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Matéria de Direito Municipal (Optativa) - preparada por Fernando Furlani [6º T] com base nas aulas do 6º Semestre de Direito

(Mackenzie) em 2006 1

Trata-se de um conceito de interpretação sistemática da CF,


DIREITO MUNICIPAL posto que a base do sistema jurídico é a CF.

Dentro do conceito de Estado brasileiro, temos alguns


ou princípios que estão na constituição.

DIREITO URBANÍSTICO O Brasil é uma federação, e essa federação implica em


algumas características, quais sejam:
(Disciplina Optativa da Faculdade de Direito da UPM)
- Separação em Estados da Federação
2006 - Descentralização de poder e governo
- Capacidade de os Estados Federados se autogovernarem,
Anotada por Fernando Furlani mas sempre subordinados à centralização do Governo como
com base nas aulas do 6º semestre em 2006 um todo
Mackenzie - A capacidade de governar depende de dinheiro, a ser
arrecadado, portanto: Repartição das Competências
Tributárias
SUMÁRIO DA MATÉRIA: - Repartição das receitas arrecadadas pelo poder central
- Entes federados: União, Estados, Municípios, e Distrito
DIREITO URBANÍSTICO........................................................... 4 Federal.
1. Noções Fundamentais ......................................................... 4
BENS E SERVIÇOS PÚBLICOS MUNICIPAIS......................... 6 Território é "ente descentralizado da União"; não é ente
BENS E SERVIÇOS PÚBLICOS MUNICIPAIS......................... 6 federado.
POLÍTICA URBANA .................................................................. 7
POLÍTICA URBANA .................................................................. 7 Município sim, é ente federado.
PLANEJAMENTO URBANÍSTICO............................................ 8
INFRA-ESTRUTURA URBANA ................................................ 9 Na repartição de competências, está o conceito de que o
PLANO DIRETOR - Lei 13.430/02 ............................................ 9 poder não se subdivide, posto que ele é único; o que se
exercícios para a primeira prova .......................................... 10 subdividem são as competências, numa "distribuição de
O Direito de Construir............................................................ 10 competências" ou "separação de funções".
Princípios informadores das licenças urbanísticas ........... 11
Espécies de Licenças Edilícias............................................. 11 No âmbito dos Municípios, só não temos o Poder Judiciário,
Controle POSTERIOR ............................................................ 12 já que Poder Executivo e Legislativo temos. Significa que os
Prazos das Licenças: validade e caducidade...................... 12 municípios não têm uma estrutura de Poder Judiciário.
ORDENAÇÃO DO SOLO ........................................................ 12
Finalidade................................................................................ 12 Os Municípios também se diferenciam da estrutura da União
Solo Urbano ............................................................................ 12 porque eles não contam com representação no Congresso
Solo Rural ............................................................................... 13 Nacional, onde o Senado por exemplo é formado pelos
Aproveitamento Compulsório do Solo Urbano ................... 13 representantes dos Estados da Federação.
Desapropriação ...................................................................... 14
Os Municípios são constituídos como? Pela Lei Orgânica
Municipal (Art. 29 CF), que é de fato como se fosse a
"Constituição" de cada município - é apenas outro nome para
=============================================== a mesma coisa.

FURLANI TRADUÇÕES As constituições dos Estados têm uma linha muito


Traduções juramentadas em todas as línguas semelhante, de atribuições de competências, com a
Constituição Federal. As competências que a CF atribui aos
Fernando Furlani Estados deve constar nos textos das respectivas
Tel.: (11) 9770-6800 constituições estaduais.
furlani.tradutor@gmail.com
Temos de ter a CF atualizada, porque para o nosso curso é
=============================================== muito importante. A emenda 50 de 2006, altera o Art. 57. A
EC 49/2006 altera o Art. 21, e a EC 51/2006 altera o Art. 198.

Leitura do Art. 29 CF.


