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A igreja hoje está cheia de inovações na área de culto. Em algumas igrejas é
óbvio que o dirigente do louvor está mais preocupado com uma reação da
parte do povo (batendo palmas, levantando mãos, dançando e qualquer
outra coisa!) do que com a integridade do coração dos que ofertam
adoração a Deus.
É triste ver tanto “culto-show” que deseja agradar ou satisfazer às pessoas
em detrimento da vontade de Deus. Nesses “cultos” não há adoradores, há
“artistas” e “plateia”. O que falta em conteúdo nessas reuniões sobra em
assovios, gritos, pulos e aeróbica.
Se queremos agradar ao Senhor por meio do culto somente a Ele devido,
devemos procurar saber, pela Sua Palavra, como Ele deseja ser cultuado.
Adorar é expressar nossa alegria e gratidão na presença de Deus.
Cultuar é valorizar o mais importante. Ninguém é mais digno da nossa
adoração e louvor do que o próprio Deus. Quanto mais O contemplamos,
mais ficamos fascinados com Ele. Quando clamamos da profundeza do
nosso ser: “Tu és digno, Senhor”, chegamos perto do coração da verdadeira
adoração… o coração de Deus.
William Temple escreveu que culto é:
• despertar a consciência pela santidade de Deus;
• alimentar a mente com a verdade de Deus;
• purificar a imaginação pela beleza de Deus;
• dedicar a vontade ao propósito de Deus.
Esta série de dezessete lições é uma tentativa de nos levar a uma verdadeira
adoração – não algo monótono, sem vida – mas algo que surge de uma
apresentação do nosso “corpo por sacrifício vivo, santo e agradável a Deus”. Para
Paulo este é o nosso “culto racional” – uma adoração verdadeira!
John D. Barnett
– Sumário –

1 Que é um culto cristão?


2 O culto no Antigo Testamento
3 O culto no Novo Testamento
4 A teologia do culto
5 A organização do culto
6 Os participantes do culto
7 Os dirigentes do culto
8 A pregação no culto
9 A música no culto
10 A oração no culto
11 A comunhão no culto
12 A evangelização no culto
13 As apresentações no culto
14 O batismo e a ceia no culto
15 Cultos especiais
16 Cultos nos lares - Grupos pequenos
17 O culto doméstico
1
Que é um
culto cristão?
Pr. Luiz César Nunes de Araújo

texto básico 1Coríntios 12.1-11


versículo-chave 1Coríntios 12.6

“E há diversidade nas realizações, mas o mesmo Deus é quem opera tudo em


todos.”

alvo da lição

Ao estudar esta lição, você conhecerá que elementos devem estar presentes em
um genuíno culto cristão.

leia a Bíblia diariamente


seg Sl 103.1-22
ter Sl 119.1-6
qua Lc 11.1-13
qui 1Co 12.1-11
sex 1Co 11.23-32
sáb Hb 10.19-25
dom Ap 7.9-17

“Eu vou ao culto”. Essa é uma expressão muito comum para nós. Significa
ir à igreja e participar da programação. Num sentido genuíno, participar de
um culto significa cantar, orar, ouvir a mensagem bíblica, contribuir e
manter comunhão com os irmãos. No entanto, às vezes, precisamos parar e
pensar no  significado mais profundo do culto cristão. Será que qualquer
programação da igreja pode ser chamada de culto? Existe algum parâmetro
bíblico para que determinada reunião possa ser considerada como um
verdadeiro culto cristão? Precisamos, então, definir que elementos devem
compor uma reunião cristã para que ela possa ser considerada um culto
verdadeiro. Vejamos.
I. A palavra de Deus
A palavra de Deus é o elemento essencial e indispensável ao culto cristão.
Sem ela o culto é apenas uma reunião, um encontro qualquer. Sem a leitura
e a meditação bíblica o nosso culto se esvazia de conteúdo e essência,
assemelha-se a um culto não cristão. A palavra de Deus deve ocupar o lugar
central do culto, pois é por meio dela que Ele nos fala. Todo o culto deve ser
motivado pela palavra de Deus.

1. Ela atribui autoridade à liturgia.


2. Ela ilumina os cânticos.
3. Ela leva-nos a orar.
4. Ela proporciona comunhão.
5. Ela orienta cerimônias (ceia e batismo). De maneira prática podemos
dizer que, quando uma pessoa prepara ou dirige um culto cristão, ela
precisa observar se todas as partes do culto estão afinadas com a palavra
de Deus.
6. Ela é o conteúdo da pregação. Dentre as formas em que a palavra de Deus
é apresentada no culto, a mais importante é a pregação. Para o pregador
do País de Gales, Martyn Lloyd-Jones, a tarefa primordial da igreja e do
ministério cristão é a pregação da palavra de Deus. Essa é a razão pela
qual a pregação bíblica jamais poderá ser substituída por qualquer outro
elemento.

Que prejuízo espiritual tem uma pessoa que vai a um culto evangélico e não
recebe orientação pela palavra de Deus! Algumas dessas reuniões mais
parecem encontros de auto-ajuda ou reuniões de negócios do que um
verdadeiro culto cristão. Só a verdadeira pregação bíblica poderá causar
impacto positivo e efeito duradouro na vida de quem participa do culto. É
bom que prestemos muita atenção ao apóstolo Paulo quando diz que
devemos pregar a palavra (2Tm 4.2).
II. A oração
Como você se sentiria se passasse uma hora em um culto sem que se fizesse
uma só oração? Se na leitura e meditação das Escrituras Deus fala conosco,
na oração nós falamos com Ele. Ela é a nossa resposta ao que o Senhor tem
falado.
Parece que na igreja primitiva era impossível se reunir sem que houvesse
orações (At 4.23-31). A oração sempre teve primazia na liturgia das igrejas
cristãs.

Sobre as formas de oração do cristão, pensamos em dois níveis: a oração


privada e a comunitária.

1. Na oração privada ou solitária, o homem, em seu desejo de aproximar-se


de Deus, só tendo em conta sua própria pessoa, adora e glorifica. Uma só
pessoa ora e o faz por sua própria conta.
2. Na oração comunitária, irmão se junta a irmão. Nela o sujeito é “nós”.
Todos os presentes oram uns pelos outros, além de interceder pelos
ausentes. A intenção da oração com a comunidade não é pelo “eu”, mas
pelo “nós” e por toda a igreja, por todo o corpo de Cristo.

As formas de oração têm sustentação na própria Bíblia. Boa parte do ensino


do Novo Testamento lida diretamente com esse aspecto da adoração e da
devoção cristã 
(Mt 6.5-8; Lc 11.5-13; 18.1-14; 2Co 1.11). Além do relato da oração
particular, há o registro da oração coletiva da igreja, quando a congregação
unida dá expressão vocal ao louvor e súplica (Mt 18.1-20).
A oração tem hoje a mesma importância que em tempos passados. A igreja
se utiliza dela como parte essencial do culto que presta a Deus. A lição nº 10
(A oração no culto) nos ajudará a entender melhor a prática da oração no
culto cristão.

III. O cântico
Outro elemento básico no culto cristão é a adoração, quase sempre prestada
a Deus por meio da música. Não nos esqueçamos de que todo o culto deve
ser em adoração a Deus. Neste ponto trataremos do louvor cantado. A igreja
cristã sempre cantou. A prova disso é a sua rica hinologia.

1. Agradecimento
(Sl 103.1)
Pela música, agradecemos a Deus Seus benefícios. A adoração ao Senhor é
um ato de obediência e de realização cristã. Paulo fala da diversidade de
nossa adoração quando nos ensina a louvar com salmos, hinos e cânticos
espirituais (Ef 5.19). É importante observar esse aspecto do culto.

2. Conteúdo
O conteúdo do que cantamos é tão importante quanto a forma do
canto.  Por conteúdo entende-se a essência do culto, aquela parte que o
homem não vê, mas que agrada profundamente a Deus. É a adoração
sincera, rendida, fruto de uma vida que confessa o nome de Deus no seu dia
a dia (Hb 13.15).

3. Forma de adoração
Devemos tomar cuidado com a forma com que adoramos ao Senhor. Paulo
fala de ordem e decência no culto cristão (1Co 14.40).

IV. A comunhão
Outro objetivo de um grupo de pessoas estar reunido para prestar culto a
Deus é a comunhão. É uma prática que agrada a Deus e favorece os
participantes.

1. O valor do culto coletivo para Deus


Podemos prestar culto a Deus estando sozinhos (Mt 6.5). Grandes
experiências com Deus foram adquiridas num encontro pessoal com Ele. No
entanto, Deus tem muito prazer também no culto coletivo(Sl 133). Paulo
fala da riqueza da diversidade de dons no culto da igreja de Corinto. Diz
ele: “... há diversidade nos serviços, mas o Senhor é o mesmo. E há diversidade nas
realizações, mas o mesmo Deus é quem opera tudo em todos”  (1Co  12.5-6).
Adiante ele escreve que um participante do culto tem a palavra de sabedoria,
outro tem a palavra de conhecimento, outro tem a fé, outro dons de cura,
discernimento (v.8-11). Deus Se agrada da unidade da igreja e da riqueza de
sua liturgia.

2. O valor do culto coletivo para as pessoas


Também devemos nos lembrar de que o culto cristão supre algumas
necessidades sociais e emocionais das pessoas: necessidade de se sentir
apoiado, corrigido e orientado por outros. Quantas pessoas testemunham de
bênçãos que experimentaram ao serem cumprimentadas e abençoadas por
alguém no culto! Como é bom pertencer a uma igreja que se importa
conosco! As igrejas mais aconchegantes têm experimentado um crescimento
extraordinário, principalmente quando lá fora os relacionamentos são frios e
quase sempre movidos por interesses.

V. Os cerimoniais
O culto cristão só reconhece dois cerimoniais: a ceia e o batismo nas águas.
Eles foram praticados por Jesus (Mt 3.13-17; 26.26-29) e ordenados por Ele
(Mt 28.19; 1Co 11.24). Devemos tomar todo o cuidado para não dar o
mesmo valor litúrgico a qualquer outro cerimonial. As únicas duas
cerimônias aceitas e recomendadas são: a ceia e o batismo nas águas.

Conclusão
Existem outros elementos que compõem o culto cristão. No entanto, estes:
a palavra de Deus, a oração, o cântico, comunhão e os cerimoniais, são
essenciais. São elementos que fazem com que o nosso culto seja “bíblico”.
Há teologia na liturgia, por isso não devemos descuidar das partes essenciais
aqui citadas. Não nos esqueçamos do equilíbrio entre as partes. Algumas
igrejas enfatizam a oração, outras o cântico, outras a pregação e algumas
parecem mais um clube do que uma igreja ao priorizarem a comunhão.

aplicação

Somente quando houver equilíbrio nestas partes essenciais é que o culto poderá ser
edificante para aquele que dele participa. O verdadeiro culto cristão tanto agrada a Deus
como edifica a quem o presta, fazendo de cada reunião um momento especial para
glorificar a Deus, assim como para edificar a igreja.

Nas próximas lições, entraremos em mais detalhes sobre os elementos


essenciais num culto verdadeiramente bíblico.
2
O culto no
Antigo Testamento
Pr. Silas Arbolato da Cunha

texto básico Salmo 96.7-9


versículo-chave Romanos 12.1-2

“Portanto, irmãos, pelas misericórdias de Deus, peço que ofereçam o seu corpo
como sacrifício vivo, santo e agradável a Deus. Este é o culto racional de vocês.
E não vivam conforme os padrões deste mundo, mas deixem que Deus os
transforme pela renovação da mente, para que possam experimentar qual é a
boa, agradável e perfeita vontade de Deus.”

alvo da lição

Ao estudar esta lição, você conhecerá os princípios do culto no Antigo


Testamento.

leia a Bíblia diariamente


seg Sl 84.1-12
ter Sl 149.1-9
qua Sl 67.1-7
qui Sl 19.1-14
sex Sl 66.1-20
sáb Sl 96.1-13
dom Sl 100.1-5

O  mundo vive numa constante renovação. O indivíduo busca novos


padrões e entendimento para o que acontece ao seu redor, busca novas
formas de realizar obras e sonhos, obtém outros pontos de vista a respeito
de assuntos e temas já conhecidos. O nosso foco recai sobre a renovação
teológica e litúrgica.

Questionamos quanto das mudanças na teologia e na liturgia do culto vêm


das Escrituras e quanto vêm do desejo das pessoas. Há diversidade quanto à
compreensão de como deve ser o culto prestado a Deus.

A Bíblia, ao descrever o que denominamos de culto, não usou termos


similares aos que se referiam ao culto em outras religiões. Quer no Antigo
Testamento, quer no Novo Testamento, essencialmente, o culto é descrito
como serviço. Em qualquer língua, etimologicamente, liturgia significa “o
trabalho que pessoas realizam”, não pessoas se divertindo, alegrando-se,
fazendo o que acham ser bom. No Antigo Testamento, a adoração era
prescrita e controlada, era litúrgica.

Como posso adorar a Deus segundo os princípios do Antigo Testamento?


Será que o Antigo Testamento oferece direção para uma adoração no culto
contemporâneo?

Vamos estudar cinco épocas nas quais o culto era prestado a Deus, no
Antigo Testamento.

I. Da criação ao êxodo
A recusa do homem em obedecer a Deus incondicionalmente foi a recusa a
uma adoração ao Senhor com base em Sua verdade revelada (Gn 3.1-6).
Podemos entender, pelos textos bíblicos, que o culto ao Senhor era familiar,
centralizado no altar. Ali, Deus e a família se encontravam e havia:

1. sacrifícios de gratidão (Gn 4.1-6; 8.20);


2. sacrifícios de expiação de pecados (Jó 1.5).

A fé possibilitou a Abel ter sua oferta aceita pelo Senhor (Hb 11.4). Caim
não obedeceu às instruções que estão subentendidas em Gênesis 4.7, daí ter
tido sua oferta rejeitada por Deus.
Examinar as intenções e avaliar as ações devem ser exercícios constantes na
vida dos que cultuam a Deus (Sl 66.18; 131.1-3). Deus só aprova o culto
sincero.

II. Do êxodo à monarquia


Este foi o período do tabernáculo, a habitação simbólica de Deus. Embora
portátil, era um palácio.
Todo o tabernáculo e seus utensílios expressavam a pessoa de Deus, Seus
atributos, Sua presença, Seu relacionamento com o povo, e como o povo
respondia a Deus. As prescrições para aproximação e purificação eram
rigorosas e foram dadas pelo próprio Deus a Moisés. Podemos associar
alguns utensílios do tabernáculo com alguns elementos imprescindíveis do
culto.

1. A arca e a mesa dos pães – retratam Deus como Rei, Senhor e


Provedor do Seu povo – a leitura bíblica (especialmente os Salmos), os
hinos e cânticos de louvor.
2. As lâmpadas – a direção de Deus – a pregação da Palavra.
3. O incenso – o local das intercessões pelo povo - as orações.
4. O altar – o lugar do derramamento de sangue – a confissão de pecados.

Notemos ainda a posição do tabernáculo no centro do acampamento 


(Nm 1.52-53; 2.1-2) como referência à centralidade do culto para a nação.
Notemos que cerca de 40 capítulos foram dedicados à descrição,
construção, dedicação e uso. Deus não somente quer nosso culto, mas Ele
diz como quer ser cultuado.
Nem toda adoração agrada a Deus. Há o perigo de trazermos  “fogo
estranho”  diante do altar e do trono do Senhor (Lv 10.1-2). Esse  “fogo
estranho”  consistia em contrariar os mandamentos divinos quanto à
adoração. Não apenas a adoração a falsos deuses é proibida nas Escrituras,
mas também a adoração ao verdadeiro Deus de maneira errada (Ml 1.7-10;
Os 6.4-6; Am 5.21).
III. Da monarquia ao exílio
Foi o período de maiores mudanças e de centralidade do culto. O povo ia
reunido para a adoração ao Senhor. A orientação para o serviço sacerdotal
permanecia válida. As prescrições foram dadas por Deus, por meio de Davi,
a respeito de grupos corais e grupos instrumentais.
O culto em Israel era participativo. Os dias de festa, as procissões e os
sacrifícios exigiam envolvimento do adorador. No AT era um duplo serviço
divino: um dirigido ao Seu povo e outro dirigido às outras nações (Sl 67).
Deus quer ser adorado pelos Seus no serviço que estes prestam ao próximo.
Este foi o motivo pelo qual os profetas criticaram o culto da antiga aliança
(Is 1.11-15): o povo desejava comparecer diante de Deus, receber Dele
todos os benefícios do culto, mas não O servia fazendo o bem ao próximo.
Culto não é ato ritual, mas ato de vida. O ato de culto deve expressar-se em
gestos eficientes, concretos e claros em nossa relação com o próximo. Este é
o serviço do povo a Deus, que em nada precisa de nossos serviços, mas que
por misericordiosa graça nos chama para que sejamos participantes de Sua
obra neste mundo.

IV. No exílio
Desse período em diante, as informações são mais escassas. Todavia,
sabemos que não havia templo, não havia sacrifício, não havia sacerdócio.
Em meio ao caos, à desesperança e ao temor, Deus enviou profetas como
Ezequiel para encorajar Seu povo a se voltar para Ele e cultuá-Lo, pois era o
Deus fiel à aliança.
O grupo de israelitas que se reunia no exílio começou o que depois ficou
conhecido como “sinagoga”.

V. A era pós-exílica
É o período de Esdras e Neemias. O povo de Israel voltou do exílio
babilônico. Houve um retorno à Lei de Deus (Torah), que começou a ser
lida perante o povo. O templo foi restaurado, os sacerdotes voltaram à
atividade, os sacrifícios e as ofertas tornaram a ser feitos.
Conforme o prof. Marcos Alexandre Faria (Faculdade Teológica Batista de
Brasília), estas são algumas influências do exílio babilônico:
1. a figura do rei desaparece;
2. o cativeiro se torna um meio de purificação e ressurgimento da religião
dos judeus;
3. as profecias de Jeremias tiveram grande influência;
4. finda a idolatria (estavam no meio de uma nação extremamente idólatra);
5. acaba a monarquia (fica na esperança do Messias - o descendente de Davi
virá!);
6. o sumo sacerdote, auxiliado pelos escribas, assume a liderança do povo;
7. Esdras, o sacerdote, convida o povo a voltar para a Palavra (Ed 7.10);
8. o povo gira em torno da Lei: viver de acordo com a Lei passa a ser um
estilo de vida;
9. começa o que seria mais tarde a sinagoga - o que se tornou modelo para as
igrejas no NT.
É o início do chamado “Judaísmo”, ou seja, o ambiente social, cultural,
político e religioso do povo hebreu, formado a partir da volta do exílio
babilônico (538 a.C.), e no qual se formou o cristianismo (Dic. Aurélio).
Nesse período, três ênfases básicas são: o sábado, a circuncisão e as leis
alimentares.

VI. Resumo do culto no AT


Encontramos três princípios nessas cinco épocas.

