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GEOPROCESSAMENTO NO LICENCIAMENTO AMBIENTAL

ESTUDO DE CASO - MINERAÇÃO


Eng. Cart. César Valdenir Teixeira
Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis - IBAMA
Centro de Sensoriamento Remoto (CSR)
e-mail: cesar@csr.ibama.goc.br

Eng. Agro. Carlos Eduardo de Castro


Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis - IBAMA
Diretoria de Licenciamento Ambiental (DILIC)
SAIN Av L4 Norte Ed. Sede do IBAMA - cep. 70620-000 - Brasilia – DF
fone: (061) 316-1449 - fax: (061) 223-7108
e-mail: celucastro@uol.com.br

RESUMO
Atualmente, os trabalhos realizados pela Diretoria de Licenciamento e Qualidade Ambiental (DILIQ) do
IBAMA no controle da qualidade ambiental de áreas destinadas à exploração dos recursos naturais são realizados
mediante a apresentação de relatórios de monitoramento da qualidade ambiental e mapas analógicos das áreas, como
também, por posteriores vistorias, realizadas pelos técnicos do IBAMA, aos locais das atividades degradadoras. O
objetivo é utilizar o geoprocessamento na organização das informações, mostrando a sua potencialidade e agilidade
como ferramenta tecnológica que pode contribuir para o processo do licenciamento ambiental. A atividade objeto do
presente estudo é mineração, localizada na Floresta Nacional de Saracá-Taquera, município de Oriximiná, no estado do
Pará.

ABSTRACT
The work of IBAMA’s Directorate of Licensing and Environmental Quality Control (DILIQ) in the field of
environmental quality control and natural resources conservation of areas destined for commercial mining exploration
is fulfilled by the presentation of an environmental quality monitoring report, analogical maps of the degraded sites, as
well as a thorough field inspection carried out by IBAMA’s personnel. The objective of this monography is to
demonstrate the potentiality and agility of geoprocessing tecnologies in the organization of information used during the
environmental licensing process. The study area is situated at the Saracá-Taquera National Forest, in the Oriximiná
municipality, Pará State.

