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Editora Cristã Evangélica

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reservados.

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qualquer meio ou forma, seja mecânico ou eletrônico, fotocópia,
gravação, etc. – nem apropriada ou estocada em sistema de banco
de dados, sem a expressa autorização da Editora Cristã Evangélica
(lei nº 9.610 de 19/02/1998), salvo em breves citações, com
indicação da fonte.

diretor
Abimael de Souza

consultor
John D. Barnett

editor
André de Souza Lima

Autores
Ana Lídia C. Hohne
Ana Lúcia da Cruz Costa
André de Souza Lima
Ann G. Barnett
Débora Coutinho Rodrigues
Edilson Nunes
Evaldo B. Rodrigues
Joaquim Caliman
Joezer Gonçalves
John D. Barnett
Vinícius Ferreira

Programador
André de Sousa

capa
Henrique Martins Carvalho
Livros marcam a vida de quem lê. Personagens ao Redor da Cruz
chamou a atenção de nosso consultor, John Barnett, que usou esse
livro como devocional. Ao terminar, sugeriu a produção da revista.

O tema é mais que relevante para o cristianismo, pois a cruz é


central, o sacrifício de Cristo é essencial para a validade de nossa
fé.

É com alegria que caminhamos juntos com a Editora Esperança,


divulgando excelente literatura produzida por ela, ao elaborar um
guia para estudo desse importante tema.

As lições nos convidam a olhar a cruz como centro de nosso estudo,


mas ao mesmo tempo, os personagens que a cercaram, suas
reações, fraquezas e também qualidades. Sendo gente como nós,
esboçaram para com Jesus reações humanas que são passíveis de
ser repetidas por nós, em nossa caminhada cristã.

Você será convidado a se colocar na pele de Maria, de Pedro, de


Tomé, dos soldados e outros, vendo a vida de Cristo por meio dos
olhos deles, de seus sentimentos e emoções. Leia e estude cada
lição orando, aprendendo, mas use também a imaginação para
aproveitar cada detalhe da história que está sendo narrada.

Nossa gratidão à Editora Esperança, pela parceria na edição destas


lições baseadas no livro de TOM HOUSTON, Personagens ao
Redor da Cruz. Que a igreja do Senhor seja edificada por elas!
Com oração e apreço,

André de Souza Lima


LIÇÃO 1      A cruz de Cristo - um tema central
LIÇÃO 2      Judas — o discípulo que traiu Jesus
LIÇÃO 3      Pedro — o discípulo que negou Jesus
LIÇÃO 4      Pilatos — aquele que lavou as mãos
LIÇÃO 5      Multidão – entusiasmada e inconstante
LIÇÃO 6      Simão de Cirene — carregou o peso da cruz
LIÇÃO 7 Soldados – lucrando com a dor do outro
LIÇÃO 8      Dois ladrões – o fim de cada um deles
LIÇÃO 9      As mulheres fiéis — acompanharam Jesus até o fim
LIÇÃO 10    Maria, mãe de Jesus — uma espada atravessou a sua
alma
LIÇÃO 11    O centurião romano — um veredito impressionante
LIÇÃO 12     José de Arimateia — assinou o atestado de óbito de
Jesus
LIÇÃO 13     Nicodemos — o discípulo secreto
LIÇÃO 14 Maria Madalena — liberdade que produziu devoção
LIÇÃO 15      Cleopas e seu amigo — discussão e dúvida
LIÇÃO 16      Compre o Livro
VERSÍCULO-CHAVE
“olhando firmemente para o Autor e Consumador da fé, Jesus, o
qual, em troca da alegria que lhe estava proposta, suportou a
cruz, sem se importar com a vergonha, e agora está sentado à
direita do trono de Deus.” Hb 12.2

ALVO DA LIÇÃO
Ao estudar esta lição, você se sentirá motivado a aprender com o
estudo dos acontecimentos e dos personagens que viveram com
Cristo o dia da crucificação.

LEITURA DA SEMANA
SEG: Hb 12.1-3 | TER: Is 52.13-15 | QUA: Is 53.1-12 | QUI: Mt 5.17-
20 |SEX: Mc 10.42-45 | SÁB: Lc 19.1-10 | DOM: Jo 20.29-31

Talvez você já tenha estudado a doutrina da morte de Cristo, mas,


nas próximas lições, você vai refletir a respeito de pessoas que
estavam próximas de Jesus na hora da morte Dele. A experiência
delas e a compreensão que mostram a respeito da morte de Cristo
nos inspiram e nos ajudam a colocar essa doutrina no lugar certo.

Toda a Bíblia converge para Cristo. Não são apenas os evangelhos


que tratam a respeito de nosso Senhor e da salvação. O autor de
Hebreus nos convida a olhar para Jesus e Seu sofrimento a fim de
que possamos perseverar na vida cristã (Hb 12.2).
A cruz é o símbolo do sofrimento e do sacrifício de nosso Senhor
Jesus, que nos possibilitou a salvação. Você vai estudar
personagens que viveram a experiência ao redor da cruz, que viram
em primeira mão o preço pago por nosso Salvador para nos
resgatar do pecado, aplacando a ira do Pai, tomando o nosso lugar.

I. POR QUE ESTUDAR PERSONAGENS BÍBLICOS?


Narrativas de personagens são uma parte importante de toda a
Bíblia. Ela está repleta de relatos sobre pessoas que conviveram
com o Senhor e a maneira que foram usadas por Ele a fim de dar ao
povo a mensagem de salvação. É no Novo Testamento que
entendemos como isso é importante. O próprio Jesus usou histórias
e personagens do AT para ilustrar Seu ensino.
Quando ensinou sobre confiar em Deus para suprir necessidades,
Cristo citou Salomão: “Eu, porém, afirmo a vocês que nem Salomão,
em toda a sua glória, se vestiu como qualquer deles” (Mt 6.29).
Ao confrontar a incredulidade dos fariseus, o Mestre fez com que
Seus ouvintes se lembrassem da história do profeta Jonas: “Mas ele
respondeu: Uma geração perversa e adúltera pede um sinal, mas
nenhum sinal lhe será dado, senão o do profeta Jonas” (Mt 12.39).
Com os acertos e erros dos personagens, podemos ver na vida
prática tanto o exemplo daqueles que obedeceram a Deus, como
dos que desobedeceram a Ele; daqueles que se aproximaram de
Deus, e daqueles que se afastaram Dele; daqueles que buscaram
vida piedosa e santa, e daqueles que se entregaram à carne e ao
mundo mal. Em seguida, podemos analisar as consequências
decorrentes das escolhas que fizeram. Assim, à luz das
experiências deles, podemos enxergar as situações da nossa vida
do ponto de vista de Deus e fazer escolhas mais acertadas.

DESAFIO O desafio é nos colocar no lugar dos personagens bíblicos e perguntar: O que
PARA eu faria no lugar dele? Como Deus gostaria que eu agisse em situação
NÓS semelhante? O que posso aprender por meio dos erros e acertos dessa
HOJE pessoa?

II. O PROFETA ISAÍAS E A CRUZ DE CRISTO


O profeta Isaías viveu 700 anos antes do nascimento de Jesus. Os
personagens que estudaremos nas próximas lições assistiram
pessoalmente ao sofrimento e à morte de Cristo na cruz, Isaías não.
Ainda que ele não tenha presenciado esse fato que mudou a história
da humanidade, Deus lhe revelou a maravilhosa obra que faria por
meio do Senhor Jesus. Por isso, com tantos anos de antecedência,
Isaías registrou no capítulo 53 de seu livro o sofrimento pelo qual
Cristo passaria rumo à cruz do Calvário, bem como a obra que ali
executaria em nosso favor. Apesar de Isaías não ser um dos
personagens ao redor da cruz, ele também teve uma visão de como
seria o dia da crucificação de nosso Senhor.

1. O Servo do Senhor (Jesus Cristo) ficaria desfigurado


(Is 52.13-15)
Os soldados romanos eram famosos pela crueldade e violência. Os
castigos e açoites que Cristo recebeu de Seus algozes rasgaram
profundamente Sua pele e Seus músculos. A dor, a exaustão e a
carne rasgada e triturada, açoite após açoite, provavelmente
deixaram-No desfigurado.

2. Ele seria desprezado e rejeitado


(Is 53.1-3)
Apesar de os judeus aguardarem ansiosamente o Messias,
prometido de Deus para a salvação de Seu povo, nunca imaginaram
que Deus escolheria um homem de origem humilde e aparência
simples. Os judeus mais instruídos, como os fariseus, esperavam
uma figura grandiosa e arrebatadora. Não puderam crer que o filho
de um carpinteiro galileu era o Messias, porque a expectativa deles
era outra. Por isso, desprezaram, rejeitaram e perseguiram a Jesus
até a morte.

3. O Servo do Senhor sofreria castigos e dores intensas por causa


do nosso pecado
(Is 53.4-6)
Nós é que merecíamos o castigo que Ele levou sobre Si no fatídico
dia da cruz. Diferente de todos nós, Cristo não tinha pecado algum.
Sobre Ele caíram todos os nossos pecados, enquanto nós
fomos“curados pelo castigo que ele sofreu,... sarados pelo
sofrimento que ele recebeu” (v.5 NTLH).

4. Apesar de ser maltratado e humilhado, não diria uma só palavra


(Is 53.7-9)
Por todo o Seu julgamento, cheio de acusações falsas e injustas;
durante todos os Seus açoites; pela via dolorosa rumo ao Calvário,
onde foi cuspido e escarnecido; em nenhum desses momentos
nosso Senhor reclamou, questionou, esbravejou. Suportou tudo
calado, “como ovelha muda diante dos seus tosquiadores” (v.7).

5. Seu sacrifício seria voluntário, morreria como criminoso e


intercederia pelos pecadores
(Is 53.10-12)
“Ele ofereceu a sua vida como sacrifício para tirar pecados (...) ele
deu a sua própria vida... Ele levou a culpa dos pecados de
muitos” (NTLH). Cristo foi até a cruz voluntariamente, por amor a
nós. Foi morto como criminoso, entre dois criminosos. E apesar de
tudo o que sofreu, das calúnias, da injustiça, da humilhação, dos
açoites, do escárnio, das dores, e até do abandono dos Seus
próprios discípulos, no auge da cruz, Jesus intercedeu por Seus
executores – e por todos nós que, com eles, O crucificamos.
Isaías recebeu de Deus essa maravilhosa revelação sobre a cruz de
Cristo. Todo o sofrimento e a morte de Jesus já estavam escritos. E
a expectativa do Messias que salvaria a todos foi consumada
setecentos anos depois, quando o plano de Deus se concretizou na
cruz exatamente como revelado ao profeta Isaías, e Sua vontade ali
prosperou para louvor de Sua glória.

No que se trata de Cristo, quase todo mundo tem uma opinião/atitude. Há


DESAFIO
quem O ignore, quem O aceite, quem O rejeite, quem O ame, quem O
PARA
despreze. Qual tem sido a sua?
NÓS
Jesus não é exatamente o que você esperava Dele? Ajuste suas expectativas
HOJE
em vez de rejeitá-Lo.

III. OS EVANGELHOS E A SALVAÇÃO


Os quatro evangelhos estão ricos de informações sobre o dia da
crucificação. Apesar de conterem detalhes distintos, o sacrifício de
nosso Senhor é o ápice de sua história.
Cada evangelista tinha em mente um público-alvo distinto. Por isso,
Cristo é apresentado em cada evangelho com ênfase diferente, a
fim de que seus leitores percebessem a provisão de salvação de
Deus, de acordo com a realidade deles.

1. Mateus – Jesus é o Messias, o prometido de Deus


Os judeus eram o público-alvo de Mateus. Por isso ele se
preocupou em mostrar que Cristo cumpriu as profecias do Antigo
Testamento, mencionando cerca de trinta delas, além de fazer uso
de genealogias e citações do AT. Seu objetivo era que os judeus
desenvolvessem certeza de que Jesus era o Messias anunciado
pelos profetas e que, por meio Dele, Deus já tinha enviado a
salvação (Mt 5.17).

2. Marcos – Jesus é o Filho de Deus


O Evangelho de Marcos foi escrito para leitores romanos e
apresenta Jesus Cristo como o Filho de Deus, que veio para servir.
Para isso, ele dá ênfase no registro dos ensinos e milagres de
Cristo, que só poderiam ter sido realizados pelo verdadeiro Filho de
Deus, que veio “para servir e dar a sua vida em resgate por
muitos” (Mc 10.45).

3. Lucas – Jesus é o Filho do Homem


Escrito para os gentios, este Evangelho mostra que Deus agiu na
história por meio do Filho do Homem, de maneira criteriosa, desde o
anúncio do nascimento de Cristo até à Sua ascensão (Lc 19.10).
Lucas destaca que Jesus veio salvar os desprezados, como os
samaritanos (Lc 10.25-37), os pecadores (Lc 15.11-32), as mulheres
(Lc 8.43-48), os gentios (Lc 7.1-10).

4. João – Jesus é Deus


O propósito de João ao escrever este Evangelho era o de confirmar
a fé dos cristãos e levar outros a crerem (Jo 20.31), por meio dos
sinais do poder de Jesus, o Deus encarnado (Jo 1.10-14). Jesus
veio para salvar todo aquele que Nele crer (Jo 3.16).
(Informações extraídas e adaptadas da Bíblia da Escola Bíblia, SBB e Editora Cristã
Evangélica)

DESAFIO
PARA Você já investiu na leitura, na meditação e no estudo dos evangelhos a fim de
NÓS buscar conhecer mais sobre o Salvador e Senhor de sua vida?
HOJE

CONCLUSÃO
Que privilégio sermos salvos por Aquele que nos amou a ponto de
entregar Sua vida por nós. Você está preparado para embarcar no
estudo daquele precioso dia em que Cristo livremente Se entregou
para sofrer em nosso lugar!
VERSÍCULO-CHAVE
“Então a cobiça, depois de haver concebido, dá à luz o pecado; e
o pecado, uma vez consumado, gera a morte.” Tg 1.15

ALVO DA LIÇÃO
Ao estudar esta lição, você será capaz de compreender o grande
perigo do pecado da cobiça na vida do crente.

LEITURA DA SEMANA
SEG: Jo 6.66-71 | TER: Is 52.13-15 | QUA: Lc 22.19-23 | QUI: Jo 13.1-
20 |SEX: Jo 13.21-30 | SÁB: Mt 26.1-16 | DOM: Mt 27.1-10

Não há muita informação sobre Judas. As poucas que temos são


aquelas fornecidas pela Bíblia. O fato que marcou a vida desse
discípulo de Cristo foi sua traição ao Mestre. Até mesmo o nome
dele é coberto de certo mistério. O significado de “Iscariotes” não é
unanimidade entre os estudiosos. Alguns relacionam com a palavra
“sicário”, ou seja, “o homem da adaga” com intuito de ligá-lo ao
movimento revolucionário dos zelotes. Ainda há aqueles que
sugerem significados como “o falso”, “aquele que livra”, “homem da
cidade”, etc. Mas o significado mais antigo e amplamente aceito
é “homem de Queriote”,que pode ser referência a uma cidade na
região de Moabe ou a uma pequena vila ao sul da Judeia. Mesmo
esse significado mais aceito é totalmente incerto.

O que nos interessa, no entanto, é explorar a razão pela qual esse


discípulo de Cristo O traiu. Os textos bíblicos em estudo nos levarão
a entender que a cobiça foi a força que impulsionou Judas a trair o
Senhor. Essa mesma força tem feito muitos “seguidores” em nossos
dias, ou seja, muitos traem a Jesus em troca de bens materiais,
dinheiro, poder.

I. JUDAS E SUAS IMPERFEIÇÕES


A maneira como os homens que foram divinamente inspirados pelo
Espírito Santo a escrever os evangelhos se referem a Judas deixa
claro que ele era movido pela cobiça, que o levou a trair Jesus.

1. Avarento
(Mt 26.14-16)
Judas, assim como os outros discípulos, esperava que Jesus Cristo
iniciasse uma revolta que libertasse o povo das mãos do império
romano. Como responsável pela sacola que trazia o dinheiro
ofertado para Cristo e Seus discípulos, Judas esperava ocupar lugar
importante no governo do Messias. Mas ao ver Jesus elogiar a
atitude da mulher que quebrou o vaso de perfume que tinha alto
valor a fim de ungir o Mestre (Mt 26.6-13), Judas entendeu que o
reino de Cristo não era político, físico ou material, mas sim
espiritual. Movido por cobiça e avareza, viu se desfazer toda a
possibilidade de riqueza, de poder e de posição social, e, tentando
assim tirar algum proveito da situação, entregou Jesus aos
principais sacerdotes em troca de dinheiro.

2. Hipócrita
(Jo 12.4-6)
Judas não foi verdadeiro quando disse: “Por que este perfume não
foi vendido por trezentos denários, e o valor não foi dado aos
pobres?” Ele usou essa frase para esconder o que estava em seu
coração – a preocupação com os pobres era um disfarce para sua
cobiça. A vida dele se tornou uma mentira motivada pela cobiça,
dando brecha para a atuação do diabo (Jo 13.27).

3. Desonesto
(Jo 12.6)
Judas frequentemente costumava usar o dinheiro da bolsa dos
discípulos em benefício próprio. Quando viu a mulher ungir a Jesus
com um perfume de alto valor, percebeu que não se apropriaria de
valor ainda maior do que estava acostumado. Essa passagem nos
revela que a cobiça o levou a ser desonesto, apropriando-se de algo
que não pertencia somente a ele.

4. Filho da perdição
(Jo 17.12)
Esta é a pior das desvirtudes e significa literalmente “aquele que já
ia se perder”. Judas não se perdeu contra a sua vontade, mas
concordou com a situação quando decidiu no coração entregar, por
dinheiro, Jesus Cristo aos Seus perseguidores.

Assim como aconteceu com Judas, muitos “crentes” hoje têm se deixado levar
DESAFIO pela cobiça, tornando-se avarentos e buscando segurança em bens materiais.
PARA São hipócritas ao distorcerem as verdades bíblicas para tirarem proveito das
NÓS coisas sagradas. Será que você é desonesto com o seu dízimo, ficando com
HOJE aquilo que pertence ao Senhor? Não seja movido pela cobiça nem se torne
“filho da perdição”!
II. JUDAS, ESCRAVO DA COBIÇA
Olhando para o que a Bíblia diz sobre Judas, vemos quanto ele era
escravo da cobiça e dominado pelo desejo desordenado de possuir.
A ganância o levou a trair Jesus, e a razão principal dessa traição
não é outra se não a cobiça pelo dinheiro alheio. Vejam como os
textos relatam sobre Judas:

1. Incitou reação negativa dos demais discípulos


(Jo 12.4; Mt 26.8)
Quando a mulher ungiu os pés de Cristo com o perfume de alto
valor, foi Judas que incitou a reação negativa dos outros discípulos,
motivando um ataque à atitude dela.

2. Era o responsável pela bolsa


(Jo 12.6)
Judas guardava o dinheiro das ofertas que sustentava o ministério
de Cristo e Seus discípulos. Ele tinha costume de subtrair dinheiro
dessa bolsa.

