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UNIPLENA
Programa Especial de Formação Pedagógica R2
Conforme Resolução 01 de 01 de julho de 2015 CNE

JAMISON SAMPAIO DE QUEIROZ SANTOS


MARCO VINICIUS DE SOUZA
VANESSA LEARDINI

A cultura afro-brasileira no contexto escolar

São Paulo – SP
2017
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UNIPLENA
Programa Especial de Formação Pedagógica R2
Conforme Resolução 01 de 01 de julho de 2015 CNE

JAMISON SAMPAIO DE QUEIROZ SANTOS


MARCO VINICIUS DE SOUZA
VANESSA LEARDINI

A cultura afro-brasileira no contexto escolar

Trabalho final apresentado à disciplina educação


para as relações étnico raciais como exigência
parcial para a obtenção do curso de Programa
Especial de Formação pedagógica R2 – Turma
127, sob a supervisão do Professor Roberto de
Souza.

Pólo: Consolação.

São Paulo – SP
2017
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SUMÁRIO

1 Introdução...................................................................................................... 04

2 Fundamentação Teórica............................................................................... 06
2.1 A influência da cultura africana na formação do povo brasileiro......... 06
2.2 A cultura afro-brasileira no contexto 13
educacional..................................

3 Conclusão...................................................................................................... 16

Referências Bibliográficas.............................................................................. 17
4

1 Introdução

A partir da introdução dos primeiros negros escravos no Brasil, a cultura


dos portugueses, nossos descobridores, passou a ser modificada devido aos
costumes introduzidos pela cultura africana, a qual, hoje, apresenta-se com traços
marcantes na formação do povo brasileiro, podendo por isso, ser referenciada
como cultura afro-brasileira.
A importância da história e cultura afro-brasileira indica o resgate às
origens de nossas crenças, costumes, atos e formação de nossa identidade.
Através da contribuição africana, o povo brasileiro apresenta-se, hoje,
diferenciado em relação aos costumes portugueses.

A história e cultura africana possuem grande contribuição na formação


da identidade cultural e ideológica do povo brasileiro. Desde o início da
escravidão no Brasil, por volta de 1530, quando Martim Afonso de Souza
criou as Capitanias Hereditárias de Pernambuco e São Vicente, na
região nordeste do Brasil, e observando que necessitaria de mão de obra
especializada para o cultivo da cana-de-açúcar, iniciou-se a introdução
do negro africano no país (FERREIRA, 1999, p. 168).

Sendo assim, vislumbra-se o fato de que, existe a necessidade de


desenvolvimento de ações junto ao processo de aprendizagem que estimulem os
alunos a investigarem, após o conhecimento assimilado sobre a sua origem e a
contribuição que os povos da África repassaram para a formação da cultura
brasileira.
A cultura afro-brasileira configura-se nas raízes da formação do povo, uma
vez que, se faz de fato, que uma das principais características que identificam os
brasileiros fora do território, trata-se do fato da miscigenação das etnias, o que
configura com a predominância de traços africanos na maioria da população.
No entanto, ressalta-se que, nem todos os brasileiros conhecem a sua
origem, e nem a história que foi construída através da luta do negro pela
resistência ao domínio dos portugueses, lutando pela liberdade, pelo direito nato
de viver, trabalhar e criar em seu território, a sua família.
Dentro desse contexto, surge a seguinte indagação: Qual a importância da
história e cultura afro-brasileira para a formação do aluno?
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A partir do momento que os conhecimentos e conceitos relacionados às


