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CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

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erença
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

Equipe Descomplicando a Música


CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

Proteçã e Direitos Autorais


o

Essa apostila é uma obra elaborada pela equipe Descomplicando a

Música, registrada na Biblioteca Nacional e protegida pela lei nº 9.610, de

19 de fevereiro de 1998.

É proibida toda e qualquer cópia, venda, distribuição ou replicação

desse material, ou parte dele, sem a prévia autorização por escrito dos

criadores.

Disponibilizar para download ou simplesmente distribuir arquivos

protegidos é crime. O usuário, desde já, concorda em manter esse

material para seu uso exclusivo e individual para não sofrer penalidades

previstas em lei.

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Í N D I C EG E R A L

MÓDULO 1: Definições Básicas.....................................................4

MÓDULO 2: Aprendendo a se localizar na música.....................14

MÓDULO 3: Iniciando no mundo dos acordes............................30

MÓDULO 4: Aprendendo a construir acordes............................48

MÓDULO 5: Entrando no mundo da improvisação....................78

MÓDULO 6: Descobrindo a função dos acordes.......................111

MÓDULO 7: Explorando notas e sensações..............................139

MÓDULO 8: Incrementando acordes e tonalidades.................161

MÓDULO 9: Improvisando em funções harmônicas................184

MÓDULO 10: Aprendendo recursos do Jazz.............................216

MÓDULO 11: Expandindo e trabalhando as ideias...................240

MÓDULO 12: Tocando com o coração e com o cerébro..........262

Como Ler Tablatura..............................................................313

Como Ler Partitura................................................................321

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MÓDULO 1

D e f i n i ç õ e sB á s i c a s

O que é Música...............................................5

O que são notas musicais............................7

O que é um timbre..........................................8

O que é sustenido e bemol.............................9

O que são tons e semitons............................10

Identificando notas no instrumento.............12

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D e f i n i ç õ e sB á s i c a s

O que é Música?

Segundo diversos autores, música é a combinação de sons


e silêncios de uma maneira organizada. Vamos explicar com um
exemplo: Um ruído de rádio emite sons, mas não de uma forma
organizada, por isso não é classificado como música. Essa
definição parece simples e completa, mas definir música não é
algo tão óbvio assim. Podemos classificar um alarme de carro
como música? Ele emite sons e silêncios de uma maneira
organizada, mas garanto que a maioria das pessoas não
chamaria esse som de música.

De uma maneira mais didática e abrangente, a música é


composta por melodia, harmonia e ritmo. Melodia é a voz
principal do som, é aquilo que pode ser cantado.

Harmonia é uma sobreposição de notas que servem de


base para a melodia. Por exemplo, uma pessoa tocando violão e
cantando está fazendo harmonia com os acordes no violão e
melodia com a voz. Cada acorde é uma sobreposição de várias
notas, como veremos adiante em outros tópicos. Por isso que os
acordes fazem parte da harmonia.

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Obs: Vale a pena destacar que a melodia não


necessariamente é composta por uma única voz; é possível
também que ela tenha 2 ou mais vozes, apesar de ser menos
frequente essa situação. Para diferenciar melodia de harmonia
nesse caso, podemos fazer uma comparação com um navio no
oceano. O navio representa a harmonia e as pessoas dentro do
navio representam a melodia. Tanto o navio quanto as pessoas
estão se mexendo, e as pessoas se mexem dentro do navio
enquanto ele trafega pelo oceano. Repare que o navio serve de
base, suporte, para as pessoas. Elas têm liberdade para se
movimentar apenas dentro do navio. Se uma pessoa pular para
fora do navio, será desastroso. Com melodia e harmonia, é a
mesma coisa.

Ritmo é a marcação do tempo de uma música. Assim como


o relógio marca as horas, o ritmo nos diz como acompanhar a
música.

Cada um desses três assuntos precisa ser tratado à parte.


Um conhecimento aprofundado permite uma manipulação
ilimitada de todos os recursos que a música fornece, e é isso o

ouvido. Aqui no Descomplicando a Música você vai aprender


como trabalhar tudo isso. Prepare-se!

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O que são notas musicais?

Uma nota musical é o elemento mínimo de um som.


Quando uma corda vibra, ela movimenta as moléculas de ar ao
seu redor. Essa agitação das moléculas ocorre na mesma
frequência de vibração da corda. O ouvido humano capta essa
vibração do ar e a processa atribuindo um som ao cérebro. Para
cada frequência de vibração, o cérebro atribui um som diferente
(uma nota diferente).

As notas musicais podem ser identificadas por letras para


facilitar a escrita e aumentar a velocidade de leitura. A notação
utilizada é universal, o que facilita a comunicação com músicos
de outros países. Existem 7 letras para representar as notas
musicais. A definição das letras e suas notas correspondentes é a
seguinte:

C D E F G A B
dó ré mi fá sol lá si

Existe também outra representação para as notas, que não


depende de letras. É a famosa partitura. Você já deve ter visto
por aí algo parecido com isto:

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Pois bem, isso é uma representação por partitura. Como ela


é bem mais detalhada e completa (envolve ritmos e tudo o mais),
criamos um tópico específico para explicar e ensinar tudo o que
você precisa saber sobre partitura (no final dessa apostila).

Caso esse seja seu primeiro contato com representações


musicais, não se preocupe tanto com a partitura, procure antes
decorar a representação por letras, que é bem mais simples.
Gostaríamos de destacar que, futuramente, a partitura irá te
ajudar muito, portanto não deixe de usufruir de tudo o que a
apostila Descomplicando a Música tem para oferecer. Apenas
seja criterioso consigo mesmo e avance com calma. Estamos aqui
para facilitar o seu aprendizado, então siga o seu próprio ritmo e
aproveite!

O que é um Timbre?

Apesar de aprendermos no colégio que o som é uma onda,


essa onda não é bonitinha (senoidal) como aparece nos livros:

Cada onda sonora apresenta um formato característico,


que depende do material que produziu o som. Isso é o que
define o timbre do som.
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Timbre é o que diferencia dois sons de mesma frequência


(mesma nota). Por exemplo, a nota Dó tocada no violão tem um
som muito diferente da nota Dó tocada no teclado ou na flauta.
Isso significa que esses instrumentos possuem timbres
diferentes.
Observe abaixo alguns exemplos de formas de onda
produzidos por instrumentos diferentes.

Diapasão Clarineta Trompete

O que é Sustenido e Bemol?

Na música ocidental, há 12 notas: dó, dó#, ré, ré#, mi, fá,


fá#, sol, so sustenido.
Dessas 12 notas, 7 delas recebem um nome específico (dó, ré,
mi, fá, sol, lá, si) e as demais são identificadas por um sustenido
(#) ou bemol (b) dessas notas, também chamados de acidentes.
Um sustenido, por definição, é a menor distância entre duas
notas na música ocidental, assim como um bemol. A diferença de
nomenclatura (bemol ou sustenido) serve apenas para indicar se
estamos nos referindo a uma nota acima ou abaixo. Por
exemplo: Ré bemol é o mesmo q

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o
que são tons e semitons

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Abaixo seguem algumas representações e suas equivalências,


para facilitar o entendimento:

Ré # # = Mi
Mi b b = Ré
Mi # = Fá
Fá b = Mi

Na prática, não se costuma usar a escrita (# #) ou (b b) por


que é muito mais fácil dizer, por exemplo, Mi do que Ré ##. Não
faz muito sentido usar essa segunda representação; mostramos
aqui apenas para fins de entendimento. Da mesma forma, não se
costuma utilizar a nomenclatura Mi#, nem Si#, por se tratarem
das notas Fá e Dó, respectivamente.

Se você tiver curiosidade sobre a matemática que há entre


as 12 notas da música ocidental e o que diferencia uma nota da
outra na nossa percepção do cérebro, leia o artigo Matemática
na Música.

Obs: No piano, as teclas brancas contêm as notas com


nome específico (C, D, E, F, G, A, B) e as teclas pretas contêm os
acidentes (C#, D#, F#, G#, A#).

O que são Tons e Semitons?

Um tom é uma distância de dois sustenidos (ou de dois


bemóis). Um semitom é uma distância de um sustenido (ou de

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um bemol). Por exemplo, a distância entre dó e ré é de um tom,


pois entre dó e ré há uma distância de dois sustenidos (de dó
para dó# e de dó# para ré). Simples, não?! Para ficar ainda mais
claro, nada melhor do que uns exercícios:

Qual a distância entre as notas sol e si? Vamos conferir


quantos sustenidos (semitons) há entre sol e si:

Sol Sol# Lá Lá# Si

1 2 3 4

Logo, há 4 sustenidos de distância, totalizando 2 tons.


Agora que você já sabe dizer a distância entre as notas, tente
encontrar a distância entre ré e fá. Depois confira abaixo.

Ré Ré# Mi Fá

123

Logo, a distância é de um tom e meio. Obs: um tom e meio


= um tom + um semitom. Nos instrumentos: violão, guitarra,
baixo, cavaquinho, ukulelê, entre outros, cada casa do braço do
instrumento corresponde a um semitom.

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Identificando as notas no instrumento

Nesse tópico, iremos mostrar como se localizam as


12 notas (C, C#, D, D#, E, F, F#, G, G#, A, A#, B) em alguns
instrumentos. Vamos começar pelo teclado/ piano. Nesse
instrumento, as teclas pretas contêm as notas com acidentes
(sustenidos) e as teclas brancas contêm as demais notas.
Observe abaixo:

No violão/ guitarra, cada corda solta corresponde a uma


determinada nota (E, B, G, D, A, E, respectivamente da mais
aguda para a mais grave). As demais notas estão distribuídas
conforme o desenho abaixo, onde os números representam as
casas do braço:

Observe que no violão é um pouco difícil decorar onde


ficam todas as notas, mas isso se tornará mais fácil à medida que
você for estudando os assuntos aqui na apostila, pois existem
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muitos atalhos que ajudam na localização imediata (pensar nos


graus, acordes, escalas, etc.). Com o tempo, certamente o braço
desse instrumento estará completamente dominado por você,
não se preocupe.

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MÓDULO 2

A p r e n d e n d oas e
l o c a l i z a rn am ú s i c a

Intervalo, enarmonia, altura e intensidade....15


O que são escalas............................................16
Desenhos para as escalas naturais.................20
O que são graus...........................................22
Diminuta, aumentada e justa.........................23
O que são oitavas............................................28

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A p r e n d e n d oas e
l o c a l i z a rn am ú s i c a

Intervalo, enarmonia, altura e intensidade

Intervalo: é a distância entre dois sons. Podemos usar esse


termo para dizer: intervalo de um tom, intervalo de um semitom;
enfim, qualquer distância entre duas notas é um
intervalo. Geralmente, esse termo é usado junto com a definição
de graus, como veremos nos próximos tópicos.

Enarmonia: é quando existem nomes diferentes para um


mesmo som. Por exemplo, Dó sustenido é o mesmo que Ré bemol.
Diz-se, portanto, que essas notas são enarmônicas.

Altura de um som: é o que define se um som é agudo ou


grave. Sons altos são agudos e sons baixos são graves. O que faz
um som ficar agudo ou grave é a frequência do som.

Intensidade (ou volume) de um som: é o que define se um


som é fraco ou forte. Quando mexemos no botão de volume de
um aparelho de som, estamos alterando a intensidade da
música. É comum as pessoas dizerem que, aumentando o
volume, o som
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fica mais "alto", mas essa definição está incorreta, pois o volume
não altera a frequência do som (não deixa mais agudo nem mais
grave). Volume somente altera a intensidade.

O que são escalas?

Uma escala é uma sequência ordenada de notas. Por


exemplo: dó, ré, mi, fá, sol, lá, si, dó...repetindo esse ciclo. Nessa
escala, começou-se com a nota dó e foi-se seguindo uma
sequência bem definida de intervalos até o retorno para a nota
dó novamente. Essa sequência de distâncias foi: tom, tom,
semitom, tom, tom, tom, semitom...repetindo o ciclo. Essa escala é

sequência (escala maior) começando de uma nota que não fosse


dó, por exemplo, sol. A escala então seria sol, lá, si, dó, ré, mi,
fá#, sol... Note como a mesma lógica foi seguida (tom, tom,
semitom, tom, tom, tom, semitom). No primeiro caso, formamos a
escala maior de dó. No segundo caso, a escala maior de sol.

Seguindo a mesma lógica podemos montar a escala maior


de todas as 12 notas que conhecemos. Faça isso como exercício
e depois confira abaixo. Mostraremos a escala maior das 7 notas
básicas:

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Intervalo da Escala Tom Tom Semi-tom Tom Tom Tom Semi-tom


Escala de Dó maior C D E F G A B C

Escala de Ré maior D E F# G A B C# D

Escala de Mi maior E F# G# A B C# D# E

Escala de Fá maior F G A Bb C D E F

Escala de Sol maior G A B C D E F# G

Escala de Lá maior A B C# D E F# G# A

Escala de Si maior B C# D# E F# G# A# B

Para outras escalas, temos outras sequências a serem


seguidas (outros intervalos). escala menor
exemplo, é formada a partir da seguinte sequência: tom,
semitom, tom, tom, semitom, tom, tom...repetindo o ciclo.

Vamos construir então a escala de dó menor. Você já é


capaz de construir essa escala. Basta seguir essa sequência dada
começando pela nota dó. Fica assim:

dó, ré, ré#, fá, sol, sol#, lá#, dó... repetindo o ciclo.

As notas ré#, sol# e lá# equivalem, respectivamente, a mib,


láb e sib. Poderíamos reescrever então a sequência acima como:

dó, ré, mib, fá, sol, láb, sib, dó.

Note que a escala é absolutamente a mesma; a única


diferença é que antes ela estava escrita com os
acidentes sustenidos (#), e agora ela foi escrita com os

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acidentes bemóis (b). Geralmente a escala menor de dó é escrita


da segunda forma e não da primeira. Por quê? Simplesmente
porque nela todas as 7 notas apareceram (com ou sem
acidentes). No primeiro caso, a nota si não aparece. Isso muda
alguma coisa? Faz diferença? NÃO. Mas nas literaturas você
provavelmente vai encontrar a segunda descrição, pelo motivo
mencionado. Na realidade, a preferência pela segunda descrição
tem um sentido mais profundo, pois facilita a observação das
funções harmônicas, mas não se preocupe com isso agora.
Confira então as digitações da escala maior e

menor: Escala Dó maior:

Escala Dó menor:

Obs: No braço do violão/ guitarra, para se obter a escala de

esse mesmo desenho para a nota que se deseja. Experimente


testar fazendo esse mesmo desenho (mesmo shape) da escala
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maior de dó partindo da nota Ré. Depois confira as notas geradas


comparando com a tabela que mostramos anteriormente. Isso é
ótimo, não? Significa que só precisamos decorar um desenho
para cada escala! No teclado, não temos esse privilégio. Porém,
o teclado apresenta outras inúmeras vantagens facilitadoras.
Cada instrumento tem seus prós e contras!

Ok, voltando ao assunto, talvez você esteja se perguntando

Isso é apenas uma definição. A diferença dessas escalas


está no terceiro grau, no sexto grau e no sétimo grau. Na
escala

são menores. Por isso resolveu-se chamar a primeira escala de

outros tipos de escalas maiores e menores, essas escalas básicas


que acabamos de ver recebem escalas naturais
são as mais básicas e primitivas no estudo de música. Nos
próximos artigos você entenderá bem essa questão dos graus,
não se preocupe se achou estranho esses termos.

chamadas de escala diatônica maior e escala diatônica menor. O


nome "diatônica" significa "movimentar-se pela tônica". Sempre
que utilizarmos o termo "diatônico" ou "nota diatônica",
estamos dizendo que essa nota pertence à tonalidade natural; ou
seja, a nota faz parte de uma escala maior ou menor natural.

Existem diversas outras escalas, como veremos em outros


tópicos. Mas a moral é sempre a mesma. Tem-se uma sequência

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definida de tons e semitons e, a partir disso, monta-se a escala


começando da nota que se desejar. Simples assim.

Ok, tudo muito legal, muito bonito, mas para que serve
cada escala?? Onde elas são utilizadas?! Meu amigo, é aí que
mora o segredo! Isso ninguém fala! Você vai encontrar textos em
livros e na internet mostrando diversas escalas, mas duvido que
alguém explique onde aplicar cada uma.

Felizmente, você está no lugar certo! Organizamos todos os


conteúdos aqui da apostila de maneira que você consiga ter toda
a base necessária para deslanchar esse assunto. Falaremos de
cada escala especificamente mostrando como aplicá-las e tudo o
mais. Esses segredos não são revelados assim de bandeja em
lugar algum, mas aqui no Descomplicando a Música você vai
aprender tudo o que precisa. Aliás, mesmo pagando por aí,
dificilmente você encontraria material de qualidade sobre esse
tema. Acredite. Não é à toa que tão poucos músicos sabem
teoria musical de verdade. Nosso material está tentando
derrubar essa barreira.

Desenhos para as escalas maiores naturais

Já ensinamos o conceito básico sobre escalas e mostramos


a digitação das escalas maior e menor naturais. Nesse tópico,
iremos apenas mostrar (para abrir as ideias) outras formas de
digitação para a escala maior no violão/ guitarra. É importante
observar como, nesses instrumentos, uma mesma escala pode
ter
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CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

vários formatos ( ). Observe abaixo alguns dos desenhos


mais comuns para a escala de Dó maior:

Começando da 5ª corda:

Outra variação começando da 5ª corda:

Começando da 6ª corda:

Outra variação começando da 6ª corda:

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O que são graus?

tranho
num primeiro momento. Porém, como vamos ver, essa
terminologia é simples e pode ser muito útil. Se numerássemos
a escala de Dó maior da seguinte forma: Dó (1º grau), Ré (2º
grau), Mi (3º grau), Fá (4º grau), Sol (5º grau), Lá (6º grau), Si (7º

referindo à nota Sol.

Por isso, acaba sendo muito útil falar das notas de uma
música em termos de graus. A lógica é a mesma que foi
apresentada acima, aplicada a cada nota de interesse. Por
exemplo, podemos construir os graus partindo da nota Ré:

Ré (1º grau), Mi (2º grau), Fá (3º grau), Sol (4º grau), Lá (5º
grau), Si (6º grau), Dó (7º grau).

Então, se alguém pedisse, digamos, o 3º grau de Ré, você


saberia que se trata da nota Fá. Observe que estamos
trabalhando dentro da escala de dó maior nesses exemplos
todos. Isso precisa ser especificado (em qual escala estamos
trabalhando).

De uma maneira prática, para saber a nota que se refere a


algum grau basta contar nos dedos as notas partindo da nota
que foi definida como 1º grau. Abaixo seguem alguns exemplos,
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CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

ainda dentro da escala de dó maior (tome como exercício):

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CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

- Segundo grau de Mi: Fá


- Quarto grau de Sol: Dó
- Sétimo grau de Si: Lá

tônica

Esses exemplos foram utilizados apenas para fins didáticos.


Na prática, você verá que os graus são muito utilizados dentro do
contexto de campos harmônicos. Você aprenderá como se situar

Antes disso, aprenderemos


(nos tópicos "o que é diminuta, aumentada e justa" e "conceitos
complementares sobre graus") outros detalhes importantes
sobre graus.

O que significa diminuta, aumentada e justa?

Se você leu o artigo sobre graus, reparou que mencionamos


apenas 7 notas da música ocidental (C, D, E, F, G, A, B). Mas e se
quiséssemos utilizar uma referência de graus para as demais
notas também (C#, D#, F#, G#, A#)? Para isso existe uma
definição mais abrangente, como veremos agora:

A primeira nota é representada pelo primeiro grau, como já


vimos. Esse grau pode ser chamado também de primeiro grau
maior. Vamos utilizar como exemplo de primeiro grau a nota
Dó.

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CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

Nesse caso, a nota Ré é o segundo grau, também chamado


de segundo grau maior. A nota Dó# (ou Ré b), nesse caso, é o

para indicar se o intervalo (distância entre as notas) é curto ou


longo. Intervalos maiores são longos e menores são curtos.

representou o intervalo de um tom (pois Ré está um tom acima

meio tom (Ré bemol está meio tom acima de Dó). Portanto,
esses nomes foram dados apenas para termos uma indicação da
distância entre as notas. Expandindo o conceito para todas as
notas, partindo de Dó, teremos o seguinte:

C Primeiro grau maior


C# Segundo grau menor
D Segundo grau maior
D# Terceiro grau menor
E Terceiro grau maior
F Quarta justa
F# Quarta aumentada (ou Quinta diminuta)
G Quinta justa
G# Quinta aumentada (ou sexta menor)
A Sexta maior
A# Sétima menor
B Sétima maior

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CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

Provavelmente você está se perguntando por que raios


aumentada justa diminuta
que é apenas uma definição, e é esse linguajar que você vai
encontrar em qualquer livro de música ou . A lógica é
maior menor
ndica

Mas não poderíamos simplesmente utilizar os nomes

que existem esses outros nomes? Nos tópicos mais avançados


você vai compreender que isso acaba sendo bastante útil. Por
enquanto, apenas memorize essas nomenclaturas e o que elas
representam. Como você viu, não há nenhum mistério, são
apenas nomes dados para graus específicos.
Vamos agora exercitar essa nomenclatura partindo de
outras notas além de Dó:

ESCALA COM 12 NOTAS


Primeiro grau maior C C# D D# E F F# G G# A A# B
Segundo grau menor C# D D# E F F# G G# A A# B C
Segundo grau maior D D# E F F# G G# A A# B C C#
Terceiro grau menor D# E F F# G G# A A# B C C# D
Terceiro grau maior E F F# G G# A A# B C C# D D#
Quarta justa F F# G G# A A# B C C# D D# E
Quarta aumentada F# G G# A A# B C C# D D# E F
Quinta justa G G# A A# B C C# D D# E F F#
Quinta aumentada G# A A# B C C# D D# E F F# G
Sexta maior A A# B C C# D D# E F F# G G#
Sétima menor A# B C C# D D# E F F# G G# A
Sétima maior B C C# D D# E F F# G G# A A#

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CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

A partir do sétimo grau, as notas começam a se repetir, pois


o 8º grau já é igual ao 1º grau. Seguindo essa lógica:

O 9º grau é igual ao 2º grau.


O 11º grau é igual ao 4º grau.
O 13º grau é igual ao 6º grau.

Você deve estar se perguntando: se não há necessidade de


se falar em graus após o sétimo, pelo fato de se repetir, por que
então se usam as notações 9º, 11º e 13º?? Bom, alguns músicos
preferem utilizar esses graus para deixar claro qual oitava deve
ser utilizada. Por exemplo: se estiver escrito em uma cifra apenas
Cm6, provavelmente você irá montar o acorde de dó menor e
pegar o sexto grau mais próximo para formar o Cm6. Agora,
escrevendo Cm13, você saberia que deve utilizar o sexto grau
uma oitava acima, e não o sexto grau mais próximo. A única
diferença entre esses dois acordes é uma sonoridade levemente
distinta devido à oitava utilizada para o 6º grau (nos próximos
tópicos, falaremos tudo o que você precisa saber sobre acordes e
cifras, não se preocupe caso não tenha entendido esse exemplo).

Quanto à extensão 9ª, ela quase sempre aparece uma


oitava acima, por isso é utilizada em vez de 2ª. Mas não se
surpreenda ao ver o número 2 em cifras por aí, pois a notação
americana gosta de colocar o número 2 ao invés do número 9.

É importante você saber detalhes como esse para não ficar


com dúvidas sobre essas nomenclaturas.

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Muito bem, vamos falar agora da utilidade prática dessa


notação toda que vimos! Podemos nos referir a qualquer nota
que quisermos tomando como base alguma nota de referência,
da mesma maneira que fizemos no artigo o que são graus.
Tomaremos aqui o mesmo princípio do artigo anterior, pois
estamos apenas complementando o assunto. Porém, antes a gente
trabalhou em cima da escala de dó maior, pois ao dizer apenas

era maior, menor, justo, diminuto ou aumentado. Por isso, foi


necessário dizer que os graus seriam conforme o formato da
escala maior. Agora não será mais necessário se vincular a uma
escala, pois vamos especificar cada grau separadamente.
Seguem abaixo alguns exemplos (exercícios):

Terceiro grau menor de Dó: Ré#


Sétimo grau menor de Sol: Fá
Segundo grau menor de Ré: Ré#
Quinta aumentada de Dó: Sol#
Quarta justa (ou quarto grau) de Lá: Ré
Quinta diminuta de Si: Fá

Você pode conferir essas respostas com a tabelinha que


mostramos antes.

Obs: Por enquanto, estamos falando apenas de notas, não de

acordes, mas isso é outra abordagem! Cuide para não confundir


as coisas, aqui estamos falando apenas de notas e de sua
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CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

nomenclatura isolada. Quando o assunto é acordes, a


nomenclatura tem outro objetivo. Por isso é importante essa
distinção. Mantenha isso em mente.

O que são oitavas?

Provavelmente você já ouviu

Dizer que uma nota está uma oitava acima significa dizer
que a nota é a mesma, porém ela está em uma região mais
aguda do instrumento.

Imagine um piano. Nele, as teclas da esquerda são mais


graves do que as teclas da direita. Se você for apertando as teclas
brancas, partindo de dó, da esquerda para a direita, vai seguir a
sequência: dó, ré, mi, fá, sol, lá, si, dó...continuando nesse ciclo
até terminarem as teclas do piano. Como as notas vão ficando
mais agudas, fica fácil de perceber que o próximo dó será mais
agudo que o anterior. Sempre que se termina um ciclo e a nota
volta a ser dó, completa-se uma oitava.

"o que são


graus"), fazendo com que Dó seja o oitavo grau. Por isso o nome
Usamos aqui o exemplo de Dó, mas isso é válido para
qualquer nota, desde que se comece e termine na mesma nota. Se
partíssemos de Ré, fecharíamos uma oitava quando
chegássemos à Ré novamente. A mesma lógica pode ser
aplicada para uma
oitava abaixo, onde o som fica mais grave.

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CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

Como a música ocidental possui 12 notas (12 semitons),


podemos concluir que uma oitava compreende a distância de
seis tons. Confira abaixo como em 6 tons retornamos à nota de
origem:

C C# D D# E F F# G G# A A# B C

1 2 3 4 5 6

Apenas a título de curiosidade, os pianos geralmente


possuem cerca de 7 oitavas.

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MÓDULO 3

I n i c i a n d on oM u n d od o s a c o r d e s

O que são acordes, tríades e tétrades?........31

Conceitos complementares sobre graus......34

O que são cifras e compassos.......................39

Notação para os dedos da mão....................41

O que é arpejo de um acorde?.....................43

Música popular, erudita, riff, frase, feeling

e acidente......................................................44

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I n i c i a n d on oM u n d od o s a c o r d e s

O que são acordes, tríades e tétrades?

Um acorde é a união de duas ou mais notas tocadas


simultaneamente. Há inúmeras combinações possíveis de se
fazer com notas, resultando os mais diversos acordes. Então,
para facilitar a vida dos músicos, cada acorde recebe um nome.
Esse nome é baseado nas notas fundamentais que conhecemos
(dó, ré, mi, fá, sol, lá, si).

Antes de aprender como se dá nome aos acordes, é


importante saber que alguns acordes recebem o mesmo nome
das notas (dó, ré, mi, fá, sol, lá, si). São os chamados acordes
naturais. Cada um desses acordes é formado por três notas. E
existe uma regrinha para descobrir quem são essas três notas.

As notas que formam os acordes naturais são o primeiro, o


terceiro e o quinto graus de suas respectivas escalas. Mais
adiante, iremos aplicar essa regra na prática, para facilitar a
visualização. Antes disso, vale a pena saber que um acorde pode
ser maior, menor ou suspenso. Essas nomenclaturas estão
relacionadas com o terceiro grau. Para formar os acordes
maiores, você usa o terceiro grau maior. Para formar os acordes
menores, você usa o terceiro grau menor. Quando o acorde não

33
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

possui o terceiro grau, ele não pode ser classificado como maior,

ara dizer que o acorde é suspenso. Quando não houver


nenhum desses símbolos, significa que o acorde é maior. Veja os
exemplos abaixo, utilizando o acorde de dó:

C Dó maior
Cm Dó menor
Csus Dó suspenso

Já o quinto grau, em ambos os casos (acordes maiores ou


menores naturais), é a quinta justa. Muito bem, quando falamos
das três notas que formam os acordes naturais, estamos falando
da tríade de cada acorde. Esse nome existe para representar as
notas de formação dos acordes. A definição de tríade então é
essa: três notas que formam os acordes naturais (1º, 3º e 5º
graus).

Bom, agora que já aprendemos as regras, vamos formar


acordes utilizando esses conceitos. Pense num acorde que você
quer formar. Por exemplo, Dó maior.

Primeiro grau: Dó
Terceiro grau maior: Mi
Quinto grau (quinta justa): Sol

Portanto, o acorde de Dó maior é formado pelas notas Dó,


Mi e Sol. Basta que você aperte (ou deixe soar) essas notas no
seu
34
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

instrumento que você terá o acorde de Dó maior. Vamos formar


agora o acorde de Fá menor:

Primeiro grau: Fá
Terceiro grau menor: Sol sustenido
Quinta justa: Dó

Portanto, o acorde de Fá menor é formado pelas notas Fá,


Sol sustenido e Dó.

Até agora, vimos apenas os acordes naturais. Expandindo


um pouco o conceito, podemos trabalhar com 4 notas em vez de
somente 3, e fazemos isso acrescentando o sétimo grau aos
nossos acordes anteriores. Assim formamos os acordes com
sétima. O conjunto dos graus primeiro, terceiro, quinto e sétimo
consistem em uma tétrade. O sétimo grau pode ser maior ou
menor.

Legal, então a partir de agora quando você ouvir falar

primeiro, terceiro, quinto e sétimo graus do acorde em questão.

são as notas que caracterizam uma função harmônica. Por


enquanto, é suficiente saber apenas que essas notas são a coluna
vertebral do acorde. Elas que definem de quem estamos falando,
elas que nos orientam.

35
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

Conceitos complementares sobre graus

o que significa aumentada, diminuta e justa


nomenclaturas "aumentada" e "diminuta" foram utilizadas
somente para os graus 4º e 5º. Porém, veremos agora que esses
nomes podem ser utilizados para os demais graus também.
Nesse caso, para os graus que já possuem a denominação
"maior" e "menor", a nomenclatura "aumentada" significará
um semitom acima do grau maior. Por exemplo:

O segundo grau maior possui um tom de distância da


tônica. O segundo grau aumentado possui um tom e meio
de distância da tônica.

O terceiro grau maior possui 2 tons de distância da tônica.


O terceiro grau aumentado possui 2 tons e meio de
distância da tônica.

Da mesma forma, a nomenclatura "diminuta" significa um


semitom abaixo da nomenclatura "menor". Exemplos:

O terceiro grau menor possui um tom e meio de


distância da tônica. O terceiro grau diminuto possui
um tom de distância da tônica.

O sétimo grau menor possui 5 tons de distância da


tônica. O sétimo grau diminuto possui 4 tons e meio de
distância da tônica.
36
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

Bom, vamos resumir tudo o que vimos até agora sobre


graus, para ficar bem claro.

Caso você ainda tenha dificuldade em pensar nos tons e


semitons, acompanhe esse estudo com o diagrama abaixo (onde
ST significa "semitom"):

ST ST ST ST ST ST ST ST ST ST ST

C C# D D# E F F# G G# A A#

TOM TOM TOM TOM TOM

Para todos os graus teremos então as seguintes distâncias:


Usando o exemplo de Dó como primeiro grau:

2º maior - está a 1 tom da tônica (D)


2º menor - está a meio tom da tônica (Db)
2º aumentada - está a 1 tom e meio da tônica (D#)
2º diminuta - não existe

Obs: Optamos por escrever todos os acidentes em relação a


Ré aqui pois essa é a nota do segundo grau em relação a Dó.
Poderíamos ter escrito, por exemplo, Eb em vez de D#, mas a
ideia aqui é pensar no Ré.

37
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

3º maior - está a 2 tons da tônica (E)


3º menor - está a 1 tom e meio da tônica (Eb)
3º aumentada - está a 2 tons e meio da tônica (E#)
3º diminuta - está a 1 tom da tônica (Ebb)

Obs: Apenas para enfatizar, colocamos todos os acidentes


aqui em relação a Mi, pois ele é o terceiro grau de Dó. Por isso
que apareceu Ebb em vez de Ré. Dessa forma, a lógica fica mais
clara. Continuaremos seguindo essa linha de raciocínio.

4º justa - está a 2 tons e meio da tônica (F)


4º aumentada - está a 3 tons da tônica (F#)
4º diminuta - está a 2 tons da tônica (Fb)

5º justa - está a 3 tons e meio da tônica (G)


5º aumentada - está a 4 tons da tônica (G#)
5º diminuta - está a 3 tons da tônica (Gb)

6º maior - está a 4 tons e meio da tônica (A)


6º menor - está a 4 tons da tônica (Ab)
6º aumentada - está a 5 tons da tônica (A#)
6º diminuta - está a 3 tons e meio da tônica (Abb)

7º maior - está a 5 tons e meio da tônica (B)


7º menor - está a 5 tons da tônica (Bb)
7º aumentada - está a 6 tons da tônica (B#)
7º diminuta - está a 4 tons e meio da tônica (Bbb)

38
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

Talvez pareça meio desnecessária essa definição que


acabamos de mostrar, afinal o segundo grau aumentado é
idêntico ao terceiro grau menor, por exemplo. Isso parece ser
uma coisa criada só para confundir a nossa cabeça. Bom,
realmente, não há necessidade de utilizarmos essa nomenclatura
"aumentada" e "diminuta" para os graus que já possuem a
definição "maior" e "menor". Porém, ela pode nos ajudar.
Espere um pouco, ajudar?!

Isso mesmo. Imagine que estamos querendo montar um


acorde que possui uma determinada tríade. Vamos montar essa
tríade com a quinta diminuta em vez de quinta justa, ok?
Digamos Dó menor com quinta diminuta. Como o acorde é
menor, já sabemos que o terceiro grau é menor:

Primeiro grau: C
Terceiro grau menor: Eb
Quinta diminuta: Gb

Esse é o nosso Dó menor com quinta diminuta. Digamos


agora que o vocalista da banda pede para acrescentarmos a nota
Lá a esse acorde. Tudo bem, acrescentamos a nota Lá, mas como
iremos chamar esse acorde? A nota Lá é o sexto grau maior,
então o acorde irá se chamar: "Dó menor com quinta diminuta e
sexta maior".

Ok, até aqui não aplicamos nenhum conceito novo. Esse


acorde possui apenas 4 notas (tétrade) e ficou com um nome
bem grande e complicado. As tétrades mais comuns que

39
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

conhecemos possuem nomes simples (Si menor com sétima, Fá


com sétima maior, etc.), mas esse nosso Dm6(b5) está chato de
se visualizar por causa do nome. Vamos aplicar então os
conceitos que vimos agora há pouco. O sexto grau maior
também pode ser chamado de sétimo grau diminuto.

Isso é interessante de se observar, pois nossa tétrade aqui


teria os graus básicos 1, 3, 5 e 7 (o que é o mais comum e fácil de
enxergar do que 1, 3, 5 e 6).

Legal, mas isso facilitou alguma coisa na nossa


nomenclatura? Sim! Como temos uma tétrade comum (graus 1,
3, 5 e 7) e dois desses graus são diminutos (o quinto e o sétimo),
decidiu-se que esse acorde se chamaria "acorde diminuto". Ou
seja, em vez de "Dó menor com quinta diminuta e sexta maior"
temos "Dó diminuto".

Essa foi apenas uma aplicação para essa terminologia.


Existem outras situações em que você verá esses conceitos
também, quando quisermos manter o foco em determinadas
notas em alguns contextos, então é bom que você saiba dessa
nomenclatura para não se assustar quando vir por aí escrito
"terceiro grau aumentado", por exemplo. É só uma questão de
referência.

40
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

O que são cifras e compassos

Cifra é uma notação para representar os nomes


dos acordes. Já aprendemos que a nomenclatura básica para as
notas é a seguinte:

C Dó
D Ré
E Mi
F Fá
G Sol
A Lá
B Si

Agora iremos destacar que os acordes também são


identificados com essa notação. Em uma cifra, o nome do acorde
acaba recebendo o nome da nota fundamental (1º grau) do
acorde. Por exemplo, um acorde formado pela tríade C, E, G é
chamado de C (Dó). Geralmente, essa é a nota mais grave (que
está no baixo) do acorde. Mas esse detalhe do baixo não é uma
regra, pois o acorde pode estar invertido (não se preocupe com
esse detalhe agora, pois estudaremos esse assunto
profundamente em outros tópicos).

Bom, é por isso que existe o termo "cifrar" uma música:


significa escrever os acordes na ordem em que eles aparecem
dentro da música. Geralmente isso é feito em cima da letra da

41
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

música, mostrando o ponto certo em que o acorde deve ser


tocado, como no exemplo abaixo:

C
Outra maneira de escrever uma cifra é representando os
Atirei o pau no gato -
compassos da música. Para quem não sabe partitura, vamos dar
to
uma breve definição simplista: compasso é um intervalo de
Dm
tempo. Acordes que possuem a mesma duração (ficam a mesma
Mas o gato -
quantidade de tempo) na música, ficam divididos por compassos
to
iguais. Quando um acorde, nesse caso, dura a metade do tempo
C
dos outros acordes, dizemos que ele durou meio compasso. A
representação dos compassos é por meio de barras | |. Nessa
representação, a letra da música não precisa aparecer. Por
exemplo, o trecho da música acima poderia ser escrito da
seguinte forma:

| C | C | Dm | C |

Note que o acorde de Dó apareceu duas vezes consecutivas


no início, pois ele durou dois compassos (o dobro do tempo do
acorde Dm).

42
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

Procure decorar a simbologia das cifras que mostramos


aqui caso ainda não saiba. Escreva num papel todas as notas
utilizando sua representação e mentalize a qual nota cada letra
se refere. Em pouco tempo essa leitura já estará automática.

Notação para os dedos da mão

A notação utilizada aqui no site para representar


os acordes no violão é a seguinte:

Onde os números nas cordas representam os dedos da mão


esquerda, conforme abaixo:

2 3
1
4

43
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

O número à esquerda do desenho (destacado em vermelho


logo abaixo) informa qual a casa do instrumento que aquele
espaço está:

Nesse exemplo, aquele número representa a 1ª casa do


braço do violão. Caso haja um traço em alguma casa na
representação, como no exemplo abaixo:

Isso representa uma pestana, ou seja, o dedo indicador


deve ficar esticado naquela casa.

Abaixo das cordas, informaremos qual nota corresponde a


cada digitação do acorde. Observe abaixo (em vermelho):

44
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

Quando não aparecer nenhuma nota em alguma corda,


significa que aquela corda não deve ser tocada. No desenho
anterior, a 6ª corda não possui nenhuma nota escrita embaixo,
logo, não deve ser tocada:

O que é arpejo de um acorde?

Arpejo é quando as notas de um determinado acorde são


tocadas uma após a outra. Por exemplo, as notas que formam o
acorde de Dó maior são: C, E, G. Quando tocamos essas 3 notas
separadamente uma após a outra, formamos o arpejo de Dó, e
quando tocamos essas 3 notas ao mesmo tempo, formamos
o acorde de Dó.

Vale a pena destacar que os guitarristas costumam utilizar


também outra definição para arpejo, associada a uma técnica.
Essa técnica é a habilidade de se tocar uma nota por corda, com
movimentos de sobe e desce no braço do instrumento,
abrangendo também variações (arpejo com salto de corda, micro
arpejo, etc.).

45
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

Por isso, é bom não confundir as coisas aqui. Sempre que


falarmos de arpejo, estaremos falando de notas associadas a um
acorde. Do contrário, deixaremos claro.

Música popular, erudita, riff, frase, feeling


e acidente

Música Popular x Erudita: Existe uma divisão que define


somente dois estilos musicais: o popular e o erudito. O popular é
aquilo que está ao alcance das massas, grande população, rádio,
etc. O erudito, ou clássico, é aquilo que não vêm de tradições
folclóricas ou populares, estando restrito a uma pequena parte
da população. A música erudita abre pouco espaço para a
improvisação e é focada na execução e performance de uma
peça.

A equipe Descomplicando a Música, no entanto, não


concorda com essa separação em duas classes musicais, pois ela
dá a entender que a música erudita é a elite musical e o resto é a
"sobra". Quando nós falarmos em "Música popular" aqui na
apostila, entenda que estamos falando daquilo que realmente é
popular aqui no Brasil (pop, sertanejo, etc). Outros estilos como
o jazz, por exemplo, serão citados à parte e não estarão inclusos
na definição de "popular".

Riff: É uma gíria muito utilizada no mundo da guitarra


para descrever um pequeno trecho executado nesse
46
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

instrumento.

47
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

Por exemplo, a introdução da música do


Guns N' Roses é um riff. Geralmente, o riff é um trecho repetido
mais de uma vez na música. Qualquer coisa pode ser um riff, até
mesmo uma determinada levada rítmica em um acorde. Riff é
um termo bem genérico.

Frase musical: É um determinado trecho de um solo. Uma


frase passa a ideia de começo e fim, tendo algum sentido ou
significado, como no português. Um solo escrito em partitura
pode ter muitas frases divididas por compassos. Não existe regra
quanto ao tamanho de uma frase musical, esse termo é
empregado da mesma forma que o riff (sem muitos critérios). A
diferença é que a frase é um termo mais utilizado no contexto de
solos, enquanto a definição de riff é mais abrangente e faz mais
sentido para trechos repetitivos.

Acidente: É toda nota que não pertence a uma


determinada escala ou tonalidade. Por exemplo, observe a escala
de Dó maior:
C, D, E, F, G, A, B

As notas C#, D#, F#, G#, A# são chamadas de acidentes,


nesse caso, pois não pertence a essa escala. Coincidentemente,
como a escala de Dó maior não possui nenhuma nota
com sustenido (ou bemol), os acidentes todos aparecem com
essas alterações. Agora, se a escala em questão fosse Mi maior:

E, F#, G#, A, B, C#, D#


Os acidentes seriam as notas F, G, A#, C, D.
48
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

Repare, portanto que "acidente" não significa "sustenido".


Na maioria das explicações aqui na apostila estaremos usando
como referência a escala de Dó maior, então você vai ouvir esses
termos (acidente e sustenido) como se fossem sinônimos, mas
lembre-se de que eles apenas são sinônimos nesse contexto
específico de Dó maior. A definição real de acidente é aquilo que
não pertence à escala em questão.

Feeling: Termo em inglês que significa "sentimento". No


ramo da música, dizemos que o instrumentista tem feeling
quando ele consegue colocar sentimento naquilo que está
tocando. Esse sentimento pode ser tanto uma expressão técnica
(execução perfeita de técnicas bem colocadas que mexem com
nossas sensações), como pode ser uma colocação adequada de
notas (sentimento provocado por melodias agradáveis).
Resumindo, feeling é o que diferencia um músico de um robô,
pois um robô pode ser programado para tocar inúmeras notas
por segundo, mas ele próprio não tem expressão ou criatividade
na música. A escolha adequada das notas e das técnicas depende
do contexto e do clima que a música está impondo.

Muitos dizem que tocar rápido é sinônimo de não ter


feeling, mas isso não é verdade. O feeling não está preso a
nenhum padrão de velocidade, escalas ou estilos. Acima de tudo,
feeling é algo muito pessoal e está ligado à emoção.

Por isso, a própria definição de feeling vai depender do


gosto pessoal do ouvinte e do seu estado emocional no
momento da execução do trecho musical. Evidentemente,
49
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

quanto mais

50
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

conhecimento de teoria musical o instrumentista tiver, mais


opções e ideias ele vai ter para surpreender e mexer com as
emoções das pessoas. A equipe Descomplicando a Música está
aqui para ajudar você a explorar esse potencial.

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CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

MÓDULO 4

A p r e n d e n d oac o n s t r u i r a c o r d e set o n a l i d a d e s

Como dar nome aos acordes Parte I................49

Como dar nome aos acordes - Parte 2.............57

Como dar nome aos acordes - Parte 3.............63

Como se formam os campos harmônicos...........66

Tonal, atonal, nota de passagem, outside notes. 74

Cromatismo - Escala Cromática....................75

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CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

A p r e n d e n d oac o n s t r u i r a c o r d e set o n a l i d a d e s

Como dar nome aos acordes Parte I

Você já passou por alguma situação triste envolvendo


acordes? Lá está você querendo tocar uma música, aí consegue
baixar a cifra da internet. Ótimo (você pensa). Então em algum
ponto da música aparece um acorde que você nunca viu. Puxa
vida, que acorde é esse? Você corre para um dicionário de
acordes, digita o acorde em questão, mas o dicionário não traz
nenhum acorde com aquele nome. É o fim, nem o dicionário de
acordes conhece! Na realidade, talvez você pense que a única
maneira de saber montar um acorde é decorando-o. Se você não
possui um banco de dados gigantesco na sua cabeça, nunca
saberá muitos acordes. Bom, saiba isso é uma grande besteira.

Correr atrás de dicionário de acordes é coisa de novato.


Agora você vai aprender a não depender mais dele. Até mais do
que isso, vai aprender a ser melhor do que ele!

Como tudo na música, existe uma regra lógica para se


definir o nome de cada acorde. Se você sabe a regra, sabe
montar e nomear qualquer acorde no seu instrumento.
Maravilha, vamos aprender então como se faz isso! Você olhará
um acorde
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CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

-lo sem ajuda externa. E mais,

54
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

um amigo seu irá montar qualquer acorde ou combinação de


notas no seu instrumento e você dirá para ele qual acorde ele
está fazendo. Não importa o que ele faça, ele pode ficar o dia
todo inventando acordes, você sempre saberá o nome de todos
eles.