Veremos em nosso curso os direitos e deveres inerentes aos CF de 1988 - CAPÍTULO IV - Dos Municípios
Municípios, como eles estão organizados, e finalmente
veremos a questão da política urbana, que é a maior parte Art. 29. O Município reger-se-á por lei orgânica, votada
deste curso. em dois turnos, com o interstício mínimo de dez dias, e
aprovada por dois terços dos membros da Câmara Municipal,
que a promulgará, atendidos os princípios estabelecidos
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nesta Constituição, na Constituição do respectivo Estado e os do Município; (Renumerado do inciso VI, pela Emenda
seguintes preceitos: Constitucional nº 1, de 1992)
I - eleição do Prefeito, do Vice-Prefeito e dos Vereadores, IX - proibições e incompatibilidades, no exercício da
para mandato de quatro anos, mediante pleito direto e vereança, similares, no que couber, ao disposto nesta
simultâneo realizado em todo o País; Constituição para os membros do Congresso Nacional e na
II - eleição do Prefeito e do Vice-Prefeito realizada no Constituição do respectivo Estado para os membros da
primeiro domingo de outubro do ano anterior ao término do Assembléia Legislativa; (Renumerado do inciso VII, pela
mandato dos que devam suceder, aplicadas as regras do art. Emenda Constitucional nº 1, de 1992)
77, no caso de Municípios com mais de duzentos mil X - julgamento do Prefeito perante o Tribunal de Justiça;
eleitores;(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 16, (Renumerado do inciso VIII, pela Emenda Constitucional nº 1,
de1997) de 1992)
III - posse do Prefeito e do Vice-Prefeito no dia 1º de XI - organização das funções legislativas e fiscalizadoras
janeiro do ano subseqüente ao da eleição; da Câmara Municipal; (Renumerado do inciso IX, pela
IV - número de Vereadores proporcional à população do Emenda Constitucional nº 1, de 1992)
Município, observados os seguintes limites: XII - cooperação das associações representativas no
a) mínimo de nove e máximo de vinte e um nos planejamento municipal; (Renumerado do inciso X, pela
Municípios de até um milhão de habitantes; Emenda Constitucional nº 1, de 1992)
b) mínimo de trinta e três e máximo de quarenta e um nos XIII - iniciativa popular de projetos de lei de interesse
Municípios de mais de um milhão e menos de cinco milhões específico do Município, da cidade ou de bairros, através de
de habitantes; manifestação de, pelo menos, cinco por cento do eleitorado;
c) mínimo de quarenta e dois e máximo de cinqüenta e (Renumerado do inciso XI, pela Emenda Constitucional nº 1,
cinco nos Municípios de mais de cinco milhões de habitantes; de 1992)
V - subsídios do Prefeito, do Vice-Prefeito e dos XIV - perda do mandato do Prefeito, nos termos do art.
Secretários Municipais fixados por lei de iniciativa da Câmara 28, parágrafo único. (Renumerado do inciso XII, pela Emenda
Municipal, observado o que dispõem os arts. 37, XI, 39, § 4º, Constitucional nº 1, de 1992)
150, II, 153, III, e 153, § 2º, I; (Redação dada pela Emenda Art. 29-A. O total da despesa do Poder Legislativo
constitucional nº 19, de 1998) Municipal, incluídos os subsídios dos Vereadores e excluídos
VI - o subsídio dos Vereadores será fixado pelas os gastos com inativos, não poderá ultrapassar os seguintes
respectivas Câmaras Municipais em cada legislatura para a percentuais, relativos ao somatório da receita tributária e das
subseqüente, observado o que dispõe esta Constituição, transferências previstas no § 5o do art. 153 e nos arts. 158 e
observados os critérios estabelecidos na respectiva Lei 159, efetivamente realizado no exercício anterior: (Incluído
Orgânica e os seguintes limites máximos: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 25, de 2000)
pela Emenda Constitucional nº 25, de 2000) I - oito por cento para Municípios com população de até
a) em Municípios de até dez mil habitantes, o subsídio cem mil habitantes; (Incluído pela Emenda Constitucional nº
máximo dos Vereadores corresponderá a vinte por cento do 25, de 2000)
subsídio dos Deputados Estaduais; (Incluído pela Emenda II - sete por cento para Municípios com população entre
Constitucional nº 25, de 2000) cem mil e um e trezentos mil habitantes; (Incluído pela
b) em Municípios de dez mil e um a cinqüenta mil Emenda Constitucional nº 25, de 2000)
habitantes, o subsídio máximo dos Vereadores corresponderá III - seis por cento para Municípios com população entre
a trinta por cento do subsídio dos Deputados Estaduais; trezentos mil e um e quinhentos mil habitantes; (Incluído pela
(Incluído pela Emenda Constitucional nº 25, de 2000) Emenda Constitucional nº 25, de 2000)
c) em Municípios de cinqüenta mil e um a cem mil IV - cinco por cento para Municípios com população
habitantes, o subsídio máximo dos Vereadores corresponderá acima de quinhentos mil habitantes. (Incluído pela Emenda
a quarenta por cento do subsídio dos Deputados Estaduais; Constitucional nº 25, de 2000)
(Incluído pela Emenda Constitucional nº 25, de 2000) § 1o A Câmara Municipal não gastará mais de setenta por
d) em Municípios de cem mil e um a trezentos mil cento de sua receita com folha de pagamento, incluído o
habitantes, o subsídio máximo dos Vereadores corresponderá gasto com o subsídio de seus Vereadores. (Incluído pela
a cinqüenta por cento do subsídio dos Deputados Estaduais; Emenda Constitucional nº 25, de 2000)
(Incluído pela Emenda Constitucional nº 25, de 2000) § 2o Constitui crime de responsabilidade do Prefeito
e) em Municípios de trezentos mil e um a quinhentos mil Municipal: (Incluído pela Emenda Constitucional nº 25, de
habitantes, o subsídio máximo dos Vereadores corresponderá 2000)
a sessenta por cento do subsídio dos Deputados Estaduais; I - efetuar repasse que supere os limites definidos neste
(Incluído pela Emenda Constitucional nº 25, de 2000) artigo; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 25, de 2000)
f) em Municípios de mais de quinhentos mil habitantes, o II - não enviar o repasse até o dia vinte de cada mês; ou
subsídio máximo dos Vereadores corresponderá a setenta e (Incluído pela Emenda Constitucional nº 25, de 2000)
cinco por cento do subsídio dos Deputados Estaduais; III - enviá-lo a menor em relação à proporção fixada na
(Incluído pela Emenda Constitucional nº 25, de 2000) Lei Orçamentária. (Incluído pela Emenda Constitucional nº
VII - o total da despesa com a remuneração dos 25, de 2000)
Vereadores não poderá ultrapassar o montante de cinco por § 3o Constitui crime de responsabilidade do Presidente da
cento da receita do Município; (Incluído pela Emenda Câmara Municipal o desrespeito ao § 1o deste artigo.(Incluído
Constitucional nº 1, de 1992) pela Emenda Constitucional nº 25, de 2000)
VIII - inviolabilidade dos Vereadores por suas opiniões,
palavras e votos no exercício do mandato e na circunscrição
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A própria CF estabelece o que as Leis Orgânicas dos V - proporcionar os meios de acesso à cultura, à
Municípios devem conter. educação e à ciência;
VI - proteger o meio ambiente e combater a poluição em
Em questão do Poder Legislativo, existem as chamadas qualquer de suas formas;
“votação direta” e por “proporcionalidade”. A CF estabelece VII - preservar as florestas, a fauna e a flora;
detalhadamente como deve ser isso. VIII - fomentar a produção agropecuária e organizar o
abastecimento alimentar;
No Art. 18, Par. 4, tem-se as normas para a criação dos IX - promover programas de construção de moradias e a
municípios: lei estadual, com base na lei federal, com a melhoria das condições habitacionais e de saneamento
aprovação dos municípios envolvidos, com consulta às básico;
populações dos municípios envolvidos, por plebiscito, após X - combater as causas da pobreza e os fatores de
apresentação dos estudos de viabilidade. marginalização, promovendo a integração social dos setores
desfavorecidos;
TÍTULO III - Da Organização do Estado XI - registrar, acompanhar e fiscalizar as concessões de
CAPÍTULO I - DA ORGANIZAÇÃO POLÍTICO- direitos de pesquisa e exploração de recursos hídricos e
ADMINISTRATIVA minerais em seus territórios;
XII - estabelecer e implantar política de educação para a
Art. 18. A organização político-administrativa da segurança do trânsito.
República Federativa do Brasil compreende a União, os Parágrafo único. Lei complementar fixará normas para a
Estados, o Distrito Federal e os Municípios, todos autônomos, cooperação entre a União e os Estados, o Distrito Federal e
nos termos desta Constituição. os Municípios, tendo em vista o equilíbrio do desenvolvimento
§ 1º - Brasília é a Capital Federal. e do bem-estar em âmbito nacional.
§ 2º - Os Territórios Federais integram a União, e sua criação,
transformação em Estado ou reintegração ao Estado de origem serão
reguladas em lei complementar. Que tipo de competências são essas? Competência
§ 3º - Os Estados podem incorporar-se entre si, subdividir-se ou COMUM, também chamada de MATERIAL, mas só no que
desmembrar-se para se anexarem a outros, ou formarem novos Estados ou diz respeito aos interesses de cada município.
Territórios Federais, mediante aprovação da população diretamente
interessada, através de plebiscito, e do Congresso Nacional, por lei
complementar. Temos a competência MATERIAL, e competência
§ 4º A criação, a incorporação, a fusão e o LEGISLATIVA.
desmembramento de Municípios, far-se-ão por lei
estadual, dentro do período determinado por Lei Art. 21: Competência da União Federal, sendo competência
Complementar Federal, e dependerão de consulta prévia, exclusiva, e material.
mediante plebiscito, às populações dos Municípios
envolvidos, após divulgação dos Estudos de Viabilidade Art. 22: competência "privativa". Significa: uma lei
Municipal, apresentados e publicados na forma da complementar pode autorizar os Estados a terem estas
lei.(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 15, de competências, que são: legislar.
1996)
Art. 23: União Federal, Estados, DF e Municípios:
Os requisitos acima são "cumulativos", e não "alternativos". competência comum, e material.

Dentre todos os requisitos do Par. 4, ... se houver lei Art. 24: União Federal (UF), Estados, DF - competência
favorável, mas se o plebiscito for DESFAVORÁVEL, o LEGISLATIVA.
município não será criado.
A CF se refere a "União", ora querendo dizer uma coisa, ora
A lei estadual pode convocar um plebiscito, e a aprovação da outra: ou um dos Entes da Federação, ou o Estado brasileiro.
lei pode ocorrer depois.
Quando a CF se refere a "União Federal e Municípios", ela
Sobre as competências dos municípios: onde elas estão? está focando o âmbito territorial, e, portanto, o "interesse
Art. 23 da CF - leitura. geral".

Art. 23 – CF 1988. É competência comum da União, dos - UF: federal - interesse geral
Estados, do Distrito Federal e dos Municípios:
I - zelar pela guarda da Constituição, das leis e das - Estados e DF: Art. 25 da CF: competência RESIDUAL, ou
instituições democráticas e conservar o patrimônio público; seja: pode fazer o que não estiver proibido.
II - cuidar da saúde e assistência pública, da proteção e
garantia das pessoas portadoras de deficiência; - Municípios: interesse "local": Art. 30. A competência dos
III - proteger os documentos, as obras e outros bens de municípios é extraída do Art. 30.
valor histórico, artístico e cultural, os monumentos, as
paisagens naturais notáveis e os sítios arqueológicos; Os Estados têm competência "plena", mas os municípios não
IV - impedir a evasão, a destruição e a descaracterização terão, pois têm somente "interesse LOCAL.
de obras de arte e de outros bens de valor histórico, artístico
ou cultural; A competência legislativa do município existe:extraída do Art.
30 - leitura.
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pessoas reunidas com uma administração, com um governo,


Obviamente, o fato de o município poder inovar no âmbito e que seja a sede do governo municipal.
legislativo pressupõe o fato de que essa legislação é
"municipal”. Além disso, o que efetivamente faz com que pessoas se
reúnam em certo lugar, afastadas do campo; elas procuram,
ATENÇÃO: A COMPETÊNCIA CONCORRENTE basicamente: condições de produzir, de consumir, de
ESTABELECIDA NA CF NÃO INCLUI O MUNICÍPIO!! trabalhar, de estudar, de ter um lazer, "dentro de uma
proximidade", ou seja, onde tudo isso esteja relativamente
O conceito acima cai em provas e concursos. próximo.

