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Acelino Pontes

Fenomenologia Humana
- cotidiano e o trágico sar-
treano ‘As Moscas’

Fortaleza
2011
Epígrafe

“Sinto Vergonha de Mim

Sinto vergonha de mim


por ter sido educador de parte desse povo,
por ter batalhado sempre pela justiça,
por compactuar com a honestidade,
por primar pela verdade
e por ver este povo já chamado varonil
enveredar pelo caminho da desonra.

Sinto vergonha de mim


por ter feito parte de uma era
que lutou pela democracia,
pela liberdade de ser
e ter que entregar aos meus filhos,
simples e abominavelmente,
a derrota das virtudes pelos vícios,
a ausência da sensatez
no julgamento da verdade,
a negligência com a família,
célula-mater da sociedade,
a demasiada preocupação
com o "eu" feliz a qualquer custo,
buscando a tal "felicidade"
em caminhos eivados de desrespeito
para com o seu próximo.

Tenho vergonha de mim


pela passividade em ouvir,
sem despejar meu verbo,
a tantas desculpas ditadas
pelo orgulho e vaidade,
a tanta falta de humildade
para reconhecer um erro cometido,
a tantos "floreios" para justificar
atos criminosos,
a tanta relutância
em esquecer a antiga posição
de sempre "contestar",
voltar atrás
e mudar o futuro.
Tenho vergonha de mim
pois faço parte de um povo que não reconheço,
enveredando por caminhos
que não quero percorrer...

Tenho vergonha da minha impotência,


da minha falta de garra,
das minhas desilusões
e do meu cansaço.
Não tenho para onde ir
pois amo este meu chão,
vibro ao ouvir meu Hino
e jamais usei a minha Bandeira
para enxugar o meu suor
ou enrolar meu corpo
na pecaminosa manifestação de nacionalidade.

Ao lado da vergonha de mim,


tenho tanta pena de ti,
povo brasileiro!

De tanto ver triunfar as nulidades,


de tanto ver prosperar a desonra,
de tanto ver crescer a injustiça,
de tanto ver agigantarem- se os poderes
nas mãos dos maus,
o homem chega a desanimar da virtude,
A rir-se da honra,
a ter vergonha de ser honesto.
Rui Barbosa

Não há como pensar e ser futuro sem a Filosofia.

O autor
Resumo

Através da análise fenomenológica da tragédia de ‘As Moscas’ se traça para-


lelas existentes entre situações do cotidiano. Nessa análise há ênfase em re-
lação à prática dos fenômenos contemporâneos do bullying, do mobbing, da
intriga, da Síndrome do Pequeno Poder.

Assim, se aponta situações reais presentes no cotidiano, onde se vislumbra a


existência desses fenômenos e seus efeitos, como cardiopatias, pressão arte-
rial alta, câncer, distúrbios endocrinológicos, doenças do aparelho digestivo,
doenças e anomalias psíquicas graves, estresse severo, síndrome de dupla
personalidade, etc.

Palavras – Chaves: Fenomenologia Humana – Bullying – Mobbing – Intriga -


Síndrome do Pequeno Poder.

Zusammenfassung

Durch die phänomenologische Analyse der Tragödie "Die Fliegen" wird in


Alltagssituationen bestehende Parallele aufgezeigt. In dieser Analyse liegt der
Schwerpunkt auf der Praxis der zeitgenössischen Erscheinungen des
Bullyings, des Mobbings, der Heimtücke, des Syndroms der Kleinen Macht.

Alsdann werden reale Situationen im Täglichen behandelt, wo die Existenz


dieser Phänomene und ihrer Auswirkungen, wie etwa Herzkrankheiten,
Bluthochdruck, Krebs, Hormonstörungen, Erkrankungen des Verdau-
ungssystems, schwere psychischen Erkrankungen und Anomalien, starkes
Stress-Syndrom, Syndrom der doppelten Persönlichkeit, usw.

Stichwörter: Humanphänomenologie - Bullying - Mobbing - Heimtücke -


Syndrom der Kleinen Macht.
1. Introdução

A relação do humano com o humano é um dos problemas mais discu-


tidos e mais complexos da nossa realidade. Não há como negar a tendência
individual e egoística do ser humano em todas as suas relações com o uni-
versal. Constatamos sempre a tendência de uma relação do eu para o eu,
enquanto o dever ser obriga o desenvolvimento da relação do eu para o tu e
para o nós, ainda o da relação do eu com a natureza e a com o universo. A-
qui reside a grande dificuldade do homem.
Dentro dessa óptica se faz necessário procurar, no âmago da existên-
cia do homem e de seu ontológico surgir, os fundamentos que levam o ho-
mem a apresentar desvios de comportamento na sua relação com o outro,
com a comunidade, com o seu habitat e com o universo.