raízes culturais, intelectuais e sociais do povo brasileiro forem assimilados pelos
alunos que se encontram no processo de ensino e aprendizagem, maior será a
compreensão das futuras gerações a importância da participação dos povos
africanos para a construção da nação.
O objetivo geral do estudo visa analisar a importância dos conteúdos
relacionados à cultura afro-brasileira no currículo dos alunos inseridos no
processo de ensino e aprendizagem.
Os objetivos específicos buscam analisar a influência da cultura africana na
formação do povo brasileiro; e, analisar as vantagens dos estudos relacionados à
cultura africana para o reconhecimento dos alunos de suas origens e heranças
culturais.
Justifica a escolha do tema proposto, pelo fato da influência da história e
cultura afro-brasileira enfocar as características presentes na população
brasileira, a qual através de seu jeito, alegre, sua culinária, sua cultura em relação
a crenças e credos, mantém de maneira indiscutível a tradição de nossos
ancestrais, os quais permeiam a herança de suas ideologias e manifestações
populares, através do modo de se vestirem, de comunicarem, de expressarem
sua fé, de demonstrarem sua alegria.
A metodologia utilizada para o desenvolvimento da pesquisa caracteriza-se
pela pesquisa exploratória qualitativa.
Através do reconhecimento das origens e heranças culturais, os alunos
podem desenvolver novas concepções frente à importância do respeito em se
tratando do povo negro, eliminando assim, as sombras da discriminação e
preconceitos que ainda pairam sobre inúmeros indivíduos e que prejudicam a
convivência digna e pacífica de todos os cidadãos.
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2 Fundamentação Teórica

2.1 A influência da cultura africana na formação do povo brasileiro

De acordo com Sodré (1988, p. 50), “o patrimônio simbólico do negro


brasileiro (a memória cultural da África) afirmou-se aqui como território político-
mítico-religioso, para a sua transmissão e preservação”.
A memória de um povo representa muito mais do que simples recordações,
expressa por meio de suas lembranças, os conhecimentos referentes à evolução
de uma sociedade a qual se transforma constantemente, impulsionada pela busca
de novos ideais e conceitos, que oportuniza o seu crescimento frente às
diferentes formas de expressão.

Na tradição oral as palavras transformam-se em ação, atividade


comunicativa, relação de cumplicidade entre o contador e o ouvinte.
Neste ato de contar circulam além da cumplicidade, palavras que não
foram herdadas aleatoriamente, mas sim herdadas da cadeia dos
ancestrais, aos grandes depositários das palavras nas comunidades
orais, sendo o testemunho vivo dessas sociedades (BUENO, 2008, p.
03).

Ainda de acordo com a autora acima citada, a cultura conduz a


aproximação entre o presente e o passado, e nos reporta ao futuro, acentua a
função de produtividade que requer um domínio sistemático do homem sobre a
matéria e sobre outros homens.
As vantagens relacionadas à conservação da memória de uma localidade
são identificadas por meio da possibilidade de demonstrar a identidade os
indivíduos que habitam o espaço territorial, expressando assim, a condição de
que, se faz através das diferentes formas de tradição oral, a passagem de
geração a geração de ensinamentos que necessitam ser conservados como
forma de propiciar o entendimento das transformações ocorridas em determinada
sociedade, favorecendo a compreensão de suas ações no presente.
A essa forma de desenvolvimento, reconhece-se a questão do processo de
construção da memória social, a qual possibilita a identificação dos fatores que
contribuíram para as transformações sociais.
7

O processo de construção da memória social é, portanto, um elemento


que contribui para o êxito de uma sociedade no equacionamento dos
problemas com os quais se confronta e, segundo a proposição de
Habermas, esse processo se torna ainda mais importante nas
encruzilhadas críticas do desenvolvimento de uma formação sócio
territorial (MESENTIER, 2012, p. 06).

A partir da citação apresentada, verifica-se que, a construção da memória


social se apresenta como sendo um fator primordial para a compreensão da
história cultural e territorial de uma sociedade, enfatizando que, ao se conservar a
memória, os aspectos relacionados ao desenvolvimento social, político,
econômico e cultural, passam a ser reconhecidos e compreendidos como sendo a
evolução da história de um povo que se transforma de acordo com as mudanças
que se concretiza na evolução da humanidade.

