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CONHECIMENTOS PEDAGÓGICOS

Projeto Político-Pedagógico III


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PROJETO POLÍTICO-PEDAGÓGICO III

COMPREENDER O CARÁTER POLÍTICO E PEDAGÓGICO DO PPP NOS LEVA A


CONSIDERAR DOIS OUTROS ASPECTOS:

1. A função social da educação e da escola em uma sociedade cada vez mais excludente,
compreendendo que a educação, como campo de mediações sociais, define-se sempre por
seu caráter intencional e político. Pode, assim, contraditoriamente, tanto reforçar, manter,
reproduzir formas de dominação e de exclusão como constituir-se em espaço emancipatório,
de construção de um novo projeto social, que atenda às necessidades da grande maioria da
população.
Vivemos em uma sociedade capitalista, dividida em uma pirâmide social. As pessoas no
ápice da pirâmide são detentoras de dinheiro e poder, enquanto muitos, que estão na parte
inferior, apenas respeitam e seguem as ações impostas. A escola reflete essas divisões e con-
tradições sociais. Segundo Ilma Passos Veiga, a escola pode reforçar os caminhos vigentes,
mantendo as divisões sociais, ou pode construir um novo projeto. Em outras palavras, ela
pode tanto reforçar as contradições quanto propor algo novo: a emancipação.
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2. A necessária organicidade entre o PPP e os anseios da comunidade escolar, implicando
a efetiva participação de todos em todos os seus momentos (elaboração, implementação,
acompanhamento, avaliação). Nessa perspectiva, o projeto se expressa como uma totalidade
(presente-futuro), englobando todas as dimensões da vida escolar; não se reduz a uma
somatória de planos ou de sugestões, não é transposição ou cópia de projetos elaborados em
outras realidades escolares; não é documento “esquecido em gavetas”.
O projeto político-pedagógico, em uma vertente emancipatória, exige o engajamento de
todos em todos os momentos do processo, de forma a gerar um sentimento de pertencimento
na coletividade. O PPP é um documento vivo, com sentido prático, que deve ser vivenciado e
estabelecido nas práticas e na realidade.

ATENÇÃO
Toda escola possui um projeto político-pedagógico, ainda que, muitas vezes, esse documento
esteja desatualizado ou engavetado. Muitas vezes, esse documento só é atualizado e
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modificado quando alguém o solicita. Essa, no entanto, não é a prática correta a respeito
do PPP. Numa prova, deve-se seguir a linha que os autores defendem, sobre o que deveria
acontecer na prática, segundo eles.

É esse compromisso do PPP com os interesses reais e coletivos da escola que materializa
seu caráter político e pedagógico, posto que essas duas dimensões são indissociáveis, como
destaca Saviani (1983, p. 93), ao afirmar que a “dimensão política se cumpre na medida em
que ela se realiza enquanto prática especificamente pedagógica”.
A dimensão social, portanto, só se materializa na dimensão pedagógica. A título de exem-
plificação, considere-se que uma escola com problemas tente liberar os alunos mais tarde, em
uma tentativa de lidar com as vulnerabilidades sociais, sem, no entanto, possuir espaço ou
estrutura adequados. Essa ação, evidentemente, não teria bons resultados.

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LDB – LEI N. 9394/1996

Destacam-se três grandes eixos diretamente relacionados à construção do projeto polí-


tico-pedagógico:

1. FLEXIBILIDADE: Vincula-se à autonomia, possibilitando à escola organizar o seu pró-


prio trabalho pedagógico.
Deve-se evitar um projeto político-pedagógico impositivo. Deve haver liberdade no pro-
cesso de construção do PPP, para que a escola possa organizar o seu próprio trabalho.

2. AVALIAÇÃO: Reforça um aspecto importante a ser observado nos vários níveis do


ensino público.
A avaliação está ligada à reflexão. É importante que haja reflexão no processo relacionado
ao PPP, para que se entenda quem são os alunos, como as mudanças ocorrerão e quais con-
siderações devem ser pensadas em prol da transformação.