1. Adoração
(Gn 8.20; 35.11, 14; Êx 3.18; 5.1; 2Cr 7.3; Ne 8.6)
O culto era centralizado em Deus, que reivindica e espera isso de Seu povo.
Honramos ao Senhor quando O adoramos pelo que Ele é. Deus não está
limitado a experiências humanas, as quais não podem determinar ou
governar o tipo de liturgia do culto prestado ao Senhor. O Salmo 93 diz que
Ele está revestido de majestade. Deus é glorioso, é sublime, é belo na Sua
santidade. Devemos adorá-Lo no Seu esplendor e na Sua beleza. É com essa
concepção que devemos adorar ao Senhor.
O culto no AT é a resposta da criatura:
a. à glória do Criador revelada (Sl 19). Deus é o Altíssimo (Sl 83.18), o
Deus que vê (Gn 16.13), escudo (Sl 84.11);
b. aos atos salvíficos de Deus (Êx 15; Sl 105);
c. à ação bondosa de seu Criador (Mq 6.8; Is 1.13-17; Lv 10.1-2).

2. Oração e confissão
(Jó 1.5; Lv 16.15-16; 1Cr 16.39-40;2Cr 6.21-31; Ed 9.1-3)
O pecado tinha que ser coberto, a expiação, a propiciação foi feita por
Cristo, em nosso favor. Os sacrifícios do Antigo Testamento apontavam
para aquilo que Cristo iria fazer. No Antigo Testamento, não havia culto
nem adoração sem sacrifícios; não havia culto sem altar. Para nós, não há
culto sem o significado da cruz, não há culto sem Jesus Cristo, o que foi
imolado e que agora reina. Além disso, a adoração devia também incluir
ofertas, e os sacrifícios deviam expressar gratidão, devoção, desejo de
comunhão e meditação, prontidão, e voluntariedade para compartilhar
coisas materiais com os sacerdotes, os levitas, os pobres e as viúvas. Não
havia lugar para a mesquinhez no culto.

3. Instrução
(Gn 4.7; Dt 31.9-13; 2Cr 34.30; Ne 8.8)
Este é o meio pelo qual Deus revela Sua vontade. A pregação não pode ser
relegada aos momentos finais do culto. Ela não é matéria para ser apenas
descrita ou comentada, mas deve ser explicada (Ne 8.3,7-8,12). Deus fala, o
homem se cala, medita e responde. Com a pregação fiel e revestida de
autoridade da Palavra, Deus é honrado e glorificado, os descrentes são
desafiados, os crentes são edificados, e a igreja é fortalecida. A adoração
genuína também deve ser fruto de correto entendimento da lei, justiça e
misericórdia de Deus, reconhecendo-O assim como Ele Se revela nas
Escrituras. Sem a Palavra não há adoração e não importa quão emocionantes
sejam os demais atos do culto.

Conclusão
John H. Armstrong acusa grande parte da adoração moderna de
ser  McAdoração, ou seja, ele a compara a um “lanche popular”, algo
produzido em escala industrial para satisfazer a alguns consumidores.
A perspectiva do AT não vê o culto público como focalizado na esperteza ou
criatividade humana, mas na santidade de Deus.

aplicação

Somos uma geração centralizada no homem, mas a igreja não pode tornar-se
antropocêntrica. A distração e o entretenimento da nossa era tecnológica não podem
tornar-se o centro. Nosso desejo por santidade deve ser maior que nosso desejo por
felicidade. O culto pode e deve, sim, ser agradável às pessoas, mas com base na
instrução bíblica apresentada e não no grau de satisfação pessoal alcançado. Que
possamos dizer: “Não a nós, Senhor, não a nós, mas ao teu nome dá glória” (Sl 115.1).
3
O culto no
Novo Testamento
Pr. Silas Arbolato da Cunha

texto básico Salmo 96.7-9


versículo-chave Romanos 12.1-2

“Portanto, irmãos, pelas misericórdias de Deus, peço que ofereçam o seu corpo
como sacrifício vivo, santo e agradável a Deus. Este é o culto racional de vocês.
E não vivam conforme os padrões deste mundo, mas deixem que Deus os
transforme pela renovação da mente, para que possam experimentar qual é a
boa, agradável e perfeita vontade de Deus.”

alvo da lição

Ao estudar esta lição, você conhecerá os princípios do culto no Antigo


Testamento.

leia a Bíblia diariamente


seg Mt 5.23-26
ter Ef 5.19-21
qua Hb 10.24,25
qui Mt 21.12-17
sex Jo 4.19-26
sáb Is 1.11-15
dom 1Co 14.20-25

Não há limites no que se refere a quão longe algumas igrejas avançarão no


propósito de se tornarem relevantes e modernas em seus cultos. Qual a
verdadeira adoração? Quais os elementos do culto neotestamentário? Culto
é uma questão de forma ou de essência?

A verdadeira adoração sugerida na frase de Jesus à mulher samaritana (Jo


4.23) envolve tanto o intelecto quanto as emoções e salienta sua
centralidade em Deus, não no adorador. Cada aspecto do culto tem de ser
agradável a Deus e estar em harmonia com a Sua Palavra. Embora o critério
adequado para avaliação do culto seja esse, o culto pode também ser
agradável ao adorador.

O que o Novo Testamento tem a nos ensinar?


Assim como no Antigo Testamento, a igreja primitiva continuou olhando
para a adoração como uma atividade diária e constante. Atos 2.46-47 ensina
que culto acontece a todo momento e em todos os lugares, no templo e de
casa em casa.
No Novo Testamento, encontramos as três dimensões do culto: pessoal,
familiar e público. Não é um episódio apenas. Ao terminar a liturgia do
templo, deve começar a liturgia da vida.

I. O culto pessoal
Culto não é ritual, melodia, formas, estética, beleza, palavras, cânticos,
dogmas, símbolos, ofertas ou qualquer outro detalhe que lhe possamos
atribuir. Culto, antes de tudo, é vida em ação. Culto é um ato de resposta à
ação bondosa de Deus, que nos chamou com finalidade bem clara: “Por meio
de Jesus, pois, ofereçamos a Deus, sempre, sacrifício de louvor, que é o fruto de lábios
que confessam o seu nome” (Hb 13.15). Por isso, aquele que se relaciona com
Deus deve lembrar que o culto a Deus é o fruto natural (no sentido de
normal) da comunhão com Jesus Cristo.

A compreensão do cristão, que cultua a Deus e pratica serviços religiosos,


deve estar indissoluvelmente ligada à manutenção de cuidados com os mais
necessitados. Isso faz da vida daqueles que servem a Deus expressão e
reflexo daquilo que é apregoado e vivenciado pelo cultuante. O cultuante
deve fazer para os outros o que crê que Deus faz consigo. Essa é uma
afirmação importante de verdadeiro cristianismo, que acaba atribuindo
expressão e sinceridade às ofertas e demais atos de dedicação. Os atos
cúlticos são expressões de gratidão por tudo o que Deus proporciona,
manifestações de arrependimento pelos atos pecaminosos cometidos,
expressões de fé e fidelidade, além de testemunhos eloquentes da busca da
vontade de Deus. Isto é gerador de progresso, já que provoca a inclusão
daqueles que, outrora excluídos por sua condição, encontram no fiel o
cuidado e a proteção.

Assim acontecia na igreja primitiva.

II. O culto em casa


A igreja neotestamentária estava também assentada sobre os pequenos
grupos. Era a igreja de todos os dias, no templo e nas casas.
A palavra grega oikos (casa) ocorre mais de 10 vezes no NT, algumas delas
referindo-se a um grupo de pessoas usando uma casa para reunir-se
periodicamente.
• At 2.46 A ceia do Senhor era celebrada em cada casa na sua refeição.
• At 5.42 A casa do convertido era usada como local de adoração e ensino,
identificando-o como cristão na comunidade.
• At 20.20 Equilíbrio do programa - ensinando tanto na reunião pública
quanto na familiar.
• Rm 16.3,5 Priscila e Áquila recebiam na casa deles um grupo. A igreja
cristã de Roma era composta desses vários grupos nos lares.
• 1Co 16.19 Quando estavam em Éfeso, Áquila e Priscila também recebiam
a igreja na casa deles. Assim vivia a igreja cristã: durante a semana a
igreja se reunia nas casas e, no dia do Senhor, a reunião ocorria num
só local – o templo.

Veja também Colossenses 4.15 e Filemom 2.

III. O culto no templo


Segundo Atos 20.7, entendemos que o primeiro dia da semana era o dia em
que a igreja apostólica se reunia para partir o pão – celebrar a ordenança da
ceia. Esta ceia era entendida como um ato de comunhão com o Senhor (1Co
10.14-22), era tomada quando toda a congregação se reunia, como um ato
de fraternidade entre os irmãos. 
1Coríntios 11.17-22 mostra o que NÃO se deve fazer em reuniões como
essa.
Ainda na carta aos coríntios, o apóstolo Paulo os instrui a que fizessem suas
ofertas, sistematicamente, no primeiro dia da semana, deixando implícito
que esse era o dia em que eles deveriam se reunir para adoração (1Co 16.2).
Notemos também que as reuniões regulares da igreja primitiva não visavam
a propósitos evangelísticos, e sim primordialmente ao encorajamento mútuo
e à adoração. Por essa razão, o autor de Hebreus escreve: “Cuidemos também
de nos animar uns aos outros no amor e na prática de boas obras. Não deixemos de
nos congregar, como é costume de alguns. Pelo contrário, façamos admoestações, ainda
mais agora que vocês veem que o Dia se aproxima” (Hb 10.24-25).
Por serem reuniões públicas, havia ocasiões em que os incrédulos vinham às 
reuniões dos crentes, mas isso era considerado apenas uma possibilidade
(1Co 14.23). O evangelismo, segundo o texto de Atos 2, era feito no
contexto da vida diária, à medida que os crentes propagavam o evangelho.
Uma característica que não estava presente no culto neotestamentário era o
pragmatismo. Uma decisão pragmática é aquela tomada não pela essência,
mas pelo efeito causado na maioria do povo. No que diz respeito ao culto, a
aplicação desse princípio pode ser desastrosa, pois o juiz passa a ser o grupo
de pessoas e não o Espírito Santo.
O culto público é a semelhança mais próxima que podemos ter do céu,
enquanto estamos aqui na terra.

IV. Elementos do culto neotestamentário

1. Leitura e pregação da Palavra


(Cl 3.16; 2Tm 4.2)
A mensagem deve expor e esclarecer um texto bíblico numa linguagem
contemporânea e para a realidade do mundo de hoje. Segundo Klaus
Douglass, a mensagem tem sete funções:

a. explicar e esclarecer verdades profundas da fé;


b. dar orientações sobre como a maneira de viver e agir como cristãos;
c. edificar a igreja;
d. levar pessoas à fé;
e. fortalecer a fé;
f. consolar e animar os que estão em dificuldades;
g. tirar pessoas da sua inércia.

A esta suficiência das Escrituras no culto cristão os reformadores chamaram


de princípio regulador do culto, que não deve se preocupar com coisas sem
importância.

Na adoração coletiva, a pregação da Palavra é essencial. Em nosso texto-


base lemos que as atividades da igreja do Novo Testamento eram
centralizadas  “na doutrina dos apóstolos e na comunhão, no partir do pão e nas
orações”.

Em seu livro Entre Dois Mundos, John Stott afirmou: “A Palavra e a adoração


pertencem indissoluvelmente uma à outra. Toda a adoração é uma resposta
inteligente e amável à revelação de Deus, porque é a adoração do seu nome.
Portanto, a adoração aceitável é impossível sem a pregação. Pregar é tornar
conhecido o nome de Deus, e adorar é louvar o nome do Senhor sobre o
qual fomos informados. Ao invés de ser uma intrusão alienígena à adoração,
o ler e o pregar a Palavra são realmente indispensáveis à adoração.”

2. Oração
(Ef 5.20; 1Tm 2.8; At 2.42)
As orações podem ser de adoração, invocação, confissão, petição,
agradecimento, intercessão, e devem ser dirigidas a Deus.

3. Hinos e cânticos espirituais


(Cl 3.16; Hb 13.15)
A música pode, às vezes, nos comover pela beleza da melodia, mas esse
sentimento, por si só, não é adoração. A música deve ter verdades bíblicas
contidas em suas linhas para que seja um recurso legítimo e fomente a
verdadeira adoração. A música:

a. expressa nossa relação com Deus(Hb 13.15);


b. deve caracterizar nossa comunhão com os irmãos e contribuir como
veículo de proclamação da verdade de Deus(Ef 5.19; Cl 3.16).

4. Serviço mútuo
(At 2.45; Cl 3.16)
Essencialmente, na Bíblia, culto é serviço, algo que fazemos para outros.
Primeiramente, o culto cristão é um ato divino. Respondemos ao favor de
Deus concedido a nós, Seus filhos. Ele veio ao nosso encontro, chamou-nos,
aceitou-nos, deu-nos o Seu perdão e nos trouxe à Sua presença. À medida
que, corretamente motivados, servimos o nosso próximo, estamos servindo
a Deus.

Conclusão
Nós, que em resposta à ação bondosa de Deus amamos a Cristo e cremos na
suficiência da Sua Palavra, não podemos moldar nossa adoração aos estilos e
preferências de um mundo escravo do pecado e de suas paixões. Nosso
objetivo principal deve ser adorar em espírito e em verdade. Para isto, as
Escrituras precisam regular o nosso culto, a nossa adoração. Tudo em
nossos cultos deve conduzir o adorador a um conhecimento mais profundo
de Deus.

Como afirma Augustus Nicodemos Lopes, “é importante reconhecer... que


o Espírito age principalmente a favor dos interesses de Cristo, visando
glorificá-Lo e exaltá-Lo. Esse princípio aplica-se também ao culto cristão.
Esse princípio litúrgico precisa ser resgatado: o culto é voltado para Deus. É
teocêntrico – e nisso, cristocêntrico, não antropocêntrico. Nada mais deve
ocupar o lugar de Cristo no culto.”

aplicação

“Onde brilha o Sol da Justiça, não há lugar para o brilho de outras estrelas.”
4
A teologia
do culto
Pr. José Humberto de Oliveira

texto básico João 4.19-24


versículo-chave João 4.24

“Deus é espírito; e importa que os seus adoradores o adorem em espírito e em


verdade.”

alvo da lição

Ao estudar esta lição, como adorador, você vai aprender a refletir sobre a
pessoa de Deus. Ao fazer assim, o culto oferecido terá teologia bíblica e
verdadeira.

leia a Bíblia diariamente


seg Sl 50.1-23
ter Is 1.10-17
qua Am 5.21-24
qui Ml 1.6-14
sex Êx 34.1-17
sáb Is 44.9-28
dom Sl 115.1-18

O  que vem à sua mente quando você lê ou ouve a palavra “teologia”?


Certa feita ouvi alguém perguntar: “Será que culto tem que ter teologia?”

Acompanhe esta definição: “Teologia é o estudo que tem por objetivo


perceber, compreender e interpretar a Deus, dentro do caminho indicado
pelo próprio Deus”. Foi Karl Barth quem escreveu esse conceito que, dentre
tantos outros que conhecemos, corresponde ao que precisamos.
E o culto? “Culto é o lugar e o momento do encontro entre Deus e o Seu
povo” 
(J.J. von Allmen). Vamos ajuntar: a teologia do culto estuda como o Ser de
Deus Se relaciona com Seu povo enquanto este O adora.

I. O culto é necessário
A teologia do culto aponta para a necessidade do culto. Por que devemos
cultuar a Deus? Baseados no texto de Allmen, sete fatores mostram por que
o culto é necessário.

1. Foi instituído por Deus e por Ele ordenado


Ao celebrar o culto, a igreja não inventa coisa alguma, ela simplesmente
obedece. Há vários convites feitos pelos salmistas.

a. Salmo 95.1-2 – “Venham, cantemos ao Senhor com júbilo, celebremos o


Rochedo da nossa salvação. Saiamos ao seu encontro com ações de graça, vitoriemo-
lo com salmos.”
b. Salmo 100.4 – “Entrem por suas portas com ações de graças e nos seus átrios,
com hinos de louvor; rendam-lhe graças e bendigam o seu nome.”
c. Salmo 147.1 – “Bom e amável é cantar louvores ao nosso Deus; fica-lhe bem o
cântico de louvor.”
2. Foi confirmado pelo Senhor Jesus Cristo
“Adore o Senhor, seu Deus, e preste culto somente a ele” (Mt 4.10). É suficiente.

3. É uma evidência da salvação e da libertação


A alma salva e liberta quer cantar. A primeira coisa que os israelitas fizeram
após a travessia do mar Vermelho foi cantar (Êx 15). A melhor confirmação
disso são aqueles que, conforme a narrativa dos evangelhos, foram objeto
dos milagres de Cristo: o paralítico 
(Lc 5.25), a mulher enferma(Lc 13.13), o leproso (Lc 17.15), o cego de
Jericó (Lc 18.43). Todos esses louvaram e adoraram a Deus após terem
recebido o toque do Senhor.
4. É um dos meios de evangelização
A maioria das pessoas tem entregado a vida a Jesus em um domingo à noite.
Vale ressaltar que Deus usa não somente a pregação, mas também os
cânticos, os testemunhos, a comunhão para evangelizar as pessoas durante o
culto.

5. É um dos meios de comunhão fraternal


A maioria dos crentes encontra seus irmãos em Cristo no culto. É o
principal evento de uma igreja evangélica e, por isso, torna-se naturalmente
o momento de maior encontro. Como outras lições vão tratar da comunhão
entre irmãos no culto, não é preciso dizer mais aqui.

6. É um dos meios de crescimento espiritual do corpo de Cristo


A palavra de Deus alimenta o povo de Deus e, como em todo processo
alimentar, a nutrição é o objetivo principal. O crescimento vem por meio de
todos os atos do culto.

7. É um dos meios de obedecer aos mandamentos da palavra


de Deus
O culto proporciona o momento e o local ideal para o povo de Deus
obedecer aos mandamentos da Palavra, tais como: louvor, dízimos e ofertas,
intercessão, oração, meditação, estudo da Palavra, evangelização, exercício
dos dons, serviço, ensino, etc.

II. O culto é teocêntrico


As pessoas podem cultuar várias coisas e até pessoas. Mas o crente em Jesus
cultua o Deus Criador. O Senhor é o centro, Ele está no centro. Martinho
Lutero disse: “Ter um Deus é cultuá-Lo”.

1. Que quer dizer a palavra “Deus”?


a. Ideia grega – Nossa palavra em português “Deus” vem do grego theos,
que significa a “divindade suprema”.
b. Ideia hebraica – Deus, em hebraico, é Elohim. A raiz EL, palavra muito
antiga e geral, significando “Deus”, pertence ao dialeto semítico, e seu
significado original é “forte”, “poderoso”. Então, EL é um Ser mais forte e
mais poderoso que o homem.
c. O nome de Deus – YHWH é o nome mais elevado de Deus, o nome
pessoal de Deus, o nome da Aliança (Êx 6.3). Ocorre cerca de 8.820 vezes
no AT; nas versões ARA e NAA traduzido por SENHOR. Segundo a Bíblia,
esse nome se encontra na boca humana pela primeira vez em Gênesis 4.1
e o sentido literal é “Aquele que existe em Si”, ou “Aquele que faz existir”
(Êx 3.14). O conceito principal é o da existência sem uma origem
causadora, o que nos lembra João 5.26.

