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breves citações, com indicação da fontes

As citações bíblicas foram extraídas da versão Almeida Revista e Atualizada


(ARA), 2ª edição (Sociedade Bíblica do Brasil), exceto indicações de outras
versões.

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editor-chefe
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autores
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João Arantes Costa
John D. Barnett
José Humberto de Oliveira

revisores
Aydano Barreto Carleial
Leheni Lino de Oliveira Ferreira

autora do guia
Mércia Madeira e Silva

projeto gráfico
Patrícia Pereira Silva

diagramação
André de Sousa Júnior

capa
Henrique Martins Carvalho
As explorações do homem no espaço têm demonstrado não somente a imensidade do
nosso sistema solar, como a existência de outros sóis maravilhosos - de fato, galáxias inteiras
de sistemas solares. A nossa Terra representa um pequeno ponto no meio dos inúmeros
corpos celestes de todo grau de resplendor. Como o salmista, nós também ficamos
maravilhados - “Quando contemplo os teus céus, obra dos teus dedos, e a lua e as estrelas
que estabeleceste, que é o homem, que dele te lembres?” (Sl 8.3-4). De fato, nós, criaturas
humanas, somos nada no meio deste vastíssimo espaço.
Mas há uma pergunta que sempre surge: existem outras criaturas, além do homem? Há
um grupo, chamadoufologistas, que especulam sobre a vinda para a Terra de objetos
voadores não identificados (OVNIs). Será que existem mesmo seres extraterrestres? Ou
será que o homem é a única criatura de Deus neste imenso espaço capaz de apreciar e
contemplar essa obra de Deus? Deus não tem outras criaturas inteligentes para louvá-Lo em
vista de toda a Sua criação?
Como crentes, quando queremos descobrir a Verdade, procuramos a única fonte de
informação segura - a Bíblia - e descobrirmos que existe, sim, uma outra classe de seres
superiores. Eles são os anjos de Deus, “os exércitos celestiais, os habitantes dos céus, a
inumerável companhia dos servos invisíveis de Deus” (Bancroft). Mas, também, a Bíblia
afirma que existe um outro grupo de seres que pertencia à mesma classe, que antes servia ao
Senhor, mas agora se encontra em total rebelião contra Deus, liderado pelo antigo “anjo de
luz”, agora chamado Satanás.
Não há dúvida de que um dos assuntos que atualmente tem despertado muito interesse,
tanto no meio das igrejas evangélicas como no mundo fora, tem sido o de anjos. O próprio
autor das lições comenta: “Por volta da metade da década de 90 irrompeu uma onda
doutrinária a respeito dos anjos. Desde então têm sido produzidas várias obras sobre o
assunto nos meios religiosos não-cristãos. Muitas destas obras se ocupam em mostrar que a
doutrina dos anjos é uma herança das religiões orientais, e são carregadas de misticismo. A
mídia, especialmente a televisão, encarregou-se de espalhar os conceitos errôneos sobre os
anjos, explorando a credulidade de pessoas espiritualmente fracas e supersticiosas. Em
consequência, os cristãos correm o risco de serem influenciados por esses ‘ventos de
doutrina’ que, não raro, sopram sobre os arraiais evangélicos”.
Pensando em nos livrarmos dessas influências, a Editora traz 17 lições sobre a doutrina
bíblica dos anjos. Essa será uma boa oportunidade para refletir seriamente sobre aquilo que
a Bíblia diz sobre esse assunto da atualidade. Mas um alerta: estas lições devem ser
estudadas no espírito de oração e total dependência do Espírito Santo. Estamos entrando
num campo espiritualmente “pesado” e, sem um preparo adequado, perigoso. Que Deus o
abençoe muito no estudo deste assunto!
John D. Barnett

(Nota: Lições em que os livros são citados estão identificados em parêntesis)


BROADUS, John. Comentário de Mateus. (10)
BLAUW, Johannes. A natureza missionária da Igreja. São Paulo: ASTE. (17)
CABRAL, Elienai. Lições bíblicas: Anjos, uma perspectiva bíblica e atual. Rio de Janeiro:
CPAD. (3)
CHAFER, Lewis Sperry. Teologia Sistemática. São Paulo: Editora Hagnos. (4) (5)
CHAMPLIN, Russell N. O Novo Testamento interpretado versículo por versículo. São Paulo:
Editora Hagnos. (7)
FERREIRA, Ebenézer Soares. Angelologia. Rio de Janeiro: JUERP. (1)
FOULKES, Francis. Efésios: introdução e comentário. São Paulo: Edições Vida Nova. (17)
FILHO, Tácito da Gama Leite. Anjos. Rio de Janeiro: JUERP. (2)
GONDIN, Ricardo. Os santos em guerra. São Paulo: Abba Press. (6) (15)
GRAHAM, Billy. Anjos: os anjos secretos de Deus. Rio de Janeiro: Editora Record. (6)
GREEN, Michael. II Pedro e Judas: introdução e comentário. São Paulo: Edições Vida Nova.
(7)
MACINTYRE, Archibald Joseph. Os anjos: uma realidade admirável. [s.n.t.]. (2)
MORRIS, Leon L. Lucas: introdução e comentário. São Paulo: Edições Vida Nova. (10)
MUELLER, Ênio R. I Pedro: introdução e comentário. São Paulo: Edições Vida Nova. (10)
RYRIE, Charles. Teologia Básica. São Paulo: Editora Mundo Cristão. (3) (6) (9)
STOTT, John R.W. A mensagem de Efésios. São Paulo: ABU Editora. (7) (12) (13) (17)
THIESSEN, Henry Clarence. Palestras em Teologia Sistemática. São Paulo: Editora Batista
Regular. (9)
TOZER, A.W. O poder de Deus. São Paulo: Editora Mundo Cristão. (16)
– Sumário –

1 Anjos, seres criados por Deus


2 Angelologia, uma doutrina básica
3 Anjos, quem são esses seres?
4 A organização angelical
5 O ministério dos anjos na Bíblia
6 O ministério especial dos anjos
7 Os anjos a serviço da igreja e dos crentes
8 Conhecendo o inimigo
9 Nomes e atividades do inimigo
10 Satanás, o agente da tentação
11 Demônios, ajudantes de Satanás
12 Os demônios em ação
13 A possessão demoníaca
14 Pode um cristão ser possesso?
15 A batalha espiritual
16 Os crentes envolvidos na batalha
17 As armas da nossa milícia
1
Anjos, seres criados por Deus
texto básico Mateus 22.23-33
versículo-chave Mateus 22.29

“Respondeu-lhes Jesus: Errais, não conhecendo as Escrituras nem o poder de


Deus”

alvo da lição

Demonstrar a importância do estudo da doutrina dos anjos à luz da Bíblia, para


livrar o crente de ser atingido pelas ondas do momento a respeito desse
assunto.

leia a Bíblia diariamente


seg Mt 22.23-33
ter Mc 12.18-27
qua Lc 20.27-40
qui At 23.1-10
sex 1Co 1.18-25
sáb Cl 2.16-19
dom Hb 9.23-28

Introdução
Por volta da metade da década de 90, irrompeu uma onda doutrinária a
respeito dos anjos. Desde então têm sido produzidas várias obras sobre o
assunto nos meios religiosos não cristãos. Muitas destas obras se ocupam em
mostrar que a doutrina dos anjos é uma herança das religiões orientais, e são
carregadas de misticismo. A mídia, especialmente a televisão, encarregou-se
de espalhar os conceitos errôneos sobre os anjos, explorando a credulidade
de pessoas espiritualmente fracas e supersticiosas. Em consequência, os
cristãos correm o risco de serem influenciados por esses “ventos de
doutrina” que, não raro, sopram sobre os arraiais evangélicos.
Pensando em nos livrarmos dessas influências, vamos estudar sobre os
anjos. Na lição de hoje nos ocuparemos em considerar as razões por que a
doutrina da angelologia não tem sido bem estudada pelos cristãos e as
objeções que, durante os tempos, têm sido feitas à existência dos anjos.

I. Angelologia – Uma doutrina esquecida


Angelologia é o estudo referente aos anjos. É uma palavra vinda do
encontro de outras duas palavras: angelos e logia, palavras gregas que
significam anjo e estudo, respectivamente. É um assunto de pouco interesse
entre os evangélicos de modo geral. O Dr. Ebenézer Soares Ferreira
(Angelologia  - p.11-12) sugere algumas razões por que os estudiosos da
Bíblia e da Teologia têm dado pouca atenção a esse assunto.

1. As sutilezas escolásticas
O Escolasticismo foi uma forma de pensar dos filósofos e teólogos, que
vieram a ser chamados de escolásticos, no período da Idade Média (período
histórico entre o começo do século V e meados do século XV). Muitos
assuntos eram tratados com profundidade, mas às vezes eles desciam a
considerações banais. Foi assim que trataram a doutrina dos anjos,
levantando questões sem nenhuma relevância para a sua compreensão,
como, por exemplo:

a. Quantos anjos poderiam permanecer na ponta de uma agulha?


b. Um anjo poderia estar em dois lugares ao mesmo tempo?
c. Os anjos da guarda vigiam as crianças desde o nascimento? depois de
batizadas? ou já desde o embrião?

Essas sutilezas dos escolásticos terminaram por desinteressar os 


teólogos evangélicos a refletirem sobre angelologia, ou provocaram neles o
receio de serem considerados escolásticos se viessem a abordar o assunto.

2. O cristocentrismo
Embora ser cristocêntrico seja uma exigência para o cristão e para o
cristianismo, porque devemos dar preeminência a Cristo e anunciar uma
mensagem eminentemente cristocêntrica (1Co 1.23), corremos o risco de,
procedendo assim, pôr de lado outras doutrinas. A doutrina dos anjos é uma
questão de revelação de Deus, desde Gênesis a Apocalipse (cf. Gn 3.24,
onde o Senhor põe querubins a guardar o jardim do Éden e Ap 22.8), e não
podemos ser ignorantes sobre qualquer aspecto da Revelação. Se a
angelologia é uma doutrina bíblica, é importante que a estudemos.

3. As misti cações
Hoje se apregoa, por toda a parte, a aparição de anjos que fazem milagres,
que movem pessoas de um lugar para outro… Anjos são vistos nos cantos
superiores das naves dos templos, pousados nos lustres… Essas
mistificações causam repulsa e levam a considerar o assunto dos anjos uma
questão de crendice popular ou de superstição, que não merece uma
reflexão séria. Essa é, provavelmente, mais uma razão por que a doutrina dos
anjos é esquecida.
Entretanto, ao invés de esquecê-la, apenas deveríamos nos livrar do
misticismo em torno dos anjos. Foi isso que Paulo condenou quando
escreveu aos crentes de Colossos, que, influenciados por práticas pagãs,
corriam também o risco de prestar adoração a anjos, e não a Deus (Cl 2.18).

II. Objeções à doutrina dos anjos


Em qualquer tempo da história, a doutrina dos anjos tem encontrado
oponentes e contestadores.

1. A doutrina dos saduceus


Os saduceus compunham uma seita judaica, que floresceu na Palestina
desde os fins do século II a.C. até os fins do século I d.C. Duas doutrinas em
que os saduceus diferençavam dos estudiosos de sua época eram:

a. a negação da ressurreição dos 


mortos (Mt 22.23), e
b. a inexistência dos anjos (At 23.8).
Esses dois erros doutrinários dos saduceus foram condenados pelos
ensinos de Jesus, que reafirma a doutrina da ressurreição e a existência dos
anjos com um mesmo argumento:  “Porque, na ressurreição, nem casam,
nem se dão em casamento; são, porém, como os anjos no céu” (Mt 22.30).

2. O racionalismo
Do ponto de vista dos racionalistas, a existência dos anjos é uma
aberração, pois foge dos princípios da razão e da ciência.
Consequentemente, eles veem a crença na existência dos anjos como uma
forma de politeísmo primitivo, que teve sua evolução no judaísmo.
Esse pensamento racionalista não é coerente, pois a doutrina judaica é
essencialmente monoteísta. Os anjos não são deuses; são seres espirituais
que Deus usa (cf. Hb 1.7).
Os anjos bons nunca se manifestam como um deus, mas como
mensageiros de Deus, incumbidos de uma tarefa específica; e os anjos maus
são seres espirituais rebelados contra Deus, ainda a Ele sujeitos 
(Jó 1.6-12; 2.1-6). Rejeita-se também essa opinião racionalista, porque ela
exclui a interferência divina na história e na vida dos homens que, diversas
vezes, foi feita pela ação dos anjos.

3. O materialismo
Os materialistas negam a existência de um mundo espiritual; por isso
também negam a existência dos anjos. Só aceitam a realidade do mundo
material, rejeitando tudo o que vá além da matéria. Contrariam a vontade de
Deus, porque “só se preocupam com as coisas terrenas”, e estão condenados
à perdição (Fp 3.17-4.1).

4. O espiritismo
A doutrina espírita sobre os anjos se encaixa devidamente no conjunto da
sua estrutura doutrinária, cuja linha mestra é a reencarnação. O espiritismo
ensina que os anjos são almas dos mortos que, depois de várias etapas de
reencarnação, alcançaram um grau máximo de perfeição. Assim, negam a
existência distinta dos seres angelicais. Para eles, tanto os anjos bons como
os maus ou demônios inexistem. Estes últimos, dizem, são almas
desencarnadas.
Rejeitamos a doutrina da reencarnação, refutando-a com textos bíblicos,
como o de Hebreus 9.27. “Aos homens está ordenado morrerem uma só vez,
vindo, depois disto, o juízo”. Ninguém há que, tendo passado desta vida
para a outra, volta, mesmo que seja para um bom propósito, e muito menos
para habitar em outro corpo (Lc 16.27-31).

Conclusão
Hoje, diante do interesse cada vez maior no ocultismo, nos objetos
voadores não identificados (óvnis), na existência de vida em outros planetas
e nas revelações místicas, torna-se relevante um estudo sobre anjos com
base nas Escrituras.
Precisamos estudar seriamente o assunto, para termos segurança, diante
de tanta ignorância a respeito ou de tanta deturpação da verdadeira
doutrina.
CONFIRA O QUE VOCÊ APRENDEU NESTA LIÇÃO
Só iniciamos o nosso estudo sobre anjos. Verifique se já teve algum proveito, respondendo às seguintes
perguntas:
1. Que razões são apresentadas para o descuido em estudar sobre anjos?
2. Quais as doutrinas que negam a existência dos anjos? Como refutá-las?
3. Que pensam os espíritas sobre os anjos? Que base temos para rejeitar a doutrina deles?
2
Angelologia, 
uma doutrina bíblica
texto básico Hebreus 1.1-14
versículo-chave Hebreus 1.14

“Não são todos eles espíritos ministradores, enviados para serviço, a favor dos
que hão de herdar a salvação?”

alvo da lição

Conduzir o crente a fundamentar na Bíblia sua compreensão sobre o mundo dos


seres espirituais, e não em obras e informações fora das Escrituras.

leia a Bíblia diariamente


seg Hb 1.1-4
ter Hb 1.5-14
qua Hb 2.1-9
qui Ap 5.8-14
sex Mt 28.1-10
sáb At 1.6-11
dom 2Pe 2.4-9

Introdução
Tem crescido muito o mercado de livros evangélicos no Brasil. Há algum
tempo era pequeno o número de editoras. Hoje há muitas, espalhando
literatura em todos os cantos. Não é, entretanto, pelo simples fato de
levarem o rótulo de evangélicos, que editoras e escritores produzem livros
baseados nas Escrituras, razão pela qual devemos ser criteriosos na escolha e
compra de livros.

Há livros sobre anjos e demônios que não têm como fonte somente as
Escrituras. Baseiam-se também em experiências ou alinham às informações
bíblicas os ensinamentos do misticismo religioso do nosso tempo. Serve-
nos, portanto, a advertência paulina:  “Cuidado que ninguém vos venha a
enredar com sua filosofia e vãs sutilezas, conforme a tradição dos homens,
conforme os rudimentos do mundo” (Cl 2.8).

Devemos estudar angelologia unicamente por uma perspectiva bíblica.

Os anjos são mencionados em toda a Bíblia: 108 vezes no Antigo


Testamento e 175 vezes no Novo Testamento, 72 das quais no Apocalipse
(Gama Leite, p.11-12).

I. Anjos no Antigo Testamento
Em todas as partes do Antigo Testamento, os anjos são mencionados.

1. Nos livros da lei


Nesta parte da Bíblia os anjos aparecem em muitas ocasiões.

a. Gênesis:  logo em Gênesis 3.24 são mencionados os querubins,


anjos que guardavam o jardim do Éden. Mais adiante encontramos
um anjo falando a Agar (Gn 16.7); outros dialogando com Abraão
(Gn 18.2; 22.11); outros livraram Ló e sua família de serem
destruídos com Sodoma e Gomorra (Gn 19.1); outros apareceram
numa visão a Jacó, e um deles lutou com o patriarca (Gn 28.12 e
32.24).
b.
c. Êxodo:  este livro faz menção do anjo de Deus que ia adiante do
povo de Israel (cf. Êx 23.20; 32.34).
d. Números: Moisés faz referência à proteção dispensada pelo anjo de
Deus a Israel, quando envia uma mensagem ao rei de Edom,
solicitando passagem pelas terras do seu domínio (Nm 20.16). Um
anjo também aparece a Balaão, repreendendo-o por ter espancado a
jumenta (Nm 22.31-35).
2. Nos livros históricos
Nestes há algumas referências a anjos.

a. Juízes: um anjo aparece repreendendo os israelitas (Jz 2.1); o anjo


do Senhor é mencionado no cântico de Débora (Jz 5.23); um anjo
foi instrumento de Deus para a vocação de Gideão (Jz 6.11) e outro
anunciou o nascimento de Sansão (Jz 13.3).
b. Livros dos Reis:  os anjos também estiveram em ação: um
confortou a Elias (1Rs 19.7; 2Rs 1.3), outro feriu os assírios (2Rs
19.35).

3. Nos livros poéticos


Os anjos aparecem em Jó e em Salmos.

a. Jó:  foi provavelmente o primeiro livro da Bíblia a ser escrito, e já


temos a evidência da crença na existência dos anjos. São
mencionados por Elifaz (Jó 4.18) e por Eliú (Jó 33.23-24), e em Jó
1.6; 2.1 e 38.7, onde aparece a expressão filhos de Deus,  “pode-se
afirmar que eram anjos, pois dizem respeito a seres criados
imediatamente por Deus, sem intermediários” (Gama Leite, p.12).
b. Salmos:  anjos são mencionados algumas vezes, entre as quais em
Salmo 29.1; 91.11,12; 103.20.

4. Nos livros proféticos


Há nos livros proféticos registro de várias visões em que aparecem anjos.

a. Isaías viu serafins por cima do templo (Is 6.2).


b. Em Daniel 3.25, um ser “semelhante a um filho dos deuses”, com o
qual os amigos de Daniel foram vistos pelo rei Nabucodonosor,
passeando na fornalha, pode ter sido um anjo; o profeta também
testifica que foi um anjo que fechou a boca dos leões 
(Dn 6.22).

Portanto, basta folhear o Antigo Testamento para notar que os anjos “não
são símbolos, alegorias ou criações míticas. Ao contrário, são seres reais,
objeto de fé do povo de Israel, o qual admitia que Deus se servia dos anjos
para governar o mundo e dirigir os rumos da história” (Macintyre, p.52).

II. No Novo Testamento


O Novo Testamento reafirma a doutrina dos anjos exposta no Antigo.

1. Nos evangelhos
Podemos constatar, primeiro, que os anjos aparecem nessa parte a
algumas pessoas, às quais comunicam alguma revelação: a José (Mt 1.20, 24;
2.13,19), a Maria (Lc 1.26) e a Zacarias (Lc 1.11,13).
Aparecem também servindo ao Filho de Deus no deserto (Mc 1.13) 
e anunciando Sua ressurreição (Mt 28.2).
Jesus mesmo ensinou sobre a atuação deles, conforme o registro dos
evangelistas (Mt 13.39,49; 18.10; 22.30; Mc 12.25; Lc 15.10; 16.22).

2. Em Atos dos Apóstolos


Logo no início desse livro, os anjos aparecem na ascensão de Jesus Cristo
(At 1.10-11). Depois surgem falando a Filipe (At 8.26), a Cornélio (At
10.3; 11.13) e a Paulo (At 27.23).