Iremos utilizar o violão como exemplo, mas esses conceitos


se aplicam a qualquer instrumento. Então vamos lá: Você já
aprendeu como se formam os acordes maiores, menores e com
sétima. Mas talvez não tenha ficado muito claro como se faz para
montar esses acordes no seu instrumento. Bom, é muito simples,
basta que você faça soar todas as notas que formam cada acorde
que estudamos!

Por exemplo, Confira abaixo um desenho possível para o


acorde de Dm no violão:

A
F
D

A
D

Note como todas as notas da tríade de Dm aparecem nesse


acorde (D, A, F), e somente elas.

Nosso primeiro objetivo agora será montar o acorde Dm7.


Para isso, acrescentaremos uma nota ao acorde de Dm, que é o
sétimo grau menor (a nota dó, nesse caso). Ok, agora precisamos
saber onde há alguma nota C que possamos pegar para

55
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

acrescentar ao acorde de Dm. Veja abaixo onde estão as notas


dó no braço do violão:

C
C
C
C
C
C

Note como é muito difícil acrescentar a nota C ao acorde


Dm sem modificar o seu desenho. Por outro lado, podemos
utilizar aquele dó que está bem próximo do acorde Dm:

A
F
D
C
A
D

Para isso, precisamos retirar a nota Ré (pois ela está "na


frente" dele ali no braço, ocupando o lugar dele naquela corda).
Assim ficaríamos com o acorde:

A
F
C
A
D

56
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

Há algum problema em retirar essa nota Ré, como fizemos?


Não, pois já existe outro Ré nesse acorde; nós retiramos apenas
um Ré que estava "sobrando".

No violão, isso é muito comum, pois praticamente todos os


acordes naturais que formamos possuem alguma nota que está
"dobrada", ou seja, aparecendo mais de uma vez.

Do ponto de vista de nomenclatura, nada se altera quando


se retira uma nota que está sendo repetida. Inclusive dá para se
escolher qual nota queremos "dobrar", formando acordes
distintos em sonoridade, mas com o mesmo nome.
Veja abaixo, por exemplo, o acorde de Sol maior:

G
D
G
D

B
G

Provavelmente você já deve ter visto ou tocado essa outra


versão de Sol maior:

G
B
G
D

B
G

Qual a diferença entre essas duas versões?

57
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

A nota Sol aparece 3 vezes em cada, mas no primeiro


desenho, a nota Ré está sendo dobrada, enquanto no segundo
desenho, a nota Si está sendo dobrada.

Como em ambos os desenhos há somente as notas Sol, Si e

para os dois formatos.

Você deve concordar que, apesar do nome não mudar, o


som fica levemente diferente, dependendo de qual nota você
está dobrando, pois ela fica mais destacada.

Entendido isso, podemos continuar nosso estudo. Já


conseguimos montar o acorde Dm7. Vamos montar agora o
acorde Dm7(4). Para isso, precisamos acrescentar a quarta
justa ao acorde de Dm7.

Obs: Se fosse quarta aumentada ou diminuta, o acorde


seria Dm7(#4) e Dm7(b4) respectivamente, mas o procedimento
seria o mesmo.

Muito bem, quem é a quarta justa de Ré? Sabemos que é


Sol. Então vamos tentar acrescentar essa nota ao acorde Dm7.
Confira abaixo onde estão as notas Sol no violão:

G
G
G
G
G

58
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

Compare com nosso acorde de Dm7:

G
F
C
A
D

Qual nota sol podemos pegar? Bom, você deve estar


percebendo que, para acrescentar alguma nota Sol, será

corda ali está vazia! Podemos utilizar a nota Sol que aparece

não dá?! Existem limitações físicas para isso (os dedos não
alcançam). Vamos tentar outra coisa então.

Há uma nota Sol bem perto do acorde Dm7 que


montamos, repare:

A
F G
C
A
D

Porém, para utilizá-la será necessário colocá-la no lugar da


nota Fá, pois não há como tocar duas notas numa mesma corda.
Podemos fazer isso?

59
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

Não! Pois a nota Fá é o terceiro grau, ou seja, ela é quem


está definindo que o acorde é Ré menor. Sem ela, o acorde Dm7
seria Dsus7, pois não haveria terça (o acorde não seria maior
nem menor, seria suspenso). Mas nosso objetivo não era montar
o acorde D7sus4, e sim Dm7(4). Por isso não podemos utilizar
essa nota Sol que cogitamos. Vamos tentar outra. Que tal essa:

A
F
C
G
A
D

Repare que ela iria substituir a nota Lá. Podemos fazer


isso? Sim, primeiro porque a nota Lá já está dobrada. Além disso,
mesmo que houvesse apenas uma nota Lá, ela poderia ser
suprimida pelo fato de ser o quinto grau de Ré. Perder o quinto
grau não descaracteriza o acorde, ele não deixa de ser maior ou
menor por causa do quinto grau. Claro que o acorde Dm7 sem o
quinto grau não será tão completo, afinal uma nota da tríade foi
perdida. Mas essa perda é tolerável do ponto de vista de
nomenclatura. Dm7 sem o quinto grau ainda é Dm7. Então
conseguimos! O acorde Dm7(4) será:

A
F
C
GD

60
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

Esse método que utilizamos para montar o acorde de


Dm7(4) pode ser utilizado para montar qualquer acorde que
desejarmos. Como regra básica, siga os seguintes passos ao se
deparar com alguma cifra desconhecida:

1º) Identifique o acorde natural presente na cifra e monte-


o em alguma região do braço do seu instrumento. Por
exemplo, o acorde natural de E9(13) é Mi maior.

2º) Identifique quem são as notas de extensão do acorde


desejado e encontre cada uma delas no seu instrumento,
procurando as mais próximas. No exemplo anterior, você
procuraria pelas notas que correspondem aos graus 9 e 13
de Mi, que são as notas Fá# e Dó#. Procure uma de cada
vez para facilitar.

3º) Veja quais notas você pode substituir pelas notas que
você quer. Em geral, você poderá substituir uma nota que
está dobrada (repetida) ou o quinto grau (que pode
desaparecer).

4º) Repita esse procedimento em outra região do braço do


instrumento para ver se o acorde resultante não fica mais
Podem ocorrer casos em que é
impossível montar o acorde desejado em certa região, mas
em outras regiões ele se torna possível de ser feito.

61
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

Para exercitar um pouco mais esse método, vamos montar


mais um acorde. Continuaremos na Parte 2 desse tópico (fizemos
essa divisão de tópico em 3 partes para não ficar extenso demais
um único tópico).

Obs: Muitos passos ensinados aqui não precisam ser


seguidos no teclado, pois a organização das teclas facilita esse
processo. Se você for um tecladista ou pianista, ignore os itens
que não se aplicam ao seu instrumento.

Como dar nome aos acordes - Parte 2

Continuando nosso aprendizado sobre montagem dos


acordes, dessa vez montaremos o acorde Em7(9). O acorde Em7
é o acorde de Dm7 um tom acima, por isso pouparemos o
trabalho de montar o sétimo grau (é idêntico ao que fizemos
anteriormente). Veja abaixo o acorde Em7 e suas respectivas
notas:

B
G
D
B
E

62
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

Vamos acrescentar então o 9º grau maior, que é F#. Confira


abaixo onde estão as notas F# no braço do violão:

F#
F#
F#
F#
F#
F#

Aparentemente, uma boa opção seria esse F#:

F#
F#
F#
F#
F#
F#

Porém, como você deve ter percebido, ele ficaria no lugar


do E. Isso nós não podemos fazer porque Mi é o primeiro grau, a
tônica.

Uma opção para contornar esse problema seria utilizar a


corda Mi que não está sendo usada. Ela poderia servir como
primeiro grau e o acorde ficaria:

F#
E

Esse acorde é uma boa opção para Em7(9), pois possui uma
sonoridade interessante. Mas talvez você não queira deixar um
63
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

som tão grave no acorde (a corda E está muito baixa). Existe uma
diferença muito grande de oitavas nesse acorde, e isso pode ser
desagradável dependendo do contexto.

Vamos procurar outra opção mais universal que possamos


aplicar em qualquer contexto. Vamos tentar utilizar esse outro
F#:

F#

F#
F#

F#
F#
F#

Esse F# ficaria no lugar da nota Sol. Já vimos no exemplo


anterior que não podemos fazer isso, pois esse é o terceiro grau
(é ele quem diz que o acorde de Mi em questão é menor).
Utilizando esse F# no lugar do terceiro grau, o acorde ficaria
suspenso.

Ficamos sem opções? Não, se o problema é a nota Sol,


podemos tentar encontrar outro Sol que substitua aquele! Veja
abaixo como existe outro Sol perto do acorde que estamos
fazendo:

D
G B

64
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

Se utilizássemos esse Sol, ele ficaria no lugar da nota Si.


Mas o Si já está dobrado (aparece duas vezes), então não há
problema!

Nosso desejo foi atendido, conseguimos acrescentar um F#


sem prejudicar o acorde Em7, repare abaixo como ficou nosso
acorde:

B
F# D

Tente fazê-lo no seu violão. Teve alguma dificuldade?


Provavelmente sim, pois fazer uma pestana com o dedo 4 ou
com o dedo 3 não é mole! Alguns guitarristas de jazz gostam de
fazer isso, mas creio que seja uma minoria. Então vamos cogitar
a hipótese de não tocar a última nota, o Si, pois isso facilitaria
muito nosso desenho na hora de montar o acorde.

E aí, podemos fazer isso? Lembre-se do que comentamos


a respeito do quinto grau, que ele pode ser omitido sem
prejudicar a nomenclatura do acorde.

Então está resolvido! O acorde não está tão completo e

uma versão bem fácil de se fazer e a sonoridade está agradável.


Veja abaixo nosso resultado final:

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CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

F#
D

G
E

Essa é a versão mais comum que você vai encontrar nos


livros e dicionários para o acorde Em7(9).

O importante depois de todo esse nosso estudo é que você


tenha assimilado o raciocínio que tivemos. Note como existem
inúmeras possibilidades e combinações diferentes para se
montar um mesmo acorde. Aqui no final nós apresentamos um
exemplo de Em7(9), mas poderíamos escrever mais uma dezena
de páginas mostrando outras opções de desenhos para esse
mesmo acorde.

Aos poucos, à medida que for praticando e fazendo


exercícios, você irá visualizar mais rapidamente as opções, pois
vai conhecer melhor o braço do instrumento e também vai ter
alguma bagagem teórica de acordes já decorados. Tudo isso
permitirá uma visualização cada vez mais rápida e precisa.

Durante todo esse estudo nós montamos os acordes


utilizando como referência as notas, mas esse não é o caminho
mais rápido. O caminho mais rápido é pensar automaticamente
em função dos graus.

Por exemplo, para montar o acorde Em7(9), você pode


procurar direto o nono grau, pois conhece o desenho da escala

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CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

maior e sabe contar os graus! Nesse caso, você não teria que
pensar que o nono grau é a nota F#. Você apenas procuraria o
nono grau (contando os números dentro da escala maior) e
pronto, encontraria o nono grau mesmo sem saber que nota é.

Repare que essa maneira de pensar é mais rápida, pois não


é preciso pensar que o nono grau é a nota F# para então
procurar o F# no braço do instrumento.

Obviamente, se você domina bem as notas em todo o


instrumento, esse processo será automático, e você
provavelmente vai preferir pensar nas notas do que nos graus.
Nosso estímulo é que você se empenhe nisso!

Nós apresentamos aqui o processo mais didático possível.


Pensar nas notas ou somente nos graus vai ser uma escolha sua.
Tudo vai depender de sua prática e gosto pessoal.

Uma ótima forma de exercitar esses conceitos todos


aprendidos é tentar montar diversos acordes e depois conferir as
respostas com algum dicionário de acordes. Fica a dica.

Antes de finalizarmos esse estudo, vamos mostrar as


nomenclaturas mais utilizadas nas cifras. Colocamos esse
complemento na parte 3 desse tópico, não deixe de conferir!

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CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

Como dar nome aos acordes - Parte 3

Continuando nosso aprendizado sobre acordes e cifras,


veremos a seguir as nomenclaturas mais utilizadas em
dicionários de acordes e .

Acordes com sétima menor: recebem apenas o número 7.


Exemplos: G7, Bm7, etc.

Acordes com sétima maior: recebem o número 7 seguido da


letra M. Exemplos: C7M, A7M, Bm(7M), etc. Outra notação
possível para a sétima maior, geralmente utilizada por
estrangeiros, é m maj7 ou apenas Cmaj (do inglês:
). Em sites populares de cifras, as pessoas utilizam muito
a notação 7+ (C7+), porém essa não é a notação mais adequada,
já que é utilizada para acordes aumentados.

Acordes com nona adicionada: recebem o número 9 seguido da


palavra add. Exemplo: Cadd9 (lê- éd naine
notação americana). Esses são os acordes formados por
uma tríade acrescida de uma nona. Quando o acorde possui
também a sétima, a notação americana costuma colocar
somente o número 9. Como veremos logo a seguir.

Acordes com nona e sétima menor: podem receber apenas o


número 9, ou o número 7 seguido do número 9. Exemplo: C9
ou C7(9). Isso se deve ao fato de que acordes com nona
costumam ter a sétima também, por isso subentende-se que o

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CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

ue há uma sétima junto. Quando não


há uma sétima menor no acorde, deixa-se claro por meio do

adicionada a uma tríade. Não há uma


prática, nem todos fazem essa distinção, então é preciso ter
cautela.

Acordes suspensos: são os acordes que não possuem a terça.

acompanhados de uma quarta justa. Exemplo: Asus4.


Explicaremos o porquê dessa quarta quando entrarmos no

Acordes aumentados:
lado do grau alterado em questão. Exemplo: G7(#5) ou G7(+5).
Obs: quando a nota alterada é a quinta, o acorde também pode

Acordes diminutos:
acorde diminuto é aquele formado pelos graus 1, 3b, 5b e 7bb.
Quando apenas uma nota está diminuta (abaixada), pode-se
- -5). O
- ricana para

A- (é o mesmo que Am). Por isso, não se confunda ao ver por aí


algo do tipo C-7 (nesse caso, é o acorde Cm7, não o acorde
de Dó com sétima diminuta).

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CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

Obs: estudaremos profundamente o acorde diminuto em outro


tópico. Aqui estamos vendo apenas a nomenclatura.

Acordes meio-diminutos: são os acordes com a extensão


m7(b5). Exemplo: Dm7(b5). Diz- -
apelido é muito utilizado, pois o acorde m7(b5) é quase um
acorde diminuto; a única diferença está na sétima (que no
acorde diminuto, é sétima diminuta em vez de sétima menor).
-

Acordes alterados: são os acordes com a extensão #9#5.


Exemplo: G#9#5. Geralmente, esse tipo de acorde contém a
sétima menor também (G7#9#5). Entraremos em mais detalhes
sobre esse assunto no tópico de escala alterada. Por enquanto,
apenas saiba que essa extensão #9#5 é representada pela sigla

G7alt em vez de G7#9#5 (Sol com sétima menor, nona


aumentada e quinta aumentada).

Resumindo tudo o que vimos, podemos concluir que há


coisas que a cifra informa para nós e também há coisas que ela
não informa.

O que a cifra estabelece:


Se o acorde é maior, menor ou suspenso.

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CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

Se o acorde possui uma sétima ou demais graus


adicionados (4ª, 6ª, 9ª).
Se o acorde possui eventuais alterações (5#, 9b, etc.)
Se o acorde está invertido (3ª, 5ª ou 7ª no baixo). Obs:
estudaremos isso em outro tópico.

O que a cifra não estabelece:

A posição do acorde no instrumento (pode estar em


diferentes regiões).
Dobramentos ou supressões de notas no acorde (pode-se
duplicar, triplicar ou suprimir a quinta justa, dobrar a
terça, etc.)

Muito bem, agora você já está perito nesse assunto! Basta


exercitar os conceitos aprendidos aqui e você terá autonomia
total na formação de acordes, sem nunca mais precisar depender
de um dicionário. Agora você é o dicionário!

Como se formam e para que servem os


campos harmônicos

Campo harmônico é um conjunto de acordes formados a


partir de uma determinada escala. Tome como exemplo a escala
de dó maior: C, D, E, F, G, A, B.

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CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

Para cada nota dessa escala, iremos montar um acorde.


Vamos ter, portanto, sete acordes, que serão os acordes do campo
harmônico de dó maior.
Como faremos isso?

Para cada nota da escala, o acorde respectivo será formado


utilizando o primeiro, o terceiro e o quinto graus (contados a
partir dessa nota, em cima dessa mesma escala). Vamos começar
com a nota C. O primeiro grau é o próprio C. O terceiro grau,
contando a partir de C, é E. O quinto grau, contando a partir de
C, é G.

O primeiro acorde do campo harmônico de dó maior é


formado então pelas notas C, E, G (repare que esse é o acorde de
dó maior, pois E é a terça maior de Dó).

Agora vamos montar o acorde da próxima nota da escala,


que é D. O primeiro grau é o próprio D. O terceiro grau,
contando a partir de D, nessa escala, é F. O quinto grau,
contando a partir de D, é A. Portanto, o segundo acorde do nosso
campo harmônico é formado pelas notas D, F e A (repare que
esse é o acorde de Ré menor, pois a nota F é a terça menor de
D).

Você deve estar percebendo até aqui que estamos


montando os acordes do campo harmônico pensando
nas tríades e utilizando somente as notas que aparecem na
escala em questão (escala de dó maior). Depois de montar a
tríade, observamos se a terça de cada acorde ficou maior ou
menor. Você pode também conferir a quinta de cada acorde,
mas vai notar que ela sempre vai acabar sendo a quinta justa,
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CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

exceto no

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CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

último acorde, que vai ter a quinta bemol. É um bom exercício


você tentar montar os acordes restantes desse campo
harmônico. Confira depois com a tabela abaixo:

Nota da escala 1º grau 3ºgrau 5º grau Acorde Resultante


C C E G C
D D F A Dm
E E G B Em
F F A C F
G G B D G
A A C E Am
B B D F Bm(b5)

Muito bem, você acabou de aprender como se forma um


campo harmônico. Mas para que isso serve afinal? Bom, um
campo harmônico serve para muitas coisas, e nesse momento
vamos nos focar no ponto mais básico: ele serve para definir
a tonalidade de uma música. Provavelmente você já deve ter
a
tonalidade de uma música depende dos acordes presentes nessa
música. Se uma música contém os acordes do campo harmônico
maior de dó, significa que a música está em dó maior. Com isso,
sabemos que a escala a ser utilizada para fazer um solo,
improvisar, ou criar riffs em cima da música é a escala de dó
maior.

Portanto, conhecer os campos harmônicos tem uma grande


utilidade: esse conhecimento permite que saibamos as notas que
podemos usar para fazer arranjos em cima de uma determinada

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CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

música. Conhecendo bem os desenhos das escalas, nada impede


que possamos criar solos e riffs automaticamente (habilidade
conhecida como improviso).

Espero que isso tenha motivado você a continuar nosso


estudo de campo harmônico, tendo visto a importância e
utilidade desse conhecimento.

Já construímos um campo harmônico utilizando tríades, e


agora vamos estender esse conceito para as tétrades. A regra
utilizada para montar os acordes, apenas recapitulando, foi
pegar o primeiro, o terceiro e o quinto graus da escala em
questão. Faremos a mesma coisa, porém incluindo o sétimo
grau, o que caracteriza uma tétrade. Teremos assim um campo
harmônico igual ao anterior, porém formado por tétrades em vez
de tríades.

Analisando a mesma escala de dó maior, começando pela


nota dó, temos que o sétimo grau da escala, contando a partir de
Dó, é Si. Os demais graus (terceiro e quinto) nós já vimos quais
são. Portanto, o primeiro acorde desse campo harmônico será
formado pelas notas C, E, G e B. Esse é o acorde de C7M, pois B é
a sétima maior de Dó.

Aplicando a mesma regra para a próxima nota (D),


veremos que o sétimo grau é C. Assim, o acorde será formado
pelas notas D, F, A, C. Esse é o acorde de Dm7. Note que aqui
temos a sétima menor

Montando a tabela completa, ficamos com:

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CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

Nota da escala 1º grau 3ºgrau 5º grau 7º grau Acorde resultante


C C E G B C7M
D D F A C Dm7
E E G B D Em7
F F A C E F7M
G G B D F G7
A A C E G Am7
B B D F A Bm7(b5)

Talvez você esteja se perguntando qual é a diferença, do


ponto de vista prático, desses dois campos harmônicos que
montamos. Pois bem, a única diferença é que esse último
contém uma nota a mais em cada acorde, deixando-
ponto de vista de improvisação, no que se refere a descobrir qual
a tonalidade da música, nada se altera. Veremos alguns
exemplos desse assunto (descobrir a tonalidade da música) em
breve. Antes, lembre que nós utilizamos como exemplo a escala
maior de dó. Em vez de especificar agora a tonalidade (dó),

vamos
ala maior de
sol, na escala maior de lá, ou na escala maior de qualquer outra
nota, sempre teremos uma coisa em comum. O campo
harmônico maior de qualquer nota da escala vai seguir essa
formação (onde os números romanos indicam os graus):

I7M IIm7 IIIm7 IV7M V7 VIm7 VIIm(b5)

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CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

Você pode verificar isso montando o campo harmônico das


demais tonalidades (além de Dó, que já fizemos). Tome como
exemplo a escala maior de Mi e o seu campo harmônico
associado:

Nota da escala 1º grau 3ºgrau 5º grau 7º grau Acorde Resultante


E E G# B D# E7M
F# F# A C# E F#m7
G# G# B D# F# G#m7
A A C# E G# A7M
B B D# F# A B7
C# C# E G# B C#m7
D# D# F# A C# Dm7(b5)

Note como o primeiro grau ficou maior com sétima, o


segundo grau ficou menor com sétima, etc. Seguindo a formação
que havia sido apresentada antes:

I7M IIm7 IIIm7 IV7M V7 VIm7 VIIm(b5)

Isso facilita muito a nossa vida, pois significa que


memorizando apenas essa sequência acima você já sabe o
campo harmônico maior de qualquer nota. Basta colocar as
notas respectivas da escala maior em questão no lugar dos graus.
Por exemplo: Qual o campo harmônico maior de Ré?

D7M Em7 F#m7 G7M A7 Bm7 C#m(b5)

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CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

Obs: A escala maior de ré é: D, E, F#, G, A, B, C#.

Como exercício, tente montar o campo harmônico maior


de todas as notas. Confira depois com a tabela abaixo:

CAMPO HARMÔNICO MAIOR


Dó maior Ré maior Mi maior Fá maior Sol maior Lá maior Si maior

C D E F G A B
Dm Em F#m Gm Am Bm C#m
Em F#m G#m Am Bm C#m D#m
F7M G7M A7M Bb7M C7M D7M E7M
G A B C D E F#
Am Bm C#m Dm Em F#m G#m
Bm7(b5) C#m7(b5) D#m7(b5) Em7(b5) F#m7(b5) G#m7(b5) A#m7(b5)

Obs: para formar os campos harmônicos utilizando apenas


3 notas (tríade), basta retirar a sétima de todos os acordes dessa
tabela. Deixaremos aqui a sétima apenas no último acorde, pois
os acordes com quinta bemol raramente sem a sétima na
prática:

CAMPO HARMÔNICO MAIOR


Dó maior Ré maior Mi maior Fá maior Sol maior Lá maior Si maior
C7M D7M E7M F7M G7M A7M B7M
Dm7 Em7 F#m7 Gm7 Am7 Bm7 C#m7
Em7 F#m7 G#m7 Am7 Bm7 C#m7 D#m7
F7M G7M A7M Bb7M C7M D7M E7M
G7 A7 B7 C7 D7 E7 F#7
Am7 Bm7 C#m7 Dm7 Em7 F#m7 G#m7
Bm7(b5) C#m7(b5) D#m7(b5) Em7(b5) F#m7(b5) G#m7(b5) A#m7(b5)

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CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

Agora que sabemos o campo harmônico maior de todas as


notas, podemos aplicar esse conhecimento para descobrir a
tonalidade das músicas
Exercícios:
Os acordes abaixo compõem determinadas músicas.
Identifique qual a tonalidade de cada música:

1) A, C#m, D, Bm, E7
2) F#m, G#m, B, E
3) Bm7, GM7, Em7, F#m7, D, A7
4) G, D, C
5) Am7, Bm7(b5)
6) Bb, F, Dm7, C7

Respostas:

1) Lá maior
2) Mi maior
3) Ré maior
4) Sol maior
5) Dó maior
6) Fá maior

É importante destacar que algumas músicas possuem mais


de uma tonalidade. Nesse caso, parte da música está em uma
tonalidade e parte da música está em outra tonalidade. Isso é
muito comum nos estilos jazz, mpb, bossa nova, fusion, entre
outros.

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CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

Improvisar adequadamente em músicas que possuem


várias alterações de tonalidade (modulações) é um desafio e
tanto, mas não se preocupe. Aos poucos iremos evoluir nos
assuntos de maneira que você possa explorar mais recursos.
Com um pouco de empenho e dedicação, você irá (em pouco
tempo) se sentir confortável até mesmo quando se deparar com
sons mais sofisticados. Estamos trabalhando para isso!

Definições: tonal, atonal, nota


de passagem, outside notes

Tonal: Termo utilizado para se referir a notas ou acordes


que fazem parte de uma determinada tonalidade.

Atonal: Significa que a nota ou acorde em questão não


pertence à tonalidade. Por exemplo, a nota F# é atonal ao campo
harmônico de Dó maior.

Nota de passagem:
para se chegar a outra nota. Geralmente ela surge como nota
atonal que liga duas notas tonais, dura pouco tempo e não serve
como nota de repouso, afinal não pertence à tonalidade da
música. Por exemplo, um solo em Dó maior que tivesse a
sequência C - C# - D teria a nota C# como nota de passagem,
pois ela está servindo apenas como ponte para se chegar à nota
D. Porém, uma nota de passagem também pode ser tonal em
determinado contexto, quando tiver atuando como nota evitada
no ramo dos acordes. Estudaremos isso em tópicos posteriores.
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CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

Outside notes: Termo (em inglês) que se refere a notas


Essas
notas, na maioria das vezes, acabam sendo notas de passagem,
mas também podem ser notas que apenas provocam alterações
nos acordes, com o objetivo de gerar dissonâncias não previstas
na harmonia original. Veremos esse conceito aplicado muitas
vezes aqui na apostila

pertencem às escalas naturais da tonalidade em questão, mas


que podem ser utilizadas para dar um sabor especial ao solo.
Sem

produzem. São muito interessantes e inovadoras, mas precisam


ser bem colocadas e encaixadas, e isso exige conhecimento.

no Descomplicando a Música. Essa é uma de nossas maiores


metas! Afinal, fugir do mundo tonal e partir para ideias
alternativas é o que diferencia músicos limitados de músicos
ilimitados.

Cromatismo - Escala Cromática

A escala cromática é uma escala formada pela sequência:


semitom-semitom-semitom-semitom. etc. Isso mesmo, todas as
notas possuem o intervalo de um semitom. Sendo assim,
podemos concluir que essa escala possui 12 notas (todas as 12
notas disponíveis da música ocidental!). Confira abaixo a escala
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CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

cromática de Dó:

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CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

C, C#, D, D#, E, F, F#, G, G#, A, A#, B

Desenho:

Devido a essa característica peculiar, tornou-se comum


utilizar o termo "cromatismo" para se referir a notas distanciadas
por um semitom. Por exemplo, se um determinado solo possui
as notas D, D#, E tocadas em sequência, diz-se que esse trecho
possui um cromatismo.

Aplicação

Na prática, em contextos musicais, a escala cromática não


costuma ser usada em toda a sua extensão. O que costuma ser
utilizado são pequenos trechos de cromatismo. O efeito
cromático é muito interessante e explorado por músicos de
diversos estilos. O resultado sonoro produzido cria uma sensação
de notas de passagem. Mesmo que algumas notas estejam fora
do campo harmônico da música, quando tocadas rapidamente
dentro de um cromatismo essas notas passam "perdoadas" por
nosso ouvido, afinal sentimos como se fossem notas de
passagem,

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CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

degraus de uma escada que tem como objetivo chegar a algum


lugar.

Por enquanto, ficaremos apenas com esse conceito


introdutório de cromatismo, pois explicar detalhadamente as
aplicações seria exaustivo. Em vez disso, optamos por apresentar
a utilização do cromatismo dentro de cada contexto específico.
Você verá cromatismo aqui no site dentro dos estudos de Acorde
Diminuto, Target Notes, SubV7, Jazz Bebop, entre outros. A partir
de agora, o cromatismo passará a fazer parte de sua bagagem
musical. Sua importância ficará mais evidente a cada nova
aplicação.

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CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

MÓDULO 5

E n t r a n d on oM u n d od a I m p r o v i s a ç ã o

Introdução à improvisação..........................79
Relativa menor............................................82
Modos gregos..................................................85
Escala Pentatônica..........................................97
Introdução ao Blues......................................102
Escala Blues - Pentablues - Blue Note.......106

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CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

E n t r a n d on oM u n d od a I m p r o v i s a ç ã o

Introdução à improvisação

No ramo da música, improvisação é a arte de compor e


registrar ao mesmo tempo; ou seja, é inventar na hora! Uma
improvisação pode ser uma harmonia, uma melodia, um solo,
um riff, um ritmo, etc.

Essa arte diferencia músicos criadores de músicos


reprodutores. Músicos reprodutores são aqueles que apenas
reproduzem ou executam músicas prontas. Eles geralmente
possuem técnica e boa leitura, mas são completamente
engessados musicalmente (dependentes de um repertório) e não
sabem o que estão fazendo, estão apenas seguindo uma receita
de bolo. Músicos criadores não se limitam a apenas reproduzir
músicas prontas; são capazes de alterá-las, incrementá-las, criar
novas melodias ou harmonias automaticamente. Estes são
músicos que sabem o que estão fazendo, são aqueles que
entendem o que está por trás da cifra e da pauta. Podem
dialogar musicalmente.

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CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

Resumindo, quem sabe improvisar:

Entende o que está se passando e tem ideias imediatas


Possui facilidade para compor, pois tem muitas
ferramentas e recursos em mente.
Possui um ouvido muito apurado
Consegue se sair bem em situações inesperadas
(músicas novas, alterações de repertório de última hora,
falha de memória (branco), etc.)
Coloca sua própria identidade nas músicas Motivador,
não?!

Bom, para ser capaz de improvisar, é necessário conhecer o


assunto em questão. Por exemplo, no ramo de palestras,
qualquer pessoa é capaz de improvisar um discurso sobre
"felicidade", pois todos possuem algum conceito sobre esse tema.
Talvez o fato de ser um improviso prejudique a qualidade do
discurso; muitos falariam sem utilizar palavras bonitas ou
reflexões profundas. Agora, quantas pessoas improvisariam um
discurso sobre a importância da equação de Schrödinger no
eletromagnetismo quântico?

Na música é a mesma coisa, precisamos de um bom


vocabulário (saber escolher palavras adequadas) e também
precisamos conhecer o contexto em que estamos inseridos, para
que as palavras façam sentido.

Essa conversa está boa, mas vamos falar de algo mais


prático agora: como se aprende a improvisar afinal? Bom,

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CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

existem alguns segredos para se tornar um bom improvisador.


Falaremos especificamente de solos aqui nesse tópico, mas o
conceito é o mesmo para as demais vertentes de improvisação
na música.

Explicando de uma maneira bem simplista, basta conhecer


as escalas básicas e saber identificar a tonalidade da música para
se fazer um improviso. Isso tudo nós aprenderemos aqui
no Descomplicando a Música, não se preocupe. Porém, na
prática, não basta apenas saber e entender as escalas e suas
tonalidades, é preciso saber criar um solo com elas.

Parece óbvio, mas não é. Um improvisador iniciante pode


aprender a escala maior e entender onde aplicá-la, mas se ele
não tiver algumas frases e links prontos desenhados na cabeça, o
improviso vai ficar horrível.

Ninguém gosta de ouvir uma escala digitada para cima e


para baixo sem dinâmica. A beleza da música está justamente em
saber desenhar frases musicais com as notas. E como um
improvisador iniciante conseguirá fazer isso? Ele deve começar
pegando frases prontas de outros músicos, decorando-as e
aplicando-as em vários contextos. Assim, ele vai desenvolver a
habilidade de saber encaixar frases em músicas. Isso é essencial.
O próximo passo é pegar essas mesmas frases e fazer pequenas
alterações, tentando colocar suas ideias a partir das ideias das
próprias frases. Após certo tempo fazendo isso, o improvisador
começará a criar as suas próprias frases do zero, sem precisar se
basear em alguma frase pronta.

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CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

Muito bem, para quem nunca improvisou nada, adquirir


essa habilidade leva tempo. É como tudo na vida: se o resultado
é bom, o esforço precisa fazer merecer esse resultado.
Recomendamos fortemente que o iniciante dedique-se bastante
a pegar frases prontas e aplique elas em tonalidades maiores e
menores. Essas frases podem fazer parte da escala maior,
menor, pentatônica e escala blues. Esse deve ser o mundo inicial
do improvisador. Ele precisa se sentir seguro nisso, pois é a base
para aperfeiçoamentos futuros. Nessa fase o iniciante vai
adquirir feeling, vai aprender a colocar sua expressão na
música.

Relativa menor

A escala relativa menor é muito utilizada na improvisação,


pois ela permite mais ideias para o solo. Todo improvisador que
aprendeu a utilizar as escalas maiores e menores precisa
aprender, logo em seguida, a utilizar a escala relativa menor.
Mas o que é a escala relativa menor?

Pense em alguma escala maior, por exemplo, a escala de


Dó maior. A escala relativa menor de Dó será a escala de Lá
menor. Como regra, a escala relativa menor de uma escala maior
é a escala menor do sexto grau dessa tonalidade. Falando assim
parece confuso, mas é bastante simples na prática. Como
estávamos em Dó, o sexto grau é Lá, então basta tocar Lá menor.

Obs: caso você ainda esteja meio perdido nessa questão dos
o que são graus
89
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

Bom, como você pode ver, não estamos aprendendo


nenhuma escala nova aqui. Essa escala nada mais é do que a
escala menor natural que já vimos, apenas estamos criando um
vínculo do sexto grau em relação ao primeiro, e logo você vai
entender o porquê disso.

Se você pegar a escala de Dó maior e comparar com a


escala de Lá menor, vai ver que elas possuem exatamente as
mesmas notas. Ou seja, a escala maior possui uma escala relativa
menor que é idêntica a ela. Incrível, não? Por isso o nome

menor e Sol x Mi menor:

Escala Dó maior: C, D, E, F, G, A, B
Escala Lá menor: A, B, C, D, E, F, G
Escala Sol maior: G, A, B, C, D, E, F#
Escala Mi menor: E, F#, G, A, B, C

Isso é extremamente útil! Significa que podemos utilizar a


escala de Lá menor para fazer um solo numa música cuja
tonalidade é Dó maior. Ou seja, sempre que tivermos em uma
tonalidade maior, podemos pensar em duas escalas: a escala
maior dessa tonalidade e a escala relativa menor dessa
tonalidade. Isso aumenta nossas opções na hora de pensar no
solo.

Da mesma forma, podemos pensar no inverso: toda


tonalidade menor possui uma relativa maior. Essa relativa maior
se localiza a um tom e meio acima da tonalidade menor. Por
90
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

exemplo, um tom e meio acima de Lá é Dó. Portanto, a relativa


maior de Lá menor é Dó maior.

Vale a pena destacar que esse conceito também existe para


os acordes. O acorde relativo menor é o acorde de sexto grau da
tonalidade maior em questão. Por exemplo, o acorde relativo
menor de Dó é o acorde de sexto grau do campo harmônico de
Dó maior, ou seja, Lá menor. Outro exemplo: suponha que a
tonalidade seja Sol maior. A relativa menor de Sol será Mi
menor.

Como os acordes relativos possuem uma afinidade entre si,


eles podem ser trocados um pelo outro. Veremos isso com mais
detalhes no estudo de funções harmônicas. Por enquanto, pense
nas escalas, lembre que você sempre poderá utilizar a relativa
menor junto com a escala maior. Experimente testar isso
pegando uma música na tonalidade maior e tocando a relativa
menor em cima dela. Veja como encaixa perfeitamente.

Agora que você já aprendeu o que precisava sobre relativa


menor, tente encontrar as relativas menores de todos os acordes
ou escalas maiores. Depois, confira com a tabela abaixo:

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CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

ACORDE RELATIVA MENOR


C Am
C# A#m
D Bm
D# Cm
E C#m
F Dm
F# D#m
G Em
G# Fm
A F#m
A# Gm
B G#m

Modos gregos

Talvez você já tenha ouvido por aí os nomes "mixolídio",


"dórico", ou algo semelhante. Parece coisa de outro mundo,
não? Pois bem, mostraremos que esses e outros nomes são, na
realidade, assuntos muito simples e fáceis de se entender e
praticar. Eles aparecem no contexto de modos gregos. Mas o que
são os modos gregos afinal?!

Os modos gregos nada mais são do que 7 modelos


diferentes para a escala maior natural. Vamos detalhar para ficar
mais claro:

Pegue a escala maior natural. Ela corresponde ao primeiro


modo grego, o chamado modo Jônico (ou Jônio). Essa
nomenclatura nós mostraremos mais adiante de onde veio, não

92
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

se preocupe com isso agora. Muito bem, você já sabe um modo


grego! Meus parabéns!!

Para ficar mais fácil, vamos trabalhar em cima da escala de


dó maior como exemplo. Já sabemos então qual é o modo
Jônico:

C, D, E, F, G, A, B

Sequência observada: tom-tom-semitom-tom-tom-semitom


Desenho:

Dica: É a própria escala maior. *Obs: Para todos os modos,


colocaremos a sequência observada, uma dica e o desenho da
escala.

O próximo modo é o chamado modo Dórico. Ele nada mais


é do que a mesma escala maior que estamos trabalhando, porém
começando da nota Ré.

Segue abaixo o modo dórico:

D, E, F, G, A, B, C

Sequência observada: tom-semitom-tom-tom-semitom-tom

93
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

Desenho:

Dica: É a escala menor com a sexta maior.

Bom, talvez você ainda não tenha reparado a utilidade


disso. Geralmente aqui a galera começa a se atrapalhar e achar
um tédio esse estudo. Pois bem, vamos explicar direito isso para
que você não desista sem motivo!

Nós acabamos de tocar Ré dórico, certo? Isso


automaticamente significa que a tonalidade é Dó maior. Por
quê? Justamente por que nós construímos a escala dórica
utilizando as notas da escala maior de Dó. O formato tom-
semitom, etc. deduzido para a escala dórica ficou diferente da
escala maior natural pelo fato de estarmos começando com
outra nota que não o primeiro grau. Começamos do segundo
grau. Por isso que há diferença no desenho. Entendido isso,
podemos encontrar uma aplicação prática.

No estudo de campo harmônico maior, mostramos os


acordes que fazem parte da tonalidade de Dó maior. Imagine,
por exemplo, que uma música começa em Ré menor e depois
continua com os acordes: Am, F e Em. Podemos concluir que a
tonalidade dessa música é Dó maior, mesmo que o acorde de Dó

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CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

não tenha aparecido nenhuma vez na música (até aqui, nenhum


conceito novo!). Então, se queremos improvisar um solo em
cima dessa música, utilizaremos a escala de Dó maior. Mas, como
a música começa em Ré menor, nosso solo poderia começar com
a nota Ré em vez da nota Dó para dar uma ambiência mais
característica, certo? É aqui que entra o tal do Ré dórico!
Podemos dizer que estamos solando em Ré, pois estamos
"enfatizando" a nota Ré (começando e terminando com ela), mas
usando a escala de Dó maior. Moral da história: estamos usando
para o nosso solo a escala de Ré Dórico, pois o acorde é Ré
menor mas a tonalidade é Dó.

Ok, vamos prosseguir. Agora vamos usar a escala maior de


Dó começando da nota Mi. A sequência ficará assim:

E, F, G, A, B, C, D

Sequência observada: semitom-tom-tom-semitom-tom-tom


Desenho:

Dica: É a escala menor com o segundo grau menor.

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CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

Esse é chamado modo Frígio. A utilização prática é


exatamente a mesma do exemplo anterior, mas pensando em Mi
menor em vez de Ré menor. Se quiséssemos solar em Mi menor
uma música que estivesse com a tonalidade de Dó maior,
utilizaríamos a escala de Mi Frígio.

O próximo modo grego é o modo Lídio. Ele começa com o


quarto grau da escala maior. Apenas para recapitular, estamos
utilizando como exemplo a escala de Dó, então o quarto grau é
Fá (antes o terceiro grau era Mi, e assim por diante). Os modos
gregos podem ser construídos a partir de qualquer escala maior,
estamos mostrando aqui somente a escala de Dó. Depois
mostraremos em cima de outra escala maior para ajudar a
esclarecer. Vamos ver então como ficou nossa escala de Fá Lídio:

F, G, A, B, C, D, E

Sequência observada: tom-tom-semitom-tom-tom-tom


Desenho:

Dica: É a escala maior com a 4ª aumentada

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O quinto modo grego é o modo Mixolídio. Na escala de Dó


maior, o quinto grau é Sol. Veja abaixo então a escala de Sol
mixolídio:

G, A, B, C, D, E, F

Sequência observada: tom-tom-semitom-tom-tom-semitom


Desenho:

Dica: É a escala maior com a 7ª menor

Nós já explicamos a utilização dos modos gregos do ponto


de vista de improviso, mas seria interessante aproveitar esse
momento aqui para fazer uma observação. Se quiséssemos solar
uma música que está na tonalidade de Dó maior começando com
a nota Sol, utilizaríamos a escala de Sol Mixolídio (até aqui
nenhuma novidade). Talvez você ainda não tenha se convencido
da utilidade disso na prática pois está pensando: "se eu quiser
usar a escala maior de Dó começando com a nota Sol, eu pego o
desenho de Dó maior, na região em que eu faria a escala de Dó
maior, e faço esse desenho começando da nota Sol:

97
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

Tudo bem, não há problema nisso. Mas digamos que uma


música estivesse mudando de tonalidade. Imagine que estava
em Sol Maior e agora passou a ser Dó maior. Você estava
solando em sol maior utilizando a escala abaixo, nessa região do
braço do instrumento:

Agora que a música passou a ser em Dó maior, você pulou


para essa região:

Se você soubesse o desenho de Sol Mixolídio, poderia


continuar na mesma região que estava antes, porém mudando o
desenho que antes era esse:

98
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

Para esse:

Isso deixaria o solo infinitamente mais bonito e fluido, pois


a mudança de tonalidade no solo seria muito suave e agradável.
Se, nesse exemplo, você mudar a região do braço para pensar na
escala de Dó maior, você fará essa mudança de tonalidade ficar
muito mais brusca e dura de engolir.

Ouça músicos como Pat Mateny, Mike Stern, Frank


Gambale e observe como eles trabalham as modulações
(mudanças de tonalidade). Essa fluidez vêm do domínio
completo dos desenhos dos modos gregos.

Além disso, conhecer bem os desenhos desses modos


ajudará você a não se prender a um desenho de escala somente,
o que faria seu solo ficar "quadrado" e viciado. De quebra, esse
domínio propicia um controle total do braço do instrumento.

99
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

Ok, o próximo modo é o modo Eólio e corresponde ao


sexto grau. No nosso exemplo, o sexto grau de Dó é Lá, então
confira abaixo como ficou a escala:

A, B, C, D, E, F, G

Sequência observada: tom-semitom-tom-tom-semitom-tom

Desenho:

Dica: É a escala menor natural!

Encontramos então um novo nome para a escala menor


natural: Modo Eólio. A escala maior natural já tinha recebido um
nome também, lembra? Modo jônico. Você deve ter reparado
que o sexto grau menor é a relativa menor (já estudamos isso),
então fazer um solo utilizando o modo eólio nada mais é do que
solar uma música usando a relativa menor.

O sétimo e último modo é o modo Lócrio. Confira abaixo:

B, C, D, E, F, G, A
Sequência observada: semitom-tom-tom-semitom-tom-tom

100
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

Desenho:

Dica: É a escala menor com a 2ª menor e 5ª diminuta.

Treinar os modos gregos pensando nos graus ajuda muito


nossa mente e nosso ouvido a identificar rapidamente a
tonalidade de uma música, pois você se acostuma com os
padrões. Legal, já que fizemos tudo em cima da escala de Dó
maior, vamos agora rapidamente mostrar como ficariam as
sequências utilizando a escala de Sol maior (em vez de Dó
maior), para você observar os shapes desses modos começando
da 6ª corda:

101
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

Note como as sequências (tom-semitom, etc,) ficaram


exatamente iguais às sequências de nosso estudo que utilizou a
escala de Dó maior. Já os desenhos (shapes) ficaram diferentes
pelo fato de estarmos começando da 6ª corda em vez da 5ª.

Esses desenhos apresentados partindo da 5ª e 6ª cordas


mantêm a mesma estrutura para outras tonalidades. Isso é
muito favorável, pois aprendendo os shapes para essas
tonalidades, você sabe para todas, basta transpor os mesmos
desenhos para outros tons.

Ao longo de nosso estudo musical, você irá ouvir falar mais


vezes nesses modos. Vendo a aplicação deles em diferentes

102
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

contextos você irá ampliar sua visão e ficará cada vez mais
convencido da utilidade deles. O importante é que agora você os
pratique e gaste um tempo em cima desses desenhos,
compreendendo de onde eles vieram.

