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Introdução à Ciência dos Materiais para Engenharia PMT 2100

Lista de Exercícios Propriedades magnéticas dos materiais


9/2009 Propriedades térmicas e ópticas dos materiais

1. Solicita-se projetar um solenóide que irá desenvolver um campo magnético de I


10 kA/m no vácuo alimentado por 1 A. O solenóide tem 0,3 m de
comprimento e 2 cm de diâmetro.
L H
a) Quantas voltas de fio são necessárias?
b) Se o solenóide é enrolado com fio de cobre com diâmetro d = 0,5 mm,
N
qual a voltagem dc é requerida para alimentá-lo? voltas
I
Dados: H = NI/Ls
= R (A f / Lf) , = resistividade, R = resistência, A f = seção transversal e
Lf= comprimento
V=RI
cobre = 17,2 x 10-9 .m

2. A aplicação de um campo magnético H= 1,720 x 105 A/m causa uma indução magnética B =
0,2162 T num material. Calcule a permeabilidade e a susceptibilidade. Classifique o tipo de
material magnético.

Dados: B = μH (B = indução magnética, μ= permeabilidade magnética, H = intensidade de


campo magnético)
χ= μr – 1 (χ= susceptibilidade magnética, μr = permeabilidade relativa= μ/ μo sendo μo
= permeabilidade magnética do vácuo = 4 πx 10-7 Wb/A.m)

3. Materiais ferromagnéticos podem ser classificados como sendo magneticamente moles ou duros.
(a) Preencha a tabela abaixo, na qual são apresentadas características de materiais
ferromagnéticos, indicando quais correspondem a materiais magnéticos moles e quais
correspondem a materiais magnéticos duros.

Característica Duros Moles


Coercividade (Hc ) elevada
Pequeno gasto de energia para alterar magnetização (pequena área do
ciclo de histerese)
Alta permeabilidade magnética () no início do ciclo de magnetização
Remanência (Br) a mais elevada possível

(b) Você deve fazer a escolha de materiais magnéticos moles ou duros para as três aplicações a
seguir: (I) material para núcleo de transformador elétrico; (II) material para fabricação de
agulha para uma bússola e (III) material para a fabricação da mídia de gravação magnética de
um disco rígido. Faça a escolha e justifique-a.

4. O que são domínios magnéticos?


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5. Um esmalte cerâmico deve ser aplicado na superfície de uma peça de aço 1020. O material
cerâmico apresenta as seguintes propriedades mecânicas: resistência à ruptura de 4000 psi ; módulo
de Young (também chamado de módulo de elasticidade) de 15,0 x 106 psi. Sabendo-se que os
coeficientes lineares de expansão térmica do esmalte e do aço são respectivamente 10,0 x 10-6 oC-1 e
de 12,0 x 10 -6 oC-1 , indique qual é a máxima variação de temperatura à qual a peça esmaltada pode
se submetida sem risco de que o esmalte trinque.

Dados: ( Lf - L0 ) / L0 = L ( T f - T0 ) e σ= Eε

6. Deseja-se produzir, por fundição, placas de um dado metal de forma retangular, que possuam
dimensões a 25 oC de 25cm x 25cm x 3cm. Quais deveriam ser as dimensões do molde para a
produção dessas peças?

Dados: Temperatura de fusão do metal = 660oC; L para o metal = 25,0 x 10-6 oC-1
( Lf - L0 ) / L0 = L ( T f - T0 )

7. Trilhos de ferrovia que tem um comprimento-padrão de 10m (comprimento medido a 20oC) e que
são fabricados em aço 1025 devem ser posicionados numa dada região durante o período do ano em
que a temperatura média é de 20oC.

(a) Se inicialmente os trilhos forem posicionados com um espaçamento entre eles igual a 4,5mm,
qual será a temperatura mais elevada possível que pode ser tolerada sem que haja a introdução
de tensões térmicas?
(b) Se um espaçamento máximo de 7,5mm for tolerado entre os trilhos, qual é a temperatura
ambiente mínima que pode ser atingida sem que possam ocorrer problemas em relação aos
trilhos?

Dados: L para o aço 1025 = 12,0 x 10-6 oC-1; Equação : ( L f - L0 ) / L0 = L ( Tf - T0 )

8. Um material semicondutor apresenta uma barreira de energia entre a banda de valência e a banda
de condução de 2,26 eV. A qual gama de comprimentos de onda de luz visível esse material é
transparente?