3. LIBERDADE: Expressa-se no âmbito do pluralismo de ideias, de concepções pedagó-


gicas e da proposta da gestão democrática do ensino público a ser definida em cada sistema
de ensino.
O projeto político-pedagógico não deve ser homogêneo, e sim heterogêneo, de maneira a
buscar o pluralismo.
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Esses três grandes eixos (flexibilidade, avaliação e liberdade) advêm da Lei de Diretrizes
e Bases da educação. A LDB, nos artigos 13 e 14, dispõe que a gestão democrática acontece
por meio dos profissionais da educação, que participam da elaboração do projeto político-
-pedagógico. Assim, rejeita-se a ideia de um PPP impositivo, que deva ser seguido por todas
as escolas. Cada escola deve possuir o seu. A LDB aponta, ainda, para a participação dos
conselhos escolares na comunidade escolar.

PPP – LDB

Art. 12. Os estabelecimentos de ensino, respeitadas as normas comuns e as dos seu sistema de
ensino, terão a incumbência de elaborar e executar sua proposta pedagógica.
Art. 13. Os docentes incumbir-se-ão de participar da elaboração da proposta pedagógica de ensino.
Art. 14. Os sistemas de ensino definirão as normas da gestão democrática do ensino público na
educação básica, de acordo com as peculiaridades e conforme os seguintes princípios:
I – participação dos profissionais da educação na elaboração do projeto pedagógico da escola.

As escolas do Distrito Federal, por exemplo, devem respeitar as normas comuns, como
as expressas pela LDB e pelas DCNs, e também as normas da Secretaria de Educação do
Distrito Federal (SEDF).

ATENÇÃO
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Uma pegadinha recorrente em provas é a afirmação de que a LDB define as normas de
gestão democrática. Essa afirmação está errada, pois cada sistema de ensino é que define
suas próprias normas de gestão democrática da educação básica e pública.

A LDB não informa como deve ser o PPP, mas atribui a cada escola a elaboração deste,
respeitadas as orientações do sistema de ensino, e com a participação dos profissionais da
educação. Além disso, na LDB não há menção ao termo “projeto político-pedagógico”, e sim
à “proposta pedagógica” ou “projeto pedagógico”, mas o sentido é sempre atribuído às consi-
derações relativas ao PPP.
Outro documento importante que trata do PPP e quem vem caindo muito em provas é o
Plano Nacional da Educação, o PNE. O PNE trata acerca da gestão democrática na meta
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de número 19. Nessa meta, é estabelecido um prazo de dois anos a partir da publicação do
Plano Nacional de Educação (que ocorreu em 2014) para que todas as instituições de ensino
tenham um plano de gestão democrática.

PPP – PNE

Meta 19 – Gestão Democrática da Educação

ESTRATÉGIA 19.6
Estimular a participação e a consulta de profissionais da educação, alunos (as) e seus familiares na
formulação dos Projetos Políticos-Pedagógicos, curriculares escolares, planos de gestão escolar e
regimentos escolares, assegurando a participação dos pais na avaliação de docentes e gestores
escolares.

Obs.: o Plano Nacional de Educação foi publicado pela Lei n. 13.005/2014 e vale até o ano
de 2024. Ele estabelece um prazo de dois anos para que os sistemas de ensino te-
nham sua legislação sobre a gestão democrática.

A participação deve ser buscada não de acordo com uma visão empresarial, e sim eman-
cipatória, em que o PPP é formulado pela gestão democrática, estabelecida com participa-
ção social.

AUTONOMIAS DO PPP

Pedagógica: São as ações ligadas ao processo de ensino-aprendizagem


Formação de cidadãos críticos e conscientes para a
Administrativa:
sociedade.
Financeira (gestão): R$ – Realiza a gestão financeira de seus recursos.
Faz a relação das instituições de ensino ao regimento,
Jurídica:
normas etc.

