AS NOVAS TENDÊNCIAS DA AMINISTRAÇÃO 1.

A ADMINISTRAÇÃO E SUAS NOVAS TENDÊNCIAS A administração passou por uma verdadeira revolução nos últimos tempos, e nenhuma profissão avançou tanto no Brasil, quanto a de administrador. A gestão profissional será cada vez mais imprescindível para o desenvolvimento e a sobrevivência. A sociedade se beneficia com esta revolução e os administradores também, pois ao contrário dos anos 80, quando o empresário ganhava seu próprio dinheiro na especulação financeira e não em seu próprio negócio, agora a gestão administrativa é que dá o tom para o sucesso da organização. A lei, e principalmente a conscientização do direito do consumidor, obrigou as empresas a reverem seu comportamento e suas práticas no relacionamento com o cliente. A ética e a responsabilidade social, que são conceitos existentes há muito tempo, estão sendo amplamente valorizados e até um selo nos moldes da ISO 9000 e ISO 1400 já foi desenvolvida para sua medição. Como uma operação de reinvenção, outra tendência, que chega com grande força é a Reengenharia, que busca excluir todo organismo operacional da antiga empresa na ilusão de "cortar o mal pela raiz", no intuito não de aperfeiçoar algo, mas inovar, e tornar a empresa competitiva e atual. Durante as últimas décadas, os usuários tem obtido maior aceso à tecnologia e informática, a preços cada vez mais baixos, com recente ampliação e aprimoramento nos equipamentos e sistemas. A competição entre os fabricantes de microcomputadores e os novos avanços tecnológicos, somados às contínuas novidades em "software", aceleram ainda mais essa tendência. A habilidade para tratar com informações e pessoas também é cada vez mais relevante à sobrevivência no mercado. O profissional do futuro é aquele que conta com conhecimento agregado, está sempre se atualizando. O líder é aquele que tem na alma profissional gravado a palavra comprometimento. A sua preparação, as motivações e aspirações são de natureza totalmente diferente do trabalhador tradicional. As implicações são relevantes para a administração, tanto ao nível organizacional hierárquico com do processo de liderança e da gestão dos recursos humanos. As alianças entre empresas e universidades, estão surgindo cada vez mais, e tornando-se uma nova tendência da administração. Seu objetivo principal é criar excelentes profissionais e direcioná-los para as organizações e gerar lucro para as mesmas. É um sistema novo de parceria que vem dando bons resultados. Outra nova tendência é o benchmarking, uma estratégia aplicada pelas empresas da atualidade, que visa o desenvolvimento de qualidade de serviço das empresas, através de pesquisas no ambiente externo, seus concorrentes, empresa modelo. O maior objetivo é ser melhor através da experiência de

e sua importância na sobrevivência das empresas nesse novo mercado. O "primum won wocere" pode parecer até esquecido. Sabe-se que as empresas usam um comportamento anti-ético para obter vantagens no mercado burlar as leis. Cobra-se dos dirigentes de empresas assunção de um papel atuante e construtivo na sua comunidade. principalmente no tocante à arrecadação de imposto. porém muitos já se preocupam com esta prática. a autonomia de sua empresa é a responsabilidade da mesma para com sua própria missão e finalidade de um lado e. A maior parte deles nada tem haver com as empresas e muito pouco com a ética. As pessoas que se aproveitam de cargos para roubar. Mas como os médicos já constataram. 2 – AS NOVAS TENDÊNCIAS A seguir analisaremos mais detalhadamente cada uma dessas novas tendências. a ética da responsabilidade". Diz-se formalmente que o empresário não deve roubar. "Incontáveis sermões têm sido feitos. trapacear.outras empresas para atender melhor as expectativas do seu maior foco: o cliente. Nesse impasse entre a atuação privada do administrador. porém. está sendo sempre lembrado nos manifestos relativo à responsabilidade social. 2. Ultimamente. 1998:367) Um ponto fundamental é a honestidade de todo dia.2 – REENGENHARIA . Apesar de já existir uma pequena mudança ainda há muita diferença entre o discurso e a prática da ética.1 – ÉTICA E RESPONSABILIDADE SOCIAL Os recentes escândalos no Estados Unidos com empresas como a Enron levantaram a importância da ética e da responsabilidade social nas empresas. juntou-se as lições de moral à responsabilidade social. sobre a ética da empresa e do empresário. a ética é uma só. mentir. oralmente e por escrito. Independente de seu cargo ou função ninguém é isento de observar as regras de conduta. Segundo Drucker (1994:376): "Sua modéstia e auto cerceamento fazem dela a regra certa para a ética que os administradores precisam. o seu caráter público é que se localiza o problema ético específico da sociedade baseada nas organizações. porém ninguém deve fazer isso." (Drucker. Não existe uma ética diferente para as empresas. de outro. subornar ou deixar-se subornar enfrenta problemas de valores morais e de educação moral. mesmo essa norma já não é fácil de cumprir. 2. subornar ou aceitar suborno.

