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O Realismo Socialista Russo, comunicação de massas através da propaganda e

do cinema.

Introdução:

O primeiro objectivo deste trabalho centra-se na análise estética e histórica da


arte da propaganda russa.

Quais as suas motivações e intenções, e que papel tiverem, os artistas, na


sociedade Russa no início do século XX. Em segundo lugar procuramos
entender que papel tem os valores morais que sustentavam as campanhas de
propaganda russa.

Primeiro achamos que falar do papel dos artistas nos períodos revolucionários
russos do início do século XX, exige um breve enquadramento histórico para
melhor compreender todo o momento anterior as revoluções e a nova ordem
que se pretendia construir. E como consequência qual a repercussão no
quotidiano da produção artística da qual em certa parte, o regime dependia.

Por último procuramos entender a moral que sustentou todas as campanhas da


propaganda e porquê

_Como a eficácia da propaganda pode ser refutada pela teoria da agulha


hipodérmica. A propaganda acabou por se tornar enfadonha e não cumpriu
com a sua meta de “criar novas ideologias em massa” apenas nos que
quiseram( PDF “eisensten arte e politica”).

Contexto Histórico e Político

No fim do século XIX, a população Russa consistia num mistura de etnias e


culturas sob um regime absolutista do czar Nicolau II, que levou a Russia a
uma estagnação do desenvolvimento económico. As terras pertenciam á
nobreza e cerca de 90 por cento da população, que era maioritariamente rural,
viva em pobreza e sem nenhumas perspectivas de futuro. No início do século
XX, o Partido Social Democrata (PSD), desfragmentado pela polícia do governo
em 1898, reúne-se fora da Rússia sob o comando de Lénin.

Em 1905 numa das manifestações pacíficas organizadas pelo PSD, em São


Petersburgo, a polícia massacra mais de mil operários no que ficou conhecido
como o Domingo Sangrento. As ruas enchem-se de mais manifestações e
protestos que pressionam o czar a formar um parlamento, a Duma. A 1ª
Grande Guerra desfalca os sectores mais produtivos da sociedade e os
elevados gastos levam o país uma situação de crise voltando a aumentar os
conflitos internos. Soldados russos morrem na frente de batalha, por falta de
mantimentos e vestuário. As grandes cidades são afectadas pela falta de
produtividade dos campos, faltando os alimentos e o carvão para o
aquecimento. O descontentamento geral aumenta e a guerra favorece o
movimento de contestação ao regime czarista. Em 1916 o país já fragilizado
economicamente, sofre várias greves umas delas, a dos operários de
Petrogrado, mobiliza cerca de 200 mil operários e revela-se mais tarde como o
pronuncio duma revolução.

A oposição ao czar Nicolau II organiza-se em duas correntes principais: a


corrente liberal apoiada pela burguesia, favorável a um regime parlamentar
burguês que defende um regime socialista agrário; e segunda corrente
revolucionária que se organiza no meio do proletariado urbano adepta das
teorias de Marx e Engels e da industrialização da Rússia, formada pelos social-
democratas e pelos socialistas revolucionários. Em 1903 no segundo
congresso, o Partido Operário Social-Democrata, divide-se em duas fracções
quanto á estratégia de tomada de poder, a maioria de Lenin (bolcheviques) e a
minoria (menchevique). Finalmente em 1917 as principais cidades russas
entram em convulsão social com o colapso do abastecimento. A
insurreição espalha-se com a greve dos operários metalúrgicos. Em 25 e
26 de Fevereiro os rebeldes controlam Moscovo e o Kremlin com o apoio
do Exército é a Revolução de Fevereiro.

A era absolutista dos czares chega ao fim, Nicolau II assina a 15 de


Março, a renúncia ao poder, no dia 21 o czar e toda a sua família são
presos. Cria-se um poder provisório dividido entre os Sindicatos
(Sovietes) dos Operários e dos Soldados, formado pelos socialistas
revolucionários e mencheviques; e o Comité Executivo da Duma liderado
pelo príncipe Lvov, constituído por liberais. Com os líderes bolcheviques
ausentes devido a perseguições políticas que os mantiveram presos ou
exilados, o poder fica a cargo do Soviete de Petrogado.