3. Nas cartas paulinas


Nessa secção do Novo Testamento desenvolve-se a doutrina. Por 14
vezes a palavra “anjo” é mencionada.

a. Paulo não só acreditava na existência deles, como também em seus


serviços (cf. Rm 8.38; Gl 3.19).
b. Paulo afirma que os anjos são criaturas de Deus e como tais estão
sujeitas a Cristo (Cl 1.16; Fp 2.10).
c. Paulo ensina que, quando na terra, Jesus Cristo foi assistido pelos
anjos (1Tm 3.16); que quando Cristo voltar, se ouvirá a voz do
arcanjo (1Ts 4.16) e que a lei foi transmitida pelo ministério dos
anjos (Gl 3.19).
d. Paulo, por outro lado, adverte quanto ao perigo de se dar crédito a
um evangelho pregado por algum anjo (Gl 1.8) e mostra aos crentes
de Colossos o erro de comparar Cristo aos anjos (Cl 2.18).

4. Na carta aos Hebreus


Nessa carta os anjos aparecem mencionados 13 vezes. O propósito do
autor é demonstrar a superioridade de Jesus Cristo sobre eles (cf. Hb 1.4-5,
13-14; 2.2,5,7,9; 12.22).

5. Nas cartas de Pedro


O apóstolo Pedro ensina sobre a justiça divina aplicada aos anjos decaídos
(2Pe 2.4,11) e sobre a sujeição dos anjos a Jesus Cristo 
(1Pe 3.22).

6. No Apocalipse
Nesse livro a palavra “anjo” aparece 72 vezes, nas quais os seres angelicais
desempenham variados papéis.

a. Os anjos compõem um coro ao redor do trono de Deus (Ap 5.11).


b. Os anjos estão diante Dele prontos a executar Suas ordens (Ap 8.2).
c. Os anjos são os instrumentos de aplicação do juízo de Deus sobre a
terra (cf. Ap 14.15; 15.1).

Conclusão
A Bíblia nos ensina a respeito dos anjos, e esse ensino é suficiente para o
nosso entendimento sobre esses seres angelicais. Recorrer a outras fontes
oferece o risco de se desviar da reta doutrina que as Escrituras contêm.

CONFIRA O QUE VOCÊ APRENDEU NESTA LIÇÃO


A título de verificar o que foi aprendido neste estudo, responda as questões a seguir:
1. Quantas vezes os anjos são mencionados:
a) No Antigo Testamento
b) No Novo Testamento
c) No Apocalipse
2. Cite algumas atuações dos anjos mencionadas nos livros históricos.
3. Os anjos tiveram alguma relação com o ministério terreno de Jesus? Exemplifique.
4. Qual o objetivo do autor da carta aos Hebreus ao mencionar os anjos?
5. Os anjos são apenas instrumentos da graça divina ou também do juízo divino? Em que isso difere do
ensinamento extrabíblico?
3
Anjos, quem 
são esses seres?
Pr. Vanderli Lima Carreiro

texto básico Colossenses 1.15-20


versículo-chave Colossenses 1.16

“Pois, nele, foram criadas todos as coisas, nos céus e sobre a terra, as visíveis e
as invisíveis, sejam tronos, sejam soberanias, quer principados, quer potestades.
Tudo foi criado por meio dele e para Ele”

alvo da lição

Mostrar que os anjos são seres criados por Deus, deixando claro que são finitos e
dependentes de Deus, embora mais poderosos e mais inteligentes que os
homens. Conduzir o aluno a render-se diante do Deus Todo-Poderoso, que tudo
criou e a tudo governa.

leia a Bíblia diariamente


seg Sl 33.1-22
ter Ne 9.6-15
qua Jó 38.4-7
qui Gn 19.1-13
sex Lc 20.27-40
sáb 2Sm 14.8-20
dom Mt 18.6-14

Introdução
A lição anterior focalizou a necessidade de se estudar sobre os anjos e
deixou evidente que a angelologia é uma doutrina amplamente exposta na
Bíblia. Agora continuamos, com base na palavra de Deus, a considerar essa
doutrina.

Quem são os anjos? Respostas erradas têm sido dadas a essa pergunta,
como já vimos. Embora não se possa encontrar na Bíblia tudo o que
desejamos para satisfazer à nossa curiosidade sobre os seres angelicais, cremos
que Deus nos revela o necessário para a nossa compreensão a seu respeito.

I. São mensageiros
A palavra “anjo” deriva da língua latina - angelus - que é correspondente à
palavra grega  angelos. No hebraico a palavra para anjo é  mal’ako. O
significado comum é mensageiro, enviado.
“Anjos”, com o sentido de mensageiros, não diz respeito à natureza
espiritual desses seres, mas determina a sua missão. Com esse mesmo sentido
de mensageiro ou enviado, pessoas humanas são chamadas “anjos”: o
sacerdote (Ml 2.7); o rei (2Sm 14.17,20); os pastores líderes das sete igrejas
do Apocalipse (Ap 2.1, 8, 12, 18; 3.1, 7, 14).
Contudo, não é difícil perceber quando o termo se refere aos seres celestiais,
porque vem associado à pessoa de Deus como, em Gênesis 16.7; 28.12 e
Salmo 34.7.

II. São criaturas de Deus


Deus criou tudo o que existe, as coisas visíveis e as invisíveis. Entre elas
criou os anjos (Cl 1.16). Examinando a Bíblia, concluímos que foram criados
todos de uma só vez - Deus criou uma companhia de anjos e não uma raça.

1. Quando foram criados?


Provavelmente foram criados antes da criação do mundo físico. É o que
podemos entender à luz de Jó 38.4-7.  “Os filhos de Deus”, que foram
testemunhas da criação de todas as coisas, certamente eram os anjos. Se
puderam contemplar toda a criação divina, é porque já haviam sido criados.

2. Quantos foram criados?


Não há como contá-los. As Escrituras falam de milhares de milhares (Dn
7.10; Ap 5.11), de miríades 
(Hb 12.22), de legiões (Mt 26.53). Tentar descobrir quantos são e nomeá-los
é pura tolice, porque a Bíblia dá números indefinidos. Há um número
definido deles, que apenas o Senhor conhece, pois foram criados ao mesmo
tempo, de uma só vez.

3. Em qual estado foram criados?


Originalmente as criaturas angelicais eram santas. Todas as outras coisas
criadas por Deus eram boas (Gn 1.31), e os anjos foram criados nesse estado
de justiça, bondade e santidade. Havia uma condição original de igualdade em
todos os anjos 
(2Pe 2.4). Os anjos que assim perseveraram, continuaram a serviço do
Senhor e foram chamados “eleitos” (Mt 18.10; 1Tm 5.21).
Os anjos maus são os que não perseveraram no estado original. Rebelaram-
se e tornaram-se inimigos de Deus, dos outros anjos e dos homens, e estão
condenados a tormentos e castigo eterno (Jd 6; Mt 8.29; 25.41).

4. Onde habitam?
Nas regiões celestiais, onde se manifestam. Várias referências nos dão
conta de que os anjos têm sua habitação numa dimensão celestial. Jacó,
sonhando, viu anjos que subiam e desciam uma escada cujo topo tocava os
céus (Gn 28.12). No Apocalipse anjos são vistos nos céus (cf. Ap 8.5).
Quando descem à terra, o fazem para cumprir uma missão (cf. At 12.7).

III. Sua personalidade e natureza


Há informações bíblicas preciosas sobre a personalidade e a natureza dos
anjos.

1. Os anjos são seres pessoais


Deus atribuiu a esses seres que criou características pessoais. A crendice
popular tem os anjos como espíritos impessoais ou influências sobre os
homens. Diferentemente do que popularmente se pensa, a Bíblia os apresenta
como pessoas. São seres inteligentes, têm vontade própria e prerrogativas
específicas. Um exame do texto de Gênesis 19.1-13 demonstra isso. Dois
anjos dialogam inteligentemente com Ló, determinando providências e
agindo coerentemente.
2. Os anjos são seres imortais
Não são eternos, nem possuem a imortalidade essencial, que só Deus
possui (cf. 1Tm 6.16), mas são imortais (Lc 20.36), do mesmo modo que o é
a alma dos homens. A eternidade para os anjos é a mesma concedida aos seres
humanos, na qualidade de criaturas de Deus (cf. Lc 20.35-36).

3. Os anjos são seres espirituais e incorpóreos


Os seres celestiais estão destituídos de qualquer forma corpórea - têm
natureza espiritual (Mt 8.16; Ef 6.12; Hb 1.14). Por isso não possuem carne
nem osso (Lc 24.39) e não podem exercer atividades que são próprias dos
seres humanos (Mt 22.30).
Anjos apareceram na forma de homem (Gn 18.2; 19.1); agiram como
homens, ingerindo alimentos (Gn 18.8; 19.3), apenas para convencer de sua
presença real as pessoas a quem apareciam. “Os anjos de Deus não tomam
outros corpos para se manifestarem, mas tomam formas de pessoas humanas
visíveis para se fazerem manifestos” (Cabral, p.9). Sendo espirituais, são
também invisíveis (Cl 1.16).

4. Os anjos são seres morais


Se são seres pessoais, possuem também natureza moral e, portanto, se
encontram debaixo de obrigação moral. São recompensados por sua
obediência e foram castigados por sua desobediência. Há anjos que
permaneceram fiéis a Deus (At 10.4, 22;
Ap 14.10) e anjos desobedientes, infiéis, que caíram (Is 14.12; Ez 28.15; Jo
8.44; 2Pe 2.4).

5. Os anjos são seres gloriosos


Foram criados com glória e dignidade sobre-humana (Lc 9.26). No
Apocalipse alguns anjos são descritos com majestade (Ap 10.1-3), contudo,
não possuem a mesma glória do Pai nem a mesma glória do Filho (Hb 1.5-
13).
Anjos são seres celestiais; não são seres divinos.

6. Os anjos são seres poderosos


Aos anjos é conferido maior poder que aos homens (2Pe 2.11). O salmista
reconhece o poder desses seres celestiais (Sl 103.20). Eles conhecem as leis
da natureza e dominam o fogo e a água (Ap 14.18; 16.5).

Há muitos fatos bíblicos que evidenciam o poder dos anjos. Vejamos


alguns:

a. um só destruiu todos os primogênitos do Egito, numa noite 


(Hb 11.28, cf. Êx 12.29);
b. um deles destruiu setenta mil pessoas do reino de Davi 
(2Sm 24.15-16);
c. um só matou cento e oitenta e cinco mil soldados assírios (Is 37.36);
d. apenas um conseguiu remover a pedra que fechava o túmulo de Jesus
(Mt 28.2).

Entretanto, o poder dos anjos não é ilimitado. Não são onipotentes. São
mais poderosos que os homens, mas não têm o mesmo poder que Deus. Não
são capazes de criar nada, nem esquadrinhar o coração humano. Os anjos
podem influenciar a mente humana do mesmo modo como outro ser humano
influencia. A influência dos anjos maus, porém, pode ser impedida pelo poder
de Deus (Ef 6.10-12; 1Jo 4.4,18).

7. Os anjos são seres inteligentes


Não são oniscientes. Não têm inteligência num grau perfeitamente elevado
como Deus, mas a possuem em grau mais elevado que os homens (cf. 2Sm
14.17,20; Mt 24.36; 1Pe 1.12).

8. Os anjos são seres assexuados


Os anjos, tanto os bons como os maus, são seres que não apresentam
característica de macho e fêmea. Jesus respondeu aos saduceus, que não criam
na existências de anjos, que estes não casam, o que indica que não têm sexo e,
consequentemente, não se propagam (Lc 20.35-36).
Na Bíblia não se encontra a expressão “filhos de anjos”, pois os anjos são
filhos diretos de Deus por ato de criação e por obediência (Jó 1.6; 2.1).
Em Gênesis 6.2 os “filhos de Deus” não são anjos, como alguns entendem.
São os descendentes de Sete, que eram tidos como os verdadeiros adoradores
de Deus, e são assim chamados para diferençar dos descendentes de Caim.

Conclusão
Em resumo, “embora haja semelhanças entre anjos e Deus e entre anjos e
homens, anjos são uma classe distinta de seres. Como Deus, mas diferente
dos homens, eles não podem morrer. Como Deus eles são superiores em
poder em relação ao homem, contudo não são onipotentes. Do mesmo modo
que Deus e o homem eles têm personalidade. Como Deus eles são seres
espirituais, mas não são onipresentes como Deus é” (Ryrie, p.127).

CONFIRA O QUE VOCÊ APRENDEU NESTA LIÇÃO


1. Anjo significa, essencialmente_____________________________________________________________
2. Quando os anjos foram criados?___________________________________________________________
3. Quantos anjos foram criados?_____________________________________________________________
4. Em que estado moral foram criados?_______________________________________________________
5. Qual é a habitação dos anjos?______________________________________________________________
6. Por que podemos declarar que os anjos são “pessoas”?_______________________________________
_________________________________________________________________________________________
4
A organização 
angelical
Pr. Vanderli Lima Carreiro

texto básico Salmo 103.19-22


versículo-chave Salmo 103.21

“Bendizei ao Senhor, todos os seu exércitos, vós, ministros seus, que fazeis a sua vontade”

alvo da lição

Mostrar aos alunos que Deus organizou os anjos e classificou-os de acordo com ministérios que deveriam desempenhar.
Considerar a organização angelical como um modelo para as ordens e a disciplina do exército terreno de Deus.

leia a Bíblia diariamente


seg Sl 103.19-22
ter 1Ts 4.13-18
qua Ef 1.15-23
qui Gn 3.22-24
sex Is 6.1-8
sáb Dn 8.15-27
dom Lc 1.18-23

Introdução
Depois de refletimos sobre a personalidade e a natureza dos anjos, podemos pensar um pouco no modo como
estão organizados. Temos algumas informações bíblicas sobre a organização dos anjos e sobre uma hierarquia
angelical. Deus constituiu diversas ordens de anjos para O servirem e O glorificarem. Em cada uma das ordens, os
anjos são diferentes em poder e autoridade.

I. O fato da Sua organização
A Bíblia fala de “assembleia” de anjos (Note: Em Sl 89.5-8 consta a palavra santos, mas o contexto dá a entender
que são anjos), de sua organização para a batalha (Ap 12.7) e de um anjo que é rei sobre os terríveis seres
apocalípticos que haverão de assolar a terra (Ap 9.11).

Os anjos também possuem uma classificação governamental que indica organização e hierarquia, conforme
Efésios 3.10 (dos anjos bons) e Efésios 6.12 (dos anjos maus). Sem dúvida, Deus determinou a organização dos
anjos bons, e Satanás, dos anjos maus. Do mesmo modo que nos governos terrenos há graduações e posições,
também as há nas regiões celestiais.

Um importante aspecto prático decorre deste fato. Anjos bons são organizados; demônios também são
organizados; enquanto os cristãos frequentemente acham desnecessário serem organizados. Muitos acham que
podem lutar sozinhos, vencer a luta sozinhos, sem se submeterem a uma autoridade eclesiástica, sem organização e
sem disciplina. E quando precisam promover boas obras ou praticar a ação social, poderiam fazer muito mais do
que fazem, se se submetessem à organização e à disciplina. Lamentavelmente não o fazem!

II. A hierarquia dos anjos


Os anjos estão hierarquicamente ordenados. Aparecem numa escala de graduação ou de autoridade. Esta
graduação está de acordo com a atividade que excercem.
1. Arcanjo

“Arcanjo” é uma palavra grega - archangelos. Na Bíblia aparece a menção de apenas um arcanjo - Miguel (só
pode haver mesmo um arcanjo, pois a palavra significa “o principal entre os anjos”). Seu nome significa “quem é
como Deus” ou “semelhante a Deus”. O prefixo  arc, de arcanjo, leva a supor ser este anjo um chefe principal e
poderoso. E o significado do seu nome “Miguel” pode representar uma resposta a Lúcifer, cujo coração se elevou,
dizendo: “Serei semelhante ao Altíssimo” (Is 14.14).

Em Daniel 12.1 Miguel aparece como um dos primeiros príncipes - o “grande príncipe” - que se levantará como
defensor dos filhos de Israel. Em Judas 9, apesar de investido de grande autoridade, o arcanjo Miguel deixa a
repreensão final a Satanás para o Senhor, reconhecendo, com isto, o senhorio Dele. Em Apocalipse 12.7-12, o
arcanjo Miguel aparece comandando um exército de anjos, que batalham e derrotam o diabo e seu exército de anjos
maus.

Outra referência a arcanjo encontramos em 1Tessalonicenses 4.16, numa alusão à segunda vinda de Jesus Cristo.
Quando Ele voltar, os remidos serão convocados pela “voz do arcanjo” e ressuscitarão dos mortos para irem ao
encontro do Senhor nos ares.

2. Anjos governadores
Nos escritos paulinos, aparecem várias expressões que indicam ordens de anjos que exercem governo ou domínio
sobre outros.

a. Principados  - essa palavra é usada por Paulo sete vezes, indicando uma ordem de anjos bons ou maus,
envolvidos no governo do universo (Rm 8.38; Ef 1.21; 3.10; 6.12; Cl 1.16; 2.10, 15). Podem ser
considerados como generais de exércitos angelicais. São anjos que têm poderes de príncipes.
b. Potestades  - devem ser anjos que exercem uma supremacia; possuem autoridade para governar. Sua
principal atividade deve ser remover os obstáculos que podem impedir o cumprimento da vontade de Deus,
e para isso são investidos de especial autoridade (Rm 8.38; Ef 1.21; 3.10; 6.12; 
Cl 1.16; 2.10). Efésios 3.10 pode dar a entender que potestades são anjos que aprendem algo da vontade de
Deus ao contemplarem o que Ele está realizando no seio da igreja.
c. Poderes  - essa palavra ressalta o fato de que anjos e demônios têm maior poder que os homens. Pode
referir-se, de modo especial, aos anjos que exercem poder sobre os fenômenos da natureza (2Pe 2.11; Ef
1.21; 1Pe 3.22).
d. Domínio - deve ser uma classe de anjos que executam as ordens de Deus com relação às coisas criadas (Cl
1.16; Ef 1.21).
e. Tronos - essa designação enfatiza a dignidade e autoridade com a qual Deus investiu os anjos que Ele usa
para governar (Ef 1.21; Cl 1.16; 2Pe 2.10-11).

Observe-se que em Colossenses 1.16 principados e potestades e tronos parecem referir-se a anjos bons. Efésios
1.21, entretanto, parece ser uma referência a anjos bons e maus. Já em Romamos 8.38, Efésios 6.12 e Colossenses
2.15, parece que a referência é apenas a anjos maus. “Embora haja uma aparente semelhança entre estas
denominações, temos de presumir que estes títulos representam uma dignidade incompreensível e os diversos
graus de categoria. As esferas celestiais de governo excedem os impérios humanos como o universo excede a terra”
(Chafer, p.345).

3. Querubins
“Querubins” deriva de querub (hebraico), cujo significado é “guardar” e “cobrir”. Com essa função, os querubins
aparecem mencionados em vários textos. Eles agiram como guardiões da santidade de Deus, tendo guardado o
caminho para a árvore da vida no jardim do Éden (Gn 3.24). O uso dos querubins na decoração do tabernáculo
também indica sua função de guardião (Êx 26.1; 36.8;1Rs 6.23-29). A figura de dois querubins cobrindo o
propiciatório igualmente pode representar uma “cobertura” da santidade do Senhor (Êx 25.10-22). Em Ezequiel
10, os querubins aparecem relacionados à glória de Deus. Os anjos descritos em Ezequiel 1 e Apocalipse 4 podem
também ser identificados como querubins. Eles possuem extraordinário poder e majestade.
Querubins são, portanto, anjos que defendem o caráter santo de Deus. Assim os encontramos em ação.

4. Sera ns
O nome “serafim” tem origem na raiz hebraica saraph, que significa “ardente”. Esses seres angelicais são
mencionados apenas em Isaías 6.1-3. Eles aparecem ao redor do trono de Deus, a postos para cumprirem Suas
ordens. Os serafins são considerados os mais nobres entre os anjos. Enquanto os querubins se ocupam em
demonstrar a santidade de Deus, os serafins trabalham para promover a reconciliação, preparando os homens para
uma adequada aproximação Dele.
Os serafins são descritos por Isaías, em sua visão, como tendo asas: “cada um tinha seis asas: com duas cobria o
rosto, com duas cobria os pés e com duas voava” (Is 6.2). Essas asas têm sentido simbólico.

a. As que cobriam o rosto mostram a necessidade de uma atitude de reverência diante do Senhor.
b. As que cobriam os pés falam da santidade do andar diante de Deus.
c. As que serviam para voar indicam a grande capacidade de movimento e locomoção dos anjos.