2. Deus é espírito
(Jo 4.24; 1.18; 1Tm 1.17; 6.16)
Isto é, em Sua substância nada há que seja matéria – é puro espírito. Espírito
é realidade, mas invisível e imaterial. Dizer-se que Deus é espírito é o
mesmo que dizer que Deus, em Sua essência, é incorpóreo e invisível. O fato
de Deus ser espírito não O impede de manifestar-Se em forma visível (Jo
1.32; Hb 1.7; ver Êx 11.27; Hb 11.27).

3. Deus é luz
(1Jo 1.5)
O ensino básico é o de santidade e integridade absoluta (Sl 27.1; 84.11; Is
60.20; Mq 7.8; Ap 22.5; Jo 8.12).

4. Deus é amor
(1Jo 4.7)
Ele é a fonte de todo amor verdadeiro (Dt 7.7-8; Jo 3.16; Rm 5.8).

5. Deus é único
(1Tm 2.5)
Há um só Deus. Essa é a verdade que recebe maior destaque em toda a
Bíblia. E Jesus a confirmou em Marcos 12.29 (Dt 6.4-5; Is 44.6; 45.22; Jo
17.3; 1Co 8.4-6; Ef 4.6).

6. Deus é pessoa
O homem foi feito à imagem e semelhança de Deus (Gn 1.26). O homem
tem personalidade e Quem o criou também tem. Em Gênesis, encontramos
Deus e o homem na mais estreita comunhão. Para que haja comunhão é
essencial haver de ambos os lados personalidade independente. O homem
não pode manter comunhão com mera influência ou força impessoal. A
personalidade é caracterizada por: conhecimento próprio, sentimento,
vontade e inteligência. Deus tem essas características (Êx 3.14; Jr 29.11; Sl
33.5; 115.3). Devemos notar a diferença:o homem tem essas características
em grau finito, Deus as tem em grau infinito.

III. O culto é verdadeiro


Sabemos que várias vezes o Senhor rejeitou e desprezou culto no Antigo
Testamento. O exemplo de Caim é clássico (Gn 4.1-7). Mas há outros
textos que comprovam esta afirmação (Sl 50.9; 51.17-19; Pv 15.8; Is 1.10-
17; Jr 6.20; 14.12; Am 5.21-24; Ml 1.8; Mt 5.21-26; Mc 7.6-7).
Nosso propósito é analisar: João 4.19-22. Nesse encontro de Jesus com a
mulher samaritana, podemos aprender algumas lições preciosas sobre o
verdadeiro adorador.

1. Vida pessoal
(Jo 4.19)
O verdadeiro adorador sabe que sua vida pessoal é conhecida por Deus. A
mulher samaritana teve sua vida conjugal revelada pela onisciência do
Messias (Jo 4.16-18).
Sua surpresa a levou a uma confissão: “Agora eu sei que o senhor é um profeta!”.
Que relação existe entre a vida do adorador e a adoração?

2. Local de adoração
(Jo 4.20-21)
O verdadeiro adorador sabe que o local da adoração pode, muitas vezes, ser
de pouca importância.
Há pessoas que não conseguem conversar sobre religião com outras de
convicções diferentes sem tocar nos pontos em que diferem. Quando um
judeu e um samaritano conversavam sobre religião, um dos principais
pontos em questão entre as duas comunidades tinha de ser ventilado: Que
lugar o Deus de Israel havia escolhido entre Suas tribos para que ali
habitasse o Seu nome? O texto decisivo era Deuteronômio 12.5. O texto,
todavia, não especifica que lugar Deus havia escolhido. Ele precisa ser
descoberto. Judeus e samaritanos tiraram conclusões diferentes. Os judeus o
fixaram em Jerusalém; os samaritanos, no monte Gerizim, que domina
Siquém - para o qual podiam olhar enquanto conversavam no poço.
O tempo da discussão sobre a preferência do monte Gerizim ou Sião havia
terminado. Uma nova ordem estava sendo iniciada, para a qual não é onde
as pessoas adoram a Deus que importa, mas como O adoram.

aplicação

Será que ainda hoje os filhos de Deus discutem sobre o melhor lugar para adoração?
O que dizer dos grupos que se acham “donos” da verdadeira música evangélica no
Brasil?
O que dizer daqueles que pensam deter o único e verdadeiro estilo de louvor que Deus
pode receber?

3. Adoração e conhecimento
(Jo 4.22)
O verdadeiro adorador sabe que a adoração deve ser feita com o
conhecimento que vem somente por meio da salvação em Jesus.
Somente aqueles que passaram pelo verdadeiro processo do novo
nascimento, que tiveram os olhos de seu coração iluminados pelo evangelho
de Jesus Cristo podem produzir uma verdadeira adoração. Às vezes, há tanta
música chamada evangélica, que não apresenta o mínimo do evangelho puro
e autêntico. Até que ponto temos de usar a linguagem do mundo para
alcançar as pessoas? Martyn Lloyd-Jones escreveu: “A glória do Evangelho é
que, quando a Igreja é absolutamente diferente do mundo, ela
invariavelmente o atrai. É então que o mundo se sente inclinado a ouvir a
mensagem, embora talvez no princípio a odeie”.
A influência dos cristãos na sociedade depende da sua diferença e não da
identidade.

4. Adoração em espírito e em verdade


(Jo 4.23-24)
O verdadeiro adorador sabe que o Pai deve ser adorado em espírito e em
verdade.
Fala-se tanto sobre esse versículo! Há tantas músicas baseadas nesse texto!
Mas, afinal, o que ele significa?
Já vimos que Deus é espírito. Não somente um espírito entre outros, mas o
próprio Deus é espírito puro. Por isso, o culto no qual Ele tem prazer é
espiritual. A proibição do segundo mandamento: “Não faça para você imagem
de escultura, nem semelhança alguma do que há em cima no céu, nem embaixo na
terra... Não adore essas coisas, nem preste culto a elas” (Êx 20.4-5), tem a sua razão
de ser na verdadeira natureza de Deus.

a. Adorar a Deus em espírito significa adorá-Lo exatamente como Ele é.


Não apenas excluindo totalmente a ideia de olhar para uma imagem
(ainda que ela seja bonita e de ouro), mas também exaltando os atributos
de Deus, ou seja, falando da Sua autoexistência, autossuficiência,
eternidade, imutabilidade, infinidade, onisciência, onipotência,
onipresença, soberania, sabedoria, bondade, graça, misericórdia,
longanimidade, santidade, justiça, fidelidade, etc.

b. Adorar a Deus em verdade significa ter sinceridade e autenticidade


naquilo que se faz. Uma boa ilustração está em Mateus 15.8: “Este povo me
honra com os lábios, mas o seu coração está longe de mim”. Jesus falou da oferta
que Deus não pode receber (Mt 5.21-26). É bem simples a questão: é
verdade, na minha vida, o que estou cantando, lendo ou fazendo no culto?

Conclusão
Jesus afirmou que o Pai procura adoradores que O adorem em espírito e em
verdade (Jo 4.23). Isso se deve a dois fatores: primeiro, o fato de termos
sido criados para o louvor da glória de Deus; segundo, a própria natureza do
Deus a quem adoramos (“santo, santo, santo”) exige que assim O adoremos.

aplicação

“Se você sair da igreja com sua fé mais forte, a sua esperança mais acesa, o seu amor
mais profundo, a sua compaixão mais ampla, o seu coração mais puro, e a sua vontade
mais firme na vontade de Deus, então você realmente está cultuando.” (Tony Gray)
5
A organização
do culto
Pr. Luiz César Nunes de Araújo

texto básico 1Coríntios 14.26-40


versículo-chave 1Coríntios 14.40

“Tudo, porém, seja feito com decência e ordem.”

alvo da lição

Ao estudar esta lição, você entenderá a necessidade de se fazer o melhor em


qualquer situação, principalmente ao organizar um culto a Deus, seja na igreja
ou em casa.

leia a Bíblia diariamente


seg Sl 100.1-5
ter Rm 12.1-2
qua Rm 12.3-8
qui Rm 12.9-20
sex 2Cr 9.1-6
sáb 1Co 14.26-40
dom 1Tm 4.6-16

Talvez os irmãos se lembrem de algum culto em que alguém se apresenta


para cantar e diz: “Irmãos, não reparem se eu não estou bem preparado para
cantar, estou cantando é para o Senhor”. Será que isso é coerente? O que é
para o Senhor pode ser mal preparado? É claro que não! Também é preciso
que nos preparemos bem quando convidamos irmãos em Cristo e amigos
para um culto a Deus em nosso lar (culto de ação de graças, por exemplo).
I. “Tudo seja feito com decência e ordem”
Sabemos que nosso Deus exige ordem e não suporta confusão (1Co 14.33).
Vejamos isso no Antigo e no Novo Testamentos.

1. Um culto bem preparado no Antigo Testamento


Basta olharmos os detalhes tanto da construção do tabernáculo como do
cerimonial do culto no Antigo Testamento para vermos como Deus aprecia
o culto bem preparado. Davi, por exemplo, era de um zelo sem medida
quanto ao culto ao Senhor. Tudo devia ser muito organizado, com os
sacerdotes distribuídos em todas as funções. Havia ali uma organização
sacerdotal para o serviço do Senhor: os porteiros, os instrumentistas, os
sacrificadores, os assistentes, os cantores, os tesoureiros, etc. (1Cr 25-27).
Também Salomão tinha um cuidado especial com o culto. A rainha de Sabá
se mostrou muito impressionada com a ordem do serviço prestado ao
Senhor (2Cr 9.1-6).

2. Ordem no culto no Novo Testamento


O próprio Senhor Jesus nos convida a servir ao Senhor com todo o nosso
coração, alma, força e entendimento (Lc 10.27). O apóstolo Paulo orienta a
que sejamos muito zelosos com as coisas de Deus (Rm 12.11). Aos
coríntios, o apóstolo fala de decência e da ordem necessária no culto (1Co
14.40).
“Até hoje não consegui descobrir nenhuma contradição entre o culto ser
agradável a Deus e atraente para as pessoas. Será que na Bíblia Deus não nos
é apresentado como um Deus atraente para as pessoas?” (Klaus Douglass)
O culto, então, precisa ser organizado, preparado com muito zelo. Isto não
significa que devemos ser inflexíveis com o programa, mas, no que estiver a
nosso alcance, devemos fazer o melhor para Deus, usando os dons que Ele
nos dá (Ec 9.10). Ao realizar-se um culto no lar, os cuidados são os mesmos.
O formato do culto será diferente, uma vez que o ambiente não é a igreja
(prédio), mas a liturgia, a reverência, a organização precisam ser alvo de
esmero da parte dos organizadores.

II. Dez mandamentos para um culto bem


organizado
Vejamos algumas sugestões sobre oferecermos um culto bem organizado a
Deus, seja na igreja ou no lar. A maioria delas está no livro Celebrando o Amor
de Deus (Editora Evangélica Esperança) de Klaus Douglass.

1. Ambiente
Providencie para que o ambiente do culto esteja em ordem. Os responsáveis
pelo culto devem observar se os lugares para sentar estão confortáveis e
limpos, se a iluminação é suficiente, se a sonorização está adequada e se os
instrumentos estão prontos. Enfim, se tudo está em ordem. Se o culto é no
lar, deve-se lembrar das crianças: providenciar pessoas para ficarem com os
pequenos, a fim de que tenham um tempo adequado para eles.

2. Programação
Prepare o programa do culto com antecedência. Confirme se as músicas,
recepcionistas e conselheiros estão preparados. Se possível, imprima o
programa e distribua a cada participante. Cuide, porém, para que o culto
não se torne previsível e pouco atraente. Nos lares, certamente o ambiente
estará mais descontraído, contudo a mesma orientação descrita para o culto
na igreja é útil. Que nada seja feito de qualquer maneira (Jr 48.10).

3. Liderança
O líder (pastor ou não) deve estar no local um bom tempo antes do culto.
Só assim ele poderá se preparar para os imprevistos, conversar sem correria
sobre os últimos detalhes do culto. O tempo antes e depois do culto são
importantes para que o líder tenha um contato mais próximo com as
pessoas, sejam suas ovelhas ou não (convidados, não cristãos). Jesus nos dá
exemplo da importância de dar atenção às pessoas (Lc 18.35-40).

4. Música
Escolha uma música animada e empolgante para começar o culto. São
diversos os tipos e pessoas que vão a um culto; e cada uma tem uma
necessidade, uma expectativa. Certamente, ninguém vai para se entristecer.
Então, inicie o culto animada, descontraída e atraentemente, demonstrando
a alegria que é ser cristão. A música é excelente instrumento para isso.
Quantos salmos Davi cantou alegrando-se no Senhor! (Sl 40.3; 144.9)

5. Participação dos membros


Permita que várias pessoas participem do programa do culto. As partes do
culto (leitura da Bíblia, louvor, intercessão, avisos) devem ser realizadas por
pessoas diferentes. Isso quebra possível monotonia e permite que dons
sejam exercidos.

6. Tema
Planeje o culto em volta de um tema. Ter um tema explícito facilita a
organização do culto, seja onde for. Assim, todas as ações serão realizadas
visando o mesmo objetivo, favorecendo os adoradores.

7. Avisos
Reduza o número de avisos no culto. Os avisos podem ser expostos em
projetor multimídia após o culto, ou impressos, de acordo com a cultura da
igreja. Destaques, programações especiais podem ser enfatizados e depois
diga estas palavras mágicas: “Todos os outros avisos estão no boletim”. Nos
cultos nos lares, os horários dos serviços na igreja devem ser dados para
informar aos amigos visitantes. Muitas pessoas chegam à igreja após terem
ido a um culto no lar de um amigo ou parente.

8. Ofertas
Cuidado com as ofertas no culto realizado na igreja. Klaus Douglass orienta
que devemos ser muito discretos nessa questão. Conquanto ofertar também
seja culto (2Co 9.7), devemos cuidar para que o momento não seja
constrangedor para convidados e visitantes.

9. Encerrando o culto
Incentive cada pessoa a procurar alguém que não conhece ainda e o
cumprimente, estabeleça contato, converse. Os cristãos devem mostrar
receptividade aos visitantes e não crentes (estejam reunidos onde estiverem:
na igreja ou nos lares).

10. Recepção
Todos devem sentir que foram bem recebidos. Os crentes devem estar
preparados para lidar com os visitantes e desconhecidos. É papel da igreja
instruir seus membros sobre a maneira de agir nesses momentos. Assim, se
comportarão naturalmente, seja em culto na igreja ou no lar, atraindo outros
a Cristo (At 2.47). Proporcione uma oportunidade antes, durante ou após o
culto, para que as pessoas que quiserem deem um abraço fraternal no
próximo. Seja sensível e deixe isso à vontade dos presentes, já que pode
haver aqueles que se sintam constrangidos.

Conclusão
Nosso Senhor é perfeito, e tudo que fazemos para Ele deve buscar a
perfeição 
(Ef 5.1). O culto a Deus tem de agradar a Ele, primeiramente. É um
momento também de apresentarmos aos ainda não alcançados a alegria que
é ter Jesus como Senhor de nossa vida. O culto é para Deus, mas, por meio
dele, muitas almas podem ser sensibilizadas à voz do Espírito Santo.

aplicação

Que nossos cultos sejam reverentes, realizados com ordem e decência, mas que sejam
alegres, atraentes, revelando o verdadeiro espírito cristão!
6
Os participantes do culto
Pr. João Batista Cavalcante

texto básico Hebreus 10.19-25


versículo-chave Hebreus 10.22

“Aproximemo-nos, com um coração sincero, em plena certeza de fé, tendo o


coração purificado de má consciência e o corpo lavado com água pura.”

alvo da lição

Ao estudar esta lição, você, como adorador, refletirá sobre sua identidade e será
encorajado a uma atitude de humildade, reverência e gratidão diante do
privilégio que o culto cristão representa para ele.

leia a Bíblia diariamente


seg Mt 5.23-24
ter Is 1.10-17
qua 1Jo 3.11-15
qui Jo 15.14-15
sex 1Co 13.1-3
sáb Ef 2.8-10
dom Rm 12.1-3

Sendo seres humanos e religiosos, somos marcados pela necessidade de


adorar, pela propensão a tal prática e pela capacidade natural de pensar
sobre o que fazemos. Como adoradores, estamos inevitavelmente adotando
alguma forma de culto, pensada ou não, consciente ou não. Se a maneira que
adotamos corresponde aos anseios do Deus a quem adoramos, então o que
fazemos Lhe é aceitável, e tudo está bem. Mesmo assim, há uma enorme
distância entre a adoção de uma forma de culto com consciência,
maturidade e responsabilidade, e algo que acontece apenas “por acaso”,
porque “aconteceu de ser assim... da maneira correta”. Do outro lado, se o
que fazemos não é aceitável a Deus, então estamos envolvidos numa enorme
perda de tempo, esforço e energia, enganados e sendo desagradáveis a Deus.
Na lição de hoje, vamos estudar os participantes do culto. Desejamos refletir
sobre quem são eles, o que devem saber e como devem se portar ao se
apresentarem perante o Senhor, para se tornar parte de um evento a que
chamamos de culto.

I. Os participantes do culto são humanos


Sabemos bem que toda a criação adora o Senhor. A Bíblia diz que os montes
batem palmas, os animais e as aves do campo celebram a Deus (Sl 19.1). Se
entendermos adoração e louvor como toda a forma de exaltação e
proclamação da grandeza de Deus, então toda a manifestação da criação
grandiosa de nosso Deus está, naturalmente, testemunhando Suas
qualidades maravilhosas. Do outro lado, entendendo que o culto é também
um evento, então o culto é uma atividade de humanos. Na verdade, toda a
criação adora, mas só os humanos podem pensar sobre sua ação de adorar, e
também mudar formas, criar métodos e estilos e usar diferentes conteúdos,
já que essa é uma das marcas que nos distinguem dos demais seres criados.
Muito pode ser dito a respeito do participante do culto. Vamos destacar dois
elementos importantes que ajudam a entender o tipo de pessoas que
participam do culto.

1. Pessoas com história de vida


Devemos entender que todos somos seres históricos: pessoas com passado,
presente e futuro. Os que cultuam são crianças, adolescentes, jovens,
adultos. Veja a pergunta de Jesus a respeito dos meninos que estavam
cantando: “Hosana ao Filho de Davi!”: “Vocês nunca leram: ‘Da boca de pequeninos
e crianças de peito tiraste o perfeito louvor’?” 

(Mt 21.15-16; citação de Sl 8.2). Todos acumulamos experiências da vida


que, combinadas com nossas características, formam o nosso histórico de
vida. Trazemos para o culto nosso passado com alegrias e frustrações.
Também trazemos para o culto a realidade atual – tudo que ocupa nossa
mente no dia a dia da vida. Isso inclui pensar sobre quem somos, quais são
nossas ocupações, quais e como são nossos relacionamentos e os papéis que
exercemos na vida. Trazemos ainda para o culto expectativas acerca do
futuro, inclusive sonhos, planos, ansiedades e perspectivas.

