FUNDAÇÃO EDUCACIONAL MACHADO DE ASSIS

CURSO DE CIÊNCIAS CONTÁBEIS

TEORIA DA CONTABILIDADE

Docente: JAIR ANTONIO FAGUNDES Discente: ....................................................................

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EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA CONTABILIDADE .................................................................................. 3 ESTRUTURA CONCEITUAL BÁSICA DA CONTABILIDADE .......................................................... 12 NORMAS BRASILEIRAS DE CONTABILIDADE / CONTABILIDADE NO MERCOSUL ................ 23 A – Normas Brasileiras de Contabilidade .............................................................................................. 23 B - A Contabilidade no Mercosul ........................................................................................................... 26 1 Introdução ............................................................................................................................................ 26 2 A profissão contábil nos países do MERCOSUL ............................................................................... 27 3 Normas e práticas contábeis nos países do MERCOSUL .................................................................. 28 4 Conceito e estrutura do Balanço Patrimonial ..................................................................................... 30 Definição e Critérios de Avaliação do Ativo, Passivo e Patrimônio Líquido. Receitas, Ganhos, Despesas e Perdas ......................................................................................................................................................... 31 1 Conceituação de Ativo ........................................................................................................................ 31 2 Avaliação do Ativo .............................................................................................................................. 31 3 Passivo (Exigibilidades) ...................................................................................................................... 33 4 Patrimônio Líquido .............................................................................................................................. 33 5 Receitas, Despesas, Perdas e Ganhos .................................................................................................. 34 EVIDENCIAÇÃO (DISCLOSURE) E OS OBJETIVOS DA .................................................................... 35 CONTABILIDADE ................................................................................................................................... 35 1 Introdução ............................................................................................................................................ 35 2 Características da informação contábil ................................................................................................ 36 3 Relacionamento entre evidenciação e convenções contábeis .............................................................. 36 4 Formas de evidenciação ...................................................................................................................... 37 GOODWILL .............................................................................................................................................. 41 1. O que é Goodwill? .............................................................................................................................. 41 1.2 Classificação do Goodwill .................................................................................................................... 42 1.3 Fatores que geram o Goodwill ........................................................................................................ 43 1.4 Reconhecimento do Goodwill ........................................................................................................ 43 1.5 Mensuração do Goodwill ...................................................................................................................... 44 1.6 Amortização do Goodwill..................................................................................................................... 45 1.7 Tratamento do Goodwill segundo a legislação brasileira ............................................................... 45 1.8 Tratamento do Goodwill segundo IASC – IAS 22 ......................................................................... 46 DEMONSTRAÇÃO DOS FLUXOS DE CAIXA ..................................................................................... 48 RESPONSABILIDADE SOCIAL E BALANÇO SOCIAL ...................................................................... 52 1 Responsabilidade Social ...................................................................................................................... 52 2. Balanço Social .................................................................................................................................... 54 3 Demonstração do Valor Adicionado ................................................................................................... 58 CAPITAL INTELECTUAL ....................................................................................................................... 63 1 Considerações iniciais ......................................................................................................................... 63 2 Conceituação ....................................................................................................................................... 63 3 Componentes ....................................................................................................................................... 64 4 Contexto ............................................................................................................................................. 66 5 Gestão do Capital Intelectual .............................................................................................................. 67 6 Mensuração do Capital Intelectual ..................................................................................................... 68 Indicadores do capital humano ................................................................................................... 68 Indicadores do capital estrutural ................................................................................................. 68 Indicadores do capital relacional ................................................................................................ 69 7 Mensuração do Capital Intelectual pela SKANDIA ........................................................................... 69 GESTÃO/ CONTABILIDADE AMBIENTAL ......................................................................................... 71 COMPORTAMENTO AMBIENTAL REATIVO (modelo de Baumol, 1979) ..................................... 71 COMPORTAMENTO ÉTICO AMBIENTAL DA EMPRESA (Modelo de Tomer,1992) ................... 72 AVALIAÇÃO DE CUSTOS AMBIENTAIS ........................................................................................ 74 Conclusão: .............................................................................................................................................. 76 COMO USAR AS AUDITORIAS AMBIENTAIS ................................................................................ 76 ATIVIDADES DE UMA AUDITORIA ................................................................................................ 77

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Tema 1 EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA CONTABILIDADE 1 Introdução
Os primeiros sinais objetivos da existência da contabilidade, segundo alguns pesquisadores, foram observados por volta do ano 4.000 a C , na civilização SumérioBabilonense e coincidiu com a invenção da escrita. As primeiras anotações eram feitas em termos físicos pois somente haviam trocas, o que fez com que sua evolução fosse bastante lenta. Em 1.100 a C, este quadro se alterou, por ocasião do surgimento da moeda. Há informações que os primeiros rudimentos de balanço surgiram no ano de 1.300 em Florença, Itália. Entre os séculos XIII e XVII a contabilidade se distinguiu como uma disciplina adulta, justamente pelo fato de que neste período a atividade mercantil, econômica e cultural era muito importante, ou seja, a evolução da contabilidade sempre está associada ao desenvolvimento da sociedade como um todo. Esse fato tem feito que mais recentemente venha sendo considerada como pertencente ao ramo da ciência social. A intensidade das atividades mercantis, econômicas e culturais, determinou o surgimento e domínio das escolas de contabilidade, notadamente na Itália.

2 Escola Italiana de Contabilidade
Com o surgimento do Método de Partidas Dobradas no século XIII ou XIV, e sua divulgação através da obra “La Summa de Arithmetica, Geometria, Proportioni et Proportionalitá” de autoria do Frei Luca Pacioli, publicada em Veneza em 10/11/1494 (1ª edição), a escola italiana ganhou um grande impulso, espalhando-se por toda a Europa. Várias correntes de pensamento contábil se desenvolveram dentro da escola italiana, sendo as mais relevantes: o contismo, o personalismo, o neocontismo, o controlismo, o aziendalismo e o patrimonialismo.

2.1 Escola Contista
Constituiu-se na primeira corrente de pensamento contábil (1494). Seu surgimento está relacionado aos estudos feitos pelos primeiros expositores do Método de Partidas Dobradas. Os defensores dessa corrente, adotaram como idéia básica o mecanismo das contas, centrando sua preocupação no seu funcionamento, esquecendo-se que a conta é apenas conseqüência das operações que acontecem numa entidade, e que essas operações devem merecer a máxima atenção da contabilidade. Para os criadores da escola contista, a preocupação central da contabilidade era com o processo de escrituração e com as técnicas de registro através das contas. O objetivo das contas era sempre o de registrar uma dívida a receber ou a pagar, coincidindo com a origem do crédito nas relações comerciais.

30). uma para mercadorias. entre os quais Degranges que em 1795 divulgou a chamada teoria das cinco contas. Geometria. Para Degranges. “Essas contas. “ La Summa de Arithmetica. 2000. Este esquema de cinco contas. do título IX denominado “De computis et scripturis” (páginas 197 a 210). uma para o caixa. com o surgimento das sociedades com mais de um capitalista. deu lugar ao surgimento de um Livro Diário/Razão de 6 colunas. no qual consta o método de registro contábil de “Partidas Dobradas”. isto é. total. Frei Luca Pacioli Publicou em Veneza (1ª edição em 10/11/1494). uma para as contas a receber. Pegolotti. o comércio tinha cinco (5) objetivos principais que permanentemente lhe serviam de meio de troca. (3) Contas a Receber. Este autor teve o mérito de ser o primeiro a admitir a necessidade de realizar-se um controle numérico entre os livros principais. Já em 1458 Benedetto Cotrugli (comerciante) concluia um manuscrito de 160 páginas que tratava das partidas dobradas. Jones apresentou o modelo inglês de registro baseado em dois livros principais: o diário e o razão e dois livros auxiliares: caixa e armazém (existências). onde os meios de produção passaram a pertencer a qualquer pessoa que possuísse capital. Na concepção do autor. uma para as contas a pagar e uma para o resultado. Foi considerado um grande matemático do XV e ficou universalmente conhecido por ter incluído na Summa o Tratado XI. abrir cinco para si mesmo. o lançamento a débito ou a crédito em uma dessas contas representava debitar ou creditar o próprio comerciante” (Schmidt. não se tornando universal. Proportioni et Proportionalitá. sendo este fato a base de sua teoria. etc. as relações de crédito entre compradores e vendedores experimentaram um grande crescimento. detalhes. representavam o comerciante. . na realidade. Degranges. baseada em estudo realizado em 1675 por Jacques Savary sobre a teoria geral das contas. p. (2) Dinheiro. com a conseqüente melhoria na qualidade do produto deste processo. Mais tarde. Os principais personagens do contismo foram: Fibonacci. no qual constavam ainda colunas para a data. (4) Contas a Pagar e (5) Lucros e Perdas. conhecido na época como método de Veneza. deveria ser aberta uma conta para a pessoa com quem o comerciante mantinha transações a prazo e. As cinco contas a que fazia referência eram: (1) Mercadorias. fazendo com que as contas contábeis se constituíssem num dos mais hábeis instrumentos para o registro destas relações. ao mesmo tempo. Flori. sendo que os mais destacados foram Cotrugli e Frei Luca Pacioli. Pietra. Esta teoria não teve boa aceitação. somando-se separadamente o diário e o razão para verificar a igualdade de ambas somas. considerada pelos contistas como uma dívida da empresa para com o capitalista. criou-se a conta capital. A escola contista teve um grande impulso com os trabalhos de pesquisadores franceses. Em 1796. revelou a necessidade de uma maior sistematização do processo de registro das operações. cabendo a Pacioli o mérito de haver escrito o primeiro livro de contabilidade. A preocupação com a fidelidade das informações contidas no diário e no razão. Para ele.4 Com o início do regime sócio-econômico.

fazendo referência ao memoriale (livro em que as operações deveriam ser registradas à medida que iam ocorrendo. Na verdade Pacioli foi o primeiro grande divulgador deste método por coincidir a época de sua obra com a introdução da imprensa na Itália. 35-47). as contas deveriam ser abertas tanto para pessoas físicas como jurídicas (pessoas verdadeiras). avaliação e registro de propriedades e a forma como deve ser arquivado e que esquema deve ser utilizado para o lançamento contábil. habilidades em cálculos mercantis e conhecimento de contabilidade. No capitulo 2 define e descreve o Inventário. direitos e obrigações que formam o patrimônio) e toda azienda tem um proprietário ou chefe a quem pertence em absoluto ou por representação a matéria . Acreditava que o comerciante deveria conhecer os registros contábeis e ter. dando personalidade às contas para poder explicar as relações de direitos e obrigações.5 Justificou a inclusão deste tratado na Summa por entender que os mercadores deveriam saber registrar corretamente suas contas e determinar o resultado do negócio. A personificação das contas já existia desde os primeiros expositores do método de partidas dobradas.2 Escola Personalista Esta escola surgiu como uma reação ao contismo. a qualquer momento. Um dos primeiros idealizadores desta teoria foi Francesco Marchi (1822/1871). 2. O capítulo 5 é dedicado a forma de organizar os lançamentos contábeis. assume relevância jurídica em virtude do débito e crédito que provoca. forma de demonstrar as contas e como corrigir os erros cometidos nos registros. instalaram-se as principais tipografias e representava o centro do comércio mundial. esta personificação não constituía uma teoria científica e sim um artifício usado pelos autores para explicar o mecanismo das contas. Explica os livros que deveriam ser usados. No capítulo 3 apresenta um exemplo prático e no capítulo 4 algumas explicações sobre como registrar itens do inventário. Pacioli não propôs uma seqüência de lançamentos contábeis e sim exemplos isolados para ressaltar que os lançamentos deveriam ser feitos em dobro. correspondente à gestão de qualquer entidade. Mas foi Giuseppe Cerboni(1827/1917) o verdadeiro construtor da teoria personalista. na época. Justificava a personificação das contas por considerar que qualquer operação administrativa. bem como detalhes de registros contábeis. 2000. No capítulo 1 do tratado XI Pacioli apresenta os três requisitos para que alguém possa ter um negócio: dinheiro ou propriedades. a noção exata das transações efetuadas. No final do capítulo faz referência ao Inventário. durante a segunda metade do século XIX (1867). e o deve e haver representavam débitos e créditos das pessoas a quem as contas foram abertas. a débito e a crédito (Schmidt. A publicação do trabalho se deu em Veneza pois nessa cidade. abrangendo a classificação. giornale (livro diário) e quaderno (livro razão). Para os teóricos do personalismo. porém. ou seja. p. Cerboni fundamentou a teoria personalista nos seguintes axiomas: 1. Toda a administração consta de uma ou várias aziendas (conjunto de bens materiais. No capitulo 6 dá explicações sobre o memoriale Os demais livros são tratados nos capítulos seguintes.

isto é. Uma coisa é administrar a azienda e outra é guardar os bens da mesma e ser responsável por eles. as funções de controle são: antecedentes. Besta classificou as funções de controle econômico (ou de contabilidade) conforme o momento em que ocorriam com referência aos fatos administrativos e de acordo com a sua natureza. etc. inventários. o proprietário é de fato o credor do ativo e o devedor do passivo. etc. não se pode administrar sem que o proprietário ou chefe entre em relação com agentes (empregados) e correspondentes (terceiros). pelos .. Uma coisa é possuir os direitos de propriedade e de soberania da azienda e outra coisa é administrá-la. os orçamentos. as demonstrações de resultados.6 administrável. No personalismo. Antecedentes são os contratos. Segundo o momento de ocorrência. concomitantes e subsequentes. demonstrado por uma soma de valores positivos e negativos. estatutos. em segundo lugar acompanhar a gestão evidenciando os fatos ocorridos que julgar-se o trabalho administrativo e a terceira fase demonstrar os resultados finais da administração econômica para a devida aprovação ou rejeição da gestão. 3. Uma importante contribuição desta escola à comunicação contábil foi a de que a contabilidade passou a ser considerada um instrumento informacional sobre a gestão das entidades. 2. Portanto. 5. 6. Nenhum débito é criado sem que de forma simultânea se crie um crédito e viceversa. Igualmente considerava que o patrimônio deveria ser representado por uma grandeza mensurável e variável.3 Escola Controlista Para Fabio Besta (1880) a contabilidade representava a ciência do controle econômico. considerada uma discip0lina ligada à gestão e ao processo de tomada de decisão. Esta deve ser feita por quem exerce a autoridade direta. atas. regulamentos. 2. Os principais personagens foram Marchi. Na visão dos controlistas. 4. representavam uma forma de controle da riqueza dos organismos econômicos. as contas. em vez de uma mera técnica de registro de transações econômicas. O deve e o haver do proprietário somente variam como conseqüência de ganhos ou perdas ou de reduções ou reforços da dotação inicial da azienda. Os empregados e terceiros nunca serão debitados ou creditados sem que o proprietário seja creditado ou debitado pela mesma importância. Em relação aos empregados e terceiros. Concomitantes são os controles que se caracterizam pela vigilância das tarefas determinadas para cada pessoa. Por outro lado. Besta entendia que a contabilidade tinha a missão de atender as seguintes três fases: primeiro estabelecer um ponto de partida para tornar possível a análise dos resultados da gestão. os balanços. Cerboni e Rossi. Este autor considerava que o controle econômico se compunha de duas partes: uma responsável pelo registro contábil dos momentos da administração econômica e sua efetivação por meio de escrituração e a outra representava a revelação das partidas dobradas dos fatos administrativos em conexão com os critérios organizacionais articulados de acordo com os mecanismos de controle inerentes à escrituração contábil. a ciência contábil é considerada o estudo das variações da riqueza em relação a azienda e a contabilidade a ciência da administração aziendal.

Aspectos relativos à formação dos custos. porém. equilíbrio financeiro e outros que provam variações patrimoniais. por atribuir à contabilidade o papel de colocar em evidência o ativo. contudo.4 Escola Neoconsita O neoconsitmo (1914) restituiu à contabilidade o seu verdadeiro objeto: a riqueza patrimonial e. O controle econômico pode ser considerado com uma das finalidades dos sistemas de escrituração. o que eqüivale a dizer que a um débito corresponde sempre um crédito de igual valor. seria necessário abrir-se contas com valores dos ativos (positivas). 2. Os principais personagens desta escola foram: Besta. no seu grau de disponibilidade e para o passivo. isto é: Ativo (igual) Passivo (mais ou menos) Situação Líquida (A=P+/-SL). tomando por base os fatos permutativos e modificativos. A dinâmica do balanço era interpretada pelos neocontistas. a contabilidade não se limita unicamente a esses aspectos. Para tanto. Dentro do que denominavam dinâmica contabilística. medidores. a soma das importâncias referentes ao débito é igual a soma das importâncias referentes ao crédito. Para tal. passivos (negativas) e diferenciais (abstratas/situação líquida). o exame destas prestações e sua aprovação ou rejeição. . afirmavam que num balanço. D’Alvise e Lorusso. O controle é apenas um instrumento de apoio e não um fim ou objeto da contabilidade. As contribuições desta escola à comunicação contábil foram: 1. trouxe grande avanço para o estudo da análise patrimonial e dos fenômenos decorrentes da gestão empresarial. as contas ativas são debitadas pelo valor inicial e pelos aumentos e creditadas pelas diminuições. nem representavam direitos e obrigações. em conseqüência. As principais regras contábeis são expressadas a partir da fórmula do balanço. sobre seus inventários. tendo surgido como um movimento contrário ao personalista. em um momento qualquer. em sua totalidade o objeto da contabilidade. os registros contábeis. 2. também. no de exigibilidade. os balanços. são objeto de operações de controle. mas deveriam refletir os valores dos componentes patrimoniais sujeitos à modificações. Esta escola foi responsável. orçamentos e demonstrações contábeis. as prestações de contas. Para os neocontistas as contas não deveriam ser abertas a pessoas ou entidades. etc. ocorre exatamente o contrário. avaliações de bens. visando a proteção da entidade. apontamentos. ou seja. sendo que a disposição das contas no balanço deve basear-se. o passivo e a situação líquida das unidades econômicas. defendendo o valorismo das contas. 3. podem ser utilizados cartões. não abrangendo.7 administradores ou outras pessoas indicadas para tal fim. Alfieri. Nessa concepção. o confronto entre o que foi realizado com o que deveria ter sido feito. o controle significava um melhor estudo substancial das operações da entidade para estabelecer se as mesmas estavam sendo desenvolvidas de acordo com critérios de conveniência econômica que devem guiar a conduta de uma entidade. A função subsequente é o exame dos fatos em seus aspectos jurídicos e econômicos. para o ativo. O desenvolvimento sistemático de princípios que informavam sobre o patrimônio das entidades. Os instrumentos usados são os documentos referentes aos dois controles anteriores. realização de receita. Em relação às contas passivas. A informação contábil servia como uma base para a análise da gestão passada e como instrumento de informação para previsões futuras. Ghidiglia.

2. O capital é a representação do conjunto de elementos do ativo e do passivo que irão gerar o resultado da entidade. é influenciada positiva ou negativamente pelos acontecimentos que tiveram lugar em períodos anteriores e do que venha a ocorrer em períodos subsequentes. Outro ponto importante do pensamento doutrinário de Zappa foi o de desenvolver um sistema teórico contábil a partir do resultado. Para que esta demonstração fosse possível. Dumarchey. Gino Zappa. Sem dúvida a grande contribuição desta escola à comunicação contábil foi a separação entre passivo e situação líquida. Os principais expoentes desta escola foram: Besta. O resultado e o capital representam duas diferentes visões do mesmo fenômeno. conhecer o resultado.8 A escola neocontista concentrou-se na chamada teoria materialista ou positivista das contas. acrescentando a organização. administração e o controle. A vida econômica e financeira da entidade somente será plenamente conhecida a partir da total revelação destes fatos pela contabilidade. Calmés. ocupando-se principalmente dos processos de classificação e registro das contas. o que levou Zappa a dedicar grande atenção a este aspecto em seus estudos. Conhecer periodicamente o resultado do período é indispensável para a análise do desempenho da entidade e de seus dirigentes. através da observação adequada ao estudo quantitativo dos fenômenos empresariais. a gestão de cada exercício. todos os fatos a demonstrar deveriam ser conhecidos. A doutrina da organização está direcionada para o estudo da constituição e harmonização do organismo pessoal da entidade. pois para a maioria dos seus adeptos. a principal função da contabilidade se resumia na revelação patrimonial. A contabilidade tem como função a demonstração dos resultados da gestão. à parte científica da contabilidade. Para ele. ao passo que o resultado é a representação das mudanças dos componentes patrimoniais em um determinado período. normalmente. já que existem operações . é uma utopia. a contabilidade deveria ocuparse da demonstração dos fatos da gestão e não se resumir apenas a um simples método de registro. o resultado é definido como o acréscimo ou decréscimo sofrido pelo capital em determinado período administrativo. Segundo ele. formam a economia aziendal. Na concepção de Zappa. A doutrina da gestão está voltada para a definição de um conjunto de princípios destinados a servir de instrumento de auxílio à ação da gestão. A finalidade desta demonstração é conhecer os custos e receitas provenientes da gestão empresarial. como conseqüência das operações da gestão. Para Zappa tanto a separação exata dos resultados de vários exercícios como tentativa de determinar com exatidão os custos de produção. não admitindo o estudo científico da contabilidade sem o conhecimento concomitante das doutrinas que. em detrimento dos aspectos econômico-administrativos dos eventos registrados. Tais fatos são fenômenos econômicos que. ou seja. como máximo representante desta escola. a Organização e a Contabilidade. fazem parte de um fluxo de trocas monetárias entre a entidade e as economias externas. Delaporte.5 Escola Aziendalista Cerboni e Besta dirigiram seus estudos ao campo das aziendas. no balanço. colocou num só plano a Gestão. ao seu lado.

em dado instante e na sucessão de instantes. Os expoentes máximos desta escola foram Zappa e Fibonacci. O grande expoente desta escola foi Vicenzo Masi. Os 1. A revelação patrimonial pode ser definida como um conjunto de princípios e de normas que regem a individuação e a representação qualitativa e quantitativa – especialmente monetária ou valorativa – do patrimônio. que colaboram com a formação do resultado. ou seja. 4. operações que iniciaram em exercícios anteriores e operações que se encerrarão em períodos posteriores. pois o mesmo é uma grandeza real que se transforma com o desenvolvimento das atividades econômicas.9 em curso no fim do exercício e no início do próximo exercício. 3. A dinâmica patrimonial estuda o patrimônio na sua condição dinâmica (obtenção e emprego de capitais).6 Escola Patrimonialista Os teóricos desta escola (1926) definem o patrimônio como o objeto da contabilidade. 2. A teoria contábil deveria ser capaz de interpretar os acontecimentos ligados a vida da entidade e demonstrar a formação do resultado e suas relações com os fatos administrativos e com todo o contexto em que a entidade está inserida. 2. dinâmica patrimonial e revelação patrimonial A estática patrimonial se ocupa do patrimônio no seu aspecto estático (equilíbrio funcional e financeiro dos elementos patrimoniais). foi caracterizado pelo aspecto prático no tratamento de problemas econômicoadministrativos. . Pode-se resumir as contribuições desta escola para a comunicação contábil mencionando que para seus representantes: 1. O resultado era considerado o mais importante fenômeno econômico de uma entidade. 2. ou seja. com limitadas construções teóricas as quais tiveram origem em entidades ligadas a profissionais da área contábil. mas uma ciência. cuja contribuição deve ser conhecida para que se possa analisar adequadamente os motivos das variações ocorridas no decorrer de determinado período. 3 Escola Norte-Americana O início desta escola. que estuda e interpreta os fenômenos patrimoniais. a partir do surgimento das grandes corporações no começo do século XX. 3. portanto. com leis e princípios próprios. fundamentos da doutrina patrimonialista se baseiam nos seguintes princípios: O objeto da contabilidade é o patrimônio aziendal Os fenômenos patrimoniais são fenômenos contábeis A contabilidade é uma ciência social A contabilidade se divide em três ramos na sua parte teórica: estática patrimonial. O conhecimento e demonstração do resultado da gestão empresarial representava o principal objetivo da contabilidade. Para os patrimonialista a contabilidade não é apenas uma disciplina que tem por objetivo a revelação do patrimônio. a representação da vida patrimonial da entidade como sugeriram os neocontistas.

