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CURSO BÁSICO

DE

JORNALISMO MANIPULATIVO

ESTILO PIG

Manual de autoria coletiva dos orgulhosos integrantes do PIG*

Rascunho da Primeira Edição

© 2010

* E orgulhosos adeptos da antiga ortografia, válida até dezembro de 2011


EPÍGRAFES

RIA COM ELES

"Journalists do not believe the lies of politicians, but they do repeat them – which is even worse!"
Michel Colucci.

"People everywhere confuse what they read in newspapers with news."


A.J. Liebling.

RIA DELES

"O dirigismo da mídia brasileira é um escândalo. Alguém precisa fazer uma coletânea com essas
barbaridades. Seria um manual utilíssimo para entregar aos estudantes de jornalismo."
César Bento.

"Fica chato ter de começar o texto lembrando as famosas 'exceções de sempre', mas é inevitável. Então
vamos lá: com as famosas exceções de sempre, a chamada grande imprensa decidiu se comportar como
linha auxiliar do governo Lula."
Reinaldo Azevedo.
O SIGNIFICADO DE PIG

PIG é a sigla de "Partido da Imprensa Golpista", expressão cunhada por André Alírio para designar o
conjunto de órgãos, jornalistas, colunistas e parajornalistas da Grande Mídia que utilizam seu trabalho
para desqualificar as realizações do Governo Lula e supervalorizar os erros do Presidente e de seus
aliados, chegando ao ponto de fabricar escândalos, fazer acusações caluniosas e pedir o impeachment, ao
mesmo tempo em que escondem ou atenuam os defeitos e as falcatruas dos políticos de Oposição que
desejam alçar ao poder.

As técnicas apresentadas a seguir valem, evidentemente, para qualquer grupo atacante, qualquer alvo
e qualquer objeto de defesa política. Mas como elas foram criadas e amplamente usadas, inicialmente,
com esse propósito histórico (o ataque ao Governo Lula e a defesa de seus detratores), estarão associadas
neste Curso, por uma questão de merecimento profissional, a esta sigla e aos órgãos de imprensa, aos
jornalistas, colunistas e parajornalistas que participaram dessas manobras políticas.

A exemplo de outras qualificações pejorativas, que foram assumidas orgulhosamente pelos alvos da
crítica e do deboche (vide o caso do urubu rubro-negro, no futebol), os integrantes do PIG a
princípio rejeitaram, mas depois aceitaram essa denominação, ainda que não o reconheçam publicamente.

O MANUAL

Este Curso Básico de Jornalismo Manipulativo é um documento altamente secreto que só deve
circular entre os integrantes do PIG, especialmente aqueles de maior poder e influência. Nem é necessário
alertar sobre o perigo de se deixar este material nas mãos de jornalistas comuns, quanto mais de
simpatizantes do Governo, dos quais estão infestadas nossas redações. A propósito, você leu a terceira
epígrafe da página anterior?

Trate o manual como trataria um arquivo que contivesse informações desabonadoras sobre a sua
própria pessoa.
SUMÁRIO
PRIMEIRA PARTE – BASES DA ATUAÇÃO DO PIG
PRINCÍPIOS E ATITUDES

O PIG

O grupo: palco e bastidores, luz e sombra ..................... 8


O modo de atuação ............................................. 9
O mito da coordenação infalível ............................... 9

O PIG e a sociedade

O PIG e a sociedade ........................................... 10

A relação do PIG com o seu público

Os três participantes do jogo social .......................... 11


A importância social da mídia ................................. 12
Tendências atuais da mídia .................................... 12

Tendências emocionais ......................................... 12


. Imediatismo
. Ânsia pela novidade
. Exageração
. Aproveitamento máximo dos novos fatos

Tendências intelectuais ....................................... 15


. Credulidade
. Avaliação crítica seletiva
. Supervalorização de fatos por descontextualização

Tendências comportamentais .................................... 18


. Ocultação de fontes e interesses
. Parcialidade
. Prevalência da opinião sobre a informação
. Dirigismo

Tendências estéticas .......................................... 20


. Eugenia visual

Tendências psicológicas ....................................... 20


. Valorização da futilidade
. Incentivo ao arrivismo
. Recompensa à sociopatia

Tendências morais ............................................. 21


. Contradição estrutural entre os valores assumidos e os praticados

Verdades inconvenientes sobre o nosso público ................. 23


. Foco psicológico no presente
. Emocionalismo
. Ignorância histórica
. Incapacidade intelectual e passividade física
. Masoquismo cívico
. Parcialidade
O PIG e o jornalismo

A visão do PIG sobre a função social do jornalismo ............ 27


A situação atual .............................................. 27
Os vários jornalismos do jornalismo ........................... 29

Princípios de atuação do PIG

Princípio do realismo ......................................... 31


Princípio da influência e do poder ............................ 32
Princípio da relatividade absoluta dos valores ................ 35
Princípio do descarte estratégico ............................. 36
Princípio da criação, aproveitamento e repercussão ............ 36
Princípio do corredor polonês ................................. 36
Princípio do sangramento contínuo ............................. 39

Atitudes definidoras do PIG

Atitudes filosóficas .......................................... 40


. Acolhimento da Sombra
. Flexibilidade interesseira
. Oposicionismo ontológico

Atitudes operacionais ......................................... 42


. Competência universal e inquestionável
. Editorialização
. Instigação da Sombra
. Estimulação da dinâmica de amor e ódio
. Transferência do ônus da prova
. Demonização do adversário
. Criminalização do adversário
. Justiceirismo

SEGUNDA PARTE – TÉCNICAS DE ATUAÇÃO DO PIG

1. Técnicas de ataque ao "outro lado" – 139 técnicas


(O número de técnicas vem ao lado)

Manipulação de manchetes – 14 ................................. 51


Manipulação de declarações – 3 ................................ 62
Atribuição de intenção reprovável – 4 ......................... 64
Atribuição de caráter reprovável – 7 .......................... 68
Aproveitamento de situação favorável – 11 ..................... 75
Organização de informações – 1 ................................ 81
Assassinato de reputação – 4 .................................. 82
Desestabilização – 1 .......................................... 86
Criminalização – 7 ............................................ 88
Eliminação simbólica do adversário – 1 ........................ 93
Desvio de foco – 13 ........................................... 94
Disseminação de idéias – 2 .................................... 102
Instigação do pânico – 3 ...................................... 110
Argumentação capciosa – 15 .................................... 116
Confrontamento – 9 ............................................ 126
Repercussão – 8 ............................................... 133
Escandalização – 3 ............................................ 139
Criação de fatos – 12 ......................................... 143
Criação de impressão – 1 ...................................... 156
Denominação - 2 .............................................. 157
Aproveitamento de aliados – 6 ................................. 161
Omissão de fatos – 1 .......................................... 168
Manipulação visual – 11 ....................................... 169

2. Técnicas de defesa do "nosso lado" – 43 técnicas


Manipulação de manchetes – 4 .................................. 177
Desvio de foco – 11 ........................................... 180
Proteção – 15 ................................................. 190
Eliminação de mérito – 4 ...................................... 202
Inviabilização preventiva de ataques – 2 ...................... 205
Contestação falaciosa de críticas – 7 ......................... 207

3. Técnicas de orientação política – 20 técnicas


A. Agentes do jogo
Chamamento à luta – 6 ......................................... 214
Validação de esforços – 1 ..................................... 218
Redirecionamento de esforços – 5 .............................. 219

B. Receptores
Orientação intelectual – 6 .................................... 222
Orientação emocional – 2 ...................................... 226

4. Técnicas de editorialização – 13 técnicas


Técnicas não-verbais – 2 ...................................... 228
Qualificação – 4 .............................................. 229
Enquadramento – 2 ............................................. 231
Técnicas frasais – 2 .......................................... 232
Outras técnicas – 3 ........................................... 233

5. Técnicas neutras – 3 técnicas


Solicitação de ajuda – 3 ...................................... 237

6. Técnicas de utilização da internet – 40 técnicas


Utilização de blogueiros – 10 ................................. 243
Utilização de caixas de comentários – 2 ....................... 252
Utilização da própria caixa de comentários – 4 ................ 254
Participação em caixas de comentários do "outro lado" – 6 ..... 263
Utilização do e-mail – 1 ...................................... 266
Utilização de páginas da Web – 5 .............................. 267
Utilização do Twitter – 3 ..................................... 269
Utilização do YouTube – 6 ..................................... 270
Contra-ataque – 3 ............................................. 273

7. A técnica das técnicas – 1 técnica


Metatécnica – 1 ............................................... 277

8. O PIG como veículo de jogadas – 27 técnicas


Jogadas geopolíticas – 6 ...................................... 279
Jogadas no mercado financeiro ................................. 284
Jogadas no mercado empresarial – 6 ............................ 284
Jogadas jurídicas – 2 ......................................... 289
Jogadas com o Executivo – 5 ................................... 290
Jogadas com o Legislativo – 2 ................................. 294
Jogadas políticas – 3 ......................................... 296
Jogadas derivadas de relações pessoais – 3 .................... 298
O jornalista e o PIG .......................................... 300

PALAVRAS FINAIS ............................................... 301


TUDO FAZ PARTE DO JOGO ........................................ 302
O HOMEM DO ANO ................................................ 303
PRIMEIRA PARTE

BASES DA ATUAÇÃO

DO PIG

PRINCÍPIOS E ATITUDES
O PIG

O GRUPO: PALCO E BASTIDORES, LUZ E SOMBRA

Nenhum homem é uma ilha, nenhum grupo trabalha em estado de isolamento.

A visão convencional da sociedade sobre o PIG é enganosa, um equívoco de imagem que nos
convém manter indefinidamente. Isso porque não só os órgãos da mídia, os jornalistas, os colunistas e os
parajornalistas integram o "nosso lado". Outros grupos e indivíduos somam esforços a esses para lutar
pelos nossos interesses e combater os interesses do "outro lado".

Na verdade, muitas vezes a contribuição mais importante para a nossa luta vem daqueles que não são
automaticamente associados ao PIG, porque o público recebe de espírito desarmado as suas contribuições
Essa constatação, porém, jamais nos deverá fazer esquecer nosso papel de atores principais da peça. A
função de protagonismo é nossa; os demais são somente nossos auxiliares.

Por exemplo, um de nossos mais destacados grupos de apoio é o dos especialistas. Atualmente, sua
contribuição efetiva sofre desgaste porque o público já notou a nossa escolha seletiva e questiona a falta
de competência e sensatez desses profissionais selecionados (e também sua notória falta de isenção). Se
tivéssemos apenas o grupo de especialistas como co-adjuvantes, estaríamos com sérios problemas.

Entretanto, nossa rede de atuação e solidariedade é vasta.

É importante você sentir que realmente pertence a um grande grupo cujos interesses, somados,
representam uma força social poderosíssima.

Há quem trabalhe no palco, como os órgãos da mídia, os jornalistas, colunistas e parajornalistas, mas
há também quem trabalhe nos bastidores, como grandes empresários, financistas, advogados e políticos
(estes, quando secretamente nos fornecem material relevante) e até grupos religiosos, semi-secretos ou
secretos.

Há quem trabalhe na luz, como nossos especialistas e os blogueiros simpatizantes, mas há também
quem trabalhe na sombra, como blogueiros contratados, nossos comentaristas de blogs (contratados de
empresas ou voluntários de partidos), criadores e disseminadores de campanhas de e-mails, ex-membros
da comunidade de informações, denunciantes infiltrados etc.

Há quem sempre pertenceu ao "nosso lado", assim como há quem pertence ao "outro lado" apenas
formalmente, trocando favores conosco, e quem dele se desligou e trouxe valiosas informações para a luta
política, especialmente em forma de denúncias, verdadeiras ou não.

Há, por fim, um número enorme de inocentes úteis, cidadãos politicamente passivos e indivíduos
desprovidos de autonomia intelectual que constituem, em seu todo, um dos focos prioritários de nosso
trabalho de opinião pública. Lembre-se sempre de que eles se orgulham de fazer parte do "nosso lado"
(seja este qual for) e que estão sempre ávidos para ceder à nossa influência, dando-nos, em troca desse
convencimento, um benefício inestimável: seu voto (direcionado por nós).

Para nós, principais atores do PIG, são nossos irmãos todos aqueles que defendem ou promovem os
nossos interesses contextuais e temporários.

A impressão falsa de que essa forma incisiva de atuação da imprensa restringe-se à época atual e aos
governantes atualmente no poder nos é muito útil porque, primeiro, oculta o verdadeiro papel histórico da
imprensa de modo geral (a sua ligação preferencial com as elites, e não com a população; a sua ligação
com os donos presentes ou futuros do poder, e não com a democracia), e segundo, porque oculta a real
importância dos agentes sociais dos quais somos os principais representantes na mídia em geral.
O MODO DE ATUAÇÃO

Outra vantagem da concentração do significado de "PIG", na visão popular, num número restrito de
órgãos e profissionais é o ocultamento das técnicas usadas em nossa atuação cotidiana. São elas, mais do
que os órgãos e as pessoas do PIG, que geram os efeitos importantes para os nossos interesses. Por isso,
este manual concentra-se na identificação, explicação e ensino destas técnicas.

O MITO DA COORDENAÇÃO INFALÍVEL

O uso repetido da sigla PIG pelos nossos adversários pode sugerir uma espécie de central de
coordenação de ações do PIG, ao estilo dos grupos dominadores do mundo que permeiam as teorias da
conspiração.

É óbvio que temos ações coordenadas em algum grau porque faz parte do comportamento social
humano o espírito gregário. Políticos tramam, empresários acertam-se, empresários da comunicação
traçam estratégias, e tais ações desenvolvem-se nos bastidores. Em reuniões sociais, vários atores do jogo
político, de diferentes origens, podem conversar e chegar a pontos comuns de interesse mútuo.

Entretanto, a idéia difundida de um comando único para o PIG é, como toda idéia semelhante,
humanamente ilógica e estrategicamente inviável.

O que existe, sim, são objetivos comuns.

A liga que nos une são os interesses. E interesses são dinâmicos. Evidentemente, quando o alvo é
estático, ou seja, quando um grupo "do outro lado" assume o poder e nele se estabelece, é natural que
várias forças sociais se unam para combatê-lo, cada uma com seus interesses particulares, mas todas com
um interesse maior e único: expulsar aquele grupo do poder, substituindo-o por outro grupo de pessoas
simpáticas a nossos variados interesses.

Outro ponto que gera a suspeita da existência de uma coordenação oculta é a coincidência notável do
conteúdo de ataques e defesas realizadas pelo PIG em relação ao "outro lado". Ilustrando brevemente o
ponto, em relação ao Presidente Lula são temas recorrentes entre os jornalistas do "nosso lado" os ataques
que o caracterizam como "inculto" e "populista", a seus seguidores como "mal informados", a seus
auxiliares como "sindicalistas corruptos", à sua política econômica como "continuação da política do
governo anterior", a suas medidas sociais como "tentativa de estabelecer um controle de Estado", entre
muitas outras críticas recorrentes.

É fácil explicar o porquê. Assim como os caricaturistas, os jornalistas precisam tornar suas
mensagens compreensíveis; por isso, optam muitas vezes pela lei do menor esforço, ou seja, pela
interpretação e pelo argumento mais superficial. Também é necessário reforçar preconceitos típicos de
determinadas classes sociais. Além disso, alguns de nossos integrantes tomam de empréstimo a outros
aqueles ataques e aquelas defesas que, de algum modo, surtiram efeito positivo na luta política.

Nada disso, porém, justifica a impressão de que exista uma central de distribuição de conteúdo
uniformizado aos integrantes do PIG. Mais uma vez, a questão restringe-se a interesses comuns e às
táticas necessárias ou disponíves para garantir esses interesses.
O PIG E A SOCIEDADE

A mídia, e mais particularmente a imprensa, situa-se na interface entre grupos dominantes na


sociedade, os agentes do processo, e a sociedade em seu aspecto mais passivo que ativo, a chamada
opinião pública.

Os vários grupos dominantes possuem interesses específicos e, muitas vezes, conflitantes. Esses
conflitos refletem-se na mídia, expressando-se de diversas maneiras: notinhas, reportagens, matérias,
entrevistas, artigos, colunas, blogs etc. O conteúdo dessas formas jornalísticas e virtuais é o tema da
Segunda Parte deste Curso.

Nossa relação com esses grupos sociais dominantes se dá pelos mais variados motivos e das mais
variadas maneiras, que não convém especificar neste trabalho. Basta saber que o PIG tem interesses que
às vezes podem coincidir, às vezes não, com os interesses de um ou mais desses grupos. No primeiro
caso, desenvolvemos ações de defesa dos interesses deles, que também são os nossos interesses, e de
ataque aos interesses dos grupos rivais; no segundo caso, a atuação é oposta: ataque aos interesses dos
grupos de interesses destoantes dos nossos e defesa dos interesses de grupos simpáticos aos nossos
interesses, rivais daqueles.

O importante é perceber que, assim como a Grande Mídia não é, em essência, todo o PIG, e que não
estamos sozinhos em nossa luta, o PIG não existe num vácuo social, mas se constitui, na verdade, num
veículo de interesses alheios – quando estes concordam com os nossos interesses.

Neste manual, adotaremos a expressão "nosso lado" para denominar uma configuração de interesses
PIG–grupos sociais, em que nós atuamos na defesa desses grupos e no ataque a seus grupos rivais; e a
expressão "outro lado" para denominar uma configuração de interesses representada pelos grupos rivais
aos interesses do PIG e aos grupos a que estamos associados.

Como será explicado mais adiante, o "nosso lado" (ou o "outro lado") não é algo fixo, imutável,
independente de época, circunstâncias etc. O jogo do mercado, da influência e do poder é dinâmico;
assim, nosso aliado de hoje pode ser o rival de amanhã, e os interesses defendidos por nós hoje podem ser
os interesses atacados amanhã.
A RELAÇÃO DO PIG COM O SEU PÚBLICO

OS TRÊS PARTICIPANTES DO JOGO SOCIAL

Didaticamente, podemos dividir os participantes do jogo social, no que se refere à participação da


mídia, em três grupos:

1. O grupo mais ativo, atuante, dinâmico e lutador (mesmo entre si), que está por trás da mídia,
pressionando para que ela defenda ou promova seus interesses. Este grupo, na verdade, é composto de
vários subgrupos importantes.

. Influências do mercado.
As grandes empresas nacionais (Comércio, Indústria, Tecnologia).
Os banqueiros, especuladores e financistas (Finanças).
Lobistas (representantes de interesses de vários setores da sociedade).

. Influências políticas.
Os grupos atualmente dominantes no poder municipal, estadual e nacional.
Os grupos que desejam tomar esse poder (ou voltar a ele).
Lideranças políticas individuais (quando não possuem sua própria mídia).
Partidos políticos.

. Influências geopolíticas.
Governos estrangeiros, na defesa de seus interesses nacionais.
Empresas estrangeiras, interessadas na exploração de negócios e riquezas nacionais.

. Influências do submundo.
Organizações criminosas (que se dedicam a crimes do colarinho branco).

Etc.

Esses grupos possuem alto poder de pressão porque não lhes falta dinheiro, poder e influência – nem
meios, legais ou ilegais, para conseguir o que desejam.

2. A própria mídia.

Situada entre os grupos sociais dominantes e a população, a mídia possui seus próprios interesses,
quando não se trata de um dos grupos dominantes, como no caso de empresas de comunicações de âmbito
nacional ou internacional.

Assim, as pressões ou solicitações que venha a sofrer por parte de outros grupos dominantes só serão
aceitas e implementadas caso sejam harmônicas a seus próprios interesses, mesmo que essa harmonia se
dê por meio de um acordo do tipo toma-lá-dá-cá.

Além disso, os interesses empresariais ou estratégicos de uma organização da mídia podem levá-la a
procurar um ou mais desses grupos para que seus interesses prevaleçam no mercado, nos governos ou na
sociedade em geral.

3. A população em geral, consumidora dos serviços e produtos da mídia.

Assim como há grupos sociais dominantes por trás da mídia, há uma enorme população à frente dela.
Da sociedade vêm os interesses maiores, que precisam da mídia para a sua promoção ou concretização;
da população vêm exigências que precisam ser satisfeitas para que exista uma boa relação consumidor-
imprensa, contexto dentro do qual se dará a influência emocional, intelectual e comportamental que leva à
satisfação dos nossos interesses (e dos interesses dos grupos dominantes a que estamos associados).
É bem verdade que alguns setores da população estão abandonando o papel passivo que sempre os
caracterizou e estão tentando entrar no jogo como atores importantes. As ONGs, os movimentos sociais e,
graças à internet, os próprios blogueiros, começam aqui e ali a tentar influenciar as relações da imprensa
com os seus principais aliados, mas o efeito, embora preocupante, ainda não afeta as regras do jogo.

*****

Portanto, esses três conjuntos genéricos de interesses (dos grupos sociais dominantes, da própria
mídia e dos consumidores) precisam estar harmonizados para que nossa atuação seja bem-sucedida. As
pressões de "cima", os objetivos do "meio" e as necessidades de "baixo" representam as principais forças
atuantes nesta questão, pautando as relações da mídia com os grupos dominantes, com os interesses dela
mesma e com a população consumidora.

Em linguagem popularesca, nossa função, na maior parte do tempo, é harmonizar os interesses da


gente graúda, aliada de nossos objetivos, com as paixões dos pequeninos.

A IMPORTÂNCIA SOCIAL DA MÍDIA

Antigamente, a família e a escola formavam cidadãos. O mundo mudou, as crianças e os jovens se


desgarraram, e a mídia se tornou sua principal influência formadora, especialmente ao se estabelecer
dominância cultural norte-americana no chamado Mundo Livre, a partir da década de 60.

Aqui cabe especificar uma lição da plasticidade do comportamento humano, importante para quem
exerce atividades de convencimento do público.

Se imaginarmos um espectro em que um povo ocupasse um dos extremos e outro povo o espectro
oposto, poderíamos tranqüilamente colocar num deles o povo brasileiro e no outro o povo estadunidense.
É difícil imaginar povos mais diferentes do que esses dois, em quase tudo.

Pense na história dos povos; pense em seus valores espontâneos; pense em seus comportamentos
típicos; pense em sua relação com os estrangeiros; pense em sua atitude ante as leis, as regras sociais e as
normas em geral; pense em sua relação com o trabalho; pense em sua visão da vida. Tudo, absolutamente
tudo diferente.

Apesar disso, a cultura estrangeira mais influente na cultura nacional, atualmente, é a estadunidense:
no idioma, no comportamento dos jovens, na música, no cinema, na literatura, nas relações com as
empresas, nos modismos sociais...

Pense nisso sempre que se sentir desanimado em seus esforços para convencer e direcionar o
coração, a mente e o comportamento dos brasileiros. Se um povo inteiro pode prescindir de partes
fundamentais de sua própria alma e se entregar feliz a outro povo situado no extremo oposto de suas
tendências naturais, por que não poderíamos aproveitar essa incrível plasticidade humana para impor
nossos interesses? É tudo uma questão de técnica e de ação inteligente.

TENDÊNCIAS ATUAIS DA MÍDIA

Se analisarmos com objetividade a imprensa e suas relações com a população, atualmente, veremos
estas tendências mais ou menos consolidadas, em todas as editorias (jornalismo político, de
entretenimento, esportivo etc.). Em primeiro lugar, as tendências superficiais, destinadas a satisfazer o
gosto do público. Elas são a cobertura do bolo, algo doce que é oferecido para que possamos garantir os
objetivos das tendências mais profundas, o recheio do bolo.

TENDÊNCIAS EMOCIONAIS
Este conjunto de tendências tem como objetivo primordial a estimulação de emoções fortes e, se
possível, duradouras. Para tanto, baseia-se nas formas mais seguras de estimulação e nas emoções mais
fáceis de serem estimuladas.

Imediatismo

Tendência manifestada pela supervalorização do presente e pela pronta exploração de qualquer fato
que prometa desenvolvimentos rápidos e empolgantes. Como resultado, qualquer outro fato que vinha
sendo desenvolvido, mesmo aqueles socialmente mais importantes, acaba sendo abandonado à própria
sorte.

O imediatismo, somado à compressão do limiar de saturação do público (cada vez mais próximo do
início da exploração dos assuntos), acarreta a alta rotatividade das notícias e impossibilita o
aproveitamento conseqüente de matérias ou temas socialmente relevantes.

Como a mídia é a instituição-mãe do mundo moderno, essa tendência acaba contaminando outros
setores ligados a ela:

"A pauta do Congresso, por exemplo, é muito marcada pelo imediatismo. Sai uma notícia na mídia,
aquela notícia é tratada no debate do dia, no debate da semana. Não se focalizam as questões de longo
prazo, cuja preocupação caracteriza o estadista. O que é o estadista? O político que tem a feição do
estadista quer ver o que vai acontecer com o país, não amanhã ou no mês que vem ou no ano que vêm,
mas daqui a dez ou vinte anos. Ele se preocupa com esse horizonte." (Saturnino Braga.)

http://www.direito2.com.br/asen/2006/jul/14/saturnino-diz-que-ha-cobica-externa-por-recursos-
naturais-brasileiros

Ânsia pela novidade

Tendência manifestada pela receptividade entusiástica a qualquer notícia, mesmo frívola, fútil, boba,
forçada, por causa do fator "novidade", e só por ele. "Novo" é um critério mais decisivo na escolha da
mídia do que "relevante", "útil" ou "importante".

Essa tendência é exacerbada pela competição entre os veículos, que tentam chegar antes a "furos" que
sejam impactantes e que permitam desenvolvimento ao longo de dias, trazendo a atenção do público para
o seu veículo.

"Na ânsia de sair na frente dos concorrentes, os meios de comunicação publicam o conteúdo antes de
investigar." (Alberto Dines.)

http://www.tvebrasil.com.br/observatorio/cme/081118_resumo_487.htm

Exageração

A tendência ao exagero é uma forma de desrespeito à realidade que se manifesta de várias formas na
imprensa:

. A "escandalização do nada", na área da política.

"Jornalismo de escândalos." (José César dos Santos.)

http://www.direitoacomunicacao.org.br/content.php?option=com_content&task=view&id=2276

. A transformação de fatos corriqueiros da vida pessoal de celebridades e subcelebridades em notícia


de imprescindível interesse social.

Notícia na home-page da Globo.com (note a receptividade do público expressa no número 1, de


matéria mais lida):
. A criação de polêmicas fúteis (descrição de situações de modo a ressaltar ou instigar rivalidades).

"Praticamente inexiste oconceito de relevância na matéria jornalística. Em qualquer cobertura de fato


relevante, a tendência é de se realçar o imprevisto, a frase que pode gerar conflito, deflagrar a catarse
em lugar de relatar a essência do assunto." (Luis Nassif, O Jornalismo dos Anos 90.)

Esta é uma das especialidades do jornalismo esportivo.

. A preferência por declarações de impacto pinçadas de uma entrevista.

Declaração da cantora e compositora Ana Carolina (21/12/2005):

. O jornalismo-espetáculo, marcado pela exploração de denúncias, polêmicas, crimes.

As "filas quilométricas" do porto de Paranaguá, segundo o "Jornal Nacional" – que não existiam:

http://www.youtube.com/watch?v=b7MVYlRAKlg&feature=related

O alarmismo da RPC no Paraná:

http://www.youtube.com/watch?v=rk3iUud1wu0&feature=related

Essa tendência leva, às vezes, ao confrontamento por parte do "outro lado", atingido pelas denúncias:

http://www.youtube.com/watch?v=4RZ8dnuuj9k&feature=related

. A instigação emocional, exemplificada pela preferência dada a fatos chocantes.

O comportamento acrítico e açodado da mídia brasileira no caso de Paula Oliveira, cujo corpo teria
sido marcado por neonazistas suíços.

http://oglobo.globo.com/pais/noblat/post.asp?cod_Post=160714

http://pt.wikipedia.org/wiki/Caso_Paula_Oliveira

. A escandalização social, prenúncio da instigação do "clamor das ruas", cujo símbolo maior no País
foi o caso da Escola Base (1994).

Resumo do blogueiro Gabriel:


http://senadormandabrasa.zip.net/arch2008-09-21_2008-09-27.html

Onze anos depois do caso (2005):

"Shimada teve três enfartes desde 94, fuma bastante e tem medo de andar na rua. Atualmente toca a
vida numa xerox no centro de São Paulo. Sua esposa faz tratamento psicológico desde o episódio. Os
outros acusados se mudaram para o interior. Os repórteres que cobriram o caso continuam suas vidas
profissionais normalmente. Nenhum veículo foi punido, nenhuma desculpa foi dada com o mesmo espaço
das acusações. (Thiago Domenici.)

http://www.fazendomedia.com/novas/educacao300705.htm

O mea-culpa, convenientemente, só é feito depois do fim da exploração, quando o caso virou bagaço.
Um exemplo recente:

http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2009/12/27/erramos

Aproveitamento máximo dos novos fatos

Tendência manifestada pela exploração de um novo fato, tanto no aspecto quantidade (número de
matérias, colunas, comentários etc.), quanto no aspecto tempo (o máximo possível). A transformação de
situações corriqueiras em "novelas", nas áreas do entretenimento e do esporte, é um bom exemplo dessa
tendência. Na área do crime, idem:

"A novelização do Caso Eloá." (Valdeir Almeida.)

http://www.ponderantes.com.br/2008/10/novelizao-do-caso-elo.html

Seu símbolo máximo, entretanto, vem da área do jogo do poder: o escândalo-borracha, no qual
comentaristas, editores, repórteres, especialistas etc. se esforçam para estender a sua vigência de modo a
desgastar a posição do "outro lado".

TENDÊNCIAS INTELECTUAIS

Credulidade

Tendência manifestada pelo descuido na verificação da validade objetiva das informações recebidas
de especialistas ou de outros meios de comunicação, o que leva ao endosso de afirmações falsas, fatos
inexistentes e conclusões precipitadas – isso, quando não gera uma gafe que marcará para sempre o
profissional ou o órgão de imprensa.

A área mais prejudicada por essa tendência são as Ciências, notadamente quando se dá a divulgação e
a interpretação de notícias sobre pesquisas, teorias, invenções e curiosidades, nas quais são comuns
afirmações exageradas sobre a validade objetiva e o alcance do assunto abordado.

Como exemplo, recentemente a mídia divulgou como verdadeiras duas inverdades científicas: a
regeneração do dedo de um amputado, que teria sido conseguida por meio de um pozinho mágico, ...

http://www.badscience.net/2008/05/finger-bullshit/

... e a descoberta de que um paciente em coma durante 23 anos teria mantido a consciência e a
capacidade cognitiva por todo esse período:

http://www.badscience.net/2009/12/so-brillliantly-youve-presented-a-really-transgressive-case-
through-the-mainstream-media/

A falta de espírito crítico dos editores e, em especial, de um responsável pelo filtro das notícias
científicas, leva a mídia a estabelecer uma cadeia de irresponsabilidade em que um órgão alimenta o outro
com falsidades que seriam de fácil identificação por especialistas. Esse filtro, se existisse, implicaria na
desmistificação das noções do cientista como autoridade inquestionável, da palavra do cientista como
fonte inquestionável e do texto da agência como verdade inquestionável.

Um outro exemplo, bem simples:


"Os animais de estimação, sejam eles gatos ou cachorros, poluem duas vezes mais do que um carro,
de acordo com cientistas neo-zelandeses que calcularam a superfície necessária para produzir a carne e os
cereais consumidos por eles." (Tradução de matéria da France Press.)

http://g1.globo.com/Noticias/Ciencia/0,,MUL1420504-5603,00-
CIENTISTAS+DIZEM+QUE+CAES+E+GATOS+POLUEM+MAIS+QUE+CARROS.html

Os cientistas avaliaram toda a poluição gerada pelas atividades e produtos necessários para os gatos e
cães "funcionarem", comparando esse fator com a poluição gerada pelo funcionamento dos automóveis –
em vez de levar em consideração toda a poluição gerada pelas atividades e produtos que são necessários
para os veículos funcionarem, isto é, as atividades de produção de veículos – sem as quais eles não
existiriam.

Cães e gatos poluem quase nada pelo que fazem e (aparentemente) muito pelas atividades exigidas
para sustentá-los; carros poluem muito pelo que fazem e outro tanto pelas atividades exigidas para
produzi-los.

A ausência de senso crítico é explorada corriqueiramente por brincalhões para mostrar, na prática, a
complacência intelectual da mídia. No final de 2009, um "estudo científico" inglês que correlacionava o
culto ao Papai Noel à obesidade, entre outros bobagens, foi reproduzido acriticamente pela mídia
nacional.

A pegadinha:
http://blog.newsweek.com/blogs/nurtureshock/archive/2009/12/18/santa-s-a-health-menace-media-
everywhere-are-falling-for-it-but-the-entire-study-is-a-fake.aspx

"Papai Noel promove estilo de vida pouco saudável, diz especialista." (Estado de S. Paulo.)

http://www.estadao.com.br/noticias/geral,papai-noel-promove-estilo-de-vida-pouco-saudavel-diz-
especialista,484119,0.htm

"Papai Noel promove estilo de vida pouco saudável, diz especialista." (Globo.com.)

http://g1.globo.com/Noticias/Ciencia/0,,MUL1419727-5603,00-
PAPAI+NOEL+PROMOVE+ESTILO+DE+VIDA+POUCO+SAUDAVEL+DIZ+ESPECIALISTA.html

"Papai Noel é mau exemplo ao combate à obesidade, dizem especialistas." (UOL Tablóide.)

http://noticias.uol.com.br/tabloide/tabloideanas/2006/12/13/ult1594u926.jhtm

"Forma física de Papai Noel vira polêmica na web." (Zero Hora.)


http://zerohora.clicrbs.com.br/zerohora/jsp/default.jsp?
uf=1&local=1&section=Geral&newsID=a2753037.xml

"Papai Noel precisa entrar em forma, diz estudo de saúde pública." (Rede TV!)
http://www.redetv.com.br/portal/entretenimento/noticia.aspx?
cdNoticia=97112&cdEditoria=142&Title=Papai-Noel-precisa-entrar-em-forma-diz-estudo-de-saude-
publica

. A tendência também se manifesta na cobertura de casos médicos, onde não se procura o


contraditório, estabelecendo-se a autoridade suprema do médico ou da junta médica que controla as
informações; e nos casos policiais, onde o contraditório também não é procurado, estabelecendo-se a
autoridade suprema do delegado ou do Secretário de Segurança.

Nos dois casos, a realidade chega deturpada à opinião pública, segundo a conveniência de quem
controla as informações. Vários desses casos são abordados no livro O Jornalismo dos Anos 90, de Luis
Nassif:

http://www.projetobr.com.br/c/document_library/get_file?folderId=213&name=DLFE-
487.pdf&download=true
. A "epidemia de gripe suína", que matou bem menos pessoas que uma gripe comum, gerou
manchetes alarmistas, pânico na população e um lucro estupendo à empresa farmacêutica Novartis,
fabricante do Tamiflu. Quando a realidade surgiu, veio com ela a noção do exagero: "França cancela
encomenda de 50 milhões de vacinas para gripe H1N1" (AFP).

http://www.google.com/hostednews/afp/article/ALeqM5iTqpR5RZ7IkKcMUeT7Zn3HjZxAyw

Avaliação crítica seletiva

Se o órgão de imprensa defende de modo quase obsessivo uma posição política, econômica ou social,
os fatos só têm importância para ilustrar essa posição, seja no aspecto negativo (críticas a quem está no
lado oposto), seja no aspecto positivo (elogios e louvação a quem está no lado "certo").

Um exemplo clássico de crítica "engatilhada" é a capa da revista Veja sobre Cazuza (26/4/1989),
pouco antes da morte do cantor e compositor.

Um exemplo clássico de louvação "engatilhada" é a matéria da Veja, em maio de 2007, sobre o


emirado árabe de Dubai, um dos principais destinos dos super-ricos do mundo: "O milagre no deserto":

"O resultado dessa atmosfera pró-negócios é de fazer arrepiar o mais blasé dos estatísticos. No ano
passado, o PIB de Dubai cresceu a uma taxa de 16%, enquanto o da China alcançou 10,5%. O índice de
desemprego de Dubai é tecnicamente nulo. A população cresce a uma taxa de 10% ao ano,
principalmente devido à imigração, e a demanda por imóveis é incessante. Não há outro lugar no mundo
em que a indústria da construção civil esteja tão atarefada:..." (Diogo Schelp, O Reino Encantado, 30 de
maio de 2007.)

http://veja.abril.com.br/300507/p_096.shtml

O trecho abaixo é de 2008:

"Recentemente, mais e mais estrangeiros estão investindo em Dubai, graças à perspectiva de


crescimento e à solidez da economia, que levam a projeções de que no futuro Dubai será um centro
mundial de finanças e turismo."

http://www.riquissimos.com.br/category/viagem/page/2/
Alguns aspectos condenáveis desse progresso não incomodavam muito seus apreciadores:

"Êxito econômico de Dubai esconde sistema de trabalho com características de escravidão." (Andy
Robinson, La Vanguardia.)

http://noticias.uol.com.br/midiaglobal/lavanguardia/2008/06/09/ult2684u457.jhtm

Em novembro de 2009, o outro lado do sucesso estrondoso surge como do nada, sem aviso: a
possibilidade de falência de Dubai e o atraso no pagamento de dívidas:

"Crise em Dubai faz ressurgir fantasma da falência de vários países. "(Jérémy Tordjman, France
Press.)

http://www1.folha.uol.com.br/folha/dinheiro/ult91u658005.shtml

Supervalorização de fatos por descontextualização

"A mulher mais bem-vestida do ano", "a mulher do século", "a mulher mais sexy do mundo"... Na
verdade, resultados de enquetes feitas numa revista, num site, numa TV, baseadas num universo limitado
e centradas em poucas atrizes e modelos, todas presentes na mídia.

O título não combina com a real importância e a real dimensão do fato. Mas é impactante, por isso a
imprensa o reproduz acriticamente, criando maravilhas vivas da humanidade que são, na verdade, apenas
expoentes temporários da mídia imediatista.

Para quem não se lembra, a "mulher do século XX" chama-se Maria Fernanda Cândido. A "eleição"
foi realizada por telefone no programa "Fantástico", da Rede Globo. Apenas por uma coincidência, Maria
Fernanda era a atriz principal da telenovela que a Globo desejava divulgar, na época ("Terra Nostra"). O
título honorífico é lembrado com regularidade em matérias da imprensa.

http://www.tiosam.com/?q=Terra_Nostra

TENDÊNCIAS COMPORTAMENTAIS

Ocultação de fontes e interesses

Tendência que é mais do que mera tendência: trata-se, na verdade, de um dos fundamentos da
atividade jornalística da atualidade (e talvez de sempre). Desde o jornalismo de celebridades, em que
matérias e fotos enviadas por assessorias de imprensa passam por conteúdo apurado pela redação, até as
manobras políticas e empresariais que determinam o conteúdo de notinhas, colunas, reportagens etc., a
preservação da fonte não se dá, como no bom jornalismo, por uma questão ética; ao contrário, ela é
preservada para não se admitir a falta de ética: se revelada, mostraria o interesse escuso ou a falta de
profissionalismo que pautou a atuação do jornalista.

Parcialidade

A facilidade com que os jornalistas divulgam o clichê da impossibilidade do exercício da


imparcialidade diz muito sobre a ligação deles com essa tendência. Obviamente, a distorção dos fatos faz
parte da própria atividade da consciência humana, mas a intenção de imparcialidade tende a levar o
profissional até o ponto mais próximo possível dos fatos, ou seja, da realidade. Ela age fazendo-o
perceber os processos de distorção, contrabalançar sua própria inclinação no assunto e aplicar técnicas
que garantam um alto grau de fidelidade na representação dos eventos percebidos e descritos.

As técnicas são conhecidas: não só ouvir, como também dar importância, tempo e espaço
equivalentes ao outro lado da questão, prática tão rara hoje em dia por causa da editorialização
compulsiva; a apresentação de versões diferentes do mesmo fato, quando relevantes; o questionamento
inteligente da capacidade dos especialistas e a comunicação ao público sobre suas ligações com partes
envolvidas e sobre sua importância relativa no meio profissional; a investigação paciente, quando a
questão parece ainda confusa e os fatos carecem de peso próprio. E outras bem conhecidas do meio.

Tudo isso pertence ao mundo ideal. No mundo real prevalecem os interesses. E a parcialidade, em
especial na política, passou de exceção a regra.

Prevalência da opinião sobre a informação

A epidemia do colunismo, somada à parcialidade dos comentaristas e analistas políticos, levou à


substituição do jornalismo pela palpitagem. Colunistas, parajornalistas (amadores que tentam
canhestramente atuar como jornalistas sem compromisso com as normas da profissão), âncoras do rádio e
da TV, analistas políticos e econômicos, quase todos descambaram para o achismo, a editorialização, as
previsões inconseqüentes. Especialistas em tudo passaram a freqüentar a mídia, em colunas ou nas
entrevistas.

A facilidade de pontificar sobre um assunto (ou qualquer assunto) tem uma contraponto: o desleixo
nas obrigações jornalísticas, como pesquisar, investigar, checar informações, verificar fatos, exemplos,
argumentos... Se basta sentar-se, digitar cinco ou seis parágrafos em 15 minutos, pensando rapidamente,
e depois enviar o texto por e-mail, garantindo um extra mensal, e se quase todos estão agindo dessa
maneira, e se a lei do menor esforço é recompensada no final do mês, como esperar que esse
comportamento fique restrito a incompetentes ou apressados?

Não é só o conteúdo que sofre: a forma da maioria dos textos é, no máximo, passável.

E olhos atentos percebem com facilidade os erros que se sucedem nos textos. Um exemplo:

"Royalties e pitombas." (Urariano Mota, sobre coluna de Ruy Castro.)

http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=568FDS004

"Existe dificuldade enorme de se conferir tratamento analítico aos temas, de analisar ponto
por ponto os diversos ângulos da questão, apresentar as versões conflitantes, inseri-lo em um contexto
mais amplo, em suma, pensar de maneira moderna. Em geral as análises são substituídas por opiniões
quase sempre taxativas, quase nunca analíticas, que espelham muito mais as preferências do autor do que
análises acuradas. (Luis Nassif, O Jornalismo dos Anos 90.)

Esse comportamento gerou um efeito contraditório: embora os jornalistas profissionais destaquem o


abismo qualitativo que os separa dos blogueiros amadores, ao virarem palpiteiros acabaram se igualando
a seus novos rivais – em certos casos, saindo-se pior do que eles porque os blogueiros têm mais espaço
para serem criativos, engraçados, surpreendentes. E, volta e meia, também são mais inteligentes em sua
análise da realidade e em sua visão do mundo.

Faz parte da natureza do brasileiro palpitar sobre tudo, achar-se especialista num assunto não
conhece, sentir que tem a verdade sobre um fato que acabou de ser divulgado. Jogar conversa fora, é
conosco mesmos. A antecessora histórica da coluna de jornal, a crônica do cotidiano, é uma criação
brasileira.

Ao ser brindado com um espaço e com a palavra, vem ao brasileiro a sensação de autoridade e dá-se
a expressão da sua sabedoria universal – e não é conveniente passar por estraga-prazeres, solicitando as
reais qualificações, atestadas na prática, do palpiteiro empolgado.

Assim, "cientistas políticos" que vivem enclausurados na elegante Zona Sul do Rio de Janeiro
comentam com suposta autoridade os bastidores de Brasília ou a política local do Nordeste. Um apagão
transforma pessoas que não entendem a função de um simples capacitor em especialistas no sistema
elétrico nacional. Adultos que não distinguem um cirro de um cúmulo-nimbro (tipos de nuvens) querem
passar por sumidades em aquecimento global.
Quando erros grosseiros de análise, previsão e aconselhamento são cometidos, nada disso abala a
auto-imagem dos sábios nem a sua imagem social, porque o público sabe que quase todos os colegas
agem do mesmo modo.

"As redações passaram a atuar com excessiva benevolência para com os erros cometidos pelos
jornalistas. O engenheiro que comete um erro de cálculo passa imediatamente a ser mal visto pelos
colegas. No jornalismo, ainda não existe esse círculo de censura interna, inibindo a ação do amador ou do
leviano." (Luis Nassif, O Jornalismo dos Anos 90.)

Isso porque a total liberdade de palpitar é o melhor contexto para influenciar a opinião pública. Se
cada um ficasse restrito às suas áreas de competência, se lhe fosse exigido rigor nas análises e nas
previsões, se houvesse responsabilização por equívocos, o jogo da influência e do poder seria
prejudicado. E o jogo tem a prioridade.

Dirigismo

O dirigismo é a atitude de querer determinar a realidade e, particularmente, o comportamento alheio.


Ele está por trás do comportamento parcial; das opiniões; do sentido dado aos palpites, às análises, às
previsões – é causa desses efeitos e, em si mesmo, é o representante de interesses próprios do jornalista,
do órgão para o qual trabalha ou de forças sociais externas, que determinam a posição empresarial,
política ou social do jornalista.

O dirigismo está presente na seleção tendenciosa de fatos, ângulos, notícias, frases, declarações etc.,
assim como na repercussão também seletiva desse conteúdo por outros órgãos ou colegas, que
potencializam seu valor de influência ou choque.

TENDÊNCIAS ESTÉTICAS

Eugenia visual

Corresponde à preferência ou mesmo à exclusividade, nos meios visuais como a TV e a internet, da


presença de rostos bonitos e corpos em forma, tomados como padrão de qualidade física humana, contra o
qual a feiúra e a desproporção física chegam a parecer deformações ou se tornar um natural objeto de
ridículo.

O aparecimento de pessoas do povo tende a gerar nos espectadores da TV, treinados a esperar a
beleza natural ou "comprada", uma reação de repulsa ou escárnio, assim como acontece numa platéia de
cinema em projeções que não sejam trailers e o próprio filme. Essa reação indica a incorporação
psicológica, nos indivíduos, de um valor social destoante da realidade das ruas e casas de um país (e do
mundo em geral). Um tanto esquizofrenicamente, as pessoas aceitam na realidade aquilo que desprezam
na mídia e no cinema.

TENDÊNCIAS PSICOLÓGICAS

Valorização da futilidade

Especialmente na mídia do entretenimento, uma das mais populares na atualidade, dá-se o incentivo à
vaidade, à fama fútil, ao sucesso pelo sucesso, à visibilidade social como um valor dissociado de
qualidades pessoais. Seu símbolo maior são as chamadas subcelebridades, pessoas que por algum acaso,
ou caso, ou programa do tipo reality show, passaram a freqüentar as notícias por motivos também fúteis:
um novo amor, uma nova tatuagem, uma nova cirurgia plástica, um descuido conveniente que revela mais
do que o esperado, uma polêmica armada, ou uma outra idéia da assessoria de imprensa.

A mensagem transmitida pela mídia à sociedade é: "Se vocês seguirem esse exemplo, nós lhes
daremos destaque". E a mensagem é captada: nas lista das notícias mais clicadas dos principais portais
brasileiros, sempre há alguma subcelebridade no topo.
A premiação da futilidade causa estragos na própria imagem social de "arte". As subcelebridades são
denominadas "artistas", embora possam jamais ter feito um trabalho artístico. TV, Cinema e Música são
as artes dominantes na mídia oficial, e dela vêm quase todos os "artistas" privilegiados pela mídia.

Pessoas vaidosas, fúteis, exibicionistas, infantilizadas tornam-se um modelo de ser humano que
muitos almejam seguir para obterem o mesmo sucesso social e financeiro de seus ídolos.

Incentivo ao arrivismo

Essa tendência está associada à anterior. Chegar à fama pelo caminho mais rápido é a intenção bem
realizada por muitas subcelebridades. O trabalho representa, dessa perspectiva, um meio precário, custoso
e demorado para o sucesso e a segurança financeira.

O programa de maior faturamento para a Rede Globo e para a Rede Record é o reality show de cada
uma. Agrada ao patrão, agrada ao povão.

Recompensa à sociopatia

A sociopatia é um desvio comportamental caracterizado por atos de natureza anti-social, não


acompanhados de arrependimento, culpa ou remorso, e geralmente precedidos de avaliação fria e
calculista da situação, centrada nos benefícios pessoais em detrimento do bem-estar alheio. A
incapacidade de se colocar na pele da outra pessoa (a empatia) e de sentir afeto por ela (a conexão
emocional) são as marcas emocionais da sociopatia.

A categoria pode abranger desde os tradicionais vilões da ficção e das telenovelas, e os monstros
humanos da vida real, até os políticos que desfalcam o erário sabendo que aquele dinheiro seria destinado
à educação, à saúde, ao transporte ou a outro benefício concreto à sua comunidade.

"Eu fiz isso por curiosidade há dois anos atrás: as últimas 80 capas da Veja, eu te digo uma coisa, se
não tinha ali 60% de sociopatas, pelo menos 40% tinha." (Ana Beatriz Barbosa Silva, psiquiatra.)

http://www.youtube.com/watch?v=1wq49iB3tjg

Uma das verdades da ficção – e também da vida real – é a superioridade do comportamento não-
verbal (os atos e os gestos) sobre o comportamento verbal (a fala), quando se deseja conhecer quais
valores motivam uma pessoa.

Quando a mais importante revista semanal brasileira privilegia sociopatas em suas capas, ela está
transmitindo uma mensagem e assumindo um valor, assim como o faz a mídia em geral ao elevar as
subcelebridades a ideais humanos. A mensagem: "Quer fama? Olhe aqui como conseguir".

Numa época em que os vilões se confundem com os heróis, em que chefes do crime organizado,
político ou empresarial são pilares da sociedade, a transformação (não assumida) de sociopatas e
psicopatas em heróis é um passo que não destoa do contexto.

TENDÊNCIAS MORAIS

Contradição estrutural entre os valores assumidos e os praticados

Das tendências anteriores se deduz esta. Os valores defendidos na prática pela imprensa e pela mídia
não concordam com aqueles assumidos verbalmente por seus profissionais.
Há várias versões do juramento do jornalista profissional. Umas, bem genéricas:

Exemplo 1
"Juro cumprir minhas obrigações como jornalista dentro dos princípios universais de justiça e
democracia, coerente com as idéias de comunhão e fraternidade entre os homens, para que o exercício da
profissão redunde no aprimoramento das relações humanas que resultará na construção de um futuro mais
digno, mais justo, para que os que virão depois de nós."

Exemplo 2
"Juro, como profissional de Comunicação Social, lutar pela liberdade de pensamento e expressão e
agir de acordo com os princípios éticos. Como jornalista, prometo respeitar os outros como a mim
mesmo, empenhar-me na construção da solidariedade humana e agir honestamente na busca pela
informação. Dessa forma, assumo o compromisso de ter na sociedade a fonte e o fim principal dos bons
frutos do meu trabalho e remover os obstáculos para que todos compreendam a importância da
comunicação para a sociedade e para a humanidade. "

Esta, entretanto, é problemática por causa do seu terceiro parágrafo:

Exemplo 3
"Juro, no exercício das funções de meu grau, assumir meu compromisso com a verdade e com a
informação.

"Juro empenhar todos os meus atos e palavras, meus esforços e meus conhecimentos para a
construção de uma nação consciente de sua história e de sua capacidade.

"Juro, no exercício do meu dever profissional, não omitir, não mentir e não distorcer informações,
não manipular dados e, acima de tudo, não subordinar em favor de interesses pessoais o direito do
cidadão à informação."

Este manual não seria possível se os princípios do terceiro parágrafo recebessem, na prática, a
atenção devida. Sendo direto: não haveria o PIG. O uso da atividade profissional do jornalismo como
meio para atingir objetivos, e não para informar, "construir a solidariedade humana", "aprimorar as
relações humanas" e outras generalizações espertamente imprecisas, é a marca da atuação do PIG e, em
geral, do jornalismo praticado na maioria dos países.

A bela cerimônia do juramento do jornalista profissional é, em muitos casos, o último momento de


contato com aqueles ideais.

A comparação do conteúdo dos livros e das aulas de um curso de jornalismo com a prática dessa
profissão chega a surpreender, quando comparada com a mesma situação em outras profissões. O médico,
por exemplo, realmente realiza aqueles exames, procedimentos e intervenções que são ensinados nos
livros e no curso profissional. O engenheiro, idem, quanto aos conhecimentos de sua atividade.

Compare, na média, o desempenho de vários profissionais em temos de ética, competência e


compromisso social. Agora imagine se houvesse, entre os outros profissionais, um descompasso tão
grande entre o ensino e a prática quanto o verificado na categoria dos jornalistas. O pão quentinho da
padaria é pão e sai quentinho – porque, segundo um colega brincalhão, não foi feito por um jornalista...

Se analisássemos a situação severamente, com olhos idealistas, poderíamos até dizer que os
jornalistas da grande mídia nacional, por sua própria iniciativa, tornaram-se uma subcategoria
profissional, a milhas de distância das demais, em termos de ética, competência e compromisso social.
Mas esta não é a nossa função.

Os conteúdos estranhos à realidade (e opostos aos valores assumidos) vêm de várias fontes:

. A posição do veículo.
. Os interesses empresariais do veículo.
. Os interesses empresariais ou políticos alheios, dos quais o veículo é representante.
. A posição do jornalista.
. A necessidade de adaptar a notícia ao público-alvo.

O sentido ético do jornalismo vai dos fatos para a notícia: a notícia está subordinada aos fatos e,
portanto, ela possui denotativo da realidade. O sentido aético vai da intenção prévia para os fatos e daí
para a notícia: a notícia está subordinada à intenção e, portanto, ela (a notícia) possui valor ilustrativo da
intenção e pouco valor denotativo quanto aos fatos.

A contradição de valores se dá também no nível da imagem pública: em seu trabalho, o jornalista


defende valores politicamente corretos, mas pauta sua vida por valores opostos. O contraste se torna
explícito, às vezes, por algum descuido lamentável, prejudicando a nossa imagem ante a opinião pública.
Um exemplo recente:

"Que merda: dois lixeiros desejando felicidades ... do alto de suas vassouras. Dois lixeiros... o mais
baixo na escala do trabalho". (Boris Casoy.)

http://www.youtube.com/watch?v=0H9znNpeFao

Outro exemplo, mais antigo (1998): "Isso é coisa de viado" (Pedro Bial).

http://www.youtube.com/watch?v=4U7fdjmh9wk

Este exemplo é de 2008. Durante a transmissão da Festival Folclórico de Parintins, no Bumbódromo,


o apresentador José Luiz Datena revelou o que realmente pensava e sentia sobre o espetáculo (achando
que o áudio não estava sendo transmitido) – uma posição bem diferente das afirmações elogiosas feitas
antes e depois destas falas:

http://www.youtube.com/watch?v=eLJJ2TYtAT8

***

Observe como as tendências reveladas acima integram-se perfeitamente com a visão do jornalismo
como linha fundamental do jogo do mercado, da influência e do poder. Nesse contexto de relaxamento
profissional é fácil inserir notícias de interesse desse ou daquele grupo, deturpar declarações e posições de
grupos adversários, esconder fatos incômodos, promover causas e situações favoráveis a um ou outro lado
– enfim, manipular a realidade no sentido dos interesses do manipulador.

E a opinião pública, acostumada a esse nível de desempenho profissional, treinada a esperar mais do
mesmo, quando não uma intensificação desse processo de degradação jornalística, ou cai na armadilha ou
reclama inutilmente porque no jogo só entra quem tem cacife. Só recentemente o chamado "grande
público" conseguiu o seu cacife – a internet, a grande novidade desse jogo – cuja atuação já se revela
preocupante.

Outra vantagem do conteúdo alienante e fútil oferecido pela mídia ao grande público é sua função de
atrativo irresistível, conveniente desvio de atenção das jogadas que se desenvolvem nos bastidores da
sociedade – e que acabam influenciando de maneira decisiva a vida cotidiana da população entretida com
futilidades.

VERDADES INCONVENIENTES SOBRE O NOSSO PÚBLICO

Muito se fala, especialmente na blogosfera, sobre os defeitos da Grande Mídia. Somos vitrine, por
isso é fácil acertar pedras em nosso vidro fumê (que esconde estrategicamente os bastidores). Pouco ou
nada se fala sobre os defeitos do público – e eles são muitos.

Mas não é nossa função apontar esses defeitos, mesmo quando somos atacados. Nosso alvo é sempre
aquele que poderá nos trazer algum benefício. Incompatibilizar-se com a população significaria o mesmo
que entregá-la ao "outro lado". Lembre-se: são eles que compram, são eles que consomem, são eles que
acessam, são eles que votam.
Um exemplo arriscado:

"Brasileiro só sai da abulia quando soldados e voluntários roubam flagelados. Não são piores que
pais da pátria que surfam na marolinha sob a mansidão do rebanho que paga a conta." (Augusto Nunes.)

http://arquivoetc.blogspot.com/2008/12/augusto-nunes-sete-dias_21.html

Aqui, o jornalista não só criticou indiscriminadamente os brasileiros (de quem dependemos para
nossos objetivos), como também associou-os em ruindade ao nosso inimigo político. Esse tipo de
provocação só cabe nos textos dos clowns (palhaços), dos cães-ferozes e dos espalha-bosta, dos quais o
leitor espera tudo: o ataque se transforma em riso, ou então o leitor entende que, como no caso acima,
brasileiro refere-se aos outros brasileiros, e não a ele, leitor, e ao jornalista, impolutos integrantes da elite
moral da nação.

Outros exemplos
1. "Aprendam os que ainda não sabem: eu não dou a menor pelota para a massa, para o homem-
massa, para a grita das ruas. Eu quero que a massa se dane!" (Reinaldo Azevedo.)

http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/eu-quero-que-a-massa-se-dane/

2. "O verdadeiro analfabeto brasileiro é o eleitor." (Guilherme Fiuza.)

http://colunas.epoca.globo.com/guilhermefiuza/2009/11/09/dilma-e-inocente/

***

Conhecer os defeitos do público é, na verdade, o caminho para usá-los em nosso benefício – eis a
única razão para incluir este item no manual. Jamais acuse o público, apontando-lhe os defeitos óbvios
listados a seguir.

Foco psicológico no presente

Não é à toa que se associa o povo brasileiro às idéias de vida, emoção, intensidade, desfrute. É um
povo que, existencialmente, vive no presente.

Esse foco temporal tem duas desvantagens. A primeira é a tendência ao imediatismo, que leva o
brasileiro a não avaliar as conseqüências dos atos presentes; a reações emocionais rápidas, não mediadas
pelo pensamento; e à facilidade de ser manipulado pela apresentação de fatos aparentemente
convincentes. A segunda desvantagem é a dificuldade de lembrar o passado, que leva o brasileiro a não
fazer as relações necessárias de causa e efeito entre seu presente e seu passado (vide o proverbial
esquecimento dos candidatos em quem ele votou, poucos meses depois do voto); a desconsiderar o
passado em suas avaliações; e à facilidade a ser manipulado pela apresentação de fatos supostamente
ocorridos no passado, como base de um argumento interesseiro.

As técnicas de rodízio de escândalos e de repetição de mantras, entre outras, são de certo modo uma
resposta inteligente à facilidade de esquecimento do brasileiro, e a técnica de reinterpretação positiva do
passado também se baseia nessa tendência, agora para impor ao fato esquecido um novo significado,
favorável aos nossos interesses.

Emocionalismo

O ser humano é um animal emocional. O brasileiro, nesse aspecto, é humano como poucos.

Essa familiaridade com as emoções leva à ânsia pela estimulação afetiva. A demanda gera a oferta:
baixarias televisivas, polêmicas forjadas, "o bicho vai pegar", instigação das lágrimas nos entrevistados,
quadros de exploração paternalista da pobreza, tragédias superdimensionadas, declarações fortes, medidas
severas, o ataque pelo ataque, críticas ferozes, xingamentos, escândalos, "isso é uma vergonha" – pratos
feitos com a preferência nacional, entregues à mesa do lar para degustação.

Centrada no emocionalismo, qualquer ficção agradável ao povo e útil a nossos interesses passa – e
esta é uma mentirinha boa de verdade.

Ignorância histórica

Enumere as contribuições relevantes que serão deixadas pelos principais jornalistas, colunistas e
parajornalistas do PIG – aquelas que não estarão datadas daqui a 5 ou 10 anos, ou seja, que não se
relacionam ao dia-a-dia do jogo da influência e do poder. Compare essa produção com a de jornalistas
importantes de outros países, como os Estados Unidos.

A falta de cultura e erudição dos nossos representantes da mídia é notória, mas é também notória a
ignorância histórica da população brasileira: não conhece o passado da própria nação nem se interessa em
conhecê-lo. Trata-se de um defeito tão evidente que nem é necessário comentá-lo.

Incapacidade intelectual e passividade física

Um de nossos principais representantes na mídia televisiva definiu com precisão o brasileiro médio:

"Depois de um simpático 'bom-dia', [William] Bonner informa sobre uma pesquisa realizada pela
Globo que identificou o perfil do telespectador médio do Jornal Nacional. Constatou-se que ele tem muita
dificuldade para entender notícias complexas e pouca familiaridade com siglas como BNDES, por
exemplo. Na redação, foi apelidado de Homer Simpson. Trata-se do simpático mas obtuso personagem
dos Simpsons, uma das séries estadunidenses de maior sucesso na televisão em todo o mundo. Pai da
família Simpson, Homer adora ficar no sofá, comendo rosquinhas e bebendo cerveja. É preguiçoso e tem
o raciocínio lento." (Laurindo Lalo Leal Filho.)

http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos.asp?cod=358asp010

Acertou na verdade, errou na escolha dos receptores da verdade. Repetindo uma verdade óbvia:
muitas verdades da vida são politicamente incorretas. Por isso, cuidado para não reconhecê-las na frente
de estranhos. Os mais cuidadosos fazem ainda melhor: jamais enunciam essas verdades, embora sejam
exemplos vivos de sua existência. Aja com base nelas, sem assumi-las verbalmente.

A tendência à passividade física, mesclada com certo grau de masoquismo cívico, é reconhecida até
mesmo por apoiadores do "outro lado", como se pode ler neste comentário:

Horridus Bendegó disse:18/12/2009 às 19:31


"Para um país que já teve congelamento de depósitos bancários e não houve nenhuma revolução, não
me admira que um povo com mansidão bovina (só para questões políticas) tolere mais um dispositivo
(artifício ilegal) que afronta o Estado de Direito."

http://colunistas.ig.com.br/luisnassif/2009/12/18/a-pec-dos-precatorios/#comments

Civismo não é indignação udenista, mas participação política efetiva. Graças à Web, essa
possibilidade, paradoxalmente, ficou mais longe da população em geral. Antes, o povo não tinha
nenhuma válvula de escape de sua indignação: quando ela se acumulava, saía às ruas. Hoje, no minuto
seguinte ao de uma frustração, raiva ou mera discordância intelectual, lá está o internauta teclando e
aliviando a pressão, que não tem tempo de se acumular. Quando um protesto é marcado, quase ninguém
comparece. Para quê, se já disseram o que tinham a vociferar, se já xingaram o suficiente, se já sentiram
que sua opinião "contou", de alguma forma?

A incapacidade intelectual é o correspondente mental da passividade física. Multidões acompanham


caladas verdadeiras nulidades dizendo bobagens nos palcos de milhares de templos religiosos
recentemente construídos no País. Ninguém se levanta e diz: "Não concordo".
Todos temos em nossa família ao menos um exemplo de pessoa supostamente inteligente que
"acredita" em seus jornais preferidos ou nos telejornais de sua predilação.

A facilidade com que o PIG realizava seu trabalho de convencimento e influência, antes do Governo
Lula, surpreendia até os mais entusiasmados propagandistas do poder da mídia.

Os jornalistas se adaptam ao nível intelectual do público quando escrevem deste jeito (chamada no
site da revista Veja em 19/12/2009):

Repare em "blábláblá" (detalhe adicional: três acentos numa palavra) e "pé frio" (detalhe adicional:
sem hífen).

Não é nossa função corrigir defeito algum do público, mas sim aproveitá-lo. Aproveitamos a
passividade, por exemplo, quando caprichamos na manchete, sabendo que a maioria dos leitores não
passará dela. Aproveitamos a incapacidade intelectual quando usamos qualquer argumento troncho para
justificar um ataque ao "outro lado" ou uma defesa do "nosso lado". É simples assim.

Masoquismo cívico

Decorre das tendências anteriores esta conclusão: o brasileiro é, civicamente, um masoquista. Ele se
comporta exatamente do modo como deveria, se tivesse interesse de se prejudicar politicamente e de
prejudicar a própria nação, socialmente.

Deixa-se enganar com facilidade, aceita idéias e argumentos absurdos que o prejudicam, não defende
seus direitos com inteligência, esperteza ou, até mesmo, com a violência devida, não pressiona seus
parlamentares (que nem sabe quais são), reclama sem vontade de transformar a reclamação em ato –
enfim, só consegue manter a imagem de cidadão consciente porque elimina tudo isso da própria
consciência e nós, da imprensa, não temos a menor intenção de fustigá-lo por tendências de que tanto nos
aproveitamos.

Parcialidade

Muito se condena a imprensa por sua parcialidade. Pouco se comenta sobre a parcialidade típica do
brasileiro. Nem é preciso recorrer ao futebol, no qual ganhar um jogo contra o maior rival, aos 51 minutos
do segundo tempo, num lance em que o jogador está impedido e usou a mão é o sonho supremo de muitos
torcedores.

Nas questões sociais e políticas, o brasileiro tende a se fechar em sua escolha, lendo somente aquilo
que corrobora suas posições, eliminando jornais, rádios, TVs, sites e blogs que destoem de suas
preferências, e evitando ao máximo a famosa dissonância cognitiva, isto é, a percepção de que há pessoas
e idéias diferentes no mundo.

Essa forma de, mais do que puxar a sardinha, inclinar o mundo para o seu lado, pode ser aproveitada
para fixar posições favoráveis ao nosso interesse, até porque a teimosia é um componente associado à
parcialidade. Se alguém vem para o "nosso lado", tende a ficar nele. Além disso, torna-se mais fácil
realizar uma aplicação bem-sucedida de qualquer das técnicas deste manual porque a parcialidade é
acrítica: se a opinião que transmitimos é concordante com a da pessoa parcial, que lê, ela aceitará as
maiores barbaridades lógicas e as mais flagrantes mentiras – apenas porque reforçam a sua posição já
escolhida.
O PIG E O JORNALISMO

A VISÃO DO PIG SOBRE A FUNÇÃO SOCIAL DO JORNALISMO

Se você tem mais de 18 anos, já viveu o suficiente para saber que toda sociedade comporta um
conjunto de práticas socialmente assumidas e outro conjunto de práticas sabiamente ocultadas. E que esse
último conjunto de práticas é aquele que realmente explica o funcionamento da sociedade.

Se você pratica o jornalismo há mais de um ano, já conheceu o suficiente para saber que as técnicas e
os valores ensinados no seu curso de formação profissional são importantes no contexto universitário – e
só. Eles são o conjunto de práticas socialmente assumidas pelos profissionais, mas não o conjunto de
práticas ... praticadas.

Falando sem rodeios: a função social do jornalismo não é informar corretamente, servir aos interesses
da população ou fiscalizar o governo – estas são funções secundárias, subordinadas a interesses maiores.
O jornalismo é uma das mais importantes invenções humanas na luta pelo poder empresarial, social e
político. E como tal nós o usamos em nossas atividades profissionais, com maestria.

A SITUAÇÃO ATUAL

O adjetivo "preocupante" é suave para descrever a situação atual do jornalismo e da imprensa, não só
no Brasil como em todo o mundo. Vivemos uma fase de crescente desprestígio (ou decrescente prestígio,
melhor dizendo), fustigados pelas novidades do mundo digital, pelo abandono de anunciantes, pelo
deslocamento do público para a internet, pelo descompasso entre nosso conteúdo (tido como defasado) e
o conteúdo das novas mídias, e pelas dificuldades financeiras decorrentes desses fatores.

A tábua de salvação representada pelos contratos com o Estado só funciona em certos casos e mesmo
ela está sendo alvo de fiscalização inédita. Blogueiros e comentaristas virtuais se transformaram em
autoridades sociais que às vezes ameaçam pontualmente nossos interesses, processo cujo
desenvolvimento pode trazer ameaças mais do que pontuais. A identificação de nossas marcas com
antigas famílias do jornalismo, com políticos de vida polêmica ou com empresários suspeitos de crimes é
outro fator prejudicial à nossa imagem.

A surpreendente perda de influência da Grande Mídia no Brasil tornou-se um assunto público por
causa dos resultados nefastos de nossa atuação durante o Governo Lula. Depois de 7 anos inteiros de
ataques, pouco se conseguiu exceto a eliminação de pessoas-chave da administração federal, atingidas por
escândalos falsos ou verdadeiros. Um sinal objetivo desse fracasso foi a pesquisa, divulgada em 1/1/2010,
que revelou o Presidente Lula como o "brasileiro mais confiável" em todo o país – justamente o nosso
alvo principal:

http://oglobo.globo.com/pais/noblat/posts/2010/01/01/lula-o-brasileiro-mais-confiavel-aponta-
datafolha-254044.asp

Repare que, na Região Sudeste, um de nossos expoentes veio em segundo lugar:

"Entre os mais escolarizados e mais ricos, o presidente fica em quinto. Nesse recorte, Chico Buarque
lidera, seguido por William Bonner, Caetano Veloso e Roberto Carlos." (Fernando Barros de Mello.)

São dados frustrantes e animadores. Frustrantes porque revelam que erramos, animadores porque
indicam onde poderemos acertar.

Nosso trabalho vem sendo feito por jornalistas, colunistas e parajornalistas que são muito conhecidos
do público, e cujo viés político é mais do que sabido. Alguns deles ficaram marcados por erros crassos de
avaliação, previsões catastróficas não realizadas, repercussão de dossiês falsos e outros problemas
menores. Tudo que é demais cansa. A rotina desgasta. Talvez esteja na hora de repensar a estratégia de
mídia para que o leitor não chegue ao ponto de pensar: "Ah, não, de novo. Sempre aqueles gatos-
pingados, os mesmos de 10 anos atrás".

Por outro lado, o resultado animador no Sudeste, em que um simples âncora de TV (da nossa mais
fiel Rede) é visto como mais confiável que o Presidente, sugere uma adaptação interessante dessa
estratégia. Nossos expoentes na mídia estão identificados justamente com o Sudeste, onde foi registrado o
único resultado positivo.

O erro provavelmente não está nesses representantes, cujo trabalho foi bem-sucedido em sua região
de influência, mas na difusão do trabalho deles para outras regiões do País. Suas colunas e matérias são
publicadas nacionalmente, e aí está o descompasso: pessoas que nunca foram em certas regiões e que
(verdade seja dita) nem se interessam por elas, querendo influenciar seus habitantes. Os textos, em forma
e conteúdo, não estão adaptados ao jeito próprio de cada região, ao linguajar, aos valores, às coisas locais,
nada. Tudo transpira Sudeste em nossas peças de influência divulgadas no Centro-Oeste, no Nordeste, no
Norte...

O Governo Federal vem fazendo uma diversificação bem-sucedida na distribuição de verbas para
publicações regionais e adaptando sua mensagem a cada região. Nosso erro foi não ter percebido essa
necessidade antes dele.

Trecho de Raízes Sociais e Ideológicas do Lulismo, de André Singer, 2009.

http://www.slideshare.net/LuisNassif/razes-sociais-e-ideolgicas-do-lulismo?src=embed

Falar a língua dos apoiadores do "outro lado" será a próxima evolução da estratégia do PIG.

Além dessa diversificação de nomes, estilos e conteúdos, contamos ainda com a entrada de novos
militantes do "nosso lado" para trazer, com a sua criatividade, técnicas originais de ataque e defesa. Nosso
repertório precisa variar e crescer, sempre. Por isso, a primeira página do Curso indica que esta é a
Primeira Edição. Outras virão para ensinar novas técnicas a novos e antigos integrantes do PIG.

Para terminar, uma esperança no nível macro da Política.

Acuada, em vários países a mídia começa a experimentar um novo modelo de atuação, movendo-se
para dentro dos outros poderes da República. O Quarto Poder, além de ser o fiscalizador e, em muitas
situações, o orientador de outros poderes (como o Legislativo), lentamente vai percebendo que,
dependendo das circunstâncias, é mais vantajoso ser o poder do que influenciá-lo.

Apenas como ilustração, o premiê italiano Silvio Berlusconi, dono de um império das comunicações,
e o estadunidense Michael Bloomberg, prefeito de Nova York, deram esse passo com sucesso. Outras
tentativas fracassaram, como o golpe de Estado de 2002 na Venezuela, patrocinado pela mídia do país,
em especial a RCTV, que preferiu instalar um testa-de-ferro temporariamente no poder.

Soluções antigas já não estão disponíveis:


"Está tudo lá, no livro 1964: A Conquista do Estado, de Rene Armand Dreifuss. O golpe marcou a
conquista do Estado por um grupo de empresários nacionais e estrangeiros, aliados aos militares e a
Washington, cujo principal resultado foi a supressão de direitos políticos e econômicos já conquistados, a
supressão das ferramentas que poderiam ser utilizadas para novas conquistas e o arrocho salarial." (Luiz
Carlos Azenha.)

http://www.viomundo.com.br/opiniao/o-cidadao-boilesen/

Mas o novo caminho está aberto e será interessante (ou assustador – só depende de nós) verificar o
que nos reserva o futuro.

OS VÁRIOS JORNALISMOS DO JORNALISMO

Em nossa luta cotidiana nenhum apoio deve ser recusado, por critério algum: ético, moral, legal,
profissional etc. Por isso, estamos sempre receptivos à exploração das várias formas de fazer jornalismo,
das mais nobres às mais baixas. Cada camada da população (o povão, a classe média, as classes mais
instruídas) prefere uma dessas formas; portanto, convém oferecer-lhes todas.

1. A imprensa dita marrom.


Sua função é fazer o trabalho sujo, batendo abaixo da linha da cintura. Apetece ao povão, que gosta
de emoções fortes, situações de conflito, paixões à solta. Tudo é válido: sensacionalismo, veiculação de
mentiras, calúnias, insinuações maldosas, ataques injustificados, geralmente a serviço de interesses
inconfessáveis mas válidos na luta pela influência e pelo poder.

2. A imprensa engajada.
Agrada a quem prefere o jornalismo livre das amarras da ilusória obrigação de imparcialidade. É
representada por publicações assumidamente defensoras do "nosso lado" e por colunistas (geralmente
parajornalistas) que dão um toque de imprensa marrom a certos cantos de jornais ou revistas, e a
momentos de telejornais e a páginas de portais da Web.

3. A imprensa "séria".
Os órgãos tradicionais, formadores da Grande Mídia, têm a reputação de seriedade e credibilidade.
Sem eles seria impossível fazer o trabalho de convencimento da classe média e o trabalho de
representação dos interesses das classes mais abastadas. Sua função de formadores de opinião no País,
entretanto, ficou abalada a partir do Governo Lula

4. Imprensa oficial.
Divulga fatos e notícias de interesse do órgão oficial a que o veículo está subordinado, visando à
propaganda positiva de suas qualidades e realizações.

5. A imprensa alternativa.
Atualmente, essa imprensa corresponde à internet. Blogueiros do "nosso lado", nossas equipes de
comentaristas, nossos criadores e difusores de campanhas de e-mails, entre outros, sustentam essa nova
frente de luta, da qual vem a principal ameaça à influência e ao poder do PIG.

Do "outro lado", um conjunto de indivíduos usam a Web para veicular opiniões e interpretações
diversas daquelas que interessam à imprensa dominante, atuando como formadores autônomos de
opinião, às vezes com mais eficiência que seus rivais do mundo real.

6. O jornalismozinho.
Não se trata, na verdade, de um outro campo do jornalismo, mas de uma forma nova e disfarçada de
praticar o jornalismo engajado, na qual se evitam duas armadilhas: assumir o engajamento e cair no
jornalismo marrom. Essa forma inovadora foi sendo gestada lentamente para atender à sensibilidade de
um público mais refinado: em vez de baixaria, ironia; em vez de xingamento, recado; em vez de
acusações diretas, insinuações.

O neologismo "jornalismozinho" surgiu da forma diminutiva com que se denominam as várias


técnicas de atuação desses companheiros: a ironiazinha, a piadinha, a criticazinha, o debochinho, a
pirracinha, a picuinha, o estilo emburradinho – e vai por aí.
O excelente efeito obtido inicialmente nos blogs de jornalistas profissionais que foram pioneiros na
atividade online transferiu-se quase inconscientemente às suas colunas de jornais e às de seus colegas,
servindo de saudável contraponto à atuação mais aberta e violenta de parajornalistas, com seus estilos
clown, cão-feroz, espalha-bosta etc.

***

Para entender melhor as várias formas de atuação midiática do PIG, imagine que dentro de uma
mesma pessoa convivem aspectos infantis (mais ligados à emoção), aspectos adultos (mais ligados à
razão) e aspectos sociais ou culturais (mais ligados à moral). Metaforicamente, teríamos em nosso interior
uma criança, um adulto e uma autoridade moral (de funções semelhantes às do pai).

Nesse enquadramento, as várias formas de atuação do PIG sempre resultam na estimulação


preferencial de uma dessas três partes da personalidade: a imprensa marrom (ou seus procedimentos
típicos), a imprensa engajada e parte da imprensa alternativa cuidam do lado "criança" ao proporcionarem
companhia confortadora e incentivarem a liberação das emoções fortes; a imprensa séria e parte da
imprensa alternativa cuidam do lado adulto, ao comunicar os hard facts, fatos e argumentos "frios",
supostamente lógicos, que sustentam os interesses do "nosso lado"; e o jornalismozinho cuida do lado pai,
ao validar uma posição de autoridade e superioridade moral que justifica o lançamento contínuo de
dardos envenenados a quem se encontre em posição inferiorizada (o pessoal do "outro lado").

Essas formas de atuação podem ser exercitadas no mundo real ou no mundo virtual.

Evidentemente, quem já apresenta uma propensão de ver a realidade de um desses três modos tende a
preferir o estímulo que mais lhe agrada e mais incentive a recorrência de seu comportamento padrão.
Observe-se também que o povão, caracterizado pela afetividade mais solta, tende a preferir a primeira
opção; a classe média, de comportamento mais controlado (pelos valores da elite) e supostamente
responsável, opta pela segunda alternativa; e as classes altas se deliciam com as técnicas do
jornalismozinho.
PRINCÍPIOS DE ATUAÇÃO DO PIG

Os expoentes do PIG personificam princípios que devem ser lenta e pacientemente ensinados, pela
prática, a seus novos integrantes.

Um aviso da máxima importância: os princípios abaixo jamais devem ser assumidos, em público ou
em particular, por nenhum dos nossos integrantes. As paredes têm ouvidos, os telefone têm grampos, os
aposentos têm escutas. Demonstre os princípios e as atitudes na prática, ensinando-os por meio de
exemplo, pessoal e alheio, mas jamais assuma publicamente nem nossos princípios nem nossas atitudes.

Assim como os políticos, nossa imagem pública é moldada pelos ideais coletivos (a Luz), embora
nosso comportamento possa ser (e geralmente seja) comandado pelos interesses particulares e grupais,
geralmente inconfessáveis (a Sombra).

PRINCÍPIO DO REALISMO

Uma verdade inquestionável: o sistema é imbatível – qualquer sistema social que venha de longe, que
contemple muitos interesses e que esteja estruturado rigidamente, em vários níveis de atuação.

O sistema politico é imbatível. Pequenas mudanças poderão ser realizadas aqui e ali, mas nada que
altere a natureza essencial do sistema. Novos atores podem alterar um pouco a dinâmica do sistema, como
a influência atual da internet, mas ele permanece vigendo em sua plenitude.

Raros são os casos de mudança radical de sistema. O apartheid da África do Sul caiu não por causa
da atuação heróica de Nelson Mandela e seus comandados, mas por causa dela e de uma série de outros
fatores políticos, sociais, econômicos e geopolíticos. O Presidente Obama, dos Estados Unidos,
introduziu uma novidade chocante e positiva no processo eleitoral americano, mas seu governo não deve
diferir muito daquele que seria feito por outro candidato democrata.

O sistema político é bipolar. Há os que estão no poder e os que estão fora do poder. Se estamos no
poder, ou melhor, se nossos aliados estão lá, nosso comportamento é um; se estamos fora, é o exato
oposto. Aquele grupo que garante ou luta pelos nossos interesses é o "nosso lado". O grupo rival é o
"outro lado".

Consegue-se ou mantém-se o poder pela força (nos processos não democráticos) ou por alguma
combinação de dinheiro, organização, criatividade e poder de influência (nos processos democráticos).
Um partido organizado e marcado pela militância, como o PT, apresenta uma vantagem considerável
sobre os demais. Um partido que nada em piscinas de dinheiro, como o DEM, precisa compensar sua falta
de organização com criatividade e poder de influência.

Não se deve desprezar a criatividade neste processo. Na política brasileira, um exemplo se tornou
clássico: sem dinheiro, num partido nanico, o médico Enéas Carneiro virou político de prestígio tendo
apenas 15 segundos no horário eleitoral. "Meu nome é Enéas" tornou-se o bordão mais falado da
campanha presidencial de 1989.

Outro exemplo, agora fora da política. O cantor estadunidense Dave Carroll teve seu violão Taylor
quebrado pelos bagagistas da empresa áerea United Airlines, em viagem de Halifax a Nebraska. Durante
um ano tentou o ressarcimento, sem sucesso. Escreveu uma canção, "United Breaks Guitars" ("A United
Quebra Violões"), e o resultado foi este: mais de 5 milhões de acessos no YouTube tornaram a música o
hino extraoficial da companhia. E o cantor virou uma atração em todo o mundo.

http://www.youtube.com/watch?v=t53LYUamBZI
Um pequenino, assim como Enéas, usando apenas a criatividade, foi capaz de derrotar uma das mais
poderosas empresas dos Estados Unidos. Este é o poder da criatividade.

O ideal, numa luta, é ter tudo: força, dinheiro, organização, criatividade e poder de influência. Este
último fator é o campo de atuação do PIG. Numa campanha política, por exemplo, dinheiro vem dos
financiadores; organização, do partido e dos grupos associados; criatividade, da equipe de marketing; e
poder de influência, da mesma equipe, dos militantes, dos políticos e da imprensa. Algumas ações de
força, geralmente ocultas, não são incomuns durante uma campanha política.

O ideal, para a sociedade, seria a mudança do sistema. Mas ele é o que é. E ninguém está fora desse
jogo.

Somos pragmáticos. Vivemos no mundo real. Escolhemos um dos lados na disputa, aquele que
melhor promove ou defende os nossos interesses, e fazemos o melhor possível com os recursos que
possuímos.

PRINCÍPIO DA INFLUÊNCIA E DO PODER

"Sim, eu uso o poder [da TV Globo], mas eu sempre faço isso patrioticamente, tentando corrigir as
coisas, buscando os melhores caminhos para o país e seus Estados." (Roberto Marinho.)

Se analisamos objetivamente o comportamento das pessoas, veremos um princípio oculto que norteia
o seu comportamento, independentemente de idade, status ou classe social: a busca da satisfação pessoal.
Como vivemos em sociedade, precisamos das outras pessoas para nos satisfazermos em quase tudo. Essa
dependência estabelece as relações de influência e poder.

O mesmo princípio vale para as relações sociais mais abrangentes. Grupos, partidos, nações têm
interesses próprios e precisam exercer influência e poder sobre outros grupos, partidos e nações para
conseguir a satisfação desses interesses.

Uma tradução popular e simplificada deste princípio poderia ser: "É o jogo da influência e do poder,
estúpido!" Seja esse poder pessoal, político, financeiro, empresarial ou de qualquer outra natureza.

O princípio do realismo leva o PIG a aceitar essa imposição social. E a aproveitar plenamente seus
recursos disponíveis para essa luta, das situações mais importantes às mais triviais.

Um exemplo bem simples:

Você esteve lá para decidir se ela brilhou ou não? Quem passou a notícia? Sim, o redator decide o
que aconteceu, tenha ou não acontecido de fato.

Este é o poder maior, de natureza quase divina: o poder de determinar e definir a realidade. Você
verá esse poder sendo exercido na maioria das técnicas de ataque e defesa ensinadas neste manual. Quem
tem a palavra exerce o poder de definir (lingüisticamente) a realidade.

O poder da palavra baseia-se em quatro procedimentos:

1. Revelação.
A revelação consiste naquilo que o jornalista revela ter acontecido e que passa a ser, para o leitor, o
próprio fato, ao qual ele reage emocional e intelectualmente. Na consciência do leitor, esse fato assumirá
a natureza de uma crença ("isso de fato aconteceu"), mesmo que na realidade exista um vazio onde o
jornalista afirma ter acontecido algo.

Exemplo: uma crise governamental falsa divulgada pela imprensa.


2. Ocultamento.
O ocultamento consiste na omissão de fatos, detalhes, circunstâncias etc. importantes para o
conhecimento e a compreensão de um fato, por causa de uma decisão consciente do jornalista. Essas
informações não chegam à consciência do leitor e, portanto, não serão usadas na avaliação da realidade.

Exemplo: a não-divulgação de uma operação cirúrgica a que foi submetido um expoente do "nosso
lado".

3. Seletividade.
A seletividade é a divulgação parcial de informações, ressaltando-se os pontos que interessam ao
jornalista e eliminando-se aqueles que seriam prejudiciais aos seus interesses.

Exemplo: no famoso caso do "grampo sem áudio" no STF, a transcrição do grampo restringia-se a
uma conversa inócua entre o senador Demóstenes Torres e o presidente do Supremo, Gilmar Mendes. Os
jornalistas que divulgaram o trecho sabiam do fato, mas não se interessaram pelo restante da suposta
gravação porque ela poderia comprometer o efeito da denúncia.

4. Distorção.
A distorção consiste na alteração consciente de qualquer fato ou elemento do fato (circunstância,
causa, efeito etc.), de tal modo que o fato comunicado difere um tanto ou bastante daquilo que realmente
aconteceu.

Exemplo: a "escandalização do nada", em que um problema trivial é elevado a crise institucional pelo
modo como é tratado pela imprensa.

5. Atribuição de significado.
A atribuição de significado consiste no estabelecimento de uma moldura (enquadramento) que impõe
uma forma específica de compreensão do fato. Ao significado está associado um grau de importância.

Exemplo: a denominação "derrota humilhante" para um recuo político natural no jogo do poder.

E, como você aprenderá adiante, ao exercer influência e poder de uma perspectiva realista, aplicando
esses procedimentos, tudo pode ser utilizado e tudo pode ser sacrificado: valores, posições, pessoas,
grupos...

As palavras, os procedimentos, aquilo que é utilizado e o que é sacrificado, as técnicas específicas de


ataque e defesa – tudo isso são meios para atingir o nosso objetivo: fazer da opinião publicada a opinião
pública.

A opinião pública é a nossa massa de manobra. Ela constitui uma força fundamental, atuante
principalmente no jogo político. Nosso objetivo é torná-la representante dos nossos interesses imediatos e
contextuais, para que exerça a sua força e se comporte segundo nossa vontade (por exemplo, votando ou
manifestando-se nas ruas).
.
Os interesses (mantidos ocultos) determinam a opinião publicada, cujo objetivo é determinar a
opinião pública. Portanto, a opinião publicada deve ser aquela que, subliminarmente, melhor represente
os interesses ocultos e que tenha a maior eficiência no sentido de harmonizar a opinião pública com esses
interesses.

Representatividade e eficiência – são esses os critérios supremos para a escolha contextual das
técnicas que você conhecerá na parte prática deste Curso.

A importância de um vasto repertório de técnicas é óbvia: quanto mais técnicas, mais diversidade,
ressonância e peso em nossa atividade de influência, e mais escolhas teremos em cada situação.

O exercício desse poder quase divino gera reações de certos setores da sociedade, especialmente
daqueles prejudicados por nossos interesses. Um dos alvos do "outro lado" é o maior exemplo da
aplicação bem-sucedida deste princípio, nas últimas décadas: as Organizações Globo.
O famoso Caso Proconsult, em 1982, marcou o momento em que a influência midiática ameaçou
estender-se à apuração de um processo eleitoral, ilustrando bem a diretriz de que toda oportunidade deve
ser aproveitada. A reação foi tão forte quanto a ousadia inicial. Para entender o Caso:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Caso_Proconsult

"Plim Plim: a Peleja de Brizola Contra a Fraude Eleitoral", Paulo Henrique Amorim, em parceria
com Maria Helena Passos.