3. Fez pacto de traição


(Mt 26.15)
Judas perguntou - “Quanto me darão para que eu o entregue a
vocês?”. Isso demonstra que ele estava disposto a entregar Cristo
por uma quantia que compensasse a traição que planejava
fazer. Essas passagens nos revelam um Judas escravizado pela
cobiça. Ele era amigo de Jesus, mas o dinheiro tinha maior
importância.

DESAFIO Judas, o escravo da cobiça apresentado pelo Novo Testamento, nos faz o
PARA alerta de quanto esse pecado é perigoso. A cruz nos mostra o que uma
NÓS pessoa escravizada pela cobiça é capaz de fazer. E você... é escravo do
HOJE dinheiro?
III. JUDAS E O PREÇO PELA TRAIÇÃO
A cobiça engana as pessoas e faz com que elas invertam os
valores. Houston, em seu livro Personagens ao Redor da Cruz, diz o
seguinte sobre o real valor das “trinta moedas de prata”, preço pago
a Judas pela traição: “Existem duas possibilidades. Se fossem
siclos, seriam o equivalente a mais ou menos 120 dias de trabalho.
Se fossem denários, seriam o equivalente ao salário de 30 dias de
trabalho de um soldado ou trabalhador. Então existem as duas
possibilidades: no máximo 120 dias de trabalho, no mínimo 30. De
qualquer maneira, Jesus valia menos, para Judas, do que
aquelas trinta moedas de prata”. Êxodo 21.32 diz que esse era o
valor que deveria ser pago por um escravo quando este fosse ferido
por um boi.

O profeta Zacarias (Zc 11.2-13), profetizando sobre a rejeição de


Israel ao Messias, revela o Messias pedindo que Seu povo
avaliasse o valor de seu trabalho. Eles o avaliaram ao preço de um
escravo “trinta moedas de prata”. Assim, eles colocaram o Messias
no nível de um escravo. Na mesma maneira, Jesus Cristo não tinha
nenhum valor para Judas, ou melhor, o valor de Jesus Cristo para
Judas era o valor de um escravo.

O que a cobiça tem feito com os servos do Senhor na atualidade? Será que
estamos dispostos a trocar nossas amizades por “trinta moedas de prata”? A
DESAFIO
grande verdade é que a cobiça nos faz perder a noção de nossos valores, de
PARA
maneira tão sutil, que nos tornamos semelhantes a Judas.
NÓS
Será que temos agido como Judas, trocando o Jesus Cristo bíblico pelo
HOJE
“Jesus Cristo da prosperidade”? Lembre-se das palavras de Tiago: “Cada um
é tentado pela sua própria cobiça, quando esta o atrai e seduz” (Tg 1.14).

IV. JUDAS, REMORSO E MORTE


A Bíblia nos relata as consequências da cobiça na vida de Judas (Mt
27.3-10; At 1.16-19).
Vamos estudar duas delas.
1. O remorso
(Mt 27.3-6)
Judas sentiu remorso por ter traído sangue inocente, e isso pesou
em sua consciência. Ele sentiu o peso de sua própria culpa, o que
não mostra arrependimento genuíno, e sim fraqueza moral. Judas
tentou aliviar sua consciência ao declarar a inocência de Jesus
Cristo, mas tal declaração não convenceu os membros do Sinédrio.
Eles não queriam reabrir questão com relação a Jesus e tinham
pouco interesse pela consciência de Judas. O motivo que havia
levado Judas a trair Jesus era problema dele.

2. A morte
(Mt 27.5)
A princípio, parece existir uma inconsistência entre o que Mateus
(Mt 27.5) e Lucas
(At 1.16-20) narram sobre a morte de Judas. Mas o que a maioria
dos estudiosos defende é que Judas, ao escolher a árvore, optou
por uma árvore seca para se enforcar, e o galho não suportou seu
peso. É interessante notar o que a cobiça trouxe para vida de Judas:
a morte. Nosso versículo-chave deixa clara a sequência: “a cobiça...
dá à luz o pecado; e o pecado, uma vez consumado, gera a
morte” (Tg 1.15). No caso de Judas, gerou morte física e espiritual.

CONCLUSÃO
A cobiça de Judas o levou a abrir mão de algo muito mais precioso
que podia desfrutar. Assim como ele, há muitos servos de Deus
envolvidos com a cobiça a ponto de não poderem desfrutar da
presença de Jesus. É necessário vigiar para que esse desejo não
domine sua vida e o faça trair o Senhor, trazendo para a sua vida
consequências que o impeçam de desfrutar das bênçãos que Deus
tem para cada um de nós.
VERSÍCULO-CHAVE
“Então Pedro se lembrou da palavra que Jesus lhe tinha dito:
‘Antes que o galo cante, você me negará três vezes’. E Pedro,
saindo dali, chorou amargamente”. Mt 26.75

ALVO DA LIÇÃO
Ao estudar esta lição, você será capaz de compreender o poder
da graça de Jesus ao restaurar Seu discípulo pecador e
inconstante.

LEITURA DA SEMANA
SEG: Lc 22.31-34| TER: Mc 14.66-68 | QUA: Jo 18.1-11 | QUI: Jo
18.12-18 | SEX: Mt 26.73-75 | SÁB: Lc 22.59-62 | DOM: Jo 21.15-
23

Pedro estava assustado, sem acreditar no que estava acontecendo.


O sonho do Messias prometido no Antigo Testamento chegou ao
fim? Aqueles anos andando pelas vilas e cidades pregando sobre o
reino de Deus foram todos em vão? Que fazer nesse momento?
Entrar na casa com uma espada e livrar a Jesus das mãos das
autoridades judaicas? Esperar uma intervenção milagrosa para O
salvar? Esses podem ter sido os pensamentos de Pedro enquanto
estava assentado perto da fogueira.

O apóstolo se encontrava num ambiente intimidador e hostil para


um discípulo de Jesus. Nesse momento, uma criada da casa do
sumo sacerdote, onde interrogavam a Cristo, fez uma simples
afirmação:“Este também estava com ele” (Lc 22.56).

O dilema está lançado! Que fazer? Por mais que o contexto e as


circunstâncias sejam outras, todos nós passamos por situações em
que precisamos nos posicionar como seguidores de Jesus ou então
O negaremos. A história de Pedro negando o Senhor três vezes
naquela mesma noite traz lições preciosas para encararmos o
desafio do discipulado.

I. A QUEDA DE PEDRO
Pelo menos três fatores contribuíram para que Pedro negasse a
Jesus. Eles representam três grandes inimigos que o crente
enfrenta a cada dia: a carne, o diabo e o mundo.

1. Fator autoconfiança
Poucas horas antes, durante a ceia, Jesus disse aos discípulos:
“Ainda esta noite todos vocês me abandonarão” (Mt 26.31 NVI).
Pedro, porém, respondeu: “Ainda que todos te abandonem, eu
nunca te abandonarei!”(Mt 26.33 NVI). Pedro tinha visão errada a
respeito de si mesmo. Ele se via capaz, preparado e seguro de si
em seu amor por Jesus, dando mais crédito às suas convicções do
que às palavras de Cristo. “Estou pronto para ir com o Senhor, tanto
para a prisão como para a morte” (Lc 22.33). Contudo, vemos que,
no final, o galo cantou, Jesus estava certo, e Pedro, errado.

A autoconfiança levou Pedro a negar a Jesus e pode fazer o mesmo


conosco. O antídoto contra essa nossa tendência é negar a nós
mesmos em dependência do Senhor. Ou negamos a nós mesmos
ou negaremos o Salvador.

DESAFIO
PARA Autoconfiança contraria o ponto central do evangelho, isto é, o crente vive
NÓS hoje pelos méritos de Cristo e não por causa de si mesmo.
HOJE

2. Fator tentação
Pedro negou a Jesus, porque não deu muita importância à realidade
espiritual das tentações. Lucas nos diz que Jesus avisou a Pedro de
que Satanás queria destruí-lo. “Simão, Simão, eis que Satanás
pediu para peneirar você como trigo!” (Lc 22.31). A palavra
“peneirar” tem o sentido de moer, destruir, e está sendo usada de
maneira figurada para expressar o objetivo de Satanás com Pedro
(MOUNCE, William. Léxico Analítico do Novo Testamento
Grego. Edições Vida Nova).

De fato, a Bíblia nos alerta para a realidade da tentação. “Sede


sóbrios e vigilantes. O inimigo de vocês, o diabo, anda em derredor,
como leão que ruge procurando alguém para devorar” (1Pe 5.8).
Jesus também nos ensina em Sua oração: “não nos deixes cair em
tentação...” (Mt 6.13).

As palavras que Jesus disse a Pedro horas antes, no jardim do


Getsêmani, servem como alerta para nós também: “Vigiem e orem,
para que não caiam em tentação” (Mt 26.41).

DESAFIO
A Bíblia nos alerta para o fato de que tentações virão para nos fazer negar a
PARA
Jesus. Fique atento, pois elas podem surgir a qualquer momento e em
NÓS
qualquer lugar (trabalho, casa, faculdade).
HOJE

3. Fator ambiente
Pedro estava num ambiente hostil e estranho para um discípulo de
Jesus. Qual seria o destino dele se confirmasse sua ligação com
Cristo? Receberia a mesma punição de Jesus? Não é possível
saber o que teria acontecido, mas o que podemos dizer é que o
lugar e as pessoas ao seu redor o influenciaram a negar a Jesus.

Naturalmente é assim conosco também. A Bíblia nos avisa que


existe um sistema de vida e pensamento que se opõe a Deus e que
pode nos influenciar a negar a Jesus. Essa é uma das maneiras que
entendemos a palavra “mundo” nas Escrituras (Jo 15.18). Nesse
sentido, ele é o “lugar da rebeldia humana contra Deus, ele
contrasta contra o Reino de Deus, e, como centro alternativo de
confiança e compromisso, pode se levantar contra o próprio Deus”
(T. RENZ, in: ALEXANDER, D.T; ROSNER, Brian. Novo Dicionário
de Teologia Bíblica. Vida).

DESAFIO Como estamos reagindo ao ambiente hostil em que vivemos? Temos negado
PARA a Jesus ou encarado as consequências de nos identificarmos com Ele, com
NÓS Sua Palavra, com Sua Verdade? Temos apoiado tipos de filosofias, ideologias
HOJE contrárias a Jesus?

II. A RESTAURAÇÃO DE PEDRO


A história de Pedro seria triste se acabasse na cena em que ele
nega a Jesus três vezes naquela mesma noite. Contudo, o apóstolo
experimentou o que chamamos de redenção, um processo de
arrependimento, restauração e envio para a missão.

1. O processo de arrependimento
O processo de arrependimento de Pedro começou com o olhar
penetrante de Jesus no momento em que houve a terceira negação.
Imagine ser pego em flagrante enquanto comete um crime?! Não
sabemos quanto tempo durou aquele olhar, mas foi suficiente para
quebrantar o coração do apóstolo. Lucas foi o único a registrar o
fato: “Então, o Senhor voltou-se e fixou os olhos em Pedro...” (Lc
22.61).

Como resultado desse olhar, Pedro se lembrou das palavras de


Jesus: “... antes que o galo cante, três vezes você me negará” (Jo
13.38). A ficha caiu! O Mestre estava certo, e o discípulo, errado. O
arrependimento começa com o reconhecimento do pecado. Onde
não há isso, também não existe arrependimento. O quadro está
montado: o galo cantou; Jesus o viu; a consciência foi ativada; e
Pedro, reconhecendo o pecado que havia cometido, saiu da cena
chorando muito. Três dos evangelhos relatam o choro do apóstolo
(Mt 26.75; Mc 14.72; Lc 22.62). Eles utilizam a mesma palavra
grega para isso,klaio, que “expressa a reação externa e imediata do
homem mediante o sofrimento” (Dicionário Internacional de Teologia
do Novo Testamento, Colin Brown, Edições Vida Nova).

Mateus e Lucas vão além e dizem que Pedro chorou


“amargamente”. Esse é um advérbio usado apenas nesses dois
textos em todo o Novo Testamento para indicar a intensidade do
choro e a dor aguda que Pedro sentiu quando percebeu que negou
a Jesus (DITNT, 2000, verbete 107).

DESAFIO Será que temos reconhecido nossos pecados? Sentimos tristeza quando
PARA pecamos? Qual foi a última vez que você chorou por causa de seus pecados?
NÓS Jesus nos ensinou que “bem-aventurados os que choram, porque serão
HOJE consolados” (Mt 5.4)

2. O cuidado de Jesus
Pedro experimentou o cuidado do Supremo Pastor (1Pe 5.4) e foi
restaurado. Esse processo se deu em vários momentos. Marcos
relata que o anjo disse às mulheres: “... digam aos discípulos dele e
a Pedro que ele vai adiante de vocês para a Galileia...” (Mc 16.7).
Podemos ver o relato das variadas aparições de Jesus aos
discípulos (Lc 24.36). Contudo, a narrativa de João no capítulo 21 é
a que mais nos aproxima do tratamento pessoal que Pedro recebeu
de Jesus.
A cena se volta para a Galileia, onde tudo havia começado anos
atrás. Pedro e os discípulos presenciaram uma pesca maravilhosa
sobre o comando de Jesus. Em seguida, comeram com o Senhor na
praia. Depois de comer, Jesus perguntou três vezes: “Simão, filho
de João, você me ama mais do que estes outros me amam?” (Jo
21.15). Jesus estava tratando o coração do discípulo. Por três
vezes, ao redor de uma fogueira, Pedro negara o Senhor, agora na
mesma proporção, o Senhor lhe deu oportunidade de se
comprometer.

DESAFIO Não há pecado que Jesus não possa restaurar. O poder da cruz é abundante
PARA para aqueles que se arrependem. Existe algum pecado não tratado
NÓS precisando de restauração? O Senhor pode lhe restaurar como fez com
HOJE Pedro.

CONCLUSÃO
A história de Pedro nos mostra quanto precisamos da cruz. Somos
inconstantes, fracos e dependentes da graça de Jesus tanto quanto
o apóstolo. A cruz, portanto, é central para o discipulado. Ela “é
loucura para os que se perdem, mas para nós, que somos salvos,
ela é poder de Deus” (1Co 1.18).
VERSÍCULO-CHAVE
“Então Pilatos, querendo contentar a multidão, lhes soltou
Barrabás; e, após mandar açoitar Jesus, entregou-o para ser
crucificado.” Mc 15.15

ALVO DA LIÇÃO
Ao estudar esta lição, você será capaz de compreender que não
há neutralidade em relação a Jesus, e que, cedo ou tarde, todos
tomam uma decisão.

LEITURA DA SEMANA
SEG: Mt 27.1-2 | TER: Jo 18.28-32 | QUA: Jo 18.33-40 | QUI: Jo
19.1-4 | SEX: Jo 19.5-11 | SÁB: Jo 19.12-16 | DOM: At 4.27

Ao todo, o nome de Pilatos aparece 63 vezes no Novo Testamento,


incluindo citações nos quatro evangelhos, em Atos e na Primeira
Carta de Paulo a Timóteo. Entretanto, a Bíblia não traz muita
informação sobre quem era Pilatos, sua origem, personalidade e
outras curiosidades. O que sabemos é que esse homem foi
governador da região da Judeia, responsável por ordenar a
crucificação de Jesus. É por causa desse evento que ele se tornou
conhecido para nós.

I. QUEM ERA PILATOS?


Pilatos ficou famoso na tradição da igreja por causa da pequena
frase do Credo Apostólico: “padeceu sob Pôncio Pilatos”. Esta “foi
recitada mais vezes nos credos da igreja do que qualquer outra
citação dos clássicos latinos. Ela foi possivelmente traduzida para
mais línguas ao redor do mundo do que a própria Bíblia” (Houston).

Há alguns registros históricos que se referem a Pôncio Pilatos como


um político que subiu de posição inesperadamente por conta das
boas relações com Sejanus, braço direito de Tibério (Houston).
Assim, ele assumiu a posição de governador da Judeia no ano 26
d.C., e se envolveu em grandes confusões com os judeus. Por conta
disso, alguns chegam a afirmar que Pilatos tinha comportamento
antissemita (Dicionário Bíblico Wycliffe – CPAD). Lucas registra a
morte de galileus, “cujo sangue Pilatos havia misturado com os
sacrifícios que os mesmos realizavam” (Lc 13.1).

II. TENTANDO SER NEUTRO


Contudo, a vida de Pilatos, especialmente aqueles momentos do
drama da cruz, nos mostra que ele tentou uma neutralidade
impossível diante de Jesus e que estava disposto a tudo para
manter sua posição, até mesmo a condenar um inocente.

É impossível ficar em cima do muro no que diz respeito a Jesus


Cristo. Mas foi justamente isso que Pilatos tentou. Por um lado,
recebeu um aviso de sua mulher que Jesus era inocente. “Não se
envolva com esse justo, porque hoje, em sonho, sofri muito por
causa dele” (Mt 27.19). Além disso, todas as evidências eram
favoráveis a Jesus, e ele mesmo estava convencido disso, quando
disse: “Não vejo neste homem crime algum” (Lc 23.4).

Por outro lado, os líderes religiosos o pressionavam a condenar o


acusado. Pilatos não queria ser injusto, mas também não queria
desagradar os judeus, povo com quem ele já tivera problemas
demais. Além do mais, essa situação poderia gerar uma nova
revolta e insurreição dos judeus contra Roma, ameaçando assim o
cargo que ocupava. Pilatos acabou se posicionando contra o
Senhor, lavando as mãos para tentar demonstrar imparcialidade.

Jesus estava amarrado quando foi levado à presença de Pilatos,


logo de manhã cedo (Mt 27.1-2). Ele foi acusado pelos principais
líderes religiosos de ser o rei dos judeus e de incentivar o povo a
não pagar impostos a César, imperador romano (Lc 23.2), o que não
era verdade. Jesus mesmo disse ao povo: “Deem, pois, a César o
que é de César e a Deus o que é de Deus” (Mt 22.21).

Durante a discussão com os sacerdotes, Pilatos descobriu que


Jesus era da região da Galileia e O encaminhou para ser julgado
por Herodes, governador da Galileia, que estava em Jerusalém
naqueles dias. O ato de enviar o Senhor Jesus foi entendido como
diplomático e acabou reconciliando a relação política entre as duas
autoridades. Contudo, Pilatos estava querendo mesmo se livrar de
ter que tomar a decisão.

As narrativas dos evangelhos mostram que Pilatos tentou não se


posicionar e, por fim, lavou as mãos, indicando que não queria ser
responsabilizado pela condenação e morte de Cristo.

Todavia, o testemunho das Escrituras e da história são suficientes


para mostrar que Pilatos não conseguiu ser neutro o suficiente. O
livro de Atos resume bem o papel da autoridade romana: “Porque de
fato, nesta cidade, Herodes e Pôncio Pilatos, com gentios e gente
de Israel, se juntaram contra o teu santo Servo Jesus, a quem
ungiste” (At 4.27).

Não é possível ser neutro em relação ao Senhor. O próprio Jesus


afirmou isso quando acusado de expulsar demônios pelo poder de
Belzebu: “Quem não é por mim é contra mim; e quem comigo não
ajunta espalha” (Lc 11.23).