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Autonomia é diferente tanto de soberania quanto de independência. Quem possui sobera-
nia é a União, que é soberana aos demais. Os entes federados possuem autonomia: embora
haja liberdade, há limites a se respeitar.
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As escolas não possuem independência, e sim autonomia, conforme prevê o projeto polí-
tico-pedagógico. Um exemplo é a questão dos dias letivos, sobre os quais as escolas têm
autonomia, e não independência. Segundo a LDB, deve-se chegar a, no mínimo, 800 horas,
e no mínimo 200 dias letivos. A escola pode aumentar esses dias e fazer diversas flexibiliza-
ções, desde que alcance os 200 dias letivos.
Verifica-se, portanto, que há autonomia, e não independência. Haveria independência se a
escola pudesse, por exemplo, oferecer apenas 160 dias letivos, mas não é isso o que ocorre.
Na autonomia, os entes não se desligam por completo: embora estejam separados, há ainda
uma interligação entre eles. Isso é o que acontece com as escolas, que criam suas próprias
normas, mas respeitando sempre os documentos anteriores.
É importante lembrar que a escola, na condição de órgão público, tem autonomia para
gerir os recursos, mas não para arrecadá-los. Um órgão público não pode arrecadar recursos,
vendê-los ou aliená-los. A escola recebe recursos descentralizados e, juntamente à sua comu-
nidade, decide quais são as prioridades e em que esses recursos serão investidos.
Quanto à autonomia jurídica, deve-se considerar que cada escola tem suas próprias regras,
como, por exemplo, regras sobre vestimentas dos alunos e sobre atrasos. Essas normas
dependem da realidade de cada escola, das considerações pensadas para as especificidades
da comunidade.
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A autonomia, portanto, é uma liberdade que a escola possui, mas essa liberdade não é
irrestrita.

PRINCÍPIOS DO PPP – VEIGA

Ilma Passos Veiga apresenta os cinco princípios projeto político-pedagógico. Esses prin-
cípios são direções ligadas ao caráter, à essência do PPP. Segundo Veiga, toda a escola que
se enquadre na condição de escola pública, democrática e gratuita deve, necessariamente,
seguir estes cinco princípios:

• Igualdade: retirada da LDB, igualdade de condições para acesso e permanência


na escola.

Esse princípio está ligado à equidade. Significa tratar os iguais de forma igual e os diferen-
tes à medida de sua diferença.
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• Qualidade: a ideia da qualidade vem do desafio de fornecer uma educação de quali-


dade a todos, não dando privilégios a ninguém.

Segundo Ilma Passos Veiga, a qualidade não deve ser um privilégio da minoria, e sim um
direito de todos.

• Gestão democrática: é um princípio consagrado pela Constituição vigente e abrange


as dimensões pedagógica, administrativa e financeira.

Esse princípio é estabelecido no artigo 206 da Constituição Federal. Muitos autores não
citam a dimensão jurídica. Além disso, as autonomias da gestão democrática (que podem ser
lembradas pela sigla PAF) são somente as pedagógicas, administrativas e financeiras. São as
autonomias do PPP que incluem o âmbito jurídico.

• Liberdade: é um princípio constitucional associado à autonomia da escola.

O objetivo desse princípio é constituir a heterogeneidade e a liberdade de pensamento.

• Valorização do magistério: melhorar a qualidade do ensino ministrado na escola;


conexão com as instituições formadoras e a necessidade de conexão com as institui-
ções formadoras; e a ligação da formação inicial e a continuada.

Segundo Veiga, é necessário haver formação continuada, ou seja, atualização às deman-


das da comunidade. A formação continuada, que pode ser feita através de cursos, por exem-
30m plo, pode ocorrer dentro ou fora da escola. Quando essa formação ocorre dentro da escola,
ela está muito mais alicerçada nas necessidades recorrentes da comunidade.

�Este material foi elaborado pela equipe pedagógica do Gran Cursos Online, de acordo com a aula
preparada e ministrada pelo professor William Dornela.
A presente degravação tem como objetivo auxiliar no acompanhamento e na revisão do conteúdo
ministrado na videoaula. Não recomendamos a substituição do estudo em vídeo pela leitura exclu-
siva deste material.
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