“Com que reverência deveríamos nos comportar quando nos dirigimos à Majestade Divina, diante do qual os
próprios serafins escondem seus rostos! E se eles cobrem os seus pés, estão conscientes de sua imperfeição natural
comparada com a glória infinita de Deus; nós que não passamos de torrões de terra, vis pecadores, deveríamos
corar de vergonha na Sua presença...” (Chafer, p.347).

5. Outros anjos
Um deles, mencionado pelo nome, é Gabriel (Dn 8.15-27; 9.20-27;Lc 1.19,26). Foi incumbido de missões
extraordinárias, para revelar mistérios que se encontravam acima da compreensão humana.

Gabriel significa “Deus é forte”. Aparece como mensageiro da misericórdia e das promessas divinas.
Além do anjo Gabriel, aparecem outros anjos nas Escrituras, designados por Deus para tarefas específicas:

a. mensageiros do juízo (Gn 19.13; 2Rs 19.35);


b. com poder sobre o fogo 
(Ap 14.18);
c. com poder sobre as águas 
(Ap 16.5);
d. os sete anjos anunciadores de juízos (Ap 8.2);
e. anunciadores de nascimento de crianças (Gn 18.1,10; Jz 13.3).

Conclusão
Como vimos, do mesmo modo que todo o restante da criação de Deus segue uma ordem ou organização,
também os anjos possuem a sua hierarquia e cada um a sua missão.

É bom estarmos alertas para a prática atual de dar nomes a anjos, com base em escritos religiosos orientais e
espirituais e nos livros apócrifos. Neles aparecem nomes como Rafael, Saracael,
Raquel e Remiel. Não nos é dada por Deus a tarefa de ficar inquirindo sobre nomes de anjos. Os que são
identificados na Bíblia o são, especialmente para, por meio de sua nomeação, ressaltar a tarefa que cumprem. Seu
nome não tem nenhuma importância além dessa. Sendo ministros de Deus, certamente Ele os conhece pelo nome.
E se o Senhor não no-los revelou, é porque não é necessário possuir esse conhecimento para viver e crescer na fé.

Aplicação

Há uma grande lição prática nesse fato da organização e hierarquia dos anjos bons. Eles estão acostumados à disciplina
e à obediência, e nisso nos servem de modelo. !
É bom também advertir que a classificação dos anjos que apresentamos nesta lição não pode ser definitiva. Há
uma grande variação nas ordens apresentadas pelos teólogos.

CONFIRA O QUE VOCÊ APRENDEU NESTA LIÇÃO


1. É um fato a organização dos anjos? Por quê?
_____________________________________________________________________________________________________________________________________
2. A ordem que a lição apresenta dos anjos é a seguinte:
a.________________________________________________________________________________________
b._______________________________________________________________________________________
c._______________________________________________________________________________________
d._______________________________________________________________________________________
e._______________________________________________________________________________________
3. Indique com que tarefas os anjos se relacionam:
(a) querubins ( ) a santidade de Deus;
(b) serafins ( ) a defesa do povo de Deus;
(c) arcanjos ( ) a reconciliação dos homens com Deus.
5
O ministério dos anjos na Bíblia
Pr. Vanderli Lima Carreiro

texto básico Salmo 34.1-22


versículo-chave Salmo 34.7

“O anjo do Senhor acampa-se ao redor dos que o temem e os livra”

alvo da lição

Demonstrar, à luz das referências do Antigo e do Novo Testamentos, como os anjos atuam para executar as ordens que
recebem do Senhor.

leia a Bíblia diariamente


seg Sl 34.1-10
ter Gn 16.7-14
qua Jz 13.1-25
qui Lc 2.8-15
sex Lc 24.1-12
sáb At 8.26-40
dom At 12.9-19

Introdução
Passo a passo estamos ampliando nosso conhecimento sobre os anjos. Depois de descobrirmos que estão
devidamente organizados e que são hierarquicamente ordenados, veremos, a respeito do serviço que desempenham
os anjos bons, mediante as ordens do Senhor.

Os anjos atuam como agentes especiais de Deus. Geralmente se deslocam de um lugar para outro para dar
cumprimento às ordens do Senhor. Às vezes se tornam visíveis, mas não são reconhecidos imediatamente como
anjos. Seja como for, estão sempre atendendo a uma missão dada pelo Criador e servindo-O voluntariamente. “As
273 referências da Bíblia feitas a anjos são principalmente narrativas de suas atividades e nelas descobrimos um
vasto campo de realizações” (Chafer, p.345).

I. O ministério angelical no Antigo Testamento


No Antigo Testamento, encontramos os anjos exercendo várias atividades, dentre as quais 
destacamos:

1. A promulgação da lei
Embora no momento em que Moisés recebeu a lei (cf. Êx 19 e 20) não se mencione a participação dos anjos, no
Novo Testamento se afirma que “foi promulgada por meio de anjos” (Gl 3.19) ou foi recebida por “ministério de
anjos” (At 7.53).

2. O socorro a pessoas
Alguns personagens bíblicos tiveram a atuação direta dos anjos vindo em seu socorro. Agar e Ló (Gn 16.7-12;
19.1-22) e em especial Abraão, quando estava prestes a oferecer Isaque em sacrifício (Gn 22.11-12).

3. A proteção de pessoas
Jacó teve a experiência de ser protegido por anjos (Gn 32.1) e, quando abençoava os filhos de José, reconheceu
isso, dizendo: “o Anjo que me tem livrado de todo mal” (Gn 48.16).

4. A direção do povo de Israel no deserto


Israel tinha um anjo de Deus diante dele em sua peregrinação pelo deserto, rumo à terra prometida 
(Êx 14.19; 23.20).

5. A anunciação de nascimento
Abraão e Sara receberam de um anjo a promessa de um herdeiro  (Gn 18.1-33). Também Sansão teve seu
nascimento anunciado por um anjo (Jz 13.1-24).
Essas são algumas intervenções angelicais registradas no Antigo Testamento. Muitos personagens bíblicos
estiveram envolvidos com anjos, em todo o tempo da antiga aliança.

II. O ministério angelical no Novo Testamento


Em toda a extensão do Novo Testamento, os anjos são vistos em ação.

1. Em relação a Jesus Cristo

a. Anunciaram o Seu nascimento (Lc 1.26-37; 2.8-15) e indicaram o Seu nome (Lc 1.31). Antes já haviam
anunciado a Zacarias o nascimento de João Batista e mostrado o nome dele (Lc 1.11-14).
b. Após ter sido tentado no deserto, os anjos O assistiram (Mt 4.11).
c. Um anjo O confortou no momento de Sua agonia no Getsêmani (Lc 22.43).
d. Certamente eram anjos os dois “varões” que anunciaram a Sua ressurreição (Lc 24.4-6).
e. Também dois “varões” estavam presentes em sua ascensão e confortaram os discípulos com a promessa da
Sua volta (At 1.10-11).

Anjos estiveram acompanhando Jesus em toda a Sua vida terrena, razão pela qual o apóstolo Paulo declara que
Ele foi “contemplado por anjos” (1Tm 3.16).

2. Nos evangelhos
Os evangelistas registram várias referências ao ministério dos anjos feitas por Jesus:

a. anjos “subiam e desciam sobre Ele” (Jo 1.51);


b. tinha-os para Sua defesa e podia dispor deles, se quisesse (Mt 26.53);
c. declarou que estarão com Ele no julgamento das nações (Mt 25.31);
d. disse que anjos conduziram Lázaro para o seio de Abraão (Lc 16.22);
e. afirmou que os anjos contemplam a face de Deus no céu (Mt 18.10).

3. No ministério dos apóstolos e na igreja primitiva


Mesmo depois da descida do Espírito Santo, os anjos continuaram a ministrar, agora em favor da 
igreja.

a. Um anjo abriu a porta da prisão para que os apóstolos saíssem (At 5.19).
b. Um anjo trasladou Filipe por uma distância de cerca de cem quilômetros, levando-o de onde encontrou o
oficial etíope para Azoto (At 8.26-40).
c. Cornélio necessitou da orientação de um anjo para mandar mensageiros chamar Pedro (At 10.3-8).
d. Pedro teve a participação espetacular de um anjo para livrá-lo do cárcere onde estava acorrentado e
guardado por dois soldados (At 12.3-11).
e. Paulo teve o conforto de um anjo quando enfrentava a tumultuada viagem para Roma (At 27.23-24).

Conclusão
Nesta lição vimos que os anjos agiram no passado, desde os tempos bíblicos mais antigos, até o tempo da igreja
primitiva. Na próxima, estudaremos o ministério especial dos anjos e, na seguinte, o ministério dos anjos em
relação à igreja e em relação aos crentes.

CONFIRA O QUE VOCÊ APRENDEU NESTA LIÇÃO


1. Qual das ações dos anjos no Antigo Testamento você destaca?
_____________________________________________________________________________________________________________________________________
2. Os anjos também serviram a Jesus Cristo. Relacione três ações angelicais em favor do Senhor.
_____________________________________________________________________________________________________________________________________
3. Indique duas importantes atividades angelicais em favor da igreja primitiva.
_____________________________________________________________________________________________________________________________________
4. Poderiam também os anjos exercer ministério em seu favor? Veja Hebreus 1.14.
_____________________________________________________________________________________________________________________________________
6
O ministério
especial dos anjos
Pr. Vanderli Lima Carreiro

texto básico Salmo 148.1-14


versículo-chave Salmo 148.2

“Louvai-o, todos os seus anjos; louvai-o, todas as suas legiões celestes”

alvo da lição

Levar o aluno a compreender que os anjos são ministros de Deus para o


cumprimento de Sua vontade, e não agentes de satisfação dos desejos
humanos.

leia a Bíblia diariamente


seg Gn 19.1-22
ter At 27.21-26
qua Mt 18.10-14
qui 2Rs 19.35-37
sex At 12.20-23
sáb Ap 16.1-21
dom Ap 7.9-12

Introdução
Além do ministério desenvolvido pelos anjos, mencionado na lição
anterior, destacaremos algumas funções exercidas por eles. Embora estejam
sempre à disposição do Senhor, para cumprir aquilo que lhes é determinado,
há tarefas que desempenham rotineiramente.

I. Os anjos adoram e louvam a Deus


No lugar de sua habitação, os anjos não estão inativos. Uma das suas
principais atividades é a adoração ao Senhor. Ele é digno do louvor e da
adoração de todas as Suas criaturas, por isso o salmista os conclama a fazê-
lo:  “Louvai-o, todos os seus anjos; louvai-o, todas as suas legiões
celestes” (Sl 148.2). Não só o Pai, mas também o Filho recebe a adoração
angelical (cf. Hb 1.6).

Em Apocalipse, João tem a visão de uma “grande multidão que ninguém


podia enumerar… diante do trono e diante do Cordeiro” (Ap 7.9). A essa
multidão se juntam os anjos, e todos adoram a Deus (Ap 7.11).

Nem todos os anjos estão ao mesmo tempo adorando e louvando a Deus.


Quanto a isso, Billy Graham comenta o seguinte: “Mas os anjos não passam
todo o seu tempo no céu. Não são onipresentes (presentes em toda parte ao
mesmo tempo), portanto só podem estar num lugar em determinado tempo.
Entretanto, como mensageiros de Deus, acham-se socupados pelo mundo,
cumprindo as ordens de Deus… Mas quando os anjos se encontram diante
do trono de Deus, de fato cultuam e adoram o seu Criador” (Billy Graham,
p.42,43).

1. Por que os anjos adoram a Deus?


Eles O adoram voluntariamente. Há os que seguiram a Satanás, que por
sua livre escolha o fizeram e, por isso, não adoram nem servem ao Senhor.
Mas os que O adoram o fazem porque, como criaturas de Deus, reconhecem
Sua formosura e majestade. Estando diante de Deus (Mt 18.10), eles O
conhecem. E quem conhece a Deus, O adora.

2. Por que adoramos a Deus?


Temos um motivo a mais que os anjos para adorá-Lo. Os anjos adoram-
No como Criador e Senhor. Nós O adoramos como Criador, Senhor e
Salvador. Se os anjos devem adoração a Deus, nós a devemos muito mais,
porque fomos libertados da escravidão do pecado.

II. Os anjos comunicam aos homens o propósito de


Deus
Já vimos que a palavra “anjo” significa essencialmente mensageiro. Os
anjos servem como ministros de Deus para prevenir, avisar sobre situações
de calamidades, anunciar juízos e proclamar coisas boas. Quando Deus
determinou destruir Sodoma e Gomorra, enviou dois anjos para avisarem a
Ló do seu propósito (Gn 19.1). Deve ter sido também um anjo que deu a
Jacó a notícia do seu novo nome, devido à sua persistência:  “Já não te
chamarás Jacó, e sim Israel, pois como príncipe lutaste com Deus e com os
homens e prevaleceste” (Gn 32.28). Desse modo o anjo confirmava a Jacó o
propósito de Deus em fazer da descendência de Abraão uma grande nação
(cf. Gn 35.9-15).

Um anjo também revelou a Paulo aquilo que Deus lhe havia destinado,
quando estava em um navio prestes a naufragar, garantindo-lhe o livramento
e também de todos os do navio naquela tempestade. O anjo disse: “Paulo,
não temas! É preciso que compareças perante César, e eis que Deus, por sua
graça, te deu todos quantos navegam contigo” (At 27.24 NTLH).

Os anjos aparecem em atividade no surgimento de novas épocas no


desenvolvimento da história.
1. Eles se juntaram em louvor, quando a terra foi criada (Jó 38.6-7).
2. Eles estiveram envolvidos na promulgação da lei mosaica (Gl 3.19; Hb
2.2).
3. Eles estiveram ativos no primeiro advento de Cristo (Mt 1.20; 4.11).
4.  Eles estiveram ativos durante os primeiros anos da igreja  (At 8.26;
10.3,7; 12.11).
5.  Eles estarão envolvidos nos eventos relacionados à segunda vinda de
Cristo (Mt 25.31; 1Ts 4.16).

III. Os anjos executam os juízos de Deus


Os anjos são agentes da justiça de Deus; executam o juízo sobre
indivíduos e nações.
1. Na destruição de Sodoma
Quando da destruição de Sodoma, os anjos disseram a Ló que Deus os
havia enviado com a ordem para destruí-la:  “…pois vamos destruir este
lugar, porque o seu clamor se tem aumentado chegando até à presença do
Senhor; e o Senhor nos enviou para destruí-lo” (Gn 19.13).

2. No livramento de Jerusalém
Quando Deus livrou Jerusalém das mãos dos assírios, o fez por meio de
um só anjo, que venceu cento e oitenta e cinco mil soldados do exército de
Senaqueribe, executando o juízo de Deus contra o presunçoso rei assírio
(2Rs 19.35).

3. No julgamento de Herodes
Um anjo foi também agente do juízo de Deus contra Herodes, que queria
ser reconhecido como um deus. No momento em que o povo o
aclamava, “um anjo do Senhor o feriu, por não haver dado glória a Deus; e,
comido de vermes, expirou” (At 12.23).

4. No julgamento das nações


Em Apocalipse, encontramos os anjos esvaziando taças da cólera de Deus
(Ap 16.1) e controlando os trovões de Jeová sobre as nações culpadas (Ap
16.17).
Temos falsas ideias sobre anjos, e uma delas é achar que só realizam
coisas boas. “É verdade que são espíritos auxiliadores enviados para ajudar
os herdeiros da salvação. Mas, da mesma forma que cumprem a vontade de
Deus na salvação dos crentes em Jesus Cristo, são também ‘vingadores’, que
empregam o seu grande poder para cumprir a vontade de Deus no
julgamento divino” (Billy Graham, p.81-82).

Conclusão
Que privilégio inaudito têm os anjos. Eles contemplam o Senhor da
glória. Não podemos nem imaginar o que será contemplar direta e
constantemente a face do Senhor. Um dia desfrutaremos do mesmo gozo,
pois “…quando ele se manifestar… haveremos de vê-lo como ele é” (1Jo
3.2). Entretanto, enquanto aqui, devemos desfrutar do privilégio de adorá-
Lo e louvá-Lo, a todo o 
tempo.
Não nos deixemos enganar pelas falsas ideias sobre os anjos. Eles são
instrumentos da graça de Deus para com os homens, mas são também
agentes da aplicação da Sua justiça.

Os anjos continuam em ação. (Há um interessante capítulo sobre o


assunto no livro de Ricardo Gondin, p.133-144). Teremos a oportunidade
de estudar, na próxima lição, sobre o ministério dos anjos em relação à igreja
e em relação aos crentes.

APLICAÇÕES PRÁTICAS PARA A MINHA VIDA


1. Será que tenho prestado a Deus a adoração que Ele merece?
2. Quanto tempo gasto na presença do Senhor?
3. Que motivo tenho a mais para adorar a Deus, em relação aos anjos?
7
Os anjos a serviço da
igreja e dos crentes
Pr. Vanderli Lima Carreiro

texto básico Mateus 18.6-14


versículo-chave Mateus 18.10

“Vede, não desprezeis a qualquer destes pequeninos; porque eu vos afirmo que
os seus anjos nos céus veem incessantemente a face de meu Pai celeste”

alvo da lição

Definir, à luz da Bíblia, qual é a atuação dos anjos em favor dos crentes em
Cristo Jesus, assegurando ao cristão a certeza de que os anjos de Deus
excercem, a seu favor, um ministério especial.

leia a Bíblia diariamente


seg Mt 18.6-14
ter 1Co 4.6-13
qua Ef 3.1-13
qui 1Pe 1.10-12
sex Ap 20.1-3
sáb Lc 15.8-10
dom Ap 22.8-17

Introdução
Na lição anterior estudamos sobre o ministério dos anjos de modo geral.
Vimos que no Antigo Testamento eles atuaram em várias ocasiões e no
Novo Testamento encontramos registros da atuação deles em relação a
Jesus e à igreja primitiva. Além disso, também estudamos sobre três aspectos
do ministério especial dos anjos: adoram e louvam a Deus; comunicam aos
homens os propósitos de Deus; executam os juízos de Deus.

Hoje abordaremos o ministério dos anjos em relação à igreja e aos


crentes. Muito ensino errado tem sido ministrado e é necessário que nos
dediquemos ao estudo dessa questão, para nos firmarmos na verdade. Que a
Bíblia afirma que os anjos estão a serviço dos cristãos, é verdade. Mas como
agem? Cada cristão tem o seu próprio anjo? Essas e outras perguntas é que
nos introduzirão ao presente estudo.

I. Os anjos servindo à igreja


Antigamente os anjos agiram em favor da igreja. Já constatamos essa
verdade na lição anterior. Mas isso foi no passado. E no presente, como
agem? Terão alguma atuação em favor da igreja no futuro?

1. Os anjos observam os cristãos


Paulo afirma que nós “nos tornamos espetáculo ao mundo, tanto a anjos,
como a homens” (1Co 4.9). Isso significa que os anjos são espectadores dos
eventos da vida dos cristãos. Essa observação angelical, entretanto, não é
passiva. Certamente que os anjos de Deus vigiam para que o cristão não
sofra, 
tanto física como emocionalmente, além da conta, os ataques de Satanás.
Todos os crentes estão em constante perigo, e os anjos os protegem.

O apóstolo também menciona, em 1Coríntios 11.10, que as mulheres


coríntias deviam trazer véu sobre a cabeça por causa dos anjos. “Mui
provavelmente essas palavras significam para agradá-los, para não ofendê-los
com uma conduta indecorosa” (Champlin, vol. IV, p.173), pois esperam da
igreja a mesma atitude de reverência que têm diante de Deus (cf. Is 6.2).
Esse texto (1Co 11.10) também revela o interesse dos anjos na vida
cotidiana da igreja.

Por outro lado, a igreja é que torna conhecida “a multiforme sabedoria de


Deus”  dos principados e potestades nos lugares celestiais (Ef 3.10).
Ilustrando essa verdade, John Stott diz o seguinte: “É como uma encenação
de um grande drama. A história é o teatro, o mundo é o palco, e os membros
da igreja em todos os países são os atores. O próprio Deus escreveu a peça e
a dirige e a produz. Ato após ato, cena após cena, a história continua a
desdobrar-se. Mas quem está no auditório? São as inteligências cósmicas, os
principados e potestades nos lugares celestiais. Devemos pensar neles como
sendo os espectadores do drama da salvação” (Stott, p.86.87).

Mesmo sendo superiores aos homens em sabedoria e poder, os anjos não


são oniscientes. Por isso, nenhum conhecimento poderiam adquirir do
plano de salvação do homem, a não ser observando o desenrolar dos
acontecimentos da história.

