgam demorada” (2Pe 3.9).

aplicação

Você tem certeza dessa promessa? (1Ts 1.10; 2Ts 2.1-6)

3. Porque levou a sério a revelação dessa promessa


Assim como os servos de Eliseu, muitos conhecedores dessa mensagem já
não têm mais paixão na escatologia bíblica porque estão ocupados no afã da
promessa de um céu aqui e agora. Talvez nem irão perceber quando o
arrebatamento acontecer, como diz a música gospel . “eu não sei se a igreja
subiu ou se o céu desceu” (dúvida)(Lc 12.45-48), ou então a antiga canção
que diz. “o mercado está vazio”. Será que ficará mesmo? (Lc 18.8; 2Rs 2.15-
18).

aplicação

O que a despedida de Jesus representa para você? Um adeus ou um até logo?

III. O fim das nossas aflições


O arrebatamento de Elias como tipo do fim das nossas aflições(2Rs 2.4-6; 
Gn 5.24; 7.1)
Assim como o arrebatamento foi o livramento de Deus para todos os males
de Elias, também o arrebatamento será o fim para nossas aflições como
igreja militante 
(Jo 16.33). A abnegação de Elias se contextualiza com a fidelidade da igreja
que insiste em preservar-se “como virgem pura a um só esposo, que é Cristo”(2Co
11.2).
Elias fez muitos milagres em nome do Deus vivo para convencer seu povo a
deixar outros deuses. Impressionado com seus milagres realizados, se
prostrou diante do Deus vivo e O adorou (1Rs 18.38-39). Depois de algum
tempo, quando o fogo se apagou na memória do povo, Elias percebeu que
todo seu trabalho tinha sido em vão (Tg 1.22-24; Rm 12.1-2; Lc 18.8; Mt
15.19). Elias já estava desencantado com aquele povo de dura cerviz
(2Tm  4.3-4). No meio de tantas aflições que a igreja sofre, ela tem esse
conforto. “Maranata! Vem, nosso Senhor” (1Co 16.22; Ap 22.20).

IV. A recompensa dos salvos


O arrebatamento de Elias indica a recompensa dos salvos (1Co 15.50-58).
O mérito de Elias para sua contemplação com o arrebatamento não foi o
milagre do fogo, mas sim o seu zelo pelo nome de Deus - “Tenho sido zeloso
pelo Senhor, Deus dos Exércitos” (1Rs 19.10). Assim como esse zelo levou Elias
a uma profunda solidão, “Eu fiquei só, e procuram tirar-me a vida”, será sempre
essa a realidade para o remanescente que deseja ser fiel na expectativa do
arrebatamento
(1Rs 19.10,14,18; veja também Mt 22.14; Rm 12.11; Ap 19.7;
21.9. “Também conservei em Israel sete mil, todos os joelhos que não se dobraram a
Baal, e toda boca que o não beijou” (1Rs 19.18).

Conclusão
Deus tomou Elias porque, como a igreja, ele já estava no seu limite (2Rs
2.11-12;Fp 1.21-24; 2Co 4.7-10).
Sem dúvida o momento mais chocante na vida de Elias foi quando ele se
deitou debaixo de um zimbro e pediu para si a morte. “Basta; toma agora, ó
Senhor, a minha alma, pois não sou melhor do que meus pais” (1Rs 19.4). O que é
a depressão? Um mito? Uma encenação? O que dizer das orações de Ana,
Elias e Eliseu - Homens de Ação, Noemi, Davi, Paulo, Jeremias e do próprio
Senhor Jesus quando disse:  “A minha alma esta profundamente triste até à
morte?”  (Mt  26.38). A depressão pode ser congênita ou em função das
tribulações externas (2Co 7.5). Deus porém não atendeu ao pedido de Elias
e o arrebatou ao céu. Mas antes Elias recebeu os cuidados de Deus, que lhe
providenciou alimento, água, sono (1Rs 19.5-8). Isso prova que Deus está
cuidando da sua igreja nesta síndrome do século e preparando o seu triunfo
(Jo 14.1-3; Fp 4.19; Sl 40.17).

aplicação

Será que a igreja já não está no seu limite?


O arrebatamento de Elias deve ser uma motivação para a igreja hoje. “O justo
é levado antes que venha o mal”(Is 57.1). “Ora, ao começarem estas coisas a suceder,
exultai e erguei a vossa cabeça; porque a vossa redenção se aproxima” (Lc 21.28).
11
A confirmação de Eliseu
como profeta
texto básico 2Reis 2.15-22
versículo-chave 2 Reis 2.9

“Pede-me o que queres que eu te faça, antes que seja tomado de ti. Disse
Eliseu: Peço-te que me toque por herança porção dobrada do teu espírito.”

alvo da lição

Despertar o aluno para o verdadeiro sentido da vocação profética e, ao mesmo


tempo, fazer uma reflexão sobre um chamado de Deus para a sua vida.

leia a Bíblia diariamente


seg 2Rs 2.9-14
ter 2Rs 2.15-18
qua 2Rs 2.19-22
qui 2Rs 2.23-25
sex Ef 4.11,12
sáb 1Tm 4.13-16
dom Rm 10.13-15

Elias recebeu instruções de Deus para ungir Eliseu como seu sucessor
quando fosse levado ao céu (1Rs 19.16-21). Ao apanhar a capa de Elias que
caíra sobre ele, Eliseu começou imediatamente o seu ministério dividindo as
águas do Jordão (2Rs 2.8,14), confirmando seu caminho profético para
continuar o serviço de Elias.
Mas o que é vocação? No livro  Vocação - perspectivas bíblicas e teológicas, de
Kléos Magalhães Lens César, da Ultimato Editora, encontramos as
seguintes definições.

aplicação
Você está preparado para receber a capa de algum profeta?

1. Definição linguística
A palavra vocação é generalizada como tendência, propensão ou inclinação
para qualquer profissão ou ofício.

2. Definição histórica
Um modo exclusivo ou uma disposição para a vida sacerdotal e religiosa,
atendendo a um chamado divino para uma dedicação total às coisas de Deus
(Bastos de Ávila).

3. Definição teológica
É um chamado de Deus ao homem, para que ele primeiramente se torne
parte do corpo de Cristo que é a igreja, e, em segundo lugar, participe da
obra profética do plano da salvação (J. Ribeiro).
Quando olhamos para a confirmação profética de Eliseu, compreendemos
que o chamado de Deus é uma visão cognoscível, que vai se desvelando por
meio de fatos marcantes na vida de quem está sendo chamado, de tal
maneira que ele teme resistir. “O chamado profético é uma experiência
transcendente com Deus, onde sua eminência envolve a vida do ser
predestinado” (1Sm 1.19-28; Am 7.14-15; Lc 1.15-17; Jr 1.4-8; Is 6.1-8).
Veja quatro aspectos da confirmação profética de Eliseu.

I. Começa com o respaldo de Elias como seu tutor


(2Rs 2.9-13)
Assim como a orientação do sacerdote Eli confirmou o chamado do jovem
Samuel (1Sm 3.8-9), a de Paulo confirmou o chamado de Timóteo (1Tm
4.14) e a de Jesus confirmou o chamado de João Batista(Mt 11.7-10), o
manto que Elias deixou cair para Eliseu após o arrebatamento confirmava
sua vocação profética como sucessor de Elias com porção dobrada do seu
espírito.
Apesar de muitas denominações eclesiásticas estabelecerem normas para
ordenações ou reconhecimentos vocacionais, esse processo quase sempre se
inicia pelo pai na fé ou tutor espiritual. Veja o caso de Paulo com
Onésimo. “Solicito-te em favor de meu filho Onésimo, que gerei entre algemas” (Fm
10).

aplicação

O verdadeiro vocacionado sai pela porta da frente da igreja e nunca pelos fundos.

II. Demonstrado com um sinal da parte de Deus


(2Rs 2.13-14; 2Rs 4.9)
Existem algumas atitudes que têm demonstrado uma certa imaturidade em
termos do reconhecimento de vocações, por exemplo.

1. Tradição familiar
Inegavelmente deve ser motivo de privilégio para os pais pastores ou
missionários ouvir do filho o desejo de seguir sua carreira profética, mas na
verdade não existe vocação familiar, uma vez que ela está no plano
individual (Sl 22.10; Jz 13.1-5; 
Lc 1.26-28).

2. Romantismo eclesiástico
Essa paixão poderá levar a frustrações, uma vez que os dissabores quebram
todas as ilusões no ministério, deixando apenas a “vocação” despida de
fantasia (2Tm 1.15-17).

