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Anatomia e células do sistema Imune

Células do Sistema Imune


A medula óssea é a fonte das células precursoras que posteriormente originam os
constituintes celulares do sistema imune, com exceção de um breve período durante a vida fetal,
quando fígado constitui também um local de desenvolvimento das células deste sistema. A
produção das células imunes é um componente da hematopoiese, o processo pelo qual todas as
células que circulam no sangue surgem e maturam. Um importante princípio básico da
hematopoiese é que há uma única célula precursora capaz de originar todas as linhagens de
células sangüíneas, variando destes plaquetas até os linfócitos. Esta célula é conhecida como
célula-tronco hematopoiético pluripotente; ela é para a medula óssea o que a abelha-rainha é
para toda a colméia. A imunologia concentra-se no papel das células brancas do sangue na
defesa do hospedeiro: estas incluem os granulócitos (neutrófilos, eosinófilos e basófilos),
monócitos e linfócitos.

Granulócitos
A linhagem de granulócitos/monócitos surge dos precursores que maturam dentro da
medula óssea e são liberados no sangue. Os granulócitos constituem cerca de 65% das células
brancas e seu nome decorre do grande número de grânulos encontrados em seu citoplasma. A
aparência destes grânulos ao microscópio ótico, após coloração convencional, dá origem a uma
posterior subdivisão. Grânulos com intensa coloração azul são encontrados nos basófilos, que
correspondem a 0,5%-1% dos granulócitos; grânulos corados em vermelho estão presentes nos
eosinófilos (3%-5%); enquanto os neutrófilos (90%-95%) têm grânulos que se mantêm
relativamente sem coloração. A expressão “célula polimorfonuclear”, referindo-se ao núcleo
multilobulado dos granulócitos, têm-se tornado sinônimo de neutrófilos que constituem a
maioria dos granulócitos, mas o núcleo dos eosinófilos pode ter a aparência semelhante. Os
granulócitos circulam o sangue e migram para os tecidos, particularmente durante a resposta
inflamatória. A exceção a esta regra é o mastócito, que fica fixado nos tecidos.

Monócitos e Células Dendríticas


Os monócitos constituem 5% a 10% das células brancas circulantes e têm uma reduzida
meia-vida, passando aproximadamente 24 horas no sangue. Eles entram no pool extravascular e
tornam-se residentes nos tecidos, onde são chamados macrófagos. Atualmente existem
evidências de que os macrófagos podem também surgir da divisão de formas imaturas dos
monócitos. Existem várias formas especializadas de células maduras, incluindo os macrófagos
alveolares no pulmão, as células de Kupffer no fígado, as células mesangiais nos rins, as células
da micróglia no cérebro, os osteoclastos nos ossos e outros macrófagos formando os vasos no
baço e nos linfonodos.

Linfócitos
Os linfócitos constituem 25%-35% do total das células brancas e seu nome relaciona-se
à estreita associação que eles têm com o sistema linfático. Os linfócitos são divididos em dois
subtipos, B e T, presentes no sangue numa relação aproximada de 1:5.
Os linfócitos B diferenciam-se dentro da medula óssea, antes de serem liberados na
circulação. Durante a vida fetal, o fígado é também um importante local de desenvolvimento do
linfócito B. O papel principal destas células é o reconhecimento das macromoléculas
(chamados antígenos) através dos receptores de superfície (denominados anticorpos). Os
linfócitos B podem evoluir para células plasmáticas, que permanecem fixadas nos tecidos e
funcionam com secretoras de anticorpos. Os linfócitos B são assim chamados porque, nos
estudos iniciais da produção de anticorpos em aves, verificou-se que a remoção de um órgão
linfóide conhecido como bursa de Fabricius, situado próximo à cloaca da ave, resulta numa
completa incapacidade de produção de anticorpos. Estas células produtoras de anticorpos
tornaram-se conhecidas como derivadas da bursa, ou linfócito B.