2. Os anjos não pregam o evangelho


A tarefa de pregar o evangelho é dos homens. Jesus deu a entender assim
quando contou a parábola do rico e de Lázaro. Ao negar o pedido do rico,
de mandar alguém à sua casa paterna para dar testemunho a seus irmãos, a
fim de que não fossem também para o inferno, Abraão respondeu: “Se não
ouvem a Moisés e aos profetas...”  (Lc 16.31). Anunciar a mensagem de
salvação é privilégio dos homens, que, se o fazem, são bem-aventurados (Rm
10.15). É tão significativa essa tarefa e tão dignos são os que realizam, que os anjos desejam
envolver-se nela (cf. 1Pe 1.12). Mas a eles não é dado esse privilégio, que é exclusivo da
igreja.

3. Os anjos estarão presentes nos acontecimentos da segunda vinda


de Cristo
Mesmo antes de Cristo voltar à terra, os anjos terão participação nesse
grande evento. Um arcanjo anunciará o tempo da volta de Cristo e, ouvindo
a sua voz, os crentes em Cristo ressuscitarão (1Ts 4.16).

Quando o Senhor voltar, os anjos O acompanharão (cf. At 1.9-11 e ler Mt


25.31; Mc 8.38, 2Ts 1.7). Na Sua volta pessoal, os anjos descerão junto,
formando “exércitos” celestiais (Ap 19.14). A presença dos seres angelicais
com o Senhor indica a glória com que se revestirá o acontecimento. Mas não
é só essa a tarefa a ser cumprida pelos anjos na segunda vinda de Cristo. Eles
também atuarão na execução do julgamento dos homens ímpios: “Mandará
o Filho do Homem os seus anjos, que ajuntarão do seu reino todos os
escândalos e os que praticam a iniquidade e os lançarão na fornalha
acesa...” (Mt 13.41-42).
Os anjos ainda estarão presentes na prisão de Satanás por mil anos. Um
anjo detentor da “chave do abismo” prenderá Satanás por mil anos e o
lançará no abismo (Ap 20.1-3).

II. Os anjos servindo aos crentes


Os crentes em Cristo têm os anjos a seu serviço. Nós não podemos vê-los,
como já dissemos, porque são seres espirituais e, por isso, invisíveis. Eles,
sim, nos podem observar. E do mesmo modo que atuaram em benefício de
crentes, em particular, nos tempos neotestamentários, ainda hoje atuam.

1. Os anjos se alegram com a salvação dos homens


“Eu vos afirmo que, de igual modo, há júbilo diante dos anjos de Deus por
um pecador que se arrepende” 
(Lc 15.10). A alegria do Pai celestial é tão grande ao receber um filho
perdido, que Ele compartilha dela com as criaturas celestiais.

2. Os anjos cuidam dos eleitos quando estes morrem


Jesus declarou, quando contou a parábola do rico e de Lázaro, que o
mendigo, ao morrer,  “foi levado pelos anjos para o seio de Abraão”  (Lc
16.22). Podemos deduzir daí que quando um cristão passa desta para a
outra vida é conduzido pelos anjos à presença do Pai. Quanto ao texto de
Judas 9, que menciona a disputa do corpo de Moisés pelo diabo e o arcanjo
Miguel, a lição que tiramos é que, até na situação de morte, o inimigo tem
interesse nos fiéis, os acusa e os requer para si.

Um comentarista bíblico, tentando esclarecer esse versículo, escreveu o


seguinte: “Quando Moisés morreu o arcanjo Miguel foi enviado por Deus
para enterrá-lo. Mas o diabo disputou seu direito de assim fazer, pois Moisés
tinha sido um assassino (Êx 2.12). E portanto seu corpo pertencia, por
assim dizer, ao diabo. Além disso o diabo alegou ter autoridade sobre a
matéria, e o corpo de Moisés, naturalmente, encaixava-se nesta categoria.
Mas mesmo sob tal provocação, como diz a história, Miguel não tratou o
diabo com desrespeito. Simplesmente deixou o caso com Deus” (Green,
p.162).

Não somos autorizados a dizer, mesmo diante desse texto, que os anjos
são enviados para cuidar do corpo dos eleitos. No caso de Moisés, podemos
crer, o objetivo do Senhor ao enviar o anjo era evitar a idolatria em relação
ao corpo de Moisés e, ao mesmo tempo, demonstrar o trato especial que Ele
dispensou a esse Seu servo. Por outro lado, considerando o contexto de
Judas 9, aprendemos que se os anjos são cuidadosos naquilo que afirmam,
quanto mais o devemos ser.

3. Os anjos protegem os eleitos


No Salmo 34.7 temos que “o anjo do Senhor acampa-se ao redor dos que
o temem e os livra”. Já podemos notar, em textos tanto do Antigo como do
Novo Testamento, que servos do Senhor foram protegidos por anjos. Jesus
declarou que, se quisesse, pediria ao Pai e Ele mandaria “mais de doze
legiões de anjos” para protegê--Lo e livrá-Lo de ser preso (Mt 26.53).

Podemos crer que os anjos estão a serviço de Deus, ministrando proteção


aos santos. Existem anjos que guardam; o que não existe é “anjo da guarda”.
Essa é uma ideia com base em fábulas rabínicas e na filosofia oriental. Não
há fundamento bíblico para essa noção popular de “anjo da guarda”. Os
textos geralmente citados como base são Mateus 18.10 e Atos 12.15. Esse
último texto registra a suposição dos crentes primitivos, ainda influenciados
pelas crenças judaicas, de que o anjo de Pedro aparecera. A suposição deles
era falsa, pois era mesmo Pedro, em carne e osso, que aparecera, solto que
foi da prisão. No primeiro texto, a intenção de Jesus não é afirmar a
existência de anjos pessoais, mas sim mostrar quanto são importantes “os
pequeninos” diante de Deus, razão por que também os devemos considerar
importantes.

4. Os anjos não devem ser adorados


Os anjos não aceitam adoração. Em Apocalipse 22.8-9, João conta que,
estarrecido diante da visão do novo céu e nova terra e das palavras
proferidas por um anjo, prostrou-se a seus pés para adorá-lo. Mas o anjo lhe
disse: “Vê, não faças isso; eu sou conservo teu, dos teus irmãos, os profetas,
e dos que guardam as palavras deste livro. Adora a Deus”. Somente Deus
deve ser adorado. Qualquer adoração à criatura, em vez de o Criador, é
idolatria. Essa é a razão por que Paulo condena o  “culto dos anjos”  (Cl
2.18). Talvez os colossenses achassem que Deus está longe demais e, por
isso, precisavam da intermediação de anjos para se chegarem a Ele. Deus
não está distante nem é necessário que anjos sejam mediadores entre Ele e
os homens, porque o Filho, superior aos anjos, já se tornou, uma vez por
todas, o Mediador (1Tm 2.5).

Conclusão
É bom sabermos que os anjos são “espíritos ministradores, enviados para
serviço a favor dos que hão de herdar a salvação”  (Hb 1.14). Essa palavra
traz consolo! Os anjos nos servem. Servem à igreja e a cada cristão em
particular! Contudo, devemos ter o cuidado para não aceitar nada além
daquilo que a palavra de Deus ensina a respeito dos anjos.

CONFIRA O QUE VOCÊ APRENDEU NESTA LIÇÃO


1. De que modo os anjos “observam” os cristãos?
2. Que serviços os anjos desempenham a favor dos cristãos, individualmente?
3. Podemos crer na existência de um “anjo da guarda”? Por quê?
4. Você acha que se deve adorar os anjos? Por quê?
8
Conhecendo
o inimigo
Pr. Vanderli Lima Carreiro

texto básico Isaías 14.12-17


versículo-chave Ezequiel 28.15

“Perfeito eras nos teus caminhos, desde o dia em que foste criado até que se
achou iniquidade em ti”

alvo da lição

Mostrar que foi em consequência do orgulho e da soberba que o querubim


ungido perdeu todas as prerrogativas, vindo a ser o arqui-inimigo de Deus e do
Seu povo e que, embora poderoso, é limitado, pois não é nada mais que uma
criatura, sujeita, portanto, ao Criador. É preciso conhecer melhor o inimigo para
saber como resistir aos seus ataques.

leia a Bíblia diariamente


seg Ez 28.1-10
ter Ez 28.11-15
qua Is 14.12-17
qui 2Co 4.1-6
sex Mt 4.1-11
sáb Jd 5-13
dom Gn 2.16-17; 3.1-5

Introdução
Nas lições anteriores estudamos sobre os anjos que servem a Deus,
obedecendo às Suas ordens no desempenho de quaisquer tarefas ou atuando
a favor da igreja e dos cristãos, em particular. Hoje daremos início a algumas
lições que tratam dos anjos maus, a começar de Satanás, o principal entre
eles. Deve-se ressaltar que o objetivo destas lições não é engrandecer ao
diabo e aos demônios, mas conhecê-los melhor para poder enfrentar os
ataques que promovem contra os filhos de Deus e suas obras.

Satanás, como os outros anjos, é um ser misterioso. Não podemos


conhecê-lo tão profundamente como, talvez, nosso espírito de curiosidade
gostaria. Entretanto podemos conhecê-lo naquilo que a Bíblia nos revela
dele, e isso é suficiente para nos armarmos para a luta que, incessantemente,
ele trava contra nós. No estudo que ora iniciamos aprenderemos sobre sua
origem e sobre sua queda.

I. O estado original de Satanás


Há dois textos bíblicos que nos servem de base para esse estudo: Isaías
14.12-17 e Ezequiel 28.13-19. O texto de Ezequiel é que nos dá informações
de algumas características originais de Lúcifer, antes da queda. Essa
passagem bíblica tem dupla referência.

Ao príncipe de Tiro, uma cidade-reino. Historicamente é


identificado como Thobal, que reinou em 586 a.C.
Comparativamente a outro rei, chamado Lúcifer, influenciador
espiritual do príncipe Thobal. Esse príncipe se torna a figura de
Lúcifer devido ao seu orgulho e presunção. Era arrogante e
blasfemo. Considerava-se um deus e conhecedor de todos os
segredos da vida (cf. Ez 28.1-10).

No texto seguinte, o profeta fala do mesmo personagem, mas agora com


um sentido espiritual. Não é mais ao “príncipe de Tiro” que o profeta se
refere, mas ao “rei de Tiro”, do qual o primeiro era uma figura.

1. Criado perfeito em sabedoria


Era o “sinete da perfeição, cheio de sabedoria e formosura” (Ez 28.12). A
expressão “sinete da perfeição” traduz a ideia de que era a imagem perfeita
da criação divina. Lúcifer foi criado a mais bela e mais inteligente criatura de
Deus. Em Isaías, Lúcifer aparece como “a estrela da manhã, filho da alva” (Is
14.12). O nome e os dois títulos que Isaías emprega, que significam a
mesma coisa: luminoso ou brilhante, ressaltam a perfeição do estado
original de Satanás. Os babilônios criam que os astros celestes ou estrelas
fossem seres angelicais. Isaías aproveita-se da figura “filho da alva” para
mostrar como era Satanás antes da queda.

2. Colocado num ambiente de glória


“Estavas no jardim do Éden.... de todas as pedras preciosas te
cobrias”  (Ez 28.13). Os ornamentos de joias sugerem sua grande
importância e o resplendor de sua inconfundível aparência. Assim, com
resplendor, ele vivia no jardim de Deus.

3. Era ungido e ocupava alta posição


“...eras querubim da guarda, ungido...”  (Ez 28.14). Lúcifer pertencia à
mais alta classe de seres angélicos - à ordem dos querubins, anjos
relacionados com o trono de Deus na qualidade de protetores e defensores
de Sua santidade. Para isso Deus o escolhera - “ungido”.

4. Tinha uma conduta perfeita


“Perfeito eras nos teus caminhos...” (Ez 28.15). Até o momento em que
nele se “achou iniquidade”, nada havia que desabonasse, nem diante dos
outros anjos, nem diante de Deus, sua conduta. Esse era o estado original de
Satanás. Deus o criou assim.

II. A sua natureza e personalidade


Embora já tenhamos abordado questões sobre a natureza e personalidade
dos anjos, é bom ressaltar aspectos particulares da natureza e personalidade
de Satanás.

1. Ele é uma criatura


Em Ezequiel 28.15, encontramos esta declaração:  “desde o dia em que
foste criado”. Isso significa dizer que ele não possui atributos que pertencem
somente ao Deus Criador, tais como onipresença, onipotência e onisciência.
Embora seja um ser poderoso, é uma criatura, sujeita às limitações impostas
pelo Criador.

2. Ele é um ser espiritual


Satanás pertencia à ordem dos anjos designados querubins (Ez 28.14). A
natureza de todos os anjos é espiritual. Por isso ele é chamado de “o deus
deste século” e de “o príncipe da potestade
do ar” (2Co 4.4; Ef 2.2).

3. Ele é uma pessoa


Do mesmo modo que os outros anjos, Satanás possui traços da
personalidade. Ele se mostra inteligente (2Co 11.3); ele exibe suas
emoções (Ap 12.17; Lc 22.31); ele demonstra que possui vontade própria
(Is 14.12-13; 2Tm 2.26). Em dois episódios bíblicos, um no Antigo e outro
no Novo Testamento, a personalidade de Satanás é claramente evidenciada.
No livro de Jó, ele aparece como uma pessoa, dialogando e mostrando o
intento do seu coração  (Jó 1). Em Mateus 4.1-11, ele aparece em cena
dialogando com o Mestre, agindo caracteristicamente como pessoa. Não
podemos negar a personalidade de Satanás, exceto adotando argumentos
que nos compeliriam a negar também a existência dos anjos, a personalidade
do Espírito e a do Pai.

4. Ele é um ser moral e responsável


Se Satanás fosse meramente uma personificação do mal, não seria 
moralmente responsável por seus atos, uma vez que não existiria nenhum
ser para se responsabilizar. Mas Satanás é responsabilizado pelo Senhor
Jesus, do mesmo modo que os homens são responsabilizados por seus
atos (Mt 25.41). Essa passagem também nos lembra que negar a realidade
de Satanás representa negar a veracidade das palavras de Cristo.

III. A queda de lúcifer


“Até que se achou iniquidade em ti” (Ez 28.15). É com essa simplicidade
que o profeta relata a origem do pecado e da queda de Lúcifer. Ele, que
havia sido criado perfeito, abrigava em seu coração a iniquidade. Isaías dá
mais detalhes sobre a queda desse anjo  (Is 14.12-17). Embora seja
tipológica, pois fala do rei Nabucodonosor como figura de Lúcifer, essa
escritura descreve os passos da queda de Lúcifer.

1. Eu subirei ao céu
(Is 14.13)
Como guardião da santidade de Deus, ele tinha acesso ao céu. Mas essa
declaração expressa o seu desejo de estar acima de toda a criação e acima do
Criador.

2. Acima das estrelas de Deus exaltarei o meu trono


(Is 14.13)
O sentido dessa expressão depende do entendimento do que sejam as
“estrelas”. Nesse texto parece se referir a anjos (cf. Jó 38.7; Jd 13; Ap 12.4).
Sendo assim, o desejo de Satanás aqui manifesto era se colocar acima de
todos os anjos.

3. No monte da congregação me assentarei, nas extremidades do


Norte
(Is 14.13)
O “monte” é uma referência ao lugar do trono de Deus. Essa declaração
representa a ambição de Satanás de se colocar como governante de todos os
povos, no lugar de Deus.

4. Subirei acima das mais altas nuvens


(Is 14.14)
Ele ambicionava a glória que pertence a Deus. “Nuvens” são geralmente
associadas à presença gloriosa de Deus (Êx 16.10; Ap 1.7).

5. Serei semelhante ao Altíssimo


(Is 14.14)
Lúcifer, “o sinete da perfeição”, agora queria ser igual a Deus. Desejava
ser tão poderoso quanto Deus. Ele queria assumir a autoridade e o controle
do mundo, o que é prerrogativa exclusiva de Deus.
O pecado de Satanás é mais horrendo, ao se considerar o grande
privilégio, inteligência e posição que tinha. Seu pecado é também mais
terrível por causa dos seus efeitos sobre outros. Ele afetou outros anjos, que
levou atrás de si (Ap 12.4); afetou todos os homens (Ef 2.2); afetou as
nações (Ap 20.3).

A queda de Satanás lhe trouxe consequências irreversíveis.

a. Ele tornou-se o primeiro pecador e pai do pecado (1Jo 3.8). Aquele


que peca está ligado ao diabo. Pecado é atividade característica do
diabo; aquele que o comete se identifica com ele nesta atividade.
b. É também o pai da mentira 
(Jo 8.44). A primeira frase dele registrada na Bíblia não só põe em
dúvida, mas contradiz abertamente o que Deus dissera. Deus tinha
dito: “Certamente morrerás” (Gn 2.17); a serpente disse:  “É certo
que não morrereis” 
(Gn 3.4).
c. Está sob condenação eterna 
(Ap 20.2,10). Seu estado não será nunca alterado. Ele é eternamente
condenado ao inferno, lugar que lhe foi destinado por Deus.

Conclusão
Hoje em dia se tem cometido dois graves erros quanto à existência de
Satanás.

1. Negar a sua existência real, considerando-o uma criação do homem,


uma espécie de “força negativa da mente”. Certamente que uma das táticas
de Satanás é fazer as pessoas não acreditarem que ele existe. Se ele não é
levado a sério, em consequência o pecado também não é.

2.  Mistificar a crença nele, tratando-o como uma “energia ou figura


espiritual”. À luz da Bíblia, descobrimos que Satanás é uma pessoa, uma
criatura, que deliberadamente optou rebelar-se contra Deus, rejeitando Sua
soberania e autoridade. Ele existe e está vivo, operando para influenciar o
mundo a se voltar contra Deus.
O que aconteceu a Lúcifer deve servir de advertência aos homens. Seu
pecado foi o orgulho, consumado na rebelião contra Deus. As
consequências que sofreu são semelhantes às que o homem soberbo
também sofre, se não se arrepende e confessa a Deus o seu pecado,
reconhecendo a soberania de Jesus Cristo.

CONFIRA O QUE VOCÊ APRENDEU NESTA LIÇÃO


1. Descreva o estado original de Lúcifer.
2. Como combater o engano de que Satanás é mera criação da mente humana?
3. Que declaração Lúcifer fez, registrada em Isaías, que evidencia claramente sua intenção de ser igual a
Deus?
4. Considere como, na prática, estamos sofrendo as consequências da queda de Satanás.
9
Nomes e atividades do inimigo
Pr. Vanderli Lima Carreiro

texto básico Apocalipse 12.7-12


versículo-chave Apocalipse 12.9

“E foi expulso o grande dragão, a antiga serpente, que se chama diabo e


Satanás, o sedutor de todo o mundo, sim, foi atirado para a terra, e, com ele, os
seus anjos”

alvo da lição

Dar subsídios para se conhecer melhor o inimigo de Deus e do cristão,


mostrando as atividades de Satanás desenvolvidas contra o Pai, o Filho e os
incrédulos. Conscientizar sobre a sua malignidade e sobre o seu interesse de
arrastar atrás de si todos os homens.

leia a Bíblia diariamente


seg Ap 2.8-11
ter Ap 12.7-12
qua Zc 3.1-10
qui Ap 9.1-12
sex Ef 2.1-10
sáb 2Co 11.1-15
dom Jo 13.21-30

Introdução
Já conhecemos um pouco deste arqui-inimigo do cristão no estudo
anterior. Neste, tentaremos conhecê-lo ainda mais. Deve-se sempre ter em
conta que conhecer o inimigo tem o objetivo prático de estar preparado para
atacá-lo ou dele se defender. É bom também estarmos sempre lembrados
que não o vencemos só porque o conhecemos, mas sim porque conhecemos
Aquele que o derrotou. Jesus Cristo, que está em nós, é a força que
necessitamos para vencer.

Hoje nos dedicaremos a conhecer os nomes e as atividades do inimigo.


I. Os nomes do inimigo
Os nomes e títulos de uma pessoa revelam seu caráter. Mas a variedade de
nomes de Satanás alerta-nos também para o fato de que ele pode atacar seus
oponentes de vários modos. Consideremos alguns nomes.

1. Diabo
Essa palavra é a transliteração do vocábulo grego diabolos, cujo
significado é “caluniador, acusador” (Ap 2.10; 12.10). É o nome mais
popular, porque também o identifica com sua tarefa mais comum. A Bíblia
relata a história de um servo de Deus sendo acusado pelo diabo (Jó 1.9-11).
Outros servos de Deus são constantemente acusados por ele. Sendo pai da
mentira, ele forja acusações contra os eleitos.

