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CURSINHO MAGISTRATURA DO TRABALHO – FMB

DIREITO PENAL – PARTE GERAL

MÓDULO I

Artigo 1º - Anterioridade da Lei


“Não há crime sem lei anterior que o defina. Não há pena sem prévia
cominação legal”.

Estado: único detentor do direito de punir autor de fato tido como crime.
Direito do autor do regular processo legal.
Artigo 5º, LIV da CF: cláusula pétrea – devido processo legal.
Fundando no Estado democrático de direito.

Princípios
1) Legalidade: não há crime sem lei: sentido amplo;
2) Reserva da lei: somente a lei que observou o regular processo legislativo
pode prever crime. Deve ser interpretado em sentido estrito. Ex: medida
provisória não pode prever conduta criminosa.
3) Princípio da Taxatividade: a lei não deve apresentar lacuna para que não
haja insegurança jurídica.
4) Anterioridade: lei penal deve ser anterior ao ato praticado.
5) Irretroatividade penal: lei penal deve regular situações futuras.

Artigo 2º Lei Penal no Tempo


“Ninguém pode ser punido por fato que lei posterior deixa de considerar
crime, cessando em virtude dela a execução e os efeitos penais da
sentença condenatória”.

Extra atividade penal. Abolicio criminis: fato descriminalizado. Ex: adultério.

Parágrafo único – “A lei posterior, que de qualquer modo favorecer o


agente, aplica-se aos fatos anteriores, ainda que decididos por sentença
condenatória transitada em julgado”.

Novatio lex in melius.

Súmula 611 do STF. Transitada em julgado a sentença condenatória, compete


ao Juízo das execuções a aplicação de lei mais branda

Artigo 3º - Lei Excepcional ou Temporária

“A lei excepcional ou temporária, embora decorrido o período de sua


duração ou cessadas as circunstâncias que a determinaram, aplica-se ao
fato praticado durante sua vigência.”

Temporária: criada para regular ações em período delimitado.


Excepcional: criada para regular situações excepcionais: guerra, calamidade,
etc.
Características comuns: a) Autorrevogáveis;
b) Ultra-ativas: fato julgado além do limite temporal.

Artigo 4º - Tempo do Crime

“Considera-se praticado o crime no momento da ação ou omissão, ainda


que outro seja o momento do resultado”.

Teoria da Atividade.
Atenção para fins de prescrição.

Artigo 5º - Territorialidade

“Aplica-se a lei brasileira, sem prejuízo de convenções, tratados e


regras de direito internacional, ao crime cometido no território nacional.
§ 1º - Para os efeitos penais, consideram-se como extensão do
território nacional as embarcações e aeronaves brasileiras, de natureza
pública ou a serviço do governo brasileiro onde quer que se encontrem,
bem como as aeronaves e as embarcações brasileiras, mercantes ou de
propriedade privada, que se achem, respectivamente, no espaço aéreo
correspondente ou em alto-mar.
§ 2º - É também aplicável a lei brasileira aos crimes praticados a
bordo de aeronaves ou embarcações estrangeiras de propriedade
privada, achando-se aquelas em pouso no território nacional ou em vôo
no espaço aéreo correspondente, e estas em porto ou mar territorial do
Brasil”.

Artigo 6º - Lugar do Crime

“Considera-se praticado o crime no lugar em que ocorreu a ação ou


omissão, no todo ou em parte, bem como onde se produziu ou deveria
produzir-se o resultado”.

Teoria da Ubiquidade: teoria da atividade + resultado.


Nos crimes permanente ou continuados será verificado como lugar competente
aquele que ocorrer um dos fatos unitários.

Artigo 7º - Extraterritorialidade
Ficam sujeitos à lei brasileira, embora cometidos no estrangeiro:

Princípio da defesa ou real: se leva em consideração a lei do país da


vítima da infração. É o que ocorrer nos seguintes casos.
I - os crimes:
a) contra a vida ou a liberdade do Presidente da República;
b) contra o patrimônio ou a fé pública da União, do Distrito Federal,
de Estado, de Território, de Município, de empresa pública, sociedade de
economia mista, autarquia ou fundação instituída pelo Poder Público;
c) contra a administração pública, por quem está a seu serviço;

Princípio da personalidade ativa ou personalidade: leva-se em


consideração a nacionalidade do autor. Como ocorre no seguinte caso:
d) de genocídio, quando o agente for brasileiro ou domiciliado no
Brasil;

§ 1º - Nos casos do inciso I, o agente é punido segundo a lei


brasileira, ainda que absolvido ou condenado no estrangeiro.

Princípio da Justiça Universal: a aplicação da lei interessa a vários


estados. Artigo 7º II, “a”.
II - os crimes:
a) que, por tratado ou convenção, o Brasil se obrigou a reprimir;

Princípio da personalidade ativa ou personalidade: leva-se em


consideração a nacionalidade do autor. Como ocorre no seguinte caso:
b) praticados por brasileiro;

Princípio da Representação / Pavilhão / Bandeira: aplicação da lei


brasileira de forma subsidiária, para que não haja impunidade.
c) praticados em aeronaves ou embarcações brasileiras, mercantes
ou de propriedade privada, quando em território estrangeiro e aí não
sejam julgados.

§ 2º - Nos casos do inciso II, a aplicação da lei brasileira depende do


concurso das seguintes condições:
a) entrar o agente no território nacional;
b) ser o fato punível também no país em que foi praticado;
c) estar o crime incluído entre aqueles pelos quais a lei brasileira
autoriza a extradição;
d) não ter sido o agente absolvido no estrangeiro ou não ter aí
cumprido a pena;
e) não ter sido o agente perdoado no estrangeiro ou, por outro
motivo, não estar extinta a punibilidade, segundo a lei mais favorável.

§ 3º - A lei brasileira aplica-se também ao crime cometido por


estrangeiro contra brasileiro fora do Brasil, se, reunidas as condições
previstas no parágrafo anterior:
a) não foi pedida ou foi negada a extradição;
b) houve requisição do Ministro da Justiça.

A Extraterritorialidade pode ser:


1) Incondicionada: lei brasileira é aplicada independentemente de outra
disposição: artigo 7º, I;
2) Condicionada: depende de condições: artigo 7º, II.

Ferramentas para aplicação da lei penal:


1) Extradição: instrumento jurídico por meio do qual um Estado entrega as
autoridades competentes de outro Estado, uma pessoa para que ali ela
seja julgada.
Pedido de extradição é ato vinculado (legalidade).
Julgado pelo STF: art. 102, I, “g”, da CF.

2) Expulsão: afastamento de estrangeiro do território, no qual sua


permanência não interessa.
Ato discricionário: conveniência e oportunidade.
Julgamento final cabe ao presidente da república.

3) Deportação: exclusão do estrangeiro que ingressou irregularmente no


país.
Não tem caráter punitivo.
A pessoa poderá volta ao país desde que observe os atos necessários.

4) Intraterritorialidade: aplicação da lei estrangeira no Brasil. Caso da


imunidade diplomática.

5) Asilo: somente em infrações políticas.

Artigo 8º - Pena cumprida do Estrangeiro


“A pena cumprida no estrangeiro atenua a pena imposta no Brasil pelo
mesmo crime, quando diversas, ou nela é computada, quando idênticas”.

Afastar bis in idem.


Detração – artigo 42.
Art. 42 - Computam-se, na pena privativa de liberdade e na medida de segurança, o
tempo de prisão provisória, no Brasil ou no estrangeiro, o de prisão administrativa e o
de internação em qualquer dos estabelecimentos referidos no artigo anterior.

Artigo 9º - Eficácia da lei estrangeira

A sentença estrangeira, quando a aplicação da lei brasileira produz


na espécie as mesmas conseqüências, pode ser homologada no Brasil
para:
I - obrigar o condenado à reparação do dano, a restituições e a outros
efeitos civis;
II - sujeitá-lo a medida de segurança.
Parágrafo único - A homologação depende
a) para os efeitos previstos no inciso I, de pedido da parte
interessada;
b) para os outros efeitos, da existência de tratado de extradição com
o país de cuja autoridade judiciária emanou a sentença, ou, na falta de
tratado, de requisição do Ministro da Justiça.
Competência para homologação: STJ – artigo 105, I, “i”, da CF.
Artigo 10 – Contagem de Prazo
O dia do começo inclui-se no cômputo do prazo. Contam-se os dias, os
meses e os anos pelo calendário comum.

Artigo 11 – Frações não Computáveis da Pena


Desprezam-se, nas penas privativas de liberdade e nas restritivas de
direitos, as frações de dia, e, na pena de multa, as frações de cruzeiro.

Artigo 12 – Legislação Especial


Art. 12 - As regras gerais deste Código aplicam-se aos fatos incriminados
por lei especial, se esta não dispuser de modo diverso.

MÓDULO 02 – DISCO 03

Teoria Geral do Crime

BR adota critério bipartido.


Espécies: - Delito ou crime Infração penal = gênero
- Contravenção penal

Gera diferença na aplicação da pena:


- Crime = sanção mais grave = reclusão, detenção e multa
- Contravenção = prisão simples + multa ou só multa.

Exceção: a) Crimes eleitorais: em que só há pena de multa;


b) Artigo 28 da Lei de Drogas: medida educativa.