1a. Justificativa

O terceiro milênio nos surpreendeu com o surgimento de várias novas


desviações comportamentais do homem, que geram grandes conflitos sociais,
econômicos e filosóficos, conflitos de extrema gravidade, que levam às dispu-
tas bélicas dizimantes, à fome e à miséria, em especial, à miséria espiritual.
A partir dessa evolução eclode uma preocupação e tensão na gestão de
indivíduos. A convivência das pessoas em grupos, instituições e empresas se
tornam foco de grandes conflitos, gerando novas doenças e síndromes.
Destarte, se faz necessário um estudo aprofundado sobre esses fenô-
menos, para se conseguir vislumbrar melhores tempos na relação comunitá-
ria e social.

1b. Objetivos
Numa fase preliminar, ideologicamente e a partir da análise do concei-
to ‘Fenomenologia do Brasileiro’ procura-se estabelecer a abrangência do
conceito ‘cidadão’, já que aquele articula o campo de ação do cidadão.
Ao estudo dos sistemas das desviações comportamentais, que permei-
am e viabilizam todo o processo social do cidadão, se procura encontrar a-
costo acadêmico para justificar e possibilitar o exercício de uma relação co-
munitária e social mais adequada e saudável.

1c. Metodologia

No presente estudo aplica-se método qualitativo com abordagem des-


critiva, interpretativa, observacional.
Da revisão literária se aclara e se remata conceitos essenciais para o
manejo do estudo, identificando embasamento para o desenvolvimento do
trabalho. Daí também se consubstancia aspectos e perspectivas de reconhe-
cida dessuetude no convencional do processo social.
Ao destilar o procedere metodológico seqüencial, encontramos, nos di-
versos tópicos a análise dos diversos fenômenos comportamentais.

2. O con ceit o 'Fen omen ologia do Brasileir o'

Na sua análise sobre a situação do Homem no Brasil, em seu trabalho


“Fenomenologia do Brasileiro”, Vilém Flusser anota:

O homem é um ente essencialmente perdido e, quando se dá conta, procura


encontrar-se. (FLUSSER, 1994)

E diz mais:

“Esta sentença pode ser lida em vários níveis, por exemplo, no nível religioso
ou no nível de um bandeirante no sertão, e seu sentido é sempre este: a deci-
são de tomar caminho (ou abrir caminho) depende sempre de um mapa da si-
tuação na qual o homem se encontra. Isto significa que toda decisão depende
não apenas da posição das coisas, mas também da imagem que fazemos da po-
sição das coisas (provavelmente isto tem muito a ver com o problema da li-
berdade).” (Ibid.)

A grande questão do brasileiro, ainda é ‘a decisão de tomar caminho’,


não muito distante disso estamos nós no aqui e agora.
Tomando como intróito desta análise, recorremos à lição exposta a tí-
tulo de conclusão final do acima referido trabalho, que nos ensina:

“Eis o diagnóstico e o prognóstico para o brasileiro atual do ponto de vista de


um imigrante que se engaja nele e com ele: o Brasil é país miserável, há fome e
há doenças, grande parte da população vegeta em primitividade secundária,
encontra-se condicionado por natureza pérfida e forças externas. Em tal situa-
ção de miséria, porém, existem germes de um projeto brasileiro, o qual, me-
diante síntese de elementos heterogêneos, visa a uma nova maneira de vida
humana, digna, lúdica e criadora.

[...] O projeto, embora apenas germe, está aqui, não é mera fantasia, por mais
que várias ideologias o queiram negar porque o projeto se opõe ao progresso
por elas visado.

[...] Fazer mais automóveis, ou mais um livro, seria tão absurdo quanto o é na
Europa e nos Estados Unidos. A sensação do absurdo não caracteriza o Brasil
justamente porque existe o projeto.

[...] quem se engaja nele poderá dizer, na hora da morte, que não viveu intei-
ramente sem sentido - embora tal afirmativa vá passar pelo crivo da hora da
morte, cheirando, no momento, perigosamente, a demagogia.