2. Satanás
Esse nome passou a ser aplicado a ele depois da queda. Significa 
“adversário” (cf. Zc 3.1; 1Pe 5.8). Desde o momento em que Lúcifer caiu no
céu e foi lançado por terra - foi afastado da presença de Deus (Is 14.12) -
tornou-se adversário e opositor constante de Deus, da Sua criação e da Sua
obra. Um exemplo da oposição de Satanás à obra de Deus temos em Lucas
10.18. Enquanto os discípulos proclamavam o Reino de Deus, Jesus “via
Satanás caindo do céu como um relâmpago”.

3. Dragão e serpente
Esses são títulos aplicados figuradamente a Satanás e indicam seu caráter
de monstruoso, de traidor e de astucioso (Ap 12.9). “Serpente” foi o nome
que recebeu por causa da associação com esse animal - o “mais sagaz entre
todos os animais selváticos” - quando tentou Eva (Gn 3.1;  2Co 11.3).
“Dragão” é título apocalíptico, às vezes colocado junto ao de serpente (Ap
20.2).

4. Belzebu
“Belzebu” é um nome decorrente de “Baal-Zebube”, título de um deus de
Ecrom, ao qual Acazias desejou consultar, mas foi impedido por Elias (cf.
2Rs 1.1-6, 16). Significa “senhor das moscas”. No Novo Testamento,
encontramos Jesus sendo acusado, pelos fariseus, de expulsar demônios pelo
poder de Belzebu, “o maioral dos demônios” 
(Mt 12.24-29). A resposta de Jesus identifica Belzebu com o próprio
Satanás.

5. Maligno
Esse título descreve bem seu caráter e sua obra. Ele é malvado, cruel e
tirânico para com todos os que consegue tornar seus súditos. Seus atos são
sempre motivados pela maldade, mesmo quando pareçam bons (cf. 
Mt 13.19, 38; Ef 6.16; 1Jo 2.13, 14; 5.19).

6. Abadom e Apoliom
Como o próprio texto bíblico esclarece (Ap 9.11), são o mesmo nome,
em duas línguas: hebraico e grego. O significado é “destruidor”. O contexto
de Apocalipse 9 assim o apresenta. Ele é o chefe dos terríveis gafanhotos que
causarão dano aos homens.

7. Deus deste século


(2Co 4.4)
“Ele patrocina a religião do homem sem Deus e é, sem dúvida alguma,
responsável por todos os falsos cultos e sistemas que assolam a cristandade
hoje em dia” (H.C. Thiessen). Nessa condição ele tem os
seus “ministros”(2Co 11.15), suas “doutrinas” 
(1Tm 4.1), seus “sacrifícios” (1Co 10.20)
e suas “sinagogas” (lugares de reunião - Ap 2.9).

8. Príncipe deste mundo


(Jo 12.31; Ap 16.13-14)
“Isto parece se referir a sua influência sobre os governos deste mundo.
Jesus não disputou a reivindicação de algum tipo de direito aqui neste
planeta feita por Satanás em Mateus 4.8-9” (H.C. Thiessen). Deus lhe
impõe limites, é claro. Mas ele assim atua até que, no fim, seja subjugado
pelo governo Daquele que tem o direito de governar, Jesus Cristo (Ap
12.9).

9. Príncipe da potestade do ar
(Ef 2.2;6.12)
Esse título também indica uma organização dos anjos maus. Satanás é o
líder deles (Mt 25.41; Ap 12.7). Ele comanda uma grande companhia de
servos, que executam, debaixo do seu poder despótico, as suas ordens, onde
quer que sejam enviados.

10. Lúcifer
Esse nome não aparece escrito na Bíblia. É decorrente da linguagem
figurada de Isaías, que se refere à  “estrela da manhã”  e  “filho da alva”  (Is
14.12). Em seu primeiro estado, ele possuía essa característica. Era um ser
reluzente. Mas depois da queda, ele apenas se mostra como tal; aparenta ser
um “anjo de luz”, com a finalidade de enganar os homens (2Co 11.14).

II. As atividades de Satanás


Muitas são as atividades de Satanás, desenvolvidas contra o Pai, contra
Cristo, contra a humanidade e contra a igreja. Vejamos algumas.

1. Contra Deus
A principal tática de Satanás é atacar Deus e se opor à implantação de Seu
Reino. Isso já se havia tornado evidente quando caiu, pecando por querer
ser igual a Deus. Demonstrou, pela primeira vez, que fazia oposição a Deus
quando ofereceu a Eva chance de ser como Deus, conhecendo o bem e o
mal (Gn 3.5).
A tentação de Cristo foi também uma demonstração de que ele se opõe ao
Reino de Deus. Satanás ofereceu a Jesus a glória deste mundo, tentando
demovê-lo da ideia de conquistar o domínio pelo sacrifício na cruz 
(Mt 4.8-9).
Hoje ele continua agindo com a mesma intenção de desfazer a obra de
Deus. Por isso, como ensina o apóstolo Paulo, para que “Satanás não
alcance vantagem sobre nós” não podemos ignorar os seus desígnios (2Co
2.11). Para atingir aos seus propósitos, ele pode transformar os seus
ministros em “ministros de justiça” (2Co 11.15). Ele promove um sistema
religioso no qual os demônios levam as pessoas a praticar um falso ascetismo
e uma desenfreada licenciosidade (1Tm 4.1-3; Ap 2.24).
A última tentativa de Satanás contra o Reino de Deus será quando da
vinda do anticristo, que agirá “segundo a eficácia de Satanás, com todo
poder, e sinais, e prodígios da mentira...” (2Ts 2.9).

2. Contra Cristo
A animosidade entre Satanás e Cristo foi pela primeira vez predita depois
do pecado de Adão e Eva 
(Gn 3.15). Cristo, descendente de mulher, desferiria um golpe fatal sobre a
cabeça de Satanás. Este, por sua vez, causaria grande sofrimento ao
descendente da mulher.
Quando o Senhor veio à terra, Satanás empreendeu vários ataques contra
Ele, tentando impedir que realizasse a obra para a qual havia sido destinado.
Sem dúvida a morte das criancinhas, determinada por Herodes, era de
inspiração satânica (Mt 2.16).
Mais tarde Pedro mesmo alinha-se a Satanás, quando reprova a Jesus,
depois de ouvir o Seu plano: “era necessário seguir para Jerusalém e sofrer
muitas coisas..., ser morto, e ressuscitado no terceiro dia” (cf. Mt 16.21-23).
Mas o principal e mais direto ataque de Satanás a Cristo foi pela tentação
no deserto (Mt 4.1-11). O principal alvo de Satanás, na tentação, era
eliminar o sofrimento de Cristo na cruz. Ele sugeria que Sua morte
substitutiva era desnecessária. “Especificamente, Satanás tentou Cristo a ser
independente de Deus (Mt 4.3-4), a ser indulgente (v.5-7) e ser idólatra
(v.8-10)” (C.C. Ryrie).
Uma vez que Satanás não logrou sucesso em sua tentativa de impedir que
Cristo fosse à cruz, ele ataca o Evangelho, os seguidores de Cristo, e tudo
aquilo que representa o cumprimento do plano de Deus para o mundo.

3. Contra a humanidade
Em relação aos homens incrédulos, Satanás cega seus olhos para que não
percebam as verdades espirituais divinas contidas no evangelho e o abracem
(2Co 4.4). Ele geralmente faz a humanidade pensar que não existe um único
caminho para o céu, como o evangelho propaga. Além disso, há outras obras
que realiza contra os incrédulos.

a. Arrebata a semente da palavra de Deus dos ouvintes, para impedir


que venha a germinar (Mt 13.19).
b. Provoca a destruição do homem. Embora ele mesmo não tenha
poder final sobre a vida, ele age com o fim de levar o homem à
destruição moral, espiritual e física (Mt 27.3-5; Mc 5.1-5; Jo 10.10).
c. Põe no coração o desejo da traição (Jo 13.27).
d. Age impulsionando o homem para o suicídio (Mt 27.3-5).

Para atingir seu intento, tudo o que puder fazer, o inimigo faz. Ele
perverte o coração, levando o homem a usar indevidamente tudo o que
Deus criou (1Jo 2.15-17).

Conclusão
É pesado o ensino de hoje! Mas é necessário. Quando não aprendemos,
pela Bíblia, o que Deus mesmo revela sobre Satanás, somos tentados a
buscar conhecimentos em fontes espúrias ou a nos contentarmos com a
“cultura popular”, que o apresenta como “um bicho peludo” ou “um homem
vestido de vermelho empunhando um tridente”. As Escrituras nos ensinam
quem ele é, o que faz, como o faz e o que pretende.

CONFIRA O QUE VOCÊ APRENDEU NESTA LIÇÃO


1. Relacione os dez nomes de Satanás que são apresentados na lição.
2. Qual dos nomes tem mais a ver com os ataques dele a você? Por quê?
3. Qual dos nomes é mais assustador? Por quê?
4. Que tipo de obras ele realiza contra Deus?
5. Ele conseguiu o que desejava contra Jesus Cristo? Por quê?
6. Como os homens sem Cristo estão sujeitos a Satanás! Que podemos fazer para tirá-los desse jugo?
10
Satanás, o agente da tentação
Pr. Vanderli Lima Carreiro

texto básico Lucas 4.1-13


versículo-chave Lucas 4.13

“Passadas que foram as tentações de toda a sorte, apartou-se dele o diabo, até
momento oportuno”

alvo da lição

Conhecer os meios usados por Satanás para tentar o crente, a fim de estar
preparado para resistir a todos eles, aprendendo a vencer a tentação, segundo o
modelo de Jesus Cristo.

leia a Bíblia diariamente


seg Hb 4.14-16
ter Jo 6.22-40
qua Jo 18.33-37
qui Hb 2.5-18
sex Rm 7.7-25
sáb Mt 6.9-15
dom 1Ts 3.1-10

Introdução
Na lição anterior, conhecemos Satanás pelos seus diversos nomes e títulos
e, por isso, sabemos mais a respeito do seu caráter. Abordamos também a
sua atividade em relação a Deus Pai, a Cristo e à humanidade incrédula.
Hoje vamos entrar num assunto que diz respeito a nós, muito de perto - a
tentação. Cristo esteve sujeito a ela e todo cristão igualmente está.

Iniciaremos nosso estudo examinando, atentamente, como Jesus


enfrentou a tentação. Depois usaremos um pouco do espaço desta lição
considerando que, ao contrário do que alguns segmentos da igreja
evangélica propagam, o crente está sujeito à tentação.

Mas antes de entrarmos neste estudo, precisamos saber o que é tentação.


Tentação é o ato de testar alguém “com propósito benevolente de provar ou
melhorar a sua qualidade, ou então com o propósito malicioso de mostrar
sua fraqueza ou levá-lo a cair na armadilha de fazer uma má ação” (Novo
Dicionário da Bíblia, p.1580). É com esse segundo propósito que Satanás
tenta.

I. Jesus – tentado em tudo


O escritor aos Hebreus declara que “foi ele tentado em todas as coisas, à
nossa semelhança, mas sem pecado” (4.15). Certamente essa declaração
precisa ser entendida à luz da humanidade de Cristo. Ele foi tentado como
homem. Tendo assumido, na encarnação, a humanidade na sua plenitude,
Jesus submeteu-Se a toda a experiência humana. A tentação foi uma das
humilhações a que o Senhor se sujeitou. E Ele a venceu também na condição
de homem, para nos servir de modelo.
Como Jesus enfrentou a tentação? Vamos examinar Lucas 4.1-13 para
obter a resposta.

1. Jesus foi tentado em relação a uma necessidade física


(v.3-4)
Ao final de quarenta dias e quarenta noites passados no deserto, Jesus
estava fisicamente debilitado. Necessitava de alimento. Como consegui-lo?
Satanás surgiu com a sugestão para Ele usar do Seu poder de “Filho de
Deus”, como acabara de ser chamado por ocasião do batismo (Lc 3.22),
transformando pedra em pão. Seria a usurpação do poder divino para
suprimento de uma necessidade física. Jesus não o fez. Rejeitou a opinião
satânica e a rebateu com as Escrituras: “Não só de pão viverá o homem”.
Jesus ensinou, com isso, que a vida do homem não tem apenas uma
dimensão material. Ele deve interessar-se por outras coisas, além do pão (cf.
Jo 6.27).

2. Jesus foi tentado em relação à posse de poder


(v.5-8)
O diabo fez aparecer diante de Jesus toda a pompa deste mundo. Alegou
que era dele (como “o príncipe deste mundo”, cf. Jo 12.31; 14.30; 16.11) e
o ofereceu a Jesus. Bastava que Este o adorasse. Era a possibilidade de Jesus
Cristo assumir um reino que seria muito mais poderoso do que o império
romano. Certamente Ele governaria visando o bem-estar genuíno do povo e
abriria o caminho para excelentes realizações. Mas o diabo exigia que Ele
transgredisse um mandamento. Isso significava virar as costas à Sua vocação.
Seu reino não era aquele. Era bem diferente (cf.  Jo 18.36-37). Ele não
procurava uma coroa terrestre nem a soberania mundana. Mais uma vez Ele
citou as Escrituras, demonstrando que a adoração a Deus é exclusiva.
Venceu a segunda tentação, ensinando-nos que o poder e a glória não valem
a desobediência a Deus e à Sua Palavra.

3. Jesus foi tentado em relação à segurança


(v.9-12)
Conduzindo Jesus ao pináculo do templo, em Jerusalém, Satanás sugeriu-
Lhe que se atirasse, porque receberia a proteção divina por meio dos anjos.
A tentação pode ter sido “a de ser presunçoso com Deus, ao invés de confiar
Nele humildemente” (Morris, p.99). Para assegurar a Jesus que Ele estaria
bem seguro, o Maligno citou as Escrituras (Sl 91.11-12), empregando de
forma errônea a palavra de Deus, torcendo um texto para servir ao seu
propósito. Jesus venceu também esta terceira tentação, citando a Bíblia e
aplicando-a corretamente. Ninguém pode submeter Deus a teste 
(v.12).

4. Por que Jesus foi tentado?


O comentarista John Broadus apresenta cinco razões.

a. Ele daria, pela tentação, prova de sua verdadeira humanidade, de que


possuía uma alma humana (além de corpo humano).
b. Seria parte de Seu exemplo para nós.
c. Faria parte de Sua disciplina pessoal.
d. Faria parte de Sua preparação para ser um intercessor compassivo
(Hb 2.18; 4.15).
e. Era parte da grande batalha na qual “a semente da mulher pisaria a
cabeça da serpente” (Gn 3.15) - (Broadus, p.123).
5. Algumas lições práticas devemos extrair desse episódio da vida de
Jesus

a. Jesus enfrentou todas as tentações fazendo uso das Escrituras.


b. Ele foi tentado em relação a problemas que são vivenciados por
todos os homens: alimentação, poder e segurança.
c. Nenhum poder extraordinário lhe foi concedido para vencer as
tentações. “No decurso de todas estas tentações, nenhum recurso
especial estava aberto a Jesus. Enfrentou a tentação da mesma
maneira que nós devemos enfrentá-la...” (Broadus, p.99).

II. Os crentes - expostos à tentação


Do mesmo modo como Satanás tentou Jesus, Ele também tenta os
crentes. Seu principal alvo nisso é levar-nos a praticar o mal. Há,
especialmente, duas áreas em que os crentes são tentados.

1. Os crentes são tentados a encobrir seu egoísmo


Ser altruísta não é natural. O que já faz parte da natureza humana é o
egoísmo, pecado que pode ser confessado e perdoado, defeito do caráter
que pode ser corrigido. Entretanto, a tendência do homem é encobri-lo, e
Satanás se empenha para que o faça. A história de Ananias e Safira é um
exemplo clássico. O casal queria reter consigo parte do dinheiro conseguido
com a venda de sua propriedade e, ao mesmo tempo, receber louvor por sua
contribuição. Satanás induziu-os a mentir, para parecerem altruístas e
alimentarem seu egoísmo (At 5.1-11).
Eles tinham direito a possuir e a vender a propriedade. Não tinham a
obrigação de dar todo o resultado da venda à igreja. Mas também não foram
obrigados a fingir generosidade e ao mesmo tempo suprir o seu orgulho,
guardando parte do dinheiro recebido. Caíram em tentação!

2. Os crentes são tentados a praticar imoralidade


A área do sexo é visada por Satanás. Ele tenta os crentes a praticar
relações sexuais ilícitas, além de os levar a cometer outros pecados da
sensualidade. Deus proveu o casamento para proporcionar ao homem e à
mulher a satisfação sexual mútua. Quando isso não acontece, Satanás tem a
oportunidade de tentar os cristãos a praticar o sexo ilícito (cf. 1Co 7.5).
A “natureza carnal” é o campo de ação de Satanás. Essa nossa inclinação à
pratica das coisas más é uma atração ao diabo, que disso se aproveita para
levar-nos ao pecado. Quando somos seduzidos a satisfazer de forma ilícita
nossas necessidades físicas e psicológicas, estamos cedendo à tentação.
Paulo compreendia que era também dotado desta fraqueza humana. Por isso
disse: “Então, ao querer fazer o bem, encontro a lei de que o mal reside em
mim. Porque, no tocante ao homem interior, tenho prazer na lei de Deus;
mas vejo, nos meus membros, outra lei que, guerreando contra a lei da
minha mente, me faz prisioneiro do pecado que está nos meus
membros”  (Rm 7.21-23). Certamente que a fonte mais poderosa da
tentação é a nossa própria carne. Tiago diz que “cada um é tentado pela sua
própria cobiça, quando esta o atrai e seduz” (Tg 1.14).

3. Os crentes são exortados a resistir à tentação


Jesus disse a Seus discípulos que deviam “vigiar e orar” para não caírem
em tentação (Mt 26.41). Quando ensinou-lhes a orar, incluiu na oração um
pedido ao Pai: “não nos deixes cair em tentação, mas livra-nos do mal” (Mt
6.13).
Mas a mais contundente exortação está nas palavras de Pedro 
(1Pe 5.9) e de Tiago (Tg 4.7). “Resistir ao diabo é sobretudo resistir ao mal
que ele injetou na sociedade, em todas as formas, visto que este é o meio
mais concreto pelo qual ele se apresenta aos cristãos” (Mueller, p.263).
Basta que o cristão esteja “firme na fé” e dependente da “graça de Deus”,
que é capaz de resistir.
Mesmo sendo Satanás mais forte e mais sábio do que o homem, é possível
resistir às tentações? Sim. O texto de 1Coríntios 10.13 nos ensina duas
verdades a esse respeito.

a. A tentação não é sobre-humana. Deus não permite que Satanás


invista sobre o crente além da resistência que este possa oferecer-lhe.
b. Deus mesmo provê o livramento. Além de não permitir que Satanás
se exceda, o Senhor 
enseja ao crente a oportunidade de livrar-se das tentações. Ele pode
socorrer o cristão na sua debilidade para resistir a Satanás 
(Hb 2.18).

Aplicação

! Assim, se Jesus foi tentado em todas as coisas, temos de admitir que nós,
enquanto neste mundo, também estamos sujeitos a toda sorte de tentação.
Ser tentado não é pecado, pois Cristo também foi tentado.

A tentação só se torna pecado quando a sugestão satânica é aceita e se


consente nela. !
Conclusão
Exatamente por que se dedica à tarefa de tentar os cristãos é que Satanás é
denominado na Bíblia de “o tentador” (Mt 4.3; 1Ts 3.5). Não devemos nos
esquecer disso e estar certos de que nosso inimigo não descansa nesse
serviço. Estejamos preparados para resistir às tentações!

APLICAÇÕES PRÁTICAS PARA A MINHA VIDA


1. Em que áreas da vida Jesus foi tentado? Posso ser ou já fui também tentado em algumas dessas
áreas?
2. Em que áreas da vida eu, como crente, sou especialmente tentado?
3. Por que, como crente, tenho capacidade de resistir às tentações?
11
Demônios, ajudantes de Satanás
Pr. Vanderli Lima Carreiro

texto básico Mateus 12.22-32


versículo-chave Tiago 2.19

“Crês, tu, que Deus é um só? Fazes bem. Até os demônios creem e tremem”

alvo da lição

Advertir quanto à real existência dos demônios e quanto ao prejuízo que causam
à humanidade, conhecendo sua atuação e as formas diversas de demonismo.

leia a Bíblia diariamente


seg Lc 16.19-31
ter Gn 6.1-4
qua Lc 20.27-40
qui 2Pe 2.1-11
sex Dt 18.9-14
sáb Lv 20.1-9
dom Tg 2.14-23

Introdução
Satanás não age sozinho. Ele tem a companhia dos demônios, os anjos
caídos que lhe são subordinados, aos quais dá ordens para agirem contra os
homens. Há muitas teorias erradas sobre os demônios, muita ignorância a
respeito de sua atuação e muitas fantasias criadas a respeito. Com um exame
cuidadoso das Escrituras é possível descobrir quem realmente são e como
agem. Essa é a proposta do estudo de hoje.

