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UNIVERSIDADE DO VALE DO RIO DOS SINOS - UNISINOS

CIÊNCIAS ECONÔMICAS
CURSO DE ADMINISTRAÇÃO – HAB. ADMINISTRAÇÃO DE EMPRESAS

Aurélio Viero

GESTÃO DO CONHECIMENTO:
UMA ANÁLISE DAS PRÁTICAS DESENVOLVIDAS PARA TRANSFERÊNCIA DE
CONHECIMENTO NA EMPRESA VIAÇÃO OURO E PRATA S.A.

São Leopoldo
2009
1 INTRODUÇÃO

O transporte de passageiros é um desses serviços que a responsabilidade é do Estado.


Quando o poder público transfere a realização desses serviços para terceiros, configura-se
uma concessão. Assim o transporte intermunicipal de passageiros é um serviço que o Estado
concede a exploração para uma entidade da iniciativa pública ou privada e permanece com as
funções de regulação, controle e fiscalização.
O Estado permite, as empresas terceirizadas do setor a liberdade na gestão direta do
serviço concedido criando porém, mecanismos com o objetivo de regular e acompanhar as
atividades delegadas, segundo procedimentos preestabelecidos. A agência responsável no
Brasil para regular e fiscalizar os serviços de transporte é a ANTT (Agência Nacional de
Transportes Terrestre). No Estado do Rio Grande do Sul, a regulamentação do serviço de
transporte intermunicipal de passageiros é efetuada pelo DAER/AGERGS (RS) (Agência de
Regulação, Controle e Fiscalização de Serviços Públicos). Seu objetivo é dar maior garantia
aos usuários, assegurando condições mínimas de segurança e combatendo o transporte
clandestino de passageiros.

Sabe-se que hoje, as pessoas cada vez mais se deslocam para outros municípios e
estados usando empresas de transporte de passageiros intermunicipal, com a finalidade de
suprir suas necessidades quanto a oportunidades de emprego, saúde, turismo, acesso a
educação e lazer. Assim impulsionando o progresso e promovendo a integração regional.
“Admite-se que existam, no Brasil, 1.006 empresas de ônibus atuando no transporte
intermunicipal de passageiros e 205 empresas de ônibus atuando no transporte interestadual
de passageiros. Esse é o universo de empresas na atividade que estão legalmente cadastradas.”
(FIPE, 2009).

As empresas estão em constantes mudanças, para se manterem competitivas no


mercado, tendo como objetivo a satisfação de seus clientes através de um bom atendimento
personalizado. Com a implantação da Gestão do Conhecimento nas empresas de transportes
intermunicipal de passageiros, que é um serviço terceirizado pelo Estado, poderá se oferecer
cada vez mais um serviço acessível e de qualidade para os usuários. Proporcionando um
melhora de rentabilidade para o negocio e um melhor pocisionamento de sua marca no
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mercado. Drucker (1993) argumenta em seu ultimo livro que, na nova economia, o
conhecimento não é apenas mais um recurso, ao lado dos tradicionais fatores de produção-
trabalho, capital e terra- mas sim o único recurso significativo atualmente. Ele afirma que o
fato de o conhecimento ter se tornado o recurso, muito mais do que apenas um recurso, é o
que torna singular a nova sociedade

Para Teixeira Filho (2003) o conhecimento – em todos os seus tipos e formas – tem
sido importante há muito tempo. Ao longo da história, a supremacia dos conflitos, mais cedo
ou mais tarde, foi daqueles que detinham maior conhecimento. Isso valeu para o ser humano
que lutava para se adaptar em um ambiente hostil na pré-história e valeu também para as
civilizações da antiguidade. E vem sendo verdade até hoje, no momento em que estamos
entrando em um tipo de sociedade diferente, na qual o trabalho tende a ser cada vez mais
intelectual e menos braçal.