** OBS: Justiça Federal não julga contravenção penal.

Súmula 38 do STJ. Compete à Justiça Estadual Comum, na vigência da Constituição


de 1988, o processo por contravenção penal, ainda que praticada em detrimento de
bens, serviços ou interesse da União ou de suas entidades.

A lei de contravenções penais prestigia a territorialidade brasileira – artigo 5º do


CP.
Tentativa de contravenção penal não é punível.
A ação penal das contravenções é publica condicionada – artigo 17 da Lei de
Contravenções.
A contravenção é jugada pelo JECRIM.

Conceito de Crime
1) Conceito formal: legislador;
2) Conceito material: crime é todo fato humano que usa ou expõe a perigo
bem jurídico considerado essencial por toda coletividade.
3) Conceito analítico: traçado pela doutrina, a qual se classifica em:
a) Doutrina finalista: fato típico e antijurídico.
b) Doutrina clássica: fato típico, antijurídico e culpável.
Elementos do Crime:
1) Tipicidade: ADEQUAÇÃO da conduta humana a um tipo legal previsto
no ordenamento.
Tipicidade conglobante = deve ser olhada sob o aspecto de todos os
ramos do direito e não apenas penal.
2) Antijuridicidade e Ilicitude: CONTRARIEDADE existente entre a conduta
típica e o ordenamento jurídico.
3) Culpabilidade: REPROVABILIDADE que recai sobre fato típico e
antijurídico, sob a gente imputável.
4) Punibilidade: possibilidade jurídica de ser imposta um penal ao autor do
crime.

Fato Típico:
Elementos
1) Conduta: toda ação ou omissão humana dirigida a uma finalidade.
2) Resultado: modificação do mundo exterior tendo em vista pratica de
conduta
3) Nexo causal
4) Tipicidade: enquadramento da conduta à previsão legal

Artigo 13 – Relação de Causalidade


“Art. 13 - O resultado, de que depende a existência do crime, somente é
imputável a quem lhe deu causa. Considera-se causa a ação ou omissão
sem a qual o resultado não teria ocorrido.”

Conditio sinequanon
Teoria da equivalência dos antecedentes causais: tudo que concorreu para o
resultado seria sua causa.

Exceção: artigo 13, §1º:

Artigo 13, §1º - Superveniência de causa independente


§ 1º - A superveniência de causa relativamente independente exclui a
imputação quando, por si só, produziu o resultado; os fatos anteriores,
entretanto, imputam-se a quem os praticou.

Teoria da causalidade adequada: só fatos idôneos ligados a conduta irão


produzir o resultado.
Não distingue o que seria causa ou concausa.

Causa absolutamente independente: rompe nexo causal. Exclui


responsabilidade pelo resultado final. O autor só irá responder pelos atos que
cometeu e não pelo resultado que foi alcançado.
Podem ser:
a) Pré-existentes;
b) Concomitantes;
c) Supervenientes.

Concausa relativamente independente: o agente em regra responde pelo


resultado. Ex:
a) homicídio de pessoa hemofílica – pré-existente: há responsabilidade.
b) Concomitante: há responsabilidade.
c) Superveniente: que por si só produziu o resultado: há rompimento do
nexo causal: artigo 13, §1º do CP.
Ex: A atira em B, o qual é socorrido por ambulância, que sofre acidente
e B morre. A responde somente pela tentativa de homicídio.

Causa absolutamente independentes Causa relativamente independente


Situação não possui qualquer relação. Consequência do desdobramento do
Há rompimento do nexo causal. ato posterior que por si só não produziu
o resultado. Há responsabilidade do
autor, pois não houve rompimento do
nexo causal.
Ex: A atire em B, e este último adquire
infecção hospitalar.

Artigo 13, §2º - Relevância da Omissão


§ 2º - A omissão é penalmente relevante quando o omitente devia e
podia agir para evitar o resultado. O dever de agir incumbe a quem:
a) tenha por lei obrigação de cuidado, proteção ou vigilância;
b) de outra forma, assumiu a responsabilidade de impedir o
resultado;
c) com seu comportamento anterior, criou o risco da ocorrência do
resultado.

Conceito do caput = elemento naturalístico Conceito do §2º = elemento


normativo.
STF = omissão seria jurídica e não fática.
Omissão que adquire relevância, quanto ocorrer nas situações estabelecidas.

Crimes Omissivos, se dividem em:


a) Próprios ou puros: omissão é descrita na lei.
b) Impróprios ou Comissivos por omissão: autor atua por meio de uma
omissão, mas o tipo prevê uma ação. Ex: mãe que mata o filho de fome.
c) Omissão de Conduta Mista: 1ª fase = ação, mas o delito de consuma por
meio de uma omissão. Não se confunde com crime comissivo por
omissão (há uma conduta). Na omissão de conduta mista há duas
condutas.

Teoria da Imputação Objetiva: criada para combater os excessos da conditio


sinequanon. Toda vez que o agente praticar comportamento socialmente
adequado e esperado, desempenhando seu papel social, ele estará gerando
risco que é permitido. Esse agente não será considerado causador de
resultado proibido, será considerada conduta atípica.
Ex: vendedor de loja que vende arma documentada.
A responsabilidade deve ser imputada a aquele que de fato quis causar o dano.
MÓDULO 3 – DISCO 01

Artigo 14, I – Crime consumando


I - consumado, quando nele se reúnem todos os elementos de sua
definição legal;
Tipicidade encerrada.

Crime exaurido: além do tipo penal.


Não há diferença entre ambos, apenas quanto à fixação da penal: circunstância
judicial de fixação de pena (1ª fase).
Circunstância judicial = consequência do delito.

Artigo 14, II – Tentativa


II - tentado, quando, iniciada a execução, não se consuma por
circunstâncias alheias à vontade do agente.
Pena de tentativa
Parágrafo único - Salvo disposição em contrário, pune-se a tentativa com
a pena correspondente ao crime consumado, diminuída de um a dois
terços

Diminuição de 1/3 a 2/3 da pena – deve ser aplicada inversamente ao iter


criminis, ou seja, ao trajeto do crime (fases do delito).
Iter crminis = fases pelas quais o autor deve percorrer para se chegar a
consumação do delito.

Fases:
1) Cogitação: ideia de praticar o delito – sem sanção;
2) Atos preparatórios: Autor começa de alguma forma exteriorizar sua
vontade delitiva através de atos concretos. Excepcionalmente haverá
sanção – somente quando expressamente previsto em lei. Ex: artigos
288, 291 e 286, todos do CP; artigo 33 da Lei de Drogas.
3) Início da execução está intimamente ligado a tentativa.
4) Consumação.

Elementos:
1) Início da execução do crime.
2) Não ocorrência do resultado por circunstâncias alheias vontade do
agente.
3) ** Dolo (SEMPRE): não existe tentativa sem dolo.

Impossível a tentativa nos seguintes casos:


1) Unisubsistentes: aqueles que se exaurem em uma única conduta. Ex:
injúria.
2) Omissivos próprios;
3) Perigo abstrato. Ex: direção perigosa;
4) Culposos;
5) Preterdoloso: dolo no momento antecedente e culpa no resultado. Ex:
lesão corporal seguida de morte;
6) Contravenções penais;
7) Habituais: agente faz da vida criminosa o seu meio de sobrevivência;
8) Continuados;
9) Atentado ou empreendimento – artigo 352 do CP: sanção idêntica.

Formas de tentativa:
1) Perfeita ou acabada: agente esgota o que está ao seu alcance.
2) Imperfeita ou inacabada: apesar de haver os meios para prosseguir o
agente não consegue;
3) Branca: agente consegue atingir o bem jurídico que queria ofender;
4) Vermelha: atinge bem jurídico;
5) Abandonada: agente abandona o prosseguimento: tem por
consequência o artigo 15.

Artigo 15 – Desistência Voluntária e Arrependimento Eficaz


“O agente que, voluntariamente, desiste de prosseguir na execução ou
impede que o resultado se produza, só responde pelos atos já
praticados”.

Desistência voluntária = Não se consuma por ato voluntário do autor. Não se


exige que seja espontânea. Abstenção (ato negativo) da ação.
Arrependimento eficaz = ato positivo para impedir resultado mais grave ou
diminuir seus efeitos. Ato positivo da ação.

Doutrina – natureza jurídica de ambos:


1ª corrente (minoritária): causa extralegal de extinção de punibilidade, por não
estarem contidas no rol do artigo 107 do CP.
2ª corrente (majoritária): causa de exclusão da tipicidade, pois de toda forma
haverá sancionamento, no entanto, o enquadramento irá ganhar rotulagem
diversa da prevista inicialmente.

Artigo 16 – Arrependimento Posterior


“Nos crimes cometidos sem violência ou grave ameaça à pessoa,
reparado o dano ou restituída a coisa, até o recebimento da denúncia ou
da queixa, por ato voluntário do agente, a pena será reduzida de um a
dois terços”.

Causa obrigatória de diminuição de pena: 1/3 a 2/3.


Se houver reparação após recebimento não irá se tratar de arrependimento
posterior (diminuição de pena), mas hipótese de atenuante prevista no artigo
65, III, “b”, do CP.

Artigo 65. São circunstâncias que sempre atenuam a pena:


III – ter o agente:
b)procurado, por sua espontânea vontade e com eficiência, logo após o crime, evitar-
lhe ou minorar-lhe as consequências, ou ter, antes do julgamento, reparado o dano.