3. Insucesso profissional
Alguns consideram o insucesso profissional como uma forma divina de
persuasão ao chamado profético, mas na verdade Deus não deseja o
insucesso de Seus filhos
(Sl 35.27). Grandes homens de Deus são desafiados a deixar grandes
oportunidades e carreiras promissoras para se engajarem no sacerdócio
integral (Ef 4.11-12).

4. Vestibulares teológicos
Eles podem levar a uma aprovação relativamente fácil, mas sem
comprovação. Louis Berkhof diz que uma das manifestações do chamado
divino é “a experiência de que Deus está pavimentando o caminho que leva
à meta”. Quando as águas do Jordão se dividiram para Eliseu, foi o sinal de
que ele precisava para confirmar que seu caminho estava pavimentado para a
realização de grandes obras (Am 7.14-15; Jz 6.36-40;Rm 1.1; 15.1,16; 1Tm
2.7; 2Tm 1.11).

aplicação

Você tem uma prova para o seu chamado?

III. Confirmado pela sua igreja


(2Rs 2.15-18)
A igreja à qual Eliseu ministrava era formada por seus discípulos com suas
respectivas famílias (2Rs 2.15; 4.1-4). Apesar de haver naquela congregação
50 homens valentes, que demonstraram reverência e respeito à sua pessoa e
à confirmação de milagres, seus discípulos nunca tinham ouvido falar numa
trasladação profética. Depois de uma busca inútil contra a vontade de
Eliseu, voltaram e confirmaram o discernimento de Deus em suas
palavras “não vos disse que não fosseis?”
Apesar da falibilidade da igreja, é por intermédio dela que Deus chama
aqueles que estão integrados ao Seu corpo. Já foi dito que a gestação de uma
vocação se dá no ventre da igreja (corpo de Cristo) concebida pelo Espírito
Santo, e o parto é o seu prazer em dar à luz um profeta (At 13.1-3; Jo 16.21;
1Tm 4.14).

IV. Visto na sua utilidade


(2Rs 2.19-22)
Ao tornar saudáveis as águas salobras, usando um prato de sal, Eliseu prova
sua autoridade sobre a natureza, dando tranquilidade de provisões aos seus
discípulos. Como profeta ele foi útil na vida das autoridades de sua época
(2Rs 3.12-14), de uma viúva necessitada (2Rs 4.1-7), de uma família
enlutada (2Rs 4.32-37), de um comandante leproso (2Rs 5.1-3,10), para
quebrar um envenenamento coletivo (2Rs 4.40-41) e no fantasma da fome
que reinou em Samaria (2Rs 6.24-30; 7.18).
V. Preservado em sua autoridade profética
(2Rs 2.23-25)
Segundo Russel P. Shedd, é possível que Eliseu estivesse sendo um motivo
de controvérsias naquele momento, uma vez que não conseguia explicar a
desaparição milagrosa do seu predecessor (Elias). Talvez pensassem que um
homem dotado de poderes sobrenaturais como ele poderia dar fim às
pessoas, contando histórias de trasladações. É possível tenham surgido os
insultos dos rapazinhos, chamando-o de “calvo”, referindo-se a calvície
usada por pessoas enlutadas. A morte desses jovens prova que a autoridade
de Deus uma vez confirmada na vida de um profeta é coisa séria (1Cr 16.22;
Sl 105.15).

Conclusão
“Vejo que este que passa sempre por nós é santo homem de Deus”  (2Rs 4.9). O
grande desafio que Eliseu nos deixa hoje é que a confirmação profética não
se limita apenas à área eclesiástica; é muito mais abrangente. Podemos ser
profetas na música como Davi, na arquitetura e engenharia como Bezalel e
Aoliabe, na costura como Dorcas, nas entidades sociais como Joana, Suzana
e suas companheiras, na política como José e Daniel, na medicina como
Lucas, etc. Para isso, tudo que precisamos é da porção dobrada do espírito
de Elias (At 9.39;Gn 41.44-46; Dn 2.47-49; Lc 8.1-3; Cl 4.14; Êx 31.1-6;
Rm 10.13-15).
12
Eliseu,
um profeta
atencioso
texto básico 2Reis 4.8-17
versículo-chave Tiago 1.27

“A religião pura e sem mácula, para com o nosso Deus e Pai, é esta: visitar os
órfãos e as viúvas nas suas tribulações e a si mesmo guardar-se incontaminado
do mundo.”

alvo da lição

Mostrar que as virtudes que tornam um servo de Deus bem-sucedido naquilo


que faz e no trato com as pessoas estão relacionadas principalmente à
sensibilidade, imparcialidade, solidariedade e prestatividade.

leia a Bíblia diariamente


seg 1Rs 19.19-21
ter 2Rs 2.1-8
qua 2Rs 2.9-14
qui 2Rs 6.1-7
sex 2Rs 4.1-7
sáb 2Rs 4.8-37
dom 2Rs 8.1-6

O  que Deus procura ao escolher alguém para uma determinada tarefa?


Procura habilidades e talentos especiais? Acaso não é Ele mesmo quem
concede os dons e os talentos? O que procura, então, o Senhor? – “Deus
está à procura de pessoas com qualidades morais e com caráter íntegro”.
Este é o ponto inicial, a partir do qual Deus passa a moldar e capacitar Seus
escolhidos para a obra que tem em mente.
Eliseu representa bem esse princípio! Afinal, o que Deus viu em Eliseu?
• Viu um homem amoroso, que deixou tudo pelo ministério, mas não deixou
de amar e honrar seus pais (1Rs 19.20).
• Viu um homem espiritual, que abriu mão de seus interesses para buscar os
interesses de Deus (2Rs 2.9); e quando lhe foram oferecidas riquezas
terrenas preferiu as riquezas de Deus(2Rs 5.5; 8.9).
• Viu um homem humilde e corajoso, disposto a servir Elias de forma
abnegada (2Rs 3.11); que não se rebaixou perante os poderosos da terra
(2Rs13.13-14).
• Viu um homem atencioso e prestativo, capaz de transpor os “tabus” de
seus dias para atuar em favor até mesmo dos proscritos e desamparados.
Sim, Deus viu um homem sensível e disposto a socorrer os indefesos de
uma sociedade intolerante e preconceituosa.

I. Um profeta solidário
(2Rs 4-13)
A sociedade de Israel era sobremodo injusta em relação às mulheres e
crianças, vetando-lhes até mesmo os direitos e privilégios garantidos por
Deus ao Seu povo. Mesmo em tempos de avivamento espiritual, elas eram
vistas como seres inferiores, impedidas de participar dos cultos, das
assembleias e das festividades religiosas. Imaginem, então, numa época de
apostasia, em que o temor de Deus havia desaparecido; numa época em que
cada um fazia o que queria, ignorando por completo as leis de Deus!
Eliseu era compromissado com Deus, não com as tradições, por isso não se
calou frente à injustiça, nem se deixou moldar pela teologia deturpada
daqueles dias. Em seu ministério, mais do que no de qualquer outro profeta,
a mulher foi valorizada e seus direitos respeitados. “A religião pura e sem
mácula, para com o nosso Deus e Pai, é esta: visitar os órfãos e as viúvas nas suas
tribulações e a si mesmo guardar-se incontaminado do mundo” (Tg 1.27).

aplicação

A decadência moral enxerga o pecado como um “estilo de vida” e a injustiça social


como um “capricho do destino”. Mas os que vivem na integridade e no compromisso
com o Senhor não podem se calar, nem virar o rosto, nem cruzar os braços. Vivamos a
verdadeira religião!

Foi naquele difícil contexto que a esposa de um seminarista ficou viúva.


Como herança, o aprendiz de profeta deixou-lhe dois filhos para criar e uma
dívida para saldar. Não havia pensão, não havia seguro de vida e não havia
ninguém por ela. Por isso, não tardou surgirem os “abutres do lucro fácil”,
ávidos por confiscar-lhe os filhos, com “as bênçãos da lei”, da injusta lei que
transformava o devedor num objeto comercial do seu credor.
O credor da narrativa tinha o direito de escravizar aqueles meninos por um
período de até 6 anos (Êx 21.2), ainda que a dívida em questão fosse
insignificante. Tal injustiça já havia sido veementemente condenada por
Deus, pelos lábios do profeta Amós (Am 2.6-8), mas a sórdida ganância fez
mofar a consciência daquela geração.

aplicação

Os contemporâneos de Eliseu abusavam das crianças, tolhendo-lhes o direito, o


respeito e a dignidade. E os nossos contemporâneos, não têm feito o mesmo? Nossas
crianças têm sido comercializadas; sua inocência tem dado lucro a muita gente; seu
corpo angelical tornou-se um objeto de desejo; suas mãos delicadas se transformaram
em “mão de obra barata”. Não podemos nos calar, nem fingir que nada acontece.

