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FILOSOFIA

7º Ano – AS ESCOLAS HELENÍSTICAS E A ARTE DE BEM VIVER –


O Viver bem para os Cínicos e Epicuro
CÍRCULO O Viver Bem para os Cínicos e Epicuro
Os Pré-Socráticos 7º Ano EF - FILOSOFIA
FILOSOFIA

O que é Felicidade?
Todos procuram a felicidade. Mas
quem sabe onde encontra-la? Quem sabe
o que ela é? É um bicho grande que voa
ou uma substância que está solta no ar? É
um sentimento ou uma doce ilusão que
nos chama e depois vai embora?
A felicidade existe mesmo? É eterna
ou passageira? Depende de nós ou das
circunstâncias? É fruto da ação humana ou
Meninos e pipas (2010), pintura de Jurandi Assis. da sorte?
Sem respostas claras para essas perguntas, saímos em busca de prazer de todo tipo. Vivemos o
momento. Mas o prazer nem sempre é o melhor amigo da felicidade, pois existem prazeres
momentâneos que, ao longo do tempo, tornam-se prejudiciais e acabam atrapalhando na
busca da felicidade.
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Os Pré-Socráticos 7º Ano EF - FILOSOFIA
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Começando o Capítulo

1. Segundo o texto, o que todos os


seres humanos procuram?

2. As crianças retratadas na
ilustração estão alegres ou
tristes? Por quê?

3. O que você entende por


Meninos e pipas (2010), pintura de Jurandi Assis.
felicidade? E por prazer?

4. Qual é a relação entre prazer,


felicidade e viver bem?
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Cinismo: Vida Simples é Vida Feliz


Você já reparou como as pessoas precisam de um “mundo de coisas” para viver? Roupas, comida,
eletrodoméstico, casa cama, pasta e escova de dentes, sabonete, toalha, pente água, refrigerante, suco, tênis,
sapato, chinelo, carro, ônibus, metrô, tablet, smartphone, giz, carteira, lousa, escola, igreja, clube, quadra,
campo, televisão computador, lápis, borracha, figurinha, videogame, livro, caderno, chá, café, leite... A lista não
para mais!
Será que precisamos de tudo o que temos? Talvez apenas algumas dessas coisas sejam úteis e o restante
seja supérfluo. O cinismo é uma corrente filosófica que trata exatamente dessa questão e responde que não
precisamos de muito. Para os cínicos, a sociedade tem um conjunto de regras e convenções que vai contra a
essência do indivíduo. Assim, o ser humano, se respeitasse a própria natureza, precisaria de pouco para ser
feliz.
GLOSSÁRIO:
supérfluo: aquilo que possuímos sem necessidade; desnecessário; inútil.
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Quais são as necessidades que a natureza ditou aos homens? Podemos pensar que, de tudo o que temos,
algumas coisas são indispensáveis para a manutenção natural da vida. O alimento, por exemplo, fornece-nos a
energia necessária para crescer, estudar, trabalhar... Enfim, viver. As roupas também são fundamentais, pois nos
protegem do frio e mantêm nosso corpo aquecido. A casa é um abrigo necessário, porque garante nossa
segurança, preservando-nos, em alguns casos, do ataque de animais ferozes; em outros, protegendo-nos do frio
e da chuva.
Entretanto, se, além dessas necessidades básicas, o ser humano buscar satisfazer outras relacionadas a
sentimentos e valores construídos pela sociedade, como o apego à riqueza, à vaidade e à fama, a sua vida será
agitada pelo supérfluo. Não precisamos, por exemplo, de várias casas, ou mesmo de uma casa com vários
cômodos. Não precisamos de inúmeras roupas. A nossa alimentação pode ser saborosa e nutritiva, sem ser
desmedida e sofisticada. O ser humano, após construir tantas necessidades, acaba escravizado por elas e
infeliz.
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Diógenes e a liberdade
O fundador do cinismo foi Antístenes de Atenas, discípulos de Sócrates, mas o principal filósofo entre os cínicos
foi Diógenes de Sinope. Seu pensamento influenciou as principais correntes filosóficas do período helenístico.
Diógenes dizia que o ser humano deveria viver de acordo com sua essência, isto é, conforme sua natureza.
Para esse filósofo, o ser humano não necessitava da matemática, da física, da astronomia e, menos ainda,
dos sistemas metafísicos de Platão e de Aristóteles. Essas elaborações teóricas seriam inúteis. O ser humano
precisava apenas satisfazer suas necessidades mais básicas, como comer, dormir e abrigar-se.
Diógenes acreditava que, vivendo de
modo simples, o indivíduo poderia ser livre e
feliz. Uma vida simples seria aquela distante
das comodidades e dos desejos criados pelo
convívio em sociedade, sem fama, sem luxo
e sem fortuna, por exemplo.
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EPICURO: o prazer e a felicidade