Estas são as competências que devem constar na Lei Se enxergarmos isso, ou seja, o fato de que pessoas saem
Orgânica Municipal. do campo e se estabelecem nas cidades, encontramos duas
situações: ou construções ou edificações de particulares, e as
E quanto à repartição das receitas? Além do ISS, IPTU, IPI, edificações públicas/bens públicos. "Edificação" se entende
existem os "repasses", considerados nos Arts. 157 a 159 da no sentido mais amplo: edificação destinada ao lazer, à
CF. saúde, à administração, etc. O atendimento das
necessidades pode partir da iniciativa privada ou do Estado,
Uma das funções do Poder Legislativo, no âmbito federal, e a que costuma atender às necessidades básicas da população.
função legislativa, claro. E além disso, ele tem a FUNÇÃO
FISCALIZADORA, através de um de seus órgãos, o Tribunal O fato de existir fora do campo a necessidade de
de Contas. O Par. 4 do Art. 31 da CF estabelece que os "concentração", nas cidades, explica-se porque nos centros
Tribunais de Contas estaduais é que exercem a fiscalização, urbanos os habitantes têm tudo localizado proximamente.
e que não haverá mais Tribunais de Contas "Municipais";
mas, onde já havia Tribunais de Contas Municipais, estes O chamado êxodo rural é denominado "fenômeno da
foram mantidos. Entretanto, essa função fiscalizatória pode urbanização", o que acontece depois da Revolução Industrial.
ser exercida de outros modos, nos âmbitos federais ou Quando isto ocorre, historicamente não se dá de forma
municipais. organizada; assim, a concentração dessas pessoas ocasiona
uma total falta de condições para receber essas pessoas,
Leitura dos Arts. 30 e 31 CF. acarretando problemas de concentração: problemas de
locomoção, de moradia, de saúde, etc. - chama-se problema
Os integrantes das Câmaras Municipais têm alguns de desorganização urbana.
privilégios, que dizem respeito à garantia do exercício da
função, independência, e certa imunidade, etc. O fenômeno da urbanização, ensejando problemas de faltas
de condições em geral, acarretando mais problemas do que
Art. 35 CF: intervenção dos Estados nos Municípios. soluções, tem de ser reprimido. Surge a necessidade de
tomar medidas para minimizar o problema, para que eles
Quanto às ações movidas contra os municípios: se da União cessem e não aumentem. Essas medidas vêm nas NORMAS,
já nunca se ganha nada, muito menos dos municípios. Se e aqui é que chegamos no tópico que nos interessa.
alguém ganhar, não vai "levar".
A) Cidade:
Aula do dia 8/3/2006
- Conceito

DIREITO URBANÍSTICO - Elementos

B) Urbanização:
1. Noções Fundamentais
- Conceito
Precisamos entender de onde vem a idéia de direito
urbanístico, e quem pela primeira vez propôs este estudo. O - Elementos
termo "urbanístico" vem da noção originária de "cidade",
"urbis", que deve ser analisado em cada momento histórico Daquela necessidade de se tomar medidas surgem o
peculiar, desde a Antiguidade, o que era considerado o Urbanismo e o Direito Urbanístico - devido à necessidade da
núcleo de habitantes "urbano" ou "do campo", e o que regulação por meio de normas.
caracterizava essa associação.
C) Urbanismo
Para nós, o que interessa é entender o que, hoje, significa a
idéia de "cidade". Ainda assim, dependerá do critério de - Conceito
análise: pelo critério econômico, ou pelo critério social, É uma arte, e técnica que venha a regular as necessidades
teremos conceitos diferentes. urbanas para propiciar o bem-estar almejado por todos.

Ser "cidade", no Brasil, não é "ter um determinado número de O conceito de Urbanismo passa pelo Urbanismo Natural - do
habitantes". Para nós, interessa toda aglomeração de meio ambiente. Exemplo: onde devem ser localizadas as
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indústrias, e as moradias, se umas podem ser situadas Por isso leis são necessárias, sempre de modo a buscar o
próximas às outras, ou será que há uma forma de regular a interesse coletivo, que prevalece sobre o do particular.
poluição gerada pelas indústrias, etc. Pois, nem sempre o
bem que se busca nas cidades é de fato encontrado. Até Qual o limite entre a atuação dessas regras entre a
mesmo os crimes têm elevados níveis nos centros urbanos - propriedade pública e a privada? O Estado, mais do que
outro problema típico. atender ao interesse público, visa ao cumprimento do
INTERESSE SOCIAL.
Funções / finalidades:
- Habilitação Entretanto, discute-se se há ou não "autonomia" do Direito
- Trabalho Urbanístico. Para ter autonomia, tem que ter princípios
- Recreação próprios, conceitos próprios, etc. Ainda não há autonomia do
Dir. urbanístico, ficando entendido que é parte importante do
Objeto Dir. Administrativo.
- Ocupação do Solo
- Organização da Circulação No Dir. Urbanístico, não se encontra uma sistematização de
- Legislação princípios tão grande. Ao se analisar a legislação de Dir.
Urbanístico - Estatuto das Cidades, por exemplo - pode-se
2. DIREITO URBANÍSTICO / ATIVIDADE URBANÍSTICA extrair alguns princípios, mas ainda não há um
sistematização.
O ideal seria, primeiramente, fazer estudos de viabilidade
para se desenvolver um centro urbano, para depois ele ser O trabalho da Lúcia Figueiredo, que agora já foi atualizado, já
ocupado. Nos Estados Unidos isso é bastante comum, mas tinha uma visão de vanguarda.
no Brasil infelizmente essa idéia "não pegou" - com exceção
de Brasília. Primeiro há a ocupação dos lugares pelas A) Conceito
pessoas, e depois os grandes centros vão sendo formados
aos poucos, e só quando surgem os problemas do - Direito Positivo
crescimento não-planejado é que se tenta controlar.
- Ramo da Ciência do Direito
Mas, se não houver normas objetivas, obrigações a serem
cumpridas pelas pessoas, com as devidas sanções, para que B) Finalidade: Ordenação
determinadas regras sejam observadas.
C) Princípios
Hoje, com a legislação cada vez maior nesta área, o Dir.
urbanístico, como conjunto de normas que visa regular essa Estamos à beira da admissão da autonomia do Direito
área visando o bem-estar das comunidades, vem crescendo Urbanístico.
muito o número de normas. Na própria ideologia da
Constituição, que é Social, e garante direitos difusos e Há, porém, alguns princípios que são reconhecidos - e são
coletivos, está em conformidade com a filosofia do extraídos de uma legislação urbanística espanhola, antiga, de
Urbanismo. Apesar disso tudo, infelizmente há muito 1956, que regula o parcelamento do solo, onde constam uma
descumprimento pelas pessoas, físicas ou jurídicas, e as leis série de princípios.
acabam não surtindo seu efeito - é o famoso "a lei não
pegou". - Função Pública
O Poder Público é o único que pode interferir, porque ele é
Quando falamos em regulação e normas, que normas são que faz a representação da coletividade.
essas? O Direito Urbanístico é decorrente de uma função
pública; o Urbanismo é decorrente de uma função pública - - Conformação da Propriedade Urbana
que é exercida debaixo das leis - portanto, somente o Poder Significa a necessidade de que o Dir. Urbanístico se volte à
Público poderá fazer determinadas regras. A interferência do elaboração de normas coesas e sistematicamente
Poder Público se faz dentro de determinados limites, porém. organizadas, para dar à propriedade urbana um caráter de
É dessa interferência do Poder Público, que, para cumprir sua organização - que é o fundamento e objeto da necessidade
função, irá interferir na propriedade privada, às vezes até urbana.
mesmo tomando atitudes repressivas.
- Coesão Dinâmica das Normas Urbanísticas
É necessário que as normas urbanísticas respeite os "Coesão" significa que as normas de Dir. Urbanístico é o
princípios constitucionais de: impessoalidade, moralidade, estabelecimento de procedimentos das próprias normas, para
publicidade, e, ainda, que as interferências sejam feitas de estabelecer o objetivo das normas de direito urbanístico.
modo responsável.
- Afetação das Mais-Valias ao Custo da Urbanização
Existe o poder, e até o dever de interferir. É um "poder-dever" Imaginemos o exemplo de se reservar, dentro de
de interferir, sempre tendo em vista a supremacia do determinada área urbana, uma área verde reservada ao lazer
interesse público sobre o particular, MAIS indisponibilidade do - e isso é necessário. Isso acaba valorizando as propriedades
interesse público - somente isto justifica a intervenção. nos terrenos circunvizinhos. Essa valorização deve reverter-
se em benefício daqueles que ali moram - e o respectivo
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custo maior gerado por isso também será arcado por aquelas Primeiro iremos analisar as edificações públicas e serviços
pessoas. públicos, e depois as edificações privadas.