Não tendo a quem mais recorrer, a pobre viúva apelou ao profeta Eliseu,
apesar de saber que este também não possuía recursos financeiros. Confiava
que ele encontraria em Deus uma saída para a crise. E encontrou mesmo,
pois tal como Elias fizera em Sarepta (1Rs 17), usou do pouco que ela tinha
para resolver a questão. Diga! O que é que você tem em casa? Não tenho
nada, a não ser um jarro pequeno de azeite! 

(2Rs 4.2). Retrucou o profeta. Então, usaremos isso, e Deus te ajudará na


proporção de tua fé... arrume vasilhas emprestadas e encha cada uma delas
(2Rs  4.3-5). O azeite era uma mercadoria muito apreciada em Israel,
servindo como alimento, medicamento, cosmético, combustível e para fins
religiosos. Aquela mulher demonstrou o seu valor por meio da fé, e por meio
de um especial empenho para vender rapidamente o produto e saldar suas
dívidas.

aplicação

Há grande suprimento para toda necessidade quando Deus intervém. Coloque tudo o
que tem nas mãos de Deus e, ainda que seja pouco, se fará mais que suficiente.

II. Um profeta prestativo


(2Rs 4.8-37)
Na cidade de Suném, perto do mar da Galileia, havia uma senhora casada
com um próspero fazendeiro que se mostrou generosa para com o profeta,
dando-lhe boa acolhida em sua casa e até construindo um quarto extra,
especialmente para hospedá-lo em suas passagens por lá. Ela tinha tudo o
que precisava, mas não tinha o que mais desejava – um filho.
Em Israel a ausência de filhos era sempre motivo de chacota e desprezo, e
ainda que o marido fosse estéril ou demasiadamente velho, a culpa sempre
recaía sobre a esposa. A sunamita, apesar da tranquilidade financeira,
carregava sobre si esse imenso desconforto. Eliseu, por sua vez, retribuiu a
generosidade intercedendo pelo milagre de um filho, e Deus concedeu-lhe
essa graça.

aplicação

Nem sempre temos os recursos que gostaríamos para socorrer os irmãos em suas
aflições, mas temos sempre abundância de bênçãos para compartilhar – a
“intercessão”. Um bom exemplo disso nos deixaram os apóstolos Pedro e João. “Não
possuo nem prata nem ouro, mas o que tenho, isso te dou. em nome de Jesus Cristo, o
Nazareno, anda!” (At 3.6).

Passados alguns anos aquela criança adoeceu gravemente e acabou


falecendo nos braços da mãe. Ela, que no início duvidara da promessa de
Eliseu, agora, amadurecida na fé, pôde crer na restituição miraculosa de seu
filho perdido. Agiu rapidamente no sentido de encontrar o profeta e nem
contou ao marido o que havia ocorrido, na certeza de que Deus resolveria a
questão antes que a tragédia viesse à tona. Eliseu deixou tudo o que estava
fazendo para vir em socorro da mulher e da criança, e ao chegar na casa fez
duas coisas: clamou a Deus e tentou aquecer aquela pequena vítima.
O método de Eliseu funcionou. Deus ouviu o seu clamor e, com isso, a
confiança daquela mãe, mesmo em meio às lágrimas, foi
surpreendentemente recompensada. Prostrou-se aos pés de seu benfeitor,
cheia de júbilo, e saiu com o filho nos braços
glorificando a Deus.

aplicação

Aquilo que cabe a nós, isso devemos fazer, pois Deus mesmo concedeu os meios
naturais que nos ajudam a sobreviver.
Há, porém, coisas que só pela força sobrenatural de Deus podemos obter; graça
concedida pela oração.

Passaram-se mais alguns anos e, novamente, Eliseu mostrou-se atencioso


voltando à casa da mulher sunamita especialmente para alertá-la quanto a
um longo período de fome que estava por vir sobre Israel (2Rs 8.1-6).
Seguindo o conselho do profeta, a família mudou-se para a terra dos filisteus
até passar a estiagem, mas quando voltaram, sua casa e suas terras haviam
sido invadidas. A sunamita, que agora era viúva, não conseguia fazer com
que seus direitos fossem respeitados, mesmo indo apelar ao rei.
Pela providência de Deus, justamente na hora em que a sunamita estava
tentando uma audiência com o rei, este se mostrava bastante interessado
nos grandes feitos de Eliseu, e isso influenciou positivamente em sua
petição. “Interrogou o rei a mulher, e ela lhe contou tudo. Então, o rei lhe deu um
oficial, dizendo. Faze restituir-se-lhe tudo quanto era seu e todas as rendas do campo
desde o dia em que deixou a terra até agora” (2Rs 8.6).

aplicação

Quando erros são cometidos, nem sempre basta apenas pedir perdão; dependendo das
circunstâncias temos de restituir os prejuízos que causamos ou desfazer a confusão
que começamos.

Conclusão
Ainda hoje, o critério de seleção que Deus usa para aqueles a quem deseja
usar é o mesmo. “caráter, integridade, disposição e maturidade”. A
capacitação com os dons sobrenaturais é um benefício que só Deus pode
conceder, mas é preciso que mantenhamos a “base”. Eliseu realizou
prodígios fantásticos, sim, mas isso era um dom de Deus; sua grande
virtude, no entanto, foram a sensibilidade, a imparcialidade, a solidariedade
e a prestatividade, que o levaram a transpor os preconceitos de sua época
para, em nome de Deus, tornar-se bênção aos aflitos, desamparados,
abatidos e injustiçados.
13
Eliseu e a escola
de profetas
texto básico Efésios 4.11-16
versículo-chave Matheus 9.37-38

“A seara, na verdade, é grande, mas os trabalhadores são poucos. Rogai, pois,


ao Senhor da seara que mande trabalhadores para a sua seara.”

alvo da lição

Mostrar o valor daqueles que se preparam para o ministério, suas lutas e


vitórias; fazendo com que o aluno valorize tais pessoas e seja motivado a servir
a Deus com inteireza de coração.

leia a Bíblia diariamente


seg 2Rs 2.3,5,7,15
ter 2Rs 4.1,38
qua 2Rs 9.1-2
qui 2Rs 4.38-41
sex 2Rs 4.42-44
sáb Mt 4.18-24
dom 1Tm 3.1-7

Viajando de norte a sul, Eliseu proclamava a sua mensagem, sempre


acompanhada de extraordinários sinais, como a dizer. “As coisas que faço,
faço pelo poder Daquele que me enviou; o único e verdadeiro Deus, o
Senhor, o Deus eterno (Yahweh). Abandonem, pois, a idolatria e voltem
seus corações ao Senhor, nosso Deus”.
Nos dias de Elias, a apostasia e a vergonhosa idolatria haviam se alastrado
entre o povo de Deus, impulsionadas pelos devaneios de Acabe e Jezabel. O
povo de Deus havia trocado a glória de seu Senhor pela fútil veneração ao
ídolo Baal, o “senhor da chuva”. Mas o assombroso confronto no monte
Carmelo e os fenomenais prodígios de Eliseu começaram a reverter a triste
situação. Aqueles que antes se escondiam pelo temor de Jezabel passaram a
manifestar publicamente a sua fé. O despertamento foi tamanho que, por
toda parte, surgiram “escolas teológicas” formando os mensageiros da
reconciliação. Havia grupos de estudantes em Ramá, Gibeá, Betel, Gilgal e
Jericó (2Rs  2.3,5,7,15; 4.1,38; 9.1-2). Parece muito, mas ainda eram
insuficientes em relação à grande carência espiritual de Israel. Muitos
séculos depois, o problema persistia.  “A seara, na verdade, é grande, mas os
trabalhadores são poucos. Rogai, pois, ao Senhor da seara que mande trabalhadores
para a sua seara” (Mt 9.37-38).
No estudo de hoje conheceremos um pouco mais dessas “escolas”, seu
cotidiano, seus objetivos e sua relevância. Conheceremos também a
amplitude do ministério desempenhado por Eliseu.

I. Deus chama obreiros


Nem todos os profetas do passado tiveram uma formação teológica
convencional. Amós, por exemplo, saiu diretamente do agreste judaico para
as ruas de Samaria (capital de Israel), proclamando sua mensagem profética
da única maneira que sabia. “cantando”. Com Elias deu-se o mesmo; era um
homem rústico e de poucas palavras, mas o pouco que sabia usou para
glorificar o nome de Deus. A maioria dos profetas, no entanto, até mesmo
aqueles que nos são desconhecidos, receberam uma formação teológica mais
“especializada”.