A Gestão do conhecimento é uma área nova que engloba tecnologia da informação e


administração, um novo campo entre a estratégia, a cultura e os sistemas de informação de
uma organização. Com o enfoque da Gestão do Conhecimento, começa-se a rever a empresa,
suas estratégias, sua estrutura e sua cultura. Tudo isso se dá num ambiente altamente
competitivo, onde a rápida globalização da economia e as melhorias nos transportes e
comunicação dão aos consumidores uma gama de opções sem precedentes. A concorrência
indireta que são as viagens de carro, o transporte clandestino, e o transporte aéreo, internet,
digitalização de documentos, ensino a distancia que atende cada vez mais cidades. Fazendo
que as empresas tendem a se diferenciar pelo que elas sabem e pela forma como conseguem
usar esse conhecimento. Numa economia global, o conhecimento torna-se a maior vantagem
competitiva de uma organização.

Segundo Teixeira Filho:

O interesse pelo conhecimento nas empresas ( ou capital intelectual) começou com a


constatação de que o valor de mercado de diversas empresas (Lotus, Microsoft, Apple,
Amazon.com, Yahoo!, Nokia, Skandia, Nike, Benneten, America On Line, entre diversas
outras) é muito maior do que o valor do seu patrimônio físico (instalações, equipamentos, etc.).
O valor total das ações dessas empresas incorpora dados “intangíveis” tais como: o valor das
marcas, as patentes, a capacidade de inovação, o talento dos funcionários, as suas relações com
seus clientes, entre outros fatores. As empresas se voltaram para a Gestão do conhecimento no
intuito de entender, organizar, controlar e lucrar com esse valor intangível (o conhecimento).
(Jayme Teixeira Filho, 2003, p 23)
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Assim podemos concordar com os autores citados acima que o conhecimento tornou-
se o fator econômico mais importante no ambiente competitivo das organizações.
Conhecimento não no sentido abstrato, ou teórico, mas aplicado ao conhecimento sobre seus
mercados, seus processos, seus clientes, sua tecnologia, seus concorrentes, etc.

1.1. JUSTIFICATIVA

O setor de transporte intermunicipal de passageiros no Brasil e do Estado Rio Grande


do Sul é identificado como um segmento de grande importância. Na realidade de hoje muitos
distritos, vilas e rincões dos 496 municípios do nosso Estado nem sequer possuem hospitais,
postos de saúde, bancos e escolas de 2° grau, mas o ônibus passa lá, servindo às comunidades.
Assim estas máquinas (ônibus) que cruzam o interior do nosso Brasil impulsionam o
progresso e promovem a integração regional (RTI, 2009).

As empresas de transporte intermunicipal no Brasil transportaram 53.714.742


passageiros em abril de 2009 e 6.937.762 passageiros no Rio Grande do Sul. Já em 2004, os
ônibus das empresas associadas à RTI (Associação Rio-Grandense de Transporte
Intermunicipal) percorrem mais de 133 milhões de quilômetros, correspondendo a 3.320
vezes o perímetro da terra, e transportaram mais de 36 milhões de passageiros, o equivalente a
3,5 vezes a população do Estado. Praticamente dois terços da frota e dos passageiros
transportados no sistema intermunicipal de linhas regulares no Rio Grande do Sul pertencem
às empresas associadas à RTI.

“Para se ter uma idéia da grandiosidade desse setor, as empresas associadas à RTI
(Associação Rio-Grandense de Transporte Intermunicipal) empregam hoje em torno de 15 mil
funcionários e gera cerca de 50 mil empregos indiretos.” (RTI, 2009). Seguindo nesse mesmo
pensamento e olharmos os números apresentados pelo DAER sobre o Transporte Rodoviário
do Estado do Rio Grande do Sul que opera em regime de concessão de serviço público,
concedido pelo Governo do Estado. Podemos concluir que o setor de transporte
intermunicipal de passageiros é de estrema importância para o Estado e usuários. Setor que
promove o desenvolvimento econômico regional e também oferecendo mais oportunidades de
emprego, saúde, ensino e turismo para todos dentro do Estado.
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Quadro 1: Resumo Geral Transporte Intermunicipal


RESUMO GERAL DO BOLETIM DAER - REF: 2005
Passageiros Transportados 60.481.533
Quilometragem Percorrida 188.084.740
Número de Viagens Realizadas 1.807.959
Total de Lugares Ofertados 77.007.216
Aproveitamento Médio 55,37%
Número de Empresas Operantes 235
Número de Linhas Ativas 1.668
Fonte: DAER/RS