Devido a conflitos internos no governo provisório, Lenin cresce enquanto


líder de oposição, com os seus ideais mais populares: o apoio á retirada
da guerra da parte da Rússia ou a nacionalização das grandes
propriedades e a sua redistribuição pelos camponeses. A pressão da
população perante a constante precariedade leva o príncipe Lvov a
deixar o governo depois de várias polémicas internas, deixando o poder
nas mãos do então Ministro da Guerra Kerenski ficando um governo
maioritariamente socialista. Em Outubro um golpe militar de direita é
travado pelos populares, e o governo de Kerensi não se consegue isolar
das facções em conflito. Lenin entretanto exilado na Finlândia, devido as
constantes ameaças da polícia russa, comanda o avanço da revolução.
Os bolcheviques voltam em massa aos sindicatos e elegem Trotsky
como presidente do Soviete de Petrogado. Em 25 de Outubro dá-se a
Revolução de Outubro, Kerenski foge da Rússia enquanto os
bolcheviques ocupam o Palácio de Inverno do czar e tomam o poder a 7
de Novembro de 1917. Lenin preside ao novo Concelho dos Comissários
do Povo, Trotsky e Stálin ocupam posições centrais nos ministérios, está
criado o primeiro estado Socialista do mundo.
Mas os conflitos não acabaram, em 1918 dá-se uma guerra civil. De um
lado os contra-revolucionários antigos proprietários das terras
capitalistas e políticos liberais, apoiados pelos generais czaristas,
chamados agora de Exército Branco. Do outro os bolcheviques Trótsky e
Lenin que sob os ideais de patriotismos e em nome da Revolução,
apelam ao povo russo e formam o Exército Vermelho. O exército Branco
é vencido e o czar Nicolau II é executado juntamente com a sua família.

Em 1924 é adoptada uma nova Constituição, e com o objectivo de unir


as diferentes etnias e vários territórios, é formada a União das
Republicas Socialistas Soviéticas.

Com a morte de Lenin em 1924, Trótsky e Stálin começam uma luta


violenta pelo poder, Stálin expulsa Trótsky do partido e depois da
Russia. Em 1940 Trótsky é assassinado no México sob ordem de Stálin.
O governo de Stálin é marcado pela violenta perseguição aos seus
opositores, matando milhares de pessoas, e pelo controle ideológico que
manteve a União Soviética sob um regime fortemente totalitarista até a
sua morte em 1953.
Contexto Cultural do Construtivismo

Sob a influência do Futurismo e criticando o elitismo da arte simbolista,


é criado o Construtivismo Russo. O termo é utilizado, pela primeira vez,
por Malievich para descrever,o trabalho de Rodchenko.

A revolução bolchevique assume a arte como instrumento de afirmação


ideológica ligando a arte com a ideologia política. Defendendo um estilo
artístico ligado ao progresso e a modernidade, o artista construtivista
coloca-se ao serviço da Revolução para criar uma linguagem universal
compreensível pela grande massa de várias etnias e culturas. A redução
de redundância era crucial para direccionar a arte às massas. A
representação objecto artístico perde o protagonismo a favor da
objectividade da obra em si, trabalhando mais como um elemento de
uma linguagem plástica. Na escultura favorece-se mais a construção do
objecto do que a clássica adição ou subtracção de material a uma base.
Entre os artistas deste movimento encontram-se, entre outros, os
pintores Vladimir Tatlin, Kasimir Malevich e Chagall, o dramaturgo
Mayakovsky editor da revista LEF, Meyerhold, Rodtchenko, o fotógrafo El
Lissitzky os cineastas Sergue e Eisenstein e Dziga Viertov.
O RealismoSocialista

O governo Russo ao perceber-se da força da arte, na implementação


ideológica nas massas, e da sua importância na construção do
socialismo, não se intromete no processo criativo dos artistas. O
construtivismo significava liberdade estética e de expressão e o próprio
posicionamento político dos artistas era fundamental para a revolução
de 1917 e para a exportação do socialismo.