Geralmente os estudantes moravam juntos em uma casa ou em pequenas


comunidades, onde o ensino era ministrado (2Rs  6.1-2). Alguns
“seminaristas” eram casados e mantinham seus próprios lares (2Rs  4.1). É
bem provável que tenha sido Samuel o primeiro a tomar a iniciativa de
organizar esse tipo “ensino teológico” (1Sm  10.5; 19.23). A formação
acadêmica dos discípulos de profetas consistia no estudo das Escrituras (os
livros históricos e os poéticos) e das leis mosaicas. Havia espaço ainda para a
instrução na música sacra e na poesia (1Sm 10.5). O “professor”, um profeta
mais experiente, transmitia o ensino com seu exemplo de vida e seu
trabalho, e eram eles mesmos que consagravam os novos obreiros à missão
de reconduzir o rebanho desgarrado de Israel ao aprisco do Senhor, o pastor
de nossa alma (Salmo 23).

aplicação

As escolas teológicas são de fundamental importância nos dias atuais, dias de


confusão, de apostasia, de sincretismo religioso. A obra de Deus requer o melhor,
requer gente vocacionada, qualificada e compromissada para que o ministério da
reconciliação seja perfeito.

II. Deus cuida de seus obreiros


A vida diária nas escolas de profetas não era nada cômoda. Os estudos eram
exaustivos, as acomodações eram precárias (2Rs 6.1), a falta de recursos era
uma constante (2Rs 4.1), o trabalho era árduo e, se não bastasse isso tudo, a
comida era escassa, geralmente produzida por eles mesmos, em hortas
comunitárias. As coisas ficaram ainda piores quando Deus enviou uma
estiagem que durou sete anos (2Rs 8.1). Se a nação toda padeceu, quanto
mais aqueles que deixaram tudo pelo ministério!

aplicação

Vivemos em tempos difíceis. A economia doméstica de muitos lares cristãos está


comprometida, e os efeitos dessa crise se fazem sentir no orçamento de nossas igrejas.
Mas tomemos cuidado para não suceder que, ao acudir os nossos interesses pessoais
ou os da igreja, esqueçamos daqueles amados membros de nossas igrejas que
deixaram tudo por um chamado recebido em nosso meio: os seminaristas.

Foi exatamente nesse contexto de crise que Eliseu, o “homem de Deus”,


chegou no seminário de Gilgal para uma “série de conferências”. A
receptividade foi calorosa, mas a despensa estava vazia. Eliseu enviou um
dos alunos ao campo para colher frutos e raízes comestíveis, a fim de
preparar um sopão para todos. Mas algo saiu errado; um dos ingredientes
estragou a sopa, tornando-a amarga e venenosa. A “colocíntida” (2Rs 4.39),
uma espécie de pepino selvagem, em pequenas quantidades era usada para
fins medicinais, mas em grande quantidade tornava-se tóxica e
extremamente amarga.
Uma das coisas admiráveis nesse texto é que, embora o gosto estivesse
horrível, todos comeram sem reclamar. O único comentário surgiu quando
atinaram para o perigo de conter algo venenoso. Essa é uma boa lição de
educação, respeito e ética. Interessante também é notar que Deus permitiu
tal acontecimento para mostrar o Seu cuidado aos que a Ele se consagram.
Deus usa o homem, e o homem usa o que tem à mão. Eliseu usou farinha, e
esse ingrediente anulou o veneno. O milagre aconteceu, não por causa da
farinha, mas pela fé de Eliseu. Ele poderia ter usado cevada, hortelã, pão ou
qualquer outro ingrediente, e o resultado seria o mesmo.

aplicação

Deus cuida de Seus servos, geralmente usando o que eles têm à mão aliado à
qualidade de sua fé. A viúva do profeta (2Rs 4.1-7) colocou perante Deus o pouquinho
que tinha, e no que é que deu? Da mesma forma, se usarmos aquilo que temos, ainda
que seja pouco, e usarmos com fé, grandes coisas Deus fará por nós.

O ministério de Eliseu e seus discípulos começou a dar bons resultados,


visto que o poder de Deus acompanhava suas pregações, enquanto Baal – o
“deus da chuva”, permanecia inoperante. Um dos sinais de mudança pôde
ser visto pelo fato de um homem da cidade vizinha (Baal-Salisa) ter vindo à
“casa de profetas” trazer uma oferta em mantimentos para o sustento de
Eliseu, conforme prescrevia a Lei de Moisés (Nm 18.13; Lv 23.10;Dt 18.4).
A oferta era generosa para um só homem “professor”, mas insuficiente para
cem alunos (2Rs 4.43). Era um direito de Eliseu reter a oferta só para si,
pois “digno é o trabalhador do seu salário” (Lc 10.7), contudo, preferiu repartir
aquela bênção com os demais colegas de ministério, e Deus abençoou a sua
decisão: “todos comeram e ainda sobrou”  (2Rs 4.43). O milagre operado por
Eliseu com vinte pães e algumas espigas e o fato de ter ele multiplicado o
azeite da viúva nos trazem à lembrança um outro grande profeta de Deus
que, com cinco pães e dois peixinhos, alimentou uma grande multidão de
famintos (Mt 14.15-21).

aplicação

Aquele que entrega a sua oferta para o sustento de obreiros, com alegria no coração,
certamente receberá de volta o benefício do Senhor de forma multiplicada. Aquele que
reparte de bom grado as suas dádivas sempre as terá em abundância - “Dai, e dar-se-
vos-á; boa medida, recalcada, sacudida, transbordante, generosamente vos darão;
porque com a medida com que tiverdes medido vos medirão também” (Lc 6.38)
Conclusão
Em qualquer época, sejam tempos de fartura ou tempos de escassez, de paz
ou de guerra, de bonança ou de tempestade, a seara permanece operante, e o
Senhor continua convocando trabalhadores para Sua Seara, na promessa de
que sempre zelará pelos que estão a Seu serviço.
1
Eliseu e o general
texto básico 1Timóteo 6.6-10
versículo-chave 2Reis 5.17

“Nunca mais oferecerá este teu servo holocausto nem sacrifício a outros deuses,
senão ao Senhor.”

alvo da lição

Mostrar que a fé, ainda que pequena, pode realizar grandes coisas, ao passo
que pequenos deslizes na fé podem nos levar a uma grande ruína.

leia a Bíblia diariamente


seg 2Rs 8.1-6
ter 2Rs 4.1-7
qua 2Rs 6.1-7
qui Pv 15.33
sex Sl 126.1-6
sáb 2Rs 5.1-27
dom 1Co 10.7-13

A fama do profeta Eliseu repercutiu de tal maneira que atingiu dimensões


internacionais, e seu poder era tanto admirado quanto temido. As notícias
de seus feitos percorriam tanto os casebres como os palácios.Até mesmo o
rei de Israel, fascinado com os milagres de Eliseu vivia à cata de notícias
recentes (2Rs 8.4). Contudo, desprezava o melhor que Eliseu podia oferecer
- a salvação de sua alma. O rei da Síria, por sua vez, encarava tais poderes
como uma séria ameaça, visto que interferiam constantemente em seus
planos militares (2Rs 6.8-14). Não obstante, Eliseu mostrou-se disposto a
abençoar todo aquele que o procurasse, até mesmo os seus inimigos. Este
deve ser também o nosso procedimento: devemos ser fonte de bênçãos por
onde quer que passarmos.
I. O testemunho da fé
(2Rs 5.1-8)
Naamã era um herói de guerra, homem destacado no exército de Ben-
Hadade, rei da Síria. Herói em seu país; vilão em Israel, pois em sua última
incursão militar (talvez a batalha descrita em 1Rs 22), além da mortandade
que provocou, ainda sequestrou muitas mulheres e crianças. Como um
brinde de sua vitória, Naamã levou como presente para sua esposa uma das
meninas sequestradas para servir-lhe como escrava.
O general Naamã havia conquistado tudo que desejava, mas havia perdido
aquilo que mais prezava - sua saúde. Tornara-se leproso. A menina israelita,
por sua vez, perdera tudo que mais amava, mas manteve saudável a sua fé. E
apesar da indignação de ser raptada, de perder o contato com a amada
família, de ser reduzida à vil escravidão, de perder a sua infância, de ter de
servir a um tirano, inimigo de seu povo, e pior ainda, um leproso, apesar de
tudo isso manteve firme sua confiança em Deus. Mostrou-se disposta a
testemunhar de sua fé naquele ambiente hostil, oferecendo uma bênção
àquele que a ofendera. “Tomara o meu senhor estivesse diante do profeta que está
em Samaria; ele o restauraria da sua lepra” (2Rs 5.3).

aplicação

Nem sempre o ambiente onde vivemos, estudamos e trabalhamos vem a ser aquilo que
gostaríamos, mas nunca deixará de ser um lugar de oportunidades, onde nossa fé,
mesmo com lágrimas, poderá ser semeada e mudanças alegres poderão ser colhidas
(Sl 126.6).