Quanto à acessibilidade a informações do setor e da alta administração da empresa


Viação Ouro e Prata onde vai ser feito o estudo de caso, o autor do projeto tem amplo acesso
por estar participando do Programa Trainee na empresa. Onde se teve baixo custo para visitas
e entrevista com as gerencias, clientes e funcionários.
Portanto, de acordo com a importância do setor, viabilidade de custo e acesso a
informações deste projeto e a importância que a Gestão do Conhecimento como vantagem
competitiva tem para uma empresa, se justifica a futura pesquisa.

1.2.DEFINIÇÃO DO PROBLEMA

Buhowitz e Willians (2002) observam que a gestão do conhecimento está caminhando,


rapidamente, para ser a prioridade máxima das organizações, em função da urgência e da
necessidade premente de diferenciação através do conhecimento, sendo essa a fonte clara de
competitividade duradoura, impulsionada pela rápida evolução das tecnologias de informação
e comunicação. As empresas que investem realmente em ações e processos estratégicos
capazes de torná-las cada vez mais competitivas e líderes já se conscientizaram de que têm
que gerenciar, com excelência, o fluxo de conhecimento para gerar valor proveniente de seu
capital intelectual. Uma das principais razões desta prioridade está no fato de que as empresas
de ponta que sofrem com índices impactantes de turnover de seus executivos-chave vêem na
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gestão do conhecimento uma solução para a diminuição das perdas de Know-How e capital
intelectual, conseqüência direta da saída de seus profissionais e experts.

Devido à importância do setor de transporte de passageiros, dos órgãos reguladores e a


obrigação que as empresas terceirizadas têm em oferecer um serviço com confiabilidade,
conforto, acessibilidade, rapidez, segurança e economia. Mesmo que as empresas de
transporte não sofram concorrência direta entre elas, pelo fato do serviço ser regulado por
concessão pública concedida pelo governo. As mesmas sofrem ameaças com o transporte
clandestino e as empresas aéreas.

Por outro lado, a estabilidade econômica da última década, com o aumento de renda
obtido pelo Plano Real e instalação do novo regime automotor, com a decorrente expansão do
mercado de automóveis novos e semi-novos; isto abre uma vasta parcela da população pela
primeira vez o acesso ao carro particular, que nos últimos 10 anos vem aumentando e se
tornando um concorrente direto para as empresas de transporte intermunicipal de passageiros.

Quadro 2: Dados do Setor de Transporte no Rio Grande do Sul

ALGUNS DADOS DO SISTEMA


1997 1998 2005
NO RS
Numero Empresas Registradas 223 236 235

Numero de Viagens Realizadas 1.813.316 1.831.089 1.807.959

Numero de Lugares Ofertados 76.366.107 77.539.402 77.007.216

Numero de Passageiros
73.425.501 71.490.574 60.481.533
Transportados

Km Percorridos 135.460.341 191.570.402 188.084.740

Aproveitamento 56% 61% 55%


Fonte: DAER

Com esse novo panorama de mercado onde o numero de passageiros vem diminuído a
preocupação principal é como as empresas irão se planejar para a nova realidade para se
tornar competitiva em relação à concorrentes, e na proteção de sua rentabilidade, pois cada
vez mais os usuários exigem conforto, segurança, agilidade, novos horários, novas linhas.
Para isso as empresas precisam de conhecimento, investimento em TI, colaboração das
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rodoviárias e a renovação das leis dos órgãos reguladores. Para se TR uma idéia da
dificuldade de se gerir esse negócio, no Estado a responsabilidade da venda da passagem é da
Agência Rodoviária, enquanto a empresa responde pelo transporte. Razão pela qual as
empresas, em muitos casos, não conseguem resolver reclamações de usuários quanto aos
serviços prestados pelas rodoviárias.