as ferramentas analíticas e sistemas de informações já citadas. Pode-se entender reengenharia também como uma redefinição. Michael. por transmitir uma idéia do que queremos dizer por reengenharia de uma empresa. a organização moderna. além de aplicações de trabalho em grupo e que usem a Internet como camada de suporte a negócios. "Aplicação de soluções de tecnologia de informação bem colocadas. Dar-se-á contudo. 1994:21) O fito principal da reengenharia consiste na aquisição de capacidade de melhor servir no sentido de custo benefício e compromisso consubstanciados à qualidade prestada ao cliente. "Melhoria de pequena monta teriam sido insuficientes em qualquer uma dessas situações." (Hammer. Envolve o retorno ao princípio e a invenção de uma forma melhor de se trabalhar. Todas as empresas visaram mudanças revolucionárias. Michael. mercado. cada vez menos se busca meios paliativos aos problemas estruturais.De um modo bastante auto. Não há interesse algum em jogar a sujeira para debaixo do tapete na tentativa infrutífera de dar fôlego ao que somente uma reengenharia soluciona. "Fazer a reengenharia em uma empresa significa abandonar velhos sistemas e começar de novo. visando a abrangência de ações e redução das distâncias" (Janil. passa por momentos e se adapta. repensa sua forma de agir e de atuar no mercado buscando o diferencial chamado "vantagem competitiva – conjunto de fatores que levam a uma empresa definir positivamente de seus competidores. através de alianças e parcerias estratégicas. Para definir estratégias necessitamos de aceso a um grande acervo de informações a respeito dos nossos consumidores. 2001:48) Conseqüentemente. clientes e da própria empresa. 2. mas de como e qual o caminho a ser tomado para se atingir um objetivo." (Hammer. Essa definição informal é uma boa introdução. a reengenharia é a reconstrução de algo já consolidado. de modo a substituir o atual modus operand da empresa por uma nova realidade engajada no que o mercado necessita e no que tornava a empresa mais eficiente na prestação de seus serviços. 2001:37) Fatores estratégicos atualmente devem contemplar a presença e participação de competidores que vêm um determinado segmento de onde jamais se esperava que viessem." (Janil.explicativo. 1994:33) No atual mundo globalizado. Não necessariamente de destino. deve ter suas decisões em aplicações de tecnologia de informação .3 – A TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO Encarar a empresa como algo que resiste. que pretenda sobreviver e crescer.

tem como principal objetivo formar excelentes profissionais e lançá-los ao mercado para que possam ser aproveitados nas empresas. combinado necessidade de grande infra-estrutura com alta tecnologia e vultuosos investimentos" O conhecimento é produzido como trabalho do homem. comparado com o de muitos outros países.conduzidas por profissionais de visão empresarial de gestão fundamentadas com base nos imperativos de crescente competitividade imposta pela globalização e pela permanência de mudanças. Ao entender. ligados à vários ministérios que têm tido algum papel em pesquisa e desenvolvimento. a tecnologia de informação ágil e irrestrita e uma grande capacidade de análise. as oportunidades globais continuarão a demandar a formação abrangentes. propiciou oportunidades para a tecnologia da informação em todos os mercados ainda se encontram em análise e estudo. os horizontes das empresas são diferentes." Para analisar as alianças entre universidades e empresas é a contradição de rivalidade. O governo visa estas alianças porque acreditam na evolução das indústrias. dedicação e paciência além .4 – ALIANÇAS ENTRE EMPRESAS E UNIVERSIDADES As alianças entre empresas e universidades. As universidades são fornecedoras de mão-de-obra especializada para as empresas. Um dos objetivos é promover relacionamento entre universidade e empresas a unir cultura acadêmica e empresarial. Há uma série de laboratórios nacionais no Japão. "As dimensões de um mercado global não devam sobrepor aos valores éticos e morais. englobando a tecnologia. a pesquisa universitária é limitada e o intercâmbio entre empresas e universidades é modesto. considerados insubstituíveis na formação daquele que quer ser reconhecido como ser humano nacional ou global" (Janil. em que transforma em bens necessários para viver. 2. o fenômeno globalização é irreversível. "a condição de sucesso de uma empresa está na capacidade de inovação." Uma das pioneiras desta aliança foi a UNIEMP.. A construção destas alianças necessitam de tempo. Segundo Kurg (1992:?): "A concorrência no mercado mundial tornaria obrigatório novo padrão de produtividade. De acordo com Porter (1990:?): ". gerando lucro para as organizações com os profissionais. 2001:148) Em termos de tecnologia de informação. segundo Porter (1992:?)..