As boas novas logo se espalharam chegando até o trono de Ben-Hadade.


Aquele reino próspero e poderoso nada podia fazer em benefício de seu
herói, mas o “fraco” reino de Israel, por eles saqueado, possuía homens com
grande poder espiritual. O opressor agora dependia do oprimido, o forte
precisava do fraco, e dessa forma o nome de Deus foi exaltado entre as
nações. Ben-Hadade enviou seu general favorito ao rei de Israel, com uma
grande comitiva, um batalhão fortemente armado e uma considerável
fortuna, a fim de encorajar a cooperação do rei Jorão – “encontrar o tal
profeta milagroso”. A abordagem de Naamã foi direta e honesta, mas o rei
de Israel interpretou mal aquele pedido, confundindo com um pretexto para
provocar uma nova guerra (2Rs 5.7). Sua cegueira espiritual o impedia de
enxergar a grande oportunidade que Deus havia proporcionado. Imaginem a
repercussão internacional que seu reino poderia obter se o grande Naamã
fosse socorrido pelos “poderes de Israel”? O rei Jorão sabia que Eliseu tinha
esse poder, mas a desprezível idolatria que maculara sua alma o impedia de
raciocinar com clareza.

Naamã levou à presença do rei Jorão, como retribuição à sua petição, a


exorbitante quantia de 10 talentos de prata (340 kg), 6.000 siclos de ouro
(68 kg) e dez vestes festivais (trajes de luxo adornados com pedras
preciosas). Certamente uma parte daquele tesouro caberia ao profeta que o
curasse. Não tardou a que as notícias chegassem aos ouvidos de Eliseu, o
qual repreendeu a estupidez do rei Jorão e sua incredulidade:  “Por que
rasgastes as tuas vestes? Deixa-o vir a mim e saberá que há profeta em Israel” (2Rs
5.8).

II. O exercício da fé
(2Rs 5.9-19)
Chegou Naamã, com sua comitiva, seu exército, seu poder e sua carga
preciosa à casa do profeta, mas Eliseu não se deixou impressionar com toda
aquela ostentação, de modo que nem ao menos se deu ao trabalho de ir
saudá-lo ou festejá-lo. Conhecia o objetivo de sua visita e, provando a sua fé,
mandou o seu discípulo, Geazi, ao encontro de Naamã, no portão, com a
seguinte instrução: “Vai, lava-te sete vezes no Jordão, e a tua carne será restaurada,
e ficarás limpo” (2Rs 5.10).

aplicação

Perante Deus não há lugar para soberba; Naamã precisava aprender essa lição. Se
alguém busca uma bênção de Deus, que busque isso com humildade e fé ou nada
receberá. “Pois todo o que se exalta será humilhado; e o que se humilha será
exaltado” (Lc 14.11).

O arrogante general começou a desanimar e a perder as esperanças de uma


cura espetacular, em função do preconceito contra o método do profeta e
pela maneira como foi tratado. Desejou voltar para casa imediatamente, mas
seus assessores, munidos de um sincero desejo de vê-lo curado,
convenceram-no com muita inteligência, cautela e lógica. “O senhor é homem
valente e nunca se negou a uma tarefa por mais difícil que fosse. Temos certeza de que o
senhor faria qualquer coisa que o profeta pedisse sem hesitar ou demonstrar temor. Por
que, então, não poderia fazer algo tão simples?” (v.13 parafraseado).

A questão agora estava nas mãos de Naamã. Em seu desespero, já havia


crido até nos conselhos de uma escrava estrangeira, percorrera grande
distância rumo ao desconhecido e fizera um considerável investimento em
busca da solução para o seu drama. Faltava-lhe agora o passo final – “agir
com fé”. Finalmente, o grande estadista abriu mão do orgulho e mergulhou
no “lamacento” rio Jordão. Posso até imaginar a expectativa de seus
companheiros. “Mergulhou uma, duas vezes, e nada! Mergulhou terceira,
quarta e quinta vez, e nada aconteceu! Mergulhou pela sexta vez e não
houve sequer um vestígio de mudança. A angústia foi aumentando; teria o
profeta passado um trote no general? Se desistisse ali teria perdido a grande
oportunidade de sua vida, mas não desistiu; exercitou sua débil fé até o fim
e, por isso, o resultado foi melhor que o esperado. Não apenas obteve a cura,
como também ganhou uma pele rejuvenescida, tal como a pele de uma
criança.

Naamã voltou à presença de Eliseu com seu corpo purificado, sua alma
lavada e suas mãos repletas de dádivas. A transformação foi completa; Deus
mudou-lhe o exterior e o interior, e fez dele um novo homem. O profeta, ao
olhar tamanha alegria, alegrou-se também; não pela fortuna que lhe foi
oferecida, mas pela preciosidade de uma vida transformada e agora
consagrada ao verdadeiro Deus.

III. O abandono da fé
(2Rs 5.19-27)
A jovem escrava exercitou sua fé, apesar da tristeza que ardia em seu
coração. Naamã exercitou sua fé, mesmo com o preconceito arraigado em
seu coração, mesmo com a decepção na corte do rei Jorão, mesmo não
entendendo a lógica do profeta, e agora, depois de curado, exercitou mais
uma vez a sua fé na convicção de que o “Deus de Israel” o acompanharia de
volta a seu país (2Rs 5.17). Mas Geazi, embora conhecesse bem de perto os
prodígios do Senhor, em lugar de exercitar, abandonou a sua fé, trocando o
sustento de Deus por um modo “mais fácil” de prover o seu conforto.Geazi
engendrou um plano diabólico para tirar o máximo proveito daquela
situação. Certamente o fascínio do lucro fácil causou um desequilíbrio na
mente daquele cobiçoso discípulo, a ponto de usar o santo nome de Deus
para justificar sua cobiça: “tão certo como vive o Senhor, hei de correr atrás dele e
receberei alguma coisa” (2Rs 5.20).

Aproveitando-se da euforia e da boa fé do novo convertido Naamã, usou o


nome do profeta, inventando a chegada de novos hóspedes como pretexto
para ganhar um pouco do que Eliseu recusou. E ganhou mesmo, mais ainda
do que pediu; angariou para si 68 kg de prata e duas vestes festivais (2Rs
5.21-23). Bem que a palavra de Deus nos alerta. “Porque o amor do dinheiro é
raiz de todos os males; e alguns, nessa cobiça, se desviaram da fé e a si mesmos se
atormentaram com muitas dores” (1Tm 6.10). E, como um pecado chama outro
pecado, o jeito foi continuar mentindo para acobertar o seu deslize. Mas de
Deus não se esconde nada. Deus fez com que Eliseu soubesse de tudo por
meio de uma visão (2Rs 5.26).

Veja como são as coisas. Um pagão estrangeiro foi curado, pela nobreza de
sua fé, enquanto um israelita, um estudante de teologia, tomou o lugar do
pagão, para a desonra de sua fé. Assim como Acã, Ananias e Safira, Judas
Iscariotes... também Geazi vendeu sua alma por prazeres passageiros. A
cobiça desse jovem só lhe trouxe maldição, pois com a prata que surrupiou
de Naamã, herdou também a lepra que antes era dele (2Rs 5.27).