Será que temos buscado postura de neutralidade em relação a Jesus diante


DESAFIO
das outras pessoas? Num mundo hostil ao cristianismo, a neutralidade
PARA
sempre é uma tentação para o cristão. Será que buscamos ser imparciais em
NÓS
assuntos que a palavra de Deus se posiciona firmemente contrária? O que
HOJE
você faria no lugar de Pilatos?

III. CEDENDO À PRESSÃO, MESMO ACHANDO CRISTO


INOCENTE
Pelo relato dos evangelhos, podemos concluir que Pilatos mandou
crucificar a Jesus por causa da pressão exercida pelos líderes
religiosos e pela multidão enfurecida. Em outras palavras, ele cedeu
à pressão, embora entendesse que o Senhor era inocente. Vejamos
alguns momentos durante o julgamento de Cristo que deixam claro
que Pilatos O considerava inocente e que gostaria de soltá-Lo.

1. Perante os sacerdotes
(Lc 23.13-16)
Lucas descreve a cena em que o pontífice fala diante dos
sacerdotes e do povo que Jesus era inocente. “Vocês me
apresentaram este homem como sendo um agitador do povo. Mas,
tendo-o interrogado na presença de vocês, nada verifiquei contra ele
dos crimes de que vocês o acusam. Nem mesmo Herodes, pois o
mandou de volta para cá. Assim, é claro que ele não fez nada que
mereça a pena de morte.” (Lc 23.14-15).

2. Na ocasião da festa
(Lc 23.14-21)
Em outro momento, aproveitando a ocasião da festa em que, por
costume, se soltava um prisioneiro, o governador insistiu que Jesus
fosse solto, contudo a multidão preferiu Barrabás.

3. O clamor da multidão
(Mt 27.24-26)
Vendo o tumulto aumentar por causa de Jesus, Pilatos decidiu
ceder, mandou trazer uma bacia com água e lavou as mãos,
dizendo: “Estou inocente do sangue deste homem; fique o caso com
vocês!” (v.24).

Pilatos não estava disposto a encarar as consequências de ficar ao


lado de Jesus. A confusão poderia custar o seu cargo político!
Talvez houvesse um levante dos judeus e sangue seria derramado.
Não sabemos com certeza o que poderia ter acontecido, mas o fato
é que Pilatos cedeu à pressão, pensando nos próprios interesses.

Como discípulos de Cristo, vamos enfrentar muita pressão para andar


DESAFIO
conforme o mundo, ouvindo o conselho dos ímpios e seguindo nossos
PARA
interesses, como Pilatos. Entretanto, devemos lembrar que Jesus permaneceu
NÓS
firme em Sua missão e propósito até ao final, resistindo às pressões, para a
HOJE
glória de Deus. Como temos lidado com as pressões do dia a dia?

CONCLUSÃO
Pilatos tentou se livrar da culpa pela condenação de Jesus, mas,
como já vimos, o relato bíblico/histórico é suficiente para atestar a
falha dele (At 2.23). “Ele ainda achava que não tinha feito nada a
Jesus, quando era a única pessoa da cidade que poderia condenar
uma pessoa à morte” (Houston). A triste história do governador
romano nos mostra o perigo de enganar-se. Pilatos se posicionou
contra Jesus ao lavar as mãos e entregá-Lo para ser crucificado.
Qual tem sido a sua posição em relação a Jesus? A mensagem da
cruz é escândalo, loucura ou poder de Deus para a salvação?
Não há neutralidade em se tratando do nosso relacionamento com
Deus. A Escritura nos mostra que todo aquele que crê na obra da
cruz será salvo, mas aquele que não crê já está condenado (Jo
3.17). Lavar as mãos é um frágil recurso para a consciência de
muitos, mas a mensagem do evangelho é “arrependam-se-vos e
creiam no evangelho” (Mc 1.15).
VERSÍCULO-CHAVE
“olhando firmemente para o Autor e Consumador da fé, Jesus, o
qual, em troca da alegria que lhe estava proposta, suportou a
cruz, sem se importar com a vergonha, e agora está sentado à
direita do trono de Deus.” Hb 12.2

ALVO DA LIÇÃO
Ao estudar esta lição, você se sentirá motivado a aprender com o
estudo dos acontecimentos e dos personagens que viveram com
Cristo o dia da crucificação.

LEITURA DA SEMANA
SEG: Hb 12.1-3 | TER: Is 52.13-15 | QUA: Is 53.1-12 | QUI: Mt
5.17-20 | SEX: Mc 10.42-45 | SÁB: Lc 19.1-10 | DOM: Jo 20.29-31

A última semana de Jesus traz uma descrição da natureza humana


por meio do comportamento da multidão em Jerusalém. Ao chegar à
cidade, Jesus foi recebido como rei; depois, em menos de uma
semana, foi tratado como desertor e inimigo do povo judeu. A
característica observada é a inconstância.

I. UM ESPETÁCULO ESTRANHO
Jesus, ao chegar próximo de Jerusalém, ordenou a dois discípulos
que pegassem emprestado um jumentinho (Mc 11.1-2), algo
incomum para o Mestre, que fazia sempre tal percurso a pé. No
entanto, aquela ocasião estava reservada para o cumprimento de
uma profecia: “Alegre-se muito, cidade de Sião! Exulte, Jerusalém!
Eis que o seu rei vem a você, justo e vitorioso, humilde e montado
num jumento, um jumentinho, cria de jumenta” (Zc 9.9 NVI). Deus
havia preparado esse momento para mostrar à multidão que Aquele
que ali entrava era sim o Messias tão esperado. O cântico entoado
pela multidão sugere que ela entendeu quem era Aquele
homem: “‘Hosana!’ ‘Bendito é o que vem em nome do Senhor!’
‘Bendito é o Reino vindouro de nosso pai Davi!’ ‘Hosana nas
alturas!’”
(Mc 11.9-10 NVI).

Jesus estava nos “braços da multidão”. Pela cena, parece que o


povo queria declarar Jesus como o novo Rei de Jerusalém.
Contudo, a mesma multidão que estava aclamando Cristo, dentro de
cinco dias, gritaria: “Acaba com ele! Solta-nos Barrabás! ...
Crucifica-o! Crucifica-o!” (Lc 23.18-20 NVI).

II. INCONSTÂNCIA: UMA TENDÊNCIA COMUM NAS PESSOAS


A inconstância vista na multidão de Jerusalém não é algo atípico,
muito pelo contrário, é algo recorrente. Vejamos outros exemplos de
inconstância nas histórias bíblicas.

1. Moisés e a inconstância do povo de Israel


Em menos de seis semanas, os israelitas mudaram de um povo
comprometido com o Senhor para um povo que persuadia Arão a
construir um bezerro de ouro (Êx 32).

2. Josué e a inconstância do povo de Israel na terra prometida


Josué precisou repreender os israelitas porque tinham abandonado
o Senhor para adotarem as práticas pagãs (Js 24).

3. Elias e a inconstância do povo de Israel no período dos reis


Quando o rei Acabe e Jezabel disseram aos israelitas que deveriam
adorar a Baal, eles se submeteram e trocaram o Deus verdadeiro
pelo falso deus de seus líderes (1Rs 18.21).

III. OS ENTUSIASMOS ENGANOSOS


Diversas coisas podem entusiasmar as pessoas: uma promessa de
vitória, um líder carismático, uma ideologia empolgante, uma
filosofia sedutora, uma utopia revolucionária. Entretanto, muitas
dessas fontes de entusiasmo podem ser traiçoeiras, verdadeiros
enganos do diabo (Cl 2.8-9).

1. Entusiasmo com os heróis do passado


Os fariseus alegaram que, se tivessem vivido no passado, não
teriam participado do derramamento de sangue dos profetas (Mt
23.30). No entanto, “dias depois, com a ajuda da multidão
inconstante, colocaram Jesus na cruz” (Houston). Olhar para trás e
dizer que se lá estivesse não faria aquilo é uma das coisas mais
fáceis de ser feita.

2. Entusiasmo para expor o mal


Quando Jesus contou a parábola dos lavradores maus (Lc 20.9-19),
Ele expôs sobre a maldade dos que intentavam matá-Lo. Seus
ouvintes ficaram a Seu lado, contra os escribas e os sacerdotes que
queriam prendê-Lo (v.19). Mas essas mesmas pessoas que O
apoiaram no dia em que Ele expôs o mal, no outro dia, apoiaram os
líderes religiosos que O perseguiam.
DESAFIO
“Saber o que é errado e gostar de ver o mal exposto não são suficientes para
PARA
garantir que nós mesmos não faremos parte do mesmo mal” (Houston). Que
NÓS
desafio para nós!
HOJE

3. Entusiasmo pela revolta violenta


Quando planejaram a prisão e a execução de Jesus, os líderes
religiosos disseram: “Não durante a festa, para que não haja tumulto
entre o povo” (Mt 26.5). Em tumultos, nos tempos bíblicos,
frequentemente o povo pegava em paus e pedras.

Parece claro que a multidão estava disposta a voltar-se contra os


escribas e fariseus se tocassem em Jesus. No entanto, essa
disposição para a violência contra os líderes judeus logo se voltaria
contra Cristo. Ao serem manipulados por pessoas inescrupulosas,
os mesmos revoltados dispostos ao uso da violência mudaram de
alvo, que se tornou Jesus.

4. Entusiasmo por Jesus como Mestre


No decorrer daquela última semana, os evangelistas registraram
que o entusiasmo da multidão por Jesus e Seus ensinamentos era
contínuo e crescente. Vejamos os versículos: Mateus 21.11,46;
22.33; Marcos 11.18; 12.37; Lucas 19.48; 21.38. “O entusiasmo das
pessoas era inegável, porém entusiasmo não é o suficiente”
(Houston). Dias depois, esses entusiastas gritaram: “Crucifique-o!”.

Se tivéssemos vivido na época de Jesus, teríamos ido contra a inconstância


DESAFIO da multidão? Teríamos permanecido contra todos, ao lado de Cristo?
PARA Será que o nosso entusiasmo por Jesus nos impediria de crucificá-Lo no
NÓS século 21?
HOJE Não adianta admirar Jesus ou conhecer Seus ensinamentos, como a multidão
inconstante. Precisamos sim nos comprometer profundamente com Ele.
IV. A INCONSTÂNCIA ALARMANTE NOS DIAS ATUAIS
Entusiasmos enganosos fazem com que pessoas se deixem levar
facilmente por diversos tipos de influenciadores. Precisamos estar
atentos ao que mais influencia as pessoas em nosso tempo.

1. Líderes revolucionários
Percebemos, na história moderna, como líderes revolucionários
conseguiram impor suas ideologias e influenciar multidões com seus
ensinamentos (Ex: Hitler, na Alemanha; Fidel Castro, em Cuba;
Hugo Chávez, na Venezuela).

2. Diversos tipos de mídias


A multidão inconstante também tem sido levada pelas mídias. A
enxurrada de pensamentos e de “verdades” apresentadas na TV e
na internet seduzem as pessoas inconstantes, que não estão bem
firmadas na palavra de Deus. A arte da manipulação de massas faz
inclusive com que homens despreparados sejam colocados em
posições elevadas diante da sociedade.

3. Líderes religiosos midiáticos


Outra massa que tem sido facilmente manobrada são os
“religiosos”. Há hoje um número cada vez maior de igrejas que se
deixa seduzir por líderes religiosos cheios de “modismos” e estilos
alternativos de culto. Usam estratégias de marketing e de
propaganda para conquistar cada vez mais fiéis.
Promovem shows e eventos fantásticos para empolgar os incautos e
aumentar o número de seguidores.

“Um pouco de entusiasmo não é suficiente para promover a estabilidade.”


DESAFIO
(Houston). Facilmente a multidão que exaltava a Jesus acabou convencida
PARA
por líderes manipuladores de massa. Tenha cuidado com o que vê na mídia,
NÓS
com líderes revolucionários e com pregadores que manipulam. Coloque tudo à
HOJE
prova da palavra de Deus!
V. O COMPROMETIMENTO QUE TRAZ ESTABILIDADE
Jesus tocava na ferida de Seus ouvintes. Ele os via como “ovelhas
que não têm pastor” (Mt 9.36), ou seja, como pessoas sem líder,
sendo facilmente manipuláveis, tanto para o bem como para o mal.
Jesus os advertiu a respeito. Afinal, quando surgem líderes
sagazes, aptos para manipular com astúcia, não é necessário muito
tempo para que multidões os sigam.

Jesus ofereceu-lhes uma liderança de verdade, um líder disposto


não somente a ensinar, instruir, guiar, mas também a morrer por
eles. As pessoas eram inconstantes e não sabiam a quem seguir.
Cristo Se ofereceu como Mestre, para ser o Bom Pastor, que dá a
vida pelas ovelhas (Jo 10.11). “Ele sofreu as consequências de
nossa inconstância. Ele carregou, no Calvário, nossos pecados em
seu corpo... As pessoas eram inconstantes, e seu crime era
hediondo, porém a graça de Deus estava agindo através da própria
inconstância delas” (Houston).

Apesar da inconstância do povo, Deus agiu para expiar, pela morte


de Seu Filho, os pecados deles e de todas as pessoas que O
crucificaram desde então.

DESAFIO Você já é ovelha desse Bom Pastor? Se sim, você então está profundamente
PARA comprometido com Ele, como Ele ordena em Mateus 10.37-39? Ou será que
NÓS você ainda faz parte da multidão que pode ser manipulada a qualquer
HOJE momento?

CONCLUSÃO
“A multidão inconstante o crucifica de novo no século vinte e um,
mas não precisa ser assim. O Cristo ressurreto oferece a si mesmo
como Pastor para os sem pastor, oferece fidelidade para os
instáveis, e o poder de transformar a multidão inconstante em
homens e mulheres completamente comprometidos com Ele.”
(Houston)
VERSÍCULO-CHAVE
“olhando firmemente para o Autor e Consumador da fé, Jesus, o
qual, em troca da alegria que lhe estava proposta, suportou a
cruz, sem se importar com a vergonha, e agora está sentado à
direita do trono de Deus.” Hb 12.2

ALVO DA LIÇÃO
Ao estudar esta lição, você se sentirá motivado a aprender com o
estudo dos acontecimentos e dos personagens que viveram com
Cristo o dia da crucificação.

LEITURA DA SEMANA
SEG: Hb 12.1-3 | TER: Is 52.13-15 | QUA: Is 53.1-12 | QUI: Mt
5.17-20 | SEX: Mc 10.42-45 | SÁB: Lc 19.1-10 | DOM: Jo 20.29-31
Às vezes, somos pegos de surpresa por alguma situação que não
compreendemos num primeiro momento, surpresa que nem sempre
julgamos agradável. Há algumas situações que podem nos deixar
realmente confusos e tentar tirar o nosso foco da soberania de
Deus. Como discípulos de Cristo, enfrentamos muita pressão para
andar conforme o mundo, ouvindo o conselho dos ímpios e
seguindo nossos próprios interesses.

DESAFIO
PARA Fique atento e não permita que as situações do dia a dia distraiam você do
NÓS que Deus lhe tem preparado.
HOJE

I. QUEM ERA SIMÃO?


A história da crucificação está chegando ao âmago. Marcos
descreve a caminhada – da casa do governador ao local da
execução de Jesus na cruz – e nos apresenta um personagem
totalmente desconhecido até então: Simão, que foi convocado a
levar a cruz de Jesus. A Bíblia revela pouquíssimo, quase nada, a
respeito dele. O que se diz sobre Simão, nos três evangelhos, é
praticamente o mesmo, e fica restrito a um único versículo (Mc
15.21; Mt 27.32; Lc 23.26).

Parece que esse Simão, na época, não era conhecido do grupo de


cristãos. Ele viera de Cirene, uma cidade da África do Norte, região
que hoje conhecemos como Líbia, onde havia uma colônia judaica.
Os judeus que viviam em outras regiões nunca viam a terra onde
moravam como seu verdadeiro lar. Os que saíram (por motivos
diversos) tinham saudades e respeito enorme por Israel.
Provavelmente Simão era um desses. Podemos imaginar que, se
ele cresceu numa família fiel a Deus, desde pequeno ouviu as
histórias da fé de Abraão, da forte liderança de Moisés, da coragem
de Josué; cantou salmos de Davi. Nesse caso, ele deveria estar
ansioso pelo momento de visitar Jerusalém, e participar da festa da
Páscoa, e alimentar sua fé nos altares do templo.

Os evangelistas comentam que ele chegava do campo no momento


em que Jesus caminhava para o Calvário. Não sabemos o que ele
fazia no campo, mas como muitos peregrinos superlotavam a cidade
de Jerusalém na época da Páscoa, é possível que Simão tenha
procurado hospedagem nos arredores, e caminhava do campo para
a cidade (cf. Houston). Provavelmente, vendo a confusão que se
passava pelo caminho, aproximou-se para ver melhor o que estava
acontecendo.

II. O QUE ACONTECEU?


Pouco depois que Jesus havia celebrado a Páscoa com Seus
discípulos, deu-se início ao Seu martírio. Nas horas que se
seguiram, Ele foi traído por um de Seus discípulos, foi acusado por
testemunhas falsas, enfrentou um julgamento ilegítimo, ouviu
ofensas de juízes hostis e o escárnio de soldados cruéis. Que noite
terrível para nosso Mestre! Ele permaneceu amarrado durante as
longas horas do Seu julgamento, levado de um canto a outro da
cidade, enquanto Pilatos não se decidia. Por fim, foi duramente
açoitado pelos soldados romanos, famosos por sua crueldade,
violência e barbárie. Com o corpo profundamente ferido pelos
açoites, ensanguentado e exausto, Cristo ainda tinha que carregar a
cruz até o monte da Caveira (Lc 23.1-12; Mc 15.15; Mt 27.26; Jo
19.1).

Jesus, já cansado e enfraquecido por causa de tudo o que Lhe


havia acontecido, não estava suportando carregar a cruz por todo o
percurso. Os soldados procuraram alguém que pudesse substituir a
Jesus no carregamento, porque obviamente eles não moveriam um
dedo para ajudar um condenado, também não ousariam colocar as
mãos num sacerdote ou sugerir tamanho insulto a um cidadão
romano.
Naquele momento, avistaram um estrangeiro que vinha se
achegando entre a multidão. Esse peregrino, Simão de Cirene, foi
forçado a carregar a pesada cruz e escoltado até o local da caveira,
sendo acompanhado por Jesus.

O homem por nome Simão recebeu a grande honra de ser a única


pessoa que, de alguma forma, compartilhou com Jesus parte da dor
e da vergonha da cruz. Em todo o tempo, Jesus encarou a missão
de salvar as pessoas sozinho e, de fato, o fez; mas nesse momento
teve auxílio na humilhante exposição e sofrimento que o ritual Lhe
causava.

Sozinho, no jardim das Oliveiras, Jesus chamou a atenção dos


discípulos que não permaneceram junto com Ele em oração, nem
ao menos por uma hora. No decorrer dos Seus julgamentos, Ele
permaneceu calado e solitário. Enfrentou sozinho o escárnio dos
soldados. Apenas por parte do caminho, Ele recebeu o auxílio desse
homem de Cirene, chamado Simão.