"O outro golpe que Brizola evitou", Paulo Henrique Amorim:

http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=283ASP004

A página do link acima contém, o que é mais importante, a nossa resposta à acusação: "Paulo
Henrique Amorim mente", Ali Kamel.

Em 1989, Leonel Brizola, o político que quase foi prejudicado em 1989, atacou nosso principal
expoente midiático:

http://www.youtube.com/watch?v=9QMOLP_WXJE

Ainda em 1989, o "nosso lado" usou seu poder e a técnica da previsão catastrófica para fustigar a
campanha do nosso principal adversário, Lula, durante o debate presidencial:

"Luiz Fernando Emediato: Candidato Lula, essas aqui são umas páginas do seu programa de governo.
E está claro, aqui nas páginas 13 e 15 do seu programa, que o projeto social, econômico e político do PT
não consiste apenas em ganhar a eleição. Isso seria apenas o primeiro passo. Está aqui: seu sentido
histórico é de fazer uma reforma radical, uma revolução socialista. O senhor sabe que isso é perigoso. O
próprio PT admite aqui na página nove, que as reações podem ser brutais, porque alguém tem que perder
com essa revolução. O senhor está prometendo a felicidade para quem votar no senhor. Essa felicidade
pode ser comprometida. O senhor teria coragem e sinceridade de falar para os seus eleitores, aqui e agora,
que se essa reação brutal acontecer o senhor terá de reprimir – quem sabe, até, pelas armas – os seus
opositores, como defendem alguns de seus aliados, como os do Partido Comunista do Brasil?"

http://blogdomello.blogspot.com/2008/06/vdeo-debate-lula-e-collor-em-1989.html

A última participação marcante da imprensa naquele processo eleitoral foi a edição tendenciosa do
último debate entre Lula e Collor:

http://www.youtube.com/watch?v=iIYAaXIVwvk

"A mais polêmica edição do Jornal Nacional", Alexander Goulart:

http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=473MCH002
"Collor, Lula e a bola fora do articulista", Mônica Bergamo:

http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos/jd280820021.htm

Um exemplo bem-sucedido da aplicação de várias técnicas contra um só adversário:

"Ao final do segundo turno, três episódios negativos ao petista foram decisivos para o desfecho das
eleições. O programa na TV de Collor trouxe Mirian Cordeiro dizendo que Lula, seu ex-marido, batia
nela. Aliado a um discurso de que Lula traria insegurança por ter origem de esquerda, o empresariado
mostrou-se refratário ao candidato do PT: o então presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do
Estado de São Paulo), Mário Amato, afirmou que se Lula vencesse 100 mil empresários deixariam o país.
E, por fim, a edição feita pela Rede Globo do último debate da campanha favoreceu Collor." (História -
1990 - Fernando Collor de Mello, UOL.)

http://www1.folha.uol.com.br/folha/especial/2002/eleicoes/historia-1990.shtml

A reação contra nossas ações pode acontecer também em nível internacional. O documentário
britânico "Muito Além do Cidadão Kane", de Simon Hartug, exibido em 1993 pelo Channel 4, trata do
empresário Roberto Marinho, fundador das Organizações Globo.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Beyond_Citizen_Kane

O vídeo do documentário:

http://video.google.com.br/videoplay?docid=-
5065516150027779529&ei=Mls4S9ydEMKDlgfXyMjSDw&q=google+video+cidad
%C3%A3o+kane&hl=pt-BR#

Em 1994, a Rede Globo foi obrigada a exibir o direito de resposta de Leonel Brizola a um editorial
em que Roberto Marinho chamava o político de "senil" (texto de 1992):

http://www.youtube.com/watch?v=fWt9R8oCDnQ

Nada disso deve servir de obstáculo ou desestímulo às nossas ações. São circunstâncias que fazem
parte da luta, assim como numa guerra os dois lados estão sujeitos a baixas e a derrotas em batalhas.

Outras situações de uso arbitrário do poder são a famosa "lista negra", na qual estão registrados
nomes de quem não pode aparecer nos órgãos de determinada empresa de comunicação, não importa a
sua relevância e sua atuação recente na sociedade, e a "lista de alvos", o grupo de pessoas que ficaram
marcadas por não ajudar a empresa quando houve tal solicitação, e que podem e devem ser atacadas com
freqüência, sem motivo aparente.

Obviamente, a influência e o poder são valorizados porque levam, no nível individual, a bens e
dinheiro, e no nível social, a possibilidades de usufruto do poder e da influência que levarão a ter acesso a
recompensas materiais (bens, dinheiro, empresas) e imateriais (prestígio, a sensação de poder, fama etc.)

PRINCÍPIO DA RELATIVIDADE ABSOLUTA DOS VALORES

Não há valores absolutos, só aqueles que forem úteis na luta, contextual e temporariamente.

Para obter influência e poder, a ética é apenas um instrumento na luta. Assim como o dinheiro, a
função política e empresarial, o prestígio social, a ocupação de espaços na mídia, os pontos fracos do
adversário, os nossos pontos fortes, a opinião do público, os inocentes úteis, o escândalo político...

Por exemplo, quando for interessante e útil, a moral social é abonada (exemplo: uma infidelidade
amorosa do adversário); quando não for, ela é descartada (exemplo: uma infidelidade amorosa de um dos
nossos expoentes políticos).

Recomendamos considerar tudo como recurso ou ferramenta, e nada como um valor sagrado.
PRINCÍPIO DO DESCARTE ESTRATÉGICO

Nenhuma arma, estratégia, valor, aliado, ferramenta tem utilidade além do seu valor na luta pela
influência e pelo poder. Assim que essa utilidade finda, aquilo que se tornou inútil é descartado.

Um exemplo óbvio é a longa trilha de escândalos abandonados pela imprensa durante o Governo
Lula. Assim que um deles se tornou inútil para a luta política, foi imediatamente substituído por outro.

O mesmo procedimento vale para pessoas. Colaboradores são cooptados quando necessários e
descartados quando sua utilidade contextual e temporária chegou ao fim. O caso abaixo, do obscuro
economista Maílson da Nóbrega, elevado a ministro da Fazenda por influência de um de nossos
expoentes e depois "rifado" pela mesma autoridade, ilustra bem este princípio:

http://epocaestadobrasil.wordpress.com/2009/09/16/willian-bonner-lanca-livro-jornal-nacional-
%E2%80%93-modo-de-fazer/

Existe uma regra não escrita, no caso de impropriedades graves cometidas por alguém defendido pelo
"nosso lado": se ele não for uma peça principal do jogo, que não pode ser perdida sob pena de derrota
definitiva para o "outro lado", a descoberta dessa impropriedade grave é o fim do relacionamento com o
responsável. Foi descoberto, está descartado. Por isso se diz que o jogo é para os espertos. Cuide de não
ser descoberto, antes de tudo.

De povo para povo há diferenças culturais marcantes nesta situação. No Japão, por exemplo, o
político pego em falcatrua humilha-se em público ou suicida-se no recesso do lar. No Brasil, a
complacência cultural com os corruptos e com o sistema político (corrupto em si mesmo) não estimula
atos dramáticos. Mas o valor estratégico do político é geralmente depreciado ou anulado por uma
denúncia bem fundamentada. Ele não sai da vida nem da política, mas é expulso do campo principal de
jogo.

PRINCÍPIO DA CRIAÇÃO, APROVEITAMENTO E REPERCUSSÃO

No jogo do mercado, da influência e do poder, tudo se cria, tudo se aproveita, tudo se repercute.

O resultado ideal da aplicação de uma técnica de ataque ou defesa é a produção, na consciência do


destinatário (leitor, ouvinte ou espectador), de impressões imediatas fortes que gerem efeitos de médio ou
longo prazo: "Esta é a realidade – reaja fortemente a ela e fixe essa situação em sua memória" é a
mensagem

Tão importante quanto criar o fato ou a impressão é aproveitá-lo, desenvolvendo seus aspectos,
ângulos e possibilidades de exploração, e repercuti-lo das mais variadas formas possíveis. Essa
repercussão depende muito da participação de colunistas, parajornalistas, especialistas, blogueiros e
políticos do "nosso lado". Quanto mais veículos da mídia estiverem envolvidos, melhor.

Idealmente, qualquer ataque ao outro lado deve ser aproveitado e repercutido por um bom tempo,
visando desgastar ao máximo o nosso adversário.

PRINCÍPIO DO CORREDOR POLONÊS

A melhor situação para se impor a um adversário durante a luta é o corredor polonês: ele sozinho
sofrendo ataques simultâneos e/ou sucessivos de várias fontes (os integrantes e órgãos do PIG), com o
uso de várias armas (as técnicas de ataque), de todas as formas (criação, aproveitamento e repercussão).

A. Ataques originários de fora do PIG

São os ataques que não partem dos tradicionais integrantes do PIG e que vêm de fontes
aparentemente desapegadas do jogo do poder.
Exemplo 1
"O número 3, no tarô, é a carta da Imperatriz, que remete à prosperidade e ao excesso de confiança.
Será um alerta para o salto-alto de Lula?" (Daniel Campos.)

http://oglobo.globo.com/pais/noblat/posts/2009/12/13/anuncios-furduncios-de-2010-248799.asp

Comentários
Aqui temos um tarólogo fazendo um ataque político travestido de predição.

Quanto mais inesperada for a origem do ataque, mais efeito ele terá porque o leitor acostumou-se a
associar a nossa atuação somente a fontes convencionais. E fontes não-convencionais transmitem a
impressão de uma opinião disseminada na sociedade, e não apenas concentrada nos veículos tradicionais
do PIG.

Exemplo 2
"O presidente Micheletti deu uma aula de prudência e democracia. Tinha motivos de sobra para
romper relações com o Brasil, que exoticamente 'hospedou' Zelaya, e não o fez. Agiu com moderação e
firmeza em relação aos que incitavam contra a ordem constituída ou praticavam atos de vandalismo.
Conduziu com serenidade o país até a realização das eleições previstas na legislação local. Celebrou o
Acordo Tegucigalpa/San José, que buscava construir parâmetros políticos para pacificar o país."
(Everardo Maciel.)

http://oglobo.globo.com/pais/noblat/posts/2009/12/13/licoes-hondurenhas-mais-uma-vez-249594.asp

Comentários
Aqui temos um ex-Secretário da Receita Federal fazendo um ataque ao nosso adversário doméstico
em meio a lições de geopolítica.

É importante que os profissionais "de fora" tenham criado uma aura de autoridade em sua área,
mesmo que seus comentários se refiram a domínios da realidade nas quais sejam tão leigos quanto o Zé
do Boteco da Esquina.

O ataque acima também ilustra o princípio do vale-tudo no jogo do poder: um golpista canhestro
deve ser representado como um estadista notável se essa transformação servir à promoção dos nossos
interesses.

Exemplo 3
"Ciência ou farsa?"

http://arquivoetc.blogspot.com/2009/12/ciencia-ou-farsa-joao-luiz-mauad.html

Comentários
Aqui temos um administrador de empresas pontificando sobre aquecimento global, um assunto
científico altamente complexo. Corretamente, o jornal O Globo, crítico da posição governamental,
permitiu que uma pessoa "de fora" fizesse afirmações como "há fundadas suspeitas de que podemos estar
diante de uma fraude", visando reforçar o lado que privilegia o desenvolvimento econômico em
detrimento da Natureza.

Exemplo 4
"Se os meteorologistas cometem erro de um dia para o outro, como posso confiar em seus
prognósticos para 2050 ou, pior ainda, para 2100?" (Diogo Mainardi, contestando uma tese científica
assumida pelas esquerdas.)

http://arquivoetc.blogspot.com/2009/12/diogo-mainardi-eu-e-o-urso-canibal.html

Comentários
Aqui temos um escritor discorrendo sobre o mesmo assunto do exemplo 3. Como os "de fora" não
estão sujeitos à avaliação crítica reservada a profissionais da área tratada pelo texto, eles se encontram
livres para incorrer em erros lógicos, informativos e técnicos, sem que isso abale a força de suas
convicções.

Para ilustrar este ponto, o colunista confunde previsão imediata do tempo, uma avaliação de certo
grau de imprecisão, com a média das temperaturas durante um longo período, avaliação com alto grau de
precisão. Conte sempre com o desconhecimento do leitor quanto a esses temas, desconhecimento às vezes
tão grande quanto o do escritor.

Exemplo 5
"Na teoria dominante e até o Plano Real, não seria a sociedade o motor de transformação do sistema,
mas o estado, por meio dos seus salvadores e letrados situados acima da história e das leis por eles
promulgadas. Esses são os verdadeiros filhos do Brasil. Dir-se-ia que há uma contradição, pois os eleitos
podem ser pobres e pouco instruídos, como o Lula." (Roberto da Matta.)

http://arquivoetc.blogspot.com/2009/12/roberto-damatta-os-verdadeiros-filhos.html

Comentários
Aqui temos um antropólogo reforçando o preconceito de imagem preferido do PIG, em relação ao
Presidente. Repare como essa afirmação, partindo de um intelectual, dá um verniz científico à
depreciação (intelectual) do alvo de ataque.

Exemplo 6
"Hoje, Ipea, FGV e demais instituições abduzidas pelo petismo espalham pencas de 'estudos' sobre
inclusão social, curiosamente sempre com corte temporal a partir de 2003. A vida melhorou com o
presidente bonzinho, querem provar os acadêmicos de aluguel.

"O que mais tirou gente da pobreza no Brasil nos últimos 15 anos (sim, o Brasil não começou há sete
anos) foi uma coisa chamada política monetária – aquela que não sobe em palanque de Lula e do PT,
primeiro governo da história a fazer oposição ao seu próprio Banco Central." (Guilherme Fiuza.)

http://colunas.epoca.globo.com/guilhermefiuza/2009/11/

Comentários
Aqui temos um escritor de pouca expressão dando aula de política monetária e contestando
acadêmicos e instituições respeitadas nessa área profissional.

B. Ataques originários de dentro do PIG

Essa categoria é amplamente coberta pelas técnicas ensinadas a seguir. Apenas um exemplo:

"O governo está usando até o limite da irresponsabilidade a permissão para gastar dada aos governos
nacionais pela crise financeira que se abateu sobre o mundo a partir de setembro do ano passado, com a
quebra do banco Lehman Brothers nos Estados Unidos." (Merval Pereira, comentarista político dando
aula de Finanças.)

http://arquivoetc.blogspot.com/2009/12/merval-pereira-no-limite.html

Vale a pena destacar a diretriz básica: toda oportunidade deve ser aproveitada. Na imagem abaixo, o
livro do jornalista Ali Kamel sobre Lula, mostrando a vertente literária do PIG:
Outro livro da mesma linha, agora do jornalista Marcelo Tas:

Observe como o conjunto desses ataques – de integrantes do PIG e de agentes externos – cria a
situação do corredor polonês, submetendo o alvo escolhido a um simbólico (e, alguns críticos diriam,
covarde) festival de pancadas. Novamente: é da natureza do jogo – só reclama quem não a conhece.

PRINCÍPIO DO SANGRAMENTO CONTÍNUO

Esse conjunto de princípios e procedimentos visa causar no adversário, se não a morte simbólica, ou
seja, o abandono forçado da posição atual e da luta (o efeito ideal), ao menos a situação simbólica de
sangramento contínuo, ou seja, a perda crescente de prestígio, poder e força, dentro do próprio grupo
político e na visão da opinião pública.

Esse estado de sangramento contínuo é um resultado natural do corredor polonês, o corredor


representando o tempo e os agressores representando nossos colegas da mídia, atuando em conjunto para
minar o adversário.

Mesmo que nossos ataques não causem morte ou sangramento, eles obrigam o adversário a ficar
sempre na defensiva, impõem o desvio de atenção do trabalho, exigem gastos para comprar aliados,
desgastam continuamente a imagem do grupo ante a população, entre outros malefícios desejáveis.

Qualquer estorvo ao "outro lado" é bem-vindo. Este é o menor resultado aceitável da aplicação
eficiente de alguma técnica de ataque ou defesa.

O sangramento contínuo é uma estratégia de longo prazo, muito eficiente quando se trata de derrubar
grupos ou governantes que não atendem aos interesses do "nosso lado", possibilitando assim a sua
substituição por indivíduos e grupos simpáticos aos nossos objetivos.
ATITUDES DEFINIDORAS DO PIG

Muitas técnicas reveladas neste manual surgirão espontaneamente em seu texto se você adotar
determinadas atitudes ao lidar com os fatos a serem relatados (ou melhor, deturpados) em sua atuação.
Foi assim que as técnicas surgiram (a partir dessas atitudes); portanto, ao adotar as atitudes reveladas a
seguir você estará, automaticamente, reproduzindo o caminho natural dos criadores dessas técnicas.

ATITUDES FILOSÓFICAS

Acolhimento da Sombra

O ser humano é luz e sombra.

Temos um lado luminoso, que se manifesta nos atos bondosos, criativos e nobres, e cujo
desenvolvimento em princípios, leis, costumes e instituições gerou a civilização. Temos um lado sombrio,
que se manifesta nos atos maldosos, destrutivos e vis, e cujo desenvolvimento gerou a opressão e a
tirania. Nosso lado civilizado e nosso lado potencialmente bárbaro convivem dentro de nós e se projetam
para fora de nós.

A atitude-símbolo da civilização é o respeito ao próximo, base dos preceitos morais e legais. Imagine
uma linha divisória no campo das possibilidades humanas. Do lado de cá, a civilização, a Luz; do lado de
lá, a barbárie em potencial, a Sombra. Para ultrapassar essa linha, quem está do lado de cá precisa
abandonar a atitude de respeito ao próximo. Feito isso, o progresso no território da Sombra é tranqüilo.

O princípio do realismo ensina que, no jogo do mercado, da influência e do poder, quem fica do lado
de cá tem mil vezes menos possibilidades de vencer do que os do lado de lá. A razão é simples: o
conjunto de recursos disponíveis a quem se limita por causa do respeito ao próximo, da fidelidade a
juramentos profissionais, da obediência à lei etc., é mil vezes menor que o conjunto de recursos
disponíveis a quem abandonou esse respeito e libertou-se dos freios morais e legais: imediatamente, todos
os recursos ficam à disposição do jogador – em especial, os mais poderosos.

Quem pretende não só jogar o jogo, mas vencer nele, precisa passar para o lado de lá. Não há
escolha. Os fundadores de religiões (não das instituições) foram Mestres da Luz, mas vários de seus
representantes supremos foram Mestres da Sombra – um delicioso paradoxo histórico que nos mostra a
força desse outro lado no ser humano. Para difundir, fazer valer e impor a sua religião, eles precisaram
lidar com o mundo real.

O jornalista, portanto, precisa despertar o seu lado sombrio (algo muito fácil de fazer, convenhamos)
e aceitá-lo, para então agir com base em impulsos vindos dessa parte da sua personalidade. Assim, ele se
sentirá confortável ao utilizar as técnicas ensinadas neste manual.

Nem é necessário dizer que esse compromisso com o lado de lá jamais será reconhecido
publicamente. No jogo da influência e do poder, quem cuida das representações sociais é a Luz, mas
quem cuida das jogadas é a Sombra. Palco e bastidores, luz e sombra, persona e ser – é melhor que eles
fiquem bem separados.

Flexibilidade interesseira

A qualquer momento, se isso for proveitoso aos nossos interesses, uma posição de oposição pode
mudar para a de situação, e vice-versa. E uma posição contrária a um empreendimento pode mudar para a
posição favorável, ou o contrário.
Tudo depende dos benefícios concretos a serem auferidos com a mudança. Esses benefícios podem
ser de natureza empresarial e financeira, motivada por contratos vantajosos (apenas um exemplo) ou
política, motivada por acordos estratégicos (idem).

Nenhuma mudança, porém, será realizada por motivação puramente ideológica. Ideologia não
garante, por si só, consumidores, contratos, retorno financeiro, embora geralmente a ideologia esteja
associada a grupos de interesse e sejam mais freqüentes os benefícios oriundos de grupos, instituições e
governos ideologicamente afins à nossa visão de mundo.

Num conflito entre a ideologia e o interesse, porém, o vencedor é sempre o interesse. Por exemplo, a
defesa intransigente do estado mínimo e a defesa da livre concorrência podem ser temporariamente
esquecidas ao se recorrer ao estado, beneficiando-se da inexigibilidade de licitação para vender algum de
nossos produtos a um governo. O benefício empresarial será recompensado com uma atitude de defesa
intransigente dos interesses políticos desse governo (e somente dele) – ao menos durante o tempo em que
durar o benefício.

A partir do momento em que um alvo se torna um beneficiador, por meio de um contrato ou acordo,
ele deixa de ser alvo de ataque e passa a ser objeto de defesa. Mas se o alvo já consolidado for um
beneficiador involuntário, como no caso do Governo que tem de fazer publicidade num órgão em fase
oposicionista, o benefício não será suficiente para impor a mudança de posição.

A mesma atitude de flexibilidade interesseira ou pragmatismo político é válida para indivíduos que
façam parte desse jogo. Mesmo os antigos colaboradores e beneficiadores do PIG podem ser descartados
se o jogo do poder, por exemplo, exigir o seu sacrifício no presente. Todos os que participam do jogo
conhecem as regras; portanto, não há motivo para remorsos e recriminações quando um velho
companheiro é "jogado às feras" da mídia e da opinião pública. Um exemplo recente:

. Antes – José Roberto Arruda, o governador modelo: "Ele deu a volta por cima" (Otávio Cabral,
Veja, 15/7/2009).

"Numa cidade acostumada a conviver com exibições grotescas de todo tipo de privilégio e
desperdício de dinheiro público, o governador chegou pela contramão. Demitiu funcionários, pôs as
contas em ordem, tirou camelôs e vans irregulares das ruas, enfrentou grevistas e freou um processo
histórico de invasão de terras públicas."

http://veja.abril.com.br/150709/ele-deu-volta-cima-p-015.shtml

. Depois – José Roberto Arruda, o governador bandido: "Entre a máfia e a máfia" (Diego Escosteguy,
Veja, 24/12/2009).

"Apesar das evidências de corrupção, Arruda consegue permanecer no cargo – e seu sucessor pode
ser o homem que o ensinou a roubar."

http://arquivoetc.blogspot.com/2009/12/entre-mafia-e-mafia.html

Oposicionismo ontológico

O oposicionismo ontológico é a atitude de oposição a tudo que todos os integrantes do grupo


adversário fizeram, estejam fazendo ou venham a fazer: todos os seus comportamentos, todas as suas
intenções e realizações, todas as suas supostas qualidades são automaticamente atacadas, diminuídas,
desqualificadas. Nada que venha deles pode ser bom, e tudo o que vem deles é ruim.

Essa atitude representa a liberação plena do lado ódio da dinâmica emocional de amor e ódio (veja
mais abaixo). Todas as formas de ataque ficam disponíveis a quem percebe a realidade a partir dessa
perspectiva e se deixa motivar por essa atitude.

Para conhecer um notável exemplo de como se deve exercitar essa perspectiva e essa atitude, e de
como delas derivam naturalmente várias técnicas exploradas neste manual, consulte o artigo do link
abaixo – escrito, é claro, do ponto de vista de um dos nossos adversários. Observe como a atitude é
exercitada incessantemente pelo articulista visado, para todo e qualquer comportamento abordado por ele.

http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos.asp?cod=567FDS002

Neste manual, a atitude de "oposicionismo ontológico" vem depois da atitude de "flexibilidade


interesseira" por uma simples razão: o oposicionismo ontológico sempre será subordinado aos nossos
interesses. É imperativo mudar a atitude de oposicionismo ontológico para a de situacionismo ontológico
quando a mudança nos for mais proveitosa. Exemplo óbvio: quando um dos "nossos" estiver ocupando o
poder, ou quando alguém ou algum grupo passar para o "nosso lado". Todo beneficiário da atitude de
situacionismo ontológico se torna objeto de defesa intransigente da nossa parte: nada do que ele faz pode
ser ruim, e tudo o que faz é bom.

Além disso, as duas atitudes podem coexistir e o fazem inevitavelmente, mas quanto a alvos de
ataque e objetos de defesa diferentes. É comum termos posições diferentes quanto a ocupantes do poder
nos planos estadual, municipal e federal, sempre de acordo com nossos interesses e nossas afinidades
pragmáticas.

ATITUDES OPERACIONAIS

Competência universal e inquestionável

Qualquer assunto, por mais técnico e distante das áreas de competência pessoal que ele esteja, pode
ser tratado com autoridade por um jornalista, colunista ou parajornalista, se fornece uma oportunidade
para criticar o "outro lado" ou defender o "nosso lado". Especialistas são (seletivamente) consultados
apenas para confirmar uma opinião estrategicamente já formada. Assim como, em outras áreas de
atuação, a técnica deve servir à arte, aqui também os técnicos servem aos artistas da manipulação: os
especialistas assumem a função de apoio, não de protagonismo.

Nenhum tema deve inibir um membro do PIG. Tome-se como exemplo o jornalista Boris Casoy, que
trata (exagerando só um pouquinho) de física quântica a política internacional como se fosse catedrático e
mestre em todas as disciplinas. Aprenda com ele como se faz voz de autoridade em qualquer assunto e
como se enunciam as opiniões (jamais assumidas como tais, mas transmitidas como verdades) com a
certeza de um especialista renomado, expondo o que é certo e o que é errado, sem hesitações.

O fenômeno da transformação instantânea é comum em nosso meio: alguém que jamais havia sequer
se interessado por determinada área (meteorologia, climatologia, sistema elétrico nacional, saneamento,
engenharia genética, um obscuro país africano) torna-se instantaneamente um especialista e é capaz de
pontificar sobre as mais complexas questões técnicas, tecnológicas e científicas. A autoridade social
confere autoridade profissional.

"Nossos" especialistas também saem de sua área de competência para enunciar verdades sobre o
restante da realidade. Um exemplo:

Demétrio Magnolli, geógrafo (tratando de tema financeiro):

Às vezes, o "outro lado" critica o nosso açodamento nessas situações:

"Depois do apagão, jornalistas viram especialistas." (Claudio Leal.)

http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI4096337-EI6584,00-
Depois+do+apagao+jornalistas+viram+especialistas+em+energia.html
Editorialização

Os fatos seguem a posição. Não na realidade, evidentemente, mas na descrição dela: primeiro a
posição, depois a descrição dos fatos segundo essa posição.

Fatos, entrevistados, argumentos, frases ... tudo é selecionado para se harmonizar com a posição pré-
escolhida. A realidade é a co-adjuvante na luta por nossos interesses.

A deturpação do fato pode se dar por vários motivos e em qualquer fase: por orientação expressa do
veículo, já na elaboração da pauta; pela ligação do jornalista com um partido político, um empresário,
uma empresa; por iniciativa do editor, que modifica a matéria do repórter; pelos profissionais da opinião,
como os colunistas ou parajornalistas.

"O que é bom a gente fatura, o que é ruim a gente esconde" (Rubens Ricupero) é um dos lemas do
"departamento de ficção jornalística".

http://vodpod.com/watch/1885596-o-que-bom-a-gente-fatura

Ao final, o leitor, ouvinte ou telespectador recebe o pacote completo: a notícia, o significado da


notícia e a atitude que ele deve ter sobre o fato. A mensagem é clara: "Não é preciso pensar, basta reagir"
– no sentido, é claro, dos interesses do "nosso lado".

Cultive o desapego à verdade – deixe esse nobre conceito para as aulas de Filosofia.

Instigação da Sombra

Primeiro, acolhe-se o próprio lado sombrio; depois esse lado comanda a instigação do seu
correspondente na opinião pública. Dá-se um alvo ao público, "prova-se" a perversidade ou
incompetência do alvo, justifica-se o ataque imediato a ele, exemplifica-se a força e a extensão ilimitada
desse ataque com seu próprio comportamento e então convida-se o público à catarse destrutiva.

Idéias, conceitos, fatos, argumentos, são meios para a manipulação emocional – nosso fim
verdadeiro.

E o alvo da indignação e da agressividade, evidentemente, é alguém que prejudica o "nosso lado", um


adversário, um rival, um expoente do "outro lado" que precisa ser minado, quem sabe para que alguém do
"nosso lado" ocupe o seu lugar e, então, passe a cuidar dos nossos interesses.

O melhor do ser humano aflora num contexto de amistosidade; o pior dele, num contexto de
rivalidade. E é o contexto de rivalidade que desperta o lado sombrio, o lado ódio da dinâmica emocional
de amor e ódio.

Estimulação da dinâmica de amor e ódio

Não há espaço aqui para uma explicação detalhada da dinâmica emocional de amor e ódio, foco
principal dos nossos esforços no nível interno da personalidade dos nossos leitores, espectadores e
ouvintes. Mas o resumo a seguir será facilmente compreendido por todos.

1. Imagine que a personalidade humana, no campo emocional, componha-se de dois conjuntos de


sentimentos e emoções: o lado do ódio, abrangendo todas as atitudes de natureza "negativa" ou agressiva
(nosso lado sombrio), e o lado do amor, abrangendo todas as atitudes de natureza "positiva" ou amorosa
(nosso lado luminoso).

2. Imagine que esses dois lados convivam de modo preocupantemente instável na personalidade
humana. Sendo assim, faz-se necessária uma providência para separá-los ao máximo, trazendo de volta o
equilíbrio ao mundo interno.
3. Agora imagine um estádio de futebol repleto, em dia de jogo decisivo. O torcedor de um dos times
é o símbolo do resultado feliz dessa providência pacificadora: ele destina todo o conteúdo do lado ódio da
dinâmica emocional ao time adversário, e todo o conteúdo do lado amor ao seu time.

4. Já pensou em herói e vilão? Em nós contra eles? Esquerda contra direita? Oposição contra
Governo? O Bem contra o Mal? A divisão do mundo em dois grupos, um dos quais se torna alvo do lado
amor, e o grupo oposto se tornando alvo do lado ódio, é a forma mais simples, rápida e eficiente de lidar
com essa dinâmica interna da personalidade humana. O grande apelo popular do maniqueísmo vem daí:
ele é a situação mais confortadora para lidar com as emoções e a situação mais recompensadora quando
elas estão plenamente liberadas.

5. Agora imagine uma situação de plena satisfação pessoal, você em paz com o mundo, amando a
vida. É capaz de sentir todos os seus recursos internos mobilizados com urgência, ao máximo de sua
capacidade? Claro que não. Para quê? Agora imagine uma situação de bloqueio, de obstáculo importante
à sua satisfação, de problema grave em sua vida. Responda novamente àquela pergunta. Percebeu a
diferença?

6. Este é o segredo: os nossos recursos internos, a nossa iniciativa, o nosso pensamento urgente e
engajado, as nossas emoções mais intensas, tudo isso se manifesta prontamente numa situação de
frustração pessoal, de bloqueio, de obstáculo a uma satisfação importante. As emoções são mais rápida e
facilmente mobilizadas pelo lado ódio da dinâmica do que pelo lado amor.

7. Para aproveitar essa característica da psicologia humana, basta utilizar a técnica mais freqüente dos
polemistas, dos parajornalistas e dos colunistas de oposição:

. Identifique (ou crie) um problema (significado: bloqueio, obstáculo, situação de frustração pessoal),
mostrando como ele interfere concretamente na felicidade ou nos direitos do leitor individual e do público
do modo geral.

. Aponte o culpado (sempre um adversário, alguém do "outro lado"), para criar um contexto de
rivalidade.

. Libere a agressividade do leitor para que ela se expresse, sem freios, contra o culpado. A sua
mensagem não-verbal deve ser: "Este é o obstáculo à sua satisfação, este é o criador do seu problema.
Precisamos atacá-lo e eliminá-lo já".

. Dê o exemplo, atacando o culpado verbalmente, no grau máximo permitido pelas circunstâncias.

Resumidamente: Estimulação emocional – Escandalização – Responsabilização (atribuição de culpa)


– Foco (idealmente, único e repetitivo) – Natureza má do foco – Liberação da agressividade (lado ódio da
dinâmica, lado sombrio) – Catarse destrutiva.

Se o destinatário da técnica passou a ver o mundo deste modo: "Você é o culpado pela minha
infelicidade, me faz infeliz porque é mau por natureza, e por isso merece um castigo", ela foi bem
aplicada.

8. Há um outro segredinho embutido nesta técnica. Toda pessoa é um poço de frustrações;


poeticamente falando, esse poço está cheio de lágrimas choradas (ou não), até a borda, fruto de
infelicidades passadas. A função imediata da prática revelada acima é justamente criar a gota-d'água.
Sempre que estimulamos alguém no sentido da luta contra um obstáculo, podemos contar com a força
impressionante gerada pelo ressurgimento da vivência de bloqueios e frustrações passadas.

E se, de algum modo, conseguimos fazer a pessoa acreditar que o alvo escolhido, o responsável pela
infelicidade presente, é o causador de todos os seus problemas numa determinada área da vida (sejam
esses problemas políticos, afetivos, financeiros etc.), a mobilização interna (conseguida, lembre-se, pela
estimulação do lado ódio da dinâmica) será surpreendentemente forte.

Já viu um torcedor xingando um árbitro? Ele xinga por causa de apenas um lance?
9. Leia colunistas do "nosso lado" e estude o modo notável como eles aplicam essa técnica. Ela
funciona instantaneamente, ainda mais se o leitor já foi treinado pelo mesmo colunista, como costuma
acontecer, e se ele já fixou o alvo, o suposto causador de seus problemas. Nesse caso, basta fornecer
novos motivos e reforçar ou rememorar motivos antigos (lembre-se: o brasileiro esquece fácil porque vive
com a atenção voltada para o presente).

Essa técnica também se vale de uma impressão dominante na vida psicológica da maioria das
pessoas: "O inferno são os outros" (pensamento do filósofo francês Jean-Paul Sartre). É de lá que partem
as maiores agressões, é lá que estão os maiores bloqueios à satisfação, é lá que se encontram nossos
inacessíveis objetos de desejo.

Dê ao público alguém para odiar (sempre alguém do "outro lado", e não do nosso), e ele ficará
satisfeito (embora raivoso).

10. Agora que você conhece a importância de estimular o lado ódio da dinâmica das emoções, a
técnica utilizada para fazê-lo e os efeitos impressionantes de sua utilização, certamente entende que
nunca deve direcionar esse conjunto de sentimentos para "um dos nossos" e que deve redirecioná-lo
quando ele tiver sido incorretamente direcionado por alguém do "outro lado". Jamais subestime o poder
destrutivo da liberação desses sentimentos, quando direcionados ao alvo correto ou incorreto.

11. E, se você ainda não reparou, deve saber que esta é a verdadeira função (oculta, secreta) das
técnicas de ataque e defesa apresentadas neste manual: estimular o lado ódio da dinâmica emocional (o
lado sombrio), quanto aos integrantes do "outro lado", e redirecionar esse conjunto de sentimentos,
quanto aos integrantes do "nosso lado", quando eles forem alvo da prática – em síntese, manipular as
emoções do público no sentido dos nossos interesses.

Esse é um processo simples, rápido e eficiente para a instigação da Sombra em outras pessoas.

***
Há duas dimensões importantes nesta técnica.

1. A dimensão psicológica.
Corresponde à dinâmica emocional de amor e ódio.

Fatores
a) Frustração.
Consiste do aproveitamento das frustrações pré-existentes na pessoa, às quais vem se somar a
frustração específica (talvez reativada): o problema apontado pelo instigador da Sombra. O alvo do
ataque, foco das emoções e objeto de linchamento simbólico, é o causador da frustração específica,
aquele que é responsabilizado pelo problema.

b) Diferença.
A diferença humana é quase sempre traumática – a eterna questão do "outro". Quanto mais diferente
for o alvo em relação à pessoa que ataca, melhor. O máximo da diferença é uma oposição – se o outro for
denominado como um oposto, a carga emocional tenderá a ser maior: direita-esquerda, Bem-Mal, certo-
errado, petralha-tucanalha, honesto-bandido etc. Repare como certas denominações já trazem implícita
uma atitude de reprovação, por sua natureza ("Mal', "petralha", "tucanalha", "bandido").

c) Unificação psicológica.
O foco da agressividade é um fator unificador, interno (para a dinâmica emocional) e externo (para a
percepção e a ação).

Funções do instigador
O instigador exerce três funções básicas:

1. Indica o alvo.
O foco pode ser uma pessoa, um partido político, uma ideologia, o Governo – sempre alguém ou algo
do "outro lado".
2. Instiga a outra pessoa a ultrapassar a linha civilizatória do respeito ao próximo e incentiva o
aprofundamento no território da Sombra.
Esta é a função básica: o instigador é, na verdade, um Mentor Sombrio, alguém que ensina a
caminhar no território da Sombra.

3. Dá o exemplo, tomando primeiro esse caminho.


O instigador mostra como o alvo deve ser tratado, por meio da atitude emocional, de xingamentos, de
apelidos, da responsabilização, de ataques verbais, alusões a defeitos físicos etc.

2. A dimensão social.
Corresponde ao sentimento de grupo.

Como um animal gregário, o ser humano valoriza intensamente a sensação de pertencer a um grupo,
de ter companhia em suas atividades e idéias.

A vivência do sentimento de grupo (a dimensão social da técnica) sempre estará atrelada à dinâmica
de amor e ódio (a dimensão psicológica da técnica): primeiro o instigador ativa a dinâmica para depois
criar o sentimento de grupo.

Fatores
a) Companhia.
A sensação de estar em companhia de amigos, lutando contra um inimigo comum, é algo que ativa
impulsos primais do ser humano. Corresponde à situação primitiva das tribos rivais, em luta pela
sobrevivência.

"Somos tão distintos daquele bicho [uma barata]? As ciências naturais não teriam grande dificuldade
em demonstrar que, estruturalmente, há mais semelhanças do que diferenças. Mas só nós carregamos a
cruz da consciência. E isso nos torna tão únicos e tão sós. E, por isso, precisamos tanto do outro, do
ombro solidário, do abraço amigo." (Reinaldo Azevedo, dirigindo-se aos seus comandados no mais
importante blog brasileiro de instigação da Sombra.)

http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/feliz-%e2%80%9cfeliz-ano-novo%e2%80%9d/

b) Reforço mútuo.
Cada membro do grupo serve de exemplo de conduta e de reforço vivo do comportamento alheio. Por
seus próprios atos, simboliza a permissão de ataque e o incentivo ao avanço no território da Sombra.

c) Intensidade.
Quanto maior a maldade atribuída ao foco, maior a intensidade do sentimento agressivo e do
sentimento de grupo.

Funções do líder
O instigador é um líder, responsável pela união dos comandados e pelo cultivo do sentimento de
grupo. Nesse sentido, ele:

1. Relembra constantemente quais os focos adequados de ataque.


Quase todo instigador é monomaníaco em relação a seus alvos principais, embora também tenha
alvos secundários quando estes se encontram ligados aos principais.

2. Orienta intelectualmente seus comandados.


Fornece argumentos, dados e justificativas para o ataque.

3. Estabelece os limites aceitáveis para a manifestação dos liderados.


No caso do instigador da Sombra, não há limites – exceto a proibição de defesa de qualquer pessoa
ou grupo do "outro lado", ou do ataque a qualquer pessoa ou grupo do "nosso lado".

4. Reorienta os comandados, quando necessário.


Se houver mudança na configuração política, por exemplo, ou nos interesses do órgão de
comunicação, o instigador explica os motivos da mudança e reorienta os focos de agressividade dos
comandados.
Transferência do ônus da prova

Quem acusa não precisa provar nada. A acusação consiste justamente nisto: jogar um problema para
o lado do adversário e deixar que ele se vire – durante esse tempo, ele desvia a atenção de suas atividades
normais e perde tempo com a defesa e as explicações, que são divulgadas na imprensa, reforçando
indiretamente as acusações e desgastando ainda mais a posição do "outro lado".

Acusações genéricas são perfeitas: culpar um partido, uma classe, uma ideologia, permite atacar o
adversário indiretamente. Acusações impossíveis de provar ou desmentir, idem: atribuir uma intenção
maldosa ou criminosa ao adversário, por exemplo – a intenção é um fenômeno subjetivo: "Quem prova
que você não quis fazer aquilo de que foi acusado (e não fez)?"

Demonização do adversário

Um segredo da atuação do PIG é a relação, já explicada, do jornalista com seu próprio lado sombrio.
Para conseguir estimular de maneira eficiente o lado sombrio da opinião pública, o jornalista precisa
primeiro liberar esse lado em si mesmo. Trata-se de um pré-requisito indispensável.

A demonização consiste na atribuição, ao adversário, das piores acusações (geralmente sem provas),
de insinuações venenosas, de suposições maldosas, incriminações precipitadas etc. Ninguém consegue
efetuar esses ataques com a facilidade, a intensidade e a freqüência exigidas sem ter liberado em si
mesmo o acesso pleno ao lado sombrio. Para ver no outro (o alvo) e para incentivar no outro (o público) é
preciso viver em si mesmo. Por isso, muitas vezes, quem observa a situação de fora tem a impressão de
que o ataque parece uma projeção psicológica, uma luta da pessoa consigo mesma, e não uma relação
dela com a realidade.

A demonização implica um avanço considerável no território da Sombra. Esse fato ilustra o consenso
de que o jogo do poder não é para crianças ou, como se dizia antigamente (e aqui se repete sem sexismo)
para mulherzinhas: é preciso "estômago", saber "aguentar o tranco", lidar com as "verdades duras da
vida".

Quem entra na guerra sabe que pode ser ferido ou morto. Quem entra num ringue sabe que pode
apanhar. Quem entra na luta política deve saber o que lhe espera.

Isso vale não somente para um adversário, mas para todos que estejam do seu lado, mesmo que não
participem diretamente da luta. Por exemplo, é comum o ataque a artistas, cantores, escritores que sejam
simpáticos ao adversário, ou mesmo a seus familiares ou a suas empresas.

Não se trata, na verdade, de ataque a pessoa ou instituição, mas de ataque aos interesses defendidos
por essas pessoas ou instituições – os quais, por serem contrários aos interesses do "nosso lado", precisam
ser afastados ou eliminados do campo de jogo. Como as pessoas e as instituições representam esses
interesses, elas são o alvo.

Se alguém do "outro lado" sai queimado, mesmo sem participar ativamente do jogo do poder, o
problema é dessa pessoa – como adulto, deveria ter pesado as conseqüências de estar no campo de jogo
do lado errado.

Essa atividade continuada de demonização pode às vezes incomodar o jogador. Daí a existência de
uma série de argumentos protetores destinados a manter a auto-imagem idealizada de pessoa decente,
boa, civilizada, enquanto se praticam tais desvarios: a noção de que se trata de um exercício legítimo de
crítica (vide a citação de Roberto Marinho), a falácia da função obrigatória do jornalismo (atacar o
Governo), a certeza moral de que o "outro lado" representa o Mal em estado puro, a visão de si mesmo
como um combatente da liberdade, da democracia e do progresso etc.

Criminalização do adversário
O ápice do processo de demonização do adversário é a criminalização de seu comportamento. Esse é
também o melhor resultado possível de um ataque político, quando aceito pela opinião pública: o
adversário recebe um duro golpe que pode neutralizá-lo ou mesmo eliminá-lo da luta.

A acusação de crime cala fundo no moralismo da classe média e dá a qualquer um dos opositores do
alvo um poderoso argumento para uso repetido em vários momentos do futuro.

Por uma peculiaridade da cultura brasileira, e também pela natureza do meio político, a
criminalização nem sempre surte efeito porque, mesmo quando o crime não é falsamente imputado (como
no caso deste item), o alvo pode sair-se bem, embora chamuscado. A complacência da Justiça e a
morosidade do rito processual, somadas à solidariedade dos colegas políticos e à impressão corriqueira de
que "são todos iguais, o que vamos fazer?", nutrida pelo grande público, gera impunidade legal e social
na maioria das vezes.

Apesar disso, a criminalização é uma atitude que, bem aplicada, sempre deixa os atingidos em
situação constrangedora, servindo para prejudicar os interesses do "outro lado".

Justiceirismo

"Justiceirismo" é um neologismo derivado de "justiceiro", o indivíduo que se acha no direito de fazer


justiça com as próprias mãos. O justiceirismo é uma atitude que deriva da liberação plena do lado
sombrio no próprio jornalista. Baseia-se na crença de que ele tem a capacidade quase divina de decidir
quem é do bem e do mal, quem deve ser recompensando e punido, e quem deve punir o criminoso: o
próprio jornalista.

O jornalista investiga (mesmo que preguiçosamente); denuncia ao público, revelando as provas


(mesmo que inconsistentes); condena (sem dar o direito de defesa); e afirma a necessidade de se executar
a sentença, deixada a cargo da opinião pública, da Justiça ou da polícia.

"Vamos linchar?" é a proposta feita pelo instigador, na função de justiceiro.

O justiceirismo representa o ponto mais longínquo da penetração do jornalista no território da


Sombra. Ao se tornar um justiceiro, o jornalista incorporou em si mesmo o mal que ele supostamente
procura combater. Os valores da civilização são a grande vítima do justiceirismo, interna e externamente.

Este é o grande segredo do PIG, que você já está preparado para conhecer: para defender nossos
interesses e os interesses dos nossos aliados, nós nos tornamos legítimos representantes do Reino da
Sombra.
SEGUNDA PARTE

TÉCNICAS DE ATUAÇÃO

DO PIG

COLETÂNEA COM 286 TÉCNICAS

DE

ATAQUE E DEFESA
1. TÉCNICAS DE ATAQUE

AO "OUTRO LADO"
TÉCNICAS DE ATAQUE

O objetivo das técnicas de ataque é explorar, superdimensionar ou mesmo inventar pontos fracos e
erros do "outro lado", atingindo expoentes, grupos aliados, apoiadores ou qualquer outro alvo de modo a
prejudicar os interesses do adversário e a promover, como resultado, os nossos próprios interesses.

TÉCNICAS DE MANIPULAÇÃO DE MANCHETES

A palavra "manchete" sempre será usada neste manual como sinônimo de título de matéria,
referindo-se à manchete propriamente dita de um jornal, ao título de um post em blog, a qualquer
chamada da home-page de um portal, ao título de matéria interna num canal da Web etc.

O poder de atração emocional e de transferência de informações da manchete jamais poderá ser


subestimado. Calcula-se que, de cada 10 pessoas que lêem uma manchete em bancas de jornais ou na
Web, somente uma delas leia o restante do texto, por inteiro. Ou seja, a manchete, para 9 entre 10
pessoas, é a matéria. Da sua leitura, elas levarão o conteúdo da notícia e a posição do redator. E nada
mais.

"Parece que não se percebe a força das manchetes e das capas de revista." (Luis Nassif, O Jornalismo
dos Anos 90.)

Por isso, a manipulação das manchetes no sentido dos nossos interesses é uma das armas de
importância capital na luta pela influência e pelo poder.

Um trecho do livro supracitado, O Jornalismo dos Anos 90, de Luis Nassif (edição do autor, 2008):

"Não conheço pesquisas científicas sobre o tema, mas presumo que [a] maioria absoluta dos
leitores não consegue captar mais do que um ângulo da notícia. Daí a importância da manchete ou do lide.
O editor terá condição de direcionar a informação, mesmo sem suprimir nenhum dado, unicamente
definindo qual o ângulo que interessa salientar."

Às vezes, o "outro lado" tem algo a nos ensinar.

Atribuição maldosa de comportamento ilegal

Definição
Técnica de criminalização que atribui um comportamento ilegal a quem sequer teve notícia dele.

Exemplo
a) Manchete na home-page do UOL.
"Governo parou processo contra Opportunity" (12/7/2008.).

b) Manchete interna.
"Órgão do governo arquivou processo contra Opportunity." (Alan Gripp, Andréa Michael e Leonardo
Souza.)

http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u421882.shtml

Comentários
Um funcionário de escalão inferior do Governo Federal engavetou irregularmente um processo
contra o grupo Opportunity. Sabiamente, o redator da manchete da home-page valeu-se de uma atribuição
maldosa, sugerindo que o Presidente, um ministro de Estado ou um de seus principais assessores fora o
responsável pelo ato.
Como a maioria das pessoas não clica nesse tipo de notícia, o estrago na imagem do "outro lado"
sempre estará garantido.

Mistura dolosa de passado com presente

Definição
Confusão deliberada entre o passado e o presente, visando agravar o ato atribuído ao alvo da notícia.

Exemplo
"Ex-deputado do PT sondou governo sobre foragido da Operação Satiagraha." (Do G1, com
informações do Jornal Nacional.)

http://g1.globo.com/Noticias/Economia_Negocios/0,,MUL644869-9356,00.html

Comentários
No texto da matéria:
"O inquérito da PF inclui a transcrição de um telefonema de Greenhalgh para o chefe de gabinete da
Presidência da República, Gilberto Carvalho. O ex-deputado queria saber se a Agência Brasileira de
Inteligência (Abin) estava seguindo Humberto Braz no Rio."

À época da sondagem do ex-deputado, Humberto Braz era um cidadão livre, e não um foragido da
Justiça. Além disso, a Operação Satiagraha ainda não havia sido deflagrada.

O redator, espertamente, combinou os três fatos (a sondagem, no passado, com a condição de


foragido e a operação policial, no presente) para dar a impressão de que o ex-deputado estaria protegendo
um criminoso.

Citação truncada

Definição
Seleção de trecho de declaração da pessoa que se quer tomar por alvo, e posterior reação crítica ou
agressiva focada somente neste conteúdo da declaração.

Exemplo

http://noticias.uol.com.br/politica/2009/12/01/ult5773u3147.jhtm

Comentários
No texto da matéria (que, como você já sabe, poucos lêem), aparece a declaração completa, da qual
foi extraída a parte mais propícia a um ataque desqualificador:

"Segundo o presidente, 'as imagens não falam por si'.

"O que fala por si é todo o processo de apuração, todo o processo de investigação. Quando tiver toda
a investigação terminada, a Polícia Federal vai ter que apresentar o resultado final do processo. Aí quem
vai fazer juízo de valor é a justiça. O presidente da República não pode ficar dando palpite', disse."
No capítulo "Atitudes definidoras do PIG" explicamos que as técnicas derivam daquelas atitudes. O
caso acima ilustra essa relação: vários órgãos da mídia utilizaram o mesmo trecho, tirado do seu contexto,
para criticar o Presidente – sem que tivesse havido nenhuma coordenação entre aqueles editores.

À medida que você for praticando as atitudes, esse curioso fenômeno social de utilização coincidente
de técnicas se revelará com freqüência.

A citação truncada pode se tornar o início de um longo processo de exploração política, como de fato
ocorreu neste caso. Exemplo:

"As imagens não falam por si", declarou o presidente, sem explicar por quem, então, falariam. A
declaração não foi feliz, embora se entenda que na posição dele qualquer juízo mais rigoroso seria
interpretado como incongruência em relação à posição sempre condescendente para com transgressões de
toda natureza." (Dora Kramer.)

http://gilvanmelo.blogspot.com/2009/12/dora-kramer-transgressao-continuada.html

Observa-se aqui também a aplicação das técnicas de mentira deslavada (já que o restante da
declaração contextualiza o início) e de atribuição de defeito grave com base em generalização. E este é
também um bom exemplo da metatécnica de empilhamento de técnicas, visando garantir maior impacto
destrutivo.

Outro exemplo de exploração (Carlos Heitor Cony e Artur Xexéo, na CBN):

http://cbn.globoradio.globo.com/comentaristas/cony-xexeo/2009/12/02/AS-IMAGENS-FALAM-
POR-SI.htm

A repercussão negativa da exploração ("A deturpação da grande mídia", Gustavo Henrique Freire
Barbosa):

http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos.asp?cod=567JDB004

Destaque de aspecto de menor relevância

Definição
Seleção do aspecto menos relevante da notícia, visando esconder o aspecto mais revelante,
prejudicial ao "nosso lado", e a destacar o menos relevante, prejudicial ao "outro lado".

Exemplo
"Políticos do PT são os que têm o maior avanço patrimonial." (Fernando Rodrigues.)

http://noticias.uol.com.br/fernandorodrigues/politicosdobrasil/ultnot/2006/08/27/ult3957u1.jhtm

Comentários

Os dados relavantes da matéria:


"As Armadilhas Estatísticas e a Formação do Professor", Franciana Carneiro de Castro e Irene
Mauricio Cazorla.

http://www.alb.com.br/anais16/sem15dpf/sm15ss08_05.pdf

Sabiamente, o blogueiro desviou a atenção do patrimônio dos políticos dos outros partidos, bem
superior ao dos políticos do PT. E ainda sugeriu, por conotação, que o aumento indevido de patrimônio
poderia estar associado a práticas suspeitas.

Inversão de importância
Definição
Escolha do aspecto de um dado estatístico que mais interessa ao "nosso lado".

Exemplo
"FGV: inflação pelo IPC-S acelera em 2 de 7 capitais." (Estado de S. Paulo.)

http://www.estadao.com.br/economia/not_eco211168,0.htm

Comentários
"Se a manchete deve se pautar pela relevância ou pelo imprevisto, o correto seria: FGV: inflação
pelo IPC-S desacelera em 5 das 7 capitais." (Luis Nassif.)

http://www.projetobr.com.br/web/blog?entryId=8283

Comentários
O jornalista profissional percebeu a manipulação, mas quantos leitores se sentiram pessimistas ao
lerem a manchete? A escolha de cada técnica deve passar por uma avaliação de prós e contras. Sempre
haverá contras. Dê preferência àquela que traga o maior benefício. E não utilize jornalistas profissionais
ou leitores muito inteligentes como avaliadores do seu texto, e sim as pessoas comuns.

Atribuição indevida de responsabilidade

Definição
Manchete que responsabiliza um expoente do "outro lado" por erro ou problema no qual não teve
participação.

Exemplo
Título de post do blog de Ricardo Noblat baseado em matéria de Fernanda Baldioti:

http://oglobo.globo.com/pais/noblat/posts/2009/12/22/metro-inaugurado-por-lula-ja-enfrenta-
dificuldades-251960.asp

Comentários
Explicação interna da matéria:

"Segundo a assessoria de imprensa da concessionária Metrô Rio, há um número menor de


composições em circulação do que o previsto, o que causa o atraso."

Lembrando: a maioria das pessoas só lê a manchete do jornal, o título do post, a chamada do portal
da Web. Incluir um ataque nesse lugar do texto é garantia de obtenção do efeito desejado na luta contra o
"outro lado".

Outro exemplo

http://noticias.uol.com.br/cotidiano/2009/12/24/ult5772u6762.jhtm
A notícia verdadeira: "No apartamento do bloco seis, dois jovens foram presos com drogas e
munição: Manuel David Soares de Assis, de 19 anos, e um menor de 16 anos. Os dois autuados foram
levados para a central de Polícia Civil."

Ou seja, a atividade criminosa poderia ter acontecido (e acontece) em qualquer conjunto habitacional
e em qualquer edifício. Nada tem a ver com PAC, um programa do Governo Lula. Mas o redator
espertamente aproveitou o gancho de um dos orgulhos do "outro lado" para instigar a mentalidade
oposicionista em seus leitores.

Avaliação estatística deturpada

Definição
Divulgação de dado estatístico ou percentagem que não corresponde à realidade.

Exemplo
"O 'Minha Casa, Minha Vida' só atingiu 22,9% da meta." (Josias de Souza.)

http://josiasdesouza.folha.blog.uol.com.br/arch2009-12-01_2009-12-31.html#2009_12-
26_04_58_34-10045644-0

Comentários
Trechos da matéria:

"Lula prometera entregar, até o final de 2010, 1 milhão de casas a brasileiros de vencimentos miúdos
(até 10 salários mínimos).

"...Ou seja, 40% da meta de 1 milhão de moradias estará contratada até o final de dezembro."

***

Portanto, a expectativa era de chegar a 400.000 moradias até o final de 2009.

***

"Até 21 de dezembro, haviam sido contratadas, em todo o país, apenas 229,9 mil moradias – entre
casas e apartamentos populares."

***

229.900 para 400.000, nas contas do blogueiro, corresponde a 22,9%, e não a quase 60%.

Espertamente, tomou-se o final do ano de 2010 como parâmetro para justificar a manchete baseada
numa deturpação estatística. Somente quem ler o texto ficará conhecendo as informações importantes –
mas terá de chegar por si mesmo à percentagem ocultada.

Manchete destoante do conteúdo da matéria

Definição
Distorção da importância e do significado de um dado da matéria, desmentidos no próprio corpo, mas
usados na manchete para produzir um efeito preconcebido.

Exemplo
. A manchete:
"Gabrielli diz que PSDB privatizaria Petrobrás."

. Título interno:

. O trecho da entrevista:
"O sr. acha que ela poderia ter sido privatizada, por exemplo?

"Como um todo, acho difícil. Mas partes dela poderiam (ter sido privatizadas). Seria difícil uma
privatização total da Petrobrás, mas partes dela, sim." (Roberval Angelo Schincariol e Tatiana Freitas.)

http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20091225/not_imp486802,0.php

Comentários
Sabiamente, o editor aproveitou o trecho que poderia gerar mais polêmica e dar continuidade à
matéria nos dias seguintes, distorcendo-o propositadamente e fazendo na manchete uma afirmação que
não aparece no texto da entrevista.

Este é um dos exemplos da tradicional "levantada de bola" para a Oposição ressurgir fazendo
contestações indignadas, que serão repercutidas pelos nossos colunistas e parajornalistas. Se não houvesse
a manchete-denúncia, a participação do "nosso lado" ficaria limitada a observações pontuais, cuja
fraqueza não nos ajudaria no jogo político.

Manchete meia-verdade

Definição
Manchete que oculta a participação do "nosso lado" no ato reprovável atribuído exclusivamente ao
"outro lado".

Exemplo
a) A manchete.
"Petrobras gastou R$ 47 bi sem licitação em seis anos." (Folha Online.)

http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u568609.shtml

b) As informações do texto da matéria.


O procedimento, de natureza absolutamente legal, iniciou-se no Governo FHC. Em 2001 e 2002,
aquela administração "contratou cerca de R$ 25 bilhões sem licitações, em valores não atualizados"
(média de R$ 11,25 bilhões por ano). No Governo Lula, a média foi de R$ 7,8 bilhões por ano.

Comentários
A meia verdade está no foco da manchete: o Governo Lula – que apenas continuou um procedimento
estabelecido pelo Governo anterior. E a safadeza está na expressão "sem licitação", dando a entender que
se trata de um procedimento ilegal.

Repare como a explicação que desmonta a inverdade é demorada e complicada: envolve números,
anos, argumentos... Geralmente o leitor não tem paciência para ela, daí o impacto fundamental das
manchetes na consciência dos leitores.

"Petrobrax para iniciantes." (Leandro Fortes.)

http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=538IMQ006

Manchete moldada para a campanha política

Definição
Manchete que superdimensiona um problema atribuído à incompetência ou à safadeza do "outro
lado".

Exemplo
"Governo gasta R$ 697 milhões para pagar diárias em viagens." (Luiza Damé.)

http://oglobo.globo.com/pais/mat/2009/12/24/governo-gasta-697-milhoes-para-pagar-diarias-em-
viagens-915354396.asp

Comentários
Todo programa político de Oposição, produzido para a TV, exibe imagens de manchetes-denúncia. O
texto da matéria, suas repercussões e, em especial, os desmentidos ou as provas de sua incorreção ficam
fora daquele espaço nobre na TV – só entra o que pode gerar efeito positivo aos nossos interesses. Por
isso é importante que órgãos da imprensa produzam durante o ano, nos períodos em que o "outro lado"
ocupa o poder, um certo número de manchetes-denúncia visando à sua apresentação no horário eleitoral.

Não importa se a matéria desrespeita os critérios básicos da prática do jornalismo, se durante a sua
feitura não se deu espaço ao "outro lado", se nos dias seguintes ela foi desacreditada. O fundamental é a
impossibilidade de negar que a manchete saiu num órgão da Grande Mídia – se saiu, ela pode ser usada
no jogo político porque os espectadores ainda atribuem bom grau de autoridade às manchetes, por se
constituírem numa prova visual. Em contraste, denúncias que saem a boca de pessoas interessadas (por
exemplo, os políticos da Oposição) são consideradas previsíveis e suspeitas.

Manchete de natureza obsessiva

Definição
Manchete que aproveita um fato apolítico para repisar uma tese, intenção ou ataque político
importante para o "nosso lado".

Exemplo
"Já 'derrubaram' até o papa, só o José Sarney não cai." (Josias de Souza – vídeo que mostra o puxão
que uma mulher deu no Papa Bento XVI, levando-o ao chão durante a celebração da Missa do Galo em
2009.)

http://josiasdesouza.folha.blog.uol.com.br/arch2009-12-01_2009-12-31.html#2009_12-
25_22_53_17-10045644-0

Comentários
A técnica ilustra bem a estratégia de aproveitar qualquer fato, qualquer situação, por mais desconexa
que seja com o aspecto ressaltado na manchete, para trazer de novo a atenção da opinião pública a um
foco de nosso interesse. Qualquer relação é válida, assim como qualquer desnível real entre as situações
tornadas equivalentes pela manchete.

A realidade é o campo de luta. E, na realidade, só se enxerga a luta. Cada contato com o leitor,
ouvinte ou espectador é um momento de afirmação dessa luta.

Atribuição de maldade extrema

Definição
Atribuição de um nível inconcebível de maldade a expoente do "outro lado", reforçada por rótulo
pejorativo de natureza violenta.

Exemplo
Josias de Souza:

http://josiasdesouza.folha.blog.uol.com.br/arch2009-12-01_2009-12-31.html#2009_12-
24_18_59_07-10045644-0

Comentários
A justificativa do blogueiro são os alertas feitos pelos dois alvos, sobre a necessidade de manter os
progressos alcançados no Governo atual e sobre a possibilidade de retrocesso caso o "nosso lado"
reassuma o poder. Uma estratégia que faz parte do jogo político, mas que é tomada como índice de
maldade pessoal.

"Ao amarrar uma bomba social na cintura do tucanato, Lula e Dilma informam à platéia: vão a 2010
dispostos a tudo – da grosseria à desonestidade intelectual.

"Mais um pouco e tentarão convencer Regina Duarte a levar a cara à TV para dizer que tem muito
medo do José Serra."

Repare no tom violento do texto: "bomba social", "apocalipse social", E na atribuição de caráter
reprovável (técnica ensinada neste Curso): "da grosseria à desonestidade intelectual". E no uso de uma
hipótese absurda para fechar o texto.

O risco presente na utilização dessa técnica é que, chegando ao extremo, o jornalista não poderá ir
além. Não haverá como sugerir um efeito útil a toda luta política: o agravamento da situação, causado por
novas ações do adversário. Depois de "terrorista social", que outra qualificação poderá causar impacto na
opinião pública?

A técnica deve ser reservada para situações de extrema gravidade; nas situações da luta política diária
é aconselhável evitar o exagero, a hipérbole e, em especial, o desespero que transparece no uso vazio
desse recurso.

Substituição dolosa de manchete

Definição
Substituição de uma manchete neutra por outra que constitua um ataque ao "outro lado".

Exemplo
1. Matéria original.
"Lula deve rever decreto que fez cúpula das Forças Armadas ameaçar demissão." (Do G1, com
informações do Jornal Nacional.)

http://g1.globo.com/Noticias/Politica/0,,MUL1430782-5601,00.html

2. Reprodução da matéria.
"Lula piou outra vez diante dos militares." (Ricardo Noblat.)

http://oglobo.globo.com/pais/noblat/posts/2009/12/30/lula-piou-outra-vez-diante-dos-militares-
253829.asp

Comentários
Observe como o jornalista, malandramente, dá a entender que a manchete escolhida por ele e
destinada a atacar um expoente do "outro lado", seria a manchete da matéria original. Mais abaixo,
encontramos: Leia mais em Lula deve rever decreto que fez cúpula das Forças Armadas ameaçar
demissão.

A substituição dolosa visa dar força à conclusão: "( [...]Lula jamais foi e jamais será um líder político
disposto ao enfrentamento. Formou-se na escola sindical. Faz barulho, mas quando necessário sabe piar
[...] )."

Evidentemente, nosso interesse aqui seria o desenvolvimento do conflito entre o Executivo e as


Forças Armadas, no qual ficaríamos do lado da segunda parte envolvida. A frustração expressa pelo
blogueiro por causa de mais esse resultado do embate de forças típico da democracia foi tão forte que o
levou a pedir auxílio aos univer... aos leitores: "( [...] Dessa vez, alegou que assinou o decreto em meio a
muitos papéis. Não prestou atenção nele. Irá revê-lo. Piou ou não piou?)".

Conte sempre que o leitor não irá clicar no link e, assim, conhecer a discrepância entre as manchetes.
Se ele já leu a essência da matéria, por que perderá seu valioso tempo com redundâncias?

Manchete falsa

Definição
Manchete que transmite, como fato, uma opinião do autor caracterizada pela distorção violenta da
realidade.

Exemplo
"Irã - Manifestação encomendada." (Ricado Noblat, título de foto da manifestação, seguida do texto:
"Dezenas de milhares de partidários do governo se reuniram nesta quarta-feira em várias cidades
iranianas, jurando fidelidade ao 'establishment' religioso e acusando líderes oposicionistas de provocarem
tumultos no Estado islâmico.")

http://oglobo.globo.com/pais/noblat/posts/2009/12/30/ira-manifestacao-encomendada-253819.asp

Comentários
A manipulação dos fatos depende muito do uso consciente das palavras. A omissão é um dos
recursos mais eficazes. "Encomendada por quem?" – omissão de objeto.

É razoável supor que as "dezenas de milhares de partidários do governo se reuniram" ... "em várias
cidades iranianas" apenas porque o governo mandou? Qual a percentagem representativa de apoiadores
sinceros do Executivo, entre eles? Todos os que votaram no atual Presidente eram títeres, vaquinhas de
presépio, carneirinhos políticos? O "outro lado" é constituído somente de robôs humanos? Não tem
vontade política, ideal de nação, sonhos para o país – estejam ou não certos em seu desejo?

Repare que as manifestações programadas pelo Oposição ao líder iraniano jamais vêm com o rótulo
"encomendadas", embora sejam convocadas pelas lideranças aos quais "nosso lado" é simpático. O tipo
de relação é diferente, nos dois casos? Uns se reúnem autonomamente, e os outros se reúnem
submissamente?

O duplo critério é uma das armas válidas no jogo da influência e do poder.

Estude o modo como nossos expoentes da Grande Mídia deformam os fatos com a escolha das
palavras. Há muito o que aprender com eles.
TÉCNICAS DE MANIPULAÇÃO DE DECLARAÇÕES

As técnicas de manipulação de declarações têm a função de fazer da água, vinho: onde


aparentemente não haveria nada valioso cria-se o valor. Uma declaração normal é distorcida ou
fragmentada; uma declaração é colocada na boca do alvo, em lugar de outra realmente enunciada –
qualquer truque é válido para possibilitar a criação de uma oportunidade de ataque.

Declaração falsa

Definição
Atribuição falsa de posição à pessoa entrevistada, seguida da declaração gravada que não sustenta
essa posição.

Exemplo
"Delis Ortiz: O líder do PT no Senado, senador Aloizio Mercadante, reconheceu que falta
investimento e culpou o mau tempo pelo apagão."

"Aloizio Mercadante: Não há risco de oferta de energia, ninguém vai ter que fazer racionamento, não
vai faltar energia. O Brasil está preparado para crescer com oferta abundante de energia." (Rede Globo.)

http://jornalnacional.globo.com/Telejornais/JN/0,,MUL1375738-10406,00-
OPOSICAO+COBRA+INVESTIMENTOS+EM+ENERGIA.html

Comentários
Se o senador realmente falou o que a repórter revelara em sua introdução, jamais ficaremos sabendo
porque a fala gravada do político transmitiu um sentido exatamente oposto, do ponto de vista do jogo
político.

A declaração falsa é o equivalente televisivo ou radiofônico da manchete destoante do conteúdo da


matéria.

Toda técnica de um meio tem seu correspondente em outro. O conhecimento dessa relação é
importante porque, ao aprender uma técnica específica, você poderá extrapolar o meio em que ela foi
aplicada e procurar as equivalências em outro meio: TV, rádio, jornal, internet etc. – ampliando, com isso,
o seu repertório de armas a serem usadas em nossa luta.

Atribuição falsa de significado

Definição
Atribuição de significado específico a declaração genérica do entrevistado, que não fez parte de suas
declarações.

Exemplo
"Na entrevista, Joaquim Barbosa tratou, ainda, da 'passividade com que a sociedade assiste a práticas
chocantes de corrupção'.

"Colocou o dedo em um ponto nevrálgico da atual conjuntura política: como o governo Lula abriu os
cofres do Tesouro para cooptar de vez sindicatos — aliados antigos — e organizações da sociedade civil
tradicionalmente ativas na fiscalização do poder público, caso da UNE.
"Porque todos, ou quase todos, se converteram em correias de transmissão do lulismo, paira grande e
conivente silêncio no meio sindical, em organizações ditas sociais e adjacências diante de aberrações no
manejo do dinheiro público e de cenas de fisiologia explícita.

"No mensalão do DEM, em Brasília, houve manifestações — mas porque era o DEM.

"No mensalão petista, silêncio quase absoluto." (Editorial de O Globo, 3/1/2010.)

Comentários
As declarações do ministro do Supremo Tribunal Federal, como se pode constatar pelo link abaixo,
foram genéricas. Em nenhum momento da entrevista ele mencionou ou especificou governo ("governo
Lula"), organizações ("sindicatos" e "organizações da sociedade civil"), instituição estudantil ("UNE"),
corrente política ("lulismo") ou partido ("PT").

Tudo isso foi colocado na boca do ministro por meio de uma redação "esperta" do editorialista,
aproveitando o embalo dos verbos declarativos ("... Joaquim Barbosa tratou ... Colocou o dedo ..."). A
partir deste ponto ("...: como o governo Lula ..."), todo o conteúdo pertence ao editorialista, embora esteja
atribuído ao ministro. Na verdade, são especificações indevidas embutidas nas críticas genéricas do
entrevistado.

Quem não leu a entrevista (e a maioria dos leitores do editorial não o fez) saiu com a impressão de
que o ministro foi o responsável por todas aquelas críticas ao Governo e a seus aliados.

http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2010/1/3/corrupcao-cresce-por-culpa-do-
judiciario

Queima de fonte

Definição
Obtenção de informação importante por meio de conversa em off (isto é, com a promessa de não
revelar a fonte), seguida de revelação do conteúdo da conversa e da fonte.

Exemplo
"Confie em mim." (Título da coluna em que Diogo Mainardi divulga informações de uma conversa
telefônica com o deputado José Janene, ao qual tinha prometido não revelar o nome por se tratar de uma
conversa em off.)

http://www.fazenda.gov.br/resenhaeletronica/MostraMateria.asp?page=&cod=215492

Comentários
Técnica radical de ataque, a queima da fonte visa tirar qualquer possibilidade de defesa do acusado.
O jornalista age como um camaleão: apresenta-se como amigo (ou, ao menos, alguém neutro), depois
revela-se inimigo. É claro que essa medida implica o fim do relacionamento; por isso, deve-se avaliar se a
fonte, como se diz popularmente, já deu tudo que tinha para dar.

Esta é outra das situações que confundem os não-iniciados no jogo do mercado, da influência e do
poder. "Não seria ir longe demais?" questionam. O fato é que a realidade do meio nos faz uma pergunta,
que não admite meias-respostas: "Quer participar do jogo?" Se a resposta é sim, ela nos informa
secamente: "Então deixe os escrúpulos de lado."

Isso inclui a desconsideração da ética jornalística, a mentira deliberada, a recusa em cumprir a


palavra empenhada, o dedurismo, entre outras atitudes e atos que, quando bem escolhidos, marcam
pontos importantes no mais adulto de todos os embates.
TÉCNICAS DE ATRIBUIÇÃO DE INTENÇÃO REPROVÁVEL

Esta categoria de técnicas baseia-se na atribuição de uma intenção reprovável a grupo ou expoente do
"outro lado", para que o leitor, ouvinte ou espectador reaja a essa intenção atribuída (muitas vezes,
falsamente) como se fosse verdadeira.

Atribuição de politicagem

Definição
Atribuição de motivação política, no sentido rasteiro, a um ato de representante do "outro lado".

Exemplo
"Há muita coisa grave acontecendo [na Conferência do Clima em Copenhague], mas a delegação
brasileira, por ser chefiada por uma candidata, se move com o olho na eleição do ano que vem. Como
tanto o governador José Serra quanto a senadora Marina Silva propuseram que o Brasil depositasse
recursos no fundo para os países mais pobres, o governo decidiu produzir um número fazendo uma conta
mirabolante." (Miriam Leitão.)

http://arquivoetc.blogspot.com/2009/12/miriam-leitao-cop-em-perigo.html

Comentários
O trecho "se move com o olho na eleição do ano que vem" configura a aplicação da técnica. A partir
daí, tudo que o leitor ler será submetido a esse enquadramento: nada poderá ser justificado por critérios
técnicos, intenções louváveis, cuidados com o meio ambiente etc.

Observe a importância da atribuição situada antes da descrição do ato realizado pelo alvo. Enquadre
primeiro, relate depois – assim o leitor interpretará o ato segundo nossos interesses, e você contará com
uma alta probabilidade de aceitação das qualificações seguintes, devidas ou indevidas (como, por
exemplo, "conta mirabolante").

Outro exemplo
Merval Pereira, na CBN:

http://cbn.globoradio.globo.com/comentaristas/merval-pereira/2009/12/08/LULA-O-FILHO-DO-
BRASIL-E-UM-BOM-FILME-MAS-E-UMA-PROPAGANDA.htm

Leitura da sujeira da alma

Definição
Afirmação sobre intenção não declarada de um adversário, visando incompatibilizá-lo com seus
companheiros ou apoiadores, ou com a sociedade em geral.

Exemplo
"Qual o futuro de Lula?

"Com a repercussão internacional, muito em vista de sua pessoa carismática, com o charme de ser,
aos olhos do Primeiro Mundo, o primeiro operário na Presidência, Lula aspira a posições no concerto
internacional. Não interessaria mais o que se dá na nossa terrinha." (Miguel Reale Júnior.)
http://gilvanmelo.blogspot.com/2009/12/miguel-reale-junior-o-futuro-do-brasil.html

Comentários
O conteúdo de uma leitura da sujeira da alma deve ser sempre o ponto-chave da força do adversário.
No exemplo acima, a ligação do Presidente com a população é seu maior trunfo; afirmar o descaso de um
pela outra é uma forma segura de abalar a certeza dessa ligação, atuando no sentido dos nossos interesses.

Outros exemplos
1. "[Muniz] Sodré é contra a imprensa. Ele classifica os 'jornalões' como 'intelectuais coletivos das
classes dirigentes' e 'cães de guarda da retaguarda escravista'. Como não pode empastelar jornais, limita-
se a pronunciar inverdades factuais a respeito deles." (Demetrio Magnoli.)

http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=569JDB003

O articulista atribui uma intenção condenável a seu desafeto ("Como não pode empastelar jornais
[...]"), sugerindo que, no fundo da alma, ele é um criminoso que só não comete aquele crime por causa
dos freios impostos pela sociedade.

2. "Esse foco na pessoa dos chefes de governo tirou visibilidade de seus assessores, possíveis
sucessores.

"Lula é exemplo disso. Por um lado, sente cócegas para intervir na mídia. Não podendo, gasta
bilhões." (César Maia.)

http://arquivoetc.blogspot.com/2010/01/cesar-maia-individuo-e-politica.html

Atribuição de plano condenável

Definição
Atribuição explícita de plano político de natureza condenável ou mesmo ilegal a um adversário.

Exemplo
"Um dossiê ou um(a) aloprado(a) a mais ou a menos são fichinha, e Lula não está nem aí. Se, mesmo
assim, Dilma Rousseff não resistir, não faz a menor diferença no governo. Saiu um, entra outro. O
problema é sair Dilma e voltar a tese da re-reeleição em 2010. Duvida?" (Eliane Catanhêde.)

http://arquivoetc.blogspot.com/2008/03/eliane-cantanhede-neo-aloprados.html

Comentários
O melhor tipo de atribuição é aquele que pode ser difundido e desenvolvido, como aconteceu com a
tese do terceiro mandato presidencial, "proposto" pela mídia apesar de todas as recusas explícitas do
Presidente. Durante meses, colunistas puderam atacar o maior representante do "outro lado" por algo que
jamais tentou e do qual sempre foi considerado culpado por querer.

O link abaixo leva a um estudo realizado por Lilian Muneiro e Merilyn Escobar de Oliveira sobre
esse aproveitamento no jornal Folha de S. Paulo, em 2007 e 2008. Apesar da abordagem crítica, o estudo
revela técnicas interessantes de manipulação da opinião pública segundo os interesses do "nosso lado":

http://www2.uel.br/grupo-pesquisa/gepal/terceirogepal/lilian.pdf

Outro exemplo
"Antes de tudo, vale registrar um fator auspicioso: justamente por causa dessa normalidade,
estaremos diante de uma eleição presidencial em que o atual presidente – como manda a Constituição que
ele talvez pudesse até ter alterado – não será candidato à reeleição." (Roberto Civita.)

http://arquivoetc.blogspot.com/2009/12/carta-do-editor-roberto-civita.html
Repare na estratégia de aproveitamento pleno das oportunidades de ataque, uma das marcas do PIG.
Primeiro, acusa-se o Presidente de desejar o terceiro mandato, e durante meses ataca-se o "plano"
concebido por ele. Depois, quando se concretiza o fato (não haverá terceiro mandato), louva-se a atuação
da imprensa por ter "impedido" esse desvio da norma democrática. Por fim, não se deixa o "fato" morrer,
relembrando sempre que possível a intenção reprovável ("a Constituição que ele talvez pudesse até ter
alterado").

Aproveitar antes, durante e depois – este é o espírito.

Demonização explícita do adversário

Definição
Representação do adversário como um indivíduo ou uma entidade maléfica que existe somente para
promover o mal, o crime ou o dano alheio.

Exemplo
"Desde sempre, o petismo e o seu líder máximo encarnam o papel de donos do povo, constrangendo
os que com eles não concordam.

Despejam sobre nós vontades próprias que só servem aos seus próprios interesses e taxam como
inimigo do povo qualquer um que ouse pensar diferente." (Mary Zaidan.)

http://oglobo.globo.com/pais/noblat/posts/2009/12/13/em-nome-do-povo-contra-povo-249521.asp

Comentários
As afirmações genéricas prestam-se admiravelmente ao jogo do poder. O leitor preencherá por sua
conta as lacunas informativas, lembrando-se de um ou dois fatos concretos que possam, ainda que
remotamente, corresponder à generalização empregada.

No exemplo acima a colunista foi brilhante porque, além de atribuir o defeito de ganância insaciável
ao grupo adversário, atribuiu-lhe a intenção de dominar ditatorialmente a mente e o corpo dos cidadãos. E
valeu-se de expressões carregadas de conotação negativa, como "inimigo do povo", a qual, ainda que
jamais tenha sido usada por aquele grupo (detalhe irrelevante), reforça a natureza malévola de seus
integrantes.

Outros exemplos
1. "Ou seja, no Brasil de Lula, tudo é politicagem, nem a Justiça escapa disso." (Ferreira Gullar.)

http://portalliteral.terra.com.br/blogs/pau-de-dois-bicos-resmungos-ferreira-gullar-1

2. "O que era um grande líder metalúrgico transformou-se na glamourização do apedeuta, da


ignorância. Lula é uma invenção da USP, da Unicamp e das comunidades eclesiásticas de base com o
aval do falecido Golbery do Couto e Silva. Ele agora diz que nunca se fez no mundo tantos benefícios
para o trabalhador como ele fez. É um delírio absoluto. É um megalômano." (Carlos Vereza.)

http://www.youtube.com/watch?v=qn30IUnQhds

3. "Fascistas raivosos

"Na Conferência de Comunicação, que se realiza em Brasília, grande parte dos que defendem teses
de inspiração fascista, como "controle social" da mídia, são figuras bizarras e cheias de rancor por não
terem espaço na imprensa." (Cláudio Humberto.)

http://www.hojeemdia.com.br/cmlink/hoje-em-dia/claudio-humberto-1.12113/cgu-investiga-
deputados-1.52926
4. "Como político e presidente, Lula pode ser discutido e criticado. Pode até mesmo ser demonizado,
como ocorreu com FHC. Mas como 'filho do Brasil' e herói nacional, ele entra no panteão de Tiradentes,
de Antônio Conselheiro e do Padre Cícero. Corre o risco de tornar-se tão intocável quanto foram Hitler,
Stalin, Mao e Fidel." (Roberto daMatta.)

http://gilvanmelo.blogspot.com/2009/11/roberto-damatta-sobre-biografias-herois.html

Interessante aplicação da técnica, em que primeiro o antropólogo afirma que um dos "nossos" foi
demonizado, e depois, na prática, demoniza o chefe dos "deles", por meio da aplicação das técnicas da
previsão catastrófica e da atribuição de defeito grave com base em associação.

5. "É compreensível que o rebanho companheiro, até agora cúmplice por omissão, comece a endossar
com balidos aprovadores o estupro da Constituição.

"Os inimigos da liberdade já não enxergam motivos para constrangimentos ou inibições. Eles acham
que está tudo dominado." (Augusto Nunes.)

http://veja.abril.com.br/blog/augusto-nunes/direto-ao-ponto/o-recesso-da-liberdade/

6. "Há toda uma embromação ideológica no uso da palavra progressista para justificar essas posições,
que são, na verdade, liberticidas. Qualificar alguém, um movimento social ou um partido político como
progressista se tornou uma espécie de salvo-conduto para qualquer tipo de arbitrariedade." (Denis Lerrer
Rosenfield.)

http://arquivoetc.blogspot.com/2010/01/denis-lerrer-rosenfield-inseguranca.html

7. "Os fatos reais: com a eleição de Lula, uma quadrilha se enfiou no governo e desviou bilhões de
dinheiro público para tomar o Estado e ficar no poder 20 anos. Os culpados são todos conhecidos, tudo
está decifrado, os cheques assinados, as contas no estrangeiro, os tapes , as provas irrefutáveis, mas o
governo psicopata de Lula nega e ignora tudo. Questionado ou flagrado, o psicopata não se responsabiliza
por suas ações. Sempre se acha inocente ou vítima do mundo, do qual tem de se vingar. O outro não
existe para ele e não sente nem remorso nem vergonha do que faz. Mente compulsivamente, acreditando
na própria mentira, para conseguir poder. Este governo é psicopata." (Arnaldo Jabor.)

http://www.paralerepensar.com.br/a_jabor_averdadestanacara.htm

Observação importante

Convém atentar para a relevância do uso extensivo das técnicas de atribuição de intenção reprovável.
A razão é óbvia: a intenção é um fenômeno subjetivo, interno, portanto oculto. No jogo político, pode-se
atribuir qualquer intenção maldosa a qualquer adversário, baseando-se nos indícios mais sutis. E se o
comportamento não se tornar realidade, basta contestar a alegada inexistência original da intenção
reprovável com o argumento de que, não fosse a reação "da sociedade", ela teria se concretizado.

Nesse ponto, a atribuição de intenção difere da atribuição de comportamento (um ato criminoso, por
exemplo) porque nesta última o acusado tem meios de defesa, como o álibi, a contestação por parte de
outras pessoas, prova documental etc. Na atribuição de intenção, o caminho está desimpedido de
obstáculos da realidade aos nossos interesses.
TÉCNICAS DE ATRIBUIÇÃO DE CARÁTER REPROVÁVEL

Esta categoria de técnicas baseia-se na atribuição de um caráter reprovável a expoente do "outro


lado", para que o leitor, ouvinte ou espectador reaja ao nosso adversário como se ele tivesse realmente
uma falha moral lamentável em sua personalidade.

Atribuição de defeito grave ainda não percebido

Definição
Atribuição de defeito grave, mas ainda não apontado ou reconhecido, a um integrante do "outro
lado".

Exemplo
"Um dos talentos menos decantados do presidente Lula é o da sua prontidão para cumprir a lei de
Gérson, aquela cujos seguidores 'gostam de tirar vantagem em tudo', conforme o comercial de uma marca
de cigarro estrelado pelo craque da seleção de 1970. Tamanha a maestria do presidente nesse jogo que ele
é capaz de tirar vantagem também de seus próprios lapsos ou erros." (Editorial do Estado de S. Paulo.)

http://arquivoetc.blogspot.com/2009/12/o-falso-patrono-da-reforma.html

Comentários
A técnica, embora de simples aplicação, é de extrema utilidade na luta porque ajuda a renovar o
estoque de ataques ao adversário. Dada a dica, outros colegas do "nosso lado" podem passar a utilizar o
mesmo ataque, ajudando a consolidar a idéia na mente da opinião pública.

Repare que, ao aplicar a técnica, os autores do editorial usaram também a técnica seguinte (atribuição
de defeito grave por associação) ao enquadrar o defeito na Lei de Gérson.

Atribuição de defeito grave com base em associação

Definição
Atribuição de defeito grave a um integrante do "outro lado", agravado pela associação a um contexto
também reprovável.

Exemplo
"O presidente Lula poderia não ter se manifestado. Seria melhor. Mas sua forma de lidar com a
imprensa é autoritária como nos governos militares. Naquela época os generais não davam entrevistas
coletivas. Eles falavam quando eram abordados em viagens internacionais." (Miriam Leitão.)

http://arquivoetc.blogspot.com/2009/12/miriam-leitao-ele-nao-fala-por-mim.html

Comentários
O costume do Presidente, de preferir as entrevistas informais às formais, é associado ao autoritarismo
e aos governos militares, combatidos politicamente por ele no passado. Note o tom de orientação no
comentário da jornalista ("Seria melhor."). E note o tom de bronca que permeia o parágrafo.

Esta posição do PIG, de superioridade em relação aos políticos, de juiz moral da política nacional, é
perfeita para fazer valer nossos interesses.

Repare também como o contexto em que foi incluído o ato (o Regime Militar) serve para esclarecer
algo que ficaria isolado, solto, no vazio (a preferência pelas entrevistas informais), além de trazer toda a
carga de reprovação associada àquele período histórico, despejando-a no alvo da crítica.
Outros exemplos
1. "Já comparei aqui certa vez o presidente Lula ao personagem de um pseudo-documentário de
Woody Allen, de 1983, sobre a vida de Leonard Zelig, o homem-camaleão, que modificava a aparência
para agradar às outras pessoas." (Merval Pereira.)

http://gilvanmelo.blogspot.com/2009/12/merval-pereira-zelig-verde.html

2. "O chefe da propaganda de Benito Mussolini era seu genro, Galeazzo Ciano. Lula, por sua vez,
tem de se arranjar com Franklin Martins." (Diogo Mainardi.)

http://veja.abril.com.br/blog/mainardi/na-revista/quem-e-o-filho-do-brasil/

3. "Com a reeleição, o mito chegou ao auge. Ultrapassou as fronteiras nacionais. O ufanismo entrou
na ordem do dia. O delírio do presidente que foi ungido em Caetés para libertar o Brasil tomou conta do
noticiário. Como nas ditaduras do 'socialismo real', o presidente foi considerado infalível. Se Stálin,
pouco antes de morrer, dissertava sobre linguística, Lula passou a explicar até as variações climáticas."
(Marco Antonio Villa.)

http://arquivoetc.blogspot.com/2009/12/marco-antonio-villa-o-poder-e-gloria.html

4.

Aqui, o fundo preto e a fisionomia cabisbaixa somam-se à associação ao nome do ex-presidente


Collor para atribuir a Lula os defeitos daquele político e o julgamento implícito da sociedade sobre esses
defeitos.

5. "Num país sério, alguém socorrido por Genoíno ─ parceiro de Delúbio Soares e Marcos Valério
nas bandalheiras do mensalão, irmão do chefe do cearense da cueca dolarizada, enfiado no pântano até o
pescoço ─ seria punido mesmo que fosse inocente." (Augusto Nunes.)

http://veja.abril.com.br/blog/augusto-nunes/direto-ao-ponto/dilma-aprendeu-cedo-que-negar-a-
verdade-e-o-preco-da-sobrevivencia/

Repare na indigência do argumento: não há acusação, não há prova de crime, mas a pessoa deve ser
punida apenas por estar associada a uma outra. É importante perceber que as formas mais estapafúrdias
de argumento passam despercebidas da maioria dos leitores; por isso é que são empregadas com tanta
freqüência pelos integrantes do PIG. Por isso e porque funcionam.