É um elemento essencial no programa de gestão da qualidade total de toda organização. o estágio em que a história se encontra. As alianças podem ser clientes. O benchmarking nada mais é que a prática de comparar. desvinculando do seu contexto.de forma a aumentar a arcabouço de instrumentos e técnicas á disposição do administrador. As universidades profissionais. havendo o entendimento de que um modelo de gestão não deve ser uma bitolação. certamente.de muito comprometimento. eficiência e eficácia. • • • 3 . de forma que a extensão e a eficácia de um lado modelo de gestão organizacional dependem de vários fatores. empresas de ramos diferentes. tem-se a clara percepção de que a organização se expõe a fortes condicionantes em face à história. As empresas fornecem recursos financeiros à universidades. as empresas adotam esse sistema como ferramenta para melhorar a qualidade de seus serviços. geram conhecimento. Faz-se necessário e preciso rompê-lo! Em um futuro muito próximo. as novidades dos anos recentes estarão incorporados á teoria de administração – efetivando o processo de mudança necessárias á atualização da gestão organizacional . dentro deles. Coleta dados internos e externos. formando excelentes 2. Nunca se deve encarar um modelo de gestão de forma estanque. Analisa os dados para identificar lacunas no desempenho e causa das diferenças. É importante ter a visão clara é lúcida no direcionamento e acompanhamento do processo de mudança. onde a empresa segue o seguinte processo: Forma uma equipe de planejamento. sem dúvida. É também classificado como uma ferramenta de sondagem ambiental. é que adotar proposta contemporâneas exige que se considere todo o ambiente em que estão integradas.CONCLUSÃO Ao estudar as tendências da administração. É claro que rever prostas antigas obriga o administrador a colocar os óculos da história.5 – O BENCHMARKING O benchmarking é uma das novas tendências. buscam tecnologia para permanecerem no mercado. qualidade. • Prepara e implementa um plano de ação.3 ORGANIZAÇÕES QUE APRENDEM E SEUS PRINCIPAIS CONCEITOS . 3. fornecedores. O benchmarking permite que a empresa melhore sua qualidade analisando e copiando os métodos dos líderes em vários campos.

em explícito e vice-versa. portanto as organizações devem incentivá-las e elaborar um ambiente propício à criação do conhecimento. internalizado e subjetivo. Os autores demonstram a elevação do nível de participação das pessoas ao passo que elas compartilham seus próprios objetivos e suas visões dos objetivos da organização. A questão da autonomia dos indivíduos em contraposição à obsessão pelo controle que as organizações herdaram do modelo mecanicista deve ser resolvida para que haja um engajamento das pessoas no processo de criação. As pessoas devem ter condições de se autodesenvolverem e devem estar comprometidas com .Garvin (1993) conceitua Organização que aprende como aquela que dispõe da habilidade para criar e transferir conhecimentos e é capaz de modificar seu comportamento. O amadurecimento desta idéia ainda considera outras dimensões como a percepção individual e as aspirações de cada indivíduo. Os autores ainda ressaltam a importância que a organização deve dar à criação do conhecimento nas empresas. dentro e fora da organização. Senge (2006) apresenta a Organização que aprende como “lugar onde as pessoas expandem continuamente a capacidade de criar os resultados que realmente desejam. de modo a refletir os novos conhecimentos e idéias. delega autoridade às pessoas. A conscientização de que cada um tem sua parcela de responsabilidade e que todos estão conectados para a concretização do que foi concebido em conjunto. e utilizam tecnologia para maximizar aprendizagem e a produção”. há a união em prol de uma causa legitimada pela própria percepção e necessidades compartilhadas. mais participativo e criativo. para aprenderem à medida que trabalham. Somente as pessoas são capazes de gerar conhecimento. Nonaka & Takeuchi (1997) discorrem sobre a gestão do conhecimento através da transformação de conhecimento tácito. as pessoas ganham um novo papel nas organizações. Esta nova postura rompe a relação de completa dependência e subordinação desenvolvida nas vertentes anteriores e a elaboração de novas práticas é estimulada por todos os níveis. a aspiração coletiva é liberada e as pessoas aprendem continuamente a aprender em grupo” e Marquardt (1996) dá sua contribuição conceituando ela como: “empresa que aprende de forma coletiva e está continuamente se transformando para gerenciar e usar melhor o conhecimento na busca do sucesso corporativo. Ao assumir a realização dos objetivos compartilhados. A disseminação de idéias e ideais é possível compartilhando e “processando” o conhecimento de forma subjetiva através de slogans. conduz a um aprendizado em grupo e ao legítimo comprometimento. frases ou figuras. ao contrário do modelo centralizado de criação. Tobin (1997) destaca a importância de se criar um ambiente onde possa ocorrer a aprendizagem Organizacional. símbolos. Sendo assim. onde surgem novos e elevados padrões de raciocínio.