- Justa Distribuição dos Benefícios e Ônus da


Atividade Urbanística Aula do dia 15/3/2006
Se há valorização, haverá justificativa para um custo maior
não só da propriedade, como de tributos mais elevados, etc.
Se, por outro lado, ocorre uma desvalorização, isso deverá BENS E SERVIÇOS PÚBLICOS MUNICIPAIS
ser compensado pelo Poder Público.
A) BENS PÚBLICOS
D) Relação com outros ramos
Todos os bens públicos estão atrelados ao atendimento do
3. FUNDAMENTOS CONSTITUCIONAIS interesse público; mas, dentre as espécies de bens, alguns
estão muito mais vinculados ao interesse público de modo a
Na CF é que encontramos fundamento para as interferências serem imprescindíveis, e outras espécies são passíveis de
do Estado enquanto poder público. desafetação, ou desvinculação - uso particular.

Leitura dos artigos abaixo: 1) Espécies


(Arts. 98 e 99 CC)
A) Art. 21, inc. IX e XX CF - Bem de Uso Comum
Competência exclusiva e de origem "material". O caput
compete à União. - Bem de Uso Especial: está atrelado a uma
Aquele conceito de meio ambiente bem amplo, em FINALIDADE. Exemplo: as repartições públicas.
"todas as esferas das necessidades humanas", está aqui no
inc. XX. - Dominicais: pertencem ao domínio público, e são
imóveis; em primeiro lugar, o interesse público deve ser
B) Art. 23, inc. III, IV, VI e VII atendido mas, no momento em que o interesse público
Que espécie de competência temos aqui? Competência desaparece, é possível a "desafetação" (autorização
COMUM, e MATERIAL. Ela é comum à União, Estados e legislativa) ou desvinculação, com o uso particular do bem.
Municípios - inciso III. Novamente, aqui no Inc. III temos um Exemplo: prédio de biblioteca pública, todos os
conceito bem amplo de meio ambiente. prédios. Um rio, por exemplo, não pode ser desafetado.
Aqui, por ser competência comum, aos Municípios
caberá "no âmbito do interesse local". 2) Regime Jurídico: Arts. 100 a 103 CC

C) Art. 24, inc. I, VII e VIII - Afetação


Aqui, temos a competência "legislativa" concorrente: - Inalienabilidade
União, Estados e DF - NÃO tem Município. A competência da Os bens públicos, em regra, não podem ser alienados,
União, em matéria de Dir. Urbanístico, é legislar sobre exceto os bens dominicais, nos casos abaixo.
NORMAS GERAIS - a partir destas, os Estados terão de as - Impenhorabilidade
obedecer. Nenhum bem público pode ser objeto de penhora. Por
Toda competência em relação ao meio ambiente, diz quê? Porque é público, e também porque não pode ser
respeito ao meio ambiente urbano, nas cidades; embora alienado.
tenhamos obviamente o meio ambiente no campo. Sem violar Há uma discussão se é ou não possível a penhora e
a norma Estadual e Federal, o Município pode legislar sobre alienação quando se trata de uma "sociedade de economia
tudo o que seja de interesse "local" - mas isso acaba sendo mista" que explora atividade "econômica" exclusivamente.
muito limitado.
- Imprescritibilidade
D) Art. 30, inc. VIII havendo a desafetação, sendo possível a alienação,
procede-se, em regra, por LICITAÇÃO, aplicando-se as leis
E) Art. 182 da matéria.

F) Art. 183 Ao falar de uso de bens públicos, é possível que a Adm.


Pública conceda ao particular (para atender ao interesse
G) Art. 225 público, ou seja, o interesse "adjacente" da Administração
Pública) o uso do bem público, sujeito a duas regras. Tratam-
Percebemos que há uma proximidade muito grande entre se de espécies de "atos administrativos" em que se confere a
o Dir. Urbanístico e o Direito Ambiental, embora sejam possibilidade de bem público. São elas:
duas disciplinas.
1) Autorização - Ato Administrativo. É um ato que
Temos de estudar neste semestre exatamente o tipo das avalia a conveniência e oportunidade de dar ao particular o
normas urbanísticas, e quais são essas normas. uso do bem. Essa autorização é concedida a título
PRECÁRIO, pois se e quando o Poder Público considerar
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que acabaram a "conveniência e oportunidade", ela pode 2) Regime Jurídico


retomar para si o uso do bem. É o regime jurídico público: impessoalidade, moralidade,
Exemplo: o uso de uma praça pública para uma festa de eficiência, etc. A CF no Art. 175 - leitura - "diretamente ou sob
uma empresa privada, ou o uso do espaço da Câmara regime de Concessão ou Permissão" (e, aqui, não há
Municipal para fazer uma festa privada, etc. "precariedade"). Lembremos:a finalidade da licitação é a
contratação; termina em um "contrato administrativo". Quem
2) Permissão - Ato Administrativo vence a licitação tem o direito de ser contratado, e o dever de
Também é precária e ato discricionário, mas o que a cumprir o contrato nos moldes preestabelecidos. E a
distingue da "Autorização"? A diferença reside na possibilidade de rescisão unilateral enseja indenização, e a
FINALIDADE. Enquanto a Autorização é dada no "interesse preservação do equilíbrio econômico-financeiro do contrato.
do particular", a título oneroso ou gratuito, na Permissão, dá-
se permissão ao particular para que este o utilize "no O transporte coletivo, por exemplo, é objeto de
interesse do Poder Público". "Permissão", pois a permissão é usada em contratos
Exemplo: banca de jornal - o interesse "público" é o envolvendo valores não muito elevados.
direito a informação, mas o interesse, de fato, é "misto".
A banca no Mercado Municipal também é Permissão, Existe o caso das antenas instaladas pelas operadores de
pois é um espaço reservado à venda de alimentos, que é telefonia celular, que agora é concessão de uso, pois ocupam
interesse público. o solo, o subsolo, e o espaço aéreo até. Ocorre também
problemas nas áreas limítrofes entre duas cidades, como
3) Concessão: é ato administrativo, em regra por meio entre São Paulo e Santo André por exemplo. Há a idéia de
de licitação. que existe uma reciprocidade entre os entes da federação.
A concessão é o caso da concessão de manutenção das
estradas, por exemplo. Não é de "uso" das estradas, é 3) Serviços Públicos Municipais: Art. 30, inc. V da CF +
apenas de conservação e manutenção. Arts. 123-129 da LOM.
- Cont. São três, expressos: coleta de lixo e limpeza pública
- Adm. (que são coisas diferentes), CEMITÉRIOS E FUNERÁRIAS.
=======================
Permissão e Concessão, para fins de serviço público, é
SEMPRE ATRAVÉS DE LICITAÇÃO.
Aula do dia 22/3/2006
No Art. 20 a CF identifica os bens públicos da União. Há
terras devolutas municipais (devolutas: depois de fazer a
divisão territorial política, o que sobrar, agora é bem público)? POLÍTICA URBANA
Ao envolver a segurança nacional, há os bens da União.
Resposta: SIM, dentro do território do município há a Veremos a organização do município, por exemplo o Plano
possibilidade de haver terras devolutas. A Lei Orgânica Diretor.
Municipal no Art. 110 - leitura.
Art. 182 CF - leitura
O que é Ato Administrativo Vinculado? É o submetido à
lei. CAPÍTULO II - DA POLÍTICA URBANA
No Ato Administrativo Discricionário, há uma margem de
"avaliação" da viabilidade daquele ato face ao poder público Art. 182 – CF 1988. A política de desenvolvimento
atual (é "poder político", no fundo, esclarece o sábio Marco urbano, executada pelo Poder Público municipal, conforme
Raduan). diretrizes gerais fixadas em lei, tem por objetivo ordenar o
pleno desenvolvimento das funções sociais da cidade e
- Bens Municipais garantir o bem- estar de seus habitantes.
Arts. 110 a 114 da Lei Orgânica (LOM) - leitura § 1º - O plano diretor, aprovado pela Câmara Municipal,
Trazer nas aulas a LOM de hoje em diante. obrigatório para cidades com mais de vinte mil habitantes, é o
instrumento básico da política de desenvolvimento e de
B) SERVIÇOS PÚBLICOS expansão urbana.
§ 2º - A propriedade urbana cumpre sua função social
1) Conceito quando atende às exigências fundamentais de ordenação da
O interesse público tem alguns aspectos de cidade expressas no plano diretor.
"essencialidade", e outros em que a essencialidade não é § 3º - As desapropriações de imóveis urbanos serão
prioritária. As prioridades estão na Constituição Federal. Os feitas com prévia e justa indenização em dinheiro.
deveres de responsabilidade do Estado, são serviços § 4º - É facultado ao Poder Público municipal, mediante
públicos: saúde, educação, transporte, alimentação, lazer, lei específica para área incluída no plano diretor, exigir, nos
segurança, moradia - habitação. Assim, mesmo que a CF termos da lei federal, do proprietário do solo urbano não
preveja que o particular pode prestar algum serviço desses, é edificado, subutilizado ou não utilizado, que promova seu
dever do Estado, e não tira a responsabilidade do Estado - na adequado aproveitamento, sob pena, sucessivamente, de:
idéia que já vimos de que o Estado é TITULAR desses I - parcelamento ou edificação compulsórios;
serviços, NÃO perdendo essa titularidade. II - imposto sobre a propriedade predial e territorial
urbana progressivo no tempo;
Matéria de Direito Municipal (Optativa) - preparada por Fernando Furlani [6º T] com base nas aulas do 6º Semestre de Direito (Mackenzie) em 2006 8