Atribuição de defeito grave com base em extrapolação

Definição
Atribuição de defeito grave a um integrante do "outro lado", justificado pela extrapolação de algum
ato de pequena importância.

Exemplo
"E esse bate-boca lá fora, entre ela e o Minc (seu colega!) e o desdizer hoje o que disse ontem,
francamentem, provam que ela não nasceu para chefe de governo.

"Já imaginaram essa senhora com a caneta na mão?" (Maria Helena R. R. de Sousa.)
http://oglobo.globo.com/pais/noblat/mariahelena/posts/2009/12/15/em-copenhagen-250378.asp

Comentários
A jornalista revelou de maneira clara a relação que a técnica estabelece entre um ato pessoal e um
defeito grave da pessoa responsável por ele: o ato é a prova (ilógica, mas emocionalmente válida) da
existência do defeito grave – um bate-boca ocasional (que, na verdade, foi uma discordância civilizada de
opinião) significa que a ministra não tem competência para governar.

Outro exemplo
"Lula já usa palavrão nos discursos. Quanto mais sobe no Ibope, mais à vontade ele se sente para
mostrar quem de fato é." (Ferreira Gullar.)

http://arquivoetc.blogspot.com/2009/12/ferreira-gullar-cabra-safado-nao-se-ama.html

A enunciação de um palavrão (um ato de mínima importância) significa que o Presidente tem caráter
torpe.

Atribuição de semelhança louvável e diferença lamentável

Definição
Combinação de elogio por estar do "nosso lado" na dimensão do comportamento, com crítica por
estar do "outro lado" na dimensão do caráter.

Exemplo
"O fato de Lula, eleito presidente, ter adotado a política econômica que combatera ferozmente,
revela-se uma louvável sensatez, revela também, ao mesmo tempo, por ele não reconhecer o débito de
hoje e o equívoco do passado, certa carência de escrúpulos, o que explica muita coisa da popularidade de
que desfruta hoje." (Ferreira Gullar.)

http://arquivoetc.blogspot.com/2008/09/ferreira-gullar.html

Comentários
"Ele nos imita, mas não é dos nossos" é a mensagem transmitida pela utilização dessa técnica.
Observe como o poeta (alguém "de fora" do jogo político) primeiro assopra e depois morde, mas assopra
somente porque o adversário fez algo preconizado pelo "nosso lado". A mordida é forte ("carência de
escrúpulos"), dividida com seus seguidores (pessoas tão pouco escrupulosas quanto seu líder), e centrada
no aspecto moral do caráter. E, ao fim, percebe-se que o real propósito do poeta era louvar a sabedoria e a
altivez de caráter dos integrantes do "nosso lado".

Outro exemplo
"Mas 2010 será o mais crítico de todos. Além do mais, Lula foi tomado pela soberba e ameaça
abandonar a ortodoxia econômica que herdou de FHC e que, mantida, forneceu a base para o Brasil pegar
carona na onda de crescimento mundial." (Carlos Alberto Sardenberg.)

http://clippings-artigos.blogspot.com/2009/12/juros-para-dilma-carlos-alberto.html

Atribuição de defeito grave com base no passado

Definição
Atribuição de defeito grave a um integrante do "outro lado", evidenciado por algum fato desabonador
do seu passado.
Exemplo
"LULA, O SEXO, OS ANIMAIS E AS VIÚVAS." (Entrevista do Presidente Lula publicada em
1979 e divulgada no blog do jornalista Reinaldo Azevedo em 2009.)

http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/lula-o-sexo-os-animais-e-as-viuvas/

Comentários
A técnica é popularmente denominada o fantasma do passado: o fato desconhecido ou já esquecido
volta do passado para assombrar o alvo da acusação.

Um dos itens mais valiosos dos dossiês são justamente os fantasmas do passado. Entrevistas
marcadas pela indiscrição, estripulias da juventude, conversas com antigos amigos, casos amorosos, tudo
pode ser fonte de material para a aplicação dessa técnica, que extrai sua validade da relação fiel com os
fatos: o acusado jamais poderá afirmar, em sua defesa, que aquilo não aconteceu, somente que não
aconteceu deste ou daquele jeito, que a versão difere do fato, ou que o fato não tem o significado
destruidor que lhe é atribuído.

Uma das fontes desta técnica são as antigas promessas eleitorais de políticos. No caso do vídeo a
seguir (link abaixo), um erro estratégico do candidato a prefeito José Serra forneceu munição ao "outro
lado" na eleição seguinte, para governador de São Paulo:

http://www.youtube.com/watch?v=NtPFYAsv2l4

Fofoca venenosa

Definição
Utilização de uma fofoca para transmitir ou reforçar um ataque, especialmente na área do caráter da
pessoa atacada.

Exemplo
"Omelete, já!

"Dilma Rousseff mobilizou a embaixada do Brasil em Copenhague porque exigia comer omelete. Ela
tem evitado carboidratos. Os eficientes diplomatas satisfizeram a ministra. Eles têm juízo." (Cláudio
Humberto.)

http://www.hojeemdia.com.br/cmlink/hoje-em-dia/claudio-humberto-1.12113/pandora-pp-nacional-
lava-as-m-os-1.51874

Comentários
Repare nos detalhes da aplicação da técnica. O jornalista afirma que a ministra "mobilizou a
embaixada" (exagero consciente) para que pudesse comer omelete (contraste chocante entre a
mobilização de toda a embaixada com a pequenez de um omelete). "Eles têm juízo" visa reforçar a idéia
de temperamento autoritário da ministra.

Outros exemplos
1. "Chama a síndica

"Um leitor achou, com certa propriedade, que com o novo corte de cabelo a ministra Dilma lembra o
falecido Tim Maia. 'Vale tuuudo'..." (Cláudio Humberto.)

http://tribunadonorte.com.br/noticia/senado-trabalha-no-natal-nos-eua/135738

2. "E um daqueles [títulos de matéria] que nascem aleatoriamente, de um erro, e acabam ficando
engraçados:

"'Dilma erra e afirma que meio ambiente é ameaça ao desenvolvimento sustentável'


"Imagine, Dilma erra! Basta olhar para ela: está convencida de que nunca errou." (Carlos
Brickmann.)

http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=569CIR001

3. "O professor Lula tem dado algumas lições de campanha a Dilma Rousseff. Recentemente, na
antessala de um teatro onde os dois e mais algumas personalidades aguardavam a hora de subir ao palco
de uma cerimônia de premiação, Lula sugeriu a Dilma que desse atenção ao garçom que lhe servia: "Ô
Dilma, cumprimenta o menino que ele pode ser seu eleitor no ano que vem...". Dilma, meio sem graça,
fez o que o chefe mandou." (Lauro Jardim.)

http://veja.abril.com.br/060110/radar.shtml

Fofoca desestabilizadora

Definição
Divulgação de uma interação cuja existência é impossível de provar, com o objetivo de desestabilizar
o lado do adversário.

Exemplo
"Ao ficar a sós com seus aliados, Lula suspirou e disse algo mais ou menos assim: 'A gente construiu
o PT, trabalhou duro para chegar até aqui e agora vamos fazer aliança com essa gente [do PMDB]...'.
Alguns palavrões frequentaram a conversa, mas o assunto morreu ali.

"Um dia depois, Lula elucubrou sobre como se moldam as alianças políticas no Brasil: 'Jesus teria de
chamar Judas para fazer coalizão'.

"O Judas da história é o PMDB." (Fernando Rodrigues.)

http://gilvanmelo.blogspot.com/2009/12/fernando-rodrigues-o-pt-esta-se-achando.html

Comentários
O jornalista aproveita-se de uma conversa que pode ou não ter acontecido do modo como ele relata,
visando desestabilizar uma importante relação política entre os adversários.

Se a fofoca não fizer efeito no "outro lado" (o resultado mais provável), ela serve ao menos para que
se fique com uma imagem negativa dos alvos da "indiscrição".
TÉCNICAS DE APROVEITAMENTO DE SITUAÇÃO FAVORÁVEL

Essa categoria de técnicas baseia-se no aproveitamento de qualquer situação criada pelo "outro lado"
que possa ser utilizada como alvo de ataque.

A volta para baixo

Definição
Situação em que a imagem positiva de um importante integrante do "outro lado" sofre um abalo, por
menor que seja, abalo que é amplificado pela exploração jornalística da mudança de natureza negativa
para aquela pessoa.

Exemplo
"O verdadeiro 'o cara'." (Artigo em que Clóvis Rossi decreta o fim do reinado do Presidente Lula
como "o cara".)

http://arquivoetc.blogspot.com/2009/12/clovis-rossi-o-verdadeiro-o-cara.html

Comentários
A técnica é denominada "a volta para baixo" por uma questão de contraste com a expressão popular
"a volta por cima".

Toda oportunidade de desfazer uma vitória de um nome importante do "outro lado" deve ser
aproveitada. Não importa que, como neste caso, o jornalista sequer tenha reconhecido a vitória quando ela
se concretizou, ou que ele a tenha depreciado anteriormente. Agora ela pode ser reconhecida porque é
importante estabelecer um contraste entre o passado e o presente.

Vale a pena estudar a metatécnica de empilhamento de técnicas (veja o item 7 desta parte) nos dois
primeiros parágrafos do texto do jornalista:

"Se não estiver em surto de megalomania, o presidente Lula deveria devolver a seu colega Barack
Obama aquela brincadeira sobre ser 'o cara'. Para quem já esqueceu, Obama cumprimentou Lula, durante
o G20 de abril, em Londres, apontando-o como o mais popular do mundo.

"Não é que, agora, a pesquisa Latinobarómetro mostra que 'o cara', o presidente mais popular, pelo
menos na América Latina, é Obama, e não Lula? Obama levou nota 7, contra 6,4 do brasileiro."

Análise
1. "Se não estiver em surto de megalomania."
Atribuição do defeito grave da megalomania ao Presidente.

2. "aquela brincadeira de ser 'o cara'."


Minimização da vitória.

3. "mostra que 'o cara', o presidente mais popular, pelo menos na América Latina, é Obama, e não
Lula."
Técnica da mentira deslavada. O Presidente Lula foi chamado "o cara" por Barack Obama porque
era, em todo o mundo, o Presidente mais popular em seu próprio país. O jornalista, conscientemente, para
efeito de conclusão depreciativa, comparou uma pesquisa nacional com outra internacional. No mês de
dezembro de 2009, Lula estava com 83% de índice de aprovação dos brasileiros; Obama contava com
48% de índice de aprovação dos estadunidenses.

Uma das utilidades da aplicação de várias técnicas num só texto é a criação de uma espécie de
sobrecarga intelectual no leitor. Contestar uma, depois outra, depois outra, exigiria muito tempo e
trabalho mental; melhor ficar em estado passivo, absorvendo acriticamente as idéias do autor, sempre
favoráveis ao "nosso lado".
Outros exemplos
1. "Lula não é mais ''o cara'." (Murilo Ramos e Andres Vera.)

http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI107250-15227,00-
LULA+NAO+E+MAIS+O+CARA.html

2. "Lula não é mais ''o cara'." (Editorial do Estado de S. Paulo.)

http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2009/12/22/lula-nao-e-mais-o-cara

Repare como a Grande Mídia brasileira se põe no mesmo nível do mais importante político do
mundo (o presidente dos Estados Unidos) ao tentar determinar o seu pensamento e as suas avaliações,
sem ao menos uma consulta, formal ou informal: "Você realmente mudou de opinião?". E repare também
como, nos dois casos acima, ela desvia o foco, "esquecendo-se" de que "o cara" foi uma qualificação
originalmente baseada na popularidade interna, e não numa avaliação externa. Por fim, repare na
repetição ideologicamente orquestrada de certos conceitos, chegando a ponto de gerar manchetes
idênticas.

A amplitude de ação, a flexibilidade de critérios e a unidade ideológica são recursos valiosos na luta
cotidiana pelos interesses do "nosso lado".

Superdimensionamento de erro do adversário

Definição
Superdimensionamento da importância de comportamento reprovável mas compreensível.

Exemplo
"Quando o presidente da República se dá ao desfrute de falar palavrão em cerimônia oficial, quase
nada de inédito resta para ser visto e ouvido." (Dora Kramer.)

http://clipping.tse.gov.br/noticias/2009/Dez/12/dora-kramer1260617415172

Comentários
A frase compõe o primeiro parágrafo do texto, como indica a boa técnica de redação. Daí em diante,
o leitor tenderá a receber as informações segundo esse enquadramento inicial, desfavorável à figura maior
do "outro lado".

Ao aplicar a técnica, desobrigue-se de ser lógico. A jornalista está afirmando categoricamente que
uma autoridade, apenas por dizer um palavrão em público, chegou ao ápice da conduta reprovável, e que
quase todas as outras condutas reprováveis possíveis já foram exibidas. Se o leitor pensar em roubo,
estupro, assassinato ... quem mandou pensar?

O salto (i)lógico do raciocínio do autor do texto é enorme, estapafúrdio e até risível, mas conte
sempre com a autoridade do articulista e a força e o poder de convencimento dos truques da palavra – e
também com a preguiça mental que impede os leitores de contestar esses truques.

Superdimensionamento de problema do adversário

Definição
Superdimensionamento da importância de um problema ou uma situação difícil por que passa o
"outro lado".
Exemplo
"Ou seja: o desemprego sobe, Lula cai. Simples assim.

"Simples assim para você, cara pálida, porque para os governistas, assessores, o próprio Lula e
principalmente a Dilma, isso deve ser um deus-nos-acuda. Ou, numa outra imagem: Lula chamou a crise
no Brasil de 'marolinha', mas o efeito político dela com certeza está sendo encarado como um 'tsunami'."
(Eliane Cantanhêde.)

http://www1.folha.uol.com.br/folha/pensata/elianecantanhede/ult681u538650.shtml

Comentários
Muitas técnicas ensinadas neste Curso baseiam-se na intenção consciente de exagerar problemas,
erros, defeitos, dificuldades etc. do "outro lado". É uma espécie de "empurrão" no mesmo sentido dos
fatos, acompanhado da torcida de que eles realmente sigam por esse caminho, agravando a situação do
adversário.

Estude as colunas da jornalista acima, maior especialista nesses "empurrões", para conhecer como os
problemas podem ser superdimensionados de maneira aparentemente natural e inevitável.

Comemoração de fracasso do adversário

Definição
Relato em tom de alívio, satisfação ou ironia, de um fracasso público de um dos nossos adversários.

Exemplo
"Uns e outros adoraram o vexame de Manaus, onde Lula esperava nove presidentes para brilhar e
acabou fazendo Sarkozy atravessar o Atlântico para tomar cafezinho com um único presidente: o da
Guiana Inglesa. Em alguns relatórios de embaixadas para suas chancelarias, o relato do episódio resvala
para a mais pura chacota." (Eliane Catanhêde.)

http://gilvanmelo.blogspot.com/2009/12/eliane-cantanhede-encantados-mas.html

Comentários
Pela própria natureza do conteúdo, mais blogueiro que jornalístico, essa técnica deve ser reservada
aos expoentes do jornalismozinho. E convém colocar a comemoração no final do texto para que o leitor
desfrute, logo após a leitura, de momentos de superioridade moral, intelectual ou mesmo classista,
experiência cara a nossos simpatizantes mais refinados culturalmente.

Agravamento de situação conflituosa

Definição
Aproveitamento de situação problemática para o "outro lado", procurando agravá-la com exageros,
acusações infundadas ou alguma forma de escandalização.

Exemplo
a) A notícia.
"Quatro jornalistas são feitos reféns por integrantes do MST no Pará." (Portal Imprensa.)

http://portalimprensa.uol.com.br/portal/ultimas_noticias/2009/04/20/imprensa27552.shtml

b) A realidade.
"Caiu a farsa da Globo sobre o conflito com o MST no Pará." (Max Costa.)
http://www.direitoacomunicacao.org.br/content.php?option=com_content&task=view&id=4887

Comentários
A acusação falsa de cárcere privado veio se somar às acusações verdadeiras de tiroteiro e invasão de
propriedade, numa tentativa de agravar os delitos e possibilitar críticas mais contundentes a esse grupo
integrante do "outro lado".

O link abaixo leva a uma repercussão popular da falsa acusação:

"MST INVADE, BARBARIZA E FAZ JORNALISTAS DE REFÉNS E TUDO FINANCIADO


COM O DINHEIRO DO GOVERNO LULA."

http://www.youtube.com/watch?v=4ZwqDnrOPb8

Neste caso, recomenda-se apenas que o aproveitamento do YouTube para a repercussão do conteúdo
seja feito por pessoas minimamente competentes nas áreas da apresentação visual, locução e
argumentação.

Aproveitamento de crítica interna ao adversário

Definição
Uso estratégico de crítica feita por um adversário a outro adversário mais importante.

Exemplo
"O texto é primoroso – entre outros motivos porque [Cesar] Benjamin escreve muito bem. A análise
que ele faz das motivações que embalam o filme hagiográfico 'Lula, O Filho do Brasil' é impecável.

"Benjamin é um homem de esquerda. Eu não sou – e o que escrevo naquele post enorme desta
madrugada diz por que não. Certamente temos pontos de vista absolutamente distintos sobre como
aumentar o quociente de felicidade e bem-estar dos brasileiros. Mas o que escreve sobre o filme-
propaganda coincide exatamente com o que penso." (Reinaldo Azevedo.)

http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/cesar-benjamin-explica-por-que-agora/

Comentários
O jornalista do "nosso lado" elogia o militante de esquerda pela crítica feita ao filme. E só. É
importante, ao usar essa técnica, restringir os elogios ao conteúdo utilizado no ataque, jamais deixando
que eles se estendam à atuação geral do adversário. E convém fazer essas ressalvas, tanto de natureza
pessoal ("... é um homem de esquerda. Eu não sou...") quanto de foco de avaliação ("... o que escreve
sobre o filme...").

De outro modo, os elogios poderão ser usados na luta política, mais tarde, contra seu autor.

Aproveitamento de reconhecimento de problema pelo adversário

Definição
Aproveitamento de situação "ofertada" pelo adversário, ao reconhecer erro, problema, dificuldade,
por menor ou mais hipotética que ela seja.

Exemplo
Esta técnica geralmente vem precedida de um destaque indevido desse erro, problema ou dificuldade.
Selecionado e destacado esse ponto, a mídia procura repercuti-lo para aumentar o impacto do golpe. É
como se, ao perceber uma pequena ferida no corpo do adversário, seu inimigo fosse lentamente
cutucando o local da pele para torná-la mais extensa e mais funda.

a) A "ferida".

Manchete de domingo, 20/12/2009, em O Globo.

b) A ampliação da "ferida".
"Analistas veem riscos para economia com as eleições

"A campanha eleitoral no ano que vem trará instabilidade na economia, dizem analistas, que
concordam com o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, revela reportagem de Cássia
Almeida e Patrícia Duarte publicada nesta segunda-feira no GLOBO."

http://oglobo.globo.com/pais/noblat/posts/2009/12/21/analistas-veem-riscos-para-economia-com-as-
eleicoes-251665.asp

Comentários
No dia seguinte, a matéria especial explorou o ponto destacado na entrevista do ministro, revelando
nitidamente que a segunda matéria já estava pronta quando a primeira foi divulgada. Na leitura da
entrevista, identificou-se o ponto possível de aproveitamento, buscou-se a repercussão e depois, em
seqüência, as matérias foram publicadas.

Trata-se de uma ação de grande eficácia no convencimento da opinião pública porque sustentada não
em palpites de analistas sem autoridades, como a maioria dos nossos colunistas, e sim no próprio
reconhecimento da autoridade do "outro lado" e na análise aparentemente sensata dos especialistas que
nos assessoram em nossa luta.

Aproveitamento de crítica externa ao adversário

Definição
Uso estratégico de crítica feita por um integrante do "nosso lado" a um integrante do "outro lado".

Exemplo
No vídeo que pode ser acessado pelo link abaixo, a repórter da TV Globo somente anuncia a medida
governamental, depois passa a palavra para um político da Oposição que fica responsável pelo
enquadramento amigável ao "nosso lado": a crítica ao suspeito aumento da faixa etária para recebimento
do benefício do Bolsa Família, efetivado num ano eleitoral.

http://www.youtube.com/watch?v=E0NtQjR8Yg4

Comentários
A técnica funciona melhor quando a matéria se resume a essas duas "pernas": os dados objetivos são
transmitidos pelo jornalista e o enquadramento negativo, pelo político. Não deve haver uma terceira
"perna", ou seja, a defesa da medida por um integrante do "outro lado". Assim, na consciência do
espectador ficarão apenas o fato e sua avaliação convenientemente parcial.

Aproveitamento de "declaração infeliz"

Definição
Aproveitamento de trecho de uma fala de expoente do "outro lado", visando utilizá-la como alvo de
ataque direto ou de atribuição de intenção ou caráter reprovável.

Exemplo
Merval Pereira, na CBN:

http://cbn.globoradio.globo.com/comentaristas/merval-pereira/2009/11/10/DECLARACAO-DE-
LULA-DE-QUE-FICARIA-MAIS-5-ANOS-NO-PODER-DEVE-GERAR-CONFUSAO-POLITICA.htm

Comentários
A técnica é complacente, na medida em que qualquer fala ou declaração escrita que possa ser
distorcida, tomada fora do contexto ou ampliada em sua importância, serve para a exploração política
desejada.

Nesse caso, uma brincadeira feita durante um discurso fez vários expoentes do PIG retomarem a
acusação de desejo secreto de um terceiro mandato presidencial, que foi um dos mantras da Oposição
durante o ano de 2009.

Lista arbitrária

Definição
Criação de lista que rememora, coleta e fixa erros, fracassos, escândalos etc. do "outro lado".

Exemplo
"Eleja a frase de 2009." (Ricardo Noblat.)

http://oglobo.globo.com/pais/noblat/posts/2009/12/29/eleja-frase-de-2009-253320.asp

***
Das 10 frases escolhidas pelo blogueiro, 5 referem-se ao "outro lado": três ditas por Lula, uma por
Dilma Rousseff e a última por Aloizio Mercadante. A escolha de outras duas é um ataque sutil a dois
aliados do "outro lado" (José Sarney e Ciro Gomes).

Comentários
As listas apresentam um aspecto supostamente objetivo, porque ninguém poderá negar a ocorrência
passada daqueles fatos – mas a escolha dos itens, seu aspecto subjetivo, abre margem para a manipulação
no sentido dos interesses do criador da lista.

Outra vantagem das listas é ajudar na fixação de determinadas frases e fatos que servem de mantras
usados no ataque ao adversário. E não importa se a frase foi desmentida depois, se a pessoa se desculpou,
se o ato ou escândalo foi desmentido: na luta da influência e do poder não importa a verdade, e sim a
verossimilhança (aquilo que parece ser verdade).

O caso clássico da declaração de Pelé: "Brasileiro não sabe votar".

http://tinyurl.com/y9khemn (Google Books.)

Comparação absurda
Definição
Criação de uma situação desfavorável ao "outro lado" baseada numa comparação absurda ou
insensata, realizada somente para obter esse efeito.

Exemplo
"'Lula, o filho do Brasil' estreou no país vendendo 220 mil ingressos, número abaixo da expectativa.

"Longe do desempenho com fôlego de fenômeno da 'Avatar' 'Lula, o filho do Brasil', primeiro filme
nacional do ano, lançado no dia 1º em 350 cinemas, estreou vendendo cerca de 220 mil ingressos." (O
Globo.)

http://gilvanmelo.blogspot.com/2010/01/lula-o-filho-do-brasil-estreou-no-pais.html

Comentários
O jornalista comparou uma produção nacional brasileira de R$ 12 milhões com uma superprodução
americana de US$ 235 milhões, divulgada durante meses no mundo todo antes do lançamento e lançada
com uma campanha de marketing internacional.

Trata-se da aplicação de uma técnica de ataque com um componente de defesa porque o objetivo
também é desvalorizar a conquista do lado adversário: um filme sobre o principal expoente do "outro
lado" conseguiu levar 220.000 pessoas ao cinema em sua estréia.

Observação

É preciso muito cuidado na aplicação dessas técnicas para não cair em armadilhas montadas pelo
lado adversário. Antes do lance é preciso estudá-lo, como um enxadrista, avaliando a resposta do
adversário. Um exemplo clássico em que o "nosso lado" foi muito prejudicado pela falta de previsão da
resposta deve ficar na memória de todos, para servir de alerta em situações de natureza semelhante.

Em outubro de 2009, o Governo Federal anunciou que haveria um atraso na devolução do imposto de
renda no final do ano. Em ato de reflexo condicionado, sem nenhuma avaliação sensata das
circunstâncias, a Oposição aproveitou o aviso e atacou o Governo, violentamente:

"O governo quer sempre aparecer no mundo como o salvador de outros países, enquanto a situação
interna é caótica. Emprestou ao FMI R$20 bilhões, apoiou as montadoras e o sistema financeiro durante a
crise, e não tem dinheiro para repassar aos municípios, atender a área da saúde e pagar a restituição do
imposto de renda, que é direito do contribuinte? Como explicar isso para o cidadão? A classe média
precisa reagir". (Ronaldo Caiado.)

http://www.blogdemocrata.org.br/democratas_site/news_view.asp?id={8F1131E3-B455-428B-80F8-
6D20597A8F42}

"Virgílio chama atraso na restituição do IR de 'calotezinho' e quer convocar Mantega." (Eduardo


Bresciani, G1.)

http://g1.globo.com/Noticias/Economia_Negocios/0,,MUL1334659-9356,00-
VIRGILIO+CHAMA+ATRASO+NA+RESTITUICAO+DO+IR+DE+CALOTEZINHO+E+QUER+CO
NVOCAR+M.html

Um de nossos principais expoentes, o Jornal Nacional, também aproveitou a oportunidade para


fustigar o Governo:

http://jornalnacional.globo.com/Telejornais/JN/0,,MUL1335048-10406,00-
DEVOLUCAO+DO+IR+ESTA+MAIS+LENTA+EM.html

Blogueiros participaram da surra coletiva:


"Petralhagem do Leão: Desgoverno faz caixa, e economiza R$ 1,5 bilhão com o atraso na devolução
do IR." (Jorge Serrão.)

http://www.alertatotal.net/2009/10/petralhagem-do-leao-desgoverno-faz.html

Garantida a repercussão, o Governo cedeu. Já que a Oposição exigia...

"Receita paga hoje maior lote de restituição de IR." (Solange Spigliatti.)

http://www.estadao.com.br/noticias/economia,receita-paga-hoje-maior-lote-de-restituicao-de-
ir,467098,0.htm

Feito o anúncio da restituição, a Oposição ficou sem argumentos para contestar aquilo que ela mesma
havia exigido, em altos brados, sob a ameaça de punição política. Dois bilhões de reais foram injetados
numa economia já em expansão.

Se o Governo Federal tivesse anunciado por si mesmo essa restituição-monstro, o oposicionismo


pavloviano teria levado alguns expoentes do "nosso lado" a denunciar a devolução como "eleitoreira".
Sabedor desse comportamento óbvio, o Governo criou uma situação em que a Oposição praticamente o
obrigava a devolver o máximo possível. E assim foi feito, criando-se as condições para o mais lucrativo
Natal do comércio nas últimas décadas.
TÉCNICAS DE ORGANIZAÇÃO DAS INFORMAÇÕES

Essa categoria de técnicas centra-se na estrutura e na sintaxe da transmissão de informação.

Em regra, os melhores lugares para a colocação de ataques ou defesas são, por ordem, a manchete, as
frases iniciais e o fecho do texto.

Um texto ideal teria uma manchete impactante, uma ilustração "matadora", um começo arrasador,
fatos (verdadeiros ou falsos) em profusão nos parágrafos seguintes, depoimentos carregados de
autoridade e um fecho sintético e forte. Por toda a matéria, várias técnicas ensinadas neste manual seriam
usadas de modo exemplar (a metatécnica do empilhamento de técnicas).

Clipe temático

Definição
Colagem de notícias selecionadas segundo o critério de favorecimento do "nosso lado", seja numa
situação de defesa, seja em outra de ataque.

Exemplo
"Banqueiro contratou compadre de Lula." (Ricardo Noblat.)
http://oglobo.globo.com/pais/noblat/post.asp?
t=banqueiro_contratou_compadre_de_lula&cod_Post=113038&a=111

Comentários
A técnica visa reforçar, na consciência do leitor, tanto a notícia em si quanto o peso dela, garantido
pelo fato de que várias fontes a estão divulgando. Na verdade, geralmente há uma fonte única, utilizada
de modo redundante pelos vários órgãos da mídia. Mas o que importa, como sempre, é o efeito, não a
verdade.
TÉCNICAS DE ASSASSINATO DE REPUTAÇÃO

As técnicas deste manual variam em sua relação com o lado sombrio da personalidade humana.
Algumas delas exigem que se caminhe fundo no território da Sombra, abandonando escrúpulos, ética,
moral e tudo o mais pelo caminho. É o caso do assassinato de reputação.

Mistura dolosa de tempos

Definição
Redação dolosamente confusa de fatos situados em tempos diferentes (passado e presente), visando
atribuir a um adversário algum ato malévolo ou criminoso

Exemplo
"Aos 63 anos, impedido de disputar eleições até 2014, após ter o mandato de deputado cassado no
rastro do escândalo do mensalão, o ex-ministro se movimenta longe das câmeras. Foi acusado pela
Procuradoria-Geral da República, em março de 2006, de chefiar 'sofisticada organização criminosa' no
coração do governo para negociar apoio político e hoje aguarda julgamento no Supremo Tribunal Federal
(STF). Perdeu o poder, mas não a batuta."

http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20091213/not_imp481120,0.php

Comentários
O primeiro período encerra-se com "... se movimenta longe das câmeras". A expectativa do leitor,
centrada no presente, transfere-se à frase seguinte: "Foi acusado de..." Desta maneira, o leitor pensa que a
acusação de crime refere-se a essa atual "movimentação longe das câmeras", quando na verdade trata-se
de acusação feita à sua atuação do tempo de ministro.

O fecho "Perdeu o poder, mas não a batuta" é perfeito, porque reforça a impressão de continuidade da
atuação criminosa.

Divulgação de documentos secretos

Definição
Divulgação de documentos de natureza secreta, verdadeiros ou falsificados, que visam prejudicar os
interesses do "outro lado".

Exemplo clássico
a) A divulgação.

"Num relatório interno, sigiloso, ele é tratado como suspeito de comandar um esquema de desvio de
1,3 bilhão de reais da Petrobras." (Diogo Mainardi.)

http://veja.abril.com.br/080409/mainardi.shtml

b) A verdade.
"Agente aposentado forjou dossiê contra irmão de ministro, diz PF." (Folha de S. Paulo.)

http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u629078.shtml

Comentários
Grampos ilegais, documentos protegidos por sigilo judicial, dossiês falsos, tudo é válido na luta pelo
poder. Se a divulgação afeta os interesses do "outro lado", é boa para o "nosso lado".

Os critérios convencionais de verificação da origem, de autenticidade, de autoridade do denunciante e


de validade do material devem ficar nas salas de aulas das faculdades de jornalismo. Uma prática que
pode ser tomada como norma é esta:

"Como tem sido praxe a todas as matérias sustentadas em grampos telefônicos, a revista [Veja] não
revela como teve acesso às gravações clandestinas. Limitou-se a checar a autenticidade das vozes de cada
personagem." (Cidade Biz.)

http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos/iq270620018.htm

A mensagem é clara: "Estou no mercado. Se vocês tiverem algo do nosso interesse, conseguido por
meios legais ou ilegais, estamos dispostos a divulgar ou, se for o caso, a comprar".

Os objetivos prioritários devem ser, por ordem de importância, aproveitar, desenvolver, repercutir, e
depois, quem sabe, investigar.

O blogueiro-míssil

Definição
Utilização de blogueiros para realizar ataques diretos, de natureza difamatória, a agentes do jogo do
poder ou a pessoas que prejudiquem os nossos interesses.

Exemplo clássico
O Caso Gravataí Merengue (Fernando Gouvêia), em que o blogueiro atuou anônimo para atacar o
jornalista Luis Nassif no blog bndesnassif.blogspot.com, criado somente com este propósito.

Luis Nassif:
http://colunistas.ig.com.br/luisnassif/2009/06/08/a-turma-do-anonimato/

Marcel Leonardi:
http://www.leonardi.adv.br/blog/os-crimes-na-internet-entrevista-concedida-a-luis-nassif/

Fernando Gouvêia:
http://www.interney.net/blogs/imprensamarrom/2009/06/23/entendam_de_uma_vez_o_caso_luis_nassif/

Idelber Avelar:
http://www.idelberavelar.com/archives/2009/06/gravatai_merengue_era_mesmo_autor_no_blog_anonim
o_de_difamacao_contra_luis_nassif.php

Comentários
Novos tempos, novos recursos. Assim como, na imprensa escrita, falada e televisada, existem
pessoas que se prestam ao trabalho sujo, como os clowns (palhaços), cães-ferozes e espalha-bosta, na
Web existem dezenas de pessoas dispostas a fazer o mesmo trabalho, anônimas ou não, de linha auxiliar
do PIG. Alguns o fazem de graça, por afinidade ideológica, camaradagem ou pura ingenuidade; outros o
fazem por dinheiro – e ele entra na conta, liberam seu lado sombrio na direção de nossos adversários;
outros ainda precisam de incentivos de natureza variada (política, psicológica, sexual).

Em todo caso, é importante não deixar traços da origem dos ataques. Quando forem descobertos ou
responsabilizados, os blogueiros precisam arcar sozinhos com as conseqüências de seus ataques.
Como o ataque vem da própria internet, o meio de comunicação da atualidade, o efeito tende a ser
mais poderoso do que se viesse da Grande Mídia. E este, obviamente, é o meio ideal para atingir corações
e mentes jovens.

O jornalista-míssil

Definição
Utilização de jornalistas profissionais para realizar ataques diretos, de natureza difamatória, a agentes
do jogo do poder ou a pessoas que prejudiquem os nossos interesses.

Exemplo clássico
O Caso Janaína Leite (Folha de S. Paulo), em que a jornalista primeiro tentou incriminar a juíza
Marcia Cunha, que atrapalhava os negócios de Daniel Dantas...

"Magistrada vê tentativa de desmoralização." (Folha de S. Paulo.)


http://www.atontecnologia.com.br/clientes/conamp/04_arquivos/clipping/071005.doc

... e depois atacou o jornalista Luis Nassif, que denunciava o banqueiro numa série de posts intitulada
O Caso de Veja.

Relatório da Operação Satiagraha:

http://pedrodoria.com.br/2008/07/15/consultor-juridico-publica-integra-do-relatorio-da-policia-
federal-sobre-daniel-dantas/

"O capítulo que ainda falta." (Luciano Martins Costa.)

http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=513IMQ012

Comentários
No primeiro caso acima, o jornal participou da tentativa de desmoralização da juíza ao publicar
várias matérias da jornalista que eram favoráveis ao banqueiro Daniel Dantas, e também ao publicar a
entrevista-interrogatório com a juíza Marcia Cunha. No segundo caso, a jornalista agiu por conta própria,
ligada ao banqueiro.

Assim como o blogueiro-míssil, o jornalista-míssil age como uma espécie de camicase porque, se
descobertos, quem explode são eles, e não quem os enviou à luta. São peças dispensáveis na luta pelo
poder, menos espertos que seus irmãos radiofônicos, os pistoleiros de microfone (profissionais que atuam
com o próprio nome), e seus irmãos da mídia impressa e televisiva, assassinos de reputação que
empregam técnicas mais sofisticadas para atingir os nossos objetivos.
TÉCNICAS DE DESESTABILIZAÇÃO

As técnicas de desestabilização visam eliminar do jogo um expoente importante do "outro lado",


geralmente por meio de ação orquestrada ou coletiva da Grande Mídia.

A maioria das técnicas de ataque poderia ser enquadrada nesta categoria, em maior ou menor grau,
quando aplicadas por vários órgãos da imprensa. Aqui ficarão registradas somente aquelas que têm o
objetivo explícito de derrubar rapidamente (real ou simbolicamente) uma figura política importante,
objetivo no qual a Grande Mídia aposta todas as suas fichas.

Temporada de caça

Definição
Ataque coletivo e continuado da Grande Mídia visando eliminar do jogo um expoente do "outro
lado".

Exemplo clássico
O ataque coletivo da Grande Mídia contra o senador José Sarney, presidente do Senado e apoiador do
"outro lado", visando à sua substituição pelo vice-presidente, Marconi Perillo (PSDB), expoente do
"nosso lado".

Durante várias semanas em meados de 2009, os órgãos da Grande Mídia produziram e requentaram
denúncias tentando forçar a renúncia do senador, que resistiu bravamente à pressão, produzindo aquela
que foi uma das grandes derrotas do PIG no Congresso nesse ano, juntamente com a inútil CPI de
Petrobrás.

http://oglobo.globo.com/pais/mat/2009/06/15/novos-escandalos-colocam-senado-na-berlinda-
pressionam-jose-sarney-756349725.asp

Comentários
O próprio senador denunciou em nota a "campanha midiática" que vinha sofrendo.

http://www.estadao.com.br/noticias/nacional,em-nota-sarney-se-diz-vitima-de-campanha-
midiatica,393013,0.htm

E a própria mídia reconheceu implicitamente que não havia atacado o senador antes porque não era
estrategicamente útil a seus planos: "Escândalos seguem família Sarney desde a década de 80".

http://oglobo.globo.com/pais/mat/2009/07/18/escandalos-seguem-familia-sarney-desde-decada-de-
80-756876307.asp

A mídia, convenientemente, não se interessou em buscar dados comprometedores sobre o presidente


que assumiria, em caso de renúncia de José Sarney ("MP denuncia Perillo e Alcides por caixa dois"):

http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EDG83588-9295-520-2,00-
MP+DENUNCIA+PERILLO+E+ALCIDES+POR+CAIXA+DOIS.html

Outro exemplo
No início de 2010, uma campanha de desestabilização escolheu como alvo o Governador do Rio de
Janeiro, Sérgio Cabral, acusado de esperar um dia para visitar a cidade de Angra dos Reis, onde
deslizamentos de morro mataram dezenas de pessoas.

Neste caso, a temporada de caça visou atingir um aliado importante do Presidente Lula para eliminar
sua força eleitoral na campanha de 2010.

. "Baixou o Bush, do Katrina" (Mário Magalhães):


http://www.dm.com.br/materias/show/t/baixou_o_bush__do_katrina

. Ricardo Noblat x Sérgio Cabral:

http://oglobo.globo.com/pais/noblat/posts/2010/01/04/o-apagao-de-cabral-254426.asp

http://oglobo.globo.com/pais/noblat/posts/2010/01/01/quem-sabe-do-paradeiro-do-governador-
sergio-cabral-254152.asp

http://oglobo.globo.com/pais/noblat/posts/2010/01/05/os-politicos-o-feriado-254676.asp

http://201.7.176.88/pais/noblat/post.asp?cod_Post=254704
TÉCNICAS DE CRIMINALIZAÇÃO

As técnicas de criminalização baseiam-se na destruição da imagem social do expoente do "outro


lado", impingindo-lhe atos concretos que violam as leis do País.

Associação criminosa implícita

Definição
Sugestão de alguma forma de associação, ainda que distante, entre o alvo do ataque e um criminoso
ou uma organização de natureza criminosa.

Exemplo
"O governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, embarcou discretamente na noite de terça-
feira para Copenhague, onde está sendo realizada a conferência das Nações Unidas para mudanças
climáticas (COP-15). Arruda tomou um voo no Rio de Janeiro e chegou à capital da Dinamarca após
escala em Paris. Ao que consta, não foi para entregar panetones ao presidente Lula." (Sonia Racy.)

http://www.estadao.com.br/noticias/nacional,sonia-racy-arruda-embarca-para-
copenhague,483248,0.htm

Comentários
Essa é a forma mais leve de criminalização do adversário: associa-se seu nome ao nome de uma
pessoa tida como criminosa pela sociedade. É o correspondente lingüístico da velha técnica de divulgar
uma imagem do alvo de ataque ao lado de alguém que, muito depois da época da foto, vem a ser
condenado por um crime.

A notinha ilustra três técnicas importantes: a associação criminosa implícita (do presidente Lula com
o governador acusado de crimes graves), o aproveitamento do final do texto para fazer o ataque mais
importante (a associação entre os dois, embora negada) e a técnica da surpresa, já que o desenvolvimento
do texto não leva o leitor a esperar o ataque final.

Como já foi mencionado, o ataque não precisa ter lógica: o escândalo dos panetones ficou restrito ao
DEM e aos partidos associados. Mas a notinha da jornalista exemplifica a importância de aproveitar toda
e qualquer oportunidade para atingir alguém do "outro lado", mesmo que o foco do texto seja alguém do
"nosso lado".

Associação criminosa explícita

Definição
Afirmação categórica da associação do alvo de ataque com um criminoso ou uma organização de
natureza criminosa.

Exemplo clássico
As acusações jamais provadas da ligação do PT ou do Governo Lula com as Farc (Forças Armadas
Revolucionárias da Colômbia).
http://veja.abril.com.br/160305/p_044.html

Comentários
Esta é uma das mais poderosas técnicas de ataque, mas também uma das mais arriscadas. Portanto,
deve ser usada com muito critério, depois da avaliação minuciosa das possíveis conseqüências legais e
sociais.

Como qualquer acusação feita ao "outro lado", esta poderá contar com o apoio de nossos
simpatizantes midiáticos, políticos e ideológicos. A repercussão será imediata, forte e extensiva. Mas
existe o risco de alguns deles acharem que passamos dos limites, erramos no momento do ataque ou
estamos dando margem a acusações semelhantes vindas do outro lado. Mesmo na guerra é preciso
estabelecer freios.

De qualquer modo, tomada essa decisão, o ideal é que o crime seja grave. No caso, a acusação de
associação com um movimento guerrilheiro e terrorista estrangeiro, em que este financiaria um partido
político nacional, é das mais graves possíveis. Quando a acusação "pega", a derrocada do inimigo é quase
certa.

Atribuição de responsabilidade por suposto crime

Definição
Atribuição explícita de responsabilidade criminal feita a um expoente do "outro lado", com base num
fato real em que ele não esteve envolvido.

Exemplo clássico
"Gostaria imensamente de ter minha dor amenizada por uma manchete que estampasse, em letras
garrafais, 'GOVERNO ASSASSINA MAIS DE 200 PESSOAS'. O assassino não é só aquele que enfia a
faca, mas o que, sabendo que o crime vai ocorrer, nada faz para impedi-lo. O que ocorreu não pode ser
chamado de acidente, vamos dar o nome certo: crime." (Francisco Daudt, O que ocorreu não foi acidente,
foi crime.)

http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos.asp?cod=443JDB010

Comentários
A acusação refere-se ao acidente do vôo 3054 da TAM, em julho de 2007, que vitimou 199 pessoas.
A tragédia foi causada pela posição incorreta do manete direito (alavanca que controla a potência do
motor).

Um psicanalista acusando um presidente de crime de responsabilidade por um acidente de avião é


caso inédito na história internacional. A aura de autoridade e de conhecedor da alma humana trouxe à
acusação um peso único. E ela foi feita no momento de maior indignação coletiva, incitada pela Grande
Mídia. Vale lembrar, ainda, que a chamada para o artigo acusador estava na primeira página do jornal
(Folha de S. Paulo).
Só dois anos depois soube-se, com certeza, que o motivo pelo qual o avião passou pela pista à
velocidade de 175 km/h era a posição incorreta do manete direito. Mas o estrago estava (bem) feito.

http://noticias.bol.uol.com.br/brasil/2009/10/27/investigacao-da-fab-sobre-caso-tam-nao-conclui-
quem-errou.jhtm

Este caso é ideal para estudar como se explora uma tragédia a nosso favor, aproveitando-se a
comoção social para direcionar as emoções no calor dos acontecimentos. Vários colunistas de primeira
linha bateram forte no "outro lado", assim como o fizeram nossos aliados de vários segmentos sociais.
Apenas um exemplo:

"É muito cedo para se ter certeza, mas tudo indica que foi a irresponsabilidade das autoridades
aéreas." (Ivan Sant'Anna, escritor e ex-piloto de monomotores.).

http://www.clicrbs.com.br/especiais/jsp/default.jsp?
template=2095.dwt&newsID=a1564450.htm&tab=000053&order=datepublished&espid=65&section=No
t%EDcias&subTab=04504&colunista=&

Outro exemplo
"O governador Sérgio Cabral, cuja ação na ocupação dos morros livrou parte deles do domínio do
tráfico, ficou em desvantagem no quesito menção honrosa por seu sumiço nas primeiras 24 horas da
tragédia de Angra dos Reis, onde seis meses antes havia autorizado construções em área de proteção
ambiental.

"Se, como disse ele, a tragédia era 'anunciada', Cabral é réu confesso do crime de omissão." (Dora
Kramer.)

http://arquivoetc.blogspot.com/2010/01/dora-kramer-enquanto-serra-nao-vem.html

Como a colunista não poderia acusar o Governador de crime pelas mortes nos deslizamentos de terra
em morros, já que todas as construções tinham sido erguidas antes de sua gestão, restou acusá-lo de
"crime de omissão" (de presença no local da tragédia, no dia em que ela aconteceu).

Repare na atitude simbolizada pela colunista: toda oportunidade deve ser aproveitada, e mesmo a
acusação mais grave ("crime") é permitida, ainda que jornalisticamente imprecisa e legalmente
estapafúrdia.

Atribuição de responsabilidade criminal por fato inexistente

Definição
Atribuição explícita de responsabilidade criminal a um expoente do "outro lado", com base em fato
inexistente.

Exemplo clássico
"Alguém cometeu um crime. O país quer saber quem é o criminoso." (Augusto Nunes.)

http://veja.abril.com.br/blog/augusto-nunes/direto-ao-ponto/alguem-cometeu-um-crime-o-pais-quer-
saber-quem-e-o-criminoso/

Comentários
Ao repercutir a falsa denúncia de estupro de um menor pelo Presidente da República, o blogueiro
afirma, sem ter nenhuma prova, que um crime foi cometido. Aceita a premissa, evidentemente existirá um
criminoso. E esse criminoso (inexistente) precisa ser encontrado e punido. É óbvio que a atenção do
colunista, na busca do responsável, estará sempre voltada ao "outro lado" até que se efetue a identificação
do violador (duplo sentido, aqui) da lei.
Criação de rótulo contaminado por associação

Definição
Criação de um rótulo pejorativo para um escândalo que afeta o "outro lado", visando manchar a
reputação das pessoas envolvidas ou mesmo criminalizar os seus atos.

Exemplo
"Estratégia de Lula no 'grampogate' isola Jorge Félix." (Josias de Souza.)

http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u440345.shtml

Comentários
"Grampogate" deriva de "Watergate", denominação do escândalo político que levou à renúncia do
Presidente do Estados Unidos, Richard Nixon, em 1974.

O nome abrasileirado foi cunhado pelo jornalista para denominar a denúncia hoje conhecida como
"armação do grampo sem áudio", escândalo falso explorado de maneira brilhante pela Grande Mídia.

Modelo original de defesa de crime

Definição
Atribuição ao "outro lado" de responsabilidade pela criação de um modelo de defesa de crime, que
estaria sendo empregado atualmente por um expoente do "nosso lado".

Outro exemplo
"A estratégia lulista de Arruda." (Lauro Jardim, Veja.)

[...]

"A estratégia é óbvia e muitas vezes é eficaz – a virada de Lula pós-mensalão está aí para não deixar
ninguém esquecer da eficiência dessa tática. Está jogando tudo na baixa renda e mandando às favas com
os formadores de opinião."

http://veja.abril.com.br/blog/radar-on-line/brasil/a-estrategia-lulista-de-arruda/

Comentários
O jornalista atribui ao "outro lado" a criação da estratégia de defesa ("estratégia lulista") que estaria
sendo usada por um expoente do "nosso lado".

A técnica é interessante porque combina um ataque (a criminalização do adversário) com uma defesa
(a atenuante associada ao comportamento do nosso aliado). E trata-se, na verdade, de um desvio de foco:
a intenção óbvia do jornalista foi aproveitar a situação difícil de um dos nossos aliados para lembrar ao
leitor um escândalo passado do "outro lado" e para afirmar que "quem começou tudo foi ele".

Transferência da responsabilidade pela acusação

Definição
Aproveitamento de um cidadão não associado ao PIG, idealmente alguém ligado de algum modo ao
"outro lado", para fazer uma acusação infundada de crime a importante expoente daquele grupo.

Exemplo clássico
"Os Filhos do Brasil." (Artigo de César Benjamin para a Folha de S. Paulo, em que o ex-preso
político relata uma conversa na qual o Presidente Lula teria lhe contado que, quando também preso
político, tentara estuprar um menor na cela onde estavam.)

http://write4.net/1KD

Comentários
Essa técnica é de especial utilidade quando usada por órgãos de imprensa muito combativos, cuja
campanha incessante de ataque ao "outro lado" está gerando um certo desgaste na opinião pública. Ao
transferir a responsabilidade do ataque a outra pessoa (a pessoa ideal, no exemplo acima, por ter
pertencido ao "outro lado"), o órgão se livra da reação reflexa do leitor ("Ah, não! De novo.") e ganha
credibilidade em sua acusação.

A dinâmica é simples: primeiro aplica-se a técnica de ataque (a acusação), depois a de defesa (das
críticas): deixa-se uma outra pessoa fazer a acusação grave, depois transfere-se a ela toda a
responsabilidade pela acusação e pela sua divulgação ao público, alegando que a imprensa tem a
obrigação de divulgar fatos de interesse social.

Essa técnica se insere na diretriz de aproveitamento dos "inocentes úteis", que muitas vezes não são
nem uma coisa nem outra.

Observe também que a técnica se assemelha a outra, a atribuição de defeito grave com base no
passado (mais conhecida como "o fantasma do passado"). A única diferença está no grau de veracidade:
na transferência de responsabilidade, a acusação refere-se a um fato inexistente; na atribuição de defeito,
o fato realmente ocorreu no passado distante.

Uma curiosidade: a partir do caso acima, esse recurso na luta pelo poder passou a ser denominado a
"técnica Cesinha".
TÉCNICAS DE ELIMINAÇÃO SIMBÓLICA DO ADVERSÁRIO

As técnicas de eliminação simbólica do adversário correspondem a uma passagem do plano objetivo


ao plano subjetivo. Em vez de afirmar algo extremamente grave sobre o alvo de ataque, o aplicador
reconhece publicamente que ele deseja eliminar o alvo.

Praga mortal

Definição
Declaração pessoal e explícita de que o adversário não merece o dom da vida.

Exemplo
"O espaço de hoje encurtou e só dá para uma notícia triste, aliás tristíssima: 14.12.1947, nascimento
de Dilma Vana Rousseff." (Eduardo Almeida Reis.)

http://www.comunique-se.com.br/index.asp?p=Conteudo/NewsShow.asp&p2=idnot
%3D54563%26Editoria%3D1194%26Op2%3D1%26Op3%3D0%26pid%3D32411881089%26fnt
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Comentários
Como já foi explicado na parte inicial deste Curso, o jogo do poder implica a liberação plena do lado
sombrio do ser humano. Ultrapassada a linha civilizatória do respeito ao próximo, tudo se torna possível,
à medida que a pessoa avança no território da Sombra. Esse "tudo" inclui, num ponto avançado, o desejo
explícito de morte do adversário.

Tratando-se de ato que repulsa a moral social e, especialmente, a consciência interna do indivíduo,
ele precisa ser incentivado pelo peso da autoridade para que sejam vencidos esses dois bloqueios naturais.
É então que entram em cena os Instigadores da Sombra, dando o exemplo de quão longe se pode levar o
combate ao adversário.

Esse jogo de incentivo–aceitação do chamamento fica bem claro nos blogs dos Instigadores, nos
quais um post especialmente violento gera comentários envenenados com a praga mortal, por parte de
comentaristas já treinados na incorporação plena da Sombra.
TÉCNICAS DE DESVIO DE FOCO

As técnicas de desvio de foco permitem dirigir a atenção do leitor, ouvinte ou espectador a aspectos
de um fato que possibilitam o ataque a grupo ou expoente do "outro lado", enquanto se escondem
aspectos que seriam naturalmente prejudiciais aos interesses do "nosso lado".

Ocultamento de causas

Definição
Desconsideração ou minimização das causas de um fato, que são vantajosas ao adversário,
paralelamente ao superdimensionamento e ao destaque de seus efeitos, que lhe são desvantajosos.

Exemplo
"Em 22.abril.2009, reportagem de Eduardo Scolese mostrou que Lula ultrapassou seu antecessor,
Fernando Henrique Cardoso (PSDB), em número de dias no exterior quando ainda faltavam 20 meses
para o petista encerrar seu segundo mandato.

"Em abril deste ano, Lula completou 348 dias no exterior desde a sua posse, em 1º de janeiro de
2003. Em 8 anos no Palácio do Planalto (de 1995 a 2002), FHC passou 347 dias no exterior." (Fernando
Rodrigues.)

http://uolpolitica.blog.uol.com.br/arch2009-12-13_2009-12-19.html#2009_12-14_07_52_12-
9961110-0

Comentários
O colunista acertou ao não mencionar os motivos da diferença: o Presidente Lula teve de viajar muito
mais que seu antecessor por causa do novo status protagonista do País no concerto das nações, de seus
vários prêmios internacionais, da sua participação em conquistas como a da sede da Copa do Mundo e a
dos Jogos Olímpicos etc., da inexistência de crises econômicas internas geradas pela má gestão etc.

Ao ocultar as causas, que seriam comparativamente favoráveis ao "outro lado", ele focou nos efeitos,
que por seus critérios seriam favoráveis ao "nosso lado".

Destaque do lado desvantajoso de um fato

Definição
Desconsideração ou minimização do lado que seria vantajoso para o adversário, na divulgação de um
fato, e os conseqüentes superdimensionamento e destaque do lado oposto do fato, que lhe é desvantajoso.

Exemplo
"Em 22.abril.2009, reportagem de Eduardo Scolese mostrou que Lula ultrapassou seu antecessor,
Fernando Henrique Cardoso (PSDB), em número de dias no exterior quando ainda faltavam 20 meses
para o petista encerrar seu segundo mandato.

Em abril deste ano, Lula completou 348 dias no exterior desde a sua posse, em 1º de janeiro de 2003.
Em 8 anos no Palácio do Planalto (de 1995 a 2002), FHC passou 347 dias no exterior." (Fernando
Rodrigues, "Recorde: Lula completa 3 meses fora do Brasil em 2009".)

http://uolpolitica.blog.uol.com.br/arch2009-12-13_2009-12-19.html#2009_12-14_07_52_12-
9961110-0

Comentários
O colunista destacou o "recorde" do Presidente (palavra integrante do título da coluna) e deixou
escondida, na parte inferior do gráfico e sem nenhuma menção no texto, a informação realmente
relevante: Lula ocupou somente 15% do seu tempo total de governante com viagens ao exterior, ficando
os restantes 85% do tempo no país.

Mais: para chegar aos 15%, os feriados e, em especial, os fins de semana (sábados e domingos)
foram contados, visando inflar o número denunciador – e, novamente, o critério não foi mencionado.

Vale ressaltar aqui o uso recomendado da metatécnica do empilhamento de técnicas, já que a matéria
do jornalista é também usada neste manual para exemplificar o item anterior: "Ocultamento de causas".

Politização da notícia

Definição
Aproveitamento de uma notícia politicamente neutra por natureza para realizar um ataque ao "outro
lado".

Exemplo
"O Programa Espacial Brasileiro entrou em seu último ano sob o governo Lula com dificuldades para
cumprir uma promessa feita pelo presidente: colocar um foguete em órbita.

"Os dois projetos que podem conseguir isso provavelmente só terão voos de qualificação após o
mandato de Luiz Inácio Lula da Silva, e alguns especialistas dizem que as duas empreitadas acabarão
competindo uma com a outra.

"Quando o VLS (Veículo Lançador de Satélites) explodiu em 2003, matando 21 pessoas no CLA
(Centro de Lançamento de Alcântara), no Maranhão, Lula afirmou que ajudaria o projeto da Aeronáutica
a se recuperar a tempo de lançar o foguete no ano seguinte." (Rafael Garcia, Plano brasileiro de lançar
foguete enfrenta atraso.)

http://www1.folha.uol.com.br/folha/ciencia/ult306u673705.shtml

Comentarista Paulo: http://colunistas.ig.com.br/luisnassif/2010/01/02/fora-de-pauta-377/#comments

Comentários
Nos três primeiros parágrafos, três citações do nome do Presidente, associadas a críticas à sua
atuação. No restante da matéria, nenhuma citação a ele.

Depois da manchete, o primeiro parágrafo e os (poucos) seguintes e as frases finais são o lugar de
maior destaque e influência num texto jornalístico. Portanto, o redator fez bem ao escolher o ínicio do
texto para fixar na mente do leitor a atribuição de incompetência ao nosso alvo preferencial.

Repare que se trata de uma questão técnica, envolvendo muitas variáveis que fogem à competência
política. Mas politizar uma notícia técnica é a maneira de integrá-la à nossa luta e de relembrar ao leitor
determinados temas de nosso interesse.

Ataque inesperado

Definição
Ataque súbito realizado a uma pessoa, grupo ou instituição do "outro lado", justificado ou não pelo
desenvolvimento do texto ou da matéria em que ele é realizado.

Exemplo
"Onde Passa Boi, Passa Boiada." (Eliane Catanhêde.)

Trecho final:
"Se ele [Alvaro Uribe] abrir a porteira do terceiro mandato, a aposta é que vá um por um atrás dele. É
a velha história: onde passa boi, passa boiada. Não é, PT?"

http://www1.folha.uol.com.br/folha/pensata/elianecantanhede/ult681u420535.shtml

Comentários
Todo a coluna da jornalista é centrada na Colômbia e na Venezuela. Somente na frase final, de três
palavras ("Não é, PT?") surge a sua verdadeira intenção: remeter a situação ao Brasil para atacar o PT e o
governo federal.

Esta modalidade de desvio de foco difere das outras porque o foco, aqui, refere-se ao conteúdo do
texto, e não à realidade externa. Ou seja, o jornalista trata de um assunto qualquer e, de repente, desvia o
foco por meio de uma associação razoável ou mesmo absurda, desferindo um ataque de surpresa ao
"outro lado".

A surpresa é um fator psicológico importante na ficção e na não-ficção. Tendemos a nos lembrar


mais de situações surpreendentes do que de situações cotidianas, comuns e repetitivas. A técnica funciona
melhor quando o conteúdo do ataque já é conhecido pelo leitor, ouvinte ou espectador porque, nesse caso,
a ativação do conteúdo corriqueiro da memória atua no sentido de abrandar a vivência emocional
desagradável gerada pela situação de surpresa. Ou seja, ao aplicar a técnica, escolha uma crítica
recorrente ao alvo específico do "outro lado", mas desfeche o ataque num momento inesperado para o
leitor.

Se analisarmos somente o conteúdo da coluna, veremos um compêndio de erros lógicos e não


entenderemos o seu real significado. Por exemplo:

1. A velha e desacreditada teoria do dominó: "caiu um, caem os outros" ou, na versão da articulista,
"onde passa boi, passa boiada". Trata-se de uma teoria geopolítica muito popular na época da Guerra do
Vietnã e da Guerra Fria, e não se mostrou válida em nenhuma dessas situações.

2. Desconsideração primária das diferenças flagrantes entre as circunstâncias dos dois países
(Colômbia e Brasil). Algumas delas:

a) Circunstâncias políticas: domínio do Congresso pelo Presidente, no caso da Colômbia; divisão da


Casa, no Brasil.

b) Circunstâncias geopolíticas: influência dos interesses dos EUA na Colômbia; soberania plena no
Brasil.

c) Circunstâncias midiáticas: imprensa favorável ao Governo na Colômbia; desfavorável no Brasil.

d) Circunstâncias jurídicas: funcionamento precário das instituições na Colômbia; funcionamento


pleno no Brasil.

E vai por aí.

Mas há um objetivo oculto em tantos erros lógicos: criar uma equivalência falsa entre um processo
político na Colômbia e outro no Brasil, que justifique o ataque irônico no final. Vale lembrar que nessa
época a mídia insistia na tese do terceiro mandato, sempre negada pelo Governo, mas estimulada na
opinião pública pelo PIG porque lhe fornecia mais um motivo para criticar a "índole autoritária" do
Presidente Lula.

Ridicularização do adversário
Definição
Descrição propositadamente parcial e distorcida do adversário, visando torná-lo objeto de ridículo e,
assim, contaminar a avaliação do leitor sobre a pessoa.

Exemplo
"Dirigiu-se, então, ao saguão. Recusou-se a estender a mão ao jornalista. Muito alterado, foi dizendo
que sua luta era pelos direitos humanos, pelos pobres e contra o capital. O procurador falava alto,
borrifava saliva e, envolvendo toda essa emoção, cuspiu a obturação que passou procurar no chão, do alto
de seus cerca de 1m80 de altura." (Claudio Tognolli, descrevendo o procurador Luiz Francisco
Fernandes de Souza em Mídia, Máfias e Rock'n'Roll, Editora do Bispo, 2007.)

Comentários
A ridicularização do adversário corresponde, no plano da descrição, ao argumento ad hominem,
falácia lógica em que não se critica um argumento, e sim a pessoa que o enunciou. A falácia lógica
baseia-se nesta relação: a pessoa é, por exemplo, mentirosa; portanto, o que ela diz sempre será uma
mentira. A ridicularização do adversário baseia-se em relação semelhante: a pessoa é ridícula; portanto, o
que ela diz sempre será ridículo.

Ataque ao espantalho

Definição
Desvio da questão central, visando atacar o adversário num ponto que ele não sustentou ou numa
interpretação distorcida do seu ponto.

Exemplos clássicos
1. "Bolsa Família não vai acabar com a pobreza, diz Mão Santa." (Agência Senado.)

http://www.direito2.com.br/asen/2006/nov/16/bolsa-familia-nao-vai-acabar-com-a-pobreza-diz-mao-
santa

2. "O senador Iris Rezende (PMDB-GO) alertou, nesta quarta-feira (dia 12) para o fato de que a
aprovação de projetos proibindo comercialização ou porte de armas de fogo não irá acabar com a
violência no país." (Agência Senado.)

http://www.direito2.com.br/asen/2000/jan/12/para-iris-proibiao-de-armas-nao-acabara-com-a-
violencia

Comentários
Obviamente, a pobreza sempre existirá, em algum grau; e a violência só acabará quando o ser
humano abandonar o planeta Terra.

Nem o projeto Bolsa Família tem como objetivo acabar com a pobreza, nem a lei do desarmamento
tinha como objetivo acabar com a violência. O enquadramento "ou tudo ou nada", "ou resolve de vez ou
não tem valor", é excelente para depreciar qualquer medida governamental. Joga-se com o cansaço e a
indignação popular, gerados pela demorada convivência com esses problemas, incentivando na opinião
pública uma atitude radical que leva a exigências irrealistas e impossíveis de satisfazer.

Ataque seletivo

Definição
Ataque a expoentes do "outro lado" motivado por algum ato reprovável que também foi cometido por
um expoente do "nosso lado", mas que é poupado na matéria.
Exemplo
Matéria do Jornal Nacional de 21/10/2009 sobre as emendas constitucionais para permitir a reeleição
de presidente em vários países sul-americanos.

http://cloacanews.blogspot.com/2009/10/jn-esquece-fhc.html

Comentários
Segundo a âncora: "Outros presidentes da América Latina [além do presidente da Nicarágua] já
mudaram a Constituição para conseguir a reeleição: o venezuelano Hugo Chávez, o equatoriano Rafael
Correa, o boliviano Evo Morales e colombiano Álvaro Uribe."

Corretamente, "esqueceu-se" do brasileiro Fernando Henrique Cardoso, por ser um expoente do


"nosso lado".

Ataque ao povo

Definição
Matéria especialmente encomendada para denegrir uma cidade à qual esteja ligado algum expoente
do "outro lado".

Exemplo
"The United States of Sobral." (Leonardo Coutinho, revista Veja.)

http://veja.abril.com.br/300909/the-united-states-of-sobral-p-144.shtml

Comentários
A técnica exige cuidado na escolha porque a população da cidade pode ficar incompatibilizada com a
publicação ou o órgão de imprensa. Idealmente, não deve ser uma grande cidade. No exemplo acima, esse
critério foi respeitado.

A chave da matéria está nesta frase: "Seu irmão mais velho, Ciro Gomes, ajudou-o a dar os primeiros
passos na americanização de Sobral." A ridicularização das medidas governamentais do irmão visavam
atingir um pré-candidato presidencial do "outro lado", portanto a escolha da técnica foi acertada. Observe
que o próprio título dá o tom de escárnio que o jornalista deseja estender aos políticos visados pelo
ataque.

Trata-se de uma técnica de desvio de foco porque a matéria parece alvejar uma pessoa (o prefeito Cid
Gomes), mas atinge de fato um outro alvo humano (o pré-candidato, Ciro Gomes).

Inversão de responsabilidade

Definição
Atribuição indevida da responsabilidade pelo fracasso de uma iniciativa a uma instituição do "outro
lado".

Exemplo
"A algaravia que ecoa dos corredores da Polícia Federal não é o barulho da guerra do Estado contra o
crime organizado.

"O que se ouve é o tiroteio produzido pelo excesso de marquetagem. Sob Lula, o trabalho da PF
ganhou ares de thriller televisivo.
"Primeiro, monta-se o teatro de operações. Depois, grita-se para a platéia que há incêndio no teatro.
No fim, percebe-se que, na verdade, havia teatro no incêndio." (Josias de Souza, "O preço do teatro da
Polícia Federal é a impunidade".)

http://josiasdesouza.folha.blog.uol.com.br/arch2008-07-01_2008-07-31.html#2008_07-
19_21_12_08-10045644-25

Comentários
O blogueiro culpa a Polícia Federal pela liberdade dos criminosos, garantida pelas leis lenientes e
pela aplicação branda dessas leis pela Justiça. E, sutilmente, ainda sugere que a Polícia Federal não
deveria estar incomodando tanto o "nosso lado", nem expondo alguns de nossos expoentes à execração
pública.

Observe que um blogueiro político faz comentários de natureza policial e jurídica, exemplificando a
liberdade que nossos apoiadores devem ter para atingir o "outro lado", em qualquer área de atuação dos
nossos adversários.

Ocultamento de responsabilidade

Definição
Ataque que visa responsabilizar indevidamente o "outro lado" por uma medida tomada por alguém do
"nosso lado".

Exemplo clássico
"Educação e Ideologia", Ali Kamel, 18/9/2007 (editorial crítico sobre a distribuição do livro Nova
História Crítica, 8ª série, de Mario Schmidt, nas escolas públicas brasileiras pelo MEC.)

"Nossas crianças estão sendo enganadas, a cabeça delas vem sendo trabalhada, e o efeito disso será
sentido em poucos anos. É isso o que deseja o MEC? Se não for, algo precisa ser feito, pelo ministério,
pelo congresso, por alguém."

http://www.revistaautor.com/index.php?option=com_content&task=view&id=39&Itemid=41

Comentários
Corretamente, o jornalista omitiu que o livro tinha sido adotado em 2002 no governo de Fernando
Henrique Cardoso e retirado da lista de compras do MEC em 2007, pelo Governo Lula.

http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/imprimir.asp?cod=452JDB009

Picuinha

Definição
Crítica fútil que visa atribuir alguma condição indesejável a expoente do "outro lado".

Exemplo
"Meia-soquete

"O Flamengo gosta de viver perigosamente: após comemorar com Lula ontem em Brasília o
campeonato brasileiro, pode dar adeuzinho à conquista da Libertadores da América. Como diz o pé-frio,
'sifu'." (Cláudio Humberto, 15/12/2009.)

http://www.hojeemdia.com.br/cmlink/hoje-em-dia/claudio-humberto-1.12113
Comentários
A picuinha é uma técnica de desvio de foco porque ela dá importância ao que não a tem e, muitas
vezes, ainda deturpa a realidade. Não se pode atribuir a condição de pé-frio a um Presidente com mais de
80% de aprovação, considerado o Homem do Ano por publicações internacionais, chamado "o cara" pelo
Presidente dos EUA, em cujos mandatos o Brasil conseguiu o privilégio de sediar a Copa do Mundo e as
Olimpíadas etc.

Um Presidente deve mostrar capacidade para governar um país. Se ele é julgado por um critério
menor ou inconseqüente (como ser ou não pé-frio), trata-se, evidentemente, de um desvio de foco.

A picuinha, assim como a fofoca venenosa, é típica dos praticantes do jornalismozinho.

Pessimismo turrão

Definição
Reinterpretação de fato positivo para o "outro lado", visando reforçar a impressão corriqueiramente
transmitida de que a situação é preocupante ou indesejável.

Exemplo
Carlos Alberto Sardenberg, na CBN:

Comentários
Um ano em que o Brasil foi elogiado em todo o mundo por sair praticamente ileso de uma crise
financeira mundial; em que a Bolsa de Valores bateu todos os recordes em seu índice; que apresentou o
melhor Natal das últimas décadas, para o comércio e a indústria; que construiu as bases para um
desenvolvimento econômico previsto em 5% para 2010 – e o pessimista turrão resume tudo isso em "não
se pode dizer que o ano foi bom".

Este é o espírito: se é do "outro lado", o melhor resultado gera uma avaliação pessimista; se é do
"nosso lado", o pior resultado gera uma avaliação otimista.

Abaixo, o exemplo (não recomendável) de uma pessimista turrona em momento de coração mole.

Miriam Leitão, na CBN:

Culpado por fazer, culpado por não fazer

Definição
Crítica justificada por uma omissão passada que contrasta com a ação presente.

Exemplo
"Lula tem razão. O Brasil oficial não costuma ter olhos para o país das ruas. Mas cabe perguntar:

"Tendo participado de sete celebrações natalinas do povo da rua, por que só agora Lula baixou a tal
'política nacional' voltada a esses brasileiros e brasileiras? (Josias de Souza.)
http://josiasdesouza.folha.blog.uol.com.br/arch2009-12-01_2009-12-31.html#2009_12-
23_18_40_29-10045644-0

Comentários
A técnica baseia-se na mudança de foco, de uma ação meritória no presente para a ausência dessa
ação no passado, a qual supostamente justificaria a crítica do blogueiro.
TÉCNICAS DE DISSEMINAÇÃO DE IDÉIAS

As técnicas de disseminação de idéias são empregadas para fazer uma idéia, favorável ao "nosso
lado" ou desfavorável ao "outro lado", circular com facilidade pela opinião pública.

Criação sutil ou aberta de clima golpista

Definição
Divulgação de informações ou teses que apóiem a medida radical de destituição do Presidente, por
vias legais ou ilegais, caso o "nosso lado" considere que chegou a hora de fazê-lo.

Exemplo
"Mas 61% dos pesquisados no Brasil, 58% no México e 42% na região concordaram que o Exército
deve remover um presidente se ele viola a Constituição, como é acusado Manuel Zelaya de ter tentado."
(Merval Pereira.)

http://gilvanmelo.blogspot.com/2009/12/merval-pereira-brasil-e-eua-tensao.html

Comentários
O golpe de Estado, em sua forma direta (por meio das forças armadas) ou indireta (por meio do
Supremo Tribunal Federal) é a última arma da nossa luta política. É importante jamais deixar o público (e
o lado adversário) esquecer que todas as alternativas sempre estarão em cima da mesa – ou seja, o PIG irá
o mais longe possível para fazer valer os seus interesses.

Lembretes ocasionais dessa opção extrema, aplicada à realidade brasileira, servem para transmitir
essa mensagem ao "outro lado" e para sustentar a ação concreta, quando ela se tornar necessária.

O recado foi dado especialmente nos números: 61% dos brasileiros concordariam com a deposição
ilegal de um Presidente da República, se ele supostamente violasse a Constituição. Como se sabe, o
caminho correto para a destituição presidencial chama-se impeachment, um processo regulado por lei. A
mensagem precisa é: "O povo estaria do nosso lado".

Outros exemplos
1. Merval Pereira, na CBN:

Aqui o jornalista estabelece uma distinção entre golpes e golpes, aceitando a ocorrência de golpes
não-clássicos num contexto onde o governo brasileiro tratou o golpe hondurenho como um golpe de
Estado, sem qualificações atenuantes.

http://cbn.globoradio.globo.com/comentaristas/merval-pereira/2009/12/11/HONDURAS-NAO-FOI-
UM-CASO-DE-GOLPE-CLASSICO-E-ZELAYA-NAO-TINHA-O-APOIO-DA-MAIORIA.htm

2. "Todos os limites foram ultrapassados; não há como o Congresso postergar um processo de


impeachment contra Lula. Ou melhor, a favor do Brasil." (Boris Casoy, em artigo na Folha de S. Paulo
em 2006.)

http://en.octopop.com/Community_-Passando-o-Brasil-a-Limpo-_2752074_-A-Origem-da-
Corrupcao-_21305432.html
3. "Situação

"Segundo certas avaliações, o ambiente militar é de muita preocupação com a situação política
brasileira.

"A corrupção demonstrada pelo atual governo, as posições de radicalização do PT em seu último
Congresso e as manifestações de cunho socialista dos ditos movimentos sociais são as fontes desse estado
de espírito.

"Acrescente-se, ainda, um ambiente de degradação das instituições, onde não se faz presente nenhum
projeto nacional." (Denis Rosenfeld, Militares Atentos.)

http://www.brasilbrasileiro.pro.br/denis.htm

4. "Pequena (ainda) crise no setor militar neste final de ano." (Carlos Heitor Cony, primeira frase da
coluna.)

http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2009/12/31/nostalgia-da-verdade

A sugestão de crise grave é um dos recursos eficientes no estabelecimento de um clima golpista.

5. "Revanchismo." (Editorial de O Globo sobre o Programa Nacional de Direitos Humanos.)

http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2009/12/31/revanchismo

6."Brincando com fogo." (Editorial do Estado de S. Paulo sobre o Programa Nacional de Direitos
Humanos.)

"Por pouco, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não termina o ano imerso numa grave crise militar
– seria a primeira desde a redemocratização, há um quarto de século. O governo petista brincou com fogo
ao permitir a edição do decreto que instituiu o Programa Nacional de Direitos Humanos."

http://arquivoetc.blogspot.com/2009/12/brincando-com-fogo.html

7. "Por muito pouco, o governo Lula não fechou 2009 – ano de grandes conquistas pessoais e
políticas para o presidente – tendo que administrar uma crise militar de grandes proporções.

"Quase o fantasma de 1964 ressuscita em 2010." (Ruy Fabiano.)

É desnecessário lembrar que não há praticamente nada semelhante entre as duas situações, dos pontos
de vista geopolítico, militar, econômico, social, institucional, midiático... Mas a associação da situação
tranqüila e otimista de hoje com o fantasma opressor de 1964 estimula levemente a expectativa de golpe
na mente da opinião pública – e esta é a função da técnica, muito bem aplicada, por sinal.

http://oglobo.globo.com/pais/noblat/posts/2010/01/02/o-fantasma-de-1964-em-2010-253785.asp

8. O Globo, 30/12/2009.
http://www.viomundo.com.br/opiniao/o-que-a-crise-militar-nos-diz-sobre-os-jornaloes-e-sobre-o-
brasil/

***

Às vezes, jornalistas não comprometidos com o clima percebem o jogo real:

. "Tanto no teor do que foi passado a jornalistas, como na busca de difusão desse teor pelo uso
simultâneo de vários jornais, sempre realçado o sentido de uma crise entre as Forças Armadas e Lula, o
propósito de agitação se evidencia com uma indagação implícita: a que e a quem interessa, nestas alturas
em que se encaminha um processo eleitoral sob o prestígio imenso de Lula; o Brasil desvia-se para
entendimentos internacionais sem mais obediência às regras do Ocidente, e tantos interesses internos e
externos se inquietam com as transições, também externas e internas, em curso ou possíveis?" (Jânio de
Freitas.)

http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2009/12/31/por-tras-da-coincidencia

. "A crise militar às vésperas do Natal não passou de uma Batalha de Itararé, famoso episódio da
Revolução de 30, que passou para a história como um confronto armado que simplesmente não ocorreu."
(Luiz Carlos Azedo).

http://gilvanmelo.blogspot.com/2010/01/brasilia-df-luiz-carlos-azedo.html

Propagação de mantras

Definição
Divulgação insistente de determinadas idéias e juízos depreciativos sobre o adversário, que tiram sua
força não da validade de algum argumento associado, mas da sua própria repetição infindável.

Exemplos
1. O mantra do Presidente inculto e ignorante.

. "Descontadas as ocasiões de crises e escândalos em que o presidente achou por bem recolher-se ao
silêncio, nos últimos anos quase todos os dias Lula tem oferecido ao País demonstrações de sua
capacidade de superação no que tange à deselegância nas maneiras. De falar, de agir e até de raciocinar."
(Dora Kramer.)

http://gilvanmelo.blogspot.com/2009/11/dora-kramer-vulgaridade-esta-no-ar.html

. "Homem de sorte

"Ninguém perdoa no Twitter: Berlusconi sobreviveu ao objeto jogado nele. Lula morreria se
atirassem um livro. Por falta de anticorpos." (Cláudio Humberto.)

http://tribunadonorte.com.br/noticia/senado-trabalha-no-natal-nos-eua/135738
. "Não posso deixar de votar nela [Marina Silva]. É por demais forte, simbolicamente, para eu não me
abalar. Marina é Lula e é Obama ao mesmo tempo. Ela é meio preta, é cabocla, é inteligente como o
Obama, não é analfabeta como o Lula, que não sabe falar, é cafona falando, grosseiro. Ela fala bem."
(Caetano Veloso.)

http://www.estadao.com.br/noticias/arteelazer,as-ultimas-de-caetano-veloso-em-entrevista-
exclusiva,461281,0.htm

. "Como [Lula] não lê nada, a realidade lhe é narrada pelos puxa-sacos que o rondam, como rondam
qualquer governante, e que não querem ser portadores de novas desagradáveis." (João Ubaldo Ribeiro.)

http://arquivoetc.blogspot.com/2009/12/marvado-atraso-joao-ubaldo-ribeiro.html

. "Mentira histórica

"Os maluquetes do governo, que insistem no escandaloso asilo a Cesare Battisti, tentam se aproveitar
da ignorância do presidente Lula em matéria de História para convencê-lo de uma mentira: que o
terrorista fugiu da Itália ao ser julgado porque lá não havia democracia."

http://tribunadonorte.com.br/noticia/ha-210-outros-casos-como-o-de-sean/135956

. "Por último, quem sabe num futuro mais serenado acadêmicos e jornalistas se dedicarão a temas
como o da emergência de uma nova elite, formada de sindicalistas, mas não só deles, que chegou aos
vários escalões do poder no bojo da ascensão de Lula. Ou ainda se voltarão para a imagem do presidente,
para o conteúdo de suas falas, em que a imensa capacidade de se identificar com a grande massa deixa em
segundo plano as tiradas reveladoras de uma monumental ignorância." (Boris Fausto).

http://gilvanmelo.blogspot.com/2009/12/boris-fausto-lula-e-os-enigmas-do.html

2. O mantra do Presidente vulgar.

"Se o PAC foi parar no banheiro e Dilma virou atriz-camelô de produtos delicados para as massas,
não é só porque o governo é muito popular. Fazendo piadas, revelando intimidades, dizendo
impropriedades, Lula criou um ambiente público que acolhe e estimula esse tipo de abuso vulgar. A
avacalhação costuma jogar a seu favor. Desta vez, a liturgia do cargo foi pela privada." (Fernando Barros
e Silva.)

http://gilvanmelo.blogspot.com/2009/11/fernando-de-barros-e-silva-governo-no.html

3. O mantra do Presidente aético.

"Antigo desafeto e aliado de Lula, dependendo da circunstância, Leonel Brizola dizia que ele seria
capaz de pisar no pescoço da mãe para subir na vida pública. Com dona Lindu alcançando a condição de
Nossa Senhora dos Pobres e Desvalidos do Brasil, graças ao esquema Barretão de construir mitos nas
telas, noço guia levita na cena política nacional pisoteando apenas nobres ideais." (José Nêumanne.)

http://gilvanmelo.blogspot.com/2009/11/jose-neumanne-lula-pisoteia-nobres.html

"Lula não deixa pedra sobre pedra quando descobre um atalho para chegar ao lugar que lhe
interessa." (Merval Pereira.)

http://gilvanmelo.blogspot.com/2009/12/merval-pereira-zelig-verde.html

Arnaldo Jabor, na CBN:


http://cbn.globoradio.globo.com/comentaristas/arnaldo-jabor/2009/12/15/GOVERNO-FECHA-AS-
CORTINAS-PARA-A-OPINIAO-PUBLICA-E-ACEITA-TUDO-PARA-FICAR-NO-PODER.htm

4. O mantra do Presidente controlado por Hugo Chávez, Presidente da Venezuela.

Arnaldo Jabor, na CBN:

http://cbn.globoradio.globo.com/comentaristas/arnaldo-jabor/2009/10/16/CHAVEZ-ATACA-
OUTRA-VEZ-E-BRASIL-TEM-MEDO-DELE.htm

5. O mantra do Presidente arrogante e autoritário.

. Arnaldo Jabor, na CBN:

http://cbn.globoradio.globo.com/comentaristas/arnaldo-jabor/2009/11/30/A-ARROGANCIA-E-O-
ORGULHO-DESMEDIDOS-DO-GOVERNO-LULA.htm

. Arnaldo Jabor, na CBN:

http://cbn.globoradio.globo.com/comentaristas/arnaldo-jabor/2009/12/07/JA-DA-PRA-SENTIR-O-
DESEJO-DO-GOVERNO-DE-CONTROLAR-A-OPINIAO-PUBLICA.htm

6. O mantra do Presidente acima da lei.

. "Lula desatinou (título do post)

"Lula perdeu a cabeça.

"O que disse, hoje, sobre o caso do ex-terrorista italiano Cesare Battisti é típico de quem se acha
acima do bem e do mal, fala o que lhe vem à cabeça e não avalia as consequências dos seus gestos."
(Ricardo Noblat.)

http://oglobo.globo.com/pais/noblat/post.asp?t=lula-desatinou&cod_Post=251850&a=111

. "Na democracia brasileira, hoje, uma instituição paira sobre todas as outras: o filho do Brasil e suas
vontades. Índices de popularidade substituem o Estado de Direito. Lula pode fazer o que quiser, falar o
que quiser, proteger os bandidos que quiser. Está imune à lei. E vocês estão achando graça nisso."
(Guilherme Fiuza.)
http://colunas.epoca.globo.com/guilhermefiuza/2009/12/11/bom-dia-ditadura/

7. O mantra do Presidente megalomaníaco e messiânico.

. "Quando o presidente deixa de lado a megalomania de achar que o Brasil é o novo farol da
humanidade, as coisas se encaixam decididamente melhor." (Clóvis Rossi.)

http://www1.folha.uol.com.br/folha/pensata/clovisrossi/ult10116u668113.shtml

Neste caso, o colunista ilustra a técnica de jamais elogiar por elogiar. Ela aplaude uma medida do
Presidente, mas aproveita a oportunidade para chamá-lo de megalomaníaco.

No jogo da influência, do poder e do mercado, o maior pecado é cair de amores pelo "outro lado".

. "'Pó, você critica tudo o que o Lula diz'. Critico e continuarei a criticar enquanto ele não se livrar
dessa compulsão à demagogia egocêntrica, que mistura o discurso populista mais rasteiro com laivos de
messianismo.

"Perto do Natal, nunca é demais lembrar que, para os crentes ao menos, Messias é um só. Os outros
todos não passam de falsos profetas." (Reinaldo Azevedo.)

http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/a-arrogancia-de-lula-com-os-andrajos-da-humildade/

8. O mantra do mito vivo.

"Lula criou uma mitologia em torno de sua figura. É hoje um ator satisfeito e seguro de si. Difícil
encontrar quem resista a seus improvisos retóricos. As pessoas em geral acham graça das muitas
bobagens que ele diz. Ai de quem se atreve a apontá-las. É crime de lesa-pátria." (Fernando de Barros e
Silva.)

http://gilvanmelo.blogspot.com/2009/12/fernando-de-barros-e-silva-de-choques-e.html

Observe a interessante inversão de situações. O Presidente apanha diariamente da imprensa há anos,


mas o colunista, um dos que mais batem nele, afirma que não se pode fazê-lo sem risco. É uma forma
inteligente de esconder a função da Grande Mídia no jogo, fingindo que ela não joga.

9. O mantra da transferência de popularidade.

"Lula beija a ministra chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff. Tenta, no gesto de carinho, passar parte
do mais de 80% de popularidade que tem." (Ricardo Noblat.)

http://oglobo.globo.com/pais/noblat/posts/2009/12/21/o-beijo-da-transferencia-251897.asp

Na técnica dos mantras, a menor oportunidade deve ser aproveitada para repetir a tese ou a idéia fixa.
Aqui, na legenda de uma foto, o jornalista insiste no mantra da transferência do índice de popularidade,
do Presidente para a sua ministra, usando a palavra "tenta" para sutilmente indicar a dificuldade dessa
intenção – ressaltada também por todos os outros colunistas do PIG.

10. O mantra da candidata-robô.

"A candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, também ministra da Casa Civil, tirou a peruca.
Por orientação de Lula, informa-se. Lula cuida até da peruca de Dilma! Parece que nem isso ela pode
decidir por sua própria conta." (Reinaldo Azevedo.)

http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/besteira-sobre-futebol-revela-imprensa-pautada-pela-
estrategia-do-pt-ou-a-batalha-de-itarare/
11. O mantra da continuidade do Governo FHC.

"'Nunca antes na história deste país', continuou Lula depois que virou presidente. Arrogante, esquece
que apenas deu continuidade àquilo que herdou." (Suely Caldas.)

http://arquivoetc.blogspot.com/2010/01/suely-caldas-ft-merito-de-lula-e.html

Nesses momentos, é difícil disfarçar o orgulho que sentimos por certos membros do PIG. Assim
como um soldado sacrifica bravamente a sua vida por seu pelotão, alguns integrantes do PIG sacrificam
publicamente a sua imagem de seres pensantes ao apoiarem teses estapafúrdias mas fundamentais na luta
pela influência e pelo poder.

Num jogo de xadrez, esses membros corresponderiam aos peões, fracos mas valentes, cujo sacrifício
acarreta uma vantagem estratégica importante.

É óbvio que, se o Governo Lula fosse realmente a continuidade do Governo FHC, o que aconteceu no
outro teria acontecido neste. Para a mesma causa, o mesmo efeito. Os quadros comparativos entre os dois
governos, disponíveis em várias páginas da Web, destroem essa identidade de causa mostrando a enorme
diversidade dos efeitos. Alguns exemplos:

http://www.meionorte.com/marcosmoraes,tabela-compara-fhc-x-lula,107214.html

http://nalu.in/81

O Governo FHC, contemplado com a simpatia do PIG e beneficiado pelos recursos financeiros
advindos da venda de inúmeras estatais, sentia qualquer abalo financeiro, mesmo que longínquo (por
exemplo, uma crise na Ásia). Como resultado, o país quebrou três vezes e foi de joelhos, humilde, pedir
três empréstimos ao FMI. Já o Governo Lula, que viveu "a maior crise política da história recente do
país" ...

"O que começou em maio passado como um caso 'corriqueiro' de corrupção nos Correios se
transformou, a partir das entrevistas de Jefferson e, depois delas, com a ajuda do trabalho de muitos
jornalistas, num conjunto de evidências responsável pela maior crise política da história recente do país."
(Renata Lo Prete.)

http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=359ASP013

... e a maior crise externa das últimas décadas ...

"2008-2009. A crise financeira originada nos EUA em consequência das hipotecas lixo ("subprime")
que concederam sem garantias a milhares de cidadãos, acaba com os grandes gigantes financeiros do país
e seu contágio se estende a todo o mundo e afeta às economias reais, causando a crise mais grave desde
os anos trinta." (Agência EFE.)

http://g1.globo.com/Noticias/Mundo/0,,MUL1314788-5602,00-
PRINCIPAIS+CRISES+QUE+AFETARAM+A+ECONOMIA+MUNDIAL+DESDE+A+GRANDE+DE
PRESSAO.html

... pagou as dívidas dos governos anteriores, tornou-se credor do FMI, não quebrou em nenhuma das
crises e chegou ao início do oitavo ano com dados comparativos amplamente favoráveis e mais de 70%
de popularidade contra 18% do último ano do Governo FHC.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Luiz_In%C3%A1cio_Lula_da_Silva

Governar significa tomar decisões cruciais, diariamente. Sete anos de decisões diárias são eliminados
da consciência do leitor por meio de um mantra notável por sua indigência lógica e simplismo
intelectual: "apenas deu continuidade àquilo que herdou".
É para isso que servem os "peões".