O problema é este: no fundo, quando se trata de dar sentido à vida, quando se


trata de engajar-se, quando se trata de "um novo homem", é da religiosidade
que se trata.” (Ibid.)

O projeto aqui apontado, nem sempre fica claro para os brasileiros,


que gostam de ver os projetos dos outros e pouco se interessam pelo seu
próprio projeto. E quando tem projeto, ‘é da religiosidade que se trata’ . . .
Em Sartre, d’As Moscas’ vislumbramos com entusiasmo extremo o seu
engajamento pela resistência e apontamento da tragédia francesa ante o ter-
ror nazista e a conivência criminosa dos colaboracionistas. Mas em nenhum
momento reconhecemos qualquer paralela com o nosso cotidiano. Muito nos
preocupa encontrar o significado das moscas, de Oreste, de Eletra e de ou-
tros personagens e fenômenos da peça sartreana, mas jamais encontrar em
nós o nosso cotidiano e os nossos fenômenos existencialistas.
Ao delinear as paralelas simbólicas aqui apontadas, necessita-se obri-
gatoriamente reconhecer os fenômenos que aterrorizam os oprimidos, a gui-
za de exemplo, refletidos no nosso cotidiano, postula-se os fenômenos com-
portamentais humanos aqui tratados.
Retomando o caminho ontológico, tomamos de Russell (1912, p.119),
que ensina ser “exclusivamente entre os bens do espírito que o valor da filoso-
fia deve ser procurado”. Mas, será que seria um bem no sentido kantiniano
do conceito Vermögen? Tudo indica que sim, pois aquele autor vislumbra na
filosofia a função a precursora da ciência especial: astronomia, psicologia,
etc. Disso se deva concluir que ela também seja precursora de outros bens
espirituais como a felicidade e a sabedoria, do patrimônio ético do homem,
bem como de todos os parâmetros de orientação da vida, numa ligação onto-
lógica e indisponível, ainda presente em toda a amplitude do agir do ser hu-
mano. Por fim, em Russell, encontramos também que a Filosofia visa o co-
nhecimento, pelo que se conclui ser o bem filosófico russelliano Vermögen,
bem do espírito, patrimônio cultural e científico, sabença, erudição.
Com Russell o conflito posteriormente alçado se apresenta mais apa-
rente do que real, já que “os problemas para os quais já se tem respostas po-
sitivas vão sendo colocados nas ciências, enquanto que aqueles para os quais
não se encontrou até hoje nenhuma resposta exata, continuam a constituir es-
se resíduo que denominamos de filosofia” (Ibid.). É a questão da qualidade
precursora da Filosofia: as ciências exatas lançam-lhe as questões, a Filoso-
fia devolve soluções. E nessa convicção, Russell nos ensina: “O valor da filo-
sofia, na realidade, deve ser buscado, em grande medida, na sua própria in-
certeza.”
Contudo ressalta os escritos de Russell (1912, p.122) que não é o en-
contrar a verdade o grande fruto da contemplação filosófica, mais ainda, é
intentar a busca da verdade, e isso, “por causa dos próprios problemas, por-
que esses problemas ampliam as concepções que temos acerca do que é pos-
sível, enriquecem a nossa imaginação intelectual e diminuem a arrogância
dogmática que impede a especulação mental; mas sobretudo porque, graças à
grandeza do universo que a filosofia contempla, a mente também engrandece
e se torna capaz daquela união com o universo que constitui seu bem supre-
mo”.
Os estudos desses autores se aproximam da questão da Aufklärung [i-
luminação, esclarecimento] em Kant (1977; 1985), onde se vislumbra alguns
importantes aspectos que venham caracterizar a fenomenologia humana,
enquanto dever ser. De início ele anota que a „Aufklãrung [iluminação, escla-
recimento] é a emergência do homem de sua própria auto-infligida imaturida-
de”1. E Kant explica com precisão o termo Unmündlichkeit [imaturidade]: “I-
maturidade é a incapacidade de uso de seu entendimento sem a orientação
de um outro”2. Então, as nossas ‘moscas’ têm a qualidade de Unmündlichkeit
[imaturidade]?
E Kant (Ibd.) continua:

“Assim é difícil individualmente para cada pessoa se livrar da imaturidade, que


quase se tornou a sua natureza. 3

[...] Consequentemente, existem só poucos que conseguiram se desvendar da


imaturidade pela transformação do próprio espírito, e ainda empreender um
andar seguro.” 4

A imaturidade apontada por Kant leva à necessidade das pessoas co-


muns consigam encontrar a Aufklãrung, que mais ainda se faz necessária no
momento em que Kant (1783) discorre sobre o juízo sintético e analítico.
Dessas reflexões, em analisar a crise do relacionamento humano, par-
tindo da fenomenologia humana, pensando com Sartre, com Russell ou com
Kant, decididamente, se chega sempre à conclusão de que somente a Filoso-
fia poderá apresentar a decisiva contribuição para o apaziguamento das re-
lações entre humanos.