Outra razão porque as empresas de transportes devem se manter em aprendizagem


continua sobre o seu negócio, são as preções sobre os preços, não deixando margem para a
ineficiência. O ciclo de desenvolvimento de novos serviços é cada vez mais curto. As
empresas precisam de qualidade, valor agregado, serviço, inovação, flexibilidade, agilidade e
velocidade de forma cada vez mais crítica. Assim fazendo as empresas de transporte de
passageiros em suas atuais gestão, se preocuparem em ter uma estratégia para a manutenção
da rentabilidade do negócio devido à composição dos custos da tarifa, que constantemente
sofrem alteração.

O DAER, como órgão concedente, revisa constantemente os insumos e demais fatores


que influenciam os custos operacionais das empresas, bem como o preço final da passagem.

As empresas, por sua vez, mantêm constante vigília a esses insumos e custos, pois eles podem
impedir a operação, tanto quanto comprometer a segurança e a pontualidade das viagens.

Assim, visando à transparência, a tabela e gráfico abaixo ilustram a composição desses custos
e insumos.

Quadro 3: Composição dos Custos da Tarifa


Composição dos Custos da Tarifa
G1
Folha de Pagamento (Motoristas, Cobradores, Mecânicos,
Auxiliares Operacionais, Pessoal Administrativo e Agentes).
G2
Despesas Administrativas, Depreciação e Remuneração
G3
Custos Operacionais (Diesel, Pneus, Óleos e outros)
G4
Encargos, Tributos e Comissões
Fonte: DAER/RS e Empresas

O aumento do combustível e de utensílios como pneus e peças mecânicas é um fator


determinante para o aumento das tarifas de todas as empresas regulares. Vale ressaltar que
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este reajuste tarifário também é regulado pelo governo do estado através do DAER, e ocorre
geralmente uma vez por ano.
Além da mudança de cenário, dificuldades de manutenção de rentabilidade e a
importância de se investir na gestão do conhecimento. A empresa em estudo sofre com a
centralização do conhecimento em poucos gestores, que quando promovidos ou substituídos
devido a aposentadorias ou a decisões estratégicas, deixam seus setores de origem e levam
todo seu conhecimento ou o know-how para si próprio. Assim deixando o setor decifitario.
Sabendo que se trata de uma empresa que está expandindo para outros Estados e
gestores com muito conhecimento tácito. A empresa com o objetivo de manter sua
estratégia, reativou seu Programa Trainee com o objetivo de promover a transferência de
conhecimento de seus atuais gestores para a formação de novos gestores com a finalidade de
se preparar para um futuro próximo.
Após aprofundar tais informações, apresenta-se a seguinte questão de pesquisa: Como
é feito a transferência de conhecimento da empresa Viação Ouro e Prata?

1.3 OBJETIVOS

1.3.1 Objetivo Geral

Analisar a transferência de conhecimentos no Programa Trainee na empresa Viação Ouro e


Prata.

1.3.2 Objetivos Específicos

a) Caracterizar o programa Trainee da empresa Viação ouro e Prata;


b) Identificar as áreas de abrangências do Programa Trainee;
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c) Compreender a transferência de conhecimento dessas áreas no processo de


transferência.
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2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

2.1 GESTÃO DO CONHECIMENTO

2.2. GESTÃO DO CONHECIMENTO COMO VANTAGEM COMPETITIVA

2.3. PROGRAMA TRAINEE


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3 MÉTODOS E PROCEDIMENTOS

Este capítulo tem como objetivo apresentar a metodologia que vai ser usada para a
realização desta pesquisa. O método a escolher é de extrema importância, pois é através dele
que a pesquisa se torna confiável e se desenvolve de maneira fácil e acertada.

3.1 DELINEAMENTOS DA PESQUISA

O Método escolhido para se realizar esta pesquisa foi o qualitativo, que é bastante
flexível, proporcionando ao pesquisador de também apresentar dados quantitativos durante a
analise de dados. E de nível descritivo, utilizando a estratégia de estudo de caso.
A seguir apresenta-se o conceito de Richardson (1999), quanto ao método qualitativo.

Os estudos que apresentam uma metodologia qualitativa podem descrever a complexidade de


determinado problema, analisar a interação de certas variáveis, compreender e classificar
processos dinâmicos vividos por grupos sociais, contribuir no processo de mudança de
determinado grupo e possibilitar, em maior nível de profundidade, o entendimento das
particularidades do comportamento dos indivíduos (p.80).