Antes de finalizarmos esse nosso primeiro estudo de modos


gregos, vamos matar sua curiosidade dizendo de onde vieram
esses nomes estranhos.

Os modos gregos surgiram da Grécia antiga. Alguns povos


da região tinham maneiras peculiares de organizar os sons da
escala temperada ocidental. Esses povos eram oriundos das
regiões Jónia, Dória, Frigia, Lídia e Eólia. Por isso deram origem
aos nomes que você acabou de ver. O modo Mixolídio surgiu da
mistura dos modos Lídio e Dórico. O modo Lócrio surgiu apenas
para completar o ciclo, pois é um modo pouco utilizado na
prática.

Os modos Jônico e Eólio acabaram sendo os mais utilizados,


sendo muito difundidos na Idade Média. Mais tarde, acabaram
recebendo os nomes "escala maior" e "escala menor"
respectivamente. Engraçado que todo estudante de música
acaba aprendendo primei
antes mesmo de ouvir falar em modo jônico e eólio, sendo que
os modos gregos vieram antes disso e são os pais dessas escalas.

103
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

Escala Pentatônica

A escala pentatônica é o guru dos improvisadores. E não é


difícil de descobrir o motivo pelo qual todo mundo usa e abusa
dessa escala: ela é fácil de fazer e fácil de aplicar. Há umas
décadas atrás, alguns músicos faturaram milhões apenas
tocando essa escala. Hoje não é mais tão fácil de se ficar rico
tocando escala pentatônica, afinal qualquer músico iniciante já
aprende a utilizar essa escala (e geralmente passa o resto da
vida fazendo só isso).

O conceito é muito simples: a escala pentatônica maior é


um apanhado de notas da escala maior. Sabemos que a escala
maior possui 7 notas. A escala pentatônica escolheu 5 dessas
notas e criou uma outra escala. Quando a escala maior deixa de
ter 7 notas e passa a ter 5, recebe o nome de Penta, tipo o Brasil
quando ganhou a copa do mundo pela 5ª vez, recebeu o título
penta, tá ligado?!

Ok, essa escala não tem nada a ver com futebol, nem com
títulos; mas convenhamos, ela é motivo de festa. A escala
pentatônica possui notas que quando tocadas geram uma
melodia agradável, mesmo que seja só a própria execução da
escala pra cima e pra baixo. Isso facilita a vida de todo mundo!
Basta decorar a escala pentatônica e, quando você for improvisar
uma música na tonalidade maior, em vez de "elaborar" uma
frase com a escala maior você toca a escala pentatônica que já é
sucesso garantido! A escala pentatônica tocada de trás para

104
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

frente é legal, de frente pra trás também é legal, do meio pro


fim, do fim pro início, do início pro meio, legal, legal, legal.

Muito bem, se você nunca ouviu a escala pentatônica na


vida, vá até um teclado ou piano e toque as teclas pretas uma
após a outra. Esse é o som de uma escala pentatônica. Existem
muitos desenhos para escalas pentatônicas; esse exemplo das
teclas pretas foi apenas um que facilita a observação por ser bem
prático. Se você não tem um teclado, não se desespere, já iremos
explicar detalhadamente como se forma essa escala.

A escala pentatônica pode ser maior ou menor. A


pentatônica maior contém 5 notas da escala maior, e a
pentatônica menor contém 5 notas da escala menor. Um
desenho para a pentatônica de Dó maior pode ser:

Veja agora um desenho para a escala de Lá menor pentatônica:

105
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

Compare essas escalas (Dó pentatônica e Lá menor


pentatônica) com as escalas de Dó maior e Lá menor,
respectivamente. Note que a pentatônica maior pegou 5 notas
da escala maior, como já comentamos, e foram os graus 1, 2, 3,
5e
6. Em outras palavras, ela retirou os graus 4 e 7! Já a pentatônica
menor pegou os graus 1, 3, 4, 5 e 7 da escala menor. Em outras
palavras, ela retirou os graus 2 e 6!

Obs: O normal seria começar e terminar com a mesma nota


no desenho de uma escala, mas preferimos terminar a escala
com outra nota aqui nesses desenhos para que você entenda
primeiro a lógica da escala.

Optamos por mostrar a pentatônica maior de Dó e a


pentatônica menor de Lá porque essas duas escalas contém as
mesmas notas. Lá menor é a relativa de Dó, tá lembrado?! Se
isso ainda não está no seu sangue, volte e estude a relativa
menor, aplique, depois siga sua jornada, pois acumular
conhecimento pra não utilizar e esquecer é perda de tempo
total! Valeria mais a pena gastar seu tempo assistindo a novela
das 20:00 ou jogando Angry Birds...

Aplicação

Já comentamos que a escala pentatônica (maior e menor)


pode ser usada no mesmo lugar onde se usam as escalas maior
natural e menor natural, respectivamente. Mas essa escala, além
de poder ser utilizada nesses contextos, ainda pode ser utilizada

106
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

em outros contextos que as escalas maior e menor natural não


podem (tá aí mais um motivo pra você gostar dela!).

Um exemplo é o blues. Em breve você verá no artigo


"introdução ao blues" que a escala pentatônica é a rainha mestre
desse estilo. Mostraremos exemplos de aplicação da escala
pentatônica em contextos maiores e menores aqui nesse artigo
e, no artigo "introdução ao blues", mostraremos a utilização da
escala pentatônica no blues. Recomendamos fortemente que você
já aproveite para praticar também a escala pentatônica dentro
do blues, pois é muito divertido! Gaste horas e horas, dias e dias
fazendo isso, e você se tornará um improvisador nato.

Mas como você deve praticar a escala pentatônica para


ter progresso e gostar do que está fazendo? Siga esses passos:

Passo 1: Decore bem a escala pentatônica menor e aplique-a no


contexto tonal. Ou seja, você pode brincar com essa escala
dentro de um campo harmônico menor ou em um campo
harmônico maior (tocando a pentatônica da relativa menor,
nesse caso). Faça isso bastante tempo.

Passo 2: Aplique a pentatônica menor no contexto blues, depois


de ler o artigo "introdução ao blues". Faça isso bastante tempo.

Passo 3: Agora que você já está bem familiarizado com a


pentatônica menor, decore a pentatônica maior e aplique
também no contexto tonal, como você fez no passo 1.

Passo 4: Agora que você já está familiarizado com as duas escalas


107
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

pentatônicas e sabe utilizá-las, toque a escala pentatônica


começando de todos os graus. Faça o seguinte treino, que irá
expandir seu domínio sobre o braço do instrumento: Iremos
tocar a escala pentatônica na tonalidade de Dó maior, só que
começando de outros graus (outras regiões do braço do
instrumento). Iremos partir primeiro da nota Sol, tocando as
demais notas da pentatônica de Dó (isso vai gerar um desenho
particular).

Depois, vamos fazer essa mesma escala pentatônica, só que


começando da nota Lá. Não tem nada de mágico nisso, iremos
tocar as mesmas notas que tocamos antes, apenas estaremos
começando no Lá em vez de começar no Sol. Depois faremos o
mesmo para os demais graus. Confira abaixo os desenhos e
decore bem cada um:

1
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

Essa é a mesma ideia que tivemos para montar os modos


gregos. No caso dos modos gregos, há 7 notas na escala,
portanto começar com cada grau resulta em 7 escalas. Aqui na
pentatônica tivemos 5 escalas.

Agora a missão é praticar da mesma forma que você já fez


nos passos anteriores. Aplique esses desenhos nos contextos
tonais e no contexto blues.

Muito bem, você já tem material para estudar meses e


meses! Sua desenvoltura no improviso está se formando. Se você
dominar só os conceitos que abordamos até aqui você já será
capaz de improvisar em cima da grande maioria das músicas
que existem. Então não desperdice esse aprendizado! Coloque
em prática!

Introdução ao Blues

O blues foi criado no final do século XIX nos Estados


Unidos, onde os escravos, que trabalhavam nas plantações de
algodão, entoavam cantos e lamentos que deram origem ao
estilo
tada, até porque as

instrumentos. Depois, esse estilo entrou na igreja, onde

O blues se desenvolveu com o passar dos anos,


influenciando e dando origem a outros estilos como o jazz, o
rock, o soul, etc. Mas afinal, o que é blues?

102
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

O que todo mundo conhece como blues é a sequência:


Primeiro grau, Quarto grau, Primeiro grau, Quinto Grau, Quarto
grau, Primeiro grau. Resumidamente, essa é a sequência mais
simples e fácil que caracteriza um blues. Vamos agora enxergar
isso direitinho com os compassos, definindo quando tempo se
repousa em cada grau:

| Primeiro grau | Primeiro grau | Primeiro grau | Primeiro grau |


| Quarto grau | Quarto grau |
| Primeiro grau | Primeiro grau|
| Quinto grau | Quarto grau | Primeiro grau |1º grau, 5º grau|

Obs: Geralmente finaliza-se a sequência colocando o


quinto grau (em laranja) na metade do último compasso, antes
de voltar a repetir tudo de novo. Exemplo onde o primeiro grau é
Sol:

| G7 | G7 | G7 | G7 |
| C7 | C7 |
| G7 | G7 |
| D7 | C7 | G7 |G7 D7|

Repare como os acordes desse exemplo são todos com


sétima. Isso é uma peculiaridade do blues. Outro detalhe é que o
blues contém exatamente 12 compassos. Basta contar os
compassos que descrevemos antes ali em cima e conferir.

Muito bem, repare que começamos com 4 compassos no


primeiro grau. Depois, temos dois compassos no quarto grau e

103
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

então retornamos para o primeiro grau fazendo mais dois

compasso, tocamos um grau diferente: quinto grau, quarto grau


e primeiro grau. Para finalizar, dividimos o último compasso em
duas partes, tocando o primeiro grau e o quinto grau dentro
dele, para então começamos tudo de novo.

Resumindo, podemos definir o blues como sendo uma


estrutura de 12 compassos onde brincamos com 3 acordes
(primeiro, quarto e quinto graus), todos com sétima.

Essa é uma definição bem simplista e não abrange todas as


variações do blues, mas já que esse tópico é apenas introdutório,
essa definição ajuda a memorizar o básico sobre o estilo.

Bom, uma outra forma de construir esse blues que


mostramos é, em vez de tocar 4 compassos no primeiro grau,
tocar 1 compasso no primeiro grau, 1 compasso no quarto grau
e 2 compassos de novo no primeiro grau. Assim, em vez de ficar
4 compassos no mesmo acorde, variamos um pouco tocando
também o quarto grau em um compasso. A estrutura fica então
assim:

| Primeiro grau | Quarto grau | Primeiro grau | Primeiro grau |


| Quarto grau | Quarto grau |
| Primeiro grau | Primeiro grau |
| Quinto grau | Quarto grau | Primeiro grau | 1º Grau, 5ºgrau|

104
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

Note que a única alteração que fizemos foi no segundo


compasso, que antes era Primeiro grau e agora passou a ser
Quarto grau.

Legal, agora que já sabemos o básico sobre como se faz um


blues, é hora de saber como se improvisa em cima de um blues.
Existem muitos, muitos e muitos recursos para se utilizar cima
de um blues. Nesse tópico iremos nos restringir a apenas
um: escala pentatônica. Mais para frente, depois que você tiver
estudado outros tópicos e dominando bem outros assuntos,
iremos retornar ao blues explorando recursos mais avançados,
possibilitando que você se torne um mestre do blues. Por
enquanto, contente-se em ficar na escala pentatônica e aprenda
bem a utilizá-la. Aliás, 99% dos músicos não faz nada além de
pentatônica na hora de improvisar um solo blues, porque não
sabe nada além disso.

Então vamos lá, qual escala pentatônica nós podemos


utilizar para improvisar no blues? A escala pentatônica menor
do primeiro grau. Por exemplo, na base anterior que
trabalhamos, o primeiro grau era Sol, então você vai utilizar a
escala pentatônica menor de Sol. Pronto, é só isso! Agora pegue
essa base anterior que criamos e seja feliz aplicando a escala
pentatônica menor de Sol em cima dela!

Obs: Utilize a escala pentatônica em todo o braço do


instrumento! Isso vai fazer de você um ótimo improvisador,
alguém que explora todos os espaços possíveis. Confira os
escala pentatônica estudar
essa escala em toda a sua extensão. Talvez você esteja pensando
105
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

é um pouco complexa. Por enquanto, apenas tome como regra e


pratique dessa forma. Futuramente, estudando aqui na apostila,
você vai chegar às suas próprias conclusões graças a uma
bagagem maior de conceitos adquiridos, fique tranquilo.

Legal, você completou nosso estudo inicial sobre blues. Se


quiser colocar em prática esses conceitos, acesse o site
www.descomplicandoamusica.com
pentatônica.

Não pare de praticar o que aprendeu. O processo de


fluência e domínio sobre qualquer assunto na música é longo e
exige dedicação; mas também é muito divertido! Empenhe-se e
você irá colher os frutos! Se você não conhecia o blues, esse
estudo certamente será muito importante para sua
musicalidade. Agora é sua vez de ficar muito tempo em cima do
instrumento praticando e curtindo esse estudo.
Enjoy!

Escala Blues - Pentablues - Blue Note

A escala blues (ou Pentablues) é a escala pentatônica


acrescida de uma nota. Essa nota ficou conhecida como "blue
note", e é a quinta bemol no caso da pentatônica menor, ou a
terça bemol no caso da pentatônica maior. Repare que a nota
que foi acrescentada é a mesma nas duas escalas, basta decorar
a escala blues menor e transmitir essa nota para os demais
106
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

modos

107
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

gregos na hora de fazer um solo. Confira abaixo o desenho da


escala blues de Lá menor (destacando a blue note em vermelho):

Confira agora a escala blues de Dó maior e note como a nota


acrescentada é a mesma (D#):

Legal, mas agora surgem as perguntas básicas: de onde veio


essa escala? E para que serve?

A escala blues é uma das primeiras escalas ensinadas aos


alunos de improvisação, e geralmente acaba sendo a única
escala que eles utilizam além da escala maior e da pentatônica.

Ela teve suas raízes na música afro-americana na época da


escravidão e acabou sendo muito utilizada dentro do blues,
recebendo por isso o nome "escala blues". O termo "

" geralmente é traduzido para o português como "nota fora",


devido ao fato dessa nota não pertencer à escala natural. Já o
nome "pentablues" surgiu pelo fato dessa escala ser a escala
108
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

pentatônica acrescida de uma nota. Porém, muitos músicos se


recusam a chamar essa escala de pentablues, pois ela não possui
5 notas (penta), e sim 6, fazendo esse nome ficar contraditório.

Sem dúvida, o nome mais correto é "escala blues", mas isso


pouco importa..o mais importante é saber usar a escala!

Então vamos lá, a utilização da escala blues é a mesma da


escala pentatônica. Podemos aplicá-la em qualquer lugar que
aplicaríamos a pentatônica tradicional, apenas cuidando o fato
de que a blue note é uma nota de passagem, ou seja, ela deve
aparecer apenas no meio de outras notas, e não como nota de
repouso. Isso não é difícil de entender, pois a blue note é uma
nota dissonante à escala diatônica natural. Não devemos
repousar em cima dela porque isso seria uma desafinação.

Experimente fazer o teste. Ouça uma música na tonalidade


de Dó maior e toque a nota D#. Não fica muito estranho? Agora
toque a escala blues em cima dessa mesma música. Reparou
como esse mesmo D#, quando tocando junto com outras notas,
fica muito legal?!

O cromatismo da blue note é um dos cromatismos mais


agradáveis que existem, por isso que essa escala é tão difundida.
Saber utilizar bem a escala blues exige um pouco de prática, mas
o progresso é muito rápido.

Vale muito a pena praticar essa escala, pois a blue note dá


um sabor especial em qualquer música quando bem colocada!
Apenas não se prenda a essa escala como se ela fosse a única
escala do mundo, pois é muito comum que os músicos utilizem
109
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

ela para esgotar suas ideias e se limitarem a nada além disso.


Entenda que essa escala já foi, e continua sendo, reproduzida
milhões de vezes por músicos no mundo todo, ou seja, você não
vai se diferenciar por aí tocando a escala blues. Ela é um dos
artifícios mais manjados na música, então não fique encantado
com a sua gratificação fácil produzida.

Claro que isso não significa que você deve desprezá-la,


muito pelo contrário. Domine-a bem, mas continue estudando
outras coisas depois. Siga seu aprendizado aqui na apostila e faça
suas misturas de escala blues com outras escalas e recursos para
criar o seu próprio tempero. É importante destacar isso antes de
continuarmos.

Para finalizar mostraremos os desenhos da escala blues em


todo o braço do violão/ guitarra. A ideia é a mesma que
mencionamos para a escala pentatônica: dominar a escala blues
sobre o braço todo! Como você já deve estar dominando a escala
pentatônica completa, esse processo vai ser mole! Então bons
estudos!

Partindo de Mi

110
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

Partindo de Sol

Partindo de Lá

Partindo de Dó

Partindo de Ré

111
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

MÓDULO 6

D e s c o b r i n d oaF u n ç ã o d o sa c o r d e s

Funções Harmônicas.................................112

Trítono, o som do diabo...............................118

Resolução Deceptiva.....................................123

Acordes Invertidos....................................124

Modulação (conceito)...............................128

Notas alvo na improvisação......................130

112
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

D e s c o b r i n d oaF u n ç ã o d o sa c o r d e s

Funções Harmônicas

Função harmônica é um nome que representa a sensação


(emoção) que determinado acorde transmite para o ouvinte.
Esse conceito ficará mais claro quando mostrarmos os exemplos.
Primeiramente, saiba que as três principais funções harmônicas
são as seguintes:

1 - Função tônica: transmite uma sensação de repouso,


estabilidade e finalização. Promove a ideia de conclusão.

2 - Função dominante: transmite uma sensação de instabilidade


e tensão. Promove a ideia de preparação para a tônica.

3 - Função subdominante: é o meio termo entre as duas funções


anteriores. Pode-se dizer que gera uma sensação de preparação,
mas com menor intensidade, podendo migrar tanto para a
função dominante (intensificando a tensão) quanto para a tônica
(repousando).

Para entender melhor o que estamos falando, experimente


tocar repetidamente os seguintes acordes, na ordem em que
eles aparecem:

113
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

| G7M | C7M | D7 |

Ao tocar lentamente essa sequência, note como o acorde


D7 transmite uma sensação de "preparação" para retornar ao
G7M. Esse som de instabilidade é característico da função
dominante. Ao retornar para o acorde G7M, há uma sensação de
"alívio", "resolução" e estabilidade. Isso é característico da
função tônica. Já o acorde C7M nesse contexto representou um
meio termo (sem aquela angústia toda do D7, mas também sem
a estabilidade do G7M). Isso caracteriza a função subdominante.

O contexto que utilizamos nesse exemplo foi o campo


harmônico de sol maior, onde G7M é o 1º grau, C7M é o 4º grau
e D7 é o 5º grau. Podemos generalizar esse experimento dizendo
que, num campo harmônico maior qualquer: o 1º grau
caracteriza a função tônica, o 4º grau caracteriza a função
subdominante e o 5º grau caracteriza a função dominante. Como
foi dito lá em cima que cada acorde possui uma função
harmônica na música, vamos resumir abaixo as funções de cada
grau do campo harmônico maior:

Funções Harmônicas Graus


Tônica I, III, VI
Dominante V,VII
Subdominante IV,II

mas também com os demais graus, conforme essa tabela. Isso é

114
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

muito importante! Vamos passar a utilizar esse conceito de


funções harmônicas para tudo a partir de agora nos próximos
tópicos e módulos! Portanto, é fundamental que você decore
bem a função de cada grau do campo harmônico maior,
identificando logo quem é dominante, subdominante ou tônico.

Cada um desses graus também é classificado pela sua

representa a força de cada grau em relação à sua função


harmônica, ou seja, informa quais graus resolvem ou preparam
com mais ou menos força. Os acordes de função principal (I, IV e
V) são os denominados fortes; os acordes II e VII (que são
substitutos do IV e V, respectivamente) são denominados meio-
fortes; e os acordes restantes de função tônica (III e VI) são
denominados fracos.

QUALIDADE FUNCIONAL
FUNÇÃO PRINCIPAL GRAUS SUBSTITUTOS
Função Forte Função Meio-Forte Função Fraca
Tônica VI, III
Dominante V VII
Subdominante IV II

Quando falamos de graus substitutos, estamos dizendo que


podemos trocar entre si acordes que possuem uma mesma
função harmônica. Isso significa que podemos pegar os acordes
de uma música e trocá-los por outros que possuam a mesma
função harmônica sem alterar a sensação da música! Observe

115
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

abaixo, como exemplo, as funções do campo harmônico de Dó


maior:

QUALIDADE FUNCIONAL
FUNÇÃO PRINCIPAL GRAUS SUBSTITUTOS
Função Forte Função Meio-Forte Função Fraca
Tônica C7M Am7 Em7
Dominante G7 Bm7(b5)
Subdominante F7M Dm7

Você pode brincar com uma música que esteja na


tonalidade de Dó maior trocando de lugar os acordes que estão
na mesma linha dessa tabela. Por exemplo, no lugar do acorde
de Fá que aparecer na música você pode colocar o acorde Ré
menor, e o mesmo ocorre para as demais funções.

Para testar esses conceitos, pegue músicas que você


conhece e analise-as do ponto de vista de funções harmônicas.
Identifique cada acorde da música com o seu respectivo grau e
sua função, conforme listamos aqui. Tente identificar também a
sensação da mús

de mesma função harmônica entre si, mas por enquanto não se


preocupe tanto com isso. Ainda vamos trabalhar muito esse
assunto de funções harmônicas; esse tópico é somente uma
introdução.

Porém, você vai gostar de saber que as funções harmônicas


são o grande segredo dos músicos que possuem um ótimo

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CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

ouvido. Ao conhecer bem a sensação que cada uma dessas 3


funções possui (tônica, dominante e subdominante), fica muito
mais fácil de se identificar um determinado acorde com o
ouvido. A função dominante, por exemplo, é (na opinião de
muitos) a mais fácil de se identificar. Digamos que você esteja
tocando uma música que não conhece junto com uma banda, e
alguém diz para você que a tonalidade da música é Dó maior.
Você está na parte de trás do palco e não consegue ver os
acordes que o vocalista está fazendo no instrumento dele.

Resumindo, você está tirando a música de ouvido na hora.


De repente você sente que um determinado acorde possui a
função dominante (isso é fácil de se reconhecer com um pouco
de experiência e treino de ouvido). Como você sabe que a função
é dominante e que a tonalidade é Dó maior, significa que o
acorde em questão pode ser o V7 grau ou o VIIm7(b5). É muito
mais comum aparecer o V7 do que o VIIm7(b5), portanto você
tentaria tocar G7 e teria 90% de chance de acertar. Mesmo que
errasse, você erraria dentro da mesma função harmônica, o que
é tolerável, pois a sensação passada por esses acordes é a
mesma (o som não ficaria destoante).

Sem conhecer a sensação das funções harmônicas, essa


tarefa ficaria muito mais difícil, pois você precisaria conhecer o
som de cada acorde individualmente e, se errasse, correria o
risco de tocar um acorde com outra função harmônica, o que
seria desastroso.

Além dessa aplicação, as funções harmônicas servem para

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CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

manipularmos as emoções das pessoas. Quem não fica


angustiado com aquelas músicas características de filmes de
suspense? Pois bem, elas nada mais são do que um abuso de
acordes dominantes, que ficam martelando sem nunca
resolverem na tônica.

Por outro lado, propagandas de televisão procuram


enfatizar sensações suaves e agradáveis (função tônica) para que
o cliente se sinta confortável e associe esse bem estar ao seu
produto.

Artistas como Djavan, por exemplo, procuram manipular


as funções harmônicas de acordo com a letra da música. Se a
letra está falando algo ruim ou preocupante, a sensação é de
acorde dominante. Quando o tema da letra se resolve e a música

função tônica. Dessa forma, a mensagem é duplamente


experimentada pelo ouvinte, pois o sentido da letra e a sensação
da música se somam. Bons compositores, arranjadores e
produtores costumam ser peritos nesse assunto.

Qualquer estudo sobre harmonia, improvisação ou


composição vai abordar intrinsecamente o tema funções
harmônicas, por isso é necessário dominar desde já esse assunto.

No ramo da improvisação, é fácil compreender que se a


música está transmitindo tensão, o solo precisa destacar tensão.
Se a música está transmitindo tranquilidade, o solo também
precisa destacar tranquilidade. Um solista que segue bem o que
a música impõe cria melodias muito agradáveis ao nosso

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CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

ouvido,

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CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

pois existe um casamento perfeito entre melodia e harmonia.


Podemos comparar isso com um jogo de futebol, onde o lateral
direito (harmonia) cruza a bola para a área e o atacante
(melodia) entra correndo e cabeceia a bola para o gol. Se o
lateral recuasse a bola, o atacante deveria correr para área e
cabecear o vento? Da mesma forma, se o lateral cruzasse para a
área o atacante não poderia voltar para o meio de campo!

Apesar de óbvio, esse tipo de erro é muito comum em


improvisos. Mas fique tranquilo, vamos trabalhar aqui para que
você jogue bem entrosado nesse time!

Trítono, o som do diabo

funções harmônicas
dominante possui uma sonoridade de tensão. Essa tensão ocorre
devido à existência de um trítono. Mas o que é um trítono?

Chamamos de trítono o intervalo de três tons inteiros entre


duas notas. Ou seja, quando tocamos simultaneamente duas
notas que possuem três tons de distância entre si, estamos
tocando um trítono. Um exemplo de trítono está entre as notas
Fá e Si.

F F# G G# A A# B

1 TOM 2 TONS 3 TONS

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CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

O efeito do trítono proporciona uma das mais complexas


dissonâncias da música ocidental. Sua sonoridade passa a ideia
de movimento, instabilidade, e quando ele não é acompanhado
de um acorde de repouso, o ouvinte fica angustiado, aflito, afinal

suspense em filmes de terror famosos contêm apenas duas notas


e fazem o maior sucesso. Basta que você coloque trítonos
tocando intermitentemente que a pessoa já se borra de medo.

Todo acorde dominante contém um trítono, afinal o trítono

Vamos analisar alguns acordes V7 (quinto grau com sétima da


dominante) para você conferir. Repare, por exemplo, nas notas
que compõe o acorde G7: Sol, Si, Ré, Fá. Entre Si e Fá temos 3
tons de distância. Outro exemplo: confira as notas que compõe o
acorde E7: Mi, Sol#, Si, Ré. Entre Sol# e Ré temos 3 tons de
distância.

Muito bem, já deu para perceber que nos acordes maiores


com sétima existe um trítono entre os graus 3º e 7º.

Uma coisa importante de se destacar é o


efeito cromático produzido por esse trítono. No caso de G7,
que resolve em Dó maior, as notas Si e Fá estão um semitom
abaixo e acima, respectivamente, da fundamental e da terça de
Dó. Ou seja, há um efeito cromático que faz esse acorde

resolver nele.

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CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

Outro tipo de acorde com função dominante é o acorde


menor com sétima e quinta bemol (lembra dele? Esse acorde
aparece no sétimo grau do campo harmônico maior, conhecido
como acorde meio-diminuto).

Repare nas notas do acorde Am7(b5): Lá, Dó, Ré#, Sol


Entre Lá e Ré# temos 3 tons de distância.

Obs: Nem sempre o acorde meio-diminuto atuará como


dominante. Dependendo do contexto, ele poderá atuar com
outra função (veremos isso em estudos posteriores). Bom,

talvez você

Durante algum tempo, o trítono foi proibido pela igreja


ocidental por causar demasiado efeito de tensão. Essa
dissonância era vista pela igreja como maligna, pois acreditava-
se que a perfeição de Deus se traduzia em sons harmônicos, não
desarmônicos como o trítono.

Esse conceito fez com que, na Idade Média, o trítono


recebesse o nome de " ", sendo expressamente
proibido de ser tocado (ameaçando compositores de irem parar
na fogueira).

Mais tarde, percebeu-se que essa definição não tinha


embasamento bíblico, e o trítono passou a ser liberado. É
comum vermos equívocos de pseudo-religiosos tentando
distorcer a Bíblia ainda hoje. Mas voltemos ao caso dos
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CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

dominantes...

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CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

O acorde dominante pode aparecer de duas formas: como


dominante alterado ou como dominante não alterado. Chama-
se dominante alterado quando a 5ª, 9ª, 11ª ou 13ª estão
alteradas, ou seja, fora da escala que forma o modo mixolídio.

Sabemos que o modo mixolídio é formado pelos graus:1°


maior, 2° maior, 3° maior, 4ª justa, 5ª justa, 6ª maior, 7ª menor.
Portanto, um acorde dominante não alterado é o acorde V7 que
possui as notas de acorde (1, 3, 5, 7) e/ou qualquer uma das
extensões acima (2ª maior, 4ª justa ou 6º maior).

Se o acorde V7 apresentar alguma dessas extensões


alteradas (2ª menor, 4ª diminuta, 4ª aumentada ou 6ª menor) ou
ainda a nota de acorde 5ª aumentada ou 5ª diminuta, o acorde
será um dominante alterado.

Por exemplo, o acorde G7(#5) é um dominante alterado,


pois possui uma quinta aumentada. O acorde G7(b9) também é
alterado porque possui uma nona bemol (ou 2ª menor, para
quem preferir). Já o acorde G7(6) não é alterado, pois possui
uma sexta maior, que faz parte da escala mixolídia natural.

Essa nomenclatura é útil pois o acorde dominante permite


muitos recursos no ramo da improvisação. Dominantes alterados
possuem uma abordagem um pouco diferente dos dominantes
não alterados devido à sonoridade diferente da sua
estrutura. Nos artigos de aplicação de escalas você verá essas
diferenças.

Um termo bastante utilizado também para acordes


alte O significado de dissonante
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CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

é aquilo que precisa resolver, ou também algo que está estranho


à tonalidade
o contrário: estabilidade em relação à tônica.

Falando um pouco de ambiência, músicas carregadas de


tensão possuem muitos trítonos, como a 5ª Sinfonia do 1º
movimento de Beethoven, por exemplo. O Heavy Metal é
também um bom exemplo de estilo musical que incorporou a
função dominante em suas harmonias básicas.

Porém, os dominantes não se restringem a músicas


pesadas; eles aparecem em diversos lugares, mesmo em músicas
mais tranquilas, seguidos de resoluções na tônica.

Utilizar o dominante para fazer modulações (mudanças de


tonalidade) é outra aplicação extremamente comum, o que
torna esse tipo de acorde um dos mais explorados da música
atual, e talvez o mais estudado.

Se você quer ser um bom músico, o dominante precisa


fazer parte de seu vocabulário e repertório. Você já está dando
um grande passo lendo esse artigo. A equipe Descomplicando a
Música está aqui para te mostrar o caminho! Continue
estudando e aprendendo aqui na nossa apostila e você se
tornará um músico completo.

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Resolução Deceptiva

Resolução deceptiva é quando um acorde dominante não


resolve na sua tônica. Por exemplo, o acorde G7 é o
quinto grau(V7) de C (dominante de C), portanto nosso ouvido
espera que ele resolva em Dó. Se, depois de G7, fosse tocado
outro acorde que não fosse C, teríamos uma resolução
deceptiva, ou seja, seria uma surpresa para nosso ouvido!

Chamamos essa resolução de "deceptiva" porque é como


se nosso ouvido ficasse decepcionado com uma expectativa não
realizada. Porém, esse efeito surpresa pode ser interessante e
agradável dependendo do contexto. Veja abaixo um exemplo de
resolução deceptiva numa música bem conhecida:

VAMOS FUGIR ( )

A E7 F#m D

Vamos fugir deste lugar baby vamos fugir, tou cansado de esperar

E7 F#m

que você me carregue

A E7 F#m D

Vamos fugir pro outro lugar baby vamos fugir pronde quer que você vá

E7 F#m

que você me carregue

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A E7 D A

Pois diga que irá Irajá Irajá pra onde eu só veja você você veja mim só

E7 D

Marajó Marajó outro

A E7 D

Lugar comum outro


lugar

Repare que o dominante V7 de Lá (E7) apresenta resolução


deceptiva sempre que aparece nessa música (destacamos essas
resoluções em laranja). Ele está resolvendo no VIm (relativa
menor) e, em outros momentos, no IV grau, sendo que sua
resolução esperada seria o I grau.

Acordes Invertidos

Já aprendemos a montar tríades, tétrades e todas as


extensões possíveis no ramo dos acordes. Agora vamos trabalhar
um conceito novo, a chamada inversão.

Bom, você deve ter reparado que a primeira nota


ou grau do acorde (a nota mais grave) é quem dá o nome ao
acorde. Por exemplo, o acorde de Dó maior é formado pelas
notas Dó, Mi e Sol, onde Dó é o primeiro grau. Inverter um
acorde é fazer com que a nota mais grave (o baixo) não seja o
primeiro grau, e sim outro grau qualquer que forma o acorde.

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Portanto, temos três inversões possíveis (relacionadas às


notas que formam a tétrade): podemos colocar a terça, a quinta
ou a sétima no baixo.

1ª inversão

A primeira inversão é fazer a terça ser a nota mais grave (o


baixo) do acorde. No acorde de Dó maior, a terça é a nota Mi.
Então a primeira inversão é o acorde de Dó com o baixo em Mi.
A notação mais utilizada nas cifras para se representar inversões
é uma barra. Por exemplo: C/E (Dó com baixo em Mi). Veja
abaixo alguns exemplos desse acorde. Em vermelho está o baixo.

C/E C/E

2ª inversão

Na segunda inversão, a nota mais grave é a quinta. No


acorde de Dó, a quinta é a nota Sol. Portanto, o acorde de Dó na
2ª inversão é C/G. Confira abaixo alguns desenhos para esse
acorde:

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CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

C/G C/G

3ª inversão

Na terceira inversão, a nota mais grave é o sétimo grau.


Essa inversão precisa de um cuidado especial quando a sétima
for maior (7M), pois ela se localiza meio tom abaixo da
fundamental (1º grau). Isso pode gerar um desconforto sonoro
cromatismo
ndo a
tônica um semitom acima do que ela deveria ser. Quando a
sétima for menor, não há esse problema.

Veja abaixo um exemplo de 3ª inversão para os acordes


C7M e C7 (onde a 7ª maior é a nota B e 7ª menor é a nota Bb):

C/B C/B

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CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

Obs: existem inúmeros desenhos/ shapes diferentes para


se montar acordes invertidos no violão; nós mostramos apenas
alguns aqui para introduzir o conceito. Tente encontrar outros
shapes para esses acordes que apresentamos e procure também
as inversões para os demais acordes! Fica como tema de casa
você trabalhar isso.

Legal, você deve ter reparado que os acordes invertidos


possuem um som levemente diferente do acorde original, pois o
baixo é uma nota muito marcante. Isso representa uma
oportunidade ótima para você variar a sonoridade das músicas.
Experimente tocar uma música que você conhece fazendo todos
os acordes na primeira inversão. Depois faça o mesmo utilizando
a segunda inversão. Além de ser um ótimo exercício, essa é a
melhor forma de decorar os desenhos desses acordes. Pratique
isso com várias músicas e rapidamente os acordes invertidos vão
fazer parte do seu vocabulário musical.

Para compor músicas, experimente também como ficam os


acordes invertidos em vez dos tradicionais, pois algumas
sequências e progressões podem ficar mais bonitas e
interessantes. Esse conhecimento adquirido vai expandir suas
ideias!

No teclado, trabalhar acordes invertidos é muito comum


(os estudantes aprendem logo nas primeiras aulas como se faz

inversões e existem muitas opções de shapes e estruturas


distintas, a maioria dos professores acaba nem ensinando isso,
como se não fosse útil.
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CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

Já que pouquíssimas pessoas exploram esse conceito


abordado aqui, músicos que fazem acordes invertidos no violão
ou na guitarra chamam a atenção. Parece que o cara está
tocando acordes loucos, incrementados, pois o formato dos
acordes invertidos é diferente, pouco usual, e a sonoridade
produzida é encantadora.

Se você quiser, portanto, encher os olhos da platéia


tocando apenas tríades e tétrades, está aí um recurso simples.
Futuramente, nos tópicos mais avançados, utilizaremos os
acordes invertidos para trabalhar linhas melódicas com o baixo.
Por enquanto, procure se acostumar com eles, aplicando-os
sempre que possível.

Modulação (conceito)

Modulação significa mudança de tonalidade. Apenas


relembrando, nós já sabemos como descobrir a tonalidade de
uma música. Basta observar os seus acordes, pois eles dizem
quem é o campo harmônico em questão e, portanto, informam
qual escala podemos utilizar para improvisar ou fazer arranjos.

Porém, muitas músicas possuem mais de uma tonalidade,


ou seja, elas mudam de um campo harmônico para outro. Por
exemplo, digamos que uma música possua os acordes C, Em, F,
G, Am. Podemos concluir rapidamente que a tonalidade dessa
música é Dó maior. Imagine agora que, no refrão, aparecessem

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CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

os acordes Bb, Gm e Dm. Esses acordes pertencem ao campo


harmônico de Fá maior, não de Dó maior. Ou seja, no refrão a
tonalidade dessa música mudou, então dizemos que houve uma
Do ponto de vista da improvisação,
utilizaríamos a escala de Fá maior no refrão, já que a tonalidade
ali está em Fá maior.

As modulações podem ser curtas, ou seja, duram pouco


tempo e logo já retornam à tonalidade original, ou podem se
estender por muito tempo, mudando definitivamente a
tonalidade da música. Quando a música modula e não volta mais
à sua tonalidade inicial, dizemos que houve uma transposição.
Essa definição, porém, não é universal; muitos músicos chamam
qualquer modulação de transposição e vice-versa. O importante
é entender que, na essência, modular ou transpor são a mesma
coisa: mudar a tonalidade.

Existem muitas maneiras de se fazer uma modulação, e


iremos estudar isso em tópicos mais avançados. Nosso objetivo
aqui é apenas introduzir o conceito, pois iremos mencionar essa
palavra muitas vezes daqui para frente.

Como você viu, não há nenhum mistério. Ao longo de


nossos estudos você vai aprender muitos recursos e formas
diferentes de explorar esse tema. Para dominar estilos mais
complexos como jazz ou bossa-nova, esse conhecimento vai ser
fundamental. Até mesmo para quem só quer tocar músicas
populares (que não costumam ter modulações) esse estudo é
interessante. Conhecimento nunca é demais, e quando ele vem
de maneira fácil, melhor ainda! Einsten já dizia: "
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CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

".
Depois de um tempo estudando aqui nessa apostila,
provavelmente você estará ouvindo e percebendo coisas que
antes não notava. Isso aumentará sua percepção e seu prazer
musical, sem dúvida.

A importância das notas alvo na improvisação

Chamamos de "notas alvo" (do inglês Target Notes) aquelas


notas que são nosso objetivo principal em um solo. Para ficar
mais claro, vamos conversar um pouco sobre "solos legais"
e improvisação.

Você já sabe que o básico para se improvisar em cima de


uma base (sequência de acordes) qualquer é conhecer a
tonalidade da música e aplicar a escala maior, menor
relativa ou pentatônica. Muito bem, mas nem sempre o solo fica
legal, não é verdade?! Mesmo fazendo fraseados e explorando
diferentes técnicas, às vezes algumas notas não soam tão bem,
apesar de pertencerem ao campo harmônico da música.

A explicação para isso é simples, não podemos nos


restringir a pensar somente no campo harmônico, precisamos
pensar também nos acordes! Você deve concordar que um solo
trabalha em cima de uma harmonia, e uma harmonia é feita por
acordes. Mesmo que o campo harmônico não se altere durante
toda a música, cada nota da escala vai soar diferente (ter um
impacto diferente) quando tocada em cima de cada acorde desse
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CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

campo harmônico. Então precisamos saber quais notas ficam


mais bonitas para cada acorde!

Acompanhe esse raciocínio: um acorde é uma união de


notas. Então, ao fazer um solo em cima de um acorde, podemos
tocar no solo as notas que pertencem a esse acorde. Por
exemplo, se uma música tivesse os acordes C, Em, F e G,
poderíamos pensar em tocar as notas:

C, E, G em cima do acorde de Dó maior;


E, B, G em cima de Mi menor;
G, B, D em cima de Sol maior;
F, C, E em cima de Fá maior.

Essas são as tríades (notas de acorde) de cada acorde da


música. Obs: Se esses mesmos acordes tivessem também a
sétima (tétrades), poderíamos incluir o sétimo grau como nota a
ser tocada também.

Isso que fizemos não teria como soar feio, concorda? Afinal
seria o próprio arpejo de cada acorde! Pois bem, o segredo é
esse: um solo sempre vai ficar legal se focarmos nossa atenção
nas notas de acorde durante toda a música. Mas aí você vai
dizer: "Poxa, então quer dizer que eu vou ter que ficar fazendo
arpejos o tempo todo? Só posso tocar 3 ou 4 notas por acorde?",
não meu amigo, é aí que entra esse tal assunto de notas alvo!
Como as notas de acorde são as notas que soam muito
bem, elas serão nossas notas alvo. Ou seja, faremos nosso solo
com o objetivo de chegar até essas notas (por isso o nome:
alvo). Como
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CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

faremos isso? Há muitas maneiras. Preste atenção na tonalidade


da música e tente enfatizar as notas de acorde de alguma forma,
fazendo com que elas realmente apareçam no solo.
Mostraremos a seguir algumas ideias para você trabalhar isso;
são exercícios que podem ser aplicados na prática. Veremos
alguns meios de explorar esse conceito de notas alvo.

Muito bem, podemos chegar até as notas alvo de


diferentes maneiras, e as mais comuns são por:

1) Aproximação Diatônica Ascendente


2) Aproximação Diatônica Descendente
3) Aproximação Mista
4) Aproximação Cromática
5) Aproximação por Graus Conjuntos
6) Aproximação por Graus Disjuntos

Você não precisa decorar todos esses nomes, basta entender


a ideia por trás de cada um. Mostraremos cada técnica em cima
de uma suposta música formada pelos acordes C, Em, F e G
(tonalidade de Dó maior). Então vamos lá:

1) Aproximação Diatônica Ascendente: O nome "diatônica"


significa que vamos trabalhar com notas da escala natural.
Funciona da seguinte forma: procuramos tocar a nota da escala
que se localiza imediatamente antes da nota de acorde e depois
tocamos a nota de acorde. Por exemplo, no acorde de Mi menor,
as notas alvo são E, G, B. Qual a nota que vêm antes de cada uma

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CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

dessas notas? D vem antes de E, F vem antes de G e A vem antes


de B. Então, uma opção para nosso solo poderia ser o seguinte:

F - G, D - E, A - B.

A lógica é justamente essa: "finalizar" cada trecho com uma


nota de acorde. Podemos brincar com a ordem das notas de
acorde como quisermos (D - E, A - B, F - G, etc.), não é
necessário seguir a ordem 1º, 3º e 5º graus em sequência. Veja
abaixo essa aplicação para os acordes da nossa música (as notas
de acorde estão destacadas em vermelho):

Dó maior Mi menor Fá maior Sol maior

2) Aproximação Diatônica Descendente: Funciona da mesma


maneira que fizemos no caso anterior, com a diferença de que
agora tocaremos uma nota posterior à nota de acorde para
depois voltar (descendente) e tocar a nota de acorde. Usando o
mesmo exemplo de Mi menor, a sequência seria: F - E, A - G, C -
B. Note que F, A e C são as notas que vêm depois de E, G, e B,
respectivamente. Segue abaixo a aplicação os demais acordes:

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CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

Dó maior Mi menor Fá maior Sol maior

3) Aproximação Mista: É mesclar as duas aproximações


anteriores. Use sua criatividade! Podemos, por exemplo, no
acorde de Mi menor, chegar até a nota E de forma ascendente,
depois chegar até a nota G de forma descendente, etc. Ou ainda,
podemos tocar ambas as notas que estão acima e abaixo antes
de finalizar na nota de acorde. Mostraremos estes exemplos
abaixo. Sobre o acorde de Dó, mostraremos a mescla de
ascendente com próxima nota descendente; sobre o acorde de
Mi menor, mostraremos a mescla de descendente com próxima
nota ascendente; e sobre os acordes de Fá maior e Sol maior,
mostraremos uma mescla aleatória de tudo.

Dó maior Mi menor Fá maior Sol maior

4) Aproximação Cromática: A ideia aqui é a mesma que tivemos


para as aproximações diatônicas, a única diferença é que, em vez
de tocar uma nota posterior ou anterior que pertence à escala

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CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

maior, tocaremos notas que estão um semitom antes ou depois da


nota de acorde, ou seja, notas da escala cromática. Apesar de
serem notas que não pertencem ao campo harmônico da
música, elas servirão como notas de passagem, pois o efeito
cromático faz nosso ouvido "aceitar" essa reprodução. Faremos
um tópico específico para mostrar mais exemplos desse assunto,
pois ele pode ser bem explorado e utilizado. Aqui, apenas
estamos explicando e introduzindo a ideia. No caso de Mi menor,
a sequência então seria (numa aproximação ascendente): D# - E,
F
- G, A# - B. Segue abaixo algumas aplicações para os demais
acordes:

Dó maior Mi menor

Fá maior Sol maior

5) Aproximação por Graus Conjuntos: Trabalhar graus


conjuntos é utilizar os mesmos conceitos de aproximação
ascendente e descendente para fazer sequências mais longas
antes de se chegar à nota alvo. Por exemplo, podemos chegar
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CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

até

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CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

a nota G por aproximação ascendente conjunta. Para tanto, em


vez de tocar somente F - G, podemos vir desde C fazendo isso: C
- D, D - E, E - F, F - G. Isso vale tanto para aproximações
ascendentes, como para descendentes, mistas ou cromáticas.
Exemplos:

Dó maior Mi menor Fá maior Sol maior

6) Aproximação por Graus Disjuntos: Graus disjuntos são notas


que não são imediatas umas das outras, ou seja, possuem uma
distância maior. Por exemplo, podemos nos aproximar da nota E

nota imediatamente anterior à nota de acorde, e sim a segunda


nota anterior. Exemplos:

Dó maior Mi menor Fá maior Sol maior

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CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

Legal, veja como temos inúmeras combinações e


possibilidades de explorar as notas alvo! Seu solo não precisa ser
exatamente uma sequência como essas que mostramos; o ideal
é que você apenas preste atenção nos acordes e identifique
quais são as notas alvo, tentando enfatizá-las em seu solo. Esses
exercícios são bons para você praticar essa ideia, e podem ser
utilizados como fragmentos dentro de frases melódicas que você
mesmo tenha criado.