3. Bullyin g

1
“Aufklärung ist der Ausgang des Menschen aus seiner selbst verschuldeten Unmündigkeit.“
2
„Unmündigkeit ist das Unvermögen, sich seines Verstandes ohne Leitung eines anderen zu bedienen.“
3
„Es ist also für jeden einzelnen Menschen schwer, sich aus der ihm beinahe zur Natur gewordenen Unmündigkeit herauszuarbeiten.“
4
„Daher gibt es nur wenige, denen es gelungen ist, durch eigene Bearbeitung ihres Geistes sich aus der Unmündigkeit her aus zu wickeln, und
dennoch einen sicheren Gang zu tun.“
A circunspeção do conceito Bullying, termo originário da lingua ingle-
as, nos leva a caracterizá-lo como atos de violência física ou psicológica, in-
tencionais e, obrigatoriamente, de caráter repetitivo, praticados por indivi-
duo ou grupo de indivíduos, com o objetivo de intimidar ou agredir outro in-
divíduo (ou grupo de indivíduos) incapazes de se defender, com expressão
“verbal (insultar, ofender, falar mal, colocar apelidos pejorativos, “zoar”), física
e material (bater, empurrar, beliscar, roubar, furtar ou destruir pertences da
vítima), psicológica e moral (humilhar, excluir, discriminar, chantagear, intimi-
dar, difamar), sexual (abusar, violentar, assediar, insinuar), virtual ou ciber-
bullying (bullying realizado por meio de ferramentas tecnológicas: celulares,
filmadoras, internet etc.)” (SILVA, 2010).
Trafegar na história do Bullying nos leva à constatação de que se trata
essencialmente de uma grave intimidação, “embora muitos entendam que se
trata daquela velha brincadeira, que sempre existiu às vezes sem graça, em
que pessoas são apelidadas conforme suas particularidades, na verdade, o
bullying não é uma brincadeira” (ESCOREL; BARROS, 2008)
Ressaltamos aqui, a título de exemplo, algumas situações característi-
cas do Bullying: espalhar comentários desairosos; recusa em se socializar
com a vítima; intimidar outras pessoas que desejam se socializar com a víti-
ma; criticar o modo de vestir ou outros aspectos socialmente significativos
(incluindo a etnia da vítima, religião, incapacidades, etc); apor denominações
como “baleia”, “filhinho de papai”, “playboy”, “neguinho”, “negão”, “CDF” e
muitos outros apelidos e caracterizações que são aplicados em todos os am-
bientes sem qualquer restrição ou reflexão.
Nessa linha de percepção, o fenômeno Bullying resulta na incapacida-
de de criação de um bom clima de relacionamento nas comunidades e gru-
pos, resultando em grandes prejuízos, inclusive de vidas humanas.
Dentro dessa análise não se deve deixar de discorrer sobre o ciberbull-
ying que infesta a rede mundial de computadores (internet) com um efeito
multiplicador do sofrimento das vítimas em proporções inimaginável, com
uma velocidade instantânea e abrangência mundial. De forma perversa e
fulminante se produz humilhação, maltratação, constrangimento, bem como
terrorismo psicológico em larga escala e com dimensões que extrapolam
qualquer controle.
Como efeito direto nas vítimas causado pela prática do Bullying se a-
ponta: “baixo rendimento escolar, absenteísmo e evasão escolar, déficits de
atenção e concentração, depressão, transtornos ansiosos, estresse, ideações
suicidas, alterações do humor” (ESCOREL; BARROS, 2008).
A legislação brasileira caracteriza a incidência do Bullying como crime.
O artigo 144 do Código Penal prevêo que se segue:

“Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, ou depois de lhe


haver reduzido, por qualquer outro meio, a capacidade de resistência, é crime
de constrangimento ilegal.”