Outro ponto importante: o trabalho que uma simples frase, tornada um mantra, obriga ao apoiador do
"outro lado" para contestá-lo e desmenti-lo com informações, dados concretos e argumentos é uma perda
de tempo considerável em seus esforços na luta contra o "nosso lado".

. "O próprio 'Washington Post' ressalta que 'a fundação para o sucesso de hoje foi assentada no
governo de Fernando Henrique Cardoso, um acadêmico tornado político mais conhecido por controlar a
inflação na metade dos anos 90. O homem que ficou com a maior parte do crédito foi seu sucessor, o
presidente Luis Inácio Lula da Silva, que como líder sindical um dia combateu a globalização'." (Merval
Pereira.)

O restante da coluna contém outras louvações ao ex-Presidente Fernando Henrique Cardoso.

Não se deve perder uma oportunidade de reforçar um mantra, sempre a partir de uma atitude acrítica.
Quando o mantra recebe apoio estrangeiro, melhor – porque os brasileiros ainda consideram os
estrangeiros melhores do que nós (portanto, mais sábios e mais inteligentes).

http://arquivoetc.blogspot.com/2010/01/mervl-pereirao-processo.html

Comentários
O mantra é uma modalidade contagiosa de palavra de ordem, muito útil por sua brevidade, facilidade
de memorização e potencial de desenvolvimento. Sua forma sintética permite que cada redator crie
variantes individuais, contribuindo com isso para a disseminação dessa "verdade" na opinião pública.
TÉCNICAS DE INSTIGAÇÃO DO PÂNICO

As técnicas de instigação do pânico visam criar esta reação emocional na população por meio de
notícias catástroficas nas áreas da saúde, do crime ou das instituições em geral, direcionando a
agressividade do público contra o "outro lado", apontado como o responsável pela situação catastrófica
presente ou futura.

Manchete alarmista

Definição
Manchete que visa criar pânico na população por meio da afirmação de um fato presente ou futuro de
natureza catastrófica, cuja causa está associada de algum modo ao "outro lado".

Exemplo
Chamada da Folha de S. Paulo em 19 de julho de 2009.

Comentários
Observe a escolha dolosa de palavras: "deve", em vez da jornalisticamente precisa "pode". E observe
como o pior cenário foi tratado como um fato inevitável: na pior das hipóteses (sempre uma exceção),
esse número poderia se concretizar, então ele se concretizará.

Outro exemplo
a) A manchete.

http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u597124.shtml

b) O fato.

"Até 28 de novembro [de 2009], segundo o último boletim do Ministério da Saúde (MS), 1.632
pessoas morreram no país em decorrência de complicações causadas pelo vírus H1N1 e 50,7% dos óbitos
foram registrados no Sudeste."

http://oglobo.globo.com/cidades/sp/mat/2009/12/16/brasil-tem-equivalente-18-das-mortes-por-gripe-
suina-no-mundo-915238951.asp

Para comparar
Veja como a prática jornalística tradicional noticiaria o fato, neste comentário do canal espanhol
Quatro (http://www.quatro.com/). Observe principalmente como as emoções não são estimuladas, o
pânico passa longe e o espectador não se sente mobilizado contra as autoridades sanitárias e
governamentais, como seria de desejar.

http://www.youtube.com/watch?v=yoKk-Nhh4Jw

Coluna alarmista

Definição
Texto de coluna que visa causar pânico na população, cuja causa está associada de algum modo ao
"outro lado".

Exemplo clássico (9/1/2008)


"Alerta amarelo!

"Com sua licença, vou usar este espaço para fazer um apelo para você que mora no Brasil, não
importa onde: vacine-se contra a febre amarela! Não deixe para amanhã, depois, semana que vem...
Vacine-se logo!"

[...]

"O fantasma da febre amarela, portanto, paira sobre o país como um alerta num momento crucial,
para que a saúde e a educação sejam preservadas antes de tudo o mais.

"Senão, Lula, o aedes aegypti vem, pica e mata sabe-se lá quantos neste ano – e nos seguintes."
(Eliane Catanhêde.)

http://www1.folha.uol.com.br/folha/pensata/elianecantanhede/ult681u361459.shtml

Comentários
. O fato (25/3/2009).
"O Estado de São Paulo registrou duas mortes por febre amarela neste ano, igualando a marca à de
2008 e superando, com cinco casos, o número de infectados do ano passado (dois). Antes de 2008, o
Estado havia ficado sem mortes por oito anos." (Márcio Pinho.)

http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u540154.shtml

. O resultado.
A coluna surtiu efeito notável porque inúmeras pessoas se desesperaram ante a perspectiva de
morrerem e se vacinaram sem necessidade. Infelizmente, alguns casos de morte por reação à vacina
foram registrados – os famosos "danos colaterais" da luta política.

Repare na escolha soberba das palavras: "O fantasma da febre amarela, portanto, paira sobre o
país..." Mais: "... e mata sabe-se lá quantos neste ano – e nos seguintes."

Outro exemplo
"Socorro!

"O maior número de mortes (46%) de adolescentes no Brasil é por... homicídio! Bem mais do que por
causas naturais (25%) e por acidentes (23%). E dois a cada mil brasileiros deverão morrer antes dos... 19
anos!" (Eliane Catanhêde.)

http://www1.folha.uol.com.br/folha/pensata/elianecantanhede/ult681u598892.shtml
Previsão catastrófica

Definição
Afirmação ou sugestão de ocorrência de algum fato catastrófico em futuro próximo, causado pela
incompetência ou pela torpeza moral do grupo adversário.

Exemplo
"O temor é de um racha na sociedade, não tão grave, mas semelhante ao da Venezuela: aplausos dos
pobres do Bolsa Família e do Nordeste, vaias da classe média e dos que podem pagar caro pelo Pan no
Sul-Sudeste. Não é um bom prenúncio." (Eliane Catanhêde, comentando as vaias habilidosamente
armadas pelo então prefeito do Rio, César Maia, contra o Presidente Lula no Pan de 2007.)

http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=442ASP002

Comentários
Como o futuro é um país desconhecido e gerador de incertezas, vale fazer as previsões mais
escabrosas e assustadoras, desde que beneficiem o "nosso lado". Essa técnica visa criar incerteza,
insegurança e até mesmo pânico na população ou num segmento social, tendo como resultado o aumento
de críticas e cobranças às autoridades responsáveis.

O futuro próximo ou remoto é pintado em cores pesadas, e as pessoas são estimuladas a reagir ao
presente como se esse futuro desastroso fosse inevitável.

Outros exemplos
1. "O Senado brasileiro aprovou a entrada da Venezuela no Mercosul e, portanto, a subordinação do
bloco às ambições e projetos pessoais do caudilho Hugo Chávez." (Editorial do Estado de S. Paulo.)

http://oglobo.globo.com/pais/noblat/posts/2009/12/17/mercosul-para-chavez-250786.asp

2. "Um médico que atende num hospital público aqui do Rio, declarou na televisão que uma jovem
senhora, depois de sucessivos partos, teve que amarrar as trompas. Com medo de morrer, aceitou a
sugestão do médico, mas lamentou: 'É pena, porque vou perder os R$ 150 do Bolsa Família'. Pois é, ter
filhos se tornou, no Brasil do Lula, um modo fácil de aumentar a renda familiar.

"Em breve, o número de carentes duplicará e o dispêndio com o programa, também." (Ferreira
Gullar.)

http://www.cafecolombo.com.br/tag/ferreira-gullar/

3. "Lula cria fatos consumados cujos custos serão mais cedo ou mais tarde cobrados ao País. Como
acontece com o aumento dos gastos do poder público e a expansão do tamanho do Estado.

"Ele deixa a Presidência no que vem a cavaleiro, pois para todos os efeitos os malefícios serão
debitados na incapacidade administrativa e na inabilidade política do sucessor. Ou sucessora." (Dora
Kramer.)

http://arquivoetc.blogspot.com/2009/12/dora-kramer-roteiro-original.html

4. "O pesadelo vai voltar?

"A inoperância do governo e o terrorismo sindical ressuscitam o fantasma do apagão aéreo que
paralisou os aeroportos do país." (Sofia Krause, revista Veja.)

http://arquivoetc.blogspot.com/2009/12/aviacao-o-caos-ronda-de-novo-os.html
5. "Se a vida partidária se nivelou por baixo e os costumes políticos estão degradados, o governo
Lula, por ação e conivência, é um dos grandes responsáveis. É bom ter isso em mente para que não se
realize a profecia de Delúbio Soares, para quem o mensalão ainda iria virar 'piada de salão'." (Editorial da
Folha de S. Paulo.)

http://arquivoetc.blogspot.com/2009/12/coisas-de-estarrecer.html

6. "Teoria conspiratória? Uma ova! A evidência está naquilo que se lê, se vê e se ouve. A existência
da Conferência [Confecom], suas propostas, o patrocínio oficial ao evento, tudo demonstra a escalada do
governo e das esquerdas contra a liberdade de expressão." (Reinaldo Azevedo.).

http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/a-imprensa-poe-a-corda-a-volta-do-proprio-pescoco/

7. "Os juízes vão editar os jornais?" (Eugênio Bucci.)

http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=568IMQ009

Neste caso, não se trata exatamente de ataque ao "outro lado". A Justiça, uma instância mediadora,
causava prejuízo indevido aos nossos interesses, daí ela ter se tornado o alvo. A flexibilidade da técnica
permite que ela seja aplicada a qualquer agente perturbador: basta exagerar ao máximo uma possibilidade
futura a partir de um fato mínimo do presente, de responsabilidade desse agente que afeta nossos
interesses.

8. Arnaldo Jabor, na CBN:

http://cbn.globoradio.globo.com/comentaristas/arnaldo-jabor/2009/11/13/PEQUENOS-FATOS-
INQUIETANTES-COLOCAM-A-SEGURANCA-DO-BRASIL-EM-RISCO-NO-APAGAO.htm

9. "Em agosto, a indústria reduziu 5.000 postos de trabalho na comparação com julho e fechou o mês
com queda de 0,26%. A que se deve tal resultado? Aumento das importações e desaceleração das
exportações em muitos setores, o que é facilitado pela política cambial. Vai melhorar? A tendência, no
médio prazo, é piorar: assim que a China passar de compradora para competidora para valer. Com a
economia americana estável, mas não exuberante, os chineses aportarão aqui e onde houver gente
querendo comprar. E então veremos a porca torcer o rabo. A equação é simples e fatal. Será didático para
o 'povo'? Quem sabe…" (Reinaldo Azevedo, em 12/9/2006.)

http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/previsao-emprego-fiesp-cai-50/

10. "Ainda pesará sobre o ano de 2010 a grande dúvida: quando serão retirados os estímulos
excessivos concedidos pela maioria das economias? Aqui, a dúvida é como o governo vai se comportar,
em ano eleitoral, na área fiscal. Em 2009, o governo brasileiro aumentou muito o gasto em despesas que
não poderá comprimir. Se continuar aumentando essas mesmas despesas, a era Lula pode deixar uma
herança pesada para o próximo governante." (Miriam Leitão.)

http://oglobo.globo.com/economia/miriam/posts/2009/12/24/dentro-dos-numeros-252390.asp

Um dos macetes para a aplicação desta técnica é o uso do "se":

11. "Se Dilma vencer a disputa, vem receita chavista por aí. Ela é um clássico, já aplicada na
Venezuela, na Bolívia e no Equador. Daniel Ortega, na Nicarágua, variou um pouco: mandou os seus (!!!)
juízes apagarem um trecho da Constituição. Pareceu-lhe mais simples." (Reinaldo Azevedo.)
http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/dilma-bolivariana/

12. "Se escaparmos da crise global, teremos uma crise feita pelo governo Lula. O governo está
aumentando o risco fiscal com medidas como a anunciada ontem. Vai transferir dinheiro de dívida interna
e externa do Tesouro para o BNDES, que tem tomado decisões sem transparência e discutíveis sob vários
aspectos. O gasto público não tem rumo, não tem projeto. É um voo às cegas." (Miriam Leitão.)

http://arquivoetc.blogspot.com/2009/01/voo-s-cegas-mriam-leito.html

13. "O risco é que, na hipótese de vitória de Dilma em 2010, em vez de negociarem com Lula e tendo
o marechal Jobim como ministro, os militares vão ter que engolir a 'ex-guerrilheira' (como dizem), tendo
um petista qualquer na Defesa." (Eliane Catanhêde.)

http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2009/12/31/nao-viu-nao-leu-mas-assinou

Repare na aplicação eficiente da técnica da denominação pejorativa: "ex-guerrilheira" e "um petista


qualquer". O parágrafo, como um todo, também se enquadra na técnica de criação sutil de clima golpista,
por causa da sugestão de crise entre poderes.

14. "Este livro é a continuidade de um debate iniciado em 2003, quando foi publicado o livro A
Economia Política da Mudança: Desafios e Equívocos do Início do Governo Lula. Não é com satisfação
que se registram os muitos dos acertos de nossas criticas e a confirmação das tendências neoliberais do
governo. Afinal, o fracasso do governo, do ponto de vista dos trabalhadores, significa a permanência da
crise econômica e social, que sobretudo afeta as camadas mais pobres da população. De resto, o fracasso
do governo Lula também tem impacto negativo sobre o projeto histórico da esquerda socialista, na
medida em que este governo não só fracassou, política e moralmente, como, em sua adesão ao
neoliberalismo, parece confirmar os vaticínios sobre a ausência de alternativas emancipatórias à
globalização neoliberal." (João Antonio de Paula.)

15. "A Era Lula: Crônica de um Desastre Anunciado", Ipojuca Pontes.


TÉCNICAS DE ARGUMENTAÇÃO CAPCIOSA

O ser humano é um animal racional, isto é, provido da capacidade de raciocinar. Isso não significa
que ele pense ou aja de maneira racional, corriqueiramente. Ao contrário, qualquer iniciante no estudo da
natureza humana percebe que as motivações, as emoções e os interesses pessoais têm prioridade na
psicologia humana, e que a faculdade da razão, muitas vezes, é subordinada a essas forças bem mais
poderosas.

No caso dos brasileiros, povo de natureza emocional, a situação se agrava – o que é mais do que
bom, ótimo para o "nosso lado". Poucos povos se prestam, como o brasileiro, a aceitar passivamente
violações flagrantes da lógica formal, a repetir falácias primárias, a ser enganado por uma argumentação
nitidamente falsa.

Por esses motivos, os textos dos expoentes do PIG estão recheados de argumentos que poderiam ser
desmontados com uma pergunta, uma observação sagaz, um contra-exemplo banal. Mas, por serem
eficientes, continuam a produzir resultados eficazes para o "nosso lado".

O mal no bem

Definição
Afirmação de um malefício intrínseco a um bem cujo reconhecimento reforçaria a posição do "outro
lado".

Exemplo
"O petróleo tem má fama.

"Onde ele aparece, surgem conflitos. No Brasil até hoje já houve desentendimentos, mas não uma
situação dessas: estados não produtores ameaçam impor sua maioria aos estados que têm essas reservas
em suas costas. O papel do governo federal é encontrar fórmulas de compor os interesses de todos. Mas
da sua base é que saem as ideias que fomentam a briga federativa." (Miriam Leitão.)

http://oglobo.globo.com/economia/miriam/posts/2009/12/03/uniao-que-divide-246846.asp

Comentários
Evidentemente, qualquer riqueza humana gera conflitos, não só o petróleo. Quanto maior a riqueza,
maior a ganância humana, maiores os conflitos. Uma riqueza como o pré-sal, a maior descoberta mineral
nos últimos anos, não poderia deixar os interessados vivendo em estado de harmonia próprio de anjinhos
de presépio.

O ouro, o café, a borracha, o diamante, o próprio dinheiro, tudo teria "má fama", se fossemos aplicar
esse critério. O petróleo não é maldito por si mesmo – no caso brasileiro, ao contrário, é a maior bênção
econômica das últimas décadas. Mas essa constatação seria favorável ao "outro lado", então é hora de
usar um argumento capcioso – dignamente exemplificado pela jornalista.

Relação falsa de causa e efeito

Definição
Afirmação de uma relação falsa de causa e efeito, visando criticar a causa (um ato do "outro lado"),
tida como a responsável por um efeito indesejável para a população.

Exemplo
"É também preciso ter critérios ao conceder os incentivos. O setor moveleiro usa madeira. Como todo
mundo sabe, é um setor que pressiona o desmatamento. Tem empresas boas, que funcionam de forma
sustentável, mas nem todas são assim. Deveria haver mais critérios para quem for receber incentivo."
(Miriam Leitão.)

http://oglobo.globo.com/economia/miriam/posts/2009/11/26/desoneracoes-deveriam-benefica-toda-
economia-244657.asp

Comentários
A afirmação de que a produção moveleira "pressiona o desmatamento" é falsa porque a maior parte
dos móveis da indústria nacional é feita com madeira oriunda de áreas reflorestadas. Mas este fato não é o
ponto importante, porque a maioria dos leitores não tem conhecimento dele. O ponto importante é o falso
efeito, que será aceito por essa maioria e que ajudará na difusão de uma crítica ao "outro lado".

Afirmação de efeito inexistente de causa real

Definição
Afirmação de uma relação falsa de causa e efeito, visando aproveitar o efeito inexistente para fazer
uma crítica ao "outro lado".

Exemplo
"Agora que o Brasil virou potência mundial e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi escolhido o
homem do ano pelos jornais "Le Monde" e "El País", só resta a nós colunistas prorrogarmos
indefinidamente nossas férias, já que não há mais dificuldades a resolver nem, portanto, problemas a
comentar." (Helio Schwartman.)

http://www1.folha.uol.com.br/folha/pensata/helioschwartsman/ult510u672479.shtml

Comentários
Qualquer criancinha percebe que não há nenhuma relação entre o novo status internacional do país ou
do Presidente Lula e a ausência total de problemas no Brasil. Mas o estado de imersão na leitura,
especialmente quando o autor do texto escreve de maneira forte, demonstrando autoridade, tem o estranho
poder de serenar o ímpeto crítico da maioria das pessoas. O colunista aproveitou-se muito bem desse
fenômeno intelectual e iniciou a coluna derrubando todo o edifício de Lógica com apenas uma afirmação.

Dois fatos semelhantes, duas causas diferentes

Definição
Afirmação de uma relação diferente de causa e efeito, em se tratando de um efeito que envolve
pessoas endinheiradas e de outro que envolve pessoas pobres.

Exemplo
"Os jornais abrem o ano com a tradicional contagem dos mortos por causa de morros que deslizam e
casas que desabam com as fortes chuvas do início do verão. Mas há uma diferença flagrante de morro
para morro: há os morros dos pobres e os morros dos ricos. Em algumas dessas geografias, a culpa pela
tragédia, na visão da imprensa, é sempre das vítimas, que insistem em ocupar ilegalmente áreas de
encostas e outras topografias sujeitas a desmoronamentos e enchentes. No máximo, autoridades que
toleram tais invasões compartilham a condenação da imprensa. Em outras geografias, a culpa é
simplesmente da natureza." (Luciano Martins Costa.)

http://www.viomundo.com.br/denuncias/sergio-cabral-e-o-decreto-do-huck/

Comentários
O jornalista critica a nossa prática de proteger a classe socioeconômica a que pertencemos, ou com a
qual nos identificamos, a propósito das tragédias que vitimaram mais de 50 pessoas em Angra dos Reis
(RJ).

1. O "desabamento causado por deslizamento de terra", na pousada de luxo.

http://www.estadao.com.br/noticias/geral,desabamento-em-pousada-em-angra-dos-reis-mata-pelo-
menos-10,489403,0.htm

2. A "ocupação desenfreada das encostas", no morro dos pobres.

http://noticias.bol.uol.com.br/brasil/2010/01/05/ocupacao-desordenada-e-omissao-politica-causaram-
tragedia-em-angra.jhtm

Prova falsa de incompetência

Definição
Aproveitamento de erro eventual do adversário para usá-lo como evidência de uma incompetência
que não apresenta relação lógica com o erro.

Exemplo
"Gafe evidencia que Dilma é uma neófita no assunto meio ambiente." (Lucia Hippolito.)

http://cbn.globoradio.globo.com/comentaristas/lucia-hippolito/2009/12/15/GAFE-EVIDENCIA-
QUE-DILMA-E-UMA-NEOFITA-NO-ASSUNTO-MEIO-AMBIENTE.htm

Comentários
Ao discursar na Conferência do Clima em Copenhague (2009), a ministra Dilma Rousseff errou na
leitura e disse: "O meio ambiente é, sem dúvida nenhuma, uma ameaça ao desenvolvimento sustentável".
A mídia do "nosso lado", como sempre, aproveitou imediatamente a gafe para fazer ridículo da ministra.
A jornalista foi além, criando uma relação falsa (mas politicamente eficiente) entre um lapso verbal e uma
competência específica, exigível de uma candidata a Presidente.

O vídeo da gafe:

http://www.youtube.com/watch?v=4QbfWW53CoQ

Indignação desproporcional ao fato

Definição
Exagero explícito e assumido ao reagir criticamente a um ato prejudicial ao "nosso lado",
superdimensionando a situação por meio de argumentos fortes mas vazios.

Exemplo
"É inacreditável! É estarrecedor!

"O Supremo Tribunal Federal, a Suprema Corte do nosso país, o guardião da Constituição brasileira e
dos direitos dos cidadãos, acaba de legitimar um dos atos mais odientos e repugnantes na vida de povos
que se pretendem civilizados."

[...]
"Aqui se trata do perigosíssimo golpe contra a democracia." (Lucia Hippolito, reagindo à decisão do
Supremo Tribunal Federal de manter a proibição imposta ao Estado de S. Paulo quanto à divulgação de
informações sigilosas do processo contra Fernando Sarney.)

http://oglobo.globo.com/pais/noblat/luciahippolito/posts/2009/12/10/nem-na-ditadura-249010.asp

Comentários
Repare que o devido respeito às leis, imposto pelo mais importante tribunal do país, é considerado
um "perigosíssimo golpe contra a democracia", que tem como uma das bases, justamente ... o respeito às
leis do país.

O que importa, entretanto, é a força da indignação de um dos representantes do PIG ao ver que
nossos interesses foram desconsiderados. Nesta situação, vale tudo. Como diz o povo, "se colar, colou".
Se não "colar", outros meios existirão de fazer valer os mesmos interesses.

Responsabilização indevida

Definição
Estabelecimento de uma falsa relação de causa e efeito que serve de sustentáculo à responsabilização
indevida de adversário (a causa) por um fato danoso (o efeito).

Exemplo clássico
"Uma das coisas que talvez o presidente Lula tenha feito mal para o país, porque as pessoas acham
que podem, de repente, se candidatar presidência da República sem nunca ter feito nada. Olhe o Dunga,
nunca foi técnico nem do time da esquina da rua dele. Agora já virou técnico da seleção brasileira e acha
que sabe tudo. Olhe a ministra Dilma [Roussef], nunca administrou nada a não ser a Casa Civil, com
esses problemas todos que ela está tendo, já acha que pode ser presidente da República. Dureza, hein?"
(Lucia Hippolito.)

http://www.viomundo.com.br/radio/cbn-lucia-hippolito-diz-que-lula-e-mau-exemplo/

Comentários
"Dureza, hein?" deve ter pensado o ouvinte ao final desta aplicação incompetente da ótima técnica da
responsabilização indevida. Como em todas as outras, nada exime o nosso apoiador de dedicar tempo e
criatividade para realmente convencer o público-alvo. Responsabilizar o Presidente por uma derrota da
Seleção para o Paraguai não foi uma boa escolha – e as reações na blogosfera mostraram a extensão dessa
verdade.

Uma das obrigações profissionais de nossos integrantes é proteger a própria função, evitando ser alvo
de críticas fáceis. Cada posição conquistada é valiosa em nossa luta. Um patrão mais exigente poderia ter
demitido a comentarista, alegando a exposição ao ridículo que manchou o próprio nome da emissora.

O inusitado da afirmação fez com que muitos não percebessem a aplicação da técnica da mentira
deslavada no trecho "sem nunca ter feito nada". Presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São
Bernardo do Campo e Diadema, um dos líderes da oposição ao Regime Militar, co-fundador do Partido
dos Trabalhadores, deputado federal – funções reduzidas a nada pela aplicação bem-sucedida da técnica.

A mesma técnica foi aplicada em relação à ministra Dilma, que já tinha sido secretária municipal da
Fazenda de Porto Alegre, secretária estadual de Minas e Energia em dois governos estaduais e ministra de
Minas e Energia no Governo Lula.

Outro exemplo
"A decisão do Supremo de manter a censura ao jornal 'O Estado de S. Paulo' ocorreu dois dias depois
de o presidente Lula declarar que a imprensa faz mal ao país.
"Lula tinha manobrado para o aliado Sarney não cair, apesar de flagrado em pesado tráfico de
influência. Sarney não caiu. Agora, à luz do dia, na cara de todo mundo, o STF entra no conluio. Quem,
afinal, vai tirar os brasileiros da merda?" (Guilherme Fiuza.)

Em lógica, essa falácia intitula-se post hoc ergo propter hoc, esquisitice lingüística que se traduz por
"depois disso, logo causado por isso": se o fato B aconteceu depois do fato A, ele foi causado pelo fato A.

É triste dizer, mas é agradável constatar: praticamente nenhuma das falácias lógicas identificadas há
séculos será identificada em nossos textos pela maioria dos nossos leitores, ouvintes ou espectadores.
Portanto, use e abuse delas.

Falsa equivalência

Definição
Estabelecimento de uma equivalência falsa entre dois fatos distantes para, por meio dela, criticar um
alvo do "outro lado".

Exemplo

Charge de Claiton.

http://opovo.uol.com.br/opovo/charge/928002.html

Comentários
Na charge, 18 meses de racionamento de energia, cobrança extra imposta mensalmente a todo
consumidor em sua conta de luz e diminuição marcante da atividade econômica do país foram
equiparados aos efeitos de um apagão de 5 horas. Repare como há uma equivalência visual perfeita nos
dois lados do desenho, sugerindo subliminarmente que as duas situações foram idênticas: "Eu sou igual a
você".

A charge é logicamente inepta, mas politicamente admirável.


Afirmação do exato oposto da realidade

Definição
Afirmação de uma realidade que é o exato oposto do fato verdadeiro.

Exemplo
"Por que nada de Lula pode ser criticado?" (Nelson Motta.)

http://www.estadao.com.br/nacional/not_nac462669,0.htm

Comentários
Nenhum outro Presidente, na história recente do Brasil, sofreu o massacre diário de tantas iniciativas
que nós, do PIG, "dedicamos" a nosso alvo predileto – tudo é válido para criticá-lo e tudo nele já foi
criticado. Os principais órgãos da imprensa e a maioria dos colunistas e parajornalistas aplicam
regularmente as técnicas ensinadas neste manual, um trabalho que marcará época em nossa política. Mas
a pergunta acima direciona o pensamento do leitor para a situação exatamente oposta.

A aplicação da técnica é de uma simplicidade fascinante: identifique a realidade desfavorável ao


"outro lado" e faça uma afirmação contrária a ela. Exemplo: "Por que toda a Grande Mídia só elogia o
Presidente?" É recomendável, porém, não sugerir inverdades tão evidentes; a força da técnica depende
muito da aceitação do conteúdo pelo leitor.

Atribuição de relação mecânica entre causa e efeito

Definição
Atribuição de uma relação mecânica e direta entre uma causa que se quer esconder e um efeito que se
quer depreciar.

Exemplo
"Alô, Reinaldo,

"Se, apesar de a grande mídia ser 'golpista, de direita e anti-Lula', o Apedeuta está com 80% de
popularidade, imagine se fosse 'equilibrada', como deseja o Franklin Martins… O homem iria a 130%!
Ou, então, a tal da 'grande mídia' não tem influência nenhuma e deve ser considerada cachorro morto pelo
lulo-petismo. Eles decidem. Grande abraço e um carinho na convalescente,

"Nelson." (E-mail de Nelson Motta a Reinaldo Azevedo, divulgado por este.)

http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/um-e-mail-de-nelson-motta-a-imprensa-o-golpismo-etc/

Comentários
Apesar da nossa atividade incessante de crítica, criação de intrigas e escandalização, o Presidente
chegou a um nível estratosférico de popularidade – porque quem lhe confere popularidade ou não é o
povo como um todo, e não uma parte mínima deste povo (a mídia). Não existe uma relação direta de
causa e efeito entre o apoio da mídia e a popularidade de um político – só entre esse apoio e o prestígio
dele na própria mídia.

Os fatores avaliados para que um grupo social goste ou não da atuação de um político são os mais
variados, entre eles a reação autônoma dos cidadãos à sua realidade cotidiana. Meios de influência
alternativos como a internet também permitem o acesso a informações diferentes daquelas que
selecionamos em nossa atividade diária.

Desde as eleições de 2006, é de conhecimento geral em nosso meio que se deu um descolamento
inédito e quase total da opinião pública em relação à mídia. Por isso estamos à procura de meios criativos
de recuperação dessa influência perdida.
A mídia não deixou, não deixa e não deixará de ser anti-X (qualquer Presidente que pertença ao
"outro lado") ou mesmo de ter natureza golpista quando necessário. E as reclamações de quem se ressente
da "injustiça" de nosso tratamento nada têm a ver com um índice maior ou menor de popularidade, mas
com o desejo de ver a realidade ser representada de maneira mais fiel em nossos veículos. Sabemos disso,
mas o jogo político é para ser jogado.

Agora um elogio à técnica. Se ela exigiu esse tempo todo para que um só argumento fosse
contestado, merece a sua atenção. Use-a porque dificilmente um brasileiro perceberá o nó conceitual que
ela cria em seus neurônios.

Eliminação do futuro inevitável

Definição
Afirmação que depende da inexistência de um futuro que tem de acontecer para que a afirmação seja
válida.

Exemplo
"Pesquisa feita pelo Datafolha indica franco favoritismo do tucano Geraldo Alckmin na disputa pelo
governo de São Paulo.

"Se a disputa fosse realizada hoje, Alckmin prevaleceria já no primeiro turno da eleição." (Josias de
Souza.)

http://josiasdesouza.folha.blog.uol.com.br/arch2009-12-01_2009-12-31.html#2009_12-
21_04_50_26-10045644-0

Comentários
A 10 meses da eleição, faz-se a afirmação de que "se a disputa fosse realizada hoje"... Mas ainda
estava faltando escolher os candidatos, acertar as coligações, sair em campanha política, participar do
horário eleitoral...

A afirmação lógica seria: "As intenções de voto, neste momento, numa simulação de eleição,
indicam..."

Este erro não é cometido somente para beneficiar candidatos do "nosso lado". Por não haver uma
cultura de cultivo da lógica em nosso país, esses e outros erros primários são cometidos com freqüência
nos textos de todos os jornalistas, sejam eles ou não do PIG.

Projeção do passado no futuro

Definição
Raciocíno baseado no pressuposto de que um fato desabonador ocorrido no passado se repetirá
inevitavelmente no futuro.

Exemplos
"Seriedade em falta

"Crítico da candidatura do Rio aos jogos de 2016, José Cruz diz que basta olhar o abandono das obras
construídas para o Pan-Americano do ano passado para se chegar à conclusão de que o país não está
preparado para sediar o mais grandioso evento esportivo do planeta. 'Ora, se não há seriedade com o
dinheiro público no Pan, como é que podemos, sem explicar isso, já pensar em uma Olimpíada?'" (Edson
Sardinha.)
http://congressoemfoco.ig.com.br/noticia.asp?cod_canal=12&cod_publicacao=26721

Comentários
Um dos mais fortes argumentos repisados pela Grande Mídia no período anterior à conquista do
direito de sediar os Jogos Olímpicos de 2016 foi a roubalheira generalizada que precedeu os Jogos Pan-
Americanos de 2007, também no Rio.

"Quanto a mim, é claro que a ideia de uma Olimpíada no Brasil me entusiasma. E é claro que a gente
imagina um monte de possibilidades profissionais se abrindo se isso acontecer.

"Mas a minha tendência é achar que quem fez o que fez no Pan, não pode ter Olimpíada. Sobraram
um monte de contas por explicar, as instalações já estão lá mofando e todo o trabalho que foi prometido
na sequência do evento não aconteceu." (Barbara Gancia.)

http://blogs.band.com.br/barbaragancia/index.php/2009/10/01/rio-2016-2/

"País miserável como ainda é o nosso não pode querer se meter a besta de sediar Copa do Mundo e
Olimpíada. Nem mesmo Pan-Americano. Isso é coisa pra bacana, não pra Brasil, pra África do Sul."

[...]

"Tome vergonha, Brasil, coloque-se no seu lugar! Não queira bancar o grã-fino, porque sua calça está
rasgada bem ali no traseiro." (Marcelo Migliaccio.)

http://www.jblog.com.br/rioacima.php?itemid=14462

Especialistas foram, como sempre, convocados para reforçar essa posição, que contaminou a
avaliação de parte da opinião pública. Blogueiros refletiram em seus posts o derrotismo da Grande Mídia:

"Faz o seguinte, olha para sua janela, dê uma volta pelo seu bairro. Você acha que realmente temos a
menor condição de sediar uma olimpíada? Candidatura Olímpica serve para um grupinho de 20 ou 30
passarem no free-shop e comprarem Black Label para a galera.

"O resultado olímpico é apenas um retrato do que somos como nação. Fracassamos na hora H,
fracassamos na véspera, fracassamos no dia seguinte." (Monumental Fracasso, blogueiro anônimo.)

http://fracasso.com.br/monumental-fracasso/

A campanha foi tão bem-sucedida que parte da opinião pública não aceitou a vitória do Rio, gerando
reação de espanto em certos leitores:

"Da seção de cartas da Folha:

"'Lamentáveis as cartas neste 'Painel do Leitor' nos últimos dois dias contra o Rio 2016.
Curiosamente, a maioria de paulistanos, como eu. Sempre fui contra esses Jogos Olímpicos aqui. Mas não
podemos agora ficar torcendo contra. O COI escolheu e pronto. Agora é trabalhar para que tudo corra
bem e o Brasil cresça.

"E sejamos honestos também sobre mau uso de dinheiro público em todo planeta. Ou alguém acha
que na Olimpíada de Pequim não teve desvio de verbas? E não terá em Londres 2012? Sempre tem e
sempre terá. Agora temos que nos unir e deixar o bairrismo de lado. Não é só o nome do Rio que está em
jogo, é o nome do Brasil.'

"Guilherme Freitas, São Paulo."

http://blogs.band.com.br/barbaragancia/index.php/2009/10/05/hora-de-virar-a-pagina/

O brasileiro não está acostumado a identificar e a questionar pressupostos de raciocínios. A diferença


de 9 anos entre o Pan e as Olimpíadas, o aprendizado que resultou da roubalheira do Pan, a possibilidade
humana de agir de modo diferente, a fiscalização muito mais cerrada da sociedade e do Ministério
Público (em grande parte por causa do Pan) – nada disso entrou nas avaliações derrotistas dos inimigos
das Olimpíadas do Rio.

"O que foi, será. O que aconteceu, acontecerá. O futuro será idêntico ao passado." Quem utilizar esse
pressuposto em seu argumento poderá contar com a condescendência de boa parte do povo brasileiro,
ontem, hoje e... sempre?

Identidade falsa de situações

Definição
Afirmação de uma identidade falsa entre a situação do jornalista e a de qualquer um de seus
opositores.

Exemplos
"Alguns vigaristas, pretendendo desqualificar a crítica que aqui se faz, acusam: 'Vejam lá o que Serra
MANDOU ele escrever'. É mesmo? Eu, porque escrevo o que escrevo, estaria sob as ordens de Serra. E
eles? Porque escrevem o que escrevem, estariam sob as ordens de quem? Vai ver eu sou mais burrinho do
que outros e prefira a contramão, não é mesmo?" (Reinaldo Azevedo.)

http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/terrorismo-eleitoral-2/

Comentários
O raciocínio é simples: "Se eu sou um pau-mandado e escrevo X, quem escreve Y (o contrário de X)
também é um pau-mandado".

Como na maioria das técnicas de argumentação capciosa, basta enunciar genericamente o tipo de
raciocínio para perceber seu erro fundamental.

Em termos de liberdade de expressão, existem duas possibilidades óbvias: a liberdade e a ausência de


liberdade. O fato de alguém não ter liberdade não assegura necessariamente que o outro tenha ou não
tenha liberdade. Cada caso é um caso.

Repare que o jornalista rebateu a crítica devolvendo-a a seus críticos, como se ele fosse uma parede
da quadra de squash. Não foi uma resposta muito inteligente, mas deve ter enganado vários de seus
leitores. É fundamental avaliar o nível médio do público-alvo e adaptar a estratégia de acordo com ele.
Para certos públicos, um tratamento superficial dos temas e uma penca de argumentos capciosos são mais
do que suficientes.

Identidade de tratamento

Definição
Afirmação de uma identidade falsa de tratamento do jornalista em relação a este e aquele lado de uma
questão.

Exemplos
Texto (duplamente) ficcional de Josias de Souza:

"Lideranças do PT, PSDB, PMDB e DEM haviam lançado o nome do repórter como presidenciável
de união nacional.

"Uma solução apartidária, concebida para evitar que a nação se dividisse num encarniçado plebiscito
– a era Lula X o período FHC.
"Àquela altura, Serra e Dilma, informados da novidade, já haviam retirado suas candidaturas.

"O repórter ensaiou resistência: Por que eu? Os emissários não se deram por achados: Ora, você não
critica todo mundo? Não diz que está tudo errado? Pois então..."

http://josiasdesouza.folha.blog.uol.com.br/arch2009-12-01_2009-12-31.html#2009_12-
27_03_52_18-10045644-0

No mesmo dia, o blogueiro reuniu "As frases ditas em 2009 que você não merecia ouvir". Das 29
frases selecionadas, 22 referiam-se ao Presidente Lula ou a integrantes de seu partido, à sua equipe ou a
seus apoiadores políticos.

http://josiasdesouza.folha.blog.uol.com.br/arch2009-12-01_2009-12-31.html#2009_12-
27_03_32_29-10045644-0

Comentários
. Um lutador de jiu-jitsu arrebenta um jovem franzino na rua.

Alguém descreve a situação: "Os dois brigaram feio".

. Uma estudante usa microssaia para ir à faculdade (uma impropriedade); 700 alunos reagem
enfurecidos, tentam bater fotos por debaixo da saia, xingam a colega, ameaçam-na de estupro (crimes de
constrangimento ilegal, calúnia, incitação ao crime, etc.).

Alguém avalia a situação: "Os dois lados erraram."

Ou seja, 1.000.000 = 1. E estamos conversados.

A técnica depende da esperta utilização das palavras para unificar aquilo que é bem diferente. A
chave está na descrição, não no fato. No exemplo acima, o blogueiro optou não por "os dois brigaram
feio" ou por "os dois lados erraram", mas por "você não critica todo mundo?"

Critica, sim, mas 80% do tempo um lado e 20% o outro. A descrição esconde o que cada lado fez
(nos dois primeiros casos acima) ou o que a pessoa faz (no caso do blogueiro). E a função precisa da
descrição é esta: esconder a realidade, a favor dos nossos interesses ou da nossa posição.

Quem descreve comanda a percepção da situação – eis uma lição que jamais pode ser esquecida e
cujo valor jamais pode ser subestimado.

Teoria do dominó destruidor

Definição
Avaliação de fenômenos sociais como se os fatos fossem ligados por uma estrutura de dominós,
próximos um ao outro, na qual a queda de um levaria necessariamente à queda dos demais.

Exemplo
"A imprensa não é para badalar o poderoso, mas para provocá-lo, cobrá-lo, muitas vezes irritá-lo.
Mais vale um governante irritado do que um país sem a mídia para irritá-lo.

"Essa escalada que parte dos Andes [Equador e Venezuela] é, sem dúvida, preocupante. Você, que
gosta de notícias, que acompanha a Folha e/ou a Folha Online, que está aqui lendo nossas Pensatas, deve
ficar atento e reagir pelo direito de liberdade de expressão, porque começa assim, lá nos Andes, e depois
se espalha por aí." (Eliane Cantanhêde.)

http://www1.folha.uol.com.br/folha/pensata/elianecantanhede/ult681u608591.shtml
Comentários
Repare que, além da técnica do dominó destruidor, a jornalista aplica também a técnica do chamado à
nação ("você ... deve ficar atento e reagir...").

A jornalista repete a estrutura de pensamento e redação de colunas pela qual ficou conhecida: a
identificação de um problema presente, seguida da projeção desse problema no futuro, agravado à décima
potência (a escalada); a reação alarmada a este futuro; e o chamado à sociedade para que o cenário
desastroso não venha a acontecer.
TÉCNICAS DE CONFRONTAMENTO

As técnicas de confrontamento são baseadas na atitude de "partir para o confronto", sem disfarçar
essa intenção. Embora na superfície possa haver o embate de argumentos, o tom e o modo como se
realiza o ataque deixam claro haver a intenção de, simbolicamente, desmoralizar ou destruir o adversário.

Artigo desqualificador

Definição
Artigo totalmente centrado na desqualificação de um expoente do "outro lado", no qual o acúmulo de
defeitos, erros e incapacidades do alvo de ataque visa escandalizar os seus simpatizantes ou incentivar a
agressividade dos seus opositores.

Exemplo
"Radiografia de uma fraude (2): a secretária renegou o padrinho para garantir o emprego." (Augusto
Nunes, em post desqualificador da ministra Dilma Rousseff.)

http://veja.abril.com.br/blog/augusto-nunes/direto-ao-ponto/radiografia-de-uma-fraude-a-secretaria-
renegou-o-padrinho-para-garantir-o-emprego/

Comentários
Por ser uma técnica radical, baseada na desqualificação, ela é geralmente aplicada por blogueiros
simpatizantes, colunistas colaboradores ou jornalistas de pouca expressão, os chamados cães-ferozes ou
espalha-bosta. Se ficasse associada a um jornalista de respeito, o público leitor jamais o veria como uma
pessoa sensata, da qual pudesse ter mais do que xingamentos, acusações vazias e leviandades.

Outro exemplo
"Vai, minha filha, ajuda." (Ricardo Noblat, em post desqualificador dos méritos da ministra Dilma
Rousseff.)

http://oglobo.globo.com/pais/noblat/posts/2009/12/21/vai-minha-filha-ajuda-251663.asp

Comentários
O jornalista (Noblat) recheou o artigo de técnicas ensinadas neste manual. De especial interesse são
as frases finais, que combinam as técnicas do pensamento desejoso e da previsão catastrófica:

"Portanto, ou ela segue as regras ou perde de véspera.

Lula ainda não chegou ao ponto de operar milagres."

Outro ponto importante: o artigo foi publicado um dia depois do momento mais favorável à ministra,
segundo as pesquisas de intenção de voto. Portanto, possui também um aspecto importante de defesa ou
contra-ataque, em momento crucial da luta política.

Matéria contestadora

Definição
Matéria supostamente jornalística mas, na verdade, partidária, que visa contestar ponto por ponto os
argumentos expostos e as realizações ostentadas pelo "outro lado".

Exemplo
"Na TV, PT diz que Lula estabilizou economia." (Maria Lima.)
http://oglobo.globo.com/pais/mat/2009/12/11/na-tv-pt-diz-que-lula-estabilizou-economia-
915170060.asp

Comentários
Repare na dinâmica exemplar: o programa eleitoral foi veiculado na noite de uma quinta-feira,
10/12/2009. No dia seguinte, sexta-feira, pela manhã, o jornal publicava a matéria contestadora visando
impedir a repercussão positiva das informações passadas pelo "outro lado".

Evidentemente, matérias como esta devem ser reforçadas e complementadas por colunas de
integrantes do PIG. No link abaixo, um exemplo perfeito de coluna contestadora publicada logo após um
programa do mesmo partido, em 2005 (O Ilusionismo, de Miriam Leitão).

http://www.eagora.org.br/arquivo/O-ilusionismo/

Surra verbal – Estilo alternado

Definição
Série incessante de ataques, geralmente entremeados com aplicações da técnica bateu-levou
(declaração de alguém do "outro lado", seguida de contestação imediata), que visa nocautear
simbolicamente o agredido.

Exemplo
"Participam, além do próprio governo, os 'movimentos sociais'. Convidadas, entidades que
representam o empresariado decidiram boicotar a conferência.

"Receiam que saiam dali, sob o manto do 'controle social' dos meios de comunicação, propostas que
resvalem para a censura.

"Lula discursou (assista a um trecho lá no alto). Não lê jornais, como se sabe. O noticiário causa-lhe
azia. Mas teceu loas à liberdade de imprensa.

"O presidente disse que, no Brasil, os meios de comunicação apuram o que bem entendem, publicam
o que desejam. Acha que é assim que deve ser. A Constituição também acha.

"Lula rendeu homenagens ao óbvio ao declarar que os próprios consumidores fogem dos veículos
que proliferam calúnias e infâmias." (Josias de Souza.)

http://josiasdesouza.folha.blog.uol.com.br/arch2009-12-01_2009-12-31.html#2009_12-
15_02_15_12-10045644-0

Comentários
Exemplo inatacável de um dos mais destacados representantes do jornalismozinho.

Em seqüência, o jornalista desfere golpes certeiros, sem dar tempo ao leitor sequer para respirar.

Primeiro, ataca os grupos que se opõem à sua posição, usando a técnica do uso desqualificador das
aspas em "movimentos sociais" (vide adiante). Depois, faz o mesmo com "controle social" e ainda cria
um futuro falsamente representado como inevitável e perigoso, na forma de "censura". Depois, antes de
sequer mencionar a posição do seu principal alvo, já o representa como um ser inculto, intolerante e, no
final do parágrafo, contraditório. Aplica a técnica do bateu-levou no quarto parágrafo, opondo a
declaração do Presidente à força da Lei. E por fim, no último parágrafo, precede a terceira declaração
com uma expressão desqualificadora "render homenagens ao óbvio".

Observe que em nenhum momento o jornalista deixa que o leitor tire a sua própria conclusão, pense
de maneira autônoma sobre o conteúdo relatado, elabore provas ou contestações daquilo que vai sendo
relatado (e criticado). Tratando o leitor do modo correto (como alguém a ser controlado, orientado,
conduzido), priva-o do direito de opinião própria, substituída pela do blogueiro, marcada pelo tom de
autoridade e pela atmosfera velada de opressão a qualquer ponto de vista contrário.

Esta técnica, devido à sucessão de agressões, surte efeito muito positivo em todos que já estejam
predispostos a criticar o alvo escolhido, gerando neles uma espécie satisfação sádica pela surra a que,
afinal, foi submetido aquele *&%)+....

Surra verbal – Estilo contínuo

Definição
Série de ataques em forma de enumeração de defeitos, que visa nocautear simbolicamente o
agredido.

Exemplo
"Sim, Bachelet não é Lula: não abusa da retórica populista; não está construindo um altar para si
mesma; não sataniza as oposições; respeita as regras do jogo e não se meteu em proselitismo eleitoral…"
(Reinaldo Azevedo.)

http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/o-chile-e-o-brasil/

Comentários
Nesse caso, o jornalista não dá a menor chance ao agredido: nenhuma de suas declarações é
reproduzida ou parafraseada. Os ataques se sucedem rapidamente, por meio da enumeração de defeitos,
erros, safadezas, crimes etc.

Observe como o jornalista, espertamente, incluiu entre os ataques a acusação de que o Presidente
"sataniza as oposições" – impedindo psicologicamente o leitor de perceber que ele próprio está
satanizando seu alvo de ataque.

Outros exemplos
1. "Sem saber atirar, Dilma Rousseff virou modelo de guerrilheira. Sem ter sido vereadora, virou
secretária municipal. Sem passar pela Assembleia Legislativa, virou secretária de Estado. Sem estagiar no
Congresso, virou ministra. Sem ter inaugurado nada de relevante, faz pose de gerente de país. Sem saber
juntar sujeito e predicado, virou estrela de palanque. Sem ter tido um só voto na vida, virou candidata à
Presidência." (Augusto Nunes.)

http://veja.abril.com.br/blog/augusto-nunes/direto-ao-ponto/radiografia-de-uma-fraude-fim-da-
edicao-de-bolso-o-pais-que-dilma-inventou-tem-ate-trem-bala/

2. Pode-se incluir como exemplo dessa técnica o quadro "As Meninas do Jô", do "Programa do Jô",
da Rede Globo, no qual Lúcia Hippolito, Lilian Witte Fibe, Cristiana Lôbo, Ana Maria Tahan e Flávia
Oliveira comentam criticamente tudo que se refira ao "outro lado", poupando convenientemente os
expoentes do "nosso lado".

A saraivada de golpes desferidos pelas cinco participantes, comandadas pelo não menos ácido Jô
Soares, corresponde a uma surra verbal sem precedentes na televisão brasileira, de enorme utilidade em
nossa luta política.

Os comentários depreciativos podem, depois, ser apoiados por jornalistas da Grande Mídia, como
Zuenir Ventura (As Meninas do Jô – embaixo na página), ...

http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos.asp?cod=341ASP002

... ou por blogueiros desconhecidos, de modo a divulgar essa tentativa semanal de esgarçar a imagem
pública do nosso maior adversário.
http://blogs.abril.com.br/umbandaastrologica/2009/04/otimo-programa-com-as-meninas-jo-
parabens.html

Sugestão irônica de mudança de rumo

Definição
Crítica direta a algum expoente do "outro lado", travestida de sugestão de algum rumo que seria mais
viável politicamente, do ponto de vista de seus interesses.

Exemplo
"E para não dizerem que não gosto do PT, vou dar uma mãozinha na candidata de Lula: para ter boa
votação, quanto menos Dilma Roussef aparecer na TV, mais votos ela terá." (Danuza Leão.)

http://danuzaleao.blogspot.com/2009/11/para-nao-esquecer.html

Comentários
A técnica baseia-se num conselho impossível de seguir, tirando seu maior efeito justamente dessa
impossibilidade: se o rumo não pode ser mudado, então o "outro lado" está perdido.

Depreciação classista

Definição
Depreciação do adversário, cujo conteúdo esconde o preconceito de classe e o orgulho de pertencer
às classes altas, de gosto apurado.

Exemplo
"Sempre se soube que a saudade de Fernando Henrique e dona Ruth Cardoso ia ser grande, mas não
dava para imaginar que fosse ser tão grande. O arraiá foi de uma breguice difícil de ser superada, mas não
vamos perder as esperanças: até o fim do mandato eles talvez consigam." (Danuza Leão.)

http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos.asp?cod=282ASP002

Comentários
O efeito visado por essa técnica é a humilhação do adversário, por meio de uma comparação em que
ele se sai mal, em todos os pontos de contraste. A associação do adversário com o povão inculto, a
breguice e o gosto popular soa bem, principalmente entre nossos apoiadores de cultura mais refinada.

Ataque a aliados do "outro lado"

Definição
Ataque direto a subgrupo, grupo ou indivíduo associado ao principal grupo representante do "outro
lado".

Exemplo
"É difícil vislumbrar sindicalistas, por exemplo, entre bancários, que sejam os melhores profissionais
de sua área. É natural: eles odeiam, ideologicamente, a idéia de banco, detestam seus empregadores
gananciosos e exploradores, nada entendem do negócio. Entendem de salários, carreiras, horas extras,
planos de saúde, aposentadorias, bônus, participações nos lucros e na administração, questões
trabalhistas." (Nelson Motta.)
http://zamoiski.blogspot.com/2009/01/os-bons-companheiros.html

Comentários
A luta pelo poder se faz entre grupos. Um grupo sempre comporta subgrupos, internamente, e grupos
associados, externamente. Assim, é importante minar subgrupos e grupos associados aos expoentes do
"outro lado" para debilitar o grupo dominante, humana e politicamente.

No exemplo acima, o jornalista atacou com propriedade um dos grupos associados aos donos do
poder federal, visando criar uma imagem depreciativa de seus membros aos olhos da sociedade.

A pluralidade de grupos e pessoas do "outro lado" representa uma oportunidade única de


diversificação de alvos de ataque, essencial tanto para evitar a indesejável impressão de mesmice e
redundância, quanto para atingir suportes importantes do poder político central.

Outro exemplo
Trecho de matéria online do jornal O Globo sobre o acidente de carro sofrido pelo cineasta Fábio
Barreto (Florença Mazza e Zean Bravo):

http://oglobo.globo.com/cultura/mat/2009/12/20/fabio-barreto-esta-internado-em-estado-grave-no-
rio-915296685.asp

Aqui temos um exemplo de ataque a um aliado individual, e não a um subgrupo. Os três links
internos oferecidos no final do longo texto levam a matérias críticas à pessoa que, então, estava em estado
grave no hospital. Repare que os links, por estarem sublinhados e numa cor diferente, destacam
visualmente o conteúdo dos trechos – e estes são os únicos conteúdos ressaltados em toda a matéria sobre
o acidente.

Uma verdade que as pessoas de fora do jogo da influência e do poder têm dificuldade de perceber ou
aceitar é que toda oportunidade deve ser aproveitada para atingir agentes da luta ou, como no caso,
aliados do "outro lado". Isso significa aproveitar armações óbvias, erros bobinhos, denúncias feitas por
indivíduos desqualificados e, até mesmo, situações trágicas.

Os três links redirecionam o pensamento do leitor, tirando-o da compaixão pelo estado do cineasta e
da solidariedade para com a família e levando-o a conteúdos que reforçam o "nosso lado" da luta.

Essa situação no plano individual equivale, no plano coletivo, à situação de aproveitamento


governamental de enchentes em bairros, incêndios em favelas, desmoronamentos em morros etc., para
obter benefícios como a remoção dos moradores visando à liberação do terreno para a especulação
imobilária ...

http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2009/12/15/kassab-fica-longe-de-areas-
atingidas

... ou o ataque concentrado e violento a autoridades tomadas como responsáveis pela tragédia
coletiva.
Ricardo Noblat x Sérgio Cabral:

http://oglobo.globo.com/pais/noblat/posts/2010/01/04/o-apagao-de-cabral-254426.asp

http://oglobo.globo.com/pais/noblat/posts/2010/01/01/quem-sabe-do-paradeiro-do-governador-
sergio-cabral-254152.asp

http://oglobo.globo.com/pais/noblat/posts/2010/01/05/os-politicos-o-feriado-254676.asp

http://201.7.176.88/pais/noblat/post.asp?cod_Post=254704

Ainda sobre esta técnica, uma outra eficiente exploração política:

"Fábio Barreto sofre acidente; saiba mais sobre o cineasta." (Folha Online.)

http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u669261.shtml

Lembre-se:

"Política é uma coisa muito cruel. Não tem paciência e solidariedade quanto se trata de disputa de
poder." (Leonardo Barreto, cientista político.)

http://www.jornaloimparcial.com.br/?p=1821

Editorial

Definição
Editorial que ataca direta e violentamente o "outro lado".

Exemplo
Editorial da Rede Band contra a mudança dos índices de produtividade das propriedades agrícolas,
que na sua parte final sugere que "milhões de produtores rurais" poderiam chegar ao extremo de ir "até o
gabinete de onde despacha um presidente que os abandonou completamente".

http://www.youtube.com/watch?v=H2cnB55K0Jg

Comentários
O final configura uma aplicação da técnica da previsão catastrófica.

A parte em que se afirma "[Lula] não age como presidente, mas como líder de um bando de
militantes que muitas vezes atuam como criminosos. Se Lula e seu MST levarem à frente essa bandeira
insensata estarão abrindo uma guerra no campo, que poderá se transformar em tragédia" exemplifica a
técnica de criminalização (na primeira frase) e, novamente, da previsão catastrófica (na segunda frase).

O editorial rende mais quando é inesperado. Os editorais de jornais são rotineiros e repetitivos; por
isso raramente são lidos. Quando o editorial entra durante uma programação normal de rádio ou TV, o
caráter de surpresa é um ponto a favor. A rádio BandNews, do mesmo grupo, costuma empregar essa
técnica, sempre no sentido dos nossos interesses.

Post-editorial

Definição
Post de blog redigido em forma de editorial, em que se ataca direta e violentamente o "outro lado".

Exemplo
"E aí, Lindinho? Nem sequer de leve vai censurar o governador Sérgio Cabral (PMDB) por ter
sumido nas primeiras 24 horas após o deslizamento de terras em Angra dos Reis? Ali morreram 44
pessoas. Lindinho é como chamam Lindberg Farias, prefeito de Nova Iguaçu, ex-aspirante a candidato do
PT ao governo. E, até outro dia, crítico de Cabral." (Ricardo Noblat, "O Apagão de Cabral".)

http://arquivoetc.blogspot.com/2010/01/ricardo-noblat-o-apagao-de-cabral.html

Comentários
Por se tratar de um post de blog, o texto tende a ser mais mais informal e até coloquial ("E aí,
Lindinho?").

Além desta técnica principal, várias técnicas foram aplicadas neste post-editorial: o apelido
pejorativo ("Lindinho"), atribuído manhosamente a outras pessoas ("é como chamam..."); o ocultamento
de fato prejudicial a pessoa protegida pelo "nosso lado" (o governador José Serra, além de não prestar
pronto atendimento nas enchentes de São Paulo, levou dois dias para visitar uma cidade histórica paulista
praticamente destruída pela chuva – São Luís de Paraitinga); e a criação de rótulo contaminado por
associação (o apagão de Cabral).

Trata-se, portanto, de mais um exemplo da metatécnica, ou empilhamento de técnicas, que visa criar
um ataque de efeito fulminante.
TÉCNICAS DE REPERCUSSÃO

As técnicas de repercussão baseiam-se no aproveitamento máximo dos vários aspectos de uma


notícia ou escândalo, visando estender a sua difusão no espaço e a sua validade no tempo.

Repercussão orquestrada

Definição
Produção exclusiva de conteúdo por um dos indivíduos ou órgãos do "nosso lado", seguida da
difusão imediata desse conteúdo (favorável ao PIG) por vários outros indivíduos e órgãos.

Exemplo
"No segundo destaque do G1, uma foto de José Serra com Arnold Schwarzenegger, que foi tirada
pela 'TV Globo', mas o 'JN' evitou reproduzir." (Nelson de Sá.)

http://www.mre.gov.br/portugues/noticiario/nacional/selecao_detalhe3.asp?ID_RESENHA=650756

Explicação
O governador de São Paulo, José Serra, encontrou-se com o governador da Califórnia, Arnold
Schwarzenegger, durante a Conferência do Clima em Copenhague. A foto exclusiva da TV Globo foi
reproduzida por jornais e portais brasileiros para produzir impacto visual e dar credibilidade ao texto
sobre o encontro.

Comentários
Não se trata de uma orquestração no sentido clássico, desenvolvida com base num comando central,
mas sim de uma previsível ação conjunta à distância, baseada na contribuição de vários meios midiáticos
e vários indivíduos interessados em explorar imediata e plenamente uma oportunidade de defesa dos
interesses do "nosso lado" ou de ataque ao "outro lado".

Desenvolvimento temático de armação

Definição
Aproveitamento de armação já divulgada para desenvolver tematicamente algum aspecto do seu
conteúdo, de modo a criar um enquadramento que reforce a denúncia.

Exemplo
"Indignado com a mistificação cinematográfica dos Barretos, César Benjamim relatou, em artigo
publicado pela Folha de S.Paulo, que Lula se gabou durante a campanha presidencial de 1994 de ter
tentado currar um 'menino do MEP', preso político com quem dividiu uma cela no Deops. O filme [Lula,
o Filho do Brasil] é uma curra consumada: a violação da narrativa canônica do PT e sua substituição por
uma história de cartolina na qual a redenção se identifica com a trajetória do líder providencial."
(Demétrio Magnolli.)

http://arquivoetc.blogspot.com/2009/12/demetrio-magnoli-uma-estatua-equestre.html

Comentários
O articulista aproveita a armação intitulada "Menino do MEP" para, valendo-se do sentido figurado
de "curra", atribuir o mesmo comportamento violador ao cineasta, estigmatizando assim o partido como
um antro de currados e praticantes de curra. O tema "curra", nas formas não consumada e consumada,
domina o parágrafo.
Observe como a versão (da "curra" não consumada) passa por fato e como a escolha imprópria da
palavra ("curra", um estupro coletivo) desvela a intenção consciente de aumentar a gravidade do suposto
crime.

O aspecto interessante da técnica está na volta do desenvolvimento sobre a sua própria base – ou seja,
o desenvolvimento temático é o responsável por dar à armação um status de verdade, ao criar um
enquadramento que leva o leitor a pensar: "É mesmo, há um tema recorrente por trás daquele primeiro
fato".

Vale lembrar aqui a lição dada na seção "Atitudes definidoras do PIG": o jogo do poder não é para
meninos (sem duplo sentido), mas para homens. Às vezes, ele exige a libertação total dos escrúpulos e
dos freios morais (como neste artigo), e o cometimento de atos dignos dos maiores vilões do cinema
estadunidense. Mas, ao final, compensa.

Responsabilização interesseira de autor da armação

Definição
Aproveitamento de uma denúncia não comprovada para, partindo do princípio de que ela é
verdadeira, incriminar o lado adversário.

Exemplo
"A quem interessa o grampo no TSE?" (post de Maurício Cardoso que desenvolve hipóteses sobre o
falso grampo no TSE, em 2006, e sugere a atribuição de autoria ao PT.)

http://blog.estadao.com.br/blog/eleicoes2006/?
title=a_quem_interessa_o_grampo_no_tse&more=1&c=1&tb=1&pb=1

Comentários
Vale a pena ler o post para aprender a técnica. Sucintamente, o jornalista dá a sua interpretação,
culpando o PT. Depois corrobora essa interpretação parcial reproduzindo um trecho do blog do então
prefeito carioca César Maia, que utiliza a mesma técnica: "[...] o pessoal do Lula queria flagrá-lo no
grampo em conversas que permitissem ao PT tirar proveito em caso de uma virada para o segundo turno.
Foi grampo do PT, certamente".

E vale também, aqui, ressaltar a necessidade de reprimir qualquer tipo de escrúpulo ao aplicar a
técnica, assim como rechaçar qualquer forma de submissão à ética do jornalismo. Acusar sem provas,
sem indícios, sem investigação, sem dar voz ao outro lado da questão – tudo isso faz parte legítima da
luta política, do jogo do poder como ele é jogado.

O ponto final da armação:


http://noticias.uol.com.br/ultnot/brasil/2006/09/26/ult1928u2778.jhtm

Explicação convincente da armação

Definição
Aproveitamento de uma armação flagrante para, por meios de argumentos supostamente
convincentes, desenvolver a hipótese de sua validade parcial ou total.

Exemplo
"Lembranças de César Benjamin." (Contardo Calligaris.)

http://contardocalligaris.blogspot.com/2009/12/lembrancas-de-cesar-benjamin.html
Comentários
O psicanalista (observe como o rótulo profissional atribui dignidade e importância à opinião)
aproveita a acusação de tentativa de estupro para validá-la em parte, usando essa base para fazer um outro
ataque ao alvo original da armação: "Quando fui embora, Mario me acompanhou até a porta e me disse:
'Pois é, a boçalidade não é uma prerrogativa de classe'."

Mensagem: "Pode não ser estuprador, mas é um boçal".

O artigo serve para ilustrar a importância da participação de outros profissionais que não os
jornalistas, isto é, de nossos aliados "de fora", na divulgação e repercussão de fatos (verdadeiros ou não)
do interesse do PIG. Cada um traz o seu ângulo e sua aura de autoridade, como fios que se ligam ao
centro e formam uma teia de alto poder coesivo na captura da mente do cidadão comum.

Enquete direcionada

Definição
Enquete proposta em portal, visando explorar algum fato desabonador para o "outro lado", a pretexto
de conhecer a opinião do leitor.

Exemplo
"O presidente Lula cobrou cautela do Ministério Público nesta terça (22) e afirmou que também 'é
preciso pensar na biografia de quem está sendo investigado'. O que você acha?" (Enquete do UOL.)

http://noticias.uol.com.br/enquetes/enquete.jhtm?id=6729

Comentários
Trata-se de uma técnica excelente para explorar qualquer deslize do adversário, por menor
importância que tenha o seu erro. A enquete é uma forma de repercussão de fatos do nosso interesse e de
implantação desse fato na memória do público, servindo notavelmente ao trabalho de formação de
consciência social.

A boa técnica de criação de enquetes sugere que a primeira opção oferecida seja aquela mais
favorável ao "nosso lado". Em seu trabalho, conte sempre com a preguiça e o imediatismo dos brasileiros.

Outro exemplo
"Resultado da enquete anterior: Lula disse sobre alianças: 'Não se trata de ter amigos ou não ter
amigos. Não se trata de ter afinidade ideológica ou não ter afinidade ideológica. Se trata do pragmatismo
da governança'. Você:

* Concordo com ele – 26.25%

* Discordo – 72.63%

* Não tenho opinião – 1.12%" (Ricardo Noblat.)

http://oglobo.globo.com/pais/noblat/posts/2009/12/23/nova-enquete-sua-vida-em-2009-252367.asp

Repare que o blogueiro deu destaque a uma afirmação de expoente do "outro lado" (e não do nosso),
já sugerindo sua condição de alvo. Repare também que a resposta "politicamente certa" (no sentido ideal,
não no sentido prático) está praticamente embutida na pergunta. Essa é a boa técnica das enquetes
direcionadas.

Rememoração de erros
Definição
Aproveitamento de nova situação para lembrar à opinião pública um erro semelhante cometido pela
mesma pessoa do "outro lado", no passado.

Exemplo
"Depois de dizer que renunciaria 'em caráter irrevogável' ao cargo de líder do governo no Senado por
causa do apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao presidente do Senado, José Sarney (PMDB-
AP), e não ter renunciado, o líder do PT no Senado, Aloizio Mercadante (SP), recuou em mais uma
declaração." (Rosa Costa, "Mercadante revoga declaração sobre Ciro Gomes".)

http://oglobo.globo.com/pais/noblat/posts/2009/12/22/lula-aprova-salario-minimo-de-510-
252070.asp

Comentários
Observe como a relação é forçada: "em caráter irrevogável" – "revoga". A relação não importa –
importa aproveitar a nova situação para "bater" de novo em quem atrapalha nossos interesses, não
deixando o público esquecer um erro eventual do adversário.

Enquadrar os novos erros nos erros antigos, usando uma categoria lógica (como "revogação"), por
mais forçada que seja, é especialmente útil porque o brasileiro tem facilidade de esquecer e de perdoar –
tendências culturais que às vezes atuam como obstáculos em nossa luta.

Como sempre acontece, outros expoentes do PIG aproveitam a deixa e desenvolvem o mote:

"Que divertido!

"O senador Aloizio Mercadante, aquele do 'irrevogável' revogável, revogou agora o que ele mesmo
dissera a uma rádio de Pernambuco." (Reinaldo Azevedo.)

http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/mercadante-e-ciro-os-irrevogaveis/

Exploração de crise

Definição
Aproveitamento de uma crise, mesmo que embrionária ou já extinta, para atacar o "outro lado".

Exemplo
"O governo vive, a despeito das negativas, uma crise militar. Que é muito mais grave do que se nota
à primeira vista. Ela foi originalmente pensada nas mentes travessas de Tarso Genro, ministro da Justiça,
e Paulo Vanucchi, titular da Secretaria Nacional de Direitos Humanos. Mas tomou consistência e corpo
nos cérebros não menos temerários da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), candidata do PT à
Presidência, e de Franklin Martins, ministro da Comunicação Social, hoje e cada vez mais o Rasputin
deste rascunho de czarina que pretende suceder Lula." (Reinaldo Azevedo, "Crise militar: seu nome é
Dilma Rousseff".)

http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/crise-militar-seu-nome-e-dilma-rousseff/

Comentários
Observe que um simples conflito de vontades, mediado pelo Presidente, é elevado ao status de crise
muito grave entre os Poderes, um desejo sempre ativo nas mentes do "nosso lado".

Exemplificando a metatécnica do empilhamento de técnicas, o blogueiro aproveita para criticar dois


expoentes do "outro lado", usando uma forma suave da técnica de atribuição de caráter reprovável
("mentes travessas"), depois usa a mesma técnica para atacar outros dois expoentes, um deles a candidata
do "outro lado" à Presidência ("cérebros não menos temerários"), e por fim utiliza a técnica de
denominação pejorativa, tanto para o ministro ("Rasputin") quanto para a ministra ("rascunho de
czarina").

Outro exemplo
"O ano de 2009 acabou com uma crise entre a área civil e a área militar do governo. O ano de 2010
começa com uma encrenca de bom tamanho exatamente entre essas duas áreas." (Eliane Catanhêde.)

http://gilvanmelo.blogspot.com/2010/01/eliane-cantanhede-um-na-mao-dois-voando.html

Perpetuação do ataque

Definição
Continuidade do efeito do ataque invalidado ou do escândalo desmontado, graças à divulgação do
fato pela internet.

Exemplo
a) O "escândalo".
"Cartão paga bailarinas para servidor da Casa Civil." (JB Online.)

http://noticias.terra.com.br/brasil/interna/0,,OI2650576-EI7896,00.html

Segundo a notícia, um servidor teria comprado o serviço de 20 bailarinas para, digamos, "uso
próprio", com um cartão corporativo da Casa Civil do Governo Federal.

b) A verdade dos fatos.

"Cinco dias depois de procurada pelo JB para explicar o pagamento de 20 bailarinas com cartão
corporativo de um de seus funcionários, a Casa Civil da Presidência da República divulgou ontem nota
afirmando que não se trata de 'de contrato de '20 moças'. Mas, sim, de 20 vasos com flores para
ornamento chamado de 'bailarina''".

http://congressoemfoco.ig.com.br/cf/noticia.asp?cod_canal=1&cod_publicacao=21371

Apesar do erro cômico do Jornal do Brasil (o gasto total tinha sido de R$100,00 pelas vinte
"bailarinas"), que rendeu manchetes nos principais órgãos do PIG (mais na denúncia que no desmentido),
ainda hoje encontram-se na Web várias páginas divulgando o fato como um escândalo do Governo Lula,
nas quais os internautas sentem-se estimulados a atacar o "outro lado.

"20 bailarinas com cartão corporativo?"

http://br.answers.yahoo.com/question/index?qid=20080302064745AAQGXxC

A história, na Wikipédia:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Esc%C3%A2ndalo_dos_cart%C3%B5es_corporativos

Comentários
Assim como este, muitos outros escândalos falsos, denúncias vazias de comprovação e ataques
precipitados a expoentes do "outro lado" estão à disposição de internautas incautos na Web,
especialmente dos mais jovens e daqueles com baixa cultura política. Esse material representa um reforço
valioso à nossa luta – lembre-se disso quando mais um escândalo falso for desmontado: um ataque
sempre vale pelo que ele consegue no presente e pelo que ele representará no futuro.

Obviamente, devemos aproveitar esse efeito natural de repercussão de informações desfavoráveis ao


"outro lado", incentivando a criação ou mesmo criando páginas que preservem os ataques passados, sem
nelas fazer menção ao desenvolvimento que revelou a falsidade das acusações.
Num certo sentido, a técnica poderia ser categorizada também como uma criação de fato porque ele
passa de um "fato real" a "fato falso", durante o período de repercussão, e depois a um "fato virtual",
existente somente no ciberespaço.
TÉCNICAS DE ESCANDALIZAÇÃO

"Escandalização" é a transformação de um fato trivial num escândalo político.

A escandalização é um dos objetivos mais importantes do PIG porque permite aproveitar ao máximo
as tendências do público no sentido dos nossos interesses. A saber:

. O gosto pela novidade.


. A própria noção de escândalo, de algo proibido ou pecaminoso – uma grave transgressão posta a nu.
. O choque da descoberta do lado oculto de uma pessoa ou grupo – a sensação de mistério decifrado.
. O desenvolvimento das revelações sórdidas sobre uma pessoa ou grupo.
. A novelização da realidade, com o desenvolvimento progressivo da intriga e do conflito.
. O exercício da indignação social, que contrapõe o cidadão decente e cumpridor de leis com seu
oposto.
. O usufruto de um foco socialmente aceitável de ódio.

A situação ideal é a criação de um escândalo-borracha, aquele que pode ser esticado indefinidamente
e ainda assim manter o apelo popular, permitindo o aproveitamento máximo de todas as situações
possíveis para o ataque ao "outro lado".

A escandalização, quando seqüencial, é a expressão concreta da estratégia de bater até minar o


adversário, de fazê-lo sangrar lentamente até que ele, simbolicamente, morra.

Crise forjada

Definição
Criação midiática de uma crise falsa, gerada pelo superdimensionamento de um problema, pela
atribuição indevida de responsabilidade ao "outro lado" ou por uma armação recebida com conivência
pela imprensa.

Exemplos
1. A crise do acidente com o Airbus da TAM (vôo 3045), que vitimou 199 pessoas em julho de 2007.
O avião chegou ao final da pista numa velocidade de 175 km/h, mas a mídia conseguiu passar à
opinião pública a impressão de que o grande culpado pela tragédia fora o governo federal.

A cronologia relativa ao acidente:


http://pt.wikipedia.org/wiki/Voo_TAM_3054

As manchetes da época:
http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=445IMQ001

O famoso artigo de Ali Kamel, em defesa do teste de hipóteses ("Na cobertura da tragédia da TAM, a
grande imprensa se portou como devia. Não é pitonisa, como não é adivinha, desde o primeiro instante
foi, honestamente, testando hipóteses, montando um quebra-cabeça que está longe do fim"):

http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos.asp?cod=445IMQ010

2. A crise do "grampo sem áudio".


Uma denúncia falsa de grampo no Supremo Tribunal Federal, corroborada pelo seu Presidente,
Gilmar Mendes, levou a uma crise institucional e a um "chamado às falas" do Presidente da República
pelo seu colega do STF.

http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2009/9/15/pf-encerra-investigacao-sem-
encontrar-grampo

Comentários
A primeira grande vantagem de uma crise forjada é que, sendo falsa, ela obriga o Governo a se
desgastar por algo que não fez, um estresse de imagem que se soma ao desgaste sofrido por tudo aquilo
que ele realmente é responsável.

A segunda grande vantagem é a possibilidade de explorar a crise durante dias ou semanas. Para isso,
entram em cenas especialistas, jornalistas, colunistas, parajornalistas, políticos, todos interessados na
oportunidade para aparecer na mídia e, muitos, na oportunidade de debilitar o "outro lado".

Exemplo de participação de especialistas:

"Dos dez especialistas ouvidos pela reportagem, sete afirmam que a aeronave sofreu aquaplanagem.
Esse problema acontece quando há lâminas de água na pista devido à chuva. A aeronave fica instável com
a falta de aderência das rodas ao solo. Com isso, o freio dos pneus pode simplesmente não funcionar –
não por culpa da aeronave, mas da pista." (Veja.)

http://veja.abril.com.br/250707/p_062.shtml

Repare que a revista não divulgou os nomes desses especialistas, que erraram em seu "chute".

Exemplo de exploração por jornalista:

"O presidente é o responsável." (Carlos Alberto Di Franco, Estado de S. Paulo.)

http://www.fazenda.gov.br/resenhaeletronica/MostraMateria.asp?page=&cod=392453

Exemplo de exploração por político:

"Para Serra, o grampo do STF mostra a 'existência de uma espécie de poder paralelo'. 'É um insulto à
democracia e instituições.'" (Cirilo Júnior.)

http://www.hojenoticias.com.br/brasil/serra-defende-restringir-utilizacao-de-grampos-somente-nas-
investigacoes/

Orquestração da escandalização

Definição
Estrutura completa de criação e aproveitamento de escândalos, integrada à atuação de expoentes da
mídia e à atuação política no Congresso.

Exemplo
http://quantotempodura.files.wordpress.com/2009/06/como_funciona_a_imprensa_brasileira.jpg

Comentários
O gráfico foi criado pelo "outro lado", mas reproduz com notável fidelidade a estrutura de vários
escândalos de nossa autoria e pode ser utilizado para dar uma idéia de quão abrangente é o efeito de um
escândalo bem construído.

Rodízio de escândalos

Definição
Criação seqüencial de escândalos, à semelhança de uma saraivada de golpes de um boxeador,
visando debilitar e sangrar o adversário até que vá "à lona".

Exemplo
A sucessão de escândalos criados pela mídia durante o Governo Lula, patrocinados especialmente
pela revista Veja, pela Folha de S. Paulo e por O Globo, e repercutidos pelos outros órgãos da Grande
Mídia.

Comentários
A técnica é útil para minar o "outro lado" e mantê-lo sempre na defensiva, mas também apresenta
aspectos questionáveis.

Primeiro, ela pode gerar cansaço na opinião pública porque as situações se repetem de modo muito
semelhante: o mesmo tom nas críticas, a mesma imprecisão nas denúncias, os mesmos políticos servindo
de auxiliares na acusação, os mesmos colunistas repercutindo o escândalo... e o mesmo fim frustrante,
gerado pelo abandono súbito de interesse da mídia e pelo deslocamento da atenção para o mais novo
escândalo.

Segundo, ela pode gerar a impressão de que a bandalheira é a regra na sociedade, o que atenua
paradoxalmente a carga de culpa dos acusados.

E terceiro, ela impede que se obtenham resultados máximos de cada um dos escândalos. Por vezes, os
próprios integrantes do PIG percebem esse efeito nocivo do rodízio. Exemplos:

. "Onde parou a investigação sobre a estranha ascensão da GameCorp de Fábio Luis, o Lulinha?
Esses, e tantos mais, superados por outros escândalos, são casos que se perderam no tempo." (Mary
Zaidan.)

http://oglobo.globo.com/pais/noblat/posts/2009/12/20/o-champanhe-da-impunidade-251504.asp

. "Castelo de Areia

"Como em quase todos os casos espetaculares precedentes, após o alarde inicial em que suspeitas da
PF ganham grande espaço, desdobramentos caem no limbo." (Carlos Eduardo Lins e Silva.)

http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=569VOZ001
TÉCNICAS DE CRIAÇÃO DE FATOS

As técnicas de criação de fatos introduzem um quê de ficção no jogo da influência e do poder, sem
revelar essa natureza à opinião pública.

Armação

Definição
Criação intencional de uma situação falsa, de natureza criminosa, que possa ser atribuída ao "outro
lado".

Exemplo clássico

http://vcrisis.com/?content=pr/200510300902

Comentários
A armação foi tão grosseira que mesmo aqueles que sempre apóiam denúncias sem base concreta
sentiram constrangimento ao repercutir o caso:

"A denúncia de que dinheiro de Cuba financiou a campanha do PT em 2002 é verossímil, embora
muita coisa não faça sentido na reportagem. Não faz sentido, por exemplo, que o então coordenador da
campanha presidencial fosse pedir conselhos a seu ex-assessor Rogério Buratti sobre como internar os
milhões de dólares que Cuba estaria colocando à disposição do PT." (Merval Pereira.)

http://www.eagora.org.br/arquivo/Verdades-e-verses/

A política brasileira é rica em armações; basta lembrar o uso extensivo de dossiês de que misturam
um e outro fato com várias mentiras cabeludas. Algumas armações rendem e "pegam" no adversário;
outras entram para a história da Política pela porta do gracejo, como os "dólares de Cuba" e o "grampo
sem áudio no STF" – embora esta última nos tenha trazido enormes benefícios.

"A verdade parcial – Recurso bastante utilizado no dossiê Cayman, ou na cobertura do caso
Chico Lopes, era juntar um conjunto de fatos, alguns não apenas inverídicos como inverossímeis, e outros
reais, porém secundários. A partir destes, concluir que o conjunto era real." (Luis Nassif, O Jornalismo
nos Anos 90.)

Claudio Tognolli conta, em seu livro Mìdia, Máfia e Rock'n'Roll (Editora do Bispo, 2007), que...
Outros exemplos
1. "O novo caderno dos sem-terra."

http://zerohora.clicrbs.com.br/zerohora/jsp/default2.jsp?
uf=1&local=1&source=a2660251.xml&template=3898.dwt&edition=13163&section=1015

http://cloacanews.blogspot.com/2009/09/os-escritos-secretos-achados-no-lixo-de.html

O misterioso caderno encontrado no lixo, em Porto Alegre, rendeu uma boa matéria contra um dos
grupos do "outro lado", embora tenha sido motivo de crítica e chacota.

http://cloacanews.blogspot.com/2009/09/os-escritos-secretos-achados-no-lixo-de.html

2. "Laços explosivos

"Documentos secretos guardados nos arquivos da Abin informam que a narcoguerrilha colombiana
Farc deu 5 milhões de dólares a candidatos petistas em 2002." (Policarpo Junior.)

http://veja.abril.com.br/160305/p_044.html

3. "Investigação conduzida pela Polícia Federal desde maio de 2006 concluiu nesta semana tratar-se
de uma 'armação' o conjunto de documentos que apresentam autoridades brasileiras, entre as quais o
presidente Luiz Inácio Lula da Silva, como donas de vultosas contas bancárias no exterior.

"Ao fechar o inquérito relacionado ao caso, a PF indiciou sob a acusação de crime de calúnia,
enquadrado na Lei de Imprensa, o banqueiro Daniel Dantas, do Opportunity, e o executivo Frank Holder,
ex-diretor da Kroll, multinacional que atua na área de investigação." (Andrea Michaels.)

http://www.conjur.com.br/2007-dez-15/pf_indicia_daniel_dantas_acusacao_calunia

Aproveitamento de armação

Definição
Desenvolvimento de armação por meio da exploração de possibilidades que possam acuar o "outro
lado" e impor-lhe a necessidade de defesa, ou por meio de qualquer outra providência que estenda a
duração da armação e o desgaste aos interesses da parte atacada.
Exemplo
"Benjamin diz, vejam post anterior, que outras pessoas presenciaram a confissão. É grave o que ele
escreve? É, pouco importa o ângulo pelo qual se olhe a coisa, e certamente causará surpresa a muitos que
Lula não queira levá-lo aos tribunais."

[...]

"Tal postura corre o risco de alimentar aquela máxima de que 'quem cala consente'." (Reinaldo
Azevedo.)

http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/%E2%80%9Cloucura-psicopatia%E2%80%9D-reage-o-
planalto-mas-lula-nao-vai-processar-benjamin/

Comentários
Uma armação não é boa apenas em si mesmo, mas é boa principalmente pelos desenvolvimentos que
possa acarretar. Observe a lógica do exemplo acima: uma pessoa é acusada de ato gravíssimo, sem
provas. O primeiro desenvolvimento é a imposição de resposta: a negação do fato. Depois, colunistas e
comentaristas buscam formas de manter a armação na mídia – no caso, o blogueiro tenta espertamente
impor ao adversário o desgaste prolongado de um processo judicial, que lhe daria (e ao PIG) munição por
meses, fazendo do responsável pela armação um possível astro para o "nosso lado".

É a atitude correta: tentar lucrar de todos os lados, ou seja, havendo ataque ou defesa; confirmação ou
negativa; uma atitude de enfrentamento ou de desconsideração.

1. Um comentário feito ao próprio post acima revela essa estratégia:

"Teo disse:
"novembro 27, 2009 às 4:33 pm
"Grande Reinaldo,

"Torço para que seja o começo do fim!!

"Tomara que essa história tenha muitos desdobramentos e se possível até bate-boca, que ganhe
manchetes e editoriais!!

"Torço sinceramente, quero ver desdobramentos!"

2. "Cada peça do dossiê era apresentada como uma suspeita. Cabia à parte contrária desmentir a
suspeita. Desmentida, apresentava-se uma nova suspeita, em uma relação infindável que só encerrou
quando se comprovou cabalmente o trabalho de falsificação." (Luis Nassif, O Jornalismo dos Anos 90.)

Esta é a boa técnica: o ataque a conta-gotas, dosando a quantidade e milimetrando o timing, o


momento certo de voltar à ofensiva.

3. "Notícia sobre o grampo


"Não acredite no jornalista que, ao mencionar determinadas gravações, use adjetivos tonitruantes
para qualificá-las ('explosivas', 'impactantes'), mas não mostre nem a cobra nem o pau. Só acredite nos
trechos entre aspas, e só acredite naquilo que você está lendo. Se o trecho mencionado não significar nada
para você, é porque não tem significado algum mesmo. Qualquer conclusão que a matéria apresente, que
não for aquela que você pode tirar objetivamente da frase entre aspas, é cascata. Se os trechos do 'grampo'
que foram publicados não tiverem importância, é porque o que não foi publicado tem menos importância
ainda." (Luis Nassif, O Jornalismo dos Anos 90, edição do autor.)

Inverta tudo que o jornalista escreveu (o que ele critica é o que deve ser feito) e você terá a boa
técnica de aproveitamento dos grampos.

4. "O próprio presidente Lula deve ser chamado às falas." (Gilmar Mendes.)
http://www.estadao.com.br/nacional/not_nac233437,0.htm

Aqui temos o Presidente do Supremo Tribunal Federal partindo para um ataque inédito na história da
República e decretando sozinho "um quadro preocupante de crise institucional", sem o menor cuidado de
investigar primeiro os fatos – que, mais tarde, revelaram ser uma armação sem nenhuma prova concreta.

O aproveitamento da armação tanto pode ser consciente (a maioria dos casos) quanto inadvertido
(este caso). Em se tratando de armação, qualquer desenvolvimento é bom, e quando ele envolve uma das
maiores autoridades da República e a traz para o "nosso lado", o resultado merece comemoração.

A propósito, em nosso meio a armação do "grampo sem áudio", pelos seus efeitos práticos e pela total
ausência de sustentação da denúncia, é considerada a mais bem-sucedida armação da mídia nacional nos
últimos tempos – muito, graças à participação inesperadamente radical (não diremos "tresloucada" por
respeito ao nosso aliado) do presidente do STF.

Armadilha política

Definição
Situação artificialmente criada com o objetivo de enfraquecer ou atingir o "outro lado".

Exemplo clássico
A vaia recebida pelo Presidente Lula durante a cerimônia de abertura dos Jogos Pan-Americanos do
Rio em 2007, atribuída, tanto em nosso meio quanto fora dele, ao então prefeito César Maia.

O ensaio da vaia, no dia anterior:

http://www.youtube.com/watch?v=nOihoP-MpP8

Comentários
Esse momento histórico nos traz uma lição importante, nem sempre compreendida por quem não
participa do jogo da influência e do poder: trair é natural. E quanto mais surpreendente for a traição, mais
eficiente ela será.

O Presidente havia garantido a realização do Pan com a injeção de verba extra por causa dos atrasos e
do superfaturamento das obras. Deu ao prefeito a maior realização de sua carreira e o poupou do maior
vexame. E o homem que salvou esportivamente o Pan acabou sendo humilhado publicamente pelo
homem que havia salvo politicamente. Em política, isso não se chama ingratidão chocante, mas esperteza.

Dois anos depois, o homem que foi humilhado no Maracanã chorou ao comemorar a maior conquista
da história do Rio, o direito de sediar as Olimpíadas de 2016, iniciativa bancada por ele com o risco da
própria imagem política. E os principais jornais do mundo comentaram a roubalheira do Pan em 2007,
agora permanentemente associada àquele que o traiu.

Esta é outra lição importante: em política, há tantas traições quanto voltas.

Mais uma: repare que o Presidente não se vingou da população do Rio; pelo contrário, deu-lhe um
presente inesquecível, com a sua dedicação ímpar ao objetivo. Vingou-se, sim, em alta classe, de seu
adversário político. A lição é esta: jamais devemos agredir os principais apoiadores de nossos objetivos e
de nossas jogadas (a opinião pública).

Previsão de derrota definitiva


Definição
Afirmação ou sugestão de derrota definitiva e inevitável do "outro lado", sustentada por fatos ou
indícios do presente.

Exemplo clássico
a) A previsão.

"Diogo Mainardi e o blogueiro de VEJA on-line conversam sobre os resultados da eleição deste
domingo [1/10/2006].
"Mainardi: 'Já estou sentindo saudade do Lula. Coitado do Lula, acabou o Lula'
"[Reinaldo] Azevedo: 'Já sabemos uma coisa com certeza, metade do país não quer saber dele'"

http://veja.abril.com.br/idade/podcasts/mainardi/index-2006.shtml

b) O fato.
O Presidente foi reeleito no segundo turno com 60,83% dos votos válidos.