Na diminuição da pena o juiz poderá fixar pena aquém do mínimo legal previsto
para a pena, diversamente do que ocorre na atenuante.

OBS: Arrependimento posterior é circunstância objetiva do delito, assim, a


reparação realizada por um agente irá de comunicar a todos.
Exceções ao artigo 16:
1) Artigo 169-A do CP – Apropriação indébita previdenciária – causa de
extinção da punibilidade.
Art. 168-A. Deixar de repassar à previdência social as contribuições recolhidas
dos contribuintes, no prazo e forma legal ou convencional:

Pena - reclusão, de 2 (dois) a 5 (cinco) anos, e multa

§ 1o Nas mesmas penas incorre quem deixar de:


I - recolher, no prazo legal, contribuição ou outra importância destinada à
previdência social que tenha sido descontada de pagamento efetuado a
segurados, a terceiros ou arrecadada do público
II - recolher contribuições devidas à previdência social que tenham integrado
despesas contábeis ou custos relativos à venda de produtos ou à prestação de
serviços;
III - pagar benefício devido a segurado, quando as respectivas cotas ou valores
já tiverem sido reembolsados à empresa pela previdência social.

§ 2o É extinta a punibilidade se o agente, espontaneamente, declara, confessa e


efetua o pagamento das contribuições, importâncias ou valores e presta as
informações devidas à previdência social, na forma definida em lei ou
regulamento, antes do início da ação fiscal.

§ 3o É facultado ao juiz deixar de aplicar a pena ou aplicar somente a de multa


se o agente for primário e de bons antecedentes, desde que:
I - tenha promovido, após o início da ação fiscal e antes de oferecida a
denúncia, o pagamento da contribuição social previdenciária, inclusive
acessórios; ou
II - o valor das contribuições devidas, inclusive acessórios, seja igual ou inferior
àquele estabelecido pela previdência social, administrativamente, como sendo o
mínimo para o ajuizamento de suas execuções fiscais.

2) Artigo 337-A = Sonegação previdenciária: crime formal - não faz


diferença a reparação

Art. 337-A. Suprimir ou reduzir contribuição social previdenciária e qualquer


acessório, mediante as seguintes condutas:
I - omitir de folha de pagamento da empresa ou de documento de informações
previsto pela legislação previdenciária segurados empregado, empresário,
trabalhador avulso ou trabalhador autônomo ou a este equiparado que lhe
prestem serviços;
II - deixar de lançar mensalmente nos títulos próprios da contabilidade da
empresa as quantias descontadas dos segurados ou as devidas pelo empregador
ou pelo tomador de serviços;
III - omitir, total ou parcialmente, receitas ou lucros auferidos, remunerações
pagas ou creditadas e demais fatos geradores de contribuições sociais
previdenciárias:
Pena - reclusão, de 2 (dois) a 5 (cinco) anos, e multa.

§ 1o É extinta a punibilidade se o agente, espontaneamente, declara e confessa


as contribuições, importâncias ou valores e presta as informações devidas à
previdência social, na forma definida em lei ou regulamento, antes do início da
ação fiscal.

§ 2o É facultado ao juiz deixar de aplicar a pena ou aplicar somente a de multa se


o agente for primário e de bons antecedentes, desde que:
I - (VETADO)
II - o valor das contribuições devidas, inclusive acessórios, seja igual ou inferior
àquele estabelecido pela previdência social, administrativamente, como sendo o
mínimo para o ajuizamento de suas execuções fiscais.
§ 3o Se o empregador não é pessoa jurídica e sua folha de pagamento mensal
não ultrapassa R$ 1.510,00 (um mil, quinhentos e dez reais), o juiz poderá
reduzir a pena de um terço até a metade ou aplicar apenas a de multa.
§ 4o O valor a que se refere o parágrafo anterior será reajustado nas mesmas
datas e nos mesmos índices do reajuste dos benefícios da previdência social.

3) Artigo 312, §3º - Peculato culposo

Peculato culposo
§ 2º - Se o funcionário concorre culposamente para o crime de outrem:
Pena - detenção, de três meses a um ano.
§ 3º - No caso do parágrafo anterior, a reparação do dano, se precede à sentença
irrecorrível, extingue a punibilidade; se lhe é posterior, reduz de metade a pena
imposta.

4) Emissão de cheque sem fundo pago antes da ação penal, retira a justa
causa para prosseguimento da ação.

STF.
Sumula 554. O pagamento de cheque emitido sem provisão de fundo, após do
recebimento da denúncia, não obsta ao prosseguimento da ação penal.
5) No juizado implica na renúncia do direito de representação a reparação
do dano.

Art. 74. A composição dos danos civis será reduzida a escrito e, homologada pelo
Juiz mediante sentença irrecorrível, terá eficácia de título a ser executado no juízo
civil competente.
Parágrafo único. Tratando-se de ação penal de iniciativa privada ou de ação
penal pública condicionada à representação, o acordo homologado acarreta a
renúncia ao direito de queixa ou representação.

Artigo 17 – Crime Impossível / Tentativa Inadequada / Tentativa inidônea


“Não se pune a tentativa quando, por ineficácia absoluta do meio ou por
absoluta impropriedade do objeto, é impossível consumar-se o crime”.

Não se pune sequer a tentativa, pois não há forma do agente chegar a


concretização do delito.
Objeto = objeto juridicamente tutelado: caráter absoluto. Ex: se não há vida,
não há como se consumas homicídio.
Meio = ineficácia absoluta. Ex: revolver sem gatilho para prática de homicídio.

** Se houverem características relativas haverá o crime tentado.


OBS: No caso de homicídio é necessário que o agente desconheça que a
vítima esteja morta, pois poderá caracterizar crime de vilipêndio de cadáver.
Deverá haver dolo de matar.

Artigo 18 – Crime Doloso


I – “doloso, quando o agente quis o resultado ou assumiu o risco de
produzi-lo”;

Vontade consciente de produzir um resultado.


- Teoria finalista: há deslocamento do dolo ou da culpa para o fato típico.
- Teoria clássica: início da culpabilidade.

Teorias acerca do dolo:


1) Teoria da vontade: agente quer resultado típico – dolo direto;
2) Teoria do consentimento ou assentimento: agente não quer
propriamente o resultado, mas o aceita dolo eventual;
3) Teoria da representação: basta a previsão do resultado não aceita pelo
CP, pois geraria responsabilidade objetiva.

Espécies:
1) Direito ou de 1º grau
2) Indeterminado: vontade do agente não se fixa em um determinado
ponto. Sendo que este por ser alternativo. Ex: lesionar ou matar.
3) Eventual: assume o risco de produzi-lo. Ex: trânsito: racha ou
embriaguez.

Artigo 18, II – Crime culposo


II - culposo, quando o agente deu causa ao resultado por
imprudência, negligência ou imperícia.
Parágrafo único - Salvo os casos expressos em lei, ninguém pode ser
punido por fato previsto como crime, senão quando o pratica
dolosamente.

Culpa: conduta voluntária que produz um resultado não querido pelo agente,
mas previsível, o qual com a devida cautela ou previsão poderia ser evitado.

Elementos:
1) Comportamento voluntário, com algumas características:
a) Imprudência: não visa resultado criminoso, mas infringe norma de
conduta. Sem cautela. Conduta positiva.
b) Negligência: conduta negativa, ou seja, não há observância dos
deveres.
c) Imperícia: falta de aptidão técnica para prática de determinada
manobra.
2) Falta de dever objetivo de cuidado: prudência do homem médio.
3) Resultado danoso involuntário.
4) Nexo causal entre a conduta e o resultado.
5) Previsibilidade objetiva da conduta.
6) Tipicidade – artigo 18, parágrafo único.
OBS: É irrelevante para o direito penal o grau de culpa. Da mesma forma não
há compensação de culpa ou concorrência de culpa.

Exclusão da responsabilidade culposa:


1) Caso fortuito ou força maior;
2) Erro profissional;
3) Princípio da confiança: ex: passagem em farol verde.

Dolo Eventual Culpa Consciente


Não se quer o resultado, mas é Também pode ser previsto o
assumido (= aceitando) o risco resultado, porém este não é
desde resultado. admitido. O agente acredita que
sua capacidade é superior.

Crime preterdoloso: dolo antecedente + culpa no resultado, o qual é mais


grave e inesperado.
Ex: lesão corporal seguida de morte.

Culpa Imprópria: culpa antecedente + dolo no resultado. Casos das


discriminantes putativas. Ex: inimigo está com a mão no bolso e agente
acreditando estar em legítima defesa atira contra seu desafeto.

OBS: Culpa levíssima para fins de aplicação de pena é aplicada a caso fortuito,
restando isento de pena – não é regra.

Artigo 19 – Agravação pelo Resultado


Pelo resultado que agrava especialmente a pena, só responde o agente
que o houver causado ao menos culposamente.

Definição de crime preterdoloso.

MÓDULO 04 – CD 01

Artigo 20 – Erro sobre elementos de tipo


O erro sobre elemento constitutivo do tipo legal de crime exclui o dolo,
mas permite a punição por crime culposo, se previsto em lei.