Já o artigo 147 do mesmo diploma legal determina, in verbis:

“Ameaçar alguém, por palavra, escrita ou gesto, ou qualquer outro meio sim-
bólico, também é crime e o autor deverá responder na justiça.”

No Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei n.º 8.069/90) encontra-


mos em seu artigo 5º, in litteris:

“Nenhuma criança ou adolescente será objeto de qualquer forma de negligên-


cia, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão, punido na
forma da lei qualquer atentado, por ação ou omissão, aos seus diretos funda-
mentais.”

Mais adiante o mesmo Estatuto, em seu art. 17, aduz ad litteram:

“O direito ao respeito consiste na inviolabilidade da integridade física, psíquica


e moral da criança e do adolescente, abrangendo a preservação da imagem, da
identidade, da autonomia, dos valores, idéias e crenças, dos espaços e objetos
pessoais.”

4. Mobbing

Leymann (appud GUIMARÃES; RIMOLI, 2006) define Mobbing

“como o fenômeno no qual uma pessoa ou grupo de pessoas exerce violência


psicológica extrema, de foram sistemática e recorrente e durante um tempo
prolongado – por mais de seis meses e que os ataques se repitam numa fre-
qüência média de duas vezes na semana – sobre outra pessoa no local de traba-
lho, com a finalidade de destruir as redes de comunicação da vítima ou víti-
mas, destruir sua reputação, perturbar a execução de seu trabalho e conseguir
finalmente que essa pessoa ou pessoas acabe abandonando o local de trabalho
(Leymann, 1990, p. 121)”.

Em seu livro “Mobbing” (1990, p. 8) ainda arrazoa Leymann (appud


GUIMARÃES; RIMOLI, 2006):

“[...] os conflitos são inevitáveis [...] não estamos falando aqui, do conflito.
Nos referimos a um tipo de situação comunicacional que ameaça infligir ao in-
dividuo graves prejuízos psíquicos e físicos. O mobbing é um processo de des-
truição; compõe-se de uma série de atuações hostis que, se vistas de forma iso-
lada, poderiam parecer anódinas, mas cuja repetição constante tem efeitos
perniciosos”.

Ainda citando o mesmo autor, GUIMARÃES et RIMOLI (2006, p.187-


188) classificam 5 fases na evolução do Mobbing, que abaixo se indica:

“1ª) Fase de conflito: Conflitos interpessoais normais entre pessoas com inte-
resses e objetivos distintos ou até mesmo incompatíveis geram problemas pon-
tuais, atritos e choques entre as pessoas, os quais poderiam ser resolvidos de
forma positiva através do diálogo. Caso contrário, quando estes conflitos pon-
tuais começam a estigmatizar-se, se produz um ponto de inflexão nas relações,
constituindo-se em ponto de partida de uma escalada de enfrentamentos.

2ª) Fase de mobbing ou de estigmatização: Nesta fase, o assediador põe em


prática toda uma estratégia de humilhações de sua vítima, utilizando para isso,
sistematicamente e durante um tempo prolongado, uma série de comporta-
mentos perversos, cujo objetivo é ridicularizar e isolar socialmente a vítima.
Esta segunda fase já é propriamente o mobbing. A vítima não consegue acredi-
tar no que está acontecendo e pode chegar inclusive à negação das evidências
mediante passividade ou a evitação do fenômeno para o resto do grupo ao qual
pertence. Esta fase é de grande duração (segundo Leymann, de um a três anos)
e serve para estigmatizar a vítima com o consentimento e inclusive com a co-
laboração ativa ou passiva do meio.

3ª) Fase de intervenção na empresa: A direção da empresa toma conhecimento


do conflito, caso não se trate de uma estratégia empresarial pré-concebida, na
qual a origem do problema estaria na própria empresa. Duas formas de atua-
ção podem ser postas em prática, geralmente pelo departamento de recursos
humanos ou pela direção de pessoal [...].

4ª) Fase de marginalização ou exclusão da vida laboral: Esta última fase se en-
cerra com a vítima abandonando seu emprego, muito provavelmente depois
de haver passado por vários e prolongados períodos de licença. Os(as) traba-
lhadores(as) das administrações públicas defrontam-se ao pedir mudanças do
local de trabalho, com poucas ocasiões nas quais as mesmas se materializam.
Nas empresas privadas parte das vítimas decide permanecer/agüentar heroi-
camente em seu posto de trabalho passando por um calvário que tem conse-
qüências deletérias para sua saúde. Alguns sofrem o agravamento do proble-
ma, tanto dentro como fora da empresa. Nos casos mais extremos, os traba-
lhadores(as) assediados podem chegar ao suicídio.”