A esperança de construir uma nova sociedade diferente dos moldes


teocráticos e opressores que caracterizavam o regime totalitarista do
czar, atrai muitos artistas á revolução. No antigo regime o artista de
vanguarda era posto de parte, sem direito a participar nos salões
expositivos e por consequência não ser foco da crítica artística.
Participar na revolução era criar uma nova realidade justa e igualitária
para os novos artistas distante do academismo e das suas distinções
artístico-sociais.

A partir da Revolução de Outubro, o novo governo de Lenin sabia que


iria precisar dos artistas para consolidar o sonho do socialismo. Já que
cerca de 80 por cento da população russa, era analfabeta, a imagem era
a ferramenta ideal e necessária para a instrução e aglutinação do povo
nos ideais revolucionários. A revolução teria de ser também uma
revolução da cultura, uma sem a outra não teriam a mesma força.

Em 1919 é criado o Comissariado do Povo para a Instrução Pública


(Narkompros), que teria como principal objectivo a aplicação do
programa governamental de redução da taxa de analfabetismo e
responsabilizava-se também pelo estímulo e conservação das artes.
Após a revolução, a arte gráfica, que sempre encontrou espaço de
expressão na Rússia, viu o seu espaço alargado. Devido á ausência, ou
pouca expressão de meios de comunicação de massa, o novo governo
russo propagava os ideais revolucionários, através de cartazes e todas
as superfícies que pudessem ser trabalhadas para servir de veículo da
propaganda: utensílios domésticos, meios de transporte, edifícios,
pontes, etc. Sendo o trabalho e o serviço militar temas bastante comuns
difundidos durante a Guerra Civil.

Nesse primeiro momento da revolução, todos os artistas tiveram


assegurado o seu lugar,

Realismo Socialista

A instauração do Realismo Socialista


Realismo soviético denominação genérica usada para classificar as
obras literárias, visuais, arquitetônicas e até musicais que serviam
ao propósito de fazer propaganda do regime comunista. 1924 Morte de
Lênin Início dos expurgos stalinistas dentro do Partido Bolchevique .
Ano da consolidação da contra-revolução política do stanilismo. No
terreno artístico: Supressão da livre manifestação artística em favor
de uma arte oficialista. Imagens artificiais retratando um país
inundado de felicidade e otimismo. Quando acontece a Revolução de
Outubro de 1917 o governo convida diversos artistas para darem sua
contribuição em ateliês livres e instituições de ensino ± surge a
primeira divisão entre os setores artísticos: ± Artistas vanguardistas
(³pintores da velha-guarda´). ± Os REALISTAS (³artistas de esquerda´)

A designação diz respeito ao estilo artístico aprovado pelo regime comunista da ex-URSS, por
ocasião do 1º Congresso de Escritores Soviéticos, em 1934, do qual participa o escritor Maxim
Gorki (1868 – 1936). Elaborado por Andrej Zdanov, braço direito de Stalin (1879 – 1953) na
área cultural, o realismo socialista converte-se, entre 1930 e 1950, em arte oficial que referenda
a linha ideológica do Partido Comunista. Teatro, literatura e artes visuais deveriam ter um
compromisso primeiro com a educação e formação das massas para o socialismo em construção
no país. Uma arte “proletária e progressista”, empenhada politicamente, envolvida com os
temas nacionais e com as questões do povo russo, esta é a aspiração da tendência artística. Na
definição de Aleksandr Gerasimov (1881 – 1963), o estilo é “realista na forma” e “socialista no
conteúdo”, quer dizer, a obra de arte deve ser acessível ao povo – figurativa e descritiva – e
sua mensagem, um instrumento de propaganda do regime. Desenhos, telas e cartazes
publicitários mostram proletários, camponeses, soldados, líderes e heróis nacionais,
freqüentemente idealizados, seja pela exaltação de corpos vigorosos (indicando força e saúde),
seja pela celebração de movimentos sociais e feitos políticos (Celebrando a Colheita, 1951, de
Alla Zaimai e Retrato de Stalin, 1949, de Aleksander Ivanovich). Trata-se de louvar a nova
sociedade, pela representação de jovens saudáveis e felizes, em atividades de trabalho ou em
cenas populares.