Dados: E = hc / ; velocidade da luz = 3,00 x 108 m/s; constante de Planck h = 4,13 x 10-15 eV.s

9. Explique os seguintes comportamentos ópticos dos materiais:


(a) A luz não atravessa uma chapa metálica, mas atravessa uma placa de vidro comum (sílica-
cal-soda) de mesma espessura.
(b) O silício não é transparente à luz visível, mas é transparente à radiação infravermelha.
(c) O poliestireno totalmente amorfo é mais transparente à luz visível que o poliestireno
parcialmente cristalino.
(d) Um cristal de alumina (safira) de 2 mm de espessura é transparente à luz visível, enquanto
um substrato de circuito eletrônico de alumina com a mesma espessura é opaco.
(e) O ouro tem cor avermelhada e a prata tem cor esbranquiçada.
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9/2009 Resolução

1.
a) Considerando H = N I/Ls
N= H Ls/I = (10.000 A/m) x 0,3 m/1 A I
N = 3.000 voltas
b) comprimento total do fio Lf = 3.000 x πx 0,02 m = 188 m
H
seção reta do fio Af = πx 0,00052 m2/4 = 1,96 x 10-7 m 2 L

N
= R (Af / Lf)
voltas
I
17,2 x109 .m V RI 16.5x1 A 16,5V
R 7
x188m 16,5
1,96x10

2.
B = μH μ= B/H = 0,2162 Wb.m-2 /1,720 x 105 A-1.m -1
χ= μr – 1
μo = 4 πx 10-7 Wb/A.m μ= 1,256 x 10-6 Wb.A-1.m-1
H= 1,720 x 105 A/m
B = 0,2162 T (T = Wb/m2) χ= μr – 1

(a) diamagnético,
indução de dipolos em 6
direção oposta a H
1 , 256 x10 WbxAxm
 1
7
(b) paramagnético, 4 x10 WbxAxm
dipolos permanentes
dos momentos
magnéticos do spin χ= - 0,000507
eletrônico
μr > 1 O material é diamagnético porque apresenta
-5 -2
χ= 10 – 10 susceptibilidade negativa. A magnitude do
campo B no interior de um sólido
(c) ferromagnético,
diamagnético é menor que no vácuo
momento magnético
na ausência de campo
H. Valores elevados de
(c) 6
χ(10 ).
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3.
(a)Observando as curvas de histerese (ou ciclos magnetização-desmagnetização) apresentadas
abaixo e correspondentes a materiais magneticamente moles e duros, podemos preencher a tabela
solicitada.

Duros Moles
Coercividade (Hc ) elevada 
Pequeno gasto de energia para 
alterar magnetização (pequena
área do ciclo de histerese)
Alta permeabilidade magnética 
() no início do ciclo de
magnetização
Remanência (Br) a mais elevada 
possível

(b)(I) Para núcleos de transformadores elétricos devemos utilizar materiais magneticamente moles
(aço com 3,25% silício e supermalloy: 79%Ni-16%Fe-5%Mo) para minimizar as perdas
energéticas durante as reversões da indução magnética. "Mole" significa fácil de ser magnetizado
e desmagnetizado ou, equivalentemente, significa que as perdas energéticas por ciclo de
histerese são pequenas.
(II) A agulha de uma bússola deve permanecer magnetizada para ser sensível ao campo
magnético terrestre. Assim, ela deve ser fabricada com materiais magneticamente duros
(SmCo5, Sm 2Co17, NdFeB e ferritas cerâmicas). "Duro" significa que o material permanece
magnetizado, ou seja, que ele é um ímã permanente.
(III) Mídias de gravação magnética de discos rígidos são fabricadas com materiais
magneticamente duros (CoCrPt, CoCrPtTa, CoCrPtB) para maximizar a fidedignidade da
informação gravada e também para maximizar a intensidade do sinal dos dados fornecido ao
cebeçote de leitura. Note-se, no entanto, que o material deve ser mole o suficiente para permitir
que cabeçote de escrita seja capaz de gravar na mídia os dados requeridos.