De todo o exposto se toma que o Mobbing é um fenômeno que se de-


senvolve preferencialmente no ambiente de trabalho. Entrementes, isso não
impede que o mesmo venha ocorrer no ambiente da ‘grande família’, das
ONGs, instituições em geral e agremiações de todo o tipo, em especial nas
agremiações de caráter político, religioso, militâncias, nas instituições de en-
sino, etc.
Da mesma forma, a legislação indicada no tópico anterior, conforme o
caso específico, também pode ser aplicada à prática do Mobbing, pois esse
apresenta efeitos e danos equivalentes aos causados pelo Bullying.

5. Síndr om e do Pequ eno Poder

Para definir essa síndrome, não se pode deixar de analisar o relato do


cronista SEGRETO (2006) sobre fatos e atos da História do Brasil:

“Na história da escravidão no Brasil, os capitães-do-mato eram contratados por


seus senhores para “caçar” escravos fugidos. Estabelecer uma aliança com o
“senhor” dava, ao capitão-domato, uma aura de prestígio: o oprimido invertia
a relação de opressão quando, surgida a oportunidade de “poder”, passava a
perseguir. Colocar o oprimido contra o oprimido foi – e ainda é – uma forma
atroz de o opressor perpetuar o ideário de opressão1. E esse método pode ser
identificado, por exemplo, em estratégias disciplinares aparentemente ingê-
nuas adotadas já em nossas escolas: o professor que (ainda?) elege um deter-
minado aluno para “capitão-domato” dentro de sala de aula. O menino-capitão
é designado para delatar os colegas de classe que, porventura, transgridam as
normas estabelecidas. Nessa dinâmica de troca de papéis, as representações se
invertem, e a “autoridade” do professor passa a ser incorporada pelo menino-
capitão que projeta, em sua relação com seus iguais, a aura de poder que acre-
dita lhe atribuir prestígio e status. Obviamente, a dinâmica metodológica des-
sas relações ocorre, na maioria das vezes, inconsciente no que tange às causas,
porém extremamente consciente de seus efeitos. É através dessa contínua luta
pelo “posto do opressor” que, ao longo de nossa história, construímos e crista-
lizamos a ideologia do poder.”

Esse conceito de ‘menino-capitão’ inegavelmente é o que melhor carac-


teriza a Síndrome do Pequeno Poder: alguém frágil, pequeno, inexperiente,
adquire autoridade sobre outros. Daí exsurge o conflito de personalidade que
leva ao exercício do poder de forma totalmente desacordada com a persona-
lidade do detentor desse poder. Esse conflito vai determinar a relação entre o
‘chefe’ e os comandados.
Daí, verificamos um ‘espetáculo de poder’, onde o frágil, pequeno e i-
nexperiente se expõem à necessidade de ser chefe, senhor, dominador. É a
pura opressão em nome de uma ilusão do ser o que não se é.
Esse fenômeno também é descrito como “uma atitude de autoritarismo
por parte de um indivíduo que ao receber um poder, o usa de forma absoluta-
mente imperativa sem se preocupar com os provlemas periféricos que posa vir
a ocasionar” (WIKIPÉDIA, [s.d.]). Contudo, também ocorre identicamente e
sempre em estado de falta de culpa, quando um indivíduo não se conscienti-
sa de sua pequena parcela de poder e tenta exorbitar de sua autoridade e
poder.
A desenvoltura desse distúrbio sindromal realça um superficial encan-
to para o portador, mas finda por coisificar as pessoas, usando-as e descar-
tando-as conforme suas necessidades e de como lhe servem. As pessoas se
tornam ferramentas a mister das “próprias manifestações neuróticas, aluci-
nógenas e delíricas” (PRATA, 2010).
Há autores que desejam ver a associação da Síndrome do Pequeno Po-
der com outros distúrbios pscicológicos como a Síndrome da Personalidade
Possessiva e Obssessiva ou Síndrome do Narcisismo Maligno (Ibd.). Real-
mente, há coneção através de sintomática comum. Entrementes, vemos co-
mo fatores bem mais válidos na constituição do quadro psíquico-patológico
da Síndrome do Pequeno Poder com outras tessituras indicadas pelo próprio
PRATA (2010):

“[...] (PATRIARCALISMO) relações familiares e de gênero entre o homem e


a mulher, (ADULTOCENTRISMO) relações familiares entre pai e filhos e
(SUBORDINAÇÃO) assimetria de relações de gênero entre homem e mulher
e ainda de ingerência exacerbada da chefia para com os chefiados.”