2. A padronização dos procedimentos utilizados pela contabilidade financeira como forma de aumentar a confiança nas demonstrações contábeis. tendo em vista a quebra da bolsa de Nova Iorque em 1929. uma vez que a mesma se traduz num ato de predizer o resultado em dinheiro calculado na data do balanço. 4. O estabelecimento dos Princípios de Contabilidade Geralmente Aceitos (US-GAAP) para garantir que as informações enviadas pela contabilidade aos usuários fossem confiáveis. . Diversos tratadistas alemães desenvolveram teorias sobre balanços como forma de dar mais qualidade à informação contábil. As correntes doutrinárias surgidas na Alemanha estavam direcionadas para a análise da gestão e da organização das entidades. Os principais personagens desta escola foram: Sprague. análise das demonstrações contábeis.. controladoria. Para os defensores da teoria estática ou monista. A aceleração crescente da concentração das companhias 3. deveu-se em parte às crescentes necessidades dos usuários das informações contábeis nos vários setores da sociedade. gestão financeira. As associações profissionais foram as principais propulsoras desenvolvimento doutrinário nos EE. As crises sociais dos períodos de guerra e pós-guerra. Littleton. Alguns fatores que muito contribuíram para esta evolução foram: 1. A avaliação patrimonial mereceu dos primeiros tratadistas desta escola uma dedicação especial. 2 – Fornecer informações sobre as mudanças nos recursos da entidade. buscando a sistematização dos conhecimentos relativos à vida econômica das empresas. pretendendo fomentar a qualificação das informações aos diversos usuários.UU. Hatfield. A busca da qualificação da informação contábil como forma de subsidiar a tomada de decisão dos gestores. A escola Norte-Americana contribuiu decisivamente para a contabilidade gerencial. O estabelecimento de dois objetivos gerais da contabilidade 1 – Fornecer informações sobre os recursos econômicos e as obrigações da entidade. 3. a teoria orgânica e a teoria dinâmica. assim como a formulação dos princípios que presidem a organzação e a gestão das mesmas. 4 Escola Alemã O desenvolvimento da escola alemã. Moonitz. estão: do Entre as principais contribuições desta corrente ao processo de comunicação contábil 1. ditando regras para o tratamento de questões ligadas à contabilidade de custos.10 Transformou-se numa das mais importantes e influentes no mundo. merecendo destaque a teoria estática. A expansão dos grupos empresariais 4. Paton. etc. assim como o próprio desenvolvimento doutrinário da contabilidade ocorrido no final do século XIX e início do século XX. controle orçamentário. o balanço patrimonial é o instrumento responsável pela demonstração da situação patrimonial da entidade. O resultado de um período deve ser apurado a partir do confronto entre o valor patrimonial inicial e final deste período. O desenvolvimento dos mercados financeiros 2. especialmente da contabilidade financeira.

que instituiu a obrigatoriedade da escrituração contábil e da elaboração anual da demonstração do balanço geral composto de bens. Gomberg. que aparecem no balanço. O objetivo desta escola era o de aliar ao desenvolvimento agrícola. Assim. transformando-se em receitas. o início da expansão industrial com a necessidade de habilitar e criar especialistas para. . O balanço estático era utilizado para a determinação do valor e composição do patrimônio em um determinado momento ao passo que o dinâmico tinha por finalidade a apuração do resultado de um exercício. especialmente na forma de publicação das demonstrações contábeis como decorrência das altas taxas de inflação na Alemanha no início do século.11 De acordo com a teoria orgânica ou dualista. razão pela qual se encontram no ativo. máquinas. uma vez que ela revelava a movimentação ocorrida num determinado período. A teoria dinâmica foi sem dúvida a de maior destaque no doutrinamento alemão tendo como expoente máximo Eugen Schmalenbach. Assim. representam elementos positivos e negativos de resultados futuros. são valores pendentes que não podem ser classificados na conta de resultados. das empresas comerciais. O balanço patrimonial é na realidade uma conta auxiliar que recebe os valores relativos às negociações em circulação. todos os elementos da conta de ganhos e perdas devem possuir um relacionamento com as contas do balanço. os demais valores patrimoniais são pré-prestações (ativo) ou pós-prestações (passivo). Com exclusão da conta caixa. dotar São Paulo de elementos capazes de articular o desenvolvimento dos negócios. Schar e Gutenberg. o balanço patrimonial pode fornecer não somente o estado patrimonial mas os reais resultados do exercício. percebe-se que desde o início fica patente a interferência da legislação. direitos e obrigações. os ativos permanentes como prédios. etc. foi o Código Comercial de 1850. O desenvolvimento das idéias de Schmidt (outro expoente da escola). significou entre outras. que devem ser entendidos como valores transitórios. deverão ser amortizados nos períodos seguintes. A principal conta do doutrinamento de Schmalenbach era a conta de ganhos e perdas. sobre a contabilidade a valores correntes. internamente. externamente. Uma das características do doutrinamento do balanço dinâmico é a sistemática de movimentação das contas. com a conseqüente ampliação das fronteiras de atuação. Em 1902 surgiu em São Paulo a Escola Prática de Comércio que criou um curso regular que oficializasse a profi8ssão contábil. Uma das primeiras manifestações da legislação como elemento propulsor do desenvolvimento contábil brasileiro. 5 A contabilidade no Brasil Ao analisar-se a evolução da contabilidade no Brasil. devem ser interpretados como saídas ou despesas da conta de ganhos e perdas. ou seja. em função da gestão sobre um patrimônio. Schmidt. Esta dualidade é possível a partir da avaliação dos elementos patrimoniais a valor de reposição. ou seja.. preencher as tarefas de rotina da contabilidade e controlar as finanças e. uma importante contribuição desta escola ao processo de comunicação contábil. sendo que se forem vendidos. uma vez que nesta demonstração são classificados os valores pendentes. Este autor separou os balanços em estáticos e dinâmicos. sendo considerado por isso mesmo um balanço de resultados. Os personagens mais importantes desta escola foram: Schmalenbach. veículos.

os quais foram atualizados em 1993 pela Resolução CFC º 750. 1995. Regras para a avaliação de ativos. 5. do livro “Manual de Contabilidade das Sociedades por Ações” (Iudícibus. 4. Martins e Gelbcke. 1. O Conselho Federal de Contabilidade (CFC). SCHMIDT. Paulo: História do Pensamento Contábil. Determinação de padrões para a publicação dos lucros e perdas. através da Resolução CFC 321/72 passou a adotar os Princípios de Contabilidade Geralmente Aceitos como normas resultantes do desenvolvimento da aplicação prática dos princípios técnicos emanados da contabilidade. Regras para a apuração e distribuição dos lucros. aprovado pelo IBRACON – Instituto Brasileiro de Contadores e referendado pela CVM – Comissão de Valores Mobiliários (1986). Porto Alegre: CRC-RS. . Criação de reservas. 3. 2. instituiu a primeira Lei das S/A. física e de produtividade aos seus usuários. 2000. Porto Alegre: Bookman. financeira. Bibliografia básica utilizada CRC-RS: Princípios Fundamentais de Contabilidade e Normas Brasileiras de Contabilidade. Em 1976 foi publicada a nova Lei das S/A nº 6404.12 O Decreto-Lei nº 2627 de 1940. foram conceituados os Princípios Fundamentais de Contabilidade. 2000. Em 1981 a Resolução CFC nº 529 disciplinou as Normas Brasileiras de Contabilidade e a Resolução CFC nº 530 os Princípios Fundamentais de Contabilidade.1 Objetivos da Contabilidade Contabilidade > sistema de informação e avaliação que visa o provimento de demonstrações e análises de natureza econômica. Atuariais e Financeiras. visando proporcionar interpretações uniformes das demonstrações contábeis. estabelecendo procedimentos para a contabilidade como: 1. Tema 2 ESTRUTURA CONCEITUAL BÁSICA DA CONTABILIDADE 1 Introdução De acordo com o mencionado no capítulo 3 “Princípios Fundamentais de Contabilidade”. através do estudo elaborado pelo IPECAFI – Instituto Brasileiro de Pesquisas Contábeis. Determinação de padrões para a publicação do balanço. p. 58-91). significando uma nova fase para o desenvolvimento da contabilidade no Brasil e incorporando de forma definitiva as tendências da Escola Norte-Americana.

c) baixa credibilidade por parte dos usuários. devem constar em Notas Explicativas ou Quadros Complementares. Para tal. etc. Informação de natureza econômica > deve ser considerada a visão do que seja econômico para a contabilidade (demonstração do resultado do exercício. permitindo inferências em relação ao futuro. As informações que não estiverem explícitas nas demonstrações. d) linguagem inadequada nas demonstrações contábeis. Objetivo principal da contabilidade > permitir que os usuários avaliem a situação financeira e econômica da entidade e possam inferir sobre as tendências futuras da mesma. Antes.acionistas. A contabilidade tem íntimo relacionamento do com os aspectos jurídicos os quais. Informação de natureza de produtividade > se refere à utilização mista de conceitos de avaliação (financeiros) e quantitativos (físicos). A contabilidade é uma ciência social no que se refere às suas finalidades. número de funcionários numa empresa.13 Sistema de informação > conjunto organizado de dados.integrantes do mercado de capitais. As informações de natureza física e de produtividade são complementares às demonstrações contábeis tradicionais. número de depositantes num banco. número de clientes numa empresa. não se justificando por si mesma.etc). depósitos por cliente. Exemplo: Uma empresa faz a venda de um ativo. Informação de natureza física > complemento aos valores monetários (quantidades geradas de produto ou serviços. Usuário > pessoa física ou jurídica com interesse na avaliação da situação e evolução de uma entidade. Obedecendo a essência ao invés da forma. Visando bem informar. muitas vezes não conseguem retratar a essência econômica. Informação de natureza financeira > fluxos de caixa. a contabilidade deve seguir a essência ao invés da forma. etc. . 2. reúne tanto o social quanto o quantitativo. técnicas de acumulação. quanto a metodologia de mensuração. capital de giro. Usuários secundários são os administradores da entidade e o Fisco. mas. b) limitações do próprio usuário. deve ser um instrumento útil à tomada de decisões. As empresas devem evidenciar ou divulgar todas aquelas informações que contribuem para a adequada avaliação de sua situação patrimonial e de resultados. ajustes e emissões de relatórios. As informações de natureza financeira e econômica constituem o Núcleo Central da Contabilidade. capital e patrimônio).credores em geral e emprestadores de recursos. Os objetivos da contabilidade devem contribuir para o processo decisório dos usuários. devem ser observados dois pontos: 1. assumindo o compromisso de efetuar sua recompra por um certo valor em determinada data. A não utilização da informação contábil ou utilização restrita pode ser resultado de: a) deficiências na estrutura do modelo informativo. Usuários preferenciais ou externos são: . como: receita bruta per capita. e . deve-se registrar na contabilidade uma operação de financiamento (essência) e não de compra de venda (forma). .

entidade como figura central da ação empresarial. Procuram delimitar como a profissão deve se posicionar em relação à realidade social.a figura central da ação empresarial era o proprietário e não a entidade ou gerência. A Revolução Industrial produziu o primeiro grande choque na contabilidade face a mudança de cenário.mudanças rápidas na tecnologia. por materializar-se através da equação patrimonial básica (ATIVO = PASSIVO + PATRIMÔNIO LÍQUIDO). qualidade e características operacionais dos produtos. econômicas e institucionais dentro das quais a contabilidade atua.2 1. 1. 1. permite conhecer-se a posição de rentabilidade e financeira. investidores a aumentar a riqueza da entidade. considerando-se as situações práticas vivenciadas.2. caracterizado por: .1 Cenários Contábeis Cenários Contábeis Primitivos O surgimento da contabilidade deu-se num cenário social.os mercados eram perfeitamente delimitados e os preços relativamente estáveis.Restrições aos princípios contábeis fundamentais – Convenções Os postulados ambientais significam as condições sociais. vem-se enfrentando novos cenários o que representa um grande desafio para a contabilidade. .2. . . É parcialmente quantitativa. Constituem o núcleo central da estrutura contábil. é parcialmente social uma vez que seus critérios de avaliação envolvem muitas vezes subjetividade e incerteza.3 Princípios (Conceitos) Fundamentais de Contabilidade Os Princípios (Conceitos) Fundamentais de Contabilidade são classificados em três categorias: .2 Cenário Modificado Vive-se atualmente o chamado cenário modificado. 1. Os princípios são a resposta da disciplina contábil aos postulados.os empreendimentos tinham normalmente uma duração limitada. no entanto. . uma vez que por suas avaliações do progresso das entidades.entidades comerciais e industriais apresentavam um desenvolvimento embrionário. e de forma indireta auxilia os acionistas. Como metodologia. . cujas principais características eram: . .grande desenvolvimento das entidades de modo geral. econômica e institucional admitida pelos postulados. econômico e institucional denominado de primitivo. . .Postulados ambientais da contabilidade .avanços lentos na tecnologia. . tomadores de decisões. oriundas do próprio ambiente social e econômico no qual as entidades estão operando. qualidade e características operacionais dos produtos.mercados globalizados e preços relativamente instáveis.14 Quanto as finalidades é social. A partir do Século XX.empreendimentos com duração normalmente muito longa.Princípios contábeis propriamente ditos . As convenções ou restrições aos princípios representam os condicionamentos de aplicação dos princípios.

1. No entanto. sem interrupções. o exercício financeiro anual ou semestral é uma ficção que decorre da necessidade de conhecer-se o . bem como pela sua contribuição no campo social (comentários em notas explicativas sobre programas de complementação de aposentadoria. consideram o Postulado da Entidade dentro da dimensão tratada acima. encara-se a entidade como algo capaz de produzir riqueza e gerar valor continuadamente. B e C. as entradas. requer o entendimento do pano de fundo de sua atuação.” A contabilidade procura manter registros separados para cada entidade. para efeito contábil.2 Postulado da Continuidade das Entidades Enunciado: “Para a contabilidade. B e C. as entidades.4 1. o caminho a seguir. Na verdade quem deve enfrentar o cenário são as entidades e não a contabilidade. Nesse sentido. com mais especificidade. etc. c) Organizacional > nessa dimensão a entidade pode ser considerada como um grupo de pessoas ou pessoa. e para captar a essência operacional destas. em geral. isto é. os desvios. esta vive em função daquelas. b) Econômica > nessa dimensão a entidade se caracteriza como massa patrimonial. O entendimento da contabilidade e sua forma de atuação. este significado não explica toda a dimensão do termo Entidade para a contabilidade. Empresa ABC Ltda. Nesse sentido pode-se dizer que o Postulado da Entidade tem as seguintes dimensões: a) Jurídica > nessa dimensão a entidade é perfeitamente distinta dos sócios (separação cuidadosa do que é dos sócios e do que é da entidade). Porém. além do estudo do seu processo operacional interno deve-se entender o ambiente dentro do qual atuam.15 “Os Princípios representam a larga estrada a seguir rumo a uma cidade.. Por outro lado. lucro ou investimento). com aquelas. o mesmo contador poderia manter a contabilidade para as pessoas físicas dos sócios A. Os Teóricos da Contabilidade. em vários períodos). saídas. No caso de uma entidade.” 1. d) Social > nessa dimensão considera-se que a entidade pode ser avaliada não só pela utilidade que a si acresce. de toda natureza e fins. a entidade é um organismo vivo que irá viver (operar) por um longo período de tempo (indeterminado) até que surjam fortes evidências em contrário. cujos sócios são A.. mas com grandes relacionamentos de interesse. investimentos e distribuições (abertura de centros de custo.4. Tratam-se de quatro entidades distintas.4. o contador ao manter a contabilidade para a mesma.” Através do Postulado da Continuidade.. cabendo à contabilidade acompanhar sua evolução qualitativa e quantitativa (comparação da situação patrimonial da entidade. etc. os sócios ou quotistas destas não se confundem. como um todo. As Convenções seriam os sinais ou placas indicando.).1 Postulados Ambientais da Contabilidade Postulado da Entidade Contábil Enunciado: “A contabilidade é mantida para as entidades. exercendo controle de receitas e despesas. está procurando acompanhar a evolução do seu patrimônio líquido e não dos seus sócios.

aplicando-se todos os princípios contábeis como definidos a seguir. desde que tenham todas as evidências a respeito da mesma. Os auditores independentes devem fazer constar em seu relatório (parecer) o perigo de descontinuidade.1 Princípio do custo como base de valor Enunciado: “. No caso de doações de ativos. os Princípios Contábeis Fundamentais não se aplicam às essas entidades. Isso significa que os ativos.. Antes de tal reconhecimento. têm continuidade fluidificante. Uma conseqüência imediata desse postulado é a consideração de que os ativos da entidade não são mantidos para que sejam vendidos no estado em que se encontram.” Trata-se do mais antigo princípio de contabilidade e é considerado dentro da Teoria da Contabilidade como uma conseqüência direta do Postulado da Continuidade. 1. originalmente. considera tal possibilidade somente quando há fortes e claras evidências de sua ocorrência. devem ser avaliados por algum tipo de custo. enquanto em estoque (em seu estado original ou nos estoques de produtos em fabricação e acabados). basicamente.O custo de aquisição de um ativo ou dos insumos necessários para fabricá-lo e colocá-lo em condições de gerar benefícios para a entidade representa a base de valor para a contabilidade. é conseqüência do Postulado da Continuidade. ao nível de Postulados. atuando num cenário marcado pela complexidade. a entidade deve ser considerada em continuidade. Em tais situações. 1.5. A avaliação usual dos ativos pelo custo (valor de entrada). Porém. expresso em termos de moeda de poder aquisitivo constante.5 Os Princípios propriamente ditos Os princípios fornecem as linhas filosóficas de resposta da contabilidade aos desafios do sistema de informação contábil. Os princípios constituem o núcleo central da doutrina contábil. uma vez que as mesmas não estão “em marcha”. As operações produtivas da entidade. produzirem receitas superiores às despesas (consumo de ativos para produzir receitas). como já foi visto. . “A verdadeira natureza íntima da contabilidade consiste.” Por último cabe concluir que “ a Entidade em Continuidade é a premissa básica da contabilidade”. para quem os doou. devidamente manipulados pela mesma. no confronto entre sacrifícios (mensurados por custos) e realizações (mensuradas por valores de venda). no entanto. gerando um resultado positivo ou gerando serviços ou benefícios para a coletividade (entidades de fins não lucrativos)..16 andamento do empreendimento de tempos em tempos. mas para.. Em princípio a contabilidade não desconhece a possibilidade de descontinuidade. os mesmos devem ser registrados pelo custo que custaram.

pelo denominador comum monetário. ativos e passivos que apresentam natureza bastante diferenciada entre si.. para base de registro para a contabilidade deve prevalecer o valor de entrada.3 Princípio de realização da receita Enunciado: “A receita é considerada realizada e.5. o que leva a pensar-se que seria melhor considerar o custo original (histórico) como base de registro inicial e não como base de valor.. o valor adicionado. As hipóteses de avaliação com base nos valores de entrada são várias devendo-se considerar aquela capaz de maximizar a função contábil que se compõe das variáveis: relevância. embora a . devido a diversos fatores (desgaste físico. 1. mudanças tecnológicas. portanto.2 Princípio do denominador comum monetário Enunciado: “As demonstrações contábeis. Isso ocorre porque o processo produtivo nem sempre é linear. sua avaliação deve ser feita em moeda corrente do País. Sabe-se que o processo produtivo adiciona valor aos fatores manipulados de forma contínua.. não reunia as condições para ser considerado um padrão de mensuração afiançável. Esse padrão de mensuração (moeda). serão expressas em termos de moeda nacional de poder aquisitivo da data do último Balanço Patrimonial. se existir. Na verdade. o valor registrado tende a perder parte de sua validade. isto é. para o usuário das demonstrações contábeis.). pois a mesma deve tratar de homogeneizar. existem vários valores considerados como de entrada. 1. com possíveis reflexos na área do direito. no entanto. no mercado de novos ou usados. como estimador do valor econômico. A rigor. etc.17 Também é aceito admitir-se como base de valor para doações de ativos. Portanto.” Esse princípio traduz a dimensão financeira da contabilidade. quando produtos ou serviços produzidos ou prestados pela entidade são transferidos para outra entidade ou pessoa física com a anuência destas e mediante pagamento ou compromisso de pagamento especificado perante a entidade produtora. No decorrer do tempo. não deveria sofrer alterações em sua essência. O período inflacionário vivido no Brasil até pouco tempo. Por exemplo: diferentes etapas na execução de um processo de produção. Princípios e Convenções igualmente deve ser levado em conta na escolha da hipótese. passível de registro pela Contabilidade. flutuações do poder aquisitivo da moeda. a não ser no exato momento da transação. porém não se pode de forma objetiva escolher pontos ao acaso e sempre determinar com grau de confiança aceitável.” A contabilidade deve se preocupar com a objetividade e consistência em seus princípios e procedimentos. O valor da transação pode ser considerado uma aproximação razoável do que se considera o valor econômico de um ativo por ocasião da transação.. podem adicionar valor não proporcional ao tempo decorrido na etapa e mesmo ao custo. a contabilidade é um permanente exercício de busca do equilíbrio entre estas três variáveis. o preço que seria pago por um bem no mesmo estado de conservação.5. sem prejuízo dos registros detalhados de natureza qualitativa e física. O conjunto de Postulados. praticabilidade e objetividade. obsolescência.

bem como outras despesas ou deduções da receita associáveis aos mesmos. só considera que “deu seu veredito” sobre o valor da transação quando esta se completa. o confronto. que estão relacionados ao decurso de determinado período de apropriação contábil através de contrato.1 Receitas a serem reconhecidas proporcionalmente a certo período contábil já decorrido Existem determinados serviços. despesas com consertos ou reformas em decorrência da garantia concedida. Tal atitude tem os seguintes inconvenientes: a) o mercado. Na prestação de serviços de consultoria e de auditoria. Tais despesas normalmente são pagas após a transferência. etc. aluguéis. uma parcela da receita total (do serviço total) em termos proporcionais ao período ou evento decorrido. em geral as horas de serviço acumuladas no mês ou período de apuração contábil indicam a base para o faturamento da receita ao cliente.. Na verdade o serviço é prestado continuamente. O valor da receita a reconhecer. em que se caracteriza este fluxo de serviço. ainda. b) nesse ponto conhece-se com mais exatidão e objetividade o valor de mercado (da transação) para a devida transferência. é reconhecer em cada um destes períodos. não esperando até o final para reconhecimento total. deve ser com valores de entrada. de uma só vez. necessariamente não é proporcional ao esforço realizado ou custos incorridos no mesmo período. que em atendimento ao Postulado da Continuidade. porque: a) a transferência do produto ou serviço em geral é concretizada quando todo ou praticamente todo o esforço para obtenção da receita já foi realizado.5. Cabe destacar. b) muitas vezes este reconhecimento da receita tem por objetivo favorecer esta ou aquela configuração de resultados. vai também crescendo a receita numa base contínua de tempo decorrido. os ativos figuram nos registros pelos seus valores de entrada (custo original) até o “sacrifício” dos mesmos no esforço de gerar receita. Segundo vão se acumulando as horas. aquele em que há transferência de produtos ou serviços ao cliente. porém o montante destas é conhecido ou estimável já no ato da transferência. empréstimos. significando uma utilização indevida dos princípios de contabilidade. portanto. de modo geral. Normalmente este ponto coincide com o momento da venda. De qualquer forma. O Princípio de realização da receita adota como ponto normal para reconhecimento e registro da receita na contabilidade da empresa.3. por exemplo.18 proporcionalidade entre custos incorridos e receita-valor gerado tem sido usada em certos casos. Procede-se dessa forma na contabilidade. O que se faz. o tempo transcorrido ou as horas de esforço que foram aplicadas. A receita é dada pelo valor de “saída”. mas diretamente proporcional ao tempo transcorrido ou horas gastas no serviço. Este período normalmente é mensal. etc. até o encerramento do contrato. antes da transferência ao cliente. independente dos interesses de ordem fiscal. como: comissões sobre vendas. . Essas três condições determinam quando uma receita pode ser reconhecida na contabilidade da entidade. c) também nesse ponto já são conhecidos todos os custos de produção do referido produto ou serviço transferido. Muitas vezes há a tendência de avaliação dos estoques de produtos ou serviços a valores de mercado. 1. constituem o fator preponderante para reconhecimento da receita em períodos menores que o lapso de tempo necessário para completar o contrato ou serviço.