Conclusão
Vale a pena ler Oseias 14.1-7 - "Volta, ó Isarael, para o Senhor, teu Deus, porque
pelos teus pecados, estás caído."
• Com a pequena escrava aprendemos que é possível ser uma bênção em
qualquer situação se mantivermos viva a nossa fé.
• Naamã deixou-nos como herança o valor de se confiar nas promessas de
Deus, mesmo quando não as compreendemos inteiramente.
• Eliseu nos faz lembrar que todo mundo merece uma chance, quando se
mostram interessados em Deus; até mesmo aqueles que nos irritam.
• Os erros de Geazi ficaram como um alerta da tragédia que pode ocorrer
quando negligenciamos a vida com Deus e preferimos prazeres do mundo
(1Co 10.12).
15
A recuperação do machado
perdido
texto básico 2Reis 6.1-7
versículo-chave 2Reis 6.6

“Perguntou o homem de Deus: Onde caiu? Mostrou-lhe ele o lugar. Então, Eliseu
cortou um pau, e lançou-o ali, e fez flutuar o ferro.”

alvo da lição

Conscientizar o aluno de que há uma grande possibilidade de Deus restabelecer


aqueles que estão perdidos dentro da obra de Deus.

leia a Bíblia diariamente


seg Pv 17.1-28
ter Dt 7.1-18
qua Dt 7.19-26
qui Pv 8.1-21
sex Sl 34.1-22
sáb Sl 23.1-6
dom Sl 24.1-8

Introdução
A recuperação do machado perdido, registrada em 2Reis 6.1-7, é a história
de um milagre de restauração. Louvado seja Deus, pois, ainda hoje Ele pode
executar tais milagres na vida das pessoas! Nesse incidente, todo detalhe é
significante.
Eliseu tipifica Jesus (v.6).
Os discípulos dos profetas nos tipificam como servos que estamos servindo
a Deus (v.1).
Essa passagem nos fala do poder de Deus que nos habilita a fazer todo o
serviço de maneira eficaz (v.5-6).
Aqui vemos que um dos discípulos dos profetas, apesar de profundo
conhecedor da ação de Deus, estava negando-lhe o poder, como os homens
descritos em 
2Timóteo 3.5. O texto básico apresenta três seções principais.

I. Um padrão a ser aprovado


Nos versículos 1 a 4 observamos que tipo de serviço Deus requer de Seus
servos e como esses devem proceder. Note as seguintes características.

1. Relacionamento com o Mestre


Eles eram “os discípulos dos profetas” (v.1), e discípulos de Eliseu. Essa é a
primeira qualificação - relação com o Mestre.

2. Companheirismo
Eles “habitavam” com Eliseu (v.1). Isso nos apresenta a ideia de
companheirismo e comunhão. Como isso é essencial para um serviço
efetivo! Compare João 15.4 -  “Permanecei em mim, e eu permanecerei em vós.
Como não pode o ramo produzir fruto de si mesmo, se não permanecer na videira,
assim, nem vós o podeis dar, se não permanecerdes em mim“.

3. Trabalho
Eles saíram para “construir!” (v.2). Eles reconheceram a necessidade de
trabalhar e estavam ansiosos para buscar a solução por meio do trabalho.

4. Vocação
Eles eram vocacionados (v.2). O profeta disse-lhes: “Ide”. Compare Mateus
28.19.

5. Interdependência
Eles tinham interdependência para com seu mestre (v.3). Sentiam-se
incapazes para empreender a tarefa sem a presença de Eliseu com eles.
Compare João 15.5 - “sem mim nada podeis fazer”.

6. Unidade
Cada um deles levou uma parte (v.2). Todos se uniram no trabalho.
7. Disposição
Eles eram trabalhadores enérgicos (v.4). Eles foram equipados com o 
tipo certo de ferramenta para derrubar árvores e construir.
Aqui está um padrão a ser aprovado. Que maravilhoso seria se todos os
crentes possuíssem as sete características desses “discípulos dos profetas!”
Mas, na história, notamos que há:

II. Um perigo a ser evitado


O versículo 5 nos fala sobre um trabalhador que perdeu seu machado, mais
especificamente, a extremidade cortante e afiada de sua ferramenta, sem a
qual todo o seu esforço seria inútil. Ele não perdeu o cabo do machado. Na
realidade, de longe parecia que sua ferramenta estava completa, mas não
estava. Leia Zacarias 4.6 – “Não por força nem por poder, mas pelo meu Espírito,
diz o Senhor dos Exércitos”. Que tolice seria para esse homem continuar
trabalhando! Nenhum sucesso teria. O que, de fato, aconteceu foi isto: o
homem estava trabalhando magnificamente, mas aos poucos a cabeça do
machado estava deslizando, deslizando até que saiu voando e afundou na
água. Foi um processo gradativo, assim como toda a declinação espiritual,
ele perdeu o seu poder e a sua efetividade. Preste atenção nos seguintes
pontos.

1. Ele perdeu o poder enquanto estava trabalhando (veja 1Rs 20.40).


2. Ele perdeu algo que não era seu (veja Sl 62.11).
3. Ele estava consciente da perda (veja Jz 16.20).
4. Ele estava realmente aflito com a perda (veja Elias e Eliseu - Homens de
Ação 23.3).

Ei, você que está servindo a Deus! De longe parece até que você está
trabalhando, mas parece que você está apenas com o cabo do machado
enquanto o verdadeiro poder já se perdeu. Afundou-se em algum lugar e
você não faz a mínima ideia de onde esteja agora? É possível. Qual tem sido
o seu clamor a Deus?
“Senhor, onde está a Tua promessa de bênçãos sobre mim, que
experimentei quando Te conheci? Hoje minha vida é uma busca sem
destino, que o mundo nunca me poderá satisfazer como Tu.”
Se essa for sua confissão, asseguro-lhe que você pode ser restabelecido,
renovado e reequipado para o serviço de Deus. Note o que deve ser feito
para causar essa renovação e esse restabelecimento.

III. Um procedimento a ser adotado


A última parte de verso 5 e os versos 6 e 7 nos falam sobre isso.
Seguramente, se Deus pode fazer um pedaço de ferro flutuar, Ele também
pode restabelecer aqueles que se encontram sem chances de retomar suas
funções, afundados dentro da igreja. Ninguém foi tão longe a ponto de Deus
não o encontrar.
Você crê que Deus é capaz de resgatar seu poder e efetividade ainda? A
resposta é:

1. Temos que deixar de trabalhar imediatamente


Isso é o que o discípulo do profeta fez. Tolice seria se ele tivesse ido
trabalhar sem a cabeça de machado! Esse é o primeiro passo em busca da
bênção. O próprio Jesus disse. “Permanecei... até” (Lc 24.49).

2. Temos que ficar a sós com nosso Mestre e ser honestos com
Ele
Isso foi o que o discípulo de profeta fez. Imediatamente estava consciente da
perda e gritou por Eliseu. “ Ai, meu senhor!” (v.5). Se falhamos, deve haver em
nós uma confissão de nosso fracasso a Deus. Quando fazemos essa
confissão, podemos ter a garantia do Seu perdão (veja 1Jo 1.9).

3. Temos que mostrar a nosso Mestre o lugar onde perdemos


efetividade e experiência
O versículo 6 nos diz que a primeira pergunta de Eliseu foi sobre o que tinha
acontecido – “Onde caiu?” Ele não repreendeu o jovem, mas quis saber o
que tinha acontecido.
Onde foi que você fracassou e perdeu o gosto pelas coisas do Senhor?
• Quando você deixou de fazer suas devocionais diárias?
• Quando você passou a se ausentar com frequência na Casa de Deus?
• Quando você teve aquele problema com seu pastor, ou com algum outro
irmão?
• Quando você permitiu que aquela coisa duvidosa entrasse em sua vida?
• Quando você fez aquela aliança profana?
• Quando você admitiu aquele pecado em segredo?
• Quando você entrou naquela transação desonesta?
“Onde caiu?” Você nunca recuperará a cabeça do machado até que esteja
disposto a mostrar a Deus onde ela caiu.

IV. Você verá um milagre acontecer!


O versículo 6 nos descreve como Eliseu realizou o milagre.

1. Eliseu usou um “pau” – um pedaço de madeira


“Eliseu cortou um pau, e lançou-o ali, e fez flutuar o ferro”. Lembre-se de que
estávamos todos perdidos, como aquele ferro no fundo do rio, e, por meio
da morte de Jesus na cruz de madeira, o Senhor nos achou por intermédio
de Jesus -  “carregando ele mesmo em seu corpo, sobre o madeiro, os nossos
pecados”(1Pe 2.24). 
O sangue de Jesus pode nos limpar por completo. Não duvide, confie Nele
(1Jo 1.7). Ele é a nossa garantia.

2. O discípulo do profeta “estendeu a mão e o tomou”


Aqui é o passo de fé. O verso 7 nos fala sobre isso. Por toda a vida é
necessário lançar mão, pela fé, da provisão que o Senhor nos dá - a vitória
em Cristo. Essa é uma experiência de humildade, como foi para o discípulo
do profeta. Provavelmente os outros estavam assistindo; ele teve que se
ajoelhar e estender a mão para retomar o que tinha perdido.

aplicação

É maravilhoso saber que, se nos encontrarmos perdidos, aflitos por culpa da nossa
própria forma relapsa de servir a Deus, Ele vai à nossa procura e nos restabelece, nos
renova e nos reequipa para continuarmos nossa trajetória de sucesso.