Comentários
O importante da previsão não é a ocorrência ou não do fato futuro, mas o efeito da previsão no
presente, na consciência do receptor. Toda notícia é um instrumento de manipulação das emoções e das
idéias do leitor, ouvinte ou espectador, pouco importando a sua fidelidade ou não ao passado e ao futuro,
e sim o seu efeito presente.

Outros exemplos
1. "José Dirceu não caiu naquele momento [fevereiro de 2004], mas desde então Lucia vem
acompanhando de perto as manobras do Planalto para colar os cacos. Esforços frustrados que, somados a
novas acusações de corrupção, perda do controle da agenda política, derrota em eleições municipais e
implosão da base aliada, fazem a autora [Lucia Hippolito] afirmar que o governo Lula, que tomou posse
em janeiro de 2003, acabou 'antes da hora'." (Previsão presente no livro Por Dentro do Governo Lula.)

2. "Ainda mais porque fica a cada dia também mais claro que o único cimento capaz de unir o PT à
base aliada do governo é Lula. Sem ele, e com a crise econômica se tornando realidade, é cada um por si,
e todos contra o PT." (Merval Pereira.)

http://arquivoetc.blogspot.com/2008/12/merval-pereira-o-futuro-do-pt.html

3. DILMA FRITA

"Se a ministra Dilma Rousseff for submetida a outra cenografia como a de Copenhague, talvez possa
disputar uma vaga de vereador em Muriaé. Ela teve que disputar câmeras com Carlos Minc, prestígio com
Marina Silva e tribuna com Lula. Só faltou disputar o salto em distancia com Maurren Maggi." (Elio
Gaspari.)

http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2009/12/20/mao-de-gato

4. "Há três importantes novidades no cenário da eleição presidencial de 2010:


1) Pela primeira vez em 21 anos (cinco eleições consecutivas), o nome de Luiz Inácio Lula da Silva
não estará no páreo. Não haverá também um candidato 'de esquerda' competitivo no cardápio eleitoral."
(Fernando Canzian.)

http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2009/12/30/sucesso

Aqui, trata-se de uma versão atenuada da derrota definitiva. Pouco menos de um ano antes da eleição,
o colunista afirma um fato futuro muito favorável ao "nosso lado" ("não haverá um candidato de esquerda
competitivo"), sem nenhum respeito à dinâmica dos fatos. O importante, como sempre, não é o acerto ou
engano da previsão, mas a eficácia da impressão imediata causada pela leitura.

Previsão noticiada como fato

Definição
Afirmação, geralmente em manchete, de fato possível mas ainda não confirmado, por se situar no
futuro.

Exemplo
a) A previsão.
"RC: Produção de carros no país vai recuar 6% neste ano." (Miriam Leitão, 29/7/2009.)

http://oglobo.globo.com/economia/miriam/posts/2009/07/29/rc-producao-de-carros-no-pais-vai-
recuar-6-neste-ano-209411.asp

b) O fato.
"A venda de carros no mercado interno fechou o ano com um número inesperado: 3.141.000
automóveis.

"Para um ano que começou em ponto morto, foi uma arrancada: 11% sobre 2008." (Miriam Leitão,
5/1/2010.)

http://gilvanmelo.blogspot.com/2010/01/miriam-leitao-ritmos-diferentes.html

Comentários
Observe que a jornalista não se valeu da locução tecnicamente correta "pode recuar", preferindo a
forma incisiva e determinante "vai recuar". Uma previsão tornou-se fato na manchete, de modo a criar o
efeito desejado: o desânimo nos apoiadores do "outro lado".

Ao mesmo tempo, ela eximiu-se de responsabilidade ao atribuir a previsão a outrem (a RC


Consultores), precavendo-se de possível crítica direta. A jornalista ainda teria, guardada na manga, caso
confrontada com os fatos (houve aumento significativo na produção automobilística), a desculpa do
"dever jornalístico de informar".

http://festivaldebesteirasnaimprensa.wordpress.com/2009/12/18/miriam-e-rc-consultores-outro-erro-
grosseiro-na-previsao-da-venda-de-automoveis/

Outros exemplos
1. a) A previsão.
"Desemprego vai continuar subindo nos próximos meses." (Miriam Leitão.)

http://oglobo.globo.com/economia/miriam/posts/2009/04/24/desemprego-vai-continuar-subindo-nos-
proximos-meses-180074.asp

b) O fato.
A partir de maio (inclusive), a taxa caiu em 6 dos 7 meses seguintes, até novembro:
http://festivaldebesteirasnaimprensa.wordpress.com/2009/12/18/miriam-leitao-erros-grosseiros-no-
indicador-de-desemprego/

2. a) A previsão.
"RC: Ibovespa com 45 mil pontos no fim do ano."

http://oglobo.globo.com/economia/miriam/posts/2009/07/29/rc-ibovespa-com-45-mil-pontos-no-fim-
do-ano-209567.asp

b) O fato.
"Bovespa tem alta de 0,16%, para 67.176 pontos." (Valor Online, 18/12/2009.)

http://oglobo.globo.com/economia/mat/2009/12/18/bovespa-tem-alta-de-0-16-para-67-176-pontos-
915270642.asp

"Bolsa brasileira tem a maior alta do mundo após a crise." (Felipe Frisch, Fabiana Ribeiro e Mariana
Schreiber.)

http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2009/12/31/bolsa-brasileira-tem-a-maior-
alta-do-mundo-apos-a-crise

Pensamento desejoso

Definição
Transformação de desejo pessoal em fato por meio da projeção de um futuro ruim para o "outro lado"
(1), ou de futuro bom para o "nosso lado" (2).

Exemplo 1
"Do Brasil, pelo menos, Chávez não tem motivo de queixa. Lula chegou a ceder a embaixada
brasileira em Honduras para uma jogada política de nenhum interesse para o Brasil, mas útil para o
projeto de influência regional de Chávez. O lance não deu certo e o custo do fiasco, tudo indica, ficará
para Brasília." (Rolf Kuntz.)

http://arquivoetc.blogspot.com/2009/12/rolf-kuntz-dois-presentes-para-hugo.html

Exemplo 2
"Se o mensalão do DEM ficar circunscrito aos políticos locais apanhados nos vídeos já apresentados,
o impacto sobre a disputa presidencial de 2010 será zero ou muito perto disso." (Fernando Rodrigues.)

http://gilvanmelo.blogspot.com/2009/12/fernando-rodrigues-insignificancia-de.html

Comentários
"Pensamento desejoso" é tradução da expressão inglesa "wishful thinking".

A técnica é simples: basta imaginar uma situação favorável ao "nosso lado" e projetá-la no futuro,
sustentando a quase inevitabilidade de sua concretização por causa de alguns indícios do presente. Não se
deve considerar nenhuma evolução alternativa entre o presente e o futuro, nenhuma possibilidade de fato
novo, reviravolta inesperada etc.
Ao contrário da técnica da previsão catastrófica, o "fato" futuro é de natureza medianamente grave,
mas não destruidora para o "outro lado", no tipo 1, e de natureza tranqüila, não ameaçadora para o "nosso
lado", no tipo 2 da situação.

Quando o desejo expresso não se realiza, é possível perceber a decepção em quem o acalentou. Um
exemplo:

"O Datafolha revela que o desgaste da revogação da renúncia 'irrevogável' à liderança do PT não foi
bastante para ferir de morte o mandato de Aloizio Mercadante.

"Candidato à reeleição, o petista Mercadante mantém-se na liderança da disputa em São Paulo.


Amealhou na pesquisa 32% das intenções de voto." (Josias de Souza.)

http://josiasdesouza.folha.blog.uol.com.br/arch2009-12-01_2009-12-31.html#2009_12-
21_05_16_47-10045644-0

É uma forma de pensamento desejoso achar que uma declaração infeliz seja o 'bastante para ferir de
morte' o mandato de um parlamentar. Quando isso não acontece (ao contrário, quando ele mantém uma
posição de destaque), a decepção revela-se por inteiro no modo como o jornalista redige a triste
constatação. É como se estivesse dizendo: "Puxa, todo aquele trabalhão que tive, para nada..."

Mentira devastadora

Definição
Mentira noticiada geralmente com o objetivo de causar sério dano ao "outro lado".

Exemplo clássico
a) A mentira.
O caso do "grampo sem áudio" (ou melhor, da transcrição de conversa sem grampo e sem áudio),
noticiado pela revista Veja: "A Abin gravou o ministro." (Policarpo Junior e Expedito Filho.)

http://veja.abril.com.br/030908/p_064.shtml

b) A revelação da mentira.
"Perícia descarta prova de suposto grampo no STF." (Folha de S. Paulo.)

http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u494000.shtml

Comentários
Em si mesma, a mentira é uma das técnicas jornalísticas mais utilizadas no jogo do poder. É o
curinga das técnicas. Pode-se mentir sobre a fonte, a relação do jornalista com a fonte, a motivação do
acusador, a relação do jornalista com o acusador, os interesses do órgão da mídia na acusação, a crença
do jornalista na própria acusação, e em tantos outros pontos do nosso trabalho.

Em todos os casos, o jornalista sabe que se trata de mentira e veicula a mentira visando prejudicar o
"outro lado".

No exemplo acima, a mentira provou ser devastadora porque gerou uma crise institucional entre o
Presidente do Supremo Tribunal Federal e o próprio Presidente da República. Não importa que, ao final,
ela mostrou sua verdadeira natureza. Enquanto foi usada no jogo político, prestou-se por colocar o "outro
lado" na defensiva, causou danos no grupo adversário e serviu para intimidar autoridades e mostrar o
nosso poder de fogo.
Mentirinha

Definição
Mentira noticiada geralmente com o objetivo de atacar o "outro lado", mas que não produz dano
considerável ao adversário.

Exemplo
"Procuram-se

"Os 'comentaristas da grande imprensa' que, segundo Lula, criticariam as merdas por ele ditas, na
verdade ficaram calados. Ou não existem." (Cláudio Humberto.)

http://www.hojeemdia.com.br/cmlink/hoje-em-dia/claudio-humberto-1.12113/depois-da-raposa-do-
sol-a-reserva-da-lua-1.50971

Comentários
A técnica vale pelo efeito da leitura imediata. Se o leitor estiver disposto a verificar os fatos (calcule
que 90% não estarão), a mentirinha é logo identificada. No caso acima:

. Dora Kramer: http://gilvanmelo.blogspot.com/2009/12/dora-kramer-liturgia-do-chulo.html


. Eliane Catanhêde: http://gilvanmelo.blogspot.com/2009/12/eliane-cantanhede-dia-de-cao.html
. Carlos Heitor Cony: http://portal.rpc.com.br/gazetadopovo/colunistas/conteudo.phtml?
tl=1&id=954926&tit=O-palavrao-do-general
. Jânio de Freitas: http://fontanablog.blogspot.com/2009/12/janio-de-freitas-folha-de-sao-
paulo_16.html
. Reinaldo Azevedo: http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/lula-do-%E2%80%9Cpovo-na-
merda%E2%80%9D-ao-%E2%80%9Cpovo-de-merda%E2%80%9D/
. Josias de Souza: http://josiasdesouza.folha.blog.uol.com.br/arch2009-12-01_2009-12-
31.html#2009_12-10_20_35_11-10045644-0

Ficção assumida

Definição
Texto assumidamente ficcional em que o autor se libera para imaginar as piores maldades contra um
alvo do "outro lado", justamente por não ter compromisso com a realidade.

Exemplo
"A manhã de janeiro em que Lula acordou invocado." (Augusto Nunes.)

http://veja.abril.com.br/blog/augusto-nunes/direto-ao-ponto/a-manha-de-janeiro-em-que-lula-
acordou-invocado/

Comentários
A técnica é útil não só porque permite colocar o alvo nas situações mais constrangedoras, mas
também porque estimula o riso sarcástico e corrosivo e alivia um pouco o peso dos textos agressivos de
não-ficção, que constituem a principal arma de luta nos meios impressos, especialmente no caso dos
colunistas e parajornalistas.

Ao optar pela ficção e pelo humor, o jornalista se livra também da possibilidade de processos
judiciais, não importa quão longe ele se deixe avançar no território da Sombra.

Outros exemplos
1. "Sucessor perfeito é forjado a frio no porão do Planalto." (Josias Souza.)

http://josiasdesouza.folha.blog.uol.com.br/arch2009-11-01_2009-11-30.html#2009_11-
14_16_43_53-10045644-25
2. "A tarde de janeiro em que Zelaya resolveu cair fora da pensão." (Augusto Nunes.)

http://veja.abril.com.br/blog/augusto-nunes/direto-ao-ponto/a-tarde-de-janeiro-em-que-zelaya-
resolveu-cair-fora-da-pensao/

Mentira deslavada

Definição
Afirmação evidentemente inverídica, mas transmitida como fato para fortalecer alguma posição do
"nosso lado".

Exemplo
"A equipe de Dilma Rousseff considera a ferramenta [o Twitter] essencial para o sucesso da
candidatura da ministra. Seus marqueteiros recrutaram Ben Self, um dos operadores da campanha virtual
de Obama. Serra, que é um fervoroso tuiteiro, ainda não se mexeu nesse campo com objetivos eleitorais,
mas pode-se esperar para breve uma ardente disputa entre eles na arena digital." (Alexandre Oltramari,
revista Veja.)

http://arquivoetc.blogspot.com/2009/12/o-que-se-esta-falando-dos.html

Comentários
Um político assíduo no Twitter (José Serra) e que não esteja fazendo exatamente a divulgação que
deseja, segundo seus objetivos eleitorais – isso existe? O jornalista sabe que não, mas precisa fazer o
contraste favorável ao candidato do "nosso lado", portanto é politicamente válida a afirmação
objetivamente falsa.

Outro exemplos
1. Carlos Alberto Sardenberg, na CBN:

A capa tem a manchete "Brazil decola". Os outros títulos não se referem ao Brasil. O jornalista foi
feliz também ao inverter a ordem do conteúdo: primeiro ressaltou "problemas" para depois reconhecer
"virtudes". Na matéria da capa, a ênfase recaiu sobre os avanços do país, com algumas ressalvas quanto
aos problemas.

2. "Provavelmente justifica-se por aí a vagarosa caminhada da ministra Dilma Rousseff que, segundo
prognósticos feitos por especialistas, por aliados e adversários políticos, chegaria ao fim do ano com 30%
nas pesquisas. Está com 23%. Se vai ou não deslanchar, só o começo do jogo de verdade dirá. Assim
como vai dizer se a vantagem de José Serra é só produto da memória ou se é de fato fruto da vontade do
eleitor." (Dora Kramer, 22/12/2009.)

http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2009/12/22/acumulo-de-capital
Para justificar a afirmação falsa de "vagarosa caminhada", a colunista pegou o mais alto índice
esperado pelos aliados e tomou-o como único prognóstico, atribuindo-os também aos especialistas e aos
adversários políticos. O verdadeiro prognóstico:

"Imaginara-se que, carregada nos ombros de Lula, Dilma chegaria ao Natal com índices oscilando
entre 20% e 25%. Os mais otimistas falavam em 30%.

"A candidata coleciona, porém, entre 15% e 17%. Aguarda-se pela aferição da exposição
proporcionada a Dilma na última propaganda televisiva do PT." (Josias de Souza, 19/12/2009.)

http://josiasdesouza.folha.blog.uol.com.br/arch2009-12-01_2009-12-31.html#2009_12-
19_04_26_01-10045644-0

Observe que a técnica permitiu transformar um sucesso em fracasso: o prognóstico básico se


confirmou, a previsão mais otimista não. Toma-se, então, a previsão mais otimista como referência e
compara-se esse prognóstico com o índice real.

3.

http://jbonline.terra.com.br/editorias/pais/papel/2008/06/08/pais20080608007.html

Não há uma menção sequer ao PT na matéria. O governo é do PSDB.

4. "Separatistas se armam na Bolívia em movimento que traz ameaças ao Brasil." (Leonardo


Valente.)

http://oglobo.globo.com/mundo/mat/2007/04/28/295556845.asp

A matéria foi ridicularizada como propaganda ideológica em reportagem do Miami Herald:

"This year's scariest yarn was given credence by O Globo, one of neighboring Brazil's largest
newspapers. It quoted an anonymous Santa Cruz state official as bragging that a 12,000-strong anti-
Morales militia was hidden in the jungle, awaiting the proper moment.

The newspaper's reporter never saw any militia, and no evidence has emerged to support any of the
gossip."

"O repórter do jornal [O Globo] não viu nenhuma milícia, e nenhuma evidência surgiu para dar
sustentação a qualquer desses boatos."

http://www.mre.gov.br/portugues/noticiario/nacional/selecao_detalhe3.asp?ID_RESENHA=380326

Repare como aqui também foi aplicada a técnica da previsão catastrófica, associada a governo
simpático ao do Presidente Lula.

5. "Quanto a Daniel Dantas, estou entre aqueles que acham que ele deve ser culpado de alguma coisa.
Mas, para impor-lhe uma sanção, é necessário antes demonstrar que ele cometeu um crime. Igualmente
importante, é preciso fazê-lo sem violar nenhuma garantia processual. O ímpeto quase religioso com que
alguns de seus algozes o caçavam (até o nome escolhido para a operação da PF, Satyagraha, que significa
"firmeza da verdade" em sânscrito, tem algo de teológico) sugere que o Judiciário atue com o máximo de
cautela. Como boa parte do PIB brasileiro está envolvida nessa história, é difícil imaginar que não houve
influências políticas e econômicas." (Helio Schwartsman.)
http://www1.folha.uol.com.br/folha/pensata/helioschwartsman/ult510u672479.shtml

A técnica está presente em "é necessário antes demonstrar que ele cometeu um crime." O colunista
faz essa afirmação sobre um banqueiro condenado a 10 anos de prisão ...

http://noticias.pgr.mpf.gov.br/noticias-do-site/criminal/justica-federal-condena-daniel-dantas-a-10-
anos-de-prisao-por-corrupcao/

... processado por elaboração de dossiê falso, gravado em conversas nas quais planeja ou comanda
atos criminosos, denunciado pela própria revista Veja (hoje um de seus principais aliados) como fonte de
dossiê incriminador de autoridades, punido com o bloqueio de bilhões de dólares no exterior ... Tem mais,
é só procurar.

Há outras técnicas dignas de estudo no parágrafo. Repare na suavidade de "culpado de alguma


coisa". Repare na defesa da principal tese do banqueiro condenado: "sem violar nenhuma garantia
processual". Na atribuição de intenção reprovável ("ímpeto quase religioso com que alguns de seus
algozes o caçavam"). No chamado ao Judiciário ("sugere que o Judiciário atue com o máximo de cautela).
Na atribuição indevida de responsabilidade ("houve influências políticas e econômicas") – sem provas,
porque quem acusa, segundo um dos princípios do PIG, não precisa provar nada. Acusações genéricas são
perfeitas, nesse caso ("boa parte do PIB brasileiro").

Essa acumulação de ataques e defesas é um exemplo perfeito da metatécnica intitulada empilhamento


de técnicas, um recurso muito eficiente para desnortear o leitor, que não sabe como responder
criticamente a tantas afirmações capciosas, inverídicas, distorcidas, e acaba aceitando uma ou outra, para
a felicidade do "nosso lado".

Desenvolvimento de mentira deslavada

Definição
Desenvolvimento da mentira deslavada divulgada pela mídia, em forma de desmentido, comentário,
explicação, ou apoio ou ataque a quem foi o responsável pela mentira.

Exemplo
"Lula nega que tenha falado em fechar Congresso." (Bob Fernandes.)

http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI1143248-EI6578,00.html

Comentários
O menor desenvolvimento possível de uma acusação é a resposta do adversário, afirmando a sua
inocência. Por uma questão de precisão jornalística, mesmo nos órgãos não associados ao PIG a acusação
deve constar da nova manchete que veicula o desmentido. Com isso, garante-se uma sobrevida à mentira
e uma nova possibilidade de fixação da denúncia na mente dos leitores. É o caso do exemplo acima.

Hipótese absurda

Definição
Proposição de um fato absurdo que poderia ter acontecido (mas felizmente não aconteceu) por causa
de imperícia, ganância ou perversidade do "outro lado".

Exemplo
"Nessa linha, de fato, o Brasil e o mundo devem tudo a Lula. Sejamos gratos a ele por não ter
explodido o mundo a quatro mãos com o tarado atômico do Irã, seu chapa. Obrigado, companheiro."
(Guilherme Fiúza.)

http://colunas.epoca.globo.com/guilhermefiuza/2009/12/26/o-super-homem-do-ano/

Comentários
O blogueiro agradece ao Presidente Lula porque ... bem, vocês leram. Esta é a essência da técnica:
responsabilizar o adversário pela quase-ocorrência de um fato absurdo.

A técnica não deve ser empregada por jornalistas e colunistas sérios porque poderiam ficar marcados
como seres incapazes do uso do raciocínio lógico e realista. Trata-se de um artifício radical de humor,
próprio da linha auxiliar do "nosso lado", aquela de quem a opinião pública admite quase tudo por não ter
a obrigação de fidelidade aos fatos e à lógica.
TÉCNICAS DE CRIAÇÃO DE IMPRESSÃO

O objetivo do uso das técnicas de criação de impressão é transmitir à opinião pública uma impressão
sobre um fato, mais harmonizada com os interesses do comunicador do que com a realidade que ele
afirma comunicar.

Relato parcial de fato de bastidores

Definição
Relato parcial de um fato ocorrido nos bastidores (portanto, inacessível à maioria das pessoas),
moldado segundo os interesses do divulgador.

Exemplo
"O primeiro.

"A anunciada desistência de Aécio foi comunicada por ele mesmo ao governador paulista José Serra,
em telefonema a Copenhague. Serra ficou confuso, balbuciou qualquer coisa e desligou o telefone."
(Cláudio Humberto.)

http://www.hojeemdia.com.br/cmlink/hoje-em-dia/claudio-humberto-1.12113/cupula-do-turismo-
sob-investigac-o-1.53486

Comentários
O acesso quase exclusivo à situação (ou às poucas testemunhas da situação) dá ao jornalista a
autoridade necessária para afirmar categoricamente que tal ou qual fato ocorreu exatamente daquele jeito:
aquelas palavras, aquela expressão facial, aquela interação, aquele significado.

O processo é simples: o autor do texto escolhe a impressão que deseja transmitir, depois seleciona ou
interpreta os fatos de seu conhecimento, de modo a veicularem a impressão desejada.

Como a maioria dos fatos na política ocorre nos bastidores, essa técnica é de extrema utilidade na
luta pelo poder e encontra guarida quase diária nas colunas dos comentaristas nacionais.
TÉCNICAS DE DENOMINAÇÃO

As técnicas de denominação baseiam-se na escolha de um nome cuja carga conceitual estimule


reações emocionais fortes na opinião pública, no sentido dos nossos interesses.

Denominação pejorativa

Definição
Atribuição de condição reprovável ou de epíteto pejorativo a pessoa, grupo ou instituição que se
deseja criticar.

Exemplo
"O comissário Fontana e o habeas corpus." (Elio Gaspari.)

http://oglobo.globo.com/pais/noblat/post.asp?
t=o_comissario_fontana_o_habeas_corpus&cod_post=113782&a=111

Comentários
A qualificação pejorativa "comissário", em substituição à denominação objetiva "deputado federal",
indica a intenção de distorcer o fato no sentido das opiniões do jornalista.

A utilidade dessa técnica vem do prazer perverso de ridicularizar o outro e da facilidade de


disseminação da qualificação pejorativa. Pense em termos como "petralha", "tucanalha", "blog do esgoto"
e tantos outros que se popularizaram rapidamente a partir de sua criação.

Devido à bendita/maldita inclusão digital, qualquer escolha feliz de depreciação de alguma pessoa ou
grupo do "outro lado" pode ser adotada por milhares ou milhões de brasileiros, em questão de dias ou
semanas.

Quanto mais forte e negativamente conotativa for a denominação, melhor. "Comissário" comunica
deboche, mas "ex-terrorista" chega a assustar devido à força das associações.

Outros exemplos
1. "Não deixa de ser surpreendente a boa colocação de Soninha, que aparece relativamente bem na
disputa para o governo de São Paulo, vejam lá. O neo-socialista Gabriel Chalita (PSB), pelo visto, vai ter
de fazer cantar muito passarinho e pular muito macaquinho se quiser ser senador. Ele pode também
declamar ou participar de shows com aquele padre malhadão. O eleitor, por ora, parece dar mais bola ao
pagodeiro de Stálin, Netinho de Paula (PC do B), do que ao novo coroinha de Dilma Rousseff." (Reinaldo
Azevedo.)

http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/sera-o-irrevogavel/

Este parágrafo exemplifica a técnica de forma perfeita. A candidata simpática aos nossos interesses é
denominada simplesmente pelo apelido simpático (Soninha). Os outros três candidatos, do "outro lado",
recebem denominações pejorativas: "neo-socialista", "pagodeiro de Stálin" e "coroinha de Dilma
Rousseff".

2. Capa da Veja, centrada na crescente importância geopolítica do Brasil no mundo, conquistada no


Governo Lula.
3. "Potência de bananas." (título de coluna de Hélio Schwartsman sobre o novo status do Brasil no
cenário internacional.)

http://www1.folha.uol.com.br/folha/pensata/helioschwartsman/ult510u672479.shtml

4. "Como se sabe, noço guia providencial dos povos da floresta, da roça, do açude e da transposição
do Rio São Francisco é o cara (man) do homem mais poderoso da Terra, Barack Obama." (José
Nêumanne.)

"Noço guia" remete ao manta do Presidente inculto.

http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2009/12/23/vacas-de-presepio-que-se-
fazem-de-pastores

5. "Pouca gente acreditou que a mudança de Lula fosse para valer, mesmo quando ele escolheu para
vice um empresário. Com o PT, surgira o novo pelego [Lula], que, disfarçado de revolucionário, igualou
seu poder ao do empresariado e, finalmente, chegou à Presidência da República." (Ferreira Gullar.)

http://arquivoetc.blogspot.com/2010/01/ferreira-gullar-esquerda-volver.html

6. "Em uma prova do seu potencial eleitoral, a superexposta ministra [Dilma Rousseff], maestra do
apagão e de frases como 'O meio ambiente é uma ameaça so desenvolvimento' foi eleita a Mala do Ano
de 2009, no tradicional certame promovido pelo colunista." (Artur Xexéo.)

http://gilvanmelo.blogspot.com/2009/12/artur-xexeu-dilma-vence-primeira.html

7. "Não tem jeito. A santificação do bibelô da pobreza, suposto embaixador dos coitadinhos [Lula],
está na ordem do dia. É um fenômeno correlato à onda Barack Obama, premiado com o Nobel da Paz
pelos suecos lunáticos. O espetáculo não pode parar." (Guilherme Fiuza.)

http://colunas.epoca.globo.com/guilhermefiuza/2009/12/26/o-super-homem-do-ano/

8. "Lula é Minha Anta", livro de Diogo Mainardi.


9. "As promessas do porqueiro

"O presidente Lula promete não fazer distinção entre pocilgas. Atolado na campanha, ele faz um
discurso de comício e ao mesmo tempo se apresenta como o governante acima das facções, ou, para
seguir seu critério, o porqueiro supremo e imparcial." (Rolf Kuntz.).

http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2009/12/31/as-promessas-do-porqueiro

Apelido pejorativo

Definição
Apelido ou sobrenome falso atribuído a um expoente do "outro lado", com intenção pejorativa, e que
é usado sempre com o nome ou no lugar dele.

Exemplo
"'Extra' no bolso

"Marco Aurélio Top-Top Garcia nada tem a ensinar aos diplomatas brasileiros, mas fez o Ministério
das Relações Exteriores, por meio da Fundação Alexandre Gusmão, pagar a ele um cachê de R$ 3 mil
para dar uma palestra no dia 13 de outubro. O aspone assinou o contrato com 'inexigibilidade de
licitação', que a lei prevê para quando não há outra pessoa ou empresa apta a prestar o serviço. Não era o
caso." (Cláudio Humberto.)

http://www.hojeemdia.com.br/cmlink/hoje-em-dia/claudio-humberto-1.12113/emissario-de-serra-
pede-cabeca-de-arruda-1.49625

Comentários
O apelido pejorativo é uma técnica de forte apelo popular. O exemplo acima revela uma das
importantes funções dessa técnica: fixar na mente do leitor um erro cometido pelo alvo do ataque.

No caso, o assessor especial do Presidente Lula fez o gesto de top-top ao assistir à edição do Jornal
Nacional em que ficava claro que o desastre do Airbus A320, da TAM, não tinha sido causado pela pista
escorregadia, tese defendida pelo Jornal para minar o Governo Lula.

Como se vê, escândalos são criados não apenas para obter um benefício imediato, mas também para
continuar obtendo benefícios depois que eles são desmascarados.

Outros exemplos
1. "A marquetagem petista tem o sonho de transformar a eleição presidencial num plebiscito em
torno da figura de Nosso Guia." (Elio Gaspari.)

http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2009/12/27/habemus-gilmar

"Nosso Guia" é como o colunista Elio Gaspari sempre se refere ao Presidente Lula.

2. "Apedeuta diz uma de suas maiores bobagens em sete anos." (Reinaldo Azevedo.)

http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/apedeuta-diz-uma-de-suas-maiores-bobagens-em-sete-
anos/

"Apedeuta" significa "ignorante". O apelido pejorativo foi criado pelo jornalista para ressaltar a
origem social do Presidente Lula e para instigar o preconceito de classe que é tão forte entre as pessoas
cultas em nosso grupo de apoiadores.

Ao focar na questão da inteligência no sentido intelectual clássico (conhecimentos acadêmicos e


erudição), em contraposição à inteligência prática da experiência de vida e da capacidade de solução de
problemas, o jornalista cria um abismo entre seus apoiadores e o político, além de situar-se, com seu
grupo, numa cômoda posição superior, da qual podem fazer comentários críticos, recheados de ironia e
desprezo.

3. "Lula cria a Bolsa-Circo." (Gilberto Dimenstein.)

http://www1.folha.uol.com.br/folha/pensata/gilbertodimenstein/ult508u600784.shtml

Ao substituir o nome oficial "vale-cultura" por "Bolsa-Circo", o jornalista rebaixa a importância do


projeto e lhe traz uma conotação de degradação cultural e populismo, condizente com um dos mantras da
oposição: o do Presidente inculto.

Este exemplo revela, na verdade, uma variante da técnica do apelido pejorativo, agora aplicada a
medida ou projeto, e não, como em sua modalidade original, a pessoa, grupo ou instituição.

Repare no detalhe irônico: embora a posição do jornalista seja (corretamente) elitista, criticando a
concessão de mais um benefício ao povão, incapaz de escolher diversões de alta expressão cultural...

"É absolutamente previsível que o dinheiro público, tão escasso num país pobre e deseducado, vai
acabar patrocinando shows e eventos populares, mas sem conteúdo educativo."

... ele utiliza justamente um recurso popularesco (a avacalhação) para criticar o criador do projeto.
TÉCNICAS DE APROVEITAMENTO DE ALIADOS

Como explicamos na Primeira Parte deste manual, o PIG é um conjunto de indivíduos, grupos e
órgãos de imprensa, representantes dos mais variados segmentos da sociedade. Todos aqueles que
colaboram para promover ou defender os nossos interesses podem ser considerados parte do nosso grupo
maior.

Nosso maior aliado, entretanto, vive paradoxalmente fora desse grupo: a opinião pública. Dela
dependemos para fazer vingar nossas jogadas comerciais, exercermos nossa influência, sermos bem-
sucedidos no jogo do poder. E ele, o público, é quem vota nas eleições, que poderão eleger representantes
dos nossos interesses ou dos interesses do "outro lado".

Praticamente todas as técnicas deste manual têm como objetivo aproveitar a força da opinião pública,
fazendo com que fique a nosso favor ou contra o "outro lado". Esta seção apresenta técnicas destinadas ao
aproveitamento de outros grupos de aliados.

Utilização seletiva de especialistas

Definição
Escolha e aproveitamento de especialistas que reforcem ou defendam nossas teses, posições e
iniciativas.

Exemplos
1. Matéria crítica do Jornal da Globo de 25/11/2009 sobre a isenção de impostos federais para alguns
setores da economia: "... este economista acha que [a posição da Globo é correta]."

http://www.youtube.com/watch?v=3FdQV1IpwtA

2. Matéria crítica do Jornal Nacional de 8/10/2008 sobre o tratamento da crise financeira


internacional pelo Presidente Lula, que a considerou uma "marolinha": "Este economista concorda [com a
posição da Globo]."

http://www.youtube.com/watch?v=jpkw1ldmQ2o

Comentários
Repare que, nos dois casos, somente um especialista é consultado: aquele que concorda com a
posição oficial do órgão da mídia. Esta é a função correta desses aliados.

Repare também que o locutor introduz nosso aliado como "este economista", deixando clara a pouca
importância social do entrevistado e a atitude básica do PIG em relação a essa categoria de aliados: são
subordinados, pessoas selecionadas para confirmar, apoiar, subsidiar e defender nossos interesses, jamais
para orientar ou comandar. Muito menos para contestar.

Convém que cada órgão da mídia tenha sua lista de especialistas confiáveis, com base no
desempenho individual. Os critérios fundamentais são estes: ter boa articulação e presença no meio
específico (escrita na mídia impressa e na Web, fala na mídia falada e apresentação geral na TV); estar
do "nosso lado"; e mostrar combatividade e disposição de encarar a luta com argumentos e adjetivos
fortes. Aqueles que apresentarem baixo rendimento ou não forem muito convincentes, do ponto de vista
da opinião pública, não devem mais ser chamados à participação na luta.

Mesmo especialistas que tenham pouca autoridade estabelecida no meio onde militam (por exemplo,
no meio acadêmico) podem adquirir essa autoridade aos olhos da opinião pública pela presença constante
na Grande Mídia. Há vários casos bem-sucedidos de reputação estabelecida não pela real autoridade do
especialista no assunto ou pela validade das informações transmitidas à mídia, mas pela assiduidade e
desembaraço que caracterizaram sua relação com órgãos da imprensa. Como ensina um ditado em nosso
meio, "a mídia justifica a mídia".
Alguns especialistas conseguem um desempenho tão bom que são promovidos a "especialistas
oficiais" da Grande Mídia ou mesmo a colunistas fixos em alguns de seus órgãos.

A relação íntima entre imprensa e especialistas garantiu certos lugares cativos, associados a temas
específicos. Quando essa relação foi percebida pelo "outro lado", algumas listas irônicas passaram a
circular na Web, sem trazerem prejuízos à imagem desses profissionais:

http://colunistas.ig.com.br/sakamoto/2009/05/29/disk-fonte-o-jornalismo-papagaio-de-
repeticao/comment-page-1/

http://colunistas.ig.com.br/sakamoto/2009/06/15/disk-fonte-o-jornalismo-papagaio-de-repeticao-
parte-2/

É importante ressaltar que, por seu papel subordinado na luta, não temos compromisso permanente
com esses aliados (assim como não temos compromisso permanente com nenhum indivíduo ou grupo,
independentemente do interesse em jogo). Quando um especialista não for mais útil aos nossos interesses,
ele pode ser prontamente substituído por outro – e "outros" não faltam na lista de espera.

Proteção especial aos especialistas

Definição
Conjunto de cuidados (e descuidos) que caracterizam a relação da Grande Mídia com seus
especialistas preferidos.

Comentários
A proteção consiste de três atitudes:

1. Relaxamento no grau de exigência.


Sabe-se que a auto-apresentação ou o currículo de certos especialistas é inflado a um grau que se
aproxima do ridículo. Formação, realizações pessoais, trabalhos específicos, créditos, quase tudo é
transmitido pelo próprio especialista e não questionado pela mídia, para não afetar a credibilidade de seu
aliado.

Um exemplo desse descuido estratégico acabou queimando a reputação de um de nossos principais


colaboradores na área da Aeronáutica. Leia isto:

"Para Gustavo Cunha Mello, especialista que analisou mais de 175 mil acidentes aéreos, e foi ouvido
por 'O Globo' em reportagem publicada nesta quinta , a possibilidade de falha mecânica não pode ser
descartada."

http://oglobo.globo.com/pais/mat/2007/08/01/297062962.asp

Conseguiu identificar o descuido?

Pense bem: 175 mil acidentes aéreos. Primeiro, a afirmação técnica de que houve esse número de
acidentes na história da aviação; segundo, a afirmação pessoal de que ele estudou esses 175 mil casos.

O descuido gerou um artigo que já se tornou clássico: Como nasce um especialista, de André Borges
Lopes.

http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=500FDS004

Outro exemplo de descuido. A "maior especialista" brasileira em assassinos seriais (serial killers) ...

http://veja.abril.com.br/blog/augusto-nunes/videos-veja-entrevista/ilana-casoy-especialista-em-serial-
killers/
... estreou na literatura desse gênero com um livro no mínimo polêmico: ao menos 12 passagens
plagiadas do site Crime Library:

http://www.serialkiller.com.br/

As provas do plágio:

http://web.archive.org/web/20080524092235/http://theserialcopier.homem.org/

A mancha no currículo não elimina uma possível expertise no assunto, mas essa informação jamais
será divulgada pela Grande Mídia porque proteger os especialistas é a contraparte do auxílio oferecido
por eles em nossa luta.

Assim como não se questiona internamente a capacidade dos nossos jornalistas, parajornalistas e
colunistas, também não devemos questionar a capacidade dos nossos especialistas, por mais que seus
currículos sejam suspeitos ou suas observações se refiram a áreas em que são leigos.

2. Liberalidade na aceitação das afirmações.

O especialista, muitas vezes, faz afirmações que não seriam aceitas se os critérios jornalísticos
fossem corretamente aplicados. Por exemplo:

. Afirmações precipitadas.
Mal o fato aconteceu (exemplo: um desastre aéreo), opiniões supostamente abalizadas são emitidas
antes do tempo devido, sem conhecimento direto dos fatos e com base em dados precários. O imediatismo
e a precipitação são desculpáveis por fornecerem aquilo que o público quer ouvir (desde que seja também
o que nós queremos ouvir).

. Afirmações infundadas.
Como o especialista é autoridade, afirmações que provam ser infundadas mediante um simples
raciocínio não são questionadas para não se prejudicar essa aura de autoridade, tão necessária a nosso
objetivo imediato.

Mesmo quando o especialista atua mais como um spin doctor (profissional especializado em mudar a
percepção do público sobre os assuntos, por meio da manipulação interesseira de perspectivas), deve-se
aceitar a sua participação, desde que não afete os nossos interesses.

. Afirmações óbvias.
Uma das estratégias de autodefesa aplicada por especialistas é a apresentação de várias alternativas,
para cobrir todas as possibilidades sobre um fato (exemplo: o espectro possível de causas de um
acidente), evitando assim o risco de cometer um erro. Ela deve ser respeitada.

. Afirmações desprovidas de autoridade.


Mesmo em sua área profissional, às vezes um especialista não tem suporte concreto para fazer certas
declarações definitivas, categóricas, sobre o assunto que está comentando. Mais ainda quando se põe a
comentar sobre áreas nas quais não milita, como tantas vezes acontece, especialmente nos programas de
rádio. Esta é uma inconveniência menor.

. Afirmações "infalíveis" sobre o futuro.


As previsões "infalíveis" constituem um caso à parte na política e na economia. Praticamente todos
esses exercícios de futurologia resultam num tiro n'água, mas eles são estrategicamente importantes no
momento de sua enunciação, quando afetam interesses do "outro lado".

. Afirmações levianas.
Casos de responsabilização leviana (porque não baseada em fatos e apuração) por tragédias,
problemas sociais, crimes, etc. são freqüentes no jogo da influência e do poder, mas ultimamente essa
função, antes exclusiva dos políticos, passou a ser exercida também por nossos aliados especialistas.

Uma dessas leviandades ficou na História, cometida por um psicanalista em artigo sobre o acidente
com o avião da TAM em 2007:

. Francisco Daudt, "O que ocorreu não foi acidente, foi crime":

http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos.asp?cod=443JDB010

. Afirmações contrárias às de outros especialistas.


Um especialista é convidado a se manifestar porque serve aos nossos interesses. Assim, não faria
sentido mencionar outros especialistas que discordam dele, em situações tidas como importantes para a
defesa ou promoção desses interesses. Controvérsias são aceitas e até estimuladas apenas em situações de
baixo risco, ou quando desejamos evitar críticas de parcialidade, como nesta matéria:

. "Financiamento para filme sobre a vida de Lula divide especialistas." (Tatiana Farah.)

http://oglobo.globo.com/pais/mat/2009/11/18/financiamento-para-filme-sobre-vida-de-lula-divide-
especialistas-914828923.asp

Note a primeira participação de especialista:

"– [O filme Lula, o Filho do Brasil] Ou é uma imensa obra de bajulação, ou de propaganda. Acho
que é as duas coisas. É propaganda eleitoral de encomenda, embora o senhor Barreto diga que não. O
financiamento do filme é uma temeridade." (Roberto Romano.)

3. Proteção de interesses escusos.


Por uma questão de inteligência, delicadeza e (claro) esperteza, não convém abordar aspectos de
bastidores da vida dos nossos especialistas que possam sugerir interesses outros em seu comportamento,
que não o interesse em fazer uma análise objetiva da realidade.

Assim como tantos de nossos expoentes da Grande Mídia têm laços familiares, financeiros ou
ideológicos com grupos ou pessoas que eles defendem em sua atuação profissional (a analista política que
é casada com um marqueteiro, o colunista político que é casado com um membro feminino de diretório de
partido político, o analista político que é casado com uma assessora de candidato à Presidência), vários de
nossos especialistas possuem alianças ocultas que convém deixar como tais (o comentarista de Finanças
que trabalha para um grande banco, o analista político que é filiado a um partido, e por aí vai).

Mesmo convidados eventuais não têm suas ligações empresariais, políticas ou ideológicas reveladas,
pelo mesmo motivo.

Apenas um exemplo concreto para ilustrar esta diretriz:

. "Recomeçar de novo 1
"O DEM já está organizando a equipe que vai tentar recuperar sua imagem. O grupo botará o bloco
na rua logo após o réveillon. O núcleo da equipe está definido. Será composto pelo marqueteiro Antonio
Lavareda, o publicitário Adriano Guedes, a produtora Paula Lavigne e os diretores do instituto de
pesquisas GPP." (Lauro Jardim, Veja.)

http://clipping.tse.gov.br/noticias/2009/Dez/7/panorama-radar1260196290072
Evidentemente, nas entrevistas com o marqueteiro seria indelicado mencionar que ele está sendo
regiamente pago pelo DEM para defender os interesses daquele partido.

Apoio à "ditadura do Judiciário"

Definição
Atitude de defesa do ativismo judiciário quando este atua no sentido dos nossos interesses.

Exemplo
O apoio dado pelos órgãos da Grande Mídia a iniciativas de cassação de mandato de vereadores,
deputados, senadores, prefeitos e governadores corruptos.

Comentários
Nos últimos anos, o PIG ganhou companheiros inesperados na luta pela influência e pelo poder:
magistrados que personificam em sua atuação o ativismo judiciário, doutrina que propõe a ocupação de
espaços no Legislativo e no Executivo, aproveitando vácuos de poder gerados pelo descaso ou pela
incompetência desses Poderes da República.

Simultaneamente, o Supremo Tribunal Federal passou a julgar com mais severidade os políticos
envolvidos em corrupção, cassando vereadores, prefeitos, deputados e até governadores.

Esse novo estado de coisas criou um precedente interessante: a perspectiva do golpe branco, ou seja,
de se "ganhar no tapetão" uma partida que se perdeu em campo.

É fundamental apoiar qualquer invasão de competência do Judiciário e, especialmente, divulgar


cassações de políticos para que a opinião pública as veja como um fato corriqueiro na política nacional.
Assim, quando um Presidente (ou uma Presidenta) receber a mesma sentença, teremos amplo material de
defesa e justificação desse ato, que não poderá ser considerado excepcional, ilegal ou discricionário.

Aproveitamento de situações

Definição
Aproveitamento de situações naturais ou sociais, indesejáveis de algum modo (ou de seu
agravamento), para implementar medidas ou iniciativas que, fossem essas situações normais ou
desejáveis, causariam espanto e resistência fortes.

Exemplo
A estratégia política tantas vezes usada no Brasil (com sucesso), de aproveitar o próprio descuido
governamental com determinada área de serviço público para justificar a privatização de empresas da
área, alegando que os serviços apresentarão melhora significativa.

Comentários
Situações também são aliados. Quando elas são favoráveis, cumprem várias funções, entre elas a
divulgação da competência de certos aliados políticos. Quando são desfavoráveis, também podem ser
aproveitadas no jogo da influência e do poder.

A administração dolosa de um serviço público ou de uma estatal é só um exemplo. O desemprego


pode levar a medidas de flexibilização dos contratos profissionais. Uma crise econômica pode justificar o
achatamento de salários. Um súbito alagamento de área cobiçada pela indústria imobiliária, mas habitada
pela população pobre, pode ser uma oportunidade de ouro para impor a remoção das famílias.

É função da Grande Mídia apoiar essas medidas governamentais, quando tomadas por nossos aliados
políticos.
Utilização de material produzido por arapongas

Definição
Contratação de arapongas para produzir material ilegal e destruidor contra um expoente ou grupo do
"outro lado", ou aceitação de conteúdo semelhante oferecido espontaneamente por essa fonte.

Exemplo
Os vários dossiês falsos divulgados pela Grande Mídia nacional desde a década de 90.

Comentários
A chamada "comunidade de informações" inclui muitos ex-agentes que estão no mercado
trabalhando na espionagem ou contra-espionagem industrial, ou em esquemas francamente criminosos.
Vários deles estão disponíveis para eventuais trabalhos sujos, realizados a pedido de órgãos de imprensa
ou de empresários, políticos ou outros agentes do jogo do poder.

Conseguido o material, ele é apresentado como verdadeiro e explorado por vários órgãos do PIG,
durante longo tempo. Alguns dossiês deram cria: CPIs que, se não conseguiram seu objetivo inicial
(eliminar o adversário do jogo do poder), desgastaram durante meses a imagem positiva do "outro lado".

Cumplicidade com os erros favoráveis

Definição
Atitude de cumplicidade, por parte dos meios de comunicação, com os erros cometidos pelos nossos
especialistas, quando eles afetam interesses do "outro lado".

Exemplo
a) "Se há limite na casa dos 20% em relação à capacidade real de Lula transferir votos diretamente
para sua pré-candidata à Presidência, a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, pesquisadores avaliam
que será mais difícil ainda o presidente obter êxito se tentar repassar seus votos aos candidatos a
governador que apoiar." (Sarah Mohn.)

http://www.jornalopcao.com.br/index.asp?secao=Reportagens&idjornal=374&idrep=3120

Com base numa pesquisa da CNT/Sensus, especialistas adotaram o limite de 20% de transferência de
votos, do Presidente Lula para a pré-candidata Dilma Rousseff, estendendo esse limite, inalterado, até o
dia das eleições. A matéria é do início de dezembro de 2009.

b) "De acordo com eles, a última pesquisa Datafolha [divulgada em 20/12/2009] – que mostra queda
na diferença porcentual entre Dilma e o virtual candidato tucano à disputa, o governador de São Paulo,
José Serra, – sinaliza que a ministra, atualmente oscilando entre 19% e 23% das intenções de voto, pode
chegar ao patamar dos 30% até junho do ano que vem." (Gustavo Uribe.)

http://www.estadao.com.br/noticias/nacional,para-especialistas-dilma-cresce-com-imagem-ligada-a-
lula,485096,0.htm

Poucos dias depois, portanto, baseados em nova pesquisa, esta da DataFolha, os cientistas políticos
subiram o patamar para 30% (uma elevação de 100% , mas também consideraram esse limite insuperável,
agora até junho do ano seguinte.

Comentários
Como é conveniente nesses casos, não houve nenhuma avaliação dos especialistas ou dos jornalistas
sobre o erro anterior, nem sobre os pressupostos da nova avaliação. O jornalista não deve apontar a
incoerência entre os dados, a submissão intelectual do especialista aos dados da pesquisa, o pressuposto
ilógico de que nada acontecerá de importante entre o presente e o futuro previsto, entre outras situações
que poderiam gerar constrangimento ao entrevistado, enfraquecendo o apoio dado por ele aos nossos
interesses.

Outro exemplo
Lucia Hippolito, na CBN:

http://cbn.globoradio.globo.com/comentaristas/lucia-hippolito/2009/12/07/CRESCIMENTO-
TIMIDO-DE-DILMA-PODE-SE-EXPLICAR-POR-SEU-INDICE-DE-REJEICAO.htm
TÉCNICAS DE OMISSÃO DE FATOS

As técnicas de omissão de fatos baseiam-se na seleção do aspecto interessante ao "nosso lado", útil à
luta pela influência e pelo poder, e na eliminação de aspectos que representariam um malefício aos nossos
interesses ou um benefício aos interesses do "outro lado".

Ocultação de causas

Definição
Comunicação exclusiva de um fato, sem fazer menção ou consideração sobre as suas causas, cuja
abordagem diminuiria o impacto negativo da notícia para os interesses do "outro lado".

Exemplo
"De novo, no Enem, alunos de particulares têm desempenho melhor que de públicas." (Manchete do
jornal O Globo.)
http://oglobo.globo.com/educacao/mat/2008/11/20/de_novo_no_enem_alunos_de_particulares_tem_d
esempenho_melhor_que_de_publicas-586492925.asp

Comentários
A matéria não traz nenhuma explicação sobre as causas da diferença do desempenho, como seria de
esperar. Talvez os especialistas consultados tenham dado declarações que contrariaram a intenção inicial
da editoria; talvez nem tenha havido o cuidado jornalístico de procurar explicações razoáveis. O ponto
importante é que o editor focou no aspecto essencial para a luta: o ataque ao "outro lado".
TÉCNICAS DE MANIPULAÇÃO VISUAL

O aspecto visual da notícia ou do design, seja de página da revista, do jornal ou da Web, é um recurso
importante para transmitir determinadas mensagens ou metamensagens ao leitor. Metamensagens são
mensagens a respeito de mensagens – por exemplo, o fundo preto usado para transmitir carga trágica a
uma foto no primeiro plano.

A vantagem dessas técnicas está, em certos casos, na percepção subliminar do conteúdo (exemplo: o
fundo preto) e, em outros casos, na sua perfeita integração ao conteúdo principal. Se o editor escolhe a
pior foto possível do alvo de ataque no texto, ou se utiliza o programa Photoshop para intensificar um
efeito já presente numa foto, a reação do leitor a ela será direta, não mediada pela avaliação consciente. É
uma espécie de editorialização integrada ao fato.

Outra vantagem a ser explorada situa-se no plano da metamensagem sintática – isto é, na ordem com
que são apresentadas as informações. Se o título é forte e se a ele segue-se uma ilustração poderosa, ao
começar a ler a matéria o leitor já terá sido preparado para absorver as informações escritas do modo mais
favorável aos nossos interesses. O título e a ilustração criam um enquadramento inconsciente de extrema
utilidade à nossa intenção de determinar a opinião alheia.

As técnicas de manipulação visual são usadas tanto para apresentar nossos representantes sob uma
ótica favorável, quanto para gerar reações instintivas desagradáveis a fotos dos representantes do "outro
lado".

Vale lembrar que o recurso também está disponível para utilização em matérias do meio televisivo.

No caso das revistas, esta é a regrinha aplicada em nossa luta: "Uma manchete vale 100 textos. E
uma capa vale 100 manchetes".

Substituição de imagens

Definição
Substituição de uma imagem favorável ao "outro lado" por outra desfavorável.

Exemplo
A tradução da matéria da revista Der Spiegel publicada no UOL, " 'Pai dos Pobres' provocou milagre
econômico no Brasil", que não trouxe as fotos originais do artigo.

http://noticias.uol.com.br/midiaglobal/derspiegel/2009/11/25/pai-dos-pobres-provocou-milagre-
economico-no-brasil.jhtm

Comentários
A reportagem original ... http://www.spiegel.de/international/world/0,1518,662917,00.html ... trazia
fotos mais favoráveis ao "outro lado". Sob a justificativa de que o contrato de tradução não incluía fotos,
o UOL escolheu (corretamente) fotos mais sombrias do Presidente, visando compensar o triunfalismo
presente na matéria.

Ilustração "matadora"

Definição
Escolha de uma ilustração forte para a matéria, o post, o comentário etc., que sirva de símbolo
poderoso da posição crítica do autor sobre o fato.

Exemplo
O post de título "Lula, Temer e os contornos do trololó da 'lista triplice'", de Josias de Souza,
ilustrado por uma enorme e repulsiva cobra (de língua de fora). A ilustração vem logo depois de um título
que utiliza a técnica de qualificação prévia.

http://josiasdesouza.folha.blog.uol.com.br/arch2009-12-01_2009-12-31.html#2009_12-
15_19_38_58-10045644-0

Comentários
Quando bem escolhida, a ilustração "matadora" cria uma forte impressão que se associa
indelevelmente ao conteúdo do texto. Ilustrações simbólicas, como a da cobra, trazem conotações
desejáveis, geralmente de efeito inconsciente, que reforçam o efeito destrutivo desejado pelo autor.

Ilustração intimidadora

Definição
Ilustração que se dirige direta ou indiretamente ao leitor, transmitindo uma mensagem clara, direta e
chocante.

Exemplo clássico

Comentários
A capa da revista conseguiu o efeito emocional desejado (intimidar o leitor), mas não conseguiu o
efeito intelectual desejado (fazer com que ele aceitasse a premissa). Esse é o pior dos resultados, porque
um lado não compensou o outro. Como, logo depois, a afirmação provou ser falsa (um exemplo da
técnica de pensamento desejoso), a capa entrou para o arsenal do "outro lado", e não para o do nosso.

Este exemplo deve servir para mostrar como é arriscado valer-se de uma ilustração intimidadora. O
sentimento instintivo de repulsa, por ser colocado numa posição de uma criança encarando um pai feroz,
pode se transferir para a publicação como um todo, trazendo um prejuízo duplo à nossa luta.

Ilustração esclarecedora

Definição
Ilustração com que o autor do texto busca transferir para o alvo de ataque uma posição, uma atitude
ou um sentimento que revele o que ele estaria "realmente" pensando ou sentindo sobre o assunto em
questão.

Exemplo
Post de título "PT: saída de Aécio era previsível e não muda quadro", de Josias de Souza. A foto
matreiramente sorridente de José Eduardo Dutra foi escolhida para transmitir não-verbalmente a posição
do político sobre o fato e para ser contrastada com suas declarações verbais.

http://josiasdesouza.folha.blog.uol.com.br/arch2009-12-01_2009-12-31.html#2009_12-
17_18_38_38-10045644-0

Comentários
Quando a ilustração escolhida combina harmoniosamente com a impressão do próprio leitor ao tomar
conhecimento dos fatos, ele nem perceberá que o autor do texto está aplicando uma técnica de
editorialização de fatos.

Ilustrações contrastantes

Definição
Escolha de ilustrações contrastantes que visam deixar bem o "nosso lado" e mal o "outro lado".

Exemplo
Matéria "A Hora de Serra", de Fábio Portela (revista Veja). Os governadores Aécio Neves e José
Serra estão juntos e sorrindo, impressão confirmada pela legenda "Harmonia tucana"; a ministra Dilma
Rousseff, as mãos postas, está séria e preocupada, impressão confirmada pela legenda "Apagando o
fogo".

http://arquivoetc.blogspot.com/2009/12/aecio-abre-caminho-para-serra.html

Comentários
O exemplo ilustra a função auxiliar das legendas na atribuição de significado às ilustrações.

Mensagem subliminar

Definição
Estrutura visual que visa transmitir uma mensagem subliminar, captada inconscientemente, favorável
ao "nosso lado" ou desfavorável ao "outro lado".

Exemplo

Comentários
No centro da atenção, a idéia do fim do mundo. Na parte superior, a ministra Dilma Rousseff, o
presidente Hugo Chávez e um monstro. Mensagem subliminar: "Isso é o fim do mundo".

Demonização visual

Definição
Tratamento da imagem de um expoente do "outro lado" de modo que se assemelhe a um demônio.

Exemplo

Comentários
A demonização por meio de imagens é mais eficiente que a demonização por meio de palavras
porque a reação à imagem é instintiva, não mediada por conceitos. Além disso, quando a demonização
visual é feita na capa ou no início da matéria, ela serve para comandar a atitude do leitor quanto às
informações do texto.

Ridicularização visual
Definição
Tratamento da imagem de um expoente do "outro lado" de modo a torná-lo alvo de ridículo.

Exemplo

Comentários
A ridicularização é uma técnica mais leve que a demonização. Nesta, quem vê a imagem tende à
reação de repulsa ou medo; na ridicularização, a imagem diminui a importância e o poder do retratado,
gerando reação de risinho debochado e atitude de superioridade.

Portanto, a escolha de uma ou outra técnica depende da reação que o editor ou blogueiro deseje
provocar em seu leitor, segundo sua compreensão da melhor promoção ou defesa dos nossos interesses.

Alteração digital
Definição
Alteração digital em imagem para acrescentar algum aspecto proveitoso ou eliminar algum aspecto
inconveniente para o "nosso lado".

Exemplo
a) A foto original da Folha de S. Paulo.

b) A foto manipulada pela IstoÉ.

http://osamigosdopresidentelula.blogspot.com/2008/04/revista-isto-faz-adulterao-em-imagem.html

Comentários
A pichação, se mantida, desviaria a atenção do leitor, prejudicando a compreensão da matéria e
arranhando imagem de um dos nossos expoentes. A mudança foi correta, mas deveria ter sido realizada
em foto do próprio órgão de imprensa para evitar que o "outro lado" pudesse fazer uma denúncia, como
de fato aconteceu.

Imagem comprometedora

Definição
Foto em que um expoente do "outro lado" aparece em má companhia, seja porque outra pessoa
envolveu-se, depois, em algum escândalo ou crime, seja porque descobriu-se depois que já estava
envolvida numa dessas situações.

Exemplo
http://veja.abril.com.br/blog/augusto-nunes/direto-ao-ponto/vale-por-mil-palavras/

Comentários
Ao utilizar a imagem, o importante é eliminar o contexto – no exemplo acima, tratava-se de uma
cerimônia oficial entre um Presidente e um Governador. E também cumpre eliminar da consciência do
leitor a época em que se deu o encontro. Quando o leitor projeta sobre a imagem seu conhecimento atual
sobre o envolvido em falcatrua e crime, e o associa ao expoente do "outro lado", o estrago está (muito
bem) feito.

Manchete casada com a ilustração

Definição
Combinação de manchete com ilustração, em que a primeira, aparentemente inocente, ganha o real
significado quando associada à imagem, transformando-se num ataque ao "outro lado".

Exemplo clássico

http://josiasdesouza.folha.blog.uol.com.br/arch2009-02-01_2009-02-28.html#2009_02-
15_21_43_53-10045644-0

Comentários
No caso específico, a natureza bucólica do título do post muda radicalmente quando se vê a imagem
e se conhece a posição política do blogueiro, de oposição às pessoas fotografadas. O que era inocente vira
ofensivo.

No caso, a combinação resultou infeliz. Mais que isso, deu munição ao "outro lado" para realizar um
ataque a um dos nossos principais representantes na blogosfera, situação que sempre deve ser evitada.
Para que se tenha uma noção do estrago causado pela má aplicação da técnica:

. "A escola do esgoto." (Luis Nassif.)


http://colunistas.ig.com.br/luisnassif/2009/02/16/a-escola-do-esgoto/comment-page-5/

. "Cresce a indignação." (Luis Favre.)


http://blogdofavre.ig.com.br/tag/josias/

. "Blogueiro da Folha (*) emprega baixaria e machismo para atacar candidata do PT." (Paulo
Henrique Amorim.)
http://www.paulohenriqueamorim.com.br/?p=6171
2. TÉCNICAS DE DEFESA

DO "NOSSO LADO"
TÉCNICAS DE DEFESA

O objetivo das técnicas de ataque é explorar, superdimensionar ou mesmo inventar pontos fracos e erros
do "outro lado", atingindo expoentes, grupos aliados, apoiadores ou qualquer outro alvo de modo a
prejudicar os interesses do adversário e, como resultado, a promover os nossos interesses. Já as técnicas
de defesa visam atenuar ou descaracterizar pontos fracos ou erros de expoentes, grupos aliados,
apoiadores ou qualquer outro alvo do "nosso lado" que esteja sendo ou possa ser atacado pelo "outro
lado".

TÉCNICAS DE MANIPULAÇÃO DE MANCHETES

Atenuação de impacto positivo de notícias

Definição
Manipulação depreciativa do conteúdo de uma notícia, visando retirar dela, no todo ou em parte, o
potencial de aproveitamento positivo, para o "outro lado", que seria inevitável caso fosse veiculada
objetivamente.

Exemplo
a) Como se deve dar a notícia.

Site Globo.com (11/12/2009).

Reparou no verbo "aparecer"? É impreciso e transmite impressão indesejável de intrujice: é como se


o Presidente tivesse entrado na lista como um penetra. A redação reduz a importância do fato (para pouca
ou nenhuma) e ainda esconde a verdadeira notícia, omitindo uma realização que seria comemorada pelo
"outro lado".

Manchete nota 100, portanto.

Agora o fato objetivo.

b) Como a notícia não deve ser dada.

Site Congresso em Foco (no mesmo dia).

Manchete tecnicamente perfeita, mas politicamente lamentável.

Destaque de aspecto positivo no fato negativo

Definição
Desvio de foco do aspecto essencial da notícia (a "sombra"), que reforça a posição crítica do outro
lado, para seu aspecto contrário (a "luz"), que reforça a posição do PIG.

Exemplo histórico
No tempo da correção monetária e da inflação mensal elevada, as manchetes econômicas do jornal O
Globo ressaltavam mensalmente o efeito positivo da taxa da inflação nos rendimentos da caderneta de
poupança. Em vez de "Inflação chega a 25% em julho", a manchete seguia este caminho louvável:
"Caderneta de poupança rende 25.5% este mês".

O mesmo procedimento valia para o Jornal Nacional.

http://www.youtube.com/watch?v=g8RAyelcbtU

Comentários
Esta técnica, obviamente, só deve ser usada na defesa de governantes e políticos do "nosso lado".

Destaque de aspecto negativo no fato positivo

Definição
Desvio de foco do aspecto essencial da notícia (a "luz"), que reforça a posição do "outro lado", para
seu aspecto contrário (a "sombra"), que reforça o lado do PIG.

Exemplo
Divulgação da Pesquisa Nacional de Domicílios (Pnad) em 11/12/2009.

a) Como não se deve dar a notícia.


"Acesso à internet aumenta 75,3% entre 2005 e 2008." (Folha Online.)

http://www1.folha.uol.com.br/folha/informatica/ult124u665066.shtml

Reparou na atmosfera desagradavelmente comemorativa da frase?

b) Como se deve dar a notícia.


"Brasil ainda vive apagão digital: 104,7 milhões de pessoas não usam a internet." (Portal Globo.com.)

http://oglobo.globo.com/economia/mat/2009/12/11/brasil-ainda-vive-apagao-digital-104-7-milhoes-
de-pessoas-nao-usam-internet-915154815.asp

Reparou na atmosfera agradavelmente depressiva da frase?

Sabiamente, a segunda manchete esconde do leitor apressado o fato de que o acesso à internet
"cresceu 75,3% entre 2005 e 2008", segundo a própria matéria.

Outro exemplo
"Dados ainda inéditos da pesquisa Datafolha, divulgada neste domingo, mostra que a saúde é a área
mais vulnerável da gestão Lula – o que abre uma brecha para o pré-candidato José Serra (PSDB), bem
avaliado como ministro da Saúde." (Gilberto Dimenstein, "Saúde é o ponto fraco de Lula".)

http://www1.folha.uol.com.br/folha/pensata/gilbertodimenstein/ult508u669675.shtml

Numa pesquisa eleitoral que só trouxe notícias ruins para a Oposição, o jornalista foi sabiamente
buscar um dos poucos ângulos que poderiam trazer esperança ao "nosso lado".
Destaque de efeito positivo futuro de fato negativo presente

Definição
Desvio de foco e de época, do presente para o futuro, visando atenuar o impacto negativo de um fato.

Exemplo histórico
No período da Ditadura, o jornal O Globo costumava atenuar o impacto de discursos fortes dos
líderes da Oposição, palatáveis ao povo, por meio da escolha de uma manchete que focava a resposta
punitiva prometida pelo Governo (ou seja, o futuro) e não o fato que dera origem à manchete (ou seja, o
impacto presente do discurso). Por exemplo: Governo promete resposta dura ao líder da Oposição.

Comentários
Tecnicamente, a manchete correta deveria ressaltar um ponto-chave do discurso. Politicamente, a
aplicação recorrente da técnica do desvio do fato presente para um possível fato futuro serviu de modo
brilhante aos nossos interesses.

Observe como essa técnica transforma, na prática, um ataque numa defesa, ao dar mais destaque à
defesa que ao ataque.
TÉCNICAS DE DESVIO DE FOCO

As técnicas de desvio de foco visam tirar a atenção do leitor, ouvinte ou espectador de aspectos de
um fato que seriam naturalmente prejudiciais aos interesses do "nosso lado", enquanto se destacam
aspectos que possibilitam o ataque a grupo ou expoente do "outro lado".

Destaque de efeito negativo futuro de fato positivo presente

Definição
Desvio de foco e de época (do presente para o futuro), visando atenuar o impacto negativo, para o
PIG, de um fato positivo para o "outro lado".

Exemplo
A reação generalizada da Grande Mídia, em especial a dos comentaristas, âncoras e parajornalistas,
logo após a conquista inesperada do direito de sediar as Olimpíadas de 2016, comemorada
desbragadamente pelo Governo.

Em vez de dar o popular tiro-no-pé, aceitando o oba-oba da massa, o PIG voltou imediatamente a
atenção para a catástrofe vindoura e a roubalheira generalizada que se daria como conseqüência inevitável
do direito adquirido.

Comentários
Repare que a crítica não variou o tema da incompetência: antes, o mote era "não temos competência
para superar as outras grandes cidades"; depois, passou a ser "não temos competência para realizar as
Olimpíadas".

A redundância, a repetição insistente, a tática da água-mole-em-pedra-dura, é uma das tônicas do


nosso trabalho, que sempre exige muita paciência para superar as dificuldades intelectuais inerentes ao
pensamento do povo.

Mudança estratégica de foco temporal

Definição
Desvio de foco do presente para o futuro, ou do presente para o passado, visando transformar uma
situação positiva em negativa.

Exemplo
Pesquisa que revela uma aproximação entre a candidata da Situação (Dilma Rousseff) e o candidato
da Oposição (José Serra).

"O que interessa nem é o número de hoje, é o potencial de amanhã. Serra, conhecido por 69%, tem a
menor rejeição (29%). Dilma, agora já conhecida por 32%, tem a maior (41%). Isso pode indicar que o
eleitorado é receptivo a Serra e, quando vai sabendo quem é Dilma, menos tende a votar nela." (Eliane
Catanhêde.)

http://clipping.tse.gov.br/noticias/2009/Dez/13/chuva-lama-e-rejeicao

Comentário
A lógica do desvio é simples: se o presente está ruim, o futuro será melhor (o caso acima). E se o
presente está ruim, o passado foi melhor, portanto existe a possibilidade de que o futuro também seja
melhor.
Ocultamento de passado derrotista

Definição
Esquecimento conveniente de posição anterior radicalmente contrária a determinada iniciativa ou
intenção do "outro lado", que acabou resultando em sucesso.

Exemplos
. "Lula, o Lírico da Marolinha, deveria se desculpar pela besteira que falou. O efeito da crise no
Brasil, no que concerne ao emprego (ver um dos posts abaixo), já está mais perto mesmo de uma
tsunami." (Reinaldo Azevedo.)

http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/lirico-marolinha-luppi-brigitte-bardot/

. "Marolinha que virou tsunami."


"Os que perderam o emprego reduzirão a demanda, o que levará à queda na produção e gerará novas
demissões." (Yoshiaki Nakano.)

http://www.eagora.org.br/arquivo/marolinha-que-virou-tsunami/

. "Tsunami & marolinha." (Ricardo Noblat.)

http://oglobo.globo.com/pais/noblat/post.asp?cod_post=131823

. "Nau sem rumo.

"– Em síntese, os dados mostram que o governo Lula cometeu um tremendo erro de estratégia fiscal
ao contratar um número excessivo de servidores e reajustar seus salários em demasia. Este erro custará
caro ao país, já que agora não tem recursos para enfrentar o tsunami mundial que já varre emprego e
crescimento no Brasil – conclui Alexandre Marinis."

[...]

"A crise é grave, chegou há meses ao Brasil.

[...]

"O improviso diário do presidente, as apostas do ministro da Fazenda, o ensaio de campanha da


ministra da Casa Civil não vão resolver a crise. Podem aprofundá-la." (Miriam Leitão.)

http://arquivoetc.blogspot.com/2009/03/nau-sem-rumo-miriam-leitao.html

http://www.sponholz.arq.br/

Comentários
A verdade já faz parte da História.
. "Lula acertou ao falar que crise era 'marolinha', diz 'Le Monde'."

http://www.estadao.com.br/noticias/nacional,lula-teve-visao-correta-ao-falar-que-crise-era-
marolinha-diz-le-monde,436390,0.htm

Hoje, sensatamente, a maioria dos apostadores na "crise do fim do mundo" finge que não apostou
nela. Alguns reconheceram o erro publicamente para não encararem o ceticismo dos leitores nas próximas
previsões.

. "Aos olhos de hoje, é correto dar o braço a torcer, inclusive este jornalista, e dizer que o presidente
Luiz Inácio Lula da Silva acertou quando disse no ano passado que a crise econômica mundial chegaria
ao Brasil como uma marolinha. Diante das expectativas da época de governos, empresas e veículos de
comunicação do mundo todo, o que bateu no país foi mesmo uma marolinha.

"Na virada de 2008 para 2009, parecia que o planeta iria quase acabar. E Lula foi duramente atacado
por seu otimismo." (Kennedy Alencar.)

http://www.fiepr.org.br/redeempresarial/FreeComponent2218content82860.shtml

. O erro de aposta foi tão constrangedor que alguns de nossos expoentes tiveram de se apegar a tábuas
de salvação furadas para continuar pregando a "crise do fim do mundo". No caso abaixo, a jornalista finge
não saber que o Presidente Lula usara o termo para indicar os efeitos continuados da crise financeira
externa na economia nacional, no nível do cotidiano. E associa o termo somente ao impacto imediato da
crise externa na gestão financeira no nível do Governo.

"Relato de Mário Torós mostra que a crise não foi marolinha.

"A reportagem do 'Valor Econômico' sobre os bastidores da crise mostra aquilo que muitos disseram:
o Brasil passava por uma crise séria. Tinha muita gente do governo dizendo que a imprensa estava a favor
da crise. Não, apenas contávamos o que acontecia. O Banco Central fez um trabalho ágil, rápido e
competente ao lidar com a especulação, o trabalho específico de tourear o mercado. Mas passou por um
sufoco." (Miriam Leitão.)

http://oglobo.globo.com/economia/miriam/posts/2009/11/17/relato-de-mario-toros-mostra-que-crise-
nao-foi-marolinha-241979.asp

Apenas em 2009, a Grande Mídia errou na Economia, ao apostar no tsunami contra a marolinha; no
Esporte, ao apostar na derrota do Rio em sua candidatura aos Jogos Olímpicos de 2016; e na Política, ao
prever a estagnação das intenções de voto na candidata do "outro lado".

Nesses casos, é sempre conveniente esquecer o passado e pensar do presente para o futuro, tomando
apenas cuidado para não fazer apostas que acabam passando à História como pontos importantes para o
"outro lado" na luta pelo poder.

Ocultamento de presente problemático

Definição
Ocultamento de real situação de um expoente ou grupo do "nosso lado", visando não dar nova
oportunidade de lembrança à opinião pública e de ataque por parte do "outro lado".

Exemplo
"Último ano do atual mandato da governadora Yeda Crusius, 2010 abre-se com desafios renovados
para o Estado e sua administração. Vencida a crise e reduzidas suas sequelas sobre a economia, mesmo
assim sabe-se que o ano, por ser eleitoral, exigirá uma dose ainda maior de responsabilidade pública de
governo e oposição, dos partidos políticos, dos poderes, das corporações e das empresas." ("As Chances
do Recomeço", editorial do Zero Hora.)
http://www.pps.org.br/sistema_clipping/mostra_opiniao.asp?id=1561&portal

Comentários
Evidentemente, "vencida a crise" é aplicação da técnica de pensamento desejoso. A Governadora
encontra-se sob investigação da Justiça, acusada de crimes graves; a popularidade, quase a zero; a força
política, mínima; a relação com o próprio partido, constrangedora.

Mas se trata de alguém do "nosso lado", portanto todo o arsenal de fatos, argumentos e técnicas de
ataque empregados a alguém que estivesse na mesma situação, mas fosse do nosso lado, permanece
guardado para uso em outro contexto.

Ausência de provas favoráveis e contrárias

Definição
Alegação explícita e assumida da desobrigação de provar uma acusação grave feita contra um
indivíduo ou uma instituição, baseada na impossibilidade de decidir se ela é ou não verdadeira.

Exemplo
A técnica é popularmente conhecida como "a ficha da Dilma" porque esta foi a técnica de defesa
usada pela Folha de S. Paulo quando internautas descobriram que a ficha de "capturado" da ministra
Dilma Rousseff, publicada na primeira página do jornal em 5 de abril de 2009, não tinha sido produzida
no DOPS. Soube-se depois que a redação recebera a ficha por correio eletrônico, que não houvera
nenhuma análise técnica da imagem e que o repórter nem tentara se certificar da validade das
informações.

Apesar disso, a Folha (corretamente) retrucou em suas explicações: "O segundo erro foi tratar como
autêntica uma ficha cuja autenticidade, pelas informações hoje disponíveis, não pode ser assegurada –
bem como não pode ser descartada."

http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=534IMQ011

Comentários
Qualquer acusação, por mais leviana que seja, pode ser defendida com base nesta técnica ("não
podemos provar que sim nem que não"). Transfere-se o ônus da prova negativa ao acusado e consegue-se
um tempo elástico na divulgação do fato, promovendo um estrago considerável na reputação do indivíduo
ou órgão acusado.

Caso, muito depois, o acusado consiga provar sua inocência, poucos saberão (até porque essa notícia
aparecerá em página interna, sem destaque), mantendo-se com isso a memória da associação dele com o
fato reprovável, efeito de nosso interesse.

Outro exemplo
Houve um precedente histórico no emprego desta técnica. Trata-se do caso do dossiê falso criado por
Daniel Dantas para atingir o delegado Paulo Lacerda, da Polícia Federal, em 2006. Identificada a
falsidade, a alegação da Veja foi a mesma da Folha:

"Por todos os meios legais, VEJA tentou confirmar a veracidade do material entregue por Manzano.
Submetido a uma perícia contratada pela revista, o material apresentou inúmeras inconsistências, mas
nenhuma suficientemente forte para eliminar completamente a possibilidade de os papéis conterem dados
verídicos". (Marcio Aith, "A Guerra nos Porões".)

http://veja.abril.com.br/170506/p_040.html

O reconhecimento da armação: "Dantas fez, entregou e continua operando." (Marcio Aith.)

http://veja.abril.com.br/240506/p_050.html
Projeção de focos de ataque

Definição
Projeção de qualidades, características ou atos reprováveis sobre um alvo do "outro lado", visando
impedir um possível ataque focado neste mesmo ponto, por já tê-lo atribuído ao adversário.

Exemplo
"[...] e o PT disse o que pretende: dividir o Brasil e vencer a disputa incentivando o ódio, jogando
brasileiros contra brasileiros, investindo no confronto.

"E o Brasil precisa de quem saiba e possa uni-lo. Não de mercadores do ódio. Querem saber? Eles
têm método, sim, e são organizados. Mas também são mais primitivos do que imaginam." (Reinaldo
Azevedo.)

http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/por-que-gostei-do-programa-do-pt-aquele-verdadeiro-
showroom-de-mentiras/

Comentários
Como é notório, o jornalista é o maior incentivador de atitudes odientas na política nacional, em seu
blog no site da revista Veja. Instigador de paixões primitivas, metódico em seus ataques ao "outro lado",
criou várias qualificações pejorativas para seus representantes, como "petralhas", "neofascistas",
"apedeuta", além de liberar comentários desabonadores a todos os seus desafetos.

Um exemplo leve:

" Mozart G. Oliveira disse:


"dezembro 3, 2009 às 3:48 pm
"jamais haverá um 'inferno' suficientemente quente para castigar essa quantidade absurda de idiotas
que por ideologia ou interesses inconfessáveis, do menor ao mais alto grau, fizeram do pior lixo humano,
do mais repugnante, um dos mais populares presidentes desse país nojento."

http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/cesar-benjamin-explica-por-que-agora/

Um exemplo pesado:

"Coisa Nojenta disse:


"dezembro 24, 2009 às 12:06 am
"Lulla é o resultado de uma nação infectada, contaminada e poluída pela miséria, pelo atraso
centenário e pelo subdesenvolvimento. Lulla é aquela mosca que sobrevoa o monticulo de merda. É a
bactéria que se apossa e se aproveita de organismos enfraquecidos. Lulla é o verme que se alimenta da
carne em putrefação. Lulla e seu governo mediocre é a certeza de que continuaremos uma economia de
pibinhos e que somos um pais sem chances e sem futuro."

O jornalista em questão é alguém que ganha a vida realizando justamente essas atividades (eis o
verdadeiro sentido de "mercador do ódio"). Ao projetar suas características sobre o "outro lado",
espertamente, ele cria uma espécie de defesa preventiva, caso venha a ser acusado dos mesmos defeitos.

Trata-se de uma técnica extremamente perigosa porque, ao projetar qualidades, características ou atos
sobre algum alvo do "outro lado", esse conteúdo se torna presente na consciência do leitor, ouvinte ou
espectador. É possível que os mais atentos e perspicazes percebam o verdadeiro dono do conteúdo,
situação que inviabiliza o efeito positivo da técnica.

Outro exemplo
"A cada dois anos, o 'subperonismo lulista' cria uma sigla para controlar a imprensa. Atacando em
duas frentes: editorial e comercial. A imprensa, de bombardeio em bombardeio, de anúncio em anúncio,
de chantagem em chantagem, amedronta-se e domestica-se." (Diogo Mainardi.)
http://veja.abril.com.br/blog/mainardi/sem-categoria/porkys-contra-a-liberdade/

É fato notório que, de bombardeios, anúncios e chantagens (e também de denominações


depreciativas, como "subperonismo lulista"), quem entende somos nós. Mas ao atribuir esses defeitos ao
"outro lado", o parajornalista enfraquece qualquer possibilidade de crítica baseada nos mesmos pontos: o
argumento "Você também é" no máximo iguala o placar.

Ocultamento de responsável por fato desabonador

Definição
Ocultamento de responsável por fato que poderia dar margem a um ataque a pessoa, grupo ou órgão
situado do "nosso lado".

Exemplo
a) E-mail de Renato Khair ao ombudsman da Folha de S. Paulo, Carlos Eduardo Lins da Silva:

"No ótimo documentário 'Cidadão Boilesen', de Chaim Litewski, há uma citação expressa de que o
jornal 'Folha de São Paulo' teria colaborado diretamente com a Operação Bandeirantes (Oban), da
ditadura militar. A 'Folha' teria cedido suas caminhonetes aos membros da Oban, na repressão aos
opositores da ditadura. É uma acusação grave e séria. Até agora, não vi nenhuma resposta da 'Folha',
negando veementemente qualquer tipo de participação ou de apoio ao regime militar. O mínimo que se
espera é que o jornal se manifeste, seja para refutar ou para confirmar tais afirmações.

"Renato Khair."

b) A resposta do ombudsman:

"Caro Sr. Renato,

"Durante o período ditatorial, a direção da Folha não foi informada da utilização de seus caminhões
pelos órgãos de repressão. No entanto, investigações posteriores constataram que, de fato, alguns veículos
do jornal foram usados por equipes do DOI-Codi. Esses atos foram praticados à revelia dos acionistas da
empresa.

"Atenciosamente,
"Carlos Eduardo Lins da Silva."

http://colunistas.ig.com.br/luisnassif/2009/12/16/da-serie-ombudsman-sofre-2/#more-41808

Comentários
"Esses atos foram praticados à revelia dos acionistas da empresa" é evidentemente um desvio de
foco, tanto da reclamação do leitor quanto da questão em si. Quem sabia? Quem ordenou? Quem praticou
o ato? Se o ombudsman fosse atrás desses responsáveis, entregaria ao adversário uma informação
importante que ressoaria em críticas durante anos, na blogosfera – um erro imperdoável na luta política.

Ao proteger os verdadeiros responsáveis com uso desta técnica, o jornalista espertamente evitou
escorregar na casca-de-banana que o internauta pusera em seu caminho.

Ocultamento de fato favorável ao grupo adversário

Definição
Ocultamento de informação que, se divulgada ou relembrada, reforçaria a posição do "outro lado".
Exemplo
a) A exploração do fracasso (19/12/2009).

"Imaginara-se que, carregada nos ombros de Lula, Dilma chegaria ao Natal com índices oscilando
entre 20% e 25%. Os mais otimistas falavam em 30%.

"A candidata coleciona, porém, entre 15% e 17%. Aguarda-se pela aferição da exposição
proporcionada a Dilma na última propaganda televisiva do PT." (Josias de Souza.)

http://josiasdesouza.folha.blog.uol.com.br/arch2009-12-01_2009-12-31.html#2009_12-
19_04_26_01-10045644-0

b) O ocultamento do sucesso (19/12/2009).

"Em agosto, a candidata de Lula amealhara 17% das intenções de voto. Agora, foi a 23%, isolando-se
na segunda posição." (Josias de Souza.)

http://josiasdesouza.folha.blog.uol.com.br/arch2009-12-01_2009-12-31.html#2009_12-
19_21_47_10-10045644-0

Nenhuma alusão ao comentário otimista (para o "nosso lado") do mesmo dia.

Comentários
O exemplo ilustra notavelmente a aplicação da técnica porque os dois momentos deram-se no
mesmo dia. Aproveitando a afluência maior de internautas no fim de semana, o blogueiro explorou o
suposto fracasso da candidata do PT. Mas, poucas horas depois, a divulgação de uma pesquisa feita por
empresa do próprio grupo Folha revelou a surpresa inesperada: um crescimento de 30% da candidata
"estacionada", contra um crescimento de menos de 3% do seu adversário – pior, dentro da margem de
erro (somente 1% de crescimento).

A previsão do "outro lado" se confirmava: a candidata chegou realmente ao índice previsto por sua
equipe de apoiadores (entre 20% e 25%).

O comportamento correto, nesses casos, é não mencionar a avaliação incorreta feita anteriormente.
Partir daí para a frente, jamais para trás, desviando o foco do erro passado para as avaliações presentes e a
provável situação futura.

Não há erros na atuação do PIG, apenas novas situações a serem enfrentadas com inteligência.

Outro exemplo
"Serra vence Dilma e Ciro no segundo turno, diz Datafolha." (Folha Online.)

http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u669211.shtml

O fato jornalisticamente mais importante foi o crescimento da pré-candidata Dilma (30%), contra a
expectativa anterior de estagnação. Mas como ele era desfavorável aos nossos interesses, a Folha
corretamente deu destaque ao aspecto positivo que pôde ser encontrado nos dados da pesquisa.

Defesa inesperada

Definição
Defesa súbita de uma pessoa, grupo ou instituição do "nosso lado", justificada ou não pelo
desenvolvimento do texto ou da matéria em que ela é realizada.

Exemplo
"[Roger] Abdelmassih não é um Daniel Dantas qualquer. Ele carrega no seu prontuário 56 acusações
de estupro. O doutor garantia às clientes que em sua clínica não usava embriões de 'qualquer neguinha de
rua'." (Elio Gaspari.)

http://oglobo.globo.com/pais/noblat/posts/2009/12/27/habemus-gilmar-252956.asp

Comentários
A técnica da defesa inesperada é a contrapartida da técnica do ataque inesperado. O texto acima é
centrado no médico, mas perto do final surge a verdadeira intenção do articulista: comparar os crimes de
Daniel Dantas com os do médico, transmitindo aos leitores a idéia de que os do primeiro são
comparativamente leves.

Quanto bem aplicada, a técnica atua de modo subliminar, beneficiando quase inconscientemente
alguma pessoa ou grupo do "nosso lado". Essa menção de passagem, por seu necessário grau de
elegância, pode ser usada como um critério para distinguir amadores de profissionais, em nosso meio.

Outro exemplo
"No Judiciário, uma sequência de disputas, acusações, votações e habeas corpus capaz de deixar
qualquer leigo tonto e sem fôlego, tentando entender, por exemplo, o presidente do Supremo Tribunal
Federal correndo, fora da rotina e fora do expediente, para livrar ora um banqueiro esquisitão, ora um
médico aloprado, tão diferentes entre eles, mas tão iguais no poder, tão parecidos na riqueza, tão
perdulários ao contratar advogados." (Eliane Catanhêde.)

http://gilvanmelo.blogspot.com/2009/12/eliane-cantanhede-tres-poderes.html

Um dos maiores bandidos da história do Brasil, que teve mais de dois bilhões de dólares bloqueados
pela Justiça no exterior, mandante de uma tentativa de suborno a um delegado da Polícia Federal (um
milhão de reais), criador de dossiês que envolveriam em crimes o Presidente da República e o
superintendente da Polícia Federal (Paulo Lacerda), contratante de uma empresa de espionagem para
investigar autoridades da República, vira um inocente "banqueiro esquisitão", de passagem, na coluna da
jornalista.

Repare como neste exemplo houve mais elegância na aplicação porque os criminosos foram
igualados, embora genericamente. Ainda assim, não se trata de uma aplicação realmente exemplar porque
destoa dos conhecimentos do leitor sobre o "banqueiro (mais do que) esquisitão".

Lembrança defensiva

Definição
Lembrança de um fato (verdadeiro ou falso) que o "outro lado" supostamente prefere não lembrar e
que os nossos representantes políticos deixaram de mencionar.

Exemplo
"Reciclagem. Cabral estava no evento porque o modelo da UPA foi importado do Rio. Que por sua
vez se inspirou na AMA da dupla Serra-Kassab, mas disso, evidentemente, os petistas não queriam falar."
(Silvio Navarro e Letícia Sander.)

http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2009/12/30/vies-de-alta

Comentários
Os jornalistas evitam o pleno impacto da notícia, favorável ao "outro lado", subordinando a
realização de um adversário a outra realização originária do "nosso lado". Este é um dos casos clássicos
em que o PIG atua como linha auxiliar imediata, sempre atento na defesa de seus aliados políticos para
evitar que a opinião pública seja desencaminhada pela ação interesseira do "outro lado".
Pressuposto falso

Definição
Pressuposto falso incluído sutilmente no desenvolvimento de um raciocínio para servir de base a uma
conclusão igualmente falsa.

Exemplo
"O que é, hoje, ser de esquerda? Há algumas décadas, era ser contra o imperialismo americano, a
favor da reforma agrária e de um governo socialista; para alguns, substituir a 'ditadura' da burguesia pela
ditadura do proletariado. Hoje, já não se fala em imperialismo americano e, com raras exceções, todo
mundo é a favor da reforma agrária, que se tornou, como é no Brasil, programa de governo. O que é,
então, ser de esquerda ou de direita hoje?" (Ferreira Gullar, "Esquerda, volver".)

http://arquivoetc.blogspot.com/2010/01/ferreira-gullar-esquerda-volver.html

Comentários
Observe os pressupostos:

1. "Hoje, já não se fala em imperialismo americano..."


2. "...e, com raras exceções, todo mundo é a favor da reforma agrária, que se tornou, como é no
Brasil, programa de governo."

Atualmente, os Estados Unidos realizam intervenções abertas no Paquistão, na Somália, no


Afeganistão e no Iraque, fora outras de natureza secreta em outros países. Possuem mais de 700 bases
militares, 39 delas aéreas, nenhuma delas desativada no Governo Barack Obama – ao contrário, sete bases
da Colômbia serão utilizadas por soldados daquele país, a partir deste ano.

Quem não fala mais em imperialismo americano, nesse contexto de esmagadora supremacia militar?

Quanto ao segundo pressuposto, o articulista sutilmente esquece as tensões no campo, que tantas
mortes vêm causando nos últimos anos, visando tirar essa bandeira tradicional da esquerda: "problema
resolvido", é a mensagem.