Para Roesch (1999), tem como objetivo informar o pesquisador sobre situações, fatos,
opiniões ou comportamentos, buscando mapear a distribuição de um fenômeno na população
estudada.
O estudo de caso, segundo Gil (1999), vem sendo utilizado com pesquisas de
diferentes propósitos, como:
 Explorar situações da vida real cujos limites não estão claramente definidos;
 Descrever a situação do contexto em que está sendo feita determinada investigação; e
 Explicar as variáveis causais de determinado fenômeno em situações muito complexas
que não possibilitam a utilização de levantamentos e experimentos.
Em outra explicação sobre o estudo de caso tem-se que

O estudo de caso é um estudo empírico que investiga um fenômeno atual dentro de seu contexto de
realidade, quando as fronteiras entre fenômeno e o contexto não são claramente definidas e no qual
são utilizadas varias fontes de evidencia (Yin, 1981p. 23 apud Gil, 1999, p.73).
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Um estudo de caso é uma estratégia de pesquisa que examina acontecimentos


contemporâneos, e pode lidar com uma ampla variedade de evidências, como documentos,
entrevistas e observações. É definido por Yin (2003, p.32) como “uma investigação empírica
que investiga um fenômeno contemporâneo dentro de seu contexto da vida real
Portanto é preciso que o método conduza de maneira coerente à resposta da questão de
pesquisa. Desenvolvendo uma pesquisa qualitativa de nível descritivo usando a estratégia de
estudo de caso, determinando as operações necessárias para melhor compreensão e reflexão
do trabalho.

3.1.1. O Estudo de Caso na Viação Ouro e Prata

A Viação Ouro e Prata desde 1939 é uma empresa no ramo de serviços, tem seu
negócio voltado para o transporte coletivo de passageiros de longo curso, ou seja, distâncias
superiores a 200 km, entre as cidades dos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina,
Paraná, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Pará, e também em cidades da Argentina e
Uruguai. Seu foco principal está no transporte de passageiros dentro do estado gaúcho,
correspondendo a 76,74% do seu faturamento, o restante ficando para os demais estados
citados. Transporta em média 160.000 passageiros, ao longo de suas 84 linhas, através de uma
frota de aproximadamente 200 ônibus.

Atualmente a unidade detém um quadro funcional de aproximadamente, 630


funcionários, locados nas áreas de Administração (137), Manutenção (157) e Motoristas
(Tráfego) (337) distribuídos entre a Matriz, Filial e Representantes no interior do Estado do
RS, atuando em linhas de transporte Intermunicipais. Sua matriz está situada na cidade de
Porto Alegre, localizada estrategicamente nas proximidades da estação rodoviária.

A empresa esta dividida internamente da seguinte forma:

SETOR DE TRÁFEGO ( Motoristas, Rodoviária, Administrativo, Fiscalização): O setor de


tráfego é responsável pelas escalas de trabalho dos motoristas, e pelo controle da frota para o
atendimento aos usuários. Este setor desenvolve a atividade principal da empresa, o transporte
de passageiros. Possui um horário de funcionamento contínuo, visando a resolução de
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possíveis imprevistos que possam acontecer durante a jornada de trabalho e que afetam a
satisfação dos clientes.

SETOR ADMISTRATIVO (Diretoria, Recursos Humanos, Jurídico, Informática,


Administração de Passagens, Contabilidade, Financeiro, Qualidade, Controle de Manutenção
e Planejamento de Linhas): A Administração abrange os departamentos de apoio, citados
acima, responsáveis pelo desenvolvimento dos processos operacionais, financeiros e de
pessoas. As filiais e agências são coordenadas pela matriz.

SETOR DE MANUTENÇÃO (Preventiva, Corretiva, Mecânica Motores, Chapeação,


Elétrica Veicular, Abastecimento, Lavanderia, Borracharia, Almoxarifado de Peças e
Gerência de Manutenção. Possui a responsabilidade geral da frota de ônibus da empresa,
sendo os trabalhos realizados em conjunto com o setor de tráfego): O Setor de manutenção,
continuamente oferece aos funcionários cursos de reciclagem e aperfeiçoamento buscando a
conservação da frota e o bom atendimento do usuário, com segurança e eficiência.