III - desapropriação com pagamento mediante títulos da dá voto” é efetivamente proposto e implantado pelos
dívida pública de emissão previamente aprovada pelo governantes, em detrimento de idéias excelentes mas que
Senado Federal, com prazo de resgate de até dez anos, em não dão nenhum voto por serem impopulares, como essa
parcelas anuais, iguais e sucessivas, assegurados o valor idéia do Marco Raduan de aumentar o combustível nas
real da indenização e os juros legais. grandes metrópoles.

Este artigo trata de uma “FUNÇÃO EXECUTIVA". O Poder Agora, voltando ao objetivo direto da aula:
Executivo Municipal deverá cumprir o que está especificado
na CF. A execução da política urbana é totalmente delineada Leitura do Art. 182
pela Constituição. Sempre devemos nos lembrar que tudo O que é o "pleno desenvolvimento social"?
provém da Constituição, seus princípios: da legalidade, Parágrafo 1 - leitura
impessoalidade, moralidade, publicidade, eficiência,
responsabilidade, motivação das decisões (não significa A função social é uma diretriz CONSTITUCIONAL, e o Plano
motivação "legal", e sim na prática). Diretor deve estabelecer normas para cumprir a função
social. O que vem primeiro, é o valor da função social.
Art. 132 - para o Art. 37,que é mais amplo, para todos os
níveis. Temos que buscar compreender os chamados "CONCEITOS
INDETERMINADOS", em que parece caber "qualquer coisa".
O art. 132 diz que se tratam de "diretrizes gerais", significa O detalhe é que cabe "muita coisa", mas dentro de um
que, pensando no conceito de FEDERAÇÃO, os Municípios contexto.
integram a Federação - ou seja, o Poder Público é UNO e
CENTRALIZADO. Portanto, a lei que trata de diretrizes gerais Temos que entender o CONTEXTO no qual o Plano Diretor
é AMPLA, e isso é atribuído ao próprio PLANO DIRETOR. está inserido. Que tipo de norma deve estar no Plano Diretor,
para saber qual é o limite e qual a diretriz do Plano Diretor.
Pergunta: o que é "função social da cidade"? Qual o
conteúdo que as leis devem ter para cumprir a função social? Para resumir, temos que resumir SEMPRE no INTERESSE
PÚBLICO LOCAL: tudo o que visa atender às necessidades
Em primeiro lugar, a lei deverá se dirigir aos limites básicas da população local, do município.
territoriais do município. A seguir, a lei deverá atender
aos interesses essenciais: educação, saúde, Podemos ter licenças e autorizações não concedidas, regras
saneamento, lazer, transporte, locomoção, segurança, de construção, etc.
etc.
Quando a CF fala em "planejamento", qualquer planejamento
Ao falarmos em "função social" na nossa CF, temos de ver os público implica RESPONSABILIDADE - é importante. O
vários "momentos" de aplicação da CF. O atual Código Civil planejamento é COERCITIVO, IMPOSITIVO, obrigatório para
acabou absorvendo os conceitos da CF de função social. o Poder Público. Uma vez definido que determinada ação
deve ser feita, O Poder Público "deverá" observar essa
Pensemos no rodízio municipal de veículos: será que meu determinação.
direito de locomoção garantido pela CF não está violado por
ele? Não, porque é um bem "coletivo" que está prevalecendo, Quando o Poder Municipal delineia um planejamento, deve
e esse bem coletivo é o MEIO AMBIENTE. Estas são normas segui-lo; qualquer alteração desse planejamento deve ser
que vieram pelo Poder Constituinte Originário. JUSTIFICADO.
A solução para a "limitação" do direito, é fornecer meios de
transporte coletivo de forma suficiente para atender às O Plano Diretor tem natureza de LEI. É uma LEI DE
necessidades do município. Para isso, deve-se demonstrar a DIRETRIZES, e isso significa que se pode ter outra lei ou
devida razoabilidade desse tipo de medida. outras leis, mas que não podem extrapolar o âmbito próprio.

O Marco Raduan está defendendo a idéia de que, no caso do Uma coisa é a Lei Orgânica do Município; outra coisa é o
rodízio municipal de veículos, uma solução viável seria Plano Diretor.
aumentar o preço da gasolina dentro de São Paulo e em um
perímetro de cerca de 100 km de SP; assim, ao cabo de certo Aula do dia 29/3/2006
tempo essa medida iria acabar reduzindo o número de (início da aula gentilmente cedido pela Camila Holmos)
veículos rodando na cidade. Essa sugestão acabou gerando
muita polêmica dentre todos os alunos. A professora alertou PLANEJAMENTO URBANÍSTICO
ainda para que isso acabaria gerando um problema de
isonomia, ao que o Marco apontou que em nível mundial as A prof. entregou uma folha com um resumo da aula.
cidades grandes, como São Paulo, são caras mesmo.
Aula:
O Furlani lembrou que, embora estejamos todos estudando
as normas jurídicas positivadas, aprendendo o “dever-ser”, Município – Lei orgânica – Constituição do Município.
em última instância as decisões de natureza política acabam
prevalecendo sempre, desrespeitando descaradamente as A política urbana: Plano Diretor
normas jurídicas positivadas; a conseqüência é que “só o que
Matéria de Direito Municipal (Optativa) - preparada por Fernando Furlani [6º T] com base nas aulas do 6º Semestre de Direito (Mackenzie) em 2006 9

Leitura do Art. 24 da CF – Competência concorrente matéria. Antes de um Projeto de Lei ser votado, ele passa por
Em matéria de Direito Urbanístico, a regra geral é: a União é comissões especializadas, muitas vezes até criadas
quem legisla. especialmente para analisar determinadas questão.

Lei 10.257/01 – Direciona o Plano Diretor 5. Integração com planos e programas setoriais
natureza jurídica : norma geral
É uma norma cogente, até para o legislador fiscal. Existe realmente um espaço necessário para o crescimento
da cidade em questão? O crescimento irá reduzir a área rural
Art. 1º - finalidades da norma da cidade, ou simplesmente não existe mais espaço? Até que
Art. 2º - Função social da propriedade na Política Urbana ponto o crescimento urbano chegará?