I. Ideias erradas sobre os demônios


Algumas teorias foram desenvolvidas sobre a origem e existência dos
demônios. Precisamos conhecê-las para, contrastando com o ensino bíblico,
nos firmarmos na verdade.
1. Os demônios seriam espíritos desencarnados daqueles que na vida
presente foram homens depravados, perversos e corrompidos.  Isso
contraria abertamente a Bíblia. Segundo o seu ensino, a alma ou o espírito
dos homens ímpios estão no inferno (cf. 
Lc 16.22-23). Não podem, de forma alguma, estar vagando por aí.

2. Os demônios seriam espíritos de uma raça pré-adâmica. Os defensores


dessa opinião advogam uma diferença entre anjos caídos e demônios.
Anjos caídos, dizem, são aqueles que sofreram com Lúcifer a
consequência de sua rebeldia. Os demônios, defendem eles, são a alma
das criaturas físicas que, por causa da queda de Lúcifer, perderam o corpo
e se transformaram em espírito sem corpo. Essa teoria também não
encontra apoio bíblico, pois na Palavra nenhuma referência existe a uma
raça pré-adâmica. Há uma só raça humana criada em Adão e Eva (Gn
1.26-27).

3. Os demônios seriam seres gerados da relação de “filhos de Deus” com


as “filhas dos homens”. Essa teoria decorre da interpretação equivocada e
da consideração isolada do texto de Gênesis 6.1-4. Os adeptos dessa
opinião entendem que os “filhos de Deus” mencionados neste texto são
anjos e que as “filhas dos homens” eram mulheres antediluvianas.
Defendem, então, uma miscigenação, isto é, mistura de raças. Tentam,
desse modo, justificar a existência de “gigantes” mencionados no v.4. Essa
falsa teoria pode ser refutada com dois argumentos bíblicos:

a. Os anjos são seres assexuados (cf. Lc 20.34-36) Não foram criados


uma raça, e sim uma companhia; não possuem ascendência,
descendência ou família e, portanto, não se multiplicam.
b. “Filhos de Deus” não significa “anjos”. Mesmo que encontremos em
algumas escrituras anjos sendo chamados “filhos de Deus”, isso não é
genérico. Em outros textos “filhos de Deus” é referência
clara a homens. O sentido exato pode ser descoberto à luz do
contexto, sem necessidade de forçar a interpretação (cf. Jó 1.6 -
anjos; Os 1.10 - filhos de Israel).
II. Ensino bíblico sobre os demônios
Quem são, então, os demônios?

1. Demônios são anjos caídos


A Bíblia ensina que, quando Lúcifer se rebelou contra Deus, arrastou atrás
de si uma multidão de seres angelicais, os anjos caídos (Mt 25.41; Ap 12.4).
Os anjos que seguiram a Satanás foram banidos da presença do Senhor (2Pe
2.4) e se juntaram a ele formando um exército de demônios, às suas ordens.
Satanás é designado “o maioral dos demônios” (Mt 12.24). Satanás é um
anjo caído, tanto quanto o são aqueles que o seguiram.
Embora em nenhum lugar das Escrituras se diga literalmente que os
demônios são anjos caídos, as evidências são mais a favor desta ideia do que
das teorias acima mencionadas.

2. O termo “demônio” na Bíblia


Em Levítico 17.7, o povo de Israel é exortado a nunca oferecer sacrifícios
aos demônios e, em Deuteronômio 32.17, Moisés acusa o povo de Israel de
ter oferecido sacrifícios aos demônios. O significado original da palavra (no
hebraico) é “peludo” ou “bode peludo”.

No Novo Testamento, a palavra é  daimon  ou  daimonion  (grega), e


sempre se refere a seres espirituais hostis a Deus e aos homens.

3. A personalidade e a natureza dos demônios


Os demônios não são forças, fluidos ou criação da mente humana. São
seres reais e pessoais.

a. Pode-se provar isso porque revelam inteligência. Sabiam Quem o


Senhor era e por que estava na terra (Mc 1.24) e sabiam que havia
um fim determinado para eles (Mt 8.29). Eles também sabem da
existência do plano de salvação e que não são beneficiados por ele
(Tg 2.19).
b. Eles também possuem emoção. Demonstram-na, especialmente
quando confrontados pelo julgamento (Lc 8.28; Tg 2.19).
c. São também dotados de vontade própria. Eles a expressaram na
ocasião em que Jesus expulsou alguns do geraseno (Lc 8.29).
d. Os demônios, tanto quanto os anjos bons, pois pertencem à mesma
categoria de seres, são espirituais. Não possuem carne nem sangue
(Ef 6.12).
e. Eles possuem uma natureza imoral. São designados de “espíritos
imundos” (Mt 10.1) ou de  “espíritos malignos”  (Lc 7.21). São
também classificados como “forças espirituais do mal” (Ef 6.12).
f. São, ainda, seres poderosos. Uma ilustração disso se encontra na
atitude do endemoninhado geraseno, que, sendo possesso de
espírito imundo, possuía uma força descomunal: “nem mesmo com
cadeias alguém podia prendê-lo; porque, tendo sido muitas vezes
preso com grilhões e cadeias, as cadeias foram quebradas por ele, e
os grilhões, despedaçados. E ninguém podia subjugá-lo” (Mc 5.3-4).
g.

III. Tipos de demonologia


Três tipos principais de demonologia mencionaremos aqui.

1. Adivinhação
Esse é o nome dado a todos os processos empregados para ler o futuro,
por meio de sinais misteriosos e inspirações demoníacas. Atos 16.16
menciona uma jovem “possessa de espírito de adivinhação”. A Bíblia proíbe
terminantemente essa prática (Dt 18.9-14). A adivinhação pode ser
praticada de várias maneiras:

a. pelos augúrios, que predizem o futuro observando movimentos


naturais, como o voo dos pássaros;
b. pela hidromancia, que é a predição baseada na aparência da água
despejada em um vaso ou de objetos colocados na água,
provavelmente praticada no Egito (cf. Gn 44.5);
c. pela astrologia, que é a determinação da suposta influência dos
astros no destino de uma pessoa (cf. Is 47.13);
d. pela necromancia, que é a descoberta de acontecimentos futuros
pela invocação dos mortos, praticada por Saul (1Sm 28.8), que, por
isso, recebeu a condenação do Senhor (1Cr 10.13-14).
e. pela feitiçaria, que é a tentativa de influenciar indivíduos e
acontecimentos por meios sobrenaturais ou ocultos. Essa devia ser a
prática dos mágicos ou encantadores do Egito, que procuraram
copiar Moisés 
(Êx 7.11,22; 8.18-19).

2. A adoração direta a demônios
É outra forma de demonologia. Os filhos de Israel foram repreendidos
porque provocaram ao Senhor oferecendo sacrifícios a  “demônios, não a
Deus” (Dt 32.17). Era também praticada nos tempos do Novo Testamento
(1Co 10.20). Essa devoção a Satanás vem tendo espantoso crescimento em
nossos dias. Em todo o mundo surgem as “igrejas de Satã”, onde são
reverenciados os demônios e desenvolvidas todas as formas de satanismo.

3. Espiritismo
É a crença de que os vivos podem se comunicar com os mortos e que os
espíritos dos mortos podem manifestar sua presença aos homens. Isso se dá
supostamente mediante a ação de um ser humano, conhecido como
médium. As ciências mediúnicas se espalham prodigiosamente. O
espiritismo tem várias expressões, encontrando-se entre as mais comuns o
“baixo espiritismo”, que inclui o candomblé, a umbanda, a quimbanda e a
macumba; o “espiritismo científico”, que se manifesta especialmente no
esoterismo e no teosofismo (incluindo a Nova Era), e o “espiritismo
kardecista”, cuja principal doutrina é a da reencarnação.
A Bíblia condena todas as formas de demonologia. O Senhor manifestou
Sua severidade para com os que a praticam (Lv 19.31; 20.6,27). O profeta
Isaías interpretou a indignação do Senhor contra os homens do seu tempo
que praticavam demonologia, dizendo: “Quando vos disserem: Consultai os
necromantes e os adivinhos, que chilreiam e murmuram, acaso não
consultará o povo ao seu Deus? A favor dos vivos se consultarão os mortos?
À lei e ao testemunho! Se eles não falarem desta maneira, jamais verão a
alva” (Is 8.19-20).

Com essas palavras a Bíblia também testifica da inutilidade das práticas


demonológicas. Nenhum benefício têm os que as desenvolvem.
Conclusão
Não precisamos ser enganados a respeito dos demônios, adotando
crenças supersticiosas. Se buscarmos a Bíblia, seremos esclarecidos quanto à
realidade, identidade e atuação deles. Podemos estar certos de que não são
criação da mente humana, como propagamos céticos. São os anjos caídos
que, seguindo a Satanás, se rebelaram contra Deus e se tornaram praticantes
das obras malignas, sob o comando do seu chefe. Os demônios são
ajudantes do diabo no cumprimento de seus propósitos:

1. atrapalhar o desenvolvimento do plano de Deus a favor de toda a


humanidade;
2. estender a autoridade e o domínio de Satanás.

APLICAÇÕES PRÁTICAS PARA A MINHA VIDA


1. Quais são as formas mais comuns de demonologia que você conhece?
2. Você já teve experiência com alguma delas? Compartilhe com a classe.
12
Os demônios em ação
Pr. Vanderli Lima Carreiro

texto básico 1Timóteo 3.14-4.5


versículo-chave 1Timóteo 4.1

“Ora, o Espírito afirma expressamente que, nos últimos tempos alguns


apostatarão da fé, por obedecerem a espíritos enganadores e a ensinos de
demônios”

alvo da lição

Mostrar quanto estão postos em ação e como agem os demônios, a fim de


identificarmos os seus ataques e aprendermos a lidar com eles, confrontando-os
com autoridade e com a Verdade. Eliminar ideias erradas, tão difundidas em
nossos dias entre os evangélicos, sobre a atuação dos demônios.

leia a Bíblia diariamente


seg Mt 9.27-38
ter Mt 17.14-21
qua Lv 18.6-30
qui Sl 106.34-42
sex 2Tm 2.23-26
sáb 1Jo 4.1-6
dom Cl 2.16-23

Introdução
Na lição anterior já introduzimos o estudo sobre a atuação dos demônios,
quando declaramos que eles são ajudantes do diabo no cumprimento de
seus propósitos:

atrapalhar o desenvolvimento do plano de Deus em favor de toda a


humanidade, e

estender a autoridade e o domínio de Satanás, o seu chefe.


Sendo assim, o crente em Cristo está em constante confronto com os demônios.
Enquanto ele serve a Deus para dar cumprimento ao Seu plano na terra, implantando o Seu
Reino, os demônios, de algum modo, agem para dificultar ou interromper o trabalho. As
formas de atuação demoníacas são várias! A questão, então, é como enfrentar esse
confronto 
vitoriosamente.

Vamos relacionar algumas atividades dos demônios e procurar


compreender a extensão dos prejuízos de sua ação para a igreja e para o
crente, em particular.

I. A ação dos demônios no campo das doenças físicas


Muita confusão tem se estabelecido quanto à atuação dos demônios em
relação às enfermidades. Vamos buscar esclarecimento na Bíblia?

1. Os demônios in igem doenças físicas


Eles são capazes para isso e realmente o fazem. Podem causar a mudez
(Mt 9.32-33),a cegueira e a mudez juntas (Mt 12.22), a epilepsia (Mt 17.15-
18). Entretanto, nem toda enfermidade física é resultado de uma atividade
demoníaca. Precisamos aprender a distinguir enfermidades físicas naturais
daquelas que são provocadas por demônios. Os textos mencionados indicam
que aquelas enfermidades não eram naturais (consequências naturais da
debilidade física do homem, herdada do pecado). Mas em Mateus 8.16 se
diz que Jesus “expeliu os espíritos” e “curou todos os que estavam
enfermos”. Duas ações distintas foram praticadas pelo Mestre, porque havia
dois males distintos (cf. Mt 4.23-24).

Quando Jesus curou um leproso, a Bíblia não menciona que a lepra estava
associada à ação de demônios (cf. 
Mt 8.1-4); quando debelou a febre alta da qual estava acometida a sogra de
Pedro, nenhuma relação se faz entre a doença e a atividade dos demônios
(Mt 8.14-15); nem quando curou os dois cegos se menciona que a cegueira
deles era provocada pelos espíritos malignos (Mt 9.27-31). Poderíamos
multiplicar os exemplos, mas bastam esses para estarmos convencidos de
que não devemos atribuir toda doença à influência dos demônios.
2. Os demônios causam distúrbios mentais
Parece que o homem geraseno estava acometido de distúrbios mentais
causados por demônios. Suas atitudes demonstravam ser ele mentalmente
desequilibrado (cf. Mc 5.4-5; 9.22). Outra vez é necessário que sejamos
prudentes, não fazendo generalizações. Há distúrbios mentais que são
naturais, que não são infligidos pelos demônios nem estão associados à
possessão demoníaca. Esquizofrenia, por exemplo, pode não ter relação
nenhuma com um mal espiritual. Há casos em que o doente precisa de
tratamento psiquiátrico e não de expulsão de demônios, porque não está
possuído por eles.

3. As doenças não são “demônios”


Os adeptos da doutrina da Confissão Positiva e da Teologia da
Prosperidade creem que as doenças, de modo geral, são “demônios” ou
“espíritos maus” alojados nas pessoas. Dois graves erros são por eles
cometidos.

a. Acreditam que todas as doenças são causadas por demônios. Ora, já


vimos que isso é falso. Há doenças de causas naturais, que sofremos
devido à nossa debilidade física em consequência da natureza
pecaminosa que herdamos, e há doenças infligidas por demônios.
Não podemos tratar todas as doenças como se fossem demônios,
porque assim toda pessoa estaria endemoninhada ao ficar enferma,
inclusive o cristão! E teríamos de admitir que alguns personagens
bíblicos como Timóteo (1Tm 5.23) e Trófimo (2Tm 4.20) tinham
demônios alojados no corpo, pois a Bíblia menciona que eram
enfermos. Absurdo!
b. Enganam-se quanto à natureza dos demônios. Tratam-nos como se
fossem coisas, doenças. Os demônios têm existência real, são seres
pessoais e espirituais, como já vimos, que causam grandes males aos
homens. Um espírito maligno pode provocar uma enfermidade, mas
não se pode confundi-lo com ela (cf. 
Lc 13.11).
II. A ação dos demônios no campo da moral
Os demônios incentivam a impureza moral. O fato de serem chamados de
espíritos imundos (Mt 10.1; 
Mc 5.13) já indica que eles agem para perverter tudo aquilo que é puro,
nobre e justo. A imoralidade dos canaanitas parecia ser determinada pela
atividade dos demônios (cf. Dt 18.9-14).

Essa ação dos demônios é tão sutil e velada que nós, cristãos, não nos
apercebemos dela. Depois de ensinar os crentes de Éfeso a praticar a vida
cristã, a andar “em Cristo” e na “plenitude do Espírito”, evidenciando-a nos
diversos relacionamentos pessoais, o apóstolo Paulo os adverte: “Quanto ao
mais... Revesti-vos de toda a armadura de Deus, para poderdes ficar firmes
contra as ciladas do diabo; porque a nossa luta não é contra o sangue e a
carne, e sim contra os principados e potestades, contra os dominadores
deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal...” (Ef 6.10-12).
Os demônios são os dominadores deste mundo tenebroso. Eles “odeiam a
luz, e se retraem diante dela. As trevas são sua habitação natural; as trevas da
falsidade e do pecado. Também são descritos como sendo as forças
espirituais do mal, que operam nas regiões celestes, ou seja, na esfera da
realidade invisível. São ‘os agentes secretos do mal’. Assim, portanto, trevas
e mal caracterizam suas ações... Se esperamos vencê-los, temos de ter em
mente que não possuem nenhum princípio moral, nem código de honra,
nem sentimentos mais nobres... São totalmente inescrupulosos, e
implacáveis na procura de seus desígnios maldosos” (Stott, p.201/2). Os
demônios estão sempre agindo no campo das ideias, dos pensamentos e dos
sentimentos, pervertendo-os.

Muito nos enganamos quando achamos que a atuação do diabo e dos


demônios se prende à possessão demoníaca, ao infligir doenças ou a
dominar certos grupos. Há muitos sinais da presença do Maligno e dos
demônios mesmo dentro das igrejas. No artigo Sinais do Maligno na
comunidade da fé d’O Jornal Batista (14/7/96) por Josué M. Salgado, está
escrito o seguinte: “As manifestações do Maligno dentro da comunidade
cristã se dão, 
sobretudo:

1. quando se coloca interesses humanos contra a vontade de Deus (Mc


8.33);
2. quando se é empecilho à continuidade ou progresso da obra
(Lc 22.2);
3. quando se é dominado pela mentira, pelo egoísmo ou pelo interesse de
autopromoção (At 5.1-11);
4. quando não se perdoa o outro (2Co 2.10);
5. quando há ociosidade, falação e intriga (2Tm 2.14-16);
6.  quando não há solidariedade concreta para com o necessitado e
oprimido (Mt 25.31-46);
7. quando não há prática de amor e de justiça (1Jo 3.6-10);
8. quando não há bom testemunho externo (1Tm 3.7);
9. quando há resistência e contendas (2Tm 2.23-26).”

III. A ação dos demônios no campo das doutrinas


Os demônios operam contra Deus, promovendo as falsas religiões.

1. Promovem a idolatria
No curso de sua oposição a Deus, os demônios tentam tornar os homens
adoradores de ídolos. Isso ocorria na antiguidade (Lv 17.7;  Dt 32.17; Sl
106.36-38) e ainda ocorre (1Co 10.20). No fim dos tempos, essa operação
maligna será mais intensa (Ap 9.20).

2. Promovem as falsas doutrinas


Há muitos artifícios usados por eles para promover a criação e a difusão
de falsas doutrinas.

a. Ensinam erros sobre a Pessoa do Salvador. João exortou os seus


leitores a provar os espíritos, porque os demônios influenciam os
falsos profetas (1Jo 4.1-4). A razão por que João manda provar os
espíritos é que “por trás de cada profeta está um espírito e por trás de
cada espírito está Deus ou o diabo. Antes de podermos confiar em
quaisquer espíritos, precisamos prová-los, se procedem de Deus. O
que importa é a sua origem” (Stott no seu comentário sobre 1,2 e 3
João). O teste específico que João ensina a aplicar é o da encarnação
de Jesus. Os verdadeiros profetas proclamam a vinda “em carne” do
Salvador; os falsos, inspirados pelo  “espírito do erro”  (1Jo 4.6) ou
pelo “espírito do anticristo” (1Jo 4.3), negam a vinda do Senhor “em
carne”. Se Cristo não encarnou, então não poderia morrer para
tornar-se o Salvador.
Paulo também desfere seu ataque aos “ensinos de demônios” (1Tm
4.1-5). Estabelecendo uma ligação entre esse texto e o anterior, em que
o apóstolo apresenta um sumário da verdade sobre Cristo e Sua obra
(1Tm 3.16), deduzimos que os falsos mestres não só negavam a
encarnação, como também a ressurreição histórica e a ascensão de
Jesus Cristo.

b. Ensinam erros sobre a obra de Jesus Cristo. Todo ensino que


diminui o valor e a eficácia da obra de Jesus Cristo não vem de Deus.
Isso também é mostrado em 1Timóteo 4, em que os falsos mestres
acusados por Paulo ensinavam a necessidade de práticas ascéticas e
das boas obras para alcançar a graça de Deus (cf. v.2-3).

Quando escreve aos crentes de Colossos, além de asseverar a absoluta


suficiência que encontramos em nosso Senhor, lembra-lhes para não
aceitarem nenhum aditivo espiritual, como a filosofia (Cl 2.8-10), o
legalismo (Cl 2.16-17), o misticismo 
(Cl 2.18-19) e o ascetismo (Cl 2.20-23),
que os falsos mestres sugeriam.

Conclusão
Constatamos, portanto, que os demônios estão em ação. Afligem os
homens impingindo-lhes enfermidades, pervertendo a moral e arrebatando
a alma deles com as falsas doutrinas. Se não estivermos apercebidos disso, se
ignorarmos essas estratégias de ação do inimigo, teremos maior dificuldade
em combater sua obra. E podemos estar certos que temos autoridade
outorgada por Cristo para atacar os demônios e suas obras (cf. Mc 16.15-
18).
Os demônios “se nos submetem” pelo nome de Jesus, isto é, pela autoridade
que aos verdadeiros cristãos foi outorgada (Lc 10.17-20).