Erro de Tipo (Erro de fato): erro de cenário. Erra com relação aos dados da
realidade
Erro do agente for invencível, inevitável ou escusável, exclui o dolo e a culpa.

Erro vencível, evitável ou inescusável, irá responder, entretanto, desde que


haja previsão a título de culpa. Ex: Caçador que acredita estar atirando em um
arbusto para testar a arma, mas atira no amigo, irá responde por lesão ou
homicídio culposo.
Não há devida cautela - Previsão da Teoria Finalista.
Há exclusão do dolo.
§1º - Descriminantes Putativas

§ 1º - É isento de pena quem, por erro plenamente justificado pelas


circunstâncias, supõe situação de fato que, se existisse, tornaria a ação
legítima. Não há isenção de pena quando o erro deriva de culpa e o fato é
punível como crime culposo

Há exclusão de culpabilidade.
Agente se equivoca com relação a situação que está vivenciando.
Erro do agente o isenta de pena, subsiste a situação apenas se houver
previsão a título de culpa.
O agente erra sobre três enfoques:
1) Com relação aos pressupostos fáticos. Ex: pensa que inimigo vai atacar,
mas este trás uma carta para pedir perdão, e eu desfiro um tiro contra o
desafeto;
2) Erro quanto aos limites de uma causa de justificação. Ex: estou sendo
agredido e reajo. Acredita que por ter levado um tapa, tenho legítima
defesa para tudo, pegando um machado e desferindo golpes.
3) Crença de que exista uma causa que licite o comportamento. Ex:
legítima defesa da honra que não existe juridicamente.

§2º - Erro determinado por terceiro


Responde pelo crime o terceiro que determina o erro.

Ex: Terceiro que determina ao agente que atire contra vítima, alegando
estarem em legítima defesa, quando em verdade era uma brincadeira.

§3º - Erro sobre a pessoa


O erro quanto à pessoa contra a qual o crime é praticado não isenta de
pena. Não se consideram, neste caso, as condições ou qualidades da
vítima, senão as da pessoa contra quem o agente queria praticar o crime.

Artigo 21 – Erro sobre a ilicitude do fato – Erro de proibição – Erro de


direito
O desconhecimento da lei é inescusável. O erro sobre a ilicitude do fato,
se inevitável, isenta de pena; se evitável, poderá diminuí-la de um sexto a
um terço.
Parágrafo único - Considera-se evitável o erro se o agente atua ou se
omite sem a consciência da ilicitude do fato, quando lhe era possível, nas
circunstâncias, ter ou atingir essa consciência.

Erro se passa na mente do agente, e não sobre uma relação fática.


Agente acredita que a lei o autoriza, quando a lei o proíbe.
Irá isentar de pena, diz respeito a culpabilidade.

OBS: A culpabilidade é formada por um tripé:


1) Imputabilidade;
2) Potencial consciência da ilicitude;
3) Exigibilidade conduta conforme o direito.
** Neste sentido, no erro de proibição o agente age em potencial consciência
da ilicitude.
Erro invencível, erro inevitável ou escusável. Ex: agente vai para o Motel com
mulher com problemas mentais, sem, no entanto, conhecer este fato, uma vez
que houve a verificação de sua maioridade civil.

Situação diversa reside no fato do agente, conhecendo o problema mental de


mulher, e aguarda sua maioridade para praticar com ela atos sexuais,
acreditando ser sua atitude lícita. Neste caso, o agente não estará isento de
pena, mais poderá ser lhe diminuída a pena de uma ser a um terço.

Erro da lei é inescusável = erro de vigência.


Quando muito este desconhecimento da lei, dependendo da situação pode
servir como atenuante prevista no artigo 65, II, do CP.
Ex: pessoa que mora em lugar remoto e há arma sem registro em seu poder,
sem conhecer sua ilegalidade.

Artigo 22 – Coação Irresistível e obediência hierárquica


Se o fato é cometido sob coação irresistível ou em estrita obediência a
ordem, não manifestamente ilegal, de superior hierárquico, só é punível o
autor da coação ou da ordem.

O coagido ou coacto tem a seu favor uma causa de exclusão da culpabilidade,


pois o constrangimento moral é tamanho, que não poderá ser esperado outro
comportamento do agente.
Ex: gerente de banco que tem sua família sequestrada, e este pratica furto em
sua agência.

OBS: A culpabilidade é formada por um tripé:


1) Imputabilidade;
2) Potencial consciência da ilicitude;
3) Exigibilidade conduta conforme o direito – não é possível se exigir do
agente

Na exclusão da culpabilidade há todos os elementos do tipo, no entanto, não


há existência dos requisitos da culpabilidade

Requisitos:
1) Irresistibilidade da coação: não pode ser superada pelo coagido ou
coacto;
2) Existência de três figuras:
a) acto ou coagido (sobre o qual incide a coação);
b) coator (criminoso que irá exigir determinada conduta);a,
c) vítima (utilizada como instrumento para prática da coação).
3) Se esta coação for resistível, o agente ir responder, todavia será
diminuída sua pena, tendo em vista existência de atenuante genérica,
prevista no artigo 65, III, “c” (de coação).
Obediência hierárquica: Requisitos:
1) Subordinação hierárquica fundada no direito administrativo. Ex: do
capitão para o soldado; juiz para escrevente, etc...
No direito privado não cabe obediência hierárquica.
2) A ordem deve ser não manifestamente ilegal, senão, irá responder, bem
como quem deu a ordem.
3) Deve haver estrita observância aos limites da ordem, sob pena, do
agente responder pelo excesso cometido.

Artigo 23 – Excludente de ilicitude


Não há crime quando o agente pratica o fato:
I - em estado de necessidade;
II - em legítima defesa;
III - em estrito cumprimento de dever legal ou no exercício regular de
direito.

Ilicitude: contrariedade entre a conduta humana e exigência do ordenamento


jurídico.

Excludentes: situação es reconhecidas pelo ordenamento jurídico que embora


constitua fato típico, que no entanto, se tornarão lícitas em virtude da
ocorrência dessas situações.

Excludentes de ilicitude estão previstas nos artigos 23 a 25 do CP, bem como


em outros dispositivos, por ex: o aborto legal, previsto no artigo128;
excludentes dos crimes contra a honra. Artigos 138 a 144.

Causas supralegais de excludente de ilicitude: POSSÍVEL. Não é possível


ao legislador prever todas as situações em que há excludente de ilicitude. Ex:
ação socialmente adequada – manicure que tira cutícula que inflama (lesão
corporal); tatuador; consentimento do ofendido em relação a crimes
patrimoniais (não registro de ocorrência); princípio da insignificância.

Parágrafo único – Excesso punível


O agente, em qualquer das hipóteses deste artigo, responderá pelo
excesso doloso ou culposo.

Artigo 24 - Estado de necessidade


Considera-se em estado de necessidade quem pratica o fato para
salvar de perigo atual, que não provocou por sua vontade, nem podia de
outro modo evitar, direito próprio ou alheio, cujo sacrifício, nas
circunstâncias, não era razoável exigir-se.
§ 1º - Não pode alegar estado de necessidade quem tinha o dever
legal de enfrentar o perigo.
§ 2º - Embora seja razoável exigir-se o sacrifício do direito ameaçado,
a pena poderá ser reduzida de um a dois terços.

Necessidade irá decorrer de perigo não criado pelo agente.


O estado de necessidade pode ser
1) Justificante, quando o bem jurídico sacrificado for inferior àquele que é
salvo.
2) Exculpante: quando bem jurídico sacrificado, possui valor igual àquele
que é salvo.
Esta definição não é pacífica. O Código prevê no §2º do artigo 24 situação
em que o agente salva bem de menor valor em detrimento do sacrificado que
possui maior valor, caso em que não haverá excludente de ilicitude, toda via
sua sanção será diminuída de 1/3 a 2/3.

Classificação
1) Agressivo: quando agente se voltar a bem diverso daquele que provém
o perigo. Ex: Na ocorrência de um incêndio, há o arrombamento de porta
do vizinho.
2) Defensivo
3) Real
4) Putativo
5) Defesa de direito próprio
6) Defesa de direito de terceiro

OBS: somente o estado de necessidade pode ser recíproco. Ex: disputa por
colete salva-vidas.

Requisitos:
1) Depende da existência de perigo atual (somente).
Diverso da legítima defesa é perigo atual e iminente.
2) Ameaça a direito próprio ou alheio.
3) Inevitável: não há outra forma de se salvar o bem, a não ser o sacrifício
de outro bem.
4) Perigo não provocada voluntariamente pelo agente. Não há a palavra
agressão, própria da legítima defesa.
5) Proporcionalidade do bem jurídico a ser sacrificado. De valor superior ou
igual.
6) Inexistência de dever legal de enfrentar o perigo – artigo 24, §1º.

Artigo 25 - Legítima defesa


Art. 25 - Entende-se em legítima defesa quem, usando
moderadamente dos meios necessários, repele injusta agressão, atual ou
iminente, a direito seu ou de outrem.

Repele injusta AGRESSÃO, a qual deve ser ATUAL ou IMINENTE.


Requisitos:
1) Agressão injusta atual ou iminente;
2) Defesa a direito próprio ou alheio;
3) Reação através dos meios necessários, tendo em vista que haverá
responsabilização pelos excessos;
4) Uso moderado dos meios necessários;
5) Provocação da agressão: provocador pode se defender da legítima
defesa pratica em excesso.
A legítima defesa também é uma causa excludente da ilicitude = natureza
jurídica.