O papel dos linfócitos T, ou linfócitos derivados do timo foi estudado em experimentos


semelhantes. Um diferente órgão linfóide, o timo, foi removido de camundongos. A remoção
do timo nos animais adultos mostrou ter pequeno efeito nestes animais ou em seus linfócitos,
mas a timectomia realizada logo após o nascimento teve profundas conseqüências reduzindo o
número de linfócitos na circulação e tornando os camundongos propensos a morrer de infecção.
Várias conclusões poderiam, agora, ser tiradas em relação aos linfócitos T. Primeiro, seu
envolvimento com o timo ocorre no início da vida, sendo crítico para o seu desenvolvimento.
Durante este período, eles adquirem a habilidade de reconhecer e dar início à morte de tecidos
estranhos transplantados, num processo chamado rejeição de enxerto, que implica a habilidade
de distinguir o próprio e o não próprio. Na ausência de linfócitos T, a proteção contra infecção é
fatalmente prejudicada.
Células Natural Killer (NK)

A expressão célula natural killer (NK) é uma definição funcional: células com esta
atividade são capazes de lisar células infectadas por vírus e células tumorais. Como os
linfócitos, as células NK são, também identificadas pela presença de glicoproteínas superficiais
especializadas.

Órgãos do sistema Imune


Os linfócitos têm uma característica de recirculação entre o sangue, os tecidos e os
órgãos linfóides.
Os órgãos do sistema linfóide dividem-se em órgãos primários e secundários. Os órgãos
primários no homem são a medula óssea e o timo, uma vez que constituem os locais de
desenvolvimento e maturação dos linfócitos (nas aves, a bursa de Fabricius seria também
incluída). Os órgãos linfóides secundários (linfonodos e baço) não são essenciais para a
geração dos linfócitos, mas têm um papel-chave na maturação destas células e no
desenvolvimento da imunidade. Os linfonodos situados em locais anatômicos particulares são
altamente especializados; os que se localizam ao redor do trato respiratório superior e inferior
são conhecidos como tecido linfóide associado à mucosa (MALT), e aqueles no intestino,
tecido linfóide associado ao intestino (GALT).

Órgãos Linfóides Primários


O preciso mecanismo pelo qual a célula-tronco pluripotente da medula óssea matura em
uma ou outra célula imune permanece desconhecido. O que se sabe é que tanto o
microambiente dentro da medula óssea quanto a influência de mediadores solúveis que atuam
como fatores estimuladores da formação de colônias são importantes determinates.
O timo também constitui algo semelhante a uma “caixa preta” imunológica, mas sabe-se
que uma considerável quantidade de mudanças ocorre com um pré-linfócito T, á medida que ele
matura o timo.

Órgãos Linfóides Secundários


Linfonodos
Os linfócitos entram no linfonodos através dos vasos linfáticos ou do sangue. Os
linfáticos aferentes fornecem a via de entrada para o seio marginal subcapsular. Daí, os
linfócitos dirigem-se para o córtex e, em seguida, para a medula do linfonodo. O córtex do
linfonodo possui folículo, agregados organizados de células linfóides. Os folículos primários
são característicos de um estado de repouso e sugerem que não houve nenhuma atividade imune
recente. Compõem-se por linfócitos B, macrófagos e macrófagos especializados com processo
citoplasmático longo, conhecido como células dendríticas foliculares. Os folículos secundários
surgem após a estimulação de uma resposta imune local. O centro germinativo do folículo
aumenta, e os linfócitos B iniciam a proliferação e a diferenciação.

Baço
As funções do baço representam uma mistura entre as atividades hematológicas e as
linfóides, o que é exemplificado por sua aparência macroscópica: uma polpa branca,
compreendendo o tecido linfóide, e uma polpa vermelha, compreendendo os seios e o tecido
reticular banhados pelo sangue. A vascularização do baço forma um arcabouço no qual as
polpas brancas e vermelhas estão apensas.

Imunidade: Proteção física e humoral

Livre do peso da doença


O termo latino immunis, que significa isento de encargo, forneceu o termo imunidade,
usado frequentemente, em contextos não científicos, como imunidade diplomática, imunidade
da coroa. Em biologia, o encargo é a doença – causada por uma variedade de vírus, fungos,
bactérias, protozoários, vermes e toxinas, e o papel fisiológico do sistema imune é mantê-lo em
xeque.
Uma definição abrangente do sistema imunológico seria a de que ele se desenvolveu
para ser capaz de identificar o próprio e, assim, reconhecer o não-próprio. O sistema
imunológico nos seres humanos costuma ser desafiado pelo não-próprio, incluindo os
patógenos, tais como aqueles descritos anteriormente, bem como por órgãos transplantados de
doadores não-relacionados.