Pode parecer meio enfadonho ter que saber/ decorar todas


as notas de acorde de todos os acordes possíveis. Mas não é tão
difícil. Nos instrumentos de corda, você precisa focar sua atenção
nos desenhos e shapes. Por exemplo, o acorde de Fá
em pestana tem o mesmo shape do acorde de Sol em pestana, etc.
Isso significa que se você souber enxergar as notas de acorde de
Fá, automaticamente sabe enxergar as notas de acorde de Sol,
pois o desenho é o mesmo. Então, nosso trabalho fica
absurdamente reduzido, basta saber visualizar as notas alvo de
uns 3 shapes diferentes e você já vai conseguir trabalhar notas
alvo em qualquer acorde de qualquer música. Então, concentre-
se nisso!

Além do mais, esse estudo de notas alvo é importante pois


começamos a exercitar um conceito de improvisação que será
muito trabalhado mais para frente: a improvisação pensando em
acordes! Até aqui, havíamos falado de improvisação pensando
apenas em campo harmônico. Estudos mais avançados
trabalham a improvisação do ponto de vista de cada acorde,
aproveitando oportunidades para utilizar diversas

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CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

em cada situação. É isso o que vai fazer você se diferenciar


de 99,9% dos músicos do planeta, que só sabem tocar
pentatônica e escala maior. É incrível como você só encontra por
aí tutoriais e aulas sobre técnica, técnica e técnica. A galera se
preocupa muito em tocar rápido, e aqueles que já entenderam
que velocidade não é tudo, tentam inventar solos legais e
melódicos utilizando somente recursos técnicos, já que não
sabem nada de teoria. Todo mundo esquece que uma
sonoridade boa depende das notas que você está tocando! O
músico que sabe teoria musical vai estar sempre na frente.

Para chegar nesse nível de pensar em acordes e não se


restringir a campos harmônicos, comece desde já a prestar
atenção em cada acorde da música. Estamos apenas iniciando
nossos estudos nesse assunto, começando com as notas alvo,
mas já é um ótimo começo. Isso já vai acrescentar muita beleza
aos seus solos. Fica a dica!

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CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

MÓDULO 7

E x p l o r a n d oN o t a se S e n s a ç õ e s

Deslocamento de Oitavas.............................140
Target Notes por Aproximação Cromática...141
Cadências e Progressões - Parte 1............143
Cadências e Progressões - Parte 2............147
Cadências e Progressões - Parte 3............150
Ciclo das Quintas e das Quartas...................153
Dominantes Secundárias...........................157

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CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

E x p l o r a n d oN o t a se S e n s a ç õ e s

Deslocamento de Oitavas

Mostraremos aqui uma ferramenta para incrementar ainda


mais seu solo, trata-se do deslocamento de oitavas (do inglês
ou ).

A ideia é muito simples: brincar com as oitavas. O legal é


que, mesmo trabalhando somente com notas tonais (sem
outside notes), é possível tirar uma sonoridade diferenciada!
Esse estudo vai ajudar você a solar de uma forma menos linear e
mais "descolada".

Antes de trabalharmos mais a técnica, experimente tocar


os exemplos abaixo. Aqui estamos somente tocando cada nota
do acorde de C7M com a sua respectiva oitava, o que já fica

legal:

Agora vamos fazer o seguinte: tocaremos uma nota


da escala maior de dó e a próxima nota da escala será tocada
uma oitava acima, e assim sucessivamente. Depois, no
144
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

próximo compasso, faremos o inverso: começaremos com uma


nota aguda e trabalharemos com a próxima nota uma oitava
abaixo. Confira:

No próximo exemplo, trabalharemos esse conceito em cima


do arpejo de Em7:

Você pode expandir essas ideias para as demais escalas


também. Experimente!

Target Notes por Aproximação Cromática

Esse recurso é um complemento ao estudo de notas


alvo que já fizemos. Gostaríamos apenas de destacar que as
notas alvo por aproximação cromática trazem muitas
outside notes para seu solo, ou seja, você estará acrescentando
em seu solo notas que não pertencem ao campo harmônico da
145
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

música.

146
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

Esse recurso bem dominado passa a impressão de que o


músico manja muito de teoria musical, pois a sonoridade
produzida traz inúmeras notas alternativas que embelezam o
solo. O segredo por trás disso está na habilidade de se trabalhar
em cima de cada acorde. Você já conhece esse segredo. Se o
conceito está meio obscuro, leia novamente o artigo "A
importância das notas alvo na improvisação".

Mostraremos abaixo alguns exemplos em cima do acorde


de dó maior que utilizam essa abordagem cromática, onde as
notas de acorde estão destacadas em vermelho. Escolha aqueles
que mais lhe agradam e aplique em seus solos!

Aproximação cromática ascendente:

Aproximação cromática descendente:

147
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

Ideias de aproximação cromática em cima do acorde Em7:

Cadências e Progressões - Parte 1

Existem inúmeras sequências de acordes possíveis de se


fazer para criar uma música, mas algumas sequências são muito
comuns de aparecerem devido ao seu efeito sonoro, e por isso
recebem o nome de cadências (ou progressões). Uma cadência
Funções Harmônicas
cadência IV, V, I.

As cadências servem como um padrão (clichê), algo que


pode ser aplicado em diversos contextos, com o intuito de criar
alguma sensação harmônica. Por isso, as cadências trabalham
em cima das funções harmônicas.

Considere, por exemplo, a sequência de graus II, V, I. Já


vimos que o 2º grau exerce a função subdominante, o 5º grau
exerce a função dominante e o 1º grau é a tônica.
Podemos notar que essa sequência cria justamente a ideia de
suspende/ prepara/ conclui.

148
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

Quando a tônica é um acorde maior, essa cadência


(utilizando tétrades) costuma ter o formato:

IIm7 V7 I7M

Exemplo na tonalidade de Dó maior:

Dm7 G7 C7M

Antes de mais nada, vale a pena destacar que o segundo


grau de uma cadência II V

Caso você ainda esteja com dificuldade para associar os


graus (I, II, III, etc.) com as suas respectivas funções harmônicas,
funções
harmônicas
instrumento, até decorar bem essa parte. Isso é muito
importante e precisa ser automático na sua cabeça. Você precisa
enxergar os acordes de um campo harmônico como se tivessem
um sobrenome, que é a sua função harmônica. Daqui pra frente
iremos falar o tempo todo das funções e de seus graus, então se
você não pegou bem a essência disso tudo vai ter dificuldades. É
melhor dar um passo pra trás e depois dois pra frente. Assim
você vai evoluir. Caso contrário, pode achar esse estudo pesado
e até querer desistir. Mas não cometa esse erro, estamos
chegando nos pontos mais interessantes e poderosos da música!
Vale a pena investir nisso e avançar devagar!!

149
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

Muito bem, para quem entendeu bem o exemplo anterior,


podemos também criar essa ideia de suspende/ prepara/ conclui
quando a tônica for um acorde menor.

Nesse caso, a cadência costuma ter o formato:

IIm7(b5) V7(b9) Im7

Exemplo na tonalidade de Dó menor:

Dm7(b5) G7(b9) Cm7

Esses formatos não vieram do acaso, afinal esses acordes


(nos dois exemplos que mostramos) pertencem aos campos
harmônicos maior e menor de Dó, respectivamente. Confira (em
vermelho):

Graus I II III IV V VI VII


Campo Harmônico C7M Dm7 Em7 F7M G7 Am7 Bm7(b5)
Dó maior
Campo Harmônico Cm7 Dm7(b5) Eb7M Fm7 Gm7 Ab7M Bb7
Dó menor

não apareceu nessa tabela é o dominante na progressão II V I


para acorde menor, pois no campo harmônico menor ele tem o
formato Vm7 (Gm7) e no nosso exemplo ele apareceu como
G7(b9). A explicação é que esse formato (Vm7) não possui
um trítono função dominante),
portanto transformamos ele em um acorde maior com sétima

150
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

(G7). Além disso, acrescentamos uma nona bemol (G7b9), pois


essa nota b9 de Sol (Ab, nesse caso) é a sexta menor de Dó, que
está presente na escala de Dó menor(na escala maior, a sexta é
maior!). Isso amenizou um pouco o fato do acorde G7 ser maior
e não pertencer ao campo de Dó menor, como acabamos de
comentar.

Legal, mas existe ainda outro formato de cadência


muito comum para acordes menores:

IIm7(b5) V7(#5) Im7(9)

Exemplo na tônica Dó:

Dm7(b5) G7(#5) Cm7(9)

A diferença aqui em relação ao formato anterior foi colocar


uma 9ª maior na tônica. Essa alteração fez o dominante se
alterar também (recebeu uma 5ª aumentada), pois isso
possibilitou um cromatismo interessante entre as notas D# e D
(5ª aumentada de Sol e 9ª maior de Dó). Por isso esse formato é
muito utilizado e bem aceito também.

Bom, terminamos a primeira parte desse estudo mostrando


os formatos típicos de cadências que mais aparecem nas
músicas. Na parte 2 desse tópico, falaremos um pouco sobre
como elas podem ser úteis para diversos propósitos.

151
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

Cadências e Progressões - Parte 2

Agora que você já conhece os formatos típicos


das cadências II V I, continuaremos nossa abordagem
mostrando aplicações úteis.

Além de serem agradáveis ao ouvido em qualquer


contexto, as cadências podem ser utilizadas para se fazer
mudanças de tonalidade (modulações). Para que uma mudança
de tonalidade não seja brusca e "dolorida" aos ouvidos, costuma-
se utilizar alguma progressão.

Exemplo: Imagine que uma música esteja em Lá maior e,


por algum motivo, você quer mudar a tonalidade no refrão para
Mi maior. A maneira mais automática de se fazer isso é
simplesmente sair tocando o campo harmônico de Mi maior no
refrão diretamente, o que causaria um choque (provavelmente
negativo) ao ouvinte.

Outra maneira seria fazer uma cadência II - V - I para Mi


maior. Pegaríamos, portanto, o acorde F#m7 para servir de IIm7
(segundo cadencial) de Mi. Para completar a cadência II, V, I,
tocaríamos, depois de F#m7, o quinto grau de Mi, que é B7, para
então resolver em E7M.

Repare como a sequência F#m7, B7, E7M é uma cadência II V


I.

O legal disso é que o acorde F#m7 pertence ao campo


harmônico de Lá maior (é o VI grau), além de pertencer também

152
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

ao campo harmônico de Mi maior (II grau). Isso fez essa


mudança de tonalidade ficar muito mais suave. Estávamos em Lá
maior, e o primeiro acorde da cadência II, V, I de Mi ainda
pertenceu ao campo harmônico de Lá (até aqui, o ouvinte não
sabe que a tonalidade vai mudar). O acorde B7 já não faz parte
do campo harmônico de Lá maior, portanto aqui o ouvinte já
percebe a mudança. Mas, apesar desse acorde não pertencer ao
campo de Lá, seu aparecimento na música não é tão brusco
devido ao F#m7 que o antecede. Nosso ouvido aceita muito bem
a cadência II, V, I pela sua sensação, por isso nosso cérebro já se
adapta rapidamente entendendo a lógica, projetando uma
progressão II, V, I para Mi em vez de rejeitar o B7 por não
pertencer ao campo de Lá. Quando tocamos E7M, esse acorde
nada mais é do que uma consequência já esperada da
progressão, não sendo mais um acorde fora de contexto.

Além dessa aplicação, uma cadência pode ser útil para dar
mais corpo a uma harmonia. Considere a música abaixo, que
contém somente 4 acordes e se repete continuamente:

| Dm7(9) | Gm7 | C7M | A7(#5) |

Já que a música retorna para Dm7(9) após A7(#5), temos


aqui uma sequência "dominante tônica" (V I). Podemos
aproveitar o último compasso para inserir um acorde que sirva
de segundo cadencial para completar uma cadência II, V, I. O
segundo grau de Ré é Mi, então utilizaremos Em7(b5), pois a
sequência IIm7(b5), V7(#5) resolve bem em um acorde menor,
como já vimos.
153
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

Assim, ficamos com:

| Dm7(9) | Gm7 | C7M | Em7(b5) A7(#5) |

Podemos trabalhar ainda mais essa harmonia. Note que


temos outra cadência II, V, I acontecendo: Dm7, Gm7, C7M.
Porém, o quinto grau aqui está menor em vez de maior (V7).
Podemos então transformá-lo em um acorde maior com sétima
(G7) para caracterizar mais essa cadência II V I que está
resolvendo em um acorde maior (C7M). Agora ficamos com um
II, V, I típico de resolução em um acorde maior, observe:

| Dm7(9) | G7 | C7M | Em7(b5) A7(#5) |

Esse trabalho que fizemos é conhecido como


rearmonização, pois mexemos na harmonia da música.
Trataremos desse assunto com muito mais profundidade em
capítulos posteriores, mas é bom que você já tenha em mente
que verá muitas progressões harmônicas inseridas nesse
contexto.

No próximo tópico, continuaremos esse assunto


diferenciando os tipos de cadências que existem. Você verá que
nem todas as cadências têm essa ideia chave de suspender/
preparar/ concluir.

154
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

Cadências e Progressões - Parte 3

Agora que já introduzimos o conceito de cadência,


continuaremos nosso aprendizado dividindo as cadências em 5
tipos diferentes: cadência perfeita, imperfeita, plagal, deceptiva
e meia-cadência. Cada uma delas possui alguma característica
peculiar e merece ser analisada à parte.

O mais importante aqui desse estudo não é decorar todos


os nomes envolvidos nesse tema, e sim observar as sensações
que são possíveis de se obter! Faremos nosso estudo em

cima do campo harmônico de Dó maior. O símbolo vai


ser utilizado para representar a ideia de conclusão harmônica
(finalização). Então vamos lá:

1) Cadência Perfeita

É aquela formada pela sequência "V I" (Dominante


Tônica), portanto é a mais forte. Quando ela vem antecedida de
um subdominante (II ou IV grau), é chamada também de
cadência autêntica. Exemplos:

155
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

2) Cadência Imperfeita

É formada também pela sequência "V I" (Dominante


Tônica), mas aqui um ou ambos os acordes aparecem invertidos,
o que enfraquece a sensação da progressão. Exemplos:

Uma cadência também é chamada de imperfeita quando o


dominante é o VII grau em vez do V grau. Exemplo:

3) Cadência Plagal

É quando um acorde subdominante resolve direto na


tônica, sem passar pelo dominante. Pode ser uma sequência II
I ou IV I. Exemplos:

156
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

Esse tipo de cadência também pode aparecer com um ou ambos


acordes invertidos, exemplo:

4) Cadência Deceptiva

É quando ocorre uma resolução deceptiva, ou seja, o


dominante vem seguido de qualquer acorde que não seja a

conclusiva. Exemplos:

Uma cadência deceptiva também pode resolver em um


acorde que não pertence ao campo harmônico original, o que
caracterizaria uma mudança de tonalidade (modulação). Alguns
autores chamam essa progressão de cadência deceptiva

157
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

5) Meia Cadência

É quando a música (ou um trecho da música) repousa


sobre um acorde dominante, ou seja, o dominante não resolve

Muito bem, terminamos então nosso estudo sobre


cadências. Daqui para frente você irá ouvir falar muito delas,
mas não se preocupe, não iremos nos prender às nomenclaturas
associadas a cada cadência e sim aos efeitos provocados,
explicando detalhadamente cada caso. Afinal, música deve ser
ensinada como música, não como um relatório chato de normas
e definições!

Ciclo das Quintas e das Quartas

O ciclo das quintas nada mais é do que uma sequência de


notas distanciadas por intervalos de quinta justa.

Por exemplo, a sequência: C - G - D - A - E - B é formada


por intervalos de quinta justa, portanto, faz parte de um ciclo de
158
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

quintas. Note como Si está uma quinta acima de Mi, que está
uma quinta acima de Lá, e assim por diante.
Legal, mas qual a utilidade disso?

Alguns estudantes aprendem o ciclo das quintas para analisar


os acidentes das escalas maiores. Observe:

A escala de Dó maior não possui nenhum acidente


(nenhuma nota da escala apresenta sustenidos ou bemóis).
A nota Sol está uma quinta acima de Dó, e a escala de Sol
maior apresenta um acidente, a nota F#.
A nota Ré está uma quinta acima de Sol, e a escala de Ré
maior apresenta 2 acidentes (as notas F# e C#).

Moral da história: A cada quinta, tem-se um acidente a


mais na próxima escala. Isso é útil principalmente para os
tecladistas, pois cada escala maior para eles possui um desenho
diferente, e a quantidade de acidentes vai definir quantas teclas
pretas a escala terá. Veja abaixo uma tabela com os acidentes de
cada escala maior:

159
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

Escala Quantos Quais são


acidentes possui
Dó maior ou
nenhum nenhum
Lá menor
Sol maior ou Mi 1 Fá#
menor
Ré maior ou Si 2 Fá#, Dó#
menor
Lá maior ou Fa# 3 Fá#, Dó#, Sol#
menor
Mi maior ou C# 4 Fá#, Dó#, Sol#, Ré#
menor
Si maior ou Sol# 5 Fá#, Dó#, Sol#, Ré#, Lá#
menor
Fa# maior ou Ré# 6 Fá#, Dó#, Sol#, Ré#, Lá#, Mi#
menor
Dó# maior ou 7 Fá#, Dó#, Sol#, Ré#, Lá#, Mi#, Si#
Lá#
menor

Ok, mas essa não é a única utilidade do ciclo das quintas. É


interessante observar que os acordes dominantes V7 podem ser
outro, formando uma sequência
de resoluções fundamentadas em quintas. Quando isso ocorre,

Por exemplo:

| A7 | D7 | G7 | C |

160
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

Note como, nessa sequência, o acorde A7 resolveu na sua


tônica (Ré), porém esse Ré não possuía a função tônica, e sim
dominante, resolvendo em Sol. Igualmente, Sol não atuou como
tônica, mas como dominante que resolveu em Dó. Portanto,
tivemos uma sequência de dominantes estendidos; e observando
da direita para a esquerda, o quinto grau de Dó é Sol, o quinto
grau de Sol é Ré e assim por diante. Ou seja, formamos um ciclo
de quintas.

Nem todo mundo sabe, mas a escala pentatônica surge de


um ciclo de quintas! Observe a sequência C G D A E
(ciclo de quintas partindo da nota C). Agora compare com as
notas da escala pentatônica de Dó maior: C, D, E, G, A. Como
podemos ver, ao pegarmos as 5 primeiras notas de um ciclo de
quintas, estamos formando uma escala pentatônica.

Muito bem, até agora só falamos de ciclo de quintas; e


quanto ao ciclo de quartas? Ele nada mais é do que um ciclo de
quintas visto ao contrário. Repare na sequência anterior:

C G D A E

Essa sequência vista da esquerda para a direita possui


intervalos de quinta. A mesma sequência, quando vista da direita
para a esquerda, possui intervalos de quarta. Ou seja, o ciclo das
quintas é o ciclo de quartas invertido e vice-versa.

Ok, vamos finalizar então esse tópico desenhando o ciclo


das quintas completo. Faremos um círculo e colocaremos nele
todas as 12 notas espaçadas por intervalos de quinta

161
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

Note que, no sentido horário, temos o ciclo das quintas e,


no sentido anti-horário, temos o ciclo das quartas.

Dominantes Secundárias

Dominante secundária é qualquer acorde que possua


a função dominante sobre outro acorde que não seja a tônica da
música.

Por exemplo, na tonalidade de Dó maior, o acorde


dominante é G7. Se, nessa tonalidade, aparecesse o acorde A7,
esse acorde seria um "dominante secundária", pois é um
dominante que resolve em Ré, não em Dó (nossa tônica nesse
caso).

Repare que dominantes secundárias não fazem parte


do campo harmônico natural. Eles são acordes auxiliares, servem
apenas para "preparar" uma cadência para algum outro grau do

162
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

campo harmônico. Um sinônimo possível para dominante


secundária é "dominante auxiliar", mas este último costuma ser
mais utilizado no contexto de acordes de empréstimo modal
(assunto que veremos em outros tópicos). Isso ajuda a fazer uma
distinção entre o propósito desses dominantes, e aqui
no Descomplicando a Música nós faremos essa diferenciação
para facilitar o entendimento.

Muitas vezes, os dominantes secundários são utilizados


para antecipar o dominante natural da música. Por exemplo, no
caso anterior, o dominante natural da música era G7, então
poderíamos tocar antes dele outro dominante que preparasse a
ida para Sol.

O dominante de Sol é D7. Assim, teríamos a sequência | D7


| G7 | C |, onde D7 é o dominante secundário. Esse dominante
também é chamado de "dominante do dominante", já que serve
de dominante para outro dominante.

Em termos de nomenclatura, costuma-se utilizar a


notação V7/ V7 para destacar que se trata de um dominante
secundário para outro dominante (do quinto grau). Se fosse, por
exemplo, dominante secundário que prepara para o quarto grau,
escreveríamos V7/ IV.

Ainda falando de nomenclatura, a título de curiosidade, o


nome poderia ser dominante secundário, em vez do feminino
"secundária", mas o termo secundária diz respeito a uma
preparação, por isso o gênero feminino: preparação dominante

163
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

secundária. Esse nome acabou pegando mais do que o masculino


"secundário". Mas isso pouco importa...

Aplicação

Muito bem, o conceito de dominante secundária já está


claro. Agora vamos mostrar as implicações que esse conceito
pode ter. Como o dominante V7 está sempre uma quinta acima
do acorde que ele vai resolver, podemos "brincar" com ciclos de
quintas sucessivos. No caso anterior, tocamos D7 antes de G7,
mas poderíamos também tocar A7 antes de D7 e E7 antes de A7,
formando a seguinte sequência:

| E7 | A7 | D7 | G7 | C |

Essa sequência é uma preparação atrás da outra, que


resolveu só no final em Dó. Primeiro, E7 preparou para Lá, mas o
Lá era com sétima, preparando para Ré, e assim sucessivamente
até terminar em Dó. Esse tipo de progressão é muito utilizado no
jazz. Como já vimos, tratam-se
formam um ciclo de quintas (ou de quartas, dependendo de que
lado você está olhando). O conceito é simples, são apenas
dominantes. Podemos improvisar em cima deles utilizando
o modo mixolídio de cada dominante, ou as demais abordagens
que estudaremos ainda (tópicos posteriores). Claro que essa
improvisação nem sempre é fácil, pois essas passagens podem
ser muito rápidas, o que dificultaria o solo. Por isso é importante
treinar bastante em cima desse tema, afinal dominantes
secundárias aparecem bastante nos estilos ricos
harmonicamente
164
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

(jazz, bossa nova, mpb, etc.). Quando analisarmos músicas


completas aqui no site, pode ter certeza de que eles irão
aparecer aos montes!

165
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

MÓDULO 8

I n c r e m e n t a n d oa c o r d e s et o n a l i d a d e s

Notas de Extensão - Parte 1......................162


Notas de Extensão - Parte 2......................167
Como utilizar acordes suspensos..................172
Acordes Disfarçados..................................176
Tom x Tonalidade..................................177
Tons Homônimos..........................................179
Tons Vizinhos.............................................179

166
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

I n c r e m e n t a n d oa c o r d e s et o n a l i d a d e s

Notas de Extensão - Parte 1

Notas de extensão são as demais notas que formam um


-se de que
as notas de acorde são aquelas que formam a tríade ou tétrade
do acorde. Vamos tomar como exemplo o acorde C7M. Ele é
formado pelas notas Dó, Mi, Sol, Si, que correspondem
aos graus 1, 3, 5 e 7. Essa é a tétrade desse acorde, ou seja, as

Se acrescentássemos alguma nota a esse acorde, por


exemplo, a nona, o acorde ficaria: C7M(9). Nesse caso, a nona

Todas as notas que não forem o 1º, 3º, 5º e 7º graus serão


chamadas de notas de extensão. Repare então que há apenas 3
graus de extensão possíveis (a quarta, a sexta e a nona). Obs: a
nona equivale ao segundo grau.

Até agora, utilizamos apenas a tétrade para montar


um campo harmônico (falamos de C7M, Dm7, etc). Então, para

167
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

completarmos esse assunto, chegou a vez de analisarmos as


notas que restaram (4ª, 6ª e 9ª).

Nosso estudo será mostrar quais dessas notas podem ser


utilizadas para cada acorde dentro do campo harmônico maior.
Ou seja, para uma música que esteja em Dó maior, por exemplo,
posso tocar o acorde Dm6? E o acorde FM7(9)? Essas dúvidas
serão todas respondidas.

Isso ajudará você na hora de compor ou rearmonizar


músicas, pois você saberá quais as extensões que podem ser
utilizadas em cada acorde e quais as extensões que devem ser
evitadas. Os motivos de se evitar alguma extensão são os
seguintes:

Efeito cromático indesejável


Descaracterização da função harmônica

Explicaremos detalhadamente o que é cada um deles. Vamos


utilizar como exemplo o campo harmônico de Dó maior,
lembrando que esses conceitos se aplicam para todas as demais
notas.

O campo harmônico de Dó maior é:

I II III IV V VI VII
C7M Dm7 Em7 F7M G7 Am7 Bm(b5)

168
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

Quando falarmos das notas a serem evitadas, lembre-se


que estamos falando de notas que pertencem à escala maior de
Dó, afinal o campo harmônico é Dó maior. Isso é importante de
se destacar pois, por exemplo, a escala do acorde FM7 (nesse
campo harmônico de Dó) é Fá Lídio, não Fá maior. Então, para
esse acorde, estaremos utilizando a escala Lídia. Por isso não se
assuste quando se deparar com quarta aumentada, por exemplo,
analisando se ela deve ou não ser evitada nesse caso. Estamos
analisando apenas as notas da escala de Dó maior, e essas notas,
quando o acorde não é Dó, recebem uma referência diferente do
ponto de vista dos graus; por isso você verá quarta diminuta,
quarta aumentada, etc. Pense nos modos gregos. O desenho da
escala maior será utilizado apenas para o C7M; os demais
acordes terão suas escalas de acordo com o respectivo modo
grego. Sugiro que você tenha a seu lado as escalas dos modos
gregos para facilitar seu estudo nesse tópico.

Começaremos analisando o primeiro acorde (C7M).


Observe abaixo a escala de Dó maior e veja as extensões
possíveis (quarta, sexta e nona):

As notas são, respectivamente, Fá, Lá e Ré. Vamos ver como


fica o acorde C7M com cada uma dessas extensões:
169
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

Com a quarta: C7M(4)

Com a sexta: C7M(13)

Com a nona: C7M(9)

Fica a pergunta: podemos utilizar todas essas extensões


dentro do campo harmônico de Dó maior? Resposta: todas as
extensões podem ser utilizadas, exceto o quarto grau. Ou seja,
não podemos tocar C4 ou C7M(4). Motivo: o quarto grau para

170
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

esse acorde é a nota Fá. Até aí tudo bem, afinal essa nota
pertence à escala de Dó maior (então teoricamente ela poderia
ser utilizada). Porém, ela situa-se a um semitom de distância da
nota Mi, que é uma nota de acorde (a terça) de C7M. Qual o
problema disso?

Bom, se colocarmos a nota Fá junto do acorde C7M,


formando um C7M(4), estaremos tocando simultaneamente
duas notas que se distanciam por um semitom (Mi e Fá), e isso
soa muito desagradável. Pegue seu instrumento e faça soar
simultaneamente duas notas que se distanciam por um semitom.
Observe como fica ruim. Isso se explica pelo fato de se tratar de
uma aproximação cromática. Você aprenderá, no estudo de
ar o caminho
que queremos chegar.

Por exemplo, digamos que um baixista está tocando a nota


Sol, dentro do campo harmônico de Dó, pois o acorde do
momento é Sol, e o próximo acorde da música seja Lá menor.
Antes de tocar a nota Lá, o baixista poderia tocar Lá bemol para
depois tocar Lá. Esse efeito de aproximação cromática soa muito
bem, pois parece que estamos subindo uma escada (G, G#, A),
onde o próximo degrau já está indicado (quando tocamos Lá
bemol , imediatamente espera-se que a próxima nota seja Lá).
Por isso, tocar Lá bemol junto com Lá (as duas ao mesmo tempo)
produz uma confusão. A impressão que dá é que estamos em
conflito, pois as duas notas são muito próximas e deveriam ser
tocadas em sequência, não ao mesmo tempo. A confusão surge
da dúvida -se repousar em Lá bemol ou

171
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

A ou A
Ab. No primeiro caso, Ab seria uma nota de passagem para se
repousar em Lá (cadência crescente), e no segundo caso, Lá seria
uma nota de passagem para se repousar em Ab (cadência
decrescente).

Entendido isso, procure evitar tocar algum acorde que


tenha duas notas distanciadas por um semitom. Talvez você

acorde com a quarta, afinal a quarta sempre está a um semitom

Esse raciocínio faz sentido e é verdadeiro. Mas há uma


solução: podemos tirar o terceiro grau do acorde! Assim não
haveria esse conflito. Como, nesse caso, não existiria mais
terceiro grau, o acorde fica suspenso. Moral da história: os
acordes com 4ª costumam ser suspensos. Por isso que você vai
ver por aí Asus4, etc. Os acord
indicando que o terceiro grau foi suprimido do acorde.
Continuaremos analisando os próximos acordes do campo
harmônico maior na parte 2 desse tópico!

Notas de Extensão - Parte 2

Continuando nosso estudo de notas de extensão, vamos


analisar o nosso próximo acorde do campo harmônico maior de
Dó (Dm7). Esse acorde não possui nenhum grau a ser evitado,
172
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

então você não precisa ser preocupar com suas extensões, pode
usar qualquer uma. Veja abaixo as possibilidades. A escala é
Ré dórico.

Com a quarta: Dm7(4)

Com a sexta: Dm7(13)

Com a nona: Dm7(9)

Nosso próximo acorde é Em7. Veja a escala (Mi Frígio) e as


notas de extensão:

173
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

Com a quarta: Em7(4)

Com a sexta: Em7(b6) = Em7(#5)

Com a nona: Em7(b9)

Para este acorde, devemos evitar o nono grau menor (b9) e


o sexto grau menor (b6 ou #5). O grau b9 deve ser evitado
porque está a um semitom de distância do primeiro grau,
causando aquele efeito cromático indesejável que comentamos
anteriormente.

174
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

Já o grau b6 deve ser evitado porque ele descaracteriza o


acorde de Em7. O acorde Em7(b13) ou Em7(b6) é idêntico ao
acorde C7M(9). Compare:

Notas de Em7(b13): E, G, B, D, C
Notas de C7M(9): C, E, G, B, D

Conclusão: o IIIm7(b6) do campo harmônico maior


equivale ao I7M(9). Qual o problema disso? O único problema é
que estaríamos perdendo nosso objetivo, que é tocar o acorde
de Mi, afinal ele estaria soando como se fosse Dó! Isso pode
implicar em muitas consequências, por exemplo, caso
desejássemos aproveitar o acorde de Mi menor para fazer uma
modulação para Ré maior, por meio de uma cadência II, V, I
(Em7, A7, D7M), essa ideia ficaria prejudicada, pois o nosso Mi
menor está soando como Dó maior, que não pertence ao campo
harmônico de Ré. A progressão C7M, A7, D7M não é uma
progressão II, V, I. Esse tipo de descaracterização sugere que
evitemos o b6, portanto, no acorde do terceiro grau.

Os próximos acordes de nossa análise (F7M e G7), que


correspondem aos graus IV e V, não possuem notas a serem
evitadas. Mostraremos abaixo alguns exemplos acordes muito
comuns de aparecerem dentro do contexto de Dó maior para
esses graus:

IV: F7M, F7M 9, F7M #11, F7M9 #11, F6, F6add9, F6 add9 #11
V: G7,G7 9,G7 13,G7 9 13, G7 11,Gsus4, Gsus13

175
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

Fique à vontade para brincar com essas opções!

O sexto grau do nosso campo harmônico, Am7, possui uma


nota a ser evitada (b13). Motivo: Faz o acorde Am7 soar como
F7M(9). Compare:

Notas de Am7(b13): A, C, E, G, F
Notas de F7M(9): F, A, C, E, G

O sétimo e último grau Bm7(b5) possui duas notas a serem


evitadas: b9 e b13. A nota b9 deve ser evitada pelo fato de se
distanciar por um semitom do primeiro grau, conforme já vimos.
A nota b13 deve ser evitada porque o acorde Bm7(b5) é idêntico
ao acorde G7(9), compare:

Notas de Bm7(b5): B, D, F, G,
A Notas de G7(9): G, A, B, D,
F

Agora que terminamos esse estudo, vamos fazer um


resumo das notas a serem evitadas em cada grau:

1º grau: 4
2º grau: nenhuma
3º grau: b9 e b13
4º grau: nenhuma
5º grau: nenhuma
6º grau: b13

176
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

7º grau: b9 e b13

177
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

Muito bem, todas as demais notas de extensão estão


disponíveis para você se divertir! Recomendamos muito que
você pegue músicas ricas harmonicamente para observar as
notas de extensão utilizadas. É a melhor forma de aprender.
Sinta os efeitos de cada extensão e abuse das possibilidades!

Obs: Trabalhamos o tempo todo aqui em cima do campo


harmônico maior, mas a mesma lógica se aplica ao campo
harmônico menor, preferimos não mostrar para não ficar
tedioso. Caso você queira analisar um campo menor,
experimente pegar o campo relativo maior para conferir as
respostas e observar quais são as extensões evitadas. Por
exemplo, se você quer analisar as notas evitadas do campo
harmônico de Si menor, pense no campo harmônico de Ré maior
(seu relativo) para conferir se as notas/ graus evitados que você
encontrou estão corretos.

Como utilizar acordes suspensos

Já aprendemos que um acorde suspenso é aquele que não


possui a terça, ou seja, não pode ser classificado como acorde
maior nem menor.

Outra coisa que já vimos é que um acorde com quarta


(nota de extensão) costuma aparecer como 4sus, pois a quarta
acaba entrando no lugar da terça.

178
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

Porém, ainda não falamos sobre a aplicação desse tipo de


acorde, pois faltava passar uma base teórica para isso. Agora que
já estamos mais avançados, iremos ver os casos mais comuns
onde esses acordes aparecem.

Começaremos com um formato comum de acorde


suspenso: o acorde V7sus4. Esse tipo de acorde, conhecido
como dominante com quarta suspensa, geralmente aparece
substituindo o segundo cadencial. Observe no exemplo abaixo:

II V I
| Dm7 | G7 | C7M |

Nessa cadência, poderíamos colocar o acorde G7sus4 no


lugar de Dm7, ficando com:

| G7sus4 | G7 | C7M |

Vamos entender o porquê disso:

Notas de G7sus4: G, C, D, F
Notas de Dm7: D, F, A, C

Repare que esses dois acordes possuem 3 notas em


comum: C, D, e F. Como eles são muito parecidos, um pode
exercer a função do outro. Isso ocorre principalmente
pelo fato do trítono do acorde G7 ter sumido quando retiramos
sua terça (ele era formado pelas notas F e B, mas agora
retiramos o B); portanto, o acorde G7 descaracterizou sua
179
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

função de dominante

180
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

ao ficar suspenso (G7sus). Além disso, é interessante observar


que a nota B não pertence ao acorde Dm7, então sua retirada
possibilitou uma semelhança ainda maior entre esses acordes.

Muito bem, então está explicado: o acorde G7sus4 não


possui trítono e tem muitas notas em comum com o acorde
Dm7. Podemos pensar em utilizá-lo como segundo cadencial
quando a intenção for manter o baixo parado (baixo pedal)
numa cadência II - V.

Se o acorde de resolução fosse Dó menor em vez de Dó


maior no exemplo anterior, precisaríamos acrescentar mais uma
extensão. Veja o motivo no exemplo abaixo, que é uma cadência
muito comum (já estudada) para resolver em acordes menores:

II V I
| Dm7(b5) | G7(b9) | Cm |

Como o campo harmônico aqui é o de Dó menor, o


segundo cadencial possui a quinta bemol (nota Ab, nesse caso).
Portanto, o acorde que vai substituir esse Dm7(b5) precisa ter
também a nota Ab (o acorde G7sus4 utilizado anteriormente não
possui essa nota).

No caso de Sol, essa nota "Ab" é a nona bemol. Assim,


precisamos acrescentar essa extensão, formando o acorde
G7sus4(9b). Observe como ficou essa substituição:

| G7sus4(9b) | G7(b9) | Cm |

181
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

Legal, essa foi uma aplicação possível para o acorde


suspenso (substituir o segundo cadencial).

Outra utilização bastante comum para o acorde suspenso é


em cima do acorde de sexto grau do campo harmônico maior.
Nesse contexto, o sexto grau é a relativa menor. Quando
suspendemos a relativa menor, sentimos um impacto
interessante, pois a sensação de "acorde menor" é muito
necessária nesse acorde, afinal é nesse formato que ele possui
muita afinidade com a tônica principal (I grau).

Esse "impacto" de suspendê-lo costuma ser explorado


quando se deseja manter a música sem repousar, dando uma
rve a sequência
abaixo, que está na tonalidade de Mi maior:

IV V VI
| A | B | C#m |

Nesse caso, o acorde B é o quinto grau (dominante) dessa


tonalidade. Depois dele, está sendo tocado um acorde de
resolução (é o VI grau, relativa menor, função tônica). Ao
deixarmos esse C#m suspenso, não teríamos mais esse mesmo
repouso, observe:

| A | B | C#sus4 |

Geralmente, quando se acrescenta a quarta nesse caso,


costuma-se tocar, logo em seguida, o acorde C# (ou seja, o

182
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

acorde VI maior), devido ao efeito cromático gerado pela


quarta justa seguida da terça maior. Esse C# poderia entrar
nessa harmonia servindo de quinto grau para F#m, por exemplo:

| A | B | C#sus4 C# | F#m |

Existem ainda outras aplicações possíveis para os acordes


suspensos, mas basicamente elas se resumem a esses princípios
de modificar a sensação de um acorde menor. Quando um
acorde maior é feito suspenso, o impacto não é tão forte,

harmônica.

uma música, tente identificar rapidamente qual acorde menor


está sofrendo essa alteração. Geralmente será o segundo
cadencial ou a relativa menor, como acabamos de ver, mas pode
ser algum outro também. Esteja sempre atento!

Acordes Disfarçados

Acorde disfarçado é como um policial à paisana (ninguém


espera que ele seja aquilo que realmente é). Esse tipo de acorde
costuma ser um acorde invertido que, pela sua estrutura, não
deixa claro à primeira vista sua função harmônica na música.

Veja o exemplo abaixo:

183
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

| F7M | Gm6 | A7(b9) | Dm7 |

Nesse caso, Gm6 está atuando disfarçado como Em7(b5).


Note como esses dois acordes possuem exatamente as mesmas
notas:
Notas de Gm6: G, Bb, D, E
Notas de Em7(b5): E, G, Bb,
D

Pela progressão anterior, Gm6 estava aparentando ser 2º


grau de Fá, quando na realidade ele atuou como 2º grau de Ré (II
cadencial). É interessante destacar que, nesse caso, tivemos
uma cadência imperfeita.

Acordes disfarçados são interessantes quando se deseja


fazer uma cadência não usual. Você pode experimentar brincar
com acordes invertidos dentro de diversos contextos inventando
cadências que não sinalizam imediatamente ao ouvinte a
intenção real do movimento.

Tom x Tonalidade (definições diferentes)

A rigor, Tom e Tonalidade são coisas distintas. Observe as


definições abaixo:

Tonalidade: é um sistema específico de sons (escalas). Existe


a tonalidade maior, menor natural, menor harmônica emenor
melódica. Quando falamos a palavra "tonalidade", estamos nos
184
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

referindo a um desses sistemas, que são escalas associadas


a campos harmônicos.

Tom: é a nota onde se realiza a tonalidade. Como existem várias


notas diferentes, podemos ter uma mesma tonalidade em
diferentes tons; ou ter um mesmo tom com diferentes
tonalidades.

é uma junção de tom com tonalidade):

Campo Harmônico Tom Tonalidade


Dó menor melódico DÓ Menor melódico
Dó menor DÓ Menor
Harmônico harmônico
Ré maior RÉ Maior
Mi maior MI Maior
Mi menor natural MI Menor Natural

Na prática, porém, essas duas definições se confundem.


Ninguém diz: "Tom de Dó na Tonalidade Menor". As pessoas
geralmente abreviam para "Tom de Dó menor", ou "Tonalidade
de Dó menor". Portanto, esses termos acabam tendo o mesmo
significado na prática. Não esquente a cabeça com essas
sutilezas, a menos que queira prestar uma prova para um
vestibular de música ou algo parecido.

185
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

Tons Homônimos

Tons homônimos (ou tons paralelos) são os que possuem a


mesma tônica (nota fundamental 1º grau) e modo (maior ou
menor) diferente. Por exemplo, o homônimo de Dó maior é Dó
menor.

Você deve ter reparado que a diferença entre


dois acordes homônimos está apenas em uma nota: na terça.
Isso representa uma oportunidade interessante quando o
assunto é modulação, pois modular para um acorde homônimo
seria manter o mesmo tom alterando sutilmente apenas uma
nota (sendo que essa nota faz toda a diferença, pois ela altera o
modo maior para menor e vice-versa!).

Não se preocupe, trabalharemos mais esse assunto e


mostraremos exemplos quando estudarmos técnicas de
modulação. Nossa intenção aqui é apenas trazer a definição do
conceito para podermos abordá-lo sem problemas depois.

Tons Vizinhos

Tons vizinhos são os tons que possuem alguma afinidade


entre si por terem muitas notas em comum. Essa afinidade
representa uma possibilidade de modulação, e é isso o que torna
esse estudo atraente.

186
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

Apresentaremos primeiro os tipos de tons vizinhos que


existem e depois falaremos de cada um deles com mais detalhes:

1) Tons Vizinhos Diretos - Possuem apenas um (ou nenhum)


acidente em relação ao tom principal.

2) Tons Vizinhos Indiretos - São os relativos dos vizinhos


diretos.

3) Tons Vizinhos Próximos - Possuem o mesmo centro tonal


entre si.

Vamos falar primeiro dos tons vizinhos diretos.


Os graus que possuem apenas um acidente em relação ao tom
principal são os graus IV e V. Já o sexto grau não possui
nenhum acidente. Como é nosso costume, vamos conferir
essas afirmações. Tome por exemplo o campo harmônico de
Dó maior. O quarto grau é Fá maior, o quinto é Sol maior e o
sexto é Lá menor. Observe abaixo as escalas de cada um desses
tons:

Escala de Fá maior: F, G, A, Bb, C, D, E


Escala de Sol maior: G, A, B, C, D, E, F#
Escala de Lá menor: A, B, C, D, E, F, G

Note como as escalas do quarto e quinto graus (Fá e Sol)


possuem apenas um acidente (Bb e F#, respectivamente) em
relação ao tom principal (Dó). A escala de Lá menor não possui
187
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

nenhum acidente, já que é a relativa menor. Como cada um

188
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

desses graus (Fá, Sol e Lá) possui uma função


harmônica diferente, concluímos que os tons vizinhos diretos
podem ter função relativa, subdominante e dominante, para os
graus IV, V e VI (Fá, Sol e Lá), respectivamente.

Muito bem, esses são alguns tons vizinhos que podemos


utilizar para fazer modulações. Outra opção seria pegar os tons
relativos dos graus IV e V (pois os relativos possuem as mesmas
notas que estes). Vamos conferir continuando com o nosso
exemplo:

Relativa menor de Fá: .


Relativa menor de Sol: .
Escala de Ré menor: D, E, F, G, A, Bb, C
Escala de Mi menor: E, F#, G, A, B, C, D

Como era de se esperar, essas escalas possuem as mesmas


notas das escalas de Fá e Sol. Portanto, elas também possuem
apenas um acidente em relação à escala de Dó. Esses são os
chamados tons vizinhos indiretos. Olhando do ponto de vista da
tônica, eles são os graus II e III do campo harmônico maior de
Dó (Ré é o segundo grau e Mi é o terceiro grau).

Talvez você esteja pensando: "Já que os graus II e III


possuem apenas um acidente também, por que eles não são
considerados vizinhos diretos?". Bom, essa pergunta faz sentido,
afinal o segundo grau possui função subdominante (seria um
vizinho direto subdominante) e o terceiro grau possui função
tônica (seria um vizinho direto tônico). Porém, esses graus são

189
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

menores, e a modulação que vem de um acorde maior para um


acorde menor não pode ser considerada direta, com exceção da
modulação pela relativa menor. Por isso, quando modulamos
para esses acordes menores, entendemos que estamos
modulando indiretamente para os graus IV e V. Isso faz com que
eles sejam chamados de tons vizinhos indiretos.