Três dos evangelhos destacam esse feito (Mt 27.32; Mc 15.21; Lc


23.26). Simão ficou conhecido na história como a única pessoa que,
de alguma forma, sentiu o peso físico da cruz de Jesus e pôde sentir
parte de Sua dor. De forma literal, Simão se colocou no lugar do
outro e pôde entender um pouco do que Jesus estava passando –
os olhares de repúdio, as possíveis risadas dos incrédulos, a
chacota dos audaciosos, toda aquela humilhação pública.

Já pensou, ser pego de surpresa para enfrentar as dores e humilhações de


DESAFIO
outra pessoa? Não parece nada justo! Mas, quem diria, essa seria a maior
PARA
honra e o maior privilégio que Simão experimentou na vida. Já pensou que
NÓS
muitas das injustiças que você sofre podem ser transformadas por Deus em
HOJE
bênçãos, aprendizado, crescimento e até salvação?

III. VOCÊ ESTÁ PREPARADO?


Simão nos ensina que precisamos estar sempre preparados. A cruz
chegou até ele de forma repentina, assim como chega para nós ao
longo da nossa jornada. Ao vir do campo, os soldados o pegaram e
o obrigaram a carregar a cruz de Jesus. Mesmo pego de surpresa,
ele tomou sobre si aquela cruz e fez o que tinha de ser feito.

As cruzes que devemos carregar vêm a nós repentina e


inesperadamente. Aceitá-las é a opção correta diante do que as
Escrituras nos ensinam, independente do nosso estado naquele
determinado momento. Quando o “teste” vem, podemos reagir de
várias maneiras: de forma negativa, evitando a cruz; de maneira
leviana, nem a reconhecendo como cruz; de forma positiva,
carregando a cruz, ao lado de Cristo, até o seu destino.

A probabilidade de se evitar carregar a cruz é grande, mas Jesus


garantiu que aquele que quer ser Seu discípulo e deseja segui-Lo
não se livrará de carregar a sua cruz (Mc 8.34). Quem quiser salvar
a sua vida tem que estar disposto a perdê-la por Cristo; e quem
perder a vida por causa de Cristo e do evangelho vai ser salvo (Mc
8.35).

Inicialmente Simão foi obrigado a carregar a cruz, mas em


contrapartida, Jesus a carregou voluntariamente por amor a nós, e
espera que façamos o mesmo por Ele em resposta a esse amor.

DESAFIO Você está pronto a carregar a cruz que surgir em sua vida, caminhando ao
PARA lado de Cristo?
NÓS Está disposto a entregar a própria vida por Cristo, como Ele se entregou por
HOJE nós?

CONCLUSÃO
Todos os que cruzaram o caminho de Jesus para honrá-Lo tiveram
alguma recompensa. Jesus foi convidado para um casamento e
transformou a água em vinho; um lar humilde lhe ofereceu
hospedagem num sábado, e Ele tirou a febre da hospedeira; uma
mulher de Samaria lhe deu um pouco de água, e Ele lhe deu a Água
da Vida.

Assim também, imaginamos que o mesmo aconteceu com Simão.


Possivelmente, após a experiência que teve com Cristo, encontrou a
salvação. Marcos menciona o nome dos filhos de Simão: Alexandre
e Rufo. “Quando se cita o nome das pessoas nos evangelhos,
geralmente é porque eles eram conhecidos da igreja primitiva”
(Houston). Um certo Rufo e sua mãe são mencionados por Paulo
como pessoas queridas dele (Rm 16.13) — é possível que seja o
mesmo Rufo, filho de Simão. Certamente uma das maiores
recompensas que um pai pode ter é ver seus filhos ao pé da cruz de
Cristo, sendo ativos cooperadores da expansão do Reino.

“Os soldados romanos forçaram Simão a carregar a cruz de Jesus,


mas Jesus não nos força a carregar a nossa. Ele carregou a cruz
voluntariamente, e espera que nós façamos o mesmo por amor a
Ele e em resposta ao Seu amor por nós.” (Houston).
VERSÍCULO-CHAVE
“olhando firmemente para o Autor e Consumador da fé, Jesus, o
qual, em troca da alegria que lhe estava proposta, suportou a
cruz, sem se importar com a vergonha, e agora está sentado à
direita do trono de Deus.” Hb 12.2

ALVO DA LIÇÃO
Ao estudar esta lição, você se sentirá motivado a aprender com o
estudo dos acontecimentos e dos personagens que viveram com
Cristo o dia da crucificação.

LEITURA DA SEMANA
SEG: Hb 12.1-3 | TER: Is 52.13-15 | QUA: Is 53.1-12 | QUI: Mt
5.17-20 | SEX: Mc 10.42-45 | SÁB: Lc 19.1-10 | DOM: Jo 20.29-31
Se lermos a palavra de Deus de modo rápido, talvez deixemos
passar despercebido e não meditaremos como deveríamos num
texto que nos dá detalhes do dia mais sombrio vivido na terra.

Esse texto nos dá pistas do cenário que poderia ser observado por
todos naquela tarde de sexta-feira. Pensamos quão terrível foi a
traição de Judas, a indiferença de Pilatos, a fúria dos sacerdotes,
mas nem sempre refletimos quão brutas foram as ações daqueles
soldados romanos – as torturas terríveis, a pregação de corpos
vivos na madeira, enquanto estes eram erguidos seminus, com a
pele rasgada, inchada pelos golpes, sangrando pelos cortes,
esperando a hora da morte, enquanto os soldados sorteavam seus
pertences.

A cena é forte e nos faz refletir, já que os quatro evangelistas a


retratam e apontam para o cumprimento da profecia messiânica do
Salmo 22.18.

I. A INSENSIBILIDADE NO MOMENTO DO LUCRO


Aqueles soldados não foram insensíveis por dividir os pertences
deixados, até porque, de acordo com o costume romano, o carrasco
podia ficar com os pertences do prisioneiro. Contudo, o modo como
dividiram reflete a frieza do ser humano quando possíveis ganhos
estão em jogo. Leia o relato de João 19.23-24.

Nos tempos de Jesus, “a roupa de um judeu era constituída de um


gorro, calçados, uma roupa de baixo ou cinta de linho, uma capa ou
túnica que ia até abaixo dos joelhos, e um manto que ia por cima
disso tudo... A maioria das túnicas era feita de partes costuradas,
mas as mais valiosas eram feitas de lã em uma peça única. Era uma
dessas túnicas sem costura que Jesus estava usando...” (Houston).
Depois de os soldados terem dividido todas as outras peças de
roupas que Jesus usava, decidiram não cortar a túnica. Eles
lançaram sorte para decidir quem ficaria com ela, já que era uma
boa peça.
Os soldados estavam em pleno direito. Então, não deram atenção
para mais nada a não ser para o sorteio. Apenas com uma olhadela
ou outra verificavam se com os prisioneiros tudo ocorria como devia.

Nada levamos desta vida para a outra. Aqueles soldados poderiam


ter esperado a consumação da morte de Cristo para repartirem
Suas vestes de modo mais ordeiro, menos vulgar e não tão
explícito, na frente da mãe de Jesus e de Seu amigo.

Quantas são as histórias que nos rodeiam, sejam de familiares,


amigos ou conhecidos (mesmo cristãos) que mal esperam “o corpo
esfriar” para se lançarem em cima dos bens deixados pelo falecido!
Será que tais ações não se assemelham ao que os soldados
fizeram?
Em muitos casos, as dificuldades de relacionamento, as contendas,
o rancor, a decepção, formam a real herança do que foi deixado por
quem não está mais aqui.

DESAFIO Que Deus nos conduza quando e se passarmos por uma situação como essa!
PARA Quando formos agraciados com algum tipo de lucro, que saibamos agir com
NÓS sensibilidade e graça. Que nos importemos com os demais envolvidos e
HOJE jamais sejamos dominados por sórdida ganância!

II. QUANDO O LUCRO VEM DA DOR ALHEIA


O Império Romano aplicava a crucificação para os inimigos e para
as condenações mais terríveis, tamanha a crueldade. Justamente
por isso era inaceitável que um cidadão romano passasse por tal
sofrimento.

Quando o poder de Roma foi instaurado, a morte por crucificação foi


adotada como método de pena de morte. Contudo, “o Talmude nos
diz que os judeus tomaram providências para diminuir o sofrimento
das vítimas. A lei judaica determinava... que o homem condenado
recebesse um entorpecente, feito de incenso ou mirra dissolvido em
vinho ou vinagre, para aliviar a dor. Essa foi a esponja embebida em
vinagre oferecida a Jesus, mas recusada por Ele (Mc 15.36)”
(Houston).

Apesar do sangue, dos pregos rasgando a carne, da fome, da sede,


da falta de ar, da dor intensa que perdurava por horas enquanto a
morte chegava lentamente... aqueles homens não viam a Cristo
como o Filho de Deus, mas como um malfeitor semelhante a tantos
outros condenados à morte. Os gemidos e gritos de dor ao lado
deles não foram suficientes para que deixassem de pensar no lucro
que teriam, mesmo diante do sofrimento agonizante de um ser
humano.

A mesma insensibilidade, frieza e egocentrismo daqueles soldados


ecoam através dos séculos, como no lucro ganho pela exploração
do trabalho escravo e do trabalho infantil sob condições desumanas;
no dinheiro ganho pelo tráfico sexual e pelo tráfico de drogas; nos
maus tratos de certos patrões cruéis que torturam os empregados
em fazendas ou mesmo em casas de família. Ainda há pessoas no
mundo que agem como aqueles soldados: não se importam de
lucrar com o sofrimento alheio. Veem mulheres e crianças sendo
abusadas sexualmente como fonte de lucro, e não escutam seus
gemidos de desespero e dor. Trancafiam pessoas em porões,
fazendas ou galpões e as obrigam a trabalhar sem nenhum salário,
e não lhes concedem sequer o direito de ir e vir. Não cumprem os
acordos feitos com os trabalhadores, recusando a pagar o salário
combinado, maltratando-os e fazendo ameaças à vida e à família
deles (Tg 5.4-6).

Houston chega a mencionar a respeito de uma igreja que estava


recebendo aluguéis de propriedades destinadas à prostituição!
Precisamos estar atentos com a origem e as fontes de nossa renda.
Não podemos compactuar com quaisquer costumes ou práticas de
lucro que promovam a crueldade ou os maus tratos de pessoas.
DESAFIO E nós? Como temos lidado com nossas finanças? Como conseguimos nossa
PARA renda? Será que temos lucrado com a dor e o sofrimento do outro, como
NÓS aqueles soldados que sortearam as roupas de Jesus?
HOJE

III. O DESPERDÍCIO DO QUE REALMENTE TEM VALOR


“Enquanto os soldados romanos se ocupavam dos bens do
crucificado, não prestaram atenção na cruz” (Houston). Tomaram
para si as vestes de Jesus, mas de Sua Pessoa não aproveitaram
nada. Ficaram satisfeitos com os bens materiais que ganharam e
ignoraram os bens espirituais que Cristo estava graciosamente
oferecendo a todos.

Existem ainda hoje muitos que se aproveitam de tudo o que a igreja


pode lhes oferecer, sejam eventos, apoio emocional, amizades,
influência social, boa fama, ou até poder. Muitos caíram na
armadilha de viver uma religiosidade dominada e conduzida pelos
valores do mundo pós-moderno que nada têm a ver com o
cristianismo puro e simples. Quantos se satisfazem em frequentar a
igreja uma vez por semana e pedir que Deus continue concedendo-
lhes prosperidade financeira, saúde e estabilidade familiar.

DESAFIO Cristo quer algo diferente para a nossa vida. Não quer que percamos o foco
PARA do que realmente importa — vida piedosa e intimidade relacional com Ele.
NÓS Você está mais interessado nas bênçãos materiais ou nas bênçãos espirituais
HOJE que Cristo pode lhe dar?

CONCLUSÃO
Não sejamos como os soldados ao redor da cruz, insensíveis ao
sofrimento alheio e interessados apenas em prosperidade e bens
materiais.
Podemos conhecer de verdade o Cristo da cruz, que Se entregou
para nos salvar e nos capacitar a andar em novidade de vida.
Nenhum bem material vale mais do que a salvação e a vida eterna
(Mt 6.19-21). Mantenhamos nosso foco no que realmente importa: a
salvação e o senhorio de Cristo em nossa vida. Afinal, se
buscarmos o reino de Deus em primeiro lugar, tudo o que
necessitarmos será acrescentado dia a dia, pelo Senhor (Mt 6.31-
33).
VERSÍCULO-CHAVE
“olhando firmemente para o Autor e Consumador da fé, Jesus, o
qual, em troca da alegria que lhe estava proposta, suportou a
cruz, sem se importar com a vergonha, e agora está sentado à
direita do trono de Deus.” Hb 12.2

ALVO DA LIÇÃO
Ao estudar esta lição, você se sentirá motivado a aprender com o
estudo dos acontecimentos e dos personagens que viveram com
Cristo o dia da crucificação.

LEITURA DA SEMANA
SEG: Hb 12.1-3 | TER: Is 52.13-15 | QUA: Is 53.1-12 | QUI: Mt
5.17-20 | SEX: Mc 10.42-45 | SÁB: Lc 19.1-10 | DOM: Jo 20.29-31
Em Mateus 27.45, lemos “A partir do meio-dia, houve trevas sobre
toda a terra até as três horas da tarde”. Imagine o cenário de horror!
Três cruzes, soldados, multidão gritando e... trevas... terrível,
assustador – e nenhum temor a Deus! A impressão é que Satanás
está no controle da cena macabra (afinal, Gólgota é o morro da
Caveira).

Não é parecido com os dias atuais? Confusão, violência, roubos,


injustiça, corrupção... a lista de desgraças não tem fim. Não vemos
nenhuma solução, nenhuma luz... parece que as trevas reinam...
será?

Os discípulos, aterrorizados e sem saber o que pensar, fugiram e se


esconderam. Confusos perguntavam-se: “e agora? O que será de
nós? O sonho acabou... a corrupção política venceu...” As
maravilhosas promessas de Jesus lhes pareciam ilusões.

DESAFIO
PARA Acreditamos que a luz de Jesus vence as trevas? (Cl 1.13; Jo 1.5). Como
NÓS essa verdade faz diferença em nosso cotidiano?
HOJE

I. JESUS ENTRE DOIS LADRÕES


Marcos assim descreve este trecho do maior acontecimento da
História: “Eram nove horas da manhã... Com ele crucificaram dois
ladrões, um à sua direita e outro à sua esquerda. E cumpriu-se a
Escritura que diz: Com os malfeitores foi contado” (Mc 15.25,27-28
citando Is 53.12).

Por que Jesus escolheu sofrer esse cúmulo de humilhação (Rm


5.6)? Porque Ele ama o pecador (Ef 2.1; Cl 1.21-22). Roubar é
pecado, está bem claro no oitavo mandamento: “Não furte” (Dt
5.19). A corrupção rouba milhões e destrói a nação! E todo o povo
grita: “Põe na cadeia! Que morra na cadeia!” E as cadeias estão
superlotadas de ladrões.

Jesus oferece outra solução – radical – o perdão e o novo


nascimento como filho de Deus (Rm 6.23; Ef 4.28). As cadeias
seriam esvaziadas, e as igrejas ficariam cheias! É nossa obrigação
contar essas incríveis “boas-novas” de perdão e restauração.

II. O LADRÃO ARREPENDIDO


O evangelista Lucas narra a cena: “Um dos malfeitores crucificados
blasfemava contra Jesus, dizendo: Você não é o Cristo? Salve a si
mesmo e a nós também. Porém o outro malfeitor o repreendeu,
dizendo: Você nem ao menos teme a Deus, estando sob igual
sentença? A nossa punição é justa, porque estamos recebendo o
castigo que os nossos atos merecem; mas este não fez mal
nenhum. E acrescentou: Jesus, lembre-se de mim quando você vier
no seu Reino. Jesus lhe respondeu: Em verdade lhe digo que hoje
você estará comigo no paraíso.” (Lc 23.39-43).

Vamos meditar nas palavras do ladrão que não blasfemou e imitá-lo


em seu arrependimento.

1. Não deu ouvidos à multidão que zombava nem ao companheiro


de roubos que blasfemava
(Lc 23.40)
Ele o confrontou com firmeza: “Você nem ao menos teme a
Deus...?”. O livro de Provérbios repete seu tema inúmeras vezes: “O
temor do Senhor é o princípio do saber” (Pv 1.7). O ladrão
reconheceu que desobedecera a Deus e que isso merece punição,
pois “o salário do pecado é a morte” (Rm 6.23). Deus nos adverte
enfaticamente: “de Deus não se zomba. Pois aquilo que a pessoa
semear, isso também colherá”(Gl 6.7).

2. Reconheceu a justa punição pelo seu pecado


(Lc 23.41)
O rei Davi só foi perdoado depois que reconheceu seu erro e se
arrependeu (Sl 51), o mesmo aconteceu com esse ladrão. O
apóstolo João, em sua primeira carta, ensina sobre confessar o
pecado como condição para ser perdoado (1Jo 1.6-10).

3. Reconheceu publicamente que Jesus era “o Justo”, “o Cristo” e “o


Rei” de um reino espiritual
(Lc 23.41-42)
Paulo ensina: “Se com a boca você confessar Jesus como Senhor...
Porque: ‘Todo aquele que invocar o nome do Senhor será
salvo’” (Rm 10.9,13).

4. A fé desse pecador arrependido é verdadeira


(Lc 23.40-42)
Conforme Houston, “Era agonizante para alguém que estava sendo
crucificado conseguir juntar ar para falar. Esse homem... aguentou o
suficiente para pronunciar algumas frases”!

E nós, quanta fé demonstramos quando estamos sofrendo? Vemos pela fé o


DESAFIO
que os outros não veem? Reconhecemos Jesus como Salvador e Senhor de
PARA
nossa vida? Suspiramos pelo Seu reino eterno?
NÓS
Conforme Houston, o ladrão “estava vivendo na luz da misericórdia e da graça
HOJE
de Deus”, em meio ao sofrimento extremo e à escuridão.

III. SEGURANÇA EM JESUS


Jesus, como “o Cristo”, que em grego significa o mesmo que “o
Messias” em hebraico, sendo o Salvador e o Filho de Deus (Mt
16.16), tem o poder de perdoar pecados (Mt 9.5-6) e de levar ao céu
quem O aceita e reconhece. Ele fez uma promessa maravilhosa ao
ladrão agonizante, bem como a todos os filhos adotivos de
Deus: “hoje você estará comigo no paraíso” (Lc 23.43).

Não é maravilhoso? Extraordinário? Ao morrermos em Cristo,


somos por Ele recebidos na glória (At 7.55). Somos salvos
unicamente pela graça, pelos méritos do sacrifício de Jesus.
Precisamos agradecer mil vezes tão grande salvação e sair
contando a todos que a morte não é o fim, mas o princípio da
eternidade.

Vamos ter fé no sacrifício de Cristo, que nos dá segurança da vida


eterna (Jo 6.47), e orar pela conversão de parentes e amigos,
mesmo que seja na hora da morte.