5. deduzindo-se por estimativa o montante necessário para o acabamento e suporte de todas as despesas e custos a incorrer para venda efetiva do produto. com adequado grau de probabilidade. devem reconhecer a receita em proporção aos fatores considerados.19 1. quando objetivamente determinável. em circunstâncias bem determinadas. etc.5. reconhecer receita antes do ponto de transferência ao cliente. é aplicado ao preço do produto totalmente acabado. como crescimento natural ou acréscimo de valor vegetativo (entidades agropecuárias. observando as seguintes condições: a) o preço total do produto é determinado por contrato ou por correção contratual de seu preço atual. mineradoras. ou b) aos custos incorridos no período de apuração. da mesma maneira. e outros cujo valor de mercado é possível determinarse prontamente.2 Produtos cuja produção é contratada para execução a longo prazo Nos casos de produção sob encomenda com prazo de fabricação longo (navio por exemplo).). b) a incerteza quanto ao recebimento em dinheiro da transação é mínima ou a mesma pode ser bem estimada. Se o produto estiver totalmente acabado. Entidades que produzem produtos de longo período de maturação ou acabamento.3. lapidação de metais e pedras preciosas). é mais conveniente reconhecer.3 Reconhecimento da receita antes da transferência por valoração de estoques Existem produtos que têm um processo de produção que reúne características especiais. dividindo-se os custos incorridos no mesmo pelos custos totais estimados do produto. tanto do ponto de vista teórico como prático. A escolha do critério deve obedecer conceitos teoricamente sustentáveis. envelhecimento ou outra. crescimento. produtoras de vinho. 1. durante o transcurso do exercício financeiro (no final do período de apuração contábil) uma parcela da receita proporcional: a) às etapas físicas de construção completadas (grau de acabamento). Em se tratando de etapa física de acabamento. . observando-se as condições a seguir: a) os estoques existentes no final do período contábil são avaliados com base no valor de realização naquele momento. Apura-se a receita a ser reconhecida em determinado exercício. sendo o resultado multiplicado pela receita de venda do produto completo o que resulta na receita a ser apropriada. e em que o risco de não venda praticamente não existe (mineração. b) o processo para obtenção de lucro nessa atividade se caracteriza mais pela atividade física de nascimento. deduz-se as despesas para sua venda como produto final.3. especialmente se considerar-se a comparabilidade por parte do usuário externo. através de amplo consenso do mercado sobre o valor dos mesmos. calcula-se um percentual em relação ao grau de acabamento total que. Justifica-se tal comportamento. c) os custos necessários para completar a produção podem ser razoavelmente bem estimados. de várias entidades que atuam no mesmo ramo. considerando-se que certamente os acionistas poderiam discordar de demonstrações contábeis que não revelassem nenhum lucro num exercício em que foi empregado muito esforço e gastos muitos recursos para obtenção de uma parte do acabamento do contrato total que permitirá um lucro final. do que pela venda de entrega do bem. os quais se pode.

realizados em determinado período e que não puderam ser associados à receita do período nem às dos períodos futuros... os consumos ou sacrifícios de ativos (atuais ou futuros). b) parte dos gastos do departamento de pesquisa e desenvolvimento que superar o montante necessário para o funcionamento do mesmo. deve ser confrontada com as receitas reconhecidas no mesmo período ou a ele atribuídas.20 1. o qual não tem valor reconhecido de mercado. b) os que puderem ser corroborados por consenso de pessoas qualificadas da profissão. Portanto. 1. em ordem decrescente: a) os que puderem ser comprovados por documentos e critérios objetivos. terão seus valores descarregados como perda no período em que se confirmar a impossibilidade da geração de receita ou desmobilização do projeto. por exemplo.3.6 Convenções Contábeis (restrições aos Princípios) Constituem um complemento dos Postulados e dos Princípios na medida em que lhes delimita os conceitos. um determinado ativo ser recebido em troca de uma venda realizada. reunidas em comitês de pesquisa ou em entidades que têm autoridade sobre princípios contábeis. 1. toda e qualquer despesa ou perda ocorrida num determinado período.4 Reconhecimento da receita após o período de transferência do produto ou serviço É possível reconhecer-se a receita após o ponto de transferência em alguns casos excepcionais como. É importante ressaltar que todos aqueles gastos que foram diferidos e que não vierem a gerar receitas.1 Convenção da Objetividade Enunciado: “Para procedimentos igualmente relevantes. ou parte do ativo.” ..5.4 Princípio do confronto das despesas com as receitas e com os períodos contábeis Enunciado: “Toda despesa diretamente delineável com as receitas reconhecidas em determinado período. resultantes da aplicação dos Princípios. atribuições e direções que devem ser seguidos.. com exceção de: a) gastos de períodos em que a empresa é total ou parcialmente pré-operacional.6.5. preferir-se-ão. comece a gerar receitas.” A base de confronto são as receitas reconhecidas (ganhas) e as despesas incorridas (consumidas) no período. independentemente da quantidade de projetos em execução. reconhece-se um resultado. com as mesmas deverá ser confrontada. Este princípio e o princípio de realização da receita em seu conjunto são conhecidos por Regime de Competência. deverão ser descarregados como despesa do período em que ocorrerem. Nestas circunstâncias. Estes gastos são normalmente ativados e começam a ser amortizados como despesa a partir do exercício em que a empresa. 1. transfere-se o custo do ativo vendido para o ativo recebido em troca e quando esse último for vendido.

3 Convenção do Conservadorismo Enunciado: “Entre conjuntos alternativos de avaliação para o patrimônio. selecionando os procedimentos de mensuração adequados.6. pode levá-lo a cometer um sério erro na avaliação do empreendimento e de suas tendências. a evidenciação ou não de determinada cifra e a correta adoção ou não dos princípios contábeis. prejudica a qualidade e confiabilidade do sistema de informação e do próprio controle interno. pelo menos em parte. É relativamente difícil julgar sobre a materialidade ou não de uma cifra. Vocacional e histórico da profissão. As cifras oriundas de mudanças de critérios usados no passado são consideradas materiais com relação à avaliação do usuário. avaliar a influência e materialidade da informação evidenciada ou negada para o usuário à luz da relação custobenefício. Os valores correspondentes a receitas e despesas operacionais. os contadores devem decidir em relação ao atributo ou evento que será mensurado. A evidenciação é necessária nesses casos. o valor de uma empresa. Exemplo: Analisando-se as contas a receber constata-se. por exemplo. a apresentar o menor valor. serão mais ou menos materiais quando se referirem: a) a eventos que refletem tendências do empreendimento. 2. dentre várias disciplinas que avaliam.. normalmente são mais materiais. Alguns critérios poderiam ser: 1. 2. segundo os Princípios Fundamentais. 1. a contabilidade tende . a fim de que as demonstrações contábeis sejam tão confiáveis quanto possível.. que em cerca de 12% dos casos apresentam-se pequenos erros. 1. o fato de se verificarem em 12% dos registros pode significar a existência de alguma falha grave no sistema o que os torna relevantes do ponto de vista da auditoria e de controle interno. é material o procedimento ou cifra que se não for processado. Quanto ao usuário externo. se esse estiver encobrindo problemas maiores. Operacional que se refere ao fato de que considerados os amplos graus de julgamento que a aplicação dos Princípios permite empregar.. do que possíveis ganhos e perdas ou efeitos de exercícios anteriores. a contabilidade escolherá o que apresentar o menor valor atual para o ativo e o maior para as obrigações. Mesmo que o valor dos erros é de pequena monta. deve ser entendido sob dois aspectos: 1.2 Convenção da Materialidade Enunciado: “ O contador deverá. em cada situação. a contabilidade é a que tenderia. “Materialidade não significa desprezo pelo detalhe em si. para efeitos de avaliação de tendência. sempre. o conceito da materialidade sempre considerará uma alta dose de julgamento e de bom senso do contador. 3. b) a eventos que afetam apenas um exercício. consideradas as mesmas condições.” No que se refere ao usuário da informação contábil.” O conservadorismo ou prudência em contabilidade. levando em conta aspectos internos do sistema contábil. segundo o qual. No âmbito interno.21 Em obediência a esta convenção. igualmente válidos.6.” Naturalmente. determinada cifra ou informação é material na medida em que se não evidenciada ou mal evidenciada.

Igualmente ressalta que na aplicação destes princípios a situações concretas. da Atualização Monetária 6.. O Conselho Federal de Contabilidade emitiu em 29/12/93. da Continuidade 3. tanto em relação ao balanço quanto aos resultados. do Registro pelo valor original 5. Em se tratando de avaliação de tendência do empreendimento. Não se deve pensar em manipulação dos resultados contábeis.. tornando obrigatória sua observância no exercício profissional e constituindo condição de legitimidade das Normas Brasileiras de Contabilidade. por parte do contador. e sim considerar o aspecto de resguardo e neutralidade que a contabilidade deve apresentar. para garantir a utilização dos mesmos procedimentos na maior seqüência possível de exercícios. É difícil estabelecer regras precisas e matemáticas em relação à consistência e materialidade. da Prudência . da Oportunidade 4. o que exige um sólido conhecimento de teoria.” O contador deverá refletir muito antes de decidir pela adoção de determinado procedimento de avaliação. a essência da transação deve prevalecer sobre seus aspectos formais (essência x forma).6.22 a escolher a menor das avaliações igualmente relevantes para o ativo e a maior para o passivo. que seja material se faz necessária. essa deve ser evidenciada em notas explicativas e seus efeitos. 1. devem ser mensurados e bem enunciados. é fundamental que a consistência exista nos períodos abrangidos pelas demonstrações.4 Convenção da Consistência Enunciado: “A contabilidade de uma entidade deverá ser mantida de forma tal que os usuários das demonstrações contábeis tenham possibilidade de delinear a tendência da mesma com o menor grau de dificuldade possível. a Resolução CFC nº 750 que dispõe sobre os Princípios Fundamentais de Contabilidade. são: 1. em cada situação. da Entidade 2. para este possa escolher o melhor conjunto de procedimentos. Segundo o CFC os Princípios Fundamentais de Contabilidade. da Competência 7. Ressalta-se que se uma mudança de procedimento.

riscos e oportunidades que oferece. mapas. descrições críticas. São: integrantes do mercado de capitais. pela compreensão do estado em que se encontra a Entidade. acionistas ou sócios. investidores presentes ou potenciais. laudos. busca... público em geral. diagnósticos. 1. e revestir-se de atributos indispensáveis como: Confiabilidade Permite ao usuário aceitar a informação e utilizá-la como base de decisões. que se utilizam das informações contábeis desta para seus próprios fins. seu desempenho. planilhas. completeza e pertinência do seu conteúdo. expressas tanto em termos físicos quanto monetários.. administradores da própria entidade. listagens. documentos. demonstrações. evolução. fornecedores e demais credores. 2. escrituração ou registros permanentes e sistemáticos. demonstração. etc. análises. análise e relato das mutações sofridas pelo patrimônio da Entidade. para satisfazer necessidades de grande número de usuários. a geração de informações quantitativas e qualitativas sobre ela. Fundamenta-se na veracidade. na sua condição de ciência social. cujo objeto é o Patrimônio. livros. notas explicativas. A informação contábil se expressa através de demonstrações contábeis. classificação. quantificação. . pareceres. As informações geradas pela contabilidade devem oferecer aos usuários segurança nas suas decisões. autoridades governamentais. clientes. especialmente a contida nas demonstrações contábeis deve permitir revelação suficiente sobre a Entidade. controladores. Usuários Pessoas físicas ou jurídicas com interesse na Entidade.23 Tema 3 NORMAS BRASILEIRAS DE CONTABILIDADE / CONTABILIDADE NO MERCOSUL A – Normas Brasileiras de Contabilidade Resolução CFC nº 785 de 28/07/95 “ NBC T 1 – Das características da informação contábil” 1 Conceito e Conteúdo A contabilidade. previsões. como transações. financiadores. A veracidade exige que não contenham erros ou vieses e sejam elaboradas em consonância com os PFC e NBC. A completeza exige que a informação compreenda todos os elementos relevantes sobre o que pretende revelar ou divulgar. empregados. Associações e Sindicatos. prognósticos. Atributos da Informação Contábil A informação contábil deve ser veraz e eqüitativa. meios de comunicação. registro. eventual sumarização. por meio da apreensão. A informação contábil. de forma permanente ou transitória..

ou a situação destas num momento dado. com ausência de espaços em branco. Compreensibilidade A informação contábil deve ser exposta ao usuário na forma mais compreensível possível. análises e mapas demonstrativos e demonstrações contábeis são de atribuição e responsabilidade exclusivas de Contabilista legalmente habilitado. numa Entidade ou em diversas Entidades. Tempestividade A informação contábil deve chegar ao conhecimento do usuário em tempo hábil para que possa utilizá-la para seus fins. Caso contrário. A terminologia usada deve expressar o verdadeiro significado das transações. mês de ano. emendas ou transportes para as margens. em elementos que comprovem ou evidenciem fatos e a prática de atos administrativos. sobrepondo-se a quaisquer outros elementos. a periodicidade deve ser mantida. Estas devem promover o entendimento integral da informação contábil. para habilitar-se a entender as informações. Nas informações preparadas e divulgadas sistematicamente (demonstrações contábeis). Resolução CFC nº 563 de 28/10/83 “ NBC T 2 – Da escrituração contábil 1 Formalidades da Escrituração Contábil A Entidade deve manter um sistema de escrituração uniforme dos seus atos e fatos administrativos. na sua falta. A manutenção da comparabilidade não deve constituir elemento impeditivo da evolução qualitativa da informação contábil. através de processo manual.24 A pertinência requer que o seu conteúdo esteja de acordo com a respectiva denominação ou título. borrões. As informações contábeis devem ser expressas no idioma nacional. Diz respeito à clareza e objetividade com que a informação é divulgada. Presume-se que o usuário tenha conhecimento de contabilidade e dos negócios e atividades da Entidade. admitindo-se o uso de palavras em outro idioma no caso de manifesta inexistência de palavra com significado idêntico na língua portuguesa. A escrituração contábil e emissão de relatórios. A concretização da comparabilidade depende da conservação dos aspectos substantivos e formais das informações. peças. abrangendo elementos de natureza formal (organização espacial e recursos gráficos empregados) e redação e técnica de exposição utilizadas. em ordem cronológica de dia. divulgar razões junto com a própria informação. entrelinhas. desde que se proponha a analisá-las. em forma contábil. A escrituração deve ser executada em idioma e moeda corrente nacionais. Pode-se usar códigos ou abreviaturas no histórico dos lançamentos. rasuras. com base em documentos de origem externa ou interna ou. Comparabilidade Deve permitir que o usuário conheça a evolução de determinada informação ao longo do tempo. . mecanizado ou eletrônico. desde que permanentes e uniformes.

25 As demonstrações contábeis de encerramento do exercício serão transcritas no Diário acompanhadas da assinatura do Contabilista e titular ou representante legal da Entidade. o Patrimônio e o Patrimônio Líquido da entidade. ou externa. É de origem interna quando gerada na própria Entidade. quantitativa e qualitativamente. quando proveniente de terceiros. e devem especificar sua natureza. e os correspondentes custos e despesas. papéis. O Diário e o Razão constituem os registros permanentes da Entidade. Evidenciará a formação de vários níveis de resultados mediante confronto entre as receitas. data e/ou período e Entidade a que se referem. 2.1 Balanço Patrimonial O Balanço Patrimonial é a demonstração contábil destinada a evidenciar. 2 Conceito. Documentação Contábil (Res. a movimentação das contas que integram o patrimônio líquido da Entidade.3 Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados A demonstração de lucros ou prejuízos acumulados é a demonstração contábil destinada a evidenciar. CFC nº 686 de 14/12/90) As demonstrações contábeis são extraídas dos livros. As demonstrações contábeis devem obedecer os PFC.2 Demonstração do Resultado A demonstração do resultado é a demonstração contábil destinada a evidenciar a composição do resultado formado num determinado período de operações da Entidade. num determinado período. num determinado período. A Entidade é obrigada a manter em boa ordem a documentação contábil. definidas na legislação. CFC nº 597 de 14/06/85) A documentação contábil compreende todos os documentos. 2. Estrutura e Nomenclatura das Demonstrações Contábeis (Res. A documentação contábil é hábil quando revestida de características intrínsecas e extrínsecas essenciais. livros. 2. as mutações nos resultados acumulados da Entidade.5 Demonstração das Origens e Aplicações de Recursos A demonstração das origens e aplicações de recursos é a demonstração contábil destinada a evidenciar. as modificações que originaram as variações no capital circulante líquido da Entidade. A atribuição e responsabilidade técnica do sistema contábil da Entidade cabe.4 Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido A demonstração das mutações do patrimônio líquido é a demonstração contábil destinada a evidenciar. ao contabilista registrado no CRC. 2. Conteúdo. 2. registros e documentos que compõem o sistema contábil de qualquer tipo de Entidade. num determinado período. 1. . na técnica contábil ou aceita pelos usos e costumes. registros e outras peças. que apoiam ou compõem a escrituração contábil. exclusivamente. numa determinada data.

estudo dos principais aspectos da formação e habilitação profissional.CFC nº 737 de 27/11/92) A divulgação das demonstrações contábeis tem por objetivo fornecer. denominada de republicação.A Contabilidade no Mercosul 1 Introdução O MERCOSUL (Mercado Comum do Sul) é composto por Brasil. de transportes. Equador. 4. Os componentes do patrimônio são avaliados em moeda corrente nacional. bem como os critérios utilizados na elaboração das DC e eventos subseqüentes ao balanço. pelo Tratado de Assunção. Devem conter informações relevantes. possíveis alternativas para a harmonização de normas contábeis e de auditoria. econômica. tecnologia. os organismos profissionais representantes da AIC (Associação Interamericana de Contabilidade). aos seus usuários. Avaliação Patrimonial (Res. legal . CFC nº 732 de 22/10/92) Estabelece as regras de avaliação dos componentes do patrimônio de uma entidade com continuidade prevista nas suas atividades. complementares e/ou suplementares àquelas não suficientemente evidenciadas ou não constantes nas DC propriamente ditas. Argentina. Os de moeda estrangeira. bem como o intercâmbio cultural e harmonização das legislações. As notas explicativas são parte integrante das demonstrações contábeis. monetária. física e social. dos países que integram o MERCOSUL. Paraguai e Uruguai e foi formalizado em 26 de março de 1991. Peru e Venezuela em 04/98. Em novembro de 1993. financeira. . industrial. Divulgação das Demonstrações Contábeis (Res. Economia e Administração). educação e de comunicações. legal. financeira. serão convertidos ao valor da moeda nacional. fiscal. um conjunto mínimo de informações de natureza patrimonial. B . Incluem informações de natureza patrimonial. econômica.26 3. A nova divulgação das DC. a coordenação de políticas macroeconômicas e das políticas setoriais de comércio exterior. agrícola. à taxa de câmbio da data da avaliação. a Bolívia em 01/97 e a CAN (Comunidade Andina) formada por Bolívia. física e social que lhes possibilitem o conhecimento e a análise da situação da Entidade. Associaram-se ao MERCOSUL o Chile em 10/96. alfandegária. o qual visa tratar das seguintes questões: o livre exercício da profissão contábil no MERCOSUL. O Tratado de Assunção prevê o livre trânsito de pessoas. ocorre quando as demonstrações publicadas anteriormente contiverem erros significativos e/ou quando não foram divulgadas informações relevantes para o seu correto entendimento ou que sejam consideradas insuficientes. Colômbia. constituíram um GRUPO DE TRABALHO denominado GIMCEA (Grupo de Integração do MERCOSUL em Contabilidade.

O CFC é composto por 15 Conselheiros efetivos e 15 suplentes. a profissão não está regulamentada e os profissionais são congregados no Colégio de Contadores e Economistas do Uruguai. podendo ser reeleitos por igual período. sendo subordinados ao CFC. com voto pessoal. Atualmente são 27 Conselhos Regionais. com sede nas capitais dos Estados. Os Conselhos são compostos por 15 membros. Os Conselheiros elegem o Presidente e demais membros da Diretoria. Institutos e Academias.27 2 A profissão contábil nos países do MERCOSUL No Brasil. renovando-se sua composição de 2 em 2 anos. 2. Federações. também foram criados pelo mesmo DL com as finalidades de registro e fiscalização do exercício da profissão de Contabilista.2 Argentina O profissional da contabilidade na Argentina é denominado de Contador Público e a profissão está regulamentada desde 23/05/73. alternadamente por 2/3 e por 1/3.1 Brasil Os órgãos da classe contábil no Brasil são: Conselhos. coordena e congrega todos os Conselhos Regionais de Contabilidade.295 de 27/05/46. secreto e obrigatório. com mandato de 4 anos. a profissão de contador tem completa autonomia. Confederação. No Paraguai a profissão não está regulamentada e não há obrigatoriedade de registro em órgão de classe. eleitos pelo sistema de eleição direta. sendo 2/3 Contadores e 1/3 Técnicos em Contabilidade. . eleitos diretamente por voto secreto e obrigatório pelos profissionais matriculados. O mandato dos membros do Plenário e respectivos suplentes é de 4 anos. O controle do exercício profissional é exercido pelos Conselhos Profissionais de Ciências Econômicas. Sindicatos. eleitos por um colégio eleitoral composto de um delegadoeleitor de cada CRC. O Brasil é o único país que possui profissionais de nível médio (Técnico em Contabilidade). com mandato de 4 anos. todos com mandato de 2 anos. No Uruguai. tem regulamentação profissional e Conselho próprio (Conselho Federal e Conselhos Regionais de Contabilidade) Na Argentina há o título de Contador Público o qual faz parte do Conselho Profissional de Ciências Econômicas ou Colégio de Graduados em Ciências Econômicas. Associações Profissionais. Os Conselhos Regionais de Contabilidade. O CRC é composto de 15 Conselheiros efetivos e 15 Suplentes. formando o Sistema Nacional de Registro e Fiscalização do Exercício da Profissão Contábil. A participação de cada profissão de ciências econômicas no Conselho é proporcional ao número de inscritos em cada matrícula. O Conselho Federal de Contabilidade (CFC) foi criado pelo Decreto-Lei nº 9. 2.

1 Brasil As entidades que lidam com Normas Contábeis são: Conselho Federal de Contabilidade (CFC) Instituto Brasileiro de Contadores (IBRACON) Comissão de Valores Mobiliários (CVM) Banco Central do Brasil (BCB) Secretaria da Receita Federal (SRF) - 3. Os dirigentes do Colégio são eleitos por voto secreto o qual não é obrigatório. A entidade que congrega os contadores no Uruguai é o Colégio de Contadores e Economistas do Uruguai. que acolhe também os Administradores. 3 Normas e práticas contábeis nos países do MERCOSUL 3. Contábeis e Administrativas.4 Uruguai A profissão de Contador Público não está regulamentada. fundado em 09/06/1916. É considerada insuficiente como elemento de regulamentação da profissão.802/60 prevê a atuação do Contador Público em certificações de balanços.1.1 Principais Normas Contábeis Legais Código Comercial . Não é obrigatória a matrícula na entidade para fins de exercício profissional.28 2. 17 de março de 1964 (para entidades públicas). 2. estabeleceu a obrigatoriedade de os balanços apresentados perante organismos públicos terem pareceres de auditores independentes. No Paraguai não há exigência de registro profissional. o Decreto 240. 15 de dezembro de 1976. nº 6404. Os contadores estão congregados no Colégio de Contadores do Paraguai. A Lei 12. prestações de contas ou relatórios contábeis apresentados perante organismos públicos. Regulamento do Imposto de Renda - . O mandato dos membros é de 2 anos. Resoluções emitidas pela CVM. Em 1993. 25 de junho de 1850. Lei das Sociedades Anônimas. Lei nº 4320. A matrícula no Colégio de Contadores é facultativa. Resoluções emitidas pelo Banco Central.3 Paraguai A profissão contábil no Paraguai está prevista na Lei 371 de 06/12/72 que regulamenta o exercício profissional dos graduados em C.