Seguindo o mesmo raciocínio, se nossa tonalidade fosse


menor, os vizinhos diretos seriam menores e os indiretos
maiores. Os tons vizinhos próximos, por sua vez, são os
tons homônimos. Vamos conferir as escalas de Dó maior e Dó
menor:

Escala Dó maior: C, D, E, F, G, A, B
Escala Dó menor: C, D, Eb, F, G, Ab, Bb

Note como o tom homônimo possui três acidentes em


relação ao tom principal. Porém, apesar de possuir três
acidentes, o centro tonal é o mesmo para o tom homônimo, e
isso faz com que esse tom tenha uma afinidade com o
tom original. A resolução, nos dois casos, caminha para a
mesma tônica Dó (centro tonal = Dó), sendo que essa tônica,
quando pensamos nos acordes (C e Cm), difere de apenas uma
nota: a terça. Por isso o tom homônimo também é considerado
vizinho.

Legal, já sabemos quem são os tons vizinhos. A utilização


prática disso, como mencionamos lá no início, é saber escolher
para onde podemos modular em uma música. Ao escolher
modular para um tom vizinho, estamos escolhendo uma
190
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

tonalidade que possui alguma afinidade com o tom principal, e


isso vai resultar em uma transição mais bem aceita ao ouvido.

Os tons que não são vizinhos são considerados afastados.


Nada impede que uma música contenha modulações para tons
afastados, mas isso deve ser feito com muita cautela e
consciência.

Às vezes, a ideia do compositor é justamente radicalizar e


virar a harmonia de ponta cabeça, mas é preciso estar ciente
disso. Procure não introduzir modulações bruscas demais se a
ideia é apenas diversificar a harmonia. Experimente primeiro os
tons vizinhos.

Trabalharemos modulações nos próximos estudos, então


você poderá aplicar esses conceitos. Por enquanto, procure
sentir o sabor dos tons vizinhos em relação ao tom original.
Acostume- se com essa ideia, pois assim seu ouvido ficará afiado
para reconhecer não só o fato da tonalidade ter mudado, mas
também para onde que ela foi. Segue abaixo um resumo desse
capítulo, para facilitar seu estudo e treino:

191
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

MÓDULO 9

I m p r o v i s a n d oc o ma s F u n ç õ e sH a r m ô n i c a s

Como e onde aplicar as escalas....................185


Escala Menor Harmônica..........................187
Escala Menor Melódica.............................191
Escala Alterada..........................................198
Escalas simétricas e assimétricas..................200
Acorde de Aproximação Cromática..........201
Acorde Diminuto.......................................203
Escala Diminuta.........................................210

192
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

I m p r o v i s a n d oc o ma s F u n ç õ e sH a r m ô n i c a s

Como e onde aplicar as escalas

No artigo "a importância das notas alvo na improvisação",


falamos que um solo deve ser criado a partir dos acordes da
música, não somente do campo harmônico (tonalidade). A
verdade, porém, é que a grande maioria dos músicos e
improvisadores não enxerga nada além do campo harmônico.
Eles apenas querem a resposta para a famosa pergunta: "em que
tom está essa música?" e pronto, fazem um solo utilizando
escala maior, relativa menor e pentatônica.

Para quebrar esse "bloqueio mental", nós mostramos que


podemos explorar cada acorde individualmente na música,
trabalhando em cima das notas de acorde. Mas ainda estávamos
presos às escalas naturais. Agora chegou a hora de
extrapolarmos esse conceito, indo além das escalas básicas.
Chegou a hora de aprendermos a utilizar escalas alternativas!

Muito bem, você já deve ter em mente que uma


determinada escala pode ser utilizada quando o campo
harmônico da música foi gerado a partir dela. Em outras
palavras, você sabe que pode usar a escala da tonalidade em

193
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

questão. Legal, isso é um fato. Porém, não é o único recurso que


temos!

As demais escalas, além das naturais, quase nunca


poderiam ser utilizadas se ficássemos pensando apenas em
campos harmônicos, afinal o campo harmônico de uma música é
99% das vezes natural. Portanto, nossa abordagem vai se
desprender agora da "tonalidade" e se focar nas características
de cada acorde, para descobrirmos o que podemos fazer e qual
escala podemos tocar.

Alguns acordes, especialmente os acordes de tensão,


permitem muitas em cima deles, pois sua estrutura
e sensação harmônica permitem tranquilamente essas variações.
Nos próximos tópicos aqui do site, veremos que o acorde mais
explorado para outside notes é o acorde dominante. Em cima
dele, podemos tocar muitas escalas. E praticamente todas as
músicas possuem algum acorde dominante. Ou seja, você
sempre vai ter a opção de brincar com escalas alternativas! Que
boa notícia, não?! Significa que seu solo vai poder ficar muito
mais temperado!

Resumindo, não iremos invalidar o conceito de campos


harmônicos, muito pelo contrário, isso sempre será útil e
essencial. Vamos apenas partir para outros recursos, pensando
nos acordes.

Continue aqui no Descomplicando a Música e descubra


quais escalas você pode utilizar em cima de quais acordes. Você
verá que não há mistério: temos muitos recursos simples de

194
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

aplicar com resultados surpreendentes. Estude cada tópico com


carinho e pratique bastante. Lembre-se de que não adianta nada
alojar o conhecimento na cabeça se ele não sair na ponta dos
dedos. Acima de tudo, faça música!

Escala Menor Harmônica

A escala menor harmônica é muito parecida com a escala


menor natural. A única diferença entre as duas está no sétimo
grau. Na escala menor natural, o sétimo grau é menor, enquanto
na escala menor harmônica, o sétimo grau é maior.

Para que você veja essa diferença, vamos usar como


exemplo a escala de Lá menor natural e a escala de Lá menor
harmônica. Compare:

Notas da escala Am Natural: A, B, C, D, E, F, G


Notas da escala Am Harmônica: A, B, C, D, E, F, G#

Note como a única diferença está no sétimo grau (nesse


caso, a nota Sol). Esse sétimo grau maior na escala menor
harmônica aumentou a distância entre os graus 6 e 7,
encurtando a distância entre os graus 7 e 8. Essa alteração
conferiu um som muito interessante. Veja abaixo o desenho da
escala menor harmônica de Lá (o sétimo grau maior está
destacado em vermelho):

1
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

Experimente tocar essa escala repetidamente para sentir a


melodia provocada. Repare como essa escala por si só já possui
um sabor agradável.

Campo Harmônico Menor Harmônico:

O campo harmônico gerado pela escala Lá menor


harmônica é o seguinte:

I II III IV V VI VII
Am7M Bm7 C7M(#5) Dm7 E7 F7M G#º

Obs: o método que utilizamos para formar esse campo


harmônico é o mesmo que utilizamos para formar o campo
harmônico maior a partir da escala maior. A única diferença é
que a escala utilizada aqui foi a escala menor harmônica. Não
faremos todo esse procedimento de novo para não ficar
entediante.

De uma maneira mais genérica, o campo menor harmônico


pode ser visto da seguinte forma:

Im7M IIm7(b5) III7M(#5) IVm7 V7 VI7M VII#dim

Legal, então teoricamente sempre que identificarmos um


desses acordes/graus numa música, podemos aplicar a escala
menor harmônica no nosso solo, pois a harmonia permite. O
problema é que, na prática, os acordes Im7M, III7M(#5)
raramente aparecem, e os demais acordes com as extensões
m7(b5), m7, 7, 7M, aparecem em inúmeros contextos, o que
dificulta a abordagem, pois pode ser que esses acordes

188
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

pertençam a outro campo harmônico que não seja o menor


harmônico. Nesse caso, para utilizar essa escala em cima desses
acordes, você precisaria identificar, por exemplo, se o acorde
com a extensão m7, digamos Em7 é o quarto grau da música
(IVm7) conforme vimos no desenho desse campo:

Im7M IIm7(b5) III7M(#5) IVm7 V7 VI7M VII#dim

Para tanto, a música precisaria estar em Si menor, então


você poderia tocar a escala de Si menor harmônica no momento
em que esse acorde Em7 aparecesse, pois o campo harmônico
associado seria:

I II III IV V VI VII
Bm7M C#m7 D7M(#5) Em7 F#7 G7M A#dim

Porém, se a música estivesse em Sol maior e aparecesse o


acorde Em7, ele seria o sexto grau (VIm7) que pertence ao
campo harmônico maior, ou seja, não permitiria o uso da escala
Si menor harmônica em cima dele (genericamente falando).
Observe o campo harmônico de Sol maior:

I II III IV V VI VII
G7M Am7 Bm7 C7M D7 Em7 F#m7 (b5)

Isso dificulta um pouco nossa vida, pois precisaríamos estar


sempre prestando atenção nos graus e tonalidades
correspondentes para saber quando podemos e quando não
podemos aplicar a escala menor harmônica.

189
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

Ainda bem que, na prática, como já comentamos no artigo


"Como e onde aplicar as escalas", dificilmente você irá aplicar
essa escala pensando no campo harmônico dessa forma. A
maneira mais fácil de descobrir o contexto em que você pode
utilizar essa escala é prestar atenção no quinto grau, como
iremos explicar a seguir.

Aplicação

O contexto em que a escala menor harmônica mais


costuma aparecer nos solos, riffs ou arranjos é quando um
acorde V7 resolve em um acorde menor. Essa resolução é típica
do contexto menor harmônico, pois ela não existe no campo
harmônico maior natural nem no menor natural. No campo
maior, o V7 resolve em um acorde maior, como já sabemos. E no
campo menor não existe V7, pois o quinto grau é menor (Vm7):

CAMPO HARM. MENOR NATURAL


Im7 IIm7(b5) bIII7M IVm7 Vm7 bVI7M bVII7

Sendo assim, a resolução "V7 - Im7" é típica do campo


menor harmônico. Isso é muito importante de se saber, pois essa
é a sequência de acordes que mais aparece nas músicas quando
o assunto é menor harmônica. Além disso, o dominante V7 é
muito fácil de se identificar com o ouvido, especialmente num
contexto de tonalidade menor.

Mostraremos alguns exemplos de utilização dessa escala.


Note que na resolução "V7 - Im7" a escala menor harmônica
é

190
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

tocada em cima do acorde V7, pois é ele quem caracteriza a


tonalidade menor harmônica.

significa que é a escala menor harmônica do primeiro grau


(Im7), só que tocada no momento em que o acorde V7 aparece.
Não confunda, pois não estamos dizendo que é a escala menor
harmônica do quinto grau. Por exemplo, se aparecesse o acorde
E7 resolvendo no acorde Am, utilizaríamos a escala de Lá menor
harmônica no momento em que E7 estivesse sendo tocado. Não
utilizaríamos a escala Mi menor harmônica! Cuidado para não
confundir as ideias!

Pratique bastante essa escala nesse contexto e tente


identificar músicas que contenham essa progressão V7 Im7.
Rapidamente seu ouvido já vai se acostumar com essa resolução
e vai ficar afiado para percebê-la quando ela aparecer.

A título de curiosidade, um estilo musical que se baseia


muito na escala menor harmônica é a música espanhola.

Escala Menor Melódica

Já estudamos a escala menor harmônica e vimos que ela


possui uma distância "grande" entre os graus 6 e 7 (1 tom e
meio). Com o objetivo de reduzir essa distância, acrescentou-se
uma nota intermediária para aproximar o sexto grau do sétimo.
Isso tornaria o som da escala harmônica mais melódico,
originando a chamada escala menor melódica. Para tanto, o

191
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

sexto grau que antes era menor na escala harmônica passou a


ser maior na escala melódica.

Para que você veja essa diferença, mostraremos as escalas


de Lá menor harmônica e Lá menor melódica, uma abaixo da
outra. Compare:

Notas da escala Am Harmônica: A, B, C, D, E, F, G#


Notas da escala Am Melódica: A, B, C, D, E, F#, G#

Note como a única diferença está no sexto grau (nesse


caso, a nota Fá). Desenho da escala Lá menor melódica (os graus
6 e 7 estão destacados):

Experimente tocar essa escala repetidamente para sentir a


melodia provocada. O sabor da escala menor melódica difere um
pouco do sabor da escala menor harmônica e é um pouco mais
difícil de ser analisado, afinal apresenta duas alterações em
relação à escala menor natural (6º e 7º graus), enquanto a escala
menor harmônica apresenta apenas uma alteração (7º grau).

Antes de continuarmos, vale a pena mencionar que existem


duas escalas melódicas: a melódica real e a melódica clássica. A
melódica real é aquela que já apresentamos. A escala clássica é
uma escala que sobe como a escala menor melódica e desce

192
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

como a escala menor natural. Ou seja, ela tem um formato na


subida que é diferente do formato na descida. Observe abaixo:

Essa escala é utilizada por músicos que não gostam do


sabor da menor melódica na descida e preferem utilizá-la só na

(Sebastian Bach), grande compositor barroco. Muitos preferem

no Descomplicando a Música, contudo, sempre que falarmos da


escala menor melódica, estaremos falando da menor melódica
real (que sobe e desce da mesma forma).

Campo Harmônico Menor Melódico:

O campo harmônico gerado pela escala de Lá menor


melódica é o seguinte:

I II III IV V VI VII
Am7M Bm7 C7M(#5) D7 E7 Fm7(b5) Gm7(b5)

De uma maneira mais genérica, o campo harmônico


menor melódico é formado por:

Im7M IIm7 bIII7M(#5) IV7 V7 VIm7(b5) VIIm7(b5)

Um exemplo de música que possui muitos acordes


193
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

na tonalidade menor melódica é "Papel Machê" de João Bosco,


que será mostrada no final desse tópico.

Muito bem, da mesma forma que comentamos sobre a


aplicação da escala menor harmônica, a escala menor melódica
precisa ser estudada além do contexto de campo harmônico,
afinal poucas músicas apresentam a tonalidade menor melódica.

a escala é extremamente
utilizada por músicos de diversos estilos, especialmente
guitarristas de jazz. E não é por acaso, afinal a escala menor
melódica é uma ótima opção para se conseguir uma sonoridade
alternativa, que mescla sensações tonais com atonais. Aprenda a
seguir os contextos em que você mais irá utilizar essa escala na
prática!

Aplicação

O contexto em que a escala menor melódica mais costuma


aparecer é em cima de um acorde dominante. Como assim?

É simples! Quando aparecer algum acorde dominante em


uma determinada música, você pode utilizar a escala menor
melódica nesse exato momento. Mas qual escala menor
melódica? De qual tom?

Vamos mostrar com um exemplo. Se em algum momento


de uma música fosse tocado o acorde G7 (dominante que resolve
em C), poderíamos tocar em cima do G7 a escala menor
melódica de Ré. Ou seja, toca-se a escala menor melódica do
quinto grau acima do acorde dominante. Outra maneira de se
194
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

pensar isso é tocar a escala menor melódica que está um tom


acima do acorde que o dominante vai resolver. Nesse caso, G7 é
o dominante de C (resolve em C). Portanto, tocaríamos a menor
melódica um tom acima de Dó, que é Ré.

A justificativa que torna essa aplicação possível é um pouco


complexa e será tratada em tópicos mais avançados. Por
enquanto contente-se com o fato de que o dominante é um
acorde instável e tenso, que abre espaço para muitos recursos

Essa aplicação que ensinamos vale sempre? Sim, desde que


o acorde dominante seja não alterado. Apenas relembrando,
dominante não alterado é aquele que possui somente as notas
fundamentais (tétrade). Já o dominante alterado possui algum
acidente (por exemplo, a 5ª aumentada).

No nosso exemplo, G7 é um dominante não alterado. Se


fosse um dominante alterado, G7(#5), a escala menor melódica
utilizada seria a de Sol sustenido. Ou seja, para acordes
dominantes alterados, você pode tocar a escala menor melódica
que se localiza um semitom acima do acorde dominante em
questão.

Devido a esse propósito, essa escala acabou ficando


conhecida como escala alterada, afinal ela contém
muitos acidentes em relação à tônica. Falaremos da escala
alterada em outro tópico, mas é importante que você já saiba
que a escala alterada de um determinado tom é a escala menor

195
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

melódica tocada um semitom acima dele. Por exemplo, a escala


alterada de sol é a escala menor melódica de sol sustenido.

Resumindo tudo, podemos utilizar a escala menor melódica:

Uma quinta acima de um dominante não alterado


Um semitom acima de um dominante alterado

Invista tempo nesse estudo, pegue músicas, identifique os


dominantes e abuse da escala menor melódica em cima deles!
Assim você desenvolverá um vocabulário rico e provocará
sensações novas a seus improvisos.

Para finalizarmos, mostraremos um trecho da música


"Yesterday" dos Beatles. Nessa música, a melodia inicial faz uma
passagem pela escala menor melódica. Observe:

F Em A7 Dm Dm/C
Yesterday, all my troubles seemed so far away

é ali que essa


passagem ocorre. Fica como exercício para você ouvir e verificar
os outros momentos da música em que essa aplicação se repete.
A tonalidade da música é Fá maior. O acorde A7 é o dominante
V7 que está permitindo a utilização da escala Ré menor
melódica. Agora observe um caso raro de acordes do campo
menor melódico na música Papel Machê. A tonalidade é Dó
maior.

196
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

Papel Machê ( )

F7M
Cores do mar,
Dm7/9
Festa do sol,
C7M/5# A7/5#(9) A7/5#
Vida é fazer todo sonho brilhar
Fm7
Ser feliz,
G7/13 Db7/9
No teu colo dormir
C7M
E depois acordar,
A7/5#
Sendo o seu colorido
D7/9(11#) G7/13 C7M E7/b9
Brinquedo de papel machê

Am7M F7M
Dormir no teu colo é tornar a nascer
Dm7/9
Violeta e azul
Em7 A7/5#(9b)
Outro ser, luz do querer
F7M
Não vá desbotar

197
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

Dm7/9
Lilás cor do
mar
C7M/5#
Seda cor do batom
A7/5#
Arco-Íris crepom
D7/9
Nada vai desbotar
G7/13 D7/9(11#) C7M E7/b9
Brinquedo de papel machê

Escala Alterada

A escala alterada é uma escala construída a partir da


sequência: semitom - tom - semitom - tom - tom - tom - tom.

Já comentamos no artigo "escala menor melódica" que a


escala alterada de um acorde pode ser construída a partir da
escala menor melódica um semitom acima desse acorde. Por
exemplo, a escala alterada de Sol é a escala menor melódica de
Sol sustenido. Isso facilita nossa vida, afinal a escala menor
melódica nós já conhecemos.
As notas que compõem a escala de Sol sustenido menor
melódica são: G#, A#, B, C#, D#, F, G
Desenho:

1
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

Note que essa escala contém as notas Sol, Si e Fá


(fundamental, terça e sétima do acorde de G7). As demais notas:
Sol sustenido, Lá Sustenido, Dó Sustenido, Ré Sustenido são,
respectivamente, nona bemol, nona sustenida, quinta bemol e
quinta sustenida. Ou seja, todas as alterações possíveis num
acorde de sétima dominante estão incluídas nessa escala. O
acorde gerado por essa escala pode ser o G7#9#5, também
conhecido como G7alt. Repare que o símbolo "alt" é uma
abreviação de "alterado", por ter suas origens na escala alterada.
Se você se deparar com essa cifra "alt" por aí já sabe então do
que se trata (quinta e nona sustenidas).

Obs: apesar das notas b5 e b9 também existirem nessa


escala, o acorde denominado "alt" não se refere a elas, pois
essas notas também fazem menção à escala diminuta, como
veremos nos próximos tópicos.

Aplicação

A aplicação da escala alterada nós já demonstramos no


artigo "escala menor melódica": ela pode ser tocada em cima de
um acorde dominante alterado.

Em termos de som gerado, a escala alterada produz um dos


sons mais complexos possíveis em cima de um dominante. É
importante destacar aqui que tocar a escala alterada em cima de
um dominante não alterado pode resultar em uma dissonância
desagradável dependendo do contexto. Por isso, é fundamental
estar consciente do efeito produzido. Em dominantes alterados,
essa preocupação não precisa existir.

199
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

A escala alterada é um dos recursos mais utilizados no jazz.


Se você pretende se aperfeiçoar nesse estilo, é fundamental
praticar muito a escala alterada em diversos contextos de
dominantes para se acostumar com o seu sabor.

Mas não é somente o jazz que possui dominantes


alterados. Muitos outros estilos usam e abusam desses acordes.
Um exemplo de ocorrência muito comum é aparecer o
dominante com #5 antes de um acorde menor com sétima e
nona, e uma escala alterada bem colocada, sem dúvida, faz toda
a diferença nesses contextos.

Podemos arriscar dizer que chegamos a um divisor de


águas. Já estamos abordando temas de profissionais da área.
Prepare-se para virar um músico de mão cheia! Estude esses
padrões, improvise em cima das músicas, aplique, aplique e
aplique.

Essas escalas que trabalhamos até aqui precisam estar em


seu sangue. Mas não encare esse treino sem motivação. É
fundamental que você se divirta nesse processo. É fundamental
que goste dos sons gerados, que brinque com as ideias.
Sua personalidade musical precisa aflorar. Esse é o momento!

Escalas simétricas e assimétricas (conceito)

Escalas simétricas são aquelas que possuem exatamente a


mesma sequência de intervalos quando tocadas de forma
ascendente e descendente. Em outras palavras, utilizamos a

200
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

mesma lógica (estrutura intervalar) para executar a escala nos


dois sentidos: de baixo para cima e de cima para baixo. A escala
cromática é um exemplo de escala simétrica, pois sua estrutura
intervalar é: semitom - semitom - semitom semitom, etc.
Portanto, para executar ela de baixo para cima ou de cima
para baixo nós seguimos a mesma lógica.

Escalas assimétricas são aquelas que não são simétricas.


A escala maior, por exemplo, é assimétrica, pois sua sequência
de formação não é a mesma na execução de baixo para cima
comparando com de cima para baixo. Ela é formada pela
sequência: tom - tom - semitom - tom - tom tom - semitom.

Note como essa escala vista de baixo para cima fica:


semitom tom tom tom - semitom tom tom. Ou seja, a
sequência intervalar não é igual nos dois sentidos (baixo para
cima x cima para baixo).

A maioria das escalas são assimétricas. Isso faz com que as


escalas simétricas sejam peculiares, com uma sonoridade (na
maioria dos casos) facilmente distinguível.

A aplicação de cada escala, contudo, precisa ser estudada


separadamente. Mas não se preocupe, a equipe Descomplicando
a Música mostrará com detalhes como se usa cada uma delas!

Acorde de Aproximação Cromática

São acordes localizados um semitom acima ou abaixo do


acorde que se deseja resolver, possuindo a mesma estrutura que

201
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

este. Por exemplo, na sequência Dbm7 - Dm7, o acorde Dbm7


possui a função de aproximação cromática. Esse tipo de acorde
costuma ter curta duração no compasso, servindo apenas como
"passagem" para o próximo acorde.

Observe a seguinte progressão:

| Dm7 G7 | Em7 A7 | Dm7 Db7 | C7M |

Acrescentando acordes de aproximação cromática, essa


progressão poderia ficar:

| Dm7 Ab7 G7 Fm7 | Em7 G#7 A7 Ebm7 | Dm7 D7 Db7 B7M


| C7M |

Repare que, em alguns casos, o acorde subV7 pode ser


visto como um acorde de aproximação cromática (quando o
acorde que vem depois dele possui o mesmo formato, por
exemplo: G#7
- A7).

Porém, o acorde subV7 não deve ser encarado somente


como um acorde de aproximação cromática nessas situações,
afinal ele é um acorde dominante que serve de substituto do
quinto grau (V7), pelas razões que demonstraremos em outro
tópico. Dizer que ele possui apenas função cromática seria
limitar o seu real sentido.

202
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

Acorde Diminuto

O acorde diminuto é o acorde formado pelos graus:

1, 3b, 5b, 7bb

Obs: 7bb é o mesmo que sétima diminuta. Como 5b é quinta


diminuta, nesse acorde temos duas notas Logo, não é à toa que
se
Vamos
montar um acorde para ver como fica.

Exemplo em Dó diminuto:
Primeiro grau: C
Terceiro grau menor: Eb
Quinto grau diminuto: Gb
Sétimo grau diminuto: A
Acorde resultante: Cº

O símbolo mais utilizado para o acorde diminuto é uma


bolinha em cima da letra do acorde: C°. Mas alguns autores
também utilizam a notação "dim": Cdim

Uma maneira fácil de pensar no acorde diminuto é lembrar


do intervalo
diminuto possuem um tom e meio de distância entre
si. Confira:

- Distância do 1º grau ao 3º grau menor: 1 tom e meio


- Distância do 3º grau menor ao 5º grau diminuto: 1 tom e meio
203
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

- Distância do 5º grau dim ao 7º grau dim: 1 tom e meio

204
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

Isso confere uma característica muito particular: esse


acorde se repete a cada 1 tom e meio. Em outras palavras, se
você montar um acorde diminuto no braço do violão, da guitarra,
do teclado ou de qualquer instrumento e depois deslocar esse
mesmo acorde 1 tom e meio para cima ou para baixo, o acorde
continuará o mesmo!

A única coisa que vai mudar é a localização das notas em


relação aos dedos, mas o acorde como um todo terá as mesmas
notas, ou seja, será exatamente igual. Confira abaixo no braço do
violão o acorde de Dó diminuto e suas respectivas notas:

Agora esse acorde deslocado 1 tom e meio para cima:

Mais 1 tom e meio:

205
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

Mais 1 tom e meio:

Moral da história: C° = D#° = F#° = A°

Isso é muito conveniente, pois se desejarmos tocar, por


exemplo, A°, podemos tocar C° (já que é o mesmo acorde!). Isso
é útil se estamos tocando em uma região do braço onde o
acorde Cº está mais próximo do que o acorde Aº. Em outra
situação, o acorde mais próximo e conveniente de se tocar pode
ser D#°, então podemos tocar ele também em vez de A°. Legal,
não?!

Observe agora que, como existem 12 notas e um acorde


diminuto corresponde a outros 4 acordes idênticos a ele,
podemos concluir que só existem 3 acordes diminutos
diferentes. São eles: C°, C#° e D°.

Os demais acordes diminutos são consequência desses 3


acordes:

C° = D#° = F#° = A°
C#° = E° = G° = A#°
D° = F° = G#° = B°

206
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

Muito bem, já sabemos como se forma o acorde diminuto,


então chegou a hora de analisá-lo do ponto de vista de funções
harmônicas e aplicações gerais. Preparado? Então vamos nessa:

Aplicação

O acorde diminuto possui dois trítonos. Eles estão entre:

O primeiro grau e a quinta diminuta; e


A terça menor e a sétima diminuta.

Bom, caso já não tenha ficado explícito, o acorde diminuto


possui função dominante! Ter dois trítonos não é pouca coisa,
não é mesmo?! Logo, podemos utilizá-lo para substituir acordes
dominantes (como o V7, por exemplo). Nesse caso, podemos
trocar o acorde V7 pelo acorde diminuto localizado um semitom
acima dele. Por exemplo, o acorde G7 poderia ser substituído
pelo acorde G#° (ou seus equivalentes B°, D° e F°). Fica como
exercício para você conferir as notas de G#° e comparar com as
notas de G7. Você verá que o trítono de G7 está presente no
acorde G#°, o que possibilita essa substituição. Essa é uma das
aplicações do acorde diminuto, servir como opção de acorde
dominante. Confira abaixo um exemplo de substituição do
acorde G7 por um acorde diminuto:

| Dm7 | G7 | C7M|

| Dm7 | G#º | C7M|

207
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

Quando o acorde diminuto possui o mesmo baixo (nota


mais grave) do acorde que ele resolve, ele é chamado de
diminuto auxiliar. Exemplos:

| G7M | G° | G7M | | C7M | G° | G7 |

O diminuto auxiliar retarda a resolução e confere um


mínimo movimento harmônico, já que mantém o baixo.

Outra aplicação, e talvez a mais utilizada, é tocar o acorde


diminuto para explorar o efeito de aproximação cromática.
Nesse caso, o acorde diminuto costuma ser tocado um semitom
acima ou abaixo do acorde que se deseja resolver, sendo
chamado, respectivamente, de diminuto ascendente e diminuto
descendente.

Legal, mas podemos usar o diminuto ascendente e


diminuto descendente para resolver em qualquer acorde maior
ou menor? Bom, na teoria sim, mas na prática nem sempre isso
vai soar bem. O diminuto descendente não atua com função
dominante, pois não possui o mesmo trítono do acorde V7, ao
contrário do diminuto ascendente.

Talvez você tenha ficado confuso agora, afinal nós já


afirmamos que o acorde diminuto possui dois trítonos, então
como o diminuto descendente não atua com função dominante?
Afinal ele ainda possui dois trítonos! Bom, apenas relembrando,
o conceito de trítono se refere a uma necessidade de resolução.
Quando tocamos um trítono, surge a necessidade de que esse
a
208
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

nota desse trítono se deslocar um semitom. Por exemplo, o


trítono do acorde G7 está entre as notas Fá e Si. Quando a nota
Fá caminha um semitom para baixo, vira Sol, e quando a nota Si
caminha um semitom para cima, vira Dó. Por isso, o acorde
esperado para resolver essa tensão é o acorde de Dó, que
contém essas duas notas encontradas (Dó e Sol, primeiro e
quinto graus do acorde, respectivamente). Se o acorde G7
resolvesse em outro acorde que não fosse Dó, teríamos uma
resolução deceptiva. Até aqui, nenhum conceito novo. Agora,
imagine que uma música está na tonalidade de Si maior e
aparece a sequência de acordes G7 F#7 B. Nesse caso, o acorde
F#7 é o dominante que resolveu em Si maior, enquanto o
acorde G7 atuou como acorde de aproximação cromática.

Não estaria incorreto dizer que G7 era um dominante que


teve resolução deceptiva, mas sua função principal nessa música
seria o efeito de aproximação cromática, até porque a resolução
esperada de G7 é Dó maior, que não pertence à tonalidade de Si
maior. Ou seja, não faz muito sentido pensar em G7 como
dominante que estava iniciando uma modulação e sofreu
resolução deceptiva se ele proporcionou outro efeito para a
música independente desse. A mesma coisa ocorre com o
diminuto descendente. Os trítonos do acorde diminuto
descendente não resolvem da mesma maneira que o acorde V7,
portanto, o diminuto descendente acaba tendo unicamente a
função cromática, e isso faz com que sua utilização nem sempre
fique agradável.

209
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

Vamos analisar agora essas duas abordagens (diminuto


ascendente e descendente) e descobrir quais são mais utilizadas
quando o acorde que se deseja resolver é maior ou menor.

Quando o acorde que se deseja resolver é um acorde


menor, o diminuto ascendente é, sem dúvida, o mais utilizado e
funciona sempre! Dificilmente não vai ficar bonito. Mas tem
muita gente que gosta de utilizar o diminuto descendente
também para essa resolução. Então não se restrinja ao diminuto
ascendente! Explore ambos os conceitos.

Já para os acordes maiores, o diminuto ascendente


também pode ser utilizado quase sempre pelo fato de ser muito
semelhante ao VIIm7(b5) (acorde de sétimo grau do campo
harmônico maior). Devido a esse fato, o diminuto ascendente
acaba soando como se fosse tonal.

Já o diminuto descendente é muitas vezes substituído pelo


SubV7 (falaremos deste acorde no próximo módulo) quando o
desejo é explorar esse efeito cromático para acordes maiores.
Cabe a cada um definir seus gostos.

Resumindo, o diminuto ascendente, para ambos os acordes


maiores e menores, pode ser utilizado sem receios. Já o diminuto
descendente necessita de mais cautela.

Falando de maneira bem genérica, o diminuto ascendente


é a função mais comum do acorde diminuto nas músicas,
especialmente para resolução em acordes menores.

210
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

Em ambos os casos ascendente e descendente o acorde


diminuto aparece como um acorde de passagem.

Pratique esse conceito e inclua acordes diminutos nos


arranjos de suas músicas!

Escala Diminuta

A escala diminuta é uma escala simétrica formada pela


sequência: Tom - Semitom - Tom - Semitom - Tom - Semitom -
Tom.

Da mesma maneira que observamos para o acorde


diminuto, a escala diminuta se repete a cada um tom e meio.
Isso é muito vantajoso, pois abre um leque de possibilidades
muito grande.

Veja abaixo um exemplo de digitação para a escala


diminuta de Dó:

Notas: C, D, D#, F, F#, G#, A, B

Já que essa escala se repete a cada um tom e meio, vamos


conferir a escala diminuta de Ré#:

211
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

Notas: D#, F, F#, G#, A, B, C

Observe que, apesar dessas duas escalas começarem em


notas diferentes (uma começa em Dó e a outra começa em Ré#),
ambas possuem as mesmas notas.

Ok, e qual é a vantagem disso? Bom, digamos que você


esteja improvisando um solo em Mi menor até que, em
determinado momento da música, aparece o acorde B7. Como
veremos adiante, você pode utilizar a escala Dó diminuta em
cima de B7. Mas como essa escala é idêntica à escala de Ré#, e
Ré# está muito mais próximo de Mi do que Dó, podemos
aproveitar essa pequena distância e utilizar a escala de Ré#
diminuta (em vez de Dó diminuta) para deixar o improviso mais
fluente. Essa é uma das vantagens.

Outra vantagem está na repetição de padrões. Você pode


inventar uma frase na escala diminuta e repeti-la a cada um tom
e meio, criando um efeito muito interessante. O guitarrista
Yngwe Malmsteen explora muito esse recurso. Veremos esse
conceito aplicado nos exemplos.

Agora é hora de mostrarmos a aplicação dessa escala, afinal


não adianta ficar de lero lero se o que realmente interessa é
saber onde você pode usar esses conceitos! Vamos lá:

212
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

Aplicação

Como você já deve imaginar, a escala diminuta pode ser


tocada em cima do acorde diminuto. Isso não deve ser estranho,
afinal é a escala diminuta que forma o acorde diminuto. É nesse
ponto que a maioria dos estudantes desiste, afinal o acorde
diminuto não aparece com tanta frequência na maioria dos
estilos musicais; e quando aparece, é quase sempre por um
período muito curto, não dando tempo para que uma "frase"

ele tem toda a razão! Não adianta decorar coisas que não serão
aplicadas na prática. Ainda bem que você está no lugar certo. A
equipe Descomplicando a Música irá mostrar o valor da escala
diminuta para você.

A aplicação mais comum da escala diminuta está no acorde


dominante. Ela pode ser tocada um semitom acima do acorde
dominante em questão. Nesse caso, toca-se a tônica
(fundamental) do acorde dominante (ou seja, começa-se a escala
com essa nota) e então toca-se a escala diminuta um semitom
acima dessa tônica. Vamos explicar esse conceito. Acompanhe o
seguinte raciocínio:

Como essa escala se repete a cada um tom e meio,


podemos pensar em tocá-la começando de outros graus. Por
exemplo, o acorde G7 é um dominante que resolve em Dó maior.
A escala diminuta utilizada em cima de G7 é a escala de G#

213
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

diminuta

214
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

(meio tom acima do dominante). Como essa escala se repete a


cada um tom e meio, podemos tocar também a escala de Si
diminuta (um tom e meio acima de G#). Como Si está a um
semitom abaixo de Dó, podemos pensar que a escala diminuta a
ser utilizada se localiza um semitom abaixo do acorde que o
dominante vai resolver. Ou seja, é como se estivéssemos
um diminuto de passagem ascendente. Essa é apenas
uma forma se de pensar, e pode ser muito útil na prática.
Imagine que você está improvisando um solo numa música que
está em Dó maior, ou seja, está usando a escala de Dó maior. Se
aparecesse o acorde G7 em algum momento, seria muito prático
pensar em utilizar a escala diminuta um semitom abaixo de Dó,
pois ela está bem próxima da região onde você está fazendo o
seu solo. Pensar na escala um semitom acima de G7 pode
retardar um pouco nossa resposta na hora do improviso. Mas
cada pessoa tem suas preferências. Adote um ponto de
referência que faça você se sentir confortável e pratique
bastante a utilização dessa escala em um contexto musical.

Muitos autores reforçam que existem duas escalas


diminutas: a diminuta que já mostramos e a diminuta dominante
(ou escala dom-dim). Essa escala dom-dim nada mais é do que o
desenho da escala diminuta que mostramos começando do
segundo grau em vez do primeiro. Ou seja, em vez da sequência
ser: tom-semitom-tom-semitom, etc; começando do segundo
grau, teremos: semitom-tom-semitom-tom, etc.

Repare agora que nós utilizamos exatamente essa segunda


sequência em cima dos acordes dominantes, pois tocamos, no

215
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

exemplo anterior, a escala G# diminuta partindo da nota G, ou


seja, a estrutura ficou semitom-tom-semitom-tom, etc. Moral da
história: a escala dom-dim é a escala diminuta aplicada em cima
do acorde dominante. Portanto, não pense que são escalas
diferentes, considere apenas que é a mesma escala diminuta, só
que aplicada em cima do dominante (tocada um semitom acima
dele). Isso vai facilitar o raciocínio.

Nós mostraremos aqui (como de costume) alguns exemplos


de aplicação da escala diminuta. Crie também suas próprias
frases e obtenha fluência nesse tema. Vale muito a pena investir
tempo nesse estudo. A escala diminuta é um recurso fantástico;
possui uma sonoridade única e encanta qualquer ouvinte.

Uma outra aplicação dessa escala, além de poder ser


tocada em cima do acorde diminuto e do acorde dominante
como já vimos, é a aplicação em cima de um acorde diminuto
virtual.

Isso mesmo, não se assuste! Estamos chamando de diminuto


virtual um acorde diminuto que não existe na música, mas que
poderia existir. Parece coisa de maluco, mas é bem simples.

Imagine que sua banda está tocando uma música que


contém os acordes | C | D | Em |, repetidos nessa sequência.
Depois do acorde Ré vem o acorde Mi menor, mas já
comentamos em outro artigo que o acorde diminuto cai muito
bem como diminuto de passagem entre um acorde maior e um
menor (nesse caso, teríamos a sequência Maior - Diminuto -
Menor, ficando: D, D#°, Em). Obviamente, não estamos criando

216
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

outro compasso, o acorde diminuto está apenas dividindo o


mesmo compasso que Ré.

Muito bem, essa música não possui este acorde diminuto,


mas poderíamos tocar sem problemas a sequência:

| C | D D#° | Em | ao invés de tocar somente | C | D | Em |,


ou até | C | D#° | Em | (suprimindo totalmente o acorde de Ré).

O legal é que esse diminuto de passagem é tão bem aceito


nesse contexto que podemos fazer um solo como se esse acorde
estivesse ali, mesmo que ele não esteja. Nesse caso, estamos
enganando o ouvinte, fazendo-o acreditar que existe um acorde
diminuto naquele ponto. E o ouvinte aceita, pois essa cadência é
muito agradável! Recomendamos principalmente que você
toque o arpejo diminuto nesse caso, para fortalecer essa
impressão de que há o acorde diminuto ali.

217
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

MÓDULO 10

A p r e n d e n d or e c u r s o s a v a n ç a d o sd eJ a z z

Equivalência VII° = V7(b9).........................217


O Acorde SubV7........................................219
Acorde Interpolado...................................223
Acordes de Empréstimo Modal....................224
Modulação (Recursos e Análises).................229
Escala Bebop (Jazz Bebop)............................235

218
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

A p r e n d e n d or e c u r s o s a v a n ç a d o sd eJ a z z

Equivalência VII° = V7(b9)

Já sabemos que o acorde diminuto que se localiza um


semitom acima do acorde V7 possui o mesmo trítono que este.
Veja esse exemplo, que está na tonalidade de Dó maior (Sol é o
quinto grau):

Notas do acorde G#°: G#, B, D, F


Notas do acorde G7: G, B, D, F

O trítono presente em ambos está entre as notas B e F (3


tons de distância).

O acorde diminuto (G#°) ainda possui outro trítono, entre


as notas G# e D. Poderíamos então pensar em alterar o acorde
G7 para torná-lo ainda mais parecido com o acorde diminuto. A
única nota que faltaria no acorde G7 para formar este trítono
(G# -- D) seria a nota G# (que é a nona bemol de Sol), então
podemos colocar uma nona bemol ao acorde V7, ficando com
G7(b9).

Agora temos dois acordes equivalentes:


Notas do acorde G#°: G#, B, D, F
Notas do acorde G7(b9): G, G#, B, D, F
219
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

Como também sabemos que G#° = B°, e Si é o


sétimo grau da nossa tonalidade, podemos generalizar
afirmando que os acordes VII° (sétimo grau diminuto) e V7(b9) se
equivalem.

Obs: Pensar no acorde de sétimo grau VII° em vez de V#° é o


mais comum.

Agora repare o seguinte:

Dó é o acorde de resolução de Sol (V7 - I).


A nona bemol de Sol corresponde à sexta bemol de Dó
(nota G#).
Essa sexta bemol de Dó está presente na escala de Dó
menor (a escala de Dó maior possui sexta maior, não sexta
menor).

Conclusão: O acorde G7(b9) é indicado como dominante para


resolver no acorde de Dó menor!

Bom, então você já sabe que, se a ideia é colocar um


acorde V7 para resolver no primeiro grau menor, podemos
acrescentar uma nota de extensão (b9) a esse dominante
formando um V7(b9), pois isso vai fortalecer essa cadência!

Nesse tópico, descobrimos mais um motivo que faz


o diminuto ascendente resolver bem em acordes menores, pois
ele equivale a um V7(b9). Para finalizar esse assunto, procure
praticar essas equivalências VII°=V7(b9) nas demais tonalidades,
220
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

incorporando esse conceito dentro de músicas que você


conhece. Isso vai enriquecer sua visão sobre substituições.

O Acorde SubV7

Estudaremos aqui mais uma opção de substituição de


acordes. Isso será muito útil para aumentar nosso campo de
possibilidades no quesito rearmonização, além de fornecer o
conhecimento de alguns clichês harmônicos que aparecem em
diversos estilos musicais. SubV7 é uma abreviação para
"Substituto do V7". Popularmente, lê-se "sub-7".

Como o próprio nome diz, ele é um acorde que serve de


opção para substituir o quinto grau. Sabemos que o V7 é um
acorde dominante, portanto seu substituto também precisa ser
um acorde dominante. Até agora, nosso estudo se restringiu a
fazer substituições somente pegando acordes dentro de
algum campo harmônico específico, utilizando o conceito
de funções harmônicas. Iremos trabalhar agora novos conceitos.
Prepare-se para pensar um pouco "fora da caixa".
Considere a cadência II, V, I abaixo:

| Dm7 | G7 | C7M |

O acorde SubV7 nessa progressão será um acorde que irá


substituir o G7, ou seja, ficar no lugar dele (por isso o nome:
"substituto do quinto grau"). Nesse exemplo acima, o SubV7 é o

221
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

acorde C#7 (explicaremos isso logo em seguida), formando a


seguinte cadência:

| Dm7 | C#7 | C7M |


De onde tiramos esse C#7? Como regra, o acorde subV7 é
um acorde maior com sétima que se localiza meio tom acima da
tônica que ele irá resolver. Como a tônica aqui é o acorde C7M,
o acorde maior com sétima que se localiza um semitom acima
dele é o C#7.

Ótimo, introduzimos uma regra aqui, mas você deve estar


achando estranho isso, afinal o acorde C#7 no exemplo acima
não pertence ao campo harmônico de Dó! Isso é verdade.
Porém, como começaremos a ver, nem tudo na vida gira
somente em torno do contexto tonal. Ajudaremos você a perder
um pouco desse preconceito. O efeito do acorde subV7 está na
aproximação cromática. Note que o acorde C#7 possui 3 notas
que se localizam um semitom imediatamente acima das notas
que compõe o acorde C7M. Compare:

Notas de C7M: C, E, G, B
Notas de C#7: C#, F, G#, B

Esse efeito de aproximação cromática permite que o


acorde C#7, mesmo não pertencendo ao campo harmônico de
C7M, seja utilizado para formar uma cadência. Além disso, pelo
fato de ser um acorde maior com sétima, o SubV7 possui um
trítono, caracterizando-o como acorde dominante,
permitindo sua substituição pelo V7 do ponto de vista de função
222
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

harmônica.

223
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

Para ajudar a convencer você de que é possível realizar


essa substituição do V7 pelo subV7, repare que as notas do
trítono de G7, no exemplo anterior, são as mesmas notas do
trítono de C#7:

Trítono de G7: G, B, D, F
Trítono de C#7: C, F, G, B

Vamos resumir então os motivos pelos quais essa substituição é


possível:

A maioria das notas do subV7 se localiza um semitom


acima do acorde que ele irá resolver, propiciando uma
sensação de aproximação cromática.
As notas do trítono de V7 são iguais às notas do trítono do
subV7.
O subV7 também é um acorde dominante, permitindo que
sua substituição pelo V7 não interfira na função harmônica
do respectivo trecho da música.

Utilização

Teoricamente, o subV7 sempre pode substituir o V7. Na


prática, porém, não é bem assim, pois nem sempre essa
substituição irá casar bem com a melodia. É necessário sempre
verificar e experimentar o sabor que o subV7 dará à música
quando tocado junto com a melodia. Se não soar bem, ele deve
ser evitado.

224
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

Alguns estilos musicais como Jazz, Bossa Nova e MPB


costumam utilizar muito o subV7. Outros estilos musicais mais
"quadrados" (menos trabalhados harmonicamente) costumam
não aceitar bem o subV7.