2. Pessoas com as marcas de sua natureza essencial


Nós, os participantes do culto, somos seres humanos à imagem e
semelhança de Deus, nosso Senhor. Fomos afetados diretamente pela queda
da humanidade e tornamo-nos objeto do amor de nosso Senhor, que deu o
Seu Filho para possibilitar a salvação (Gn 3; Jo 3.16). Sempre que nos
reunimos para cultuar, devemos estar conscientes de que está sendo
formada uma reunião de pecadores. Por essa razão somos orientados a “tirar
as sandálias dos pés”  (Êx  3.5), oramos“em nome de Jesus”  (Cl 3.17), e
dependemos da mediação do Espírito Santo de Deus até mesmo para orar,
pois “não sabemos orar como convém”. O culto deve ser feito em humildade,
temor e tremor, pois trata-se de pecadores que entram com ousadia perante
o Senhor, mediante o caminho aberto pela morte de Cristo (Hb 10.19).

II. Os participantes do culto são coerentes


Sabemos que há pessoas que ainda não nasceram de novo e participam do
culto. Geralmente entendemos que essas pessoas testemunham e
reconhecem os feitos extraordinários de Deus, da mesma forma como a
natureza (montes, rios, plantas e animais) faz coro com as evidências da
grandeza de Deus. Temos o clássico caso de Nicodemos, que era doutor na
lei, mas precisava nascer de novo (Jo 3.3). Há, ainda, aquilo que chamamos
de “graça comum”, e nesse sentido toda a humanidade é alcançada pela
presença do Deus (Is 6.3). Há diversos exemplos no Antigo e no Novo
Testamento que nos apresentam “gentios” envolvidos no culto. Basta que
nos lembremos dos ajuntamentos em que o Senhor Jesus ensinava e fazia
milagres, ou dos ajuntamentos da igreja primitiva, para que nos demos conta
desse fato (1Pe 2.12).
Sabemos, com certeza, que outra importante marca do culto que agrada ao
Senhor é a coerência entre a maneira como vivemos diariamente e nossa
manifestação na adoração. O culto é reflexo de nossa crença e de nosso
compromisso com Deus. Hebreus 10.22 claramente inclui uma ordem em
que somos convidados ao culto como resultado de termos  “o coração
purificado de má consciência, e o corpo lavado com água pura”.
Há diversos exemplos e textos bíblicos que tratam dessa questão. Veja, por
exemplo, a maneira como Deus rejeita o culto de Caim (Gn 4.5), e o ensino
de 1 João 3.11-15 acerca da maneira como devemos amar nossos irmãos
antes de expressarmos culto 
(Mt 5.23-24). O Salmo 51é também excelente exemplo de como acertar
com Deus nossa vida antes de oferecermos a Ele o culto em forma de
sacrifício. O Antigo Testamento, especialmente nos ensinos dos Profetas, é
repleto de sérias advertências contra a incoerência de um povo que prestava
culto sem vida íntegra que pudesse agradar a Deus (Is 1.10-17).Um sério
perigo para o qual fomos alertados pelo próprio Senhor Jesus é o de
adorarmos ao Senhor com os lábios, mas tendo o coração longe de Deus
(ver Is 29.13 e Mc 7.6-7).

III. Os participantes de um culto são parte de um


grupo
Somos parte de uma comunidade que adora. O culto é exercício
congregacional 
(Hb 10.24-25). Cantamos, oramos, ouvimos a pregação da palavra de Deus.
Sendo pessoas que adoram em comunidade, podemos facilmente ser
guiados de forma errada, conduzidos para um caminho que não é o do
verdadeiro adorador. Nesse caso, podemos ser cúmplices de um projeto
desastroso e inútil. Corremos ainda o risco de ser manipulados por alguém
que deveria servir ao Senhor no trabalho de conduzir em adoração.
Como evento que ocorre em grupo, o culto é oportunidade para edificação
mútua, momento de fazer algo em comum. Embora possamos orar no
interior de nosso quarto (Mt 6.6), quando falamos em culto na igreja,
estamos falando em ajuntamento de pelo menos duas ou três pessoas
concordando em oração (Mt 18.20).
Além dos diversos exemplos do Antigo Testamento que demonstram o valor
de estarmos “unidos e reunidos” para o culto (basta lembrar as festas
planejadas pelo Senhor para reunir o Seu povo – Lv 23.1 e seguintes),
devemos ressaltar que diversas das funções básicas da igreja foram
planejadas para ocorrer em culto coletivo. Reunimo-nos para celebrar o
Senhor, para interceder pelo povo de Deus (especialmente pelos que
sofrem), para disciplinar os que se desviam da vida cristã adequada, para a
celebração da ceia do Senhor, para o ensino e assim por diante (At 6.1-4; 
12.11-12; 15.6, 22). A igreja primitiva perseverava unânime (At 2.42-47).
Enquanto individualmente representamos partes isoladas do corpo de
Cristo que atuam em conformidade com os seus talentos e dons, é na
expressão de grupo que mais de perto expressamos o ministério de
edificação mútua.
Vale a pena dar uma olhada em 1Coríntios 12. Não há justificativa para a
atitude de alguns irmãos que abandonam a sua congregação (Hb  10.25) e
passam a “assistir culto” pela televisão, ou passear pelas igrejas e pelos
eventos religiosos. O ensinamento bíblico claro é que devemos ter
compromisso com uma congregação, e junto com a igreja prestarmos culto
ao Senhor.

Conclusão
Finalmente, os participantes do culto são pessoas que aguardam o dia
especial da vinda de Cristo (Hb 10.25) e anseiam participar nos céus da
mais perfeita expressão de culto que se pode imaginar (Ap 5.6-14). Aqui
vemos a participação em um grande culto com “milhões de milhões e milhares de
milhares” – “toda criatura que há no céu e sobre a terra, debaixo da terra e sobre o
mar... dizendo: ‘Àquele que está sentado no trono e ao Cordeiro sejam o louvor, a
honra, a glória e o domínio para todo o sempre’... Também os anciãos se prostraram e
adoraram”(Ap 5.11-14). Além disso, a adoração verdadeira inclui
integralmente a pessoa do adorador. Essa inclusão significa que a mente
(inteligência, razão), os sentimentos (emoções) e ação (força) tomam parte
do culto cristão.
Não há justificativa para o fato de alguém separar o culto como se fossem
duas ou três igrejas cultuando separadamente (ver Ef 2.11-22; 4.1-6).

Toda a nossa expressão de culto deve tomar dois cuidados especiais:


primeiro, o de jamais dividir o corpo que presta culto a Deus (cultuamos
como igreja, corpo de Cristo); o segundo é o de jamais dividir o culto que o
corpo de Cristo presta ao Senhor.
7
Os dirigentes
do culto
Pr. João Batista Cavalcante

texto básico 1Coríntios 14.26-33


versículo-chave 1Coríntios 14.40

“(no culto) Tudo... seja feito com decência e ordem.”

alvo da lição

Ao estudar esta lição, você será alertado para a importância do papel dos
dirigentes do culto, orientando esses irmãos e irmãs para que exerçam sua
função com conhecimento e zelo.

leia a Bíblia diariamente


seg 1Co 14.1-8
ter 1Co 14.19-25
qua Hb 9.23-28
qui Hb 10.19-25
sex Ef 4.1-6
sáb Ef 4.7-16
dom Ef 2.11-22

O culto coletivo, quase inevitavelmente, pressupõe dirigente e dirigidos.


Alguém precisa organizar o culto, suas partes e atividades, para que outros
possam seguir o que é proposto. O modelo dos sacerdotes no Antigo
Testamento foi seguido pelo trabalho dos levitas, com destaque para Asafe,
o líder de louvor nos tempos do rei Davi. Os salmistas não apenas buscavam
pessoalmente o Senhor como, muitas vezes, também lideravam o povo para
o louvor que deve ser dado ao Senhor, inclusive com salmos responsivos,
cânticos de procissão para a Casa do Senhor, convite ao arrependimento e
retorno ao Senhor. A liderança evangélica apresentada no Novo Testamento
é essencialmente um convite à adoração e ao culto que é devido ao nome do
Senhor. Essa foi a prioridade assumida pelos apóstolos quando viram o
crescimento da igreja (At 7).
Como líderes cristãos, somos muitas vezes revestidos da autoridade e da
função de conduzir o povo perante o Senhor. Que grande responsabilidade!
Para onde estamos conduzindo o povo? Como estamos fazendo isso?
Devemos entender sempre a seriedade do trabalho daqueles que assumem a
tarefa de ir à frente, dar exemplo, orientar o assunto, definir a forma, e
convidar outros a irem para onde eles mesmos estão indo: a presença do
Senhor, a quem adoramos!
Há alguns fundamentos que devem ser refletidos por todos nós que
compomos a igreja do Senhor, e especialmente por todos aqueles que
conduzem o povo em culto ao Senhor.

I. Alguém que cultua


Há princípios básicos para aqueles que vão dirigir o povo num culto
verdadeiramente bíblico.

1. Para onde olhamos quando dirigimos o culto


O primeiro fundamento neste estudo diz respeito à direção (rumo) que
olhamos quando dirigimos o culto. Há igrejas em que o dirigente do culto se
vira para o altar, da mesma maneira como as outras pessoas, quando se
dirigem a Deus em oração ou louvor. Talvez seja um exagero porque eles
creem que Deus está concretamente no altar (assim como também estaria
no pão e no vinho). Nós entendemos que não há necessidade de uma visão
tão literal e concreta do que significa a presença de Deus. Do outro lado, há
grande perigo de engano quando dirigimos o culto olhando para o povo.
Além do risco de nos esquecermos de que estamos perante o Senhor, ainda
“atuamos” como se estivéssemos nos apresentando (dando um espetáculo)
para a congregação.

2. O dirigente do culto é uma pessoa que adora


Precisamos saber que a primeira qualidade fundamental do dirigente do
culto é que seja ele mesmo uma pessoa que adora. O sacerdote, no tempo do
Antigo Testamento, primeiro sacrificava pelos seus próprios pecados, para
só então sacrificar pelos pecados do povo (Lv 16.11). Deve estar consciente
da presença do Senhor, reverenciá-Lo e servi-Lo, dando sempre a glória
devida ao único que merece culto: nosso Deus e Senhor. Ainda que não
precisemos dar as costas para o povo (pois estamos nos comunicando com
esse povo), carecemos de lucidez para perceber com segurança a presença
bendita do Senhor. Somos os primeiros a “tirar as sandálias dos pés” (Êx 3.5),
os primeiros a perceber a dimensão do ato de aproximar-nos perante o
Santo dos Santos  “pelo novo e vivo caminho”  (Hb 10.20) que nos foi aberto
mediante a morte de Jesus Cristo.

3. O dirigente não é o objeto do culto


Fique bem claro: não somos o objeto do culto, estrelas de
um show  “evangélico” (o Senhor nos livre de tamanha abominação!). Não
somos também “animadores de 
auditório” esforçando-nos para agradar ao povo consumista e exigente deste
século. Somos “povo do povo”, crentes com os crentes, que comparecem
diante de Deus para cultuar o nome do Senhor e honrar a Sua glória.

II. Alguém que lidera


Outro fundamento importante diz respeito ao fato de que nos tornamos
uma referência para as pessoas que cultuam: somos os líderes. Pesa sobre o
dirigente do culto o fato de que há uma autoridade investida. As pessoas
acreditam que o dirigente é um “ministro de Deus”(At 26.16; 1Co 11.23). Elas
creem que o dirigente conhece os caminhos do Reino, e que, caminhando
sob a liderança dele, certamente estarão caminhando para o lugar certo e da
maneira certa perante o Senhor. As pessoas cantam o que o dirigente
escolhe para se cantar, posicionam-se como lhes é sugerido que fiquem,
dizem “amém” à oração que o dirigente profere. Elas creem que atendendo à
mensagem que é pregada estarão agradando a Deus. Raramente têm espaço
(ou preparo) para questionar o conteúdo, a forma, ou qualquer detalhe do
culto. Em muitas ocasiões, “usamos” um irmão jovem, ou mesmo um
adolescente (em alguns casos um recém-convertido), que vai à frente e
conduz o povo em culto, e dá “lições de moral”, exorta o povo, manda
levantar, assentar-se, falar ou deixar de falar – tudo com a autoridade
delegada pelo pastor, pelo “ministro de louvor” ou pela congregação da
igreja.
O trabalho principal do dirigente do culto é captar os sentimentos e os
desejos das pessoas que compõem a igreja, e ajudá-las a se expressarem de
forma adequada perante o Senhor. Ele é uma pessoa que vai à frente
(literalmente, um ancião) e leva outros consigo (Hb 13.7, 17). Sua oração
não é individual, mas coletiva. Não usa a oportunidade à frente do povo para
se perceber um privilegiado e imprimir seus gostos pessoais, seus pedidos
individuais e suas angústias, mas se coloca em posição de interpretar o povo
perante o Senhor e trazer ao povo a Palavra desse mesmo Senhor 
(1Co 14.3). Além de conhecer profundamente o povo a quem lidera, o
dirigente do culto deve ter autoridade espiritual, transparência e fidelidade
para representá-lo perante Deus. Nesse sentido, todo o trabalho de direção
de culto é sacerdotal e deve ser exercido com temor e tremor perante Deus.

III. Alguém que ministra


Um terceiro e importante fundamento neste estudo sobre a pessoa do
dirigente do culto é lembrar-se de que ele é um servo – uma pessoa que
ministra.
Conforme o Dr. Shedd, em seu importante livro Adoração Bíblica, a adoração
da igreja cumprirá seu objetivo se seguir os seguintes princípios:

1. O louvor “vocaliza” a dignidade, a beleza da pessoa de Deus e a perfeição


do Seu caráter. Deve, ainda, convidar todo homem a atribuir glória ao Pai
maravilhoso (Sl 46.10).

2. A confissão do pecado que cometemos externa o reconhecimento da


nossa indignidade e declara nosso arrependimento pela rebelião contra a
expressa vontade de Deus... e confia no Seu imediato e imerecido perdão
(1Jo 1.9).

3. Nossa oração procura assimilar os pensamentos de Deus; expressa


petições de acordo com Seus conhecidos desejos.
Amor genuíno funde os desejos dos que buscam o Reino e a vontade única
de Deus.

4. A mensagem, ouvida ou lida, suscita pensamentos de gratidão e


encorajamento. Serão veículos de transformação de inimigos em amigos
que a Ele buscarão agradar (Jo 15.14-15).

5. A música atrai o coração para a beleza de Deus revelada na criação, na


redenção e na regeneração, refletindo assim a harmonia do universo por
Ele criado.

Conclusão
Seria difícil imaginar uma tarefa mais grandiosa e honrosa do que aquela que
é confiada aos dirigentes do culto. Do ponto de vista da igreja, trata-se de
uma enorme confiança depositada na pessoa que a lidera perante o Senhor.
É a igreja quem concede autoridade ao crente, num ato de confiança naquilo
que vai falar ou fazer. Do ponto de vista do dirigente, trata-se de uma tarefa
extremamente solene de comparecer diante do Senhor, com temor e tremor,
desejando agradar e honrar a Deus.

aplicação

Os dirigentes do culto e todos os membros da igreja devem investir tempo, oração e


preparo para que ofereçam o melhor de seu trabalho para louvar e honrar o Senhor.
Quanto mais adequada for a visão que temos acerca de quem é o nosso Deus, e
quanto mais conscientes formos da honra conferida aos que se aproximam do santuário
de Deus para culto, melhor será nossa compreensão do investimento emocional e
espiritual de nossa vida nesse ministério de direção do culto. Ao Senhor, honra, glória e
louvor!
8
A pregação no culto
Pr. Jessé Ferreira Bispo

texto básico Neemias 8.1-9


versículo-chave Tiago 1.22

“Sejam praticantes da palavra e não somente ouvintes, enganando a vocês


mesmos.”

alvo da lição

Ao estudar esta lição, você vai se conscientizar do valor da pregação e se


sentirá motivado a assumir algumas responsabilidades no culto a Deus.

leia a Bíblia diariamente


seg At 2.14-41
ter At 20.7-12
qua Ne 8.1-9
qui Tg 1.22-25
sex Is 6.8
sáb At 22.1-21
dom At 7.1-53

Estudaremos nesta lição o valor que a pregação da palavra de Deus tem


para Seu povo. Tanto na história do povo judeu, como na da igreja, ela é
considerada uma parte particular no culto a Deus.
Deus fala ao Seu povo por meio dela. Um bom exemplo é o de Spurgeon,
um dos mais importantes pregadores da igreja. Ele foi alcançado para Cristo
no culto de uma pequena igreja, pela pregação de um simples sapateiro.
Nestes dois milênios de existência da igreja, fica evidente a importância do
papel da pregação para que o evangelho chegasse até nós. Ela sempre foi
parte dominante do culto. Há registros de que em muitas ocasiões o culto a
Deus se restringia a alguns cânticos, orações e a pregação, sendo o último
elemento dominante.
Sem dúvida a pregação é um grande instrumento para Deus falar com o
homem. Como é maravilhoso observar que Ele usa homens imperfeitos,
pecadores e com muitas falhas, para transmitir Sua Palavra perfeita e
infalível!
Não podemos ignorar o poder do Espírito Santo por trás de todo pregador
do evangelho. Como disse corretamente Lloyd-Jones, a verdadeira
pregação, no fim das contas, é Deus atuando. Não se trata de um homem
meramente articulando palavras, mas Deus usando-o.
Vamos observar nesta lição alguns elementos que são muito importantes
para esta solene parte do culto evangélico.

I. A reverência para ouvir a pregação


Os muçulmanos fazem do momento de culto a Alá um momento solene.
Ficam descalços, ajoelham-se e fazem profundo silêncio para o culto.
O povo de Israel também aprendeu que é um momento de silêncio e de
elevar seus pensamentos a Deus. No período da reconstrução de Jerusalém,
Esdras leu o Livro da Lei em um culto ao ar livre, em uma praça para toda a
congregação (Ne 8.1-9).
É interessante observar que:

1. Esdras usou o serviço do púlpito do romper da manhã até o meio-dia;


2. o povo tinha ouvidos atentos e entendia a mensagem;
3. o povo permaneceu de pé por aproximadamente seis horas;
4. após o serviço, o povo levantou as mãos, inclinou o rosto em terra e
adorou ao Senhor.

Certamente todas as partes do culto: os cânticos, as orações, os testemunhos


dos feitos de Deus, devem ser apresentados como sacrifício de aroma
agradável ao Senhor. Porém, a mensagem é um momento sublime. Nada
deve tirar a atenção do que Deus tem a dizer a mim, especificamente. Não é
momento de conversa, de mandar um recado para o dirigente do culto, nem
mesmo de desviar meu pensamento para outra coisa que não seja a
mensagem que está sendo pregada.
Devemos sair com o nosso coração ardendo, com o peso da
responsabilidade de pôr em prática o que ouvimos.

aplicação

Será que tenho o coração aberto para ouvir a mensagem de Deus quando vou ao culto?
Meus pensamentos estão completamente concentrados na pregação?