Resolução do IGJ - 3.1 Principais Normas Contábeis Legais Código Comercial de 1866 Lei das Sociedades Comerciais de 1989 Legislação do Imposto de Renda. Lei do Imposto de Renda.Colégio de Contadores . outros órgãos que emitem normas contábeis de caráter geral.4.29 3.3 Paraguai As entidades que lidam com normas contábeis são: .1 Principais Normas Contábeis Legais Lei do Comerciante que revogou o Código de Comércio Lei Geral de Bancos e de outras Entidades Financeiras Legislação para Seguradoras Legislação do Mercado de Capitais Lei do Imposto de Renda - 3. Resolução do BCRA.2 Argentina Com a criação em 1973 da Federação Argentina de Conselhos Profissionais de Ciências Econômicas.Banco Central 3. As entidades que lidam com normas contábeis são: Federação Argentina de Conselhos Profissionais de Ciências Econômicas Federação Argentina de Graduados em Ciências Econômicas Comissão Nacional de Valores Bolsa de Comércio de Buenos Aires Banco Central da República Argentina Inspeção Geral da Justiça Superintendência de Seguro da Nação Instituto Nacional de Ação Cooperativa Instituto Nacional de Obras Sociais - - 3. Existem.3.2. 1991 Circular 1070/81 do Banco Central .1 Principais Normas Contábeis Legais Código Comercial de 1859.4 Uruguai As entidades que lidam com normas contábeis são: Colégio de Contadores e Economistas Banco Central Instituto Nacional de Carnes Ministério de Economia e Finanças Comissão Permanente de Normas Contábeis Adequadas - 3. esta passou a emitir normas contábeis. Resolução º 195/92 da CNV. no entanto.Comissão Nacional de Valores . Lei das Sociedades Comerciais 19550/72.

sendo a profissão regulamentada por lei abrangendo as Ciências Econômicas em geral. Os contadores públicos são congregados no Colégio de Contadores do Paraguai.1 Brasil A profissão contábil está regulamentada por força de lei. 3.Líquido. O requisito para exercer a profissão é ter formação superior em contabilidade.30 3. Os Conselhos Profissionais de C.5. sendo a matrícula voluntária. O Colégio de Contadores elabora as normas contábeis mas não dispõe de poder para fazer cumpri-las. quantidade e origem dos recursos econômicos da sociedade na data de encerramento do período informado.5. Somente os contabilistas 9 Técnicos em Contabilidade e Contadores) registrados no CRC podem exercer a profissão. PARAGUAI Demonstração da Situação Patrimonial URUGUAI Demonstração da Situação Patrimonial CONCEITO DC destinada a evidenciar. 3. Econômicas elabora as normas contábeis profissionais e técnicas.4 Uruguai A profissão não está regulamentada. não há obrigatoriedade de matrícula em entidade de classe para o exercício profissional.3 Paraguai A profissão não está regulamentada. Expõe a natureza. a participação minoritária em sociedades controladas. Os contadores públicos estão congregados no Colégio de Contadores e Economistas do Uruguai. CONCEITO CONCEITO Apresenta em forma sintética a situação econômica. patrimonial e financeira da entidade em um determinado momento. 3. ESTRUTURA ATIVO Circulante Realizável a L/P Permanente ESTRUTURA ATIVO Corrente Não-Corrente ESTRUTURA ATIVO Corrente Não-Corrente ESTRUTURA ATIVO Corrente Não-Corrente . Os CRCs tem por finalidade registrar e fiscalizar o exercício profissional e estão subordinados ao CFC que além de ser o órgão máximo da profissão é responsável pela emissão das NBC (P e T). Econômicas controlam o exercício da profissão. quantitativa e qualitativamente. numa determinada data. Somente os titulares de diploma universitário na área e matriculados no Conselho Profissional podem exercer a atividade profissional. e.5 Considerações sobre os sistemas contábeis no MERCOSUL 3. o qual também acolhe os administradores. o Patrimônio da entidade.se for o caso. Não é obrigatória a matrícula na entidade para o exercício profissional bastando a formação superior em Contabilidade. A Federação Argentina de Conselhos Profissionais de C.5. o Passivo e o Patr.5. 4 Conceito e estrutura do Balanço Patrimonial BRASIL Balanço Patrimonial ARGENTINA Demonstração da Situação Patrimonial ou Balanço Geral CONCEITO Esta demonstração mostra o Ativo.2 Argentina O profissional da contabilidade denomina-se Contador Público.

as empresas fazem uso de seus ativos para manutenção de suas operações. Ganhos. Receitas. 2 Avaliação do Ativo Em função do Postulado da Continuidade. D’Auria apud Iudícibus (1997). no futuro” (p. considerados mais adequados do que os valores de saída como base geral de avaliação... no ARS nº 3 do AICPA de 1962 “.Acumulados PATRIM.. Despesas e Perdas 1 Conceituação de Ativo De acordo com Iudícibus e Marion (1999). Por exemplo.LÍQUIDO Capital Reservas Lucros/Prejuízos Acumulados Participação de 3ºs em Soc.Acumulados Tema 4 Definição e Critérios de Avaliação do Ativo. Futuros PATRIM. direitos que foram adquiridos pela entidade como resultado de alguma transação corrente ou passada”.144). conceitua o ativo como “o conjunto de meios ou a matéria posta à disposição do administrador para que este possa operar de modo a conseguir os fins que a entidade entregue à sua direção tem em vista”.. ativos representam benefícios futuros esperados.31 PASSIVO Circulante Exigível a L/Prazo PASSIVO Corrente Não-Corrente PASSIVO Corrente Não-Corrente PASSIVO Corrente Não-Corrente Resultado Exerc..Controladas PATRIM.LÍQUIDO Capital Ajustes de Capital Reservas Result. Isso significa que “em todas as aplicações. que lhe capacita de forma direta ou indireta. imediata ou no futuro. Nesse sentido. a saber: . Esse fato está relacionado intimamente ao Postulado da Continuidade da Entidade.LÍQUIDO Capital Ajustes de Capital Reservas Result. existem alguns critérios. visando a geração de receitas capazes de superar o valor dos ativos sacrificados. existe o objetivo e a esperança imediata ou mediata de garantir um fluxo de caixa. Isso significa que somente podem ser considerados ativos aqueles elementos que cumprem o acima exposto. Dessa forma os autores conceituam o ativo como algo que possui em seu bojo um potencial de serviços para a entidade.Acumulados PATRIMÔNIO Capital Ajustes de Capital Reservas Result.. a gerar fluxos de caixa. Passivo e Patrimônio Líquido. Segundo Sprouse e Moonitz apud Iudícibus (1997). estoques invendáveis não devem figurar no ativo porque não são capazes de gerar fluxos de caixa futuros. os ativos são normalmente avaliados por algum tipo de valor de custo (valor de entrada).

O que ocorre é uma homogeneização das demonstrações contábeis em termos de poder aquisitivo de uma mesma data. Tanto o IASC como a ONU recomendam o uso de indexador médio nestas circunstâncias. deve-se corrigir o valor de T0 por 40%. sua avaliação acaba ficando defasada.” 2.1 Custo Histórico Original Trata-se do valor original da transação. da parcela que se refere puramente a fatores de variação do preço específico do ativo daquela puramente operacional.3 Custo de Reposição Iudícibus e Marion (1999) entendem que este tipo de custo pode ter várias conceituações. Nos países que enfrentam altas taxas de inflação aparece como uma alternativa importante por sua objetividade. O custo de reposição: . Por exemplo: O valor de reposição de um ativo em TO é $ 1. 2. um lucro baseado em valores históricos é totalmente realizado. . Para que seja possível comparar T0 com T1. Hendriksen apud Iudícibus (1997. 2.000 e em T1 é $ 1.leva em consideração a flutuação específica dos preços.500 $ 1. De fato. Há situações em que este ativo perde substância econômica. p.permite que se tenha uma idéia aproximada de quanto seria preciso investir para montar uma empresa “fisicamente” equivalente. . o preço pelo qual foi adquirido o ativo.400 $ 100 .permite uma separação no lucro bruto. dependendo da data em que se faz a reposição de um ativo por outro em estado de novo. ou nos casos de variação. independentemente de possíveis variações no poder aquisitivo da moeda.2 Custo Histórico Corrigido Trata-se de corrigir o custo histórico original por algum índice que reflita a variação do poder aquisitivo médio geral da moeda. isto é. na DRE. tanto na parte operacional quanto na dos ganhos. Alertam que não é o mesmo que custo corrente.500 e a taxa de inflação do período é de 40%. pelo baixo custo do processo de correção e pela relevância da informação. Assim tem-se: Valor de Reposição em T1 Valor de Reposição em T0 corrigido Valorização Real $ 1. O custo histórico apresenta uma vantagem que é a sua objetividade.32 2.4 Custo de Reposição Corrigido Conceitualmente não há diferença entre o anterior.133)) “reconhece que uma das mais fortes razões da adoção generalizada do custo histórico tem sido sua estreita relação como o conceito de realização da receita na mensuração do lucro.

3.141) “o reconhecimento de uma exigibilidade depende do reconhecimento do outro lado da transação – a incorrência de uma despesa. devem ser deduzidas as reservas legais e estatutárias. Por esta teoria. Já o variável guarda certa relação com o volume de vendas: ICMS a recolher. por exemplo. Fornecedores. As obrigações que não exigem pagamento de encargos financeiros são denominadas de passivo não oneroso. etc. etc. As exigibilidades surgem em decorrência de transações já ocorridas ( no passado). 4 Patrimônio Líquido O montante do Patrimônio Líquido que aparece nas Demonstrações Contábeis depende da avaliação e mensuração de ativos e passivos (exigibilidades). As teorias existentes sobre o patrimônio líquido são: 4. Nesse caso o PL que resulta da diferença entre ativo e passivo. o reconhecimento de uma perda ou do recebimento por parte da empresa de um ativo específico. a equação patrimonial se expressa por: Ativo = Passivo + Patrimônio Líquido da Entidade. 4. Decorre normalmente de práticas comerciais usuais. exigibilidades que somente podem ser mensuradas utilizando-se certo grau de estimativa. o lucro líquido apurado no final do exercício não pode ser sumariamente distribuído aos acionistas.1 Exigível Oneroso e Não Oneroso É aquele que está custando mensalmente à empresa como juros e encargos bancários decorrentes de empréstimos. p. Por esse motivo. Segundo Hendriksen apud Iudícibus (1997. É o caso das denominadas provisões. cabendo decisão da assembléia.” É importante distinguir-se obrigação presente e comprometimento futuro. Esta pode ser legalmente executável em caso de não pagamento. pertence ao proprietário. contas a pagar. . tanto pessoas físicas como jurídicas. Existem. todavia. etc. o patrimônio dos acionistas ou quotistas. 3. fornecedores. Mesmo assim. É o caso de salários.2 Exigível Fixo e Variável O exigível fixo se caracteriza por não variar em função do volume de vendas da empresa: aluguéis.1 Teoria do Proprietário Aplica-se principalmente nas empresas de menor vulto em que há um quotista absolutamente predominante (teoria do controle predominante). Esta somente surge quando o ativo for entregue. não se confunde com o patrimônio líquido da entidade.2 Teoria da Entidade Por essa teoria. não há porque surgir uma exigibilidade agora. Assim se uma empresa decide adquirir ativos no futuro.33 3 Passivo (Exigibilidades) Exigibilidade significa uma obrigação da empresa no momento da avaliação. financiamentos.

sendo tanto oriundos da atividade normal da empresa ou não. A DOAR é uma forma de aplicação parcial desta teoria.2 Ganhos São representados por itens denominados de não recorrentes (não repetitivos) que no entanto têm o mesmo efeito sobre o patrimônio líquido.5 Manutenção do Patrimônio Líquido É desejo de toda administração. Como se sabe que reconhecer uma receita não exige necessariamente que o produto ou serviço tenha sido completamente transferido.34 4. Às vezes os ganhos são apresentados líquidos de suas despesas relacionadas. diferentemente da receita que decorre da atividade normal. . O efeito no patrimônio. o que se espera que é o patrimônio líquido final seja igual ao inicial multiplicado por ( 1 + p) x (1 + i). é de provocar aumento de ativo (ou diminuição de passivo). da atividade da empresa na geração de produtos ou serviços úteis ao mercado.. utilizando seus recursos (e incorrendo em despesas). 4. resultando em aumento do patrimônio líquido. 4. os administradores podem comandar somente aquela parcela do patrimônio que pode ser movimentada mediante uma simples orientação da administração profissional. manter a integridade do poder aquisitivo do patrimônio líquido da entidade.1 Receitas Segundo Iudícibus e Marion (1999). pois este conhecimento pode ser interessante para decisões econômicas. insistese em dizer que a receita é o resultado da aceitação pelo mercado do esforço de produção da empresa. Nesse caso a representação da equação patrimonial é: Aplicações = Fontes. É útil reconhecer-se na Demonstração de Resultados os ganhos em forma separada. embora seja a situação mais comum. Despesas. produtos ou serviços aceitos pelo mercado. onde p é a taxa de inflação e i é a taxa desejada de retorno. Com isso pode-se dizer que Receita é fluxo de produtos ou serviços durante um determinado período contábil. outro que não o relacionado a ajustes de capital. estudo do IASC define receita como: “o acréscimo de benefícios econômicos durante o perído contábil na forma de entrada de ativos ou decréscimos de exigibilidades e que redunda num acréscimo do patrimônio líquido.3 Teoria dos Fundos De acordo com esta teoria. Na realidade.” Uma receita resulta direta (no caso de operacional como vendas) ou indiretamente (no caso de receitas não operacionais).4 Teoria do Comando De acordo com esta teoria.. 5. 5 Receitas. de acordo com a definição do IASC. Perdas e Ganhos 5. que não necessite autorização expressa de acionistas ou conselho de administração. o ativo resulta da soma das aplicações que foram efetuadas graças a utilização de recursos obtidos junto a terceiros e de capitais próprios. Significa que não haveria receita operacional se a empresa não tivesse capacidade de gerar ou produzir.

35 5. Sérgio de e MARION. podendo surgir no curso da atividade normal da empresa. Bibliografia Consultada: IUDÍCIBUS. Exemplo: despesas de materiais na execução de serviços de reparos de televisores em empresa que se dedique a esta atividade. incluem itens que também impactam ativo e patrimônio líquido da mesma forma como as despesas. fogo. etc. 5ª ed.4 Perdas A definição de despesa inclui as perdas. José Carlos. Num sentido amplo significa o ato de fornecer informações. referindo-se a divulgação de informações a respeito das atividades de uma entidade. Normalmente são imprevisíveis. estes devem ser lançados como Despesa do período. São Paulo: Atlas. através de relatórios contábeis. 5. 1997. teoria da comunicação. etc. IUDÍCIBUS. Sérgio de. O processo de evidenciação de informações. Teoria da Contabilidade. Os autores recomendam que não sendo possível identificar os períodos ou as receitas futuras conectadas a gastos realizados. por exemplo. São Paulo: Atlas. As perdas também podem incluir as não realizadas como. estão relacionados com a forma em que são estabelecidos os princípios e práticas . Na área contábil é utilizado num sentido mais restrito. Tema 5 EVIDENCIAÇÃO (DISCLOSURE) E OS OBJETIVOS DA CONTABILIDADE 1 Introdução O termo evidenciação está associado a outros campos de conhecimento como. O mesmo pode-se dizer em relação aos salários do pessoal diretamente relacionado aos serviços de conserto.3 Despesas Normalmente conceitua-se despesa como o sacrifício de ativos realizado para obtenção de Receitas. 1999. Estas. por exemplo. Muitas vezes esses sacrifícios ocorrem em função de e/ou diretamente atribuíveis à obtenção de receita específica. As perdas incluem itens como desastres. teoria geral de sistemas. ou desincorporação de ativos imobilizados. um acréscimo anormal na taxa de câmbio de uma moeda estrangeira quando a empresa tem empréstimo naquela moeda. bem como a determinação de sua natureza e extensão. inundações. Introdução à Teoria da Contabilidade..

evolução. que sejam úteis às pessoas que exercer algum tipo de controle sobre a empresa ou participem da tomada de decisões econômicas e sociais a ela relacionadas”. 2 Características da informação contábil Para a Comissão de Empresas Transnacionais da ONU. seu desempenho. visando atingir suas necessidades. b) Oportunidade – a informação contábil deve estar disponível ao usuário no momento em que este a necessita. Alguns autores e/ou organismos consideram a evidenciação como um princípio contábil. considera que “o objetivo primordial das demonstrações contábeis de uma empresa transnacional é revelar informações de caráter financeiro e não financeiro. não possam ser divulgadas (goodwill formado nas empresas. neutralidade/honestidade. apud Aquino e Santana (1992). etc.36 contábeis. ela deve ser evidenciada mesmo que não tenha uma utilizada imediata. Isso não impede que outras informações decorrentes de avaliações não tão objetivas. sobre suas operações. as características da informação contábil (útil) são: a) Pertinência – se a informação é capaz de influir sobre uma decisão. c) Comparabilidade – a informação contábil deve permitir que os usuários possam efetuar análises temporais e entre empresas distintas. e) Inteligibilidade – a informação contábil deve ser compreendida com garantia pelo usuário o que implica que seja expressa de maneira não ambígua. especialmente no estabelecimento de tendências. até pouco tempo atrás dava-se ênfase ao registro e mensuração. através das Normas Brasileiras de Contabilidade recolhe essa visão quando menciona que “as informações geradas pela contabilidade devem oferecer aos usuários segurança nas suas decisões. Trata-se de um elo de ligação entre os Postulados/ Princípios de Contabilidade e os objetivos da contabilidade. pela compreensão do estado em que se encontra a entidade. isto é.). político e social. O Conselho Federal de Contabilidade. recursos e obrigações. que têm como fatores essenciais a estrutura e desenvolvimento econômico. 3 Relacionamento entre evidenciação e convenções contábeis A evidenciação tem relação com a convenção da Materialidade na medida em que esta delimita as informações quantitativas e qualitativas a serem evidenciadas. enquanto que mais recentemente se enfatiza o processo de comunicação de informações aos usuários. Com relação aos objetivos da contabilidade. outros consideram-na como um objetivo. uma vez que as informações a serem divulgadas devem ser objetivas. valor de reposição. A evidenciação também está relacionada com a convenção da Objetividade. Em pronunciamento emitido em março/88 o Grupo Intergovernamental de Trabalho da Comissão de Empresas Transnacionais da Organização das Nações Unidas (ONU). riscos e oportunidades que oferece”. constitui um meio ou processo que permite à contabilidade atingir seus objetivos. qualquer informação é material quando sua omissão nas demonstrações ou notas de evidenciação. d) Confiabilidade – a informação contábil deve reunir os atributos de fidelidade de apresentação. . prudência e capacidade de verificação. projeção de resultado. levar o usuário a fazer um julgamento equivocado sobre a situação da entidade. Para Iudícibus.

Normalmente deveriam evidenciar informações quantitativas e qualitativas. composição. detalhamento e informações adicionais sobre determinadas contas. b) Informações em Parênteses No próprio corpo das demonstrações podem ser apresentadas informações suplementares através de explicações em parênteses. evidenciação das qualificações e restrições para determinados itens nas demonstrações.37 A evidenciação também está ligada à convenção da Consistência a qual prevê que sejam adotados critérios uniformes ao longo do tempo. etc. restrições em relação ao uso de ativos. garantias oferecidas a terceiros.000. evidenciação de um maior número de detalhes do que se poderia apresentar nas demonstrações. obrigações potenciais. do que na utilização de dados quantitativos resumidos nas demonstrações contábeis. O custo é determinado pelo método do preço médio ponderado variável e o valor de mercado é calculado com base no valor líquido de realização.000 6. Modernamente há uma tendência à evidenciação de outras informações como as destinadas à prestação de contas para a sociedade. determinação de seu custo e seu valor de mercado. Exemplo: Estoque (avaliados pelo preço médio ponderado variável) Estoque (valor de reposição $ 8. as informações mais relevantes sobre as atividades da entidade.100. b) Desvantagens: dificuldade e desestímulo à leitura dos relatórios contábeis. perigo de abuso na sua utilização ao invés de adequado desenvolvimento de . cuja inclusão no corpo das demonstrações contábeis poderia prejudicar sua clareza. Um exemplo de nota explicativa pode ser a relativa a evidenciação quanto a forma de avaliação do estoque. Estoques (nota 1) $ 3.000) c) Notas Explicativas Provavelmente é a forma mais conhecida de evidenciação. na medida do possível. para que os usuários possam delinear a tendência da entidade sem grandes dificuldades. apresenta algumas vantagens e desvantagens das notas explicativas: a) Vantagens: apresentação de informação não quantitativa como parte integrante das demonstrações contábeis.000 $ mil $ mil 10. O corpo das demonstrações contábeis formais deve apresentar. É importante destacar que a contabilidade não deve estar limitada à produção e evidenciação de informações apenas de natureza financeira.700. 4 Formas de evidenciação As formas mais utilizados de evidenciação são: a) Forma e Disposição das Informações das Demonstrações Contábeis As demonstrações contábeis são as que proporcionam a maior quantidade de evidenciação.200 Nota 1 – Os estoques foram avaliados pelo preço de custo ou mercado. Hendriksen (1982). maior dificuldade na utilização das descrições textuais nas tomadas de decisões. São utilizadas para descrever práticas contábeis adotadas pela entidade.etc. O valor de mercado dos estoques é de $ 3. dos dois o menor.

fusão e incorporação.000 $ 1.000 em $ 1. etc. critérios. Por exemplo. d) Demonstrações e Quadros Suplementares As demonstrações e quadros suplementares visam a apresentação de detalhes sobre determinados itens das demonstrações contábeis.000 1.000 Uma demonstração que poderia aparecer aqui é a Demonstração do Valor Adicionado. b) natureza. quando parte das contas a receber de uma empresa está vinculada a créditos recebidos de uma instituição financeira.100.000 .600.000 5.00 2. as contas a receber podem estar constando de forma agrupada no balanço patrimonial. por exemplo. aberto: A CVM requer as seguintes informações nas notas explicativas das sociedades de capital a) valor de mercado de alguns ativos (estoques. e) informações por segmento de negócios. que se trata de um relatório contábil que evidencia a riqueza gerada pela entidade e sua respectiva distribuição. e) Referências Cruzadas São utilizadas quando existe relacionamento direto entre duas contas do balanço patrimonial. apresentando-se à parte um quadro detalhando sua composição. investimentos temporários.400. f) diferenças temporárias e permanentes entre o lucro contábil e o lucro tributável e montante dos prejuízos a compensar. A evidenciação nesse caso será: Balanço Patrimonial Ativo Contas a Receber Contas a Receber vinculadas a empréstimos $ 5. destinação.000.800. c) natureza e montante das operações descontinuadas e dos eventos e transações não-operacionais e extraordinárias. podendo ser agregadas informações de natureza qualitativa.100.100.). g) natureza. valor e prazo das subvenções e subsídios governamentais recebidos.000 700. valor e efeitos das alterações de práticas. Esta demonstração será examinada quando for estudado o tema “Balanço Social”. Balanço Patrimonial Contas a Receber (quadro 1) Quadro Suplementar Quadro 1 Contas a Receber Duplicatas de Clientes Créditos contra Acionistas Adiantamentos a Fornecedores $ 5.38 princípios que incorporariam novas relações e eventos nas próprias demonstrações contábeis. É o caso. d) natureza e efeitos das operações de cisão. métodos e estimativas contábeis e das retificações de erros de exercícios anteriores.000 Passivo Empréstimos garantidos por contas a receber $ 1.

h) Reformulações administrativas: descrição das mudanças administrativas. programas de investimentos e projeções futuras. o que facilita o entendimento dos usuários. montantes aplicados e situação dos projetos. quando relevante. segmentação da mão-de-obra segundo a localização geográfica. g) Proteção ao meio ambiente: descrição e objetivos dos investimentos efetuados e montante aplicado. atos governamentais e outros fatores exógenos relevantes para o desempenho da companhia. recursos humanos (inclusive demonstração do valor adicionado).. deve ser redigido com simplicidade de linguagem para ser acessível ao maior número de leitores”. d) Investimentos: descrição dos principais investimentos realizados. compra e/ou venda de ativos significativos. f) Novos produtos e serviços: descrição dos novos produtos. atividades de pesquisa e desenvolvimento. e) Pesquisa e desenvolvimento: descrição sucinta dos projetos. montante e origem dos recursos alocados. nível educacional. c) Recursos humanos: número de empregados no término dos dois últimos exercícios e “turnover” nos dois últimos anos. Fundamentalmente é de natureza descritiva permitindo a utilização de linguagem menos técnica. recursos alocados. negociação e cotação das ações em Bolsa de Valores. baseada em premissas e fundamentos explicitamente colocados. investimentos em treinamento. produtos e serviços: histórico das vendas físicas dos últimos dois anos e vendas em moeda valores monetários e. Para a CVM. eventos externos incomuns.. abrangendo também operações internacionais ou por áreas geográficas. Esta entidade considera importante as seguintes informações: a) Descrição dos negócios.39 f) Relatório da Diretoria ou dos Administradores Normalmente o relatório da diretoria fornece informações de caráter não financeiro e que se referem às atividades desenvolvidas pela entidade. desdobramentos e grupamentos. é um “elemento poderoso de comunicação entre a companhia. b) Comentários sobre a conjuntura econômica geral: concorrência no mercado. k) Perspectivas e planos para o exercício em curso e futuros: poderá ser divulgada a expectativa da administração quanto ao exercício em curso. valor patrimonial das ações. o relatório da diretoria ou administradores. serviços e expectativas a eles relacionadas. muito embora não tenha determinado um modelo de relatório. relatando os principais fatos que afetaram o resultado do período e as expectativas da entidade em relação ao futuro. Através da Lei 6404/76 das S/A. . objetivo.. reorganizações societárias e programas de racionalização. c) Análise financeira: comentários sobre os resultados operacionais. sendo que esta informação não se confunde com projeções por não ser quantificada. j) Direitos dos acionistas e dados do mercado: políticas relativas a distribuição de direitos.. descrição e análise por segmento ou linha de produto. b) Análise setorial: informações por segmento de negócios. i) Investimentos em controladas e coligadas: indicação dos investimentos efetuados e objetivos pretendidos com as inversões. A ONU. inclusive sobre efeitos significativos ocasionados por fatores internos ou externos. tornou-se obrigatória a elaboração e publicação desse relatório juntamente com as demonstrações contábeis. fundo de seguridade e outros planos sociais. responsabilidade social e proteção ao meio ambiente. seus acionistas e a comunidade em que está inserida. divide as informações a serem prestadas em três tipos: a) Análise corporativa: estratégia corporativa.

mudanças contábeis.Irwin Inc.políticas contábeis. 2 ed. mencionam que devem ser explicitadas. no tocante à evidenciação. utilização de prática contábil diferente das geralmente aceitas. pelo CFC e pelo IBRACON.políticas contábeis. no grupos de normas gerais: . HENDRIKSEN. ONU – Relatórios da Comissão das Empresas Transnacionais (1988-1989).eventos subseqüentes O Comitê Internacional de Normas Contábeis (International Accounting Standards Commitee (IASC). 1994. . Princípios contábeis. nº 5.políticas contábeis.contingências. 1982. pp. .correção de erros. 2 ed.riscos e incertezas. .contingências e compromissos. Richard D. . passivos contingentes e ativos contingentes. . IBRACON. .provisões.mudanças contábeis. pela CVM.correção de erros. . .eventos subseqüentes No tocante aos procedimentos de evidenciação no Brasil. São Paulo: Atlas.40 g) Comentários dos Auditores Constituem uma fonte adicional de evidenciação. .partes relacionadas.orientações gerais. Antonio Carlos de. Os princípios contábeis norte-americanos (United States Generally Accepted Accounting Principles (US-GAAP). diferenças de opinião entre a empresa e a auditoria quanto à adequação de determinado método contábil. requer as seguintes evidenciações no grupo de normas gerais: .eventos subseqüentes Bibliografia consultada AQUINO.partes relacionadas. jun92. FIPECAFI/ FEA-USP. . .transações não monetárias . O grupo de normas gerais prevê a estruturação sob os seguintes títulos: .informações básicas sobre a companhia.partes relacionadas. Evidenciação. 15-73 FIPECAFI/ARTHUR ANDERSEN. Eldon S. 1994. Normas e práticas contábeis. . .mudanças contábeis. estes são definidos pela Lei nº 6404/76. . . São Paulo: Atlas. na medida em que informam a respeito de: efeitos relevantes de mudanças nos métodos contábeis da companhia. Wagner de & SANTANA. . . Accounting Theory. de 15 de dezembro de 1976. .informações básicas sobre a companhia. Lei nº 6404. Caderno de Estudos. .