1. INTRODUÇÃO 1.2 Objetivos


1.1 - Apresentação O trabalho tem por objetivo apresentar uma
A presente monografia objetiva atender, as ferramenta de apoio ao processo administrativo de
normas e regras estabelecidas para o “Curso de licenciamento ambiental, utilizando-se de técnicas de
Especialização em Geoprocessamento” oferecido pelo geoprocessamento e suas aplicações para o
Instituto de Geociências da Universidade de Brasília, levantamento, análise e integração de dados de variáveis
como documento final para a conclusão do curso. O ambientais, que subsidiem o desenvolvimento de
curso tem duração de 450 horas e abrange metodologias para otimizar a execução de programas de
conhecimento nas áreas abordadas pelas seguintes acompanhamento e monitoramento dos impactos
disciplinas, com seus respectivos n.ºs de créditos: ambientais causados pela atividade de mineração.
Estatística para Geoprocessamento – 02; Fundamentos
de Cartografia – 02; Sensoriamento Remoto – 03; 1.3 Localização da Área
Zoneamento Ambiental – 02; Interpretação de Imagens Floresta Nacional é uma categoria de Unidade de
– 03; Processamento de Imagem de Satélite – 05; Conservação de Uso Sustentável instituída pela lei do
Introdução ao SIG – 04; Análise Espacial em SIG – 03; SNUC (A Lei 9.985 de 18 de julho de 2000), com os
Monografia – 06. Cada crédito corresponde a 15 h aula. objetivos de promover o manejo dos recursos naturais,
garantir a proteção dos recursos hídricos, belezas
1-Técnico em geoprocessamento - Centro de Sensoriamento Remoto (CSR) IBAMA ,(cesar@csr.ibama.goc.br)
2-Técnico em licenciamento ambiental - Diretoria de Licenciamento Ambiental (DILIC) IBAMA , (celucastro@uol.com.br)
IBAMA - Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis
cênicas e fomentar o desenvolvimento de pesquisa, ambiente natural, bem como os processos de
recreação, lazer e turismo, compatibilizando a apropriação dos recursos naturais, tem sido regidos por
conservação da natureza com o uso sustentável de sua conduta predatória. O uso e ocupação racional do
parcela dos seus recursos naturais, necessitando para tal, espaço físico com atividades rurais, urbanas, ou
do estabelecimento de um instrumento norteador, de exploratórias, são expressões diretas da forma pela qual
suas ações de manejo. estas atividades são realizadas em determinado local ou
A Floresta Nacional de Saracá-Taquera, criada região, em um determinado tempo. Assim, as atividades
pelo Decreto 98.704 de 27 de dezembro de 1989, humanas, sob pretexto de uma demanda crescente para
publicado no D.O.U. de 27/12/89, é uma unidade de atender suas necessidades básicas, têm imprimido
conservação de uso direto. Possui oficialmente 429.600 processos intensivos de exploração dos recursos
ha e um grande potencial de recursos naturais ambientais de maneira a ameaçar tanto a disponibilidade
renováveis (madeira e outros produtos não de alguns desses recursos, como também, a capacidade
madeiráveis), além de outros não renováveis (bauxita), de regeneração de diversos sistemas ambientais
e importância ecológica significativa. Esses fatos, determinantes para sustentação do seu hábitat no
aliados às características ambientais dessa área planeta.
transformaram-na em unidade de suma importância na A questão ambiental é atualmente uma das
proteção e conservação (uso racional e sustentável) de grandes preocupações mundiais e está presente em
importantes ecossistemas do bioma floresta tropical praticamente em todas as áreas, o que levou vários
existente na região norte do Brasil segmentos da sociedade a intensificar esforços voltados
No caso em questão, a atividade minerária à conservação do meio ambiente. Assim, com o objetivo
localiza-se dentro da Floresta Nacional Saracá-Taquera, de preservar, melhorar e recuperar a qualidade
na grande região norte do Brasil (Amazônia), mais ambiental foi instituído, dentre outros, pela Lei da
especificamente no estado do Pará, nos municípios de Política Nacional do Meio Ambiente (Lei n.º 6.938 de
Oriximiná, Faro e Terra Santa, entre as coordenadas 1981, no seu art. 9.º, no inciso IV, e posteriormente,
geográficas 10 20’ e 10 55’ de latitude Sul e 560 00’ e aperfeiçoado pelas resoluções CONAMA n.º 001/1986
57015’ de longitude Oeste, na margem direita do rio e n.º 237/1997), um instrumento para controle da
Trombetas. Limita- se ao norte com a Reserva Biológica implantação e de operação das atividades modificadoras
do Rio Trombetas, cujo limite geográfico é feito em sua do meio ambiente, o Licenciamento Ambiental.
maior parte pelo rio Trombetas. O rio Nhamundá, que O licenciamento tem como finalidade promover
limita os estados do Pará e Amazonas, contorna a o controle prévio à “construção, instalação, ampliação, e
Floresta Nacional de Saracá-Taquera em seu limite sul- o funcionamento de estabelecimentos e atividades
sudoeste, à aproximadamente 20 km de distância da utilizadoras de recursos ambientais considerados efetiva
Flona. ou potencialmente poluidoras, bem como os capazes,
sob qualquer forma, de causar degradação ambiental”
(art. 10). Tem um caráter dinâmico e é um eficaz
mecanismo preventivo para gestão ambiental, em
particular no que se refere à organização espacial das
atividades potencialmente degradadoras.
A condução do Licenciamento Ambiental é
concebida dentro de um processo de avaliação
preventiva que consiste no exame dos aspectos
ambientais dos projetos em suas diferentes fases
(concepção, planejamento, instalação e operação),
concedendo Licença Prévia (LP), de Instalação (LI) e de
Operação (LO), funcionando sob a forma de um
Figura 01 - Localização sistema, o SLAP – Sistema de Licenciamento de
Atividades Poluidoras, atuando assim no processo de
gestão ambiental, como instrumento preventivo de
2. DESCRIÇÃO DA ÁREA DE ESTUDO controle da qualidade ambiental e de conservação dos