4.
Um domínio magnético é uma região volumétrica
de um material ferromagnético onde todos os
momentos magnéticos atômicos estão alinhados
(mesma direção e sentido). Num domínio magnético a
magnetização possui seu valor de saturação. Num
sólido, os diversos domínios possuem magnetizações
de saturação diferentes tanto em magnitude como em
direção, desta forma, a magnetização total de um
material ferromagnético pode ser muito pequena ou
mesmo nula. A fronteira entre domínios vizinhos, a
parede de domínio, é uma região de transição, com
espessura da ordem de 100 nm, dentro da qual a
magnetização muda gradualmente. Note que, a
magnetização de saturação de um material é atingida
quando todos os domínios do material estão alinhados
devido à aplicação de um campo magnético externo
suficientemente intenso.
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5. Como o esmalte está perfeitamente aderido ao metal, ele não pode sofrer livremente variações
dimensionais ao ser aquecido – ele será submetido à uma tensão no aquecimento. No aquecimento,
tanto o esmalte, quanto o metal, dilatam – e o coeficiente de dilatação térmica do metal é maior do
que o coeficiente de dilatação térmica do esmalte. Em outras palavras, como o metal dilata mais do
que o esmalte num mesmo intervalo de temperatura, o esmalte será submetido a uma tensão que,
por simplificação, será considerado como sendo de tração.

Essa tensão é dada pela fórmula já conhecida da aula de comportamento mecânico:

onde:
= tensão
 E E = módulo de elasticidade (módulo de Young)
= deformação

A deformação da fórmula acima é a variação dimensional que será causada pela dilatação
térmica do esmalte. Essa deformação pode ser encontrada:

onde:
L0 LF   TF 
T0 = temperatura de fusão do metal = 660o C
o

L T0
TF = temperatura final de resfriamento = 25 C
L0 L0 = dimensão inicial, em cm, que é o que se deseja calcular
LF = dimensão final, em cm
L = coeficiente linear de expansão térmica, em ºC-1

O coeficiente de expansão térmica L a ser utilizado na resolução do exercício, no entanto,


não é o coeficiente de expansão do esmalte: não se deve esquecer que tanto o esmalte, quando o
substrato metálico, dilatam com o aquecimento. Dessa forma, o coeficiente de expansão térmica
resultante é a diferença entre os dois:

L = [ 12 x 10-6 ]metal - [ 10 x 10-6 ]esmalte = 2 x 10-6 ºC-1


Substituindo a equação de devido à expansão térmica na equação da tensão, e chamando a
diferença de temperatura de T, temos :
 E L T
O que desejamos saber é qual a máxima variação de temperatura à qual a peça esmaltada
pode se submetida sem que o esmalte trinque – ou seja, queremos saber qual é o valor de T que
pode ser atingido na equação acima para que seja igual ao limite de ruptura, dado no exercício:
4000 E L T 
15 106 
2 10 6 T
T 133o C

6. Para produzir a peça com as dimensões desejadas, o molde deve ter dimensões maiores do que a
dimensão final da peça, uma vez que ela contrairá durante o resfriamento.

A equação utilizada para a resolução do problema é a dada abaixo, que relaciona a variação
de comprimento de um sólido com a respectiva variação de temperatura:

onde:
L0 LF  T0 = temperatura de fusão do metal = 660o C
L 
T0 TF 
o
TF = temperatura final de resfriamento = 25 C
L0 L0 = dimensão inicial, em cm, que é o que se deseja calcular
LF = dimensão final, em cm
L = coeficiente linear de expansão térmica, em ºC-1
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Assim, tanto para o comprimento, quanto para a largura, que tem ambos o mesmo valor
(25 cm), temos:

( L0 – 25) = ( 25 x 10-6 ) L0 ( 660 – 25 ) (I)


Resolvendo a equação (I), chega-se a um valor de L0 igual a 25,4 cm.

Repetindo o mesmo procedimento para a espessura, que vale 3 cm, temos:

( L0 – 3) = ( 25 x 10-6 ) L0 ( 660 – 25 ) (II)


Resolvendo a equação (II), chega-se a um valor de L0 igual a 3,05 cm.

Resposta : Deve-se ter um molde de 25,4 cm x 25,4 cm x 3,05 cm para ser empregado na fundição de peças do
metal desejado, que tenham a 25 oC dimensões de 25 cm x 25 cm x 3 cm.

7.
Inicialmente, os trilhos foram assentados com uma separação entre eles de 4,5mm. Esse trabalho
foi feito a 20o C, e nessa temperatura o comprimento medido dos trilhos é de 10m.
7a 7b
Se a temperatura ambiente aumentar, os trilhos Se a temperatura ambiente diminuir, os trilhos
irão dilatar. irão contrair. O limite máximo de separação
A Tf a dilatação deve ser igual a 4,5 mm admitido entre os trilhos é de 7,5mm, ou seja, a
contração máxima admissível é de 3,0mm.
 Lf = 10000 + 4,5 = 10004,5 mm  Lf = 10000 – 3,0 = 9997 mm
 L0 = 10000 mm  L0 = 10000 mm
 T0 = 20o C  T0 = 20oC e  L para o aço 1025 = 12,0 x 10
- 6 o -1
C
 L para o aço 1025 = 12,0 x 10-6 oC-1
L L 0 
L 
T f T0 
f

L0 Tf = - 5,0 oC
Tf = 57,5oC

8. Semicondutor com Egap = 2,26 eV é transparente em que faixa de radiação eletromagnética


visível?