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Tema 6 GOODWILL 1. O que é Goodwill?

O termo goodwill é considerado por especialistas um termo técnico sem correspondente versão adequada em português, embora a Lei 6404/76 tenha considerado o termo Fundo de Comércio como equivalente. Alguns entendem que goodwill são os super-lucros, isto é, o incremento de lucratividade sobre o investimento acima da media apresentada por outras empresas. Outros consideram o confronto entre valores de mercado ou de utilização com os ativos subavaliados. Existem os que entendem como goodwill o incremento de valor dos ativos pelo resultado da sinergia do conjunto organizacional sobre a soma dos ativos individuais. Segundo Vieira, Dias e Castro Neto (1994, p.45), goodwill é:
um ativo sem substância corpórea, que representa a diferença entre o valor econômico global da empresa e os valores econômicos individuais de seus ativos.

Para Monobe (1986, p.57), goodwill é:
um valor residual atribuível entre outros fatores à existência de administração eficiente, processos industriais e patentes próprios, localização ótima, recursos humanos excelentes, efetividade da propaganda e condições financeiras privilegiadas e do grau de sinergia, fatores importantes para a empresa, mas não contemplados pela contabilidade, em função da dificuldade de sua mensuração. Acabam todos incorporados ao goodwill quando a empresa é vendida.

Quanto ao seu valor, numa conceituação moderna, o g oodwill corresponde à diferença entre o valor atual de toda a empresa, ou seja, sua capacidade de geração de lucros futuros, e o valor econômico de seus ativos apresentando, portanto, uma característica residual (Monobe, 1986, p.65). Defende ainda o autor, que “o caráter residual de seu valor decorre da forma de sua apuração. No caso de goodwill relacionado com super-lucros, seu valor resultava da diferença entre os super-lucros e os lucros normais e no caso da diferença do valor da empresa como um todo, em termos de capacidade potencial de produzir lucros futuros, e o valor dos ativos identificados e contabilizados enfatiza o resíduo dos ativos não contemplados pela contabilidade”. Segundo o The Chartered Institute of Management Accountants (CIMA), o mais importante instituto de contadores gerenciais do Reino Unido, em sua Terminologia Oficial de Contabilidade Gerencial (1996, p.87) “goodwill é definido como a diferença entre o valor de um negócio em sua totalidade e a soma dos ativos individuais avaliados por seu valor justo”. Outros autores têm se posicionado quanto a sinergia que se forma no todo da empresa que cria um valor maior da empresa como um todo, em relação a soma dos seus ativos individuais, formando o goodwill, inclusive que as empresas ao escolherem ativos o fazem buscando aqueles que terão o maior valor subjetivo, isto é, o ativo individual no mercado tem um valor, mas para a empresa, na composição com outros ativos, tem um valor superior.

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Kohler apud Vieira, Dias e Castro Neto (1994, p.45), acrescenta:
se a empresa busca maximizar lucros, está claro que ela deve selecionar a composição de ativos que, aos olhos do administrador, tenha o maior valor subjetivo.

“Sob esse conceito da sinergia dos ativos, mesmo que se tenha identificado e mensurado economicamente todos os ativos tangíveis e intangíveis, a soma individual seria menor do que a soma de seu conjunto” (Monobe, 1986, p.61). Segundo Iudícibus (1997, p.205):
O goodwill tem sido considerado sob tripla perspectiva: a) como o excesso de preço pago pela compra de um empreendimento ou patrimônio sobre o valor de mercado de seus ativos líquidos; b) nas consolidações, como o excesso de valor pago pela companhia-mãe por sua participação sobre os ativos líquidos da subsidiária; e c) como o valor atual dos lucros futuros esperados, descontados por seus custos de oportunidade.

Não podemos deixar de entender goodwill com um ativo intangível diferente dos demais ativos identificáveis e que o mesmo tem sua existência ligada a continuidade da entidade e está sempre ligado a capacidade de geração de lucros da empresa. Caso o valor dos lucros futuros sejam menores que o valor econômico dos ativos da empresa, estamos diante de um goodwill negativo ou Badwill. É sabido que a Contabilidade Financeira reconhece e contabiliza o g oodwill apenas quando ocorre a compra de uma empresa, pois nesta situação impera o princípio contábil do custo como base de valor,além de fatores como o reconhecimento pelo mercado do valor do goodwill. A contabilização do goodwill formado internamente não tem sido aceita pela sua subjetividade. 1.2 Classificação do Goodwill Conforme Coyngton (apud Martins, 1972, p.74), o goodwill assume a seguinte divisão:  goodwill comercial: criado em função, exclusivamente, de toda a empresa, independentemente das pessoas proprietárias ou administradoras;  goodwill pessoal: decorrente de uma ou várias pessoas que integram a empresa, sendo proprietária(s) ou administradora(s);  goodwill profissional: desenvolvido por uma classe profissional que cria uma imagem que a distingue dentro da sociedade, propiciando condições de alta remuneração, como no caso dos médicos, advogados e contadores em alguns países;  goodwill de nome ou marca comercial: ocasionado pela imagem do nome da empresa que produz o produto ou da marca sob a qual é comercializado. Segundo Paton e Paton (apud Martins, 1972, p.73), a classificação de goodwill é a seguinte:  goodwill comercial: decorrente de serviços colaterais, como equipe cortês de vendedores, entregas convenientes, facilidade de crédito, de-

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pendências apropriadas para serviço de manutenção, qualidade do produto em relação ao preço, atitude e hábito do consumidor como fruto de nome comercial e marca tornados proeminentes em função de propaganda persistente, localização da firma;  goodwill industrial: decorrente de altos salários, baixo turnover de empregados, oportunidades internas satisfatórias para acesso a posições hierárquicas superiores, serviço médico, sistema de segurança adequado, desde que tais fatores contribuam para a boa imagem da empresa e também para a redução do custo unitário de produção em virtude da eficiência de uma força de trabalho operando nessas condições;  goodwill financeiro: derivado da atitude de investidores e de fontes de financiamento e de crédito em virtude de a empresa possuir sólida situação para cumprir suas obrigações e manter sua imagem ou, ainda, obter recursos financeiros que lhe permitam aquisições de matéria-prima ou mercadorias em melhores termos e preços;  goodwill político: em decorrência de boas relações com o Governo.

1.3 Fatores que geram o Goodwill
O goodwill decorre basicamente de alguns fatores tais como: a) recursos humanos bem preparados; b) produtos de qualidade reconhecida; c) boas parcerias com fornecedores; d) outros fatores que favoreçam a entidade. Ao se observaros fatores responsáveis pela formação do g oodwill, segundo Catlett e Olson (apud Martins, 1972, p.75), e pela formação do Capital Intelectual, segundo Brooking (1996, p.17), podem ser identificados vários pontos em comum, conforme visto a seguir: Fatores que geram o goodwill:  administração superior;  organização ou gerente de vendas proeminentes;  fraqueza na administração do competidor;  propaganda eficaz;  processos secretos de fabricação;  boas relações com os empregados;  crédito proeminente como resultado de uma sólida reputação;  excelente treinamento para os empregados;  alta posição perante a comunidade, conseguida por meio de ações filantrópicas e participação em atividades cívicas por parte dos administradores da empresa;  desenvolvimento desfavorável nas operações do competidor;  associações favoráveis com outra empresa;  localização estratégica;  descoberta de talentos ou recursos;  condições favoráveis com relação aos impostos;  legislação favorável. É relevante observar que os autores admitem a impossibilidade de listar todos os fatores e condições em virtude da própria natureza do goodwill. 1.4 Reconhecimento do Goodwill O goodwill normalmente é reconhecido como ágio ou deságio quando de aquisição de outras empresas, ou seja de participações societárias. Em geral pode-se dizer que na prática o goodwill é reconhecido como:

p. também relata sobre o tratamento que a contabilidade vem dispensando ao mesmo. = taxa de retorno de um investimento de risco zero. por apresentar o recebimento de Pli um risco nulo (está avaliado a valor de realização). como o excesso de valor pago pela companhia-mãe por sua participação sobre os ativos líquidos da subsidiária b) goodwill subjetivo: O goodwill subjetivo foi definido por Iudícibus “como o valor atual dos lucros futuros esperados. descontados por seus custos de oportunidade” (1997. Monobe (1986. r Li Simbolizando teríamos: avaliado no momento zero. devido a problemas de objetividade.  nas consolidações.205). Iudícibus (1997. p. cada diferença é dividida pela taxa desejada de retorno (ou custo de capital). Sob outro aspecto. são usualmente debitados a despesa. taxa de descontos ideal a utilizar para a apuração do valor atual. afirmando que a contabilidade tem registrado o g oodwill adquirido. Como o goodwill é basicamente a diferença entre o valor da empresa em termos de capacidade de geração de lucros. . 1. Para Iudícibus (1997. p. O goodwill formado internamente não registrado pelas empresas segundo Iudícibus (1997. na medida em que os ativos não identificados e/ou contabilizados vão aumentando proporcionalmente aos demais ativos.63) afirma que: A tendência é o crescimento gradativo da importância do goodwill.205). o goodwill subjetivo é a valorização extra de ativos decorrente de:  investimentos em seu pessoal: Treinamento de pessoal ou outras formas de valorização profissional. c.44 a) goodwill adquirido: Ágio ou deságio na aquisição de investimentos. = lucro projetado para o período i. b. com a sofisticação dos negócios. comparada com o valor dos seus ativos. estimativa dos lucros futuros esperados pela empresa. descontados por seus custos de oportunidade.205) ao fazer considerações sobre a classificação do g oodwill. mas que o goodwill subjetivo.5 Mensuração do Goodwill Como vimos o goodwill normalmente é reconhecido quando da aquisição de empresas e. multiplicado pela taxa de custo de oportunidade (investimento de risco zero). aplicável a um PL. p. menos o valor do patrimônio líquido expresso a valores de realização no início de cada período. alguns dados são necessários para encontrá-lo: a. p.205) o goodwill adquirido decorre:  do excesso de preço pago pela compra de um empreendimento ou patrimônio sobre o valor de mercado de seus ativos líquidos. nestes casos. seria apurado: pela diferença entre o lucro projetado para os períodos. A taxa de custo de oportunidade.  gastos com propaganda e marketing. PL0 = patrimônio líquido a valores de realização (tangíveis e intangíveis identificáveis). valorização do ponto de localização. é considerado como ágio ou deságio sobre investimentos. aquele que se origina como o valor atual dos lucros futuros esperados. identificação e mensuração do valor econômico dos seus ativos e.

Uma outra corrente entende que o goodwill como potencial de serviços pode desaparecer e portanto o mesmo deve ser amortizado pela sua vida útil.. sendo seu valor ajustado.equivalência patrimonial baseada em demonstrações contábeis elaboradas nos termos do artigo 10.. Dias e Castro Neto (1994. respectivamente.. . e que.ágio ou deságio na aquisição ou na subscrição... a cada exercício. o custo de aquisição de investimento em coligada e controlada deverá ser desdobrado e os valores resultantes desse desdobramento contabilizados em sub-contas separadas: I . que deve ser superior à taxa r. através da instrução nº 247. . e que o goodwill interno pode continuar sendo gerado.1 (1 + J) i Isto é válido para todos os períodos. pois o lucro Li é gerado por elementos tangíveis e intangíveis. Outros entendem que o mesmo deva permanecer como um ativo pois pode ter vida indefinida..rPL i .1 (1 + J) n Outra alternativa de encontrar o goodwill é pela técnica do orçamento de capital equivalente ao valor atual líquido. Recentemente. e II . + Ln – rPLn .. Vieira. . faz-se necessário incluir notas explicativas nos demonstrativos contábeis..6 Amortização do Goodwill Uns entendem que o goodwill adquirido deve ser baixado diretamente contra o patrimônio líquido. face a subjetividade presente. 13 . representado pela diferença para mais ou para menos. de maneira que a expressão geral para o goodwill seria (em seu valor atual): L1 – rPL0 Lucro em excesso ( valor atual) = L2 – rPL1 + 2 1+J (1 + J) +.Para efeito de contabilização.. a CVM determinou que: Art. 1. A fórmula para expressar o lucro em excesso no período i é: Lucro em excesso ( valor atual) = Li .7 Tratamento do Goodwill segundo a legislação brasileira A Lei 6404/76 e a CVM não tratam do g oodwill diretamente.. o risco é maior.. em função de novas expectativas de geração de resultados”.47) entendem que: “tanto o goodwill adquirido como o gerado internamente deveriam ser mantidos como ativos. a menos que desapareça o seu valor. fazendo menção ao agio e deságio na aquisição de investimentos. . 1. p.45 J = taxa desejada de retorno. logo teremos de adicionar a r um prêmio pelo risco. entre o custo de aquisição do investimento e a equivalência patrimonial..

este será amortizado a medida que os resultados forem ocorrendo. através do International Accounting Standard (IAS) 22. previstos nos parágrafos 1º e 2º. a CVM através da instrução nº 247 assim determina: Art. fundo de comércio e outras razões econômicas..No caso do ágio referido no parágrafo anterior. intangível e outras razões econômicas. b) baixando-o contra o patrimônio líquido no momento da aquisição. Parágrafo 4º . deverá ser amortizado no prazo e na extensão das projeções que o determinaram ou pela baixa por alienação ou perecimento do investimento. Parágrafo 2º . Segundo a Legislação brasileira o ágio e deságio devem ser fundamentados e são os seguintes: a. mas que o mesmo deva ser amortizado contra a receita em uma base sistemática ao longo de sua vida útil. e. esclarecendo-se em nota explicativa as razões da sua existência. deverá ser amortizado na proporção em que o ativo for sendo realizado na coligada e controlada.O ágio ou deságio decorrente de expectativa de resultado futuro. . pois representa um pagamento feito como antecipação dos resultados futuros. e c. b. por depreciação.8 Tratamento do Goodwill segundo IASC – IAS 22 O IASC.. amortização. será amortizado na mesma proporção que os bens que deram origem ao mesmo são amortizados e.O ágio não justificado pelos fundamentos econômicos. ágio ou deságio por fundo de comércio. a CVM determina que o mesmo seja lançado diretamente como perda. 14 –. Quanto ao ágio decorrente da terceira hipótese..O ágio ou deságio decorrente da diferença entre o valor de mercado de parte ou de todos os bens do ativo da coligada e controlada e o respectivo valor contábil. segundo determinação da CVM pela instrução nº 247. Parágrafo 3º . De maneira geral. o ágio ou deságio será amortizado de acordo com o fundamento que o gerou.. ágio ou deságio por valor de rentabilidade futura. admitiu duas alternativas de tratamento do goodwill: a) tratando-o como um ativo..O ágio ou deságio computado na ocasião da aquisição ou subscrição do investimento deverá ser contabilizado com indicação do fundamento econômico que o determinou. Sendo o mesmo decorrente da diferença de valor de mercado dos bens. 1. no resultado do exercício. Parágrafo 1º .46 Art. deve ser reconhecido imediatamente como perda. 14 . exaustão ou baixa em decorrência de alienação ou perecimento desses bens ou do investimento. ou seja. ágio ou deságio pela diferença de valor de mercado dos bens. o prazo máximo para amortização não poderá exceder a 10 (dez) anos. a sua amortização somente poderá ser contabilizada em caso de baixa por alienação ou perecimento do investimento.Quando houver deságio não justificado pelos fundamentos econômicos previstos nos parágrafos 1º e 2º. Quanto a amortização do ágio ou deságio. Parágrafo 5º . sendo o ágio decorrente da expectativa de rentabilidade futura.

1.2 Dinamarca O goodwill. sem transitar pelo resultado do período. abr/jun.9. Sérgio de. Teoria da Contabilidade.9. dentro do respectivo período contábil. v.9 Tratamento do Goodwill em diversos países 1. Referências Bibliográficas CASTRO NETO. Em caso de aquisições estratégicas. 1. 183 p.4 Holanda De acordo os princípios contábeis holandeses. Massanori. o prazo de amortização é de 15 anos.9. em lucros retidos ou amortizado durante o prazo da vida econômica útil do ativo. e CASTRO NETO. o lançamento do valor do goodwill pode ser lançado diretamente no patrimônio líquido. o goodwill pode ser debitado diretamente no patrimônio líquido. . 5ª ed. variando esse tempo de 5 a 20 anos.23. VIEIRA.1 Alemanha O goodwill pode ser debitado diretamente no patrimônio líquido ou capitalizado e amortizado durante sua vida útil.INTERNATIONAL ACCOUNTING STANDARD. Goodwill. o goodwill pode ser capitalizado e amortizado até um prazo máximo de 20 anos. Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo. 1. Embora esse tempo não costume exceder a 10 anos.5 Itália Pelos padrões contábeis italianos. (Tese de Doutoramento) – Faculdade de Economia. p. Revista do CRCRS. 1997. José Luis de. Para fins fiscais. José Luis de.3 Espanha Geralmente as empresas espanholas amortizam o goodwill pelo prazo de 5 a 10 anos.9. DIAS. Porto Alegre: CRCRS. 42-50.1994. n.6 Reino Unido Pelos princípios contábeis ingleses. segundo os princípios contábeis. a maior parte das empresas costuma lançá-los diretamente no patrimônio líquido. MONOBE.47 1. 1. INSTRUÇÃO CVM Nº 247. no patrimônio líquido. Contribuição ao estudo da prática harmonizada da contabilidade na União Européia (Tese de doutoramento). 1986.9. David G. Intangible Assets – IAS 38.9. 1. Celso Vanderlei. pode ser lançado diretamente contra reservas. o goodwill pode ser abatido das reservas. São Paulo: FEA/USP. 1998 IUDÍCIBUS. Contribuição a Mensuração e Contabilização do Goodwill não adquirido: São Paulo. São Paulo: Atlas. abatendo de alguma reserva. Pelos princípios contábeis espanhóis o goodwill negativo deve ser creditado em uma conta específica do passivo. IASC. 1998. 77.

o Balanço Patrimonial e a Demonstração de Resultado do Exercício são uma distribuição lógica e racional ao longo do tempo do fluxo de caixa da empresa.48 Tema 7 DEMONSTRAÇÃO DOS FLUXOS DE CAIXA A principal função de uma Demonstração dos Fluxos de Caixa é proporcionar informações relevantes sobre as movimentações de entrada e saída de numerário (caixa) de uma entidade em um determinado período ou exercício. representa valores a desembolsar futuramente. incluindo-se nesse conceito as contas-correntes bancárias. Esta demonstração visa refletir. O ativo.etc. captação de empréstimos e amortização e remuneração. direitos que estão para transformar-se em caixa. O principal objetivo da demonstração do fluxo de caixa é dar uma visão das atividades desenvolvidas. . como mencionado. Podem ser distinguidas duas fontes de caixa. além das disponibilidades e das aplicações financeiras de caixa efetuadas. Objetiva demonstrar as variações ocorridas no caixa da empresa. possui bens que estão representando o montante de caixa desembolsado ou a ser desembolsado em função de sua aquisição. A Demonstração dos Fluxos de Caixa pode ser apresentada pelo método direto e método indireto. Dentro das atividades operacionais se encontram: recebimento de vendas. Logo. b) atividades de investimentos. As fontes internas são. cobrança de vendas a prazo. as transações de caixa que por seu turno são oriundas de: a) atividades operacionais. bem como das operações financeiras realizadas diariamente no grupo do ativo circulante. pagamento a fornecedores por compra de materiais. aquisições/vendas de participações em outras entidades e de ativos utilizados na produção. As fontes externas são. constam receitas que foram ou serão recebidas em forma de dinheiro e despesas que foram ou serão pagas da mesma forma. O passivo. interna e externa. Na Demonstração do Resultado do Exercício. por exemplo. vendas de ativo permanente. o Balanço como um todo possui ligação com o Fluxo de Caixa. instituições financeiras e governo. Para Martins (1989). c) atividades de financiamentos. As atividades de investimentos compreendem: transações com ativos financeiros. fornecedores. pagamento a funcionários . dentro das disponibilidades. o lucro acaba transitando pelo caixa da empresa. por exemplo. Consequentemente. Nas atividades de financiamentos estão contemplados: captação de recursos de acionistas/cotistas e retorno em forma de lucros ou dividendos. as vendas à vista. e que representam o grau de liquidez da empresa.

como ocorre no método indireto.000 300 6.050 14.700 2.31.300 5. Demonstração de Resultado do Exercício e Análise das Contas da Comercial “ABC”.000 2.Duvidosos Mercadorias Seguros a Vencer ATIVO PERMANENTE Móveis e Utensílios Deprec.000 -200 2.500 6.900 31/12/X0 1.000 -4.800 400 3.Acumulada Veículos Deprec.350 1. os recursos provenientes das atividades operacionais são demonstrados a partir do lucro líquido. pode-se elaborar a Demonstração dos Fluxos de Caixa pelos métodos direto e indireto.12.500 5.200 4. LÍQUIDO 800 2.300 -300 9. são demonstrados os recebimentos e pagamentos oriundos das atividades operacionais da empresa em vez do lucro líquido ajustado.200 500 -50 2.49 No método direto.250 2.700 -1.250 1.000 2.200 200 12.000 -200 800 6.300 5.000 500 2.900 7. COMERCIAL ABC BALANÇOS PATRIMONIAIS 31/12/X1 ATIVO CIRCULANTE Caixa Clientes Prov. Através dos dados do Balanço Patrimonial.Dev. Acumulada TOTAL DO ATIVO PASSIVO CIRCULANTE Fornecedores Salários e Encargos a pagar Dividendos propostos a pagar EXIGÍVEL A LONGO PRAZO Debêntures a pagar PATRIMÔNIO LÍQUIDO Capital realizado Reservas de lucros TOTAL DO PASSIVO + PATRIM.550 6.100 1. ajustado pelos itens considerados nas contas de resultado.000 4. porém sem afetar o caixa da empresa. Pelo método indireto.X1 Receitas de Vendas Custo das Vendas Lucro Bruto Despesas Operacionais Devedores Duvidosos Despesas com Seguros Depreciações Receitas Operacionais Lucro Operacional Resultado não Operacional Lucro Líquido 10.000 -400 2.800 -300 -300 -250 2.550 14.250 .900 300 1.900 2.000 3.400 DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO .

600 300 1.500 -9.200 3.300 2.Recebimentos de Clientes Saldo inicial de clientes Receitas de vendas Créditos incobráveis Saldo final de clientes Recebimentos de clientes 2 .50 ANÁLISE DAS CONTAS 1 .300 10.800 12.200 -3.900 11.500 2.200 4.000 11.700 -300 300 200 200 1.Pagamentos de Despesas Operacionais Saldo inicial de salários e encargos a pagar Despesas operacionais Saldo final de salários e encargos a pagar Pagamentos de despesas operacionais 4 .Pagamentos de Dividendos Saldo inicial de dividendos propostos a pagar Dividendos propostos Saldo final de dividendos propostos a pagar Pagamentos de dividendos 3.500 -1.Pagamentos de Seguros Saldo inicial de seguros a vencer Despesas com seguros Saldo final de seguros a vencer Pagamentos de seguros 5 .000 -200 -2.Pagamentos a Fornecedores Estoque inicial de mercadorias Compras de mercadorias Estoque final de mercadorias Custo das Vendas Saldo inicial de fornecedores Compras de mercadorias Saldo final de fornecedores Pagamentos a fornecedores 3 .500 900 .800 -400 1.000 10.

Método Indireto 31/12/X1 ATIVIDADE OPERACIONAL $ Lucro líquido (+) Depreciação Acrescimos (-)/ Decréscimos (+) do AC Clientes Devedores duvidosos Mercadorias Seguros a vencer Acréscimos (+)/Decréscimos (-) do PC Fornecedores Salários e Encargos a pagar CAIXA DAS OPERAÇÕES ATIVIDADE DE FINANCIAMENTO Pagamento de dividendos Recebido por emissão de debêntures CAIXA ATIVIDADES DE FINANCIAMENTO ATIVIDADE DE INVESTIMENTO Pagamento p/compra de Móv.Utensílios Pagamento p/aquisição de veículo CAIXA ATIVIDADES DE INVESTIMENTO MOVIMENTAÇÃO DO CAIXA NO PERÍODO SALDO INICIAL DE CAIXA SALDO FINAL DE CAIXA DEMONSTRAÇÃO DOS FLUXOS DE CAIXA .Método Direto ATIVIDADE OPERACIONAL Recebimentos de clientes Pagamentos a fornecedores Pagamentos de despesas operacionais Pagamentos de seguros Recebimentos de outras receitas operacionais Recebimentos não operacionais CAIXA DAS OPERAÇÕES ATIVIDADE DE FINANCIAMENTO Recebido por emissão de debêntures Pagamento de dividendos CAIXA DAS ATIVIDADES DE FINANCIAMENTO ATIVIDADE DE INVESTIMENTO Pagamento por compra de móveis e utensílios Pagamento por aquisição de veículos CAIXA DAS ATIVIDADES DE INVESTIMENTO VARIAÇÃO LÍQUIDA NO DISPONÍVEL SALDO INICIAL SALDO FINAL $ .51 DEMONSTRAÇÃO DOS FLUXOS DE CAIXA .

as empresas atingidas começaram sistematicamente a divulgar e publicar todas as suas atividades sociais. mencionam que a Responsabilidade Social da empresa consiste na sua “decisão de participar mais diretamente das ações comunitárias da região em que está presente e minorar possíveis danos ambientais decorrentes do tipo de atividade que exerce”. com a qualidade dos produtos e a conseqüência de sua utilização. terá falhado. pois visa produzir algo ou prestar algum serviço. um empresário comenta (Gazeta Mercantil de 18/09/97): .estar da comunidade em que a empresa estava inserida. defesa de grupos minoritários”. que se tornam objeto de troca. fundamento da vida econômica.80). em 1961. Referindo-se a Responsabilidade Social. Igualmente a empresa é uma realidade social. Naturalmente.75): “As organizações têm se voltado para problemas que vão além das considerações meramente econômicas. assistência médica e social. p. p. iniciaram um grande movimento de contestação que propunha. das ações das companhias abertas que estavam contribuindo de alguma forma para o conflito. também. o boicote à aquisição de bens e. segurança e qualidade dos produtos. Melo Neto e Froes (1999. portanto. Em primeiro plano a empresa é uma realidade econômica. teve origem cristã com a promulgação da encíclica papal “Mater et Magister”. tais como proteção ao consumidor. Outro movimento que contribuiu para o tema Responsabilidade Social. envolvendo preocupações de caráter político-social. formalmente. de relatórios contendo informações relacionadas às iniciativas em favor dos trabalhadores e do bem. de tal sorte que nenhuma tarefa criadora é realizada na empresa sem a vontade e iniciativa do homem. atingindo um aspecto muito mais amplo. se uma administração não produz resultados econômicos e não suprir os consumidores com bens e serviços a preços adequados. Em resposta. por parte das empresas. Para tais atividades a empresa necessita investir e. como decorrência de uma reunião da Union Internationale Chrétienne de Dirigeants d’Enterprise (UNIPAC) ocorrida em Bruxelas. com os efeitos diretos de sua atividade sobre o bem-estar da comunidade. suas intenções com a sociedade. espera retornos adequados para garantir sua viabilidade. p. Na verdade trata-se da tríplice realidade da empresa. expressas em atividades comunitárias e filantrópicas). até mesmo. uma realidade humana. De acordo com Donaire (1995. num complexo de atos humanos.52 Tema 8 RESPONSABILIDADE SOCIAL E BALANÇO SOCIAL 1 Responsabilidade Social Para Gonçalves e Six (1979). na medida em que deve se preocupar com a preservação do meio ambiente.13-4) apud Santos e Silva (1999. controle da poluição. O surgimento da noção de Responsabilidade Social da empresa deu-se por volta dos anos 60. entre outros. A empresa é. numa empresa se encontram mesclados diferentes componentes que formam sua realidade. especialmente. pois consiste. quando grupos civis que eram contrários ao engajamento dos USA na Guerra do Vietnã. Este documento enfatizava a divulgação.

se assim entendem oportuno. Referindo-se a Responsabilidade Social. melhorando. o profissional da contabilidade tem como responsabilidade maximizar a utilidade da informação contábil.88). a empresa gira em função da sociedade e do que a ela pertence. finalmente. utiliza capitais financeiros e tecnológicos que no fim da cadeia pertencem às pessoas físicas e. renováveis ou não. devendo em troca. o Banco Bilbao Viscaya/Argentaria da Espanha. empenho e lealdade. contribuir para o seu bem estar e. ganhar sua dedicação.53 “Uma empresa consome recursos naturais. A Responsabilidade Social interna está diretamente ligada aos funcionários e seus dependentes. compreendê-la e. seleção. a qualidade de vida de seus empregados e de suas famílias. em seu Balanço Social de 1979/1981 menciona: “Responsabilidade Social: nela se baseia a transparência. direta ou indiretamente. levando em conta o fato de que um funcionário motivado aumenta sua produtividade. criar um ambiente de trabalho agradável. de imagem e publicitário aos acionistas. que são enorme patrimônio gratuito da humanidade. de modo que a sociedade e os distintos núcleos sociais. a consciência da responsabilidade impõe ao grupo o dever de comunicar com exatidão e diligência os dados de sua atividade. reunidos em 1998 na Holanda. Com efeito. Sobretudo deve servir para projeções futuras sobre a posição patrimonial e de resultados das entidades. treinamento e manutenção do pessoal. criticála”. subsiste em função da organização do Estado que a sociedade lhe viabiliza como parte das condições de sobrevivência. como conseqüência. saúde. prestar-lhe contas da eficiência com que usa todos esses recursos”. assistência social e ecologia.3 Responsabilidade social do profissional contábil Segundo Schwez (2000). a empresa deve atuar tanto em relação ao público interno como externo. 1.1 Responsabilidade Social interna e externa Para um efetivo exercício de cidadania empresarial. que se relacionam conosco possam avaliar nossa tarefa. também utiliza a capacidade de trabalho da sociedade. p. procurando atender as demandas de informação dos distintos usuários. Não se pode mais conviver com uma posição em que a contabilidade seja simplesmente um “retrato histórico da situação passada da entidade” (p. A Responsabilidade Social externa atende a comunidade através de ações sociais voltadas às áreas de educação. 1. consequentemente. simultaneamente. chegaram a um novo conceito de Responsabilidade Social das empresas: “Responsabilidade Social corporativa é o comprometimento permanente dos empresários de adotar um comportamento ético e contribuir para o desenvolvimento econômico. Assim. no mínimo.2 Responsabilidade Social corporativa Representantes de diversos países. 1.35). cabendo a empresa motivá-los. 1999. . Essas ações compreendem programas de contratação. da comunidade local e da sociedade como um todo” (Melo Neto e Froes. à sociedade. permitindo um bom retorno social. e demais benefícios como participação nos resultados e atendimento aos dependentes.

das relações entre entidade. tornando-se parte integrante da Contabilidade Social. configurando-se numa demonstração para a sociedade e não da sociedade”.br/). ambiente e outros.fides.Contribui para soluções . aos empregados e à comunidade. que a expressão Balanço Social apresenta um inconveniente e imprecisa na medida em que não designa claramente o que quer significar. Nesse caso os termos contabilidade ou informação social seriam mais precisas.Exige tratamento justo b) Capaz . fazendo com que busque um desenvolvimento de profissional de valor. de que a empresa deva tratar apenas de produzir e obter lucro. na medida em que reúne dados quantitativos e qualitativos a respeito das políticas administrativas.). sem preocupar-se com a satisfação de seus funcionários e com ambiente externo. que poderão ser comparados de analisados tendo em vista as necessidades dos usuários internos.br/).Busca contínua de aperfeiçoamento . social e ecológica. no espaço temporal passado/presente/futuro. comenta que o fazer e publicar o Balanço Social traduz-se numa mudança da visão tradicional. que cresce o papel social do serviço prestado pelo profissional da contabilidade. Deve pôr em evidência a contribuição levada ao homem. . menciona no “Relatório de gestão e balanço social”. J.É agente de mudanças c) Questionador .org.Traz resultados / tem liderança .C. O Balanço Social trata da representação das atividades da empresa a serviço da comunidade. Referido autor diz que antes de ser uma demonstração endereçada à sociedade. os efeitos dessa interação dirigem-se aos gestores.Questiona e exige . Welbergen (www. sendo que. Balanço Social Para Ciro Torres (op. pois não se trata de um balanço no sentido estrito da palavra. caracterizado por: a) Competência . para uma visão mais moderna que exige a incorporação da responsabilidade social nos objetivos da empresa. conceitua Balanço Social como “a demonstração dos gastos e das influências (favoráveis e desfavoráveis) recebidas e transmitidas pelas entidades na promoção humana.Preocupa-se com a profissão 2.cit. o Balanço Social é uma ferramenta gerencial. servindo como instrumento de controle e auxílio para tomada de decisões e adoção de estratégias.Conhecimento e respeito às suas obrigações .Conversa / sugere .ibase. Kroetz (1999). João Sucupira (www. a função principal do Balanço Social de uma empresa é tornar público sua responsabilidade social.Assume riscos e responsabilidades .org.54 E é justamente a partir das mudanças ocorridas com a globalização dos mercados e da economia.

menciona que o Balanço Social. etc..179. O reflexo na sociedade se dá em forma de redução de emissão de poluentes. devem ser acrescentadas às informações prestadas pelas demonstrações contábeis tradicionais. Esta alteração se reflete na sociedade. Quando uma empresa recolhe encargos ao governo. isto é. Quando uma empresa incorre em gastos que resultem em benefício do meio ambiente. Mer (1998) constata que o Balanço Social. . Estuda os reflexos das variações patrimoniais nas empresas. 2.. O reflexo na sociedade se dá através da distribuição de parte da riqueza que gerou ao governo.179. o Balanço Social deve reunir as ações voltadas para o bem-estar. são mais bem vistas e mais valorizadas pelos investidores. a contabilidade não evidencia completamente a situação das entidades. seja em regiões onde atua.. Gressi (1997.. Quando uma empresa incorre em despesas referentes a pessoal. segurança e desenvolvimento de empregados e familiares. no mundo globalizado em que vivemos. p. ou seja.). podem ser reforçado por meio de mídias eletrônicas (vídeo. que auxiliem os usuários na compreensão do conteúdo. 3. Em qualquer formato.55 A contabilidade social é uma parte da ciência contábil que objetiva o estudo das relações entre a empresa e a sociedade. 4. aumentando a qualidade de vida da sociedade.. voltados para a melhoria da qualidade de vida das pessoas na sociedade. usuários de seus serviços. ocorre um reflexo na sociedade pois estas entidades têm como função o desenvolvimento de atividades que trazem benefício a grupos da sociedade. extensão significado e perspectivas nelas apontadas. Quando uma empresa patrocina uma entidade filantrópica. comunidade.”. o seu patrimônio é alterado. as empresas observam que as mesmas têm um efeito psicológico no mercado. Já num sentido mais específico. de forma mais específica sobre os funcionários 2.. e são demonstradas através do Balanço Social. fornecedores. altera seu patrimônio.1 Públicos do Balanço Social Segundo Gressi (1997. p. seja no seu próprio ambiente interno. entretanto. empregos diretos e indiretos. é uma importante ferramenta de marketing. como se relacionam com seus empregados. contatos diretos (palestras.. que podem ser um folheto impresso. Estas alterações e outras informações de cunho social fazem parte da contabilidade social. “num sentido amplo.. Chama-se a isso de Balanço Social (Tinoco. imagens dinâmicas. imprensa e relatório anual. na sociedade e no meio ambiente (IOB. matéria ou encarte em publicações ou revista. 10/99): 1. Empregados e familiares: Além de beneficiários diretos e multiplicadores das ações da empresa. podemos nos referir aos formatos usados para veicular esses investimentos. visitas e encontros). investimentos e participação da empresa ou setor. investimentos em reconstituição e/ou preservação ambiental que minimizem impactos das suas operações. contribuições e participação social. Ao evidenciar informações que não são estritamente de caráter financeiro (por exemplo de caráter ambiental).1984). o qual a utiliza em favor da sociedade. Da forma como é feita no Brasil. o seu patrimônio é alterado. além de sua característica intrínseca. cd-rom). impostos gerados para regiões onde opera e outras formas de participação social.) são públicos do Balanço Social: 1. não capta sua inserção na vida social.. deve ser analisado como o agrupamento ou conjunto quantificado das contribuições. apoio social e cultural às comunidades nas quais atua. é fundamental que tenham referências suficientes para a devida compreensão da importância dos investimentos sociais.

Trata-se da Lei nº 77. sob o aspecto da empresa como elemento de criação e distribuição de valor ou riqueza. 1. Empresa < > Sociedade. devendo a empresa. condições de vida do empregado pago e de seus dependentes. “A consolidação dos ideais propostos pela ADCE se deu com a declaração em 1974 do Decálogo do Empresário Cristão. além de sua função econômica de produtora de bens e serviços. uma vez que o Balanço Social constitui uma prestação de contas. 2. cujos dois primeiros princípios bem ilustram o papel da empresa. Comunidades: Além de beneficiárias diretas das ações sociais da empresa. portanto. 6. condições de higiene e segurança no trabalho. No Brasil.. segura e cidadã. Resumindo. atividades e racionalidade de nossas decisões. relações profissionais. um balanço de suas atividades sociais. 1997. na França.balancosocial. 4. É importante que sejam abordadas institucionalmente e também com a finalidade de prestar contas sobre os investimentos sociais feitos. ser abordada como público na veiculação do balanço social. Imprensa: Além de formador e multiplicador de opiniões junto à opinião pública. Mercado: Clientes. junto a estes públicos a imagem de uma empresa sólida. Acionistas: Por se tratar de investidores no negócio da empresa. Empresa < > Sociedade. além de serem cidadãos e membros de grupos e comunidades. Aceitamos a existência e o valor transcendente de uma Ética social e empresarial. 3. profissionais e empresariais do setor: São centros de decisão e multiplicadores de opinião. Empresa < > Meio ambiente 4. Em 1977. a cujos imperativos submetemos nossas motivações. Estamos convencidos de que a empresa. os seguintes tópicos: Dados relativos ao emprego. benefícios adicionais. ano em que foi constituída a Associação dos Dirigentes Cristãos de Empresa (ADCE). os jornalistas mantém relações com outros setores. Empresa < > Empregados 2. Mas somente em 1974 se encontram menções explícitas sobre Balanço Social (Rioli. Autoridades: Lideranças ambientalistas. remuneração e encargos. interesses. Esta lei abrange nas relações empresa <>empregados.56 2. em 1961. as comunidades podem exercer influência sobre assuntos de interesse da empresa junto à autoridades e a própria opinião pública como um todo. o Balanço Social abrange quatro vertentes de relacionamento entre empresa e sociedade: 1. 5. outras condições de vida e trabalho relevantes na empresa. tem a Função Social . verificou-se pela primeira vez a inclusão do tema Balanço Social sob a forma legal. O balanço social confere. que obriga a publicação anual do Balanço Social para empresas com mais de 300 trabalhadores.. com informações do ano corrente e dos últimos dois anos. p.2 Origens do Balanço Social Como menciona Ciro Torres (www. posta em prática em 1979.org. merecem uma consideração especial.198). 2. fornecedores e comunidade de negócios. outras condições de emprego. em 1971. Na França em 1972. a companhia alemã STEAG produziu uma espécie de relatório social. encontra-se o embrião do Balanço Social.769 de 12/07/77. além de instrumento que se destina a mostrar a repercussão dos investimentos sociais realizados.br/). sob a forma de ações sociais 3. a empresa SINGER fez o primeiro Balanço Social da história das empresas.

através da RAIS. fundações previdenciárias. cestas básicas e outros gastos com a alimentação dos empregados. programas de estágios (excluídos salários). percentagem de mulheres em cargos de chefia em relação ao total de cargos de chefia da empresa. Segurança do trabalho (valor dos gastos com segurança no trabalho. creches e outros benefícios oferecidos aos empregados. Estes foram os precursores. De acordo com Rioli (1997) somente em 1984 se tem notícia da publicação do primeiro Balanço Social no Brasil. relacionando em cada item os valores dos respectivos benefícios fiscais eventualmente existentes. número total de horas extras trabalhadas. assistência médica. lucro operacional. programas de medicina preventiva. mas somente para o Governo não sendo. evocando a responsabilidade social para as empresas. benefícios aos aposentados. 4. complementações. . Encargos Sociais pagos. 8. independente do número de funcionários. transportes. gastos com atividades recreativas. graças às atividades sociais e artigos publicados pelo sociólogo Herbert de Souza “Betinho”. relacionando em cada item. especificando cada item. total da remuneração paga a qualquer título às mulheres na empresa. lanches. especificando cada item. Este Balanço Social deve conter. 2. admissões e demissões durante o ano. relacionando em cada item os valores dos respectivos benefícios fiscais eventualmente existentes. nº mensal de empregados temporários. Atualmente tramita no Congresso Nacional um projeto de lei que prevê a obrigatoriedade de publicação do Balanço Social pelas empresas privadas com mais de 100 funcionários. relacionando em cada item. da empresa NITROFÉRTIL. reembolsos de educação. escolaridade. Alimentação do trabalhador (gastos com restaurantes. Há pelos menos três décadas as empresas brasileiras devem divulgar informações dos seus empregados. também na década de 80 e em 1992 o BS do Banespa. detalhando o total das remunerações e valor pago a empresas prestadoras de serviço). 3. portanto. 5. destacando os gastos com os empregados adolescentes. Mas foi somente no início da década de 90 que o tema Balanço Social começou a ser discutido no meio empresarial de forma ampla e efetiva. Outros benefícios (seguros –valor da parcela paga pela empresa. Dados da empresa (faturamento bruto. os valores dos respectivos benefícios fiscais eventualmente existentes. empresas públicas e sociedades de economia mista. valor da participação dos empregados nos lucros da empresa. os valores dos respectivos benefícios fiscais eventualmente existentes. programas de qualidade de vida e outros gastos com saúde. Seguiu-se o BS do Sistema Telebrás. Educação (valor dos gastos com treinamento profissional. 10. 9. Previdência privada (planos especiais de aposentadoria. outros gastos com educação e treinamento dos empregados. tiquete-refeição. discriminando a antigüidade na empresa. entre outras. sexo. gastos com biblioteca (excluído pessoal). 6. relacionando em cada item os valores dos respectivos benefícios fiscais eventualmente existentes. folha de pagamentos. Tributos pagos. nº de empregados por faixa etária. valor dos empréstimos aos empregados (só custo).57 que se realiza através da promoção dos que nela trabalham e na comunidade na qual deve integrar-se”. assinaturas de revistas. Dados dos empregados (nº empregados no início e final do ano. cor e qualificação dos empregados. as seguintes informações: 1. Saúde dos empregados (valor dos gastos com planos de saúde. valor do total das horas extras pagas. tornadas públicas. nº de dependentes menores. especificando os equipamentos de proteção individual e coletiva na empresa. bolsas escolares. 7.

O anexo 2 mostra o novo modelo (2000) proposto pelo IBASE. defesa civil. O anexo 1 apresenta o modelo de Balanço Social (1997) sugerido pelo IBASE.58 11. referente a 1997 e 1998 e o anexo 4 o Balanço Social de Calçados Azaléia S/A referente a 1997 e 1998. a Demonstração do Valor Adicionado (DVA) é um conjunto de informações de caráter econômico. o anexo 3 apresenta o Balanço Social da USIMINAS. o valor adicionado resulta da diferença entre o valor da produção/faturamento e os consumos intermediários (compras a outras empresas) num determinado período. Do ponto de vista contábil. numa empresa. empregados.320 340 130 850 300 550 . esportes. onde se apura se a empresa teve lucro ou prejuízo. Investimento na comunidade (áreas de cultura.180 Matéria Prima 600 Mão de Obra 260 Lucro Bruto (-) Despesas Financeiras (-) Impostos Lucro Líquido antes IR (-) Imposto de Renda Lucro Líquido do Exercício 860 1. Os valores mencionados no Balanço Social deverão ser apresentados relacionando-se o percentual de cada item em relação à folha de pagamento e ao lucro operacional da empresa. A avaliação do desempenho de uma empresa é obtida através da DRE. assistência social. normalmente se utiliza este valor e não o da produção. Dada a maior facilidade de obter-se informação do valor das vendas através da Demonstração do Resultado do Exercício (DRE). urbanização. apresentado em de Luca (1991) ilustra o que foi exposto. Esse resultado. financiadores e governo. Investimentos em meio ambiente (reflorestamentos. 12. saúde pública. os valores dos respectivos benefícios fiscais eventualmente existentes. revela somente a parte da riqueza gerada que pertence aos sócios ou acionistas. relacionando em cada item. habitação. educação. obras públicas e outros. Um exemplo. Trata-se de um relatório contábil que objetiva demonstrar o valor da riqueza gerada pela empresa e a sua distribuição. saneamento. sócios/acionistas. gastos com introdução de métodos não poluentes e outros gastos que visem à conservação ou melhoria do meio ambiente. no entanto. Empresa GAMA – Demonstração do Resultado do Exercício Vendas (-) CPV 2. 3 Demonstração do Valor Adicionado De acordo com de Luca (1991). relacionando em cada item os valores dos respectivos benefícios fiscais eventualmente existentes. despoluição. A DVA revela a riqueza gerada pelas atividades da empresa e apresenta de forma separada a parte devida a cada um dos componentes que participam da criação dessa riqueza. apresentado em geral com as informações do Balanço Social. segurança.