recursos naturais.
2.1 – Licenciamento Ambiental Ao se exigir licenciamento para determinados
O meio ambiente, além da sua evolução natural, empreendimentos, busca-se estabelecer mecanismos de
está sujeito a constantes alterações provocadas pelo controle ambiental nas intervenções setoriais que
homem. Observa-se, ao longo da história da possam vir a comprometer a qualidade do meio
humanidade, que a interação do homem com seu ambiente. Esses mecanismos são desenvolvidos através
de instrumentos denominados de “Métodos de caracteriza-se como o setor que mais demanda pedidos
Avaliação de Impactos Ambientais – AIA” os quais são de licenciamento ambiental na maioria dos estados
utilizados para coletar, analisar, avaliar, comparar e brasileiros.
organizar informações qualitativas e quantitativas sobre A mineradora que atua na área objeto deste
os impactos ambientais originados de uma determinada estudo, a Mineração Rio do Norte, extrai bauxita há 23
atividade modificadora do meio ambiente. anos e atualmete produz 16,3 milhões t/ano, de forma a
Assim, a viabilidade ambiental de um atender as necessidades e compromissos já firmados
empreendimento está calcada em estudos denominados com o mercado consumidor.
“Estudos de Impactos Ambientais (EIAs/RIMAs, PCAs, As atividades operacionais da mineradora
RCAs, PRADs, entre outros)”, que baseados nos consistem na lavra, beneficiamento, transporte
Métodos de AIA, apresentam Programas de ferroviário e embarque de navios, tendo o processo de
Acompanhamento e Monitoramento dos Impactos lavra sido iniciado em 1979.
Ambientais aprovados pelos Órgãos de Meio Ambiente,
O método de lavra é a céu aberto e por tiras, que
por ocasião da emissão da licença ambiental. Ocorre
consiste na retirada da vegetação por meio da derrubada
que para efetivação do acompanhamento e
direta das árvores por tratores, decapeamento do solo
monitoramento dos impactos, inclusive exigidos como
(solo este armazenado para posterior utilização em áreas
condicionantes nas licenças ambientais, os Órgãos
que serão recuperadas), retirada do estéril e da bauxita,
Ambientais têm encontrado dificuldades tais como: a)
em faixas, de dimensões pré-determinadas.
baixa qualidade dos Programas; b) falta de definição de
normas; c) regulamentos e critérios próprios que As áreas das minas exauridas são preparadas e
orientem as atividades de acompanhamento; entre recuperadas nos moldes do reflorestamento
outras. contempladas no Plano de Recuperação de Áreas
O fato é que o volume de variáveis a serem Degradadas – PRAD, utilizando espécies de mudas
analisadas limita em muitas situações o alcance de nativas da região
propostas mais efetivas para o acompanhamento dos
impactos, devido em parte a não disponibilidade de 3. ETAPAS METODOLÓGICAS
dados atualizados, o que dificulta sua análise e
integração, deixando assim de proporcionar suporte à 3.1- Aquisições de Informações
tomadas de decisão no Processo de Licenciamento Os dados utilizados na construção do Sistema,
Ambiental. encontram-se divididos em duas categorias:
Neste contexto, o presente trabalho pretende - Dados gráficos;
contribuir com os Órgãos de Meio Ambiente no - Dados tabulares.
Processo de Licenciamento Ambiental, apresentando Os dados gráficos são de dois tipos: formato
mais uma alternativa para execução de Programas de matricial, compreendido pelas imagens de satélites e
Acompanhamento e Monitoramento dos Impactos relevo sombreado e formato vetorial relativos às
Ambientais causados pela atividade de mineração, coberturas.
utilizando-se de técnicas de Sensoriamento Remoto e/ou Os dados utilizados para o trabalho se
Geoprocessamento e suas aplicações para o originaram de várias fontes.
levantamento, análise e integração de dados de variáveis Base Cartográfica (hidrografia, altimetria,
ambientais. sedes, entre outros), digitalizados de cartas do IBGE na
escala 1:100.000 e cedidos pela Diretoria de Florestas
2.2 - Caracterização da Atividade Minerária do IBAMA e Mineração Rio do Norte (MRN).
A mineração é sem dúvida, uma atividade Para os limites (políticos e da Flona), foi
indispensável à sobrevivência do homem moderno dada utilizados dados do IBGE e memorial descritivo.
a importância assumida pelos bens minerais em Os dados temáticos , imagens e outros dados
praticamente todas as atividades humanas, das mais existentes no projeto (geologia, solos, geomorfologia,
básicas como habitação, agricultura, dentre outras, às zonas populacionais, áreas de recuperação, platôs de
mais sofisticadas, como tecnologia de ponta nas áreas mineração, entre outros), foram estabelecidos por
da comunicação e medicina. levantamentos da MRN que realizou trabalhos de
No entanto, segundo o Manual de Impactos campo para dados temáticos, baseando-se na tipologia
Ambientais do Banco do Nordeste do Brasil S.A., a do RADAMBRASIL.
atividade de exploração mineral propriamente dita, é Os dados tabulares disponíveis para o projeto
tida como uma das mais impactantes ao meio ambiente, também têm como fonte a MRN e contém dados
haja vista os diversos impactos que gera e assim sendo, meteorológicos (temperatura, umidade, pluviosidade,
torna-se um desafio para os órgãos ambientais, pois entre outros) da área em vários anos.
3.2 - Manipulação dos dados (Erdas Macro Language), o que possibilita aos usuários
Os dados utilizados neste projeto são oriundos a construção de aplicativos específicos.
de várias fontes e sofreram várias manipulações até Uma característica importante do Erdas é a sua
estarem prontos para serem utilizados no ArcView. capacidade de trabalhar com uma quantidade muito
Estas manipulações são ilustradas no diagrama grande de dados, como por exemplo imagens satélite,
de fluxo de dados, apresentado abaixo. com bastante eficiência.