Os dois pressupostos falsos são utilizados como base uma conclusão tão falsa quanto eles: não há
mais definição precisa do que é ser de direita e ser de esquerda. O articulista deixou sabiamente de
lembrar ao leitor que a atenuação da luta ideológica é uma das bandeiras tradicionais da direita.

Repare na sutileza do título da coluna: "Esquerda, volver". Se a esquerda (que, contraditoriamente, o


articulista afirma não mais existir) mudar de direção, ela irá em que sentido?

Curiosamente, o artigo serviria para uso na área das operações psicológicas (um dos recursos da
guerra psicológica no contexto internacional), por ser uma bela contribuição gratuita à idéia de que as
ideologias morreram e que devemos nos preocupar somente com assuntos tópicos. Reproduzido em
páginas da Web, divulgado por correntes de e-mail e comentado em caixas de comentários, o artigo
serviria para desviar jovens do caminho ativo, oposicionista e reivindicativo que tanto aborrecimento
causa aos que, com ou sem ideologia, lutam pelo poder.

Outro exemplo
"Gastança federal

"Uma das incógnitas para avaliar o desempenho da economia brasileira em 2010 é o comportamento
das despesas públicas. Ninguém sabe até que ponto a gastança praticada a partir de 2009 pode
desencadear ou a inflação ou um surto de desconfiança na capacidade do governo de segurar as rédeas da
economia." (Celso Ming.)

http://arquivoetc.blogspot.com/2010/01/celso-ming-gastanca-federal.html

Novo ano, velhos truques.


Repare como o título e o primeiro parágrafo têm um quê de alarmismo. Mas o pressuposto falso
esconde-se na escolha das palavras: "até que ponto". Elas pressupõem a inevitável ocorrência do restante
da frase: a inflação ou o surto de desconfiança. Trata-se, portanto, de uma previsão de natureza
catastrófica, deixando em aberto apenas a intensidade da catástrofe. Se o articulista pretendesse manter-se
fiel à realidade (e à lógica), escreveria: "ninguém sabe se e até que ponto ...", deixando em aberto a
possibilidade de não acontecer nem um nem outro dos futuros pessimistas.

Mas como a intenção era criar a impressão de um futuro pessimista, a escolha lingüística foi perfeita.
TÉCNICAS DE PROTEÇÃO

As técnicas de proteção são aplicadas para proteger os participantes do jogo do mercado, da


influência e do poder que estejam do "nosso lado", incluindo nossos principais expoentes na Grande
Mídia.

Afirmação de imparcialidade

Definição
Afirmação do próprio autor do texto, ressaltando o caráter imparcial e objetivo de sua análise
evidentemente parcial e interesseira.

Exemplo
"São análises eminentemente técnicas, que desprezam o embate político-partidário e atêm-se aos
dados objetivos da realidade." (Ruy Fabiano, O artifício plebiscitário.)

http://oglobo.globo.com/pais/noblat/posts/2009/12/26/o-artificio-plebiscitario-252588.asp

Comentários
O articulista procura desmontar um dos méritos do Governo Lula, reconhecido até mesmo por seus
adversários,...

"O governo Lula, no entanto, quer mostrar-se como o da ruptura, o que, pela primeira vez na história
do país, teria colocado o povo no centro da cena, em contraponto ao anterior, que teria privilegiado as
elites.

"A tese não resiste a um exame superficial."

... mas erra ao colocar a frase reproduzida no exemplo depois de sua análise parcial. O lugar ideal
para se fazer um enquadramento dos fatos e das análises é exatamente antes desses conteúdos. Assim, o
leitor estaria preparado para ver a situação do modo desejado pelo articulista.

Depois que o estrago está feito, não ainda tentar consertá-lo.

Outros exemplos
1. "A direção da Folha circulou comunicado à Redação no qual determina que jornalistas em blogs,
redes sociais e twitter devem seguir os princípios do projeto editorial e, assim, não assumir
posicionamentos partidários nem divulgar conteúdos de colunas ou reportagens exclusivas.

[...]

"Se, por exemplo, um jornalista que cuida de política veicula em seu blog opiniões apaixonadamente
pró ou contra um partido ou pessoa pública, de que modo o leitor vai confiar na isenção do que ele
reportar na Folha?" (Carlos Eduardo Lins da Silva.)

http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=555VOZ001

Um de nossos veículos mais comprometidos na luta contra o "outro lado" afirma publicamente sua
"isenção" e pede a seus funcionários que evitem "posicionamentos partidários" em suas intervenções nas
redes sociais e no Twitter.

É o comportamento correto. Os verdadeiros princípios de atuação do PIG jamais devem ser


assumidos em público, como ficou bem explicado na Primeira Parte deste manual. Basta que sejam
praticados.
2. Texto ficcional de Josias de Souza.

"Lideranças do PT, PSDB, PMDB e DEM haviam lançado o nome do repórter como presidenciável
de união nacional.

"Uma solução apartidária, concebida para evitar que a nação se dividisse num encarniçado plebiscito
– a era Lula X o período FHC.

"Àquela altura, Serra e Dilma, informados da novidade, já haviam retirado suas candidaturas.

"O repórter ensaiou resistência: Por que eu? Os emissários não se deram por achados: Ora, você não
critica todo mundo? Não diz que está tudo errado? Pois então..." (Josias de Souza.)

http://josiasdesouza.folha.blog.uol.com.br/arch2009-12-01_2009-12-31.html#2009_12-
27_03_52_18-10045644-0

Por esses motivos, a técnica, mais que qualquer outra, é conhecida em nosso meio como "me-engana-
que-eu-gosto". Mas – e este é o ponto importante – ela funciona.

Desculpa esfarrapada

Definição
Justificativa fraca e obviamente derivada da necessidade de proteger alguém do "nosso lado", mas
divulgada para prestar solidariedade e tentar se contrapor à opinião dominante entre o público.

Exemplo
"O microfone estava aberto quando não deveria estar. O apresentador do 'Jornal da Band' disse o que
disse sobre os garis para a sua equipe, não para o público nem em público. Pelo que entendi, ele não
aprovou a escolha dos personagens usados em uma matéria de Boas Festas.

"Quem não sabe o que é colocar um programa de TV ao vivo no ar pode ter a opinião que quiser.

"Acontece que eu sei, como sei também o que é a pressão do fechamento de jornal. E o tipo de
cobrança que o Boris fez é comum. Os editores vão contestando as escolhas feitas pelos repórteres ou
pela produção, dependendo do veículo, até o final do programa ou até que o segundo ou terceiro clichês
do jornal sejam rodados na gráfica.

"Isso é da natureza do nosso trabalho e não tem nada a ver com preconceito." (Barbara Gancia.)

http://blogs.band.com.br/barbaragancia/index.php/2010/01/05/rubens-ricupero-revisitado/

O vídeo em que Boris Casoy "contesta as escolhas" da produção:

http://www.youtube.com/watch?v=f_E4j7vi3js

Comentários
Esta é uma situação complicada. Não dizer nada significa deixar nosso companheiro às feras e
concordar com os ataques vindos do "outro lado"; escolher uma desculpa esfarrapada significa atrair para
si um pouco da indignação destinada a ele. Mas amigo é para essas situações. E a solidariedade expressa
na aplicação da técnica serve para mostrar aos outros integrantes do "nosso lado" que eles nunca ficarão
sozinhos – mesmo quando cometerem os atos mais desprezíveis e injustificáveis.

Omissão de investigação devida


Definição
Omissão conveniente de investigação de escândalo, impropriedade ou falcatrua cometida por
expoente ou grupo do "nosso lado".

Exemplo

https://www2.psdb.org.br/interna/index.php?title=Ag%C3%AAncia+PSDB+-+Jos
%C3%A9+Serra+recebe+homenagem+na+sede+da+ONU,+em+Genebra&pg=4&id=40964

http://www.saopaulo.sp.gov.br/spnoticias/lenoticia.php?id=202701

Comentários
A sede da ONU situa-se em Nova Iorque. Quanto ao prêmio, clique no link abaixo e leia você
mesmo: é muito constrangedor explicar a situação.

http://colunistas.ig.com.br/luisnassif/?s=serra+premio+onu+sa%C3%BAde

O fato importante é este: a Grande Mídia foi "incapaz" de verificar os dados oferecidos pela
assessoria do Governador e de investigar a real importância da premiação. E tudo estava bem à mão, sem
que houvesse necessidade de sair da cadeira onde um repórter estivesse sentado, em sua redação de
jornal.

Quem deve ser alvo da gana investigativa é o "outro lado" – lembre sempre este óbvio princípio de
atuação do PIG.

Omissão de avaliação devida

Definição
Omissão de avaliação de informações muito diferentes daquelas divulgadas anteriormente, quando
beneficiam o "nosso lado".

Exemplo
"O PV apresentou à ex-ministra Marina Silva, do Meio Ambiente, uma pesquisa nacional feita pelo
instituto Ipespe (Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas) com 1.000 pessoas em que o
nome dela foi colocado como possível candidata à Presidência da República, informa a coluna de Mônica
Bergamo, publicada nesta terça-feira pela Folha (íntegra disponível para assinantes do UOL e do jornal).

"Segundo a coluna, Marina aparece com até 12%, e a pesquisa foi realizada há cerca de dez dias. José
Luiz Penna, presidente nacional do partido, confirmou a informação." (Folha Online.)

http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u604603.shtml

Dias depois, o "nosso lado" comemorou o "estrago" feito na candidatura do "outro lado" por causa de
uma pesquisa que mostraria a candidata Marina à frente da candidata Dilma:
http://www.estadao.com.br/noticias/nacional,pesquisa-eleitoral-indica-vantagem-de-marina-sobre-
dilma,417813,0.htm

Comentários
A pesquisa original, realizada por telefone por um instituto cujos dados não costumam ser divulgados
pela Grande Mídia durante as campanhas eleitoral, foi decisiva para a aceitação da candidatura. A mídia
não questionou o percentual – que aparecia dobrado na revista IstoÉ (até 24% do eleitorado).

Maurício Caleiro fez o trabalho jornalístico e encontrou na Web o instituto e os dados da pesquisa
original.

http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=551IMQ005

Depois de 4 meses de exposição simpática na mídia, uma pesquisa colocou a ex-ministra Marina com
8%, e a ministra Dilma com 23%.

http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u669124.shtml

Ao se omitir na avaliação objetiva dos dados das duas pesquisas destinadas a avalancar a candidatura
de Marina Silva, o PIG colocou-se praticamente ao lado de uma candidata que, naquele momento,
precisava ser defendida porque poderia tirar votos da candidata do "outro lado". Frustrada a expectativa,
haveria muito menos razão ainda para assumir sua participação por omissão e para reconhecer os erros
das pesquisas encomendadas (duplo sentido, aqui) com fins estratégicos.

Omissão de crítica devida

Definição
Omissão de crítica que seria naturalmente feita, com muita gana e rispidez, quando o alvo dessa
crítica é um expoente do "nosso lado".

Exemplo
"– Se a prefeita topar nós ajudamos até a ter o Carnaval este ano em São Luiz – prometeu Serra
durante entrevista coletiva, ao lado da prefeita Ana Lúcia Bilard Sicherle (PSDB), que já havia anunciado
que a cidade não terá o tradicional Carnaval de rua em 2010.

"Ana Lúcia interrompeu o governador para dizer que tinha outros planos para a cidade:

"– Não queremos. Quem gostar de Carnaval para pular vai vir aqui para ajudar, para reerguer a
cidade. Nós vamos mudar o foco do Carnaval – disse a prefeita." (Adauri Antunes Barbosa, O Globo.)

http://oglobo.globo.com/cidades/mat/2010/01/03/serra-visita-cidades-atingidas-pelas-chuvas-
promete-ajuda-915445966.asp

Comentários
A cidade possui 100 prédios históricos, dos quais 80 foram atingidos pela enchente; teve 5 mil dos 11
mil habitantes atingidos pela enchente; 1.000 casas foram danificadas; estava isolada do mundo no
momento em que o Governador chegou ao local – e sai de sua boca uma proposta estapafúrdia.

Evidentemente, tivesse a declaração infeliz partido de uma autoridade do "outro lado", nossos
colunistas teriam feito uma festa rave (isto é, enraivecida) de no mínimo 3 dias, além de associar para
sempre o político a essa impropriedade, por meio de lembranças eventuais da gafe em seus futuros textos
e comentários.

Corretamente, o site do jornal não incluiu a caixa de comentários na página dessa matéria, outra
medida protetora muito útil em tais situações.
Exceção da fidelidade ao real

Definição
Alegação explícita e assumida da desobrigação profissional de representar corretamente a realidade
por causa da natureza do órgão de imprensa ou da função jornalística do indivíduo.

Exemplo
A técnica é conhecida popularmente como "a cereja do boimate" por ter sido empregada pela revista
Veja em resposta a um questionamento científico sobre a representação visual do DNA e dos genes, em
reportagem de 22 de abril de 2009 (página 98). A Veja alegou (corretamente): "Por não ser uma revista
científica, VEJA pode sim representar os genes como bolinhas. Cometeríamos erro se tivéssemos trocado
os genes pelo DNA ou coisas do gênero."

http://scienceblogs.com.br/brontossauros/2009/04/revista_veja_fail_ao_quadrado.php

Boimate é o nome do caso mais cômico (ou trágico, dependendo do ponto de vista) do jornalismo
científico nacional. Em 27 de abril de 1983 a revista Veja publicou, como se fosse verdadeira, uma notícia
de 1º de abril da revista New Scientist, que dava conta da combinação bem-sucedida das células de um boi
com as de um tomateiro. A "notícia" só foi desmentida pela própria publicação dois meses depois.

http://www.humornaciencia.com.br/noticias/boimate.htm

Comentários
A exceção da fidelidade ao real é uma técnica de defesa de ampla utilização por parajornalistas,
colunistas que se eximem do direito moral de respeitar a realidade (ao máximo de sua capacidade
intelectual) e fazem o jogo necessário a favor do PIG. Ao serem questionados sobre sua óbvia
parcialidade, retrucam (acertadamente) dizendo que não são jornalistas e, portanto, não precisam respeitar
as regras da profissão e não têm nenhuma obrigação de retratar fielmente a realidade.

Outro exemplo
"Agora mesmo acaba de se encerrar uma tal Conferência Nacional de Comunicação, onde, segundo
me contam, houve um festival de asnices e intenções duvidosas digno da ala de extrema esquerda de um
grêmio infanto-juvenil norte-coreano." (João Ubaldo Ribeiro.)

http://arquivoetc.blogspot.com/2009/12/marvado-atraso-joao-ubaldo-ribeiro.html

Como o autor da crônica é um escritor, e não um jornalista, ele pode formar uma opinião definitiva
sobre a Conferência apenas com base em "segundo me contam" e levianamente concluir que se tratou de
algo lamentável.

Esquecimento conveniente de previsões incorretas

Definição
A prática usual de não lembrar previsões incorretas e de não se desculpar ante o leitor, ouvinte ou
espectador, quando uma previsão não se concretiza.

Exemplo
"Se fosse técnico de futebol, Lula gostaria de ser um Felipão, mas está parecendo mais com o
Parreira de 1994. A torcida queria o time atacando, mas ele jogava na defensiva, tocando bola no meio de
campo, talvez porque tivesse um time medíocre e poucos craques, como se Romário e Bebeto fossem
Palocci e Meirelles. Só que o time de Parreira jogou feio e sem graça, mas terminou campeão, e Lula está
ganhando apertado, sob pressão e pode ser goleado." (Nelson Motta, em 2006.)

http://arquivoetc.blogspot.com/2006/04/nelson-motta-lula-futebol-clube.html
Comentários
Uma das iniciativas intelectuais mais freqüentes dos jornalistas e colunistas do "nosso lado" são as
previsões desanimadoras (para o "outro lado"). Assim como acontece com as previsões de profissionais
do futuro (videntes, astrólogos, sensitivos etc.), a maioria delas é um tiro n'água: não se realiza, nem por
aproximação. Entretanto, como toda arma importante no jogo de poder, ela não deve ser abandonada
porque seu efeito mais importante não é o acerto da previsão, no futuro, mas o impacto da afirmação, no
presente. E este é 100% garantido.

Jamais deixe que o fato de você ter errado 100 previsões o impeça de fazer a 101ª. E jamais peça
desculpas por ter errado uma previsão (alguns jornalistas passariam o tempo todo nessa atividade),
mesmo que ela tenha sido radical, catastrófica e alvo de ridículo por parte do "outro lado".

Do passado da luta, só têm valor o que nos fortalece. O resto é descartável.

Evite esse tipo de reconhecimento sincero:

"O certo é que ninguém, mas ninguém mesmo, previa que a recessão durasse apenas pouco mais de
um ano e meio e que o caos econômico e financeiro que nos alarmou nos dois primeiros trimestres
pudesse ser evitado. Uma vitória, sem dúvida, mas que ainda não se consolidou." (Alberto Tamer.)

http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2009/12/27/2009-foi-um-ano-ate-bom-mas-
para-esquecer

Ocultamento de responsáveis

Definição
Omissão de informação sobre os responsáveis diretos pelos problemas tratados no texto, visando
proteger sua imagem pública.

Exemplo
"Colapso Paulistano." (Artigo de opinião de Fernando de Barros e Silva sobre o caos cotidiano na
cidade de São Paulo, sem mencionar um governante sequer como responsável pela "tragédia paulistana".)

http://arquivoetc.blogspot.com/2009/12/fernando-de-barros-e-silva-colapso.html

Comentários
Às vezes, é impossível não comentar certos fatos. A sociedade exige, a reputação do jornalista ficaria
indelevelmente arranhada por sua omissão. Quando esses fatos foram produzidos por alguém do "nosso
lado", cumpre reconhecê-los, mas não a responsabilidade por sua ocorrência.

Vale sempre relembrar o aviso sobre o perigo de direcionar o lado ódio da dinâmica emocional a um
de nossos protegidos (e beneficiadores). Leia o artigo do colunista e aprenda como ele consegue, de modo
exemplar, omitir a responsabilidade, criando um efeito sem causas (ou melhor, causadores).

Ocultamento de informação contraditória

Definição
Omissão de lembrança de informação anterior contraditada pela informação atual, quando a
lembrança pode ferir os interesses do "nosso lado".

Exemplo
a) Notícia oficial divulgada pela mídia: "Casos de dengue despencam 97% em São Paulo."
http://www.saopaulo.sp.gov.br/spnoticias/lenoticia.php?id=93597

Nenhuma menção à cidade de Araraquara.

b) Notícia do jornal O Dia, 12 dias depois: "São Paulo tem primeira cidade com epidemia de
dengue."

http://odia.terra.com.br/rio/htm/sao_paulo_tem_primeira_cidade_com_epidemia_de_dengue_163591.asp

Comentários
Nenhum jornalista cobrou da Secretaria de Saúde a informação anterior, que não alertava para a
epidemia na cidade. Nem é necessário enfatizar que a ação oposta (cobrança sistemática) deveria ser
adotada caso alguém do "outro lado" estivesse no governo do Estado.

Ocultamento de fato prejudicial a uma tese do PIG

Definição
Ocultamento de informação que desqualificaria uma tese ou idéia fixa incessantemente repetida pelo
"nosso lado" (a ponto de se tornar um mantra).

Exemplo
"Carlos Augusto Montenegro, do Ibope, foi quem me fez entender que desqualificar a aprovação de
Lula (83%) e de seu governo (72%), atribuindo-a aos grotões, acaba em ironia. É que muitos dos 'baixa
renda' do presidente preferem Serra (38%) a Dilma (17%)." (Zuenir Ventura.)

http://arquivoetc.blogspot.com/2009/12/ultima-chance-zuenir-ventura.html

Comentários
O sucesso das teses ou idéias fixas, transformadas em mantras da luta política, depende de três
fatores: da repetição incessante, da sustentação com fatos e argumentos, e do ocultamento de tudo que
poderia enfraquecê-las.

A informação estatística apresentada acima, ela sozinha, desmontaria um dos mantras mais caros ao
PIG, que foi usado como explicação única para a nossa derrota em 2006: "os pobres votam 'nele', os
outros votam em nosso candidato".

Portanto, fez e faz bem a Grande Mídia ao esconder esse fato do grande público para garantir a
impressão de validade dessa tese objetivamente falsa.

Ocultamento de fato prejudicial a pessoa protegida pelo "nosso lado"

Definição
Omissão do dever de informar fatos socialmente relevantes, motivada pela necessidade de evitar que
a opinião pública conheça fato desfavorável ao "nosso lado" e que o "outro lado" explore esse ponto
fraco.

Exemplo clássico
"É notório que o tratamento que Lula tem merecido na imprensa – sobretudo em assuntos da esfera
íntima – é bastante distinto daquele que, por exemplo, Fernando Henrique Cardoso recebe. O líder tucano
não tem a sua privacidade devassada do mesmo modo. Trata-se de um dado intrigante." (Eugênio Bucci.)

http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=568JDB005
Comentários
"Intrigante" é um adjetivo que joga para o público. A razão é óbvia e conhecida pelo articulista: a
vida íntima do atual presidente é explorada como uma arma política porque a Grande Mídia está na
posição de ataque; no tempo do presidente FHC, ela estava na posição de defesa, portanto não iria
oferecer munição para o "outro lado". Esse é o típico final de texto que suscita um sorrisinho lateral em
seus colegas jornalistas.

Outros exemplos
1. "O texto [do Correio Braziliense] se recusa a informar que o governador [José Roberto Arruda] é o
alvo central da operação Caixa de Pandora comandada pelo Ministério Público Federal com autorização
do Superior Tribunal de Justiça." (Chico Sant'Anna.)

http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=566IMQ003

O jornal evitou divulgar o fato porque extrai benefício$ da associação política com o governador.

2. "Em 2006, quando deixou a prefeitura em abril para ser candidato ao governo do Estado, Serra
operou o estômago e passou um mês de molho sem que isso tivesse qualquer efeito sobre a campanha."
(Dora Kramer.)

http://arquivoetc.blogspot.com/2009/12/dora-kramer-dedo-na-ferida.html

À época, a colunista não informou o seu público a respeito deste importante fato. Por isso, ele não
teve "qualquer efeito sobre a campanha". Ao reconhecer sua função de protetora naquela época, dá a
entender (a quem percebe entrelinhas) que agirá do mesmo modo em ocasião futura.

Ocultamento de relação comprometedora

Definição
Ocultamento de relação comprometedora de apoiador ou expoente do "nosso lado", visando evitar
que a opinião pública suspeite da imparcialidade de suas intervenções no jogo da influência e do poder.

Exemplos
. Vários de nossos expoentes na Grande Mídia têm relações profissionais, familiares, ideológicas e
até mesmo empresariais com grupos ou políticos do "nosso lado".

. Muitos especialistas convidados para comentar fatos da atualidade em nossos órgãos de imprensa
escondem o fato de que trabalham para o banco X, são donos da corretora Y, são filiados ao partido Z etc.

Comentários
Nesses casos, a função do jornalista, colunista ou parajornalista é esconder essa relação, que poderia
comprometer não só a imagem pública dos envolvidos, mas também todo o trabalho que fazem na defesa
dos nossos interesses. Embora a ocultação dessas informações seja, do ponto de vista jornalístico,
eticamente condenável, do ponto de vista do jogo de influência e do poder a revelação do conflito de
interesses seria o equivalente a um tiro no pé, um ato ilógico e autodestrutivo que só traria benefícios ao
"outro lado".

Minimização da importância de comportamento irregular

Definição
Argumentação que visa a minimizar a importância de comportamento irregular ou ilegal cometido
por um integrante do "nosso lado".

Exemplos
"Não havia tratado do assunto porque, de fato, não tem a menor importância.

[...]

"O primeiro-secretário do Senado, Heráclito Fortes (DEM-PI), aceitou o pedido de demissão de


Luciana Cardoso, filha do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Ela lhe encaminhou uma carta, na
segunda, pedindo desligamento da função de secretária parlamentar, cargo que ocupava desde que FHC
deixou a Presidência.

[...]

"Não deixa de ser uma evidência de austeridade que a filha de um ex-presidente, um dos líderes do
maior partido de oposição, trabalhe para viver. Um salário de R$ 7 mil não chega a ser, assim, um
privilégio." (Reinaldo Azevedo).

http://arquivoetc.blogspot.com/2009/04/reinaldo-azevedo-pais-e-filhos.html

Comentários
Dois pesos, duas medidas. Duplo critério. Este é um enquadramento básico de muitas de nossas
intervenções na luta. O que vale para o "nosso lado" não vale para o "outro lado". Se fosse filha de um
expoente de lá, a bordoada viria de todos os lados. Como é filha de um expoente de cá, os argumentos
defensivos chovem sobre o guarda-chuva protetor da Grande Mídia.

Repare na aplicação da técnica: "não tem a menor importância". O contribuinte que paga R$ 7 mil
reais mensais a uma filha de ex-Presidente que "trabalha" em casa talvez tenha outra opinião, mas ela não
constará do artigo.

O fato de ser "evidência de austeridade que a filha de um ex-presidente, um dos líderes do maior
partido de oposição, trabalhe para viver", fora o aspecto sexista do argumento (se a mulher for
endinheirada não precisa trabalhar), mostra bem a diferença de visão entre as classes sociais: trabalho é
atividade para gente das classes baixas.

Por fim, o blogueiro reforça a identidade com a classe a que pertencemos ao considerar "um salário
de R$7 mil", sonho da maioria dos brasileiros, coisa pouca, rendimento a se desdenhar.

Não foi uma boa defesa, por conta desses aspectos classistas que ficam evidentes nos argumentos. A
continuidade do argumento (o ataque ao filho do Presidente), dá a impressão de "somos, mas vocês
também são, e piores" – outra escolha infeliz.

Isso reforça a noção de que cada membro do PIG tem seus pontos fortes e seus pontos fracos. Para
cada um deles, uma função. Um instigador da Sombra é forte em ataques indiscriminados. Ao exercitar
argumentos defensivos, o blogueiro atrapalhou-se, revelou demais sobre a nossa visão de mundo, e só ao
passar novamente ao ataque retomou o fôlego e sentiu-se bem em sua função.

Comparação elogiosa

Definição
Comparação realizada entre o "outro lado" e o "nosso lado", em que este se sai melhor.

Exemplo
"Os 'mensaleiros' do PSDB de Minas e do DEM do Distrito Federal não têm os padrinhos fortes que
garantem a livre circulação de seus coleguinhas federais do PT e dos 'aloprados' do senador Aloizio
Mercadante (PT-SP). Basta ver como a PF é eficiente contra Arruda e o STF, exigente com Azeredo.
"Mas se a oposição se iguala ao governo petista nos métodos de rapina do erário, como vai querer
que o eleitor a escolha para o lugar deste?" (José Nêumanne.)

http://arquivoetc.blogspot.com/2009/12/jose-neumanne-do-novo-panetone-pizza-de.html

Comentários
A técnica foi empregada duas vezes seguidas, com brilhantismo, pelo jornalista. Primeiro ao retratar
como vítimas e coitadinhos os mensaleiros do PSDB e do DEM, em relação aos do PT, apadrinhados pela
Polícia Federal e pelo Supremo Tribunal Federal. Depois, ao criar um desnível entre o "governo petista",
já perito nos "métodos de rapina do erário", e a oposição, que talvez venha a se igualar a ele.

Nos dois casos, o "outro lado" sai ganhando na comparação superficial (em acobertamento e
safadeza), mas perdendo (em justiça e moral) no nível profundo da comparação.

Outros exemplos
1. "Os tucanos pensam seriamente em esconder o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, cujos
feitos de governo incluem um plano econômico que acabou com a inflação, estabilizou a moeda, ajustou
as contas públicas, pôs o Brasil no rol do mundo e, só para citar o mais vistoso efeito das privatizações,
universalizou o acesso à telefonia e viabilizou o acesso à internet.

"Já os petistas exibem alegremente seus mensaleiros sem que isso cause, nem a eles nem ao público,
um pingo de vergonha ou espanto." (Dora Kramer.)

http://gilvanmelo.blogspot.com/2009/11/dora-kramer-acao-detergente.html

2. "Enquanto o brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva persegue obsessivamente poder e prestígio
político em busca de um assento para o Brasil no Conselho de Segurança da ONU, a presidente chilena
segue outra linha: a de levar para o Chile progresso econômico e social integrando seu país a um
organismo voltado para elevar o nível de vida da população, aperfeiçoar a democracia, garantir
estabilidade econômica, fomentar o comércio e desenvolver o emprego." (Suely Caldas.)

http://arquivoetc.blogspot.com/2009/12/suely-caldasbrasil-chile-e-suas.html

Aqui vemos como a comparação pode-se realizar até no plano internacional: o importante é que o
alvo nacional do ataque sai-se mal, quando a articulista faz da presidente chilena um símbolo das
posições do "nosso lado".

3. "Cria de José Serra, o prefeito demo-tucano [Gilberto Kassab] nunca esteve associado à imagem de
um inovador, um formulador, um estrategista, uma figura de visão histórica. Pelo contrário, adaptou-se a
um perfil deliberadamente modesto, de líder menor – zelador das coisas práticas. A obediência ao
padrinho funcionava como selo de garantia do boneco de vento (lembre-se do Kassabão inflável) que iria
ser reconduzido à administração, desta vez pelo voto." (Fernando de Barros e Silva.)

http://www.joildo.net/artigos/zelig-o-zelador/

Aqui temos um caso interessante porque a comparação elogiosa é feita entre um de nossos expoentes
governamentais e outro que caiu em desgraça, justamente por prejudicar interesses desse expoente. A
intenção do articulista revela-se em "um inovador, um formulador, um estrategista, uma figura de visão
histórica", trecho apropriado a uma apresentação de correligionário em comício, e não a um artigo de
análise política.

O exemplo é importante para demonstrar que, nesses casos, mesmo que um ex-aliado ainda esteja
formalmente do "nosso lado", ele passa a ser tratado como se fosse um integrante do "outro lado", para
todos os efeitos de mídia e opinião pública.

4. " João Bobo


"O governador tucano José Serra leva o boneco de prêmio: pode empurrar, mas ele só balança a
candidatura à presidência. E volta." (Cláudio Humberto.).

Os outros 17 "prêmios do ano" são pejorativos – e muitos deles foram concedidos, evidentemente, ao
"outro lado". Só este louva uma qualidade: a resistência do Governador.

5. Merval Pereira, na CBN:

Sabiamente, o jornalista não informa que a Grande Mídia protege o segundo e bate sem freios no
primeiro, por ser aliado do "outro lado". Como sempre, o importante é o efeito.

Prática do bom jornalismo

Definição
Divulgação seca e direta de notícia favorável ao "outro lado" ou desfavorável ao "nosso lado", sem
nenhum comentário, ataque ou defesa.

Exemplo
"Pesquisa Datafolha aponta Serra com 37% e Dilma com 23% para Presidência. (Matéria do G1.)

http://g1.globo.com/Noticias/Politica/0,,MUL1421599-5601,00-
PESQUISA+DATAFOLHA+APONTA+SERRA+COM+E+DILMA+COM+PARA+PRESIDENCIA.ht
ml

Comentários
O texto é uma aula do antigo "bom jornalismo".

A técnica inclui-se entre os recursos de defesa porque, evidentemente, o fato divulgado foi péssimo
para o "nosso lado". Nesses casos, qualquer tentativa de distorcer seu significado, encontrar um ponto
positivo ou inverter o sentido, divulgando o fato como favorável a nossos interesses, soaria
imediatamente falsa aos olhos do leitor.

Nessa situação, lembre-se do que lhe foi ensinado quando estava na faculdade e aplique os critérios de
precisão, síntese, ética e tudo o mais. O texto deve ser rápido porque textos longos tendem a fixar o
conteúdo na consciência do leitor. O ideal é fazê-lo sair da leitura com a impressão de "Só isso?", que foi
originada pela sua redação, mas que será associada psicologicamente ao fato.

Outro exemplo
"DF emprega mais comissionados que União." (Fernanda Odilla e Larissa Guimarães, Folha de S.
Paulo.)

http://oglobo.globo.com/pais/noblat/posts/2009/12/26/df-emprega-mais-comissionados-que-uniao-
252773.asp

O fato era de conhecimento de todo órgão da mídia. Mas como o governador José Roberto Arruda
estava cotado para ser o vice na chapa de José Serra, na candidatura PSDB-DEM à presidência da
República, a Grande Mídia escondeu o incrível descalabro administrativo, priorizando, ao invés, a
imagem de excelente administrador...
http://veja.abril.com.br/090408/p_058.shtml

... até a revelação das fitas de vídeo que mostravam o governador atuando como o chefe de uma
quadrilha de ladrões de dinheiro público.

A partir desse momento, os órgãos da Grande Mídia sentiram-se liberados para praticar o bom
jornalismo, informando os fatos aos leitores, sem ocultações.

Essa mudança radical de comportamento ilustra bem a atitude de flexibilidade interesseira (veja a
Primeira Parte) que deve pautar a nossa ação: se um determinado grupo ou se uma determinada
instituição ou pessoa não serve mais aos nossos interesses, ela pode ser "queimada", tendo-se apenas o
cuidado de não queimarmos, nessa ação, qualquer dos nossos interesses que vinham sendo promovidos ou
defendidos por ela.
TÉCNICAS DE ELIMINAÇÃO DE MÉRITO

As técnicas de eliminação de mérito são aplicadas para atenuar ou eliminar um mérito incômodo do
"outro lado", que esteja prejudicando a imagem ou os interesses do "nosso lado".

Apropriação de sucesso alheio

Definição
Apropriação de sucesso inegável do "outro lado", por meio de argumentos ou afirmações que
associem esse sucesso a alguma iniciativa de autoria do "nosso lado".

Exemplo
"O choque [com os Estados Unidos] pode ser inevitável, já que a área de política externa é a que Lula
reservou para seu governo realizar uma política de viés esquerdista, para compensar a política econômica
de continuidade do governo tucano." (Merval Pereira.)

http://arquivoetc.blogspot.com/2009/12/merval-pereira-disputa-pela-esquerda.html

Comentários
Aqui o jornalista repete pela milésima vez um mantra da Oposição: o sucesso econômico do Governo
Lula deve-se exclusivamente ao seu antecessor. Após 7 anos de gestão autônoma (criticada pela própria
Oposição), exercendo absoluto controle sobre o Orçamento federal (criticado pela Oposição),
implementando diretrizes sociais próprias (criticadas pela Oposição), contratando servidores (tendência
criticada pela Oposição), entre outras diferenças marcantes, o mantra permanece ressoando porque é
necessário haver a repetição incessante para que uma versão se sobreponha à realidade.

É importante ressaltar que, como sempre, o colunista conta com a preguiça mental dos seus leitores,
dispostos a aceitar afirmações infundadas desde que elas venham travestidas de autoridade.

Repare como, inteligentemente, o jornalista reservou a frase final do artigo para repetir o mantra.
Como já foi explicado, os mais poderosos lugares numa matéria são a manchete, as frases iniciais e a
frase final.

Outro ponto importante: a coluna centra-se nos aspectos políticos da relação entre Estados Unidos e
Brasil. Somente no final o jornalista desvia o foco, sem razão aparente, para abordar esse mantra
econômico. A prática ilustra exemplarmente a técnica do ataque inesperado.

Outros exemplos
1. "Eu não sei se o PSDB deve fazer uso dessa ou daquela estratégia, mas eu sei o seguinte: o quê foi
que Lula fez? Apesar de negar, não deu continuidade ao que eu tinha feito?" (Fernando Henrique
Cardoso.)

http://jbonline.terra.com.br/pextra/2009/12/19/e19128461.asp

2. "Na verdade, o governo Lula foi herdeiro da superação do pior problema brasileiro no final do
século XX. Herdou sem merecer, porque foi, quando oposição, adversário de cada uma das etapas do
controle inflacionário.

"Hoje, ele se apropria desse patrimônio." (Miriam Leitão.)

http://gilvanmelo.blogspot.com/2009/12/miriam-leitao-o-nao-dito.html

Repare que, neste exemplo, a jornalista aplicou também a técnica de projeção: ela, como expoente do
"nosso lado", está se apropriando do mérito do adversário, mas acusa o adversário de estar cometendo
essa impropriedade.
Transferência de mérito

Definição
Transferência de mérito por um resultado positivo, de uma pessoa ou grupo do "outro lado" para uma
pessoa ou grupo do "nosso lado" ou para uma pessoa ou grupo neutro.

Exemplo
"[O programa do PT] Disse que o país exportava US$ 60 bilhões e agora, US$ 112 bilhões. É
verdade, mas não é governo que exporta. O setor exportador brasileiro é o grande merecedor do crédito."
(Miriam Leitão.)

http://www.eagora.org.br/arquivo/O-ilusionismo/

Comentários
Obviamente, se o resultado positivo divulgado pelo programa e pela jornalista fosse conseguido por
políticos do "nosso lado", o mérito integral iria para a política do Governo, vista como a grande
propulsora da atividade de exportação. Mas como se trata de um governo do "outro lado", é essencial
transferir o mérito do sucesso – no caso, para um grupo neutro (os exportadores).

Observe, no artigo, como a jornalista vai ponto por ponto procurando eliminar o valor de todos os
sucessos alardeados pelo Governo. Essa técnica bateu-levou cria, ao final, a impressão de sufocação do
adversário, incapaz de fazer valer sequer um ponto a seu favor. Notável.

Eliminação do mérito

Definição
Eliminação da responsabilidade do adversário por um sucesso incontestável, atribuído a um fator
simples e alheio à sua vontade e competência.

Exemplo
"Por que o Brasil está fazendo tanto sucesso? Porque tem um mar de dinheiro barato sobrando no
mundo e para algum lugar rentável ele tem de ir. Adivinha? Para o Brasil, claro." (Marcos Nobre.)

http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2009/12/22/meu-caro-amigo

Comentários
A técnica raramente surte efeito porque ela exige que do leitor a aceitação passiva de um argumento
logicamente primário, que elimina a complexidade da realidade e um grande conjunto de ações humanas
da parte do "outro lado", substituindo-as, na prática, por um só fator: sorte.

Por esse motivo, o argumento não deve ser usado como base para um raciocínio demorado. Enuncie a
falsidade e mude logo de assunto, para que a sua imagem de pensador não fique muito arranhada.

Minimização de vitória

Definição
Interpretação alternativa dada a fato positivo para o adversário, destinada a atenuar ou a praticamente
eliminar o mérito por essa conquista.
Exemplo clássico
A reação da Grande Mídia quando o Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, chamou o
Presidente Lula de "o cara" e "o político mais popular da Terra".

http://g1.globo.com/Noticias/Economia_Negocios/0,,MUL1070378-9356,00-
LULA+E+O+CARA+DIZ+OBAMA+DURANTE+REUNIAO+DO+G+EM+LONDRES.html

Comentários
A mobilização imediata da Grande Mídia na tentativa de evitar o aproveitamento desse apoio
poderoso ao "outro lado" mostrou, para quem quisesse ver, que o PIG não precisa de coordenação. Os
valores e os interesses cuidam das iniciativas. Exemplos:

1. "Obama é o cara."

"Evidentemente, Obama sabe quem é o político mais popular do planeta, bem como consegue
perceber que o presidente brasileiro não estaria entre os finalistas em concurso de “boa-pinta”. Não era,
porém, a exatidão o que estava em jogo ali." (Dora Kramer.)

http://arquivoetc.blogspot.com/2009/04/dora-kramer-obama-e-o-cara.html

2. " Faz tempo que não implico com Lula. Dirão que voltei a implicar.

"Mas desconfio que debocharam com classe dele em Londres, ontem e hoje." (Ricardo Noblat.)

http://oglobo.globo.com/pais/noblat/post.asp?t=obama-diz-que-lula-o-politico-mais-popular-na-
terra&cod_post=174138

3. "A linguagem corporal de Lula foi de modéstia. Balançou a cabeça, ficou limpando os óculos,
parou um pouco para pensar, como se quisesse entender as reais implicações daqueles comentários.
Afinal, Lula sabe como ninguém que é o próprio Obama o 'político mais popular da Terra'." (Merval
Pereira.)

http://arquivoetc.blogspot.com/2009/04/bem-na-foto-merval-pereira-deu-em.html
TÉCNICAS DE INVIABILIZAÇÃO PREVENTIVA DE ATAQUES

A aplicação das técnicas de inviabilização preventiva de ataques visa neutralizar ou minimizar o


efeito das manobras do "outro lado", quando estas poderiam causar danos aos interesses ou aos
representantes do "nosso lado".

Notinha de alerta

Definição
Notícia divulgada para anular ou minimizar os danos que seriam causados a um representante do
"nosso lado", caso ele fosse apanhado de surpresa pela movimentação do adversário.

Exemplo
"Justiça vai fechar o cerco a Arruda." (Notinha de Leandro Mazzini sobre iminente operação da
Polícia Federal contra envolvidos nas falcatruas cometidas pelo governador José Roberto Arruda, do
Distrito Federal.)

http://jbonline.terra.com.br/pextra/2009/12/16/e16127354.asp

Comentários
A leitura da notinha é recomendável porque o texto exemplifica o grau máximo de utilidade dessa
técnica. O jornalista revela não só a iminente deflagração da operação policial, mas também especifica os
alvos (documentos e pessoas): "contratos da Secretaria de Transporte, gerida pelo auxiliar de todas as
horas de Arruda, o deputado federal Alberto Fraga. Um discípulo fiel ao pivô da crise, Durval Barbosa,
também deve aparecer no caso."

Como resultado da notinha de alerta, os envolvidos podem tomar providências legais e/ou ilegais
antes do flagrante, como a busca de orientação com advogados, o deslocamento ou a destruição de
provas, a montagem de uma estratégia coletiva de defesa etc.. E a divulgação pública visa também
garantir a circulação da informação entre todos os possíveis alvos, diretos ou indiretos, da operação
policial.

Outro resultado positivo da notinha é a necessidade imposta ao atacante de apressar a iniciativa,


impedindo-se assim o desenvolvimento pleno das investigações.

Passar o recado em notinha, em certos casos, evita que o jornalista se exponha a grampos de
comunicação telefônica ou a monitoramento de correspondência eletrônica, ou mesmo à gravação de
encontros presenciais. E o redator da notinha está protegido legalmente porque pode alegar (falsa mas
habilmente) a existência de interesse social da notícia, enquanto realiza seu trabalho a favor de aliados do
PIG.

Preparação de contra-ataque

Definição
Notinha ou matéria jornalística que visa preparar o contra-ataque de um dos representantes ou
protegidos do "nosso lado" a um iminente ataque vindo do "outro lado".

Exemplo clássico
"Dantas é alvo de outra investigação da PF." (Matéria de Andrea Michael que motivou o pedido de
habeas-corpus impetrado pelos advogados do banqueiro Daniel Dantas, usado mais tarde para conseguir
sua liberdade em duas ocasiões sucessivas no STF.)

http://www1.folha.uol.com.br/folha/dinheiro/ult91u420488.shtml
Comentários
Neste caso, a notinha não serve para a defesa, mas para o contra-ataque do futuro alvo de ataque por
parte de autoridade do "outro lado". Em geral, o jornalista recebe a informação da parte que será atacada e
atua como um peça importante no jogo de xadrez que opõe interesses empresariais ou políticos à Justiça.

A divulgação da futura operação policial serve de base para acusações de perseguição política ou
empresarial, para frustrar o desenvolvimento de novas investigações ou, em casos extremos, para que os
advogados do alvo de ataque consigam uma sustentação concreta para o pedido de habeas-corpus.
TÉCNICAS DE CONTESTAÇÃO FALACIOSA DE CRÍTICAS

As críticas feitas à atuação do PIG devem ser respondidas não com argumentos, mas com falácias
(isto é, argumentos aparentemente válidos, mas fundamentalmente falsos). Os motivos são simples:

1. Rapidez.
As falácias vêm em fórmulas verbais curtas. Isso elimina a obrigação de esforço mental do criticado
(nem sempre nossos colegas são muito inteligentes) e diminui o tempo de exposição do crítico na mídia
(é sempre importante "esvaziar a bola" do outro lado).

2. Reconhecimento.
A maioria das pessoas já foi exposta a tais falácias, portanto reconhecerá logo um desses argumentos.
Como sempre se deve partir do princípio de que o nosso público é altamente manipulável e
intelectualmente preguiçoso, podemos ter quase certeza de que ele não examinou a validade dessas
falácias.

3. Peso.
As falácias, por virem de longe e serem muito repetidas, carregam o peso de uma tradição intelectual,
ainda que inepta.

Falsa oposição (ou falso dilema)

Definição
Uma falsa oposição entre a posição defendida pela pessoa e uma posição diferente, obviamente
radical e indesejável, jamais considerada na crítica.

Exemplo clássico
"Melhor uma imprensa ruim do que nenhuma imprensa."

***

"A imprensa não é para badalar o poderoso, mas para provocá-lo, cobrá-lo, muitas vezes irritá-lo.
Mais vale um governante irritado do que um país sem a mídia para irritá-lo." (Eliane Cantanhêde.)

http://www1.folha.uol.com.br/folha/pensata/elianecantanhede/ult681u608591.shtml

Outros exemplos
"Melhor uma democracia imperfeita do que uma ditadura."
"Mesmo se errar, a imprensa é necessária." (Luiz Carlos Santos Lopes.)
"Ou eu ou o caos." (a posição de Fernando Collor de Mello na época de lançamento do Plano Collor.)

Observação importante
Por ser uma falácia, a aplicação desse argumento implica um grau de risco. Apenas para efeito de
conhecimento, eis a técnica de desmonte da falácia da falsa oposição:

1. Pergunte: "Quem disse que o oposto de X é Y?"

2. Descartada a opção radical e indesejável, encontre a oposição verdadeira, escondida matreiramente


pelo argumento capcioso.

Exemplos
O oposto de uma imprensa ruim é uma boa imprensa.
O oposto de uma democracia imperfeita é uma democracia menos imperfeita (isto é, aperfeiçoada).
O oposto de um erro não é a eliminação da instituição que errou, mas o acerto.
O oposto de um plano político ruim é um plano político eficiente.

Portanto, essas possibilidades jamais devem ser admitidas, implícita ou explicitamente, por quem
aplica a falácia da falsa oposição.

Falsa equivalência

Definição
Uma falsa equivalência entre uma pessoa ou um órgão e a instituição maior a que eles pertencem.

Exemplo clássico
Qualquer argumento que traga o pressuposto "Nós somos a imprensa" e que parta daí para invalidar
uma crítica, tomada como um "ataque à imprensa".

Exemplos específicos
. A proibição de divulgação de informações sigilosas sobre Fernando Sarney, imposta ao "Estadão"
(um órgão da imprensa) pela Justiça, é uma censura à *imprensa*.

. A denominação PIG, aplicada jocosamente a um grupo de órgãos de imprensa, jornalistas,


colunistas e parajornalistas que usam seu espaço na imprensa para realizar práticas que violam a ética da
profissão, é uma agressão à *imprensa*.

. "O sufocamento de um pequeno jornal é o sufocamento de toda a imprensa livre." (Carlos


Brickmann.)

http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/imprimir.asp?cod=567CIR001

Observação importante
Por ser uma falácia, a aplicação desse argumento implica um grau de risco. Apenas para efeito de
conhecimento, eis a técnica de desmonte da falácia da falsa equivalência:

. Pergunte, conforme a situação:


a) "Quais e quantos são os indivíduos ou órgãos específicos envolvidos nesta crítica?
b) Que comportamentos específicos estão sendo criticados?
c) Outros órgãos ou profissionais, mais éticos e mais competentes, teriam o mesmo comportamento?

Apenas para seu conhecimento


Um órgão de imprensa não *é* toda a imprensa.
Os jornalistas não são a imprensa, eles *estão* na imprensa.
O comportamento de determinados jornalistas não é o *único* possível naquela situação.

Portanto, essas verdades jamais devem ser admitidas, implícita ou explicitamente, por quem aplica a
falácia da falsa oposição.

Falsa conceituação

Definição
Uma falsa conceituação que visa exaltar uma pessoa, instituição etc., blindando-a das críticas que
teriam um sentido oposto ao da conceituação.

Exemplo clássico
"A imprensa sempre foi a maior defensora da democracia e da liberdade, numa sociedade."
Observação importante
Por ser uma falácia, a aplicação desse argumento implica um grau de risco. Apenas para efeito de
conhecimento, eis a técnica de desmonte da falácia da falsa conceituação:

. Pergunte: "Qual foi a real atuação de cada órgão da imprensa durante a sua existência, quanto à
democracia e à liberdade em seu país (e nos demais países)?"

Apenas para seu conhecimento


A imprensa sempre foi a única instituição com o poder de definir a própria imagem social, por ter o
controle da palavra impressa e das notícias que saíam em suas publicações. Criou-se o mito da "grande
defensora da democracia e da liberdade", amparado por determinadas ações históricas nesse sentido.

O poder exclusivo de definir a própria imagem findou com a internet. E o mito está sendo lentamente
esgarçado pela nova consciência social.

Os exemplos históricos da atuação antidemocrática e opressora da imprensa abundam.

Em determinadas épocas e determinados países, a imprensa (significando "os jornalistas que


comandaram os órgãos da mídia oficial e seus contratados") foi na verdade o maior obstáculo ao
*desenvolvimento* da democracia e à conquista da liberdade. E ainda o é.

Alguns exemplos históricos:


. A posição de diversos órgãos da imprensa nacional durante a Ditadura (1964-1985).
. Idem, para outros países que viveram sob o regime ditatorial.
. A posição de boa parte da imprensa hondurenha, quanto ao golpe de Estado perpetrado por Roberto
Michelletti.
. A imprensa antiga e atual dos países muçulmanos, atrelada ao poder das famílias dominantes.
. A posição oficial da mídia dos EUA, em suas inúmeras interferências políticas e militares em outros
países.
. A posição atual da Grande Mídia nacional, em luta aberta contra um governo democraticamente
instituído.

A imprensa atuou e atua de modo variado em relação à democracia e à liberdade, dependendo da


época e das circunstâncias políticas. Um mesmo órgão da imprensa pode revelar essas posições
contraditórias em diversas fases de sua história (história não-oficial, é claro).

Portanto, esse outro lado da imprensa e da mídia jamais deve ser admitido, implícita ou
explicitamente, por quem aplica a falácia da falsa conceituação.

Falsa função de representação

Definição
A afirmação falsa de que a imprensa exerce a função primordial de retratar fielmente a realidade.

Exemplo clássico
A noção da imprensa como "mensageiro", que não deve ser o culpado pela "mensagem".

Observação importante
Por ser uma falácia, a aplicação desse argumento implica um grau de risco. Apenas para efeito de
conhecimento, eis a técnica de desmonte da falácia da falsa função de representação:

1. Pergunte, conforme a situação:


a) "A realidade política retratada por este órgão da imprensa corresponde àquilo que objetivamente
existe?"
b) "Esse retrato feito pela mídia é uma representação precisa da realidade?"

2. Se a resposta é "não", pergunte:


a) "Que interesses ocultos estão sendo patrocinados por essa falsa representação?"
b) "A quem interessa que as pessoas reajam a essa falsa representação como se fosse a realidade do
país?"

Apenas para seu conhecimento


Um historiador do futuro não poderá reconstituir a realidade nacional desta época valendo-se apenas
do conteúdo consultado em publicações da mídia. Na verdade, ele teria uma representação falseada da
realidade – em certos pontos, até mesmo contrária a esta. E o material consultado não lhe daria subsídios
para entender a discrepância, quando a descobrisse.

Um exemplo óbvio: um Presidente com mais de 80% de aprovação popular e mais de 80% de
desaprovação midiática.

Assim como, em certas épocas, alguns órgãos de imprensa agem como inimigos da democracia e da
liberdade, a chamada Grande Mídia nacional age atualmente como uma inimiga da realidade, ao
representá-la de modo falso e conscientemente distorcido – mas conveniente a nossos interesses.

Portanto, a verdadeira motivação da imprensa e da mídia jamais deve ser admitida, implícita ou
explicitamente, por quem aplica a falácia da falsa função de representação.

Falsa função obrigatória

Definição
A afirmação falsa de que um profissional da imprensa tem a obrigação funcional de atuar na oposição
aos governos.

Enunciação clássica
"Um integrante da imprensa tem que se opor ao Governo constituído, em tudo, por dever de ofício."

Exemplos atuais
. " [...] ele [o Presidente Lula] parece longe de compreender que a imprensa, como nos ensinou Millôr
Fernandes, é oposição – 'e o resto é armazém de secos & molhados'." (Sérgio Augusto.)

http://arquivoetc.blogspot.com/2009/12/sergio-augusto-as-favas-com-livre.html

. " – Sabe o que é mesmo doutor? É que governo foi feito para apanhar." (Ricardo Noblat, "Lição aos
Moços".)

http://oglobo.globo.com/pais/noblat/posts/2009/12/28/licao-aos-mocos-253115.asp

Observação importante
Por ser uma falácia, a aplicação desse argumento implica um grau de risco. Apenas para efeito de
conhecimento, eis a técnica de desmonte da falácia da falsa função obrigatória:

1. Pergunte:
"Se a imprensa tem a obrigação de se posicionar contra tudo o que Governo faz, o que a torna
diferente da Oposição política?"

2. Depois pergunte:
"E como teremos conhecimento, pela mídia, do outro lado da atuação do Governo?"

3. Por fim, pergunte:


"Por que essa atitude oposicionista não se manifesta na prática em relação aos governantes e políticos
aos quais o PIG é simpático?"

Apenas para seu conhecimento


Curiosamente, essa falácia é contraditada por outra: a falsa afirmação de que "a imprensa reflete a
realidade". Se assim o fosse, ela deveria ser *justa* em seu tratamento do Governo, e não parcial.

Historicamente, essa falácia foi empregada para esconder interesses inconfessáveis de órgãos,
jornalistas e parajornalistas da mídia ligados a grupos políticos, empresariais e, em certos casos,
criminosos, que se encontravam temporariamente na oposição ao governo municipal, estadual ou federal.
Atualmente, é empregada com as mesmas funções.

Portanto, a verdadeira função da imprensa e da mídia jamais deve ser admitida, implícita ou
explicitamente, por quem aplica a falácia da falsa função obrigatória.

Falsa liberdade absoluta

Definição
A afirmação falsa de que somente uma categoria de profissionais tem direito à liberdade absoluta de
comportamento, sem nenhuma restrição legal no exercício de sua profissão.

Exemplo
"É sim, Meritíssimo, a liberdade de imprensa é absoluta." (Alberto Dines.)

http://www.observatoriodaimprensa.com.br/blogs.asp?id={7FC5968D-FE1C-4F60-8FF3-
5AEDF0D35AF8}&id_blog=8

Observação importante
Por ser uma falácia, a aplicação desse argumento implica um grau de risco. Apenas para efeito de
conhecimento, eis a técnica de desmonte da falácia da falsa liberdade absoluta:

1. Pergunte:
"Todo direito à liberdade acaba no momento em que ele fere um direito alheio. Toda liberdade é
relativa porque todo direito é relativo. Em que um jornalista é diferente de outro cidadão, para ter a
liberdade, e só ele, de eliminar os direitos alheios?"

2. Depois pergunte:
"Compare o poder de um órgão de comunicação com o poder de um cidadão comum. Nessa relação
brutalmente assimétrica, dar um direito absoluto ao mais poderoso e deixar o cidadão com seus direitos
relativos não é um meio de aprofundar a assimetria e de criar uma relação tão odiosa quanto qualquer
outra relação opressiva?"

Apenas para seu conhecimento


A prática da liberdade absoluta serve de base para assassinatos de reputação, criminalização de
adversários, jogadas comerciais, escandalização e tantos outros recursos na luta pelo poder. É um dos
maiores recursos do PIG na luta pelos seus interesses porque permite empregar armas legalmente vedadas
ao "outro lado".

Nenhuma falácia deve receber mais atenção, em sua defesa, do que esta.

Portanto, os aspectos negativos dessa relativa assimétrica entre a imprensa e o cidadão (quanto mais a
sua alteração) jamais deve ser admitida, implícita ou explicitamente, por quem aplica a falácia da falsa
liberdade absoluta.

Outro exemplo
"Todos seremos melhores com a imprensa livre." (Ricardo Gandour.)

http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20091216/not_imp482694,0.php

Evidentemente, a tese "joga para a platéia" porque a nossa imprensa já é livre para se expressar,
defender seus interesses (por mais escusos que sejam), tramar, assassinar reputações ...
Mas a tese defendida é perfeita. Não podemos aceitar nenhuma limitação de recursos em nossa luta,
seja no campo do trabalho limpo, seja no do trabalho sujo.

Falsa identidade de interesses

Definição
A afirmação falsa de que a categoria de profissionais de imprensa sempre representa os interesses da
sociedade.

Exemplo

Chamada do site Observatório da Imprensa em 19/12/2009.

Observação importante
No caso em questão, um jornal foi proibido de divulgar informações de um processo que corria em
segredo de justiça. A mídia, sempre internamente solidária (atitude que, nas demais categorias,
denominamos "corporativismo" ou "espírito de corpo"), apoiou em peso o jornal e optou por denominar
"censura à imprensa" a um caso bem particular.

A falácia exemplificada acima não poderia ser mais explícita: "é uma causa de todos". Obviamente, é
uma causa específica do jornal e, por solidariedade interna, dos outros veículos de imprensa. À sociedade
interessa o respeito às leis – o qual, e que ninguém "de fora" nos leia, já jogamos no lixo há muito, como
um princípio de luta.

Por ser uma falácia, a aplicação desse argumento implica um grau de risco. Apenas para efeito de
conhecimento, eis a técnica de desmonte da falácia da falsa identidade de interesses:

. Pergunte:
"Qual é a ameaça real e concreta aos meus interesses, representada por esta medida específica e este
caso específico?"

Fique atento para uma possível aplicação da técnica da previsão catastrófica – o único modo pelo
qual um defensor dessa falácia pode justificar o futuro perigo gigantesco de uma medida tópica.
3. TÉCNICAS DE

ORIENTAÇÃO POLÍTICA
TÉCNICAS DE ORIENTAÇÃO POLÍTICA

As técnicas de orientação política apresentam dois aspectos. O aspecto propriamente técnico é


representado pela sugestão de caminhos adequados, indicação da necessidade de correções de rumo e
estimulação de iniciativas proveitosas. O aspecto psicológico é representado pelas iniciativas tomadas
quando grupos ou indivíduos demonstram preguiça, desânimo ou desesperança por causa da situação
presente, ou mesmo incompetência e timidez em suas iniciativas de ataque e defesa.

A. AGENTES DO JOGO

Por ter acesso a uma visão externa da luta, assim como a uma visão interna, o PIG é às vezes o ponto
mais apropriado para se ganhar uma perspectiva geral do desenvolvimento das situações. Isso o torna o
parceiro ideal de grupos empresariais e políticos, quanto à orientação de suas iniciativas.

TÉCNICAS DE CHAMAMENTO À LUTA

As técnicas de chamamento à luta são utilizadas pelo PIG quando a situação parece estar saindo do
controle, geralmente por culpa da Oposição que atua no "nosso lado". São formas de "chamar às falas"
nossos aliados ou de espicaçar os brios dos atores públicos para que eles tomem jeito, reajam, mudem de
comportamento e façam aquilo que seria benéfico aos nossos interesses (identificados com os deles, nesse
caso).

Também denominadas "fogo amigo", essas técnicas são utilizadas quando a situação se torna
dramática para os interesses do PIG, que não percebe em grupos aliados ou protegidos o grau de
mobilização, inteligência e eficiência que ele (o PIG) sempre demonstra em suas ações.

Instigação ao ataque

Definição
Ataques diretos a grupos aliados ou protegidos, que estão revelando fraqueza e timidez na promoção
dos interesses do PIG (e deles também).

Exemplo
"O PMDB se tornou o grande agregado da política nacional, a sigla-mãe do clientelismo. É fácil rir
do teatro da dignidade, do 'vazio da respeitabilidade' que suas figuras de proa ostentam.

"Sim, mas quem salvou Sarney? Falta vontade e coragem para criticar aquele que patrocina relações
espúrias de poder em troca da comodidade do mando." (Fernando de Barros e Silva.)

http://arquivoetc.blogspot.com/2009/12/fernando-de-barros-e-silva-imagem.html

Comentários
A orientação está expressa no trecho "vontade e coragem" (as atitudes necessárias), no alvo indicado
para os esforços voluntariosos e corajosos (o Presidente) e no conteúdo do ataque (as "relações espúrias").

Novamente, repare que o ataque mais forte do jornalista foi reservado (corretamente) para a frase
final: o Presidente Lula é representado como "aquele que patrocina relações espúrias de poder em troca da
comodidade do mando."

Quando o ataque apresenta esse grau de força e é o último conteúdo do texto, o leitor tende a se
lembrar mais dele do que de todas as idéias anteriores.
Crítica a um grupo aliado

Definição
Crítica feita a um grupo como um todo (geralmente a Oposição), motivada por sua incompetência,
falta de coragem ou indecisão.

Exemplo
"E Lula viu a oposição. Retificando: Lula não viu porque ela não existe. Viu uma gente medrosa,
desarticulada, sem discurso e ao que parece conformada com o desastre que se avizinha." (Ricardo
Noblat.)

http://gilvanmelo.blogspot.com/2009/12/ricardo-noblat-o-jardineiro-feliz.html

Comentários
Esse tipo de crítica serve também como um recado indireto do PIG à Oposição: revela como o
desespero está batendo não apenas num jornalista, mas na mídia como um todo, ao ver no futuro a
perspectiva de derrota inevitável. E alerta para a necessidade de medidas urgentes destinadas a reverter a
situação.

Ordem explícita

Definição
Afirmação em tom de comando que indica a ação política necessária e imediata para promover os
interesses do "nosso lado", geralmente contraposta à ação errônea atualmente desenvolvida pelos
destinatários da ordem.

Exemplo
"Ignorando tal realidade, os democratas decidiram adiar a decisão. A situação de Arruda só piorou. E
a reputação do partido também. Se não expulsar Arruda, está liquidado. E espera-se que PSDB e PPS
também façam a sua limpeza. Adiar a expulsão, conforme demonstrava o óbvio, só faria aumentar as
suspeitas contra o partido, SEM, NO ENTANTO, BENEFICIAR ARRUDA MINIMAMENTE!"
(Reinaldo Azevedo.)

http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/fora-arruda-e-o-obvio/

Comentários
A técnica visa focar a atenção dos aliados do PIG na ação que poderia evitar um estrago maior do que
o já causado pela inoperância ou incompetência dos agentes políticos. Assim como as outras técnicas de
chamamento à luta, esta possui natureza mais defensiva que agressiva – mas nem por isso é menos
importante ou menos fundamental ao jogo político.

Outros exemplos
1. Lucia Hipollito, na CBN:

http://cbn.globoradio.globo.com/comentaristas/lucia-hippolito/2009/11/30/DEM-TERA-QUE-
TOMAR-ALGUMA-PROVIDENCIA-SE-QUISER-CONTINUAR-FAZENDO-OPOSICAO.htm

Mensagem: para ficar do "nosso lado", vocês vão ter que se enquadrar.

2. Merval Pereira, na CBN:


http://cbn.globoradio.globo.com/comentaristas/merval-pereira/2009/12/01/DEM-ESTA-ERRADO-
SE-NAO-EXPULSAR-ARRUDA.htm

3. "Afinal, o projeto estratégico da aliança PSDB-DEM era transformar Brasília num imenso canteiro
de obras, fazer da capital uma cidade-modelo, aumentar ainda mais a enorme popularidade do governador
Arruda e consolidar a aliança.

"Serra para presidente e Arruda para vice.

"E agora?

"Até agora, os tucanos estão em silêncio.

"E o governador José Serra, não tem nada a dizer?

"E assim, um escândalo local se transforma em escândalo nacional." (Lucia Hipollito.)

http://oglobo.globo.com/pais/noblat/luciahippolito/posts/2009/11/30/o-demsalao-245942.asp

4. Merval Pereira, na CBN:

http://cbn.globoradio.globo.com/comentaristas/merval-pereira/2009/12/23/SE-AECIO-RECUSAR-
CONVITE-PARA-SER-VICE-DE-SERRA-PSDB-PODE-FICAR-ENFRAQUECIDO.htm

Chamado à mídia

Definição
Ordem ou sugestão dada à própria mídia no sentido de ajustar a estratégia de luta, do modo mais
adequado aos interesses do "nosso lado".

Exemplo
"Se a imprensa insistir nessa polarização, estará, evidentemente, prestando um desserviço à própria
democracia. Não só porque estará cedendo à pauta do PT, mas porque estará vendendo uma mentira: Lula
não é o candidato. Se é o confronto que interessa, então Serra responde a Dilma, e Dilma responde a
Serra. Eles são os jogadores." (Reinaldo Azevedo.)

http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/post-recuperado-%E2%80%93-leiam-o-que-segue/

Comentários
Um dos nossos integrantes faz um chamado aflito à própria mídia, para que não caia no jogo do
"outro lado". E aproveita para indicar o caminho certo aos nossos interesses.

Outro exemplo
"O Painel é certamente uma das seções mais lidas da Folha. O que sai ali tem sempre repercussão
política. Mas indago, como leitor, se a relevância política da informação não pediria também um título em
alto de página, acompanhado de um gráfico e das considerações sempre sábias de alguns analistas."
(Reinaldo Azevedo.)
Aqui, o mesmo jornalista vai além: não tenta impor o conteúdo, mas sugere em detalhes o modo
como uma notícia favorável ao "nosso lado" deve ser transmitida ao leitor, com o destaque merecido –
isso, para uma notícia publicada por órgão de outra empresa de comunicação.

Repare na estrutura sugerida: o título (impactante), o texto (com o conteúdo a nosso favor), o gráfico
(para facilitar a compreensão e a memorização) e a validação do conteúdo por nossos analistas (o reforço
científico do fato). Sábio conselho.

Chamado ao Judiciário

Definição
Crítica indireta ao Judiciário por não estar agindo para garantir os interesses do "nosso lado".

Exemplo
"Ontem mesmo o presidente Lula falou abertamente em Copenhague sobre a candidatura de Dilma,
dizendo que ela vencerá a eleição de 2010 porque tem 'grande qualidade', e disse que o trabalho da
oposição será muito difícil devido às grandes obras de seu governo, coordenadas por ela.

"Fez lá o que faz aqui quase diariamente, andando de cima para baixo com Dilma debaixo de sua asa,
sem que o tribunal considere que as leis eleitorais estão sendo burladas." (Merval Pereira.)

http://arquivoetc.blogspot.com/2009/12/merval-pereira-fumaca-branca.html

Comentários
O jornalista chama a atenção da Justiça para o crime eleitoral que estaria sendo cometido, tentando
valer-se da fase de ativismo judiciário para impedir a desenvoltura inconveniente do Presidente e de sua
candidata.

A técnica deve ser usada com cuidado para que não se transmita uma impressão de desespero, de
torcedor pedindo para ganhar o jogo no tapetão, segundo o jargão futebolístico. Essa impressão acabaria
desgastando a imagem do "nosso" candidato, por ser visto como fraco para se impor sozinho no processo
político.

Outro exemplo
"Qual a utilidade de escrever textos como este [sobre o abuso da propaganda oficial do Governo
Federal]? Dizer a verdade e deixar o registro histórico!!! Para um jornalista, é o bastante. Os homens de
estado e os políticos que se encarreguem de tomar as providências legais." (Reinaldo Azevedo.)

http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/o-pt-privatizou-a-caixa-economica-federal/

Chamado à nação

Definição
Crítica direta a todos os setores do País por serem coniventes com a situação atual ou, no mínimo,
por estarem, de modo masoquista, assistindo ao grupo do "outro lado" ocupar todos os espaços de atuação
política.

Exemplo
"Mas o que espanta já não é mais o que Lula faz. O que assusta é o que deixam que ele faça. E pelas
piores razões: uns por oportunismo deslavado, outros por medo de um fantasma chamado popularidade,
que assombra – mas, sobretudo, enfraquece – todo o País.
"Fato é que os Poderes, os partidos, os políticos, as instituições, as entidades organizadas, a sociedade
estão todos intimidados, de cócoras ante um mito que se alimenta exatamente da covardia alheia de
apontar o que está errado." (Dora Kramer, "Uma Nação de Cócoras".)

http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20091015/not_imp450839,0.php

Comentários
Trata-se de um chamado radical, que não pode ser repetido porque certos atos extremados perdem a
força com a sua repetição. Além disso, é importante pesar bem se esse é ou não o momento de realizar o
chamado, e também o modo como ele é comunicado ao público. Há um risco sério de que a pessoa que
faz o chamamento acabe parecendo com uma cantora de ópera enlouquecida gritando "por que a realidade
não é como eu quero que ela seja?!"

TÉCNICAS DE VALIDAÇÃO DE ESFORÇOS

As técnicas de validação de esforços são aplicadas para transmitir a mensagem de aprovação do PIG
a ações e medidas de nossos representantes (isto é, os defensores de nossos interesses), em especial os
representantes políticos.

Apoio explícito

Definição
Aprovação de determinada medida, posição ou ação de algum representante do "nosso lado".

Exemplo
Lucia Hippolito, na CBN:

http://cbn.globoradio.globo.com/comentaristas/lucia-hippolito/2009/12/03/PMDB-ESTA-CERTO-EM-
ENTRAR-NA-JUSTICA-POR-CITACAO-NO-CASO-ARRUDA.htm

Comentário
Tão importante quanto criticar os erros é elogiar os acertos. No primeiro caso, a intervenção do PIG é
técnica; no segundo, é psicológico. Nos dois casos, a verdadeira natureza das intervenções é política, e
direcionada tanto aos agentes da luta quanto à opinião pública – esta vai recebendo ensinamentos sobre o
que pensar, paralelamente às avaliações que vão indicando aos jogadores como jogar.

Outro exemplo
"Mesmo correndo o risco de criar a impressão de que não se coloca como uma alternativa de
mudança em outubro, Serra está na verdade empenhado em não deixar que a eleição se torne plebiscitária.

"Impedir que o eleitorado o identifique como o 'anti-Lula', transferindo para Dilma o papel que foi
escolhida para representar de 'o mesmo que Lula', é a decisão certa." (Merval Pereira.)

http://gilvanmelo.blogspot.com/2010/01/merval-pereira-estrategias.html

TÉCNICAS DE REDIRECIONAMENTO DE ESFORÇOS


As técnicas de redirecionamento de esforços são aplicadas para indicar a representantes de nossos
interesses a necessidade de repensar a situação e de mudar de rumo na luta pela influência e pelo poder.

Sugestão de rumo

Definição
Sugestão de algum rumo que seria, do ponto de vista dos interesses do PIG, mais proveitoso aos seus
aliados no jogo político.

Exemplo
"Outra coisa: será que não dava para a Marina ser vice do Serra? Tai, nessa dupla eu votava.

"Quer dizer, até desistia de inaugurar meu direito de não votar." (Maria Helena R. R. de Sousa.)

http://oglobo.globo.com/pais/noblat/mariahelena/posts/2009/12/15/uma-palavrinha-250139.asp

Comentários
Por se tratar de uma sugestão, a carga emocional associada a essa categoria de orientação política
comporta intervenções mais leves que nas técnicas da categoria "chamamento à luta". Neste caso
específico, é como se fosse um conselho de avó, e não uma ordem de pai.

Outro exemplo
"Havia escrito aqui há algum tempo que duas são as hipóteses que assustam os petistas: a primeira,
evidentemente, é a tal chapa puro-sangue 'Serra-Aécio'. Desnecessário dizer os motivos. A segunda é um
eventual entendimento que leve a senadora Marina Silva (PV-AC) a ser vice na chama encabeçada pelo
tucano. Diogo Mainardi escreveu uma coluna a respeito (ver abaixo)." (Reinaldo Azevedo).

http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/serra-marina-e-o-odio/

Puxão de orelha

Definição
Crítica que serve de puxão de orelha a algum expoente ou grupo do "nosso lado" e que vem
acompanhada de sugestão de redirecionamento de rumo.

Exemplo
. "Não foi o PT nem o PSDB, foram os dois."

[...]

"Nunca antes na história deste país um governante se apropriou das boas realizações alheias e nunca
antes na história deste país um partido político envergonhou-se de seus êxitos junto ao andar de baixo
com a soberba do tucanato." (Elio Gaspari.)

http://arquivoetc.blogspot.com/2010/01/elio-gaspari-nao-foi-o-pt-nem-o-psdb.html

Comentários
Na parte do conteúdo informativo, o articulista mistura malandramente obrigações dos governos
estaduais (fornecimento de água, saneamento) com obrigações federais. E omite outras comparações que
serviriam de contra-exemplo à sua tese: o índice de desemprego, o valor do salário mínimo, a cobertura
dos serviços de saúde pública, o montante do apoio à agricultura familiar etc.

Repare na fraqueza da conclusão geral tirada a partir de dados estatísticos limitados. No Governo
FHC, um trabalhador compra uma geladeira – e entra na estatítica como tal. No Governo Lula, um
trabalhador compra uma geladeira, uma TV, um fogão, um aparelho de som e um DVD – e entra na
estatística como dono somente de uma geladeira. E vai por aí.

Mas os dados distorcidos e omitidos servem somente como base para o puxão de orelha, mostrando
ao principal grupo do "nosso lado" que é preciso ir à luta, enfrentando o adversário no campo onde ele se
sente mais forte – não importa que dados, argumentos ou recursos sejam usados nesse embate.
Enfrentamento, sempre.

Alerta sobre perigo

Definição
Alerta urgente a integrantes do "nosso lado" para que reavaliem uma situação e mudem o rumo antes
que o mal seja irreversível.

Exemplo
Lucia Hipollito, na CBN:

http://cbn.globoradio.globo.com/comentaristas/lucia-hippolito/2009/12/18/SEM-AECIO-NA-
DISPUTA-OPOSICAO-PODE-TER-CAIDO-EM-ARMADILHA-PLEBISCITARIA.htm

Comentários
Na função auto-assumida de condutores do processo político, os colunistas, jornalistas e
parajornalistas do PIG utilizam sua visão externa ao processo para transmitir os mais variados recados.
Um dos mais úteis é justamente este: o alerta que soa quando a situação parece tornar-se desesperadora,
graças a manobras do "outro lado".

Outro exemplo
"Da mesma forma que o PT pode se surpreender lá na frente, se o percentual de Dilma se mostrar tão
frágil como uma Barbie paraguaia, o PSDB também precisa tomar cuidado: cada ponto que a petista
consolidar, é um a menos que Lula precisará transferir quando chegar a hora." (Denise Rothenburg.)

http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2009/12/21/o-datafolha-e-o-papai-noel

Aviso confortador

Definição
Sugestão de algum desenvolvimento de uma situação desesperadora que traga alívio e ânimo ao
"nosso lado", durante a fase de derrotismo.

Exemplo
Merval Pereira, na CBN:

http://cbn.globoradio.globo.com/comentaristas/merval-pereira/2009/12/17/SE-CIRO-GOMES-
DECIDIR-LANCAR-SUA-CAMPANHA-SERA-UMA-COMPLICACAO-PARA-O-GOVERNO.htm
Comentários
Essa técnica às vezes se confunde com a de pensamento desejoso porque depende de um fato futuro
positivo. Mas como a luta abrange aspectos técnicos, financeiros, políticos e também psicológicos, é
importante que haja estímulos periódicos vindos de fora para ajudar os lutadores a retomar o fôlego,
renovar a esperança e voltar ao embate com ânimo redobrado.

Processo de convencimento

Definição
Sugestão de algum rumo que seria, do ponto de vista dos interesses do PIG, mais viável aos nossos
aliados no jogo político, mas que está sendo desconsiderado indevidamente.

Exemplo
"Por fim, tendo saído da liça maior do que nela entrou, Aécio se qualificou para ser mais do que um
vice convencional – o que, por si só, abre um novo capítulo na história da sucessão." (Editorial do Estado
de S. Paulo)

http://oglobo.globo.com/pais/noblat/posts/2009/12/19/o-novo-formato-da-sucessao-editorial-
251431.asp

Comentários
Assim que o governador de Minas Gerais, Aécio Neves, comunicou sua desistência na luta pela
candidatura do PSDB à Presidência, vários expoentes do PIG iniciaram uma campanha de convencimento
para que aceitasse formar a "chapa dos sonhos", Serra-Aécio – isso apesar das declarações repetidas do
próprio Aécio de que a vice-presidência seria uma posição desprestigiosa para a sua importância política.

O objetivo dessa mobilização foi chamá-lo de volta à luta central, de alguma forma, por ser um
poderoso recurso contra o "outro lado", atualmente instalado no poder.

A origem desta iniciativa, sonho antigo do "nosso lado"...

"Eu tento sabotar o PT. Como é que se sabota o PT? Atualmente, só há um jeito: unindo José Serra e
Aécio Neves, em 2010." (Diogo Mainardi.)

http://veja.abril.com.br/blog/mainardi/na-revista/manual-de-sabotagem/

... foi o interesse do principal partido da Oposição:

1. "PSDB lança ofensiva para convencer Aécio a ser vice. "(Fernando Barros de Mello, Agência
Folha)

http://gilvanmelo.blogspot.com/2009/12/psdb-lanca-ofensiva-para-convencer.html

2. "FHC vê porta aberta para chapa puro-sangue." (Julia Duailibi, Estado de S. Paulo.)

http://gilvanmelo.blogspot.com/2009/12/fhc-ve-porta-aberta-para-chapa-puro.html

Outros exemplos
1. "Tudo o que o governo não quer e mais teme é disputar a eleição contra uma chapa que tenha
Aécio como vice de Serra. O governador de Minas é o primeiro a saber disso. E sabe também que daqui
em diante será grande a pressão dos tucanos para que ele se convença a compor a chapa puro sangue."
(Fernando Barros e Silva.)

http://gilvanmelo.blogspot.com/2009/12/fernando-de-barros-e-silva-questao.html

2. "Se Serra disparar e Dilma Rousseff (PT) ficar bem atrás, o tucano é candidato a presidente.
"Nada impedirá então Aécio Neves de embarcar no projeto com a vaga de vice-presidente. Num
cenário oposto, se Serra derrapar e ficar empatado ou até atrás de Dilma, é difícil vislumbrar o atual
governador de São Paulo renunciando ao cargo e entrando numa competição para perder. Nessa hipótese,
Aécio pode renunciar à renúncia e virar candidato." (Fernando Rodrigues.)

http://gilvanmelo.blogspot.com/2009/12/fernando-rodrigues-matematica-eleitoral.html

3. "Dez entre dez oposicionistas sabem que a união São Paulo-Minas seria fortíssima em 2010, como,
de resto, em qualquer eleição nacional, de qualquer tempo. Ainda mais se os dois governadores, como são
Serra e Aécio, têm alta aprovação popular. Mas falta combinar com o adversário: o próprio Aécio."
(Eliane Catanhêde.)

http://www1.folha.uol.com.br/folha/pensata/elianecantanhede/ult681u668504.shtml

B. RECEPTORES

As técnicas de orientação política também se destinam a leitores, ouvintes e espectadores. Neste caso,
elas apresentam uma carga emocional bem mais leve, sem a agressividade característica das técnicas
direcionadas a aliados do PIG.

TÉCNICAS DE ORIENTAÇÃO INTELECTUAL

As técnicas de orientação intelectual são aplicadas para direcionar o pensamento e as opiniões do


leitor, ouvinte ou espectador no sentido dos nosso interesses.

A melhor de duas

Definição
Orientação sobre o que o receptor deve pensar e sobre como deve agir em relação a determinado fato
da realidade, numa situação de "ou isso ou aquilo".

Exemplo
"Lá fora, tomada por representante de nação endinheirada, Dilma faz voto de pobreza. No Brasil,
ministra de país ainda pobre, Dilma faz voto de riqueza.

"Considerando-se o fato de que o Brasil não vale senão o quanto pesa, melhor levar a sério apenas a
Dilma de Copenhague." (Josias de Souza.)

http://josiasdesouza.folha.blog.uol.com.br/arch2009-12-01_2009-12-31.html#2009_12-
16_18_44_28-10045644-0

Comentários
Observe como o blogueiro finaliza o texto passando a sua orientação sobre o fato. Valendo-se da
técnica retórica da antítese, ele opta por um lado da oposição que ele mesmo criou e orienta o leitor a
segui-lo – um curso, naturalmente, favorável aos interesses do PIG.

Reorientação da opinião pública


Definição
Mudança radical de posição quanto a um expoente do "outro lado", comunicada à opinião pública e
sustentada por argumentos, devido à necessidade de ajustar a estratégia para benefício do "nosso lado".

Exemplo
"Marina Silva, por outro lado, como candidata a vice-presidente poderia dar um sentido prático à sua
plataforma ambiental, coordenando essa área no futuro governo José Serra. Reinaldo Azevedo, em seu
blog na Veja on-line, disse que Marina Silva, mais do que candidata a presidente, é candidata a santa.
Cruzei com ela recentemente e confirmo: ela levita. Elegendo-se na chapa de José Serra, ela teria a
possibilidade de, finalmente, voltar a pisar no chão." (Diogo Mainardi.)

http://veja.abril.com.br/blog/mainardi/na-revista/a-chapa-cabocla/

Comentários
Uma defensora intransigente do meio ambiente, das necessidades de medidas radicais contra o
aquecimento global e do criacionismo, membro da bancada evangélica do Congresso, entre tantas outras
posições contrárias às dos blogueiros acima, torna-se palatável quando sua participação no jogo político
pode fortalecer uma candidatura presidencial do "nosso lado". Isso demonstra o pragmatismo necessário
na luta política.

Repare que em nenhum momento as discordâncias passadas são referidas. No jogo da influência e do
poder, o passado só vem à tona quando pode servir à luta. Se não, cumpre deixá-lo quieto, em paz.

Porta-voz oficioso

Definição
Auto-atribuição da função de porta-voz oficioso dos agentes políticos do "nosso lado", assumindo sua
avaliação da situação e suas teses, e explicitando a estratégia adotada para derrotar o "outro lado".

Exemplo
"Agora o adversário não é o presidente popular, mas uma ministra até agora impopular e cheia de
atos falhos, com real possibilidade de nela se colar os próprios erros de gestão e discurso. Coisas que Lula
tirava de letra.

"E como é pra frente que se anda, o assunto popularidade de Lula foi tratado como intocável. Lá,
Lula é Lula.

"Mas o que interessa à oposição é o já, onde Dilma é só Dilma." (Roseann Kennedy e Adalberto
Piotto.)

http://colunas.cbn.globoradio.globo.com/adalbertopiotto/2009/12/16/lula-e-lula-dilma-e-dilma/

Comentários
A técnica é arriscada, já que o jornalista se expõe abertamente como um promotor ou defensor de
interesses de determinado grupo. Quanto mais se possa transmitir a aparência de imparcialidade ou de
oposicionismo profissional (o exercício da função fiscalizadora da imprensa), melhor.

Outro exemplo
1. "Estão vendo por que o governador José Serra, de São Paulo, empurra com a barriga o anúncio de
que será candidato a presidente da República?

No que o governador Aécio Neves, de Minas Gerais, anunciou que desistia de disputar com Serra a
indicação do PSDB para candidato à sucessão de Lula, não se passa um dia sem que Lula dê uma
alfinetada em Serra." (Ricardo Noblat.)

http://oglobo.globo.com/pais/noblat/posts/2009/12/22/lula-chama-serra-para-briga-252043.asp
2. "Serra quer mudar sem mexer no tripé." (Raymundo Costa.)

http://gilvanmelo.blogspot.com/2010/01/raymundo-costa-serra-quer-mudar-sem.html

Repare como, depois de dedicar a longa coluna a explicar posições do Governador aos leitores, sem
fazer nenhum comentário pessoal, o jornalista fecha o texto com a técnica da fofoca venenosa, aplicada
contra a adversária de José Serra, estabelecendo o contraste: a este eu ajudo, àquela eu prejudico.

Assessor de imprensa oficioso

Definição
Auto-atribuição da função de assessor de imprensa oficioso dos agentes políticos do "nosso lado",
assumindo sua função de propagandear méritos e realizações.

Exemplo
"José Serra tem a inequívoca vantagem de estar na frente nas pesquisas e tem também uma máquina
poderosa: a do maior estado da Federação. Ele tem uma série de obras para inaugurar numa área que é um
entroncamento de melhora da qualidade de vida, redução das emissões de carbono em São Paulo e
aumento da produtividade: a transformação do transporte público na maior cidade do país. Com um
transporte mais racional, com a mistura de novas linhas do metrô, dos Veículos Leves sob Trilhos, e
aumento da malha de trens, o governo José Serra está iniciando um projeto que pode revolucionar a vida
do paulistano. Serra tem a desvantagem de deixar uma obra aberta. Grande parte do projeto está para ser
terminada em 2011 e 2012." (Miriam Leitão.)

http://gilvanmelo.blogspot.com/2009/12/miriam-leitao-forca-de-cada-um.html

Comentários
É importante não cometer o erro do trecho acima: o parágrafo assemelha-se realmente a um press
release, e não a uma avaliação objetiva feita por um analista político sério. Em tudo o que fazemos deve
haver elegância e inteligência, e o compromisso com o "nosso lado" deve ser mais fundo que figura, mais
segundo plano que primeiro, mais essência que aparência.

Argumentador oficioso

Definição
Auto-atribuição da função de argumentador oficioso, visando contestar teses, idéias e argumentos do
"outro lado" que possam trazer prejuízo ao "nosso lado".

Exemplo
"[Lula] Procura carimbar o oponente como um fator de instabilidade. Na realidade fria, uma ironia, já
que foi no governo anterior que se instituiu o Plano Real, a noção de estabilidade da moeda, o fim da
inflação e o conceito de responsabilidade fiscal.

"O PT bateu-se contra essa política, só a adotou quando percebeu que era o caminho para ganhar a
eleição e com ela prosseguiu porque sem ela não estaria até hoje no governo." (Dora Kramer.)

http://arquivoetc.blogspot.com/2009/12/dora-kramer-fator-de-risco.html

Comentários
O argumentador oficioso age como se fosse um defensor explícito do "nosso lado" e tenta, com
argumentos, convencer o leitor de que o "outro lado" está errado. É uma técnica tão arriscada quanto a do
porta-voz oficioso e não deve ser repetida com freqüência para não gerar a suspeitas de envolvimento
inconfessável com agentes políticos do "nosso lado".
Outro exemplo
"Os caixas dois de Arruda, Durval, Azeredo, Collor e PC são brincadeira de criança perto do
esquema operado por José Dirceu, Luiz Gushiken, Marcos Valério e Delúbio Soares – entre os 40
denunciados pelo procurador-geral Antônio Fernando de Souza.

"Ao eleitor queixoso de que os políticos são todos iguais, vale o alerta: não são, não. O assalto do
bando de Lula (que não sabia) aos cofres da nação continua inigualável." (Guilherme Fiuza.)

http://colunas.epoca.globo.com/guilhermefiuza/2009/12/04/caixa-2-e-brinquedo/

Ataque a tese do "outro lado"

Definição
Crítica aos apoiadores do "outro lado" focada em algum erro lógico que estaria presente em uma de
suas teses.

Exemplo
"A exaltação a Lula e seu governo vem justamente da grande imprensa internacional, dificultando a
tese do próprio governo de que a 'mídia', especialmente os jornais impressos, refletem apenas a visão de
uma elite da sociedade, e por isso perderam a relevância política, sendo hoje largamente superados pelos
novos instrumentos tecnológicos como a internet, os blogs e demais meios de comunicação social, que
permitiriam à maioria da sociedade se informar e tomar decisões próprias sem a influência 'perniciosa'
dos grandes grupos de mídia que querem 'fazer a cabeça' dos eleitores.

"Ora, é na Europa e nos Estados Unidos que os novos meios tecnológicos têm maior propagação, e
também onde a crise da indústria de jornais se mostra mais aguda.

"Para serem coerentes, os lulistas não deveriam levar tanto em consideração essas honrarias da
'grande imprensa' internacional." (Merval Pereira.)

http://arquivoetc.blogspot.com/2010/01/mervl-pereirao-processo.html

Comentários
O colunista mistura espertamente fatos e teses na tentativa de eliminar uma das principais
constatações práticas da sociedade em geral (e não apenas dos apoiadores do "outro lado"): o partidarismo
da Grande Mídia nacional.