ICMS. gratificações. taxas e contribuições (IR. a apresentação da DVA evidenciando a distribuição da riqueza gerada pela empresa entre os investidores. encargos sociais (excluído INSS). existe desde 1991 em tramitação no Senado o Projeto de Lei nº 54 que prevê a instituição da obrigatoriedade de elaboração da DVA. considerando-se salários.59 A Demonstração do Valor Adicionado da empresa é o seguinte: Empresa GAMA – Demonstração do Valor Adicionado Vendas 2. lucros não distribuídos e juros sobre o capital próprio. transportes.Financ. comissões. com exceção do item “consumo intermediário” (materiais e serviços adquiridos de terceiros). Na Alemanha a DVA é parte integrante das demonstrações contábeis tradicionais e vem sendo utilizada por vários grupos empresariais.580 Distribuição: Empregados (MO) 260 Financiadores (Desp. IPTU. . IPI. b) Remuneração do capital A remuneração do capital é separada em duas partes. governo e a parcela reinvestida.180 (-) Custo dos Produtos Adquiridos de Terceiros (MP) 600 VALOR ADICIONADO 1. empregados. por todas as empresas obrigadas a efetuar escrituração contábil. No Brasil. assistência médica. ambas utilizadas na produção de bens e serviços: b.1) Capital próprio São considerados os dividendos.) 340 Governo (Impostos) 430 Sócios/Acionistas (LL) 550 1.2) Capital de terceiros Constituído pelos juros (remuneração do capital de terceiros pelo uso de empréstimos) e aluguéis (remuneração do capital de terceiros pelo uso de ativos fixos). honorários da diretoria e outros fatores relacionados com a remuneração do trabalho sob suas mais variadas formas. IOF e todos os demais tributos). participações nos resultados. um exemplo de como elaborar a DVA. II. 3. c) Governo Inclui todos os valores correspondentes a impostos. De Luca (1991) menciona que em 1975 foi publicado pelo IASC ( International Accounting Standards Committee) o documento intitulado The Corporate Report que recomenda entre outras coisas. apresenta no capítulo 6 de seu livro. planos de aposentadoria privada. no qual enfatiza que diversos valores que integram a DVA se obtém de contas usadas na própria contabilidade e que figuram nas demonstrações contábeis tradicionais.1 Como elaborar a DVA De Luca (1998). b.580 De acordo com Boletim IOB (12/99) a distribuição do valor adicionado é composta por: a) Remuneração do trabalho Significa a remuneração do fator de produção/trabalho.

As matérias primas devem ser divididas entre as adquiridas de fontes externas e as de fabricação própria e os serviços.000 (360.000) (347.376 182.494) 731.000) 4.000) (286.000 1.Reserva Legal Base para determinação dos dividendos Dividendos propostos (25% do lucro base) ($ milhares) 769.870 (38. diferentemente do que ocorre na DRE que apresenta o Custo dos Produtos Vendidos excluindo os referidos impostos.640) 722.202 Participação Estatutária dos Administradores Lucro Líquido do Exercício (5.110) 140.220 (332. Outro aspecto a considerar é que na DVA o valor dos materiais consumidos (insumos adquiridos de terceiros) deverá incluir os impostos incidentes sobre as compras (ICMS e IPI). entre aqueles realizados por terceiros e obtidos internamente.000) 630.692.672.000) 1.658) 769.870 De acordo com as Notas Explicativas que acompanham as demonstrações contábeis da empresa Delta.000 (25.107. Nas DRE estas estão agrupadas em despesas com vendas. Em 19x9.316.230.190) (4.000 3.800.000) 5. tornando quase impossível determinar-se externamente o valor adicionado da empresa.220 (333.000) (349.060 Lucro Antes do IR e da CSL Provisão para IR e CSL Resultado antes da Participação Estatutária 966. administrativas e financeiras.000 1.000 (24. Situação idêntica ocorre com as despesas.270) (220. gastos gerais de fabricação.000 (2. mão de obra.210. a seguinte DRE foi apresentada” (de Luca.000 966. 1998. “Suponhamos que a empresa Delta não elabore a DVA.160) 775.60 Normalmente a composição do custo dos produtos e/ou serviços vendidos não é evidenciada o que obriga sua segregação por tipo de custo – matéria prima. o cálculo dos dividendos propostos relativo ao exercício de 19x9 foi: Lucro Líquido do Exercício . p.020.500) 260.500 1.000) (413.107.400) 160.860 718.844 Nas Notas Explicativas são também identificadas as seguintes informações: .000 Custo dos Serviços Prestados Despesas/Receitas Operacionais Despesas Administrativas Despesas com Vendas Despesas Financeiras Receitas Financeiras Depreciações Equivalência Patrimonial Lucro Operacional (3.45-47): EMPRESA DELTA DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO Exercício 19x9 (em $ milhares) 19x9 Receita de Serviços Impostos e Contrib.000 (624. s/serviços Receita Líquida de Vendas Lucro Bruto 19x8 3.440.500 (243.

000 Estas informações adicionais permitem elaborar a Demonstração do Valor Adicionado.500 170.700 636.160 182.61 Custo dos Serviços Prestados Mão de Obra Materiais Serviços de Terceiros Despesas Administrativas Material de Escritório Energia Gastos Gerais Despesas com Vendas Comissões sobre Vendas Outras Despesas 19x9 2.176.844 587.110) 3.000 3.893.840 94.230.020.026 4.000 333.300 333.760 .870 Menos: Depreciação VALOR ADICIONADO LÍQUIDO Receitas Financeiras Equivalência Patrimonial VALOR ADICIONADO + GANHO PELA RIQUEZA GERADA POR TERCEIROS = VALOR ADICIONADO TOTAL DOS NEGÓCIOS Distribuição do Valor Adicionado Empregados Salários e Comissões Participação dos Administradores Financiadores Despesas Financeiras Governo Impostos e Contribuições Acionistas Dividendos Lucro Retido (Lucro + Ganho pela riqueza produzida por terceiros) 160.000 379.270 125.000 191.918.000 413.430) (25. EMPRESA DELTA DEMONSTRAÇÃO DO VALOR ADICIONADO Exercício 19x9 ($ miilhares) 19x9 Receita de Serviços Menos: Materiais Serviços de Terceiros Outros Materiais e Serviços VALOR ADICIONADO BRUTO 5.050.900 347.000 140.000 150.000 127.500 2.680.760 3.000 95.316.140 5.190 286.000 (333.000 4.400 956.270 72.000 113.000) (427.193.160 220.000 19x8 1.000 148.700) (636.760 2.193.100 196.

A importância da mineração para o desenvolvimento do Brasil – Balanço Social: como divulgar a contribuição das empresas à melhoria da qualidade de vida. A prática do balanço social da empresa. Almeida da. GRESSI. Contabilidade e Informação. Rio de Janeiro: Qualitymark Editora. Ano XXVIII. São Paulo: ABAMEC. 1998. Paula D. DE LUCA. KROETZ. Vladimir Antônio et. S. Revista Brasileira de Contabilidade.br/ WELBERGEN. Demonstração do Valor Adicionado: do cálculo da riqueza criada pela empresa ao valor do PIB.Paulo: FEA-USP. Dissertação de Mestrado. 1997. ano 2. Marcia Martins Mendes. Edição de 18/09/97. Balanço Social. nº 4. FEA/USP. A responsabilidade social da empresa: um enfoque ao balanço social. IOB – Boletim Temática Contábil. http://www. NETO. São Paulo.org. 11/99 e 12/99. J. FIPECAFI/FEA/USP. MER.53-58.org. nº 118.62 Referências bibliográficas: DE LUCA. http://www. SUCUPIRA. jul/set 1979. Revista de Administração de Empresas. RIOLI. Cesar Eduardo Stevens. São Paulo. João. As empresas e o meio ambiente. Francisco Paulo de Melo e FROES.17-29. Balanço Social: uma abordagem sócio-econômica da contabilidade.org. 1991. TORRES.ibase.fides. Unijuí. p. outubro/99. SANTOS. Marcia Martins Mendes. Odilanei Morais dos e SILVA. Responsabilidade social e cidadania empresarial: a administração do terceiro setor. Contabilidade Social. ed. Cesar.ibase. João Eduardo Prudêncio. Set/98. Elisane. Demonstração do Valor Adicionado. Ernesto Lima e SIX. Francis. GONÇALVES.C. 1984. http://www. Atlas. Jornal Gazeta Mercantil. Benoit. 10/99.br/ TINOCO. jul/ago 1999. Ciro. Revista Paulista de Contabilidade. 1999.br/ . al. pp.

Edvinsson & Malone (1998. fazendo com que o mesmo passasse a ser visto com muito interesse nos meios empresariais e acadêmicos.p.. É constituído por todo o arcabouço intelectual: conhecimento. como suplemento das Demonstrações Contábeis do grupo. É o conjunto de ativos que..” Para Stewart (1998. Em 1993 a empresa estruturou um modelo de 19 indicadores para a avaliação do capital intelectual. p. Peter Drucker em 1983 afirmava que “o conhecimento está tomando lugar do capital como força motriz nas organizações do mundo inteiro. e. “por capital intelectual entendese o conhecimento que pode ser convertido em lucro. passando a divulgá-lo a partir de 1995 aos seus acionistas. . maior grupo de serviços financeiros e de seguros da Também no início dos anos oitenta. projetos. mídia e comunicação.19) mencionam que o “capital intelectual é um capital não financeiro que representa a lacuna oculta entre o valor de mercado e o valor contábil de uma empresa”. na atualidade. processos. Jan Carendi e Leif Edvinsson. caracterizada pela força muscular e o recurso da terra. desenvolveram diversos trabalhos que tinham como foco o capital intelectual. 2 Conceituação Segundo Alvarez Lopez & Blanco Ibarra (2000. a primeira onda correspondeu à sociedade agrícola. O modelo de avaliação da SKANDIA tomou por base uma metodologia de avaliação de ativos intangíveis desenvolvida nas empresas do também grupo sueco Konrad e adotada por mais de 40 empresas suecas. que trazem benefícios intangíveis para as empresas e que capacitam seu funcionamento. fruto das mudanças nas áreas de tecnologia da informação.13) “capital intelectual é a soma do conhecimento de todos em uma empresa. apesar de não estarem refletidos nas Demonstrações Contábeis tradicionais. etc.63 Tema 9 CAPITAL INTELECTUAL 1 Considerações iniciais Alvin Toffler escreveu em 1980 que a evolução da humanidade passou por três momentos o quais chamou de “ondas”.p.” SKANDIA Assurance & Financial Services.1-16).” Brooking (1996. constituindo-se a informação no principal recurso econômico. Essa questão evoluiu de tal forma que a SKANDIA em 1991 criou uma Diretoria de Capital Intelecual a qual foi assumida por Edvinsson.p.12) conceitua capital intelectual como “uma combinação de ativos intangíveis. geram valor para a empresa. programas computacionais. informação. idéias. propriedade intelectual e experiência. utilizados para a geração de riqueza na empresa. vive-se a terceira onda que corresponde à sociedade do conhecimento e se caracteriza pelo poder do cérebro. o que lhe proporciona vantagem competitiva”. diretores da Escandinávia. Compreende invenções. a segunda onda correspondeu à sociedade industrial e evidenciou o poder da máquina e recursos das forças de produção e mercado. experiência geral.

habilidades. b) Qualificações profissionais Dizem respeito ao que o indivíduo realiza no seu ambiente de trabalho. consiste em atrair. A educação superior aumenta o nível de educação. capacidades e poder criativo dos membros da organização. ou por onde pode ser infectada a saúde da árvore de forma irreversível. para reforçar o conceito de capital intelectual. conceituou o capital intelectual como segue: “em termos de balanço. O principal desafio das empresas na atualidade. Por exemplo. ativos intelectuais são todos os itens baseados no conhecimento que a Companhia possui.64 Os autores utilizam uma árvore como metáfora. A Sociedade dos Contadores Gerenciais do Canadá – SMAC (1998). mas de grande importância uma vez que são estas que captam os elementos essenciais de sobrevivência da árvore como umidade e nutrientes. As partes visíveis que estão acima do solo como tronco. folhas e frutos. galhos. não se tratando das qualificações profissionais uma vez que a educação não prepara a pessoa para realizar um trabalho determinado. Os conhecimentos explícitos podem ser documentados por escrito. devem ser considerados alguns aspectos. constituem os ativos tangíveis registrados na contabilidade e evidenciam a solidez e saúde do patrimônio da empresa e a imagem conhecida pelo mercado. que deverão produzir um fluxo de benefícios futuros à mesma. como de fato é. A educação assim concebida. 3. porém é bastante difícil de serem explicados. Todos os conhecimentos . Por sua dificuldade de gravar e documentar os conhecimentos tácitos. não registrados na contabilidade. constitui a base para poder edificar outros aspectos do indivíduo. c) Conhecimentos técnicos associados com o trabalho Esses conhecimentos podem ser: tácitos. capital estrutural e capital relacional (clientes). um manual operacional de franquia. Se encontram bem organizados no cérebro das pessoas e também podem ser transmitidos em livros. etc. De acordo com Brooking (1997) ao se tentar determinar o valor do indivíduo. tanto atual como potencial para a organização. reter. como os seguintes: a) Educação Trata-se da educação formal que todo indivíduo deveria ter recebido na escola de 6 a 16/18 anos. desenvolver e aproveitar ao máximo o talento humano que será cada vez mais a sua principal vantagem competitiva.” 3 Componentes O capital intelectual compreende três componentes principais: capital humano. explícitos e implícitos. A parte oculta formada pelas raízes são os ativos intangíveis. manuais. permitindolhe demonstrar que compreende e domina as técnicas e conhecimentos exigidos para realizar bem a sua tarefa.1 O capital humano É composto pelos conhecimentos. mas seu objetivo primordial não costuma ser profissional. Os conhecimentos tácitos existem e podem ser utilizados pelas pessoas. cabe a organização saber exatamente quem os possui e tratá-los como ativo importante.

Há empresas em que a filosofia de gestão em vez de ser um ativo é um passivo. interesse profissional. etc. aptidão em tecnologia da informação. capacidade para trabalhar bem em equipe na empresa. desde a alta direção até os trabalhadores. suas potencialidades e formas em que pode trabalhar na organização. são considerados verdadeiros especialistas. (Brooking. sistemas de tecnologia da informação. É difícil transferir esta classe de conhecimentos de uma pessoa a outra. capacidade para dirigir um projeto na empresa. As pessoas que os detém. idiomas. cultura organizacional. etc. etc. etc. . Trabalhar com especialistas no sentido de recopilar e documentar este tipo de conhecimentos.2 O capital estrutural Este compreende: a) o capital relativo a infraestrutura da empresa como: filosofia de gestão. Algumas filosofias consideradas como ativos são: Kaizen (melhoria contínua). Capacidade de iniciativa – A tendência das empresas do terceiro milênio é ter uma cultura corporativa cada vez mais participativa e menos autoritária. qualificações profissionais e capacidade criativa. significando que existem indivíduos em todos os níveis da organização que questionam processos e decisões. A mensagem do Kaizen é de que não pode passar nenhum dia sem que alguém não tenha conseguido algum tipo de melhora na companhia. e) Competências associadas com o trabalho Os ativos humanos que impulsionam e respondem às demandas do mercado possuem um valioso conjunto de competências associadas ao trabalho. capacidade de iniciativa e gestão da qualidade total. e que fazem com que as coisas aconteçam. Estas filosofias mudam com o tempo e se constituem num reflexo dos estilos de direção e motivação dos empregados. franquias. Como exemplos podem ser citados: capacidade para desenhar uma estratégia de marketing na empresa. relação com os clientes. Filosofia de gestão Refere-se à forma como os líderes da companhia refletem sobre a organização e seus empregados. Os conhecimentos implícitos se encontram ocultos nos procedimentos operacionais. capacidade de ensinar. tecnologias de processo e de produto. processos de gestão. b) o capital tecnológico formado por patentes. d) Avaliação e psicometria ocupacionais A avaliação ocupacional consta de provas objetivas.1997). Uma força de trabalho com capacidade de iniciativa constitui-se num extraordinário ativo.65 operacionais relativos à mesma devem constar por escrito e devem ser entregues ao franqueado. Atualmente a carteira de testes é bastante sofisticada e proporciona tanto à pessoa como à organização. provas psicométricas e de personalidade. tendo um efeito imediato sobre a cultura corporativa. Exemplos: Teste de raciocínio lógico/crítico. realizadas através de testes. melhorando as práticas de trabalho da companhia. exigindo-lhes impulso para modificar. configura registro de conhecimentos. copyrights. novas fórmulas de reflexão sobre a pessoa humana. nos métodos e também na cultura da organização. Essas competências são uma mescla integrada de técnicas. Kaizen – trata-se de uma filosofia de gestão japonesa que se baseia num processo de melhoria contínua e que compromete toda a organização. atributos da personalidade. 3. Esta filosofia de capacidade de iniciativa cria uma mudança de mentalidade junto aos trabalhadores.

É sempre reflete os valores dos fundadores.1 O Contexto Econômico A riqueza das nações está atualmente ligada à criação. defini-los. O ativo ou capital relacional constitui o motivo pelo qual uma empresa é adquirida por uma soma muito superior ao valor contábil. tornam-se um ativo corporativo. 2000): 4.as competências e o saber fazer dos dirigentes e do pessoal. têm um crescimento muito maior do que aquelas baseadas na exploração dos recursos naturais e processos industriais. Sistemas de tecnologia da informação Proporcionam os meios que possibilitam implantar muitos processos de gestão e.as bases de informação. Distingue três aspectos (Alvarez Lopes & Blanco Ibarra. O comércio internacional nas empresas baseadas em conhecimentos é 5 (cinco) vezes mais importante que nas empresas baseadas na exploração dos recursos naturais. e compreende todos os pela força de trabalho. elaboração de produtos e prestação de serviços. o conjunto se converte num ativo muito importante. transformação e capitalização dos conhecimentos. publicou recentemente um estudo sobre os conceitos básicos relacionados com a medição e gestão do capital intelectual e o possível papel dos contadores nesse processo. uma vez que é fundamental estabelecer-se mecanismos para por em prática a filosofia empresarial e assegurar que cada pessoa ocupe o posto mais adequado para que as coisas aconteçam da forma mais adequada possível.66 Gestão da qualidade total – Aponta para a qualidade em todos os níveis do desenvolvimento. A cultura corporativa dos caprichos do mercado ou da direção. feitas na empresa. A consecução dos fins empresariais e reflete a Processos de gestão São importantes para implementar a filosofia de gestão. transformação e capitalização dos conhecimentos. 4. na medida em que cumprem esta função de forma eficaz. 3. As indústrias baseadas sobre a aquisição. especialmente clientes e fornecedores. Quando todos os empregados desempenham suas atividades diárias dentro desta característica do negócio. ritos e rituais aceitos e compartilhados mantém a empresa firme quando reage diante criada nas altas esferas da companhia e quase cultura corporativa é um ativo quando apoia a filosofia de gestão.2 O contexto contábil A contabilidade tradicional não está adaptada para medir: . . medilos e gerenciá-los. .3 O capital relacional Se refere ao valor da empresa derivado de suas boas relações com seu ambiente externo. a relação entre a empresa e a sociedade e a imagem que a sociedade tem da empresa. Admite-se que os conhecimentos representam um fator crítico para a competitividade das empresas e que é preciso considerá-los como ativo. incluindo a cadeia de abastecimento. cabendo identificá-los. 4 Contexto O Financial and Management Accounting Committee (IFAC). Também fazem parte as colaborações e alianças com outras empresas. Cultura corporativa Trata-se da forma como as coisas são valores.

podem ser assim resumidas (Malhotra apud Alvarez Lopez & Blanco Ibarra. operacionais e afetivas 5 Gestão do Capital Intelectual A necessidade de estabelecer um elo de ligação entre a gestão do Capital Intelectual e os objetivos estratégicos da empresa. de uma maneira geral. Custos ou causa dos custos Aplicação das novas técnicas ou novas ferramentas Baseado sobre processos (cadeia de produção) Tendência à baixa Posição hierárquica Hierárquica Ótica da Era do Conhecimento Agente de transformação dos conhecimentos brutos em CI para criar riqueza Criação de processos ou de novos ativos Baseado sobre idéias Tendência à alta em função da criatividade Nível de conhecimentos Redes funcionais. cuja gestão é assim resumida pelo órgão: A gestão do capital humano implica: .5): Aspectos Percepção do pessoal pelos dirigentes Objetivo da formação Fluxo de produção Lucro sobre investimento Base de poder dos dirigentes Base de fluxos de informação Ótica da Era Industrial Fator de Produção. franquias. p.67 as capacidades tecnológicas. o lucro sobre investimentos realizados para aumentar o capital intelectual. etc.estabelecer um inventário das competências do pessoal.desenvolver um sistema capaz de fornecer os conhecimentos e competências quando necessários. A gestão do Capital Intelectual é específica em cada empresa.Por meio de uma análise e interpretação da cadeia de valor. 4. .3 O contexto empresarial A mentalidade dos dirigentes ainda está condicionada por valores desenvolvidos na era industrial. o aumento ou diminuição do capital intelectual. patentes. As diferenças entre estas percepções e as que dão fundamento à valorização dos conhecimentos. . . A abordagem elaborada pelo IFAC (1999) trata da análise do Capital Intelectual entre os seus três componentes já examinados anteriormente.identificar as competências que devem ser desenvolvidas ou adquiridas para alcançar os objetivos estratégicos. marcas. Para o IFAC o valor criado varia em função do grau de interação entre os citados componentes do Capital Intelectual. Considera-se. O único aspecto do capital intelectual levado em consideração na contabilidade tradicional é a propriedade intelectual. no entanto. pode-se chegar à gestão deste capital de forma sistemática. têm levado a diferentes enfoques por parte das mesmas. que o capital humano é o fundamento do capital estrutural e que a interação destes permite a criação do capital relacional. A gestão do capital estrutural: . 2000.

. ampliação da visão organizacional. 2000): Planejamento da pesquisa e desenvolvimento.número de novos produtos introduzidos. .número de patentes.prazos médios de desenvolvimento de novos produtos.satisfação pelo serviço do sistema de informação. . . 2000): Indicadores do capital humano . .custo de manutenção de patentes. A mensuração do capital intelectual pode ser efetuada com a ajuda de diversos índices (IFAC. análise do valor da empresa.os processos e ações no interior da empresa que têm um impacto no desempenho da organização com respeito aos concorrentes para cada aspecto da qualidade e custo. 1999. .satisfação dos empregados. . .a percepção dos clientes em relação a qualidade dos bens e serviços e diferentes aspectos da qualidade. . . .00 investido em sistema de informação. .lucro por $ 1.a percepção dos clientes em relação ao custo dos bens e serviços fornecidos pela empresa em relação aos concorrentes. identificação de recursos necessários em ativos intangíveis.custo do sistema de informação por $ 1.os critérios de eleição dos clientes entre os fornecedores potenciais dos bens e serviços. Indicadores do capital estrutural . e que orientam a mesma para os seguintes aspectos (Brooking.valor adicionado por empregado.o desempenho da empresa em relação ao de seus competidores para cada aspecto da qualidade.reputação dos empregados da companhia com os headhunters. usuários externos e acionistas.cifra de negócios relacionada com gastos de pesquisa e desenvolvimento.qualidade e utilização de bancos de dados. 6 Mensuração do Capital Intelectual A mensuração do capital intelectual assume grande relevância na medida em que informações gerais da organização passam a ser divulgadas para os gestores internos.68 A gestão do capital relacional (exige uma série de técnicas e ferramentas para compreender): . . . .número de equipes multi-funcionais. . .valor adicionado por unidade monetária de salário .% de novas idéias implementadas.novos produtos introduzidos por empregado. orientação de programas de capacitação e treinamento. .número de vezes que o banco de dados foi utilizado.00 de vendas. .as causas de aumento ou diminuição das cotas de mercado.lucro por investimentos em pesquisa e desenvolvimento. .% de empregados com menos de dois anos de experiência.experiência na profissão (número de anos).% de empregados que sugerem novas idéias . . . . Alvarez Lopez & Blanco Ibarra. 1996 apud Antunes. .