isto é.] Compreender o significado de metanóia é compreender o significado mais profundo de aprendizagem. pois esta última implica uma mudança radical de mentalidade. 2006) e pode ser considerada como o ato de aquisição e disseminação de conhecimento. Este cenário deve substituir a cultura do treinamento nas organizações. finalmente o pensamento sistêmico . Ao invés da centralização da tomada de direção que determina e dissemina as práticas e o comportamento necessários para a solução dos problemas. A mudança de comportamento e o processo de aprendizagem organizacional dentro do contexto das organizações que aprendem. Em suma. deve ser adotada uma metodologia descentralizadora.” Em contraposição à ordem mecanicista.esta ação.onde as pessoas devem ter liberdade de expressão e desenvolvidas as capacidades de ouvir e respeitar as idéias alheias.” Bitencourt (2006) ressalta a questão da reflexão. promovendo oportunidades para as mudanças requeridas pelo ambiente. a vivência de experiências que dão oportunidade para a mudança do comportamento em detrimento da simples acumulação de conhecimento.alinhamento do grupo para que seja alcançado o que é pretendido. 2006). As pessoas devem ser pró-ativas na aprendizagem Organizacional.disciplina de ver o todo. através do diálogo e da discussão. Senge (2006) baseia a Organização que aprende no desenvolvimento de cinco disciplinas. ou seja. nas mudanças da forma de .. estão intimamente ligados com o que Senge (2006) chama de metanóia. São elas: domínio pessoal – capacidade de realizar o que realmente é pretendido -. a “desordem”. o rompimento com a ordem estabelecida é requerida para promover a aprendizagem.. aprendendo naturalmente a lidar com as mudanças e adversidades ambientais. modelos mentais . testar e aperfeiçoar nossas imagens internas sobre o funcionamento do mundo”. através da aprendizagem contínua. quando há o questionamento constante das práticas vigentes nas organizações e “o controle assume um novo significado e a ordem e desordem ocupam o mesmo espaço organizacional. onde as pessoas envolvidas com o trabalho sejam capazes de analisar e agir de forma apropriada. Sendo assim.“trazer à tona. as organizações que aprendem são aquelas que buscam nas pessoas. A aprendizagem organizacional é um dos elementos ou dimensões da Organização que aprende (Marquardt apud Bitencourt. aprendizagem em equipe . o tratamento da complexidade requer uma postura diferente da que era adotada no paradigma mecanicista. relacionados diretamente ao desenvolvimento de habilidades e atitudes (mudança de comportamento) que podem ser traduzidos em práticas que contribuam para um melhor desempenho (Bitencourt. perceber a complexidade dinâmica ao invés de perceber a complexidade de detalhes. O autor diz que metanóia “significa mudança de mentalidade[. visão compartilhada . uma vez que as práticas vigentes devem ser questionadas constantemente a fim de testar sua validade. e. O autor destaca a importância da vivência e da ação.