IV. O LADRÃO PECADOR PERSISTENTE


Você conhece pessoas que pensam como esse ladrão?
• Eu roubo, sim, mas pouco e só dos ricos... diante dos romanos
(políticos) corruptos, que roubam nos impostos e lucram com
obras que deveriam ser para o povo. Eles sim é que são ladrões!
• Eu roubo, porque preciso. Afinal, eu e minha família temos “direito”
a ter tudo o que os patrões exploradores têm.
• Eu roubo, porque não sou bobo. Se todo mundo “leva vantagem”,
por que eu não vou aproveitar também?
• Deus, se é que existe, tem coisas maiores para cuidar. Por
exemplo: assassinos monstruosos, refugiados de guerra... não vai
se importar com um injustiçado como eu.
• Deus é amor. Ele entende minhas necessidades. Sou apenas mais
um “cleptomaníaco”. O inferno não existe.

Conforme Tom Houston, o pecador persistente é raivoso, tem raiva


de Deus, dos pais, da sociedade, culpa os outros pelos seus erros e
gosta de insultar – como o ladrão fez com Jesus. São pessoas
egocêntricas, só pensam em si e exigem como o ladrão na
cruz: “salve a si mesmo e a nós também” (Lc 23.39). Como não
reconhecem seus erros, se fossem libertados, persistiriam no
pecado.

Racionalizam e justificam seus erros:


• bebo porque foram cruéis comigo...
• me drogo porque a família é injusta...
• roubo da empresa porque o patrão paga pouco...
• xingo e brigo porque me provocam...
• sou adúltero porque “ninguém é de ferro”...

DESAFIO
E você, como justifica seu pecado? A culpa é das circunstâncias? Dos outros?
PARA
Do sistema? É importante meditar no que Paulo ensina em Romanos 6.1-
NÓS
2,15-16.
HOJE

APLICAÇÃO FINAL
Há uma cruz entre a terra e o céu. O sangue do Justo escorre para
lavar o pecado do injusto. A morte de Jesus abriu a porta do céu ao
pecador arrependido. Cristo ofereceu-Se para morrer em meu lugar:
era eu quem deveria estar na cruz.

1. O que faço perante a cruz?


• Ignoro? Estou ocupado cuidando desta vida.
• Zombo? Não pedi que Ele fizesse o sacrifício.
• Jogo a culpa nos judeus? Afinal, eles é que pediram.
• A culpa foi dos romanos? Eles é que O crucificaram, no passado.

2. A cruz exige de mim uma atitude!


Arrepender-me, confessar, quebrantar-me, pedir humildemente
perdão, agradecer por tanto amor, viver grato pela graça imerecida e
contar aos outros o sacrifício de amor que me dá a paz e a vida
eterna no céu (Is 53.5; Rm 5.1).
O mundo jaz nas trevas do pecado. Deus apresenta ao mundo Sua
resposta ao pecado: a cruz de Cristo. Sobre a reação de cada um à
cruz, Deus Pai pergunta:

• Você aceita a oferta de amor e perdão de Meu Filho? Você se


arrepende e pede que seus pecados sejam lavados pelo sangue
de Jesus? (Jo 3.16; Ap 22.14)
• Você rejeita Meu Filho amado? (Jo 3.18-19,36)
De sua resposta depende onde você passará a eternidade!
VERSÍCULO-CHAVE
“olhando firmemente para o Autor e Consumador da fé, Jesus, o
qual, em troca da alegria que lhe estava proposta, suportou a
cruz, sem se importar com a vergonha, e agora está sentado à
direita do trono de Deus.” Hb 12.2

ALVO DA LIÇÃO
Ao estudar esta lição, você se sentirá motivado a aprender com o
estudo dos acontecimentos e dos personagens que viveram com
Cristo o dia da crucificação.

LEITURA DA SEMANA
SEG: Hb 12.1-3 | TER: Is 52.13-15 | QUA: Is 53.1-12 | QUI: Mt
5.17-20 | SEX: Mc 10.42-45 | SÁB: Lc 19.1-10 | DOM: Jo 20.29-31
A Bíblia nos conta a respeito de mulheres da região da Galileia, de
onde era a família de Jesus, que O seguiam e assistiam ao Senhor.
Mulheres, que no mais terrível dia da vida delas, estavam presentes
e prontas a servir Jesus.

I. AS MULHERES QUE SERVIAM JESUS


(Lc 8.1-3)
Leon Morris, em seu comentário sobre Lucas, diz que “um aspecto
característico deste Evangelho é o modo segundo o qual o amor de
Deus é retratado como estando ativo de várias maneiras, entre uma
variedade de pessoas”. Isso é confirmado no fato de Lucas ser o
único dos evangelhos que cita as mulheres galileias que seguiam e
serviam Jesus.

De fato, notamos que uma grande característica de Lucas foi seus


“retratos” de mulheres.

Veja o retrato de Isabel e da virgem Maria (Lc 1 e 2), de Ana (Lc 2),
de Marta e Maria (Lc 10), de mulheres que foram curadas de
enfermidades. O Senhor transformou a vida dessas mulheres. Há
retratos gráficos da viúva de Naim (Lc 7.11-17) e da
mulher “possuída de um espírito de enfermidade, havia já dezoito
anos; ela andava encurvada, sem poder se endireitar de modo
nenhum” (Lc 13.11). O amor de Deus as alcançou de maneira
maravilhosa. Algumas foram libertas de demônios, uma em especial
– Maria Madalena (sobrenome referente a um lugar, Magdala “a
torre”) fora liberta de sete demônios (Lc 8.2); é provável que seja por
isso que seu nome é o primeiro da lista referente às mulheres
galileias, em todas as passagens que elas são mencionadas.
Fazendo assim, eco ao que Jesus ensinara no capítulo anterior –
aquele a quem muito é perdoado, muito ama (Lc 7.36-50). Essas
mulheres amavam Jesus e demonstravam esse amor por meio de
fidelidade, até mesmo com os seus bens, pois Lucas diz que “as
quais, com os seus bens, ajudavam Jesus e os seus discípulos” (Lc
8.2-3).

O amor de Deus nos alcançou da mesma forma que alcançou essas


DESAFIO
mulheres; Jesus transformou a nossa vida. Por isso, com o coração grato,
PARA
devemos devotar a Ele tudo o que temos e somos, inclusive as nossas
NÓS
finanças devem estar à disposição do Senhor em Sua obra, conforme o
HOJE
exemplo das nossas irmãs.

II. AS MULHERES QUE VIRAM JESUS MORRER


(Mt 27.55-56; Mc 15.40-41)
No dia da crucificação, essas mulheres que amavam a Jesus
estavam presentes. Não foram como as mulheres de Jerusalém que
batiam no peito e lamentavam (Lc 23.27-51). Mas é dito que elas
olhavam tudo o que se passava. “Os evangelhos nos dizem quem
eram essas mulheres. Maria Madalena encabeça as três listas.
Existe uma segunda Maria, chamada de mãe de Tiago, o mais
jovem, e de José. João a chama de mulher de Clopas, um dos
viajantes no caminho de Emaús (Jo 19.25; Lc 24.28). A terceira
mulher mencionada é chamada de a mãe dos filhos de Zebedeu por
Mateus, Salomé, por Marcos, e irmã da mãe de Jesus, por João.
Isso faz de Salomé tia de Jesus, e mãe dos apóstolos Tiago e João,
que eram, portanto, primos em primeiro grau de Jesus [...]. Todos os
evangelhos indicam que, além dessas nomeadas, havia outras
mulheres presentes” (Houston).

Aquele era um ambiente hostil para os seguidores de Jesus. Ele


havia sido traído por um discípulo, negado por outro, e os que
sobraram tinham fugido. A multidão blasfemava contra Jesus,
cuspia em Sua face, estava enfurecida. Era perigoso para qualquer
pessoa ser associada a Ele. Entretanto, mesmo em meio a esse
caos, aquelas mulheres não abandonaram seu Senhor. Elas
nada podiam fazer por Ele, mas permaneceram fiéis. Isso é tão
importante que é citado nos quatro evangelhos.
DESAFIO Nenhuma circunstância era favorável, tudo indicava que o caminho era voltar
PARA para casa, mas aquelas mulheres permaneceram, foram corajosas até o fim.
NÓS Será que temos sido como elas: perseverando em meio a oposições,
HOJE testemunhando o nome de Jesus com coragem?

III. AS MULHERES QUE PRESENCIARAM A MORTE E O


SEPULTAMENTO
“... inclusive as mulheres que o haviam seguido desde a Galileia,
ficaram de longe, observando essas coisas” (Lc 23.49 NVI). Essas
mulheres mostravam mais coragem do que os homens. Na hora da
crucificação, elas estavam lá, vendo tudo! Os evangelhos nos dizem
que as mulheres foram as últimas a irem embora no dia da
crucificação. Elas viram tudo, até o túmulo de Jesus e foram servir
mais uma vez ao seu Senhor preparando os aromas e bálsamos.
Não terminaram o serviço, pois o sábado iria começar (Mt 27.61; Mc
15.47; Lc 23.55).

IV. AS MULHERES QUE RECEBERAM A GRANDE NOTÍCIA


No primeiro dia da semana – domingo, pela madrugada, as
mulheres já se dirigiam ao sepulcro, quando viram que o corpo de
Jesus não estava lá. Elas foram as primeiras a ouvir a boa notícia
de que Jesus estava vivo e foram incumbidas de anunciar aos
discípulos (Mt 28.1-11; Mc 16.1-11; Lc 24.1-10). Maria Madalena foi
a primeira a ver Jesus. João relata esse momento dizendo que ela
estava chorando no túmulo e ouviu Jesus perguntar por que ela
chorava; os olhos dela se abriram quando Ele chamou o seu nome
(Jo 20.1-18).

Que honra essas mulheres tiveram por ser as primeiras a


contemplar o Cristo ressurreto, a esperança das nações, o Rei que
venceu a morte! Houston comenta: “Elas foram recompensadas pela
sua fidelidade em atividades práticas... Mesmo que isso significasse
preparar especiarias entre olhos marejados, e andar até o túmulo de
mãos cheias, mas corações pesados, elas estavam lá, e ninguém
poderia tê-las impedido.” O Senhor Jesus Cristo honrou o amor, o
serviço e a fidelidade dessas mulheres ao Se revelar a elas
primeiramente.

Nenhum trabalho no Senhor é vão (1Co 15.58). O Senhor é aquele que vê os


invisíveis. Ele vê as pessoas que amam o Seu nome e trabalham para Sua
DESAFIO glória. Seja no dia a dia, no trato com as pessoas, no serviço correto e
PARA honesto, nos ministérios da igreja, na anunciação do Evangelho, na limpeza
NÓS do salão da reunião, no cuidado com o lar, na educação dos filhos. Aquilo que
HOJE é feito para o Senhor, Ele vê e recompensa.
Por isso façamos com firmeza e constância “sempre abundantes na obra do
Senhor, sabendo que, no Senhor, o trabalho de vocês não é vão” (1Co 15.58).

CONCLUSÃO
As mulheres não foram insignificantes no ministério de Jesus.
Diferente da forma como eram tratadas naquele tempo, em que nem
ao menos eram contadas (Mt 14.21), as mulheres foram honradas
pelo Senhor, e o nome delas está registrado nos evangelhos. Elas
foram as primeiras a obedecer ao “ide e anunciai”.

Isso nos ensina que ninguém fica de fora no trabalho ao Senhor.


Todos nós, do menor ao maior, homem ou mulher, devemos ser fiéis
a Jesus. Todos somos “geração eleita, sacerdócio real, nação santa,
povo de propriedade exclusiva de Deus, a fim de proclamar as
virtudes daquele que os chamou das trevas para a sua maravilhosa
luz” (1Pe 2.9). Que assim como elas, sejamos fiéis até a morte, para
que um dia ouçamos o Senhor falar “servo bom e fiel; você foi fiel no
pouco, sobre o muito o colocarei; venha participar da alegria do seu
senhor” (Mt 25.21)!
VERSÍCULO-CHAVE
“olhando firmemente para o Autor e Consumador da fé, Jesus, o
qual, em troca da alegria que lhe estava proposta, suportou a
cruz, sem se importar com a vergonha, e agora está sentado à
direita do trono de Deus.” Hb 12.2

ALVO DA LIÇÃO
Ao estudar esta lição, você se sentirá motivado a aprender com o
estudo dos acontecimentos e dos personagens que viveram com
Cristo o dia da crucificação.

LEITURA DA SEMANA
SEG: Hb 12.1-3 | TER: Is 52.13-15 | QUA: Is 53.1-12 | QUI: Mt
5.17-20 | SEX: Mc 10.42-45 | SÁB: Lc 19.1-10 | DOM: Jo 20.29-31
Uma personagem importante nos evangelhos é a mulher escolhida
para ser a mãe do Messias – Maria. Nas passagens em que sua
história é contada, seu amor ao Senhor é perceptível. Maria é um
exemplo do que Deus faz por intermédio de servos rendidos em
Suas mãos.

I. MARIA, SERVA
Quando Maria era uma jovem prestes a se casar, apareceu a ela o
anjo Gabriel, da parte de Deus. Ele repentinamente apareceu onde
ela estava e a saudou: “Salve, agraciada!

O Senhor está com você” (Lc 1.28). Saudação essa que perturbou
Maria – “muito agraciada?!” porque ela era apenas uma moça pobre
que morava numa vila insignificante, nos montes da Galileia! Maria
ficou incomodada e começou a pensar e meditar sobre isso, que era
característica de sua personalidade.

Ela recebera ali a graça do Senhor, pois teria um Filho sem auxílio
de homem algum. O Espírito Santo a envolveria, e o Filho de Deus
nasceria. Deus a usaria para cumprir a Sua Palavra: “eis que a
virgem conceberá e dará à luz um filho e lhe chamará Emanuel”
(Is 7.14). Por meio dela, viria o Emanuel, o Filho do Altíssimo, o Rei
– aquele que sentará no trono de Davi. Um milagre acontecia na
vida de Maria!

Contudo, muitas coisas estavam em jogo para ela: seu casamento,


sua reputação e até mesmo sua vida (Dt 22.20-21). Mas Maria,
reconhecendo-se como escrava (v.38), rendeu-se à vontade de seu
Senhor, independente do preço que pagaria.
Maria viu sua parente Isabel, estéril, conceber um filho na velhice
(Lc 1.24,57), viu o testemunho de seu noivo que, ao pensar em
deixá-la, foi impedido por um anjo do Senhor (Mt 1.18-25). Ela
provou aquilo que Gabriel disse: “Porque para Deus não há nada
impossível” (Lc 1.37).
Lembramos que, quando os pastores chegaram apressadamente ao
estábulo e contaram tudo sobre a visita do anjo, isso causou
admiração entre os que estavam presentes. Mas Maria tinha
entendimento mais profundo do que estava acontecendo:
ela “guardava todas estas palavras, meditando-as no coração” (Lc
2.19).

Assim como Maria, estamos nos entregando à vontade de Deus, crendo que
ela é boa, perfeita e agradável (Rm 12.1-2), mesmo que as circunstâncias não
DESAFIO se mostrem de forma alguma favoráveis? Mesmo em momentos que nossa
PARA vida, nossa família, nossos sonhos são colocados à prova, temos confiado
NÓS inteiramente ao Senhor e nos rendido ao Seu querer?
HOJE Somente quando, a despeito de qualquer circunstância, nos entregarmos
totalmente ao Senhor, é que experimentaremos em nossa vida os impossíveis
de Deus.

II. MARIA, MÃE DEDICADA


A Bíblia não dá detalhes da infância, adolescência e juventude de
Jesus. Entretanto, nos poucos relatos, podemos perceber que Seus
pais eram fiéis. Jesus foi circuncidado ao oitavo dia e apresentado
no templo (Lc 2.21-38).

Foi durante a apresentação no templo que Maria ouviu a profecia


que se cumpriria em sua vida por ser a mãe do Messias. Simeão,
após falar sobre o destino de Jesus, virou-se para ela e
disse: “Quanto a você, Maria, uma espada atravessará a sua
alma” (Lc 2.35). Isso certamente aconteceria anos mais tarde.

Doze anos depois do nascimento de Jesus, quando eles foram a


Jerusalém celebrar a Páscoa, uma prática anual, aconteceu o
episódio de Jesus no templo. Ele foi achado pelos pais “assentado
no meio dos doutores, ouvindo-os e fazendo-lhes perguntas”, e
lemos que “E a mãe dele guardava todas estas coisas no
coração” (Lc 2.41-51).
Houston salienta: “Essa é a última notícia que temos de José. Daqui
em diante, Jesus é o ‘filho de Maria’. Podemos presumir que José
morreu em algum momento depois dos doze anos de Jesus. [...]
Jesus agora era ‘o carpinteiro’ (Mc 6.3). Sobre Ele estava a
responsabilidade, como filho mais velho, de cuidar de Sua mãe e de
Seus irmãos e irmãs. Parece que Ele fez isso até os trinta anos. A
essa altura, quase todos os outros filhos já estariam em condições
de compartilhar o fardo de cuidar de sua mãe enviuvada”.

III. MARIA E O MINISTÉRIO DE JESUS


Os textos bíblicos que temos sobre Maria durante o ministério de
Jesus são relatos confusos a respeito do que ela acreditava sobre
Ele. Dois momentos são registrados, vejamos.

1. O primeiro sinal
(Jo 2.1-12)
Maria estava presente no primeiro sinal, em Caná da Galileia. Aliás
foi por sua intervenção que Jesus realizou o milagre da
transformação de água em vinho. Nessa passagem, Maria, Jesus e
os discípulos estavam presentes numa festa de casamento. E o
vinho acabou sem a festa estar no fim. Não sabemos o motivo do
envolvimento de Maria com essa questão: se ela era a responsável
por ajudar ou se os noivos somente eram amigos da família. Mas de
qualquer forma, Maria foi até Jesus informando a situação. Ela
conhecia seu Filho e sabia que Ele poderia intervir. Por isso, não
somente foi até Ele, mas também convocou outros a obedecer-Lhe.
Por fim, vemos a realização do primeiro sinal maravilhoso que nosso
Salvador fez – o que era somente água se tornou em um excelente
vinho!
DESAFIO Essa foi uma situação muito particular e peculiar, contudo Maria levou o
PARA problema até Jesus, e Ele, de um jeito improvável, resolveu!
NÓS E nós, temos cultivado relacionamento com o Senhor que nos leva a confiar
HOJE Nele a ponto de entregarmos qualquer situação em Suas mãos para que, no
final, possamos ver milagres maravilhosos?

2. A família de Jesus
Em outra situação, descrita nos sinóticos (Mt 12.46-50; Mc 3.31-35;
Lc 8.19-21), detalhada em Marcos, o comportamento de Maria é
totalmente diferente do anterior. Talvez Maria tenha sido influenciada
por seus outros filhos (Jo 7.3-5) ou pode ser que sua preocupação
de mãe a levou a agir assim. Enfim, o que sabemos é que a família
de Jesus, ao ouvir que Ele não podia nem se alimentar por causa da
multidão, foi atrás Dele para prendê-Lo, dizendo que estava louco, e
Maria também participava (Mc 3.31). Jesus, então, usou esse
momento para explicar que Sua mãe e Seus irmãos são aqueles
que fazem a vontade de Deus (Mc 3.34-35), deixando claro que os
laços espirituais são maiores do que os carnais.