.% de negócios que seu produto/serviço representa (em termos monetários) em relação a clientes/ fornecedores A empresa SKANDIA publicou em 1993 seu primeiro Relatório Anual sobre Capital Intelectual.reclamações dos clientes. .crescimento no volume de negócios. a publicação de indicadores de avaliação do capital intelectual requer coragem por parte da gerência e demonstra o grau de ética e filosofia empresarial da empresa. O valor do capital intelectual está determinado pelo maior ou menor grau em que os ativos imateriais podem converter-se em ingressos financeiros para a empresa. que dão a SKANDIA uma vantagem competitiva no mercado. de acordo com os focos que adotaram. proporção de lucro na introdução de novos produtos. os conhecimentos coletivos arraigados no capital humano e capital estrutural. . complementar do balanço patrimonial tradicional.satisfação dos clientes. foco de inovação e desenvolvimento e foco humano. Alguns indicadores se confundem com os apresentados no Balanço Social ou identificados por Kaplan & Norton (1997) e que compõem o Balanced Scorecard. O modelo desenvolvido destaca fatores críticos de sucesso que devem ser avaliados e incorporados à estratégia da empresa. são os seguintes: 1 – Indicadores do Foco Financeiro Os indicadores que adotam o foco financeiro estão representados em valores ou percentagens. relações com os clientes. 1997): “Na SKANDIA AFS o capital intelectual eqüivale. foco no processo. Ainda segundo Edvinsson & Malone (1997). aos conhecimentos. técnicas profissionais e interculturais que possuímos no global da nossa organização. Na realidade seu verdadeiro objetivo é converter o coeficiente de inteligência em dinheiro.número de alianças com clientes/ fornecedores e seu valor. . Os principais indicadores em cada categoria ou foco. tecnologia organizacional. metodologia de gestão e avaliação de desempenho desenvolvida pelos autores.69 valor das novas idéias (aumento das vendas. . entre outros. entre outras coisas. redução dos custos). Indicadores do capital relacional . Exemplos de medidas do foco financeiro incluem: .% das vendas realizadas com clientes regulares.” 7 Mensuração do Capital Intelectual pela SKANDIA Edvinsson & Malone (1997) consolidaram os 164 indicadores da SKANDIA AFS em 5 grandes categorias. . Incluem cálculos do retorno do investimento e outros coeficientes financeiros tradicionais. foco no cliente. considerada como um conjunto. isto é. experiência aplicada.retorno de produtos em relação às vendas. Os focos são os seguintes: foco financeiro. no qual constava. das 111 medidas do capital intelectual que dão base a Demonstração Universal do Capital Intelectual. .lealdade a marca. O objetivo da função do capital intelectual consiste no seu crescimento e desenvolvimento como valor visível e duradouro. o seguinte parágrafo (Brooking.

70 Faturamento por empregado Valor adicionado por cliente Lucro por empregado Receita de novos clientes sobre o total das receitas Valor adicionado por empregado Índice de perdas em relação à média do setor Valor adicionado por tecnologia de informação empregada 2 – Indicadores do Foco no Cliente Cota de participação no mercado Número de clientes por empregado Número de clientes perdidos Número de visitas dos clientes à empresa Número de dias empregados em visitar clientes Vendas anuais por cliente Índice de satisfação dos clientes Média de duração do relacionamento com clientes Média de tempo entre contato com cliente e venda Número de pontos de venda 3 – Indicadores do Foco no Processo -Gasto administrativo por total de receita -Custo de erros administrativo por rendimentos da diretoria -Pcs e Lap tops por empregado -Capacidade de trabalho por empregado -Gasto com tecnologia da informação por empregado -Empregados trabalhando em casa/ total dos empregados -Conhecimentos de informática dos empregados -Mudanças nas tecnologias da informação 4 – Indicadores do Foco de Inovação e Desenvolvimento -Gastos de treinamento por empregado -Despesas de treinamento / despesas administrativas -Gastos de desenvolvimento de competência por empregado -Horas de treinamento -Despesas com desenvolvimento de negócios/ despesas administrativas -Gastos com pesquisa e desenvolvimento / despesas administrativas -Montante investido em pesquisas básicas -Montante investido em desenvolvimento de novos produtos -Recursos de pesquisa e desenvolvimento/ total dos recursos -Despesas de treinamento em tecnologia da informação/ despesas com TI 5 – Indicadores do Foco Humano -Índice de liderança -Índice de motivação -Índice de empowerment -Número de empregados -Número de diretores -Média de idade dos diretores -Rotatividade anual de empregados permanentes de tempo integral -Número de chefes/gerentes do sexo feminino -Idade média dos empregados -Número de empregados temporários -Tempo despendido em treinamento em cada ano .

etc. Recursos Curto prazo Órgãos de Controle O reativo contrapõe-se ao comportamento ético ambiental da empresa. as empresas devem ultrapassar a visão unilateral do meio ambiente como um custo e considerá. e o meio ambiente é visto como novas oportunidades de negócios. Conservar energia é reduzir custos de produção (Ignacy Sachs). Serviços. os resíduos convenientemente utilizados tornam-se produtos rentáveis. de água ou de outros recursos naturais. a competitividade da empresa é afetada. sua inclusão no horizonte de negócios pode resultar em atividades que proporcionem lucro ou pelo menos se paguem com a poupança de energia.lo como nova oportunidade. ao mesmo tempo em que a empresa é compelida a dar respostas às exigências do mercado e à regulamentação legal. no longo prazo. COMPORTAMENTO AMBIENTAL REATIVO (modelo de Baumol. O meio ambiente é um manancial de recursos latentes. A economia brasileira caracteriza-se por elevado nível de desperdício de recursos energéticos e naturais. por exemplo. 1979) Poluição Controle de Poluição Inovações. é transformá-los em produtos com valor agregado. Os especialistas em questões ambientais classificam esse comportamento de reativo. . do ar e do solo. A redução desses desperdícios constiui verdadeira reserva de desenvolvimento para o Brasil e fonte de bons negócios para empresas decididas a enfrentar o problema. no curto prazo. A imensa maioria das empresas brasileiras ainda restringe sua responsabilidade ambiental ao atendimento à legislação de controle da poluição da água. a empresa vivencia uma permanente contradição entre responsabilidade ambiental e lucro. EMPRESA Maximização de lucros no Mercados Produtos. Ele busca a maximização dos lucros. Nesse modelo reativo. Na verdade. Em muitos casos. onde a responsabilidade ambiental integra-se à sua estrutura organizacional. importantes de serem identificados e valorizados economicamente. A ética ambiental passa a fazer parte da missão da empresa. Reciclar resíduos.71 Tema 10 GESTÃO/ CONTABILIDADE AMBIENTAL (Fascículos encartados na Gazeta Mercantil) Na medida em que a responsabilidade ambiental é considerada um custo adicional. Sendo o meio ambiente um potencial de recursos ociosos ou mal aproveitados. pouco utilizados.

pode comprometer seriamente o seu patrimônio e sua permanência no mercado. as metas de qualidade e competitividade não agregavam explicitamente a variável ambiental. Não é tão simples quantificar todos e quaisquer custos ambientais. Vinculada ao planejamento estratégico das empresas mais modernas. Organizacionais. 1).de matérias primas a fontes de energia . É possível encontrar-se custos que jamais se houvesse pensado. p. Em geral. Serviços. longo prazo Sociedade Comunidade Ambientalistas Órgãos de Controle (Fascículo 1. Hoje. É grande a demanda por inovações tecnológicas redutoras de poluição nos processos produtivos.qualidade dentro do contexto de desenvolvimento sustentável. a gestão ambiental vem se tornando um plus na competitividade. especialmente no Canadá.1992) Oportunidades Ambientais Tecnológicas. pois o processo requer um sistema de contabilidade pormenorizado. etc. custos ou benefícios ambientais são geralmente excluídos ou não são explicitados. Se como ativo ou passivo. As inovações permitem que as empresas usem mais produtivamente uma série de insumos . vem se tornando comum. a maioria dos benefícios aparecem a longo prazo.96. Conciliar a competitividade com a proteção ambiental constitui-se no desafio às empresas modernas (Michael Porter “A vantagem competitiva das nações”). cujo cálculo adequado desafia hoje as auditorias contábeis. . Novos padrões ambientais adequados podem dar início a um processo de inovações que diminua o custo total de um produto ou aumente o seu valor. Sua incorporação. 20-03-96. a variável ambiental não pode mais ser ignorada. nem as oportunidades existentes de melhoria do fluxo de caixa ou lucros e perdas. O passivo ambiental de uma empresa. Recursos EMPRESA Desenvolvimento sustentado. assim como não se imagina os desperdícios substanciais que significam a soma de todos esses custos. No processo contábil convencional da maioria das empresas. Inicialmente. nos balanços de empresas potencialmente poluidoras. tal como a gestão da qualidade. O correto equacionamento/levantamento dos custos ambientais na empresa pode apresentar boas surpresas.Consumidores Poluição Controle de Poluição Inovações. isso depende do grau de compromisso ambiental da empresa.72 COMPORTAMENTO ÉTICO AMBIENTAL DA EMPRESA (Modelo de Tomer. p.de forma a compensar os gastos feitos para preservar mais o meio ambiente. mas valem a pena (Fascículo 2 “Gestão ambiental”. há uma reconceituação do padrão de concorrência . 27. Mercados Produtos.3) Num mundo real de competição dinâmica.03. Gestão Ambiental.

Além do mais. Uma corrente de pesquisadores brasileiros entende que todos os bens possuídos pelas empresas que visem à preservação. Assim. ainda enfrenta dificuldades. dando maior segurança aos investidores. como na determinação dos efeitos da poluição atmosférica e hídrica causada pela empresa. a evidenciação do passivo ambiental nos processos de cisão.financeiras das empresas. face a complexidade da cadeia de fatores a serem considerados. Face às dificuldades. Da mesma forma. para que finalmente as soluções sejam valoradas monetariamente. passou a ser exigido com mais frequência. em seus relatórios. nas demonstrações contábeis das empresas. faltam critérios de avaliação objetivos. e com o nível de exigência de solução determinado à empresa pela sociedade ou pelo setor público. ao mesmo tempo. vem se tornando comum nos países mais desenvolvidos. em decorrência de pagamento de indenizações ou de paralisação das atividades. Em geral. permitir ao usuário avaliar estas informações. os riscos ambientais que possam causar efeitos negativos ao meio ambiente e aos resultados econômico. Em geral. proteção e recuperação ambiental devam ser segregados em linha à parte das demonstrações contábeis. muitos dos quais suscetíveis à mudança com o tempo. O desafio aceito pelo IBRACON é o mesmo de analistas contábeis em todo o mundo: como registrar de forma incontestável o peso da responsabilidade ambiental nas demonstrações econômico. é difícil a avaliação do ativo ambiental. informações fidedignas sobre atividades impactantes ao meio ambiente. A incorporação da variável ambiental nos balanços contábeis de empresas de capital aberto potencialmente poluidoras. faz-se a avaliação da área contaminada. No Brasil. Conforme a amplitude dos custos. o IBRACON estuda como inserir. comparativamente aos demais elementos que compõem tais informações e tais demonstrações. os crescentes investimentos em recuperação e proteção ambiental ganharam peso na avaliação econômico-financeira do patrimônio das empresas. o registro do passivo ambiental nos balanços patrimoniais. limitam-se a apresentar seus pontos ambientais positivos e as medidas de prevenção a acidentes adotadas em suas unidades produtivas. venda e privatização de empresas estatais.financeiros. São avaliados contabilmente os custos ambientais que a empresa possa ter mais adiante e seu grau de compromisso com as pendências ambientais em geral.73 No mundo todo cresce a aplicação da auditoria contábil ambiental nos processos de fusão e aquisição de empresas. Em geral. Profissionais e empresas de auditoria contábil desenvolvem metodologias para mensurar e apresentar. com a identificação das não conformidades para com os requisitos legais e com sua política ambiental. É necessária a criação de indicadores regionais e setoriais de desempenho ambiental que auxiliem no cálculo do custo ambiental agregado às atividades da empresa. Em seguida. para indústrias consideradas potencialmente poluidoras.meio ambiente. o passivo ambiental da empresa é avaliado mediante auditoria especializada em suas unidades produtivas. . ao longo do tempo. A valoração do custo da degradação ambiental provocada pela empresa ainda enfrenta dificuldades. Nas últimas duas décadas. bem como na valoração do bem público . de forma de transparecer suas ações e. No Brasil. os auditores chegam a sugerir a criação de “fundo de contingência” para cobertura. o volume de investimento é relacionado com o grau de degradação imposto ao meio ambiente. incorporação. os balanços contábeis de algumas empresas potencialmente poluidoras apresentam apenas notas explicativas de suas atividades ambientais. especialmente.

há reduções de 50% no tempo de desenvolvimento do produto. além de diversas outras vantagens. de 60% a 95% nas mudanças na engenharia. da qual se requer. p. 75% do custo de um produto são decididos no estágio de projeto conceitual. criatividade. 6) Segundo William Davidow. Os números constituem poderoso estímulo para se repensar a concepção do projeto do produto. p. se a empresa não tiver um sistema implementado. que tende a aumentar à proporção que esses requisitos se tornam mais restritivos. os custos tendem a crescer por diversos fatores já indicados (ênfase nas ações emergenciais. tendo em vista a inclusão da variável ambiental em seu design.96. enquanto um atraso de seis meses na colocação do produto no mercado corta a lucratividade em 33%. Há amplo terreno às inovações. A tendência é que as empresas gastem cada vez mais com as questões ambientais se não as administrarem de forma sistematizada. pouco aproveitamento dos recursos humanos. de 60% na frequência de falhas de campo. de 30% a 85% nos defeitos.96.96. compondo equipe multisetorial. segundo Homero Schneider. .04.03.04. um aumento de 50% no custo de desenvolvimento reduz a lucratividade em 3. Na engenharia simultânea participam do projeto não apenas o setor de produção. A criação e desenvolvimento do design ambiental desponta como alternativa viável para grande parte dos problemas ambientais. a qualidade total do projeto pode melhorar de 100% a 600% mais que os processos desenvolvidos anteriormente. p. mediante a engenharia simultânea. 03. É importante lembrar que o atendimento aos requisitos legais tem um custo (custos de conformidade). Além disso. pois é recente a incorporação da variável ambiental no design do produto. além do empenho.PRINCIPAIS CUSTOS » Multas.5) A implementação de um Sistema de Gestão Ambiental (SGA) pode trazer para a empresa compensações econômicas. Para a verificação deste fato. ganhos efetivos) obtidos. de 75% no refugos e repetição de tarefas. 24. Como resultado. assim como os benefícios (redução de custos. Com a engenharia simultânea. taxas e impostos a serem pagos face à inobservância de requisitos legais » Custos de implantação de procedimentos e tecnologias que possibilitem o atendimento às não conformidades » Dispêndios necessários à recuperação da área degradada e indenização à população afetada (Fascículo 2 “Gestão Ambiental”. é imprenscindível que a empresa conheça os custos associados à implementação do sistema. Benefícios do design ambiental » redução de custos » redução do passivo ambiental » maior satisfação dos clientes » melhoria de desempenho » novos mercados » melhoria de imagem da empresa » permanência do produto no mercado ( Fascículo 3 “Gestão Ambiental”. de 20% a 90% no tempo de introdução do produto. 3) AVALIAÇÃO DE CUSTOS AMBIENTAIS (Fascículo 6 “Gestão Ambiental”.etc).74 PASSIVO AMBIENTAL . mas todos os setores envolvidos em cada uma das etapas do ciclo de vida do produto. 27.5%.

do ar e dos resíduos.Identificar os custos indiretos associados. uma vez que não há retorno palpável. Para que a empresa passe a ter um controle de seus custos ambientais.melhoria da imagem da empresa.custos operacionais são reduzidos pela eliminação de desperdícios e pela racionalização da alocação dos recursos humanos. O levantamento dos custos deve ser feito alocando-os em diferentes categorias. físicos e financeiros. Separar os custos de capital dos custos operacionais. Assim. redução da produtividade dos empregados. . Custos indiretos: não diretamente alocados a um processo específico . atendimento aos requisitos legais (custos de conformidade).Verificar a situação atual da empresa em relação a custos da não conformidade. deixam de existir os custos do controle ambiental da empresa e passam a existir os custos da manutenção da qualidade ambiental de uma determinada unidade ou processo.maior aceitação pelo mercado.associados a não conformidades resultantes de uma gestão ambiental inadequada (multas de órgãos de controle. . podem ser reduzidos pela implementação do SGA. Fatos: 1. Identificar os custos a serem eliminados pela implementação do projeto (exemplo: eliminação de multas pela implantação de um sistema de controle). . . construção) . identificar os custos diretos associados a cada projeto. recursos legais. Custos da não conformidade . Benefícios (custos negativos): . projetos. Exemplo: disposição de resíduos. É um primeiro passo na adoção de um custo indireto a um projeto específico. mas acabará dando resultados positivos se for desenvolvido de forma sistemática. utilidades (água. De uma forma bastante simplificada. gestão da qualidade da água. Redução de custos e riscos: . . .75 Paradigma: A implementação de um SGA envolve custos que podem ser inviáveis para a empresa. disposição de resíduos). treinamento.melhoria organizacional da empresa. O trabalho pode ser eventualmente complexo. as diferentes categorias de custos são as seguintes: 1. 2.No estabelecimento dos objetivos e metas e na elaboração do plano de ação.(monitoramento.Ficar atento para os benefícios intangíveis advindos da implementação do plano de ação. mesmo que sua determinação exata não seja possível nesta fase. 2. ações trabalhistas decorrentes de condições inadequadas de saúde e segurança da empresa. (deterioração da imagem da empresa no mercado. 4. manutenção dos sistemas de controle.riscos de acidentes e passivos ambientais são reduzidos. remediação de áreas contaminadas (passivos ambientais). com consequências nos custos de ações de emergência e remediação.custos de conformidade crescentes (padrões mais restritivos). ações legais por disposição inadequada de resíduos. aumento do tempo e dos custos relativos ao licenciamento junto ao órgão de controle). ar-comprimido e gases industriais). gestão de produtos perigosos.Custos de capital (instalações e equipamentos.Custos operacionais (materiais de trabalho. é fundamental que todos esses custos sejam levantados e alocados aos processos produtivos de origem. Verificar se haverá o acréscimo de atividades (e custos) em programas já existentes. Custos diretos: facilmente alocados a um produto. processo ou unidade . . energia. . Tem como característica o fato de serem identificados pela associação de um resultado a uma medida de prevenção adotada. . Custos e benefícios intangíveis: não podem ser diretamente associados a um produto ou processo. seguros) 3. inclusive os custos relacionados às ações legais.

atendendo ao padrão ambiental definido no escopo da auditoria. é estabelecida a frequência das próximas auditorias. mas não os elimina. Ela pode ser usada para atender a objetivos próprios ou a clientes.destinada a avaliar o passivo ambiental das empresas. governo.96. levará a uma identificação cada vez mais definida dos mesmos. 3 . de seus fornecedores e clientes e que seja acreditada por um organismo específico. O objetivo da auditoria ambiental define sua classificação. 4 . 2 . critérios de aplicação e resultados. dando ênfase à avaliação da conformidade com a legislação. seguradoras. 30. Logo. de fatos.04. “Gestão Ambiental”. investidores. eliminação dos custos da não conformidade . ela verifica se a empresa está. a auditoria deve ser realizada periodicamente.otimização da adoção de recursos . para ser eficaz. 3. a periodicidade das auditorias varia conforme o potencial de degradação e de risco potencial da empresa.auditoria de certificação ambiental . a menos que deve ser conduzida por uma organização que seja comercial e contratualmente independente da empresa. dentro do SGA.auditoria de conformidade legal .possibilidade de comparação entre custos ambientais decorrentes da implementação do SGA e os custos com os quais a empresa teria que arcar sem a implementação do sistema . 2. Em geral. é necessário que a alta direção da empresa esteja interessada nos resultados da auditoria e comprometida com as soluções necessárias. . de medidas corretivas às não conformidades identificadas. normas e regulamentos aplicáveis e aos riscos potenciais de acidentes. independente e sistemática. o que leva às seguintes conclusões: 1.auditoria de sistema de gestão ambiental . etc. A auditoria ambiental nada mais é que o retrato momentâneo do desempenho ambiental da empresa. COMO USAR AS AUDITORIAS AMBIENTAIS (Fascículo 7.otimização da elaboração do plano de ação nas rodadas subsequentes do SGA. com os seguintes benefícios para a empresa: .auditoria de responsabilidade . O prazo de um ano pode ser considerado mínimo. por exemplo. por parte da empresa. na média. 3) A auditoria ambiental voluntária ou compulsória é uma investigação documentada. isto é. Dentre os tipos mais aplicados destacama-se: 1 .avalia a conformidade do SGA da empresa com princípios estabelecidos nas normas pelas quais a empresa esteja desejando se certificar. há necessidade de implementação. com os princípios da ISO 14001. A adoção de um programa de auditoria ambiental nas empresas passa por três fases: FASE 1 .a auditoria identifica o desempenho ambiental da unidade auditada. sua aplicação investiga a possibilidade de ocorrer um acidente ambiental e da empresa não vir a atender aos requisitos legais.usada para identificar a conformidade da unidade auditada com a legislação e os regulamentos aplicáveis.identificação ao longo do tempo dos custos e benefícios intangíveis . procedimentos. pelo maior conhecimento pela empresa dos custos envolvidos.avalia a conformidade do SGA da empresa com requisitos específicos. em função do número de não conformidades e da relevância destas. Os procedimentos seguidos em sua aplicação são semelhantes. momentaneamente. o que definirá seu escopo.identificação de oportunidades de melhoria para a redução dos custos diretos e indiretos. p. Por isso. documentos e registros relacionados com o meio ambiente. acionistas.76 Conclusão: O acompanhamento sistemático dos custos ambientais. É necessário que a empresa implemente um programa de auditoria ambiental para otimizar os benefícios que a sua prática proporciona. é muito semelhante à auditoria de sistema de gestão ambiental.

A fase de campo é finalizada com uma reunião de encerramento onde os auditores apresentam aos auditados os resultados da auditoria. a duração. os auditores podem fazer uma visita prévia à unidade a ser auditada para reconhecimento da empresa. consequentemente. Aos auditores cabe a avaliação acompanhamento de sua implementação. inspeções e análises de documentos são reunidas evidências objetivas de conformidade ou de não conformidade com padrões pré-estabelecidos. São utilizados métodos estatísticos de amostragem nas investigações e nas análises dos documentos e procedimentos. onde o auditor líder da equipe apresenta aos auditados os objetivos e o escopo da auditoria e os critérios de avaliação que serão adotados. o desempenho ambiental da empresa já pode ser considerado satisfatório. do processo. relatar os resultados desta avaliação a todos os membros da equipe de auditores. da eficácia destas ações corretivas e o . é elaborado o relatório final. De posse do relatório. entrevistas.77 FASE 2 . provavelmente. FASE 3 . Atividades pós-auditoria Na fase pós-auditoria. onde são relatadas. Em seguida. As entrevistas devem ser conduzidas mediante técnicas apropriadas de modo a aumentar sua eficácia. Nesta fase. em cada um dos respectivos setores auditados. Devem. avaliar registros anteriores (caso existam).a empresa já definiu sua política de meio ambiente e a auditoria é realizada para confirmar se o desempenho ambiental está em conformidade com essa política. o escopo. Atividades de pré-auditoria A auditoria propriamente dita. Atividades de campo As atividades de campo iniciam-se com a reunião de abertura. onde por meio de observações. das distâncias e inclusive para “quebrar o gelo”. 3. 2. ATIVIDADES DE UMA AUDITORIA A realização de auditorias deve obedecer a sequência apresentada a seguir: 1. Para minimizar o tempo despendido pelos auditores na unidade a ser auditada e. a equipe de auditores e suas respectivas responsabilidades. a ser encaminhado ao cliente.as não conformidades encontradas nas auditorias anteriores já foram ou estão sendo corrigidas. o critério da auditoria. preparar o itinerário da atividade de campo e elaborar a lista de verificação específica. A preparação tem por objetivo obter e avaliar a documentação aplicável. o auditado deve elaborar um Plano de Ação Corretiva para garantir que as não conformidades identificadas na auditoria sejam eliminadas. bem como os recursos que deverão ser alocados e as datas da realização da atividade de campo. a equipe de auditores percorre as instalações e áreas a serem auditadas. O planejamento é essencial para que sejam definidos o objetivo. reduzir ônus ao cliente. ser estabelecidos prazos e responsáveis pela implementação das ações corretivas adequadas. as conformidades e não conformidades encontradas. O desempenho ambiental da empresa já atingiu um patamar superior. deve ser precedida de uma fase de planejamento e preparação. objetivamente.

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