estando todos nós antenados aos acontecimentos que nos cercam. basta estes a procurarem. que administrar hoje é cada vez mais difícil. que podem ser observadas dentro de um mercado globalizado. E ai esta a palavra que todo administrador. igual a hoje e muito menos parecido com o amanhã. é grande o numero de ferramentas que estão disponíveis para os administradores se aperfeiçoarem e utilizarem. ao contrario que muitos autores dizem. novas maneiras de encarar a realidade e. A principal contribuição desta teoria é a quebra de paradigma que ela propõe. que já afirmou Peter Drucker (2000) “que vivemos na era da descontinuidade”. Onde a competição de vizinhos tão distantes. pois realizar previsões e planejamentos torna-nos aptos a sobreviver num mundo de tantas incertezas. O que buscamos aqui é ter a certeza que o diferencial esta na interpretação da visão que temos das possíveis evidencias. afetam todos que fazem parte desta grande empresa privada ou publica que é o nosso país. como a própria teoria propõe. Ferramentas para gestão empresarial e tendências administração: Uma estratégia de sucesso da organização da Muitas são as novas tendências da administração. Estas por sua vez exigem dos administradores características especiais e uma visão muito mais complexa do todo empresarial. organizar.pensar e agir. Nas incertezas de que somos muitas vezes postos a prova. Para que seus pressupostos tenham validade é preciso romper com a lógica que orientou a construção dos modelos anteriores e aprender. empowerment e muitas outras. individualmente e em grupo. planejar. Pois. a solução para os problemas relacionados às disfunções de modelos anteriores e para os problemas emergentes da era do conhecimento. downsizing. com o advento da reengenharia. dentro de todo um processo de crise que norteiam todas as organizações. Os fatores relacionados ao ambiente externo das empresas. nunca deve esquecer. de lidar com ela. em busca de melhores resultados para as organizações. esta cada vez mais turbulento. devemos estar atentos as mudanças. continuamente. ainda mais levando em consideração que sobre estes não temos domínios. bem assim. . nunca o ontem será. Administrar hoje é muito mais fácil do antigamente. faz com que as tão conhecidas funções do administrador sejam postas a prova no ato de prever. mais que somos reféns da sua existência e alterações. “PREVER” e “PLANEJAR”. podemos observar isso com crescimento dos mercados. desenvolvimento de novos produtos. dirigir e controlar. benchmarking.

Os gurus refletem também . já podemos nos preparar que isso repercutirá nas bolsas brasileiras também. nem eficiente. preços da soja. As referências mais diretas da gestão são freqüentemente postas em causa. se comunicar através das tecnologias de conversa on-line. ocupa um espaço de fronteiras pouco definidas. sobretudo no contexto de mudança e incerteza que atualmente vivemos. não são as Pitonisas da era moderna nem lêem o futuro nas entranhas de animais sacrificados. Por outras palavras. onde a aversão ao risco é preponderante. Se acompanharmos a Bolsa de Tokio. tínhamos acessos a tantos recursos para observar situações sobre valores de produtos.Hoje temos vários recursos para nos precavermos de vários e possíveis problemas que poderão advir. Quando que poucos anos atrás. tendências de ações. a complexidade dos fatores que conduzem à rentabilidade das empresas é tão elevada que não é possível. no Japão e esta por sua vez apresentou sinais de queda. Felizmente. o conceito de racionalidade perfilhado pela corrente neoclássica da economia é posto em causa quando aplicado ao mundo da gestão. indo da recomendação baseada na análise superficial de um conjunto reduzido de experiências de gestão à concepção de quadros orientadores fundamentados e de maior utilidade. Os gurus da Administração ocupam um papel relevante na orientação dos gestores. curiosamente vencedor do Prêmio Nobel de Economia. esta necessidade é particularmente importante. da arroba do boi. Tendências da Administração de Século XXI PETER DRUCKER E AS TENDÊNCIAS DA ADMINISTRAÇÃO NO SÉCULO XXI* “Winston Churchill já considerava Drucker ‘um estimulador do pensamento’". dentre muitos outros. Herbert Simon. com certeza será deixado de lado. mas também da psicologia. A internet é uma dessas ferramentas que auxilia o administrador a buscar estas informações. Que alternativa poderá então o administrador encontrar? Qual a estrela Polar que lhe indicará o caminho a seguir? Quem poderá definir os critérios orientadores que deverão ser seguidos num contexto de incerteza e de mudança acelerada? No Brasil. das ciências políticas. ficará parado no tempo e com isso. os seus métodos variam bastante. Hoje o administrador que não sabe mandar um e-mail. Por exemplo. como por exemplo. e outros ocuparão seu espaço no mercado. No entanto. da sociologia. recebendo influências da economia. contesta o princípio "racional" da maximização dos lucros com base na limitação da informação disponível para o gestor. Mesmo em relação às ciências humanas. adotar um modelo normativo de raiz racionalista na gestão empresarial. A Administração não é geralmente considerada uma ciência exata. acessar uma pagina da internet. do direito e de muitas outras áreas.