II. O preparo para ouvir a pregação


Há grande valor no crente que cultiva uma vida de oração em favor deste
serviço do culto. A história nos revela que grande parte dos avivamentos do
mundo foi fruto de crentes que desenvolveram o hábito de orar em favor da
pregação da palavra de Deus.
Devemos pedir que Deus fale conosco, revelando nossos pecados,
mostrando Seus propósitos, e, acima de tudo, buscando a possibilidade em
conhecê-Lo mais.
Entre outras coisas, devemos pedir a Deus:
1. capacidade para o pregador ter uma vida de santidade;
2. que Seu Espírito instrua o pregador no que deve ser dito;
3. que tanto eu como os demais ouvintes possamos ouvir e aplicar a
mensagem. Nem sempre a mensagem é algo que o pregador quer dizer e
seus ouvintes querem ouvir. Mas devemos pedir que Deus fale o que Ele
quer nos dizer;
4. que nada venha a distrair os que vão ouvir a mensagem.

Grande parte do preparo da pregação está sob a responsabilidade do


pregador. Ele deve ter tempo para ouvir o que Deus tem a dizer. Tem que
estudar com profundidade, e por um bom período, as Escrituras. Deve ler
muitas vezes os textos que vai pregar; ter um profundo preparo em oração
para ser somente instrumento nas mãos do Espírito Santo; ter um único
objetivo ao final da pregação: saber que foi apenas instrumento nas mãos de
Deus. Se houver alguma honra, ela deve ser dedicada exclusivamente a
Deus.
Depois que a mensagem for pregada, devemos continuar a orar, pedindo a
Deus que o coração, tanto dos ouvintes como do próprio pregador, seja
como a boa terra na qual foi lançada a semente. Que a pregação venha a
produzir muitos ebons frutos!

aplicação

Reconheço o poder que a oração tem sobre a pregação? Estou disposto a orar e até a
jejuar para que o púlpito da igreja na qual congrego seja um lugar onde o próprio Deus
fale com o Seu povo, e converta o coração dos pecadores?

III. A aplicação da pregação


Um bom princípio para poder pôr em prática o que ouvimos da mensagem
pregada é ter um bloco de anotações para registrar seus pontos.
Frequentemente quem está atento será confrontado por Deus. Há lições que
exigem ações práticas de nossa parte, como: pedir perdão a alguém, visitar
um doente, evangelizar um amigo.
Conta-se que um pregador trouxe uma mensagem aos crentes de sua igreja.
Na semana seguinte, ele pregou a mesma mensagem. Na terceira semana,
voltou a pregar a mesma mensagem. Alguns líderes da igreja procuraram o
pastor para saber se havia algum problema para ele pregar a mesma
mensagem por várias semanas. O pregador respondeu que estava fazendo
isso porque durante aquelas semanas não havia observado mudanças em
relação à mensagem pregada na vida dos crentes da igreja. Se observarmos,
veremos que os profetas fizeram isso. Alguns por muitas décadas.
A palavra de Deus deve produzir mudanças em nossa vida. As pessoas que
convivem conosco têm de observar que a cada dia somos mais parecidos
com Cristo. Tiago 
condena, em sua carta, quem apenas ouve e não põe em prática os
ensinamentos da palavra de Deus. E diz que essa pessoa engana a si mesma.

aplicação

Quais as mudanças que observo em minha vida nestas últimas semanas em


decorrência da pregação da palavra de Deus? Como posso ser mais praticante dos
ensinos do evangelho em meu viver diário?
Conclusão
A igreja contemporânea tem perdido a consciência da relevância da
pregação da palavra de Deus no momento do culto público. Muitos têm
dedicado um espaço de tempo muito curto para este importante serviço.
O povo de Israel passou cerca de seis horas de pé ouvindo a pregação,
inclusive as crianças (Ne 8.1-9). Na cidade de Trôade, Paulo dedicou pelos
menos seis horas à exortação bíblica. E isto durante toda a madrugada (At
20.7-12).
Nosso incentivo ao final desta lição é pedir a Deus que:
1. fale com Seu povo pela pregação;
2. capacite os pregadores para essa sublime tarefa;
3. capacite os ouvintes a viver Seus propósitos;
4. possamos consagrar um tempo adequado em nossos cultos para ouvi-Lo.
Lembre-se de que o objetivo do culto é agradar a Deus. É muito positivo
quando Seu povo O alegra obedecendo ao que Ele fala. A Bíblia ensina que
obedecer é melhor que sacrificar (1Sm 15.22).
9
A música no culto
Pr. Wilson Nunes

texto básico Salmo 150.1-6


versículo-chave Êxodo 15.2

“O Senhor é a minha força e o meu cântico; ele se tornou a minha salvação.


Este é o meu Deus; portanto, eu o louvarei; ele é o Deus de meu pai; por isso, o
exaltarei.”

alvo da lição

Ao estudar esta lição, você entenderá a importância da música no culto, assim


como o cuidado com que ela deve ser escolhida para louvar a Deus
adequadamente.

leia a Bíblia diariamente


seg Jó 38.4,7
ter 1Cr 23.5
qua 2Cr 5.12-14
qui Ef 5.19-20
sex Cl 3.16
sáb Tg 5.13
dom Ap 14.2-3

A  música é um meio universal de expressão. Em todas as culturas, em


todas as épocas, a música sempre esteve presente. Ela foi criada por Deus.
Desde o ato criativo já podemos ver a presença da música(Jó 38.4, 7).

A música sempre ocupou papel fundamental no culto de adoração a Deus.


Salmos, o “livro dos louvores”, é o mais extenso da Bíblia. No culto do
Antigo Testamento, havia quatro mil músicos levitas e 288 cantores
empregados para louvar a Deus. Além disso, o texto bíblico registra que mais
de cem sacerdotes eram responsáveis pelo serviço com um instrumento (cf.
1Cr 23.5; 25.7; 2Cr 5.12-13).
Só essas grandezas já mostram a importância que a Bíblia dá à música no
culto a Deus.
Quanto mais minimizamos a música reduzindo-a a período muito breve,
quanto mais permitimos que essa parte do culto se torne sem graça e a
preparamos de forma desleixada, tanto mais nos distanciamos do padrão
bíblico.
Por ser um assunto importante, abordar este tema exige cuidado e
sensibilidade. Talvez nenhum outro setor do serviço religioso provoque
tanta tensão e tantas manifestações apaixonadas quanto esse, que, muitas
vezes, acaba causando divisão entre as gerações. A música não pode ser fator
de discórdia, e sim de união. Portanto, nosso propósito não é discutir o
estilo da música que deve ser usada no culto, se o melhor seriam hinos
tradicionais, músicas clássicas ou músicas modernas. Argumentos existem
de todos os lados e já foram usados noutras épocas. Cremos, no entanto,
que existem alguns princípios gerais com os quais todos concordam, sobre
os quais podemos construir nosso conceito musical para o culto na igreja.

I. Que é música
Segundo a Enciclopédia Britânica Barsa, “Música é a arte de coordenar
fenômenos acústicos para produzir efeitos estéticos”. Mas essa arte, que é
patrimônio da 
humanidade, não produz o mesmo efeito estético em todos. Isso porque as
culturas, assim com as experiências, são diferentes. Um exemplo clássico
pode ser notado na reação dos ocidentais escutando música oriental e vice-
versa. Embora músicas de países como China, Índia, Países Árabes possam
nos parecer tecnicamente interessantes, podem nos parecer
incompreensíveis esteticamente ou não nos trazer prazer pleno. Contudo,
elas são significativas para os membros das culturas daqueles países.
Precisamos entender que música é simplesmente uma sequência de notas
em determinado ritmo e que em si ela é neutra, nem boa nem má.

II. Que é música sacra


É interessante observar que a Bíblia não determina as músicas, os
instrumentos e o estilo da música que deve ser usado no culto. O ritmo não
é relevante. O que faz com que ela seja sacra são os textos, a mensagem que
veicula (letra). Mas se é verdade que não devemos defender um único tipo
de ritmo como música espiritual, por outro lado, também é verdade que
precisamos parar de afirmar que qualquer música é sacra em si mesma. De
fato, existem algumas características importantes que marcam a sua natureza
sacra. Os princípios a seguir nos indicam os efeitos que ela deve produzir no
culto para que seja considerada sacra ou espiritual.

1. A música deve edificar a comunhão


(2Cr 5.12-14)
Este texto é um dos mais bonitos sobre o que a música pode produzir em um
culto. Ela tem a tarefa de gerar unidade na diversidade dos participantes do
culto. Sempre que isso acontece, a presença de Deus é experimentada, de
forma bem perceptível, como uma nuvem que se põe sobre o povo de Deus.
A música congregacional deve ser uma oportunidade de unir as vozes para
expressar sentimento, esperança e gratidão de todos a Deus. Como Jowett
criticou: “Muitas músicas se caracterizam por individualismo exagerado que
as torna impróprias para uso geral no culto público. O culto público não é
um meio de graça em que cada um pode afirmar a sua individualidade e
auferir auxílio só para si. Não se deve supor que a congregação é uma porção
de unidades isoladas, cada qual tendo em vista algo particular e pessoal a
buscar.” Com isso ele sugere que a música ideal para o culto público é
aquela que privilegia as letras escritas no plural (nós, para nós, por nós, etc.)
em vez da que emprega apenas o singular.

2. A música deve anunciar


(Cl 3.16-17)
Este texto nos dá o princípio que a música precisa servir à Palavra e preparar
a congregação para ouvi-la. A música é um meio muito eficaz para realçar a
proclamação no culto. Versículos bíblicos, confissões de fé e de confiança
em Deus, até apelos e convites para decisões, como também afirmações
doutrinárias podem ser transformados em música, e por meio dela alcançar
as profundezas do nosso ser. Nesse aspecto, o músico cristão precisa fazer
de tudo para que sua música esteja em sintonia com a palavra de Deus e,
mais especificamente, com a proclamação do culto no qual vai ministrar o
louvor. A ideia aqui é esta: liberte a música da condição de entretenimento e
faça que ela se torne uma revelação divina.

3. A música deve motivar


Poucas coisas conseguem motivar mais uma pessoa do que a música. Por
isso, um sociólogo da atualidade disse: “Se você quer alcançar os jovens de
hoje, não gaste dinheiro com propaganda; escreva uma música”. A música
não tem apenas a capacidade de tocar os nossos sentimentos, ela também
pode nos inflamar e nos colocar em movimento.

4. A música ajuda na cura das pessoas


(1Sm 16.23)
Há tratamentos baseados na música. Na Bíblia, encontramos a
musicoterapia, por exemplo, na história de Saul. Por atuar tão
profundamente sobre o mais íntimo do nosso ser, a música tem uma função
terapêutica. A música sacra não é exceção. Pelo contrário, cada música
cantada deveria contribuir para a cura das pessoas. O ministro de música da
igreja deveria levar isso em conta ao programar o louvor cantado no culto.
Uma sugestão, para você, é que selecione músicas para edificação e
inspiração e coloque para ouvir sempre que pensamentos e sentimentos
negativos tentarem tomar conta de sua mente. Cada pessoa tem preferência
por um estilo de música. Uma é edificada com “O Messias”, de Haendel,
outra por belas baladas, outras gostam de ouvir estilo moderno. Enfim, ouça
aquilo que o edifique e o faça sentir-se mais perto de Deus.

5. A música deve servir para a edificação


(Ef 5.19-20)
A música tem função-chave na edificação e formação cristã. Ela é capaz de
consolar, incentivar, libertar. Até pessoas sem o dom musical conseguem
sentir a força edificadora do canto congregacional, mesmo que estejam só
ouvindo.

6. A música aponta para a glória celestial


(Ap 14.2-3)
A música é, provavelmente, o único elemento do culto que também existirá
no céu. Em nenhum lugar a Bíblia diz que no céu haverá pregação ou
profecia, mas música, sim. Por isso, na igreja, a música é sempre vista como
um prelúdio da vida eterna; o louvor vai encher o céu. Não estamos
ensinando que a música tem mais valor do que a pregação da Palavra. Na
verdade, a música cristã, aqui na Terra, sempre precisa estar intimamente
ligada à Palavra, e lá no céu não será diferente: seu conteúdo será repleto de
palavras de exaltação ao nosso Deus.

Conclusão
Aprendemos nesta lição que a Bíblia apresenta diversas passagens que
mostram a importância da música na adoração a Deus. Aquele que tem a
responsabilidade de escolher a música nos eventos realizados na igreja (ou
fora dela, mas com o mesmo intuito) deve estar preparado para analisar as
letras e verificar a coerência das músicas escolhidas com a mensagem que
será pregada, tendo em vista a influência que ela tem sobre todos que
participarão do culto e a quem ele é dirigido: o único Deus, Santo e Todo-
Poderoso.
10
A oração no culto
Pr. Jessé Ferreira Bispo

texto básico Atos 4.23-31


versículo-chave 2Crônicas 7.14

“Se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, orar, me buscar e
se converter dos seus maus caminhos, eu ouvirei dos céus, perdoarei os seus
pecados e sararei a sua terra.”

alvo da lição

Ao estudar esta lição, você vai conscientizar-se a respeito do valor da oração no


culto público e o benefício que ela oferece para a igreja.

leia a Bíblia diariamente


seg 1Cr 29.10-20
ter 2Cr 20.1-30
qua Êx 3.1-6
qui Js 5.13-15
sex Tg 5.16-18
sáb At 4.23-31
dom Jo 17.20-23

Um elemento do culto capaz de dar vitalidade aos presentes é a oração. A


Bíblia registra, em diversas narrativas, essa prática, tanto entre o povo de
Israel como na igreja primitiva. Um dos episódios marcantes foi no dia em
que Pedro e João foram soltos, após terem passado a noite presos por
pregarem o evangelho. Eles se reuniram e fizeram uma oração exaltando a
Deus e reconhecendo-O como o Soberano de todas as coisas. Chama-nos a
atenção que nessa oração, apesar de os apóstolos e a igreja estarem
enfrentando uma difícil perseguição por parte dos líderes da comunidade
judaica, não pediram conforto ou alívio ao sofrimento. Pediram mais
intrepidez ao anunciar a Palavra. Como resultado, o lugar onde eles estavam
tremeu, e todos ficaram cheios do Espírito Santo (At 4.23-31). Destacamos
o todos porque não foram apenas alguns que saíram edificados. A
comunidade inteira foi fortalecida naquele culto de oração.
A lição de hoje nos desafia a pensar sobre o valor da oração no culto público.
Sabemos que todos os crentes devem ter seus momentos particulares de
oração, como Jesus fez. É uma prática muito importante para o
desenvolvimento da vida espiritual. Porém, nesta lição, o objetivo é
entender o valor da oração coletiva com outros crentes.
Na oração dominical, temos um recado: a oração deve ser fruto de uma
coletividade na presença do Pai Celestial. Jesus não nos ensinou a orar,
“meu Pai, que estás nos céus”, mas “Pai nosso, que estás nos céus”. Isso
significa que devemos cultivar o hábito de entrar com outros irmãos, por
meio de Jesus, na presença do Pai.
A igreja deve desenvolver esse exercício espiritual tanto em cultos
específicos para oração, como nos que prestamos a Deus por outros
motivos. Vamos, então, refletir sobre alguns requisitos para que essa prática
seja algo agradável a Deus em nosso culto.

I. O valor da oração no culto


São inúmeros benefícios que a oração pode oferecer ao povo de Deus
quando este se apresenta para cultuá-Lo. Vamos apresentar dois relatos
bíblicos para nos ajudar a compreender a importância dela.

1. Gratidão a Deus pelo suprimento


A Bíblia registra um culto apresentado a Deus no fim da vida de Davi, em 
1Crônicas 29.10-20. Esse dia solene da história de Israel nos oferece alguns
caminhos para entender o significado da oração no culto. Vamos retirar
lições desse testemunho:
a. Davi conduziu a congregação à presença de Deus (v.10);
b. Israel reconheceu a grandeza de Deus (v.11-12);
c. todos identificaram Deus como Aquele que é o Dono de todas as coisas
(v.11);
d. o povo entendeu que é pequeno diante de Deus (v.14);
e. a congregação louvou a Deus pela disposição que teve em ofertar para a
construção do templo (v.17-18).

2. Súplica por auxílio de Deus diante de necessidades


O texto de 2Crônicas 20.1-30 informa que Josafá, um dos reis de Judá, foi
guerrear contra os filhos de Moabe e Amom. Estes dois povos tinham um
exército que, aos olhos humanos seria impossível derrotar. Veja o que o
povo de Deus fez, e o que o Senhor fez por eles.
a. Estavam com muito medo (v.3-4).
b. Foram à Casa de Deus para clamar por Sua ajuda – Oraram lembrando-se
da aliança de Deus com eles... das vitórias que Deus dera a seus pais no
passado... da fragilidade deles diante do grande inimigo. Lembraram-se
do dever de obedecer à ordem de Deus (v.5-12).
c. Todo o povo (inclusive as crianças) ouviu a promessa de Deus. Todos
aprenderam que não deviam ter medo (v.13-17).
d. Prostraram-se em reverência à palavra de Deus numa atitude de fé, pois
sem ela não poderiam agradar a Deus (v.18).
e. Louvaram a Deus antes mesmo de obter a vitória (v.19-22).
f. Viram o grande livramento de Deus (v.23-26).

aplicação

Que valor dou à oração quando me reúno com o povo de Deus para cultuá-Lo? Tenho
gratidão ou confiança em Seu poder? Consigo listar outros benefícios?

II. O significado da oração no culto


Um precioso pensador inglês chamado C. S. Lewis disse que nossas orações
não mudam a Deus, mas a nós mesmos. Creio que esse pensamento nos
ajuda a entender o significado da oração. Ela abre, por meio do Caminho,
que é Cristo, nossos olhos espirituais para Deus. Devemos ter como
propósito alegrar-nos em saber e fazer a Sua vontade. O salmista disse que
devemos agradar-nos de Deus e Ele satisfará aos desejos do nosso coração
(Sl 37.4).
Em Sua oração sacerdotal, Cristo pede ao Pai que Seus discípulos sejam
unidos entre si. Ele afirma que estará nessa congregação fraterna como
Senhor. Deixa-
-nos a promessa de que a fraternidade nos levará a um ambiente de amor,
paz e harmonia entre as pessoas da Trindade. O resultado é testemunho de
Sua obra redentora e a beleza do convívio de amor (Jo 17.20-23).
Essa é uma das melhores experiências que devemos ter com Deus durante o
culto. Por meio da oração podemos:
1. confessar nossos pecados;
2. exaltar a Deus com alegria;
3. voltar nossos pensamentos inteiramente a Ele (razão pela qual devemos
fechar os nossos olhos);
4. ter comunhão com Deus junto de outros irmãos em Cristo;
5. confiar e submeter-nos à soberania de Deus.