Ter consciência da história não é informar-se das coisas outrora


acontecidas, mas perceber o universo social como algo submetido a um
processo ininterrupto e direcionado de formação e reorganização. (...) É
exatamente na moldura da consciência histórica, apenas, que a
identidade passa a ser o eixo de atribuições relativas a um ser que se
percebe produto de forças em ação e sujeito a mutações. Por isso
mesmo, não assimila nostálgica ou submissamente um passado de
coisas e eventos acontecidos, homogeneizado e desfibrado, mas
instaura com ele um equilíbrio dinâmico: é um interlocutor que o
interroga criticamente (MENEZES 1984, p. 34 apud MESENTIER, 2012,
p. 07).

Tendo como fundamentação os autores acima, salienta-se o fato de que, a


importância da memória é referenciada como sendo o pilar da compreensão das
diferentes transformações que uma sociedade pode estar envolvida.
Conservar a memória oral, bem como o patrimônio material, propicia a
visão de que não se devem perder ao longo do tempo, as origens de um povo, o
qual o identifica e o difere das demais sociedades, devido a sua condição de
evolução a cerca do que lhes foi e ainda é essencial para a sua transformação
social.
De acordo com Mesentier (2012) faz-se relevante à compreensão de que, a
memória social configura-se como sendo o fundamental para a construção da
dimensão histórica da vida social, favorecendo a percepção de que, o
desenvolvimento reflete as mudanças que são produzidas pela influência das
forças sociais do presente embasados na memória histórica.
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Por isso, segundo Menezes (1984) a identidade se fundamenta na


memória, sendo essa, um elemento fundamental, a qual pode ser estabelecida de
maneira individual ou coletiva.
A memória individual parte do princípio da construção da vida de cada
cidadão, o qual por meio de sua seletividade promove a conservação do que lhe
foi importante, abstraindo de suas lembranças, o que não se faz em sua
concepção, necessário ser conservado.
Dessa maneira, é notório que, a memória individual possui como
característica a subjetividade, a qual deve ser observada como forma de propiciar
a compreensão de que, a identidade individual se encontra presente em meio à
sociedade como um todo.
Para tanto, ao ressaltar sobre a construção da memória coletiva, configura-
se o fato de que, se trata da reunião das diferentes memórias, que, ao serem
verificadas, compõem a história de uma localidade, de um país, de maneira a
propiciar a interpretação de que, os fatos ocorridos no passado, contribuem para
a compreensão da sociedade atual, enfatizando que, a sociedade se compõe de
suas diferenças e particularidades, que, reunidas, promovem a identificação da
memória social coletiva por meio dos aspectos apresentados por seus atores.
A importância em relação à memória de uma sociedade, e, em se tratando
do tema do trabalho de conclusão de curso, se estabelece não apenas em
relação ao fato de que, a memória coletiva, como sendo a identificação de um
povo, o qual caracteriza cada sociedade existente. Faz-se como um dos aspectos
que compõem o patrimônio cultural, devido ao seu reconhecimento pelas leis
brasileiras que garantem a conservação da memória, como um bem social e
necessário para a identificação das diferentes culturas existentes.

O atual Plano Nacional de Cultura (PNC), estabelecido pela Lei nº


12.343, de 2010, consagrou como um dos seus objetivos: “proteger e
promover o patrimônio histórico e artístico, material e imaterial” e
“promover o direito à memória por meio dos museus, arquivos e
coleções” (art. 2º, II e IV). Como se vê, as leis que surgiram posteriores à
Constituição de 1988 já incorporam aos seus dispositivos a necessidade
de garantia dos direitos culturais como dimensão importante do exercício
da cidadania, seja para crianças, adolescentes, jovens ou idosos
(FERNANDES, 2011, p. 05).
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Conservar a memória histórica de uma localidade refere ao fato de


propiciar aos seus atores, a possibilidade de determinar a sua identidade, criando
vínculo entre o passado e o presente, estabelecendo a sua trajetória frente às
transformações sociais, ocasionando a compreensão de que, o que se vive no
presente, não se trata de ações isoladas, mas sim, da evolução do pensamento
que propiciou através de sua história, da memória coletiva e individual os pilares
para a compreensão de sua identidade.
Tão importante quanto à memória, apresenta-se a cultura, que se faz
referência à origem de uma nação e de seus costumes geralmente embasados
em conhecimentos que são transmitidos de geração para geração.