fortemente as suas origens culturais: enquanto Charles Handy revela as suas origens européias quando expressa dúvidas e manifesta preocupações sociais. A manter-se a situação atual. ao contrário de alguns dos outros gurus. é isso que procurarei fazer a seguir. O segundo desafio diz respeito ao comércio eletrônico. As suas publicações. Novos desafios A transformação mais marcante do novo século é de origem demográfica . indo do modelo da segurança social do futuro e da duração do período de vida ativa (necessariamente maior. na Califórnia. no final do século XXI a Itália terá cerca de 20 milhões de habitantes. Enquanto a reposição da população necessita de uma média de 2. mas seguido de perto pela Europa do Sul (de Portugal à Grécia). é freqüentemente considerado o fundador da Administração. apesar de.1 filhos por mulher.a diminuição da natalidade -. Não sendo em si um negócio com um peso muito elevado no total do produto das nações. contra os atuais 60 milhões! A alternativa da imigração. em duas fases: os novos desafios (contexto) e os novos paradigmas da Administração (acção). trabalhos de consultoria e conferências tornaram-no tão influente que passou a ser considerado o "guru dos gurus". no quadro da entrada do ano 2000. tanto na liderança da Escola de Administração de Claremont. austríaco e americano. As implicações desta tendência são imensas. continua intelectualmente muito ativo. Apesar da influência que exerceu nos restantes gurus e nos autores de Administração em geral. qualquer que seja a sua origem e formação. Julgo que este atributo é merecido. Embora seja difícil sintetizar os seus ensinamentos mais recentes num curto espaço. a generalidade dos países desenvolvidos registra uma média inferior a 1. a maioria de idosos. Peter Drucker. têm um forte conteúdo futurista. é extremamente normativo e encara o sucesso econômico como o único objetivo que deve preocupar os Administradores e os cidadãos em geral. com reformas prováveis aos 75 anos) ao tipo de produtos e serviços a consumir por uma sociedade de idade média muito mais elevada. afetando a generalidade dos países desenvolvidos . apesar da sua insistência de que a maioria das lições podem ser extraídas da observação do passado recente.5. manter uma elevada consistência no seu quadro de análise. americano. ambientais e com a qualidade de vida. pode revolucionar o modo como todas as atividades se . Aos 91 anos. que tem permitido aos Estados Unidos enfrentar a mesma situação. Drucker continua a surpreender pelo caráter visionário e original dos seus artigos. é difícil nos países com menos tradição de assimilação de pessoas de culturas e etnias diferentes. como na produção de livros e artigos que.o Japão em primeiro lugar. que pode ter um papel idêntico ao do desenvolvimento dos caminhos-de-ferro no século passado. Tom Peters. tanto pela natureza pioneira do seu trabalho como pela influência que tem exercido sobre os outros gurus.

tão defendido ultimamente. registram. Finalmente. satisfação na sua atividade. a hierarquia continua a ser uma . cada vez mais. No entanto. Dado o volume de atividade desenvolvido por estas organizações nos Estados Unidos e o envolvimento da população local . Sem a sua revisão não será possível adaptar as organizações aos novos desafios. este modelo organizativo tem vindo a perder peso no conjunto da atividade desenvolvida nos países a favor das atividades fomentadas pelo Estado e suas ramificações ou por organizações sem fins lucrativos. níveis de rotação muito elevados. os paradigmas tradicionais da Administração estão desatualizados. são adequados a todas as situações. a descoberta incessante de necessidades por satisfazer e a investigação permanente são condições indispensáveis ao sucesso e sobrevivência das organizações. Para Drucker. dado que os empregados exigem. A sua preparação e as motivações e aspirações são de natureza totalmente diferente das do trabalhador tradicional. a emergência do trabalhador do conhecimento (“knowledge worker”. Nem a organização hierárquica tradicional nem o trabalho em equipe. correm o risco de se tornar profundamente ineficazes para atrair e manter trabalhadores qualificados. Em primeiro lugar. Para Drucker. mas sim no setor bancário. Quer se trate de empresas quer de organizações sem fins lucrativos.estima-se que mais de 50% dos americanos contribuem ativamente com trabalho voluntário -. a Administração não diz respeito apenas à empresa com fins lucrativos. o setor de atividade com mais sucesso no século XX não se encontra na informática ou no centro da sociedade da informação. Os mecanismos de compensação. O segundo paradigma diz respeito à impossibilidade de encontrar um modelo universal de organização eficiente.é um dos setores obrigados a uma profunda adaptação no novo quadro. até aqui com uma forte ênfase na remuneração. Enquanto as ferrovias permitiram dominar as distâncias. a Internet conduz à eliminação destas últimas. Segundo Drucker. Muitas empresas do famoso Silicon Valley com esquemas de remuneração atrativos do ponto de vista material. não é de surpreender o interesse manifestado por Drucker e a sua consultoria a organizações com milhões de membros. Aliás. tanto ao nível da organização hierárquica como do processo de liderança e da gestão dos recursos humanos. Novos paradigmas Em conseqüência. como as "girl scouts" (escoteiras). uma das suas preocupações dominantes sempre esteve centrada nas organizações sem fins lucrativos. na expressão usada por Drucker) é o terceiro grande desafio que as empresas têm de defrontar. apesar disso.desenvolvem. As implicações são particularmente relevantes para a Administração. incluindo opções e prêmios baseados nos resultados. a Internet vem trazer um desafio imenso à forma como a atividade bancária se desenvolveu .