3.3.3 - ARCVIEW
O ArcView é um programa da ESRI que
constitui uma poderosa ferramenta para visualização,
consulta, pesquisa e análise de dados gerados pelo
ArcInfo. A última versão do programa permite que se
realize o cruzamento de corberturas. O programa
suporta diversas arquiteturas de computadores e possui
uma linguagem de desenvolvimento, o Avenue.

3.4 - Processamento da imagens


As imagens foram utilizadas para detectar o
desmatamento e tipo de vegetação, através do software
Erdas-Imagine. Foram utilizadas duas órbitas-pontos:
228-61 e 229-61 de 1999.
Diagrama de fluxo dos dados
3.3.1 – CORREÇÃO GEOMÉTRICA
Para efetuar o trabalho utilizou-se o método
3.3 - Softwares
imagem-mouse/tela do Erdas-Imagine. Nas duas janelas
3.3.1 - ARCINFO colocou-se a imagem e, em uma delas, adicionou-se a
O ArcInfo é um sistema gerenciador de base cartográfica digital, ficando a imagem apenas
informações geográficas, que está sendo desenvolvido como referência. Os pontos de controle (origem) foram
pela ESRI (Environmental Systems Research Institute) coletados a partir da base cartográfica digital e
desde a década de 70. associados a pontos comuns (destino) na imagem da
Ele é um sistema aberto, compatível com os outra janela. Coleta-se o maior número possível de
mais diversos tipos de periféricos e suportado por vários pontos de controle. Terminado a coleta destes pontos,
tipos de arquiteturas de computadores, entre elas Intel e verifica-se o erro médio quadrático dos pontos e, se este
Risc. Este sistema é dividido em módulos, possuindo erro for maior do que trinta metros, realiza-se uma nova
grande capacidade de processamento. Para o correção geométrica. Caso contrário, deve-se conferir se
desenvolvimento de aplicativos, os usuários também todos os pontos estão localizados de forma correta,
contam com duas linguagens de programação: AML colocando-os na posição ideal até que o erro seja
(Arc Macro Language), para plataformas UNIX, e o aceitável. No caso específico do Centro de
SML (Simple Macro Language), para plataformas PC. Sensoriamento Remoto do IBAMA, adota-se uma
metodologia onde os resíduos em x e y devem ser no
3.3.2 -ERDAS-IMAGINE máximo de 30 metros e o número de pontos de controle
O Erdas-Imagine é um sistema produzido pela entre nove e 20 pontos bem distribuídos pela imagem.
Erdas Inc., que incorpora funções de processamento de Além disso, o modelo matemático utilizado na
imagens e sistema de informações geográficas (SIG). retificação das imagens é o polinômio de primeiro grau
Ele é um programa versátil que suporta várias que possui seis coeficientes.
arquiteturas de computadores, principalmente Intel e
Risc, e também é compatível com diversos periféricos,
em muitas aplicações trabalha em conjunto com o
ArcInfo, gerando e lendo dados do mesmo.