Classificação
1) Real
2) Putativa
3) Defesa de direito próprio
4) Defesa de direito de terceiro

OBS: Legítima defesa não pode ser recíproca, tendo em vista que seu
fundamento é a prática de uma agressão, sendo assim, em havendo agressão
é impossível que haja ao mesmo tempo uma defesa, mas poderá ser
sucessiva, nos casos em que houver excesso.
No entanto, comporta exceção, como no caso na legítima defesa putativa, em
que poderá haver legítima defesa recíproca.

Excesso da legítima defesa por ser


1) Doloso;
2) Culposo;
3) Intensivo: através de um único golpe;
4) Extensivo: vários golpes. Resposta irá se prolongar pelo tempo.
5) Exculpante: quando a reação decorre de ato involuntário. Ex: susto.
Neste casos, o tido por provocador, em um segundo momento estará em
legítima defesa.

Artigo 23, III – Exercício Regular do Direito

Fato de o agente agir autorizado pelo ordenamento jurídico.


Ex: proprietário quando tem sua posse esbulhada que investe contra o
esbulhador; situações parlamentares em que deputado profere palavras em
desalinho com o decoro, sendo esta uma das atribuições da atividade
parlamentar, pela inviolabilidade de suas palavras.
Lesões do esporte, desde que dentro das regras, como o carrinho que quebra
a perna de outro jogador. Diversamente da briga que ocorrer dentro do campo.
Intervenções cirúrgicas (cirurgia plástica).

Ofendículos, ofensáculos. Ex: arames farpados, cercas elétricas. Exercício


regular do direito de propriedade.
Neste tópico, a divergência jurisprudencial quanto ao seu enquadramento, por
haver aqueles (corrente minoritária) que entendem ser instrumentos da legítima
defesa, no entanto, para configuração desta última falta a ela o requisito
“agressão atual ou iminente”.

Dono da propriedade responde pelos excessos cometidos.


Artigo 23, III – Estrito Cumprimento do Dever Legal
Ex: desocupação de imóvel invadido.
Autor irá responder pelos excessos cometidos.

MÓDULO 05 – DISCO 01

Culpabilidade
Não definida na lei.
Teoria
1) ** Teoria normativa pura: desvincula da culpabilidade do aspecto
psicológico do agente, vinculando o dolo ou a culpa ao fato típico
(tipicidade). Teoria adota pelos finalistas (grande maioria).
2) Psicológico-normativa: adicionou a reprovabilidade e fatores
psicológicos como fatores da culpabilidade.
Não há teoria certa ou errada.

Elementos - São diversos do que está disposto no CP em seu artigo 26:


1) Imputabilidade = CAPACIDADE: a condição pessol de maturidade e
sanidade mental que ao tempo da conduta atribui ao agente capacidade,
através da qual o agente tem consciência da ilicitude do ato e de se
reger de acordo com este entendimento.
Critério adotada para a imputabilidade é o critério biopsicológico.
2) Potencial consciência da ilicitude
3) Exigibilidade de conduta diversa (da fixada em lei)

Artigo 26 – Inimputabilidade
É isento de pena o agente que, por doença mental ou desenvolvimento mental
incompleto ou retardado, era, ao tempo da ação ou da omissão, inteiramente
incapaz de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com
esse entendimento.
Redução de pena
Parágrafo único - A pena pode ser reduzida de um a dois terços, se o agente,
em virtude de perturbação de saúde mental ou por desenvolvimento mental
incompleto ou retardado não era inteiramente capaz de entender o caráter
ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento.

“caput”: Ausência do requisito da culpabilidade: imputabilidade.


Será aplicada a medida de segurança: internação ou tratamento psicológico.
A medida de segurança não tem prazo, pois não é pena, mas é medida
curativa.
Em regra, a medida de segurança é aplicada de forma proporcional a pena que
seria aplicada em abstrato.
Esta sentença que absolverá o inimputável e lhe imputará medida de
segurança é denominada de sentença absolutória imprópria.

Parágrafo único: Semi-imputável: perturbação das faculdades, não é doença.


Critério adotado pelo CC a partir de 84, é o sistema vicariante, e não mais o
duplobinário.
Antigo sistema: o juiz constatando a semi-imputabilidade, lhe aplicava a pena
e, posteriormente, aplica uma medida de segurança
Pelo critério vicariante o juiz deve optar entre a pena e a medida de
segurança. Contudo, se o juiz optar pela aplicar da pena, esta deverá ser
reduzida de 1/3 a 2/3.

Menores de dezoito anos


Art. 27 - Os menores de 18 (dezoito) anos são penalmente inimputáveis,
ficando sujeitos às normas estabelecidas na legislação especial.

Critério biológico.
Menor não comete crime, mas ato infracional; e não está sujeito a pena, mas a
medida sócio-educacional.
Os menores estão sujeitos a aplicação do ECA Lei 8.069/90.

Emoção e paixão
Art. 28 - Não excluem a imputabilidade penal:
I - a emoção ou a paixão;

De breve duração.

Embriaguez: (não exclui a imputabilidade)


II - a embriaguez, voluntária ou culposa, pelo álcool ou substância de efeitos
análogos.

Espécies:
a) Embriaguez Voluntária: irá responder.
b) Embriaguez Culposa: a pessoa excede o seu limite, por algum erro: é
imputável.
c) Embriaguez Pré-ordenada: a pessoa bebe com a finalidade cometer
um delito: é imputável, e também terá contra si uma agravante
genérica, na fixação da pena pelo juiz artigo 61, II, “l”.

Art. 61 - São circunstâncias que sempre agravam a pena, quando não


constituem ou qualificam o crime:
II - ter o agente cometido o crime:
l) em estado de embriaguez preordenada.

d) Embriaguez acidental: oriunda de caso fortuito ou força maior: Se a


embriagues for completa e total: É INIMPUTÁVEL.
Todavia, se a embriaguez acidental não for completa, o agente irá
responder pelo crime, mas terá a seu favor uma causa de diminuição
de pena, que irá variar de 1/3 a 2/3.
e) Embriaguez patológica: a qual é tratada como doença mental,
aplicada ao autor da infração, o mesmo raciocínio do artigo 26, ou
seja inimputável, com aplicação de medida de segurança.
OBS: Em relação aos agentes que se encontram em embriaguez
voluntária, culposa e pré-ordenada este são imputáveis em decorrência
da Teoria axio-libera in causa (resquício da responsabilidade objetiva no
direito penal), o legislador retroage ao momento anterior em que a
pessoa passou a beber para responsabiliza-la.

Exceção ao caput:
§ 1º - É isento de pena o agente que, por embriaguez completa, proveniente de
caso fortuito ou força maior, era, ao tempo da ação ou da omissão,
inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se
de acordo com esse entendimento.
§ 2º - A pena pode ser reduzida de um a dois terços, se o agente, por
embriaguez, proveniente de caso fortuito ou força maior, não possuía, ao
tempo da ação ou da omissão, a plena capacidade de entender o caráter ilícito
do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento.

Segundo Elemento da Culpabilidade:


Potencial consciência da ilicitude:
Desconhecimento pelo agente de que o fato por ele praticado é típico. Terá a
seu favor uma excludente de ilicitude.

Erro de proibição: Artigo 21 – atua sem o potencial conhecimento ou


consciência da ilicitude. Acredita que a norma permite, quando em verdade
proíbe.

Terceiro: exigibilidade de conduta diversa (da conduta criminosa): deverá haver


a possibilidade da opção pela conduta licita ou ilícita. Lado inverso é o artigo
22.

DO CONCURSO DE PESSOAS

Um só fato criminoso é praticado por uma pluralidade de agentes.


Teoria Monista ou Unitária: em que todos responderão por crime único.

Requisitos:
1) Pluralidade de agente;
2) Unidade de conduta ou infração penal;
3) Relevância causal de cada conduta;
4) Liame ou nexo subjetivo entre os agentes.

O concurso de pessoas pode ser eventual (furto, roubo,...), ou fundamental


(rixa, formação de quadrilha ou bando,...).
Poder haver ânimo convergente (bigamia) ou divergente (rixa).

Teoria que cuida da situação da autoria é a Teoria do Domínio do Fato: autor é


aquele que possui o domínio final da ação.
Cada um responde na medida de sua culpabilidade.