A cultura, como memória, constitui-se na criação de direitos sempre


renovados que emergem do processo democrático: o direito das
mulheres, dos negros, dos meninos e meninas de rua, dos sem-terra,
dos índios, dos homossexuais, dos trabalhadores, dos aposentados...
Enfim uma listagem que se amplia na correlação direta com a
democracia, cuja característica é a produção incessante dos novos
sujeitos políticos em luta pela cidadania (FERREIRA et al, 2003, p. 21).

“A cultura negra é compreendida como energia, força que produz um


sentido para a nossa existência, que afirma nossa humanidade e possibilita a
unidade na pluralidade e na diversidade das nossas manifestações e expressões
culturais de matriz africana e afro-brasileira” (PEREIRA, 2011, p. 01)
A cultura possui seu próprio desenvolvimento e sistema de referências,
fundada na história do povo que a produz.
O povo negro brasileiro descende de várias nações africanas que trazem
na sua essência o seu princípio dinâmico, a sua força vital a qual se baseia na
ancestralidade.

O patrimônio cultural que herdamos dos nossos ancestrais é a referência


mais profunda da nossa história e da nossa memória. Hoje, o valor
dessa herança cultural constitui a espinha dorsal da cultura negra
contemporânea, cuja marca mais profunda é traduzida por sua
musicalidade e o canto, pela dança, teatro, poesia e pela rica
plasticidade que envolve o fazer cultural de nossos músicos, artistas,
poetas, pintores, escultores, dançarinos, escultores, legítimos arautos da
tradição cultural mais autêntica do nosso povo ( FERREIRA et al, 2003,
p. 26).
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Dentro dessa diversidade cultural que se forma e identifica a alma nacional,


pode-se afirmar que o samba apresenta-se como uma das matrizes fundamentais
da musicalidade e da cultura brasileira.
Nos estados do Rio de Janeiro e Bahia, nota-se a influência grandiosa da
cultura africana, em suas manifestações culturais, através das danças, dos
costumes e manifestações religiosas, fazendo com que se apresente sempre de
maneira marcante a influência africana no contexto da identidade brasileira.

No Rio de Janeiro, a cultura negra apresenta-se principalmente em torno


de dois elementos bem conhecidos e inter-relacionados: samba e
carnaval. No período que se estende dos anos 20 aos anos 60, ambas
as expressões ascenderam dos guetos ao estatuto de pedra angular da
representação (espetacular) da brasilidade. De um lado, diversos
intelectuais nacionalistas propuseram-se a ser intelectualmente
"orgânicos" em relação à cultura popular (negro-mestiça) (SANSONE,
2000, p. 35).

A presença da cultura africana na formação da identidade brasileira


apresenta-se de maneira tocante, vários traços são referenciados através da
exposição da cultura, sendo exportado de maneira explícita até para outros
países, como é o caso do nosso samba, através das mulatas, e o carnaval, que
hoje, é considerado uma das maiores festas populares do país, onde pessoas de
várias crenças, costumes e etnias se rendem à magia do espetáculo brasileiro.

Há, contudo, objetos menos conhecidos que também passaram a


representar a cultura material negra tradicional da Bahia; ou ainda,
comportamentos que passaram a ser vistos como "típicos" da cultura
negra. As mulheres do acarajé, ou simplesmente baianas (mulheres,
geralmente de compleição bastante negra, que vendem nas ruas doces
e comidas afro-baianas típicas), têm sido, há séculos, o ícone mais
visível do "africanismo" na vida pública (SANSONE, 2000, p. 15).