Cidade sustentável – aquela que funciona, que proporciona Se pensarmos em comércio, setorizado somente no centro da
oportunidades cidade? É viável? Claro que não - é necessário criar pólos
descentralizados, para atender melhor à população.
Instrumentalidade urbana – inclui até meio ambiente (art. 225
CF). 7. Publicidade

Dentro de um contexto normativo, a professora continua Serve para propiciar um controle e um conhecimento dos
sendo uma defensora das normas, no sentido de que o valor planos e regras da cidade, para os cidadãos poderem
que elas contêm são muito importantes. Da mesma forma, as acompanhar e se manifestar.
normas que contrariam normas devem ser extirpadas do
sistema. Por exemplo, se o zoneamento da cidade mudar, os cidadãos
devem saber disso, porque isso pode gerar muitos
INFRA-ESTRUTURA URBANA problemas.

Aqui entram as questões de meio ambiente e uso do solo, Digamos que uma empresa está desenvolvendo um plano
entre outras coisas: transporte, serviços públicos, trabalho e para incorporar um loteamento de chácaras em determinada
lazer, para as gerações presentes e futuras. área X da cidade, onde isso é permitido. Entretanto, é
possível que ao mesmo tempo os representantes estejam
Se falamos de "cidades sustentáveis", temos deveres e querendo mudar o Plano Diretor para que, aquela área X,
obrigações. deixe de ser rural e passe a ser "industrial".

Princípios Básicos do Planejamento Urbanístico Até aqui, vimos o ESTATUTO DA CIDADE.

Estes princípios são um grande resumo dos 16 princípios, Daqui em diante, veremos o PLANO DIRETOR.
para que possamos entender.
PLANO DIRETOR - Lei 13.430/02
Por exemplo, temos de partir do Plano Diretor e executar
suas determinações. Em cidades grandes como São Paulo, Esta lei prevê a organização do solo, a parte urbanística, e
as regras de zoneamento devem ser observadas tudo o que for necessário para a implementação do
rigorosamente, em primeiro lugar, para partir para a planejamento sobre essas matérias.
observância de outras regras.
As etapas do Plano Diretor (J.A.S. - José Afonso da Silva).
O Poder Legislativo é uma composição heterogênea dos
representantes da comunidade. O plano diretor deverá passar por etapas mínimas:

A metodologia serve para instrumentalizar o município para 1. Estudos Preliminares, e por pessoas habilitadas para isso.
possibilitar a organização do Município, pelo Poder Executivo. Devem-se analisar quais são os problemas, se as instalações
são adequadas, e finalmente estudar como fazer para
2. Adequação à Realidade e às Necessidades Locais executar o que se considerou ideal.

O estudo deve observar o quê? A necessidade de focar no Deve-se entender bem as regras, os critérios para a função
interesse local. social da propriedade, direito à desapropriação, etc.

Mas não adianta traçar planos e fazer leis que não possam Só se muda um planejamento no Plano Diretor, se houver
ser implementados. efetivamente um evidente, inquestionável INTERESSE
PÚBLICO - o que não havia, no caso, na última elaboração
O Plano Diretor vem por lei, que traça uma regra. Se essa do Plano Diretor feito na gestão da Martha Suplicy. Ela
regra for inexeqüível, haverá um problema: vício de uma lei. queria, inicialmente, mudar as regras "no meio do jogo", o
que iria prejudicar todo o setor da construção civil, mas afinal
Isso pode acontecer, se um vereador simplesmente levar de contas acabou mudando de idéia.
adiante uma "boa idéia" aprovada pela população, mas sem a
devida análise por técnicos e comissões específicas para a Aula do dia 19/4/2006
Matéria de Direito Municipal (Optativa) - preparada por Fernando Furlani [6º T] com base nas aulas do 6º Semestre de Direito (Mackenzie) em 2006 10

O Plano Diretor é exigido com municípios com no mínimo


A professora nos passou alguns exercícios para a primeira 20.000 habitantes.
prova, da forma que serão exigidos em PROVA.
Resposta:
À luz do Art. 30, inciso I da CF, se os municípios podem, por Não pode, porque além de não ser competência residual, a
lei, legislar sobre o direito de utilização da propriedade, com Constituição traz, para o âmbito local, uma regra clara e
relação aos alvarás de licença e funcionamento dos expressa sobre a obrigatoriedade para municípios com mais
estabelecimentos comerciais, por exemplo, sobre os de 20.000 habitantes. Além disso, os municípios que têm
HORÁRIOS de funcionamento. menos do que 20.000 não estão proibidos de ter um Plano
Diretor, mas não estão (nem podem ser) obrigados a tê-lo, no
1) À luz do disposto no Art. 30, inciso I da CF, podem os sentido da pergunta feita.
municípios legislar sobre o horário de funcionamento
dos estabelecimentos comerciais? 3) Em relação à assertiva “Os bens públicos municipais
são inalienáveis”. É possível afirmar que:
Resposta:
A princípio podem, sim legislar, mas existe uma divergência (a) está inteiramente correta
muito grande acerca dos horários de funcionamento dos (b) está parcialmente correta
bancos. O STF tem decisões no sentido de que PODE, por (c) não está correta.
ser sim de interesse do município, de âmbito local, etc.
Por exemplo, em uma cidade balneário ou de campo, em que Justifique sua resposta
o grande movimento do comércio ocorre nos fins de semana
e feriados, e se o comércio não puder funcionar regularmente Resposta:
nesses dias, todos perderão: a população e os comerciantes. Qual é a "classificação" de bens públicos? Quantas espécies
Em relação à legislação municipal sobre a atividade bancária, existem?
determinados municípios estão muito atuantes acerca da Um museu é um bem dominical: de domínio público, de uso
legislação sobre bancos: porta giratória, acesso para especial.
portadores de deficiência física, etc. O que é bem de uso comum? Um parque, praça, etc.

A Febraban também está muito atuante. Mas o pior aspecto Os bens públicos de uso comum NÃO podem ser alienados.
diz respeito ao TEMPO DE ESPERA nas FILAS do banco. Os bens dominiais NEM SEMPRE podem. Sendo público,
Tem municípios em que o fiscal fica na fila, e, passado dois está atrelado a uma finalidade pública.
minutos do limite, já aplica a multa. A professora acha que é O uso "especial" prende mais o bem.
um exagero isso, enquanto que os alunos em geral parecem
achar a coisa certa a ser feita - talvez seja pelo fato de que os Um computador, por exemplo, é bem dominial.
bancos são atualmente merecedores dos maiores privilégios
jamais concedidos pelo governo, em que já se chama de Resposta: eles podem ser alienados se puderem ser
"Bolsa Banco", em que os bancos são beneficiados desafetados da finalidade pública, etc.
diretamente pelo governo Lula da forma mais descarada
possível, não se sujeitando sequer ao Código de Defesa do
Consumidor, para termos um exemplo dentre centenas. 4) Da análise sistemática do diploma constitucional,
quais os limites que devem ser observados pelo Plano
Na prova, se o aluno fundamentar devidamente que não é Diretor?
competente, e óbvio que a professora irá avaliar a
fundamentação. Resposta:
Interesse público, cumprimento da função social, etc.
Art. 182, Par. 4 CF
2) Considerando-se o princípio da parametricidade, pode
a Constituição Estadual estabelecer que, para os PRIMEIRA PROVA:
municípios com mais de cinco mil habitantes, é Próxima semana, com consulta à Constituição.
obrigatória a instituição de plano diretor nos termos da
CF? Aula do dia 3/5/2006

Resposta:
Nos assuntos de interesse local, a Lei Orgânica não pode [no retroprojetor]
extrapolar a CF.
Quando a CF fala em "poder legislativo", a Lei Orgânica deve O Direito de Construir
ater-se, dentro do processo legislativo, às normas que a
Constituição prevê.
Atividade edilícia: planos urbanísticos e regras de uso e
Quanto à pergunta: se a Constituição Estadual pode ocupação do solo.
estabelecer para os municípios com mais de 5 mil habitantes,
a obrigatoriedade de um Plano Diretor?
Matéria de Direito Municipal (Optativa) - preparada por Fernando Furlani [6º T] com base nas aulas do 6º Semestre de Direito (Mackenzie) em 2006 11