Sempre que for possível utilizar o subV7 em alguma


música, todas as abordagens que estudamos para o dominante
V7 se aplicam também ao subV7 do ponto de vista harmônico e
melódico, como por exemplo, os conceitos de dominante
secundário, resolução deceptiva, dominantes estendidos, etc.
Exemplo de subV7 secundário:

| C | Gb7 | F |

Já sabemos que um acorde dominante secundário é aquele


que prepara para outro grau diatônico (que não seja o 1° grau).
Nesse caso, o subV7 preparou para Fá (4º grau da tonalidade de
Dó). Exemplo de subV7 com resolução deceptiva:

| Dm7 | Db7 | F |

A resolução esperada aqui era Dó maior, pois Db7 estava


atuando como subV7 de G7 (A sequência natural seria Dm7
G7 C). O acorde Fá é uma resolução inesperada nesse
contexto. Exemplo de subV7 estendidos:

| E7 | Eb7 | D7 | Db7 | C |

225
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

Nesse exemplo, tivemos quatro acordes subV7 encaixados


em sequência. Podemos ter também sequências II V estendidas:

| Dbm7 | C7 | Bm7 | Bb7 | Am7 | Ab7 | G7 | C7M |

Note como os subV7 desse exemplo estão resolvendo em


acordes menores (ex: C7 Bm7) e esses acordes menores já estão
servindo de segundo cadencial para uma nova progressão II V.
A série terminou com Ab7 G7 para então G7 atuar como
dominante V7 de Dó.

Muito bem, agora você já pode brincar experimentando o


sabor desse acorde. Algumas extensões muito usadas para o
subV7 são a 9ª e a 5ª bemol. Veremos ainda muitas aplicações
do subV7 ao longo de nosso aprendizado aqui na apostila.

Acorde Interpolado

Quando um acorde aparece no meio de um "clichê"


harmônico, ele é chamado de acorde interpolado. Por exemplo,
no clichê II - V - I:

| Dm7 | G7 | C |

Se colocássemos o acorde Ab7 antes de G7, ele seria


considerado um acorde interpolado:

| Dm7 | Ab7 G7 | C |

226
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

Note que Ab7 está atuando como subV7. Essa é a


ocorrência mais comum de um acorde interpolado.

Outro exemplo, dessa vez colocando o acorde Db7 antes de


C no clichê V - I:

| Am7 | G7 | C |

| Am7 | G7 | Db7 C |

Nesse caso, muitos autores chamam essa resolução de


"resolução indireta", pois a tônica não veio automaticamente
depois do dominante V7.

A utilização do acorde interpolado pode servir como fator


surpresa devido ao interrompimento parcial do clichê
harmônico, ou pode servir de opção para atrasar a resolução.
Tudo depende da melodia associada e da ideia do arranjador.

Acordes de Empréstimo Modal

Como o próprio nome diz, Acordes de Empréstimo


Modal (AEM) são acordes emprestados de outros modos. Esses
modos podem ser os modos gregos ou o modo homônimo. Na
maior parte das vezes, os AEM são provenientes do modo
homônimo. Por esse motivo, muitos autores classificam AEM

227
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

como somente empréstimo do modo homônimo. Nossa


definição aqui, porém, vai ser mais abrangente que isso.
Antes de continuarmos, vamos citar um exemplo de AEM:
digamos que uma música está na tonalidade de Dó maior. Se, em
algum instante da música, aparecer o acorde Eb7M, nós
rapidamente identificamos que ele não faz parte do campo
harmônico de Dó maior e sim do campo harmônico de Dó
menor. Como Dó menor é o homônimo de Dó maior, concluímos
que Eb7M é um AEM do modo homônimo.

Os AEM são acordes passageiros; eles surgem na música de


repente e, logo em seguida, a música já retoma a sua harmonia
tonal novamente. É raro aparecer um AEM acompanhado de
uma cadência, pois, nesse caso, estaríamos caracterizando
uma modulação. Repare na diferença: as modulações são
pequenas transições de tonalidade. Os AEM não constituem uma
mudança de tonalidade, eles são apenas acordes emprestados e
passageiros. Entendido essa diferença, podemos prosseguir.

Considerando todos os modos, existem muitas opções de


AEM para se utilizar nas músicas. Observe abaixo os acordes dos
campos harmônicos de todos os modos disponíveis para o tom
Dó:

228
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

GRAUS I II III IV V VI VII


Campo Harmônico C7M Dm7 Em7 F7M G7 Am7 Bm7(5b)
Maior (Dó Jônio)
Homônimo Cm7 Dm7(b7) Eb7M Fm7 Gm7 Ab7M Bb7
Dórico Cm7 Dm7 Eb7M F7M Gm7 Am7 Bb7M
Frígio Cm7 Db7M Eb7 Fm7 Gm7(b5) Ab7M Bbm7
Lídio C7M D7 Em7 F#m7(b5) G7M Am7 Bm7
Mixolídio C7 Dm7 Em7(b5) F7M Gm7 Am7 Bb7M
Eólio Cm7 Dm7(b5) Eb7M Fm7 Gm7 Ab7M Bb7
Lócrui Cm7(b5) Db7M Ebm7 Fm7 Gb7M Ab7 Bbm7

Do ponto de vista de notas de extensão, é muito comum


substituir, no modo homônimo, os graus Im7 e IVm7 por Im6 e
IVm6 devido à sonoridade agradável produzida.

É preciso ter atenção também com o acorde Vm7, pois, em


alguns casos, ele não é AEM e sim segundo cadencial, criando
uma modulação para o quarto grau. Exemplo: Gm7 C7 F.

Muito bem, você já deve ter percebido que são muitos


detalhes, então você precisa trabalhar em cada um deles com
calma.

Agora que o conceito de empréstimo modal já está bem


sólido, experimente treinar um pouco a improvisação em cima
desses acordes. Vamos analisar algumas músicas que contém
AEM para você acreditar que isso realmente existe e é utilizado!

Improvisar em cima dos AEM é simples, basta identificar de


onde veio o empréstimo modal e tocar a escala desse modo em
cima do acorde. Na teoria é fácil, mas na prática você deve estar

229
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

imaginando que é difícil, pois precisamos identificar com muita


velocidade qual foi o modo emprestado para saber qual
tonalidade ou escala utilizar. Realmente isso é verdade. Por isso
que é útil saber quais são os AEM mais utilizados, pois assim
você pode decorar esses graus e saber automaticamente o que
utilizar nessas situações. Tudo isso vai ajudar a diminuir suas
surpresas na hora do improviso e aumentar sua bagagem
musical. Quanto mais prática e experiência, mais rápido seu
reflexo vai ficar.

Veja abaixo alguns exemplos de músicas que utilizam AEM


(em laranja):

MEU ERRO (Hebert Vianna)

A C#m D Dm

Eu quis dizer você não quis escutar agora não peça não me faça promessas

eu não quero te ver

C#m D Dm C#m

nem quero acreditar que vai ser diferente que tudo mudou você diz

não F#m D

saber o que houve de errado e o meu erro foi

crer Dm AE D

que estar do teu lado bastaria a meu Deus era

A E

tudo que eu queria

230
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

D Dm

Nessa música, que está em Lá maior, temos claramente um


único acorde que não faz parte do campo harmônico de Lá: o
acorde Dm. Na tonalidade de Lá maior, Ré é o IV grau maior, não
menor (IVm). O acorde Dm está presente na tonalidade de Lá
menor, portanto Dm é um AEM do modo homônimo.

NOS BAILES DA VIDA (Milton Nascimento e Fernando Brant)

D D7M D6

Foi nos bailes da vida ou num bar em troca de pão que muita gente

boa C

pôs o pé na profissão

Em7 A7(4) A7

de tocar um instrumento e de cantar não se importando se quem

pagou D

quis ouvir foi assim

D7M D6

cantar era buscar o caminho que vai dar no sol tenho comigo as

Am9 C

lembranças do que eu era pra

Em7 A7(4) A7 D

cantar nada era longe tudo era tão bom pé estrada de terra na boléia de

231
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

D4

caminhão era assim

D D7M D6
com a roupa encharcada e a alma repleta de chão todo artista tem de ir

Nessa música, que está em Ré maior, o acorde de Dó


deveria ser C#m7(b5) (VIIm7b5). Esse Dó maior que apareceu
está atuando como um AEM do modo homônimo, pois ele existe
na tonalidade de Ré menor (é o sétimo grau rebaixado bVII). Essa
música ainda apresenta outras características interessantes,
como cadências II V I para a tônica e primeiro grau
com notas de passagem. Esta última característica aparece no
acorde D4 (onde a quarta é uma nota evitada. Repare que o
acorde D4 aparece logo antes do acorde D, enfatizando que essa
quarta é apenas uma nota de passagem).

Modulação (Recursos e Análises)

Já aprendemos no tópico "Modulação - conceito" o básico


sobre modulação. Agora que já formamos uma base teórica mais
sólida, chegou a hora de aprofundarmos esse assunto. Podemos
começar respondendo algumas perguntas:

Para onde podemos modular?

Podemos modular para qualquer tom, independente de


onde estamos, não há nenhuma restrição quanto a isso. Porém,
o
232
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

mais comum é modular para os tons vizinhos, pois nosso ouvido


vai se adaptar melhor a esse tipo de transição, já que existe
afinidade entre essas tonalidades. Na música popular em geral,
utiliza-se muito também a modulação para 1 tom acima ou meio
tom acima.

Que recursos podemos utilizar para modular?

O mais comum é utilizar as cadências. Podemos fazer


progressões II - V - I, ou qualquer outra, para preparar melhor
nosso ouvido à mudança de tonalidade. As cadências servem
como "suavizadoras" das transições, elas preparam o caminho.
Para o improvisador, elas servem também de sinalizador para
que o músico logo perceba para onde a música vai. No artigo
cadências e progressões
das cadências para se fazer uma modulação. Veremos aqui mais
exemplos dentro de músicas conhecidas.

Porém, antes disso, vale a pena ressaltar que as cadências


não são a única forma de se suavizar uma transição de
tonalidade. Podemos também fazer a chamada "modulação
diatônica".

O que é modulação diatônica?

É quando mudamos a função harmônica de um acorde na


música; ou seja, aproveitamos o fato de que um mesmo acorde
existe em tonalidades diferentes e fazemos uma transição entre
essas tonalidades por meio desse acorde. Observe esse exemplo:

233
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

digamos que a tonalidade de uma música esteja em Dó maior até


que, em determinado momento, aparece o acorde Sol maior,
seguido de Ré maior e Si menor. Podemos ver claramente que a
tonalidade mudou para Ré maior, mas o interessante é que o
acorde de Sol pertence tanto ao campo harmônico de Dó maior
como ao campo de Ré maior. Na tonalidade de Dó, Sol é quinto
grau (função dominante), enquanto que na tonalidade de Ré, Sol
é quarto grau (função subdominante). Moral da história: para
fazer essa modulação de Dó maior para Ré maior, nós mudamos
a função de Sol: ele deixou de ser quinto grau e passou a ser
utilizado como quarto grau. Essa é uma maneira interessante de
modular, pois nós confundimos o ouvinte fazendo um mesmo
acorde atuar com outra função. Muitas vezes, essa técnica bem
empregada faz a modulação ficar quase imperceptível; a
tonalidade muda e o ouvinte desavisado nem percebe!

Bom, a definição que mostramos até agora não é a única


possível para modulação diatônica. Por exemplo, numa música
em Dó maior, depois de Sol poderia vir o acorde Dó menor, e
nesse caso estaríamos modulando para o tom paralelo usando
Sol como dominante, ou seja, ele não mudou de função, apesar
de ter levado a música para outra tonalidade. Portanto, uma
definição mais abrangente para modulação diatônica seria
utilizar um acorde presente no campo harmônico original para
levar a música até outro campo harmônico. Muitos autores
também chamam esse tipo de

234
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

Se fossemos pensar em cada possibilidade de modulação,


ficaríamos até amanhã aqui falando sobre como é possível
mudar a função harmônica de um acorde (poderíamos
transformar um V7 em dominante secundário; este, por sua vez,
poderia virar um subV7, etc. etc.). Não vale a pena ficar
discorrendo sobre esses inúmeros casos, pois seria muito
entediante. Basta que o conceito tenha sido entendido, pois os
exemplos e ideias aparecerão quando fizermos análises em
músicas. Além dessa modulação, ainda existe a chamada
"modulação cromática".

O que é modulação cromática?

É quando provocamos alguma alteração cromática em uma


(ou mais) notas de um acorde do campo harmônico original para
poder utilizá-lo dentro de outro campo harmônico, alterando
assim a tonalidade da música. Essa frase ficou longa, mas um
exemplo pode facilitar: Digamos que novamente a tonalidade de
uma música seja Dó maior. Considere a seguinte sequência: C
- Am - A - D. A tonalidade aqui mudou para Ré maior, sendo
que a tática foi pegar o acorde Am e alterar cromaticamente a
sua terça, transformando-o em um acorde maior. Esse Lá (que
antes era menor e pertencia ao campo de Dó maior) virou um
acorde maior, servindo de quinto grau para Ré (Lá maior
pertence ao campo de Ré maior), concluindo a modulação.

Muito bem, agora que já conhecemos os recursos, vamos


mostrar um exemplo de música que contém várias modulações,

235
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

para você observar como os compositores trabalham isso na


prática.

A música abaixo possui 3 tonalidades: Ré maior (em


amarelo), Sol maior (em verde) e Fá# maior (em laranja).
Observe:

MADALENA (Ivan Lins e Ronaldo Monteiro de Souza)

Na primeira modulação, a tonalidade estava em Ré maior,


até que o acorde A7(9), que era para resolver em D7M
(resolução esperada), acabou servindo como dominante do
dominante (V7/V7), pois o acorde de Ré apareceu com a sétima
e resolveu em G7M, caracterizando a primeira modulação. Essa
modulação pode ser classificada como modulação por
dominante secundário para o IV grau, que é um tom vizinho
direto. A partir desse momento, a tonalidade passou a ser Sol
maior.

236
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

A segunda modulação ocorreu quando o acorde que era


para ser Sol maior apareceu como Sol sustenido menor
(G#m7(11)). Nesse exato instante, ficaria difícil de descobrir
para onde a harmonia está indo, mas os próximos acordes vão
dar a pista. Logo depois desse Sol# menor, veio o acorde
G7(#11), que é um dominante alterado, e então apareceu o
acorde F#7M. Logo, concluímos que aquele Sol sustenido menor
atuou como segundo cadencial de Fá sustenido maior e G7 atuou
como subV7, substituindo o quinto grau V7 de Fá#, que seria
C#7. A partir desse ponto, a tonalidade passou a ser Fá# maior.
Repare que essa modulação foi para um semitom abaixo da
tonalidade anterior, que era Sol maior.

A música ainda volta para a tonalidade inicial de Ré maior,


por meio de mais uma modulação. Nesse caso, a modulação
ocorreu por meio de um dominante do dominante (V7/V7), pois
E7 atuou como dominante de Lá, que por sua vez, atuou como
dominante V7 de Ré. Vale a pena destacar que, antes dessa
modulação, apareceu um acorde de empréstimo modal do tom
paralelo (A7M, destacado em vermelho ali na cifra, pertence ao
campo harmônico de F#m, que é o homônimo de F# maior).

Existem outras características nessa música que poderiam


ser analisadas à parte, como cadências imperfeitas, acordes
invertidos, entre outras coisas. Mas como nosso foco aqui nesse

abordagens completas no tópico Músicas Analisadas


www.descomplicandoamusica.com

237
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

Escala Bebop (Jazz Bebop)

Se você quer aprender a tocar jazz, pode ter certeza de que


está dando um grande passo ao ler esse artigo!

Mostraremos aqui um recurso extremamente utilizado por


músicos de jazz; e que pode ser utilizado também em qualquer
estilo musical. Prepare-se para aumentar sua versatilidade em
todos os contextos, pois a aplicação dessa escala é muito ampla
e útil para todos!

Então, antes de mais nada, vamos começar com uma


pequena história sobre o Jazz Bebop. O Jazz Bebop surgiu por
volta dos anos 40 e marcou o que chamamos de Jazz Moderno.
O pai desse estilo foi o saxofonista Charlie Parker, e a difusão do
Bebop pelo mundo teve a ajuda de muitos outros músicos (como
o trompetista Dizzy Gillespie).

Devido às suas harmonias complexas e ritmos frenéticos,


esse estilo chamou a atenção, pois não era próprio para a dança,
nem para o canto, sendo voltado apenas para improvisação e
virtuosismo instrumental. A música Bebop se destacou por se
diferenciar muito da música popular, possuindo andamentos
rápidos e sequências difíceis de colcheias. As improvisações
utilizavam recursos conhecidos do jazz e também algumas
alterações, como a quinta aumentada. Essas alterações
características, depois de muito utilizadas e consagradas,
originaram a chamada Escala Bebop, que mostraremos em
seguida.

238
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

O desenvolvimento do bebop mudou algumas abordagens


de acompanhamento e de solo. Bateristas começaram a depender
menos do bumbo e mais dos pratos (condução e chimbal).
Baixistas ficaram mais responsáveis por manter a pulsação
rítmica, marcando as progressões harmônicas e tocando
semínimas quase o tempo todo. Já os pianistas puderam usar um
toque mais leve, onde a mão esquerda não era mais obrigada a
marcar a pulsação rítmica ou a nota fundamental dos acordes.
Com isso, a forma padrão do jazz moderno tornou-se universal e
inconfundível.

Muito bem, como não estamos falando aqui com simples


leitores e sim com músicos, antes de continuar essa leitura vá ao
youtube e escreva "Charlie Parker". Ouça pelo menos uma
música para se ambientar um pouco antes de continuar esse
estudo.

Agora que você já ouviu um pouco de Bebop, deve ter


notado que o cromatismo rola solto nesse estilo. Um cromatismo
que marcou muito o Bebop foi a utilização da sétima maior
dentro do modo mixolídio. Ou seja, para improvisar em cima dos
acordes dominantes, os músicos Bebop acrescentaram uma nota
ao modo mixolídio, formando uma escala de 8 notas. Essa escala
ficou conhecida como escala Bebop dominante. Vamos ver
como fica a escala de G Bebop dominante, comparando com G
mixolídio:

Notas da escala de G mixolídio: G, A, B, C, D, E, F


Notas da escala de G bebop dominante: G, A, B, C, D, E, F, F#

239
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

Desenho sol bebop dominante:

No caso de G bebop dominante, há um cromatismo entre


as notas F, F# e G. Como F# não faz parte da escala diatônica,
devemos evitar repousar sobre ela. Essa sétima maior deve ser
utilizada apenas como nota de passagem. O interessante é que
uma escala de 8 notas permite uma subdivisão rítmica mais
exata do que uma escala de 7 notas. Uma escala de 8 notas cabe
dentro de um compasso 4/4 tocando-se uma nota por colcheia.
Com isso, a nota de passagem pode acabar tendo a mesma
duração das demais notas.

Existe também a escala Bebop que não é dominante. Essa


escala Bebop, conhecida como Escala Bebop maior, é utilizada
sobre acordes maiores. Ela também possui 8 notas, e a alteração
está no quinto grau (possui uma quinta aumentada). Compare
abaixo as notas da escala de Dó maior com as notas da escala de
Dó Bebop maior:

Notas da escala de Dó maior: C, D, E, F, G, A, B


Notas da escala de Dó Bebop maior: C, D, E, F, G, G#, A, B

Desenho da escala Dó Bebop maior:

240
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

era F# (sétimo grau do dominante). Essa nota, partindo de Dó, é


a quinta bemol. Ou seja, as duas escalas Bebop (dominante e
maior) juntas representam duas alterações (quinta diminuta e
quinta aumentada, em relação à tônica).

Aplicação da Escala Bebop

Bom, a escala Bebop pode ser utilizada em qualquer


contexto tonal, desde que essas alterações na quinta sirvam
como notas de passagem! Claro que essas notas de passagem
tendem a soar melhor sobre a tônica e sobre o dominante
V7(afinal a origem dessas escalas se baseou nesses acordes), mas
não é preciso ter medo de utilizá-la nos demais graus da
tonalidade; é tudo uma questão de bom gosto.

Legal, você acabou de descobrir uma nova outside note que


pode ser utilizada sempre como nota de passagem (a exemplo
da blue note na escala pentatônica).

A diferença é que a "blue note" todo mundo usa e conhece,


já a escala Bebop quase ninguém conhece. Então esse pode ser
seu diferencial!

Porém, fazer a escala Bebop soar bem requer um pouco de


treino e prática, pois essas sonoridades da quinta aumentada e

241
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

quinta diminuta na tônica estão associadas a um estilo


característico do jazz. Hoje talvez você utilize muito bem a blue
note da escala pentatônica, mas repare que essa blue note soa
legal dentro de um estilo peculiar que você desenvolveu (isso
envolve uma certa dinâmica, acentuação, entre outras coisas que
seu cérebro já está programado a fazer quando pensa em blue
note). Da mesma forma, a escala Bebop soa bem quando
aplicada com dinâmica e acentuação corretas. Como tudo na
vida, não é de uma hora para outra que se consegue essa
habilidade.

A escala Bebop descendente geralmente funciona melhor,


mas isso você deve perceber por conta própria. Além de tocar,
procure ouvir Jazz Bebop. Indicaremos logo a seguir alguns
nomes para você se espelhar.

Lembre que o objetivo do estudo bebop não é ganhar


velocidade! Não estamos estudando técnica aqui, e sim
vocabulário musical. Então esqueça um pouco a mecânica da
coisa e passe a se preocupar com a percepção. Em breve os
resultados começarão a aparecer!

Procure conhecer também alguns músicos consagrados do


Bebop para internalizar de vez esse estilo: Charlie Parker, Bud
Powell, Oscar Pettiford, Duke Jordan, Miles Davis, Tommy Potter,
Al Haig, Thelonious Monk, Sonny Stitt, Max Roach, Lucky
Thompson, Fats Navarro, Kenny Dorham, Kenny Clarke, Milt
Jackson, Charles Mingus, Roy Haynes, etc.

242
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

MÓDULO 11

E x p a n d i n d oe
t r a b a l h a n d oa si d e i a s

Escala Hexafônica......................................241
Hexafônica e Modo Lídio Dominante...........243
O acorde de segundo grau maior (II7)......248
O acorde de quarto grau menor IVm6......249
Improvisação com outside notes..................251
Improvisação avançada no Blues..............255
Como Improvisar no Jazz...........................258

243
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

E x p a n d i n d oe
t r a b a l h a n d oa si d e i a s

Escala Hexafônica

A escala hexafônica, ou escala de tons inteiros, é


uma escala formada pela sequência: tom - tom - tom - tom -
tom - tom.

Não é à toa que se chama "escala de tons inteiros", não é


mesmo?! Afinal todas as notas possuem 1 tom de distância entre
si. Note também que essa escala possui 6 notas, então o nome
"hexa" também faz sentido!

Vamos ver como fica a escala hexafônica de Sol, aplicando


essa sequência (observe também os graus acima das notas):

1M 2M 3M 4A 5A 6A
C, D, E, F#, G#, A#

Desenho:

244
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

Legal, mas você está interessado em saber para que serve


essa escala e onde você pode utilizá-la! Então vamos ao que
interessa:

Aplicação

A escala hexafônica pode ser aplicada em cima dos acordes


dominantes. Para isso, basta tocar a hexafônica do próprio
dominante em questão. Por exemplo: na progressão Am7 | G7 |
C, podemos tocar a escala hexafônica de Sol em cima de G7.

Legal, falaremos mais alguns detalhes em seguida, mas é


bom você saber que a escala hexafônica não é tão utilizada como
as escalas diminuta, menor harmônica ou menor melódica. Sua
sonoridade não é tão "aclamada" como essas outras escalas;
alguns músicos gostam mais, outros menos, e você é quem vai
decidir quando vale a pena ou não aplicá-la. Nossa dica é que,
quando você for utilizar, procure tocar essa escala em cima
dos dominantes alterados. Por quê?

Bom, como já vimos, a escala hexafônica possui quarta e


quinta aumentadas, além de uma sétima menor. O dominante
V7 já possui uma sétima menor, então a hexafônica gera em
cima dele duas alterações (quarta e quinta aumentadas).
Quando o dominante já possui alguma dessas alterações, a
hexafônica soa melhor ainda, certo? Então está aí o motivo!

242

Licenciado para Eulimar Brito de Moura , E-mail: eulimarbmoura@hotmail.com, CPF: 03371160165


CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

No próximo tópico, falaremos um pouco mais de escala


hexafônica, fazendo uma relação com um modo grego especial,
não deixe de conferir!

Relação entre Hexafônica e Modo Lídio Dominante

Uma outra aplicação possível para a escala hexafônica,


além do que já vimos, está no acorde Lídio Dominante.
"Puxa vida, agora sim ficou difícil! Ferrou geral! Não vou
entender nada!". Calma, você vai entender sim, é bem simples. A
escala lídia é o quê? É uma escala maior com quarta aumentada.
Se você não sabia disso, basta conferir nos modos gregos; faça
essa escala e observe.

Vamos apenas recapitular então. Se a tonalidade é Dó


maior, o acorde do quarto grau é F7M e o modo grego utilizado
em cima de Fá é o modo lídio. Até aqui, nenhuma novidade. Se
trocarmos essa sétima maior do F7M por uma sétima menor,
ficaríamos com o acorde F7. Nesse caso, a escala que utilizamos
antes (modo lídio) teria uma alteração no seu sétimo grau (ele
deixaria de ser maior e passaria a ser menor). Essa nova escala
(lídio com sétima menor) é chamada de escala lídia dominante,
pois o acorde resultante passou a ser um acorde com sétima
da dominante (F7).

Note que o abaixamento da sétima gerou um trítono, por


isso que o acorde ficou dominante. Muito bem, o grande
resultado disso tudo é que, quando o acorde do quarto grau é
um acorde dominante, a escala tocada em cima dele possui

243
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

uma

244
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

quarta aumentada (oriunda do modo lídio) e uma sétima menor


(oriunda da estrutura do dominante), ficando bem parecida com
a escala hexafônica!
Na realidade, a única nota que a escala hexafônica possui
que não está na escala lídia dominante é o quinto grau
aumentado.Compare abaixo a escala de Fá lídio dominante com
Fá hexafônica:

Notas da escala Fá Lídio Dominante: F, G, A, B, C, D, D#


Notas da escala Fá Hexafônica: F, G, A, B, C#, D#

Portanto, devido a essa afinidade, concluímos que a escala


hexafônica pode ser utilizada em cima de acordes lídios
dominantes, como queríamos demonstrar!

Agora vamos continuar esse raciocínio. De onde vem esse


acorde lídio dominante? Em qual contexto ele existe? Ele está
presente no campo harmônico menor melódico. Veja abaixo o
campo harmônico menor melódico de Dó:

I II III IV V VI VII
Cm7M Dm7 Eb7M(#5) F7 G7 Abm7(b5) Bbm7(b5)

Repare como o quarto grau é um acorde maior com sétima!


(Ou seja, um lídio dominante). Portanto, o lídio dominante vem
do contexto menor melódico. Isso nos leva a concluir algumas
coisas. Respire, acalme-se e relaxe. Pronto, podemos continuar.

245
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

Já vimos que a escala Fá lídio dominante é o modo que


encaixa em cima de F7 quando Fá é o quarto grau da tonalidade.
E qual é a escala que deve ser tocada em cima do primeiro grau
(Cm7M) nesse caso? É a escala menor melódica de Dó, certo?
Afinal esse campo harmônico é todo gerado em cima dessa
escala!

Então meu amigo, isso significa que a escala lídia


dominante é o quarto modo da escala menor melódica. Em
outras palavras, a escala Fá lídia dominante é a escala de Dó
menor melódica tocada a partir do seu quarto grau.

Estamos fazendo aqui a mesma coisa que fizemos


nos modos gregos, ou seja, estamos tocando uma escala
partindo de outros graus além do primeiro. Caso esteja difícil de
entender, leia novamente o artigo sobre modos gregos e depois
retorne aqui. A ideia vai ficar bem mais clara.

Vamos então comparar as notas das escalas de Dó menor


melódica com Fá lídio dominante:

Notas da escala de Dó menor melódica: C, D, Eb, F, G, A,


B Notas da escala Fá lídio dominante: F, G, A, B, C, D,
Eb

São exatamente as mesmas notas. Você reparou que a


escala de Dó menor melódica está uma quinta acima de Fá?
Lembra que ensinamos a utilizar a menor melódica uma quinta
acima de acordes dominantes não alterados?

246
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

Pois então, está aí uma explicação para isso! F7 é um


dominante não alterado, certo?! A moral é a seguinte: ao tocar a
escala menor melódica uma quinta acima de um dominante não
alterado, estamos fazendo esse dominante soar como se fosse
um quarto grau blues (IV7). Por exemplo, vamos supor que
estamos improvisando em cima da progressão:

|Dm7 | G7 | C |

A tonalidade aqui é Dó maior, mas em cima de G7 podemos


tocar a escala de Ré menor melódica, como já sabemos. Ao
fazermos isso, estamos aproveitando o acorde G7 para
"enganar" o ouvinte fazendo-o pensar que G7 é um IV grau
blues. Isso é equivalente a pensar que a tonalidade passou a ser
(momentaneamente) Ré menor melódica, onde G7 está atuando
como quarto grau IV7 (e não mais como V7 de Dó).

Claro que essa não é a única explicação para podermos


utilizar a escala menor melódica uma quinta acima do
dominante. Muitos músicos preferem pensar apenas que essa
escala de Ré menor melódica gera uma alteração (nona bemol)
em cima do acorde G7. Independentemente da explicação que
você preferir, o importante é não se restringir a uma única linha
de raciocínio, pois às vezes podemos explorar recursos
escondidos e gerar sonoridades super atraentes ao pensar além
do senso comum. Nunca bloqueie sua mente quando o assunto
for música!

247
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

Bom, voltando à ideia de lídio dominante, já que estamos


fazendo G7 soar como IV7, podemos experimentar tocar
também a hexafônica em cima dele, pois já vimos que há mais
afinidade entre a hexafônica e o modo lídio dominante (IV7) do
que entre hexafônica e mixolídio dominante (V7). Resumindo,
quando você for aplicar a escala hexafônica em cima de
um dominante V7 não alterado, procure misturar no seu solo a
escala menor melódica uma quinta acima.

Essa combinação fica muito boa, pois deixa a hexafônica


mais atraente! A menor melódica uma quinta acima pode fazer o
V7 ter outra função momentânea (IV7), que é mais interessante
para a hexafônica. Na prática, a escala hexafônica realmente não
costuma aparecer sozinha, até porque os acordes lídio
dominantes (IV7) ou dominantes com quarta aumentada não são
tão comuns. Então os músicos de jazz e bossa nova gostam de
colocar uma pequena dose de hexafônica misturada com outras
coisas (principalmente a menor melódica uma quinta acima),
para dar esse tempero que explicamos. Muitos até nem sabem o
porquê disso!

Apenas para finalizar, repare que só existem duas escalas


hexafônicas possíveis (C e C#); as demais são idênticas a essas,
começando de outros graus. Isso é útil de se observar na hora de
se fazer um improviso, pois aumenta nosso campo de visão. Em
vez de pensar em Sol hexafônica, por exemplo, você pode pensar
em Ré# hexafônica, que é idêntica.

Assim, quando você quiser mesclar as escalas de Sol


hexafônica e Ré menor melódica, por exemplo, pode pensar em
248
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

Ré menor melódica e Ré# hexafônica (está mais perto e melhor


de se visualizar). Fica a dica!

Bom, o assunto aqui foi de fundir os neurônios! Mas o


conceito não é tão complicado quando juntamos bem todas as
peças. Com um pouco de prática esses conceitos vão sair da
cabeça e ir para o sangue!

Podemos garantir que explicações como essa você não vai


encontrar em lugar nenhum, mesmo pagando caro por livros e
bibliografias extensas. É um enorme prazer para a
equipe Descomplicando a Música poder esmiuçar os detalhes e
revelar os segredos escondidos por trás de tantos temas teóricos
da música.

O acorde de segundo grau maior (II7)

No campo harmônico maior, o acorde de segundo grau é


menor. Porém, um recurso interessante (muito utilizado) é tocar
o segundo grau maior.

A sensação produzida assemelha-se a um dominante


secundário, pois o segundo grau maior poderia servir de V7/ V7
(dominante do dominante).

Por exemplo, na tonalidade de Dó maior, o Ré é menor,


então tocar Ré maior passaria a sensação de preparação para o
quinto grau (sol). Sem acrescentar a sétima (D7), a sensação
de dominante fica atenuada.

249
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

Muito bem, agora digamos que você está improvisando um


solo em uma música que contém um segundo grau maior. O que
fazer? Você pode utilizar em cima dele a escala menor
melódica que se localiza uma quinta acima dele. Alguma
surpresa nisso? Não, pois é o mesmo recurso que utilizamos
para dominantes não alterados, e nós já comentamos aqui que o
segundo grau maior passa a sensação de dominante secundário.

Podemos considerar também que o acorde de segundo


grau maior é um AEM do modo lídio. Isso não altera os recursos
que podemos utilizar do ponto de vista de improvisação, pois a
ideia seria a mesma que acabamos de comentar.

Ouça os exemplos que mostramos e pratique esse conceito


em cima de outras músicas também. Treine seu ouvido para
identificar a sensação de um segundo grau maior. Como muitas
vezes esse acorde contém a sétima (para marcar definitivamente
a função dominante), ele acaba sendo denotado por II7.

Esse acorde aparece não só em estilos musicais ricos


harmonicamente, mas também em músicas populares,
proporcionando variações interessantes. Agora que você já
conhece esse recurso, procure identificá-lo sempre que puder.

O acorde de quarto grau menor IVm6

O acorde de quarto grau menor é um acorde que não


pertence ao campo harmônico maior natural, pois nesse campo,
o quarto grau é maior.

250
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

Dessa forma, ele atua geralmente como um AEM do modo


homônimo nesse contexto, pois pertence campo harmônico
menor. Como esse acorde é muito comum de aparecer nas
músicas, dedicamos um tópico específico para falar dele.
Geralmente, o quarto grau menor aparece com uma sexta
adicional (IVm6), pois isso produz uma sonoridade agradável a
esse acorde.

Para improvisar em cima dele, podemos pensar no modo


homônimo ou na escala menor melódica dele mesmo.
Esta segunda opção é um segredo pouco conhecido, e vamos
(como sempre) explicar por que isso é possível.

Primeiramente, vamos dar nomes aos bois. Suponha que


estamos na tonalidade de Dó maior e de repente aparece o
acorde Fm6. Esse acorde pode ser visto com um Bb7 disfarçado.
Compare abaixo:

Notas de Fm6: F, C, D, G#
Notas de Bb7: Bb, C, D, G#

Repare como esses dois acordes possuem 3 notas idênticas,


sendo diferentes apenas na tônica. A principal semelhança aqui é
que o acorde Fm6 contém o trítono de Bb7, que é formado pelas
notas D e G#. Portanto, Fm6 pode ser interpretado como
um dominante (nesse caso, o dominante V7 de Eb, já que Bb7
está uma quinta acima de Eb). Note também que Eb é a relativa
maior de Cm.

251
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

Muito bem, já que Fm6 está atuando como Bb7, podemos


utilizar a escala menor melódica uma quinta acima de Bb7 (caso
não lembre desse recurso, leia o tópico "escala menor melódica").

Mas o quinto grau de Bb7 é o próprio Fá, por isso que


podemos utilizar a escala menor melódica de Fá em cima de Fm6
nesse contexto.

Observe um exemplo de utilização do quarto grau menor


n
Mostraremos apenas os acordes iniciais para provar que esse
recurso de quarto grau menor realmente é utilizado:

| D D(#5) G7M | Em Gm6 |

No segundo compasso, o acorde Gm6 está atuando


como IVm6, pois a tonalidade é Ré maior.

Revisão e resumo geral sobre


improvisação com outside notes

Vamos aproveitar esse tópico para fazer uma revisão geral


de tudo o que vimos sobre improvisação até o momento, para
servir como um guia de consulta rápida.

Antes de mais nada, o bom improvisador precisa saber em


que terreno ele está pisando. Para tanto, é importante:

252
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

1) Identificar a tonalidade principal da música


Pré-requisito: conhecer os campos harmônicos naturais.

2) Identificar rapidamente mudanças de tonalidade, se houver


Pré requisito: conhecer os recursos mais utilizados para
modulações

3) Identificar acordes passageiros estranhos à tonalidade, se


houver
Pré-requisito: conhecer os conceitos de acordes de empréstimo
modal, dominantes secundários, segundo grau maior, quarto
grau menor, diminutos de passagem.

4) Identificar a sensação harmônica de cada acorde da música


Pré-requisito: conhecer as funções harmônicas

Muito bem, com esses 4 itens o improvisador já tem uma


ótima visão sobre o terreno que está pisando. Para saber como
tirar o máximo de proveito desse terreno, é importante que o
improvisador saiba utilizar as principais escalas. Vamos
organizar então os contextos em que as escalas podem ser
aplicadas, destacando em itálico os recursos que trazem outside
notes para seu solo:

1) Ao identificar a tonalidade (e possíveis mudanças de


tonalidade) da música, o músico pode utilizar:

253
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

Escalas naturais: maior, relativa menor, modos gregos.


Derivadas das escalas naturais: pentatônica e

. tonalidade,

2) Ao identificar passageiros estranhos à o


acordes músico pode
utilizar:

Em cima de acorde de empréstimo modal: Escalas naturais


(desde que saiba de qual modo veio esse AEM).
Em cima de dominantes secundários e segundo grau
maior: uma quinta acima do acorde
em questão.
Em cima de acorde de quarto grau menor: Escala menor do
acorde de I grau da tonalidade e/ou
do próprio acorde IVm.
Em cima de diminutos de passagem: do
próprio acorde.

3) Ao identificar a sensação harmônica de cada acorde, o músico


pode utilizar:

Sobre a função tônica (I grau da música): Escala maior,


relativa menor, pentatônica, , arpejo do
acorde
, target notes por .

Sobre a função tônica (VI grau da música): Escala menor,


relativa maior, pentatônica menor, , arpejo do
254
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

acorde, , target notes por


.

255
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

Sobre a função tônica (III grau da música): Modo frígio,


pentatônica menor, arpejo do acorde, target notes por
.
Sobre a função subdominante (II e IV graus): Modo grego
do acorde, arpejo do acorde, target notes por
.

Sobre o acorde dominante não alterado (V7): Modo


mixolídio, arpejo do acorde, uma
quinta acima, , um semitom
acima, do próprio acorde, ,
target notes por ,
uma quarta acima (caso resolva em I grau
menor)

Sobre o acorde dominante alterado (V grau alterado):


Modo mixolídio, arpejo do
acorde, ,
um semitom acima, do próprio
acorde, , target notes por
, uma quarta acima
(caso resolva em I grau menor).

Já falamos isso algumas vezes, mas nunca é demais


enfatizar que o acorde dominante é o que mais permite
, como você acabou de ver aqui.

Sobre os demais acordes do campo harmônico natural, as


outside notes podem surgir das escalas: blues, bebop e target
notes por aproximação cromática.
256
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

Sempre é bom voltar e estudar novamente algum tópico


caso você tenha esquecido como se aplica alguma escala. Esse
resumo serve de guia apenas para quem já absorveu cada
conteúdo separadamente aqui na apostila. Aos poucos iremos
introduzir novos conteúdos também no site, então não deixe de
acompanhar!

Seu solo vai ficar cada vez mais temperado à medida que
você for pegando a "malandragem" dessas . Treinar
esse assunto é uma ótima forma de se ver a teoria musical
aplicada na prática!

Improvisação avançada no Blues

Depois de estudarmos diversos assuntos, aqui estamos nós


voltando ao mundo do blues! Você já aprendeu que o acorde
dominante V7 permite que utilizemos muitos recursos
interessantes na improvisação. Ele é o tipo de acorde mais
explorado em termos de outside notes.

O que iremos fazer agora é pegar todos os conceitos que


aprendemos sobre dominantes e aplicar tudo dentro do blues;
afinal, o blues é formado basicamente por acordes dominantes!
Você já conhece a estrutura básica de um blues, então agora é
hora de sair da superfície e ir muito além da escala pentatônica
menor + escala blues.

É hora de aplicar as demais abordagens que conhecemos!


Vamos resumir o que você pode usar em cima dos acordes

257
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

(primeiro, quarto e quinto graus) do blues, que são


todos dominantes não alterados:

Escala menor melódica uma quinta acima


Escala diminuta um semi-tom acima (escala dom-dim)
Escala hexafônica
Escala Bebop Dominante
Escala/ modo mixolídio
Escala pentatônica maior (sobre o primeiro grau)
Cromatismo com Target Notes

Não precisamos comentar aqui sobre as escalas menor


melódica, diminuta, hexafônica, bebop e mixolídia, pois a
justificativa para aplicar cada uma delas é pensar que cada
acorde do blues atua como um acorde dominante (já estudamos
essa abordagem para cada uma dessas escalas).

Mesmo que esses acordes com sétima da dominante não


estejam resolvendo em suas tonalidades, eles não deixam de ser
dominantes, então pensamos em cada um deles como se fosse um
acorde V7.

O cromatismo com Target Notes também já foi


completamente explicado em outros tópicos e você já sabe
utilizar.

A novidade aqui é a pentatônica maior. Da mesma forma


que utilizamos a pentatônica menor, podemos também utilizar a
pentatônica maior sobre o primeiro grau. Acompanhe o

258
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

raciocínio: a pentatônica maior pega os seguintes graus, 1º, 2º,


3º, 5º e 6º. No caso do acorde de Sol, a pentatônica maior
pegaria então as notas G, A, B, D, E. Vamos ver se essas notas já
estão presentes em alguma outra escala que estamos utilizando:
Para o acorde G7, a nota D está presente na escala
pentatônica menor de Sol. Ok, então eu não preciso me
preocupar com essa nota. As notas E e A estão presentes na
escala Ré menor melódica (que é a menor melódica uma quinta
acima de G7). A nota B está presente na escala mixolídia de Sol.
Ou seja, ao tocar a pentatônica maior de Sol, não estamos
fazendo nada de diferente do que usar notas das escalas
anteriores que já aplicamos. Então não há problema algum em se
fazer isso!

A título de curiosidade, a pentatônica maior dentro do


blues é muito utilizada pelo guitarrista B.B. King. Se você quiser
se aperfeiçoar nesse estilo, ouça bastante B.B. King e repare na
maneira como ele coloca a pentatônica maior.

Caso você não se sinta confortável com a pentatônica


maior e seja um amante do shape da pentatônica menor, pode
pensar na relativa menor de Sol (Mi menor) e tocar então, nesse
caso, a pentatônica menor de Mi.

Obs: apenas como dica, a escala diminuta dentro do blues


soa melhor quando é tocada momentos antes da transição de
um acorde para outro. Por exemplo, antes de sair do primeiro
grau para o quarto, experimente aplicar a diminuta nesse
instante. Faça a mesma coisa na transição do quarto grau para o
primeiro. Essa escala soa melhor dessa forma porque ela é muito
259
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

utilizada em cima da ideia de "acordes de passagem", como já


estudamos.

260
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

Agora você já pode se considerar um músico diferenciado!


Com que frequência você costuma ouvir outside notes dentro de
um blues? Podemos fazer quase tudo dentro do blues, mas
99,9% dos músicos não exploram nada disso, só ficam
debulhando a pentatônica menor com uma blue note. Quanto
desperdício de oportunidade, não é mesmo?!

Nesse tópico, falamos apenas sobre improvisação. No


próximo tópico avançado de blues falaremos de conceitos de
harmonia funcional.

Como Improvisar no Jazz

Todo músico viciado em pentatônica tem pavor de Jazz,


afinal esse estilo apresenta muitas variações harmônicas, bem
distante das músicas tonais que os virtuosos "pentamúsicos" estão
acostumados.

Mas sempre tem aquele músico viciado em pentatônica


que quer largar essa vida limitada e aprender jazz. Essa missão,
no entanto, acaba indo por água abaixo na maioria das vezes, já
que o jazz parece ser coisa de outro mundo. É pra isso que
estamos aqui! Queremos derrubar esse mito de que o jazz não é
para todos!

Criaremos em breve um tópico que explica o que


caracteriza um jazz, seu ritmo e tudo o mais. Mas já podemos
dar uma notícia para você que estudou e acompanhou todos os
módulos até aqui: você já está apto para improvisar no jazz!
261
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

Isso mesmo, mas antes que você saia daqui pulando de


alegria, acalme-se um pouco, pois ainda vai ser necessário um
pouco de treino e dedicação.
Não iremos introduzir nenhum conceito novo nesse tópico,
apenas vamos enfatizar alguns pontos importantes:

1º) O jazz é, normalmente, rico em cadências e modulações.


2º) A pulsação rítmica do jazz pede um solo que acompanhe esse
suingue.

Abordaremos nesse tópico o item 1. Futuramente,


criaremos um tópico para o item 2.

Então vamos lá. Para improvisar bem em modulações, nós


já comentamos que é importante dominar com segurança os
modos gregos, de maneira que você consiga permanecer na
mesma região do braço do seu instrumento mesmo que a música
tenha mudado de tonalidade.

Por exemplo, digamos que o jazz tenha começado na


tonalidade de Dó maior e no terceiro compasso a tonalidade
mudou para Fá maior. Se você estava utilizando a escala Dó
jônico, seria interessante continuar na mesma região do
instrumento, mudando a escala de Dó jônico para Dó mixolídio,
em vez de "pular" para Fá jônico. Tente permanecer com a mão
estática durante essas transições para o improviso ficar fluido,
sem ficar saltando feito uma gazela procurando os modos
jônicos de cada tonalidade.