O sistema é dividido em vários módulos, como:


visualização, importação/exportação, composição de
mapas, interpretação de imagens, modelador espacial,
modulo de vetorização, etc. O Erdas também oferece
uma linguagem de desenvolvimento de macro, o EML
detecção e realce de bordas e linhas que representam
feições em uma imagem.
Outra técnica utilizada no trabalho foi o NDVI
- Índices de Vegetação da Diferença Normalizada, que é
uma quantidade obtida através da razão, diferença, ou
qualquer outra transformação espectral de dados, para a
representação das características da cobertura vegetal,
tais como: índice de área foliar, fitomassa, peso da
vegetação úmida, peso da vegetação seca, porcentagem
da cobertura vegetal, etc. Os índices de vegetação
podem ser calculados tanto a partir de dados orbitais,
quanto de medições radiométricas de campo. Os índices
de vegetação são calculados pela razão entre os valores
de reflectância medidos no intervalo espectral do infa-
Figura 02 – Imagem TM-Landsat de 1999 vermelho próximo (onde a vegetação tem alta
reflectância) pelos valores do vermelho (onde a
vegetação tem baixa reflectância).
3.3.2 - CLASSIFICAÇÃO DAS IMAGENS Também utilizou-se de técnicas de
manipulação de contraste, procedimento que consiste na
Classificação é o processo de extração de modificação da forma do histograma, assim o nível de
informações em imagens para reconhecer padrões e cinza da imagem original é transformado em outro valor
objetos homogêneos. Para o trabalho foram utilizados de nível de cinza, de tal modo que o contraste da
os seguintes tipos de classificação: imagem seja ampliando.
Supervisionada - aplicada quando se tem O Erdas-Imagine oferece estas técnicas e
algum conhecimento sobre a cena. Neste tipo de procedimento que foram utilizados para separar as
classificação, o analista está em contato direto com o áreas de desmatamento e os tipos de vegetação.
sistema e o seu conhecimento sobre a cena que permite
realizar o treinamento, adquirindo amostras de
treinamento as quais representam o comportamento
médio das classes. É fundamental que essas amostras
sejam homogêneas e representativas das classes de
interesse. Esses grupos de amostras podem ser
adquiridos por conhecimento teórico ou prático;
Classificação Não-Supervisionada - aplicado
quando não se tem informação a priori da imagem.
Neste caso, o analista tem pouco controle sobre a
classificação, de modo que, neste tipo de classificação
quanto mais heterogêneas forem as amostras, maior será
a certeza de que todas as classes possíveis estarão
representadas. Sua grande vantagem é que o analista
não necessita de conhecimento prévio da área de estudo
eliminando, assim , em alguns casos, a visita a campo. Figura 04 – Vegetação
A técnica de classificação não-supervisionda utilizada
neste trabalho é um procedimento de agregamento de
otimização interativa, também chamado técnica de a) Classificação do desmatamento (antropismo)
médias migrantes, e é essencialmente um algoritmo de
“ISODATA”. A classificação do desmatamento foi realizada
utilizando o algoritmo de ISODATA. Após a
As técnicas de realce visam melhorar a classificação, foi realizada uma edição na imagem
qualidade visual das imagens e acentuar as resultante para identificar as áreas desmatadas, isolar
características dos dados. Uma das técnicas de realce é a essas áreas e eliminar áreas periodicamente inundadas.
filtragem; utilizada principalmente para a suavização,
3.5 – Vetorização
Após as classificações, passou-se para o
processo de vetorização. Esse processo foi realizado
utilizando o Erdas-Imagine. A vetorização disponível
no programa é automática, gerando uma cobertura
(Arc/Info) de polígonos. Essa cobertura possui um
atributo do tipo inteiro denominado Grid-Code. Assim,
cada polígono possui um código armazenado em Grid-
Code, que é o número da classe obtida no processo de
classificação.
O Grid-Code é utilizado como chave de
relacionamento para que se possa fornecer outros
atributos à cobertura, tais como sigla e descrição.
Estas coberturas são utilizadas para o
processamento, fazendo cruzamentos para se realizar,
Figura 03 – Antropismo por exemplo, zoneamentos.