Conclusão
Vale a pena ler Oseias 14.1-7 – “Volta, ó Israel, para o Senhor, teu Deus, porque,
pelos teus pecados, estás caído”.
16
Um dia de boas-novas
texto básico 2Reis 7.1-15
versículo-chave 2Reis 7.9

“Então, disseram uns para os outros: Não fazemos bem; este dia é dia de boas-
novas, e nós nos calamos; se esperarmos até à luz da manhã, seremos tidos por
culpados; agora, pois, vamos e o anunciemos à casa do rei.”

alvo da lição

Conscientizar o aluno dos perigos que ele pode enfrentar caso retenha somente
para si a mensagem do evangelho.

leia a Bíblia diariamente


seg 2Rs 6.8-33
ter 2Rs 7.1-20
qua Is 6.1-13
qui Ez 33.1-20
sex Ez 33.20-33
sáb Mt 13.44-58
dom Mt 28.1-20

Este estudo é baseado no ministério de Eliseu em Samaria. Narra-se a


história de quatro leprosos que fizeram uma descoberta surpreendente e
ficaram compelidos a compartilhar o que acharam com tantas pessoas
quanto fosse possível. Imaginemos aqui a necessidade desesperada das
multidões famintas de salvação ao nosso redor. Leia 2Reis 7.1-15 e se
familiarize com a história.
Samaria foi sitiada pelo exército sírio, e dentro da cidade estavam
acontecendo coisas terríveis (veja 2Rs 6.24-31). As pessoas enfrentavam
fome, doença e morte.
Fora da cidade estavam quatro leprosos, também passando fome. Se eles
permanecessem fora da cidade, morreriam; se se aproximassem do
acampamento dos sírios também seriam mortos. Como é preferível morrer
por ter tomado uma atitude a morrer por não tomar atitude alguma,
resolveram entrar no acampamento. Para surpresa deles, “eis que lá não havia
ninguém “, veja verso 5. O lugar estava deserto, e eles encontraram bastante
comida, roupas, prata e ouro… satisfazendo, assim, a fome e o frio.
Essa história é um grande desafio a nós que descobrimos Cristo, o Pão da
Vida, e estamos rodeados por centenas de almas famintas, agonizantes, que
estão em perigo de condenação (Ap 20.12-15). Deixe-nos focalizar sua
atenção nas palavras dos quatro leprosos registradas no verso 9 Observe.

I. O privilégio que desfrutamos


“Este dia é dia de boas-novas” disseram os leprosos, e seguramente você
pode dizer o mesmo. Diariamente durante 2.000 anos é um dia de boas-
novas, inclusive hoje – leia os seguintes textos. Lucas 2.10-11; João 3.16;
2Coríntios 6.2; Gálatas 4.4; 1Timóteo 1.15; e Hebreus 3.7. Nós estamos
vivendo o Dia da Graça, quando pecadores podem estar seguros de
acolhimento se vierem ao Salvador (Jo 6.37); quando Deus espera habitar
no coração de homens e mulheres indistintamente (Ap 3.20; 22.17). A
maioria das pessoas está por aí sofrendo, perecendo, morrendo (Jo  3.16)
dentro de nossas cidades, sem Deus e sem esperança. Enquanto nós, pela
graça de Deus, fomos salvos. Esse é o privilégio que nós desfrutamos.

II. O pecado que cometemos


“Não fazemos bem”, disseram os leprosos, “este é um dia de boas notícias” (v.9).
Esta é a situação de muitos irmãos que estão cometendo o pecado do
silêncio! Faz dois mil anos que Jesus veio ao mundo, e ainda há milhões de
pessoas que nunca ouviram falar do amor de Deus. Sentimo-nos culpados
quando refletimos no fato de que poucos em nossa igreja realmente se
preocupam em proclamar às pessoas onde encontraram a nova vida, fazem
tão pouco pela salvação delas, mas, mesmo assim, celebram semana após
semana a sua salvação. Esse é o pecado que nós cometemos.

aplicação
Por nosso silêncio, pecamos contra o Deus que nos deu o ministério da reconciliação.
Por nosso silêncio, pecamos também contra aqueles para quem Cristo morreu e que
precisam desesperadamente de salvação (1Jo 2.2).
Por nosso silêncio, condenamos a nós mesmos e nos expomos a um perigo terrível do
qual os quatro leprosos nos fazem lembrar.

III. O perigo que enfrentamos


“Não fazemos bem”, disseram os leprosos,  “se esperarmos … seremos tidos por
culpados”. Qual é o nosso problema, por que nos calamos? Quando
celebramos nossa paz, significa que perdemos o medo das pessoas ao redor
de nós; se nós não formos a elas, elas certamente morrerão …
espiritualmente (Rm 6.23). Leia Ezequiel 33.7-9. Davi tinha isso em mente
quando orou ao Senhor. “Livra-me dos crimes de sangue, ó Deus, Deus da minha
salvação, e a minha língua exaltará a tua justiça. Abre, Senhor, os meus lábios, e a
minha boca manifestará os teus louvores” (Sl 51.14-15). Ele reconheceu a culpa
que recai na alma de quem se mantém calado quando deveria falar. A esse
perigo também se referiu o apóstolo Paulo em 1Coríntios 3.11-15. O pecado
de silêncio resultará em perda inevitável dos galardões de Cristo. Como nós
falhamos quando o assunto é evangelismo pessoal! Este é o perigo que
enfrentamos! O que, então, pode ser feito para mudar definitivamente isso?

IV. A postura que devemos assumir


É indicado na última parte, nos versos 9-11.

1. Deve haver determinação


Escute esses quatro homens. “Agora, pois, vamos e o anunciemos”. Se um crente
ganhou dez almas para Cristo este ano e inspirou esses dez também a
ganharem dez no próximo ano, e estes cem que ganharam dez, fizerem isto a
cada ano, o resultado será que no sétimo ano, dez milhões de pessoas terão
sido salvas.

2. Deve haver unidade


“Vamos” disseram os leprosos. Havia quatro deles, e tudo o que faziam, eles
faziam juntos. Um homem pode fazer muitas coisas sozinho, agora imagine
uma igreja inteira dedicada a testemunhar sobre a salvação das almas!
Observe Marcos 2.1-15 (especialmente o v.3).

3. Deve haver sacrifício


Note que a palavra no versículo 9 é “ir”, e não “ficar”! (Mt 28.19). Este
“ide” envolve sacrifício. Se os índios vão ouvir o evangelho, então devemos
estar preparados para ir e anunciar-lhes, e para isso teremos de abrir mão do
conforto de casa, bons salários, etc. Quem está preparado?

4. Deve haver ministração


Note a palavra “anunciar” no verso 9. “Anunciar” significa abordar alguém e
expor-lhe com autoridade e unção o plano da salvação. Por que é tão difícil
falar sobre nosso melhor Amigo e tudo o que Ele tem feito por nós? Você
obedeceria Marcos 5.19 hoje? –  “Jesus ordenou-lhe. Vai para tua casa, para os
teus. Anuncia-lhes tudo o que o Senhor te fez e como teve compaixão de ti”.

5. Deve haver urgência


Os leprosos disseram, “se esperarmos … seremos tidos por culpados”. O tempo é
curto. O perdido está morrendo. Jesus está voltando. As chances estão a
cada dia menores (Jo 9.4).
Veja o que acontecerá quando o povo de Deus estiver disposto a ir e contar
(2Rs 7.9-12).
a. os quatro leprosos contaram a um porteiro da casa do rei;
b. o porteiro contou aos outros porteiros;
c. os porteiros contaram ao rei;
d. o rei contou à cidade;
e. e, assim, a bênção se espalhou a todos.