Deus disse a Salomão: “se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar,
orar, me buscar e se converter dos seus maus caminhos, eu ouvirei dos céus, perdoarei os
seus pecados e sararei a sua terra.” (2Cr 7.14)
Fica claro nesse recado de Deus que Ele espera reverência por parte de Seu
povo. Moisés, quando O viu na sarça, foi orientado a tirar as sandálias dos
pés. Josué recebeu a mesma orientação.
Todas as partes do culto devem ser oferecidas com profunda reverência, e
entre elas está a oração. Devemos ter, no momento da oração, o mesmo
temor que Isaías teve quando viu o Senhor. Se não for a Sua misericórdia,
seremos consumidos diante da Sua glória. Por isto fechamos os olhos: para
que nos concentremos exclusivamente em Deus.

aplicação

Tenho consciência de que os olhos de Deus estão atentos à minha oração, reverência e
temor a Ele? Meu comportamento ao orar alegra Seu coração? O que espero de Deus
neste momento, que atente aos meus desejos ou que faça a vontade Dele, ainda que
seja contrária à minha própria?

III. As características da oração no culto


A igreja, em sua história, tem cultuado a Deus por diversos motivos. Em
todos eles a oração é uma preciosa ferramenta que dá vida ao culto.
Apresentamos algumas características da oração no culto.

1. Em um culto missionário
A oração deve nos ajudar a clamar pela salvação dos povos sem Cristo e pelo
despertamento dos crentes para que se envolvam na obra missionária.

2. Em um culto evangelístico
Ela deve buscar a salvação dos participantes que ainda não foram alcançados
por Cristo.

3. Em um culto comemorativo
Ela deve agradecer a Deus as bênçãos que motivaram esta festividade.

4. Em um culto de oração
Ela deve apresentar a Deus as diversas necessidades, como a cura de alguém
enfermo, a restauração de um casamento, o suprimento de emprego para um
amigo, a paz em países em conflito, a orientação para decisões da igreja, e
assim por diante. Vale a pena destacar a necessidade que a igreja
contemporânea tem de dedicar 
culto a Deus.

Conforme já observamos na palavra de Deus a Salomão (2Cr 7.14), a


confissão de pecados deve anteceder uma oração. Jesus também ensinou aos
Seus discípulos:  “se pedirem ao Pai alguma coisa em meu nome, ele lhes
concederá” (Jo 16.23). Isso nos orienta a quem devemos pedir e em nome de
quem.

Jesus é o caminho da oração, seja em secreto no nosso quarto ou em um


culto público.

Conclusão
Jesus disse que onde dois ou três se reunirem em nome Dele, ali promete
estar (Mt 18.20). Tiago ensina que muito vale, por sua eficácia, a súplica do
justo  (Tg 5.16). Veja como uma igreja pode ganhar quando não somente
um, mas muitos que confiam em Cristo entendem o poder que existe na
oração.

aplicação

Consigo listar num papel algumas experiências que marcaram tanto minha vida material
quanto a espiritual como resultado de momentos em oração com outros irmãos nestas
últimas semanas?
11
A comunhão
no culto
Pr. Esli Pereira Faustino

texto básico Atos 2.42-47


versículo-chave Atos 2.42-43

“E perseveravam na doutrina dos apóstolos e na comunhão, no partir do pão e


nas orações. Em cada alma havia temor...”

alvo da lição

Ao estudar esta lição, você vai refletir a respeito da comunhão como expressão
de culto ao Senhor e como condição para um testemunho cristão eficiente.

leia a Bíblia diariamente


seg Jo 4.19-30
ter 1Co 3. 10-17
qua 1Tm 6. 3-5
qui 1Jo 1.1-10
sex At 10.13-16
sáb Lv 17.6-9
dom 1Co 6.12-20

A  primeira observação a ser feita para o entendimento da lição diz


respeito à natureza da comunhão de acordo com a revelação do Novo
Testamento. Em segundo lugar, é importante lembrar como era o culto na
comunidade primitiva dos cristãos. As passagens que tratam sobre a
comunhão apontam para três significados básicos: cooperação, participação
e comunicação.

Outro aspecto importante diz respeito ao comportamento cúltico


demonstrado nos encontros do grupo, ou seja, o que faziam, já que o culto
do Antigo Testamento, centralizado no sistema sacrificial, estava
definitivamente descartado. O versículo-chave apresenta as seguintes ideias
sobre o culto: relembravam o ensino dos apóstolos e, por meio da ceia, os
acontecimentos referentes à morte de Jesus e sua significação; praticavam
uma refeição comunitária, a festa do amor, que bem lembrava as refeições
sagradas e o comer na presença do Senhor do Antigo Testamento (Gn
31.54; 18.7-8); por fim, oravam coletivamente.

I. Elementos necessários à comunhão cristã


A comunhão é o ato ou efeito de “comungar”, isto é, de fazer alguma coisa
em comum, o que implica sintonia de sentimentos, modos de pensar e agir
que produzam identificação, comparticipação e união.

1. A doutrina correta
Temos duas fontes de informação a respeito da doutrina ou ensino para a
igreja: o que Jesus fez e ensinou (At 1.1), cujo registro se acha nos
Evangelhos, e os mandamentos dados pelo Espírito Santo, por meio dos
apóstolos (At 1.2), declarações que confirmam o fundamento apostólico da
igreja (Ef 2.19-22). Dessa forma, a doutrina ensinada pelos apóstolos torna-
se padrão para o comportamento ético e cúltico da comunidade cristã. Não
há comunhão verdadeira quando a doutrina é discordante, estranha ou
antibíblica. A igreja verdadeira possui uma doutrina bíblica saudável,
chamada por Paulo de “sã doutrina” (Rm 6.17; 16.17-18; Ef 4.14; 1Tm 6.3-
5).

2. A maneira de celebrar o culto


Se a doutrina correta é importante para a comunhão, não menos importante
é a maneira de celebrar a festa da comunhão. Paulo considera que o modo
como estava sendo celebrada essa festa em Corinto criava um ajuntamento
cúltico que não melhorava a vida espiritual dos comungantes. O que havia
então de errado no culto da ceia?

a. Havia a tolerância às pessoas que praticavam imoralidade grosseira


(1Co 5.1,9-10).
b. Havia a prática da idolatria (1Co 10.14-16) e a associação com os
demônios que dão vida aos ídolos (1Co 10.21).
c. A comunhão estava ameaçada pela desordem e por divisões no
ajuntamento para a celebração da ceia (1Co 11.17-19).

aplicação

Como ter comunhão com pessoas que vivem na imoralidade, praticam a idolatria ou
vivem de forma
desordenada?

3. A prática do amor comunitário


Que diremos a respeito da refeição comunitária? Era uma boa ocasião para o
fortalecimento da comunhão entre os irmãos, mas em Corinto também se
tornou em tropeço, comilança desordenada e motivo de bebedeira.  “...
enquanto um fica com fome outro fica embriagado”  (1Co 11.21). É louvável o
exemplo de igrejas que possuem um refeitório comunitário para as refeições
conjuntas no dia do Senhor. É uma boa maneira de cultivar a comunhão.

4. A socialização das orações


A vida de comunhão cristã deve ser balanceada entre os problemas da vida
privada com suas orações em secreto (Mt 6.5-6) e a oração comunitária tal
como Jesus ensinou ao grupo (Mt 6.9). Com certeza, algumas orações que
aparecem em Atos eram coletivas e representavam unanimidade de
propósitos diante de Deus (At 4.24,31).

II. Modos de expressão da nossa comunhão


Como podemos expressar a nossa comunhão?

1. Por meio do espírito de cooperação


Essa cooperação deve existir na mutualidade cristã, na divulgação do
evangelho de Cristo (Fp 1.5; Hb 13.16) e, sobretudo, no apoio à pregação
do evangelho e aos evangelistas itinerantes. É preciso que haja cooperação
na divulgação das verdades reveladas (3Jo 5-8).
2. Por meio do culto trinitário
A comunhão descrita na primeira carta de João se evidencia por intermédio
de uma vida iluminada pela revelação de Deus em Seu Filho e o caminhar
em Sua luz (1Jo 1.1-10). É, portanto, uma comunhão semelhante à da
Trindade divina (2Co 13.13).

3. Por meio da participação nas obras cristãs


A palavra comunhão  é traduzida, no Novo Testamento, como participação.
Faz parte do culto cristão a participação no serviço de assistência (2Co 8.3-
4), a contribuição financeira (2Co 9.12-15) e a generosidade nas coletas
feitas em favor da obra (Rm 15.25-26).

III. Culto como lugar para a comunhão


Deus advertiu os israelitas, ao entrarem na terra prometida, a respeito do
lugar certo onde deviam cultuá-Lo – apenas nos lugares escolhidos pelo
Senhor (Lv 17.7-9; 
Dt 12.4-9; 26.1-2). Certamente há reuniões chamadas de culto em que o
sangue da nova aliança é profanado e o espírito da graça é ultrajado (Hb
10.29).
Pelas informações de Atos, podemos perceber que a comunhão e o culto,
segundo o Novo Testamento, tal como se fazia na igreja primitiva, tornavam
coração e alma num só, num autêntico movimento de socialização (At
4.32). Todos compreendiam que Deus havia purificado e santificado as
coisas comuns da vida com a inclusão dos gentios no propósito redentor de
Deus, eliminando o racismo judaico e a discriminação aos outros povos (At
10.13-16; 13.28; 11.8-9). Havia, então, uma salvação comum a judeus e
gentios e uma fé comum pela qual deviam batalhar juntos (Jd 3).

Conclusão
Segundo Martin-Achard, o termo hebraico para culto designa trabalho,
serviço e não há nenhuma divisão estanque no pensamento bíblico entre
fainas diárias e adoração a Deus, uma vez que as Escrituras unem o trabalho
manual e o serviço do Criador. Entretanto, atualmente, houve um
estreitamento do sentido de culto, visto que passou a designar apenas uma
parcela do serviço extenso que Deus espera do Seu povo. Todavia qualquer
serviço prestado ao próximo, com o coração tocado pelo Senhor, torna as
atividades comuns da vida uma expressão de culto e adoração a Deus (2Co
16.15-18).

aplicação

O culto pode ter momentos de muita comunhão entre os irmãos, tanto antes quanto
durante e depois da liturgia. Em muitas igrejas, o culto é o único momento da semana
em que os irmãos se encontram. Assim, é preciso que sejam criadas oportunidades de
comunhão entre eles.
12
A evangelização
no culto
Pr. Esli Pereira Faustino

texto básico 1Coríntios 14.10-19


versículo-chave 1Coríntios 14.3,24

“Mas o que profetiza fala para as pessoas, edificando, exortando e consolando.


Porém, se todos profetizarem, e entrar ali um não crente ou não instruído, ele
será convencido por todos e julgado por todos.”

alvo da lição

Ao estudar esta lição, você aprenderá como a igreja pode criar um culto especial
dedicado à evangelização.

leia a Bíblia diariamente


seg Mt 10.40-42
ter At 8.4-8
qua 1Pe 1.10-12
qui Jo 15.22-27
sex At 20.20-27
sáb Lc 4.16-19
dom 1Pe 1.22-25

Segundo o ensino de Paulo na carta aos Efésios, a sabedoria de Deus


consistiu em estabelecer um propósito eterno em Seu Filho e, por meio do
ministério da pregação do evangelho, juntar judeus e gentios fiéis em uma só
corporação – a igreja – para, de forma plural fazer o evangelho conhecido
em todas as esferas, inclusive no mundo angelical, tornando essa instituição
uma espécie de universidade aberta para o aprendizado dos santos (os
santificados em Seu Filho) e dos anjos (Ef 3.10; 1Pe 1.12).
Paulo, em 1Coríntios 14.24-25, trata da pregação inspirada da palavra de
Deus – a profecia não preditiva – como meio de persuadir e evangelizar os
descrentes que vêm à igreja: “Mas se estiverem pregando a palavra de Deus
e um homem desses chegar à reunião de vocês, ele é convencido e desafiado
pela unidade que demonstram ao falarem da verdade. Os segredos dele são
expostos e ele cairá de joelhos, confessando a Deus e afirmando e presença
Dele entre vocês” (Trad. Phillips).

I. Recepção acolhedora no culto


(Tg 2.1-9)
O que estava acontecendo na igreja judaica – a sinagoga – pode estar
acontecendo também nas igrejas evangélicas: alguns estão transformando a
fé no  “Senhor da glória”  em acepção de pessoas, tornando-se juízes
com “critérios errados”.
Há muitas pessoas que são maltratadas em casa e vivem sem diálogo com os
parentes. São pessoas que buscam na igreja um segundo lar, um lar
alternativo onde recebam afeto, aceitação e se sintam realizados. Se são mal
recebidas, não voltam mais.

II. Exposição bíblica


(Sl 19.7-14)
O culto evangelístico deve ser, sobretudo, uma exposição precisa do
caminho de Deus e do propósito salvador de Deus em Cristo, conforme
podemos ver em Atos 18.24-28. Não era suficiente ao expositor ser
eloquente e poderoso nas Escrituras, e conhecer apenas o batismo de João
Batista, ignorando o batismo do Espírito Santo (Mt  3.11-12). Muitos
pregadores estão pregando apenas uma linha teológica que abraçaram e não
a palavra de Deus. A teologia só é útil se for a teologia da palavra de Deus
(2Tm 4.1-4).
Dentro da realidade brasileira, chegamos ao que Amós (8.11-14) profetizou
para o Israel desobediente: o momento de procurar a palavra de Deus e não
achar. 
Há muitos andando de um encontro a outro, de um acampamento a outro
em busca da palavra de Deus, cada vez mais escassa.

III. Edificação, exortação e consolo


(1Co 14.3)
A pregação inspirada ou profecia não preditiva tem por objetivo edificar,
exortar e consolar. Edificar significa erguer a casa (Sl 127.1), colocar os
alicerces, levantar as paredes, cobrir. Quando falamos de edificar vidas,
lemos nas Escrituras que o amor edifica (1Co 8.1), a palavra da graça edifica
e tem poder de dar herança entre os santificados (At 20.32). O ensino dos
apóstolos oferece o fundamento da edificação espiritual (Ef  2.20-22; 1Ts
5.11; 1Pe 2.5; Jd 20).
Quanto à exortação, que seja conforme o que Paulo ensina(1Tm 5.1-2).
Destacamos também a importância da consolação de amor (Fp 2.1-4).
Paulo diz ser necessário substituir o pecado da superespiritualidade pela
consideração ao outro como superior a si mesmo. Esta atitude destrói
barreiras e edifica a igreja de Jesus. Um ambiente acolhedor e de humildade
é em si convite à participação dos visitantes nas programações da igreja.

Conclusão
Segundo Martin-Achard, as Escrituras em conjunto não intentam substituir
as práticas religiosas por um código de regras éticas para o culto: isso seria
correr o risco de cair rapidamente no moralismo e no legalismo. É muito
fácil aos crentes renderem culto a si mesmos e repudiar a Deus, tanto por
obras meritórias como por práticas religiosas. Portanto, devemos entender o
culto como um lugar venturoso de encontro dos fiéis com Seu Deus
enquanto esperam a vinda de Seu reino, ou o lugar de encontro com Aquele
que exige total obediência e reclama submissão absoluta ao Seu senhorio
(Rm 10.9-10).

Os cultos dedicados à evangelização devem se revestir de uma liturgia toda


especial. A recepção, as músicas, a mensagem, as apresentações, tudo deve
impactar o pecador.
A evangelização no culto requer da igreja comprometimento com a recepção
acolhedora dos visitantes, exposição bíblica da Palavra e, sobretudo, amor
ao edificar, exortar e consolar. O incrédulo deve encontrar na igreja mais
que um aconchego social – precisa encontrar-se com o Senhor.
13
As apresentações no culto
Pr. André de Souza Lima

texto básico 1Crônicas 15-16


versículo-chave 1Crônicas 15.28

“Assim, todo o Israel levou a arca da aliança do Senhor, com júbilo e ao som de
clarins, trombetas e címbalos, fazendo ressoar harpas e liras.”

alvo da lição

Ao estudar esta lição, você aprenderá que os atos do culto exigem preparo
espiritual e organização, pois o objetivo é agradar a Deus, louvando e
engrandecendo Seu nome.

leia a Bíblia diariamente


seg Êx 12.24-28
ter Rm 12.1-3
qua 1Co 13.1-13
qui 1Co 14.32-33
sex Mc 11.15-17
sáb Sl 19.12-14
dom Sl 18.1-3

A  arca da aliança era o símbolo material de que Deus estava com Seu
povo, Israel. Ela era levada adiante do povo como sinal de que Deus os
guiava e os protegia  (Nm 10.33; Js 3.3). Foi a arca usada no milagre da
travessia do Jordão (Js 3.8). Certa vez, quando os filisteus roubaram a arca
do Senhor, tiveram muitos problemas e resolveram devolvê-la ao povo de
Israel (1Sm  6). Depois da morte de Moisés até o reinado de Saul, o
tabernáculo de Deus permaneceu descuidado, e os utensílios ficaram
espalhados por todo o país. Cada governante tratava de colocar a arca numa
cidade importante para seu governo.

Depois que Davi se tornou rei de Israel, decidiu construir uma nova tenda
para a arca da aliança e a levou para Jerusalém.
Para esse dia, o rei preparou um culto muito especial. Houve muitos
cantores, instrumentistas e várias participações. Vamos estudar o capítulo
que relata o preparo espiritual e organizacional desse culto.

I. Um preparo espiritual
O texto, logo no início, mostra-nos a preocupação principal do rei Davi, que
era o organizador do culto.

1. A santificação dos dirigentes


(1Cr 15.12-14)
Davi chamou os sacerdotes e levitas, principais responsáveis pelas
apresentações nos cultos do Antigo Testamento, e pediu que eles se
santificassem.
Se quisermos apresentações que edifiquem os irmãos e não atrapalhem o
culto, precisamos cuidar desse aspecto interior e invisível das apresentações.
Quando temos uma apresentação mal ensaiada, quando há desorganização
no culto, podemos perceber vários problemas: falta de liderança ou
liderança inadequada, falta de preparo, falta de conhecimento de como
fazer, problemas espirituais, problemas com o objetivo da apresentação,
mas, acima de tudo, geralmente há uma falta de santidade e de consagração
da parte dos dirigentes.
No entanto, a falta de santidade e consagração são problemas, às vezes,
invisíveis aos olhos dos adoradores. Essa falta se manifesta mais entre o
grupo que organiza as apresentações do que para a igreja, na hora do culto.
Problemas no relacionamento grupal assim como a falta de dedicação ao
trabalho desgastam o grupo, o que pode tornar a apresentação apenas uma
formalidade sem vida ou coerência com os ensinos de Cristo. Cada grupo
que se apresenta na igreja deve dedicar tempo para oração, estudo da
Palavra (edificação), acerto de diferenças, tanto em conjunto, quanto
particularmente. Essa prática tornará o grupo saudável e fará com que seu
ministério seja frutífero.