Partícipe: não participa do núcleo do tipo, apenas fornece meios para tanto.
A autoria possui as seguintes espécies:
1) Autor executor: aquele que realiza materialmente a conduta prevista no
tipo penal.
2) Autor intelectual: aquele que sem realizar materialmente a conduta, ele
tem mesmo assim o seu domínio, pois planificou/organizou a conduta.
3) Autor mediato: o autor que queria realizar o ato, serve-se de outra
pessoa, que sem a consciência do que está fazendo, realiza o ato para
este autor mediato. Ex: médico que faça para enfermeiro, que achando
que é remédio, quando em verdade se trata de veneno. Sendo assim,
responderá o médico – autor mediato. Também ocorre nos casos de
hipnose.
4) Coautoria: realização conjunta de um único delito.
5) Autoria colateral: uma pessoa ignora que está auxiliando na conduta de
uma outra pessoa. Agem em convergência de finalidade, contudo não
há liame, vinculo subjetivo entre essas pessoas. Ex: briga de torcida.
Finalidade é a mesma, sem liame.
6) Autoria incerta: não há como se precisar quem é o autor do fato. Haverá
a responsabilização apenas de crime tentando, embora o crime tenha se
efetivado. Fundamento: Estado prefere absolver um culpado, a condenar
um inocente. Ex: duas pessoas atiram ao mesmo tempo em um desafeto
comum.
7) Participação: artigo 29, §1º: aquele que de alguma forma colabora com a
conduta do autor ou coautor, mas não realiza o núcleo do tipo. Formas:
a) Induzimento: criar a ideia criminosa na mente do autor do fato.
b) Instigação: a pessoa tem a ideia e irá reforçar a ideia criminosa para
que a pessoa pratique o delito.
c) Ajuste
d) Auxílio ou partícipe material ou cumplice: a pessoas fornece os
meios materiais para o autor do crime.
Não existe participação culposa.

A participação é uma causa obrigatória de diminuição de pena de 1/6 a


1/3.

Artigo 29, §2º: desvio subjetivo ou a cooperação dolosamente distinta.

Regras comuns às penas privativas de liberdade


Art. 29 - Quem, de qualquer modo, concorre para o crime incide nas penas a
este cominadas, na medida de sua culpabilidade.
§ 1º - Se a participação for de menor importância, a pena pode ser diminuída
de um sexto a um terço.
§ 2º - Se algum dos concorrentes quis participar de crime menos grave, ser-
lhe-á aplicada a pena deste; essa pena será aumentada até metade, na
hipótese de ter sido previsível o resultado mais grave.

Circunstâncias incomunicáveis
Art. 30 - Não se comunicam as circunstâncias e as condições de caráter
pessoal, salvo quando elementares do crime.
Em regra não se aplica as circunstâncias e condições de caráter pessoal, a não
ser que esta elementar integre o tipo penal. Ex: crime de peculato, a vinculação
subjetiva se estenderá ao coautor.
Questões objetivas sempre são comunicáveis.

Casos de impunibilidade

Art. 31 - O ajuste, a determinação ou instigação e o auxílio, salvo


disposição expressa em contrário, não são puníveis, se o crime não
chega, pelo menos, a ser tentado.

Não se pune os atos meramente preparatórios, salvo houver previsão em


sentido contrário. – artigo 122. 227, 228, 248, todos do CPC.

MÓDULO 06 – CD 01

DAS PENAS

Sanção penal: é a medida com que o Estado reage a uma conduta realizada
pelo agente criminoso.
Caráter de reprimenda e também preventivo, pois se retira uma pessoa do seio
da sociedade para que se previna delito futuro que pudesse vir a cometer.
Com base nisso, acerca da sanção penal a teoria adotada pelo CP, é a teoria
mista, em que a pena de caráter repressivo e preventivo.

Art. 32 - As penas são:


I - privativas de liberdade;
II - restritivas de direitos;
III - de multa.

Pena privativa de liberdade: se subdivide em: reclusão, detenção e prisão


simples.
São restrições ao direito de ir e vir, consistindo na permanência do sentenciado
em um estabelecimento prisional.

As penas de reclusão e detenção são apenadas aos crimes e a pena de prisão


simples é aplicada tendo em conta a prática de uma contravenção penal.

As penas do Código ligadas aos crimes estão no artigo 33:

Art. 33 - A pena de reclusão deve ser cumprida em regime fechado, semi-


aberto ou aberto. A de detenção, em regime semi-aberto, ou aberto, salvo
necessidade de transferência a regime fechado.
§ 1º - Considera-se:
a) regime fechado a execução da pena em estabelecimento de segurança
máxima ou média;
b) regime semi-aberto a execução da pena em colônia agrícola, industrial
ou estabelecimento similar;
c) regime aberto a execução da pena em casa de albergado ou
estabelecimento adequado.
§ 2º - As penas privativas de liberdade deverão ser executadas em forma
progressiva, segundo o mérito do condenado, observados os seguintes
critérios e ressalvadas as hipóteses de transferência a regime mais
rigoroso:
a) o condenado a pena superior a 8 (oito) anos deverá começar a cumpri-
la em regime fechado;
b) o condenado não reincidente, cuja pena seja superior a 4 (quatro) anos
e não exceda a 8 (oito), poderá, desde o princípio, cumpri-la em regime
semi-aberto;
c) o condenado não reincidente, cuja pena seja igual ou inferior a 4
(quatro) anos, poderá, desde o início, cumpri-la em regime aberto.
§ 3º - A determinação do regime inicial de cumprimento da pena far-se-á
com observância dos critérios previstos no art. 59 deste Código.
§ 4o O condenado por crime contra a administração pública terá a
progressão de regime do cumprimento da pena condicionada à reparação
do dano que causou, ou à devolução do produto do ilícito praticado, com
os acréscimos legais.

Já para as contravenções se encontram no artigo 5º da lei das contravenções


penais.

Para cumprir essas medidas (reclusão, detenção e prisão simples) o legislador


preconizou também os regimes para tanto.

Reclusão: Regimes fechado, semi-aberto e aberto.

Detenção e para as contravenções penais: o regime inicial é o semiaberto ou


aberto.
Logicamente, que de acordo com a situação poderá iniciar em regime fechado,
se já está em curso de alguma medida.

Execução das medidas – segundo a legislação não só do código, mas


também da lei de execuções penais (Lei nº 7.210) – a cada passo que o
reeducando vai dando no cumprimento da medida, irá ter sua situação melhor.
O Código prevê que ele tem que ter estágio de 1/6 em cada regime para que
tenha a progressão. Além disso, deverá ter satisfatório cumprimento dentro do
estabelecimento carcerário.

Lei nº 7.210. Art. 112. A pena privativa de liberdade será executada


em forma progressiva com a transferência para regime menos rigoroso, a
ser determinada pelo juiz, quando o preso tiver cumprido ao menos um
sexto da pena no regime anterior e ostentar bom comportamento
carcerário, comprovado pelo diretor do estabelecimento, respeitadas as
normas que vedam a progressão.
§ 1o A decisão será sempre motivada e precedida de manifestação do
Ministério Público e do defensor.
§ 2o Idêntico procedimento será adotado na concessão de livramento
condicional, indulto e comutação de penas, respeitados os prazos
previstos nas normas vigentes.
Antigamente, a lei de crimes hediondos não previa a progressão, mas ela foi
alterada no ano de 2007, prevendo a progressão, com percentuais distintos,
para o primário a progressão de regime será em 2/5 (40% da medida), já para
o reincidente a progressão de regime será em 3/5 (60%). A regra é a colocação
no regime fechado.

A progressão não pode ser realizada por saltos (regime fechado direto para o
regime aberto).
Já a regressão pode ser feita por saltos (regime aberto para o regime
fechado).

Lei nº 7210. Art. 118. A execução da pena privativa de liberdade ficará


sujeita à forma regressiva, com a transferência para qualquer dos regimes
mais rigorosos, quando o condenado:
I - praticar fato definido como crime doloso ou falta grave;
II - sofrer condenação, por crime anterior, cuja pena, somada ao restante
da pena em execução, torne incabível o regime (artigo 111).
§ 1° O condenado será transferido do regime aberto se, além das
hipóteses referidas nos incisos anteriores, frustrar os fins da execução ou
não pagar, podendo, a multa cumulativamente imposta.
§ 2º Nas hipóteses do inciso I e do parágrafo anterior, deverá ser ouvido
previamente o condenado.

Há discussão jurisprudência de que a progressão é possível quando não há


vaga no sistema penitenciário, no regime pelo qual o reeducando deveria estar
pertencendo.
Em contrapartida, outra corrente doutrinária e jurisprudencial, diz respeito que a
transmutação (mudança dos estagio do regime fechado para o aberto) daria
aos olhos do cidadão de bem a presunção de um estado legal de impunidade.

Remição: desconto, de um dia na sua sanção, a cada três dias, em que o


preso trabalhar e que está no regime fechado ou semi-aberto.
Este trabalho tem duração mínima de 6h e máxima de 8h.
Hoje a corrente majoritária aceita que as horas de estudo servem para efeito de
remição.

Lei 7.210.
Art. 126. O condenado que cumpre a pena em regime fechado ou semi-
aberto poderá remir, pelo trabalho, parte do tempo de execução da pena.
§ 1º A contagem do tempo para o fim deste artigo será feita à razão de 1
(um) dia de pena por 3 (três) de trabalho.
§ 2º O preso impossibilitado de prosseguir no trabalho, por acidente,
continuará a beneficiar-se com a remição.
§ 3º A remição será declarada pelo Juiz da execução, ouvido o Ministério
Público.

Art. 127. O condenado que for punido por falta grave perderá o direito ao
tempo remido, começando o novo período a partir da data da infração
disciplinar.

A remição não se confunde com a detração penal (artigo 42), que é a retirada
dos dias de prisão provisória na pena definitiva.
CP. Art. 42 - Computam-se, na pena privativa de liberdade e na medida de
segurança, o tempo de prisão provisória, no Brasil ou no estrangeiro, o de
prisão administrativa e o de internação em qualquer dos estabelecimentos
referidos no artigo anterior.