Tipos de Imunidade

Imunidade Inata
A imunidade presente ao nascer é denominada inata. O sistema imunológico inato ou
natural é a principal defesa de primeira linha contra os organismos invasores. Suas
características são aquelas que ele apresenta por toda a vida, não tem especificidade nem
memória. (Uma exceção a ser discutidas mais tarde é o conjunto de anticorpos protetores que os
bebês adquirem de suas mães.) A falta de especificidade levou ao uso de termo imunidade não-
específica. Respostas inatas são mais úteis na proteção contra:
- microrganismos piogênicos (“formadores de pus”), como, por exemplo, Staphylococcus
aureus, Haemophilus influenzae
- fungos, como, por exemplo, Candida albicans
- parasitas multicelulares, como, por exemplo, vermes, tais como Ascaris, nematelminto.

A imunidade inata tem três componentes: físico-químico, humoral e celular.


As barreiras físicas são a pele e mucosas, as secreções, que continuamente lavam e
limpam as superfícies mucosas, e os cílios, que ajudam na remoção de resíduos e matéria
estranha. Fatores imunologicamente ativos, presentes nas secreções das mucosas, no
sangue e no líquido cerebroespinhal (os humores), são denominados humorais, o mais
importante dos quais é o complemento, sendo os outros opsoninas adicionais (uma opsonina
ajuda a digestão de bactérias pelos neutrófilos), tais como a proteína C reativa, e enzimas
proteolíticas (por ex., a lisozima). Os componentes celulares são o neutrófilo, o eosinófilo e o
mastócitos, bem como a célula NK.

Imunidade Adquirida
Alguns tipos de reposta imunológica não estão presentes ao nascer, mas são adquiridos
como parte do nosso desenvolvimento. A resposta imunológica adquirida ou específica é a
antítese da imunidade inata, estando ausente ao nascer, e tendo especificidade e memória; por
essa razão, pode ser, também, denominada adaptiva.

Complemento
O soro obtido de animais que tinham sido infectados com um microrganismo podia, a
seguir se aglutinar (agregar) e, depois, lisar as mesmas bactérias em um tubo de ensaio. A lise,
mas não a aglutinação, é inibida pelo pré-aquecimento do soro a 56oC por 30 minutos.
O primeiro fator foi originalmente chamado de anticorpo, sendo específico para o alvo
que o induz (o antígeno), nesse caso um microrganismo estranho. Posto que é capaz de reações
específicas, o anticorpo faz parte do sistema imunológico adquirido/específico/adaptativo. O
fator sérico é o complemento, um grupo de proteínas séricas termolábeis que complementa o
anticorpo na destruição dos microrganismos.
O Complemento é uma cascata de proteínas (cascata da coagulação e cinina) composta
de mais de 40 proteínas, incluindo os fatores reguladores. Os componentes são produzidos no
fígado, embora alguma produção local nos sítios de inflamação possa ser realizada por
macrófagos.

Imunidade Natural: Mecanismos celulares


Existem vários elementos do sistema imunológico celular presentes e funcionando na
ocasião do nascimento, constituindo o sistema imunológico celular natural. Os granulócitos –
neutrófilos, eosinófilos e basófilos – encontram-se no sangue e têm a capacidade de migrar
para os tecidos. A migração de tais células para os tecidos é unidirecional, podendo ser
positivamente regulada, conforme necessário. O mastócito localiza-se nos tecidos,
particularmente nas superfícies epiteliais, sendo caracterizado pela presença de abundantes
grânulos intracelulares. Um quinto tipo celular circulante, envolvido na resposta imunológica
natural, a célula NK, que tem uma função mais especializada na vigilância imunológica contra a
infecção viral e, possivelmente, contra células tumorais.
Os neutrófilos, os eosinófilos e os basófilos estão envolvidos em diferentes áreas da
resposta imunológica. Os neutrófilos são adaptados para eliminar as bactérias e os fungos,
constituindo as células-chave neste processo, enquanto os eosinófilos tem um papel
predominante no controle de doenças causadas por parasitas multicelulares, tais como os
vermes. Os basófilos e os mastócitos exercem um papel fisiológico menos definido na
imunidade. Os mastócitos exercem um papel fisiológico menos definido na imunidade. Os
mastócitos estão envolvidos na patogenia (isto é, o mecanismo patológico da lesão tissular)
da síndrome clínica conhecida como alergia, um distúrbio debilitante imunologicamente
mediado. Embora a atividade funcional dos granulócitos e dos mastócitos possa variar com o
tipo de célula, todas estas quatro diferentes células realizam algumas de suas funções através da
liberação de grânulos.