Houston diz “o parentesco de sangue é valioso, mas só por essa vida e,


DESAFIO mesmo assim, ele pode nos decepcionar. O nascimento que realmente
PARA importa é o segundo nascimento, para o Reino de Deus. Sobre esse
NÓS parentesco, a morte não tem poder, pois todos os que estão no Reino
HOJE compartilham a vida eterna”. Valorize e ame os irmãos em Cristo; esse laço
permanecerá eternamente.

IV. MARIA JUNTO À CRUZ


Após os relatos do ministério de Jesus, encontramos Maria perto da
cruz de seu Filho, vivenciando aquilo que fora profetizado por
Simeão: uma espada estava transpassando a sua alma. Presenciar
a morte injusta de Jesus, seu primogênito que foi concebido sob
várias promessas de redenção e libertação de Seu povo, não fazia
sentido.

Em meio à dor e ao sofrimento, algo aconteceu. Jesus prestes a


morrer, levando sobre Si os pecados e as dores de Sua Igreja, viu
Sua mãe junto ao discípulo que Ele amava e, em um momento de
grande esforço, falou com ela: “Mulher, eis aí o seu filho”, e a
ele: “Eis aí a sua mãe” (Jo 19.26-27). O cuidado de Jesus
sobressaiu Sua própria dor para amparar Sua mãe.

Maria era uma serva fiel que não foi esquecida pelo seu Senhor no momento
DESAFIO
mais difícil de sua vida, momento este que ela passou por ser obediente à
PARA
vontade de Deus. Você e eu devemos crer que a promessa da companhia de
NÓS
Jesus (Mt 28.20) é real, verdadeira e resplandecente no dia mais escuro da
HOJE
alma.

Daquela hora em diante, Maria encontrou uma nova família, pois


nos é dito “o discípulo a tomou para casa” (Jo 19.27), uma família
com laços que não são terrenos, passageiros, mas são laços da
família de Deus, unida pelo Santo Espírito, por intermédio do
sangue de Jesus, que ela viu ser derramado no Calvário.

CONCLUSÃO
A última referência a Maria está em Atos 1.14. Ela estava com os
discípulos e seus outros filhos perseverando em oração. Maria
continuou servindo ao Senhor. A vida dela ilustra o
versículo: “Temos, porém, este tesouro em vasos de barro, para que
se veja que a excelência do poder provém de Deus, não de
nós” (2Co 4.7).
VERSÍCULO-CHAVE
“olhando firmemente para o Autor e Consumador da fé, Jesus, o
qual, em troca da alegria que lhe estava proposta, suportou a
cruz, sem se importar com a vergonha, e agora está sentado à
direita do trono de Deus.” Hb 12.2

ALVO DA LIÇÃO
Ao estudar esta lição, você se sentirá motivado a aprender com o
estudo dos acontecimentos e dos personagens que viveram com
Cristo o dia da crucificação.

LEITURA DA SEMANA
SEG: Hb 12.1-3 | TER: Is 52.13-15 | QUA: Is 53.1-12 | QUI: Mt
5.17-20 | SEX: Mc 10.42-45 | SÁB: Lc 19.1-10 | DOM: Jo 20.29-31
Em Jerusalém, por ocasião da Páscoa, havia pessoas do mundo
inteiro. Todas as nações do vasto Império Romano estavam ali
representadas. Dentre elas, houve uma que foi testemunha bem
próxima: viu e ouviu tudo, desde a madrugada daquela sexta feira
especial: um centurião romano.

Centurião era um posto honroso no exército: comandava 100


homens. Era respeitado, obedecia aos chefes e era obedecido pelos
soldados. Apesar do exército romano ser famoso por oprimir os
judeus, a Bíblia relata quatro episódios em que quatro diferentes
centuriões tiveram oportunidade de estar perto de Cristo ou de ouvir
do evangelho, demonstrando a misericórdia de Deus, sem acepção
de pessoas.

I. QUATRO CENTURIÕES NA BÍBLIA

1. O centurião humilde
(Lc 7.1-10)
Lucas nos apresenta um centurião especial, humilde, amigo dos
judeus e preocupado com seu servo doente, ou seja, um soldado
diferente dos orgulhosos romanos. Jesus, além de fazer o milagre
que esse centurião lhe pediu, elogiou-lhe a fé: “Eu lhes digo que
nem mesmo em Israel encontrei fé como esta” (Lc 7.9).

2. O centurião Cornélio
(At 10.1-8)
Lucas narra a conversão de Cornélio e a relutância de Pedro em
aceitar como irmão um gentio inimigo do seu povo. E é triste pensar
que ainda hoje crentes têm preconceito e hesitam em pregar a
pessoas consideradas “imundas”.

3. O centurião Júlio
Este foi gentil com Paulo, a quem respeitava e admirava, mas não
se converteu
(At 27.1,3,42-43). Há pessoas que apreciam a música ou o pregador
numa igreja, mas não se decidem por Cristo.

4. O quarto centurião, do qual não conhecemos o nome.


Foi testemunha ocular do maior evento da História: a crucificação de
Jesus Cristo.

II. O QUE O CENTURIÃO TESTEMUNHOU?


“O dia mais longo da História” começou com a prisão de Jesus no
jardim das Oliveiras e acabou com o Seu sepultamento. Nos quatro
evangelhos, é o dia mais detalhadamente descrito, ocupando várias
páginas (Mt 26.47-27.66; Mc 14.43-15.47; Lc 22.47-23.56; Jo 18.1-
19.42). E este dia, tão exaustivo e emocionante, foi inteirinho
acompanhado por um homem: o centurião romano.

Acompanhemos, nos relatos dos evangelhos, o caminho de dois


homens: Jesus, o Cordeiro de Deus, aprisionado, injustamente
acusado e condenado – e o algoz, o executor da sentença de
morte, o homem que cumpria ordens, mesmo que não entendesse
ou não concordasse com elas.

De madrugada, Jesus foi preso no jardim e ainda restaurou a orelha


do soldado chamado Malco (Lc 22.50-51). Antes de amanhecer,
Jesus foi levado à casa do sumo sacerdote, onde foi espancado e
humilhado (Lc 23.54-65). Mal amanhecia, Jesus foi levado a Pilatos,
que não viu Nele crime algum e O enviou a Herodes (Lc 23.1-7).
Jesus, conforme a profecia de Isaías 53.7, não abriu a boca para se
defender ou acusar. Herodes devolveu-O a Pilatos, que mandou
açoitá-Lo e depois crucificá-Lo (Lc 23.13-25). E o centurião
acompanhou calado o sofrimento daquele homem calado que,
humilhado, não perdia a dignidade.

III. O CENTURIÃO SUPERVISIONOU A CRUCIFICAÇÃO


(Mt 27.33-54; Mc 15.22-30; Lc 23.33-47; Jo 19.17-33)
O centurião supervisionou a crucificação dos três homens, ouviu as
zombarias e provocações, mas, acima de tudo, ouviu de perto as
palavras de Jesus: “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que
fazem” (Lc 23.34). Que pedido incrível! É espantoso demais alguém,
sofrendo terrivelmente com as mãos e os pés perfurados por
grossos pregos, pedir misericórdia pelos algozes! O centurião
testemunhou também os desafios humilhantes: “Se tu és o Filho de
Deus... Se tu és o Cristo...”, e viu o condenado permanecer vestido
de dignidade.

Ele ouviu a conversa com os ladrões, ouviu a promessa do paraíso,


ouviu Jesus entregando Sua mãe ao discípulo João, ouviu-O
dizer: “Está consumado” (Jo 19.30), e finalmente O ouviu
exclamar: “Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito!” (Lc 23.46).
Presenciou as trevas espessas que cobriram a Terra por três horas
(Lc 23.44), bem como o terremoto assim que Jesus expirou (Mt
27.54).

IV. O CENTURIÃO AMEDRONTADO!


Que cena tremenda: trevas e terremoto! O centurião romano,
experimentado em batalhas e execuções, ficou amedrontado e
declarou: “Verdadeiramente este era o Filho de Deus” (Mt 27.54).

No relato de Lucas, lemos: “O centurião, vendo o que tinha


acontecido, deu glória a Deus, dizendo: Verdadeiramente este
homem era justo” (Lc 23.47). Confirmou o que escutara de Pilatos
horas antes: “Estou inocente do sangue deste homem...” (Mt 27.24).

Não é incrível? Os judeus tinham as profecias escritas no Antigo


Testamento e esperavam há mil anos o Messias, o Salvador
prometido por Deus. E O crucificaram... e um soldado inimigo, que
nunca lera as profecias, reconheceu a Verdade!

DESAFIO Temos as profecias sobre a segunda vinda de Cristo, agora como Rei e Juiz!
PARA • Vivemos aguardando o cumprimento das promessas? Ou vivemos como “se
NÓS não houvesse amanhã...”?
HOJE • Anunciamos a primeira vinda do “Cordeiro de Deus, que tira o pecado do
mundo!” (Jo 1.29), ou não?
• Imitamos os judeus, crucificando a Jesus com nossos pecados não
confessados? Ou seguimos o exemplo do centurião e reconhecemos
humildemente o Salvador?

CONCLUSÃO
Em Romanos 15.21, Paulo cita a profecia de Isaías 52.15: “Pelo
contrário, como está escrito: ‘Aqueles que não tiveram notícia dele o
verão, e os que nada tinham ouvido a respeito dele o entenderão’”.

No capítulo 10 de Romanos, Paulo explica a necessidade de crer e


de confessar a fé em Jesus. Ele cita Joel 2.32: “Todo aquele que
invocar o nome do Senhor será salvo” (Rm 10.13).

Para zombar dos sacerdotes judeus que o levaram a condenar a


Jesus, Pilatos mandou escrever sobre a cruz: “INRI”, que significa
Jesus Nazareno Rei dos Judeus. Ele não acreditava nisso – foi
gozação! Muitos acreditam que Jesus foi “um grande mestre”, “um
iluminado”, “um revolucionário” e por aí vai...

Jesus pergunta aos discípulos (e também a nós hoje) “... E vocês,


quem dizem que Eu sou?”
(Mt 16.15).
• Se respondermos como Pedro: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus
vivo”, somos iluminados pelo Espírito Santo e sabemos a
verdade.
• Nós proclamamos a verdade em meio às trevas e às confusões
deste mundo?
• Somos arautos do Rei?
Então, vamos imitar a fé do centurião e declarar a todos que Jesus é
o Filho de Deus, que Ele quer que todos O conheçam para
desfrutarem da salvação que Ele nos oferece em Seu sacrifício na
cruz (Rm 3.22-24,28).
VERSÍCULO-CHAVE
“olhando firmemente para o Autor e Consumador da fé, Jesus, o
qual, em troca da alegria que lhe estava proposta, suportou a
cruz, sem se importar com a vergonha, e agora está sentado à
direita do trono de Deus.” Hb 12.2

ALVO DA LIÇÃO
Ao estudar esta lição, você se sentirá motivado a aprender com o
estudo dos acontecimentos e dos personagens que viveram com
Cristo o dia da crucificação.

LEITURA DA SEMANA
SEG: Hb 12.1-3 | TER: Is 52.13-15 | QUA: Is 53.1-12 | QUI: Mt
5.17-20 | SEX: Mc 10.42-45 | SÁB: Lc 19.1-10 | DOM: Jo 20.29-31
Há alguns personagens na Bíblia que nos intrigam e nos fazem
pensar sobre atitudes que tomamos. Não sabemos muito sobre
alguns deles, pois a Bíblia nos revela pouco, mas o que a palavra de
Deus nos traz já é o suficiente para ver quanto somos parecidos
com eles. Um desses personagens é José de Arimateia. Vamos
aprender com seus acertos e seus erros.

I. JOSÉ DE ARIMATEIA, O DISCÍPULO DESCONHECIDO


José de Arimateia é citado nos quatro evangelhos. Nos sinóticos,
temos informações que nos revelam um pouco sobre ele.

1. Natural de Arimateia
(Mt 27.57)
Cidade da região da Judeia, possível antiga cidade de Ramá, onde
nasceu Samuel (1Sm 1.19.)

2. “Homem rico”
A Bíblia nos mostra que José de Arimateia era homem de posses
que, no momento certo, as colocou à disposição do Senhor.
Nós, também, adquirimos responsabilidades de servos do Senhor.
Uma delas é colocar nossos bens à disposição do reino de Deus.
Sigamos o exemplo de José!

3. “Ilustre membro do Sinédrio”


(Mc 15.42-46)
Pertencia à alta sociedade judaica, honra dada somente àqueles
que tinham vida irrepreensível. Seu caráter íntegro fez com se
opusesse às falsas acusações proferidas a Jesus pelo Sinédrio.

4. “Homem bom e justo”


(Lc 23.50)
Poucos homens são descritos assim na Bíblia, mas se existem
personagens bíblicos com tais qualidades é porque todo servo fiel a
Jesus Cristo pode obtê-las.

5. “Esperava o Reino de Deus”


(Lc 23.51)
Assim como todo judeu, esperava o cumprimento da promessa da
vinda do Messias. A esperança de José de Arimateia também deve
ser a nossa esperança.

6. “Não tinha concordado com o plano e a ação dos outros”


(Lc 23.51)
Alguns estudiosos afirmam que José não esteve presente no
concílio que tomou decisão sobre Jesus. Sua ausência demonstra
seu compromisso com o Messias.

II. JOSÉ DE ARIMATEIA: O DISCÍPULO OCULTO


João 19.38 nos revela que José de Arimateia “era discípulo de
Jesus – ainda que em segredo”. Pelo que conhecemos desse
homem, podemos imaginar que ele havia crido em seu coração que
Jesus Cristo era o Messias. Segundo Houston: “José de Arimateia já
foi chamado de um ‘discípulo do crepúsculo’, ou um ‘discípulo no
escuro’, pois, na nossa história, ele não faz nada até que caísse a
escuridão.” Por que será que José de Arimateia não se revelou
como discípulo de Cristo?

1. “Por que tinha medo dos judeus”


(Jo 19.38)
José sabia do desprezo que os judeus tinham por Jesus, sabia
também que qualquer pessoa que seguisse a Jesus seria expulsa
do Sinédrio, e qualquer um que fosse expulso do Sinédrio seria
também expulso da sociedade. Assim, ele perderia a sua posição
social e a oportunidade de interferir a favor dos cristãos no Sinédrio.

2. A Bíblia relata que “muitos dentre as próprias autoridades creram


em Jesus”
(Jo 12.42)
Muitas das autoridades religiosas da época de Cristo também
creram Nele, mas, por causa dos fariseus, não declararam
publicamente, por medo de serem expulsos da sinagoga. Um deles
era Nicodemos (Jo 3.1-10), amigo de José de Arimateia, que o
ajudou no sepultamento de Cristo.

A verdade é que José de Arimateia era discípulo de Cristo, mas não


teve coragem de declarar isso publicamente. Se as razões eram
justas, não podemos afirmar, mas a grande verdade é que isso se
tornou um problema para ele, pois Jesus mesmo afirmou: “Portanto,
todo aquele que me confessar diante dos outros, também eu o
confessarei diante de meu Pai, que está nos céus; mas aquele que
me negar diante das pessoas, também eu o negarei diante de meu
Pai, que está nos céus” (Mt 10.32-33). José não negou a Cristo,
mas não teve coragem de assumir publicamente ser discípulo Dele.

DESAFIO
Quantas vezes, no serviço, perante colegas, temos vergonha de testemunhar
PARA
de Cristo e agimos como José de Arimateia? Será que nossos colegas de
NÓS
serviço, nossos vizinhos onde moramos, sabem que somos de Cristo?
HOJE

III. JOSÉ DE ARIMATEIA, O DISCÍPULO CORAJOSO


Qual seria o destino do corpo de Cristo se José de Arimateia e
Nicodemos não o pedissem a Pilatos? Segundo a tradição, os
romanos deixavam os corpos apodrecerem na cruz e depois os
jogavam nos campos, para serem comidos pelas feras e pelas aves
de rapina. Se José de Arimateia não tivesse saído da sombra, o
corpo de Jesus provavelmente teria sido despejado em algum lugar
a fim de se deteriorar. Foi preciso coragem para sair da sombra e se
revelar como discípulo de Cristo. Olhemos para a Bíblia:

1. José “dirigiu-se ousadamente a Pilatos e pediu o corpo de Jesus”


(Mc 15.43)
Pilatos não deve ter ficado nada feliz quando um membro do
Sinédrio pediu permissão para sepultar o corpo de um condenado,
já que havia sido a maioria do próprio Sinédrio que o havia
pressionado a crucificar Jesus. Além disso, a exposição de José de
Arimateia irritaria os outros membros do Sinédrio. Mas
corajosamente José se dispôs a pedir o corpo de Jesus. Aquele que
havia ficado em oculto, num momento crítico da história de Cristo,
se manifesta corajosamente, enquanto os outros discípulos, com
medo, fugiram.

2. José “pediu a Pilatos permissão para tirar o corpo de Jesus”


(Jo 19.38)
A grande bênção foi que “Pilatos deu permissão”. Assim, “José de
Arimateia foi e retirou o corpo de Jesus. E Nicodemos, aquele que
anteriormente tinha ido falar com Jesus à noite, também foi, levando
cerca de trinta quilos de um composto de mira e aloés.” (Jo 19.38-
39) Quando os corajosos somem, os medrosos aparecem. A
descrição do evangelho de João nos permite entender que aqueles
que seguiam a Jesus ocultamente, na hora necessária, O trataram
com a dignidade de um rei. A quantidade de composto levado por
Nicodemos para preparar o corpo de Cristo era quantidade digna de
um rei!

No momento em que Jesus mais precisou de Seus discípulos, eles


fugiram (Jo 18.17,25,27; 20.19) “Então todos os discípulos o
deixaram e fugiram” (Mt 26.56). Onde estaria cada um daqueles
valentes que afirmavam dar a vida por Jesus, se preciso fosse?
Aqueles que podiam ser vistos em público andando com o Mestre?
É nesse momento que apareceram os que tinham receio de assumir
publicamente a posição. A lição ensinada por José de Arimateia e
Nicodemos: é muito triste deixar passar as oportunidades que temos
de testemunhar quem somos e o que somos para o mundo – servos
e discípulos de Cristo. Eles dizem “não façam como nós”.

Nunca é tarde demais para começar a falar de Cristo. Graças a Deus, José de
DESAFIO
Arimateia saiu da escuridão e, publicamente, com muita coragem, perante
PARA
todo o mundo, demonstrou sua fidelidade ao Senhor! Será que chegou a hora
NÓS
de você declarar publicamente sua lealdade a Cristo no lugar onde você
HOJE
trabalha, estuda ou onde reside?
CONCLUSÃO
José de Arimateia é um personagem que entrou para a história de
Cristo porque mudou de atitude e teve coragem de sair do oculto
para o público. Enquanto teve medo, ficou na inércia, mas quando o
medo foi vencido pelo amor ao Mestre, demonstrou esse amor com
ação e fez aquilo que nenhum dos onze discípulos foi capaz de
fazer. A Bíblia diz: “No amor não existe medo; pelo contrário, o
perfeito amor lança fora o medo. Porque o medo envolve castigo, e
quem teme não é aperfeiçoado no amor” (1Jo 4.18).
VERSÍCULO-CHAVE
“olhando firmemente para o Autor e Consumador da fé, Jesus, o
qual, em troca da alegria que lhe estava proposta, suportou a
cruz, sem se importar com a vergonha, e agora está sentado à
direita do trono de Deus.” Hb 12.2

ALVO DA LIÇÃO
Ao estudar esta lição, você se sentirá motivado a aprender com o
estudo dos acontecimentos e dos personagens que viveram com
Cristo o dia da crucificação.