Com base em SAFFIOTI (1989) vislumbramos a dimensão de que o


problema é social e não individual. E realmente há uma conotação social
quando vemos alguns exemplos como os abaixo indicados:
• Vou chamar o meu advogado!
• Vou telefonar para o meu contador!
• Estou indo para uma consulta com o meu Médico!
• Eu estou fazendo um evento!
• Eu convoquei esta reunião!

Como se verifica acima, as frases só têm efeito no ambiente social, mas


jamais na individualidade. Assim, o efeito só se realiza no ambiente das rela-
ções sociais e comunitárias. Daí, tenha assim concluído SAFFIOTI (1989).

6. A Intriga

Num ensaio sobre o tema, o autor relata sobre a intriga o que segue
(PONTES [1], [2], 1998, 2011):

A anatomia da intriga revela três elementos básicos: o intrigante, o intriguista


e o intrigado. O Intrigante é geralmente pessoa de nível intelectual extrema-
mente baixo, descontente com seus próprios feitos e realizações e que, por
sentimento de inveja e de até ódio, procura prejudicar àqueles que têm a cora-
gem de produzir e realizar em benefício da comunidade. O intriguista (veículo
de divulgação e propagador) tem como característica principal uma frágil per-
sonalidade, permitindo facilmente sua manipulação pelo intrigante; outra
premissa é a sua marcante incapacidade ou impossibilidade de avaliar a veros-
simidade das informações recebidas. O intriguista e intrigante jamais procu-
ram a verdade dos fatos. O intrigado tem obrigatoriamente como qualidades
natas a inteligência e o impulso de realizar, construir e criar, qualidades estas,
que incomodam.

A exemplificação de um quadro típico de intriga se demonstra no rela-


to abaixo (Ibid.):

Na sua formação, a intriga requer uma estória com fatos contrários ao ideal e,
principalmente, à realidade (ex.: o padre visita regularmente uma amante).
No segundo momento requer, que ao ser repassada a estória, o intriguista es-
teja intelectualmente incapacitado, fisica- ou ideologicamente impossibilitado
de captar a verdade nos fatos. No exemplo apresentado, dificilmente os paro-
quianos indagar-se-iam com o pároco sobre um seu possível relacionamento
amoroso. É importante ressaltar, que a malha da intriga, jamais repassa a estó-
ria a alguém do conhecimento ou da amizade do intrigado, sob pena de a intri-
ga ser esclarecida e perder assim seu efeito social, econômico e político. Há
quem discuta também o efeito da intriga sobre o poder, mas existe: se ela não
intenta em ganho de poder para o intrigante, implica em perda de poder para
o intrigado.

Contudo, ressalta ainda o autor em seu essay (Ibid, appud WEISCHE-


DEL, 1956-1964):

Existe um comprometimento decisivo do intriguista na propagação da intriga.


Ele desconfia da falsidade da estória e evita repassá-la para os íntimos do intri-
gado; no íntimo, deseja que ela prospere como se isto apagasse seus infortú-
nios pessoais. Portanto, consciente ou não, há sempre uma co-
responsabilidade por parte dos intriguistas, até porque não possuem a habili-
dade nem mesmo de criar as suas próprias estórias e tentam embebedar-se dos
efeitos da astúcia da obra alheia.

A intriga é, em essência, uma mentira estruturada. Kant definiu-a “como uma


declaração intencionalmente não verdadeira feita a outro homem“ e que “prejudica
sempre uma outra pessoa, mesmo quando não um outro homem determinado e sim a hu-
manidade em geral, ao inutilizar a fonte do direito.”

Inclusive, ainda citando Kant, o autor acrescenta em seu supra citado


trabalho a classificação que Kant formula na anatomização da intriga, ex-
pressa nas seguintes máximas sofísticas da mentira estruturada (Ibid, ap-
pud id.):

1. “Fac et excusa. Apodera-te da ocasião favorável para te apossares de teu


próprio poder. A justificação será exposta com muito mais facilidade e elegân-
cia, depois do fato” consumado, quando se tem tempo suficiente para dissimu-
lar a violenta posse da situação. Além do que, o se antecipar pela violência é
bem mais fácil e sem necessidade de refletir ou de procurar motivos válidos e
convincentes, tampouco se precisa vencer objeções dos que defendem o Direi-
to. “Esta própria ousadia dá uma certa aparência de convicção interior à legi-
timidade do fato, e o deus bonus eventus é em seguida o melhor advogado.”