A culinária africana, incorporada ao jeito brasileiro, apresenta-se como uma


forte tendência da miscigenação da cultura afro-brasileira, tendo sua
representação marcante no nordeste, no estado da Bahia, com as negras que
vendem vestidas a caráter da cultura africana, com suas vestes brancas e
rendadas, o acarajé, o vatapá e outros quitutes que tiveram a sua origem, nas
negras africanas que aportaram nos portos brasileiros enquanto escravas, e
cultivaram suas culturas nas senzalas das grandes fazendas.
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A questão voltada para a culinária, parte fundamental da representação da


cultura afro, pode ser compreendida, através da própria história. Segundo Ferreira
(2003, p. 06), “as negras nas senzalas e nas casas-grandes, faziam seus quitutes
para os senhores, que naquele tempo, se rendiam ao gosto e as misturas
surpreendentes que os negros trouxeram em sua identidade africana”.
A representação da cultura africana apresenta-se exposta através das
manifestações folclóricas, com danças típicas da África que o povo brasileiro
assimilou como parte de sua identidade, tendo como principais representações o
maculelê, que é apresentado em festividades populares, e os tambores de
crioulas, as quais são até os dias atuais dançadas e reverenciados principalmente
na região nordeste no Brasil.

Entre as práticas socioculturais em que a África é referência, a religião,


enquanto forma de conceber o sagrado e com o mesmo relacionar-se, é,
certamente a mais fundamental, na medida em que é a guardiã de um
acervo simbólico que nos remete à identidade étnica, fator de coesão e
de equilíbrio psíquico, afetivo e social dos homens, mulheres, crianças e
idosos, individual e coletivamente (FERREIRA et al, 2003, p. 18).

Apesar de se saber da importância da cultura afro-brasileira para a


identificação do nosso povo, observa-se que os conceitos pejorativos em relação
aos estilos criados pelos negros passaram a serem incorporadas pelas demais
etnias, o que se comprova através dos novos jeitos criados pelo modismo em
relação aos cabelos, as roupas, as cores.
O cabelo negro, objeto por meio do qual a filiação étnica pode ser mostrada
ou negada (Mercer, 1994 apud Sansone, 2000, p. 03), “é agora muito mais
manipulado e adornado de diferentes maneiras que outrora”.

Ao lado de produtos caseiros (cosméticos de ervas e instrumentos para


trançar cabelos crespos), novas mercadorias importadas e, mais
recentemente, produtos estrangeiros fabricados nacionalmente sob
licença de companhias de outros países tornaram possível usar o
cabelo, "falar por meio do cabelo", de maneiras muito mais diversas do
que apenas tendo a opção de se alternar entre "elegante" (o que,
geralmente, significa cabelo alisado para as mulheres e curto para os
homens) ou outsider (uma das formas pelas quais os bêbados são
estigmatizados é por meio de seu cabelo desarrumado) (SANSONE,
2000, p. 05).
12

Dentro do contexto educacional, observa-se que a disciplina de História


enfatiza o resgate de nossa identidade através dos conteúdos que enfatizam a
história, a vinda dos negros para o Brasil. No entanto, a importância em relação
ao estudo da cultura e história afro-brasileira, faz-se não em detrimento ao negro
“coitado” que era castigado, maltratado, mutilado.
O negro foi acima de tudo, um lutador, um indivíduo que procurou, mesmo
com toda a imposição de costumes portugueses, resguardar a sua herança
cultural, procurando sempre ressaltar suas crenças, suas raízes, seus costumes
africanos, que mais tarde, incorporou-se definitivamente na formação da
identidade do povo brasileiro.