Conclusão
Que desafio para nós é essa história simples dos quatro leprosos! De fato,
“Este dia é dia de boas-novas”, por isso não devemos – e não podemos ficar
calados. Com o exemplo dos quatro leprosos, lembramo-nos do exemplo
dos primeiros apóstolos.  “Chamando os apóstolos, açoitaram-nos e, ordenando-
lhes que não falassem em o nome de Jesus, os soltaram. E eles se retiraram do Sinédrio
regozijando-se por terem sido considerados dignos de sofrer afrontas por esse Nome. E
todos os dias, no templo e de casa em casa, não cessavam de ensinar e de pregar Jesus, o
Cristo”
(At 5.40-42). Que sigamos esses exemplos!
17
Elias, do Antigo ao Novo
Testamento
texto básico Malaquias 4.5-6
versículo-chave Mateus 3.2

“Arrependei-vos, porque está próximo o reino dos céus.”

alvo da lição

Refletir sobre a questão da pessoa de Elias e seus reflexos na pessoa de João


Batista; e destacar a soberania de Deus e a necessidade de uma vida de
arrependimento e santidade.

leia a Bíblia diariamente


seg Lc 4.25-26
ter Rm 11.2-4
qua Tg 5.17-18
qui Mt 11.14 e 17.12-13
sex Ap 11.1-3
sáb Lc 9.28-36
dom Mc 9.2-13

Não é sem motivos que um estudo sobre Elias provoca bastante interesse
quando se refere à sua presença no Novo Testamento. O comentarista
bíblico Bietenhard (DITNT) nos informa que “Elias é mencionado 29 vezes
no NT” (30, se for incluída uma possível menção em Lc 9.54). Além disso,
há bastante discussão sobre a relação João Batista - Elias, especialmente
diante da aparente contradição entre as palavras de Jesus acerca de João (Mt
11.14; 17.12-13) e o que o próprio João testifica (Jo 1.21,25). Na área da
escatologia também há bastante especulação acerca da possível presença de
Elias como uma das duas testemunhas (Ap 11.3), especialmente na questão
de se essa presença seria literal ou não.
Nossa proposta não é resolver todas as questões, até porque essa é uma
discussão que dificilmente terá fim antes de chegarmos ao céu. Vamos,
porém, lidar com o assunto da maneira mais saudável possível e dar
prioridade às questões que seguem. 
(O que é que eu, crente no Senhor Jesus, tenho com tudo isso?) Há algo que
devemos aprender – alguma atitude a ser mudada, alguma advertência a ser
atendida, alguma promessa a ser esperada?

Vamos estudar as dimensões do ministério de Elias que têm influência direta


em nossa vida como crentes no Senhor Jesus.

I. O profeta do plano e da promessa de Deus


(Mq 4.4-6; Jo 1.21,25)
O Dicionário Internacional de Teologia do Novo Testamento  (DITNT) pondera
que “alguns esperavam que Elias viesse antes da aurora do tempo do fim
(Mc 9.11;
Mt 17.10)”. Essa era uma expectativa dos escribas e até dos discípulos. Para
os discípulos, o ministério de João (que, segundo o próprio Senhor Jesus,
cumpria a expectativa da vinda de Elias) significava esperança e segurança
na ação messiânica de Jesus. Para os escribas, Jesus não poderia ser o
Messias porque faltava a manifestação de Elias (Mt 17.10). Toda essa
expectativa começa com o texto de Malaquias 4.4-6.
A promessa é que antes do “grande e terrível dia do Senhor” o profeta Elias seria
enviado.
Mais do que desenvolver uma discussão acerca de Elias no Novo
Testamento, o conjunto dos textos mostra duas verdades que jamais podem
ser esquecidas pelos crentes.

1. Deus tem um plano geral, completo e perfeito


Seja na pessoa de João, o Elias que veio, seja na pessoa das testemunhas de
Apocalipse, o Elias que virá, há que se destacar o controle extraordinário do
Senhor da história passada, presente e futura. A pessoa de Elias é um
testemunho da soberania do Deus que tem a história em Suas mãos.

2. Deus tem prometido e cumprirá Suas promessas


A vinda de João Batista é um sinal maiúsculo do cumprimento das
promessas de Deus. Tanto o profeta João, com ministério semelhante ao
profeta Elias, como a reafirmação das testemunhas de Apocalipse 11.3 são
evidências de que as promessas de Deus serão sempre fiel e cabalmente
cumpridas. Podemos depender Dele e confiar em Suas promessas para nossa
vida.

II. O profeta do arrependimento e do Messias de Deus


(Mt 17.3-12; Mc 9.2-13; Lc 9.28-36)
Certamente que o objetivo do Senhor Jesus em dizer que Elias já veio
(textos citados) não era confundir as pessoas ou contradizer João Batista.
Jesus falava diretamente acerca do tema “arrependimento”.

1. O texto bíblico trata do maravilhoso cenário da


transfiguração
Nessa cena maravilhosa em que Moisés e Elias são convidados especiais, o
assunto central era o cumprimento da promessa do Messias que acontecia
em Jesus. Falavam especialmente de  “sua partida que estava para se
cumprir” (Lc 9.31). A segurança de que o Messias era Jesus se confirma na
voz que se ouviu.  “Este é meu Filho, o meu eleito”  (Lc 9.35). A boa nova do
evangelho é que o Messias chegou – e não há por que esperar por outro
Messias (como os judeus erroneamente esperam até hoje).

2. O texto fala de arrependimento


Aqui está o ponto mais delicado e importante de toda a discussão sobre
Elias e João Batista. Enquanto o povo esperava uma “encarnação” física de
Elias, o projeto de Deus era uma manifestação espiritual do ministério de
Elias. Assim como ele pregava arrependimento, também João veio pregando
arrependimento. Não há sinais de um outro profeta que atue tão
decisivamente na condenação à idolatria e à corrupção moral como Elias
(atacando até o rei Acabe e sua esposa idólatra e promíscua). João
desenvolve ministério semelhante pregando arrependimento e atacando a
corrupção moral de Israel (também atacando o rei Herodes e sua “esposa”
idólatra e promíscua).
A tragédia, conforme o próprio Senhor Jesus, é que os judeus esperaram
tanto por Elias como quem esperava um momento messiânico político, e
não o identificaram nem o receberam para acharem caminho para
arrependimento, “antes fizeram com ele tudo quanto quiseram” (Mt 17.12 e Mc
9.13). Da mesma forma, também esperavam um messias político que
redimiria a Israel, e não receberam a Cristo, o Filho de Deus.

aplicação

Para pensar: Será que nós, que estudamos a palavra de Deus hoje, também temos
dificuldades para encontrar caminho de arrependimento para aguardar e apressar a
vinda de nosso Senhor?

Para pensar: Será que nós, que estudamos a palavra de Deus hoje, também
temos dificuldades para encontrar caminho de arrependimento para
aguardar e apressar a vinda de nosso Senhor?

III. O profeta da fé e da providência de Deus


(Lc 4.25; Rm 11.2-4; Tg 5.17-18)
Elias também é conhecido como o homem que crê em Deus e experimenta
em seu ministério a intervenção providente do Deus verdadeiro. O Novo
Testamento destaca essa marca em sua história.

1. Exercício da fé
Em Lucas 4.25, somos ensinados que o exercício da fé deve ser integrado à
doutrina da soberania de Deus.
O Deus que cura é o Deus que deve ser aceito e adorado. O caminho a ser
percorrido pelo crente segue da aceitação da soberania de Deus e chega ao
milagre, e não segue o caminho oposto. Devemos lembrar-nos das palavras
duras de Jesus às multidões.  “vocês me procuram porque viram milagres”.  O
crente crê em milagre, mas não é o milagre que ele procura – ele procura o
Deus do milagre antes de tudo!

2. Controle da história
Em Romanos 11.2-4, somos ensinados que o Senhor tem o controle da
história.
A palavra de Deus para Elias tem a finalidade de dar segurança e esperança.
A mensagem para cada um de nós é que devemos descansar no Senhor. A
ansiedade do Elias que pede para si a morte num momento de depressão
(1Rs 19.4) dá lugar a uma nova esperança daquele que não está sozinho
porque se tem colocado nas mãos do Senhor que controla todas as coisas.

3. A oração como caminho


Em Tiago 5.17-18, somos ensinados que a oração é o caminho pelo qual
acontecem os impossíveis.
Os impossíveis são aquelas situações em que só Deus pode fazer algo.
Aprendemos com Elias a crer na intervenção de Deus, inclusive e
especialmente nos momentos mais difíceis de nossa vida (veja 1Rs 17.1).

Conclusão
A história de Elias faz parte de toda uma estrutura muito comum na Bíblia,
que geralmente chamamos de “já e ainda não.” Veja alguns exemplos: o
Messias já veio, mas há um sentido em que aguardamos o Messias; o reino já
veio, mas aguardamos ainda uma nova dimensão do reino; já gozamos vida
eterna, mas ainda estamos para tomar posse da vida; já somos salvos e
somos ordenados a operar nossa salvação. E assim por diante.
Os próprios discípulos ficavam muitas vezes confusos diante dessa questão
que envolve a primeira e a segunda vinda de Jesus (veja At 1.1-8). É natural
que nós também fiquemos curiosos e confusos diante de um personagem
enigmático como Elias.
Mais do que o questionamento histórico, o princípio que fica estabelecido
na Bíblia é que somos chamados a arrependimento, reconhecimento da
presença soberana de nosso Messias, e busca de uma vida santa. Essa era a
mensagem de Elias no Antigo Testamento e também a mensagem de João
Batista no Novo Testamento. Essa é também a mensagem da igreja que
aguarda a segunda vinda do Senhor Jesus.

Você também pode gostar