b) Classificação da Vegetação 3.6 - Modelagem da Superfície (MDT)


O IBGE no ano de 1992 promoveu a A modelagem digital de terrenos é o ponto de
uniformização da classificação geral das formações partida para a obtenção de informações que auxiliem a
vegetais existentes no Brasil, as quais são reconhecidas visualização ou análise das características físicas de
atualmente em nível nacional. A classificação definida uma determinada região. Pode-se citar como exemplos
pelo IBGE será adotada como base neste estudo, por ser destas informações, perfilagem, declividade, relevo
reconhecida internacionalmente e empregada nos sombreado, vista perspectiva, vôo panorâmico,
principais levantamentos efetuados de forma global no fatiamento, exposição de vertentes, cálculo de volumes,
Brasil, como por exemplo, no caso do corte, aterro, entre outros.
RADAMBRASIL. Todas as informações geradas pela modelagem
Utilizando a imagem TM-Landsat, realizou-se digital de terrenos, podem ser utilizadas em várias
processamento de imagens com a finalidade de obter aplicações, entre elas, planejamento urbano e ambiental,
uma cobertura de vegetação. Nas duas primeiras projetos de redes de distribuição e de drenagem,
tentativas optou-se por uma classificação projetos rodo-ferroviários, entre outros.
supervisionada (utilizando amostras baseadas nas Entre todos os métodos de modelagem de
classificações do RADAMBRASIL) e depois superfícies, a triangulação de Delaunay se tornou
classificações não supervisionada (variando no número atualmente um padrão e por isso a maioria dos
de classes), os resultados não foram satisfatórios, pois programas líderes do mercado mundial utiliza-se deste
não apresentaram grandes diferenciações entre as método. Entre os usuários ocorre o mesmo, apesar de
classes. Como outra tentativa optou-se por fazer um alguns programas oferecerem vários métodos de
NDVI na imagem e posteriormente com este resultado modelagem de superfícies, o usuário, na maioria das
fez-se uma equalização do histograma automática, vezes, faz a opção de utilizar a triangulação de
resultando uma melhora visual significativa. A partir Delaunay. Além disso, a modelagem gerada pela
destas três imagens isolou-se cada classe separadamente triangulação apresenta-se melhor que a modelagem
e posteriormente foram preparadas e editadas no gerada por outros métodos, já que eles possuem a
software Erdas, para vetorização. característica de suavizar excessivamente a superfície.
Na maior parte da imagem foi classificada Este trabalho apresentará somente a modelagem por
como Floresta Ombrófila Densa, nesta classe conseguiu meio de triangulação.
subdividi-la na classe FOD de submotanhas platôs e A modelagem digital de terrenos (MDT) foi
ocupa 94,1% da área da Floresta Nacional de Saracá feita no ArcView, utilizando método de triangulação e
Taquera, as Formações Pioneiras de Influência Fluvial uma resolução (grade) de 30 metros. O MDT foi gerado
(Aluviões) respondem por 2,7% e a Campinarana por para se obter um mapa de declividade e uma imagem de
0,2%. Desta forma, as formas de vegetação natural, relevo sombreado (hillshade).
(primária) respondem por 97% da cobertura vegetal da O mapa de declividade foi gerado e depois
Floresta Nacional de Saracá Taquera, enquanto que as convertido para um shapfile (ArcView) para que
áreas que sofreram ação antrópica representam 2% da pudesse ser utilizado para efetuar cruzamentos com
área total da Floresta Nacional. outras coberturas.
O relevo sombreado foi gerado para se obter
uma melhor vizualização do relevo da região, que pode cobertura com a área limite de mineração estabelecida
ser observado na figura 05. pelo departamento nacional de produção mineral
(DNPM). Assim foram definidas as classes deste tema:
• áreas de lavra;
• áreas de recuperação;
• áreas de futuras lavras; e
• áreas de uso restrito.