2. “Si fecisti, nega. Os delitos que tu mesmo cometeste, por exemplo, os


que levaram teu povo ao desespero e à revolta, nega-os, declarando não teres
a culpa deles; afirma, ao contrário, que a culpa é do humor desobediente dos
súditos, ou também, se te apoderas de um povo vizinho, a culpa é da natureza
do homem, que, quando não se antecipa ao outro em violência, pode contar
seguramente que este segundo se antecipará e se apoderará dele.”

3. “Divide et impera. Isto é: se existem em teu povo certos chefes privilegi-


ados, que unicamente te escolheram como seu chefe supremo (primus inter
pares), desune-os um depois do outro e introduz a discórdia entre eles e teu
povo; fica então ao lado do último, sob o pretexto mentiroso de maior liber-
dade, e assim tudo dependerá de tua vontade absoluta.”
Tais estruturações vêm de encontro ao que queremos demonstrar. A
intriga, tanto quanto o Bullying, o Mobbing e a Síndrome do Pequeno Poder
contribue essencialmente no hoje contemporâneo para destruir as relações
sociais, como ‘As Moscas’ de Sartre, no período de resistência ao nazismo.
Pois, assim conclui o autor em seu ensaio aqui analizado:

E a conclusão de Kant em 1781: “Estas máximas políticas não enganarão a nin-


guém, pois são todas já universalmente conhecidas.” Mas a realidade é outra:
estas máximas foram ao longo dos tempos estruturando a intriga, que também
vem dizimando não só o Estado, como também a sociedade emergente, pela
fragilidade da sua estrutura funcional.

A violência mais brutal na intriga é quando da revelação pública de seu enredo,


por sequer envergonhar os intrigantes e intriguistas, mas tão somente o seu in-
sucesso. E o maior absurdo é, como relata Kant, que “lhes resta sempre a hon-
ra política, sobre a qual podem contar com segurança, isto é, a honra do au-
mento de seu poderio, seja qual for o meio pelo qual o tenham conquistado.”

Enquanto o cidadão estiver em busca da verdade (por mais enveredada que es-
tiver) estará sempre imune à intriga, mas enquanto colher as informações sob
emoção, estará passível a ser manipulado como agente ativo da mentira estru-
turada, da intriga.

7. Conclusão

Apresenta-se como de grande produtividade e representa potente fator


de crescimento pessoal e intelectual refletir sobre as paralelas existentes en-
tre a tragédia de ‘As Moscas’ com as tragédias do nosso cotidiano.
Anualmente, são gastos imensas somas de recursos financeiros para
combater ou reparar os efeitos nefatos dos fenômenos implicantes ou distur-
bantes nas relações humanas, que se apresentam como cardiopatias, pres-
são arterial alta, câncer, distúrbios endocrinológicos, câncer do aparelho di-
gestivo, doenças e anomalias psíquicas graves, estresse severo, síndrome de
dupla personalidade e outros mais.
A ação dos nazistas e seu terror pararam com o fim da segunda guerra
mundial. Mas, ainda perduram até hoje os efeitos, as ‘moscas’ então produ-
zidas, para aqueles que não refletem e traçam paralelas entre os nocivos fe-
nômenos do hoje, e aqueles que motivaram Sartre à escritura de ‘As Moscas’.
E não estão com Sartre, as novas ‘moscas’: Bullying, Mobbing, Síndrome do
Pequeno Poder, a intriga. Mesmo assim, esses fenômenos se mostram, hoje,
tão eficientes quanto nocivos para desenvolver nas relações humanas gran-
des devastações, como então as moscas simbólicas de Sartre.
Decididamente, a essência do simbolismo e teatrologia no hoje está
muito próxima da ação nazista de então; forma idêntica produzem ‘moscas’
em todos os ambientes de que fazem parte ou agem. Por isso, seguir o impe-
rativo categórico kantiniano é uma obrigação geral sem qualquer restrição
ou exceção.
Refletir também se faz necessário: não há como pensar e ser futuro
sem a Filosofia.
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