Formou-se em Direito. No entanto. que lhe foi apresentado pelos pais como sendo "mais importante que o próprio imperador". Cedo começou a investigar na área da econometria. ou em função do desempenho. Finalmente. colabora com numerosas empresas. Drucker sugere uma analogia em que o Administrador é. inicia a sua colaboração com a Universidade de Harvard. ecologia.instituição fundamental. como o maestro que pode não saber tocar violino. tendo de coordenar uma equipe que constituída por médicos especialistas nas mais variadas doenças. empresas sem fins lucrativos. O guru É importante terminar este breve texto com uma descrição sucinta das principais etapas de uma vida tão singular. as suas posições desagradaram ao Governo alemão e.Eduardo Luiz de Oliveira . em 1909. em 1933. publicado em 1954. dada a evolução da atividade econômica. na Universidade de Hamburgo (Alemanha). tendo cooperado com um conjunto vastíssimo de empresas e governos. Por exemplo. mas tem um papel decisivo no desempenho da sua orquestra. um diretor de hospital pode até nem ser médico. Além de uma intensa atividade editorial. Em 1950. Desde então publicou numerosos artigos e livros sobre gestão. os que assistem às suas palestras não duvidam de que ainda vai dar uma forte contribuição ao desenvolvimento da Administração Tendências e previsões para o Turismo 27/4/2005 . o grande desafio para um número crescente de trabalhadores independentes é a gestão de si próprios. No contexto da importância crescente dos trabalhadores do conhecimento. No entanto. Ainda criança. enquanto desenvolvia a “Claremont Graduate School”. No entanto. também não existe um modelo ideal de coordenação de pessoas. O modelo baseado na remuneração fixa. a colaborar em jornais e com empresas envolvidas em comércio internacional. Aos 91 anos. e doutorou-se em Direito Internacional pela Universidade de Frankfurt. é largamente insuficiente. os "subordinados" sabem freqüentemente mais sobre a sua tarefa do que os seus "superiores". conheceu Sigmund Freud. incluindo a GM e Universidades. Em 1937 é destacado para os Estados Unidos como correspondente de jornais ingleses. numa família culta. desloca-se para Inglaterra. o nascimento do “knowledge worker”. Em 1939. Drucker nasceu na Áustria. O livro “The Practice of Management”. muitas vezes. a motivação dos trabalhadores do conhecimento é muito mais complexa de que a dos trabalhadores da era industrial. é considerado o fundamento da disciplina de Administração. publica “The End of Economic Man: Origins of Totalitarianism”. inovação. filho de um funcionário do Ministério da Economia da Áustria e de uma médica. mas o modelo ideal para um departamento de vendas pode não ter eficácia num laboratório de investigação de uma empresa farmacêutica.

No Brasil. progresso tecnológico. fatores que não são relacionados diretamente com o turismo. pela oferta e pela distribuição dos produtos e serviços turísticos. evolução comercial. devidamente respeitado e encarado. seu planejamento. o turismo é entendido e desenvolvido como uma atividade econômica. como um complexo sistema. Os especialistas afirmam que o turismo é o setor que apresenta maior expansão no mundo dos negócios. dentre outros. tais como as observadas na década de 80. cada vez mais. Condiciona a evolução da atividade turística com as forças do mercado. constituido pela demanda. seus desafios ultrapassam as dificuldades técnicas de desenvolver ou trabalhar um modelo adequado. O Turismo. sempre foi vislumbrado como uma alternativa de crescimento econômico. tomando como bases tendências passadas. um ramo da econômia que sofre com influências e interferências do meio ambiente.Torna-se relevante estudar questões que norteiam o turismo. Há muito tempo. o turismo como atividade econômica. caracterizando potencial de crescimento rápido e massivo (Lichosvisk. oscilações políticas e de legislação. o turismo de aventura. tais como o turismo ecológico. . tais como sua sustentabilidade. evolução econômica e social. trata-se de um sistema aberto. a motivação virá principalmente pelo interesse por produtos turísticos inéditos ou renovados. dentre outros importantes fatores que fazem parte de seu sistema. evolução da infra-estrutura de transportes e segurança nas viagens são algumas das projeções que a OMT faz para o desenvolvimento do setor turístico. enfrenta muitas barreiras que alteram seu fluxo e diretamente interferem em sua evolução. Diagnosticar previsões e tendências para o turismo não é tarefa fácil. 1987). governos e empreendedores de vários países exploram o potencial turístico como gerador de empregos e de renda. Variações demográficas e sociais. entretando deve-se também considerar uma questão muito importante no seu mecanismo de geração do produto turístico. França e Itália. o turismo rural. levando-se em conta sua origem e seu valor potencial. tiveram retornos extraordinários. A Organização Mundial de Turismo (OMT) também faz referências sobre um crescimento favorável do turismo para as próximas décadas. importante ressaltar que alguns exemplos tais como México. proveniente do turismo na economia que alterou o PIB do país e superou muitas expectativas com relação ao futuro do setor. tornou-se uma das mais promissoras atividades em ascensão nas articulações econômicas de muitos países. e também pelas variáveis exógenas. sem sombras de dúvidas. interdependente e nunca auto-suficiente. ou seja. mas que influenciam os seus fluxos. Ainda hoje. seus impactos.