Figura 05 –Relevo Sombreado

Figura 07- zonas de mineração

3.7.2 – Zoneamento Da Flona


Para a obtenção da cobertura destinada ao
zoneamento, utilizou-se das coberturas temáticas,
vegetação, geologia, geomorfologia, solos, antropismo
Figura 06 - Declividade áreas de recuperação, estradas, hidrografia poligonal,
zoneamento mineração e zonas de população nativa.
Como para o zoneamento, os interesses ficam
3.7 - Cruzamento e análises restritos à área da reserva, foram utilizadas para esse
Visando a realização de algumas análises e cruzamento as operações de união. Para a cobertura de
geração de informações para auxiliar na tomada de zona de população nativa foi feito um Buffer de 500
decisões sobre a área de estudo, houve a necessidade de metros; para a cobertura de estradas optou-se por fazer
se realizar alguns cruzamentos entre os temas, também um Buffer de 500 metros, mas neste caso foi
utilizando os softwares ArcView e ArcInfo. considerado somente o resultado na classe de estrada
Desta forma para exemplificar, foram geradas principal.
três coberturas, uma destinada especificamente para uso Como não foi utilizada nenhuma metodologia
e ocupação do solo e outras para zoneamento da área. específica para classificar o resultado final e definir as
características de determinada zona, preferiu-se deixar o
3.7.1 - Zoneamento Da Área De Mineração tema em um estado primário e aparentemente um tanto
A operação utilizada para obter a cobertura que confuso com vários polígonos sobrepostos, mas com os
nos mostrará as áreas utilizadas para mineração foi à atributos de todos os temas unidos de modo que a partir
união (union), este processo reuniu as coberturas de deste momento pudesse ser executado o zoneamento da
Platôs de mineração, correias e áreas de recuperação. área da FLONA.
Na cobertura de correias foi realizado um
Buffer de 150 metros e posteriormente realizado a união
com os outros temas. Também foi utilizada uma
4. RESULTADOS OBTIDOS