Superveniência de doença penal

CP. Art. 41 - O condenado a quem sobrevém doença mental deve ser


recolhido a hospital de custódia e tratamento psiquiátrico ou, à falta, a
outro estabelecimento adequado.

Se no curso do cumprimento de pena sobrevier doença penal que impeça que


o reeducando cumpra a medida a que ele está sujeito, ele será encaminhado
para o hospital de custódia ou algum tratamento psiquiátrico, pelo tempo
restante da medida.
ATENÇÃO!! Único caso em que medida curativa, terá tempo pré-determinado,
tendo em vista que já houve a plena aplica in concreto, ocorrendo o incidente
na execução.

Pena restritiva de direitos. Artigos 43 48 do CP. Forma de ressocialização.


Sanção penal imposta em substituição a pena privativa de liberdade.
Essas restritivas de direitos ganharam muita força com a Lei 9.099/95.
Características da pena restritiva de direitos:
1) Autonomia – pode ser aplicada independentemente de qualquer coisa;
2) Substitutividade – substitui pena privativa de liverdade.
São divididas em categorias (artigo 43 do CP):
1) Prestação pecuniária;
2) Perda de bens e valores;
3) Prestação de serviços à comunidade;
4) Interdição temporária de direitos;
5) Limitação de finais de semana.
Critérios para aplicação são aqueles do artigo 44 do CP.

Art. 44. As penas restritivas de direitos são autônomas e substituem as


privativas de liberdade, quando:
I - aplicada pena privativa de liberdade não superior a quatro anos e o
crime não for cometido com violência ou grave ameaça à pessoa ou,
qualquer que seja a pena aplicada, se o crime for culposo;
II - o réu não for reincidente em crime doloso;
III - a culpabilidade, os antecedentes, a conduta social e a personalidade
do condenado, bem como os motivos e as circunstâncias indicarem que
essa substituição seja suficiente.
§ 1o (VETADO)
§ 2o Na condenação igual ou inferior a um ano, a substituição pode ser
feita por multa ou por uma pena restritiva de direitos; se superior a um ano,
a pena privativa de liberdade pode ser substituída por uma pena restritiva
de direitos e multa ou por duas restritivas de direitos
§ 3o Se o condenado for reincidente, o juiz poderá aplicar a substituição,
desde que, em face de condenação anterior, a medida seja socialmente
recomendável e a reincidência não se tenha operado em virtude da prática
do mesmo crime.
§ 4o A pena restritiva de direitos converte-se em privativa de liberdade
quando ocorrer o descumprimento injustificado da restrição imposta. No
cálculo da pena privativa de liberdade a executar será deduzido o tempo
cumprido da pena restritiva de direitos, respeitado o saldo mínimo de trinta
dias de detenção ou reclusão.
§ 5o Sobrevindo condenação a pena privativa de liberdade, por outro
crime, o juiz da execução penal decidirá sobre a conversão, podendo
deixar de aplicá-la se for possível ao condenado cumprir a pena
substitutiva anterior.

Contudo, o juiz da execução pode adotar alguns outros requisitos que não
apenas aqueles previstos no artigo 44 do CP.

Requisitos objetivos:
1) Aplicação de uma pena privativa de liberdade;
2) Pena inferior a 4 anos, em crime doloso cometido sem violência.
Ex: furto.
3) Crime culposo, qualquer que seja a pena aplicada.
Requisitos subjetivos:
1) Não ser reincidente em crime doloso;
2) Culpabilidade
3) Antecedentes
4) Conduta Social
5) Personalidade
6) E outros motivos que indicam que é suficiente a substituição.

Se o condenado descumprir de forma injustificada qualquer destas penas


restritivas de direito, ele poderá ter contra si a imposição de uma nova
conversão da pena em restritiva de liberdade.
Este tempo que cumpriu na pena restritiva de direitos será descontado do
tempo da pena privativa de liberdade.
Tempo mínimo de pena privativa de liberdade = 30 dias.

Espécies de restritiva de direitos:


1) Prestação pecuniária
Não pode se confundir com multa, a qual é recolhida ao fundo
penitenciário nacional.
A prestação pecuniária é como se fosse uma indenização à vítima, ou
seus familiares. Serve para satisfação civil, prevista na esfera penal - de
1 até 360 salários mínimos.
2) Perda de bens ou valores: recairá sobre patrimônio lícito do autor da
infração.
Não se confunde com o confisco, que recai sobre patrimônio ilícito que o
autor do crime possui.
3) Prestação de serviços à comunidade ou entidades privadas
4) Limitação de finais de semana
5) Interdição de direitos
Subdivisão:
a) Proibição do exercício de cargo ou função pública, bem como
mandato eletivo;
b) Proibição do exercício de profissão, atividade ou ofício que depende
de habilitação, licença especial ou autorização do Poder Público:
médico, advogado;
c) Suspensão de autorização ou habilitação para dirigir veículo;
d) Proibição de frequentar determinados lugares.

Pena de multa – Artigos 49 a 52 do CP - implemento ao Fundo Penitenciário


Nacional – prevista na sanção penal.

Art. 49 - A pena de multa consiste no pagamento ao fundo penitenciário da


quantia fixada na sentença e calculada em dias-multa. Será, no mínimo, de
10 (dez) e, no máximo, de 360 (trezentos e sessenta) dias-multa.
§ 1º - O valor do dia-multa será fixado pelo juiz não podendo ser inferior a
um trigésimo do maior salário mínimo mensal vigente ao tempo do fato,
nem superior a 5 (cinco) vezes esse salário.
§ 2º - O valor da multa será atualizado, quando da execução, pelos índices
de correção monetária.

Obrigação imposta ao condenado de pagar ao Estado determinada soma em


dinheiro.
Pena de multa não é mera condenação em dinheiro, mas cria uma obrigação
para que haja este implemento.
A pena de multa é aplicada de forma cumulativa ou substitutiva a uma pena
privativa de liberdade.
Nos delitos contra o patrimônio a regra é ter uma medida privativa de liberdade,
mais uma multa.
Há delitos em que há apenas a aplicação de multa, como ocorre nos crimes
eleitorais.
De outro lado, as contravenções penais, preveem como regra a aplicação da
multa como pena.
Critério apara aplicação da pena de multa é o chamado Critério Bifásico:
1ª fase: O juiz fixa a quantidade de dias multa, varia no percentual de 10 dias a
360 dias-multa;
2ª fase: Nesta fase deverá incluir ainda quanto cada dia irá custar ao
condenado. Este quantum varia de 1/30 até 5 vezes o valor do salário mínimos.

Com relação a execução da pena de multa há uma divisão doutrinária,


porque a multa prevista no artigo 51 do CP, está inscrita como sendo dívida de
valor, sendo assim a execução caberia a Fazenda do Estado.

CP. Art. 51 - Transitada em julgado a sentença condenatória, a multa será


considerada dívida de valor, aplicando-se-lhes as normas da legislação
relativa à dívida ativa da Fazenda Pública, inclusive no que concerne às
causas interruptivas e suspensivas da prescrição.

Todavia, isto não é pacífico porque o Ministério Público, entende que multa é
pena, e ao MP compete o acompanhamento da execução da pena de multa.

Posição majoritária que por ser execução de dívida de valor caberá a Fazenda
do Estado e não do MP.

Com relação à prescrição há mesmo raciocínio:


Se a multa for encarada como pena a prescrição é menor, será de 2 anos –
artigo 114, I, do CP.
Todavia, se for encarada como dívida de valor, a prescrição será de 5 anos.

È orientado a ser ter posição híbrida, ou seja, defender a competência da


Fazenda, porém, com a aplicação da prescrição de 2 anos, por se tratar de
pena e ser mais benéfica ao réu.

Adotar posicionamento de acordo com a banca.

Aplicação das Penas:


Segue critério trifásico previsto no artigo 68 do CP.
Aplicação primeiro das circunstâncias judiciais (artigo 59), em segundo plano
as circunstâncias legais (1º atenuante do artigo 65 e 2º as agravante do artigo
61), e por fim a terceira fase, que são 1º as causas de diminuição de pena e 2º
as causas de aumento de pena.

Artigo 59 – Juiz fixa pena base – consequências do crime – comportamento da


vítima – causas e motivos do delito;

Artigo 66 – .... atenuante

Se houver concurso de um atenuante, frente a uma agravante – critério para


desempate – prepondera sobre todas as demais é a menoridade que equivale
de 18 até 21 anos. Motivos determinantes do crime. Personalidade do agente.
Reincidência.

Atenuante e agravante não tem o condão de ultrapassar os limites mínimo e


máximo da pena.

Rol de agravante do artigo 61 é numerus clausus – rol taxativo.