A imprensa internacional não participa do jogo político interno em nosso País – portanto, pode ver a
situação nacional de maneira mais objetiva e não-engajada. Os "grandes grupos que querem 'fazer a
cabeça' dos eleitores" são nacionais, não estrangeiros. A argumentação de que aqueles órgãos da imprensa
são a grande mídia de lá e, porque a grande mídia de cá distorce os fatos, não se pode acreditar na
avaliação da sua irmã de lá, não resiste à própria enunciação. A denominação pode ser a mesma (grande
mídia), mas a situação é completamente diferente – engajada aqui, desengajada lá.

Não há incoerência em reconhecer avaliações positivas (e não "honrarias") feitas por essas
organizações internacionais – justamente porque elas se permitem um grau de objetividade muito maior
que a imprensa nacional.

A técnica ilustra bem a freqüência com que nossos colunistas se valem dos artifícios lógicos mais
primários para convencer leitores. E eles o fazem porque, sempre vale a pena repetir, funciona.

TÉCNICAS DE ORIENTAÇÃO EMOCIONAL


As técnicas de orientação emocional derivam da necessidade de intervir no plano emocional de
nossos representantes ou apoiadores, em momentos de especial dificuldade na luta pela influência e pelo
poder.

Reorientação do sentimento público

Definição
Apresentação de argumentos e idéias que visam levantar o moral dos apoiadores, tornado baixo por
algum fato importante favorável ao "outro lado".

Exemplo
"Primeiro, não é verdade que Aécio estragou a virada de ano de Serra. Ao se recolher, o mineiro deu
a senha para todos os oposicionistas – e para alguns governistas insatisfeitos com Dilma Rousseff. A
essas forças políticas agora resta uma só referência: o governador paulista.

"Elas terão de procurá-lo, adulá-lo, tentar de alguma maneira se integrar ao projeto. Questão de
sobrevivência. Nas próximas semanas, a desistência de Aécio tende a ter um efeito agregador."
(Melchiades Filho.)

http://oglobo.globo.com/pais/noblat/posts/2009/12/21/obstaculos-poem-serra-aecio-no-mesmo-barco-
251666.asp

Comentários
Aqui o jornalista não se interessa tanto em orientar os leitores intelectualmente, mas sim
emocionalmente. Num momento de choque e desânimo, ele tenta evitar o derrotismo dos apoiadores,
como se dissesse: "Ei, ainda há uma esperança. Vejam!" A reinterpretação positiva de um fato
extremamente negativo é uma de nossas mais importantes funções na mídia oficial.

Permissão para expressar determinados sentimentos

Definição
Demonstração, por exemplo pessoal, de como se deve lidar emocionalmente com determinada
situação, indicando implicitamente até onde se pode ir no território da Sombra.

Exemplo
"Sinto uma bruta indigestão diante de tudo que comi no ano de 2005, com o maior escândalo de
nossa História. Ando com vontade de vomitar, diante de fatos como o daquelas vagabundas do MST
destruindo 20 anos de pesquisas da Aracruz, com o suíno barbudo do Stédile dizendo que são heroínas,
ele, criado pelos bispos ignorantes da Pastoral da Terra (aliás, ninguém vai prender esse cara?). Tenho
ganas de assassino ao ver o Pf. Luizinho saltitante na Câmara, o Janene armando fuga com aposentadoria,
enquanto o Lula faz cara de lorde que nada sabia, ao lado da rainha da Inglaterra. O Brasil esta virando
um bolo fecal... (desculpem as imagens intestinais, mas é o que me resta, caros leitores)." (Arnaldo
Jabor.)

http://www.paralerepensar.com.br/a_jabor_asperolaspescadas.htm

Comentários
Nossa função não é somente ensinar o que e como pensar, mas também ensinar o quê e como sentir.
Isso inclui a permissão de se aprofundar no território da Sombra (os aspectos mais sombrios da
personalidade humana, marcados pela expressão de emoções profundamente agressivas ao próximo). O
líder ensina, os seguidores vão atrás.

Por meio de conceitos e palavras fortes ("vomitar", "vagabundas", "suíno barbudo", "ignorantes") e
desejos intensos ("ganas de assassino"), o jornalista indica o caminho a ser seguido, liberando
sentimentos fortes e estabelecendo um alvo proveitoso do ódio para seus leitores.
4. TÉCNICAS DE EDITORIALIZAÇÃO
TÉCNICAS DE EDITORIALIZAÇÃO

A editorialização é a transformação de uma notícia num editorial. O procedimento simboliza o abandono


do critério idealista da imparcialidade. O redator utiliza a situação de controle das palavras para promover
interesses outros que não os de seus leitores, ouvintes ou espectadores – no caso, sempre os interesses do
"nosso lado".

TÉCNICAS NÃO-VERBAIS

As técnicas não-verbais baseiam-se na parte não-verbal da comunicação humana, utilizada


conscientemente para transmitir conteúdos e significados extras na comunicação visual e/ou oral.

Caras-e-bocas

Definição
Comentários não-verbais, de natureza visual (para o receptor), às notícias que um locutor narra ou
acabou de narrar, e cuja função é ensinar ao espectador a posição correta sobre os assuntos.

Exemplo clássico
O Jornal Nacional é o melhor objeto de estudo da técnica das caras-e-bocas, tanto durante a locução
da notícia quanto depois da apresentação das imagens e reportagens relacionadas ao fato. As expressões
faciais dos apresentadores e a sua semântica associada poderiam constituir tema de um livro inteiro, tal a
a variedade e importância na transmissão do significado das notícias.

Comentários
Em termos gerais, o apresentador deve fazer uma cara contida ou constrangida quando noticia fatos
favoráveis ao "outro lado", e uma cara levemente zangada ou repreendedora quando noticia fatos de
natureza oposta.

A técnica das caras-e-bocas sempre é aplicada simultaneamente à dos ritmos-e-tons, que constitui o
aspecto auditivo da comunicação não-verbal de um apresentador.

Uma curiosidade: no meio do PIG, a técnica é popularmente conhecida, por motivos óbvios, como
Bonner-e-Fátima, em homenagem aos âncoras oficiais do Jornal Nacional. Não é necessário acrescentar
que o casal sempre aplica a técnica no sentido dos nossos interesses.

Ritmos-e-tons

Definição
Comentários não-verbais, de natureza auditiva (para o receptor), às notícias que um locutor narra e
que visam ensinar ao ouvinte ou ao espectador a posição correta sobre os assuntos, ou seja, aquela mais
conveniente aos interesses do "nosso lado".

Exemplo
Qualquer notícia positiva para o Governo Lula veiculada ou comentada por um dos nossos
representantes, em especial o jornalista Boris Casoy. Ou qualquer notícia negativa para um de nossos
expoentes ou grupos, também veiculada ou comentada por eles.

Comentários
Existem quatro tipos de notícias:

1. Notícia favorável ao "nosso lado".


2. Notícia desfavorável ao "nosso lado".
3. Notícia favorável ao "outro lado".
4. Notícia desfavorável ao "outro lado".

Para cada uma deles, se você prestar atenção, os locutores do "nosso lado" empregarão uma
enunciação diferente. Não se trata do conteúdo da notícia, já adaptado segundo as melhores técnicas
ensinadas neste Curso, mas do modo como ela é enunciada e comentada: os aspectos não-verbais da
comunicação oral – tom de voz, volume, altura, ritmo, atitude que transparece no modo de dar a notícia,
ênfase, grau de emoção etc. O subtexto da notícia.

Esse conjunto de estímulos auditivos soma-se ao conteúdo da notícia para gerar o efeito desejado.

Ouça atentamente, por exemplo, o jornalista Boris Casoy comentando uma notícia favorável ao
"outro lado" ou desfavorável ao "nosso lado". Note como ele diminui o volume da voz, demonstra algum
grau de constrangimento ou desconforto na enunciação, revela dificuldade de fluência no raciocínio,
demora menos tempo do que em comentários sobre uma notícia desfavorável ao "outro lado" – a emoção
contida, a prudência revelada em sua linguagem não-verbal.

E depois compare esse modo de falar com o do momento de uma crítica ao "outro lado". Aproveite
para aprender as nuanças da técnica com esse mestre da comunicação constrangida, num caso, e da
comunicação liberada, no outro.

Não por outro motivo, em nosso meio a técnica é popularmente conhecida como Casoy-e-Casoy,
numa referência ao palpiteiro-mor da República e à técnica visual correspondente, Bonner-e-Fátima.

TÉCNICAS DE QUALIFICAÇÃO

As técnicas de qualificação baseiam-se na atribuição de qualidades ou características a fatos ou


pessoas, de modo a suscitar uma reação proveitosa para o "nosso lado".

Adjetivação simplista e subjetiva

Definição
Adjetivação simplista de um fato complexo, no sentido dos interesses do "nosso lado".

Exemplo
"Vai-se do insensato ao patético. Num instante em que deveria se concentrar no aperto dos nós de
uma investigação intrincada, o governo põe-se a travar uma queda-de-braço consigo mesmo." (Josias de
Souza.)

http://josiasdesouza.folha.blog.uol.com.br/arch2008-07-01_2008-07-31.html#2008_07-
18_19_54_28-10045644-0

Comentários
Repare como "insensato" e "patético" precedem a crítica final do post, determinando a posição do
leitor antes da leitura do conteúdo. Ao ler a crítica, o leitor tende a pensar: "É mesmo. É insensato e é
patético".

Qualificação prévia

Definição
Inclusão em título, chamada ou manchete, da qualificação prévia do conteúdo da matéria, segundo os
interesses do redator.

Exemplo
"Lula, Temer e os contornos do trololó da 'lista triplice'." (Josias de Souza.)

http://josiasdesouza.folha.blog.uol.com.br/arch2009-12-01_2009-12-31.html#2009_12-
15_19_38_58-10045644-0

Comentários
A palavra "trololó" contém a posição do autor do post, uma visão subjetiva autoritariamente
transferida para o plano do real. O leitor é poupado do direito de avaliar o que lhe é oferecido. O pacote
completo inclui a matéria propriamente dita e a posição previamente imposta ao receptor do conteúdo.

Essa forma óbvia de direcionamento intelectual também caracteriza outras áreas do jornalismo.
Exemplo de chamada com qualificação prévia na área do entretenimento: "Taciane Ribeiro arrasa em
ensaio." Qualquer avaliação divergente sobre as fotos é, por definição da autoridade, inadequada.

Qualificação atenuadora

Definição
Definição ou qualificação atenuadora de ato, pessoa ou grupo que se deseja defender, de modo a
esconder qualidade, ato ou condição que, se fosse corretamente denominada, traria uma crítica implícita
ao presente objeto de defesa.

Exemplo
"[Luiz Carlos] Alborghetti criou várias frases que viraram bordão entre os defensores de políticas de
segurança duras e nem sempre condizentes com o respeito à lei: 'Não tem que construir mais cadeias!
Tem que construir mais cemitérios!'; 'Tá com pena dele? Leva pra tua casa! Põe pra dormir na tua cama!'
e 'Foi pro colo do capeta!' são algumas delas." (Maurício Savarese.)

http://noticias.uol.com.br/politica/2009/12/09/ult5773u3294.jhtm

Comentários
Em vez de afirmar, em bom português, "defensores da pena de morte e do justiçamento sumário de
acusados", o jornalista corretamente preferiu: "[...] defensores de políticas de segurança duras e nem
sempre condizentes com o respeito à lei".

Eufemismo, redação indireta, rodeio são algumas técnicas específicas disponíveis nesta situação.
Porém, o redator deve ficar atento para não cair naquela brincadeira de substituir um termo ou uma
expressão por sua definição analítica. Por exemplo: "Ingeri um líquido incolor, insípido e inodoro,
essencial à vida humana" – em vez de "Bebi água".

Uso desqualificador das aspas

Definição
Colocação entre aspas de palavra ou expressão cujo referente se queira depreciar, sem assumir
explicitamente essa posição (ou até mesmo sem explicar o motivo da depreciação).

Exemplo
"Lula diz estar acostumado com 'calúnias' da imprensa."
http://noticias.r7.com/brasil/noticias/lula-diz-estar-acostumado-com-calunias-e-infamias-da-
imprensa-20091215.html

Comentários
Objetivamente, o Presidente disse estar acostumado com calúnias, não com "calúnias". Portanto, a
técnica de editorialização corretamente empregada pelo jornalista visou desqualificar a acusação. Por uma
questão de princípio, nunca se admite uma acusação ao PIG como ela é; sempre se retruca a essa
acusação na própria forma de noticiá-la.

TÉCNICAS DE ENQUADRAMENTO

As técnicas de enquadramento baseiam-se na interpretação ou reinterpretação de fatos, visando criar


um contexto favorável ao "nosso lado" ou desfavorável ao "outro lado".

Enquadramento proveitoso

Definição
Criação de uma moldura conceitual para enquadrar os fatos que foram ou serão comunicados, no
sentido dos nossos interesses.

Exemplo
" '...A Dilma possui tudo isso. Não é por acaso que o presidente Lula a escolheu como sua
indicada..."

" '...É porque ela merece e o Brasil também merece que ela esteja à frente da Presidência da
República'. [Vice-presidente José Alencar.]

"Declaração de eleitor, como se vê." (Josias de Souza, frase final do post "Há uma nova Dilma na
praça, sem peruca e lacrimosa".)

http://josiasdesouza.folha.blog.uol.com.br/arch2009-12-01_2009-12-31.html#2009_12-
21_20_18_36-10045644-0

Comentários
Na verdade, quase todas as técnicas deste manual podem ser consideradas técnicas de enquadramento
ou emolduramento proveitoso dos fatos noticiados. Mas certas intervenções, isoladas do restante do texto,
têm nitidamente a intenção de criar um contexto específico para a compreensão do leitor. É o caso da
frase final de vários posts de nossos colunistas.

No exemplo acima, as informações transmitidas eram muito favoráveis ao "outro lado", apesar da
evidente intenção de ironia do autor em todo o texto, por isso foi conveniente enquadrar as declarações
como meras afirmações de eleitor – parciais e incorretas, portanto.

Como o final do texto é um dos pontos de maior força e de maior potencial de lembrança, é
conveniente usar essa técnica quando se suspeita que a impressão geral será positiva para o "outro lado".

Reinterpretação positiva do passado

Definição
Reinterpretação de um fato passado, alvo de ataque do "outro lado", visando torná-lo menos negativo
ou mesmo positivo para o "nosso lado".

Exemplo clássico
"Mas, se as chamadas 'ditabrandas' — caso do Brasil entre 1964 e 1985 — partiam de uma ruptura
institucional e depois preservavam ou instituíam formas controladas de disputa política e acesso à Justiça
–, o novo autoritarismo latino-americano, inaugurado por Alberto Fujimori no Peru, faz o caminho
inverso. O líder eleito mina as instituições e os controles democráticos por dentro, paulatinamente."
(Trecho de editorial da Folha de S. Paulo em 17 de fevereiro de 2009.)

Comentários
Como já foi mencionado, os brasileiros são um povo cuja atenção está voltada ao presente. Poucos se
lembram dos políticos em quem votaram, transcorridos poucos meses da eleição. Além disso, os jovens
não viveram muitos fatos que são objeto de nossas bem-sucedidas reinterpretações. Portanto, existe ampla
margem para a utilização dessa técnica.

É preciso cuidado, entretanto, para não cair no erro ilustrado pelo exemplo acima. Em vez de utilizar
argumentos para atenuar a truculência dos governantes daquele período, o jornal tentou cunhar um termo
suave para denominar a época ("ditabranda"), invadindo excessivamente o espaço de liberdade avaliativa
dos seus leitores, além de atropelar a história oficial do País.

Por mais certo que estejamos, não estamos desobrigados de aplicar nossas técnicas com um mínimo
de inteligência.

Para conhecer as péssimas repercussões da escolha do nome:

http://portalimprensa.uol.com.br/colunistas/colunas/2009/02/25/imprensa374.shtml

TÉCNICAS FRASAIS

As técnicas frasais baseiam-se na organização interna ou externa das frases, visando produzir efeitos
conceituais ou emocionais.

Frase-lembrete

Definição
Frase destacada do restante do texto para realçar o ponto-chave que o escritor deseja transmitir ao
leitor e para facilitar a sua fixação na memória.

Exemplo
"Décadas gêmeas." (Miriam Leitão.)

Só há duas frases curtas e avulsas no texto. São elas:

"A vitória sobre a inflação se consolidou nesta década [a de 1990]."

"A pedra fundamental do novo Brasil foi o Plano Real."

http://arquivoetc.blogspot.com/2009/12/miriam-leitao-decadas-gemeas.html

Comentários
A colunista é notória depreciadora dos méritos do Presidente Lula e promotora dos méritos do ex-
Presidente Fernando Henrique Cardoso. A partir dessa posição, a coluna desenvolve argumentos para
atribuir os méritos da atual situação favorável do nosso País ao Governo FHC.

Repare que há um paralelismo interessante entre o título "décadas gêmeas" e as frases gêmeas em
sentido.
Os parágrafos longos contêm geralmente várias idéias, o que pode dificultar a absorção dos
argumentos pela maioria dos leitores. Convém fazer como a colunista, que reservou lugares de honra para
os dois pontos altos de sua insistente pregação política.

Gradação incriminadora

Definição
Uso da técnica retórica da gradação para acumular acusações a um adversário, aumentando
gradualmente a importância do ataque.

Exemplo
"Aos 63 anos, impedido de disputar eleições até 2014, após ter o mandato de deputado cassado no
rastro do escândalo do mensalão, o ex-ministro se movimenta longe das câmeras. Foi acusado pela
Procuradoria-Geral da República, em março de 2006, de chefiar 'sofisticada organização criminosa' no
coração do governo para negociar apoio político e hoje aguarda julgamento no Supremo Tribunal Federal
(STF). Perdeu o poder, mas não a batuta."

http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20091213/not_imp481120,0.php

Comentário
Repare na força crescente dos termos depreciativos: "cassado", "escândalo", "acusado
(criminalmente)", "organização criminosa". Ao aplicar essa técnica, sempre deixe a denominação mais
impactante para o final.

OUTRAS TÉCNICAS

Ironia depreciativa

Definição
Tom de ironia que caracteriza um texto, do início ao fim, ou comentário irônico que se segue à
informação de ato ou declaração de expoente do "outro lado".

Exemplo
"E Lula: 'O Brasil só moverá um dedo para fazer qualquer coisa se a Colômbia autorizar.' Bom,
muito bom, ótimo que seja assim." (Josias de Souza.)

http://josiasdesouza.folha.blog.uol.com.br/arch2008-07-13_2008-07-19.html#2008_07-
19_20_57_14-10045644-0

Comentários
A ironia é uma forma de enquadramento humorístico e depreciativo des fatos. E é uma técnica de
fácil aplicação porque qualquer pessoa consegue ser irônica, mas poucas conseguem argumentar de
maneira convincente. Daí porque alguns blogueiros do "nosso lado", inseguros de sua capacidade
argumentativa, ironizam praticamente todas as declarações do "outro lado".

Mas esses companheiros têm a sua função na luta. Trazem um pouco de leveza e humor ao embate
político, satisfazendo àqueles leitores menos exigentes intelectualmente – que não são poucos, entre
nossos apoiadores do "lado de fora".

Contaminação ideológica
Definição
Extensão do tratamento dedicado a expoentes do "outro lado" a todos os seus simpatizantes ou
apoiadores.

Exemplo
"Mercedes Sosa, a cantora do bumbo argentina. Dia 4, aos 74 anos, de doenças associadas ao
subdesenvolvimento latino-americano, como o mal de Chagas, em Buenos Aires." (Necrológio da revista
Veja sobre a cantora argentina Mercedes Sosa, notória militante da esquerda.)

http://veja.abril.com.br/141009/datas.shtml

Comentário
A partir de "a cantora do bumbo" nota-se a intenção de ridicularizar a falecida.

Não se recomenda, entretanto, que o redator seja tão evidente em seu propósito. Mesmo os ataques
mais destruidores devem ser realizados com certo grau de elegância, sob pena de ser tornarem ineficientes
porque a atenção dos leitores se desloca do alvo para o redator.

Generalização despistadora

Definição
Atribuição de uma posição meramente pessoal a um grupo de pessoas não identificado, visando
aumentar o poder da crítica ou da denúncia.

Exemplo
"Muita gente tem no delegado da PF [Protógenes Queiroz] um exemplo de cidadania. Teme-se que
tal admiração esteja por um fio. [Por causa da aceitação de um cargo na gestão de Agnelo Queiroz no
Ministério do Esporte.]"

http://blogdojuca.blog.uol.com.br/arch2009-12-13_2009-12-19.html#2009_12-15_02_14_58-
9991446-0

Comentário
Obviamente, trata-se de uma posição pessoal do jornalista. O uso da generalização "muita gente"
associada ao sujeito indeterminado "teme-se" transfere autoridade e peso à crítica, ao mesmo tempo em
que livra o crítico da acusação de que se trata de uma projeção psicológica indevida de um caso pessoal
entre ele e o Ministro.
5. TÉCNICAS NEUTRAS
TÉCNICAS NEUTRAS

Técnicas neutras são aquelas que não se enquadram em técnicas de ataque, defesa, orientação política ou
editorialização.

TÉCNICAS DE SOLICITAÇÃO DE AJUDA

As técnicas de solicitação de ajuda são aplicadas em situações nas quais existe uma insuficiência de
recursos humanos, intelectuais, emocionais etc., para continuar a luta com eficiência ou atingir um
objetivo específico.

Chamado aos apoiadores

Definição
Solicitação de ajuda aos apoiadores do "nosso lado" para uma ação específica contra o "outro lado".

Exemplo
"É claro que o STF não julga baseado no clamor das ruas. Mas hoje é dia de entrar no Twitter, no
Facebook, no MSN, no Orkut, no Petition Online ou onde lhe der na cuca e fazer a sua parte esperando a
contagem regressiva…:

"FORA CESARE BATTISTI!

"Volta para a Itália, stronzo!" (Barbara Gancia.)

http://blogs.band.com.br/barbaragancia/index.php/2009/09/08/alo-genro-alo-dallari-alo-suplicy/

Comentários
Evidentemente, esse tipo de chamado não pode ser feito diretamente por um órgão da mídia ou por
um de seus jornalistas "respeitáveis", sob risco de comprometer a imagem de imparcialidade. Mas
colunistas, parajornalistas e blogueiros estão livres para atuar como líderes da galera, ou para brincar de
pastor-e-rebanho, indicando uma ação específica e pedindo ajuda a seus leitores, ouvintes ou
espectadores.

Geralmente, o pedido envolve oposição ou ataque porque é mais fácil estimular uma pessoa pelo lado
ódio da dinâmica (uma proposta destrutiva) do que pelo lado amor (uma proposta construtiva).

É importante não associar o sucesso ou fracasso da iniciativa à solicitação porque o brasileiro


raramente se mobiliza para ações políticas. No exemplo acima, a jornalista foi inteligente porque pediu a
seus ajudantes apenas alguns cliques e uma rápida atividade de digitação, que combinam bem com a
passividade proverbial do cidadão brasileiro.

Pedido disfarçado de ajuda

Definição
Afirmação com que um integrante do "nosso lado" reconhece a dificuldade de entender determinada
situação importante e, ocultamente, pede ajuda para reorganizar seu pensamento no sentido correto da
luta.

Exemplo
"Joga com um pau de dois bicos, mas dá certo. Diz uma coisa para os pobres e o contrário para os
ricos, mas dá certo. Tanto que a sua popularidade cresce a cada nova pesquisa de opinião. Na última
delas, o índice de aprovação de seu governo alcançou mais de 70% e a dele, presidente, mais de 80%. Ele
fala, fala, fala, viaja, viaja, viaja; o resto do tempo faz política. Há uma cumplicidade esquisita: Lula
finge que governa, e o povão finge que acredita." (Ferreira Gullar)

http://arquivoetc.blogspot.com/2009/02/por-que-no-te-callas-ferreira-gullar.html

Comentários
Sempre que o leitor percebe a mensagem oculta "alguém me ajuda a compreender? Isto não deveria
estar acontecendo, segundo minha compreensão do mundo", a técnica encontra-se em ação. A palavra
"esquisito" ou algum sinônimo que indique desorientação intelectual ocupa lugar de destaque no texto,
revelando a confusão mental do jornalista.

Embora a atuação conjunta do PIG seja, via de regra, inteligente, eficiente e capaz, alguns de nossos
colegas ou apoiadores podem passar por uma fase de incapacidade ao tentar compreender uma realidade
adversa. É função dos outros integrantes fornecer idéias, mantras ou informações que os levem de volta à
luta externa, superando o conflito meramente interior.

Nota: A palavra-chave foi destacada em itálico, tanto no exemplo anterior quanto nos seguintes.

Outros exemplos
1. "E quando o deputado chama o PMDB de imoral está dizendo que o presidente está avalizando
uma aliança cuja metade é composta por gente sem moral.

"Em tese, tal atitude deveria desagradar ao presidente, que, no entanto, não dá menor sinal de
desagrado. Esquisito." (Dora Kramer.)

http://arquivoetc.blogspot.com/2009/12/dora-kramer-hora-e-vez.html

2. "Lula é um fenômeno esquisito." (Cristóvam Buarque.)

http://www.fernandoalbrecht.com.br/content/FrasedoDia.asp?Pagina=80

Análise desanimadora

Definição
Análise objetiva da situação política que revela profundo desânimo e motiva o "nosso lado" a
encontrar saída para o momento aflitivo.

Exemplo
"Não poderia ser mais melancólico o final do ano político. Em meio ao foguetório e às
confraternizações habituais, oculta-se um quadro sem brilho, pobre, desqualificado, que não promete
nenhum bom augúrio."

[...]

"Dada a variável tempo, o prejuízo acabou localizado: afetou a medula das oposições, tirando delas
aquele sussurro 'ético' que poderia se converter num dos eixos do discurso com que disputar o pleito de
2010. Ou seja, o que já era ruim ficou péssimo. E as oposições chegaram ao fim do ano em situação de
miséria política e programática, sem discurso, sem propostas, até mesmo sem candidatos e lideranças
consensuais." (Marco Aurélio Nogueira, "Oposição sem Discurso".)

http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20091226/not_imp487129,0.php

Comentários
Não é comum alguém do "nosso lado" demonstrar desânimo e abatimento publicamente. Isso porque
devemos sempre ser vistos como a solução, e não como um problema. Só em épocas sombrias, de total
domínio do "outro lado", justifica-se um texto como este. E ele só se justifica se conseguir mobilizar
forças do "nosso lado" para encontrar um caminho alternativo viável que reverta o predomínio do nosso
adversário. Lamentar-se por lamentar-se não é uma estratégia válida.

O ponto importante, que não foi abordado pelo texto, é o oferecimento de propostas concretas para os
expoentes e apoiadores do "nosso lado". Transmitir a impressão de profundo desânimo e de total
desorientação é algo abominável e não favorece aos nossos interesses, dando à opinião pública a idéia de
que estamos prestes a "jogar a tolha".
6. TÉCNICAS DE

UTILIZAÇÃO DA INTERNET
TÉCNICAS DE UTILIZAÇÃO DA INTERNET

A popularização da internet veio adicionar quatro recursos valiosos ao conjunto de meios disponíveis
para a formação da consciência social (além, é claro, da própria presença oficial dos órgãos da mídia na
Web na Web): os blogs, as redes sociais, as correntes de e-mails e as caixas de comentários.

São recursos poderosos por sua incrível capacidade de disseminar conteúdos na sociedade. A
utilização incorreta desses recursos pode acarretar danos irreparáveis a indivíduos ou órgãos do PIG,
como se pôde constatar no caso da repulsa geral à posição da Grande Mídia durante a Operação
Satiagraha, para a qual não estávamos preparados estrategicamente. Os tempos mudaram, e muito: não
fosse a internet, a única voz ouvida seria a nossa, exceto parcas críticas permitidas nas seções de cartas de
jornais.

Cumpre, assim, conhecer e aplicar técnicas de atuação que sejam favoráveis aos nossos interesses.
Tratando-se de um meio extraodinariamente dinâmico, esta seção do nosso manual deverá se tornar, com
o tempo, a mais volumosa e, quem sabe, a mais importante de todas, dado o processo crescente e
inevitável de inclusão digital dos vários segmentos sociais em nosso país.

Um dos segredos do nosso poder, ou seja, do poder da Grande Mídia, no passado, é que tínhamos o
domínio exclusivo da palavra. Éramos o dono desse jogo. Decidíamos quem escrevia, quem publicava,
quem tinha direito a comentar. Desse modo, filtrávamos o conteúdo sempre no sentido dos nossos
interesses, impedindo que fatos, teses, posições, idéias e, principalmente, pessoas perturbadoras fizessem
parte da luta. Isso mudou.

A democratização da escrita e da publicação, gerada pela internet, trouxe agentes inesperados ao


combate, em número cada vez maior. Continuamos usando o poder da palavra para determinar fatos e
interpretações, mas agora não mais sozinhos, e cada vez mais acossados por fatos, teses, posições, idéias
e, principalmente, pessoas perturbadoras do nosso poder e da nossa hegemonia.

Temos que aprender a conviver com críticas à nossa atuação, antes não avaliada; com argumentos
que desmontam as argumentações de nossos colunistas; com questionamentos que desfazem nossas
armações, às vezes no dia seguinte, anulando sua eficácia; com bisbilhoteiros fazendo pesquisas em sites
governamentais, Diários Oficiais, esmiuçando contratações, licitações, contratos suspeitos que antes
ficavam escondidos do grande público; com posts que nos cobram por trabalhos jornalísticos que não
fazíamos para não constranger nossos aliados ou representantes; com denúncias fundamentadas de
manipulação de fatos e informações; e com tantas outras situações de constrangimento.

Cada vez mais, nossa atuação nos jogos do mercado, da influência e do poder está passando da pré-
consciência à consciência da população. Aquilo que antes era uma suspeita, uma impressão vaga, um leve
murmúrio social, agora começa a aflorar com força, difundindo-se na sociedade, aproximando-se
perigosamente de um clamor. Corremos o risco de ver, nos próximos meses ou anos, uma mudança
radical da nossa imagem pública, de um grupo defensor da democracia, da liberdade e do direito de
expressão, a um grupo defensor exatamente dos valores opostos: da plutocracia (o governo dos ricos), da
opressão social e da censura à diversidade.

Pior, dissemina-se em vários segmentos sociais um espírito crítico que não se dirige somente à nossa
atuação, mas à de todos os agentes do jogo de que participamos. Os cidadãos começam a passar do
estágio de crianças guiadas e adultos autônomos. E começam a exigir, a se organizar, a lutar por ideais
contrários aos nossos.

Aproxima-se uma era preocupante, marcada pelo fim (ou pela mudança) das autoridades culturais.
Um exemplo retirado de uma entrevista com editores de livros:

"Pergunta: Quando você olha para a indústria [de livros], quais são os maiores problemas que nós
enfrentamos agora?

"Eric Chinski: O fim da autoridade cultural. Conversamos bastante sobre isso na FSG [editora Farrar,
Straus and Giroux]. Os resenhistas já não têm o mesmo impacto de antes. Aquilo que realmente me
horroriza e que parece ter acontecido nos últimos anos é que você pode conseguir colocar um romance de
escritor iniciante na capa da [revista] New York Times Book Review, conseguir uma longa resenha na
[revista] The New Yorker, um extenso perfil em outro lugar, e ainda assim isso não se traduz em vendas."

http://www.pw.org/content/agents_and_editors_qampa_four_young_editors

Nos Estados Unidos, os tradicionais cadernos literários praticamente acabaram, e sua função foi
absorvida pelos blogueiros literários.

Autoridades culturais estabelecidas há muito, em todos os setores, estão sendo questionadas ou


simplesmente abandonadas, quando não substituídas por blogueiros anônimos, jovens inexperientes,
grupos de existência virtual – novas autoridades consensuais, e não mais impostas de cima para baixo.

Nossos veículos tradicionais, os jornais, as rádios e as TVs, estão cada vez menos atraentes às novas
gerações, e mesmo a muitos indivíduos de idade mais avançada. O link abaixo dá acesso a um artigo útil
para se conhecer o perigo que nos espera pouco adiante no tempo, assim como ressalta a necessidade de
uma ação adaptativa inteligente para garantirmos a continuidade da promoção e defesa dos nossos
interesses: "Jornais têm cheiro de notícia requentada" (Washington Araújo).

http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=568IMQ003

O fecho do artigo seria, para nós, o prenúncio de um pesadelo:

"Nem havia percebido direito. Há dois meses meus olhos assimilam quase que exclusivamente as
notícias acessíveis na internet."

Seria, se não pudéssemos aplicar a maioria das técnicas deste manual também na internet.

Assim, nossa luta relativa à internet concentra-se em dois objetivos: utilizar inteligentemente esse
novo meio de comunicação, a nosso favor, e defender nossa atuação e nossos agentes da atuação dos
novos agentes da luta, os internautas – tentando, ao máximo, manter o que nos resta da condição de
autoridades culturais e de influências marcantes nos jogos de que participamos.

Uma visão realista nos revela que a posição de hegemonia ou exclusividade de que desfrutávamos é
um sonho que ficou no passado. Teremos que lugar pelo controle possível, não pelo controle total dos
meios de comunicação de fatos ou idéias, que já não pertence à Grande Mídia. O tempo em que o cidadão
comum não tinha vez e voz acabou.

Em nosso Curso Avançado explicamos o paralelismo fascinante entre a grande batalha dos grupos
humanos na geopolítica (a civilização contra a barbárie) e a grande batalha dos grupos humanos na
comunicação social (o cidadão contra os donos do poder), mostrando como estamos de um lado na
aparência, mas, em essência, no outro lado – por imposição da realidade.

Por enquanto, basta que você saiba o seguinte: historicamente, a internet representou a maior derrota
para o "nosso lado". Pela primeira vez, perdemos o controle da comunicação social.

Vale lembrar que a aceitação do atual estado de coisas é uma nova posição da nossa parte. A reação
inicial foi desprezarmos o veículo emergente, pensando que não nos afetaria. Aos primeiros sinais de
interferência, fizemos campanhas para depreciar sua importância e seus adeptos.
"E se aquele site que dá dicas de como agradar as mulheres for do Fredão aqui?"

http://www.brainstorm9.com.br/2007/08/09/campanha-do-estadao-contra-os-blogs/

Depois, vencidos pelo progresso, aderimos. Só isso já demonstra nossa capacidade de adaptação às
novas situações. Hoje, usamos os blogueiros como aliados, quando possível.

E faremos tantas adaptações quantas forem necessárias, à medida que a mídia alternativa assuma o
caráter de mídia de facto oficial.

TÉCNICAS DE UTILIZAÇÃO DE BLOGUEIROS

As técnicas de utilização de blogueiros destinam-se ao aproveitamento desse novo recurso de luta


pela influência e pelo poder, no meio mais moderno e dinâmico da atualidade.

Aproveitamento de jornalista contratado

Definição
Cessão de blog pessoal a jornalista já contratado pela empresa e que antes atuava somente na mídia
impressa, falada ou televisiva.

Comentários
A técnica é a de mais ampla utilização, atualmente, nos órgãos da mídia nacional. Ao contar também
com um blog, o jornalista ganha novo meio de influência, mais integrado aos tempos atuais, e pode
atingir um público diferente daquele que tem acesso ao seu trabalho na mídia impressa, falada ou
televisada.

Parceria comercial ou ideológica

Definição
Contratação ou oferecimento de espaço nobre a blogueiro que tenha os mesmos interesses
comerciais, ideológicos ou políticos do órgão da mídia.

Exemplo
Vários órgãos de comunicação e portais nacionais da Web possuem blogueiros em áreas variadas de
atuação (artes, ciências, esportes, etc.). Blogueiros das áreas de negócios e política se prestam bem ao
jogo do mercado, da influência ou do poder, quando afinados com os interesses dos seus patrões.
Contratação de líderes virtuais

Definição
Contratação de blogueiro de destaque para cargo de importância em órgão da Grande Mídia.

Comentários
A técnica visa tanto neutralizar um possível crítico importante do órgão da mídia, quanto utilizar os
conhecimentos do profissional em nosso benefício, geralmente na área da internet. Há um benefício
adicional de imagem: o blogueiro traz para a empresa a simpatia com que é visto por seus seguidores ou
apreciadores.

Criação de blog de divulgação

Definição
Criação de blog destinado à divulgação de político ou grupo político.

Exemplo
http://www.aecioblog.com/

Comentários
Geralmente, o blogueiro vinha de estreito relacionamento com o político ou partido, antes da criação
do blog. Depois, é auxiliado por ele, especialmente na parte de conteúdo (fotos, informações etc.).

Cooptação de blogueiros

Definição
Oferecimento de espaço nobre a blogueiros, em troca de serviço gratuito ou parcamente remunerado.

Exemplo
O caso da cooptação de centenas de blogueiros brasileiros pela revista Veja, mediante o oferecimento
de acesso ao blog via site da Abril, além da condição honorífica de "blogueiro VIP".

http://www.insanus.org/martelada/archives/024670.html

Comentários
Trata-se da mais criativa, inteligente e ousada iniciativa brasileira, em toda a história da Web.
Dezenas de blogueiros desconhecidos e inexpressivos aceitaram o convite, deletaram seus blogs e
passaram a escrever somente para a Abril, em troca de prestígio social e aumento significativo de page
views.

Vale lembrar que a Abril teve a idéia no momento de maior desprestígio da revista Veja. Ao trazer
esses blogueiros para a sua própria casa, ela inibiu automaticamente a participação crítica dos seus donos
na luta que estava sendo travada entre a velha a nova mídia. Dezenas de possíveis críticos foram
silenciados por uma questão de companheirismo. O cala-boca chocou a Web, mas mostrou a facilidade de
se cooptar jovens que ainda não se inteiraram do jogo do poder – dando-lhes, em troca, migalhas.

Qualquer iniciativa nesse sentido revoltará uns poucos blogueiros conscientes, mas entusiamará
dezenas ou centenas de outros, mais jovens e/ou menos safos, mas ávidos de prestígio, acesso e
reconhecimento.
Suborno disfarçado

Definição
Acordo firmado entre uma empresa ou um órgão da mídia e um blogueiro para promover algum
produto ou algum partido ou candidatura política.

Formas de suborno disfarçado


. Banner pago.
. Resenhas (as famosas reviews) de produtos.
. Premiação por divulgação de produto ou marca.
. Brindes, ingressos, acesso a cursos profissionais etc.
. Convite para colaborar com alguma iniciativa editorial da empresa (house organ, outro site etc.).
. Envio de produto para teste temporário, condicionado à publicação do resultado.

Comentários
Nossa experiência mostrou que é surpreendentemente fácil "comprar" um blogueiro amador. Talvez
porque a maioria seja constituída de jovens sem muita experiência de vida; talvez porque lhes falte
dinheiro; talvez porque anseiem tanto pelo prestígio, já conseguido por seus colegas; talvez porque suas
tentativas anteriores de "monetização" tenham fracassado.

O fato é que a maioria aceita agradecida qualquer proposta de inserção de banner, de publicidade
disfarçada, de endosso insincero a produto, de participação em esquemas publicitários ocultos, e tantas
outras formas de suborno disfarçado ou "compra" da simpatia do blogueiro para uma causa comercial.

Já no campo político, se o blogueiro construiu uma certa reputação como "direita", "esquerda",
"cético", "anarquista" ou o que for, a proposta deverá ser condizente com esta reputação. Nesse caso, a
aceitação também é quase imediata.

Um interessante campo de estudo são as pesquisas que visam identificar as recompensas apropriadas
a cada tipo psicológico de blogueiro. Nem todos valorizam prioritariamente o dinheiro ou um benefício
material. A assessoria de empresas especializadas é de grande valia nesse aspecto da luta.

Apoio secreto

Definição
Ajuda secreta proporcionada a blogueiro que já desenvolve um trabalho virtual no sentido dos nossos
interesses.

Exemplos
http://amigosdeaecioneves.blogspot.com/

Comentários
Neste caso, como o trabalho já está sendo realizado, oferece-se um apoio específico que o ajude em
seu objetivo, como material de divulgação, informações de bastidores, produto que será oferecido por ele
como prêmio etc. A análise caso a caso permite identificar o tipo ideal de ajuda. Geralmente, nenhum
suporte financeiro está envolvido nessa técnica.

Algumas funções desse tipo de blog:


. Defesa de um partido político.
. Divulgação de uma candidatura política.
. Combate a nossos adversários ou a blogueiros do "outro lado".
Ataque a blogueiro adversário

Definição
Utilização de blogueiro do "nosso lado" para atacar um blogueiro adversário, baseado em
informações repassadas por outro de nossos apoiadores.

Exemplo
"Um dos e-mails de Nassif a Saulo e o uso de jornais alheios." (Reinaldo Azevedo, post em que acusa
o jornalista Luis Nassif de atacar o Secretário de Segurança Saulo de Castro Abreu por ele não ter aceito
uma proposta de patrocínio de evento promovido pelo Projeto Brasil, do jornalista.)

http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/um-dos-e-mails-nassif-saulo-uso-jornais-alheios/

Comentários
A situação é problemática porque o blogueiro desvia o foco de seus alvos prediletos, podendo
confundir seus seguidores, pouco interessados em questões de rivalidade profissional. Mas é fundamental
no jogo político porque alguns blogueiros assumem importância nesse jogo, devendo ser neutralizados a
qualquer custo.

Nesse caso, deve-se transmitir aos comentaristas a impressão de identidade entre o blogueiro e os
expoentes do "outro lado", para que se possa dirigir a ele o mesmo grau de agressividade descontrolada
permitida em relação aos demais. Quanto ao conteúdo das acusações, o blogueiro pode contar com o
mesmo grau de cuidado dos seguidores na verificação objetiva da validade das informações, que eles têm
quanto aos outros assuntos: ou seja, nenhum.

Aliança oculta

Definição
Aliança oculta firmada com um blogueiro para que ataque um dos nossos adversários, seja no jogo
político, seja no jogo comercial.

Exemplos
a) Comercial.
Auxílio logístico e financeiro para a montagem de um site do tipo "Eu odeio..." ou de coleta de
reclamações de consumidores de produtos de empresa rival.

b) Político.
Auxílio informativo e financeiro para a montagem de um blog anônimo que tenha um alvo exclusivo
e predeterminado por nós.

Comentários
A técnica faz parte do arsenal de maldades empregadas no famoso jogo sujo do mercado e do poder.

Geralmente, o blogueiro é uma pessoa de personalidade problemática, com forte componente


persecutório, compensado pela necessidade de atacar algum alvo externo para equilibrar a sua dinâmica
interna, sempre instável. Por isso, recomenda-se utilizar um intermediário nos contatos com o blogueiro,
para que uma futura descoberta de seus reais propósitos (e talvez uma punição jurídica) não chegue até o
verdadeiro responsável pela iniciativa.

Instigador da Sombra

Definição
Blogueiro contratado para incentivar ao máximo a liberação do lado sombrio da personalidade dos
comentaristas, por meio de seu exemplo e do incentivo a ataques violentos na caixa de comentários.

Exemplo
O blog de Reinaldo Azevedo.

http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/

Comentários
O instigador da Sombra participa diretamente do jogo político, sem esconder a sua condição.

. A primeira providência deum instigador da Sombra é estabelecer a autoridade de líder, aceita pelos
participantes da caixa de comentários:

"Ramalho disse:
"dezembro 23, 2009 às 9:16 pm
"Tio, já estou sentindo a sua falta por antecipação.
"Eu me sinto orgulhoso de seguir os seus passos da 'verdade'."

"http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/este-blog-e-o-fim-do-ano/

"rino disse:
"dezembro 23, 2009 às 10:21 pm
"meu Rei, Maiúsculo mesmo, você merece, [...]."

http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/certa-imprensa-paulista-inventou-a-arqueologia-de-
esquerda-e-a-enchente-de-direita/

Dois exemplos de outro blog de instigador da Sombra (Augusto Nunes):

"Celia disse:
"14/12/2009 às 12:10
"Prezado jornalista, como defini lo? supra sumo da quintessencia da genialidade! como nao bastasse o
primor dos textos, se supera nas respostas aos comentarios aqui postados. Fantastico. ( Mas sem ser o
programa da ‘Blobo’ ). Saudacoes."

"Joao disse:
"13/12/2009 às 18:03
"O melhor texto seu (os outros foram ótimos, mas esse foi excepcional! Fora do comum!) Parabéns
pelo seu talento!"

http://veja.abril.com.br/blog/augusto-nunes/direto-ao-ponto/a-manha-de-janeiro-em-que-lula-
acordou-invocado/

. Liderança inconteste de um lado, dependência intelectual do outro.

"Tião Barbaridade de Erechim disse:


"dezembro 23, 2009 às 9:37 pm
"Tchê, Reinaldo!
"Acho que tá ficando complicando voce tirar férias. Os fatos estão acontecendo.
"-NA COLOMBIA OS BOLIVARIANOS DAS FARC MATARAM UM GOVERNADOR.
"-NO EQUADOR, NOSSO QUERIDO RAFINHA, COMEÇOU A CENSURAR A IMPRENSA.
"-ENQUANTO ISSO, EM HONDURAS, ONDE NOSSO PANÇÚDO HÓSPEDE VAI PASSAR AS
FESTAS DE FIM DE ANO???"

"http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/tarso-o-inventor-da-%e2%80%9cpolarizacao-em-torno
%e2%80%9d/

"Joao disse:
"dezembro 23, 2009 às 7:17 pm
"Reinaldo, o que voce acha da pre-candidatura do Governador Roberto Requiao a Presidencia da
República?"

http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/correcao-6/

"Cláudio Ramos (BsB) disse:


"dezembro 23, 2009 às 4:10 pm
"Olá Tio Rei, Kifak
"Sem nenhuma intenção de pautá-lo,
"El País nomeou o Presidente Lula como o 5º Maior hipócrita do ano logo após nomeá-lo como o
homem do ano.
"Qual a sua opinião a respeito?
"Abraços,
"Cláudio."

http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/este-blog-e-o-fim-do-ano/

"ivan bertolozzi disse:


"novembro 27, 2009 às 5:20 pm
"O que seria 'MEP' ??? Reinaldo, na sua sabedoria e fontes de pesquisa conseguiria me dizer??? Eu
agradeceria."

http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/%e2%80%9cloucura-psicopatia%e2%80%9d-reage-o-
planalto-mas-lula-nao-vai-processar-benjamin/

. O líder determina o conteúdo a ser discutido (por meio do texto do post), a posição sobre o conteúdo
(por meio de sua posição) e a atitude adequada. Se o blog é monotemático (e este é o caso presente), os
participantes já estão treinados nestes três pontos: conhecem o conteúdo provável, a posição sobre ele e a
atitude adequada – exceto em situações de mudança estratégica, que lhes será comunicada pelo líder.

A função do instigador da Sombra é incentivar o liderado a ultrapassar o limite básico da civilização:


o tratamento respeitoso ao próximo. Essa linha imaginária que divide o campo social entre civilização e
barbárie demarca também a entrada no território da Sombra, aquele lado sombrio latente na personalidade
de todos nós. Perdido o respeito ao próximo, tudo se torna, gradualmente, possível.

"The real index of civilization is when people are kinder than they need to be." (Louis de Bernières.)

O instigador da Sombra incentiva essa passagem ao território da Sombra por meio do exemplo. Já
que ele é o modelo humano para os seus comandados, o que ele fizer estará sempre certo – será o certo.

E ele mostra como se deve agir, utilizando várias técnicas ensinadas neste manual: criminalização e
demonização do adversário, atribuição de caráter reprovável, acusações as mais variadas, seguidas de
denominações pejorativas, xingamentos, desqualificações, ataques ad hominem (contra a pessoa),
projeção de maldade...

"As mocréias e os mocréios do Apocalipse." (Título de post.)

http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/as-mocreias-e-mocreios-do-apocalipse/

"Querem comparar governos? Então vamos civilizar os botocudos?" (Título de post.)


http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/querem-comparar-governos-entao-vamos-civilizar-os-
botocudos/

"Frei Betto no 'Granma.cu'." (Título de post.)

http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/frei-betto-no-granmacu/

"Não é preciso ser diplomado em interpretação de texto para entender que Lula está associando estas
duas palavras: 'POVO' e 'MERDA'. A preposição que ele revela só revela a preposição que ele esconde.
Está é cobrando o voto deste 'povo na merda' — ou Passarã a considerá-lo um 'povo de merda'."

http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/lula-do-%e2%80%9cpovo-na-merda%e2%80%9d-ao-
%e2%80%9cpovo-de-merda%e2%80%9d/

O líder faz e abona. Quando seus comandados seguem pelo caminho da Sombra, ele aprova o
comportamento.

"lillis disse:
"dezembro 23, 2009 às 5:07 pm
"Lula só expressa o que ele sente! Ele é preconceituoso, falso,manipulador, arrogante, pretencioso,
invejoso, dissimulado. Lula é a escória eleito presidente!

"Inez disse:
"dezembro 23, 2009 às 6:13 pm
"Lulla não quer e nunca quiz diminuir a pobreza, ele quer que aumente mesmo só assim ele tem a
esperança de se manter no poder.
"Claro sem contar que Lulla é doente mental e o povo não se deu conta disso."

"Rolando disse:
"dezembro 23, 2009 às 5:49 pm
"O Lula serve como o exemplo perfeito do que um político não deve ser, populista, leviano,
preguiçoso, fomentador do ódio entre a população, mentiroso e imoral."

http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/a-arrogancia-de-lula-com-os-andrajos-da-humildade/

"Josh Mendes disse:


"dezembro 21, 2009 às 10:21 pm
"Eu não suporto mais quatro, quer dizer, cinco anos de Molusco no poder, com peruca ou sem
peruca.
"Oito anos é muito pra quem tem massa cinzenta com três neurônios sem sinapses e DNA de gambá."

http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/post-recuperado-%e2%80%93-leiam-o-que-segue/

. Quando o comandado se aprofunda no caminho da Sombra, o líder também aprova.

"Picopel disse:
"dezembro 23, 2009 às 11:04 pm
"Quando Tarso fala, parece que está com nojo, como se estivesse cheirando cocô.Explico:quando
Lula tirou o povo do Maranhão da 'merda', respingou um pouco no bigode do Tarso e aí ele passou a falar
assim, com o nariz de cheira merda."

http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/tarso-o-inventor-da-%e2%80%9cpolarizacao-em-torno
%e2%80%9d/

"Lena Giomares disse:


"novembro 27, 2009 às 8:38 pm
"Esse é o pior canalha que o Brasil já viu! A verdade é assim, um dia aparece. Mensaleiro, bandido,
pústula, filho do inferno e não do Brasil!"
http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/%e2%80%9cloucura-psicopatia%e2%80%9d-reage-o-
planalto-mas-lula-nao-vai-processar-benjamin/

. Nos blogs comandados por um instigador da Sombra, a discussão de idéias, o desenvolvimento de


argumentos, a proposição de outros ângulos da questão, o contraditório, todas essas atividades intelectuais
são inexistentes porque proibidas. Só o líder, autoritário e restritivo, tem o direito de propor questões,
desenvolver raciocínios e determinar a posição ante os fatos. Os comentaristas, a partir desse
enquadramento inicial, são convidados a concordar com o líder e a descarregar sua agressividade contra o
alvo escolhido. Daí porque o nível intelectual desses comandados tende a ser bem inferior ao dos
participantes de blogs que são focados na conversa livre e inteligente. Vale o mesmo quanto ao grau de
autonomia psicológica dos participantes.

No jogo do Seu Mestre Mandou, quem tem juízo obedece.

A caixa de comentários de um blog de instigador da Sombra é um espaço livre de catarse não


elaborada, que sempre acompanha a diretriz bem focada e restrita do líder. Trata-se, como eles mesmos
denominam, de um espaço de manifestação da "ira justa":

"maria-maria disse:
"dezembro 23, 2009 às 11:26 pm
"Reinaldo: obrigada pela análise perfeita dos fatos e por cederes espaço para que se demonstre a ira
justa que nos causam os descalabros governamentais."

http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/este-blog-e-o-fim-do-ano/

Um exemplo de outro blog de instigador da Sombra (Augusto Nunes):

"Ida Lopes disse:


"13/12/2009 às 21:36
"Obrigada, Augusto. Este seu texto fez com que eu me sentisse vingada dessa corja que ora nos
governa. Primoroso! Continue assim: incomodando, ridicularizando e desnudando a PTzada. Um abraço!"

http://veja.abril.com.br/blog/augusto-nunes/direto-ao-ponto/a-manha-de-janeiro-em-que-lula-
acordou-invocado/

As idéias, todas de responsabilidade do blogueiro, são o pretexto para as emoções dos comentaristas,
sempre na forma de liberação da agressividade contra o alvo escolhido pelo blogueiro.

. Quando bem treinados na focalização do ódio, os comentaristas sentem falta do exercício desse
hábito:

"LIMA disse:
"dezembro 23, 2009 às 6:24 pm
"REINALDO.
"BOM DESCANSO, PARA VOCÊ E SUA FAMILIA. DIVIRTA-SE!
"MAS O DESPRESO E A RAIVA QUE SINTO DOS PETRALHAS, PRINCIPALMENTE DO
SINDICALISTA ANALFABETO E SUA GANGUE, NÃO VAI PASSAR, MESMO QUE NÃO
TENHAMOS SEUS COMENTARIOS E ANALISE NO BLOG. FELIZ NATAL E ANO NOVO."

http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/este-blog-e-o-fim-do-ano/

. Nesse tipo de grupo é comum o pensamento paranóide. Já que a caixa de comentários está limpa de
manifestações do "outro lado", e como os comandados não desenvolveram a capacidade de lidar de modo
adulto e respeitoso com a diferença, quando essa manifestação surge no mundo real eles tendem a
desenvolver teorias persecutórias.

"rino disse:
"dezembro 23, 2009 às 10:21 pm
"meu Rei, Maiúsculo mesmo, você merece, se lerem a folha nesse momento veremos que todos estão,
vendidos mesmos, chega a dar nojo, acorda povo brasileiro, vamos boicotar esses vendidos, morem em
Osasco ou Guarulhos que verão coisas bem piores que a chuva de s. Paulo."

"Sabetudo disse:
"dezembro 23, 2009 às 9:52 pm
"Tio Rei, também acho que já encheu essa cobertura sensacionalista da imprensa petralha, a Globo,
putz, que capacho."

http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/certa-imprensa-paulista-inventou-a-arqueologia-de-
esquerda-e-a-enchente-de-direita/

"Fernando José disse:


"dezembro 27, 2009 às 7:37 am
"Está tudo dominado, Reinaldo! Estadão e Folha estão disputando para saber quem puxa mais o saco
do PT!"

http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/terrorismo-eleitoral-2/

Não se trata de piadas – afinal, a Grande Mídia é tudo menos "petralha". "Todos estão vendidos
mesmo" remete à idéia da conspiração universal. O blogueiro deve aceitar essas manifestações, sem
incentivá-las (para não ter sua imagem desgastada aos olhos de pessoas sensatas), porque elas são um
efeito psicológico inevitável nesse tipo de grupo fechado e radical.

Este leitor de outro instigador da Sombra no mesmo site (Augusto Nunes) exprime de modo mais
sincero (os preconceitos) e objetivo (a verdadeira posição da mídia) a situação atual:

"FERNANDO disse:
"24/12/2009 às 13:16
"Essa imprensa internacional pirou de vez.
"Como pode o jornal Le Monde e sua trupe elogiar um apedeuta, metalúrgico, analfabeto, matuto.A
nossa grande imprensa é que está certa, nada de elogiar o presidente.
"Título do Le Monde:
"LULA É O HOMEM DO ANO PARA O JORNAL FRANCÊS LE MONDE
"kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk"

http://veja.abril.com.br/blog/augusto-nunes/direto-ao-ponto/nenhum-de-nos-lhes-deve-nada-eles-nos-
devem-tudo-a-comecar-pela-vida-2/

A paranóia pode ser incentivada pelo blogueiro:

"A FOLHA ONLINE É EDITADA POR JOSÉ DIRCEU?


"sexta-feira, 18 de dezembro de 2009 | 15:42
"A homepage de agora, passados alguns minutos das 15h, da Folha Online é matéria que interessa à
ciência. Toda ela está pautada pelo PT, de cabo a rabo — isto é, da voz oficial do “Planalto” (seja ela
quem for) a José Dirceu."

http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/o-jornalsimo-rendido-ao-pt-a-prova/

Qualquer pessoa razoavelmente sensata sabe que a Folha é a organização que mais bateu abaixo da
cintura no PT em 2009.

Mais:

"[Gilberto] Dimenstein escreve mal, coitado!, coisa que todo mundo com um mínimo de intimidade
com a língua já sabe. E seu texto torto é fruto de seu pensamento torto. Mas não tem os sensores tão
prejudicados que não saiba o nome do que pratica: CAMPANHA ELEITORAL. Ademais, é evidente o
corolário do seu raciossímio: mais informação, mais votos no PT…"

http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/terrorismo-eleitoral-2/
Qualquer jornalista razoavelmente bem informado conhece a ligação do jornalista atacado com o
Governador José Serra.

A paranóia chega a um ponto extremo no caso de certos seguidores:

"alberto autran disse:


"dezembro 27, 2009 às 11:33 am
"Ps…Quando será que a administração da Veja vai trocar de empresa que administra o site?Ainda não
se deram conta que o site e principalmente o seu Blog ficam fora do ar porque tem gente dentro que é
PETRALHA?Veja se o site do Estadão ou da Folha sai do ar."

http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/terrorismo-eleitoral-2/

. É importante que o blogueiro atenue a ansiedade dos comandados relativa ao caminho adotado,
reforçando periodicamente a idéia de que eles são do Bem, apesar de toda a intimidade com a Sombra, e
por mais que se odeie, denigra, xingue, deseje a morte, despeje sobre o adversário todo o seu potencial de
maldade. Cada um de seus comandados pode e deve se considerar um representante-mor da Luz.

"Jamais consegui expressar adequadamente em palavras — Santo Agostinho foi quem chegou mais
perto, acho eu — como um cristão (no caso, católico) vê o drama humano. Temos os olhos de quem vive
uma espécie de tristeza provocada pelo bem divino. Conhecem o quadro O Grito, de Munch? É o susto,
do nada, sobre a ponte, enquanto outros realizam seu passeio rotineiro, burocrático. 'Por que me deste
tantos anseios se sabias que eu era fraco?' "

"E, no entanto, Ele nos deu. Ele nos Deus." (Reinaldo Azevedo, mensagem de Natal.)

http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/eu-voces-nos-ele/

Desse modo, o espírito natalino pode conviver harmoniosamente com os ataques ao adversário, que
são a tônica da caixa de comentários desses blogs:

"AJS RJ disse:
"19/12/2009 às 11:47
"Augusto, BOAS FÉRIAS E BOAS FESTAS."
"Em 2010, continuaremos a dar muitas 'porradas' no pelegão-mor o apedeuta e na sua turma de
subservientes do PT.Principalmente na Dra. em nada."

http://veja.abril.com.br/blog/augusto-nunes/direto-ao-ponto/as-ferias-estao-chegando-amigos-paro-
na-quarta-feira-e-volto-dia-12/

O blogueiro instigador da Sombra é um importante aliado em nossa luta, embora muitos o vejam
assim como aos arapongas grampeadores, aos criadores de dossiês falsos, aos jornalistas cães-ferozes e
espalha-bosta e a tantos outros de nossos colegas que fazem o trabalho sujo – com um certo
distanciamento e, por que não dizer, desprezo. Mas sem esses apoios, muitos de nossos combates bem-
sucedidos teriam se transformado em derrotas.

TÉCNICAS DE UTILIZAÇÃO DE CAIXAS DE COMENTÁRIOS

A aplicação destas técnicas visa garantir o melhor aproveitamento possível das caixas de comentários
de portais da Web, órgãos da mídia e blogs, em nossa luta pela influência e pelo poder.

Responsabilização indevida

Definição
Aproveitamento de assunto desconexo para responsabilizar o "outro lado" pelo ato reprovável que
está sendo comentado.

Exemplo
Comentário no portal Terra sobre o ato do Presidente do STF, Gilmar Mendes, que concedeu
liberdade ao médico Roger Abdelmassih, acusado de crimes sexuais contra 56 pacientes em sua clínica de
reprodução assistida.

Comentários
Gilmar Mendes foi indicado ao Supremo pelo então Presidente Fernando Henrique Cardoso. Mas
como poucas pessoas conhecem essa relação, o ataque do internauta deve ter desgastado um pouco mais a
figura do atual Presidente.

Outro exemplo
"Pinheiro disse:
"dezembro 23, 2009 às 10:30 pm
"Não se pode esquecer que o PT expulsou a Ford do RS. A Bahia está feliz da vida. Novos empregos,
tributos, progresso …"

http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/tarso-o-inventor-da-%e2%80%9cpolarizacao-em-torno
%e2%80%9d/

Como se sabe atualmente, o senador Antônio Carlos Magalhães "ameaçou romper com o então
presidente Fernando Henrique Cardoso, caso o governo federal não ajudasse que a Ford fosse instalada na
Bahia", segundo palavras do próprio neto.

http://www.blogdemocrata.org.br/?scroller=Y&id={36887400-FED7-4AE8-B50C-9822A64C27DE}

Nesse caso, o comentarista aproveita um outro assunto para reforçar a responsabilização indevida.

Ataque a expoente do "outro lado"

Definição
Aproveitamento de qualquer matéria para atacar um expoente do "outro lado".

Exemplo
Matéria "Arruda participa de evento público no DF e diz que vive 'momento de grande sofrimento'."

"T. Morimoto (409) 24/12/2009 12h39

"Podem sim, fazer buscas na ONG da mulher do Arruda. Não tenho nada contra. Mas, pq não pode
fazer busca nas repentinas fortunas do Lula, Lulinha e Daniel Dantas, q continuam aumentando? E dizem
q não é coisa pequena como o do Arruda, não. Ah já percebí. Parece q qdo descobrem "maracutaias"
deles, a polícia é afastada e sofre processos. Parece que nesses "intocáveis", é proibido "descobrir ou
investigar" crimes, principalmente qdo. começam a aparecer "provas concretas e perigosas". Todas
provas contra "os intocáveis", serão consideradas investigações ilegais e criminosas. Então, alguém tem
esperança de q eles confessem por escrito, assinado e firma reconhecida?"

http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u670697.shtml
Comentários
Essa é a mais livre de todas as formas de ataque. Basta o comentarista fazer uma relação, mesmo que
frouxa, entre o assunto discutido e o alvo desejado, e então concentrar todo o restante do texto no ataque a
esse alvo.

Outro exemplo
" Fura cão disse:
"dezembro 22, 2009 às 8:28 pm
"O global warming está derretendo tal qual ocorrerá com o mito Lula: basta as pessoas se darem
conta dos malefícios que esta figura dissimulada causa ao verdadeiro Brasil. Em breve."

http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/um-cetico-da-mudanca-climatica/

TÉCNICAS DE UTILIZAÇÃO DA PRÓPRIA CAIXA DE COMENTÁRIOS

As técnicas de utilização da própria caixa de comentários destinam-se a exercer controle sobre o


conteúdo dos comentários de visitantes, de modo a garantir as atividades de defesa do "nosso lado" e de
ataque ao "outro lado".

A história recente da Web prova que a caixa de comentários, recurso simpático porque associado à
democracia inerente ao ciberespaço, pode se constituir num risco enorme quando deixada nas mãos (ou
melhor, nos dedos) dos visitantes. Muitos sites e blogs de alta qualidade, nas várias áreas do
conhecimento humano, tiveram sua imagem abalada porque a identidade tão cuidadosamente construída
por seu dono foi destruída com a participação inconseqüente e indiscriminada de comentaristas de baixo
nível intelectual e/ou moral. Nesse caso, a caixa de comentários criou uma identidade paralela e
contraditória para o site ou blog, afastando possíveis colaboradores e até mesmo leitores.

Em se tratando de órgãos da mídia, o cuidado passa da identidade da empresa para seus interesses. É
instrutivo observar como é feita a escolha de quais páginas incluirão uma caixa de comentários. Quando a
notícia é potencialmente "perigosa", no sentido da estimulação de críticas aos interesses do "nosso lado",
a caixa é convenientemente omitida. Casos anteriores, como o da Operação Satiagraha, ensinaram
verdades duras a alguns desses órgãos.

Tentativa de direcionamento das opiniões

Definição
Enquadramento prévio de uma discussão, visando direcionar a opinião dos comentaristas no sentido
dos nossos interesses.

Exemplo
Durante todo o escândalo da Operação Satiagraha, cujo alvo foi o banqueiro Daniel Dantas, o UOL
manteve no topo da página de comentários o seguinte texto, sugerindo um foco muito restrito para os
comentários.

"Mensalão
No mensalão, quem arrecadava e distribuía os recursos era o empresário Marcos Valério de Souza,
sócio das agências de publicidade DNA e SMPB. De acordo com a Polícia Federal, o esquema foi
alimentado com verbas públicas desviadas."

http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/comentarios/mensalao_all-1.shtml

Comentários
O foco não foi acatado pela maioria dos comentaristas porque a redação é canhestra, o texto é pouco
informativo e a relação não ficou clara. Esses três critérios (com o conteúdo invertido, é claro) devem ser
respeitados na aplicação da técnica.

Participação aberta do blogueiro na caixa de comentários

Definição
Participação do blogueiro na forma de comentários aos comentários, réplicas, avisos etc., de modo a
estabelecer limites e a reforçar diretrizes já estabelecidas implícita ou explicitamente em seus posts.

Exemplos
. Contenção de ânimos exaltados.
. "Cortada", na situação de "levantada de bola" – isto é, resposta breve e humilhante a pergunta
oposicionista desaforada.
. Explicação de algum ponto que foi mal entendido.
. Aprovação de comentário engraçado ou inteligente.

Comentários
A participação do blogueiro na própria caixa de comentários deve ser rara para que se evite a
impressão de sufocamento de iniciativa. No caso dos instigadores da Sombra, essa participação é
necessária no início, até que os comentaristas tenham deixado de lado os escrúpulos e aceito o convite
para penetrar no território da Sombra.

As "cortadas" fazem muito sucesso entre os simpatizantes de blogueiros com essa função política
porque unem humor à humilhação. Muitas vezes, elas são feitas a partir de comentários cortados:

"Thadeu disse:
"14/12/2009 às 16:39
"Então, você é o Augusto Nunes?"

"Sim. Você é o Thadeu?"

"Ricardo disse:
"13/12/2009 às 14:31
"Que sono…"

"Vá dormir."

http://veja.abril.com.br/blog/augusto-nunes/direto-ao-ponto/a-manha-de-janeiro-em-que-lula-
acordou-invocado/

"Ricardo Costa disse:


"15/12/2009 às 9:41
"Prezado:
"Só espero está vivo em 1 de janeiro de 20011 (…)

"Atencisamente"

"Se estiver, o português e o calendário gregoriano estarão mortos. Assassinados por você."

http://veja.abril.com.br/blog/augusto-nunes/direto-ao-ponto/a-manha-de-janeiro-em-que-lula-
acordou-invocado/

Nos blogs dos instigadores da Sombra não é incomum a confrontação aberta, na qual o blogueiro
reforça a permissão de ataque indiscriminado aos representantes e apoiadores do "outro lado". O
jornalista abre caminho pelo território da Sombra, convidando seus comentaristas a segui-lo.
"Doidjo disse:
"17/12/2009 às 1:43
"ha ha ha
"vou rir do patético completo da sua mediocridade jornalistica.
ouço por aí que você já foi alguém no jornalismo brasileiro
"foi…
"fui!"

"Ontem, um capitão-de-corveta. Há pouco, um companheiro com jaleco de psiquiatra. Agora, o


Doidjo. Como esperar que eles escolham alguém menos absurdo que a Dilma? A candidata é a cara
da cambada."

http://veja.abril.com.br/blog/augusto-nunes/direto-ao-ponto/vale-por-mil-palavras/

"Milton disse:
"08/12/2009 às 12:29
"Voces vao esconder..."

"… que a Dilma é doutora? De jeito nenhum. O produtor dos vídeos da quadrilha da Arruda
filmou a Mãe do Pac recebendo o diploma pelo correio."

http://veja.abril.com.br/blog/augusto-nunes/direto-ao-ponto/radiografia-de-uma-fraude-a-secretaria-
renegou-o-padrinho-para-garantir-o-emprego/

A confrontação pode incluir até mesmo a deduragem de e-mail, ato aético já que a postagem em
caixa de comentários é baseada na garantia de que o endereço eletrônico não será divulgado.
Simbolicamente, o ato passa aos comentaristas amigos a mensagem de que vale tudo na luta contra o
"outro lado".

"Confrontação e deduragem de e-mail (não será...)


"commemoria disse:
"16/12/2009 às 21:15
"Augusto Nunes com medo ? Nem pensar. O nome disso é…"

"Não me assuste, companheiro limapsvl@hotmail.com. Já tenho aqueles medos que confessei.


Depois do teu comentário, fiquei apavorado com a possibilidade de ser convidado para a festa de
casamento do filho do companheiro Mercadante, para um batizado no convento do companheiro
Sarney ou para uma viagem em companhia da companheira Ideli."

http://veja.abril.com.br/blog/augusto-nunes/direto-ao-ponto/vale-por-mil-palavras/

"Carlos Soares disse:


"12/12/2009 às 23:56
"Só falta propalar os “doze anos” que, agora, podes tomar."

"Vocês sempre se entregam no nome de guerra. Carlos Soares, mas pode escrever pra
cscompras@bol.com.br. cscompras diz tudo. Espero que o que você cobrou pelo aluguel, mais o
bolsa-família, dê pro Natal."

http://veja.abril.com.br/blog/augusto-nunes/direto-ao-ponto/a-manha-de-janeiro-em-que-lula-
acordou-invocado/

Às vezes, a punição é dupla: deduragem de e-mail e expulsão do blog:

"johan disse:
"14/12/2009 às 20:10
"você, meu caro augusto nunes (….)

"ps: só pra garantir, deixo o meu post em outros blogs e disponível no megaupload. só pra constar."
"Quem se batiza de johansputinik (gmail.com) não tem vaga por aqui. O comentário só vai
aparecer nos outros blogs. Cai fora."

http://veja.abril.com.br/blog/augusto-nunes/direto-ao-ponto/radiografia-de-uma-fraude-a-secretaria-
renegou-o-padrinho-para-garantir-o-emprego/

A participação se dá também indiretamente, por meio da liberação de comentários de conteúdo


desrespeitoso, preconceituoso, agressivo ou mesmo difamador, e pela aceitação de apelidos depreciativos.
Um exemplo:

"Cabaçudinha petista. disse:


"15/12/2009 às 12:26
"Pela ordem, da esquerda para a direita: muié do corrupa, o corrupa, o protetor de corrupas e a inútil
do protetor de corrupa."

http://veja.abril.com.br/blog/augusto-nunes/direto-ao-ponto/vale-por-mil-palavras/

Participação oculta do blogueiro na caixa de comentários

Além das várias formas de participação assumida de um blogueiro na sua própria caixa de
comentários, existem formas ocultas que servem a propósitos variados, em especial:

1. Criar uma diversidade falsa entre os comentaristas.


2. Inflar o número de comentários feitos a um post.
3. Transmitir a impressão de concordância com o blogueiro.
4. Incentivar as agressões contra expoentes e apoiadores do "outro lado".
5. Fazer acusações sem provas, que o comprometeriam se elas fizessem parte do post.

Identidade falsa

O blogueiro entra na caixa de comentários usando uma identidade falsa. Como não aparece o IP nem
o endereço eletrônico do comentaristas, ele pode assumir quantas identidades quiser. Por ser um
profissional da escrita, a malandragem é encoberta pela sua facilidade em variar o estilo, desde o mais
elegante ao miguxês.

Anônimo

O anônimo talvez seja o mais numeroso, ativo e participativo de todos os internautas. O blogueiro
entra como anônimo e escolhe o tipo de participação: "levantada de bola" para que ele mesmo dê a
"cortada"; elogio desbragado a si mesmo; instigação do ataque ao "outro lado"; oferecimento de nova
informação, excluída do post original com esse propósito; comentário ridículo de suposto apoiador do
"outro lado", etc.

Técnicas de controle da caixa de comentários

Seleção de comentários

Definição
Seleção dos comentários segundo os critérios do dono do blog.

Comentários
Os blogueiros variam no grau de liberdade permitido aos comentaristas. Alguns, mais restritivos,
impedem qualquer forma de crítica ou posição contrária à do dono do blog. Nessa categoria se enquadram
os instigadores da Sombra. Outros moderam os comentários para evitar agressões e baixarias. Outros,
ainda, deixam passar tudo que é enviado pelos internautas.

Nos blogs integrados à luta do poder cumpre estabelecer limites, pesando os benefícios e os
malefícios da liberação de certas mensagens. É bem verdade que os participantes habituais aprendem a
lidar com adversários, alguns por meio da ironia, outros por meio da contestação intelectual, e a maioria
por meio da identificação do intruso e recusa em ler qualquer outro comentário feito por ele. Mas quando
intrusos revelam inteligência preocupante (especialmente se ela se situa acima da média dos
freqüentadores do blog), convém avaliar se a influência não deveria ser eliminada de todo.

Edição de comentários

Definição
Edição assumida ou oculta de comentários, pelo próprio blogueiro ou por um ajudante.

Exemplos
"João Batista Marinho de Castro Lima disse:
"14/12/2009 às 21:38
"Isso é mais …"

"Bondade sua, companheiro JB. Em sinal de agradecimento, vou mandar o livro de


pensamentos da Dilma. Todas as páginas em branco. Use para fazer desenhos."

"caroline oliveira disse:


"13/12/2009 às 13:58
"você é tão.."

"Nem tanto, Carol. Nem tanto. Assim eu acabo ficando ruborizado. A Dilma é mais."

"Neto disse:
"18/12/2009 às 23:04
"Ô, (…)
"ASSINADO - O GRUMETE."

"É nisso que dá tanta viagem com a companheirada…

"Neto disse:
"18/12/2009 às 22:42
"Só quero saber…"

"Você está preso, marujo! E a partir de hoje vai usar outro nome-de-guerra! Dirija-se à
masmorra, cabo Anselmo!

http://veja.abril.com.br/blog/augusto-nunes/direto-ao-ponto/a-manha-de-janeiro-em-que-lula-
acordou-invocado/

Comentários
Nesses casos, o blogueiro cortou os comentários logo no início, impedindo que a opinião do "outro
lado" sequer fosse registrada no blog. E criou, com o corte, uma "levantada de bola" para permitir a sua
"cortada" certeira.

O blogueiro também pode recorrer à edição suave, retirando palavrões, críticas, argumentos
contundentes. Ou à edição pesada, alterando o texto original do comentarista e o seu significado.

Outra medida interessante é vetar seguidamente os comentários de um visitante até que ele se
expresse de maneira raivosa. Então libera-se apenas essa última participação, expulsando-o de vez para
que todos concordem com a medida saneadora do blogueiro.
Outros exemplos
1. Corte da parte argumentativa contrária às idéias do blogueiro.
a) "Carlos disse:
17/12/2009 às 10:34
Caro Augusto, percebo que vc tem uma opinião muito forte quanto ao Sarney, admiro vc por isso,
pois acho o Sarney uma figura nojenta."

b) Carlos disse:
"17/12/2009 às 15:33
"Ora Augusto, vc publicou meu comentário sobre o Sarney pela metade, acredito que foi sem querer,
pois vc é um jornalista sério.

Quando o Sarney apoiava o FHC, vc já tinha esse opinião formada sobre o Senador?"

"Já."

http://veja.abril.com.br/blog/augusto-nunes/direto-ao-ponto/vale-por-mil-palavras/

2. Deturpação do sentido original do comentário.

O comentário original:

O visitante denunciou a deturpação ao blogueiro Luiz Carlos Azenha, que investigou o caso:

http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/internauta-sofre-leitor-diz-que-blogueiro-inventou-
comentario/

O blogueiro defendeu-se: "– Quando critica em termos decentes, sai exatamente como vem. Todo
dia publico comentários contrários numa boa. Mas quando critica ofendendo, sai do jeito que eu quiser."

O comentário foi alterado para destacar em negrito a resposta, que não fazia parte do texto original:

"Sidnei Soreiro disse:


"06/12/2009 às 18:27
"Sempre houve e jamais deixará de existir o jornalismo sujo, tendencioso e feito por subprofissionais.

"É o caso do blog da Dilma."

Com a repercussão do caso, o blogueiro insistiu na validade de seu modo de agir:

"Parzival disse:
"12/12/2009 às 16:22
"Se eu comentar aqui, meu comentário pode ser editado e deturpado tbm?
"Cruz credo, chamam isso de Jornalismo? = /"
"Se escrever coisas publicáveis, sai, como essa bobagem aí em cima. Se só escrever insultos, não
sai. Se insistir nos insultos, estarei liberado para reagir como achar melhor. Por que você não faz
um teste?
"A companheirada acha que controla ou intimida qualquer jornalista. Então quebra a cara e
fica se lamuriando nos blogs oficiais. Acompanhar a choradeira de vocês só melhora meu dia.
Nesta coluna, todo comentário insultuoso será tratado assim. Aqui vocês não são nada."

http://veja.abril.com.br/blog/augusto-nunes/direto-ao-ponto/radiografia-de-uma-fraude-a-secretaria-
renegou-o-padrinho-para-garantir-o-emprego/

Vale lembrar que esse tipo de confrontação raivosa com leitores só é apropriada nos casos de blogs
de instigação da Sombra, de cães-ferozes e espalha-bosta. Precisamos cativar também a grande parcela de
nossos apoiadores que se sente desconfortável com agressões gratuitas, baixarias, calúnias sem provas e
tudo que caracteriza esses espaços na Web. Por isso, é importante haver blogs de discussão democrática e
sensata de idéias, para que não passemos por boçais, anti-sociais ou hipócritas: defensores da liberdade de
pensamento e expressão para o "nosso lado", mas não para o "outro lado". Exemplo:

"Pouco importam as alegações dos ministros que aprovaram o prolongamento da censura que já
completou 133 dias. Armados de filigranas processuais, consumaram um liberticídio. E se tranformaram
em cúmplices de um bando fora-da-lei." (Augusto Nunes, sobre a manutenção pelo STF da proibição de
divulgação de informações sobre o processo contra Fernando Sarney, que corre em segredo de Justiça).

http://veja.abril.com.br/blog/augusto-nunes/direto-ao-ponto/os-liberticidas-do-supremo/

Expulsão de comentaristas

Definição
Ato sumário de expulsão de comentarista, motivado por manifestação contrária às idéias defendidas
pelo blogueiro no post.

Exemplos
"Antonio Lemos disse:
"18/12/2009 às 14:13
"Seria melhor também que você mostrasse…"

"Tente o blog da Dilma, companheiro Antonio Lemos. Cai fora."

"Doidjo disse:
"17/12/2009 às 1:47
"desculpe a expressão…
"mas…"

"Um comentário a cada 32 horas, companheiro Doidjo. Cai fora."

"Marcio Chagas disse:


"15/12/2009 às 18:28
"Primeira vez na página. Corro os olhos de cima para baixo e nada. Nada sobre as enchentes de SP;
nada sobre…"

"Primeira e última, companheiro Chagas. Cai fora."

"carlos disse:
"15/12/2009 às 13:35
"Caro Augusto, coloca tmb…"

"O Lula mandou dizer pra você voltar pro rebanho, companheiro Carlos. Estão fazendo a
contagem do dia. Cai fora."

http://veja.abril.com.br/blog/augusto-nunes/direto-ao-ponto/vale-por-mil-palavras/
Comentários
Especialmente nos blogs de instigadores da Sombra, é comum ler-se, nas respostas do dono aos
comentários de visitantes, a mensagem subliminar: "Este não é um blog democrático, de discussão
respeitosa de idéias, e sim de ataques unilaterais e indiscriminados ao ' outro lado'".

Nesses blogs, a expulsão é o caminho para punir os dissidentes – não só os provocadores, que são os
visitantes mais agressivos e podem perturbar o equilíbrio da dinâmica emocional, mas principalmente os
visitantes mais inteligentes, que podem perturbar a harmonia intelectual do espaço, convencendo outros
visitantes sobre a validade do ponto de vista oposto ao do blogueiro.

Outro tipo de comentarista geralmente expulso é o que se mostra capaz de escrever críticas
humilhantes, situação que coloca em risco a autoridade do blogueiro.

A divulgação da expulsão serve para reforçar as diretrizes do blog (nenhuma opinião contrária será
aceita e seus autores serão sumariamente expulsos) e também para reforçar a coesão do grupo: "somos
nós contra eles – e aqui só há espaço para nós".

Quem permanece fiel ao blog sabe que o blogueiro exerce controle absoluto de conteúdo e que a
liberdade do comentarista acaba quando ultrapassa o limite dos fatos e das posições enunciadas pelo
blogueiro.

Os interessados em simbologia certamente já perceberam que a expulsão de um comentarista que


pensa de modo diferente do blogueiro é um assassinato simbólico, uma forma sumária de eliminação do
outro, do opositor – e que essa atitude radical revela insegurança quanto às próprias idéias e incapacidade
de conviver democraticamente com argumentos, idéias e pessoas diferentes.

Auxílio de comentaristas

Em certos blogs "fechados", uma equipe de fiscalização de comentários atua para informar ao
blogueiro que ele deixou escapar ironias, duplo sentido, crítica não assumida etc., e que precisa punir o
faltoso. Nos casos abaixo, do blog de Reinaldo Azevedo, toda oposição às idéias oficiais do autor, mesmo
quando leve, é vedada; quando comentários críticos passam inadvertidamente, recebem a qualificação
imediata de atos de "petralhas" e põem em ação a equipe fiscalizadora:

"LIMA disse:
"dezembro 23, 2009 às 11:24 pm
"REINALDO.
"TEM UM PETRALHA DE QUATRO PATAS, ÀS 6:25, CUJA ALCUNHA É CLECIO.
DELETA, RAPIDO PARA NÃO INFECTAR O BLOG."

"asa negra disse:


"dezembro 23, 2009 às 11:11 pm
"petralha de mau gosto às 8:45 pm"

"Cris Caça petralhas disse:


"dezembro 23, 2009 às 11:09 pm
"PETRALHA INFILTRADO EM 8:45 PM"

"Mário Soares - Portugal disse:


"dezembro 23, 2009 às 8:02 pm
'Reinaldo, mata o adorador do falso profeta, o tal Clécio das 6h25pm. Fogo nelle."

"QUAKER disse:
"dezembro 23, 2009 às 6:49 pm
"PETRALHA NA ÁREA.

"JORGE DAS 6:26 PM.


"DETEFON NELE!"
http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/a-arrogancia-de-lula-com-os-andrajos-da-humildade/

"B disse:
"dezembro 23, 2009 às 9:03 pm
"Reinaldo, o tal de nino -8:19, que também tenta mandar mensagem como nuna (o que já diz muito a
respeito) é um lá das trevas. Fuego nêle."

http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/tarso-o-inventor-da-%e2%80%9cpolarizacao-em-torno
%e2%80%9d/

"Cris Caça Petralhas disse:


"dezembro 23, 2009 às 11:50 am
"PETRALHINHA DISFARÇADO EM 1:14 AM"

http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/flagrantes-da-campanha-eleitoral/

"Caça Petralhas disse:


"dezembro 23, 2009 às 10:07 am
"Petralha mansinho às 09:54 h"

http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/modelo-dilma-das-estradas-federais-foi-para-o-beleleu-e-
os-quadrupedes-logicos/

"Executante disse:
"dezembro 21, 2009 às 11:17 pm
"Petralhaço Robson às 4:54pm

"Dona Reinalda agradece e avisa: executado."

http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/o-promotor-e-o-direito-achado-no-arbitrio/

Os comentários foram eliminados pelo blogueiro e pela esposa.

Outros exemplos:

"Teo disse:
"novembro 28, 2009 às 8:27 pm
"Grande Reinaldo,
"Você não acionou o mata-burros:
"Petralha raivoso
"PROFETA 5:27 pm
"REINALDO AVISA
O imbecil já era!"

"Profeta disse:
"novembro 27, 2009 às 5:27 pm
"REINALDO AVISA
"Havia um imbecil aqui."

"Renatinha disse:
"novembro 27, 2009 às 6:00 pm
"ANTONIO ATEU, das 4:50pm = petralha que 'copia e cola' um artigo enorme para confundir a
moderação."
"RATICIDA NELE, DONA REINALDA!"

http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/%e2%80%9cloucura-psicopatia%e2%80%9d-reage-o-
planalto-mas-lula-nao-vai-processar-benjamin/

Essa prática é uma forma radical do argumento ad hominem, falácia usada para atacar a pessoa do
crítico, em vez de contra-argumentar e refutar a crítica: "Não preciso considerar nenhum de seus
argumentos porque você é um petralha (denominação pejorativa aplicada a qualquer pessoa que pense de
maneira diferente do líder)".

A censura ao direito à diferença, no contexto de uma caixa de comentários, atua como ferramenta de
coesão social: ela permite a unificação das idéias e ensina a repulsa ao adversário.

Vez por outra, um descuido revela a existência da censura:

"anônimo disse:
"dezembro 23, 2009 às 6:02 pm
"é muito triste ver o jornalismo brasileiro assim.
"mas aqui você tbem não permite UMA crítica ao Serra né?"

http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/certa-imprensa-paulista-inventou-a-arqueologia-de-
esquerda-e-a-enchente-de-direita/

Essa última situação deve ser evitada porque, embora todos ali saibam que vigora a censura máxima
à diferença, não se deve admitir publicamente esse tipo de comportamento antidemocrático.

Ainda nesse aspecto, é aconselhável fingir que se caiu no velho truque aplicado também na imprensa
escrita: alguém afirma haver censura no veículo, só para ver seu comentário ser forçosamente publicado
porque o censor deseja usá-lo como prova de que, ali, a oposição é respeitada:

"NONA disse:
"dezembro 23, 2009 às 7:24 pm
"Os serristas ficarão órfãos. Mas é disso que eles gostam: orfandade."
"Essa não será publicada, mas é só para tu saber otário!"

http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/este-blog-e-o-fim-do-ano/

Mas convém ficar atento para o interior dos textos extensos, onde os comentaristas do "outro lado" às
vezes incluem uma fruta estragada no meio de frutas boas:

"MGSANTO disse:
dezembro 30, 2009 às 10:32 pm
"REINALDO, DELICIO-ME AO LER SEU BLOG, VEJO O QUANTO TEM BUSCADO
BATALHAR PARA TORNAR AS INFORMAÇÕES DO GOVERNO INVERIDICAS, BATALHAS
INSENSATAS DE SUA PARTE MOSTRAM-ME QUANTO FIZ BEM DEIXAR DE ASSINAR A
VEJA……[...]"

http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/o-pt-privatizou-a-caixa-economica-federal/

O blog do jornalista é o principal espaço interativo da revista Veja.

TÉCNICAS DE PARTICIPAÇÃO EM CAIXAS DE COMENTÁRIOS DO "OUTRO LADO"

As técnicas de participação em caixas de comentários do "outro lado" são aplicadas para realizar o
combate ao adversário em seu próprio campo, no espaço que ele inadvertidamente disponibiliza à nossa
ação.

Monitoramento e controle de opiniões

Definição
Atividade de monitoramento das opiniões que circulam na internet, visando aproveitar as favoráveis
ao "nosso lado" e as desfavoráveis ao "outro lado", e a combater aquelas desfavoráveis ao "nosso lado".
Comentários
O monitoramento empresarial e político das opiniões expressas na internet é uma prática já
consagrada em vários países.

"Companhias como Telemar, C&A e AmBev, entre outras, segundo Maristela, estão atentas ao que
se fala delas no espaço virtual. O Grupo Máquina monitora mais de 300 blogs. 'Sempre que achamos
necessário, abrimos uma discussão na blogosfera sobre temas essenciais às empresas clientes desse
serviço', explica ela." (Marili Ribeiro, Estado de S. Paulo.)

http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20080107/not_imp105196,0.php

Empresas especializadas em monitoramento, evidentemente, vão além dessa atividade básica:


informam a seus clientes, criam ocultamente campanhas virtuais, atuam em caixas de comentários, entre
outras medidas de administração de crises e promoção da imagem das empresas contratadas.

Na política dá-se o mesmo. Os principais partidos do País têm a sua equipe de internet, cujos
membros aplicam muitas das técnicas aqui ensinadas.

"Imagine no poder...