mas igualmente poderosas. causadas pelo número excessivo de visitantes.169). já que algumas delas são claras e seus impactos bastante previsíveis. e o bem-estar da comunidade receptora é sua conseqüência lógica. estimulará uma dispersão nos fluxos.602) aponta várias tendências e prognósticos para o turismo dos anos 2000-2010. outras estão apenas surgindo. pois somente um projeto de sustentabilidade e planejamento turístico poderá gerar forças que direcionem uma perfeita relação entre a expansão turística e sociedade. Problemas ambientais apresentados pelas clássicas destinações turísticas. dentre outros importantes fatores que fazem parte de seu sistema. “apenas um planejamento de longo prazo determinará medidas quantitativas que conduzirão à qualidade ideal do produto turístico” (1997. 1991). seu planejamento. Hong Kong.444). seus impactos. (Ritchie.163). Um dos primeiros relatórios a explorar amplamente os fatores que influenciam o futuro do turismo foi lançado pelo International Tourism Policy Forum (ITPF). Torna-se relevante estudar questões que norteiam o turismo. de modo algum ser ignorados. É nesse quadro de transformações sociais globais que várias organizações e indivíduos de ponta. questões como as do planejamento são citados por diversos autores como fonte de preocupações e olhares minunciosos. nesse sentido. tais como sua sustentabilidade. por essas novas correntes. o que de fato se faz muito importante. . Uma revisão e uma análise das conclusões desses esforços indicam que o turismo de amanhã irá enfrentar uma série de obstáculos e limitações que não podem. Também cita que o objetivo principal do planejamento turístico em localidades turísticas se situa no desenvolvimento da atividade. para os aspectos relacionados ao meio ambiente. as novas realidades que circundam o turismo forçou pesquisadores e formuladores de políticas a alterar significativamente a forma como se desenvolvem e operam o setor turístico. etc. (1997. p. Coréia. p. Segundo Goeldner (2002. adaptações dos espaços para atividades de lazer. que definirá a sociedade global de amanhã será conseqüência. Malásia. p. p. Beni (2002.154) acredita que destinações como o Brasil. Tunísia e Singapura serão privilegiadas. “O ITPF identificou 19 forças pincipais que deveriam receber atenção de líderes e pessoas em posições de decisção na próxima década. Filipinas. têm tentado entender as forças importantes de mudança no mundo e suas prováveis implicações para o futuro do setor.Markus Schwaninger (1989. tais como conscientização do estreito relacionamento do homem com seu meio natural. De acordo com Ruschmann. p. com forte interesse no futuro do turismo. Mencionando outras forças de mudanças menos evidentes.

nunca de certezas”.) Como tais.as empresas do trade e a força da concorrência entre as atrações. a própria natureza do turismo. como por forças indiretas . em contra-senso. mais uma vez. sociais. mas. a competitividade existente no mercado atual.102). define o privilégio exclusivo de empreendimentos. Uma conclusiva argumentação de Beni (2002. como as principais transformações no ambiente de lazer e de turismo irão modificar não apenas o comportamento turístico e os padrões de viagem. p. Segundo Ruschmann (1997:166). . As implicações para a forma como viajamos e como o setor deve adaptar seus produtos e suas iniciativas de marketing são profundas. p. ambientais. é utilizada como um “termômetro”. citando “a exploração de empreedimentos turísticos deverá permanecer inteiramente na mão da iniciativa privada”.. sinalizando grandes transformações (econômicas. etc). complementando que. o próprio consumidor dos bens e serviços turísticos. ainda é muito incerto”. (2002. na verdade. “Previsões são indicadores de tendências. 447). bem como a natureza das transformações que podem provocar. seu potencial para mudança.. que ocorrem tanto por influências diretas.Goeldner declara que “(.

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