A radiação visível é uma região do espectro eletromagnético Interação da luz com os materiais
na faixa do violeta ao vermelho. Metais são opacos e altamente reflexivos
(refletividade de 0,90 a 0,95) porque a radiação
incidente apresenta penetração inferior a 0,1 μm e em
toda a faixa, desde ondas de rádio a metade da
radiação ultravioleta, é suficiente para excitar os
elétrons da banda de valência, sendo apenas
transparentes aos raios X e γ. Quando toda a faixa da
luz visível é refletida com igual eficiência o metal
apresenta-se prateado e brilhante. Os metais
amarelados e avermelhados não reemitem os
E = hc /  comprimentos de onda menores.
 Não-metais puros monofásicos, devido à estrutura de
onde E é a energia dada em eV; h é a constante de Planck (= bandas, podem ser transparentes (ou opacos) a luz
4,13 x 10 eV.s ), c é a velocidade da luz no vácuo (= 3,00 x visível, ocorrendo além da absorção e reflexão, a
-15
refração e a transmissão. A absorção ocorre pela
10 m/s ) e é o comprimento de onda em m (1nm = 10 m ).
8 -9
excitação de elétron da banda de valência para a banda
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Para E gap = 2,26 eV corresponde 

nm. de condução quando a energia de excitação envolvida
é maior que o espaçamento entre bandas, isto é: Eexc >
Se a radiação tiver um comprimento de onda menor que E gap. Quando Egap > 3,1 eV, não ocorrerá a absorção da
548nm (portanto, uma energia maior que 2,26eV), será capaz luz visível e apresentam-se transparentes e incolores.
de fazer um elétron “saltar” da banda de valência para a banda Em contraste, para Egap < 1,77 eV, toda radiação
de condução, sendo, portanto, absorvida pelo material (o visível será absorvida e apresentam-se opacos à luz
material, dessa forma, não deixa passar nenhuma radiação com visível. Por outro lado, aqueles com E gap na faixa 1,77-
energia superior a 2,26eV, sendo opaco a esses comprimentos 3,1 eV são transparentes e coloridos.
de onda).

9.
9a 9c
Os elétrons do metal absorvem os fótons de luz Nos contornos entre as regiões cristalina e
visível (todos os comprimentos de onda da luz amorfa ocorre intenso espalhamento da luz.
visível) e são dessa forma excitados, passando Portanto, no material parcialmente cristalino a
para níveis energéticos não preenchidos na banda transmitância é muito pequena.
de valência ou para a banda de condução (que,
em alguns metais, pode apresentar uma
sobreposição com a banda de valência). Dessa 9d
forma, todos os fótons de luz visível são Os contornos de grãos, poros e outros defeitos
absorvidos, e o metal é opaco. Em seguida, espalham a luz. A estrutura cristalina hexagonal
muitos desses fótons podem ser re-emitidos, da alumina e sua acentuada anisotropia óptica
quando os elétrons excitados voltam para a também contribuem para a menor transmitância
banda de valência, e isso resulta no brilho dos da alumina policristalina.
metais. No caso dos vidros, não existem níveis 9e
energéticos não preenchidos que possam O espectro de absorção depende do comprimento
receber elétrons excitados pelos fótons com as de onda da radiação incidente e é uma
energias correspondentes à luz visível. Assim
característica do material. A cor de um metal é o
sendo, não há excitação de elétrons, os fótons
resultado da combinação dos comprimentos de
incidentes não são absorvidos (são transmitidos) onda refletidos. O ouro absorve de forma mais
e o material é transparente. eficiente os comprimentos de onda mais curtos
9b (violeta, azul e verde) do espectro da luz visível
Os fótons com comprimentos de onda e reflete os mais longos (amarelo, alaranjado e
correspondentes à faixa de luz infravermelha têm vermelho), o que resulta na sua cor
uma energia menor que a do poço de energia do característica. A prata reflete igualmente bem
silício. Em conseqüência disso, não são todo o espectro visível, o que resulta na sua cor
absorvidos (são transmitidos). Os fótons com esbranquiçada
comprimento de onda correspondentes à faixa da
luz visível têm energia maior que a do poço de
energia do silício. Por isso, são absorvidos e
posteriormente re-emitidos.

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