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UNIVERSIDADE FEDERAL DO ACRE

CENTRO DE FILOSOFIA E CIÊNCIAS HUMANAS


COORDENAÇÃO DO CURSO DE LICENCIATURA EM HISTÓRIA DIURNO
DISCIPLINA: ENSINO DE HISTÓRIA I
DOCENTE: CASSIO MELO

A história, os homens e o tempo.


BLOCH, Marc. “A história, o homens e o tempo”. In: Apologia da história. Trad. de
André Telles. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2001.

Adriana de Santana Azevedo1

A história não veio esclarecer, não veio trazer respostas, ela veio somente provocar. E,
são suas provocações ao longo da existência da humanidade que, diversas áreas do
conhecimento tentam explicar constantemente. Será ela ciência ou arte? Pode não ser
nenhuma das opções. Mas, seja ela enfim, ciência, arte ou método. Tem exercido sua
função de provocadora muito bem. A história é uma escolha do historiador? Sim e não.
Ela o deixa livre para escolher suas abordagens. Mas o prende de forma torturadora. Ela
tem uma ambiguidade, ela liberta e aprisiona. É a historia que permite aos homens
compreender sua existência. E não apenas uma narrativa dessa existência, mas uma
história que consegue compreender as relações que se deram através dos fatos, suas
problematizações e seus contextos históricos. Segundo Bloch a história não é uma ciência
do passado como muitos definem, mas sim uma ciência do presente. Onde seu objeto
“[...] é por natureza o homem. Digamos melhor: os homens.” P. 54. Pois “são os homens
que a historia quer capturar.” P. 54. Onde “o historiador se parece com o ogro da lenda.
Onde fareja carne humana ali está sua caça.” P. 54. E, a percepção da existência e, ação
humana no tempo e, em um determinado espaço não pode ser definida pelas ciências
naturais, exatas ou biológicas, mesmo estas fazendo parte da vida humana elas jamais
poderão compreendê-las. Por isso se incumbe a historia essa tarefa, pois o que é ela se
não a ação dos homens no tempo. É se utilizando de seus métodos que se busca
compreender as vivências humanas. E, é ai que esta a magia da história, que intriga as
outras ciências, pois ela não tem um método especifico para realizar tal compreensão.
Cada objeto estudado exige-se um método diferente. Isso causa certa inveja as outras
ciências. Essa perpetua mudança, ela muda de acordo com seu objeto de estudo. É uma
“viagem surreal” tendo como ponto de partida o presente indo até o passado e tendo
como “guia” o historiador. Ele é um viajante acima de tudo. É livre para viajar ao
passado não podendo jamais se libertar do presente. Pois sua cabeça esta no presente.
Presente esse que interpretamos aqui como “[...], um ponto minúsculo e que foge
incessantemente; um instante que mal nasce morre. Mal falei, mal agi e minhas palavras e
meus atos naufragam no reino da Memória.” P. 60. Isto é história.

1
Bacharel em História pela Universidade Federal do Acre e atualmente cursando 3º período de
Licenciatura em História, também pela Universidade Federal do Acre.