262
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

Essa é uma forma de desenvolver um comportamento e


uma postura de quem toca jazz. Em relação às cadências, treine
bastante o improviso em cima de cadências II - V - I, explorando
os recursos que temos para o dominante V7, especialmente
a escala menor melódica e a escala alterada (sua irmã), pois os
músicos de jazz usam e abusam dessas escalas.

Ao ficar muito tempo improvisando em uma cadência II -


V - I, você vai se acostumar com essa sonoridade e adquirir um
reflexo imediato, uma reação que já desenvolve o fraseado
automaticamente ao se deparar com essa cadência. A vantagem
disso é que o jazz aborda muito essa cadência, então você vai
reconhecer imediatamente o que está acontecendo a todo
momento e, é claro, vai saber se portar muito bem sobre essas
progressões.

Depois, pratique também o improviso em algumas


cadências menos usuais, como cadências deceptivas, para reagir
bem a surpresas.

Obs: quando falamos "cadência II - V - I", entenda que a


ideia é seguir a sequência subdominante - dominante - tônica,
ou seja, podemos ter outros acordes assumindo
essas funções também, como a cadência IV - V - I, por exemplo.

Tendo esses dois conceitos que comentamos bem


treinados (modulações e cadências), você conseguirá se situar
bem em qualquer jazz.

Para obter um fraseado jazzístico, ouça alguns músicos


desse estilo e observe a "pegada" com que eles colocam as
263
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

notas.

264
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

Pratique bastante também a escala bebop. Pegue depois


algumas músicas de jazz e treine seus improvisos em cima delas.
Em breve você vai se sentir confortável dentro do jazz, e isso vai
enriquecer sua visão musical de uma maneira surpreendente!

265
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

MÓDULO 12

T o c a n d oc o moc o r a ç ã o ec o moc é r e b r o

Rearmonização - Parte 1.......................263


Rearmonização - Parte 2.......................268
Rearmonização - Parte 3.......................271
Rearmonização - Parte 4.......................278
Rearmonização - Parte 5.......................281
Harmonia avançada no Blues....................285
Análise Rítmica..........................................294
Matemática na Música.................................305

266
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

T o c a n d oc o moc o r a ç ã o ec o moc é r e b r o

Rearmonização - Parte 1

Rearmonizar é modificar a estrutura harmônica de uma


música. Para tanto, os músicos trabalham em cima de diversos
conceitos, muitos dos quais já vimos aqui na apostila.

Falando num sentido mais prático, rearmonizar é pegar


uma música pronta e alterar sua harmonia, mantendo sua
melodia original. Digamos que seu amigo chegue para você e
mostre uma música que ele fez. Com conceitos de
rearmonização, você pode pegar a música dele e melhorá-la,
criando uma estrutura mais complexa e interessante. Outra
utilidade é trabalhar em cima de músicas que já são muito
conhecidas. Por exemplo, você poderia querer tocar um hit
famoso, mas com uma nova versão, para demonstrar
personalidade de sua parte. Para isso, seria necessário
rearmonizar sua estrutura. Lembre-se, no entanto, que nem
sempre o mais complexo é o mais bonito. A principal função da
rearmonização é fornecer uma base para ideias alternativas,
sendo que a qualidade dessas ideias vai depender do bom gosto
de seu compositor.

267
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

Muitos arranjadores e compositores ganham a vida


fazendo isso. As pessoas chegam para eles com músicas que
desejam gravar, fazendo acordes secos e quadrados (que são os
únicos que elas conhecem). Então os arranjadores observam a
intenção do "artista" e rearmonizam a música, melhorando a
estrutura e enriquecendo a composição de acordo com o gosto e
motivação do seu "cliente".

Você vai perceber, ao longo desse estudo, que toda e


qualquer rearmonização precisa ser feita considerando a
melodia. É ela que vai dizer o que podemos ou não fazer. Esse
tópico irá enfatizar muito esse ponto, mostrando como a
melodia é o carro-chefe e o que podemos inventar de base em
cima dela.

Para que você tenha essa articulação toda que


comentamos e aprenda bem esse conceito, iremos mostrar aqui
6 formas possíveis de rearmonização:

1) Com incremento de notas aos acordes.


2) Com substituição de acordes de mesma função harmônica.
3) Com substituição do modo grego utilizado.
4) Com utilização de progressões e cadências.
5) Com modulações.
6) Com acordes de empréstimo modal.

Demonstraremos cada método separadamente, pois cada


abordagem é bastante extensa. Vamos ao primeiro caso:

268
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

1) Com incremento de notas aos acordes:


Essa rearmonização nada mais é do que acrescentar notas
aos acordes da música. Muitos autores não classificam esse
incremento como rearmonização, mas aqui nós iremos
considerar qualquer mudança na harmonia como
rearmonização (mesmo que seja apenas modificar notas isoladas
nos acordes). Considere então que uma música foi formada
pelos seguintes acordes:

| G | D | Em | C |

Uma primeira ideia que poderíamos ter para essa música


seria acrescentar a sétima a cada um desses acordes, formando
tétrades em vez de tríades. Ficaríamos com:

| G7M | D7 | Em7 | C7M |

Essa estrutura já daria um novo corpo para a música. Mas


talvez o cantor não tenha gostado desse D7 dizendo que ele
ficou muito agressivo. Então você opta por colocar um D9, que é
bem mais suave.

| G7M | D9 | Em7 | C7M |

Já que, no acorde D9 no violão, a nona (nota E) entrou no


lugar da terça (nota F#), podemos aproveitar para colocar a nota
F# no baixo.

269
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

Observe o acorde D9/F#:

Isso também provocaria uma sequência interessante no


baixo da música, que ficaria decrescendo: G, F#, E:

| G7M | D9/F# | Em7 | C7M |

Como teremos uma volta para G7M depois de C7M, e a


quinta de G7M é a nota Ré, podemos aproveitar para
acrescentar essa nota Ré ao acorde C7M (seria a nona de C7M)
para deixar essa estrutura mais estática. Veja esses dois acordes
abaixo:

C7M(9) G7M

Repare como a nota da segunda corda (D) não se mexeu na


transição entre esses acordes. Essa técnica de tentar manter
algumas notas estáticas durante a transição dos acordes é muito
utilizada, pois faz a harmonia ficar suave. Chama- ota

270
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

"socos" e trocas de oitava bruscas, mais agradável e suave vai

271
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

ficar a harmonia. Devemos procurar tocar notas próximas, que


desloquem pouco nossos dedos. No teclado, essa abordagem é
muito exercitada nos acordes.

Tecladistas geralmente procuram as melhores inversões e


shapes para se tocar "próximo", sem ficar pulando muito nas
teclas. É interessante você pensar nas notas de extensão
considerando isso. Tente fazer com que haja pouca
movimentação dos dedos em cada troca de acorde. Claro que
nem sempre a suavidade vai ser seu objetivo sonoro, mas
quando for, lembre-se disso.

Bom, compare então nossa harmonia inicial com a final:

| G | D | Em | C |
| G7M | D9/F# | Em7 | C7M(9) |

Essa foi apenas uma ideia. Podíamos pensar também em


colocar quartas, sextas, inverter alguns acordes, enfim, sempre
haverá inúmeras possibilidades para trabalharmos. Basta
considerar a tonalidade que estamos e incluir as notas de
extensão que ficarem agradáveis a seu gosto, combinando
também o efeito estático que comentamos e a movimentação do
baixo. Tudo isso pode ser levado em conta na hora de se
trabalhar esse tipo de rearmonização. Considere que, apesar de
algumas extensões descaracterizarem alguns acordes
(dependendo do contexto), qualquer extensão pode ser válida
como fator surpresa, desde que não haja choque com a melodia.

272
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

O próximo recurso de rearmonização será analisado na parte 2


desse tópico.

Rearmonização - Parte 2

Agora é hora de considerarmos outro recurso:

2) Substituição de acordes de mesma função harmônica:

Essa estratégia se resume a trocar um acorde por outro que


tenha a mesma função harmônica que ele. Vamos trabalhar isso
em cima da música "Atirei o pau no gato".

C
Atirei o pau no gato - to

Dm
Mas o gato - to

C
Não Morreu - reu - reu

F
Dona Chica - ca

C
Admirou-se - se

273
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

G7
Do berro

C
Do berro que o gato deu: Miau !

Antes de mais nada, vamos resumir aqui as funções de cada


acorde do campo harmônico de Dó maior (que é a tonalidade
dessa música):

Acordes de função tônica: C, Em, Am


Acordes de função dominante: G7, Bm7(b5)
Acordes de função subdominante: Dm, F

Já aprendemos que dois acordes de mesma função


harmônica podem ser trocados um pelo outro sem modificar a
sensação harmônica do trecho. Então vamos experimentar
algumas trocas. Na função tônica, vamos trocar o C que está em
cima da letra "morreu-reu-reu" por Am, e o C que está em cima
de "admirou-se-se" vamos trocar por Em. Na função
subdominante, vamos trocar de lugar o Dm e o F onde eles
aparecem. Na função dominante, vamos colocar Bm7(b5) no
lugar de G7. Experimente tocar e cantar essa música com esses
novos acordes:

C
Atirei o pau no gato - to

274
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

F
Mas o gato - to

Am
Não Morreu - reu - reu

Dm7
Dona Chica - ca

Em
Admirou-se -
se

Bm7(b5)
Do berro
C
Do berro que o gato deu: Miau !

O que achou? Sentiu algum problema? Essa é a prova de


que podemos fazer essas trocas com liberdade. Claro que nem
sempre a melhor opção é essa; às vezes a melodia pede outra
coisa. Temos que estar sempre atentos à melodia, é ela que
manda!

Pegue músicas que você conhece e experimente brincar


trocando de lugar os acordes de mesma função harmônica.
Pratique isso para abrir sua visão e seu ouvido. Além do campo
harmônico natural, você pode experimentar acordes dos
campos menor harmônico e menor melódico também. Confira
275
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

abaixo as opções:

276
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

CAMPO FUNÇÃO HARMÔNICA


HARMÔNICO Tônica Subdom. Tônica Subdom. Dominante Tônica Dominante
Menor Natural Im7 IIm7(b5) bIII7m IVm7 *Vm7 bVI7M bVII7
Menor Im7(7M) IIm7(b5) bIII7M(#5) IVm7 V7 bVI7M VIIº
Harmônico
Menor Im7(7M) IIm7 bIII7M(#5) **IV7 V7 VIm7(b5) VIIm7(b5)
Melódico
*Não possui função dominante
*Também chamado de 4º grau Blues

Agora iremos partir para outra abordagem na parte 3 desse


tópico.

Rearmonização - Parte 3

3) Substituição do modo grego utilizado:

Substituir o modo grego é utilizar acordes de outro modo


grego no lugar dos acordes originais (ou seja, é mudar
a tonalidade da música). Por exemplo, digamos que uma música
esteja na tonalidade de Mi menor (Mi Eólio). Alguns acordes que
poderiam fazer parte dessa música são Em, G, Am, Bm, C, etc.
Todos pertencentes ao campo harmônico de Mi menor (Mi
eólio). Se trocássemos os acordes dessa música por acordes que
pertencem ao campo harmônico de Dó maior, como Em, Dm, F,
entre outros, e continuássemos começando a música em Mi
menor, esta tonalidade deixaria de ser Mi eólio e passaria a ser
Mi frígio, pois Mi estaria atuando nessa harmonia como terceiro
grau de Dó. Portanto, estaríamos mudando a tonalidade de Mi

277
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

menor para Dó maior. Como estamos começando em Mi e


supondo que Mi é o acorde de resolução da música, dizer que a
tonalidade é Mi frígio equivale a dizer que precisamos enfatizar
notas de acorde de Mi nas resoluções dos solos, pois a música
resolve em Mi, sem esquecer que a tonalidade é Dó maior.
Muito bem, e como podemos alterar o modo grego de uma
música?

Primeiramente, é importante saber que podemos escolher


qualquer modo grego, desde que a melodia permita. Agora
estamos entrando de vez nessa questão de analisar a melodia.
Isso ficará fácil de entender ao vermos o exemplo a seguir, ainda
na música "Atirei o pau no gato". As notas da melodia inicial
dessa música são: G, F, E, D.

Já que a melodia inicial gira em torno de G, podemos


começar a música com qualquer acorde que contenha a nota G
como nota de acorde. Esse conceito é novo e extremamente
importante para trabalharmos rearmonização. Guarde bem isso:
os acordes que formam uma melodia precisam conter em si as
notas dessa melodia. Isso pode parecer meio óbvio, mas não é,
pois abre possibilidades surpreendentes, como veremos em
breve. Nossa música começa assim:

C
Atirei o pau no gato - to

Já que queremos mudar o modo grego, vamos escolher o


modo mixolídio para testar a teoria. A tonalidade dessa música

278
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

vai deixar então de ser Dó jônico e vai passar a ser Dó mixolídio.


Em outras palavras, o campo harmônico da música passará a ser
Fá maior, e Dó será, portanto, o quinto grau (V7) desse campo.

Assim, começamos com:

C7
Atirei o pau no gato - to

Podemos fazer isso? Podemos, pois a melodia desse trecho


está na nota Sol, e Sol pertence ao acorde C7 (é a quinta de C7).
Então vamos prosseguir. Podemos pensar em colocar o acorde
de Fá logo em seguida para fechar uma cadência V - I (C7 - F),
assim:

C7 F
Atirei o pau no gato - to

Mas temos um problema aí! A melodia nesse trecho ainda


está em Sol, e o acorde de Fá não possui a nota Sol! Como vamos
contornar esse problema? Bom, podemos acrescentar
a extensão 9ª ao acorde de Fá (pois a nona de Fá é a nota Sol).
Legal, então ficamos com:

C7 Fadd9
Atirei o pau no gato to

279
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

*Acorde Fadd9:

A melodia do próximo trecho "Mas o gato-to" está na nota


Fá. Podemos pensar em colocar o acorde Bb aqui (pois a nota Fá
é a quinta justa de Bb. Além disso, Bb pertence ao campo
harmônico de Fá maior, conforme queremos). Resultado:

C7 Fadd9
Atirei o pau no gato - to
Bb
Mas o gato - to

A melodia agora vai para a nota Mi em "não morreu-reu-


reu". O acorde F7M contém a nota Mi (é a sétima maior de Fá).
Então é uma boa pedida fazer:

C7 Fadd9
Atirei o pau no gato - to
Bb
Mas o gato - to
F7M
Não Morreu - reu - reu

280
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

Não precisamos substituir o próximo acorde, que é Dm7,


pois Dm7 pertence ao campo de Fá maior e a melodia nesse
trecho está em Lá (que é a quinta justa de Ré). Então ficamos
com:

F7M
Não Morreu - reu - reu
Dm7
Dona Chica - ca

A melodia agora vai para Sol no trecho "Admirou-se-


se". Podemos colocar o acorde Am7, que pertence ao campo de
Fá e contém a nota Sol na sua estrutura (Sol é a sétima menor de
Lá).

F7M
Não Morreu - reu - reu
Dm7
Dona Chica -
ca Am7
Admirou-se - se

No próximo trecho ("do berro"), a melodia vai para a nota


Sol, então nada impede que coloquemos o acorde Gm (que
também pertence ao campo de Fá maior).

Dm7

281
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

Dona Chica - ca

282
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

Am7
Admirou-se -
se
Gm
Do berro

Pronto, agora a mú sica termina com a nota Dó . Entã o


vamos finalizar com o acorde Fadd9, pois a nota Dó é a quinta
justa de Fadd9.

Nossa rearmonizaçã o final ficou:

C7 Fadd9
Atirei o pau no gato - to

Bb
Mas o gato - to

F7M
Nã o Morreu - reu - reu

Dm7
Dona Chica -
ca

Am7
Admirou-se -
se

283
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

Gm
Do berro

284
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

Fadd9
Do berro que o gato deu: Miau !

Repare que conseguimos rearmonizar essa mú sica


mudando o modo grego de Dó jô nico para Dó mixolídio.
Poderíamos tentar fazer o mesmo para outros modos; porém, é
necessá rio avaliar se a melodia permitiria isso. Nã o poderíamos
pensar, por exemplo, em transformar essa mú sica para Dó
dó rico, frígio, eó lio nem ló crio, pois nesses modos o Dó é menor
(possui uma terça menor), sendo que a melodia está passando
pela nota Mi, que é a terça maior de Dó . Reparou como é
importante pensar sempre na melodia?

É nesse ponto que o mú sico começa a entender a raiz da


coisa, que os acordes só existem para acompanhar uma melodia
principal. Tudo gira em torno disso!

Outra observaçã o importante nessa rearmonizaçã o que


fizemos é que há um momento nessa mú sica em que aparece a
nota Si na melodia, no trecho "Admirou-se-se". Esse Si nã o
pertence ao campo harmô nico de Fá maior que acabamos de
formar. Porém, Si é a sétima maior de Ré, e como Ré menor é
a relativa de Fá , podemos pensar em utilizar a escala menor
harmô nica de Ré nesse trecho (já que a escala menor harmô nica
é a escala menor com a sétima maior). Muito bem,
continuaremos nosso estudo na parte 4!

285
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

Rearmonizaçã o - Parte 4

Agora que já exploramos o conceito de substituiçã o do


modo grego, iremos avançar para os três ú ltimos itens que
mencionamos sobre rearmonizaçã o: utilizaçã o de progressõ es,
modulaçõ es e acordes de empréstimo modal (AEM). Iremos
abordar primeiro modulaçõ es e AEM, para entã o finalizar o
estudo com as progressõ es.

A ideia que utilizaremos para as modulaçõ es e AEM será a


mesma ideia que aplicamos na substituiçã o do modo grego:
pensar na melodia.

Entã o vamos lá : Já sabemos que a melodia inicial está na


nota Sol. Essa nota é a terça maior do acorde Eb7M. Entã o isso
significa que podemos utilizar Eb7M para começar essa
mú sica! Viu só como esse conceito de melodia e acordes abre
muitos horizontes?! Nossa mú sica passou a começar com:

Eb7M
Atirei o pau no gato - to

Como a nota Fá é a melodia do pró ximo trecho, podemos


pensar no acorde Dm7(b5), pois Fá é a terça menor de Ré. Note
também que Dm7(b5) pertence ao campo harmô nico de Eb,
entã o continuamos nessa tonalidade.

Eb7M
Atirei o pau no gato - to
286
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

Dm7(b5)
Mas o gato - to

No pró ximo trecho, a nota da melodia é Mi, entã o podemos


experimentar colocar o acorde C7M ali. Daqui para frente,
continuaremos a mú sica com acordes da tonalidade de Dó maior
(a original da mú sica). Isso significa que fizemos uma
modulaçã o! Passamos da tonalidade de Eb7M para Dó maior. A
melodia permitiu isso tranquilamente. Legal, e que tipo
modulaçã o foi essa? Foi uma modulaçã o para o tom homô nimo!
Eb7M é a relativa maior de Dó menor, ou seja, isso significa que
antes está vamos em Dó menor e agora fomos para Dó maior.
Nossa mú sica ficou:

Eb7M
Atirei o pau no gato - to

Dm7(b5)
Mas o gato - to

C7M--> modulaçã o
Nã o Morreu - reu - reu

F
Dona Chica - ca

287
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

Em7
Admirou-se -
se

G7
Do berro
C7M
Do berro que o gato deu: Miau !

Muito bem, vamos colocar agora um AEM nessa jogada. A


melodia no trecho "Dona Chica-ca" está na nota Lá . Essa nota é a
terça menor do acorde F#m7(b5), entã o podemos utilizar esse
acorde. A mú sica ficaria:

Eb7M
Atirei o pau no gato - to

Dm7(b5)
Mas o gato - to

C7M--> modulaçã o
Nã o Morreu - reu - reu

F#m7(b5) -->AEM
Dona Chica - ca

Em7
Admirou-se -
se
288
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

G7
Do berro
C7M
Do berro que o gato deu: Miau !

Ok, e se alguém perguntasse: "de onde veio o acorde


F#m7(b5)? Afinal, esse acorde não faz parte do campo

acorde de empréstimo modal do modo lídio! Explicação:


F#m7(b5) pertence ao campo harmônico de Sol maior. Isso
equivale a dizer que F#m7(b5) pertence ao campo harmônico de
Dó lídio. Portanto, esse acorde está sendo emprestado desse
modo.

Muito bem, já incluímos modulação e AEM nessa música.


Agora é hora de finalizarmos esse tópico acrescentando
cadências nessa rearmonização que fizemos! Acompanhe isso na
parte 5 desse tópico!

Rearmonização - Parte 5

Ok, vamos então às cadências! No trecho "Mas o gato-to


não morreu-reu-reu", logo depois de Dm7(b5) vem o
acorde C7M, certo? Então vamos experimentar colocar um G7
antes de C7M para fechar uma progressão II - V - I:

Eb7M
Atirei o pau no gato - to

289
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

Dm7(b5) G7
Mas o gato - to

C7M
Não Morreu - reu - reu

Agora, logo depois de F#m7(b5) vem o acorde Em7, então


podemos acrescentar um B7 para fechar outra progressão II -
V
- I:

F#m7(b5) B7
Dona Chica - ca

Em7
Admirou-se -
se

Com isso, F#m7(b5) passou a ser segundo cadencial de


Em7. Mas F#m7(b5) já estava atuando como AEM, então agora
ele é um acorde de função dupla: AEM e segundo cadencial.

Bom, antes de F#m7(b5) tem o acorde C7M. Esse acorde


F#m7(b5) só possui uma nota de diferença do acorde F7M.
Compare abaixo:

Notas de F#m7(b5): F#, A, C, E


Notas de F7M: F, A, C, E
290
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

Então podemos pensar que F#m7(b5) está atuando como


F7M e, nesse caso, Dó seria o quinto grau de Fá. Portanto,
podemos colocar um C7 logo depois de C7M para enfatizar essa
transição:

C7M C7
Não Morreu - reu - reu

F#m7(b5) B7
Dona Chica - ca

Em7
Admirou-se - se

Outra progressão II - V - I que podemos fazer é com os


acordes Em7 e Dm7 no próximo trecho, colocando um A7 entre
os dois:

Em7 A7
Admirou-se - se

Dm7
Do berro

O trecho final já é uma progressão II - V - I, então não vamos


mexer:

291
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

Dm7
Do berro

G7 C7M
Do berro que o gato deu: Miau !

Ótimo, vamos ver como ficou nossa rearmonização final:

Eb7M
Atirei o pau no gato - to

Dm7(b5) G7
Mas o gato - to

C7M C7
Não Morreu - reu - reu

F#m7(b5) B7
Dona Chica - ca

Em7 A7
Admirou-se - se

Dm7
Do berro

G7 C7M
Do berro que o gato deu: Miau !

292
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

Ficou muito interessante essa harmonia, pois tivemos uma


sequência de três cadências II - V - I, que vão desde o trecho
"Dona Chica-ca" até o final da música (chamamos isso de
cadência II V I estendida). Isso fez com que uma musiquinha
infantil passasse a ter cara de jazz!

Show de bola, então agora que você já aprendeu como se


faz uma rearmonização, é hora de estimular sua criatividade e
passar a rearmonizar músicas que você conhece. Quanto mais
você treinar, mais ideias surgirão. Os recursos são muitos, não é
mesmo?!
Divirta-se!

Harmonia avançada no Blues

Agora que já aprendemos a dar um colorido especial ao


blues na improvisação, chegou a hora de explorarmos a
harmonia do blues.

Iremos ver aqui as origens do jazz, como ele se formou a


partir da estrutura do blues. Mesmo para quem não gosta do
estilo, vale muito a pena fazer esse estudo, pois a estrutura do
blues permite inúmeras substituições, cadências e trabalhos
harmônicos, tantos que não caberiam em um único livro.

293
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

Pois bem, vamos começar com o básico. A definição


de blues, como já vimos, está ligada a 12 compassos bem
determinados. Veja abaixo um exemplo de blues em Lá:

I IV I I

| A7 | D7 | A7 | A7 |

IV IV I I

| D7 | D7 | A7 | A7 |

V IV I V

| E7 | D7 | A7 | E7 |

Já conhecemos essa estrutura, ela é um dos arranjos mais


básicos de blues. Vamos começar a "brincar" então com essa
harmonia, utilizando alguns conceitos que já sabemos.

Primeiro, vamos trabalhar no quarto compasso. Observe


como partimos de A7 e caímos em Ré, ou seja, A7 está atuando
como dominante V7 de Ré. Podemos deixar essa cadência mais
fluida transformando essa passagem em uma progressão II - V -
I. Para isso,
no quarto compasso colocaremos o acorde Em7 antes de A7.
Assim, ficamos com Em7 - A7 - D.

Agora repare que ficamos dois compassos consecutivos em


D7 (quinto e sexto compassos). Como iremos retornar para o
primeiro grau no sétimo compasso, fica legal colocar um acorde
diminuto no sexto compasso. Utilizaremos o diminuto que serve

294
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

como substituto de D7. Quem é ele? Já estudamos isso! Ele se


localiza um semitom acima do dominante, ou seja, vai ser D#°.
Veja abaixo como ficou a estrutura com essas primeiras
alterações:

I IV I IIm7 V7

| A7 | D7 | A7 | Em7 A7 |

IV IV I I
| D7 | D#º | A7 | A7 |

V IV I V
| | D7 | A7 | |
E7 E7

Muito bem, já está ficando interessante! Agora seremos um


pouco mais ousados. A partir do oitavo compasso (que
antecede o "clímax" da música), faremos uma sequência de
dominantes. Repare que depois de A7 (no oitavo compasso)
caímos em E7 (nono compasso). Nossa intenção é colocar o
dominante V7 de Mi antes de cairmos em E7. Oras, o
dominante V7 de Mi é B7.

Podemos ampliar mais ainda essa ideia tocando o


dominante V7 de Si antes disso, que é F#7. Então, nossa
brincadeira vai ser colocar F#7 no oitavo compasso no lugar
de A7, pois A7 já está presente no compasso anterior, e então
continuamos essa sequência de dominantes colocando B7 e E7
no nono e décimo compassos. Veja como ficou:

295
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

I IV I IIm7 V7

| A7 | D7 | A7 | Em7 A7 |

IV IV I I

| D7 | D#º | A7 | F#7 |

V IV I V

| B7 | E7 | A7 | E7 |

Repare que, já que estamos em E7, aproveitamos para cair


em A7 no 11° compasso, pois E7 é o dominante V7 de Lá. Com
isso, acabamos omitindo a passagem por D7 no décimo
compasso; ele acabou ficando de fora dessa progressão toda.

Como resultado, ficamos com a progressão F#7 - B7 - E7 -


A7, ou seja, fechamos um ciclo de quartas começando em F#7
e terminando em A7. Interessante, não?!

Bom, como a música finaliza com E7 antes de recomeçar


tudo, podemos repetir essa brincadeira nos dois últimos
compassos. Ou seja, que tal colocar F#7 depois de A7 dentro
do 11° compasso e B7 antes de E7 no último compasso? Vai
ficar uma progressão idêntica à anterior, só que mais rápida,
pois aqui estamos colocando dois acordes por compasso!

Confira abaixo:

296
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

I IV I IIm7 V7

| A7 | D7 | A7 | Em7 A7 |
IV IV I I
| D7 | D#º | A7 | F#7 |

V IV I V
| B7 | E7 | A7 F#7 | B7 E7 |

Muito bem, nosso blues já está bastante "mexido". Estamos


saindo do som tradicional do blues e caminhando em direção ao
jazz. Vamos continuar essa turnê! Já sabemos que, no campo
harmônico maior, o primeiro grau possui a mesma função
harmônica do terceiro grau (IIIm7).

Realmente, na prática esses graus possuem duas notas em


comum. Compare Lá maior e Dó# menor. Ambos possuem as
notas E e C#. Então podemos experimentar uma substituição.
Seria muito pertinente substituir A7 por C#m7 no sétimo
compasso, pois o próximo acorde da sequência é F#7 (que está
atuando como V7 de Si). Dessa forma, C#m7 serviria como
segundo cadencial da progressão II - V - I formada por C#m7 -
F#7 - B. Então vamos efetuar essa alteração de C#m7 no lugar
de A7 no sétimo compasso e fazer o mesmo no 11° compasso:

297
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

I IV I IIm7 V7

| A7 | D7 | A7 | Em7 A7 |

IV IV I I

| D7 | D#º | C#m7 | F#7 |

V IV I V

| B7 | E7 | C#m7 F#7 | B7 E7 |

Para "amaciarmos" um pouco mais essa harmonia,


podemos fazer o B7 do nono compasso virar Bm7, pois assim
teríamos mais uma progressão II - V (Bm7 - E7). Além disso, vale
a pena destacar que a passagem de F#7 para Bm7 abriria espaço
para uma escala menor harmônica na improvisação. Podemos
repetir essa ideia no último compasso, já que a progressão é a
mesma. Ficamos então com:

I IV I IIm7 V7
| | | |
A7 D7 A7 Em7 A7 |

IV IV I I
| D7 | D#° | C#m7 | F#7 |

V IV I V
| Bm7 | E7 | C#m7 F#7 | Bm7 E7 |

Já que estamos tornando essa harmonia bastante tonal,


podemos caprichar ainda mais transformando os acordes C#m7
em acordes C#m7(b5), pois essa extensão é típica de cadências II

298
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

- V - I que resolvem em acordes menores (lembrando que nossa


resolução aqui está sendo em Bm7). Além disso, outra extensão
muito comum nessas progressões que resolvem em acordes
menores é a nona bemol no acorde dominante. Assim,
incrementamos as cadências II - V - I que antes eram C#m7 -
F#7 - Bm7 fazendo: C#m7(b5) - F#7(b9) - Bm7.

I IV I IIm7 V7
| | | | |
A7 D7 A7 Em7 A7

IV IV I I
| D7 | D#° | C#m7 (b5) | F#7 (b9) |

V IV I V
| | | |
Bm7 E7 | C#m7(b5) F#7(b9) Bm7 E7

Vamos aplicar agora o conceito de tons vizinhos. Como o


primeiro grau desse blues é Lá maior, o homônimo é Lá menor.
O quarto grau da tonalidade de Lá menor é Ré menor. Já
estudamos esse assunto e comentamos que o quarto grau menor
(IVm6) é muito usado em diversas canções e estilos diferentes!
Então vamos reorganizar essa harmonia tirando o D7#° do sexto
compasso e colocando ele no quinto, junto com D7, abrindo
espaço no sexto compasso para aparecer o Dm6 (lembrando que
esse espaço originalmente era pra conter D7). Assim, incluímos
um acorde de empréstimo modal na jogada! Ele está sendo
emprestado do modo homônimo. Essa progressão D#° - Dm6 -
C#m7(b5) ficou interessante, pois o baixo caminhou
cromaticamente de D# até C#.

299
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

I IV I IIm7 V7
| A7 | D7 | A7 | Em7 A7 |

IV IV I I
| D7 D#° | Dm6 | C#m7 (b5) | F#7 (b9) |

V IV I V
| Bm7 | E7 | C#m7(b5) F#7(b9) | Bm7 E7 |

Uau, quantas modificações! Já está cansado?! Espero que


não, pois ainda vamos fazer mais uma brincadeira: incluir os
subV7 nessa dança! Podemos usar e abusar dos subV7, afinal
temos vários dominantes V7 nessa harmonia. Então vamos lá,
mostraremos algumas ideias e a explicação logo abaixo:

I IV I IIm7 V7
| | | | |
A7 D7 A7 Em7 Eb79(b5)

IV IV I I
| | | G7b5 | |
D7 D#° Dm6 C#m7 (b5) F#7| (b9) C79(b5)

V IV I V
| | | |
Bm7 F7b5 E7 | C#m7(b5) F#7(b9) Bm7 E7

No quarto compasso, substituimos A7 pelo seu subV7 que é Eb7.


Utilizamos algumas extensões muito usadas para esse subV7,
que são a 9ª e a 5ª bemol. O acorde ficou então Eb79(b5).

No sétimo compasso, utilizamos o subV7 de C#7 (G7b5) para


anteceder o F#7.

300
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

Logo depois, utilizamos o subV7 de F#7 (C79b5) para anteceder


Bm7.

No nono compasso, acrescentamos o subV7 de B7 (F7b5) para


anteceder E7.

Cruz credo!! Isso aqui já está ficando uma salada de frutas!


Que tal dar agora uma salpicada de nonas, quartas e décimas
terceiras em alguns acordes que ainda estão "quadrados", para
ficar tudo redondinho e bonito?! Fique à vontade para temperar
ao seu gosto! Já ensinamos como fazer isso em outros tópicos.
Nossa obra de arte final então ficou assim:
I IV I IIm7 V7

| A7(9) | D7 (13) | A7 (9) | Em7 Eb79(b5) |

IV IV I I
| D7 D#° | Dm6 | C#m7 (b5) G7b5 | F#7 (b9) C79(b5) |

V IV I V
| Bm7 F7b5 | E7 (11) | C#m7(b5) F#7(b9) | Bm7 E7 |

Que beleza! Quanto suco saiu dessa fruta heim?! Imagine a


quantidade de possibilidades e combinações que podemos criar!

Meu amigo, foi assim que o blues deu origem a vários


outros estilos! Aqui, nós fizemos uma rearmonização de uma
forma primitiva de blues e transformamos essa estrutura em
um jazz. Para que essa harmonia soe como jazz, basta tocar com
suingue. Falaremos mais especificamente sobre o ritmo jazz em
outros artigos, para que você mate de vez esse leão! Por
301
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

enquanto, já demos muitas ferramentas para você destruir nas


harmonias e improvisos.

Imagine só quantos recursos podemos aplicar em cima


dessa harmonia na hora de fazer um solo! Mescle todo esse
conhecimento com técnicas, clareza, feeling e você será um
músico excepcional. Let's go!

Análise Rítmica

Ritmo é um elemento muito importante para qualquer


músico. Mas a grande maioria acaba deixando de lado esse
estudo, pois pensa que ritmo é uma coisa inata do ser humano:

avaliação está completamente equivocada!

Qualquer músico precisa estudar e praticar ritmo, da


mesma maneira que precisa praticar qualquer outra técnica,
pois o ritmo também pode ser aprimorado e desenvolvido.

A primeira dica para quem quer se desenvolver no campo


do ritmo é tocar sempre com um metrônomo ao lado. Quem
utiliza metrônomo nos treinos de técnica é como se tivesse um

faz o músico desenvolver não só a precisão, mas também a


acentuação, fator muito importante para qualquer
instrumentista.

302
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

Legal, mas antes continuar lendo esse tópico,


recomendamos que você partitura (no fim dessa
apostila), pois utilizaremos aqui alguns recursos
da partitura para representar os ritmos, especialmente a parte
que menciona os compassos.

Muito bem, nós já aprendemos no artigo sobre partitura o


que significa um tempo 4/4: cabem quatro semínimas por
compasso. Apenas para relembrar, veja abaixo quantas figuras
cabem em um compasso nas representações:

4/4 = Cabem 4 semínimas


4/2 = Cabem 4 mínimas
4/8 = Cabem 4 colcheias
2/4 = Cabem 2 semínimas
3/1 = Cabem 3
semibreves 5/32 = Cabem
5 semifusas 7/2 = Cabem
7 mínimas

Como já comentamos, o tempo 4/4 é o mais comum de ser


utilizado nas músicas. Nesse tempo, você consegue fazer uma
contagem, no ritmo da música, de 1 até 4, recomeçando a
contagem novamente, sem que haja descasamento com
amelodia. Observe, por exemplo, a música
: http://www.youtube.com/watch?v=rYEDA3JcQqw

A partir dos 00:23 dessa música, quando entra o bumbo da

303
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

fazer uma contagem de 1 até 4 e recomeçar novamente,

1 2 3 4|1 2 3 4|1 2 3 4|
Bum Bum Bum Bum Bum Bum

Observe que há um casamento perfeito dessa contagem


com a melodia. Isso significa que essa música está no tempo 4/4.

Como o tempo 4/4 é o mais praticado, grande parte dos


músicos se sentem desconfortáveis ao se depararem com

músicas

Por exemplo, observe a introdução da música


, da banda de metal progressivo sueca Harmony:
http://www.youtube.com/watch?v=OtNfC6Jo8Rw&list=PL17346
B1F255EAA75

Logo que começar a música, vamos fazer a mesma


contagem que fizemos para a música anterior. Dessa vez, a caixa
da bateria é quem vai nos ajudar a marcar o tempo. Faça uma
contagem (1, 2, 3, 4) de tal forma que a primeira batida da caixa
esteja no número 3, ou seja, quando a música começar, você já
começa a contar numa velocidade tal que o número 3 caia em
cima da primeira batida da caixa da bateria. Essa vai ser a nossa
velocidade de contagem para essa música. Conte até 4 e
recomece a contagem, da mesma forma que você fez na música
anterior.

304
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

Reparou que a música não se encaixa bem com essa


contagem? A guitarra está fazendo um riff repetitivo, mas esse
riff não está se encaixando bem com a nossa contagem, pois
quando chegamos no número 4 e recomeçamos a contagem, a
música está num ponto diferente, desalinhado. Isso está
acontecendo porque a introdução dessa música não está no
tempo 4/4, e sim 7/4.

Mas como podemos descobrir que ela está no tempo 7/4?


Bom, repita a mesma contagem que você estava fazendo, na
mesma velocidade, mas em vez de contar só até 4, conte até 7 e
depois recomece. Viu como agora tudo se encaixou? O riff da
guitarra acompanha a contagem até 7 para depois recomeçar.

Obs: Nossa análise dessa música se focou apenas na


primeira parte da introdução, pois na realidade, a introdução
completa começa com 3 compassos no tempo 7/4 e depois faz
um compasso no tempo 8/4. Esse último compasso também
pode ser visto como dois compassos 4/4 consecutivos. Da
mesma forma, os primeiros compassos que vimos (7/4) podem
ser vistos como uma soma de um compasso 3/4 com um
compasso 4/4. Preferimos tratar esses compassos aqui como 7/4
e 8/4 para fazer uma referência à nossa contagem e ficar mais
fácil de acompanhar.

Já quando o vocalista começa a cantar, o tempo da música


passa a ser 4/4. Repare como essa música não mantém o mesmo
tempo, mas alterna entre tempos 7/4 e 4/4. Essa situação não é
comum nas músicas populares. Por isso é interessante pegar

305
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

músicas com tempos complexos para praticar e perder o vício de


só se sentir confortável com músicas 4/4.

Vamos ver mais um exemplo agora de tempo 3/4, a música


http://www.youtube.com/watch?v=22c5Flzd8Iw

Confira a contagem abaixo, no ritmo que acompanha a


letra da música:

1 2 3 |1 2 3| 1 2 3|1 2 3 |1 2 3|
Ele é exalta do, o Rei é exalta do no céu

Muito bem, agora que já aprendemos a identificar esses


tempos ímpares, tende observar, como exercício, que a música
, tocada pelo quarteto de jazz , está no
compasso 5/4: http://www.youtube.com/watch?
v=vmDDOFXSgAs

Uma banda que merece destaque nesse sentido por ter

, que influenciou boa parte do segmento Rock/Metal a


incorporar tempos complexos nas suas composições (como por
exemplo, a virtuosa banda americana .

Contratempo
Já que estamos falando de análise rítmica, vale a pena
contratempo

306
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

Qualquer tempo de uma música pode ser subdividido em


partes fortes e fracas. A parte forte é aquela que faz a marcação
principal do tempo, geralmente destacada pelo bumbo e/ou pela
caixa da bateria. Já as partes fracas são os tempos intermediários
entre as partes fortes.

Por exemplo, na primeira música que analisamos (


), os tempos 1 e 3 da nossa contagem são os tempos
fortes da música, enquanto os tempos 2 e 4 são os tempos
fracos. Não é difícil de perceber que a pulsação da música está
nos tempos 1 e 3, por isso eles são chamados de tempos fortes.

Se algum instrumento estivesse tocando suas notas nos


tempos 2 e 4, diríamos que ele está tocando no contratempo,
pois sua marcação das notas está se realizando nos tempos
fracos da música.

Portanto, a definição de contratempo na partitura é colocar


uma nota na parte fraca da música e uma pausa na parte forte.

Apesar de ser uma maneira pouco intuitiva de se tocar, o


contratempo permite uma sensação muito agradável para o
ouvinte quando bem explorado. Os baixistas de Black Music, por
exemplo, costumam utilizar bastante esse recurso. Muito bem,
chegou a hora de passarmos alguns exercícios interessantes para
você desenvolver independência rítmica.

Partindo daquela nossa lógica de fazer contagens (1, 2, 3,


4) para achar o tempo de uma música, independência rítmica é
saber escolher tocar no tempo 1, no tempo 2, no tempo 3, etc.

307
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

Essa independência nos dá liberdade para trabalharmos em


qualquer ponto da marcação rítmica, sem depender somente
dos tempos fortes, por exemplo. Os exercícios que veremos a
seguir tem essa finalidade.

Nesses exercícios, aplicados ao violão/guitarra, a mão da


palheta vai marcar o tempo tocando colcheias, enquanto a mão
esquerda vai abafar as cordas, exceto quando for indicado tocar
o acorde. Ou seja, você deve deixar soar o acorde apenas quando
estiver indicado, abafando as cordas com a mão esquerda no
restante do tempo. Se você estiver treinando em outro
instrumento, entenda "abafar as notas" como uma pausa,
deixando soar o acorde somente quando indicado.

O acorde usado aqui nesses exercícios será o Dm7, mas


você pode utilizar qualquer outro que preferir, ou até mesmo
uma única nota.

O compasso utilizado será o 4/4 e todas as figuras serão


colcheias:

Nesse primeiro exercício, você deve tocar somente a


primeira colcheia do compasso. Obs: a contagem dos tempos
pode ser feita da seguinte forma:

308
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

Ex 2: Nesse próximo exercício, você deve tocar somente a


segunda colcheia do primeiro tempo:

Ex 3: Toque agora a primeira colcheia do segundo tempo:

Ex 4: Toque somente a segunda colcheia do segundo tempo:

Ex 5: Toque somente a primeira colcheia do terceiro tempo:

309
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

Ex 6: Toque somente a segunda colcheia do terceiro tempo:

Ex 7: Toque somente a primeira colcheia do quarto tempo:

Ex 8: Toque somente a segunda colcheia do quarto tempo:

310
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

Agora vamos fazer algumas combinações:

Ex 9:

Ex 10:

Ex 11:

Ex 12:

311
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

Ex 13:

Ex 14:

Você pode praticar esses exercícios em várias velocidades


diferentes no metrônomo, começando lentamente e aumentado
aos poucos. Crie também os seus próprios exercícios.

Você também pode trabalhar com outras figuras,


como semicolcheias, por exemplo, aumentando a dificuldade e
criando mais opções de subdivisões.

312
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

Matemática na Música

Decidimos construir esse tópico para mostrar como a


matemática está relacionada com a música. Talvez você não
goste de matemática, mas não se preocupe, tentaremos explicar
cada conceito de maneira simples, para que você perceba que
nossa sensibilidade ao som está ligada à lógica de nosso
cérebro. Isso é muito interessante, então deixe seus preconceitos
de lado. Todo conhecimento é legal quando bem ensinado.

Ok, nos primeiros tópicos aqui do site, nós comentamos que


o som é uma onda e que a frequência do som é o que define
a nota musical. Mas o que é uma frequência? É uma repetição
com referência de tempo. Imagine uma roda de bicicleta
girando. Se essa roda completa uma volta em 1 segundo, dizemos
que a frequência dessa roda é

essa roda do nosso exemplo completasse 10 voltas em 1 segundo,


sua frequência seria 10 Hertz (10 Hz).

Legal, mas o que isso tem a ver com o som? Oras, o som é
uma onda, e essa onda oscila com certa frequência. Se uma onda
sonora completar uma oscilação em 1 segundo, sua frequência
será 1 Hz. Se ela completar 10 oscilações em 1 segundo, sua
frequência será de 10 Hz. Para cada frequência, temos um som
diferente (uma nota diferente). A nota Lá, por exemplo,
corresponde a uma frequência de 440 Hz.

313
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

E onde entra a matemática nessa história? Observou-se que


quando uma frequência é multiplicada por 2, a nota permanece
a mesma. Por exemplo, a nota Lá (440 Hz) multiplicada por 2
= 880 Hz é também uma nota Lá, só que uma oitava acima. Se o
objetivo fosse abaixar uma oitava, bastaria dividir por 2.
Podemos concluir então que uma nota e sua respectiva oitava
mantêm uma relação de ½.

Muito bem, antes de continuarmos, vamos voltar ao


passado, para a Grécia Antiga. Naquela época, existiu um
homem chamado Pitágoras que fez descobertas muito
importantes para a matemática (e para a música). Isso que

com uma corda esticada. Imagine uma corda esticada, presa nas
suas extremidades. Quando tocamos essa corda, ela vibra
(observe o desenho abaixo):

Pitágoras decidiu dividir essa corda em duas partes e tocou


cada extremidade novamente. O som produzido era exatamente
o mesmo, só que mais agudo (pois era a mesma nota uma oitava
acima):

314
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

Pitágoras não parou por aí. Ele decidiu experimentar como


ficaria o som se a corda fosse dividida em 3 partes:

Ele reparou que um novo som surgiu, diferente do anterior.


Dessa vez, não era a mesma nota uma oitava acima, mas uma
nota diferente, que precisava receber outro nome. Esse som,
apesar de ser diferente, combinava bem com o som anterior,
criando uma harmonia agradável ao ouvido, pois essas divisões
até aqui mostradas possuem relações matemáticas 1/2 e 2/3
(nosso cérebro gosta de relações lógicas bem definidas).