2. A dependência dos dirigentes do Senhor


(1Cr 15.26)
Há uma segunda nota quanto ao preparo espiritual daqueles que se
apresentam no culto que é prestado ao Senhor:  “E visto que Deus ajudou os
levitas que levavam a arca da aliança do Senhor”. Os homens encarregados da
grande apresentação daquele culto – a entrada da arca – fizeram seu trabalho
na dependência do Senhor. Eram pessoas bem preparadas, além de ter todo
o apoio do rei para aquela tarefa importante. No entanto, Deus atuou
diretamente no serviço deles, abençoando o trabalho do grupo.

aplicação

As apresentações no culto devem ser precedidas de preparo espiritual, o que inclui


santificação e dedicação aliadas à dependência de Deus.

II. Um preparo organizacional


Além do preparo espiritual, o texto nos mostra um preparo organizacional
bem estruturado.

1. O serviço do culto foi dividido em grupos


(1Cr 15.16-24; 16.4-7, 37-42)
Cada um sabia o seu lugar e o que exatamente deveria fazer com
antecedência. Note que Davi chamou os líderes de cada grupo e pediu que
fizessem a escala das pessoas envolvidas nesse culto.

2. O homem escalado para dirigir o canto foi escolhido porque


era perito nisso
(1Cr 15.22)
Todos os envolvidos em apresentações especiais no culto devem receber
orientação específica ou submeter-se a treinamento formal para desenvolver
a atividade.
Quanto melhor for o preparo das equipes que trabalham no culto, melhor
será o resultado em pelo menos dois aspectos: a comunicação clara e a
glorificação do Senhor pelas pessoas que virão e ouvirão a apresentação.
3. O culto foi executado com ordem
(1Cr 16)
Podemos ver que cada um fazia seu trabalho no momento adequado e assim
colaborava para que o culto fosse realizado de forma harmônica.

Conclusão
A conclusão tanto do capítulo 15 quanto do capítulo 16 foi o alcance do
objetivo do rei ao promover o culto ao Senhor. Veja 1Crônicas
15.28: “Assim, todo o Israel levou a arca da aliança do Senhor, com júbilo e ao som de
clarins, trombetas e címbalos, fazendo ressoar harpas e liras.”. Em outras palavras,
todo o povo participou do culto ao Senhor pela volta da arca a Jerusalém.
A junção do preparo espiritual e organizacional é o melhor caminho para
que se atinjam os objetivos das apresentações no culto e também do próprio
culto: louvar e engrandecer o nome do Senhor, do modo que O agrada.
1. Resultados dessa combinação
a. Todos que apresentam devem ter um alvo em comum: a glória do
Senhor.
b. A comunicação da mensagem é clara.
c. Evitam-se erros à medida que se diminui o improviso.
d. O ambiente se torna agradável e o programa variado à medida que a
ordem das coisas foi pensada e pré-estabelecida.
e. Gente preparada pode preparar outros para a continuação do ministério.

2. Ações a serem colocadas na prática


Algumas ações em relação ao culto podem ser elaboradas e postas em
prática pelas igrejas. Aqui vão algumas sugestões; você pode acrescentar
outras.
a. Não colocar todas as apresentações especiais num único culto.
b. Ter um propósito para cada apresentação.
c. Ter um programa que combine com o tempo definido para culto em sua
comunidade.
d. Incentivar grupos de música, coreografia e teatro a investir em cursos de
aperfeiçoamento, preparo técnico.
e. Criar o hábito de orar juntos e de conversar sobre o programa para que
cada um esteja atento ao que deve fazer e como fazê-lo.

aplicação

Organização não significa deixar a espiritualidade - Deus - de lado, nem tem seu alvo
em si própria. Lembremo-nos de que nosso Deus não é de confusão, que fez e faz
todas as coisas com ordem. O culto apresentado ao Senhor deve ser preparado com
oração e sob a direção de Deus.
14
O batismo e
a ceia no culto
Pr. André de Souza Lima

texto básico Atos 2.38; Lucas 22.19


versículo-chave João 14.21

“Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, esse é o que me ama...”

alvo da lição

Ao estudar esta lição, você entenderá o lugar do batismo e da ceia no culto,


assim como a mensagem que essas duas ordenanças de Jesus nos trazem.

leia a Bíblia diariamente


seg Mt 3.3-6
ter Mt 3.11-12
qua Jo 1.32-34
qui Jo 13.1-4
sex Jo 13.33-35
sáb Jo 14.6-7
dom Fp 2.5-11

Batismo e ceia são ordenanças que Jesus deixou. Por causa da natureza
delas são motivos de alegria mas também de introspecção.

Não podemos estudar sobre o batismo e a ceia no culto sem antes relembrar
o que significam para a vida dos crentes e, consequentemente, para a igreja.

Vamos compreender o significado dessas ordenanças, por que as praticamos


e como devem ser feitas no culto.
I. O batismo
Independente da forma como se pratique o batismo, ele tem, nas diversas
denominações evangélicas, o mesmo significado.

1. O significado
O batismo demonstra nossa união com Cristo, por meio de Sua morte e
ressurreição (Rm 6.3-4). É o rito que marca a entrada no corpo de Cristo - o
testemunho público da vida entregue ao Cristo ressurreto. Paulo reafirma o
significado do batismo
(Cl 2.11-12), expondo o fato como ponto de partida e de motivação para
uma vida santa, uma vez que agora temos o privilégio de estar unidos com
Cristo.
Outro significado que encontramos no batismo é o perdão e a purificação
dos pecados, pois o crente é lavado pelo sangue de Cristo (Tt 3.5; At 22.6).

2. Por que praticamos


Essencialmente, praticamos o batismo porque é ordem do Senhor. O texto
básico para isso é a Mateus 28.19. Os apóstolos seguiram a orientação do
Senhor Jesus. Podemos ver isso tanto em sua prática (At 8.10,16) como em
sua pregação (At 2.38).
O batismo simboliza o que aconteceu por meio da conversão. Mesmo nos
versículos em que encontramos o verbo crer com o verbo batizar (Mc
16.16) não há menção sobre os que não puderam ser batizados, mas apenas
creram. Versículos como esse tratam do que deve ser normal e natural. Os
irmãos que batizam crianças não afirmam o batismo como meio de salvação,
mas como esperança de que um dia elas venham a crer, pela fé,
individualmente, na salvação por meio de Cristo.
Um exemplo sobre essa verdade é a declaração de Jesus, em Lucas 23.43. O
ladrão não pôde ser batizado antes de morrer, mas teve segurança de estar
no paraíso.

3. O batismo no culto da igreja primitiva


A igreja primitiva via o batismo como a participação do crente no triunfo de
Cristo sobre Satanás e suas hostes. Todo cidadão daquela época cria que o
mundo era governado pelos espíritos; tudo o que acontecia no mundo era
causado por um espírito. Os pagãos criam que havia espíritos bons e maus,
mas os crentes só criam em espíritos maus. Então, o batismo era o símbolo
da entrega da vida para o Único que tinha o poder de vencer todos os
espíritos. A partir dessa crença, a igreja desenvolveu, por volta de 200 d.C.,
um programa de iniciação do novo crente, que o preparava para tal vitória
em Cristo Jesus. (Hinson e Siepierski)
Esse programa incluiu cinco fases distintas.

a. Exame preliminar - O candidato ao batismo era ouvido, examinado e


depois, aprovado ou não.
b. Instrução pré-batismal - A duração desse ensino variava. Alguns
defendiam até três anos de preparação. O conteúdo era teologia e vida
cristã.
c. Preparação na quaresma - Os batismos eram realizados na Páscoa.
Quarenta dias antes, os líderes decidiam quem ia ser batizado. Os
critérios eram baseados na vida cristã prática. Nesse período, o preparo
espiritual era intensificado com orações, instrução e jejum.
d. O rito do batismo
e. Instrução pós-batismal -  Esse costume se estabeleceu no quarto
século, quando batismo e ceia eram mantidos em segredo por causa da
perseguição dos pagãos. Então, depois de batizados, os crentes eram
instruídos sobre o batismo e a ceia.

4. O batismo no culto nos dias de hoje


A lição mais valiosa que temos para o batismo em nossos cultos, nos dias de
hoje, é fazer um culto que reflita nossa teologia e o que o batismo significa.
Pensando assim, como deve ser o culto de batismo nos dias de hoje?
a. Deve haver uma exposição bíblica que explique o batismo e toda a
teologia que ele traz, numa linguagem acessível a todos, crentes e
descrentes.
b. A liturgia do culto deve ser cristocêntrica, ou seja, cada parte do culto
deve girar em torno da morte e ressurreição de Cristo.
c. As outras partes do culto devem ceder tempo à parte na qual o batismo
será realizado.
d. Uma manifestação da congregação ao receber os novos batizados
também deve ser incluída no culto.

II. A ceia do Senhor


A ceia é a segunda ordenança deixada pelo Senhor Jesus (Mt 26.17-30).

1. O significado
Assim como o batismo, a ceia é rica em seu simbolismo.
a. Os elementos simbolizam o corpo e o sangue de Jesus. Paulo ensina que a
celebração da ceia é um anúncio da morte do Senhor (1Co 11.26).
b. Ao participarmos da ceia devemos nos lembrar de que ela simboliza a
nossa apropriação dos benefícios que a morte de Cristo nos trouxe. Ao
tomarmos os elementos da ceia, louvamos a Deus pelos benefícios que
recebemos.
c. Jesus é o pão da vida. A ceia também nos lembra de Cristo como fonte de
alimento e força espiritual (Jo  6.53-57). É momento de comunhão com
Cristo!
d. Além da comunhão, a ceia nos lembra da comunhão da igreja que
participa do corpo de Cristo (1Co 10.17). É o momento de perdoar assim
como fomos perdoados e manter o relacionamento em dia.

2. Por que praticamos


Praticamos a ceia porque o Senhor Jesus nos ordenou. Em Lucas, o próprio
Jesus, ao celebrar a Páscoa com Seus discípulos, instituiu a ceia do
Senhor.  Paulo, escrevendo aos coríntios, transmite à igreja o ensinamento
que recebeu do Senhor (1Co 11.23). Portanto, faz parte da obediência da
igreja celebrar e participar da ceia.

3. A ceia no culto na igreja primitiva


A ceia ocupava lugar central na vida da igreja primitiva. Era celebrada a cada
culto. O foco de sua teologia, a ceia nunca deixou de ter importância para a
vida da igreja em toda a sua história. Para o cristão do primeiro século, a ceia
era a fonte de força espiritual para destruir os poderes do mal. O batismo era
o símbolo do início da vitória que o crente tinha em Cristo, e a ceia do
Senhor era a manutenção dessa vitória.

4. A ceia no culto nos dias de hoje


Como deve ser um culto de ceia? A ceia deve ser celebrada em clima de:
a. Proclamação -  A mensagem que acompanha a ceia é clara e por isso
deve ser cristocêntrica. Cada vez que celebramos a ceia, devemos também
proclamar o evangelho, a morte e a ressurreição de Cristo.
b. Comunhão - A mesa do Senhor nos lembra nossa comunhão com Ele e
também com os irmãos. Paulo diz que ninguém deve comer e beber sem
discernir o corpo (1Co 11.29). Aqueles irmãos estavam se comportando
de maneira egoísta. O apóstolo, fazendo alusão à igreja como corpo, diz
aos crentes que estavam ignorando a natureza da igreja. O texto ensina
que o relacionamento como corpo faz parte da própria natureza distinta
da igreja. E é nesse contexto que temos o autoexame.
c. Contrição - A ceia é motivo de alegria, mas também é momento solene.
É um momento para nos perguntarmos se temos agido de maneira
egoísta, se temos provocado contendas, se temos provocado inimizades.
Tudo isso se resume numa pergunta que nos ajuda nessa avaliação: temos
refletido o caráter de Cristo?
d. Adoração - Todas as vezes que estamos diante da realidade da ceia do
Senhor não temos outra reação a não ser ficar quebrantados diante de
todo o amor que o Senhor nos ofereceu. A ceia é um tempo de adoração.
Jesus, quando terminou de cear com os discípulos, cantou um hino e saiu
para o monte das Oliveiras.

aplicação

É importante que aqueles que trabalham no culto conversem e preparem esses


momentos. Durante a ceia, os instrumentos musicais devem ser tocados suavemente,
para que haja oportunidade de oração e comunhão com Deus e com os irmãos. O
ministrante do culto deve dar tempo para exame e confissão de pecados. A mensagem
deve ser clara a respeito do que a ceia significa: Jesus morreu pelos nossos pecados.

Conclusão
Batismo e ceia têm pelo menos três coisas em comum: são ordenanças,
símbolos e
expressões de nossa teologia.
Quando programamos um culto para praticar batismo ou ceia, devemos ser
cuidadosos e fazer com que nossa liturgia reflita a mensagem cristocêntrica
que eles trazem.
15
Cultos especiais
Pr. Evaldo Alencar de Lima

texto básico Salmo 136.1-26


versículo-chave 1Tessalonicenses 5.18

”Em tudo, deem graças, porque esta é a vontade de Deus para vocês em Cristo
Jesus.”

alvo da lição

Ao estudar esta lição, você entenderá que o culto especial precisa ser planejado
minuciosa e antecipadamente para que cada parte se harmonize com o todo e
cumpra o objetivo a que ele se propõe.

leia a Bíblia diariamente


seg Sl 137.1-9
ter Êx 15.1-19
qua Êx 15.20-21
qui Jo 2.1-11
sex 2Sm 6.12-19
sáb Lc 2.22-24
dom Mt 3.13-17

Sabemos que todos os cultos dedicados ao nosso Deus são especiais e


requerem o melhor dos que os preparam. Porém, há aqueles denominados
especiais porque são realizados por motivo de algum fato marcante na vida
de uma pessoa, família, igreja ou denominação. É um momento muito
importante na vida de qualquer comunidade aquele em que o Senhor é
adorado e glorificado por causa de algo específico.

A consagração de uma criança, um aniversário, uma formatura, uma


ordenação, um matrimônio, uma cura, um emprego; a vida, os
acontecimentos no decorrer dela e a morte, que marca o término da
existência sobre a Terra, são ocasiões oportunas para a realização de cultos
especiais.

Observemos alguns aspectos inerentes aos chamados cultos especiais.

I. A centralidade do culto especial


O que dá origem a um culto especial é algum acontecimento importante na
vida de alguém. Não obstante, não podemos esquecer a quem o culto será
prestado.
A modernidade construiu a tendência do culto em que o homem se torna a
razão do culto. Todos os detalhes são projetados para alcançar o agrado dos
adoradores. Os crentes saem do lar não tanto pensando no que vão oferecer
no culto, mas no que o culto pode lhes oferecer. O ser humano está cada vez
mais insatisfeito e, portanto, mais exigente. Se isso se percebe facilmente
quando o indivíduo exerce o papel de consumidor, vemos os mesmos sinais
quando se trata de assunto religioso, pois religião tem se transformado em
matéria de consumo. Assim como os produtos são descartáveis e
substituíveis, descartável e substituível tem sido, em nossos dias, a fé
religiosa.
Por isso, Jesus deve ser o centro em qualquer programação. Deus não divide
Sua glória com ninguém (Is  42.8). As pessoas podem ser elogiadas,
honradas, aplaudidas, desde que se tenha o devido conhecimento de que
uma é a honra da criatura, outra a do Criador.
João 2 registra o primeiro milagre de Jesus, que se deu em uma cerimônia de
casamento. Todos sabemos que em uma cerimônia de casamento quem
ocupa o centro das atenções são os noivos. Entretanto, em um determinado
momento em Caná, o foco foi transferido para a pessoa do Senhor. Jesus
tem que ocupar o centro das atenções mesmo em uma cerimônia de
casamento.

II. O preparo do culto especial


Entendemos que todos os acontecimentos na vida do crente são devidos ao
Senhor e é agradável a Ele que comemoremos com outros irmãos (Sl 133).
Cada culto especial tem razões diferentes para a sua realização e deve ser
preparado adequadamente. Ainda que em alguns casos a razão seja a mesma,
as pessoas, no entanto, não são. Pode até ser a mesma família que esteja
realizando um segundo culto de ação de graças, por exemplo, mas dentro do
coração dela paira a certeza de que aquele é único e exclusivo.
Por trás de cada evento, há expectativas que devem ser, dentro das devidas
proporções, satisfeitas. Os organizadores de tais cultos devem ser sensíveis,
familiarizando-se com as razões que darão ocasião à programação especial.
Assim, haverá maior probabilidade de haver harmonia entre o programa do
culto e o que o originou.
Espera-se, portanto, que quem organiza uma programação especial faça uso
do bom senso e da sensibilidade, e que tenha boa vontade de atender à
expectativa das pessoas em volta de quem a programação está sendo
realizada.

III. A música no culto especial


As letras das músicas cantadas devem estar em estreita harmonia com cada
tipo de celebração ou ajuntamento solene.
Tão importante quanto a letra de uma música é sua melodia. Na celebração
de um aniversário de criança, por exemplo, podemos encontrar várias
músicas que tenham letras apropriadas para a festividade, mas também
devemos analisar se a melodia é adequada.

No Antigo Testamento, vemos a nação de Israel expressando os


sentimentos por meio da música de forma apropriada com cada situação.

1. O cântico triunfante de Moisés


(Êx 15.1-19)
Quando Deus destruiu Faraó e seu exército no mar Vermelho, selando
definitivamente a libertação de Israel do jugo egípcio, Moisés cantou
exaltando a grandeza e o poder de Deus.

2. A antífona de Miriã e das mulheres


(Êx 15.20-21)
A letra da música de Miriã é quase idêntica ao verso inicial do cântico de
Moisés. O que fica em evidência é o ritmo da música de Miriã. É um ritmo
que envolve e convida o povo para a celebração da vitória, do triunfo. Todas
as mulheres seguiram Miriã e celebraram ao Senhor com música e dança.

3. O cântico alegre de Davi


(2Sm 6.12-19)
Neste texto está registrado o transporte da arca da casa de Obede-Edom
para Jerusalém. Durante o trajeto, houve celebração com muita música. Davi
dançou com todo ânimo.

4. O cântico triste do povo no exílio


(Sl 137)
Contrastando os cenários alegres e festivos de Moisés, Miriã e Davi,
encontramos este salmo que é uma canção triste e deprimente. O contexto
histórico do salmo nos leva a crer que sua melodia, assim como sua letra,
não deveria induzir à dança nem a brados de contentamento, mas ao pranto.

aplicação

A música no culto especial deve estar em harmonia com o que ele se propõe a realizar.

IV. A mensagem no culto especial


Nota-se facilmente quando a mensagem está em desarmonia com o tema do
culto. A proclamação da palavra do Senhor deve produzir edificação. A
mensagem, portanto, deve produzir a sensação de harmonia com o todo
quando o senso crítico de cada indivíduo for tocado. Com isso as portas da
edificação estarão abertas. O mensageiro deve estar familiarizado com a
programação, além de postar-se física e emocionalmente de acordo com ela.

V. A oportunidade evangelística no culto especial


Independentemente de qual seja o motivo que deu ocasião ao culto especial,
a proclamação do evangelho deve ocupar o ponto alto da pregação.