"Uma central de pistoleiros virtuais foi criada para insultar quem ousa divulgar notícias desfavoráveis
ao governador José Serra (PSDB)." (Cláudio Humberto.)

https://conteudoclippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2009/12/23/senado-trabalha-ate-
no-natal-nos-eua

Ex-amigo

Definição
Apresentação pessoal em blog do "outro lado" como se fosse um ex-simpatizante de suas causas,
seguida de críticas que visam reforçar as posições do "nosso lado".

Comentários
A técnica funcionou no início do embate político na Web, mas atualmente é facilmente identificada
pelos outros comentaristas, levando ao descrédito o novo participante. Ela só deve ser usada quando essa
condição de ex-simpatizante puder ser provada, e não quando for meramente um meio preventivo de
bloquear uma reação hostil às críticas.

Amigo crítico

Definição
Apresentação pessoal em blog do "outro lado" como se fosse um simpatizante de suas causas,
entremeada de críticas que visam reforçar as posições do "nosso lado".

Exemplo
"Os caveirões da polícia são usados por bandidos.
O Beltrame é cúmplice? O Beltrame sabe?
Acho a Folha o Ó do Borogodó. O caso Benjamin foi o fundo do poço.
Mas eu gosto de ser justo até com o inimigo." (Marcus.)

http://colunistas.ig.com.br/luisnassif/2009/12/16/da-serie-ombudsman-sofre-2/comment-page-4/
Comentários
Trata-se de uma técnica "irmã" da intitulada ex-amigo. Para que ela funcione, primeiro o
comentarista precisa fazer uma série de intervenções que o estabeleçam como "um dos nossos" (do ponto
de vista da linha política do blog). Então terá adquirido o direito de fazer críticas eventuais, que terão
maior probabilidade de acolhimento do que se viessem de opositores ou novos participantes.

Sim, mas...

Definição
Estrutura sim-mas de argumento, na qual o "sim" inicial destina-se a criar um clima de consenso e
aprovação para depois ser substituído pelo "mas" na parte da mensagem que realmente conta, revelando
sua verdadeira posição crítica ao "outro lado".

Exemplo
"Carlos,
"Há anos não leio VEJA.
"Não preciso de uma reportagem ou outra, com ou sem publicidade, para concluir que devo guardar
prudente distancia da revistinha.
"E guardo. E não me considero menos informado, por isso…
"Dito isso, me espanta a constância com que a VEJA aparece por aqui, seja em Posts, seja em
comentários.
"Seria o caso de botar pra tocar aquela musica que diz: 'Voce não vale nada mais eu gosto de você'….
???" (Emanuel Cunha Lima.)

http://colunistas.ig.com.br/luisnassif/2010/01/02/como-influenciar-a-veja/#comments

Comentários
O verdadeiro motivo do comentário é o "mas", e não o "sim". Este só exerce uma função
apaziguadora inicial que o comentarista deseja estender ao conteúdo do "mas". Mas a intuição da maioria
das pessoas funciona nesse momento, percebe-se o truque, e a técnica geralmente falha em seu objetivo.

Aparência de neutralidade

Definição
Participação sintética e aparentemente neutra, destinada a levar o apoiador do "outro lado" a um
conteúdo que promove os interesses do "nosso lado".

Exemplo
"Eu gosto mais deste outro aqui!
http://www.youtube.com/watch?v=hOXOsZp8YFo." (Pedro.)

http://colunistas.ig.com.br/luisnassif/2009/12/23/dos-videos-impagaveis/#comments

Comentários
O link leva a um vídeo de sentido oposto ao do exibido no blog, mas o visitante é enganado pela
aparente neutralidade (ou mesmo cumplicidade) da dica, achando que assistirá a outro vídeo crítico do
Governador José Serra. E assiste a um vídeo crítico do Presidente Lula, seu rival político.

Evidentemente, a técnica só funciona uma vez. Na segunda, os comentaristas já estão alertados e não
cairão na esparrela.
Pressuposto favorável e inquestionável

Definição
Proposição de um tema baseado em pressuposto favorável à posição do comentarista, mas sutilmente
fechado para comentários devido ao desvio de atenção, do pressuposto para a discussão proposta.

Exemplo
"Na minha opinião, alguns políticos se encaixam nesse perfil de interação direta pela facilidade com
a oratória e carisma, como Aécio Neves, que podia fazer muito sucesso na web. Basta lembrar de sua
aparição na propaganda nacional do PSDB e a repercussão positiva sobre sua imagem no Twitter. O que
vocês acham? Qual outro político vocês acham que se encaixam nesse perfil?" (Comentarista Felipe, no
blog de Luis Nassif.)

Comentários
Em nenhum momento, o comentarista coloca em discussão a virtude do político mencionado. Ela é
tomada como pressuposto para que, aceitando-a, outros comentaristas listem políticos que, como ele,
seriam também bons de exposição na mídia.

O pressuposto (que promove os interesses do "nosso lado") passa como fato, e a discussão é desviada
e concentrada na intenção de saber se outros políticos teriam ou não a mesma virtude do modelo
apresentado.

TÉCNICAS DE UTILIZAÇÃO DO E-MAIL

As técnicas de uso do e-mail têm por objetivo difundir rapidamente uma denúncia, uma ilustração,
um documento, um texto, geralmente de natureza prejudicial aos interesses do "outro lado".

Corrente de e-mail

Definição
Criação de corrente de e-mail baseada em material verídico ou inverídico contra expoente do "outro
lado".

Exemplo
"A fazenda que Lulinha (não) comprou." (Ibiapaba Netto, matéria sobre o conteúdo de uma corrente
de e-mail que continua circulando, um ano depois.)

http://www.terra.com.br/revistadinheirorural/edicoes/44/artigo92975-1.htm

Comentários
Conte sempre com a credulidade das pessoas. Assim como os comentaristas de muitos blogs aceitam
quase tudo que seu líder lhes oferece, especialmente nos blogs de instigadores da Sombra, os internautas
demonstram uma surpreendente ingenuidade, ainda mais quando o conteúdo se harmoniza com suas
posições políticas.

A corrente baseia-se no fenômeno da autoridade social e da crença: se os amigos e parentes estão


divulgando, é verdade (a força da autoridade social), e se a pessoa que recebe o e-mail passa a crer no
conteúdo, ela mesma exercerá resistência para abandonar a crença, quando confrontada com um
questionamento (a força da crença).

A corrente de e-mail é uma ferramenta excelente para difundir acusações e denúncias, especialmente
nos meses anteriores a um pleito eleitoral. Casos como o da "ficha da Dilma" mostram a excelência desse
recurso na luta pela influência e pelo poder.
TÉCNICAS DE UTILIZAÇÃO DE PÁGINAS DA WEB

As técnicas de uso das páginas da Web são aplicadas para reproduzir no ciberespaço o conteúdo
veiculado nos órgãos da Grande Mídia e para adicionar a este um conteúdo inédito, sempre no sentido dos
nossos interesses.

Divulgação de acusações e denúncias

Definição
Uso das páginas da Web para divulgar acusações e denúncias que prejudiquem os interesses do
"outro lado".

Exemplo
"Lista dos escândalos do governo Lula." (Lista jornalisticamente imprestável que foi reproduzida em
dezenas de páginas da Web brasileira.)

http://www.brasilwiki.com.br/noticia.php?id_noticia=1795

Comentários
A lista contém todos os escândalos que aconteceram no Brasil durante o Governo Lula, incluindo
escândalos falsos (acusações infundadas), falcatruas cometidas por adversários políticos do Presidente
nos Estados, CPIs instaladas para investigar fraudes anteriores ao Governo Lula (a CPI do Banestado) e
várias outras impropriedades.

Os divulgadores da lista não demonstram a mínima capacidade de pesquisa, estando na própria Web.
Por exemplo, este site de perguntas e respostas reproduz a lista e aceita comentários – e nenhum
participante questiona um escândalo sequer:

http://br.answers.yahoo.com/question/index?qid=20090516105758AABP2jf

Este caso ilustra exemplarmente como listas e denúncias vazias de conteúdo podem se propagar e se
perenizar na Web, contando com a preguiça e o baixo nível cultural e político dos internautas brasileiros,
em especial os mais jovens, ainda não conscientes do jogo político.

Mesmo listas que incorporam critérios estapafúrdios, como esta, também presente na Web ...

http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2006/06/355997.shtml

... são aceitas acriticamente pela maioria dos internautas. Observe que entre os escândalos se
encontram "Avaliação positiva de Lula cai de 56,6% para 45%", "Governo finalmente [no segundo mês
de governo] enumera os pontos principais das reformas: redutor nas aposentadorias integrais dos
servidores, cobrança dos inativos mais alíquotas do Imposto de Renda, manutenção da CPMF", "PT
expulsa os deputados Babá, João Fontes e Luciana Genro, além da senadora Heloisa Helena", entre outros
absurdos destinados a inflar a lista e a enganar incautos.

Sites de perguntas e respostas e a Wikipédia são ótimos lugares virtuais para a difusão de
informações verdadeiras ou falsas, de grande importância na luta política.

Divulgação de textos atribuídos a escritores

Definição
Reprodução de textos falsamente atribuídos a escritores conhecidos, contendo críticas a pessoas ou
grupos do "outro lado".
Exemplo
"Brasileiro é um povo solidário. Mentira. Brasileiro é babaca.

"Eleger para o cargo mais importante do Estado um sujeito que não tem escolaridade e preparo nem
para ser gari, só porque tem uma história de vida sofrida; [...] (Texto atribuído a Arnaldo Jabor.)

http://br.answers.yahoo.com/question/index?qid=20090519042344AAz9uMo

A origem falsa do texto:


http://www.brasilverdade.org.br/?conteudo=canal&id=101&canal_id=37

Comentários
A atribuição fornece uma aura de autoridade ao conteúdo, servindo para enganar pessoas ingênuas ou
predispostas a acreditar em maldades sobre nossos adversários. O texto acima está reproduzido em
dezenas de páginas da Web, especialmente de jovens, presas fáceis dessas enganações porque ainda não
desenvolveram critérios de avaliação adultos e estão acostumados a imitar o comportamento alheio, além
de lhes faltar cultura política.

Presença em redes sociais

Definição
Abertura de conta em rede social para aproveitar a interação com internautas, no sentido dos nossos
interesses.

Comentários
As redes sociais são redutos jovens de grande importância para o trabalho de influência. Além disso,
permitem a inclusão de arquivos sonoros (podcasts) e visuais (vídeos, fotos), diversificando o conteúdo
informativo tradicional, e fornecem um perfil humanizado de seu integrante, que ajuda a trazer mais
simpatizantes para o nosso lado.

Página no site do órgão de mídia

Definição
Página criada pela própria empresa para seu funcionário, no site oficial.

Comentários
Muitas empresas da Grande Mídia disponibilizam uma página para seus principais jornalistas e
colunistas. Blog, podcast (gravação sonora de comentário do jornalista) e link para Twitter são alguns dos
recursos oferecidos, além dos arquivos que permitem preservar todo o trabalho anterior de convencimento
realizado pelo dono da página.

Divulgação em site de exibição gratuita de textos

Definição
Oferecimento de trabalhos gratuitos de texto em sites de exibição online e download como o Scribd
(http://www.scribd.com).

Comentários
O Scribd, tido como o YouTube dos textos, é a mais importante ferramenta de exibição online de
textos enviados por internautas. Atualmente, ainda é um recurso subutilizado na luta pela influência e
pelo poder, embora apresente potencial admirável nesse sentido.

O envio de um texto ao Scribd (ou a outro site de exibição de textos), seguido da divulgação de um
link para a página do texto, pode gerar centenas ou milhares de visualizações em poucos dias.

Algumas formas simples de aproveitamento destes sites:

. Coletânea de colunas críticas.


. Apresentação de uma denúncia específica.
. Imagens comprometedoras.
. Resultado da avaliação da atuação de um parlamentar (número de projetos apresentados, número de
faltas, total de gastos etc.).
. Listas de escândalos de um governante.
. Coletânea de declarações desastradas.
. Clipping de notícias sobre um político ou partido.
. Listagem de argumentos usados pelo "outro lado", contraditados um a um pelos argumentos
favoráveis ao "nosso lado".

Esse trabalho de conscientização e convencimento pode se dar anonimamente, caso seja mais
conveniente.

Outro recurso ainda subutilizado é o oferecimento de trabalhos de texto em formato PDF, que podem
ser compartilhados pelos internautas por e-mail.

É importante lembrar que o brasileiro tem memória fraca. Todo recurso de fixação de conhecimentos
serve para combater essa deficiência natural em nosso público-alvo – assim como todo recurso que
coloque à sua frente os fatos que desejamos transmitir (como um arquivo PDF, armazenado em pasta do
computador) serve para combater a preguiça natural do brasileiro, quando se trata de defender seus
direitos e participar da luta política.

TÉCNICAS DE UTILIZAÇÃO DO TWITTER

A aplicação das técnicas de uso do Twitter visa à exploração do novo modismo de comunicação
social, no sentido dos nossos interesses.

Aproveitamento de jornalista contratado

Definição
Abertura de conta no Twitter em nome de jornalista já contratado pela empresa e que antes atuava
somente na mídia impressa, falada ou televisiva.

Exemplo
A técnica é de ampla utilização, atualmente, nos órgãos da mídia nacional.

Comentários
Jornalistas ou colunistas que atuam em jornal, revista, TV, rádio, blog e Twitter garantem cinco
canais de influência da opinião pública. Somem-se a esses meios o telefone celular e os leitores de livros
eletrônicos, como o Kindle, e veremos que o mesmo conteúdo pode influenciar públicos muito diferentes.

A presença de nossos jornalistas, colunistas e parajornalistas no Twitter é especialmente interessante


porque os adultos jovens constituem a maior percentagem de seus usuários, e esse é um público que, se
for trazido para o nosso lado, poderá apoiar nossos interesses durante muitos anos.
Criação de conta por um apoiador

Definição
Abertura de conta no Twitter por um apoiador (identificado ou anônimo), visando utilizá-la como
plataforma para a luta política.

Comentários
A vantagem de ter vários particulares desconhecidos do grande público agindo como apoiadores vem
da impressão de que nossos interesses coincidem com interesses de importantes segmentos sociais. À
diferença de políticos, jornalistas, colunistas a parajornalistas, que têm interesse pessoal na luta política,
os apoiadores anônimos ou desconhecidos parecem estar agindo somente por afinidade ideológica,
participação cívica ou idealismo desinteressado.

Por esse motivo, muitas vezes eles são o melhor veículo para a difusão das atividades especificadas a
seguir.

Atividades de aliados

Definição
Atividades proveitosas ao "nosso lado" que podem ser realizadas por meio do Twitter.

Exemplos
. Links para vídeos, textos, colunas, entrevistas etc.
. Repetição de "mantras" sobre expoentes do "outro lado".
. Divulgação de fofocas, ditos irônicos e piadinhas sobre adversários.
. Repercussão de textos de nossos expoentes
. Divulgação do Twitter de político aliado.
. Retuitagem de ataques ou defesas a nosso favor.
. Conversas depreciativas sobre adversários.
. Estímulo à participação de campanhas no Twitter, contra grupo ou expoente adversário.

Comentários
No caso das campanhas, cumpre evitar micos como aquele internacionalmente famoso do "Fora
Sarney", em que os tuiteiros nacionais receberam uma lição humilhante de um astro do cinema dos EUA.

http://blog.estadao.com.br/blog/link/?
title=o_show_das_sub_celebridades_brasileiras&more=1&c=1&tb=1&pb=1

TÉCNICAS DE UTILIZAÇÃO DO YOUTUBE

Os sites de exibição de vídeo, em especial o YouTube, são excelentes recursos na luta pela influência
e pelo poder. O YouTube está integrado de maneira admirável aos valores da modernidade: exibe
conteúdo audiovisual, esse conteúdo tem pouca duração, proporciona uma experiência social (por causa
dos comentários) e apresenta alta probabilidade de retenção na memória.

Divulgação de vídeos

Definição
Divulgação de vídeos constrangedores para o "outro lado" ou edificantes para o "nosso lado".
Exemplos
"Marco Aurelio Garcia, o obsceno." (Usuário idiotalatino – vídeo sobre o gesto obsceno de Marco
Aurélio Garcia durante a crise forjada pela mídia por causa do desastre do vôo 3054 com o Airbus da
TAM, em 2007).

http://www.youtube.com/watch?v=FZxkveucV2c

Comentários
A virtude dos sites de vídeos é esta: permitir a virtual perpetuação de erros, escândalos, gafes e de
imagens constrangedoras que afetem a imagem e os interesses do "outro lado". À nova geração, visual
por excelência, agrada mais o vídeo que o texto. E sendo o brasileiro um povo um tanto desmemoriado, o
acesso visual ao passado em sites muito populares é uma forma preciosa de contribuição à nossa luta.

Outro exemplo
"Lula e o mundo redondo...chamem o Barthô!!!" (Usuário OlhosDaEternidade – vídeo sobre gafes
em discursos do Presidente Lula.)

http://www.youtube.com/watch?v=hOXOsZp8YFo

Repercussão de vídeos

Definição
Gravação e disponibilização de comentários pessoais a fatos e vídeos constrangedores para o "outro
lado" ou edificantes para o "nosso lado".

Exemplos
Aproveitando o caso acima (de Marco Aurélio Garcia), o usuário Scicorpbr criou o vídeo pessoal
"Indignação aos (sic) gestos da obscenidade no Palácio do Planalto", no mesmo espírito de nossos
jornalistas, colunistas e parajornalistas que exploram imediatamente qualquer deslize do "outro lado".

http://www.youtube.com/watch?v=jIdM4xH-uF0

Comentários
Convém apenas que o conteúdo seja mais convincente que o exibido naquela página: o apresentador
não deve desviar os olhos para ler o texto, os argumentos devem soar como sensatos e a iniciativa não
deve parecer meramente um oportunismo de quem deseja ser 15 segundos (ou 2 minutos) de fama, de
maneira fácil.

Evidentemente, muitos vídeos "pessoais" são na verdade produzidos por equipes partidárias ou
eleitorais, como parte do jogo político.

Criação de vídeos

Definição
Produção de vídeo que combina imagens reais com animação, desenho, legenda, música, dublagem
etc., e que visa tornar divertida ou impactante a crítica feita a expoente do "outro lado".

Exemplos
"Lula vs Boris Casoy - Marolinha é uma vergonha! (FUNK)." (Usuário rodassis.)

http://www.youtube.com/watch?v=Xq0i1PJwnM0
Comentários
O vídeo critica duramente uma afirmação do Presidente Lula, que provou ser fiel à realidade, e usa
para isso um dos nossos expoentes na Grande Mídia, repetindo o seu bordão.

No exemplo acima, o valor atual do vídeo é o contrário do original: serve somente para constranger o
"nosso lado" por causa do oportunismo da crítica e do erro de previsão. Portanto, esse vídeo deveria ter
sido retirado do YouTube, com base na diretriz de aproveitar toda oportunidade de ataque e não permitir
nenhuma ao outro lado. Bastam lembranças inconvenientes como esta:

"Setembro - Marolinha
"O anunciado tsunami da crise mundial acabou mesmo em 'marolinha' no Brasil. O diminutivo de
'marola', usado por Lula para amenizar reflexos da crise na economia brasileira, indicou um otimismo que
foi execrado no fim do ano, mas que em setembro lhe rendeu elogios internacionais. O jornal Le Monde,
por exemplo, lhe atribuiu uma 'visão correta' do cenário econômico. O processo de formação da palavra
'marola' é semelhante ao de palavras como 'bandeirola' e 'camisola', que vão para o diminutivo com o
acréscimo do sufixo de origem latina -ola." ("As Palavras do Ano".)

http://revistalingua.uol.com.br/textos.asp?codigo=11909

Observe que o vídeo acima é uma versão de resposta a outro vídeo. Esse fato aponta para outro
recurso audiovisual disponível em nossa luta: criar um vídeo de resposta a um vídeo feito por apoiador do
"outro lado".

Paródia

Definição
Dublagem de cena famosa de TV ou Cinema, alterando-se as palavras e o significado do trecho para
ridicularizar um expoente ou um grupo do "outro lado".

Exemplos
"Hitler Lula Cartão Corporativo." (Usuário zapeandu – paródia que se vale da mais famosa cena do
filme A Queda – As Últimas Horas de Hitler, de Oliver Hirschbiegel, com Bruno Ganz interpretando o
ditador nazista.)

http://www.youtube.com/watch?v=1qyaB8J_up8

Comentários
A cena foi a mais utilizada no ano de 2009 para ridicularizar adversários políticos, ideológicos,
esportivos etc.

O humor é preferível à conversa política séria porque agrada a muito mais pessoas e tem o poder de
difusão enormemente aumentado. Observe que alguns dos sites mais populares do Brasil são sites de
humor. O brasileiro, um povo naturalmente afeito ao humor, acolhe bem qualquer gozação, deboche,
ironia, ainda mais quando a representação é impactante (como na cena de Hitler) e as palavras são bem
escolhidas.

Criação de "canal de ataque"

Definição
Abertura de conta no YouTube visando exclusivamente criar uma página que concentre todos os
vídeos sérios e humorísticos que possam ser úteis na luta contra o "outro lado".

Comentários
Esta será uma providência adotada brevemente. As vantagens são múltiplas. Entre outras:

. Todos os vídeos dispersos serão comodamente reunidos num só local.


. O internauta poderá encontrar ali um rico material para linkagem, divulgação e cópia.
. O visitante será incentivado a assistir a vários vídeos, e não a um só, reforçando assim a nossa
posição.
. Uma cronologia criará uma espécie de histórico, bem convincente, dos erros, das gafes, das
falcatruas e das corrupções atribuídas ao "outro lado".

Utilização das caixas de comentários

Definição
Uso dirigido da caixa de comentários situada abaixo do vídeo, visando atacar os interesses do
adversário e defender os interesses de nossos representantes e aliados.

Exemplos
"Haddammann (11 meses atrás)
"Outro [Presidente] igual a esse não fica lá nem dois meses; a gente tira; antes que se torne um cancro
como esse aí. O nocivo também "não viu" o endividamento dos velhinhos e das pensionistas. É facil
ludibriar um povo enfurnado em religião e educação medíocre; o pulha enriqueceu à custa do pobre; do
simples, dos desfavorecidos. Fazendo palhaçada o deitão tá aí, escorado em covardes e traíras das
nações." (Vídeo da cena de Hitler.)

http://www.youtube.com/watch?v=1qyaB8J_up8

"musicaangelical (1 semana atrás)


"meu Brsil é tão lindo e nessa hora tenho vergonha de ser brasileira. sou honesta, pago meus
impostos, sou formada, tenho todo cuidado p abrir minha boca p não falar asnera e vem uma marionete
sem dedo, pacerece um bode velho representar pessoas de bem e de cultura, flando tantas idiotices como
esta, pois o dia que os acessores dele não escrevem o texto ele fica criando, inventado, falando
besteiras....Mas nessa hora ele tá representando mt bem, quem acreditou nele como presidente!"

http://www.youtube.com/watch?v=hOXOsZp8YFo

Comentários
O aspecto social dos sites de exibição gratuita de vídeos são as caixas de comentários. Nelas, os
espectadores comentam os vídeos e desenvolvem conversas paralelas. Existe liberdade total quanto ao
conteúdo, a não ser que ele seja censurado pelo próprio dono da página: xingamentos, calúnias, acusações
infundadas, demonstração de preconceito – tudo é permitido, o que torna esse espaço ideal para uma ação
política mais contundente, a qual, associada ao conteúdo do vídeo, pode trazer apoiadores para o "nosso
lado".

TÉCNICAS DE CONTRA-ATAQUE

Embora nossa posição oficial e realista seja o aproveitamento máximo dos recursos da internet em
benefício de nossa luta, também desenvolvemos atividades contrárias a esse novo meio de comunicação,
por uma questão de defesa da nossa posição profissional na sociedade.

Poucos foram tão sinceros quanto o senador republicano Jay Rockefeller, bisneto de John D.
Rockefeller e sobrinho do banqueiro David Rockefeller, ao falar no Senado dos Estados Unidos em
março de 2009, referindo-se a possíveis ataques de terrorismo cibernético:

"It really almost makes you ask the question would it have been better if we had never invented the
internet." ("Isso quase nos faz perguntar se não teria sido melhor se nós jamais tivéssemos inventado a
internet.")
Seria, realmente, o ideal: o retorno ao tempo em que tudo controlávamos, podíamos tudo e não
éramos questionados por nada. Mas o tempo mudou e ações de reversão, paralelamente às de adaptação,
se fazem necessárias.

Obviamente, toda forma de democratização da informação implica em algum grau de perda de


controle para os meios de comunicação, sempre a favor do "outro lado", resultado que enfraquece nosso
poder de influência da opinião pública e nosso poder de atuação decisiva nos jogos do mercado e da
política.

Apoio a projetos restritivos

Definição
Divulgação simpática ou apoio explícito a projetos legislativos que acarretem maior controle das
informações circulantes na internet.

Exemplo
O projeto do senador Eduardo Azeredo (PSDB), que propunha medidas radicais como a punição de
internautas que fizessem trabalhos criativos de combinação de obras artísticas (o mashup); a
obrigatoriedade imposta ao provedores de informar sigilosamente à Justiça sobre atividades "maliciosas"
dos usuários; e a manutenção por três anos do registro de informações de todos os usuários de um
provedor.

Comentários
O problema desse projeto específico foi tentar conseguir quase tudo de uma vez só, exagero que
ocasionou uma campanha bem-sucedida de convencimento entre os parlamentares, apoiada pelo
Presidente Lula.

http://idgnow.uol.com.br/internet/2009/06/29/lula-classifica-lei-azeredo-como-censura/

Outras iniciativas mais inteligentes e viáveis poderão ter sucesso em criminalizar determinados
aspectos da atividade dos internautas, contribuindo para limitar o âmbito de ação de muitos de nossos
opositores.

A esperança maior reside em avanços globais na internet, como uma rede paralela e exclusiva, paga e
controlada, para a qual seriam transferidos os conteúdos mais relevantes e na qual a tecnologia mais
moderna ficasse disponível, deixando a "velha" e desprestigiada internet para uma espécie de "ralé
virtual", de influência muito limitada no jogo do poder.

Divulgação de informações desabonadoras sobre o meio

Definição
Aproveitamento de casos de impacto envolvendo a internet para divulgar informações alarmistas e
disseminar o medo e a preocupação com o lado sombrio desse novo meio de comunicação.

Exemplos
Toda notícia relevante de crime ou problema social associado à internet pode ser aproveitada para:

. Difundir boatos alarmistas.


. Defender a necessidade de programas de controle de conteúdo.
. Pintar a Web como um antro onde se praticam a pedofilia, a sedução de menores, os crimes
financeiros, a pirataria, o plágio em trabalhos escolares, e onde se incentivam o terrorismo e a
pornografia.
. Mostrar o perigo de uma atividade social indiscriminada nesse meio, que pode resultar em roubo de
identidade, aliciamento para o crime, demissão de emprego por causa da divulgação de fotos sensuais,
arranhão na imagem pública de pessoas filmadas em cenas íntimas etc.

Comentários
Essas atividades incluem-se no propósito geral de formação de consciência social e exigem muita
paciência e um longo tempo até que ocorra, na mente de cada indivíduo, a sedimentação do conceito por
nós desejado.

É importante aproveitar especialmente os casos em que a opinião pública se escandalize e fique a


nosso favor, incentivando as reações do tipo "Mas não é possível! Aonde nós vamos chegar? Algo tem
que ser feito, e já!". Por exemplo:

" 'A presença de admiradores de Susanna Maiolo [agressora do Papa no Natal de 2009] no Facebook
confirma a necessidade de uma intervenção legislativa', argumentou, por sua vez, o senador Antonio
Gentile, membro do partido governista Povo da Liberdade (PDL). Um site como o Facebook, opinou ele,
'não pode ser um lugar onde se incita à violência. É necessária uma intervenção legislativa séria, e
ninguém pode dizer que isso coloca em risco a liberdade'. 'Cada um de nós é livre para atuar e falar, mas
ninguém tem liberdade para insultar os outros e fazer chamados à violência', ressaltou."

http://www.radioitaliana.com.br/content/view/3388/1/

Eliminação de informações comprometedoras

Definição
Eliminação de informações constrangedoras veiculadas por órgãos da mídia ou divulgadas pela
própria pessoa na Web.

Exemplo clássico
O caso da jornalista Renata Malkes, que mantinha um blog pessoal no qual revelou determinados
sentimentos impróprios a uma pessoa que cobria os conflitos no Oriente Médio, e que conseguiu retirar
da Web esse material inconveniente.

"Gostaria de deixar claro que o blog 'Balagan', de minha autoria, foi deletado da blogosfera em
meados de 2007, pouco antes de uma viagem, por falta de tempo para atualizá-lo e por motivos de
segurança, já que não me oculto ou a minhas idéias através de pseudônimos."

http://oglobo.globo.com/blogs/terra_santa/post.asp?t=nota-de-esclarecimento&cod_post=152511

Comentários
Há também casos conhecidos (e pouco divulgados) de empresários e políticos que conseguiram
retirar dos arquivos de jornais importantes algumas notícias constrangedoras que os envolviam em crimes
ou falcatruas.

Trata-se, como se percebe, de uma atividade de defesa de um apoiador ou expoente do "nosso lado",
medida radical tomada quando não se pode esconder a realidade, mas ainda existe a possibilidade de
esconder a divulgação da realidade.
7. A TÉCNICA DAS TÉCNICAS
METATÉCNICA

"Metatécnica" é uma técnica que está acima das outras técnicas e que se refere a elas como um todo.
Em nosso meio, a metatécnica é conhecida como "a técnica das técnicas" porque ela preside à aplicação
das outras técnicas e, idealmente, é aplicada em cada texto elaborado pelo PIG.

Empilhamento de técnicas

Definição
Utilização de um conjunto de técnicas harmoniosamente combinadas num só texto, visando gerar o
efeito mais poderoso possível.

Exemplo
"[Os 'dirceus, franklins, dilmas, genoínos, palmeiras, garcias, tarsos, vannuchis e o resto da turma']
Infiltrados no governo de um presidente que não lê, não sabe escrever, merece zero em conhecimentos
gerais e faz qualquer negócio para desfrutar do poder, eles aparelharam o Estado e vão forjando alianças
com o que há de pior na vizinhança para eternizar-se no controle do país. Se não roubam, associam-se a
ladrões. Se não matam, tornam-se comparsas de homicidas.

"Sequestradores da liberdade e assassinos da democracia jamais deixam de sonhar com o pesadelo.


Não têm cura. Nenhum democrata lhes deve nada. Eles é que nos devem tudo, a começar pela vida."
(Augusto Nunes.)

http://veja.abril.com.br/blog/augusto-nunes/direto-ao-ponto/nenhum-de-nos-lhes-deve-nada-eles-nos-
devem-tudo-a-comecar-pela-vida-2/

Comentários
O empilhamento de técnicas é o ideal de realização para cada intervenção de um integrante do "nosso
lado" na Grande Mídia. Ele permite somar as virtudes de várias técnicas avulsas, gerando um efeito
impossível de conseguir com a aplicação de qualquer técnica isoladamente.

No exemplo acima, vemos em ação as técnicas de propagação de mantras (o presidente inculto),


criminalização, demonização, surra contínua, atribuição de intenção reprovável, atribuição de caráter
reprovável, gradação, entre outras.

O único ponto indesejável nesse exemplo foi a veemência excessiva do jornalista, que acabou
transmitindo a impressão de uma catarse descontrolada, de uma viagem tresloucada pelo território da
Sombra, na qual ele encontrou monstros humanos inverossímeis que precisavam ser combatidos.

O ideal é harmonizar as técnicas com sutileza e inteligência, fugindo sempre das aplicações ineptas e
caricaturais.

O pressuposto por trás da utilização do empilhamento de técnicas é o mesmo deste Curso como um
todo (e o motivo pelo qual ele oferece tantas técnicas): quanto mais recursos, mais influência, mais poder.
8. O PIG COMO VEÍCULO DE JOGADAS
O PIG COMO VEÍCULO DE JOGADAS

As jogadas de que participa o PIG merecem um capítulo exclusivo. Aqui será feita apenas uma
introdução a esse amplo conjunto de atuações extrajornalísticas.

Basicamente há três fontes de interesses promovidos por essas jogadas:

1. Interesses externos.

Todas as forças sociais importantes, como as indústrias, as empresas, os grupos políticos, o sistema
financeiro, tendem a exercer pressão para usar esse ponto de influência (a mídia) em benefício próprio.
Anúncios são formas convencionais de fazê-lo; acordos estratégicos, celebrados de forma oculta e
mantidos como tal, são outra, mais eficiente em muitos casos. Havendo a harmonização de interesses
(pague cá que eu faço; toma-lá-dá-cá; toma agora que eu receberei depois), tudo é possível.

Alianças ideológicas, empresariais ou políticas que vêm de longe no tempo são determinantes naturais
de matérias, enfoques e aplicação das técnicas ensinadas neste manual.

2. Interesses internos.

As várias organizações da mídia são empresas com interesses próprios, promovidos com o uso dos
seus meios de comunicação. O negócio jornalismo é usado para promover interesses de outras forças
sociais e também os da própria força social representada pela empresa.

Um grupo de comunicação que possua uma editora, uma gravadora de música, um instituto de
pesquisa ou um negócio em outro setor aproveita-se do seu veículo para divulgar gratuitamente seus
produtos ou serviços, obtendo uma vantagem competitiva no mercado.

Os interesses internos também influenciam a sua relação com o Estado. Colocar em postos-chave um
grupo que beneficie o grupo, em detrimento de concorrentes, é o ideal perseguido pelos jogadores da área
da mídia.

3. Interesses estranhos.

Correspondem a jogadas no nível da relação particular jornalista–beneficiado, nas quais o


beneficiado pode ser um empresário, lobista ou colega, sem que os chefes do jornalista saibam do acordo.

Já quando um colega é beneficiado por iniciativa da própria empresa, trata-se de um ato de relações
públicas (por exemplo, uma resenha simpática de um livro de aliado) ou de apoio por afinidade
estratégica (exemplo: o ataque ao sistema de cotas nas universidades), ou então de promoção de "prata da
casa" (quando o colega trabalha na empresa).

JOGADAS GEOPOLÍTICAS

Operações psicológicas

Definição
Conjunto de atividades ocultas destinadas a estabilizar um governo amigo ou desestabilizar um
governo inimigo, conforme os interesses do governo estrangeiro que tomou essa iniciativa.

Exemplo
Este artigo publicado em novembro de 2005 pelo Los Angeles Times explica uma dessas atividades:
"WASHINGTON — As part of an information offensive in Iraq, the U.S. military is secretly paying
Iraqi newspapers to publish stories written by American troops in an effort to burnish the image of the
U.S. mission in Iraq.

The articles, written by U.S. military "information operations" troops, are translated into Arabic and
placed in Baghdad newspapers with the help of a defense contractor, according to U.S. military officials
and documents obtained by the Los Angeles Times (Mark Mazzetti and Borzou Daragahi)."

"WASHINGTON – Como parte de uma ofensiva na área da informação no Iraque, as forças armadas
dos EUA estão pagando secretamente alguns jornais iraquianos para publicarem histórias escritas por
militares americanos, num esforço para melhorar a imagem da missão estadunidense no Iraque.

"Os artigos, escritos por militares das 'operações de informações' das forças armadas dos EUA, são
traduzidos para o árabe e colocados em jornais de Bagdá com a ajuda de uma empresa terceirizada do
setor de defesa, segundo oficiais militares dos EUA e documentos obtidos pelo Los Angeles Times."

http://articles.latimes.com/2005/nov/30/world/fg-infowar30

Comentários
A imprensa, como registra o trecho do artigo, é um dos principais focos da atividade moderna
conhecida como psyop (psychological operations – operações psicológicas), a parte psicológica das
guerras entre nações.

http://www.ciopesp.ensino.eb.br/cursos/coppsico_of.html

http://en.wikipedia.org/wiki/Psychological_Operations_(United_States)

Outro exemplo
Durante a ocupação do Iraque, jornais dos Estados Unidos noticiaram uma operação semelhante, a
favor do principal aliado estadunidense no Oriente Médio: a publicação em jornais árabes moderados de
matérias produzidas pelo Pentágono que defendiam a convivência pacífica com Israel. Essas matérias
eram depois republicadas em jornais do Ocidente para servirem de contraponto a idéias de muçulmanos
radicais.

Financiamento de intelectuais

Definição
Financiamento oculto de atividades de intelectuais ou de instituições de natureza intelectual, visando
à promoção de interesses estrangeiros no país da pessoa ou instituição financiada.

Exemplo
A jornalista e historiadora inglesa Frances Stonor Saunders, no livro Who Paid the Piper?: CIA and
the Cultural Cold War (Inglaterra, 1999), lançado nos EUA como The Cultural Cold War: The CIA and
the World of Arts and Letters e no Brasil como "Quem pagou a conta? A CIA na guerra fria da cultura",
revelou que a Fundação Ford, braço cultural da CIA, financiou no final da década de 60 a fundação do
instituto Cebrap. O instituto foi criado por Fernando Henrique Cardoso, que teve depois suas atividades
de intelectual no exterior patrocinadas pela mesma fundação, por ser simpático aos interesses dos Estados
Unidos.

http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/sebastiao-nery-fhc-foi-facinho/

Comentários
Esta é uma forma indireta de inserir a defesa de interesses geopolíticos alienígenas numa imprensa
nacional: apoiando intelectuais que atuarão na mídia a favor daqueles interesses. Repare quanto tempo
demorou para que o esquema fosse descoberto. E quando o foi, o estrago já estava feito.
Repare também que o livro foi lançado na Inglaterra em 1999, durante o Governo FHC, mas esse fato
grave só foi revelado em nosso país em 2009. A blindagem midiática é uma das técnicas ensinadas neste
Curso.

Entreguismo aberto

Definição
Comportamento entreguista de uma autoridade nacional, admitido abertamente e centrado na troca de
um benefício pessoal por algum bem importante de seu país.

Exemplo
Na fracassada CPI da Petrobrás (2009), o senador Álvaro Dias (PSDB-PR) chegou a negociar com
uma empresa petrolífera do Texas uma ajuda técnica para analisar a contabilidade da Petrobrás, empresa
concorrente da nossa no plano internacional. Evidentemente, depois de receber o trabalho (cuja isenção
seria, digamos, difícil de atestar), o senador daria várias entrevistas à mídia escrita, falada e televisada
(por ser um dos mais assíduos aliados do PIG) atacando erros, deslizes e desvios da Petrobras para
beneficiar-se politicamente dos ataques – mas na prática estaria defendendo os interesses da empresa
americana, em detrimento da empresa nacional.

http://www.blogspetrobras.com.br/fatosedados/?p=6876

Comentários
O conluio aberto de um político de expressão com uma empresa estrangeira para prejudicar uma
empresa estatal nativa é algo inédito e beira o ridículo (não o conluio, mas a sua admissão pública). Se
houvesse prêmio de declaração desastrada do ano, entre nossas hostes, esta nem concorreria por ser hors
concours.

Repare que o jogo do poder, muitas vezes, reconhece valores maiores que a nacionalidade. Nesta
situação e na anterior, dois políticos nacionais optaram por prejudicar o próprio país, um por ideologia,
outro por politicagem, e ficaram em paz com suas consciências depois do ato entreguista.

Entreguismo encoberto
Definição
Comportamento entreguista e não assumido de uma autoridade nacional, centrado na troca de um
benefício pessoal por algum bem importante de seu país.

Exemplo
Em 2009, um grupo de parlamentares do "nosso lado" apresentou propostas originárias de
competidoras estrangeiras da Petrobrás:

"As propostas foram apresentadas pelos deputados José Carlos Aleluia (DEM-BA), Eduardo Gomes
(PSDB-TO) e Eduardo Sciarra (DEM-PR). Segundo a Folha, as emendas clonadas eram parte de versões
preliminares preparadas por petrolíferas e repassadas aos deputados por consultores e representantes de
empresas. Entre as modificações em relação ao projeto do governo está a de que a Petrobras não seja a
operadora exclusiva dos campos [do pré-sal]." ("Oposição 'clona' emenda de petrolíferas", Folha Online.)

http://www1.folha.uol.com.br/folha/dinheiro/ult91u625724.shtml

Comentários
O erro óbvio foi a clonagem – em linguagem antiga, a cópia descarada de documentos. Se os
parlamentares tivessem extraído a essência das propostas e dado uma redação própria à sua proposta,
dificilmente a manobra seria identificada e, assim, não ocorreria o impacto negativo em suas carreiras.

Apoio negociado

Definição
Permuta comercial em que um órgão da imprensa assume o apoio de um interesse de empresa
estrangeira em troca de publicidade em suas páginas.

Exemplo
Esta "coincidência" foi identificada em duas edições da revista Veja pelo comentarista Carlos e
relatada por ele no blog de Luis Nassif. Primeiro o anúncio, em 7/11/2009:

Depois a notinha suspeita, em 31/12/2009:

"E a decisão final continua no ar...:

"Entrou areia grossa na bilionária compra dos 36 caças Rafale, produzidos pela França. O ministro da
Defesa, Nelson Jobim, tem dito aos mais próximos que o comando da Aeronáutica se decidiu pelos caças
suecos, fabricados pela Gripen – recusando-se, assim, a chancelar o negócio com os franceses, como
deseja Lula. Nessas conversas, Jobim admite que, quando deixar o ministério, em abril, nenhuma solução
terá sido dada." (Lauro Jardim.)

http://veja.abril.com.br/blog/radar-on-line/eleicoes-2010/e-a-decisao-final-continua-no-ar/

http://colunistas.ig.com.br/luisnassif/2010/01/02/como-influenciar-a-veja/

Comentários
Com o recém-adquirido status de player (jogador importante) no cenário político internacional, o
Brasil será cada vez mais um alvo de interesses internacionais poderosos porque entrou numa luta de
"gente grande". Isso implicará pressões externas cada vez maiores na imprensa e na política (Congresso e
Executivo), dado o poderio econômico e financeiro das forças estrangeiras que terão interesse de, umas,
participar desse desenvolvimento e, outras, de sabotá-lo.

Mensageiro leigo

Definição
Utilização de um jornalista, colunista ou parajornalista, desconhecedor das complexidades técnicas e
geopolíticas de uma situação de disputa comercial, para divulgar informação favorável a uma das partes.

Exemplo
"FAB prefere caça sueco a francês."

"De acordo com a reportagem, o 'sumário executivo' do relatório da FAB, com as conclusões finais
das mais de 30 mil páginas de dados, apontou o fator financeiro como decisivo para a classificação do
caça sueco: o Gripen NG, até por ser monomotor e ainda em fase de projeto (se baseia no Gripen atual,
uma versão inferior em performance), é o mais barato dos três concorrentes finais." (Eliane Catanhêde.)

http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u674679.shtml

Comentários
Repare no detalhe: "ainda em fase de projeto". E no único critério mencionado: o "fator financeiro".

O relatório teria sido passado à jornalista pelo ministro da Defesa, Nelson Jobim (versão imbatível
em nosso meio). No dia seguinte, a jornalista demonstrou afeto jornalístico pelo ministro:

"Jobim, o grosso." (Eliana Catanhêde.)

http://www1.folha.uol.com.br/folha/pensata/elianecantanhede/ult681u675309.shtml

Repare que a primeira coluna saiu apenas 6 dias depois da notinha da Veja (consulte a técnica
anterior), indicando uma possível ofensiva em várias frentes. Evidentemente, a repercussão foi imediata:

. "Caça sueco é o preferido da Aeronáutica - Aeronáutica defende compra de caça sueco." (Leila
Suwwan, Agência O Globo.)

http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2010/1/6/caca-sueco-e-o-preferido-da-
aeronautica

Mas, no mesmo dia 6 de janeiro, uma informação técnica ajudou a entender a situação política. No
artigo "Desgaste já põe processo em risco", de Roberto Godoy, especialista em armamentos, lê-se:

"Oficiais superiores comentavam ontem, em Brasília, que a versão em circulação é um texto de


setembro, que não considera as propostas melhoradas dos três concorrentes ao contrato, entregues em
outubro."
http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2010/1/6/desgaste-ja-poe-processo-em-
risco

A nota oficial da FAB, também de 6 de janeiro, não menciona em ponto algum o "fator financeiro":

"Por fim, o Comando da Aeronáutica ressalta que o relatório de análise técnica permanece pautado na
valorização dos aspectos comerciais, técnicos, operacionais, logísticos, industriais, compensação
comercial (Offset) e transferência de tecnologia." (Brigadeiro do Ar Antonio Carlos Moretti Bermudez.)

http://www.fab.mil.br/portal/capa/index.php?mostra=4477

O mensageiro leigo, por não entender dos aspectos técnicos e políticos de uma situação complexa,
alheia a seu meio, acaba participando ingenuamente de jogadas nas quais ele tende a ser a parte mais
exposta – e justamente aquela que menos tem a ganhar com a disputa comercial, e mais a perder.

JOGADAS NO MERCADO FINANCEIRO

O mercado financeiro é um mistério insondável para a maioria do público brasileiro. As jogadas


nessa área passam despercebidas por ele, mas podem fazer ou desfazer riquezas, em poucos dias.

Especuladores, investidores importantes, empresas com ações na Bolsa, doleiros e o próprio Governo
Federal podem ter interesse em divulgar determinadas notícias para afetar o comportamento do mercado
nesta ou naquela direção.

A notícia pode referir-se à expectativa do mercado sobre dólar ou sobre a taxa de juros, à perspectiva
de compra ou venda de uma empresa, à divulgação de boas notícias para determinada empresa ou à
repercussão de boatos. Um analista de mercado pode escrever um artigo que beneficie a instituição para a
qual trabalha. Na maioria dos casos, a influência externa se dá diretamente, interessado–jornalista, sem a
mediação da chefia.

JOGADAS NO MERCADO EMPRESARIAL

Toda relação do jornalista com produtos é um foco potencial de influência, em qualquer meio: jornal,
revista, programa de rádio ou TV, ou portal da Web. Seções de resenhas ou críticas, de recomendações ou
de lançamentos se prestam muito bem à manipulação da imagem pública sobre produtos ou serviços.

Livros, filmes, peças de teatro, restaurantes, eletroeletrônicos, produtos da Informática e automóveis


são assuntos que praticamente "pedem" o merchandising ou o marketing subliminar.

As jogadas podem se dar na forma de furos jornalísticos na forma de notícias de negociação entre
empresas, de compra ou venda de empresas, de um novo produto com jeito de vencedor etc.

Além das seções específicas, também as notinhas, as reportagens, as matérias especiais e as listas de
melhores no final do ano, por exemplo, podem revelar a influência comercial na escolha das informações.

Fenômeno social inventado

Definição
Matéria de divulgação de produto cultural ou comercial que o apresenta como causador de um
fenômeno social inexistente.

Exemplo
"A geração romântica – Como a série Crepúsculo reformulou, para os adolescentes de hoje,
o ideal do amor romântico – aquele ancorado num laço sublime, e não no desejo carnal." (Anna Paula
Buchalla, 23/12/2009.)
http://veja.abril.com.br/231209/geracao-romantica-p-174.shtml

Comentários
Qualquer pessoa de inteligência mediana percebe a afirmação sociológica absurda presente no
subtítulo: os adolescentes brasileiros de hoje mudaram radicalmente o comportamento por causa de uma
série de filmes estadunidenses? E como ficam as matérias escandalosas sobre as "pulseiras do sexo", que
afirmavam justamente o contrário, em tom escandaloso?

" 'Pulseira do sexo' alarma escolas." (Daniela Neves e Aline Peres, 4/12/2009.)

http://portal.rpc.com.br/gazetadopovo/vidaecidadania/conteudo.phtml?id=951249

Quem não está muito inteirado dos modismos da juventude (ou seja, a maioria das pessoas) tende a
dar crédito à publicação – que ao menos fez o trabalho combinado, inflando a importância social da série
de filmes.

Plantação de notinhas

Definição
Publicação de notinhas destinadas a influenciar uma disputa na área do comércio ou dos serviços.

Exemplo
O episódio A Guerra das Cervejas, na série O Caso da Veja, de Luis Nassif:

http://luis.nassif.googlepages.com/casofemsa

Comentários
As perguntas óbvias neste caso são: "A quem interessa?" e "O jornalista privilegia um dos lados da
disputa?". Se as duas respostas indicam a mesma direção, provavelmente a técnica foi aplicada.

Outro exemplo
"Queremos reajuste

"As operadoras de planos de saúde têm em mãos um estudo mostrando que o total de despesas
médico-hospitalares pago por elas subiu 14,2% entre junho de 2008 e maio deste ano. Enquanto isso, no
mesmo período, o IPCA aumentou 5,96%. E o que significa isso? Significa que os planos de sáude vão
pedir ao governo que libere um reajuste nas mensalidades." (Lauro Jardim.)

http://arquivoetc.blogspot.com/2009/12/radar_05.html

A quem interessa a divulgação simpática do argumento das operadoras de planos de saúde?

Terceirização de iniciativa

Definição
Texto que visa atacar algum alvo de encomenda ou dar um recado de uma parte a outra, numa
disputa.

Exemplo
"Lula disse: 'Nenhum país tem tanta certeza do seu futuro quanto o nosso'. Eike Batista encarna essa
certeza melhor do que ninguém, com sua frota de um barco só, com seus licenciamentos ambientais
indagados pelo Ministério Público e com suas empresas bilionárias que faturam tanto quanto uma
padaria. O futuro do Rio de Janeiro e do Brasil será assim: de um lado Eike Batista e do outro
Fernandinho Guarabu." (Diogo Mainardi.)

http://veja.abril.com.br/blog/mainardi/na-revista/o-nosso-futuro/

Comentários
Todo o artigo visa deixar mal ante a opinião pública o empresário cujo nome, no final, fica associado
a um assassino e traficante de drogas. E o artigo trata de um empresário que, apenas por um acaso, está
envolvido em disputas milionárias com outros empresários.

Entrevista encomendada

Definição
Texto em forma de entrevista que é, na verdade, uma oportunidade para o entrevistador e o
entrevistado desenvolverem em conjunto uma defesa de posições, um ataque, uma tese etc., sempre
favorável ao entrevistado.

Exemplo clássico
"Entrevista com Daniel Dantas." (Diogo Mainardi.)

http://veja.abril.com.br/170506/mainardi.html

Comentários
Talvez nenhuma outra entrevista encomendada tenha sido tão óbvia quanto esta, mas também talvez
nenhuma outra tenha revelado tantos truques desta técnica. Vale a pena ler para aprender. Exemplos:

1. A introdução: "Daniel Dantas não fala. Para quem não fala, até que ele falou muito. O suficiente
para mandar um monte de gente para a forca. Em primeiro lugar, Lula e seus ministros."

Repare na redação: "mandar um monte de gente para a forca". O foco não é o entrevistado, mas os
alvos do entrevistado, dono de poderoso arsenal de informações. Os focos específicos: "Lula e seus
ministros". Focos que, apenas por coincidência, servirão de reforço à posição do entrevistado.

2. Disfarce: "Passei quatro horas no escritório de Daniel Dantas, no Rio. No fim, arranquei dele meia
hora de entrevista."

Um leitor que soletre lerá a entrevista em cinco minutos. É função do jornalista informar aquilo que
ele observou e coletou de importante: "Quatro horas de convívio para 14 declarações?" pensará o leitor
esperto. Felizmente para o PIG, não há tantos leitores espertos.

3. Levantada de bola: "O PT pediu propina ao Opportunity?" – a primeira pergunta.

Recado: o alvo é o PT, não você. O crime está lá, não aqui.

4. Terceirização da acusação: "Porque era uma extorsão?" – "Não é exatamente esse o termo".

O jornalista acusa no lugar do entrevistado, que poderia sofrer um processo penal caso utilizasse o
termo.

5. Terceirização de informação: "Lula se reuniu com a diretoria do Citibank. Ele pressionou os


americanos a trair o Opportunity e fechar um acordo com os fundos de pensão?" – "Não posso comentar
nenhuma notícia que eu tenha obtido através dos documentos que constam do processo em Nova York."

O entrevistador não pode passar a informação, mas o entrevistado pode – então passa.
6. Tabelinha: "O ex-presidente do Banco do Brasil Cássio Casseb disse ao Citibank que Lula odeia
você." – "Casseb disse também que ou a gente entregava o controle da companhia ou o governo iria
passar por cima."

O entrevistador inicia, o entrevistado completa.

Há outros truques nessa entrevista curtíssima. Justamente por isso – por ser tão curta e tão cheia de
truques – ela se tornou um clássico desta técnica.

Suborno disfarçado

Definição
Agrado oferecido ao jornalista para que se torne simpático a uma empresa ou a um produto, simpatia
que se expressará em avaliações menos críticas ou mais elogiosas do que em situações normais.

Exemplos
. O jornalista viaja ao exterior para cobrir um evento, tendo as passagens e a estada gentilmente
oferecidas por uma empresa interessada na cobertura do evento.

. O jornalista ganha da empresa o produto que deve avaliar (ou recebe o produto para usufruto por
algum tempo, no caso de produtos de alto valor).

. O jornalista é presenteado de modo generoso no seu aniversário ou no Natal.

. O jornalista recebe um serviço gratuitamente (uma operação plástica, por exemplo), em troca de
publicidade favorável.

Comentários
Esta técnica funciona quer o beneficiado esteja consciente do desejo de retribuir o agrado, quer não.

Em seu livro Influence: Science and Practice ("Influência: Ciência e Prática"), Robert Cialdini cita
seis princípios universais da influência. O primeiro é justamente o da reciprocidade: "Nossa cultura nos
treina para que paguemos na mesma moeda aquilo que recebemos das outras pessoas".

O importante, aqui, é perceber que a tendência à reciprocidade se manifesta com ou sem a


consciência do beneficiado sobre a motivação do seu comportamento. Por isso, a técnica do suborno
disfarçado pode ser aplicada numa base de toma-lá-dá-cá ou somente de toma-lá (porque eu sei que
haverá o dá-cá).

A explicação desse treinamento cultural, nas palavras de Cialdini: "You must not take without giving
in return. You are obligated to give back to those who have first given to you. So this rule is at work no
matter whom we are dealing with." ("Você não deve tomar sem dar em troca. Você está obrigado a
retribuir àqueles que lhe deram algo. Então, esta regra funciona não importa com quem você esteja
lidando.")

http://www.managementconsultingnews.com/interviews/cialdini_interview.php

O caso mais polêmico de brinde a jornalistas, no Brasil, deu-se em 2005. Um iPod shuffle, sonho de
consumo na época (R$ 590,00), foi oferecido a todos os críticos musicais que receberam o segundo CD
da cantora Maria Rita. A revista Veja acusou todos os críticos que elogiaram o CD de escreverem
"resenhas e perfis chapa-branca":

http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=349ASP003

A resposta de um dos acusados:


"O caso do iPod de Maria Rita – Polêmica em torno do aparelho distribuído pelo selo da cantora gera
injustiça e difamação." (Luís Antônio Giron.)

http://revistaepoca.globo.com/Epoca/0,,EPT1049629-1661,00.html

Aproveitamento de publicação própria

Definição
Utilização de uma publicação do seu grupo empresarial para, sob pretexto de fazer jornalismo,
promover seus negócios ou atacar rivais ou competidores.

Exemplo
"Um empresário sob suspeita."

http://www.terra.com.br/istoedinheiro/edicoes/608/artigo140126-1.htm

Comentários
Na disputa entre os empresários Luiz Roberto Demarco e Daniel Dantas, cada lado acusou o outro
pela suposta compra de jornalistas para atacar o lado contrário. A revista IstoÉ, onde a matéria acima foi
publicada, pertence à Editora Três. O banqueiro Daniel Dantas possui 51% das ações da editora.

O ponto importante, aqui, é que a maioria dos leitores não terá conhecimento dessa relação de um dos
envolvidos com a publicação na qual saiu a matéria desabonadora para o adversário.

***

Um acordo entre a direção de um órgão da mídia e um empresário pode resultar numa troca vantajosa
para os dois lados: o empresário compra espaço publicitário por valores generosos e é beneficiado com a
defesa de seus interesses em notinhas ou matérias especialmente produzidas com esse objetivo.

***

No nível das relações particulares, um lobista ou um (ex-)agente da comunidade de informações pode


munir um jornalista com informações sigilosas, dados comprometedores ou dossiês bombásticos, num
jogo de ganha-ganha: o jornalista destaca-se profissionalmente, e o lobista consegue efetuar o estrago
planejado no adversário.

***

A vantagem das formas disfarçadas de publicidade ou divulgação é óbvia: todo consumidor


consciente fica com um pé atrás quando lê ou ouve um anúncio qualquer, por saber que truques
publicitários estão sendo usados para convencê-lo da excelência do produto ou serviço. Quando a
comunicação é aparentemente isenta, o consumidor recebe-a de espírito desarmado, a defesa abaixada, e
pode não atentar para a manipulação eficiente de seus sentimentos e do seu juízo.

Como nas outras modalidades de jogadas, também na área comercial ou na de serviços a informação
pode ser verdadeira ou falsa, e pode ser positiva (visando ao benefício de uma empresa, por exemplo) ou
negativa (visando ao prejuízo de outra empresa).

O poder por trás da influência pode ser de dimensão pequena (um indivíduo, como o lobista), média
(um restaurante, uma editora) ou grande (uma indústria poderosa, um banqueiro milionário).

As fontes de influência interessadas na imprensa como representante de seus interesses são inúmeras:
as indústrias química, farmacêutica, automobilística e petrolífera, a indústria de bebidas, as empresas das
áreas da Música e do Cinema, as empresas de saúde, bancos, operadoras de telefonia etc. Todas muito
poderosas e dispostas a recompensar regiamente um jornalista ou um veículo de comunicação por sua
ajuda oculta.

JOGADAS JURÍDICAS

Capanga de advogado

Definição
Matéria plantada numa publicação para servir de documento a ser anexado a processo judicial.

Exemplo
"Assim que os documentos chegam aqui em casa, eu os encaminho à magistratura brasileira. Se o
Brasil tem uma saída, só pode ser através das leis." (Diogo Mainardi.)

http://luis.nassif.googlepages.com/opost-itdemainardi

Comentários
Trata-se de uma forma sofisticada de influência de interesses externos na mídia. O jornalista age
como intermediário de parte interessada em incluir num processo determinados documentos ou mesmo
denúncias sem comprovação. Quando as informações são incluídas no processo, por pedido dos
advogados ou por iniciativa do juiz, elas cumprem sua função de ajudar na defesa dos interesses da parte
que gerou o fato jornalístico.

Outros exemplos
1. "O post-it de Mainardi.

[...]

"1. A repórter Janaína Leite publica uma matéria dizendo que há probabilidade das investigações
sobre a Telecom Itália terem ramificações no Brasil. Diz que a "Folha" apurou.

2. Com base nessa matéria, os advogados do Opportunity pedem que os inquéritos italianos sejam
anexados aos da PF. Com isso conseguiriam “contaminar” o inquérito brasileiro.

3. A desembargadora Cecília Mello aprova o pedido, citando como elemento os “fatos gravíssimos”
que constam da matéria de Janaína." (Luis Nassif.)

http://luis.nassif.googlepages.com/opost-itdemainardi

2. "O bookmark de Mainardi.

[...]

"Matérias jornalísticas semelhantes às mencionadas foram publicadas em outros órgãos de imprensa


e, ao menos em princípio, constitui indício de credibilidade dos graves acontecimentos veiculados nas
gravações das conversas telefônicas, se não se sabe se teriam ou não sido obtidas licitamente (...)." [Juiz
João Carlos da Rocha Mattos.] (Luis Nassif.)

http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=473IMQ003

3. O conluio entre jornalistas e advogados de acusados pela Justiça é uma das peças-chave do texto
"Lições sobre processo penal", de Guilherme Hanesh, baseado nas ações do banqueiro Daniel Dantas para
escapar dos processos a que responde. O primeiro item:
"1) Quando a coisa apertar no Juiz de primeira instância, promova uma campanha de difamação
contra ele na imprensa, pague lobistas, jornalistas e assessores de imprensa para dizerem que o Juiz é isso
ou aquilo, lance suspeição sobre casos passados, assassine reputações, utilize sites de assessoria jurídica
para reforçar as teses e depois vá a qualquer tribunal superior e alegue suspeição do magistrado. A
suspensão do processo é líquida e certa." (Guilherme Hanesh.)

http://colunistas.ig.com.br/luisnassif/2009/12/21/licoes-sobre-processo-penal/

Entrevista-míssil

Definição
Entrevista-interrogatório que visa constranger o entrevistado e acusá-lo de erros, impropriedades ou
mesmo crimes, utilizando-se das perguntas para disseminar acusações e denúncias sem provas.

Exemplo clássico
A entrevista da jornalista Janaína Leite, da Folha de S. Paulo, com a juíza Marcia Cunha, que visava
atingir um dos obstáculos aos objetivos de Daniel Dantas (a juíza):

"Magistrada vê tentativa de desmoralização".

http://docs.google.com/Doc?id=dcxtfgb_171ggtj72nz

Comentários
Estude a entrevista. Ela não é um clássico por nada. Só alguns exemplos. A primeira pergunta:

. "Folha – A sra. foi a autora da sentença contra o Opportunity?"

Repare que a pergunta sugere a possibilidade de que outra pessoa tivesse redigido a sentença, e não a
própria juíza. Uma "tentativa de desmoralização", como bem retrucou a juíza – mas o estrago já estava
feito. Na entrevista-míssil, o importante são as perguntas, não as respostas.

. " Folha – A sra. comprou um apartamento de quatro quartos em Ipanema pouco depois de dar a
sentença?"

Aqui temos em ação a falácia lógica post hoc ergo propter hoc ("depois disso, logo causado por
isso"): se o fato B aconteceu depois do fato A, ele foi causado pelo fato A. A resposta da juíza: "Meu
Deus, que absurdo! Eu moro de aluguel" enfraquece o ataque, mas a suspeita permanece na mente do
leitor, ainda que atenuada.

. As três últimas perguntas jogam no ar, todas, a suspeita de atos ilícitos.


"Folha - A sra. ganhou passagens da Varig?"
"Folha - A sra. foi a Nova York por conta própria?"
"Folha - Casos envolvendo a sra. já foram enviados ao Órgão Especial antes?"

Esta é a essência da entrevista-míssil: perguntas são ataques poderosos; as respostas só deixam ao


entrevistado a possibilidade de uma resposta constrangida ou ultrajada.

JOGADAS COM O EXECUTIVO

O principal objetivo estratégico quanto aos governos, do nosso ponto de vista, é garantir o acesso
fácil a pontos de influência. Idealmente, um ponto deve estar ocupado por alguém do "nosso lado",
disposto a usar seu poder a favor dos nossos interesses. Quanto mais importante o ponto, mais valioso ele
será.
Obviamente, as melhores colocações para negócios lícitos ou ilícitos são a do próprio chefe do
Executivo (prefeito, governador, presidente), as de ministros ou secretários, as de presidente de
instituições especialmente valiosas como BNDES, Banco do Brasil, Petrobras, Furnas, Itaipu etc. (no
Governo Federal), e assim por diante, descendo na escala de importância.

Essas colocações prestam-se a vários fins; um dos mais importantes é a obtenção de financiamento de
campanha eleitoral (o caixa dois) por meio de contratos superfaturados, licitações dirigidas, licitações
combinadas entre as empresas concorrentes, ou contratos baseados na inexigibilidade de licitação. As
áreas de obras, educação, informática, tecnologia e prestação de serviços variados por trabalho
terceirizado são algumas das preferidas para esse fim.

Para uma empresa da mídia, os benefícios importantes são um eventual financiamento facilitado,
favores variados e a venda de produtos e serviços.

Venda de produtos e serviços

Definição
Troca de matéria elogiosa em publicação importante por um contrato volumoso com a editora
responsável pela publicação.

Exemplo clássico
"Ele deu a volta por cima." (Entrevista de José Roberto Arruda nas páginas amarelas da Veja.)

http://veja.abril.com.br/150709/ele-deu-volta-cima-p-015.shtml

O pagamento pela entrevista elogiosa:

http://www.sinprodf.org.br/site/media/notas_correio_01.jpg

A fonte da denúncia (blog da Paola): http://www.blogdapaola.com.br/?p=4748

Comentários
O exemplo acima tornou-se clássico não pela eficiência, mas pela imperícia. A proximidade entre a
assinatura do contrato e a publicação da matéria elogiosa (menos de um mês) permitiu que uma simples
blogueira denunciasse o acordo secreto.

Outros exemplos
1. O mesmo governador beneficiou o jornal que sempre o defende, fazendo mais de 7.500 assinaturas
com dinheiro público:
http://www.sinprodf.org.br/site/media/notas_correio_02.jpg

2. Este "investimento cultural" deu-se no estado de São Paulo:

"Começou o pacote de bondades que já vinha ajudando o caixa da Abril. Agora é a vez da Folha e do
Estado. Os jornalões paulistas vão ganhar cabeças e corações em todas as escolas paulistas já que a
Secretaria vai fazer 5.449 assinaturas dos dois periódicos." (Blogueira NaMaria.)

http://colunistas.ig.com.br/luisnassif/2009/04/20/as-bondades-para-2010/

3. Ainda na Secretaria de Educação do estado de São Paulo, os benefícios à "Fundação Roberto


Marinho (ligada à Editora Globo)" e à "Fundação Victor Civita (editoras Abril, Scipione e Ática)":
"Globo e Abril agradecem" (Thiago Domenici).

http://www.redebrasilatual.com.br/revistas/34/professores-a-deriva/view

4. Mais um exemplo, este na cidade de São Paulo, combinando favorecimento empresarial com
propaganda pessoal de político:

"Secretário de Educação de Kassab compra com dinheiro público e distribui a professores, revista da
Editora da Veja com foto dele." (Luis Favre.)

http://blogdofavre.ig.com.br/2008/02/secretario-de-educacao-de-kassab-compra-com-dinheiro-
publico-e-distribui-a-professores-revista-da-editora-da-veja-com-foto-dele/

5. Contratos são indícios de favorecimento. Provas são raras, como este vídeo em que o deputado
Benício Tavares afirma ter pago ao Correio Braziliense para publicar notícias favoráveis ao então
governador Joaquim Roriz:

http://www.youtube.com/user/tvamigospl#p/a/u/1/PUnhRmW5O8s

Notinhas plantadas

Definição
Notinhas elogiosas sobre um governante que tenha pretensões maiores que o seu atual cargo.

Exemplo
"Décimo quinto salário

"Minas Gerais já paga há três anos um décimo quarto salário aos seus 600.000 servidores. O
recebimento está condicionado, é claro, ao cumprimento de metas de produtividade. Agora, Aécio Neves
vai dobrar a aposta: está enviando à Assembleia Legislativa um projeto, que deve ser votado ainda neste
ano, para dar o décimo quinto salário. Não deixa de ser uma poderosa arma eleitoral numa eventual
candidatura a presidente." (Lauro Jardim.)

http://arquivoetc.blogspot.com/2009/12/radar_05.html

Comentários
O pretendente a candidato a Presidente da República sai-se bem na notinha do jornalista, que reforça
a associação do nome do político com o futuro cargo.

Promiscuidade solidária

Definição
Contratação pelo Executivo de uma pessoa muito próxima ao dono do veículo de comunicação que o
apóia.

Exemplo clássico
"DO 10/dezembro/2009 – Casa Civil – Gabinete do Secretário – Resoluções de 9-12-2009 –
Autorizando, nos termos do art. 69 da Lei 10.261-68, observado o disposto no Dec. 52.322-69, o
afastamento de Daniela Ferraz Saad, RG (…), Assistente I, da Secretaria de Comunicação, para, sem
prejuízo dos vencimentos e das demais vantagens de seu cargo, no período de 12 a 16-12-2009,
empreender viagem a Copenhague – Dinamarca, a fim de acompanhar a programação oficial do Senhor
Governador." ("Diário Oficial do Estado de São Paulo.")

http://namarianews.blogspot.com/2009/12/com-o-serra-no-cop15-e-alem.html

Comentários
Daniela Ferraz Saad é filha de João Carlos Saad, presidente do Grupo Bandeirantes.

Novamente, um exemplo clássico por uma questão de imperícia. Além de contratada, a parente ficou
exposta porque viajou com o Governador. Por uma questão de imagem e isenção, os grupos do PIG
devem evitar esse tipo de associação óbvia com políticos que costumam defender em seus meios de
comunicação.

Auxílio amigo

Definição
Uso de órgão subordinado ao Governo para financiar ou ajudar uma iniciativa de mídia simpática ao
"nosso lado".

Exemplo
"Banco estatal beneficiou aliados de Alckmin."

"O governo Geraldo Alckmin (PSDB) direcionou recursos da Nossa Caixa para favorecer jornais,
revistas e programas de rádio e televisão mantidos ou indicados por deputados da base aliada na
Assembléia Legislativa.
[...]

"Autorizou a veiculação de anúncios mensais na revista ‘Primeira Leitura’, publicação criada por Luiz
Carlos Mendonça de Barros, ministro das Comunicações no governo Fernando Henrique Cardoso. Ele é
cotado para assessorar Alckmin na área econômica. Recentemente, a Quest Investimentos, empresa de
Mendonça de Barros, foi escolhida para gerir um novo fundo da Nossa Caixa." (Frederico Vasconcelos.)

http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=374ASP002

Comentários
O uso da publicidade oficial para apoiar portal, site ou blog, ou mesmo revista, jornal ou programa de
TV ou rádio de linha favorável ao Governo, é uma outra forma de relação proveitosa entre Executivo e
mídia. Embora seja impossível evitar a publicidade oficial em veículos contrários ao "nosso lado",
quando no Poder, é importante destinar recursos aos nossos apoiadores na mídia, ao máximo da nossa
capacidade.

Blindagem midiática

Definição
Proteção a governantes do "nosso lado", que vai desde a recusa em divulgar fatos desabonadores à
sua pessoa particular ou pública até à eventual dispensa de jornalista que esteja divulgando esses fatos.

Exemplo clássico
"[Jorge] Kajuru denunciou no ar que os deficientes físicos estavam sendo tratados como gado no
Mineirão, em oposição ao tratamento dado aos convidados do governo mineiro e da CBF (que, é claro,
deve ser mesmo de primeira, diferenciado, como o torcedor comum, que paga, merece o tratamento
adequado)." (Juca Kfouri.)

http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=281ASP002

O jornalista da Rede Band foi afastado durante a transmissão e demitido por não aceitar a imposição
de um pedido de desculpas ao governador Aécio Neves.

Comentários
A idéia de "Quem está no PIG é do PIG" fica bem ilustrada por este caso. Uma situação é o jornalista
expor nosso aliado, num trabalho realizado por outro órgão da imprensa, crítico à sua gestão. Outra
situação, inaceitável, é ele fazer o mesmo num órgão comprometido com a sua defesa. Ele estava no PIG,
mas não era do PIG – por isso, corretamente, foi demitido.

JOGADAS COM O LEGISLATIVO

Parlamentares do "nosso lado" têm interesse numa boa relação com a imprensa porque, por meio
dela, podem divulgar oculta ou abertamente determinadas informações que visam minar o "outro lado".

Repasse de dossiê

Definição
Recebimento de dossiê, geralmente obtido ou montado de maneira ilegal, e entrega da documentação
à imprensa, geralmente em troca de anonimato.

Exemplo
Essa função de intermediação por parte de um parlamentar foi ilustrada no vazamento do suposto
dossiê do Governo Lula sobre gastos da gestão FHC com cartões corporativos (2008).

Comentários
O senador Alvaro Dias, responsável pela entrega à revista Veja de um 'dossiê" recebido de José
Aparecido Nunes Pires, secretário de Controle Interno da Casa Civil, negou essa função até o último
momento, atribuindo o vazamento ao próprio Governo Federal. A imprensa sugeria um racha no PT como
a origem do problema:

"Governo distribuiu dossiê sem deixar rastro, diz [Alvaro] Dias." (Estado de S. Paulo.)

http://www.estadao.com.br/interatividade/Multimidia/ShowAudios.action?
destaque.idGuidSelect=5CED09E88200428BBB6023E3D51C70A5

A ambigüidade foi mantida até o limite:

"Alvaro Dias nega ter vazado informações sobre gastos de FHC com cartão." (Agência Senado.)

http://www.senado.gov.br/agencia/verNoticia.aspx?codNoticia=73366&codAplicativo=2

Chegou o momento da verdade:

"Álvaro Dias confirma quem vazou dossiê."

http://oglobo.globo.com/pais/audio/2008/6210/

E também do constrangimento pela mentira anterior:

"Alvaro Dias admite que foi fonte da Veja.

[...]

"O senhor então foi fonte de informação do jornalista da Veja? Não a única, mas uma das?

"(silêncio) Qual é a importância disso? Eu pergunto. Obviamente a Veja tem fontes no Palácio do
Planalto… Qual é o ilícito em conversar com jornalistas, como eu estou conversando com você? Qual é o
ilícito?" (Raphael Prado.)

http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI2725336-EI6578,00.html
Fornecimento de denúncias

Definição
Fornecimento de denúncias, da imprensa para o Legislativo ou vice-versa, visando à exploração de
pontos de ataque ao "outro lado".

Exemplo
a) Da imprensa para o Legislativo.
A ligação íntima entre imprensa e Congresso ficou nítida no caso da fracassada CPI da Petrobrás. Na
fase que precedeu a sua instalação, a série de reportagens-denúncia da mídia ajudou a criar a impressão de
total descontrole de gastos (ou, quem sabe, de roubalheira), que acabou levando à instalação da Comissão
Parlamentar de Inquérito.

Quando a imprensa esgotou seu arsenal de denúncias, os parlamentares sentiram-se deserdados e


reclamaram:

"O senador [ACM Júnior] explicou que a oposição contava com a 'colaboração da imprensa' , para
fazer novas denúncias e que sem isso 'fica difícil surgir mais informações contra a estatal' . 'Botamos fé na
imprensa', comentou." (Valor Econômico.)

http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2009/9/15/governistas-esvaziam-cpi-da-
petrobras

b) Do Legislativo para a imprensa.


"Pelo que temos visto e lido, os senadores da oposição juntamente com aqueles interessados na
investigação pouco a pouco estão trazendo novidades para a imprensa, que a partir de denúncias
começam a fazer uma investigação paralela, produzindo matérias jornalísticas sobre suspeitas de
corrupção existente na Petrobrás. O governo sabe, mas não está levando em consideração que a imprensa
é o Quarto Poder." (Ataíde Lemos.)

http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2009/06/448749.shtml

Comentários
A morte prematura da CPI da Petrobrás revelou que o açodamento jamais poderá tomar o lugar do
planejamento. É preciso que as denúncias sejam espaçadas e que cada uma delas seja desenvolvida ao
máximo, com a colaboração orquestrada da mídia e do Congresso.

***

Parlamentares do "nosso lado" têm interesse numa boa relação com a imprensa porque recebem nossa
proteção em troca da luta contra o "outro lado" e da divulgação, aproveitamento e utilização de denúncias
feitas pelos órgãos da mídia. A maioria das CPIs do Congresso abertas nos últimos anos derivaram dessa
colaboração, o PIG na função de gerar o material de ataque e o Congresso na função de explorar ao
máximo as denúncias para desgastar o "outro lado".

Outro benefício óbvio recebido pelos parlamentares do "nosso lado" é sua constante exposição na
mídia, que lhes serve de ajuda eleitoreira. Já virou motivo de piada no "outro lado" a freqüência com que
os senadores Arthur Virgílio, Heráclito Fortes, Tasso Jereissati, José Agripino Maia e Alvaro Dias, todos
da Oposição, comentam qualquer minidenúncia inventada pelo PIG.

JOGADAS POLÍTICAS

Além das jogadas ensinadas no item anterior, há um amplo conjunto possível de jogadas políticas que
passam à margem das casas legislativas.
Notinhas plantadas

Definição
Notinha favorável ou conveniente a um político, plantada numa publicação para tentar gerar um fato
consumado.

Exemplo
"Aécio fecha acordo para ser vice de Serra." (Kennedy Alencar.)

http://www1.folha.uol.com.br/folha/colunas/brasiliaonline/ult2307u566971.shtml

Comentários
O acordo não aconteceu, de fato. Mas uma notícia como essa permite analisar a reação dos vários
setores da sociedade, da própria mídia e dos participantes do jogo político, trazendo informações valiosas
aos interessados na divulgação.

Compra de capa

Definição
Compra da matéria de capa de uma publicação de prestígio, visando a fazer propaganda com fins
eleitorais.

Exemplo clássico
Revista Veja, 23/3/1988.

Comentários
A matéria comprada (versão imbatível que circula em nosso meio) lançou para o Brasil o político
(Fernando Collor de Mello) e o epíteto elogioso pelo qual ficou conhecido.

No caso de matérias de outra natureza (lançamento de filme ou livro importante, por exemplo), o
aspecto do jogo da influência e do poder não está envolvido na venda da capa – somente o aspecto
comercial da transação.

Recadinho

Definição
Recado de uma ala a outra do mesmo grupo político em briga interna, transmitido por meio de
jornalista, colunista ou parajornalista.

Exemplo
"Só na certa
"Observação de um tucano engajado (na campanha de José Serra): 'Aécio só aceitará ser vice se tiver
certeza de que o Serra vai ganhar.' " (Dora Kramer.)

http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2009/12/4/perda-total

Comentários
Geralmente, os recados são passados do modo ilustrado acima: "um tucano engajado". Ou seja, sem a
identificação da fonte. O importante é que ambos os lados sabem que se trata de um recado e levam essa
informação em conta ao avaliar a situação política.

JOGADAS DERIVADAS DE RELAÇÕES PESSOAIS

A boa relação

Esse procedimento vale para todas as áreas do jornalismo. Uma boa relação com as fontes é
essencial; então, elogios ocasionais, divulgação de notícia de interesse da fonte, comunicação de
informações úteis a ela, entre outros atos, servem para ficar de bem com a pessoa, torná-la acessível e
manter a sua condição de fonte valiosa.

Companheiros de vida

Alguns jornalistas têm a sua carreira marcada por uma ligação íntima com determinado político.
Nesse caso, o político serve de fonte confiável e recebe da parte do jornalista alguns favores especiais,
nem sempre do conhecimento do veículo de comunicação.

Coleguismo interno

Definição
Divulgação de empresa, interesse ou obra de membro importante do mesmo órgão de comunicação,
apenas por causa dessa condição.

Exemplo
"Um sopro diabólico." (Resenha escrita por Alcir Pécora, professor de literatura da Unicamp, sobre o
livro de contos A Boca da Verdade, de Mário Sabino, redator-chefe da revista Veja – e publicada na
Veja.)

http://arquivoetc.blogspot.com/2009/12/boca-da-verdade-de-mario-sabino.html

Comentários
O critério é simples: se a pessoa não fosse da equipe, a notinha ou matéria sairia na publicação?
Quase sempre, a resposta é não.

Trata-se da antiga prática de "dar uma força" aos amigos, justificável porque, em certos casos, será
esta a única "força" que eles receberão da sociedade. A técnica não causa nenhum dano considerável à
empresa e ainda rende boas piadas na redação.

Coleguismo externo

Definição
Divulgação de empresa, interesse ou obra de membro importante de outro órgão de comunicação,
justificada por afinidade ideológica, estratégica, política etc.

Exemplo
"O gosto azedo da mesmice.

"Ali Kamel é o Flaubert do lulismo. Flaubert? Gustave Flaubert? Ele mesmo." (Diogo Mainardi, em
coluna elogiosa sobre o livro Dicionário Lula, de Ali Kamel.)

http://arquivoetc.blogspot.com/2009/08/diogo-mainardi-o-gosto-azedo-da-mesmice.html

Comentários
Mainardi é autor de Lula, Minha Anta e assumiu a identidade de antilulista. E tanto ele quanto Kamel
são expoentes do PIG, portanto é natural que um ajude o outro em sua luta comum contra o Presidente.

Atuação autônoma

Definição
Aproveitamento do espaço conquistado na mídia para veicular notícias de interesse de uma fonte ou
de interesse próprio, sem comunicação aos patrões.

Exemplos
1. A demissão de Nelson Motta.
"Por que Nelson Motta saiu de Folha."(Ricardo Kotscho.)

http://colunistas.ig.com.br/ricardokotscho/2008/09/11/por-que-nelson-motta-saiu-da-folha/

2. A demissão de Ricardo Boechat.


"Grampo derruba Boechat." (Jornal do Brasil.)

http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos/iq270620018.htm

"Os bastidores de uma guerra." (Consuelo Dieguez, Veja.)

http://docs.google.com/Doc?id=dcxtfgb_35d47whtgd

Comentários
Como toda empresa, um órgão do PIG contrata pessoas interessadas em realizar determinados
trabalhos e supostamente competentes para essas funções. O limite de sua atuação é bem determinado;
qualquer ato estranho às funções acordadas pode suscitar uma punição.

As relações indevidas com pessoas de fora da empresa são aceitas somente quando aprovadas pelos
patrões e benéficas aos objetivos da empresa. É o caso de relações com o submundo da política, com
políticos de índole comprovadamente corrupta, com informantes que têm extensa ficha criminosa etc.
Relações indevidas não avaliadas e não aprovadas pela chefia são naturalmente proibidas, assim como o
uso do espaço profissional para a defesa oculta de interesses pessoais.

Como se pôde constatar nos últimos anos, todo o esforço do PIG não foi suficiente para abalar a força
do Governo central. Portanto, cada texto, cada parágrafo, cada linha escrita ou falada por um de nossos
contratados deve focar nesse objetivo essencial. Não é aceitável nenhuma forma de desperdício, quanto
mais para beneficiar estranhos ao jogo.

Outro exemplo
A demissão de Joelmir Betting.

"Joelmir Fora." (Midia & Varejo.)


http://www.fcdl-sc.org.br/portal/print.php?id_news=318&orig=news

Neste caso, a atuação autônoma deu-se fora do âmbito do veículo de comunicação para o qual
trabalhava o jornalista, e sem a anuência dos patrões.

O JORNALISTA E O PIG

A relação entre os órgãos do PIG e seus jornalistas pode ser tranqüila ou traumática. Ela é tranqüila
quando eles apreciam, por vontade própria, o jogo do mercado, da influência e do poder. É traumática
quando ainda possuem a chamada (e idealizada) consciência profissional e desejam fazer um trabalho de
qualidade, independentemente das forças sociais que pressionam a mídia para se beneficiar dela.

Nesse último caso, o jornalista é como um marisco entre a onda e o rochedo – de um lado, aqueles
interesses, associados aos de seus patrões, impondo-lhe um trabalho voltado à luta da qual não deseja
participar; do outro lado, a opinião pública, que vai culpá-lo pelo trabalho inepto, distorcido ou mesmo
sujo que virá identificado com seu nome. Pressões internas e externas ao local de trabalho combinam-se
para gerar uma situação profissionalmente dramática.

Interessado em ficar do lado do cidadão nos conflitos contra o Governo, os partidos e os grupos que
desejam "alugar a sua consciência"; interessado em ficar do lado do contribuinte nos conflitos contra a
burocracia, o corporativismo do funcionalismo público, a corrupção governamental e os políticos que
fazem mau uso com o dinheiro público; e interessado em ficar do lado do consumidor nos conflitos contra
empresas poderosas, esquemas gananciosos (monopólios virtuais e trustes), publicidades enganosas e
serviços ineficientes, esse jornalista raramente consegue fazer de sua atividade profissional um meio de
promoção de seus valores mais caros.

Quando uma reportagem volta da edição, alterada como uma foto cujo trabalho no Photoshop gerou
modificações a ponto de não mais se reconhecer a pessoa fotografada, o descompasso entre o ideal e a
realidade pode ser mais que frustrante: desanimador.

Quando o jornalista é encarregado de uma matéria encomendada, quando a pauta impõe um ângulo
nitidamente distorcido à cobertura de um fato ou quando ele fica proibido de levar sua investigação para o
lado mais promissor, essas imposições podem gerar mais que decepção: o arrependimento pela escolha da
profissão.

Quando o jornalista "sério" contrasta o que ele ganha com o que ganham (muitas vezes, por fora)
aqueles que entram de cabeça no jogo, embora não tenham metade de suas qualificações, a constatação
pode ser mais que cruel: devastadora.

Mesmo entre os jornalistas integrados à luta, às vezes é custoso "pagar pedágio ao patrão",
especialmente quando a situação de submissão se torna muito óbvia aos leitores, ouvintes ou
espectadores.

A necessidade de manter a colocação profissional é uma condicionante a que os patrões não estão
alheios, assim como os sentimentos de conflito profissional – até porque muitos deles vivem situação
semelhante, embora em patamar superior.

É compreensível o desejo de vivenciar uma relação harmoniosa com o exercício da própria profissão.
Mas importa perceber que vivemos num mundo real, e não no mundo ideal. E que exigir vivenciar apenas
o lado bom da vida numa situação de batalha deflagrada, como o é toda situação política importante, em
todo o mundo, é o mesmo que desejar paz, conforto e harmonia durante um conflito bélico verdadeiro: a
pessoa simplesmente não está percebendo onde se meteu.

Repetindo a verdade inescapável: "É o jogo da influência e do poder, estúpido!"


PALAVRAS FINAIS

Sugerimos que você leia e releia várias vezes os exemplos apresentados nas páginas anteriores e que
aplique as técnicas ensinadas, tanto em textos rascunhados só para treinamento quanto em seu textos
profissionais. Pouco a pouco, esses recursos passarão a fazer parte de seu repertório inconsciente e, no
devido tempo, você atingirá o grau de excelência ilustrado por vários autores dos exemplos deste Curso.

É impossível exagerar a importância da compreensão e da absorção, no nível da personalidade, dos


princípios, das atitudes e da visão realista apresentados na Primeira Parte deste manual. São eles que
devem pautar a sua relação com o "outro lado" e as suas intervenções na luta de que todos participamos.

Não há trégua nesta luta. Ao contrário, ela tende a ficar cada vez mais acirrada. Com a popularização
da internet, nossa posição vem sofrendo ataques de agentes que se encontravam, até aqui, excluídos do
jogo, como os cidadãos individuais, munidos de armas como os blogs, o e-mail, as caixas de comentários,
as redes sociais, o Twitter. Sabe-se lá quantas novas ameaças o mundo digital nos trará, nos próximos
anos, além daquela advinda do desprestígio crescente das mídias impressa, falada e televisada.

Mas nosso arsenal de técnicas é útil também para uso nesses outros meios, e nossa capacidade de
adaptação às situações, tão bem demonstrada cotidianamente na luta política, nos servirá em muito no
combate travado nos novos campos de luta.

Um lembrete final. Este manual reflete aquele que talvez deva ser o nosso mais importante intento,
no meio profissional: a cooptação e a formação de novos integrantes para o "nosso lado". O "outro lado"
está recebendo o benefício inesperado da inclusão digital, arregimentando colaboradores num ritmo
impressionante. Precisamos contrapor, a esta adesão volumosa mas indiscriminada e descontrolada, um
conjunto de ações unificadas e eficientes que visem, acima de tudo, à formação de colegas dedicados e
altamente capazes. Um de nós, se personificar essas qualidades, valerá por mil deles que não demonstrem
perícia na luta.

Fique certo: o futuro, assim como foi o passado e está sendo o presente, será nosso – da Grande
Mídia.
TUDO FAZ PARTE DO JOGO

Um lado, o outro lado – as mesmas técnicas, o mesmo jogo.

E os dois lados percebem o que o outro faz.

Reflexão desapaixonada
| 14:06
O isento analista político José Dirceu postou agora há pouco em seu blog que, com a
desistência de Aécio Neves, “surge um problema sem solução: Minas Gerais”. Segue
Dirceu, sempre em desapaixonado exame da situação:

- Os mineiros não perdoarão jamais o tucanato por impedir Minas - e Aécio - de ter um
candidato a presidente. Não há como reverter esse grande prejuízo eleitoral à candidatura
paulista de Serra. O resto é conversa fiada…

Evidente, que uma análise política feita por Dirceu sobre os tucanos vale tanto quanto uma
nota de três reais. E ele sabe disso. Mas – e isso faz parte do jogo – o que Dirceu
pretende é lançar discursos para que a massa petista repita até cansar.

Por Lauro Jardim

http://veja.abril.com.br/blog/radar-on-line/tag/jose-dirceu/
O HOMEM DO ANO (Charge de Amarildo)

http://amarildocharge.wordpress.com/

Responda rápido: que jornais o brasileiro lê?

FIM DO CURSO

Mas a luta continua.