As principais regras que normatizam a atividade edilícia são A AUTORIZAÇÃO: não há o direito subjetivo, sendo por
de direito público. Mas no Código Civil, ao tratar de direito de motivos de conveniência de oportunidade, interesse público,
vizinhança, há regramentos sobre atividade edilícia - o limite e não "arbitrariedade".
de onde começa o direito do outro. É precária (não definitiva, como a licença), e revogável.
Exemplos: colocação de andaimes em uma obra ou reforma,
Aqui, tratamos o "direito de construir" em sentido amplo: publicidade em locais específicos, etc.
construir hospitais, etc.
A manifestação da Administração acerca de uma Autorização
Aqui, o Direito Administrativo está muito próximo ao Direito ou Licença se chama CONTROLE PRÉVIO, feito "antes" de
Urbanístico. Quem é responsável por autorizar, e por se iniciar a construção ou reforma.
controlar se as normas de Dir. Urbanístico serão aplicadas,
virão do Dir. Administrativo. Uma vez concedida a Licença ou Autorização, a
Administração Pública irá examinar de tempos a tempos se
Sobre a competência do Município: sua competência não se os requisitos exigidos estão de fato sendo observados pelo
pode contrapor à competência Estadual nem Federal. Deve- solicitante da autorização ou licença. É preciso um controle
se avaliar quais são os limites do exercício dessa "concomitante" com a construção, feita por inspeções. Se o
competência. Ver o Art. 30 "legislar sobre assuntos de construtor não obedecer às intervenções do inspetor, ele
interesse local", além do Art. 24 (onde o município não estará sujeito a multas ou interdições, conforme o caso.
consta, mas se deve interpretar juntamente com o Art. 30).
Ou seja: município tem competência, mas focada nos Outro controle: Controle POSTERIOR, ou FINAL - que visa a
interesses locais - exemplo: Plano Diretor. atestar se efetivamente tudo foi feito em conformidade com a
licença ou autorização, valendo como atestado de que tudo
Quando alguém vai fazer uso de seu direito de propriedade e está em ordem. No caso de uma construção, chama-se
queira erguer uma edificação, para qualquer que seja a HABITE-SE, ou na reforma, ATO DE VISTORIA. Quando se
finalidade, ele precisará submeter seu projeto a uma verifica uma IRREGULARIDADE, o inspetor emite um
aprovação prévia, tendo que possuir a concordância da documento que se chama "COMUNIQUE-SE",
administração pública municipal para erguer sua edificação. A
Administração deverá olhar o projeto de acordo com a LEI; Princípios informadores das licenças urbanísticas:
estando em conformidade com as regras LEGAIS, ela não
poderá negar sua autorização. - Necessidade ou indispensabilidade

Em outras situações, o particular pode não querer construir, e - Caráter vinculado: é o fato de ser decorrente do controle
sim reformar ou modificar uma parte, ou então demolir e de legalidade - vinculado à LEI
construir outra coisa. Tudo isto deve obedecer a regras, que
regem o Dir. Urbanístico mas dependem de um confronto da - Transferibilidade: significa - sou proprietário de um
Adm. Pública com as leis para se obter a LICENÇA projeto, entro com ele formalmente, e recebo a licença, mas
necessária. antes de eu a utilizar resolvo vender o terreno. O comprador,
se quiser se utilizar do mesmo projeto, dentro do prazo de
No caso de reformas ou modificações, ou colocar um cartaz validade da licença, poderá sim fazê-lo. A licença
ou publicidade qualquer. Será que o dono de um prédio acompanha a propriedade e o projeto. Se o comprador quiser
autorizar alguém a colocar um cartaz em uma das laterais do fazer OUTRO projeto, deverá submetê-lo à Administração
prédio. Pública. Sobre o prazo, se nada for feito dentro do prazo de
Essa publicidade deverá obedecer a determinadas regras, DOIS anos, a licença caducará.
sobre altura, e outros critérios como iluminação, impacto
visual, etc. Isto significa que NÃO necessariamente tenho um - Autonomia:
"direito" de propriedade individual. Devem-se observar
determinadas regras para exercer com plenitude o direito de - Definitividade: uma vez concedida, iniciada a obra, terá
propriedade. NO exemplo daquela publicidade, se as normas validade e não será revogada
não autorizarem, NÃO haverá violação do direito de
propriedade individual. Espécies de Licenças Edilícias:

É a diferença entre a AUTORIZAÇÃO e a LICENÇA. Ambas - Construção:


são ATOS ADMINISTRATIVOS, por serem no momento - Reforma: mantém-se a estrutura, fazendo meramente
FINAL de uma avaliação feita no âmbito da Administração uma adaptação, "maquiagem", não se podendo mexer na
Pública. construção original;
- Reconstrução: mexe-se na estrutura da construção
A LICENÇA é "ato vinculado": a Adm. Pública não tem a - Demolição:
menor margem de liberalidade. Se estiver em conformidade
com a lei, a Administração DEVERÁ conceder a licença. Por que chamamos de "procedimento" para a obtenção de
A Licença é "definitiva" e "irrevogável", com a permanência licença, e não de "processo"?
dos requisitos.
Há uma corrente doutrinária - a Professora acha correta - que
diz que o procedimento se diferencia do processo com base
Matéria de Direito Municipal (Optativa) - preparada por Fernando Furlani [6º T] com base nas aulas do 6º Semestre de Direito (Mackenzie) em 2006 12

na existência ou não de uma lide, de um conflito judicial. Ao um município de forma adequada para propiciar tudo o que
se ingressar em juízo, já há um conflito. Nem sempre na for necessário para as pessoas que vivem em certo
Administração Pública temos uma situação prévia de conflito - município.
vai-se fazer meramente um "pleito" de uma licença. Daí
porque chamamos de PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO. Finalidade:

Por outro lado, diante de um indeferimento de uma licença, o - Espaços para o desenvolvimento de
requerente poderá recorrer dessa decisão, dentro do "devido cidades
processo legal", que presume o "duplo grau", dependendo da - Concentração equilibrada
organização estrutural do órgão em questão. - Orientação e organização para
desenvolvimento urbano
Por isso, a licitação é também chamada de "procedimento",
não de processo. O que é necessário, por que é necessário ordenar o solo? Há
lugares que devem estar adequado para o uso específico.
O procedimento de Controle POSTERIOR tem TRÊS fases: Por exemplo, há que se evitar a todo custo misturar áreas
industriais com residenciais, por motivos de poluição do ar, do
1) Introdutória: faz-se o PEDIDO, com um projeto técnico solo, sonora, etc.
assinado por um profissional habilitado (arquiteto ou Trata-se da imposição de LIMITES para a utilização da
engenheiro), com um cronograma, enfim, documentos que a propriedade.
lei prevê.
A idéia é sempre atingir as quatro finalidades básicas (abaixo)
2) Segunda fase: a Administração Pública vai analisar o de modo que as pessoas morem bem, trabalhem bem,
pedido e os documentos. Vício de competência, por exemplo, circulem bem, e façam atividades de lazer em espaços
é vício de nulidade. Competência relativa: pode-se convalidar. adequados.
Competência absoluta: não se pode convalidar.
Obviamente, em primeiro lugar as pessoas vão chegando,
3) Fase Decisória: se não cumprir os requisitos legais, vão se aglomerando, e vivem em uma situação não-ideal,
"deverá" ser negada a licença ou autorização. não-planejada. EM um segundo momento é que os
governantes vão "acordar" para os problemas que foram
surgindo, e vão tentando fazer um planejamento e a
Pedir para a professora o conteúdo que foi passado para os respectiva regulamentação, para conseguir implementar o
alunos no retroprojetor. que foi planejado.

Prazos das Licenças: validade e caducidade Solo Urbano

Alterações das Licenças: O solo urbano é dividido em ZONAS, que tem denominações
- Substituição: alteração do projeto como "zona urbana", "zona de expansão urbana", e "zona de
- Anulação da licença: nas hipóteses de ilegalidade (vícios) uso especial".
- Revogação: conveniência e oportunidade (alterações de
circunstâncias de fato) No Plano Diretor, veremos, por exemplo, as chamadas Z1,
- Cassação: por ilegalidade por descumprimento do usuário Z2, etc. como subdivisões da "Zona Urbana".