Em um jardim afastado do centro de Atenas, o filósofo Epicuro fundiu uma nova escola, em 306 a.C. Nessa
escola, ele e seus discípulos viviam em comunidade. Homens, mulheres, jovens, velhos, escravos e silenciosa,
buscando agir de acordo cm o pensamento de Epicuro. Aos poucos, a comunidade passou a ser conhecida
como a Escola do Jardim, e as ideias epicuristas, como a Filosofia do Jardim.
Mas o que havia de tão especial nesse lugar? Não
eram as flores nem os arbustos, não eram as plantas nem
as frutas que atraíam os frequentadores. O que os
encantavam eram as ideias de Epicuro. Para o filósofo:
“[...] o prazer é o começo e o fim da vida feliz.”
EPICURO. in: CHAUÍ, Marilena. Introdução à história da filosofia:
as escolas helenísticas. SP: Cia das Letras, 2010. p. 106. v. 2.
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Agora você se animou, não é? Já está imaginando que a comunidade do jardim vivia brincando, jogando,
alimentando-se de comidas saborosas e, sempre que possível, festejando. Enfim, você provavelmente está
pensando que a comunidade vivia se deliciando com os prazeres da vida. Mas não foi exatamente isso que
Epicuro quis dizer nesta frase.
O filósofo acreditava que uma pessoa só poderia ser feliz quando deixasse de sofrer dor no corpo e
perturbação da alma. Pense um pouco: é possível ser feliz sentindo dor de cabeça? É difícil desfrutar da vida
nessa condição, não é? Agora imagine uma pessoa muito nervosa e inquieta, que esteja com medo de algo,
apavorada. Nessa situação, também não seria possível desfrutar de uma boa vida.
Por isso, é preciso identificar e separar os prazeres saudáveis daqueles que causam algum dando ao ser
humano. Assim, é possível saber quais prazeres trazem tranquilidade a alma e não provocam dor no corpo. Por
exemplo, você pode sentir prazer em comer uma comida muito gordurosa. No entanto, se comer exagerada-
mente, poderá sentir-se mal e, se fizer isso por um período prolongado, poderá comprometer sua saúde.
Poderá ter dor de barriga, dor de cabeça, tontura e ânsia de vômito.
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Os prazeres
Epicuro classificou os prazeres em três
tipo:
• os prazeres naturais e necessários para a
vida, como comer, beber e vestir-se;
• os prazeres naturais, mas não necessários
para a conservação da vida, como vestir-se
de maneira muito elegante e comer pratos
muito sofisticados;
• os prazeres não naturais, que são criados pela sociedade, como fama, honra e riqueza.
Para os epicuristas, os prazeres maturais e necessários são os únicos que podem ser satisfeitos plenamente,
eliminando a dor do corpo e a perturbação da alma. Em geral, os demais prazeres provocam desejos sem limi-
tes. Quando esses desejos não são satisfeitos, eles causam tristeza, inveja, ódio ou frustração. O sábio é aque-
le que busca os prazeres que o beneficiam de maneira duradoura. Ele sabe se afastar dos prazeres momentâ-
neos que depois o prejudicam. Quem consegue fazer isso vive bem e é feliz.
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Epicuro e as drogas
O pensamento de Epicuro pode nos levar a refletir
sobre as drogas. Elas também podem provocar um
prazer momentâneo. As drogas em geral enganam as
pessoas, seja o álcool, seja o cigarro ou qualquer outra.
O mal-estar e o prejuízo que causam ao corpo são
enormes. No início elas podem agradar, mas isso é muito
passageiro, ao corpo são enormes. No início elas podem
agradar, mas isso é muito passageiro, pois o efeito
prolongado sobre o organismo é prejudicial e pode
levar à morte.
O consumo de drogas cria dependência e o usu-
ário adquire o vício. Quando isso acontece, ele
não consegue deixar de consumí-las. Sua qualidade de vida é prejudicada e seu organismo se enfraquece. Nessa
situação, a infelicidade toma conta do indivíduo e de todos os que o cercam.
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Os sentidos são os mensageiros da verdade


Como os cínicos, os epicuristas discordavam dos sistemas metafísicos de
Platão e de Aristóteles. Aliás, eles eram contrários a qualquer sistema metafísi-
co ou teoria que defendesse a existência de realidades além da realidade mate-
rial, que não poderiam ser conhecidas pelos órgãos dos sentidos. Conforme os
epicuristas, a verdade poderia ser encontrada em nossas sensações e experiên-
cias. Para realmente conhecer algo, não precisaríamos da realidade inteligível
proposta por Platão, nem das quatro causas fundamentais de Aristóteles.
Epicuro defendia que o conhecimento sensível nunca poderia falhar, ao
contrário de Platão, para quem o conhecimento sensível era enganador. Segun-
do Epicuro, o que vemos, ouvimos ou tocamos é sempre verdadeiro, pois, ao
percebermos algo entramos em contato com a realidade que nos é exterior. Os
epicuristas acreditava, portanto, que os sentidos eram os mensageiros da
verdade. É comum ouvirmos pessoas que creem apenas
nas coisas que podem submeter aos sentidos
A Dúvida de Tomé, 1599, óleo sobre tela, 107 x humanos, serem comparadas ao apóstolo Tomé,
146 cm, Caravaggio, Stiftung Schlösser und
Gärten Postdam-Sanssouci, Postdam, Alemanha. da Bíblia cristã.

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