Agravante – reincidência – artigo 63 – agravante subjetiva que consiste na


pratica de uma nova infração penal após o autor deste crime ter contra si uma
condenação com transito em julgado.
Várias condenações sem trânsito em julgado = tecnicamente primário.
Inúmeros inquéritos = maus antecedentes.
Requisitos:
1) Condenação anterior definitiva;
2) Cometimento de nova infração após o transito em julgado.
3) Prática de inúmeros crimes, mas deve haver uma condenação com
trânsito em julgado anterior.
De outra parte não gera reincidência a transação penal, a prática de crimes
militares próprios, a prática de crimes políticos, sentença condenatória depois
do período de 5 anos, contados a partir do cumprimento da pena ou da sua
extinção, tendo em vista que reincidência irá prescrever após 5 anos da
condenação.
Há divisão doutrinária em relação a reincidência genérica e a reincidência
específica. Não possui muita funcionalidade prática.
Genérica – delitos que não possuem a mesma natureza.
Específica – delitos da mesma espécie.
Causas de aumento e diminuição de pena estão previstas tanto na parte geral,
como na parte especial. em regra estão previstas em percentuais.
Mais de uma causa de diminuição ou aumento de pensa, o juiz poderá optar
pela que mais diminua ou pela que mais aumente, desprezando a outra que
seja a menor.
Poderá ser inferior a pena mínima legal na dosimetria da pena aplicada, em
face de causa de diminuição de pena.

MÓDULO 07

Concursos de crime: mais de um crime por meio de várias ou uma única ação.

Delitos é que são várias.


Os meios pode ser na forma plural ou singular.

Concursos Material - Artigo 69...


Haverá soma das penas.
Limite de até 30 anos – artigo 75.
Prescrição é observada de forma separada, se acordo com cada crime.
Poder ser:
a) Homogêneo: crimes da mesma espécie.
b) Heterogêneo: crimes de espécies distintas.
A pena restritiva de direitos pode ser aplicada, desde que haja compatibilidade
entre elas. §§1º e 2º do artigo 69.

Concurso Formal – Artigo 70. Autor comete os delito (s) por meio de apenas
uma ação.
Pode ser:
a) Próprio ou perfeito: quando o autor mediante uma só ação comete dois
ou mais delitos, sem desígnios autônomos, ou seja, sem dolos
independentes.
ex: autor quer matar uma pessoas, no entanto, em posse de uma arma
potente, o autor atira na vítima e a mesma bala vem a atingir outra
pessoa.
Fixação da pena: critério da exasperação – pega a pena maior,
acrescida de 1/6 até a metade.
Se houver mais delitos é que o juiz vai aumentando este percentual.
b) Imperfeito ou impróprio: quando autor agem com dolos independentes /
desígnios autônomos.
Ex: autor quer matar em A e B, e a mesma bala mata ambos.
Aplicação da pena: serão somadas.

OBS: Concurso formal: regra é o primeiro ex, ou seja, próprio ou


perfeito, sem desígnios autônomos. Se os crimes forem muitos
desconformes, com penas incompatíveis, com por ex. homicídio e lesão
leve, se exasperar a pena do homicídio ficará muito pior a situação do
autor, neste caso é utilizado o acumulo material benéfico, ou seja, é
melhor para o autor que sejam somadas as penas.
Crime continuado – artigo 71 – é por fixação um crime único
Fixação da pena: critério da exasperação: aumento de 1/6 a 2/3.
Parágrafo único: aumento até o triplo.

Multa no Concurso de Crimes – Artigo 72


Critério do acumulo material: penas somadas

Erro na execução: artigo 73


“aberratio ictus”
Pessoa tem plena consciência do que está fazendo, o erro é tão somente na
execução.
Se acertar pessoa visada e estranho = concurso formal = pena é exasperada.
Se há dolo eventual as penas são somadas.

Resultado diverso do pretendido – artigo 74


Aberratio criminis ou aberratio delicti
Aqui também não há falsa interpretação, há erro, no entanto, atinge bem de
origem distinta do que é visado.
Haverá responsabilização de rime culposo, se assim for previsto.

Limite das penas – artigo 75


Limite 30 anos
Unificação das penas
Forma de cumprir além do limite – nova unificação decorrente de novo crime -
§2º
Há grande discussão no que diz respeito aos benefícios (progreção de regime,
sursi, etc)..
1ª corrente: unificou em 30 anos o limite para a aplicação dos benefícios
enfrenta este limite, ou seja, deve ser cumprido 1/6 de 30 anos.
2ª corrente: está ancorada na sumula 715 do STF em que o limite de 30 anos é
para o cumprimento de pena, mas para todos os benefícios deve ser
considerada a pena in concreto fixada. Só haveria progressão neste sentido.

Concurso de infrações – artigo 76

Sursi – Suspensão da execução da pena artigos 77 a 85


Desde que o autor preenche os requisitos previstos na lei, para que a sanção
que lhe foi aplicada seja suspensa, ou seja, ele não vai cumprir a medida.
Se o autor cumprir as medidas que foram impostas suas pena restará extinta.

Alguns autores entendem que a sursi é um direito público subjetivo do réu, ele
tendo condições, o juiz estaria vinculado a conceder.
Sendo assim, a sua concessão não estaria ao arbítrio do juiz da execução.

Em princípio, o juiz declara o réu condenado e em seguida suspende a sua


execução.

Possui quatro espécies:


1) Sursi simples: quando o réu podia ou ele não repara o dano mesmo
tendo condições.... ele podia e não o faz.
Medidas mais rigorosas nesta espécie.

2) Sursi especial: réu repara o dano ou é concedido ou será concedido


quando as regras do artigo 59, que fazem parte da primeira fase na
fixação da pena lhe forem favoráveis.

3) Sursi humanitário: será colocado em favor do autor da infração, quando


ele não reunir as condições de cumprir a medida coercitiva. Quando o
réu possuir grave problema de saúde e a sua sanção seja igual ou
inferior a 04 anos.

4) Sursi etário: aplicado aos condenados com idade igual ou superior a 70


anos, desde que a medida aplicada seja igual ou inferior a 04 anos.

OBS: réu = 70 anos; vítima = 60 anos

Requisitos
O juiz primeiro faz audiência de advertência = audiência admonitória,
explicando as medidas a serem cumpridas.
Além disso, os requisitos podem ser ordem subjetivo:
- Pena igual ou inferior a 02 anos, para o simples e para o especial;
- Pena ou inferior a 04 anos para o sursi etário e para o sursi humanitário.
Requisito de ordem subjetiva:
- Que não seja indicada ou cabível a substituição de pena cabível no artigo 44
do CP, ou seja pena privativa de liberdade por restritiva de direitos, por ser
mais benéfico.
_- Que o autor não seja reincidente em crime doloso;
- Que a culpabilidade, os antecedente, a conduta social, os motivos e as
circunstâncias do delito autorizem esta forma de concessão – artigo 59 do CP.

Período de Prova, ou seja período em que a sanção fica sobrestada e ele vai
cumprir este sursi:
- no sursi simples ou especial o período de prova varia de 02 a 04 anos, porque
a pena é menor
- no sursi etário e humanitário o período de prova varia de 04 a 06 anos.

Com relação as contravenções penais também se admite o sursi sendo que o


período de prova varia de 1 a 3 anos.

O sursi será revogado (obrigatória) quando ocorrer o seguinte:


- O réu for condenado em sentença irrecorrível por crime doloso;
- Embora tenha capacidade monetária, o réu frustra a pena multa ou não efetua
sem justo motivo a reparação do dano, podendo fazê-lo.
- Descumpre algumas das condições do §1º do artigo 78 do CP

O sursi pode ser sucessivo quando encerrado um sursi e sobrem um outro.


Pode ser simultâneo, quando o beneficiário estiver cumprindo mais de um
benefício

O sursi não se confunde com livramento condicional, o qual também é um


incidente redução, entretanto, o réu cumpriu parte da pena, no sursi ele não
chega a cumprir.
No livramento ele está cumprindo, adquire um estágio e é colocado em
liberdade
A regra para isso é que ele tenha cumprido 1/3 da pena imposta se o
livramento for especial.
Já no sursi o réu não ingressa no estabelecimento carcerário.

Destaca-se que nos crimes hediondos não houve alteração, o réu deve cumprir
2/3 da pena que lhe foi imposta para que haja o livramento condicional.

Livramento Condicional – artigos 83/90


Requisitos – artigo 83.

Período de prova: restante da pena a ser cumprido.

Requisitos objetivos: artigo 33, I, II, IV e V

Requisitos Subjetivos: artigo 33, III

Revogação obrigatória – artigo 86

Revogação facultativa – artigo 87

Extinção –
- artigo 89:
- artigo 90: sentença de natureza declaratória

Efeitos da condenação – artigos 91 e 92 – NÃO DEU

Reabilitação – artigos 94 a 95
Reintegração do condenado a comunidade.
Através da reabilitação irá garantir o sigilo frente aos seus registros , com
relação aos crimes que ele praticou.
A reabilitação na verdade produz efeito na seara particular.
Todavia, para efeitos públicos, sempre irá aparecer os registros – questão de
ordem de direito administrativo, que diz respeito à supremacia do interesse
público sobre o privado.

Requisitos objetivos: artigo 94, “caput”

Requisitos subjetivos: artigo 94, I, II, III

A reabilitação é feita pelo condenado, através de advogado, feita diretamente


ao juiz onde tramitou o seu processo, onde teve a sentença condenatória.
Não é feita frente ao juízo da execução.

O juiz da condenação, após ouvir o MP, irá decidir a medida.


Se ele julgar improcedente ao pedido, cabe recurso para o Tribunal.
Se julgar procedente, o juiz de oficio tem que recorrer para o tribunal.
Um dos raros casos de reexame necessário na esfera criminal.
Há juízes que entendem que esta questão está superada, por ser
inconstitucional, mas a regra tem sido a sua aplicação.

Artigo 77