No caso do espigão que ficou embargado na Marginal - DIVISÕES:


Pinheiros, é exemplo do controle REPRESSIVO da
Prefeitura: embarga, multa e manda fazer alterações para - Zonas:
obedecer às normas legais.
- Urbana
Ver explicações abaixo, no item "legislação"
Aula do dia 17/5/2006
- De Expansão Urbana
Ver abaixo
ORDENAÇÃO DO SOLO
- Uso Especial
Conjunto de normas/regras destinadas à regulamentação, Uso "especial" diz respeito a questões de caráter
controle e implementação do plano urbanístico (habitação, CULTURAL, ARTÍSTICO, ATÔMICO, etc. Leitura do Art. 29
trabalho, recreação e circulação). do CTN.

Diz respeito à repartição de um território em um município. O Plano Diretor, a partir do Art. 146, começa com várias
Existem normas extraídas da CF, e outras específicas de definições, que são muito extensas. Quem tiver interesse ou
cada município. necessidade, sabe onde encontrar essas definições e
características, mas isso não iremos neste curso estudar em
A questão que se coloca é: a Ordenação do Solo visa profundidade porque foge do nosso propósito.
implementar o ordenamento urbanístico, repartindo o solo de
Matéria de Direito Municipal (Optativa) - preparada por Fernando Furlani [6º T] com base nas aulas do 6º Semestre de Direito (Mackenzie) em 2006 13

A Lei 6766 prevê uma série de requisitos. Quando uma propriedade em conformidade com o uso social, em cujo caso
propriedade grande vai fazer um loteamento, por exemplo, há algumas limitações ao direito da propriedade.
para residências, há certos requisitos: em primeiro lugar, o
Estudo de Impacto Ambiental (EIA), através de um Relatório CF, Art. 182, Par. 4 - leitura
de Impacto Ambiental (RIMA), que se chama, pelas duas
siglas, de EIA-RIMA, onde há entre outras coisas um - Aproveitamento adequado:
percentual da área que deverá ser preservada. Outras regras:
a questão das ruas, o que é considerado área útil e área - Conceito
construída. O uso adequado da propriedade ocorre na hipótese
em que o proprietário faz o exercício da FUNÇÃO SOCIAL na
Uma vez obtida a autorização do meio ambiente, as regras propriedade em questão, determinada pela legislação.
deverão ser observadas quanto ao parcelamento do solo:
cada lote deverá ter a metragem adequada para o respectivo A idéia é atender aos pressupostos de uso da propriedade
tipo de residência - casas luxuosas, casas populares, etc. - e para moradia, trabalho, lazer, circulação.
cada construção deverá obedecer às regras peculiares sobre
recuo mínimo, altura máxima, etc. Se o proprietário não der o aproveitamento adequado -
SUBUTILIZAÇÃO (não atender aos pressupostos de
Agora, quando se fala já no projeto sobre parcelamento para parcelamento), estará sujeito ao IPTU Progressivo, e, se não
construção de casa, sobre portões, e o entorno do terreno, se enquadrar nos requisitos depois de uma notificação
este tipo de loteamento é regido por uma outra lei, a Lei de registrada (em cartório de registro de imóveis), estará sujeito
Condomínios, cujas regras são diferentes. Pois o a desapropriação.
"parcelamento do solo" (solo rural é regido pela Lei 6766/79)
é uma coisa, e outra coisa é a construção em si.
- Estatuto da Cidade: Art. 4 - leitura
Atentem para o fato de que "meio ambiente" não se resume a
"cortar árvores". O EIA-RIMA é muito amplo. - Pressupostos do parcelamento, edificação e utilização
compulsórios - Par. 4, Art. 182 CF - leitura.
Solo Rural
Aqui, temos os PRESSUPOSTOS, dados pela lei, que, se
- Zona Rural observados, a função social será exercida.

Legislação: "... seu adequado parcelamento...". "Não-edificado,


subutilizado, ..."
CTN, Art. 29 e 32 Quando a lei fala em "...", ela está dando os pressupostos,
O CTN visa enquadrar a situação de cada imóvel que devem ser observados.
para determinar sua competência tributária. Se irá ser o IPTU
(município), ou o tributo estadual. O CTN é que dá os O que significa "Subutilizado"? A resposta está no Estatuto da
critérios. Cidade, que traz esse conceito mínimo de uma legislação
O CTN, no Art. 32 - leitura - definição de "Zona municipal.
Urbana".
O CTN está dizendo o seguinte: pode ser O legislador constituinte fala "nos termos de Lei Federal", isso
considerado imóvel da zona urbana aquele que tiver pelo significa o Estatuto da Cidade, que é a lei federal. O Plano
menos DOIS dos requisitos ali listados, sendo requisitos Diretor é do município.
indispensáveis dois desses melhoramentos. Agora, se a lei
municipal irá ou não adotar esse critério, é outra questão, Em havendo a subutilização, ou não-aproveitamento
pois pode adotá-los na íntegra, e pode também estender os adequado, existe uma graduação, que deve ser
requisitos, ampliar. necessariamente observada.
O CTN está dando a possibilidade de que o
município se estenda, pela expansão dos loteamentos, que Solo subutilizado - Art. 5, Par. 1, I, Estatuto das Cidades
podem ser residenciais, industriais ou comerciais. Hoje, o que
vale é a Lei 6766, para fins de FRACIONAMENTO DO SOLO, Procedimento: notificação registrada em cartório de registro
apesar de não ser tão adequada. de imóveis.
Assim, a diferença entre zona "urbana" e de
"expansão urbana", e que esta é passível de urbanização. Isso se faz necessário porque o proprietário do imóvel que
estiver em subutilização da propriedade, recebe uma
Plano Diretor, Arts. 146 a 181 NOTIFICAÇÃO sobre isso, e passa a pagar IPTU
progressivo. Um promitente comprador desse imóvel deverá
Aula do dia 24/5/2006 ficar ciente de que aquele imóvel está gravado com o IPTU
progressivo porque está subutilizado, por isso há a exigência
Aproveitamento Compulsório do Solo Urbano de registro no Cartório de Registro de Imóveis.

Trata-se da hipótese em que o proprietário deixa de fazer o


uso adequado do solo, deixando de fazer a utilização da
Matéria de Direito Municipal (Optativa) - preparada por Fernando Furlani [6º T] com base nas aulas do 6º Semestre de Direito (Mackenzie) em 2006 14

Prazos:
1 ano, da notificação: protocolo do projeto
2 anos: da aprovação do projeto (com o devido
cronograma) - início das obras
Grande parte: permitida conclusão em etapas

IPTU Progressivo: Art. 7 do Estatuto das Cidades.

Digamos que o proprietário não fez nada: não concluiu nada


nem iniciou nenhuma obra, ele será penalizado por
descumprir a função social da propriedade. Embora o tributo
não seja pena, neste caso acaba sim funcionando para punir
o proprietário que não observar estas regras. Isso está
previsto no Estatuto da Cidade, mas não no CTN. O IPTU
Progressivo está na CF, como forma de coibir o mau uso da
propriedade.

O proprietário terá CINCO anos para pagar o IPTU


progressivo e providenciar, dentro desses cinco anos, o uso
adequado. Se ele não der o uso adequado, será
desapropriado. E, se o ente público que desapropriar não
tomar nenhuma providencia para dar o uso adequado, isso
será improbidade administrativa, e deverá ser tomada uma
providencia contra isto, o que se deve fazer por AÇÃO
POPULAR. Aliás, a ação popular é instituto mal utilizado,
chegando até a ser instrumento de partidos políticos, que
querem derrubar os partidos rivais.

Tudo o que diz respeito a DIREITOS DO CIDADÃO


VIOLADOS, deve ser objeto de AÇÃO POPULAR.

Desapropriação

Município: deve fazer o uso adequado - 5 anos

A regra da Desapropriação: tira-se a propriedade, mas se


garante o direito a ela, mediante indenização, prévia, e em
dinheiro.

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FURLANI TRADUÇÕES
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