FILIAIS E AGÊNCIAS: A Viação Ouro e Prata também está presente no interior, nas
cidades de Alegrete, Bagé, Três Passos, Carazinho, Livramento, Santa Maria, Santa Rosa, São
Luiz Gonzaga, Soledade, Ijuí, Cruz Alta e Uruguaina.

Toda essa estrutura é montada para a empresa Ouro e Prata conseguir atingir a sua
“Missão Organizacional: Facilitar o deslocamento das pessoas, buscando a satisfação dos
clientes, colaboradores, acionistas, governo e fornecedores, com seriedade, eficiência e
qualidade” e a “Visão: Ser uma empresa padrão em qualidade, referencial no segmento de
transportes de passageiros, produtiva e comprometida com a excelência dos serviços
prestados.”

Quadro 6: Motivo das Viagens


1º Lazer/Turismo/Compras 44,50%
2º Trabalho 31,60%
3º Tratamento de Saúde 11,90%
4º Estudos 11,70%
5º Outros 0,30%
Fonte: Empresa Ouro e Prata

No Plano Estratégico que a empresa definiu para o período do ano de 2006 a 2010
consta o seguinte:
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 Crescer o Faturamento com transporte público de passageiros e outros serviços em


6,67 % até 2010.
 Reduzir o custo total do serviço em 6,33 até 2010
 Atingir grau de satisfação geral mínima dos clientes de 90 %.
 Atingir grau de satisfação geral mínima dos colaboradores de 90 %.
 Obter reconhecimento de mercado em produtividade e qualidade.

A Ouro e Prata utiliza dois Sistemas de Informática e alguns indicadores para monitorar e
acompanhar os resultados estratégicos. Os Sistemas são o Sistema Integrado de
Aproveitamento de Poltronas, conhecido como SIAP e o Sistema Cenárius que realiza a
gestão dos custos e receita através da divisão regional, por linha, da sua área de atuação. Já os
indicadores são utilizados diversos, mas o que achamos conveniente destacar é Receita/Km
percorrida e o Custo/Km percorrida
Sistema Integrado de Aproveitamento de Poltrona – SIAP, tem como principal função
monitorar e fazer a otimização dos lugares de acordo com a demanda de cada cidade atendida.
O ganho fundamental com este sistema é que com ele é possível aliviar uma demanda
reprimida e ajustar a oferta de acordo com a necessidade. Desta forma a empresa pode elevar
as suas vendas sem a colocação de ônibus extras. Logo mais abaixo será apresentado o caso
de criação deste sistema.
Sistema de Controle de Receitas e Custos Cenárius, através dele é possível realizar
previsão de receita e de custos fazendo cenários de acordo com a análise SWOT. Com isto é
projetada receita, do ano, para cada linha da empresa levando em consideração o objetivo
estratégico da empresa que é de aumentar seu faturamento em 6,67 % até 2010 e reduzir o
custo total do serviço em 6,33 até 2010. Conforme os valores vão se realizando o Sistema
informa as linhas que ficaram abaixo das metas. Desta forma a empresa desenvolve ações
especificas para elevar o resultado das mesmas.
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Organograma:

Quadro 7: Organograma Ouro e Parta

Fonte: Empresa Ouro e Prata

3.1.3. O Programa Trainee Viação Ouro e Prata

Desenvolver talentos com formação, qualificação e perfil diferenciados, para


assumirem, em médio prazo, posições em cargos estratégicos da organização de forma a
contribuírem efetivamente no atingimento e superação dos resultados organizacionais, o
conseqüente crescimento e perpetuação da empresa e a constante superação de expectativas
de seus clientes.
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O programa de formação tem como objetivo o conhecimento da Identidade