Assim, ele continuou fazendo subdivisões e foi combinando


os sons matematicamente criando escalas que, mais tarde,
estimularam a criação de instrumentos musicais que pudessem
reproduzir essas escalas. O intervalo do trítono, por exemplo, foi
obtido a partir da relação 32/45, uma relação complexa e
inexata, fator que leva nosso cérebro a considerar esse som
instável e tenso. Com o passar do tempo, as notas foram
recebendo os nomes que conhecemos hoje.

Muitos povos e culturas criaram suas próprias escalas


musicais. Um exemplo foi o povo chinês, que partiu da
experiência de Pitágoras (utilizando cordas).

Eles tocaram a nota Dó em uma corda esticada e depois


dividiram essa corda em 3 partes, como acabamos de mostrar. O
resultado dessa divisão foi a nota Sol. Ao observar que essas
315
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

notas

316
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

possuíam uma harmonia entre si, eles repetiram o procedimento


a partir dessa nota Sol, dividindo novamente esse pedaço de
corda em 3 partes, resultando na nota Ré. Essa nota matinha
uma harmonia agradável com a nota Sol e também com a nota
Dó. Esse procedimento foi então repetido a partir da nota Ré,
dando origem à nota Lá. Depois, partindo de Lá, chegou-se à
nota Mi.

Quando eles repetiram esse procedimento de dividir em 3


partes a corda mais uma vez, dando origem à nota Si, houve um
problema, pois a nota Si não soava muito bem quando tocada
junto com a nota Dó (a primeira nota do experimento). De fato,
essas notas eram muito próximas uma da outra, o que causava
um certo desconforto sonoro. Por isso, os chineses terminaram
suas divisões obtendo as notas Dó, Sol, Ré, Lá e Mi, deixando a
nota Si de lado. Essas notas serviram de base para a música
chinesa, formando uma escala de 5 notas (Pentatônica).
Essa escala pentatônica, por ser agradável e consonante,
representou muito bem a cultura oriental, que sempre foi
pautada na harmonia e estabilidade.

Desde sua criação até os dias de hoje, a escala pentatônica


representa uma ótima opção para melodias, como já
. Mas vamos voltar
ao assunto de notas e frequências, afinal só mostramos até
agora 5 notas da escala.

A música ocidental, que trabalha com 12 notas, não


descartou a nota Si como a cultura oriental havia feito. Os
ocidentais observaram que as notas Dó e Si eram próximas uma
317
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

da outra e decidiram criar uma escala mais abrangente. Nessa

318
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

escala, todas as notas deveriam ter a mesma distância umas das


outras. E essa distância deveria ser o intervalo que havia entre
Dó e Si (um semitom). Ou seja, entre Dó e Ré, por exemplo,
precisaria existir uma nota intermediária, pois a distância entre
Dó e Ré (um tom) era maior que a distância entre Dó e Si (um
semitom). Por meio da análise de frequências, descobriu-se que
multiplicando a frequência da nota Si pelo número 1,0595
chegava-se na frequência da nota Dó, observe:

Frequência da nota Si: 246,9 Hz


Frequência da nota Dó: 261,6 Hz

Multiplicando a frequência da nota Si por 1,0595 teremos:

246,9 x 1,0595 = 261,6 Hz (nota Dó)

Como nosso objetivo é manter essa mesma relação


(distância) para as demais notas, vamos utilizar esse
procedimento para descobrir qual será a nota que virá depois de
Dó. Multiplicando a frequência da nota Dó por 1,0595:

261,6 x 1,0595 = 277,2 Hz (Nota Dó sustenido)

Repetindo o procedimento para ver o que vem depois de


Dó sustenido:

277,2 x 1,0595 = 293,6 Hz (Nota Ré)

319
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

Observe que seguindo essa lógica, podemos formar toda


a escala cromática! Ou seja, depois de multiplicar a frequência

da raiz . Observe que multiplicada por ela mesma 12


vezes é ( )12 = 2. E já vimos que uma nota multiplicada por 2 é
ela mesma uma oitava acima.

Agora sim podemos ver claramente que esses números não


saíram do acaso. O objetivo desde o início foi dividir uma escala
em 12 partes iguais, de maneira que a última nota voltasse a ser
a primeira. Foi assim que surgiu a escala temperada, também
chamada de cromática.

Não entraremos em maiores detalhes, mas quem sabe um


pouquinho de matemática reparou que nós trabalhamos aqui
com o logaritmo de base 2. Por isso, os construtores dos pianos
colocaram a forma do gráfico de um logaritmo no corpo do
piano, para fazer uma referência a essa descoberta matemática
musical. Observe:
Exemplo de gráfico logarítmico:

320
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

Corpo do piano:

Existem muitas outras explicações matemáticas para


diversas questões da música, mas para mostra-las aqui seria
necessário abordar assuntos mais avançados em matemática,
como séries de Fourier, função Zeta de Riemann, etc. Como
poucos possuem essa base matemática, não iremos nos estender
mais.

Nosso objetivo foi mostrar como a música trabalha


matematicamente e como as relações lógicas são compreendidas
por nosso cérebro, gerando tranquilidade ou tensão.
Obviamente, fizemos tudo aqui utilizando aproximações
(números arredondados), pois uma análise mais apurada seria
tediosa para a maioria dos leitores.

Não é necessário decorar tudo o que ensinamos nesse


tópico, apenas guarde que a música não surgiu do nada, ela é
resultado de uma organização numérica. A interpretação de tudo
isso quem faz é o nosso maravilhoso e misterioso cérebro.

321
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

A conclusão final é que, se você é músico, então você é (de


uma forma ou de outra) matemático, pois as sensações de prazer
que você sente ao ouvir música escondem cálculos subliminares.
Seu cérebro gosta de cálculos, ele é uma máquina de calcular!
Quanto mais você praticar, estudar e conhecer música, mais essa
faculdade vai se desenvolver. Provavelmente você vai começar a
sentir prazer ao ouvir músicas que antes não lhe traziam
grandes sentimentos.

Podemos comparar isso com um aluno de física do 1º


semestre. Se ele ler um livro de física moderna, vai parecer grego
pra ele, não vai lhe trazer prazer algum. Mas alguns anos depois,
quando que ele já tiver alcançado uma base matemática sólida e
se deparar com esse mesmo livro, talvez ele passe a amar esse
assunto e queira dedicar sua vida a isso.

322
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

COMO LER TABLATURA


A escrita por tablatura é muito utilizada nos instrumentos
de corda. E não poderia ser diferente, afinal sua leitura é
bastante simples e prática, como veremos a seguir. Mostraremos
aqui a tablatura para violão/guitarra, pois é essa a escrita
utilizada aqui na apostila. As tablaturas para os demais
instrumentos de corda seguem o mesmo princípio.

A forma de escrita por tablatura consiste em 6 linhas que


representam as 6 cordas soltas do violão/guitarra. A ordem das
cordas na tablatura, de cima para baixo, é a seguinte:

A corda mais grossa e grave (Mi grave) é a de baixo,


enquanto a corda mais fina e aguda (Mi agudo) é a de cima. As
demais cordas seguem a mesma lógica que o instrumento
apresenta.

Em cima de cada corda, coloca-se um número que


representa a casa do violão que deve ser pressionada. Observe
abaixo:

323
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

Nesse exemplo, você deveria pressionar a terceira casa


da corda Lá com a mão esquerda e tocar essa corda com a mão
direita. Quando aparecem outros números em sequência, você
deve tocar uma nota após a outra. Observe:

Nesse caso, você deveria tocar a 5ª casa da corda Ré,


depois a 7ª casa da corda Ré, depois a 5ª casa da corda Sol, e
assim por diante. Obs: o número zero representa a corda solta
(sem pressionar nenhuma casa), por exemplo:

Aqui, a corda Si deveria ser tocada solta. Quando os


números aparecem uns em cima dos outros, significa que eles
devem ser tocados ao mesmo tempo. Veja o exemplo abaixo:

324
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

Nesse caso, você deveria pressionar todas essas casas nas


suas respectivas cordas e tocá-las ao mesmo tempo. Repare que
essa é a forma de representarmos os acordes. Se uma linha
aparece vazia nesse instante, ela não deve ser tocada.

Muito bem, essa é a escrita por tablatura. Viu como é


simples? Na tablatura, além de mostrarmos o que você deve
tocar, também podemos mostrar as técnicas utilizadas para tocar
cada nota. Veja a seguir as técnicas e simbologias mais comuns.

Técnicas representadas na tablatura

Hammer-on

Essa técnica consiste em martelar com a mão esquerda a


corda numa respectiva casa, sem o auxílio da mão direita (quem
toca a nota é a mão esquerda somente). Pode ser representado
pela letra h ao lado do número que mostra a casa a ser tocada,
ou por uma linha que liga uma nota à outra:

325
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

Pull-off

Consiste em deslizar o dedo da mão esquerda para baixo


em uma corda que estava sendo pressionada, com o objetivo de
tocar essa corda sem o auxílio da mão direita. Observe o
exemplo abaixo (a notação é idêntica ao hammer-on):

Nesse caso, o dedo que estava pressionando a 5ª casa da


corda Lá deve deslizar para baixo (vertical) de maneira que saia
o som da 3ª casa. Note que esse dedo da mão esquerda está
assumindo a função que seria da mão direita de tocar a 5ª corda
quando a 3ª casa estivesse sendo pressionada.

O Pull-off também pode ser representado pela letra p. Sua


técnica representa o inverso do Hammer-on. Essas duas técnicas
costumam ser utilizadas em conjunto e são chamadas de
"ligados". Por exemplo:

326
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

Bend

Consiste em levantar ou abaixar uma corda com os dedos


da mão esquerda, com o objetivo de atingir o som das casas à
frente daquela casa que foi pressionada. Quando o Bend alcança
o som de uma casa à frente, chama-se Bend de meio tom.
Quando ele atinge o som de duas casas à frente, chama-se Bend
de um tom, ou Full Bend. Pode-se atingir também tons
superiores. Quando mais se ergue a corda, mais agudo fica o
som, ou seja, mais tons à frente são possíveis de se atingir. Sua
notação é uma flecha que informa quantos tons deve-se atingir:

Nesse exemplo, o Bend deveria ser de meio tom. Quando


se deseja erguer a corda e depois retornar a posição inicial, a
notação fica a seguinte:

Consiste em deslizar o dedo da mão esquerda na


horizontal, indo de uma casa para outra escorregando o dedo
327
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

pelos trastes e casas do instrumento até se chegar ao destino.


Sua notação é uma barra:

Nesse exemplo, você deveria pressionar/tocar a 5ª casa na


3ª corda e depois deslizar o dedo até a 9ª casa dessa corda
(deixando essa corda soar nesse processo todo).

Vibrato

Consiste em vibrar o dedo após pressionar e tocar uma


corda e determinada casa. Essa oscilação é conseguida ao se
"tremer" o dedo, como se você estivesse fazendo muitos bends
bem curtos rapidamente para cima e para baixo. Sua notação é
uma leve onda após a nota a ser pressionada:

Tapping

Consiste em martelar uma corda em determinada casa


utilizando a mão direita em vez da esquerda. É a mesma técnica

328
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

que vimos para os ligados (Hammer-on e Pull-off), só que


executada pela mão direita ao invés da mão esquerda. Quem
difundiu essa técnica foi o guitarrista nos anos
1980. Porém, há registros dessa técnica sendo utilizada muito
antes disso, antes mesmo do nascimento de Van Hallen,
portanto ele não pode ser considerado o "inventor" do Tapping.
O fato é que, após ele, essa técnica acabou sendo amplamente
difundida e incorporada nos solos de milhares de guitarristas,
violonistas e baixistas.

O Tapping é representado pela letra "T", indicando qual


casa e corda deve ser pressionada com essa técnica:

Geralmente, o tapping é utilizado juntamente com


Hammer-ons e Pull-offs na mão esquerda, permitindo um

ambas as mãos, como se estivesse tocando um piano. Por isso,


essa técnica ficou conhecida também como .

Existem outras dezenas técnicas menos comuns que não


são padronizadas. O autor da tablatura deve, nesse caso, indicar

329
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

o significado da notação em algum canto da tablatura para


evitar confusões.

Recomendamos que todo músico aprenda também


partitura, pois a tablatura não informa os tempos e ritmos
associados à música. Portanto, não se limite à tablatura e leia
também nosso artigo que ensina claramente a escrita por
partitura, a menos que você seja um iniciante nos estudos de
música. Nesse caso, recomendamos que você fique um tempo
praticando a tablatura e estudando música por meio dela, até
que se sinta confortável com as notas no braço do seu
instrumento. Dessa forma, quando você for aprender partitura, o
processo será bem mais produtivo e rápido.

330
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

COMO LER PARTITURA

Leitura das notas na partitura..............................322

Pauta e Clave de Sol.............................................322

A Clave de fá.....................................................326

Linhas Suplementares...........................................327

Armadura de Clave...........................................329

Acidentes e Alterações.........................................333

Notação dos dedos para teclado ou piano...........335

Dinâmica.......................................................336

Representação de acordes e arpejos...................338

Dicas para uma leitura fluente.........................339

Leitura dos tempos...............................................340

Compasso..............................................................347

Ponto de aumento................................................352

Ponto de diminuição........................................354

Tercinas............................................................358

331
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

Leitura das notas na partitura

Quem deseja conhecer e entender música provavelmente


sonha em aprender partitura, afinal essa é a escrita musical mais
completa que existe. Além disso, quando um músico confessa
que não sabe partitura, geralmente ele acaba perdendo sua
reputação, e isso é muito inconveniente.

O problema é que aprender partitura por meio de livros é


muito complicado, pois as explicações que aparecem por aí são
difíceis de assimilar. Nosso objetivo aqui é acabar com esse
problema. É possível sim aprender partitura, e não é difícil!
Vamos explicar tudo agora e mostrar o quanto esse
conhecimento vai te acrescentar de benefícios.

As partituras registram ideias harmônicas, rítmicas e


melódicas. Por isso, ao ler esse capítulo, você possivelmente
recordará do momento em que aprendia o alfabeto. Assim como
você decorou o som de cada letra, também precisará decorar a
maneira como cada nota é representada no papel. Ao final, você
estará dominando uma nova linguagem! Vamos começar:

Pauta e Clave de Sol

Pauta é a região onde escrevemos as notas musicais. Essa


região é formada por linhas e espaços. Cada linha e cada espaço
são usados para representar uma nota musical diferente. Na

332
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

figura abaixo, você pode ver a numeração das linhas (1ª, 2ª, 3ª,
4ª e 5ª).

Repare como existem 5 linhas na pauta. É possível também


criarmos mais linhas para alcançarmos outras oitavas (a
primeira nota Dó desse exemplo, bem como a última nota Lá,

Falaremos dessas linhas extras logo em seguida, por enquanto


apenas observe que cada linha e espaço são utilizados para
representar uma nota diferente em sequência.

Os músicos, ao longo da história, escolheram posições


diferentes para as notas nas linhas das pautas. E por isso foram
inventadas as claves, símbolos que serviriam para sinalizar a
nota e a linha de referência que se adotava. A clave mais usada
para violão, piano e voz é a clave de Sol. Ela recebeu esse nome
porque informa que a nota que estiver sobre a segunda linha se
chamará Sol. Note como o próprio desenho da clave começa na
2º linha (indicação em vermelho na figura abaixo). Muito bem,
agora que você já sabe onde está o Sol, poderá registrar todas as
outras notas seguindo a mesma lógica que vimos acima:

333
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

Obs: Você já deve ter percebido que a primeira coisa que


você tem que saber para ler uma partitura é a sequência de
notas, de cor e salteado, de trás para frente e de frente para
trás!

Agora vamos esclarecer qual é a relação desses pontinhos


no papel com o instrumento. Na figura abaixo, estão
representadas as oitavas de um piano comum. Perceba como
cada Dó tem uma posição diferente na pauta, dependendo da
oitava em que se encontra. Utilizaremos um número ao lado da
letra C para dizer em qual oitava ele está:

Obs: Esse Dó central (C4) é o Dó que se localiza bem no


meio do teclado ou piano. Para você se localizar ainda mais,
vamos ampliar a oitava destacada em vermelho (Dó central) e
mostrar a correspondência das notas do instrumento com o
registro na pauta:

334
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

No violão, o Dó central situa-se na terceira casa, quinta corda:

Obs: A partitura para o violão está deslocada de


uma oitava em relação ao piano. Na realidade, o Dó central do
piano corresponde à altura da nota Dó na segunda corda do
violão. Essa definição deslocada foi escolhida para facilitar a
escrita, pois se não fosse assim, a escrita no violão precisaria de
muitas linhas suplementares para representar os acordes mais
simples e comuns. O correto para representar a partitura no

representação está deslocada de uma oitava em relação ao dó


central do piano:

335
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

Mas nem todos os escritores colocam esse símbolo, então


fique atento ao instrumento em questão para se localizar
corretamente.

A Clave de fá

As oitavas mais graves do piano não tem correspondência


na pauta da clave de Sol. É por essa razão que foi criada outra
clave. A clave de Fá segue a mesma lógica da clave de Sol, só que
a localização das notas é um pouco diferente. Aqui, o símbolo é
desenhado a partir da 4º linha e indica que sobre esta linha está
a nota Fá. Sabendo isso, podemos escrever as demais notas:

No piano, a localização das oitavas fica da seguinte forma


nessa clave:

336
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

Repare que na clave de Fá existe o mesmo Dó que você viu


representado na clave de Sol (Dó central). É um ponto de
encontro!

Como essa clave mostra as notas mais graves, no piano ela


representa o que você deve tocar com a mão esquerda,
enquanto a clave de Sol mostra o que você deve tocar com a
mão direita. Por isso, as partituras para piano costumam ter duas
pautas (uma para cada clave) simultâneas, já que podemos tocar
com as duas mãos ao mesmo tempo. No violão, utilizamos
somente a clave de Sol.

Linhas Suplementares

Você já deve ter percebido que essas pobres 5 linhas da


pauta não dão conta de representar toda a extensão de notas
que existem nas oitavas. Por isso, também utilizamos linhas
suplementares. Essas linhas nada mais são do que a continuação
da pauta; elas são usadas para representar notas que
ultrapassam limites inferiores e superiores. Observe o exemplo:

337
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

Quando você enxergar esses pequenos tracinhos, tente


imaginar a figura abaixo. Continue contando as notas da mesma
forma que fazia na pauta: cada espaço ou linha é uma nota
diferente.

Ainda há outro recurso para representarmos notas em

partitura ele aparece assim:

Nessa partitura, o símbolo 8v veio acompanhado da letra

destacado (fá, sol, fá) deve ser tocado uma oitava acima da
posição em que está na pauta. Se a ideia é tocar uma oitava
abaixo, a letra utilizada é 8vb.

Legal, até aqui você foi apresentado a três recursos que


registram as notas e suas oitavas: as claves, as linhas

sobre quando usar um ou outro. Eles são usados a critério do


músico, tendo em vista que produzem efeitos idênticos. Observe
o exemplo abaixo:

338
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

Obs: Apesar de não existirem regras, é sempre conveniente

existe para ajudar os músicos, não para complicar a vida deles.

Armadura de Clave

Armadura de clave é o nome dado aos acidentes


(sustenidos ou bemóis) que são colocados logo depois da clave:

Esses acidentes estão no mesmo lugar das notas que irão


alterar, ou seja, eles alteram todas as notas que estiverem
naquela linha ou espaço. Vamos supor que você recebeu uma
partitura que possui uma armadura de clave com um Si bemol (a
linha que corresponde à nota Si possui um bemol). Isso quer
dizer que você terá que diminuir um semitom de todas as notas

339
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

Circulamos em vermelho as notas Si nas claves de Sol e de

tocando, precisa manter em mente o comando da armadura.

As armaduras de clave também ajudam a revelar


a tonalidade da música. Por exemplo, pense na escala de Sol
maior, ela possui apenas um acidente (Fá #), certo? Logo, uma
partitura que tenha Fá# em sua armadura indica que a música
está em Sol maior. Veja outros exemplos:

Obs: Observe que as tonalidades podem ser menores


também. Nesse caso, em vez de Sol maior, por exemplo,
poderíamos ter Mi menor (sua relativa menor). Isso não se pode
concluir imediatamente apenas olhando para a armadura de
clave; vai depender do contexto.

340
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

Talvez o que acabamos de mostrar não pareça útil se você


não sabe de cor os acidentes de todas as escalas. Bem, vamos
mostrar um macete então para facilitar as coisas: quando temos
uma armadura com sustenidos, não importa quantos sejam,
você vai descobrir a tonalidade olhando apenas para o último
sustenido (obs: a ordem é da esquerda para a direita). No
exemplo abaixo, esse é o último sustenido:

A tonalidade da música será um grau acima do último


sustenido. No exemplo acima, o último sustenido estava na nota
Dó, portanto, a tonalidade é Ré maior. Obs: um grau é a próxima
nota da linha ou espaço.

Se você quer saber a tonalidade relativa menor, basta


pegar um grau abaixo desse último sustenido. No mesmo
exemplo anterior, um grau abaixo de Dó é Si, portanto a
tonalidade é Si menor.

Obs: Caso a nota que você encontrou tenha um acidente


também na armadura de clave, você precisa aplicar esse
acidente à tonalidade. Por exemplo, na armadura abaixo, o
último sustenido está na nota Mi, o que nos leva a concluir que
341
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

342
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

tonalidade é Fá maior. Mas a nota Fá possui um sustenido na


armadura, então a tonalidade é Fá sustenido e não Fá!

Para armaduras com bemóis a regra é ainda mais simples.


O penúltimo bemol vai indicar o tom maior (acompanhado da
alteração bemol) e dois graus abaixo deste tom você encontrará
o tom menor:

Obs: Só há duas exceções para essas regras que


mostramos. A primeira é a armadura com apenas um bemol
(Sib), que indicará a tonalidade de Fá maior ou Ré menor. E a
segunda é a armadura vazia que indicará a tonalidade de Dó
maior ou Lá menor. Essas duas precisarão ser decoradas!

Se você observar bem as armaduras que foram mostradas


até aqui, vai notar que os acidentes estão registrados seguindo
uma lógica: os sustenidos aparecerem de acordo com a
sequência do ciclo de quintas, começando da nota Fá. E os
acidentes bemóis aparecem obedecendo ao ciclo de quartas,

343
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

começando da nota Si. Na prática, saber isso só é relevante para


quem for escrever uma partitura.

Acidentes e Alterações

Além dos acidentes que são a armadura de clave, o


compositor poderá acrescentar outros acidentes ao longo da
partitura. Observe abaixo:

Nesse caso, a aplicação é bem óbvia mesmo, um sustenido


ao lado da nota Dó indica que você deve tocar Dó#. Preste muita

compasso! Logo, se você tem outro Dó no mesmo compasso,


esse também vai ser sustenido (apesar de não estar indicado). Já
o compasso vizinho não sofrerá essa alteração. Grave bem: Os
acidentes só têm poder no compasso em que estão inseridos! A
lógica é a mesma para os bemóis.

Obs: Compasso é o espaço compreendido entre duas barras


verticais | |. Falaremos mais sobre eles quando explicarmos os
tempos na partitura.

344
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

Além de sustenidos e bemóis temos outros acidentes que


eventualmente podem aparecer:

Este é o dobrado bemol. Quando você avistá-lo, em vez de


descer um semitom (bemol) desça dois.

Apesar de não ter nada a ver com o sinal de sustenido esse


é o dobrado sustenido. Ele indica que você deverá subir dois
semitons.

Por último, existe um sinal que anula os acidentes bemol e


bequadro Ele é utilizado de duas
maneiras:

Para anular um acidente dentro de um compasso (destacado em


vermelho):

345
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

Para anular um acidente da armadura:

Obs: Assim como os próprios acidentes, o bequadro só tem


poder dentro de um mesmo compasso.

Notação dos dedos para teclado ou piano

Em muitas partituras, principalmente em partituras


eruditas, podemos observar números pequenos embaixo das
notas. Esses números são sugestões de dedilhados para
tecladistas. Na maioria das vezes, não foram colocados pelos
autores responsáveis pelas obras, e sim pela pessoa que editou e
publicou. São de grande auxílio, principalmente quando a
intenção é buscar rapidez para a execução da peça. Os números
estão organizados da seguinte forma:

346
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

A figura abaixo é um exemplo dessa numeração em uma


partitura para piano:

Dinâmica

As palavras que se referem à dinâmica registram a


intensidade do som (para o caso do piano) ou a sensação que
determinado trecho musical poderá transmitir. Os mais usados
para registrar a intensidade do som são:

Pianíssimo: volume muito baixo, toque muito suave.

Piano: volume baixo, toque suave.

Forte: volume alto, toque pesado.

347
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

Fortíssimo: volume muito alto, toque muito pesado.

Aumento gradativo de volume

Diminuição gradativa de volume

A nota com esse sinal deverá ser tocada


com intensidade forte, bruscamente.

Outros sinais

Alguns outros sinais que poderão aparecer em partituras se


referem a técnicas específicas. Por exemplo, no piano podemos
ter:

Legato: indica que você deverá tocar as notas bem


ligadas, segurando uma até o início da outra. Transmite a
sensação de um som contínuo.

348
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

Trinado: indica que você deve tocar uma repetição


muito rápida entre a nota que está escrita na partitura
e nota localizada um semitom ou um tom acima dela.

Ligadura: une notas idênticas. Na prática, você irá


somar o tempo das notas que a linha está unindo, tocando-as
como se fossem uma só.

Appoggiatura: a nota pequena ao lado é tocada de


m aneira muito rápida, quase junto com a nota
grande. É

Obs: Na guitarra, os símbolos utilizados para as técnicas


são semelhantes aos utilizados na escrita por tablatura, portanto
não iremos repeti-los aqui.

Representação de acordes e arpejos

Nas partituras, os acordes são representados da seguinte


maneira:

349
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

Nesse exemplo, as notas Sol, Si e Ré (se consideradas na


clave de Sol) serão tocadas juntas. Porém, quando o acorde vier
acompanhado desse símbolo:

Você deve tocar uma nota de cada vez, pois esse símbolo
representa o "arpejo". Como a leitura da pauta é feita de baixo
para cima, a primeira nota que você terá que tocar nesse arpejo
é a nota Sol, depois Si e depois Ré. Apesar de não possuírem o
sinal de legato, você deverá tocar essas notas bem unidas.

Dicas para uma leitura fluente

Para finalizar esse estudo da Parte 1, a equipe


Descomplicando a Música gostaria de deixar algumas dicas para
você alcançar a leitura fluente:

1) Decore bem a sequência de notas nos dois sentidos (treine a


escala no sentido ascendente e descendente).

2)
para servir de consulta.

3) Imprima partituras de domínio público, disponíveis na


internet, e nomeie as notas de alguns compassos. Em seguida,
350
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

pode se concentrar em decorar apenas algumas notas específicas


e ir aumentando gradativamente o número de espaços e linhas
decoradas. Cada linha e espaço bem decorado serve como
referência para encontrar as demais notas que ainda não foram
decoradas.

4) Toque no seu instrumento as notas que você nomeou.

5) Procure associar as notas da pauta diretamente ao seu


instrumento, sem precisar nomear primeiro, nas localizações
precisas. Pratique bastante essa parte.

Leitura dos tempos

Agora que já aprendemos a representação das notas na


partitura, chegou a hora de estudarmos os tempos. Como
podemos saber qual o tempo/duração de cada nota ou acorde
numa partitura? Conhecendo as figuras rítmicas! Veja abaixo
quem são elas:

351
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

Legal, mas quanto tempo cada uma dessas figuras dura?


Veremos isso agora. Primeiramente, saiba que nós acabamos de
mostrar as figuras, em ordem, utilizando a seguinte lógica: cada
figura apresentada dura metade do tempo da figura anterior. Ou
seja, a Mínima dura metade do tempo da Semibreve. A
Semínima, por sua vez, dura metade do tempo da Mínima e
assim por diante. Vamos exemplificar: se atribuíssemos valores
quaisquer a essas figuras, dizendo, por exemplo, que a Semínima
vale 1, teríamos o seguinte:

352
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

Figura Duração
Semibreve 4
Mínima 2
Semínima 1
Colcheia 1/2
Semicolcheia 1/4
Fusa 1/8
Semifusa 1/16

Obs: escolhemos aqui o valor 1 para a Semínima apenas


para termos uma referência. Vamos fazer isso ficar mais prático
agora levando para a vida real. Digamos que o valor de uma
Semínima seja de R$ 1,00. Isso significaria que:

A Colcheia vale R$ 0,50


A Mínima vale R$ 2,00
A Semicolcheia vale R$ 0,25
etc.

Esse exemplo foi importante para introduzir a ideia de que


em uma Semínima cabem 2 Colcheias ou 4 Semicolcheias ou 8
Fusas, etc. Observe abaixo:

353
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

Obs: repare que as figuras mais rápidas que a semínima


aparecem ligadas, formando blocos que correspondem a uma
semínima. Por exemplo, duas colcheias, uma ao lado da outra, ,
são ligadas da seguinte forma: .

Nesse diagrama, fica fácil de se observar como as figuras


cabem dentro umas das outras. Repare que cabem 32 Fusas
dentro de uma Semibreve. Portanto, se a Fusa representasse 1
segundo, uma Semibreve representaria 32 segundos.

Legal, esse exemplo serviu para fins didáticos, mas como


sabemos o tempo verdadeiro (em segundos) que cada figura
representa? Como saber se a Semifusa vale 1 segundo, por
exemplo? Existe alguma definição quanto a isso?

Sim, existe. É óbvio que precisamos de uma referência de


tempo para que essas figuras possam ter sentido. Essa referência
quem vai dar é a própria música em questão. Por exemplo,

354
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

digamos que você tenha baixado da internet uma partitura


qualquer. Nessa partitura, vai estar escrito em algum lugar
quanto tempo vale uma determinada figura (geralmente é
informado o valor de uma Semínima) e o tempo das demais
figuras você saberá por dedução.

Esse tempo é dado em bpm (batidas por minuto), ou seja,


se estiver escrito = 120, significa que uma Semínima vale
120

dizer que a duração de cada batida ou nota é tal que cabem 120
dessas dentro de um minuto. Como um minuto possui 60
segundos, isso é o mesmo que diz

batida/nota dura meio segundo nesse caso.

Ok, mas por que não dizemos então que uma Semínima

porque os metrônomos trabalham com bpm. A melhor maneira


de se tirar uma música a partir de sua partitura é ter um
metrônomo ao lado onde você possa programar a duração das
batidas. Nesse exemplo que acabamos de dar, você ajustaria o
metrônomo para 120 bpm e utilizaria esse tempo (ouvindo o
metrônomo) para cada semínima da música dessa partitura. Se
alguma nota aparecesse com a figura de uma colcheia, você
deixaria essa nota soando a metade do tempo de uma semínima.

Por isso é importante treinar o seguinte (com um


metrônomo): Coloque um andamento lento, por exemplo, 30
bpm (uma batida dura dois segundos nesse caso). Comece
355
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

tocando uma nota por tempo, ou seja, toque no seu


instrumento,

356
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

bata palmas, estrale os dedos, bata o pé, enfim, cada vez que o
metrônomo tocar uma batida. Depois, toque duas notas por
tempo, ou seja, bata palmas cada vez que o metrônomo tocar e
também bata palmas no intervalo entre uma batida e outra do
metrônomo. Dessa forma você estará dobrando a velocidade de
suas palmas. Depois, faça o mesmo tocando 4 notas por tempo
(bata palmas 4 vezes cada vez que o metrônomo tocar uma vez).
Repita esse exercício para outros andamentos (40 bpm, 50 bpm,
etc.) e pratique as demais figuras também. Esse é um ótimo
exercício.

Com um pouco de prática, você estará pronto para acertar


a duração de uma determinada figura automaticamente quando
ler uma partitura. Daremos outras dicas de exercícios em
seguida, mas antes disso vamos aprender um pouco mais sobre a
simbologia da partitura.

Nós já vimos que as figuras mais rápidas que a semínima


(como a colcheia, semicolcheia, etc.) aparecem ligadas em blocos
quando há duas ou mais dessas figuras em sequência. Porém,
muitas vezes aparecem em sequência figuras diferentes entre si,
por exemplo: 2 semicolcheias e 1 colcheia. Nesse caso, sabemos
que um bloco completo (que equivale a uma semínima) seria
formado por 4 semicolcheias ou 2 colcheias. Observe:

4 semicolcheias 2 colcheias

357
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

Mas como 2 semicolcheias valem 1 colcheia, um bloco


também pode ser formado por 2 semicolcheias + 1 colcheia. E
como ficaria a representação desse bloco? Observe:

Repare que as duas semicolcheias estão ligadas a uma


colcheia formando um bloco de 3 notas que equivale a uma
semínima.

Muito bem, vamos bagunçar um pouco mais então esse


bloco. Imagine que ainda estamos com 2 semicolcheias e 1
colcheia, mas agora as semicolcheias não estão uma ao lado da
outra. Digamos que a ordem seja: semicolcheia colcheia
semicolcheia ao invés de semicolcheia semicolcheia colcheia.
Nesse caso, a representação ficaria assim:

Repare que a primeira nota está ligada à segunda nota com


metade da simbologia de semicolcheia e metade da simbologia
de colcheia:

Isso significa que a primeira nota deve ser tocada como


semicolcheia e a segunda como colcheia. O raciocínio é o mesmo
para a última nota, que deve ser tocada como semicolcheia:

358
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

Legal, então é assim que representamos os blocos mistos


(com diferentes figuras). Agora que já conhecemos as figuras
rítmicas, a duração de cada uma e as representações para
diferentes combinações dessas figuras, está na hora de aprender
o que é um compasso.

Compasso

Compasso é uma forma de dividir uma música em


intervalos de tempo iguais, com o objetivo de organizar a
estrutura e facilitar a orientação para o leitor. Esse intervalo de
tempo é representado por barras verticais, como no exemplo
abaixo (destacado em laranja):

Nesse exemplo, qual foi a organização utilizada para os


compassos? Foi separar grupos de 4 semínimas. Isso significa
que dentro de cada compasso cabem 4 semínimas. Esse é o
intervalo de tempo definido para cada compasso, sendo que
poderiam existir outras figuras aí no meio, observe:

359
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

Nesse exemplo, preste atenção no segundo compasso. Há


várias figuras (semínimas, colcheias, semicolcheias e fusas) nele,
mas todas elas juntas ocupam o tempo de 4 semínimas,
portanto, ficam dentro do mesmo compasso. O mesmo ocorre
para os compassos 1 e 3, que apresentam outras figuras que
equivalem ao tempo de 4 semínimas.

um compasso só pode
haver figuras de semínima. Essa referência apenas nos diz o
tempo que um compasso envolve, independentemente das
figuras que estão ali.
Legal, mas quem define o tempo/duração de um compasso?
Onde está escrito que cada compasso vai ter a duração de 4
semínimas?

Observe essa fração abaixo, que aparece no início da


partitura que acabamos de analisar:

Essa fração 4/4 foi quem determinou que um compasso


teria 4 semínimas. Vamos descobrir o porquê disso:
O denominador da fração:

360
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

Informa qual a figura que servirá de referência para a


análise. O número 4 se refere à semínima, portanto esta é a
figura de referência. Já o numerador:

Informa quantas figuras cabem em cada compasso.


Observe que o numerador desta fração está dizendo que cabem
4 figuras em um compasso, e o denominador está dizendo que a
figura é a semínima, portanto, a fração 4/4 informa que cabem 4
semínimas em um compasso.

Veja abaixo os números que representam cada figura no


denominador, além da semínima:

1 Semibreve
2 Mínima
4 Semínima
8 Colcheia
16 Semicolcheia
32 Fusa
64 Semifusa

Vamos trabalhar alguns exemplos de frações (tome como


exercícios) para que fique bem claro quantas figuras cabem em
cada compasso:

361
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

4/4 = Cabem 4 semínimas


4/2 = Cabem 4 mínimas
4/8 = Cabem 4 colcheias
2/4 = Cabem 2 semínimas
3/1 = Cabem 3
semibreves 5/32 = Cabem
5 semifusas 7/2 = Cabem
7 mínimas

O tempo definido para o compasso está relacionado com a


pulsação que a música possui. Experimente pegar algumas
partituras, ouvi-las e verificar sua fração de compasso. Você vai
reparar que o compasso está marcando: o ritmo da música, a
forma como os instrumentistas estão dividindo os acordes ou,
simplesmente, o padrão rítmico que a melodia segue.

Alguns estilos musicais geralmente já presumem qual será


o seu tempo. A valsa, por exemplo, possui o tempo 3/4. De um
modo geral, o tempo mais comum de aparecer em partituras,
sem dúvida, é o 4/4. Mas existem inúmeras possibilidades de
tempos, portanto não se limite a tocar somente tempos
Análise Rítmica na apostila
para praticar sua musicalidade em tempos mais complexos. Isso
vai enriquecer sua visão, além de te preparar para repertórios
variados do ponto de vista de ritmo.

Barras e Linhas de Compasso

Existem outras barras que contêm informações

362
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

importantes para a partitura. As mais comuns são:

363
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

Barra final: avisa a você que a música chegou ao fim.

Linha de compasso dupla: marca o começo de outra seção,


outro momento da música. Fique atento porque os tempos e até
mesmo a tonalidade podem mudar.

Marca de repetição: informa que você deve voltar para o trecho


onde houver outra marca igual a essa e repeti-lo mais uma vez.
Se não houver outra marca, volte para o início e repita tudo
até essa marca.

4x) em cima dessa marca de repetição indicando quantas vezes o


trecho deve ser repetido.

Pausas

As pausas são intervalos de tempo em que deve haver


silêncio, ou seja, nenhuma nota deve ser tocada nesse instante.
A lógica dos tempos é exatamente a mesma que vimos para as
figuras rítmicas. Existem pausas de semibreve, mínima,
semínima, etc. Veja abaixo a representação de cada uma delas:

364
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

Ponto de aumento

Ponto de aumento é uma simbologia que faz a figura


rítmica aumentar sua duração pela metade. Ele deve ser
colocado à direita da nota ou pausa. Observe abaixo:

Nesse exemplo, o ponto de aumento foi colocado sobre


uma Mínima, e isso fez a Mínima ter duração de Mínima +
Semínima, pois a Semínima possui metade da duração de uma
Mínima.

365
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

Uma nota pontuada equivale a uma nota ligada a outra


nota de valor igual à metade dela. Observe agora outro exemplo,
dessa vez sobre uma semínima:

Nesse caso, a semínima foi somada a uma colcheia, pois a


colcheia possui metade da duração de uma semínima. Esse
ponto de aumento mostrado até aqui é chamado de simples.
O ponto de aumento duplo é aquele soma metade mais um
quarto do valor da nota. Veja abaixo:

A Mínima, nesse caso, foi somada a uma semínima mais


uma colcheia. Repare que a colcheia é metade do valor da
semínima, portanto representa 1/4 do valor da mínima.

Veja também o exemplo de ponto duplo sobre a semínima,


mantendo o mesmo raciocínio:

Existe ainda o ponto de aumento triplo, que consiste na


nota + 1/2 +1/4 + 1/8 da nota. A ideia é a mesma que viemos
trabalhando até aqui. Observe:

366
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

Ponto de diminuição

O ponto de diminuição, também chamado de Staccato, é


um ponto colocado abaixo ou acima da nota. Sua função é
dividir o valor de uma figura em som e silêncio de mesma
duração. Observe:

Nesse exemplo, o ponto de diminuição foi colocado sobre


uma colcheia. Repare como ele dividiu a figura em uma nota de
semicolcheia e uma pausa de semicolcheia. As duas figuras
somadas totalizam uma colcheia. Observe que a função desse
ponto é reduzir pela metade a duração de uma nota, por isso
ficamos com uma figura pela metade somada a uma pausa.
Veja agora outro exemplo, dessa vez sobre uma semínima:

A ideia permaneceu a mesma, a única diferença desse


exemplo é que o ponto foi colocado acima da nota. Isso não
altera em nada a função do ponto.

Além desse tipo de ponto de diminuição, chamado de


simples, existem também outros 2 tipos de pontos de
diminuição, o alongado e o ligado.

O ponto de diminuição alongado, também chamado de


seco, staccatíssimo ou staccato grande, tem a forma de um
triângulo que aponta para a cabeça da nota. Esse ponto divide a
367
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

nota em 4 partes de mesma duração, onde a primeira parte é


uma nota e as outras 3 partes são silêncios. Observe o exemplo
abaixo:

Note como a Mínima, nesse caso, foi dividida em 4


colcheias, onde a primeira foi uma nota e as 3 últimas foram
silêncios.

O ponto de diminuição ligado, também chamado


de brando, staccato dolce ou meio staccato, é representado por
um ponto e um traço. Sua função é dividir o valor da figura
também em 4 partes, mas aqui as 3 primeiras figuras são sons e
a última é um silêncio. Veja o exemplo abaixo:

Como ler os tempos de uma partitura


na prática

Agora que você já aprendeu os tempos e figuras rítmicas de


uma partitura, vamos mostrar como você pode fazer para ler isso
tudo na prática. Nosso objetivo é levar esse conhecimento para a
vida real, não queremos que você saia daqui sem aperfeiçoar sua
musicalidade. Veja abaixo algumas dicas de como colocar em
prática tudo o que aprendeu.

368
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

Quando você for tocar um trecho de uma música que tem


várias figuras misturadas, por exemplo:

Mentalize primeiro quanto tempo dura uma semínima


utilizando um metrônomo (vai estar escrito na partitura os

esse tempo). Agora, digamos que você queira saber quanto tempo
vai durar aquela nota que está marcada como semicolcheia:

Para acertar esse tempo, divida na sua cabeça essa


semínima da música em 4 partes (bata palmas 4 vezes cada vez
que o metrônomo tocar). O tempo entre uma batida de palmas e
outra vai ser o tempo de duração dessa nota. Para descobrir a
duração dessa colcheia:

Utilize a mesma divisão que você fez antes, mas agora deixe
essa nota durar o intervalo de duas palmas em vez de apenas
uma.

Para ficar mais fácil essa marcação, procure contar de 1 a 4


mentalmente em vez de bater 4 palmas. Por exemplo, você sabe

369
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

em intervalos de tempo constantes e programados. Esse


intervalo de tempo corresponde a uma semínima, nesse caso.
Entre um
e recomeçar essa contagem a

Bip Bip Bip Bip Bip Bip


1,2,3,4|1,2,3,4|1,2,3,4|1,2,3,4|1,2,3,4|1,2,3,4,

O tempo de uma semicolcheia, portanto, vai ser a duração


de sua contagem de 1 até 2 (lembre-se de que o intervalo de
tempo entre um número e outro de sua contagem corresponde a
uma semicolcheia, pois você dividiu uma semínima em 4 partes).

Já o tempo de uma colcheia vai ser a duração de sua


contagem de 1 até 3, pois isso corresponde a duas semicolcheias
(essa é a soma dos intervalos de 1 até 2 + intervalo de 2 até 3).

A duração de uma semínima é a contagem de 1 até 1


novamente, pois uma semínima corresponde a 4 semicolcheias.
Vamos conferir quantos intervalos de semicolcheia temos na
contagem de 1 até 1 novamente:

De 1 até 2
De 2 até 3
De 3 até 4
De 4 até 1

370
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

Podemos ver claramente que há 4 intervalos, totalizando


uma semínima, como queríamos demonstrar.

Esse método ajuda muito nossa contagem mental dos


tempos, pois dividir um tempo em 4 partes é relativamente
simples de se conseguir (desde que o andamento da semínima
não esteja muito rápido). Dessa forma, encontrar o tempo de
todas as notas e pausas da música vai ficar fácil.

O mesmo método pode ser utilizado para se encontrar as


demais figuras, pois basta que mais divisões sejam feitas. Por
exemplo, para encontrarmos uma fusa, bastaria dividir o

pensando de outra forma, bastaria utilizar a metade do tempo


que você utilizaria para a semicolcheia.

Tercinas e Sextinas

Quando, em vez de contarmos até 4, dividimos o tempo


em 3 partes, temos a
chamada tercina. Tocar notas em tercina nada mais é do que
dividir um tempo já conhecido em 3 partes. Por exemplo, se
essas notas abaixo (simbolizadas como colcheias) estivessem
marcadas como tercinas (número 3 em cima das notas):

371
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

Você pensaria o seguinte: o natural seria dividir uma


semínima em 2 partes e cada parte representaria uma colcheia.
Mas como elas estão marcadas como tercinas, eu devo dividir as
semínimas em 3 partes em vez de 2 partes e cada parte vai ser o
tempo de

A mesma lógica se aplica às demais figuras. Por exemplo,


uma semicolcheia em tercina é uma colcheia dividida em 3
partes em vez de 2.

A sextina é a mesma coisa que a tercina, só que você deve


dividir em 6 partes ao invés de 3.

notas por tempo.

Muitas vídeo-aulas na internet trazem professores


o de
solos. A rigor, o professor que está mostrando um solo deveria
dizer, em cada caso, se a tercina é de colcheia, semicolcheia, etc.

entenda que é apenas uma subdivisão em 3 ou 6 partes do


tempo (batidas) que ele está mostrando.
Recomendamos fortemente que você pratique os conceitos
que acabou de aprender sobre partitura utilizando o Guitar Pro,
pois nesse software é possível escrever os tempos na partitura e
ouvi-los. Sem ter uma referência, você não vai saber se está
dividindo corretamente os tempos das figuras rítmicas. A melhor
372
CANAL DO MILO ANDREIO MELHOR DE TECLADO

coisa para praticar é ouvir um metrônomo, escrever algumas


notas com diferentes figuras rítmicas e conferir se você está
tocando-as corretamente com o Guitar Pro ou com outro
software semelhante. Fica a dica!

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