Há pessoas que só participam de uma programação evangélica nessas


ocasiões. São oportunidades únicas que devem ser devidamente
aproveitadas. Há pessoas que entram no templo somente porque há uma
programação, a seu ver, social. É o caso de um parente que mesmo não
sendo cristão participa da consagração da netinha, da celebração do
aniversário dela, quando convidado. É o ateu que participa da formatura do
colega. É toda a família que se reúne para ir ao casamento de um parente,
mesmo que muitos deles não concordem com a opção religiosa dos noivos.

A proclamação do evangelho em uma programação que em princípio não é


evangelística deve ser feita com tato, empregando-se palavras apropriadas ao
contexto e ao ambiente. Mensagens ficam marcadas por tempos, positiva ou
negativamente.
Dois exemplos dos apóstolos na igreja primitiva enfatizam esse princípio:

1. Pedro no dia de Pentecostes, perante o povo judeu


(At 2.14-41)
Neste sermão, Pedro citou bastante as Escrituras do Antigo Testamento,
porque era um povo versado nelas e dissertou muito sobre sua história,
levando o povo a conhecer Jesus como o Messias.

2. Paulo no Areópago de Atenas


(At 17.16-34)
A situação de Paulo em Atenas era totalmente diferente. Perante um povo
pagão, inclusive alguns filósofos, como os epicureus e estóicos que
ensinavam que o propósito da vida era o prazer e a liberdade da dor, paixões
e medo, Paulo fez um discurso apologético, começando onde o povo estava
e citando seus próprios poetas.

Um estudo comparativo desses dois discursos evangelísticos é muito


interessante.
Conclusão
O culto especial é para ser uma bênção na vida tanto de quem o solicita
como na vida de quem o organiza. Basta tomar os cuidados necessários e dar
a ele a atenção devida.

A gratidão é o sentimento responsável pela realização da maioria desses


cultos, senão por todos. Deus Se agrada de um coração grato, que reconhece
tudo quanto Dele recebe, sem a soberba de achar que Ele não faz mais do
que devia. Deus aprecia os humildes na mesma proporção que resiste aos
soberbos.
16
Cultos nos lares
Grupos Pequenos
Pr. Evaldo Alencar de Lima

texto básico Êxodo 18.1-27


versículo-chave Atos 5.42

”E todos os dias, no templo e de casa em casa, não cessavam de ensinar e de


pregar que Jesus é o Cristo.”

alvo da lição

Ao estudar esta lição, você compreenderá a importância da realização dos cultos


nos lares (pequenos grupos) e perceberá que essa prática beneficia a igreja.

leia a Bíblia diariamente


seg Lc 10.1-24
ter Êx 18.1-27
qua Nm 13.1-25
qui Cl 4.15
sex Rm 16.1-27
sáb Gn 2.15-18
dom Fm 1-4

Por que deve haver cultos nos lares? Qual a importância da igreja local
incentivar a formação de pequenos grupos? Deus criou o homem e disse que
não era bom que ele permanecesse só. Assim deveria ir acontecendo (Gn
2.24) na construção de novas células na sociedade.

No mundo há mais de 7 bilhões de pessoas. Entretanto, instintivamente o


homem cria pequenos grupos na escola, na empresa, porque em pequenos
grupos as pessoas funcionam melhor, produzem mais e é maior o senso de
pertencer e de ter significado.

I. Grupos pequenos na Bíblia


1. Moisés orientado pelo sogro
(Êx 18.1-27)
Moisés foi sabiamente aconselhado por seu sogro, Jetro, a dividir o povo de
Israel em grupos pequenos e estabelecer para cada grupo um líder. Isso
aliviou a carga de Moisés e facilitou a resolução dos problemas
apresentados.

2. Jesus em favor de grupos pequenos


(Mc 3.13-19)
Quando iniciou Seu ministério público, apesar do constante contato com as
multidões, escolheu apenas doze homens e os manteve próximos a Si. As
multidões conheceram Jesus por meio dos feitos Dele; os doze conheceram
Jesus pela convivência.

3. A igreja primitiva reuniu-se em casas


Os cristãos primitivos não concebiam a igreja como um lugar de culto como
se faz nos nossos dias. Igreja significava um corpo de pessoas numa relação
pessoal com Cristo. Os cristãos se reuniam no templo (At 5.12) até o
martírio de Estêvão; nos auditórios públicos de escolas (At 19.9) e nas
sinagogas (At 14.1,3; 17.1; 18.4) até quando foi permitido. Em virtude das
perseguições, a igreja primitiva se tornou uma igreja sem templo, e as
reuniões se davam principalmente nos lares (At 12.12; 
Rm 16.5, 23; Cl 4.15; Fm 1-4).
O livro  Koinonia  (Editora Abba Press) apresenta algumas razões por que
grupos pequenos têm sido estrutura facilitadora da igreja em todas as
culturas e em todos os tempos.

II. Aproxima as pessoas


Grupos pequenos aproximam as pessoas umas das outras.
O ambiente produzido pelo culto realizado no templo nos conduz à
contemplação espiritual ou ao desabrochar das emoções nos louvores. No
momento da ministração da Palavra, somos induzidos à reflexão. Nesses ou
em qualquer outro momento do culto, tudo é feito de forma individualizada.
Em outras palavras, o culto público proporciona o contato com Deus, mas
não com o meu próximo. É até bastante comum alguém entrar no templo,
adorar o Senhor, louvá-Lo, ouvir a mensagem e sair do culto sem saber
quem era a pessoa que estava ao seu lado. O mesmo não acontece no
ambiente que o culto nos lares proporciona. O culto nos lares, por sua
informalidade, favorece a comunhão com Deus e com o nosso irmão.

III. Novos cristãos


Grupos pequenos são “salas de parto” para novos cristãos.
O pequeno grupo, por ser uma reunião informal, facilita a integração de
pessoas que ainda não conhecem a Jesus como Senhor, facilitando a
evangelização. Uma experiência com Deus que a pessoa pode ver e ouvir de
perto, relatada por aquele que testemunha, pode abrir as portas da
compreensão do evangelho, que antes parecia teórico e impraticável.
Este era o método de Jesus. Ele escolheu doze homens para ouvir Sua
mensagem e ver Seu procedimento, para que depois os reproduzissem. Os
apóstolos ouviam o mais belo discurso sobre o amor e depois viam na vida e
nas atitudes de Jesus o amor em ação. Na oração sacerdotal, em João 17.21,
Jesus diz que, se a unidade entre Ele e o Pai fosse reproduzida pelos
discípulos, convenceriam o mundo de que Jesus fora enviado por Deus Pai.
O descrente precisa ver o evangelho funcionando na vida de pessoas, de
gente como ele. Dentro de um grupo pequeno, em reuniões periódicas e
constantes, o evangelho e a ação do Espírito Santo, manifestados na vida dos
filhos de Deus, têm o poder de esclarecer pouco a pouco as dúvidas dos
incrédulos.

IV. Novos líderes


Grupos pequenos são “salas de parto” para novos líderes.
As habilidades de cada um ficam mais evidentes dentro da realidade do
pequeno grupo – nas reuniões nos lares – do que no meio do auditório, nas
reuniões dominicais. Diante de grupo menor, as pessoas se expressam com
maior facilidade. Todas as atividades que a igreja precisa fazer não se
encontram dentro dos limites do templo. Nos grupos pequenos, o leque se
abre, e um maior número de pessoas pode participar de forma efetiva no
avanço do reino de Deus.

V. Cuidado com o rebanho


Grupos pequenos estendem os limites do cuidado do rebanho.
Paulo demonstra que os irmãos devem ajudar uns aos outros (Ef 4.25-32)
com amor, compreensão e perdão. Um único pastor não pode cuidar de
cada ovelha devidamente. Ele vai concentrar seus esforços nas que
necessitam de maiores cuidados. Cada um de nós precisa exercer a
mutualidade. Necessitamos dar e receber cuidados. O pastoreio mútuo deve
acontecer na dinâmica dos relacionamentos, na troca de experiências, na
simplicidade do dia a dia, nas visitas e nas conversas sem hora marcada.

VI. Processo de ensino-aprendizagem


Grupos pequenos facilitam o processo de ensino-aprendizagem.
A descentralização do ensino é fundamental para a saúde e o crescimento da
igreja. Nas reuniões nos lares, o conhecimento pode ser mais detalhado,
perguntas podem ser feitas por todos. Além disso, a mensagem é mais bem
assimilada quando transmitida de forma prática, em que se percebe que é
possível viver aquilo que se prega.

VII. Amor fraternal


Grupos pequenos viabilizam a concretização do amor fraternal.
Isso só é possível porque o pequeno grupo possibilita o entrosamento, a
familiaridade entre os irmãos. No grande ajuntamento é mais difícil saber se
a pessoa que se senta ao nosso lado está passando por algum problema ou
não; se está precisando de ajuda e se podemos ajudá-la.

VIII. Serviço ao próximo


Grupos pequenos abrem o leque de possibilidades de engajamento dos
cristãos em serviço ao próximo.
Como se percebe, os grupos pequenos favorecem os crentes com o
ambiente ideal para que cada um possa exercer o seu dom. Jesus ensina que
devemos atuar de forma diferenciada no mundo e que nossas boas obras
devem proclamar a Deus entre os homens a ponto de levá-los a glorificar o
Senhor (Mt 5.13-16). Tal trabalho deve ser feito em conjunto. Jesus
ensinou que discípulos deveriam trabalhar em conjunto. Jesus enviou os
discípulos dois a dois (Lc 10.1). Paulo fazia questão de relatar o nome de
pessoas que cooperavam com ele no ministério (Rm 16). No reino de Deus,
quando contamos o que fazemos, é importante perguntar e responder: com
quem? Quem está conosco em tal empreendimento? Quem são os nossos
cooperadores? Nos grupos pequenos, podemos encontrar pessoas que
tenham as mesmas aspirações ministeriais, que complementem a obra a ser
realizada.

Conclusão
Incentivar a criação de grupos pequenos não é moda teológica. Foi, é e
sempre será uma necessidade dentro da igreja local. Até que tudo funcione
com naturalidade, certamente há um árduo caminho a ser percorrido. Todos
os esforços dedicados no sentido de realizar cultos nos lares periodicamente
encontrarão recompensa. A igreja que investe neste ministério verá, na vida
de seus membros, resultados positivos, o que será refletido nela própria.

aplicação

Os contatos adquiridos na multidão são frios e impessoais. Os relacionamentos que


satisfazem são aqueles sustentados e alimentados pela proximidade adquirida por uma
saudável convivência.
17
O culto
doméstico
Pr. Wilson Nunes

texto básico 2Timóteo 3.15-17


versículo-chave Deuteronômios 11.19

“Ensinem essas palavras aos seus filhos, falando delas quando estiverem
sentados em casa, andando pelo caminho, quando se deitarem e quando se
levantarem.”

alvo da lição

Ao estudar esta lição, você vai aprender que ensinar a palavra de Deus,
registrada na Bíblia, é o melhor meio para manter sua família nos caminhos do
Senhor.

leia a Bíblia diariamente


seg Dt 6.4-12
ter Jz 2.7-10
qua Pv 22.6
qui Ef 4.21-25
sex Sl 127.1-5
sáb Sl 144.12-13
dom Pv 14.26

Podemos observar que existe uma tendência entre famílias crentes:


1. a primeira geração conhece a Deus;
2. a segunda geração conhece fatos sobre Deus;
3. a terceira geração não conhece a Deus.

A possibilidade desse desvio da fé não é privilégio do nosso tempo. Há três


mil e quinhentos anos, aproximadamente, Moisés, por inspiração divina,
previu o problema e deu este aviso à nação de Israel, que se pode ler em
Deuteronômio 6.10-12.
A grande tragédia é esta: as pessoas naturalmente se esquecem do Senhor.
Quem acharia possível que os filhos e netos da comunidade que passou pelo
deserto e viu tantos milagres e maravilhas abandonassem o Senhor que os
havia tirado do Egito? Apesar dessas experiências admiráveis, a nação de
Israel se esqueceu de seu Deus no decorrer de uma geração.
O livro de Juízes registra a sequência (Jz 2.10): “Toda aquela geração também
morreu e foi reunida a seus pais (que havia visto todos os grandiosos feitos de
Deus em favor de Israel –v.7) E, depois dela, se levantou uma nova geração, que
não conhecia o Senhor, nem as obras que ele havia feito por Israel.”
Será que esse esquecimento ocorreu da noite para o dia? Certamente, não.
Na verdade, foi a negligência dos pais em transmitir à geração seguinte as
palavras e os feitos de Deus que criou o contexto favorável para esse desvio
da fé.
Se os filhos deles se esqueceram do Senhor, como poderão escapar desse
destino?

I. O remédio: a Bíblia
(Dt 6.4-9)
O remédio divino para impedir o desvio espiritual dos membros de nossa
família consiste de fato de doses substanciais da palavra de Deus.
Contudo, nesse texto, a receita pede bem mais que “um versículo por dia
para espantar a apostasia”. Deus espera que Suas palavras e Seus feitos de tal
forma dominem a vida dos crentes que os pensamentos e as palavras deles
naturalmente se voltem para o Senhor o dia inteiro.

1. Espontaneidade e criatividade
Exige-se mais do que mero ritualismo religioso doméstico. Não adianta
apenas obrigar os filhos a irem à igreja, orar antes das refeições ou até
mesmo leituras diárias da Bíblia. Tudo isso é bom e deve ser praticado,
porém, não são em si suficientes para deter a imensa pressão que os nossos
filhos sofrem no mundo para abandonarem a fé.
A Bíblia exige criatividade, além da disciplina de usar os momentos formais
do dia a dia para exercitar os filhos na piedade. Como disse certo indivíduo:
Deuteronômio 6.4-9 exige “qualquer coisa, todas as coisas, em qualquer
lugar, em todos os lugares.”

2. Palavras e feitos
O versículo 4, que é a afirmação central da fé israelita, estabelece o alicerce
do texto.Essa verdade tão facilmente proclamada não é fácil aplicar. Os
versículos seguintes nos ensinam a pôr em ação a fé que afirmamos no
versículo citado.
a. Minha decisão: amar a Deus (v.5)
b. Minha ação: guardar Sua Palavra no coração (v.6)
c. Minha responsabilidade como pai:
• ensinar aos meus filhos (v.7):
• falando dela todo o dia (v.7);
• atando-a como lembrete (v.8);
• transcrevendo-a nos umbrais e nas portas (v.9).

II. O método: estudo da Bíblia


(Dt 6.4-9)
Todos nós, que lutamos para colocar em prática a instrução espiritual,
podemos ganhar desses versículos muitas orientações úteis. Aqui seguem
algumas.

1. Objetivo dos métodos instrutivos


Métodos instrutivos devem ter por objetivo desenvolver na criança o amor a
Deus (v.5). Nesse caso, a qualidade e não a quantidade é que deve imperar.
O tédio deve ser encarado como um hóspede indesejável no culto
doméstico.

2. Amor pela Palavra


O amor a Deus cresce pelo conhecimento da Sua Palavra (v.6).
Para que obedeçamos aos mandamentos de Deus, precisamos conhecê-los.A
instrução familiar deve oferecer tanto conteúdo quanto aplicação. Nossos
filhos devem perceber com nitidez o que esses mandamentos têm a ver com
a vida diária deles e como nós, os pais, os aplicamos em nossa vida.

3. Ensinamento por meio dos pais


O conhecimento da palavra de Deus ocorre quando os pais diligentemente
ensinam os filhos (v.7).

4. Método de ensino
O método pelo qual Deus treina homens e mulheres piedosos começa no
seminário do lar.
A escola bíblica, os clubes bíblicos, as escolas evangélicas e outros
programas podem suplementar o treinamento doméstico, mas não substituí-
lo. É importante lembrar que Deus dá aos pais a responsabilidade primária
de passar adiante o legado da fé cristã.

5. Envolvimento familiar
A família precisa estar envolvida com Deus o dia inteiro.

6. Tempo apropriado para ensinar


A palavra de Deus ensina quando é apropriado ensinar os filhos sobre as
palavras do Senhor (v.7).
a. A qualquer hora –  A instrução não deve ficar limitada a uma
devocional após o café da manhã ou a uma história antes de dormir. Até
mesmo os momentos mais rotineiros da vida oferecem ocasiões para
reflexão teológica espontânea e criativa. Por exemplo, achar o cãozinho
perdido pode estimular uma conversa sobre Lucas 15 e a alegria que Deus
sente pelo retorno dos filhos pródigos.
b. Nas horas apropriadas ao ensino – Estudos indicam que os
últimos pensamentos da noite provavelmente serão os primeiros da
manhã, e que os primeiros 
pensamentos da manhã provavelmente ecoarão durante o dia inteiro.
Deus requer os melhores momentos do dia para o ensino teórico e prático
de Sua Palavra.

7. Cuidados com a família


A família precisa cercar-se de recordações constantes da palavra de Deus
(v.8-9).
Os fariseus consideravam esta ordem tão literal que andavam com pequenas
caixas na testa contendo versículos bíblicos. De fato, esta prática se tornou
mais uma demonstração de hipocrisia do que de piedade. Mas é claro que o
fracasso dos fariseus não significa que devemos deixar a execução dessa
estratégia. Não há limites ao número de aplicações criativas desses
versículos: em quadros na parede, em adesivos de todos os tipos, em revistas
e livros evangélicos espalhados pela casa, em músicas espirituais sendo
tocadas frequentemente e em outros meios que lembrem da fidelidade de
Deus e ajudem a “vacinar” nossos filhos contra o desvio espiritual.

8. Flexibilidade e exemplo pessoal


A família precisa ser flexível quanto aos métodos e perceber o valor do
exemplo pessoal
Muitas famílias se sentem culpadas se não tiverem um período de devoção
todas as noites. A criança pode crescer num lar no qual não há devocionais
regulares, mas cujos pais ensinam sobre Deus e Sua obra a nosso favor em
todas as oportunidades. Esse método e o exemplo dos pais pode favorecer a
ação do Espírito Santo em sua futura conversão.

9. Sensibilidade aos filhos


A família precisa ser sensível às diferenças de idade dos filhos.
Cada família deve observar se o horário escolhido para o devocional está
adequado à idade da criança e às suas necessidades. Se já são adolescentes,
há que se observar seus compromissos com horários escolares (se precisam
acordar muito cedo). Nessa idade, eles já podem contribuir (participar) de
maneira mais ativa no devocional familiar, tornando-o mais atraente.

Conclusão
Os israelitas tinham muitos memoriais, lembranças e tradições que lhes
ofereciam oportunidades de devocionais espontâneos. As orientações dadas
por Deus eram para que não fossem momentos limitados nem monótonos,
mas para que ocorressem naturalmente, quando as pessoas se sentavam em
suas casas, andavam pelo caminho, se deitavam e se levantavam (Dt 6.7).

aplicação

Os pais devem procurar meios para realizar devocionais que sejam momentos
agradáveis e interessantes para a família, em que todos tenham oportunidade de
participar de alguma forma, despertando o desejo de aprender sempre mais sobre Deus
e Sua vontade para cada vida.

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