Muito de o vasto saber das antiguíssimas civilizações africanas foi


trazido e preservado nas Américas por contingentes de escravos. Os
Ketus – os mais duramente atingidos, no século XVIII, nas guerras com o
Daomé – contribuíram de modo especial para a manutenção das
tradições nagôs no Brasil (FERREIRA et al., 2003, p. 10).

A história dos negros brasileiros mistura-se com a história da criação do


país, a luta dos negros, enfatiza a busca de uma liberdade que foi arrancada de
maneira vil, sem escrúpulos, mas que não perdeu sua identidade.
O reconhecimento da cultura africana miscigenada a cultura europeia é
percebida em todas as regiões do Brasil, demonstrando que, as raízes culturais,
sociais e intelectuais do povo brasileira, se firmou a partir da mistura dos
diferentes conhecimentos que foram sendo assimilados de geração a geração,
fornecendo os conhecimentos para a construção da personalidade própria que
caracteriza a nação brasileira.
É fato que, a necessidade de haver o desenvolvimento de novas propostas
frente ao reconhecimento da influência da cultura africana na formação da
identidade dos cidadãos brasileiros é realizada de maneira a promover a busca de
novos elementos que justificam a maneira peculiar os costumes e hábitos que
caracterizam o Brasil.
A história oficial da formação do povo brasileiro é repleta de exemplos da
luta e da influência da cultura africana na formação da sociedade. Segundo
Castro (2008), os costumes e hábitos africanos são facilmente reconhecidos no
13

cotidiano da sociedade, através da dança, da culinária, da música, do modo de


vestir.
Mesmos havendo a presença de outras culturas, os negros promoveram
um legado de costumes que é, até os dias atuais, comentado e analisado por
diferentes pesquisadores, que buscam através da cultura regional e mesmo
nacional, identificar de maneira clara e objetiva a interferência dos primeiros
africanos na sociedade atual.
Nesse sentido, destaca-se que, a introdução dos conhecimentos africanos
no contexto escolar vem de encontro com a compreensão da formação da
identidade dos alunos, já que, o Brasil se apresenta como sendo uma mistura de
tradição e costumes que foram sendo incorporados pela sociedade propiciando a
formação de seus princípios e valores de acordo com a sua história.

2.2 A cultura afro-brasileira no contexto educacional

A importância em relação ao estudo da cultura afro-brasileira no contexto


educacional vem demonstrar a correção de um equívoco da educação brasileira,
o fato de tratar o negro como um indivíduo inferior que foi pela história subjugado.
O papel da disciplina de História enfatiza o destaque da cultura, da
referência da identidade de um povo que não se apresenta como dignos de dó,
mas sim de orgulho de não se anular em meio à repressão. A escola permeia o
conhecimento amplo e aprofundado, a visão crítica que é necessária para a
formação e transformação do indivíduo em um cidadão crítico e consciente de sua
origem, de sua identidade.

Um avanço na legislação educacional quanto ao trato das questões


raciais nas instituições de ensino foi a aprovação da lei 10.639/03, que
altera a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB, Lei
nº9394/96) e institui a obrigatoriedade do ensino de História e Cultura
Afro-Brasileira e Africana, no currículo dos ensinos fundamental e médio
das redes pública e particular (SANTOS, 2009, p. 03).

Como resultado da importância do estudo da influência da cultura e história


afro-brasileira no contexto histórico apresenta-se a integração entre a história e a
realidade, vive-se em um país miscigenado, com predominância africana,
14