Mesmo que o foco principal do trabalho seja


apenas apresentar as potencialidades da ferramenta de
geoprocessamento, foram desenvolvidos os métodos
descritos acima para obtenção de alguns resultados que
podem ser utilizados para o licenciamento ambiental no
caso específico de trabalhos com mineração.
Primeiramente apresentou-se uma imagem
georeferenciada, onde se pode obter um melhor controle
na qualidade nos resultados finais. Assim foram
abordadas apenas algumas das muitas possibilidades de
se trabalhar com as ferramentas de geoprocessamento.
Figura 08 – zoneamento da FLONA Utilizando o processamento digital de imagem,
conseguiu-se extrair dois temas de suma importância
para o processo de licenciamento ambiental, que foram
3.7.3 - Uso E Ocupação Do Solo os temas de vegetação e antropismo. Temas estes que
Para realizar o cruzamento para obtenção da podem ser localizados espacialmente, analisados,
cobertura de Uso e Ocupação do Solo, decidiu-se quantificados e verificados se condizem com a
abranger não somente a área de estudo como também a veracidade das informações prestadas aos órgãos
sua área de entorno onde se localiza o núcleo urbano, ambientais. Também foram apresentadas as
para isso foi realizado um Buffer sobre o limite da flona possibilidades de cruzamento de temas para geração de
de 10 km. outros que podem ter fins específicos, aqui mostramos
A partir deste momento também foi utilizada a exemplos de zoneamento e uso ocupação do solo.
operação união (union), para obter a cobertura que nos Apresenta-se também como produtos deste
mostrará o uso e ocupação do solo, assim foram trabalho mapas dos temas gerados, que se encontram em
reunidas as coberturas de vegetação, infra estrutura, anexo.
desmatamento, estradas, hidrografia poligonal e áreas Outro importante resultado apresentado é a
de recuperação. As classes definidas foram as seguintes: organização dos dados em um sistema de informações
• Formação Ombrofila Densa; geográficas, armazenados em um CD incluído neste
• Formação Pioneira; trabalho. Nele foram disponibilizados os dados
• Campinarana; distribuídos em quatro categorias que compõe o projeto,
• Área Reflorestada; são elas, base cartográfica, base temática, base de
• Agricultura e Pastagem; análise e base de imagens. Para visualização dos
• Núcleo Urbano; mesmos utilizou-se do software ArcExplorer, um
• Mineração; e produto da família ArcView/ArcInfo de distribuição
• Outros Usos (estradas e aeroporto) gratuita e uma forma de disseminar as informações.
Assim procurou-se por meio destes resultados
mostrar, que esta ferramenta tem muito a contribuir e
incrementar, podendo ter um papel de muita
importância para que os processos de licenciamento
ambientais venham garantir a sua principal função que é
a proteção e o uso racional do meio ambiente.

5 - CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES

O objetivo principal deste trabalho foi


apresentar o geoprocessamento como uma variante que
pode ser incorporada aos trabalhos do licenciamento
ambiental com o intuito de auxiliar, dinamizar e agilizar
este processo, que ainda, neste momento, continua
sendo realizado analogicamente.
Assim recomenda-se que a diretoria de
Figura 09 – Uso e ocupação do solo
licenciamento ambiental tenha seu próprio banco de
informações (dados e imagens), que seriam livres de
quaisquer tendências, e que também sejam realizados DF
estudos para criação de metodologias de manipulações
NOVO, E. M., 1988, Sensoriamento Remoto -
de informações, não somente para atender casos como o
Princípios e Aplicações - Editora Edgard Blucher Ltda.
apresentado neste trabalho, o da mineração, mas
São José dos Campos - SP 300 pg.
também, para as mais diversas situações que causam
impactos ambientais, como por exemplo, PINTO, W. D. e PINTO M. A., CONAMA Resoluções
monitoramento de reservatórios de hidrelétricas, /pesquisa, organização, revisão e comentários.
exploração de floresta, agricultura, desmatamento entre Resoluções do Conselho Nacional do Meio Ambiente –
outros. CONAMA – 1984 – 1999. Brasília: WD Ambiental
Sabe que atualmente a tecnologia do 1999.
geoprocessamento tem crescido mundialmente de forma
ROCHA, C.H.B, 2000, Geoprocessamento –
ascendente em uso, importância e desenvolvimento, e
Tecnologia Transdisciplinar - Edição do autor, Juiz de
espera-se que este trabalho venha contribuir
Fora – MG – 210 pg.
substancialmente para que seja analisado o seu uso
efetivo nos trabalhos do licenciamento ambiental. ROSA, J.W.C. 2002, Apostila de Sistema de
Informações Geográficas – Instituto de Geociências –
UnB – Brasília - DF
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ABSY. M.L. Assunção, F.N.A. Faria, S.C. Stroh, P.Y.... Processamento Digital de Imagens – Departamento de
[et al.] 1995. Avaliação de Impacto Ambiental: Agentes Cartografia - FCT/UNESP - Presidente Prudente -SP.
Sociais, Procedimentos e Ferramentas. Brasília:
SNUC - Sistema Nacional de Unidades de Conservação
IBAMA. 136p.
da Natureza: Lei n.º 9.985, de 18 de julho de 2000.
IBGE. 1991. Classificação da vegetação Brasileira Brasília: MMA, 2000
adaptada a um Sistema Universal. IBGE, Rio de
TEIXEIRA, C.V., NUNES, M.A., RIBEIRO, N.V.
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