Organizacional da empresa e a aquisição, pelos participantes, das habilidades de natureza
gerencial, comportamental e técnica, geral e específica dos negócios em todos campos de
resultados da Viação Ouro e Prata, necessárias para assumirem cargos estratégicos da
organização, proporcionando aos mesmos uma visão integrada da gestão, da estratégia, da
estrutura e dos processos chaves da organização.
O programa é desenvolvido de modo a possibilitar situações e oportunidades de
prendizagem e formação, que incluem teoria e prática sob a orientação de um Supervisor, o
qual realizará acompanhamento e avaliação periódica. O programa tem duração de dois anos e
possibilita ao trainee compartilhar experiências em equipe e obter uma visão ampla dos
negócios do Grupo, além de participar de um estruturado programa de treinamentos e
avaliações, que aceleram o desenvolvimento de suas competências. Cada etapa do Programa
Trainee será acompanhada pelo setor de Treinamento e Desenvolvimento da área de Recursos
Humanos durante todo o processo, além de contar com um tutor, que irá assessorar o
treinando no desenvolvimento e aproveitamento das suas atividades. Os trainees serão
avaliados em cada etapa do processo, segundo critérios de aprendizado, empenho e
comportamento, além passarem por avaliações gerais periódicas, a partir dos resultados das
avaliações setoriais.

3.2 DEFINIÇÃO DO PUBLICO ALVO

A pesquisa vai ser realizada na empresa Viação Ouro e Prata em Porto Alegre-RS, esta
é uma empresa do setor de transporte intermunicipal de passageiros, com a busca de
informações na alta administração.
A seguir tem-se um quadro síntese dos futuros entrevistados de acorda com seus
cargos. Será entrevistada 13 pessoas no terá o objetivo de coletar dados para a resposta a
questão de pesquisa, os objetivos geral e específicos.
Para Roesch (1999), pesquisas descritivas buscam o levantamento de informações
sobre uma população.
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Quadro 8: Participantes da Pesquisa


PARTICIPANTES
Gerente Comercial Grau escolaridade:
Idade: Tempo no Cargo:
Sexo:
Gerente Recursos Humanos Grau escolaridade:
Idade: Tempo no Cargo:
Sexo:
Supervisor Recursos Humanos Grau escolaridade:
Idade: Tempo no Cargo:
Sexo:
Diretor Administrativo Grau escolaridade:
Idade: Tempo no Cargo:
Sexo:
Gerente Marketing Grau escolaridade:
Idade: Tempo no Cargo:
Sexo:
Gerente Trafego Grau escolaridade:
Idade: Tempo no Cargo:
Sexo:
Ecaregado filial Santa Rosa Grau escolaridade:
Idade: Tempo no Cargo:
Sexo:
Supervisor Trafego Grau escolaridade:
Idade: Tempo no Cargo:
Sexo:
Gerente Bagageiro Grau escolaridade:
Idade: Tempo no Cargo:
Sexo:
Gerente Administrativo Grau escolaridade:
Idade: Tempo no Cargo:
Sexo:
Trainee 1 Grau escolaridade:
Idade: Tempo no Cargo:
Sexo:
Trainee 2 Grau escolaridade:
Idade: Tempo no Cargo:
Sexo:
RH Treinamento Grau escolaridade:
Idade: Tempo no Cargo:
Sexo:
Fonte: (elaborado pelo autor).
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3.3 TÉCNICAS DE COLETA DE DADOS