portanto, somos em grande maioria, afrodescendentes de uma nação que nos


ensinou o que é o espírito de luta.
Nas escolas a implantação da oficialização do dia 20 de novembro – dia da
Consciência Negra – expressa o reconhecimento da importância da cultura e
história afro-brasileira, onde os alunos desenvolvem a sua formação consciente
de cidadão da importância de ressaltar os feitos e relembrar que os nossos
descendentes são acima de tudo, um povo lutador, guerreiro, que nunca desistiu
do seu sonho, o sonho de liberdade, que se preserva até os dias atuais, na
alegria do jeito singular do povo afro-brasileiro, onde se orgulham de ser
descendente dos filhos da Mãe África.
No entanto, é fato que, os dias 13 de maio (Abolição da escravatura) e 20
de novembro (Dia da Consciência Negra) não representam de maneira clara a
magnitude da contribuição dos africanos para a formação do Brasil, o que é
questionado por vários estudiosos e educadores no que se refere à valorização
da luta desses homens e mulheres pela liberdade e respeito a sua cultura e seus
costumes.
Ao se reportar ao estudo da História, enquanto disciplina, apresenta-se o
negro como sendo um ser submisso às vontades da aristocracia, onde a sua vida
se resumia às lavouras e a senzala, no entanto, é fato que através de sua cultura,
vários conhecimentos foram ampliados, desde a dança, a luta, a culinária, bem
como na literatura brasileira. O que se apresenta em maior contradição, em
relação a história do povo africano no Brasil, é o aspecto de que, enquanto foram
apresentados como simples objetos de compra, foram reconhecidos como “os pés
e as mãos” dos senhores feudais” , o que, somente por essa concepção, se
estabelece a compreensão de sua importância para a formação do Brasil.
Nesse sentido, verifica-se que, mesmo havendo a Lei 10.639/03, o que se
nota, é que a grande transformação do pensamento social, está relacionada à
efetivação de estratégias e ações realizadas pelos educadores no que tange a
explanação sobre a história da cultura africana no contexto escolar.
As estratégias utilizadas pelos professores são fundamentais para que, os
princípios e objetivos preconizados pela lei possam ser efetivados de maneira a
fazer compreender que a contribuição dos negros para a formação do cultura
brasileira, foi muito mais significativa do que a história revela, favorecendo a
15

interpretação dos alunos frente as questões do passado e o que se verifica nos


dias atuais, para que possam por meio de seus conhecimentos promover a
transformação de seus conceitos frente aos novos olhares que devem ser
lançados sobre a importância da contribuição dos povos africanos para a cultura
brasileira.
Nesse sentido, estabelece a compreensão de que a contribuição da cultura
afro-brasileira no contexto educacional permite com que se amplie o
conhecimento sobre a importância do negro para o desenvolvimento do país, e se
desmistifique o conceito de que o negro não contribuiu para com a nação, pois se
resumiu-se a sua história através dos conceitos estabelecidos durante a época da
escravidão.
16

3 Conclusão

Com tudo o que foi levantado nesse trabalho pôde conclui que o trabalho
do supervisor escolar e do orientador educacional surgiu da necessidade da
sociedade durante a história da formação dos profissionais da educação, que teve
inicio com a educação jesuítica e perpetua até os dias de hoje.
Dessa forma, assim como na indústria, encontrar a pessoa certa para o
trabalho certo foi o eixo chefe nessa fragmentação. Importante se faz entender
que o trabalho não pode se manifestar, nos dias atuais, de forma fragmentada, ou
seja, nos como supervisores escolares devemos envolver apenas com os
professores e o orientador educacional, apenas com os alunos. Hoje, diante da
escola necessária para atender as demandas educacionais e sociais vigentes, o
trabalho precisa acontecer de forma integrada, não apenas entre os dois
profissionais, mas sim, em conjunto com todos os segmentos da escola,
principalmente com o diretor, professores e alunos.
Portanto, após a realização do estudo visando analisar a importância do
trabalho no qual o supervisor e orientador escolar exerce no ambiente escolar,
oportunizou a conclusão de que, trata-se de uma ferramenta essencial para o
sucesso do ambiente escolar, a sua formação dos conhecimentos orientados,
aprendidos e aplicados de maneira natural, salientando que, através da ética
possibilita assim melhor a absorção da compreensão dos conhecimentos
propostos pelos supervisores e orientadores.
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