LEITURA DA SEMANA
SEG: Hb 12.1-3 | TER: Is 52.13-15 | QUA: Is 53.1-12 | QUI: Mt
5.17-20 | SEX: Mc 10.42-45 | SÁB: Lc 19.1-10 | DOM: Jo 20.29-31
Como resultado dos sinais realizados por Jesus, em Jerusalém, na
época da Páscoa, “muitos creram no seu nome”. Mas não era uma
fé profunda; era meramente um ato exterior de seguir a Jesus. E “o
próprio Jesus não confiava neles... porque ele mesmo sabia o que
era a natureza humana” (Jo 2.24-25). Mas havia uma exceção: um
homem religioso chamado Nicodemos, fariseu “... e um dos
principais dos judeus” (Jo 3.1), isto é, membro do Sinédrio, membro
do Alto Conselho dos judeus. Esse Alto Conselho tinha enviado uma
comissão ao rio Jordão, a fim de investigar alguém vestido de roupa
esquisita. Para alívio da comissão, esse homem chamado João
Batista afirmou não ser o Messias, mas disse que estava
preparando o caminho para a vinda do Messias, o que despertou a
curiosidade de Nicodemos.

Ao saber que um homem, Jesus de Nazaré, estava fazendo


milagres na Galileia e que Ele viera a Jerusalém para as festas,
Nicodemos entendeu ser a oportunidade de conhecê-Lo. Por isso,
procurou Jesus à noite.

I. À NOITE, A SÓS COM JESUS


(Jo 3.1-8)
Por que Nicodemos visitou Jesus à noite? Ele era homem zeloso,
atraído pela Pessoa e pelo ensino de Jesus, mas talvez não
quisesse que seu interesse fosse descoberto por seus colegas
fariseus. Nicodemos começou a conversa reconhecendo que Jesus
era Mestre, que tinha estampado o selo de Deus. Mas Jesus reagiu
com uma dura declaração sobre a necessidade de
Nicodemos “nascer de novo” (v.3), se não,“não pode ver o Reino de
Deus”. Por ser judeu, ele estava à espera da vinda do Messias a fim
de libertar Israel do poder romano. Jesus estava dizendo que a
pessoa precisava nascer de novo antes de poder saber qualquer
coisa sobre o Reino. Jesus declarou que sem nascimento espiritual
não podemos entrar no reino dos céus. Quando uma pessoa nasce
de novo, por meio do Espírito, ela recebe uma nova natureza e é
apta para o Reino de Deus.

DESAFIO
Muitas pessoas hoje consideram Jesus o maior mestre de todos os séculos,
PARA
mas isso não basta. É necessário o novo nascimento. Você já nasceu de
NÓS
novo?
HOJE

II. UMA SIMPLES PERGUNTA: “COMO PODE SER ISSO?”


(Jo 3.9-16)
Nicodemos começou a perceber que Jesus não estava falando de
nascimento físico, mas de espiritual. Então, quis saber. Não há
dúvida de que Jesus esperava que um homem inteligente como
Nicodemos compreendesse Sua ilustração do novo nascimento.
Mas ainda a pergunta de Nicodemos demonstrou alguma
incredulidade da parte dele. Apesar do fato de que a graça e a
verdade estão embutidas nos fundamentos do Antigo Testamento,
Nicodemos não reconheceu: “Você é mestre em Israel e não
compreende estas coisas?” (v.10).

Acerca da nova aliança, Jeremias tinha profetizado: “Porei a minha


lei na mente deles e no coração deles a escreverei” (Jr 31.33
NTLH). Quando o novo coração é criado, este produz nova vida, e o
que é “nascido de novo” conhece a Deus numa maneira totalmente
diferente. “Nicodemos conhecia a lei, mas falhou em reconhecer a
promessa da graça” (Lawrence Richards).

Nicodemos, como bom fariseu, conhecia bem a história de Moisés e


a serpente no deserto – quem olhava para a serpente de bronze era
salvo. Você pode imaginar a surpresa de Nicodemos quando Jesus
disse: “... assim também é necessário que o Filho do Homem seja
levantado, para que todo o que nele crê tenha a vida eterna” (Jo
3.14-15). Jesus também seria levantado, para que todos os que
crerem Nele possam ter a vida eterna. Parece que naquela noite
Nicodemos reconheceu ser Jesus o Messias prometido e “nasceu
de novo”.

III. NA DEFESA DE JESUS


(Jo 7.45-52)
Algum tempo depois, Jesus estava de novo em Jerusalém, e a
oposição dos fariseus e do Alto Conselho crescia. Eles decidiram
agir, enviando guardas para prender a Jesus, mas os guardas
voltaram de mãos vazias (Jo 7.32,45-46). Os líderes religiosos
ficaram zangados e perguntaram por que não tinham trazido Jesus
com eles. A resposta foi incrível: “Jamais alguém falou como este
homem!” Foi nesse momento que Nicodemos começou a sair em
favor de Jesus, perante seus colegas no Alto Conselho: “Será que a
nossa lei condena um homem sem primeiro ouvi-lo e saber o que
ele fez?” (v.51). Ao julgar a Jesus violaram a própria lei (Dt 1.16-17),
e responderam a Nicodemos numa maneira bem cínica: “... Examine
e verá que da Galileia não se levanta profeta” (v.52). Eles
mostraram ignorância, porque o profeta Jonas era da Galileia. Que
coragem Nicodemos demonstrou! Essa ação de Nicodemos mostra
que ele já confiara no Senhor Jesus Cristo e era seguidor Dele,
porém não era a única pessoa de destaque na sociedade judaica
que cria em Jesus. Veja João 12.42: “Muitos dentre as próprias
autoridades creram em Jesus...”.

IV. NO SEPULTAMENTO DE JESUS – O MOMENTO


DA REVELAÇÃO
(Jo 19.38-42)
Chegamos ao ponto alto da história de Nicodemos! Ver Jesus
pendurado na cruz foi o momento crucial para ele. Nicodemos se
lembrou daquela noite, dois anos antes, quando foi conversar com
Jesus. Ele nunca pôde esquecer aquele encontro. Não foi fácil
compreender a necessidade do novo nascimento, mas agora ele se
lembrou de como, no fim da conversa, Jesus desvendou uma
verdade maravilhosa, fazendo-o lembrar da história dos filhos de
Israel quando vagueavam pelo deserto rumo à Terra Prometida, e
ficaram desanimados, impacientes, reclamando contra Deus, que
enviou serpentes abrasadoras contra eles, resultando na morte de
muitos do povo. Quando os sobreviventes arrependidos clamaram
ao Senhor, Este mandou que Moisés fizesse uma serpente de
bronze e a colocasse numa haste, e todos que olhassem para a
serpente seriam curados. Nicodemos recordou das últimas palavras
de Jesus: “E assim como Moisés levantou a serpente no deserto,
assim também é necessário que o Filho do Homem seja levantado,
para que todo o que nele crê tenha a vida eterna” (Jo 3.14-15).
Agora “a ficha caiu”! Vendo Jesus levantado na cruz, ele creu.

Jesus foi crucificado às 9 horas da manhã. Ao meio-dia, algo


estranho aconteceu: o dia tornou-se noite, e a escuridão durou três
horas (Lc 23.44). Às 3 horas da tarde, Jesus pronunciou Suas
últimas palavras:“Está consumado!”. Depois disso, inclinou a cabeça
e entregou o espírito (Jo 19.30).

E algo incrível aconteceu: dois membros do Alto Conselho dos


judeus (o Sinédrio), que não concordaram com a decisão dos seus
colegas no caso de Jesus, José de Arimateia e Nicodemos,
entraram em ação para sepultar o corpo de Jesus!

Se até então eles foram discípulos secretos de Jesus, agora se


tornaram valentes. Podemos imaginar a surpresa de Pilatos e a
provocação dos judeus, porque dois membros do Alto Conselho se
posicionaram publicamente ao lado de Cristo crucificado.

José foi ao governador e pediu-lhe permissão para sepultar o corpo


de Jesus. Pilatos quase não podia crer que Ele já tivesse morrido.
Quando o centurião confirmou o fato, o governador cedeu o corpo
de Jesus. José deu o túmulo (Mt 27.60), mas Nicodemos concorreu
com as outras despesas! Lemos que “Nicodemos... também foi,
levando cerca de trinta e cinco quilos de um composto de mirra e
aloés” (Jo 19.39). Tais especiarias não eram produtos baratos, e a
quantidade foi excessiva à necessidade do embalsamento. Isso
demonstra o grande amor que Nicodemos estava demonstrando
para com o seu Senhor e Salvador.

Com cuidados ternos, José e Nicodemos embalsamaram o corpo.


João relata: “Tomaram, pois, o corpo de Jesus e o envolveram em
lençóis com os óleos aromáticos, como é o costume entre os judeus
na preparação para o sepultamento” (Jo 19.40). Assim o corpo
estava preparado para o sepultamento, e José e Nicodemos
colocaram Jesus num túmulo, num jardim, “no qual ninguém ainda
tinha sido colocado” (Jo 19.41). O significado dessa declaração de
João “demonstra que o corpo de Jesus não entrou em contato com
a corrupção (em provável cumprimento do Salmo 16.10: ‘Nem
permitirás que o teu Santo veja corrupção’” – Comentário Bíblico
Vida Nova).

CONCLUSÃO
Notamos que Nicodemos, com José de Arimateia, arriscou sua
posição no Sinédrio ao contribuir generosamente para proporcionar
um sepultamento honroso a Jesus. Quanto mais nós devemos fazer
pelo Cristo ressuscitado!
VERSÍCULO-CHAVE
“olhando firmemente para o Autor e Consumador da fé, Jesus, o
qual, em troca da alegria que lhe estava proposta, suportou a
cruz, sem se importar com a vergonha, e agora está sentado à
direita do trono de Deus.” Hb 12.2

ALVO DA LIÇÃO
Ao estudar esta lição, você se sentirá motivado a aprender com o
estudo dos acontecimentos e dos personagens que viveram com
Cristo o dia da crucificação.

LEITURA DA SEMANA
SEG: Hb 12.1-3 | TER: Is 52.13-15 | QUA: Is 53.1-12 | QUI: Mt
5.17-20 | SEX: Mc 10.42-45 | SÁB: Lc 19.1-10 | DOM: Jo 20.29-31
Na Bíblia, lemos bastante sobre os doze discípulos que
acompanharam a Jesus durante os três anos de Seu ministério e
também após a Sua morte (com exceção de Judas Iscariotes). Eles
continuaram fiéis ao Senhor, pregando as boas-novas do evangelho.
Às vezes, esquecemos ou nem sabemos que algumas mulheres
fiéis também acompanharam a Jesus. Lucas 8.1-2 diz: “... Jesus
andava de cidade em cidade e de aldeia em aldeia, pregando e
anunciando o evangelho do Reino de Deus. Iam com ele os doze
discípulos, e também algumas mulheres...”.

Dentre esse grupo de mulheres, aparece o nome de Maria


Madalena. Há muitas insinuações sobre um relacionamento
amoroso entre Jesus e Maria Madalena (foi até lançado um filme
sobre Maria Madalena, cujo título leva o nome dela). São
suposições maldosas, sem fundamento – não há nada na Bíblia que
sugira isso. Jesus tratava todas as mulheres com respeito e
dignidade, diferentemente dos padrões do primeiro século em que a
mulher era considerada propriedade do homem. Jesus demonstrava
amor especial às pessoas desprezadas pela sociedade – pelas
pessoas pobres, doentes, oprimidas, pelas mulheres e pelas
crianças.

I. QUEM ERA MARIA MADALENA


Maria Madalena era natural da cidade de Magdala, situada à beira
do mar da Galileia. Provavelmente tenha se juntado aos discípulos
durante a segunda missão de Jesus pela Galileia. Antes de
conhecer a Jesus, Maria sofria horrivelmente porque era possessa
por sete demônios.

Não podemos confundir Maria Madalena com a prostituta que ungiu


os pés de Jesus com perfume (Lc 7.36-50) ou com Maria de Betânia
(Jo 11.2). Não há qualquer evidência na Bíblia de que Maria
Madalena tivesse sido prostituta. A razão para esse equívoco é o
fato de Lucas a mencionar pela primeira vez logo após relatar a
história da prostituta (Lc 8.1-3). Isso fez com que muitos leitores
associassem equivocadamente as duas. Devemos lembrar que
existe uma grande diferença entre ser pecadora e ser possessa por
demônios, ser pecadora ou sofrer de doenças.

Não sabemos os sofrimentos que Maria Madalena enfrentava, mas,


sem dúvida, levar uma vida controlada por sete espíritos malignos
deve ter sido um inferno para ela!
Ao nosso redor também há muitas pessoas sofrendo intensamente.
Algumas sofrem com doenças físicas terríveis, como: câncer,
esclerose múltipla, diabetes, problemas cardíacos, respiratórios,
hepáticos ou renais; outras sofrem com doenças psíquicas/mentais,
como: depressão, esquizofrenia, distúrbios de ansiedade e de
pânico; há ainda os que sofrem em função de abusos sexuais ou
maus tratos; os que sofrem por causa de famílias totalmente
desestruturadas, marcadas pelo divórcio, abandono do lar,
embriaguez, vício em drogas, prostituição, ódio, gritaria, amargura,
violência... ou a causa do sofrimento pode ser uma terrível solidão.

Não importa se o sofrimento é de ordem física, emocional ou


espiritual. Muita gente está sofrendo imensamente ao nosso redor e
precisa desesperadamente de Cristo para conseguir começar, de
fato, uma nova vida. Não precisam que os condenemos, mas que
demonstremos misericórdia (Lc 6.36-38).

Qual a sua atitude para com pessoas, especialmente crentes, que sofrem de
DESAFIO doenças físicas, psíquicas ou mentais?
PARA Você tem compaixão das pessoas que sofrem de doenças crônicas que
NÓS afetam a vida diária?
HOJE Você condena, critica, acha que o problema é pecado na vida delas, ou as
trata com paciência, bondade e compaixão?

II. A LIBERTAÇÃO DE MARIA MADALENA


A vida de Maria Madalena foi totalmente transformada após seu
encontro com Cristo. “Jesus havia resgatado Maria Madalena de
uma prisão física ou espiritual que possuía e controlava sua vida”
(Houston). Ele não a julgou, nem condenou, antes Se importou com
ela.

Uma vez liberta da possessão demoníaca, Maria Madalena, cheia


de gratidão pela nova vida que Cristo lhe dera, queria servir ao
Mestre.

DESAFIO
PARA NÓS O que você faz para servir a Jesus em gratidão pela sua salvação?
HOJE

Depois do encontro com Jesus, Maria Madalena se juntou às outras


mulheres que O acompanhavam durante Seu ministério. Era um
grupo bem heterogêneo – casadas, solteiras, ricas, pobres, cultas e
simples, porém uma coisa as unia – “haviam sido curadas de
espíritos malignos e de enfermidades” (Lc 8.2). Todas elas eram
gratas ao Senhor pela cura, pela nova vida, pela salvação. Por esse
motivo, acompanharam a Jesus e Seus discípulos. Elas O ajudaram
financeiramente; serviram a Ele e aos discípulos cuidando da
alimentação, das roupas deles, do que fosse necessário.

Os evangelistas destacam o nome de Maria Madalena entre esse


grupo. Ele é citado em nove listas de mulheres nos evangelhos, e
oito vezes aparece em primeiro lugar. É interessante notar que o
nome de Maria Madalena aparece mais no NT que o de alguns dos
discípulos masculinos!

Parece que Maria Madalena se tornou a líder desse grupo de


mulheres que acompanhava a Jesus.

DESAFIO
Como as mulheres podem desenvolver papel importante na igreja nos dias de
PARA
hoje?
NÓS
Sua igreja reconhece o valor da mulher? Como?
HOJE
III. A DEVOÇÃO DE MARIA MADALENA
Maria Madalena entregou sua vida inteiramente para seguir e servir
ao seu Salvador. Ela andou com Ele, ouviu Seus ensinamentos,
demonstrou devoção, estando presente nas horas mais difíceis de
Jesus. Esteve presente com outras mulheres na hora da
crucificação (Mc 15.40-41). Os discípulos fugiram, mas elas ficaram.
Maria Madalena viu seu Mestre sofrer, ouviu Seus gritos “Deus meu!
Deus meu! Por que me desamparaste?” O povo todo que havia
presenciado a crucificação foi embora“batendo no peito”, mas “as
mulheres... ficaram de longe, contemplando estas coisas” (Lc 23.48-
49).

Quando José de Arimateia colocou o corpo de Jesus no


túmulo, “estavam ali, sentadas em frente do túmulo, Maria Madalena
e a outra Maria” (Mt 27.61). Que devoção ao Mestre!

Bem cedinho, quando ainda estava escuro, no primeiro dia da


semana, “Maria Madalena e a outra Maria foram ver o túmulo” (Mt
28.1), levando especiarias para o corpo do seu Salvador. Maria
Madalena foi a primeira a chegar e a primeira a sair correndo para
contar a Pedro e ao outro discípulo que o túmulo estava vazio. Após
os discípulos confirmarem o que elas disseram, voltaram para casa,
mas Maria Madalena permaneceu ali em frente, chorando. Ela
respondeu aos dois anjos: “Porque levaram o meu Senhor, e não sei
onde o puseram” (Jo 20.13). Depois, ela viu Alguém e, supondo ser
o jardineiro, lhe implorou: “Se o senhor o tirou daqui, diga-me onde o
colocou, e eu o levarei” (Jo 20.15). Talvez Maria tenha confundido
Jesus “com o jardineiro, porque ainda estava procurando o corpo de
um homem morto” (Houston). Quando Jesus falou seu nome, Maria
Madalena sabia que era o Senhor. Ela teve o grande privilégio de
ser a primeira pessoa a ver Cristo ressurreto!

“... Maria Madalena teve que confiar na relação nova e única com
Deus, através de Cristo. Quando falou do Pai, Jesus sempre falou
meu Pai, nunca nosso Pai. O seustatus de Filho era único. Agora
Ele estendeu esse status a Maria, aos discípulos e a todos que
creem nele” (Houston). Jesus disse: “Subo para o meu Pai e o Pai
de vocês, para o meu Deus e o Deus de vocês” (Jo 20.17).

DESAFIO
Que privilégio nosso, como cristãos, poder chamar a Deus de nosso Pai!
PARA NÓS
Por que esse status de filho dá sentido a nossa vida?
HOJE

CONCLUSÃO
Maria Madalena foi uma mulher extraordinária. Antes de conhecer a
Cristo, era sofredora, provavelmente excluída pela sociedade, mas
ao encontrar-se com Jesus, foi liberta, tornou-se “nova criatura”, e
sua vida foi mudada radicalmente.

Maria Madalena se entregou de corpo e alma para servir a Jesus.