APLICAÇÕES PRÁTICAS PARA A MINHA VIDA


1. É certo afirmar que toda enfermidade procede dos demônios? Por quê?
2. No campo da moral, como age Satanás? Só entre os incrédulos ou também dentro da comunidade
cristã?
3. Você conhece algum grupo religioso que deprecia a Pessoa do Salvador e diminui o valor da Sua obra?
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13
A possessão demoníaca
Pr. Vanderli Lima Carreiro

texto básico Marcos 9.14-29


versículo-chave Marcos 9.28-29

“Quando entrou na casa, os seus discípulos perguntaram em particular: Por que


não pudemos nós expulsá-lo? Respondeu-lhes: Esta casta não pode sair senão
por meio de oração e jejum”

alvo da lição

Estabelecer a diferença entre influência dos demônios e possessão demoníaca,


e explicar o que é possessão demoníaca.

leia a Bíblia diariamente


seg Jo 1.1-14
ter At 5.1-11
qua Mt 16.21-23
qui Mc 9.14-29
sex At 16.16-18
sáb Lc 13.10-17
dom 2Co 12.1-10

Introdução
Na lição anterior, consideramos a ação dos demônios em três campos: das
doenças físicas, da moral e no doutrinário. A lição de hoje é uma extensão
daquela. Consideraremos mais duas atividades específicas deles: a opressão
e a possessão.

Satanás e os demônios não agem de uma única forma contra os homens,


nem mesmo contra os crentes. Paulo ensina que ele arma ciladas, mais que
uma (Ef 6.12). Comentando sobre isso, John Stott diz: “Quando o diabo se
transforma em anjo de luz, geralmente somos apanhados sem nada
suspeitar. Isto porque raramente ele ataca desta forma, preferindo sempre as
trevas à luz. Por vezes ruge como leão, mas muito frequentemente é sutil
como a serpente” (Stott, p.202). Opressão e possessão são dois
estratagemas de ação do demônio.

Vamos procurar definir os termos.

I. Opressão demoníaca
É a atuação de Satanás ou dos demônios sobre uma pessoa. Quando
ocorre no ímpio, é para afligi-lo e desesperá-lo. Quando ocorre no fiel, tem o
objetivo de levá-lo a desobedecer ao Senhor. Jó era um “homem íntegro e
reto, temente a Deus e que se desviava do mal” (Jó 1.1), mas esteve sujeito à
ação maligna. Deus permitiu que Satanás o oprimisse (Jó 1.12).

1. Os cristãos podem ser oprimidos


Os crentes em Cristo podem ser igualmente oprimidos. Provavelmente,
Paulo sofresse uma opressão diabólica (que poderia ser uma
enfermidade física ou uma pessoa hostil a ele e ao seu ministério (2Co 12.7-
8). As suas “lutas por fora” e seus “temores por dentro” certamente também
representavam uma opressão demoníaca, com o objetivo de desanimá-lo em
sua viagem missionária (cf. At 20.1-3).

2. A in uência demoníaca
Os pais apostólicos faziam distinção entre influência e possessão.
Entendiam que a influência demoníaca incluía a colocação de maus
pensamentos na mente dos homens. Indo à Bíblia, verificamos que alguns
homens viveram ou estiveram debaixo da influência maligna.É assim que
podemos deduzir da atitude de Ananias e Safira. Foram influenciados por
Satanás a mentir 
(At 5.3-4). Mesmo Pedro, que andava com Jesus, deixou-se influenciar pelo
desejo de Satanás, quando reprovou Jesus por Ele ter dito que era necessário
sofrer e morrer (cf. Mt 16.22-23). A repreensão de Jesus ao apóstolo indica
que ele permitira que sua mente sofresse a influência do inimigo: “Arreda!
Satanás… porque não cogitas das coisas de Deus, e sim das dos homens”. O
verbo cogitar diz respeito a uma atividade mental. O fato de Jesus declarar
“Arreda! Satanás” implicava dizer que Pedro, naquele instante, estava
manifestando a vontade de Satanás. Convenhamos: se Pedro estivesse
possesso, em vez de aplicar-lhe uma repreensão, Jesus não teria expulsado o
demônio?

Diante do que está exposto, podemos concluir que a influência


demoníaca ou satânica é um nível de opressão.É uma ação maligna na mente
da pessoa, que muitas vezes passa despercebida. Mas a opressão em nível
mais intenso inclui a aflição e o sofrimento físico.

II. Possessão demoníaca


Este é um assunto polêmico, que divide os evangélicos. Deixaremos a
polêmica para a próxima lição e nos deteremos agora a procurar entender o
que é e quais são os sintomas da possessão demoníaca.

1. Que é a possessão demoníaca?


A possessão é a invasão, por um ou mais demônios, de uma pessoa,
dominando suas características pessoais básicas – razão, emoção e vontade –
e provocando um estado anormal. Uma das principais anormalidades é a
adição de uma nova personalidade. Quando ocorre a possessão, o corpo
humano é habitado por um ou mais demônios, que passam a controlar até
seus movimentos. Outro termo usado para definir a possessão demoníaca é
controle, isto é, demônio ou demônios assumem o controle das faculdades
pessoais humanas.

2. Quais os sintomas da possessão demoníaca?


Não se pode generalizar a respeito dos sintomas que aparecem na
possessão demoníaca, mas a Bíblia faz referência a alguns.

a. Anormalidades físicas, tais como surdez, cegueira e convulsão 


(Mt 9.32; 12.22; Lc 9.39).
b. Tendência para a autodestruição (Mc 5.5; Lc 9.42).
c. Força descomunal (Mc 5.3-4);
d. Poderes ocultos (At 16.16-18).
É bom ressaltar, de novo, que nem toda enfermidade é causada por
demônios ou é uma evidência de possessão demoníaca. Há doenças que têm
causas naturais. O Dr. Lucas claramente distingue as duas coisas (cf. At
5.15-16).

3. Portas abertas à possessão


Qualquer pessoa incrédula pode ficar possessa? Em tese, pode-se afirmar
que qualquer pessoa incrédula é vulnerável à possessão demoníaca. Há
pessoas que ficam possessas porque desejam ficar. Estão interessadas no
mundo do ocultismo. Desejam possuir poderes sobrenaturais e Satanás lhes
concede. Entretanto ficam escravizadas a ele e se tornam disponíveis à sua
ação todo o tempo.

Muitas pessoas ficam possessas contra a sua vontade. Marcos 9.14-29


registra a história de um jovem possesso desde a infância (cf. v.21).
Provavelmente ele nunca tenha desejado ficar possesso, e também a Bíblia
não nos informa as razões por que tenha ficado. Contudo pode-se admitir
que o ambiente em que vivia era propício a isso. A experiência de vida tem
mostrado que as pessoas ficam possessas porque cedem voluntariamente o
terreno a Satanás. Quando se deliciam nas várias práticas pecaminosas, tais
como o uso de drogas, o alcoolismo, a licenciosidade sexual e outros
pecados da depravação humana, mesmo sem ativamente desejarem, as
pessoas estão abrindo as portas de sua vida para a posse demoníaca. Outras
abrem-se à possessão demoníaca quando se envolvem em práticas do
ocultismo. O envolvimento em quaisquer coisas relacionadas ao ocultismo é
uma abertura da vida para a invasão dos demônios, porque tais coisas
pertencem ao reino de Satanás.

Conclusão
Que risco nós corremos! Podemos ser influenciados por Satanás e seus
demônios. O apóstolo Paulo tinha receio que os crentes de Corinto fossem
corrompidos na mente e se apartassem “da simplicidade e pureza devidas a
Cristo”  (2Co 11.3). Precisamos exercer vigilância sobre nossos
pensamentos, para não permitir que o inimigo os invada. O desejo de Paulo,
manifestado aos Filipenses, era que o pensamento deles fosse ocupado
por “tudo o que é verdadeiro, tudo o que é respeitável, tudo o que é justo,
tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama…” (Fp
4.8). 

Além disso podemos também  ser oprimidos até na forma de aflições e


sofrimento físico. A melhor maneira de encarar essa desagradável
experiência é não desanimar diante dela, e considerá-la como uma “leve e
momentânea tribulação”, que não nos consome e é passageira  (2Co 4.16-
18).

Aplicação

Entretanto, os ímpios estão totalmente vulneráveis à ação satânica. Tanto


podem ser influenciados e oprimidos como possessos. Isso deve despertar-nos !
para a urgência de anunciar-lhes o evangelho, para que por meio de Jesus
Cristo se livrem do domínio do diabo.
14
Pode um cristão ser possesso?
Pr. Vanderli Lima Carreiro

texto básico 2Coríntios 5.11-17


versículo-chave 2Coríntios 5.17

“E, assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já


passaram; eis que se fizeram novas”

alvo da lição

Dar a garantia, à luz dos ensinamentos bíblicos, de que o autêntico cristão não
está sujeito à possessão demoníaca.

leia a Bíblia diariamente


seg 1Jo 2.18-26
ter Jo 1.1-14
qua 1Co 6.12-20
qui Hb 12.22-24
sex 1Jo 4.1-6
sáb Gl 5.16-25
dom Jo 14.16-23

Introdução
Este é um assunto que suscita polêmica. Há um conflito de opiniões entre
os evangélicos, porque alguns asseguram que somente os incrédulos podem
ser possuídos pelos demônios, enquanto outros admitem que também os
cristãos (evangélicos) podem ser alvos dessa ação demoníaca. A proposta do
presente estudo é demonstrar, à luz da Bíblia, quem realmente está sujeito a
essa possessão maligna. Antes de qualquer coisa, porém, se tentará definir
quem é cristão.
I. Quem é um cristão autêntico?
Não podemos confundir membro de igreja com cristão autêntico. Há
muitos que circulam entre nós, mas não são dos nossos (1Jo 2.19).
O verdadeiro cristão é aquele que:
1. Já foi alcançado pela graça salvadora em Cristo Jesus, por isso pertence
a Deus e tem em si mesmo a presença do Pai, do Filho e do Espírito
Santo 
(Jo 14.16-17,23)
2. É filho de Deus (Jo 1.12).
3. É nova criatura (2Co 5.17).
4. É feitura de Deus em Cristo (Ef 2.10).
5. É templo do Espírito Santo (1Co 3.16; 6.19).
6. É santo – separado para Deus (Ef 1.1; 1Co 1.2).
7. Está escondido com Cristo em Deus (Cl 3.3).
8. É participante da vocação celestial (Hb 3.1).
9. Já foi liberto do domínio de Satanás e transferido para o  “reino do
Filho do seu amor” (Cl 1.13).
10. É filho de Deus e o Maligno não lhe toca (1Jo 5.18).
11. Está definitivamente ligado à videira e produz os frutos esperados (Jo
15.5).

II. Erros de interpretação


O suposto endemoninhamento de crentes é baseado em erros de
interpretação de alguns textos bíblicos, entre os quais: 1Samuel 16.13-14;
Lucas 13.11-16; Atos 5.3; 1Coríntios 5.5; 2Coríntios 12.7. Mas quando
acuradamente examinados, esses textos não servem como base para essa
opinião, que então perde o seu fundamento.

1. Um espírito maligno atormentava Saul


(1Sm 16.13-14)
Enquanto Saul se manteve fiel e obediente a Deus, o Espírito do Senhor o
usava. Mas quando se tornou infiel, um espírito maligno o atormentava. Não
há, nesse texto, a indicação de que um espírito maligno tenha possuído Saul.
Além do mais, não se pode tomar um texto do Antigo Testamento que faz
referência à atuação do Espírito Santo como modelo para hoje. Naquele
tempo não havia ocorrido o Pentecostes, e a presença do Espírito era
visitativa.

2. Mulher possessa de um espírito de enfermidade


(Lc 13.11-16)
O fato de o texto se referir àquela mulher como “filha de Abraão” não é
nenhuma indicação de que fosse salva. Ela era da descendência de Abraão
(cf. Rm 9.6-8). Certamente aquela mulher não era cristã, no sentido pós-
Pentecostes da palavra.

3. Satanás encheu o coração de Ananias


(At 5.3)
Não há também nenhuma referência à possessão no texto. Os termos
utilizados são “encheu Satanás teu coração”. Conforme a explicação na lição
anterior, Ananias foi influenciado pelo inimigo a mentir, e não possuído por
ele.

4. Entregue a Satanás
(1Co 5.5)
A punição imposta ao irmão pecador não era que fosse possesso por
Satanás. “Entregue a Satanás” pode significar ser colocado fora do ambiente
da igreja local, no mundo, para sofrer a opressão maligna. Além do mais, não
é um contrassenso pensar que a igreja entregue alguém (um irmão!) para ser
endemoninhado?

5. Paulo e seu espinho na carne


(2Co 12.7)
Mesmo que entendamos que o “mensageiro de Satanás” referido no texto
era um demônio, este não possuía o apóstolo; apenas o afligia com o
objetivo de que Paulo não viesse a se ensoberbecer com “a grandeza das
revelações” mencionadas em 12.1-5.
III. Outro engano
Outro erro grave é dar às obras da carne a categoria de demônios.
Adultério, fornicação, inveja, ciúmes, bebedice, glutonaria, etc. (cf. Gl 5.19-
21), a Bíblia chama simplesmente de “obras da carne”, isto é, atitudes
motivadas pela natureza carnal que herdamos, às quais se opõe o “fruto do
Espírito”, produzido por todos os que“andam no Espírito” (Gl 5.22-23,25).
Chamar as obras da carne de demônios alimenta o orgulho deles, porque
lhes é atribuída uma tarefa que não executam. Eles podem influenciar,
induzir ou provocar situações que despertem a natureza carnal. Se
nomearmos as obras da carne de espíritos maus, então, por questão de
coerência, teríamos que chamar as partes do fruto do Espírito de espíritos
bons; e daí teríamos que admitir que os anjos habitam nos homens! Erro
sobre erro!

Mas esse erro conduz a mais um: a expulsão do demônio da prostituição,


da inveja… Essa prática, além de ser inócua, porque tais demônios
inexistem, induz o homem a atribuir toda a culpa do seu pecado aos
demônios, livrando-se da responsabilidade dos seus próprios erros.

Conclusão
Os cristãos não são possessos
Os crentes podem ser influenciados e oprimidos pelos demônios, mas
nunca totalmente controlados por eles. Além da nova condição adquirida
em Cristo, como prova dessa impossibilidade, conforme já expusemos,
vamos usar outros argumentos.

1. O fator casa vazia (Mt 12.43-45)


Uma pessoa só é possuída por um demônio quando tem a casa vazia.
“Casa vazia” pode representar a vida sem Cristo, o coração ainda não
regenerado.
2. A impossibilidade de duas pessoas ocuparem ao mesmo tempo
o mesmo espaço
Ou o homem é habitação do Espírito ou não é, tornando-se vulnerável à
invasão dos demônios. O crente em Cristo é habitação do Espírito Santo
(1Co 3.16; 6.19). Para os demônios o invadirem, precisariam expulsar o
Espírito, tarefa que jamais conseguirão cumprir, nem o seu chefe,
pois “maior é aquele que está em nós do que aquele que está no mundo”
(1Jo 4.4). Por mais poderosos que Satanás e seus demônios sejam, não têm
acesso à vida do crente para possui-lo.

CONFIRA O QUE VOCÊ APRENDEU NESTA LIÇÃO


1. Relacione algumas características do cristão autêntico que considera mais importantes.
2. Tente resumir os erros de interpretação que são cometidos pelos que creem que os crentes podem
ser endemoninhados.
3. Que são as obras da carne? Então não são demônios?
4. Que argumentos podem ser usados para assegurar que os crentes em Cristo estão livres da possessão
demoníaca?
5. Que sentimentos invadem sua alma com a certeza de que o crente não pode ser possuído pelos
demônios?
15
A batalha espiritual
Pr. Vanderli Lima Carreiro

texto básico Colossenses 2.8-15


versículo-chave Colossenses 2.15

“E, despojando os principados e as potestades, publicamente os expôs ao


desprezo, triunfando deles na cruz”

alvo da lição

Alertar para a realidade da existência de uma verdadeira batalha espiritual.

leia a Bíblia diariamente


seg Cl 2.8-15
ter Gn 3.1-15
qua Jo 12.20-36
qui Mt 25.31-46
sex Ef 6.10-12
sáb Ap 20.1-6
dom Ap 20.7-15

Introdução
Em lições anteriores, constatamos que temos um inimigo incansável, que
de muitas maneiras investe contra a humanidade e contra os santos. Não
podemos ignorar que existem forças demoníacas atuando na esfera
espiritual, possuindo pessoas, oprimindo, influenciando.

Contudo, muitos exageros têm surgido quanto a isso. Batalha espiritual,


para muitos crentes, se tornou uma obsessão. Restringe-se a guerra a um
ataque aos demônios e a tudo que acham identificar-se com eles. O Pr.
Ricardo Gondin adverte que “a batalha não se limita somente à eliminação
de forças demoníacas. Ela também se encarna nos vícios e nas malignidades
humanas” (Gondin, p.15). Essa batalha espiritual é muito mais abrangente
do que os “movimentos de batalha espiritual” modernos sugerem.
Antes de desenvolver-se na terra, essa batalha teve seu enredo no
ambiente celestial. Quando Lúcifer se rebelou contra Deus (cf. Is 14.12-17),
aí a guerra estava declarada. Mas não havia como encarar o Senhor. Embora
desejasse, nenhum outro ser celestial, além dos que arrastara consigo,
poderia tornar-se sua presa. Lúcifer, então, encontrou espaço para sua
atuação no ambiente terreno.

I. O início da batalha
Quando, então, a batalha espiritual que até hoje vigora teve seu início?
Iniciou-se no Éden. Satanás viu o homem, criatura de Deus, como um ser
contra quem poderia investir, e investiu. Nossos primeiros pais foram
tentados e cederam à tentação. Já havia inimizade entre Deus e o diabo.
Agora passava a existir inimizade entre este e a  “semente da mulher”  (Gn
3.15), que é Jesus Cristo. Essa inimizade se manteve no confronto com o
povo de Deus. A tentativa do diabo, como ocorreu no Éden, é levar o
homem a acreditar que Deus não é confiável, que Ele governa com tirania e
suborno. Esse é um tema desenvolvido por Gondin nas páginas 35-54 do seu
livro.

II. O clímax da batalha


A batalha chegou ao seu ápice quando Jesus Cristo encarnou. Veio ao
mundo para morrer pelos homens, a fim de salvá-los da morte eterna. Mas,
em relação a Satanás, a vinda do Senhor teve outras finalidades:

1. Ele veio para expulsar o príncipe deste mundo (Jo 12.31);

2. Ele veio para “destruir as obras do diabo” (1Jo 3.8).

Logo que Jesus nasceu no mundo, o inimigo tentou barrar-Lhe caminho.


Primeiro por meio de Herodes, na matança dos inocentes  (Mt 2.13,16);
depois com a tentação (Mt 4.1-11). Todo o ministério de Jesus foi um golpe
desferido contra Satanás, pois por meio dele se cumpria esta profecia de
Isaías: “O povo que estava em trevas viu grande luz, e aos que viviam na
sombra da morte, resplandeceu-lhes a luz” (Is 9.2). Mas o golpe mais duro
desferido contra Satanás ocorreu no Calvário. Ali ele foi vencido. Porque
Jesus, “tendo cancelado o escrito de dívida que era contra nós… removeu-o
inteiramente, encravando-o na cruz; e, despojando os principados e as
potestades, publicamente os expôs ao desprezo, triunfando deles na cruz”
(Cl 2.14-15).

III. O m da batalha

1. Satanás e os demônios, por enquanto, estão soltos e ativos


Não estão no inferno, como pensam alguns. Eles habitam nos ares. Três
expressões bíblicas dão-nos a ideia do ambiente de ação das forças do mal,
cumprindo o seu propósito de infligir tormento aos homens 
na terra:

a. estão nas “regiões celestes” (cf. Ef 6.11-12);


b. vivem a “rodear a terra e passear por ela” (cf. Jó 1.7);
c. “anda em derredor” (1Pe 5.8).

Mas um dia encerrarão suas atividades e serão lançados no inferno, lugar


que foi previamente preparado para eles (Mt 25.41).