As técnicas de coletas de dados que serão usadas nesta pesquisa, será a entrevista
informal e documentos de comunicação de massa. Pode-se definir como entrevista como a
técnica em que o investigador se apresenta frente ao investigado e lhe formula perguntas, com
o objetivo de obtenção dos dados e informações, voltados para o diagnostico e orientação.
Segundo Gil (1999), a entrevista informal é recomendada em estudos que visam
abordar realidades pouco conhecidas pelo pesquisador, ou então oferecer visão geral do
problema pesquisado, bem como identificação de alguns aspectos da personalidade do
entrevistado.
Os profissionais que serão abordados por esta pesquisa serão questionados sobre suas
experiências por meio de entrevistas. Segundo Roesch (1999), a entrevista é um encontro
entre duas pessoas, afim de que uma delas abtenha informações a respeito de determinado
assunto, mediante uma conversação de natureza profissional. O objetivo da entrevista é
entender o significado que os entrevistados atribuem a questões que serão estruturadas a partir
de suposições do pesquisador. È de grande valia que os roteiros nas entrevistas sejam
aprovados por um professor estudioso do assunto.
Conforme Roesch (1999), o objetivo da entrevista semi-estruturada é desenvolver uma
compreensão sobre o “mundo” do respondente, para que o pesquisador possa influenciá-lo,
seja de maneira independente, seja em colaboração. Utiliza-se de questões abertas, que
permitem ao entrevistador entender e captar a perspectiva dos participantes da pesquisa.
Nas entrevistas, segundo Yin (2001), os informantes-chaves são sempre fundamentais
para o sucesso de um estudo de caso. Essas pessoas não apenas fornecem ao pesquisador do
estudo percepções e interpretações sob o assunto, como também podem sugerir fontes nas
quais pode-se buscar evidências que confirmam as conclusões da pesquisa. Também será
montado um quadro síntese no qual demonstra-se a relação estabelecida entre a questão de
pesquisa, os objetivos geral e específicos, os questionamentos apresentados nos roteiros de
entrevistas .
Com a técnica de documentos de comunicação de massa pretende-se usar fontes
secundarias como artigos de revistas, jornais e internet para analise do ambiente externo da
empresa, fornecendo informações sobre político, econômico, social e tecnológico no qual a
empresa está inserida.
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3.4 TÉCNICAS DE ANÁLISE DE DADOS

Pretende-se analisar todos os dados possíveis para fazer a melhor interpretação


possível com o objetivo de analisar o cenário e as entrevistas feitas com os participantes da
pesquisa. Levantamento os pontos importantes que mostrem de como é feita a transferência
de conhecimento na Viação Ouro e Prata.

3.5 LIMITAÇÕES DO MÉTODO E ESTUDO

Todos os métodos apresentam algumas limitações que o autor deve tomar


conhecimento na hora de fazer a interpretação e coletas dos dados. Deve se considerar a
cultura da empresa e procurar conhecer o entrevistado para que se consiga coletar os dados da
melhor maneira possível.
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REFERÊNCIAS

BUHOWITZ, Wendi R.; WILLIAMS, Ruth L. Manual de Gestão do Conhecimento-


Ferramentas e Técnicas que Criam Valor para a Empresa. São Paulo: Bookman, 2003.

DADOS: Setor Transporte Intermunicipal. Fundação de Pesquisa Economica. Disponível


em: < http://www.fipe.org.br/web/index.>. Acesso em: 05 de maio de 2009.

DAVEMPORT, Thomas H. Conhecimento Empresarial. Rio de Janeiro: Editora Campus


Ltda, 1998.

FILHO, Jayme T. Gerenciando Conhecimento. 2. ed. Rio de Janeiro: Senac Rio, 2003.

GIL, Antonio C. Métodos e Técnicas de Pesquisa Social. 5. ed. São Paulo: Atlas, 1999.

KANANE, Roberto; ORTIGOSO, Sandra A. F. Manual de Treinamento e


Desenvolvimento do Potencial Humano. São Paulo: Atlas S.A, 2001.

NONAKA, Ikujiro; TAKEUCHI, Hirotaka. Criação de Conhecimento na Empresa. 12º ed.


Rio de Janeiro: Editora Campus Ltda, 1997.

NUMEROS: Setor Transporte Intermunicipal. Associação Rio-Grandense de Transporte


Intermunicipal. Disponível em: < http://www.rti.com.br >. Acesso em: 05 de maio de 2009.

QUIVY, Raymond; CAMPENHOUDT, Luc V. Manual de Investigação em Ciências


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ROESCH, Sylvia. Projeto de Estágios e de Pesquisa em Administração. 2. ed. São Paulo:


Atlas, 1999.

RICHARDSON, Roberto J. Pesquisa Social – Métodos e Técnicas. 3. ed. São Paulo: Atlas,
1999.

YIN, R. K. Estudo de caso: planejamento e métodos. 3. ed. Porto Alegre: Bookman, 2003.
REVISTA ACB: Florianópolis: Biblioteconomia em Santa Catarina. v.11, n. 1, p. 75-82,
jan./jul., 2006.

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