Ela nunca O abandonou mesmo nos momentos mais tristes e
difíceis na vida de seu Mestre. Jesus honrou a fé de Maria
Madalena aparecendo a ela antes de mostrar-Se aos discípulos e
dando-lhe a ordem de contar a eles que estava vivo. Imediatamente
ela obedeceu:“E, partindo ela, foi anunciá-lo àqueles que, tendo sido
companheiros de Jesus, estavam tristes e choravam” (Mc 16.10).

Que exemplo e desafio essa mulher é para nós! Devemos nos


entregar de corpo e alma para servir ao Senhor em gratidão pela
salvação. Devemos contar aos outros sobre a maravilhosa graça de
Jesus para perdoar, restaurar, transformar e nos dar vida em
abundância.
VERSÍCULO-CHAVE
“olhando firmemente para o Autor e Consumador da fé, Jesus, o
qual, em troca da alegria que lhe estava proposta, suportou a
cruz, sem se importar com a vergonha, e agora está sentado à
direita do trono de Deus.” Hb 12.2

ALVO DA LIÇÃO
Ao estudar esta lição, você se sentirá motivado a aprender com o
estudo dos acontecimentos e dos personagens que viveram com
Cristo o dia da crucificação.

LEITURA DA SEMANA
SEG: Hb 12.1-3 | TER: Is 52.13-15 | QUA: Is 53.1-12 | QUI: Mt
5.17-20 | SEX: Mc 10.42-45 | SÁB: Lc 19.1-10 | DOM: Jo 20.29-31
Enquanto muitos discípulos se escondiam com medo dos judeus (Jo
20.19), no terceiro dia após a crucificação de Jesus Cristo, Cleopas
e seu amigo decidiram sair do esconderijo e ir à cidade de Emaús,
que ficava 11 km a noroeste de Jerusalém. Interessante lembrar que
eles só saíram do esconderijo após ouvirem o relato da ressurreição
trazido pelas mulheres (Lc 24.22-23). Portanto, tanto eles como os
demais discípulos desobedeceram à ordem de Cristo, noticiada
pelas mulheres, que deveriam ir à Galileia (Mt 28.10). Cleopas e seu
amigo resolveram fazer como o profeta Jonas: escolher outro
destino. Jonas, em vez de ir para Nínive, dirigiu-se a Társis (Jn 1.2-
3), enquanto esses dois discípulos, em vez de se dirigirem à
Galileia, foram a Emaús.

I. UMA DISCUSSÃO ANIMADA


Algo que fica muito claro na narrativa de Lucas é que, enquanto
esses dois discípulos de Cristo caminhavam, eles discutiam.
Aparentemente debatiam a respeito dos recentes acontecimentos
passados em Jerusalém. O assunto principal eram as coisas que
haviam acontecido nos últimos dias (Lc 24.17-18). Parece que havia
uma certa tensão na conversa deles.

Num certo momento da caminhada, chegou um terceiro homem,


que nós sabemos ser Jesus, mas os dois discípulos não O
reconheceram (Lc 24.15-16). Jesus Se aproximou e questionou
sobre o que estavam debatendo. A resposta parece um tanto rude:
“Será que você é o único que esteve em Jerusalém e não sabe o
que aconteceu lá, nestes últimos dias?” (Lc 24.18). A réplica de
Jesus: “Do que se trata?” trouxe à tona o que realmente estava no
coração deles. A resposta que deram veio como uma enxurrada de
palavras que descreviam o que havia acontecido (Lc 24.19-24).

DESAFIO Isso nos mostra uma característica desses dois discípulos: eles eram pessoas
PARA que valorizavam demais o falar, a conversa, o debate. Alguns de nós somos
NÓS como eles: nos empolgamos demais em falar mesmo quando é hora de refletir
HOJE e meditar. “... há tempo para todo propósito debaixo do céu: ... tempo de ficar
calado e tempo de falar” (Ec 3.1,7).

II. O PERIGO DE SER FALANTE


Após ouvir o relato afobado dos discípulos, Jesus
respondeu: “Como vocês são insensatos e demoram para crer em
tudo o que os profetas disseram!” (Lc 24.25). Aqueles dois estavam
tão ocupados em falar e debater os acontecimentos que
aparentemente pouco investiram em meditar sobre tudo o que havia
acontecido.

Ao mencionar a falta de entendimento dos discípulos, Jesus


evidencia uma dificuldade comum entre as pessoas falantes que é
buscar todas as informações e pensar sobre elas antes de sair
falando a respeito. Frequentemente os falantes pegam apenas um
pedaço da informação e já começam a falar sobre ela. Quanto mais
falam, menos ouvem e menos compreendem. É bom ler as sábias
palavras de Provérbios:“Meu filho, se deixar de ouvir a instrução,
você se desviará das palavras do conhecimento” (Pv 19.27). Veja
também Provérbios 18.13 e 29.20.

Houston comenta: “Jesus também disse que eles ‘demoram a


crer’. Pessoas prontas a discutir, muitas vezes, são lentas em
acreditar. A discussão precisa continuar, as nuances precisam ser
debatidas, as implicâncias testadas, todas as possibilidades
examinadas.”

Nas duas cartas de Paulo a Timóteo, vemos como um dos assuntos


principais é a respeito de pessoas que gostam de discutir (debater)
e como Paulo dá orientações sobre isso.

• Tome cuidado com pessoas que causam controvérsias em vez de


promoverem a obra de Deus, que é pela fé (1Tm 1.4).
• Algumas pessoas ficam ansiosas para entrar em discussões
inúteis (1Tm 1.6).
• Querem ser mestres da lei, quando não compreendem nem o que
dizem nem as coisas acerca das quais fazem afirmações tão
categóricas (1Tm 1.7).
• São orgulhosas, não entendem nada (1Tm 6.4).
• Entram em conversas inúteis e profanas, e ideias contraditórias
daquilo que é falsamente chamado conhecimento (1Tm 6.20).
• Não suportarão a sã doutrina: ao contrário, sentindo coceira nos
ouvidos, juntarão mestres para si mesmos, segundo os seus
próprios desejos. Elas se recusarão a dar ouvidos à verdade,
voltando-se para os mitos (2Tm 4.3-4)

DESAFIO “Quando Paulo escreveu a Timóteo, um dos problemas da igreja eram


PARA pessoas que gostavam de falar e falar, e continuar falando, e nunca chegar na
NÓS verdade” (Houston). Será que costumamos expressar nossas opiniões sem
HOJE parar para pensar?

III. A ERA DA DISCUSSÃO


Nossa sociedade moderna crê no poder do diálogo. Para a grande
maioria, tudo se resolve com diálogo. Será? Claro que não! Por
mais importante e interessante que o diálogo seja, ele não pode
resolver tudo. Só falar e não fazer nada a respeito, na maioria das
vezes, não resolve nada. É claro que o diálogo é importante e
benéfico, mas não quer dizer que ele seja a solução para todas as
coisas.

“Nós vivemos na era da discussão, do diálogo, das comissões e dos


inquéritos, dos seminários, dos debates” (Houston). Há tanta
discussão que, ao se discutir algum assunto, as pessoas pensam
que fizeram algo para resolvê-lo.

Tem gente que pensa que é suficiente falar a respeito de Jesus ou


do que está escrito na Bíblia. Falam bonito, debatem doutrinas,
discutem propostas de como praticar o cristianismo e ficam felizes
por terem falado e falado a respeito dessas coisas. Contudo, muitos
se dão por satisfeitos na falação, quando na verdade não têm
compromisso real com Cristo. Falam porque acham o cristianismo
bonito, mas na verdade não têm envolvimento transformador com o
Senhor Jesus.

DESAFIO
PARA “Até onde vai o nosso interesse pelo cristianismo? Em ouvir? Em falar? Ou
NÓS chegamos ao ponto de nos comprometer e começar a agir?” (Houston)
HOJE

IV. A DÚVIDA E A ARGUMENTAÇÃO BÍBLICA


Os dois discípulos foram tentados a duvidar do que criam por causa
da decepção: “Nós esperávamos que fosse ele quem havia de
redimir Israel” (Lc 24.21). Apesar de tudo o que sabiam sobre Cristo
e de todas as palavras trocadas a respeito Dele, o coração daqueles
dois homens continuava cheio de dúvidas.

Então, Jesus mudou o modo da conversa: de diálogo (debate) para


o modo “argumentação bíblica”: “E, começando por Moisés e todos
os Profetas, explicou-lhes o que constava a respeito dele em todas
as Escrituras”(Lc 24.27). Como Cleopas e seu amigo estavam num
momento de dúvida, o Senhor escolheu o método que poderia levá-
los racionalmente ao entendimento do que havia acontecido. Ao
apresentar-lhes as profecias que se cumpriram, Jesus conduziu os
pensamentos deles para que percebessem a revelação bíblica.
Tudo já estava escrito. Bastava que se lembrassem do que tinham
dito os Profetas, bastava que consultassem as Escrituras!

DESAFIO Infelizmente, em nossos dias, existem muitos cristãos que não se deixam mais
PARA ser conduzidos à verdade pelas Escrituras. Acham que vão encontrar
NÓS respostas nos diálogos e nas falações, e não consultam mais o que o próprio
HOJE Deus revelou na Bíblia!
Você tem pesquisado nas Escrituras as respostas para suas dúvidas e
inquietações?

CONCLUSÃO
A convicção final, todavia, precisou mais do que argumentação
intelectual. A argumentação foi o prelúdio necessário, que fez com
que os discípulos convidassem aquele homem sábio para hospedar-
se com eles, provavelmente para ouvir mais do Ele tinha a dizer (Lc
24.28-29). Além da argumentação bíblica, aqueles discípulos
também precisavam ter uma experiência com Jesus. Quando eles
se sentaram com o Mestre e O viram partir o pão, eles
creram: “Então os olhos deles se abriram, e eles reconheceram
Jesus; mas ele desapareceu da presença deles” (Lc 24.30-31).

“Deus nos deu uma fé cristã objetiva, que tem uma porção cognitiva,
que envolve o nosso intelecto. É por isso que nós temos nossa
razão e as verdades objetivas da Bíblia. Deus também nos deu uma
fé cristã subjetiva, que envolve a experiência. O cristão avança em
sua fé equilibrando as duas, a sua experiência subjetiva testada
pelas Escrituras e a sua compreensão das Escrituras testada pela
sua experiência.” (Houston)
VERSÍCULO-CHAVE
“olhando firmemente para o Autor e Consumador da fé, Jesus, o
qual, em troca da alegria que lhe estava proposta, suportou a
cruz, sem se importar com a vergonha, e agora está sentado à
direita do trono de Deus.” Hb 12.2

ALVO DA LIÇÃO
Ao estudar esta lição, você se sentirá motivado a aprender com o
estudo dos acontecimentos e dos personagens que viveram com
Cristo o dia da crucificação.

LEITURA DA SEMANA
SEG: Hb 12.1-3 | TER: Is 52.13-15 | QUA: Is 53.1-12 | QUI: Mt
5.17-20 | SEX: Mc 10.42-45 | SÁB: Lc 19.1-10 | DOM: Jo 20.29-31
A dúvida é um dos grandes inimigos da fé. É frontal oposição! É um
componente que impede o cristão de desfrutar de bênçãos a ele
reservadas. É própria dos céticos – pessoas que tendem a duvidar
de tudo, e acabam enxergando o que há de pior em todas as
situações e circunstâncias. Os céticos têm caráter desconfiado e
pessimista, precisam ver para crer, exigindo provas contundentes. É
nesse contexto que surge o nosso personagem Tomé, que, quando
confrontado pela cruz, mostrou o caminho da dúvida para a fé.

I. TOMÉ, UM DOS DOZE


Tomé fazia parte do colégio apostólico. Assim como os demais
colegas, deixou tudo e seguiu a Jesus em Seu ministério. Viu os
milagres e ouviu atento a todos os ensinos do Mestre. Mas agora a
realidade é outra. Jesus foi crucificado, morto e sepultado.
Decepção, tristeza da alma e dor eram sentimentos indisfarçáveis.
Esperanças, sonhos e tudo mais foram por água abaixo.
Ingredientes mais do que oportunos para alimentar incertezas no
coração de Tomé.

1. Ausência inoportuna
No domingo da ressurreição, Jesus apareceu aos Seus discípulos.
Tomé, porém, não estava presente. Não viu o Senhor ressurreto.
Não ouviu a Sua saudação: “Que a paz esteja com vocês!” (Jo
20.19).
Tomé não viu o milagre de Deus como viram os demais. Por estar
ausente daquela reunião, perdeu a oportunidade de se alegrar com
seus colegas de ministério e, ainda mais, alimentou incredulidade e
dúvida por mais uma semana.

DESAFIO Faltar às reuniões da igreja é negligenciar o alimento espiritual que o Senhor


PARA preparou para o crescimento espiritual do Seu corpo. “Não deixemos de
NÓS reunir-nos como igreja, segundo o costume de alguns, mas procuremos
HOJE encorajar-nos uns aos outros...” (Hb 10.25 NVI).
2. Homem rude e realista
Para pessoas como Tomé, “as coisas boas sempre parecem boas
demais para serem verdade, e as coisas ruins parecem muito fáceis
de acontecer” (Houston). Certa ocasião, Tomé questionou a Jesus
quando Este afirmava aos discípulos que não ficassem
preocupados, pois Ele iria para o Pai, mas voltaria a fim de buscar
os Seus. Tomé confrontou a Jesus por não saber o que fazer nem o
caminho que teria de seguir (Jo 14.1-5). Algumas pessoas,
diferentemente de Tomé, expressam a fé naturalmente, esperando
sempre em Deus, mesmo sem ter experimentado os muitos
milagres presenciados pelos discípulos e outros que andaram com
Jesus.

Com que lado o nosso coração tem se identificado? Somos pessimistas diante
DESAFIO
da vida? Duvidosos? Tardios em crer?
PARA
É importante refletir nesta questão: se, por muitas vezes, duvidamos do poder
NÓS
de Deus, não seria esta uma deficiência do nosso caráter que ainda não
HOJE
tínhamos notado?

II. TOMÉ E AS CONSEQUÊNCIAS DA DÚVIDA


“Vale mais ter paciência do que ser valente; é melhor saber se
controlar do que conquistar cidades inteiras” (Pv 16.32 NTLH).
Embora Tomé tivesse temperamento pessimista, ele poderia, ao
menos, tê-lo sob o seu controle. No entanto, Tomé...

1. Valorizou demais a dúvida


Tomé se deixou dominar pela insegurança e pelo medo, e se isolou,
preferindo a solidão em vez de se reunir com outros discípulos. Que
pena! Perdeu o encontro com Jesus, perdeu a bênção que iria
transformar o medo em alegria e a ansiedade em paz. É preciso
estar lá quando as lições importantes são ensinadas.

DESAFIO A verdadeira fé não estabelece condições, porém, quando as incertezas


PARA dominam o coração do crente, abre-se caminho para o desânimo espiritual.
NÓS Não deixe que o diabo coloque incertezas no seu coração.
HOJE

2. Valorizou demais o seu modo de pensar


Tomé representa o crente que é dominado pela velha natureza,
aquele que depende de provas, de fatos palpáveis para crer. Ele
reiterou a sua dúvida ao declarar: “Se eu não vir o sinal dos pregos
nas mãos dele, ali não puser o dedo e não puser a minha mão no
lado dele, de modo nenhum acreditarei” (Jo 20.25). Para Tomé, os
relatos sobre o Cristo ressurreto não passavam de movimentos da
imaginação das pessoas que desejavam muito o que, de fato, não
teria acontecido.

3. Exigiu provas tangíveis


Tomé impôs condições para exercer a fé, quis ver as marcas dos
pregos e tocar no corpo de Jesus. Na realidade, essa era sua
maneira habitual de se expressar, pondo em dúvida e confrontando
a todos, o que lhe dava certo status que ele até gostava de
conservar e, por isso, ser chamado o “discípulo que duvidou”. Mas é
importante nos lembrarmos aqui: a incredulidade é um enorme
obstáculo no caminho do cristão!

Não obstante tanta incredulidade, Jesus, que por Seu grande amor,
imensa graça e infindas misericórdias, trabalha em todas as coisas
para o nosso bem, já havia planejado obter e vencer o coração de
Tomé.

III. TOMÉ, FIEL E CORAJOSO


Quando Jesus resolveu voltar à Judeia, por ocasião da notícia da
enfermidade de Lázaro, os discípulos O alertaram quanto ao perigo
que Ele estava se expondo. É nesse momento que a história
enfatiza a coragem e a fidelidade de Tomé. Foi ele quem
disse: “Vamos também nós para morrer com o Mestre!” (Jo 11.16).
Embora pessimista, Tomé foi leal e corajoso, ainda que não
conseguisse vislumbrar o poder de Jesus. Tomé ainda não via a
Jesus como o Deus Filho, a Quem todo poder foi dado, sobre a vida
e sobre a morte.

IV. TOMÉ, DA DÚVIDA PARA A FÉ


Uma semana depois, estando juntos os discípulos e, desta vez,
Tomé com eles, “Jesus veio, pôs-se no meio deles e disse: Que a
paz esteja com vocês.” E a Tomé, Ele disse: “Ponha aqui o seu dedo
e veja as minhas mãos. Estenda também a sua mão e ponha no
meu lado. Não seja incrédulo, mas crente” (Jo 20.26-27). Jesus
estava desafiando o ceticismo de Tomé, convidando-o a continuar
com o seu teste.
A maneira, porém, como Tomé se dirigiu a Jesus revelou a
transformação que estava acontecendo: “Senhor meu e Deus
meu!” (Jo 20.28). Da dúvida para a fé! Tomé se prostrou diante do
Cristo ressurreto e manifestou o seu reconhecimento da divindade
de Jesus, que venceu a morte. Ele é mesmo o Deus Filho!

CONCLUSÃO
“É possível que a experiência de Tomé tenha o propósito de
desbancar argumentos sobre alucinação coletiva ou mera ilusão dos
discípulos, no que tange a ressurreição de Jesus” (Houston).
Lembremo-nos também de que ela afasta as insinuações
levantadas pelas autoridades judaicas ao subornarem os guardas
que vigiavam o túmulo de Jesus (Mt 28.11-15).
Fato é que Jesus Cristo continua, dia após dia, mostrando o poder
da Sua ressurreição de forma visível na vida das pessoas. Por isso,
não podemos nos esconder atrás de ceticismo nem usar como
desculpa o fato de não presenciarmos a ressurreição de Jesus ou
quaisquer dos Seus milagres. Os que vivem pela fé têm um caminho
mais excelente a seguir! Jesus disse a Tomé: “Porque me viu, você
creu? Felizes os que não viram e creram” (Jo 20.29 NVI).
Personagens ao redor da Cruz eBook
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Tom Houston resgata a participação de cada um dos personagens envolvidos na


morte de Jesus na cruz: a multidão, Judas, os sacerdotes, Pilatos, os ladrões,
Maria, os discípulos e muitos mais. O autor fornece insights do contexto histórico
e nos encoraja a imaginar o impacto que o encontro com Jesus teria produzido
nas vidas daqueles personagens. Isso nos permite refletir, ainda hoje. De que
maneira a Cruz de Cristo ainda nos impacta?

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