2. O relato da cessação de suas atividades


Em Apocalipse, encontramos o relato da cessação de suas atividades em
dois momentos:

a. no milênio, quando Satanás será impedido de agir por um longo


período de tempo (Ap 20.1-2);
b. no julgamento final:  “O diabo, o sedutor deles, foi lançado para
dentro do lago de fogo e enxofre, onde já se encontram não só a
besta como também o falso profeta; e serão atormentados de dia e de
noite, pelos séculos dos séculos” 
(Ap 20.10).
IV. Deus versus Satanás
Tem-se cometido o engano de pensar que Deus e o diabo estão medindo
forças; que são poderes opostos iguais e que, nesse caso, o inimigo se torna
uma ameaça a Deus. Na verdade são dois poderes diferentes, um maior e
outro menor. Satanás bem que tentou ser igual a Deus (cf. Is 12.14), mas
não é. Todos os que pensam que sim estão sendo enganados por ele, o que é
parte do seu trabalho (Jo 8.44). Satanás é limitado tanto em suas ações
como em sua existência. Ele não é onipotente, nem onipresente, nem
onisciente. Nada faz neste mundo que não esteja dentro da vontade
permissiva de Deus, nada faz sem o Seu consentimento (cf. Jó 1.12).

Conclusão
A batalha teve seu início e se desenvolve. Mas o seu fim já é previsto, e o
inimigo já teve sua condenação decretada. Não nos deixemos envolver pela
onda de misticismo em torno dessa batalha espiritual. Nada mais se requer
de nós a não ser o que o Senhor deixa claro em Sua Palavra. Qualquer
atividade, mesmo que extremamente religiosa, se não tem o respaldo das
Escrituras ou se contraria o bom senso, não é da vontade de Deus que a
pratiquemos.

CONFIRA O QUE VOCÊ APRENDEU NESTA LIÇÃO


Na próxima lição, estudaremos sobre como estamos envolvidos nessa batalha. Por ora, verifique o
que pôde aprender neste estudo:
1. Quando começou a batalha espiritual no nível celestial e no nível terreno?
2. Qual é o clímax dessa batalha? Por quê?
3. Quando e como essa batalha terá o seu fim?
4. Que representa, para você, o fim dessa batalha?
16
Os crentes envolvidos na batalha
Pr. Vanderli Lima Carreiro

texto básico 1Pedro 5.5-11


versículo-chave 1Pedro 5.8-9

“Sede sóbrios e vigilantes. O diabo, vosso adversário, anda em derredor, como


leão que ruge procurando alguém para devorar; resisti-lhe firmes na fé”

alvo da lição

Demonstrar que todos os crentes em Cristo são soldados convocados para a


batalha espiritual.

leia a Bíblia diariamente


seg Cl 2.8-15
ter Gn 3.1-15
qua Jo 12.20-36
qui Mt 25.31-46
sex Ef 6.10-12
sáb Ap 20.1-6
dom Ap 20.7-15

Introdução
Os cristãos estão envolvidos numa “luta espiritual”. Estamos num campo
de batalha. Nenhum crente em Cristo está dispensado dessa guerra. Se o
homem se torna amigo de Deus, fez-se inimigo do diabo; é impossível
escapar ao confronto.

Enquanto o fim não chega, o diabo e seus anjos continuam fazendo


guerra. É uma batalha real. Não é mística nem fictícia, apesar de ser
invisível, “porque a nossa luta não é contra o sangue e a carne, e sim contra
os dominadores deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal,
nas regiões celestes”  (Ef 6.12). Os nossos inimigos não são humanos nem
visíveis. Quando os homens se opõem ao evangelho e perseguem os cristãos,
são apenas instrumentos do grande inimigo; quando se rebelam contra
Deus, cumprem a vontade do inimigo; quando os cristãos desobedecem ao
Senhor, não deixam de ser responsáveis pelos seus atos, mas são
influenciados pelo inimigo.

Consideremos algumas características desta batalha.

I. A batalha é ardilosa

1. O diabo arma ciladas


(Ef 6.11)
O diabo não se mostra como é nem revela o que realmente quer. É
inimigo astuto, que usa de embustes e artifícios para conseguir o seu
objetivo. Como aconteceu em sua primeira intervenção
na  humanidade,quando enganou Adão e Eva (2Co 11.3), continua a
apanhar os incautos com suas ciladas. O engano é uma arma poderosa de
Satanás. Por essa razão a Bíblia tanto nos adverte a não nos deixarmos
enganar (cf. Lc 21.8; Rm 16.18; 1Co 15.33; Gl 6.7; Ef 5.6; Cl 2.4; 2Ts 2.3;
Tg 1.16,22). Tudo o que ele faz é consequência do seu caráter: “Quando ele
profere mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso e pai da
mentira” (Jo 8.44).

2. Como escapar dos ardis malignos?


Pedro aconselha a sermos  “sóbrios e vigilantes”  (1Pe 5.8). Ser sóbrio é
estar no pleno domínio de suas capacidades. Ser vigilante é estar de olhos
abertos, acompanhando o que se passa. Se o crente em Cristo não estiver
espiritualmente capacitado e não aprender a discernir os acontecimentos ao
seu redor, pode cair numa cilada maligna.

II. A batalha é violenta


1. A violência do inimigo
Não porque os cristãos devam agir com violência, mas porque o inimigo
ataca para “roubar, matar e destruir” 
(Jo 10.10) e  “foi homicida desde o princípio”  (Jo 8.44). Os cristãos,
entretanto, devem ter consciência disso. O inimigo não brinca de fazer
guerra. Por outro lado, não devemos nos intimidar diante dos ataques de
Satanás. O escritor 
Tozer fez uma interessante observação a esse respeito: “Enquanto não
devemos subestimar as forças do adversário, devemos ao mesmo tempo ter
o cuidado de não cair presas do seu fascínio, e viver sempre com medo
dele… Devemos aprender a verdade sobre o inimigo, mas devemos
levantar-nos bravamente contra a noção supersticiosa que ele apresenta
acerca de si próprio. A verdade nos fará livres, mas a superstição nos
escravizará”.

2. Como nos opor à violência do inimigo?


O segredo para nos opormos à violência do inimigo é “nos humilharmos
sob a poderosa mão de Deus” (1Pe 5.6).
O poder vem Dele. Precisamos estar  “fortalecidos no Senhor e na força
do seu poder”  (Ef 6.10). É um terrível engano pensar que encontramos
forças em nós mesmos para resistir às violentas investidas do inimigo.

III. A batalha é amedrontadora

1. O diabo é “como leão que ruge”


(1Pe 5.8).
Mas não precisamos ter medo dele nem de suas obras. Continuando a sua
observação, Tozer diz o seguinte: “Conheço cristãos que se acham tão
absorvidos na luta contra os maus espíritos, que vivem num estado de
constante inquietação. Seu patético esforço para manter o diabo
encurralado os deixa com esgotamento nervoso e
físico… É quando seus pelos se eriçam, e começam a dar ordens ao diabo
em voz alta, mas seus movimentos nervosos dizem o quão apavorados eles
estão”.
2. Devemos ter medo do diabo?
Em nenhuma circunstância precisamos temer o diabo. A Bíblia nos
manda resistir, fazer frente (1Pe 5.9; Tg 4.7). Aliás, ele é que se amedronta
com a presença do crente “firme na fé” e foge (Tg 4.7).

IV. A autoridade para expulsar demônios

1. Que é expulsar demônios


Expulsar demônios é retirar da pessoa humana demônios ou espíritos
imundos, mediante poder e autoridade dados por Jesus aos Seus discípulos.
Qualquer crente em Cristo, cheio do Espírito, pode ordenar, em nome de
Jesus, que o demônio se retire da pessoa. Jesus enviou os setenta com
autoridade para expelir demônios 
(Lc 10.1,17). Convocou os doze  “para estarem com ele e para os enviar a
pregar e a exercer a autoridade de expelir demônios”  (Mc 3.14-15). Os
apóstolos o fizeram (At 5.16; 16.18).

2. Duas advertências

a. Exige-se do cristão uma vida santa e de oração para ter condição de


expulsar demônios 
(cf. Mc 9.29).
b. Basta que seja dada ordem para que os demônios saiam. Embora não
seja apresentada na Bíblia uma metodologia específica, em alguns
exemplos bíblicos constatamos Jesus e os apóstolos apenas dando
ordens aos demônios para se retirarem (cf. Mt 8.16; Mc 1.25; 
At 16.18). Não é necessário inserir no culto, ou em ocasiões em que
é preciso expulsar demônios, atitudes tais como passes místicos ou
entrevistas com os espíritos imundos.

Conclusão
Não é mesmo uma batalha fácil, não é verdade? Mas sempre é possível
que experimentemos vitória em todas as investidas de Satanás e dos
demônios contra nós. Além do poder de Deus que em nós reside, pela
presença do Seu Espírito em nossa vida, Ele colocou à nossa disposição um
arsenal (esse será o assunto da próxima lição).

CONFIRA O QUE VOCÊ APRENDEU NESTA LIÇÃO


1. Enquanto estão aqui na terra, os cristãos são participantes (não espectadores) dessa batalha, que é:
a)
_____________________________________________________________________________________
b)
_____________________________________________________________________________________
c)
_____________________________________________________________________________________
2. Devemos temer o inimigo? Você já teve medo algum dia? Conhece alguém que vive amedrontado?
Compartilhe com a classe.
17
As armas da nossa milícia
Pr. Vanderli Lima Carreiro

texto básico Efésios 6.10-20


versículo-chave Efésios 6.11

“Revesti-vos de toda a armadura de Deus, para poderdes ficar firmes contra as


ciladas do diabo”

alvo da lição

Reforçar a consciência de que a vida cristã é uma luta constante contra os


poderes do mal, mostrando quais são as armas que o crente em Cristo tem ao
seu dispor para ser vitorioso nessa luta.

leia a Bíblia diariamente


seg Ef 6.10-20
ter Rm 8.31-39
qua 2Jo 4.11
qui Hb 4.11-13
sex 1Jo 5.1-5
sáb 1Ts 5.4-11
dom Mt 16.13-20

Introdução
No estudo anterior, constatamos que vivemos em franca luta contra o
poder das trevas. Estamos envolvidos numa guerra que atravessa milênios e
que só terá o seu fim quando o Senhor Jesus puser  “todos os inimigos
debaixo dos pés” (cf. 1Co 15.24-25).

No estudo de hoje, vamos considerar as armas que temos para lutar nessa
guerra. Não são armas carnais; nem poderiam ser, porque a luta é espiritual.
“Noutras palavras” como diz John Stott, “nossa luta não é contra seres
humanos, mas contra inteligências cósmicas; nossos inimigos não são
humanos, mas demoníacos” (Stott, p.200).
I. Uma armadura completa
(Ef 6.13-17)
A armadura, à disposição do crente, tem seis peças principais do
equipamento do soldado antigo: o cinto, a couraça, as botas, o escudo, o
capacete e a espada. Paulo as emprega como ilustrações da verdade, da
justiça, do evangelho da paz, da fé, da salvação e da palavra de Deus.
A armadura é de Deus (cf. 
Is 59.17), mas hoje Ele possibilita que nos revistamos dela, a fim de
estarmos devidamente equipados. É uma armadura perfeitamente adequada
para a luta. Nenhuma de suas peças é dispensável. Paulo insiste:  “Tomai
toda a armadura de Deus” (Ef 6.13).

1. O cinto da verdade
(Ef 6.14)
O cinto do soldado antigo envolvia a sua cintura e servia para prender a
túnica e segurar a espada. O cinto do soldado cristão é a “verdade”, isto é, a
sinceridade ou integridade. Deus no-la fornece para que estejamos
envolvidos por ela. Deus requer que sempre falemos a verdade (Ef 4.25) e
Se compraz com a verdade no íntimo (Sl 51.6). Nada de hipocrisia,
insinceridade ou fingimentos.
Precisamos “andar na verdade”, orientar nossa conduta pela verdade (2Jo
4). Caso contrário, estaremos fazendo o jogo do diabo e não poderemos
vencê-lo.

2. A couraça da justiça
(Ef 6.14)
O soldado antigo dispunha de uma couraça que protegia todas as suas
partes vitais. Era a principal peça da armadura. A couraça do cristão é a
“justiça” de Deus; a justiça que Deus a ele atribui, ou seja, a iniciativa
graciosa de Deus para fazer com que os pecadores fiquem bem com Ele por
intermédio de Cristo (Rm 5.1). Satanás é acusador. A justiça que temos em
Cristo é nossa proteção contra as acusações de Satanás (Rm 8.1,33).
Mas a couraça da justiça pode ter também o sentido de justiça de caráter e
de conduta que se exige do cristão (Ef 4.24 e 5.9). Em todas as coisas,
grandes e pequenas, o crente em Cristo precisa agir com justiça. E se ocorrer
de vir a pecar, essa justiça pode lhe ser aplicada mediante arrependimento e
confissão (1 Jo 1.9).

3. As sandálias do evangelho da paz


(Ef 6.15)
O soldado antigo calçava sandálias que eram feitas de couro, tinham
cravos na sola, eram presas nos calcanhares e nas canelas e tinham tiras que
subiam nas pernas. Serviam para equipá-lo para as marchas e evitavam que
os pés deslizassem. As sandálias do cristão são a “preparação do evangelho
da paz”. Podemos aplicar esse termo em dois sentidos:

a. a prontidão para anunciar o evangelho da paz - uma vez que temos a


nossa paz restabelecida com Deus (cf. Rm 5.1; Ef 2.14-17), devemos
sair com entusiasmo e firmeza para levar aos outros a mesma paz (cf.
Is 52.7). Johannes Blauw entendeu assim quando escreveu: “A obra
missionária é como um par de sandálias dado à Igreja para que esta
se ponha a caminho e continue avançando para tornar conhecido o
mistério do evangelho”;
b. a experiência da paz - a paz deve dominar no coração do crente em
Cristo. Paulo ensina:  “Seja a paz de Cristo o árbitro em vosso
coração”  (Cl 3.15; cf. Fp 4.7). Se esta paz não reinar em nosso
íntimo, não teremos condição de ser pacificadores (Mt 5.9). Satanás
sempre procura perturbar a nossa paz, tirando-nos o prazer de
experimentá-la em nossos relacionamentos. Para o nosso viver
diário, diante de tantas ameaças de conflitos, precisamos de um bom
calçado que nos dê firmeza e proteção. Só a paz de Deus nos faz
firmes e seguros nos caminhos escorregadiços da tentação e nas
ladeiras pedregosas da adversidade.

4. O escudo da fé
(Ef 6.16)
O escudo do soldado antigo lhe servia para aparar as flechas (que tinham
suas pontas revestidas de estopa embebida em substância combustível e,
acesas, eram lançadas contra o exército inimigo). O escudo do cristão é a fé.
Com esse escudo, ele pode aparar todos os mísseis incendiários - “os dardos
inflamados” - que o diabo lança contra o exército de Cristo. Os “dardos”
podem ser de várias espécies. Podem ser as acusações maliciosas, as
insinuações da impureza e da malícia, os indesejados pensamentos de
dúvida, de desobediência, de rebeldia e de medo. Precisamos do “escudo da
fé”, que nos habilita a confiar plenamente em Deus e a descansar na Sua
fidelidade.

5. O capacete da salvação
(Ef 6.17)
O capacete é a proteção para a cabeça. O capacete do soldado antigo era
feito de bronze ou ferro, forrado com material que o tornava confortável à
cabeça. O capacete do soldado cristão é a salvação. Ele o usa no sentido de
que possui a salvação, que já lhe está garantida. A salvação é sua possessão
eterna. Tendo esse conhecimento, o soldado cristão enfrenta confiante o
inimigo (1Ts 5.8). A esperança (certeza) da vida eterna alimenta sua
confiança, na luta diária com o inimigo.

6. A espada do Espírito
(Ef 6.17)
A espada é a única arma ofensiva do cristão. Cinco peças da armadura são
para a defesa, e só uma para o ataque. Isso pode significar que antes de
responder aos golpes de Satanás, temos de saber nos defender dele. A
espada do soldado cristão é a palavra de Deus (Hb 4.12). É a Revelação
escrita de Deus, dada aos homens por inspiração do Espírito Santo  (2Tm
3.16; 2Pe 1.21). Munidos dela, os cristãos podem derrotar o inimigo, como
Jesus o fez. Três vezes Ele disse:  “Está escrito”  (Mt 4.4,7,10). Também
conseguem se livrar das impurezas que querem invadir sua alma, porque a
Palavra santifica (Ef 5.26). Mas para manejar bem a arma, é preciso treinar.
O treinamento se dá mediante a leitura, a meditação e o estudo da Bíblia
(2Tm 2.15).
II. O segredo da vitória
(Ef 6.18-20)
Depois de descrever a armadura, Paulo acrescenta a necessidade da
oração. Não é uma arma a mais. É um espírito de dependência de Deus que
deve permear toda a luta. Segundo o comentarista Francis Foulkes, o
apóstolo dá a entender que devemos “vestir cada peça com oração, e então
continuar ainda em toda oração e súplica” (Foulkes, p.146).

1. Uma oração constante


(Ef 6.18)
“Orando em todo tempo” (cf. 1Ts 5.17). Isso significa manter-se o mais
possível sintonizado com o Senhor. Precisamos aprender a reservar tempo
para nos dedicarmos à oração. Mas também pode indicar a necessidade de
buscar o Senhor nas diversas situações da vida, colocando tudo sob Sua
orientação e vontade. Devemos cobrir todas as esferas da nossa vida pela
oração, a fim de que Satanás não obtenha vantagem em nenhuma delas.

2. No Espírito
(Ef 6.18)
Orar no Espírito é dirigir-nos a Deus na dependência do Espírito,
contando com o Seu auxílio (Rm 8.26). Pelo fato de não sabermos orar
como convém, o Espírito Santo, que conhece a mente do Senhor, interpreta
diante Dele as nossas orações. Há orações carnais, à moda daquela do
fariseu 
(Lc 18.11-12), que são feitas sem nenhuma dependência do Espírito, e há
orações espirituais. Mesmo essas precisam da assistência do Espírito.
Certamente Satanás tenta induzir o cristão à arrogância espiritual,
manifestada nas orações; por isso a ordem para orarmos “no Espírito” (cf. Jd
20).

3. Com perseverança
(Ef 6.18)
A perseverança é essencial, pois o inimigo está disposto a nos desanimar.
Aproveitando-se do nosso cansaço físico, das preocupações, do trabalho, das
dúvidas e depressões, Satanás age para fazer-nos desistir de orar. Jesus nos
ensina a “orar sempre e nunca esmorecer” (Lc 18.1).

4. Por todos os santos


(Ef 6.18)
Nossas necessidades, não raro, levam-nos à prática da oração egoísta. Mas
outros também são necessitados e, às vezes, muito mais do que nós. E todos
estamos juntos nessa batalha, carecendo de forças para lutar. “A nossa união
em Cristo é tão real que, se um membro sofre, todos sofrem com ele; se um
crente é derrotado, todos, num certo sentido, são prejudicados por aquela
derrota. A vitória total da Igreja de Cristo depende da vitória individual de
cada crente. Por aí vemos como um santo é responsável por todos os santos.
Cada dia devemos suplicar pela Igreja inteira, que seja fortalecida e
dinamizada para a luta contra o mal, e transfigurada cada vez mais na
imagem de Cristo” 
(M. Porto Filho).

5. Pelos missionários
(Ef 6.19-20)
Paulo pede por ele, porque “era suficientemente sábio para saber da sua
própria necessidade de força para ficar firme contra o inimigo, e era 
também suficientemente humilde para pedir que seus amigos orassem com
ele e por ele” (Stott, p.219). E com isso aprendemos da necessidade de orar
pelos missionários. Eles, como Paulo, estão motivados a pregar o Evangelho
e precisam que peçamos que Deus lhes conceda sabedoria e ousadia.
Embora estivesse preso, Paulo não pediu que orassem por sua libertação,
mas que intercedessem pelo grande ministério que ainda lhe cabia.

Conclusão
“Tomai toda a armadura”. Não temos de fabricar armas para a luta
espiritual. Todo um arsenal já está à nossa disposição, fabricado pelo
Senhor. Só resta nos apropriarmos desta armadura. Com ela, certamente,
resistiremos no dia mau e, depois de termos vencido tudo, permaneceremos
inabaláveis (v.13). Um grande perigo que corremos nos dias de hoje é nos
deixar levar por modismos que vez por outra surgem, e são oferecidos aos
crentes como recursos para a sua luta contra o diabo. De nenhum outro
armamento precisamos, além desse que nos é oferecido pelo Senhor.

APLICAÇÕES PRÁTICAS PARA MINHA VIDA


1. Que arma me falta? Que fazer para possuí-la?
2. Que preciso fazer para manejar bem a “espada”?
3. Quanto tempo, em média, dedico-me à oração por dia? Será que posso dedicar mais?

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